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Revista segunda edicao acho digno

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o h c A DIGNO CAPA: Obra de Alexis Peskine feita com pregos.

02_ANO1_OUTUBRO_2014


Crédito: Vera Lopes

EDITORIAL

Quem diria que produzir uma revista eletrônica daria tanto trabalho? Por fim, chegamos na nossa segunda edição, com muita emoção, com preparativos para o lançamentos, com finalização de matéria e revisão de textos. Sem financiamento algum, até o momento, estamos produzindo a nossa Acho Digno com muita garra e carinho, pois acreditamos na proposta e ganhamos uma injeção de ânimo com o lançamento da primeira edição, no qual o público se mostrou bem receptivo e avaliou de maneira positiva essa iniciativa. Nessa edição, deixamos a nossa singela homenagem a este mês de outubro que vem cheio de cor, de outubro rosa, de crianças e professores/professoras. Com o estilo carioca e gaúcho, de Inah Do Arte e Gildo Lemos. Com a comunicação baiana de Ivana Dorali. Na música da terra, a cantora Ellen Oléria conversou conosco sobre a sua arte, a música. O artista plástico, Alexis Peskine, está presente em nossa conversa fiada falando um pouco do seu trabalho, do ser artista e de ser movido pela paixão. Nessa mesma

linha, de amor, apresentamos o projeto “Outros Carnavais”, coordenado pela fotógrafa e produtora cultural Irene Santos, que conta a história dos carnavais de rua de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde os negros eram protagonistas. O empreendimento da Maria Preta Acessórios, que tem o carro chefe em mochilas feitas com tecidos africanos, é a nossa matéria de negócios de sucesso para que sirva de inspiração. E por falar em tecidos africanos, o nosso editorial de moda entrou no universo africano da loja Katuka. Agradecemos, aqui, imensamente aos modelos que estiveram nesse editorial e que, apesar dos imprevistos de última hora, fizeram um ensaio fotográfico belíssimo. Também agradecemos a loja que nos recebeu de braços abertos e serviu de cenário para as fotos. É por isso e muito mais, que a Acho Digno merece ter uma vida longa, porque existem pessoas que acreditam nesse sonho, outras que fazem ele torna realidade, outras que, sem saber, dão mais “gás” para que a edição seja elabora e chegue de forma bonita e leve no ambiente de vocês. Obrigada pela confiança! A nossa palavra é Gratidão! Boa Leitura!

CHEGOU!!!! URAL NOSSA REVISTA VIRT EXPEDIENTE CONSELHO EDITORIAL: Camila de Moraes e Elisia Santos l REPORTAGEM E TEXTOS: Camila de Moraes l COLUNISTAS: Diosmar Santana-Filho, Elba Gamino, Elisia Santos, Emanuelle Góes, Filipe Harpo, Josimeire Andrade, Paulo Ricardo de Moraes e Renata Santos l PROJETO GRÁFICO: Camila de Moraes l DIAGRAMAÇÃO: Camila de Moraes l REVISÃO: Vera Lopes


SUMÁRIO

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CONVERSA FIADA

O artista plástico, Alexis Peskine, fala da sua paixão pela profissão que escolheu desde criança.

OUTROS CARNAVAIS

Webdocumentário irá contar a história dos carnavais de ruas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

EMPREENDEDORA Conheça,

Patrícia Santos, da Maria Preta Acessórios, que trabalha com mochilas de tecidos africanos.

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EDITORIAL DE MODA

O editorial, do mês de outubro, entrou no universo africano e na loja Katuka para mostrar algumas possibilidades de looks.

05 O SEU ESTILO

O locutor, comunicador e modelo, Gildo Lemos, fez parte dessa editoria e nos apresentou diversos estilos.


arquivo pessoal

Poesia Pai e Filho

Paulo Ricardo de Moraes - poeta, escritor e jornalista

E aquela professora em? Por onde andas?

Aquela professora hoje aprendeu um pouco mais sobre si, não que antes não soubesse de suas limitações, processos, medos, questionamentos, porém percebeu que as certezas nas quais se estruturava até mesmo como algo que tinha “segurança’’, por algum motivo passam. O “discurso’’ e prática podem sim estar em relação, o “se’’ (de condição) e o “já que’’ (de conforto) não ficaram pra traz como um passe de mágica. É a consciência e a presença que ganha corpo, dando sentido à vida... O mundo da criança que vive dentro da professora se cura e enxerga agora a mulher que nessa moça cresceu E CRESCE e traça o seu caminho no aqui e agora... arquivo pessoal

arquivo pessoal

O filho fica triste com o pai Mas o pai não deveria ficar triste para entristecer o filho O pai deve ser alegria da vida para que o filho seja a alegria do lar O filho não entende que o pai não vai morrer e sofre como se fosse O pai sabe que não vai morrer mas não consegue dizer isto pro filho O pai quer ser mais amigo do filho mas está desiludido com o mundo e não consegue entender que o filho e o mundo não são a mesma coisa O filho é maior que o mundo O pai não chora, porque não quer ser criança E aí, não deixa o filho crescer O pai na verdade, não quer que o filho Apenas seja um filho-da-mãe, pois o pai ama o filho ...

Elba Gamino - professora, pedagoga e mestre em educação

Emanuelle Góes - Enfermeira, mestra em Enfermagem e doutoranda em Saúde Pública. Coordenadora de Saúde do Odara Instituto da Mulher Negra

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De Brincar

Todo dia Todo dia que procuro por ela Embaixo da cama Atrás da porta Na chuva que chega Sempre penso que trás ela Tenho mais saudade da lembrança Ela estava aqui outro dia Manda buscar a infância


Nossas Crianças

Crédito: Sabrina Baracy

Crédito: Malizi Gonçalves

No mês das crianças, a Acho Digno fez uma campanha nas redes sociais solicitando fotos de crianças para mostrar as suas carinhas nessa versão eletrônica. Essa é uma pequena homenagem as nossas crianças, que fazem parte desse país, também conhecido como Brasil.

Crédito: Sabrina Baracy

Kamau Fontoura Gonçalves Specht e Talita Fontoura Gonçalves Olicheski

Victória Baracy

Crédito: Lilsi Roza Crédito: Matheus Costa

Fernanda Eunice Baracy

Crédito: Sabrina Baracy

Crédito: Horácio de Moraes

Aluiatan Roza de Moraes

Tainá Monteiro de Moraes

Isabel Constança Farias Price

Gabriel Baracy

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Divulgação/arquivo pessoal

O SeU EsTiLo

Nessa edição, vamos conhecer o estilo de duas pessoas que vivem com a moda caminhando lado lado com ela. A carioca, Inah Do Arte, tem um trabalho de modelo belíssimo. No seu blog ela dá diversas dicas de look, lojas e acessórios, além de apresentar as fotos dos editoriais que realiza. O gaúcho, Gildo Lemos, locutor de rádio, comunicador e, nas horas vagas, modelo, nos mostrou diversos looks do seu estilo e aqui dispomos, apenas dois, para todos ficarem com gostinho de quero mais. Mande o seu estilo para a nossa revista e apareça na próxima edição. Queremos nos inspirar no seu estilo e conhecer a sua/nossa identidade. Divulgação/arquivo pessoal

*Inah Do Arte “Esse look é bem típico de verão, como a tem-

Crédito: Laércio Lacerda

peratura estava bem amena, optei por uma blusa leve e aberta de crochê da ZARA; Short Jeans da Renner; Um chapéu panamá que sempre dá um toque especial na composição dos looks que é da H&M (loja européia, super versátil e com preços ótimos); Carteira da Primark (loja europeia); Sandália rasteirinha da loja Sonhos dos pés!” *Carioca e modelo

*Gildo Lemos “Uso este vestuário em ocasiões

especiais, exemplo: mestre de cerimônias, quando vou apresentar algum programa de televisão que tenha haver com a vestimenta, desfiles, material fotográfico, reuniões em geral ou locuções.”

*Gaúcho, comunicador e modelo Divulgação/arquivo pessoal

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Conversa Fiada A técnica do artista plástico, Alexis Peskine, de utilizar pregos em obras “Eu cheguei aonde eu estou não sozinho. Eu cheguei aonde eu estou, porque estava apaixonado, tinha uma paixão, eu queria fazer coisas, mas não cheguei sozinho, teve gente que me ajudou”

A mãe é afro-brasileira e o pai franco-russo. Seu avô paterno, um judeu que sobreviveu aos campos de extermínio alemães, seu avô materno, um carpinteiro que sobreviveu nas periferias de Salvador, na Bahia-Brasil. Com essa árvore genealógica, Alexis Peskine carrega em suas obras a sua identidade, suas vivencias e sabedorias. Um artista de renome mundial, Peskine além de artista plástica, é fotógrafo, cineasta, modelo e estilista nas horas vagas. Atualmente está produzindo uma obra de audiovisual sobre o homem negro e a masculinidade. Desde menino desenhava. Conta, que seu pai sempre lhe deu papel e lápis para esse ofício. Sempre foi artista. Porém, é considerado artista profissional há dez anos após o termino da faculdade. “Eu sou artista e queria transmitir algo. Meu trabalho fala de problemas sociais e sobre a questão do negro e a experiência negra. E teve um momento que eu estava criando e percebi que precisava fazer mais do que só falar e criticar. Então, eu comecei a fazer um trabalho com jovens e voltei para o Brasil, que nunca tinha morado um tempo aí. Minha mãe é de Cosme de Faria, em Salvador-Bahia, um bairro popular. Então, eu comecei a fazer um projeto de obras e trabalhei com jovens na Fundação Pierre Verger e comecei a fazer “acun-pintura”, que é a minha técnica com pregos, e também mostrei à eles o ser artista e o expressar

ideias. Fomos em museus, ateliê de outros artistas para eles terem outra perspectivas. Eles viram outros trabalhos como fotografia, grafismo e filmes. Tudo que fizemos filmamos”, revela Peskine. PREGOS: “Acu-pintura”, uma técnica que desenvolveu há dez anos. Sua arte é única. Também utiliza a técnica da serigrafia. Na sua paleta de cores, usa o preto para a pele humana. Utiliza pregos de tamanhos diferentes para criar uma sensação de terreno, profundidade, e introduz uma terceira dimensão. Os trabalhos são baseados em fotografia e gráficos. Um suporte de madeira, verniz e tintas são outros elementos usados para a criação de suas obras. Atualmente, Peskine trabalha para a sua associação Alexis Peskine Project. “Criei ela porque já desenvolvia um trabalho semelhante em outro local. Desenvolvi a minha própria associação só com a vontade de transmitir o que eu fazia, porque no meu caminho teve muitas pessoas que me ajudaram e me deram apoio. Então eu queria fazer a mesma coisa. Porque


eu cheguei aonde eu estou não sozinho. Eu cheguei

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aonde eu estou, porque estava apaixonado, tinha uma paixão, eu queria fazer coisas, mas não cheguei sozinho, teve gente que me ajudou”, afirma. Peskine tem a intenção de ajudar outros jovens a seguirem a carreira de artistas, de seguir a sua paixão e dá um apoio através de sua associação com os projetos que desenvolve, entre eles intercâmbios e oficinas. “Eu tenho a sorte de poder fazer o que eu gosto e viajar. A arte me dá a oportunidade de viajar. Então, quando eu viajo e tento ajudar um pouco os jovens que tem a mesma paixão do que eu, ou a curiosidade de aprender arte”. Peskine já proporcionou alguns intercâmbios com jovens brasileiros, entre os destinos estão França e Senegal. Revela que para ele era muito importante levar esses jovens para conhecer a África, porque trabalha com jovens negros, e no Brasil há raízes africanas, como em todo o mundo, e existe muito mitos sobre o continente africano que Peskine gostaria de apresentar outra visão dos fatos e da realidade e deixar com que os próprios jovens vivenciassem essa experiência. “E por isso é importante ver os países com os seus próprios olhos”, afirma.


Alexis por Alexis: “Eu tive a sorte

e oportunidade de ganhar dinheiro com a minha própria arte, não faço outra coisa, ou profissão. Eu sou artista! E é isto que eu quero mostrar para os jovens, que você pode ganhar dinheiro com a sua paixão. Como geralmente pais pensam e transmite para os meninos que tem que fazer uma ‘verdadeira’ profissão. O que eu ensino para os jovens é que eles só tem uma vida e não é a vida de outra pessoa, é a sua vida, e nessa vida você tem que fazer o que você querer fazer. E se você quer ser artista, pode ser artista. Mesmo que se você ganhe pouco dinheiro, porque vai ser difícil. É importante fazer o que gosta. É melhor ganhar pouco dinheiro e fazer o que você quer fazer e o que está te fazendo feliz do que ser miserável todos os dias e levantar e ser infeliz

*Fotos de divulgação/arquivo pessoal

só para ganhar dinheiro. Por que no final, você vai ganhar mais dinheiro fazendo uma coisa que você sabe fazer e que você gosta de fazer. Eu não sei aonde eu vou, mas estou indo!

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Empreendedora Mochilas de tecidos africanos são um diferencial no negócio da Maria Preta Acessórios

Normalmente um negócio nasce de um sonho, de uma paixão com a intenção de fazer algo diferente e abranger a necessidade de um público. Pensando nisso, surge a Maria Preta Acessórios, da proprietária Patrícia Santos, que está no mercado desde 2011 e atualmente trabalham com mochilas, bolsas e acessórios de tecidos africanos. Após grande sucesso em uma feira, na qual participou com mochilas de tecidos nacionais e africanos, foi preciso segmentar o negócio e trazer um diferencial para o mercado com uma produção específica em tecidos africanos. O “carro chefe” da marca são as mochilas e Patrícia explica o porquê: “Assim como eu, o meu público é composto por pessoas que tem uma vida muito agitada. A mochila é um acessório que facilita o nosso dia. Contudo, sempre foi difícil encontrar um produto que dê para montar um visual elegante, descolado e estiloso. Também sempre admirei a beleza dos tecidos africanos”. Por gostar de trabalhos manuais, a proprietária fez o

seu primeiro investimento na compra de uma máquina de costura “quando sequer sabia enfiar a linha”, comenta. A persistência e a vontade de fazer algo falou mais alto. Cursos de corte e costura foram feitos e novas técnicas foram aprendidas e todas adaptadas para o seu negócio. “Aprendi a manipular couro objetivando produzir bolsas e sapatos deste material (...) As expectativas são as melhores. Estamos buscando crescer a marca através de uma nova coleção e produtos diversificados, mas mantendo a identidade da marca”, afirma Patrícia. A Maria Preta Acessórios pode ser encontrada nas redes sociais. A loja virtual está em fase de construção. Porém, é possível encontrar os produtos do negócio de Patrícia Santos, no Espaço Ímpar, um empreendimento de economia solidária, que fica localizado no Centro Histórico de Salvador, na Rua do Açouguinho, número 8, ao lado da Praça Quincas Berro D’Agua. Nesse local, o espaço é dividido com mais seis artesãos com produtos variados e atrativos.

Divulgação/arquivo pessoal


Divulgação/arquivo pessoal

Um olhar geopolítico para a territorialidade quilombola A geopolítica do Estado Nacional e a territorialidade quilombola na Bahia no sec. XX , se tornou pesquisa a partir da seguinte reflexão: Como os mais de cem anos de resistência do Quilombo de Palmares (séculos XVI e XVII), representa autoconfiança e possibilidade de outra organização territorial para a população negra no Estado brasileiro, no século XXI! Daí a busca pelas fontes, que pudessem apresentar no espaço e tempo, as condições e posicionamentos dos homens e mulheres negras, em todo o processo de formação do Estado brasileiro. Pois, esses trazem no processo histórico pautas de diálogo com o Estado, que tem como base a desconstrução do centralismo, do patrimonialismo, do latifúndio e caminhos para que se efetive a cidadania pelo direito a terra e território, no campo e na cidade, em todo o território nacional, Portanto, a territorialidade quilombola na Bahia, foi o objeto da análise pela geopolítica para o acesso à terra. Tendo no Art. 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988 e do Art. 51 dos Atos das Disposições Constitucionais (ADC) da Constituição do Estado da Bahia, a base do direito constituídos para as mudanças na configuração do espaço do Estado Nacional pela relação étnica e política. A pesquisa apresenta que 20 anos se passaram, desde a promulgação dos atos constitucionais, e na Bahia, em 2012, somente seis territórios quilombolas têm o

Artigo

Por Diosmar Santana-Filho*

título da terra, dez têm Decretos de Interesse Social (publicados), e os onze têm Relatórios Técnico de Identificação e Discriminação (publicados). Somados representam 184.655,28 hectares, o que vale a 0,19% das terras do território estadual. Sendo que esses territórios estão sendo regularizados pela União, nenhum pelo Governo Estadual. O que prova que os processos desenvolvidos na institucionalidade, com a criação e mudanças nas estruturas do Estado, mantêm as formas inalteradas, e isso vai se refletir nos números da regularização fundiária, em território estadual. Representando que são ineficientes, ao desfio de se efetivar a política pública, para o acesso e o direito à terra a população negra quilombola. Assim, a atenção ao processo que se inicia no século XVI com o Quilombo de Palmares. Tem na contemporaneidade o desafio de equação para o Estado brasileiro, e exige um novo pacto federativo no Brasil. O que demanda um novo ordenamento territorial e espacial capaz de absorver as multiterritorialidades que se constituem no espaço em relações multi-escalares, combatendo as desigualdades sociais, reflexo da concentração da terra. Sem romper com as centralidades e o patrimonialismo, será impossível o Estado Nacional alcançar a democracia e o desenvolvimento para todos, e, pior do que isso, o país estará distante de ser uma Nação democrática. *Geógrafo, mestre em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Dissertação de Mestrado em Geografia – UFBA (2014)


Divulgação/arquivo pessoal

Artigo Jurídico Injúria racial e racismo Por Renata Santos*

Atualmente, temos ouvido falar muito sobre o crime de racismo, devido aos vários acontecimentos amplamente divulgados nos meios de comunicação, sendo o último deles o episódio ocorrido com o goleiro Aranha, chamado de “macaco” por uma torcedora do Grêmio. Situações de cunho preconceituoso são vivenciadas diariamente pelas pessoas, seja em relação à etnia, religião, posição político-filosófica, sexo, cor, dentre outros. Embora, muitas vezes sejam denominadas como crime de racismo, algumas situações enquadram-se no crime de injúria racial. Deste modo, ante a evidente repercussão de inúmeras consequências do fato acima relatado, necessário observar a diferença entre o crime de racismo e o de injúria racial. O crime de injúria está tipificado no art. 140 do Código Penal Brasileiro e consiste: Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: (...) Quando a injúria estiver relacionada a elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência este crime torna-se qualificado, conforme §3º do referido artigo: § 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena - reclusão de um a três anos e multa. O referido crime consiste na lesão a honra subjetiva da vítima, atinge pessoa determinada, estando

diretamente ligado a honra e dignidade da pessoa atingida. São agressões verbais direcionadas a uma pessoa, com a intenção de abalar o psicológico dessa vítima determinada, utilizando elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. A ação penal aplicável a esse crime tornou-se pública condicionada à representação do ofendido, sendo o Ministério Público o detentor de sua titularidade. O racismo é um crime de gravidade maior, o qual o legislador aplicou um tratamento mais severo ao agente causador, assegurando sua prática como inafiançável e imprescritível, "sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei", conforme previsto no inciso XLII, do art. 5º da Constituição Federal. Os crimes de racismo são regulados pela Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, posteriormente, editada a lei 9.459, de 13 de maio de 1997. Se procede mediante ação penal pública incondicionada, cabendo também ao Ministério Público a legitimidade para processar o ofensor. Diferentemente do crime de injúria racial, o crime de racismo atinge uma coletividade, um determinado grupo de pessoas, com objetivo central de impelir a segregação racial. O agente impede o exercício de qualquer direito líquido e certo, em razão de uma discriminação baseada em raça, etnia, cor, religião ou procedência nacional. Assim se percebe a grande diferença entre a injúria racial, que é um xingamento preconceituoso, com intuito de atingir uma pessoa determinada e o racismo, que é um preconceito discriminatório contra um determinado grupo, ou uma coletividade. *OAB/RS 94.201 Advogada e sócia da empresa MS Advogados Email:renatasantoss.adv@gmail.com


Divulgação/arquivo pessoal

Quem faz a Comunicação

Ivana Dorali

a realização desta revis“Parabenizo ta que, assim como algumas outras que apareceram nos últimos anos, surge como uma produção de conteúdo responsável que atende a um público negligenciado e marcado pelo reforço de estereótipos e racismo da grande mídia

Quando criança gostava de língua portuguesa e biologia e o seu desejo era fazer algo ligado à comunicação ou a biologia, mais especificamente genética. No ensino médio, percebeu que tinha mais afinidade com comunicação. Foi então, que Ivana Dorali, com 17 anos prestou vestibular e passou para o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. “Eu estava no lugar certo. Perceber a importância que a comunicação tem, o poder de transformação, de informar, de influenciar! Eu estava encantada! E tudo que eu pensava era o quanto o mundo poderia mudar se a comunicação fosse feita da forma correta, com ética e compromisso”, afirma. A jornalista e assessora de comunicação, Ivana Dorali, que já atuou como produtora na Rede Record, repórter na TVE, repórter especial no jornal A Tarde para o caderno da Consciência Negra de 2013, redatora no Portal Terra, e por alguns anos trabalhou no Instituto Mídia Étnica (IME), também se identifica trabalhando como facilitadora de oficinas de comunicação. “Foi uma das habilidades que descobri e desenvolvi ainda no IME e levei para a minha vida. A educomunicação, como costumamos chamar, é um instrumento importante de empoderamento para os jovens, especialmente jovens negros de periferia”, revela. Ivana defende essa prática como um instrumento de transformação, no qual, o indivíduo pode ter uma visão crítica do que está posto como verdade. Dessa forma, a comunicação surge como um possível caminho e estimula a produção de novos conteúdos. E foi pensando nessa produção de novos conteúdos, que na época da faculdade, junto com a colega

”

de sala, Jamile Menezes, conheceram os jornalistas André Santana e Paulo Rogério, e começaram uma discussão para formar um grupo de comunicólogos para pensar a comunicação como forma de combater o racismo, no qual, anos mais tarde se tornaria o IME. “Eu já era ideológica, tinha o sonho de fazer transformação com a minha profissão, então a questão racial bateu na minha vida e me reconheci imediatamente. Foi quando eu descobri que trabalhar a comunicação dentro das questões sociais era fundamental.” De acordo com a jornalista, a palavra de ordem deve ser inclusão quando se trata sobre comunicação. Há uma necessidade de democratizar a comunicação, caso contrário ela continuará sendo exclusória.

Ivana por Ivana: “A comunicação tem uma série

de questões que desafiam os comunicólogos sérios e com compromisso. A começar pela concentração dos veículos de comunicação na mãos de poucos, que são geralmente políticos atendendo os próprios interesses, sem se importar com a relevância, veracidade da informação e o interesse público. Por outro lado há uma dificuldade de produção de mídias alternativas. As poucas que surgem raramente conseguem se manter sem apoio e investimentos. Sites, revistas, jornais impressos, produções audiovisuais, ou seja, produtos de comunicação têm um custo que não é baixo, o que dificulta muito a produção de conteúdo alternativo. Por isso inclusive parabenizo a realização desta revista que, assim como algumas outras que apareceram nos últimos anos, surge como uma


Divulgação/arquivo pessoal

produção de conteúdo responsável que atende a um público negligenciado e marcado pelo reforço de estereótipos e racismo da grande mídia. Para além da produção de conteúdo, acredito que a comunicação tem um papel fundamental no sentido da transformação. Não dá pra pensar em mudança social sem pensar na comunicação como um instrumento importante que é. Algumas vertentes de movimento social entendem isso, reconhece a importância da comunicação neste cenário, mas ainda não investem como deveria nisso”.

Me indique um livro

“As Andorinhas”

Chiziane nasceu em Moçambique, Manjacaze. É reconhecida a primeira mulher moçambicana a escrever um romance. Suas obras falam das vivências tradicionais do seu povo em uma África do passado e do presente. Escreve em defesa das mulheres, utiliza do recurso da tradução oral para escrever e baseia-se em literaturas marcantes do continente africano, como “Chillogon, o filho do chefe”

Divulgação/arquivo pessoal

de Eduardo Mondlane. Em seu livro, “As Andorinhas”, escreve sobre as lendas e histórias do último Rei de Gaza, como a de ter perdido o poder por causa de uma andorinha. “Andorinhas” em seu romance são representação da liberdade, no intuito de fortalecer as lutas do povo africano, em especial os jovens, pelos seus ideais de libertação e empoderamento. “Se queres conhecer a liberdade,

segue o rastro das andorinhas” (ditado Chope)

Por Josemeire Ferreira Andrade – graduada em Letras Vernáculas pela Ucsal. Especialista Estudos Linguísticos e Literários pela Ufba. Integrante da Rede de Mulheres Negras junto ao Instituto Búzios.


Editorial

Crédito: Samada Kintê

A moda africana

O editorial de moda da revista eletrônica Acho Digno, do mês de outubro, entrou no universo africano para apresentar as roupas, tendências, acessórios e indumentárias da loja Katuka. A butique, que fica localizada na Praça da Sé, no Centro Histórico de Salvador, serviu de cenário para modelos baianos que, foram produzidos pelo Salão Rosas Negras, posarem para os cliques de Samada Kintê e Camila de Moraes. Com a proposta de fomentar a cultura de matriz afri-

cana, a Katuka investe em um serviço diferenciado e ressignifica o vestir afro-baiano. Especializada em peças vindas do continente africano, os sócios Renato Carneiro e Carlos Danon, com mais de cinco anos de mercado, também se dedicam a comercializar tecidos, livros, guias e contas especiais do candomblé na Katuka – Mercado Negro. Já a Katuka Africanidades é voltada para moda, arte e decoração.


Crédito: Samada Kintê

Crédito: Samada Kintê


Crédito: Samada Kintê


Crédito: Bia Inarê


Crédito: Samada Kintê

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EDITORIAL DE MODA l equipe

Fotógrafas: Samada Kintê e Camila de Moraes Maquiadora: Elisia Santos/Salão Rosas Negras Produtoção: Camila de Moraes e Elisia Santos Vestuários: Katuka - Africanidades Modelos: Bia Inarê, Luksa Kintê, Paula Loyola, Rodrigo Araújo e Spike Bpl.


Música da Terra

A magia da música da cantora Ellen Oléria Um brinde

Reprodução da internet

eu posso ser mais e ser tudo aquilo que você já imaginou. eu posso ser te dar as mãos é maestria no caminho tenho um coração tranquilo e faca afiada na carne. sou o teu desejo escondido a tua coragem encarnada o perigo rondando a tua casa o atraente sono cingindo a tua fronte o descanso de tuas costas quebradas as cores quentes que teus olhos podem ver e mais, sou o lugar aonde os seus pés podem ir e chegar cinturão de alcione e farta tecnologia se aliam pra me dar nome: encruzilhada fita entrelaçada mão chifrada sou real surreal o sonho. (Poliana Martins, 2013)

Em uma encruzilhada, o seu caminho é guiado pela música. Um espetáculo que aguça todos os sentidos. Com uma simpatia enorme e um sorriso largo no rosto, antes de subir ao palco para mais uma apresentação, que levaria o público a cantar junto, dançar suas músicas e interpretações, a cantora Ellen Oléria conversou com a revista Acho Digno e falou um pouco da sua arte, a música que faz e eleva, a leva para tantos outros locais. Com canções swingadas, o seu repertório é um elo entre músicas consagradas e projeto autoral consistente. O encontro com o público revigora e alimenta a alma de todos que ali estão. Segundo a cantora, a música tem algo muito mágico, que é a força do ritmo. “Toda pessoa tem um coraçãozinho pulsando, marcando uma levada, uma levada pessoal, um groove próprio, a gente já chega com isso. Uma das primeiras coisas que a gente consegue percebe e que a gente identifica na vida é através dessa batida, é o swingue que a gente já chega. E eu acho que essa batitinha aqui aproxima a gente. Quando eu ouso o Ilê Aiyê tocar, por exemplo, é porque é vivo mesmo. Não interessa de onde você é ou porque fala outra língua ou não. Isso diz, comunica, atraí, envolve enquanto toca. Então, são muitas forças que envolvem essas versões rítmica, poética, melodia, harmonia. É tudo muito complexo, o despacho do acústico. Isto é mágico!”, revela e disse que essa magia é capaz de extrapolar fronteiras. Para Ellen Oléria, a música é uma memória. E uma canção, ainda


Música da Terra

tem o poder de transcender alguém para outro mundo. Suas letras, melodias têm muita raiz e descreve, em parte, quem é essa artista que serve de canal para transmitir a sua arte por meio da música. “Acredito que toda a forma de cultura espelha a sociedade. E se a gente consegue encontrar esse processo discriminatório em outras estâncias, eu acredito que é um fato que está presente na música também, nas artes”, afirma a cantora ao falar sobre questões raciais. Para modificar esse cenário, aposta nas iniciativas. “Acho que todas as iniciativas são validas. Quando a gente trabalha junto fortalece. Várias políticas públicas abriram portas para a gente, diminuir as desigualdades. Mas, eu acho que as iniciativas ainda são necessárias e a gente tem muito que transformar e o quanto mais a gente puder se aglutinar, se envolver e também se misturar, melhor. Mas é muito válido mesmo! Desejo muito axé para vocês nessa caminhada!”, finaliza Ellen Oléria.

Reprodução da internet

Crédito: Val Benvindo


Webdocumentário

Crédito: Ana Luiza Koehler

Em Porto Alegre existiu outros carnavais

Com a intenção de resgatar a memória do carnaval de rua de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, do período de 1930 à 1969, surge o projeto “Outros Carnavais”, coordenado pela fotógrafa e produtora cultural, Irene Santos. O webdocumentário, um formato de website que engloba, áudio, fotografia, texto, desenho, estará disponível no portal www.outroscarnavais.com.br, a partir do dia 24 de outubro e será mensalmente atualizado com conteúdos novos. “É muito entusiasmante trabalhar com a internet para sistematizar um conhecimento que obtivemos em fontes primárias, como são os depoimentos e as entrevistas de pessoas que participaram dos ‘outros carnavais’ do século 20”, revela Irene. O projeto contou com o financiamento do Fumproarte da Secretaria da Cultura do Município de Porto Alegre. E, para a realização deste trabalho, foram utilizados três modos de pesquisa, entre elas: pesquisa iconográfica com fotografias e desenhos em jornais e revistas de acervos de museus da cidade, depoimentos gravados em vídeo de antigos participantes do carnaval, e pesquisa em documentação dispo-

nível em museus, jornais, livros sobre a população negra da cidade. De acordo com a coordenadora do projeto, durante todo o trabalho houve a preocupação de buscar depoimentos de estudiosos e carnavalescos negros. “Porque a oralidade é a nossa maneira natural herdada dos ancestrais africanos, de transmitir conhecimento. E porque hoje existe uma lei que torna obrigatório o ensino da história e da cultural afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. Então está na hora de nós começarmos a contar nossa própria história. Com o nosso olhar negro, com o nosso ponto de vista”, afirma. VELHOS TEMPOS: Antigamente os negros eram os protagonistas do carnaval de rua. Era uma maneira de se expressarem artisticamente e compartilharem as suas histórias de vida. Durante todo o ano produziam bailes, reuniões dançantes, torneios de futebol, atividades sociais, o que permita uma integração social, cultural e política entre as gerações e transmitia conceitos e tradições ancestrais. Segundo Irene, no início do século 20, o carnaval mostrava uma divisão evidente e aprovada como norma social. “Mantinham-se dois carnavais, o dos brancos e o dos negros. Havia um carnaval de rua, de cunho popular e de maioria negra, e um carnaval elitista, da minoria branca, recolhido em suntuosos salões de bailes. Na rua, os negros cuidavam de todas as etapas dos desfiles, desde a confecção das alegorias, ainda bastante modestas, das fantasias, dos

Grupo X do Problema,1940. Acervo Silvio Aquino


instrumentos de percussão, além da composição das marchas que alegrariam as ruas”, relata. TEMPOS ATUAIS: Hoje em dia, a capital gaúcha, no período de carnaval, fica praticamente deserta. Na cidade existem algumas escolas de sambas que desfilam na “avenida” do Porto Seco, um local distante do centro. A pista é estreita e curta. O local é deserto e há escassez de transporte coletivo para aquela região. Por esses motivos, não é possível comparar com o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, por exemplo. Mas nem sempre foi assim. “O projeto Outros Carnavais tem o objetivo de dar uma contribuição à história do negro porto-alegrense, privilegiando a oralidade, ao resgatar a memória da festa do carnaval de rua, trazendo à luz uma série de histórias de tempos nem tão remotos e enfatizando a importância que os próprios protagonistas lhes atribuem na sua luta pela afirmação de sua identidade negra”, finaliza Irene.

Outros Carnavais é discutido em uma mesa redonda com a participação de Osvaldo Reis, Nilo Feijó e Caludinho Pereira. Cenas do webdocumentário.

PorFilipe Harpo*

Os primeiros minutos de For Colored Girls, sem tradução para o português, são de uma genialidade impressionante. O longa, baseado no livro For Colored Girls: Who Have Considered Suicide When the Rainbow is Enu” de Ntozake Shange, é uma coletânea de 20 poemas sobre as vivencias de mulheres negras nos Estados Unidos. For Colored Girls transforma um arquétipo batido do cinema – várias histórias que se cruzam – em um roteiro interessante, intercalado pelos poemas, inseridos dentro do filme de uma forma única. No elenco, nomes como Thandie Newton, Whoopi Goldberg, Anika Noni Rose, Kerry Washington, Janet Jackson, Loretta Devine e Macy Gray. Ou seja, a nata das atrizes negras que se envolveram no projeto, seja por conta do cineasta/produtor Tyler Perry ou pelo significado do livro junto a comunidade negra norte americana. Algo com um elenco desta categoria não tem como dar errado, tem? Bem... Analisando friamente For Colored Girls é um filme bom! O texto e as atuações são simplesmente fenomenais. O roteiro de Ntozake Shange e Nzingha Stewart mistura divinamente os poemas à trama com uma naturalidade impressionante. Fora as atrizes que recitam os

Cinema Crédito: Márcio Bacelar

Poemas sobre as vivencias de mulheres negras vira filme nas mãos do produtor de Preciosa

poemas da melhor forma possível. Em uma salada magnífica de personagens as historias de nove mulheres são expostas na tela. Janet Jackson interpreta a dama vermelha, Jô; fria, mandona, editora de uma grande revista, esposa de um homem de negócios “emparedado” em sua masculinidade frente ao poder da esposa. Juanita (Loreta Devine. Ótima!), ou a dama verde, é alegre, dá aulas de auto estima a mulheres negras e latinas em uma ONG, mas enfrenta crise em seu relacionamento com um namorado que sempre a trai em vários sentidos. Yasmine (Anika Noni Rose, ótima!), a dama amarela é delicada, mas vai se transformar por conta de algo que contando estraga. Tangie (Tandie Newton, que vem crescendo nos últimos anos seu nível), a dama laranja, é uma mulher que vive no âmbito amoral. Mas o espectador não sabe se sua vontade de ter vários homens em sua cama é uma escolha de vida ou algum traço ruim/marcante


da sua trajetória não resolvida. Alice (Whoopi Goldbert (magnífica!), a dama branca, é mãe de Tangie e Nyla , fanática religiosa, tem um amor incondicional pela filha Nyla considerada por ela pura, mas sente desprezo por Tangie, pois não concorda com os atos da filha mais velha. Gilda (Phylicia Rashad), a dama cinza representa o equilíbrio. Crystal (Kimberly Elise), vive a esposa de um homem alcoólatra, que é violentada diariamente por ele na frente de seus dois filhos. Linda interpretação. Nyla (Tessa Thompson), a dama roxa, entra no filme para simbolizar o amadurecimento de uma mulher. Por fim, Kelly (Kerry Washington) tem um amor mágico, mas infelizmente não consegue ter filhos e sofre por conta disso. O problema do filme é justamente Tyler Perry, produtor do oscarizável Preciosa. É nítida a falta de personalidade de um diretor que comanda grandes projetos com a cafonice de um filme feito para a TV sem identidade. Fiquei imaginando a produção nas mãos de Steve McQueen (12 Anos de Escravidão) ou mesmo de uma cria de Tyler, Lee Daniels diretor de Preciosa. Não é um defeito que corrompa o filme, a produção é boa, mas deixa-o com cara de qualquer coisa. No final, fica a sensação de um filme bom,

que poderia estar várias escalas acima. Texto ótimo, elenco dos sonhos... e um diretor sem garra para dar valor a esse tesouro em mãos... *Diretor de teatro, ator e professor

Divulgação

Dica do Salão Rosas Negras

O corte ideal

que franja, se permita. Os cabelos crespos podem dar muito trabalho para as mulheres, mas não há dúvidas de que os cachos valorizam os traços femininos e as deixam muito mais jovens e sensuais, e a sensualidade está no auto

reconhecimento da beleza, e, para ser bela, é preciso se sentir bela, precisa vir de dentro para fora. Os cortes ideais devem ser sempre repicados e nunca retos. Estes tendem a deixar o black sem forma e com aspecto de descuidado. Procure sempre cortes repicados, desiguais, pois é preciso distribuir o volume em toda cabeça. As laterais do cabelo devem ser repicadas, para não deixar o corte semelhante a uma forma de “abajur” ou de um “V” invertido. Se deseja armá-lo, penteie os cabelos secos. Mas, se desejar muitos cachos, o ideal é penteá-los com os dedos. E boa sorte!

Reprodução da internet

Qual o corte ideal para quem pretende ter um cabelo crespo natural? Calma, o melhor corte será sempre o que melhor lhe contemplar, contudo existem cortes que valorizam o rosto e dão volume nas lindas madeixas crespas. Algumas mulheres negras costumam andar com cabelos presos e com cortes retos, se escondendo por timidez, ou pela força do racismo. Solte teus cachos, faça chanel, fique careca, deixe o cabelo com camadas, colo-


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