





Adelino Fonseca Lage 176/1966
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Adelino Fonseca Lage 176/1966
Celebramos este ano 200 anos sobre a morte do Fundador do Colégio Militar, o Marechal António Teixeira Rebelo.
O legado que nos deixou é imenso, 222 anos de um Colégio pensado em servir e acolher os órfãos de militares falecidos na Guerra, atingiu uma dimensão que dificilmente imaginaria o Coronel António Teixeira Rebelo, quando em funções de Comando do Regimento de Artilharia da Corte, aproveitou as instalações da Feitoria, para aí fundar uma escola destinada aos filhos dos seus oficiais.
Da concretização dessa primeira ideia, surgiu a vontade de ir mais longe, e assim, o Colégio de Educação do Regimento de Artilharia da Corte que contou com 20 alunos no primeiro ano de ensino, criou as bases do que veio a ser o Real Colégio Militar, cuja data de fundação se atribui ao dia 3 de Março de 1803, e que hoje, já no século XXI, duzentos
anos após a sua morte, nos permite continuar a celebrar o aniversário do Colégio Militar nesse dia, recordando assim, a figura do Fundador Marechal António Teixeira Rebelo.
O Marechal teve um papel de tal forma determinante na fundação e primeiros 22 anos de vida do Real Colégio Militar, numa dedicação única, que apesar das frágeis condições de saúde que em idade avançada o limitavam, apoiando-se no seu subdirector Cândido Xavier, manteve-se como Director até ao seu último dia, falecendo na madrugada de 6 de Outubro de 1825, nas suas instalações no primeiro andar dos Claustros.
Este vai ser um ano lectivo, marcado por diversos eventos recordando o Fundador, nos 200 anos da sua morte, quer no âmbito do funcionamento do Colégio Militar, quer numa homenagem a ser celebrada na sua terra natal, a aldeia de Silhão, freguesia de Cumieira de

Placa de Homenagem nos Claustros do Colégio Militar.
Cima, no Concelho de Santa Marta de Penaguião.
Um Zacatraz à memória do Fundador, Marechal António Teixeira Rebelo.
Assembleia Geral
Presidente Nelson Manuel Machado Lourenço (377/1982)
Vice-Presidente António Luís Henriques de Faria Fernandes (454/1970)
Secretário José Nuno do Rosário e Silva Leitão (153/1964)
Secretário Ricardo de Sousa Macedo Esteves Mendes (190/2006)
Direcção
Presidente António Xavier Lobato de Faria Menezes (568/1969)
Vice-Presidente Pedro Miguel Correia Vala Chagas (357/1977)
Vogal Francisco José Nogueira Correia (197/1997)
Vogal Ângelo Eduardo Manso Felgueiras e Sousa (498/1976)
Vogal Luís Manuel Marques Cóias (190/1990)
Vogal Maria Leonor Rainha Miranda Antunes dos Santos (628/2014)
Vogal Adelino Augusto Reis da Fonseca Lage (176/1966)
Conselho Fiscal
Presidente Luís Miguel Antão Gonçalves (236/2011)
Vogal Luís Filipe Figueira Brito Palma (214/1977)
Vogal Bruno Luís Pereira Martins (146/2012)
Nº 240 - Julho / Setembro - 2025
Publicação Trimestral
FUNDADA EM 1965
FUNDADOR
Carlos Vieira da Rocha (189/1929)
DIRECTOR
Adelino Fonseca Lage (176/1966) adelino.lage@aaacm.pt
CHEFE DE REDACÇÃO
João Barrento Sabbo (17/1967) joaosabbo@gmail.com
REDACÇÃO
Nuno Mira Vaz (277/1950)
Luís Ferreira Barbosa (71/1957)
Jorge Santos Pato (484/1966)
REGISTO E BASE DE DADOS FOTOGRÁFICA Leonel Tomaz
CAPA
200 Anos da morte do Fundador Marechal Teixeira Rebelo
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar
MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDACÇÃO Quartel da Formação – Largo da Luz 1600 – 498 LISBOA Tel. 217 122 306/8 Tlm. 916 072 898
TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL - Nº 79856/94
Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. Esta publicação não segue o novo acordo ortográfico.
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ACEDA À REVISTA ZACATRAZ
Número Anterior 239





GRAFONOLA
SABERES

INSTITUTO DE IMPLANTOLOGIA

NOVA PHISIO ORTOPEDIA E FISIOTERAPA
Nuno Pombeiro 70/1973
Rui Mendonça 685/1974

CLÍNICA MÉDIS MEDICINA FÍSICA E DE REABILITAÇÃO
A ligação da sua/tua empresa à AAACM, através de um protocolo com condições especiais, é uma forma de dizer presente, e dizer obrigado ao Colégio que criou as raízes, do teu sucesso.
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Caro "Rata"
Decidi dirigir-me a ti, que agora te tornas membro de corpo inteiro do Batalhão Colegial, já vestiste a farda cor de pinhão e conheceste os teus camaradas, e estás a começar um percurso que, por todas as razões que já conheces e muitas que ainda desconheces, é feito de muito mais do que aulas, professores e exames.
Verás que esta é uma experiência de vida cheia, em que enfrentarás desafios, desafiarás os teus receios e recearás apenas o que não podes conquistar – com tanto aqui à tua disposição, valores que te guiarão na vida futura, amigos que vais fazer, obstáculos a ultrapassar.
E como te invejo, “Rata de 2025”. Eu, António Teixeira Rebelo, morri há duzentos anos (parece que foi ontem) e o Colégio Militar decidiu
homenagear-me, com cerimónias, eventos, palavras, muitas palavras. A revista da AAACM, através do seu director, o Adelino Lage, 176/1966, conseguiu contactar-me neste além-túmulo em que levo uma vida tão aprazível, com recordações e afazeres vários, e pediu-me para dirigir umas palavras aos leitores da “Zacatraz”.
Pois eu achei que as minhas palavras, vindas de tão longe e tão de trás, melhor empregues seriam numa conversa contigo, “Rata de 2025”.
Sabes, nasci ainda no século 18 e morri, como já disse, em 1825. Tinha 77 anos, coisa rara de alcançar à época. Fidalgo da Casa Real, fui muita coisa, mas do que mais me orgulho, antes de ter fundado este Colégio, foi ter sido militar; e das campanhas do Rossilhão, em Espanha, ter contribuído para a melhoria da artilharia
espanhola, e portuguesa, esta como comandante do parque de artilharia. Tanta coisa fiz – chegaria a ser Ministro - que já mal recordo, pois no lugar de onde contemplo esse tempo passado em que vivi, pouco se vislumbra das glórias terrenas.
O que resta, é o que conta. E o que para mim mais conta, caro “Rata”, a joia da coroa da vida que vivi e este ano se evoca, é a fundação do Colégio, em 1803, com data oficial de 3 de Março, era eu então apenas coronel. Inicialmente, foi designado Colégio da Feitoria ou Colégio Regimental da Artilharia da Corte e tinha por missão instruir os filhos dos oficiais do regimento de artilharia da corte, que eu comandava.
Como não fazia parte dos estabelecimentos de ensino oficiais, os primeiros anos não foram fáceis. Mas, em 1805, o príncipe regente D. João visi-


tou o Colégio e, face às dificuldades de que se apercebeu, mandou pagar diariamente 240 reis (a moeda da época) a cada aluno, e uma gratificação aos professores que, até então, ensinavam a título benévolo.
Aos poucos o Colégio mudou, cresceu com alunos filhos de oficiais que lutavam pela pátria, incluindo órfãos de pais caídos em combate. Não foi fácil, mas nunca desisti; antes quebrar do que torcer, não é mas podia ser a nossa divisa. O Colégio começou a formar alunos que se tornaram oficiais do exército e tomaram parte em campanhas militares.
Até que, por fim, em 1813, dez anos após a sua fundação, os governadores do reino confirmaram oficialmente a transformação do Colégio da Feitoria num estabelecimento de ensino designado Real Colégio Militar, para educar filhos dos oficiais do exército e da marinha, com serviços militares prestados com aprovação e louvor e sem meios para os mandar educar.
Em 1812, fui eu promovido a Marechal de Campo, mas foi a minha nomeação como director do Real Colégio Militar,
em 1813, que constituiu a maior honra da minha vida. Exerci o cargo até ao dia do meu falecimento, em 6 de outubro de 1825.
Em 1814, o Colégio mudou para o edifício de Nossa Senhora dos Prazeres, à Luz, do qual sairia brevemente no decurso do século, antes de assentar definitivamente arraiais nas actuais instalações. E as gerações de alunos do Colégio Militar passariam a ser chamadas desde então, como tu o és, de “Meninos da Luz”.
Em 1820, recebi do Brasil, a pedido do príncipe regente, o mesmo D. João que em breve se tornaria D. João VI, uma missiva que resumo: “O príncipe real, meu amo, ordena-me que participe a v.s. que tomando sempre um vivo interesse por tudo o que pode concorrer para o bem geral, viu com bastante prazer o plano de organização e método de estudos que se observa no Real Colégio Militar do qual v.s. é diretor (…); S.a.r. espera que este sinal da sua real benevolência desperte nos ditos colegiais uma nobre educação no desempenho dos seus deveres, tanto civis como académicos, que os constitua por isso dignos de atenção de s.m., da contemplação de s.a.r. e dos
louvores do público instruído; devendo v.s. ficar na inteligência de que s.a.r. terá sempre em grande estima e consideração aquelas pessoas que estando como v.s. encarregados da educação da mocidade, se esmerem no desempenho de uma tão honrosa missão”.
É esta, meu caro “Rata de 2025”, a herança que te é entregue, para que a preserves, respeites e reforces, para que pela vida fora os valores e ensinamentos do Colégio Militar te acompanhem, para que caminhes com todos aqueles com quem vais partilhar praxes, camarata, marchas, cerimónias e obrigações, para que uses os conhecimentos e a formação que vais receber em prol deste país velhinho de quase novecentos anos, dos teus concidadãos, da tua família.
E para que um dia, ao eco de um último Zacatraz, passes o testemunho que agora te endosso, com o mesmo orgulho e de olhos bem firmes no futuro. Cá nos encontraremos, seja onde for, mas agora vive bem e aproveita esta voz que te fala de um Colégio feito de honra, de valor e de serviço à Pátria.
Boa sorte, “Rata de 2025”.

Preciosismos de linguagem? Realidades sociológicas diferentes.
Ao longo dos anos temos sido espectadores e leitores de discursos, textos, conversas... de pessoas que vivem, temporária ou permanentemente, na órbita Colegial, em que a expressão “comunidade” é usada sem ligação à sua essência.
Comunidade Colegial e Família Colegial são, efectivamente, realidades distintas que não devem ser confundidas.
Numa família, entra-se, sai-se, pelo Sangue, pelo Direito até pela Afinidade, em que hoje, mais do que nunca, a componente temporária da pertença se acentua com cada vez maior frequência.
No caso do Colégio, Pais de Alunos e Servidores Militares e Civis têm envolvimento profissional e, eventualmente, emocional, temporário com o Colégio: pertencem durante esses períodos a uma família – a Família Colegial que inclui a Comunidade Colegial – com interesses comuns ou diversos consoante os grupos a que pertencem.
Alunos e Antigos Alunos serão sempre Antigos Alunos: nunca deixarão de o ser.
A diferença é substancial.
Uns estão vinculados ao Código de Honra, outros apenas, durante algum tempo, o viram escrito ou
tomaram dele conhecimento: não são parte da Comunidade, não têm em “comum” este vínculo.
Exceptuam-se aqueles que não tendo frequentado o Colégio como Alunos, foram, por mérito próprio - reconhecido em Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar - distinguidos como Sócios Honorários da Associação, com o direito a usar a Barretina.

João Sabbo 17/1967
No nosso Colégio Militar, hoje e sempre, os ir mãos mais velhos têm muita responsabilida de na formação de carácter e desempenho dos mais novos.
Estão assim no topo da pirâmide e todos os que partici param nesse processo de aprimoramento farão sempre parte do espírito de corpo e da alma de cada curso.
Uma vez Aluno/Irmão, Ex-Aluno/Antigo Aluno /Irmão para sempre.
Connosco ninguém é apenas mais um. SOMOS UM POR TODOS E TODOS POR UM!!!
No entanto, curiosamente, na nossa Associação de Antigos Alunos e na vida, os alunos mais novos estão no topo da pirâmide!
É por eles e para eles que mantemos viva a chama da nossa sagrada camaradagem.
Obviamente para além da morte!
Zacatraz irmandade!!!


Luís Ferreira Barbosa 71/1957
Otítulo do presente artigo é a designação de um notável projecto recentemente iniciado pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), sedeada no Palácio da Independência, no Largo de S. Domingos, em Lisboa, local bem conhecido de todos os Antigos Alunos. É lá que, todos os anos, no final do desfile do 3 de Março, o Batalhão Colegial deposita as suas armas, enquanto os Alunos e seus familiares participam, na vizinha Igreja de S. Domingos, na missa de acção de graças por mais um ano de existência do Colégio, e em que se evocam as almas de todos os Antigos Alunos e Servidores do Colégio já falecidos. Era neste belo Palácio, acabado de ser restaurado já no presente ano, que se reuniam os 40 conjurados, que, a 1 de Dezembro de 1640, deram por livre a Nação, restaurando a independência de Portugal.
No presente século, celebram-se 900 anos de existência de Portugal, o que é um facto incontroverso. Quanto ao “ano de nascimento” de Portugal dentro do século XII, já a questão não é tão pacífica. Há quem admita que foi em 1128, ano da Batalha de S. Mamede, ou com a Batalha de Ourique, em 1139, há quem admita que foi em 1143, ano de celebração do Tratado de Zamora e há quem admita que foi bem mais tarde, em 1179, ano da publicação da bula “Manifestis Probatum”, em que o Papa Alexandre III finalmente reconheceu D. Afonso Henriques como Rei dos Portugueses. O intervalo temporal entre o primeiro e o último ano é de cerca de 50 anos, o que nos dá uma ampla janela temporal para as celebrações da fundação de Portugal. Esta foi a primeira abordagem no planeamento da SHIP.
A Sociedade Histórica decidiu, porém, comemorar os 900 anos de Portugal de forma ainda mais alargada no tempo. Decidiu promover as comemorações tomando como marcos limites os anos de 1125 e de 1185. Em 1125, D. Afonso Henriques atingiu a idade adulta e procedeu à sua auto-investidura como Cavaleiro, na Catedral de Zamora. O ano de 1185, foi o ano da sua morte. Com base nestas datas, passou a ser de 60 anos o intervalo temporal para celebrar os 900 anos de existência de Portugal.
As comemorações públicas promovidas pela SHIP tiveram início no passado dia 8 de Junho de 2025, na cidade de Zamora, com uma participação assinalável dos seus associados. Nos dias 6 e 7 de Junho, a anteceder as referidas comemorações, realizou-se um congresso histórico, que decorreu


na sede da Fundácion Rei Afonso Henriques, no antigo convento de S. Francisco em Zamora.
No dia 8 de Junho, houve um desfile inicial dos representantes portugueses pelas ruas de Zamora, com final no amplo adro da sua Catedral, onde se encontrava montado o palco para as cerimónias iniciais. Integraram o desfile 5 Bandas de Música portuguesas e uma numerosa delegação da Grã Ordem Afonsina, vinda de Guimarães.
No adro da Catedral, perante numerosa assistência, as cerimónias tiveram início com discursos de boas-vindas pelas autoridades locais e um discurso justificativo e explicativo do evento, proferido pelo Presidente da Direcção da SHIP, Dr. Ribeiro e Castro. Seguiu-se a apresentação de uma emissão de selos postais portugueses, que retractam a auto-investidura do In-
fante D. Afonso Henriques como Cavaleiro, ao que se sucedeu uma recriação histórica da mesma auto-investidura, organizada pelo Centro de Iniciativas Turísticas de Zamora, com figurantes locais, que foi objecto de aplauso geral.
De seguida foi oficiada uma missa solene na Catedral, pelo Bispo de Zamora, terminando as cerimónias com novo desfile das Bandas Portuguesas pelas ruas da cidade, até à sua praça principal. Aí concentradas as Bandas, tocaram as mesmas, em conjunto, cinco hinos patrióticos, sendo os dois finais o Hino da Restauração e o Hino Nacional. Foi um final em beleza, que reteremos na nossa memória. Saímos de alma lavada e ainda mais gratos e orgulhosos pela nossa condição de portugueses.
Daqui a 54 anos, encerrar-se-ão as comemorações com a celebração do
9.º centenário da encíclica “Manifestis Probatum”, acto a que não contamos estar presentes. Só recentemente tivemos acesso à versão portuguesa integral deste documento de importância ímpar, preparada e divulgada por iniciativa da Academia Portuguesa de História. Este documento devia fazer parte do currículo do nosso ensino, para conhecimento de toda a nossa juventude. A bula papal constituiu o reconhecimento Papal de um facto consumado, já então “Manifestamente Provado”.
O início da encíclica apresenta a identificação do seu autor e dos seus destinatários, do seguinte modo:
“ALEXANDRE, SERVO DOS SERVOS DE DEUS, AO CARÍSSIMO FILHO EM CRISTO, AFONSO, REI DOS PORTUGUESES, E A SEUS HERDEIROS, PARA TODO O SEMPRE.”


Feita esta identificação, segue-se o seu texto, de que transcrevemos as partes que consideramos essenciais:
“Está claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos do nome cristão, e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste aos vindouros, nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação.”
“Por isso, Nós, atendendo às qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a tua pessoa, tomamo-la sob a protecção de S. Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal, com inteiras honras de reino e a digni-
dade que ao rei pertence, bem como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste das mãos dos Sarracenos e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos.”
“Para significar que o referido reino pertence a S. Pedro, determinaste como testemunho de maior reverência pagar anualmente dois marcos de oiro a Nós e aos nossos sucessores. Cuidarás, por isso, de entregar tu e os teus sucessores, ao Arcebispo de Braga, que então estiver à frente daquela Sé, o censo que a Nós e aos nossos sucessores pertence.”
“Com todos, porém, que respeitarem os direitos do mesmo reino e do seu rei, seja a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que neste mundo recolham o fruto das boas obras e junto do soberano juiz encontrem o prémio da eterna paz. Ámen. Ámen.”
No final do documento são evocados pelo seu autor, Papa Alexandre III, os santos Pedro e Paulo, terminando com a súplica “Senhor, ensina-me os teus caminhos” e com a saudação “BOA SAÚDE”.
Sete séculos passados sobre a doação da bula “Manifestis Probatum”, Mouzinho de Albuquerque, na sua carta ao Príncipe Real D. Luís Filipe, escreveu “Este Reino é obra de soldados”. O primeiro desses soldados foi o Rei Afonso Henriques, como o Papa na bula reconhece.
A floresta é um aliado incontornável no esforço global de combate às alterações climáticas. Sendo um dos mais importantes mecanismos naturais de sequestro de CO2 da atmosfera, há que potenciar o seu papel no contexto atual, que é de urgência, com a consciência de que todas as florestas contam.
Considerando que a Europa precisa de sequestrar, por ano, 310 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2030, de forma a cumprir os seus compromissos em termos de neutralidade carbónica, é preciso valorizar todas as florestas – das naturais às plantadas, das de conservação às de produção.
Em Portugal, o contributo da floresta tem sido, de uma forma geral, positivo. A exceção acontece em anos de grandes incêndios, uma vez que estes fazem libertar para a atmosfera parte do carbono armazenado. Entre 1990 e 2021, as florestas nacionais terão assegurado um sequestro médio anual de 5,58 Mt de CO2 equivalente. As florestas de produção bem geridas asseguram uma parte significativa deste valor.
Neste ponto, importa sublinhar o fator “bem geridas”. Esse é o aspeto que faz a diferença. Ou seja, o sequestro de carbono não depende do facto de a floresta ser plantada ou natural – ou das espécies que a constituem –, mas sim da sua saúde, densidade e dinâmica de crescimento. Uma plantação de eucalipto ou de pinheiro-bravo, que seja uma floresta jovem e em crescimento ativo, pode sequestrar tanto ou mais carbono do que uma floresta madura e/ou degradada.
Além disso, a gestão ativa e sustentável torna a floresta mais resiliente, garantindo monitorização, intervenção, descontinuidade e diversificação. É o que acontece nos cerca de 109 mil hectares sob responsabilidade da The Navigator Company, a maior produtora florestal privada em Portugal. Esse património beneficia de modelos de gestão certificados, através de sistemas internacionais, que incluem planos de prevenção de incêndios, faixas de gestão de combustíveis, a ação de equipas de vigilância e o cumprimento de objetivos de conservação. Em 2024, o stock de CO2 acumulado nas florestas geridas pela Navigator chegou a 6,4 Mt.
Para atingir os objetivos de descarbonização – nacionais e europeus –, é fundamental contar com o contributo das florestas plantadas bem geridas, que conciliam, com sucesso, produção e proteção.

As florestas sustentáveis da The Navigator Company apoiam a Revista ZACATRAZ a diminuir a sua pegada ecológica.

662 mil milhões de toneladas
Total de carbono armazenado pelas florestas do mundo

178 milhões de hectares
Área de floresta que desapareceu, a nível global, entre 1990 e 2020

6,3 mil milhões de toneladas
Quebra no stock global de carbono florestal entre 1990 e 2020

Fonte: “Global Forest Resources Assessment 2020”, FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura)


Celebrar meio século de existência, só por si já é um acontecimento muito especial, mas se a comemoração desses 50 anos for respeitante ao aniversário da Entrada no Colégio Militar de um punhado de novos alunos, então estamos perante um evento com um significado porventura mais abrangente e emotivo. E foi isso que aconteceu com os Ratas de 1973 que vieram recentemente ao Colégio.
Curiosamente o ano de 1973 foi um dos mais férteis da década de 70 em termos de produções discográficas e eventos relacionados com a indústria musical.
Nesse ano a generalidade dos portugueses viveu num clima de constante agitação política e social, como se estivessem na an-
tecâmara de uma nova realidade conjuntural, o que efectivamente se veio a verificar no ano seguinte com a Revolução de Abril de 1974. De facto, as manifestações no meio estudantil e industrial, enfatizadas pelas greves laborais, e agravadas pelos atentados bombistas e acções subversivas de grupos radicais, (Brigadas Revolucionárias, a ARA e a Luar), criaram uma aura de insegurança e imprevisibilidade social que nem as periódicas “Conversas em Família” de Marcelo Caetano, na RTP, lograram amenizar. No seio dos militares agudizavam-se as divergências internas, designadamente entre muitos oficiais do Quadro, descontentes pela progressão na carreira, que inclusivamente criaram uma corrente de oposição que conduziu ao chamado “Movimento dos Capitães”, precursor do MFA (Movimento das Forças
Armadas), responsável pela queda do regime do Estado Novo, em Abril de 1974.
O ano de 1973 foi aquele em que morreram mais militares na Guerra nas províncias ultramarinas. Durante os 13 anos de Guerra registaram-se 8290 mortos nas três frentes de combate: 3250 em Angola, 2962 em Moçambique e 2070 na Guiné. De acordo com os registos históricos, do total de baixas contabilizadas, 4027 ocorreram em combate e 4263 deveram-se a motivos diversos (doença, acidentes de viação, acidentes com armas).
Portugal foi seriamente afectado pela Crise Petrolífera de 1973, iniciada quando, em Outubro desse ano, os membros árabes da OPEP proclamaram um embargo petro-
lífero a diversas nações, o qual se manteve até Março de 1974. Até ao fim do embargo o preço do petróleo subiu de 3 dólares por barril para cerca de 12 dólares no mundo inteiro. No primeiro dia de Janeiro deu-se a entrada de mais três países, respectivamente o Reino Unido, a Dinamarca e a Irlanda na Comunidade Económica Europeia (CEE). Simultaneamente entrou em vigor o Acordo de Comércio Livre entre o nosso País e a CEE.
No dia 6 de Janeiro saiu o primeiro número do semanário Expresso com ligações à “Ala Liberal” da Assembleia Nacional. Pinto Balsemão detinha 50% das acções da sociedade proprietária e Francisco Sá Carneiro assinou a coluna “Visto”, que foi um dos principais alvos da Censura. Neste número foram proibidos nove artigos e 30 foram censurados. O jornal revelou resultados de uma sondagem sua onde 63% dos portugueses afirmavam nunca terem votado.
Nos dias 3 e 4 de Abril a cidade de Nova Iorque suscitou a atenção internacional, primeiro devido à realização da primeira comunicação telefónica a partir de um telemóvel, e no dia seguinte com a inauguração das “Torres Gémeas” do World Trade Center. Dois meses depois foi patenteada a primeira máquina automática de distribuição de dinheiro (ATM, popularmente conhecida como Multibanco). Entretanto, em 14 de Maio foi lançada para o espaço a primeira estação espacial dos EUA, a Skylab.
Uma data a recordar no nosso País é sem dúvida a de 12 Julho, dia em que foi publicada a Portaria n.º 476/73 que reconheceu o direito à pensão de reforma por velhice a
todos os beneficiários das Caixas Sindicais da Previdência e Caixas de Reforma e Previdência a partir dos 62 anos. Passado meio século os Portugueses têm agora de trabalhar até perto dos 67 anos, para auferirem desse direito.
No dia 28 de Outubro realizou-se a Eleição de deputados para a Assembleia da República. A oposição desistiu, mais uma vez, de participar no acto eleitoral, devido à inexistência de garantias mínimas de imparcialidade. A ANP elegeu todos os seus candidatos. O número de recenseados foi de 1.800.000, numa população de 8.700.000 habitantes. Em 7 de Novembro foram anunciadas restrições ao consumo de gasolina. Os preços aumentaram substancialmente em virtude do “choque petrolífero” de 1973 e em virtude do boicote total de fornecimentos de ramas dos países árabes, devido à cedência da Base das Lajes na ponte aérea EUA-Israel, durante a guerra do Yom Kippur, na semana de 13 de Outubro daquele ano.
Musicalmente o ano de 1973 foi dos mais notáveis da década de 70, ficando marcado por factos e produções memoráveis. Em 14 de Janeiro realizou-se no Havai um concerto de Elvis Presley que foi o primeiro espectáculo de entretenimento a ser mundialmente televisionado, e visto por mais telespectadores do que a própria aterragem na Lua. No dia 1 de Março o grupo Pink Floyd lançou nos EUA um dos álbuns mais marcantes e mais vendidos da história do rock: “The Dark Side of the Moon”. Permaneceu nas tabelas da Billboard durante um período recorde de 741 semanas. Foi em 1973 que a icónica banda Led Zeppelin efectuou uma digressão nos EUA,
durante a qual bateram o recorde da maior audiência até então registada num concerto, em Tampa Bay, na Florida, superando assim os números até então obtidos pelos Beatles. Em 28 de Julho, no festival Summer Jam, realizado em Watkins Glen, no estado de Nova Iorque, estiveram mais de 600.000 pessoas, número que ultrapassou largamente o registado no Festival de Woodstock em 1969. O dia 20 de Setembro foi uma data de triste memória, devido ao falecimento num acidente aéreo, na Louisiana, do talentoso “canta-autor” Jim Croce, juntamente com o seu virtuoso guitarrista Maury Muehleisen. A indústria discográfica também foi vítima da crise petrolífera de 1973, já que causou restrições na matéria-prima necessária para o fabrico de vinis, pelo que muitos álbuns tiveram a sua edição adiada.
Em Portugal o álbum mais vendido nesse ano foi “Grand Hotel”, dos Procol Harum, acompanhado pelo mítico “Dark Side Of The Moon” dos Pink Floyd. O Festival da Canção vencido por Fernando Tordo com a canção “Tourada” (que vendeu 10 mil discos na primeira semana de comercialização), suscitou um enorme interesse e animou vendas e carreiras artísticas. Para além do disco referido os discos nacionais mais vendidos nesse ano foram os de Carlos do Carmo, Paco Bandeira, Raul Solnado, Green Windows e Francisco José. Relativamente aos “singles” estrangeiros o nosso país registou vendas assinaláveis de cantores como Demis Roussos, Elton John, Cliff Richard, Roberta Flack, Procol Harum, George Harrison e Paul McCartney. De entre as edições discográficas produzidas em 1973, seleccionámos 10 canções que tiveram um protagonismo e maior visibilidade ou relevância nas tabelas
de vendas de singles, e que apresentamos por ordem alfabética dos seus intérpretes:
1. Billy Paul
“Me & Mrs. Jones”,
2. Carly Simon
“You’re So Vain”,
3. David Bowie
“Space Oddity”,
4. Elton John
“Crocodile Rock”,
5. Jim Croce
“Bad Leroy Brown”,
6. Lou Reed
“Walk On The Wild Side”,
7. Marvin Gaye
“Let’s Get It On”,
8. Roberta Flack
“Killing Me Softly With This Song”, 9. Stevie Wonder
“Superstition”,
10. The Rolling Stones “Angie”.
Deste “top-ten” particular escolhemos duas canções bem conhecidas, que decerto vão trazer recordações agradáveis a muitos dos membros integrantes do Curso de 1973, os quais comemoraram recentemente os seus 50 anos de entrada no Colégio. São elas:

“Killing
Um dos maiores êxitos da cantora foi a canção “Killing Me Softly With This Song”, lançada em single no mês de Janeiro de 1973 e permaneceu cinco semanas no topo da tabela de singles dos EUA nos dois meses seguintes ao seu lançamento, ou seja, mais tempo do que qualquer outro disco editado em 1973. Para a história fica o episódio ocorrido uns meses antes, em Setembro de 1972, quando Roberta abriu o concerto de Marvin Gaye, em Los Angeles, e aquele lhe pediu para adicionar mais um tema antes de sair do palco, ao que a cantora acedeu, estreando ao vivo esta canção, que foi acolhida entusiasticamente pela audiência.

A canção “Angie” foi um dos maiores sucessos dos Rolling Stones e incluída no seu álbum editado em 1973, com o título “Goats Head Soup”. É uma balada acústica sobre o fim de um romance, que chegou a atingir o primeiro lugar da tabela nos EUA e em diversos países de todo o mundo. Curiosamente atingiu a quinta posição no Reino Unido. Segundo consta, esta canção resultou de um momento de inspiração de Keith Ri-
chards quando recuperava numa clínica de desintoxicação na Suiça, a mesma onde a sua mulher Anita Pallenberg deu à luz uma menina (segundo filho do casal) que acabou por ter Ângela como segundo nome próprio.


Estávamos na aula 2. O Dr. Almodôvar tinha chegado ao fim da sua aula de Inglês que, naquele dia, terminava com a distribuição de recortes da revista Collier's para cada aluno, conforme o seu gosto, ir colando num caderno com a respectiva tradução.
O Dr. Almodôvar estava de pé. Esticou os braços, fletiu os dedos da mão para pinçar os punhos da camisa branca que puxou dois dedos para fora das mangas do casaco, empertigou-se e pediu:
“So”. Algum dos rapazes tem por aí algum fósforo, naturalmente para acender a vela.
Com isto queria dizer que lhe apetecia fumar, que se tinha esquecido do isqueiro e que sabia que alguns
alunos fumavam, mas não os queria comprometer.
Um aluno, ao arrumar o caderno dos recortes, levou um encontrão de outro aluno que precipitadamente queria sair e …“hélas” caderno e recortes passaram a forrar o pavimento da aula.
Num ápice a caixa ficou vazia antes do dono se aperceber e de avisar os precipitados gulosos. Tratava-se de um laxante potente cujo princípio activo era a fenolftaleína. Hoje esta substância está reservada a reagente de laboratório tendo sido substituída na composição do medicamento pelo picossulfato de sódio.
O pecado da gula talvez tenha sido absolvido pelo Padre Braula Reis mas o efeito farmacológico manifestou-se, sem perdão, com grande eficácia e, naturalmente, com graves consequências.
Subitamente, em aula subsequente, o aluno que estava na carteira ao lado da minha levantou-se, pálido, e:
O incidente ficaria por aqui se, entretanto, o tampo da carteira levantado, não tivesse mostrado, entre cadernos e livros, uma bonita caixa de folha com cores, desenhos e letras na tampa que ocultava no seu interior um conjunto de pastilhas de cor rosada, quadriláteras, perfeitamente alinhadas que exalavam um suave e agradável perfume. O seu nome: Fructines Vichy. Alguém tirou uma para experimentar e constatou que o sabor era mesmo muito agradável. Não havia dúvida: eram rebuçados e dos bons.

- Meu capitão dá-me licença que…
Não acabou a frase. Saiu rapidamente da carteira, meia volta volver e vai disparado, porta fora, descendo a quatro e quatro as escadas que davam acesso à “Aula da Santa”. Se o problema tivesse ficado por aqui seria um “fait divers”, facilmente colmatável. O que tornou as coisas mais complicadas é que, momentos depois, a urgência re
A aula era de Matemática com o exigente professor, disciplinado e disciplinador, que era o Capitão Manitto Torres.
Estava o caldo entornado.
E entra em cena a sabedoria dos Romanos através do poeta Horácio (o nosso obrigado ao Dr. Júlio Martins e ao Capitão Mota):
Com calma foi-se explicando ao professor que se tratava de qualquer intoxicação alimentar, que os alunos teriam ido para a Enferma e a sua saída precipitada da sala de aula não teria sido desrespeitosa, antes pelo contrário, teria sido rápida para não se manifestarem desastrosas consequências.
Conseguiu-se assim evitar a “participação”.
Os alunos mais atingidos pelo efeito medicamentoso depois dos alívios, da recuperação do equilíbrio hidro-eletrolítico e da administração de anti-espasmódicos, para alívio das cólicas, ficaram “sãos como um pêro”.
E com esta história, que foi real, fica aqui a minha homenagem aqueles camaradas, intérpretes deste episó


No artigo «OS CAÇADORES DA RAINHA», publicado no n.º 239 da revista ZacatraZ, indicámos que o Rei D. Carlos I, para além de ter sido oficial honorário de algumas unidades militares nacionais, foi também oficial honorário de unidades militares estrangeiras, de países com que Portugal mantinha relações diplomáticas particularmente amistosas. Esta era uma prática seguida naqueles tempos, com reciprocidade, entre vários países. Em Portugal, seguia-se, para além disso, a prática de acrescentar á designação das unidades os nomes das figuras reais estrangeiras nomeadas seus comandantes honorários. Apresentamos de seguida o que conseguimos apurar sobre o assunto.
Regimento de Cavalaria n.º 1, lanceiros de Victor Manuel.
O primeiro rei estrangeiro que teve uma unidade militar portuguesa com o seu nome foi o Rei Victor Manuel II, de Itália. Foi nomeado Coronel Honorário do Regimento de Cavalaria 1, em 1862, no início do reinado de D. Luis. A unidade passou a designar-se, Regimento de Cavalaria n.º 1, lanceiros de Victor Manuel. Esta nomeação terá resultado do facto do Rei D. Luís se ter casado, meses antes, com a princesa Maria Pia, filha do Rei Victor Manuel II de Itália. Os reis de Itália seguintes, Humberto I e Victor Manuel III, foram também nomeados coronéis honorários
deste regimento, respectivamente, em 1878, ainda no reinado de D. Luis, e em 1900, no reinado de D. Carlos, mantendo-se, porém, a sua designação «lanceiros de Victor Manuel». Não há evidências (quadros, fotografias e outras) do uso do uniforme deste regimento, por qualquer um dos 3 monarcas italianos.
Regimento n.º 4 de Cavalaria do Imperador da Alemanha, Guilherme II.
Em Agosto de 1888, em visita a Berlim do nosso Rei D. Luis, foi este nomeado Coronel Honorário do Regimento de Infantaria n.º 20, do Exército Prussiano. Em Outubro do mesmo ano, D. Luis retribuiu a honrosa nomeação recebida, nomeando o Imperador da Alemanha e Rei da Prússia, Guilherme II, Coronel Honorário do nosso Regimento de Cavalaria 4. Em sua honra, a unidade passou a ter a designação Regimento n.º 4 de Cavalaria, do Imperador da Alemanha Guilherme II.
No ano 1900, já no reinado de D. Carlos, Guilherme II ofereceu um quadro com o seu retrato ao Regimento n.º 4 de Cavalaria, do seu comando honorário. Este quadro foi solenemente inaugurado por D. Carlos, a 28 de Fevereiro de 1901.
Em Março de 1905, o Imperador Guilherme II, visitou Portugal. À sua chegada a Lisboa envergava a farda de coronel honorário do seu

Regimento n.º 4 de Cavalaria. O anfitrião, D. Carlos, envergava a farda de coronel honorário do Regimento de Infantaria n.º 20, do Exército Prussiano, cargo honorífico que seu pai já recebera. O Imperador Guilherme II foi visitar o seu Regimento n.º 4 de Cavalaria, na altura aquartelado na Calçada da Ajuda, em Lisboa. Aí teve a oportunidade de observar a bandeira do regimento, com o seu nome inscrito na mesma. Assistiu a exercícios militares da sua unidade no hipódromo de Belém e foi recebido em sessão solene, presidida por D. Carlos e pela Rainha D. Amélia, no majestoso Salão Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa, envergando sempre o uniforme do seu Regimento n.º 4 de Cavalaria.
A 24 de Agosto de 1910, no reinado de D. Manuel II, o Príncipe Frederi-

1903, Eduardo VII no Palácio das Necessidades com os oficiais do Regimento de Cavalaria nº3 .
co Leopoldo da Prússia veio a Portugal, para entregar pessoalmente ao nosso Rei, a Ordem da Águia Negra da Prússia. O príncipe prussiano foi então nomeado pelo monarca português, Tenente-Coronel Honorário do Regimento n.º 4 de Cavalaria, do Imperador da Alemanha Guilherme II.
Regimento n.º 5 de Infantaria do Imperador da Áustria Francisco José.
Em 1888, no reinado de D. Carlos, Sua Majestade Apostólica o Imperador da Áustria e Rei da Hungria, Boémia, Dalmácia, Croácia, Esclavónia, Galícia, Lodoméria, Ilíria e de Jerusalém, Francisco José I, foi nomeado Coronel Honorário do Regimento de Infantaria 5. Em sua honra, a unidade passou a ter a designação Regimento n.º 5 de Infantaria do Imperador da Áustria, Francisco José I.
Não há evidências do uso do uniforme da unidade portuguesa do seu comando pelo Imperador da Áustria Francisco José.
Regimento n.º 3 de Cavalaria do Rei Eduardo VII de Inglaterra.
No ano de 1901, no reinado de D. Carlos, o Rei do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e Imperador das Índias, Eduardo VII de Inglaterra, foi nomeado, pelo nosso Rei, Coronel Honorário do Regimento de Cavalaria 3, que passou a ter a designação Regimento n.º 3 de Cavalaria do Rei Eduardo VII, de Inglaterra.
Dois anos mais tarde, em Abril de 1903, o Rei Eduardo VII visitou Portugal. Apresentou-se fardado de Coronel do seu Regimento de n.º 3 de Cavalaria. Assim fardado, fez-se fotografar no Palácio das Necessidades, em Lisboa, juntamente com os oficiais portugueses do seu regimento.
Regimento de n.º 16 de Infantaria do Rei de Espanha Alfonso XIII.
Em Maio de 1906, o Rei de Espanha, Alfonso XIII, foi nomeado, pelo Rei D. Carlos, Coronel Honorário do Regimento de Infantaria 16, que passou a designar-se Regimento n.º
16 de Infantaria do Rei de Espanha, Alfonso XIII. O Rei Alfonso XIII de Espanha, retribuiu esta distinção com a nomeação do Rei D. Carlos Coronel Honorário de Regimiento de Infanteria Castilla n.º 16. O Rei de Espanha ofereceu a D. Carlos o uniforme espanhol correspondente à sua patente. Há fotos do nosso Rei envergando este uniforme.
Em Fevereiro de 1909, o Rei Alfonso XIII de Espanha visitou o nosso Rei D. Manuel II, no palácio real de Vila Viçosa. Os dois monarcas encontraram-se, envergando ambos uniformes do Exército Espanhol. Alfonso XIII de Espanha apresentou-se com o uniforme de Coronel de Cavalaria, D. Manuel II de Portugal, apresentou-se com o uniforme de Coronel Honorário do Regimiento de Infanteria de Castilla n.º 16.
Em Novembro de 1909, o Rei D. Manuel II, retribuiu a visita de Alfonso XIII a Portugal, deslocando-se de comboio a Madrid. À chegada, na Estacion del Norte, ambos os monarcas envergavam os uniformes dos seus comandos honorários, Alfonso XIII o uniforme português de Infantaria 16 e Manuel II o uniforme espanhol do Regimiento de Infanteria Castilha n.º 16. No dia seguinte, os dois monarcas presidiram a uma revista militar, realizada em Carabanchel. D. Manuel II fardava como comandante honorário do seu regimento espanhol, mas então com o uniforme de manobras.
Houve, pois, cinco unidades do Exército Português cujo comando honorário foi atribuído a monarcas estrangeiros. As unidades que receberam essa distinção, foram os já citados Regimentos de Cavalaria n.º 1, n.º 4 e n.º 3 e os Regimentos de Infantaria n.º 5 e n.º 16.

Eduardo VII da Grã-Bretanha com uniforme português e D. Carlos I de Portugal com uniforme britânico.
Dentro do princípio de reciprocidade anteriormente referido, os nossos três últimos monarcas foram comandantes honorários de regimentos estrangeiros. Indicamos de seguida os períodos de reinado destes monarcas e as unidades estrangeiras cujo comando honorário lhes foi atribuído.
Rei D. Luis I (1861 – 1889).
Em 1888, D. Luis recebeu a nomeação de Coronel Honorário do 20.º Regimento de Infantaria do Exército Prussiano (Brandenburgishes Infanterie-Regiment Nr. 20).
Rei D. Carlos I (1889 – 1908).
O Rei D. Carlos acumulou o comando honorário de unidades militares de três países, da Alemanha, da Grã-Bretanha e de Espanha.
Em 1895, D. Carlos foi nomeado Coronel Honorário do regimento prussiano de que seu pai já fora comandante honorário. O regimento mudara, entretanto, de nome, passando a designar-se Infanterie-Regiment Graf Tauentzien von Wittenberg Nr. 20.
Em 1901, D. Carlos foi nomeado Coronel Honorário do Regimento
de Infantaria Ligeira de Oxfordshire do Exército Britânico (Oxfordshire Light Infantry Regiment). No final do ano seguinte, D. Carlos visitou a Grã-Bretanha. No decurso dessa visita D. Carlos inspeccionou o regimento britânico do seu comando honorário, envergando o uniforme do mesmo.
Em 1906, o Rei D. Carlos foi nomeado Coronel Honorário do 16.º Regimento de Infantaria do Exército Espanhol (Regimiento de Infanteria Castilla n.º 16).
Rei D. Manuel II (1908 – 1910).
Em 1909, o Rei D. Manuel II, à semelhança de seu pai, foi nomeado Coronel Honorário do Regimiento de Infanteria Castilla n.º 16, tendo envergado o seu uniforme, tanto na visita que recebeu do Rei Alfonso XIII, em Vila Viçosa, como na visita que fez a Madrid, em 1909.
Com a implantação da República em Portugal, em Outubro de 1910, as cinco unidades portuguesas de comando honorário de monarcas estrangeiros perderam as suas designações reais.
O presente artigo foi baseado no livro «Família Real. Uniformes», de autoria do Dr. Pedro Soares Branco, edição da Fronteira do Caos.
Luís Barbosa (71/1957)
Com o objectivo de recuperar e abrir portas à divulgação do “Dicionário das tradições, termos e calão dos Alunos do Colégio Militar”, consolidámos ao longo de meses e mesmo anos, já que contámos com um início de trabalho do 9/1958 Martiniano Gonçalves, uma lista não fechada com 272 definições, que envolvem tradições, locais, actividades ou personagens, sempre incompleta, mas aberta a acolher novos termos, que a memória individual identifique.
Mantivemos nos termos aqui apresentados, que por motivos diversos ou simples evolução se foram perdendo ao longo dos anos, mas que merecem ser recordados, por terem feito parte das “estórias” vividas no Colégio Militar, quem sabe uma forma de as ver recuperadas, pelos actuais alunos e alunas do Colégio, já que a nova realidade da vida colegial, teria que aportar novos conceitos, e porventura deixar cair outros, no que é natural acompanhando a evolução dos tempos.
Um trabalho com estas características, teria naturalmente de contar com a participação alargada de várias gerações, sobretudo os Antigos Alunos e Alunas do Século XXI, numa aproximação que a AAACM, através

Um trabalho de todos e de qualquer um.
da ZACATRAZ pretende trazer para a vida e actividade da nossa Associação.
Textos de 9/1958 Martiniano Gonçalves, 17/1967 João Sabbo, 51/2008 Tiago Abreu, 146/2012 Bruno Martins, 170/1966 Pedro Barata, 176/1966 Adelino Lage, 192/1966 José Monteiro, 287/1966 Mário Gatta, 356/1948 Manuel Sousa, 484/1966 Jorge Pato, 515/1967 Lupi Fialho, 519/1959 Pedro Roriz, 626/2014 Beatriz Santos, 628/2014 Leonor Santos….
Desenhos de 33/1965 António Sacchetti
Assim, iniciamos neste número da Zacatraz, os termos iniciados pela letra “A”, e com a expectativa do grupo de trabalho, acolher, correcções ou novos termos, que no decurso da publicação, não tenham sido identificados, e por isso em falta, sendo reproduzidos numa última publicação.
O traço inconfundível das ilustrações do António Sacchetti, incluíram um tracejado na folha seguinte, para os que queiram destacar essa folha, possam ir criando o seu dicionário.
Com um trabalho que tem sido tão dinâmico, temos já apontada à “adenda” no final da publicação, três termos que serão acrescentados:
Agarra-te ao francalete - expressão usada pelos camaradas quando na aula de equitação um aluno estava a cair.
Aula da Santa - aula nº 2, com duas janelas para o Largo da Luz que ladeavam, na frontaria do Colégio, uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus e por baixo da qual estão as Armas da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I e de D. Leonor.
Averbado – Castigado.



ARegião dos Vinhos Verdes é a terceira maior do país em área, apenas ultrapassada pelo Douro e pelo Alentejo. É também uma das mais emblemáticas e antigas regiões vitivinícolas do mundo, reconhecida pela frescura, leveza e vivacidade dos seus vinhos, amiúde acompanhados por uma ligeira efervescência natural.
A viticultura da região tem raízes na época romana, mas ganhou maior expressão na Idade Média. As vinhas eram então cultivadas em pequenas parcelas, muitas vezes ligadas a mosteiros. Desde o século XVI, os vinhos verdes eram exportados para o norte da Europa a partir de Viana do Castelo e do Porto, valorizados pela frescura e pela versatilidade à mesa e viabilizados pela acidez, que permitia a conservação durante a longa viagem.
Criada em 1908, a Região Demarcada dos Vinhos Verdes abrange todo o Entre-Douro-e-Minho. Está limitada a norte pelo rio Minho, a sul pelo Douro, a oeste pelo Atlântico e a leste pelas serras do Gerês, Cabreira e Marão.
Os solos graníticos, conferindo mineralidade e frescura, o clima atlântico húmido — com pluviosidade média entre 1200 e 2000 mm por ano — e as temperaturas moderadas moldam o perfil único dos vinhos. O relevo é marcado por vales fluviais profundos, encostas suaves e planaltos intermédios, entre 50 e 500 metros de altitude.
A vinha no Minho possui características singulares. As formas de condução costumam elevar-se a considerável altura do solo. A tradicional vinha em bordadura associa-se ao milho no verão e a forrageiras no inverno, enquanto a viticultura de enforcado e a latada são imagens de marca da paisagem minhota. A modernização das explorações nas últimas décadas do século passado deu, contudo, a primazia à condução em cordão, que se veio a afirmar como a regra dominante.

A Região produz vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada) — brancos, tintos, rosados, espumantes e aguardentes —, bem como vinhos regionais com indicação geográfica Minho (IG Minho). A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), criada em 1926, regula a produção. Curiosamente, a área de produção de IGP coincide geograficamente com a da DOC.
A Região está subdividida em nove sub-regiões: Monção e Melgaço, Lima, Cávado, Ave, Basto, Sousa, Amarante, Baião e Paiva. Cada uma apresenta solos e climas distintos, resultando em vinhos de identidade própria. Monção e Melgaço são o berço do Alvarinho,
célebre pelos vinhos estruturados e longevos; Lima e Cávado destacam-se pelo Loureiro, aromático e fresco; Baião privilegia o Avesso; já Amarante e Sousa oferecem tintos robustos de Vinhão e Espadeiro.
Entre as principais castas brancas encontram-se: Loureiro (29,6% da área, aromas cítricos e florais), Arinto (15,7%, frescura mineral com notas de maçã e pera) e Alvarinho (15,6%, intenso e encorpado, com notas tropicais). Nos tintos, destacam-se o Vinhão ou Sousão (15,1%, cor intensa, acidez elevada e taninos marcados) e o Espadeiro (1,4%, leve e frutado).
Os vinhos brancos são o ex-libris da região: leves, frescos, vibrantes e aromáticos. Os tintos, embora menos conhecidos, revelam intensidade e firmeza. Os rosés apresentam delicadeza e fruta, enquanto os espumantes e aguardentes afirmam a diversidade do território.
A modernização das adegas nas décadas de 1980 e 1990 revolucionou a produção. A aposta em vinhos de casta única, sobretudo Alvarinho e Loureiro, e a crescente projeção internacional colocaram o Vinho Verde no mapa mundial.
Entre os produtores de referência destacam-se o Palácio da Brejoeira, talvez o maior ícone do Alvarinho, mas igualmente o Soalheiro, pioneiro na valorização desta casta, Anselmo Mendes, cada vez mais um produtor de referência e de excelência, Quinta de Santiago, Quinta da Lixa, Provam, Quinta de Ameal, Casa de Vilacetinho e ainda, naturalmente, Aveleda, líder em volume e exportações. Duas adegas cooperativas merecem também aqui
menção especial: a Adega de Monção e a Adega de Ponte de Lima.
O enoturismo na região do Minho, no noroeste de Portugal, tem vindo a afirmar-se como uma das experiências mais autênticas e enriquecedoras para os amantes de vinho e cultura. A região combina paisagens verdejantes com um património arquitetónico único, marcado pelos solares minhotos — casas senhoriais muitas vezes rodeadas por vinhas e jardins centenários. Muitos destes solares foram recuperados e transformados em unidades de turismo de charme, oferecendo visitas às vinhas, provas de vinho e imersões na história e nos costumes locais. Assim, o enoturismo no Minho vai além da simples degustação de vinhos: é uma viagem pela alma da região, onde o vinho está profundamente enraizado na identidade cultural e familiar.
O Solar das Bouças ou a Quinta de Santa Teresa são duas experiências interessantes neste âmbito, como são visitas às quintas dos principais produtores acima mencionados. Neste contexto, o Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde (CIPVV) –e a sua sala de provas -, em Ponte de Lima, é uma boa porta de entrada para conhecer esta região vitivinícola.
No campo da sustentabilidade ambiental, a região enfrenta o desafio da elevada pluviosidade e das alterações climáticas. Investigações em castas resilientes e práticas vitícolas mais sustentáveis têm reforçado o compromisso ambiental do setor.
A escolha de um bom vinho é tarefa difícil face à qualidade, diversidade e evolução do perfil estilístico dos Vinhos Verdes: além dos tradicionais brancos leves e ligeiramente fri-
santes, cresce a produção de vinhos brancos de guarda, mais estruturados, especialmente a partir da casta Alvarinho. Os rosados, direcionados a públicos mais jovens, e os espumantes de Vinho Verde também se têm vindo a afirmar cada vez mais, tanto em Portugal como em mercados externos.
Como habitualmente fazendo apelo a um gosto muito pessoal, elegeria dois Alvarinhos para celebrar a Região: um Reguengo de Melgaço e um espumante bruto Soalheiro. E selaria uma refeição de excelência com uma Aguardente Velha Palácio da Brejoeira.
ALGUNS DADOS DE 2024 AJUDAM A DIMENSIONAR A REGIÃO (IVV e CVRVV):
Área de vinha: 23.147 hectares (13,6% do total nacional)
Viticultores: cerca de 15.000, com média de 1,5 hectare cada
Produção: ~100 milhões de litros (14,5% da produção nacional), dos quais 96 milhões DOP Vinho Verde e 2,8 IGP Minho; 86% da produção corresponde a vinhos brancos.
Exportações: 45% da produção, equivalentes a 120 milhões de euros, sobretudo para EUA, Brasil, Alemanha e Canadá, com crescimento de 25% em valor em 2023/24
Sub-região Monção e Melgaço: 1.730 hectares, 10 milhões de litros, 2.085 viticultores e 253 marcas

António Prazeres de Castilho 147/1948
Terminada a primeira parte de Cape Town 1, no Zacatraz anterior, atendendo ao extenso e variadíssimo programa que temos para esta Cidade, é imprescindível que a minha narração tenha que ser dividida por mais que um artigo!!! …
Estamos no dia 9 de Dezembro de 2015.
Para além das muitas e variadas atrações que esta cidade nos oferece, é imperativo para quem visita Cape Town, conhecer a região onde se cultiva e produz o seu vinho, embarcando na moderna e cativante forma de viajar: o enoturismo
Há quem viaje só para conhecer novos mundos, novas culturas – mas a proposta que o enoturismo nos disponibiliza e nos transmite possibilita ao viajante descobrir a região e suas tradições, ao mesmo tempo que se identifica com os aromas e os sabores da vitivinicultura local.
Para nós portugueses, que possuímos dos melhores vinhos do mundo, esta experiência foi fantástica, nomeadamente para mim, que tenho raízes familiares ligadas aos vinhos do Douro, na região de Vila Nova de Foz Côa. O vinho foi sempre do meu gosto e uma verdadeira cultura.
A agenda, para hoje, é uma visita à região vinícola de Cape Town, denominada Western Cape.
Teríamos que primeiramente procurar na Secretaria de Turismo ou no Google uma quinta que recebesse um grupo, aproximadamente de quarenta pessoas, para uma visita às instalações, degustação de vinhos e possível compra de vinhos.
A palavra «Quinta», que em Portugal se emprega, na Região do Douro, para designar explorações agrícolas destinadas à produção de vinho, e não só, em Cape Town, os portugueses fazem
uso do termo – vinícola – tradução direta do inglês – winery
Por feliz coincidência, um dos nossos amigos, dono do veleiro Ayama, ao procurar a dita quinta, encontrou uma, precisamente, com o mesmo nome do seu barco – Ayama
Por contacto telefónico combinaram os pormenores do encontro, e, por casualidade, chegaram à conclusão que ambos eram velejadores!!! A partir daqui, foram só facilidades …..
Alugámos um autocarro e lá fomos diretos à Vinícola Ayama.
O procedimento normal das vinícolas é oferecerem aos turistas, mediante pagamento de uma verba preestabelecida, visitas guiadas às zonas agrícolas e adegas, acompanhadas por equipas de especialistas, incluindo enólogos, sendo a degustação dos
vinhos feita em salas próprias. Esses técnicos informam os visitantes que tipo de vinho estão a provar e as suas características principais.
Julgando e esperando mesmo que os “Ayama” teriam esta prática habitual e generalizada, com a nosso grupo, não se passou assim:
Receberam-nos como bons amigos, na sua própria casa!!!
Depois de uma volta pelo sector agrícola, seguiu-se a etapa mais es-
a Africa do Sul nos destinos mais cativantes e lucrativos do enoturismo mundial.
O mesmo se poderá dizer de Portugal, se estimularmos a prática desta conduta – pois possuímos uma riqueza vinícola extraordinária, quer em qualidade, quer em multiplicidade.
A degustação dos vinhos foi acompanhada de um delicioso e variado lanche, na enorme sala de jantar da residência.

perada da viagem - a degustação dos vinhos.
Os respetivos donos e os seus colaboradores, incluindo o enólogo, forneceram-nos informações das propriedades, natureza e especificidades de cada vinho que estávamos a provar:
castas, sabores, aromas, frescura, frutados, acidez e outros.
Esta diversidade não só enriquece a cultura vinícola da região, como posiciona os seus técnicos em patamares de excelência, colocando
Regressámos a Cape Town já de noite, a Manuela e o Luís foram buscar os filhos que chegavam neste dia e eu fui de táxi para o barco.
Ao chegar à Marina, fui abordado por uma pessoa a falar português, apresentando-se como Comodoro do Royal Cape Yacht Club. Tendo verificado que no estaleiro do Clube se encontrava inscrito um barco com bandeira portuguesa, teve curiosidade em conhecer a sua tripulação. Por casualidade, só me conheceu a mim.

Apenas pelo simples facto de sermos todos velejadores – proprietários e visitantes - achámos este gesto de uma delicadeza e amabilidade prodigiosa.
Para terminar, a última atividade foi comprar os vinhos que mais tínhamos apreciado na degustação. Comprar foi o mais fácil – foi só pagar – escolher, diante de uma oferta tão vasta e expressiva é que se tornou difícil…..!!!!
Mesmo assim, comprámos mais de 150 caixas, que foram entregues pela Quinta Ayama, na marina de Cape Town.
Instalámo-nos numa confortável sala do Clube, onde já se encontrava a sua Mulher. O tema principal da conversa foi o porquê da nossa estadia em Cape Town, assunto que suscitou grande atenção, interesse e ao mesmo tempo curiosidade!!!
Naturalmente, também quis saber um pouco da vivência e atividade deste meu novo relacionamento, do que resultou, como é óbvio, uma longa e agradável conversa.
Informei-os de que não era o dono do veleiro e que os mesmos, estavam a dormir num hotel perto da marina.
São pessoas muito simpáticas, colocando desde logo todas as instalações do Clube à nossa disposição, prontificando-se a resolver qualquer assunto ou dificuldade que tivéssemos.
Este encontro finalizou com um convite para jantar, no Clube Português de Cape Town, em homenagem ao Presidente Regional da Madeira, o Senhor Dr. Miguel Albuquerque –que se encontrava em visita à comunidade portuguesa, nomeadamente os originários da Madeira.
da fatos, em nossa casa. E assim se verificou: As calças e a camisa estavam com uma apresentação miserável!!!
Fui diretamente ao barco do Jean, um Amel 54, que tem toda a maquinaria possível, e, com a ajuda de sua Mulher, a Cristiane, foi tudo lavado e passado a ferro.
É um casal francês, que mora na Suíça, num luxuoso chalet de montagne. São pessoas simpatiquíssimas e muito prestáveis.

Entrega dos vinhos comprados na Quinta.
Ficou combinado com a Mulher do Comodoro, no dia seguinte, pelas 18 horas, ir buscar-me ao Cape Grace Hotel, perto da Water Front Marine, onde estaria já o Allegro.
O estaleiro do Clube deu por terminados os trabalhos que tinham sido encomendados para o barco – e, assim sendo, levámo-lo para o seu lugar inicial.
Comecei logo a verificar o estado da minha toilette para o jantar, pois as roupas arrumadas num barco ….. não ficam da mesma forma, que guardadas num guar-
Desta forma, às 18 horas, estava na recepção do Cape Grace Hotel, “todo posto por ordem”, como exigia a etiqueta do jantar.
A Mulher do Victor foi pontual e levou-me diretamente para sua casa, onde já estava um amigo do casal, um cozinheiro francês, a preparar umas deliciosas tapas. Foi comer e beber vinho branco até o Victor chegar.
Logo que o Victor regressou, sem mais delongas, arrancámos para o Clube Português em Cape Town, que recebeu o Presidente da Madeira com todo o aparato. O Clube
tem ótimas instalações e o jantar foi servido numa sala com mais de 200 convidados.
Na qualidade de Presidente do Clube, o Victor apresentou-me a variadíssimas pessoas, designadamente o Dr. Miguel Albuquerque e o Embaixador de Portugal na Africa do Sul.
Este último é açoriano e reconhecendo a Barretina, que eu trago sempre nos casacos, disse-me:
- Sou amigo de um Antigo Aluno do Colégio Militar – o Nuno Botelho –conhece?
Respondi:
- Perfeitamente, o Nuno é do meu curso, é o 275/1948, por alcunha o Vichy.
Realmente o mundo é muito pequeno, mas o Colégio Militar é muito grande:
Todo o mundo o conhece.
... E SIGA A MARINHA…
Da ZACATRAZ:
Respeitando o compromisso assumido na Z 239, após o falecimento do nosso camarada Rui Castilho 147/1948, continuamos a publicar os seus artigos, até o Allegro atracar após a última “Perna”.
ANTIGOS

Pedro Chagas 357/1977
Uns anos antes dos “Claustros em LEGO” (apresentados na Zacatraz nº 237), a “aventura” de desenhar e construir símbolos do Colégio em LEGO começou – como, de resto, seria natural – pela nossa Barretina. Em 2015, na sequência da comemoração dos 30 Anos de Saída do meu Curso, resolvi desenhar uma Barretina que o meu sucessor, então no 3º ano (Primeiro Ciclo), conseguisse construir, e cujo design pudesse ser disponibilizado em plataformas abertas, a partir das quais qualquer pessoa pudesse descarregá-lo, comprar as peças, e ter a Barretina em sua casa.
Ao contrário da lógica que foi adotada para os Claustros, que foi a de um exemplar único, a lógica da Barretina foi a inversa: permitir o acesso fácil e – pode-se sonhar – a massificação. Seguiu-se o habitual processo de tentar identificar quais seriam as características-chave a tentar representar, para permitir

uma identificação fácil do objeto original, e qual seria a escala menor em que essas caraterísticas-chave ficariam adequadamente representadas.
Um dos pontos mais “sensíveis” foi o da inclinação do penacho, tema que provoca sempre a “irritação” do nosso 96/1950, José Costa Matos, autor da História do Colégio Militar, que defende, com base em investigação histórica, que a posição correta do penacho é na vertical. Há perto de 50 anos que vejo o penacho com uma ligeira inclinação para a frente, pelo que resolvi arranjar uma solução que permitisse as duas configurações, ou na vertical, ou ligeiramente inclinado para a frente – inclinado para trás é que não, sff!

A “Barretina em LEGO” está, há uns anos, disponível para descarga num site de designs LEGO de acesso livre, e já teve algumas descargas, o que significa que, para além das cópias que eu já ofereci, e de um ou outro caso de Antigos Alunos que sei que montaram a Barretina, poderá haver outros que passaram pelo processo (divertido, na minha opinião) de descarregar o design, comprar as peças, e seguir as instruções de montagem. Por isso, se gostas de LEGO, utiliza o código QR desta página para aceder ao design.
Espero que te divirtas!


AQuarta, o termo de comparação, o exemplo, a companhia que, formada, nenhuma das outras pode olhar.
Admito que não sabia o que me esperava. Claro que ouvimos rumores do que é a quarta, mas quantos desses seriam, de facto, realidade?
A partir do momento em que lá podemos entrar, sabemos uma coisa: agora, somos o exemplo, para as outras companhias, para o exterior. Somos os mais velhos que representam o Colégio. Efectivamente é uma grande responsabilidade: desde o sexto até ser graduado, quer no sétimo ou no oitavo.
Se pudesse descrever numa palavra o meu primeiro ano de quarta Companhia seria: “intenso”. Intenso pelas emoções que afloravam todos os dias, como: medo, pois o secundário significava que, num futuro próximo, teria de escolher o meu futuro e isso deixa-

va-me aterrada; ansiedade, pois apenas conhecia o meu Colégio – o que me esperaria lá fora?; nostalgia, por saber que só faltavam três anos e que, pela minha experiência, esses três passariam a voar.
Pertencer à quarta é uma grande responsabilidade, mas também motivo de orgulho e um catalisador de um curso unido, próspero, com valores morais semelhantes e de entreajuda
– de que outra maneira poderíamos, em 2 anos, ser graduados e comandar um Batalhão?
Recordo agora com saudade: o meu sexto foi um ano difícil, por motivos a mim intrínsecos. Graças ao meu curso, que me acompanhava há 6 anos, com quem partilhava camarata, geral da companhia, refeitório, dei a volta e tornei-me mais persistente, esforçada e organizada.


No tempo da pandemia, as máscaras.. Mesmo com a farda de gala, as máscaras.
Além deste impacto pessoal não posso deixar de referir o impacto comum a todos: aprendemos a reunir, a debater assuntos, a abordar o que estava mal e a resolver, e isso tornou-nos homens e mulheres melhores.
Foi também o último 3 de Março em que desci a Avenida ao lado do meu curso…
O nosso Sétimo e Oitavo, para além das adversidades inerentes à Quarta Companhia, teve outro factor de dificuldade: a época do COVID-19.
Como graduada no Sétimo tinha uma rotina diferente: miúdos meus para ensinar, para servir de exemplo; uma camarata diferente; o meu canto de graduada; e, estando na 1ª Companhia: o olhar de surpresa, medo e expectativa que me era lançado pelos mais novos.
Foi um ano de muitas aprendizagens, de liderança, de amizade, de irmandade, cujo fim foi marcado pela pandemia que vivemos: e que, não sabia eu na altura, marcou também o meu último três de Março como comandante de secção de um pelotão.
Entrámos no oitavo de cabeça erguida, sabendo que, apesar das circunstâncias faríamos tudo ao nosso
alcance, adaptar-nos-íamos, e de tudo o que nos entregassem, devolveríamos o triplo ao batalhão.
E assim foi: a máscara passou a ser parte da farda, as formaturas de manhã começaram a ter horários distintos e as distâncias entre secções num pelotão passaram a ser maiores. Apesar de todas estas mudanças (e muitas mais), acredito que mantivemos a chama do Colégio acesa e que demos o nosso melhor neste último ano, (que tal como eu desconfiava), passou a voar.
Infelizmente, não nos pudemos despedir uma última vez da Avenida, e, a partir dos últimos momentos, o tempo não perdoou: de repente eram os últimos exames, a ânsia da faculdade, a incerteza da escolha, o que era melhor para o nosso futuro, se entraríamos ou não…
Obrigada Colégio por onde estou hoje, o curso que escolhi, para onde me direccionaste, não podia ser o mais certo.
Um Forte Zacatraz!

ANTIGOS ALUNOS NAS ARTES E NAS LETRAS

Nuno Mira Vaz 277/1950
MARQUES, DUARTE1, PÁSSAROSQUELEVAMOMEUGRITO, ED.POESIAIMPOSSÍVEL,2025
Otítulo do livro, bem como os de cada texto (Epopeia De Amor Entre Estrelas e Jardins Da Perda E Da Eternidade, por exemplo), remetem para aquilo a que comummente se chama poesia. Para surpresa dos leitores, o alinhamento dos períodos está em prosa. Mas para seu deleite, o conteúdo revela-se uma bela prosa poética.
Para nos falar de temas sensíveis e complexos como o amor, a solidão, a guerra e a morte, Duarte Marques inventa universos fantásticos e utiliza palavras poderosas que os pássaros, seus enviados, gravam a fogo na sensibilidade de quem lê.
Obviamente, não são os pássaros que segredam coisas como «Amar é abrir uma porta para o desconhecido e caminhar sem mapa, guiado apenas pela pulsação de um coração que clama por outro». Quem o faz é o próprio Duarte Marques, com uma prosa/poesia encantatória capaz de subverter o verdadeiro discurso, aquele que se esconde por trás da alegoria das palavras
O amor é omnipresente. Seja delicado ou intenso, sob a forma de irrepetível memória ou de atormentado desejo, ele insiste em deambular pela imaginação do autor.
Como anuncia Luísa Gonçalves no Prefácio, Duarte Marques oferece-nos «uma manta de retalhos de tantas emoções, às vezes contraditórias, outras que não entendemos, até aquelas que recusamos sentir.» Mas fá-lo com elegância dramática e o conhecimento sábio que o homem só alcança na maturidade.

Na página inicial do Colégio Militar no Facebook pode ler-se:
“Uma Luz no Ensino desde 1803” Educar pelos Valores Liderar pelo Exemplo Ensinar para o Sucesso
Durante mais de 30 anos estive ligado ao ensino universitário. Nessa condição fiz uma Comunicação há alguns anos num Simpósio no nosso Colégio. Penso que o que disse se mantem atual e, por isso, aqui vai:
Educar é preparar o indivíduo para a época em que vai viver. É, pois, um ato do presente com projeção no futuro. Por outras palavras, têm de se preparar pessoas para viver, com dignidade humana e competência, num determinado tipo de sociedade e num determinado momento histórico.
Desta perspetiva futurológica resultam, de imediato, dois tipos de questões:
- Que tipo de sociedade será a sociedade futura?
- Será essa sociedade feita para o Homem e à medida do Homem?
E, como corolário derivativo:
- Que tipo de pessoas pretendemos para essa sociedade e como as iremos preparar?
Em boa hora a AAACM organizou o Seminário “Colégio MilitarBicentenário”. É um testemunho de empenhamento. É uma prova de responsabilidade.
No período temporal, desde a sua fundação, a História foi-se escrevendo e nela o Colégio foi inserindo o seu caminho.
Pensamos que o Homem constrói a História, mas não é a História que constrói o Homem, apenas o influencia. Donde, o acaso ser uma verificação, não uma profecia.
Ao analisarmos essa História encontramos antigos alunos, já numerosos, que pelas suas qualidades intelectuais, humanas e de cidadania influenciaram a sua época em diversos sectores de atividade. Foram pessoas que contaram e com quem a sociedade pôde contar, qualquer que fosse a sua profissão ou o seu estatuto social. Foram úteis, deixaram rasto.
Não acreditamos com Rousseau que todos os homens nascem iguais e que são as experiências que vivem que os vão diferenciando, mas acreditamos no papel da educação no desenvolvimento das capacidades. “Yo soy yo y mi circunstância” dizia Ortega Y Gasset.
A uniformidade do projeto educativo e a identidade na vivência do internato, influências a que todos os alunos são submetidos, não anquilosou nem uniformizou as personalidades, proporcionando sempre a possibilidade de cada um desenvolver os seus talentos conforme as suas características autossómicas.
Se as estruturas influenciam os indivíduos, os indivíduos constroem e dinamizam as sociedades.
Ao analisarmos o percurso do Colégio ao longo da sua história, no que respeita aos seus valores e ao seu ensino, encontramos qualidade que, naturalmente, é subjetiva se referenciada a métodos, mas é objetiva se subordinada a valores.
Roger Garaudy, na sua utopia, inquieta-nos e estimula-nos para a construção duma nova sociedade. Embora este autor, muitas vezes, sonhe com a quadratura do círculo, aproveitemos o seu estímulo dinamizador.
Porque os valores são sempre universais e intemporais, e por isso é que são valores, teremos, portanto, de refletir sobre aqueles que deverão estruturar a sociedade futura, e em relação aos quais devemos alicerçar a preparação psicológica, intelectual, física e social dos nossos alunos.
A sociedade futura, na sua inevitabilidade histórica, ou é a continuação da época presente, com os seus avanços técnicos e os seus ondulantes direitos da pessoa, ou é uma sociedade que se tem de plasmar para se conseguir mais humana?
Se a Idade Média tinha uma visão teocêntrica das coisas, o Renascimento uma visão geocêntrica, a Ida-

de Moderna é incontestavelmente antropocêntrica. Não entrarei na Post-Modernidade. No entanto da pluralidade do Homem e do seu existir resulta sempre, em cada época, um conflito de humanismos. Parece-me excessivo denominar de humanistas doutrinas geradoras de ações, nomeadamente no domínio da política, em que o Homem fica limitado nos seus direitos e impossibilitado de desenvolver as suas capacidades.
A Europa desenvolveu a sua História alicerçada num humanismo integral, inspirado por uma matriz
judaico-cristã que, nos seus valores, tem aproximado o Homem da sua realidade: ser Homem.
Voltemos às questões:
Que tipo de sociedade será a sociedade futura?
E, daí:
Que tipo de pessoas pretendemos para viver e construir essa sociedade?
Sem pretender realizar futurologia, ainda que de forma sintética, alguns
princípios educativos estruturantes podem aflorar à nossa reflexão:
Assim, deve ser estimulada, no pensamento e na acção, uma qualidade essencial para a concretização de qualquer projeto que é a de não se confundir agitação com movimento. A agitação é apenas um bruxuleio browniano que acaba por ceder à força da gravidade. O movimento, pelo contrário, é algo ordenado, com um ponto de origem, um sentido e uma direção pare uma finalidade. A diferença entre um e outro implica, da parte da pessoa, o recurso à vontade e, como afirmou Alexis Carrel, a vontade desenvolve-se como os atletas desenvolvem os músculos. Com esforço e renúncias.
O conhecimento nunca pode ser dado como adquirido. É necessária uma formação contínua que impede a rotina e, em última análise, a anquilose intelectual. Essa formação deve situar-se no domínio de uma cultura geral sólida e vasta, científica, técnica, prática, mas também literária, filosófica e
se constroem e se desfazem e formular juízos.
Resulta daqui um interesse pelo mundo físico e social onde estamos inseridos e, desta inquietação, nasce o desejo de investigar, de procurar o porquê, de pesquisar as causas, de descobrir novos caminhos que podem ser fontes de desenvolvimento. Estas qualidades de observação e de experimentação são qualidades negligenciadas e pouco consideradas. No entanto, são elas que permitem formar criadores e, não apenas, gestores da tecnologia. Os alunos assim formados, com uma cultura prática integrada numa cultura geral e humanista estão preparados para utilizar os instrumentos que a técnica lhe oferece, não como fins, mas como meios para o desempenho de uma função, não como robots humanos, mas como pessoas que são capazes de controlar a técnica em vez de ser controlado por ela.
O papel da Escola, no desempenho integral da sua função educativa, não se deve limitar a desen-
Será assim possível tomar decisões ponderadas e justas e com responsabilidade para as assumir.
Limitei-me a referir apenas alguns arbustos que crescem no meio de uma imensa floresta que é a da educação para formar Pessoas.
É pouco, mas, para o tempo que me foi concedido, como diria o Padre António Vieira no final de um dos seus Sermões: “Desculpem o tanto que me alonguei, mas não tive tempo para poder ser mais breve”.

Quem é Quem

Pedro Soares Branco1
Mais do que um simples artigo do uniforme, a Barretina constitui um verdadeiro símbolo do Colégio Militar. No entanto, o conhecimento da sua história é muito condicionado pelo desaparecimento dos exemplares mais antigos, obrigando a deduzir aquilo que, fossem outras as circunstâncias, bastaria observar.
A actual Barretina deriva do modelo adoptado por portaria de 5 de setembro de 1866, que era de “pano igual ao das fardas, avivada de verde” e veio substituir o quépi do modelo de 1861, adoptado por portaria de 11 de setembro desse ano. A nova Barretina foi descrita, em termos pouco elogiosos, num artigo publicado na Revista Militar em janeiro de 1867, como tendo “uma semiesfera avantajada, chamada laço nacional”, um “tampo de couro, espécie de pluviómetro em uns casos, e em outros por ele se calcula a intensidade do calor”, e ainda um penacho “cónico”. Outro artigo da Revista Militar, publicado em fevereiro de 1867, é igualmente crítico da nova Barretina, referindo que se carregou “a cabeça com um bocado de papelão ou coisa semelhante, um tampo, e um enorme laço”.

Figura 1: Barretina para Oficial de caçadores, modelo de 1869. Esta cobertura, de clara influência francesa, terá inspirado a barretina adoptada para os alunos do Real Colégio Militar em 1870. (Colecção Particular)
Talvez por força destas, e doutras, críticas, a Barretina do modelo de 1866 foi substituída em 1870, por influência do Coronel (então Major) António José da Cunha Salgado. A nova Barretina, inspirada nos modelos adoptados para o Exército em 1868 e 1869 (figura 1), era provavelmente confeccionada em feltro, sendo a sua característica mais peculiar o penacho de penas encarnadas e verdes, a lembrar o modelo adoptado para as Barretinas do Asilo dos filhos
1 Médico. Assistente Hospitalar Graduado Sénior de Medicina Física e de Reabilitação. Professor Associado Convidado da NOVA Medical School. Membro da Comissão Portuguesa de História Militar.

Figura 2: Aluno do Real Colégio Militar, 1870.
A Barretina adoptada em 1870 possuía um característico penacho em penas encarnadas e verdes, separadas por um anel de metal. (Colecção Particular)
dos soldados em 1863 (figura 2). O penacho desta Barretina foi modificado no início do ano lectivo de 1871/1872, passando a ser de cor verde. Não é possível afirmar se foram mantidas as penas ou readoptada a lã para a sua confecção, mas esta última hipótese parece francamente mais provável.
Pouco tempo depois, pela Ordem do Colégio nº 12, de 12 de janeiro de 1872, foi adoptada uma nova Barretina. Esta era “de pano igual ao da farda, tampo liso, avivada de encarnado, laço de seda azul e branco seguro com botão dourado, coroa colocada entre o laço e as letras RCM”, com “penacho de lã verde” (figura 3). A Barretina do modelo de 1872 foi usada até à implantação da república, embora sofrendo pequenas modificações ao longo desses anos (figura 4).
Por decreto de 8 de Outubro de 1910, foi proibido o uso da coroa real nos artigos de uniforme. Tal facto levou à modificação das Barretinas do modelo de 1872, que foram

Figura 3: Barretina do Real Colégio Militar, modelo de 1872.
Este modelo perdurou até ao fim da Monarquia. As versões precoces apresentam guarnições douradas a fogo, laço nacional de maiores dimensões, ventiladores na copa. Teriam também, provavelmente, penachos de lã “aparada”. O penacho de lã “não aparada” deste exemplar, que não lhe pertencia originalmente, foi colocado para a realização da fotografia. (Colecção Particular)

Figura 4: Barretina do Real Colégio Militar, versão tardia do modelo de 1872. A barretina do modelo de 1872 foi mantida no uniforme adoptado por portaria de 4 de setembro de 1906. As versões tardias do modelo de 1872 apresentam guarnições douradas por electrólise e laço nacional mais pequeno, com uma tonalidade mais clara de azul. Nas versões tardias, os penachos são habitualmente de lã “não-aparada”, pelo que o penacho de lã “aparada” desta barretina é muito invulgar. (Colecção Particular)
despojadas, não só da coroa real, mas também do laço nacional azul e branco e da letra “R” que integrava as iniciais do Real Colégio Militar. Por uma questão estética, a letra “C” foi passada para o lugar anteriormente ocupado pela letra “R”, deixando livre (e perfurado) o espaço central.
Por decreto de 11 de setembro de 1912 foi adoptada uma nova Barretina, cujas diferenças mais notórias consistiam precisamente na ausência da coroa real e da letra “R”. O laço nacional passou naturalmente a ser encarnado e verde, as novas cores nacionais, mas manteve o seu característico fabrico “em relevo de seda” (figura 5). Esta versão original do modelo de 1912 teve provavelmente uma existência fugaz, uma vez que o laço nacional “em relevo de seda” parece ter sido rapidamente substituído pelo laço nacional em retrós encarnado e verde de modelo semelhante ao adoptado para o Exército por decreto de 23 de agosto de 1913.

Figura 5: Barretina do Colégio Militar, modelo de 1912.
Este exemplar apresenta penacho de lã não aparada e aplicações metálicas douradas. O laço nacional “em relevo de seda” encarnada e verde, adoptado em 1912, foi rapidamente substituído – talvez logo em 1913 – pelo retrós. Um aspecto muito curioso reside na cor preta do pano da copa, em vez da cor de pinhão regulamentar. O francalete encontra-se ausente. (Colecção Particular)
Em 1949, a Barretina do Colégio Militar viria ainda a sofrer uma transformação relevante, pela adopção da coroa mural. Este símbolo heráldico, inspirado na coroa atribuída ao primeiro legionário romano a pisar uma muralha inimiga, foi curiosamente adoptado por alturas da “conquista” de Madrid pelo Batalhão Colegial, em Junho de 1949. A esta “nova” Barretina bem poderia corresponder a designação, nunca oficializada, de “modelo de 1949” (figura 6).
O modelo adoptado em 1949 é aquele que de facto perdura até hoje; no entanto, foi sofrendo diversas modificações ao longo dos anos. Algumas destas, como a substituição do couro por materiais sintéticos, são compreensíveis, mas outras nem tanto. Não só se perdeu a forma original da Barretina (figura 7) mas ocorreu também uma drástica alteração na cor do penacho que, para além de mal confeccionado, perdeu a cor “verde-salsa”, que era não só tradicional, mas também regulamentar (figura 8).
A Barretina é o símbolo maior do Colégio Militar, registada em 2009 como marca/símbolo da sua Associação dos Antigos Alunos. Porque não se recuperam, então, as suas formas e cores tradicionais?
O nosso obrigado à colaboração do Professor Dr. Pedro Soares Branco, que com este artigo inicia uma colaboração com a AAACM na revista ZACATRAZ, com artigos dedicados às fardas e equipamentos militares.

Figura 6: Barretina do Colégio Militar, modelo de 1949. Este exemplar, provavelmente fabricado na década de 50 do século XX, apresenta pala revestida a couro e debruada com virola do mesmo material. As aplicações metálicas – incluindo a coroa mural – são de metal amarelo. Apesar de cinquentenário, este exemplar apresenta uma forma adulterada pelo revirar da pala para cima. Esta prática infeliz adquiriu grande expressão durante os últimos anos do século XX. (Colecção Particular)

Figura 7: Barretinas do Colégio Militar, modelos de 1872 e 1949 (exemplar circa 2004).
A barretina da direita foi adquirida nas OGFE (Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento) em março de 2004. A sua comparação com o modelo de 1872 (à esquerda) ilustra bem a deterioração da forma e a alteração da cor do penacho. Modificar estes aspectos não seria difícil, nem caro, e permitiria devolver ao Colégio Militar a aparência tradicional da sua barretina. (Colecção Particular)

Figura 8: Penachos de barretinas. Da esquerda para a direita: penacho de lã aparada do modelo de 1872 e penachos de lã não aparada dos modelos de 1912 e 1950 (versão original, intermédia e actual). Notem-se as diferenças de dimensão e cor ocorridas ao longo dos anos.
Avida por vezes proporciona-nos acasos, aparentemente insignificantes, mas que, mesmo sem repararmos, despertam-nos recordações, estimulam-nos a associação de ideias e, quando damos por nós, a memória e o pensamento percorrem um caminho onde acaba por se inscrever a nossa própria história ou, por outras palavras, a história da nossa própria vida.
Achei curioso o acaso que vos refiro.
Enquanto aguardava pela minha vez no consultório de um dentista, por sinal Antigo Aluno do Colégio, peguei distraído numa revista que se encontrava a descansar, meio amarrotada, na mesa do centro da sala. Folheei-a desinteressado. Subitamente fui atraído por um artigo que falava de Rudolf Steiner um filósofo austríaco, criador da antropofísia, que procura explicar o mundo espiritual através da metodologia usada pelos cientistas para explicar o mundo físico. No que respeita à educação, da filosofia de Steiner nasceu uma abordagem pedagógica, a Pedagogia de Waldorf, que procura integrar de uma maneira holística o desenvolvimento físico, espiritual, intelectual e artístico dos alunos.

O conceito educativo tem por base a noção de que o desenvolvimento de cada ser humano é único. O objectivo educacional é desenvolver indivíduos livres, integrados, socialmente competentes e moralmente responsáveis. Não me parece oportuno fazer aqui uma análise crítica do pensamento de Steiner mas, na realidade, seguindo o seu modelo pedagógico, há centenas de escolas espalhadas pelo mundo.
Por associação de ideias, lembrei-me da minha ida para o Colégio, desse Colégio que nasceu na Feitoria há mais de dois séculos mercê da intuição e ação do grande militar, atento e visionário, que foi o Marechal António Teixeira Rebelo. O projeto educativo que sonhou também era global: destreza física e capacidade intelectual, lealdade, amor à verdade, liderança, camaradagem entre outras virtudes que
visavam igualmente “desenvolver indivíduos livres, integrados, socialmente competentes e moralmente responsáveis”.
A opção que precedeu a minha ida para o Colégio não foi tomada senão após análise dos modelos pedagógicos e dos sistemas educativos que se ofereciam na época em Lisboa e que pudessem complementar e enriquecer com a instrução o que era o modelo estruturante da educação familiar.
Um oficial de grande prestígio na época, cliente e amigo do meu pai, numa ida ao consultório, perguntou:
- Então e o rapaz, como vão os estudos?
O meu pai respondeu:
- Acabou agora a Instrução Primária e fez as provas de admissão para o Colégio Militar. Estamos a aguardar os resultados.
O Major rejubilou. Era Antigo Aluno, apaixonado pelo Colégio.
Após a chamada telefónica, eufórico, deu a notícia:
- As avaliações acabaram há dois dias. Os resultados estão a ser publicados, mas fica já a saber que o seu filho foi admitido e tem o número 356.
Apesar de muito novo recordo o relato à mesa desta cena que se integrava na preocupação familiar da procura de um colégio onde fosse praticado um modelo educativo integral. Seguia-se o princípio de que instrução era com a escola e educação era com a família cabendo à escola integrar e desenvolver os valores que aí se praticavam.
Na época não existiam tantos Colégios e Liceus como hoje daí que através de conversas e opiniões interpessoais ia-se analisando e tomando as decisões mais adequadas.
Hoje, o ranking das escolas permite uma apreciação valorativa. É uma ajuda e importante, todavia não deixa de ser limitada. Isto porque educar é muito mais do que instruir.
Em tempos as equipes nomeadas pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas para fazer a avaliação das Universidades tinham como um item obrigatório entrevistar as entidades empregadoras para ver o grau de satisfação proporcionado pelo desempenho dos funcionários licenciados pela Universidade em avaliação.
Por paralelismo encontrei-me a analisar o Colégio através do desempenho pessoal e social dos seus Antigos Alunos. Encontrei uma imensa variabilidade de comportamentos e qualificações, como seria natural, mas neste pluralismo há uma densidade muito alta dos que com competência e ética no agir se dignificam como pessoas que sabem servir, liderar, prestigiar-se e prestigiar o Colégio que os educou. E, por agora, tal não é avaliado nos rankings, mas é-o pela História.

Quem é Quem
(Tradução de Mayer Garção)
Nos meus tempos de aluno, numa das aulas de Português, dedicada a Camões, foi-nos proposto o estudo e recitação de alguns dos seus versos pelo nosso Professor Cap. (Dr.) Mota. Calharam-me dois ou três sonetos e igual número de estrofes d’ “Os Lusíadas”. Creio ter-me saído bem o que teve duas consequências: a alcunha que tive no Colégio e a participação posterior em diversas récitas, espetáculos e intervenções na rádio.
Uma vez fui, com um grupo do Colégio, representar no Teatro Nacional de D. Maria II o Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. Embora o espetáculo fosse à noite fomos para o Teatro bastante cedo.
O Colégio preparou-nos um farnel. Raul de Carvalho, ator de renome, Antigo Aluno, ao aperceber-se de que nos encontrávamos no Teatro convidou-nos para o seu camarim e, num ambiente da mais viva camaradagem e descontração, mandou-nos servir um delicioso e abundante lanche, entretanto por ele encomendado à Pastelaria Suíça.
Com que entusiasmo rejuvenescia, ouvindo as nossas histórias e relembrando os seus tempos de Colégio. Que saboroso convívio.
Noutra altura, o Cap. (Dr.) Brazão, professor de Inglês e Alemão, comunicou -me que tinha de participar numa récita no Colégio e, depois, ir à Emissora Nacional recitar o “If” de Rudyard Kipling com tradução de Mayer Garção. Fiquei siderado mas… “ordens são ordens” e não tive oportunidade de me escapar.Ao remexer agora nos meus velhos papéis encontrei esse poema. Continuo a achá-lo interessante e, por isso, aqui vai:
Manuel Silva e Sousa 356/1948

Se podes ver desfeita a obra da tua vida
E impassível tornar ao sonho que se esvai
Perder subitamente a batalha vencida
Sem um gesto ou um ai
Se podes ser amante e não morrer de amor
Ser forte e ainda terno em teu rude lidar
E odiado sem jamais a ninguém ter rancor
Defender-te e lutar
Se podes suportar que sejam malsinadas
As tuas intenções para os tolos iludir
E ao ver que estão mentindo essas bocas danadas
Nem uma só vez mentir
Se tu podes ser digno, à modéstia sujeito
Aconselhar os reis, ao povo dando as mãos
Aos teus amigos, sem que algum seja o eleito
Amá-los como irmãos
Se sabes refletir, observar, conhecer
Sem por isso andar cético ou destruidor
Sonhar! Pensar! Porém no sonho não viver,
Ser só um pensador
Se podes ser severo e não mostrar-te horrendo
Corajoso e fugir à impudência brilhante
Se tu podes ser bom e ser sábio
Não sendo moralista ou pedante
Se podes reaver sem que o orgulho te afronte
Triunfo após derrota, ilusões que soçobram
Manter o ânimo forte e altiva a tua fronte
Quando os outros se dobram
Então Reis, o Destino, os Deuses, a Vitória
Teus escravos serão para que a teus pés se domem
E, mais do que vencedor dos Deuses e da Glória, Então, meu Filho, serás um Homem!

Ao ver os MENINOS DA LUZ a desfilar na Avenida sinto a PÁTRIA a palpitar clamando pela RAZÃO.
Sinto a alegria da SAUDADE que a memória nunca desfaz pela voz de um ZACRATAZ.
Vivo o hino à CAMARADAGEM por nos sabermos unidos mesmo que não nos vejamos.
Ao ver os MENINOS DA LUZ a passar pela cidade sinto a força da VERDADE na EDUCAÇÃO de raiz.
Vejo o sol da ESPERANÇA na terra que tanto amamos para que a HONRA e a DIGNIDADE em que deve assentar o PODER prevaleçam sobre a falsidade nos destinos do meu PAÍS.
Vejo que grande é o privilégio de perseguir a miragem que nasce da RECTIDÃO quando o fogo do PATRIOTISMO a par com a CIDADANIA têm mãos dadas com a JUSTIÇA.
Ao ver os MENINOS DA LUZ a representar o COLÉGIO aquilo que mais me seduz para além da sua imagem e do seu perfil de ALTIVEZ é saber que a forma especial de viver a SOLIDARIEDADE não é uma força de expressão mas sim uma frase vivida do ESPÍRITO COLEGIAL.
Ao vê-los olhar em frente como ATITUDE PARA A VIDA vejo o germinar da semente que pode invadir o mundo num sentimento profundo de SERVIÇO À SOCIEDADE
Por prestigiarem a FARDA que vestem com todo o APRUMO vejo que as lutas travadas por quem vive para SERVIR os mais ALTOS VALORES HUMANOS não morrem com o passar dos anos
Ao ver os MENINOS DA LUZ com a marcha ritmada e de braço bem esticado revejo-me nos tempos idos.
Revivo todos os momentos que por serem INTEMPORAIS são a base da AMIZADE.
Encho-me de ufana vaidade por saber-me entre os demais na FORÇA dos NUNCA VENCIDOS.
Ao ver os MENINOS DA LUZ marcarem o passo acertado ainda creio que no PRESENTE é possível HONRAR O PASSADO. POESIA NOS TEMPOS
Opassado dia 28 de Junho, foi o sábado escolhido, para recuperar o convívio da “Sardinhada na Feitoria”.
Se dúvidas houvesse sobre o acolhimento a ser dado à iniciativa, rapidamente foram ultrapassadas com a inscrição, de mais de uma centena de convivas, que esgotaram a capacidade logística do jardim da Feitoria em Oeiras, num espaço cheio de memórias, ressaltando a mais importante de todas, pois foi ali que nasceu pela visão do há época Coronel António Teixeira Rebelo o “Real Colégio Militar”, a respirar hoje 222 anos de vida.
Para muitos de nós, Antigos Alunos, acompanhados de família e amigos, foi também a oportunidade de rever o “Marinho Caixado”, a coordenar uma equipa, que nos serviu com qualidade e simpatia.
Numa tarde em que o calor também marcou presença, com o aroma da sardinha a assar na brasa, revivemos mais do que uma tradição gastronómica; revivemos o espírito de um Colégio que nos ligou para a vida.
Um agradecimento especial aos que tornaram este evento possível, desde a divulgação na App Quem é Quem, cada vez mais um elemento privilegiado de comunicação entre a comunidade colegial – em particular aos organizadores, mas também a todos os que estando presentes, sozinhos ou acompanhados de família e amigos, contribuiram para o sucesso.

Foi a vossa energia e presença que trouxeram àquela tarde, a certeza de que será um evento a repetir.
Um ZACATRAZ à iniciativa.
Adelino Fonseca Lage (176/1966)






Em 2016, tive o privilégio de estar presente numa reunião da AAACM com um grupo representante das primeiras Meninas da Luz graduadas. Tinham terminado o ano e, já à civil, conversaram connosco com uma elegância e maturidade que, acredito e sem desmerecer tudo o mais, só quem passou pelo IO e pelo CM poderia demonstrar. Ali estavam, transportando consigo o espírito de corpo e a camaradagem de duas instituições seculares e distintas.
Conheciam-se desde os 10 anos de idade. Juntas atravessaram o tsunami do encerramento do Instituto de Odivelas (IO), o tremor de terra da entrada de meninas no Colégio Militar (CM), a revolução das internas no CM, e finalmente, o momento
de luz em que foram graduadas — seis com estrela (Sarg.) e cinco sem (Furr.). Uma verdadeira constelação de 11 finalistas que assim fizeram história nesta nossa casa afectiva.
Antes delas, outras pioneiras também fizeram história. Iniciaram os estudos no IO e terminaram-nos no CM, enfrentando reações inenarráveis, como se não fossem elas próprias sobreviventes dos tempos dos princípios, valores e códigos de conduta. Como todos os que alguma vez envergam a farda de pinhão, também elas são distintíssimas sobreviventes.
A história centenária cumpriu-se, e essas jovens foram acolhidas com honra pela nossa sagrada camaradagem, tornando-se pilares robustos da mesma. A todas elas, voltaremos

num futuro próximo. Por agora, celebremos a nossa constelação de 2016.
Após essa reunião, seguiram-se entrevistas conduzidas e publicadas na ZACATRAZ pelo nosso irmão e mentor Martiniano Gonçalves (9/1958). Recordo-me da minha curiosidade
ao observar aquelas jovens de olhar tranquilo e maduro, brilhando de sonhos e de uma vida pela frente. Alguns rostos provocavam em mim a comovente convicção de que sempre as tinha conhecido — tão familiares, tão próximas, tão elegantemente cerimoniosas.
Não me recordo de todos os nomes, mas na Quem é Quem é fácil encontrar as finalistas do curso de saída de 2016. De cor, fixei o nome Vitória, uma estrela da quarta.
Pensei: “Tu deves ser rija, na quarta, hem?!”
Anos depois, numa reunião virtual de delegados de curso — a mais concorrida que assisti — vi gente de todas as idades e até de fora de Portugal. O Nelson Lourenço (377/1982) conduziu a sessão com mestria, e a malta mais nova estava super integrada no formato. Terá sido o efeito pandemia, mas nesse caso o resultado foi excelente e, virtual ou híbrido, este deveria ser o formato para todas as reuniões alargadas da AAACM, como já o é na AAAIO. Os mais cotas, como eu, por vezes interrompiam sem querer, sem noção do novo formato. Mas o que mais me marcou foi a serenidade e autoridade da então Comandante da Primeira Companhia ao abordar a integração dos novos miúdos. Outro testemunho impressionante foi o do Comandante de Batalhão Adjunto, aluno brilhante que decidiu manter-se externo até ao fim. Disse que os graduados pouco lhes ligavam, exceto quando tinham de decidir se passavam a internos. Tem havido e brilhantemente, muitas Meninas da Luz Comandantes de Companhia, mas, e tristemente na minha
opinião, em 2025/2026 nem uma, e muito poucas 3 estrelas.
Continuei a participar com todo o entusiasmo em reuniões. O meu curso está sempre presente, alternando representantes. Percebi que havia meninas delegadas de curso — sinal claro de integração — mas presenças, nada. Até que um dia, mais recentemente, vi uma Menina da Luz numa reunião de delegados!
Cheguei cedo, cumprimentei-a com um aperto de mão à romana e manifestei a minha alegria. Disse-me que era Leonor Santos, ou Nôno, ou Nô. Apresentei-me como João, ou Ju para os amigos. Ficou na fila atrás de mim e logo a malta mais nova se juntou à sua volta. Durante a reunião, recebeu elogios públicos pela organização da sardinhada, entre outros temas.
No final, desafiei-a para uma participação na Zacatraz. Disse logo que sim e deu-me o e-mail — que incluía o número do CM e do IO. Sintomático! Quem tem dignidade não nega os pilares formativos do seu passado. Sou filho e neto de Antigos Alunos do CM e do IO.
Fomos trocando algumas notas à velocidade do caracol. Tentei outras vias, mas o caracol é como o bom vinho — não tem pressa. A Nô é ocupadíssima, está a fazer um doutoramento em microbiologia, e mesmo assim é dinamizadora nas sardinhadas da Associação, no encontro de Famílias/Alunos/Antigos Alunos no último 3 de Março, é Vogal da Direção da Associação, etc, etc, e não pára!
Estou a vê-la e a todas as outras, a descer a avenida com o exem-
plar brio que Meninas e Meninos da Luz sempre apresentam no 3 de Março, talvez agora com uma natural elegância feminina adicional.
"Vai fermosa e vai segura, Lianor na formatura!"
Aqui deixo uma sentida homenagem de respeito, acolhimento e profunda camaradagem a todas as Meninas da Luz que também foram Meninas de Odivelas. Elas carregam o último, mas eterno, fôlego de um brilhante Instituto que formou mães, avós e irmãs de todos nós.
O IO, então campeão nos rankings, continua hoje e sempre a acolher as nossas Meninas da Luz no espírito da sua nobre missão, através da AAAIO — que aqui também homenageamos.
Leonor Santos representa aqui a sua geração, estas 11 pioneiras, e os nossos macro valores, princípios e generosidade com que a nossa sagrada camaradagem nos procurou formar.
E assim continuará!
ZACATRAZ, irmã! ZACATRAZ, irmãs! ZACATRAZ, irmandade!
Sabbo (17/1967)





618/2014



628/2014



663/2014


Morreu um Homem Bom!
Amou, nas diferentes dimensões do amor, todos quantos viveram com ele durante a Vida, tudo e todos: a Família – a mulher, desde muito tenra idade (paixão que vem desde os tempos da instrução primária), os filhos e os netos desde que apareceram - os amigos e os parceiros profissionais e os camaradas do Curso do Colégio dos Ratas de 1958 de que foi o nosso Comandante de Batalhão. A bondade foi o timbre da sua vida no relacionamento com todos os que com ele conviveram.
Aluno brilhante, dotado de excepcionais qualidades intelectuais, terminou todas as fases da sua vida académica (Colégio Militar, Engenharia Eletrotécnica – IST,...) com as mais altas classificações: no Colégio foi um dos 6 Antigos Alunos que, desde 1803, foi premiado com a Medalha de Mérito de Ouro, só alcançável pelos que no final do curso tiveram todas as medalhas curriculares possíveis.
Engenheiro Electrotécnico
Nasceu a 2 de Abril de 1948
Faleceu a 07 de Agosto 2025
Discreto, organizado, metódico, determinado, com enorme força de vontade, eficaz no desempenho das sua tarefas pessoais e profissionais, desenvolveu a sua profissão na área das Telecomunicações, desempenhado funções de Direcção e Administração nas empresas por onde passou, o que após um breve período de 2 anos em Espanha ocorreu em Portugal.
Na sua inteligência não conhecia o Mal, sendo por vezes ingénuo de que lhe resultaram contrariedades que nunca manifestava.
Da memória do Colégio, fica-nos o camarada auto-controlado, sempre disponível para auxiliar todos os que mais precisavam não só nos estudos mas também nas restantes actividades em que não atingia o mesmo nível das “teóricas”, na ginástica, no desporto, nos cavalos...(as “práticas”) Após o anúncio da sua morte, o Curso manifestou-se através de largas dezenas de mensagens privadas, lem-
brando a sua bondade, amizade e o seu brilhantismo.
Perco um grande Amigo, que comigo viveu mais de 70 anos: desde os tempos anteriores ao Colégio, na camarata durante 6 anos em que as nossas camas eram seguidas – ele o 4 e eu o 9 - , em que as nossas conversas nos adormeciam até ao Toque da Alvorada, e, depois, no convívio permanente que se seguiu após terminarmos os nossos cursos de engenharia, em que no dia-a-dia, durante o ano e em férias, discutíamos as Pessoas e o Mundo, a Arte e a Filosofia, o Bem e o Mal, as Tecnologias e a Sociedade, os Homens e a Natureza: tudo.
Deixou de estar na Terra uma parte do meu mundo: deixa-me tristeza e saudade.
Que descanse em paz.
Obrigado Zé Luis!
Martiniano Gonçalves (9/1958)


MORREU O LARRY!
Morreu o Larry, como por todos era conhecido o 9/1950 Fernando Duarte Pina da Silva Ramos.
A notícia chegou como uma bomba. Claro que já sabíamos da sua doença há muito tempo e que era inseparável das suas garrafas de oxigénio, mas ninguém esperava um final tão rápido.
No Colégio nunca fomos do mesmo curso ou Companhia e não tivemos qualquer contacto. Só mais tarde, já como tenentes ou capitães modernos nos encontramos no Regimento de Lanceiros 2, (Polícia Militar) onde ele montou um sistema de ligação rádio entre a central da Unidade e todas as viaturas que se encontravam de serviço no exterior do Quartel. Aí verifiquei a sua alta competência, a determinação com que executava todas as missões, a sua preocupação com os problemas dos seus subordinados, e a forma leal franca e frontal como lidava com os seus superiores.
Só muito mais tarde por volta dos anos 80, nos voltamos a encontrar
Coronel de Cavalaria
Nasceu a 11 de Janeiro de 1940
Faleceu a 19 de Julho de 2025
quando fui colocado numa Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas (EMGFA) onde o Larry também estava, embora num edifício diferente.
Aí tive oportunidade de confirmar as suas elevadas qualidades na área da pesquisa e de organização, poder de decisão e execução nas muitas missões que teve de cumprir, com especial relevo nas relacionadas com segurança - frequentou vários cursos sobre esta matéria em diversos países - tornando-se num dos melhores especialistas portugueses em assuntos de segurança.
Já na situação de reforma, juntou-se ao grupo dos JCR (jovens coronéis reformados), que deu origem à Associação dos Antigos Oficiais de Lanceiros, cuja equipa de futebol de salão se deslocou a todas as Unidades de Cavalaria e, posteriormente, a quase todo o País (incluindo a Madeira e os Açores) visitando Unidades e Estabelecimentos Militares (como o nosso Colégio), de todas as Armas e Serviços, Marinha, Força Aérea, GNR e PSP. O pretexto era um jogo de futebol, mas a grande
finalidade era manter o contacto com os mais novos e alargar o espírito de camaradagem. E aí também o Larry foi insuperável, mesmo não jogando futebol (preferia o ténis ou a conversa).
Perdemos, um Homem Bom, um Camarada e um Militar e especialmente um Amigo.
Mas o fim da vida é como as promoções na “tropa”: ou é por antiguidade ou é por escolha!
Que Deus receba a sua alma em paz.
Carlos Ayala Botto (32/1951)


Chico...ainda não acredito. Meu grande amigo. Meu melhor amigo do Colégio Militar. Francisco Júlio Timóteo Thó Madeira Monteiro (27/1978).
Lembras-te de nós? Claro...vivemos tantas aventuras. Tantos bons e alguns menos bons momentos. Eras uma pessoa muito especial: bom amigo, camarada, honesto, frontal. Porque te foste tão cedo nunca entenderei. A vida é cruel e por vezes muito injusta. Não consigo imaginar a dor da tua família...tua mãe e tua irmã...aquelas com quem mais privei. Mas também teus filhos e irmão.

Brigadeiro – General
Faleceu a 27 de Julho de 2025
Recordo nossas idas ao cinema, os nossos passeios por Lisboa, aquelas Verões fantásticos em São Martinho do Porto!!! Tantas e tão boas recordações...
57 anos...um futuro brilhante ainda pela frente. Sim! Porque tu eras brilhante...educado, calmo, bom líder. Todos que te conheceram certamente gostavam de ti. E admiravam teu estilo. Sei que sim.
Espero... aliás...sei que estás num lugar muito melhor e que um dia nos reencontraremos. A saudade, essa, será enorme. Mas estaremos juntos novamente. Sei que sim.
Como sempre!!!
Um grande e fraterno abraço deste teu amigo que nunca te esquecerá. Até sempre meu General. Até sempre Francisco.
Adoro-te.
Zacatraz
Rui Monteiro (67/1978)
(250/1946)
Nasceu a 7 de Outubro de 1936
Faleceu a 12 de Julho de 2025
Recebemos na “Zacatraz”, por informação da D. Margarida Anão, a triste notícia do falecimento por doença prolongada, do seu marido e nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros.
Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.
A Redacção


OJosé Alfredo Manaia era um bom amigo, como eram amigas as nossas famílias. Depois de nos conhecermos, já lá vão mais de quarenta anos, descobri-lhe a Barretina na lapela. Era o 238/1945. Ficou no Colégio só 2 anos pois tinha problemas respiratórios. Com família no Alentejo, nascera em Arraiolos, foi transferido para o Liceu de Évora. Mas ficou para sempre marcado pelo Colégio.
De 1954 a 1959 fez o Curso de Direito na Universidade de Lisboa. Começou como Secretário do Secretário de Estado do Comércio, passando depois à Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau, sendo em seguida seu Presidente. Esteve depois na Junta Nacional das Frutas e, a seguir, no Conselho Administrativo do Fundo de Abastecimento, do qual foi presidente entre 1980 e 1986. Neste ano foi nomeado Presidente do Conselho Administrativo do Instituto Nacional de Garantia Agrícola. Continuou a sua atividade profissional
Juiz Conselheiro Jubilado do Tribunal de Contas
Nasceu a 27 de Maio de 1935
Faleceu a 24 de Maio de 2025
como Juiz Conselheiro no Tribunal de Contas, passando a Juiz Conselheiro Jubilado em 1993. Fez, pois, uma excelente carreira na Administração Pública, rara entre os ex-alunos.
O José Alfredo, mais do que residir em Parede, empenhava-se na vida tanto da Paróquia como das instituições civis, Bombeiros, Clube Nacional de Ginástica e Hospital de Santana, do qual foi membro do Conselho de Ética.
Embora tivesse estado apenas dois anos no Colégio, manteve-se-lhe ligado, nomeadamente através de dois colegas do curso de 1945, o João Almeida Bruno (230/1945) e o Eduardo Martins Zúquete (20/1945), participando em algumas visitas do curso ao Colégio, tendo a preocu pação de levar alguma lembrança ao seu sucessor. Era sócio da nossa Associação, de que foi membro do Conselho Fiscal, e participava em várias atividades ligadas ao Colégio, particularmente quando dos 200 anos, em que nos acompanhámos.
Além disso, a vida de dois anos no Colégio não passava despercebida em casa, desde o arrumar da roupa e ao “amarelo” até aos “castigos” às filhas, que elas recordam com saudade.
Perdi um amigo!
Luis Santos Pereira (214/1952) OS QUE NOS DEIXARAM



Conheci o Pedro em 1988, quando fui seu co-piloto de B-727. Tivemos uma grande empatia que se transformou numa profunda amizade, quando em 1994, a pedido da TAP, fizemos uma comissão de serviço nas Aerolineas Argentinas.
O Pedro Maya era um homem da aviação. Neto do António Maya, 186/1898, um dos pioneiros da aeronáutica militar em Portugal. Filho do Comandante Enrique Dantas Maya, um dos 11 de Inglaterra, fundadores da TAP, irmão do


Piloto de Linha aérea
Nasceu 1945
Faleceu a 10 de Julho de 2025
Henrique Maya, Comandante da TAP jubilado, pai do Comandante
Vasco Maya e tio do Comandante Eduardo Maya, todos TAP. Quatro gerações de Pilotos TAP. Da fundação à actualidade.
Também gostava do mar e levou-me a passear no seu barco, o "Zacatraz".
Homem de convicções fortes, sempre defendeu o que acreditava. O Pedro foi uma pessoa que marcou e continua a marcar a minha vida. Homem de uma inteligência invulgar, sen-
tido de humor apurado e de uma ética inquestionável. Um exemplo para mim.
Como somos humanos e é impossível sermos completamente verticais, o Pedro foi o homem menos oblíquo que conheci até hoje.
Uma vida para ser celebrada.
Até sempre Pedro"
Ângelo Felgueiras (498/1976)
(435/1955)
Faleceu a 31 de Agosto de 2025
Recebemos na “Zacatraz”, a triste notícia do falecimento deste nosso camarada, que subiu ao “Zimbório”, na Cúpula da Capela dos Claustros. Na impossibilidade de termos assegurado algumas palavras que aqui o recordassem, endereçamos a todos os seus familiares, as nossas mais sentidas condolências.
A Redacção


Nasceu em Lisboa, tendo vivido durante alguns anos nos Açores (São Miguel), onde fez quase toda a escola primária. De regresso a Lisboa, concluiu a 4.ª classe e frequentou o Colégio Militar. Pedro Massano como fazia questão de assinar os seus trabalhos, foi jornalista, editor, ilustrador, autor, crítico e divulgador de banda desenhada portuguesa, nesta área merecendo destaque os “cartoons” que dedicou ao Colégio Militar, e
Jornalista e Cartoonista
Nasceu a 15 de Agosto de 1948
Faleceu a 1 de Setembro de 2025
divulgados na App Quem é Quem caracterizando a colecção de cromos que tanto interesse causou.
Nasceu em Lisboa em 1948. Depois de ter frequentado o Colégio Militar, fez o curso de Arquitectura na ESBAL (Escola Superior de Belas Artes de Lisboa). A sua primeira banda desenhada publicada foi "BZZZ", que apareceu no suplemento Mosca, no Diário de Lisboa em 1972. Esteve associado ao
aparecimento da célebre e efémera revista vanguardista de Banda Desenhada, Visão (1975-1976). O seu primeiro álbum, editado em 1977, foi A Primeira Aventura no País de João, segundo textos de Maria Alberta Menéres. Nas décadas de 80 e 90 criou várias Bandas Desenhadas, entre elas as tiras de humor negro O Abutre e Os Passarinhos.




