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Revista “O COLÉGIO MILITAR”

janeiro/abril 2014

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211º Aniversário do Colégio Militar


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4-21

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FICHA TÉCNICA: PUBLICAÇÃO QUADRIMESTRAL: N.º 233 A revista O Colégio Militar é publicada até ao final do mês seguinte ao período temporal a que se refere. E-mail: revista@colegiomilitar.pt

ÍNDICE

2.º período: janeiro – abril 2014

ISBN: 0871-3936 NÚMERO DE EXEMPLARES: 1000 ADMINISTRAÇÃO: Colégio Militar DIRETOR: Aluno n.º 196 – Nuno Miguel Lopes Raposo REDATOR-CHEFE: Aluno n.º 135 – Artur Miguel Freire Nascimento REDATORES: 12.º ANO: 196; 72 11.º ANO: 591; 609 10.º ANO: 184, 251, 328, 342 9º ANO: 14,148,189,193, 216, 262, 266, 291, 305, 375, 681, 7º ANO: 330, 490 6.º ANO: 36, 75, 122, 124, 132, 220, 239, 417, 441, 453 5.º ANO: 29, 64, 92, 100,104, 131, 134, 161, 191,211, 214, 245, 246, 249,255, 279, 286, 301, 308, 334, 338, 339,341, 351, 360, 379, 401, 404, 408, 412, 442, 451, 374, 468, 482, 485, 486, 515, 595

COORDENADOR PRINCIPAL: Dr.ª Graça Paulo REVISÃO LITERÁRIA E ORTOGRÁFICA (COMISSÃO DE REVISÃO): Grupo de Português

APOIO: Miguel Ferreira Alferes Catarina Amaro

DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Sersilito-Empresa Gráfica, Lda. www.sersilito.pt

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EDITORIAL

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COMEMORAÇÕES DO 3 DE MARÇO

22 ATIVIDADES ESCOLARES 35 ESPAÇO CIÊNCIA 43 NOTÍCIAS 52 ARTE E CULTURA 57 EVENTOS DESPORTIVOS 60 TRADIÇÕES E MEMÓRIAS 62 RENDER DA GUARDA

FOTOS: Renato Oliveira Ateliê Sérgio Garcia Leonel Tomaz Outros DEPÓSITO LEGAL N.o 108931/97

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Editorial Caros Leitores, Cada passo nos aproxima mais do final deste ano letivo e, consequentemente, do fim do meu percurso aqui no Colégio Militar. Mais um período se passou (já lá vão 23 dos 24!) e mais uma edição da revista “O Colégio Militar” é agora lançada. O período de descanso é ideal para refletir sobre tudo o que foi feito e nada melhor do que recordar todos os pequenos momentos para iniciar este processo tão necessário que nos permite aprender, crescer e aperfeiçoar. Foram três meses profundamente preenchidos com o ponto alto nas comemorações do 211º Aniversário do Colégio Militar, em que os Meninos da Luz se apresentaram, mais uma vez, impecáveis a todos os níveis, irradiando brio e orgulho, e que reuniram, tanto no Claustro como da Avenida da Liberdade, centenas de antigos alunos, Meninos da Luz das várias gerações, familiares dos atuais alunos, assim como inúmeras outras individualidades que, pelo carinho que têm a esta instituição bicentenária, fizeram questão de marcar presença; não podemos, contudo, esquecer todas as restantes tradições, atividades escolares e eventos desportivos que pautaram o quotidiano dos nossos alunos. Deixo-vos, assim, com esta 233ª edição da revista “O Colégio Militar”. Apreciem a leitura e, pegando nas palavras de Raul Solnado, “Façam o favor de ser Felizes!” 196 - Raposo

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COMEMORAÇÕES DO 3 DE MARÇO 211.º ANIVERSÁRIO DO COLÉGIO MILITAR Foi em ambiente festivo que o Colégio Militar celebrou o 211.º Aniversário da sua fundação. As cerimónias comemorativas foram presididas por S. Ex.ª o TGEN Frederico José Rovisco Duarte, Comandante de Instrução e Doutrina do Exército, e tiveram lugar no dia 8 de março, na Feitoria e no Colégio Militar, e no dia 9, na Avenida da

ALOCUÇÃO DO EXMO. DIRETOR DO COLÉGIO MILITAR

E

xcelentíssimo Senhor Tenente-General Frederico José Rovisco Duarte, ilustre Comandante da Instrução e Doutrina do Exército, Meu General Comandante, O Colégio Militar agradece a presença de V.Ex.ª nesta cerimónia de profundo significado, que muito nos honra pela dimensão institucional que representa e materializada na perenidade da ligação do Colégio Militar ao Exército Português. Mas, mais do que o significado institucional, entendemos a presença de V.Ex.ª como um estímulo e um sinal de reconhecimento pelo trabalho e dedicação permanente em prol da nossa nobre missão. – Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais, – Excelentíssimo Senhor Major-General, Fernando Cóias Ferreira, Diretor de Educação, – Excelentíssimos Senhores Antigos Diretores e Subdiretores do Colégio Militar que saúdo na pessoa do Senhor Tenente-General Perry da Câmara, aqui presente, – Excelentíssimos Senhores Diretores do Instituto dos Pupilos do Exército e do Instituto de Odivelas, a quem me dirijo de forma particular, pela missão que igualmente cumprimos, – Excelentíssimos Senhores Presidentes das Associações de Antigos Alunos e de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar,

Liberdade e na Igreja de

– A presença de vossas excelências simboliza a importância do acompanhamento das atividades desta instituição por toda a comunidade colegial, que muito prezamos. Nas pessoas de vossas excelências, saúdo todos os Antigos Alunos, Pais e Encarregados de Educação. – Distintos Convidados, – Estimados Professores, Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários que servem no Colégio Militar, Caros Alunos e Alunas, TODOS Alunos do Colégio Militar, As minhas primeiras palavras são dirigidas aos 211 anos de História do Colégio Militar e ao seu Fundador. O Colégio Militar nasceu a 03 de março de 1803, com a designação de Colégio da Educação Militar do Regimento de Artilharia da Corte, pelo sonho e obra do então Coronel António Teixeira Rebello, personalidade de indelével referência para todos os servidores do Colégio que, diariamente, o recordam como alguém que soube dar forma a um projeto de apoio ao ensino de crianças órfãs carenciadas e filhos de militares destacados. O Fundador era um homem que tinha “uma concepção humanista do mundo e não acreditava em dogmas que afastassem o homem do caminho da razão, na interpretação do saber, dos sentimentos, das pequenas e grandes coisas da vida”.

S. Domingos.

Foi a visão deste homem que, em 1803, num mundo em permanente convulsão, levou à fundação de um Colégio crente nos valores “da solidariedade, da fraternidade, da justiça, da igualdade e da camaradagem”, valores que, tal como dantes, são um património que importa continuar a ter como referência na formação dos nossos alunos.

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COMEMORAÇÕES Esta é a pureza dos ideais de uma obra que perdura ao longo de mais de dois séculos e que está no espírito e na génese do lema do Colégio Militar: “SERVIR”. Num ato simbólico, mas de profundo significado, acendemos hoje a chama no Memorial da Feitoria, em Oeiras, recordando o nascimento do Colégio que hoje comemoramos. Os seus pilares erguem-se nas fundações do tempo, no silêncio das placas presentes nas paredes destes majestosos claustros, mas sobretudo nas obras e feitos de todos aqueles que estudaram e cresceram neste Colégio e, mais tarde, vieram a ser obreiros da história do Portugal que hoje somos. Deixo, aqui também, uma palavra de homenagem e de admiração aos que nos antecederam no anonimato do tempo, bem como aos atuais servidores do Colégio Militar, em especial num momento em que todos seremos necessários para continuar a engrandecer o nosso Colégio.

inserido na orgânica do Exército Português, o que lhe confere um conjunto de responsabilidades institucionais e organizacionais próprias e diferenciadas.

Ao longo da sua história, o Colégio Militar passou por diferentes fases e transformações, tendo, inclusive, sofrido as agruras de transferências das suas instalações, passando por Rilhafoles e por Mafra, alterando a sua designação inicial e, sobretudo, foi crescendo pela evolução dos seus formatos pedagógicos, decorrentes de diferentes reestruturações no seu sistema de ensino.

Com mais de dois séculos, o Colégio Militar é reconhecidamente considerado um Colégio adulto e consolidado no valor dos elevados serviços prestados à Pátria, à Nação Portuguesa e ao Mundo.

Durante a sua existência, assistimos, no entanto, à constância e genética de um Colégio assente numa matriz formativa de natureza castrense, como estabelecimento militar de ensino

Distintos Convidados,

Meu General, Oficiais, Professores, Sargentos, Praças e Funcionários Civis, Caros Alunos, Encontrado o legado que nos orienta, é o momento de olharmos para a atual realidade do Colégio Militar. Como é do conhecimento de todos, encontramo-nos numa fase de adaptação a novas reconfigurações funcionais e pedagógicas. Até ao ano letivo passado, o Colégio Militar era frequentado exclusivamente por alunos do género masculino e vivia num regime prioritariamente orientado para o internato. No presente ano letivo, integrámos uma outra realidade no nosso projeto educativo, decorrente da abertura do 1º Ciclo do Ensino Básico, a introdução do ensino misto, a admissão de alunos do género feminino e a opção do regime de frequência entre internato e externato para os alunos do género masculino. O universo e o perfil de alunos a frequentar o Colégio Militar alargou-se. O desafio que hoje se coloca ao Colégio Militar é identificar o que evolui e o que permanece, procurando construir um renovado e crescente formato pedagógico que continue a preservar o desenvolvimento de um conjunto de princípios e valores à luz da identidade nacional e das virtudes militares, encontrando, no conjunto das novas variáveis, o potencial e os fatores multiplicadores de um projeto educativo único, adaptado aos desígnios sempre presentes de uma verdadeira escola de formação integral.

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COMEMORAÇÕES Nesta equação, teremos de entender o meio e as envolventes, a comunidade e a sociedade de onde emanamos, para, de uma forma permanente e continuada, adotar uma atitude de reflexão e avaliação, mas também de ação e resposta, fazendo evoluir o projeto educativo do Colégio Militar para um efetivo valor acrescentado. Apesar dos seus 211 anos de História, somos hoje uma instituição aprendente, não só pelo momento que atravessamos, mas também porque todos os sistemas formativos devem gozar desta característica. Será no respeito pela diferença e na igualdade de “UM POR TODOS, TODOS POR UM”, e na assunção de um quadro de evolução assente num crescente pluralismo, que o Colégio está a percorrer o seu caminho, pelo desenvolvimento de um modelo formativo que continue a encontrar nos valores da união e da camaradagem de todos os seus alunos um dos seus principais denominadores. Ao comemorar mais um aniversário, clamar aos valores do humanismo, na solidariedade, na fraternidade, na justiça, na igualdade e na camaradagem, no caminho da razão, na interpretação do saber, dos sentimentos, das pequenas e grandes coisas constitui o tributo possível ao seu Fundador, mas, sobretudo, é o reconhecimento da genética do Colégio Militar, num momento em que a história se cruza com o futuro. Esta é a prova evidente da intemporalidade e vitalidade do Colégio e de todas as instituições com valor e valores. É este o nosso Colégio Militar. Comunidade Colegial, Caros Alunos, Dirijo-me particularmente a vós. As maiores expetativas da comunidade colegial estão centradas em vós, sabendo que vos é pedido uma dedicação e um esforço

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acrescidos relativamente a alunos de outras escolas. Mas o Colégio Militar é muito mais do que uma Escola. O valor do Colégio Militar mede-se pelo valor dos comportamentos, das atitudes e dos resultados escolares dos seus alunos. Esta responsabilidade não recai, no entanto, exclusivamente em vós. Recai, igualmente, nos professores e formadores, nos vossos Pais e Encarregados de Educação e em toda a comunidade em geral. A mudança, a evolução e o sentido do futuro são sempre difíceis de gerir, mas a capacidade que o Colégio Militar tem em se adaptar a novas situações sempre foi seu apanágio e tenho a certeza que assim continuará a ser. A capacidade de reconhecer e aceitar os desafios e as oportunidades do atual momento do nosso Colégio são vitais para que nos consigamos posicionar perante o futuro, naquilo que é essencial para a qualidade da educação do Colégio Militar. Alunos do Colégio Militar, Amanhã será mais um grande dia. O vosso olhar, o vosso querer e a vossa vontade em crescer no Colégio Militar são a prova da nossa força. Ides mostrar à cidade de Lisboa, na Avenida da Liberdade, os ideais que vos movem e o orgulho que manifestais na farda que ostentais. Façam-no como sempre. O vosso garbo reflete a imagem e o valor do Colégio Militar, instituição secular que sempre soube dignificar Portugal. Termino agradecendo a presença de todos os que se dignaram assistir a esta singela cerimónia, onde uma vez mais relevo as mães, os pais e os antigos alunos aqui presentes, pelo particular significado que transmitem a todas as cerimónias e atividades deste Colégio. Muito obrigado a todos e parabéns ao Colégio Militar por mais este aniversário. Tenho dito!


COMEMORAÇÕES

ALOCUÇÃO DO PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA AAACM Senhor Diretor do Colégio Militar, Coronel tirocinado José Feliciano, Caros colaboradores  Militares e civis do Colégio Militar, Caros pais, encarregados de educação e familiares dos Alunos e Alunas  do Colégio Militar, Caros Alunos e antigos Alunos do Colégio Militar, Neste momento em que se iniciam  as comemorações do 211º aniversário do nosso Colégio, quero saudar, em nome de todos os AA do CM, a Comunidade Colegial aqui representada, com a emoção, o sentimento de pertença e a confiança de sempre. Permitam-me uma saudação especial aos Pais e familiares dos atuais Alunos e Alunas do CM, da Escola Primária e do Batalhão Colegial, em particular aos que nos acompanham pela 1ª vez nestas celebrações, pela decisão de confiarem a esta escola a educação dos seus filhos. Celebramos uma vida longa. Celebramos uma história ímpar. Celebramos um passado do qual legitimamente nos orgulhamos. Celebramos um presente que tem de  estar à altura desse passado e construir o futuro. Celebramos os nossos. Celebramos Portugal. Ao fazê-lo, cumpre-nos honrar  a memória de todos aqueles que constituem o que designamos de “Família Colegial” que, ao longo de mais de dois séculos, escreveram esta história única e que já não se encontram entre nós. São eles todos os AA e todos os Servidores Militares e Civis desta Casa, já desaparecidos. Ao fazê-lo, cumpre-nos também prestar, com um sentimento de admiração e gratidão profundos, o  tributo à figura maior deste legado que é o CM, o seu Fundador - o Marechal António Teixeira Rebello - cuja visão, humanismo, sentido de Estado e determinação tornaram possível tão ambicioso quanto inovador projecto, numa época de grande incerteza como aquela que se vivia no ano de 1803, véspera das invasões napoleónicas.

Sem menosprezo pelos demais grupos e entidades já citados, que constituem a Comunidade Colegial, e pelo seu insubstituível papel na indispensável melhoria que ansiamos e exigimos se produza em termos gerais e do desempenho académico em particular, é aos Alunos, a razão de ser da existência desta casa, a quem quero dirigir-me nesta ocasião. Fá-lo-ei fiel ao compromisso da AAACM na sua missão de apoio ao CM e aos seus Alunos, sem reservas ou discriminações de qualquer natureza e independentemente dos condicionalismos resultantes das opções tomadas ou a tomar pela tutela política. Fá-lo-ei, também, ciente de que a estabilidade do funcionamento interno da estrutura do Colégio e dos seus Alunos é uma prioridade inquestionável. Fá-lo-ei dirigindo-me ao Aluno 196, Nuno Raposo, que na sua condição de CB, representa o universo de todos os Alunos do CM. E fá-lo-ei respondendo ao discurso que o mesmo proferiu em 18 de Outubro passado na Abertura Solene do corrente ano letivo, numa demonstração inequívoca dos valores de liberdade e de responsabilidade que, entre outros, conformam o modelo educativo desta casa há mais de dois séculos e uma emanação perfeita do espírito do CM. O eco das suas palavras ainda persiste. Elas foram uma afirmação de responsabilidade, liderança e maturidade. Atrevo-me a dizer que nenhuma outra escola prepara Alunos, tão jovens, capazes de uma tão eloquente demonstração de cidadania, que faz parecer natural um jovem Aluno questionar um ministro de forma firme, desassombrada e corajosa, mas também inteligente e correta. É, pois, a ti, 196, que neste 3 de Março me dirijo, respondendo a estas tuas palavras. Confidenciaste a inquietação que te vai na alma. Afirmaste, sem eufemismos, que o Colégio enfrenta um dos mais difíceis momentos da sua história e que o MDN destruiu, com tinta, o que muitos construíram com sangue, pondo em risco a obra do Marechal. Compreendemos a tua inquietação, que também é nossa, e comungamos dos teus receios, que são os nossos. A reforma em curso, feita sem a ponderação e a preparação que seriam exigíveis, é um sinal de desrespeito pelo Colégio, que justifica essa inquietação e esses receios. Afirmaste, sem ambiguidades, que não podemos ficar agarrados ao passado, ao exortares toda a Comunidade Colegial para o esforço que é necessário na construção do futuro. Fizeste-o apelando em particular ao esforço dos Alunos, à dedicação dos Professores e ao acompanhamento dos Pais, centrado na

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COMEMORAÇÕES melhoria indispensável do desempenho escolar. Concordamos com a oportunidade deste teu apelo, uma vez que o desempenho académico é condição essencial para o desejável reforço da imagem de qualidade do CM e o aumento da sua procura por parte da sociedade. Apelaste a todos os Alunos, em especial aos Alunos graduados, para o cumprimento do Código de Honra. Juntamos a nossa voz a este teu apelo, pois acreditamos que é o Código de Honra, a par dos valores que norteiam a Instituição Militar como a honradez, a disciplina, a camaradagem e o amor à Pátria, que constituem os elementos distintivos do modelo educativo do CM e a razão da sua longevidade. Disseste, também, que o Colégio que conhecíamos acabou e que começou um outro, diferente, cheio de problemas e desafios, mas também de oportunidades. Apelaste uma vez mais ao esforço conjunto e solidário de toda a Comunidade Colegial na construção do futuro, à luz dos valores idealizados pelo Fundador e que estão inscritos no Código de Honra. Partilhamos a tua visão e saudamos o teu pragmatismo. Partilhamos o sentido de descontinuidade das tuas palavras e o teu apelo. O desafio que temos pela frente é de construir uma ponte sólida sobre o abismo criado e unir o passado ao futuro. É sobre esse desafio que quero dizer-te: O despacho não extinguiu a camaradagem, nem sequer afetou os seus fundamentos. O despacho não extinguiu o valor da disciplina. O despacho não extinguiu  o amor à Pátria. O despacho não extinguiu a nossa História. O despacho não extinguiu o contributo dos AA para o futuro do Colégio e de Portugal.

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Quero, por fim, dizer-te, a concluir: A nossa alma e as nossas convicções não se extinguem por despacho e, na verdade, a ponte necessária entre o passado e o futuro já existe. Acreditamos que se o nosso Colégio permanecer público e militar, essa ponte jamais será destruída. “Este reino é obra de soldados”, disse-o Joaquim Mouzinho de Albuquerque, um dos maiores soldados de Portugal. Ora, a história deste Colégio também é obra de muitos soldados que aqui estudaram e serviram e não se extingue por despacho. É nossa firme convicção que as Forças Armadas e o Exército, em particular, entenderão a importância da transmissão dos seus valores através de uma escola como esta, e que assim preservem e promovam o essencial da sua matriz Militar e do seu modelo educativo, em prol da Instituição Militar e para bem de Portugal. Dito isto e se, tal como afirmaste, este período difícil do nosso Colégio também oferece oportunidades, a maior de todas elas é, sem qualquer dúvida ou hesitação, o verdadeiro reencontro do Colégio Militar com as Forças Armadas e o Exército em particular. Pela nossa parte, tudo faremos para que assim aconteça. Este será o último 3 de Março para ti e para os teus camaradas finalistas. Serão dias  que ficarão para sempre gravados na vossa memória e no vosso coração. Nós, Antigos Alunos, fazemos votos para que desfrutem com alegria estes momentos, e confiamos que as cerimónias decorrerão com o brilho de sempre. Termino, pedindo-te, na tua qualidade de CB e tal como vem sendo prática nos últimos anos, que o 1º Zacatraz destas comemorações seja por Portugal, a Pátria que o nosso Código de Honra nos ensina a amar e a respeitar. Muito obrigado.


COMEMORAÇÕES

CONDECORAÇÕES E PRÉMIOS

D

e acordo com as tradicionais cerimónias nos Claustros, e após a intervenção do Ex.mo Diretor, procedeu-se à entrega aos alunos de prémios instituídos pelo Comando de Instrução e Doutrina do Exército e pelo Colégio Militar e à imposição de condecorações a oficiais, sargentos, praças, professores e funcionários que prestam serviço no Colégio.

MEDALHA DE MÉRITO MILITAR A Medalha de Mérito Militar destina-se a galardoar os militares que revelem excecionais qualidades e virtudes militares, pela afirmação constante de elevados dotes de carácter, lealdade, abnegação, espírito de sacrifício e de obediência e competência profissional.

eficiência, o prestígio e o cumprimento da missão do Exército.

Sold. na Disponibilidade Nuno Nunes

Sarg. Ajd. Cav. Humberto Lopes

MEDALHA DE COMPORTAMENTO EXEMPLAR Cap. Cav. Mário Silva

A Medalha de Comportamento Exemplar destina-se a galardoar os militares que

MEDALHA D. AFONSO HENRIQUES A Medalha D. Afonso Henriques destina-se a galardoar os militares e civis que, no âmbito técnico-profissional, revelem elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais, contribuindo, significativamente, para a

manifestem, ao longo da sua carreira, exemplar conduta moral e disciplinar, zelo pelo serviço e comprovado espírito de lealdade.

MEDALHA COMEMORATIVA DE COMISSÕES DE SERVIÇO ESPECIAIS A Medalha Comemorativa de Comissões de Serviço Especiais destina-se aos militares que, integrando ou não forças constituídas, nacionais ou multinacionais, tenham cumprido missões de serviço no estrangeiro.

Tem. Ad. Mil. Margarida Silva

Sr.ª Prof.ª Leopoldina Xavier

Ten. na Disponibilidade Marco Ricardo

Sarg. Ajd. Eng Mário Maia

Sr. Prof. Rui Farinha

Ten. na Disponibilidade Ana Cardoso

Sold. Cátia Tavares

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COMEMORAÇÕES

PRÉMIOS Prémios instituídos pelo Comando de Instrução e Doutrina do Exército – “Educação Física”, “Esgrima” e “Equitação”: É destinado ao aluno, em regra dos dois últimos anos, que melhor tenha correspondido aos parâmetros de avaliação em Educação Física, Esgrima e Equitação, respetivamente, a par de notável dedicação e empenho pela atividade, nomeadamente em competições e representações exteriores. 135 – Artur Nascimento Prémio “Instrução Militar”

Prémio instituído pelo Colégio Militar – “Instrução Militar”: É destinado ao aluno do 12º ano que obtenha melhor média a Instrução Militar desde o 5º ao 9º ano, arredondada à unidade, com classificação não inferior a 140 pontos ao longo do 3ºciclo, a par de comportamento igual ou superior a Bom em todos os períodos letivos do ensino secundário bem como tendo obtido classificação de Satisfaz Bem na disciplina de Instrução Militar no 11º ano.

269 – Ricardo Lima Prémio “Equitação”

196 – Nuno Raposo Prémios “Educação Física” e “Instrução Militar”

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591 – Francisco Araújo Prémio “Esgrima”

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COMEMORAÇÕES

EXPETATIVAS PARA O MEU PRIMEIRO 3 DE MARÇO As palavras de incentivo dos graduados estão gravadas na minha memória: “Esforcem-se, esforcem-se, porque este será o vosso primeiro 3 de Março e o nosso último. Será o primeiro 3 de Março com raparigas a marchar. Temos que dar o nosso melhor”. 211 – Correia Já falta pouco tempo para desfilarmos na Avenida da Liberdade e não consigo controlar o meu entusiasmo e a minha alegria. 245 – Esteves Tenho um pouco de medo do que irá acontecer, mas, ao mesmo tempo, estou entusiasmada. 92 – Lobão Sinto-me ansiosa, feliz e um pouco nervosa. Ansiosa, por ser o meu 3 de Março. Feliz, por uma grande avenida parar para o Colégio desfilar. Nervosa, por algo que possa não ser perfeito. Estou pronta para esta cerimónia!

Quando eu estiver a marchar na Avenida da Liberdade, vou sentir muito orgulho. Esforçar-me-ei ao máximo para que todas as pessoas sintam o que é o Colégio Militar e o que ele significa para todos os alunos. Vou esforçar-me ao máximo: olhar para cima, esticar os braços e mostrar toda a minha dedicação para com o Colégio Militar. PARABÉNS, COLÉGIO MILITAR! 279 – Martins

100 – Sousa Este vai ser o meu primeiro 3 de Março. Tenho a certeza absoluta que me sentirei muito orgulhoso em marchar com todo o Batalhão Colegial. Todos os alunos irão dar o seu melhor em nome do Colégio Militar, por isso só pode correr tudo muito bem. 134 – Santos Vai ser muito difícil chegar ao fim da Avenida da Liberdade, mas vou esforçar-me pelo Colégio. 301 – Gonçalves Sinto-me ansioso, não sei se o 3 de Março me irá correr bem ou mal. Andamos a treinar. Os graduados têm-nos dado um voto de confiança e nós ainda nos esforçamos mais. 308 – Fernandes Este é o momento mais marcante do ano letivo a nível de cerimónias, porque é quando se celebra o Aniversário do Colégio Militar que, este ano, faz 221 anos de existência. Vou esforçar-me ao máximo na cerimónia e, assim, garanto que o Colégio ficará orgulhoso de mim. 338 - Lopes

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COMEMORAÇÕES

Estou ansioso por representar um colégio com dois séculos de história e que contribuiu positivamente para o nosso país. Para o Colégio Militar, um enorme Zacatraz! 339 – Pereira No meu primeiro 3 de Março, vou sentir-me importante, pois nunca pensei poder desfilar na Avenida da Liberdade. Esforçar-me-ei o máximo que puder para que os meus pais se sintam orgulhosos de mim. 351 - Lobo Sinto-me muito ansioso com o aproximar do 3 de Março. Julgo que vai ser uma experiência nova e muito diferente de tudo o que já vivi. 379 – Almeida

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COMEMORAÇÕES Acho que estou preparada para desfilar na Avenida da Liberdade, mas tenho medo de escorregar enquanto marcho com a arma. Penso que vai estar muita gente a ver-nos e espero não fazer má figura. 485 – Ramos Já ouvi dizer que vamos desfilar na avenida mais movimentada do “mundo”, a Avenida da Liberdade, onde vão parar o trânsito para comemorarmos os 211 anos do nosso Colégio. 515 – Varão Eu acho que é o dia mais importante para os alunos do Colégio Militar. Vai ser difícil chegar à Igreja de São Domingos, porque a arma magoa o ombro, mas farei um esforço por ser um dia muito importante não só para o Colégio, como também para mim, enquanto aluno.

O 3 de Março é um dia muito especial para o Colégio Militar, pois é o seu aniversário. O Batalhão Colegial vai desfilar na Avenida da Liberdade. Como é o meu primeiro 3 de Março, irei dar o meu melhor para que o Colégio possa ficar bem visto. Estou muito orgulhosa por poder marchar, adoro estar no Colégio Militar e sinto orgulho em servi-lo.

595 - Coutinho

404 - Caparica Tenho um pouco de medo de me enganar, de tropeçar ou de deixar cair a arma. No final do desfile, penso que vamos estar todos muito cansados e com dores nos pés. 408 – Silva Tenho receio de não conseguir acabar de desfilar na avenida, tenho medo de deixar cair a arma ou de me enganar no seu manejo. Espero que corra bem e que consiga ser uma verdadeira Menina da Luz. 442 - Brito

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COMEMORAÇÕES

JANTAR-CONVÍVIO DE ANTIGOS ALUNOS

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ão se conhece a origem desta tradição. Sabe-se apenas que, já nos finais do século XIX, se realizava, regularmente, um encontro de ex-alunos no dia da comemoração do aniversário do Colégio. Com o passar dos anos, esta tradição consolidou-se. No dia do desfile na Avenida da Liberdade, reúnem-se no Colégio Militar para jantar no refeitório dos alunos. Recordam momentos inesquecíveis vividos no Colégio e reforçam os laços da amizade e da camaradagem que os unem.

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COMEMORAÇÕES

O MEU PRIMEIRO 3 DE MARÇO Andámos dois meses a treinar para, no aniversário do Colégio, mostrarmos como são os Meninos e as Meninas da Luz. Sentimos um orgulho enorme! 29 – Martins Para mim, o 3 de Março foi um sonho. O Comandante de Batalhão fez um belo e emocionante discurso na Companhia.

No meu primeiro 3 de Março, senti um orgulho muito, muito grande. Durante o desfile, os ex-alunos incentivavam-nos, gritando: “Alinha pela direita!”, “Alinha pela esquerda!”.

64 - Assis O dia acabou em grande, fizemos um brinde e acabámos com um “ Zacatraz”.

191 – Alves

100 – Sousa

No meu primeiro 3 de Março, senti algo que não consigo explicar. Acabámos o dia com um brinde muito grande que continha todo o Batalhão Colegial. 246 - Esteves O que eu esperei por este dia! Acordei com um sorriso na cara. No autocarro só pensei: “É hoje!” Desfilei na Avenida e chorei. 249 – Coutinho

Logo no início do desfile, perdi o cinto, mas mesmo assim desci a avenida com muito orgulho. Foi um dia inesquecível! 104 – Sousa Terminado o desfile na Avenida da Liberdade, os graduados do 12ºano choraram, porque não voltariam a marchar naquela avenida. Na igreja, no final da missa, deram-nos os parabéns pela forma como tínhamos marchado e cantado. Senti-me muito importante por ser uma aluna do Colégio Militar.

No meu primeiro 3 de Março, eu estava muito nervoso. Quando o Comandante de Batalhão deu as ordens, esforcei-me por fazer tudo bem. Ao descermos a Avenida da Liberdade, uma das minhas solas estava quase a soltar-se, mas não me preocupei, pois pensava que tinha pisado uma pastilha elástica. Quando acabámos de desfilar, tudo tinha corrido muito bem e senti-me muito feliz, mas também triste, por ser o último desfile dos meus graduados. 255 - Almeida

131 – Pires Quando acordei, lembrei-me que estava no dia da cerimónia mais importante do Colégio. Senti algo dentro de mim que não consigo explicar, talvez por ser o meu primeiro 3 de Março. 161 – Fiens

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COMEMORAÇÕES Recordarei sempre com orgulho este 3 de Março, e espero que seja o primeiro de muitos em que esteja presente. 341 – Grillo Nunca me vou esquecer do meu primeiro 3 de Março. Marchámos todos com o peito para fora e um sorriso na cara. Ser um Menino da Luz dá-me uma alegria enorme! 379 – Almeida O meu primeiro 3 de Março comoveu-me imenso, senti uma enorme felicidade quando acabei de descer a Avenida da Liberdade! 412 – Durão Naquele dia, não me senti feliz nem triste, senti algo especial ao descer aquela avenida! 442 - Brito O 3 de Março foi uma alegria, Parecia tudo uma grande fantasia. Mal podia acreditar Que na avenida iria marchar.

A meio do desfile, o meu irmão caminhou ao meu lado e estava sempre a perguntar-me se me sentia bem, porque eu estava com o aspeto de quem ia “morrer”. Acabei o desfile e senti-me orgulhoso porque tudo correu muito bem.

O hino do Colégio sempre a cantar, Ao fim da avenida conseguimos chegar. Ver tantas pessoas a assistir, Foi um grande orgulho ouvi-las a aplaudir.

474 – Castro Eu pensava que o 3 de Março ia correr mal, mas, afinal, correu muito bem. Senti uma alegria enorme e agora sei por que razão esta cerimónia é tão importante para o batalhão colegial.

Muitos treinos com esforço e dedicação E marchámos de alma e coração. “Zacatraz, zacatraz” sempre a gritar E, no final, com ginja brindar. 451 – Silvério

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486 – Mateus


COMEMORAÇÕES

APROXIMA-SE O FIM…

O ÚLTIMO É O MELHOR!

L

S

eria impossível descrever ao pormenor o que um Menino da Luz sente na manhã do 3 de Março… Hoje, apesar de todas as mudanças, o sentimento é o mesmo, as nostalgias … São sempre as mesmas músicas que os graduados põem nas suas aparelhagens, mas nem por isso nos cansamos de as ouvir. Os seus discursos repletos de melancolia por ser o seu último 3 de Março enchem-nos de orgulho por pertencermos a uma tão nobre instituição bissecular que tanto honra o nosso país. Só o facto de a Avenida mais importante de Portugal fechar para ver os Meninos da Luz desfilar é motivo de grande orgulho. No caminho de ida, aquele cheiro tão característico ao óleo das armas, em conjunto com a farda de pano, que pinta a camioneta em tons de castanho, trazem-me recordações únicas.

embro-me ainda hoje da primeira vez que, ansiosamente, desci aquela avenida, olhando ao fundo e não vendo um fim claro. Era tudo meu! Lisboa parava para marchar como se fosse a mais alta entidade nacional e isso fascinou-me e, acima de tudo, marcou-me. Hoje, passados oito anos, fica-me a saudade e o orgulho desta Casa que represento ao descer esta avenida da Liberdade e ao passar pelos Restauradores, ouvindo os inúmeros antigos alunos que ainda acreditam neste colégio de homens fortes e convictos gritarem mais um Zacatraz bem sentido. A maioria dos 3 de Março que fiz foram na escolta, o que é completamente diferente, pois cada ano tudo parece uma novidade, e todos são especiais. Mas este ano, bem, não há palavras para descrever tamanho sentimento de dever cumprido e de certeza de que os que estão atrás de nós vão continuar o que nós um dia começámos. Ao percorrer esta avenida, vêm-me à cabeça os momentos mais marcantes que passei nesta Casa, dos bons aos maus, tudo relembrado e vivido naqueles quinze minutos de entrega e de esforço.

Durante o desfile, os gritos dos ex-alunos dão-nos a força necessária para terminar, apesar de todos querermos que ele se prolongue eternamente. Chegados aos Restauradores, a saudade é cada vez mais intensa… O fim do desfile aproxima-se a cada passo que damos em direção ao Palácio da Independência. São visíveis as lágrimas que escorrem pelo rosto dos alunos, não por estarem tristes, mas sim porque são invadidos por um sentimento tão poderoso que é indescritível.

É verdade, o panorama em que desci a minha primeira avenida é completamente diferente daquele em que o faço pela última vez. O Colégio mudou e vai mudar cada vez mais e cabe a cada um de nós fazer com que essa mudança seja sempre à nossa maneira, à imagem do Menino da Luz. Mas não nos esqueçamos que valores como a dignidade humana, o respeito pelo próximo e a sensatez vão ser elementos chave neste complicado processo de integração de novas realidades. Contudo, não ignoremos a tradição que nos caracteriza e que nos faz diferentes, evitando, porém, ficar demasiado presos à nossa história. Procuremos olhar em frente e fazer cada vez mais e melhor. Mais do que isto é difícil dizer. Por tudo o que me ensinaste, por tudo o que me fizeste crescer, por tudo o que fizeste por mim, Obrigado, Colégio Militar! 72 - Virtuoso

Após a tradicional Celebração Eucarística, o caminho de volta é o mesmo; porém, os sentimentos são completamente diferentes. Desta vez, a saudade e o sentimento do dever cumprido predominam e, quando chegamos outra vez à Rotunda do Marquês, a única vontade é sair da carrinha e fazer o desfile novamente. 609 - Caetano

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Rostos no

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3 de Março

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QUADRO DE HONRA 2º Período Ano Letivo 2013-2014

5º ANO (32)

7º ANO (23) 2 – NUNO SOUSA 10 - SEBASTIÃO CARVALHO 11 – GUILHERME MORAIS 30 – ANTÓNIO ALVES 57 – ANDRÉ CARVALHO 221 – KUZIGA SANTOS 231 – MANUEL RODRIGUES 245 – MARGARIDA ESTEVES 248 – DIOGO ANDRÉ 250 – FRANCISCO CERVEIRA 263 – LUÍS GONÇALVES 264 – DIOGO FERNANDES 371 – MARTIM CUNHA 380 – IVO SANTOS 383 – MARIO GAVIÃO 413 – DIOGO NEVES 444 – JOÃO QUADROS 452 – RODRIGO MENESES 472 – SEBASTIÃO FARIAS 477 – DAVID ALMEIDA 480 – BERNARDO CABRAL 490 – LEONOR DIAS 529 – MANUEL MOUTINHO

12 – JOSÉ FERREIRA 19 – RODRIGO ALMEIDA 29 – DIOGO MARTINS 92 – RAQUEL LOBÃO 94 – JOÃO COSTA 100 – MARIANA SOUSA 118 – MADALENA PEREIRA 131 – RAFAELA PIRES 134 – RODRIGO SANTOS 161 – MARIANA FIENS 164 – DUARTE VELEZ 246 – LEONOR ESTEVES 249 – ANTÓNIO COUTINHO 279 – DIOGO MARTINS 301 – VALENTIM GONÇALVES 308 – TOMÁS FERNANDES 338 – BERNARDO LOPES 339 – EDSON PEREIRA 341 – GONÇALO GRILLO 360 – CAROLINA CORDEIRO 401 – CAMILA SILVA 404 – MARIANA CAPARICA 408 – MATILDE SILVA 412 – VICENTE DURÃO 442 – VÂNIA BRITO 451 – MARIA SILVÉRIO 468 – INÊS DAMIÃO 482 – ANAÍS SANTOS 485 – CAROLINA RAMOS 486 – CAROLE MATEUS 487 – CLAÚDIA MATEUS 515 - MARIA VARÃO

8º ANO (9) 24 – ANSELMO MARQUES 68 – HENRIQUE SILVA 76 – FRANCISCO FARIA 96 – DANIEL SOUSA 141 – LEO SOUSA 180 – TIAGO CARDOSO 224 – ANTÓNIO MISSAU 504 – BERNARDO MOUTINHO 641 – RICARDO CAETANO

6º ANO (12) 36 – FILIPE SOUSA 75 – GUILHERME SÉRGIO 79 – CÉSAR MARIANO 122 – NUNO ROCHA 145 – FRANCISCO PIGNATELLI 190 – HENRIQUE LOPES 200 – DIOGO VALDREZ 206 – ÂNGELO SILVA 220 – PEDRO RAPOSO 313 – JOSÉ MENDES 394 – SIMÃO RIJO 453 – JOÃO MIRA

9º ANO (15) 32 – PEDRO MARTINS 74 – GONÇALO FRAGOSO 115 – TIAGO FIGUEIRAS 148 – PEDRO CASCALHAIS 158 – GUILHERME FERREIRA 189 – JOSÉ ALVES 192 – TOMÁS BASTOS 193 – JOÃO INÁCIO 208- FRANCISCO CARVALHO 216 – MARCELO PEREIRA 262 – JOSÉ SARAMAGO 266 – JAIME MESQUITA 375 – BERNARDO PEGADO 405 – AFONSO PONTE 590 – ANTÓNIO SILVA

Nota: Os alunos inscritos neste Quadro de Honra obtiveram, no período, Comportamento BOM ou MUITO BOM e média igual ou superior a 14 valores (ou 140 pontos) sem qualquer classificação inferior a 10 valores (ou 100 pontos).

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10º ANO (15) 31 – RUBEN GARCIA 93 – VASCO PEREIRA 99 – MANUEL VASCONCELOS 150 – ANTÓNIO CARVALHO 170 – LEONEL LIMA 184 – RICARDO FERREIRA 204 – RODRIGO FERNANDES 209 – MATHIAS WEIGL 261 – RAFAEL ONOFRE 312 – BERNARDO LARANJEIRA 324 – EDUARDO ESTEVES 328 – GONÇALO ANTÓNIO 342 – GONÇALO MAIA 415 – FRANCISCO VICENTE 436 – ANA BENTO

11º ANO (11) 65 – ANDRÉ ESTEVES 77 - PEDRO MARTINS 198 – JOSÉ GOMES 254 – RODRIGO FARIAS 269 – RICARDO LIMA 271 – PEDRO PEREIRA 310 – NUNO SILVA 327 – GONÇALO PEREIRA 363 – FRANCISCO LOPES 591 – FRANCISCO ARAÚJO 609 – TIAGO CAETANO

12º ANO (14) 39- CARLOS COSTA 40 – TOMÁS MARTINS 72 – AFONSO VIRTUOSO 81 – NUNO MOURA 87 – FRANCISCO ANSELMO 135 – ARTUR NASCIMENTO 149 – JOSÉ NOBRE 168 – PAULO DIAS 298 – ANDRÉ VAZ 314 – ANTÓNIO MONTEZ 362 – GUILHERME ANTUNES 425 – MIGUEL AGUIAR 456 – JOAQUIM REIS 498 – MANUEL SOUSA


ATIVIDADES ESCOLARES PRÉMIO PRESTAÇÃO COLEGIAL

O

Prémio Prestação Colegial é atribuído no 1º e 2º períodos e entregue no início do 2º e 3º períodos letivos. Destina-se ao melhor aluno, de cada ano de escolaridade, que obtenha média não arredondada mais elevada, por pontos (ensino básico) ou valores (ensino secundário), de todas as áreas curriculares/ /disciplinas com avaliação quantitativa.

Prémio Prestação Colegial 2º Período

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ATIVIDADES ESCOLARES

FILMES COM HISTÓRIA

D

urante quatro semanas, nos meses de fevereiro e março, o Grupo de História promoveu a atividade “Filmes com História”, que envolveu os alunos dos quatro ciclos de ensino do Colégio Militar - do 1º Ciclo ao Ensino Secundário. Os alunos do 1º ano (A e B) e 2º ano (A) de escolaridade do Colégio Militar assistiram ao filme “Hércules”. Os nossos alunos participaram nesta atividade viram o filme e imaginando o seu fim, com a realização de desenhos. O entusiasmo, quer nas turmas do 1º ano, quer nas do 2º ano, foi grande. Em todas as sessões do 2º e 3º ciclos e do Ensino Secundário, e antes da projeção do respetivo filme, alguns alunos que frequentam a disciplina de História B do Ensino Secundário prepararam para os camaradas mais novos o enquadramento histórico do filme, fazendo a contextualização nas respetivas temáticas abordadas.

Em fevereiro, houve “Filmes com História”. O filme foi muito educativo e aprendi imensas coisas sobre como se vivia na Antiguidade. 401 - Silva O filme foi muito engraçado. Havia imensas piadas que nos fizeram rir. Foi uma maneira de aprender mais sobre os gauleses, os romanos e os egípcios e de saber como estes construíam pirâmides. 482 - Abel

No dia 12 de março, vimos um filme do Asterix muito giro e divertido. Foi engraçado ver que, quando Cleópatra pediu ao engenheiro para construir um enorme palácio em três meses, ele, com a ajuda do Astérix, do Óbelix e do Mago, construiu-o no tempo previsto. Com este filme aprendi imensas coisas sobre História. 404 - Caparica

Os alunos do 2º ciclo assistiram, no dia 12 de março, à projeção do filme “Astérix e Obélix”: Missão Cleópatra, de Alain Chabat. Seguem-se as opiniões de alguns alunos: Gostei da sessão. Foi interessante e melhorei o francês. Foi um bom filme, estive com muita atenção e gostei dos Romanos. O filme relatou a vida na época dos Romanos. 338 - Lopes A sessão de filmes foi uma bela ideia. Foi uma maneira de aprender mais alguma coisa sobre a História e sobre a cultura de outros países. Sempre achei o Óbelix, o Astérix e o Ideiafix muito engraçados. 468 - Damião Os “Filmes com História” são educativos, visto que nos ensinam muito sobre os antepassados. 279 - Martins

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Os alunos do 3º Ciclo - 7º e 8º anos de escolaridade – assistiram, no dia 19 de março, ao filme Robin Hood, de Ridley Scott, integrado no estudo da época medieval, particularmente das relações de carácter político e social que caracterizam este período. Todavia, era também objetivo que os alunos tomassem consciência do quotidiano das populações na Idade Média, nomeadamente do vestuário, da alimentação e da habitação. Por fim, os alunos do 9º ano e do Ensino Secundário tiveram a oportunidade de assistir, no dia 26 de março, ao filme O Rapaz do Pijama às Riscas, de Marc Herman, baseado no romance de John Bayne que, integrado no estudo dos regimes totalitários, procurou destacar o carácter racista e antissemita do nazismo, assim como o desrespeito pelos Direitos Humanos. Professora Rita Carvalho Equipa do 1º Ciclo


ATIVIDADES ESCOLARES

MULTITASKING IS A MODERN DISEASE! everyone while doing their homework. This is not healthy at all! Teenagers should be enjoying their lives, living it to it`s fullest, having hobbies and activities that teenagers used to in the past. To conclude, I think that it is important that teenagers change their lives while it`s still possible, otherwise this will truly become the “disease of modern society” 184 - Ferreira What is multitasking? Why is it such a disease among teenagers nowadays? This generation of teens is very different from previous generations. Back in the good old days, teens used to play catch, football, and run around like crazy ants. Nowadays, teens resemble vampires. They won´t leave their rooms! They are into computer games, online social sites like facebook, and god knows what else. This develops some kind of cancer, metaphorically speaking, that will reduce their ability for social interaction, which might be problematic in the future. I believe that teens should conciliate the future whit the past, that is, go out a little bit and have fun, enjoy your youth time while you still can! I´m not saying that you shouldn´t have a PC and all of those things, but is it worth to make it such an important component of your life? 342 - Maia

I think a lot of those stress hormones and adrenaline experienced by teenagers are due to the progress of technology. Teens used to play a lot more and used to spend more time outdoors than they do today. It’s very important o use a lot of your free time on activities which contain lots of fresh air. Our contact with nature is very necessary for our busy lives. In my case, for example, after my tiring and boring week at school, I go to my homestead which I consider being like a farm. It’s a big house with all the fresh air needed for a whole weekend of rest. Instead of having a social contact and stress messy little lives, let me give you some piece of advice. Free yourself and focus only on one thing. Just be calm, patient and smile ‘cause that’s really what life is all about! 251 - Coutinho

People are becoming more and more stressed. Previously people would go out with friends (and I’m referring to the night clubs) play outdoor games and have lost of fun, however the modern society is becoming way to attached to their phones and their computers, is getting way to be obsessed with their jobs and certainly they are becoming very stressed. A good example of that is this: people are already trying to do two things at the same time. People don’t have quality time anymore, nowadays youngsters’ hobbies are playing in their iPods, and computers, and my opinion is that they should be visiting places and meeting people, not common but important people, in order to learn how to live because that’s something that you just can’t learn at school. Summing up, we need to be explorers, we need to discover the world once more, we need to live a stress-free life and do one thing at a time, live on day at a time. 328 - António

Nowadays, teen`s lives are all about technology. You don`t see one single teenager that does not have a phone or something else to keep him in touch with the world. In my opinion, teens should have hobbies, useful one, and free time activities that would get them distracted of their problems. These things wouldn’t happen in the past, multitasking is a disease of the younger generation, the teenagers. From my point of view, teenagers spend too much of their time in their bedrooms, sitting in front of their computers, whit their phones on the hand, texting

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EDUCAÇÃO PARA OS AFETOS

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o âmbito do Projeto de Educação para a Saúde, a Sexualidade e os Afetos (ESSA), e da disciplina de Formação Cívica, realizou-se, no dia dois de abril, a sessão “Como lidar com os afetos....” para os alunos do 9º ano de escolaridade. O tema foi apresentado, desenvolvido e dinamizado pelas enfermeiras Paula Dias e Sara Anunciada, da Maternidade Dr. Alfredo da Costa.

Neste sentido, foi desenvolvida a sessão “Como lidar com os afetos…” que tem por objetivo principal não só consciencializar os jovens para a vivência da sexualidade de forma responsável, mas também demonstrar que a sexualidade deve ser vivida de forma livre, sem medos, culpas ou preconceitos e, sobretudo, de forma gratificante. Enfermeira Paula Dias e Enfermeira Sara Anunciada

Comentários de alunos do 9º ano “Na minha opinião, esta sessão acerca de como lidar com os afetos foi um evento importante para os alunos do 9º ano, pois é nesta idade que começamos a questionar-nos sobre a nossa sexualidade e projeto de vida, começando, por isso, a surgir algumas questões que devem ser respondidas por pessoas mais adultas, como aconteceu no passado dia 2 de abril.” “A sessão foi muito instrutiva e esclareceu-me muitas dúvidas que tinha.” “Baseou-se na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Foi agradável, pudemos colocar as nossas dúvidas e dar opiniões de forma a ficarmos esclarecidos.” “Foi uma sessão muito proveitosa. Numa idade como a nossa, em que andamos ansiosos e pensativos com a sexualidade, esta sessão ajudou-nos a resolver problemas de uma forma mais prática e acessível.”

A Educação para os Afetos nas Escolas Segundo Geada (2006), a educação para os afetos na escola assume um papel fundamental na formação dos jovens, que nenhum dos outros agentes de socialização consegue cumprir, e “deve promover uma abordagem integrada e transversal, enquanto dimensão essencial do percurso educativo e formativo dos jovens, implicando a articulação da escola com outros agentes educativos: famílias, profissionais da área da saúde e serviços especializados de apoio educativo”. (Cano, 2000). Segundo Osório (1992), citado por Cano (2000), “a adolescência é uma etapa da vida na qual a personalidade está em fase final de estruturação e a sexualidade se insere nesse processo sobretudo como um elemento estruturador da identidade do adolescente”. Assim, é de particular importância a intervenção nesta fase como forma de orientação para a construção saudável do seu conceito de sexualidade, que o irá influenciar para toda a sua vida. O conceito de “afetos”, como parte integrante da educação para a sexualidade, assume uma singular importância no âmbito do projeto de vida dos jovens, em particular na sua dimensão afetiva. A discussão deste tema permite uma abertura e uma exposição de dúvidas e de receios a seu respeito. Isto porque, apesar de muitos jovens terem informação e referirem saber tudo o que necessitam, são grandes os receios e são várias as pressões quer do grupo de amigos, quer das suas próprias pressões.

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“O tema que abordámos é importante e deve ser conversado nesta altura das nossas vidas. Aprendemos todos qualquer coisa e ficámos a perceber mais sobre o vírus do HIV. Também vimos um filme sobre jovens que nos ajudou a refletir sobre a escolha de um bom projeto de vida.” “Achei interessante, pois as senhoras enfermeiras souberam explicar-nos os assuntos de uma forma bastante esclarecedora e conseguiram fazer com que muitos de nós tirássemos as nossas dúvidas sem termos vergonha.” “O pequeno jogo dos cartões também nos fez pensar na cadeia em que algumas pessoas se encontram na passagem de doenças sexualmente transmissíveis e de doenças infetocontagiosas. Devia haver mais iniciativas como esta que agradeço, sinceramente, pois, de certa forma, ganhámos mais maturidade e aceitamos a vida sexual com muito mais naturalidade.”


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Palestra sobre a relação entre Os Lusíadas e Mensagem No dia 21 de fevereiro, os alunos do 12.º ano tiveram muito gosto em receber o Dr. Francisco Queiroz e o Dr. Graça, da Fundação D. Anrique, que vieram ao Colégio apresentar uma palestra sobre a relação entre Os Lusíadas e Mensagem. A palestra suscitou grande interesse por aprofundar os conhecimentos sobre Camões e Fernando Pessoa enquanto possibilitou maior compreensão sobre a estrutura das obras e sobre os construtores do Império Português. O Dr. Francisco Queiroz abordou temáticas como o Sebastianismo, o Quinto Império e a simbologia presente em Mensagem. Em síntese, a palestra foi inesquecível, não só pelas interrogações e clarificações que foram expostas, como pelas histórias e experiências que nos foram contadas de forma tão entusiástica. Bem hajam, Dr. Queirós e Dr. Graça, por todos os ensinamentos que nos transmitiram nestes dois anos. Professoras Helena Beja Lopes e Madalena Abrunhosa

PLANO NACIONAL DE LEITURA No dia 27 de fevereiro, a Sala de Leitura do Colégio Militar foi palco do encontro dos alunos do 6º ano com a escritora Sílvia Alves. Esta apresentou os seus livros, lendo alguns contos, e satisfez a curiosidade dos pequenos leitores presentes, respondendo às suas perguntas. Esta tarde, tão agradavelmente passada, serviu de estímulo a mais e melhores leituras.

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VISITAS DE ESTUDO MUSEU DA ELETRICIDADE No passado dia 28 de janeiro, os alunos do 8º ano A visitaram o Museu da Eletricidade, que dispõe de um Serviço Educativo com visitas guiadas e atividades experimentais, articuladas com os respetivos programas curriculares. Os alunos tiveram oportunidade de visitar um espaço dedicado às diversas fontes de energia, com particular relevo para as energias renováveis, observar maquetas sobre todo o processo de produção, transporte e distribuição de eletricidade e de “experienciar” alguns fenómenos elétricos. Professora Graça Augusto

NÚCLEO ARQUEOLÓGICO DA RUA DOS CORREEIROS No dia 25 de fevereiro de 2014, as professoras Rita Carvalho e Susana Farrica acompanharam os alunos do 7º A, em visita de estudo da disciplina de História, ao Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros. No dia 27 de fevereiro, foi a vez de os alunos do 7ºB e 7ºC se deslocarem ao mesmo local, acompanhados pela professora de História, Dr.ª Rita Carvalho, pela Dr.ª Fátima Figueiredo e pelos dois Diretores de Turma, Dr.ª Alice Castro e Dr. Miguel Santos. Esta visita foi realizada no âmbito do estudo da Civilização Romana e, mais concretamente, da sua influência na cidade de Lisboa. Na tarde do dia 25 de fevereiro, depois de chegarmos ao local, fomos recebidos por uma arqueóloga que nos falou de diferentes épocas vividas em Lisboa. Entrámos no edifício e a guia informou-nos de que este pertencia ao Banco Millenium BCP e que, durante as escavações para fazer as caves, encon-

traram vestígios arqueológicos que despertaram relevante interesse. Assistimos a uma breve apresentação dos utensílios expostos usados nas diferentes épocas e, de seguida, descemos a um piso subterrâneo que continha materiais da Idade do Ferro, da Civilização Romana e da Civilização Grega. Desta forma, constatámos que Lisboa foi sendo construída em cima de outras cidades mais antigas. Descobrimos, também, que o atual Terreiro do Paço está construído numa antiga zona marítima, onde antigamente passava um rio. A zona, que apresentava vestígios da Idade do Ferro, era um local simples, só com alguns pequenos muros, provavelmente paredes de uma casa, e uma fogueira. Depois, observámos tanques cheios de água, provenientes de lençóis subterrâneos, tendo a arqueóloga explicado que o que estávamos a observar eram vestígios de uma antiga fábrica romana de peixe, na qual era utilizada principalmente a sardinha. Dentro desses tanques, vimos estacas de madeira que serviam para o equilíbrio e o suporte do edifício e ainda vestígios de construções pombalinas. Por fim, fomos a um local onde vimos um esqueleto com as pernas tapadas com areia, que todos pensaram ser de um anão, dada a pequena estatura que apresentava. A visita foi concluída com a entrega de um folheto informativo com o resumo de todos os conteúdos. Ficámos a conhecer mais aprofundadamente Lisboa e considerámos a ida ao Núcleo Arqueológico muito interessante e construtiva. 330 – Bento 490 – Dias

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Fachada principal do Palácio de São Bento (Assembleia da República)

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA No dia 20 de fevereiro, os alunos do 9º ano das turmas A e B, acompanhados pelas professoras Isabel Branco e Anabela Anunciada, e no âmbito das disciplinas de História e de Educação Visual, visitaram a Assembleia da República e assistiram à sessão plenária do dia. Esta visita teve como objetivos refletir sobre o papel das manifestações culturais e do património e identificar o património e a identidade nacional, entendendo-os numa perspetiva global e multicultural. “O Palácio de São Bento é a atual sede da Assembleia da República ou Parlamento Português. É neste local que os deputados eleitos definem o futuro do país durante quatro anos consecutivos. Antigamente, este palácio era conhecido como Mosteiro Beneditino (ou Mosteiro de São Bento da Saúde, Convento de São Bento da Saúde, Convento da Ordem Beneditina) e foi inicialmente mandado construir por Baltazar Álvares. Ao longo dos séculos XIX e XX, o Palácio de São Bento foi alvo de uma série de grandes obras de remodelação, exteriores e interiores, tornando o atual palácio muito diferente do original mosteiro. O palácio emoldura o estilo neoclássico e o interior é igualmente

grandioso, repleto de alas e de obras de arte de diferentes épocas da história de Portugal. Anexado a este palácio está a Residência Oficial do Primeiro-Ministro.” www.historiadeportugal.info/palacio-de-sao-bento

O interior do Palácio de S. Bento é notável, tanto pela riqueza dos seus materiais como pelas obras de arte que o decoram. Acede-se à Galeria dos Passos Perdidos a partir de três lanços de escada, com as paredes em mármore e decoradas com óleos de Columbano, versando temas das cortes medievais. O Hemiciclo, lugar onde têm lugar as sessões da Assembleia da República, inaugurado em 1903, foi construído no local de um dos quatro claustros conventuais, ocupando ainda uma capela que lhe ficava anexa. De planta semicircular e disposição em anfiteatro, pelo que tem a designação de hemiciclo, tem carteiras de madeira de carvalho trabalhada ao estilo inglês, ordenadas por bancadas simples, onde se sentam os deputados, de acordo com os ideais da Revolução Francesa, voltados para a tribuna presidencial. É coberto por uma estrutura de vidro e ferro e formado por duas galerias sobrepostas, sustentadas por colunas de mármore rosa. Para além da estátua da República, o painel alegórico de Veloso Salgado mostra as Constituintes de 1821, onde foi aclamada a primeira constituição portuguesa. www.infopedia.pt/palacio-de-saobento

Professoras Esmeralda Baleizão e Alexandra Abrantes

Painel alegórico de Veloso Salgado (representando as Cortes Constituintes de 1821)

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OS RELÓGIOS DE SOL E A MATEMÁTICA No âmbito do Tema do Ano A Matemática do Planeta Terra, as docentes de Educação Visual, Drª. Esmeralda Baleizão, e de Matemática, Dr.ª Anabela Anunciada, acompanhadas pela Dr.ª Isabel Branco, organizaram para os alunos do 9º ano de escolaridade uma visita de estudo à Exposição Os Relógios de Sol e a Matemática, patente no Forte de S. Jorge de Oitavos em Cascais. “A exposição evidencia a presença da Matemática na construção dos Relógios de Sol. Iniciativa do Projeto Matemática em Ação, do Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais da Universidade de Lisboa, em colaboração com o Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, documenta, fotograficamente, magníficos exemplares existentes em Portugal, desde exemplares de pequeno formato, a peças integradas em edifícios, praças e jardins: obras de arte carregadas de história, cuja conceção resulta da conjugação de dois ramos fundamentais do saber: a astronomia e a matemática.” www.portugal/lisboa-exposicao-sombras-do-tempo

“O Relógio de Sol é um instrumento que determina as divisões do dia através do movimento da sombra de um objeto, o gnómon, sobre o qual incidem os raios solares e que se projeta sobre uma base graduada, o mostrador ou quadrante.” www.fc.ul/eu/pagina2012

“Os Relógios de Sol são objetos com vida própria. Traduzem um movimento eterno. No silêncio, eles falam. Falam do tempo e testemunham que ele passa, só a eternidade espera.” www.estrelaseouricos.crescer.sapo.pt

Professoras Anabela Anunciada e Esmeralda Baleizão

Opinião dos alunos No dia 23 de abril de 2014, o 9º ano do Colégio Militar visitou a exposição Os Relógios de Sol e a Matemática, no Forte de S. Jorge de Oitavos, em Cascais. Conhecemos a nossa monitora, Dr.ª Adelaide Palet, que teve a amabilidade de nos ensinar e explicar tudo sobre o tema da exposição. Descobrimos que o nosso Colégio também tem um relógio de sol, mesmo em frente à enfermaria. Atividade divertida e educativa, foi animado aprender a fazer um relógio de sol. A manhã foi bem passada com o curso, as professoras e um belo dia de sol. 148 – Cascalhais O Forte de S. Jorge de Oitavos fica junto à praia e foi restaurado há pouco tempo. No seu interior, visitámos a exposição fotográfica dos relógios de sol que existem no nosso país, incluindo o do Colégio Militar. Além da visita à exposição, também construímos coletivamente vários relógios de sol de três tipos diferentes: horizontal, vertical e equatorial. Termino este comentário fazendo um apelo ao aumento de visitas de estudo como esta para maior enriquecimento de toda a comunidade escolar. 193 – Inácio

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A visita à exposição dos relógios de sol foi uma boa maneira de conhecermos e aprendermos realidades novas sobre eles. Foi ainda uma excelente oportunidade de construirmos relógios de sol e pormos em prática os nossos conhecimentos matemáticos e de desenho geométrico. 262 – Saramago


ATIVIDADES ESCOLARES

VIAGEM DE FINAL DO 2º CICLO Opinião dos alunos De 1 a 3 de abril, fizemos a nossa viagem de finalistas do 2ºciclo a Vila Velha de Ródão. As atividades foram divertidas, mas o tempo não esteve muito bom.O que foi mais divertido foram as atividades noturnas. Foi uma viagem inesquecível! 122 - Rocha Gostei da viagem de final de ciclo a Vila Velha de Ródão. As atividades foram engraçadas, mas do que mais gostei foi estar com os meus amigos. A atividade mais interessante, para mim, foi a viagem de barco às Portas de Ródão, esculpidas pelo rio Tejo. A fauna local era muito variada.

A viagem foi muito boa e divertida. Fizemos muitas atividades, matraquilhos humanos, visitas de barco, corridas de kartes, entre outras. Tivemos muitos momentos de convívio que vão ficar marcados para sempre.

36 – Sousa

124 - Azevedo Na viagem de final de ciclo, fizemos muitas atividades divertidas. Adorei esta viagem, pois conseguimos melhorar muito os nossos laços de amizade e de camaradagem. 417 - Azevedo Eu adorei a viagem! Para mim, esta foi a melhor de todas. Fizemos muitas atividades divertidas, andámos de barco, de burro, jogámos matraquilhos humanos, fizemos caça ao tesouro e tiro com arco e flecha. Foi uma viagem muito divertida e animada.

Logo no autocarro, a ansiedade começou, mas quando cheguei, explodi de alegria. O que mais me marcou foi estarmos todos unidos, como ano, fora das instalações colegiais. Gostaria de voltar a divertir-me como me diverti naqueles rápidos três dias.

441- Grilo

453 - Mira

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ATIVIDADES ESCOLARES

VIAGEM DE FINAL DO 3º CICLO No dia 30 de março, a viagem começou com a nossa partida do Colégio, com uma paragem para tomar o reforço na área de serviço de Santarém. Chegámos por volta das 12:30 à Estalagem das Portas de Rodão, onde almoçámos. Depois de nos termos instalado nos quartos, fomos fazer arborismo. No dia seguinte, fomos praticar canoagem para o rio Tejo, que, sem dúvida, foi uma das melhores atividades. Depois da canoagem, o curso foi dividido em dois grupos e fizemos um passeio de barco onde observámos grifos, corvos negros, e uma das candidatas a 7 maravilhas naturais de Portugal, as Portas de Rodão. À tarde fomos fazer paintball num pinhal e, aí o curso foi dividido em 4 grupos, enquanto dois jogavam, um assistia e o outro fazia uma visita à Torre Templária sobre as Portas de Rodão, à Capela do séc. XVI e à Fortificação Militar Romana do séc. I. No dia 1 de abril, visitámos a CELTEJO, a maior fábrica nacional de pasta de papel e que emprega uma grande parte da população ativa da região. Após o almoço, tivemos uma visita guiada ao Museu Lagar do Azeite e regressámos ao Colégio, terminando, assim, três dias fantásticos. Apreciámos a nossa Viagem de Fim de Ciclo, principalmente por termos ficado numa Estalagem muito acolhedora o que nos permitiu fortalecer os nossos laços de amizade e camaradagem. Agradecemos à Direção, ao capitão Maio e às professoras Isabel Branco e Anabela Anunciada por nos terem proporcionado esta viagem. 216 - Pereira e 375 – Pegado

Opinião dos alunos Gostei muito desta viagem, apesar do mau tempo, mas mesmo assim foi divertida tanto na parte desportiva como cultural. Gostei muito das comodidades da estalagem, como o campo de ténis, as bicicletas e até o grelhador. Foram muito simpáticos e, de certeza, vou lá voltar com os meus pais. 14 – Ferreira Estas viagens são importantes, pois, para além de melhorar a união entre o curso, também nos permitem conhecer melhor os professores acompanhantes e oficiais. 681 – Carreira

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”Gostei muito da viagem no geral, da alimen-

tação, das atividades (arborismo, canoagem, …). Comeu-se muito bem e diverti-me muito. As atividades culturais, como o passeio de barco pelo Tejo, o passeio até à Torre Templária, a visita à Fábrica CELTEJO e ao Museu Lagar de Azeite foram do meu agrado. O paintball não foi nada de especial, mas não foi por isso que a viagem foi pior. Todo o convívio entre o curso, com o apoio das professoras, do Sr. Capitão e do Sr. Nuno foi agradável.” 148 – Cascalhais Na minha opinião, a viagem de fim de ciclo não podia ter corrido melhor. Embora não tenhamos realizado todas as tarefas programadas, devido à chuva, foi bastante divertido. O convívio também foi muito bom e a qualidade da Estalagem também era excelente. Se tivesse de atribuir uma classificação a esta viagem, dava *****. 189 – Alves


ATIVIDADES ESCOLARES

A viagem de fim de ciclo teve lugar nos dias 30, 31 de março e 1 de abril. Fomos a Vila Velha de Rodão onde fizemos inúmeras atividades lúdicas, algumas relacionadas com o conhecimento e a nossa formação. Foi uma excelente oportunidade para melhorar o relacionamento entre o curso. Eu, pessoalmente, passei a dar-me melhor com alguns camaradas que conhecia menos bem. 262 – Saramago Foi uma boa viagem onde se demonstrou a união do curso e a boa relação entre professoras, oficial e alunos. Fizemos atividades interessantes como canoagem e paintball. Podíamos ter feito mais atividades, mas as condições atmosféricas não permitiram. Foram apenas três dias, mas três dias bem aproveitados. 291 – Silva A viagem de final de ciclo do 9ºano a Vila Velha de Ródão foi tanto divertida como culturalmente produtiva. As instalações onde ficámos eram bastante agradáveis; as pessoas eram muito simpáticas e o local calmo e bonito. Foi muito interessante explorar aquela zona. Fizemos atividades desportivas entusiasmantes, como arborismo e paintball, assim como abordámos temas literários interessantes, por exemplo como se extraía o azeite das azeitonas

com uma prensa antiga e como se formou o fenómeno natural das Portas de Ródão. Gostei bastante da viagem, não só pelas atividades, mas também pela oportunidade de me divertir com os meus colegas. 266 – Mesquita A viagem de final de ciclo a Portas de Rodão foi do agrado dos trinta e um alunos presentes. Foi uma viagem muito interessante devido às inúmeras atividades realizadas: paintball, arborismo, canoagem e visitas a monumentos e museus. Foi muito bom contar com o apoio das professoras Anabela Anunciada e Isabel Branco, assim como do capitão Maio, nesta viagem que reuniu todo o 9º ano e que eu jamais vou esquecer. 305 – Pires

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ATIVIDADES ESCOLARES

FESTIVAL DOS 3 ESTABELECIMENTOS MILITARES DE ENSINO A tradição ainda é o que era! O Colégio Militar, o Instituto de Odivelas e o Instituto dos Pupilos do Exército reuniram-se no dia 4 de abril, no Pavilhão n.º 2 do Estádio da Luz, para mais uma manifestação cultural e desportiva. A riqueza do seu conteúdo proporcionou um serão memorável, repleto de alegria e demonstrativo das potencialidades da nossa Juventude.

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ESPAÇO CIÊNCIA A MATEMÁTICA MUDOU A HISTÓRIA DA HUMANIDADE A ciência está constantemente a evoluir e, nos últimos anos, o seu ritmo de evolução tem sido alucinante. Muitas das suas descobertas podem considerar-se revolucionárias na medida em que mudaram o mundo para sempre, pois ninguém quer voltar aos tempos em que não havia eletricidade, telefone, televisão, computadores … Mas as descobertas científicas, além de alterarem, profundamente, o nosso quotidiano, alertam-nos para certos perigos que ameaçam o mundo como, por exemplo, as alterações climáticas e proporcionam-nos os meios necessários para evitar danos irreparáveis. Paul Parsons, autor de numerosas obras de divulgação científica, publicou um livro intitulado «Science in 100 key breakthroughs» no qual enumera cem descobertas científicas que, em seu entender, mudaram a história da humanidade. Entre elas, uma dúzia tem a ver com a matemática o que mostra a importância deste ramo do saber no nosso dia-a-dia, importância reforçada no século XVII, quando Galileu afirmou: “para observar a Natureza é necessário conhecer a linguagem em que está escrito o Grande Livro do Mundo: a Matemática.” Podemos dizer que, a partir daí, passámos a descrever quantitativamente o mundo de uma forma rigorosa e precisa e a agir sobre ele. Como afirma o professor Jorge Buescu, “as aplicações da matemática surgem como uma ferramenta essencial na construção de aplicações da ciência à tecnologia e ao mundo real” o que significa que “esta é a primeira e grande justificação do interesse que a sociedade deve ter no desenvolvimento da matemática”. De entre as descobertas científicas, ligadas à matemática, citadas por Paul Parsons, descreveremos, sumariamente, cinco: a contagem, a geometria, a álgebra, o cálculo infinitesimal e a teoria dos jogos.

Contagem Atualmente, não se imagina um mundo sem contagens e consequentes cálculos. Nos nossos dias, a contagem do número de pães que se vendem no mercado ou o cálculo da distribuição do peso na estrutura de um arranha-céus mostram que aprender a contar foi um marco importante e decisivo no progresso da humanidade, sem o qual a civilização moderna não poderia existir. Este

avanço do pensamento humano ocorreu há pelo menos 37 000 anos. Houve um tempo em que toda a capacidade humana de contar se resumia a duas palavras: um e muitos. Mas, na Idade da Pedra, isso mudou e os primeiros seres humanos adquiriram a capacidade de calcular com precisão e de representar números cada vez maiores, o que se tornou necessário porque o homem começou a modificar o seu modo de viver. Em vez de apenas caçar e apanhar frutos e raízes, passou a cultivar algumas plantas e a criar animais. Esta passagem para agricultor e pastor modificou a sua alimentação, que ficou mais variada, e a pastorícia tornou premente a necessidade de saber quantificar a dimensão do seu rebanho. Os cientistas conseguem conjeturar a altura em que isso aconteceu, graças ao osso Lebombo encontrado numa caverna das montanhas Lebombo, localizadas entre a África do Sul e Suazilândia, na década de setenta, do século passado. O osso é um perónio de babuíno que despertou o interesse de arqueólogos por ter 29 entalhes nele esculpidos que eram, quase seguramente, marcas de contagem feitas pelo proprietário do osso, para contar alguma coisa, embora não seja claro o quê. O arqueólogo Peter Beaumont, do Museu McGregor em Kimberley (África do Sul), apercebeu-se de que o osso é semelhante aos paus calendários ainda hoje usados por algumas das tribos da Namíbia para acompanhar a passagem dos dias, pois o número de entalhes, 29, aproxima-se muito do número de dias no mês lunar. Seja qual for a sua utilidade prática, muitos historiadores acreditam que o osso Lebombo que, de acordo com a datação, tem cerca de 37 000 anos, é o mais antigo artefacto matemático conhecido. Noutras partes do mundo encontraram-se mais paus de contagem, como são frequentemente designados. Em 1937, numa estação arqueológica da Morávia (na então Checoslováquia), foi encontrado um osso de lobo com 55 entalhes dispostos em grupos de cinco. Acredita-se que tem cerca de 30 000 anos. De particular interesse é um pau de contagem conhecido como osso de Ishango, encontrado perto de Ishango, na República Democrática do Congo que, tal como o osso Lebombo, é um perónio de babuíno com uma série de entalhes esculpidos, mas com um padrão muito mais complicado que vai para além da simples contagem de unidades. Esses entalhes estão dispostos em três colunas e cada coluna tem vários grupos. Os entalhes na coluna central parecem sugerir um entendimento de multiplicação e divisão, com um grupo de três, seguido por um grupo de seis, e, em seguida, um grupo de quatro, seguido por um grupo de oito (o primeiro e terceiro grupos multiplicaram-se por

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Osso de Lebombo

dois) e, em seguida, um grupo de dez, seguido de um grupo de cinco (o grupo foi dividido por dois). Os entalhes nas colunas exteriores (esquerda e direita) estão divididos em quatro grupos e cada grupo tem um número ímpar de entalhes cuja soma total, em ambas as colunas, é 60. Todos os números na coluna da esquerda (11, 13, 17 e 19) são números primos, isto é, são divisíveis apenas por si mesmos e por um. Além disso, os números na coluna da direita (11, 21, 19 e 9) são obtidos a partir do 10 e do 20 (11=10+1, 21=20+1, 19=20-1 e 9=10-1). A datação do osso Ishango atribui-lhe uma idade de cerca de 20 000 anos. É claro que contar pelos dedos não é a melhor maneira de lidar com números grandes, como bem sabe quem já tentou contar para além de 10. Resolveu-se este problema atribuindo aos algarismos um valor que depende da posição que ocupam no número. No nosso sistema de numeração de base 10 (há dez algarismos básicos), utilizam-se unidades, dezenas, centenas e assim por diante, usando para cada uma delas um algarismo (de 0 a 9). Quando escrevemos 235, por exemplo, queremos dizer que contámos 2 centenas, 3 dezenas e 5 unidades. Este sistema permite-nos, portanto, escrever números grandes de forma concisa, em vez de uma longa série de traços. Existem sistemas de numeração com outras bases. O mais simples é o sistema de numeração de base 2, ou sistema binário, que utiliza apenas os dígitos, 0 e 1, mas que é muito mais eficiente do que pode parecer à primeira vista. Na verdade, usando os dedos pode-se, no sistema binário, contar até 1023 (1023=1×29+1 ×28+1×27+1×26+1×25+1×24+1×23+1×22+1×2+1). O sistema binário, inventado na Índia, entre os séculos IV e II aC, é o sistema agora utilizado em todos os computadores e calculadoras de bolso, porque 0 e 1 são fáceis de associar às posições de um interruptor eletrónico (ligado-desligado).

Osso de Ishango (em cima a vista de frente, em baixo a vista de trás)

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ESPAÇO CIÊNCIA O antecessor da calculadora de bolso moderna é o ábaco, um dispositivo de cálculo inventado pelos antigos sumérios (viveram na região hoje conhecida como Iraque), cerca de 2 700 aC. Os sumérios, juntamente com os antigos babilónios, foram pioneiros nos sistemas avançados de contagem. Os babilónios adotaram um sistema de numeração sexagesimal, ou seja, de base 60. Pode parecer estranho, mas foi dele que herdamos as nossas horas, minutos e segundos. Também na geometria temos a circunferência dividida em 360 graus, cada um dos quais, dividido em 60 minutos de arco e cada minuto em 60 segundos. Uma possível razão para o aparecimento deste sistema de numeração poderá residir no elevado número de divisores de 60 (1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20, 30 e 60). Foi útil para os babilónios porque eles estudavam astronomia e precisavam de uma maneira fiável de anotar os ângulos na esfera celeste. Para o resto do mundo o que levou aos primeiros avanços aritméticos foram questões mais práticas como a medição do tempo, a navegação e, provavelmente, mais do que qualquer outra coisa, os negócios e o início do comércio formal.

Geometria A geometria, que significa medida de Terra, é o estudo das formas de figuras com duas, três e, às vezes, mais dimensões. Utiliza a matemática dos ângulos, os comprimentos das linhas e a interação entre eles. Os primeiros a utilizá-la eram agrimensores, topógrafos e construtores, mas agora também recorrem a ela engenheiros, desenhadores de computação gráfica, nano tecnólogos, químicos moleculares e físicos teóricos, para citar apenas alguns. A geometria, como ciência, nasceu há 2 300 anos com os trabalhos do matemático grego Euclides de Alexandria (300 aC – 260 aC) do qual sabemos muito pouco, o que é surpreendente, dada a influência que o seu trabalho mais conhecido exerceu em matemáticos e cientistas. Apenas temos conhecimento da época em que viveu, e que escreveu uma obra a que chamou Elementos publicada em, pelo menos, 13 volumes, na qual estabeleceu os princípios que dominaram a geometria até ao século XIX. Diz-se que é, depois da Bíblia, a obra mais vezes impressa. Muitas das ideias expostas nos Elementos já eram conhecidas mas Euclides demonstrou-as. O seu grande mérito foi unir muitas pontas que estavam soltas e construir com elas uma imagem unificada e coerente da geometria. Antes da publicação dos Elementos, a geometria era um conjunto confuso de ideias e resultados mas Euclides organizou-a de um modo lógico e sistemático transformando-a numa disciplina científica formal.

com a mesma área; um triângulo formado pelo diâmetro de uma circunferência e um ponto dessa circunferência é um triângulo retângulo; a soma dos quadrados dos dois lados menores de um triângulo retângulo é igual ao quadrado do lado maior (teorema de Pitágoras).

Euclides

O forte pendor matemático dos Elementos influenciou muitos dos maiores filósofos e cientistas de todos os tempos incluindo Newton, Copérnico, Galileu e Kepler. Diz-se que Einstein também tinha um exemplar do livro de geometria euclidiana, aprovado na época em que estudou, a que carinhosamente chamava “o livrinho sagrado da geometria”. O núcleo central dos Elementos são os cinco axiomas de Euclides e os postulados que estabeleciam regras geométricas básicas. Os quatro primeiros axiomas são bastante evidentes, o que torna ainda mais surpreendente o que Euclides deduziu deles. Dizem respetivamente: 1º - Entre quaisquer dois pontos, pode-se desenhar um segmento de reta. 2º - Pode-se prolongar (de uma maneira única) qualquer segmento de reta e obter uma reta. 3º - Pode-se traçar um círculo com qualquer centro e com qualquer raio. 4º - Todos os ângulos retos são iguais. O 5º axioma é o único que não é tão óbvio. Diz que se uma reta ao cortar outras duas forma ângulos internos, no mesmo lado dessa reta, cuja soma é menor do que dois ângulos retos, então estas duas retas intersetar-se-ão no semiplano onde se situam esses ângulos. John Playfair (1748-1819), um geólogo que lecionava matemática na Universidade de Edimburgo, é o responsável pela formulação moderna do quinto axioma de Euclides que passou a ser conhecido como o axioma das paralelas porque afirma que, “dada uma reta e um ponto exterior a ela, só se pode desenhar uma reta que contenha o ponto e seja paralela à reta dada”. Com base nos cinco axiomas, Euclides demonstrou teoremas geométricos importantes tais como: os ângulos internos de um triângulo somam 180º; um cone tem exatamente um terço do volume de um cilindro, desde que ambos os sólidos tenham alturas iguais e bases

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Alguns cientistas têm argumentado que Euclides não estava completamente convicto do quinto axioma porque em muitas das demonstrações apresentadas nos Elementos parece relutante em usá-lo. Isto levou alguns geómetras a perguntarem-se se esse axioma era realmente necessário. Em 1830, o matemático russo Nikolai Lobachevsky (1792-1856) decidiu investigar o que ocorreria se o quinto axioma fosse deliberadamente desrespeitado. Ao pretender chegar a uma contradição lógica que provasse a necessidade do 5o axioma, acabou por criar um novo tipo de geometria, a geometria hiperbólica, segundo a qual dada uma reta e um ponto exterior a ela, se pode traçar mais do que uma reta (na verdade muitas) que passam pelo ponto original e são paralelas à reta dada. A geometria euclidiana não é incorreta mas só é aplicável ao que hoje chamamos de espaço plano, por exemplo, uma placa plana. Quando a placa plana, da geometria euclidiana, é deformada até ficar com uma forma semelhante à de uma sela de montar, obtém-se uma superfície na qual é válida a geometria hiperbólica, criada por Lobachevsky. A geometria hiperbólica não é o único caso de geometria não-euclidiana. Existe também a chamada geometria esférica, criada pelo matemático alemão Bernhard Riemann (1826-1866), na década de 1850, em que ocorre o contrário: dados uma reta e um ponto exterior a ela, não há outra reta que passe pelo ponto e seja paralela à reta dada. A superfície da Terra, ou qualquer superfície esférica, obedecem a este tipo de geometria pois, duas retas paralelas, perpendiculares ao Equador, encontram-se nos polos norte e sul. Sessenta anos depois, o físico alemão, Albert Einstein (1879-1955), verificou que a geometria esférica de Riemann lhe oferecia um modelo matemático que lhe

Nikolai Lobackevsky


ESPAÇO CIÊNCIA nos permite afirmar que o valor de x que a verifica é 2.

Superfície onde as geometrias são válidas. (De cima para baixo: geometria esférica de Riemann, geometria euclideana e geometria ipebólica de Lobackevsky

permitia desenvolver a sua teoria da relatividade geral, um marco da física do século XX. Riemann fez, também, uma abordagem nova das diferentes geometrias (euclidiana e não-euclidianas), conhecida por geometria diferencial, que substituiu a abordagem esquemática de Euclides por outra, baseada em álgebra e no cálculo infinitesimal. Isso tornou-se necessário porque algumas geometrias não euclidianas são difíceis de representar graficamente e em alguns dos espaços multidimensionais a sua visualização é completamente impossível.

Álgebra A álgebra é um dos ramos centrais da matemática pura. Enquanto a aritmética se ocupa apenas de operações numéricas, como a adição e a multiplicação, a álgebra utiliza símbolos, também designados por variáveis e permite exprimir as relações matemáticas entre as varáveis sob a forma de equações. Estabelece regras para manipular esses símbolos, o que permite reorganizar as equações e resolvê-las. Exemplo: dada a equação 3x – 1 = 5, qual é o valor de x? As regras da álgebra dizem-nos que podemos alterar esta equação sempre que dermos os mesmos passos nos dois membros. Assim, podemos adicionar 1 aos dois membros da equação, o que nos dará 3x = 6, e, a seguir, dividir os dois membros da equação por 3, obtendo-se x = 2, que é uma equação muito simples, equivalente à equação dada, o que

Na antiguidade, os estudiosos gregos desenvolveram um sistema semelhante para resolver equações, seguindo os passos de Euclides e de outros matemáticos. Os seus métodos, caracteristicamente geométricos, implicavam exprimir as equações na forma de esquemas, em que as quantidades eram representadas por comprimentos de segmentos de retas, o que permitia obter a solução. Por exemplo: o produto de dois números era o valor da área do retângulo cujas dimensões são os números dados. No século III, o matemático grego Diofanto de Alexandria (~221-305) idealizou técnicas mais sofisticadas, semelhantes às que se utilizam hoje, mas o seu objetivo era mais utilitário, pois só visava resolver problemas práticos. Não pretendia desenvolver técnicas matemáticas para resolver equações como atividade científica. Este objetivo só se concretizou cinco séculos depois quando o erudito persa Mohamed ibn Musa al-Khwarizmi (c. 780 - c. 850) publicou a obra «Al jabr wa’l muqabalah» (Compêndio de cálculos por complementação e equilíbrio), no ano 820, na qual expunha técnicas sistemáticas para resolver equações, utilizando duas regras principais: o equilíbrio «wa’l-muqabalah», (a que hoje talvez fosse mais adequado chamar transposição) e a complementação «al jabr», (segundo a linguagem atual, talvez cancelamento). O equilíbrio consistia em subtrair a mesma quantidade aos dois membros da equação. Exemplo: subtrair 1 a x + 1 = 3, para obtermos x = 2. A complementação consistia em adicionar a mesma quantidade aos dois membros da equação. Exemplo: adicionar 5 a x – 5 = 10, para obter x = 15. «Al jabr wa’l muqabalah» incluía também vários métodos para resolver equações do segundo grau (têm termos em x2 para além de termos em x).

o comércio e o cálculo de heranças. Estas não eram, porém, as suas motivações principais, pois Al Khwarizmi estudou as equações por si mesmas, e não como um meio para resolver outros problemas, isto é, transformou a álgebra num importante pilar da matemática pura. Outros matemáticos persas, como Omar Jayyam (1050-1123), ampliaram as análises de Al Khwarizmi chegando às equações de terceiro grau (incluem termos em x3) e a outras relações matemáticas mais complexas. Al Khwarizmi apresentou as suas equações como o que ele chamava de “álgebra retórica”, utilizando expressões como “três montões de coisas mais uma”, em vez da forma simbólica 3x + 1. Entre os séculos XIII e XV, os cientistas árabes Ibn al Banna (1256 - 1321) e Al Qalasadi (1412 - 1486) desenvolveram um tratamento mais simbólico. Entretanto, a tradução do livro de Al Khwarizmi para latim, no séculos XII, tinha estimulado o estudo da álgebra na Europa, fixando primeiro raízes em Itália e estendendo-se depois a todo o continente quando o Renascimento provocou uma nova onda de investigação científica após a estagnação que vigorou durante a Idade Média. Destacamos François Viète (1540 – 1603) que passou para a história como o principal responsável pela introdução dos símbolos no mundo da matemática e, que por isso, ficou conhecido como o Pai da Álgebra. Além de Viète, outros matemáticos, da mesma época, contribuíram para o aperfeiçoamento da álgebra, entre eles, o inglês Robert Record (1510 - 1558), que criou o símbolo = (igual a), usado por Thomas Harriot (1560 - 1621), outro matemático inglês, responsável pela eliminação das poucas palavras que ainda restavam na álgebra de Viète.

Al jabr, a palavra árabe que significa complementação, é a raiz da moderna palavra álgebra que se crê ter sido introduzida, pela primeira vez, no título da tradução, em latim, feita pelo inglês Roberto de Chester em 1145, do livro de Al Khwarizmi, «Liber algebrae et almucabola». O próprio nome de Al Khwarizmi sobreviveu de maneira similar, na forma ocidentalizada algoritmo, que os matemáticos e informáticos utilizam, atualmente, para descrever a sequência dos passos necessários para realizar um cálculo. Em português, a palavra algarismo, para designar os símbolos básicos do sistema de numeração decimal, deriva também do nome do criador da álgebra. Tal como Euclides tinha feito com a geometria, mais de mil anos antes, Al Khwarizmi começou com alguns axiomas básicos, e a partir deles desenvolveu uma rigorosa estrutura matemática para resolver problemas algébricos. O livro incluía comentários sobre algumas aplicações práticas dos seus métodos, incluindo

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Mohamed al-Kwarizmi

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ESPAÇO CIÊNCIA Mas a passagem para uma álgebra completamente simbólica foi obra de René Descartes (1596 - 1650), grande matemático e filósofo francês, que introduziu as seguintes inovações para aperfeiçoar a álgebra de Viète: 1) Utilizou o símbolo . (ponto) para a operação multiplicação; 2) Criou a notação que usamos hoje para o expoente de uma potência; 3) Passou a usar as primeiras letras do alfabeto para representar os coeficientes das incógnitas e os termos independentes (se literais) e as últimas letras para as incógnitas. Após o Renascimento desenvolveram-se na Europa novos e potentes métodos algébricos, como a teoria das matrizes, um modo de representar sistemas de equações utilizando uma ordenação bidimensional de números, que depois se podiam resolver aplicando um procedimento lógico e sistemático. Anteriormente, a álgebra era simplesmente um conjunto de regras para manipular símbolos que representam números. No século XIX, o matemático francês Évariste Galois (1811 1832) apercebeu-se de que não havia nenhuma razão para que os números fossem os únicos objetos matemáticos aos quais se podia aplicar a álgebra. Concluiu que a única coisa a fazer era deduzir as regras que regiam os objetos particulares que a cada um interessavam, e que então seria possível construir uma álgebra detalhada que os descrevesse. Isto deu origem a um ramo da matemática, conhecido por teoria dos conjuntos, na qual diferentes regras algébricas definem conjuntos de objetos matemáticos. Tais objetos podem ser qualquer coisa dentro do campo da matemática. Demostrou-se, por exemplo, que todas as possíveis posições de um cubo de Rubik formam um conjunto, e a álgebra que o descreve pode utilizar-se para investigar as soluções do cubo. A teoria dos conjuntos encontrou outras aplicações, como

René Descartes

por exemplo, decifrar códigos e, inclusivamente, analisar a estrutura matemática da música. Para além disso, demonstrou ser um instrumento indispensável na física teórica, onde se verificou que determinados conjuntos representam as diferentes simetrias das teorias físicas: mudam-se os parâmetros para especificar cada teoria, mas ficam inalteradas as suas propriedades fundamentais. Devemos agradecer todas estas importantíssimas aplicações da álgebra a Al Khwarizmi e, paradoxalmente, à sua decisão de ignorar, por completo, as aplicações práticas, estudando um ramo aparentemente obscuro da matemática pura, apenas para perceber onde nos poderia levar a resolução de equações.

O cálculo infinitesimal De todos os ramos da matemática, pode dizer-se que o cálculo infinitesimal é o mais importante e influente. Utiliza-se para analisar as propriedades das funções matemáticas, isto é, para estudar como varia uma função em resposta aos incrementos das suas variáveis e aplica-se, também, na análise matemática para descrever o comportamento das funções algébricas. Mas onde é mais útil é nas ciências aplicadas, pois toda a ciência moderna se baseia no cálculo infinitesimal. Permite averiguar como variam os sistemas físicos com o tempo, e também calcular as quantidades físicas iniciais, responsáveis pelas variações observadas num sistema. Em química, o cálculo infinitesimal aplica-se para descrever a evolução das reações químicas com o tempo. Em biologia, pode explicar as dimensões relativas das populações de espécies que competem por recursos comuns. Na economia, que o escocês Thomas Carlyle (1795-1881), professor universitário, reitor da Universidade de Edimburgo, escritor, historiador e ensaísta classificou, depreciativamente, como uma «ciência sombria», utiliza-se para calcular as variações do valor das ações em resposta às mutações dos mercados. No cálculo infinitesimal utilizam-se duas operações principais: a derivação e a integração. A derivação, mais simples que a integração, determina o gradiente ou declive de uma função num ponto particular, o que é útil, por exemplo, em física: dada uma equação matemática para a posição de um objeto, num momento dado, a derivação informa-nos que a velocidade do objeto é função do tempo. O procedimento a seguir consiste em desenhar o gráfico da função, dividi-lo em vários intervalos e traçar um segmento de reta de um extremo ao outro de cada intervalo. Este segmento dá-nos uma aproximação do gradiente da curva no ponto médio desse intervalo e esta aproximação torna-se cada vez mais exata à medida que a amplitude do intervalo tende para zero.

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Gottfried Leibniz

Os matemáticos definem assim a derivação: dada uma variável, y, que depende de outra variável, x, ou seja, se y = f(x), derivar y em relação a x significa dividir a variação ou incremento em y pela variação ou incremento em x, quando a variação em x tende para zero. Para funções simples como y=x2, derivar y em relação a x, reduz-se a subtrair uma unidade ao expoente da potência e a multiplicar x pelo antigo expoente da potência, isto é, se y = x2 a derivada de y em relação a x, é simplesmente 2x. Por outras palavras: em qualquer ponto da curva x2 de abcissa x, uma reta que tenha apenas um ponto em comum com a curva terá um declive igual a 2x. A esta reta dá-se o nome de tangente à curva no ponto de abcissa x. A derivada da variável y em relação a outra variável x costuma representar-se por y’ ou dy/dx. Se isto fosse um problema da física, poderia representar a posição de um objeto no espaço em função do tempo x. Calculando dy/ dx obtemos a velocidade do objeto em qualquer momento dado. A integração é o contrário da derivação, como é afirmado no teorema fundamental do cálculo. Se dy/dx = 2x, por integração obtemos y = x2. Em geral, dada uma função, a integração dá-nos a área abaixo da curva que obtemos quando traçamos o gráfico desta função. Tal como na derivação, podemos determiná-la melhor, dividindo a curva em intervalos mas, desta vez, em lugar do declive de cada intervalo, consideramos toda a área abaixo do segmento e depois calculamos o limite quando o intervalo tende para zero. Somando as áreas de cada tira infinitesimal obtém-se a área total abaixo da curva. A integração tem múltiplas aplicações na geometria, onde é possível trabalhar não só com áreas mas também com volumes de formas complexas. Por exemplo, o volume de uma esfera pode ser calculado dividindo a esfera em fatias, calculando o volume de cada


ESPAÇO CIÊNCIA uma delas quando a sua altura tende para zero e somando todos os resultados obtidos. É de notar que derivando a fórmula que nos dá o volume da esfera de raio r (4/3pr3) obtemos a fórmula da área da superfície esférica que limita a esfera (4pr2) Enquanto a derivação é bastante simples (é preciso conhecer apenas poucas regras) a integração pode ser mais difícil de resolver no papel. Muitos problemas contemporâneos das ciências do mundo real que requerem integração têm que ser resolvidos numericamente num computador. O computador calcula literalmente a contribuição de cada segmento infinitesimal e depois soma todos para obter uma resposta. O cálculo infinitesimal foi inventado, independentemente, pelo físico inglês Isaac Newton (1642 – 1727) e pelo matemático alemão Gottfried Leibniz (1646 – 1716). Crê-se que Newton desenvolveu o seu cálculo infinitesimal, que designou por método de fluxões, entre 1665 e 1667, quando residia na casa de família de Lincolnshire para escapar à epidemia da peste, mas demorou muitos anos a publicar as suas descobertas. Leibniz, pelo contrário, desenvolveu o seu próprio método no princípio da década de 1670 e publicou-o em 1684. Quando Newton teve conhecimento do trabalho de Leibniz ficou furioso, por estar convencido de que o alemão tinha plagiado o seu trabalho (embora Newton não tivesse publicado oficialmente o método das fluxões, tinha fornecido cópias a colegas seus). Tal como na disputa de Newton com Robert Hooke sobre a força da gravidade, também com base nessa polémica, deu-se uma rotura insanável entre os dois cientistas que, independentemente um do outro, tinham criado o cálculo infinitesimal. Quanto aos formalismos do cálculo infinitesimal, o de Leibniz é o mais útil. Newton era acima de tudo um físico e, portanto, para ele, o cálculo infinitesimal era um meio para chegar a um fim, um modo de deduzir como funciona a natureza e, por isso, desenvolveu, somente, o que era necessário para os seus propósitos. Pelo contrário, Leibniz era um matemático com interesse pelas matemáticas em si mesmas, e desenvolveu o seu método cuidadosa e sis-

tematicamente, como um campo da ciência por direito próprio. Na atualidade, os cientistas e os matemáticos preferem usar a versão de Leibniz e a notação universal que ele desenvolveu.

Teoria dos jogos A teoria dos jogos é um ramo das matemáticas aplicadas que estuda as estratégias ótimas que se devem aplicar em jogos e outros tipos de confrontações. A primeira referência conhecida sobre o que hoje designamos por teoria dos jogos surgiu numa carta escrita por James Waldegrave, em 1713, onde ele propõe uma solução de estratégia mista de minmax para o jogo le Her, muito em voga na época, para a versão de duas pessoas. Antoine Augustin Cournot (1801 - 1877) na sua obra «Researches into the Mathematical Principles of the Theory of Wealth», em 1838, estabeleceu os princípios teóricos da teoria dos jogos. Apesar destas publicações e de alguns trabalhos de Borel (1871 -1956), o trabalho científico que assinala o nascimento da teoria dos jogos foi publicado numa revista de matemática alemã pelo matemático húngaro John von Neumann (1903 – 1957), em 1928, intitulado «Sobre a teoria dos jogos de salão», pelo que Neumann, matemático brilhante, com trabalhos de enorme importância, desde a teoria dos conjuntos até à computação pode, com inteira justiça, ser considerado o criador da teoria dos jogos. O trabalho de Neumann sobre este tema culminou no livro lançado em 1944 «The Theory of Games and Economic Behavior» em coautoria com o economista Oskar Morgenstern (1902 - 1977). A teoria dos jogos sofreu um novo impulso com o matemático, ainda vivo, John Forbes Nash nascido em 1928 que, generalizando a solução de Cournot para um duopólio, apresentada na obra de sua autoria, citada anteriormente, estabeleceu uma estratégia ótima para jogos com vários jogadores, conhecida como equilíbrio de Nash que lhe valeu o Prémio Nobel de Ciências Económicas, em 1994. Refira-se que, em 1998, Sylvia Nasar escreveu o livro «A Beautiful Mind: A Biography of John Forbes Nash Jr.» que relata a vida deste matemático até à atribuição do Prémio Nobel, e que serviu de base para o filme, realizado por Ron Howard, «Uma mente brilhante», galardoado com quatro óscares da academia, em 2001.

Isaac Newton

O Prémio Nobel atribuído a Nash mostra o importante papel que a teoria dos jogos tem na economia. De facto, este ramo da matemática procura encontrar estratégias racionais em situações em que o resultado depende não só da estratégia definida por um agente e das condições de mercado, mas também das

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John Forbes Nash (quando recebeu o Prémio Nobel da Economia)

estratégias adotadas por outros agentes que provavelmente têm estratégias diferentes para prosseguir objetivos comuns. A teoria dos jogos, para além da economia, tem ainda aplicações em: biologia, ciências politicas, filosofia, ética, jornalismo e computação. Na biologia foi aplicada, conjuntamente com a Estratégia evolucionária estável (EEE) criada por John Maynard Smith (1920 - 2004), para compreender muitos fenómenos diferentes. Foi inicialmente usada para explicar a estabilidade de, aproximadamente, um para um, na razão dos sexos. Além disto, os biólogos têm usado a teoria dos jogos evolucionários e a EEE para explicar o surgimento da comunicação nos animais (Maynard Smith & Harper, 2003) e para explicar a evolução do altruísmo recíproco (Robert Trivers). Os biólogos também têm usado o Jogo da galinha para analisar o comportamento de luta e territorialidade entre animais. Nas ciências políticas, a teoria dos jogos sugere que, em democracia, um clima de paz entre nações é mais consistente, pois um debate público aberto e completamente livre num dado país, fornece indicações claras e confiáveis sobre a opinião vigente relativamente a outros estados. Também se pode aplicar na formação de alianças entre partidos políticos já que as vantagens obtidas com essas alianças podem ser determinadas através do cálculo do Valor de Shapley. Vem a propósito mencionar uma instituição sem fins lucrativos, a Rand Corporation, sediada na Califórnia que, através de pesquisas, contribui

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ESPAÇO CIÊNCIA A teoria dos jogos desempenha um importante papel no desenvolvimento da ciência da computação já que veio impulsionar importantes leis da lógica. Várias teorias lógicas têm uma base na semântica dos jogos. Além disso, os cientistas da computação têm usado os jogos para modelar a computação interativa.

John von Neumann

para a tomada de decisões e implementação de políticas no setor público e privado, ajudando assim os Estados Unidos a tomar decisões políticas numa grande variedade de questões, incluindo a corrida espacial, a previsão do confronto com armas nucleares EUA-URSS, a criação de programas de bem-estar social, a revolução digital e a política nacional de saúde. A sua contribuição mais visível pode ser a doutrina da dissuasão nuclear de destruição mutuamente assegurada (MAD), desenvolvida sob a orientação do então Secretário de Estado da Defesa dos EUA, Robert McNamara e baseada em trabalhos sobre a teoria dos jogos. Na filosofia, a teoria dos jogos tem várias aplicações. David Lewis (1941–2001) usou-a, em 1969, para desenvolver uma explicação filosófica da convenção, considerada como um conjunto de acordos, padrões geralmente aceites, normas sociais ou critérios que, em muitos países assumem a forma de um costume. Para tal, estudou, em primeiro lugar, o senso comum e usou a análise utilizada no jogo da coordenação, sugerindo que se pode compreender o significado destes conceitos em termos de jogos de sinalização. Esta sugestão foi aceite por vários filósofos como Skyrms (1996) e Grim et al. (2004).

É de assinalar que John von Neumann, considerado o criador da teoria dos jogos, foi um dos grandes responsáveis pela conceção dos primeiros computadores de alta velocidade, os quais viriam a permitir a construção da bomba de hidrogénio pelos Estados Unidos da América. O conceito de Neumann (traduzido através da famosa arquitetura de Neumann) estabelece que as duas características básicas de um computador são a memória e o sistema de transferência de informação segundo um programa pré-concebido.

Conclusão Tudo o que se disse, anteriormente, mostra a importância que a matemática tem no desenvolvimento da ciência e da tecnologia devido às suas aplicações concretas. O mais curioso é que, de um modo geral, os matemáticos não procuram que as suas descobertas tenham aplicações práticas. Como diz o professor Jorge Buescu “como atividade científica a matemática é uma ocupação puramente intelectual, que provoca o entusiasmo da descoberta e que possui um enorme encanto estético. Se se proporcionar a um matemático a escolha entre trabalhar num problema interessante mas puramente matemático ou num problema matematicamente desinteressante mas de potencial interesse prático, é quase certo que ele optará pelo primeiro”. A descoberta da geometria esférica, por Riemann, foi conside-

Na ética, a teoria dos jogos procura justificar que do autointeresse deriva a moralidade. Jogos como o Dilema do prisioneiro apresentam um aparente conflito entre o autointeresse e a moralidade, pois é precisamente o autointeresse que requer a cooperação. No jornalismo tem muitas e importantes aplicações, principalmente através do jogo do off, que consiste em analisar a produção de informação jornalística através do seu fornecimento em off, forma abreviada da locução inglesa off-the records, isto é, informação da qual não existem registos áudios visto que a fonte quer permanecer anónima mas fornece a informação na perspetiva de um jogo estratégico que implica a cooperação entre essa fonte e o repórter ou veículo jornalístico. Também pode ser aplicada na assessoria de imprensa.

rada por muitos como uma pura especulação intelectual, sem qualquer interesse prático mas, como disse anteriormente, sessenta anos mais tarde, foi utilizada por Einstein para provar a sua teoria da relatividade geral. Também sucede que a necessidade de resolver um problema concreto pode motivar a criação de capítulos novos na Matemática. Já foi citada a criação do “método de fluxões” por Newton, por este físico o considerar necessário para demostrar a sua teoria da gravidade. Ora, poucos anos mais tarde, e sem a necessidade de qualquer aplicação prática, Leibniz, sem conhecer o trabalho de Newton, desenvolveu a mesma teoria com o nome de cálculo infinitesimal. Onde a matemática tem uma aplicação prática de valor incalculável é na estruturação do pensamento humano. De facto, o pensamento é considerado uma manifestação intelectual que tem o objetivo de responder a uma questão ou de procurar a solução de um problema prático. Isto leva-nos a considerar que o pensamento é a expressão mais ‘palpável’ do espírito humano, pois é através da comunicação desse pensamento que o homem revela a compreensão de tudo o que o rodeia, isto é, o pensamento permite aos seres humanos modelarem o mundo e com isso lidar com ele de uma forma efetiva e de acordo com suas metas, planos e desejos. Se o Grande Livro do Mundo “está escrito em linguagem matemática”, como disse Galileu; se, citando Eugene P. Winner (1902 – 1995) “O milagre da adequação da linguagem da Matemática à formulação das leis da Física é uma dádiva maravilhosa que não compreendemos nem merecemos. Devemos estar gratos por ele, esperar que se mantenha válido na investigação futura e que se propague, para melhor e para pior, para nosso prazer e mesmo talvez para nosso espanto, a vastos ramos do conhecimento...”; se, como se interrogou Einstein “Como pode a matemática, sendo acima de tudo um produto do pensamento humano, independente da experiência, adaptar-se tão admiravelmente à realidade objetiva?”, então nada melhor que o conhecimento matemático para nos fornecer um modelo para a construção do nosso pensamento o que nos permitirá saber apreender e avaliar teoricamente a realidade permitido que a nossa ação, sobre ela, seja mais adequada.

Referências Bibliográficas Parsons, Paul (2012), 100 Descubrimientos que cambiaram el curso de la Historia. Lunwerg Editores Buescu, Jorge (2012), Matemática em Portugal – uma questão de educação. Relógio D’Água Editores www.math.ist.utl.pt/~mabreu/outreach/palestrageometria.pdf

Eugene Paul Wigner (Prémio Nobel da Física de 1933)

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José Manuel Sena Neves Prof. de Matemática Aposentado do Colégio Militar


ESPAÇO CIÊNCIA E QUANTO AO FATO DO FILTRO SOLAR ENGORDAR?

PROTETOR SOLAR

O

esperado verão começou e, com ele, os programas ao ar livre: passeios, praias e parques. No verão, a maior parte das pessoas gosta de estar ao Sol e de ficar bronzeada, mas, para isso, é necessário protegermo-nos adequadamente, uma vez que o Sol emite radiações que, além dos seus efeitos benéficos, podem ser prejudiciais para a pele. Para evitar problemas, são comercializados vários produtos para nos protegermos do Sol. As explicações deste especialista vão confrontar o leitor com a realidade dos filtros solares e o benefício do Sol. Aprenda como escolher o protetor solar correto para a sua pele. O Dr. Lair Ribeiro é médico cardiologista e nutricionista, autor de 35 (15 best sellers) livros, 25 dos quais foram traduzidos para outros idiomas e estão disponíveis em mais de 40 países, e de 149 trabalhos científicos publicados em revistas médicas americanas. Trabalhou nas universidades Harvard Medical School, Baylor College of Medicine e Thomas Jefferson University. Foi diretor médico da Merck Sharp & Dohme e diretor executivo da Ciba Corporation (hoje Novartis). O Dr. Lair Ribeiro faz revelações surpreendentes sobre o uso do filtro solar. Dados que nunca são divulgados são aqui esclarecidos de maneira acessível pelo consagrado médico e autor.

OS FILTROS SOLARES FUNCIONAM? Dr. Lair Ribeiro: Os filtros solares, na sua maioria, não funcionam. Por que não funcionam? O que causa estragos na pele são os raios UVA, e a maioria dos filtros solares só protegem contra os raios UVB. As pessoas usam filtros solares comerciais sem saber que não estão sendo protegidas dos raios que realmente causam os estragos: Os raios UVA. As marcas de filtros solares costumam citar na embalagem “proteção UVA/UVB” e, logo em seguida, citam algo como “proteção de largo espectro”. Isso quer dizer que a proteção UVB é a indicada no rótulo: FPS 15, 30 ou qualquer outro, mas a proteção UVA que é medida em PPD não existe, fica disfarçada com a tal frase “proteção de largo espectro”. Isso é uma forma genérica de não se dizer nada, uma forma de disfarçar a falta de proteção UVA.

Dr. Lair Ribeiro: Engordam. Isso é uma verdade que quase ninguém sabe, isso não é divulgado. Alguns filtros solares contêm, como agente principal, uma substância chamada 4-metil benzilideno cânfora (4-mbc). Essa substância bloqueia a função da tiroide e, com isso, a atividade estrogénica cresce, o nível de estrogénio aumenta. Em resumo: o 4-metil benzilideno cânfora é absorvido através da pele e desencadeia uma maior produção de estrogénio que é um hormônio feminino. O aumento de estrogénio engorda e faz aparecer a celulite. Nos homens que usam filtro solar, ocorre o aumento do tecido mamário e o arredondamento dos glúteos, dando-lhes uma forma típica do corpo feminino. Além desses fatores, o 4-metil benzilideno cânfora é altamente cancerígeno. Por todos esses motivos, o 4-metil benzilideno cânfora é uma substância que está proibida em muitos países.

EXISTE ALGUM FILTRO SOLAR QUE NÃO ENGORDE? Dr. Lair Ribeiro: Filtros solares que tenham Tinosorb como princípio ativo, já que essa substância protege dos raios UVA, não engorda e não é cancerígena.

O SOL AFINAL É CAUSADOR DE PROBLEMAS OU NÃO? Dr. Lair Ribeiro: Em 1903, o Dr. Niels Ryberg Finsen ganhou o prémio Nobel de Medicina estimulando o uso da luz solar na cura de doenças. Ele já sabia, na época, que o sol desencadeia a produção da hormona D3 (que conhecemos como vitamina D, mas é uma hormona). A partir daí, muitas doenças foram tratadas com a luz solar. Hoje sabemos que a vitamina D é a hormona mais poderosa no corpo humano, e é responsável por controlar pelo menos 10% dos genes do corpo de uma pessoa. Atualmente, existe uma deficiência de vitamina D nas pessoas. Elas acordam, entram no carro, na garagem sem sol, conduzem até ao local de trabalho, onde passam no mínimo 8 horas sem sol e voltam para casa à noite. Não apanham sol, e quando o fazem, é com medo, pois instalou-se uma paranoia de que o sol faz mal, e utilizam vários filtros solares que não bloqueiam o que realmente causa danos: raios UVA. As pessoas têm medo de desenvolver melanoma (cancro de pele) ao exporem-se ao sol, mas, paradoxalmente, quanto menos as pessoas apanham sol, mais cresce a incidência de melanoma e de cancros diversos como do pulmão, próstata, colon, e de doenças como a diabetes, o raquitismo, as doenças cardíacas e a perda de dentes. A incidência dessas doenças aumenta na medida em que as pessoas se afastam do sol. O sol diminuiu e o melanoma aumentou. As pessoas não sabem que a maioria dos casos de cancro de pele aparecem em áreas não expostas ao sol: área interna da coxa, axilas, etc.

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ESPAÇO CIÊNCIA E COMO NOS PROTEGEMOS DO FOTOENVELHECIMENTO? Dr. Lair Ribeiro: De nada adianta tentar combater o fotoenvelhecimento usando filtros que não protegem dos raios UVA. Além disso, o que mais envelhece o ser humano é a falta de produção de vitamina D. Entre os 20 e os 70 anos de idade, o ser humano vai perdendo a capacidade plena de produção de vitamina D, o que só é conseguido apanhando sol diariamente, e não fugindo do sol como as pessoas fazem.

COMO ESCOLHER UM FILTRO SOLAR EFICIENTE?

factor de proteção contra raios UVA. Somente se estiver indicado o PPD no rótulo, o produto será útil contra os raios UVA.

QUAL O ÍNDICE PPD ADEQUADO PARA PROTEÇÃO CONTRA RAIOS UVA? Dr. Lair Ribeiro: O índice adequado de PPD é sempre numa quantidade que corresponda a pelo menos metade do índice FPS. Por exemplo, ao comprar um filtro solar com FPS 30, o factor adequado de proteção PPD será 15. [metade de 30 = 15]. Verifique sempre na embalagem se constam esses dois índices: FPS e PPD. Se só constar o FPS, o filtro solar não serve.

Dr. Lair Ribeiro: Filtro solar eficiente é o que tenha proteção UVA e UVB. Pouco adianta usar um filtro que proteja somente contra raios UVB.

COMO USAR CORRETAMENTE O FILTRO SOLAR?

E filtro solar que não engorda não deve conter 4-metil benzilideno cânfora (4-mbc).

Segundo, fazendo uso do filtro de modo adequado: vá para o sol, apanhe cerca de 20 a 30 minutos de sol sem protetor e somente após esse período passe o protetor, com factor entre 8 e 15.

Dr. Lair Ribeiro: Primeiro, usando um filtro que proteja dos raios UVA.

A destacar: Há dois principais raios que atingem a pele, os UV-B e o UV-A. Para mostrar a proteção que o protetor solar oferece contra os UV-B, há o índice FPS (Factor de Proteção Solar).

COMO SABER SE O FILTRO ESCOLHIDO PROTEGE CONTRA OS RAIOS UVA? Dr. Lair Ribeiro: Para começar, as pessoas gastam dinheiro com filtros solares com altos índices FPS sem saber o que estão fazendo. Para entender corretamente, FPS é o índice que determina o tempo em que uma pessoa pode ficar ao sol, sem ficar vermelha. Exemplificando: uma pessoa vai para o sol ao meio dia, liga o cronómetro e regista quantos minutos se passaram até a sua pele começar a ficar vermelha. Vamos dizer que a pele demorou 20 minutos a ficar vermelha. Se essa pessoa resolver usar um filtro com FPS 15, isso quer dizer que a sua pele estaria protegida por um tempo 15 vezes maior { 20 X 15 = 300 minutos ou 5 horas}, o que significa que com esse FPS, essa pessoa poderia ficar ao sol durante 5 horas, sem ficar vermelha. Se a mesma pessoa resolvesse usar um filtro com FPS 70, estaria protegida por 20 X 70 = 1400 minutos, ou 20 horas. Mas quem fica 20 horas sob o sol? As pessoas gastam dinheiro com filtros de FPS elevados, sem se darem conta de que isso é inútil, é dinheiro deitado fora. Se permanecermos ao sol entre 3 e 4 horas, um filtro solar com FPS 8 ou 10 é mais que suficiente. O índice FPS indica quanto o produto protege contra a radiação UVB. O índice PPD (Persistent Pigment Darkening) indica quanto o produto protege contra a radiação UVA. As pessoas estão acostumadas a ver qual é o FPS, mas o que elas devem verificar é se no rótulo do produto consta o PPD, ou seja, o

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Mas para mostrar a proteção contra os UV-A (isso quando o produto protege contra o UV-A), o método para medir os raios UV-A mais aceite pelos especialistas chama-se PPD (Persistent Pigment Darkening). Por volta de 2007, a União Europeia também resolveu usar oficialmente o método PPD para medir a proteção contra os raios UV-A. Nos protetores solares europeus, encontramos o PPD expresso em números. Por exemplo, “PPD 10”. ou a sigla UVA estará dentro de um círculo. Isso significa que o PPD do protetor solar é de no mínimo 1/3 do FPS. Se, por exemplo, o FPS do produto é 30, seu PPD é de no mínimo 10. A informação sobre o PPD pode ser expressa ao consumidor de forma diferente, pelo PA e sinais positivos. O produto pode ser PA+ (a proteção mais baixa contra os raio UV-A), PA++ ou PA+++ (a mais alta). Texto recolhido da sitiografia indicada e trabalhado pela Professora Celeste Silva Sitiografia: danishansen.wordpress.com www.ananindevadebates.blogspot.com


NOTÍCIAS Terminado o “despique”, espera-se que os donos da casa tragam as janeiras: castanhas, nozes, maçãs, chouriço, morcela e vinho.

CANTAR AS JANEIRAS As Janeiras são cantares populares, entoados nos inícios do novo ano. Esta tradição, que remonta aos romanos, é praticada por grupos de amigos ou de vizinhos que se juntam, com ou sem instrumentos, nomeadamente pandeiretas, bombos, flautas, triângulos, guitarras…

No final da volta, o grupo reúne-se e confraterniza, comendo junto aquilo que recebeu. Professora Celeste Silva

AS JANEIRAS NO COLÉGIO MILITAR No dia 9 de janeiro, nos Claustros, um grupo de cantores e de músicos composto por alunos do 1º ao 12º anos e pelos professores Isabel Augusto Torres e Júlio Vilela cantou as Janeiras ao Ex.mo Diretor e restante Família Colegial. Assistiram a este envolvente momento musical militares, professores, funcionários e todos os alunos que compõem o Batalhão Colegial.

Depois de organizado o grupo e de escolhidas as músicas e as letras, vão cantar, de porta e porta, pela vizinhança, alumiando o caminho com lanternas. Ao chegarem junto de uma determinada casa de família, chamam pelos donos, que os vêm receber à porta. Seguem-se cantigas com rimas ao desafio, que desejam um bom ano a todos os presentes. As músicas utilizadas são, por norma, já conhecidas, embora a letra seja diferente em cada terra.

UM DIA DIFERENTE NO COLÉGIO MILITAR

“A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se (é uma virtude).” Simone Weil

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COLÉGIO SOLIDÁRIO: AJUDA DE MÃE

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o âmbito da solidariedade e da responsabilidade social, o Colégio Militar acarinhou um projeto intitulado Ser Natal, que veio a revelar-se um grande sucesso. Toda a comunidade colegial se uniu no apoio à nobre causa de ajudar os mais desfavorecidos. No início do mês de janeiro, a instituição Ajuda de Mãe foi mimada com a doação de inúmeros bens de primeira necessidade. Como forma de agradecimento, foi transmitida a seguinte mensagem que muito orgulha e sensibiliza a Família Colegial: “Muito obrigada pela vossa visita e pelo apoio prestado. É um prazer receber e conhecer estes jovens tão empenhados em ajudar. Nem a chuva os demoveu de tanta solidariedade.”

DOAÇÃO DE MATERIAL DE ROBÓTICA

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m 16 de Janeiro de 2014, a Associação para as Comunicações, Eletrónica, Inteligência e Sistemas de Informação para Profissionais (AFCEA), uma associação internacional de grande prestígio, doou ao Colégio Militar um conjunto de material destinado à Atividade de Complemento Curricular de Robótica. A cerimónia decorreu na Sala de Armas e contou com a presença do Presidente e Vice-Presidente da AFCEA, Contra-Almirante Carlos Rodolfo e Major-General Rosas Leitão, da Direção do Colégio Militar, de Oficiais e Professores e de uma delegação de alunos de Robótica. Esta importante oferta vai fomentar o desenvolvimento de novos projetos nesta área, nomeadamente nos domínios da eletrónica e da programação informática.

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ALUNOS DE ONTEM

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m 17 de janeiro, por ocasião da comemoração dos 45 anos de saída deste Colégio, “os Meninos de ontem, Homens de hoje”, regressaram a Casa.

O Curso de 1961-1968 viveu um dia marcado pela partilha de memórias antigas, revivendo as experiências por que passaram, na companhia dos respetivos sucessores.

ALUNOS DE ONTEM Em 28 de março, comemorando os 60 anos de entrada neste Colégio, os “Meninos de ontem, Homens de hoje” regressam à sua Casa. Ao Curso de 1954 - 1961 deseja-se um dia marcado pela partilha de memórias inesquecíveis na companhia dos respetivos sucessores e demais Alunos.

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VISITAS AO COLÉGIO MILITAR THE DUKE OF YORK’S ROYAL MILITARY SCHOOL An Academy with Military Traditions Por ocasião do seu 211º aniversário, o Colégio Militar recebeu a visita do Subdiretor do Internato The Duke of York’s Royal Military School, situado em Dover, no Reino Unido. Fez-se acompanhar de Miss Allie, responsável pelo bem-estar da comunidade colegial. O Tenente-Coronel Steven Saunderson nasceu na Escócia e estudou num colégio privado em Edimburgo. Alistou-se no Exército Territorial em 1984. Serviu no Corpo de Treino de Oficiais na Universidade de Bristol e também em vários Regimentos de Infantaria. Começou a prestar serviço no Colégio em 1988, onde, atualmente, desempenha a função de comando do Corpo de Cadetes. O Colégio Militar agradece a sua visita.

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NOTÍCIAS Na tarde do dia 5 de abril, os alunos dirigiram-se para a Escola de Tropas Paraquedistas, em Tancos, a fim de realizar a tão esperada Semana de Campo.

SEMANA DE CAMPO

Para começar em grande, na noite do primeiro dia, fizemos uma marcha, que não chegou a duas horas, onde se salienta o espírito de corpo dos alunos do Colégio ao ajudarem as alunas do I.O. De entre as atividades realizadas, destaca-se o salto de uma Torre Americana (10m); a execução de tiro com uma espingarda automática G3 com munições reais; a topográfica diurna e noturna, onde tivemos oportunidade de confraternizar com a população dos arredores da Base; a construção de uma jangada para ultrapassar um charco, acabando com o tradicional banho no mesmo; a oportunidade de assistir a uma demonstração de cães de guerra; um exercício de NBQ, que culminou numa câmara de gás lacrimogéneo onde tivemos a possibilidade de tirar a máscara e sentir o efeito do mesmo; e, por último, um dia de sobrevivência em que construímos um abrigo para dormir e nos preparámos para sobreviver num local desconhecido. Para finalizar, fomos ao Museu dos Paraquedistas, e, como seria de esperar, encontrámos marcas colegiais deixadas por antigos alunos que serviram aquela força. Em retrospetiva, considerámos toda a semana de campo um teste à nossa resistência física e mental, para a qual qualquer aluno do Colégio deverá estar preparado de modo a realizá-la com relativa tranquilidade. São uns bons quatro dias para aligeirar o stress de um período de aulas. 591 - Araújo

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VIAGEM DE FINALISTAS Sábado, 5 de abril de 2014. São 6 da manhã, hora portuguesa e a semana que aí vem promete… Estamos os 37 à porta do Corpo de Alunos prontos para zarpar para Varsóvia. A viagem de avião foi perfeita para descansar um pouco antes de uma semana de muita atividade. A noite anterior tinha sido muito longa, ou curta, se preferirem, em virtude do Festival dos 3 EME´s onde também marquei presença. Por fim… Varsóvia! Fomos diretos ao hotel, por sinal, muito agradável, bonito e central e aproveitámos a tarde livre para conhecer a cidade. Sinceramente, estava à espera de algo diferente! Uma cidade fria a todos os níveis… começando pelo clima, passando pela arquitetura, muito marcada pelo regime comunista, e acabando nas pessoas. Da cidade, podemos realçar o Parque de Chopin, a Torre da Cultura (edifício central que traz más memórias aos polacos por ser o ex libris da era comunista), o Castelo Real e as raparigas… O terceiro dia levou-nos a Cracóvia. Pelo caminho, uma paragem em Chezctokowa, no Santuário da Virgem Negra (uma espécie de Fátima polaca), e outra em Auschwitz. Um ambiente muito pesado marcou esta última visita. As atrocidades ali cometidas não passaram despercebidas a ninguém. O cair da noite trouxe-nos Cracóvia. Cidade universitária, medieval, muito diferente da capital. Felizmente, a ocupação nazi da cidade não trouxe a destruição do património histórico. Seria uma pena se assim tivesse sido, com tanto e tão belo património que Cracóvia tem para mostrar. A praça central é linda, principalmente de noite, com as esplanadas, a catedral e o mercado medieval cheios de luz e magia. O passeio pelo centro histórico da cidade, com o Castelo Real de Wawel; a universidade onde Copérnico formulou a teoria heliocêntrica e o seminário onde Karol Wojtyla estudou; a visita ao Bairro Judeu e à fábrica de Oskar Schindler; a descoberta das Minas de Sal de Wielizcka, assim como as três noites passadas em boa companhia foram os pontos altos da nossa estadia na cidade. Antes de deixarmos de vez a Polónia, visitámos o Parque Nacional Pieniny e descemos o rio Dunajec, que faz fronteira entre a Polónia e a Eslováquia. Apesar do intenso frio que se fez sentir durante todo o passeio de jangada, o verde dos campos de cultivo, entrecortados por montanhas escarpadas e bosques de pinho, permitiu-nos conhecer uma outra realidade, porventura mais bonita que a cosmopolita Varsóvia e a medieval Cracóvia. O último dia foi passado na magnífica cidade de Praga. A aliança entre a diversidade de estilos arquitetónicos, os espaços verdes e a boa disposição, a simpatia e a juventude fazem da capital checa uma das mais bonitas cidades que visitei. Apesar das elevadas expectativas, Praga superou a todos os níveis. Infelizmente, só tivemos um dia para visitar a cidade… estou certo de que nunca me cansaria de descobrir os tesouros e os encantos daquela maravilhosa cidade. O mais difícil foi a despedida! Por um lado, deixar as pessoas que nos acompanharam (a muito simpática Caixa, a nossa guia, e o benfiquista Stephen, o motorista). Por outro, deixar para trás todos aqueles lugares encantados. Por último, a certeza de que não existirá outra oportunidade para, todos juntos, nos aventurarmos por um país estrangeiro, à conquista de cultura e diversão. 196 - Raposo

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ARTE E CULTURA O CARNAVAL NO COLÉGIO MILITAR

P

or altura do Carnaval, os alunos do 2º ano estiveram empenhados na elaboração de máscaras. Foi-lhes pedido que criassem uma máscara que representasse o seu animal preferido. Este projeto teve como objetivo incentivar o desenvolvimento de capacidades técnicas e de criação plástica associada à criatividade pessoal. Cada aluno construiu e apresentou uma máscara que é o reflexo da originalidade e da criatividade do seu autor. Artes Plásticas – 1º Ciclo – 2º Ano Professora Anabela Bispo

A cor como elemento estrurante da ideia (animal escolhido versus autor) e a partilha de experiências.

Ambiente de “Oficina” de Artes Plásticas.

Por fim... o Carnaval no Colégio Militar.

Duas das máscaras criadas

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ARTE E CULTURA

MÁSCARAS DE CARNAVAL O Carnaval é considerado uma das festas mais animadas e representativas do mundo. Tem a sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam, umas nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até aos dias de hoje. Expressão Plástica Professora Graça Augusto www.exploraviagens.com

CHEGADA DA PRIMAVERA

N

o mês de março, com o início da primavera e com a celebração do Dia da Árvore, Dia Mundial da Floresta, foram organizadas, no âmbito das artes plásticas, algumas iniciativas com os alunos do 2º ano, 1º ciclo.

Os alunos realizaram esboços/desenhos e concretizaram a sua ideia com a “imagem sobre a importância da árvore, com “OLHOS” no futuro”.

Pretendeu-se sensibilizar os alunos para a estação da primavera, altura do ano em que é visível a recuperação da natureza, “que ganha vida e cor, depois de estar adormecida pelos dias frios de inverno.”

Professora Anabela Bispo

Artes Plásticas 1º Ciclo – 2º Ano

Primavera

(www.wikipedia.org)

Pretendeu-se, também, incutir nos alunos o amor e o respeito pela natureza.

Atividades de sensibilização/motivação: 1. Visualização de alguns vídeos sobre o conto “A árvore generosa”, escrito por Shel Silverstein.

É um conto que nos narra o amor entre uma árvore e um menino. É uma bela história de amor da natureza pelo homem; sendo um clássico norte-americano da literatura infantil, é, depois de publicado pela primeira vez em 1964, considerado um clássico da literatura infanto-juvenil a nível mundial e, por isso, amplamente representado e interpretado.


“Primavera estação das flores, que enfeita os campos e onde as borboletas multicores parecem flores de muitas cores”. Flores e borboletas realizadas pelos alunos do 1º ciclo Expressão Plástica Professora Graça Augusto agarrapalavra.blogspot.com

2. Exploração do tema: “A Árvore generosa”. Os alunos, com criatividade e entusiasmo, recriaram o conto, narrando a sua própria versão da história e complementando-o com uma representação gráfica. 3. Exploração gráfica do tema: “Promover e Valorizar a Floresta”.

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ARTE E CULTURA

EXERCÍCIOS DE ESCRITA CRIATIVA (intertextualidade com o poema «Mostrengo» de Pessoa) O monstro fugido aos abismos do mar Na noite de inverno nos veio aterrar. De dentro do armário chiou três vezes, Chiou três vezes para o menino assustar.

O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar Cinco quinas viu, viu e temeu Grande foi a luta, com Portugal perdeu.

Era um forte menino, rijo, robusto, Abriu o armário para o enfrentar. E disse, com força, dominando o susto:

Nunca tinha perdido, ficou abismado Mas logo que pôde, disse, assombrado, «O Mar é vosso, aqui viverei. Não vos amedronto, mas aqui permanecerei.»

«Quem ousa entrar no meu quarto sagrado? E com esse feito provocar-me fobia?» E o monstro segredou, agora assustado: «D. Pedro, o cruel, da monstromania.

417 - Vaz

75 - Sérgio

O MAR

QUERIDO PAI

Estou a ver os sete mares Anõezinhos e gigantes, O tubarão dos mil andares Protege o castelo dos homens andantes.

Se é dia, se é noite, Tu és sempre meu amigo, E quando estou sem ti, Só quero estar contigo.

A sereia a cantar Tem uma voz de pasmar, E o mar fica a olhar Para o seu belo encantar.

Dá-me muita segurança Minha casa é meu ninho Se estou triste, se estou mal, Tu estás lá com teu carinho.

O mar tem mil segredos De mistérios encantados, Com fileiras de rochedos E peixes apaixonados.

Ajudas-me, se preciso, Dás-me lições para a vida, Memória com o meu pai É sempre memória querida!

485 – Ramos

36 - Sousa

O sorriso tenho de observar Para perceber o que significa Se transmite felicidade Contente também quero estar.

Querida mãe, És bonita como uma flor. Adoro-te como ninguém, Dás-me à vida muita cor.

Da minha mãe, o sorriso quero ver Para então poder dizer - Minha mãe está feliz! – É o que o coração me diz.

O meu amor por ti não tem escala, Oh, como eu te amo, mãe! Meu coração não se cala, Pois me adoras, sei-o bem.

132 - Caria

239 - Pombo

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ARTE E CULTURA Não sei o que hei de escrever, Estou sentado, a pensar, Talvez uma fábula hei de ter, Não sei como a vou contar.

Um sorriso É algo que queremos ver, Mas também um mistério Que todos queremos ter: Um sorriso É algo sobrenatural Com o poder da alegria Traz o bem, afasta o mal.

Ou talvez uma linda história De encantar…vou inventar, Ou uma peça para teatro Com falas p’ra interpretar.

Ter um sorriso É também ter vida, Mas se o atearmos, Temos a missão cumprida.

Já sei o que vou escrever, Um poema pode ser. Com vários versos e estrofes E ditos por belas vozes.

Se eu fosse um sorriso, Viajaria de lábio em lábio, Mas se alguém me percebesse, Esse alguém seria um sábio.

220 - Raposo

453 - Mira

O MEU PRIMEIRO 3 DE MARÇO No dia 3 de março, Os alunos do Colégio Militar Pararam uma avenida Só para desfilar.

Estava muito nervosa Nem queria acreditar, Mas quando desci a avenida Foi um orgulho Que ninguém consegue imaginar!

Apesar de ser no dia 9 de março Devemo-nos orgulhar Do privilégio De pertencer ao Colégio Militar.

Tanta gente à nossa volta Que nos queria ver marchar, O nosso orgulho era tamanho E as pessoas a fotografar!

Nós, Meninos da Luz, Somos um exemplo Para os avós e muito mais, Pois assim mostramos aos outros e aos nossos pais.

Senti-me tão bem Quando desci a avenida, Esse momento vou guardar Para o resto da minha vida!

No meio da avenida, Antigos alunos gritaram o “Zacatraz”, Pois eles não queriam Que ficássemos para trás.

Somos uma família colegial Com duzentos e onze anos, Já passaram muitos 3 de Março E nunca se alteraram os planos.

Duzentos e onze anos A servir a nação No aniversário do Colégio Marchamos de alma e coração.

360 – Cordeiro

Nós não estávamos impecáveis, Mas isso não era importante, Viu-se esforço na cerimónia Para que o Colégio vá avante! 214 - Potes

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ARTE E CULTURA 1º CICLO Trabalho realizado pelos alunos do 1º Ano

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EVENTOS DESPORTIVOS ATLETISMO Desporto Escolar – Regional de Corta-Mato No dia 18 de fevereiro, quarenta alunos do Colégio Militar participaram no Regional de Corta-Mato que decorreu no Parque da Bela Vista, em Lisboa. A nível individual, destacamos a Medalha de Ouro conquistada pelo aluno nº 250, Francisco Cerveira (escalão Infantil B Masculino), e a de Bronze, conquistada pelos alunos nºs 408, Matilde Silva (escalão Infantil A Feminino), e 172, Dário Manuel (escalão Iniciados Masculinos). Por equipas, os escalões de Iniciados e de Juvenis Masculinos obtiveram o 1º lugar, os Juniores Masculinos o 2º e os Infantis B Masculinos o 3º. Para o Corta-Mato Nacional, ficaram apurados os três primeiros classificados dos escalões Infantis, Iniciados e Juvenis e as equipas de Iniciados e de Juvenis classificadas em 1º lugar.

Meia/Mini Maratona da Ponte 25 de Abril No dia 16 de março de 2014, teve lugar, às 10H30, a 24ª Meia Maratona de Lisboa EDP que juntou mais de 45 mil pessoas. Neste evento, estiveram presentes 51 alunos enquadrados por 11 elementos do Corpo de Alunos (Oficiais, Sargentos e Praças). O céu esteve limpo e a temperatura agradável. Participaram em duas provas 42 elementos na Mini-Maratona e 20 na Meia-Maratona. Cap. Inf. Flávio Figueiredo

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EVENTOS DESPORTIVOS

ESGRIMA 2.º Torneio – Desporto Escolar

D

ecorreu no dia 05 de fevereiro de 2013, no Pavilhão da Escola Secundária de Alcochete, o 2º Torneio de Esgrima Escolar com a participação de 77 alunos. A Sala de Armas do Colégio Militar esteve mais uma vez irrepreensível, ganhando 24 medalhas das 27 em disputa, tornando-se, assim, a mais premiada em competição.

TCor Alves

Alf. Azevedo

Os nossos alunos estão de parabéns pelo excelente desempenho.

Campeonato Nacional de Cadetes

N

os dias 8 e 9 de fevereiro, decorreu o Campeonato Nacional de Esgrima de Cadetes 2014, em Nave de Espinho, que contou com a presença de 4 atiradores do CM. No dia 8, realizou-se a prova individual em que o aluno nº 270, Alves, se consagrou vice-campeão nacional de espada. A final, disputada com o atleta Bartisol do Sport União Sintrense, foi muito renhida. Destaque ainda para o 10º lugar do aluno nº 591, Araújo, e do ex-aluno nº 46, Fernandes. No dia seguinte, decorreu a prova por equipas. A equipa do Colégio Militar, constituída pelos alunos nº 261, Onofre, nº 270, Alves, nº 591, Araújo, e pelo ex-aluno nº 46, Fernandes, venceu a Medalha de Bronze. Parabéns a todos os nossos atiradores pelo empenho e determinação que permitiram atingir estes relevantes resultados.

3.º Torneio – Desporto Escolar

D

ecorreu no dia 12 de março de 2014, no Pavilhão do Instituto Pupilos do Exército, o 3º Torneio de Esgrima Escolar com a participação de 87 alunos. A Sala de Armas do Colégio Militar distinguiu-se mais uma vez, ganhando 26 das 32 medalhas em disputa.

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EVENTOS DESPORTIVOS Torneio da Força Aérea

N

os dias 12 e 13 de março, decorreu na Academia da Força Aérea, em Sintra, o Torneio AFA 2014. No primeiro dia, realizou-se a competição de sabre que contou com a presença de 6 atiradores do CM. Realce para a conquista do primeiro lugar pela equipa CM1, composta pelos alunos nº 43, Afonso Almendra; nº 298, André Vaz e nº 591, Francisco Araújo. A nível individual, destaque para a Medalha de Bronze conquistada pelo aluno nº 298, André Vaz, e para o quarto lugar do aluno nº 43, Afonso Almendra. No dia seguinte, competiram 27 atiradores na prova de espada, sendo 3 deles representantes do CM. Estes dominaram por completo toda a competição. A prova foi ganha pelo aluno nº 298, André Vaz. No segundo lugar posicionou-se o aluno nº 591, Francisco Araújo, e no terceiro, o aluno nº 43, Afonso Almendra. Parabéns aos nossos atiradores por mais uma prestação brilhante.

4.º Torneio – Desporto Escolar

D

ecorreu no dia 2 de abril de 2014, no Pavilhão da Escola Secundária de José Cardoso Pires (Santo António dos Cavaleiros), o 4º Torneio de Esgrima Escolar com a participação de 60 alunos, tendo a Sala de Armas do Colégio Militar ganho 24 das 30 medalhas em disputa. Os nossos alunos estão de parabéns pelo excelente desempenho.

Aluno do CM vence Jogos do Exército

N

os dias 4 e 5 de abril, decorreram na Escola das Armas, em Mafra, os II Jogos do Exército, que se realizam de 4 em 4 anos, nas várias modalidades praticadas nas Forças Armadas Portuguesas. O aluno do escalão de juniores, nº 298, André Vaz, debateu-se brilhantemente com os melhores atiradores seniores do Exército Português. No sábado, decorreu a prova de sabre, em que o aluno, nº 298, Vaz, conquistou a Medalha de Ouro. No dia seguinte, teve lugar a prova de espada masculina e, mais uma vez, o nosso atirador ganhou uma medalha, somando, assim, duas Medalhas de Ouro. Parabéns ao aluno pela forma como dignificou o nosso Colégio.

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TRADIÇÕES E MEMÓRIAS RÉCITA 2014 Nos dias 7,9 e 10 do mês de janeiro realizou-se, mais uma vez, pelo 7ºano colegial (11º para os comuns mortais), a Récita. Desde a fundação do Colégio que se registam indícios da valorização da prática da representação. Mais tarde, apareceu uma representação em forma de sátira, que tem sido modificada até aos dias de hoje, sendo um marco importante no percurso colegial de cada aluno. Este ano, o Curso 2007 sentiu-se na obrigação de abordar conteúdos mais profundos, não se ficando pelas banais críticas à alimentação, expondo, assim, temas mais sensíveis como a reforma nos três EME´s. A récita de 2014 começou com um alerta a todos os defensores do Colégio: não nos podemos justificar com frases feitas, mas devemos provar o verdadeiro significado do Colégio.

De seguida, assistiu-se a uma autocrítica em “Os 7 Pecados Colegiais”, pois as nossas atitudes como alunos espelham o bem-estar desta casa. Antes de exigirmos mudanças aos outros, devemos corrigir as nossas atitudes e apurar as nossas virtudes. Posteriormente, através de “O Encantador de Cães”, satirizaram-se e elogiaram-se os militares, os docentes e os demais servidores desta Casa, que desde há 7 anos nos têm acompanhado neste percurso. Depois do intervalo, com ”Vossemecê na TV”, procurou-se identificar a opinião pública sobre o Colégio Militar, dando a noção ao auditório de qual é a imagem externa do Colégio neste momento. Após esta peça com muito humor, os presentes tiveram a oportunidade de assistir a “Por um Decreto, Mudei a Casa” em que os alunos encontraram alguns momentos de crítica à atual realidade do Colégio. Para terminar, foi deixada uma mensagem de incentivo, pois apesar de todas as adversidades, agora, mais do que nunca, é necessário provar a nossa essência sendo fiéis aos pilares que suportam a nossa Casa, porque o mais importante é “Servir Portugal, mantendo o espírito Imortal”. 591 - Araújo

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TRADIÇÕES E MEMÓRIA A Récita é uma peça teatral realizada pelos alunos do 7º ano do Colégio, onde estes criticam, apresentam soluções e mostram os grandes problemas da vida colegial. A Récita de 2014, realizada pelo curso 2007/08, foi excecional. Os alunos conseguiram satirizar algumas situações do quotidiano: relações entre oficiais e alunos e novidades do ensino misto. Apresentaram, também, soluções para ultrapassar esses problemas de uma forma muito clara. Para mim, os melhores momentos foram “Seven – Os 7 Pecados Colegiais” e os Slides e a Nostalgia. Mesmo assim, apesar de esta Récita ter sido muito boa, continuo a considerar que a Récita de 2013 foi a melhor que já vi. Espero que se continuem a fazer récitas com esta qualidade, ou melhores. 375 – Pegado

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O RENDER DA GUARDA

E

ntre 01 de janeiro e 31 de abril de 2014, deixaram o Colégio Militar vários Oficiais, Sargentos, Praças, Professores e outros Funcionários do Colégio, uns porque foram indigitados para outras funções, e outros porque chegaram ao fim do seu percurso profissional. A todos, o Colégio Militar agradece penhoradamente todo o esforço, saber e competência que dedicaram ao cumprimento das suas missões específicas, bem como a generosidade e a dedicação com que serviram o Colégio, ao longo do tempo em que nele permaneceram. Aos que entraram em serviço neste mesmo período, o Colégio Militar deseja-lhes os maiores sucessos pessoais e profissionais no cumprimento das suas funções.

OS QUE SAÍRAM OFICIAIS

SARGENTOS MILITARES

MILITARES

FUR Sérgio Augusto TEN Marco Ricardo

TEN RC Ana Luísa Alves Cardoso

FUNCIONÁRIOS CIVIS

PRAÇAS MILITARES

1.º CAB André Santos

ASS. OP. António Francisco Peru Efe

ASS. OP. Carlos Alberto Guerra Machado

ASS. OP. João Cândido Ramos

ASS. TÉC. Maria Fernandes Lopes Conceição

ASS. OP. José dos Reis Alfaiate

ASS. TÉC. Maria Teresa Santos C. Ferreira Cruz

ASS. OP. Sílvia Alexandra V. Almeida

ASS. TÉC. Carlos Eduardo Afonso

1.º CAB Wilson Salvador Sanches Pina

2.º CAB Ivo Manuel Mendes Marcelino

SOLD Geraldo Francisco da Costa Tavares

SOLD Filipe Alves Varatojo

SOLD Ruben Dias

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O RENDER DA GUARDA

OS QUE ENTRARAM OFICIAIS MILITARES

ALF RC Fernando Rafael Ribeiro Carvalho

MAJ SGE José Manuel Afonso Costa

PRAÇAS MILITARES

SOLD Elton Domingos Sá Silvino

SOLD José Jorge Viegas Amado

SOLD RC Francisco Manuel Vieira Maurício

SOLD RC Hernandez Cardoso Silva

SOLD RC Vítor Bruno Pereira de Bessa

SOLD Telmo Roberto Santos Oliveira

SOLD Vítor Hugo da Silva Santos

SOLD Yoamm Brandão

FUNCIONÁRIOS CIVIS

ASS. TÉC. Ana José Guerra Correia de Almeida Marques

TÉC. SUP. PSIC. Dr.ª Isabel da Conceição Semedo Ribeiro Mendes

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janeiro/abril 2014

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211º Aniversário do Colégio Militar

Revista do Colégio Militar nº 233  

Janeiro/Abril 2014

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Janeiro/Abril 2014

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