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REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA De COMPOSITORES #23 / FEVEREIRO 2015

PAPAS DA LÍNGUA + UBC Bahia, 15 anos + Caiu na rede é webclipe + Andreas Kisser: 'O Sepultura nunca se orientou pelo que está tocando em rádios' + Céu, Skank, DJ Batata, Leo Nascimento, Edu K

A banda gaúcha celebra duas décadas de bom humor, senso crítico e visão de mercado:

'os autores precisam se envolver mais com direitos autorais, eles fazem parte do negócio'


A música é cheia de cifras. O Portal do Associado, também. Em www.ubc.org.br/portal você pode acessar o extrato de conta corrente e acompanhar a movimentação financeira dos rendimentos de seus direitos autorais.  Confira os saques, as distribuições, o desconto de imposto de renda, as antecipações e todas as outras movimentações, com rapidez e transparência. 


THALLES ROBERTO

REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA De COMPOSITORES #23 : FEVEREIRO 2015

CANTADO

M

Editorial

PAPAS DA LÍNGUA

Banda Teresa

NOTÍCIAS : UBC/5

4/UBC : NOTÍCIAS

NOTÍCIAS : UBC/7

6/UBC : NOTÍCIAS

SAMBA, REGGAE, POP, CÉU

disco novo é um prato cheio e fumegante para os fãs, mas, ao mesmo tempo, um cartão de visitas perfeito para os novos que virão. O Defalla, como sempre, continua relevante e moderno, pop e doidão: enfim, ainda uma das maiores bandas do nosso famigerado país!

'SOU UM NÔMADE, NASCI VAGANDO E MORREREI VAGANDO' EDU K TRANSITA ENTRE ESTILOS SEM PARAR. GAÚCHO, ABRAÇOU O FUNK CARIOCA (“É O NOSSO HIP HOP!”), AGORA FLERTA COM O TRAP E SE PREPARA PARA A VOLTA DO DEFALLA, UM CALDEIRÃO DE CULTURAS EM FORMA DE BANDA

Por que ainda vale a pena ouvir música brasileira? O brasileiro é o poster boy da era da informação livre, das redes sociais, da conexão através da web, das misturas e da antropofagia. Nós somos, e sempre fomos, o povo do futuro. A miscigenação está na raiz desta nação, e a música ganha com isso. Se nada se cria, (de) tudo se apropria, haha, somos vanguarda! O brasileiro tem um jeito peculiar e único de interpretar a informação, e isso se cristaliza de forma exuberante na nossa música!

Por Alessandro Soler, do Rio Irreverente, debochado, vanguardista, multirreferenciado. Edu K, um dos cabeças do Defalla, vive uma vida dupla. Em carreira solo desde que uma das mais famosas bandas do pós-punk brasileiro deu um tempo, há dez anos, ele lançou recentemente o EP “Boy Lixo”, em que revela sua nova paixão: o trap. Mas não tira da cabeça o rock, o funk, o miami bass, o hip hop e um montão de outras sonoridades eletrônicas que cultivou ao longo dos quase 20 anos consecutivos de atividades do Defalla. Esse pacotão sonoro volta com tudo no mês que vem, quando o adiado e mui aguardado disco inédito do grupo surgido em Porto Alegre, em 1986, chega ao mercado. Para falar sobre isso e sobre o que anda passando por sua mente fervilhante, Edu trocou dois dedos de prosa com a Revista UBC.

Você continua em Santa Catarina? Voltou para o Rio Grande? O que vagar nesse eixo acrescentou às suas sonoridades e escolhas estéticas? Eu sou um nômade, nasci vagando e morrerei vagando! Tudo me inspira. Estou sempre imerso nos meus arredores, absorvendo os elementos que se condensam na minha música, no meu estilo, nas minhas inspirações musicais e estéticas. Atualmente transito entre Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo: não consigo ficar parado por muito tempo no mesmo lugar, preciso desse movimento perpétuo, senão enlouqueço, e a convivência com as diversas tribos que habitam tais paradouros grita na minha música, em especial nas minhas letras. Estão todos lá, de uma forma ou outra, muitas vezes até explicitamente. Minha vida é exatamente como minha música, não existe uma separação entre o civil e o artista, haha! Estou sempre mutando e arrastando as tranças, como dizia minha avó, pelo mundo.

O disco de retorno do Defalla e o documentário sobre a banda eram prometidos para o ano passado. Ficaram para este. O que os fãs ganham com isso? O lançamento do “Monstro”, nosso novo disco com a formação original, depois de vinte e cinco anos, ficou para março, e imagino que o doc saia mais ou menos nessa mesma época. O Defalla tem que enfrentar alguns desafios de logística para realizar as coisas, já que cada um mora em uma cidade diferente, e todos têm seus projetos e trampos paralelos, por isso a demora toda: estamos, praticamente, neste processo de disco novo e doc há quase 3 anos! O doc é massa, pois mostra nosso primeiro show (e ensaios, papos e palhaçadas mil, bem ao estilo Defalla, haha) juntos depois de muitos anos: a banda nunca acabou, mas a formação original se separou em 1989! Foi como se a gente tivesse tocado junto uma semana antes, não vinte e tantos anos. O Defalla tem uma química e uma sinergia loucas, sui-generis! É aquele tipo de coisa que só acontece de vez em quando no mundo da música! A galera vai se divertir horrores com esse registro. E o disco está incrível também. É uma espécie de continuação dos dois primeiros discos do Defalla, uma continuação que não rolou na época, já que em 1989 lançamos o despirocado “Screw You”, que era um disco de hard rock ao vivo, e a Biba saiu da banda, dando inicio a uma espiral de loucura que resultou no megahit “Popozuda Rock N' Roll”, de 2000, que lancei como Defalla, mas na banda já não tinha ninguém da formação original. O

Você(s) claramente se amarra(m) em sons que poderiam estar sob o guarda-chuva do que se chama global ghettotech, o som eletrônico das periferias. Depois do tecnobrega, qual estilo o atrai, deslumbra e estimula? Eu sou um arqueólogo, pesquiso de tudo, sou uma cria da era da internet. Estou sempre ligado em tudo o que rola, é como um radar, uma antena, uma obsessão louca! Atualmente o que está me pirando é o trap: acabei de lançar um EP, o “Boy Lixo”, pela Deck Disc, que é a minha versão do estilo, como sempre fiz com outras tendências e estilos, e tenho feito DJ sets misturando trap com coisas novas do hip hop, que também anda fazendo a minha cabeça em grau mil. O que acha do arrocha?

OPERÁRIO DO FUNK

Tem samba, reggae, pop. Tem guitarra, tambor, piano. Em dez anos de uma carreira profícua, cabe muita coisa, daí a dificuldade que a paulistana Céu teve para escolher o que entraria no registro definitivo da turnê do álbum “Caravana Sereia Bloom”, que costurou diversos estados e países desde 2012. No DVD “Céu Ao Vivo”, gravado em julho do ano passado no pequeno Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, ela acabou fazendo um passeio por canções suas como “Malemolência”, “Cangote”, “Falta de Ar”, “Retrovisor”, “Baile de Ilusão”, “Contravento”, além de coisas como “O Palhaço”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme Silva, “Mil e Uma Noites de Amor”, de Pepeu Gomes, Baby do Brasil e Fausto Nilo, e “Piel Canela”, de Bobby Capó. “Fiquei pensando se a gente está colocando todas as músicas importantes. Essa escolha é um dilema, foi o primeiro DVD. Nunca tinha tido um registro, pensei nisso com carinho”, contou em entrevista ao diário “O Estado de S. Paulo”. Além da apresentação ao vivo, o pacote intercala depoimentos, momentos de descontração com os músicos e, nos extras, clipes. “Sempre quis que ficasse dessa forma, mas existia uma preocupação da gravadora porque aqui no Brasil existe uma coisa interessante: as pessoas colocam na festa o DVD como áudio”, explicou. Como não poderia deixar de ser em se tratando de Céu, na dúvida, o estilo próprio prevaleceu.

O funk ainda faz tanto assim a sua cabeça? Adoro funk e sempre vou ser apaixonado pelo estilo: é o nosso hip hop, nossa música eletrônica mais original e moderna! Acompanho de perto as evoluções do funk e estou curtindo muito esse novo momento pós-palminha (batida que substituiu o tamborzão e o tamborzinho): está rolando uma coisa muito minimal, de pirar o cabeção! A cena de São Paulo é incrível e injetou muita energia nova no funk! As produções têm uma cara diferente das do Rio, e isso só enriquece. E a galera de SP incorpora mais elementos do hip hop, o que me agrada horrores também.

MISTÉRIOS DA GUITARRA E DO VIOLÃO, DESVENDADOS Violonistas e guitarristas autodidatas de antigamente tinham revistas e brochuras que ensinavam os conceitos elementares dos instrumentos para aprender sozinhos em casa. Os de hoje têm “O Mapa dos Acordes – Para Guitarra e Violão”, um compêndio com as experiências do músico e produtor capixaba Sérgio Benevenuto ao longo de 25 anos como professor dos instrumentos. Lançado no fim do ano passado, o livro deve ser o primeiro de uma trilogia planejada por Benevenuto para apresentar seu método de educação musical, uma técnica desenvolvida em suas passagens por escolas do Brasil e dos Estados Unidos. Além de fundamentar conceitos da música e desvendar os mistérios da guitarra e do violão, a obra traz textos acadêmicos de apoio. “Eu já tinha passado por mais de oito escolas no Brasil e não tinha aprendido nada”, contou o músico ao diário “A Gazeta”, de Vitória. “Nos EUA, comecei a me aprofundar na didática e, quando voltei, apliquei toda aquela metodologia. Isso formou uma legião de instrumentistas que agora você escuta em casa”. O segundo dos livros a serem lançados por Benevenuto já está em fase de finalização, e o terceiro começa a ser produzido ainda em 2015.

COM PROGRAMA DIÁRIO NA RÁDIO, O DJ BATATA, UM DOS MAIS ATIVOS PRODUTORES DO BATIDÃO, VÊ (E APLAUDE) A EXPANSÃO DA CENA PELO PAÍS, MAS MANDA: O VELHO ESTILO SEDUTOR CARIOCA É O SEU PREFERIDO Ele é um dos mais ativos produtores do funk carioca. Aquele de raiz, original, o batidão que seduziu boa parte do país e de músicos como Edu K, do Defalla (leia minientrevista na página 4). DJ Batata é um garimpeiro de talentos do estilo, que ajudou a revelar ou bombar nomes como MC Biel, Nego do Borel, Nego Blue, Bonde das Maravilhas, MC Britney, MC Pedrinho... Com programa diário na rádio Transcontinental FM, de São Paulo, ele lidera o movimento de expansão das fronteiras de um dos mais fortes estilos de música eletrônica brasileiros. “Sou um operário do funk, trabalho diariamente em prol do estilo”, diz.

5 DÉCADAS ESTE ANO O compositor Maury Câmara está comemorando seus 50 anos de carreira em 2015. Autor de mais de cinco dezenas de canções, teve muitas delas gravadas por cantores como Jerry Adriani, Martinha e José Roberto nas décadas de 1960 e 1970. Mais tarde, foi parceiro do saudoso Orlando Dias em obras como o sucesso “Com Pedra na Mão”. Hoje, o compositor faz apresentações frequentes nos palcos do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, no Rio de Janeiro, conhecido popularmente como Feira de São Cristóvão.

Qual pancadão não sai da sua cabeça no momento? São tantos... Mas escolho “Dom Dom Dom”, com MC Pedrinho. Como vê as cenas regionais de funk pelo país, como as de BH, SP?

O RIO GRANDE VAI AO RIO... E VOLTA

UM DOMINGO MAIS QUE LEGAL PARA LEO NASCIMENTO

SKANK NA TELA GRANDE

Após fazer sucesso na internet com um vídeo amador no qual aparece cantando uma de suas músicas românticas, “Tatuagem”, o ex-servente de pedreiro Leo Nascimento, de Porto Velho, teve sua trajetória musical transformada ao participar do programa “Domingo Legal”, do SBT, em novembro passado. Além de conhecer ídolos como o sertanejo Eduardo Costa, Leo descobriu ao vivo como se afiliar à UBC e garantir o recebimento de seus direitos autorais. O cantor está com sua agenda de shows lotada e prepara o lançamento do primeiro álbum, além de já colecionar mais de 65 mil seguidores no Facebook.

Mais um grande nome da música brasileira se aventura na seara das trilhas sonoras para o cinema. A bem-sucedida aventura de férias para adolescentes “O Segredo dos Diamantes”, de Helvécio Ratton, em cartaz desde dezembro do ano passado em diversas cidades do país, tem como canção-tema “Poeiras da Ilusão”, de Samuel Rosa, do Skank. “Sou muito fã de 'O Menino Maluquinho' (longa infantil inspirado na obra de Ziraldo e dirigido por Ratton). Foi ótimo estrear nas trilhas de cinema num filme dele”, disse Samuel. “Gostaria que isso (compor para cinema) tivesse sido mais frequente na nossa história.” O processo de produção da música foi paralelo ao do mais recente álbum da banda mineira, “Velócia”, lançado em meados do ano passado. Na versão em vinil, “Poeiras da Ilusão” vem como faixa bônus. Na trama do filme, todo rodado em locações mineiras, Angelo (Matheus Abreu) tem 14 anos, descobre uma lenda antiga sobre diamantes perdidos e decide ir atrás do tesouro, uma maneira de salvar a vida do seu pai. Para isso, ele terá a companhia e a ajuda de seus dois amigos inseparáveis, Júlia (Rachel Pimentel) e Carlinhos (Alberto Gouvea), e precisará enfrentar o vilão Silvério (Rui Rezende).

Acho massa, assim como curto rasteirinha e outras reciclagens modernas da nossa música popular, especialmente do Nordeste, que produz as coisas mais modernas da nossa MPB. Bom, que novidade, né? Sempre foi assim! Dois mil e catorze foi BARRA . Dois mil e quinze será 2014 (QUE NÃO ACONTECEU) .

O funk não tem fronteiras, tudo é Brasil, mas cada região tem suas tendências, afinal somos um país de diversidades. O Rio, como berço do funk nacional, é espontâneo, erótico nas letras e nas coreografias. Considero muito criativo! Em São Paulo, explodiu o funk ostentação, que fala do poder do luxo retrato da nossa sociedade de consumo. Mesma vertente acaba predominando em Belo Horizonte e até mesmo no Sul do país! Eu, particularmente, sou mais fã do funk sedutor, envolvente.

Um dos músicos mais inventivos e originais da cena gaúcha contemporânea, Rafael Ferrari começou o ano envolvido com o lançamento do álbum e da turnê “Bandolim Campeiro”, em que aprofunda o uso de um instrumento tão tipicamente associado ao choro carioca em interpretações de ritmos regionais sulistas, como milonga, vanera, chamamé, chacarera e outros. Pioneiro no encontro e nas infinitas trocas entre o estilo musical oriundo do Rio e as sonoridades dos Pampas, ele já tocou com nomes como Hamilton de Hollanda, Toninho Horta e Renato Borghetti, colhendo elogios de todos. Além da carreira solo como instrumentista e compositor, Ferrari integra o grupo Camerata Brasileira, que dá acento jazzístico a ritmos como o samba e o choro, lançou três discos desde que se formou, em 2002, e tem viajado por quase todo o Brasil e por países como Cuba e Paraguai. Como reconhecimento por seu destaque, o gaúcho faturou o Prêmio Açorianos, em 2008, como melhor compositor de música instrumental. No atual projeto, ele apresenta composições de mestres como Yamandú Costa e Luiz Carlos Borges, além de um sem-número de criações suas.

O YouTube criou recentemente uma nova forma de evitar a infração de direitos autorais de músicas contidas nos vídeos hospedados na plataforma. Através da ferramenta Content ID, na qual proprietários de direitos autorais podem reivindicar o uso indevido de suas obras, agora o usuário também poderá ser alertado durante o processo de hospedagem do vídeo se utilizar conteúdo não autorizado. Anteriormente, o alerta era enviado somente quando conteúdo já estava hospedado no site. Para alertar o usuário, a ferramenta realiza uma pesquisa na biblioteca de áudio do próprio YouTube e verifica se o vídeo utiliza música protegida por direitos autorais. Se você deseja utilizar músicas em sua obra audiovisual, é necessário pedir autorização dos autores das obras musicais e dos produtores fonográficos dos fonogramas (gravações). A UBC possui o Consulta Web, uma ferramenta virtual na qual todos podem pesquisar a autoria de obras e os participantes dos fonogramas cadastrados em nosso banco de dados. Acesse nosso site: ubc.org.br.

Todos os anos, conforme determina o estatuto da UBC, é realizada, no mês de março, a Assembleia Geral Ordinária para prestação de contas e apreciação do balanço do ano anterior. A próxima está marcada para o dia 18 de março no Auditório Paulo Tapajós, localizado na sede da UBC no Rio de Janeiro. Fique de olho e participe. Reserve a data em sua agenda e não deixe de vir, sua presença é muito importante. A UBC é dos seus associados, portanto, cabe a eles apreciar as contas, verificar os números e tomar ciência dos resultados do ano.

MUDANÇA NO PESO DE DISTRIBUIÇÃO DE TV ABERTA Uma nova mudança na distribuição dos rendimentos arrecadados dos canais da TV aberta começa a valer a partir da distribuição de abril de 2015. As músicas executadas na programação de Globo, Record, Bandeirantes e SBT obedecerão a diferentes pesos de acordo com a quantidade total de emissoras da rede que fizeram a transmissão do conteúdo audiovisual onde a música foi inserida e executada. Usando como exemplo a Rede Globo, que possui 122 emissoras relacionadas em seu contrato com o Ecad, a música executada na abertura de uma novela terá peso 122, de acordo com a nova regra, pois a música é executada por todas as emissoras da rede. Se uma música for executada na abertura um programa local transmitido por apenas uma dessas 122 emissoras relacionadas, terá peso 1.

ESTUDO: SAÍDA PARA A CRISE DA EUROPA ESTÁ NA INDÚSTRIA CRIATIVA A indústria criativa e cultural é parte fundamental da solução para a grave crise econômica que castiga a Europa há alguns anos, segundo estudo da consultoria EY (a antiga Ernst & Young) divulgado em dezembro. Encomendado pelo Grupo Europeu de Sociedades de Autores e Compositores (Gesac), o trabalho “Gerar crescimento – Mensurando os mercados cultural e criativo da União Europeia” estimou que, anualmente, produzem-se € 536 bilhões (o equivalente a R$ 1,742 trilhão) e empregam-se sete milhões de europeus em áreas ligadas à produção cultural. A música e as artes visuais, sobretudo, estariam entre os três maiores empregadores da Europa, atrás apenas da construção civil e da indústria de alimentos e bebidas. A Gesac pede a desoneração e a proteção do setor.

ECAD LANÇA SOFTWARE DE IDENTIFICAÇÃO AUTOMÁTICA Após quatro anos de pesquisa e planejamento, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição lançou, em parceria com a PUC-Rio e com especialistas da USP de São Carlos, o Ecad.Tec CIA Audiovisual, um novo software de captação e identificação automática que reconhece e identifica as músicas executadas nas programações das emissoras de TVs aberta e por assinatura. Com a utilização da nova tecnologia, será possível realizar a identificação automática das músicas executadas em 48 canais, 24 horas por dia e sete dias por semana. Desta forma, o Ecad irá automatizar diversos procedimentos e pretende melhorar a qualidade das distribuições de TV. Hoje, 242 rádios já são monitoradas pelo pioneiro Ecad.Tec CIA Rádio, sistema semelhante implementado em 2011, que capta e identifica automaticamente as músicas executadas nas rádios.

O Rio de Janeiro é uma caixinha de surpresas... Tem muito talento sem visibilidade. Acho que ainda vem muita coisa boa por aí a partir da cidade. Com absoluta certeza! O universo do funk não se resume aos DJs e MCs. Tem um sistema ao redor, com os divulgadores, os empresários, as rádios, as editoras, as casas de shows... Enfim, todo mundo faz parte da engrenagem e consegue ganhar com isso. Mesmo sendo uma cena mais informal e pirateada, dá para receber direitos autorais. EXCELENTE PARA NÓS, FUNKEIROS

As editoras BMG Rights Management e Round Hill Music entraram com ação na Justiça americana contra um dos maiores provedores de acesso à internet dos EUA, a Cox Communications, acusando-o de infringir as leis de direitos autorais. O argumento das duas empresas é que o provedor não se esforça “o bastante” para punir os usuários que fazem descargas ilegais de músicas. Não há precedente de acusação dessa natureza a um provedor. Se um juiz considerar a Cox culpada pela pirataria dos seus clientes, as implicações sobre o mercado de internet nos EUA seriam potencialmente enormes. BMG e Round Hill alegam ter notificado a Cox sobre 200 mil “infratores contumazes”, sem que o provedor tomasse providências.

RESERVE ESTA DATA: 18/03

Será realizado entre os dias 1 e 2 de abril de 2015, no Auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em Brasília, o I Prêmio Profissionais da Música, que homenageia pioneiramente no Brasil a indústria musical e é idealizado com o objetivo de reconhecer o potencial e a contribuição de todos os profissionais envolvidos na criação e na produção musical. As categorias do prêmio se dividem entre criação, produção e convergência. Além da premiação, serão realizados oficinas e bate-papos que irão promover o encontro entre diversos profissionais da música. As inscrições para o prêmio e o cadastro de profissionais para realizar indicações se encerram no dia 22 de fevereiro, e as votações têm início no dia 1º de março de 2015. Saiba mais em: ppm.art.br.

É possível ser funkeiro e viver de música? Como?

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LUGAR DE CLIPE É NA INTERNET

EDITORAS MUSICAIS PROCESSAM PROVEDOR POR NÃO COIBIR PIRATARIA DE CLIENTES

I PRÊMIO PROFISSIONAIS DA MÚSICA

Acha que o Rio ainda pode aportar muito em originalidade e inovação?

Dois mil e catorze foi

NOVIDADES INTERNACIONAIS

YOUTUBE ALERTA SOBRE USO INDEVIDO AO PUBLICAR VÍDEO

Dois mil e quinze será MELHOR AINDA! .

ENCONTRO ANUAL DA ASCAP COMPLETA 10 ANOS A americana Ascap, maior sociedade de compositores do mundo, fará, entre 30 de abril e 2 de maio próximos, sua 10ª conferência I Create Music, em Los Angeles, na Califórnia. Palestras, estudos de caso, oficinas, master classes, encontros de negócios, exibições de novidades tecnológicas e shows marcam o superevento anual que é aberto a qualquer criador. Em edições anteriores, músicos como Bruno Mars, Carly Simon, Philip Lawrence e Justin Timberlake deram palestras. “Por 10 anos extraordinários, nossa família estendida de compositores de música, letristas e editores tem se reunido e recebido todos aqueles que levam uma vida dedicada à música”, disse o presidente da Ascap, Paul Williams. Informações sobre como participar em ascap.com.

MERCADO : UBC/11

10/UBC : MERCADO

NOTÍCIAS : UBC/9

8/UBC : NOTÍCIAS

FIQUE DE OLHO

NOVIDADES NACIONAIS

COM MENOS DINHEIRO – E MUITO MAIS CRIATIVIDADE –, ARTISTAS MIGRAM PARA A REDE E MANTÊM A CULTURA DOS VÍDEOS MUSICAIS MAIS VIVA DO QUE NUNCA Por Eduardo Vanini, do Rio

FECHAMENTO DO THE PIRATE BAY NÃO FAZ CAIR PIRATARIA DE MÚSICAS

Foi-se (há muito) o tempo em que os fãs brasileiros precisavam aguardar o último bloco do “Fantástico”, na Rede Globo, para conferir o lançamento do clipe do seu artista favorito. Igualmente para trás ficou a época na qual se sabia que um vídeo fazia sucesso pelo seu desempenho nas paradas de canais musicais, como a MTV. Hoje o lançamento é na web, e o sucesso, medido pelo número de visualizações, que cresce a cada minuto aos olhos dos internautas.

A cruzada da polícia sueca contra o site de troca ilegal de arquivos The Pirate Bay parece ter sido inócua. Fechada numa superoperação em 9 de dezembro, em Estocolmo, a plataforma foi logo substituído por inúmeras outras. Segundo a Excipio, uma empresa de pesquisas sobre pirataria, em 8 de dezembro, um dia antes da ação, houve 101 milhões de trocas de arquivos ilegais. Nos dias seguintes, o número caiu para 95 milhões, mas, em 12 de dezembro, os 101 milhões haviam sido restabelecidos. Além disso, o IsoHunt, rival do TPB, cedeu servidores para que o site do megafraudador Gotffrid Svartholm voltasse a operar. Em janeiro, o antigo endereço do Pirate Bay estampou um contador regressivo que termina no início de fevereiro, indicando que voltará ao ar.

Se alguém apostou no fim dos videoclipes, errou feio. A versão audiovisual das canções nunca esteve tão forte. A internet facilitou o acesso, ampliou o alcance e consagrou o gênero como um dos mais populares nas plataformas de vídeos. Em dezembro de 2013, o clipe “Gangnam Style”, do artista sulcoreano Psy, forçou o YouTube a modificar o algoritmo por trás da contagem de visualizações de um vídeo, ao superar o número que poderia ser exibido até então. São mais de 2 bilhões de reproduções. Isso só para citar o maior dos fenômenos no site. Também há exemplos como a febre “Single Ladies” de Beyoncé, transformada em viral com a coreografia repetida à exaustão por literalmente milhões de pessoas ao redor do globo.

VENDAS DE MÚSICAS NO ITUNES CAÍRAM ATÉ 14% NO ANO PASSADO

“A prioridade é se fazer ouvir nesse mar de informações. Ganhar a audiência com uma boa ideia sem ir à falência na produção.”

De boas ideias os niteroienses da Banda Tereza estão cheios. O grupo aposta em clipes com edições caprichadas e sacadas divertidas. Lançado no começo de 2013, o vídeo “Sandau” fez barulho nas redes sociais, ao transportar os músicos para dentro do Street View, ferramenta do Google que reúne imagens captadas ao redor do mundo. Foram 200 mil visualizações em apenas duas semanas. Nada foi feito por acaso. O integrante Sávio Azambuja conta que, desde o início da elaboração de um clipe, a dinâmica da internet é levada em consideração. “A concepção da ideia se baseia no meio em que ela será divulgada”, afirma. “Sandau”, segundo ele, brinca com a internet dentro da própria internet. “Isso tudo acaba criando notícias e pautas essenciais para o processo de viralização”, avalia. “Sempre tivemos em mente que hoje o canal em que mais se ouve música é o YouTube. Por isso, fomos em busca de bons profissionais que souberam usar essa ferramenta a nosso favor. A inovação faz toda a diferença na hora de divulgar um clipe neste espaço.” As referências à era tecnológica voltaram a aparecer no clipe mais recente da banda. Desta vez, com pegada futurista. “A Calçada da Batalha” traz uma espécie de Tinder, um aplicativo de paquera, manipulado por um óculos com tecnologia avançada ao estilo Google Glass. A produção leva a banda até o ano de 2069 e avisa aos espectadores logo de cara: “A tecnologia revolucionou a forma de as pessoas se relacionarem. Agora, ou você se adapta ou não arruma nada.” A mensagem não poderia ser mais apropriada.

No primeiro trabalho, o apoio comercial fez com que o orçamento não representasse problema. Agora, como conta o cantor e diretor musical do grupo, Rafael Mike, a saída é apelar para a criatividade. “Ainda não temos como investir muito nisso. Então, damos o nosso jeito! No dia a dia, fazemos vídeos com celular. A necessidade de fazer barato é que leva a gente a querer ser mais criativo!”

“Na internet você tem tudo à sua disposição, mas nada a seu favor”, observa Azambuja. “É tanta informação que é cada vez mais difícil achar o que está realmente procurando. Por isso, para o artista, é importantíssimo definir desde o início o seu público-alvo e direcionar o conteúdo de forma mais certeira.”

Ao que tudo indica, os meninos estão sabendo tirar proveito de uma situação em que ver é muito fácil, e ser visto, nem tanto. Desde o primeiro clipe, já fizeram uma parceria com o cantor Ricky Martin e fecharam contrato com uma gravadora. O primeiro CD deve sair ainda no início deste ano. Enquanto isso, o contador de visualizações de seus vídeos está longe de parar de rodar.

Pedro Bruno Baixista, percussionista e vocalista do Holger

A turma do Holger também está atenta a esse filão. O integrante Pedro Bruno (baixo, percussão e voz) diz que o grupo percebeu logo no primeiro clipe a força da web. “O vídeo, em geral, acabou virando a grande forma de mídia da internet, e os clipes ganharam um peso maior. Sempre zelamos pela estética. Para a gente, ela anda junto com a música. E este é o motivo pelo qual sempre nos preocupamos em lançar clipes que condizem com a nossa proposta estética.” Dinheiro – ou, muito frequentemente, a falta dele - não é necessariamente um problema, segundo Pedro Bruno. Tanto que “Ilhabela”, o clipe mais barato já feito pela banda, virou campeão de acessos. O vídeo é uma sucessão de imagens de arquivo do grupo e foi editado pelo guitarrista e vocalista Tché. “Ele teve só o trabalho de organizar o material e criar o conceito dos cortes rápidos”, afirma Pedro Bruno.

06-07 CAPA : UBC/15

Nestas duas décadas, o que de mais marcante vocês destacariam na história do Papas da Língua?

São Paulo, escolheu “Eu Sei” para fazer parte da novela. Já tínhamos tido música em trilha, mas não com esse alcance. Ela migrou para as rádios e se tornou número um durante alguns meses. Isso varreu o país e potencializou o nosso trabalho. As trilhas têm esse poder de levar a nossa arte para um público maior. Também já fizemos parte de dois filmes – “Houve Uma Vez Dois Verões”, de Jorge Furtado (com a canção “No Calor da Hora”) e “Até que a Sorte nos Separe”, de Roberto Santucci (com “Sorte”) –, e nossas músicas já estiveram em comerciais de televisão veiculados nacionalmente.

Moah: Considero o Papas da Língua uma banda de muita sorte, porque desde o início tivemos a oportunidade de viajar, conhecer outros países, de rodar em novela. Mas o momento mais marcante para mim foi entrar na trilha da novela "Páginas da Vida", porque isso possibilitou ao Papas ser conhecido no Brasil, e até hoje esse fato dá margem a muitos acontecimentos positivos.

Fernando Pezão: Isso é consequência de um espírito profissional, da vontade de fazer música, de construir uma carreira, desenvolver um trabalho de composição, e não simplesmente viver de um ou dois sucessos.

O resultado final acabou sendo o clipe mais caro já feito pela banda. “Foi nosso primeiro projeto desse tipo, e a experiência foi ótima. Atingimos a meta, e o clipe ficou lindo”, comemora Bruno.

O grupo acabou de lançar o CD “Não Pare Pra Pensar”, que já chegou ao público visualmente de duas formas: um lyric video (formato que traz as letras das canções) para “Cego Para

Serginho Moah: Atribuo também à amizade e ao respeito. Trocamos ideias sobre o trabalho, e isso é fundamental para que possamos ficar juntos e em harmonia por todo esse tempo.

Além de vocês estarem celebrando os 20 anos e regravando os hits da carreira, um disco de inéditas também está nos planos da banda?

Estes 20 anos foram celebrados em grande estilo com a gravação de um DVD. Como foi realizar esse trabalho?

Apesar da projeção nacional da banda, vocês decidiram permanecer no Rio Grande do Sul. Por quê? Pezão: Ganhamos e perdemos coisas. Isso talvez até tenha ajudado na longevidade da banda. Às vezes, um grupo está no eixo Rio-São Paulo, enfrenta alguma dificuldade e acaba desistindo. Foi uma escolha, nada é perfeito. Mas não é por isso que a gente deixa de ir para o mundo. É uma questão de se agilizar, ter projetos para andar por aí. Não é fácil, como também não é fácil você ficar em outro lugar. Já faz tempo que o mundo ficou pequeno.

Moah: Depois que toda essa função do DVD passar, a gente vai entrar em estúdio e gravar um EP com seis ou sete músicas. Considero importante para a nossa relação com a estrada, com a carreira. Para nós é fundamental ter música nova. Nosso público merece e espera isso.

Pezão: O DVD foi uma recuperação de tudo aquilo que fizemos ao longo da carreira. Escolhemos um repertório com músicas significativas para nós e para o público. Canções que achamos que as pessoas iriam querer rever. Foi uma produção especial, com uma estrutura muito boa, cenário superbacana, com participações especiais muito legais do Gabriel, O Pensador, na música “Blusinha Branca”, e do Alexandre Carlo, da banda Natiruts, na faixa “Viajar”.

Vocês falaram que pretendem lançar o DVD também em Portugal. Como está a carreira internacional do Papas?

O sucesso da banda deve ser revertido em arrecadação de direitos autorais. Como vocês avaliam o atual modelo brasileiro?

Léo Henkin: Desde o começo a gente sentiu que o Papas tinha uma entrada boa pela sua música nos países vizinhos. Mas nosso primeiro show acabou sendo na França, em Sanary-surMer, no Festival Sud a Sul, em 1996. No mesmo ano fizemos show em Montevidéu e, depois, em Buenos Aires. Foi um começo bem forte. Depois disso voltamos à Europa, onde nos apresentamos na Áustria e, novamente, na França. Em Portugal, fizemos show um pouco antes de a música “Eu Sei” estourar na novela, e foi bem legal. Mas quando voltamos, depois que a novela foi transmitida em Portugal, encontramos cenários completamente diferentes, público enorme. Era muita emoção quando caminhando pelas ruas, ouvíamos tocar o celular das pessoas com a nossa música.

E os planos para 2015? Pezão: Temos um projeto que vai além do DVD. Devemos começar a turnê em maio e vamos fazer shows por todo o Brasil e também lançar o disco em Portugal, logo na sequência. Também estamos trabalhando no lançamento de uma caixa especial com os nossos CDs, libreto e coleção de fotos. A gente quer ainda fazer um documentário, um livro musical contando a história da banda, além de gravar tudo aquilo que gostaria mas que não coube em um só DVD. Moah: Queremos contar essa história na estrada, fazendo o máximo para apresentar o show na integra, tal qual foi gravado no DVD, o que é um desafio, porque é muito comum as coisas mudarem numa turnê.

Henkin: A posição do Papas, na qualidade de autores, é favorável ao Ecad e contra a clara tentativa de destruição do órgão, que tem ocorrido nos últimos anos. A proposta de transferir a arrecadação para o setor público é temerária. Os artistas têm de se conscientizar de que vão perder muito. O Ecad está sofrendo ataques de grandes empresas interessadas em simplesmente acabar com o pagamento dos direitos

16/UBC : AGENDA

Vocês acreditam que os direitos autorais estão de alguma forma ameaçados?

Pezão: Precisa haver cada vez mais interesse e envolvimento dos autores, compositores e intérpretes sobre as questões de direitos autorais, elas fazem parte do negócio.

EXPLOSÃO DO AXÉ, REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA, DESAFIO DA PIRATARIA E PROFUSÃO DE NOVOS ESTILOS MUSICAIS MARCAM OS 15 ANOS DA FILIAL E A CENA BAIANA

A banda tem sentido o impacto da pirataria na web? Moah: Eu diria que, neste momento, a pirataria é o assunto mais delicado que há. A web surgiu nas nossas vidas, ganhou força, mas as leis demoram a entender e acompanhar. Ainda não há proteção plenamente eficaz, e, enquanto isso, a pirataria age em todas as frentes. Os governos precisam se empenhar para criar leis e fiscalização mais rigorosas. E rapidamente. Enquanto isso, nós perdemos. Henkin: Sabemos que no mundo todo há uma queda bastante acentuada na venda física de discos. Em contrapartida, os downloads legais e piratas aumentaram muito. Os mecanismos e as instituições que cuidam dos direitos autorais devem atuar junto aos distribuidores on-line para reforçar a exigência de informação, tanto dos downloads, sobre cujas cifras não temos muito controle, quanto dos números reais da indústria física. É preciso um esforço para que os dados sejam mais transparentes e confiáveis e cheguem até todos os envolvidos na cadeia de produção de música.

Por Luciano Matos, de Salvador As mudanças vividas pelo mercado musical ajudam a contar a história da filial da UBC na Bahia, que acaba de completar 15 anos. Da força da indústria e do auge das mídias físicas como o CD, passando pela ameaça da pirataria e a consolidação da era digital (com novas e desafiadoras formas de arrecadação), a evolução foi acelerada – e paralela à da própria cena baiana. A axé music pôs o estado no centro do mapa musical, e a estruturação da representação em Salvador (que também atende Sergipe) contribuiu com esse cenário e se beneficiou dele. Prova disso é o número total de associados da UBC atendidos pela filial – 1.700 –, entre eles alguns dos maiores nomes da nossa arte.

O grupo tem uma tradição forte em trilhas, tanto de novelas e comerciais, como no cinema. Como é esse trabalho? Moah: Atribuo nosso trabalho em trilhas à nossa preocupação com qualidade. E obviamente a bons contatos. Mas a qualidade manda. Henkin: Nós nunca colocamos música em novela sob encomenda. Alguém escutou a nossa música e percebeu que ela se encaixava com o personagem. Foi assim que o diretor Jayme Monjardim, após assistir ao show da banda em

Em novembro passado, durante a comemoração do aniversário da UBC na Bahia, gente do quilate de Riachão, Luiz Caldas, Jorge Moreno e Alexandre Leão ganhou merecidas homenagens. Eles são testemunhas e protagonistas de um salto de projeção e qualidade no som feito no estado. Cerca de uma década antes de surgir uma filial em Salvador, Leão, então com 17 anos, associou-se à UBC graças à gravação de uma música sua (em parceria com Olival Mattos), “Paiol do Ouro”, por Maria Bethânia. Onze anos depois, ele estava entre os 63 associados que marcaram a fundação da UBC Bahia em 1999. “Quando eu comecei, a Bahia ainda era periférica. O axé era uma coisa embrionária, com Luiz Caldas e Sarajane começando a chamar atenção. Depois foi ganhando importância progressiva. Por isso creio que fomos um dos primeiros estados a ter escritório da UBC”, ele descreve.

Como Leão, Luiz Caldas crê que a execução na internet é um dos mais óbvios caminhos para o avanço do mercado musical. Mas se diz preocupado com o ainda disseminado compartilhamento ilegal de músicas, sem remuneração aos criadores. “A gente ainda está no meio de um furacão terrível quando se fala de direitos digitais. Não temos uma definição de como vai ser, mas estou paciente. Trabalho muito mais, hoje em dia, com internet do que com gravadoras e rádio. Acho que vamos chegar a um momento em que vai se estabilizar, mas, com a pirataria, ainda temos um problema grave que não podemos controlar direito. O bom é que a UBC tem me dado todo o suporte e me sinto bem representado”, diz Caldas, afiliado desde 1987. Os avanços tecnológicos que inquietam também contribuem para a melhora da arrecadação na Bahia – e em todo o país. Ao longo destes anos, casas de shows, boates e bares passaram a ter as músicas executadas em seus ambientes registradas por aparelhos mais modernos. Com isso, até os compositores de sucessos mais antigos, que não ganhavam havia muito tempo, voltaram a receber. “Especialmente aqueles que, no auge do axé nos anos 1980 para 1990, receberam muito mas estavam mais fora da cena. Eles tocam muito no final das festas”, lembra Márcia.

Foto: Edu Defferrari

Como conta Márcia Bittencourt, gerente da filial baiana, grandes mudanças marcaram estes 15 anos. Uma das mais notáveis é a quantidade de artistas que passaram a ter suas próprias editoras. “Atualmente tomamos conta de 60 a 70 editoras efetivamente ativas”, diz. E não foi só isso: um sem-número de associados hoje também cuida da própria produção, nos mais diversos estilos. “A facilidade de acesso à tecnologia é, sem dúvida, a grande responsável por essa transformação”.

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MAIOR BANDA DE METAL DA HISTÓRIA DO BRASIL, O SEPULTURA SE RENOVA PARA MANTER A MESMA PEGADA: “A REVOLTA E A VONTADE DE VER UM MUNDO MELHOR CONTINUAM”, DIZ O GUITARRISTA ANDREAS KISSER

Apesar do sucesso da música baiana fora das fronteiras do estado, os artistas locais convivem com um fenômeno infelizmente ainda muito comum: a inadimplência. “Na Bahia já melhorou muito, mas ainda temos várias rádios com pendências, além do governo do estado e da prefeitura (de Salvador), que não fazem seus pagamentos há anos”, afirma a gerente da filial. Outra dificuldade para a arrecadação, paradoxalmente, é a própria explosão musical que a Bahia vive. Com a profusão de novas bandas de arrocha e pagode surgindo, e com grupos tocando demais as músicas uns dos outros, garantir a arrecadação e a distribuição justas é um desafio. “Quando eu cheguei aqui, há 15 anos, havia uma desinformação muito cruel por parte dos artistas, mas toda essa profissionalização que vivemos ajudou a mudar o cenário. A informação foi chegando, os compositores foram se preocupando mais, e as novas tecnologias, ajudando. Hoje temos uma filial reconhecida, forte, que se destaca”, orgulha-se.

DA VENDA DE DISCOS PARA A ARRECADAÇÃO NA INTERNET

Alexandre Leão na festa de 15 anos da UBC Bahia

Por Eduardo Fradkin, do Rio É difícil acreditar, ouvindo os dois primeiros lançamentos em disco do Sepultura, que aquela banda de death metal (então o estilo mais barulhento existente) com produção “indigente” e letras “toscas” em inglês se tornaria a mais bem-sucedida do cenário rock brasileiro (extrapolando o nicho do metal), ganharia elogios de gente como Caetano Veloso, faria parceria com Zé Ramalho e seria longeva a ponto de comemorar 30 anos de atividades em 2014. A bem da verdade, não se trata exatamente da mesma banda criada pelos irmãos Max e Iggor Cavalera em 1984, em Belo Horizonte. Depois de sua estreia em vinil com “Bestial Devastation”, em 1985, e do sucessor “Morbid Visions”, de 1986, começaram mudanças na formação e no som. A entrada do guitarrista Andreas Kisser, no lugar de Jairo Guedez, em 1987, foi decisiva nessa história.

Para os associados, a satisfação parece ser recíproca. “A UBC aqui na Bahia é como uma parceira musical, está sempre se preocupando com a minha obra, às vezes faz para mim até papel de editora, por querer trabalhar junto do compositor, por ter todo um cuidado”, elogia Luiz Caldas. Quem também se diz satisfeito é Jorge Moreno, que, em 1996, viu sua música “Maria Joaquina” estourar. Ele se mudou para a UBC por não estar contente com outra associação a que era afiliado. Não se arrepende. “A UBC nos dá muita atenção e nos trata com respeito. Quando entrei, passei a receber até o que estava retido.”

Para Márcia Bittencourt, a satisfação dos associados e os naturais desafios do mercado musical são o combustível necessário para continuar a avançar – pelos próximos 15 anos e muito mais: “É muito bom a gente poder olhar para trás e ver como, nesse tempo, nosso trabalho cresceu. Estamos ganhando cada vez mais impulso, com certeza vamos melhorar ainda mais.”

Ironicamente, o Sepultura teve que fazer sucesso no exterior para ser reconhecido no Brasil. “Aqui, ninguém dava a mínima para a gente. Isso só mudou quando uma publicação britânica, o 'New Musical Express', trouxe uma parada em que o Sepultura veio na frente do New Order, que era queridinho da imprensa. O Rock in Rio em 1991 também foi o que abriu as portas para o Sepultura no Brasil”, lembra. A banda, por sua vez, se tornou uma embaixadora da cultura brasileira no exterior, incorporando ao seu som ritmos e instrumentos do folclore nacional. Kisser defende que o metal pode ser misturado a qualquer estilo. “Bossa nova

Pai de três filhos, de 19, 17 e 9 anos, Kisser não se sente distante, no campo das ideias, do jovem que gravou em 1991 o clássico disco “Arise” com letras como “Land of anger, I didn't ask to be born” (“terra de raiva, eu não pedi para nascer”). “A revolta e a vontade de ver um mundo melhor continuam. O espírito é o mesmo. Não é porque você vira pai que o mundo fica bonito e perfeito. Mas os filhos e as viagens internacionais com o Sepultura me fizeram crescer muito. Eu não dependo do Discovery Channel para ver a realidade na Índia”, diz, citando outros países onde tocou, como Cuba, Líbano, Coreia do Sul, Indonésia, Israel... “Independentemente da política, o heavy metal chega a esses lugares.”

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Novidades Nacionais f que de olho Novidades NTERNaciona s MERCADO web clipes capa papas da língua

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UMA ONDA B M M HO

“A minha entrada trouxe ideias novas. Eu vinha do mundo do heavy metal tradicional, escutava muito Black Sabbath, Dio, Iron Maiden, Judas Priest, bandas mais técnicas. E o Sepultura era uma coisa bem mais crua, não tão técnica, com influências de Venom, Hellhammer, Celtic Frost. Eu trouxe ideias de letras também, e isso mudou a temática da banda, que, nos primeiros discos, era satânica”, lembra Andreas, mantendo um espírito crítico ao falar de sua primeira obra no Sepultura, “Schizophrenia” (1987), gravada quando ele completava 19 anos. “Escutando hoje, é um disco confuso. E as letras não fazem muito sentido. A gente escrevia em português, e amigos traduziam tudo ao pé da letra. Mas foi um marco no metal underground.”

Alexandre Leão também destaca a relação pessoal, cuidadosa, como um dos trunfos para se manter há tantos anos na associação. “Estou muito bem aqui. Não tem informação que a gente peça que não chegue logo, não tem serviço que não seja logo atendido. A equipe é muito eficiente, rápida e prestativa.”

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T agem

Nem sempre foi assim. O guitarrista recorda que, na década de 1980, havia um hiato de anos entre um show internacional e outro no Brasil. Entre uma apresentação do Queen (cujo disco “A Night At The Opera” foi o primeiro que Kisser teve na vida) e uma do Kiss, em 1981 e 1983, respectivamente, contavam-se dois anos de marasmo. Cabia aos músicos locais preencher esse vazio, e Kisser mostra respeito pelos pioneiros, como o guitarrista Robertinho do Recife, que, aliás, acaba de reformar sua lendária banda Metal Mania. “Ele foi um dos pioneiros no heavy metal brasileiro e teve muita coragem, muito peito, para pegar uma banda, cantar em português e fazer um som tipo Van Halen. Ver o show dele foi motivante para a minha carreira.”

Riachão e Luiz Caldas

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índice

No carnaval, ápice da arrecadação da filial, as leituras automáticas já empregadas nas rádios também passaram a ser feitas nos desfiles, por meio de máquinas fixadas nos próprios trios. Com elas é possível gravar os repertórios de ponta a ponta, tornando a cobrança dos direitos automática e integral. No rol dos que se beneficiam disso estão importantes nomes da folia baiana (e associados da UBC), como Carlinhos Brown, Manno Góes, Durval Lélis, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Claudia Leitte, Margareth Menezes, Harmonia do Samba... Outros dos grandes arrecadadores da filial são o fenômeno Pablo - tido como criador do gênero conhecido como arrocha, uma ponte entre o sertanejo e o forró -, e os forrozeiros clássicos Adelmario Coelho, Estaka Zero e Cangaia de Jegue.

Alexandre Leão exalta a evolução nos suportes de distribuição e comercialização de música e reflete sobre o impacto na arrecadação de direitos autorais. “Em décadas passadas, o foco era a venda de discos, e muitos compositores reclamavam do repasse das gravadoras. Hoje o foco é a execução na TV, nas rádios, na internet. Mudou muito o perfil, e a execução passou a ser o meio mais importante para um artista ganhar dinheiro. É notável como a arrecadação foi ficando mais precisa, e o acesso aos demonstrativos, mais transparente”, avalia o compositor.

Pato Fu

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CARNAVAL, PERÍODO MAIS FELIZ

UMA HISTÓRIA QUE REFLETE AS MUDANÇAS NO MERCADO

Moah: Se depender do que já li a esse respeito, sobre quem quer se apoderar do que não lhe é de direito, coisa comum no nosso país, posso dizer que há uma ameaça. Mas nós, os autores, temos de lutar contra isso, em nossa própria defesa.

SEM AMARRAS

HOMENAGEM : UBC/19

AGENDA : UBC/17

UBC BAHIA,

autorais, e muitos artistas estão caindo nessa conversa. Mas muito vem de uma política de educação. O autor tem que saber que fez a música e precisa registrá-la para que ela possa existir. Hoje temos uma massa muito grande de músicas que não estão registradas em nome de ninguém.

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Por duas décadas, o pop reggae do Papas da Língua tem embalado multidões Brasil afora com seu som contagiante e suas letras ao mesmo tempo descomplicadas e reflexivas. Mas não foi um caminho fácil. Numa retrospectiva afetiva de 20 anos de muito trabalho – e sucesso –, Serginho Moah (vocal), Zé Natálio (baixo), Léo Henkin (guitarra) e Fernando Pezão (bateria) gravaram em Porto Alegre, no final do ano passado, um DVD comemorativo com 20 músicas. O trabalho chega ao mercado em maio, quando o quarteto dá início a uma turnê pelo país e até no exterior. No repertório, não faltarão hits dos oito álbuns do Papas, músicas como “Blusinha Branca”,

PAPAS DA LÍNGUA CELEBRAM BOM MOMENTO COM DVD ESPECIAL, TURNÊ NACIONAL E INTERNACIONAL, PLANO PARA UM EP DE INÉDITAS E UM PAPO COM SUA VISÃO SEMPRE LÚCIDA SOBRE O MERCADO DE MÚSICA

Em “Café Preto”, último clipe do grupo, a produção se deu por meio de financiamento coletivo, já que quase toda a verba de que eles dispunham foi usada na gravação do disco “Holger”. A banda inscreveu o projeto no site Catarse, onde levantou R$ 15 mil. Mesmo assim, precisou de reforço. A produtora ajudou com equipe e equipamento.

08-09

Fotos: GB Souza

04-05 O Papas da Língua mantém a mesma formação desde o início, o que é uma coisa rara e difícil. A que atribuem a longevidade?

Rafael Mike - Dream Team do Passinho

Para o músico, sempre existe a possibilidade de criar algo impactante e barato, como também a vontade de produzir algo maior, mais profissional. “Você acaba tendo que optar por aquilo que está dentro do seu alcance, do seu orçamento.”

Como bem observa o guitarrista e produtor do Pato Fu, John Ulhoa, que atravessou toda essa transformação, “os clipes ainda são muito importantes, mas de outra forma”. Se antes havia uma verba na gravadora para essas produções, que eram muito caras, hoje não há mais. Em contrapartida, elas estão mais baratas em função da tecnologia. “Ficou mais difícil fazer grandes produções, mas é mais fácil fazer um clipe que só dependa de uma boa ideia e não envolva muita grana.”

CAPA : UBC/13

Por Claudia Kovaski, de Porto Alegre

(E FALANDO)

“O vídeo, em geral, acabou virando a grande forma de mídia da internet.”

Holger

14/UBC : CAPA

DUAS DÉCADAS CANTANDO

Se tem uma turma que “bomba” na internet brasileira é o pessoal do funk. São dezenas de vídeos todos os meses, que precisam de poucos dias para somar milhões de acessos. Movimentos que, de alguma forma, integram essa cena também se beneficiam. O Dream Team do Passinho, do Rio de Janeiro, é um deles. Eles foram reunidos por uma marca de refrigerantes para a produção do webclipe “Todo Mundo Aperta o Play”, em 2013. Até então, não existiam como grupo. Mas o alcance de um milhão de visualizações com o vídeo em uma semana foi mais do que suficiente para colocá-los no circuito.

as Cores” e um clipe clássico da faixa “You Have to Outgrow Rock'n Roll”. Ambos divulgados pelo Vevo, site exclusivamente dedicado à produção audiovisual de artistas e bandas. Para Ulhoa, definitivamente, os clipes de hoje são feitos para a internet. “Se alguém consegue uma exibição nas grandes redes de TV, é um bônus”, sentencia. Até porque, como ele pondera, clipes de orçamento barato funcionam muito bem na web, mas podem não ir tão bem na TV. “A prioridade é se fazer ouvir nesse mar de informações. Ganhar audiência com uma boa ideia, uma boa música, sem ir à falência na produção.”

John Ulhoa Guitarrista do Pato Fu

As vendas de músicas pela plataforma da Apple iTunes caíram até 14% no ano passado, segundo o diário americano “The Wall Street Journal”. A expansão acelerada nos serviços de streaming teria relação direta com o tombo. Segundo o jornal, entre as gravadoras há medo de que “a indústria volte a retroceder, depois de vários anos de relativa estabilidade”.

12/UBC : CAPA

NO BATIDÃO DA REDE, A TURMA DO FUNK JUNTA MILHÕES DE VISUALIZAÇÕES E FAZ A CENA SE EXPANDIR.

Foto: Eduardo Carneiro

Ma s um ano e a UBC azendo va e o seu nome de b aços dados com os au o es b as e os n c a 2015 che a de espe ança e com mu a von ade de con nua aba hando pa a que os compos o es n é p e es e mús cos enham suas c ações econhec das e dev damen e emune adas Vamos em en e un dos

“Viajar”, “Olhos Verdes” e “Eu Sei” – esta última um dos maiores sucessos deles, que emplacou a trilha da novela da TV Globo “Páginas da Vida” e permaneceu por nada menos do que seis meses no topo das listas de músicas mais tocadas em rádios brasileiras. Como garotos cheios de vitalidade e planos, eles esperam por um 2015 ainda mais criativo. Em entrevista à Revista UBC, comentam o DVD comemorativo, a aposta num trabalho cada vez mais consistente com trilhas sonoras, a gravação de um EP de inéditas, a carreira internacional, a pirataria na web e o momento delicado para os direitos autorais no Brasil.


4/UBC : Notícias

noVIDADES nacionais

'Sou um nômade, nasci vagando e morrerei vagando' Edu K transita entre estilos sem parar. Gaúcho, abraçou o funk carioca (“é o nosso hip hop!”), agora flerta com o trap e se prepara para a volta do Defalla, um caldeirão de culturas em forma de banda Por Alessandro Soler, do Rio Irreverente, debochado, vanguardista, multirreferenciado. Edu K, um dos cabeças do Defalla, vive uma vida dupla. Em carreira solo desde que uma das mais famosas bandas do pós-punk brasileiro deu um tempo, há dez anos, ele lançou recentemente o EP “Boy Lixo”, em que revela sua nova paixão: o trap. Mas não tira da cabeça o rock, o funk, o miami bass, o hip hop e um montão de outras sonoridades eletrônicas que cultivou ao longo dos quase 20 anos consecutivos de atividades do Defalla. Esse pacotão sonoro volta com tudo no mês que vem, quando o adiado e mui aguardado disco inédito do grupo surgido em Porto Alegre, em 1986, chega ao mercado. Para falar sobre isso e sobre o que anda passando por sua mente fervilhante, Edu trocou dois dedos de prosa com a Revista UBC. O disco de retorno do Defalla e o documentário sobre a banda eram prometidos para o ano passado. Ficaram para este. O que os fãs ganham com isso? O lançamento do “Monstro”, nosso novo disco com a formação original, depois de vinte e cinco anos, ficou para março, e imagino que o doc saia mais ou menos nessa mesma época. O Defalla tem que enfrentar alguns desafios de logística para realizar as coisas, já que cada um mora em uma cidade diferente, e todos têm seus projetos e trampos paralelos, por isso a demora toda: estamos, praticamente, neste processo de disco novo e doc há quase 3 anos! O doc é massa, pois mostra nosso primeiro show (e ensaios, papos e palhaçadas mil, bem ao estilo Defalla, haha) juntos depois de muitos anos: a banda nunca acabou, mas a formação original se separou em 1989! Foi como se a gente tivesse tocado junto uma semana antes, não vinte e tantos anos. O Defalla tem uma química e uma sinergia loucas, sui-generis! É aquele tipo de coisa que só acontece de vez em quando no mundo da música! A galera vai se divertir horrores com esse registro. E o disco está incrível também. É uma espécie de continuação dos dois primeiros discos do Defalla, uma continuação que não rolou na época, já que em 1989 lançamos o despirocado “Screw You”, que era um disco de hard rock ao vivo, e a Biba saiu da banda, dando inicio a uma espiral de loucura que resultou no megahit “Popozuda Rock N' Roll”, de 2000, que lancei como Defalla, mas na banda já não tinha ninguém da formação original. O


Notícias : UBC/5

disco novo é um prato cheio e fumegante para os fãs, mas, ao mesmo tempo, um cartão de visitas perfeito para os novos que virão. O Defalla, como sempre, continua relevante e moderno, pop e doidão: enfim, ainda uma das maiores bandas do nosso famigerado país! O funk ainda faz tanto assim a sua cabeça? Adoro funk e sempre vou ser apaixonado pelo estilo: é o nosso hip hop, nossa música eletrônica mais original e moderna! Acompanho de perto as evoluções do funk e estou curtindo muito esse novo momento pós-palminha (batida que substituiu o tamborzão e o tamborzinho): está rolando uma coisa muito minimal, de pirar o cabeção! A cena de São Paulo é incrível e injetou muita energia nova no funk! As produções têm uma cara diferente das do Rio, e isso só enriquece. E a galera de SP incorpora mais elementos do hip hop, o que me agrada horrores também. Por que ainda vale a pena ouvir música brasileira? O brasileiro é o poster boy da era da informação livre, das redes sociais, da conexão através da web, das misturas e da antropofagia. Nós somos, e sempre fomos, o povo do futuro. A miscigenação está na raiz desta nação, e a música ganha com isso. Se nada se cria, (de) tudo se apropria, haha, somos vanguarda! O brasileiro tem um jeito peculiar e único de interpretar a informação, e isso se cristaliza de forma exuberante na nossa música! Você continua em Santa Catarina? Voltou para o Rio Grande? O que vagar nesse eixo acrescentou às suas sonoridades e escolhas estéticas? Eu sou um nômade, nasci vagando e morrerei vagando! Tudo me inspira. Estou sempre imerso nos meus arredores, absorvendo os elementos que se condensam na minha música, no meu estilo, nas minhas inspirações musicais e estéticas. Atualmente transito entre Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo: não consigo ficar parado por muito tempo no mesmo lugar, preciso desse movimento perpétuo, senão enlouqueço, e a convivência com as diversas tribos que habitam tais paradouros grita na minha música, em especial nas minhas letras. Estão todos lá, de uma forma ou outra, muitas vezes até explicitamente. Minha vida é exatamente como minha música, não existe uma separação entre o civil e o artista, haha! Estou sempre mutando e arrastando as tranças, como dizia minha avó, pelo mundo. Você(s) claramente se amarra(m) em sons que poderiam estar sob o guarda-chuva do que se chama global ghettotech, o som eletrônico das periferias. Depois do tecnobrega, qual estilo o atrai, deslumbra e estimula? Eu sou um arqueólogo, pesquiso de tudo, sou uma cria da era da internet. Estou sempre ligado em tudo o que rola, é como um radar, uma antena, uma obsessão louca! Atualmente o que está me pirando é o trap: acabei de lançar um EP, o “Boy Lixo”, pela Deck Disc, que é a minha versão do estilo, como sempre fiz com outras tendências e estilos, e tenho feito DJ sets misturando trap com coisas novas do hip hop, que também anda fazendo a minha cabeça em grau mil. O que acha do arrocha? Acho massa, assim como curto rasteirinha e outras reciclagens modernas da nossa música popular, especialmente do Nordeste, que produz as coisas mais modernas da nossa MPB. Bom, que novidade, né? Sempre foi assim! Dois mil e catorze foi Dois mil e quinze será

BARRA

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2014 (que não aconteceu)

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Mistérios da guitarra e do violão, desvendados Violonistas e guitarristas autodidatas de antigamente tinham revistas e brochuras que ensinavam os conceitos elementares dos instrumentos para aprender sozinhos em casa. Os de hoje têm “O Mapa dos Acordes – Para Guitarra e Violão”, um compêndio com as experiências do músico e produtor capixaba Sérgio Benevenuto ao longo de 25 anos como professor dos instrumentos. Lançado no fim do ano passado, o livro deve ser o primeiro de uma trilogia planejada por Benevenuto para apresentar seu método de educação musical, uma técnica desenvolvida em suas passagens por escolas do Brasil e dos Estados Unidos. Além de fundamentar conceitos da música e desvendar os mistérios da guitarra e do violão, a obra traz textos acadêmicos de apoio. “Eu já tinha passado por mais de oito escolas no Brasil e não tinha aprendido nada”, contou o músico ao diário “A Gazeta”, de Vitória. “Nos EUA, comecei a me aprofundar na didática e, quando voltei, apliquei toda aquela metodologia. Isso formou uma legião de instrumentistas que agora você escuta em casa”. O segundo dos livros a serem lançados por Benevenuto já está em fase de finalização, e o terceiro começa a ser produzido ainda em 2015.

Um domingo mais que legal para Leo Nascimento Após fazer sucesso na internet com um vídeo amador no qual aparece cantando uma de suas músicas românticas, “Tatuagem”, o ex-servente de pedreiro Leo Nascimento, de Porto Velho, teve sua trajetória musical transformada ao participar do programa “Domingo Legal”, do SBT, em novembro passado. Além de conhecer ídolos como o sertanejo Eduardo Costa, Leo descobriu ao vivo como se afiliar à UBC e garantir o recebimento de seus direitos autorais. O cantor está com sua agenda de shows lotada e prepara o lançamento do primeiro álbum, além de já colecionar mais de 65 mil seguidores no Facebook.


6/UBC : notícias

Samba, reggae, pop, Céu Tem samba, reggae, pop. Tem guitarra, tambor, piano. Em dez anos de uma carreira profícua, cabe muita coisa, daí a dificuldade que a paulistana Céu teve para escolher o que entraria no registro definitivo da turnê do álbum “Caravana Sereia Bloom”, que costurou diversos estados e países desde 2012. No DVD “Céu Ao Vivo”, gravado em julho do ano passado no pequeno Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, ela acabou fazendo um passeio por canções suas como “Malemolência”, “Cangote”, “Falta de Ar”, “Retrovisor”, “Baile de Ilusão”, “Contravento”, além de coisas como “O Palhaço”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme Silva, “Mil e Uma Noites de Amor”, de Pepeu Gomes, Baby do Brasil e Fausto Nilo, e “Piel Canela”, de Bobby Capó. “Fiquei pensando se a gente está colocando todas as músicas importantes. Essa escolha é um dilema, foi o primeiro DVD. Nunca tinha tido um registro, pensei nisso com carinho”, contou em entrevista ao diário “O Estado de S. Paulo”. Além da apresentação ao vivo, o pacote intercala depoimentos, momentos de descontração com os músicos e, nos extras, clipes. “Sempre quis que ficasse dessa forma, mas existia uma preocupação da gravadora porque aqui no Brasil existe uma coisa interessante: as pessoas colocam na festa o DVD como áudio”, explicou. Como não poderia deixar de ser em se tratando de Céu, na dúvida, o estilo próprio prevaleceu.

5 décadas este ano O compositor Maury Câmara está comemorando seus 50 anos de carreira em 2015. Autor de mais de cinco dezenas de canções, teve muitas delas gravadas por cantores como Jerry Adriani, Martinha e José Roberto nas décadas de 1960 e 1970. Mais tarde, foi parceiro do saudoso Orlando Dias em obras como o sucesso “Com Pedra na Mão”. Hoje, o compositor faz apresentações frequentes nos palcos do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, no Rio de Janeiro, conhecido popularmente como Feira de São Cristóvão.

O Rio Grande vai ao Rio... e volta Skank na tela grande Mais um grande nome da música brasileira se aventura na seara das trilhas sonoras para o cinema. A bem-sucedida aventura de férias para adolescentes “O Segredo dos Diamantes”, de Helvécio Ratton, em cartaz desde dezembro do ano passado em diversas cidades do país, tem como canção-tema “Poeiras da Ilusão”, de Samuel Rosa, do Skank. “Sou muito fã de 'O Menino Maluquinho' (longa infantil inspirado na obra de Ziraldo e dirigido por Ratton). Foi ótimo estrear nas trilhas de cinema num filme dele”, disse Samuel. “Gostaria que isso (compor para cinema) tivesse sido mais frequente na nossa história.” O processo de produção da música foi paralelo ao do mais recente álbum da banda mineira, “Velócia”, lançado em meados do ano passado. Na versão em vinil, “Poeiras da Ilusão” vem como faixa bônus. Na trama do filme, todo rodado em locações mineiras, Angelo (Matheus Abreu) tem 14 anos, descobre uma lenda antiga sobre diamantes perdidos e decide ir atrás do tesouro, uma maneira de salvar a vida do seu pai. Para isso, ele terá a companhia e a ajuda de seus dois amigos inseparáveis, Júlia (Rachel Pimentel) e Carlinhos (Alberto Gouvea), e precisará enfrentar o vilão Silvério (Rui Rezende).

Um dos músicos mais inventivos e originais da cena gaúcha contemporânea, Rafael Ferrari começou o ano envolvido com o lançamento do álbum e da turnê “Bandolim Campeiro”, em que aprofunda o uso de um instrumento tão tipicamente associado ao choro carioca em interpretações de ritmos regionais sulistas, como milonga, vanera, chamamé, chacarera e outros. Pioneiro no encontro e nas infinitas trocas entre o estilo musical oriundo do Rio e as sonoridades dos Pampas, ele já tocou com nomes como Hamilton de Hollanda, Toninho Horta e Renato Borghetti, colhendo elogios de todos. Além da carreira solo como instrumentista e compositor, Ferrari integra o grupo Camerata Brasileira, que dá acento jazzístico a ritmos como o samba e o choro, lançou três discos desde que se formou, em 2002, e tem viajado por quase todo o Brasil e por países como Cuba e Paraguai. Como reconhecimento por seu destaque, o gaúcho faturou o Prêmio Açorianos, em 2008, como melhor compositor de música instrumental. No atual projeto, ele apresenta composições de mestres como Yamandú Costa e Luiz Carlos Borges, além de um sem-número de criações suas.


notícias : UBC/7

operário do funk Com programa diário na rádio, o DJ Batata, um dos mais ativos produtores do batidão, vê (e aplaude) a expansão da cena pelo país, mas manda: o velho estilo sedutor carioca é o seu preferido Ele é um dos mais ativos produtores do funk carioca. Aquele de raiz, original, o batidão que seduziu boa parte do país e de músicos como Edu K, do Defalla (leia minientrevista na página 4). DJ Batata é um garimpeiro de talentos do estilo, que ajudou a revelar ou bombar nomes como MC Biel, Nego do Borel, Nego Blue, Bonde das Maravilhas, MC Britney, MC Pedrinho... Com programa diário na rádio Transcontinental FM, de São Paulo, ele lidera o movimento de expansão das fronteiras de um dos mais fortes estilos de música eletrônica brasileiros. “Sou um operário do funk, trabalho diariamente em prol do estilo”, diz. Qual pancadão não sai da sua cabeça no momento? São tantos... Mas escolho “Dom Dom Dom”, com MC Pedrinho. Como vê as cenas regionais de funk pelo país, como as de BH, SP? O funk não tem fronteiras, tudo é Brasil, mas cada região tem suas tendências, afinal somos um país de diversidades. O Rio, como berço do funk nacional, é espontâneo, erótico nas letras e nas coreografias. Considero muito criativo! Em São Paulo, explodiu o funk ostentação, que fala do poder do luxo retrato da nossa sociedade de consumo. Mesma vertente acaba predominando em Belo Horizonte e até mesmo no Sul do país! Eu, particularmente, sou mais fã do funk sedutor, envolvente. Acha que o Rio ainda pode aportar muito em originalidade e inovação? O Rio de Janeiro é uma caixinha de surpresas... Tem muito talento sem visibilidade. Acho que ainda vem muita coisa boa por aí a partir da cidade. É possível ser funkeiro e viver de música? Como? Com absoluta certeza! O universo do funk não se resume aos DJs e MCs. Tem um sistema ao redor, com os divulgadores, os empresários, as rádios, as editoras, as casas de shows... Enfim, todo mundo faz parte da engrenagem e consegue ganhar com isso. Mesmo sendo uma cena mais informal e pirateada, dá para receber direitos autorais. Dois mil e catorze foi Dois mil e quinze será

excelente para nós, funkeiros melhor ainda!

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8/UBC : NOTÍCIAS

fique de olho

Youtube alerta sobre uso indevido ao publicar vídeo O YouTube criou recentemente uma nova forma de evitar a infração de direitos autorais de músicas contidas nos vídeos hospedados na plataforma. Através da ferramenta Content ID, na qual proprietários de direitos autorais podem reivindicar o uso indevido de suas obras, agora o usuário também poderá ser alertado durante o processo de hospedagem do vídeo se utilizar conteúdo não autorizado. Anteriormente, o alerta era enviado somente quando conteúdo já estava hospedado no site. Para alertar o usuário, a ferramenta realiza uma pesquisa na biblioteca de áudio do próprio YouTube e verifica se o vídeo utiliza música protegida por direitos autorais. Se você deseja utilizar músicas em sua obra audiovisual, é necessário pedir autorização dos autores das obras musicais e dos produtores fonográficos dos fonogramas (gravações). A UBC possui o Consulta Web, uma ferramenta virtual na qual todos podem pesquisar a autoria de obras e os participantes dos fonogramas cadastrados em nosso banco de dados. Acesse nosso site: ubc.org.br.

Todos os anos, conforme determina o estatuto da UBC, é realizada, no mês de março, a Assembleia Geral Ordinária para prestação de contas e apreciação do balanço do ano anterior. A próxima está marcada para o dia 18 de março no Auditório Paulo Tapajós, localizado na sede da UBC no Rio de Janeiro. Fique de olho e participe. Reserve a data em sua agenda e não deixe de vir, sua presença é muito importante. A UBC é dos seus associados, portanto, cabe a eles apreciar as contas, verificar os números e tomar ciência dos resultados do ano.

I Prêmio Profissionais da Música

Mudança no peso de distribuição de TV aberta

Será realizado entre os dias 1 e 2 de abril de 2015, no Auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em Brasília, o I Prêmio Profissionais da Música, que homenageia pioneiramente no Brasil a indústria musical e é idealizado com o objetivo de reconhecer o potencial e a contribuição de todos os profissionais envolvidos na criação e na produção musical. As categorias do prêmio se dividem entre criação, produção e convergência. Além da premiação, serão realizados oficinas e bate-papos que irão promover o encontro entre diversos profissionais da música. As inscrições para o prêmio e o cadastro de profissionais para realizar indicações se encerram no dia 22 de fevereiro, e as votações têm início no dia 1º de março de 2015. Saiba mais em: ppm.art.br.

Uma nova mudança na distribuição dos rendimentos arrecadados dos canais da TV aberta começa a valer a partir da distribuição de abril de 2015. As músicas executadas na programação de Globo, Record, Bandeirantes e SBT obedecerão a diferentes pesos de acordo com a quantidade total de emissoras da rede que fizeram a transmissão do conteúdo audiovisual onde a música foi inserida e executada. Usando como exemplo a Rede Globo, que possui 122 emissoras relacionadas em seu contrato com o Ecad, a música executada na abertura de uma novela terá peso 122, de acordo com a nova regra, pois a música é executada por todas as emissoras da rede. Se uma música for executada na abertura um programa local transmitido por apenas uma dessas 122 emissoras relacionadas, terá peso 1.

Reserve esta data: 18/03

Ecad lança software de identificação automática Após quatro anos de pesquisa e planejamento, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição lançou, em parceria com a PUC-Rio e com especialistas da USP de São Carlos, o Ecad.Tec CIA Audiovisual, um novo software de captação e identificação automática que reconhece e identifica as músicas executadas nas programações das emissoras de TVs aberta e por assinatura. Com a utilização da nova tecnologia, será possível realizar a identificação automática das músicas executadas em 48 canais, 24 horas por dia e sete dias por semana. Desta forma, o Ecad irá automatizar diversos procedimentos e pretende melhorar a qualidade das distribuições de TV. Hoje, 242 rádios já são monitoradas pelo pioneiro Ecad.Tec CIA Rádio, sistema semelhante implementado em 2011, que capta e identifica automaticamente as músicas executadas nas rádios.


Notícias : UBC/9

novidades Internacionais Editoras musicais processam provedor por não coibir pirataria de clientes

Estudo: saída para a crise da Europa está na indústria criativa A indústria criativa e cultural é parte fundamental da solução para a grave crise econômica que castiga a Europa há alguns anos, segundo estudo da consultoria EY (a antiga Ernst & Young) divulgado em dezembro. Encomendado pelo Grupo Europeu de Sociedades de Autores e Compositores (Gesac), o trabalho “Gerar crescimento – Mensurando os mercados cultural e criativo da União Europeia” estimou que, anualmente, produzem-se € 536 bilhões (o equivalente a R$ 1,742 trilhão) e empregam-se sete milhões de europeus em áreas ligadas à produção cultural. A música e as artes visuais, sobretudo, estariam entre os três maiores empregadores da Europa, atrás apenas da construção civil e da indústria de alimentos e bebidas. A Gesac pede a desoneração e a proteção do setor.

Encontro anual da Ascap completa 10 anos A americana Ascap, maior sociedade de compositores do mundo, fará, entre 30 de abril e 2 de maio próximos, sua 10ª conferência I Create Music, em Los Angeles, na Califórnia. Palestras, estudos de caso, oficinas, master classes, encontros de negócios, exibições de novidades tecnológicas e shows marcam o superevento anual que é aberto a qualquer criador. Em edições anteriores, músicos como Bruno Mars, Carly Simon, Philip Lawrence e Justin Timberlake deram palestras. “Por 10 anos extraordinários, nossa família estendida de compositores de música, letristas e editores tem se reunido e recebido todos aqueles que levam uma vida dedicada à música”, disse o presidente da Ascap, Paul Williams. Informações sobre como participar em ascap.com.

As editoras BMG Rights Management e Round Hill Music entraram com ação na Justiça americana contra um dos maiores provedores de acesso à internet dos EUA, a Cox Communications, acusando-o de infringir as leis de direitos autorais. O argumento das duas empresas é que o provedor não se esforça “o bastante” para punir os usuários que fazem descargas ilegais de músicas. Não há precedente de acusação dessa natureza a um provedor. Se um juiz considerar a Cox culpada pela pirataria dos seus clientes, as implicações sobre o mercado de internet nos EUA seriam potencialmente enormes. BMG e Round Hill alegam ter notificado a Cox sobre 200 mil “infratores contumazes”, sem que o provedor tomasse providências.

Fechamento do The Pirate Bay não faz cair pirataria de músicas A cruzada da polícia sueca contra o site de troca ilegal de arquivos The Pirate Bay parece ter sido inócua. Fechada numa superoperação em 9 de dezembro, em Estocolmo, a plataforma foi logo substituído por inúmeras outras. Segundo a Excipio, uma empresa de pesquisas sobre pirataria, em 8 de dezembro, um dia antes da ação, houve 101 milhões de trocas de arquivos ilegais. Nos dias seguintes, o número caiu para 95 milhões, mas, em 12 de dezembro, os 101 milhões haviam sido restabelecidos. Além disso, o IsoHunt, rival do TPB, cedeu servidores para que o site do megafraudador Gotffrid Svartholm voltasse a operar. Em janeiro, o antigo endereço do Pirate Bay estampou um contador regressivo que termina no início de fevereiro, indicando que voltará ao ar.

Vendas de músicas no iTunes caíram até 14% no ano passado As vendas de músicas pela plataforma da Apple iTunes caíram até 14% no ano passado, segundo o diário americano “The Wall Street Journal”. A expansão acelerada nos serviços de streaming teria relação direta com o tombo. Segundo o jornal, entre as gravadoras há medo de que “a indústria volte a retroceder, depois de vários anos de relativa estabilidade”.


10/UBC : mercado

Lugar de clipe é na internet Com menos dinheiro – e muito mais criatividade –, artistas migram para a rede e mantêm a cultura dos vídeos musicais mais viva do que nunca Por Eduardo Vanini, do Rio Foi-se (há muito) o tempo em que os fãs brasileiros precisavam aguardar o último bloco do “Fantástico”, na Rede Globo, para conferir o lançamento do clipe do seu artista favorito. Igualmente para trás ficou a época na qual se sabia que um vídeo fazia sucesso pelo seu desempenho nas paradas de canais musicais, como a MTV. Hoje o lançamento é na web, e o sucesso, medido pelo número de visualizações, que cresce a cada minuto aos olhos dos internautas. Se alguém apostou no fim dos videoclipes, errou feio. A versão audiovisual das canções nunca esteve tão forte. A internet facilitou o acesso, ampliou o alcance e consagrou o gênero como um dos mais populares nas plataformas de vídeos. Em dezembro de 2013, o clipe “Gangnam Style”, do artista sulcoreano Psy, forçou o YouTube a modificar o algoritmo por trás da contagem de visualizações de um vídeo, ao superar o número que poderia ser exibido até então. São mais de 2 bilhões de reproduções. Isso só para citar o maior dos fenômenos no site. Também há exemplos como a febre “Single Ladies” de Beyoncé, transformada em viral com a coreografia repetida à exaustão por literalmente milhões de pessoas ao redor do globo.

“A prioridade é se fazer ouvir nesse mar de informações. Ganhar a audiência com uma boa ideia sem ir à falência na produção.” John Ulhoa Guitarrista do Pato Fu

Como bem observa o guitarrista e produtor do Pato Fu, John Ulhoa, que atravessou toda essa transformação, “os clipes ainda são muito importantes, mas de outra forma”. Se antes havia uma verba na gravadora para essas produções, que eram muito caras, hoje não há mais. Em contrapartida, elas estão mais baratas em função da tecnologia. “Ficou mais difícil fazer grandes produções, mas é mais fácil fazer um clipe que só dependa de uma boa ideia e não envolva muita grana.” O grupo acabou de lançar o CD “Não Pare Pra Pensar”, que já chegou ao público visualmente de duas formas: um lyric video (formato que traz as letras das canções) para “Cego Para

as Cores” e um clipe clássico da faixa “You Have to Outgrow Rock'n Roll”. Ambos divulgados pelo Vevo, site exclusivamente dedicado à produção audiovisual de artistas e bandas. Para Ulhoa, definitivamente, os clipes de hoje são feitos para a internet. “Se alguém consegue uma exibição nas grandes redes de TV, é um bônus”, sentencia. Até porque, como ele pondera, clipes de orçamento barato funcionam muito bem na web, mas podem não ir tão bem na TV. “A prioridade é se fazer ouvir nesse mar de informações. Ganhar audiência com uma boa ideia, uma boa música, sem ir à falência na produção.” De boas ideias os niteroienses da Banda Tereza estão cheios. O grupo aposta em clipes com edições caprichadas e sacadas divertidas. Lançado no começo de 2013, o vídeo “Sandau” fez barulho nas redes sociais, ao transportar os músicos para dentro do Street View, ferramenta do Google que reúne imagens captadas ao redor do mundo. Foram 200 mil visualizações em apenas duas semanas. Nada foi feito por acaso. O integrante Sávio Azambuja conta que, desde o início da elaboração de um clipe, a dinâmica da internet é levada em consideração. “A concepção da ideia se baseia no meio em que ela será divulgada”, afirma. “Sandau”, segundo ele, brinca com a internet dentro da própria internet. “Isso tudo acaba criando notícias e pautas essenciais para o processo de viralização”, avalia. “Sempre tivemos em mente que hoje o canal em que mais se ouve música é o YouTube. Por isso, fomos em busca de bons profissionais que souberam usar essa ferramenta a nosso favor. A inovação faz toda a diferença na hora de divulgar um clipe neste espaço.” As referências à era tecnológica voltaram a aparecer no clipe mais recente da banda. Desta vez, com pegada futurista. “A Calçada da Batalha” traz uma espécie de Tinder, um aplicativo de paquera, manipulado por um óculos com tecnologia avançada ao estilo Google Glass. A produção leva a banda até o ano de 2069 e avisa aos espectadores logo de cara: “A tecnologia revolucionou a forma de as pessoas se relacionarem. Agora, ou você se adapta ou não arruma nada.” A mensagem não poderia ser mais apropriada.


Banda Teresa

mercado : UBC/11

No batidão da rede, a turma do funk junta milhões de visualizações e faz a cena se expandir Se tem uma turma que “bomba” na internet brasileira é o pessoal do funk. São dezenas de vídeos todos os meses, que precisam de poucos dias para somar milhões de acessos. Movimentos que, de alguma forma, integram essa cena também se beneficiam. O Dream Team do Passinho, do Rio de Janeiro, é um deles. Eles foram reunidos por uma marca de refrigerantes para a produção do webclipe “Todo Mundo Aperta o Play”, em 2013. Até então, não existiam como grupo. Mas o alcance de um milhão de visualizações com o vídeo em uma semana foi mais do que suficiente para colocá-los no circuito. No primeiro trabalho, o apoio comercial fez com que o orçamento não representasse problema. Agora, como conta o cantor e diretor musical do grupo, Rafael Mike, a saída é apelar para a criatividade. “Ainda não temos como investir muito nisso. Então, damos o nosso jeito! No dia a dia, fazemos vídeos com celular. A necessidade de fazer barato é que leva a gente a querer ser mais criativo!”

“Na internet você tem tudo à sua disposição, mas nada a seu favor”, observa Azambuja. “É tanta informação que é cada vez mais difícil achar o que está realmente procurando. Por isso, para o artista, é importantíssimo definir desde o início o seu público-alvo e direcionar o conteúdo de forma mais certeira.”

Ao que tudo indica, os meninos estão sabendo tirar proveito de uma situação em que ver é muito fácil, e ser visto, nem tanto. Desde o primeiro clipe, já fizeram uma parceria com o cantor Ricky Martin e fecharam contrato com uma gravadora. O primeiro CD deve sair ainda no início deste ano. Enquanto isso, o contador de visualizações de seus vídeos está longe de parar de rodar.

“O vídeo, em geral, acabou virando a grande forma de mídia da internet.” Pedro Bruno Baixista, percussionista e vocalista do Holger

A turma do Holger também está atenta a esse filão. O integrante Pedro Bruno (baixo, percussão e voz) diz que o grupo percebeu logo no primeiro clipe a força da web. “O vídeo, em geral, acabou virando a grande forma de mídia da internet, e os clipes ganharam um peso maior. Sempre zelamos pela estética. Para a gente, ela anda junto com a música. E este é o motivo pelo qual sempre nos preocupamos em lançar clipes que condizem com a nossa proposta estética.” Dinheiro – ou, muito frequentemente, a falta dele - não é necessariamente um problema, segundo Pedro Bruno. Tanto que “Ilhabela”, o clipe mais barato já feito pela banda, virou campeão de acessos. O vídeo é uma sucessão de imagens de arquivo do grupo e foi editado pelo guitarrista e vocalista Tché. “Ele teve só o trabalho de organizar o material e criar o conceito dos cortes rápidos”, afirma Pedro Bruno.

Dream Team do Passinho

Para o músico, sempre existe a possibilidade de criar algo impactante e barato, como também a vontade de produzir algo maior, mais profissional. “Você acaba tendo que optar por aquilo que está dentro do seu alcance, do seu orçamento.” Em “Café Preto”, último clipe do grupo, a produção se deu por meio de financiamento coletivo, já que quase toda a verba de que eles dispunham foi usada na gravação do disco “Holger”. A banda inscreveu o projeto no site Catarse, onde levantou R$ 15 mil. Mesmo assim, precisou de reforço. A produtora ajudou com equipe e equipamento. O resultado final acabou sendo o clipe mais caro já feito pela banda. “Foi nosso primeiro projeto desse tipo, e a experiência foi ótima. Atingimos a meta, e o clipe ficou lindo”, comemora Bruno.

Holger

Pato Fu


12/UBC : capa

Duas décadas cantando (e falando)

sem amarras Papas da Língua celebram bom momento com DVD especial, turnê nacional e internacional, plano para um EP de inéditas e um papo com sua visão sempre lúcida sobre o mercado de música


Foto: Eduardo Carneiro

capa : UBC/13

Por Claudia Kovaski, de Porto Alegre Por duas décadas, o pop reggae do Papas da Língua tem embalado multidões Brasil afora com seu som contagiante e suas letras ao mesmo tempo descomplicadas e reflexivas. Mas não foi um caminho fácil. Numa retrospectiva afetiva de 20 anos de muito trabalho – e sucesso –, Serginho Moah (vocal), Zé Natálio (baixo), Léo Henkin (guitarra) e Fernando Pezão (bateria) gravaram em Porto Alegre, no final do ano passado, um DVD comemorativo com 20 músicas. O trabalho chega ao mercado em maio, quando o quarteto dá início a uma turnê pelo país e até no exterior. No repertório, não faltarão hits dos oito álbuns do Papas, músicas como “Blusinha Branca”,

“Viajar”, “Olhos Verdes” e “Eu Sei” – esta última um dos maiores sucessos deles, que emplacou a trilha da novela da TV Globo “Páginas da Vida” e permaneceu por nada menos do que seis meses no topo das listas de músicas mais tocadas em rádios brasileiras. Como garotos cheios de vitalidade e planos, eles esperam por um 2015 ainda mais criativo. Em entrevista à Revista UBC, comentam o DVD comemorativo, a aposta num trabalho cada vez mais consistente com trilhas sonoras, a gravação de um EP de inéditas, a carreira internacional, a pirataria na web e o momento delicado para os direitos autorais no Brasil.


14/UBC : capa

O Papas da Língua mantém a mesma formação desde o início, o que é uma coisa rara e difícil. A que atribuem a longevidade? Fernando Pezão: Isso é consequência de um espírito profissional, da vontade de fazer música, de construir uma carreira, desenvolver um trabalho de composição, e não simplesmente viver de um ou dois sucessos. Serginho Moah: Atribuo também à amizade e ao respeito. Trocamos ideias sobre o trabalho, e isso é fundamental para que possamos ficar juntos e em harmonia por todo esse tempo. Estes 20 anos foram celebrados em grande estilo com a gravação de um DVD. Como foi realizar esse trabalho? Pezão: O DVD foi uma recuperação de tudo aquilo que fizemos ao longo da carreira. Escolhemos um repertório com músicas significativas para nós e para o público. Canções que achamos que as pessoas iriam querer rever. Foi uma produção especial, com uma estrutura muito boa, cenário superbacana, com participações especiais muito legais do Gabriel, O Pensador, na música “Blusinha Branca”, e do Alexandre Carlo, da banda Natiruts, na faixa “Viajar”. E os planos para 2015? Pezão: Temos um projeto que vai além do DVD. Devemos começar a turnê em maio e vamos fazer shows por todo o Brasil e também lançar o disco em Portugal, logo na sequência. Também estamos trabalhando no lançamento de uma caixa especial com os nossos CDs, libreto e coleção de fotos. A gente quer ainda fazer um documentário, um livro musical contando a história da banda, além de gravar tudo aquilo que gostaria mas que não coube em um só DVD. Moah: Queremos contar essa história na estrada, fazendo o máximo para apresentar o show na integra, tal qual foi gravado no DVD, o que é um desafio, porque é muito comum as coisas mudarem numa turnê.

Nestas duas décadas, o que de mais marcante vocês destacariam na história do Papas da Língua? Moah: Considero o Papas da Língua uma banda de muita sorte, porque desde o início tivemos a oportunidade de viajar, conhecer outros países, de rodar em novela. Mas o momento mais marcante para mim foi entrar na trilha da novela "Páginas da Vida", porque isso possibilitou ao Papas ser conhecido no Brasil, e até hoje esse fato dá margem a muitos acontecimentos positivos. Além de vocês estarem celebrando os 20 anos e regravando os hits da carreira, um disco de inéditas também está nos planos da banda? Moah: Depois que toda essa função do DVD passar, a gente vai entrar em estúdio e gravar um EP com seis ou sete músicas. Considero importante para a nossa relação com a estrada, com a carreira. Para nós é fundamental ter música nova. Nosso público merece e espera isso. Vocês falaram que pretendem lançar o DVD também em Portugal. Como está a carreira internacional do Papas? Léo Henkin: Desde o começo a gente sentiu que o Papas tinha uma entrada boa pela sua música nos países vizinhos. Mas nosso primeiro show acabou sendo na França, em Sanary-surMer, no Festival Sud a Sul, em 1996. No mesmo ano fizemos show em Montevidéu e, depois, em Buenos Aires. Foi um começo bem forte. Depois disso voltamos à Europa, onde nos apresentamos na Áustria e, novamente, na França. Em Portugal, fizemos show um pouco antes de a música “Eu Sei” estourar na novela, e foi bem legal. Mas quando voltamos, depois que a novela foi transmitida em Portugal, encontramos cenários completamente diferentes, público enorme. Era muita emoção quando caminhando pelas ruas, ouvíamos tocar o celular das pessoas com a nossa música. O grupo tem uma tradição forte em trilhas, tanto de novelas e comerciais, como no cinema. Como é esse trabalho? Moah: Atribuo nosso trabalho em trilhas à nossa preocupação com qualidade. E obviamente a bons contatos. Mas a qualidade manda. Henkin: Nós nunca colocamos música em novela sob encomenda. Alguém escutou a nossa música e percebeu que ela se encaixava com o personagem. Foi assim que o diretor Jayme Monjardim, após assistir ao show da banda em


capa : UBC/15

São Paulo, escolheu “Eu Sei” para fazer parte da novela. Já tínhamos tido música em trilha, mas não com esse alcance. Ela migrou para as rádios e se tornou número um durante alguns meses. Isso varreu o país e potencializou o nosso trabalho. As trilhas têm esse poder de levar a nossa arte para um público maior. Também já fizemos parte de dois filmes – “Houve Uma Vez Dois Verões”, de Jorge Furtado (com a canção “No Calor da Hora”) e “Até que a Sorte nos Separe”, de Roberto Santucci (com “Sorte”) –, e nossas músicas já estiveram em comerciais de televisão veiculados nacionalmente. Apesar da projeção nacional da banda, vocês decidiram permanecer no Rio Grande do Sul. Por quê? Pezão: Ganhamos e perdemos coisas. Isso talvez até tenha ajudado na longevidade da banda. Às vezes, um grupo está no eixo Rio-São Paulo, enfrenta alguma dificuldade e acaba desistindo. Foi uma escolha, nada é perfeito. Mas não é por isso que a gente deixa de ir para o mundo. É uma questão de se agilizar, ter projetos para andar por aí. Não é fácil, como também não é fácil você ficar em outro lugar. Já faz tempo que o mundo ficou pequeno. O sucesso da banda deve ser revertido em arrecadação de direitos autorais. Como vocês avaliam o atual modelo brasileiro?

Foto: Edu Defferrari

Henkin: A posição do Papas, na qualidade de autores, é favorável ao Ecad e contra a clara tentativa de destruição do órgão, que tem ocorrido nos últimos anos. A proposta de transferir a arrecadação para o setor público é temerária. Os artistas têm de se conscientizar de que vão perder muito. O Ecad está sofrendo ataques de grandes empresas interessadas em simplesmente acabar com o pagamento dos direitos

autorais, e muitos artistas estão caindo nessa conversa. Mas muito vem de uma política de educação. O autor tem que saber que fez a música e precisa registrá-la para que ela possa existir. Hoje temos uma massa muito grande de músicas que não estão registradas em nome de ninguém. Vocês acreditam que os direitos autorais estão de alguma forma ameaçados? Moah: Se depender do que já li a esse respeito, sobre quem quer se apoderar do que não lhe é de direito, coisa comum no nosso país, posso dizer que há uma ameaça. Mas nós, os autores, temos de lutar contra isso, em nossa própria defesa. Pezão: Precisa haver cada vez mais interesse e envolvimento dos autores, compositores e intérpretes sobre as questões de direitos autorais, elas fazem parte do negócio. A banda tem sentido o impacto da pirataria na web? Moah: Eu diria que, neste momento, a pirataria é o assunto mais delicado que há. A web surgiu nas nossas vidas, ganhou força, mas as leis demoram a entender e acompanhar. Ainda não há proteção plenamente eficaz, e, enquanto isso, a pirataria age em todas as frentes. Os governos precisam se empenhar para criar leis e fiscalização mais rigorosas. E rapidamente. Enquanto isso, nós perdemos. Henkin: Sabemos que no mundo todo há uma queda bastante acentuada na venda física de discos. Em contrapartida, os downloads legais e piratas aumentaram muito. Os mecanismos e as instituições que cuidam dos direitos autorais devem atuar junto aos distribuidores on-line para reforçar a exigência de informação, tanto dos downloads, sobre cujas cifras não temos muito controle, quanto dos números reais da indústria física. É preciso um esforço para que os dados sejam mais transparentes e confiáveis e cheguem até todos os envolvidos na cadeia de produção de música.


16/UBC : AGENDA

UBC Bahia,

uma história que reflete as mudanças no mercado Explosão do axé, revolução tecnológica, desafio da pirataria e profusão de novos estilos musicais marcam os 15 anos da filial e a cena baiana

Por Luciano Matos, de Salvador As mudanças vividas pelo mercado musical ajudam a contar a história da filial da UBC na Bahia, que acaba de completar 15 anos. Da força da indústria e do auge das mídias físicas como o CD, passando pela ameaça da pirataria e a consolidação da era digital (com novas e desafiadoras formas de arrecadação), a evolução foi acelerada – e paralela à da própria cena baiana. A axé music pôs o estado no centro do mapa musical, e a estruturação da representação em Salvador (que também atende Sergipe) contribuiu com esse cenário e se beneficiou dele. Prova disso é o número total de associados da UBC atendidos pela filial – 1.700 –, entre eles alguns dos maiores nomes da nossa arte. Em novembro passado, durante a comemoração do aniversário da UBC na Bahia, gente do quilate de Riachão, Luiz Caldas, Jorge Moreno e Alexandre Leão ganhou merecidas homenagens. Eles são testemunhas e protagonistas de um salto de projeção e qualidade no som feito no estado. Cerca de uma década antes de surgir uma filial em Salvador, Leão, então com 17 anos, associou-se à UBC graças à gravação de uma música sua (em parceria com Olival Mattos), “Paiol do Ouro”, por Maria Bethânia. Onze anos depois, ele estava entre os 63 associados que marcaram a fundação da UBC Bahia em 1999. “Quando eu comecei, a Bahia ainda era periférica. O axé era uma coisa embrionária, com Luiz Caldas e Sarajane começando a chamar atenção. Depois foi ganhando importância progressiva. Por isso creio que fomos um dos primeiros estados a ter escritório da UBC”, ele descreve. Como conta Márcia Bittencourt, gerente da filial baiana, grandes mudanças marcaram estes 15 anos. Uma das mais notáveis é a quantidade de artistas que passaram a ter suas próprias editoras. “Atualmente tomamos conta de 60 a 70 editoras efetivamente ativas”, diz. E não foi só isso: um sem-número de associados hoje também cuida da própria produção, nos mais diversos estilos. “A facilidade de acesso à tecnologia é, sem dúvida, a grande responsável por essa transformação”.

Da venda de discos para a arrecadação na internet Alexandre Leão exalta a evolução nos suportes de distribuição e comercialização de música e reflete sobre o impacto na arrecadação de direitos autorais. “Em décadas passadas, o foco era a venda de discos, e muitos compositores reclamavam do repasse das gravadoras. Hoje o foco é a execução na TV, nas rádios, na internet. Mudou muito o perfil, e a execução passou a ser o meio mais importante para um artista ganhar dinheiro. É notável como a arrecadação foi ficando mais precisa, e o acesso aos demonstrativos, mais transparente”, avalia o compositor. Como Leão, Luiz Caldas crê que a execução na internet é um dos mais óbvios caminhos para o avanço do mercado musical. Mas se diz preocupado com o ainda disseminado compartilhamento ilegal de músicas, sem remuneração aos criadores. “A gente ainda está no meio de um furacão terrível quando se fala de direitos digitais. Não temos uma definição de como vai ser, mas estou paciente. Trabalho muito mais, hoje em dia, com internet do que com gravadoras e rádio. Acho que vamos chegar a um momento em que vai se estabilizar, mas, com a pirataria, ainda temos um problema grave que não podemos controlar direito. O bom é que a UBC tem me dado todo o suporte e me sinto bem representado”, diz Caldas, afiliado desde 1987. Os avanços tecnológicos que inquietam também contribuem para a melhora da arrecadação na Bahia – e em todo o país. Ao longo destes anos, casas de shows, boates e bares passaram a ter as músicas executadas em seus ambientes registradas por aparelhos mais modernos. Com isso, até os compositores de sucessos mais antigos, que não ganhavam havia muito tempo, voltaram a receber. “Especialmente aqueles que, no auge do axé nos anos 1980 para 1990, receberam muito mas estavam mais fora da cena. Eles tocam muito no final das festas”, lembra Márcia.


Fotos: GB Souza

AGENDA : UBC/17

Carnaval, período mais feliz No carnaval, ápice da arrecadação da filial, as leituras automáticas já empregadas nas rádios também passaram a ser feitas nos desfiles, por meio de máquinas fixadas nos próprios trios. Com elas é possível gravar os repertórios de ponta a ponta, tornando a cobrança dos direitos automática e integral. No rol dos que se beneficiam disso estão importantes nomes da folia baiana (e associados da UBC), como Carlinhos Brown, Manno Góes, Durval Lélis, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Claudia Leitte, Margareth Menezes, Harmonia do Samba... Outros dos grandes arrecadadores da filial são o fenômeno Pablo - tido como criador do gênero conhecido como arrocha, uma ponte entre o sertanejo e o forró -, e os forrozeiros clássicos Adelmario Coelho, Estaka Zero e Cangaia de Jegue. Apesar do sucesso da música baiana fora das fronteiras do estado, os artistas locais convivem com um fenômeno infelizmente ainda muito comum: a inadimplência. “Na Bahia já melhorou muito, mas ainda temos várias rádios com pendências, além do governo do estado e da prefeitura (de Salvador), que não fazem seus pagamentos há anos”, afirma a gerente da filial. Outra dificuldade para a arrecadação, paradoxalmente, é a própria explosão musical que a Bahia vive. Com a profusão de novas bandas de arrocha e pagode surgindo, e com grupos tocando demais as músicas uns dos outros, garantir a arrecadação e a distribuição justas é um desafio. “Quando eu cheguei aqui, há 15 anos, havia uma desinformação muito cruel por parte dos artistas, mas toda essa profissionalização que vivemos ajudou a mudar o cenário. A informação foi chegando, os compositores foram se preocupando mais, e as novas tecnologias, ajudando. Hoje temos uma filial reconhecida, forte, que se destaca”, orgulha-se.

Alexandre Leão na festa de 15 anos da UBC Bahia

Para os associados, a satisfação parece ser recíproca. “A UBC aqui na Bahia é como uma parceira musical, está sempre se preocupando com a minha obra, às vezes faz para mim até papel de editora, por querer trabalhar junto do compositor, por ter todo um cuidado”, elogia Luiz Caldas. Quem também se diz satisfeito é Jorge Moreno, que, em 1996, viu sua música “Maria Joaquina” estourar. Ele se mudou para a UBC por não estar contente com outra associação a que era afiliado. Não se arrepende. “A UBC nos dá muita atenção e nos trata com respeito. Quando entrei, passei a receber até o que estava retido.” Alexandre Leão também destaca a relação pessoal, cuidadosa, como um dos trunfos para se manter há tantos anos na associação. “Estou muito bem aqui. Não tem informação que a gente peça que não chegue logo, não tem serviço que não seja logo atendido. A equipe é muito eficiente, rápida e prestativa.” Para Márcia Bittencourt, a satisfação dos associados e os naturais desafios do mercado musical são o combustível necessário para continuar a avançar – pelos próximos 15 anos e muito mais: “É muito bom a gente poder olhar para trás e ver como, nesse tempo, nosso trabalho cresceu. Estamos ganhando cada vez mais impulso, com certeza vamos melhorar ainda mais.”

Riachão e Luiz Caldas


18/UBC : Homenagem


Foto: Marcos Hermes - Ag Lens

homenagem : UBC/19

Maior banda de metal da história do Brasil, o Sepultura se renova para manter a mesma pegada: "a revolta e a vontade de ver um mundo melhor continuam", diz o guitarrista Andreas Kisser Por Eduardo Fradkin, do Rio É difícil acreditar, ouvindo os dois primeiros lançamentos em disco do Sepultura, que aquela banda de death metal (então o estilo mais barulhento existente) com produção “indigente” e letras “toscas” em inglês se tornaria a mais bem-sucedida do cenário rock brasileiro (extrapolando o nicho do metal), ganharia elogios de gente como Caetano Veloso, faria parceria com Zé Ramalho e seria longeva a ponto de comemorar 30 anos de atividades em 2014. A bem da verdade, não se trata exatamente da mesma banda criada pelos irmãos Max e Iggor Cavalera em 1984, em Belo Horizonte. Depois de sua estreia em vinil com “Bestial Devastation”, em 1985, e do sucessor “Morbid Visions”, de 1986, começaram mudanças na formação e no som. A entrada do guitarrista Andreas Kisser, no lugar de Jairo Guedez, em 1987, foi decisiva nessa história. “A minha entrada trouxe ideias novas. Eu vinha do mundo do heavy metal tradicional, escutava muito Black Sabbath, Dio, Iron Maiden, Judas Priest, bandas mais técnicas. E o Sepultura era uma coisa bem mais crua, não tão técnica, com influências de Venom, Hellhammer, Celtic Frost. Eu trouxe ideias de letras também, e isso mudou a temática da banda, que, nos primeiros discos, era satânica”, lembra Andreas, mantendo um espírito crítico ao falar de sua primeira obra no Sepultura, “Schizophrenia” (1987), gravada quando ele completava 19 anos. “Escutando hoje, é um disco confuso. E as letras não fazem muito sentido. A gente escrevia em português, e amigos traduziam tudo ao pé da letra. Mas foi um marco no metal underground.” Pai de três filhos, de 19, 17 e 9 anos, Kisser não se sente distante, no campo das ideias, do jovem que gravou em 1991 o clássico disco “Arise” com letras como “Land of anger, I didn't ask to be born” (“terra de raiva, eu não pedi para nascer”). “A revolta e a vontade de ver um mundo melhor continuam. O espírito é o mesmo. Não é porque você vira pai que o mundo fica bonito e perfeito. Mas os filhos e as viagens internacionais com o Sepultura me fizeram crescer muito. Eu não dependo do Discovery Channel para ver a realidade na Índia”, diz, citando outros países onde tocou, como Cuba, Líbano, Coreia do Sul, Indonésia, Israel... “Independentemente da política, o heavy metal chega a esses lugares.”

Nem sempre foi assim. O guitarrista recorda que, na década de 1980, havia um hiato de anos entre um show internacional e outro no Brasil. Entre uma apresentação do Queen (cujo disco “A Night At The Opera” foi o primeiro que Kisser teve na vida) e uma do Kiss, em 1981 e 1983, respectivamente, contavam-se dois anos de marasmo. Cabia aos músicos locais preencher esse vazio, e Kisser mostra respeito pelos pioneiros, como o guitarrista Robertinho do Recife, que, aliás, acaba de reformar sua lendária banda Metal Mania. “Ele foi um dos pioneiros no heavy metal brasileiro e teve muita coragem, muito peito, para pegar uma banda, cantar em português e fazer um som tipo Van Halen. Ver o show dele foi motivante para a minha carreira.” Ironicamente, o Sepultura teve que fazer sucesso no exterior para ser reconhecido no Brasil. “Aqui, ninguém dava a mínima para a gente. Isso só mudou quando uma publicação britânica, o 'New Musical Express', trouxe uma parada em que o Sepultura veio na frente do New Order, que era queridinho da imprensa. O Rock in Rio em 1991 também foi o que abriu as portas para o Sepultura no Brasil”, lembra. A banda, por sua vez, se tornou uma embaixadora da cultura brasileira no exterior, incorporando ao seu som ritmos e instrumentos do folclore nacional. Kisser defende que o metal pode ser misturado a qualquer estilo. “Bossa nova, axé, funk carioca, tudo é música e pode ser juntado ao heavy metal. O próprio Metallica já usou influência do country americano. Eu só não curto coisas com temática apelativa, com letras de sexo explícito ou racistas”, ressalva o músico, que já tocou também com Chitãozinho e Xororó. “O Sepultura nunca se orientou pelo que está tocando em rádios, pelo mercado, porque quem faz isso se perde, vira investidor da bolsa de valores, interessado em estatística, não em arte.”

Para Kisser, o novo baterista, Eloy Casagrande, “beira a perfeição” Na verdade, é o mercado quem vai atrás do Sepultura. Uma marca de refrigerante convidou recentemente a banda a estrelar um comercial, e, indicado pelo amigo Tony Bellotto, dos Titãs, Kisser foi procurado pelo diretor da série da TV Globo “Dupla Identidade”, Mauro Mendonça Filho, para fazer música que representasse a personalidade violenta e sombria do protagonista. Kisser, claro, chamou os colegas do Sepultura para o trabalho. Com seu 13º álbum de estúdio lançado no ano passado, intitulado “The Mediator Between Head and Hands Must be The Heart”, e um novo baterista, Eloy Casagrande, enchendo a banda de energia (“ele beira a perfeição”, diz Kisser), o Sepultura segue em busca de novas experiências. O guitarrista, de 46 anos, conta que só ouve discos antigos quando precisa tirar uma música esquecida ou quer tocar algo em seu programa numa rádio rock de São Paulo, “Pegadas de Andreas Kisser”. Fora isso, desapega-se do que já fez, tendo abandonado até uma velha tradição em aniversários de membros da banda: jogar um balde cheio de porcarias na cabeça do homenageado. “Começou com ovos, cerveja, restos de comida. Depois, começou a entrar mijo, cocô de cachorro e acho que até pedaços de corpos”, brinca (espera-se!) ele.


20/UBC : DISTRIBUIÇÃO

uma onda bem melhor Queda da inadimplência e investimento em tecnologia melhoram a arrecadação de direitos das músicas executadas nas rádios

Até que a tecnologia chegasse ao estado atual foi o rádio que contribuiu, durante muitas décadas, para a difusão da música. Hoje, uma obra pode estar em quase todo o lugar, especialmente com a ampliação do acesso à internet e da comercialização de smartphones. Ainda assim, e independentemente das transformações promovidas pela tecnologia digital, o rádio continua firme e forte, transmitindo notícias e executando canções para centenas de milhares de ouvintes em todo o país. Historicamente no Brasil a falta de pagamento de direitos autorais de execução pública pelas rádios tem provocado grande prejuízo aos autores. Em 2013, o índice de inadimplência das rádios alcançou a marca de 47,4%, ou seja, quase metade de todas as emissoras no país deixou de pagar. Em 2014 o índice caiu para 37,1%, considerando o país inteiro. A melhoria é fruto de acordos com diversas emissoras de rádio que acertaram o pagamento de direitos autorais devidos pela execução de obras e fonogramas. Não podemos deixar de dizer que houve evolução, no entanto o índice de inadimplência

continua alto se olharmos em separado para cada região do país. Na região Nordeste, por exemplo, 53,35% do setor estão em falta com sua obrigação de pagar. Apesar do índice ainda alto de inadimplência, houve crescimento de 10,2% na arrecadação, em 2013, em relação ao ano anterior. O total arrecadado em 2013 foi responsável por 6,7% da arrecadação de direitos autorais de execução pública em todos os setores naquele ano. Acesse o Portal do Associado e veja mais números da distribuição e arrecadação: ubc.org.br/portal Veja abaixo o índice de inadimplência das emissoras de rádio, por região, no ano de 2014 (até o mês de outubro).

percentual de inadimplência 60% 50% 40% 30%

43%

48.8%

53.3%

20%

30.1%

27.9%

10% 0%

região norte

região centro-oeste

região nordeste

região sudeste

região sul


DISTRIBUIÇÃO : UBC/21

Como funciona a distribuição Considerando as enormes quantidade e diversidade de emissoras de rádio AM e FM pelo Brasil, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição utiliza o critério da amostragem estatística das execuções musicais para distribuir para titulares os valores arrecadados das rádios adimplentes, além de 95% do total arrecadado de usuários gerais de música mecânica (condomínios, clubes, espera telefônica, hotéis, hospitais, transportes coletivos, entre outros). Para realizar a distribuição do segmento de rádio é utilizado um sistema de amostragem certificado pelo Ibobe, no qual se leva em consideração um rol com 200 mil execuções provenientes das rádios adimplentes de todo Brasil, ou seja, somente as que realizam o pagamento de direitos autorais de execução pública. A amostra é desmembrada considerando as cinco regiões geográficas do Brasil: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Isto significa que o valor total arrecadado das emissoras de rádio de determinada região é dividido pelo total de obras captadas nas programações das rádios adimplentes desta mesma região. Por isso, nos demonstrativos de pagamento recebidos pelos titulares, os valores distribuídos provenientes das rádios aparecem discriminados por região geográfica. A distribuição de rádio ocorre trimestralmente nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. Em dezembro ocorre uma distribuição extra de rádio com valores de acordos firmados ao longo do ano e do ‘grupo música’ de TV por Assinatura, relativo às músicas executadas nos canais de áudio das operadoras de TV paga. Atualmente, 10% dos valores a serem distribuídos de TV por assinatura são destinados ao ‘grupo música’. Para a distribuição dos valores extras de rádio são consideradas as execuções musicais contempladas nas quatro distribuições do ano (veja tabela ao lado).

Distribuição de rádio já é feita por identificação automática Nos últimos cinco anos, uma nova tecnologia vem automatizando a captação e a identificação das músicas executadas nas rádios. Através do software Ecad.Tec CIA Rádio, foi possível melhorar a qualidade das distribuições de rendimentos de direitos autorais de execução pública para músicas executadas nas estações de rádio. Parte das músicas que compõem a amostra de 200 mil execuções para a distribuição de rádio são captadas em gravações realizadas pelas unidades do Ecad através do software de captação e identificação automática. No caso de rádios onde o sinal não é captado pelas antenas das unidades do Ecad, a amostra é composta por planilhas de programação musical enviadas pelas próprias emissoras de rádio. Atualmente, a programação de 242 rádios em 18 capitais do país já é monitorada pelo Ecad.tec CIA Rádio, um aumento de 22,8% em relação ao ano de 2013. Em 2014, as unidades arrecadadoras de cinco capitais do Brasil iniciaram a captação das programações das rádios através deste software: Manaus, São Luís, Campo Grande, Cuiabá e Natal. De todas as execuções extraídas do software para compor a amostragem da distribuição de rádio em 2014, 65% já são reconhecidas automaticamente, sem a necessidade de auditoria. Isto foi possível com a crescente colaboração dos produtores fonográficos que enviam o áudio de seus fonogramas e abastecem o Banco de Áudio que alimenta o software de identificação automática. Acesse ubc.org.br/distribuicao e saiba sobre outras distribuições.

Calendário de distribuição de rádio Janeiro execuções de julho a setembro do ano anterior Abril execuções de outubro a dezembro do ano anterior Julho execuções de janeiro a março do mesmo ano Outubro execuções de abril a junho do mesmo ano Dezembro (extra de rádio) execuções de julho do ano anterior a junho do mesmo ano


22/UBC : serviço

"Como funcionam a cobrança e a distribuição dos direitos autorais nos eventos de carnaval?" Maestro Duda (Recife)

REVISTA UBC: Para calcular o preço da licença pelo uso da música, são levados em consideração diversos fatores: se a música será executada ao vivo ou de forma mecânica, se o usuário é permanente ou eventual, se a música é executada com o propósito de promover a dança por parte dos frequentadores do evento, entre outros. De forma geral, são cobrados 15% da receita bruta do evento para execução de música mecânica e 10% para execução ao vivo. Caso não haja receita, o valor pode ser calculado com base na metragem da área sonorizada do ambiente ou, se o evento for realizado em ambiente aberto, com base no custo musical (pagamento dos músicos, equipamentos de som, montagem de palco, técnicos). O preço cobrado pode sofrer descontos de acordo com a categoria socioeconômica da localidade ou se for comprovada finalidade filantrópica. Acesse ubc.org.br/arrecadacao e saiba mais. A distribuição dos valores arrecadados é feita de duas formas: Show No caso dos shows e micaretas, a distribuição é feita de forma direta. O valor destinado à distribuição de cada show será dividido igualmente entre as obras que foram executadas na ocasião. A distribuição ocorre em até 60 dias após a liberação do evento, ou seja, após o usuário realizar o pagamento e entregar o roteiro de obras executadas. Eventos Para os bailes de carnaval e demais eventos similares, o valor recolhido de todos os usuários naquele ano será direcionado para a rubrica especial de Carnaval, distribuída anualmente no mês de maio. Os valores arrecadados são distribuídos com base em amostragem específica de 50 mil fonogramas captados por gravação nos eventos carnavalescos adimplentes durante o período da festa. É importante saber que o titular só recebe se o evento que tocar sua música estiver em dia com o pagamento e sua música entrar no rol da amostragem feita no período de captação. Acesse ubc.org.br/distribuicao e saiba mais sobre outras distribuições. Inadimplência Caso o usuário de música, após o contato da unidade arrecadadora, não realize o pagamento dos direitos autorais e nem informe as músicas que serão executadas, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição irá captar todas as informações disponíveis na imprensa sobre o evento. Também enviará um técnico de arrecadação para o local, que registrará as características necessárias para calcular o preço da licença e as informações sobre obras e fonogramas que forem executados. Todas as informações são encaminhadas ao setor jurídico do escritório, que irá tomar as providências necessárias para que seja realizado o pagamento.


O mais importante você já fez. Agora é hora de "batizar" sua criação A tecnologia facilitou o processo de gravação e fez crescer o mercado independente. Se você produz seus próprios fonogramas, precisa saber como gerar o código ISRC, uma espécie de identificador padrão da sua gravação. Cada código é composto por letras e números, que identificam o país e o ano que o fonograma foi gravado, e inclui informações sobre os participantes do fonograma e os compositores da obra musical.

COMPOSITOR

PAÍS

ANO

MÚSICOS

intérprete

Para ajudar os produtores fonográficos a gerarem o código ISRC, produzimos um tutorial em vídeo com o passo a passo do processo. Acesse www.ubc.org.br/tutorialISRC e registre seu fonograma.


Em 2015, a UBC continua sua atuação na defesa e na gestão de seus direitos. Acompanhe no calendário as distribuições que ocorrem a cada mês mês

jan

mês

fev

mar

mês

mês

abr

rubrica

rubrica

rubrica

rubrica

distribuição trimestral*

tv por assinatura

cinema

período de captação

período de captação

distribuição trimestral*

julho a setembro

setembro a fevereiro

período de captação

julho a setembro

mês

mai

mês

jun

mês

jul

período de captação

outubro a dezembro

mês

ago

rubrica

rubrica

rubrica

rubrica

tv por assinatura

mídias digitais

tv por assinatura

período de captação

período de captação

distribuição trimestral*

outubro a dezembro

julho a dezembro

período de captação

janeiro a março

período de captação

janeiro a março rubrica

carnaval

mês

set

mês

out

mês

nov

mês

dez

rubrica

rubrica

rubrica

rubrica

cinema

tv por assinatura

mídias digitais

período de captação

distribuição trimestral*

período de captação

período de captação

março a agosto

período de captação

abril a junho

janeiro a junho

rubrica

rubrica

rubrica

festa junina

movimento tradicionalista gaúcho

EXTRA DE RÁDIO

abril a junho

período de captação

jULHO a junho

*Distribuição trimestral: Rádio, TV ABERTA, Direitos Gerais, Música ao Vivo, casas de diversão, casas de festas e sonorização ambiental. Observações: a distribuição de shows e créditos protegidos ocorre todos os meses. a distribuição de músicos acompanhantes ocorre junto a todas que utilizam fonogramas.

Revista UBC #23  

A Revista UBC é uma publicação trimestral gratuita direcionada a quem faz música.

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