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FEVEREIRO 2020

A MAIO RIDADE DE

THIA GUI NHO Aos 18 anos de carreira, cantor e compositor se associa ao megaprodutor Dudu Borges para reinventar o pagode PELO PAÍS Ações do governo, do Congresso e do STJ ameaçam indústria cultural

LÁ FORA A música do continente se encontra — e abraça — no Grammy Latino

E MAIS Xênia França, Sandra de Sá, Edino Krieger, Luan Santana, Flaira Ferro


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Nas ruas, pessoas contam suas histórias relacionadas a “Maria Maria”, canção do vencedor do Prêmio UBC 2019 Milton Nascimento em parceria com Fernando Brant ubc.vc/MariaMaria

TOPO DAS PARADAS 1º 27/11/2019 Bolsonaro edita MP que, segundo Ecad, tira R$ 110 milhões dos autores https://ubc.vc/MPTurismo

2° 09/12/2019 Artistas do gospel teriam influído em decisão de revogar mudança no MEI https://ubc.vc/MudancaMei

3° 11/12/2019 Fundação Latin Grammy abre temporada de bolsas ubc.vc/BolsaGrammy


#43

FEVEREIRO 2020

RE VIS TA

A REVISTA UBC É UMA PUBLICAÇÃO DA UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES, UMA SOCIEDADE SEM FINS LUCRATIVOS QUE TEM COMO OBJETIVOS A DEFESA E A DISTRIBUIÇÃO DOS RENDIMENTOS DE DIREITOS AUTORAIS E O DESENVOLVIMENTO CULTURAL.

Conselho Fiscal Geraldo Vianna Edmundo Souto Manno Góes Fred Falcão Sueli Costa Elias Muniz Diretor executivo Marcelo Castello Branco Coordenação editorial Elisa Eisenlohr Projeto gráfico e diagramação Crama design estratégico Editor Alessandro Soler (MTB 26293) Textos Alexandre Matias (São Paulo), Andrea Menezes (Brasília), José Alsanne (Rio de Janeiro), Kamille Viola (Rio de Janeiro), Luciano Matos (Salvador) Capa Foto de Eduardo Bravin Fotos Imagens cedidas pelos artistas. Créditos nas respectivas páginas, ao longo da edição. Tiragem 5.000 exemplares/Distribuicão gratuita Rua do Rosário, 1/13º andar, Centro Rio de Janeiro - RJ, CEP: 20041-003 Tel.: (21) 2223-3233 atendimento@ubc.org.br

por_ Geraldo Vianna

Depois de um ano de muitas lutas e desafios, chegamos a 2020 com várias conquistas na gestão coletiva dos direitos autorais. Mas também com certa decepção e grande expectativa quanto ao rumo que será dado à cultura no país. Principalmente nos órgãos governamentais relacionados à Indústria Criativa, conduzidos com despreparo pelos ocupantes de importantes cargos das áreas da música e do cinema, incapazes de compreender um mercado tão diversificado e produtivo, que gera muitos empregos.

EDITORIAL

Diretoria Paulo Sérgio Valle (Presidente) Abel Silva Antonio Cicero Aloysio Reis Ronaldo Bastos Sandra de Sá Manoel Nenzinho Pinto

Com as novas políticas implantadas em 2019, já podemos perceber algumas perdas e retrocessos e um grande desrespeito ao autor e compositor, que são os responsáveis pelo começo de toda a cadeia produtiva na música. Já começamos o ano tendo pela frente um duro golpe da rede hoteleira com o apoio de alguns políticos inescrupulosos e uma Medida Provisória, sem sentido de urgência, que agrava o sustento de milhares de autores e de suas famílias. Mas seguimos na luta com a cabeça erguida. Hoje, a classe artística é organizada e ciente de seus direitos. Sabemos que a música que produzimos representa nosso país em todo o mundo, pela sua qualidade e diversidade. Que cumpre uma importante função na economia nacional e é motivo de orgulho para os brasileiros. Isso nos fortalece e nos dá a certeza de que devemos manter acesa a chama que impulsionou nossos grandes precursores na defesa dos direitos autorais no Brasil. Chiquinha Gonzaga, Ary Barroso e Dorival Caymmi, entre tantos outros, criaram nossa história e nos dão o suporte necessário para seguir em frente. Com respeito à criação e à dignidade humana. A arte vencerá!


18 20 22 26

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NOVIDADES NACIONAIS PELO PAÍS: Sandra de Sá PELO PAÍS: Desmonte da cultura PELO PAÍS: Paródias FIQUE DE OLHO CAPA: Thiaguinho PERFIL: Xênia França

34 36 39

26

40 DÚVIDA DO ASSOCIADO

Sonorização ambiental

ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO:

30

NOTÍCIAS INTERNACIONAIS

14

INTERNACIONAL: Grammy Latino

12

CARREIRA: Feiras e festivais 2020

6

MERCADO: Sem medo de ser pop

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JOGO RÁPIDO: Edino Krieger

ÍN DI CE 12

14

1 44

42

30


JOGO RÁPIDO

REVISTA UBC

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EDINO KRIEGER Um dos nossos maiores compositores se prepara para lançar um novo disco, prestes a completar 92 anos do_ Rio

Mais de 150 obras para orquestra sinfônica e de câmara. Uma constelação de prêmios e homenagens, como uma em novembro no festival Musimagem, em Minas. Cadeira como imortal na Academia Brasileira de Música. Décadas de contribuições variadas à arte nacional, como a gestão da Funarte e a criação da Bienal de Música Brasileira Contemporânea. Edino Krieger poderia dar por muito bem completa sua obra. Mas ele não quer parar. Aos (quase) 92 anos, se prepara para lançar um novo disco, ainda sem nome. Com 14 criações suas, tem produção musical do maestro Tim Rescala e interpretações do Duo Santoro, do Trio Aquarius e do pianista Flávio Augusto, do Aquarius. O que o motivou a lançar um álbum com estas obras? A ideia foi do Trio Aquarius e do Duo Santoro. Ricardo Santoro levou o projeto à minha mulher, a produtora Nenem Krieger, e ao Tim, que colocou à disposição seu estúdio na Glória (RJ). O repertório inclui “Trio Tocata”, dedicada por mim ao Trio Aquarius; “Cadência”, para dois violinos; duas transcrições para trio de músicas minhas, “Sonatina 1 e 2”; e a valsa “Nina”, que fiz para minha neta. Também estão a minha primeira composição, uma sonata à maneira das sonatas barrocas em duas partes, e que dediquei ao meu pai, e a primeira gravação na íntegra dos meus “Estudos Intervalares” para piano. O que o inspira nos últimos tempos? Inspiração, para mim, é uma ideia que possa desenvolver uma trama musical. Tenho me dedicado a compor durante as férias na Praia Formosa (PB). Lá, encontro ideias e ambientação.

LEIA MAIS No site da UBC, Edino Krieger e outros grandes da nossa arte comentam o panorama cultural contemporâneo ubc.vc/CriseCultura


NOVIDADES NACIONAIS 6

do_ Rio

SUINGUE

DO ÓCIO

LUAN SANTANA É O

MAIS TOCADO

DA DÉCADA

Com 1,393 milhão de execuções nas rádios, Luan Santana é o artista mais tocado na década de 2010. É o que mostrou um levantamento da Crowley, multinacional especializada em monitorar a programação de emissoras de todo o Brasil e também as mais tocadas do streaming. Desde 1997, quando os dados começaram a ser recolhidos no país pela empresa, o artista sul-mato-grossense, um dos principais nomes do sertanejo, é o quarto mais popular das rádios, atrás apenas de Roberto Carlos, Zezé Di Camargo & Luciano e Bruno & Marrone. Um dado interessante é que, apesar da hegemonia do gênero caipira e suas vertentes na programação recente, se levarmos em conta todo esse período de 23 anos, nomes como o de Gal Costa (5º lugar) e Elis Regina (8º) ainda têm forte presença nas emissoras.

Com o single “Muito”, lançado em dezembro passado, a banda baiana Vivendo do Ócio começou oficialmente a apresentar seu próximo álbum, homônimo, que sai agora em fevereiro e é o primeiro em cinco anos. Mais uma vez, espera-se a interessante leitura de rock suingado que marca o trabalho do quarteto, presente em trabalhos anteriores como “Nem Sempre Tão Normal” (2009) e “Selva Mundo” (2015). Um dos singles lançados por Jajá Cardoso (guitarra), Luca Bori (baixo e voz), Dieguito Reis (bateria) e Davide Bori (guitarra) em 2018, “Il tempo” (composto pelos quatro) deve entrar na seleção. O selo escolhido para o lançamento é o paulistano Flecha Discos.

OUÇA MAIS O single “Muito” e outras faixas da banda ubc.vc/Suingue


REVISTA UBC

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PANCADÃO DO

ARNALDO Politizado, onírico, lírico, contundente. O novo disco de Arnaldo Antunes, previsto para fevereiro, é plural como ele mesmo. Composto de dez faixas inéditas e autorais, “O Real Resiste” toma emprestado o título de uma delas, um pop de cheiros vários, baião entre eles, que, com batida marcada por violão e piano, manda uma pancada em versos como “miliciano não existe/ torturador não existe/ fundamentalista não existe/ terraplanista não existe/ o real existe”. Chico Salem (violão de aço), Cézar Mendes (violão), Dadi Carvalho (baixo, guitarra e violão de 12 cordas) e Daniel Jobim (piano) o acompanham na obra, produzida pelo próprio Arnaldo e por Gabriel Leite e gravada no inverno do ano passado no estúdio Canto da Coruja, em Piracaia (SP). Na era dos singles estreados no streaming, Arnaldo apostou num formato vintage e lançou em julho passado uma das músicas, “João”, parceria com Cézar Mendes, com clipe no programa “Fantástico”, da TV Globo.

VEJA MAIS O vídeo de “O Real Resiste” ubc.vc/RealAA

FERRO

Segundo álbum de Flaira Ferro, “Virada na Jiraya” é um manifesto irônico, direto e terno, cheio de feminilidade. O potente rock-frevo-eletrônico da cantora e compositora recifense, que assina 11 das 12 canções do disco, traz letras que vão direto ao ponto, como a da canção-título: “Explodam / Saiam daqui / Quero me divertir / Com as minhas coleguinhas...”, recado na lata aos machos babões que molestam as minas na balada. Em outras, como “Ótima”, faz ode à mulher em meio à masculinidade tóxica. E faz política em “Lobo, Lobo”, com versos como “Tem lábia de fascista / Joga o jogo da milícia / Por dentro é terrorista / E paga de espiritual.” “É um jeito bem-humorado de transformar a raiva e os sentimentos de baixa frequência em combustíveis de transição para a conexão com nossa verdade”, ela comenta sobre o disco, que tem participação de Chico Cesar e Amaro Freitas, além de produção de Yuri Queiroga.

NELES

OUÇA MAIS As 12 canções do ábum ubc.vc/Jiraya


NOVIDADES NACIONAIS 8

RAP, R&B, MPB, JAMELÃO

Guitarrista, cantor, compositor e produtor autodidata, Thiago Jamelão se prepara para lançar este ano seu primeiro álbum, “Sobrevivente”. “É um prefácio, a pureza de quem eu sou. Como o diário de mais um sonhador querendo desvendar o mundo”, define. Produzido por DJ Duh e com direção musical de Emicida, o disco une rap, R&B e MPB e já ganhou o primeiro single, “Sempre Quis”. Drik Barbosa, Rashid, Emicida e Muzzike participam do trabalho do artista goiano radicado em Brasília.

VEJA MAIS O clipe de “Sempre Quis” ubc.vc/TJ

OBRA DOS

Fernando Brant ganha uma bonita homenagem com a edição de um extenso álbum no qual grandes intérpretes revisitam sua obra. Produzido por Robertinho Brant, seu sobrinho, “Fernando Brant - Vendedor de Sonhos” tem 20 faixas e traz Milton Nascimento (“O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre”, de Brant e Beto Guedes), Djavan (“Milagre dos Peixes”, de Brant e Milton), Monica Salmaso (“O Que Foi Feito Deverá”, Brant e Milton), Roberta Sá (“Ponta de Areia”, Brant e Milton), Samuel Rosa (“Paisagem na Janela”, de Brant e Lô Borges) e uma porção de outros craques em versões exclusivas arranjadas por Robertinho. A distribuição é da Biscoito Fino. “Para a família, Fernando sempre foi referência e inspiração. Por isso, enquanto ia se tornando um dos maiores compositores da música popular brasileira, ele ia também nos empurrando para frente. Além de tio, foi meu mestre, farol, segundo pai e irmão. Produzir, arranjar e gravar esse álbum em homenagem a ele tem sido uma experiência única”, contou o produtor.

SONHOS

SEU JORGE, ROGÊ:

DISCO ARTESANAL

Um despretensioso projeto une os amigos Rogê e Seu Jorge no álbum “Seu Jorge & Rogê”. São sete faixas que eles criaram quase inteiramente — e isso quer dizer que compuseram, arranjaram, produziram, cantaram e tocaram os instrumentos, à exceção das percussões pilotadas por Pretinho da Serrinha e Peu Meurray e da participação de Peu na composição de “Saravá”, com Magary Lord e Luizinho do Jeje, e de Pretinho em “Meu Brasil”. O trabalho foi gravado em 2019 pelo selo Night Dreamer, estúdio e fábrica de LPs perto de Amsterdã. O tom de produção artesanal se reflete no método escolhido para a impressão: direct to disc. Nele, os áudios são cortados em direto, transferidos ao acetato sem edições ou pós-produção e levados para imprimir logo após a gravação. Foi por ter estúdio e fábrica unidos que a Night Dreamer acabou escolhida por eles para a obra. “Seu Jorge & Rogê” também ganhou versão para streaming.


REVISTA UBC

foto_ Anderson Andrade

9

PARÁ // BRASÍLIA // ÁFRICA

SERTANEJO

A guitarrada paraense a serviço da música negra. No quinto álbum do brasiliense Dillo, “GuitarrÁfrika”, uma sofisticada pesquisa musical promove um passeio por sons ancestrais do continente que é a origem da civilização — e vai além. Afrobeat, afrolatino, jou jou, semba e até sonoridades tuaregs do Magreb, a região mediterrânea ao norte do Saara, aparecem nesse explosivo trabalho fusion que tem clara pegada dançante. E que nasceu das andanças de Dillo pelo Caribe e pela África. “Tentei olhar para dentro e ver que tipo de guitarra habitava em mim, se era a de Led Zeppelin e Deep Purple ou as levadas de mestre Vieira e sua barcarena fantástica. A síntese dessa pesquisa apontou para os caminhos da guitarra africana”, conta. Gravado em Brasília, São Paulo, Joanesburgo e Cidade do Cabo, “GuitarrÁfrika” tem produção do próprio Dillo.

Leo Santana é parceiro de Rode Torres num mais do que provável hit do próximo carnaval baiano. O single “Atrapalhadinha”, gravado pelos dois, funde sertanejo e a inconfundível pegada do axé e, com dancinha própria, já estourou no YouTube, com mais de 500 mil visualizações, entre a versão original e os memes e covers. Produzido e lançado pelo selo Vitrola Digital e distribuído pela Tratore, o DVD com outras canções de Rodes sai em breve. Uma das muitas parcerias que estarão na caixa é “Nem Um Pouco Maluco”, um feat com Ivete Sangalo.

OUÇA MAIS O álbum “GuitarrÁfrika” ubc.vc/Dillo

BAIANO

VEJA MAIS O clipe — com dancinha — de “Atrapalhadinha” ubc.vc/Atrapa


NOVIDADES NACIONAIS 10

ELIANA PITTMAN,

foto_ Murilo Alvesso

NOVO EMBALO

OUÇA MAIS As 18 canções do álbum ubc.vc/HOS

GUTO GOFFI:

TONS E SONS Se uma imagem vale mil palavras, uma porção delas resulta num disco. A partir de fotografias suas que reuniu ao longo de 15 anos, Guto Goffi concebeu “C.A.O.S.” (ou Confusões Artísticas e Obras Sonoras), álbum que lançou nas plataformas digitais agora no final de janeiro. Acompanhado pelo Bando do Bem e o guitarrista Nani Dias, na produção, Goffi faz um passeio de base rock por sonoridades variadas, como blues e pop. Edu Krieger, Maurício Barros, Fernando Magalhães, Claudio Bedran, Claudio Gurge e Rodrigo Suricato dividem com ele as composições. Desde 2011, com “Alimentar” — e após “Bem”, de 2016 —, o instrumentista, cantor, compositor e fundador do Barão Vermelho segue em seu projeto de lançar álbuns cujos nomes começam com as letras do alfabeto. E a profusão de criação não para por aí: nos shows de lançamento de “C.A.O.S.”, Goffi quer ter artistas plásticos convidados expondo no palco.

Aos 74 anos, 58 de carreira, Eliana Pittman vive uma merecida redescoberta. Dona de uma carreira de repercussão nem sempre condizente com seu enorme talento, ela lança um disco que estabelece uma ponte com seu passado musical e joga a bola pra frente. “Hoje, Ontem e Sempre” traz 18 faixas, dez gravações inéditas e oito resgatadas de uma apresentação que ela fez em 1970 na boate Don Camillo, em Paris. “Drão” (Gilberto Gil), “Ex-Amor” (Martinho da Vila), “Onde Estará o Meu Amor” ( Chico César) e o pagode “Gamei”, de André de Oliveira e Delcio Luiz da Silveira, sucesso do grupo Exaltasamba, estão no repertório. As dez gravações que são novas foram captadas num único dia, com o violão de Joan Barros e a percussão de Michel Machado, um estilo novo para ela. “Não sou mulher de voz e violão, gosto de piano e bateria. E gravar tudo de uma vez só é loucura, nunca mais faço isso”, brincou em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

VEJA MAIS Momentos divertidos dos bastidores da gravação ubc.vc/CAOS


REVISTA UBC

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ROCKREGGAEELETRÔNICO O reggae-rock do Surf Sessions volta renovado no sétimo álbum de estúdio da banda brasiliense. Produzido por Rodrigo Sanches, vencedor do Grammy Latino com o disco “Tropix”, de Céu, “Inverso” tem dez músicas inéditas e um flerte com sonoridades eletrônicas inédito para eles. “O Rodrigo foi peça fundamental para a criação deste novo trabalho. Ele deu uma unidade bem legal para o nosso som, que tem uma natureza mais abrangente por sermos três cantores. E trouxe elementos e timbres mais modernos, uma atualização do que pedimos”, conta Rafael Monte Rosa, um dos membros do Surf Sessions. Jorge Du Peixe, Anna Lu, DJ Marcelinho e Jamelão participam.

ECAD ADAPTA SISTEMA E

Dois discos prestes a serem lançados, ambos em língua hatxa kuin, do povo huni kuin, do Acre, provocaram uma simpática alteração no sistema de cadastros do Ecad. A língua não constava do formulário e, por sugestão da produção dos álbuns, acabou incluída entre português, inglês, francês, espanhol e várias outras. Um dos álbuns foi gravado ao vivo em 2017 em edições do encontro Mi Mawai, um projeto de colaboração artística entre o Etnohaus, coletivo de artistas do Rio de Janeiro, e artistas da floresta. Participam artistas como Txaná Ikakuru, Txná Isarewe, Domenico Lancelotti e Bruno Di Lullo. O outro é o videoálbum “Ni Ishanai - Floresta Futuro”, com 16 faixas, produzido durante uma residência artística com jovens do grupo Kayatibu, em Jordão do Acre (AC). “Foram três anos de negociação para chegarmos a esse formato que vai servir como modelo para outros projetos musicais dessa etnia, que tem uma infinidade de cantos tradicionais, versões feitas a partir da entrada do violão e novas músicas autorais também”, descreve Nana Orlandi, do Mi Mawai.

INCLUI LÍNGUA INDÍGENA

15 ANOS DE

TRABALHO E SAMBA

Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador celebram os 15 anos da famosa roda de samba que criaram no subúrbio do Rio de Janeiro com o lançamento do quinto álbum em conjunto: “Fazendo Samba”. São 16 faixas, 12 delas inéditas, e participações de Leci Brandão, João Bosco e Roberta Sá. “A escolha do repertório se desenrolou naturalmente, reunindo canções nossas e parcerias inéditas com amigos e velhos conhecidos da música brasileira”, descreve Moacyr. Wanderley Monteiro, Xande de Pilares, Toninho Geraes e vários outros bambas também estão entre estes parceiros.


PELO PAÍS 12

Primeira mulher a compor um samba da carioca Mocidade Independente de Padre Miguel, Sandra de Sá fala de sua relação com a homenageada do enredo, Elza Soares por_ José Alsanne

do_ Rio

“SAMBA COM CHEIRO DE ARRASTÃO”


REVISTA UBC

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POLITIZAÇÃO SEM PRECEDENTES Além das homenagens (como a Elza), os sambas-enredo das escolas de samba do grupo especial carioca este ano apostam fortemente na politização. “Messias de arma na mão”, “marajá em Bangu”, “respeita o meu axé”, “profetas da intolerância” e “nossa aldeia é sem partido, não tem bispo nem se curva a capitão” são alguns dos versos que aparecem nos temas de escolas variadas, da Mangueira à Portela, da Estácio de Sá à São Clemente. A canção tema desta última, aliás, tem entre seus compositores o humorista e associado da UBC Marcelo Adnet para o enredo “O Conto do Vigário”. “É uma emoção enorme, amo o carnaval”, ele vibrou.

É com a frase que titula este texto que Sandra de Sá define o samba-enredo que compôs para a Mocidade Independente de Padre Miguel. Será uma homenagem a Elza Soares. E será, não menos importante, a primeira vez nos 64 anos de história da escola de samba carioca que uma mulher assina a canção-tema do desfile. Como foi a experiência inédita de participar da disputa de um samba-enredo? O que mais me marcou foi a disciplina. Com o samba-enredo, o que vale é a fidelidade ao tema. Pensa-se, inclusive, no intérprete da escola, em como ele canta. A disciplina que meus parceiros têm, para conhecer do que estão falando, é demais. Foi uma aula a cada encontro. Uma vez perguntei: “Por que vocês me convidaram?” Eu achei engraçado que um deles respondeu: “Porque Deus mandou”. E, realmente... pô, logo com (a homenagem a) Elza Soares! Como é sua relação com Elza? Alguma música interpretada por ela a marcou? Na minha infância, dizia-se dela que era uma “destruidoras de lares”, por conta da relação com o Garrincha. As pessoas não aceitavam o amor dos dois. Anos depois, conheci a Elza no Baixo Leblon, através do Cazuza. Era uma época em que a Elza não estava bem. Me aproximei dela a partir de então. “E assim nós vamos vivendo de amor” (trecho de “Se Acaso Você Chegasse”, de Felisberto Martins e Lupicínio Rodrigues) fala muito da vida dela. Da paixão de Elza. E o mais gostoso é tê-la perto agora, falar com ela de samba, vê-la amarradona... Ainda bem que eu não vou interpretar o samba na avenida. Eu só venho do lado. Não tenho noção do que vai ser. Mas vai ser bom demais. Esse samba tem cheiro de arrastão.


PELO PAÍS 14

Decisões do governo federal impactam produção em diferentes áreas, como cinema e música, e enfraquecem a indústria cultural; na Câmara, sopram ventos contra a gestão coletiva de direitos autorais por_ Andrea Menezes

de_ Brasília


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CULTURA

SOB AME AÇA

Há 90 anos, o político mineiro Gustavo Capanema conseguiu que o então presidente Getúlio Vargas criasse o Ministério da Educação e da Saúde Pública (mais tarde, no segundo governo Vargas, Ministério da Educação e Cultura, MEC). Era o embrião de um projeto modernizador para o país que tinha a produção de conhecimento como chave para superar o subdesenvolvimento. Capanema se cercou de nomes como Carlos Drummond de Andrade, Heitor Villa-Lobos, Mário de Andrade, Oscar Niemeyer e Manuel Bandeira. No Brasil de 2020, outros nomes contribuem para uma sensação generalizada de cultura à deriva. Roberto Alvim, diretor de teatro que, em setembro, chamou Fernanda Montenegro de sórdida era secretário de Cultura até parafrasear um líder nazista para anunciar um edital destinado a obras conservadoras e cristãs, em janeiro. A Funarte ainda tem no comando um indicado seu, Dante Mantovani, maestro que disse em seu canal no YouTube que “o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto (…), que ativa algo muito mais pesado, que é o satanismo.” E Sérgio Camargo, militante ultraconservador negro para quem o racismo não existe no Brasil e “a escravidão foi benéfica para seus descendentes”, quase assumiu a Fundação Palmares, não fosse uma suspensão pela Justiça.

No vídeo em que anunciou o Prêmio Nacional das Artes a projetos amparados na “fé do povo brasileiro e na sua ligação com Deus”, o ex-secretário Alvim provocou escândalo. Além de usar um tom ufanista — “este será o renascimento da arte e da cultura no Brasil” — e adaptar um discurso do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, o secretário pôs como trilha de fundo a ópera “Lohengrin”, de Wagner, compositor de cuja obra Hitler teria tentado se apropriar ideologicamente, segundo alguns historiadores. Para o presidente do Congresso, Rodrigo Maia, ao associar-se ao nazismo, “o secretário de Cultura passou de todos os limites.” Após intensa repercussão negativa, que incluiu ainda associações judaicas e até a Embaixada da Alemanha no Brasil, Bolsonaro demitiu Roberto Alvim.


PELO PAÍS 16

Poderiam ser só anedotas políticas de tempos convulsos em Brasília. Mas são indícios do que especialistas chamam de desmonte da cultura. Antes mesmo da posse, o presidente Jair Bolsonaro prometeu que extinguiria o Ministério da Cultura (e cumpriu). São conhecidos os ataques pessoais dele a artistas como Daniela Mercury e Caetano Veloso, além das desqualificações ao cinema nacional. “Há quanto tempo a gente não faz um bom filme, não é?”, resumiu o chefe do Executivo numa transmissão ao vivo por uma rede social em dezembro.

REVESES EM SÉRIE Dentro de uma lógica de confrontação com a classe artística, houve diversas decisões polêmicas do governo ao longo de 2019: vetar a prorrogação, até 2024, dos benefícios do Recine, tirando milhões de reais de futuras produções audiovisuais e ameaçando a expansão de salas de cinema; reduzir o teto dos projetos da Lei Rouanet de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão; congelar os R$ 700 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (liberados só em dezembro) e promover uma profunda desidratação da Ancine. “Há uma evidente intenção de atingir a cultura e seus produtores de forma estruturada. Em contraposição, não apresentam nada. O viés ideológico fica cada vez mais evidente, como se toda a produção cultural fosse de esquerda. Destruir órgãos e reputações de pessoas ligadas à cultura parece

O dirigismo cultural também vem sendo denunciado. Em agosto, um edital da Ancine para produções audiovisuais sobre a diversidade sexual foi cancelado. Em setembro, o jornal “Folha de S. Paulo” revelou que o governo está monitorando, através de redes sociais, os posicionamentos políticos e ideológicos de autores e diretores de obras que pleiteiam financiamento e solicitam pautas em palcos e espaços como Caixa Cultural e Centro Cultural Banco do Brasil. Peças com temática transexual foram recusadas. “Não veremos mais certo tipo de obra. Não é censura, isso é preservar os valores cristãos”, escreveu Bolsonaro numa rede social. Temas relacionados à ditadura também teriam sido vetados. “Os filmes que estamos fazendo a partir de agora não vão ter mais a questão de ideologia, aquelas mentiras todas de histórias passadas falando do período de 1964 a 1985”, definiu o presidente.

ser considerado estratégico. Tentam fechar as possibilidades da reflexão, um atributo tão caro à cultura. Em outros governos autoritários já vivemos situação semelhante”, opina Alberto Freire Nascimento, doutor em Cultura e Sociedade, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e experto em políticas culturais. Um dos artistas plásticos brasileiros mais conhecidos no mundo, o paulistano Vik Muniz faz coro: “Eu não vejo dentro do discurso dos atuais secretários e dos ministros do governo Bolsonaro nenhum plano concreto de construção. É só destruição, é só desmantelamento.”

MÚSICA TAMBÉM SOFRE A música teve castigos bem específicos. Um dos mais evidentes foi a edição de uma medida provisória por Bolsonaro, a 907, em novembro, isentando quartos de hotéis de pagar execução pública. Segundo o Ecad, os autores sofrerão perdas de R$ 110 milhões por ano, o que, naturalmente, impactará sua renda e, em última análise, sua própria capacidade de criar cultura. Ainda falta o Congresso ratificar a decisão. “(Se isso ocorrer), a medida negará aos criadores o direito de autorizar o uso de suas obras intelectuais e o acesso a uma remuneração justa, criando um benefício específico e injustificado para o setor hoteleiro e um dano significativo para os criadores”, alertou a Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (Cisac).


REVISTA UBC

17

Outra medida, não menor, que afetaria milhares de músicos e demais artistas que vendem seus serviços na qualidade de microempreendedores individuais (MEI) foi a exclusão de inúmeras categorias artísticas desse regime de reduções fiscais a autônomos que ganham até R$ 81 mil por ano. Anunciada em novembro, a mudança foi suspensa por Bolsonaro após críticas generalizadas, inclusive dentro da sua base de apoio.

PONTOS DE ATENÇÃO PARA 2020 Para este ano, há duas pautas que merecerão a atenção do setor musical. Uma delas é a possível reforma da lei de direitos autorais. Uma consulta pública aberta pelo Ministério da Cidadania em junho, quando a Cultura ainda estava vinculada à pasta, prometia mudanças em diversos pontos. Desde então, nada mais foi dito, e o teor das propostas de alteração segue nebuloso. Procurados, os ministérios da Cidadania e do Turismo não divulgaram o resultado da consulta

e não estabeleceram uma data para o anúncio de alguma mudança. Já no Congresso, sopram ventos que fazem prever tentativas de alteração na gestão coletiva de direitos autorais. No final de novembro, uma audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara teve tom predominantemente crítico, inclusive da parte do seu relator, deputado Felipe Carreras (PSB-PE), à atuação do Ecad. Alguns dos pontos tratados como afronta ao direito econômico foram a situação de monopólio do órgão no setor e a sua potestade para determinar os valores a serem cobrados dos usuários de música. Os dois aspectos estão previstos na atual lei de direitos autorais que, dada a consulta pública de meados do ano passado, o governo parece querer alterar. Em ritmo vertiginoso, uma série de ameaças e recuos se sucede estes dias. Acompanhe as atualizações mais relevantes no site da UBC.

A lei atualmente em vigor é a 9.610, de 1998. Regula, entre outros aspectos, a gestão coletiva de direitos autorais, conquista democrática que assegura aos autores um poder de grupo nas negociações com os usuários das suas obras. E prevê que, no caso da música, tal gestão deve ser levada a cabo pelo Ecad. Em 2013, através da lei 12.853, a normativa ganhou mudanças como a criação de uma instância de regulação da gestão coletiva pelo Ministério da Cultura e promoveu alterações nos mecanismos de escolha da direção das sociedades de gestão. Agora, tudo leva a crer que se avizinham mais mudanças, que exigirão mobilização dos autores caso a gestão coletiva se veja ameaçada.

LEIA MAIS No site da UBC, grandes nomes da nossa arte comentam o panorama cultural contemporâneo ubc.vc/CriseCultura


PELO PAÍS 18

É BRINCADEIRA?


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STJ libera paródias em campanhas eleitorais, mesmo com a oposição do autor da canção original, e abre a porta a usos sem autorização em outros contextos por_ Andrea Menezes

de_ Brasília

Este ano haverá eleições municipais, e uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em novembro passado, trouxe insegurança a milhares de compositores. É que a segunda maior corte do país liberou o uso de canções como paródias em campanhas eleitorais, mesmo sem a autorização do titular da obra original. A decisão não só contraria instâncias inferiores — o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), por exemplo — como afronta o direito moral, conceito previsto em tratados internacionais chancelados pelo Brasil segundo o qual, mesmo que vender seus direitos patrimoniais, um autor pode se opor ao uso de sua criação caso ele fira suas convicções ou sua honra. O caso chegou ao STJ por conta da ação envolvendo o palhaço e deputado federal Tiririca e a EMI Songs do Brasil Edições Musicais, representante dos compositores Erasmo Carlos e Roberto Carlos. Na campanha eleitoral de 2014, Tiririca, candidato à reeleição, usou a canção “O Portão” (dos versos “Eu voltei, agora pra ficar/ Porque aqui, aqui é meu lugar”) numa versão parodiada e sem autorização. O processo foi aberto pela editora EMI e teve decisões favoráveis a ela até chegar ao STJ.

A lei de direitos autorais (9.610/1998) permite paródias, mas não menciona campanhas políticas. O entendimento do STJ é que o direito a imitar canções existentes independe do contexto. “Uma decisão inexplicável. O absurdo chega ao ponto de fazer com que o autor veja, passivamente, sua obra associada a iniciativas repulsivas contra as quais lutou toda a sua vida como artista e cidadão”, criticou Aloysio Reis, diretor-geral da Sony/ATV Music Publishing Brazil, atual proprietária da EMI Songs. O advogado Renato Dolabella, especialista em direitos autorais, concorda com ele. “Entendo que o posicionamento do TJSP era mais adequado. Se a finalidade da paródia for considerada irrelevante, como entendeu o STJ, nada impediria sua criação para fins publicitários/comerciais”, cogitou. “A ação no STJ não tratou dos direitos morais, pois a ação foi movida pela editora, mas poderá fazê-lo no futuro, caso os autores (Erasmo e Roberto) questionem alguma infração dessa natureza.” A editora irá recorrer no âmbito do próprio STJ. Se o resultado for desfavorável, irá ao Supremo Tribunal Federal (STF). “A proteção aos direitos autorais está prevista no artigo 5º da Constituição, no rol de direitos e garantias fundamentais”, finalizou Reis, que ganhou o apoio de representantes dos compositores, como a Associação Procure Saber.

LEIA MAIS Um artigo exclusivo de Sydney Sanches, advogado especialista em direitos autorais, sobre os impactos da decisão do STJ ubc.vc/ArtigoSS


FIQUE DE OLHO 20

do_ Rio

OAB ENTRA COM AÇÃO CONTRA MP QUE ISENTA

YOUTUBE FACILITA EXCLUSÃO DE

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou uma ação no STF para suspender e tornar inconstitucional a isenção de pagamento de execução pública pelas músicas tocadas em quartos de hotéis, pousadas, camarotes de navios e ambientes similares. Parte da medida provisória 907/2019, editada por Jair Bolsonaro em novembro, a isenção fere o direito de milhares de artistas que dependem de pagamentos pelo uso das suas obras, na visão da entidade de classe dos advogados. “A extinção da cobrança dos direitos autorais impõe graves prejuízos ao setor artístico e cultural. A exploração dos conteúdos de rádio e televisão se traduz em proveito econômico por parte dos hotéis e meios de transporte marítimo e fluvial, configurando também atividade de retransmissão de conteúdo”, sustenta a OAB.

Tradicionalmente calcado na “política das três ações” (derrubar o conteúdo acusado de pirataria, monetizar com ele ou simplesmente acompanhar o seu uso), o megaportal agora aposta pela agilidade na exclusão dos trechos polêmicos, de modo a manter o mais livre possível de problemas seu fluxo de publicações. Agora, com apenas um clique, o autor do vídeo pode autorizar a remoção automática de um trecho de titularidade sob suspeita encontrado pela ferramenta automatizada ContentID. Se se tratar de uma música, por exemplo, ela pode ser eliminada sem que o criador do vídeo tenha que tomar medidas adicionais. Segundo fontes do mercado, a medida seria uma resposta à insatisfação de titulares de direitos autorais musicais com outras mudanças implementadas recentemente pelo YouTube.

QUARTOS DE HOTÉIS

LEIA MAIS No site da UBC, confira desdobramentos dessa polêmica ubc.vc/STFHoteis

UBC LANÇA ATUALIZAÇÃO DO

CONTEÚDOS SEU SOB DISPUTA APLICATIVO

LEIA MAIS Relembre as mudanças anteriores no YouTube que causaram insatisfação entre compositores ubc.vc/YouTube

O aplicativo da UBC para smartphones ganhou atualização. Com desenho novo e mais moderno, além de um desempenho aperfeiçoado, o app permite aos associados ver seus extratos detalhados de rendimentos, com gráficos explicativos. Também estão reunidas ali as notícias sobre o mercado musical e o mundo dos direitos autorais que saem semanalmente no site da UBC. E, agora, a carteirinha de associado, em versão digital, está incluída no aplicativo. Para descarregar a versão, basta acessar a loja de aplicativos do seu celular e procurar o UBC App.


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ECAD DISTRIBUI

R$ 986,5 MILHÕES EM 2019

O ano passado fechou com R$ 986,5 milhões distribuídos pelo Ecad e suas associações, a UBC entre elas. Aliás, sozinhos, nós representamos 57% desse montante. No geral do Ecad, foram 383.266 titulares beneficiados, alta de 17% em relação a 2018. O streaming de vídeo, que teve salto de 48%, foi o segmento que mais se destacou. Festa junina (+24%), sonorização ambiental (+15%), rádios (+9%) e TV por assinatura (+7%) também apresentaram altas expressivas. Juntos, todos esses segmentos anteriores remuneraram os profissionais da música em mais de R$ 490 milhões. Já os segmentos audiovisuais mantiveram sua tradicional força. Somados, TV aberta, TV fechada e streaming de vídeo responderam por 48,5% de tudo o que foi repassado aos titulares. LEIA MAIS Na página 40 (Arrecadação e Distribuição), saiba tudo sobre o segmento sonorização ambiental

FUNDAÇÃO GRAMMY LATINO DÁ BOLSAS A

UNIVERSAL VENDE 10% DE SUAS

Terminam em 20 de abril as inscrições para a temporada de bolsas de estudos da Fundação Cultural Latin Grammy. Cerca de US$ 700 mil em ajudas serão distribuídos a estudantes de música sem recursos. Pode pleitear uma bolsa quem tem entre 17 e 24 anos, com comprovada limitação financeira e que tenha sido admitido numa universidade para um curso superior na área de música — e, importante, que o âmbito do estudo tenha relação com a pesquisa e a preservação da música latina. Serão dadas três bolsas “Talento” no valor de US$ 25 mil anuais, com validade de quatro anos; portanto, o valor total concedido a cada estudante será de US$ 100 mil, para cobrir gastos de matrícula e mensalidades de um curso superior na área musical; e 40 bolsas “Assistência” para pagar matrícula e mensalidades, no valor de US$ 10 mil cada.

No apagar das luzes de 2019, a gigante chinesa Tencent comprou uma participação de 10% na Universal Music Group por € 3 bilhões. Ainda não se conhece nenhum impacto que o negócio — antecipado por nós na edição de agosto da Revista UBC — deverá provocar nas subsidiárias da Universal pelo mundo, incluída a do Brasil. Mas uma coisa, segundo analistas ouvidos pela agência de notícias Bloomberg, é certa: traz uma perspectiva de lucro e valorização gigantesca não só à Universal como às outras grandes gravadoras, em crise até recentemente e em ativa reinvenção na era do streaming. Avaliada em € 30 bilhões, a Universal pode receber mais um aporte de dinheiro da Tencent, que tem a preferência para ampliar, até 2021, sua participação a 20% da corporação americana. Outros movimentos do gênero são esperados em outras majors ao longo deste ano.

ESTUDANTES AÇÕES DE MÚSICA POR € 3 BI

LEIA MAIS Saiba como se inscrever ubc.vc/BolsaGrammy


CAPA 22

THIA GUI NHO,

E lá se vão 18 anos desde que Thiaguinho surgiu como um dos nomes mais promissores da então forte cena do pagode dos anos 90. Após o estouro no reality show “Fama”, em 2002, entrou para o grupo Exaltasamba, onde trilhou sua carreira pela década seguinte. Desde 2012 em voo solo, lançou logo no início o disco ao vivo “Ousadia & Alegria”, título que se transformaria numa espécie de mantra seu. Agora, prestes a completar 37 anos de vida, não só surfa na onda do resgate do pagode como contribui para reinventá-lo, fundindo-o a rap, R&B e música eletrônica, fruto da recente união com o megaprodutor Dudu Borges. É a “maioridade” artística do inventor da festa Tardezinha, um sucesso de público que viajou literalmente por todo o país e ajudou a colocálo num novo patamar como artista de massas.

ANO 19

Cantor e compositor chega à ‘maturidade’ musical enquanto ajuda a reinventar o pagode, agora mesclado a rap, R&B e eletrônico, e ganha status de artista de massas com festa-show que viajou por todo o país por_ Kamille Viola

do_ Rio

fotos_ Eduardo Bravin


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É SEMPRE INCRÍVEL VER AS MÚSICAS CONQUISTANDO AS PESSOAS.” Thiaguinho


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Seu mais recente lançamento, o álbum “Vibe” é o primeiro trabalho do artista com músicas inéditas desde “Só Vem!”, de 2017. “A recepção está maravilhosa! É sempre incrível ver as músicas conquistando aos poucos as pessoas. O povo cantando nos shows... Estou hiperfeliz com a receptividade do público. Foi tudo feito com muito carinho e dedicação”, diz Thiaguinho. O show conta ainda com sucessos mais antigos seus, como “Ponto Fraco”, “Ainda Bem” e “Domingando”, que, conhecidos também pelas novas gerações de apreciadores do pagode, denotam a renovação de público do gênero. A fusão do pagode a gêneros de sotaque mais internacional que ele promove em “Vibe”, aliás, deveu-se à boa sintonia entre Prateado, referência no pagode e produtor de Thiaguinho há anos, e Borges, conhecido por seu trabalho com grandes nomes do sertanejo e do pop. “O Dudu Borges é um dos caras que mais admiro musicalmente produzindo. Eu o trouxe ao trabalho justamente porque a visão dele é o mundo. Ele tem um ponto de vista bem parecido com o meu em relação à música. Conhece muita coisa e é muito talentoso. Somou demais com o Prateado, que já produzia meus álbuns. Poder contar com os dois maiores produtores musicais do Brasil no mesmo álbum é um privilégio”, anima-se o cantor e compositor. A música “Se Der Rolo” conta também com Laudz e Zegon, da dupla de produtores Tropkillaz. Desta vez, Thiaguinho canta sozinho nas 12 faixas, contrariando um dos grandes modismos do momento, o feat, ou participação especial de um artista conhecido. “Na minha visão, a música escolhe o convidado no álbum. Não teve nenhuma

“Vibe” também conta com um registro audiovisual, gravado na Casa das Caldeiras, em São Paulo. A cada semana, uma nova faixa foi lançada no canal de Thiaguinho no YouTube. A primeira delas, “Deixa Tudo Como Tá”, publicada em 2 de agosto de 2019, já tem 20 milhões de visualizações.

nesse disco que me chamasse atenção nesse sentido. Sou muito a favor das colaborações e tenho grandes amigos com quem ainda quero cantar, mas tem que ter a ver”, define. Para Marcelo Soares, diretor-geral da Som Livre, não é por acaso que o cantor e compositor vem construindo uma trajetória de sucesso. “Thiaguinho é um artista que sabe exatamente o que quer com a sua música, tem uma personalidade que o torna isento a modas e tendências, tem um trabalho sólido que é pessoal e totalmente autêntico”, enumera. “Além disso, é uma pessoa adorável, simples e de uma integridade absoluta. Não é só um artista carismático nos holofotes, é daquelas pessoas que você quer sempre encontrar para bater papo e falar de futebol e da vida. Não é fácil encontrar alguém assim”, elogia.


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Nada mais esperado que se tornasse uma celebridade diligentemente seguida pela imprensa. Em 2011, começou a namorar a igualmente carismática atriz e apresentadora Fernanda Souza, com quem se casou em 2015. Juntos, ambos formaram uma parceria pessoal e profissional marcada por uma planificada exposição publicitária. Em outubro do ano passado, eles se separaram. Mas Thiaguinho, que é amigo de famosos como o jogador Neymar, conseguiu manter o foco na criação artística, com a ajuda de uma boa equipe de marketing. Enquanto viaja com seu atual show pelo país, diz pensar em novos planos musicais. Sabe-se que continuará alternando seu show com apresentações acústicas, como já vinha realizando. E planeja um novo disco, em espanhol — língua que fala por ter crescido em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai —, possível porta de entrada para um mercado mais amplo, latino-americano. “Dois mil e vinte é o ano do ‘Vibe’”, centra-se, por ora. “Ao longo do ano, vou pensando em novos planos.”

VEJA MAIS Os registros visuais do álbum “Vibe” ubc.vc/Vibe

THIAGUINHO É UMA PESSOA ADORÁVEL, SIMPLES E DE UMA INTEGRIDADE ABSOLUTA.”

Marcelo Soares, Som Livre

TARDEZINHA, UM INÍCIO DESPRETENSIOSO O encerramento da turnê Tardezinha foi em grande estilo, no dia 15 de dezembro, com uma apresentação para 40 mil pessoas no Maracanã. Ao todo, o projeto passou por 51 cidades do país e teve 163 edições, recebendo cerca de um milhão de espectadores, além de ter rendido dois álbuns ao vivo, “Tardezinha” e “Tardezinha 2”, lançados pela Som Livre em 2017 e 2018. Também deu origem a uma série da GloboPlay, prevista para este ano, mas ainda sem data de estreia. Ela será dividida em quatro episódios e trará imagens do show no Maracanã e dos bastidores, além de mostrar depoimentos de Thiaguinho, da equipe e de convidados. “A Tardezinha foi um dos maiores projetos da minha carreira e, com certeza, ficará eternizada no coração das pessoas e no meu. Fiquei superfeliz com a ideia de ela virar uma série na GloboPlay... Vai ser bacana as pessoas entenderem o evento e tentarem descobrir por que deu tão certo”, espera Thiaguinho. Nada mal para um projeto que surgiu despretensiosamente. Ele gravava um programa no Rio nos domingos à noite quando, conversando com o ator Rafael Zulu, seu amigo — que viria a se tornar seu parceiro na empreitada —, Thiaguinho teve a ideia de fazer um projeto no Rio nas tardes de domingo, já que era o único horário que tinha disponível na época. A festa estreou em maio de 2015, para 400 pessoas, numa temporada de quatro semanas num clube da Barra da Tijuca. Logo, a ideia estaria ganhando outros dias da semana e outros estados. No show, o artista misturou hits de sua carreira com sucessos do pagode dos anos 90 e 2000. A cada edição, recebia convidados especiais. Passaram pelo projeto desde nomes do pagode, como Péricles (também ex-Exaltasamba), Rodriguinho (do grupo Os Travessos), Alexandre Pires, Belo e Ferrugem, até ídolos de outros gêneros musicais, como Iza, Ludmilla, Rael e Di Ferrero.


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XÊNIA FRANÇA A PRÓXIMA FASE Prestes a gravar seu segundo disco, ela fala da sua evolução — espiritual, de autoconhecimento — e comenta fama, relação com fãs e traumas por_ Alexandre Matias

de_ São Paulo

fotos_ Noa Grayevsky

Mesmo às vésperas de mais uma viagem internacional e do início dos trabalhos em seu segundo álbum, a cantora e compositora baiana Xênia França, de 33 anos, sente-se insegura. “Eu estou começando tudo de novo, me sentindo completamente inexperiente e despreparada para fazer este disco, não sei se é a hora”, ela conta às gargalhadas, que escondem um nervosismo que faz questão de deixar evidente. “Eu sou pisciana, sou muito ansiosa e já estou sofrendo, lógico!”


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Quem a vê falando assim pode até acreditar. Mas basta vê-la no palco para perceber que é excesso de zelo. Arma secreta do grupo paulistano Aláfia, Xênia lançou sua carreira solo no final de 2017 e anunciou a saída da banda no início do ano passado, quando tomou as rédeas de sua trajetória de vez e atingiu patamares invejáveis para uma artista em seu primeiro voo sozinha. Depois de ter sido indicada para o Grammy Latino (nas categorias Melhor Álbum Pop Contemporâneo e Melhor Canção em Língua Portuguesa) em 2018, dividiu o palco do Rock in Rio em 2019 com o cantor inglês Seal e foi a primeira artista brasileira a participar do canal alemão de vídeos Colors, além de não parar de fazer shows, aqui e lá fora. Ela insiste que é hora de partir para o segundo álbum, mesmo sem ter nada muito definido, à exceção da temática — a natureza e seu lado feminino. “Já estou reduzindo a quantidade de shows porque preciso parar e entrar de cabeça. São quase dois anos ininterruptos fazendo shows todo final de semana. Já fiz muita coisa importante e estou com vontade de cantar outras coisas, de experimentar outras sonoridades e musicalidades, mas eu sofro. Tenho umas crises de ansiedade, mas estou trabalhando nisso, me cercando de amor e de carinho e das pessoas de que eu gosto.” Ela já sabe que quer manter a dupla de produtores Pipo Pegoraro e Lourenço Rebetez. “Eu queria que a produção transitasse pelo âmbito da intimidade, da escuta, porque eu

“Em agosto de 2018 eu dei início à minha carreira internacional, indo para os Estados Unidos, onde já me apresentei algumas vezes”, lembra, explicando que seu primeiro disco solo, batizado apenas de Xênia, ainda está no processo de lançamento no mercado exterior. “Acabei de lançar esse disco em vinil nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, então ele ainda é uma novidade por lá. Já tenho algumas prospecções pro segundo semestre de 2020 com o primeiro disco no Canadá, na Austrália e nos Estados Unidos, além de provavelmente em alguns países da Europa.”

Na última edição da Revista, mostramos histórias de artistas da música que se equilibram entre aplausos, curtidas, elogios, necessidade de triunfar e frustração, rechaço, solidão. Acessando o link abaixo, você pode reler a reportagem, com dicas práticas para evitar sucumbir à pressão. ubc.vc/Ansiedade

estava saindo de uma banda enorme, com um monte de gente, e queria poder sentar para fazer meu trabalho com uma galera que já me conhecia. Deu muito certo com esses dois, que não se conheciam. Alquimia pura. Hoje, eles produzem outros artistas juntos, viraram superamigos.” Se o primeiro álbum foi calcado no tema da diáspora africana — com análises certeiras e uma potente exaltação à herança ancestral dos afro-brasileiros —, o próximo deve ser mais reflexivo. “Fico escrevendo palavras soltas baseada no que eu gostaria de dizer. Me transformei muito, estou muito ligada em existencialismo, em astrologia e espiritualidade. De me perceber como mais do que uma entertainer ou uma artista que está em cima do palco, mas como uma pessoa que está trocando experiências com pessoas que saem de suas casas para ver a gente tocar. Alguns momentos do show são muito focados nessa troca.” Xênia voltou de sua turnê pelos EUA nos primeiros dias de 2020 e já se apresentou no Sesc Pinheiros, em São Paulo, e numa festa no Rio do músico Max Viana, filho de Djavan (“um DNA que eu amo muito”, ri, sem saber se o pai de Max, um de seus ídolos máximos, já ouviu seu disco). Em fevereiro, verá o lançamento do álbum do projeto Acorda Amor, idealizado pela jornalista Roberta Martinelli e pelo produtor e baterista do grupo Bixiga 70 Décio 7, do qual participou ao lado das cantoras Maria Gadu, Letrux, Luedji Luna e Liniker. O ano de Xênia será intenso.


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“Emocionalmente eu sempre fui uma pessoa muito frágil, e o meu primeiro disco me deu um certo lastro, eu pude abordar coisas que me fizeram colocar alguns monstrinhos na mesa para trocar uma ideia com eles. Ao longo deste período na estrada, pude ir trabalhando isso no palco, com as pessoas, com o público, com a minha equipe, com meus músicos. Comecei a estudar mais sobre autoentendimento, autorresponsabilidade. Quero curar, tratar com compaixão, carinho e amor os traumas da vida, a respeito da minha ancestralidade preta, da minha presença como mulher no mundo, da minha vida infantil... Já passei por um portal e estou me preparando para passar por outro.”

LEIA MAIS Reveja uma reportagem do site da UBC sobre o afrofuturismo, movimento do qual Xênia é adepta e que defende o vanguardismo da África ubc.vc/AfroFuturo


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Nova geração de artistas independentes de Norte a Sul do país abraça sonoridades regionais, refrãos fáceis e até dancinhas para conquistar públicos maiores por_ Luciano Matos

de_ Salvador

Até há pouco tempo, a pernambucana Eduarda Bittencourt trabalhava numa loja para pagar as contas e pintava paredes para custear o primeiro disco. Meses depois, já assinando como Duda Beat, tornou-se um dos principais nomes de uma nova música pop brasileira. Ela é parte de uma turma que não tem medo de abusar de letras fáceis, melodia grudentas, refrãos e batidas repetidas e dançantes, tudo quase sempre permeado por modernos elementos eletrônicos. Ainda distantes das rádios e TVs e de um público massivo, eles já ocupam ambientes que até então resistiam ao seu som. Ao lado dela, aparecem artistas independentes como Tuyo, Jaloo, ÀTTØØXXÁ, Romero Ferro, Mateus Carrilho, Keila, Luísa e os Alquimistas, Rosa Neon, Jacintho, entre tantos outros. É fácil reconhecer a pegada pop observando, por exemplo, o circuito de festivais que eles têm percorrido. Se, antes, estavam circunscritos aos de rock e música alternativa, hoje frequentam os mais conhecidos, às vezes até como atração principal. Duda Beat, em 2019, foi cabeça de cartaz no Coalla (SP), no Sarará (MG), no Bananada (GO), no CoMA (DF), no Queremos (RJ) e no Wehoo (PE). O grupo baiano ÀTTØØXXÁ bateu

SEM MEDO DE SER


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foto_ Fernado Thomaz

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Duda Beat: miscelânea popular e vontade de conquistar públicos mais amplos


MERCADO MERCADO

foto_ Lana Pinho

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SEMPRE ME ENTENDI COMO POP. JÁ SENTI PRECONCEITO POR ISSO, MAS HOJE O CONTEXTO É OUTRO.”

Romero Ferro

foto_ Rafael Ramos

Acima, Romero Ferro; ao lado, Jaloo; abaixo, ÀTTØØXXÁ: três caras do novo indie-pop brasileiro

ponto no BR-135 (MA), no Se Rasgum (PA) e no DoSol (RN), também entre os headliners. A banda curitibana Tuyo foi outra que esteve em diversos festivais, como Radioca (BA), Favela Sounds (DF), Polifonia (RJ), Locomotiva (SP), Rec Beat (PE)... Mas o que mudou? Quais as razões para o pop ganhar todo esse espaço no universo independente? Segundo Patrick Torquato, DJ e gerente de programação da rádio Frei Caneca FM, em Recife, é uma resposta natural da geração: “Todas têm seus desafios e uma demanda de autoafirmação.” Depois da axé music e do sertanejo, esta cena estaria se enxergando cada vez mais como pop. “Ela está ocupando esses espaços que fazem músicas com potencial para alcançar um público maior. Flertam com a música periférica do funk, do brega, do pagodão, misturando com o pop gringo de Rihanna, Beyoncé, com o hip hop ou o reggaeton”, afirma Patrick, diretor artístico do mais recente disco de outro expoente desse indie-


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pop nacional: o pernambucano Romero Ferro, participante do Projeto Impulso, da UBC. A proximidade e a mescla de ritmos populares com o pop não são novas, nem no ambiente independente. Gaby Amarantos vem fazendo isso desde que surgiu com seu tecnobrega e influência das aparelhagens do Pará. Ela foi longe e chegou a emplacar música de abertura em novela global. A terra dela é um dos lugares de onde mais surgem artistas com essas características. O cantor e guitarrista Felipe Cordeiro é um deles. Em seu quarto disco, “Transpyra”, abriu o leque de referências, aumentando a dosagem pop ao mesclar ritmos do Norte com sonoridades internacionais oitentistas, num caldo que inclui lambada, new wave e brega. Longe dali, a “Rosa Neon” é a resposta mineira a esse novo pop. A banda, que nós apresentamos na última edição da Revista, apresentou seu primeiro disco em 2019, “Rosa Neon”, um autêntico pop-tropical, com refrões chiclete e direito até a danças coreografadas no palco. Falar de música pop e coreografias sem mencionar a Bahia é impossível. O estado tem apresentado novos nomes vindos de uma proeminente cena independente. Caso de Larissa Luz (com uma pegada mais politizada), Hiran, Majur, Nêssa, e Trap Funk&Alívio. Ainda do Nordeste, outro nome que vem colocando suas fichas numa veia mais pop é Luísa e os Alquimistas. A banda potiguar, liderada pela cantora e compositora Luisa Nascim, lançou em 2019 o álbum ‘Jaguatirica Print’, que mergulha numa miscelânea entre brega, funk, música tradicional nordestina, dub, dancehall, reggaeton, rap, zouk, R&B... Dá para imaginar algo mais pop?

No álbum “Ferro”, o cantor reforça a proximidade com ritmos populares. Amplia o leque de referências e se aproxima do brega pernambucano. O resultado é um trabalho mais solar e dançante, que, segundo ele mesmo, pode ser ouvido com mais facilidade, ampliando a conexão com o público. “Eu fico muito feliz em acompanhar e fazer parte dessa geração que trabalha o pop de forma tão plural no país, principalmente no mercado independente”, afirma. “Sempre me entendi como pop, por tudo o que eu escutei de pequeno até aqui. Já senti preconceito por me denominar assim, mas hoje o contexto é outro.”

LAY SOARES, DO TUYO: “A GENTE TEM QUE ESTOURAR AS BOLHAS” Fazendo um pop por um caminho diferente da maioria dos outros, o grupo paranaense Tuyo aposta menos em sons dançantes e mais em uma sonoridade que mistura vocais melódicos, suaves e sofridos, violões, beats eletrônicos e letras que falam de amor e desilusões. A harmonização das vozes das irmãs Lio e Lay Soares e do parceiro Jean Machado se combina e se cruza com versos sinceros e diretos e referências que passam por folk, synth pop e pinceladas de hip hop. Um pop um pouco menos festivo, mas pop em essência, que tem levado hordas de fãs aos shows. “Pop é bom, pop é gostoso. Gostoso demais de cantar, você sabe as letras, você curte. É um som democrático, todo mundo ouve, todo mundo entende, chega no pai, chega na mãe, chega na vó”, enumera Lay Soares. “Eu acho muito bonito o pessoal independente chegando ao pop. A gente tem que estourar as bolhas. Você quer ser mainstream, quer vender, quer que todo mundo ouça sua música? Qual o problema se você tiver essa belíssima ideia de ficar um pouco pop? Não tem problema em almejar fazer sucesso.”


CARREIRA 34

FEIRAS E FESTIVAIS EM 2020:

Compilamos no site da UBC as datas dos principais eventos nacionais para você mostrar seu trabalho e fazer contatos por_Luciano Matos

de_ Salvador

UMA LONGA LISTA Já tem um tempo que os festivais se consolidaram como um dos melhores ambientes para se acompanhar o que vem acontecendo na música. No Brasil, eles chegam a números inacreditáveis. Segundo um estudo da plataforma de vendas de ingressos Sympla, contando apenas os parceiros deles, foram quase 2 mil festivais entre 2016 e 2018. Evidente que os critérios são amplos, mas, independentemente de tamanho, formato ou gêneros musicais, eles estão por todo lado. De grandiosos, como Lollapalooza e Rock in Rio, a milhares de outros pequenos e pulverizados, eles já começaram no último mês de janeiro e não param nem no carnaval, estendendo-se inverno adentro e, claro, no verão. Como disse ao site da UBC David McLoughlin, do Brasil Calling, um projeto de divulgação e promoção da música nacional lá fora, o streaming não tirou a força dos festivais. Ao contrário. Esses dois meios se retroalimentam. “Tem vários estudos sobre a relação entre streaming e festivais, especialmente na

Noruega, na Suécia e na Holanda. Há claramente um ‘efeito festival’ que relaciona o aumento dos plays on-line e da presença em redes sociais à participação nesse tipo de eventos”, analisou. Para que você, artista que quer mostrar seu trabalho, fique ligado na extensa programação de festivais, nós reunimos os mais importantes deles, de todos os tamanho e em cada uma das regiões do país. A lista, atualizada e com contatos para tentar mandar seu material, está no site da UBC (confira o link no final deste texto). Mas não para por aí. Nosso levantamento traz também uma grande relação de outros


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eventos que, nos últimos anos, vêm se firmando como vitrines fundamentais para novos projetos musicais: as feiras e convenções. Hoje, elas são um dos principais caminhos para quem deseja conhecer e adentrar outros mercados e ambientes. “Diferentemente dos festivais, que têm um ambiente mais noturno, de festa, as convenções favorecem o encontro, a troca de ideias, os negócios e o networking porque acontecem durante o dia”, descreveu Melina Hickson, diretora e criadora do Porto Musical, feira que, de 13 a 15 de fevereiro, tem sua nona edição em Recife. “É um momento de muita capacitação, com conferências, oficinas e momentos voltados para o negócio e a discussão sobre o mercado e o mundo”, ressaltou. Depois da Porto, que abre o calendário do ano, haverá outras convenções como Feira da Música, de Fortaleza, Formemus, em Vitória, FIMS - Feira Internacional da Música do Sul, em Curitiba, o Women’s Music Event, em São Paulo, os gigantes Rio2C, no Rio, e SIM, em São Paulo... Quer ver a lista completa? Pois já sabe: é só ir ao site da UBC.

LEIA MAIS Uma ampla relação de festivais, feiras e convenções agendados até o fim do ano ubc.vc/ListaFest


INTERNACIONAL 36

ENCUENTRO ENCONTRO

LATINO de_ São Paulo

No Oeste da América do Sul, um paredão rochoso de 7,2 mil quilômetros de extensão marca uma separação física entre o continente e o “outro lado”, o Pacífico. No panorama musical latino-americano, parece que os Andes estão é ao redor do Brasil. Frequentemente apartados, de costas uns aos outros, brasileiros e outros latino-americanos vêm escalando essa montanha imaginária e se encontrando no topo. Parcerias, feats, projetos unificadores aproximam os gêneros variadíssimos do nosso país aos de Colômbia (reggaeton, cúmbia), Argentina/Uruguai/Chile (rock), Porto Rico (pop latino), Cuba (salsa-pop). Um evento simboliza, como poucos, o namoro cultural entre nossos

povos: o Grammy Latino. Desenhada para contemplar as múltiplas manifestações musicais de Norte a Sul do continente, a festa anual é uma das raras ocasiões em que se pode ver Anitta e a mexicana Sofía Reyes, Rosalía (Espanha) e Carminho (Portugal), Paula Fernandes e Luis Fonsi confraternizando, fazendo contatos… quem sabe combinando parcerias? “É um barato, um grande prazer poder estar com tanta gente com a qual tenho afinidade, e foi uma honra poder fazer o show de abertura”, disse Anitta, referindo-se a “La Vida Es Un Carnaval”, hit de Victor Daniel imortalizado pela diva cubana Celia Cruz que ela cantou em perfeito espanhol ao lado de Olga Tañón (Porto Rico) e Milly Quezada (República Dominicana). Para Pedro Dash, um dos produtores de “Kisses”, de Anitta, indicado a melhor álbum de música urbana, analisar os finalistas da premiação é se dar conta de que o que se produz no Brasil e lá fora já não é assim tão diferente. “Nossos sons e culturas estão se misturando. Posso dizer por experiência própria, pois nós

foto_ Rich Fury / Getty Images

Artistas do Brasil e de outros países do continente se aproximam cada vez mais, e festa do Grammy Latino vira símbolo desse namoro cultural


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Anitta entre Olga Tañón e Milly Quezada, no número de abertura da última edição do Grammy Latino: símbolo de aproximação


INTERNACIONAL

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foto_ Kevin Winter / Getty Images

(Los Brasileros/Head Media) estamos produzindo cada vez mais artistas latinos”, ele afirmou. Dash fez ainda uma observação curiosa sobre um certo mal-estar da turma do reggaeton pelo que considerou uma sub-representação do gênero na edição 2019 do prêmio: “Entendo (a bronca), é o reggaeton que leva a música latina para o mundo hoje!” Outra empolgada com a possibilidade de mostrar seu trabalho — mesmo num gênero tão genuinamente brasileiro como o sertanejo — e receber bons feedbacks foi Paula Fernandes. “Sou muito grata por poder compartilhar músicas e experiências com artistas tão incríveis”, descreveu a artista, que já esteve em outras edições e conheceu muitos criadores de outros países. “Duas das grandes parcerias na minha

carreira foram com (o espanhol) Alejandro Sanz e (o colombiano) Juanes”, lembrou Paula, que, além de ter sido indicada a melhor álbum sertanejo, com “Hora Certa”, subiu ao palco para apresentar um prêmio ao lado do ator cubano William Levy. União transcultural e transnacional que, para Gabriel Abaroa, presidente da Academia Latina de Gravação, responsável pelo Grammy, deve prevalecer: “Temos recebido propostas de grupos brasileiros para organizar seus próprios Grammy, ao que eu, como líder desta organização, absolutamente me oponho. A intenção da Academia não é isolar o Brasil, mas servir como uma embaixada onde ele possa expor seu produto, o melhor de sua música.”

LEIA MAIS Gabriel Abaroa, da Academia Latina de Gravação, analisa os pontos em comum entre brasileiros e latinos e as oportunidades de networking para nós nos Estados Unidos ubc.vc/Abaroa

foto_ John Parra / Getty Images

Acima, Paula Fernandes e o ator cubano William Levy durante um momento do prêmio; abaixo, Erasmo Carlos recebe o troféu Live Achievement, pelo conjunto da sua obra, na edição de 2018, tendo ao fundo Aloysio Reis, diretor-geral da Sony/ATV e diretor financeiro da UBC


NOTÍCIAS INTERNACIONAIS do_ Rio

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URUGUAI APROVA LEI DE

DIREITOS AUTORAIS PROGRESSISTA

LEIA MAIS Na página 42 (Dúvida do Associado), conheça mais detalhes sobre o buyout

TV PÚBLICA DA CHINA É

Em dezembro, nosso vizinho conseguiu aprovar, com amplas maiorias na Câmara e no Senado, uma progressista lei de direitos autorais que reforça o poder de barganha dos criadores. No caso da música, a proteção por direitos autorais se estende de 50 a 70 anos após a morte do último dos autores, como já ocorre na maioria dos países ocidentais, o Brasil entre eles. Também, foi previsto um mecanismo que impede a venda da totalidade dos direitos autorais patrimoniais por um criador. Segundo analistas, esse dispositivo deve pôr freios, em nível nacional, ao chamado buyout, prática de compra da totalidade dos direitos no universo das trilhas sonoras e que exclui o autor de qualquer remuneração futura.

EUA: 745 BILHÕES DE

ACUSADA DE PIRATARIA

STREAMS MUSICAIS EM 2019

Histórica adepta da pirataria, a China se viu envolvida no centro de uma polêmica internacional, em janeiro. O compositor de trilhas sonoras estadunidense Kerry Muzzey publicou uma série de tuítes com detalhadas informações sobre como o ContentID, do YouTube, flagrou o uso pirata de suas músicas pelo canal de TV público CCTV. Trilhas de noticiários, documentários e outros programas, criadas por ele, estariam sendo utilizadas ilegalmente — sem qualquer pagamento ou autorização — há anos. Graças ao sistema automático de varredura do YouTube, onde os programas da CCTV são publicados, o americano pôde denunciar a prática. Ele diz que processará a CCTV nos Estados Unidos.

Três dos principais mercados de streaming musical do mundo alcançaram, ano passado, cifras astronômicas de reproduções. Com crescimento de 23,8% em um ano, os EUA alcançaram 745,7 bilhões de streams musicais. Reino Unido (114 bilhões de streams) e Alemanha (107 bilhões) vieram logo atrás. O levantamento foi feito pela Nielsen Music, que prevê expansões ainda mais aceleradas para 2020 desta que é a forma de consumo musical tida como “salvação” pela indústria.

LEIA MAIS Reveja uma reportagem sobre a China, publicada em agosto passado, que aborda o desrespeito sistemático aos direitos autorais por parte do governo daquele país ubc.vc/China


ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO 40

SONORIZAÇÃO Entenda como funciona um dos segmentos mais plurais do Ecad, que contempla diversos tipos de estabelecimentos comerciais que usam música em seus espaços

AMBIENTAL

No caso dos hotéis, a arrecadação acontece dentro de Sonorização Ambiental, mas a distribuição, não. No quadro ao lado, você entenderá por quê.

do_ Rio

Como você já sabe, a arrecadação e a distribuição de direitos autorais é divida em segmentos para facilitar a apuração dos valores referentes às músicas usadas em diferentes contextos — da TV à internet, da rádio aos shows. Um dos segmentos mais plurais, por contemplar diversos tipos de usuários, é o da Sonorização Ambiental. Nele, entram os valores arrecadados em estabelecimentos como lojas, supermercados, shoppings, academias e demais comércios que utilizam música para sonorizar os espaços.

O valor a ser pago por cada cliente depende de fatores como a região socioeconômica em que está localizado e a área, em metros quadrados, que será sonorizada. Uma peculiaridade desse segmento é que o pagamento deve sempre ser prévio à utilização da música. A distribuição dos direitos autorais aos artistas é indireta, feita com base em uma amostra com 25 mil execuções musicais por trimestre, gravadas em todo o Brasil. Por se tratar de um processo amostral, a Ibope Inteligência certificou tudo para assegurar que os critérios utilizados para seleção automática dos locais de gravação atendam às normas estatísticas e representem o universo de músicas comumente executadas nesses estabelecimentos. A margem de erro deste segmento é menor que 1%.

Como a programação executada nos espaços comuns é oriunda quase sempre de rádios e TVs, a distribuição entra na categoria Usuários Gerais, sendo que 95% do dinheiro vai para as rádios, e 5%, para a TV. No caso dos quartos, como informamos na reportagem da página 14, já não é realizada a cobrança.


REVISTA UBC

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A captação das músicas é feita utilizando um equipamento desenvolvido pelo Ecad que permite a gravação de forma digital. Técnicos do escritório central visitam esses espaços para isso. As canções são posteriormente identificadas, e os valores, distribuídos aos titulares. No segmento de Sonorização Ambiental são contemplados os direitos de autor e os conexos. Isso quer dizer que músicos intérpretes e cantores também recebem valores. Em 2019, o segmento Sonorização Ambiental teve um crescimento de 15% nos valores distribuídos em relação a 2018.

POR QUE A DISTRIBUIÇÃO É INDIRETA A distribuição direta é aplicada quando os clientes conseguem encaminhar para o Ecad a relação de todas as músicas executadas num dado período, com as informações mínimas para possibilitar o pagamento aos artistas. Também é fundamental que haja viabilidade econômica: algumas vezes, mesmo com o envio da relação, não é possível fazer a distribuição direta. Já no segmento de Sonorização Ambiental, composto por clientes que, muitas vezes, utilizam sonorização de terceiros (como rádios), não é possível ter o controle exato das músicas que são tocadas. Isso inviabiliza as determinações previstas na lei 12.853/13, que obriga os clientes a enviarem ao Ecad a listagem das canções tocadas. É por isso que não se pode fazer a distribuição direta dos valores arrecadados.


DÚVIDA DO ASSOCIADO 42

“O que é buyout? Como esse procedimento adotado por algumas empresas, como a Netflix, pode afetar os criadores?” [ Anita Carvalho

empresária musical, Rio de Janeiro - RJ ]

REVISTA UBC O buyout é uma prática crescentemente adotada no mundo das trilhas sonoras, principalmente, que consiste em efetuar um único pagamento ao autor da canção e excluí-lo de futuros recebimentos de royalties e direitos autorais. Nos contratos que contemplam esse instrumento, há cláusulas que determinam claramente que o criador abre mão de quaisquer direitos patrimoniais para sempre, e que os ganhos com a exploração comercial da obra serão exclusivamente de quem os adquire — e que pode ser o produtor audiovisual, diretamente, ou empresas intermediárias que compram a música e a cedem à produção do filme ou da série.

Em teoria, os pagamentos deveriam ser “polpudos” o bastante para que o autor se sentisse impelido a assinar o contrato. Mas a verdade é que, em muitos casos, a aquisição da música rende valores baixos aos seus criadores, deixando exposta a óbvia assimetria no poder negociador entre um autor e um grande produtor internacional. Dependendo da situação — no caso da trilha sonora de uma série de grande sucesso global, por exemplo —, a exploração futura da canção poderá render muito dinheiro, e por muito tempo, a quem a comprou mediante buyout. Cabe lembrar que, nas legislações da maioria dos países ocidentais, o Brasil entre eles, os

direitos autorais valem por 70 anos após a morte do último dos autores. Alguns países, como recentemente o Uruguai, com sua nova lei de direitos autorais, tentam estabelecer limites legais para a cessão de direitos autorais. O movimento de fortalecimento dos autores é global e inclui ainda entidades da sociedade civil como a Your Music, Your Future, surgida nos EUA, nação onde a lei não põe barreiras ao buyout.

E VOCÊ, TEM DÚVIDA? Entre em contato com a UBC pelo e-mail atendimento@ubc.org.br, pelo telefone (21) 2223-3233 ou pela filial mais próxima.


MÚSICA, QUANDO MARCA, GANHA NOVA VERSÃO. APLICATIVO TAMBÉM O app da UBC está de cara nova. Com visual mais moderno e melhorias de desempenho, você pode acessar seus rendimentos de qualquer lugar. Além de gráficos explicativos sobre o uso da sua obra, tem dicas e novidades do mundo da música e um bonus track: a carteira de associado da UBC em versão virtual.


COPYRIGHT E OS NEGÓCIOS DAS INDÚSTRIAS CRIATIVAS A UBC e a SPAUTORES lançam a versão em português do curso online e gratuito da CISAC que explica quem ganha o quê — e por quê — nas indústrias culturais. Em breve, na plataforma Futurelearn.com. Acesse ubc.vc/PreMOOC e receba informações sobre o lançamento do curso.

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Revista UBC #43