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15.000 EXEMPLARES – DISTRIBUIÇÃO GRATUITA ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL – MARÇO DE 2015 – ANO 2 – Nº 18

Medos, culpa, remorsos e perdão a si mesmo Veja matéria nas páginas 12 e 13

O AUX

ÍLIO VI RÁ e TENSÃ EMOCI O ONAL página 5

“(...) a primeira luz que assinalará o alvorecer do Cristianismo na intimidade de nosso coração será o exato momento em que nos alegrarmos com o contentamento de nosso semelhante!” - Rogério Coelho - veja na página 15.

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Palestras com Marisa Cajado Marisa Cajado (Guarujá-SP) visita várias cidades em extensa jornada no período de 19 a 26 de março. Veja programa no site do Instituto Cairbar Schutel. www.institutocairbarschutel.org


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Editorial

Regionalização do jornal

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aremos experiência piloto a partir de cidade paulista para tentar regionalizar a publicação do Tribuna do Espiritismo, visando diluir os custos e possibilitar que o jornal chegue às diversas regiões do pais com publicidade regional específica, mantido o conteúdo geral. A experiência ainda está em fase de estudos e depois do teste acima referido, poderemos iniciar essa ampliação. Em tese, os arquivos digitais com o conteúdo original do jornal poderão ser remetidos às regiões ou cidades interessadas, com espaço em branco das publicidades para serem preenchidos com os patrocínios locais. Ou, se remetidos para nós os patrocínios, poderemos enviar concluído apenas para impressão. Os interessados poderão manter contato imediato para estudarmos a viabilidade a partir dos primeiros estudos. Isso vai facilitar mais ampla distribuição em experiência inédita no país. Assim que concluídos os estudos, divulgaremos, mas já podemos receber contatos para essa finalidade. Agora é desfrutar a rica edição de março, em suas mãos leitor. r

Carta Aberta Texto publicado em “colega” do Tribuna, em Botucatu, o jornal do C.E. A Caminho da Luz, chama a atenção pela lucidez e oportunismo do autor. Francisco Habermann – membro da Assoc. Médico-Espírita de Botucatu-SP

fhaber@uol.com.br

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uero cumprimentar a todos os colaboradores dos veículos de divulgação espírita do Brasil. A tarefa é nobre e o esforço de cada um é sempre multiplicado infinitamente. Conquistar o leitor é a primeira missão da palavra de ajuda. Nesta semana, estive na firma de um dos abençoados patrocinadores de publicação espírita e ouvi com alegria a informação que os exemplares (dispostos no balcão gratuitamente) têm despertado o interesse do público frequentador daquele estabelecimento comercial. Os clientes (não espíritas) levam o jornal, demonstrando curiosidade, disse-me o responsável. Fiquei feliz e imaginei a nossa responsabilidade cada vez maior diante daquela observação auspiciosa. Ao escrever artigos, devemos cuidar para atrair e esclarecer o leitor, especialmente aquele movido pela curiosidade sobre a Doutrina Espírita. Se possível, com temas

atuais que estão envolvendo o nosso cotidiano. A partir deles, insere-se o pensamento esclarecedor e consolador. Nos tempos atuais de alto di-

Ao escrever artigos, devemos cuidar para atrair e esclarecer o leitor, especialmente aquele movido pela curiosidade sobre a Doutrina Espírita. Se possível, com temas atuais que estão envolvendo o nosso cotidiano. A partir deles, insere-se o pensamento esclarecedor e consolador.

namismo eletrônico na veiculação noticiosa e de reduzido conteúdo reflexivo, convém nos ater aos itens da boa didática: linguagem sim-

ples e correta, baseada em Kardec; textos curtos e esclarecedores (500 a 600 palavras); inserção de experiência própria (descrição de um fato, uma história ilustrativa, etc.) que fixe no leitor a ideia central do artigo. Certamente, esse leitor novato assim fisgado não deixará de buscar a nova edição. De cliente ocasional, passa a ser leitor assíduo. Bom para a vida dele, para o Centro, para o patrocinador e, sobretudo, para o Movimento Espírita - em nome do qual, também, o jornal é veiculado. E o Centro Espírita cumpre mais uma de suas tarefas. Que os bons espíritos nos ajudem. r Nota da Redação: a responsabilidade amplia-se com o compromisso individual espírita de não permitir acúmulo de publicações – inclusive de mensagens avulsas – para utilizá-las em continuada distribuição nas instituições, inclusive com o estímulo de comentários sobre conteúdo e entrega individual, de mão em mão.


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O Kindle Espírita chegou para ficar Novo conceito de leitura, publicação e colecionamento de livros. H. M. Monteiro

supertrad@gmail.com

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e tempos em tempos surge algo realmente bom e revolucionário para o público leitor. Foi assim com o Kindle, um formato proprietário da Amazon, lançado nos EUA em Novembro de 2007 mas que só chegou ao Brasil em 2011. Chegou mas não vingou: foi preciso esperar até 2013 para que editoras e leitores brasileiros acordassem em peso para essa nova maneira de ler, publicar e colecionar livros, todos convenientemente organizados em um mesmo lugar, formando bibliotecas virtuais portáteis, automaticamente atualizadas e repletas de recursos integrados tanto para o leitor casual como para estudiosos e pesquisadores. Entre as editoras espíritas pioneiras no Kindle está a Editora Allan Kardec (portal Kindle no http://goo.gl/09sSwK), hoje lida e respeitada em todo o mundo, sobretudo no Brasil, EUA e Canadá, a qual gentilmente disponibilizou um de seus títulos para a elaboração desta matéria. O aplicativo de leitura Kindle é também sua biblioteca pessoal Ao contrário de outros formatos de eBook, o aplicativo Kindle armazena ele mesmo todos os livros do usuário. Basta clicar na capa de um título adquirido para lê-lo ou pesquisá-lo instantaneamente. Uma vantagem a mais é que o aplicativo é totalmente portátil e sincronizável. Quer dizer, você pode iniciar a leitura de um livro em seu computador e depois retomá-la de onde parou, em seu lap-

top, tablet ou smartphone, usando os sofisticados aplicativos de leitura da Amazon disponíveis pelo http:// goo.gl/JdA4cs. Os aplicativos são todos gratuitos, mas para espíritas sem maiores preocupações financeiras há também os aparelhos

termo desconhecido ou erudito. Basta clicá-lo duplamente para obter sua definição instantânea na tela, sem interromper a leitura para buscar o significado em dicionário impresso ou pela Internet. O excelente dicionário embutido é

vro Kindle, clique no ícone da lupa, digite o termo desejado e... voilà! Lá estarão, em segundos, absolutamente todas as passagens do livro sobre o assunto, listadas de uma só vez e acessáveis instantaneamente ao clicar-se na coluna de resultados. Digo e repito “instantâneo” porque é de uma rapidez impressionante: é preciso ver para crer. Daí, então, é só copiar e colar os trechos no seu trabalho ou documento. Muitos outros recursos e benefícios compõem o Kindle espírita. Para descobri-los e explorá-los desde já, instale o aplicativo e

Dicionário integrado instantâneo. Espírito Augusto, Clayton Levy. Saúde e Espiritualidade © Editora Allan Kardec – Amazon Kindle

leitores Kindle vendidos pela própria Amazon. Note, porém, que em certos aspectos os aplicativos gratuitos são até superiores a eles , além de democratizarem o acesso a essa notável tecnologia. Aplicativo Kindle em ação: palavras obscuras e difíceis Digamos que você esteja lendo um livro e, de repente, surge um

baixado automaticamente em seu aplicativo logo no primeiro uso, sem qualquer custo. Poderosa ferramenta de busca e pesquisa relâmpago Outra hora você está realizando um estudo ou preparando uma aula ou palestra cujo assunto é, por exemplo, a obsessão. Abra o seu li-

depois baixe alguns livros Kindle gratuitos da Amazon (pelo endereço http://goo.gl/vH9xNc), antes de começar a adquirir suas obras espíritas. Ah, e pense nas florestas que você salvará do desmatamento, além do espaço tomado pelos livros de papel, ao aderir ao leve formato eletrônico que veio par ficar... cada vez melhor. Boa leitura! r


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150 anos da obra “O Céu e o Inferno” Livro contém documentos preciosos e depoimentos. Alessandro Viana de Paula

vianapaula@uol.com.br

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obra “O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo” é o quarto livro do chamado “pentateuco de Kardec” (há cinco livros que compõem as chamadas “obras básicas da codificação espírita”) e foi lançado em Paris no mês de agosto de 1865, portanto, este ano, em que se comemora os 150 anos de lançamento dessa obra, cabe aos espíritas a excelente oportunidade de estudar com profundidade as valiosas lições do livro em questão. O livro, segundo o próprio Allan Kardec, contém “o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, as penas e as recompensas futuras, os anjos e os demônios, as penas eternas, etc., seguido de numerosos exemplos sobre a situação real da alma durante e após a morte”. Anote-se que Allan Kardec dividiu pedagogicamente o livro em duas partes. A primeira enfrenta as questões relacionadas aos locais onde a alma ficaria após a morte e os assuntos correlatos, como anjos e demônios, as penas eternas e as penas futuras segundo o espiritismo, etc. A segunda parte traz a narrativa dos espíritos que se encontram em diversas situações no mundo espiritual, desde que aqueles que são felizes e outros que estão em sofrimento, arrependidos ou não.

Dessa forma, o livro aprofunda-se em questões primordiais, de cunho filosófico-religioso, porque responderá dúvidas milenares a

respeito da morte e do que acontece logo após a sua ocorrência, demonstrando que os conceitos exarados pelas doutrinas judaicocristã em torno do céu e do inferno e do destino da alma após a morte estão equivocados. Vale a pena conferir a lógica exposta por Allan Kardec ao refutar os conceitos convencionais de céu, de inferno e de purgatório, bem como as ideias errôneas a respeito do demônio e de sua intervenção sobre as criaturas humanas. O Espiritismo parte da premissa de que Deus é amor infinito e

soberanamente justo, portanto, não poderia gerar um local de sofrimento eterno e não criaria espíritos em condições de privilégio, como, por exemplo, os anjos, os serafins, os querubins e os arcanjos. Vamos entendendo que somos o autor do nosso destino e que fomos criados simples e ignorantes, de forma que todos, sem exceção, atingiremos a plenitude, sendo que poderemos retardar ou apressar esse estado evolutivo da alma, através dos acertos ou erros, e a reencarnação é o método pedagógico criado por Deus para permitir que essa fatalidade divina, a perfeição relativa, aconteça para todos. Assim sendo, céu e inferno não são locais geográficos, mas são estados íntimos da alma, quer ela esteja no corpo ou fora dele. Todo erro, por mais grave que seja, é passível de reparação, podendo o espírito, a partir do arrependimento, refazer seu caminho e prosseguir na estrada da evolução. Imaginemos quanto consolo o Espiritismo oferta aos familiares de um suicida, de um criminoso contumaz, de uma pessoa com desvios morais, porque ensina que nenhum investimento de amor é perdido e que eles terão infinitas oportunidades de conquistarem a felicidade, sendo que as preces intercessoras serão valiosíssimas nesse processo de recuperação, por revigorar o ânimo deles.

Existe, sim, locais de sofrimento na erraticidade, mas são estados transitórios, porque os benfeitores espirituais lá estão trabalhando, socorrendo os espíritos arrependidos. Existe, também, locais de felicidade no além, destinados aos espíritos que aprenderam a amar e a servir ao próximo, mas eles não ficam lá reclusos, indiferentes ao sofrimento alheio, num estado de contemplação, mas agem em favor daqueles que ainda sofrem. Certa feita, Chico Xavier foi questionado se o céu, conforme o conceito clássico, estaria cheio ou vazio, e ele respondeu que estaria vazio, porque os bons estariam ajudando no “inferno”. Vejamos que resposta sábia. Quem ama, jamais está parado, inativo. Pode-se perguntar: Como é que nós, os espíritas, sabemos disso tudo? Através da abençoada mediunidade, porque são os próprios espíritos, que estão em sofrimento ou que já estão em condições melhores, que vêm nos contar a sua história pessoal, para nos servir de aprendizado. Por essa razão, a 2ª parte do livro “O Céu e o Inferno” é belíssima, porque a narrativa dos espíritos, em diversas situações morais, vem dar credibilidade e veracidade a toda argumentação lógica exposta por Allan Kardec na 1ª parte da obra. Os ensinos espíritas constantes nessa obra fazem-nos entender a morte e por que não devemos temê -la, bem como nos faz compreender a lição de Jesus exarada na frase: “A cada um será dado segundo as suas obras” (Mateus 16:27), não havendo privilégio concedido por Deus e/ou a eliminação de nossas faltas, pela confissão dos pecados ou pela oração intercessória, mas cabe a cada um de nós, espíritos imortais que somos, optarmos o quanto antes pelo caminho do bem, da verdade e do amor, a fim de que o “céu interior” surja em nós, pois o Reino de Deus está dentro de nós (Lucas 17:20-21). r


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Preciosidades de Emmanuel Duas mensagens psicografadas por Chico Xavier trazem imenso conforto diante das angústias e adversidades. Seleção especial para a presente edição

Tensão emocional* Não raro, encontramos, aqui e ali, os irmãos doentes por desajustes emocionais. Quase sempre, não caminham. Arrastam-se. Não dialogam. Cultuam a queixa e a lamentação. E provado está que na Terra, a tensão emocional da criatura encarnada se dilata com o tempo. Insegurança, conflito íntimo, frustração, tristeza, desânimo, cólera, inconformidade e apreensão, com outros estados negativos da alma, espancam sutilmente o corpo físico, abrindo campo à moléstia de etiologia obscura, à força de se repetirem constantemente, dilapidando o cosmo orgânico. *** Se conseguires aceitar a existência de Deus e a prática salutar dessa ou daquela religião em que mais te reconfortes, preserva-te contra semelhantes desequilíbrios. Começa, aceitando a própria vida, tal qual é, procurando melhorá-la com paciência. Aprenda a estimar os outros, como se te apresentem, sem exigirlhes mudanças imediatas.

Dedica-te ao trabalho em que te sustentes, sem desprezar a pausa de repouso ou o entretenimento

em que se te restaurem as energias. Serve ao próximo, tanto quanto puderes. Detém-te lado melhor das situações e das pessoas, esquecendo o que te pareça inconveniente ou desagradável. Não carregues ressentimentos. Cultiva a simplicidade, evitando a carga de complicações e de assuntos improdutivos que te furtem a paz.

Admite o fracasso por lição proveitosa, quando o fracasso possa surgir. Tempera a conversão com o fermento da esperança e da alegria. Tanto quanto possível, não te faças problema para ninguém, empenhando-te a zelar por ti mesmo. Quando a lembrança do passado não contenha valores reais, olvida o que já se foi, usando o presente na edificação do futuro melhor. Se o inevitável acontece, aceita corajosamente as provas em vista, na certeza de que todas as criaturas atravessam ocasiões de amarguras e lágrimas. Oferece um sorriso de simpatia e bondade, seja a quem for. Quanto à morte do corpo, não penses nisso, guardando a convicção de que ninguém existiu no mundo sem a necessidade de enfrentá-la. E, trabalhando e servindo sempre, sem esperar outra recompensa que não seja a bênção da paz na consciência própria, nenhuma tensão emocional te criará desencanto ou doença, de vez que se cumpres o teu dever com sinceridade, quando

te falte força Deus te sustentará e onde não possas fazer todo o bem que desejas realizar Deus fará sempre a parte mais importante. *Constante do livro Companheiro, edição IDE.

O auxílio virá** O problema que te preocupa talvez te pareça excessivamente amargo ao coração. E tão amargo que talvez não possas comentá-lo, de pronto. Às vezes, a sombra interior é tamanha que tens a ideia de haver perdido o próprio rumo. Entretanto, não esmoreças. Abraça o dever que a vida te assinala. Serve e ora. A prece te renovará energias. O trabalho te auxiliará. Deus não nos abandona. Faze silêncio e não te queixes. Alegra-te e espera porque o Céu te socorrerá. Por meios que desconheces, Deus permanece agindo. ** Constante do livro Recados do Além, edição Edit. Chico Xavier.


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Universo Inteligente? Com a abordagem do autor, nossa homenagem ao Codificador do Espiritismo, cuja desencarnação ocorreu em 31/03/1869. José Benevides Cavalcanti jobenevides@gmail.com

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hega a ser surpreendente o caminhar do conhecimento humano em busca de explicações para as causas e origens do universo. Uma obra do filósofo Thomas Nagel, lançada em 2012 – e que, em tradução livre, tem por título “Mente e Cosmos” – rejeita a ideia de que o universo se resume em matéria e forças físicas, e de que a lei de evolução, diferentemente do que acreditava Charles Darwin, depende apenas e tão somente do acaso. Nagel é um respeitável professor da Universidade de Nova York e seus trabalhos se concentram em filosofia da mente, filosofia política e ética. O que mais surpreende nas ideias de Nagel é o fato de que, embora se proclame ateu, sua proposta é buscar a verdade além da matéria e da energia para explicar o universo, aproximando-se mais das ideias espíritas do que das teorias materialistas. Vejam que interessante! Para ele a inteligência do homem, capaz de elaborar a ciência e principalmente a matemática,

está em sintonia com o universo e é, por isso, que o homem consegue explicar as leis da natureza. Acontece que essas explicações

(...) os fenômenos que ocorrem no universo não acontecem de forma aleatória, o que significa que a evolução teria uma direção específica – ou seja, um fim determinado. Em linguagem mais simples, poderíamos dizer que Nagel, embora ateu, acredita num princípio inteligente ou, no mínimo, acha que o universo é consciente e, portanto, sabe o que está fazendo.

caminham em direção à verdade e, embora não consigam atingi-la plenamente, demonstram que a

mente humana é “um princípio fundamental da natureza” e que “vivemos em um universo preparado para gerar seres capazes de compreendê-lo”. Disso resulta para esse filósofo observador que os fenômenos que ocorrem no universo não acontecem de forma aleatória, o que significa que a evolução teria uma direção específica – ou seja, um fim determinado. Em linguagem mais simples, poderíamos dizer que Nagel, embora ateu, acredita num princípio inteligente ou, no mínimo, acha que o universo é consciente e, portanto, sabe o que está fazendo. Esse posicionamento de Thomas Nagel tem levado vários estudiosos a repensar o que realmente a ciência está buscando. Outro filósofo, David Chalmers, diretor de estudos da consciência da Universidade Nacional da Austrália, coloca as conclusões de Nagel ainda mais próximas das ideias espíritas, quando sugere que os cientistas, que buscam uma teoria do tudo, considerem a

PÁGINA 6 hipótese do universo consciente, no qual um tipo de inteligência atua sobre todos os seus fenômenos, canalizando-os para um fim providencial. A concepção de Pitágoras, 5 séculos antes de Cristo, de que os números têm significado e que, a princípio, pode parecer ingênua ou imaginosa, na verdade, pode ser algo muito mais sério do que se pensa, pois, de certa forma, ela revela que a matemática não é uma simples criação humana, mas uma decorrência natural desse universo inteligente, que o físico Amit Goswami, da Universidade do Oregon, chama de “Universo Autoconsciente”, título de uma de suas obras. Já o cosmólogo, Max Tegmark, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusets, que afirma ser o universo uma estrutura matemática e vários outros estudiosos de diversas áreas científica, notadamente da física e da biologia, também estão voltando sua atenção para essa “descoberta” de Nagel. Entretanto, o que eles ainda não sabem e, por certo custarão a entender, é que o Espiritismo, desde a sua constituição em 1857, já afirmava que por trás de toda essa complexa e inimaginável realidade fenomênica a que pertencemos está uma “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. r


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Respeitado por gregos e troianos E quem é o meu próximo? – Lucas, 10:29 Sidney Fernandes 1948@uol.com.br

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ma das cenas mais famosas de todos os tempos, repetida incessantemente em peças teatrais, filmes e musicais, é o encontro de Jean Valjean com o Bispo de Digne, do livro Os Miseráveis, de Victor Hugo. Jean Valjean havia acabado de ser libertado da prisão, depois de cumprir dezenove anos de trabalhos forçados, por ter roubado pão para seus sobrinhos, que passavam fome. Dom Bienvenu (Monsenhor Benvindo) o acolhe. Dá-lhe comida e pouso. Que retribuição recebe? Jean Valjean, na madrugada, rouba seus talheres de prata. Preso novamente, desta vez para cumprir pena perpétua, é defendido pelo bispo, que afirma ter dado a prataria de presente ao criminoso. Este gesto generoso muda a vida de Jean Valjean, que, até o resto de seus dias, torna-se um homem de bem. Teria Victor Hugo se inspirado em algum personagem real para criar o personagem Bienvenu? Aurélio Agostinho nasceu na África no dia 13 de novembro de 354. De temperamento impulsivo e veemente, em sua juventude não gostava muito de estudar. Viveu muitos anos com o ânimo disperso, vazio de Deus e distanciado do

devotamento cristão de sua mãe Mônica (Santa Mônica).

A chave para sua transformação e aquisição dos preciosos ensi-

namentos religiosos de sua mãe surgiu no ano de 386. Estava em um jardim de Milão, quando ouviu a voz de uma criança invisível, que cantava repetidamente: Toma e lê, toma e lê. Ele tomou a epístola de Paulo ao Romanos e leu, no capítulo 13, versículos 13 e 14, o texto que o conduziu definitivamente à sua transformação moral. Tornou-se um dos maiores intelectuais e oradores do cristianismo. Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval. Conseguiu uma proeza extraordinária: - É considerado Santo na Igreja Católica e na Igreja Anglicana; - É considerado Pai Teólogo de muitos dos protestantes, notadamente os calvinistas e os luteranos; - É louvado na Igreja Ortodoxa Oriental; e - É respeitado e citado pelos espíritas. As reflexões de Santo Agostinho foram e continuam sendo respeitadas por todos nós: Fazei o que fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. (Santo Agostinho em O Livro dos Espíritos) Quem é o meu próximo? Indaga o Doutor da Lei. A pergunta é respondida pelas atitudes de Dom Bienvenu e Santo Agostinho. Sigamos os seus exemplos e façamos o mesmo. r

Deixar disponível não adianta Solicitamos a gentileza da distribuição do jornal na entrada ou saída das atividades do Centro, de mão em mão. Deixar disponível o jornal para o público em cima de mesas ou bancadas não surte efeito de distribuição. Ideal é a entrega pessoal, motivando sua leitura, principalmente se acrescentado de comentário sobre conteúdo. O mesmo com outras publicações, todas importantes nessa imensa tarefa de divulgação espírita. Não permitamos acúmulo de jornais, revistas e mensagens avulsas, pois, assim acumuladas, não cumprem sua função esclarecedora e consoladora. Sejamos, individualmente ou como instituições, distribuidores de mensagens, jornais, revistas, boletins e livros acumulados, que muito podem beneficiar a coletividade. Inclusive fora do centro, com o “esquecimento” desse material impresso em locais de grande fluxo de pessoas.


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Marília reuniu família espírita no carnaval 2º Encontro da Família Espírita aconteceu entre os dias 13 e 15 de fevereiro.

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Amauri Corona e Halumi Arashiro

2º. Encontro da Família Espírita de Marília e região, de realização da USE local, ocorreu no período de 13 a 15 de fevereiro de 2015, durante o carnaval, na sede do Colégio Bezerra de Menezes. Revestido de pleno êxito pela intensa participação dos inscritos em palestras, oficinas e integração sócio recreativa, a assimilação do conteúdo doutrinário planejado foi expressivo, face ao entusiasmo e alegria manifestados pelos participantes. Apesar do surto de dengue na cidade, no período – o que ocasionou inúmeros cancelamentos na participação regional e local – o evento superou a adver-

sidade surgida com o satisfação verificada nas inúmeras atividades. Como afi rmam seus organizadores, pelo segundo ano – e já previsto para também ocorrer em 2016 –, a meta foi promover uma opção sadia durante o carnaval. As atividades artísticas, o rico conteúdo das palestras e as oficinas interativas, entretenimento para crianças, o que se viveu foi um

Constatou-se novamente a importância desses eventos que unem e estimulam o estudo e a fraternidade.

grande congraçamento das pessoas, aliado ao estudo e pesquisa espírita, além da boa alimentação servida no evento, que fez sucesso a parte. Até para o pessoal que passou todo o tempo na cozinha, no preparo das refeições, foi um grande acontecimento, exatamente pela integração entre os diferentes grupos participantes que se doaram em favor de um grande

evento, já aguardado novamente para o próximo ano. Constatou-se novamente a importância desses eventos que unem e estimulam o estudo e a fraternidade. Aberto na noite de sexta-feira, o evento estendeu-se até domingo, com diversos coordenadores e palestrantes na condução das atividades doutrinárias. Nossa gratidão a todos! r


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Bauru, Jaú e S.J. Rio Preto realizam feiras do livro em Shoppings Cidades interioranas paulistas solidificam modalidade de divulgação espírita em espaços de grande público. Redação

A

s três progressistas cidades do interior paulista que intitulam a presente reportagem encontram uma maneira muito prática de colocar o grande público em contato com o livro espírita na modalidade de

realizar as conhecidas Feiras do livro espírita em Shoppings. Em Jaú e São José do Rio Preto, sob coordenação das USEs locais, os eventos tem alcançado grande êxito e repercussão já em algumas edições, o que também ocorre

em Bauru, onde a iniciativa é da Associação Chico Xavier, parceira do Instituto C. Schutel na edição do Tribuna. Com montagem de modernas instalações e ornamentadas carinhosamente com lindos banners

que cativam e emocionam – seja pelas fotos ou pelas frases que se integram ao esforço do conforto oferecido pelo conhecimento espírita – os eventos não se limitam apenas à exposição de livros para venda, mas são enriquecidos com palestras e atividades interativas. Durante toda a presença do evento nos espaços utilizados e de grande circulação de público, oradores destacam as obras, abordam o conhecimento espírita com o entusiasmo e a vibração própria de convívio com o livro, ali na presença do público que comparece em massa para apreciar, ouvir e também adquirir os livros, sempre oferecidos com descontos convidativos. S eguido de momentos de autógrafos com a presença de autores nas palestras, o evento fica muito enriquecido de fraternidade, cuja programação se estende por vários dias e horários e que pode ser conhecida nos sites das instituições: http://usesaojosedoriopreto. com.br/ = Período do evento: 3 a 14 de março/15, no Rio Preto Shopping, em São José do Rio Preto. http://useregionaljau.com.br/ = 4 a 12 de abril de 2015, no Jaú Shopping, em Jaú. http://associacaochicoxavier.com. br/home = 3 de abril a 3 de maio de 2015, no Boulevard Shopping Nações, em Bauru r


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O céu ou inferno de cada um Comportamentos definem estado de espírito. Ângela Moraes

angelafmd@gmail.com

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lcides e Ana Maria lutavam com dificuldade para manter a casa com todas as suas despesas, ainda mais tendo Juninho, o mais velho, nascido com grave debilidade física e mental. Expressava-se parcamente por grunhidos e locomovia-se por cadeiras de rodas, demandando ainda a dedicação de alguém. A filha do meio, Janaína, tinha espírito bastante irascível e rebelde. Crescera com mágoas e carências devido à pouca atenção que recebia em relação ao irmão e agora, já na adolescência, mostrava seu temperamento explosivo e impositivo, doesse a quem doesse. O caçula, João Pedro, era este o braço direito da mãe nos cuidados com o mais velho. De espírito dócil e inteligência algo superior, muito auxiliava com seus apenas 10 anos. Alcides, o pai, trabalhava o dia todo para custear as despesas da família e, verdade seja dita, para manter-se longe daquele ambiente hostil por mais tempo possível.

Não era dado a boemias nem leviandades, mas também não tolerava chegar em casa e presenciar as discussões e os brigueiros da filha com o mais novo ou a mãe; a casa não lhe cheirava agradavelmente com resquícios de gordura mal limpa na cozinha, poeira mal tirada nos móveis ou o menino que, muitas horas sentado em sua cadeira, exalava certo cheio de transpiração com a fralda em necessidade de troca. A esposa, exaurida, à noite pouco assunto interessante tinha lhe oferecer. Não! Bastassem os infortúnios que vivia no escritório com funcionários mal intencionados a lhe acionarem direitos trabalhistas, enfurecendo-o; os clientes que tudo exigiam e negavam-se ao pagamento devido, acionando sua indignação íntima; as tarefas executadas imperfeitamente que lhe demandava retrabalho e nervosismo; a instabilidade do ofício que poderia lhe reduzir o salário caso algum cliente não renovasse contrato; o trânsito que lhe deixava louco e estressado; e as contas a

pagar que lhe tiravam o sono quase todas as noites. E os bandidos a lhe cercarem o carro no semáforo? E os crimes hediondos que a tevê noticiava e poderia acontecer a qualquer momento, talvez por um desconhecido aparentemente inofensivo que cruzasse seu caminho? Não, o ambiente doméstico não lhe o forneceria o repouso de que precisava. Solitário, pensava para consigo o inferno que era a sua vida, e como poderia achar um jeito de cair fora dela. Ana Maria, a mãe, por sua vez, punha-se de pé ainda antes das seis da manhã. Preparava o café do caçula e o ajeitava para a perua escolar que passaria logo mais. Agradecia intimamente a Deus por ter aparecido aquele serviço em seu bairro e poderem pagar por ele, já que seria grande transtorno ausentar-se deixando Juninho só. Indo também a filha para a escola, eis que aproveitava os primeiros raios de sol da manhã para já banhar o homenzinho franzino e postá-lo confortavelmente no quintal. O

sol lhe facilitava a respiração e ela percebia que o filho, mesmo em sua dificuldade de expressão, sorria desajeitado com as peraltices do cãozinho da família. A mãe sabia suas limitações e, a cada dia, conseguia notar-lhe minúsculos progressos que lhe enchiam o coração de alegria. Deus e ela viam, era o que bastava. Enquanto isso, corria com afazeres domésticos conforme o tempo e a coluna permitiam. Priorizava higienizar o quarto

Ao deitar-se, sabia que o dia havia sido pesado, mas enxergara tantos pequenos progressos e grandes bênçãos que pipocaram, diminutas, entre os ponteiros do relógio, que tudo o que tinha a fazer era agradecer. Além disso, a sensação do dever cumprido lhe enchia o coração de uma íntima satisfação que ela oferecia ao Pai com a humildade e a felicidade dos bons obreiros.


PÁGINA 11 dos filhos para que não viessem a adoecer e assim dedicava-se por não mais que meia-hora, tempo suficiente para o Junior querer ser posto para dentro. Aí vinha o horário da inalação; da fisioterapia; e do almoço a fazer debaixo dos protestos grunhidos e choramingados do filho, que ansiava a presença integral da mãe. Quando estava terminando de alimentar Juninho, Janaína e João Pedro chegavam para o almoço. Começavam aí as encrencas banais que enchiam a casa: - Mãe, olha ele! – Mãe, olha ela! – Mãe, ele pegou minha caneta sem pedir, aquele moleque! – Mãe, não fui eu! – Sai do meu quarto! – Pára! – ô mããããe!!! – e Ana saía tentando resolver aqui e ali, enquanto Juninho protestava novamente com seus grunhidos. Ao chegar o final do dia, suas pernas pesavam e sua cabeça ansiava por silêncio. Dava graças a Deus por a filha ir a um curso profissionalizante no período da noite, dando sossego em casa pelo menos até às dez. Sentia-se feliz por perceber que apesar de seu temperamento difícil, a moça mostrara bons propósitos na vida e estava se enca-

Março de 2015 minhando bem profissionalmente. Junior dormia cedo, e o pequeno João Pedro aproveitava a mãe exclusiva pra se embrenhar com ela um pouquinho no sofá antes de ir para a cama. Ele pedia que ela lhe fizesse cafunézinho nas costas, e ela adorava quando o garoto vinha dengoso assim. Sabia que o amor deles era muito mais extenso do que aqueles poucos dez anos, e agradecia a Deus pelo reencontro bendito. O marido chegava sempre muito tarde e conversavam muito pouco. Ela sentia saudades de um tempo de ilusões, mas via nos olhos dele o peso de sua jornada. Resignava-se. Ao deitar-se, sabia que o dia havia sido pesado, mas enxergara tantos pequenos progressos e grandes bênçãos que pipocaram, diminutas, entre os ponteiros do relógio, que tudo o que tinha a fazer era agradecer. Além disso, a sensação do dever cumprido lhe enchia o coração de uma íntima satisfação que ela oferecia ao Pai com a humildade e a felicidade dos bons obreiros. Para Ana Maria, trabalhar para Deus era estar no céu. E ela não desejaria estar em outro lugar naquele momento. r

Eventos pelo Brasil Homenagem a Kardec na Câmara Municipal em Piracicaba (SP) 15 de abril de 2015, quarta-feira, com transmissão ao vivo Veja informações no site: www.usepiracicaba.com.br

Encontro Chico Xavier em Guaxupé (MG) 25 e 26 de julho de 2015 – sábado e domingo Local: Escola Barão de Guaxupé Rua Alvarenga Peixoto, 19 - Vila Rica

SEMEAR – Semana Espírita de Arapiraca (AL) 16, 17 e 18 de abril de 2015 – Praça Luiz Pereira Lima Com Andrei Moreira, Juselma Coelho e Celso Santos

Teremos caravana de Matão em ônibus fretado, passando por Araraquara Veja informações completas no site: www.institutocairbarschutel.org

4° Encontro Espírita da Academia da Força Aérea em Pirassununga (SP) 23 e 24 de maio de 2015 Informações e inscrições: www.encontroespiritaafa.com.br (19) 99937-7894 (Renato) grupoespiritairmaogabriel@gmail.com

Congresso Espírita do Rio Grande do Sul em Gramado (RS) 1 a 4 de outubro de 2015 Inscrições e informações completas no site: www.espiritismors.org.br


Março de 2015

Medos, culpa, remorsos e perdão a si mesmo Entrevista com Cláudia Gelernter. Transcrição parcial da revista eletrônica O Consolador

E

ntrevistamos Cláudia´Gelernter, psicóloga clínica residente em Vinhedo (SP). Vinculada ao Centro Espírita Allan Kardec na mesma cidade, atua na aplicação de passes, é palestrante, médium e educadora. Dedicada ao estudo da culpa, até por força da profissão, suas respostas apresentam lúcido esclarecimento para esse grande flagelo individual. 1 - O que é exatamente a culpa? (...) costumo explicar que a culpa, em sua gênese, não é algo ruim, mas importante, pois se trata da tomada de consciência do erro cometido. (...) Entretanto, após essa tomada de consciência, urge uma decisão positiva: a reparação. (...) só sente culpa aquele que (...) consegue sentir vibrar, dentro de si, a campainha da consciência. Psicopatas, por exemplo, não possuem esta capacidade que, em resumo, parte de uma postura empática. É o sentimento que nos coloca em cheque, fazendo surgir uma cobrança íntima, através de uma pergunta direta: “O que fizeste da lição áurea ensinada pelos Mestres, que nos pede para amarmos ao próximo como a nós mesmos?”. (...) 2 - Como lidar com ela sob o ponto de vista do terapeuta? (...) Já atendi pessoas que amargavam sérios desajustes psíquicos sem terem se dado conta de que guardavam culpa por algum mal cometido. (...) O mais importante é auxiliar o paciente a tornar consciente determinados conteúdos

www.oconsolador.com.br (edição 376, de 17/08/14)

e entender que a culpa não deve caminhar para o remorso, sob risco de criar-se maior sofrimento que o necessário, sem crescimento algum. Além disso, devemos ajuda-lo a perceber que o erro é algo essencialmente humano, necessário para aprendermos muitas das lições da vida.

3 - E sob o ponto de vista de quem experimenta tal sentimento? Não é fácil. A dor, quando bate em nossa porta, não pede licença e nem diz exatamente quando irá se retirar. Mas se nos traz angustia, por outro lado tem uma função belíssima na pedagogia divina: é a Mestra que nos ensina a escolher

PÁGINA 12 outros caminhos, muito melhores para nós e para o mundo. Precisamos aprender a ouvir o que a dor tem a nos dizer. A culpa dói, por certo. Se pudéssemos voltar no tempo, faríamos muitas coisas de forma diferente! O bonito nisso é que, se assim pensamos é porque já entendemos o que ela veio para nos dizer e não iremos repetir a dose. Ou seja, a culpa já cumpriu o seu papel. Agora é batalhar no caminho da reparação, que pode ser direta ou indireta, conforme as possibilidades. Deus nos quer felizes e em paz, por certo. Então, se entendemos que não faríamos mais as coisas da mesma forma, Ele, que


PÁGINA 13 é misericórdia infinita, Pai amoroso e Educador Perfeito, nos enviará experiências diferentes, a fim de testarmos novas possibilidades e situações. Devemos virar a página! 4 - Nos casos de terapia em consultório, o que mais sobressai como efeito direto da culpa? Infelizmente, o remorso e, a partir dele, problemas mais sérios, tais como: dificuldade nas decisões do cotidiano, baixa autoestima, tristeza constante, distúrbios do sono, distúrbios alimentares, anedonia, podendo desaguar em depressões leves ou mesmo mais graves. 5 - E sob o ponto de vista espírita? O Espiritismo nasce com um proposito claro: o de auxiliar o Ser em sua auto educação. (...) Disse Emmanuel que ““Toda vez que a Justiça Divina nos procura para acerto de contas, se nos encontra trabalhando em benefício dos outros, manda a Misericórdia Divina que a cobrança seja suspensa por tempo indeterminado.” 6 - Como perdoar-se? Esta tarefa é preciosa, urgente e difícil para nós, seres em evolução. O que acontece é que, sem o auto perdão, não conseguiremos amar nem nosso próximo nem a nós mesmos. É preciso compreender que somos experimentadores em um mundo repleto de ignorâncias. Somos muito influenciados pelo meio, muita vez sendo impulsionados a determinadas atitudes equivocadas.

Março de 2015 Ninguém neste mundo consegue acertar todas as vezes. E até que a virtude seja interiorizada, podemos errar até mais de uma vez na mesma questão. O importante é não desistir, jamais! Lamentaremos a ação, refletiremos sobre ela e partiremos para novas ações, de forma diferente, sem carregarmos na alma o peso de amarguras que não ajudam em nada. Guardemos da experiência apenas o necessário: a aprendizagem. 7 - Que caso marcante gostaria de transmitir aos leitores? Certa vez, uma avó me procurou, sofrendo a perda de sua netinha, que desencarnou na piscina de sua casa, então com dois anos de idade. O caso já era grave por si só, mas ainda mais complexo porque foi ela quem esqueceu o portão da grade de proteção da área da piscina aberto. Como aliviar aquela dor? Palavras raramente fazem algum sentido nestes casos, então foi preciso permitir que a dor viesse com toda a sua intensidade a fim de aliviar o represamento da angustia daquela pobre senhora. Depois, sentindo-se amparada, acolhida, pôde falar sobre o seu remorso, sobre a vontade de se auto punir, pelo erro cometido. Já não conseguia mais dormir, não queria se alimentar e pensava em suicídio, constantemente. Fizemos diversos testes de realidade, a fim de demonstrarmos, em conjunto, que o ato não fora intencional, mas que aconteceu por esquecimento. Outro teste servia para resgatar-

mos a questão de sua vontade, pois autopunir-se não traria a neta de volta ao convívio familiar. Depois de alguns meses, já melhor em seus sintomas, surgiu um presente que jamais esquecerei. Uma daquelas dádivas que Deus nos permite experimentar, a fim de mostrar sua Misericórdia infinita para conosco. Ela conseguiu receber uma mensagem psicografada em Uberaba, com 47 páginas, na qual a menina contava que ela não tivera culpa alguma neste caso, pois estava previsto o desencarne e que a neta nada sentira ao cair na agua pois sua alma “saltou” para o colo de Maria Dolores, enquanto que o corpo se jogara na piscina, já sem vida. Recordo-me que a carta continha dados confiáveis, que só ela e poucos parentes conheciam, como, por exemplo, o nome de uma tia que desencarnou muitos anos antes e que estava ajudando a cuidar dela, no Mundo Espiritual. Surgiu, então, uma nova vida para aquela senhora, com um novo sol a brilhar, mais forte e iluminado ainda: estava provado para ela tanto a questão da imortalidade da alma como a possibilidade de um reencontro, no tempo certo. (...) 10 - Algo mais que gostaria de acrescentar? Estamos no meio de uma longa caminhada, pela estrada da evolução. Nosso orgulho muitas vezes nos impede de vermos as pedras que colocamos no próprio caminho, pois achamo-nos maiores e

melhores do que verdadeiramente somos. O remorso surge principalmente do nosso “orgulho ferido”. Para muitos é difícil aceitar o erro, então preferem a desistência em vez da reparação. Quando nos percebemos como realmente somos – seres falíveis, aprendizes na escola da vida, devedores uns dos outros, porém cheio de potencialidades para o bem, conseguiremos nos perdoar, entendendo que Deus não usa de castigos ou recompensas, mas de experiências importantes para nos ensinar a exercitarmos o amor, em todas as situações, com todos os seres, em todos os lugares, a qualquer momento. É isso. 11- E para o medo nessa questão toda, originário de causas tão variadas, qual a medida mais prática para vencê-lo? A medida mais prática será sempre mental. Focar no aqui-e-agora com qualidade nos liberta das ansiedades e medos com relação ao futuro. Costumo dizer que, na base da ansiedade, existe o medo. Pessoas ansiosas vivem no futuro, sofrendo com aquilo que não aconteceu e que, na maior parte das vezes, nem acontecerá. Por fim, como já dizia Jesus, façamos o melhor no hoje, e tudo o mais nos será acrescentado... e, portanto, nada teremos a temer! r Nota: apenas a última pergunta foi acrescentada, sem constar da entrevista original, que sugerimos ao leitor conhecer na íntegra buscando a edição citada da revista eletrônica em referência.


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Um depoimento de imortalidade Durante afogamento de criança, espíritos familiares são fotografados. Marcos Antonio da Silva

maronton40@gmail.com

E

stávamos numa festa, numa chácara. Meu filho de 2 anos de idade, afogou-se na piscina (sei o horário, pois foi quando surgiu a foto que menciono abaixo), quando não havia mais ninguém, a qual considerávamos fechada. Ele já estava boiando, sem sinais vitais, quando minha esposa o tirou. Eu, sem qualquer experiência, consegui fazer todos os procedimentos, e ele retornou à vida. Isso tudo deuse no domingo. Na terça-feira, quando fui ver as fotos que minha esposa havia batido, no aniversário, deparei-me com uma foto que ela não havia tirado (foto espontânea),

no horário do afogamento. Na foto, aparecem os espíritos de meu padrasto e meu tio, desencarnados há 1 ano e 4 meses, e 5 anos, respectivamente. Havia mais espíritos na foto, mas não aparecem os rostos. Cópias da foto foram entregues a alguns espíritas, aqui de minha cidade. A foto mostra com detalhes seus rostos, aparecendo ainda a materialização do ectoplasma (conforme me informado por espíritas mais experientes). No final deu tudo certo, meu filho está com vida e sem qualquer sequela, e nossa família mais unida que nunca.

Tenho a intuição que o fato deve ser divulgado, para o maior número de pessoas possível. Inclusive aceitei um convite de uma igreja evangélica, para falar sobre o ocorrido, e foi muito gratificante, o pastor ficou muito emocionado e chorou, assim como boa parte dos presentes. Também foi assim em uma igreja católica, onde, a pedido de familiares católicos, uma missa de agradecimento, com um mês. O frei franciscano ficou igualmente emocionado, tratando como verdadeiro milagre, fazendo questão de ir, durante a missa, até nós e

PÁGINA 14 apresentar o menino aos presentes. Pediu-me que eu fosse outro dia, em missa com maior tempo, para relatar o testemunho. Prometi que irei, assim como a todas que desejarem, pois acredito que tal acontecimento está acima de quaisquer divergências religiosas, entendimento também dos espíritas mais experientes com quem me aconselhei. Sou espírita há mais de 20 anos, a esposa é católica. Quando via foto, dois dias após o acidente, fomos diretamente à casa de minha mãe (espírita, há mais de 40 anos), minha avó (evangélica da Congregação Cristã do Brasil) mora ao lado. Reuni todos (esposa, avó, mãe, primos, cunhado e irmã), e mostrei a foto para eles, sem falar do que se tratava. Todos reconheceram os rostos, na hora em que viram. Minha avó chorava muito e dizia “Meu filho está vivo, graças a Deus!”, minha mãe, também chorando, disse “Mãe, é ele e o João, atrás”. Então, confirmou-se, assim, minha impressão, que se tratavam de meu tio e meu padrasto. Dorival Braz Furlaneto, tio (irmão de minha mãe), desencarnado em 02/05/2009, com 59 anos; João Terezim Pereira Lima, padrasto, desencarnado em 29/04/2013, com 62 anos. Como eram vizinhos, estavam sempre juntos e tinha boa convivência. O Arthur (meu filho que se afogo u) nasceu no dia de aniversário de meu padrasto (23/06/2012). A família toda, independentemente de religião, não tem dúvidas de que são eles. Todos ficamos muito impressionados e agradecidos. Nós todos nos tornamos ainda mais unidos. Eu e minha esposa fizemos um trato de tentarmos ser “pessoas melhores”, procurando ajudar mais a quem necessita. Tentarmos, enfim, demonstrar nosso agradecimento com ações. r


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O irmão do filho pródigo Anda temos dificuldades de nos alegrarmos com o júbilo alheio. Rogério Coelho

rcoelho47@yahoo.com.br

“O

verdadeiro amigo é aquele que ri junto conosco”. (Lia) Mãos vazias, humilhado, famélico, recursos financeiros dilapidados pela própria irresponsabilidade, pelos falsos amigos e pelo imediatismo no jogo hedônico e rasteiro dos sentidos animalizados, volta o fi lho pródigo ao aconchego e segurança do lar, onde é recebido pelo carinho paterno entre as mais puras efusões de contentamento!... Em pouco tempo, o ritmo alegre e contagiante das músicas, emoldurava o lauto banquete, servido indistintamente a todos, a guisa de comemoração do feliz retorno daquele filho, até então, considerado perdido... Em meio às notas alegres, o Sol declinava suave, dourando o acume dos outeiros, como se ouro líquido se lhe derramasse das entranhas na direção das inclinações onduladas das encostas, enquanto suave brisa perpassava, fagueira, carreando o perfume das flores silvestres, dos loendros e das árvores frondosas, mesclado com o ar salitrado do

mar, embalsamando a ambiência festiva de pura estesia!... Eis que retorna da árdua faina diária o irmão do filho pródigo... Desde longe, vislumbra estranha e inusitada movimentação no lar paterno. Aproxima-se e indaga – curioso - de um dos servos o que estava acontecendo... A curiosidade transforma-se em animosidade ao tomar conhecimento do motivo da inusitada agitação: o irmão, néscio e dilapidador retornara! Sua indignação atingiu paroxismos de loucura; e recusou-se a entrar. E, saindo o pai, debalde instava com ele. Por fim, estremunhado, vomitando o fel da revolta que lhe requeimava as vísceras, dirige-se ao pai1: “eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos. Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado”. Respondendo-lhe, disse o Pai: “filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque

BANDEIRA PAULISTA

este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se”. *

(...) amar os inimigos não é, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contato de um amigo. Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem (...).

“ Eu porém, vos digo: amai os vossos inimigos”... O ínclito Mestre Lionês ensi2 na : “(...) amar os inimigos não é,

ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contato de um amigo. Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar; é, f inalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar”. Os irmãos do filho pródigo somos todos nós que ainda temos dificuldades de nos alegrarmos com o júbilo alheio. Nem mesmo dois mil anos de Evangelho somados ao século e meio de Espiritismo impedem que ainda acoroçoemos nas mais íntimas anfractuosidades da Alma a terrível chaga denominada: egoísmo. Portanto, a primeira luz que assinalará o alvorecer do Cristianismo na intimidade de nosso coração será o exato momento em que nos alegrarmos com o contentamento de nosso semelhante! r 1. Lc., 15:29 a 32. 2. KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 125.ed. Rio: FEB, 2006, cap. XII, item 3, § 4º.


Março de 2015

REMETENTE: Instituto Cairbar Schutel Caixa postal 2013 15997-970 - Matão-SP

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Premiada duas vezes pelo Criança Esperança Trabalho educativo conquistou destaque. Orson Peter Carrara

E

m visita recente a Araranguá (SC) para palestra em data comemorativa de 27 anos de fundação da Casa da Fraternidade, pudemos conhecer o trabalho desenvolvido pela instituição, premiada várias vezes – entre eles pelo conhecido Criança Esperança, da Globo. A cidade localiza-se no extremo sul do estado, a 10 km do litoral e com população de 65.000 habitantes. Na ocasião entrevistamos sua presidente, CÁTIA SIRLENE G HAHN, que é espírita desde 1985 e natural da capital paulista. Produtora cultural e formada em Arte-Educação, Cátia concedeu-nos entrevista (publicação na íntegra na revista eletrônica O CONSOLADOR), cujos pontos principais compactamos aos leitores do Tribuna, em transcrição parcial: (...) 3-Quantas pessoas a Casa da Fraternidade já atendeu? Já passaram pela Casa mais de 5 mil crianças. (...) 6 - Qual o público alvo e quantas pessoas atendidas diariamen-

orsonpeter92@gmail.com

te? É em regime de internato ou semi-internato? Hoje atendemos 205 crianças e adolescentes entre 06 a 14 anos, e 20 adolescentes entre 15 e 18 anos em diversas of icinas culturais em horário oposto ao escolar, em aulas de canto, balé clássico, teatro, violão, percussão, informática, artesanato,

artes visuais, xadrez, capoeira e outras. As crianças fazem reforço escolar, aulas de ética e cidadania e atividades literárias, almoçam e tomam café na entidade, recebem orientação psicológica, apoio psicopedagógico e suas famílias são acompanhadas pelo serviço de assistência social. 7 - E qual foi a premiação recebida pelo trabalho? E o que significou essas premiações para a instituição?

Em 2010 o Projeto também ganhou a chancela de “Ponto de Cultura” do Ministério da Cultura e Secretaria de Cultura do Estado. Além do reconhecimento governamental, isso fez com que novos públicos viessem também a participar das atividades. Com os recursos conseguimos manter uma equipe de trabalho – que hoje conta com 21 profissionais contratados – ampliar nossas instalações e adquirir novos equipamentos. Em 2012 ganhamos o Criança Esperança. Em 2013 fomos classificados como semifinalistas do prêmio Itaú-Unicef. E em 2014 ganhamos novamente o Criança Esperança e um prêmio da Fundação Biblioteca Nacional. (...) 12 - Quais os contatos para quem desejar auxiliar ou visitar? A Casa da Fraternidade f ica na Rua Pedro Gomes, 740- Bairro Lagoão- Araranguá/SC. Telefone: (48) 3527-0214 – e-mail: casa. f raternidade@gmail.com. Site: www.projetojuventude.com. br. Quem quiser contribuir financeiramente pode fazer um deposito na conta Banco do Brasil – agencia 5280-9 – C/C 9752-7. r

Tribuna do Espiritismo março de 2015  
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