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ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • JULHO DE 2015 • ANO 2 • Nº 22 • 21.000 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

Jovem também tem vez! Foto: https://kleantreatmentcenters.com

Venha participar, jovem, do Encontro Anual Cairbar Schutel (EAC 2015). Até 18 anos, isenta a inscrição, embora obrigatória no site. Veja página 11.

João Thiago Garcia, o JT (2ª foto da esquerda para a direita, abaixo), estará conosco e trará a Banda Cartas de Bordeuax.

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Esta edição: 21.000 exemplares


Julho de 2015

Editorial

Obra educativa

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ão há dúvida que, quando Schutel fundou em Matão o Centro Espírita Amantes da Pobreza (vide matéria ao lado), em 1905, havia como fonte inspiradora uma obra educativa – inspirada pelas luzes do Espiritismo, que tocaram a sensibilidade do apóstolo – que se desdobraria no tempo futuro com suas obras, desde o jornal e a revista, seus livros e a editora, bem como o pioneirismo pelo rádio. Obra que influenciou gerações e continua produzindo seus frutos. O próprio TRIBUNA DO ESPIRITISMO, embora não vinculado à editora por ele fundada – nem jurídica nem administrativamente, mas somando-se ao mesmo ideal – e coincidentemente editada e expedida de Matão (SP), foi igualmente inspirada pelo ideal de um desbravador, perseverante e exemplar cidadão que aliou o conhecimento ao comportamento. A crise atual do Brasil é moral. Mais do que nunca nossa maior necessidade continua sendo a educação de nós mesmos, no amplo sentido do termo. Bandeira que todos defendemos, aliados ao ideal do Bandeirante do Espiritismo. r

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15 de Julho de 1905 Instituição fundada por Cairbar alcança 110 anos. Em transcrição parcial do site da Editora O Clarim, adaptado para a presente edição.

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m 1895 Matão era apenas um Distrito Policial, elevando-se a Distrito de Paz em 1897 e Município pertencente à comarca de Araraquara, em 1898. Cairbar, um dos fundadores da cidade, ocupou o cargo de Intendente – equivalente a Prefeito

diais que servissem de auxílio aos mais necessitados. Católico romano por tradição, Cairbar Schutel muito fez pelo brilho dessa religião, com a sinceridade que caracterizou Saulo de Tarso. Mas como essa religião não respondia às per-

Seu trabalho logo começou a aparecer: fundou em 15 de julho de1905 o Centro Espírita Amantes da Pobreza (atual Centro Espírita O Clarim). Com sua sede reformada e ampliada, inaugurada recentemente, anexando também o Memorial

nos dias atuais – de 28 de março a 7 de outubro de 1899 e de 18 de agosto a 15 de outubro de 1900, destacando-se como homem público interessado nos problemas das pessoas e nas causas primor-

guntas íntimas que Cairbar fazia com respeito ao seu falecido pai, procurou outras fontes de informação fora da Igreja. Nesse tempo residiam em Matão seus amigos Calixto Prado e Quintiliano José Alves, que convidados por Cairbar Schutel, fizeram com ele sessões de tiptologia com a trípode (pequena mesa com três pés). Foi então que, conhecendo que a vida continuava além do túmulo, estudou e abraçou o Espiritismo e dele se tornou um dos maiores propagandistas.

Cairbar Schuel – inaugurado em 2013 –, as modernas instalações do Centro Espírita O Clarim oferecem agradável ambiente para as atividades cotidianas de uma instituição espírita e para visitação do público, face ao bom gosto e praticidade das novas instalações, fazendo jus aos seus 110 anos de existência, que se somam a outras instituições no país, que nunca fecharam suas portas e já centenárias em suas atividades, como é o caso. Isso vale imensa gratidão ao “Bandeirante do Espiritismo”. r


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Como Desenvolver a Educação Moral Formação do caráter, incentivo às virtudes e desenvolvimento do senso moral é caminho claro para as mudanças que precisamos. IBEM

educacao@educacaomoral.org

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iante dos desafios da vida contemporânea, em que graves problemas sociais afligem a humanidade, muitas pessoas, perplexas, indagam sobre o que fazer para reverter esse quadro de violência, corrupção, miséria, guerras e outros males que caracterizam a sociedade atual. Par nós do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM) o caminho é muito claro: devemos aplicar esforços e recursos na educação de qualidade, mas entendendo a educação como formadora do caráter, como incentivadora de virtudes, como desenvolvedora do senso moral do indivíduo. É o que denominamos Educação Moral, e que deve ser trabalhada em conjunto pela família e pela escola, único caminho para a regeneração dos costumes e a transformação, para melhor, de todo o conjunto social. O Instituto Brasileiro de Educação Moral – IBEM, para vencer esses desafios, criou o Projeto Educação Moral para Formação do Homem, que consiste em: 1 - Formar educadores para aplicação da Educação Moral numa visão integral do ser. 2 - Trabalhar a Pedagogia da Sensibilidade. 3 - Implantar a Escola do Sentimento. Partindo do princípio que o homem é dotado de potencialidades a serem desenvolvidas - intelectuais e morais -, trabalha de forma integrada os valores humanos: a) Valores físicos. b) Valores intelectuais. c) Valores morais. d) Valores espirituais

Estabelecendo um novo modelo educacional, propõe uma escola inter e multidisciplinar, assim como laços de harmonia com a família. O Projeto possui três critérios básicos com relação ao ensino: 1 - Educação com amor. 2 - Educação com exemplo. 3 - Educação com experiência própria. O Projeto Educação Moral para Formação do Homem tem por base uma filosofia espiritualizante, con-

influência do que nossas palavras. Exemplos de conduta ética e uso da inteligência no bem formam o caráter.

siderando o homem um ser integral criado por Deus. Visualizemos um pouco melhor esses três critérios:

teoria deve sempre estar conjugada com a experiência.

Educação com Amor O educando precisa de aceitação e compreensão. Educar é amar. O educador deve ajudar, amparar e estimular. O amor faz com que os educandos cresçam no bem, tornando-se seres conscientes. Educação com Exemplo O exemplo é uma didática viva. Nossos exemplos exercem maior

Educação com Experiência O educando aprende pela experiência. Situações reais ou simuladas e situações-desafio fazem com que ele aprenda a raciocinar, analisar, pensar e agir. O educando não aprende decorando definições, mas compreendendo conceitos. A

Educação moral A educação moral leva o homem à sua perfectibilidade, através do desenvolvimento de suas potencialidades. Ela significa formação do caráter do educando; potencialização das virtudes; sensibilização dos sentimentos; direcionamento da inteligência para o bem. Através desse trabalho temos a construção do homem integral. A instrução fica subordinada à formação. O bem e o

belo direcionam o ser no mundo, dando-lhe consciência moral no convívio com os outros. Cursos a distância Você pode mergulhar no Projeto Educação Moral para Formação do Homem realizando os cursos de capacitação e qualificação desenvolvidos pelo IBEM através da Educação a Distância (EAD). De qualquer parte do Brasil professores, diretores escolares, coordenadores pedagógicos, estudantes de

pedagogia, pais e educadores em geral podem estudar com o IBEM. È só acessar www.educacaomoral. org, escolher o(s) curso(s) e fazer sua matrícula. Contato Conheça o trabalho do IBEM em www.educacaomoral.org. Somos uma rede interativa de educadores trabalhando por uma nova educação. Faça contato através do e-mail educacao@ educacaomoral.org, ou pelo telefone (21) 3439-0665. Também estamos no Facebook. r


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Os homens e seus hinos Breve análise das letras indica caminhos. Carlos Abranches

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s gerações mais antigas tem um sentimento em comum, cultivados ao longo de anos na escola e na família: o respeito e a admiração aos símbolos da pátria, principalmente o hino nacional. Nós, que procuramos compreender todos os fatos da vida sob a lente da percepção espírita, nos atentamos a refletir na mensagem que muitos hinos oficiais costumam mandar, de maneira clara e direta, para suas nações.

Mergulhando no sentido original das letras, mesmo em tempos de paz, notamos que a regra é não baixar a guarda, até porque a calmaria tão propalada pode virar fumaça, diante de qualquer ameaça à soberania nacional.

* O hino brasileiro diz, em determinado trecho: “mas se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte.” Perceba o estado de alerta permanente a que a letra se refere, como se cada brasileiro precisasse ficar a postos, o tempo inteiro, para defender suas fronteiras. Nada muito diferente do hino mexicano, que em certo momento, ressalta: “mas se ousar um estranho inimigo profanar, com um plano, teu solo, pensa, oh, pátria querida, que o céu um soldado, em cada filho, te deu.” A mesma mensa-

gem, o mesmo chamamento à vigilância, em defesa da fronteira nacional. Vejamos o hino inglês, que acrescenta ainda a união da defesa do território com uma suposta inspiração divina, tentando fazer uma estranha vinculação entre as forças bélicas terrenas e as defesas divinas. Diz a letra inglesa: “Ó, Senhor, nosso Deus, venha

dispersar seus inimigos e fazê-los cair. Confunda sua política, frustre seus truques fraudulentos. Em ti depositamos nossa esperança. Deus salve a todos nós.” * Entendemos que no mundo pacífico pelo qual trabalhamos, guerra e paz não combinam. Quando uma chega, a outra foge. O jeito é voltar-se para o respeito à natureza, como o curtíssimo hino japonês propõe, em uma letra com apenas 23 palavras e que se resume em somente uma frase. Diz ela: “Possa o reinado do meu senhor prosseguir durante uma geração, uma eternidade, até que seixos surjam das rochas, cobertas de musgo verde claro”. A impressão que fica é que no Japão, a paz pode ser construída como se fosse um hai-kai, o poema curtíssimo de apenas 17 sílabas, construção literária tradicional da cultura japonesa. Ou seja, é possível mandar um recado pacífico com poucas palavras na alma e no coração. Excesso de palavras, dificuldade na compreensão. O hino brasileiro tem 250 termos, nem todos comuns ao linguajar coloquial, distribuídos em duas partes e oito parágrafos! De certa forma, o que

PÁGINA 4 propõe o hino do Japão é o sentido mais enxuto e direto a que o ser humano poderia almejar, caso queira mesmo pacificar-se, sem nenhum estímulo para pegar em armas e sair matando os outros. * Um hino tem a força de morar no inconsciente de uma nação. Se levarmos em conta o fato de, numa perspectiva reencarnacionista, o espírito “levar” consigo, em seus arquivos profundos, as marcas de suas múltiplas vivências por diversos países, aumenta a necessidade de esforço para que se “desencharque” de suas armaduras psíquicas, enfraquecendo o sentido de defesa e aumentando o senso de companheirismo e fraternidade, “despatrializando” as defesas e sentimento de dignidade pessoal. No fundo, somos filhos de todas as pátrias e irmãos diante do mesmo Pai. Perante tantos estímulos belicosos, vamos buscando os atalhos no território do próprio coração para erigir uma nova nação - a dos homens comprometidos com a transformação pessoal, com uma forma nova de olhar para si, para o outro e para a natureza com mais respeito e elevação. Emmanuel é inconteste ao afirmar que a cruz, compreendida na essência de sua mensagem metafórica, é o signo insuperável do fim de todas as guerras. “Cravada no chão, ela simboliza o fim dos conflitos e a primazia da paz”, conforme consta do cap. 104 do livro Caminho, Verdade e Vida (ed. FEB). r


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Rumos da educação brasileira Diferenças humanas pedem procedimentos distintos. Lucas José Saber

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o convívio social, moderno ou não, estamos todos envolvidos pelo processo educacional que diferente a que imaginamos não trata-se apenas do ambiente escolar. Ao nascer o ser humano inclui-se na grande escola da vida, onde primeiramente começa aprendendo meios necessários para garantir sua sobrevivência. Ainda em tenra idade, inicia-se outro processo educacional, agora voltado aos interesses sociais, onde passamos a nos relacionar com outros indivíduos que também passam pelo mesmo aprendizado, não necessariamente absorvendo os mesmos valores, iniciando assim uma espécie de

lucassaber@hotmail.com

modelagem que atende muito mais aos interesses sociais que as necessidades individuais. O que mais nos define como seres humanos é nossa capacidade de produzir e ensinar cultura, valores sociais que em grande parte definirão o que é ser ou não educados. Nós, futuros professores, estaremos em convívio continuo com alunos de diferentes classes culturais, com valores divergentes em relação à vida e que poderão ou não frequentar escolas direcionados por um sentimento de obrigação que motivados pelo interesse de aprender. Correremos o risco de iniciar um processo violento por não saber respeitar o ponto de vista alheio, por acreditar sermos

Eventos no estado de São Paulo São Carlos, Piracicaba e Barretos têm programação em julho e agosto. Redação Em São Carlos (SP) Sob a luz do Evangelho. Tema: Boa Nova, tesouro imperecível. Data: 11 de julho (sábado), 14h – 17h30min. Local: Obreiros do Bem - São Carlos/SP (Rua Vivaldo Lanzoni, 200 - Lagoa Serena). Organização: NEPE Paulo de Tarso Em Piracicaba (SP) Feira do Livro Espírita. Período: 1 a 8 de agosto no CENTER MALL Rua Vol. De Piracicaba, 583. Das 10h às 22h. Em Barretos (SP) 54ª. Semana Espírita 05 a 17 de julho de 2015 no Lar da Criança – Rua 34, 1.332.

os donos da verdade. Como agir diante de tal situação? “A imposição é filha do desespero enquanto o convite é irmão de grandes esperanças”, eis a principal ferramenta a ser utilizada. Jamais poderemos imaginar um sistema padronizado de educação porque as diferenças entre modos de agir e pensar são observadas o tempo todo entre nações e até mesmo entre pessoas de uma mesma família em relação a assuntos semelhantes como entender a própria vida. Evidentemente seria muito mais fácil ao estado se assim o fosse, a dominação da massa por um processo único é muito mais eficaz e simples. O interesse em relação a implantação desse processo é

notório, bastando observar a redução das referências de educação adotadas pelo Governo Brasileiro, mais preocupado com resultados que com a qualidade. Dessa maneira a educação poderá ser considerada um risco, pois através dela o estado consegue impor uma política desfavorável à autonomia social, tornando o povo cego e limitado, obedecendo aos seus interesses única e exclusivamente. Nós futuros profissionais da educação deveremos agir embasados nas informações que nos façam sair das cavernas onde apenas vemos vultos do mundo externos estampados nas paredes através de sombras e nos envolvermos com a realidade e logo após, voltarmos ao interior levando esses ensinamentos aos que lá permaneceram, agindo em auxilio para que efetivamente sujeitos sejam hoje melhores que ontem e amanhã melhores que hoje. r


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Atualidade de Kardec Pequenos trechos trazem verdadeiras pérolas. Orson Peter Carrara

orsonpeter92@gmail.com

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tão expressiva a atualidade do pensamento de Kardec que se torna sempre oportuno destacar pequenos trechos e entusiasmar-se com sua lucidez e perfeito encaixe com a realidade das situações que vamos vivendo. Normalmente encontramos em seus textos orientações precisas, que são desprezadas ou esquecidas, gerando todo tipo de dúvida ou distorção. Selecionamos ape-

nas dois da Introdução de O Livro dos Espíritos: a) No item VI: “(...) A distinção dos bons e dos maus espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, marcada pela mais alta moralidade, livre de toda paixão inferior; seus conselhos exaltam a mais pura sabedoria, e têm sempre por objetivo nosso progresso e o bem

da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, frequentemente trivial e mesmo grosseira; se dizem por vezes coisas boas e verdadeiras, frequentemente, dizem coisas falsas e absurdas, por malícia ou ignorância. Eles se divertem com a credulidade e se distraem às custas daqueles que os interrogam, se vangloriando da sua vaidade, embalando seus desejos com falsas esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na total acepção da palavra não ocorrem senão nos centros sérios, naqueles cujos membros estão unidos por

PÁGINA 6 uma comunhão de pensamentos para o bem (...)”. b) No item VII: “(...) O homem que considera a sua razão infalível está bem perto do erro; mesmo os que têm as ideias mais falsas se apoiam sobre a sua razão e é em virtude disso que rejeitam tudo o que lhe parece impossível. Os que outrora repeliram as admiráveis descobertas de que a Humanidade se honra, faziam todo apelo a esse julgamento para as rejeitar. (...)”. As duas transcrições, embora pareçam insignificantes, oferecem material para ampla reflexão, especialmente para não cairmos na ilusão da autossuficiência ou do orgulho que nos emperra a visão clara dos fatos. Será sempre oportuno consultar Kardec para estarmos atualizados com a lógica e grandeza da Doutrina Espírita, afi nal a obra da Codifi cação é insuperável, insubstituível. r


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Consciência reencarnatória Como estamos utilizando esse conhecimento? Richard Simonetti

richardsimonetti@uol.com.br

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vanç am as pesquisas sobre a reencarnação. Há incontáveis livros publicados, particularmente na Europa e nos Estados Unidos. Envolvem aspectos variados, com destaque para as reminiscências espontâneas. É signifi cativo o número de pessoas que se recordam de vi-

Não há como negar o peso da reencarnação na balança de nossa economia psíquica. Freud estava no caminho certo quando concebeu que nossos males guardam relação com experiências traumáticas do passado.

das passadas. Algo ponderável, principalmente por envolver, geralmente, crianças sem nenhum interesse ou capacidade para forjar histórias fantásticas. Por outro lado, a Terapia das Vivências Passadas (TVP) coloca médicos e psicólogos em contato com vidas

anteriores dos pacientes, acumulando evidências e farto material para pesquisa. Dizia-nos um psicólogo: – Já não tenho dúvidas sobre a Reencarnação. Eu a vejo, clara, inconfundível, nas reminiscências induzidas, em que meus pacientes descobrem, surpresos, acontecimentos de ontem que estão repercutindo hoje em seu psiquismo, originando males variados. Eles superam muitos problemas a partir dessas experiências. Passam a lidar melhor com fobias e desajustes diretamente relacionados. Não há como negar o peso da reencarnação na balança de nossa economia psíquica. Freud estava no caminho certo quando concebeu que nossos males guardam relação com experiências traumáticas do passado. Infelizmente, por não aceitar a reencarnação, resvalou para a fantasia em suas conclusões. Para nós, espíritas, o avanço das pesquisas sobre a reencarnação constitui motivo de satisfação. Gratificante ver nossa crença disseminada, nossos princípios

evidenciados, influenciando os profissionais de saúde, a caminho de uma medicina psicossomática, interessada em desvendar os mistérios do Espírito imortal para resolver os problemas do homem perecível. Consideremos, entretanto: Não basta constatar uma realidade. Imperioso que repercuta em nossa vida. Não basta admitir ideias. É preciso cultivar ideais. A reencarnação não é apenas um princípio lógico e racional, que explica as diferenças humanas. Fundamental ver nela um precioso estímulo, ajudando-nos a superar nossas próprias limitações. Para tanto, é preciso formar uma consciência reencarnatória,

a convicção de que estamos em trânsito pela Terra, numa viagem que se iniciou há milênios antes do berço, e se estenderá rumo ao infinito, além-túmulo. Não podemos nos limitar aos interesses materiais, à satisfação de nossos desejos em relação ao imediatismo terrestre, visando sucesso, conforto, riqueza, prazer… Acima de tudo, cogitemos da edificação de nossas almas, o empenho em superar imperfeições, valorizando o ensejo de aprendizado da jornada humana. Oportuno indagar, diariamente, a nós mesmos: O que cultivo – iniciativas, desejos, interesses, atividades – diz respeito a minha condição de Espírito imortal? Estou crescendo em conhecimento, responsabilidade e discernimento? Ou tenho privilegiado o homem perecível, a perseguir ilusões? Fundamental essa análise introspectiva. Há algo de vital importância em jogo: O nosso futuro! r


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Prudente realiza novo encontro Evento, em 3ª edição, reúne a região. Leleco

Transcrição parcial de entrevista inédita.

leleco@dalin.com.br

om grande entusiasmo a progressista cidade paulista de Presidente Prudente realizou seu Encontro Espírita de Presidente Prudente, reunindo 350 inscritos – de 25 cidades – nos dias 29 a 31/05/15, utilizando-se da APEA-Prudentina. Em compacta entrevista o Presidente da USE Prudente, Manuel Egídio Santos Cardoso – no cargo desde 2013 e vinculado ao CE Amor e Caridade, de Pirapozinho (SP) –, que é espírita de infância, professor e com formação em Ciências Agrícolas, informou sobre o dinamismo do evento. 1 - Quando e como surgiu o Encontro Espírita de Presidente Prudente? (...) tendo a oportunidade de conhecer vários encontros que ocorriam em diversas cidades, muitas vezes de menor porte, nos questionamos do porquê não realizá-lo em nossa cidade (...) como forma de unir esforços e maior interação (...) Em 2013, começamos nosso primeiro evento com o tema “Estamos Prontos para Crescer”.

2 - Que critérios tem norteado sua programação anual? Temos como proposta maior, a unificação dos espíritas (...) 8 - E os recursos para sua realização? 50% dos recursos vem de patrocínios de diversas casas, de simpatizantes e do caixa da USEI em diversas promoções (...)

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9 - O que é mais marcante no evento? A satisfação geral, em depoimentos consoladores, da plateia e dos palestrantes, em verdadeira fraternidade.

10 - Algo que gostaria de destacar? A participação qualitativa das pessoas que estiveram presentes, num congraçamento fraterno. (...) r

Manuel Egídio (E) e Cido Oliveira (D), pintor impressionista da cidade. Quadro foi pintado no evento e doado para a USE.


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Um dia e uma noite Consagrado autor lança coleção. Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

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conhecido autor (são 15 livros publicados – os empolgantes romances, especialmente), Wilson Frungilo Junior, que é espírita desde 1974, formado em Ciências Físicas e Biológicas e presidente do IDE – Instituto de Difusão Espírita, de Araras (SP) desde o ano 2.000, está com proposta literária inédita. Com grande facilidade para escrever e inspiradíssimo em seus textos, lança uma coleção. Conheça detalhes coletados diretamente com as respostas do autor.

1 - Como surgiu a ideia de uma coleção? R: A partir do momento em que escrevi uma história que teria o título de Um dia e uma noite, surgiu a ideia de escrever outras, cujos enredos também tivessem a duração de apenas parte de um dia e de uma noite. 2 - Quantos livros vão compor a coleção? Cada livro terá seu título e conteúdo próprio? R: Ainda não possuo uma previsão, mas tenho me dedicado muito a esse projeto. A coleção

terá essa denominação Um dia e uma noite, mas cada volume trará uma história inédita, com início, meio e fim, sem nenhuma sequência entre elas, e um título próprio, como por exemplo, o do 1º volume será O amanhã começa hoje.

3 - Sendo livros distintos, com personagens e histórias sem qualquer ligação entre si, como foi concebida a ideia de uma coleção, considerando os ensinos espíritas e a vivência dos protagonistas em cada título?

R: A ideia da coleção partiu do princípio de que todas possuíssem a duração de apenas parte de um dia e de uma noite, nas quais, suas tramas seriam sempre solucionadas por meio do conhecimento da Doutrina Espírita. E seus enredos tratam de acontecimentos que, não raro, ocorrem no cotidiano da vida: problemas familiares, mistérios e momentos nos quais o desconhecido invade a existência das pessoas e que o Espiritismo vem solucionar com irrefutável serenidade, raciocínio e explicações lógicas. Q uanto aos ensinamentos espíritas, cada história deverá conter um ou mais temas, cuja finalidade é a de fazer com que haja uma interação com o leitor espírita, sem deixar de elucidar aquele que pouco conhecimento detenha sobre o assunto, proporcionando-lhe uma maior compreensão sobre os caminhos da vida. 4 - Qual a previsão da editora nos lançamentos de cada título, na sequência deles? R: A previsão é a de que cada título seja lançado no intervalo de dois meses. r Nota da Redação: O lançamento pode ser adquirido diretamente no site da editora: www. idelivraria.com.br ou pelo telefone: (19) 3543-2400 ou (19) 99669-8409 – WhatsApp.


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Casamento feliz Um caso no atendimento fraterno. Alexandre Perez

alexandrewperez@gmail.com

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urante um de nossos atendimentos fraternos, uma angustiada mulher relatava seu sofrimento de sua situação atual: Tinha 36 anos; fora casada durante 11 anos e se divorciou, pois seu antigo relacionamento era muito conturbado. Casara-se novamente há dois anos. - Sabe Alexandre, meu casamento atual tem tudo para dar certo! Meu marido é um empresário bem sucedido. Temos muitas afinidades e nunca brigamos. Viajamos sempre, temos independência total e nos comportamos muito mais como dois jovens apaixonados. Sempre curtindo a vida e o relacionamento. - Acontece que, há alguns meses, as coisas esfriaram bastante. Aquele bem estar está sendo trocado pela sensação de insatisfação, de frustração. Sem saber por enquanto o que concluir, perguntei sobre seu casamento anterior. - Casei-me iludida, eu acho... Pensei que teríamos uma vida de alegrias. Mas logo tive que aprender a ser muito tolerante com os hábitos dele, diferentes dos meus. Fiquei grávida após seis meses, e foi um sufoco! Tive que me virar

sozinha, pois ele não me ajudava em nada. Ele chegava tarde, mentia e não me dava a devida atenção. - Tive um aborto espontâneo aos quatro meses de gestação e fui ao hospital sozinha! Mesmo assim não quis me separar e também não quis engravidar mais. Fomos vivendo assim..., aprendendo a tolerar, a suportar frustrações e a renunciar aos sonhos da juventude. Até que um dia ele me traiu! Foi uma tragédia! Então me divorciei. - Olha..., tive que aprender muito para suportar estes onze anos! Passei por fases difíceis e precisei de muita força para superar cada uma delas. Recordo-me das noites de tristeza, sozinha, orando em meu quarto. Recordo-me das coisas que eu fui aprendendo a perder, renunciar e deixar pra lá. Aprendi renunciar, aprendi tolerar, aprendi paciência, acho que até aprendi a amar..., de um certo jeito... Neste momento o diálogo para abruptamente! Ela me olha assustada, coloca as mãos no rosto e começa a chorar intensamente. Compreendi logo o que ocorria: ela mesma havia encontrado a resposta para seu angustiante dilema... - Acho que você acaba de descobrir o motivo de sua inquietação

e insatisfação no novo casamento, não é mesmo? – perguntei. Está faltando aprendizado! E aprendizado gera realização. Realização é progresso espiritual. E progresso espiritual é garantia de satisfação e felicidade. Pois é... a ociosidade prazerosa e a contemplação das coisas belas, embora necessárias ao espírito, podem provocar seu estacionamento evolutivo e a estagnação dos laços de afeto familiar quando não são acompanhadas dos desafios evolutivos do dia a dia. Já que vocês não possuem motivos para se preocuparem com os conflitos comuns da maioria dos casais, nem com as limitações financeiras de quase toda gente, quem sabe não poderiam entretecer projetos realmente significativos que os levem a beneficiarem a si mesmos e aos outros que lhes são próximos? Já que você não precisará ser submetida aos processos dolorosos de aprendizado – ao menos por enquanto – por que não aproveita para dispensar a si mesma, e ao seu companheiro, grandes doses de oportunidades de aprender e de servir, seja um ao outro, seja a família, seja ao próximo fora do círculo familiar? Eis aí minha sugestão, querida companheira.

--O Laboratório Evolutivo Familiar, caro leitor, é sempre lugar de superação, aprendizado e desafios. É palco de atuação intensiva das almas que foram chamadas a viver temporariamente em conjunto. Precisamos lembrar de que felicidade não significa ausência de problemas; ela advém da superação e adaptação que eles provocam, pois estas atitudes sempre significam progresso quando são embasadas no aprendizado. A Providência Divina enriquece nosso dia a dia com os desafios necessários ao desenvolvimento de nossas faculdades superiores. Isso está tão presente ao longo de nossas seculares reencarnações, que, quando nos privamos dos desafios e realizações, logo nos sentimos “vazios”. Não estamos fazendo apologia ao sofrimento dentro do lar, mas sim, procurando chamar atenção à valorização dos verdadeiros alicerces da construção da felicidade! A satisfação e a felicidade são frutos da consciência ativa, empregada no trabalho de superação de si mesmo, rumo à perfeição relativa, e o lar, é o principal cenário atual onde isso é possível. Portanto, saibamos construir um casamento feliz não somente com momentos de descontração e lazer, nem tampouco com apenas momentos de dor e preocupações, mas, principalmente, com as atividades e os momentos que gerem novos aprendizados, reflexões, deduções e atitudes renovadas. r


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Falsa noção de Humildade É preciso saber diferenciar. Deolindo Amorim

De artigo publicado em dez/64 no periódico O Idealista

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uita gente pensa que ser humilde é não ter personalidade. O próprio Cristo, que foi o Cristo, o bom, o justo por excelência, não abriu mão de Suas ideias, não recuou diante das dificuldades... Se Ele não tivesse personalidade, naturalmente ficaria acomodado à situação e não teria suportado o que suportou em defesa do ideal que O iluminava. No entender de muitas pessoas, o que, aliás, está muito errado, ser humilde é dizer amém a tudo, é ficar bem com todos, ainda que tenha de sacrificar as mais fortes razões da consciência. Não foi isto o que o Cristo ensinou. Nem foi isto o que Ele praticou. Veja-se bem que o Evangelho reprova o procedimento dos que, calculadamente, ocultam os seus

pensamentos, isto é, não dizem o que pensam nem o que sentem, porque preferem agir na sombra! Tanto é certo que o Cristo va-

Não tenho receio das pessoas que tomam atitudes francas, para um lado ou para outro; mas tenho muito cuidado com os que ficam mornos, pois foi para estes que o Cristo chamou a atenção de Seus seguidores.

lorizava a personalidade, que ele mesmo disse, e de modo direto, que a criatura deve ser quente ou

Seus filhos? Crianças, adolescentes, jovens... Inscreva-os também no EAC – É gratuito até 18 anos de idade. Redação

O

Inscreva-se pelo site: www.institutocairbarschutel.org

Encontro Cairbar Schutel 2015, a ocorrer em Matão (SP), nos dias 19 e 20 de setembro, no SOREMA, reunindo dezenas de cidades e centenas de pessoas, tem amplo espaço para crianças a partir de 5 anos, adolescentes e jovens. A inscrição é isenta até 18 anos, embora obrigatória no site. Inscreva-se pelo site:

www.institutocairbarschutel.org Para maiores de 18 anos investimento promocional até 31 de julho. Acesse para informar-se! Esperamos vocês todos! Sugerimos lista a partir de 6 pessoas (incluindo convidados na mesma inscrição), para que valor fique no mínimo por pessoa. r

fria; ninguém deve ser morno. Que significa isto? Significa ter personalidade, no mais alto sentido humano e espiritual. Ficar morno é ficar indeciso, de caso pensado, é não se definir de propósito, para tirar algum partido próximo ou remoto. Isto, porém, não é procedimento compatível com a ética espírita. Não tenho receio das pessoas que tomam atitudes francas, para um lado ou para outro; mas tenho muito cuidado com os que ficam mornos, pois foi para estes que o Cristo chamou a atenção de Seus seguidores. Se o Cristo disse que o nosso falar deve ser sim-sim-não-não, é claro que, com isto, reconheceu que o homem deve ter personalidade. Vejo e ouço, constantemente, citar-se o Evangelho, mas também

noto que muita gente ainda não compreendeu o sentido de certas máximas fundamentais do Evangelho. Vou dar um exemplo disto: quando alguém toma atitude, no meio espírita, porque tem personalidade, e não está conformado com isto ou aquilo, logo se diz que é um antifraternista, que é um demolidor, etc. Pouco falta para se chamar o companheiro de um herético ou pecador público, simplesmente porque é sincero, é idealista, e diz o que pensa. É preciso que se compreenda a situação de cada um de nós, em face da responsabilidade própria. Tomar uma atitude contra qualquer coisa venha de onde vier, não quer dizer que se pretenda destruir seja o que for. É agir sinceramente, de acordo com a consciência. Já é tempo de se acabar com a suposição ou com o sofisma de que, para praticar a humildade, é necessário curvar-se a tudo ou abdicar do direito de pensar e falar abertamente. Há, entre nós, uma noção muito falsa de humildade, para encobrir muita coisa ruim. r


Julho de 2015

S. José do Rio Preto em plena atividade Atividades atingem a cidade e região. USE Intermunicipal Rio Preto

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s atividades coordenadas pela USE Rio Preto – na progressista cidade paulista – estão caracterizadas por intenso dinamismo. Destacamos na presente edição: 1 – 7º. Encontro do ESDE – dias 25 e 26 de julho/15 – Promovendo o encontro dos monitores em exercício, para estudo e troca de experiências e contato com esse programa de estudos, proposto pela FEB, sobre a metodologia de trabalho e filosofia de estudo praticados e desenvolvidos pelo ESDE nesses 31 anos de existência. Promovido pela USE estadual, o evento ocorre no Centro Universitário do Norte Paulista - UNORP e terá a presença de Cosme Massi, com palestra no sábado 25, às 20 horas e no domingo, no encerramento do encontro. As inscrições estão abertas no site: www.usesp.org. br, onde estão disponíveis as informações pertinentes e contatos com a equipe responsável. 2 –Departamento de Mocidades – A gestão 2015/2018 prioriza a unificação, reunindo as mocidades já existentes, e incentivando/orientando a implantação de novos grupos. Fundamentados nas Diretrizes para Ações da Juventude Espírita do Brasil (FEB) e na importância do envolvimento

dos jovens com suas responsabilidades espirituais, galgamos solidificar o movimento jovem na Intermunicipal. Considerando-se a relevância do movimento jovem, o DM visa identificar os diferentes perfis, hábitos, comportamentos e ideias, pautando ações que favoreçam espaço de estudo, convivência, integração e confraternização. A Mocidade Cultural, evento mensal (primeiro sábado de cada mês) de integração e estudo, proporcionará estudos através de teatros, música ao vivo, reportagens e filmes, alinhados à Doutrina Espírita. Encontros anuais acontecem sob supervisão do DM como: EMERRP (Encontro das Mocidades da Região de Rio Preto), NOME (Noite das Mocidades Espíritas) e COMERRP (Confraternização das Mocidades da Regional de Rio Preto). As instituições espíritas

serão visitadas e orientadas para o fortalecimento do movimento. A USE Rio Preto, através desse departamento, fortalece os ideais de unificação e acredita que esse

engajamento é o necessário para a formação dos futuros trabalhadores nas Casas Espíritas. O DM-Rio Preto reúne mocidades espíritas de São José do Rio

PÁGINA 12 Preto, Icem, Orindiuva, Paulo de Faria, Pontes Gestal, Américo de Campos, Cosmorama, Tanabi, Bálsamo, Neves Paulista, Mirassol, Jaci, Bady Bassit, Nova Aliança, Guapiaçu, Ipiguá, Mirassolândia, Nova Granada, Onda Verde, Palestina. O diretor é Rafael Bernardo e a Secretária é Sandra Reis Grecco. Maiores informações sobre o movimento: (17) 991643503 – WhatsApp Sandra Reis Grecco

3 – Feira do Livro Espírita Itinerante – O Projeto Feira Itinerante é um grande investimento de divulgação espírita, com a criação de eventos e palestras públicas para mais de 10 cidades. São 200 títulos de livros expostos para livre manuseio, com preços em promoção. O evento visitou diversas cidades em períodos determinados e estará em julho em Bady Bassit (10 a 15 de julho, das 18 às 222h e palestras das 20 às 21h), na Assoc. Benef. Francisco de Assis, estando programadas palestras em todo o período. Também Ipigua recebe a Feira no período de 24 a 26 de julho e utilizando-se da Praça Principal. r


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Preciosidade Realmente um tesouro... Cláudio Bueno da Silva

klardec1857@yahoo.com.br

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urval virou a última página do livro, fechou-o e colocou-o sobre a mesinha lateral, junto ao sofá. Acomodou-se melhor no assento e ficou pensando, de olhos cerrados, em tudo o que lera. “Que infância viveu esse camarada!” - disse para si mesmo, referindo-se ao autor do livro autobiográfico que acabara de ler, e que agora observava a uma distância que lhe permitia enxergar, no dorso negro, as letras douradas: MEMÓRIAS – HUMBERTO DE CAMPOS. Reviu mentalmente várias passagens da vida do menino maranhense costuradas em crônicas sofridas e humanas que,

na verdade, contavam também a história de muitos outros brasileirinhos nortistas que passaram e passam pelas mesmas penúrias e carências. Curioso como Durval chegara àquele autor. Tendo saído de casa numa fresca e linda manhã de sexta-feira, dirigiu-se a uma das livrarias-sebo da cidade, já conhecida. O proprietário era um típico senhor à moda antiga, de bigodinho irrepreensivelmente aparado, e que usava invariavelmente as calças presas por suspensórios elásticos, encobrindo a camisa de mangas compridas muito bem passada. Uma figura meticulosa na apresentação e no tratamento agradável que dava aos clientes.

Durval não tinha absolutamente nada em mente durante o trajeto, apenas que compraria um livro para ler naquele fim de semana. O local estava calmo, com poucos frequentadores. Começou a percorrer os corredores, até chegar à estante de literatura brasileira. A seção era enorme. A busca minuciosa o levava para a direita e para a esquerda das fileiras, seguindo a ordem alfabética, sem se deter em nenhum título. Quando cismava, puxava um volume, folheava, lia um trechinho, e o repunha no lugar. E assim, Durval “garimpou” todo o setor, já com dor no pescoço e frustrado. Levemente impaciente, iniciou um giro pela livraria, como se estivesse à cata de uma ideia que lhe facilitasse a escolha da leitura para o seu fim de semana. Até que esbarrou no balcão abarrotado de livros, que o livreiro, com paciência, tentava organizar.

Foi aí que Durval, sem querer, pôs a mão sobre as “Memórias”, de Humberto de Campos. - “Seu Custódio, o que me diz deste livro?” -“Uma preciosidade” – “E digolhe mais”, - arrematou, ao ver o interesse do freguês: - “Este moço, depois de morto, escreveu obras lindíssimas pelas mãos mediúnicas do Sr. Francisco Cândido Xavier. Ouviu falar?” - “Mãos mediúnicas?!” Ouvindo isto, Seu Custódio saiu do balcão, e quando voltou trazia, limpando com as mãos, um volume que entregou ao cliente, cientificando: - “Esta é uma das tais que lhe falei. Preciosidade!”. Durval acabou comprando os dois livros. Terminara, pois, de ler a triste história do autor encarnado, e se preparava, ansioso, para conhecer o que havia de tão precioso por detrás daquele título que tinha agora nas mãos, Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos. r

João Thiago Garcia, o JT, vem para o EAC Objetivo é abrir espaço para o jovem. Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

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conhecido JT estará no EAC – Encontro Cairbar Schutel, que ocorre em Matão, em setembro próximo. Diretor do Departamento de Mocidade da USE e Coordenador Regional de Juventude do CFN/ FEB, vincula-se ao Luz Divina, da capital paulista e a atividades de âmbito federativo, aceitou o convite do EAC para participar em 2015. Casado, 32 anos, e tendo conhecido o Espiritismo aos 18 anos, quando integrou-se à Mocidade Espírita, JT participará para envolver os jovens espíritas presentes ao evento e envolver os dirigentes com sua dinâmica de inclusão do jovem nas atividades

espíritas. Na próxima edição publicaremos sua entrevista completa, mas adiantamos algumas frases marcantes de suas respostas: 1 – Os jovens já são motivados por natureza, o que falta é oportunidade para que eles se envolvam e participem mais. 2 – Não existe subsídio melhor do que o Evangelho para envolver as pessoas.

(...) o jovem não está para substituir ninguém no futuro, ele está para trabalhar junto, agora no presente.

3 – “Obrigado por ser o motivo”, com diz a música Hoje da banda Parole (São Paulo, capital). Sem os jovens espíritas não haveriam as Mocidades e sem Mocidade não existiria razão de se ter um Departamento de Mocidade na USE. 4 – Aprendi três coisas: 1 - jovem não dá trabalho, ele busca; 2 - a pouca idade é um “problema” que o tempo resolve; 3 - o jovem não está para substituir ninguém no futuro, ele está para trabalhar junto, agora no presente. r


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Uma experiência com Web Rádio Emissora em Dourados (MS) tem centenas de acessos diários. Transcrição parcial adaptada de entrevista ainda inédita a ser publicada pela Revista Eletrônica O Consolador

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raduado em Publicidade e Marketing, funcionário público estadual na área da saúde e espírita de infância, Luiz Antonio Domingues vincula-se ao Centro Espírita Portal da Luz, em Dourados (MS). Com intensa atividade pela Rádio Web Portal da Luz, suas respostas relatam a experiência na radiodifusão pela Internet. 1 - Quando e como surgiu a Rádio Web Portal da Luz? A Web RPL , nasceu em 25 de junho de 2011. Foi através da dor, em um momento de depressão, síndrome do pânico e obsessão. Morando sozinho, somente conseguia superar as noites e adormecer, sem possivelmente cometer um suicídio, ouvindo a Rádio Boa Nova. Após passar por estes tormentos, já mais equilibrado, pensei que poderia ajudar outras pessoas assim como eu mesmo recebi esta ajuda. O site de acesso é www.radioportaldaluz. com

2 - Na grade de programação de 24 horas, como é pensada a sequência? A programação em horários alternativos para contemplar os variados fusos horários do planeta, mesmo porque a Web RPL já foi acessada em

A dificuldade maior ainda sendo a financeira, pois hoje em dia temos muitos avanços tecnológicos e é difícil implantá-los. 5 - E o número de acessos diários?

mês, onde divulgamos a marca das empresas, e também temos um logo de doação via PagSeguro, que fica no lado superior do site no lado esquerdo, um botãozinho na cor verde de doação Pagseguro. Também precisamos de divulgadores nas mídias sociais. 9 - Algo marcante que gostaria de relatar? Um caso relatado por uma nossa ouvinte de nome Renne em Eliat, Israel: ela colocava a Radio no último volume para acalmar os familiares quando os mísseis cruzavam o céu daquele pais.

mais de 50 países 4 - Quais os maiores obstáculos para uma rádio web?

Hoje estamos com uma média de acessos diários de aproximadamente 700 ouvintes.

Estamos abertos a todas as casas espíritas para divulgar noticias, eventos, etc..., basta entrar em contato (...)

7 - Para quem desejar ajudar, qual o contato e que tipo de ajuda pode ser oferecida? Nosso email de contato é radioportaldaluz@gmail.com, temos espaço para divulgação de Banner, ao custo de R$ 40,00 (quarenta reais) ao

11 - Suas palavras finais. Estamos abertos a todas as casas espíritas para divulgar noticias, eventos, etc..., basta entrar em contato com nosso endereço eletrônico, nosso email: radioportaldaluz@gmail.com, ou através do fone celular: (67) 9948-4173 , com Luiz; também estamos em todas as redes sociais, como twitter: rd@ portaldaluz; facebook:(facebook. com/WebRadioportalluz), Canal do YouTube:(youtube.com/user/luigiangelms), Watszap: 67-8449-8060. r


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Uma frase de Emmanuel Itens elencados formam roteiro de aprimoramento moral. Umberto Amarildo de Freitas

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atado de 3 de outubro de 1954, em Pedro Leopoldo (MG), o Prefácio do livro Nos Domínios da Mediunidade, do Espírito André Luiz – pela psicografia de Chico –, é, por si só, precioso documento para estudo, muito conectado com o conteúdo do livro em si, como não poderia deixar de ser. Assinado por Emmanuel, muito conhecido

por sua capacidade de síntese em extraordinárias obras, além dos conhecidos romances clássicos históricos, referido documento traz uma frase de impressionante validade para orientação de nossos dias, não restrito à prática espírita, mas abrangente a toda vida individual e coletiva. Eis um dos parágrafos: “(...) Sem noção de responsabilidade, sem devoção à prática do

bem, sem amor ao estudo e sem esforço perseverante em nosso próprio burilamento moral, é impraticável a peregrinação libertadora para os Cimos da Vida (...)”. Notem os leitores que a frase é um roteiro de vida com itens específicos para avanço aos processos de libertação de vícios e condicionamentos, em todos os sentidos: 1 – Noção de responsabilidade;

2 – Devoção à prática do bem; 3 – Amor ao estudo; 4 – Esforço perseverante em nossa melhora moral. Sem esses itens torna-se impraticável desvencilhar-se de nossas dificuldades. A adoção de tais comportamentos gera novo panorama aos nossos anseios de felicidade. Cada item abre margem a intensos questionamentos pessoais. Afinal como está nossa noção de responsabilidade, devoção à prática do bem, amor ao estudo e esforço pessoal constante para sermos melhores? Desafio que o parágrafo do Prefácio lança em nossos caminhos. r

Projeto Imagem em jornada Eventos movimentam o Casal Américo e Mara Sucena Mato Grosso do Sul visitam várias cidades. Redação

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m jornada de palestras, Américo e Mara Sucena, de São Paulo (SP), da Sociedade Espírita Mãos Unidas e integrantes do conhecido Projeto Imagem (visite: www.projetoimagem.com. br), que produz imagens e roteiros para palestras com desenhos em alta definição e abordando diversas obras ou capítulos de livros referenciais – entre Yvonne, Emmanuel e André Luiz –, visita várias cidades durante o mês de julho de 2015.

Com roteiro estabelecido no período de 18 a 23 de julho, o casal – em palestras simultâneas em diferentes lugares –, visita as cidades de Matão, Araraquara, Rio Claro, Taiuva, Bebedouro, Jaboticabal, Tabatinga, Jaú e Monte Alto, todas no estado de São Paulo. Veja roteiro completo, inclusive das instituições, acessando o site do Instituto: www.institutocairbarschutel.org r

Programação de 11 de julho a 15 de agosto. Redação

Dia 11 de Julho (sábado) - Sessões às 19 e 21h Peça de Teatro “Os fantasmas também amam”. Cia de Teatro Arte Boa Nova. Local: Teatro Municipal de Dourados (MS). Dia 19 de julho (domingo) Curso de Capacitação para Trabalhadores na área de Estudos. Facilitadores: Equipe FEMS. Local: C.E. Ismael, em Dourados (MS). Dia 14 de agosto (sexta-feira), 19h30 Cantora Espírita Elizabete Lacerda (Brasília-DF). Local: Teatro Municipal de Dourados (MS). Dia 15 de agosto (sábado), à tarde Seminário “Projeto Reencarnatório”, com Orson Peter Carrara em Nova Andradina (MS). Informações pelo e-mail: urenovandradina@yahoo.com.br. Dia 15 de agosto (sábado), à noite Palestra “O Auxílio Virá”, com Orson Peter Carrara em Nova Andradina (MS). Informações pelo e-mail: urenovandradina@yahoo.com.br. Dia 16 de agosto (domingo), de manhã 11º. Encontro de Jovens em Bataguassu (MS). Local: CE Allan Kardec, com Orson Peter Carrara. Tema: “Uma questão de escolhas, os desejos e a liberdade”. Informações: ceak.dij@uol.com.br.


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REMETENTE: Instituto Cairbar Schutel

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Caixa postal 2013 - 15997-970 - Matão-SP

Prece por alguém que esteja em aflição Coragem e resignação ativa são os recursos para quem sofre. Transcrição parcial de ESE.

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e é do interesse do aflito que sua prova siga o seu curso, ela não será abreviada pelo nosso pedido; mas seria ato de impiedade desencorajar-se porque o pedido não foi atendido; aliás, na falta de cessação da prova, pode-se esperar obter qualquer outra consolação que modere a sua amargura. O que é verdadeiramente útil para aquele que sofre é a coragem e a resignação, sem as quais o que suporta é sem proveito para ele, porque será obrigado a recomeçar a pro-

va. É, pois, para essa finalidade que é preciso, sobretudo, dirigir seus esforços, sejam em apelando aos bons espíritos em sua ajuda, seja em reerguendo por si mesmo a moral do aflito por conselhos e encorajamentos, seja, enfim, em o assistindo materialmente, se for possível. A prece, neste caso, pode, por outro lado, ter um efeito direto, dirigindo sobre a pessoa uma corrente fluídica para fortalecer seu moral (capítulo V, 5 e 2, capítulo XVII, 6 a 10, de ESE). r

Donizete Pinheiro lança novo livro

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or admirar ditos populares, Donizete Pinheiro refletiu sobre se a voz do povo realmente é a voz de Deus. Resultado: um livro muito agradável. Reunindo 50 ditos que parecem servir como um roteiro prático – e que podem ser úteis se observados – são excelentes e oportunas considerações em cima do que se convencionou chamar “a voz de Deus”, enaltecendo a necessidade do aprimoramento espiritual. Magistrado aposentado, Donizete Pinheiro é casado e pai de três

filhos, reside em Marília (SP) e é autor de vários livros. r

Tribuna do Espiritismo - julho de 2015  
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