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ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • AGOSTO DE 2015 • ANO 2 • Nº 23 • 21.000 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

E as tentações? E a moral? https://tanaramccauley.files.wordpress.com/2013/04/choices-doors.jpg

O caminho mais convidativo nem sempre é o correto. Veja nas páginas 5 e 7.

1º de agosto de 2015 150 anos de lançamento de O Céu e o Inferno, por Allan Kardec

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Entrevista completa com o JT Veja na página 12.

Matão pronto para o EAC Encontro Cairbar Schutel espera você! Veja páginas 8 e 9.

Há algo de novo na literatura! Veja na página 6.


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Agosto de 2015

Editorial

EAC chegando

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o próximo mês nos reunimos em Matão novamente na 5ª. Edição do Encontro Anual Cairbar Schutel, que carinhosamente é chamado de EAC. Desde sua 1ª. Edição, em 2011, a participação e o entusiasmo tem sido os grandes ingredientes que fomentam sua realização, inspirada pelo ideal da divulgação e do encontro entre os espíritas, no fortalecimento do movimento, de quem Cairbar Schutel foi um grande exemplo. Sua influência marcante, que motivou autores e famílias a se envolverem com sua obra, que nomeia instituições e que inspira tantas realizações, também nos move nas tarefas do Instituto Cairbar Schutel – instituição virtual formada por vários amigos –, que abraçou também a edição do jornal que o leitor tem em mãos. No evento próximo, esperamos pela sua presença. O local permite grande concentração de público e a programação está carinhosamente preparada para recebe-lo com um grande abraço de estímulo ao trabalho espírita que prossegue e prospera em toda parte. Venha para Matão. Inscrevase para o evento, esteja conosco. Será uma alegria recebê-lo. r

15 de agosto de 1905 / 2015 Jornal fundado por Schutel soma um século mais uma década. Em transcrição parcial do site da Editora O Clarim, adaptado para a presente edição.

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airbar Schutel era um católico convicto, idealista (...) e incentivava o Padre Antônio Cezarino a vir de Araraquara pelo menos uma vez por mês para celebrar missas na capelinha (...). Este pensamento, entretanto, começou a sofrer modificações no princípio de 1904, quando os pais de Cairbar, Sr. Anthero e D. Rita, voltaram a fazer parte de sua vida, desta vez aparecendo insistentemente em seus sonhos. Tentando compreender a razão daqueles encontros (...), procurou o mesmo Padre, expondo suas dúvidas e requisitando explicações lógicas para o padre. Este logo o advertiu para “não mexer com essas coisas”. Ficou claro que o padre não concordava com tais questionamentos de Schutel a respeito de vida após a morte e tachou essas visões como algo proibido, como má influência. Não satisfeito com a resposta, Schutel procurou Quintiliano José Alves e Calixto Prado, que realizavam sessões espíritas na pequena vila, desejando participar delas.

(...) As sessões começaram a despertar a curiosidade em Cairbar Schutel e, ao comentar tais questionamentos com o amigo João P. Rosa e Silva, caixeiro-viajante de Itápolis, ele lhe apresentou o

caminho que mudaria o rumo da vida de Cairbar: o conhecimento do Espiritismo. João o presenteou com uma edição da revista O Reformador, que Cairbar leu empolgado, como quem estivesse

descobrindo um grande tesouro. No dia seguinte, pediu pelo correio as cinco obras da codificação espírita, organizadas por Allan Kardec, que faziam parte da publicidade da revista. Após receber os livros, não foi necessário mais do que um mês para que Cairbar lesse e absorvesse todo o conhecimento impresso naquelas obras. Torna-se espírita e desejava compartilhar, ensinar, propagar, fazer com que outras pessoas pudessem conhecer também esta nova doutrina. (...) Um mês após a fundação do Centro Espírita surge o jornal “O Clarim”, no dia 15 de agosto de 1905, sendo até os dias atuais divulgado de forma ininterrupta, ecoando os ensinamentos espíritas para todos aqueles que desejam ouvi-lo. Nota: Há dez anos, em 2005, Matão comemorou o centenário do jornal O Clarim, com grande evento que reuniu dezenas de cidades e estados, e aproximadamente mil pessoas, no mesmo local onde será realizada a 5ª. Edição do Encontro Anual Cairbar Schutel. r


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Agosto de 2015

Fazer Uma Criança Feliz Proposta do IBEM insere amplo programa. IBEM

educacao@educacaomoral.org

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o falarmos em educação, nos reportamos ao consciente de todo educador comprometido com o “Fazer uma criança feliz!”. No atual modelo educacional instituído em todo território nacional, vemos educadores responsáveis enfrentar o dia a dia ao aplicar as práticas pedagógicas pautadas no desenvolver de competências e habilidades próprias dos educandos, utilizando, também a

interdisciplinaridade no processo da aprendizagem. Tradicionalmente o educador se apresenta como expositor de temas escolhidos pela coordenação pedagógica da instituição de ensino, ou por ele mesmo, e os aplica junto aos seus educandos dentro das diretrizes aprendidas através dos seus saberes. A maior preocupação é instruir o indivíduo no conteúdo da disciplina que lhe é ofertada e,

Veja o que o IBEM está fazendo Cursos a distância Você pode mergulhar no Projeto Educação Moral para Formação do Ser realizando os cursos de capacitação e qualificação desenvolvidos pelo IBEM através da Educação a Distância (EAD). De qualquer parte do Brasil professores, diretores escolares, coordenadores pedagógicos, estudantes de pedagogia, pais e educadores em geral podem estudar com o IBEM. È só acessar www.educacaomoral.org, escolher o(s) curso(s) e fazer sua matrícula. Os cursos possuem 30 horas/aula e são realizados em 4 semanas. Ao final o IBEM faz a entrega do Certificado. Encontro Novos Rumos Ele acontecerá nos dias 06 e 07 de novembro de 2015, na cidade do Rio de Janeiro, nas dependências da UNISUAM. Contará com as presenças confirmadas do Prof. José Pacheco (Escola da Ponte/Projeto Âncora), Marcus De Mario e Ronaldo Gomes (IBEM/Escola do Sentimento) e Aparecida Nunes e Cláudia Duque (Conhecer). Informações e inscrições: www.educacaomoral.org. Contato Conheça o trabalho do IBEM em www.educacaomoral.org. Somos uma rede interativa de educadores trabalhando por uma nova educação. Faça contato através do e-mail educacao@educacaomoral. org, ou pelo telefone (21) 3439-0665. Também estamos no Facebook. Atendemos Escolas, Secretarias de Educação e Organizações Sociais de todo o Brasil.

esta mesma, possa ser explorada nos diversos prismas da interdisciplinaridade. No entanto, esse educador se depara com crianças dispersas, agitadas e muitas vezes desinteressadas no desenvolver do estudo. Além, disso, enfrenta diversos problemas sociais que os seus educandos trazem para dentro da sala de aula. Bem... onde está a criança feliz? Esquece-se que o educando possui um nome, uma família, sentimentos a desenvolver, suas próprias experiências aprendidas, sonhos, desejos, objetivos, metas, etc.. A proposta educacional do IBEM possui uma visão holística do Ser, ou seja, vê a criança contendo personalidade, intelecto, corpo, sentimentos, capacidades de aprendizagem e ensino, conviver familiar e social, sendo partes intrínsecas impossíveis de serem analisadas separadamente, por se tratar de um Ser indivisível. Preocupa-se com os saberes, mas também com os valores que formarão o indivíduo em sociedade. A criança feliz será o resultado da aplicação de diversas ações educativas que facilitarão o desenvolver da sua personalidade moral e de sua capacidade de aprendizagem, onde os seus próprios valores e experiências, pré-

concebidas, lhe auxiliarão nessa jornada. O educador passa a ter, no andamento do processo de educação, a função de tutor do educando e, sob a sua tutela o mesmo passará a receber as orientações necessárias trabalhando em grupo, junto aos seus amigos da escola, para atingir os objetivos propostos numa ação comunitária objetivando o seu próprio aprendizado. Está mais do que na hora de abrir os olhos para o problema grave que assola a educação em nosso País e oferecer alternativas para melhorá-la. Não podemos mais ficar omisso diante de índices tão baixos que nos oferecem os institutos de pesquisas no Brasil. Na demonstração dos índices medidos por institutos de pesquisas, o IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, ambos muito baixos, guardam uma relação íntima com o capital cultural e a qualidade de vida dos brasileiros, resultado da fragilidade dos caminhos traçados na educação. A educação básica é alavanca fundamental para que um País emerja da situação do caos e ascenda para o primeiro mundo. (Texto de Bessa de Carvalho, educador do Instituto Brasileiro de Educação Moral). Fazer uma criança feliz é proposta do IBEM, a ser desenvolvida na Família, na Escola e nas Organizações Sociais, onde se inserem os Centros Espíritas, com seus serviços de evangelização da infância, da juventude e dos pais e responsáveis. r


Agosto de 2015

EQM e imortalidade Pesquisas avançam e apenas comprovam leis da natureza. José Benevides Cavalcante

jobenevides@gmail.com

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r uce Gre y son, diretor da Divisão de Estudos da Percepção da Universidade de Virgínia, EUA, é estudioso da chamada Experiência de Quase-Morte – EQM, que ocorre quando uma pessoa, já em morte clínica, retorna à vida contando situações que vivenciou durante o período em que, aparentemente, o cérebro não funcionava. Situações assim acontecem com maior frequência durante cirurgias quando, através de um processo de ressuscitação, o paciente que já era dado como morto volta à vida. Em pronunciamento, Greyson afi rmou que as EQMs são confiáveis porque os relatos das testemunhas permanecem inalterados ao longo do tempo. Ele comparou um grupo de relatos de pessoas que tiveram experiência de quase-morte 20 anos antes e constatou que eles se mantiveram praticamente idênticos ao longo do tempo. Greyson acredita que

as EQMs são uma indicação de que a mente é independente do cérebro, porque seria de se esperar funções cerebrais prejudicadas nas situações clínicas em que as EQMs ocorrem, mas sua pesquisa não encontrou prejuízo correspondente nas funções mentais em EQMs.

(...) o funcionamento mental das pessoas é melhor na EQM do que durante a nossa vida normal em vigília. (...) Se você perguntar a alguém sobre sua experiência de quase-morte que aconteceu há 15 anos, ele a conta como se tivesse acontecido ontem.

“Na maioria dos casos – disse ele - o funcionamento mental das pessoas é melhor na EQM do que

durante a nossa vida normal em vigília. O pensamento deles é mais rápido, claro e lógico, eles têm mais controle sobre sua cadeia de pensamento, os seus sentidos são mais aguçados, e suas memórias são mais vívidas. Se você perguntar a alguém sobre sua experiência de quase-morte que aconteceu há 15 anos, ele a conta como se tivesse acontecido ontem. Se você perguntar a ele sobre outras experiências de sua vida, são memórias muito confusas, se é que ele ainda têm alguma.” E acrescentou Bruce Greyson: “Quando você pensa que essas experiências, que são caracterizadas por elaborados processos de pensamento que ocorrem quando o cérebro não está funcionando bem - ou às vezes nem funcionando - pois está sob efeito de uma parada cardíaca ou profunda anestesia, momentos em que a ciência do cérebro nos diria que você não deveria ser capaz de pensar, perceber ou formar memórias, torna-se bastante claro que não podemos explicar essas coisas com base na fisiologia cerebral.” No mesma conferência falou o Dr. Eben Alexander, experiente neurocirurgião americano, que vivenciou, ele próprio, um episódio de EQM, pois ficou em coma durante uma semana em 2008, depois que contraiu uma meningite bacteriana aguda,doença que danifica o neocórtex ( “Uma Porta do Céu”, Editora Sextante). Durante vários dias após o coma, Alexander esforçou-se para falar e recordar memórias antes do coma. Não é

PÁGINA 4 esperado que alguém com esse tipo de grave dano cerebral se recupere totalmente. No entanto, durante sua EQM, Eben Alexander teve experiências tão vívidas que envolveram múltiplos sentidos, como visão, audição e olfato, que ele disse que não poderia descrever o quão incrível foi. “Meu cérebro agora, acredito que tenha se recuperado bem, não pode fazer nada perto do que meu cérebro estava fazendo”, disse. “Como é que um cérebro que está morrendo, pode ficar muito mais poderoso e capaz de lidar com essas enormes cargas de informações instantâneas e colocá-las todas juntas?” É bom lembrar que Bruce Greyson e Eben Alexander não são espíritas – e nem os demais pesquisadores em todo o mundo. Por outro lado, as experiências de quase-morte só passaram a ser mais divulgadas nos últimos 40 anos, quando a medicina conseguiu desenvolver procedimentos de ressuscitação de pacientes, razão pela qual tais pesquisas restringiram-se à atividade médica, onde estão os profissionais que têm maior contato com a morte. Os resultados desses estudos, que hoje acontecem dentro de hospitais e universidades, independe da resistência de cientistas materialistas, e vêm fortalecer a tese científica da imortalidade, pela qual a Doutrina Espírita vem se debatendo há quase 160 anos. r


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Agosto de 2015 de Espírito, até que tenha tanto império sobre si mesmo, que os maus desistam de obsidiá-lo.”

Como lidar com as tentações Estamos todos sujeitos a elas. Astolfo O. de Oliveira Filho aoofilho@gmail.com

A

s tentações que acometem o homem, não há por que duvidar, são inegáveis. Miguel Vives dedicou ao assunto todo um capítulo, o cap. IX, de seu livro “O Tesouro dos Espíritas”, obra traduzida para o idioma português por J. Herculano Pires. A Bíblia faz referência a várias delas. O livro de Gênesis narra no cap. 3 a tentação exercida sobre Eva, no Paraíso, de tão tristes consequências.

Lucas fala no cap. 4 sobre as tentações de Satanás sobre Jesus. O Eclesiástico trata do assunto nos capítulos 2, 33 e 34 e até nos dá uma receita para rechaçá-la. O Cristo reporta-se ao tema na conhecida passagem que faz parte da oração dominical: “Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”. Tiago menciona o assunto em sua extraordinária epístola (1:14). Jesus retorna à temática quando ressalta a

importância da vigilância e da oração para que não caiamos em tentação. A Doutrina Espírita examina o tema em três questões sucessivas contidas n’ O Livro dos Espíritos: Questão 122: ”O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Ele não teria mais liberdade se a escolha fosse determinada por uma causa independente da sua vontade. A causa <de seguir o caminho do mal> está nas influências a que cede em virtude de sua vontade livre. É a grande figura da queda do homem e do pecado original; alguns cederam à tentação, outros lhe resistiram.” Questão 122-A: De onde provêm as influências que se exercem sobre ele? R.: “Dos Espíritos imperfeitos, que procuram se aproximar para dominá-lo, e que se alegram em fazê-lo sucumbir. Foi isso o que se intentou simbolizar na figura de Satanás. Questão 122-B: Essa influência não se exerce sobre o Espírito senão em sua origem? R.: “Ela o segue na sua vida

Não é, porém, somente aí que “O Livro dos Espíritos” se refere ao assunto. A obra principal do Espiritismo fere o tema em 27 oportunidades diferentes, como se pode ver nas questões 459, 460, 461, 465, 466, 467, 468, 469, 472, 497, 498, 511, 525, 567, 644, 645, 660, 671, 720 “a”, 753, 845, 851, 872 (1º parágrafo), 909, 971, 971 “a” e 972. Emmanuel disserta sobre as tentações em dois de seus livros: “Religião dos Espíritos” (cap. 88) e “Caminho, Verdade e Vida” (cap. 129). André Luiz as examina diretamente em três obras bastante conhecidas: “Nos Domínios da Mediunidade” (cap. 16), “Ação e Reação” (cap. 7, 14 e 18) e “Sexo e Destino” (cap. VI). Como vimos, o assunto é por demais conhecido no meio espírita, e a tese exposta pela Doutrina dos Espíritos é bem clara: Ninguém na Terra é perfeito, logo estamos todos sujeitos às tentações, que nos acompanham pela vida afora, consoante dito claramente na questão 122-B d’ O Livro dos Espíritos. O Eclesiástico diz o porquê disto. Temos, portanto, de lembrar e pôr em prática continuamente a lição ensinada por Jesus: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação”. Se fugirmos disso, não tenhamos dúvida, certamente cairemos de novo nas mesmas redes em que já sucumbimos no passado. r


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Há algo de novo Há tempos não se via algo desse porte nas livrarias. Antonio Carlos Navarro

antoniocarlosnavarro@gmail.com

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m novembro de 1983 a Federação Espírita Brasileira lançou a Campanha do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – ESDE, apoiada, segundo a apresentação inserida no Tomo I, nas seguintes orientações de Allan Kardec, em Obras Póstumas: “um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da ciência e difundir o gosto pelos estudos sérios [...]”. Trata-se de um avanço singular no estudo da Doutrina Espírita, porque permite uma dinâmica grupal extremamente proveitosa, dada a riqueza dos textos explicativos das premissas doutrinárias que traz em seus tomos. Dizemos isso com conhecimento de causa. No Centro Espírita Francisco Cândido Xavier, de São José do Rio Preto, São Paulo, onde estamos vinculados, o ESDE foi implantado há alguns anos, e tem produzido muito conhecimento doutrinário aos participantes dos grupos de estudo de forma bastante produtiva. É um passo significativo para a otimização da divulgação dos postulados espíritas. Porém, a grandeza do ESDE não tira da individualidade humana a responsabilidade pelo estudo fora do Centro Espírita. Sempre será necessário nos lembrar da orientação do Espírito da Verdade, inserida nas instruções dos espíritos do capítulo seis de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento, instruí-vos, eis o segundo”. Para estudo de O Livro dos Espíritos, que nos apresenta o

Consolador prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo, há uma agradável novidade entre nós. O IDE – Instituto de Difusão Espírita lançou em 2015 uma obra extremamente fácil para se captar a essência da filosofia espírita. Trata-se de “Vivendo a Doutrina Espírita”, dividida em quatro tomos, da lavra psicográfica do médico e médium Antônio

Baduy Filho, ditado pelo espírito André Luiz. De uma forma muito clara, objetiva e sintética, André Luiz comenta passo a passo, começando pela introdução, todo O Livro dos Espíritos, com fartos exemplos, comparações e paralelismos, para que as anotações de Allan Kardec, e as perguntas e suas respectivas respostas se tornem mais facilmente compreensíveis.

Há tempos não se via algo desse porte nas prateleiras das livrarias e bibliotecas espíritas. Parabéns e obrigado ao espírito André Luiz, ao médium Antônio Baduy Filho e a IDE pela concretização do projeto que, com certeza, é obra planejada pelos espíritos superiores visando o esclarecimento de todos nós, aprendizes da Doutrina Espírita.

PÁGINA 6 Nota do Tribuna: Antonio Baduy Filho, nascido em Ituiutaba, MG, é médico com aperfeiçoamento em Clínica Médica, Psiquiatria e Psicanálise, atuando como voluntário no Sanatório Espírita José Dias Machado, desde 1976, como médico e diretor clínico. Iniciou a psicografia em 1964. Diversas páginas foram publicadas pela imprensa espírita e no Anuário Espírita, inclusive o livro de mensagens “Decisão”, editado pelo IDE, que também editou “Histórias da Vida”, pelos Espíritos Hilário Silva e Valérium. Sobre o Espírito André Luiz, informa o médium em entrevista que “O primeiro contato mediúnico com André Luiz ocorreu dia 1º de maio de 1969, em sessão íntima. A partir de 23 de junho desse mesmo ano, passei a recebê-lo em sessões públicas da Comunhão Espírita Cristã, ao lado de Chico e, depois, já em Ituiutaba, a partir de 1973 até os dias de hoje, tenho tido a feliz oportunidade de trabalhar com esse generoso Espírito Benfeitor, em páginas e obras em torno do Evangelho e da Codificação Espírita”. r


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Você tem moral? O fato da imperfeição não deve nos impedir de avançar. Ricardo Orestes Forni iost@terra.com.br

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ecebi à queima-roupa de uma pessoa espiritualista, mas não espírita, a seguinte pergunta: soube que o Fulano (e citou o nome da pessoa a quem se referia) está escrevendo livros espíritas. Por acaso ele tem moral para isso? Confesso que fi quei imóvel por alguns segundos e depois cogitei: essa pessoa tem, com certeza, o livre arbítrio para escrever. Quanto a moral, fica a cargo da consciência dela. Não me compete julgar. Entretanto, se ter moral significa ser perfeito, sou o primeiro a me apresentar como não tendo o direito a escrever uma única palavra com tema espírita. E como o tenho feito, de acordo com a sua concepção estou perdido! O que é a moral? Só no Dicionário que consultei da Academia Da Língua Portuguesa, moral tem onze definições dependendo do sentido em que a palavra é empregada. Entretanto, vou utilizar a orientação do Codificador quando ele explicou que o espírita não é uma pessoa perfeita, mas todo aquele que reconhecendo as suas

imperfeições, luta constante e tenazmente contra elas. Não se acomoda perante os erros. Antes estabelece contra eles uma guerra sem tréguas.

Não poderíamos encontrar num planeta de provas e expiações, a exceção de Jesus, um Espírito perfeito. (...) Se esperarmos nos transformar em seres perfeitos para iniciarmos a luta em direção à nossa perfeição, lembraremos a atitude de um cachorro tentando morder o próprio rabo e rodando em círculos sem sairmos do lugar. O problema não é cair. É ficar acomodado com o chão.

Não poderíamos encontrar num planeta de provas e expiações, a exceção de Jesus, um

Espírito perfeito. Portanto, a pergunta a minha pessoa dirigida pelo meu interpelante é muito relativa. Se esperarmos nos transformar em seres perfeitos para iniciarmos a luta em direção à nossa perfeição, lembraremos a atitude de um cachorro tentando morder o próprio rabo e rodando em círculos sem sairmos do lugar. O problema não é cair. É ficar acomodado com o chão. Se Pedro negou Jesus por três vezes, mesmo alertado de que isso iria ocorrer, o que esperarmos de nós na atual situação evolutiva em que nos encontramos? Quando Maria Madalena recebeu o convite do Amor por meio de Jesus para que reformulasse os seus valores morais, ela não era uma pessoa perfeita. Muito pelo contrário. Contudo, tinha a seu favor a disposição para mudar. Na estrada de Damasco existiu boa vontade e determinação inabalável em Saulo de Tarso para transformar-se em Paulo, o grande divulgador do Evangelho entre os gentios. É isso que o espírita precisa ter como

meta: disposição para mudança do homem velho para o homem novo. Creio que isso é ter a dose de moral possível em nosso atual estado evolutivo. Não temos, por enquanto, recursos maiores para oferecermos, mas se nesse pouco que já tivermos houver a firme determinação para assim fazê-lo, creio que aí se encontra a dose de moral possível em nosso momento evolutivo. Mas a pergunta do meu interpelante trouxe-me uma alegria. Q uando indagou se a pessoa tinha moral para escrever livros espíritas, talvez sem perceber, conferiu à Doutrina um alto conceito: alguém para escrever ou falar sobre Espiritismo tem que ter moral porque essa Doutrina é uma religião e uma filosofia muito sérias! Que bom, porque isso é realmente uma verdade incontestável por mais que os detratores gratuitos da nossa religião e filosofia tentem, em vão, descredenciá-la. Seria ideal que tivéssemos muitos Chico e Divaldo escrevendo sobre Doutrina Espírita, mas enquanto isso não é possível, que os imperfeitos de boa vontade continuem a fazê-lo com o devido cuidado para não se tornarem prisioneiros do orgulho e da vaidade injustificáveis em quem quer que seja a escrever sobre Espiritismo. r


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Família em estudo e vivência Evento de Matão confraterniza, estuda, mostra, integra, une, motiva. Inscreva sua família e venha participar conosco desse momento de felicidade em família. Equipe EAC 2015

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udo pronto para a 5ª. Edição do EAC – Encontro Anual Cairbar Schutel, em Matão (SP), inspirado e homenageando o Bandeirante do Espiritismo, Cairbar de Souza Schutel. Confraternizando, reunindo amigos num clima de intensa vibração e alegria, o EAC traz palestras e atividades variadas que novamente vão surpreender os inscritos. Valoriza a arte, abre espaço para os jovens e integra a família toda. Venha com a família e surpreenda-se! r

Nazareno Feitosa

João Thiago Garcia

Ivana Raisky

Wilson Frungilo Jr.

Banda Cartas de Bordeaux

Alessandro Viana

Cíntia Vieira

Bruno Raoni


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Veja programação completa no site e aguarde surpresas no evento!

Visite o Memorial Cairbar Schutel Memorial Cairbar Schutel estará aberto para visitação no sábado (19), das 08 às 12h e domingo (20), das 14 às 17h


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Um caso de fé raciocinada Discernir, julgar e compreender a fé como sendo inseparável da razão. Marildo Campos Brito 36odliram@gmail.com

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m grande amigo meu contou uma história que marcou-me profundamente sobre sua experiência pessoal. Participando de uma tradicional festa junina, que sempre ocorre na cidade de Bocaina (SP), na passagem do dia 23 para 24 de junho, em devoção ao padroeiro São João Batista, presentes com seus variados doces, comidas e dança típica da época, começou a observar que alguns participantes, depois que ocorria a queima da famosa fogueira, caminhavam descalços sobre as brasas, alguns numa atitude de pagarem promessas, e outros de provarem a sua fé sem queimarem os pés. Intrigado e não convencido que fosse simplesmente um ato de fé, já que nem todos conseguiam passar da mesma forma, esse amigo, ao final da festa procurou um dos protagonistas que mais chamou sua atenção e perguntou-lhe: – Amigo! O que você faz para não queimar os pés sobre as brasas. – Ah meu irmão é muita fé! Fé de muitos anos.

Não satisfeito com a resposta daquele homem, o segredo acabou sendo revelado após insistir muito com um bom trocado, verificando depois, que a sua fé se encontrava na grossa sola de seus pés. Era um trabalhador rural acostumado a trabalhar sempre descalço. É bastante comum ouvirmos pessoas afirmarem que em matéria de fé e religião, ainda mais quando insurgem discutidas e acaloradas polêmicas é assunto que ninguém deva discutir, pois que cada um tem a sua. Recordando preciosa orientação do espírito Emmanuel quando diz: “(...) estuda e melhora-te para ser mais útil. Não intentes transformar a ninguém pela força (...)” é algo muito relevante para refletirmos sobre a necessidade de compreendermos e respeitar o pensamento e a consciência alheia, conforme nos exorta Allan Kardec em O Livro dos Espíritos como sendo da soberana Lei de Liberdade. Mas isto não nos furta de próprio direito e ponto de vista

em examinarmos, racionalizar e expor os fatos em questão. Nos eximir, ou simplesmente preferir que a fé cega continue eclipsando nossas mentes, aceitando de olhos fechados o que pertence a ordem natural da vida como algo sobrenatural, estaremos deixando de valer a sábia recomendação de Jesus de Nazaré ao nos ensinar – “Não se acende uma candeia para colocá-la sobre o alqueire; mas colocam-na sobre um candeeiro, a fim de que ela clareie todos aqueles que estão na casa” (S.Mateus, cap 5 v.15). A preposição da lição é bem clara e oportuna nos dias atuais, a candeia permanecendo intimorata no candeeiro de uma nova era, onde este fanal é o espiritismo, possibilitando ao espirito humano a melhor discernir, julgar e compreender a fé como sendo inseparável da razão, na afirmação de Léon Denis; o alqueire, representando o nosso orbe terreno, onde muitas das criaturas na presente existência se vincularam ao fana-

tismo; outras permanecendo sob a margem de sistemas utópicos e de preconceitos religiosos ; e aquelas por fim, que aguardam ansiosas e sedentas pela luz libertadora e esclarecedora, que deverá dirimir para sempre os obscuros erros do passado, implantando o progresso das luzes e o verdadeiro reino de Deus. Conjugados numa perfeita idealização espiritual e de comunhão ao amor fraterno, destaco trechos do livro Opinião Espírita em que o espírito de Emmanuel através das mãos psicográficas de Francisco Cândido Xavier oferece-nos primorosa e luminosa comparação:– Jesus acorda o sentimento, Kardec desperta a razão. – Jesus propõe, Kardec expõe. – Jesus revela, Kardec descortina. – Jesus como sendo a porta e Kardec sendo a chave. E como na história narrada inicialmente, um importante detalhe merece a nossa observação. Este amigo não era e nunca foi espírita, jamais ouviu falar sobre fé raciocinada; e mesmo assim, se valeu das circunstâncias que o levaram a examinar o caso com muita prudência sob o justo crivo da razão e da análise, concluindo portanto com a notabilissima expressão de Allan Kardec – “Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade”. r

Mato Grosso do Sul em intensa atividade 14 – Agosto – 20h Elizabete Lacerda, no Teatro Municipal de Dourados Realização: Web Rádio Portal da Luz, em Dourados (MS) 14 de Agosto – 20h Palestra com Orson Peter Carrara em Fátima do Sul (MS), Promoção do C.E. Dr. Pedro Lameiro de Andrade 16 de Agosto – Das 8 às 17 h Encontro Regional de Juventude Espírita

Local: Lar de Crianças Santa Rita Dourados (MS) 13 de setembro Capacitação de Trabalhadores na área de Assistência e Promoção Social Grupo Espírita Casa da Prece Dourados (MS) Informações com Jovina: jovina.nevoleti@gmail.com Telefone: (67) 9971-9585


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Próxima dos 30 anos Destaque é em Volta Redonda-RJ. Redação

institutocairbarschutel@gmail.com

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eira do Livro Espírita na cidade alcança 27 anos de realização em 2015. Um de seus voluntários está vinculado ao evento desde a 5ª. Edição e cedeu-nos compacta entrevista. É Nadir Anacleto

de Araújo, que traz sua experiência. 1 - Qual a lembrança mais marcante desses anos todos? R. Foi que, em determinada edição da Feira, não me recordo bem a data, com tudo já pronto,

caiu uma chuva na cidade e alagou a arena do memorial, e neste momento vi a superação de todos para reorganizar a montagem para fazer a abertura. 2 - O que mais lhe chama atenção numa feira do livro? R. Como somos ajudados pelo plano espiritual para este evento, desde os momentos das vibrações espirituais de todos para a concretização deste evento. 3 - Quais as reações e comportamentos mais comuns dos visitantes num evento desse porte.

R. Nas primeiras que pude começar a participar, vi um misto de curiosidade dos visitantes e uma afã de buscar livros que muitos divulgadores citam. 4 - O que você diria hoje a um plantonista de um feira do livro? R. Que é uma grande oportunidade para o Espírito. Aprendemos muito ao manusear os livros expostos. Deixar o visitante expor o que procura, e deixa-lo bem à vontade. r Nota: A FLE-VR ocorre no período de 27 de setembro a 12 de outubro. Na edição de setembro, teremos informações completas.

Repercussões em Caxias do Sul (RS) Tribuna atinge cidade e região com 500 exemplares. Redação

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ntrevistamos Clementina Maria Berno, vice-Presidente da União Municipal Espírita e vinculada à Sociedade Espírita Bezerra de Menezes, que coordena a distribuição do Tribuna na cidade e região. 1 - Como foi a repercussão do jornal entre as casas que o receberam? Numa avaliação preliminar, podemos afirmar que as pessoas

institutocairbarschutel@gmail.com

começam a reconhecer o Tribuna do Espiritismo como um veículo que chega regularmente trazendo informações sobre a Doutrina Espírita, mas também despertando a curiosidade sobre outra região do nosso grande Brasil, no processo de integração. 2 - O que achou da experiência dessa distribuição? Como são dezenas de Casas Espíritas e várias cidades, estamos

ainda construindo um formato de distribuição que seja ágil e eficiente. Até o momento fazemos como que uma força tarefa, aproveitando

(...) é uma experiência nova em que nos empenhamos e temos certeza de que trará bons frutos a todos.

os canais e oportunidades para a entrega, ou nos deslocamos até as casas. Como a maioria das nossas Casas Espíritas só abrem em determinados horários, temos que adaptar as nossas possibilidades com os horários possíveis. Às vezes, isso retarda um pouco a entrega. De qualquer forma é uma experiência nova em que nos empenhamos e temos certeza de que trará bons frutos a todos. r


Agosto de 2015

Jovem dirigente estará no evento de Matão Transição na idade e o repensar das oportunidades é tema a ser discutido. Orson Peter Carrara

orsonpeteter92@gmail.com

N

atural de Caçapava e residente em Atibaia, ambas cidades paulistas, nosso entrevistado é publicitário. Diretor do Departamento de Mocidades da USE e Coordenador Regional de Juventude do CFN/FEB, vincula-se ao Centro de Estudos Espíritas Luz Divina, na cidade onde reside. Casado, 32 anos, tomou contado com o Espiritismo aos 18 anos e estará em Matão (SP) participando do 5º. EAC. Suas respostas trazem sua experiência com as mocidades espíritas.

3 – O que você diria aos jovens e adolescentes espíritas da atualidade?

que se reúnem semanalmente para estudar a Doutrina Espírita e colocar em prática esses ensinamentos.

1 – Como você cria a motivação e interação entre os jovens? Os jovens já são motivados por natureza, o que falta é oportunidade para que eles se envolvam e participem mais. Por isso sempre sugerimos que nos grupos de Mocidade, o jovem tenha espaço de ação, espaço para ser jovem. Além do estudo, nas Mocidades os vínculos de amizade são muito fortes. São nesses encontros semanais que se criam os laços que os cativam a continuar no trabalho e assim permitir a outros jovens ter acesso a esses momentos também. 2 – Que recursos costuma usar para envolver os participantes? Não existe subsídio melhor do que o Evangelho para envolver as pessoas. Ter Jesus como guia e modelo nosso, nos auxilia a olhar o outro não como um ser diferente da gente mas sim com um ser único que tem seus sonhos, desejos, vontades, medos assim como nós. Aprendi a ter amigos e ser amigo, talvez isso auxilie na tarefa.

“Obrigado por ser o motivo”, com diz a música Hoje da banda Parole (São Paulo, capital). Sem os jovens espíritas não haveriam as Mocidades e sem Mocidade não existiria razão de se ter um Departamento de Mocidade na USE. Só tenho a agradecer a todos aqueles que participam das atividades da Mocidade nos Centros Espíritas,

4 – De sua experiência com jovens e adolescentes, o que você ressalta? Aprendi três coisas: 1 - jovem não dá trabalho, ele busca; 2 - a pouca idade é um “problema” que o tempo resolve; 3 - o jovem não está para substituir ninguém no futuro, ele está para trabalhar junto, agora

PÁGINA 12 no presente. Por isso sempre digo que oportunidade e orientação são fundamentais para que o jovem possa ter seu espaço de ação no Centro e Movimento Espírita, sem que perca a espontaneidade, vontade e alegria que o estado juventude lhe confere. 5 – Algo marcante que gostaria de destacar? Todo o Movimento Espírita brasileiro está repensando a juventude espírita, principalmente no que se refere ao protagonismo juvenil que nada mais é do que um processo de autonomia construído em espaços de liberdade por meio da relação e trabalho em conjunto entre jovens e adultos. A tarefa não é fácil, eu sei, estamos acostumados a velhos padrões, inclusive quando pensamos em Educação, porém a juventude de hoje nos convida a olhá-la de outra maneira. Aos dirigentes cabe a tarefa de abrir os Centros Espíritas e os órgãos de unificação a participação do jovem; aos pais cabe o constante estímulo e participação junto nas atividades; E aos jovens cabe respeitar os que estão no trabalho antes dele, e tomar parte da tarefa que lhe cabe. Acredito que a frase “Estamos juntos nessa, sua vitória é a minha também” da música Minhas Asas da banda Cartas de Bordeaux (São Paulo, capital) resume bem. 6 – Que atividade desenvolverá no EAC 2015, em Matão? Conversaremos bastante e trocaremos ideias sobre o trabalho com a Mocidade. Acredito que conversando tudo se resolve. Nossa ideia e falar sobre o trabalho da Mocidade, sua necessidade para o jovem e Centro Espírita, e como os pais e a família de modo geral podem colaborar. r

Nota do entrevistador: Sugerimos, com ênfase, verem a entrevista que João Thiago concedeu ao programa REPENSAR, da TV MUNDO MAIOR, já disponível no portal youtube. Pela importância de suas considerações, especialmente na parte 2, não podemos deixar de recomendar aos leitores.


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Agosto de 2015

A verdade dosada em amor Ninguém realmente sabe ensinar se não sabe repetir a lição. Rogério Coelho

rcoelho47@yahoo.com.br

E

spíritos calcetas, contumazes nos equívocos, cristalizados no ódio e no desejo de vindita, fomentam por toda parte os dolorosos processos obsessivos de variegado matiz. A própria Bíblia, ao largo de todo Novo Testamento, oferece-nos múltiplos exemplos desses tristes fatos. Eis alguns deles: Um homem se achava no santuário, sob a influência de um Espírito infeliz que se dirigiu desrespeitosamente a Jesus, desta forma: “que temos nós Contigo?” O Mestre repreendeu-o e conseguiu retirá-lo, fazendo voltar à normalidade a criatura que lhe sofria o assédio. Tratava-se de uma obsessão direta. (Lc., 4:33 a 35.) Um pai aflito e desesperado lançou-se aos pés de Jesus suplicando a cura para seu filho, que era lunático e caía ora no fogo, ora na água e os discípulos não lograram curá-lo. E

tendo Jesus ameaçado o obsessor, a criança ficou curada imediatamente. Era um típico caso de subjugação corporal. (Mt., 17:14 a 20.) O mesmo tipo de subjugação sofria a mulher encurvada há 17 anos, que Jesus conseguiu endireitar ante a perplexidade das testemunhas e a irritação do sacerdote que estava naquele momento na Sinagoga, por ser um dia de sábado. (Lc., 13:10 a 17.) Em Gadara, Jesus livrou do guante obsessivo de uma legião de Espíritos maus, um pobre homem que vivia no cemitério como um animal assustado, e que era dado como louco. Outra coisa não era senão um caso de vampirismo em alto grau. (Mc., 5:2 a 13.) Foi apresentado um homem mudo a Jesus, sob o controle de um Espírito em profunda perturbação. Afastado este, o enfermo voltou a

falar no mesmo instante. Temos aí a complexidade da obsessão, atingindo corpo e alma. (Mt., 9:32 e 33.) Filipe que trabalhou entre os samaritanos conseguiu livrar muitos deles da sanha obsessiva, curando as falsas enfermidades provocadas pelos inimigos espirituais. Temos aí a obsessão coletiva geradora de moléstias. (Atos, 8:5 a 7.) Hoje em dia não é diferente... Em virtude da falência das diversas instituições religiosas, que se transformaram em casas de comércio, é necessário levar a terapêutica espírita a todos aqueles que sofrem a perniciosa influência dos inimigos da Luz. Revivescendo os tempos apostólicos, o Espiritismo traz de volta o Cristianismo de Jesus com todos os Seus ensinamentos capazes de oferecer a vitória da grande e antiga

batalha entre a luz e a treva, do bem contra o mal... Quando mencionamos “Cristianismo de Jesus” não incorremos em simples pleonasmo vez que, na atualidade, existem os que mercadejam o Evangelho, deturpando seu conteúdo na inglória tentativa de ajustá-los aos inconfessáveis e rasteiros propósitos dos ecônomos infiéis.

Revivescendo os tempos apostólicos, o Espiritismo traz de volta o Cristianismo de Jesus com todos os Seus ensinamentos capazes de oferecer a vitória da grande e antiga batalha entre a luz e a treva, do bem contra o mal...

O Espiritismo, ao contrário, é a resposta dos Céus aos desmandos humanos. Ele nos oferece (sem ônus argentário) os recursos para uma caminhada segura na senda evolutiva, auxiliando os necessitados de ambos os planos da vida. r


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Agosto de 2015

Chico nos ensina – Educação para a morte Será que necessário se faz nos educar para morrer? Alan Diniz

alan_diniz@terra.com.br

N

um episódio, inesquecível, na vida de Chico Xavier, narrado no famoso “pinga-fogo”, que ele nos conta que corria o ano de 1959, quando precisou pegar um avião para viajar para Belo Horizonte, neste voo o avião apresentou uma falha técnica e esta falha provocou por mais de 20 minutos muita turbulência. Muitos passaram mal, e a maioria entrou em pânico, provocando muita gritaria. O Chico vacilou um pouco em gritar, mas, de repente, não se conteve mais: “Valei-me meu Deus”. “Valei-me, meu Deus!” “Comecei a pedir socorro, a misericórdia de Deus, mas com fé, com escândalo, não é? Mas com fé”. Neste momento chegou Emmanuel, mentor espiritual do Chico, “Por que é que você está gritando? Eu escutei o seu pedido. O que é que há?” “Bem, o senhor não acha que estamos em perigo de vida?” Emmanuel responde: “Estão. E o que é que há com isso? Não tem muita gente em perigo de vida? Vocês não são privilegiados, não é?» Chico falou assim: “Está bem, se estamos em perigo de vida, eu vou gritar.” E continuei gritando: “Valei-me, socorro, meu Deus!” “Está bem, eu estou com muito medo, estou apavorado como todo mundo, eu estou partilhando, eu também sou uma pessoa humana, eu estou com medo também dessa hora e de morrer nesse desastre.” Ele disse: “Está bem, então morra com educação, cala a boca e morra com educação para não afligir a cabeça dos outros com os seus gritos; morra com fé em Deus!” Eu disse então: “Eu queria só saber como

é que a gente pode morrer com educação!” O avião não caiu como todos sabem, muitos anos passaram. Chico foi se educando para morrer, muitas mensagens, muitos livros, muita convivência sadia, muitas obras no bem e chegamos aos seus 92 anos,

exatamente no dia 30 de junho de 2002, dia também da final da copa do mundo de futebol, onde o Brasil ficou pentacampeão. Chico não viu o jogo, mas já sabia da vitória do Brasil. O jogo acabou. Em meio ao foguetório da comemoração, nosso Chico levanta as mãos para o alto,

começa a orar e todos lembraram que “Ele sempre falava que queria morrer quando o Brasil estivesse alegre”, e nesse momento de alegria para a maioria dos brasileiros, nosso Chico se despede do corpo que tanto o ajudou nesta encarnação. Exemplificando-nos que é possível ter educação para morrer e nos ajudando também a nos preparar para a morte do outro. Dando a todos uma nova perspectiva da vida, olhando-a dos céus para a Terra, espiritualizando nossos sentimentos. Entendendo que somos um Espírito imortal num corpo passageiro. r

Inscrições coletivas para o EAC 2015 Utilize o modelo abaixo para inscrever 6 ou mais pessoas.

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Agosto de 2015

de sua realidade e a consequente possibilidade de crescimento. Haroldo Dutra Dias (in, Novo Testamento – Edição do CEI) nos informa que essa postura de Jesus era a típica e muito “apropriada dos sábios Hebreus nos momentos em que desejavam transmitir ensinamentos aos seus discípulos”. Cada ato ou postura dos sábios guardava

A grande proposta do Sermão visto de hoje é Exortação à Caminhada sintonizado com o Projeto Divino; entendimento para aceitação da realidade, nos momentos de dor. Severino nos remete a refletir sobre a proposta das Bem Aventuranças e nos mostra uma tradução mais próxima da realidade da língua

Bem Aventurança não haveria mais no que progredir e, sabemos bem que nos falta muito. Então Jesus nos Exorta a continuar indo em frente apesar de todos os empecilhos que possamos ter na vida. Já no capítulo 5:12 ele fala da recompensa ao dizer textualmente: “Exultai-vos e alegrai-vos. Grande será a vossa recompensa nos céus. (...)”. Para encerrar sua preleção envia uma mensagem aos discípulos do Evangelho daquele momento e de todos os tempos: “Vós sois o sal da terra: mas se o sal se tornar insípido (ou enlouquecer) com o que se irá restaurar lhe o sabor? Para mais nada presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens”.

em si um elemento de importância. Nessa colocação inicial Jesus “subiu” ao monte, que o colocava em posição de destaque perante aos seus ouvintes do momento. Subir significa ascendência, aproximação com o numinoso (como Moisés ao receber as tábuas, de Jesus na transfiguração no Tabor, etc...).

grega nos informando que a tradução de fato do início das exortações do Capítulo 5:5 ao capítulo 5:11, ao invés de Bem aventurados os... seria Avante os..., aí sim poderíamos dizer que o Mestre Jesus estaria exortando a prosseguirmos nas condições determinadas, uma vez que, se já houvéssemos chegado ao estado de

É uma parte do texto que nos conclama a vivenciar a nossa realidade (como propagadores da Boa Nova) sem nos permitir sermos maculados com a mundanidade do mundo que nos cerca. Nossa finalidade é dar sentido a nossa vida e de todos que nos procuram, por isso sermos chamados de “sal da terra”. r

O Sermão do Monte Finalidade é dar sentido a nossa vida. Manuel Egídio Santos Cardoso – USE Prudente

egidioambiente@terra.com.br

A

importância desse Sermão é reconhecida por todos os espíritos encarnados e desencarnados que já alcançaram determinado grau de elevação. Podemos citar, por exemplo, Mahatma Gandhi, um grande líder hindu, bem acima da média dos habitantes encarnados no planeta, que afirma textualmente: “Se por acaso se perdesse todos os livros sagrados do mundo e restasse penas o Sermão do Monte, nada estaria perdido”. Jesus, naquele momento em que reúne uma multidão, subiu ao monte (cap. 5:1) e começa aí sua exortação à multidão para a grande caminhada, sintonizada com o Projeto Divino. Naquele momento se encontrava diante dele um grupo significativo de pessoas que representavam os habitantes de várias cidades e regiões. Essa representação podese afirmar que hoje seria toda a humanidade. Naquele momento Jesus, dada a sua magnanimidade, sente as necessidades da multidão que se confunde com as necessidades de sempre. Esse Sermão teve a finalidade de consolo, conforto e exortação ao crescimento pleno de cada um. Pode-se chama-lo assim o “Sermão da Beatitude”. A tradução direta que Severino Celestino da Silva (in. O Sermão do Monte – A Sublime e Consoladora Mensagem de Jesus) fez tem-se mostrado de grande felicidade porque atende, na essência, o objetivo do Mestre Jesus de exortar ao bem e fazer ver a cada um suas responsabilidades individuais para o entendimento


REMETENTE: Instituto Cairbar Schutel.

Agosto de 2015

Caixa postal 2013 - 15997-970 Matão-SP

Brechas morais

A

s brechas morais, para os pequenos vícios sociais, as mentiras inocentes, as justificativas aos abusos abrem as portas para as nefárias realizações. (...) Não se permita brechas morais negativas. O servidor do bem é íntegro, leal, atuante e nobre em todos os momentos, atestando sempre a excelência dos postulados que o elevam e sustentam. r Marco Prisco/Divaldo Franco, capítulo 21 do livro Momentos de Decisão-ed. LEAL.

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Tribuna do Espiritismo - agosto de 2015  
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