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ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA PARA TODO O BRASIL • ABRIL DE 2015 • ANO 2 • Nº 19 • 17.000 EXEMPLARES • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA www.institutocairbarschutel.org – www.associacaochicoxavier.com.br

18 de abril

• Dia Nacional do Espiritismo; • Lançamento de “O Livro dos Espíritos”, em 1857; • Dia do Livro Espírita; • 60 anos da desencarnação de Einstein.

Agora região de Araçatuba (SP) recebe 2.000 exemplares do Tribuna, com encarte regional.

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Suicídio? Valorizemos a vida! Página 5.

A “coisa” está piorando? Página 10.


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Editorial

Ampliação gradativa

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RAÇATUBA, no interior paulista, é a primeira cidade do Brasil a aderir a dois propósitos do Tribuna: ampla distribuição e produção de encarte com enfoque local/regional. No entendimento com empresários surgiu patrocínio para publicação de jornal com 4 páginas de notícias, reportagens e artigos, com identificação ATA ESPÍRITA. Será o ressurgimento do periódico que durante 13 anos promoveu “Os Atos de Registrar e Unificar o Movimento Espírita Regional”. O encarte será distribuído no TRIBUNA, a partir da edição de abril/15. A tiragem exclusiva para a região será de 2.000 exemplares, aumentando, pois, nossa edição. Ao mesmo tempo adere também a essa distribuição a cidade de VOLTA REDONDA (RJ), entre outras regiões do país, que anunciaremos gradativamente, somando-se às remessas já em andamento, ampliando a tiragem e distribuição do jornal. Isso nos leva, em abril, a 17.000 exemplares. Entre em contato conosco e inclua sua região. Acompanhe conosco a presente edição. r

De Kardec a Einstein O significativo 18 de abril na história da humanidade. Umberto Amarildo de Freitas

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Livro dos Espíritos surgiu no dia 18 de abril de 1857. São 158 anos de publicação em décadas que se espalharam pelo planeta – com intenso vigor no Brasil –, espalhando as luzes da Revelação Espírita com a grandeza intelectual e conforto incomparável de seu conteúdo a bem da evolução humana. De posse desse conhecimento esclarecedor, refletimos sobre a resposta à questão 573 da obra, que indaga sobre qual a missão dos espíritos encarnados. E a resposta constitui valoroso programa de trabalho para todos, nos esforços humanitários do progresso: a) Instruir os homens; b) Ajudar seu progresso; c) Melhorar suas instituições. Observemos atentamente os desdobramentos intensos que cada um dos três itens pode enumerar e alcançar e já temos motivos de intensa gratidão e inspiração para muito trabalho. É o que ocorreu e ocorre com os espíritas diante da monumental obra – desdobrada nas demais que formam a Codificação –, que inspiram o trabalho espírita que se apresenta de maneira tão intensa no país. Por falar em país, não nos impressionem as dificuldades do

presente. Elas nos amadurecem. Estamos num período de transição do progresso humano e isso deixa às claras nossas imperfeições, mostrando a necessidade de mudanças essenciais. A presente edição está nas mãos do leitor e selecionada para

Einstein, alcançando 60 anos de seu retorno à Pátria maior, que ocorreu em 1955. O notável físico teórico alemão, radicado nos Estados Unidos a partir de 1933, que desenvolveu a teoria da relatividade geral, um dos dois pilares da física moderna,

essa homenagem de gratidão pela presença de O Livro dos Espíritos na história humana. Recordando o esforço do Codificador, a que se somaram outros autores clássicos (alguns citados por José Antonio Castilho – valoroso defensor e estudioso da obra de Kardec, cuja reportagem o leitor encontra também na presente edição), nosso empenho nesse momento é o de valorizar e destacar Kardec, ainda um ilustre desconhecido entre os próprios espíritas. Estudá-lo e divulgá-lo é nosso dever maior, pelo menos em gratidão. E o mesmo 18 de abril – data maior do Espiritismo – é a data de desencarnação de Albert

enquadra-se, como Kardec, no cumprimento daquela missão estabelecida na questão acima citada sobre a missão dos espíritos encarnados, sem prejuízo dos compromissos que todos podemos assumir em favor uns dos outros, independente de nosso atual estágio intelecto-moral. A data, pois, de 18 de abril, signifi cativa na história humana – também chamada de Dia do Livro Espírita e consagrada por Lei como Dia Nacional do Espiritismo (vide matéria nas páginas 14 e 15) –, fica em nossa gratidão, a Kardec, ao O Livro dos Espíritos e a Einstein. Vamos estudar? Quem estuda, compreende e amplia a visão. r


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O Vidente Empolgante romance estuda a psicometria, modalidade da clarividência Redação – entrevistando o autor

institutocairbarschutel@gmail.com

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escritor Martins Peralva, no livro Estudando a Mediunidade, escreveu: “(...) Segundo a definição do Assistente Àulus, a palavra “psicometria” designa a faculdade que têm algumas pessoas de lerem «impressões e recordações ao contato de objetos comuns». Psicometria é, também, faculdade mediúnica. Faculdade pela qual o sensitivo, tocando em determinados objetos, entra em relação com pessoas e fatos aos mesmos ligados. Essa percepção se verifica em vista de tais objetos se acharem impregnados da influência pessoal do seu possuidor. (...) Pela psicometria o médium revela o passado, conhece o presente, desvenda o futuro (...)”. Como se nota, o assunto é muito abrangente. Fizemos mini entrevista com o autor do importante romance que ilustra a presente reportagem. Marco

é radicado em Brasília-DF e autor de vários livros. 1 - Como surgiu a obra?

Resolvi escrever um romance abordando o tema psicometria que é um assunto que sempre me empolgou. Ela constitui-se em uma das modalidades da clarividência segundo a qual é estabelecida uma conexão entre o sensitivo e a pessoa ou meio concernente ao objeto psicometrado. Sendo assim, o médium portador de aguçada sensibilidade psíquica, ao segurar o objeto de uma pessoa, seja encarnada ou desencarnada, pode “entrar em relação” com ela ou sua história. Com esta essência surgiu o desejo de escrever a obra. 2 - Qual a melhor orientação para casos assim como o texto trazido pelo romance? O Espírito da Verdade, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz: “Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”. A orientação é buscar o estudo em um Centro capacitado para

o esclarecimento da mediunidade e de todos os assuntos pertinentes à Doutrina Espírita. Não se esquecendo de que tudo que fizermos deve ser feito com amor ao próximo e não por obrigação ou todo o mérito do trabalho não terá valor algum. 3 - O que mais te chama a atenção na obra? A espiritualidade superior nos auxilia mesmo quando nos desvirtuamos do caminho, porém, temos o livre-arbítrio para decidirmos que rumo tomar. A perseverança e a fé devem permanecer em nossos corações, principalmente nas horas difíceis, pois não podemos tombar ante os primeiros obstáculos que aparecem pelo caminho. Além disso, seria lamentável chegarmos ao mundo espiritual e vermos que havia tanto por fazer com amigos espirituais nos apoiando e ainda assim deixamos que a vaidade e as paixões mundanas tomassem nosso ser fazendo-nos trilhar um caminho contrário ao que nos propomos antes de reencarnar. A verdade é que deixamos para depois o que podemos fazer hoje. A vida é muito curta e, possivelmente, não teremos tantas outras oportunidades como estamos tendo agora. Precisamos colaborar com o Cristo na condição de Anjos, executando a missão que o Pai nos confiou. r Nota do TRIBUNA: o livro pode ser adquirido em nossas distribuidoras.


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Sonhos do inconsciente e sonhos espirituais Editora de Matão tem livro específico sobre sono e sonhos. Jorge Luis Salomão da Silva

advocaciasalomao@aasp.org.br

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uestão que sempre se constitui em objeto de dúvidas é saber se as imagens ou cenas oníricas, invariavelmente, apresentam algum significado importante. Allan Kardec, fascinado com essa dúvida não deixou de perguntar aos espíritos amigos se os sonhos, afinal, teriam algum significado (O Livro dos Espíritos, q. 404). A resposta foi extremamente elucidativa: responderam, em síntese, que não se deve dar credibilidade irrestrita aos sonhos, ou seja, não se pode pensar que sonhar com tal coisa será o prenúncio de algum acontecimento. Esclareceram, ademais, que a maioria dos sonhos não passam projeções de nossas preocupações habituais (vide questão nº 405). Carl Gustav Jung, fundador da Psicologia Analítica, explicou que o inconsciente pessoal é composto por repressões e complexos que se externam por diversas vias da personalidade. Afirmou, a propósito, que o sonho é uma forma de catarse do inconsciente, pois liberta a personalidade de um sem número de transtornos psicológicos. Segundo Jung, o inconsciente poderia ser comparado a um iceberg, sendo

que a parte exposta ou consciência corresponderia a 5%, e o restante ou inconsciente a 95%. Essa equação se apropria com perfeição à resposta dada pelos espíritos na questão de nº 405 de O Livro dos Espíritos, porque esclarece como os espíritos esclareceram que grande parte dos fenômenos da personalidade, incluindose os sonhos, é fruto de reações compulsivas e o restante de reações conscientes. Não se pode olvidar, também, que o condicionamento reflexo, entendido esse como as experiências adquiridas através dos cinco sentidos materiais, muito influenciam nos sonhos. Por exemplo, se alguém está dormindo e o mesmo é tocado suavemente com algum objeto, essa sensação será recepcionada pelas terminações nervosas da pele e transmitidas ao cérebro que a decodificará. Essa

decodificação será transmitida ao espírito e esse processará essas informações, o que irá influenciar na

formação de imagens oníricas que não terá qualquer correlação com a atividade emancipatória da alma.

PÁGINA 4 Por isso é muito simplista as tentativas de equacionar os sonhos como realidades puramente matemáticas como quer dar a entender o Livro dos Sonhos, pois preconiza que sonhar com determinada coisa acontecerá tal coisa. Essa ignorância surgiu do fato de que Jung, para penetrar no inconsciente dos pacientes, tinha que fazer associações, quer dizer, a pessoa dizia uma palavra e ele apresentava a imagem correspondente a essa palavra ou decifrava as informações oriundas do sonho e os símbolos que a ele estavam relacionados. Concluiu-se, muito equivocadamente, que através dessa prática Jung estava dando um sentido místico ou supersticioso aos sonhos. Com isso, abstraídos os fenômenos (frustrações, drogas, reflexo condicionado etc.) que interferem diretamente na produção das imagens oníricas, pode-se afirmar que nos sonhos tipicamente espirituais é possível que tal ou qual imagem tenha um importante signifi cado, mormente porque é através dessa via que os guias espirituais costumam transmitir valiosas orientações, sugestões e até mesmo sérias advertências! r


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Como explicar o suicídio? Porta falsa centuplica angústias e sofrimentos. Donizete Pinheiro

donizete.pinheiro@gmail.com

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pergunta é de relevância para a humanidade. Anualmente, milhares de pessoas deixam este mundo pelas portas falsas do suicídio. Os motivos variam: desgosto sentimental, falência financeira, miséria, solidão, doenças incuráveis. No fundo, porém, a causa verdadeira do suicídio é a falta de fé em Deus e o desconhecimento da realidade espiritual. O materialista acha que sua existência é um acaso da natureza. Ele existe e daqui a pouco vai deixar de existir. Se a vida não lhe parece boa, se não teve sorte, não há razão para continuar vivendo. Já o incrédulo acredita em Deus, mas duvida de sua misericórdia e de sua justiça, achando que alguns foram privilegiados e outros relegados ao sofrimento. Não vê justificativa para tanta dor e miséria, considerandose vítima, e, sem perspectivas de mudanças, resolve abandonar a vida e matar-se. Como a fé não é sentimento que se consiga transferir de uma criatura para outra, as religiões não têm oferecido argumentos suficientes para baixar a taxa de suicídios. Isso só será possível

quando todas as pessoas tiverem conhecimento de como a vida continua depois da morte. Até pouco tempo, havia para o homem três alternativas: o céu, o purgatório ou o inferno. Acredita-se ainda

quanto à espiritualidade, pois senão descamba mesmo para a incredulidade ou até para o materialismo. É preciso que a nossa fé seja robustecida pela razão. E a mediunidade é instrumento eficaz na luta contra o suicídio. Por mais que se combata, ninguém vai

A primeira grande decepção é saber que não morreu, que não deixou de existir ou que não dormirá para sempre. A segunda é que não conseguiu por fim à dor que o atormentava, mas, pelo contrário, a centuplicou.

Clássico de Yvonne detalha estudo do tema.

no céu beatífico, porque satisfaz o nosso ego. Mas muita gente já não pensa num inferno onde o pecador – a grande maioria – vai arder para sempre. O homem moderno, que avançou na inteligência, precisa de informações mais lógicas

conseguir evitar a manifestação dos espíritos, porque eles estão por todos os lados, nas casas e até nos templos religiosos. Nossos decretos não os atingem. Dê-se aos espíritos o nome que se quiser, anjo, demônio, espírito imundo, espírito-santo, não deixarão de ser o que são: os próprios homens, mas sem o corpo morto.

E são as almas dos chamados “mortos” que nos relatam o que acontece com o suicida na Espiritualidade. A primeira grande decepção é saber que não morreu, que não deixou de existir ou que não dormirá para sempre. A segunda é que não conseguiu por fim à dor que o atormentava, mas, pelo contrário, a centuplicou. Além do mal que atingia o físico, e que com a morte é transferido para o corpo espiritual, é atormentado por outras dores e perturbações em decorrência do tipo de morte que escolheu: por exemplo, se foi enforcamento ou afogamento, carregará por onde for a asfixia, a falta de ar, a dor no pescoço ou no peito. A terceira decepção, causa de grande dor, é a solidão, a separação das pessoas que amava e que poderia lhe ajudar, e a convivência com estranhos, almas no mesmo sofrimento ou espíritos inferiores que dele se aproveitam. O princípio da salvação para esse irmão infeliz é aceitar Deus e suas leis; após, terá ainda que retornar à Terra em outro corpo, possivelmente em condições de sofrimento, para o reequilíbrio, e só depois recomeçará a jornada evolutiva que interrompeu com o ato insano. Por esses motivos, valorizemos a nossa vida, confiemos que Deus nos ampara nos momentos difíceis, suportemos as nossas dores com resignação ativa, que a felicidade em breve virá ao nosso encontro. Suicídio jamais! r


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Podemos dizer tudo o que pensamos? Disciplinar a liberdade de expressão é uma virtude. Cláudio Bueno da Silva

klardec1857@yahoo.com.br

Liberdade de expressão” é a frase do momento. Em nome da “liberdade” tem-se falado à vontade, sem pudor, sem medo, tudo o que vem à cabeça, sem preocupação com as consequências. Pessoas têm dito o que querem, não importando o quê e como dizem, escudadas na falsa compreensão do que seja essa liberdade.

Liberdade de expressão, no sentido verdadeiro, é o amor no coração, que deve chegar primeiro, antes da ideia ser exposta.

Notamos esse comportamento principalmente nas redes sociais, que são hoje uma espécie de espelho do que há na alma das pessoas. Mas também vemos esse destempero verbal e emocional em família e na sociedade em geral. Até na mídia de comunicação impressa e falada, que deveria prezar o bom senso e os valores éticos, pela influência que tem sobre as massas, assistimos o despreparo de muitos profissionais, escrevendo ou falando. Muitos deles respondem a

inúmeros processos jurídicos pelo mau uso da palavra, mas isso não é regra na maioria das situações. A liberdade de expressão é uma conquista da civilização e deve ser garantida como direito à cidadania, que é prerrogativa de todo homem. Mas, usada para exprimir opiniões descontroladas, criar fatos baseados em suposições e até mentiras, isso é inaceitável numa sociedade como a nossa, que se diz civilizada e cristã. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, trata nas questões 833 e 834, da liberdade de pensamento, inalienável do ser, onde se lê que “É pelo pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque o pensamento não conhece entraves” (...) À pergunta: “O homem é responsável pelo seu pensamento?”, os espíritos dizem: “Ele é responsável perante Deus. Só Deus, podendo conhecê-lo, condena-o ou absolve-o, segundo a sua justiça”. Expressar opinião sem compromisso algum, simplesmente para atingir um alvo, seja de cunho particular ou coletivo, pode causar sérios constrangimentos. Fazer uso da palavra descortês, abusar da imagem alheia com propósito de expor ao ridículo,

dar ares de normalidade a preconceitos execráveis, manchar a honra do próximo gratuitamente, tudo isso “fere” fundo o “amai-vos uns aos outros” que Jesus pediu a todos nós, e também ignora os mais corriqueiros princípios da boa educação. Se somos responsáveis perante Deus pelo nosso pensamento, que é só nosso, quanto mais não seremos responsáveis pelos escândalos que dividimos com os outros

PÁGINA 6 através das nossas expressões infelizes, apressadas e imaturas, perante Deus, a sociedade e a nossa consciência. Pobre “livre expressão”, a que o homem deu seu jeito, longe da educação, bem distante do direito, e que é puro ornamento se aplicada sem respeito. Parece poesia, mas é a dura realidade atual. Liberdade de expressão, no sentido verdadeiro, é o amor no coração, que deve chegar primeiro, antes da ideia ser exposta. É o verbo justo e certo, que não fere quem está perto, nem tampouco o ausente. Liberdade de expressão sem responsabilidade ética é uma arma perigosa, tanto jurídica quanto moralmente. Podemos então dizer tudo o que pensamos? Está claro que não. r


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Vivência Espírita: história e consciência Codificação Espírita partiu de “O Livro dos Espíritos”, em 18/04/1857. Alexandre Perez

alexandrewperez@gmail.com

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nteressante observar como nossa vivência espírita mudou durante pouco mais de 150 anos. Provavelmente devido à nossa consciência a respeito da própria Doutrina Espírita. A história que estudamos hoje – quando estudamos – dificilmente abrange os acontecimentos primevos, com os detalhes que eram mais vivos antigamente. Poucos sabemos que as origens das revelações dos espíritos foram muito menos ordenadas e institucionalizadas do que frequentemente se supõe; bem mais heterogêneas e desafiadoras para os pioneiros do espiritualismo e para a Codificação Kardequiana. O espiritualismo que precedeu a Doutrina Espírita contou com fenômenos extraordinários, nunca antes vistos e examinados, com médiuns de efeitos físicos e inteligentes que ficaram na história, mas, igualmente, com tragédias e exemplos desastrosos que ilustram quão grandes foram o desafio, a fragilidade e a insegurança pelas quais passou a Codificação Kardequiana, que, sem ajuda da espiritualidade superior e dos poucos seguidores bastante dedicados de então, não teria conseguido chegar aos dias atuais. Swedemborg, ainda no século XVIII, intelectual e médium notável, pioneiro inconteste dos grandes médiuns missionários, desconhecia, porém, os verdadeiros significados universais das grandes revelações, e interpretou ao próprio

estilo a maioria das informações do além. Seus seguidores criaram uma sociedade que se tornou sectarista e intolerante no futuro. Edward Irving e Andrew Jackson Davis, considerados profetas da nova revelação, conviveram com uma sociedade norte americana brutalizada, pertencendo, principalmente o primeiro, a seitas protestantes bastante rígidas e sectárias. Ganharam notoriedade e escreveram muito sobre o espiritualismo, mas desconheciam o caráter filosófico e moralizador profundos e universais das informações detalhadas que traziam dos planos espirituais. As famosas irmãs Fox, notáveis médiuns de efeitos físicos,

que foram propagandistas pioneiras involuntárias da imortalidade da alma, foram igualmente exemplos de inconstância moral e dos hábitos mediúnicos mais indesejáveis que um médium esclarecido jamais poderia adotar. Daniel Dunglas Home, contemporâneo de Kardec, e elogiado, com razão, como o mais poderoso e autêntico médium da época, descrito várias vezes na Revista Espírita como modelo de honestidade, foi também exemplo de inconstância moral, social e econômica. Foi protestante, católico romano e ortodoxo ao longo da vida. Ciumento de seus dons, e dos outros médiuns, criticou duramente o espiritismo e os pontos de vista de Kardec, principalmente a reencarnação! Arthur Conan Doyle nos informa que até pouco depois do advento do espiritismo, o espiritualismo anglo-saxão não aceitava a reencarnação, e, apesar da

existência de inúmeros médiuns de efeitos inteligentes, não obtiveram nenhuma referência a ela, pelos espíritos que se comunicavam! As irmãs Boudin, as principais médiuns colaboradoras de Kardec na elaboração de O Livro dos Espíritos, romperam amizade com ele após a primeira edição da obra, pois se sentiram ofendidas por não receberem os créditos que julgavam merecer. E, são tantos outros fatos esquecidos, transformados, mitificados... Nós, espíritas brasileiros, reservamos para nós uma história privilegiada no movimento mundial, construída por fatos, suposições e mitos. Se recordássemos ainda dos alicerces conturbados da verdadeira história das novas revelações espirituais, que prosseguem conturbadas ainda hoje, talvez lográssemos uma consciência mais madura e universal das responsabilidades que ainda temos pela frente, e conseguíssemos adotar comportamentos ainda mais condizentes com a missão, ainda pioneira, de espiritualizar o mundo. Temos, por aqui também, a nossa cota de mitificação, institucionalização competitiva e disputas intestinas. Lembremo-nos, como apontam nossos Grandes Guias, que Jesus deixou, fundamentalmente, seu exemplo e seu ensinamento, e ainda permanece na espera da emancipação espiritual dos homens, e, estes dois elementos são realmente os únicos que prevaleceram ao longo do tempo. r


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Guaxupé (MG) aguarda você! É o Encontro Chico Xavier, em julho, dias 25 e 26.

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m sucessivas edições, iniciadas em São José do Rio Pardo (SP) e continuadas em Guaxupé (MG), já há vários anos, novamente o evento – coordenado pelo escritor, médium e palestrante Ismael Batista – abre suas portas para mais um encontro de amigos, como bem o define seu coordenador. Sim, um encontro de amigos, de entusiasmo, de intensa confra-

Redação ternização e alegria. Fábiaro Fadel, Andrea Bien, Nazareno Feitosa, Elizabeth Lacerda, Paulo Henrique Bueno, Ismael Batista, Marisa Cajado, Orson Peter Carrara, Sérgio e Marlene e o Coral da Casa de Cultura de Guaxupé formam o time de expositores e para as apresentações musicais. Matão e Araraquara, entre outras cidades, formam caravanas

com ônibus e vans fretados e prestigiam o importante evento anual na cidade, que homenageia Chico Xavier. Inscrições com Ismael pelo fone 35 8822 5557 ou pelo e-mail ismael-palestras@hotmail.com.

Sugerimos pensar na hipótese de organizarem caravanas e ao mesmo tempo já providenciarem reserva nos hotéis, pois o evento costuma esgotar vagas de hospedagem, face ao grande número de participantes, normalmente acima de 700 pessoas. r

Ismael Batista, coordenador do evento.


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A “coisa” está piorando? Dúvida está nas cogitações de muita gente. Ricardo Orestes Forni iost@terra.com.br

mundo regride. Não se divulga o bem porque não dá IBOPE como as notícias de tragédias.

espécie de Espíritos estão vinculados a ele: atrasados ou evoluídos? Se são na maioria atrasados e

.huffpost.com/gen/1079760/images/o-BAD-NEWS-facebook.jpg

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stava participando de uma das aulas com os pais da Evangelização de crianças, quando um deles me formulou a pergunta que dá nome a esse artigo. Perguntava a pessoa se todas as calamidades que estamos vendo, corrupção e impunidade, crimes os mais lamentáveis possíveis, fome, guerras, doenças incuráveis, desmoronamento de lares, ódio grassando em entre os seres humanos, não era um sinal de que o Espírito estava regredindo em desacordo com os ensinamentos da Doutrina Espírita? Respondi-lhe que não. Era necessário levar vários fatores em consideração. Hoje o noticiário infeliz percorre o mundo de forma extremamente rápida dando impressão de que o mal cresce rapidamente. E esse noticiário é sucesso por responsabilidade de quem aprecia e dá guarida a esse tipo de notícia. Em minha casa fiz a opção por emudecer a televisão, pelo menos por enquanto. O outro fator a ser considerado é o alerta dos Espíritos de que o bem anda com chinelos de veludo, não faz alarde. Já o mal, utiliza tamancos de madeira para ser bem notado. É um outro motivo de termos a sensação de que o

O terceiro motivo a ser considerado, argumentei junto a pessoa, é de que a população mundial atinge a cifra de sete bilhões de criaturas. Portanto, sete bilhões de Espíritos reencarnados. Ora, se considerarmos que existem cerca de vinte e dois bilhões de Espíritos que gravitam em torno do planeta, e de que nosso planeta ainda é um mundo de provas e expiações, que

estão reencarnando para ter novas oportunidades, é natural que eles apresentem um panorama triste aos quadros do dia a dia. Estão tendo oportunidade para melhorarem-se, o que não significa dizer que estão melhorando. Muitos estão repetindo erros anteriores vinculados ainda aos comportamentos que cristalizaram dentro de si e que a dor está a trabalhar

para romper a casca do egoísmo e do ódio que ainda os envolvem. Como fracassam, conferem essa sensação de que o planeta está regredindo e não estacionado para esses Espíritos. Aí veio a pergunta que parecia ser um cheque-mate: mas o Espírito de Humberto de Campos não disse que o Brasil seria o coração do mundo e pátria do Evangelho? Como fica essa alternativa diante desse panorama todo que estamos assistindo em nosso país? Respirei aliviado! Tinha acabado de ler uma explicação extremamente lógica do confrade Richard Simonetti na revista RIE de Matão. Inflei os pulmões como se entendesse muito e repeti a explicação do meu “salvador”: os dizeres de Humberto de Campos sobre o Brasil, é uma proposta do plano espiritual que nós poderemos realizar ou não. Não é um decreto: o Brasil vai ser! Não. Está sendo dada a chance de nosso país vir a ser ou não dependendo do que fizermos, assim como já ocorreu com outros países. Por exemplo: a Doutrina Espírita não surgiu na França do século XIX? E onde ela viceja hoje mais e melhor? Agradeci mentalmente ao Simonetti e roguei a Deus que conseguisse convencer a pessoa que me dirigia as suas dúvidas. Em relação a essa pessoa percebi que atingi o meu objetivo. Quanto a você, amigo leitor, caso não tenha obtido sucesso, consulte as Obras básicas de nossa Doutrina. Na hipótese de melhor explicação, elucide-me por favor. r


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Atividades cristãs “Tu tens as palavras da vida eterna.” - Simão Pedro. (JOÃO. 6:68.) Francisco Rebouças

costareboucas@ig.com.br

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ós espíritas, que desejamos reviver as lições e exemplos de Jesus, na atualidade terrestre, embora nos deparemos em nossos caminhos com os muitos obstáculos que nos exigirão esforço, renúncia e sacrifícios, para superá-los, não podemos desprezar as inúmeras oportunidades que essa abençoada oficina de burilamento espiritual que é a Terra, nos oferece diariamente para o socorro aos nossos irmãos em dificuldades bem maiores que as nossas, através do trabalho na caridade material, e moral que já podemos realizar. Os Espíritos Superiores nos afirmam que havendo obtido as mais ampliadas noções de conhecimento superior, mais nos será pedido em atitude cristã diante do próximo, que muitas das vezes se mantém mergulhado nas sombras da incompreensão, da insensatez e da revolta. Precisamos entender que não somos chamados pela bênção da oportunidade reencarnatória, simplesmente para nos beneficiar do suor e do trabalho alheio, mas sim, para tomar conhecimento de

que também fomos convocados pela Soberana Sabedoria e Justiça do Universo, a doar de nós próprios algo de bom e proveitoso, em favor da solidariedade e da fraternidade para com o próximo, aprendendo na escola da renúncia e de sacrifício pessoal a executar a pequena mais importante tarefa a serviço do bem e da paz, exercitando a humildade, a paciência, e o perdão incondicional, na convivência pacífica na sociedade em que estamos inseridos. Vejamos o que nos falam os Espíritos sobre o assunto: 166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se? “Sofrendo a prova de uma nova existência.” 167. Qual o fim objetivado com a reencarnação? “Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?” Seja no lar, na profissão, nos templos da fé, na via pública etc., somos diariamente convidados ao exercício e prática do bem, pois,

Jesus nos resumiu as Leis e os Profetas em “amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”, e Allan Kardec nos asseverou que “fora da caridade não há salvação”. Nossas atitudes de hoje, precisam ser resultado da nossa reforma moral, permitindo o crescimento do Homem Novo que existe em cada um de nós, para que a nossa diretriz, possa se expressar pelas nossas obras no exercício do bem e da caridade para que sirva como exemplo a ser seguido e possa projetar-se nas mentes de quantos nos rodeiam, induzindo-os à renovação. Necessário se faz compreender que, tanto quanto possível ao invés de ficarmos à espera de auxílio dos outros, antes de tudo devemos auxiliar os mais necessitados que nós, lembrando as sábias palavras do Mestre de Nazaré quando nos afirmou “a cada um segundo as suas obras”, na certeza de que, se a nossa palavra elucida, reanima, e conforta, somente as nossas obras darão testemunhos positivos de que praticamos os princípios que pro-

pagamos e nos ajudam em nossa própria moralização. Urge reconhecer que somente a criatura verdadeiramente disposta ao reajustamento moral espiritual perante as Leis Divinas, será capaz de submeter seus propósitos às determinações Superiores, redimindo-se para redimir, aperfeiçoando-se para

Precisamos entender que nãos somo chamados pela bênção da oportunidade reencarnatória, simplesmente para nos beneficiar do suor e do trabalho alheio, mas sim, para tomar conhecimento de que também fomos convocados pela Soberana Sabedoria e Justiça do Universo, a doar de nós próprios algo de bom e proveitoso, em favor da solidariedade e da fraternidade para com o próximo (...).

aperfeiçoar, dando para receber, poderá desfazer-se dos prejuízos e equívocos da ignorância para conquistar, em definitivo, a própria libertação através da LUZ da Boa Nova. r


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Nova livraria espirita inaugurada em Araraquara Divulgação do livro amplia-se por toda parte. De informações de Doroti Macri e José Nieto Lopez

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naugurada à rua São Bento, 1.089, sala 09, em Araraquara (SP), a Livraria Espírita Emmanuel, sob responsabilidade da Sociedade Espírita Caminheiros da Luz. Com grande acervo de livros, CDs e DVDs, destacando-se a Codificação Espíritas e demais obras da Literatura Espírita, valorizando inclusive os lançamentos – entre doutrinários romances, infantis, juvenis e outros de mensagens, estudos e pesquisas –, a nova livraria soma-se a esse esforço gigantesco de colocar o conhecimento à disposição do grande público. Em ambiente acolhedor, a livraria funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 11h e das 13 às 17h; aos sábados, das 9 às 13h. Importante que prestigiemos a iniciativa. Informações e contatos pelos fones 16 3335-7027 e 997212010, com Doroti. r


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Ouvindo o novo Presidente da USE Marília Planejamento e entusiasmo em evidência. Redação

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ilvio José Lopes Garcia, natural e residente em Marília – no interior paulista – assumiu como Presidente da USE MARÍLIA, na renovação natural da diretoria. Consultor de vendas e vinculado, como diretor, ao Núcleo Amor e Paz (como tesoureiro) e João de Camargo (como vice-presidente), é espírita há 15 anos e respondeu ao Tribuna – do qual a entidade é parceira na distribuição –, a três perguntas sobre o movimento espírita da cidade, indicando os planos para o futuro. Acompanhe. 1 - Quantas instituições espíritas na cidade? E como o amigo vê o movimento espírita local, considerando essas instituições? São aproximadamente 32 instituições. Nessa nova diretoria somos todos iniciantes no que refere se a USE apesar da competência já experimentada em nossas casas, ainda iniciando visitas pessoais nas casas para aproximação ainda maior com todos para divulgação da própria USE e do que a ela compete, já foram feitos muitos avanços nesse sentido mas há muito ainda que percorrermos, creio que pelo 70% das casas espíritas de Marília e região são associadas da USE e precisamos fortalecer o movimento buscando sempre a unificação. 2 - Quais os planos para o triênio? Bom, para nosso primeiro ano buscaremos uma aproximação pessoal (física), visitando todas as casas espíritas atualizando cadastro e cadastrando as que não fazem parte ainda, sempre nos colocando à disposição para colaborarmos no que estiver ao nosso alcance. Já estamos em fase final para implantação de um Site totalmente voltado para as casas espíritas e a população interessada que está muito interativo; Mantendo a programação existente

institutocairbarschutel@gmail.com

como feira do livro espírita, semana da unificação, reunião de dirigentes espíritas de Marília e região e eventos promocionais tais como palestrantes e divulgadores do espiritismo nacional, para esse primeiro ano. Para os próximos dois anos estamos planejando após termos bases mais solidas trazermos vários cursos em comum para as casas espíritas, fortalecermos as mocidades para termos continuidade de voluntários na seara espírita, efetivação de uma sede própria para a USE com secretária e etc., eventos com que as enti-

dades para auxilio em necessidades particulares, fortalecer o encontro da família espírita de Marília. 3 - Algo marcante que gostaria de destacar do movimento espírita da cidade? O grande apoio a essa nova diretoria pelas casas espíritas e a esperança de um movimento espírita forte e atuante, pois como bem sabemos o primeiro evento espirita promovido pela USE foi em nossa cidade com J. Herculano Pires e a presença de Divaldo Franco. O evento que tende a crescer muito é o Encontro da Família Espírita de Marília devido a união e a participação de todas as casas espíritas. r


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18 de abril – Dia do Livro Espírita e Dia Nacional do Espiritismo O Livro dos Espíritos foi lançado em 18 de abril de 1857. Homenageamos a obra e a data prestando preito de gratidão a valoroso seareiro espírita. Orson Peter Carrara

orsonpeter92@gmail.com

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bril é um mês histórico para o Espiritismo. No dia 18, em 1857, foi lançada a obra que deu origem à Codificação. No dia 2, em 1869, foi sepultado o corpo do Codificador, mesmo dia que, em 1910, nasceu Francisco Cândido Xavier. Também em abril, no dia 1, em 1858, foi fundada a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas – o primeiro centro espírita do mundo –, além da anotação de desencarnação de Willian Crookes (1919, dia 4) e Bezerra de Menezes (1900, dia 11) e do lançamento de O Evangelho segundo o Espiritismo, em 1864. Justifica-se, pois, o dia 18 ser consagrado (pela própria significação da data), como o Dia do Livro Espírita e inclusive pelo Projeto de Lei 291/07 – autoria da deputada Gorete Pereira (PRCE) –, que o indicou como o Dia Nacional do Espiritismo. Por gratidão e merecida lembrança, na homenagem de gratidão ao Codificador e ao O Livro dos Espíritos, recordamos valoroso seareiro espírita: José Antonio Castilho. Natural de Ubarana (SP), na época comarca de José Bonifácio (SP), tornouse espírita no início da década de 60, em Paranavaí-PR e residiu por muitos anos em São Carlos (SP). Sempre esteve envolvido com a divulgação do livro espírita, especialmente com a tra-

jetória do boletim Divulgador do Livro Espírita. Autor de três livros espíritas e um de época, sua desencarnação ocorreu em 23/07/2009, aos 76 anos de idade. Pouco tempo antes, tivemos a oportunidade de entrevista-lo pessoalmente, em sua casa. A entrevista na íntegra está dis-

cionamos alguns trechos de suas valiosas respostas, especialmente considerando a valorização do livro espírita. 1) Como surgiu a equipe do Divulgador do Livro Espírita? E quais eram os objetivos? Em setembro de 1982, durante

de casa em casa, no caso do Clube do Livro Espírita. (...) 3) Vendo de hoje esses esforços do passado, que resultados podem ser enumerados? A primeira pesquisa realizada apontou um total de 40 Feiras do Livro Espírita, dali a seis meses já atingíamos 500 feiras! Hoje é uma realidade nacional, numa expansão extraordinária do trabalho. A Feira tornou-se um ponto de encontro dos espíritas locais, num trabalho alegre e desinteressado.

Não troco Kardec por nenhum outro, no que se refere à coragem e ao discernimento. (José Antonio Castilho)

ponível na revista eletrônica O Consolador, portal www.oconsolador.com - edição 115, ano 3, de 12/07/2009. A entrevista focou o Divulgador do Livro Espírita, publicação específica que incentivava esforços na área do livro. Sele-

a 5a. Feira do Livro Espírita, na Sociedade Espírita Obreiros do Bem, em São Carlos, com outros participantes. Com o passar dos anos foi aumentando a equipe. Objetivo sempre foi valorizar o livro. Levá-lo à praça pública, no caso da Feira do Livro Espírita, ou

(...) 3.4 - Qual o fato mais curioso observado numa Feira do Livro? Recebi uma mulher que queria um livro para emagrecer. Eu disse: “Não tem. Mas tem para tirar coisa pior – a raiva, o ódio”. Ela pegou e levou o Evangelho. Teve uma Feira onde aceitei uma evangélica para vender livros. E ela vendeu. Era inteligente, bem relacionada. Por que ela foi vender? Ué, porque quis. Porque ela quis, não sei. (...) 5) Podemos considerar o Clube do Livro Espírita uma iniciativa


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vitoriosa para a expansão do pensamento espírita? Por quê? Sim. A Feira é uma festa na praça. Une as pessoas com alegria e deixa o livro à vontade. São Carlos vende 5 mil livros, no entanto a atenção é dividida entre 1 mil livros. Não há uma centralização de vendas. O CLE de São Carlos coloca 1.900 livros de um único título. Esgota edições pequenas. É imbatível nesse aspecto. 6) E a Feira do Livro Espírita, o perfil pode ser melhorado? Como? Qualquer coisa nesse mundo pode ser melhorada. É preciso criatividade e coragem para que não fique estacionada. (...) 8) De suas memórias na vivência com a literatura espírita, o que mais lhe marca o coração? Que autores, obras e memórias lhe saltam à memória nesse momento diante da pergunta? Léon Denis, Ernesto Bozzano, Yvonne Pereira, além, naturalmente, de Kardec. Prefiro a literatura de encarnados. A mediúnica exige fé. Considero nefasto o igrejismo.

9) Comente sobre os clássicos do espiritismo. Em nossa primeira Feira não tínhamos um bom critério para selecionar livros por assuntos. Incumbi-me da tarefa de ir melhorando essa questão. Os clássicos eram separados por autores. Aí os agrupei como devia, em “clássicos”. Modéstia à parte, melhorei muita coisa na FLE, junto com o Ailton Baleeiro, de Sertãozinho, e o Cintra, de São Carlos. Difícil destacar autores. Lá vai. Denis com sua filosofia suave, sua beleza, sua educação. Destaco “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”. Bozzano e sua incrível capacidade de pesquisa. “Animismo e Espiritismo” é o resumo de todos os outros. Nossa Yvonne Pereira com suas obras-primas “Devassando o Invisível” e “Recordação da Mediunidade”. No País das Sombras, de Elizabeth D’Esperance. Meu Deus! É a nata! 10) Quais autores considera importantíssimos e pouco lidos? Todos os clássicos. Denis, Bozz ano, Aksakof, W illiam

Crookes. Há um livro editado pelo Clarim chamado Os Mortos Vivem. É a história de um alemão que foi a uma ilha desmascarar uma médium. Gostou tanto dela

A primeira pesquisa realizada apontou um total de 40 Feiras do Livro Espírita, dali a seis meses já atingíamos 500 feiras! Hoje é uma realidade nacional, numa expansão extraordinária do trabalho. A Feira tornouse um ponto de encontro dos espíritas locais, num trabalho alegre e desinteressado.

que acabou se casando. Este livro, por exemplo, não foi mais reeditado. 11) Em sua opinião, qual o melhor método para popularizar ainda mais a obra da Codificação Espírita? Ou seja, torná-la mais conhecida.

Desconheço os modernismos, mas sei que a Feira e o Clube estão na frente. 12) Que recomendação faz ao leitor espírita? Que não apenas leia. Que fixe toda a atenção no texto que está lendo. Ler é pouco. Tem de prestar atenção e fixar o que está lendo. Qualquer livro, não só o espírita. 13) Qual outra questão gostaria de acrescentar a essa ordem de idéias? O Atendimento Fraterno. Se uma pessoa chega ao Centro Espírita e alguém lhe propõe aplicar um passe ou ouvi-lo durante uma hora, o que você acha? Obtive minhas melhores conquistas ouvindo muito e falando pouco. Não acredito no passe para principiantes. Eles não sabem nada do assunto. 14 - Suas palavras finais. Uma coisa é pouco falada: o trabalho. Insuperável! A palestra criativa e bem humorada faz prodígios. Não troco Kardec por nenhum outro, no que se refere à coragem e ao discernimento. r

Em Matão (SP) – 19 e 20 de setembro de 2015 (sábado e domingo) Inscrições abertas.

Veja programação e faça sua inscrição pelo site www.institutocairbarschutel.org


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REMETENTE: Instituto Cairbar Schutel Caixa postal 2013 15997-970 - Matão-SP

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Propósito de vida “Vinde a mim (...) e eu vos aliviarei (...)” Sueli Rodrigues

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esus disse “podem vir a mim que eu os aliviarei”... Entretanto, impõe uma condição: a observação da própria lei que ele ensina. Seu jugo é a observação dessa lei. “Jugo” significa “submissão” e Jesus fala que o jugo dele é suave e o seu fardo (sinônimo de “carga”) é leve. Por quê? Qual é o jugo e o fardo de Jesus? O amor e a caridade. O mestre, então, dá a receita para o alívio dos sofrimentos: fazer o Bem. Eis o remédio para nossas dores, o refrigério para nossas almas em aflição. Entretanto, você há de concordar: é muito difícil pensar no outro quando nós é que precisamos de ajuda! Pensemos num sofrimento grande, como a perda de um filho, uma doença grave, um flagelo... Como ajudar, se temos dificuldade em ajudar a nós mesmos, nessa hora? Mas, em sua enorme sabedoria, o mestre Nazareno aponta o caminho certo. Vamos refletir: a) quando ajudamos a alguém necessitado de maneira desinteressada, vemos que não somos os únicos a sofrer. Emergimos daquele mar de problemas em que mergulhamos fundo (pois, basta um revés para

sueli.rodrigues@allankardec.org.br

atrairmos outros com nossa negatividade) e, então, aquela sensação de que “só acontece comigo” tende a se minimizar - nos lembramos de que habitamos um mundo de provas e expiações e que estamos (se não todos, a grande maioria) em trabalho autoeducativo nessa encarnação; b) ao nos defrontarmos com as misérias alheias, ocorre que os problemas que nos pareciam enormes, ganham proporções muito reduzidas. Às vezes, chegamos até a agradecer pelas bênçãos de não estar passando pelo mesmo que nossos irmãos; c) no ensejo de confortar o próximo, vasculhamos o fundo de nossas almas à procura de palavras de ânimo. E, não raro, nos surpreendemos com as “reservas” que encontramos dentro de nós, quando nos julgávamos vazios, com as forças consumidas. Verbalizando essas energias, antes de beneficiarmos a outro, beneficiamos a nós mesmos; d) atendendo à inexorável lei de causa e efeito, tudo o que vai, volta: o amor e carinho que compartilhamos, nos retornam em forma de energia salutar para os nossos sofrimentos;

e) envidando esforços em prol de outros, trabalhamos nossas imperfeições: o orgulho, a vaidade, o egoísmo, o preconceito. As várias situações que experimentamos nos compelem à reflexão e nos convida a autoavaliação. E tudo isso passa a dar um novo sentido as nossas vidas. “Novo”, não, porque esse é o verdadeiro sentido da nossa vida e sempre esteve lá: temos a semente do amor plantada por Deus em nosso coração e basta regarmos essa semente para conhecermos o jugo suave e o fardo leve a que Jesus se referiu. Esse é o verdadeiro sentido da nossa existência. Fazer o Bem está ligado ao nosso propósito de vida. Somente a caridade, nas suas mais diversas manifestações, é capaz de suprir as fomes essenciais, os reais anseios do coração. A palavra propósito (do latim propositu) é a razão por que algo existe. E nós, feitos à semelhança de Deus, existimos para espalhar o Amor.

Concluindo: amar é a nossa vocação! E, olhando no dicionário o significado da palavra “vocação”... adivinhe? Do latim, Vocatium significa “chamada da alma”. Assim, quando estivermos em sofrimento, vamos nos lembrar do nosso propósito de vida e da nossa “chamada da alma”... r

Tribuna do Espiritismo - abril de 2015  
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