Natal • Rio Grande do Norte Terça-feira, 23 de novembro de 2021
especial PRESIDENTE DA ANDIFES DEFENDE UMA POLÍTICA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Motores
DO DESENVOLVIMENTO DO RN
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O futuro e os desafios da educação « DEBATE » Ao fazer a abertura da 39ª edição do seminário Motores, o reitor da UFRN, José Daniel Diniz,
afirmou que a crise causada pela pandemia de covid-19 também irá impactar o ensino superior no longo prazo ALEX RÉGIS
A
crise causada pela pandemia de covid19 irá impactar o ensino superior também no longo prazo. A afirmação é do reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Daniel Diniz, ao abrir a 39ª edição do seminário “Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”. “As perdas na educação básica impactarão também na educação superior. Não há como tratar esses níveis de maneira descolada. A evasão é outro problema que poderá causar consequências desastrosas se não forem enfrentadas”, alertou José Daniel Diniz. Palestras, debates e perspectivas para o futuro deram o tom da 39ª edição do seminário, que neste ano abordou o tema “O Futuro da Educação e da Ciência no Pós-pandemia”. O evento reuniu na manhã desta segunda-feira (22), no Hotel Escola Barreira Roxa, em Natal, nomes como Marcus Vinícius David, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes); Denise Campos, vice-presidente acadêmica da Ânima Educação e José Henrique Paim, diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Outras autoridades da educação, ciência, comércio e indústria comparecem ao seminário. Em sua fala, o reitor da UFRN alertou também para as dificuldades geradas pela queda orçamentária que afetou o funcionamento das universidades, mas que, mesmo durante o período mais crítico da pandemia, não foi paralisado. “Acredito ser possível retirar lições da pandemia. Tratando-se de um problema global, sem abrir mão da segurança
sanitária, estimulamos intensa atividade virtual com proposta de análise e discussão e aos poucos foram retomadas atividades presenciais”, disse ele. Apesar da crise sanitária e dos impactos causados, disse o reitor da UFRN, a atividade educacional e a ciência não cessaram. Segundo José Daniel, a UFRN se manteve e se mantém atenta, contribuindo para o enfrentamento da pandemia e mantendo um ensino de qualidade. “Sabemos que a educação é o mais importante vetor para a redução das desigualdades sociais e econômicas e para o desenvolvimento sustentável de qualquer País. E a responsabilidade social de cada um de nós indica que não podemos abrir mão do nosso futuro”, afirmou o reitor. Quanto aos desafios a enfrentar, o reitor enfatizou a necessidade de recuperar as perdas na aprendizagem escolar desde a educação básica até a superior, além de reverter a evasão escolar e as perdas orçamentárias das universidades, as quais “não pararam um só dia e se mostraram fundamentais no enfrentamento da pandemia em todas as regiões do País”. “Com o recurso da ciência, vacinas vêm sendo disponibilizadas universalmente, abrindo-se, de um ano para cá, uma claridade a prenunciar tempos melhores”, finalizou. A 39ª edição do Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte é uma realização de Sistema Tribuna do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Federação das Indústrias do Estado do RN (Fiern), Sistema Fecomércio, Universidade Potiguar (UnP) e RG7 Salamanca Investimentos, com apoio do Governo do Estado e Neoenergia Cosern.
Opinião das autoridades ALEX RÉGIS
José Daniel Diniz, reitor da UFRN, fez abertura do seminário e alertou para os cortes orçamentários ALEX RÉGIS
Governadora Fátima Bezerra defendeu o formato híbrido e investimentos no ensino profissionalizante
ALEX RÉGIS
ALEX RÉGIS
ALEX RÉGIS
ALEX RÉGIS
Fátima Bezerra
José Daniel Diniz
Henrique Eduardo Alves
Marcelo Queiroz
Zeca Melo
Governadora do RN
Reitor da UFRN
Presidente do Sistema Tribuna do Norte
Presidente do Sistema Fecomércio
Diretor-Superintendente do Sebrae
“Mais do que nunca, é muito necessário, é muito oportuno a gente pautar o debate da educação e com esse foco do desenvolvimento. A necessidade de priorizar a educação foi ressaltada pela pandemia. Temos hoje dois grandes desafios: o sistema híbrido veio para ficar, não tem mais volta. E precisamos investir para assegurar a profissionalização técnica. Mas, para isso precisamos de acesso aos meios digitais, com investimento federal, e desburocratizar parcerias com a iniciativa privada para a formação técnica. Destaco também que deveremos ter ações de formação inicial e continuada do magistério, que isso é fundamental.”
“O Motores do Desenvolvimento está aqui há 14 anos discutindo temas relevantes para o desenvolvimento do Estado. Penso que hoje não há tema mais atual do que a educação. Todos nós sabemos como a educação foi penalizada durante esse período de pandemia, as dificuldades foram enfrentadas em todos os níveis, desde a educação básica até a educação superior. Discutir esse tema é de fundamental importância. É um tema muito feliz para o momento atual. Agora, terminado o debate, a gente espera que o Estado seguir com a melhoria da educação e enfrentando esse momento que está tão difícil ainda.”
“Há 14 anos realizamos esse evento pela Tribuna do Norte para discutir os problemas do nosso estado e do país e certamente este foi um dos melhores. Conteúdo, compromisso, emoção, respeito. A gente agradece a todos os que participaram, fizeram suas palestras, trouxeram seus questionamentos. A Educação agradece e o Rio Grande do Norte mais ainda.”
“Estamos na 39ª edição do Motores do Desenvolvimento e a Fecomércio é parceira desde a primeira edição sempre discutindo temas relevantes com palestrantes do mais alto nível. Estamos discutindo o futuro da educação e da ciência, uma reflexão importante neste momento de pandemia pela qual ainda estamos passando.”
“Não existe alternativa de desenvolvimento econômico, de crescimento, sem trabalhar fortemente a questão da educação. Não só a educação convencional, formal, mas a educação como um todo. Nós trabalhamos muito fortemente a questão da educação, do suporte, da alternativa da área do empreendedorismo e temos experiências muito exitosas nesse sentido. O momento é de olhar para frente e comemorar essa volta.”
Fátima destaca investimentos para Nova Escola A governadora Fátima Bezerra, que participou da abertura da 39ª edição do seminário Motores do Desenvolvimento do RN, nesta segunda-feira (22), em Natal, destacou os investimentos previstos que devem mudar a cara da educação estadual. Fátima Bezerra defendeu que é fundamental investir na educação, ciência e tecnologia, ressaltando que essa foi uma das lições que a pandemia da covid19 deixou. “Outra lição foi a necessidade de investir no uso das tecnologias. Essa exclusão digital ficou escancarada quando da necessidade do ensino remoto. A atividade presencial combinada com ensino remoto é um dos legados que veio para ficar”. A governadora enfatizou ainda que “para isso precisamos de acesso aos meios digitais, com investimento federal, e desburocratizar parcerias com a iniciativa privada para a formação técnica". Fátima destacou que no Rio Grande do Norte, o governo lançou o maior programa de investimentos para a educação: O programa Nova Escola Potiguar. O programa vai ser executado em quatro eixos. Um deles é a abertura de 12 Institutos Estaduais de Ciência e Tecnologias e que vão se somar aos já existentes Centros Estaduais de Educação Profissional (CEEPs) fortalecendo a rede de educação técnica profissional que dialogam com os Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia (IFRNs), num investimento de R$ 400 milhões. “Além disso, teremos a construção de mais 10 escolas e reforma e ampliação de outras 160. Outro eixo é a geração conectada que vai disponibilizar internet banda larga para todas as 615 escolas, associando às ferramentas para uso correto através das plataformas digitais”, explicou a governadora do RN. O programa também atuará no eixo de formação continuada para os profissionais da educação. Segundo Fátima, será necessário investir, olhando as melhorias das condições de trabalho e avanços na carreira. Outro eixo visa intensificar as ações contra o analfabetismo. “Dentro de uma concepção de que para o projeto de desenvolvimento do País precisa-se investir na educação, ciência e tecnologia pelo conceito de escola com ambiente digno de trabalho, acolhedor e de aprendizado, através da descoberta, no clima da paz, respeito e convivência pacífica para que a escola cumpra com sua missão de formação para cidadania sustentabilidade e preparo para o mercado de trabalho”, concluiu Fátima Bezerra. As aulas presenciais retornaram com 100% dos alunos às unidades de ensino no último dia 5 de outubro.
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especial
Natal • Rio Grande do Norte Terça-feira, 23 de novembro de 2021
Andifes defende foco na inovação « MOTORES » Presidente da Andifes defende a implementação de uma política de ciência e tecnologia, e de
educação superior no País. Para ele, as universidades terão que, efetivamente, assumir e liderar a inovação ALEX RÉGIS
CLÁUDIO OLIVEIRA
BATE PAPO
Repórter
Marcus Vinícius David
“F
altou álcool em gel na pandemia porque não tem nenhuma industria no Brasil que produza o gel emulsificante e precisa importar da china. Sem falar em equipamentos, por falta de ter onde produzir respiradores, equipamentos médico hospitalares. Esse é o modelo que queremos de desenvolvimento econômico? Nós vamos ter um modelo fundamentado apenas em commodities? Ou vamos tomar decisão de que queremos reingressar na ordem industrial do mundo? E o que isso tem a ver com a educação?” As afirmações e questionamentos foram feitos pelo Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino - Andifes, Marcus Vinícius David, reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), durante a 39ª edição do “Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, realizada nesta segunda-feira (22). A colocação feita pelo reitor Marcus Vinícius em sua palestra se deve ao fato de que ele acredita que uma das maiores lições da pandemia da covid-19 foi a grande dependência industrial e a falta de uma produção que atenda as necessidades do País. Para tanto, ele fez o convite para se fazer uma grande discussão sobre o Brasil na ordem econômica mundial. Para tanto, apresentou dados. Disse que o Brasil, assim como vários outros países, tomou a decisão de reduzir seu papel como agente da produção industrial. “Há 40 anos, o Brasil tinha 3% da população do mundo e 2% da produção industrial. Agora, 40 anos depois, continua com 3% da população do mundo e 1% da produção industrial. O discurso que fazemos é que no mínimo temos que trazer a produção industrial para 3% da produção mundial, já que temos 3% da população. Mas o Brasil não tem capacidade global se não criarmos um sistema de ciência e tecnologia que se transforme em inovação e que seja apropriado para a indústria nacional”, disse ele. O caminho, ele também
Presidente da Andifes
Como a aproximação do setor produtivo com a educação superior pode gerar desenvolvimento para o país?
Se investíssemos em ciência e tecnologia, criássemos aproximação das universidades com o setor produtivo, com processo de organização dos estados e municípios, haveria retorno em tributos em poucos anos. E nós não estamos discutindo política fiscal que reduz investimentos. Temos que estar unidos em torno do investimento em ciência, tecnologia e educação superior como mecanismo para o crescimento econômico. Em sua palestra, o presidente da Andifes, Marcus Vinícus, alertou para a necessidade de aproximar universidades e setor produtivo ALEX RÉGIS
Qual foi o trabalho feito pelas universidades durante a pandemia com aulas presenciais suspensas?
Tínhamos que voltar toda a nossa estrutura, todos os nossos quadros para o enfrentamento dessa pandemia, por isso que há de se destacar todo o trabalho das universidades durante a crise. Não apenas a rede 44 hospitais universitários que lideraram o enfrentamento e definiram protocolos de atendimento. Esse, sem dúvidas, foi um papel fundamental, mas nós fomos muito além disso. Disponibilizamos nossos laboratórios, realizamos testes, produzimos EPIs, equipamentos, materiais naquele momento de crise de abastecimento, realizamos pesquisas, mobilizamos pesquisadores, comitês científicos foram montados com quadros das universidades para fazer acompanhamento, monitoramento da evolução epidemiológica. E na parte acadêmica?
Seminário reuniu especialistas em educação e autoridades que debateram os caminhos para recuperar as perdas do ensino-aprendizagem
apontou: implementar uma política de ciência e tecnologia, de educação superior. “O grande desafio é ou o Brasil muda seu papel na ordem econômica mundial, ou vamos continuar expostos a crises como esta. Esse é um desafio que se coloca. As universidades terão que, efetivamente, assumir e liderar a política de inovação no País”, disse ele. A reflexão proposta é apro-
ximar a universidade e o setor produtivo. “Se quisermos ingressar numa era na produção industrial temos dois caminhos: tentar uma produção que se sustente em condições precárias de trabalho para reduzir custo da mão de obra e falta de compromisso ambiental ou temos que reduzir custos com base tecnológica”, disse ele.
Opinião das autoridades TIAGO ROCHA
O primeiro caminho, no entanto, apesar de poder reduzir custos e criar capacidade de competição, não tem mais espaço na realidade de hoje, segundo a análise do reitor Marcus Vinícius, isto porque, além das questões éticas, o mercado mundial tem repudiado esse modelo de produção. “Temos que ter uma população bem for-
TIAGO ROCHA
ALEX RÉGIS
mada, educada, que exige investimento em educação superior e política de educação para que essas instituições estejam próximas ao setor produtivo levando esse conhecimento para se transformar em inovação e capacidade para competição global das nossas empresas. É o único caminho do desenvolvimento que o Brasil tem a seguir”, enfatizou o presidente da Andifes.
Num primeiro momento, a nossa reação foi nos mobilizar para enfrentar a pandemia. Quando ficou evidente e claro que seria uma tragédia de médio e longo prazo e que passaríamos muito tempo naquele cenário, nós fizemos grande esforço de adaptação do nosso modelo de aprendizagem. As universidades são caracterizadas por altíssima qualidade acadêmica e teríamos que migrar para o sistema remoto garantindo essa qualidade.
ALEX RÉGIS
TIAGO ROCHA
Júlio Giraldi
Roberto Serquiz
Ângela Paiva
Ivonildo Rego
Getúlio Marques
Superintendente de Relacionamento com Clientes da Neoenergia Cosern
Diretor- tesoureiro da Fiern
Ex-reitora e assessora especial da reitoria da UFRN
Ex-reitor da UFRN e diretor do Instituto Metrópole Digital
Secretário de Educação do RN
“Educação é a base de tudo e não é de agora. Eventos como esse são muito oportunos. Estamos saindo de quase dois anos em que a educação foi muito impactada, nos seus níveis fundamental, médio e superior. Agora o momento é de recuperação, de resgate. O maior desafio é a gente encontrar um equilíbrio entre a questão das aulas presenciais com o ambiente remoto. É um debate que precisa ser amadurecido. A educação é um vetor transformador que traz oportunidades de emprego e de qualificação da própria vida do ser humano.”
“A educação é considerada maior pilar para desenvolvimento econômico com sustentabilidade. Teremos agora grande prejuízo pela frente se não houver uma forma de organização, regulamentação e condições para se dar a educação com menos desigualdade. É preciso repensar as condições, sem deixar de pensar em qual educação queremos e como oferecer uma educação inclusiva e de qualidade”.
“A Educação precisa sempre estar no centro das atenções. No mundo atual não há outro caminho para o desenvolvimento sustentável se não for via educação, ciência e tecnologia que estão ligadas. Não só debater essas questões, mas trabalhar arduamente para que a gente possa superar os péssimos educadores nesta área é fundamental e muito importante. Esse é o grande desafio que o país tem para se inserir no mundo atual”.
“Nós acreditamos que a educação e a ciência são os pilares que vão tracionar a retomada da economia no pós-covid. A gente acredita e espera muito que isso aconteça. Tanto que nós da Neoenergia temos bolsas de estudo para os potiguares, no Brasil e em todo mundo. Temos investimentos também na ciência , não só no futuro da rede elétrica, mas nos veículos elétricos e na descarbonização do planeta.”
“A volta do desenvolvimento vai ser muito bom para retomarmos essa discussão depois de todo esse aprendizado que tivemos na pandemia. A pandemia nos deixou essa busca pela novas tecnologias, da ciência, da inovação para que a gente possa transpassar todo esse momento de dificuldade. No Rio Grande do Norte, um dos desafios é tentar crescer pela educação com profissionalização.”
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especial
3 ALEX RÉGIS
Na segunda rodada de palestra, Denise Campos destacou que os desafios impostos pela pandemia trouxeram um novo estilo de vida que vem reformulando a maneira de se pensar a educação
Universidades devem projetar o futuro e combinar tecnologias « MOTORES » Vice-presidente da Ânima alertou que as universidades, principalmente, têm a “obrigação de projetar o futuro para evitar de formar profissionais obsoletos”
ALEX RÉGIS
BRUNO VITAL Repórter
om foco na educação na era digital, a vice-presidente acadêmica da Ânima Educação, Denise Campos, abriu a segunda rodada de palestras da 39ª edição do seminário “Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, evento que ocorreu na manhã desta segunda-feira (22), no Hotel Escola Barreira Roxa, na Via Costeira em Natal. A educadora destaca que os desafios impostos pela pandemia de covid-19 trouxeram um novo estilo de vida que vem reformulando a maneira de se pensar a educação. “A educação será fundamental para essa retomada que estamos vislumbrando e o nome do evento é muito feliz nesse sentido porque a educação é um motor. O uso de tecnologias estará presente nos ambientes virtuais e presenciais, então antes de mas nada é preciso focar nas questões de discussão de acesso, mas o nosso ponto principal de defesa aqui é o lugar do ser humano em meio as essas tecnologias porque a tecnologia por si só não vai fazer nada se não tivermos pessoas conectadas, essa consciência do humano”, afirma. Durante a palestra, a vicepresidenteAcadêmica da Ânima, grupo que oficializou a compra da Universidade Potiguar (UnP), fez um apanhado das sequelas deixadas pela pandemia nas na educação e aproveitou para apontar possíveis caminhos para a retomada do desenvolvimento do Rio Grande do Norte a partir de novos projetos acadêmicos e científicos. “É uma oportunidade de repensar o papel da educação por meio de novas propostas e novas proposições curriculares. Outra questão que podemos refletir é em relação ao ensino híbrido para discutir os efeitos no aprendizado desses jovens”, comenta. A vice-presidente da Ânima Educação alerta ainda para o modelo de formação das universidades. “Em que nós apostamos para um aluno de engenharia? Digo que temos obrigação de fazer uma projeção de futuro para não formarmos profissionais obsoletos”, disse ela, que ressaltou a necessidade de combinar novas tecnologias. “Para além de formarmos pessoas que produ-
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BATE PAPO Denise Campos Vice-presidente Acadêmica da Ânima Educação
Educação e desenvolvimento são coisas indissociáveis para a retomada pós-pandemia?
Sem dúvidas. Discutimos aqui a educação no Rio Grande do Norte, que está conectada a todas as questões globais de educação que hoje se tornou pauta importante no mundo, principalmente em função das transformações tecnológicas que vão afetar a educação nas próximas décadas e fundamentalmente por conta de ua pós-pandemia, de uma retomada da discussão sobre espaço físico, sobre sala de aula sobre educação, sobre as novas formas de estar e de pensar educação pros próximos tempos. E como abordar esse aspecto dentro de um planejamento de crescimento? Como as universidades contribuem para isso?
Na última parte do seminário, palestrantes participaram de debate e responderam questionamentos dos participantes
VEJA MAIS Aponte a câmera do celular para o QR Code e assista videoreportagem sobre o seminário Motores do Desenvolvimento do RN.
zam conhecimento, que memorizem, o foco é na autoria, na produção, na formulação, e isso é só a ciência e a pesquisa que são capazes de fomentar”, disse Denise Campos. “Hoje, o maior expert sem tecnologia não é mais capaz do que uma pessoa com conhecimento médio que domina tecnologia”, disse a gestora em educação se referindo às pessoas obsoletas. Mas complementou: “O humano tem a capacidade do pensamento crítico, de argumentar, de separar o que é fake do que não é, é capaz de selecionar, de pensar criticamente, esse é o ponto fundamental”. Denise Campos disse ainda que “a força do Nordeste é impressionante associada ao motor educação”. O tema do “Motores do Desenvolvimento” desta edição foi “O Futuro da Educação e da Ciência no Pós-pandemia” e contou também com a participação de Marcus Vinícius David, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes); e José Henrique Paim, diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da Fundação Ge-
túlio Vargas (FGV), que após as palestras responderam perguntas dos convidados e debateram estratégias para destravar o crescimento do estado à luz da ciência e da educação.
Debate Na última parte do seminário Motores do Desenvolvimento, os palestrantes Marcus Vinícius David, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (Andifes); a vice-presidente acadêmica da Ânima Educação, Denise Campos; e o ex-ministro José Henrique Paim Fernandes, professor e diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), participaram de amplo debate. Denise Campos disse que ficou estarrecida com números de quedas no Enem (este ano, número de inscritos caiu mais de 43% no Rio Grande do Norte) e também no Fies, que em cinco anos reduziu em 93,9% o número de contratos. “No País, a grande massa a menos no Enem foi das populações mais carentes. Houve uma debandada do aluno mais
carente, e isso nos mostra a necessidade de políticas de financiamento, para as universidades públicas por uma via, e para as privadas, por outra via, através de uma política séria de financiamento”, disse ela. No atual momento, segundo ela, há um agravante, além das questões de financiamento e de condições de acesso: pensar o para que, como e porque manter o aluno na universidade e pensar qual o futuro do mundo do trabalho. “O momento atual exige da educação um olhar à frente, para ver para onde vamos, com quais recursos queremos trabalhar na universidade e como uma política pública pode dar conta de olhar esse país nesse momento tão peculiar”, alertou Denise Campos. O ex-ministro José Henrique Paim afirmou que o estado precisa garantir igualdade de oportunidades. O grande desafio, no Brasil para o ensino superior, disse Paim, é rever políticas públicas de incentivo, de financiamento, redesenhá-las e aprimorá-las. “Se o estado brasileiro não se preocupar em garantir políticas para que o jovem possa acessar a universidade vamos ter situação muito grave no Brasil”, alertou.
Investindo e conectando pessoas. Nós da UnP temos investido muito nas questões tecnológicas, em laboratórios de simulação, laboratórios que ajudam o aluno a estar conectado com os grandes avanços tecnológicos do mundo inteiro, mas para além das tecnologias a grande contribuição hoje de uma universidade é formar pessoas. Pessoas que saibam olhar para o planeta de forma diferente, que saibam fazer o uso da tecnologia a serviço do humano e essa é uma das principais questões. Então, nós diríamos que educação na nova era é uma discussão forte sobre tecnologia, sobre pessoas e sobretudo resgatar o papel fundamental da educação que é a formação ética, que é a formação pra convivência e que é a formação no sentido do respeito das diferenças e das preocupações com a pobreza no mundo e com a igualdade social. O uso de tecnologias pressupõe uma democratização do acesso a equipamentos em ambientes virtuais e presenciais. Como fazer isso?
A pandemia trouxe um novo estilo de vida, uma nova forma de viver e isso se reflete na educação e em todas as áreas. Então, o uso de tecnologias, a questão dos ambientes virtuais e presenciais, eles estarão presentes. Portanto, antes de mais nada, é uma discussão de acesso. As pessoas têm que ter acesso às tecnologias. Igualdade hoje ou equidade social passa um pouco pelo acesso às tecnologias. Só a tecnologia não vai fazer nada, o que vai fazer a diferença é a gente ter uma nova forma de enxergar o ser humano hoje diante de todas essas novas questões e perspectivas, portanto é preciso acima de tudo fazer com que essas pessoas se conectem.
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Inclusão digital: necessidade urgente « MOTORES » Ex-ministro da Educação, Henrique Paim, defendeu que a inclusão digital precisa ser compreendida como uma necessidade urgente neste pós-pandemia e ser inserida nos programas de assistência estudantil ALEX RÉGIS
BATE PAPO José Henrique Paim Ex-ministro e professor da FGV
Como a educação está ligada ao desenvolvimento do país?
Não se pode pensar em desenvolvimento sem pensar em educaçãoecultura,oupoderemostercrescimento sem inclusão social, que não funciona e mais na frente precisaremospagarumpreçomuitoalto. O Brasil, ao longo da sua história teve janelas de oportunidades com ciclos de crescimento acelerado,desenvolvimentoindustrialimportante, reforma do Estado como em 1930, mudança importante do ponto de vista da modernização da agriculturaetudoissosemconexão direta com a educação e isso trouxe prejuízos que precisam ser recuperados hoje. Por isso, a governança da educação é fundamental. O senhor falou em integrar educação com o mundo do trabalho. Como isso pode se dar?
Encerrando a rodada de palestras, Paim defendeu a necessidade de repensar a escola e a universidade, e disse que as experiencias com a pandemia ajudarão nisso
CLÁUDIO OLIVEIRA Repórter
E
m palestra proferida na 39ª edição do seminário “Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, que ocorreu nesta segundafeira (22), com o tema “O Futuro da Educação e da Ciência no Pós Pandemia”, o ex-ministro da Educação José Henrique Paim Fernandes, defendeu que a inclusão digital precisa ser compreendida como uma necessidade urgente neste póspandemia e ser inserida nos programas de assistência estudantil para garantir acesso à internet para todos os estudantes. No evento, Paim proferiu palestra sobre os desafios de Governança da Educação no Brasil. Na ocasião ele destacou que os desafios do pós-pandemia no sistema educacional passam pela visão de que é preciso pensar no novo processo educacional. “A questão tecnológica na educação básica passou a ser tema central. Não podemos ter,
da parte do governo Federal uma omissão sobre determinados temas, como a inclusão digital. Precisamos fazer como está previsto na Constituição, garantindo programas de assistência estudantil e o tema da inclusão digital deve ser também incluído na assistência estudantil para que os estudantes tenham acesso à internet”, propôs o ex-ministro, que também é professor e diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A sugestão de Paim se baseia no fato de que o ensino híbrido, com a forma remota e presencial de repassar conteúdo, já é uma realidade trazida pela necessidade de distanciamento da pandemia da covid-19, mas que deverá permanecer no sistema. Segundo explicou, a educação funciona em gestão compartilhada, mas autônoma. Todo ente federado tem sua autonomia dentro do que está previs-
to na legislação. “Por isso, há uma grande complexibilidade devido a autonomia, mas a União precisa estar apoiando para que respondam os desafios, orientando, coordenando, além de ser responsável pelo sistema federal e regulador do sistema privado. Todo esse papel precisa ser mais claro, orgânico, funcional e colaborativo”, disse ele. Neste sentido, ele reforçou que ao falar em governança, futuro da educação e efeitos da pandemia da covid-19, há uma série de aspectos que precisam ser colocados, dada a questão da desigualdade social, pensando sempre em reduzi-la. Além disso, Henrique Paim alertou que apenas isso não será suficiente, mas essa ferramenta, aliada à uma política de acompanhamento de cada estudantes poderão recompor as perdas na aprendizagem provocadas pela interferência da crise sanitária nas escolas. “As novas tecnologias são
importantes e estão relacionadas à agenda de recomposição e, ao mesmo tempo, cada vez mais é a questão de uma gestão voltada para a aprendizagem. Todo gestor deve trabalhar numa gestão voltada para a cultura de acompanhamento. Essa cultura é essencial voltada para a questão da aprendizagem do acompanhamento das metas do desempenho educacional”, explicou o ex-ministro. “Precisamos fazer uma recomposição rápida acompanhando cada jovem neste processo e o professor precisará saber as competências e habilidades preservadas para se fazer essa recomposição. Repensar a escola e a universidade é importante e as experiencias com a pandemia ajudarão nisso. Esse acompanhamento é essencial, é preciso criar uma cultura do acompanhamento. Começa com o professor, mas passa pelo diretor, pela secretaria, pelo Governo Federal", sugere. Para tanto, disse ele, cada um precisa assumir sua parte nesse processo.
Desafio é integrar educação ao mundo do trabalho Para o ex-ministro da Educação, Henrique Paim, ao retomar o ensino na perspectiva de recuperar as perdas provocadas pela pandemia da covid-19, as escolas deverão considerar o fato de que os alunos também podem compartilhar informações que eles adquirem fora da escola. “Quando olharmos as universidades e escolas, cada vez mais o jovem chega com muito conhecimento que está disponível ho-
je por diferentes meios. O professor passa a ter o papel diferente de mediar conhecimentos, mesmo continuando a ser o grande protagonista. É importante se conseguir fazer essa transformação para mudar a historia”, pontua o professor Henrique Paim. Essa linha de pensamento dialoga com a agenda da ciência e tecnologia no sentido de formar jovens com o que eles têm interesse. Para Henrique Paim,
é importante fazer com que os cursos estejam associados à economia digital. “Além disso, a economia criativa precisa ser trabalhada no âmbito da universidade, junto à questão ambiental que é um desafio da humanidade e os jovens estão associados a isso”, analisa o ex-ministro. Por fim, Paim também defendeu que entre os desafios da governança na educação do póspandemia também passa por in-
tegrar a educação ao mundo do trabalho. “Sem dúvidas, temos o desafio pela frente de fazer o que está previsto na Constituição, com uma formação voltada para a cidadania, associada ao mundo do trabalho. Deve estar presente no mundo educacional o pensamento crítico, balizado pela democracia e tolerância para construir projeto de desenvolvimento para o país associado à questão educação”, disse ele.
As novas tecnologias são importantes e estão relacionadas à agenda de recomposição e, ao mesmo tempo, cada vez mais é a questão de uma gestão voltada para a aprendizagem.”
A economia criativa precisa ser trabalhada no âmbito da universidade, junto à questão ambiental que é um desafio da humanidade e os jovens estão associados a isso.” JOSÉ HENRIQUE PAIM Ex-ministro e professor da FGV
Precisamosaumentarmatrículas vocacionais. Em comparação com outros países a média de ensinointegradocomprofissãoéde44% e no Brasil é 11%. No Rio Grande do Norteéumdosquemaisatuanoensino vocacional com o ensino médio, mas na média brasileira é muito pequena. Esse atraso precisa recuperar e aí o esforço é duplo. Essa integração também deve ocorrer entre universidades e setor produtivo?
O futuro da educação e da ciência passa necessariamente por esse casamento que precisa ser feito entre mundo produtivo e universidade. É fundamental que consigamos avançar nesta questão. Há questões ligadas ao regramento que trava a possibilidade das universidades terem mais agilidade em responder as demandas do setor produtivo, mas também é papel do mundo produtivo. As empresas precisam alterar sua forma de trabalhar, organizar seus processos, assim como os estados brasileiros precisam organizar esse processo podendo fazer com que a produção científica brasileira esteja voltada para a pesquisa aplicada que necessita de demanda organizada pelo Estado brasileiro. A tecnologia no ensino se tornou uma necessidade?
Nós estamos falando de desafio deformadupla.Falarnofuturoprecisa estar alinhado a ele. A questão tecnológicanaeducaçãobásicapassouasertemacentral.Otemadainclusão digital deve ser também incluído na assistência estudantil para que os estudantes tenham acesso a internet. Se vamos ter que usar ensino hibrido para recompor educação brasileira é importante que tenhamos acesso a internet e é importante que o Governo federal crie um programa nesse sentido.