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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

SILVALDE

SILVALDE, 2010 / 02 / 13

2

PÁGINAS BRANCAS

SILVALDE, 2010 / 02 / 13

3

GESTOS TEUS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 01 / 08

4

TEMPO DO TEMPO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 01 / 12

5

SER HOMEM

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 02

6

LIBERDADE DA MORTE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 05

7

MADALENA

MADALENA, 2010 / 01 /10

8

HINO AO CHAMAS

SILVALDE, 2010 / 02 / 06

9

VIDA DE POBREZA

MOZELOS, 2010 / 02 / 06

10

VONTADE DE SACIAR

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 12

11

NODDY

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 18

12

ESCREVO LIVREMENTE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 19

13

FONTE DO AMOR

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 20

14

AMIGO FAUSTINO

MOZELOS, 2010 / 02 / 21

15

MEU CÂNTICO NEGRO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 24

16

BEIJOS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 25

17

MORTE LENTA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 02 / 27

18

A LENDA SILVALDENSE

MOZELOS, 2010 / 03 / 02

19

VIAJO EM LIBERDADE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 03 / 03

Em "Liberdade dos Pensamentos" escrevo somente Pelas páginas brancas vou viajando com liberdade simplesmente Procuro fazer homenagens a Silvalde e à sua lenda Recordando o tempo do tempo sem armar tenda. Assim como também a Madalena presto homenagem Ao meu amigo Faustino também e numa morte lenta sigo viagem Através do meu cântico negro procuro ser homem Fazendo um hino ao Chamas sendo ainda jovem. Perante a liberdade da morte tento me saciar Pois uma vontade que a vida de pobreza me fez amar Recordo ainda o Noddy sentado numa fonte de amor Com gestos teus e beijos escrevo hoje cheio de cor. São Paio de Oleiros, 2010 / 03 / 04 TONY CRUZ


“SILVALDE”

Silvalde terra que deixei um dia Mas que me viu crescer ainda jovem Com saudades das suas gentes obreiras Que ajudaram-me a ser hoje este homem.

Silvalde, tu que és a maior Assim como São Tiago teu padroeiro És banhada pelo “Mar de Espinho” Embelezando as tuas zonas costeiras em apeadeiro.

O teu passado é marcado no Norte Com gentes rurais, alimentando-se da terra Pois de lá retiravam o seu sustento Servindo também os senhores da guerra.

A tua localização junto ao mar Fez com as tuas gentes conseguissem vitórias Já que de geração em geração também ditou As mesmas na faina da pesca de arrasto com histórias.

Porque como todos os pescadores de sempre As suas histórias podem aos netos contar Pois a fúria do mar é sempre superior Mas a sua vontade é maior em por lá andar.

Sem essa vontade ou mesmo coragem Conseguiam regressar perante as ondas do mar Com uma fé devota rezando todos os momentos Pedindo favores com honra à “Nossa Senhora do Mar”

Já como sua padroeira a elegeram E nos seus corações está gravada Nessa fé procuram mesmo a sua protecção E um agradecimento por cada rede largada.


Enquanto nos teus areais da tua praia Os bois aguardavam para fazer o arrasto Das redes já algum tempo lançadas ao mar Os mesmos bois vão comendo algum pasto.

Assim as varinas sentadas nas tuas areias Vão cavaqueando umas com as outras Procurando por em dia os vários temas Na sua prenuncia inconfundível elevando as trouxas.

Por isso Silvalde és dona de ti mesmo, Ao saberes preservar a tua beleza única Com uma arquitectura e um património histórico Que no teu nobre saber vestes a tua bonita túnica.

Embelezando as tuas terras e o mar Partilhando com as tuas gentes a tradição De seres acolhedora na tua forma de ser Em ti, Silvalde existe a nobreza com coração.

Hoje escrevo sobre ti, minha Silvalde Já que em mim residem as saudades Tu me viste crescer livremente nas tuas ruas Assim escrevo com ternura olhando às amizades.

É que em ti, as mesmas rezam Com algum atrevimento por ora só escrevo Que amo a tua forma de ser nobre E onde posso mesmo dizer que encontrei o meu trevo.

Silvalde, 2010 / 02 / 13 ANTÓNIO CRUZ


“PÁGINAS BRANCAS”

Nas páginas em branco escrevo As palavras que nelas poisam Com paz e amor servindo de pão Para meu alimento sem que sofram.

Nestas páginas brancas liberto-me Ao escrever linhas como estradas Procurando passar as pontes da vida Assim como os horizontes das fadas.

E cada palavra que escrevo nelas Vou preenchendo um espaço vazio Estendendo uma mão ao meu irmão Libertando um sorriso como minha missão.

Já que Deus assim me quer Ao me ajudar a ser um aprendiz Utilizando a sua ternura como obra Vou crescendo com ele desde petiz.

Em cada página branca vinco Ou faço uma dobra como mensagem Transformo as palavras deste meu espírito Libertando em mim uma certa aragem.

Assim nestas paginas brancas Consigo chegar perto do meu fim Abrindo em cada linha uma nova vida Enfeitando as mesmas com flores dum jardim.

Tenho como missão embora seja aprendiz Soltar nestas páginas brancas o amor Nas palavras vivas para quem as lê Desdobrando as mesmas ao avistar alguma cor.


Nestas páginas vincadas com algum amor Vou escrevendo coisas e loisas sem querer Visto ainda ser um aprendiz nesta vida Mas sinto essas palavras vindas do meu ser.

Já que algumas palavras dormem em mim Estando escondidas pelo tempo e enternecidas Cada linha que nelas escrevo sinto emoção, Ao virem directas do meu nobre coração.

Com estas palavras rasgo as montanhas Que se atravessam no meu caminho diário Vou por isso preenchendo estas páginas brancas Com algum amor e sem perder o correr do rio.

E com alguma bravura sigo o dia Sem ficar pelo caminho com esperança Sendo assim liberto os meus pensamentos Nestas páginas brancas desde que sou criança.

Procuro nestas páginas brancas preencher As suas linhas com amor de aprendiz Guardando nos vincos toda a minha vida Sem deixar de ter uma vida também feliz.

Assim vou continuar a escrever sempre Nestas páginas brancas com esta alegria Despertando para uma missão bem algo suicida Fazendo dela a minha fonte cheia de vida.

Silvalde, 2010 / 02 / 13 ANTÓNIO CRUZ


“GESTOS TEUS”

Posso escrever que sei de cor Cada simples traço do teu rosto Assim como do teu olhar em ternura Sendo belo como o Sol no seu posto.

Cada sombra tua forma uma figura Que faz delirar o teu corpo maroto Enquanto escuto a tua voz no silêncio Escrevo sobre o meu amor até estar morto.

Em cada gesto que fazes simplesmente Nele existe também um sinal de amor Já sei de cor a forma dos teus lábios Que me transmitem a paixão cheia de cor.

Pode ser um capricho neste meu escrever Só que tu de mim não dizes nada Sinto a tua ternura fazendo-me então calar Enquanto as tuas mãos avançam como uma fada.

Deixas-me adivinhar neste preciso momento E não digas que o louco sou eu, Mas se o for tanto melhor porque amo Porque este amor, eu sei de cor sendo ele teu.

É um amor que sinto por ti Já que o mesmo se esconde muitas vezes Por becos ou ruas sem um fim Sabendo de cor cada pormenor teu nestes meses.

São meses ou mesmo anos que levamos A olhar um para o outro simplesmente Engrandecendo o nosso amor livremente Ao depositar em ti esta minha semente.


Por isso sei de ti o que queria Talvez até mais do que queria saber E numa palavra descrevo que é amor Não sendo capricho meu ao o escrever.

Não dizes nada preferindo estares calada Tentas também adivinhar no meu coração Até que ponto eu estou então louco Ao ficar em silêncio perto da solidão.

Uma solidão que trás a paixão Ao ver também no teu olhar A sombra do amor perante os teus gestos E que me levam a te querer sempre amar.

Por isso posso escrever que sei Cada pormenor teu bem de cor E como neste poema descrevo com amor Basta um gesto teu minha amada flor.

São Paio de Oleiros, 2010 / 01 / 08 ANTÓNIO CRUZ


“TEMPO DO TEMPO”

O tempo tem tempo de ser Visto que há para nascer Assim como há tempo para morrer Ficando o tempo em silêncio sem escolher.

Existe o tempo para plantar E quando chega o tempo de arrancar O que se plantou sem tempo para parar Visto que é tempo de se alimentar.

Também há tempo para matar Todo o tempo que não sabe amar Já que leva tempo a se curar De um amor através do tempo sem falhar.

É tempo de os muros se derrubar Que o tempo nos leva a alcançar E o mesmo tempo leva-nos a edificar Faltando tempo para saber amar.

Assim como há tempo para chorar Ou mesmo tempo para sorrir sem olhar Visto quando se ama há tempo para presentear Enquanto a vida neste tempo nos faz dançar.

E se as pedras pelo tempo as espalhar Teremos também tempo para as juntar Enquanto os rubis com o tempo prantear Nos fará então com tempo saber amar.

Já que temos tempo para abraçar O tempo da paixão sem nos cansar Procurando no tempo o prazer de não parar E não perdendo tempo em o buscar.


Pois é preciso tempo para ser P mesmo tempo para guardar o prazer Nem lançar fora o tempo do querer Enquanto juntos o podermos com tempo coser.

E sem as velas do tempo rasgar Não terão tempo para nos calar Visto com tempo de amor podemos falar Já que a paixão tem tempo para bailar.

Ao podermos pelo tempo navegar Teremos então tempo para amar Sem que o tempo nos faça odiar Fazendo o tempo de guerra simplesmente parar.

É tempo da paz e a podermos abraçar Deixando a sombra do tempo então parar Enquanto o silêncio do tempo faz olhar Para o amor do tempo sem sequer chorar.

É tempo do tempo com amor Que nos faz pintar o tempo com cor Por isso escrevo neste tempo com sabor De que sou livre neste tempo não tendo dor…

São Paio de Oleiros, 2010 / 01 / 12 ANTÓNIO CRUZ


“SER HOMEM”

Ser homem também é difícil E a verdade custa vir ao de cima Porque nem todas mulheres a aprovam Por isso neste poema vou fazer rima.

Ser homem em tão poucas linhas É sentir a dor física de uma bolada Nas partes baixas como se diz “tomates” E não poder oferecer na hora mais nada.

Ser homem é sentir a tortura De ter que usar fato e gravata Em pleno Verão com altas temperaturas Sendo esse o nosso destino de “mal a pata”.

Assim como ser homem todos os dias Tendo como suplício de a barba fazer Para nunca parecer mal perante a mulher Nem picar a cara da sua amada sem querer.

E o desespero de ser homem hoje É ter de usar cuecas sempre apertadas Em que os “tomates” se amachucam literalmente Provocando uma dor bem forte como se fossem espadas.

Ser homem será sempre uma loucura Fingindo uma indiferenciado diante duma mulher Que não usando soutien provoca o nosso “Toninho” Perante um olhar fisgado do que não se pode ver.


Já que é uma loucura resistir à tentação De não olhar para umas belas pernas Ao usar uma mini-saia sendo esse um tormento Para um homem digno de ser homem sem penas.

Ou então ser um homem numa praia Tentando resistir com o seu olhar Perante uma bela mulher deitada ao seu lado Não podendo sequer dela mesmo se aproximar.

Ser homem também é viver sempre Sobre uma enorme pressão como risco De andar à porrada com um outro homem Ao defender a honra da sua amada sendo um “pisco”.

Assim como ser homem estando de plantão Vigiando o grelhador num churrasco para amigos Durante um fim-de-semana enquanto se divertem Não tendo uma outra solução cumprindo os seus castigos.

Ser homem também é resolver sempre Os problemas que surgem no seu carro Visto que ela não pode sujar as suas mãos Quando o seu mecânico leva o conserto bem caro.

Ou então é preciso ser bem homem Para reparar na roupa nova dela Não iludindo como lhe fica bem justamente Assim como o perfume novo que usa parecendo bela.


Ser homem é ter que repara sempre Cada vez que a sua cara-metade Vai ao cabeleireiro arranjar o seu cabelo Agraciando-a com elogios até “chegar o abade”.

Assim como ser homem é dizer ou reparar Que a sua amada está com um pouco de celulite Dizendo também que a mesma engordou um pouco Mesmo que seja verdade para ele será sua mulher de elite.

Ser homem também é estar sempre quente Mas firme desviando os olhos da secretária Onde uma colega com um enorme decote distraída Deixa a blusa desabotoada até chegar o dia.

Ou ter obrigação como homem diariamente De ser um atleta sexual perante tantos suspiros Ou gemidos tentando-nos incentivarem à prática Perante a sensibilidade dos nossos queridos ouvidos.

Se não, só nos resta a nós homens Ouvir um não quando chega a hora E ao seu lado dormir inconformado cheio de vontade De partir o quarto todo fazendo um escândalo lá fora.

Já que ser homem é ter que ouvir também Quando ela se queixa por falta de roupa Tornando tudo num problema só com reclamações Visto que a nossa vida jamais nada nos poupa.


Por isso escrevo com alguma liberdade Estes meus pensamentos como homem em poema Enquanto elas passam a vida a reclamar Por causa do período passando sempre a ser o mesmo tema.

É que ser homem não é nada fácil Quando entalamos a gaita na porcaria do fecho Sentindo dores do “entalanço” e depois ao abrir O mesmo mais uma vez visto que nessa hora nem me mexo.

Ser homem é tudo isto e mais um pouco E que por mais que custe à mulher Também devíamos de ter o nosso dia Já que neste universo também somos um nobre ser…

São Paio de Oleiros, 2010 / 02 / 03 ANTÓNIO CRUZ


“LIBERDADE DA MORTE”

Hoje tomo a liberdade de pensar Que se morro sobrevivo com força Uma força pura que desperta em mim Enquanto escrevo com fúria até ao fim.

Estou pálido e frio de vontade Viajo entre o Norte e o Sul Levantando os meus olhos da escrita Perante o Sol que a minha vida dita.

Já que detecto um amor simples Nuns olhos indeléveis como o Sol Da sua boca saem sons de guitarra Que vou cantando sem saber como uma cigarra.

Estando pálido porque já morri E não querendo vacilar perante as risadas Nem os passos que ouço no alem Procuro no entretanto não dizer algumas “caralhadas”.

E não querendo que morra em mim A herança que um dia recebi com alegria De uma dama com charme em meu peito Estando sempre ausente até nesse mesmo dia.

Já que vivi com a minha ausência Como se fosse a minha casa da solidão Passando os dias embrenhado na minha escrita Como se fosse o refugio do meu atordoado coração.

Mas a mesma casa se tornou enorme E na qual me perdi várias vezes Chegando mesmo a morrer por lá sozinho Sepultando a minha alma durante muitos meses.


Só conseguindo passar os velhos muros Com ajuda de alguém para mim querida Pondo em exposição a minha escrita solitária Pendurando a mesma nos quadros da minha vida.

Sentindo uma dor no meu peito desfardado Tornando a minha casa transparente de ausência Sentindo também um silêncio como tormento Ao avistar o passado presente sem ciência.

Procuro na minha morte viver uma vida Em que o sofrimento se impôs com amor Mas por esse amor morrerei uma outra vez E sem saber como vejo nascer uma bela flor.

Neste espaço-tempo descubro uma certa liberdade Sonhando como um comboio perto do meio-dia Em que sinto um zumbido das abelhas Anunciando a morte cantada como se pedia.

Uma cascata faz de mim um conta gotas, Enumerando as rimas perdidas pela minha morte Enquanto ouço as risadas do fantasma do passado Num trilho programado pela alma faltando-lhe a sorte.

Já que um muro se levantou perante o amor Que me foi oferecido um dia pintado de azul Desfazendo o velho muro de pedra do passado Com a sua conversa de dama vinda do Sul.

Passando então a ser seu nobre pastor Ao seguir o trilho do seu coração alegremente Com um telegrama na mão escrito pela alvorada Em que anuncia a minha morte bem livremente.


Por isso tomo a liberdade de pensar Produzindo sonatas ao ver os seus lábios Que enfeitam o rosto da minha bela amada Sabendo que morrerei, não sendo precisos os sábios.

Já que a morte é certa nesta vida Mas os meus pensamentos são livres de viverem Ao serem prescritos nestas folhas brancas da liberdade Começando uma nova vida não os deixando morrerem.

Assim subo à cidade da poesia Fugindo à morte com alguma mestria E com ajuda da minha amada em alegria Decido terminar por agora neste mesmo dia.

São Paio de Oleiros, 2010 / 02 / 05 ANTÓNIO CRUZ


“MADALENA”

Madalena terra plantada à beira-mar Onde a amizade tão bem se faz Terra agrícola também protegida dos ventos oceânicos Num litoral em que a história por lá jaz.

Terra de sua idade já avançada Ao som das ave-marias trabalhavam Os seus habitantes em tempos idos E dos seus trabalhos ao som das trindades voltavam.

Madalena os teus campos são lavrados Com suor e lágrimas até à Quaresma Matando-se o porco em ambiente festivo Com um sem numero de rituais “à resma”.

Com as desfolhadas à porta da fadiga Procura-se fazer mais uma festa com alegria Tentando-se encontrar o milho-rei com cantigas Esquecendo-se o ardo-o trabalho do dia-a-dia.

Entre o círculo dos escalpelavam As espigas do milho os abraços surgiam Gritando-se bem alto “chi do meu coração” Contemplando a sorte e por isso se alegravam.

Na tua terra Madalena surge uma lenda A lenda da “Bicha Moura do Coteiro” Onde um grande rochedo voltado pró caminho Parecia poder rolar para algum carreiro.

A “Bicha Moura” metade mulher e réptil Aparecendo nas tuas noites de luar Por volta da meia-noite com longos cabelos E um pente de ouro no seu rastejante caminhar.


Diz a tua lenda Madalena Que quem a olhasse se transformava Numa bicha ou numa rocha com convicção O medo espalhou-se assim como se contava.

Mas em ti ainda vive a cultura A música é bem especial no Orfeão A alegria reside também nos seus cantos Unindo-se à tua volta Madalena em associação.

Em ti também reside o desporto Sempre com um nobre e puro Ideal Talvez por isso os jovens se vão unindo Levando o teu nome pelo país num sinal.

Um sinal de solidariedade social Perante a comunidade apoiando todos os cidadãos Vestindo-se de verde e amarelo nas suas cores Praticando desporto livremente com as mãos.

Sempre com um único objectivo na vida Oferecendo liberdade nos tempos livres com beneficência A todos os Madelanenses não faltando um Ideal Pescando miúdos e graúdos com muita paciência.

Já que a pesca faz parte de ti Situada à beira-mar como um jardim Tens histórias para contar até dizer chega Por isso talvez nunca devas ter um fim.

Madalena terra amiga dos meus amigos Abraças o mar, a cultura e o desporto Assim escrevo hoje sobre ti um pouco Não querendo deixar de o fazer antes de estar morto.


Homenageio-te Madalena neste poema de amigo Já que pelas tuas terras os encontrei E com um abraço meu nestas palavras Sinto a liberdade com que sempre então sonhei.

Madalena, 2010 / 01 / 16 ANTÓNIO CRUZ


“HINO AO CHAMAS”

As saudades voltaram Ao se acender em nós, a chama Já não somos aqueles jovens Mas temos hoje mais alma.

A fé em nós continua Enquanto acreditarmos em Cristo Não queremos perder o amor Pois nesta chama está assim escrito.

É uma chama bem viva A que está em nós Com a fé bem visível Cantamos com a alegria dos avós.

Somos jovens do nosso tempo Em que as saudades voltaram Pedimos a Cristo o amor E a força dos que se juntaram.

Em tempos idos cantamos Que não olhávamos à raça Nem mesmo à sua cor Hoje somos os amigos da praça.

Com essa mesma alegria Também hoje cantamos com fé Já que Cristo está vivo E a nossa chama está bem de pé.

Somos os jovens de hoje Com a chama da saudade Que se acendeu no nosso coração Nunca esquecendo a verdadeira amizade.


É essa amizade bem viva Que nos fez então voltar Com o amor de Cristo Sempre presente e sem parar.

Somos assim os Chamas Vivas Com a fé no coração E uma amizade bem forte E a ela estendemos a nossa mão.

Vêm amigo junta-te a nós Deixa livremente a fé viver Acende a chama viva com amor E nunca a deixes então morrer.

Silvalde, 2010 / 02 / 06 ANTÓNIO CRUZ


“VIDA DE POBREZA”

Venho da zona da pobreza Percorro as regiões duras do Norte Por entre o frio construído Nas ruínas da vida e da morte.

A pobreza de onde eu venho Ensinou-me uma lição de vida Sempre com a morte por perto Procurei a verdade já algo escondida.

Um beijo oferecido encostou-me secretamente Às cordas da vida com alguma esperança Já que os deuses determinaram a sorte Numa espera vinda desde criança.

Como uma pomba voo livremente Sempre com uma esperança viva Mesmo que seja negra pela pobreza Recebo uma ampola com alguma certeza.

Que sou livre nos meus pensamentos Mesmo que seja crepúsculo do amor Só desejo viver esta vida de pobreza Tendo a escrita como libertação da dor.

Jazem lágrimas enquanto percorro caminhos Onde a pobreza se instalou livremente Mas sendo imposta como um trilho De uma infância fria como uma semente.


Como jovem conservei, vivas as memórias No meu pobre coração atormentado por imagens Pesando nos meus pensamentos como pedra Ao faltar o pão andando por outras paragens.

De onde eu vim acidentalmente A pobreza me acompanhou neste caminho Não tendo alimento para a minha boca Nem sequer um pouco mesmo de carinho.

É a minha pobreza de falta de alimento Que hoje me leva a escrever acidentalmente O que vai na minha alma conturbada Ao olhar o céu negro apesar de tudo livremente.

E a roupa que trago comigo agora Já foi lavada pela minha pobre mãe Enquanto escolho para minha companheira Uma mulher alegre e bem verdadeira.

É só isso que quero neste momento Já que a pobreza bateu à minha porta Este meu desejo de querer livremente O meu coração frio desperta a esperança morta.

Um fogo reacendeu sobre o desejo do ódio Enquanto rogo como viajante acidental Por caminhos do amor estando cego Tento me desenvencilhar dum destino sem final.


Um raio que partiu o meu coração Acedeu à pobreza visível da minha vida Estendendo a sua luz com uma chave verdadeira Para abertura da liberdade já por mim perdida.

De onde vim existia a vida de pobreza Mas consegui nesta minha triste história Libertar os meus pensamentos com algum sangue E um fogo vivo levando-me à minha vitória…

Mozelos, 2010 / 02 / 06 ANTÓNIO CRUZ


“VONTADE DE SACIAR”

Ergo a luz do meu candeeiro Dos seus pés à sua bela cabeleira Sobre uma turbulência fixa dum olhar Procuro uma visão como se fosse a primeira.

Uma turbulência que envolve a sua forma Algo bem delicada de sereia mista Já que a sua visão se sobrepõe Como um ser marinho à primeira vista.

Seu corpo é o meu pão Que me alimenta no meu dia-a-dia Sobre a chama de um fogo aceso Que a alma engrandece como se lhe pedia.

Ao juntar a sua farinha Numa saladeira com certa moderação Um fermento se faz sentir livremente No seu crescer de leveza como um pão.

Esse crescimento é incrementado sempre E com a idade aventurosa da sua semente Assim os seus peitos vão aumentando Neste nosso amor trabalhando-o diariamente.

O seu rosto mostra a forma Enquanto me alimento da sua boca Apertando as suas pernas levemente Devorando o resto do seu corpo em moca.

É o belo pão que então devoro Desde o nascer de um novo dia Em cada manhã será sempre amada Ao afirmar a minha vontade sem meio-dia.


Uma lição aprendi com este fogo, Que no meu sangue então fervilha É a minha amada bem sagrada Com um aroma de mulher maravilha.

É o meu pão com todo o querer Desejo diariamente dela me alimentar Com tempo ou mesmo com falta de tempo Podendo assim esta minha vida celebrar.

Enquanto afago os seus cabelos Vou tentando contar e também elogiar A sua forma de amar o meu ser Querendo ser o seu amante sem parar.

Já que os amantes só querem viver Com um olhar fixo de desejo Ao ser a minha medusa me arrepia Os cabelos das pernas, com um simples beijo.

Chamo-a ao meu travesseiro suavemente Emaranhando o meu coração num enleasse Estendendo todo o meu ser numa travessa Enquanto, a amo numa forma de vida com classe.

Abro as portas da felicidade em extravagância Não deixando o mundo sombrio me vencer Libertando o meu fogo por entre dores transitórias Ao deixar a minha amada trepar à torre do prazer.

Assim procuro no final a luz nova Transmitida pelo sol da nossa vida em prazer Já que por fim ficamos saciados na aventura E o fogo se acalma passando assim a o descrever.


Que não perca esta minha lógica vontade Ao desejar sempre me saciar com amor Estando a minha amada presente com o sal Colocando a sua pitada na minha vida de sofredor…

São Paio de Oleiros, 2010 / 02 / 12 ANTÓNIO CRUZ


“NODDY”

Noddy, tu levas mais de meio século, Em que encantas as crianças com magia História a história atravessas vários continentes, Libertando os sonhos de gerações com alegria.

Ao olhar para ti hoje recordo Como ficava encantado no meu sonhar Andavas sempre bem disposto e ninguém o diria Que já levas mais de meio século a encantar.

Nas tuas aventuras levas a alegria Ao reino das crianças com entusiasmo Não existindo nacionalidades ou mesmo crenças Tu por cá andas assim, pois também te amo.

Já nos meus sonhos contigo viajei No teu táxi amarelo sem ter medo E abanando a cabeça se ouvia o teu gizo Assinalando a tua chegada apontando o dedo.

Apesar de seres inicialmente de madeira Demonstra a verdadeira alegria nas tuas cores Sempre com um sorriso nos teus lábios E um palpitar de coração sem teres dores.

As crianças, tu simplesmente encantas, De gerações em gerações nas mesmas Libertas um misto de magia e amizade Sempre pronto para ajudar com os teus lemas.

Já que ajudar os outros também precisas Para conquistar a liberdade de um sorriso E por todos os cantos do mundo viajas Partindo da cidade dos brinquedos ao ser preciso.


Através da televisão espalhas a alegria Com as tuas aventuras e brincadeiras Juntas o útil ao agradável com cor Ao ser simpático com os teus amigos fazendo asneiras.

Nesse teu, ambiente tomas a liberdade Com um coração cheio de fantasia Contas as tuas histórias com imaginação Utilizando temas do nosso dia-a-dia.

Noddy, és único na tua forma de ser, Por isso tomei a liberdade de escrever Este pequeno poema com alguma recordação Sobre as tuas aventuras que vi no meu crescer.

Nesse teu ambiente alegre da cidade Onde todos os brinquedos são iguais Num cenário de imaginação que crias Com histórias vividas intemporais sendo demais.

Hoje já não és um boneco de madeira Mas sim a três dimensões com actualidade Mas a tua imagem sempre ficou comigo Sabendo distinguir bem a tua verdadeira amizade.

Por isso escrevo com alguma liberdade Que os meus pensamentos encantaste simplesmente Sendo eu uma criança ao precisar de alegria Aprendi a amar os outros numa forma de ser alegremente…

São Paio de Oleiros, 2010 / 02 / 18 ANTÓNIO CRUZ


“ESCREVO LIVREMENTE”

Faço aqui e agora livremente Este poema com amor e alegremente Já que posso comparar os lindos olhos Da minha flor decorados com uma semente.

Pois os mesmos me dão alguma vida E no seu olhar discreto mas atentamente Prevejo-me um homem de sorte por ora Ao ver uma vida neles bem livremente.

Os mesmos dão vida aos meus Sem ser preciso fazer alguma força Consegui derrubar muros com um querer Não existindo nada mais que me torça.

Lido por ora com os baixos-relevos Que a minha vida encandeou livremente Utilizando enxadas e calejando as mãos Fui contigo podendo colher trevos secretamente.

E se as águas dos rios falassem Sobre tudo aquilo que nelas chorei Talvez até pudessem cantar uma vida Que mesmo nalgumas paginas já escrevinhei.

Porque o amor que sinto hoje Faz o meu coração cantar de alegria Já que uma flor colhi um dia livremente Numa ceara perdida pelos lados da ria.

Mas o melhor que levo deste mundo É o seu amor proclamado sem excepção Não faltando alegria ou mesmo emoção Enquanto me alimento do pão da paixão.


Por isso escrevo livremente estes pensamentos Como se faltasse o pão ao mundo Já que numa casinha encontrei a fartura De um amor que saiu bem profundo.

E quando abri uma página na vida Um cupido à hora certa me atirou Perante uma morte destinada a um fim Quebrando as grades do meu coração que chorou.

Chorando de uma alegria sem comparação Consegui quebrar o trinco da sua porta Que fechada a sete chaves já estava Mas que livremente me afastou daquela morta.

Por isso digo que se as águas falassem Meio mundo saberia deste meu amor Que encantou a minha vida de sofrimento Pintando até a mesma com muita dor.

E esta mulher que me calhou Numa procura de velho rabugento me aceitou Desconhecendo esta minha eterna amargura Oferecendo o seu pão como alimento e me escutou.

Já que muitas vezes a tentei afastar Como um homem sem tempo presente Num passado duro e já algo maduro Pelas artimanhas da vida e sem algum presente.

Já que os meus bolsos estão vivos Para poder oferecer um belo presente E sempre com uma banana bem rija Uma carta escreveu sem ter nenhum remetente.


Hoje posso colher dessa sua vontade Uma vida cheia de algum futuro Como velho escrevo com muita fé Que um dia poderei pintar um muro.

Esse muro será a minha oferta Pela vida que me tem abrilhantando Com essa seu amor e louca paixão Esquecendo aos poucos o meu eterno passado.

Assim escrevo hoje aqui e agora Que tu, minha Flor me ensinaste a viver Matando a minha fome de amor Com o teu pão à frente do meu querer.

Por isso apanho as migalhas livremente Não desperdiçando a vida com amor Já que quase toda gente sabe hoje Que por si escrevo agora minha flor.

São Paio Oleiros, 2010 / 02 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“FONTE DO AMOR”

Que surja da fonte de água Uma água cristalina sem comparação Donde abunde o amor simples Por que tem sede da paixão.

Uma paixão cheia de carinho Com tamanha força e emoção Matando a sede sem nenhum motivo Procurando ser feliz no seu coração.

É que a fonte pode alimentar Um amor puro e cristalino Com motivos para serem felizes Ao atingirem um porto seguro como destino.

Assim a mesma água alimentará Aqueles que procuram nesta vida Um amor sem comparação igual Numa distancia já algo perdida.

Já que nesta nossa vida terrena Nada mais importa como ligação Se não existir amor como uma ponte Para se atravessar o céu da paixão.

E por mais pontes que existam A mesma deve atravessar o coração Para que possamos ser livres no pensar Sabendo perdoar na falta de compreensão.

Já que nesta estrada que seguimos Como andarilhos num mundo algo feio Podendo colher o perfume da paixão Ao iluminar como estrelas neste meio.


Assim vamos distribuindo a luz do amor Como uma estrela guia perante a sorte Mesmo que a mesma seja regada pela chuva E inundando os campos da paixão bem forte.

Mesmo que a água do nosso amor Faça transbordar os rios da paixão Devemos dar continuidade perante toda humanidade Derrubando os muros da vida seguindo a emoção.

A mesma emoção será sempre a fonte Refrescando o calor da vida com amor Servindo de ponte para o mais nobre coração Que se encontra apaixonado e enfeitado de cor.

Dando vida ao nosso amor livremente Já que o mesmo também sinto nesta escrita Sendo a minha eterna fonte de água Regando o calor das palavras nesta “Dulce vita”.

São Paio de Oleiros, 2010 / 02 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“AMIGO FAUSTINO”

Hoje escrevo sobre um amigo Com que durante muitos anos convivi E lado a lado com ele trabalhei Numa tipografia e por lá escrevi.

Seu nome é Artur Faustino Nascido em espinho sua cidade natal Procuro nesta minha forma de escrita Recordar a sua amizade sendo bem natural.

Com ele comecei as minhas lidas Tinha de idade cerca catorze anos Fui aprender a ser tipógrafo E hoje tenho orgulho desses anos.

Letra a letra palavras montava Numa sequência programada como rotina Sentia uma alegria enorme ao seu lado Vendo as páginas de impressão na sua retina.

Ás suas ordens aprendia a crescer Numa infância curta e obrigado a preencher Os espaços vazios da minha vida com sua amizade Já que a mesma me era oferecida sem perceber.

Pois a sua nostalgia demonstrava conhecimento Num silêncio formado pela sua forma Já que era única de ser mas era bem humana Ensinando fosse quem fosse sem existir trama.


Nesta sua nobre arte vários trabalhos Pelas suas mãos cheias de calos tipográficos Sempre com interesse cultural começou a investir Numa busca com um grau de curiosidade de mágicos.

E nas suas memórias evocava o saber Um saber que ainda hoje a nada é igual Também nas suas leituras procura o cobre Com descobertas por companhia procurando o final.

É que a sua arte de compor Foi transportada para os seus livros Nunca esquecendo as histórias de Silvalde Nem mesmo a sua origem sem existir crivos.

Assim com alguma liberdade posso escrever Que o “Ti” Faustino para mim será Como um segundo pai nesta minha vida Já que me ensinou a crescer esse amigo “Xará”.

Seus filhos “Zezinho” e Daniel também foram Ou melhor dizendo são “segundos” irmãos Visto que as suas mãos me estenderam simplesmente Vezes sem conta libertando o meu pobre coração.

Mas falando do Senhor Artur Faustino Como amigo me estendeu a sua mão sábia Fazendo de mim um aprendiz de poeta Que com felicidade escrevo faltando-me alguma lábia.


Só que não esqueço o seu carinho E por isso escrevo hoje livremente Sobre um amigo que guardo no meu coração E um “pai” das letras tipográficas literalmente.

Meu amigo, Faustino assim como eu Um dia emprestaste as tuas letras livremente E o teu nome à nobre terra de Silvalde Sendo descobridor de histórias deixando a tua semente…

Mozelos, 2010 / 02 / 21 ANTÓNIO CRUZ


“MEU CÂNTICO NEGRO”

Venho através destas minhas palavras Dizer como são doces os seus olhos, Ao estender os meus braços e segurando-a Na noite escura agarrados numa cama aos molhos.

Como seria bom que ela ouvisse O bater do meu coração ao sofrer de amor E quando dizem que está por aqui Pinto a minha manta de muita cor.

Nas minhas palavras vejo os seus olhos Por entre ironias e cansaços do destino Enquanto tento cruzar os meus braços Sem saber sequer qual o meu “camiño”.

Já que não quero ir por ali Sabendo que me falta ainda a glória Para poder vencer as minhas batalhas Assim poderei começar uma nova história.

E sem criar desumanidades escrevo Num tempo livre ao acompanhar alguém Por isso vivo mesmo sem vontade alguma Esta vida tentando chegar ao além.

Já que em tempos rasguei o ventre Do corpo da minha mãe ao nascer Só que hoje procuro não chegar lá Por entre ziguezagues da rua que vi crescer.

Assim segui os meus próprios passos Nesta vida amargurada pela escuridão Ao que busco saber se um dia conseguirei Viver livre como aprendiz de bom cidadão.


Se não o conseguir prefiro escorregar Por entre os becos lamacentos que encontro Atravessando um tronco de madeira fixo ás bermas Contra os ventos da solidão neste meu encontro.

Visto farrapos velhos arrastando os pés Que vão sangrando perante este meu caminho Ao seguir por aí neste mundo fora Procurando nesta minha escrita um carinho.

Já que as virgens florestas ainda exploro, Nesta minha viagem de um canto negro Mas livremente sigo o mesmo sem medo Cravando nos meus pés um simples prego.

Visto que caminho sobre areias infestadas Do vírus da poluição controversa da escrita Que ainda é inexplorada pelos sábios E como aprendiz assim persigo até que me frita.

Desenho também só que de nada vale Visto seguir nesta escuridão da vida Através de impulsos com alguma coragem Ao não ser “ninguém” de aliança oferecida.

Assim escrevo tentando sempre derrubar Com ferramentas ou palavras os obstáculos Que vão correndo na minha direcção sem medidas Não sendo fácil fugir aos mesmos tentáculos.

Só que nas minhas veias corre sangue Que os meus avós me transmitiram à nascença Com o amor incluído em tudo o que agarro Não sendo fácil me assumir na ficha de presença.


Sigo por estradas de jardins perdidos Encostando ás valetas não tendo uma pátria Nem sequer um teto para brigo meu Faltando-me regras nas palavras e quem diria.

Já que alguns contractos completei livremente Por entre torrentes s longínquos desertos Avistando as miragens de vários filósofos E pesquisando as margens dos sábios mais certos.

Nesta minha loucura pela escrita Num céu negro como a minha solidão Mas sempre conseguindo levantar um facho Podendo conquistar alguma luz pró meu coração.

Já que o mesmo tem andado amargurado Por falta de uma pequena chama viva Que faça então aquecer o meu sangue Nas noites escuras perante a letra esquiva.

Nessas alturas sinto-me “Deus e o Diabo” Guiando o meu cântico pelos meus lábios Já que todos tiveram um pai e uma mãe E assim pareço não ser ninguém perante os sábios.

É que neste meu cântico negro Exprimo um princípio que nunca acabo Nasci de algum amor existente na vida Mas que para mim se transformou em diabo.

Talvez por isso vá pedindo a Deus Algumas piedosas intenções enquanto escrevo Já que a noite por vezes é macabra Pensando eu que perdi o meu trevo.


Visto que a loucura me vai atingindo Neste meu cântico negro da vida Mesmo que perca as minhas definições Por isso procuro na escrita a palavra querida.

Já que ninguém me diz “vêm por aqui” Enquanto um vendaval simplesmente se levantou Querendo ser livre nesta minha forma Tanto que um cântico da vida se soltou.

E uma onda em maré viva se levantou Deixando a descoberto as minhas palavras vivas Provocando este meu cântico negro em descanso Que como um átomo me cilindrou com algumas vivas.

Por isso não sei quem sou hoje Se um simples aprendiz desta minha escrita Ou um sábio louco que se perde nas alinhas Por uma ponta da caneta que na minha mão grita…

São Paio de Oleiros, 2010 / 02 / 24 ANTÓNIO CRUZ


“BEIJOS”

A palavra “Beijos” tem algo de belo O “B” fala da beleza do acto em si Enquanto o “E” do seu erotismo bem real O “I” a ilusão dos namorados enquanto flúi.

Já que “J” a juventude dos mesmos namorados Que com o “O” se sente o orgulho E no “S” a sua sensualidade vinda ao de cima Procuro com esta palavra recordar Julho.

Nesse mesmo mês um beijo foi dado Ao decorrer as marchas em Lisboa Num desfile bem singular visto na TV As horas passaram pensando como eras boa.

Momentos se seguiram naquela hora Em que pude começar a amar Percorrendo em mim uma enchente como a maré Na sua calma matinal avistando eu o mar.

Mergulhados nas suas águas cristalinas Os teus olhos beijava com gosto a sal, Enquanto dentro de mim a paixão aumentava Até chegarmos ao nosso momento final.

Mas as nossas são curtas Ou ficam como os livros carregados de pó Visto que as lembranças são escritas livremente Por entre sorrisos ao rever coisas sem dó.

Porque as mesmas provocam alguma dor Tendo que ser revistas bem devagar Já que não podemos viver tudo na noite Vamos sonhando aos poucos sem ninguém se magoar.


Por isso vou escrevendo lentamente memórias Num tempo ou espaço bem indiferente Só quero ocupar um lugar nesta vida Com pensamentos livres deixando a minha semente.

Já que é indiferente para mim sonhar Com as memórias de beijos perdidos Mas que ao mesmo tempo foram achados Por uma flor e dados em cantos escondidos.

Pois a nossa vontade foi intensa Provocando simples ondas na maré matinal Não esquecendo o tormento da paixão jovem Que em nós atiçou tempestades em glória real.

Talvez por isso amarramos juntos o barco Que a vida hoje nos faz navegar Matando o nosso desejo lentamente sem tempo Mas que nos ia fazendo sempre sonhar.

Beijos foram arrancados da corrente Enquanto os nossos lábios se tocavam livremente E os nossos pensamentos percorriam vários universos Demonstrando a paixão circulando no sangue como semente.

Assim as minhas memórias se escrevem alegremente Com um sentimento de ternura bem verdadeira Amainados os vendavais do tempo passado Estando no presente a paixão da minha dama primeira.

E como os livros ganham bastante pó Nessas folhas escrevo a liberdade dos pensamentos Com beijos figurados nas suas folhas riscadas Pela caneta com um sorriso perante os tormentos.


Assim os nossos beijos criaram ilusão Que numa juventude que nada mais pensava Hoje revejo o brilho do teu olhar Que em tempos tanto por ele ansiava.

Agora sinto essa mesma ternura vivida Ao desfilar nu nestas palavras com vida Porque recordar também é viver sempre Por isso vou continuando a desejar um beijo teu querida.

Não quero perder as minhas memórias Que com orgulho escrevo por ora Continuando a sonhar com as areias quentes Que o tempo levou na enchente pela praia fora.

Já que os nossos beijos revejo E por momentos anseio voltar atrás Com um poder madrugador vou sonhando Como era bom voltar a ser rapaz.

Por isso minha flor amada escrevo, Que os nosso beijos não esqueço Serão as minhas memórias cheias de vida Que me farão sonhar enquanto te aqueço.

Esses beijos poderei para sempre rever, Nestes poemas que faço como um aprendiz Tentando preencher estas linhas em branco Que tanto me vão fazendo por ora feliz…

São Paio de Oleiros, 2010 / 02 / 25 ANTÓNIO CRUZ


“MORTE LENTA”

Quem não escreve morre lentamente Porque não sabe pelas palavras viajar Destruindo o seu amor-próprio lentamente Ao faltar também na sua leitura o caminhar.

Um caminhar lento pelas páginas Que a vida preenche com alguma música Não se deixando ajudar vai morrendo De uma forma tradicional e bem rústica.

Porque quem morre lentamente hoje Se transforma num escravo do hábito Ao não saber escrever ou ler a vida Que em si cria uma certa nostalgia de hálito.

E não mudando a sua forma de pensar Morre lentamente pelas ruas da amargura Sem um objectivo definido e repetindo todos os dias Ao seguir o mesmo trajecto que há tanto dura.

Ao não mudar de marcas no supermercado Enquanto vou ás compras já não arrisco Em mudar de artigo por causa das cores Precisando sempre de um bom petisco.

Já que morro lentamente por um bom comer E um bom momento de paixão com prazer Não podendo evitar sendo eu um macho Não menos criativo por isso vou, continuando a escrever.


Enquanto a paixão não chega por ora E quem não prefere o preto no branco Ou mesmo os pontos nos “is” atempadamente Na sua escrita que faz sentado num banco.

Pois um turbilhão de letras que avassala As minhas emoções indomáveis nesta escrita E juntamente as mesmas resgatam um brilho Nos meus olhos enquanto a hora é prescrita.

Por entre sorrisos e um coração tropeço Que vai ditando a minha morte lentamente Não faltando sentimentos de culpa na hora Ao colocar na mesa a minha semente.

Assim morro lentamente ao escrever palavras Preenchendo as páginas da minha vida Já que sou infeliz no meu trabalho Por isso sonho em atingir a meta pretendida.

Vou arriscando com as palavras que escrevo Ao ponto de morrer lentamente numa incerteza Correndo atrás de um sonho cheio de vida Que me possa permitir chegar à realeza.

Já que a mesma está cheia de concelhos sensatos Perante estes meus dias de má sorte Vendo a chuva a cair sendo a mesma incessante Não quero desistir do projecto da minha morte.


Pois a mesma será lentamente como as gotas Que escorrem no meu rosto ferido pela vida Procuro nestas palavras que escrevo o amor Iniciando uma pergunta à morte escondida.

Se a mesma quando chegar lentamente Será em doses suaves ficando ainda vivo? Ou terei que fazer um esforço muito maior Num acto para respirar e à morte sobrevivo?...

Mozelos, 2010 / 02 / 27 ANTÓNIO CRUZ


“VIAJANDO EM LIBERDADE”

Viajo em liberdade pelo universo Nesta escrita que faço agora Saio pela janela pensando num verso Ao avistar dois sois lá fora.

Procuro com palavras simples hoje Ao realinhar as orbitas dos planetas Não fiquem surpreendidos porque tudo foge E já não sei se faço parte dos velhos marretas.

Porque a minha certeza espera Que o telefone um dia toque Enquanto isso escrevo numa esfera Estas palavras ao ouvir o roque.

Enquanto viajo por lá fora Os dois sois se desalinham Visto que a vida arde por ora Ao procurar todos aqueles que caminham.

E sem explicação vou escrevendo Como quero um dia ser feliz Pintando as páginas do céu do reverendo Que um dia me ensinou a criar raiz.

Como é lindo saber escrever Sobre o verde do mar Atlântico Basta para isso sonhar e querer Numa linha só deste meu cântico.

Assim perante os meus lamentos Uma grama Eu escrevo livremente, Ao ser forte mos meus sentimentos Procuro cortar o mal da semente.


Pois vou podando as palavras Que a minha cabeça então produz Cercado por gente positiva e escravas De um legado imposto como sua cruz.

Sou um aventureiro na escrita Seguindo de terra em terra Percorro por entre gentes da Invicta Sorrindo levemente até chegar à serra.

Sigo por uma cidade estrangeira Sem saber o meu destino fixo Relembrando aquele sorriso de primeira E dormindo pregado a um crucifixo.

Já que esta minha cruz Não tem ponta por onde se pegue Adormeço junto ao rio sem luz Tentando esquecer tudo o que se negue.

É que já lá vai o passado E a minha carne sofre simplesmente Procuro com a foice do alado Cortar a raiz do mal livremente.

Um carinho encontro nesta escrita, Nunca esquecendo os meus amigos Tentando saber onde pára a fita Que me possa separar de todos os perigos.

Assim viajo livremente pelos pensamentos Anotando ponto por ponto a vida Sem nunca esquecer os meus sentimentos Que achei um dia junto da pessoa querida.


Foi uma flor livre que despontou Esta minha forma de ser aprendiz O Sol está quente e ninguém o inventou Por isso com tempo desejo ser hoje feliz.

São Paio de Oleiros, 2010 / 03 / 03 ANTÓNIO CRUZ


liberdade dos pensamentos 043  

APRENDIZ DE POETA

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