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02 . 12

NR 19

ano: 2012 . nr 19 . mês: Fevereiro . director: António Serzedelo . preço: 0,01 €

http://jornalosul.hostzi.com

O PODER DA IDEIA: PARA QUE QUEREMOS UMA CULTURA LIVRE? Há processos globalizantes mais globais que outros. Para o melhor e para o pior. Com o advento da Internet e com a popularização das tecnologias que lhe acessam, fecham livrarias e deterioram-se algumas naturezas humanas, mas criam-se canais de comunicação à escala planetária capazes de pôr a andar revoluções. Vimos agora que as redes sociais, gravações de telemóvel e blogues aceleraram a compreensão e o contágio das mobilizações no Médio Oriente, Norte de África, Espanha, Grécia, Portugal e Estados Unidos da América. Alguns movimentos tornaram-se mais eficicazes e organizados, chegando a substituir facilmente o papel de jornalistas no terreno. No Egipto dissese ‘a revolução na Tunísia inspirou-nos para começar a nossa revolução o mais rapidamente possível’ e na Grécia disse-se ‘os nossos protestos começaram a partir dos indignados,

O conceito de ‘cultura livre’ surge no legado da defesa do software livre. Defende a protecção da autoria sem os contornos clássicos da propriedade, abrindo a discussão para a necessidade de adaptação das leis existentes à actual sociedade do conhecimento. De acordo com as tradicionais leis de copyright, os autores proibem que o seu trabalho seja reproduzido, adaptado ou copiado. Por contraste, o movimento copyleft, soldado da cultura livre, permite que o autor se proteja, advogando simultaneamente o direito à reprodução, distribuição ou cópia o seu trabalho, se isso for feito de acordo com a mesma licença do trabalho original. Actualmente, novas licenças, como a creative commons, permitem ao autor decidir por si mesmo um pacote adequado de licenças, que retêm alguns direitos abdicando de outros.

em Espanha’. A 17 de Setembro de 2011, Wall Street foi ocupada depois de um núcleo de protestantes ter entrado em contacto com protestantes de Espanha, Grécia e Norte de África. As ideias circulam pelo mundo e originam novas formas de organização social, política e económica. A cultura das nossas sociedades começa também a ser produzida online, partilhando, alterando e reproduzindo dados a uma velocidade futurista. A Internet tem um efeito que vai para além dela própria – um efeito que afecta a maneira como a cultura é produzida. A Internet causou uma mudança importante e não reconhecida nesse processo. Quem o diz é Lawrence Lessig, autor e activista por uma ‘cultura livre’.

revolucionária no que diz respeito à forma como o conhecimento e a cultura se criam, partilham e transformam. Assim, o modelo de propriedade intelectual utilizado para proteger as bíblias de Gutenberg não pode ser aplicado na era digital. É urgente abrir espaço para a discussão de novas opções para protecção e livre disseminação de conhecimento. Depois de um 2011 repleto de revoluções, com mobilizações massivas como não havia registo desde as manifestações americanas contra o Vietname, irrompem supreendentemente propostas políticas como a SOPA (nos Estados Unidos da América) e a ACTA (na Europa): tratados que regulam de forma abusiva os direitos dos cidadãos no que toca à produção e ao acesso de informação. Saibamos proteger os nossos autores, mas protejamos também o poder de uma ideia. Se a legislação que aí espreita tiver como principal objectivo proteger os monopólios restritivos de empresários, fornecedores de serviços de comunicação e indústrias de entretenimento, estaremos apenas a engrossar a lista de regimes a derrubar. Sandra Coelho Jornalista

Ilustração Dinis Carrilho

A ideia de Lessig é que ao contrário do paradigma anterior, em que as leis se concentravam na cultura comercial e regulada, controlada por indústrias intermediárias, agora surge no primeiro plano a importância e poder da criação e difusão de cultura não comercial. Os cidadãos estão hoje tão sujeitos às empresas distribuidoras como às ferramentas do faz-tu-mesmo. As possibilidades de comunicação cibernáuticas passaram a constituir-se como novas linguagens, garantes libertários e campos infinitos para a expressão dos homens. E por isso as indústrias, que para além dos autores protegem a doutrina da ‘propriedade’, lutam pela afirmação do seu negócio neste novo mercado irregulado. Como seria, como sugere o nome de um movimento espanhol, se a Internet fosse uma outra TV?

O movimento pela cultura livre entende que vivemos uma época


O sonho da Europa cavaquista. Porém, até a expansão Europa, hoje continuamo-lo a ser; de luxo, riqueza, abundância, indiacelerado do consumo, santo-e- Éramos um dos países mais vidualismo e ostentação. senha da mentalidade europeia, iletrado da Europa, hoje continuaCom uma guerra de 13 anos às se está esfumando aos primeiros mo-lo a ser – menor índice de frecostas, um Império anacrónico e sinais de uma crise económica inquência de espectáculos, de consuuma política autoritária ao longo de ternacional. mo de jornais, de compra de livros… cinquenta anos, sentíamo-nos mal Ao mesmo tempo que, de um - Em contraparticom o nosso próprio ponto de vista manifesto, a menda, éramos dos países corpo. A Europa constalidade europeia submergia todas com maiores estádios tituiu a materialização povo que as nossas iniciativas, inconscienteda Europa, hoje contido sonho adolescente era conhecido mente íamos fazendo um penoso nuamo-lo a ser; de Portugal. Virámos na Europa trabalho de luto – luto pela perda do - Éramos dos paas costas ao Império pelos bigodes Império; luto pela perda de um Poríses mais pobres da e oferecemo-nos a tugal rural, lento, sereno, humilde, Europa, hoje continuuma jovem democra- das concièrges honesto na palavra, supersticioso, amo-lo a ser; cia, acreditando na ri- parisienses, um Portugal dos valores absolutos, - Éramos dos paqueza material como passámos a ser dos imperativos éticos, um Portuíses com maior nível panaceia da felicidade. conhecidos pelo gal aberto à totalidade do mundo, diferencial de salários, Povo rural e copovo de um miúdo o Portugal solidário do interior hoje continuamo-lo a merciante, quisemoda Madeira de das famílias, o Portugal da palavra ser; nos, mais do que dada aos amigos, do dar a camisa Etc, etc. industrializados, infor- pés tão cheios aos amigos, o Portugal permanente Não há dúvida – a matizados; povo pré- de malabarismo de Teixeira de Pascoaes e Agostinho culpa não é da Euromoderno, quisemo- quando de mente da Silva. pa, que nos forçou a nos pós-modernos; vazia. Hoje temos consciência de que sermos democratas povo comunitário, o sonho ingénuo europeu acabou e a aceitar a tolerânacolhemos sorridentes e que não nos procuramos já na cia e os direitos humanos como o individualismo, o narcisismo e o Europa. Percebemos que, sem vector ético e existencial de vida. egoísmo como fins de vida; povo desculpa, só nos podemos enconCulpadas são, sem dúvida, as elites solidário, vimos instalar-se entre trar em nós próprios, retomando portuguesas, que nos últimos trinta nós uma abissal diferença entre as nossas tradições, não sentindo anos promoveram uma autêntica pobres e ricos; povo que era covergonha por nada que no passado razia dos valores tradicionais pornhecido na Europa pelos bigodes tivéssemos feito. Se é verdade que o tugueses: a solidariedade substituída das concièrges parisienses, passásonho europeu se está pelo individualismo; a mos a ser conhecidos pelo povo de esfumando, ele ainda cooperação substituída um miúdo da Madeira de pés tão Em 25 de Abril não se apagou (nem pela competição como cheios de malabarismo quando de se deve apagar), já valor económico abso- de 1974, éramos mente vazia. que constitui o sentido luto; os valores da ho- o país menos Trinta anos demorámos a perpolítico do Estado pornestidade, da amizade, industrializado ceber que o sonho da Europa não tuguês. Porém, existe da lealdade, substituí- da Europa, hoje passa disso mesmo, um sonho que hoje, em Portugal, um dos pela omnipotência continuamo-lo a estava em nós e não na Europa. Nós alternativa à Europa do dinheiro; os valores “víamos” a Europa que sonhámos ser sem que desta nos teespirituais substituídos para Portugal. A Europa da riqueza, nhamos necessariamente de despelos valores económicos; a pessoa a Terra sem Mal, a Terra do Rio de vincular, uma alternativa de futuro humana igualada à peça de uma Amêndoas e Mel esfuma-se todos aos actuais valores europeus (que, máquina. os dias na farsa bailada entre poverdadeiramente, já são mais os O saldo europeu hoje, se bem líticos janotas como Berlusconi e valores americanos que europeus) medido, para além do valor da Sarkozy, que da organização do viver sem o corte radical com a Europa democracia e da tolerância, já incolectivo possuem apenas um senso – o retorno à antiga comunidade teriorizados pelas novas gerações, económico. de língua portuguesa: a lusofonia. mede-se menos em sabedoria, Hoje, já percebemos que o sohumanismo, conhecimento e felinho europeu foi um falso sonho: Miguel Real cidade, e mais em betão, alcatrão, ci- Em 25 de Abril de 1974, éraEscritor mento e desemprego – eis a herança mos o país menos industrializado da

Borislav Sajtinac , Tour de babel

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02 Ensaio

A mentalidade europeia encontrou fracas resistências para se impor em Portugal nos últimos trinta anos, tal era o desejo popular de superar a pobreza e o analfabe-

tismo a que Portugal parecia historicamente condenado. A Europa era vista, não como o armazém de secos e molhados, segundo Agostinho da Silva, mas como um hipermercado

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na vazante 03 Desigualdades em Portugal Problemas e propostas

mais assimétricos da Europa se bem que, importa reconhecê-lo, entre 2006 a 2009, verificouse uma atenuação gradual das desigualdades de rendimento. A Um conjunto de artigos que persistência e a intensificação foram inicialmente publicados das desigualdades devem-se a em Le Monde Diplomatique (edium conjunto de fatores onde ção portuguesa) nos anos mais avultam o aumento recentes transfordo desemprego, a simam-se num livro que permite ao leitor (...) a sociedade tuação de desemprego de longa duração, alicerçar a ideia de portuguesa e daí podemos falar que as desigualdafuncionaria muito em interferências des interferem num melhor se os níveis da mais diferente conjunto de dimeníndole. A mensagem sões sociais, eco- de desigualdade principal é de que nómicas e políticas. entre nós não Num tempo em que fossem tão elevados a sociedade portuguesa funcionaria tanto se discute quais muito melhor se os os melhores rumos estes últimos, como observa o níveis de desigualdade entre nós para que a economia se torne coordenador da obra. não fossem tão elevados. Mas sustentável e em que os fazedores Quando falatambém não podede opinião tanto nos massacram mos de desigualdamos ser ingénuos, com o défice orçamental, o déestamos a presenfice público, o endividamento, a Num primeiro des, importa ter em conta que a questão cia uma sociedade tempo a obesidade competitividade, o desemprego e recobre uma mule u r o p e i a o n d e é vai aumentar, com a escolarização, é altura também tiplicidade de propatente o aumento de assestar as batarias sobre as maior incidência cesso e dimensões real da polarização desigualdades: “Desigualdades das relações sociais, social entre os que nos mais pobres em Portugal, problemas e procomo se refere no litêm muito e aqueles postas”, coordenação de Renato vro: desigualdades económicas, que continuam a ter pouco e em Miguel do Carmo, Edições 70, desigualdades de classe, género que a política económica teima Dezembro de 2011. e etnia, desigualdades nos acesem ser austera sobretudo com Portugal é um dos países

Santa-Rita, pintor, 1912

sos à saúde, educação e cultura e também desigualdades políticas e de participação social. Como é observado no texto, Portugal é o país com a terceira mais baixa frequência de práticas de ação coletiva. Apesar das conquistas democráticas alcançadas com a revolução de 1974, a sociedade portuguesa revela-se como uma das menos dinâmicas a nível europeu no que se refere à consolidação de práticas democráticas e de cidadania. Esta posição

recuada é complementada pela persistência de características estruturantes da organização económica, social e institucional profundamente inibidoras de uma cidadania participativa. A baixa exigência de recursos humanos qualificados e pobreza são determinantes. A endocrinologista Isabel do Carmo nos alerta para o facto de quando o rendimento desce a obesidade cresce, as pessoas em situação económica difícil sentem-se atraídas por preparações com gordura ou com gordura e açúcar, e predica: “Com o aprofundamento da crise em Portugal podem colocar-se duas hipóteses. Num primeiro tempo a obesidade vai aumentar, com maior incidência nos mais pobres. As mulheres desempregadas apresentarão mais obesidade, embora o mesmo não se verifique com os homens desempregados. Está demonstrado que os horários de trabalho desregulados e a privação de sono aumentam o apetite, o que também concorrerá para a obesidade”. Beja Santos Docente Universitário

O que se esconde por detrás da crise? a utilizar de forma capitalista os O problema da dívida daí deriQue significa a propagandeada actuais recursos materiais abunvado estende-se depois do capital crise? Constatemos que o capidantes mas para os quais paraprodutivo ao Estado e orçamentos tal produtivo é obtido através da doxalmente não há dinheiro, só privados. Assim também os gastos utilização do capital bancário. crédito impossível de pagar. estatais em infra-esAssim parte do lucro Tal absurdo torna evidente a truturas e o consumo obtido na produção Este mega irracionalidade do sistema, em privado deixam de ser é encaminhado, via que o lucro e a acumulação de possíveis através das pagamento de ju- endividamento dinheiro se tornam um fim em receitas reais, o que ros, para o sistema representa a si mesmo e o fim da economia impõe o recurso ao bancário. Mas, como antecipação de nada tem a ver com a satisfação crédito. actualmente, como lucros, salários e das necessidades. Este mega endio capital produtivo impostos, sobre O dinheiro não passa assim vidamento reprenão proporciona os a produção real de um fetiche em representação senta a antecipação lucros suficientes dos recursos reais. de lucros, salários para tal pagamento, futura. A crise é o resultado da tentae impostos, sobre a sobrevém uma crise, tiva desesperada de se conseguir, produção real futura. para o devedor e para o credor. através do consumo com dinheiro Tal consumo suportado pelo O aumento incessante da do futuro, insuflar no futuro transforma-se produtividade forçado pela concircuito económico em crise geral quando corrência entre capitalistas, só é Perante isto receitas que nunca o processo é levado possível através do uso de meios irão surgir. Os mentoaté um ponto exces- os capitalistas, os técnicos cada vez mais onerores do sistema tentam sivo, rompendo as políticos e seus sos. Logo os custos derivados desta forma integrar cadeias de crédito. da criação de postos de trabalho apaniguados, dentro dos limites do Isto é aplicado utilizam a situação aumentam constantemente concapitalismo, as forças a todos os interveforme o aumento da intensidade e para combater os produtivas e a sua esnientes, incluindo o custo do investimento no capital trabalhadores e trutura e capacidades, Estado. utilizado. que já extravasaram Na realidade, es- o povo e reduzir Daí resulta que esses giganesses limites impostão a ser consumidos a sua influência tescos custos em capital fixo não tos. rendimentos futuros, e capacidade podem ser suportados através Por isso, essa que se tornam cada dos lucros correntes da produgente procede a todos os esforço vez mais ilusórios para se tornar ção Logo é obrigatório o recurso para que vivamos pior, porque possível, com as relações organiao crédito para poder pagar tal o capitalismo já consumiu o seu zacionais existentes, continuar despesa gigantesca.

próprio futuro. Em tal situação, a saída torna cada vez mais urgente que os povos aprendam a utilizar todos os recursos abandonados e inutilizados, incluindo os humanos, por este sistema de desperdício, numa lógica diferente da existente. Perante isto os capitalistas, os políticos e seus apaniguados, utilizam a situação para combater os trabalhadores e o povo e redu-

zir a sua influência e capacidade reivindicativa. Só a luta firmemente determinada em conquistar uma nova organização social, poderá acabar com tal sistema do lucro a qualquer preço. José Luís Félix Economista

Ilustração. dinis carrilho


Mozart e a Maçonaria O Papa Bento XVI, afirmou há tempos que a própria existência de um génio musical, como Mozart “era quase como um testemunho da existência de Deus," Criador do Universo", e esta expressão pontifícia, remeteu os ouvintes atentos , propositadamente, para a ideia da Maçonaria do “Grande Arquitecto do Universo". Isto é tanto mais interessante, quanto Bento XVI, enquanto Cardeal Ratzinger , o Inquisidor, não foi nada simpático com a Maçonaria, como em geral não tem sido, nem é, a Igreja institucional. Hoje escolhi Mozar t por duas razões. A primeira, a propósito da iniciação Maçónica, um dos “secretismos “ da Maçonaria,hoje tão falados - aproveitando o factor musical tão importante em todas as lojas, e em todas as regras,que Mozart levou ao mais alto grau. A segunda, por causa da controvérsia surgida na sociedade portuguesa, a propósito de uma Loja que se chama Mozart e que se desviou do seu destino original,numa luta intestina de alguns policias que fazem politica,de membros de partidos que fazem um teatro de sombras, enquanto fa-

Vou escrever sobre a cerizem ajustes de contas entre mónia iniciática, ou sobre os si, e de noticias e opinadores Mistérios Iniciáticos, que são que se servem do caso, como a fórmula pelo qual se começa pano de fundo para desviar a ser Maçon. a atenção dos cidadãos dos Fui ao dicionário da Acadegraves problemas, com que mia das Ciências e vi o que se nos defrontamos,soltando escrevia sobre: os piores demónios dos moIniciação :" admissão ao mentos de crise, que é eleger conhecimento de coisas, doubodes expiatórios em grupos trinas desconheciminoritários,neste das, secretas, e mais caso tomar a parte, numa luta adiante cerimónia os membros da loja de admissão de um referida , pelo todo, intestina membro de uma ou seja toda a Ma- de alguns policias sociedade secreta. çonaria. que fazem Por outro lado, em A l o j a M o - politica,de sentido etimológico, z a r t n ã o f a z m ú - membros de diz-se de Iniciação, sica, faz ruído, a partidos que é a preparação ponto de dar prepara a entrada do t e x t o à s f o r ç a s que fazem um jovem na comunireaccionárias,proto teatro de sombras, dade dos adultos, fascistas e proto in- enquanto fazem pela aprendizagem quisitoriais, sempre ajustes de contas dos ritos, das técatentas em Portugal, entre si nicas, das tradições a qualquer deslitribais." ze, para porem em Depois, fui ver o que era Inicausa a utilidade da Maçonaciar, e diz o tal livro, “começar, ria Universal, e em particular ou ter início, ser introduzido em da Maçonaria Portuguesa, que determinada aprendizagem, em tantas coisas boas tem feito determinados conhecimentos, em Por tugal, desde o tempo pensamentos, ou experimentar do Marques de Pombal,depois pela primeira vez." pela libertação dos escravos, E percorrendo este caminho, implantação da Republica, e vou andando, para o tema que até aos nossos dias, quando pretendia abordar. defendeu depois do 25 Abril Tu d o c o m e ç a q u a n d o o as Liberdades ameaçadas. iniciado chega à Loja, que é o espaço, o local onde se reúnem os Franco-Maçons, e é também a célula madre que tem a competência de criar, e conferir a qualidade de Mação, em todo o lado, independentemente do rito, e da Organização. Ele começa por bater à porta para pedir licença para entrar, porque é “profano". E uma vez autorizado, começa a progredir em três patamares: Erupção, Mistura, Integração, da mesma forma que os irmãos sobem em três graus simbólicos, Aprendiz, Companheiro e Mestre, comuns a toda a Maçonaria, e só depois vêm os Altos Graus (Filosóficos, Esotéricos, Cavaleirescos ou Sacerdotais). A Flauta Mágica,é influenciada pela concepção Maçónica do Mundo dos seus autores, a qual se insere nas grandes linhas tradicionais esotéricas, nesta caso as egípcias, e religiosas, de toda a Humanidade. Na Flauta Mágica temos duas fases, o Primeiro Acto enquanto se é pagão (Fase Nocturna), no Segundo Acto depois de já se ser iniciado, de receber a Luz (Fase Diurna). Logo na abertura, os acordes musicais são os da bateria das Lojas(palmas), que neste

foto de Leonardo Silva 2011

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04 boreal ainda, podes agora mesmo recaso distinguia o rito da Loja nunciar à recepção da Ordem". a que Mozart se associara, A obra segue o seu curso de “Observância Templária", até ao triunfo final, quando o pois Mozart era um católico Príncipe Tamino e a sua amada crente, embora cada vez meTamina recebem as Luzes e se nos praticante, o que mostra completam quer no casamento, bem como na Maçonaria se ou seja, a vida conjugal, plena podem conjugar estas duas de amor, o Amor Terreno - quer qualidades, a de Católico e com a vida superior do Ideal, de Mação,contrariamente ao que se procura sempre e de ser que afirma o Senhor Cardeal apanágio dos bons Mações. Patriarca na sua última interDe notar o avanço da provenção a este propósito. posta social de Mozart porque Mozart com esta ópera esna ópera são iniciados em tava a seguir a tradição mais pé paridade um homem e uma antiga da Maçonaria, consagramulher, Pamino e Pamina. da no Livro das Constituições Mozart defendeu, e pertende Andersen, 1823, que já nessa ceu a lojas mistas,coisa que ainaltura consagrava a chamada da hoje nao é aceite em todas as “Coluna da Harmonia", ou seja, Maçonarias,embora em Frana inserção da Música no ritual, ça e em Portugal já haja lojas acompanhando as entradas e mixtas com mulheres e homens saídas de Dignatários, as Iniem pé de igualdade,Grande ciações, Elevações, e para os Oriente Ibérico,por ex. funerais dos Irmão Maçónicos. A cerimónia de Iniciação, Volto ao tema da Iniciação, como se vê na Ópera, e pratica segundo a proposta Mozartianas Lojas é um drama iniciána. tico, com a morte do neófito, No Primeiro Acto décima morte simbólica, que até faz quarta cena, um Sacerdote in“ testamento", e o renascer do terroga o herói o Príncipe TaHomem Novo, que passa a ir à mino, à porta do Templo, depois procura de um mundo novo. de este ter batido e perguntaAliás, todos os ritos da Malhe: “O que procuras neste lugar çonaria giram em torno da ideia sagrado: - Resposta: Amor e de Construção, herança hisVirtude. E quando verei a Luz?" tórica do tempo, em que com que ele tanto desejava receber. o compasso e o esquadro se Na cena subsequente, Saconstruíram as Carastro, o Sacerdote tedrais. Supremo do templo, O Iniciado ordena: “Levai os Mozart quando entra na estrangeiros, o Prin- defendeu, e Maçonaria,é para c í p e e a P r i n c e s a pertenceu a lojas receber a" Luz" , e Tamina, ao Templo mistas, a partir desse modas Provações e que mento começar à os seus olhos sejam coisa que ainda vendados, pois eles hoje nao é aceite em procura do Conhecimento, para se devem primeiro ser todas as f a z e r p r o g r e d i r, e purificados". Maçonarias ajudar a progredir E s s a p r ov a d a a Humanidade. É venda no rituum percurso,um caminho sem al maçónico é que permitirá fim,que deve começar todos pela purificação, chegar-se à os dias. Iluminação. Mas por isso,e para isso, No Segundo Acto, Tamino, ele tem de estar a compasso filho de um Rei, aguarda na consigo,(conhecer- se), com porta Norte do Templo, para a ciência do tempo, e com a entrar e seguir a Grande Luz. evolução social de todos os Também nas fraternidades homens e das mulheres do os Iniciados do primeiro grau seu lugar,que são os seus pares. Aprendizes, ficam no Templo, Tudo isto, para para pona zona designada Coluna do der ajudá-los, em nome da Norte. Igualdade,Liberdade, e FraterNa Ópera, depois, são nidade! levados depois para o sub terrâneo, que é aquilo a que António Serzedelo hoje chamam a Câmara de Editor do programa de Reflexõe,onde os neofitos firadio Vidas Alternativas cam a meditar durante algum anser2@gmail.com) tempo. Perante a dificuldade das provas é-lhes dito na Ópera: “Estais a tempo de reconsiderar", que é o equivalente no moderno ritual, aos “Estás livre


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Boreal 05 A Margem Sul em duas rodas antiga serração na Volta da Pedra, Numa abordagem aos novos que estava abandonada. Levou dois sectores económicos, dentro de anos a ser recuperada, ou como nos um modelo de desenvolvimento diz Diogo Oliveira, “restaurada”, sustentável que defendemos e divulpois fez questão que a arquitectugamos, O SUL foi ter uma conversa ra original fosse mantida, as cores com Diogo Oliveira, proprietário originais fossem recuperadas. Foi de uma loja famosa e distinta, sifeito com muito carinho, uma casa tuada na Volta da Pedra (Palmela), que reflecte uma vida denominada “Biciplus”. dedicada às bicicletas Diogo Oliveira iniciou As bicicletas nas últimas duas déo seu contacto com o cadas, um espaço que mundo das bicicletas para competição de é muito mais do que fez 20 anos, através BTT chegavam a uma simples loja. Ali se de um desejo do seu Portugal através reúnem, aos fins-defilho em participar de importações semana, grupos organuma modalidade complicadíssimas nizados de ciclistas de do ciclismo que em e aleatórias, sem BTT, antes de rumarem Portugal dava os seus para a Serra do Louprimeiros passos, o qualquer destrinça ro e mergulharem na BTT. Tal dá-se ainda de relações de aventura da Arrábida. antes do nascimento qualidade e de Ali encontram todas da televisão privada e preço as condições, pois disdo aparecimento dos põem de balneários e oficina aberta. programas que vêm mostrar os Diogo Oliveira organiza igualmente gostos de uma nova geração que passeios de BTT nocturnos, seguidos despontava, casos de, por exemplo, de patuscada e convívio. “Portugal Radical”, que ajudaram A Biciplus dedica-se e promove a encontrar um espaço legítimo a competição de BTT, e recebe os para formas menos ortodoxas de grupos organizados pelos clubes encarar desportos clássicos. Aliás, o que existem espalhados por todo seu filho iniciou-se na competição o país, mas não deixa de lamentar pelo Airense, depois convertido em que, para as cerca de 500 pessoas/ IDA-SIC. Diogo Oliveira foi acomdia que entram de Palmela para a panhando de forma muito próxima Serra do Louro, em bicicleta (seguna paixão do filho e tal, inevitaveldo informações do PNA), a juntar mente, levou-o a envolver-se na aquelas que entram pela Quinta do organização de provas e a constatar Anjo, Azeitão, Santana (Sesimbra) e as fragilidades de uma realidade naSetúbal, não exista apoio. Trata-se, cional confrangedora. As bicicletas como é evidente, de uma possibilipara competição de BTT chegavam dade de serviço útil que criaria ema Portugal através de importações pregos, num país e região que bem complicadíssimas e aleatórias, sem necessita deles, a juntar a toda uma qualquer destrinça de relações de promoção de uma região que não qualidade e de preço, sendo que as é convenientemente feita. As pesmarcas portuguesas, tais como a soas juntam-se espontaneamente, Órbita e a Vilar, recusavam olhar ma de tudo famílias que pretendem percorrem a Serra em grupos de seriamente para um mercado que qualidade de vida e convívio para amigos e daqui vão sem levarem ou despontava, mas que implicava os seus fins-de-semana. As pessoas deixarem nada. Esta situação, dizobrigatoriamente investimentos começam a optar por comprar uma nos, contrasta profundamente com em tecnologias de vanguarda e a BTT a prestações, a gastar mensalo que se passa nos Concelhos do modernização do sector. mente num ginásio. Litoral Alentejano do Foi assim, num contexto ecoHá igualmente um distrito de Setúbal, nómico favorável ao investimento nos Concelhos movimento crescente principalmente Alcáem modernização dos sectores prodo Litoral de pessoas a utilizar a cer do Sal, Santiago dutivos, mas que, como em tantos bicicleta como meio do Cacém e Grândola, Alentejano do outros sectores, se fez de conta que de transporte para o onde as comunidades e distrito de nada se passava, que Diogo Oliveira trabalho, menos visíassociações de ciclistas Setúbal, decidiu usar o capital de conhecivel em Setúbal, mas BTT são acarinhadas e principalmente mento acumulado para criar uma mais evidente no Pigeram evidentes maisalternativa informada de resposAlcácer do nhal Novo. Tudo isto valias económicas para ta à procura sempre crescente de Sal, Santiago do se inicia, mas é preciessas regiões. Não é só um público mais vasto, reunindo so ir acompanhando o o valor económico, é a Cacém e Grândola, num só espaço o que de melhor se que está a acontecer e promoção do bem-es- onde as fabricava em todo o mundo. Actuo que irá suceder, gatar das pessoas, o con- comunidades e almente, a Margem Sul dispõe de rante-nos Diogo Olitacto com a natureza e associações alguns espaços comerciais com veira. Talvez seja altura um modelo alternativo produtos de grande qualidade, mas de se começar a pensar de turismo com qualiescolhemos este pela sua antiguiseriamente nas ciclovias, sugere. A dade, defende Diogo Oliveira. dade, compromisso profundo com de Setúbal, a única que temos aqui Independentemente dos lamena evolução orgânica da modalidade próxima, é destinada ao lazer, mas tos que possam ser feitos, Diogo em Portugal e o seu carisma, que dentro em breve a realidade será alerta-nos igualmente para uma ouleva a Palmela gentes do Alentejo, outra, assevera. tra realidade que está a despontar. de Lisboa, de Óbidos, entre outros, Inicialmente eram maioritariamente num raio de cerca de 150 quilómeJosé Luís Neto os homens a comprarem bicicletas, tros de distância. jornalosul@gmail.com actualmente verifica que são aciO espaço da Biciplus é uma

foto de Leonardo Silva


Luís Teixeira lança livro sobre movimento ecologista português percebidos aos mais desatentos Luís Humberto Teixeira, prino Portugal Contemporâneo, meiro director deste jornal, jovai-nos desvelando as potenvem investigador setubalense, cialidades reais de um movilicenciado em Comunicação mento tido por muitos como Social e mestre em Ciência Popouco relevante de um ponto lítica, lançou no passado dia de vista político. 31 de Janeiro, na LiEsbarramos pevraria Bulhosa, de (...) o rante a pertinência Entrecampos, o seu das reivindicações mais recente livro problema do de uma perspectiintitulado “Verdes ambientalismo va cientificamenAnos - História do político é que te bem alicerçada, Ecologismo em Por- todos os outros que contrasta com a tugal (1947-2011)”, partidos o fluidez e o modismo editado pela Esfera da sua base social. d o C a o s / F u n d a - querem, mas Em certa medida, o ção Calouste Gul- nenhum quere-o que resulta da leitub e n k i a n . O l i v r o demais ra, é que o problefoi apresentado por ma do ambientalismo político Viriato Soromenho-Marques, é que todos os outros partidos rosto bem conhecido do movio querem, mas nenhum quere-o mento ambientalista português. demais, paradoxo de contorA estruturação da obra é a exnos quase esquizofrénicos em pectável numa obra que resulta Portugal, mas que se sente um de uma dissertação de mestrapouco por todo o mundo, ledo, o que poderia levar-nos a vando a fortes clivagens nas encará-la com algum receio de forças verdes. ser leitura espinhosa mas, pelo As associações ambientalistas, contrário, apresenta-se de fácil os movimentos pré-partidários, e estimulante leitura. Procuos partidos ditos verdes, anrando ressuscitar, articulantigos e viventes, tudo se junta do habilmente um conjunto de numa procura séria de desvenpormenores que passaram des-

capa do livro, verdes anos

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06 CULTURA dar qual é a real dimensão do ambientalismo português, num trabalho exaustivo do seu autor. Muitas questões assaltam durante a sua leitura. Será que já foi o tempo de um Partido Verde Português aquando do nascimento anacrónico do PRD, ideologicamente nulo? Será que era aí, tendo sido deixada passar, a possibilidade de criar um partido de massas? Ou será que o seu tempo ainda está por vir? Seja como fôr, a base social onde assenta é demasiado numerosa para ser posta à borda do prato, como se nada fora. Luís Teixeira cumpre um verdadeiro serviço cívico, ao puxar as alternativas políticas para o centro do debate, principalmente quando o bipartidarismo costumeiro tem deixado um gosto bem amargo aos portugueses nestes dois últimos anos. José Luís Neto jornalosul@gmail.com

"Na mesa-de-cabeceira" LIVROS. Que a vida de Luiz Pacheco já merecia ser contada parece – e é – uma constatação óbvia; que o livro de João Pedro George, “Puta Que os Pariu! A Biografia de Luiz Pacheco”, fosse a obra que se esperava – e que o homem merecia – já é algo digno de discussão. Mas, vamos por par tes. É cer to e sabido que Pedro George não é um novato no assunto Pacheco – este é um, aliás, acerca do qual este tem alimentado, sofregamente, faz já alguns anos, uma carreira duvidosa. A presente obra, «par te» de uma tese de doutoramento, é o resultado final dessa tão devota dedicação. Infelizmente, o academismo – o qual em Portugal é praticamente sinónimo de mal escrever – nota-se. No fim, a leitura ressente-se, o leitor aborrece-se, e uma vida fascinante é reduzida a um amontoar de informação,

muitas vezes regurgitada de capítulo em capítulo. Porque, afinal, “A Biografia” não é exactamente, e como se desejava, “uma biografia” de uma vida muitas vezes levada ao limite por dedicação às letras, mas antes uma dissecação médica e analítica de um homem em temas e facetas – o mulherengo, o crítico, o editor, o escritor «maldito». É pena. [João Pedro George, “Puta Que os Pariu! A Biografia de Luiz Pacheco”. Tinta-da-China, 2012.] FILMES. Na cidade de Toronto, Canadá, Scott Pilgrim (o genial Michael Cera) namora com uma liceal, faz parte de uma banda e joga videojogos. No resto do tempo, preguiça no apartamento que partilha com o seu amigo gay Wallace (Kieran Culkin). A sua vida é simples, mas marcada por um coração destroçado. Isto, claro, até ao dia em que uma nova ra-

pariga surge na cidade: Ramona Flowers (a belíssima Mary Elizabeth Winstead – e quem o poderá julgar?). A partir daí tudo se complicará. Ramona, ela própria, é atormentada por uma certa bagagem emocional da qual tenta fugir (e sim, é um eufemismo). Para a conquistar, Scott não terá outro remédio senão enfrentar o passado de ambos, e no caso específico de Ramona, de lutar (de forma literal) contra os seus sete maléficos ex-namorados determinados em controlar a sua vida amorosa. Nota curta: “Scott Pilgrim vs. the World” é a adaptação cinematográfica da novela gráfica criada por Bryan Lee O’Malley. Nota longa: com uma estética de cultura pop / rock que mistura ares de videojogo e romance gráfico, este é tão só um dos mais brilhantes e divertidos produtos cinematográficos dos últimos

anos, que demonstra de forma talentosa a necessidade de enfrentar o passado para que se possa viver o futuro. [“Scott Pilgrim vs. the World”. Director: Edgar Wright. 2010.] MÚSICA. Por norma, não me considero que grande apreciador de música electrónica –caracterizemo-la assim, de forma redutora e vagamente depreciativa. É claro que existem excepções: Daft Punk, Apollo 440, Rob Dougan (um pequeno génio) e, claro, AIR, a dupla francesa composta por Nicolas Godin e Jean-Benoit Dunckel. Não foi necessário muito para que AIR me conquistasse: digamos um filme, “The Virgin Suicides” de Sofia Coppola, e uma música em particular que o embalava, “Playgroud Love”. (E seria necessário mais?) Agora, como na altura, é uma obra cinematográfica quem despoleta do duo uma nova composi-

ção musical – um cruzamento à sua medida, diga-se. Esta é uma versão estendida de uma banda sonora originalmente criada para acompanhar a recente reedição restaurada do já clássico “Le voyage dans la lune” (1902) de Georges Méliès, e ao qual, naturalmente, este novo álbum vai retirar o seu nome. Não se pense no entanto que tal facto restringe a obra: com ou sem filme, este é um álbum que se ouve com o mesmo desmedido deleite. [AIR, “Le Voyage dans la Lune”. Virgin, 2012.] Tiago Apolinário Baltazar Estudante Universitário

FICHA TÉCNICA: Propriedade e Editor: Prima Folia - Cooperativa Cultural, CRL . Morada: Rua Fran Paxeco nr 178, 2900 Setúbal . Telefone: 963683791/969791335 . NIF: 508254418 . Director: António Serzedelo . Subdirector: José Luís Neto, Leonardo da Silva Consultores Especiais: Fernando Dacosta e Raul Tavares . Conselho Editorial: Catarina Marcelino, Carlos Tavares da Silva, Daniela Silva, Hugo Silva, José Manuel Palma, Maria Madalena Fialho, Paulo Cardoso . Director de Arte: Dinis Carrilho . Consultor Artístico: Leonardo Silva . Morada da redacção: Rua Fran Pacheco n.º 176 1.º andar 2900-374 Setúbal . E-mail: jornalosul@gmail.com . Registo ERC: 125830 . Depósito Legal: 305788/10 . Periodicidade: Mensal . Tiragem: 45.000 exemplares . Impressão: Empresa Gráfica Funchalense, SA – Rua Capela Nossa Senhora Conceição, 50 – Moralena 2715-029 – Pêro Pinheiro


FEV 2012

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Cultura 07 Resistência ou Lockout cultural? uma paralisação patronal, que, já agora, é proibida por lei em Portugal. No caso de Graça Moura, outra vez: não se tratou de “greve”mas de um lockout... cultural. Todavia:Acordo ortográfico? “Pára” aí! Ao contrário de Graça Moura, não é por questões de “patriotismo”... Patriotismo? Se querem fazer algo em matéria de “patriotismo” sigam o exemplo dos brasileiros: insurjam-se contra as palavras estrangeiras na publicidade, e por aí adiante, sempre que há termos em português. Exijam que a comunicação social proteja a língua, para que a “norma”escrita se expanda ao contrário dos anglicismos idiotas com que nos prendam diariamente. Resiliência aos “brasileirismos”? Só se for para rir, no Brasil há muitos que o criticam e com argumentos menos estúpidos do que o “patriotismo”. Não culpem os brasileiros, deixem-nos em

Aatitude de Vasco Graça Moura de impor aos funcionários do Centro Cultural de Belém que fosse retirado dos computadores o corrector ortográfico com o novo Acordo Ortográfico continua a ser celebrada em alguns fóruns como um “acto de resistência” em relação ao controverso acordo. Erradamente. Não há “resistência”nenhuma quando se impõe aos subordinados as suas próprias convicções. Faz lembrar a célebre “greve dos camionistas”, assim denominada na imprensa, que não era uma greve mas um movimento reivindicativo dos proprietários dos camiões. Então, toda a Comunicação Social se esqueceu de que a paralisação também afectou os empregados, os motoristas das viaturas, que não foram tidos nem achados para a perda do seu salário em consequência da falta de actividade que lhes foi imposta. Em rigor, tratou-se de um lockout ,

paz. Os que melhor escrevem em português fazem-no em português do Brasil, e com o “trema”... e o tal gerúndio que alguns imbecis acham “brasileiro”porque só conhecem o Alentejo das anedotas. Não gosto do acordo ortográfico em nome da diversidade - uma espécie de amor à biodiversidade mas com letras. Não vejo nele a distinção saudável das pronúncias portuguesa e brasileira: onde eu lia o cru “diréção”europeu, leio agora “dirêção” porque se avacalhou a sílaba tónica... e já nem me permitem adivinhar em “direção” a pronúncia da “dirêção” brasileira. O Acordo Ortográfico é um híbrido de plástico sem alma. Uma uniformização que só serve os editores. Além disso, e sem me meter nos “pormenores técnicos”, não gosto do acordo porque muitas das soluções que propõe são estapafúrdias e “esteticamente”caricatas, como o “para”que pode ser “pára”e “depende do contexto”...

como os “espetadores” que acho que só deviam existir nas touradas - cujos “espetadores”espero que tenham cada vez menos espectadores. Por outro lado, pressinto que no futuro os nossos estudantes perceberão pior qual a razão por que os ingleses e franceses mantêm o “c”em “direction”, que suspeito que seja a mesma pela qual os castelhano-escritores o fazem em “dirección”. Perante a evidência (do que é evidente - não a tradução errada do equivalente inglês para “prova”como se vem lendo cada vez mais nas legendas e se ouve nos telejornais) só posso chegar à conclusão de que as academias das três línguas mais faladas pela Humanidade são umas atrasadas ao pé dos iluminados que pariram o acordo. Regressando ao ídolo “resistente”do momento. Vasco Graça Moura impôs (sublinho: impôs) aos seus subordinados

No Cine-Teatro S. João

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PS: Desculpo-me desde já quanto ao atrevimento e à “ignorância técnica” acerca deste assunto.Vejam a coisa deste modo: não é preciso ser mecânico para conduzir um carro, pois não? Mas há que, mesmo assim, ter o cuidado de vigiar o nível dos fluidos debaixo do capot – assim mesmo, em francês e em itálico. José Tavares da Silva

Gerson Santos no Festival da Canção

Homenagem a Victor Serra Na tarde de 29 de Janei - Esquerdista assumido, encarro de 2012, no Cine-Teatro S. nava em si toda uma tradição João, em Palmela, decorreu o anarco-sindicalista e libertá15.º Festival da Canção Infanto ria, que tanto modelou Setúbal Juvenil de Palmela, organiza- desde finais do Século XIX. A sala estava muito bem do pelo Grupo de Animação e composta, o que pelo Teatro Espea p r a z r e g i s t a r. O lho Mágico, onde Victor Serra, evento teve início se aproveitou para com o “Feiticeiro prestar uma justís- recentemente de Oz”, peça que sima homenagem a falecido, foi venceu o Concurso Victor Serra. Victor uma pessoa Serra, recentemenintimamente ligada Nacional de Teatro da Fundação Inatel. te falecido, foi uma ao desenvolvimento Tr a t a - s e d e u m a pessoa intimamenadaptação livre de te ligada ao desen- cultural e às causas Céu Campos da cévolvimento cultural políticas, em lebre obra de Frank e às causas políti- Setúbal Baum. A peça é um cas, em Setúbal. Intrinsecamente ligado ao Cír- musical em torno do valor da culo Cultural de Setúbal, poeta amizade, destinada a uma faitalentoso, crítico de pena afia- xa etária infantil, entre os 4 e os 12 anos de idade. A cenograda, não era par ticularmente estimado pelo meio político fia merece rasgado elogio, bem e cultural mais conservador. como a caracterização, que é

que não fosse cumprido o acordo. Não gostei porque também não gostaria que o meu patrão me impusesse o contrário. Além disso, estas coisas da resistência só têm pinta quando um gajo arrisca alguma coisa. O que não foi o caso.

fiel a uma obra clássica, que bem deve ser conhecida pelas gerações mais novas. O concurso decorreu com naturalidade, havendo algumas interpretações de monta, mas onde prevaleceu o espírito de partilha sobre a competitividade, tendo sido ainda declamados alguns poemas de Victor Serra, que ali congregou gentes das mais diversas áreas culturais e políticas, demonstrativo do reconhecimento pelo seu relevante contributo e obra. José Luís Neto jornalosul@gmail.com

A 10 de Março de 2012 terá lugar o 48.º Festival da Canção, promovido pela RTP. Um ano após este ter sido profundamente marcada por “A Luta é Alegria” de “Os Homens da Luta”, esta edição irá apresentar doze finalistas dos 400 que se apresentaram. Dos doze, três vieram por entrada automática, mercê de terem ganho concursos que davam acesso directo caso de “Operação Triunfo”, “Você na TV” e “Ídolos”. O júri, composto por Fernando Martins, Ramon Galarza e José Poiares, seleccionou os restantes nove intérpretes, onde se conta Gerson Santos, jovem cantor setubalense, que já antes se havia feito notar. Propomos, portanto, um grande apoio a este menino de dezoito anos através da associação a http://www.facebook.com/ gersonmelosantos. José Luís Neto jornalosul@gmail.com



O Sul Fevereiro nº 19