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PRECEPTORES

gabrielle de bergerac seguido de

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Henry James

P R E C E P TO R E S g abrielle de berg erac seguido de

o disc ípulo

tradução e apresentação

Aníbal Fernandes


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TÍTULOS DOS ORIGINAIS: GABRIELLE DE BERGERAC E THE PUPIL

© SISTEMA SOLAR, CRL RUA PASSOS MANUEL, 67B, 1150-258 LISBOA tradução © ANÍBAL FERNANDES, 2017 NA CAPA: PINTURA DE JEAN BAPTISTE GREUZE, 1755 REVISÃO: ANTÓNIO D’ANDRADE 1.ª EDIÇÃO, OUTUBRO 2017 ISBN 978-989-8833-13-6 DEPÓSITO LEGAL 433363/17 ESTE LIVRO FOI IMPRESSO NA ACDPRINT RUA MARQUESA DE ALORNA, 12-A 2620-271 RAMADA PORTUGAL


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Muitos anos depois de a velha Grécia ter dado a conhecer a democracia (a atitude social e política que a todos se propõe «tratar de igual maneira»), ela foi inscrita em muitas leis fundamentais mas sempre e habilmente contrariada por uma forte consciência de classe. Sim, os cidadãos teriam de ser iguais perante a lei, mas havia que marcar muito visíveis diferenças conferindo aos de melhor nascimento ou melhores finanças uma marca distintiva, isolá-los da ralé, defendê-los da promiscuidade de um convívio que incomodasse a sua requintada maneira de estar no mundo. Os transportes públicos teriam de dividir-se por classes, a primeira com bilhetes de preço mais elevado e pouco apetecível a bolsas menos largas; nas casas de espectáculos chegou-se à invenção do camarote, espaço bem demarcado que impedia indesejáveis convivências com outros espectadores. E em tempos áureos de modistas e alfaiates imperou para esta diferença a roupa por medida, muito competente a envolver o corpo e a desafiar a veleidade de qualquer prega não prevista no modelo. Dizia-se: «Ela é uma senhora», «ele é um cavalheiro». Todo este esforço dissuadia misturas que confundissem os níveis altos e baixos da folga financeira e os diferentes princípios directores dos comportamentos. E, como era previsível, teria esta atitude elitista de estender-se à educação. Em tempos que não exigiam aos mundos do trabalho e do êxito social um certificado comprovador de estudos académicos, de bom-tom era mostrar


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que se dispensavam as más convivências do ensino público, fazendo tudo passar-se em ambientes domésticos e com mestres privativos. Nasceu assim o preceptor. O preceptor dos antigos gregos e latinos era em geral um escravo liberto com conhecimentos suficientes para aproximar os jovens das suas letras e da sua erudição. A Idade Média, cheia de homens religiosos, preferiu neste papel os capelães. Mas a Idade de Ouro do preceptor foi a época do Renascimento. Havia, quanto a artes e a ciências, uma vontade colectiva de chegar mais alto, dando a estes mestres de casa rica um imprescindível papel. Começam depois as opiniões a dividir-se. Rousseau, que se estendeu sobre este tema no seu Émile ou de l’éducation de 1762, preconizou que era preferível o mestre «de cabeça bem formada ao de cabeça bem cheia» e, a exigirem-se ambas as coisas, houvesse mais sobre costumes e entendimento do que ciência. Mas seria preferível tudo isto sem um preceptor. No final do século XIX e no princípio do século XX, a literatura muitas vezes se lembrou de preceptores e preceptoras para contar histórias de particulares relações entre mestre e aluno, ou — mais apreciadas ainda pelo leitor romântico — de afectos socialmente reprovados entre a preceptora e o seu patrão, e com maior audácia entre a patroa e o preceptor. Teremos de lembrar-nos aqui de Jane Eyre de Charlotte Brontë, o romance que entusiasmou e persiste como clássico, mostrando aquele Mr Rochester e o mistério da sua mulher louca, a preceptora apaixonada que não se atreve a tornar explícito o seu amor inadmissível numa sociedade hierarquizada, só desculpável depois do grande senhor diminuído até ao estado de cegueira e em plena decadência física e material. D.H. Lawrence censura com violência esta envergonhada atracção afectiva e sexual; e cita-a no seu ensaio «Pornography and Obscenity»


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como exemplo do triunfo de tacanhos «bons costumes», ocultadores da pornografia vitoriana. Momentos de literatura mais leve também exploraram com êxito estes afectos ambíguos entre preceptoras e patrões. Em 1938, por exemplo, Rachel Field publicou All this and Heaven Too, best-seller que fazia de uma preceptora inocente a possível inspiradora de um crime, e que ainda teve as suas vendas acrescentadas depois de um filme de Anatole Litvak que juntou, em 1940, Charles Boyer e Bette Davis; em 1959 Margaret Landon inventou a história de Anna and the King of Siam, romance onde os encantos de uma jovem viúva europeia conseguem dissolver a severidade de um rei que só percebia a mulher restringida à realidade múltipla do seu harém. A dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein passou mais tarde este romance a musical, com o título The King and I, e depois de sentir nos bolsos o favor prestado por estas preceptoras com vitórias que demoliam hierarquias, regressou aos palcos com uma variante do mesmo esquema noutro musical de 1959: The Sound of Music, este inspirado nas memórias de Maria von Trapp, dez anos antes conhecidas em livro com o título The Story of the Trapp Family Singers. Em Henry James, nas histórias de Henry James, há preceptores e preceptoras, a mais célebre com voz de narradora da novela The Turn of the Screw, e intromete-a num ambiente de fantasmas onde fica isenta de um qualquer sopro amoroso. Mostra-a, em contrapartida, a enfrentar um caso de possessão dupla onde dois apaixonados persistem na vontade do entendimento físico pós-mortem, ocupando com os seus espíritos duas crianças irmãs que os tinham conhecido como preceptores. Com este singular momento, James fez-se autor de uma das mais subtilmente perversas histórias da literatura inglesa.


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Nele encontramos, porém, dois exemplos de preceptores que sobressaem neste conjunto de personagens com um comportamento lateral aos modelos que a literatura mais vezes explorou. Um em «Gabrielle de Bergerac», o seu décimo quarto relato (publicado em 1869 pela revista The Atlantic Monthly e nunca recolhido em livro durante a vida do autor); outro em «O Discípulo», publicado pela primeira vez em 1891 no Longman’s Magazine. «Gabrielle de Bergerac» conta uma história escrita por um Henry James com vinte e seis anos de idade; ou seja, da época em que ele se resolvia, perturbado por algumas hesitações, a dar à escrita um papel que a faria surgir como sua ocupação central. Esta circunstância, reconhecível no estilo da prosa e na emoção romântica da história, levou-o a optar pela sua exclusão do conjunto a que ele próprio chamou as suas Obras Completas e a dar-lhe o involuntário destino de ser impressa como livro apenas em 1918, dois anos depois da sua morte. Não obstante este lugar muito do início da sua carreira literária, «Gabrielle de Bergerac» surge com uma característica que viria a tornar-se persistente ao longo de toda a sua obra, ou seja, a narrativa contada a partir de um ponto de vista associado a uma das suas personagens. Acrescente-se-lhe ainda a singularidade de desenrolar a sua acção apenas entre franceses (só o narrador do narrador escapa a esta nacionalidade), escolha rara numa vincada tendência para histórias que exploram diferenças de comportamento entre americanos e europeus; as que significam sempre, na sua perspectiva de autor, a «decadência» e a «renovação» de dois povos, um envelhecido e agarrado a tradições de velho continente, outro disposto ao exemplo do homem nascido num novo mundo. Este binómio, que as histórias de James nos habituaram a ver balanceado entre dois continentes, persiste aqui


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mas deslocado: substituído pelo confronto de classes numa França que nessa época, véspera da sua radical Revolução, representava como nenhum outro país da Europa a triunfante coexistência do mais elevado refinamento de maneiras e uma implacável tirania defensora da separação de classes — ideal cenário para o conflito de «amor impossível» entre Coquelin, preceptor plebeu, e a aristocrata irmã de barão, que justifica as emocionadas páginas de «Gabrielle de Bergerac». Esta história dos começos do autor Henry James também nos mostra a sua preferida criança complexa (muitas vezes mais complexa do que os adultos da sua convivência) a primeira entre as que ele viria a criar em The Turn of the Screw, What Maisie knew ou no conto «O Discípulo» que integra este volume; crianças abandonadas pela indiferença paterna e que a outros distribuem o papel de personagens centrais da sua vida — aquelas que muitos estudiosos da obra de James reconhecem como uma inequívoca referência autobiográfica. A narrativa de «Gabrielle de Bergerac» tem por vezes o tom enfático da linguagem teatral e circunscreve-se a um espaço limitado (apenas duas vezes interrompido), que lembra o huis-clos de um drama dividido em três partes, como era habitual nos actos do teatro dessa época, género que o Henry James dos seus começos de escritor muito prezava. Mas já nesta novela de jovem autor romântico ele mostra pouco entusiasmo pelos previsíveis finais felizes; James constrói um jogo que ilude o leitor e nega-lhe o mais confortável às convenções do género. Imagina uma jovem aristocrata atípica, que oscila entre a timidez da sua mocidade moldada por preconceitos de classe e um temperamento de firmes decisões que os hostilizam, e um Coquelin plebeu, assombrado pela memória das humilhações que vergaram os seus antepassados; mas estas condi-


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ções psicológicas, previsivelmente favoráveis ao êxito numa França revolucionária e com um programa apontado à derrocada de todos os velhos valores sociais, tem afinal um desfecho oposto, o que rodeou de má sorte a turba dos girondinos. Vinte e dois anos mais tarde, numa altura em que James deambulava pela Itália, foi-lhe soprado o tema que se desenvolve em «O Discípulo». No ano de 1890, e num daqueles verões quentes que fazem transpirar os turistas de Florença, Henry James conheceu William Wilberforce Baldwin, um médico americano que dispensava intérpretes aos americanos doentes, ansiosos por recuperar um estado de saúde compatível com a energia que lhes era pedida pelas suas deambulações italianas. Este médico incitou James a acompanhá-lo num périplo que os seus conhecimentos sobre a civilização etrusca prometiam distanciar dos circuitos dos guias oficiais. Conta James que andou de comboio, de carruagem puxada por cavalos e a pé bastante mais do que o seu sedentarismo apreciava. Pelas mãos daquele médico tinha passado toda uma geração de americanos, e as encaloradas prostrações de James ficavam mais macias com histórias da sua muito rica convivência profissional. Mais tarde, quando James organizou e prefaciou as suas Obras Completas, deixou-nos elementos sobre a génese de «O Discípulo». Ao que me parece, diz ele, a minha criança traquinas de «O Discípulo» (1891) tem uma abundante sensibilidade — e, julgo eu, ainda preserva apesar dela a sua forte qualidade de pequeno ser masculino. Existem no entanto cinquenta coisas que a tal respeito deveríamos dizer; que aliás se dirigem impetuosamente ao meu encontro com espessas nuvens dentro do


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que são os meus actuais estreitos limites, e que pedem uma vasta devastação do terreno. Talvez se não trate mais do que a retrospectiva sensação do assalto feito ao meu espírito, como bem recordo, por cada um dos aspectos dessa visão original que me feriu, dotada de uma abundância de aspectos. Para mim essa visão ainda está viva, tal como da primeira vez que sobre mim desceu; apesar da sua inimitável palpitação primeira, como que tem um ar de inefável sinal feito pelo imediato bater de asas da forma imaginária que acaba de pousar, o que faz dela uma destas cauções com um valor que não poderá ser alguma vez recuperado. Foi um sinal feito ao único vidente — é este o seu estranho trabalho. Como qualquer relato feito a outros ainda não envolvidos nele, só pode ter um efeito de insipidez idêntica àquele que provoca, entre um grupo reunido sob a abóbada celeste nocturna, qualquer desgarrada alusão a uma estrela cadente. O milagre, pois aparência de milagre isto tem, só o será para quem soltar a cândida exclamação. Seja como for, para o autor de «O Discípulo» o milagre deu-se quando num dia do Verão de alguns anos já passados, na carruagem muito quente de um comboio italiano que parava e mandriava em todo o lado, favorecendo a necessidade de conversa, um amigo com quem eu a partilhava, um médico que se tinha instalado em Florença vindo de um país distante, começou a falar-me de uma maravilhosa família americana, um estranho, aventureiro e extravagante bando com altas mas não muito confirmadas pretensões, que tinha como mais interessante membro um rapazinho perspicaz e precoce, incomodado por um coração de fracas capacidades mas com uma encantadora inteligência, que via aquela vida deambulatória e


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precária exactamente como ela era, avaliando-a e julgando-a, avaliando-os e jogando-os a eles de uma ponta à outra e até da mais impertinente forma; para resumir, apresentando-se ele próprio como uma extraordinária pequena criatura. Mesmo numa velha Itália, isto mais do que bastava para um dia de Verão — era uma enorme e inesperada dádiva. Nenhum processo evolutivo nem quaisquer degraus intervieram; logo ali eu pude ver o pequeno Morgan Moreen, vi todos os restantes Moreen; senti, até ao derradeiro dos seus delicados pormenores, qual era a natureza das relações que o meu jovem amigo tinha com eles (tornou-se bem depressa o meu jovem amigo) e, numa mesma pancada e até às suas mais remotas e delicadas pulsações, a sujeição que teria perante ele, e certamente sob o império da compaixão, o jovem seduzido, atordoado, ludibriado, não remunerado, e ainda assim ricamente pago, levando-o a embarcar com a tribo, preceptor com edificantes conexões que constituiriam o meu principal documento. Só consigo contribuir com isto para o relato sobre a origem de «O Discípulo»; ele próprio, acho eu, faz o seu comentário às pessoas imaginativas e com capacidade de visualização, que tenham passado — e que pessoas imaginativas e com capacidade de visualização não passaram? — por uma qualquer experiência como esta, onde existe um absoluto de percepção subitamente determinado. Em tais ocasiões nasce de uma só vez todo o feixe de sucessivos elementos construtores da sua imagem; as partes não são reunidas num conjunto, conspiram e tornam-se interdependentes; mas, sem dúvida, o que realmente acontece é que um simples toque, uma velha e latente impressão adormecida, um sepultado germe implantado pela


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experiência e depois esquecido, brilhos súbitos à superfície como os de um peixe, simples «contorção», ascensões rumo ao anzol com isco, ali encontram instantaneamente o raio vivificador. Lembro-me, em todo o caso, de não ter nenhuma dúvida sobre nada nem sobre quem quer que fosse; a visão manteve até ao fim o seu desafogo e a sua sedução; fez sobre si própria e confiadamente o seu trabalho. De regresso a Londres no fim do Verão de 1890, James escreveu «O Discípulo» e publicou-o no ano seguinte no Longman’s Magazine, envolvendo o pequeno Morgan Moreen em memórias da sua própria infância com longos períodos passados em quartos de hotel europeus e ao sabor das contingências de uma irreprimível vocação turística que arrancava o seu pai às «menoridades culturais» da vida americana. A fama póstuma que nos princípios do século XX foi concedida a Henry James e o arrastou até ao reconhecimento das suas qualidades e singularidades como escritor, pôs em destaque «O Discípulo», e o seu virtuosismo técnico; deu origem a entusiasmos como o de Robert Gale, que o considerou «um dos melhores contos alguma vez escritos»; deu lugar a controvérsias sem resultados conclusivos, interessadas em decidir se há ou não há nele um subjacente tema homoerótico; deu origem, em 1996, às apreciáveis belezas formais de um filme do realizador francês Olivier Schatzky. Mas «O Discípulo» é também a coragem de conceder ao comportamento de Mr Moreen a gelada ironia que se dispara sobre a sua frase final: passado este primeiro momento, aceitou a perda como um homem do mundo. A.F.


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GABRIELLE DE BERGERAC


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PRIMEIRA PARTE

Com as suas roupas de flanela branca, a peruca «levantada», como costuma dizer-se de uma mesa de jantar, com uma touca carmesim, durante alguns momentos o meu velho amigo sentou-se a contemplar o fogo. Acabou por erguer o olhar. Eu sabia o que estava prestes a acontecer. — A propósito, essa pequena dívida que eu tenho… Não é que fosse uma dívida muito pequena. Mas M. de Bergerac era um homem de honra e não ignorava que eu devia receber o que me era devido. Teve a franqueza de dizer que não via nenhum meio, quer no presente, quer no futuro, de me reembolsar em dinheiro líquido. Como tesouro só possuía as suas pinturas; quereria eu escolher uma delas? Ora, durante três Invernos e duas vezes por semana eu não tinha passado uma hora na pequena sala de M. de Bergerac sem ficar ciente de que as pinturas do barão, se exceptuarmos um caso, eram de muito sofrível mérito. Por outro lado, seduzira-me bastante a pintura que fazia essa excepção. Sabendo no entanto que se tratava de um retrato de família, eu hesitava em reclamá-lo. Recusei-me a escolher. Mas como M. de Bergerac insistiu, acabei por apontar com o dedo a encantadora imagem da tia do meu amigo. É claro que insisti também com M. de Bergerac, dizendo-lhe que o retivesse durante o resto da sua vida; e por causa disto só depois de ele falecer ficou na minha posse. Está


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pendurado por cima desta mesa e basta-me, enquanto escrevo, deitar um olhar ao rosto da minha heroína para sentir como é inútil tentar descrevê-lo. O retrato, com dimensões vários graus abaixo do tamanho natural, representa a cabeça e os ombros de uma rapariga de vinte e dois anos. Embora a execução da obra não possua nenhuma força que a singularize é bastante respeitável, e vê-se sem dificuldade que o pintor apreciava profundamente a personalidade daquele rosto. A sua expressão é mais interessante do que bela — testa larga e desafogada, olhos um pouco proeminentes, todas as feições marcadas, firmes e cheias no entanto de gentileza. Tem a cabeça levemente atirada para trás, como se estivesse em movimento, e lábios entreabertos num meigo sorriso. No entanto, apesar deste meigo sorriso sempre imaginei que se tratava de uns olhos tristes. O cabelo, penteado sem pó, está atrás enrolado num postiço alto (ao que suponho) e por cima da orelha esquerda enfeitado com uma simples rosa branca; mas do outro lado uma pesada trança cai atrás do pescoço com uma liberdade que tem qualquer coisa de pastoril. O pescoço é esguio e roliço, os ombros um tanto largos. Em todo o rosto parece haver um ar que é mistura de suavidade e decisão, e dir-se-ia que ele revela uma natureza com tendências para o devaneio, o afecto e a calma, embora capaz de actuar e até de heroísmos. Mlle de Bergerac morreu sob o machado dos terroristas. E agora, que me encontro na posse de uns quantos elementos respeitantes a esta singular memória da sua vida, sinto uma natural curiosidade pelo seu carácter e pela sua história. Teria M. de Bergerac conhecido a sua tia? Lembrar-se-ia dela? Será pedir um tributo pesado à sua natural bondade sugerir-lhe que me faça o favor de comunicar


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Gabrielle de Bergerac

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algumas das suas reminiscências? O velho homem pousou no fogo um olhar fixo e na minha mão a sua, como se a memória se resignasse a escavar em duas fontes — no clarão avermelhado do meu vivo sangue jovem e num certo calor vital e estimulante. Chegou-lhe aos lábios um magnífico sorriso cheio de brandura e apertou-me a mão. Senti-me, por um motivo qualquer — dificilmente saberei qual — emocionado até às lágrimas. Mlle de Bergerac fora uma figura familiar à infância do seu sobrinho; e um importante acontecimento da sua vida tinha dado vulto a qualquer coisa como um episódio dos seus jovens dias. Era uma história bastante simples e contou-a com uma terna e nostálgica loquacidade, assim como ela era e sem ir mais longe, recostado na cadeira e com os ponteiros do relógio a passearem pelas primeiras horas da noite. Registo-a tal qual a contou. E, na medida do possível, transmiti-la-ei na versão inglesa das palavras do meu amigo, embora tenha o leitor de passar sem o seu inimitável sotaque. Não há para ele tradução possível.

Se não contarmos com os criados, a casa em Bergerac do meu pai (chamavam-lhe barão) era formada por cinco pessoas — ele, a minha mãe, a minha tia (Mlle de Bergerac), M. Coquelin (o meu preceptor) e o pupilo de M. Coquelin, herdeiro da casa. Eu talvez devesse incluir M. Coquelin entre os criados. E bem certo é que a minha mãe o fazia. Pobre mulherzinha! Era muito senhora do seu nariz quanto a direitos de nascença. O seu nascimento era tudo quanto tinha porque lhe faltava saúde, beleza e fortuna. No que respeita ao meu pai, neste último ponto


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era muito insignificante; a propriedade de Bergerac só lhe rendia o bastante para se manter sem descrédito. Não dávamos festas e passávamos no campo todo o ano; e como a minha mãe decidira que a sua fraca saúde tantos favores lhe prestava como prejuízos, chamava-a à baila para desculpar tudo. Levávamos, no melhor dos casos, uma vida de um género simples e sonolento. Nesses velhos tempos, a fina gente rural tinha uma pavorosa quantidade de lazeres. Dormíamos muito; poderá dizer-se que dormíamos num vulcão. Era um mundo muito diferente deste novo mundo aberto que é o vosso, e posso mesmo afirmar que nasci noutro planeta. Sim, em 1789 houve uma grande convulsão; a terra estalou, abriu-se, ficou em pedaços, e este pobre e velho pays de France andou num turbilhão pelo espaço. Quando olho para trás, vejo a minha infância por cima de um abismo. Passei há três anos uma semana na minha região, numa casa de campo dos arredores de Bergerac, e a minha anfitriã levou-me de carro até ao local do castelo. A casa tinha desaparecido e estava lá construído um estabelecimento hemeopático, hidropático — como é que isto se diz?. Mas a pequena cidade existe, a ponte, o rio e a igreja onde me cristianizaram, a dupla fila de tílias na praça do mercado, e ao meio a ponte. Só há uma assinalável diferença: não é o mesmo céu. Nasci debaixo do velho céu. Era bastante negro, claro está, se tivéssemos olhos para o ver; mas confesso que para mim parecia de um divino azul. E era muito brilhante, de facto, o pequeno pedaço onde eu projectava a minha sombra juvenil. Uma pequena e bastante estranha sombra, pensaríeis vós. Eu era confusamente amimado e acarinhado. Era monsieur de chevalier e o provável futuro senhor de Bergerac; e, quando ia à igreja ao domingo, tinha no casaco uma dezena de jardas de


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I

O pobre rapaz hesitava e deixava o tempo correr: custava-lhe muito abordar o tema dos honorários, falar de dinheiro a uma pessoa que só falava de sentimentos e, ao que lhe pareceu, de aristocracia. Repugnava-lhe, no entanto, fazer as suas despedidas e dar o compromisso por concluído sem um olhar mais convencional sobre o rumo que ele desejaria encontrar sugerido no comportamento daquela senhora avantajada e afável, sentada à sua frente, que ia descalçando um par de sujas gants de Suède das mãos gordas cheias de anéis, e ao mesmo tempo acentuava e evadia todas as coisas repetindo-as vez atrás de vez, mas sem chegar ao que ele gostaria de ouvir. Gostaria de ouvir com que número ia definir-se o seu salário; mas quando se preparava para ferir nervosamente esta nota, o rapazinho voltou a aparecer — o rapazinho que Mrs Moreen tinha mandado sair da sala para procurar o seu leque. Voltou sem o leque e só com a casual observação de que o não tinha encontrado. Deixou sair da boca esta observação cínica, olhando de frente e com intensidade para o candidato que desfrutava a honra de se ocupar da sua educação. Personagem que desde logo pensou, e um tanto severamente, que a primeira coisa a ensinar ao pequeno aluno a seu cargo seria a forma de ele se dirigir à sua mãe quando falasse com ela — e, em especial, não lhe dar tão desajustadas respostas.


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Quando Mrs Moreen teve a ideia de recorrer a esse pretexto para se desembaraçar do seu companheiro, Pemberton supôs que o fazia para abordar precisamente o delicado tema da remuneração. Mas só o tinha feito para dizer, a respeito do seu filho, coisas que bem melhor seria um rapaz de onze anos não ouvir. Foram prodigamente elogiosas, excepto quando baixou a voz até ao murmúrio e lhe bateu com familiaridade no lado esquerdo do corpo: «Todo ele está ensombrado por isto, fique a sabê-lo; todo ele está à mercê de uma fraqueza!…» Pemberton concluiu que a fraqueza estaria na zona do coração. Ficou a saber que a pobre criança não era robusta, e convidavam-no nesta base a tomar conta dele; faziam-no através de uma senhora inglesa que ele conhecera em Oxford e ficou a par do que eram as suas necessidades e depois, em Nice, das que diziam respeito a esta amável família americana que procurava qualquer coisa de superior qualidade para as funções de preceptor residente. A impressão que o discípulo em perspectiva causou ao rapaz, quando entrou na sala como se fosse ele o interessado em ver pessoalmente Pemberton no momento em que era admitido, não correspondia em nada à amável recepção de que estava à espera. Havia em Morgan Moreen qualquer coisa de doentio sem ser «frágil», e o facto de parecer inteligente — é verdade que Pemberton não teria gostado de o achar estúpido — só reforçava a sugestão de que ele não conseguiria, com aquela grande boca e aquelas grandes orelhas, que lhe chamassem bonito; e de forma alguma, se não fosse inteligente, teria condições para agradar. Pemberton era modesto e até mesmo tímido; e a hipótese de o seu pequeno aluno lhe provar que era


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mais esperto do que ele, ocupava na sua ansiedade um lugar entre os perigos de uma ainda não enfrentada experiência. Reflectindo, chegou porém à conclusão de que seria este um dos riscos a correr por alguém com títulos universitários até ali estéreis sob o ponto de vista pecuniário, e que aceitava um lugar, como costuma dizer-se, no seio privado de uma família. Seja como for, quando Mrs Moreen se levantou para lhe dar a entender que o deixava naquele momento retirar-se por já estar assente que ele passaria, durante aquela semana, a desempenhar as suas funções, ele conseguiu fazer sair de si, apesar de a criança estar presente, uma frase sobre o montante dos honorários. Mas não foi devido à lucidez implícita no seu sorriso, que parecia levar em conta a alta qualidade daquela senhora, não foi devido a esta alusão de certa maneira vaga e ao mesmo tempo precisa, que ela pôde não soar como qualquer coisa um tanto trivial. Foi simplesmente por Mrs Moreen ainda mais graciosa se ter feito ao replicar: «Oh! Posso assegurar-lhe que tudo se passará de acordo com as regras.» Enquanto agarrava no seu chapéu, Pemberton só tentou imaginar o que era «tudo» em termos de dinheiro — tendo as pessoas ideias muito diferentes a tal respeito. No entanto, as palavras de Mrs Moreen pareciam comprometer a família com uma garantia bastante segura, o que extorquiu à criança um estranho e breve comentário moldado por uma exclamação trocista em língua estrangeira: «Oh-la-la!» Um tanto confuso, Pemberton deitou um olhar à criança que se dirigia para a janela, de costas voltadas e com lentidão, com as mãos nos bolsos e nos ombros uma adulta sensatez de rapaz que não brincava. O jovem pôs-se a pensar se estaria apto


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a ensiná-la a brincar, já que a sua mãe tinha dito que nunca o fazia e ser este o motivo que tornava uma escola qualquer coisa fora de questão. Mrs Moreen, que não deu mostras de se sentir desconcertada, limitou-se a prosseguir num tom amável: — Mr Moreen terá muito prazer em corresponder às suas expectativas. Como lhe disse, foi chamado a Londres pelo período de uma semana. Mal regresse discutirá isso com ele. Tanta franqueza e amabilidade havia nisto, que o jovem só conseguiu responder rindo-se como a sua anfitriã: — Oh, não imagino que tenhamos de travar uma grande batalha. — Eles vão dar-lhe tudo quanto quiser — disse inesperadamente o rapaz, saindo da janela. — Não ligamos nada a despesas… temos uma magnífica vida. — Meu querido, estás a armar-te em engraçado! — exclamou a sua mãe, estendendo uma mão prática mas ineficaz a fazer-lhe uma carícia. Ele esquivou-se, embora com um olhar de inocente inteligência posto em Pemberton, a quem já tinha sido dado tempo para observar como o pequeno rosto trocista parecia mudar de um momento para o outro de idade. Era naquele instante infantil, ainda que parecesse sob a influência de singulares conhecimentos e intuições. Pemberton, que tinha uma certa aversão a precocidades, ficou desapontado por encontrar centelhas disso num discípulo que não chegara ainda à adolescência. Não obstante, não adivinhava em Morgan quaisquer indícios de ser aborrecido. Provava, pelo contrário, que era uma fonte de agitações. Apesar de esta ideia lhe suscitar alguma repulsa, cativou-o.


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— Mas que criaturinha pretensiosa! Não temos extravagâncias! — protestou com jovialidade Mrs Moreen, fazendo outra inútil tentativa de atrair o rapaz para junto de si. — Fique a saber aquilo que o espera — continuou, dirigindo-se a Pemberton. — Mais vale contar com o menos possível! — foi esta a forma como o seu companheiro se intrometeu na conversa. — Mas somos gente fina. — Só o somos de acordo com a ideia que fazes disso! — respondeu Mrs Moreen num tom de trocista ternura. — Pois bem, na sexta-feira… não me diga que é supersticioso… não lhe passe pela cabeça faltar-nos. Nessa altura ficará a conhecer-nos a todos. Lamento que as raparigas tenham saído. Vai ter prazer em conhecê-las. E tenho outro filho, sim, muito diferente deste. — Ele tenta imitar-me — disse Morgan ao seu novo amigo. — Tenta? Como, se tem vinte anos! — exclamou Mrs Moreen. — És muito espirituoso — disse Pemberton à criança, afirmação que teve um eco entusiástico na sua mãe e fê-la declarar que as saídas de Morgan eram a alegria da casa. Deu a ideia de que o rapaz não lhe prestava atenção; limitou-se a perguntar de forma abrupta à visita, que mais tarde se surpreendeu por não o ter achado irritantemente precoce: — Sente muita vontade de vir para cá? — Consegues duvidar disso, depois de uma descrição como a que eu ouvi? — respondeu Pemberton. Mas não sentia nenhuma vontade de ir para lá. Graças ao colapso da sua fortuna, e depois de um ano no estrangeiro com


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o intuito de gastar o seu escasso património numa única onda bem cheia de experiências, ia para lá por ter de ir para algum lado. Tinha estado numa onda bem cheia, que o tinha deixado sem condições de pagar a conta da estalagem. Além disto compreendera que havia nos olhos do rapaz a centelha de um longínquo apelo. — Pois bem, farei por si o mais que puder — disse Morgan, dando uma volta para sair outra vez da sala. Fê-lo através de uma das grandes portas envidraçadas. Pemberton viu-o afastar-se, debruçar-se no parapeito do terraço e aí ficar enquanto ele se despedia da sua mãe, que interveio quando o viu na expectativa de poder dizer-lhe adeus: — É um génio… mas vai gostar dele — acrescentou. — É, de longe, a pessoa mais interessante da família. — E antes de ele formular qualquer coisa amável como resposta ao que ela tinha dito: — Embora sejamos todos boas pessoas, não sei se sabe! «É um génio… mas vai gostar dele!» Antes de chegar aquela sexta-feira, o nosso candidato tinha-se lembrado destas palavras que sugeriam, entre muitas outras coisas, que os génios nem sempre são pessoas de quem se gosta. Seria no entanto melhor que o génio fizesse de si um elemento capaz de tornar cativante o trabalho de preceptor; talvez tivesse dado por excessivamente garantido que só iria sentir lá desagradáveis sensações. Quando saiu da casa, depois da entrevista, levantou os olhos e viu a criança debruçada na varanda. — Vamos divertir-nos muito — disse na sua direcção. Morgan ficou um momento em silêncio e depois, com um ar satisfeito, retorquiu:


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ÍNDICE

Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

7

Gabrielle de Bergerac . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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O Discípulo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117


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Os génios, seguido de Exemplos, Victor Hugo O senhor de Bougrelon, Jean Lorrain No sentido da noite, Jean Genet Com os loucos, Albert Londres Os manuscritos de Aspern (versão de 1888), Henry James O romance de Tristão e Isolda, Joseph Bédier A freira no subterrâneo, com o português de Camilo Castelo Branco Paul Cézanne, Élie Faure, seguido de O que ele me disse…, Joachim Gasquet David Golder, Irene Nemirowsky As lágrimas de Eros, Georges Bataille As lojas de canela, Bruno Schulz O mentiroso, Henry James As mamas de Tirésias — drama surrealista em dois actos e um prólogo, Guillaume Apollinaire Amor de perdição, Camilo Castelo Branco Judeus errantes, Joseph Roth A mulher que fugiu a cavalo, D.H. Lawrence Porgy e Bess, DuBose Heyward O aperto do parafuso, Henry James Bruges-a-Morta — romance, Georges Rodenbach Billy Budd, marinheiro (uma narrativa no interior), Herman Melville Histórias da areia, Isabelle Eberhardt O Lazarilho de Tormes, anónimo do século XVI e H. de Luna Autobiografia, Thomas Bernhard Bubu de Montparnasse, Charles-Louis Philippe Greco ou O segredo de Toledo, Maurice Barrès Cinco histórias de luz e sombra, Edith Wharton Dicionário filosófico, Voltaire


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A papisa Joana — segundo o texto de Alfred Jarry, Emmanuel Rhoides O raposo, D.H. Lawrence Bom Crioulo, Adolfo Caminha O meu corpo e eu, René Crevel Manon Lescaut, Padre Prévost O duelo, Joseph Conrad A felicidade dos tristes, Luc Dietrich Inferno, August Strindberg Um milhão conta redonda ou Lemuel Pitkin a desmantelar-se, Nathanael West Freya das sete ilhas, Joseph Conrad O nascimento da arte, Georges Bataille Os ombros da marquesa, Émile Zola O livro branco, Jean Cocteau Verdes moradas, W.H. Hudson A guerra do fogo, J.-H. Rosny Aîné Hamlet-Rei (Luís II da Baviera), Guy de Pourtalès Messalina, Alfred Jarry O capitão Veneno, Pedro Antonio Alarcón Dona Guidinha do Poço, Manoel de Oliveira Paiva Visão invisível, Jean Cocteau A liberdade ou o amor, Robert Desnos A maçã de Cézanne… e eu, D.H. Lawrence O fogo-fátuo, Drieu la Rochelle Memórias íntimas e confissões de um pecador justificado, James Hogg Histórias aquáticas — O parceiro secreto, A laguna, Mocidade, Joseph Conrad O homem que falou (Un de Baumugnes), Jean Giono O dicionário do diabo, Ambrose Bierce A viúva do enforcado, Camilo Castelo Branco O caso Kurílov, Irène Némirowsky Nova Safo — tragédia estranha, Visconde de Vila-Moura A costa de Falesá, Robert Louis Stevenson Gaspar da Noite — fantasias à maneira de Rembrandt e Callot, Aloysius Bertrand Rimbaud-Verlaine, o estranho casal O rato da América, Jacques Lanzmann As amantes de Dom João V, Alberto Pimentel Os cavalos de Abdera e mais forças estranhas, Leopoldo Lugones


Henry James, «Preceptores — Gabrielle de Bergerac seguido de O Discípulo»  

Em tempos que não exigiam aos mundos do trabalho e do êxito social um certificado comprovador de estudos académicos, de bom-tom era mostrar...

Henry James, «Preceptores — Gabrielle de Bergerac seguido de O Discípulo»  

Em tempos que não exigiam aos mundos do trabalho e do êxito social um certificado comprovador de estudos académicos, de bom-tom era mostrar...