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ISSN 1984-0004

Foto: Manfred Majowski

Publicação bimestral do Sindicato Rural de Guarapuava Ano VII - Nº 38 - Ago/Set 2013 Distribuição gratuita


Guarapuava | Marechal Floriano Peixoto, 2110 - Centro - 3623 8663 Pinh達o | Av. Trifon Hanysz, 131 - Centro - 3677 3772 Pitanga | Av. Brasil, 861 - Centro - 3646 1966


Klaus Pettinger

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Manchete

Inverno branco!

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EXPOGUA 2013

66

Novas fronteiras agrícolas

83

Mercado agrícola

86

Evento técnico

94

Madeira

“Essa foi a melhor edição dos últimos anos”, avalia presidente

“De mala e cuia” para Tocantins

Vender ou não vender?

Feijão competente

Em debate, uma cooperativa florestal


editorial ISSN 1984-0004

[expediente] DIRETORIA: • Presidente: Rodolpho Luiz Werneck Botelho • 1º Vice presidente: Josef Pfann Filho • 2º Vice presidente: Anton Gora • 1º Secretário: Gibran Thives Araújo • 2º Secretário: Luiz Carlos Colferai • 1º Tesoureiro: João Arthur Barbosa Lima • 2º Tesoureiro: Jairo Luiz Ramos Neto • Delegado Representante: Anton Gora • Conselho Fiscal: - Titulares: Ernesto Stock, Nilceia Mabel Kloster Spachynski Veigantes E Lincoln Campello - Suplentes: Roberto Hyczy Ribeiro, Alceu Sebastião Pires de Araújo e Cícero Passos de Lacerda Endereço: Rua Afonso Botelho, 58 - Trianon CEP 85070-165 - Guarapuava - PR Fone/Fax: (42) 3623-1115 Email: comunicacao@srgpuava.com.br Site: www.srgpuava.com.br Extensão de Base Candói Rua XV de Novembro, 2687 Fone: (42) 3638-1721 Extensão de Base Cantagalo Rua Olavo Bilac, 59 - Sala 2 Fone: (42) 3636-1529 Editora-Chefe: Luciana de Queiroga Bren (Registro Profissional - 4333)

Redação: Helena Krüger Barreto Luciana de Queiroga Bren Manoel Godoy Fotos: Assessoria de Comunicação SRG / Luciana de Queiroga Bren / Helena Krüger Barreto / Manoel Godoy Projeto Gráfico e Diagramação: Roberto Niczay Prêmio|Arkétipo Agência de Propaganda Impressão: Midiograf - Gráfica e Editora Tiragem: 3.400 exemplares

Os artigos assinados não expressam, necessariamente, a opinião da REVISTA DO PRODUTOR RURAL ou da diretoria do Sindicato Rural de Guarapuava. É permitida a reprodução de matérias, desde que citada a fonte.

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Revista do Produtor Rural

Da euforia da neve aos preços dos grãos

A

neve. Em meio a euforia da população em geral, produtores preocupados com o que estava por vir... nos dias seguintes, fortes geadas chegaram para completar o cenário. E o trigo, a cevada, a canola, a pastagem, a floresta, as verduras?

Na hora da euforia, somente os produtores (e provavelmente os técnicos) lembraram dos produtores. A corrida aos campos foi automática e os impactos da novidade que projetou Guarapuava no cenário nacional ainda estão sendo sentidos... Mesmo sabendo que trigo e cevada suportam temperaturas baixas, os produtores precisavam ver de perto como estavam as plantas em desenvolvimento vegetativo. Como pais da lavoura, todos foram correndo ver se a sua não tinha “se machucado” naquela noite branca. A expectativa ainda é a de que não tenhamos grandes surpresas na produção. Aveia, canola, pastagem de verão e hortifruti não resistiram, em sua grande maioria. Contudo, os primeiros resultados, por aqui, nas culturas de inverno, não foram tão ruins, comparados aos de outras regiões do Estado (devido ao nosso plantio mais tardio). Lavouras de trigo com bom potencial de remuneração. A neve se foi, os comentários e fotos continuaram pelos jornais, facebook e não por acaso, é a nossa matéria de capa. Outro assunto que continua merecendo atenção diz respeito aos royalties da Monsanto. No final de julho, a Monsanto confirmou que dará desconto na aquisição da soja Intacta RR2 PRO para encerrar a disputa judicial envolvendo a cobrança de royalties da soja Roundup Ready (RR), resistente ao herbicida glifosato. No entanto, para ter acesso ao bônus, o produtor terá que assinar um termo em que se compromete a não cobrar na justiça os valores pagos pela RR desde 2010, quando alegam ter vencido a patente da tecnologia no Brasil. Vale ficar atento. Nos campos, safra iniciando, dólar alto e estiagem americana. Com a valorização da soja, a tendência é que ela ocupe mais o espaço do milho. Os preços da soja que só será colhida no ano que vem já estão bem atrativos. Aumento impulsionado pela estimativa de queda na produção dos Estados Unidos e também pela valorização do dólar frente ao real. No entanto, o produtor rural deve cuidar dos custos de produção. Inclusive, a expectativa é de que os produtores plantem uma área maior com a oleaginosa na nova temporada, mas custos, principalmente com transporte, logística e insumos, podem corroer as margens. Portanto, é preciso cautela! A neve foi embora e, com ela, é preciso descartar a euforia de momento referente aos preços. Nessa edição, tivemos que fazer um grande resumo, em 116 páginas, dos principais assuntos e eventos que ocorreram em nossa região, entre eles os tradicionais Encontro Técnico de Feijão, Expogua e Dia do Agricultor. Destaque também para a discussão sobre cooperativa florestal e a série de reportagens - novas fronteiras agrícolas. A todos, uma ótima leitura!

Rodolpho Luiz Werneck Botelho Presidente do Sindicato Rural de Guarapuava


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Caixa de Entrada

Para: Sindicato Rural de Guarapuava Para: Sindicato Rural de Guarapuava De: Reflorestadora Schram

De: Regiane - Inviolável “Venho por meio deste parabenizar todos os funcionários do sindicato rural de Guarapuava, pela organização do evento do dia do agricultor. Parabéns”.

“Em nome da Reflorestadora Schram e Implantar, venho através deste agradecer vocês por terem prontamente nos ajudado, por terem se colocado ao nosso lado oferecendo os treinamentos que tanto necessitamos. A ajuda de vocês possibilitou com que cumpríssemos nossos compromissos com nossos clientes. Obrigado e contem conosco”.

Para: Sindicato Rural de Guarapuava De: Jonathan Hering

Para: Sindicato Rural de Guarapuava De: Flávio Sotelo Pimentel, Gerente Regional CCIABM “Gostaria de agradecer por terem enviado à nosso escritório em Maputo a Revista do Produtor Rural. Foi uma grande satisfação tê-la recebido e farei a leitura com muito gosto. Espero que Moçambique ainda esteja dentro dos planos do Sindicato para os próximos anos”.

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Revista do Produtor Rural

“Parabéns pelo Encontro Técnico de Feijão, como o passado, foi excelente. Eventos como estes são de grande importância para o engrandecimento desta importante cultura na nossa região. Novamente parabenizo os organizadores e aguardo ansiosamente o próximo”


Artigo Anton Gora Produtor rural, diretor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), vice-presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e presidente do Núcleo Regional dos Sindicatos Rurais do Centro-Sul do Paraná

Manejo integrado de pragas e doenças

P

enso ser esse um dos assuntos mais importantes hoje na agropecuária e que merece uma reflexão. Atingimos níveis altos de produtividades nas mais diversas culturas, não só em Guarapuava, mas em todo o Brasil. Produtividades essas construídas em cima do uso intensivo de defensivos agrícolas. Chegamos a fazer quatro, cinco, seis aplicações em um único ciclo, tanto nas culturas de inverno como nas de verão. Mas será que essa prática é sustentável? Será que ela vai se mostrar rentável no futuro? Voltando um pouco na nossa historia, começamos a agricultura em Guarapuava e região plantando trigo. A cultura se mostrou inviável, devido ser uma monocultura que pela prática aumentava o inóculo de doenças, comprometendo a produtividade. Passamos a plantar arroz, que com o decorrer de pouco tempo, tornava-se inviável devido às ervas daninhas e não havia herbicidas para o seu controle. Depois veio o famoso binômio trigo-soja. O trigo com os seus problemas de sanidade, a soja resistente a doenças. Começaram os problemas com a erosão. Com o tempo veio o milho também totalmente imune a doenças. As pragas eram controláveis. Poucas pessoas devem se lembrar dos inseticidas que usávamos, à base de clorados, fosforados, em doses elevadas. Aplicávamos esses defensivos sem nenhuma proteção para a pessoa humana. Eu

mesmo aplicava defensivos quando ainda era jovem, de calção, sem camisa, o vento soprando. Os fungicidas ainda eram primitivos, a base de Maneb, Mancozeb, tiofanato metílico. Mesmo com essa aplicação intensiva de defensivos, uso elevado de fertilizante, naquele tempo já se usava 400kg/ha. As produtividades, que já eram baixas, começaram a cair gradualmente. As causas: a erosão tinha levado boa parte dos nossos solos, o inóculo de doenças era cada vez maior, a planta já nascia doente, as pragas se tornavam resistentes, os custos eram maiores do que as receitas. Também, às vezes, nos confrontamos com problemas que pareciam insolúveis, como o cancro da haste na soja, fusarium nas culturas de inverno. Diante desse quadro de inviabilidade da agricultura, começou-se a procurar soluções. Reunimos os melhores cientistas do Brasil: da Embrapa, IAPAR, UFRGS, UFPR, UFP, foi criada a FAPA e as soluções começaram a surgir. Vários experimentos foram implantados, de rotação de culturas - um deles ainda existe hoje, de controle de pragas e doenças, de melhoramento, de controle de erosão, de cobertura de solo, de adubação, entre vários outros. Começamos a usar o monitoramento de pragas, através de amostragem com aquele pano. Começaram-se a criar inimigos naturais, surgiram defensivos naturais e menos tóxicos. De todo esse trabalho se construiu um

sistema agrícola, baseado em rotação de culturas, variedades resistentes e uso racional de defensivos. Os resultados foram expressivos. As produtividades foram crescendo, os custos diminuíram, a qualidade dos produtos melhoraram, a condição de trabalho melhorou e o meio ambiente agradeceu. Mas isso só foi possível devido à integração desses três fatores: redução de inóculo, resistência das plantas e uso racional dos defensivos. Hoje estamos voltando o nosso foco novamente para o controle químico das doenças. Na minha visão, essa prática sozinha não se sustenta. Em anos favoráveis a doenças e pragas, os fungicidas e inseticidas sozinhos não conseguirão controlar as doenças e pragas. Precisamos de um baixo inóculo e a resistência das plantas para somar. Por outro lado, o consumidor, através da rastreabilidade, não vai aceitar produtos feitos à base de controle químico e nem a natureza e o meio ambiente aceitarão serem expostos a esses produtos. Precisamos voltar a nosso foco para a resistência de plantas, práticas culturais capazes de reduzir inóculo e voltar a ver o defensivo como complemento. Para isso, a pesquisa tanto oficial como privada e a assistência técnica têm uma enorme responsabilidade. A produtividade tem que ser sustentável e não a qualquer custo. Essa é a nossa responsabilidade.

Revista do Produtor Rural

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Revista do Produtor Rural

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Saúde

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Revista do Produtor Rural

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Manchete

Inverno branco! A ocorrência de neve em Guarapuava e região, dias 22 e 23 de julho, numa intensidade incomum no Brasil, colocou o centrosul do Paraná nos noticiários de todo o país. O raro capricho da natureza levou produtores rurais, agrônomos e técnicos de cooperativas e órgãos da agricultura a correrem às lavouras, para medir os prejuízos. A Revista do Produtor Rural do Paraná mostra que um dos dias mais frios da estação provocou efeitos diversos, em diferentes áreas do Estado. Em nossa região, o quadro variou de acordo com cada lavoura.

Manoel Godoy

A

diversidade da natureza, de cada cultura e a diversidade de clima, somadas à diversidade de decisões dos produtores em relação a quando e onde semear suas lavouras, desenham, no campo, uma lógica complexa. Sob o sol e o céu azul, ela é menos visível do que as belas linhas paralelas típicas de uma plantação. Sob extremos climáticos, no entanto, os limites do possível se revelam. No centro-sul do Paraná, de 22 a 25 de julho, os efeitos de uma condição de clima histórica, com neve seguida de geada forte, diferiram entre as culturas. Algumas atravessaram heroicamente a situação. Entre elas, trigo, cevada cervejeira e o eucalipto da variedade benthamii (leia mais em matéria nesta edição, p. 90). Semeado por aqui mais tarde do que em outros lugares do Estado, em julho, o trigo encontrava-se em desenvolvimento vegetativo, suportando a temperatura que, segundo o Simepar, variou, em 48 horas, de -1,8ºC a -3,8ºC.

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Revista do Produtor Rural

De acordo com a Seab, em 56,3 mil hectares (12 municípios, incluindo Guarapuava e região), fica mantida a expectativa de uma produção em torno de 194 mil t. Em entrevista dia 19 de agosto, detalhando levantamento do dia 12 daquele mês, Dirlei Manfio, técnico do DERAL (Seab), explicou que, até aquele momento, a área afetada pelo frio na região correspondia a 500 hectares, ou 1% do total – lavouras de produtores que arriscaram, semeando o trigo antes do período do zoneamento agrícola. No triticale, com 5,5 mil hectares, permanece a estimativa de cerca de 15 mil t. Somente 200 hectares foram atingidos. Na cevada cervejeira, Manfio informou que a cultura enfrentou o período sem danos, porque os cooperados da Agrária, tradicional naquele produto, seguem à risca o calendário de plantio, iniciando o cultivo sempre em junho, para uma colheita entre outubro e novembro – também neste caso, o inverno encontrou os 36,5 mil hectares de

lavoura num momento em que as plantas toleram o frio (desenvolvimento vegetativo), mantendo-se a estimativa de produção em torno de 146 mil t. Outras culturas de inverno tiveram sorte diferente: a aveia, cobertura (como pastagem ou pré-cultura do milho) ou grão, sentiu o clima. Observando que para a aveia cobertura não existe levantamento, por não se tratar de lavoura comercial, o DERAL verificou que os campos semeados entre março e abril registraram perdas de grandes dimensões. Pastagens em Laranjal e Palmital, onde o inverno é menos rigoroso, tiveram menores danos. Nos 7,4 mil hectares de aveia branca grão, com plantio em maio/junho para colheita em outubro/novembro, havia expectativa de safra de 19 mil t. Mas em 400 hectares, as lavouras foram afetadas ou ocorreu perda total. Na aveia preta grão, plantada em 16 mil hectares como pré-cultura do milho (safra normal), com previsão de colheita


Nivaldo Krüger

levantamento da Seab aponta que 20% foram perdidos no período. Mudas de árvores nativas, produzidas pelo IAP, tiveram perda praticamente total, já que a estufa do viveiro da instituição desabou sob o peso da neve. Os prejuízos foram ainda maiores no segmento das hortaliças: 60% nas espécies folhosas. O número inclui desde os agricultores que tiveram prejuízos parciais, até os que perderam tudo o que estava no campo naquele momento. O DERAL lembra, por outro lado, que na época das geadas os produtores locais e regionais, devido ao risco, já costumam reduzir em parte a produção. Tão delicada quanto verduras e legumes, a fruticultura, na região, em dois dias se viu diante de perdas: no morango, 25%, uma vez que esta era a percentagem de canteiros em período de floração e frutificação. Entre as frutas de caroço, como pêssego e ameixa, as variedades mais precoces foram também as mais atingidas. Houve danos em gemas florais, o que deverá levar a uma redução da produtividade. Destacando que as plantas reagem às intempéries, Manfio esclareceu que algumas poderão produzir rebrotas, outras talvez se recuperem. Por isso, enfatizou, “ainda é cedo para dizer de quanto será a perda”. No maracujá, no entanto, a Seab informou que, embora a safra já estivesse encerrada, praticamente todos os pés morreram. Os produtores terão de plantar novas mudas para restabelecer os pomares.

Marcos Borges

Na lente do fotógrafo Nivaldo Krüger, uma cena incomum na região

de 21 mil t, neve e geada afetaram outros 400 hectares, que encontravam-se em florescimento. “A tendência é de que a perda seja maior ainda”, completou o técnico do DERAL, lembrando que no final de agosto a Seab iniciaria mais um levantamento. Cultivada no Brasil em sua variedade de primavera, a canola, presente na região de Candói, sofreu com o frio. Num total de 3,8 mil hectares, semeados em abril/maio, para colheita em setembro/outubro, houve perdas totais em cerca de 200 hectares. Ainda conforme a Seab, estima-se redução de 35% na produtividade das áreas que serão colhidas. A safra, prevista inicialmente em 5,3 mil t, deverá girar em torno de 3,5 mil t. Produto também importante na região, a batata não sofreu danos, porque o plantio se iniciaria em agosto, prosseguindo em setembro e outubro, para safras respectivamente em dezembro, janeiro e fevereiro. Outro setor sofreu com os dias gelados: as mudas florestais (pinus e eucalipto). O

Revista do Produtor Rural

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Na unidade da Coamo em Guarapuava, o agrônomo Adalberto Roque Ragugneti disse que a maior parte do trigo desta safra, que está no campo, não sofreu danos com a neve e a geada. Ele estimou que apenas poucas lavouras semeadas mais cedo podem ter sentido o clima. Ele contou que as próprias condições meteorológicas acabaram por ajudar aquela cultura de inverno a atravessar bem a noite de neve. A época normal de plantio se dá entre 11 de junho e 20 de julho. Mas as chuvas de junho haviam levado os produtores a adiar um pouco o plantio. Com isso, a neve chegou num momento em que as plantas toleram melhor o frio. “A chuva é que acabou nos salvando”, comentou Ragugneti. Na Cooperativa Agrária, no distrito de Entre Rios, a Assessoria de Marketing informou que a neve não trouxe danos às lavouras de cevada cervejeira nem ao trigo, já que as culturas se encontravam ainda em fase inicial.

Nivaldo Krüger

Cooperativas agrícolas comentam intempérie

Guarapuava e região: cenário europeu

Na folha de couve-manteiga, uma amostra dos efeitos da geada

Hadlich: depois de perda total na lavoura, esperança renasce num belo canteiro de agrião

Entre uma planilha de cálculos de prejuízos, branca e fria, e a riqueza de cores que se revezam sobre os campos e pomares, o coração do agricultor oscila de acordo com o termômetro – independente do tamanho da propriedade. Para quem teve prejuízos severos com a neve e a geada deste ano, os números das perdas começam na lavoura das emoções e terminam nos horizontes do futuro. Alguns, como o produtor de hortaliças Elói Hadlich, encontram na serenidade e num sorriso o caminho para recomeçar. Mesmo quando a perda é total, como na geada de 24 de julho, em uma de suas duas áreas, próximas ao Rio Jordão. “Estragou toda a plantação: couve-flor, mostarda, agrião

d´água”, contou. Mas para quem há 58 anos se propôs a cultivar produtos tão sensíveis à temperatura e a umidade, perseverança é rotina. “Sempre tivemos problema (com o clima)”, contou, rememorando outras épocas. Em 1978, quando produzia em Laranjeiras do Sul, granizo destruiu a lavoura no final da tarde do dia 23 de dezembro. Em 2011, já em Guarapuava, foi a geada, dias 31 de julho e 1º de agosto, que causou a perda de 90 mil cabeças de couve-flor. “Vamos continuar plantando. São coisas da natureza. Se desanimar, é pior”, comentou. Em Candói, um dos produtores de canola, Paul Illich, também reafirmou sua esperança, apesar das perdas. “A geada e a neve conge-

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Revista do Produtor Rural

laram a síliqua. No meu caso, ela (a lavoura) estava numa fase muito crítica e a canola simplesmente vai servir como cobertura – nem vamos colhê-la”. Illich antecipou que, ainda assim, prosseguirá com a cultura, que a seu ver é uma boa opção para o inverno, já que, ao contrário da aveia de cobertura, se trata de lavoura comercial. Porém observou que “a pesquisa vai ter de avançar muito em relação a variedades e ciclo”. Demonstrando a disposição para superar desafios, como seus colegas de outras culturas, o produtor, que é vice-presidente da Agrária, foi um dos participantes de um dia de campo de canola, promovido em 5 de agosto, pela cooperativa e pela AG Teixeira, em sua propriedade. Conhecimento segue sendo a palavra de ordem. Porque, no próximo inverno, a cultura voltará aos mesmos campos. Agrária / Divulgação

Manoel Godoy

No campo, coração oscila de acordo com o termômetro

Illich: apesar do impacto da geada na canola, certeza de prosseguir na cultura


Manoel Godoy

O setor do leite, no centro-sul paranaense, sentiu também a severidade do inverno. Várias pastagens, em especial as de aveia, foram total ou parcialmente danificadas pela neve do dia 23 de julho ea pelas geadas fortes que se seguiram. Resultado: na Coamig, cooperativa que recebe leite de 17 municípios, o volume de entrega do produto caiu abaixo da média mensal, que em meados do ano costuma situar-se entre 90

mil e 100 mil litros. Em entrevista à Revista do Produtor Rural do Paraná, dia 21 de agosto, o presidente da cooperativa, Edson Bastos, classificou a situação do produtor, naquele momento, como “dificílima”. Ele explicou que, na região, o gado leiteiro, na maior parte dos casos, é alimentado com pastagem. Apenas alguns campos, de azevém, ainda se encontravam em condição “razoável”. Mas chuvas de agosto, irregulares, não ajudavam muito na recuperação do pasto que restou. Bastos chamou a atenção para o fato de que a silagem, embora utilizada pela maioria dos produtores para alimentar os ani-

Leite: produção caiu, depois que o frio danificou pastagens

Manoel Godoy

Leite: queda na produção

Edson Bastos, presidente da Coamig

mais, “ajuda, mas não resolve”. Conforme completou, “quem tem mais precaução, usa o feno”, porém a prática ainda está presente em poucas propriedades. “Estamos trabalhando para difundir isso”, declarou. Semear imediatamente algum outro tipo de pasto, como o capim Sudão, também é uma alternativa que demanda tempo: “Ainda não temos (na região) temperatura para implantar as pastagens de verão”, detalhou Bastos, observando que mesmo após a implantação, é preciso esperar de 45 a 60 dias. O presidente da Coamig disse esperar que, no período de primavera-verão, a cooperativa possa de novo receber volume médio de 120 mil a 130 mil litros de leite/mês.

Paraná: prejuízo de R$ 1,26 bilhão O Relatório Preliminar de Perdas da Secretaria de Estado da Agricultura, do dia 14 de agosto, apontava, como seu principal dado, que neve e geada causaram, no Estado, redução de 5% nas safras. A estimativa de produção de grãos caiu de 38,3 milhões para 36,3 milhões de toneladas, com um prejuízo calculado em R$ 1,26 bilhão.

TRIGO – O trigo paranaense encontrava-se praticamente com a totalidade da safra plantada até 22 de julho. Da área, 47% da plantação estava germinando ou em desenvolvimento vegetativo, fases não suscetíveis a geadas. O restante, 53% do total, estava em floração, frutificação ou começo de maturação. O prejuí-

zo aos produtores, considerando os preços de mercado, está estimado em R$ 728,8 milhões.

CAFÉ – A safra 2013 do café, estimada 1,7 milhão de sacas, não deverá ter prejuízos significativos em função das geadas. Do volume esperado para a safra 2014, de 1,54 milhão de sacas, haverá redução de 62% ocasionadas pelas geadas deste ano. Estima-se também a erradicação de cerca de 19% da área cafeeira, que equivale a 16 mil hectares. Na avaliação do Deral, a produção de 2014 será reduzida a 582 mil sacas, que provocará prejuízo de R$ 253 milhões aos produtores no próximo ano.

MILHO – Os danos causados na lavoura de milho pela geada de julho foram menos significativos. A maior parte das plantações de milho estava na fase de maturação, e apenas 25% das lavouras no campo, cerca de 388 mil hectares, na etapa mais suscetível ao efeito das baixas temperaturas. Estima-se que 960 mil toneladas da segunda safra 2012/2013 de milho serão perdidas em função das variações climáticas, deixando prejuízo estimado de R$ 278 milhões aos agricultores. Isso inclui as geadas, a estiagem e as doenças ocasionadas pelo excesso de chuvas em junho. A produção paranaense do milho safrinha caiu de 11,6 milhões para 10,6 milhões de toneladas.

Revista do Produtor Rural

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Confira as fotos enviadas por associados e parceiros do Sindicato Rural de Guarapuava:

Entrada da FAPA Enviada por Manfred Majowski

Propriedade: Anton Egles Enviada por Eduardo Pletz Cooperativa Agrária - Distrito de Entre Rios Guarapuava/PR - Foto e envio: Klaus Pettinger

Lavoura com neve - Pinhão/PR Propriedade de Wilfried Spieler - Enviada por Aridreia Spieler Chácara Agrícola Jordão - Guarapuava/PR Prop. Jorge Barbosa Pinto Foto e envio: Josnei Augusto da Silva Pinto

Lavouras recém plantadas entre Samambaia e Jordãozinho Propriedade de Manfred Majowski Distrito de Entre Rios/Guarapuava-PR Enviada por Manfred Majowki

Chácara Agrícola Jordão - Guarapuava/PR Prop. Jorge Barbosa Pinto Foto e envio: Josnei Augusto da Silva Pinto Chácara São Francisco de Paula Propriedade de Luiz Chiaro - Guarapuava/PR Foto e envio: Luiz Chiaro Chácara família Mayer Distrito de Entre Rios/Guarapuava-PR - Foto e envio: Yasmin Mayer

Distrito de Entre Rios - Guarapuava/PR Propriedade Adriano Heinrich Foto: Larissa Wilk - Enviada por Marcelo Weckl Colônia Vitória/Distrito de Entre Rios - Guarapuava/PR Foto e envio: Pedro Ribeiro Cebulski

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Revista do Produtor Rural

Fazenda Curucaca Candói/PR - Propriedade de Rodrigo Augusto Queiroz Foto e envio: Rodrigo Augusto Queiroz


Opinião

Logística

Engº. Marcio Geraldo Schäfer Paraná Silos Representações Ltda. marciogeraldo@ymail.com

de cereais

U

m assunto muito debatido. Mas SUA IMPORTÂNCIA está cada vez mais acentuada: o profissionalismo no aumento de produtividade, demonstrado da porteira para dentro em nossas fazendas, não se reflete na logística de escoamento e estocagem de nosso cereal, ARMAZENAGEM, RODOVIAS, FERROVIAS, HIDROVIAS, PORTOS, umas com seu limite de escoamento já decretadas e outras não exploradas com a mesma eficiência vista no campo. O produtor rural fez sua revolução com o crescimento de produtividade e pede, sem protestos nas ruas, o seu direito de ser atendido. Precisamos agora de outro movimento provido pelo poder público na solução dos gargalos de escoamento. Para efeitos de comparação, o valor de um contêiner de cereais no porto brasileiro está em US$ 1.790 contra US$ 690 de nossos concorrentes mundiais. A conta paga ANUALMENTE pelo campo soma mais 4 bilhões de reais, mas só neste ano, em específico, já chegamos a 8 bilhões de reais. O crescimento populacional (que segundo a Embrapa gerará descompasso entre consumo e produção de alimentos), não ocorrerá nas áreas de produção. Ou seja, o Brasil deverá se consolidar como celeiro mundial, tendo um crescimento de 7% em

sua população até 2050, enquanto parte da África crescerá 49% e Ásia 41%. Além de dificuldades na segurança sanitária, o nosso problema logístico só tende a se estender. A agricultura ainda deverá ser pressionada a não geração única de alimentos, mas também energia e fibras. Agora a propaganda é que dinheiro está sobrando, o governo lança medidas como modernização dos portos, recursos a (juros, carência e tempo de financiamento) bem atrativos para armazenagem. E aguardamos pacientemente que a normativa esteja pronta a tempo de podermos utilizar estes

recursos para próxima safra de verão. Assim, já teremos uma medida de curto prazo ao gargalo logístico. Hoje temos o caminhão como agente de estocagem durante a safra. Se conseguirmos, como produtor, fazer investimento na propriedade ou em associações ao entorno dela, seremos novamente agentes de transformação. Precisamos agora nos informar sobre as normas desta nova modalidade de financiamento, para estarmos aptos na busca deste recurso, indispensável para um investimento muito necessário e auto-pagável.

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Política agrícola

Perigos na produção brasileira Lagarta Helicoverpa armigera

D

ebater as dificuldades do setor produtivo e vislumbrar possíveis soluções é um dos papeis da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Soja. Esteve presente, nas duas últimas reuniões ordinárias da Câmara, o vice-presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Anton Gora, representando a Federação do Estado da Agricultura do Paraná (FAEP). No dia 10 de julho, a 20ª reunião da Câmara Setorial foi realizada no Ministério da Agricultura em Brasília. Foram discutidos temas que vêm preocupando o produtor rural em todo país, como o controle da lagarta Helicoverpa Armigera e Mosca Branca, como consequência da morosidade na aprovação de defensivos agrícolas e os gargalos do escoamento de produção. Já a 21ª reunião da Câmara de Soja aconteceu no dia 8 de agosto, em Cuiabá, no Mato Grosso,

Cadê o Plano Safra? O governo federal anunciou, dia 4 de junho, os recursos e o detalhamento do Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014 (PAP). Divulgadas pela presidente Dilma Roussef e pelo ministro da Agricultura, Antônio Andrade, diante de lideranças da agricultura de diversas regiões do país, as medidas abrangem recursos de R$ 136 bilhões para os grandes produtores, R$ 13,2 bilhões para o médio produtor, além de R$ 5,3 bilhões para as cooperativas. Na época, o governo informou também que iria disponibilizar R$ 25 bilhões para a construção de armazéns privados nos próximos cinco anos. No entanto, o vice-presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Anton Gora, que participou da cerimônia em Brasília, questiona onde está o Plano Safra. “Até agora, não saiu nada. Somente o custeio foi operacionalizado. O Banco do Brasil diz que não tem instruções, que falta normatização”, critica.

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durante a programação da Bienal de Negócios da Agricultura – Brasil Central. Segundo Gora, é importante que todo o setor discuta em conjunto esses temas, porém é preciso que o MAPA tome atitudes, pois a cada dia que passa o produtor e o país estão tendo mais prejuízos. “O registro de defensivos é muito lento, demora em média de dois a quatro anos. Estamos muito atrasados, além de o produtor perder em termos de produção, todo o Estado também perde na concorrência com os nossos vizinhos”. Dessa forma, o vice-presidente do Sindicato afirma que apesar de todos serem problemas de difícil solução, é importante que a Câmara cumpra seu papel de levantá-los. “Precisamos continuar debatendo para que não sejam esquecidos pelo poder público”, opina Gora.

Eo governo? O produtor rural está fazendo a sua parte, mas o governo não anda cumprindo o combinado. O presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, questiona onde está a subvenção do seguro agrícola e a infraestrutura de portos, estradas, armazéns. “A expectativa, novamente, é de uma boa safra, mas os gargalos continuam”, comenta.


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Revista do Produtor Rural

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Forragicultura

Eficiência a pasto O 1º Workshop de Pastagens Cooperaliança destacou a importância do planejamento e do manejo forrageiro nas propriedades.

I

nserido na programação da 38ª Expogua, o 1º Workshop de Pastagens Cooperaliança foi realizado no dia 08 de agosto, no Sindicato Rural de Guarapuava e atraiu 145 pessoas, entre produtores, médicos veterinários, técnicos e acadêmicos. O evento técnico promovido pela Cooperativa foi idealizado para repassar informações e novas tecnologias que contribuam para o incremento de produtividade e qualidade da produção dos cooperados e da região. Focado em melhoramento das pastagens, o workshop abordou temas importantes para o produtor, como planejamento forrageiro, integração lavoura-pecuária, adubação, correção, manejo de pastagem, novas forrageiras de verão e as características das forrageiras. Foram realizadas duas palestras sobre o melhoramento das forrageiras. O professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), engenheiro agrônomo Sebastião Brasil Campos Lustosa destacou a importância da gestão do recurso forrageiro, com planejamento e os princípios da integração lavoura-pecuária. “A Cooperaliança tem uma produção organizada e dentro do elo produtivo, seja para quem cria, recria ou termina, é importante ver a pastagem como um elemento muito forte dentro das propriedades”.

Sebastião Brasil Campos Lustosa

Sandra Galbeiro

Lustosa ainda falou sobre as vantagens da integração lavoura-pecuária. “A agricultura e a pecuária não são duas atividades concorrentes, são complementares. Com a integração de ambas, a propriedade fica muito mais planejada, os resultados ficam mais estruturados. É preciso saber quantificar o que está produzindo, para medir eficiência e custos, para que todo o sistema produtivo ganhe”, enaltece o agrônomo. A professora da Unicentro, zootecnista Sandra Galbeiro, abordou temas como clima, manejo de pastagem e adubação nitrogenada. “A adubação nitrogenada contribui para que não haja degradação do solo.

Desta forma, é preciso ter um cuidado não só com a parte vegetal, mas também com o solo, porque para a produção pecuária a interação solo, planta e animal é muito importante”, afirmou. A vice-presidente da Cooperaliança e coordenadora do projeto ovinos, Adriane Araújo Azevedo, falou sobre o objetivo do evento. “Nós queremos cada vez mais profissionalizar a nossa produção e, consequentemente, aumentar a produtividade, reduzindo custos. A cooperativa é nova e passou por algumas etapas. A questão de qualidade dos animais já foi vencida, agora estamos intensificando temas como nutri-

João Arthur Barbosa, Sebastião Brasil Campos Lustosa, Sandra Galbeiro, Elizângela Guzzo e Mikael Neumann

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Revista do Produtor Rural


ção para trazer melhorias para o produtor”. Segundo Adriane, a ideia é que o workshop continue fazendo parte da programação da Expogua nos próximos anos. “A intenção é calendarizar o evento, para que todo ano tenhamos novidades na área de pastagens para o pecuarista”. A respeito das palestras, a vice-presi-

dente destacou que o evento simboliza uma interação entre a universidade e o campo. “A importância dessa união com a universidade é que quebramos a distância do conhecimento da academia com a prática. Agora eles fazem parte desse elo de produção”, afirmou Adriane. Após as palestras, técnicos da Coopera-

liança apresentaram o exemplo de três propriedades que mostraram no último ano um desenvolvimento produtivo com investimento na área de forragens. E para finalizar o evento, foi realizada uma mesa redonda de discussão sobre pastagens, com a participação do professor da Unicentro, médico veterinário Mikael Neumann.

1º ano do Projeto Carne Angus Certificada Cooperaliança Após o Workshop, no dia 08, a Cooperaliança realizou no Parque Lacerda Werneck, a apresentação do balanço de um ano da certificação da carne Aliança Angus Premium, por meio da parceria da cooperativa com a Associação Brasileira de Angus e da concretização do Programa Carne Angus Certificada. O diretor do Programa Carne Angus Certificada, Reynaldo Titoff Salvador, parabenizou a cooperativa e falou sobre o crescimento de produção e da visibilidade da marca. “Esse ano de existência da marca Aliança Angus Premium mostra que o Paraná tem condições de se organizar como cooperativa produtora de carne Angus, que hoje é referência nacional em termos de qualidade. Em um ano tivemos condições de crescer de um abate de 150 cabeças/ mês para 500 cabeças/mês. E para o próximo ano, o objetivo é rompermos a barreira dos mil animais Angus por mês”. No evento, o presidente da Cooperaliança, Edio Sander, agradeceu aos cooperados e destacou o objetivo da cooperativa em produzir carne de qualidade com rentabilidade ao produtor. “Temos um orgulho muito grande de produzir uma carne de qualidade e dar uma garantia aos nossos clientes consumidores finais. Isso é mérito dos nossos produtores. O nosso objetivo continua sendo sempre o mesmo, que é conferir cada vez mais ao nosso cooperado mais rentabilidade. Dessa forma, todos ganham, desde os produtores de genética até o consumidor final”.

Reynaldo Titoff Salvador

Edio Sander

A vice-presidente da Cooperaliança, Adriane Araújo Azevedo falou sobre o crescimento da produção da cooperativa na carne Angus. “O produtor já está atento para produzir para o consumidor. Neste um ano, vemos os resultados no aumento de produção e os benefícios do cruzamento Angus, que traz precocidade, ganho de peso rápido e rendimento de carcaça”. Durante o evento, também foi realiza-

da a premiação para os cooperados que obtiveram resultados da maior proporção de animais Angus certificados em relação ao número de bovinos comercializados com a cooperativa. Os produtores que receberam o prêmio foram: Vicente Lazarini, Antônio Zancanaro, Rogério Nogaroli, Edio Sander e Deni Lineu Schwartz. Em seguida, foi servido um jantar de degustação de carne Angus.

Reynaldo Titoff Salvador, Renato Zancanaro, Vicente Nogaroli e Deni Lineu Schwartz

Cooperaliança Cordeiro Guarapuava Rua Vicente Machado, 777 Trianon - Guarapuava - PR (42) 3622-2443 Cooperaliança Novilho Precoce Al Baden Württemberg - Vitória, 952 Entre Rios - Guarapuava - PR (42) 3625-1889 Revista do Produtor Rural

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Programa de Desenvolvimento Florestal

Reflorestamento com árvores nativas pode ser alternativa de renda no campo João Edilson Campos

C

tourar”, previu. Exemplificando, a agrônoma mencionou as madeiras que poderiam significar alternativas para propriedades do centro-sul paranaense. “A principal é a araucária. Hoje, para se ter uma idéia, o metro cúbico já chegou, no mercado, a R$ 1,6 mil, quando se fala de R$ 100 ou R$ 150 em pinus. É a madeira, que, sem sombra de dúvida, tem a melhor qualidade”, disse, apontando ainda a peroba como outra alternativa. João Edilson Campos

om o objetivo de esclarecer as dúvidas sobre novo Código Florestal e apresentar opções de diversificação na propriedade rural, o Sindicato Rural de Guarapuava promoveu na manhã desta quinta-feira, 22, o 3º módulo do Programa de Desenvolvimento Florestal. Ao todo, 47 produtores rurais se reuniram no anfiteatro da entidade para assistir à palestra “Adequação ambiental e diversificação econômica da propriedade rural com a exploração de madeira nativa”, com a engenheira agrônoma da Unisafe Consultoria, Mary Silvia Ferro. Especialista em meio ambiente e agroecologia, ela enfocou a importância do mapeamento da propriedade para a identificação de áreas improdutivas e ambientais; o cumprimento da legislação ambiental (novo Código Florestal); e, ainda, para a diversificação econômica, com a exploração de madeiras nativas. Ela apresentou também o cenário regional do mercado de madeiras nativas. Mary Silvia Ferro explicou porque vários produtores decidiram apostar naquela modalidade de reflorestamento: “A demanda de mercado de madeira nativa, hoje, é muito superior à produção. Há um déficit de mercado que, daqui a 30 anos, vai es-

Visita ao viveiro do Parque das Araucárias

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Revista do Produtor Rural

Mary Silvia Ferro - Engenheira agrônoma da Unisafe Consultoria

A especialista destacou que, para a implantação de exploração comercial de árvores nativas, o produtor deve, partindo de um mapeamento da propriedade, realizar um estudo de viabilidade econômica; em seguida, é necessário informar os órgãos ambientais de que, na área escolhida, haverá implantação de floresta para uso comercial. Após o almoço, o grupo visitou o viveiro de mudas nativas do Parque das Araucárias, em Guarapuava/PR. São parceiros do Programa de Desenvolvimento Florestal do Sindicato Rural de Guarapuava, que visa trazer informação técnica e promover o crescimento do setor florestal na região, Agrária, Boutin, Golden Tree, Santa Maria, Syngenta, Unicentro, Viveiros Pitol e Zico Motosserras.


Nota de esclarecimento

E

m nota recente, o Núcleo Estadual Parana da Sociedade Brasileira de Ciencia de Solo, através de sua Comissão Especializada em Fertilidade de Solo, relatou que o corretivo liquido de acidez não pode realizar os efeitos de calagem devido às suas características físicas e químicas e que o referido texto tem a função de ALERTAR E INFORMAR aos usuários e recomendantes sobre alguns aspectos que envolvem a prática da calagem no estado do Paraná.

MgO e dessa forma a eficiência de um e de outro é diferente por se tratar de base fraca (CaCO3 e MgCO3) de reação lenta e gradual e de base forte (CaO e MgO) de reação rápida e total e ter o PN diferenciado.

Realmente a produção e produtividade vêm aumentando devido ao uso correto dos corretivos de acidez e o uso de superdosagem ou subdosagem pode comprometer a produtividade, sendo portanto necessário o acompanhamento periódico através de análises de solo.

O PRNT é calculado considerando-se a pureza quimica e a granulometria, podendo então ser calculado somente para produtos sólidos, uma vez que o liquido apresenta uma porcentagem de água em sua composição. Segundo o texto, para se ter uma PRNT 100% é necessário aplicações sucessivas de acordo com as recomendações técnicas. Cabe então a pergunta: consegue-se fazer a aplicação de pequenas doses de reposição de dois em dois anos para se ter essa PRNT 100%? Não basta se ater a fatores técnicos, mas tem-se fatores práticos que devem ser considerados.

As funções do calcário, de aumentar pH, neutralizar Al e aumentar Ca e Mg, todos nós sabemos. E a fonte química da maioria dos calcários na forma pó são CaCO3 e MgCO3. Mas, como foi dito, na forma pó, pois a fonte química do corretivo líquido é CaO e

Quando quer se contestar algum produto, o mínimo que se requer é o conhecimento do produto quanto a sua composição e seu funcionamento. No referido caso do corretivo líquido o que se percebe é um desconhecimento quanto a sua caracterís-

tica química e física. O produto é constituído de nanoparticulas e não de partículas de 200 angstron, e a titulo de curiosidade 1 angstron equivale a 0,1 nm. A base química do produto é CaO e MgO e não de CaCO3 e MgCO3 o que confere uma diferença de eficiência. A dose recomendada do corretivo líquido é 5L para cada tonelada de calcário recomendada pela anàlise do solo e não de 1L para cada tonelada. Talvez a irresponsabilidade e o desserviço ao Pais não estejam sendo exercidos pela Fertec, que lança no mercado um produto que pode revolucionar todo o processo de calagem como vem sendo em outros países, mas por pessoas que nem sequer têm o cuidado de tomar conhecimento correto quanto a suas características químicas e físicas e questionam seu funcionamento sem sequer realizar testes para verificação, o que seria o papel da pesquisa.

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Biotecnologia

Revoluções genéticas na soja Novas cultivares adaptadas à região de Guarapuava com biotecnologia INTACTA RR2PRO prometem alcançar recordes produtivos na soja para a próxima safra.

O

desenvolvimento e evolução nas lavouras, ano a ano, demonstra que as inovações tecnológicas vêm sendo absorvidas pelo produtor rural. Com intuito de apresentar as novidades em cultivares e parceria com a tecnologia INTACTA RR2PRO™, a Nidera Sementes promoveu no dia 10 de julho, no Sindicato Rural de Guarapuava, um evento para produtores rurais da região. Segundo o gerente comercial da Nidera no Paraná, Josimar Tossin, o evento foi importante para mostrar ao agricultor as inovações da empresa para a próxima safra de verão. “São cultivares bem específicas adaptadas à região de Guarapuava. Além disso, apresentamos que somos licenciados da biotecnologia da Monsanto, que vem a somar e proporcionar controle das principais lagartas, incremento de produtividade e, aliado a isso, trazemos uma genética superior”. Tossin disse que a expectativa para a próxima safra é da tecnologia, apesar de ser o primeiro ano, ter uma boa penetração nas lavouras. “Estima-se que 10% da área de soja vai ser plantada com Intacta”. O desenvolvimento de mercado da Nidera, João Mascarenhas, falou sobre as características das cultivares de soja da empresa, que contemplam as necessida-

des de cada produtor relativas a ciclo e posicionamento. O supervisor comercial da Intacta no Paraná, Adriano Alves Silva, destacou os benefícios que a soja Intacta RR2PRO trará ao produtor. “Toda variedade que tiver a tecnologia, além da tolerância ao glifosato, terá resistência as principais lagartas que atacam a cultura e incremento de produtividade”. Silva também comentou que a parceria com a Nidera é importante para disseminação da tecnologia no campo. “Ela é uma empresa importante na região, assim é fundamental para que o produtor tenha acesso à tecnologia e também ao melhor germoplasma. Esta combinação vai entregar muitos benefícios para o agricultor”. O representante comercial da Monsanto na região de Guarapuava, Eduardo Back, apresentou o trabalho desenvolvido ao longo de dois anos, que precederam o lançamento comercial da tecnologia.“No início, tínhamos posicionado o controle para três lagartas. Hoje temos controle contra as quatro principais lagartas que atacam a cultura da soja: lagarta da soja, lagarta falsa medideira, broca das axilas, lagarta das maçãs e supressão às lagartas do tipo elasmo e do gênero Helicoverpa”.

Back também falou sobre a manutenção futura da tecnologia, ou seja, a importância do refúgio.“A Intacta RR2PRO é uma ferramenta para incrementar a produtividade. Nesse cenário que a soja está hoje está relativamente confortável, porém com os custos maiores, a margem fica menor, assim o produtor vai precisar otimizar cada vez mais a produção e ser mais profissional no que faz”. Entre as palestras da noite, o responsável técnico de pesquisas da Monsanto, Alisson de Oliveira Rosa, também explanou sobre a disseminação da doença mofo branco na soja. O produtor rural Carlos Luhm, que participou do evento, disse que veio conhecer e verificar a viabilidade financeira da nova tecnologia. “Deve ser viável em termos financeiros, mas neste primeiro ano será uma lavoura experimental”, disse Luhm. De acordo com o produtor rural Deodoro Marcondes, há muito tempo os agricultores estão esperando o lançamento comercial da biotecnologia. “A expectativa já era grande por parte dos produtores para a tecnologia, principalmente devido ao controle das lagartas, o que pode diminuir, sensivelmente, o custo e ainda oferecer aumento de produção”, afirmou Marcondes. ERRATA

Deodoro Marcondes e Carlos Luhm

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Josimar Tossin e João Mascarenhas

Revista do Produtor Rural

Wiliam Nazaro, Alisson de Oliveira Rosa, Tamy Fernandes, Adriano Silva, Eduardo Back - Equipe Monsanto

Retificamos equívoco de nosso anúncio na última edição desta revista (ed.37, pg.91). A FAPA conduziu, na safra 2012-13, ensaios de híbridos comerciais em 3 épocas de plantio, 4 locais e 3 ciclos (superprecoces, precoces e tardios), testando 11 híbridos comerciais por grupo de ciclo. Neste sentido faltou adicionarmos que o híbrido NS50PRO atingiu as colocações publicadas considerando apenas os resultados de ciclo “precoce”, em testes de 1ª época de plantio nos 3 locais citados (Goioxim, Pinhão e Murakami). No ensaio de 1ª época do local não citado (Entre Rios), o material teve produtividade de 16.791 kg/ha, obtendo a 5ª colocação no ciclo “precoce”. Nidera Sementes Ltda.


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Soja

Pioneer lança projeto Soja Sul Roberto Hyczy Ribeiro Pioneer - Gerência Paraná

I

niciamos 2013 focados nas duas principais culturas brasileiras no sul do Brasil, devido ao lançamento do Projeto Soja Sul. Durante os 40 anos da DuPont Pioneer no Brasil, conseguimos desenvolver excelentes parcerias e construir um espaço que nos permite ser referência na cultura do milho para muitos produtores e lideranças técnicas no Brasil, resultado de um trabalho que inicia-se na pesquisa e finaliza-se no departamento comercial com muitos ensaios junto as fundações e agricultores parceiros de negócios. Agora pretendemos fazer na soja o mesmo trabalho que fazemos com o milho, pois afinal de contas é a principal cultura de verão dos solos brasileiros e não poderíamos ficar de fora, já que a DuPont Pioneer é líder no mercado americano desta cultura. No Brasil central, onde a DuPont Pioneer atua no mercado de soja há 12 anos, a empresa destaca-se não só pela genética, mas também pela qualidade da semente produzida. Em seu processo de produção, a empresa realiza muitas avaliações de teste de qualidade para garantir o máximo de germinação e vigor que possa garantir um ótimo estabelecimento inicial da lavoura. Tem sido desta forma que a

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Revista do Produtor Rural

empresa vem se destacando e criando um novo padrão para o mercado de sementes no Brasil Central. Como forma de acelerar a busca por cultivares mais adaptadas e com alto potencial de rendimento para o sul do Brasil, a DuPont Pioneer decidiu por construir uma estação de pesquisa de soja em Guarapuava, que será a sua primeira estação de pesquisa de soja voltada para o sul do Brasil, que estratégicamente ficará bem posicionada e cobrirá as Zonas Ambientais Homogêneas (ZAH) 1.1, 1.2, 2.1 e 2.2, onde inicialmente trabalhará com 25.000 linhagens/ano, além dos mais de 300 locais de testes de cultivares pré-comerciais. Os trabalhos com soja foram intensos nos últimos dois anos em todo o Paraná. Na região de Guarapuava não foi diferente. Nossos representantes desenvolveram muitos trabalhos junto aos produtores

na busca por informações como época da plantio e população das 03 cultivares que lançamos para toda a região sul do Brasil, que é a 95Y21, 95Y72 e 95R51 As nossas cultivares estão disponíveis para vendas nas cooperativas e canais de distribuição DuPont Pioneer. Qualquer dúvida sobre posicionamento, época de plantio e manejo da cultura podem ser esclarecidos com a nossa equipe técnica e representantes da região. Estamos bem otimistas com as três cultivares recém lançadas, pois tiveram ótimo desempenho nos ensaios da FAPA para os plantios tardios, ou o pós trigo, e neste ano o plantio do trigo ficou concentrado no final da época de plantio (julho) em função das condições climáticas que não foram muito favoráveis em função do excesso de chuvas, situação preocupante para o plantio da soja que acontecerá mais tarde, situação que as nossas cultivares poderão tirar bom proveito.


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Diversificação

Produtores debatem cultivo da noz pecã Fotos: Manoel Godoy

A

condução de todas as culturas depende de conhecimento. Científico, comprovado por números; ou empírico, que surge de uma longa observação da lavoura. E foi precisamente a busca por conhecimento que levou mais de 20 produtores ao Sindicato Rural de Guarapuava para participar de uma reunião, dia 30 de julho, sobre o cultivo da noz pecã. Vários participantes decidiram, há cerca de três anos, apostar no produto, considerando que o Brasil importa a maior parte da pecã consumida no país. Mas tanto para quem já iniciou a implantação de pomares, quanto para alguns que cogitam partir para aquela cultura, uma questão predominou no encontro: onde encontrar informação técnica? Proprietário da empresa fornecedora de mudas, os Viveiros Pitol (Anta Gorda, RS), Luiz Pitol tem orientado produtores, em Guarapuava e região, sobre procedimentos. Mas o tema dos parâmetros de plantio e manejo permaneceu no centro dos debates. Na primeira parte do encontro, de manhã, os produtores trocaram idéias sobre as fontes de informação que têm buscado, técnicas que vêm aplicando e a preocupação com tópicos que vão da correta poda ao combate

Produtores: apontando necessidade de mais informações sobre o cultivo da pecã

às pragas (como o inseto apelidado de “metaleiro” ou as formigas); à tarde, presente ao evento, Pitol respondeu perguntas sobre a cultura da pecã, sugeriu procedimentos para adubação, espaçamento de plantio, poda e manejo. Após o encontro, a empresa entregou aproximadamente duas mil mudas aos produtores que haviam feito as encomendas.

Pitol: visitas para comentar implantação e manejo da pecã

Anos após plantio

Cerca de duas mil mudas foram distribuídas aos produtores

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Edmar Udo: mais seis hectares para as nogueiras

Produção por árvore (Kg)

Renda bruta aproximada (R$)

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09

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225,00

12

50

250,00

Fonte: Guinther Rickli - Acadêmico de Agronomia e representante Pitol para Guarapuava e região


Visita ao pomar O evento se encerrou com visitação a um dos pomares de pecã da região de Guarapuava, na propriedade de Evaldo Anton Klein (localidade de Banhado Grande). Segundo ele, a partir de 2011, foram implantados no local 12 hectares daquela cultura, em consórcio com ovinos. Filho de Edvaldo, Edmar Udo comentou que a família busca superar a pouca disponibilidade de informação recorrendo a várias fontes: literatura especializada, sites da Internet e até a troca de idéias com quem cultiva café ou laranja. “Nos livros, às vezes, você vai achar só umas poucas páginas sobre a pecã”, argumentou. De acordo com ele, o manejo adotado, pelo menos até o momento, vem trazendo em sua maior parte resultados que correspondem às expectativas. Conforme revelou, a família decidiu até ampliar a área de pecã em cerca de seis hectares, onde funcionários aplicavam calcário no momento da visitação. Em entrevista, Luiz Pitol opinou que as dúvidas surgem porque a cultura ainda é nova em Guarapuava. Destacando que a nogueira pecã “é uma árvore rústica”, ele sugeriu, para a implantação das mudas,

Visita a um pomar da região, para tirar muitas dúvidas sobre a cultura

análise de solo e, se preciso, a correção com calcário; na adubação, adubo orgânico; e para quem vai fazer consórcio com ovinos, espaçamento de pelo menos 10m por 10m, podendo ser de 12m por 15m quando o produtor dispõe de espaço. Ele acrescentou que a produção começa aos

poucos, a partir do terceiro ou quarto ano. Aos produtores que tiverem dúvidas sobre a cultura, Pitol lembrou que podem entrar em contato com a empresa: “A gente tem prazer de ensinar a realidade da nogueira pecã” (51 - 3756 1156 / 51 - 9807 4352 / agroindpitol@hotmail.com).

Informações e encomenda de mudas em Guarapuava com Guinther Rickli, pelo fone 42-9915-5138 ou no e-mail guinther_rickli@hotmail.com

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Trigo

Principais doenças do trigo e seu manejo Dep. Técnico Agrícola Colferai Eng. Agrônomo Giovani A. Schiavini

A cultura do trigo é afetada por várias doenças causadas por bactérias, vírus e fungos, que afetam toda a planta, resultando em perdas elevadas. Sua ocorrência esta associada à suscetibilidade das cultivares, surgimento de novas raças de patógenos, ao manejo utilizado e as condições climáticas. Nos três últimos anos as doenças de trigo foram extremamente severas, causando perdas significativas de produtividade, diminuindo a rentabilidade da cultura.

Viroses Existem duas viroses de importância do trigo: o VNAC que é a mais importante (Nanismo amarelo da cevada) ocorre em aveia, cevada e trigo, causando sintomas de subdesenvolvimento (nanismo). É transmitida pelo pulgão e sua localização no floema reduz o fluxo de seiva para a espiga, causando a má formação dos grãos. Além disso, torna as folhas mais sensíveis à ação de outros patógenos. Os danos são mais severos até os 30 dias após a emergência. O tratamento mais eficiente é o tratamento de semente, uma vez que um único pulgão por planta pode transmitir a virose. Aplicações de inseticidas via foliares controlam a praga, porém o vírus já pode estar instalado. O mosaico causado por VMT (vírus do mosaico do trigo) é transmitido via raízes por um fungo (Polymixa graminis), que se movimenta na água do solo especialmente em solos sujeitos ao acúmulo de água. Seu controle se restringe exclusivamente ao uso de variedades resistentes e melhoria da estrutura física do solo.

Bacteriores A bacteriose de maior importância é a estria bacteriana, causada por Xanthomonas campestris, onde os sintomas são lesões aquosas e estriadas nas folhas, podendo se observar pus bacteriano quando do clima

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Revista do Produtor Rural

úmido. A introdução se dá por sementes infectadas ou por restos culturais no solo. Períodos prolongados de chuvas favorecem a disseminação e a infecção pela bactéria. Seu controle se dá através de rotação de cultura e uso de sementes provenientes de campos sem a doença.

Doenças fúngicas As doenças fúngicas do trigo são causadas por diversos tipos de fungos que atacam as raízes, os colmos, as folhas e as espigas. As raízes são afetadas por podridão comum causado por Bipolaris e Fusarium e pelo mal do pé, causada por Gaeomamomyces. Todas têm nos restos culturais sua principal fonte de inóculo. As doenças foliares do trigo são principalmente a ferrugem da folha, o oídio e as manchas foliares. Sua presença está diretamente associada às condições climáticas (temperatura e duração de molhamento), onde em anos mais secos há predominância de oídio, em anos mais chuvosos de ferrugem e manchas foliares, embora todas possam ocorrer simultaneamente em casos de variações climáticas . Em resumo, todos os anos alguma dessas doenças irão se fazer presentes e requerer medidas de controle. A ferrugem da folha é causada pelo fungo Puccinia triticina, caracterizando-se por pústulas alaranjadas nas folhas e bainhas. Esse fungo possui grande varia-

bilidade genética que resulta em novas raças mais virulentas capazes de quebrar a resistência das variedades desenvolvidas pela pesquisa. Um dos fatores que contribuem para a grande variabilidade desse fungo é o cultivo contínuo de trigo


em diferentes regiões do país. Este fator favorece a sobrevivência, multiplicação e disseminação e as trocas entre as regiões. O controle se dá pelo uso de variedades resistentes ou menos suscetíveis e aplicação de fungicidas na parte aérea. O oídio tem como agente causador o fungo Blumeria graminis. É de fácil identificação através das colônias branco-acinzentadas, formadas por estruturas do fungo sobre as folhas e colmos. Em invernos mais secos o oídio pode aparecer já na fase de perfilhamento, determinando aplicações mais precoces de fungicidas. Outra forma de controle é o tratamento de semente com produtos sistêmicos. As manchas foliares mais frequentes na cultura do trigo são a mancha amarela e a mancha marrom, causadas respectivamente pelos fungos Pyrenophora tritici e Bipolaris sorokiniana. Os sintomas são lesões retangulares ou elípticas, de cor parda ou mais escura. A diferença principal está no halo amarelo em torno das lesões na mancha amarela. Ambos os patógenos são transmitidos por sementes e sobrevivem em restos culturais no solo. O controle se dá através do uso de sementes menos infectadas, tratamento de semente, uso de variedades mais resistentes e rotação de cultura. As duas principais doenças que afetam as espigas do trigo são brusone a giberela.

tornam rosados e chochos, com espiguetas de cor branca ou palha. O inóculo que causa a giberela vem dos restos culturais e de outros hospedeiros como o milho. O manejo da doença se dá pelo uso de cultivares menos suscetíveis, a rotação de cultura e o uso de fungicidas, porém como essa doença necessita de um período de molhamento, a aplicação de fungicida deve preceder a ocorrência da chuva. Algumas estratégias podem ser adotadas para amenizar os prejuízos causados pelas doenças do trigo tais como: sementes de boa sanidade, tratamento de semente e aplicação de fungicida.

Resumo

Giberela

A primeira é causada pelo fungo Pyricularia grisea, que requer temperaturas entre 21 a 27º, por isso sua ocorrência é mais frequente no norte do Paraná. Já a giberela, causada pelo fungo Gibberela zeae, ocorre em todas as regiões tritícolas, sendo favorecida por temperaturas médias de 20º C e períodos de molhamento de 30 horas. A giberela afeta a formação de grãos, que se

Em resumo, a redução do rendimento final do trigo varia em função da própria doença, da suscetibilidade das cultivares, das condições climáticas e da época de sua ocorrência uma vez que quanto mais cedo aparecem, maior será o prejuízo causado. Medidas como rotação de cultura, uso de sementes de boa qualidade, tratamento de semente, uso de cultivares mais resistentes e o uso de fungicidas adequados para o controle das doenças da parte aérea irão reduzir essas perdas e permitir que as cultivares possam expressar todo o seu potencial produtivo.


Registro

Linha ABC no Programa Empreendedor Rural No dia 09 de agosto, durante as aulas do Programa Empreendedor Rural (PER), com ênfase em bovinocultura, a assessora de agronegócios da Gerência de Assessoramento Técnico ao Agronegócio (GERAG) do Banco do Brasil de Curitiba, Joseanne Arana, apresentou aos alunos os objetivos, quais itens são financiáveis e o modelo do projeto da linha de crédito de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) – programa do governo federal que financia projetos para uma agricultura sustentável e produtiva. O PER é promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR) em parceria com o Sindicato Rural de Guarapuava.

Prazo para declarar ITR segue até 30 de setembro Começou no dia 19 de agosto, o prazo para declarar o Imposto Territorial Rural (ITR). A declaração é obrigatória para quem tem imóvel rural e o prazo para a entrega termina no dia 30 de setembro. Quem perder a data deve pagar uma multa de R$ 50. A declaração deve ser feita por meio do programa gerador da declaração do ITR, relativo ao exercício de 2013, disponível no site da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br). No Sindicato Rural de Guarapuava, funcionários capacitados prestam o serviço para produtores sócios e não sócios. Outras informações pelo fone 42-3623-1115.

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Joseanne Arana

Guarapuava: Sem convenção coletiva de trabalho Este ano, o Sindicato Rural de Guarapuava, representando a classe patronal dos produtores rurais, e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guarapuava, representando os trabalhadores rurais, não firmaram a convenção coletiva de trabalho 2013/2014, ou seja, não houve acordo entre as partes. Desta forma, após uma série de reuniões entre as comissões de negociação das duas entidades, foi assinada uma ata negativa no dia 12 de julho de 2013. Com isso, fica valendo o piso estadual do Paraná, ou seja, R$ 882,59 e os produtores devem respeitar as condições e normas da CLT.


Dia de Negócios

Confraternização e bons negócios

U

ma atmosfera de descontração marcou o 2º Dia de Negócios da TratorCase, no dia 29 de junho, na loja situada na BR 277 (km 341), próxima ao acesso principal de Guarapuava. O dia transcorreu animado por música ao vivo, touro mecânico, sorteio de televisões entre quem comprou maquinário, mini palestras e demonstração de dispositivos para agricultura de precisão da Case, estandes de organizações parceiras, como o fabricante de pneus Michelin, e de apoiadores, como bancos, empresas de tecnologia e o Sindicato Rural de Guarapuava, além de almoço no local. Também marcou presença as Faculdades Campo Real, com estandes de Agronomia e de cursos ligados à área de saúde. A programação se encerrou com um show humorístico. O evento contou ainda com a presença de representantes e de clientes da Case de municípios como Lapa, Arapoti, Ponta Grossa e Mauá da Serra. Agricultores de perto e de longe encararam o clima chuvoso para conferir as atrações – entre as quais, como não poderia deixar de ser, máquinas de grande porte. Já no estacionamento, se destacava a

colhedeira Axial Flow 9230, que segundo a Case é hoje a maior fabricada no Brasil; no espaço coberto do evento, o pulverizador Patriot, por seu porte, atraía as atenções. Produtor rural da região de Turvo, presente ao 2º Dia de Negócios Case, Delço Coser contou que a safra foi boa, que investiu recentemente em equipamentos e que agora pensa em investir ainda mais: “Hoje, estamos dando uma olhada em pulverizador e em plataforma de milho”, revelou.

Savoldi: R$ 30 milhões em negócios

Coser: interesse em pulverizador e plataforma de milho

Emanuel Noriler Karam, agricultor de Reserva do Iguaçu, elogiou: “Estou achando muito bom, de fundamental importância para a gente que está no ramo, para ver as novas tecnologias”. Já para o prestador de serviço em mecanização agrícola Demétrio Ternoski, de Prudentópolis, o importante foi a confraternização. Com experiência em lavouras do Paraná e do Piauí, ele contou que já teve máquinas de outras marcas, mas se decidiu pela Case: “A Case nos proporciona aquilo de que nós precisamos na agricultura, principalmente na agricultura de precisão”. Ele acrescentou que, em sua opinião, as colhedeiras da marca são melhores para a colheita de campos de semente. Pouco antes do final do encontro, o gerente da TratorCase em Guarapuava, André Luiz Savoldi, já fazia um balanço positivo. “Estamos muito contentes. Tivemos oportunidade de mostrar os lançamentos”, comentou, se referindo a novidades como pulverizador Patriot – “Ele é o mais alto da categoria, tem 1,60 m de vão livre e tanque central, ou seja, distribuição de peso 50%-50%, cabine pressurizada e tem uma tecnologia embarcada fantástica”. Savoldi enfatizou também a sintonia da Case com a tendência da agricultura de precisão: “Todos os modelos já vêm com os dispositivos para AP. Com isso, facilita a operação, a economia de combustível, nos dá uma rentabilidade maior, na produção e no aproveitamento da máquina”. O gerente concluiu estimando em torno de 800 visitantes ao evento, com um volume de negócios de cerca de R$ 30 milhões.

Karam: foco em novas tecnologias

Ternoski: “Para colher campo de semente, ainda é a Case”

FONE: (42) 3629-8900 Rua Antônio Gaudi, 85 - BR 277 Km 341,7 - Guarapuava - PR

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Cooperativismo

Sicredi Terceiro Planalto comemora 30 anos Em agosto, a Sicredi Terceiro Planalto PR, que já atua com dez unidades de atendimento em oito municípios da região de Guarapuava, comemorou 30 anos de muitas conquistas junto aos seus associados.

N

a década de 80, houve um grande avanço do cooperativismo de crédito no país, firmado na proposta da Constituição Federal de 1988. Assim nascia também o cooperativismo de crédito em Guarapuava e com ele a Cooperativa de Crédito Rural de Guarapuava – CREDIPUAVA, hoje Sicredi Terceiro Planalto PR, criada em 10 de agosto de 1983, com o objetivo de suprir a necessidade de união entre os agropecuaristas que buscavam o fomento das suas atividades. Em 1985, junto com outras nove cooperativas de crédito em atividade no estado do Paraná, foi constituída a Cooperativa Central de Crédito Rural do Paraná – COCECRER/PR, filiada a COCECRER/RS, que, em 1992, por decisão de todas as suas afiliadas, unificaram-se sob a denominação de

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Sistema de Crédito Cooperativo - SICREDI, um dos maiores avanços de toda a história do cooperativismo de crédito no Brasil. A partir da adoção sistêmica as dez cooperativas paranaenses passaram a integrar a Central Sicredi PR, dividindo geograficamente o seu mercado de atuação. Neste mesmo período, a antiga CREDIPUAVA passou a se chamar Sicredi Terceiro Planalto PR, constituída por 32 sócios fundadores e a seguinte diretoria: Presidente - Dulci Rocha Araújo (em memória); Conselheiros de Administração - Edson Rodrigues de Bastos, Juraci Luiz Roman, João Kaminski Sobrinho (em memória), Francisco Antonio Caldas Serpa e Rodolpho Tavares de Junqueira Botelho; Conselheiros Fiscais Efetivos - Gerson João Mendes de Abreu, Francisco Deuci Portela de Almeida (em

memória) e Renato Kuster; e os Conselheiros Fiscais Suplentes - Abner José Teixeira, Mario Luiz M. Cordeiro e Wilson Carlos Haas. A primeira reunião do conselho administrativo aconteceu em 23 de maio de 1984. Hoje a Sicredi Terceiro Planalto PR, conta com mais de 11 mil associados e já atua em 8 dos 14 municípios da sua área de abrangência: Guarapuava – unidade XV de Novembro inaugurada em 21 de fevereiro de 1984, Candói (07/04/97), Pinhão (01/03/00), Pitanga (02/09/01), Santa Maria do Oeste (02/01/02), Manoel Ribas (15/08/04), Guarapuava – unidade Portal do Lago (05/11/04), Palmital (12/07/07), Turvo (02/04/09) e Entre Rios (29/01/11). Para o atual presidente da Sicredi Terceiro Planalto PR, Adilson Primo Fiorentin, os últimos anos foram de muitas conquistas


Assembleia da Constituição nas dependências da COAMIG - 1983

para todo o sistema Sicredi. “Hoje somos um dos maiores sistema de crédito cooperativo do País [...] devemos todo esse crescimento àquelas pessoas que no passado se uniram e entenderam que trabalhar de modo cooperativo é mais vantajoso, traz de maneira mais rápida melhores resultados para todos”, comentou. Outro fator destacado pelo presidente é a conquista, desde 2003, da livre ad-

Votação da Assembleia da Constituição - 1983

missão para o sistema, um marco para o cooperativismo que possibilitou ampliar os recursos, bem como, o número de associados. “Antes tínhamos produtos voltados somente a agricultura, e mesmo assim, éramos limitados naquilo que vendíamos [...] Hoje oferecemos, de maneira competitiva, todos os produtos e serviços que qualquer outra instituição financeira possui, tanto para pessoas físicas quanto

jurídicas, e além disso, temos um grande diferencial: as pessoas que optam pelo Sicredi se tornam donos da sua própria instituição financeira, da sua própria cooperativa”, frisou Adilson. A Sicredi Terceiro Planalto PR, no dia 10 de agosto, parabeniza a todos os seus associados – pessoas que entenderam que “A vida é melhor quando é cooperativa” pelos 30 anos da cooperativa.

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[Jantar] Pecuária de corte

Análise conjuntural do mercado do boi gordo no Estado do Paraná

Nathalie Silva Algayer Heitor Silva Fam Paulo Rossi Junior João Batista Padilha Junior Centro de Informação do Agronegócio da UFPR www.ciaufpr.com.br

N

o decorrer dos meses de junho e julho de 2013, a pecuária de corte paranaense registrou alta na cotação do boi gordo e vaca gorda, segundo o indicador LAPBOV, calculado pelo Centro de Informações do Agronegócio da UFPR. Em junho, a cotação média mensal real da arroba do boi gordo foi de R$ 97,50, apresentando alta de 1,4% em relação ao mês anterior, e de 0,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em julho, a arroba do boi gordo registrou média mensal real de R$ 99,49, variando 2,04% em comparação ao mês anterior e -3,14% ao mês correspondente do ano anterior. O maior e menor valor registrado no período foi de R$ 101,06 e R$ 97,06, nos dias 19 de julho e 03 de junho, respectivamente. Esta apreciação no valor real da arroba decorre do aumento nas exportações, tanto pela expansão do número de países importadores do produto brasileiro, quanto pelo aumento da cotação do dólar, que promove maior comercialização dos frigoríficos nacionais com o mercado internacional. Dessa forma, houve um acréscimo significativo na demanda, justificando a alta observada nesse período. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), houve um aumento de 14% da quantidade exportada em relação ao ano anterior, constatando uma alta de 7% no faturamento. A cotação média real da arroba da vaca gorda no mês de junho apresentou alta de 3,94%, se comparada ao mês anterior, e baixa de 2,08%, na comparação com junho de 2012. O preço real da arroba iniciou o mês de junho a R$ 87,25, sendo este o

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menor valor registrado no período analisado. A média real desse mês foi de R$ 89,48. Houve alta de 2,79% para o mês seguinte, no qual a média real obtida foi de R$ 91,97. No entanto, quando comparado ao mesmo período do ano passado, julho registrou queda de 6,4%. Gráfico 2. Comportamento dos preços reais da arroba do novilho e novilha precoce no Estado do Paraná, para os meses de junho e julho de 2013. Fonte: CIA/UFPR

Gráfico 1. Comportamento dos preços reais da arroba do boi gordo e vaca gorda no Estado do Paraná, para os meses de junho e julho de 2013. Fonte: CIA/UFPR

Em julho deste ano, o preço médio da arroba do novilho precoce foi de R$ 104,06. Este valor representa acréscimo de 1,30% em relação ao mês anterior, em valores reais. Na comparação com julho de 2012, houve retração de 2,21% na cotação. Na fêmea, a cotação média real foi de R$ 99,09 em julho sendo 0,70% menor se comparado ao mesmo período do ano anterior, mas 1,64% maior do que em junho/2013. Em se tratando do preço do bezerro, em junho observou-se desvalorização de 2,92% em relação ao mês de maio, atingindo o mínimo valor, de R$ 742,11, durante a terceira semana do mês. Apesar de registrar o pico de R$ 836,04 na segunda semana do mês

julho a cotação real do bezerro tornou a apresentar queda, alcançado o valor de R$ 684,76 na última semana. Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve variação de -0,12% em junho, e de 3,62% em julho, em valores reais, no preço pago pelo bezerro de acordo com dados do LAPBOV/UFPR. A desvalorização do preço do bezerro observada nesse período se justifica devido ao aumento da oferta desses animais, característico dessa época do ano.

Gráfico 3. Comportamento dos preços reais do bezerro no Estado do Paraná, para os meses de junho e julho de 2013. Fonte: CIA/UFPR


Investimento

Moda country e campeira na Agroboi A agropecuária decidiu investir na venda de roupas, calçados e acessórios destinados ao público country Há 40 anos em nossa cidade, a Agroboi destaca-se no mercado agropecuário pela variedade de produtos, como medicamentos, rações, suplementos, vacinas, insumos, defensivos agrícolas, sementes, etc. Pioneira no ramo de Pet Shop, há 16 anos oferece aos clientes qualidade e variedade de rações, acessórios, brinquedos, medicamentos e serviço de banho e tosa com profissionais qualificados e em constante aperfeiçoamento através de cursos e treinamentos. Também fazem parte da Agroboi: Hotel para cães e gatos, Clínica Veterinária com vacinas importadas, consultas e cirurgias. Laboratório de Anemia Infecciosa Equina(AIE), que atende grande parte da nossa região realizando exames para diagnóstico da doença.

Acompanhando as tendências, decidiu investir em um novo segmento: Moda Country. Os médicos veterinários Dr. Kleyton e Dra. Danielli Kramer, responsáveis pela seção, contam que a Agroboi sempre trabalhou com venda de botinas, bombachas, chapéus, entre outros itens campeiros, mas que agora sentiram a necessidade de colocar um espaço onde pudessem oferecer aos clientes um pouco mais do campeirismo, unindo a moda country com o trabalho no campo. “Temos uma grande variedade de produtos, roupas, calçados e acessórios, feminino, masculino e infantil. Inclusive toda parte de montaria e acessórios para o cavalo” relata Danielli. A Agroboi Country oferece aos clientes

Danielli e Kleyton Kramer

marcas tradicionais como: Wrangler, Smith Brothers, Trooper, Garotti, Ribershoes, Lince, entre outras. “São produtos de muita qualidade, bons preços e condições de pagamento. Segundo o proprietário, o novo investimento vem para atender uma demanda dos clientes. Assim a Agroboi mostra que continua crescendo, com tradição e qualidade, sempre inovando e trazendo novidades para a cidade. “Com a mudança no perfil de Guarapuava, que se tornou um polo universitário, cresceu a demanda e a procura por produtos country. Estamos encarando como uma nova oportunidade e apostamos nesse nicho de mercado que acreditamos ser promissor”, declarou Kleyton.

Confira alguns dos produtos da loja Agroboi: Botas e botinas

Adulto

Roupas infantis Acessórios

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Floresce mais uma alternativa

Fotos: Manoel Godoy

Canola

para o inverno E

la registra, no Brasil, uma pequena área se comparada a outras culturas semeadas para a produção de óleo vegetal, como a soja. Para alguns, trata-se apenas de uma alternativa recente, sobre a qual pouco se conhece no país. Mas quem já viu de perto suas vantagens como pré-cultura para o milho e para a rentabilidade da propriedade, afirma sem hesitar: a canola é uma opção de lavoura de inverno. Por isso, o produto (brassica napus L. e brassica rapa L.), que tem seu nome popular formado por uma abreviatura das palavras Canadian oil low acid, encontrou, em terras brasileiras, espaço em vários estados, incluindo Rio Grande do Sul e Paraná. E, entre as regiões paranaenses, a de Candói vem se destacando. Nas imediações do município, em meados do ano, campos amarelos, de canola em flor, começam aos poucos a se sobressair na paisagem. Quem há cerca de seis anos decidiu apostar nesta cultura foi Nelson Adelar Ghelen, com seu filho, Luiz Carlos. Segundo contaram à Revista do Produtor Rural

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do Paraná, as safras, de maneira geral, têm sido boas e a canola desde então faz parte do ano agrícola da propriedade – a área oscila entre 180 e 210 hectares, sendo 185 hectares neste inverno. “É uma alternativa. Ela entra numa área que ficava ociosa. No nosso caso, na fazenda, seria uma área de cobertura de aveia. A canola tem uma rentabilidade até boa”, contou Luiz Carlos. Para uma estimativa de sua safra 2013, no entanto, ele destacou no momento da entrevista, no início de julho, que ainda precisaria de alguns dias para avaliar se as fortes chuvas que atingiram o Paraná, no mês anterior, tiveram ou não algum efeito sobre a lavoura. Mas arriscou um palpite: no caso de não ter perdas significativas, a expectativa é obter entre 1,6 mil kg/ha a 1,8 mil kg/ha. “Para não ser muito otimista”, completou em tom bem humorado. Luiz Carlos observou que, neste patamar de produtividade, a atividade continua gerando lucro. Seja qual for o resultado, o jovem pro-

dutor rural afirmou que a idéia é continuar com a cultura: “Para o nosso sistema de rotação, para o manejo da fazenda, aqui, caiu muito bem”. E explicou: “A gente percebeu descompactação de solo. Em cima de canola, o plantio de milho fica muito melhor”.

Plantio a vácuo Inovação também ajuda. Depois que compraram uma semeadeira que permite plantio a vácuo, surgiu a idéia de aplicar a técnica à canola. O disco de plantio? Nelson, com sua experiência e habilidade, comprou a peça e na oficina da propriedade realizou, ele mesmo, a perfuração. Tarefa minuciosa, já que os orifícios precisam ser exatamente do tamanho de uma das menores sementes que existem. “Acredito que foi a melhor distribuição de sementes que tivemos nestes seis anos”, comemorou Luiz Carlos. Melhor ainda foi a economia: “A gente trabalhava com volume em torno de três quilos e meio por hectare. Nesse ano, dois quilos por hectare”.


A comercialização, ainda de acordo com ele, também é tranqüila: destinada ao grupo AG Teixeira, de Candói. Além de adquirir a canola, a empresa possui, à margem da BR 373, uma das únicas unidades de esmagamento do produto no Brasil, recebendo safras da região e de vários estados. Funcionando o ano todo, a fábrica processa diariamente cerca de 80 toneladas de grão, para produzir volume aproximado de 25 toneladas de óleo degomado (estágio anterior ao do óleo refinado). Na AG Teixeira, o sócio diretor, Giovani de Col Teixeira, que também é presidente da Associação Paranaense de Produtores de Canola, é entusiasta de uma atividade que, em sua avaliação, tem potencial para maior produtividade e maior comercialização. “A cultura, desde que se firmou na região, vem tendo um crescimento médio de 20% a 30% ao ano”, disse, ponderando que, em 2013, a expansão só não será tão acentuada porque a oferta de semente foi insuficiente em todo o país. Mesmo assim, estimou para esta safra, em Candói e outros municípios, área de 3,8 mil a 4 mil hectares. Na pesquisa de variedades de canola – base do setor –, Giovani destacou como importante, em nível nacional, o papel da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS), onde de acordo com o site da instituição o trabalho teve início em 1980, a partir da avaliação de espécies para a composição de espécies para sistemas de rotação. Em nível regional, ele citou que o esforço para consolidar a cultura vem aproximando várias empresas, como o próprio grupo AG Teixeira, cooperativas e entidades, como a Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA). Exemplo foi o dia Dia de Campo da Canola, promovido por AG Teixeira e Agrária, na Fazenda São Pedro, do Grupo Illich, com apoio de diversas organizações, no dia 5 de agosto. (Leia matéria na página 92) Já no mercado, segundo relatou, produtores encontram compradores em empresas como a AG Teixeira. “A canola vem referenciada ao preço da soja. O produtor, na hora de comercializar, já sabe que vai ven-

O agrônomo Eduardo: na canola, raiz pivotante ajuda a descompactar o solo

Solo e adubação Somando sua experiência com informações que vai buscar na Embrapa Trigo, o agrônomo Eduardo Miranda D’avila Pereira, que na AGTeixeira é responsável por prestar assistência técnica a produtores de canola da região, chegou a conclusão de que a cultura apresenta algumas características interessantes, não só do ponto de vista financeiro, mas também do técnico. A adubação se faz enfatizando mais os elementos nitrogênio e fósforo. A cultura é muito responsiva a adubação o que leva os produtores mais experientes a utilizarem fórmulas mais concentradas, pois já perceberam o bom retorno em produtividade. “Hoje estamos trabalhando com fórmulas como 14 34 00, na quantidade de 250-300kg/ha”, detalhou que posteriormente vem a adubação de cobertura complementando as necessidades da cultura com a fórmula 36 00 12 na quantidade de 150-200kg/ha. Salientou também que uso de agroquímicos é menor em comparação com outras culturas de inverno, o que facilita o manejo e ajuda a baixar os custos de produção. Outro ponto que para o agrônomo se mostra benéfico é que a canola auxilia no processo de descompactação do solo de forma natural, pois possui raízes bem vigorosas e pivotantes, ajudando na reciclagem de nutrientes e deixando excelentes condições para o plantio do milho.

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Luiz e Nelson: entre os primeiros a apostar na canola na região de Candói, pai e filho plantam todo ano cerca de 200 hectares

Giovani e Sebastião, à frente de uma das únicas esmagadoras de canola no país: otimismo, 25 t de óleo por dia e 15 empregos diretos

Oferta e demanda Sementes, grãos, óleo degomado e farelo de canola

der no preço da soja do dia. Ele está com uma expectativa muito boa, porque a soja vem se comportando muito bem. A tendência lógica é de continuar com bons preços, trazendo ótima rentabilidade”, analisou.

Canola no lugar de aveia Diante deste cenário, Giovani ressaltou que a seu ver a canola poderia alcançar destaque ainda maior se, além dos cerca de 200 produtores rurais da região que já plantam a cultura, muitos outros passassem utilizá-la como pré-cultura do milho de verão, substituindo alternativas clássicas, como a aveia de cobertura. Em seus cálculos, a canola ganharia um es-

Produção na região de Guarapuava

No setor de comercialização da AG Teixeira, Sebastião Hollandini vê na canola uma boa alternativa de cultura de inverno. Em seus números, o custo por hectare, para a implantação de lavoura de alta tecnologia na região de Candói, hoje, giraria em torno de R$ 800,00. E embora a produtividade local, de cerca de 1,6 mil kg/ ha, ainda precise evoluir para chegar em níveis internacionais (3,5 mil kg/ha), ele declarou que o balanço é positivo. “Compensa e muito. O produtor está tendo um retorno, hoje, em torno de R$ 800,00 a R$ 900,00 por hectare”, informou, sublinhando que já alguns agricultores já têm alcançado maior produtividade, de 2,5 mil kg/ha, o que tornaria a atividade ainda mais interessante. Hollandini também visualiza espaço no mercado: “No Brasil, hoje, se planta em torno de 55 mil a 60 mil hectares de canola por ano. Para atender a demanda interna, teríamos de plantar 150 mil hectares, pensando na demanda de consumo humano, sem pensar no futuro do biodiesel, que é a grande oportunidade de negócio”.

paço de nada menos do que 60 mil hectares. “São áreas que ficam em pousio no inverno, sem nenhuma rentabilidade para o produtor. Isso, a canola pode fazer sem tirar, logicamente, nenhum hectare de trigo ou de cevada”, comentou. Espaço

12 Municípios

2009 2010

2010 2011

2011 2012

Área colhida (ha)

2.380

2.470

2.195

Produção (t)

2.955

1.550

2.835

(Fonte: DERAL, Seab)

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no mercado para todo o volume que seria gerado, o proprietário da AG Teixeira acredita que existe. “Só a nossa empresa AG Alimentos, que está dentro do grupo AG Teixeira, tem como absorver todo este volume”, concluiu.


Pequenos animais

Guarapet: novos serviços, em uma nova sede

P

ara a Guarapet, 1º de julho foi uma data importante: o dia da inauguração de uma nova sede, que a empresa construiu sob medida para atender ainda melhor seus clientes. Porque, conforme costumam comentar Fábio Peterlini e Ana Paula Spak, nesses dois anos de atuação, o que tem destacado o trabalho da equipe é a filosofia de considerar o cliente como seu principal patrimônio. O cliente e seus animais de pequeno porte, em especial cães e gatos. A abertura das novas instalações foi festejada com um café da manhã para antigos e novos clientes, parceiros e amigos da empresa. Foi também a oportunidade de divulgar novos serviços da Guarapet. Agora, além de comercializar rações e diversos acessórios para animais, a empresa é distribuidora (Supra) e, embora o foco permaneça nos animais de pequeno porte, é possível encontrar produtos para a nutrição de equinos e bovinos. E as novidades incluem ainda atendimento completo aos pequenos animais, do serviço de banho e tosa até os cuidados veterinários, com consultório, incubadora, sala de cirurgia e ambulatório.

Peterlini e Ana Paula: comemorando um novo espaço e novos serviços aos clientes

Equipe da Guarapet: destaque em seu setor, a empresa ampliou seus serviços na nova sede

Peterlini comemorou o novo passo da Guarapet: “Logo na sua fundação, ela era só loja. Agora a gente atende todos os setores de pequenos animais”. E os clientes compareceram à inauguração desde o início da manhã: “Estou muito feliz. O pessoal tem nos prestigiado”, disse Peterlini. “Quem não é cliente, que venha conhecer nosso serviço, nosso atendimento”, acrescentou. Ana Paula Spak contou que um dos diferenciais da empresa é o atendimento: “Temos um conhecimento de medicamentos, rações, um conhecimento grande com os clientes – Mais do que clientes, são nossos amigos, por isso a alegria enorme de poder oferecer esse espaço melhor para atendê-los. Eles sempre foram nosso bem mais precioso. Essa é a nossa missão. E

com isso vem o sucesso”. Na parte clínica, o veterinário Ronimar Luiz Romio, ressaltou que os pequenos animais, hoje, “não são mais aqueles animaizinhos de quintal”. Consequentemente, “as pessoas estão procurando cuidar bem deles. Elas procuram o médico veterinário para fazer todo o protocolo de vacinação, prevenção de doenças, consulta, cirurgia ou castrações”. Entre um e outro contato com os clientes, durante a inauguração, Peterlini, Ana, Romio e toda a equipe da Guarapet fez uma pausa para a foto oficial. E não por acaso aplaudiram o que consideram sua maior conquista: os clientes e a confiança que têm depositado na empresa (A Guarapet está atendendo na Rua Dezessete de Julho, nº 1975).


Homenagem póstuma

Danguy:

exemplo de agrônomo N

Fotos: Arquivo pessoal

uma região como a de Guarapuava, onde história e agropecuária se entrelaçam, vários são os nomes que se destacaram na busca por inovação e produtividade. Entre eles, uma personalidade. O agrônomo guarapuavano Mozart Pacheco Danguy, falecido aos 90 anos, em 21 de abril, permanecerá na memória de familiares, amigos e de todos os que estiveram lado a lado com ele – um profissional que se caracterizou por amplo engajamento dentro de seu campo de atuação. Filho de Manoel Lustosa Danguy e Maria da Luz Pacheco Danguy, Mozart Pacheco Danguy nasceu no dia 8 de junho de 1922. Infância e juventude, ele passaria em Curitiba, onde fez o primário na Escola Americana e o Ginásio no Belmiro Cezar. Cursou o CPOR, tornando-se oficial da Reserva. No Colégio Paranaense, estudou para Pré-Engenheiro e depois prosseguiu no caminho de uma formação agrícola, graduando-se no curso superior na Escola Estadual de Agronomia e Veterinária (hoje Universidade Federal do Paraná), em 1947. Os horizontes continuaram abrindo-se: veio um estágio no Instituto Agronômico, em Campinas (SP), seguindo-se atuação em extensão rural e na Casa da Lavoura, em diversas regiões do estado de São Paulo. De volta a Guarapuava, prestou assistência técnica a propriedades do município e da região. Mozart Pacheco Danguy também participou na implantação da Cooperativa Agrária. E sua busca por agropecuária avançada incluiu engajamento na campanha de melhoramento genético do rebanho bovino, quando se realizava permuta de bezerros comuns por animais nelore puros de origem. Transferido para Ponta Grossa, ele atuou no Campo Experimental de Vila Ve-

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lha, integrando-se a um projeto de silvicultura com diversas espécies, a araucária e agrostologia com diferentes gramíneas. De volta a Guarapuava, galgou posições que lhe permitiriam contribuir para o desenvolvimento do campo, não só no município, mas numa grande área do Paraná: Mozart Pacheco Danguy assumiu a chefia do Setor Rural, que abrangia diversos municípios do oeste do Estado, como Laranjeiras do Sul, Guaraniaçu, Cascavel, Toledo, Guaíra e Foz do Iguaçu. Em Pitanga, chefiou a Casa Rural, que incluía ainda Manoel Ribas, Ivaiporã e Palmital. Sua inclinação pela participação na comunidade o levou a atuar como vereador, tendo exercido a função por dois mandatos. Mais uma vez em Guarapuava, ele assumiu a direção daquela que se tornaria uma das instituições de ensino mais prestigiadas no município e na região: o Colégio Estadual Arlindo Ribeiro. Mais tarde, retornou à atuação pública, chefiando a regional da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab) no município, onde permaneceu até sua aposentadoria, em 1975. Em anos mais recentes, Danguy se dedicava à agricultura e à pecuária, em suas propriedades rurais, em Reserva do Iguaçu e Guaraniaçu. Para quem esteve próximo a esse agrônomo considerado exemplar, como Mário Cezar e Ricado, filhos de Danguy em seu casamento com Haimê Rocha, o que também fica entre as recordações é a disposição para valorizar sua profissão. No final da década de 80, seu pai decidiu doar um terreno, de com 10 mil m², no bairro Boqueirão, em Guarapuava, para a construção da Associação dos Engenheiros Agrônomos (AEAGRO). Atualmente a entidade está em vias de concluir a obra.


“Fundamental foi a sua herança e liderança em nossa família, pois nos ensinou os princípios de como viver em sociedade, respeitando a todos. Voltando à sua época e a da minha infância, recordo que em algumas vezes o acompanhava em seu trabalho, na Secretaria de Agricultura. Após sua aposentadoria, o acompanhava em suas viagens e nessas me contava como eram os locais por onde passávamos em épocas anteriores, antes de iniciar o desenvolvimento das diversas regiões do nosso Estado. Imagine o que era o trabalho de agrônomo naquela época! Não havia as estradas, nem as pontes que existem hoje. E Guarapuava era muito maior. O pessoal usava jipe para poder chegar aos lugares. Então, às vezes, meu pai saía para esse trabalho de campo, na segunda-feira, e só conseguia voltar vários dias depois. O terreno para a AEAGRO, ele doou, fez questão de deixar para uma entidade que se tornasse um espaço para os agrônomos. Um espaço onde os agrônomos pudessem se reunir e discutir suas questões. Passados mais de 20 anos, estamos vendo seu sonho se tornar realidade, graças aos esforços conjuntos de tantos outros abnegados, em prol desta categoria profissional que está entre as fundamentais para o desenvolvimento de Guarapuava, do Paraná e do Brasil”.

Mário Cezar Filho de Mozart Pacheco Danguy

O desenvolvimento do Brasil se baseia na agricultura. E a base da agricultura é a agronomia, é o agrônomo. Agronomia é ciência. Por isso, estamos buscando valorizar cada vez mais o profissional agrônomo. Buscando que ele possa trabalhar atendendo grupos de agricultores. Estive com o sr. Danguy algumas vezes, nas reuniões para tratar da doação do terreno que ele fez para a AEAGRO. Se hoje a gente ainda está lutando pela valorização profissional, calcule a visão que o sr. Danguy teve, naquela época, e o apoio que ele já dava à profissão. Fazer uma doação como ele fez mostra desprendimento, vontade de fazer mais pela classe. Danguy foi agrônomo e produtor. Na essência. Quem mais faria uma doação como essa assim tão facilmente?” José Roberto Papi - Presidente da AEAGRO


Legislação

Decker, De Rocco Bastos Advogados Associados Fábio Farés Decker (OAB/PR nº 26.745) Tânia Nunes De Rocco Bastos (OAB/PR nº 20.655) Vivian Albernaz (OAB/PR nº41.281) Maybi F. P. Brogliatto Moreira (OAB/PR nº 40.541)

Negociação Coletiva de Trabalho

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o longo da história do Sindicato Rural de Guarapuava, sempre se tentou promover o entendimento através das exaustivas negociações que antecedem a Convenção Coletiva de Trabalho, das quais, habitualmente, se tem chegado a bom termo. Neste ano, porém, em que pese às deliberações dos membros da comissão negociadora, de ambos os sindicatos, para atender diversos pleitos, lamentavelmente não se alcançou a Convenção Coletiva de Trabalho para o presente ano. Sabe-se, que as negociações coletivas objetivam gerar normas ou regramentos que serão adotados na observância dos contratos individuais de trabalho das partes representadas. A nossa Carta Constitucional reconhece, expressamente, a validade dos instrumentos resultantes dessa negociação coletiva, dando status de lei entre as partes os acordos e convenções coletivas celebradas. Em um mundo globalizado onde o capital transcende barreiras territoriais e dinamiza cada vez mais as relações de trabalho, a necessidade de uma constante negociação das condições de trabalho se faz cada vez mais presente, não apenas para assegurar garantias mínimas aos trabalhadores, mas também como forma de viabilizar a adaptação do mercado de trabalho à realidade econômica vivenciada. Na abordagem de uma negociação coletiva temos que ter em conta, sempre, a diversidade

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de interesses dos atores sociais. É certo, contudo, que o objetivo do Sindicato Rural é que o resultado do negócio seja positivo para garantia das finalidades distintas. Porém, com o advento da alteração da Súmula 277 do Tribunal Superior do Trabalho, estão cada vez mais difíceis as negociações dos instrumentos coletivos, já que a partir de setembro de 2012, as cláusulas normativas dos acordos coletivos ou convenções coletivas integram os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser modificadas ou suprimidas mediante negociação coletiva de trabalho, o que anteriormente não ocorria. Desta forma, atualmente as cláusulas normativas das convenções coletivas integram os contratos individuais de trabalho do trabalhador, o que torna ainda mais árdua as negociações. É salutar recomendar aos produtores rurais que, neste período de transição e incerteza, até que as entidades sindicais cheguem a um consenso, deve-se ter o máximo de cautela por parte dos empregadores, sobretudo no que se refere a alguns benefícios que já estão arraigados no consciente de seus empregados. Por fim, diante da ausência de um instrumento coletivo de trabalho para a categoria rurícola do Município de Guarapuava, o piso estadual do Paraná fica valendo, até o fechamento de uma nova Convenção Coletiva de Trabalho que esperamos ocorra para o próximo ano.


Marketing rural

Nova campanha da BASF de valorização da agricultura tem apelo emocional e aproxima o trabalho do agricultor ao cotidiano das pessoas O destaque fica por conta do vídeo “Agricultura: o maior trabalho da Terra”, que apresenta a atividade agrícola como a grande responsável por alimentar, vestir e mover sete bilhões de pessoas do planeta. A campanha contempla também anúncios em TV, rádio, web e impressos

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epois do sucesso da iniciativa “Um Planeta Faminto”, iniciada em 2009, a BASF lançou uma nova fase da campanha intitulada “Agricultura, o maior trabalho da Terra”. Desta vez, o foco é apresentar o universo agrícola ao cidadão que vive no meio urbano, destacando a presença da agricultura no dia-a-dia dos sete bilhões de pessoas do planeta. Um vídeo de dois minutos, desenvolvido pela agência e21, do Grupo MTCOM, é a principal peça da iniciativa. No filme é contada a trajetória de um cidadão comum, desde seu nascimento até a idade adulta. Com linguagem emocional, o vídeo mostra a contribuição do trabalho do agricultor em todos os momentos da vida desse personagem. De acordo com Oswaldo Marques, diretor de marketing da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF para o Brasil, a definição da abordagem adotada na campanha sustentou-se no resultado da pesquisa realizada recentemente pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), que concluiu que mais de 40% dos entrevistados nos 12 principais centros urbanos brasileiros não compreendem o real significado da pala-

vra agronegócio. “Outro dado interessante dessa pesquisa é que 48,7% dos jovens, entre 16 e 24 anos, desconhecem a atividade do agronegócio; 25% deles definem a profissão de agricultor como pouco ou nada importante para a sociedade. Acreditamos que, por meio de ações multimídias como a que estamos conduzindo, poderemos levar informação qualificada sobre o agronegócio a esse público formador de opinião”, afirma. A campanha terá duração de quatro meses e abrangerá a veiculação de mídia em TV, Rádio, peças online e impressas. Na web, a ideia é levar o internauta - por meio dos anúncios - ao site da campanha: www.planetafaminto.com.br. Para os veículos impressos foram desenvolvidas nove peças, cuja abordagem é a valorização do agricultor e da terra. Serão ainda divulgados spots de rádio para todo o País com a mesma abordagem. Já em TV, o destaque fica por conta da exibição do filme no programa Globo Rural, no canal Globo News e Canal Rural. E o lançamento da campanha ocorreu no dia 28 de julho – Dia do Agricultor no intervalo comercial do programa Fantástico, da Rede Globo. A campanha Planeta Faminto é parte da

estratégia da unidade de Proteção de Cultivos na América do Sul, cujo foco principal é a conscientização da população em geral sobre a importância do produtor rural e sua atividade. Em sua etapa anterior, essa mensagem também foi transmitida por meio do patrocínio ao Grêmio Recreativo de Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, que conquistou o 1º lugar no desfile do grupo especial das Escolas de Samba do carnaval do Rio de Janeiro em 2013. “Acreditamos em investimentos dessa natureza, que auxiliam na construção da reputação do segmento agrícola. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em dez anos, a demanda mundial por alimentos crescerá 20% e o Brasil atenderá cerca de 40% desta demanda. Nos últimos 13 anos, ainda, o agronegócio tem contribuído decisivamente para o superávit primário do balanço comercial brasileiro. A BASF acredita que o agricultor brasileiro pode ajudar a alimentar o mundo de forma sustentável, daí a continuidade da campanha ‘Um Planeta Faminto’”, afirma Maurício Russomanno, vice-presidente da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF para o Brasil.

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Ponto de Vista

Fome e desperdício

na contramão da sustentabilidade Por Eduardo Leduc, vice-presidente Sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF para a América Latina e de Sustentabilidade para a América do Sul

Um estudo da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), apresentado no ano passado, aponta que 870 milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso diário às quantidades mínimas de alimento para terem uma vida considerada saudável. Trocando em miúdos: um em cada oito habitantes do Planeta passa fome, todos os dias.

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O

Brasil, que poderá ser o celeiro do mundo, atualmente perde e desperdiça um número alarmante de alimentos. Estima-se que jogamos no lixo – anualmente o equivalente a R$ 12 bilhões, que poderiam alimentar cerca de 30 milhões de pessoas. Não é ético e nem sustentável para a sociedade brasileira deixar de buscar soluções para essa triste realidade. O que boa parte da sociedade, especialmente a urbana, sequer imagina é o papel e a luta do agricultor para produzir mais e melhor. Comumente ainda se atribui a ele a despreocupação em relação às questões ambientais e a falta de acesso a alimentos em quantidade e qualidade. Segundo a FAO, cerca de 40% do que se planta no mundo é perdido devido ao ataque de pragas e doenças nas lavouras e efeitos climáticos. Já de acordo com estudo realizado pelo Instituto Akatu, cerca de 44% do que se planta em nosso País é perdido ao longo da cadeia, incluindo transporte e armazenamento (8%), indústria de processamento (15%), varejo (1%) e perdas no processamento culinário e nos hábitos alimentares (20%). As razões para chegarmos a esta situação vão desde o mau uso ou a falta de tecnologias satisfatórias, infraestrutura inadequada de transporte e de armazenamento, dificuldade de acesso à tecnologia por pequenos produtores e uma preocupação excessiva com a aparência dos produtos, até o consumo além do necessário. Somente será possível contribuirmos para uma produção agrícola mais responsável e ética quando a atividade for vista de forma mais holística e realista, ou seja, quando tivermos políticas públicas consistentes e transparência técnica para se promover a segurança alimentar,

propiciando a disseminação de melhorias contínuas na gestão de toda a cadeia produtiva, pois se é possível gerenciar aquilo que se mensura. A rentabilidade sustentável no campo somente ocorre com o uso de tecnologia e inovações que geram maior produtividade e melhor utilização dos recursos naturais cada vez mais escassos. Os aspectos sociais passam pela geração de emprego qualificado que dependem e necessitam urgentemente de melhor formação profissional. Acredito que erramos em nos concentrar nos temas ambientais da sustentabilidade, quando o pilar social é, provavelmente, o maior problema atual e que exige educação e mais ética para serem abordados. Sustentabilidade é missão de todos nós. Ética e sustentabilidade caminham juntas e precisamos mostrar com total transparência o que cada elo da cadeia produtiva pode fazer para termos uma entrega justa e de qualidade de alimentos na mesa de cada um e que o agricultor se sinta orgulhoso pela tarefa nobre e por vencer os desafios que encontra a cada dia.


Sindicato Rural de Pitanga

Evoluindo com a agropecuária

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istórias de prosperidade, luta, amor e apego a terra são narrativas de vida de produtores que evoluíram ao lado da agropecuária. Biografias que também se mesclam com a história do Sindicato Rural de Pitanga. A entidade foi fundada inicialmente como uma associação em 1966, mas só 1968 foi oficialmente constituída como sindicato. Assim, no aniversário de 45 anos, o sentimento de memória e de conquistas é relembrado junto com os associados. Com anseio de prestar homenagem por todos esses anos aos produtores rurais que contribuíram com a constituição da entidade, o Sindicato realizou de 08 a 12 de julho, uma semana de festividades para os sócios na sede, com cafés da manhã e lanches da tarde para recepcionar os produtores.

Foto: Helena Krüger

Em semana festiva, os 45 anos do Sindicato Rural de Pitanga foram comemorados com os sócios. Jantar homenageou ex-presidentes.

Equipe do Sindicato Rural de Pitanga

Durante uma das confraternizações, os associados deixaram o depoimento para a Revista do Produtor Rural do Paraná, a respeito da importância da entidade: João Marco Micaretta, produtor rural de Pitanga “Sou sócio do Sindicato há mais de 20 anos e nesses 45 anos de história a entidade acompanhou a evolução da agricultura regional. Acredito que o Sindicato tem grande participação e influência no setor agropecuário e na sociedade. É fundamental para nós associados, para o município e para nossa região”.

João Luiz Dante, produtor rural de Pitanga “A comemoração do aniversario é importante para divulgar a entidade e tudo que faz pelo sócio. O Sindicato atua coletivamente, buscando recursos e defendendo o produtor onde for necessário. É um prazer para nós ter um Sindicato do porte do nosso e com número de associados que possui. Estamos em um bom caminho e vamos continuar crescendo”.

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Nelso Valter Nava, produtor rural e diretor do Sindicato entre os anos de 2000 a 2005.“Participei na diretoria do Paulo Gregio e Cleuze Araújo. Nesse período, fiz muitas amizades e até hoje me sinto muito honrado por ter feito parte dessa história. Foram cinco anos que fizeram eu me sentir muito bem, porque modificamos e inovamos desde as reformas até a forma de se trabalhar”. Artemio Mânica, produtor rural. “Sou sócio há 27 anos e meu pai também era. São 45 anos de história, o Sindicato sempre nos ajuda, tem muitos benefícios para os associados. É uma data realmente a ser comemorada”.


História, homenagens e confraternização Avanços do Sindicato Rural de Pitanga, em seus 45 anos de história, foram lembrados pelos associados e pela diretoria num jantar, dia 12 de julho, no salão da Igreja Sant´Ana. Além dos homenageados e de representantes de homenageados, realizaram pronunciamentos sobre a importância do sindicato o atual presidente, Luiz Carlos Zampier; o diretor financeiro da Faep, João Luiz Rodrigues Biscaia; e a vice-prefeita de Pitanga, Mirna Galafassi.

Reinaldo Petrechen, primeiro presidente do Sindicato Rural de Pitanga, recebendo homenagem da atual diretoria

“A gente fica feliz, porque vê o sindicato bem organizado. Para nós prevalece o interesse do agricultor. E para que o produtor cumpra sua missão de produzir alimentos, nós precisamos profissionalizar esse agricultor. Sindicato Rural, Faep e Senar, nós conseguimos capacitar mais de dois mil agricultores por ano. Isso para nós é muito importante”. Luiz Carlos Zampier Presidente do Sindicato Rural de Pitanga “Temos que comemorar, sim, esses 45 anos (do Sindicato Rural de Pitanga). Vimos a história do sindicato. Cada presidente que passou deixou seu marco. Isso é exemplo. A cidade precisa de ter história, saber o que fez. O sindicato de Pitanga é um marco, hoje, sem dúvida, na agropecuária do município”.

Vice-prefeita de Pitanga, Mirna Galafassi: pioneiros do sindicato contribuíram para atual posição de destaque da entidade

Clara Araújo, representando Cleuze Araújo, ressaltou a importância da presença da mulher para a agricultura

João Luiz Rodrigues Biscaia Diretor financeiro da FAEP

Diretoria (2011 a 2014): (Da esq. / dir.) Sérgio Luiz Grande (conselheiro fiscal); Luiz Carlos Petrechen Filho (secretário); Cladirio Luiz Zanetti (tesoureiro); Luiz Carlos Zampier (presidente); José Luiz Nerves (secretário); Sadi Sabino Marcoski (conselheiro fiscal); Mauro Antônio Teixeira (tesoureiro); Wilson Scariot (conselheiro fiscal); Anselmo Coutinho Machado (vice-presidente); João Luiz Dante (conseheiro fiscal); e João Marco Nicaretta (vice-presidente). Paulo Gréggio (conselheiro fiscal e delegado) não estava presente ao evento, mas também integra a diretoria.

Homenageados: • Manoel Borba de Camargo (primeiro presidente da associação que deu origem ao Sindicato Rural de Pitanga) • Reinaldo Petrechen (primeiro presidente do Sindicato Rural de Pitanga) • Francisco Alexandre Buchmann (falecido), representado pelo filho, Luiz Arnaldo Buchmann • Alexandre Carlos Buchmann (Tico) • Paulo Gréggio, representado por Olivo Gréggio • Cleuze Araújo, representado pela esposa, Clara Araújo • Antônio Adir de Lara (atual secretário executivo), mais antigo funcionário do sindicato

Manoel Borba de Camargo lembrou como a história recente do Brasil se refletiu na trajetória de reivindicações dos agricultores de Pitanga e região

Antônio Adir de Lara (à esquerda): homenageado por Zampier como funcionário mais antigo do sindicato

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Sanidade animal

Fundo indenizatório para tuberculose no Paraná

Prefeito de Guarapuava, Cesar Filho, participou do encontro

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seguida, com a apresentação dos casos de tuberculose humana em Guarapuava e região, pela coordenadora do programa de tuberculose do ambulatório municipal de pneumologia e dermatologia sanitária, Ana Alice Carneiro. Também participou da reunião o assessor técnico da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec), Celso D´Oliveira, que trouxe informações sobre o impacto e a viabilidade econômica da criação de um fundo estadual para brucelose e tuberculose. “A Faep fez um estudo de viabilidade econômica e percebemos que vale a pena investir em sanidade. Temos uma relação de cada R$ 1,00 que se investe neste programa para erradicação das doenças, se tem um retorno de, no mínimo, R$ 4,00”, disse D´Oliveira. Botelho destacou não apenas a importância econômica, mas também social do fundo para garantir a fixação do produtor no campo. “Sabemos que vários produtores vêm desistindo da atividade e vendendo suas propriedades devido a problemas, principalmente, de tuberculose. Com a aprovação desse fundo queremos, pelo menos, acender uma luz no final do túnel para esses produtores”, disse o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava.

Entrega de solicitação para criação do fundo.

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Em Curitiba, com Ortigara

Foto: AEN

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o Encontro dos Conselhos Municipais de Sanidade Animal (CSA´s) de Guarapuava e região, realizado no dia 5 de julho, no anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava, representantes dos CSA´s e de prefeituras municipais da região se reuniram para discutir alternativas para a criação de um fundo indenizatório estadual, visando a erradicação da tuberculose. Representantes dos municípios de Guarapuava, Turvo, Pinhão, Reserva do Iguaçu, Candói, Cantagalo, Campina do Simão e Prudentópolis disseram apoiar o projeto de lei nº 122/2013, proposto pela deputada estadual Luciana Rafagnin, que pretende criar o Fundo Estadual Extraordinário para erradicação da tuberculose no Estado do Paraná. Durante o evento, os representantes dos CSA´s entregaram aos deputados estaduais Bernardo Carli e Artagão de Mattos Leão Junior uma carta aberta que solicita a aprovação do fundo para indenizar produtores que tenham perdido animais pelo abate sanitário. Na carta, também foram reivindicadas algumas alterações na proposta de lei original, como a alteração do órgão competente pela gestão do fundo, da Seab para o Fundepec. O encontro iniciou com a abertura do presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho e, em

Em mais uma ação em prol da criação de um fundo indenizatório para tuberculose, representantes do CSA´s da região e lideranças do setor reuniram-se com o secretário de Agricultura do Estado do Paraná, Norberto Ortigara, no dia 17 de julho, em Curitiba. Eles discutiram a possível criação de um fundo estadual que dê amparo ao produtor rural que tiver prejuízo por abate sanitário. Além disso, abordaram temas como: atuação dos conselhos municipais de sanidade agropecuária (CSA´s) e a criação de outro fundo de aval para pequenos produtores. Participaram da reunião representantes dos CSA´s da região, como o presidente do Sindicato Rural e do CSA de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, a supervisora da Adapar, Ana Lúcia Menon, secretário municipal de agricultura de Guarapuava, Itacir Vezzaro, chefe do escritório regional da Secretaria Regional de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Arthur Bittencourt Filho, deputados estaduais Artagão de Mattos Leão Júnior e Bernardo Ribas Carli.


Nova geração de Fertilizantes O que é?

Características

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www.heringer.com.br

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Aprendizagem Rural

O Senar e o desafio da EaD

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mpliar o acesso à formação profissional e à tecnologia no campo é um dos anseios do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR). Com a ampliação dos cursos de Educação à Distância (EaD), a ideia é que mais produtores e trabalhadores rurais sejam capacitados nas mais diversas áreas do setor agropecuário. No dia 02 de agosto, o Senar promoveu uma reunião em Guarapuava para apresentar o projeto aos nove mobilizadores da regional. Segundo a coordenadora da educação à distância no Senar-PR, Josemeri Grein, a intenção foi repassar como funciona a ferramenta, que é o ambiente de aprendizagem chamado EUREKA. “Os mobilizadores vão auxiliar tanto na divulgação quanto no suporte do sistema”, disse. Josimeri afirmou que a nova modalidade pretende incluir a população rural nos programas de formação da instituição. “Há três anos começamos com a educação à distância, porém apenas no Programa Agrinho. Este ano será um desafio para o Senar, pois sabemos que nosso público, muitas vezes, não tem tanto acesso a computadores ou à Internet. Mas precisamos vislumbrar e propiciar ao nosso produtor essa possibilidade de EaD”. Com a nova superintendência do Senar-PR, dirigida por Humberto Malucelli, a entidade decidiu apostar na EaD, com intuito de expandir ainda mais a atuação do Senar na área rural. A coordenadora da EaD no Senar afirma que os benefícios do sistema

Nove mobilizadores da regional do Senar participaram da reunião para apresentar nova modalidade

é que como o curso não é presencial, possibilita ao aluno ter liberdade de como vai organizar o seu tempo de estudo. “A maior vantagem é o produtor fazer o curso no horário que ele quiser”, enfatiza Josimeri. O supervisor da regional do Senar-PR de Guarapuava, Ademir Aparecido Grosse, acredita que a nova modalidade vai evolui na região, apesar de no início enfrentar algumas dificuldades.“A EaD é uma quebra de paradigma, um novo método de aprendizagem que está no mundo inteiro e vai depender muito da autodisciplina e empenho do indivíduo para ter esse ganho”. Grosse destaca que o Senar vai dar todo o suporte para os produtores rurais com relação a dúvidas para o acesso. “Os interessados podem se dirigir aos Sindicatos Rurais, pois os mobilizadores estarão aptos a auxiliar os alunos”.

Programas ofertados Em 2013, serão ofertados, via EaD, alguns programas como: Agrinho, inclusão digital, empreendedor rural, gestão da propriedade rural, matemática para a vida, olimpíada rural da matemática, língua portuguesa, telecentros, formação permanente de instrutores e formação permanente de agentes do Sistema Faep. De acordo com a coordenadora da EaD no Senar, a ideia é apostar, neste primeiro momento, nos cursos de atualização. Josimeri explica que os programas não são exclusivos à família rural. “Como as Olimpíadas da Matemática, que é específico para adolescentes, com o foco nos egressos do Jovem Aprendiz e Pronatec”, explicou.

Informações sobre os cursos na região:

Ademir A. Grosse e Josemeri Grein

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Sindicato

Mobilizador

Telefone

Sindicato Rural de Guaraniaçu

Clovis Tisatto

(45) 3232-1427

Sindicato Rural de Guarapuava

Rosimeri Apª A. Rodrigues

(42) 3623-1115

Sindicato Rural de Guarapuava - Ext. de Base Candói

Ana Paula de Quadros Alves

(42) 3638-1721

Sindicato Rural de Guarapuava - Ext. de Base Cantagalo

Jessica Rocha Tinelli

(42) 3636-1529

Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul

Tiago Pinto de Magalhães

(42) 3635-1860

Sindicato Rural de Palmital

Marilza Karpinski

(42) 3657-1994

Sindicato Rural de Pinhão

Adriano José Kluger Rocha

(42) 3677-1242

Sindicato Rural de Pitanga

Elias Harmuch

(42) 3646-1338

Sindicato Rural de Quedas do Iguaçu

Andressa Kehrwald

(46) 3532-1346

Sindicato Rural de Turvo

Noeli Portela

(42) 3642-1233


Dia de Negócios

Agri Field apresenta tecnologias para agricultura de precisão

T

ornar mais fácil o uso da agricultura de precisão é o objetivo de uma empresa que, em maio deste ano, abriu as portas aos agricultores e – o mais importante – às suas dúvidas e demandas em termos de tecnologia. Para divulgar oficialmente esta proposta, a Agri Field realizou seu 1º Dia de Negócios, no dia 25 de julho, na sede da empresa em Guarapuava/PR. E tanto quanto a exposição e venda de dispositivos para otimizar plantio, pulverização e colheita, para os diretores e proprietários o mais importante foi a oportunidade de receber a presença de dezenas de produtores rurais de Guarapuava e região, numa ocasião que se tornou momento para confraternizar, divulgar e ampliar conhecimentos. Porque, como fez questão de frisar o sócio administrador da empresa, Guilherme Schmidt Cunha, a idéia vai além de comercializar sistemas de posicionamento para a

agricultura. É preciso que o cliente adquira aquilo de que de fato precisa. E que ele e sua equipe, a campo, estejam aptos a utilizar todo o potencial de cada dispositivo. Para que isso aconteça, na prática, Guilherme contou que a empresa aposta na disponibilização de três soluções: equipamentos que possam ser usados em maquinário agrícola de qualquer marca; dispositivos que “conversem” entre si quando instalados em várias máquinas e implementos; e capacitação técnica para os agricultores e seus operadores. O princípio é utilizar equipamentos de uma mesma tecnologia (Trimble) para as operações da lavoura. “Às vezes, você compra uma tecnologia e acaba usando 20% do potencial por falta de treinamento”, exemplificou o gerente. “Estamos entrando no mercado com a venda e a capacitação dos operadores, este vai ser o nosso foco”, afirmou

Proposta da empresa é oferecer capacitação para que clientes usem todo o potencial dos dispositivos para agricultura de precisão

Agrifield, no bairro dos Estados

Guilherme. Segundo destacou, a Agri Field proporciona treinamento para que cada dispositivo possa ser utilizado ao máximo: “temos um quadro de quatro técnicos, mais duas pessoas da Geo Agri que estão aqui para nos ajudar”. Participando também do Dia de Negócios, o engenheiro Adriano Guedes de Freitas, da Geo Agri, mostrou em palestra que a tecnologia de posicionamento é complementada com aplicativos que ajudam na gestão da propriedade rural e detalhou o software apresentado: “O primeiro ponto é a agilidade de informações do campo para o escritório, com ferramentas que ajudam na tomada de decisões. É para o produtor ter o controle de todos os gastos, dos produtos que está aplicando, talhão por talhão, fazenda por fazenda. Hoje em dia, todo mundo busca alta produtividade com redução de custos”. Para o campo, Adriano mencionou ainda algumas das várias novidades que têm surgido: os sensores de verde, que permitem aos equipamentos a aplicação onde realmente existe planta daninha ou

No evento, equipamentos ofereciam operação simulada

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Adriano e Guilherme: avião não tripulado para fotos georreferenciadas Produtores conferiram tecnologias para agricultura de precisão

planta verde, do herbicida à irrigação de mudas; a troca de informações entre equipamentos, com um veículo “que enxerga o outro”; e ainda os VANS (Veículos Aéreos Não Tripulados) que tiram fotos georreferenciadas. Perguntado sobre o custo de tecnologias como aquela, o engenheiro sugeriu uma visão sobre os benefícios: “O que é caro hoje em dia? Caro é você não ter a informação para tomar decisão”. Entre os produtores rurais, no Dia de Negócios, Alberto Jaerger, do distrito de Entre Rios, comentou que seu interesse era conhecer tecnologias para aplicação a taxa variável. “O negócio é começar a economizar (insumos)”, disse, em tom bem-humorado. Ressaltando que está apenas começando na agricultura de precisão, ele recordou que o primeiro passo foi a compra de um piloto

Sensor de verde: aplicação só onde é necessário

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automático. O resultado, completou, vai ser conferido no final desta safra. Desde 2003 utilizando sistemas para a agricultura de precisão, outro produtor, Renato Augusto Taques de Macedo Cruz, de Guarapuava, lembrou que também em seu caso o piloto automático foi o início – “Era aquele elétrico”. O que, conforme assinalou, já trouxe economia de mão-de-obra e diesel. Segundo complementou, no evento, seu principal interesse era conhecer tecnologias de agricultura de precisão que possam ser utilizadas em maquinário de várias marcas.

Uma das palestras da Geo Agri no evento

Renato: em busca de sistemas que possam ser usados em máquinas de qualquer marca


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Imunização

A importância das vacinas na criação de bezerras Guilherme Pizzo Coordenador Técnico de Vendas – MG / BiogénesisBagó Médico Veterinário (PUC-MG) Msc Biologia e Biotecnologia da Reprodução – Universidad de Murcia/ES Lucas Souto Gerente de Serviços Técnicos Médico Veterinário (UNESP-Botucatu) Msc Fisiologia da Reprodução - The Ohio StateUniversity/EUA

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Sementes, grãos, óleo degomado e farelo de canola

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iante de desafios naturais e condições imunológicas diversas que as bezerras sofrem ao logo dos primeiros dias de vida alguns cuidados vacinais e de manejo são necessários para minimizar riscos de enfermidades e mortalidade, e também são importantes para promover um bom desempenho destes animais ao longo de sua vida produtiva. Basicamente classificamos a defesa do animal contra agentes causadores de enfermidades em duas formas: imunidade ativa ou imunidade passiva. A imunidade passiva é caracterizada por uma resposta de defesa temporária através da transferência de anticorpos de um animal para outro, conferindo assim uma proteção imediata, porém diminuindo gradualmente com o tempo. Esta forma de imunidade pode ocorrer naturalmente através da transferência de imunoglobulinas como, por exemplo, pelo colostro, a bezerras recém-nascidas ou em outras situações, quando a enfermidade já está instalada, com o fornecimento de soro contendo os anticorpos previamente desenvolvidos por outros animais. O colostro é de fundamental importância na promoção de defesa passiva para as bezerras, já que durante a gestação a passagem transplacentária de imunoglobulinas é limitada devido ao tipo de placenta presente nos ruminantes, tornando-as totalmente dependentes dos anticorpos recebidos através do colostro. As bezerras devem receber colostro de qualidade o mais rápido possível após o nascimento. A quantidade ideal é de aproximadamente 10% do peso vivo ou em


torno de 4 litros, sendo cerca de metade deste colostro fornecido até as primeiras 6 horas de vida (figura 1). Como regra, a absorção de todas as classes imunoglobulínicas tende a cair para um nível relativamente baixo após 24 horas. A qualidade do colostro é outro aspecto de grande importância na promoção de defesa às bezerras recém-nascidas e abaixo seguem alguns fatores que podem interferir nesta qualidade: • Idade das matrizes (novilhas e primíparas possuem menor quantidade de imunoglobulinas). • Gotejamento de colostro antes da parição. • Deficiência nutricional. • Baixa imunidade da mãe causada por diversos fatores, como por exemplo, fatores liberadores de cortisol (hormônio produzido em momentos de estresse, em gado leiteiro é observado essa diminuição, por exemplo, em períodos muito quentes do ano). • Contato com corretos agentes e vacinação adequada da matriz.

TRANSMISSÃO DE IMUNIDADE PASSIVA Qualidade do colostro

Absorção das imunoglobulinas

Quantidade de lgs Especifidade das lgs

Máxima nas primeiras 6h pp. Ocorre por pinocitose no ID.

Figura 1: Esquema de transmissão de imunidade passiva e importância da qualidade do colostro quanto a imunoglobulinas e tempo de absorção.

A vacinação das vacas nos estágios finais de gestação é uma alternativa eficiente para alcançar níveis de formação de anticorpos máximos para formação do colostro. Normalmente, um programa vacinal de fêmeas gestantes é realizado aproximadamente 30 dias antes do parto, não podendo esquecer que se forem animais vacinados pela primeira vez estes deverão receber a primeira dose com 60 e o reforço com 30 dias antes do parto. A imunidade ativa caracteriza-se pela exposição dos animais aos antígenos derivados de agentes infecciosos através de vacinas ou pelo contato natural do agente presente no ambiente, em ambas as situações o organismo do animal é estimulando a produção de anticorpos (imunoglobulinas). Esta forma de resposta do organis-

mo é chamada de imunidade adquirida e possui como grande vantagem uma proteção prolongada contra esses agentes, inclusive recuperação e reforço dessa resposta através de contatos repetidos, seja ela por vacinação ou contato direto com o antígeno presente no ambiente. Em contrapartida, este tipo de resposta, por depender do sistema imune do animal, acaba sendo variável e em situações tanto de estresse como nos primeiros dias de vida dos animais esta resposta imune acaba sendo uma resposta tardia ou muitas vezes ineficaz, especificamente no caso de bezerras recém-nascidas, que ainda são desprovidas de um sistema imune desenvolvido. Após entendermos os conceitos básicos de imunização ativa e passiva, sabemos assim que a imunização passiva requer que os anticorpos sejam previamente produzidos em um animal que irá atuar como doador de anticorpos por meio de uma imunização ativa e esses anticorpos são administrados através do colostro às bezerras susceptíveis.

Reforço vacinal em animais primovacinados No caso de vacinas inativadas, que representam a grande maioria das vacinas utilizadas no Brasil, o reforço vacinal em animais primovacinados (vacinados pela primeira vez) é extremamente importante para o sucesso de programas vacinais. O reforço deverá ser realizado em um intervalo médio de 3 a 4 semanas entre as doses, sendo a duração e potência da resposta imune diretamente relacionada com a vacinação ou não dos animais dentro deste intervalo de tempo. A revacinação, ou nova exposição da bezerra ao agente, resultará em uma resposta imune secunConcentração no plasma de anticorpos específicos para o antígeno introduzido no corpo de um indivíduo

1 0

Resposta secundária

Resposta primária

10

1ª inoculação do antígeno

20

30

40

50

Programas vacinais em bezerras Tão importante quanto vacinação contra raiva ou aftosa as vacinas contra outras enfermidades como asclostridiais, reprodutivas, respiratórias ou de diarreias são de grande importância nas primeiras semanas de vida.

Vacinas contra agentes causadores de diarreia Dentre as principais doenças que acometem as bezerras durante as primeiras semanas de vida a diarreia pode ser considerada uma das mais importantes, sendo sua prevenção de grande importância nas criações de bezerras. A diarreia neonatal pode ser causada por diversos tipos de agentes, sendo os mais comumente relatados os responsáveis pela samonelose, arotavírose, colibacilose (E.coli), coronavirose e a eimeriose ou coccidiose. Apesar das vacinas presentes atualmente no mercado promoverem uma boa resposta imune e consequentemente resultados satisfatórios na prevenção contra diarreias neonatais, nem sempre elas atuam sobre todos os agentes responsáveis pela diarreia, por isso é importante identificar qual ou quais são os agentes presentes em cada situação e a partir daí instituir programas vacinais direcionados associados com práticas de manejo adequadas. Programas vacinais contra diarreias neonatais são geralmente realizados em fêmeas gestantes, tendo em vista que a incidência da enfermidade ocorre predominantemente nos primeiros dias de vida das bezerras.

Vacinas contra enfermidades clostridiais

100 10

dária, desta forma, os anticorpos podem atingir níveis muito mais altos e a resposta de memória mais duradora (Figura 2).

60

Tempo (em dias)

2ª inoculação do mesmo antígeno

Figura 2: Concentração no plasma de anticorpos específicos para o antígeno introduzido no corpo de um indivíduo após a primeira e segunda dose respectivamente.

Enfermidades clostridiais são de grande importância para a saúde e sobrevivência dos animais jovens. Medidas profiláticas vacinando fêmeas 30 dias antes do parto e posteriormente bezerras a partir de 2 a 3 meses de vida têm sido empregadas a fim de diminuir os prejuízos causados por estas enfermidades. Alternativamente, algumas propriedades que optam por não vacinar as matrizes no pré-parto têm antecipado a primeira dose de vacina

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A vacina contra a brucelose é de caráter obrigatório e deve ser realizada por um Médico Veterinário credenciado em todas as fêmeas que estiverem entre 3 e 8 meses de idade, em seguida os animais devem receber uma identificação padrão com marca a fogo no rosto.

Vacinas contra síndromes respiratórias

nas bezerras vacinando a partir da primeira semana de vida. Apesar dos recém-nascidos possuírem uma capacidade baixa de estabelecer boa resposta imune nos primeiros dias de vida, acredita-se que esta pode ser uma alternativa viável de acordo com o manejo na propriedade.

Vacinas contra enfermidades reprodutivas Dentre as enfermidades que causam prejuízos econômicos ligados a reprodução, destacam-se a Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), Diarréia Viral Bovina (BVD), Leptospirose e Brucelose. Um levantamento realizado pela Biogénesis

Bagó Saúde Animal, com mais de 55 mil amostras analisadas ao longo de 13 anos, demonstrou que aproximadamente 40% destas amostras eram positivas para IBR e/ou BVD e/ou Leptospirose em rebanhos de diferentes estados brasileiros. Apesar destas vacinas para estas enfermidades serem mais comumente aplicadas em animais que já estão em fase reprodutiva, estas podem ser aplicadas a partir de 3 meses de idade em bezerras, diminuindo assim a circulação viral e bacteriana destes agentes dentro da propriedade e melhorando significativamente os índices reprodutivos dentro da propriedade. Preconiza-se também a continuidade do programa vacinal reprodutivo envolvendo principalmente categorias em reprodução como novilhas e vacas de cria.

Bonificações A Biogenesis Bagó entregou mais um cheque simbólico de bonificação no mês de julho. O contemplado foi o produtor rural José Hamilton Moss Filho, que não pode comparecer na solenidade realizada no dia 04 de junho e portanto, recebeu o cheque posteriormente. Receberam as bonificações produtores rurais que compraram produtos da marca em estabelecimentos comerciais parceiros do projeto Identidade Sindical, do Sindicato Rural de Guarapuava.

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Muitas propriedades atualmente já incluem em seus programas vacinais vacinas contra os principais agentes causadores de enfermidades ligadas ao trato respiratório. Enfermidades respiratórias normalmente são associadas a uma imunodepressão primária geralmente causada por agentes virais e condições de estresse, e posteriormente por infecção bacteriana secundária. Dentre estes agentes destacamos novamente IBR e BVD, Parainfluenza, Pasteurelose entre outros. Existe atualmente no mercado vacinas efetiva para controle destas enfermidades em rebanhos com problemas respiratórios e assim como a vacina contra clostridiose elas têm sido empregadas a partir da primeira semana de vida, apresentando uma resposta rápida e satisfatória no controle e prevenção de problemas respiratórios. É importante lembrar que adicionalmente a um programa vacinal bem elaborado que aborda aspectos como época e idade correta de vacinação, reforço em animais primovacinados entre outros fatores já citados acima, devemos tomar cuidados com aspectos de manejo de vacinação, como atentar para as dosagens, respeitar as indicações do fabricante quanto ao armazenamento (geralmente de 2 a 8°C) e manuseio, não aplicar em animais doentes ou mau nutridos e descartar a vacina sempre que a embalagem estiver mau conservada ou violada.


Especial EXPOGUA 2013

“Essa foi a melhor edição dos últimos anos”, avalia presidente O

s números oficiais da 38ª Expogua serão divulgados nos próximos dias, mas o presidente da Sociedade Rural, Johann Zuber Junior, já adiantou que, em sua avaliação, os resultados da feira realizada de 02 a 11 de agosto, no Parque de Exposições Lacerda Werneck, em Guarapuava/ PR, não poderiam ter sido melhores. No último dia de exposição, Zuber falou das várias conquistas atingidas. “Tivemos alegrias em muitos sentidos com esta edição, todas as áreas de um modo geral se saíram muito bem, são ótimos os resultados”, garantiu. O presidente afirmou ainda que alguns setores surpreenderam, superando as expectativas da própria organização. Os resultados atingidos no campo do agronegócio e nos eventos pecuários foram destaque. “Os leilões foram muito bem, passamos de 90 reprodutores vendidos nessa Expogua. No gado geral nós tivemos liquidez total, foram vendidos todos os animais”, comemorou. De acordo com Zuber, chamou bastante atenção também a venda de ovinos. “Foi muito boa. Ano passado não tivemos um resultado tão bom, mas este ano a venda nessa área foi ótima. O setor leiteiro também se destacou. Em um comparativo com o ano passado, tivemos um aumento muito significativo no número de animais expostos, tanto da raça Jersey quando da raça Holandês. Isso mostra que o produtor está cada vez mais buscando se qualificar, se especializar”. Com esses resultados, Zuber reafirma o compromisso da Sociedade Rural de trazer para a próxima edição da Expogua ainda mais animais na área de leite. “Nós sabemos que cada vez mais Guarapuava e região está se destacando como uma bacia

leiteira, os produtores cada vez mais estão investindo no leite e acreditando nele como uma grande alternativa para a pequena e média propriedade. Ficamos felizes que a feira esteja contribuindo para essa evolução na área”. Sobre o público da Expogua 2013 ao longo dos seus dez dias de programação, a avaliação também foi positiva. Mesmo enfrentando alguns dias frios e chuvosos, a população prestigiou a feira. “Nós tivemos no último sábado, dia 10, a chuva e o frio que espantaram um pouco os visitantes. E o sábado é um dia em que o público é muito grande, então, quebrou um pouco o movimento, mas mesmo assim quase dois mil pagantes foram registrados. Mas no domingo, dia 11, o público foi surpreendente, mesmo sendo Dia dos Pais, muita gente viajou. O movimento foi bem forte, principalmente na parte da tarde. Numa avaliação prévia com a diretoria, acreditamos que se não ficarmos entre 100 e 120 mil pessoas, que era nossa meta, ficaremos muito perto disso”, revelou Zuber. As atrações artísticas, responsáveis por atrair grande público para a feira, também não decepcionaram. Os grandes nomes da música sertaneja nacional que participaram desta edição agradaram tanto o público quanto a organização e novas ideias relacionadas ao formato já estão sendo avaliadas para 2014. “Nós gostamos muito dos dois shows no dia. Acredito que ano que vem, pelo menos em um dia, teremos dois shows novamente. Talvez tenhamos quatro atrações dividas em shows duplos como neste ano, um para a abertura e outro para o meio da semana. São melhorias que nós vamos estudar, são pontos que deram certo e que podemos repetir”.

Johann Zuber Junior - Presidente da Sociedade Rural

Para a 39ª edição, Johann citou ainda alguns pontos que em primeira análise já serão discutidos, como o espaço do rodeio e o local para realização da feira no ano que vem. “A data para 2014 já esta definida, já temos algumas outras coisas em mente, mas estamos vendo. Temos uma conversa com o prefeito César Silvestre Filho agendada, afinal, não sabemos se a Expogua vai continuar aqui no Parque Lacerda Werneck. Isso está para ser definido nos próximos dias. Percebemos que o circuito de rodeio movimentou bastante a Feira, trouxe um grande público, então precisamos também de mais espaço na arena. Tudo isso ainda precisamos conversar e planejar para que a feira continue recebendo bem o público de Guarapuava e região”, adiantou o presidente. Concluindo sua avaliação do evento, Zuber não hesitou em demonstrar sua emoção. “A edição deste ano da Expogua foi a melhor dos últimos anos. O público prestigiou, os negócios aconteceram, esse é o nosso objetivo. Esperamos para o próximo ano crescer e melhorar ainda mais, consolidando assim a Expogua como uma grande feira”.

Texto: Nádia Moccelin (Assessoria de Imprensa da Expogua/Unicentro)

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Revista do Produtor Rural


Expogua/Bovinocultura de Leite

Com a participação de cerca de 230 pessoas, a maioria produtores rurais de Guarapuava, Turvo, Goioxim e Campina do Simão, o 8º Encontro de Produtores de Leite, promovido pela Emater, dia 3 de agosto, no anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava, se firmou mais uma vez como o principal evento do setor no centro-sul do Paraná. Após recepção aos visitantes, num café da manhã, no salão de festas do sindicato, realizaram a abertura do encontro no anfiteatro, entre diversas autoridades e lideranças, a vice prefeita de Guarapuava – então em exercício –, Eva Schran, o presidente da Câmara Municipal, Edony Klüber, os chefes regionais da Seab, Arthur Bittencourt Filho, e da Emater, Julci Pires, além do secretário municipal de Agricultura de Guarapuava, Itacir Vezzaro, e dos produtores Jairo Luiz Ramos Neto, tesoureiro do Sindicato Rural, e Edson Bastos, presidente da Coamig. Para produtores rurais de um segmento que vem registrando crescimento regional, as palestras no evento destacaram a sanidade animal como base para a sustentabilidade econômica do negócio leite, na ponta da produção, e das exigências da indústria e do consumidor, na ponta do consumo. Foram convidados ao encontro o gerente de negócios da cooperativa Castrolanda, Enrique C. Junqueira, que falou sobre qualidade; a supervisora da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Ana Lúcia Menon, enfocando sanidade animal; e o agrônomo e coordenador regional de projetos da Emater em Guarapuava, João de Ribeiro Reis Junior, que destacou o uso de adubo animal (à tarde, os produtores de leite visitaram a 38ª Expogua, no Parque Lacerda Werneck, onde se realizava o torneio leiteiro). Comentando o tema que apresentou, a chefe da Adapar disse em entrevista que, na região, brucelose e tuberculose bovina ainda exigem atenção. “Há produtores que perderam animais de alto valor zootécnico”, contou, recordando que o gado doente tem de ser abatido. Ela ressaltou

Foto: Manoel Godoy

8º Encontro dos Produtores de Leite: destaque para a sanidade animal

Auditório do Sindicato Rural ficou lotado com o evento

que é obrigatório tanto realizar a vacinação preventiva (atualmente oferecida pela Secretaria Municipal de Agricultura de Guarapuava para os pequenos produtores) quanto os exames semestrais dos animais e, no caso de ocorrência, a notificação à Adapar. Outras medidas, segundo completou, são simples e podem ajudar, como só comprar gado que esteja com vacinação e documentos em dia (entre eles, a GTA). Ana Lúcia lembrou que cumprir todos

aqueles procedimentos permite requerer junto ao órgão uma certificação de propriedade livre da doença. “Após o terceiro exame negativo, o produtor pode entrar com o pedido e passa a fazer anualmente os exames”. É este cuidado que, ao longo do tempo, vai levar ao desaparecimento da brucelose e da tuberculose: “É como a paralisia infantil em crianças. Antigamente existia um alto índice e, depois de tantos anos de campanhas de vacinação, hoje, não existem mais casos”, comparou.

Aná Lúcia Menon, chefe regional da Adapar: conscientização sobre brucelose e tuberculose bovina

Reis Junior, da Emater: uso de esterqueiras

Junqueira, da Castrolanda: abordagem da qualidade em leite

Jairo Luiz Ramos Neto, representou o sindicato na abertura do evento

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Especial EXPOGUA 2013 Bovinocultura de Leite

Torneio Leiteiro demonstra potencial produtivo de leite de Guarapuava Nos dias 02 a 04 de agosto, foi realizado durante a Expogua o tradicional Torneio Leiteiro, promovido pelo Instituto Emater. A competição avaliou em seis ordenhas o desempenho de vacas leiteiras das raças Jersey e Holandesa em volume (o total em litros das cinco ordenhas) e em eficiência (que mede a quantidade de leite produzido por quilo do animal). Segundo o zootecnista da Emater, Valdir Tambosetti, coordenador do evento, o objetivo é promover o desenvolvimento da atividade leiteira na região. “A ideia é que haja melhoramento genético e evolução tecnológica na atividade. Dessa forma, pretendemos sensibilizar o produtor a buscar sempre maiores produtividades e qualidade no leite”. Participaram da competição 11 produtores de Guarapuava e região, com 14 animais, sendo 9 da raça Jersey e 5 da raça Holandesa. No dia 04 foi realizada entrega da premiação do Torneio Leiteiro, promovido pelo Instituto Emater, durante a 38º Expogua. O vencedor do torneio na categoria eficiência e volume, da raça Holandesa, foi o produtor de leite do município de Palmital, Ivan Adelmo Machado, com a vaca Melância, que adquiriu média, nas cinco ordenhas, de 72,7 litros/dia de leite. Em segundo lugar, ficou o casal de produtores, Walter e Alice Jurgovski, com média diária de 59, 2 litros/dia e, em terceiro lugar, o Colégio Agrícola, com uma média diária de 51, 8 litro/dia. Na raça Jersey, a campeã na categoria volume e eficiência foi a produtora Maria Eli Poczynek, com a vaca leiteira Lipa, que atingiu a média diária de 57 litros/dia. Em segundo lugar, ficou o produtor Mailson Poczynek, com média de 43,3 litros/dia e, em terceiro lugar, a produtora Claraci Borges, com média de 42,7 litros/dia. No final da premiação, os produtores vencedores receberam o tradicional banho de leite.

Coordenadores do Torneio Leiteiro

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O tradicional banho de leite para os vencedores

Resultado do Julgamento de novilhas Dentro da programação do leite da Expogua, promovida pelo Instituto Emater, participaram do julgamento de novilhas 13 produtores, que competiram com 20 animais. Na raça Jersey, a produtora proprietária da novilha campeã e da reservada campeã foi Claraci Borges e o terceiro lugar ficou com a produtora Maria Eli Poczynek. Na raça Holandesa, os proprietários campeões foram Walter e Alice Jurgovski, na reservada campeã foi Ivan Machado e o terceiro lugar ficou com a novilha de Anton Egles. A melhor vaca Jersey eleita foi Constanza, de Maria Eli Pacznosy e a melhor vaca holandesa foi a Galaxy, de Anton Egles. A entrega da premiação foi realizada também no dia 04, junto com o Torneio Leiteiro.

1º lugar - Julgamento - Holandesa (Walter e Alice Jurgovski)

1º lugar - Jersey - Julgamento (Claraci Borges, representada pela filha)

1º lugar - Jersey - Torneio Leiteiro (Maria Eli Poczynek)

Campeã - Holandesa - Torneio Leiteiro (Ivan Adelmo Machado)


Equinos

Prova Team Penning traz visibilidade para raça Quarto de Milha Antes da realização da prova, houve uma explicação técnica das regras, realizada pelo jurado, Paulo Schwab Filho, que apresentou como funciona a parte tática da prova. Chaves comentou sobre o sucesso do Team Penning na feira. “Apesar do mal tempo, a prova atraiu o interesse do público. Muitos curiosos chegaram para assistir e acabaram participando até mesmo com cavalos emprestados”. Chaves relatou que para o próximo ano, a prova estará novamente inserida na programação da Expogua. “Não tenho dúvidas que no ano que vem, este público voltará. Acredito que a prova deu destaque e atraiu olhares de criadores e usuários para a raça Quarto de Milha”, disse. O Núcleo de Criadores de Cavalo Quarto de Milha realizou pela primeira vez, na 38ª Expogua, a prova de Team Penning, no dia 10 de agosto. A modalidade, que é originária dos Estados Unidos, consiste em que um trio de cavaleiros feche, em um curral, três bois marcados com o mesmo número, de um lote de trinta animais numerados. Vence a prova quem realizar a tarefa em menor tempo. Entre 26 trios competidores, os vendedores foram César Santos, Daniela Faria e Juliano Antunes Silva, que em 41 segundos cumpriram o objetivo. Segundo o representante do Núcleo de Criadores de Cavalo Quarto de Milha, Paulo Chaves, a competição é uma prova que exige agilidade, técnica dos competidores e noção de como lidar com o gado. “É importante que o competidor seja rápido, mas não estoure a boiada, ou seja, não espante os animais ao entrar na arena”, explica.

Paulo Chaves, Cesar Santos, Daniela Faria, Roberto Hyczy e Juliano da Silva

Crioulo atrai família em torno do cavalo As atividades da raça crioula tiveram início no segundo dia da Expogua, dia 02 de agosto, com o julgamento morfológico incentivo, que é realizado com animais de até dois anos como forma de impulsionar a participação dos criadores. O melhor exemplar, grande campeão e campeão incentivo maior macho ficou com o cavalo OK Ilustre II, do criador Cezar Oliveira Krüger, Cabanha Lageado. A melhor exemplar, grande campeã e campeã incentivo maior fêmea foi a égua Obra Prima do Poncho Negro, do criador Altair Menosso da Costa, Cabanha Poncho Negro. Na prova Movimiento a La Rienda, o 1º lugar na categoria profissional foi Vicente Mafra, montando Mapuche El Jugueton, da Cabanha Mapuche (Pomerode –SC). Na categoria amador, o primeiro lugar ficou com

Alan Delon Barbosa montando OK Escorpião, da CT Rincão do RB (Guarapuava-PR). E na categoria iniciante, o primeiro lugar ficou com Mariana Serpa, montando HH Cigana, da Cabanha da Noite (Guarapuava-PR). Segundo o presidente do Núcleo de Criadores de Cavalo Crioulo de Guarapuava, Rodrigo Córdova, a importância da programação, de forma geral, é o resgate

da cultura do cavalo. “Vemos pessoas que nunca montaram na vida e hoje passam a cultuar a mesma paixão pelo crioulo”. Com relação à prova de morfologia, Córdova opinou. “Animais excelentes e de alta genética, que representam muito bem a raça, não só aqui em Guarapuava. Poderiam representar em qualquer lugar do país”.

Vicente Mafra (1º lugar categoria profissional Movimiento a La Rienda) e Rafael Fagundes Sant’Anna (Técnico da ABCCC)

Rodrigo Córdova e Felipe Krüger (Melhor exemplar, grande campeão e campeão Incentivo)

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Especial EXPOGUA 2013 Ovinos

Leilões

A qualidade da ovinocultura de Guarapuava e de várias regiões esteve em destaque, dia 9 de agosto, na 38ª Expogua: das 10h às 16h, ocorreu julgamento de cerca de 60 animais, reunindo as raças Poll Dorset, Dorper, Hampshire down, Ille de France, Texel e Santa Inês. O evento correspondeu à etapa guarapuavana do ranking da Ovinopar, que inclui Londrina, Campo Mourão, Maringá e Ponta Grossa e Toledo.

Na pista da Expogua, o julgamento foi conduzido pelo vice-presidente da Ovinopar, Edson Luiz Duarte Dias (responsável pela organização do ranking da entidade), com avaliação dos animais e comentários a cargo do jurado de classificação Amaro Mendes de Araújo. Além dos criadores, à tarde, muitos visitantes da Expogua também pararam, por alguns instantes, junto à pista, para acompanhar o evento.

7 leilões com bovinos de alta qualidade Referência em animais com alto padrão genético, a Expogua realizou sete leilões, de gado de corte e de leite, cerca de 3000 animais. “As vendas chegaram a dois milhões de reais, conforme o previsto. Como já é tradição em Guarapuava, o destaque ficou para a qualidade genética dos animais, em todos os leilões. A procura por reprodutores de linhagem britânica foi grande”, comentou o proprietário da Gralha Azul Remates, Armando França Araújo. Entre as raças que foram leiloadas estão: Angus, Brangus, Brahman, Braford, Hereford, Caracu, Canchim, Charolês, Nelore, Tabapuã e as de gado de leite, Jersey e Holandesa, além de cruzamentos. Marcio Nei dos Santos / Assessoria Unicentro

Julgamento: Desfile de alta qualidade

Edson Luiz Duarte Dias

Sindicato na Expogua No chalé do Sindicato Rural de Guarapuava, os associados foram acolhidos durante todo o evento. Foram oferecidos cafés coloniais e o local sediou a assessoria de imprensa do evento, feita por profissionais da assessoria de comunicação do Sindicato Rural e por acadêmicos do curso de Jornalismo da Unicentro, com supervisão dos professores. Associados de Candói e Cantagalo visitaram a Expogua no dia 09 de agosto.

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ExpoBrasil de Charolês

Peso e qualidade de carne A tradicional ExpoBrasil de Charolês integrou a programação da Expogua. Os participantes puderam medir o desempenho dos animais expostos e julgados, levando em conta aspectos técnicos, de caracterização racial, fenotípica e peso.


Palestras Técnicas

Palestras destacaram raça Braford Na noite de 2 de agosto, durante a abertura da 38ª Expogua, uma das atrações da exposição aconteceu no anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava: palestras sobre o gado Braford. Destacaram-se as presenças de Gustavo Brusque Isaacsson, inspetor técnico da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB – Bagé, RS), do superintendente administrativo da associação, Alfredo Bonet Drissene, e de Thaís Maria Bento Pires Lopa, coordenadora do programa de melhoramento genético da entidade e esposa do presidente da associação, Fernando Lopa da Silva. O evento foi promovido pela Fazenda Vaca Branca (Guarapuava, PR), do presidente do Núcleo Paranaense de Hereford e Braford, José Hamilton Moss Filho. Nas explanações dos convidados, os participantes do encontro puderam conhecer um pouco mais sobre o perfil e a qualidade genética que tem

José Hamilton Moss Filho, criador de Braford Fazenda Vaca Branca - Guarapuava - PR (Organizador da palestra)

marcado a raça (o Braford também esteve em destaque, na noite do dia 3, no recinto de leilões do Parque Lacerda Werneck, com a comercialização de animais de elevado nível – Leia mais em matéria nesta edição). A Revista do Produtor Rural do Paraná conversou com Gustavo e Thaís.

Alfredo Bonet Drissene

Genética e entusiasmo

Gustavo Brusque Isaacsson (Inspetor técnico – ABHB)

Como o sr. vê hoje a raça Braford no Brasil? Posso afirmar com segurança que todos os dados que a gente tem, de conhecimento, em cima de publicações oficiais da associação: a raça Braford radiografa hoje uma posição de crescimento. Através da variação do biótipo da raça braford, podemos utilizá-la em áreas com ambientes mais rígidos de clima (frio), até em áreas com mais calor. Temos aqui (Em Guarapuava) um criador, o Hamilton Moss, que foi à Feicorte e ganhou o circuito de julgamento da raça Braford. Ele tem um trabalho sério, é presidente de um núcleo que se formou aqui no Paraná, juntamente com o Celso Gomes, que assessora e amplia isso de uma forma dinâmica. Para um criador que deseja iniciar na raça Braford, que conselho ou dica o sr. daria? A associação hoje tem site na internet (www. hereford.com.br). E tem, além de sua casa-mãe, localizada no Rio Grande do Sul, a formação de núcleos, estimulados pela diretoria do presidente Lopa, que está fazendo um trabalho regional muito bem feito. Essas são as portas de entrada para apoio e difusão da raça.

Thaís Maria Bento Pires Lopa (Coordenadora de melhoramento genético – ABHB)

De que maneira que a ABHB pode ajudar o criador que hoje se dedica a esta raça? Eu sei que avaliação genética sempre foi um “bicho-papão” para muita gente. Mas um simples trabalho de seleção dentro da propriedade já é um modo de avaliação. A associação lidera um programa de avaliação genética para que os reprodutores dos criadores, principalmente dos que vendem genética, tenham uma qualidade boa. Quando o técnico coloca o “H”, de Hereford, ou o “B”, de Braford, no couro do animal, aquele animal passou por um crivo. O recado que trazemos aqui para o Paraná é que a associação não tem só a preocupação de registrar animais e sim fazer parte de uma cadeia produtiva. É uma cadeia interligada. Todos os elos são importantes. Na questão da genética, o criador que quiser começar no Braford ou melhorar seu plantel pode procurar a associação? Pode, sim. A gente também estimula que ele procure o núcleo da sua cidade. Aqui no Paraná, a gente tem um núcleo crescendo, com muita gente interessada.

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Fotos: Helena Krüger

Entrevista

Brasil: o protagonista na produção de alimentos O vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias, em entrevista à Revista Produtor Rural, explicou porque o país será o principal fornecedor de alimentos do mundo.

E

m meio a uma demanda cada vez maior pela produção de alimentos, mudanças no panorama geopolítico internacional, o Brasil se destaca por realizar uma agricultura produtiva e, ao mesmo tempo, sustentável. Nesse contexto, segundo o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias, o país vem se posicionando como o protagonista na produção de alimentos no cenário global. Na noite do dia 20 de junho, Dias esteve em Guarapuava para ministrar a palestra “Perspectivas do agronegócio no Brasil”, no Salão Nobre da Faculdade Campo Real e concedeu entrevista à Revista do Produtor Rural do Paraná. Ele falou sobre o cenário de mercado do agronegócio no país e no mundo, os entraves da produção brasileira, o potencial de crescimento e as linhas de crédito que incentivam o desenvolvimento da produção agrícola.

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Osmar Dias

RPR: Com relação ao cenário do agronegócio no Brasil e no mundo, quais são perspectivas do agronegócio para o produtor rural? Primeiro é um prazer estar em Guarapuava falando em uma região onde o agronegócio tem muita força pela competência dos produtores, pelas características que a região apresenta e pela organização dos agricultores. Temos que pensar sempre no Brasil em relação ao mundo. Não adianta encontrarmos toda a competência nas fazendas se não tivermos um olhar profundo sobre a movimentação que acontece no cenário mundial. A China se movimenta muito forte como um país comprador de commodities e que tem balizado os preços do mercado internacional, de outro lado, a crise na União Europeia, com países consumidores de nossos produtos, nos afeta negativamente. No entanto, há também uma necessidade de suprir a alimentação no mundo que não dá para ser ignorada. O mundo vai ter que produzir mais alimentos nos próximos 15 anos de forma a aumentar em 40% a produção atual. Em um cenário a longo prazo, em 2050, se cogita um aumento de 70% a 100% da produção para suprir a

demanda mundial, devido ao aumento da população e o crescimento da renda nos países emergentes. Tudo isso traça um panorama em que o Brasil é o protagonista. Nós vamos ter que participar de 40% desse crescimento, do total necessário. Isso abre grandes perspectivas para o agronegócio brasileiro, que precisa de um investimento pesado em logística e infraestrutura, que sem dúvida é o principal problema do Brasil. Para exemplificar, o produtor brasileiro gasta 84 dólares por tonelada para a produção sair da sua propriedade e ir até ao porto. A Argentina paga em média 28 dólares e os EUA em torno de 20 dólares. Só aí saímos perdendo. Uma diferença de 60 dólares por tonelada é muita coisa, portanto é preciso resolver esse problema no país. RPR: Como o produtor rural deve se posicionar nesse cenário com relação a novos investimentos nas propriedades? Primeiramente, não podemos ignorar os investimentos que foram feitos em tecnologia nos últimos anos no Brasil, a ponto de termos um crescimento de 220% de grãos no país em


23 anos, ou seja, de 1990 a 2013. Isso sem falar de carne, reflorestamento, que teve um crescimento significativo, entre outros. Então, não podemos jamais deixar de investir em novas tecnologias, buscar sempre aumento de produtividade, até porque o fator capital está muito fortalecido. O valor das terras está alto e com isso se exige um aumento de produção por unidade de área, para que se obtenha maior rentabilidade. RPR: Quais são hoje as principais linhas de financiamento do Banco do Brasil e como está a receptividade do crédito rural no país? O crédito é muito importante e o Banco do Brasil tem sido também protagonista nesse sistema de crédito nacional. Quando entrei no banco, há dois anos, tínhamos 59% da participação no sistema de crédito nacional, hoje estamos com 63%. Atuamos nas linhas de custeio e investimento para todos os segmentos de produtores, do pronafiano ao grande produtor. Criamos uma carteira Private para os grandes produtores, sem nos descuidarmos dos médios e agricultores familiares. Uma das linhas que acredito que o produtor não despertou é para a linha ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que no meu entendimento é o futuro da agricultura brasileira, que integra lavoura, pecuária e floresta, o que vai resultar em mais produtividade, aumento de renda, melhora da gestão da propriedade devido às exigências técnicas. Eu creio que é um modelo que deve ser incorporado inclusive pelas universidades para que os estudantes já saiam informados sobre o projeto.

É uma modernização necessária para enfrentar esse desafio de aumento de produtividade. Em relação as linhas de custeio, o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) hoje é responsável por 30% do total de máquinas do país. Isso gera emprego na indústria e dá oportunidade do produtor de ter uma máquina moderna e aumentar a sua produtividade. Nós também temos o Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) que teve crescimento aceleradíssimo, praticamente multiplicamos por quatro em dois anos. Isso significa que a prioridade do banco é para aqueles que mais necessitam, mas sabemos da importância do médio produtor. Enfim, o agricultor possui um portfólio de linhas de credito para atender qualquer demanda que tenha. Não existe nenhuma atividade que o produtor queira investir ou modernizar que não esteja contemplada em alguma das linhas do Banco. RPR: De que forma essas linhas de crédito colaboram também com o desenvolvimento do agronegócio? Há vários fatores que levaram o país a ser hoje um protagonista no mercado

internacional, com uma safra chegando perto de 200 milhões de toneladas. Estamos evoluindo por vários fatores: incorporação da tecnologia, que só é possível com crédito barato e seguro. E também temos as características naturais do Brasil que ajudam muito. Dessa forma, sem essas duas pernas: crédito e tecnologia não avançamos. RPR: Nesse cenário, como você observa a importância do associativismo e do sindicalismo rural? Sempre reclamávamos que a classe era desunida e precisava se organizar. Eu creio que hoje ela se organizou e os sindicatos têm uma representação forte junto aos que decidem a politica agrícola no país e possui respeito da sociedade. Tudo isso ajuda a construir um ambiente favorável ao agricultor. Uma das grandes conquistas que as lideranças da agropecuária conseguiram foi adquirir o respeito pela sociedade urbana, esse respeito é traduzido, por exemplo, com o último Plano Safra que tem o aplauso da sociedade. Não era assim antigamente. O segmento rural não era tão organizado quanto hoje e essa organização ajudou muito a fortalecer todo o setor.

1990 A 2013 AUMENTO DE

200%

NA PRODUÇÃO DE GRÃOS COM UM AUMENTO DE ÁREA DE 40%.

BRASIL

84 DÓLARES POR TONELADA

ARGENTINA

Média de Custo com distribuição da safra (Caminho dapropriedade até os portos)

28 DÓLARES POR TONELADA

EUA

20 DÓLARES POR TONELADA

Fonte: Números apresentados durante a palestra

Anton Gora e Osmar Dias

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Novas Fronteiras

para Tocantins

Fotos:Arquivo pessoal

“De mala e cuia”

Na segunda safra, Scherer planta 300 ha de feijão caupi em sua propriedade

N

ão é somente a soja que está invadindo o cerrado. Produtores paranaenses também. Armin Scherer plantava com o irmão Hermann Scherer e seu falecido pai Josef Scherer em Guarapuava/PR. Mas os 550 hectares foram se tornando insuficientes para alcançar seus sonhos. A família foi crescendo e, com a dificuldade em adquirir novas áreas no Sul do País, plantar no Norte voltou a fazer parte dos seus planos. A tentativa por diversificar aqui com flores e suínos foi frustrada, já que a família tem aptidão por agricultura. O cenário que viu há 10 anos, após uma viagem "lá para cima", ficou na memória e os planos começaram a dar certo. Empreendedor ávido por novas oportunidades, ele voltou sua atenção para o Tocan-

tins e, diferente de muitos produtores que continuaram plantando no Paraná, Scherer resolveu plantar somente lá - e mais do que isso mudou-separaAparecida doRioNegro/TO. Dois mil e cem quilômetros de distância de Guarapuava/PR, sua terra natal, onde deixou parentes e amigos. Coragem? Mais do que isso. Scherer é um dos poucos produtores rurais que teve coragem de largar o conforto que tinha no Sul e ir, com a família, recomeçar em um lugar até então desconhecido. Ele vislumbrou uma oportunidade que, para ele, só daria certo se fosse embora. Há quatro anos, ele, sua esposa Sabine e o filho Klaus moram no cerrado, no mais novo estado brasileiro. Jéssica, sua outra filha, ficou para concluir os estudos. Naquela época, o hectare de terra bru-

Klaus e Armin Scherer

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ta no cerrado custava R$ 1.750,00, mas hoje já chega a R$ 4.000/ha. A escolha por Tocantins deu-se devido às condições de estrutura, como asfalto, energia elétrica, revendas, oficinas etc. Os solos argilosos e as chuvas também foram fatores avaliados pela família. Eles estão bem perto da capital Palmas, outra vantagem, é claro. No primeiro ano, foram 470 hectares. Hoje já são 2.750 hectares, sendo 1.250 hectares de reserva e 1.500 hectares agricultáveis - a família planta atualmente 1.250 hectares, mas o início não foi nada fácil. Segundo Scherer, as maiores dificuldades foram a adaptação de um novo sistema de trabalho, completamente diferente do Sul. “Sempre tivemos o privilégio de ter a Cooperativa Agrária, o que não existe por aqui”. A família também passou por difi-


culdades financeiras nos anos iniciais e não foi fácil encontrar mão-de-obra (funcionários, cozinheira etc.). Inclusive, isso fez com que os Scherer optassem em morar na fazenda. "Aqui sempre tem muito serviço na lavoura e a mão-de-obra é escassa. O bom é que acompanhamos tudo o que acontece e morar na fazenda também reduz custos". Para o produtor, novas fronteiras são uma ótima oportunidade para pequenos e médios produtores rurais, mas existem riscos, principalmente, de caráter financeiro. Isso porque o custo da abertura das áreas é alto e é preciso tomar muito cuidado para não dar "passo maior do que a perna", porque a rentabilidade é mais baixa. Scherer planta, no período da primeira safra, 1.100 hectares de soja e 150 hectares de arroz sequeiro. Na segunda safra (safrinha), 250 hectares de milho e 300 hectares de feijão caupi e na área restante, milheto e braquiária. A produtividade da última safra foi de 3.550 kg/ha de soja, 4.800 kg/ha de arroz sequeiro, 5.760 kg/ha de milho safrinha, 1.200 kg/ha de feijão caupi e 1.100 kg/ ha de milheto híbrido. Como referência, os preços da soja estão R$ 7,00 mais baixos que o preço na Cooperativa Agrária e o milho, R$ 5 mais alto que o preço da Agrária. Com esses números e expectativas otimistas, os Scherer não pensam em retornar para Guarapuava. "É claro que temos saudades da família e dos amigos,

que superamos com visitas, mas não pretendemos voltar, pois as oportunidades do futuro para nós estão aqui". E a dica que eles dão para quem tem interesse no assunto é: elaborar um bom projeto e analisar bem o solo ,clima, logística e principalmente, ter muita coragem e vontade de trabalhar ."Tenho muito orgulho do meu irmão. Ele foi atrás de um sonho, está lutando por isso", diz Hermann Scherer. A família Scherer é prova que nada é fácil, mas com muito esforço, trabalho e dedicação é possível obter sucesso em uma nova fronteira.

É claro que temos saudades da família e dos amigos, que superamos com visitas, mas não pretendemos voltar, pois as oportunidades do futuro para nós estão aqui.

Na primeira safra, 150 ha de arroz sequeiro

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Grãos

Fotos: Fernando Santos /FAEP

Um relato da reunião da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas

A

Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da FAEP esteve reunida no dia 19 de agosto em Curitiba. Durante a reunião foi realizada uma rodada de troca de informações sobre a conjuntura de grãos nas regiões. Cada membro da comissão informou as perdas com os problemas climáticos que afetaram o trigo, milho, pastagens e café nas diferentes regiões do Paraná. O presidente da Comissão, Sr. Ivo Arnt Filho, produtor em Tibagi-PR, apresentou a sua experiência com novos nichos de mercado, com a comercialização de soja convencional livre de transgênicos. Ele demonstrou que na Europa existe procura pelos consumidores por essa soja. Citou como demandantes da soja convencional a associação de produtores de aves biológicas (frango e ovos), a associação de supermercados europeus, a soja para a fabricação de Tofu e as empresas fabricantes de marcas reconhecidas com DOC - Denominação com Origem Controlada, como o presunto Parma e o queijo Gran Padano. Arnt explicou os segredos da segregação de soja convencional, como atender esse mercado e questões referentes à certificação, que envolve a identidade preservada dessa soja com rastreabilidade dos produtos utilizados, auditoria interna e certificação internacional com caráter de sustentabilidade. Ao final explanou sobre as vantagens comerciais e a agregação de valor na remuneração obtida pelos produtores. Em seguida foram apresentadas as ações da FAEP em relação aos problemas de infraestrutura e logística para escoamento da safra como ferrovias, rodovias, portos e questões referentes ao pedágio. A FAEP contratou a consultoria da

ESALQ-LOG para mensurar as ineficiências da logística no Paraná e os produtores foram atualizados sobre o andamento desses estudos. Um dos estudos demonstra que é 13% mais caro escoar a produção do agronegócio por ferrovias do que por caminhão até o porto. Outro estudo em fase final de trabalhos está mensurando as ineficiências do armazém até o porto para demonstrar o quanto custa aos produtores escoar a safra considerando essas ineficiências. Ainda sobre infraestrutura, os técnicos da FAEP apresentaram o estudo sobre a viabilidade de armazéns em nível de pequenas e médias propriedades no Paraná. Os participantes debateram os benefícios e custos em investir em armazéns e deram sugestões de melhoria para o estudo, que será encaminhado pela FAEP ao governo do Paraná e ao governo federal. As ações institucionais em andamento no Paraná sobre conservação de solos e controle fitossanitário também foram tratados pelos técnicos da FAEP durante a reunião. Foram apresentadas informações sobre a questão da oferta de milho convencional, áreas de refúgios para minimizar problemas de resistência de pragas aos eventos transgênicos na soja e no milho (bt). Essas ações foram debatidas com os produtores e devem compreender também conservação de solos e águas, manejo adequado e práticas conservacionistas, Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Manejo Integrado de Doenças (MID) e das aplicações com qualidade para melhoria da eficiência das aplicações e combate as derivas de agrotóxicos. Ricardo Zanatta Machado, técnico do Ministério da Agricultura no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares, apresentou o Projeto de Lei 2325/2007 e suas consequências na Lei de

Proteção de Cultivares. Esse Projeto de Lei está tramitando no Congresso Nacional e encontra-se em discussão nas Comissões da Câmara dos Deputados. Como o projeto é polêmico, o objetivo da apresentação foi de conhecer os aspectos envolvidos, esclarecendo todas as implicações aos produtores rurais. Uma das propostas do PL reduz a possibilidade do produtor utilizar a semente própria reservada da safra anterior, que atualmente pode ser plantada exclusivamente na safra seguinte em 100% da área. O Projeto de Lei reduz essa possibilidade para apenas 50%. Os membros da comissão recomendaram que seja mantida a possibilidade do produtor utilizar sementes próprias em 100% da área. E com o objetivo de fortalecer a pesquisa os produtores concordaram que, mesmo sendo utilizado semente própria, devem ser pago royalties aos obtentores sobre a cultivar plantada. Vale ressaltar que os royalties da cultivar são diferentes dos royalties da tecnologia, sendo que este último se refere às tecnologias embutidas na cultivar, como a transgenia, por exemplo. Ao final do encontro, em assuntos gerais, foi informado aos produtores das dificuldades burocráticas do governo federal em disponibilizar as linhas de investimento do programa PSI-Rural para caminhões, que dependia de uma portaria do Ministério da Fazenda para que o BNDES autorizasse os agentes financeiros a operar o programa nas novas condições previstas no Plano Agrícola 2013/14. O mesmo está ocorrendo com o seguro rural. O governo atrasou o pagamento de subvenção e não liberou os recursos previstos para a nova safra. A próxima reunião da Comissão será em Guarapuava, no dia 17 de outubro. Fonte: DTE/FAEP - Pedro Loyola

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1º Paraná Show

foi um show N

o dia 20 de julho aconteceu o 1º PARANÁ SHOW, FEIRA DE PEÇAS E SERVIÇOS, na Paraná Sistemas Mecanizados Ltda., concessionário JOHN DEERE para a região. De acordo com os organizadores, o evento reuniu mais de 400 clientes, o que

Palestra sobre Equilíbrio Operacional com Flavio Finger

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demonstra o sucesso do evento na sua primeira edição, mostrando-se como uma excelente oportunidade ao produtor rural de adquirir peças originais, serviços especializados e equipamentos, a preços e condições de pagamentos realmente diferenciados. Com o apoio da fábrica John Deere, o

Fotos: Rodrigo Disnei

Feira de Peças e Serviços

produtor pode ver os equipamentos, bem como as tecnologias para agricultura de precisão da John Deere, o AMS em funcionamento durante o evento e também assistir a palestras técnicas sobre lubrificantes e técnicas para melhorar o equilíbrio operacional de tratores.


Foi criado um espaço diferenciado para o nosso cliente.

O Paraná Show foi um evento desenvolvido para que o empresário rural consiga acessar, não apenas o investimento em maquinários novos, mas também fazer a revisão, recuperação e melhoria nos equipamentos que ele já possui, aproveitando o excelente momento da agricultura brasileira, destaca Paulo Kowalski, gerente geral da Paraná Sistemas Mecanizados. Para o próximo ano a equipe da Paraná Sistemas Mecanizados já está organizando o 2º PARANÁ SHOW, que acontecerá logo após a colheita da próxima safra de verão e que certamente repetirá o sucesso desta edição!!!

Coordenador Comercial da John Deere da Região, Paulo Sousa, esteve presente no evento junto aos nossos clientes

Equipe comercial da Paraná

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Inglês

Família bilíngue A

mantes da geografia, os professores Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes e Emerson da Silva Gomes gostam de estudar e conhecer novos lugares, regiões e territórios. Há um ano decidiram que ao lado do filho, Guilherme, iriam descobrir novas fronteiras, desta vez, por meio do inglês. Marquiana, que é professora do departamento de geografia e pró-reitora de Extensão e Cultura da Unicentro, conta que há quatro anos matriculou o filho no Yázigi para aprender uma nova língua. Com o tempo, percebeu que era o momento dos pais também se matricularem. “Cada vez mais sentimos a necessidade de dominar a língua estrangeira, tanto por uma questão profissional quanto pessoal”. A professora relata que o idioma é uma demanda do mercado e faz parte de sua rotina acadêmica. “Eu e meu marido, por exemplo, precisamos do inglês para ler boa parte das literaturas exigidas”. Além disso, segundo Marquiana, o inglês abre possibilidades de acesso a informações não só profissionais, mas de ordem artística e cultural sobre o mundo. “Aprender inglês, certamente, abre fronteiras porque tem uma abrangência global, em qualquer lugar do mundo, você pode se comunicar bem”. Para o seu filho, ela acredita que o idioma já vem trazendo muitos benefícios. “Hoje é fundamental, cada vez mais pela Internet nossos filhos têm possibilidade de estabelecer uma rede de conexões com outros países e ter acesso a novos conhecimentos”.

Ensino e intercâmbio A metodologia de ensino foi para Marquiana um dos motivos para escolher a escola Yázigi. “Eu qualifico como um bom método de ensino de inglês. Temos atividades em sala e também online. E as aulas proporcionam diferentes momentos de aprendizagem como listening, exercícios de prática em grupo e individuais, além do

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Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, Guilherme de Freitas Vilas Gomes e Emerson da Silva Gomes.

que a professora incentiva tanto a habilidade de escrita quanto a oral”, explica. Com relação ao interesse em uma experiência internacional, o casal de professores pretende realizar especializações no exterior, o que exige um nível de inglês avançado. “Estamos nos planejando para isso. Quero fazer um pós-doutorado em outro país, meu marido também quer fazer o doutorado”. Ela também quer proporcionar ao filho, estudar e se especializar fora do Brasil. Marquiana destaca que Guilherme, como vai ter o domínio do inglês estará apto, para que na universidade, por exemplo, para abraçar oportunidades de intercâmbio. “Ele ainda está no ensino médio, mas com certeza quando estiver na graduação queremos oferecer a ele um intercâmbio. E é claro que para isso é preciso dominar a língua estrangeira, que já está abrindo portas para toda nossa família de uma maneira geral”, declarou.


A Dani do Yázigi

Homenagem aos 10 anos

Yázigi for adults Segundo a diretora do Yázigi Guarapuava, Vera Silvestri Araújo, a escola oferece cursos personalizados de idiomas, de acordo com a necessidade do aluno. Pode ser para uma prova de proficiência, por exemplo, uma viagem de turismo e até mesmo um intercâmbio de estudos mais longo. “Para isso, adequamos uma carga horária mínima para que o aluno adquira o conhecimento. O interessante é que ele, em sala de aula, simula situações cotidianas, das mais simples a outras mais difíceis que exigem um acervo maior de vocabulário do idioma”, relata Vera.

Em setembro, a secretária do Yázigi, Danieli Sagan, comemora 10 anos de trabalho na escola Yázigi em Guarapuava. Competente e amiga de todos, a Dani é lembrada com carinho, nessa década, por muitos alunos e familiares. Vera, diretora do Yázigi, declara que admira muito a colaboradora. “Valores familiares, a competência, a busca constante de fazer o melhor de si. É um exemplo de ser humano para a família Yázigi. E o meu sentimento nesses dez anos é de gratidão”, resume.

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Notas

Custo de produção de pecuária de corte e grãos

Levantamento de custos de pecuária

Técnicos da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) estiveram em Guarapuava no dia 16 de agosto, para fazer um levantamento de custo de produção de pecuária de corte. O trabalho faz parte do projeto Campo Futuro, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o CEPEA, que consiste na definição da propriedade típica de produção em cada região de estudo. Um grupo formado por técnicos e produtores conhecedores da realidade local se reúne para construir um sistema de produção (a moda), mediante um debate aberto. Juntos, eles montam uma planilha de custos de insumos e receita da faixa mais representativa da produção naquele município. O projeto pretende fortalecer a rede de acesso dos produtores rurais a mecanismos de gestão de custos e riscos, além de fornecer continuamente informações estratégicas sobre o setor rural. Além de Guarapuava, o levantamento também foi feito em Cascavel, Paranavaí, Umuarama, Londrina. No dia 27 de agosto, foi feito o levantamento de custo de produção de milho, soja e trigo.

Levantamento de custos de grãos

Campanha Produtor Solidário No dia 26 de junho, o Sindicato Rural de Guarapuava realizou a entrega de roupas e calçados para a Fundação de Proteção Especial da Juventude e da Infância (Proteger). As doações foram feitas por produtores rurais, sócios da entidade. Mais de quatro caixas de roupas e calçados foram entregues à nutricionista da Fundação Proteger, Adriana Lopes e para a auxiliar administrativa, Silmara Aparecida Soares dos Santos, que representaram o presidente da instituição, Silton Justus. A arrecadação de roupas e calçados também beneficiou a Secretaria Municipal de Assistência Social. No dia 24 de julho, o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho entregou um grande montante de arrecadação para as assistentes sociais da secretaria, Adriane Cristina Nietzke e Sandra Spyra. Nesta etapa da campanha, o Sindicato recebeu muitas doações de associados da entidade e também da população em geral.

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PEC 37 é derrubada No dia 25 de junho, em sessão extraordinária, os deputados federais negaram a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 37), que tinha como objetivo limitar o poder e a atuação investigatória do Ministério Público. Os deputados cederam após pressão dos protestos nas ruas em todo Brasil, que reivindicava entre outras coisas, a não aprovação da PEC 37. O Sindicato Rural de Guarapuava foi uma das entidades que se posicionou contra a PEC 37, assinando, em maio, uma moção de repúdio à proposta, em conjunto com outras instituições da cidade. Em apoio ao Ministério Público, também sediou uma audiência pública com o tema “Cidadania – Direitos e Deveres”, reunindo a sociedade civil organizada e os promotores de justiça para discutir sobre a importância da atuação do MP no combate à corrupção.


Concurso cultural

Agricultores participam de campanha inédita da IHARA Para envolvê-los na campanha, a empresa criou o concurso cultural “Agricultura é a Nossa Vida”, no intuito de que os agricultores pudessem expressar, de forma espontânea, os motivos pelos quais a agricultura é tão importante em suas vidas

C

omo forma de demonstrar admiração e respeito pelos produtores rurais, a IHARA – tradicional fabricante de defensivos agrícolas- decidiu homenageá-los em sua campanha institucional inédita, criada a partir de depoimentos de agricultores que enfatizam como a agricultura faz parte de suas vidas. Por meio de um concurso cultural, com o tema baseado no slogan da empresa “Agricultura é a Nossa Vida”, os produtores tiveram a oportunidade de gravar vídeos originais para participar deste projeto. Os cinco melhores testemunhos estão sendo divulgados nas principais mídias do país, representando todos aqueles que contribuem com o progresso da agricultura brasileira. Os selecionados foram Daniel Ângelo Grolli (Balsas/MA), Eduardo Granghelli (Jaguariúna/SP), José Pupin (Cuiabá/MT), Sérgio Astori (Jaguaré/ES) e Sidney Hideo Fujivara (Capão de Bonito/SP). Como forma de agradecê-los pela participação, a empresa levará esses agricultores para assistirem à Cerimônia de Encerramento e o último jogo da COPA DO MUNDO de 2014, no dia 13 de julho, no Estádio do Maracanã - Rio de Janeiro. “A IHARA agradece também todos aqueles que enviaram os vídeos e estiveram conosco nesta iniciativa”, declara o diretor de Marketing, José Gonçalves.

Segundo Gonçalves, o objetivo dessa campanha é retratar a dedicação e o inestimável valor do trabalho de todos aqueles que, a exemplo da IHARA, fazem da agricultura a sua vida. “Esta iniciativa visa ainda provocar uma reflexão sobre o verdadeiro papel da agricultura na vida de cada um dos brasileiros”, ressalta. O concurso cultural esteve no ar por mais de três meses, sendo divulgado em jornais de cooperativas e rádios locais no intuito de convocar os agricultores a expressarem, de forma espontânea, os motivos pelos quais a agricultura é tão importante em suas vidas. Nesse período, o hotsite “Agricultura é a Nossa Vida”, criado especialmente para esta ação, recebeu inúmeros acessos e vídeos originais com depoimentos de produtores rurais, que se inspiraram no tema da campanha. O júri escolheu aqueles que atendiam os critérios de espontaneidade, criatividade, originalidade, emoção e sensibilidade. Para assistir a campanha institucional da IHARA com os vencedores do concurso cultural, acesse o hotsite “Agricultura é a nossa Vida” (www.agriculturaeanossavida.com.br) ou pelo canal do Youtube (www.youtube.com/agriculturanossavida).

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Viticultura

Mudas de sucesso Emater ministra curso de produção de mudas por meio de enxertia para produtores de uva da região de Guarapuava como forma de incentivo à viticultura.

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udas que simbolizam mais do que muda venha a ter sucesso”, Potrich. o crescimento de um parreiral de O curso, além de motivar produtores a uvas, mas a possibilidade de muapostar na atividade, também incentivou a dança de vida para pequenos produtores. criação de novos negócios. O empresário do Por acreditar no potencial da viticulturamo de viveiros e produtor rural, Antônio ra em Guarapuava e na premissa que a Lauri Leite, pretende investir na produção muda é o primeiro passo para o sucesso de mudas de uva por acreditar no potende um vinhedo, o Instituto Paranaense cial cultura em Guarapuava. “Essa palestra de Assistência Técnica e Extensão Rural com certeza trouxe motivação e seguran(Emater) promoveu, no Sindicato Rural ça para os produtores. E o principal é que de Guarapuava, um curso para ensinar os mercado para uva existe. A questão é proprodutores de uva da cidade a produzir duzir com técnica. Eu, no viveiro, pretendo mudas de qualidade. produzir mudas certificadas e com garantia A capacitação, que foi realizada no dia da origem e qualidade do produto”. 19 de julho, reuniu 40 produtores interessados em adquirir conhecimentos técnicos Tipos de enxertia sobre enxertia nas mudas. Segundo o técnico extensionista da Emater de Toledo, Célio De acordo com Potrich, existem várias Potrich, que ministrou o curso, a enxertia formas de ser fazer a enxertia, porém a traz benefícios para o desenvolvimento da mais comum em videiras é a de fenda simplanta e para o agricultor. “Em primeiro luples, que pode ser em nível de campo, com gar, o custo de produção fica mais baixo. o porta enxerto. Há também a enxertia de Além disso, com o uso de porta enxertos, mesa, onde se prepara a muda enxertaa planta fica mais da com a variedade que resistente a pragas quer produzir, e coloca a e doenças de solo, campo a muda enxertatem uma formação da. “Todos os produtomelhor e cresce com res são capazes de fazer mais vigor”, explica. isso com orientação de de cultivo de uvas e De forma didática, técnicos. Não tem mui40 produtores. Potrich apresentou as to segredo”, comenta o técnicas de enxertia e técnico. Expectativa de também de condução crescimento: do parreiral. “A muda Panorama de qualidade é o bá- A médio prazo: da uva em sico para uma lavou40% em número de ra, assim é preciso Guarapuava produtores e em área. atentar para que os - Criar o vinho regional produtores adquiram Para os técnicos, não materiais de procede Guarapuava. há dúvidas do potencial dência para que a de sucesso que a uva

15 ha

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pode trazer para os produtores de Guarapuava e para a economia local, principalmente, devido a características climáticas favoráveis e pelo fato da cidade poder se tornar um pólo regional em fruticultura, já que na região não há outras cidades que tenham expressiva produção da uva ou de vinho. No momento, Guarapuava possui 40 produtores de uva que totalizam uma área de 15 hectares, aproximadamente. No entanto, a intenção da Emater é promover o desenvolvimento da cultura na cidade. “Temos uma proposta de médio a longo prazo de aumentar cerca de 40% a

área de uva, e também aumentar o número de produtores. A ideia é criarmos um produto para agregar valor, por exemplo, um vinho regional de Guarapuava”, disse o coordenador da produção de uva da Emater- Guarapuava, Nilo Patel. No final do curso, Patel comentou sobre a necessidade de se criar uma Associação de Produtores de Uva ou de Fruticultura em Guarapuava, para fortalecer a cadeia e colaborar para o desenvolvimento da cultura no município. O técnico da Emater de Toledo relatou que para haver sucesso na atividade, é

Célio Potrich

Antônio Lauri Leite

preciso que os pequenos produtores sigam orientações técnicas e acreditem na atividade. Potrich contou que já ouviu muitos relatos de agricultores que conseguiram tornar a uva uma fonte de renda importante na propriedade, o que possibilitou para muitos, uma nova motivação e viabilidade para continuar trabalhando no campo. “Quando vemos um produtor conseguir se estabelecer na atividade, após ouvir nossas orientações técnicas, é muito gratificante. É uma realização profissional ver esses exemplos de sucesso”, declarou.

Nilo Patel

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Aveia preta

A faina da pesquisa completa vinte anos de lançamento Celso de Almeida Gaudencio Pecuarista em Londrina

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o afã de selecionar aveia preta para cobertura verde do solo, o trabalho resultou em três cultivares: Embrapa 29 (Garoa), Embrapa 139 (Neblina) e Embrapa 140 (Campeira Mor). A primeira, lançada há vinte anos, se mantém em cultivo até os dias atuais, contribuindo em muito com a cobertura verde do solo em sistemas de rotação de culturas anuais, na integração agropecuária e na prática da semeadura direta.

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Dentro da biodiversidade em evolução, no presente texto, as gramíneas servirão para exemplificar a importância dos demais vegetais. As gramíneas, sem descartar as interrelações com as demais plantas, apresentam muita importância nas propriedades dos solos, na alimentação animal e na alimentação humana. Elas devem ser lembradas quando se discute a proteção ambiental e a fome no mundo. A aveia preta é uma espécie vegetal

que melhora os atributos físicos e recicla nutrientes químicos do solo, quando usada como cobertura verde do solo e após o manejo cultural. Também protege o solo dos eventos climáticos e da erosão, quando se usa principalmente a semeadura direta. Aumenta o rendimento da cultura sucessora, principalmente a soja. Na época, a pesquisa abriu aos pesquisadores trabalhos sem projetos e sem orçamento para desenvolverem métodos com-


plementares a projetos em andamento ou para incitar abertura de novas linhas de pesquisa. Assim foi feito na EMBRAPA-CNPSo/ Londrina, PR, com a colaboração técnica da AGRÁRIA/ Guarapuava, PR, da COAMO/ Campo Mourão, PR e do Serviço de Sementes Básicas da Embrapa/ Ponta Grossa, PR. O objetivo foi selecionar cultivares de aveia de florescimento uniforme, em substituição às aveias comumente cultivadas para facilitar seu manejo, antecedendo a prática da semeadura direta e, desse modo, estimular outras instituições de pesquisa a criarem programas de melhoramento com esta espécie. O material foi semeado em 1985, em Londrina, onde se coletaram espigas de aveia preta comum, tida como tolerante à ferrugem da folha. Em 1986, houve seleção pelo processo de linhas puras, em Guarapuava, na busca de plantas vigorosas para produção de massa vegetal e tolerância à ferrugem da folha. No ano seguinte, novamente em Londrina, foram selecionadas linhas com os mesmos objetivos anteriores e de adaptação ao ambiente mais quente e seco e à multiplicação de sementes. Em seguida, foram realizados testes, em ensaios de competição de cultivares, avaliando a produção de massa seca da parte aérea e das raízes, a floração uniforme e o rendimento de sementes. Nos ambientes testados, Campo Mourão, Guarapuava e Londrina e nos campos de semente genética, em Londrina, e semente básica em Ponta Grossa, observou-se superioridade produtiva das três cultivares para os parâmetros referidos. A Embrapa 29 apresentou também tolerância à seca e à geada, no estádio de plântula. Quando cultivadas em campos de clima ameno, as três cultivares apresentaram ciclo mais longo em cerca de trinta dias, o que possibilitou também o uso para pastoreio no inverno.

A utilização de linhas puras, embora primária como método, mostra que a ação do homem acelera o processo evolutivo das espécies vegetais. A seleção e a multiplicação de linhas superiores existentes na natureza de três cultivares de mesmo ciclo, possibilita até para a obtenção de mescla de multilinhas, somando efeitos agronomicamente desejáveis. Inclusive possibilita, também, constituir blocos de cruzamentos, em função das amplas adaptação e estabilidade produtiva. Esses resultados informam que pesquisa agronômica, por menor que seja, reflete em contribuição por vez imensurável. Mesmo quando os estudos de rotação de culturas em semeadura direta foram considerados de baixa produção científica e rejeitados para o propósito de obtenção de bolsa, esses trabalhos não pararam, devido aos múltiplos efeitos sobre as propriedades físicas, químicas e biológicas no solo. Agora, quando se comemora quarenta anos da implantação de lavouras em semeadura direta e com um tempo de pesquisa um pouco maior, é lícito lembrar os avanços que a rotação de culturas, em especial a cobertura verde e morta do solo na prática preservacionista da semeadura direta, proporcionou, inclusive com reflexos positivos na melhoria do ambiente produtivo rural. Nesse ínterim, foram dados passos im-

portantes na pesquisa, como a diminuição pela metade da densidade de semeadura da soja nessa nova modalidade de cultivo. Mas todo o avanço tecnológico foi desconsiderado para quantificação de florestas no meio rural, as quais ocuparão áreas aptas para produção de alimentos, mesmo diante de deficiência alimentar humana em proteínas de origem vegetal e animal. Esses fatos se constituem em flagrante derrota agronômica na elaboração das leis florestais brasileiras. Mesmo sabedores do esforço da pesquisa em aumentar a biodiversidade na constituição de sistemas rurais avançados, esses conhecimentos nem sequer foram mencionados no código florestal. Por tais descréditos, o quê o futuro próximo nos revelará. Tal fato golpeia a intervenção do homem nos ganhos genéticos, na adaptação e na evolução dos recursos renováveis, que a ecologia, a grande casa, abriga. O milho safrinha é exemplo recente na adaptação vegetal, na produção de grãos e na portentosa captação de carbono. Após vinte anos de cultivo da Embrapa 29 Garoa, fica o alerta da importância do melhoramento genético desse forte agente vegetal renovável para melhoria do ambiente produtivo, em sistemas de rotação de espécies anuais, na integração agropecuária e no uso da semeadura direta.

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Exposição fotográfica

“Sócios e produção - Tecnologia e paixão” Na abertura da mostra, produtores que tiveram suas propriedades fotografadas receberam do presidente do Sindicato Rural, Rodolpho L. W. Botelho, CD com as fotos

Alaor Sebastião Teixeira

Paulo Chaves

Soraia Berger Zuber

(Representando Gibran T. Araújo)

(Representando Johann Zuber Jr.)

Diego Rafael Maroso

Waldicley Kohler

(Representando a FAPA)

(Representando Josef Pfann Filho)

O

Sindicato Rural de Guarapuava realizou no dia 9 de julho, em sua sede, a abertura da 1ª Mostra de Fotos “Sócios e Produção, Tecnologia e Paixão”. Diante de agricultores e pecuaristas que tiveram suas propriedades fotografadas para a mostra, o presidente do sindicato, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, destacou o motivo da iniciativa: “O propósito é parabenizar o produtor rural, o setor produtivo, e mostrar o agradecimento do sindicato ao produtor, ao trabalho que ele faz na terra”. Botelho lembrou também que a intenção do sindicato é continuar a fotografar propriedades rurais, enfocando outras atividades além das que são apresentadas nesta primeira montagem da mostra. “A ideia é que essa exposição seja quase que permanente: vamos mudando as fotos, principalmente para mostrar como é o sistema produtivo na nossa região”, completou. Ele agradeceu aos produtores que receberam a equipe da entidade para a produção das fotos e observou ainda que outros produtores, que quiserem que suas propriedades também sejam fotografadas, podem entrar em contato com o sindicato. Falando como um dos produtores rurais que tiveram sua propriedade fotografada, Alaor Sebastião Teixeira, criador de gado Brahman em Candói, agradeceu ao sindicato pela iniciativa: “É sinal de que estão nos acompanhando, em nosso trabalho, e dando valor ao trabalho dos pecuaristas e dos

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Eros Araújo

Revista do Produtor Rural

Jairo Luiz Ramos Neto

agricultores”. Em entrevista, Teixeira considerou que a exposição, por mostrar o dia a dia rural, “é um incentivo extraordinário” para quem trabalha no campo. Para Regina Seitz, que se dedica à produção de leite com gado holandês, em Pinhão, a mostra surpreendeu: “Achei maravilhoso. Não pensei que ia ter tanta qualidade assim. É muito gratificante”. A pecuarista acrescentou que a exposição é também importante para mostrar aos filhos de produtores rurais que a diversificação é um caminho, numa época em que novas áreas agrícolas se tornam mais raras e de custo mais elevado. Também aproveitaram para conferir a exposição vários associados do Sindicato, que participaram de um café da manhã, na entidade, em homenagem às suas datas de aniversário. Composta de 23 imagens, a 1ª Mostra de Fotos “Sócios e Produção, Tecnologia e Paixão” apresenta várias atividades que os associados do Sindicato Rural desenvolvem em suas propriedades rurais, em Guarapuava e região. São cenas que abordam desde lados bem conhecidos da agricultura, como campos de soja ou a colheita do milho, até a criação de ovinos, bovinos, de corte e de leite, e equinos. As fotos da exposição fazem parte de um banco de imagens que o Sindicato Ru-

Regina Seitz

Silvana Illich Seitz (Representando Alexandre Seitz)

ral começou a produzir, a partir de fevereiro deste ano, para sua revista bimestral, a Revista do Produtor Rural do Paraná. Iniciativa de longo prazo, o banco de imagens continua sendo desenvolvido pela Assessoria de Comunicação do Sindicato, com a meta de fazer o registro fotográfico das mais diversas atividades da agropecuária. Nesta primeira mostra, as imagens são do jornalista Manoel Godoy.

Nesta primeira etapa da exposição, as fotos foram feitas em propriedades de: • Alaor Sebastião Teixeira • Alexandre Seitz • Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária - FAPA • Gibran Thives Araújo • Jairo Luiz Ramos Neto • Johann Zuber Júnior • José Hamilton Moss Filho • Josef Pfann Filho • Paulo Henrique Chaves Klopfleisch • Regina Seitz • Rodolpho Luiz Werneck Botelho • Rodolpho Tavares Junqueira Botelho


Conservação de grãos

na armazenagem Palestra destacou a importância dos cuidados com armazenamento de grãos e apresentou um sistema de ventilação que promove aeração natural nos silos.

N

em mesmo o frio e a neve afastaram o interesse dos produtores rurais por informação técnica sobre conservação de grãos na armazenagem no dia 23 de julho, no Sindicato Rural de Guarapuava. A palestra, promovida pela empresa Cycloar, foi ministrada pelo diretor executivo da Provent Brasil, Dr. Werner Uhlmann, e teve como foco demonstrar as causas e calcular os prejuízos nos grãos armazenados nos silos. Segundo Ulhmann, a armazenagem ainda não é vista como protagonista no processo de produção de grãos. “A armazenagem precisa ser tratada como um negócio em si e não mais como um coadjuvante da produção ou da indústria”, opina. Ele destaca que, nos últimos anos, houve pouco avanço nessa área no Brasil. “Possuímos perdas de até 10% (qualitativa e quantitativa) conforme a cultura, nas unidades armazenadoras a granel. Desses 10%, cerca de 6% dos grãos depositados são perdidos no período de conservação”. Dessa forma, de acordo com o diretor da Provent, tais percentuais tem origem na condensação e apodrecimento dos grãos, o que aumenta os custos por contaminação, remoção de produtos danificados e consumo de energia elétrica através da aeração forçada.

Problemas comuns Conforme Uhlmann, os principais problemas na armazenagem de grãos nos silos acontecem no momento da expedição, devido à contaminação da massa de grãos, ao misturar-se grãos deteriorados (camada superior e lateral) e grãos ardidos (fungos, micotoxinas) com grãos sadios. O produtor rural Cícero Lacerda relata que possui silo em sua propriedade e que participou do evento por se preocupar com a boa conservação dos grãos produzidos. “A palestra foi muito boa, nos mostrou o quanto de dinheiro que perdemos em excesso de aeração e perda de grãos por condensação”. Lacerda disse que se interessou em investir no novo sistema que promove a exaustão natural do silo. “Eu tenho aeração automática e iria comprar outro sistema semelhante, mas vi que não é viável. Realmente este sistema de exaustão é muito interessante”, comentou. Sistema de exaustão – novo conceito de armazenagem De acordo com o palestrante, a aeração natural ou intensificada proporciona equalização do ar entre a massa de grãos e a cobertura do telhado, o que diminui o calor proveniente da radiação solar, eliminando o bolsão de ar saturado.

Dr. Werner Uhlmann, diretor executivo da Provent Brasil

Confira algumas das vantagens do sistema:

1. Evita a condensação (gotejamento) na camada superior e a condensação da umidade nas paredes laterais; 2. Evita o mofo, deterioração e germinação. Preserva a homogeneidade da massa de grãos (B.U. – Base úmida); 3. Inibe a proliferação de pragas; 4. Evita a compactação na camada superior, contribuindo com a aeração forçada, economizando energia elétrica; 5. Extrai gases, pó em suspensão (explosão) no interior dos silos verticais e armazéns, casa de máquinas e moegas; 6. Preserva a estrutura física do ambiente armazenador evitando corrosão e ferrugem nas estruturas metálicas da cobertura e paredes de silos e armazéns, decorrente da umidade dos grãos alojados junto às paredes e da condensação interna; 7. Redução da quebra técnica na armazenagem.


Aniversariantes

Café da manhã reuniu associados

O

dia começou com confraternização no Sindicato Rural de Guarapuava na terça-feira, 09 de julho. A entidade reuniu mais de 45 produtores rurais para o café da manhã dos sócios aniversariantes no salão de festas da entidade. Na segunda edição do evento, que visa promover um momento de confraternização entre os associados, foi comemorado o aniversário dos sócios que nasceram nos meses de abril, maio e junho. O presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho destacou que o café da manhã dos aniversariantes é mais uma forma de aproximar os sócios da entidade. “É um momento de bate-papo, troca de informações e de valorização do nosso associado pelo trabalho desenvolvido no dia a dia no campo. Este é mais um evento para mostrar que o Sindicato é a casa do produtor rural na cidade”. O associado José Antonio Ogiboski Almeida definiu a ideia do evento como espetacular. “O Sindicato traz o produtor para confraternizar, trocar ideias, e o melhor é que acabamos revendo amigos. É uma excelente iniciativa, tenho certeza que vai prosperar”. O produtor rural Huberto José Limgerger, que é sócio há 21 anos do Sindicato, também parabenizou a entidade pela iniciativa. “Há muitos anos sou associado e a cada ano o Sindicato está melhor. Gostaria de agradecer a diretoria que realmente se preocupa e repassa esse carinho para os sócios. Estou muito feliz, porque são atitudes como estas que aproximam cada vez mais o produtor da entidade”. O produtor de Entre Rios, Stefan Remlinger, que completou 85 anos em junho deste ano, também participou do café acompanhado de sua esposa, Katharina, e disse estar muito satisfeito com o Sindicato. “Está tudo muito bonito no evento. Todos que vieram estão muito contentes e alegres, porque aqui encontramos pessoas que não vemos há muito tempo. Agradeço por tudo que serviram para nós. Já estou esperando meu aniversário do ano que vem para estar aqui novamente”, declarou.

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Vender ou não vender?

Fotos: Helena Krüger

Mercado agrícola

Em seminário, o consultor de commodities de Chicago, Pedro Dejneka, alertou os produtores sobre tendências de grandes oscilações de preço em função do mercado climático.

P

ara próxima safra de verão, produtores brasileiros devem estar mais atentos aos mercados internacionais. As tendências baixistas sugerem, a médio prazo, preços menores nas commodities de soja e milho, ou seja, margens de lucro reduzidas para o agricultor. Dessa forma, saber comercializar na hora certa será decisivo no processo. Este foi o alerta feito pelo analista de mercado de Chicago, Pedro Dejneka, no Seminário “Os segredos fora da porteira”, promovido pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) no dia 05 de agosto, no Sindicato Rural de Guarapuava. O evento percorreu dez cidades do Paraná e deixou como recado que o homem do campo não pode mais ser

competente apenas dentro da porteira, mas deve estar cada vez mais informado sobre o contexto do agronegócio. Além da palestra sobre comercialização, com o consultor de commodities de Chigago, Pedro Dejneka, o seminário contou com a participação do assistente técnico da Faep, Nilson Hanke Camargo, que falou sobre logística, e do coordenador do Departamento Técnico da Faep, economista Pedro Loyola, que abordou sobre seguro rural. O evento lotou o anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava. Mais de 230 pessoas, entre produtores rurais, agrônomos, acadêmicos e empresários do setor, participaram do seminário, buscando entender mais sobre a dinâmica mundial do agronegócio.

Durante a palestra, Dejneka abordou, de forma muito didática, como funciona o complexo mercado financeiro que rege a comercialização das commodities. O analista adiantou que as análises sempre estão sujeitas a erros, mas que, na atual conjuntura, a perspectiva é de preços menores para a próxima safra. “O produtor deve ter muito cuidado e agir com cautela. É claro que toda análise sempre tem um cano de escape. Com tantos fatores influenciando o mercado, tudo pode mudar. Mas a tendência é de preços mais baixos, dólar alto, ou seja, uma margem bem menor para o produtor, pelo menos, no ano que vem”, afirmou. Dejneka indica que o agricultor deve ter atenção para

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O produtor não pode enxergar somente de perto, como um míope", alerta Dejneka. comercializar no momento adequado e garantir uma produção rentável. “Os preços devem continuar caindo, mas não em linha reta. Dessa forma, o produtor deve aproveitar os repiques para ir travando sua margem de lucro aos poucos”. Ele ainda alertou que a imagem do Brasil no mercado exterior não é positiva para investidores internacionais. “Isso significa

que é mais dólar saindo do país, o que faz com que a moeda fique ainda mais alta”, disse Dejneka. Com relação às causas da tendência pessimista, o consultor explicou que mesmo com a alta demanda do mercado mundial por grãos, este motivo, isolado, não é o único a reger os preços. Além disso, comentou sobre o clima favorável, até julho e início de agosto, garantindo uma boa safra nos Estados Unidos. “São muitos fatores complexos na macroeconomia que influenciam a dinâmica dos preços. O mercado passa por ciclos e da mesma maneira que todos os produtores se beneficiaram nos últimos anos de preços altos e dólar em bom nível, vai chegar uma hora que podem passar por um, dois, ou três anos de dificuldades”. Neste caso, Dejneka afirma que o agricultor precisa ter disciplina e informação na hora de vender. “O produtor não pode sofrer a síndrome do míope, que só enxer-

Pedro Dejneka, consultor de commodities

ga de perto, é preciso olhar o contexto. Afinal, o mercado fica suscetível a muitas mudanças e é influenciado, até mesmo, por aspectos emocionais dos investidores”.

De olho nos portos

Nilson H. Camargo, assistente técnico da FAEP

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Sobre logística, o assistente técnico de economia da Faep, Nilson Hanke Camargo abordou os principais problemas e as reivindicações da Federação junto ao governo. “Nós temos que analisar os três modais: rodoviário, ferroviário e portuário. Temos um sistema rodoviário ruim, o ferroviário péssimo e um sistema portuário que é um caos. Mas, a prioridade da Faep, neste momento, é melhorar os portos”, disse. Com relação às reinvindicações para a logística, Camargo explica que o agronegócio solicita mudanças semelhantes aos outros setores da economia. “No Paraná, nas rodovias, precisamos imediatamente de mudanças no anel central, como a duplicação. Para as ferrovias, é necessário um sistema que funcione, além da inversão da nossa matriz de transporte. Hoje temos 70% no modal rodoviário e 30% no ferroviário”. No sistema portuário, o assistente técnico da Faep resume que a melhoria no Porto de Paranaguá deve ser no aumento de produtividade. “Fala- se muito que o porto precisa construir armazém na parte de triagem, mas precisamos fazer, basicamente, uma única coisa: melhorar a produtividade, ou seja, aumentar a velocidade do fluxo de mercadorias, no embarque e desembarque, o que resolve muitos outros problemas”.


A evolução do Seguro Rural tou o apoio para florestas, que será de 60% de cobertura. E o governo estadual anunciou que, em meados de setembro, vai lançar um novo programa para atender 29 atividades no seguro. Ficaram de fora o milho e soja de verão”. O economista falou sobre a evolução do seguro em área no País e no Estado. “Hoje, a área segurada no Brasil, incluindo Proagro e outros progra-

mas, cobre apenas 18% da área produtiva. Acreditamos que até 2016, se essa política for levada a sério pelo governo, vamos chegar próximo dos 50% de área coberta no Brasil”. No Paraná, Loyola afirma que o Estado está mais avançado, chega a alcançar 35% de seguro agrícola ou ProAgro e tem potencial, para daqui dois ou três anos, de um aumento de 60% a 70%.

Pedro Loyola, economista da FAEP

Sobre seguro rural, o economista da Faep, Pedro Loyola, falou sobre as modificações para este ano. “O Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014 trouxe boas notícias para os produtores rurais do Paraná. As mudanças ocorreram com relação aos recursos. O governo federal anunciou 700 milhões de reais de apoio à subvenção. No ano passado foram 318 milhões, mais que dobrou o recurso. Apesar de não ser o ideal, é um salto muito grande”. Além disso, houve alterações nas regras de acesso ao seguro e Loyola destacou algumas novidades. “Aumen-

Luiz Colferai, Nilson Hanke, Pedro Loyola, Gibran Araújo, Anton Gora, Pedro Dejneka, Rodolpho Botelho e Itacir Vezzaro

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Evento técnico

Feijão

competente

E

m um cenário em que a produção brasileira de feijão precisa aumentar em quantidade e qualidade para atingir a demanda do mercado interno, o 4º Encontro Técnico de Feijão dissemina informação para incentivar e melhorar a produção da cultura na região. O evento, que foi realizado no dia 07 de agosto, reuniu no anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava mais de 120 pes-

soas, entre produtores rurais, técnicos, agrônomos, pesquisadores e acadêmicos. Em sua quarta edição, trouxe à Guarapuava quatro palestrantes renomados que abordaram diferentes temas relacionados à cadeia produtiva do feijão, como manejo de doenças e pragas, tecnologia e mercado. Estiveram presentes participantes de mais de 20 municípios do Estado e tam-

Com objetivo de tecnificar a cadeia do feijão na região, o 4º Encontro Técnico de Feijão trouxe informações sobre sanidade, tecnologia e mercado para o produtor rural. bém do Rio Grande do Sul. Segundo um dos organizadores do evento e produtor de feijão, Roberto Cunha, o encontro passa por uma evolução ano a ano. “Esse crescimento do encontro acontece pela demanda de informação dos produtores pela cultura do feijão. Além disso, há necessidade do mercado e do consumidor, que passa a exigir um produto com mais qualidade”.

Boa semente, boa lavoura

Carlos André Schipanski

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O coordenador de pesquisas de fitopatologia da Fundação ABC, Carlos André Schipanski, ao abordar o tema “Manejo de doenças no feijoeiro”, trouxe discussões práticas e aplicadas para o produtor relativas à qualidade sanitária da semente, moléculas que possuem ação mais eficiente de controle, momento de aplicação, entre outros. O pesquisador deu destaque no manejo das doenças de raiz, como mofo branco, e também discorreu sobre uma das principais enfermidades na cultura do feijão, que é a antracnose. “Uma boa lavoura de feijão,

com potencial de produtividade e baixo nível de problemas sanitários, começa com uma semente de qualidade”, alerta Schipanski. Outro fator importante, conforme destacou o palestrante, é o momento de aplicação. “Tem momentos específicos dentro do ciclo para aplicar, muitos ignoram e não conseguem retorno no investimento, além de continuarem com o problema”. O pesquisador também falou sobre a importância do Encontro para disseminar a informação ao produtor rural. “O produtor hoje precisa aplicar o máximo de conhecimento por hectare”, disse Schipanski.


Mercado do feijão

Vlamir Brandalizze

O analista de mercado e diretor da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, falou sobre as tendências do agronegócio com foco no feijão. Ele atentou para necessidade de uma nova forma de se ver o mercado do feijão, que já é bastante globalizado. Segundo o analista, tradicionalmente, os maiores volumes de feijão que eram importados pelo Brasil vinham da Argentina, porém nos últimos anos, com problemas climáticos e safras menores, a China passou a ser o maior fornecedor brasileiro. “Devemos fechar o ano de 2013 importando cerca de 200 a 220 mil toneladas de feijão chinês. E, hoje, ele vem com uma qualidade igual ou maior que o brasileiro”, comentou. Na opinião de Roberto Cunha, a importação é benéfica. “Ela está balizando qualidade e preço. Se houvesse apenas produção interna, haveria taxação do governo, e o preço baixo causaria um desestímulo”. No entanto, Brandalizze explica que a tendência é de mudança neste cenário comercial para a próxima safra, com o aumento no plantio de feijão no Brasil e diminuição da safra chinesa, encarecendo o feijão importado. “Muitos produtores brasileiros vão migrar do milho para o feijão, pois os preços estarão mais atrativos, e provavelmente, haverá menor importação. Dessa forma, é preciso que o produtor brasileiro já comece a vislumbrar também a exportação”.

Do feijão carioca para o preto O feijão mais consumido no Brasil é o carioca, que representa cerca de 70% do mercado. Segundo Brandalizze, esta é uma cultivar unicamente brasileira. Desta forma, o país depende da importação de outros tipos de feijão, como o preto. “Cerca de 250 mil t serão importados nesse ano, assim a dona de casa acaba sendo induzida a consumir mais o preto, pela vantagem competitiva de preço”. O analista aponta o crescimento do mercado: nos últimos 3 anos passamos de mais de 400 mil t/ano para 600 mil t/ano.

Produzir mais com menos O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Tarcísio Cobucci, abordou o tema “Tecnologia e altas produtividades na cultura do feijão”. Ele alertou que é “baixíssima”, em sua maioria, a eficiência da adubação. Por outro lado, conforme enfatizou, é necessário o produtor de grãos, em geral, e o de feijão, em particular, lembrar que maior quantidade de fertilizantes nem sempre significa maior produção. “Nem sempre colocar mais (produtos) é produzir mais”, afirmou Cobucci. Para ele, o caminho é “uma ativação maior do solo”. O pesquisador comentou que estão para chegar novas tecnologias com este objetivo, como “as bactérias que vão liberar fósforo ou outros micro-organismos que vão aumentar a atividade biológica do solo”. A distribuição de bases em profundidade, com cálcio e magnésio, de forma equilibrada, além de fósforo, “vai contribuir para um enraizamento profundo” das plantas de feijão. Mas Cobucci também recordou que, para uma boa lavoura, é preciso o produtor observar questões básicas, como a rotação de culturas. E os cultivos a serem utilizados na rotação dependem, conforme assinalou, do que está acontecendo no solo. “Se o problema é mofo branco, então aveia e azevém são os mais indicados; já para nematóides, a crotalária seria a campeã para fazer esta rotação”, explicou.

mil toneladas

600 500 400 300 200

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Alerta para pragas Na palestra sobre “Manejo de pragas em sistemas produtivos”, Márcio Henkes Caldeira, gerente de pesquisas da Cooperativa Agrícola dos Produtores Rurais da Região Sul do MT (Cooaleste), disse que vários são os produtores que, ao utilizar culturas geneticamente modificadas, acabam descuidando de procedimentos indispensáveis, como o refúgio, ou ainda deixando em segundo plano a atenção às pragas. Neste quadro, elas atacam com intensidade lavouras de algumas regiões do Centro-Oeste. Ele lembrou que, ao contrário do que ocorre no MT, no centro-sul paranaense o clima frio do inverno contribui para minimizar em parte os efeitos de organismos prejudiciais às plantações. Mas ponderou: mesmo usando culturas geneticamente modificadas, o agricultor daqui também deve se manter atento. “A tecnologia Bt é extremamente interessante, só que tem que plantar refúgio, é preciso ter monitoramento – não é plantar e esquecer (da lavoura)”, analisou. Caldeira incluiu a tecnologia no rol de medidas para melhores resultados, como o uso de inimigos naturais, de inseticidas químicos ou do chamado controle cultural. “Você pode controlar pragas pela época de plantio”, exemplificou. Ele apontou que estão surgindo problemas novos no campo, com pragas passando de uma cultura para outra. “A falsa medideira dá na soja, no algodão e no feijão. Então, é praga de que cultura? É praga do sistema”, definiu, sugerindo o controle biológico como uma alternativa: o uso do tricograma, de produtos biológicos à base de bacilos de Bt ou o controle com vírus, uma tecnologia que está surgindo.

Márcio Henkes Caldeira

Confira o depoimento de participantes de outras regiões que estiveram no encontro: Wagner Willian Nogueira, agrônomo e produtor rural – Mamborê (PR) Trabalhamos com feijão há vários anos, e estávamos nos sentindo limitados com respeito à produção e novas tecnologias, já que essa não é a cultura forte em nossa região. Ficamos sabendo do evento e viemos buscar novas tecnologias, mais conhecimento. A expectativa que tínhamos foi atingida. Os palestrantes são muito bons. Ficamos satisfeitos”.

Emerson Pereira da Trindade, técnico agrícola – Mamborê (PR) Meu principal interesse na cultura do feijão é abrir o leque de conhecimento. Como sou vendedor na região de Mamborê, vim buscar soluções para colocar nas propriedades de lá. Sou entusiasta do feijão porque, na cultura, quem entende muito entende 10%. Então, ainda se tem muito a aprender. Por isso, cada informação nova tem de ser bem aproveitada para podermos passar para um agricultor, para um cliente”.

Edson Carneiro (empresa de produção de sementes de feijão) – Cascavel (PR) Vim de Cascavel. Trabalho numa empresa sementeira. Nós, como produtores de sementes, viemos em busca de informações. Com certeza (o evento) está correspondendo às expectativas. É bastante dinâmico, o pessoal com bastante conhecimento, todos doutores, que trouxeram conhecimento para todos nós. Notamos que este mercado de sementes de feijão precisa evoluir. Tenho ‘rodado’ bastante pelo Estado e sentido que o produtor usa muito a semente caseira, deixando aberta a porta de entrada de muitas doenças, ou poder de germinação baixo”.

O Encontro Técnico de Feijão foi patrocinado pela BASF e Bayer Cropscience, com apoio da Cooperativa Agrária, Agropantanal, Guará Batatas, Guayi Sementes, Inquima, Federação do Estado da Agricultura do Paraná (Faep), Stoller, Tratorcase e Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Parte do valor da inscrição do evento será revertida para a Campanha Imposto Beneficente, que contribui com várias entidades sociais de Guarapuava e região.

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Agroleite

DuPont Pioneer: 9 híbridos entre os 10 melhores A

Agroleite é um dos principais eventos do Brasil voltado para a cadeia do leite, que acontece anualmente em Castro-PR, considerada a Capital Nacional do Leite. O objetivo principal deste evento é de apresentar o potencial de produção de leite na região, como também discutir e difundir as principais tecnologias para a produção leiteira, entre elas, a produção de silagem de alta qualidade. Em parceria com a Fundação ABC, a Agroleite, pelo seu 5º ano consecutivo, fez o Concurso de Silagem de Milho da Fundação ABC – Melhores Silagens Top 10 2.013, onde a DuPont Pioneer se fez presente com 09 híbridos entre os 10 melhores conforme tabela abaixo. Além do excelente desempenho dos híbridos 32R22H e 30R50H que tiveram excelente desempenho, a empresa recebeu o Troféu Agroleite como destaque de empresa na Produção de Sementes pelo excelente trabalho desenvolvido no mercado de híbridos para silagem.

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Benthamii tolera geada e neve S e para algumas culturas do centro-sul paranaense os dias gelados do inverno deste ano causou danos, o cultivo de eucalipto registrou duas situações diferentes. Variedades como o dunnii sofreram com a neve do dia 23 de julho e a geada dos dias seguintes, mas o benthamii, introduzido no Brasil pela Embrapa Florestas na década de 90, numa busca por variedades tolerantes ao frio, superou as expectativas: florestas e experimentos situados no distrito de Entre Rios (Guarapuava, PR) atravessaram as temperaturas em torno de -5°C mantendo-se, em sua maior parte, ilesos. Na Colônia Cachoeira, direção e técnicos da produtora de sementes e mudas de ár-

Folhas demonstraram que o benthamii suportou bem o frio histórico de julho deste ano

vores Golden Tree festejaram o fato. Numa área de experimento, onde clones selecionados foram plantados em dois hectares (em novembro de 2012), uma vistoria apontou que as árvores se mostravam em perfeito estado. “Na hora em que chegamos aqui, três dias depois da neve, a vontade foi soltar uma caixa de foguetes (para comemorar)”, brincou Sérgio Moreira, responsável pela unidade de produção da Golden Tree em Entre Rios, com a experiência de quem já viu 11 invernos durante o tempo em que atua na empresa. “Este resultado é o fruto destes 10 anos em que a gente vem trabalhando para chegar nestes materiais – para nós, é como comemorar o gol da vitória aos 46 minutos do segundo tempo”, completou. Ao lado, a

Tayná e Sérgio: comemorando a tolerância do benthamii ao frio, em Entre Rios e em outros locais

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Fotos: Manoel Godoy

Eucalipto

agrônoma Tayná Jornada Ben explicou o entusiasmo: “Tivemos certeza dez dias depois. Não teve folha queimada ou broto bifurcado”, parâmetros para avaliação em seguida de um frio intenso. “Isso comprovou que a espécie com a qual estamos trabalhando é a certa”, acrescentou, completando com um sorriso: “Ele é tolerante (ao frio) e tolera bem, para nossa felicidade!” E não foi só em Entre Rios: “Estivemos em Candói e é nítido. A vegetação nativa sofreu danos e ele, uma espécie exótica, se manteve íntegro”. Tayná contou que, para chegar a eucaliptos bem tolerantes ao inverno, a Golden Tree tem participado de trabalhos realizados por instituições de pesquisa: “O que fazemos é seleção e a validação de material, tendo o benthamii como polinizador, ou seja, cedemos o pólen, eles fazem os cruzamentos e nós validamos esse material cruzado para região fria”. Para ela, o sucesso a campo já coloca a empresa como um dos nomes importantes do segmento. De acordo com a agrônoma, hoje, dos cerca de 15 milhões de mudas produzidas por ano, seis milhões são de benthamii e, deste total, 700 mil correspondem a clonais daquela variedade. Tayná detalhou ainda que a aptidão natural daquele eucalipto é para energia e celulose, mas que a Golden Tree tem buscado, por meio de parcerias, desenvolver também híbridos que, mantendo a tolerância ao frio, permitam sua utilização para outras finalidades.


Revista do Produtor Rural

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Dia de Campo da canola

Em busca de superação na produtividade P rodutores rurais, agrônomos, pesquisadores e estudantes participaram de mais um Dia de Campo da Canola, promovido pela empresa AG Texeira e Cooperativa Agrária, com vários parceiros, no último dia 5 de agosto, na Fazenda São Pedro (Candói, PR). Há alguns anos, o cultivo do produto tem ganhado espaço crescente nas propriedades rurais daquela área do Paraná, com o tema despertando mais e mais o interesse dos agricultores. Dois nomes de expressão hoje no Brasil, na pesquisa da canola, concentraram as atenções dos 135 participantes: Juliano Almeida, da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA), e Gilberto Tom, da Embrapa. Eles apresentaram dados sobre a cultura e comentaram o trabalho que têm desenvolvido. Também a Agrícola Casa Verde apresentou um histórico de sua produção. Durante a programação, que começou por volta das 14h, o momento foi o de debater avanços e desafios de um cultivo que busca chegar aos padrões internacionais de produtividade. A Revista do Produtor Rural do Paraná conversou com os dois pesquisadores convidados e traz um resumo de suas mensagens aos produtores de canola (Leia mais sobre a canola na região em matéria na pág. 36 ) .

Pesquisa e cultivo são relativamente recentes no Brasil, mas os campos de canola vão ganhando espaço no centro-sul do PR, atraindo atenção de quem busca alternativa rentável para pré-cultura de milho

Que novas tecnologias devem surgir para a canola? “A Embrapa fez, há um ano, convênio com a empresa que possui os melhores híbridos para as nossas condições. Através desse convênio, já neste ano, estamos com experimentos – inclusive um conduzido aqui em Guarapuava, pela FAPA – no qual, em vez de avaliarmos só híbridos que já eram comerciais em outras partes do mundo, estamos avaliando 37 materiais novos. A tecnologia nova, que deverá a partir de setembro estar registrada no Brasil, é a da resistência aos herbicidas do grupo Clearfield®, das imidazolinonas. Além disso, nesses 37 materiais, temos os resistentes à triazina, que é o herbicida do milho. E temos uma clareza de visão, de que, no Brasil, precisamos ter grupos de materiais distintos, para regiões distintas. A idéia é desenvolver e selecionar híbridos específicos para condições mais frias, como as daqui de Guarapuava”.

Gilberto Tom Pesquisador de canola / Embrapa

Como a canola enfrentou o frio atípico deste ano (fortes geadas e neve)? “Voltei recentemente da Europa. Então, vou falar sobre o que eu vi hoje. A cultura sentiu muito. Existem dois tipo de canola: a de inverno e a de primavera. Aqui no Brasil, cultivamos a de primavera. Ela é plantada, na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, assim que a neve degela, sendo cultivada durante toda a primavera e colhida em meados do verão. Logo, este material não tolera gelo. Mas o que estamos preconizando na Cooperativa Agrária é que, para diluir este risco, a gente tem de escalonar. Se você tem 20 dias de diferença (de data de semeadura), em dois ou três talhões, isso já dá uma diferença muito grande. O agricultor, tomando consciência de que é uma cultura de risco, de que ainda estamos aprendendo, é muito importante que ele escalone. Se plantar em duas, três épocas, se não der uma geada forte, ele colhe todas as três. Se der um evento como neste ano, ele vai perder uma das épocas só. Nas outras, ainda vai colher alguma coisa”.

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Revista do Produtor Rural

Juliano Almeida Pesquisador de canola / FAPA

No campo, produtividade da canola gira em torno de 1.600 por hectare, mas pesquisadores apontam que, nos experimentos, a cultura mostra que seu potencial pode ser bem maior


Aditivo

Afinal, os produtos fitossanitários são todos iguais? Qual a finalidade dos adjuvantes? Jerferson Luís Rezende RTV Inquima vendas@inquima.com.br

A

agricultura moderna transformou os campos em locais altamente especializados, onde diferentes pacotes tecnológicos são utilizados, a fim de manter os tetos produtivos das respectivas culturas. Muitas empresas químicas surgiram no Brasil ao longo do tempo e, por conta disso, disponibilizaram produtos diferentes e tratos culturais novos. No meio agrícola surgiram maiores divergências de opiniões de posicionamento técnico, e dúvidas relativas à eficiência de um determinado químico fitossanitário ou de um adjuvante. Este produto funciona mesmo? Aquela empresa é séria? Por que estou usando? Neste contexto, é extremante importante lembrar que os produtos não são iguais. Especialmente, os adjuvantes. Estes são completamente diferentes entre si. Dentro de uma mesma indústria química existem diferentes moléculas de defensivos para serem usadas numa mesma cultura. Estas diferenças têm um por que. E, este “por que” está geralmente ligado a fatores diversos, como: tipo de planta invasora, praga ou doença, momento de aplicação, residual, etc. As moléculas são fabricadas com inertes próprios e os fabricantes utilizam o inerte que se ajusta melhor ao efeito desejado. Portanto, produtos parecidos não necessariamente serão iguais ou terão o mesmo resultado de eficácia.

No tocante aos ADJUVANTES a coisa é ainda mais complexa e pontual. Temos os óleos (minerais e vegetais); e os sintéticos (a base de álcool, siliconados, etc.). É oportuno destacar que embora em muitas situações possam parecer redundantes, tenham comportamentos visuais semelhantes, os adjuvantes são produtos com diferenças entre si e estas peculiaridades, em muitos casos, fazem a diferença no trato cultural. Temos os adjuvantes primários, os específicos e os multifuncionais. Poderiam ser divididos em três categorias, fazendo uma analogia com o vocabulário popular: - básico, que seria o “macaco”. Intermediário, o “homem”. E o multifunção, o “marciano”. Ou seja, estes produtos possuem especificidades distintas entre si. Existem aqueles que têm uma ação mais limitada, e outros, como o TA35: multifuncional. Daí a importância de saber o que esperar da sua ação e por que estamos adicionando-o a calda de pulverização. Um bom adjuvante deve ter a capacidade de melhorar a disponibilidade do princípio ativo aplicado; erradicar gargalos operacionais como a presença de espumas e borras; reduzir e até eliminar a presença de fitotoxidade; diminuir perdas por eva-

poração-deriva e fotodecomposição; evitar escorrimento, minimizar o impacto do estresse hídrico; entre outros benefícios. Muitos pesquisadores já conseguiram identificar estas virtudes e por isso, recomendam o uso destes produtos. No entanto, os adjuvantes ainda são produtos relativamente novos no mercado brasileiro e, por causa disso, enfrentam diferentes tipos de resistência, de técnicos e até dos produtores. A falta de mais trabalhos de pesquisas e da respectiva disseminação destes é provavelmente o maior motivo. A necessidade de cobrir cada vez mais e melhor o dossel foliar das plantas; reduzir a presença de fito faz com que o adjuvante multifuncional seja cada vez mais demandado pelo campo. Cabe ao responsável técnico da área e ao produtor rural avaliarem com critério o produto escolhido: se ele está respaldado por pesquisas sérias; se é produzido por uma empresa idônea e se está no mercado há um bom tempo. Estas informações contribuem para que não ocorram erros de posicionamento que resultem em prejuízos econômicos mais adiante. Com certeza, numa situação de pressão ou, em condição ambiental desfavorável, o ADJUVANTE contribuirá decisivamente para garantir a eficácia desejada do defensivo aplicado.

Revista do Produtor Rural

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Fotos: Manoel Godoy

Madeira

Em debate, uma cooperativa florestal P

rodutores rurais, integrantes das cooperativas Agrária, Coamo e Sicredi, ao lado de um representante da Ocepar, de dirigentes do Sindicato Rural de Guarapuava e do secretário municipal de Indústria e Comércio, Sandro Abdanur, se reuniram dia 24 de julho, no anfiteatro do sindicato, para debater a criação de uma cooperativa florestal. O objetivo do encontro foi proporcionar aos produtores um momento para conhecer melhor o que é o cooperativismo (neste ano, agricultores de Guarapuava e região que trabalham com florestas comerciais têm intensificado o debate em torno do tema, que para eles pode ser a solução para superar a atual dificuldade de comercialização e rentabilidade).

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Revista do Produtor Rural

O analista técnico da Ocepar, Edson Luís Carvalho de Souza, explicou como se formam as cooperativas e quais são os principais direitos e deveres dos associados. Zanoni Camargo Buzzi, da unidade da Coamo no município, e Oldir Frost, gerente operacional da Agrária, contaram de sua experiência no cooperativismo e detalharam como as cooperativas em que atuam realizam a produção, aquisição e utilização de madeira – segundo eles, na produção própria ou na aquisição de terceiros, as cooperativas usam grandes volumes. Depois de trocar idéias, os produtores decidiram visitar uma cooperativa florestal que já esteja em funcionamento. A organização a ser visitada e a data desta iniciativa ainda serão definidas e divulgadas.


Produtores rurais e representantes de cooperativas trocaram ideias sobre vantagens e desafios do associativismo no setor florestal

deria ser bem-sucedida: “As cooperatiApós o evento, falando ao site do Sindivas têm poder de comercialização”. cato Rural, Elizabete Aparecida Pasqualin Edson Luís Carvalho de Souza, disse Noriler, produtora rural que há dois anos após a reunião que vê a mobilização “como decidiu iniciar a produção de madeira, algo interessante para a comunidade”. frisou que ainda se considera apenas no Ele frisou que o interesse inicial, por parinício do aprendizado de uma nova cultute dos produtores, é o mais importante e ra. No momento, ela destacou que busca destacou que, em sua fazer uma leitura da opinião, dos sete prinmobilização recen“O sindicato está cípios do cooperativiste em torno de uma mo, o mais relevante é cooperativa do setor. fornecendo condições o da fidelidade, “tanto Elizabete contou que, para o produtor discutir do cooperado em repara aprender mais, este assunto, e técnicos tem participado dos da Ocepar, para orientar lação à cooperativa, quanto desta em reencontros do Progralação ao cooperado”. ma de Desenvolvimen- sobre como se deve to Florestal promovido proceder para a abertura Edson Luís afirmou que o produtor, ao partir pelo Sindicato Rural, de uma cooperativa”. para o associativismo com a consultoria da pela via cooperativa, deve ter em mente Unisafe (Londrina, PR). Em sua proprieque o sistema exige, no entanto, uma visão dade, ela implantará mais cinco alqueires diferente sobre a atividade: “Na cooperatide pinus, além de sete já instalados. Penva, tem de haver equilíbrio, porque, muitas sando em comercialização, a produtora, vezes, o produtor é um cliente, e, em ouque é cooperada da Cooperaliança, se tras, ele passa a ser um fornecedor”. disse totalmente favorável à idéia de uma Rodolpho Luiz Werneck Botelho, presicooperativa florestal e afirmou acreditar dente do Sindicato Rural de Guarapuava, que, também no segmento da madeira, uma associação de perfil cooperativo popresente ao encontro, explicou que a ini-

Edson Luís C. de Souza

Sandro Abdanur

Elizabete A. P. Noriler

ciativa de debater e eventualmente formar uma cooperativa florestal para Guarapuava e região é dos próprios produtores e que, ao sindicato, como entidade que apoia a agricultura, cabe neste momento o papel de proporcionar espaço e condições para esta mobilização: “O sindicato está fornecendo condições para o produtor discutir este assunto, e técnicos da Ocepar, para orientar sobre como se deve proceder para a abertura de uma cooperativa. Mas é preciso ter o envolvimento dos produtores interessados”. Botelho declarou que “a cadeia produtiva (florestal) precisa de ser organizada” e, para isso, se necessita de dados sobre vários tópicos, como tamanho das áreas (hoje existentes em Guarapuava e região), a perspectiva do negócio, a quantidade de produtores envolvidos e o potencial. O secretário municipal de Indústria e Comércio de Guarapuava, Sandro Abdanur, disse ter visto com bons olhos o debate em torno da criação de uma cooperativa florestal: “É uma demanda reprimida. Os pequenos produtores viram que o caminho é o cooperativismo”. Para ele, o encontro foi o primeiro momento para uma cooperativa. “Saímos daqui com bastante objetivos a serem consolidados, que são visitas a outras cooperativas que já estão em funcionamento”, antecipou, opinando que “não é preciso inventar a roda e sim seguir passos de sucesso”. Abdanur antevê que, para Guarapuava, a existência de uma cooperativa florestal poderia inclusive ajudar a atrair ao município indústrias do ramo madeireiro. Conforme analisou, empresas que utilizam madeira em escala industrial precisam ter certeza de contar com uma oferta constante desta matéria-prima e uma cooperativa contribuiria para se alcançar aquele objetivo: “Ela vem justamente preencher essa lacuna. Vamos conseguir dizer para as indústrias que nós temos, sim, fornecimento por vários anos. Isso é um ponto muito importante”.

Rodolpho L. W. Botelho

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Destaque

Revista Exame: Agrária registra o 7º maior crescimento do país

Foto: Agrária/Divulgação

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edição especial de 40 anos da revista Exame traz, como tema principal, o ranking “Melhores e Maiores 2012”, das maiores empresas do Brasil. Na publicação, a Cooperativa Agrária aparece em destaque em diversas áreas. Os números gerados pela fidelidade e dedicação dos cooperados, pelas indústrias e pelos colaboradores da Agrária somaram um crescimento de 57,4%, em relação ao ano passado - o sétimo maior no país e o primeiro no Paraná. Novamente a qualidade do trabalho que envolve cooperados e colaboradores e abrange toda a cadeia produtiva de soja, milho, trigo e cevada, recebeu destaque em uma publicação de abrangência nacional. A Agrária ocupa atualmente a 257ª posição entre as maiores empresa do país; sendo a 34ª maior da região Sul. No Paraná, onde é líder em crescimento em 2012, ocupa a 3ª e 4ª posições, respectivamente, nas categorias “liquidez corrente” e “riqueza criada por empregado”. Fatores como os picos de preços de soja e milho, na safra 2011/2012, contribuíram para o recorde de faturamento de R$ 2,1 bilhões, no ano passado. Mas a retomada do processo comercial da Indústria de Óleo e Farelo de Soja foi apontada como principal responsável pelo crescimento. “Desde 2012, a Agrária retomou toda a cadeia produtiva, desde a compra da matéria-prima

até a comercialização dos produtos acabados. Isso alavancou nosso faturamento de forma significativa”, explicou o vice-presidente da Agrária, Paul Illich. Em 2013, a Agrária já havia sido apontada pela Revista Amanhã, como 55ª empresa que mais vende para outros países a partir do sul do Brasil. Dentre os três estados, o Paraná foi o que mais vendeu para fora em 2012, foram US$ 17,7

bilhões. Desta quantia, a Agrária foi responsável por US$ 125,5 milhões, afirma a publicação Em março, a cooperativa recebeu o prêmio de “Maior produtividade da década”, concedido pelo Rally da Safra, um dos principais eventos do agronegócio nacional. Com nova logomarca, lançada em 21 de junho, a Agrária continua a trilhar o caminho do crescimento com excelência.

Confira abaixo os resultados conquistados pela Cooperativa Agrária no “Melhores e Maiores 2012”, da Revista Exame:

No Brasil:

No Sul:

No Paraná:

No agronegócio:

• 257ª maior • 7ª em crescimento • 47ª no agronegócio • 12ª em crescimento no agronegócio • 50ª no comércio (por vendas)

• 34ª maior • 12ª no agronegócio

• 1ª em crescimento • 3ª em liquidez corrente • 4ª em riqueza criada por empregado

• 3ª no setor “Algodão e Grãos”

Texto: Klaus Pettinger / Assessoria de Marketing Cooperativa Agrária Agroindustrial

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Foto: Manoel Godoy

Milho

Novos desafios e caminhos para altas produtividades

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ois pesquisadores da Fundação ABC (Castro-PR), um consultor em milho (região do Triângulo Mineiro) e um recado claro: a cultura evoluiu, mas alguns aspectos continuam sendo importantes para uma lavoura produtiva. Esta foi a principal mensagem de um encontro promovido pela Bayer, dia 24 de julho, reunindo produtores rurais, agrônomos e integrantes de cooperativas, durante toda uma manhã, em um hotel no centro de Guarapuava. Da área de Desenvolvimento da Bayer em Ponta Grossa, o agrônomo Diego Araújo Lemos, informou que o intuito do encontro foi trazer especialistas para divulgar mais informações sobre cultura do milho, demonstrando novos desafios e caminhos que vão se delineando como necessários para se manter e elevar as produtividades. “Hoje, sabemos que a cultura é bem dinâmica, o complexo de plantas daninhas vem se tornando preocupante, o complexo de pragas vem apresentando transformações

– pragas que antes não atacavam (o milho) estão se tornando problema”, observou. Por isso, complementou, o encontro girou em torno de novos manejos e novos posicionamentos, conhecimentos para o produtor difundir em sua área de produção, com objetivo de melhorar produtividade e rentabilidade: do manejo de plantas daninhas e de pragas, passando por manejo de solo e por plantabilidade, até a visão de um consultor que também é produtor de sementes e agricultor. Luís Henrique Pencowski, pesquisador da Fundação ABC, enfocou o manejo de plantas daninhas. Ele também detalhou um dos assuntos que vem despertando interesse entre produtores de milho: um novo cenário para a cultura, com a chegada de evento RR. Pesquisador da área de entomologia, também da Fundação ABC, Elderson Ruthes, ao abordar em palestra o manejo pragas, lembrou que a tecnologia Bt tem contribuído para o combate às lagartas,

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Diego Lemos (Bayer)

Elderson Ruthes (Fundação ABC)

mas destacou ser necessário, ao mesmo tempo, atenção às pré-culturas no sistema de plantio direto: “Elas também podem ser fontes de algumas pragas importantes no início do desenvolvimento da cultura do milho”. Junto com este cuidado, o pesquisador mencionou o tratamento de sementes com inseticidas, inclusive mirando em alvos bem claros: “Muitas vezes, ele (o produtor) pode ter um problema maior com sugadores. Então é preciso fazer um tratamento de sementes específico para sugadores. São situações em que realmente a área técnica, em conversa com os produtores, tem de estar muito alinhada, para tomar a decisão mais correta”, resumiu. Compartilhando a experiência de quem produz semente e grão, o agrônomo e consultor Jorge Verde apontou que, embora exista excelente genética e produtos agroquímicos eficientes, o êxito da lavoura de milho depende ainda de outro fator que

Jorge Verde, consultor em milho

para ele, hoje, é o diferencial de quem está obtendo produtividades de destaque: o cuidado com a cultura, desde a raiz das plantas. O consultou assinalou que é preciso oferecer condições para um bom estabelecimento do estande e que a atenção àquele ponto pode contribuir positivamente: “A raiz foi projetada para ir em busca de água e poder habilitar as plantas a transformar água, luz e nutrientes em uma capacidade maior de produzir grãos”, disse. No mercado, a curto prazo, Jorge Verde se mostra otimista em relação a preço e demanda. Ele considerou que o milho de verão será sempre importante, apesar do plantio se reduzir em algumas regiões, enquanto cresce o cultivo de segunda safra. “Mas tanto na região de Guarapuava, quanto na nossa, no Triângulo Mineiro, há uma necessidade muito grande de milho. Há muitas integrações de aves, de suínos e de confinamentos”. O consultor recordou

Evento ocorreu dia 24 de julho, em Guarapuava, com a presença de agrônomos e produtores rurais

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Sekula, um dos participantes do evento

que aquela cultura é a base da alimentação animal no mundo e que o clima vem interferindo na oferta: “Com aqueles fatores climáticos adversos que ocorreram na Argentina e nos Estados Unidos, na safra passada, os estoques mundiais estão baixos”. Em consequência, “o Brasil está vendendo a países para os quais antes não comercializava” e, em território nacional, “as classes C e D estão se alimentando melhor, o consumo é grande”. Entre os participantes do evento da Bayer, o agrônomo Cristian Ribas Sekula disse ter gostado do encontro. Tópicos que chamaram sua atenção, segundo contou em entrevista, foram “o manejo antecipado da dessecação, com os produtos corretos, o tratamento de sementes, visando um melhor estabelecimento da lavoura, e a associação de diferentes fungicidas, para que a planta tenha um desenvolvimento melhor”.


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Milharal mais produtivo com a proteção de Nativo. E esta proteção completa de Nativo aumenta o placar da produtividade como nenhum outro. Pois só Nativo defende seu milharal contra a ferrugem e também contra as manchas, a cercospora e a diplodia. As doenças são muitas, mas a proteção é uma só.

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Nativo - Protege muito, contra mais doenças.

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Fotos: Manoel Godoy

Soliedariedade

Sindicato Rural no “Arraiá” do Hospital São Vicente

O

Sindicato Rural de Guarapuava se somou às empresas e organizações que apoiaram o “Arraiá Beneficente Hospital São Vicente”. Realizada em sua primeira edição, dias 13 e 14 de julho, no Parque de Exposições Lacerda Werneck, a festa teve por objetivo arrecadar fundos para o hospital, que completa 100 anos como um dos mais importantes de Guarapuava e região. Em seu estande, o Sindicato Rural promoveu venda de alguns dos itens mais indispensáveis de uma festa julina, como milho, pinhão e pipoca – tudo preparado e servido pelos próprios funcionários da entidade, dentro do espírito de colaboração que tomou conta do evento. E até o clima colaborou: o final de semana, dez dias antes da neve e das geadas que atingiram a região, registrou sol, céu azul e calor (para esta época do ano...). Com isso, o sindicato, os demais 60 parceiros do evento e a organização do “Arraiá” viram a presença de um público que superou as expectativas. Atrativos gastronômicos (de guloseimas, bolos e lanches rápidos a receitas premiadas e churrasco), dança de quadrilha, música de bandas locais e casamento caipira completaram a animação. No final da tarde de domingo, o bingo, com sorteio de um carro e duas motos, todos zero quilômetro, foi o ponto alto da programação, com visitantes lotando as alamedas e espaços cobertos próximos ao palco. Acompanharam o sorteio, ao lado do provedor

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do São Vicente, Rui Primak, os presidentes e disse que a direção do hospital se sendo Sindicato Rural de Guarapuava, Rodoltia feliz com a presença do público, que pho Luiz Werneck Botelho, e da Sociedade chegou a 12 mil pessoas. “Para nós, além Rural de Guarapuava, Johann Zuber Junior. do aspecto financeiro, (a festa) é bastante Ao comentar a presença do sindicato na importante no que se refere a essa particifesta, em entrevista durante o evento, Bopação da comunidade. O hospital se sente telho disse que, para a entidade, foi imporhoje bastante agradecido”, afirmou. tante apoiar o Hospital São Vicente, “por No dia 23 de julho, ele reuniu os parceiser uma instituição de saúde que presta ros do evento, na Sociedade Rural, e agraum serviço relevante para Guarapuava”. O deceu o engajamento, ressaltando que a dirigente elogiou a organização do evento, festa superou as expectativas. Numa presa presença da comunidade e destacou o tação de contas, com a presença de autoengajamento dos funcionários do sindicato. ridades e dirigentes de várias entidades, o Ainda antes da festa, o Sindicato Ruprovedor do São Vicente informou que os ral decidiu apoiar o evento promovendo cerca de R$ 123 mil arrecadados permititambém a venda antecipada de cartelas rão mais um avanço necessário para aquepara o bingo e divulgando, entre os assola instituição de saúde: a aquisição de um ciados, os panfletos da ação “Amigos do novo gerador de energia. São Vicente”, uma campanha na qual as pessoas realizam doações (entre R$ 2,00 e R$ 500,00 por mês) por meio das contas de energia da Força e Luz do Oeste. Resumindo o que foi o primeiro “Arraiá Beneficente Hospital São Vicente”, Rui Primak comentou que, entre os parceiros, a imprensa teve grande importância, divulgando o evento, Estande do Sindicato Rural durante o Arraiá


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Especial

Dia do Agricultor reúne mais de 500 pessoas

O

Sindicato Rural de Guarapuava reuniu mais de 500 pessoas, entre produtores rurais, familiares, agrônomos e representantes de empresas e cooperativas do setor, para comemorar o Dia do Agricultor em Guarapuava, Candói e Cantagalo. O evento foi realizado em uma tarde festiva no dia 26 de julho, no salão de festas da entidade, atraindo 220 pessoas em Guarapuava e 120 pessoas na Extensão de

Diretoria do Sindicato Rural de Guarapuava

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Base de Candói. Em Cantagalo, a data foi comemorada em estande da entidade durante a Festa do Agricultor, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, com o apoio da Prefeitura Municipal de Cantagalo. Mais de 200 pessoas prestigiaram o estande do Sindicato nos dias 27 e 28 de julho. Em Guarapuava, o evento, que visa homenagear os produtores rurais e destacar a importância do setor agropecuário para

a sociedade, foi marcado por momentos de confraternização, homenagens, encontros e, também muita emoção. Fizeram parte da programação sorteios de brindes cedidos por empresas parceiras, apresentação cultural com os alunos do projeto Unimúsica da Unicentro e homenagem a associados com idade acima de 80 anos, que receberam uma placa com o título de sócio remido do Sindicato Rural.


Novos sócios remidos Durante a homenagem, a gerente do Sindicato Rural, Luciana de Queiroga Bren, destacou o papel dos sócios remidos para agropecuária da região. “Os senhores são exemplos para todos nós. São pessoas que contribuíram para o crescimento e desenvolvimento do setor agropecuário regional. Nos bastidores continuam nos ensinando e dando opiniões relevantes que fazem toda a diferença. São pessoas de fundamental importância para todos nós, são a memória e a cultura viva do nosso passado”. Jacob Weckl

Adam Egles

Alaor Lopes Fritz

Alfredo Bernardini

José Canestraro

José Seguro

Paulo Krüger

Josef Duhatschek

Edson Rodrigues de Bastos

Sócios remidos presentes à homenagem

Johann Reiter, representado pela sua filha Mônica Reiter

Josef Schwemlein

Martin Ritter

Wendelin Hering

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Dia do Agricultor no Sindicato Rural de Guarapuava

A casa do produtor rural na cidade

S

egundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, o evento é uma iniciativa para aproximar cada vez mais o produtor da entidade e também uma forma de valorizar o trabalho do homem do campo. “Ainda hoje temos que lutar pelo reconhecimento da classe produtora rural, mostrar que atuamos em uma atividade que corre todos os riscos. Esperamos que esse reconhecimento da sociedade seja real, porque com todas as dificuldades trabalhamos diariamente para que o pão de cada dia chegue à mesa dos brasileiros”. O produtor rural Sidney Camargo Ju-

Momento cultural com Unimúsica

Confira os sorteados

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nior disse que há anos vem comemorar a data junto com o Sindicato. “Esse dia é muito bom para nós, porque encontramos os amigos e trocamos ideias com outros produtores. A ideia do evento é louvável e brilhante, pois há vários anos vem reunindo produtores rurais da cidade e região”, opinou. O produtor rural, Edson Bastos, um dos 13 homenageados, falou sobre como foi ter recebido a homenagem no evento. “Foi um dia de congraçamento da classe produtora rural. Fico feliz de ver o número de pessoas presentes e o bom momento que está o sindicalismo e o associativismo. Essa co-

participação e trabalho com objetivos em comum são fundamentais para nossa atividade”, destaca o produtor. O secretario municipal de agricultura, Itacir Vezzaro, também esteve presente e parabenizou o Sindicato pelo evento. “Eu vejo de fundamental importância a realização do Dia do Agricultor, porque o produtor quase que não é lembrado. Então é importante que a entidade que representa o agricultor lembre e traga a classe para fazer uma confraternização”. O Dia do Agricultor é o maior evento festivo do Sindicato Rural e é realizado pelo quinto ano consecutivo.

Evento contou com a participação de empresas parceiras


Dia do Agricultor no Sindicato Rural de Guarapuava

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Dia do Agricultor no Sindicato Rural de Guarapuava

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Dia do Agricultor em Cand贸i

Associados e parceiros prestigiaram o evento

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Dia do Agricultor no Sindicato Rural de Guarapuava - extens茫o de base Cand贸i

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Festa do Agricultor em Cantagalo E

m Cantagalo, a Festa do Dia do Agricultor, realizada dias 27 e 28 de julho na comunidade de Cinderela, se confirmou de novo como um dos mais tradicionais eventos locais. Com uma de suas extensões de base naquele município, o Sindicato Rural de Guarapuava participou da festa, somando-se a várias entidades e empresas numa celebração daqueles que atuam nos setores da agricultura e da pecuária. No estande da entidade, a equipe do sindicato saudou e entregou brindes aos associados. O espaço se tornou também um ponto de confraternização dos agricultores. Foram recebidas ainda no local várias lideranças, como o prefeito Everson Konjunski; o presidente da Câmara Municipal, Junior Damiani; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Vitorino Coradin; os deputados Artagão Jr. e Nereu Moura. Nos dois dias, se estima que passaram pelo espaço do Sindicato Rural de Guarapuava cerca de 200 pessoas. Em todo o evento, de acordo com a organização, o público girou em torno de 2.500 visitantes, a maioria produtores rurais e suas famílias, de Cantagalo e de municípios próximos. Boa parte compareceu na manhã de domingo, para a missa, e à

Lideranças estiveram no estande do Sindicato Rural (na foto, o deputado estadual Artagão Jr e o prefeito Everson são saudados por Murilo Lustosa, do setor de associados do sindicato)

tarde, para conferir o almoço e participar das brincadeiras da gincana, que começou por volta das 14h. Foi quando as pessoas lotaram o espaço do evento, que, em sua 12ª edição, ganhou mais uma vez a alegria de uma homenagem coletiva aos agriculto-

Amizade e chimarrão: o produtor Técio Granemann Fritz (à dir.), ao lado de Silmara, Jéssica e Murilo, do sindicato

res, num ambiente de descontração e amizade. Mas ao longo de seus dois dias, a programação também trouxe outros atrativos, como Café Colonial, exposição do comércio, Roda de Viola, desfile de veículos e bingo. Em Cantagalo há 20 anos, Dirceu Alves Fagundes foi um dos produtores rurais que aproveitou a tarde do segundo dia do evento para encontrar os amigos. “Tenho participado da festa todo ano e cada vez está melhor, com mais gente”, comentou. “Só quem é agricultor sabe como é este trabalho. Ser agricultor, para mim, é muito bom”, afirmou com um sorriso. Ao lado, o amigo, João Maria de Jesus Martins, também produtor rural, contou que veio de Candói para a festa e, no clima da ocasião, lembrou a importância de quem produz os alimentos que vão à mesa dos brasileiros: “É o primeiro ano em que venho, mas estou achando ótimo. A gente, como produtor rural, tem orgulho da profissão. Tem de ser privilegiado o agricultor, porque quem traz o país de pé é a agricultura, hoje”. Enfatizando como é viver no meio rural, a professora Paulina Kastel de Abreu relatou que acompanha de perto a lida da

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Deputado Nereu Moura também passou pelo estande do sindicato, onde deu entrevista para a imprensa

família no campo. “Moro na zona rural, com meu marido e os filhos. Todos trabalham na agricultura. Nas horas vagas e nos finais de semana, sempre estou lá”, comentou, acrescentando que os agricultores “são o braço forte da nação”. Produtor rural e associado do Sindi-

Paulina, professora que se define como admiradora do produtor rural

A produtora Marines Fritz e a filha Luiza (à esq.), ao lado de Silmara e Jéssica, do sindicato

cato Rural de Guarapuava, o prefeito de Cantagalo também destacou o significado do trabalho de quem vive no campo. “O esteio do nosso município é a agricultura, fazendo um município forte”, disse Everson Konjunski, ressaltando ainda que “é o agricultor que traz no dia a dia o alimento

Dirceu e João: amizade e orgulho de produzir o alimento que chega à mesa, no campo e na cidade

para a mesa de cada um de nós”. O prefeito também parabenizou o Sindicato Rural de Guarapuava por sua atuação. A Festa do Dia do Agricultor foi realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, com apoios da prefeitura e da Condarcan, entre outros parceiros.

Vitorino Coradin, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura de Cantagalo, que organiza o evento

Na churrasqueira e na cozinha, comunidade unida para uma festa que celebra a perseverança de quem trabalha no campo

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Revista do Produtor Rural


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Como os atletas, plantas de alta performance precisam de cuidados específicos. Com estímulos certos, a soja se mostra mais resistente e produtiva. Este é o trabalho da Stoller: ajudar as plantas a lidar com o estresse e expressar todo o seu potencial genético, produzindo mais. Descubra como ativar o poder das suas plantas: acrescente Stoller.

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Profissionais em destaque

Pedro Campos Representante comercial da Biogene

Orlei Bufoliski Representante da Agrichem

Luiz Felipe e Luiz Carlos Ribeiro (filho) TECSOLO

Marcelo Campos (representante) e Renê José dos Santos (supervisor) - Ubyfol

Produtores em destaque

Excursão para a 38ª Expogua produtores de leite de Campina do Simão.

Rosmitha, Marietta, José e Dayanna Pastal

Viagem técnica das turmas de Empreendedor Rural para Agroleite

Catharine e Stefan Remlinger

Waldemar Geteski

Marcelo e Rodrigo Maciel

Novos parceiros do projeto Identidade Sindical Nos meses de junho a agosto, novas empresas se filiaram ao projeto Identidade Sindical, que oferece benefícios aos associados do Sindicato Rural. Confira os novos parceiros:

Clínica Estética Bela Forma Cleuza Aparecida Meira Godoi

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Revista do Produtor Rural

Pesca & Cia Érico Vater Rosengarth Junior e Marcus Vinicius Rosengarth

UniCesumar Indianara Cavalli (coordenadora) e Poliane Padilha (supervisora)


Roleta da sorte Novos sócios e associados que pagam a anuidade na sede do Sindicato Rural de Guarapuava podem girar a roleta da sorte e ganhar brindes. Confira as fotos dos contemplados no mês de junho, julho e agosto:

Daniel Marcondes Canestraro

Haltieres Aguilera de Souza

Brigite Kreuscher

Antônio Kramer Rocha

Evald Zimmerman

Maria de Lander Milla

Antônio Adir Krauzer

Selton Ribas

Novos sócios

Luciano Farinha Watzlawick

Walter Jurgovski

Márcio Luiz Marcondes Cordeiro

Rosicleia Seguro

Eliette T. Bueno

Alvina Macedo

Edmar Udo Klein

Paulo Cezar Grocholski

Leo Taques Macedo

Mario Ribeiro do Amaral

• Marcos Majoswki • Paulo Guilhermeti • Eunice Maria Keller • Josias Schulze • Natanael Morgestern Pacheco

Ester Terezinha Abicalaffe

• Juliana de Oliveira Scherer • Rodrigo Junior Scalabrini • Maricler Regina Nervis • Moacir Antonio Nervis

ural R o aç ] [Esp & Teens Kids Arthur Busanello Freire, filho de Terezinha Busanello Freire e Claudemir José Freire

Emanuel Carlos Ternouski, filho de Adriane Lucio R. Ternouski e José N. Ternouski e Débora Maria Ternouski Welter, filha de Lurdes T. Welter e Dirceu Welter

Maisa de Araujo, filha de Simone Kaciano de Araujo e Maicon de Araujo e Ricardo Ignês da Dalla Rosa Junior, filho de Susie e Ricardo Dalla Rosa

Lucas, Milene e Julia Lima Filhos de Valdir Cesar e Miriam Lima

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Outubro

Setembro

Aniversariantes 01/09 01/09 01/09 01/09 01/09 01/09 02/09 02/09 02/09 02/09 02/09 02/09 02/09 03/09 03/09 04/09 04/09 04/09 05/09 05/09 05/09 05/09 06/09

Ernst Michael Jungert Felix Wild Murilo Pereira Marcondes Rafael Mendes de Araújo Tadeu Zukovski Palinski Wilson Jose Pavoski Adriane Thives A. Azevedo Alceu Cícero Kuntz Romulo Kluber Silvio Borazo Thiago Mayer Vanda Kaminski Walter Knaf Adelino Bridi Soeli Flizicoski Mariani Alcides Rozanski Antonio Ferreira da Rocha Leopoldo Bayer João Francisco de Lima Luis Henrique Virmond Roberto Motta Junior Viviana Hyczy Kaminski Antonio Izaias Lustosa

06/09 06/09 06/09 06/09 06/09 07/09 07/09 08/09 08/09 08/09 09/09 09/09 09/09 10/09 11/09 11/09 11/09 12/09 12/09 12/09 14/09 14/09 15/09

Dari Araújo Filho Gerald Steffan Leh Patrikk John Martins Rolando Fassbinder Sérgio de Moraes Elke Marina Leh Basso Norbert Reichardt Adao Sauka Gilberto Franco de Souza Sandra Tikamori Dorotea Stock Wild Gertrudes S. R. M. Marcondes José Carlos Trombini Ana Meri Naiverth Antonio Renato Diedrich Luiz José Royer Victor Hugo Martinazzo Bartus Marius Voorsluys Khristian Duhatschek Laurence Augusto Virmond Adriana Loures Maingue Botelho Emilio Carlos Weyand Helmuth Duhatschek

15/09 15/09 15/09 16/09 16/09 16/09 17/09 17/09 18/09 19/09 19/09 19/09 19/09 19/09 20/09 20/09 20/09 20/09 21/09 21/09 21/09 21/09 21/09

Juliano Ferreira Roseira Leonardo Valente Hyczy Neto Nery Jose Pacheco Antonio Kramer Rocha Luci Kholer Tomporovski Roni Antonio Garcia da Silva Jakob Gartner Júnior Sanir Karam Semaan Nilceia Mabel K. S. Veigantes Adam Egles Fabio Luiz de Siqueira Jose Krendenser Magdalena Schlafner Osni Christiano Rigoni Antonio Zuber Filho Arnaldo Stock Luiz Marcos Muzzolon Waldemar Geteski Ana Paula Ferreira Ransolin Eva Ursula Milla Jose Ubiratan de Oliveira Leonel Macedo Ribas Filho Robercil Fabro Teixeira

21/09 22/09 22/09 22/09 22/09 23/09 24/09 24/09 25/09 25/09 25/09 25/09 26/09 27/09 28/09 28/09 28/09 29/09 29/09 30/09 30/09 30/09 30/09

Ulisses Lustosa Américo da Luz Ribeiro João Amazonas F. de Brito Josef Mayer Nelson da Silva Virmond Robert Duhatschek Andre Diedrich Julio Cesar Gonçalves Arnold Detlinger Herculano Jorge de Abreu José Hamilton Moss Neto Morel Pereira Keinert Erwin Brandtner Manoel Toczek Elemar Perinazzo Euclides Ribeiro Turra Olinto José Pazinato Celso Denardi Valderico Miguel da Silva Adam Stemmer Alisson Martins Andrade Ervin Anton Stock Julio Cezar D. Giovani Bernardi

01/10 01/10 01/10 02/10 02/10 03/10 03/10 03/10 03/10 03/10 03/10 04/10 04/10 04/10 04/10 04/10 04/10 04/10 05/10 05/10 05/10 05/10 05/10 06/10 06/10

Henry M. Nascimento João Laertes Ribas Rocha Leonel Ribas José Carlos Karpinski José Pastal Alcioly Therezynha G. Abreu Alfeo Muzzolon Andreia O. Mariotti Nunes Geovani de Col Teixeira Juarez Jose Simão Marcelo de Araújo Fonseca Edmar Udo Klein Evelyne Leh Klein Franciele G. L. de Pieri Hans Fassbinder Lilian Cristiane Tambosetti Mario Cezar Bueno Danguy Raul Milla João Carlos N. da Rocha Konrad Gottel Roberto Pfann Sergio Nobumasa Suzuki Valdir Deschk Antonio Vanderlei Bayer Marcio Duch

06/10 07/10 07/10 08/10 08/10 09/10 09/10 10/10 10/10 11/10 11/10 11/10 12/10 12/10 12/10 13/10 13/10 13/10 14/10 14/10 14/10 14/10 15/10 15/10 16/10

Suzana Rickli Maria de Lourdes Keller Trajano Duarte Alves Amilton Lino da Silva Felipe Dittert T. de Macedo Cruz Dalby Giovani Karkle Luiz Fernando Ribas Carli Helmuth Zimmermann Robson Lopes de Araújo Aline Maria Schimim Mendes Laury Lopes Frites Roque Marcio Veviurka Cicero Rogério Kuntz Manfred Michael Majowski Sigrid Aparecida Wolfl Essert Anton Wilk Rita Maria Martins Andrade Suzana Missae Kazahaya Carlos Boromeus Mitterer Harald Duhatschek Josue Martins de Oliveira Rudolf Abt Luiz Orlando Araújo Maria de Lourdes Tullio Ciro Geraldo Oliveira Araújo

16/10 17/10 17/10 17/10 17/10 18/10 18/10 18/10 19/10 19/10 19/10 20/10 20/10 20/10 21/10 21/10 21/10 22/10 22/10 22/10 22/10 22/10 22/10 22/10 22/10

Valmor Bellatto Antonio Bayer Eduardo Gelinski Júnior Gisele Remlinger Pedro Irineu Weber Daniel Primak Alves Regiane Cordeiro Lustosa Verena Weicher Potulski Alfred Milla Jakob Weckl Maria Luzia Klots Gerster Ambrosio Antônio Arthur Pires de Almeida Tacyano Lunardi Potulski Cláudio Ivatiuk Romilda Hanysz Noriler Vinícius Virmond Krüger Ciro Antonio Brojan Clodoaldo Diniz Junior Denilson Fadel Elfriede Barbara Mayer Emilio Antunes da Costa Ercio Padilha Carneiro Joao Arthur Barboza Lima Josef Stutz

22/10 23/10 23/10 24/10 25/10 25/10 26/10 26/10 26/10 26/10 26/10 27/10 27/10 27/10 28/10 28/10 29/10 30/10 31/10 31/10 31/10 31/10 31/10 31/10

Rosalye Pfann Denardi Daniel Marcondes Canestraro Hildegard Victoria Reinhofer Marianne Milla Wolfl Alair Valtrin Lucindo Zanco Irene Weigand Scherer Marcos Antonio Thamm Rainer Mathias Leh Richard Wilfried Seitz Waltzer Donini Joao Maria Pereira Max Henrique Spitzner Sebastião Nei Kuster da Silva Cleis de Araújo Fonseca Noelia Mara Cordeiro Marcondes Augusto Krüger Filho Mario Luiz Marcondes Cordeiro Andre Yoiti Endo Arno Vier Daisy Virmond Kiryla Jonathas Baggio P. Schineider Mauricio Mendes de Araújo Mauro Mendes de Araújo

Confira a agenda de eventos agropecuários: 1º Simpósio de Sanidade Animal do Centro-Oeste do Paraná 09 e 10 de setembro Anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava Informações e inscrições: www.nucleovetguarapuava.com.br duvidas@nucleovetguarapuava.com.br

Café da Manhã do Dia do Veterinário 11 de setembro - 8 horas Salão de Festas do Sindicato Rural de Guarapuava Informações: 42-3623-1115

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Ovinotec - Cooperaliança 25 de setembro Anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava Informações: 42-3622-2443

II Fórum de Agronegócios Centro Sul do Paraná 19 de setembro - 14 horas Pahy Centro de Eventos - Guarapuava/PR Informações: 42-3623-5853

Encontro de Secretárias 02 de outubro - 14 horas Promoção: Sindicato Rural e ACIG Local: Anfiteatro do Sindicato Rural de Guarapuava Informações: 42-3623-1115 ou 3621-5566

Café da Manhã do Dia do Agrônomo 10 de outubro - A partir das 7h30 Salão de Festas do Sindicato Rural de Guarapuava Informações: 42-3623-1115

II Dia de Campo Florestal 08 de outubro Campus CEDETEG - Guarapuava Informações: 42-3623-1115

WinterShow 16 e 17 de outubro 18 de outubro - Balcão de Negócios, a partir das 8h30 Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA) Distrito de Entre Rios/Guarapuava 42-3625-8035


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