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Distribuição Gratuita | Publicação Trimestral | Nº34

Abril Maio Junho 2011 www.scmsines.org

RENASCER b o l e t i m

i n f o r m a t i v o

Santa Casa da Misericórdia de Sines

CONCERTO “SANTA CAUSA” NO CENTRO DE ARTES DE SINES

O Auditório do Centro de Artes de

volvido com o Grupo Coral da Insti-

ção, acompanhado pela sua banda,

Sines recebeu no passado dia 21

tuição foi o mote para realização e de colaboradores da Misericór-

de Junho, pelas 21h30, um espec-

desta iniciativa, que obedeceu a dia. Eva Zambujo, psicóloga esta-

táculo musical organizado pela

um rigoroso trabalho de produção giária, cantou as músicas “No teu

Santa Casa da Misericórdia de

e contou com a participação do poema” de Carlos do Carmo e o

Sines. Mostrar o trabalho desen-

convidado especial Paulo Encarna-

(Continua na página 3)

DESTAQUES

Testemunho dos Membros da Mesa Administrativa

Página 4

À Conversa com… Luísa Duarte

Maria David Faria Godinho Página 8

Festeja 100º aniversário

Página 6


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EDITORIAL

De entre os principais objectivos definidos pela Administração na sua tomada de posse, no início do ano passado, destacavam-se: 

melhoria continua dos cuidados e conforto prestado aos utentes;

melhoria da qualificação do pessoal na gestão e prestação de serviços; garantia da sustentabilidade da Misericórdia.

Podemos considerar estes objectivos como desafios, sobretudo nos tempos conturbados que atravessamos, porque ao perspectivarmos um projecto criam-se expectativas e, por vezes, uma certa ansiedade para a sua concretização. Lamentavelmente, por motivos diversos e antagónicos, os atrasos são mais frequentes que a cele-

Luís Maria Venturinha de Vilhena ridade que a nossa missão solidária exige, o que acaba por ser algo frustrante, pois cada atraso Provedor da Misericórdia de Sines

aumenta o tempo de espera para os utentes virem a usufruir dos benefícios que lhes proporcionam melhor conforto e bem-estar.

Sobre a gestão de expectativas, tem-nos acontecido todo o tipo de contrariedades: não aprovação de candidaturas de apoio a projectos de construção e melhoramento de equipamentos sociais, dificuldades na formação profissional, e alguma demora na perda de velhos hábitos e vícios. Temos ainda a própria conjuntura actual, nacional e internacional, que, com reestruturações repetitivas e inquietantes, nos transmite também ansiedade e preocupação na gestão dos meios disponíveis e projectos para o futuro. Embora acreditando na nossa capacidade de contornar as dificuldades, não podemos ser inconscientes e é nessa conformidade que estamos a iniciar o nosso PEC interno, de forma a podermos enfrentar as adversidades internas e externas que se perspectivam, sem perder do horizonte as melhorias contínuas. Na prática, traçar objectivos é uma acção de exigência e coerência, embora nem sempre de pacífica concretização. É neste contexto que todos em geral, teremos de nos esquecer da habitual rotina e hábitos, e lançarmo-nos na luta pela poupança, criatividade, esforço, empenho, partilha na comunicação, e sentirmos que o nosso contributo está a ser positivo, e a ajudar a manter a sustentabilidade da Santa Casa e do país. Concluindo, nesta altura de reestruturação forçada e séria que estamos a atravessar no país, mais do que nunca, temos de estar todos unidos e empenhados em gerir as nossas acções solidárias, postos de trabalho, a continuação da Santa Casa e estabilidade de Portugal.  Um grande Bem-haja para todos.

Ficha Técnica

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Propriedade e Edição SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SINES Periodicidade Trimestral Número 34 Edição Abril | Maio | Junho 2011 Director Luís Maria Venturinha de Vilhena Coordenação Carla Fidalgo Redacção Rita Camacho Revisão de Texto José Mouro Fotografia Ricardo Batista, Rita Camacho, Sofia Fernandes

Informações Úteis SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SINES Avenida 25 de Abril, n.º 2 – Apartado 333 7520-107 SINES Site: www.scmsines.org E-mail: scmsines@mail.telepac.pt Secretaria Tel. 269630460 | Fax. 269630469 E-mail: secretaria.scmsines@mail.telepac.pt Horário de Atendimento: 09h00-13h00 | 14h00-16h00

Acção Social (Lares, Centro de Dia, Apoio Domiciliário) Tel. 269630460 | Fax. 269630469 E-mail: social.scmsines@mail.telepac.pt Horário de Atendimento: 9h00-13h00 | 14h00-17h00

Infantário “Capuchinho Vermelho”

Grafismo | Montagem | Paginação Ricardo Batista, Rita Camacho

Tel. 269630466 | Telm. 967825287 E-mail: infantario.scmsines@mail.telepac.pt Horário de Funcionamento: 07h45-19h45

Impressão Santa Casa da Misericórdia de Sines

Agência Funerária

Tiragem 300 exemplares Depósito legal 325965/11

Tel. 269635800 | Fax. 269862293 | Telm. 965420782 / 968575761 E-mail: funeraria.scmsines@mail.telepac.pt Horário de Funcionamento: 09h00-13h00 | 14h00-18h00

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CONCERTO “SANTA CAUSA” NO CENTRO DE ARTES DE SINES fado “Lágrima” de Amália Rodri-

nós pode ajudar a Instituição a

gues. Miguel Fróis, enfermeiro, prosseguir o seu trabalho de soliinterpretou um medley de músicas

dariedade social.

alentejanas com o Grupo Coral e cantou a solo a música “O Sobreiro”. Elisa Galvão, estagiária de terapia psicomotora, cantou uma canção original intitulada “Olhar”.

Testemunhos «Gostei muito do espectáculo, estava bem organizado. Posso dizer que gostei de tudo, mas o que gostei mais foi de ouvir o nosso

O público aderiu ao espectáculo, uma vez que os bilhetes disponibilizados para a iniciativa esgotaram. Entre a assistência estiveram uten-

“enfermeiro alentejano” e a Eva a cantar o fado.» Filomena Brito, Trabalhadora de Serviços Gerais da Misericórdia de Sines

tes e funcionários da Misericórdia

«Gostei de assistir ao espectáculo,

de Sines, o actual provedor Luís

achei que trabalharam todos mui-

Eva Zambujo no momento em que cantou a solo

Venturinha, o antigo provedor Luís

to bem. Gostei de tudo e nem

Batista, o Presidente da Câmara Municipal de Sines, Manuel Coe-

sequer tive sono. Voltei para o lar «Gostei muito, gostei de tudo o era meia-noite e não tinha sono que lá vi, achei bonito! Até foi uma

lho, e membros da Mesa Adminis-

nenhum.»

trativa da Santa Casa e do executi-

admiração ir lá e ver tanta gente.

Elvira Maria, utente do Lar Anexo I

vo da Câmara Municipal de Sines. Este concerto foi realizado com o objectivo de fomentar uma aproximação entre a Santa Casa da Misericórdia de Sines e a comunidade, passando uma mensagem de que qualquer um de nós pode necessitar da ajuda da Misericórdia de Sines, assim como qualquer um de

Gostei do que o Provedor disse, gostei de ouvir cantar o Miguel, a

«Gostei muito do espectáculo e acho que é uma coisa que deve ser feita mais vezes. Foi lindo! Gostei do Grupo Coral, gostei de ouvir o

Eva, a Elisa e o Grupo Coral. Achei bonito e nem sequer me custou nada estar lá até muito tarde.» Mariana Romão, utente do Lar Anexo I

enfermeiro Miguel, de ouvir o Paulo Encarnação, gostei de tudo.» Bárbara Martins, Trabalhadora de Serviços Gerais da Misericórdia de Sines

O Grupo Coral da SCMS, Miguel Fróis e Eva Zambujo em actuação

Paulo Encarnação, convidado especial do espectáculo 3


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TESTEMUNHO DOS MEMBROS DA MESA ADMINISTRATIVA Além do Provedor, a Mesa Administrativa eleita em 2010 é composta por mais quatro elementos. João Vinagre, Ana Vilhena, António Braz e Carlos Salvador acompanham Luís Venturinha na direcção da Instituição, e deixam aqui o seu testemunho sobre o trabalho na Santa Casa da Misericórdia de Sines.

João Vinagre é ViceProvedor da Misericórdia de Sines e das suas funções fazem parte não só substituir o Provedor quando este se encontra ausente, mas também tratar de tudo o que se relacione com obras. A sua ligação à Instituição já tem 12 anos, sendo que antes João Vinagre era vogal da Mesa Administrativa. Do actual mandato, o Vice-Provedor faz um «balanço muito positivo já que foi feita uma reformulação dos serviços e um melhoramento 4

dos procedimentos administrativos, que já vão dando os seus frutos.» Este trabalho de solidariedade social confere a João Vinagre um grande contentamento e realização pessoal por vários motivos, mas sobretudo porque, para ele, as Misericórdias, ao contrário do que aconteceu durante muito tempo, «começam agora a ser encaradas como um local de continuidade e não de fim de vida das pessoas. Além disso, gerir uma Instituição desta natureza afigura-se, não só como um desafio social, mas também como um desafio em termos de gestão financeira. É necessário gerir bem, sem gastar para além das possibilidades e isso requer um controlo muito apertado das contas.» De forma a eliminar os Lares Anexo I e Anexo II, que não oferecem as condições ideais, futuramente João Vinagre gostava de ver construído «um novo Lar e de ver feita uma nova remodelação no Lar Prats, sempre com o objectivo de melhorar as condições e garantir o bem-estar dos utentes.» Na sua opinião, a Santa Casa da Misericórdia de Sines é sinónimo de “uma casa

necessária e imprescindí- riedade e apoio aos mais vel em qualquer parte do desfavorecidos, sentindomundo.” se bem com este trabalho e com o facto de poder ser útil aos outros. Para ela, as Misericórdias desempenham um papel determinante a nível nacional, no apoio aos idosos e a outros grupos de necessitados. Para Ana Vilhena “solidariedade para com os mais necessitados” é a Ana Vilhena, advogada frase que melhor define a de profissão, desempe- Santa Casa da Misericórnha a função de vogal da dia de Sines e no futuro, Mesa Administrativa, tendo em conta a conjunsendo também responsá- tura económica, gostava vel pelas valências Lar de que «os actuais projectos Rapazes “A Âncora”, Cen- melhorassem a todos os tro de Apoio à Vida “Mãe níveis, quer em termos de Sol” e Centro de Apoio estrutura física, quer de Temporário “Porto d’Abri- funcionamento.» go”. Desde 1997 que está ligada à Instituição, tendo já desempenhado as funções de secretária da Assembleia-Geral e secretária da Mesa Administrativa. Na sua opinião, o balanço do actual mandato é bastante positivo uma vez que «já se verificam melhorias em alguns sectores, embora a Instituição ainda se encontre numa fase de mudança e reestruturação de todos os serviços.» Envolver-se no trabalho da Misericórdia de Sines foi, desde inicio para Ana Vilhena, uma questão de solida-

António Braz é tesoureiro da Misericórdia de Sines e, simultaneamente, responsável pelo Infantário “Capuchinho Vermelho”. Na prática é ele quem garante o sector administrativo-financeiro da Instituição, nesta sua pri-


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meira experiência como membro dos órgãos sociais. Para António Braz «a Santa Casa, como entidade aberta à comunidade não está, nem poderia estar, imune ao ambiente exterior.» Segundo ele, «a actual Mesa Administrativa assumiu funções no inicio de uma grave crise e daqui resultou uma conjugação de factores que têm condicionado as suas acções. Ainda assim, os princípios que orientam a Instituição nunca deixaram de ser os da solidariedade, justiça social e melhoria da qualidade de vida dos utentes. A Mesa Administrativa focou a sua actuação em acções imateriais como a reorganização interna, a segurança, a implementação de sistemas de higiene e segurança, formação, entre outros, sem comprometer a qualidade e melhoria dos equipamentos existentes, onde se destaca a construção da nova lavandaria e a ampliação e melhoramento do refeitório e cozinha central e a aquisição de equipamentos de cozinha.» Por achar que a acção solidária do homem não se esgota no mero cumprimento das obrigações fiscais e na ajuda de proximidade, e por achar que

Santa Casa da Misericórdia de Sines é sinónimo de “solidariedade sempre”, António Braz está na Misericórdia para fazer o melhor que sabe. No entanto há ocasiões em que se sente incapaz e insatisfeito por não ser possível realizar tudo o que se pretende, nem alcançar a justiça social plena ou, até mesmo, dar resposta a todas as solicitações. Segundo ele, a Santa Casa da Misericórdia de Sines «alcançou uma notoriedade ímpar na sociedade Sineense da qual resulta um acréscimo de responsabilidade, tanto pelo número de utentes como pelo impacto económico no tecido empresarial.» No futuro António Braz traça como principal desafio para a Instituição «a capacidade de manter-se economicamente autónoma, sem ficar presa a uma visão economicista da sua missão.»

Carlos Salvador é natural de Sines, tem formação na área do turismo, e

está ligado à Misericórdia desde 1999, apesar de ser a sua primeira vez como membro da Mesa Administrativa. Actualmente desempenha as funções de Secretário e de responsável pelo Lar Anexo II. A colaboração com a Misericórdia de Sines aconteceu por convite do actual Provedor, e tendo em conta o trabalho social da Instituição, Carlos Salvador não foi capaz de recusar. «É gratificante e muito enriquecedor fazer parte da Santa Casa porque há um espírito de convivência e de camaradagem entre os membros da Mesa Administrativa, porque há uma troca de vivências com os colaboradores e os demais elementos que convivem na Instituição e porque o ambiente é extremamente agradável e acolhedor.» Para este membro da Mesa Administrativa, a Santa Casa tem uma enorme importância na sociedade e tem também a responsabilidade de suprir as carências dos cidadãos mais necessitados de um meio urbano como o de Sines. De acordo com Carlos Salvador, o balanço a fazer do actual

mandato é positivo na medida em que já se «concretizaram algumas melhorias nas infraestruturas e serviços da Instituição, nomeadamente na cozinha, refeitório e lavandaria. Paralelamente houve uma aposta significativa na valorização dos recursos humanos da Santa Casa.» No futuro Carlos Salvador gostava que a construção de um novo Lar e de uma nova Creche fossem uma realidade nesta Instituição que, para ele, é sinónimo de “compromisso”. 

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MARIA DAVID FARIA GODINHO FESTEJA CENTÉSIMO ANIVERSÁRIO No dia 11 de Abril a benemérita sineense Maria David Faria Godinho, viúva de Luís “Farias”, comemorou 100 anos de vida. Actualmente a residir em Lisboa, Maria Faria Godinho pode orgulhar-se de uma vida preenchida, onde há a destacar a sua generosidade e o constante apoio aos mais necessitados. Em Sines, a Santa Casa da Misericórdia foi sempre uma das Instituições mais apoiadas pela família Faria Godinho, com a atribuição de verbas regulares, que em algumas situações garantiram o funcionamento da Instituição, e com ajudas pontuais que possibilitaram, por exemplo, a compra da primeira viatura da Misericórdia e a execução do projecto de remodelação do Lar Prats.

Maria David Faria Godinho com a sua filha, no dia em que completou 100 anos

isso, a Instituição deixar de assinalar o centésimo aniversário desta benemérita sineense. Nesse dia, o Provedor Luís Venturinha e o ViceProvedor João Vinagre deslocaram -se a Lisboa para felicitar a aniversariante e simultaneamente homeActualmente, Maria Faria Godinho, nageá-la com a atribuição de uma e a respectiva família, continuam a medalha de Mérito. Além disso, ajudar a Santa Casa da Misericórnos lares da Misericórdia, os 100 dia de Sines, não podendo, por

anos de Maria Faria Godinho foram comemorados com 3 bolos de aniversário oferecidos pela família da aniversariante e com a actuação do Grupo Coral da Misericórdia de Sines, que em conjunto com os utentes cantaram simbolicamente os “Parabéns a você”. Ao longo da sua vida, Maria Faria Godinho, que estudou até à 5ª classe, trabalhou como administrativa no complexo industrial do pai e mais tarde, depois de casada, passou a ser o grande apoio nos negócios do marido. Em Sines, a Residencial Malhada e a Residencial Búzio são dois exemplos de edifícios construídos pela empresa de construção civil da família Faria Godinho. O apoio aos mais necessitados e a boa vontade desta senhora, e da família, ficou patente também aquando da construção do Bairro Marítimo, uma vez que facilitaram a aquisição dos materiais às famílias mais necessitados. 

O Provedor Luís Venturinha e o Vice-Provedor João Vinagre visitaram a benemérita no dia do seu aniversário

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BREVES

GRUPO CORAL E SALA DOS VASQUINHOS VISITAM RÁDIO SINES No âmbito do programa de rádio dia de Sines e as crianças da Sala 16:35h e divulga, a toda a comuni“Juntos na Solidariedade”, o Grupo dos Vasquinhos do Infantário dade, as actividades e projectos da Coral da Santa Casa da Misericór- “Capuchinho Vermelho” visitaram Santa Casa.  a Rádio Sines e, além de conhecerem as instalações, gravaram músicas que posteriormente passaram no espaço informativo da Misericórdia de Sines. O programa “Juntos na Solidariedade” é emitido pela Rádio Sines semanalmente, às quintas-feiras, às 10:40h, Os alunos do “Capuchinho Vermelho” na Rádio Sines O Grupo Coral da SCMS na Rádio Sines com repetição às sextas-feiras às

JANTAR SOLIDÁRIO

COZINHA DA MISERICÓRDIA REMODELADA

Prosseguindo o seu objectivo de aproximação à comunidade local, a Misericórdia de Sines organiza no próximo dia 6 de Julho um “Jantar Solidário” que tem como objectivo mostrar a Instituição, divulgando as suas actividades e projectos às empresas que exercem actividade na região, apelando simultaneamente à sua responsabilidade social. O jantar tem lugar no Salão Social da Instituição e inclui visitas guiadas pelas valências da Misericórdia, apresentação da realidade da Instituição e dos projectos em curso, e actuações musicais do Grupo Coral da Santa Casa da Misericórdia de Sines e de funcionários da Instituição. 

No mês de Maio ficaram concluí- refeições, sem qualquer aproximadas as obras de remodelação da ção dos resíduos alimentares com cozinha principal da Misericórdia a comida confeccionada. É de de Sines. Com um investimento referir também o aumento e significativo, estas obras foram melhoria substancial da zona de realizadas com o objectivo de refeitório, tendo sido valorizada a remodelar a cozinha do Lar Prats, criando as condições necessárias para que esta substitua as outras cozinhas existentes na Instituição. A cozinha passou a ter uma nova disposição e aumentou a sua capacidade para confecção de refeições, respeitando As novas instalações da cozinha da Misericórdia as regras de segurança alimentar (HACCP). As principais sua excelente vista panorâmica. alterações passaram pelo aumen- Este foi mais um dos investimento do espaço, pela aquisição de tos feito na Misericórdia para novos equipamentos e criação de melhorar o bem-estar dos utentes zonas específicas de confecção, e as condições de trabalho dos armazenagem e distribuição de funcionários.  7


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À CONVERSA COM… Luísa Duarte

Luísa Duarte Rodrigues nasceu a 13 de Abril de 1925, num local chamado Montes Velhos, em São João de Negrilhos, concelho de Aljustrel. Os seus pais eram camponeses e, além de Luísa, tiveram outros três filhos. «Naquela época trabalhavase muito, do nascer ao pôr-do-sol, e ganhava-se pouco, porque os lavradores combinavam entre eles pagar sempre o mesmo. Fazia-se a vida como se podia e criava-se os filhos com muita dificuldade.» Dos tempos de infância Luísa Duarte recorda-se de jogar à macaca, ao jangro, e de andar num baloiço que existia perto de sua casa. Ao serão, o jogo de cartas era o passatempo da família e, de vez em quando, recorda-se, todos participavam nas festas da aldeia. «Viviam muitas pessoas na aldeia e eu tinha outras 8

crianças com quem brincar. Por altura dos Santos Populares organizavam-se mastros. Os participantes tocavam realejo e cantavam músicas tradicionais, muitas vezes à desgarrada. Além disso, os rapazes cantavam versos às raparigas. Era muito divertido. O pior era a aldeia ser muito pobre. Vivia-se do trabalho do campo e quando não se conseguia tirar rendimentos desse trabalho, havia muita miséria.» Aos 10 anos Luísa Duarte começou a trabalhar sem ter tido oportunidade de estudar. «O meu pai não deixou as filhas irem à escola, porque não queria que nós soubéssemos escrever cartas aos namorados», afirma divertida. Ainda assim, aprendeu a ler e a escrever mais tarde. «Tive muita pena de não ir à escola, por isso aprendi, já

em adulta, a fazer o meu nome e conheço algumas letras e números. Quem me ensinou foi uma senhora para quem trabalhei. No meu dia-a -dia desenrasco-me, por exemplo, se for de autocarro, sei para onde vou, não me engano.» Inicialmente, Luísa trabalhou sempre no campo. «Mondava trigo, apanhava azeitonas, vindimava… era um trabalho duro, mas ao mesmo tempo era tudo uma alegria. Levávamos o dia a cantar e quando voltávamos para casa, aos serões, como não tínhamos telefonia, contávamos histórias, anedotas, contos e de vez em quando também cantávamos. Era assim que passávamos o tempo.» Aos 18 anos, Luísa Duarte deixou a sua terra natal e foi trabalhar para Grândola como cozinheira. «Fui


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para Grândola, porque a minha irmã já lá trabalhava e eu estava aborrecida de trabalhar no campo. Nessa época ganhava 50 escudos por mês. Era pouco, mas já era bom. Foi nessa altura que conheci aquele que viria a ser meu marido, que trabalhava para os mesmos patrões que eu.» Aos 20 anos Luísa decide casar, tendo sido esse, o primeiro passo de 65 anos de vida em comum com o seu marido. «Casei pela Igreja em Grândola, numa cerimónia muito simples, mas bonita. E posso dizer que fui muito feliz durante todo o meu casamento. Quando o meu marido faleceu fiquei muito abalada e a minha vida nunca mais foi a mesma.» Mas há outra recordação do marido, que Luísa Duarte guarda com carinho: «O meu marido, antes de me conhecer, era muito namoradeiro, mas eu fui o grande amor da vida dele. Eu tratava-o muito bem.» Depois de casada, Luísa Duarte passou a ter a sua própria casa e a dedicar-se mais às tarefas domésticas. Mas, «para ajudar no sustento da família, também fazia alguns trabalhos fora de casa. Trabalhei nos campos de arroz, e muito me custava, porque era um ofício que desconhecia e porque andava todo o dia dentro de água, com lama acima dos joelhos. Mas nunca perdi a minha alegria.» Algum tempo depois de casar Luísa Duarte foi mãe, primeiro de uma menina e depois de um menino. Os filhos deram-lhe as maiores alegrias da sua vida e, claro, algumas preocupações. «O meu filho participou na Guerra Colonial, esteve quase dois anos na Guiné, e duran-

te esse tempo estive sempre com o coração nas mãos. Nunca mais me saiu da memória o dia em que ele regressou, depois do 25 de Abril.

ra, e felizmente assim foi.» Ao longo da sua vida, Luísa Duarte trabalhou também como empregada doméstica e viveu uns tempos

Luísa Duarte com uma amiga, num encontro de idosos em Grândola

Fomos esperá-lo a Lisboa, e ainda o barco não tinha parado já ele nos estava a ver. Ele e os colegas já não vinham fardados. Foi uma enorme alegria pois as saudades eram muitas. Pedi muito à Nossa Senhora de Fátima para que o meu filho não sofresse nenhuma mazela na guer-

em Sines e em Faro, tendo posteriormente voltado a Grândola. Presentemente, e após se ter reformado, esta senhora de 85 anos vive no Lar Prats da Misericórdia de Sines. Está na Instituição desde Fevereiro último e revela-se muito satisfeita. «A melhor coisa que me podia ter acontecido foi vir para este Lar. Sinto-me aqui muito bem e estou muito contente. Já não podia estar sozinha na minha casa, sentia-me triste e doente, e aqui gosto muito de estar. Gosto dos passeios, das actividades que fazemos e estou feliz por ter sempre companhia.» Mais de oito décadas de vida representam inevitavelmente uma sabedoria ímpar e experiências diversificadas. Das recordações de Luísa Duarte fazem parte, a época em que se vivia sem frigorífico e se

Luísa Duarte na adolescência 9


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salgava a carne ou se guardava na banha, depois de frita em vinha de alhos; a altura da II Guerra Mundial, quando Luísa ouvia as vizinhas falarem, preocupadas e com medo, deste assunto ou o aparecimento da televisão, quando comprou um aparelho a preto e branco a presta-

ções. Entretida entre as actividades da Misericórdia, as visitas da família e as rendas que ainda executa na perfeição, esta mulher de fé afirma sem hesitar que viveu uma vida de esforços, mas que nunca perdeu a

alegria e a boa disposição. Na Misericórdia de Sines é exactamente por essas características que todos a conhecem, havendo um desejo comum de que Luísa Duarte se mantenha sempre assim… alegre e de bem com a vida! 

O NOSSO APOIO DOMICILIÁRIO O serviço de apoio domiciliário da Misericórdia de Sines foi criado em 1988 com o objectivo de colmatar necessidades da população idosa ao nível da higiene pessoal, higiene das habitações e alimentação e, ao mesmo tempo, retardar ou evitar a institucionalização destes utentes. Actualmente a Santa Casa presta apoio domiciliário a 83 pessoas das freguesias de Sines e Porto Côvo e, para tal, conta com uma equipa constituída por 10 funcionárias. Estas dividem-se em cinco grupos de 2 pessoas que prestam apoio ao domicílio todos os dias, entre as 8h e as 17h. Cremilde Silva trabalha neste serviço há 11 anos e

manifesta-se muito satisfeita por desenvolver este tipo de trabalho. «Não trocava o trabalho

minha família e quando eles partem sinto uma grande tristeza. Os utentes também têm connos-

Distribuição de refeições ao domicílio

que tenho por nenhum outro! Os idosos dão-nos muita coisa bonita, principalmente as suas histórias de vida e, para mim, este trabalho é muito gratificante. É como se os idosos fizessem parte da

co uma relação muito próxima ao ponto de, por vezes, quererem que não façamos nada, pois convidam-nos para beber café, para passear, ou pedemnos que os levemos a algum sítio onde necessi-

Espaço Informativo da Santa Casa da Misericórdia de Sines na Rádio Sines QUINTAS-FEIRAS ÀS 10:40 | SEXTAS-FEIRAS ÀS 16:35 10

tem ir. Do meu dia-a-dia de trabalho ficam-me na memória muitas histórias difíceis de esquecer.» As pessoas interessadas em beneficiar do serviço de apoio domiciliário da Misericórdia devem contactar os serviços de Acção Social e entregar a seguinte documentação: cópia do bilhete de identidade ou cartão do cidadão; número de contribuinte; cartão de pensionista; cartão do Serviço Nacional de Saúde, comprovativo do valor actual da reforma ou declaração de IRS, declaração de gastos farmacêuticos e de despesas com água, luz, renda da casa e telefone. 


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BANCO DE VOLUNTARIADO JÁ ESTÁ EM FUNCIONAMENTO No dia 1 de Junho assinalou-se o arranque oficial do Banco de Voluntariado da Santa Casa da Misericórdia de Sines. Integram este Banco 18 voluntários que desempenham funções nas áreas da animação, apoio nas refeições dos utentes mais dependentes, actividades religiosas, manutenção de equipamentos, serviços administrativos, Banco Alimentar e Ajuda Alimentar. Antes deste arranque oficial, os voluntários participaram numa formação, na qual ficaram a conhe-

cer a Instituição em geral e o projecto do Voluntariado em particular. Além disso, a formação incidiu também nas áreas da higiene e segurança e da animação sociocultural.

Luís Venturinha, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Sines, considerou o arranque deste projecto um sucesso, pois integram o Banco de Voluntariado quase duas

dezenas de voluntários, existindo outras pessoas interessadas em desenvolver este tipo de actividade. Ser voluntário é uma forma de enriquecimento pessoal, que consiste simultaneamente num bem-fazer em prol dos mais carenciados. Todos os interessados em desenvolver voluntariado na Misericórdia de Sines poderão inscrever-se na Secretaria da Instituição. 

A formação para voluntários e colaboradores decorreu nos dias 28, 30 e 31 de Maio

DONATIVO DE MATERIAL ORTOPÉDICO português que reside na Suécia e trabalha no Ministério da Saúde daquele país. O principal objectivo deste projecto é reaproveitar material existente em hospitais, que na Suécia é renovado anualmente, e enviá-lo para outros países da Europa e também de África. Do material doado à Instituição fazem parte: camas elevatórias para doentes acamados, cadeiras de rodas, andarilhos com e sem rodas, bengalas, mobiliário e outros aparelhos de reabilitação. Segundo Luís Venturinha, Provedor da Misericórdia de Sines, o contacJosé Augusto, ex-jogador do Benfica, acompanhou a entrega de material à SCMS to com este projecto começou «através de um programa de teleNo passado dia 06 de Abril, um Esta doação foi feita ao abrigo de visão que despertou o interesse de camião vindo da Suécia entregou um projecto dinamizado pela Funuma técnica da Instituição. Postediverso material ortopédico à San- dação AGAPE, cujo representante riormente, após alguns contactos ta Casa da Misericórdia de Sines. é Carlos Quaresma, um emigrante 12


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com a Fundação AGAPE, a Santa Casa avançou para este tipo de apoio por se tratar de um donativo e também para aproveitar o eventual avanço tecnológico de um país como a Suécia.» Ainda de acordo com o Provedor Luís Venturinha, o

material recebido destina-se «a uso interno, de forma a dar conforto e bem-estar aos idosos, e no futuro poderá existir uma cedência deste material a outras Instituições que estejam interessadas ou até mesmo a particulares.» José Augusto, ex-jogador do Benfica e representante da Fundação AGAPE em Portugal, acompanhou a entrega do material à Santa Casa da Misericórdia de Sines e referiu que «ao abrigo deste projecto já foram apoiadas cerca de 100 entidades em Portugal, entre Misericórdias, Câmaras Municipais e Jun-

A SCMS recebeu também equipamentos para reabilitação

tas de Freguesia, e está previsto que pelo menos outras 50 sejam apoiadas até final de 2011.» Para beneficiar deste apoio a Misericórdia teve apenas de suportar os custos relativos ao transporte dos materiais da Suécia até Sines.

Algumas das cadeiras de rodas entregues à Instituição

VIAGEM AO AEROPORTO DE BEJA «Saímos de Sines no dia vinte e oito de Abril na parte da manhã, cujo transporte era um autocarro da Santa Casa.

Fomos recebidos num grande aposento que tem o nome de Monte Carmelo, onde tivemos a nossa refeição.

Passámos por Santiago do Cacém, por São Bartolomeu da Serra, Abela, Ermidas, e entretanto chegámos a Ferreira do Alentejo onde parámos para lanchar e satisfazer algumas necessidades mais prementes.

Depois de um bom almoço dirigimo-nos para a Base onde fomos recebidos pelo Comandante da Esquadra 552 – Helicópteros, Senhor Tenente Coronel Paulino. Um Senhor muito bem disposto que nos deu várias informações, mostrou-nos várias salas de trabalho, incluindo a sala de formação de pilotos, mostrounos como funciona um helicóptero.

Continuámos a viagem e passado algum tempo chegámos a Beja.

Os utentes tiveram a possibilidade de entrar num helicóptero

O Tenente Coronel Paulino acompanhou toda a visita

res Patrícia Frias, com a Senhora Acompanhante de Alferes Clara e a Senhora Isabel Torpes.

Todas estas senhoras foram muito simpáticas. Deixo aqui o meu agradecimento ao Senhor Comandante Além disso, tive e as estas simpáticas senhoras. também o prazer de Sinto-me na obrigação de agradefalar com a Senhora cer à Direcção da Santa Casa da Tenente Carla Gírio Misericórdia de Sines, por me ter que é uma das res- permitido esta Boa Viagem, agraponsáveis pela deço também à Senhora Carla e à manutenção de tão menina Sofia todo o empenho e importantes máqui- carinho que nos deram.» nas, também falei António Rodrigues com a Senhora Alfe(utente do Lar Prats) 13


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UTENTES RECORDAM 25 DE ABRIL DE 1974 Em 2011 a Revolução de Abril completou 37 anos e, para assinalar a data, o Renascer esteve à conversa com alguns utentes da Misericórdia que nos deram a sua opinião sobre este acontecimento histórico.

de Abril foi um acontecimento bom António Guerreiro, 91 anos ou mau. Algumas coisas melhoraram e outras não. E no futuro vamos ver como serão as coisas.» «Em 25 de Abril de 1974 eu estava Heraclides Rosado, 86 anos em Lanzarote numa embarcação de pesca. Soubemos das notícias «Na noite em que aconteceu a pelo rádio e ficámos todos muito Revolução de 25 de Abril, eu estava admirados, mas no dia seguinte «Quando aconteceu o 25 de Abril em casa a costurar à luz de um trabalhámos tal e qual, como se eu estava em Odivelas e soube o candeeiro a petróleo e a ouvir telenada se tivesse passado. Antes do que se estava a passar pela rádio. fonia. Nessa altura vivia na aldeia 25 de Abril lembro-me que se vivia Aconteceu tudo muito rapidamende Cercal do Alentejo. Era já muito com muitas dificuldades, ganhavate e não tive medo do que pudesse tarde, de repente a telefonia deiacontecer. No dia 25 de Abril não se via ninguém na rua porque as pessoas foram todas para Lisboa festejar. Antes da Revolução havia pouco trabalho e não se podia dizer certas coisas em público. Depois, as pessoas já podiam dizer o que pensavam e, mais importante, o que sentiam. Há quem diga que passou a existir liberdade demais, mas eu não penso assim. Do Salazar só tenho lembranças más. Muita gente sofreu por causa dele.» Custódia Catarino, 83 anos «Por altura do 25 de Abril, tinha eu 54 anos, trabalhava como servente no Porto de Sines. Quando se soube da Revolução pensávamos que as coisas iam mudar, mas na minha opinião não mudaram. Quem vivia com dificuldades, continuou na mesma. Tenho más recordações da PIDE porque conheci algumas pessoas que foram embora e já não voltaram… A Revolução de Abril foi uma coisa bem-feita, mas que não ficou aca14

bada.»

Comemoração do 25 e Abril na SCMS

se pouco, trabalhava-se muito, e existia muita miséria. Além disso, lembro-me que quando se juntavam seis ou sete pessoas a conversar, lá vinha um polícia e mandava toda a gente ir conversar para outro lado. Algumas pessoas que eu conheci foram presas por causa dos informadores da PIDE que escutavam às portas e janelas durante a noite. Nem sei dizer se a Revolução de 25

xou de tocar, e eu fiquei preocupada a pensar ‘porque seria?’. Tentei mudar de estação, mas nenhuma outra tocava e entretanto fui deitar-me. No dia seguinte, através das minhas vizinhas que andavam todas num grande alvoroço, fiquei a saber que se tratou de um golpe de Estado, mas eu não fazia ideia do que isso era. A partir mais ou menos das 12h00 do dia seguinte


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as telefonias voltaram a tocar e lembro-me que começaram a emitir músicas muito bonitas, que anteriormente eram proibidas. Lembro-me também que antes da Revolução as pessoas ouviam a Rádio Moscovo e a Rádio Portugal Livre, durante a noite, mas a guarda andava nas ruas a escutar às portas para saber quem escutava estas rádios proibidas. Eu cheguei a ouvir, mas baixinho, e nunca fui descoberta. Não tive medo do 25 Abril porque acho que foi tudo muito calmo, sem guerras. Passou a existir mais liberdade, que em alguns casos foi demais porque infelizmente há pessoas cuja natureza é má.» Luísa Encarnação, 86 anos «Quando foi o 25 de Abril eu estava na taberna do meu pai, com ele, em Ermidas, e lembro-me que nem a televisão nem a telefonia funcionavam. Por isso, sintonizei uma

emissora de Espanha e fiquei a saber que tinha acontecido um golpe de Estado em Portugal e que as pessoas e os militares estavam nas ruas de Lisboa. Na rádio aconselhavam as pessoas a ficar em casa. Na minha opinião a Revolução de Abril foi uma coisa boa e má ao mesmo tempo. Boa porque as pessoas passaram a ter mais liberdade e má porque houve muitos oportunistas. Tenho também algumas recordações do Salazar e acho que ele era melhor do que alguns dos políticos de hoje em dia.» José Botelho, 73 anos

janela da cadeia e posso dizer que fiquei assustada. Entretanto saí de Moçambique, fui para a Rodésia e algum tempo depois vim para Portugal. Não considero que o 25 de Abril tenha sido bom, porque no regresso a Portugal perdi tudo o que tinha. Se não tivesse acontecido a Revolução de 25 de Abril de 1974, provavelmente hoje ainda estava em Moçambique, a minha terra natal, de onde guardo as melhores recordações. Uma terra quente, com praias muito bonitas e onde se comia bom camarão, bons caranguejos e boa batata-doce frita.» Maria Aldina Pinto, 77 anos

«Em Abril de 1974 eu trabalhava no Banco Nacional Ultramarino, em Moçambique, e fiquei a saber da Revolução pela rádio e pela televisão. No dia seguinte tudo parecia normal, mas entretanto as coisas complicaram-se. Cheguei a ver presos incendiarem colchões à

HORA DO TERÇO « (…) Tudo o que até então bastava para dar sentido à minha vida tornou-se insuficiente. (…) O apelo interior transbordou e obrigou-me a “sair fora de portas” para sentir o pulsar das necessidades dos outros e descobrir que há muito para fazer em prol de… A partir daí, o que até então não ia além dum esboço de vontade passou a ter uma forma concreta. (…) Deus trouxe-me através da minha irmã Isabel e da Cinda, a saborear esta dádiva: a de, com amor, através do Terço, poder levar a Palavra e Vida de Jesus a todos os amigos e irmãos em Cristo, pela intercessão

de Maria, nossa Mãe do Céu. limitações daí advindas e constato Neste intercâmbio de vivências, é o quanto sabem acolher, partilhar e amor, estou a receber. É gratificante arrancar-lhes um sorriso e levá-los a sentir a alegria em Cristo. Esta recompensa é indescritível e a coragem e perseverança que deles emana é o impulso à nossa continuidade pelos laços que se estreitam e pelo respeito por cada um. Recebo verdadeiras e preciosas A Hora do Terço acontece todas as terças-feiras na SCMS lições de vida, de força e de fé. difícil avaliar quem mais dá ou (…)» recebe, porque dar é o catalisador Testemunho de Dulce Gomes da recompensa: quando os olho na (Voluntária da SCMS) fase outonal da vida com todas as 15


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Boletim Informativo Nº34. Edição de Abril, Maio e Junho de 2011.