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Distribuição Gratuita | Publicação Trimestral | Nº 42 

EDIÇÃO ESPECIAL 

RENASCER

Abril  Setembro  2013  b o l e t i m www.scmsines.org 

i n f o r m a t i v o

Santa Casa da Misericórdia de Sines 

NOITE DE FADOS NO SALÃO SOCIAL

No  dia  1  de  Junho  o  Salão  Social  da  Santa  Casa  encheu‐se  para  uma  Noite  de  Fados  cujos  protagonistas  foram  artistas  da  região.  Sandra  Tomás,  Rute  Belga,  Joana  Luz,  Armando  Casal,  Eduardo Serrão, Chico Malafaia e Alba‐ no Miguel foram os fadistas convidados  que tiveram a companhia de Carlos Sil‐ va  na  viola  e  João  Núncio  na  guitarra.  Cerca  de  150  pessoas  assistiram  ao 

fadista  Armando  Casal,  assim como do  restante  elenco,  na  ajuda  à  Misericór‐ dia.  O  provedor  destacou  também  a  calorosa e atenta participação do públi‐ co  e  manifestou um  reconhecido  agra‐ decimento  aos  participantes  e  organi‐ zadores  da  Noite  de  Fados.  No  futuro  fica  a  certeza  de  que  todos  acolherão  No final do espectáculo o provedor Luís  da melhor forma outras iniciativas des‐ Venturinha enalteceu a boa vontade do  te género.  espectáculo,  entre  eles  um  grupo  de  idosos  da  Misericórdia,  assim  como  colaboradores,  voluntários,  amigos  e  membros  dos  órgãos  sociais  da  Santa  Casa.  Ao  longo  da  noite  foi  servido  o  tradicional  caldo  verde  e  a  linguiça  assada. 

DESTAQUES

Torneio de Boccia Senior

pág. 6

À Conversa com… Domingos Casa Branca

pág. 10

Santos Populares

pág. 16


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Por  ter  havido  várias  condi‐ cionantes  por  parte  do  empreiteiro,  que  penaliza‐ vam  o  bom  andamento  da  obra  e  de  alguma  forma  a  Misericórdia,  decidiu‐se,  de  acordo  com  a  conjuntura,  avançar  para  uma  rescisão  amigável  do  contrato,  sendo  justo  destacar  a  disponibili‐ dade  do  mesmo  para  o  efei‐ to. Neste interregno, decidiu‐ se  aproveitar  a  oportunida‐ de,  ao  abrigo  do  Decreto‐Lei  67/2012  que  permitia  o  aumento  de  capacidade  de  camas, fazer a transformação  do  projecto  de  60  para  80  camas.  Lamentamos todas estas con‐ trariedades,  mas  perante  os  infortúnios  somos  obrigados  a arranjar soluções, e esta foi 

a  única  forma  de  se  tratar  deste  procedimento  com  o  mínimo  de  riscos  e  custos  para todas as partes.   Entretanto, estamos a desen‐ volver  acções  preparatórias  para  lançamento  do  novo  concurso  de  reprogramação  para  a  conclusão  da  obra,  com  preocupação  e  empe‐ nho,  para  que  esta  volte  a  arrancar  breve, assim que as  condições  técnicas  e  regula‐ mentares o permitam. 

de  Lisboa apoie  algumas  ins‐ tituições,  embora  ela  tam‐ bém  tenha  as  suas  próprias  necessidades,  e  daí  absorver  boa parte das verbas despen‐ didas,  não  podendo  por  isso  chegar  a  todos  os  necessita‐ dos, como até agora tem sido  o nosso caso. Quero com isto  dizer que a nossa sustentabi‐ lidade se baseia somente nas  receitas  familiares  e  institu‐ cionais, o que pela sua insufi‐ ciência  obriga  a  grandes  esforços  na  contenção  de  despesas, em paralelo com o  esforço  de  se  criar  e  prestar  as melhores condições possí‐ veis aos nossos utentes.  

Neste  sentido,  gostaria  de  convidar  a  população  de  Sines  a  juntar‐se  a  nós  na  valorização  da  nossa  obra  social  desenvolvida  em  prol  da assistência aos mais desfa‐ Também  sabemos  que  as  dificuldades  gerais  impostas  vorecidos.   pelas actuais políticas de aus‐ Aproveito  também  a  oportu‐ teridade  geram  muitas  nidade para apelar às entida‐ necessidades  e  insegurança  des,  empresas  e  pessoas  de  na população em geral, e por  boa  vontade,  para  que  den‐ arrasto alguma revolta e faci‐ tro  das  suas  possibilidades  lidade  às  críticas  negativas.  encarem  a  Misericórdia  No  que  nos  toca,  sabemos  como  uma  instituição  que,  que  também  não  podemos  nos tempos que correm, pre‐ fugir  à  regra,  pois  estamos  cisa  de  todos  para  melhor  muito  expostos  e  limitados  também  servir  todos,  não  na  forma  como  combater  e  dando  ouvidos  a  muitas  demonstrar eficazmente mui‐ vozes mal informadas sobre a  tas  inverdades  que  possam  Misericórdia  ser  apoiada  ser ditas, ou seja, bem gosta‐ pelos  lucros  dos  jogos  da  ríamos  de  poder  ajudar  a  Santa  Casa  da  Misericórdia  transformar  atitudes  de  uma  de Lisboa.  maneira  mais  construtiva  Acredito  que  a  Misericórdia 

EDITORIAL

O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO Como alguém disse “ O cami‐ nho  faz‐se  caminhando”  só  que  nem  sempre  o  caminho  é  tão direto  e  fácil conforme  é desejável. É assim na vida e  nos  projectos  em  que  nos  envolvemos. Pela sua dimen‐ são  e  representatividade  para a Misericórdia, sentimo‐ nos na obrigação de comuni‐ car  à  nossa  irmandade  e  população em geral o contra‐ tempo  com  o  decorrer  da  obra  da  construção  do  novo  Lar Prats Sénior.   

Luís Maria Venturinha de Vilhena Provedor da Misericórdia de Sines

salutar e humana.  É nosso lema tentar bem ser‐ vir,  de  preferência  com  a  qualidade  e  o  humanismo  possíveis,  investindo  dentro  das  nossas  condicionadas  possibilidades,  em  melhoria  de  equipamentos,  melhoria  na prestação de serviços com  base  na  formação  profissio‐ nal,  através  de  workshops  e  nos  conhecimentos  adquiri‐ dos  pelos  funcionários  ao  longo dos anos.   A  nossa  e  sua  missão  é  aju‐ darmos  a  melhor  servir  os  outros,  para  que  no  amanhã  quando  nós,  hoje  no  activo,  precisarmos, também termos  quem  melhor  cuide  de  nós.  Por isso, aceitamos com espí‐ rito aberto todos os apoios e  críticas,  de  preferência  cons‐ trutivas,  porque  nos  ajudam  a sermos melhores, hoje e no  futuro.  

Ficha Técnica

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boletim informativo

Propriedade, Edição e Impressão  SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SINES  Periodicidade   Trimestral  Número   42  Edição  EDIÇÃO ESPECIAL ‐ Abril | Setembro 2013   

 

 

Director  Luís Maria Venturinha de Vilhena  Redacção   Rita Camacho  Revisão de Texto   José Mouro, Rita Camacho  Fotografia  Ricardo Batista, Rita Camacho   

 

 

Grafismo | Montagem | Paginação   Ricardo Batista, Rita Camacho  Tiragem   300 exemplares  Depósito legal   325965/11  Distribuição   Gratuita   

 

 


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FADO, PATRIMÓNIO MUNDIAL “Nascido  nos  contextos  populares  da  Lisboa oitocentista, o Fado encontrava‐ se presente nos momentos de convívio  e  lazer.  Manifestando‐se  de  forma  espontânea,  a  sua  execução  decorria  dentro  ou  fora  de  portas,  nas  hortas,  nas  esperas  de  touros,  nos  retiros,  nas  ruas  e  vielas,  nas  tabernas,  cafés  de  camareiras e casas de meia‐porta. Evo‐ cando  temas  de  emergência  urbana,  cantando  a  narrativa  do  quotidiano,  o  fado  encontra‐se,  numa  primeira  fase,  vincadamente  associado  a  contextos  sociais  pautados  pela  marginalidade  e  transgressão, em ambientes frequenta‐ dos  por  prostitutas,  faias,  marujos,  boleeiros e marialvas.  E  se  as  primeiras  letras  de  Fado  eram,  na  sua  maioria,  anónimas,  sucessiva‐ mente  transmitidas  pela  tradição  oral,  esta  situação  inverter‐se‐ia  definitiva‐ mente a partir de meados da década de  20, época em que surge uma plêiade de  poetas populares como Henrique Rego,  João  da  Mata,  Gabriel  de  Oliveira,  Fre‐ derico  de  Brito,  Carlos  Conde  e  João  Linhares  Barbosa,  que  consagrará  ao  fado particular atenção. (…) A partir dos  anos 50 do século XX o fado cruzar‐se‐á  definitivamente  com  a  poesia  erudita  na voz de Amália Rodrigues. A partir do 

A actuação da fadista Rute Belga 

contributo decisivo do compositor Alain  Oulman, o fado passará a cantar os tex‐ tos de poetas com formação académica  e  obra  literária  publicada  como  David  Mourão‐Ferreira,  Pedro  Homem  de  Mello,  José  Régio,  Luiz  de  Macedo  e,  mais  tarde,  Alexandre  O’Neill,  Sidónio  Muralha,  Leonel  Neves  ou  Vasco  de  Lima Couto, entre muitos outros.  (…) Já nos anos 90 o fado consagrar‐se‐ ia,  definitivamente  nos  circuitos  da  World  Music  (Música  do  Mundo)”.  internacional com Mísia e Cristina Bran‐

co, respectivamente no circuito francês  e na Holanda. Também nos anos 90, um  outro nome que se destaca no panora‐ ma  do  Fado  é  Camané,  com  grande  consagração. Desde a década de 90 e já  no  dealbar  do  século  surge  uma  nova  geração de talentosos intérpretes como  Mafalda  Arnauth,  Katia  Guerreiro,  Maria Ana Bobone, Joana Amendoeira,  Ana  Moura,  Ana  Sofia  Varela,  Pedro  Moutinho,  Helder  Moutinho,  Gonçalo  Salgueiro,  António  Zambujo,  Miguel  Capucho,  Rodrigo  Costa  Félix,  Patrícia  Rodrigues, ou Raquel Tavares. No circui‐ to internacional porém, Mariza assume  protagonismo  absoluto,  desenhando  um  percurso  fulgurante,  ao  longo  do  qual  tem  legitimamente  colhido  suces‐ sivos  prémios  na  categoria  de  World  Music (Música do Mundo)”.     O  fado  foi  considerado  em  2011  Patri‐ mónio  Imaterial  da  Humanidade  pela  UNESCO.    Excertos do texto:  Pereira, Sara (2008), “Circuito Museoló‐ gico”, in Museu do Fado 1998‐2008, Lis‐ boa: EGEAC/Museu do Fado.  

O Salão Social encheu‐se para uma noite diferente  3 


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09:00 - Recepção aos participantes 09:30 - Cerimónia de Abertura Luís Venturinha - Provedor da SCMS, Ana Clara Birrento - Directora do CDSS de Setúbal, Cecília Gil Directora do Centro de Saúde de Sines, representante da Câmara Municipal de Sines (a designar) 10:00 -

“Ambientes Terapêuticos para pessoas com deterioração cognitiva” Arq.ª Angelina Santos (Segurança Social)

10:30 - Intervalo para café 10:45 - “Lidar

com a doença de Alzheimer - Ocupação”

Representantes da Associação Alzheimer Portugal 11:45 -

“Funcionamento dos gabinetes de apoio a familiares de pessoas com doença de Alzheimer” Representantes da Associação Alzheimer Portugal

12:45 - Debate 13:00 - Almoço Livre 14:30 - “Animação

nos Idosos”

Dr. Luís Jacob (Socialgest, Rutis) 15:30 - “Snoezelen

e o Alzheimer - Estimulação Sensorial”

Organização:

Dra. Amélia Martins (Lar Santa Beatriz da Silva) 16:30 - Debate 17:00 - Encerramento Membro do NLI - Núcleo Local de Inserção


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MISERICÓRDIA ACOLHE “ESTUDANTES CICLISTAS” Em  Junho,  a  Santa  Casa  acolheu  um  grupo  de  11  estudantes  e  4  professores  da  Escola  Básica  Inte‐ grada  de  Apelação,  em  Loures.  Com  idades  compreendidas  entre  os 15 e os 18 anos de idade, estes  alunos  fazem  parte  de uma  turma  especial  criada  ao  abrigo  do  Pro‐ grama  Integrado  de  Educação  e  Formação  (PIEF),  com  o  objectivo  de reduzir o abandono e o insuces‐ so escolar.   Como forma de assinalar o final do  ano  lectivo, os  professores  organi‐ zaram  uma  actividade  extra‐ curricular  original,  denominada  PIEF  Bike  Tour  2013,  que  levou  este  grupo  a  viajar  de  bicicleta  entre  Tróia  e  Lagos.  A  primeira  paragem  aconteceu  em  Sines,  no  dia  2  de  Junho,  levando‐os  a  per‐ noitar no Salão Social da Misericór‐ dia.  Eládio  Gouveia,  professor  de  Edu‐ cação  Física  e  um  dos  mentores  deste projecto, em conversa com o  “Renascer”  explicou  que  «estas  turmas  funcionam  como  a  última  oportunidade  para  que  estes  alu‐ nos,  em  risco  de  exclusão  social,  concluam  o  6º  ou  9º  ano.»  Eládio  Gouveia  acrescentou  ainda  que  «ao  longo  do  ano  lectivo  arranja‐ mos estratégias que motivem estes  alunos, sendo esta actividade uma  espécie de ‘prémio’, mas não só. O  PIEF  Bike  Tour  é  também  um  momento  de  aprendizagem,  no  qual são colocados em prática con‐

teúdos  leccionados  ao  longo  do  ano, como, por exemplo, a preven‐ ção rodoviária. Além disso, há tam‐ bém a questão da motivação e da  capacidade  que  estes  alunos  têm  de se superarem. Muitos deles não  acreditam que são capazes de ir de  bicicleta  de  Tróia  a  Lagos  e,  no  final,  ficam  surpreendidos  consigo  próprios.»   Esta  não  foi  a  primeira  edição  do  PIEF  Bike  Tour,  tal  como  referiu  o  professor  de  Educação  Física.  «Em  anos  anteriores  já  organizámos  outras  edições  desta  aventura  e,  no  final,  é  visível  a  satisfação  de  todos  os  intervenientes.  Nós,  pro‐ fessores, ficamos com a certeza de  que  é  uma  actividade  que  marca  os alunos para sempre.»  No  final  da  estadia  na  Misericór‐ dia,  Eládio  Gouveia  enalteceu  o 

apoio  da  comunidade  a  este  pro‐ jecto  e  o  espírito  de solidariedade  entre  todos.  «Há  uma  grande  envolvência  da  parte  da  escola  e  até  mesmo  de  particulares,  que  nos  emprestam  bicicletas  ou  que  nos acompanham ao longo do per‐ curso.  Depois  há  também  uma  enorme boa vontade de quem nos  acolhe  gratuitamente  e  de  braços  abertos, como foi o caso da Miseri‐ córdia de Sines.»  Além de ter acolhido este grupo de  alunos  e  professores,  tem  sido  hábito nos últimos meses a Miseri‐ córdia  acolher,  durante  a  noite,  grupos de escuteiros e de peregri‐ nos  que  procuram  apoio  na  nossa  Instituição cuja missão também é a  de  “dar  pousada  aos  peregri‐ nos”  (4ª  obra  corporal  das  Miseri‐ córdias).  

O grupo de estudantes e professores antes da partida  5 


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BOCCIA, UMA MODALIDADE EM CRESCIMENTO NA SCMS

O grupo de utentes que participou no Torneio em Odivelas 

Os  idosos  da  Misericórdia  de  Sines  praticam  de  forma  regular,  desde  2012,  a  modalidade  de  Boccia.  Todas  as  terças  e  quintas‐feiras  de  manhã  o  Salão  Social  enche‐se  de  utentes empenhados em alcançar o 

melhor  resultado  nas  sessões  de  Boccia  organizadas  pelo  serviço  de  Educação  Especial  e  Reabilitação.  Estas sessões servem de treino para  algumas  competições  nas  quais  a  Misericórdia já tem participado. 

No  dia  4  de  Junho  um  grupo  de  quatro  utentes  esteve  presente  na  primeira  edição  do  torneio  “Masters Boccia Senior” que decor‐ reu no Pavilhão Multiusos de Odive‐ las.  O  torneio  foi  organizado  pela  Federação  Portuguesa  de  Desporto  para  Pessoas  com  Deficiência  e  a  Misericórdia  alcançou  o  36º  lugar  entre 49 equipas participantes.  Dia  16  de  Julho  foi  a vez da Miseri‐ córdia organizar, no Salão Social, um  intercâmbio com um grupo de joga‐ dores  do  Montijo.  Estiveram  pre‐ sentes  4  atletas,  com  bastante  experiência  na  modalidade  de  Boc‐ cia, que têm como treinador Gabriel  Potra,  atleta  paralímpico  de  atletis‐ mo,  várias  vezes  medalhado.  No  final,  todos  os  elementos  envolvi‐ dos  na  competição  mostraram  o  seu  contentamento,  sendo  de  des‐ tacar um saudável convívio e espíri‐ to competitivo. 

BOCCIA, O QUE É? O Boccia é um jogo de lançamento de bolas, inspirado num jogo praticado na antiga Grécia do qual derivaram jogos  como o bowling e a petanca. O Boccia foi originalmente concebido para ser jogado por pessoas com paralisia cere‐ bral, mas tornou‐se tão popular que, hoje em dia, é praticado por muitas outras pessoas, nomeadamente em idade  sénior.  

EQUIPAMENTO NECESSÁRIO Bolas de Boccia (6 vermelhas, 6 azuis e 1 branca)  Dispositivo de medida  Quadro de resultados  Indicador da cor Vermelha/Azul (permite aos jogadores ver claramente qual o lado que deve jogar) 

REGRAS BÁSICAS Pode ser jogado individualmente ou em equipas (3 elementos), sendo mais comum a competição por equipas.  É necessária a presença de 1 árbitro.  Joga‐se num campo delimitado (com 12,5m de comprimento por 6m de largura) que inclui “casas” para os jogadores  e uma área onde a bola alvo é inválida (linha em “V”).  6 


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Os utentes da SCMS em acção 

Cada jogador ou equipa dispõe de 6 bolas vermelhas, dispondo a equipa ou jogador adversário de 6 bolas azuis.  A bola alvo é branca e é atirada à vez por cada uma das equipas ou jogadores.  O objectivo é lançar as bolas de cor o mais próximo possível da bola branca.  Cada jogo possui 4 parciais, no caso de ser jogado individualmente, ou 6 parciais, na competição por equipas.  Em cada parcial todas as bolas são lançadas pelos jogadores.   Os pontos contam‐se no final de cada parcial, sendo atribuído um ponto por cada bola que esteja mais próxima da  bola branca.   PUB 


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ENTREVISTA COM RUI PINTO SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DO PHC A empresa Acidados presta  serviços de auditoria, con‐ sultadoria e implementação  de projectos na área das  Tecnologias da Informação e  da Comunicação. A propósi‐ to de uma parceria com a  Santa Casa na implementa‐ ção de um novo software de  gestão o Renascer esteve à  conversa com Rui Pinto,  administrador da empresa.    Renascer  ‐  Há  uma  reestru‐ turação  que  está  a  ser  feita  na SCMS a nível da gestão da  Instituição.  Que  contributo  está a ser dado pela empresa  Acidados  nessa  reestrutura‐ ção?  Rui  Pinto  ‐  Tudo  estamos  a  fazer para que esse contribu‐ to seja muito positivo. A Aci‐ dados  foi  contratada  para  implementar  e  aprimorar  uma  instalação  do  software  PHC  já  existente,  nas  áreas  de  Pessoal,  Gestão,  Contabi‐ lidade  e  Imobilizado.  O nosso contributo começou  por  ser  meramente  técnico,  na  área  de  software,  mas  com  o  desenrolar  da  imple‐ mentação  passou  a  ser  mais  abrangente,  incluindo  neste  momento toda a área organi‐ zativa de processos e de ser‐ viços  ou  valências.  Não  tomamos  qualquer  decisão,  mas  contribuímos,  e  muito,  para  a  discussão  e  para  a  implementação  e  melhora‐ mento  de  processos,  junta‐ mente com a Direcção Finan‐ ceira  e  com  o  Provedor  da  Instituição.  Todo  o  trabalho  8 

de  implementação  do  soft‐ ware  PHC  está  a  ser  feito  com  base  na  análise  de  pro‐ cessos  que  existiam  e  que  propusemos  que  fossem  modificados  para  uma  melhor  percepção  da  Insti‐ tuição  e  dos  seus  responsá‐ veis. Por tudo isto, considero  que  o  nosso  contributo  para  a  organização  da  gestão  da  Santa  Casa  está  a  ser  positi‐ vo,  com  obstáculos  que  têm  sido  desafiantes,  mas  a  con‐ clusão do projecto trará, sem  dúvidas,  mais‐valias  para  a  Instituição  no  seu  todo.    R ‐ Em breve pretende‐se que  o  software  PHC  venha  a  ser  utilizado  por  todos  ou  quase 

duzida  de  forma  rápida,  efi‐ ciente e que depois seja utili‐ zada em análises. É para isto  que todos ou quase todos os  funcionários  da  Instituição  vão trabalhar, estando alguns  deles já a fazê‐lo. O processo  de  implementação  do  soft‐ ware PHC vai abranger todas  as  áreas  da  Misericórdia.  A  título  exemplificativo,  quan‐ do  alguém  chegar  à  Institui‐ ção e quiser fazer uma inscri‐ ção  numa  das  valências,  o  processo será feito dentro do  software  PHC  e,  utilizando  ferramentas  do  próprio  soft‐ ware,  será  desencadeada  uma  série  de  informação  a  tratar  pelo  responsável  de  cada área. 

todos  os  funcionários  da Ins‐ tituição.  De  forma  o  mais  simples  possível,  explique  que  ferramenta  de  trabalho  é esta?  RP  ‐  O  software  PHC  é  uma  aplicação  informática  de  Gestão (ERP ‐ Enterprise Res‐ source  Planning)  que  abran‐ ge  muitas  áreas  de trabalho,  entre  as  quais  a  facturação,  compras,  recebimentos,  pagamentos,   vencimentos  de  funcionários,  stocks,  imo‐ bilizado e contabilidade. Mas  para  que  toda  a  informação  colocada  no  programa  seja  útil  é  preciso  que  seja  intro‐

Outro  dos  processos  que  estamos  a  desenvolver  é  o  dos  cuidados  aos  utentes.  Qualquer  tipo  de  cuidado  prestado  será  registado  pelo  funcionário, para que se con‐ siga, em qualquer altura, for‐ necer  informação  aos  técni‐ cos,  aos  responsáveis  de  valência  e  aos  familiares,  sobre  de  que  forma  foram  prestados  os  cuidados,  por  quem,  a  que  horas  e  a  que  dias.  A  nível  dos  funcionários  vamos  ter  um  processo  de  registo  de  refeições  (marcações e consumo) para 

Rui Miguel Pinto  Administrador ACIDADOS 

uma  melhor  organização  do  sector da cozinha, que deve‐ rá saber diariamente quantas  refeições  tem  de  preparar  e  quantas  marcações  de  fun‐ cionários  existem.  Neste  momento  toda  a  correspon‐ dência  que  chega  à  institui‐ ção  já  é  digitalizada  e  envia‐ da pelo software PHC para os  respectivos  destinatários,  poupando‐se assim um enor‐ me valor em cópias. Todas as  requisições  ao  armazém  também já são feitas por um  processo  interno  registado  no software PHC após valida‐ ção  do  departamento  finan‐ ceiro.  As  respectivas  entre‐ gas  são  igualmente  regista‐ das  dentro  do  software  PHC. Em suma, com o registo  dos  processos  no  software  todos (de acordo com as res‐ pectivas  autorizações)  terão  acesso  à  informação  que  necessitam  de  forma  rápida  e  útil.  É  importante  a  envol‐ vência de todos os colabora‐ dores  para  que  a  implemen‐ tação do PHC tenha sucesso,  e é para isso que temos esta‐ do  a  trabalhar.    R ‐ De que forma o PHC será 


RENASCER  utilizado  pelos  funcionários  da  Instituição?  RP ‐ Hoje em dia a tendência  do  mercado  é  a  mobilidade.  Todos  nós  usamos  equipa‐ mentos  que  nos  permitem  aceder  de  forma  rápida  à  informação,  entre  eles  os  tablets  ou  os  smartphones.  Conforme  a  área  de  inter‐ venção  dos  funcioná‐ rios   assim  será  o  acesso  ao  registo  de  informação.  Em  termos  práticos  aquilo  que  estamos  a  idealizar  é  o  seguinte:  a  funcionária  res‐ ponsável  pelos  cuidados  de  higiene  de  um  utente,  terá  na sua posse um equipamen‐ to  com  leitura  NFC  (Comunicação  de  Campo  Próximo  ‐  Near  Field  Com‐ munication)  que  irá  permi‐ tir identificar o quarto onde  irá  realizar  a  tarefa,  conse‐ quentemente irá, neste mes‐ mo  equipamento,  ter  a  pos‐ sibilidade  de  identificar  o  utente  e  iniciar  a  sua  tarefa, 

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identificando  os  materiais  e  o  tempo  gastos  para  execu‐ ção  da  mesma.  Após  o  final  da  tarefa,  esta  ficará  regista‐ da  no  software  PHC,  a  res‐ ponsável  de área  sabe  assim  de  uma  forma  rápida  que  a  mesma foi executada e quan‐ tas mais faltam executar. Este  exemplo  tem  a  ver  com  os  cuidados  de  higiene,  mas  aplica‐se  também  às  tarefas  relacionadas  com  a  medica‐ ção,  situações  de  urgência,  actos  médicos,  refeições,  no  fundo tudo o que diz respei‐ to  ao  trabalho  directo  com  os utentes nas instalações da  SCMS.  O  Serviço  de  Apoio  Domiciliário,  terá  acesso  à  mesma  tecnologia,  havendo  registo  da  entrega  de  refei‐ ções,  permitindo,  por  exem‐ plo, que em caso de ausência  do utente se possa ter a cer‐ teza  que  o  Serviço  de  Apoio  Domiciliário  lá  esteve  (utilizando  georreferencia‐ ção)  e  assim  eserá  enviada 

uma  mensagem  SMS  aos  familiares,  alertando  para  esta  situação.  Nas  áreas  em  que  a  mobilidade  não  é  necessária  usar‐se‐ão  os  tra‐ dicionais  computadores  como  forma  de  aceder  ao  PHC.  R  ‐  Sendo  que  a  SCMS  tem  pessoas  como  "matéria‐ prima",  não  acha  que  o  modelo de gestão que está a  ser  implementado  poderá  contribuir para uma desuma‐ nização  dos  cuidados?  RP  ‐  A  primeira  tendência  é  exactamente  essa, a de pen‐ sar‐se  que  tudo  o  que  esta‐ mos a desenvolver e a imple‐ mentar  é  uma  desumaniza‐ ção  dos  cuidados,  mas  na  minha  perspectiva  quanto  mais  registos  e  informação  existir  melhor  se  pode  deci‐ dir  e  actuar,  corrigindo  acções  e  humanizando  mais  os  cuidados  aos  utentes.  Cada  vez  é  mais  importante  o  rápido  acesso  à  informa‐

ção, nos dias de hoje é mes‐ mo crucial ter dados a tempo  e horas. A SCMS, na figura do  seu  Provedor,  tem  como  preocupação  principal  a  melhoria  contínua  no  desempenho  dos  colabora‐ dores e prestadores de servi‐ ços e a procura constante de  soluções  no que diz  respeito  ao bem‐estar  e conforto dos  utentes. É neste  sentido  que  estamos  a  desenvolver  o  nosso  trabalho,  queremos  dotar  os  colaboradores  de  meios  tecnológicos  para  que  possam  cada  vez  prestar  melhor  os  serviços  necessá‐ rios  para  que  os  utentes  se  sintam  melhor  e  mais  acom‐ panhados. Isto do nosso pon‐ to  de  vista  não  desumaniza  os cuidados, muito pelo con‐ trário,  aproxima  os  utentes  da  Instituição,  pelos  bons  serviços prestados.  

Informações Úteis SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SINES 

Acção Social (Lares, Centro de Dia, Apoio Domiciliário) 

Avenida 25 de Abril, n.º 2  Apartado 333  7520‐107 SINES  Site: www.scmsines.org  Email: scmsines@mail.telepac.pt 

Tel. 269630460 | Fax. 269630469  Email: social.scmsines@mail.telepac.pt  Horário de Atendimento: 09h00‐13h00 | 14h00‐17h00 

 

Provedoria  Tel. 269630462 | Fax. 269630469   Email: provedoria.scmsines@mail.telepac.pt  Horário de Atendimento: 09h00‐13h00 | 14h00‐16h00   

Secretaria  Tel. 269630460 | Fax. 269630469   Email: secretaria.scmsines@mail.telepac.pt  Horário de Atendimento: 09h00‐13h00 | 14h00‐16h00     

 

 

Infantário “Capuchinho Vermelho”  Telem. 967825287   Email: infantario.scmsines@mail.telepac.pt   Horário de Funcionamento: 07h45‐19h45   

Outros Contactos:  Animação:  animacao.scmsines@mail.telepac.pt   Gabinete de Informação:  gab‐info.scmsines@mail.telepac.pt   Gabinete de Psicologia:  gab‐psico.scmsines@mail.telepac.pt   Recursos Humanos:  rh.scmsines@mail.telepac.pt   9 


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Á CONVERSA COM...

Domingos Casa Branca

Domingos  António  Casa  Branca,  poeta  popular  de  76  anos,  nasceu  a  1  de  Junho  de  1937 no Monte  dos  Salgados  da  Várzea,  na freguesia de Cercal do  Alentejo. Os tempos mais  remotos  da  sua  vida  não  lhe  deixaram  boas  recor‐ dações,  já  que  perdeu  os  pais  demasiado  cedo.  «A  minha mãe morreu, tinha  eu  6  anos  de  idade  e  por  isso  fiquei  a  viver só  com  o meu pai. Eramos a com‐ panhia  um  do  outro  e  eu  ajudava‐o  sempre  que  podia.  Recordo‐me  que  migava  pão  caseiro  para  10 

fazer  sopas,  e  levava‐as  ao  campo,  onde  o  meu  pai  trabalhava.  Nesse  tempo  chamavam‐me  ‘o  puto  do  Ti  Casa  Branca’.  Mais  tarde,  aos  9  anos,  voltei  a  sofrer  um  duro  golpe  quando  o  meu  pai  morreu  de  repente.  Foi  uma  infelicidade.»  Da  mãe,  Domingos  Casa  Branca  ficou  com  uma  leve recordação, ao passo  que do pai lhe ficaram as  melhores  referências.  «Lembro‐me  perfeita‐ mente  de  um  dia  estar  sentado  ao  Sol,  ao  pé  de  casa, e a minha mãe che‐

gar  com  um  passarinho  na  mão  e  dizer‐me:  ‘Não  podes estar aí ao Sol por‐ que  faz‐te  mal.  Não  vês  este  passarinho,  também  esteve  muito  tempo  ao  Sol  e  agora  já  não  pode  voar!  A  sua  sorte  fui  eu,  que  o  salvei.’  É  a  única  lembrança  que  tenho  dela.  Do  meu  pai  guardo  as  melhores  recordações,  era  um  homem  trabalha‐ dor,  não  sabia  ler  nem  escrever,  mas  isso  não  o  impedia de tocar guitarra,  cantar e fazer poesia, gos‐ to  que  passou  para  mim,  e  que  ao  que  sei  até  já 

vinha  do  meu  avô  pater‐ no.»  Antes  do  falecimento  de  seu  pai,  Domingos  recor‐ da, ainda que vagamente,  as  brincadeiras  de  crian‐ ça.  «Não  havia  condições  para  brincadeiras,  ainda  assim  não  me  esqueço  que  gostava  muito  de  brincar  com  um  arquinho  em  ferro,  que  se  equili‐ brava com um gancho.» A  sua  família,  como  quase  todas  nesse  tempo,  era  numerosa.  Domingos  tinha 9 irmãos, 7 da parte  da  mãe  e  2  da  parte  do  pai,  por  isso  a  necessida‐


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de  de  ajudar  no  sustento  da  casa  afastou‐o  da  escola  e  levou‐o  a  traba‐ lhar  no  campo,  desde  muito cedo. «A morte dos  meus  pais  foi  o  que  mais  me  marcou  na  minha  infância.  Quando  me  vi  sozinho  no  mundo  –  os  meus  irmãos  eram  todos  mais  velhos  e  já  tinham  as suas vidas orientadas –  senti‐me  muito  infeliz.  Estive  quase  para  ir  para  a  Casa  Pia,  mas  fui  viver  com  uma  das  minhas  irmãs  e  aí  comecei  a  tra‐ balhar  no  campo.  Eu  tinha apenas 10 anos e o  meu  cunhado,  que  não  era  muito  meu  amigo,  queria  que  trabalhasse  com  uma  charrua  e  que  cuidasse do gado. Era um  trabalho muito duro para  mim e que me obrigava a  passar  muito  tempo  sozi‐ nho.»  Ao  fim  de  quase  um  ano  a  viver  com  a  irmã  e  com  o  cunhado,  Domingos  Casa  Branca  decidiu  procurar  outro  rumo  para  a  sua  vida.  «Numa  madrugada  de  Novembro fugi de casa da  minha irmã. Não me sen‐ tia  feliz  e  tinha  muito  medo  do  meu  cunhado.  Por isso ‘fiz‐me à estrada’,  levando  pouco  mais  do  que  a  roupa  do  corpo.  Passei fome e frio e andei 

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muito  a  pé,  até  chegar  a  casa  dos  meus  padrinhos  em Cercal do Alentejo. Foi  aí  que  a  minha  vida  se  modificou.»  Domingos  passou  então  a  viver  no  lugar  dos  Salgadinhos  na  companhia de seus padri‐ nhos.  Por  lá  se  manteve  até  completar  16  anos,  ocupando‐se  do  trabalho  no  campo  e  a  pastorear 

ganhar  o  meu  dinheiri‐ nho,  formar  família  e  ter  casa  própria.»  Este  seu  desejo acabou por se con‐ cretizar  quando  Domin‐ gos  Casa  Branca  casou,  tinha então 25 anos, vivia  na zona de São Domingos  da  Serra  e  trabalhava  como  pastor.  «Casei,  fui  viver  para  uma  casinha  simples,  alugada  e  que 

 

cretização  de  um  sonho  antigo.  «Nessa  altura  aprendi a ler e a escrever  com  um  senhor  que  ensi‐ nava  os  adultos  em  casa.  Foi  uma  satisfação  enor‐ me  pois  pude  finalmente  pôr  em  prática  a  minha  veia  de  poeta.»  A  partir  dessa  altura,  mas  princi‐ palmente  depois  de  se  reformar,  aos  51  anos, 

Domingos Casa Branca na companhia de outros utentes da Misericórdia 

animais.  «Ajudava  os  meus  padrinhos,  que  eram  pessoas  remedia‐ das.  Tenho  boas  recorda‐ ções  dos  tempos  em  que  vivi  com  eles.  Nunca  me  faltou  nada  daquilo  que  precisava  para  viver.  Quando fiz 16 anos, era já  homem  feito,  tomei  a  decisão  de  sair  de  casa  deles  porque  queria 

não  tinha  mordomias,  mas  era  suficiente  para  viver  com  dignidade.  Do  meu  casamento  nasce‐ ram  as  minhas  duas  filhas,  que  são  a  sorte  maior que tive na vida.»  Por  volta  dos  34  anos,  uma grave doença impos‐ sibilitou  Domingos  Casa  Branca  de  trabalhar,  sen‐ do  assim  possível  a  con‐

Domingos  Casa  Branca  escreveu  todos  os  poe‐ mas  que  lhe  preenchiam  o pensamento e em 2001,  já  com  mais  de  60  anos,  editou  o  primeiro  livro  autobiográfico  intitulado  “Minha vida meu desgos‐ to”. Em 2008 publicou um  segundo  livro,  também  este  autobiográfico,  ao  qual  decidiu  chamar  11 


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“Tempos  passados  na  minha  vida”.  «Os  livros  que  publiquei  têm  poesia  e  prosa  sobre tudo  o  que  aconteceu  de  bom  e  de  mau na minha vida. Até a  minha vinda para a Santa  Casa  da  Misericórdia  de  Sines  está  lá  retratada.»  A  vinda  de  Domingos  Casa  Branca  para  o  Lar  Anexo  1  da  Misericórdia  de  Sines  aconteceu  a  10  de  Maio  de  2004.  Hoje,  mais de 9 anos passados,  este  utente  está  perfeita‐ mente  adaptado,  sendo  até  um  dos  idosos  mais  activos e que mais partici‐ pa  nas  actividades  que 

Domingos Casa Branca com   cerca de 20 anos 

diariamente se organizam  na  Instituição.  «Vim  para  a  Santa  Casa  por  razões  de saúde e para não ficar  dependente  das  minhas  filhas. Tenho aqui um sítio  onde a comida, a cama e  a  roupa  lavada  são  uma 

certeza.  Nem  tudo  calha  bem,  mas  isso  nem  em  nossa casa acontece. Dou  as  minhas  voltinhas,  par‐ ticipo nas actividades que  mais me agradam e o que  posso  dizer  é  que  nunca  tinha  tido  uns  dias  tão  bons  como  os  que  tenho  nesta  casa.  São  dias  sem  preocupações.»  Do  passado,  Domingos  Casa  Branca  recorda  com  saudade  um  modo  de  vida  diferente.  «Não  sei  explicar  muito  bem,  mas  antigamente  as  pessoas,  apesar  de  pobres  –  raro  era  por  exemplo  aquele  que possuía uma bicicleta 

Domingos Casa Branca na sua actividade de pastor 

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–, não eram esmorecidas.  Vivia‐se  com  alegria,  até  mesmo  no  trabalho,  e  as  pessoas  conviviam  e  aju‐ davam‐se mais. Trabalha‐ va‐se muito, do Sol nascer  ao  Sol  posto,  sem  férias  nem  folgas,  mas  o  dia‐a‐ dia  era  passado  a cantar.  Desses  aspectos  tenho  saudades,  agora  das  tris‐ tezas e da dureza da vida  não tenho nenhumas.»  Quanto  ao  futuro Domin‐ gos  Casa  Branca  não  tem  muito  a  dizer  pois  de  acordo  com  as  suas  pala‐ vras  «sabe‐se  lá  o  tempo  que  ainda  temos  para  viver…»  No  entanto,  um  excerto  de  um  dos  seus  poemas  ilustra  a  visão  que  este  idosos  tem  do  futuro:   Será o que Deus quiser  Eu não posso é esmorecer   Vou  brigando  para  me  defender  A tudo aquilo que eu puder  O que o destino a mim me  der  Eu não posso dizer que não  Peço  que  me  escutem  com  atenção  Tenham dó deste velhinho   Tratem‐me com paciência e  carinho  Esta é a última solução  


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POESIA Prestando homenagem a todos os amantes de poesia e porque nesta edição o Renascer destaca a vida de um  dos poetas populares que reside na Misericórdia de Sines, publicamos um poema de sua autoria sobre o gosto  de fazer poesia.  Esta quadra fiz eu dedicada ao poeta. Como gosto de ouvir poesia dos outros, também gosto de fazer poesia  minha  Mote 

A poesia bem completa  Nem todos a sabem fazer  O poeta pr’a ser poeta  É o poeta que sabe ser  I 

III 

Eu não sou poeta afamado 

Para qualquer lado que me volte 

Comecei já de velha idade 

Eu faço a minha poesia 

Mas faz rir a sociedade 

Nasci com esta sabedoria 

O que eu deixo escriturado 

Faço uma quadra e o mote 

Eu sou um autor apurado 

Digo em poesia o meu dichote 

Faço a minha poesia certa 

Sou pessoa muito honesta  

De minha ideia faço mais esta 

E gosto de ouvir quem se manifesta 

Não posso o meu dote perder 

Quem acerta não errou 

Tenho feito por eu saber 

E todos os pontos bem versou 

A poesia bem completa 

O poeta pr’a ser poeta 

 

 

II 

IV 

É preciso eu não errar 

Quem é poeta poetisa 

E pensar antes de eu escrever 

Faz cantigas bonitas e canções 

Para erros eu não os ter 

E faz obra óptima em condições 

Nunca posso o ponto pisar 

De sua ideia improvisa 

Escrevo o ponto em seu lugar 

Faz a poesia como é precisa 

Na poesia que pertencer 

Tem um bonito proceder 

Para o leitor quando vai ler 

E sabe a poesia bem conhecer 

Lê a obra bem apurada 

Se está bem ou está mal 

Esta poesia bem trabalhada 

E tem o nome de profissional 

Nem todos a sabem fazer 

É o poeta que sabe ser. 

 

Domingos Casa Branca

Espaço Informativo da Santa Casa da Misericórdia de Sines na Rádio Sines 

TERÇAS-FEIRAS 11:15 | SEXTAS-FEIRAS 15:40 | DOMINGOS depois das 09:00 13 


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NOVA COLABORAÇÃO COM VOLUNTÁRIAS DA POLÓNIA bem.  Esta  parceria  foi  um  sucesso,  foi também uma mais‐valia para a  Instituição e penso que igualmente  para as voluntárias.»  Carla Camocho   

Actuação dos utentes com as voluntárias polacas 

Durante  o  mês  de  Junho,  duas  voluntárias  vindas  da  Polónia  esti‐ veram a colaborar com a Misericór‐ dia  de  Sines,  dinamizando  acções  com  os  idosos.  Maria,  pintora,  e  Jadwinga,  coreografa,  desenvolve‐ ram actividades relacionadas com a  obra  “O  Principezinho”  de  Saint  Exupéry. Os idosos além de ficarem  a  conhecer  a  história,  fizeram  pin‐ turas,  flores  de  papel  e  pequenos  trabalhos  manuais.  Além  disso  ensaiaram  exercícios  que  culmina‐ ram  numa  apresentação  feita  no  Salão  Social,  no  dia  27  de  Junho,  último  dia  em  que  as  voluntárias  marcaram presença na Instituição.  Esta  colaboração  aconteceu  mais  uma  vez  no  âmbito  do  projecto  “Grundtvig – Promover a Educação  ao longo da vida”, projecto comuni‐ tário do qual a Associação Prosas –  Universidade Sénior de Sines é par‐ ceira.   Carla  Camocho,  responsável  pelo  Serviço  de  Animação  Sociocultural  14 

na Misericórdia e Assunção Duque,  presidente da Direcção da Associa‐ ção  Prosas,  deixaram  o  seu  teste‐ munho  sobre  esta  actividade  que  muito  entusiasmou  os  utentes  da  Misericórdia.  «Apesar  de  não  ser  possível  uma  comunicação  directa  entre  os  ido‐ sos  e  as  voluntárias,  e  de  muitos  deles  não  conhecerem  a  obra  “O  Principezinho”,  estas  semanas  foram  muito  positivas. As  activida‐ des  foram  bem  aceites  pelos  uten‐ tes e com algum entendimento ges‐ tual  à  mistura,  as  coisas  correram 

«Esta iniciativa foi um encanto e as  voluntárias  encantaram!  A  história  “O Principezinho” é muito bonita e  eu  recomendo  às  pessoas  que  a  leiam e que partilhem o sonho e as  emoções que a história transporta.  Embora  houvesse  a  barreira  lin‐ guística,  conseguiu‐se  transmitir  o  espírito  e,  na  apresentação  final,  fiquei  totalmente  encantada  por  ver os idosos da Santa Casa a inte‐ ragirem  e  actuarem  com  as  volun‐ tárias.  Foi  muito  gratificante!  O  projecto já acabou, tivemos cá três  grupos  diferentes  de  voluntários  e  agradecemos à Santa Casa a forma  como nos receberam. Para o Prosas  foi  muito  bom  em  termos  de  emo‐ ções  e  de  partilha  do  nosso  tempo  e  da  nossa  disponibilidade  com  os  que mais precisam.»  Assunção Duque    

Os alunos do Prosas também participaram na actividade 


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BREVES

25 DE ABRIL A Revolução de Abril foi, mais uma vez, comemorada na  Santa  Casa  com  a  presença  da  Banda  Filarmónica  da  Sociedade  Musical  União  Recreio  e  Sport  Sineense,  no  dia 25 de Abril. A Banda presenteou os utentes da Mise‐ ricórdia com uma actuação no Salão Social e no Lar Ane‐ xo II. No final houve distribuição de cravos por parte da  direcção  da  Instituição.  Os  utentes  também  assistiram  ao  filme  “Capitães  de  Abril”,  de  Maria  de  Medeiros,  recordando  com  entusiasmo  esse  momento  único  da  história de Portugal em que também foram participantes  activos.  

VISITA A FÁTIMA No dia 30 de Abril os elementos do grupo coral da Mise‐ ricórdia, alguns voluntários e utentes da Instituição via‐ jaram até Fátima para visitarem o Santuário e o Museu  “Vida de Cristo”. Esta viagem, organizada pelo Serviço de  Animação Sociocultural, aconteceu como forma de agra‐ decimento  à  dedicação  dos  membros  do  grupo  coral  e  dos voluntários da nossa Instituição.  

V OUTLET Dias  5  e  6  de  Julho  a  Misericórdia  organizou  mais  um  Outlet,  no  qual  foram  disponibilizados  ao  público  em  geral e aos utentes da Instituição artigos novos que são  doados  à  Misericórdia.  Esta  iniciativa  aconteceu  mais  uma  vez  no  Salão  Social  onde  estiveram  expostas  rou‐ pas, calçado e alguns artigos para o lar. Muitas pessoas  visitaram a Misericórdia nesse dia, incentivando a reali‐ zação de futuras edições do Outlet.   

O NOSSO MANJERICO A Misericórdia de Sines participou no concurso “Não há manjerico melhor que o meu” pro‐ movido pela Câmara Municipal de Sines, com um manjerico elaborado por colaboradores,  voluntários  e  utentes.  O manjerico  esteve  exposto  no  dia  22  de  Junho,  junto  aos  antigos  correios, na Feira dos Santos Populares.    

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OS SANTOS POPULARES NA MISERICÓRDIA A época dos Santos Populares não  passou em branco na Misericórdia  de  Sines.  Como  habitualmente,  a  Instituição  engalanou‐se  para  comemorar  o  Santo  António,  no  dia 13 de Junho.  Nesse  dia,  o  Salão  Social  acolheu  grande parte dos idosos da Institui‐ ção  que  se  juntaram  para  partici‐ par  num  baile  popular  abrilhanta‐ do  pelo  acordeonista  da  região,  Nuno Silva. As crianças do Infantá‐ rio “Capuchinho Vermelho” partici‐ param  igualmente  na  festa,  conta‐ giando todos com a sua alegria e, a  convite  da  Santa  Casa,  utentes  do  Centro  de Dia  de  Porto  Covo  e  da  Casa  do  Povo  de  Melides  também  marcaram presença.  Durante o baile, o lanche foi servi‐ do no Salão Social e incluiu linguiça  assada,  sandes,  alguns  bolos  e  outros  doces,  sangria  e  os  tão  apreciados caracóis. 

No  dia  13  de Junho, para  além  da  ração do Santo António:  festa  de  Santo  António,  a  Miseri‐   «O  baile  de  hoje  fez‐me  recordar  os  córdia  de  Sines  comemorou  tam‐

meus  tempos  de  menina  em  que  se  fazia  o  mastro  na  rua,  enfeitado  com  pão,  e  todos  cantavam  e  dançavam.  Juntavam‐se  muitas  raparigas  e  era  tudo  muito  bonito.  Nalgumas  ocasiões  até se lançavam foguetes e quase sem‐ pre se fazia uma fogueira, com rosma‐ ninho,  e  eu  até  era  moça  capaz  para  saltar a fogueira… Não tinha medo! Era  tudo  muito  divertido,  só  ficava  triste  O baile   quando  o  meu  pai  não  nos  deixava  ir  ao baile.  bém  o  aniversário  da  sua  utente  Hoje correu tudo muito bem, gostei de  mais velha, Isabel Meco, que cele‐ ver  as  pessoas  de  fora  que  cá  estive‐ brou, nesse mesmo dia, 103 prima‐ ram.  O  bailarico  esteve  muito  bom,  veras. Além do tradicional bolo de  comi muitos caracóis, até encher a bar‐ aniversário, esta nossa utente con‐ riguinha, e uma fatia de bolo da aniver‐ sariante. Gostei muito!»  tou  com  a  presença  de  amigos  e  Idalina Rosa, 80 anos 

familiares  que  com  ela  quiseram  partilhar o momento.  No final da festa as utentes Idalina  Rosa  e  Luísa  Duarte  deixaram  as  suas  opiniões  acerca  da  comemo‐

Comemoração do 103º Aniversário de Isabel Meco que completou 103 anos  16 

 

«Antigamente  comemoravam  o  Santo  António  fazendo  um  mastro  no  qual  todos  cantavam,  pois  não  havia  acor‐ deonistas  como  há  hoje.  As  raparigas  cantavam  versos  aos  rapazes  e  eles  às  raparigas,  e  assim  se  arranjavam  namoricos.  O  Mastro  ficava  feito  do  Santo  António  ao  São  João.  Era  tudo  muito composto e muito divertido, mas  diferente do que é hoje. Os bailes dura‐ vam  até  de  manhã,  e  recordo‐me  que  ninguém se cansava! Não havia dores e  as  raparigas  não  podiam “dar cabaço”  aos rapazes, ou seja, não podiam recu‐ sar  um  pedido  para  dançar.  No  dia  seguinte  íamos  trabalhar  logo  cedo…  Eram outros tempos…   Hoje  o  baile  foi  muito  bom  e  bonito.  Quem  pôde,  dançou,  o  lanche  estava  muito  composto,  com  fartura  de  cara‐ cóis  e  outras  coisas  boas.  Podiam  ser  todos os dias assim… dias de festa!»  Luísa Rodrigues, 88 anos  


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FOTOREPORTAGEM - UTENTES SEMPRE EM ACTIVIDADE

Visita de jovens do C. S. do Catujal Visita de jovens do C. S. do Catujal   Banho 29  

Visita a Fátima  Dia dos Avós  

Visita ao Parque das Águas  Visita ao Parque das Águas   

Intercâmbio entre Misericórdias (Santiago do Cacém)  18 

Oficina dos Sentidos  

Tarde Dançante  


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PARTICIPAÇÃO NA FEIRA NA AVENIDA Entre  os  dias  14  e  18 de Agosto,  a  Misericórdia  de  Sines  marcou  pre‐ sença na Feira na Avenida organiza‐ da pela Câmara Municipal de Sines,  na  Avenida  Vasco  da  Gama.  Este  certame  contou  com  várias  diver‐ sões, stands de artesanato e produ‐ tos  tradicionais.  A  participação  da 

Misericórdia consistiu na exposição  de  diferentes  trabalhos  manuais  elaborados  pelos  utentes,  entre  os  quais  rendas,  bordados,  trabalhos  em  madeira,  pinturas  e  malhas.  O  stand  da  Misericórdia  recebeu  vários visitantes e os nossos idosos  tiveram inclusivamente a oportuni‐

dade  de  trabalhar  ao  vivo.  Muitas  pessoas  adquiriram  os  artigos  expostos  ajudando  assim  a  Miseri‐ córdia e os seus utentes, e incenti‐ vando estes a fazerem novos traba‐ lhos para uma participação futura. 

Os trabalhos feitos pelos utentes 

Os utentes de visita à Feira  O stand da Misericórdia  PUB 

MATERIAL MÉDICO-HOSPITALAR, LDA. Rossio da Estação, nº 11 7940-196 Cuba Telf.: 284 41 41 39 Fax: 284 41 41 67 Contribuinte nº 503 841 455 E-mail: geral@alquimed.pt

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CEMETRA

Centro de Medicina do Trabalho da  Área de Sines  Rua Júlio Gomes da Silva, n.º 15   7520‐219 SINES  Tel.: 269633014    Fax: 269633015  E‐mail: cemetra@netvisao.pt  Site: www.cemetra.pt 

AGRADECIMENTO  

O “Renascer” agradece a todos os patrocinadores e amigos que contribuíram para que este meio de  comunicação da nossa Instituição se tornasse uma realidade.  Uma vez que é nosso objectivo melhorar gradualmente a forma e os conteúdos deste boletim informati‐ vo, assim como aumentar a sua tiragem e, consequentemente, divulgá‐lo junto de um público cada vez  mais vasto, revela‐se de grande importância o apoio destes e de outros patrocinadores.  Obrigada por nos ajudarem a sermos melhores!   20 


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