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Esperança Revista

Ano V – nº 13 – 1º semestre de 2015

Vida Consagrada: 2015 – Ano da Vida Consagrada

Evangelho, Profecia e Esperança

Entrevista com Dom João Braz de Aviz

Relembrando as comemorações oficiais da Beatificação

Consagradas na Igreja a serviço do migrante


Revista Esperança Ano V – nº 13 – 1º semestre de 2015

Vida Consag�ada: 2015  ANO DA VIDA CONSAGRADA

Evangelho, Profecia e Esperança

Entrevista com Dom João Braz de Aviz

Relembrando as comemorações oficiais da Beatificação

Consagradas na Igreja a serviço do migrante

Capa: Retrato oficial da Bem-aventurada Assunta Marchetti. Autora: Natalia Tsarkova

Revista Esperança Publicação semestral das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas Província Nossa Senhora Aparecida Julho de 2015

Caros Leitores.................................................................... 1 Em vista de ousadas decisões evangélicas........................... 2

Diretora Ir. Sandra Maria Pinheiro, mscs Superiora Provincial

Entrevista com Dom João Braz de Aviz............................... 4

Coordenação Geral Ir. Eva Lecir Brocco, mscs Conselheira e Secretária Provincial

Testemunho da ternura e da alegria de Deus...................... 6

Direção de Redação Ir. Elizangela Chaves Dias, mscs Ir. Rosa Maria Martins Silva, mscs Ir. Eva Lecir Brocco, mscs Colaboradoras Ir. Cecilia Tada, Carmelita Missionária stmj Ir. Elizangela Chaves Dias, mscs Ir. Erta Lemos, mscs Ir. Eva Lecir Brocco, mscs Hna. Mercedes Leticia Casas Sanchez, fsps Ir. Rosa Maria Martins Silva, mscs Ir. Sandra Maria Pinheiro, mscs Ir. Terezinha Santin, mscs Ir. Valdete Wilemann, mscs Jornalista Responsável Ir. Rosa Maria Martins Silva, mscs Reg. Profissional – 10693/DF Revisão Geral Naya Fernandes Fotografias Arquivo da Congregação MSCS e Província NSA Moisés Moraes Diagramação e Arte Inês Ruivo – HI Design Impressão e Acabamento Edições Loyola Rua 1822, nº 347 04216-000 – São Paulo – sp Tel (55 11) 3385-8500 Tiragem 1000 exemplares Contato Província Nossa Senhora Aparecida Praça Nami Jafet, 96 – 04205-050 – Ipiranga São Paulo – SP – Brasil Tel (11) 2066-2900 www.mscs.org.br e-mail: secretaria@mscs.org.br

Fundamento bíblico da consagração religiosa..................... 8 Consagradas para a missão............................................... 10 Consagradas na Igreja a serviço do migrante.................... 12 “Cara feia? Nunca! Alegria? Sempre!” Entrevista com Irmã Domitila.......................................... 15 Missão em Siracusa: Um novo começo ou continuação de outra história?......... 16 Madre Assunta – Modelo de consagrada para as Scalabrinianas e para a Igreja............................... 18 A Vida Consagrada que eu amo....................................... 20 Relembrando as comemorações oficiais da Beatificação..................................................... 21


Caros Leitores

É

pixabay.com

uma alegria poder apresentar esta edição da Revista Esperança a qual tem como tema central a Vida Consagrada Scalabriniana. Recordo-me de um pensamento do documento Perscrutai, do Papa Francisco, dirigido aos Consagrados e Consagradas no qual nos convida a estarmos “sempre a caminho com aquela virtude que é uma virtude peregrina: a alegria” e, ao longo da caminhada vocacional, nos chama a reler a nossa história pessoal e de nossa Congregação sob a ação constante e presente da pessoa de Jesus Cristo que nos chama, consagra e envia para uma missão na Igreja e no mundo! Os artigos aqui publicados nos motivam a continuarmos nossa caminhada cotidiana sob o olhar materno e compassivo de Deus que têm nos acompanhando com tantas graças e proteção, descobrindo o rosto de Cristo Peregrino nas pessoas que cruzam nossos caminhos, sendo presença de esperança, profecia e anúncio do Evangelho. A entrevista de Dom João Aviz sobre a Vida Consagrada nos fala de temas importantes como o lugar da mulher na Igreja, as relações entre Vida Consagrada e Clero, os novos documentos alusivos aos bens dos Institutos, etc. Outras matérias não menos importantes aprofundam a temática da Vida Consagrada desde a dimensão bíblica e teológica, mostrando-nos a importância de viver este tempo como um momento Kairós, tempo decisivo para uma profunda renovação da vida religiosa consagrada na Igreja e no mundo. Os testemunhos apresentados de Missionárias Scalabrinianas nos levam a entrever as maravilhas que Deus opera na vida das pessoas que se consagram e entregam com generosidade a serviço do Reino, trazendo ao mundo de hoje mais que palavras, testemunhos de misericórdia, de compaixão e de ternura do Senhor, para aquecer os corações, despertá-los para a esperança e atrai-los para o bem. Muito importante são os artigos de reflexão sobre a Bem-aventurada Assunta Marchetti, pois, como disse Dom Paulo Evaristo Arns: “Ela é um modelo de vida consagrada e de missionariedade para os tempos modernos”. Num pequeno encarte trazemos presente o evento da Beatificação de Assunta Marchetti, celebrado no dia 25 de outubro de 2014, na Catedral Metropolitana de São Paulo, para fazer memória viva dos fatos, lugares e pessoas que marcaram também as celebrações do Ano da Vida Consagrada Scalabriniana. Que a Bem-aventurada Assunta Marchetti, modelo de vida consagrada e missionária scalabriniana, seja para todos nós uma luz que ilumina o caminho por onde devemos caminhar rumo à nossa Santidade, alcançando-nos graças para sermos totalmente de Deus no serviço aos irmãos mais pobres e necessitados da migração! A todos(as) boa leitura! Ir. Sandra Maria Pinheiro, mscs Superiora Provincial Esperança | 1º semestre de 2015 | 1


Em vista de ousadas decisões evangélicas continuaram intactas, sem mudanças significativas, consequência do sopro novo oriundo da realidade mesma do mundo em transformação. Apresentando-se como irmão e consagrado, o papa Francisco incentiva todos os consagrados e consagradas, convocando, com uma Carta Apostólica, o Ano da o longo dos anos, inúmeros documentos pontifí- Vida Consagrada de 30 de novembro 2014 até a festa da cios incentivaram estudos e reflexões para que Apresentação de Jesus no Templo, no dia 2 de fevereiro todos os membros das Instituições dessem passos de 2016. Com ela, o Papa parece soprar sobre as cinzas de acordo com o tempo que sinalizava tal exigência. Es- para que o fogo do amor a Jesus1 abrase novamente os tudos e reflexões feitos através de Seminários, Congres- corações dos consagrados, e a luz do Evangelho volte a sos e Encontros para que a Vida Relibrilhar e guiar a vida de todos como giosa Consagrada espelhasse sempre Com a Carta Apostólica, regra suprema2. É forte o termo que o Papa parece soprar sobre mais sua leveza e transparência. revela o diagnóstico que o apelo do as cinzas para que o fogo A necessidade de “odres novos Papa nos sinaliza: “Lutemos contra os do amor a Jesus abrase para vinhos novos” fez com que a olhos pesados de sono (cf. Lc 9,32)”3. novamente os corações Vida Religiosa Consagrada perceA analogia corresponde ao lamento dos consagrados, e a luz do besse a defasagem entre as melhores de Jesus aos discípulos que estavam Evangelho volte a brilhar e conquistas conciliares e pós-conciliatomados pelo peso do sono: “não fosguiar a vida de todos como res, e a organização das estruturas do tes capazes de vigiar comigo por uma regra suprema. modelo de vida e de apostolado que hora!?” (Mt 26,40).

Cinquentenário do Vaticano II! Eis que um sopro novo envolve a Vida Religiosa Consagrada para viver este momento de kairós, momento decisivo para uma profunda renovação e busca de ressignificação.

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A Carta chega como um “vendaval” espiritual, um sopro do Espírito que vem varrer e extirpar todas as crostas que se acumularam com o passar do tempo, dificultando a Vida Religiosa Consagrada a espargir no mundo o brilho daquela luz que a fez originar: o Evangelho4. Coloca-nos de joelhos, em atitude orante, para invocar o Espírito Santo a fim de obter “inspiração para o caminho de profecia e de exploração dos novos horizontes da vida consagrada”5. As cartas insistem fortemente sobre a necessidade de renovar a vida segundo o Evangelho pelo confronto leal entre Evangelho e Vida, e sinalizam o caráter profético da Vida Consagrada6. O que se espera ao final de um ano de reflexão pessoal e institucional, como explicitado na primeira carta, é que “ousadas decisões evangélicas venham a ser postuladas e se produzam frutos de renovação e de fecunda alegria”7. Isto significa que verdadeiras conversões devem incidir sobre a vida consagrada a partir das interpelações que o Dicastério faz, motivado pelo Papa Francisco. Convida-nos “a renunciarmos às argumentações institucionais e às justificações pessoais; uma palavra provocadora que questiona o nosso viver, por vezes entorpecido e sonolento, e com frequência indiferente ao desafio: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda” (Lc 17, 5)8. Adaptados e acomodados ao modelo de vida da sociedade de consumo que busca bem-estar, prazer, poder, conforto e segurança, perdemos aos poucos a consciência da própria identidade e missão no mundo e a pergunta do Magistério nos surpreende: “Quais terras estamos habitando e quais horizontes nos são dados perscrutar?” O Papa Francisco nos encoraja com paixão a prosseguir com passo

veloz e alegre a caminhada. Convida a acolher o hoje de Deus e suas novidades, convida-nos às “surpresas de Deus” na fidelidade, sem medo nem resistências9. Diz ainda que corremos o risco de conservar “memórias” sacralizadas que tornam menos ágil a saída da caverna de nossas seguranças. A vida consagrada vive um tempo de passagens exigentes e de necessidades novas. É preciso prestar atenção às questões que nos são postas nas três cartas: • A coerência entre vida e exigência do Evangelho, pois a missão dos consagrados e consagradas é de “despertar” o mundo10;

O papa Francisco espera ainda a comunhão entre os membros dos diferentes Institutos. Exorta-nos para sairmos com maior coragem das fronteiras do próprio Instituto para se elaborar em conjunto, em nível local e global, projetos comuns de formação, de evangelização, de intervenções sociais. A comunhão e o encontro entre diferentes carismas e vocações são um real testemunho profético e caminho de esperança.

• A fidelidade à missão que nos foi confiada. Se a presença, as obras, os serviços são adequados para encalçar suas finalidades na sociedade e na Igreja atual. Espera dos consagrados o mesmo que pede a todos os membros da Igreja: sair de si mesmo para ir às periferias existenciais11. • O chamado a sermos “peritos em comunhão”12. “Pede-se-nos para

humanizar nossas comunidades”13 e “convida-nos a passar da forma de vida em comum para a graça da fraternidade”14. O papa Francisco espera ainda a comunhão entre os membros dos diferentes Institutos. Exorta-nos para sairmos com maior coragem das fronteiras do próprio Instituto para se elaborar em conjunto, em nível local e global, projetos comuns de formação, de evangelização, de intervenções sociais. A comunhão e o encontro entre diferentes carismas e vocações são um real testemunho profético e caminho de esperança15. O convite é de “não ter medo da novidade que o Espírito Santo faz em nós, não ter medo da renovação das estruturas”. (...) “Não fiquemos encalhados na nostalgia de estruturas e costumes que já não são fontes de vida no mundo atual”. Será uma grande pena se “o tempo de graça” for mais uma vez adiado, como em outras ocasiões, pois o apelo que fazem as três cartas se contrapõe ao ritmo da maioria de nossas comunidades. Ir. Cecilia Tada Carmelita Missionária stmj

1. Carta Apostólica, n. 2: “Jesus – devemos perguntar-nos ainda – é verdadeiramente o primeiro e o único amor, como nos propusemos quando professamos os nossos votos?” 2. É interessante perceber a incidência das palavras “regra suprema” atribuída ao Evangelho na Carta Apostólica que frisa por duas vezes e no Perscrutai por três vezes; a carta Alegrai-vos remete à vida dos consagrados ao Evangelho, sendo citada por trinta e duas vezes. 3. Perscrutai, n. 7. 4. cf. Carta Apostólica, n. 2. 5. Perscrutai, n. 6. 6. Idem, n. 10. 7. Ibid., n. 5. 8. Alegrai-vos, n. 4. 9. Perscrutai, n. 10. 10. Carta Apostólica, n. 2; Alegrai-vos n. 1, 4, 10; Perscrutai, n. 13. 11. Carta Apostólica, n. 4. 12. Alegrai-vos, n. 2. 13. Idem, n. 9. 14. Perscrutai, n. 13. 15. Carta Apostólica II, n. 3.

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Entrevista com

Dom João Braz de Aviz do momento, pois algumas das nossas Congregações já começam a sentir o problema das vocações e do envelhecimento. É Deus quem cuida do Carisma. Cabe a nós verificar se estamos dando o testemunho correto. Creio ser esta a meta: caminhar na direção de uma vida trinitária, uma vida de relações renovadas.

E qual seria o caminho e como incentivar isto? Que atividades para o Ano da Vida Consagrada podem ajudar a criar esta consciência?

E

m agosto de 2014, o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano, Dom João Braz de Aviz, se reuniu com cerca de 1.200 religiosos e religiosas na cidade de Curitiba – PR. Na ocasião, o Cardeal, em entrevista à assessoria de comunicação da CRB Nacional, versou sobre as suas expectativas a respeito do Ano da Vida Consagrada e outros temas relativos, como: o lugar das mulheres na Igreja, as relações entre Vida Consagrada e Clero Diocesano, os novos documentos alusivos aos bens dos Institutos e a vocação dos Irmãos. Leia a íntegra da entrevista.

Quais as expectativas para o Ano da Vida Consagrada? Dom João – Para o Ano da Vida Consagrada, unamo-nos a tudo que será celebrado no mundo nestas três perspectivas: para o passado, uma memória grata; para o futuro, a confiança na fidelidade de Deus; para o presente, uma entrega apaixonada à nossa vocação. São três perspectivas amplas que inspiram um caminho positivo. Não devemos nos desestabilizar pelas dificuldades 4 |

O incentivo vem por meio de tudo o que a Congregação de Roma está orientando, das nossas Conferências Religiosas, como a do Brasil. Mas, é preciso também ressaltar essas linhas, como a trinitária, que ainda precisamos compreender melhor e, sobretudo, experimentar melhor. Os meios são os nossos encontros, e tentar viver isso dentro das nossas comunidades, sem nos afastar dos nossos carismas. Outras estradas comuns são o seguimento de Jesus e a escuta do momento atual.

O senhor tem sugestões para se celebrar o Ano da Vida Consagrada no Brasil, um país com cultura e jeito próprios de ser? Partindo destas coisas essenciais: seguimento de Jesus, volta aos fundadores, inserção na cultura e na Igreja local e pôr em evidência toda a beleza desta Vida Consagrada como ela é vivida aqui, no âmbito da formação, das obras, da missão. Mas isso depende um pouco do local. O Brasil tem muitas condições, porque a Vida Consagrada está bem organizada, mas que não seja fruto simplesmente de uma organização, e sim também de experiências vividas.

Sobre a questão da Profecia da Vida Consagrada, há quem diga que a Vida Religiosa deva ser mais profética. O senhor concorda? O Papa fala sobre isso, diz que a Vida Consagrada tem que ser profética, e quando ele fala de profecia significa anunciar o Reino de Deus e experimentá-lo; anunciar os


valores do Reino, os valores futuros que esse Reino traz. Esta é a profecia, e nela estão todas as realidades que precisam ser transformadas. Neste sentido, o Brasil pode fazer muito.

Há temas que serão mais evidenciados no Ano da Vida Consagrada? Vamos acentuar a juventude, os formadores, o ecumenismo. No Simpósio final queremos recordar todas as vocações, com momentos comuns e outros distintos para usufruir bem do Ano da Vida Consagrada.

Poderia falar sobre o Documento que está sendo elaborado sobre a vocação dos Irmãos? Em 2008, na Assembleia Geral da Congregação, da qual participava o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio, foi solicitado um documento para aprofundar a vocação dos Irmãos. Ele está pronto e foi elaborado com a colaboração direta dos Irmãos e aprovado pelo Papa. O documento é, sobretudo, uma distinção, digamos assim, não olhar mais a vocação do Irmão em relação ao sacerdócio, mas como vida consagrada, e olhar muito mais a vida de fraternidade e de consagração.

A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica tem dado muita atenção às mulheres. Que lugar estas mulheres estão ocupando, de fato, na Cúria? Elas têm voz e vez? Creio que neste momento é preciso acelerar isso, porque, se dependesse do Papa, as mulheres já estariam ocupando metade dos lugares que elas precisam ocupar, seja na Cúria Romana, seja nos Dicastérios. Temos de deixar essa mania de pensar que as mulheres estão um grau abaixo do homem. Não tem sentido isso. Algumas coisas são específicas, mas estas nós sabemos quais são. Então, é preciso levar para frente a Vida Consagrada em conjunto, na mesma dignidade, isso é fundamental. O Papa quer que esses sinais venham logo; e não só: ele fala explicitamente que as mulheres têm de ocupar cargos de decisão. Creio que nós não temos mais que ficar esperando, temos de acelerar isso.

Foi lançado recentemente um documento sobre a gestão dos bens dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica. Por que um documento sobre este tema? Este documento surge para que todos os religiosos possam dar suas contribuições, as quais ainda serão recolhidas, pois, para o Papa, é importante que enriqueçamos o

documento com aquilo que as pessoas já experimentam. Essa preocupação nasceu do fato de que muitas Congregações estão diminuindo, ou, digamos, têm um número pequeno de pessoas e muitos bens, e precisa organizar tudo isso. Assim, obras que foram construídas há séculos ficam perdidas, deixamos escapar, porque não cuidamos. Então, o Papa quis fazer um simpósio para aproximadamente 600 pessoas. Esse número já foi ultrapassado e muitas pessoas estão na fila de espera para um novo simpósio. O documento está sendo elaborado e será enviado às comunidades para leitura e apreciação. A partir daí, definiremos algumas linhas que queremos seguir para resolver este problema, mas em conjunto, não cada um por conta própria.

Existe ainda, ao menos no Brasil, certo entrave na relação entre Vida Consagrada e o Clero Diocesano. Quais as suas expectativas para o futuro dessas relações? Sobre este tema, falamos para o Santo Padre que gostaríamos de partir da espiritualidade de comunhão e dos dois princípios ou dimensões coessenciais da Igreja: a hierárquica e a carismática. Não existe conflito entre estes dois princípios, porque o Espirito de Deus fala na hierarquia e fala no Carisma. Ele (o Espírito) não se contradiz, quem se contradiz somos nós, às vezes por falta de equilíbrio e de maturidade, que herdamos também do passado. Esses dois mundos são feitos para se integrar, não estão submissos um ao outro, mas submissos ao Espírito. Isso porque um(a) fundador(a) nunca pede licença ao bispo para começar um carisma. Sente de Deus o chamado, começa e a certa altura, querendo saber se aquilo é de Deus, confirma com a hierarquia. Se a hierarquia reconhece, ele/ela sabe que é de Deus e continua seu caminho. Esse equilíbrio é que precisa ser resolvido, e só o será se partirmos dessa coessencialidade. Quando partilhamos isso com o Papa ele nos disse: “É isso que eu quero”. Creio que o documento favorecerá muito a integração correta, objetiva.

Que mensagem o senhor deixa para a Vida Consagrada do Brasil? Teremos momentos ricos na Igreja, desde o início do Ano da Vida Consagrada até o final. É bom que façamos parte de toda essa programação, que participemos, entrando profundamente neste espírito. É importante pensarmos juntos na mesma direção, nesse grande amor à Igreja, porque somos nós, todos juntos, que vamos fazer a Igreja que Jesus quer. Deus abençoe vocês! Por Rosinha Martins Esperança | 1º semestre de 2015 | 5


Testemunho da ternura e da alegria de Deus

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Papa Francisco no documento “Alegrai-vos”, dedicado ao Ano da Vida Consagrada, convida os religiosos e religiosas a experimentar “a alegria do Evangelho que enche o coração e a vida inteira daqueles que se deixam encontrar por Jesus”, bem como, a “dar a razão da alegria que habita em nossos corações, sendo testemunho esplêndido, anúncio eficaz, companhia e proximidade para os homens e mulheres que habitam a nossa história”. É a alegria do encontro com a Boa Nova do Evangelho que transforma a vida e o modo de viver das pessoas que se abrem a esta realidade de todo o coração, porque o primado de Deus é para a existência humana, plenitude de significado e de alegria, pois, o ser humano, feito para Deus, 6 |

não descansa enquanto não encontrar Nele a sua paz.

Reconhecer a presença de Deus na história Como consagrados e consagradas estamos chamados a reconhecer o sentido da presença de Deus em nossa história pessoal e na história do povo de Deus, experimentando nossa vocação como dom de Deus por excelência e fruto do Espírito Santo. Segundo o Papa Francisco “a beleza da vida consagrada está em levar a alegria da consolação de Deus a todos os povos”. A alegria não como expressão externa, gesto épico ou da proclamação de palavras altissonantes, mas no testemunho da alegria que brota da certeza de sentir-se amado(a), da confiança de ser

salvo(a) e, por isso, chamado(a) e enviado(a) a uma missão. A alegria dos consagrados e consagradas nasce da descoberta do amor de Deus para com cada um de nós. Ele ao chamar-nos nos prova que “somos importantes para Ele, que Ele nos ama e conta conosco!” Esse é o segredo da alegria dos consagrados e das consagradas! Saber que “não fomos nós que o escolhemos, mas foi Ele que nos escolheu” (Jo 15,16), e por isso, nos convida a fazer de toda a nossa “existência uma peregrinação de transformação no amor” tem um sabor todo especial. Trata-se de renascer vocacionalmente, pois, só quem se deixa ser encontrado, alcançado e transformado por Jesus se coloca em movimento, e deixa de lado a autorreferenciali-


dade. A relação com o Senhor não é estática nem intimista! Quanto mais nos unimos a Jesus, mais Ele se torna o centro de nossa vida, e tanto mais, Ele nos faz sair de nós mesmos, descentralizando-nos e nos abrindo aos outros.

Consolai, consolai o meu povo O Papa também nos convida a renovar e qualificar com alegria e paixão a nossa vocação para que o ato totalizante de nosso amor seja um processo contínuo de amadurecimento e de desenvolvimento permanente junto aos irmãos e irmãs de caminhada. Estar com Jesus nos leva a ter um olhar contemplativo da história e nos abre à uma atitude profética e de compromisso com os irmãos mais pobres e necessitados. Com doçura, exorta-nos a levar o consolo de Deus a todos os povos: “Consolai, consolai o meu povo! Falai ao vosso coração!”. Portanto, trata-se de uma linguagem a ser interpretada no horizonte do amor, ou seja, de ação e de palavras conjuntas, delicadas e encorajadoras, mas também densas de gestos de misericórdia, de compaixão e de preocupação pe­ lo outro(a), abraço que dá força e paciente proximidade para encontrar os caminhos de confiança e de esperança.

através do testemunho de comunhão e da vivência da fraternidade, como o primeiro e mais credível Evangelho que podemos proclamar, sobretudo, através da humanização das relações, pois, hoje, mais que nunca, as pessoas têm necessidade de quem testemunhe a misericórdia, a ternura e a bondade do Senhor. Daquelas atitudes que aquecem o coração, despertam para a esperança, e atraem para o bem e a transformação.

A proximidade como companhia O Papa Francisco exorta aos religiosos(as) a “sairmos do ninho” para morar na vida dos homens e mulheres de nosso tempo, e nos entregarmos a Deus e ao próximo. Confia-nos a tarefa de despertar o mundo, aproximando-nos e indo ao encontro das histórias dos homens e mulheres de hoje. Convoca-nos a experimentar e fazer a experiência de êxodo, a partir de nós mesmos, num caminho de adoração e de serviço. Sair pela porta afora para procurar e encontrar os nossos irmãos e irmãs que clamam pela nossa presença fraterna e testemunho da Boa Nova.

A inquietação do amor Ícones vivos da maternidade e da proximidade da Igreja, o Papa nos convida a não privatizar o amor, mas a “procurar sempre, sem tréguas, o bem do outro” e das pessoas que estão ao nosso lado. Chamados a superar a cultura do desencontro, da fragmentação, do descartável, não podemos ser indiferentes diante dos irmãos necessitados. Somos desafiadas a visitar e ultrapassar as fronteiras do pensamento e da cultura, a favorecer o diálogo, a fazer crescer a humanização integral e a cultura do encontro e do relacionamento, pois, “não podemos ter medo da novidade do Espírito no meio de nós, não ter medo da renovação das estruturas”; o Filho de Deus continua encarnando-se em nossa história e caminhando por nossas ruas na pessoa de tantos imigrantes que necessitam de nosso apoio. E uma vida religiosa consagrada, pobre para os pobres, começa por reconhecer e dirigir-se à carne de Cristo, como dizia o bem-aventurado Scalabrini: “No migrante eu vejo o Senhor!”. Ir. Sandra Maria Pinheiro, mscs São Paulo – SP

Levar o abraço de Deus Somos chamadas a levar a todos o abraço de Deus, que se inclina com ternura de mãe sobre nós, com pequenos sinais de humanidade e compaixão, levando os homens e às mulheres do nosso tempo a experimentar a consolação de Deus, testemunhando a sua misericórdia diante de um mundo que vive na desconfiança, no desânimo, no individualismo e na depressão. Recorda-nos que a ternura nos faz bem, e que somos chamados a levar o sorriso de Deus, Esperança | 1º semestre de 2015 | 7


Fundamento bíblico da consagração religiosa

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termo consagração, em geral, está relacionado a algum aspecto religioso. Do latim consecrare significa tornar sagrado mediante um rito religioso e destinar ao culto à divindade. A consagração, portanto, é o ato pelo qual uma pessoa ou coisa passa do estado profano ao estado sagrado. A prática da consagração não se restringe ao ambiente bíblico. De fato, no mundo extra-bíblico também havia a prática de consagração de coisas ou pessoas, como é testemunhado por registros antigos do budismo. No sentido bíblico, a consagração está relacionada, também, à ideia de separação, reserva, santificação. Ser consagrado quer dizer ser escolhido por Deus para pertencer totalmente a Ele, para ser instrumento de sua presença amorosa. O ato da consagração cria um laço tão estreito a ponto de vincular a pessoa consagrada ao ambiente divino. A iniciativa da consagração, por conseguinte, é sempre de Deus. Ele escolhe quem Ele quer, não por mérito ou por qualquer especial qualidade, mas por amor (cf. Gn 1,3).

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A eleição e consagração podem beneficiar não somente o escolhido, mas toda a humanidade: “Ora, o Senhor disse a Abrão: sai da tua terra, da terra da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E farei de ti uma grande nação, te abençoarei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12,1-3). Esta ideia de eleição, separação e reserva está muito presente, por exemplo, na teologia dos livros do Êxodo, Números e Levítico, que retratam a eleição do povo de Israel, sua liberação das mãos do Faraó opressor no Egito, e consequente formação como povo consagrado, como nação santa (cf. Ex 19,6). Um dos textos emblemáticos referente à consagração no AT é certamente Nn 6,1-6 referente à instituição do Nazirato. O nazireu podia ser qualquer homem ou mulher que faz voto de consagração a Deus. Em Nn 6,1-6 o nazireato aparece como algo temporário, com sentido de


(cf. Jo 10,36). O termo grego “Cristo”, que os Evangelhos atribuem a Jesus (cf. Jo 4,25-26), significa “consagrado”, “ungido”, ou seja, “Messias”. A qualificação que melhor exprime a consagração de Jesus é a sua encarnação. Mediante essa, Jesus assume a condição humana, vive num espaço concreto, numa história datável. A consagração de Jesus acontece no batismo, o qual constitui sua investidura messiânica, por isso ele pode dizer: “o espírito do Senhor está sobre mim, pois o Senhor me consagrou e me enviou para anunciar a alegria aos pobres” (Lc 4,14-21). De tal modo, as pessoas consagradas são chamadas a serem na história “a carta vivente de Cristo” (cf. 2Cor 3,3), a testemunhar a novidade de sua vida “sacra” (cf. Rm 6,13; Fl 2,14-16). Os chamados à vida consagrada não se limitam a simplesmente seguir o Cristo com todo o coração,

No sentido bíblico, a consagração está relacionada, também, à ideia de separação, reserva, santificação. Ser consagrado quer dizer ser escolhido por Deus para pertencer totalmente a Ele, para ser instrumento de sua presença amorosa. O ato da consagração cria um laço tão estreito a ponto de vincular a pessoa consagrada ao ambiente divino. amando-o “mais que a seu pai e à sua mãe, mais que a seus filhos e filhas” (Mt 10,37), mas sentem o apelo de viver e testemunhar o seguimento mediante a adesão e configuração de sua inteira existência à de Cristo, o consagrado e enviado para a salvação do mundo. Ir. Elizangela Chaves Dias

Ana Claudia Sousa

recolhimento e separação do mundo, abstenção de bebidas inebriantes, proibição de cortar os cabelos, de tocar em cadáveres ou outras coisas impuras. Devia outrossim, apresentar ao Senhor, por meio do sacerdote, sacrifícios pacíficos, em sinal de sua consagração, enquanto durasse seu nazireato. Em Jz 13,2-5 aparece o nazireato perpétuo com o nascimento de Sansão, que será o nazireu de Deus. Esse, desde o ventre até a morte devia abster-se de bebidas inebriantes, de cortar os cabelos, e de tocar em objetos impuros, pois era consagrado ao Senhor. Outro caso de consagração perpétua a Deus, por iniciativa da mãe é o de Samuel, retratado em 1Sm 1,11; e 3,1-21. Enquanto separação a consagração carrega conotações cultuais: o povo escolhido é separado dos pagãos, a tribo de Levi é separada das demais tribos, entre os vários sacerdotes, há um Sumo Sacerdote que uma vez ao ano pode se aproximar de Deus. O povo não precisa mais subir aos montes para encontrar Deus, pois Deus desce para habitar no meio deste povo santo, no templo que Ele mesmo manda construir. Dias santos são estabelecidos e institucionalizados para garantir a autenticidade do justo relacionamento com Deus. Contudo, no que se refere ao AT não é possível identificar aí um protótipo de vida consagrada segundo o modelo cristão atual, mas é possível identificar as dinâmicas que caracterizam a relação de Deus com seu povo: santificação, reserva, dedicação, aliança. No NT a consagração ganha um rosto novo, o de Cristo, o Consagrado por Excelência. Ele é o Santo de Deus (Mc 1,24; Lc 4,34; Jo 6,69), o Consagrado por excelência, que consagra (cf. Jo 17,19) o novo Israel

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Consagradas para a missão “Sei que minha missão e de minhas irmãs representa uma gota no oceano. Mas, sem essa gota, o oceano seria menor”

O tema consagração religiosa é central e essencial para compreender a Vida Religiosa Consagrada, conforme o Concilio Vaticano II e, a partir dele, quando esta passa a ser um capítulo importante da eclesiologia. Nele se deu uma mudança profunda de mentalidade. A partir de então é a palavra “consagrada” que passa a caracterizar este tipo de vida na Igreja e não mais somente o termo vida religiosa.

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e até o Concílio, a Vida Religiosa Consagrada era vista apenas como uma simples estrutura na igreja, ou como um dos tantos modos de realizar a vocação universal à santidade, nos damos conta de que, a partir dos debates e aprofundamentos do Concílio, emerge a dimensão pneumatológica, em cujas raízes ela se fundamenta. A partir de então, esta forma de vida já não podia mais ser identificada apenas como “religiosa”, já que o núcleo é expresso como “consagração” mediante o seguimento de Jesus Cristo obediente, pobre e indiviso no seu amor de Pai. Em razão disso, criou-se a exigência de uma terminologia mais apropriada, que devia definir a realidade a partir do essencial que é a profissão dos Conselhos Evangélicos, como já definia o documento Perfetctae Caritatis. A visão anterior desta forma de vida era a de um caminho ascético de busca da perfeição, e que passa agora, a ser definida pelo seu núcleo teologal, como vida de especial consagração. Consagração significa muito mais 10 |

do que um caminho ascético, pois expressa união mais íntima com o Senhor e uma inserção mais profunda no seu mistério de amor ao Pai e aos homens seus irmãos. Deus a Consagra, mas a pessoa também “se consagra” a Deus, entregando-lhe a própria vida. A iniciativa é divina, mas é também importante a acolhida da parte da pessoa que responde. Esta resposta traz a marca da liberdade, da radicalidade e da generosidade total. A pessoa une o seu sim ao sim de Cristo. É reciprocidade de amor e de dom. A vida consagrada, sob a ação do Espírito Santo que está na origem de toda vocação carisma, torna-se missão, tal como foi a vida de Jesus. A pessoa consagrada está em missão, por força da sua própria consagração, testemunhada segundo o projeto do respectivo instituto. Não existe missão que não esteja radicada na consagração e nem consagração que não desdobre em missão. Realizar uma tarefa apostólica como consagrada significa realizá-la com a consciência de pertencer a Deus, de ser sua humilde “serva” e estar ao seu serviço, a partir da entrega de si mesma e da própria vida a Deus, como obediência e busca concreta da sua vontade e glória, sendo apenas instrumento disponível e dócil nas mãos do Senhor da vida.

Servir ao Senhor no migrante deportado A fundamentação bíblica que orienta todo o nosso carisma scalabriniano é o versículo 35 do capítulo 25 de Mateus “Era peregrino e me acolheste”. Porém, te-


mos convicção de que é um desejo de Jesus que sejamos “boas samaritamas” (Lc 10,23-37) e curemos as feridas de tantos irmãos e irmãs migrantes que estão caídos na beira da estrada da vida, esperando por alguém que lhes possa ajudar a retomar o caminho. De nosso fundador João Batista Scalabrini temos a certeza de que “fazer feliz uma só pessoa é mais importante do que ser feliz” e ainda “o pobre (o migrante) é a pupila dos olhos de Deus e, quanto fizermos ao pobre, fazemos ao próprio Deus”. Verdadeiramente a atenção ao migrante deportado é um espaço favorável para vivência de todas as virtudes scalabrinianas e concretização de todas as diretrizes que iluminam o apostolado scalabriniano. Na recepção dos migrantes que retornam, a primeira virtude necessária é a caridade, o amor incondicional que faz acolher o próximo como se fosse o próprio Jesus, sem distinção de cor ou religião, num sentimento de unidade, de comunhão, na certeza de que todos neste mundo são irmãos. A atenção ao migrante deportado é uma ação fundamentada na verdade que é Jesus, e por isso, é testemunho verdadeiro do Reino de Deus aqui na terra. É evidente que a atenção ao migrante deportado reflete o amor de Deus na vida deles. Inúmeras vezes ouvimos os testemunhos: “Sim, quando cheguei não tinha nem um centavo, estava com fome e com muita vontade de ir ao banheiro, e aí me ajudaram em tudo”; “Agradeço por tudo que vocês fizeram por mim, Deus lhes abençoe”; “Se não fossem vocês estaríamos aí, atirados na rua sem saber o que fazer e nem para onde ir”; “Depois do inferno que passei, é bom chegar ao meu país e encontrar pessoas que me diz bom dia, bem-vindo, porque lá nos tratavam como animais”. Também os familiares dos migrantes manifestam grande agradecimento pelo que se

faz de bem a todos os retornados e como eles mesmos, dizem: “Vocês fazem por amor, são diferentes do governo, porque não estão vendo a religião ou o partido político”. O serviço missionário e evangélico prestado na atenção e assistência aos migrantes retornados é um testemunho de solidariedade e disponibilidade aos mais necessitados. Assim como dizia a Bem-aventurada Assunta Marchetti “Tenho certeza que nossa Congregação é vontade de Deus porque não nos faltam cruzes”. Desde 2004, assumi a direção do Centro de Atenção ao Migrante Retornado – (CAMR). O CAMR é para mim a nova “Estação de Milão”. Dezenas de deportados chegam a cada dia com suas frustrações, decepcionados e humilhados pelo que passaram na rota migratória, quando são presos pelas autoridades. Outros chegam inclusive com problemas mentais, mutilações e até mortos. Muitos deportados trazem na mochila não só a humilhação do fracasso, mas também a esperança desfeita de uma família pobre ou o peso de uma dívida contraída e a esperança de realizar o “sonho americano”. É a raiz da rejeição, discriminação, indiferença por parte dos familiares, que faz com que, mais de 60% deles tentem novamente entrar nos Estados Unidos da América. Outra realidade dolorosa é receber deportados enfermos mentais ou mutilados. Sinto-me como um membro da família e ponho-me a refletir sobre a dor de todos os dias ver nestes rostos as marcas do fracasso, o sonho americano se transformar na limitação de uma vida. Estou certa de que Deus se manifesta também na doença, porém é triste saber que este sofrimento de nossos irmãos e irmãs migrantes são consequências do egoísmo e da ambição, do pecado do ter que resulta num processo de autodestruição. Como afirma o Papa Francisco “Os homens e as mulheres do nosso tempo esperam palavras de consolo, de proximidade, de perdão e de alegria verdadeira. Somos chamados a levar a todos o abraço de Deus, que se inclina com ternura de mãe sobre nós”. Com a graça de Deus, me ponho à disposição como serva e procuro realizar tudo da melhor forma possível, anunciando e servindo, motivada pelas palavras de Jesus “Fui migrante e você me acolheu” (Mt 25,35). A minha felicidade é saber que Deus é quem me chamou, me consagrou e me convidou a viver aqui em Honduras e, neste País, ter a oportunidade de realizar minha missão com os migrantes e ter a certeza de que é Deus quem leva o barco, e, nós como Scalabrinianas, somos apenas instrumentos em suas mãos. Ir. Valdete Wilemann Tegucigalpa – Honduras Esperança | 1º semestre de 2015 | 11


Consagradas na Igreja a serviço do migrante

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estes anos de acolhida e atenção aos migrantes deportados aprendi muitíssimo. Aprendi a valorizar a vida, ter esperança, crescer nas noites escuras de fé e a mudar de opinião. Confirmo e tenho convicção de que Deus caminha com seu povo e é o amparo dos migrantes em todas as situações e sofrimentos. Deus não nos abandona jamais. Aprendi também a ver cada um dos deportados como se fosse o único que está chegando, como se fosse a primeira e única pessoa que Deus me permitiu servir neste dia. É por isso, que neste momento esqueço-me dos meus próprios problemas e ponho-me a escutar com o coração. Muitas vezes, tenho que ser Irmã, mãe, psicóloga, médica e advogada, de tudo um pouco. Porém, o mais importante: tenho que ser a presença amorosa da ternu-

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o acolher os imigrantes que desembarcavam em Palermo, entre os meses de junho e julho do ano passado, um fato me impressionou: uma barca ficou à deriva com sirianos e palestineses. Como eles são de etnia branca e o sol é forte, chegaram sem pele no rosto e nas mãos (...). Vi crianças com idade de mais ou menos 7 meses, lindas, gordinhas, mas já sem a pele em muitas parte de seu corpinho. Ao tentar passar creme para hidratar, a pele ficava na minha mão. Recordo-me de um menino bem pequeno – cujo pai havia perdido a esposa e três filhos e fugiu com ele e mais uma menina, que tinha a perna toda queimada. Depois de ter dado os devidos cuidados (banho, hidratação da pele e almoço), ele me abraçou e disse: “Sister I love you!” Jovens de origem africana também chegavam queimados pela gasolina ou explosões dos barcos. Eu levava entre duas a três horas para fazer curativos, e as injeções de antibiótico prescritas. As lágrimas caíam de seus olhos durante o tratamento, mas não reclamavam. 12 |

ra de Deus. Aprendi a ser scalabriniana, a viver o carisma encarnado na realidade dos migrantes hondurenhos deportados, a descobrir o rosto de Cristo peregrino em cada um deles. Quando entro no avião para recebê-los, sempre peço ao Senhor: “Que eu possa ver-te no rosto de cada um” e é isso que me dá força para seguir lutando em defesa da vida e dos direitos dos migrantes. Sou filha predileta do Senhor por poder viver o carisma scalabriniano de forma tão intensa. Carisma que em minha vida se transforma em serviço e missão realizados com muito amor e alegria. Ir. Valdete Wilemann Centro de Atenção ao Migrante Retornado – CAMR Tegucigalpa – Honduras

O importante é saber que hoje eles estão bem, embora tenham que carregar consigo essas cicatrizes até o túmulo porque a pele não se reconstituirá mais. Muitos deles chegam com sarna, piolho... Ainda a bordo são acompanhados por médicos. Quando desembarcam continuam o tratamento com a equipe médica em terra, e depois recebem autorização para seguir caminho. Eu vejo o rosto de outro Cristo, adolescente, jovem, adulto, criança (lágrimas), que perderam os pais, as famílias, e que chegam aqui cheios de esperança para estudar e trabalhar. É verdade que quando conseguirem um emprego é que começarão os problemas porque até então estão protegidos por estruturas seguras (são acolhidos, cuidados) e depois terão que administrar sozinhos as suas vidas. Mas eles têm esperança. Ir. Maria Helena Aparecida Reggio Calábria, Sul da Itália Em entrevista concedida à Rádio Vaticana em 7 de maio de 2015


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er Consagrada é um caminho de especial seguimento a Jesus Cristo, para dedicar-me a ele com o coração indiviso e colocar-me como ele se colocou a serviço de Deus e da humanidade, assumindo a forma de vida que ele assumiu, sendo Casta, Pobre e Obediente. No mundo de hoje as pessoas precisam certamente de palavras, mas, sobretudo têm necessidade que testemunhemos a misericórdia e a ternura do Senhor, que aquece o coração, despertar a esperança, atrair para o bem. Papa Francisco confia a nós esta missão: encontrar o Senhor que nos consola como mãe e consolar o povo de Deus. Através de minha consagração a Deus procuro, na alegria, responder com fidelidade a missão confiada a mim na área da saúde. Sinto Deus muito presente na minha vida, a oração me sustenta a dar continuidade a missão iniciada pela nossa querida Bem-aventurada Assunta Marchetti, que acolhia a todos, principalmente os mais pobres, abandonados, migrantes e doentes com muito amor e dedicação. Como Consagrada minha missão jun-

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esde que ingressei na instituição, sempre atuei na área da educação, e, ao longo deste tempo, tive a oportunidade de exercer a missão, nas mais diversas funções na área da educação, tendo ao meu lado pessoas que também acreditam na possibilidade de um mundo renovado, derivado da contribuição de uma educação cristã pautada nos valores da acolhida, esperança, justiça, tolerância, diálogo e compaixão. Atualmente, desenvolvo minha missão no ESI-Colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Cascavel- Paraná e posso afirmar, com toda certeza que sinto em todos os momentos a alegria, entusiasmo e a grande graça de Deus que me sustenta na fidelidade aos compromissos religiosos, dando-me a força necessária para continuar respondendo ao chamado e estar com as crianças, adolescentes e jovens, levando a mensagem do amor de Jesus Peregrino que acolhe a todos os rostos, especificamente dos povos em mobilidade. Atuar na educação, tendo consciência desta realidade carismática doado as Irmãs MSCS é também uma

to ao doente é observar em tudo e em algo o que ninguém mais observa no doente, é ter palavras certas com direcionamento certo, na hora certa, é estar presente no momento da dor, da fragilidade para que ele se sinta mais seguro e consolado. É ter a responsabilidade de cuidar de uma vida independente das circunstâncias. É ver o Cristo presente no migrante doente e frágil. O que me faz muito feliz na Vida Consagrada é a certeza do grande amor de Deus para comigo. A vocação religiosa nasce da experiência do encontro profundo e pessoal com Cristo, do diálogo sincero e abertura de coração. Por isso, é necessário crescer na experiência de fé, entendida como profunda relação com Deus, como escuta interior de sua voz que ressoa dentro de cada pessoa. Para mim ser Scalabriniana na área da saúde é ser como o bom samaritano que estende a mão, acolhe, consola e cura as feridas e, acima de tudo, leva o abraço de Deus com muita alegria, e misericórdia. Ir. Luiza de Salles Gonçalves Santa Casa de Misericórdia – Monte Alto – SP

oportunidade de trabalhar na perspectiva de mobilizar os educadores e educandos, motivando-os a estarem em sintonia com a realidade do mundo das migrações, despertando assim a consciência de que podemos fazer muito por aqueles que, por motivos diversos, necessitam deixar suas casas, cultura e sua pátria em busca de novos sonhos e de uma vida melhor. Para mim, pertencer a esta grande família como consagrada scalabriniana é contribuir, respondendo com minha vida e com todas as potencialidades do meu ser, ao chamado do Senhor Jesus a estar com ele na pessoa destes que com amor e doação, participam do Carisma, através do serviço educacional e que também deve contemplar o despertar da consciência de todos os que comigo atuam, pois como cristãos somos e devemos ser portadores da mensagem do Cristo Peregrino a todos os povos, especificamente aos migrantes, acolhendo seu mandato que diz: Eu era peregrino e me acolheste. (Mt. 25,35) Ir. Vicentina Roque dos Santos Diretora ESI Colégio Auxiliadora – Cascavel – PR Esperança | 1º semestre de 2015 | 13


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ocação Scalabriniana, testemunho de esperança e profecia”, realidade que me impulsiona, fortalece e me realiza na minha caminhada missionária. Continuamente louvo e agradeço ao Senhor por este Dom inestimável, recebido gratuitamente de Deus para servir Jesus Cristo na pessoa do irmão migrante. E me sinto muito feliz como consagrada scalabriniana e esta felicidade se realiza na missão, no serviço que faço. Contudo meu coração foi feito para amar de maneira especial aqueles que vivem em situação de migração, pois tenho que manter meu coração onde está o meu tesouro: Jesus Cristo com rosto de migrante: “Eu era migrante e você me acolheu em sua casa”.

O Segredo da Vida Consagrada está na fidelidade e na perseverança, ter a disposição de se encantar e reencantar cada dia, de começar sempre de novo, e continuar o caminho, sem muito olhar para trás. Entendo que ser religiosa consagrada, pertencer ao Senhor, é uma aliança de amor que inclui minha plena e total adesão a Ele, “que me chamou e me quis”. União que transforma, liberta agiliza a buscar sempre mais profundamente a Deus, para servir cada dia melhor a Igreja e os irmãos em mobilidade. Ser Religiosa Consagrada Scalabriniana é muito bom! Ir. Oneide Helena Potrich São Carlos Eventos e Hospedagem Jundiaí – SP

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alar de Vida Consagrada evoca em mim o mais profundo sentimento de alegria e gratidão à Deus pelo dom de minha vocação. Ele, na sua bondade e benevolência me antecedeu com Amor de predileção, chamando-me a uma vida de especial consagração, convocando-me a contribuir com a expansão do seu projeto de amor, num carisma de serviço aos que se encontram em estado de mobilidade humana. “Eu te chamo pelo nome, és minha” Is 43,1. Na Congregação foi-me confiada a missão da formação das jovens, que, também chamadas, desejam se preparar para esta consagração e missão. Meu compromisso é conduzir estas jovens para seu discernimento vocacional e oferecer-lhes condições humano/espiritual/missionário para esta entrega total de suas vidas a serviço do Reino de Deus no universo da migração. Motivá-las para uma verdadeira e real paixão por Jesus Cristo a ponto de entregar suas vidas nesta grande causa. É sempre consolador o aprofundamento de minha consagração em direção ao mistério insondável de Deus que se revela a todos, e nos tem todos em suas mãos, dirigindo os caminhos de cada pessoa a partir de dentro, com o sopro leve e suave do seu espírito. Sempre me senti missionária a serviço dos migrantes em todos as atividades que me foram confiadas. No momento acompanho o caminho vocacional das jovens 14 |

postulantes e juntas assumimos o Ensino Religioso da Escola Padre José Marchetti. Além da formação sempre colaborei nas diversas pastorais de minha comunidade local, e ao mesmo tempo inserindo, acompanhando e motivando as jovens formandas no dom de si como missionárias que somos. Minha grande alegria é vê-las hoje consagradas e comprometidas com a evangelização nas diversas frentes de missão dentro de nossa congregação. Acredito que o SER CONSAGRADA é já um testemunho que fala por si mesmo. Em meu modo de ser e fazer, busco focalizar os valores da acolhida, da itinerância, da comunhão na diversidade. Além da formação sempre colaborei nas diversas pastorais de minha comunidade local, e ao mesmo tempo inserindo, acompanhando e motivando as jovens formandas no dom de si como missionárias que somos. Experimento que na doação da própria vida se esconde o segredo da grande realização que todo ser humano deseja. A cada novo dia cultivar um reencantamento pela pessoa de Jesus Cristo é a mais doce aventura que meu coração experimentou até então. Diariamente sou surpreendia pelo toque amoroso de Deus que me preenche de alegria e gratidão. Por tudo: “Deo Gratias”. Ir. Zenaide Martins de Oliveira Mestra de Postulantes Comunidade do Colégio São José, Santo André – SP


“Cara feia? Nunca! Alegria? Sempre!” Entrevista com Irmã Domitila Bom humor, leveza e determinação

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Vida Religiosa Consagrada é marcada por exemplos de mulheres que fizeram o caminho do seguimento no escondimento. Santa Paulina, Madre Assunta Marchetti e tantas outras foram testemunhas de que a santidade, a felicidade e a realização na Vida Consagrada não se dão de fora para dentro, mas de dentro para fora, do interior de cada uma de nós. O segredo da felicidade, neste caso, é dar sentido e encontrá-lo naquilo que fazemos, onde estamos ou em qualquer situação da vida. A Revista Esperança traz um testemunho que vale a pena ressaltar, pois enriquece a Congregação e a Igreja e cada leitor em particular, que pode, no processo de crescimento espiritual e humano, aproveitar muito daquilo que ainda, nos seus 100 anos, consegue nos dizer sobre si, Armelinda Pierina Menegat, a Irmã Domitila. De estatura alta, sorriso fácil nos lábios, Irmã Domitila caminha comigo pela casa, e, não obstante as debilidades físicas que a idade lhe impõe, consegue, expressar sentimentos ver­dadeiros que o cultivo de uma vida simples, doada no escondimento, nos serviços da enfermagem, da rouparia e da malharia a ajudaram tecer, apaixonada pelo sonho realizado: ser uma consagrada do Senhor.

Sempre muito ativa, firme e decidida, Domitila aprendeu a nadar aos 75 anos por sugestão médica. Bom Humor é outra característica marcante de Ir. Domitila. Em nossa conversa ri de si mesma ao perceber que confunde algumas ideias. E conta, sem rancores: “Queria ser religiosa e entrei em uma determinada congregação, mas como não tinha muita cultura, elas me mandaram de volta. Voltei para casa e chorava, chorava (dá risadas). Pedi ao papai para me levar novamente a um convento, pois eu ainda queria ser freira, ao que ele me disse: ‘Filha eu não vou te levar, você já foi e não parou lá com as outras’. Mas não dependia de mim, e eu retruquei: ‘Se o senhor não quiser me levar a partir de agora eu fujo e nunca mais o senhor me verá’. Ele voltou atrás e disse: ‘Filha, está bem, eu te levo’. E me levou para Bento Gonçalves, onde fui acolhida pela Madre Borromea”.

Quem é Irmã Domitila? Filha de Antônio Menegat e Maria Colla, Irmã Domitila nasceu em 26 de fevereiro de 1915, em Flores da Cunha – RS, e foi batizada com o nome de Armelinda Pierina Menegat. Fez sua Primeira Profissão Religiosa na Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas em 22 de janeiro de 1937, em Bento Gonçalves – RS. Por ocasião do seu centésimo aniversário, – ainda cheia de vida, lúcida, caminhando e contando histórias, – celebrou com a comunidade ação de graças pela vida longa e bem vivida, e pela abundancia de bênçãos que Deus derramou e derrama sobre sua vida.

O segredo da longevidade Como boa gaúcha, ela dá uma receitinha básica para a longevidade: “Sempre tomar chimarrão após o almoço”, diz. Mas ela tem também outra receita, pacientemente testada no dia a dia, sobre o segredo para viver tanto tempo, e não hesita ao dizer: “Nunca, nunca ficar de cara fechada, assim (simula rosto sisudo). Ser sempre, sempre alegre e tratar a todos muito bem”. E as Irmãs que com ela conviveram e convivem confirmem esse seu modo de ser.

A vida atual Irmã Domitila vive em Jundiaí, no Instituto São Carlos. Caminha – com um pouco de dificuldades – seu pulmão se apresenta fraco e por vezes sua respiração se torna ofegante. Mas a alegria, os gestos de bondade na vivência comunitária, a fé inquebrantável, o cultivo da espiritualidade, e a rodinha do chimarrão após o almoço, continuam bem presentes na vida de Irmã Domitila. Rosinha Martins Esperança | 1º semestre de 2015 | 15


Missão em Siracusa:

Um novo começo ou continuação de outra história? “Caminhante, não há caminho, o caminho se faz caminhando.” Assim escreveu o poeta espanhol Antônio Machado e assim se aplica nestes sessenta dias de caminhada missionária. A tarefa de conhecer uma terra estranha e acolher outros “estranhos” revoluciona nosso espírito e nosso ser. Neste sentido, de mobilidade física e mental, os passos que fizemos até agora aqui em Siracusa (24 de Janeiro a abril de 2015), constituem, principalmente, de contatos com diferentes realidades dos migrantes e de diálogo com algumas autoridades da Igreja e da sociedade, além, é claro, de um rápido (re) conhecimento da conjuntura local e global, bem como de outros elementos facilitadores e/ou dificultadores para a missão proposta.

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realidade que perpassa a Itália por si só, é permeada de controversas e emoções que movem a história desse país europeu recheadas de manifestações e de silêncios ocultos nos povos e instituições. Entre os contatos com os migrantes salientamos o acolhimento de 393 migrantes que chegaram, dia 4 de março de 2015,

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no Porto Comercial de Augusta, seguida de funeral de dez refugiados mortos durante a travessia. Ambas as situações refletem um mundo de sofrimento, mas também de esperança. Sofrimento e esperança que podemos testemunhar nas expressões dos próprios migrantes: “como cantar aqui se eu não tenho a minha amada, se eu não tenho ainda trabalho e estou sem casa para morar?” “Somos como pássaros, voamos, atravessamos fronteiras em busca de liberdade e de trabalho”.

Como não se comover e até chorar diante desses depoimentos? Entre reuniões e encontros de articulação com autoridades eclesiásticas e civis, bem como a organização para a acolhida, testemunhamos exemplos que nos fazem mergulhar nas diferentes culturas – de quem chega, do país de destino e das pessoas que recebem. Pode-se perceber isso, por exemplo, quando um médico pediatra contou uma experiência que ele viveu quando atendeu um menino egípcio de doze anos. Esse menino, contava o médico, tinha aparência de nove anos, era pequeno e tinha vindo com outros africanos menores. Durante a consulta, o médico perguntou-lhe como ele veio. O menino, que


viera sozinho, sem a família, respondeu, com convicção, que foi enviado por seus pais para trabalhar na Itália e enviar dinheiro para que sua irmã possa se casar. Este é um fato, entre tantos outros, que nos faz refletir sobre a exploração de trabalho infantil, agravando ainda mais a situação já precária e sofrida de um povo, juntamente com as consequências para a própria Itália. Não podemos falar de exploração das crianças por seus pais, porque esta é, naquela cultura, uma atitude nobre, “normal”. Enviar o filho mais novo para trabalhar fora do país, neste caso, para ajudar o casamento de sua irmã. No entanto, o nosso dever é ajudar o menino a se integrar no lugar de chegada, para obter os direitos, ou seja, o estudo, a aprendizagem da língua italiana, a família (tutor), os documentos e, gradualmente, inseri-lo no mercado de trabalho. Esta é uma tarefa que leva vários anos. Entre os elementos dificultadores para a missão está a ação silenciosa de uma estrutura eclesiástica e estatal planejada, organizada e, aparentemente impenetrável, para aqueles que não fazem parte deste grupo, e que funciona como um mecanismo já constituído. Sabemos que funcio-

“O caminho faz-se caminhando”, estamos neste caminho, andando com prudência e perseverança. Esperamos pouco a pouco, compreender como dar nossa contribuição missionária

vivemos com os migrantes nos evangeliza, ensina-nos a sermos missionárias. Nossos olhos se tornam mais claros, nossos ouvidos mais nítidos e nosso ser mais humilde. As palavras do Papa Francisco dizem que, «certas realidades da vida são vistas apenas com os olhos limpos pelas lágrimas.» Como não chorar! Afirmamos que a esperança nos confirma no caminho, o sofrimento e as lágrimas contribuem para a nossa conversão pessoal. Ambas, esperança e lágrimas fortalecem o nosso ser missionário. Aprendemos com os migrantes que esperança mobiliza a pessoa e que o sofrimento contribui para a realização da vida. Aqui estamos caminhando em direção a novas perspectivas! Ir. Terezinha Lúcia Santin, mscs Missão em Siracusa/Itália 7 de abril de 2015

na, porque muitas vezes os barcos chegam ao porto de Augusta e nós, mesmo com o acordo de sermos chamadas para ajudar na chegada dos migrantes, não somos se quer avisadas. Tampouco os meios de comunicação divulgam todos os fatos. Exemplo disso é que chegaram dois barcos, há poucos dias, um deles com muitos doentes e em outro com 716 migrantes, com crianças, jovens e mulheres. Portanto, “o caminho faz-se caminhando”, estamos neste caminho, andando com prudência e perseverança. Esperamos pouco a pouco, compreender como dar nossa contribuição missionária. Parece-nos positivo continuar na direção de “entrar na ponta dos pés”, como disse irmã Milva Caro, Superiora Provincial, no discurso de apresentação à dom Salvatore Pappalardo, Bispo Diocesano de Siracusa no dia 24 de janeiro de 2015. A experiência que Esperança | 1º semestre de 2015 | 17


Madre Assunta

Modelo de consagrada para as Scalabrinianas e para a Igreja

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consagrada(o) é propriedade exclusiva de Deus e só pode ser usado para fins nobres.” Madre Assunta Marchetti foi consagrada e viveu exclusivamente para agradar a Deus no serviço ao próximo, de modo muito especial aos órfãos estrangeiros acolhidos no orfanato Cristóvão Colombo. Pela vivência radical desta sua vocação, ela é apresentada pela Igreja como modelo de vida cristã para o mundo e, para a Congregação Scalabriniana, como modelo único de consagrada missionária Scalabriniana. Olhe para Madre Assunta e saberás como servir a Deus e ao próximo com extremado e incondicional amor. Foi fiel ao chamado à santidade. A vocação à santidade é tão antiga e universal quanto a Bíblia, todos são chamados a orientar sua vida segundo Deus, pois ele mesmo diz: “Sereis santos, porque eu sou Santo” (Lv 11,45). Esta é a vocação fundamental de todos os seguidores de Jesus Cristo, que os transforma em discípulos missionários. Só em Deus se pode ser santo, ser livre, misericordioso, justo, amável e aberto às diferenças individuais sem perder a própria identidade. Assunta Marchetti descobriu sua vocação de discípula missionária muito cedo e jamais retrocedeu. Era feliz assim. Ser santo é deixar-se conduzir pelas moções divinas inspiradas pelo Espírito Santo, deixar-se levar pela mão providente de Deus. É preciso coragem para renunciar ao reino do ego e adotar o reino de Deus o qual, com frequência, conduz por caminhos que não são os nossos: gratuidade, compaixão e solidariedade. Madre Assunta foi corajosa, destemida, pois confiou tranquila e descansadamente na força e no poder do Senhor que não falha. Esta maneira de viver aprendeu na radicalidade do seguimento de Jesus Cristo.


labriniana e modelo de cristã para todo o povo de Deus. Esperamos na sua canonização para que toda a Igreja possa gozar de sua santidade, intercessão e exemplo de amor aos mais necessitados. O verdadeiro modelo de santidade é o próprio Deus e seu filho Jesus Cristo, todos os outros são pequenos reflexos desta santidade. Assunta e todos os outros santos refletem em grau heroico a santidade de Deus expressa no seu amor desmedido a Deus e aos mais necessitados entre os irmãos. O Papa ainda disse que estes santos procuraram e descobriram a caridade na relação forte e pessoal com Deus da qual emana o verdadeiro amor ao próximo.

Por tudo isso, continua o Papa, “sigamos as suas pegadas, imitando a sua fé e a sua caridade, para que também a nossa esperança se revista de imortalidade. Não nos deixemos distrair por outros interesses terrenos e passageiros”. Que Madre Assunta Marchetti, a bem-aventurada, seja para nós uma luz que ilumina o caminho por onde devemos caminhar rumo à nossa santidade. Que ela nos alcance a graça de sermos totalmente de Deus no serviço aos mais necessitados da migração hodierna! E que tenhamos, como Assunta, os olhos fixos em Jesus. Ir. Erta Lemos, mscs Ituiutaba – MG

A Bem-aventurada Assunta Marchetti alimentava seu seguimento de Jesus Cristo pela meditação da Palavra e da Eucaristia; pela dedicação exclusiva e alegre ao serviço do Reino; pela aprendizagem diária da castidade na vivência do amor que se abre, se esquece, libertando-se de si para entregar-se ao serviço da vida; pelo cultivo de um amor que liberta a pessoa, que a leve a ser ela mesma, para que seja capaz de fazer seu próprio caminho. pixabay.com

Seguir Jesus Cristo é estar a serviço da construção de uma humanidade humanizada onde as relações são reais e vivenciadas no cotidiano. É entrega cotidiana e apaixonada na defesa e cuidado da vida dos pobres migrantes e do meio ambiente, vivendo o amor sem medida (cf. Jo 13,1). A abertura ao diferente, superando os preconceitos, criando espaços para o diálogo ecumênico e inter-religioso, a acolhida terna às pessoas, demonstram a qualidade e radicalidade do seguimento. Madre Assinta Marchetti mais que ninguém soube superar as barreiras culturais, sociais, políticas, religiosas em sua missão de educar, cuidar, defender os menos favorecidos sem menosprezar os demais. A Bem-aventurada Assunta Marchetti alimentava seu seguimento de Jesus Cristo pela meditação da Palavra e da Eucaristia; pela dedicação exclusiva e alegre ao serviço do Reino; pela aprendizagem diária da castidade na vivência do amor que se abre, se esquece, libertando-se de si para entregar-se ao serviço da vida; pelo cultivo de um amor que liberta a pessoa, que a leve a ser ela mesma, para que seja capaz de fazer seu próprio caminho, dedicando-se a desenvolver, para o bem da comunidade, todos os dons que Deus lhe deu. O mundo necessita de novos modelos de vida saudável, feliz e redimida, isto é, plenamente realizada no aqui e agora de nossa história. O Papa Francisco, em certa ocasião, enalteceu os novos santos por eles não se terem deixado vencer pelas tragédias do século 20, por terem sido corajosos, por não terem tido vergonha dos sofrimentos dos mais necessitados. Eles eram contemplativos, neles moravam uma esperança e uma alegria indescritíveis. Assunta trilhou este caminho e foi vencedora, agora é modelo de Religiosa Sca-

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A Vida Consagrada que eu amo

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mo a Vida Religiosa porque é um dom do Espírito à sua Igreja, dom gratuito, que expressa o amor e o cuidado de Deus por seu povo, ao qual é enviada para acompanhar e caminhar no dia a dia. Amo a Vida Religiosa porque é expressão de que Jesus segue chamando aos que Ele quer para ser memória vivente do modo de atuar e viver de Jesus em favor do Reino. Amo a Vida Religiosa porque faz evidente no mundo que o coração humano tem fome e sede de Deus e que só Deus é capaz de responder plenamente a estes desejos, e de seduzir, de enamorar o coração, de maneira que suscite respostas plenas de paixão e de vida, de amor incondicional, de respostas que se dão com todo o coração, toda a mente e todas as forças. Amo a Vida Religiosa porque mesmo sendo minoria, segue sendo credível quando acompanha, quando escuta, quando fala através dos gestos de amor, ternura, cuidado e quando é necessário, também com palavras; porque tem vida e vida em abundância. Amo a Vida Religiosa porque desde sua pequenez possui a força do Espírito para se mover com ousadia ao encontro dos mais pobres, dos mais necessitados, de todas as periferias existenciais. Amo a Vida Religiosa porque está vivendo os capítulos mais emocionantes de sua história e, em meio a poucas certezas e não clareza está voltando como nunca ao essencial do Evangelho e de seus carismas. Amo a Vida Religiosa porque está aprendendo a abandonar as estruturas caducas, a deixar-se ler pela realida20 |

de, e a se perguntar quais serão os odres novos para o vinho novo. Amo a Vida Religiosa porque na diversidade de seus carismas enriquece a Igreja, e se põe a serviço das pessoas desde os diferentes campos de missão que se lhe há confiado; porque está aprendendo a viver a intercongregacionalidade, a interculturalidade, e a desmonopolizar estes carismas que tem tocado já o coração de tantas e tantos leigos que compartilham conosco a missão e a vida. Amo a Vida Religiosa porque está enraizada e centrada em Deus, enamorada Dele e de seu Reino e, pelo mesmo, está voltando seus olhos ao mistério da Encarnação que a coloca em saída, para ir “tocar a carne de Cristo”, não importa se se acidente no caminho. Amo a Vida Religiosa porque está despertando sua audácia e ousadia, porque seu profetismo não está morto, porque está abrindo portas e provocando alternativa de viver o amor, a partilha e a busca constante da vontade de Deus. Amo a Vida Religiosa porque está menos apegada a quantidade e valoriza mais a qualidade; porque faz processos, porque não se rende a imediatez, porque crê na força que tem o pequeno quando é gerado pelo Espírito. (…) Amo, enfim, a Vida Religiosa porque expressa o rosto de Deus Pai-Mãe; porque como Maria se sabe “Serva do Senhor”, habitada por sua Palavra e chamada a contagiar de Magnificat a nossa humanidade tão necessitada desta alegria mariana. Que Ela, a causa da nossa alegria, nos presentei, a toda a Vida Religiosa, com alegria em abundância, especialmente neste Ano da Vida Consagrada, para que com esta alegria consolemos aos demais com o mesmo consolo com que somos consoladas por Deus. Assim seja... Nele, Nela, sua irmã, Hna. Mercedes Leticia Casas Sánchez, fsps Presidente da CLAR


Relembrando as Comemorações Oficiais da Beatificação

Bem-aventurada Assunta Marchetti Mãe dos Órfãos e Migrantes

Preces de gratidão, hinos de louvor e gestos inúmeros de acolhida marcaram a Beatificação de Madre Assunta no dia 25 de outubro de 2014. Na Carta Apostólica o Papa Francisco afirma que Madre Assunta é testemunha da caridade de Cristo para com os migrantes e órfãos dos quais foi “mãe” terna. E afirma que sua festa será celebrada todos os anos no dia 1º de julho, dia de sua partida para o Céu. Esperança | 1º semestre de 2015 | 21


Vigílias de Oração A celebração da Beatificação foi precedida de momentos fortes de oração, reunindo a comunidade nas Paróquias de São Paulo, onde as Irmãs Scalabrinianas marcam presença, ou nos locais onde Madre Assunta desenvolveu sua ação missionária junto aos órfãos e migrantes.

“A Santidade não é feita de coisas extraordinárias mas de coisas ordinárias, com fidelidade ao Evangelho, bondade, caridade espírito de acolhida e criatividade.”

o João Batista 1ª Paróquia Sã /10 Ipiranga – 18

Cardeal Ângelo Amato 2ª Paróquia Sa

nto Antônio – Pa

ri – 21/10

da Paz ossa Senhora 22/10 – io Glicér

3ª Paróquia N 22 |


4ª Paróquia Nossa Senhora das Dores Ipiranga – 23/10

crachás e trega de Kits, en e da o. hi ol ac na Beatificaçã houve a Após a missa, e colaboraram qu s io ár nt lu s vo lembranças ao

Inauguração do Monumento “Madre Assunta Marchetti” O monumento foi construído em homenagem a Madre Assunta, na Praça Carlos Siqueira Neto, na Rua do Orfanato esquina com a Rua Francisco Polito, por iniciativa da Comunidade de Vila Prudente, através do Círculo dos Trabalhadores Cristãos de Vila Prudente, na pessoa de seu Presidente, Sr. Newton Zadra, e foi inaugurado na manhã do dia 24/10.

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Inauguração do Memorial Madre Assunta, no Orfanato da Vila Prudente Nos jardins do Memorial Dom Odilo abençoou uma imagem de bronze de Madre Assunta, esculpida em sua terra natal.

“A beatificação de uma religiosa cofundadora de uma Congregação ganha ainda mais relevância quando acontece nas vésperas da Igreja iniciar o ano dedicado, pelo Papa Francisco, à Vida Religiosa Consagrada.” Cardeal Odilo Scherer

Em seguida descerrou-se a placa comemorativa na entrada do orfanato, inaugurando o memorial.

Na Capela Madre Assunta: Dom Odilo Scherer Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Ítalo Castellani, Arcebispo de Lucca – Itália, representando a Região de Lombrici de Camaiore onde a Beata nasceu, e Ir. Neusa Mariano, Superiora Geral da Congregação. 24 |


Coletiva de Imprensa

Durante a coletiva de imprensa o Cardeal Arcebispo Dom Odilo Scherer destacou que essa Beatificação é um apelo a todos para manterem os olhos abertos aos migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Apresentações Artísticas

Crianças atendidas na Casa Madre Assunta.

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Momento de oração das Irmãs na Capela Madre Assunta

Momento em que as Superioras Provinciais receberam a relíquia de Madre Assunta, e a réplica da lamparina usada por ela na missão.

Vigília de Oração Paróquia São Carlos – Vila Prudente

A Vigília solene na véspera da beatificação foi momento especial de refletir sobre a vocação de cada um à santidade, de retomar o chamado à vida Consagrada e renovar a disponibilidade de fidelidade total ao Senhor. 26 |


Cerimônia de Beatificação Catedral Metropolitana de São Paulo (Sé) Sábado, dia 25/10 – A Catedral de São Paulo ficou repleta de peregrinos, bem como, de toda a família Scalabriniana, irmãs, missionárias seculares, sacerdotes e leigos de diferentes países e muitos lugares do Brasil todos unidos num único espírito: gratidão a Deus.

Leitura da biografia de Madre Assunta por Ir. Leocádia Mezzomo, postuladora.

Momento de grande emoção: o descerramento do quadro com a imagem da Bem-aventurada Assunta Marchetti, obra da artista Russa Natalia Tsarkova.

O ponto alto da celebração foi o Rito da Beatificação presidido pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação da Causa dos Santos, que leu a carta Apostólica na qual o Papa Francisco inscreveu Madre Assunta no livro dos Beatos.

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A Missa foi presidida pelo Cardeal Dom Odilo Scherer, que durante a homilia ressaltou: a vida de Madre Assunta foi inteiramente orientada pela Caridade de Cristo que ardia em seu coração e que lhe ajudava a ver os outros como imagem e semelhança de Deus. Ela testemunhou a caridade de Cristo junto aos órfãos, migrantes e desamparados. Para eles ela foi mãe solicita. Procissão trazendo a Relíquia: A superiora Geral Ir. Neusa Mariano, acompanhada por Ir. Laura Bondi, Ir Leocádia Mezzomo e um grupo de crianças da Casa Madre Assunta e do Instituto Cristóvão Colombo conduzem até o altar a relíquia de Madre Assunta, enquanto todos entoam o hino da beatificação.

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Momento Cultural Colégio João XXIII – Vila Prudente Grupos de Migrantes de vários países ofereceram aos presentes suas danças típicas e manifestações folclóricas.

Opereta Madre Assunta: um espetáculo que cantou a vida e missão dessa grande mulher!

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Missa em Ação de Graças Basílica Nacional de Aparecida Domingo, dia 26/10 – Foi realizada a Romaria das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo-Scalabrinianas à Aparecida. A Eucaristia, celebrada no Santuário Nacional, contou com a presença de centenas de fieis, que vieram prestar sua homenagem de fé e devoção àquela que tanto se dedicou aos migrantes e órfãos neste país.

“A beatificação de Madre Assunta é um dom, uma grande graça, um grande presente de Deus”. Ir. Neusa Mariano – Superiora geral

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Encontros e Encerramento Encontro com as Formandas e Vocacionadas Scalabrinianas, no Centro Vocacional São Carlos: Partilhar alegrias e desafios entre os jovens faz renascer a esperança. Deus continua chamando jovens corajosas para doarem a vida a serviço do migrante.

No Cento de Eventos Pe. Vitor Coelho em Aparecida, os peregrinos participaram dos festejos de encerramento das comemorações da beatificação, expressando a alegria e gratidão pelos dias compartilhados.

“A vida de Madre Assunta é uma verdadeira escola de caridade e santidade. É nessa escola de santidade e de caridade aos migrantes que devemos, continuamente, nos formar.” Ir. Neusa Mariano – Superiora Geral

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"Os santos são a beleza e o amor de Deus. O testemunho da Bem-Aventurada Assunta Marchetti irá gerar ainda mais proteção e acolhida no mundo das migrações." Dom Ítalo Castellani Arcebispo de Lucca – Itália

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Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas

Eu quero ser! E você ? “Com Jesus Cristo nasce e renasce sem cessar a alegria”. (Papa Francisco)

Centro Vocacional São Carlos Rua Vereador Osvaldo Elache, 71 12570-000 Aparecida – SP Tel (12) 3105-1008 E-mail: vocacoesmscs@uol.com.br


Oração para pedir a canonização da bem-Aventurada Assunta Marchetti

Ó

Pai, que fizestes resplandecer a vossa santidade na vida simples e humilde da Bem-aventurada Assunta Marchetti no decorrer de sua vida missionária entre os órfãos, doentes e migrantes, confiantes, vos pedimos que, por sua intercessão, brilhe sobre nós a claridade de vossa luz, para que em tudo façamos a vossa vontade, especialmente no serviço aos migrantes mais necessitados. Concedei-nos, pelos méritos de Jesus Cristo, a canonização de Madre Assunta, enquanto suplicamos para que ela nos alcance de Vós a graça de que tanto necessitamos (dizer a graça...). Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai).

Revista Esperança nº 13 / 1º semestre de 2015  

Publicação semestral da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo (Scalabrinianas)

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