Revista Rotary Brasil - Maio de 2021

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VOZES DO ROTARY

LGBT+ no Rotary Inclusão e serviço em favor da sociedade Aurea Santos*

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ema que começa a ser mais discutido em muitos Rotary Clubs, a inclusão de associados e associadas da comunidade LGBT+ não é sobre promover uma causa ou mesmo sobre levantar uma bandeira. Trata-se, sim, de receber profissionais capacitados, como tantos outros que compõem nosso quadro associativo, e oferecer um ambiente no qual todos se sintam seguros para serem quem são e contribuir com todo seu conhecimento para a realização de projetos que beneficiem nossas comunidades. Como instituição centenária que é, o Rotary foi se abrindo lentamente às mudanças ocorridas na sociedade, levando mais de 80 anos até que as mulheres fossem admitidas como associadas. Mesmo assim, foram necessários 115 anos desde sua fundação para que víssemos a primeira mulher, Jennifer Jones, ser eleita como presidente do Rotary International. Com a comunidade LGBT+, o processo também segue devagar, mas vem apresentando importantes progressos, como a declaração de apoio à Diversidade, Equidade e Inclusão, realizada pelo Conselho Diretor em 2019. O texto deixa claro que o Rotary é aberto a todas as pessoas, independentemente de idade, etnia, raça, cor, habilidade, religião, condição socioeconômica, cultura, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero. Pouco tempo antes disso, em 2018,

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Rotary Brasil MAIO de 2021

Temática LGBT+ começa a ganhar mais visibilidade dentro do Rotary

foi criado o primeiro grupo de companheirismo da comunidade dentro da nossa organização: o Grupo de Companheirismo de Rotarianos e Amigos LGBT+. “É um grupo dedicado a promover amizade global, serviço e educação com o objetivo de criar uma comunidade inclusiva, compreensiva e acolhedora, promovendo boa vontade, paz e a realização de um mundo que alcance justiça e igualdade fundamentais para as pessoas LGBT+”, informa sua página na internet. O grupo conta hoje com 175 membros ao redor do mundo, cinco deles no Brasil. “Na sociedade brasileira, entre os LGBTs a maioria é qualificada, tem estudo e, dentro do Rotary, é muito mais, a gente sabe disso. Só que essa comunidade não se vê representada dentro daquele lugar onde está”, explica o gaúcho Anderson Zerwes, que faz parte da diretoria do grupo. “E aí, eu acho que a gente começa uma situação de construção e de abrir espaços para que a gente possa, de um lado, entender as necessidades para que se façam projetos concretos e que

ajudem as comunidades a que a gente serve e, por outro lado, se ver representado ali naquele local”, complementa. A importância da inclusão Em entrevista ao blog Vozes do Rotary, Anderson explica com fatos e dados a importância da inclusão da comunidade LGBT+ no Rotary e como isso está intrinsecamente ligado à realização de projetos e à prestação de serviços que a organização oferece à sociedade. “Como é que nós vamos fazer projetos nas comunidades onde estamos inseridos se nós não conhecemos essas comunidades? À medida que a gente começa a conhecer a nossa comunidade, a gente começa a identificar grupos de vulnerabilidade, por exemplo. E quem são esses grupos de vulnerabilidade? Aqui no Brasil, a maioria deles são de pobres, negros, mulheres, pessoas com dificuldade de acessibilidade e LGBTs”, aponta. Uma pesquisa apresentada por Anderson ao Vozes, a Skol Diálogos, realizada em 2017 pelo Ibope a serviço da empresa de bebidas Ambev, mostra que apenas 17% dos brasileiros se reconhecem como preconceitu-