__MAIN_TEXT__

Page 1

Ano 14 - Edição 163 Agosto de 2019

Perfil do novo profissional de proteção e automação do sistema elétrico Na era das subestações digitais, com a chegada dos dispositivos eletrônicos inteligentes (IEDs), ficam evidentes as diversas possibilidades para construção e implementação das filosofias de proteção, supervisão e controle

Sistemas solares fotovoltaicos

Fixação dos módulos em estruturas de base de forma segura e durável

Cobertura – FIEE Smart Future | Smart Energy

As feiras receberam mais de 50 mil visitantes e promoveram debates e rodadas de negociações para acelerar o avanço dos mercados industrial e de energia


Sumário atitude@atitudeeditorial.com.br Diretores Adolfo Vaiser Simone Vaiser Coordenação de circulação, pesquisa e eventos Marina Marques – marina@atitudeeditorial.com.br Assistente de circulação, pesquisa e eventos Henrique Vaiser – henrique@atitudeeditorial.com.br Assistente de criação Victor Gargano - victor@atitudeeditorial.com.br Administração Paulo Martins Oliveira Sobrinho administrativo@atitudeeditorial.com.br Editora Luciana Freitas - 80.519-SP luciana@atitudeeditorial.com.br Publicidade Diretor comercial Adolfo Vaiser - adolfo@atitudeeditorial.com.br Contatos publicitários Ana Maria Rancoleta - anamaria@atitudeeditorial.com.br Representantes Paraná / Santa Catarina Spala Marketing e Representações Gilberto Paulin - gilberto@spalamkt.com.br João Batista Silva - joao@spalamkt.com.br (41) 3027-5565

Suplemento Renováveis 35 Fascículo: Fixação dos módulos em estruturas de base Notícias de mercado Coluna solar: A transição energética avança Coluna eólica: Já estamos em plena safra dos ventos

4

Editorial

6

Coluna do consultor

Direção de arte e produção Leonardo Piva - atitude@leonardopiva.com.br Consultor técnico José Starosta

O projeto elétrico das instalações deve ser mantido vivo

8

As feiras receberam mais de 50 mil visitantes e promoveram debates e rodadas de negociações para acelerar o avanço

Colaborador técnico de normas Jobson Modena Colaboradores técnicos da publicação Daniel Bento, João Barrico, Jobson Modena, José Starosta, Juliana Iwashita, Roberval Bulgarelli e Sergio Roberto Santos Colaboradores desta edição Carlos Alberto Villegas Guerrero, Claudio Mardegan, Claudio Rancoleta, Diretoria da SBQEE, Elbia Gannoum, Fabio Henrique Dér Carrião, Francisco Gonçalves Jr., Frederico Oliveira Passos, Hans Rauschmayer, Jobson Modena, José Starosta, Keli Cristine Silva Antunes, Luciano Rosito, Marcio Takata, Paulo E. Q. M. Barreto, Paulo Henrique Vieira Soares, Paulo Marcio da Silveira, Roberval Bulgarelli, Rodrigo Sauaia, Ronaldo Koloszuk, Ronaldo Rossi, Sergio Roberto Santos e Vicentino José Pinheiro Rodrigues A Revista O Setor Elétrico é uma publicação mensal da Atitude Editorial Ltda., voltada aos mercados de Instalações Elétricas, Energia e Iluminação, com tiragem de 13.000 exemplares. Distribuída entre as empresas de engenharia, projetos e instalação, manutenção, indústrias de diversos segmentos, concessionárias, prefeituras e revendas de material elétrico, é enviada aos executivos e especificadores destes segmentos. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora. Capa: engineer story | shutterstock.com Impressão - Mundial Gráfica e Editora Distribuição - Correios

dos mercados industrial e de energia

14

Filiada à

Painel de notícias Seções Mercado, Empresas e Produtos

21

Fascículos BIM – Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção Equipamentos para ensaios em campo Linhas elétricas para baixa tensão

46

Cinase TEC Perfil do novo profissional de proteção e automação do sistema elétrico

54

Espaço 5419 A perda de patrimônio cultural

78

Espaço SBQEE CBQEE em constante evolução

Atitude Editorial Publicações Técnicas Ltda. Rua Piracuama, 280, Sala 41 Cep: 05017-040 – Perdizes – São Paulo (SP) Fone/Fax - (11) 3872-4404 www.osetoreletrico.com.br atitude@atitudeeditorial.com.br

Evento – FIEE Smart Future | Smart Energy

Colunistas

56 57 58 60

Jobson Modena – Proteção contra raios Luciano Rosito – Iluminação pública José Starosta – Energia com qualidade Roberval Bulgarelli – Instalações Exc

3


Editorial

4

O Setor Elétrico / Agosto de 2019 Capa ed 163.pdf

1

27/08/19

19:10

www.osetoreletrico.com.br

Ano 14 - Edição 163 Agosto de 2019

Perfil do novo profissional de proteção e automação do sistema elétrico O Setor Elétrico - Ano 14 - Edição 163 – Agosto de 2019

Na era das subestações digitais, com a chegada dos dispositivos eletrônicos inteligentes (IEDs), ficam evidentes as diversas possibilidades para construção e implementação das filosofias de proteção, supervisão e controle

Sistemas solares fotovoltaicos

Fixação dos módulos em estruturas de base de forma segura e durável

Cobertura – FIEE Smart Future | Smart Energy

As feiras receberam mais de 50 mil visitantes e promoveram debates e rodadas de negociações para acelerar o avanço dos mercados industrial e de energia

Edição 163

O sistema elétrico na era digital

O surgimento de novas tecnologias voltadas para o

Itabira, localizada em Minas Gerais, aspectos introdutórios à

setor elétrico, remetendo, mais precisamente, às crescentes

norma, de forma a elucidar a ampla abordagem proposta pela

subestações digitais – que fazem uso de alta tecnologia para o

IEC, e alguns dos conhecimentos exigidos para esse “novo”

funcionamento –, tem revolucionado os sistemas tradicionais,

perfil que o profissional de proteção e automação precisa ter.

e com isso, levantado questões importantes sobre o nível de

Não deixe de acompanhar este rico trabalho desenvolvido

maturidade das empresas e o grau de capacitação técnica

pelo time de especialistas do segmento.

dos profissionais que atuam nessa área, os quais precisam se

adequar constantemente às mudanças culturais e tecnológicas

exemplar, é a fixação dos módulos fotovoltaicos em estruturas

que ocorrem no mercado.

de base de forma segura e durável, discussão que evidencia o

fato de que o projeto fotovoltaico é multidisciplinar e requer

A chegada dos dispositivos eletrônicos inteligentes

Outro assunto importante, explanado tecnicamente neste

(conhecidos como IEDs, na sigla em inglês), tem ampliado

conhecimento de várias áreas. Abordamos, nos fascículos

as possibilidades para construção e implementação das

anteriores, as questões elétricas do sistema fotovoltaico. Agora,

filosofias de proteção, supervisão e controle dos sistemas

entraremos em questões mecânicas e estruturais, matéria

elétricos. Os IEDs são baseados na norma IEC 61850, a

fundamental para quem quer se aprimorar e executar os

qual nasceu da necessidade de se padronizar os aspectos

serviços com excelência e segurança.

de comunicação. Sendo assim, esta norma proporcionou a

liberdade de configuração, redução de custo com fiações e

Eólica, a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica

interoperabilidade entre dispositivos. A comunicação, inclusive,

(ABEEólica), Elbia Gannoum, traz a boa notícia de que o País

é outra preocupação do setor que, por conta da implantação

já está em plena safra dos ventos! Segundo a especialista,

de novas soluções, carece de orientações com relação às

o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já está

normas de comunicação entre equipamentos. Com isso, a IEC

sinalizando os recordes de geração da temporada 2019.

61850 veio no sentido de facilitar e resolver alguns problemas

Entramos em um período do ano em que costumamos ter os

que, por diversos anos, foram bastante debatidos em grandes

nossos melhores ventos, e que vai até novembro. E, até lá, há

obras, como sistemas de comunicações (protocolos) e meios

muito o que ser feito, a fim de continuarmos batendo recordes

físicos de comunicações (cabos).

e explorarmos todos os benefícios que a energia eólica

brasileira tem a oferecer.

Em função da ascensão do uso de novas tecnologias e

Ainda falando sobre as renováveis, na seção Energia

da necessidade de criação de um novo perfil profissional de

proteção e automação do sistema elétrico, que saiba como se

Boa leitura!

mover dentro da era digital, foi produzido o artigo da seção Cinase TEC, o qual abordou o conceito da IEC 61850 em

Abraços

substituição aos sistemas convencionais utilizados na Vale SA

Luciana Freitas

Redes sociais

@osetoreletrico

www.facebook.com/osetoreletrico

@osetoreletrico

Revista O Setor Elétrico


6

Coluna do consultor

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE. É consultor da revista O Setor Elétrico jstarosta@acaoenge.com.br

O projeto elétrico das instalações deve ser mantido vivo

As histórias se repetem a cada necessidade de intervenção ou mesmo

simples verificação ou consulta da documentação das instalações. Nem sempre as informações estão de acordo ao “conforme construído”. Cargas são modificadas, proteções e circuitos readequados, leiautes que mudam, obrigando as instalações a serem também readequadas, e tudo fica na memória de quem executou estas mudanças sem documentação ou em algum rascunho perdido em alguma gaveta. Quando alguma intervenção de emergência deve ser feita, a “coisa” fica complicada e erros grosseiros são cometidos. As questões aqui colocadas estão relacionadas à necessidade de manter o projeto da edificação em geral e das instalações em particular como um organismo vivo que deve acompanhar a própria operação e manutenção das instalações. Os documentos devem estar prontos, arquivados em locais bem definidos em claros procedimentos e, sobretudo, serem velhos conhecidos dos responsáveis das instalações sejam prediais ou industriais.

A velocidade do avanço tecnológico, de ocupação e de produção

requerem das instalações associadas a prática de “retrofits” cada vez mais frequentes e, por consequência, documentação técnica atualizada. Normas como a NR-10, NBR5410 e outras aplicáveis recomendam fortemente estas necessidades. Juntam-se a isso os documentos relativos aos equipamentos das plantas, como transformadores, geradores, filtros, distribuição de circuitos e painéis de distribuição.

A aparente prorrogação de despesas operacionais que não priorizam

ou mesmo negligenciam estas necessidades pode incorrer em pesadas perdas financeiras relacionadas a paradas não previstas, dificuldades para soluções de problemas e mesmo aspectos de segurança. A reflexão do tema requer das equipes de “facilities” e gestão de manutenção ações de redução destes riscos. Projetos devem viver fora das gavetas nas mãos dos operadores e com dinâmica de atualização automática. Não há atualização tecnológica de processos dissociada da atualização dos projetos de instalações que devem sofrer intervenções simultaneamente. As ferramentas de gestão de documentos existentes devido ao avanço da tecnologia de informação contrastam com as caixas mofadas de plantas heliográficas que inundam os subsolos de nossas edificações.


Evento

8

FIEE 2019 movimenta novos negócios para os mercados industrial e de energia

Reed Exhibitions Alcantara Machado

Com mais de 50 mil visitantes, a feira promoveu debates e rodadas de negociações para acelerar o avanço destes setores

Entre os dias 23 e 26 de julho, o São

Paulo Expo, em São Paulo (SP), foi palco de um grande encontro entre empresas e compradores da indústria e do mercado de energia do Brasil. Apresentando as tendências e novidades que deverão transformar o futuro dos negócios, a FIEE Smart Future e a FIEE Smart Energy receberam mais de 50 mil visitantes e centenas de expositores de todos os continentes, que puderam acompanhar a apresentação de mais de 250 horas de conteúdo técnico especializado.

Mais do que oportunidade para debates,

as feiras geraram negócios. Durante seus quatro

dias,

foram

realizadas

dezenas

de encontros estratégicos em mesas de negociação, envolvendo empresas brasileiras e de diversos países, com destaque à presença de compradores da América Latina, Estados

Só com essa iniciativa, foram geradas 438

a participação de grandes players do mercado

Unidos, Europa e Ásia. “Foram centenas de

reuniões entre exportadores brasileiros e

de energia, como América, Atmo, Comerc,

reuniões voltadas à venda e à construção de

compradores internacionais. “A realização

CPFL, Kroma e Pacto.

novas parcerias. Isso mostra o potencial e o

do projeto dentro da FIEE foi uma ótima

diferencial de nossos eventos para a economia

oportunidade para aproximar todos os

debateram temas importantes para o futuro,

e o setor produtivo nacional”, declara Renan

atores do ecossistema produtivo, reforçando

com uma programação composta por painéis,

Joel, diretor do Portfólio de Energia e Indústria

nossas conversas e ações também com

seminários e demonstrações técnicas para

da Reed Exhibitions Alcantara Machado,

a participação dos expositores da feira,

todos os envolvidos na cadeia produtiva do

organizadora e promotora do evento.

graças ao apoio da Reed”, afirma Giselle

País. As feiras abriram espaço para a realização

Entre as ações promovidas, destacam-se

Hipólito, gerente de Relações Internacionais

de ações, como o Seminário GREEN RIO,

o Projeto Electro-Electronic Brasil, realizado

da Abinee. Além disso, o evento também

realizado pela primeira vez em São Paulo,

pela primeira vez, e que se baseou em uma

realizou uma Rodada de Negócios nacional,

e o CIGRÉ Brasil, com discussão voltada ao

rodada de negócios internacional criada

com reuniões realizadas com compradores

setor de energia elétrica. Também foram

pela Apex-Brasil e pela Associação Brasileira

vindos de diversas indústrias, e a Arena de

realizados o Fórum Abinee Tec, IX CIERTEC

da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Comercialização de Energia, que contou com

e Ilhas do Conhecimento, que tiveram o

A FIEE Future e a FIEE Energy também


9

Reed Exhibitions Alcantara Machado

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

patrocínio Master da Eletrobras e do Governo

desempenhe plenamente seu protagonismo

Federal; patrocínio diamante da Schneider

no

Electric e da Siemens, e apoio institucional da

necessárias

Confederação Nacional da Indústria (CNI).

devolver a confiança que propicia a atração

desenvolvimento

econômico,

são

estruturais

para

reformas

de investimentos. "Apoiamos a Reforma da

Abinee TEC 2019: setor eletroeletrônico é fundamental para a digitalização do País

Previdência e estamos satisfeitos com o seu

O papel fundamental dos setores de

indústria", destacou.

tecnologia e energia para o avanço da

inovação e do processo de transformação

Abinee com as recentes sinalizações do

digital do Brasil foi o principal tema abordado

governo no sentido de promover medidas

pelos participantes da solenidade de abertura

que expõem a indústria brasileira a uma

do Abinee TEC 2019, que ocorreu no dia 23

competição pouco isonômica diante de

de julho, em conjunto com a inauguração da

outros países. Ele defendeu que tais medidas

FIEE Smart Future e da FIEE Smart Energy.

sejam

empresários,

outras providências que reduzam o custo de

especialistas, membros dos poderes Executivo

produção no País. "A Abinee não é contrária

e Legislativo, incluindo representantes dos

à abertura comercial. Entretanto, esse tema

Ministérios

Estiveram

presentes

encaminhamento. Mas necessitamos ainda da Reforma Tributária, fundamental para a Barbato mencionou a preocupação da

implementadas

paralelamente

a

(MMA),

deve ser tratado com total transparência

de Minas e Energia (MME) e da Ciência,

para que esta seja feita de forma gradual

Tecnologia,

do

Meio

Ambiente

Comunicações

e negociada com o setor produtivo",

(MCTI), além da Abinee, BRACIER e da Reed

afirmou. "O Brasil já reúne as características

Exhibitions Alcantara Machado. "A revolução

fundamentais de um mercado potencialmente

digital que o mundo está vivenciando

atrativo para investimentos; o que precisamos

nos últimos anos se espalha por diversos

é colocar a casa em ordem para atrair cada vez

segmentos da economia, provocando uma

mais recursos", completou.

profunda transformação nos negócios, na

O

disponibilidade de serviços e nas formas de

Administração da Abinee, Irineu Govêa,

consumo", afirmou o presidente executivo da

destacou a importância dos eventos para

Abinee, Humberto Barbato, na abertura dos

os negócios no setor eletroeletrônico. "O

eventos.

Abinee TEC e a FIEE representam um polo de

Em sua opinião, para que a indústria

negócios, conteúdo e inovação para os setores

Inovação

e

presidente

do

Conselho

de


Evento Reed Exhibitions Alcantara Machado

10

SP, Ricardo Figueiredo Terra, o Brasil vive um grande momento de conectividade, essencial para que as indústrias continuem competitivas na 4ª Revolução Industrial. "Estamos bem articulados para ajudar empresas de todos os tamanhos nesses avanços, fundamentais para o sucesso do Brasil. A melhor forma de prever o futuro é criá-lo", sugeriu.

Para o secretário de Empreendedorismo e

Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo Alvim, o Abinee TEC e a FIEE são palco das principais tendências da transformação digital e da inserção na economia 4.0. "Temos o desafio de trazer a economia brasileira para o ambiente 4.0, e o setor eletroeletrônico tem um papel Reed Exhibitions Alcantara Machado

Reed Exhibitions Alcantara Machado

fundamental

nesse

processo",

afirmou.

Ele agradeceu as contribuições dadas pela Abinee ao Ministério para construção de uma nova política para o setor de tecnologia.

O

secretário

de

Planejamento

e

Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Reive Barros dos Santos, destacou a importância dos eventos no

Reed Exhibitions Alcantara Machado

Reed Exhibitions Alcantara Machado

debate sobre a transição energética. "Todos os projetos que estamos desenvolvendo incorporam novas tecnologias estratégicas para os consumidores", ressaltou.

Ele adiantou que o governo anunciará,

em 10 de dezembro de 2019, um novo Plano Decenal de Energia, que dará a "todos investidores

oportunidade

de

conhecer

ofertas de investimentos". O secretário disse ainda que o País tem papel destacado na elétrico, eletrônico, de energia e de automação,

receber mais de 50 mil compradores nesses

questão de energias renováveis. "O mundo

projetando-se para o futuro com um formato

quatro dias de evento, estimulando setores

tem muito que aprender com o Brasil, tendo

convergente e integrador", salientou.

que fazem a diferença para o desenvolvimento

em vista nossa matriz energética e nossos

do nosso País", frisou.

níveis reduzidos de emissão de C02."

geram

Para o presidente do BRACIER e da

empregos de qualidade e contribuem para o

Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, o evento

do Ministério do Meio Ambiente, André

desenvolvimento do Brasil. "Cada vez mais,

é essencial para aproximar todos os agentes

França, os principais problemas relativos ao

nossa indústria exerce o protagonismo na

do setor elétrico. Segundo ele, o tempo é

meio ambiente estão nas cidades, e que,

economia digital, com soluções e produtos

de grandes mudanças. "Vivemos desafios

portanto, o governo tem uma nova agenda

inovadores", comentou.

que vão promover uma verdadeira revolução

de qualidade ambiental urbana. Ele ressaltou

Ele lembrou que a Abinee representa

cerca

de

500

empresas,

que

Para o secretário de Qualidade Ambiental

O vice-presidente da Reed Exhibitions

tecnológica e, nesse sentido, a inovação

o pioneirismo da Abinee na logística reversa

Alcântara Machado, Paulo Octavio, contou

ocupa papel estratégico no avanço do setor.

do setor eletroeletrônico. "A Abinee foi

que a FIEE Smart Future e a FIEE Smart

Não devemos temer essas mudanças. Nosso

um dos primeiros setores a nos procurar,

Energy foram especialmente desenhadas

País deve se orgulhar por ter uma das matrizes

querendo saber o que fazer para ajudar",

para atender às necessidades do mercado

energéticas mais limpas e renováveis do

contou. Como resultado, deve ser anunciado,

e trazer uma nova dinâmica para os setores

mundo", observou.

em breve, o acordo setorial nacional para

de indústria e energia do Brasil. "Esperamos

a logística reversa de eletroeletrônicos. "O

De acordo com o diretor regional do Senai


11

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

texto será colocado em consulta pública, e em

da Eletrobras e da Bracier, apresentou o

oceano azul de oportunidades”, completou.

seguida, anunciado, para que tenhamos uma

“Roadmap to 2050”, da Agência Internacional

gestão mais sustentável dos recursos no País",

para as Energias Renováveis (Irena), sobre

brasileiro, da matriz energética atual e a

informou.

a transformação do sistema global de

descoberta do Pré-Sal, o presidente e CEO

Citando a atual situação do agronegócio

Relações

energia. Segundo ele, esse processo precisa

da Siemens Brasil, André Clark, afirmou que

Institucionais da Comissão de Integração

de celeridade para atender aos objetivos

o Brasil tem uma posição privilegiada, fruto

Energética Regional (CIER), Carlos Pombo,

do Acordo de Paris, diante de um grande

de investimentos e iniciativas conjuntas entre

representante do Uruguai, falou dos avanços

aumento de demanda. “Entre os principais

governo, setor privado e acadêmico. “Todas

das energias renováveis em seu país, no qual

drives dessa expansão, teremos a introdução

essas ações só foram possíveis com muita

as fontes eólica e fotovoltaica respondem

de 1 bilhão de veículos elétricos no mercado,

inovação”, explanou.

por 40% da demanda. Destacou também

maior uso de eletricidade para aquecimento

o papel de inovações como blockchain e

e o surgimento de hidrogênio renovável”,

uma nova realidade repleta de desafios e

redes inteligentes para uma maior eficiência.

inumerou. Em sua avaliação, as ferramentas

oportunidades. “A cidade do futuro será

"Na indústria elétrica, não temos de prever o

da transformação são a digitalização, a

diferente e, por isso, a rede de distribuição tem

futuro, mas sim, de desenhá-lo", afirmou.

descentralização e a descarbonização, que

de mudar de forma diametral”, enfatizou o

podem ser alcançadas a partir da introdução

executivo, que apresentou o case da Siemens

Transição energética e digitalização do setor elétrico

de novas tecnologias, como Internet das

em Jundiaí, no Estado de São Paulo, no qual

Coisas (IoT), blockchain, entre outras.

a empresa contribuiu para o planejamento da

O

vice-presidente

de

Segundo ele, a Internet das Coisas trouxe

Para atingir esses objetivos, Ferreira Junior

cidade para os próximos 30 anos. O projeto

descentralização e descarbonização do setor

destacou a importância da integração entre

incluiu pegada de carbono, transporte,

elétrico e a necessidade de maior cooperação

os países, permitindo a alocação eficiente de

energia e prédios inteligentes. Para Clark,

entre os países da América Latina foram

recursos e a complementariedade de fontes,

o momento representa uma oportunidade

os principais temas debatidos no painel

além de garantir segurança energética e um

singular para a integração energética regional

“Transição Energética e a Digitalização do

ambiente de negócios mais favorável.

com outros países da América Latina, como

Os desafios dos processos de digitalização,

o caso da Bacia do Prata, que compreende

Setor Elétrico", realizado no dia 23 de julho, no Fórum Abinee TEC 2019. O evento,

A visão do setor privado

moderado

pelo

professor

José

Sidnei

Brasil, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Argentina.

Integração. Essa é a palavra de ordem

Colombo Martini, reuniu representantes do

no novo cenário de transformação digital.

Integração na América Latina

governo brasileiro e de governos dos países

“Compartilhar é o que gera inovação”,

latino-americanos, além de executivos do

destacou o presidente da Schneider Electric

milhões de habitantes, com um consumo

setor privado.

Brasil, Marcos Matias. Em sua apresentação,

de 2 mil quilowatts-hora por cada habitante.

Reive Barros dos Santos, do MME,

o executivo ressaltou a convergência entre a

A informação é do diretor de Integração

apresentou

área elétrica e eletrônica, que provoca uma

da Organização Latino America de Energia

brasileiro,

o

planejamento

energético

compreendendo

geração,

A América Latina compreende cerca 635

revolução no mundo dos negócios.

(Olade), Medardo Cadena. Segundo ele,

transmissão e distribuição, petróleo e gás e

Segundo ele, os data centers consomem

devido às distintas matrizes energéticas dos

mineração. “Um dos principais objetivos da

hoje de 4% a 5% de toda a energia produzida.

países, 71% da energia consumida na região

nossa proposta de modernização do setor

“Estamos caminhando para um mundo mais

ainda não é renovável. Para Cadena, apesar das

elétrico é garantir estabilidade regulatória

elétrico, mais digital, mais descarbonizado

diferenças, todos possuem o objetivo comum

e jurídica, além de previsibilidade neste

e descentralizado”, afirmou. Para Matias, as

de promover a transição energética com vistas

mercado — fator fundamental para atração

novas tecnologias proporcionam a redução

a desenvolver economias de baixa emissão de

de investimentos”, explicou. Nesse sentido,

de perdas energéticas, que geram impactos

carbono. “Cada país pode atingir seu objetivo

ele apresentou um calendário, até 2021, de

climáticos positivos. “A gestão de redes,

de uma forma particular, mas um ator que

leilões de energia, como os de A-4 e A-6.

a partir do smart grid, permite otimizar a

merece ser considerado para integração é o

Segundo

Santos,

a

expectativa

de

operação e o planejamento na utilização de

gás natural”, afirmou. Em sua avaliação, essa

crescimento da economia, em torno de 2,8%

energia”, esclareceu.

fonte tem grande potencial de crescimento

ao ano, cria a necessidade de uma oferta de

e pode ser um elemento importante para a

5 gigawatts de energia. Para atender a essa

é fundamental, mas não pode ser “usada

descarbonização do setor elétrico.

demanda, o governo deve estimular a geração

como muleta” para impedir a expansão das

O vice-ministro de Minas e Energia

a partir de fontes eólica e fotovoltaica, além de

redes inteligentes. Outro fator é o nascimento

do Paraguai, Carlos Zaldívar, apresentou o

substituir as térmicas a óleo por térmicas a gás.

de um novo consumidor, que passa a ser

panorama energético do país e destacou a

Wilson

gestor da energia utilizada. “Temos um

necessidade de aumentar em 60% o uso de

Ferreira

Junior,

presidente

Em sua avaliação, a segurança cibernética


Evento Reed Exhibitions Alcantara Machado

12

energias renováveis, além da meta de emissão zero de CO2 até 2050 no âmbito da política estratégica 2016-2040. Também afirmou que o Paraguai tem consciência de que deverá trabalhar junto com o Brasil e destacou as oportunidades da matriz energética de seu país, como autoprodução de eletricidade, cultivos bioenergéticos, refinamento de petróleo.

Juan Garade, secretário de recursos

renováveis e mercado elétrico da Argentina, disse que o país tem investido na construção de pequenos parques para geração de energias eólica e solar. “Basicamente, 9% de toda a nossa demanda de energia será abastecida por fontes renováveis nos próximos anos”, antecipou. Segundo ele, a transformação do sistema elétrico é inevitável e ininterrupta, demandando robustez institucional e estabilidade regulatória. Colômbia e Peru.

programa busca apoiar empresas brasileiras

citadas pelo vice-ministro de Minas e Energia

Para o diretor geral da ISA – Rede de

por meio da criação e articulação de uma

do Paraguai, Felipe Mitjans, que reforçou os

Energia do Peru, Carlos Sánchez, a integração

rede de inovação em dois módulos: um

compromissos internacionais assumidos pelos

ainda está aquém das possibilidades para o

programa de apoio e aceleração de Startups

países, como o COP21 e o Irena de emissão

desenvolvimento de ações similares, como

e um Centro de Inovação, localizado no Rio

zero até 2050.

ocorre na Europa.

de Janeiro, que fará conexões entre startups,

empresas, investidores e universidades.

As barreiras institucionais também foram

Mitjans comentou sobre a possiblidade

Com uma matriz energética composta

de paralelismo entre Itaipu e Yacyreta,

basicamente por hidroelétrica e gás, o Peru

convertendo o Paraguai em corredor de

ainda não possui estrutura para geração

necessidade de se agregar inovação ao setor

Lana Dioum, por sua vez, afirmou que a

energia limpa para a integração entre

distribuída. Segundo Sánchez, o governo

da indústria motivou a ABDI a criar métodos

Paraguai, Brasil e Argentina. Citou também a

estuda mudanças no sistema regulatório do

para aproximar essas novas tecnologias às

criação da Ata de Acordo para a Integração

setor e a interconexão com outros países,

empresas. “Nosso trabalho é entender a dor

Energética, que possibilitou a venda de

como o Brasil.

das indústrias, desafiar o mercado e gerar

energia para Bolívia, Chile e Uruguai.

Outro destaque foi o painel “Fomento

negócios entre as empresas e startups por meio

O assessor do ministro de Energia do

e Programas de Incentivo a Startups”, do

de soluções inovadoras”, explica. Segundo a

Equador, Vitor Oreluela Luna, abordou a

Abinee TEC 2019, sobre as parcerias entre

coordenadora, o programa diminuiu em até

mudança da matriz energética do país,

startups e empresas pode elevar o potencial

20% as interrupções na produção de uma das

especialmente em função do racionamento

transformador para os mais diversos setores

empresas beneficiadas pela parceria. O painel,

de energia em 2009, quando foi necessário

da indústria. No encontro, os especialistas

mediado por Paulo Quirino, coordenador

comprar energia da Colômbia. A partir

Romulo Ramalho Matheus, coordenador

Nacional do Programa Creative Startups da

daí, criaram-se políticas de aumento de

do Departamento de Empreendedorismo

Samsung, integrou a programação da Ilha

capacidade de geração, redução do consumo

do Banco Nacional do Desenvolvimento

de Conhecimento de Inovação e Novas

de energia elétrica, eliminação do consumo

Econômico e Social (BNDES), e Lanna Christina

Oportunidades de Negócios.

de diesel e diminuição das emissões de

Pinheiro Dioum, coordenadora de Inovação

CO2. Hoje, entretanto, 90% da energia do

da Agência Brasileira de Desenvolvimento

Ilhas de Conhecimento

país ainda é hidráulica; 8% térmica e 2% são

Industrial (ABDI), debateram a geração de

energias renováveis.

negócios e resultados a partir da união entre

Ilhas de Conhecimento no ambiente da FIEE

Luna também apresentou o projeto “Zero

indústria e novas companhias. “O Brasil possui

Smart Future para quem buscava conceitos e

combustíveis fósseis em Galápagos”, com

boas ideias e pesquisas, porém, poucas

aplicações práticas. Profissionais, especialistas

o aumento do uso de energia solar e eólica

startups conseguem alcançar a maturidade

e representantes do governo dividiram espaço

e do óleo de pinhão nas ilhas. No tema da

e impactar o mercado. Por isso, o BNDES

em diversos painéis sobre os temas mais

integração dos países andinos, comentou

criou o programa de incentivo à inovação, o

relevantes para o setor nas Ilhas de: Eficiência

sobre a aproximação existente entre Equador,

Garagem”, diz o coordenador do banco. O

Energética;

Além do fórum, o Abinee TEC apresentou

Automação

e

Manufatura;


13

Geração,

Transmissão,

Distribuição

Everton Amaro / Fiesp

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

e

Comercialização - GTDC; Inovação e Novas Oportunidades de Negócios e Tecnologia e Sustentabilidade. O painel “Aplicação Digitalização da Indústria Brasileira”, da Ilha de Conhecimento de Automação e Manufatura Inteligente, foi uma conversa mediada por Carlos Urbano, diretor de Automação Industrial da Schneider Electric, que contou com a participação de Livius Aguiar, Digitalization, IoT and Industry 4.0 Sales Specialist da Siemens, e Fabio Fernandes, engenheiro de Aplicação para a Indústria 4.0 da Bosch. O debate reforçou como a adoção de ferramentas digitais pode melhorar a competitividade das empresas, tornando as

Everton Amaro / Fiesp

operações mais eficientes e inteligentes. Os participantes alertaram para a importância do uso de dados e da real aplicação de padrões de inovação na cadeia produtiva, ressaltando que somente assim será possível gerar impactos para a tomada das decisões e definição de estratégias para os negócios.

Escola Móvel de Energias Renováveis do Senai Outra novidade apresentada na FIEE Smart Future e na FIEE Smart Energy foi a Escola Móvel de Energias Renováveis do SENAI-SP, inaugurada pelo presidente da Fiesp, Sesi-SP, Senai-SP, Ciesp e do Instituto Roberto Simonsen (IRS), Paulo Skaf. O lançamento contou com a presença do presidente do Conselho de Administração da Abinee, Irineu Govêa, e do presidente

automação e energia, que são essenciais

no interior do semirreboque (caminhão) e

executivo da Associação, Humberto Barbato,

para a indústria. Andando pelos corredores

necessitam apenas de local adequado para

além de empresários do setor eletroeletrônico.

do evento, temos a oportunidade de nos

manobra e estacionamento. Dessa forma, é

A 74ª unidade móvel da instituição, assim

conectar com as melhores marcas do Brasil e

possível atender regiões que não têm ou atuar

como as demais, oferecerá cursos de formação

do mundo”, declarou Skaf. Segundo ele, as

em locais nos quais as escolas Senai-SP não

inicial e continuada, de curta duração, em

feiras são “uma vitrine com o que há de mais

desenvolvam as necessidades específicas da

diversas tecnologias e sistemas da área, com

moderno em automação e energia, além de

indústria local, evitando, assim, a implantação

o objetivo de suprir as necessidades de mão

oferecer conhecimento por meio de palestras

de um laboratório fixo. As empresas ABB,

de obra especializada da indústria. As aulas

e painéis”. “É uma forma de correr o mundo

Canadian Solar, Finder, PHB Energia Solar,

deverão ter turmas de 16 alunos e matrículas

em um dia, estar atualizado e fazer negócios,

Siemens e Stäubli forneceram equipamentos

em 13 cursos.

ou seja, é fantástico”, expressou.

e tecnologias.

A inauguração da escola foi realizada

durante a FIEE Smart Future e FIEE Smart

flexíveis de alta tecnologia, com salas de aula

já tem data e hora marcadas: será de 20 a 23

Energy principalmente devido ao diferencial

com aproximadamente 80m², que se moldam

de julho de 2021, das 13h às 20h, no mesmo

dos eventos de atrair, em um só local, as

à medida que novas profissões aparecem

local: São Paulo Expo (SP).

cadeias de indústria e energia. “A FIEE

e outras são extintas. Os equipamentos

Para obter mais informações, acesse:

Smart Energy e a FIEE Smart Future reúnem

utilizados nas unidades móveis são fixados

www.fiee.com.br.

As escolas sobre rodas são laboratórios

A próxima edição da FIEE Smart Future


Painel de mercado

14

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

Fotos por: Samira Espósito

IX ESW Brasil reúne especialistas em segurança elétrica e do trabalho

No dia 17 de julho, aconteceu, em Salto (SP),

a abertura do ESW Brasil 2019 – International Safety Workshop, evento internacional voltado para a área engenharia elétrica na segurança do trabalho. Sediado na Estância Turística de Salto, no interior paulista, a 9ª edição do evento contou com a presença do prefeito do município, Geraldo Garcia. Na mesa de abertura, além do prefeito, estiveram presentes o presidente da Associação de Engenheiros de Salto (AEAAS), Paulo Takeyama, o presidente da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), Gilberto Alvarenga, os representantes do IEEE, Guiou Kobayashi e Luiz Tomiyoshi, além do diretor executivo da Abracopel e coordenador geral do evento, Edson Martinho. O ESW foi criado pelo Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE),

no mundo a replicar esse modelo de sucesso

Paulo Henrique Soares, da VALE; em seguida:

fundado nos Estados Unidos, há mais de 120

originado e prestigiado nos Estados Unidos,

Instalações elétricas em Piscinas – Estudo

anos, sendo a maior organização profissional

mas ainda há muito o que crescer e evoluir e

de caso, com Thalita Santos, da Sinergia,

do mundo dedicada ao avanço da tecnologia

estamos no caminho certo!”, declara.

após o coffee break, veio o engenheiro

em benefício da humanidade. Importante citar

Iniciado no dia 16 de julho, com dois

Sergio Santos, com o tema: A NR-12 e a

que o Brasil é um dos poucos países, além

tutoriais que geraram grande interesse entre

segurança das instalações elétricas; em

dos Estados Unidos, a sediar este evento (são

os participantes, foram eles: Faltas por Arco

seguida, os engenheiros Adonay Rodrigues

quatro países no total que sediam hoje o ESW).

e Energia Incidente – Principais alterações da

e Cristhian Gabriel da Rosa de Oliveira, da

Pela segunda vez em Salto, é organizado em

norma IEEE Std 1584 2002 para a norma IEEE

ENEL Distribuição de Goiás, apresentaram o

parceria com a Abracopel, entidade nacional,

Std 1584 2018, com o engenheiro e membro

trabalho: Desenvolvimento de uma metodologia

que entende a necessidade de manter um

Sênior do IEEE – Claudio Sérgio Mardegan,

de ensaios com procedimentos operacionais

evento desta importância no País.

no período da manhã; e à tarde o tutorial foi

padrão de técnicas preditivas, visando a

Participaram desta edição profissionais de

Aplicação da Norma IEC61850 em uma planta

segurança na análise de desempenho de

grandes empresas, como Vale, Gerdau, Dupont,

industrial da Vale Itabira (MG) e os benefícios

transformadores de potência. No retorno do

Chevron, Petrobras, Fluke, Leal, BRVAL, além

do Sistema de Automação de Subestações

almoço, o congresso foi retomado com João

de distribuidoras de energia elétrica, como

(SAS) no gerenciamento, análise e segurança

Victor Barboza e Felipe Andrade, da Chevron,

a ENEL e instituições educacionais como

das equipes de manutenção, operação e

com o tema: Análise de Risco de Arco Elétrico

USP, UNIJUÍ e UFSM. Segundo Martinho, “o

engenharia, com o engenheiro Paulo Henrique

e Energia Incidente em Plataforma Offshore; a

ESW, nesta 9ª edição no Brasil e pela 3ª vez

Vieira Soares.

organizado pela Abracopel em parceria com o

IEEE, mostrou uma evolução clara: a qualidade

trabalhos apresentados foram: Número de

do público presente se equiparou com a

acidentes de origem elétrica – A estatística

qualidade dos trabalhos apresentados. “O

ajudando a reduzir os acidentes, com o

apoio dos patrocinadores este ano mostra essa

engenheiro Edson Martinho, da Abracopel;

evolução: grandes nomes e grandes marcas

depois: Laboratório de práticas elétricas (LPE)

estiveram no evento. Estamos crescendo e

empregado na formação e capacitação de

mantendo o Brasil como um dos poucos países

profissionais na Vale Itabira, com o engenheiro

No dia 17 de julho, após a abertura, os


15

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

A exposição

Este ano, o ESW Brasil contou com o

apoio empresas como: Fluke; Leal; Dupont – que trouxe a marca Nomex –; BRVAL e ETAP. Também apoiaram essa edição a Mi Omega; Techno; MSR; Lambda Consultoria e Westex. Cada estande atraiu o interesse dos participantes, com a demonstração de seguir, novamente o engenheiro Paulo Henrique

pelo engenheiro Hélio Eiji Sueta, trouxeram:

produtos e tecnologias, gerando novos e

Soares, da Vale, com: Metodologia de teste e

Aspectos

futuros negócios.

supervisão dos relés de arco utilizada na planta

componentes de risco conforme a norma ABNT

industrial da Vale Itabira – Usina Conceição II e

NBR 5419-2: 2015 para a proteção contra as

10ª edição em 2021

Ricardo Carvalho da DIAGNERG com o tema

descargas atmosféricas. Depois da parada

Arco Elétrico – Um Risco à ser Gerenciado.

para o café, o retorno foi com a psicóloga Maria

para

Uma parada para o coffee break e

de Fátima Antunes Costa e o interessante

chamando o engenheiro Guiou Kobayashi,

visitação à exposição, as palestras voltaram

tema:

aspectos

representante do IEEE Brasil, para anunciar

com João Cunha, da Mi Omega, trazendo o

comportamentais intrínsecos às atividades

a troca da coordenação geral, passando da

tema: Aterramento e equipotencialização de

do setor elétrico; em seguida, mais uma vez o

Abracopel para o IEEE, na próxima edição, em

subestações, finalizando este primeiro dia, a

Instituto de Energia e Ambiente da USP com o

2021. Na verdade, afirmou Kobayashi, “será um

engenheira Caroline Radüns, da UNIJUÍ, e o

tema: Desenvolvimento de calorímetro baseado

revezamento, que faremos a partir de agora,

trabalho: Notificações de acidentes de trabalho

em sensor óptico para determinação do ATPV,

entre a Abracopel e o IEEE na coordenação

e números dos bancos de dados. Um caloroso

apresentado pela engenheira Fernanda Soares.

geral do evento, para que assim possamos

debate encerrou um dia de muita informação da

No período da tarde, o engenheiro João

continuar a atingir a área empresarial, que é

mais alta qualidade.

Macário Netto discorreu sobre o tema: A

uma expertise da Abracopel e, também, a área

da

análise

Ergonomia

paramétrica

cognitiva

e

dos

O engenheiro Edson Martinho aproveitou fazer

o

encerramento

do

evento,

No dia 18, o evento foi iniciado com o

Importância da Norma Regulamentadora nº 10

acadêmica, onde o IEEE tem mais abrangência”,

engenheiro Estellito Rangel Jr., da EX-periência

(NR-10) em Canteiro de Obras. Vinicius Ayrão

declarou. Desta forma, o que se pode adiantar

e Soluções, com o tema: O uso seguro

Franco, da Sinergia, trouxe o tema: Impactos da

sobre a 10ª edição do ESW BRASIL no ano

dos multímetros; em seguida, um momento

Energia Fotovoltaica no Projeto das Instalações

de 2021 é que se realizará, provavelmente, nas

de descontração com o engenheiro João

Elétricas; a seguir e, encerrando a programação,

dependências de alguma grande instituição de

Carlos Schettino, da Petrobras, com o

o engenheiro Edson Martinho, da Abracopel,

ensino brasileira.

tema: Percepção de Segurança & Música;

e coordenador geral do ESW 2019, trouxe

em seguida, os profissionais do Instituto de

o tema: NR-10 para aplicação em sistemas

ser obtidas através do site: www.ieee.org.br/

Energia e Ambiente da USP, capitaneados

fotovoltaicos. Um novo debate fechou o dia.

eswbrasil/.

Mais informações sobre o evento podem


Painel de empresas

16

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

A Cummins Inc., desenvolvedora de

diretor da América Latina para a Cummins

soluções de eficiência energética, anunciou

Power Generation, onde é responsável por

recentemente Paulo Nielsen como o novo

impulsionar o crescimento dessa unidade.

líder da Cummins Power Generation para a

Durante 2018, a Cummins Power

América Latina, com o desafio de consolidar

Generation representou cerca de 20%

o posicionamento da Unidade de Negócio

das vendas da empresa nos mercados da

na região. “Fazer parte de uma organização

América Latina. Essa liderança confirma a

sólida como a Cummins é um compromisso

meta da empresa de aumentar a capacidade

que me enche de orgulho. A América Latina

profissional de seus funcionários e manter o

representa um importante mercado para

crescimento da Cummins na região.

Divulgação

Cummins Inc. nomeia novo líder de geração de energia para a América Latina

a Cummins e, por isso, continuaremos a fornecer aos nossos clientes fontes de

Presença no mercado

energia que correspondam aos desafios

A Cummins Inc. está presente no

desta região”, afirma Nielsen.

mercado de geração de energia por meio

O executivo é formado em Engenharia

da Power Generation, área da Unidade

Mecânica e especializado em indústria

de Negócios de Sistemas de Energia

automotiva pela Escola de Engenharia

(Power Systems) com mais de 50 anos de

Industrial de São Paulo. Possui mestrado

experiência no setor de geração de energia,

em

pelo

incluindo desenvolvimento e fabricação de

Instituto Tecnológico de Aeronáutica /

geradores Diesel e a gás e sistemas de

Escola Superior de Marketing.

energia.

Iniciou

sua

de

carreira

Empresas

na

Cummins

Paulo Nielsen, líder da Cummins Power Generation para a América Latina.

A perspectiva da unidade de Sistemas

em 2016 como diretor de Vendas da

de Energia é elevar sua participação de

Cummins Filtros para América Latina,

3% a 7%, no mundo, em 2019 quando

consolidando a estratégia de vendas da

comparado a 2018, ano em que a divisão

Unidade de Negócios de Componentes,

registrou faturamento de US$4,6 bilhões.

uma das mais importantes da empresa

Durante o primeiro semestre de 2019,

na região. Suas habilidades o levaram a

as vendas globais da Cummins Power

atuar, desde dezembro de 2018, como

Systems foram de US$1,1 bilhão. Ainda de

acordo com as previsões da companhia, a expectativa para a América Latina é fechar 2019 com crescimento de 22% (em relação a 2018).

Somente em 2018, a Cummins investiu

US$890

milhões

em

desenvolvimento

e pesquisa e a Power Generation tem atuado para prover melhorias em soluções de Divulgação

Administração

energia,

desenvolvendo

produtos

mais inovadores, a exemplo do novo gerador emissionado B3.3, um marco nas operações da empresa no País, com tecnologia avançada e contribuições para um mercado mais sustentável. A novidade, exclusiva no País, traz potências de 40kW e 60kW (50kVA e 75kVA), complementando as linhas QSL9 (313kVA a 375kVA) e QSX15 (563kVA a 625kVA), lançadas anteriormente e um pacote de soluções mais eficientes e sustentáveis. “O Grupo Gerador B3.3 é um marco no processo de produção da


17

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

Cummins, o início de um novo range de

A novidade traz motor mais compacto,

também servirá de referência para os novos

produtos com ‘pegada ecológica’, mais

de 3,3 litros e a mesma potência do seu

projetos de geradores emissionados que

leve, compacto, econômico e sustentável”,

antecessor, dotado de motorização de 3.9

serão ofertados pela Cummins”, reforça

afirma David Sato, supervisor de Marketing

litros.

Sato. O Grupo Gerador B3.3 traz ainda, em

de Produto da Cummins Power Generation

Com as novas soluções e tecnologias

solução standard (carenada), o menor nível

para América Latina.

desenvolvidas no Grupo Gerador B3.3,

de ruído durante operação, sem o uso de

Mesmo sem a implantação de leis

a Cummins registra redução de custo de

atenuadores.

ambientais regulamentadas para geradores

operação e manutenção para seus clientes:

Além do novo pacote de soluções, a

no País, a Cummins adotou o MAR-1, que

economia

2,2%,

novidade pode receber os acessórios da

define os limites de emissões de poluentes

consumo de óleo lubrificante e do líquido

Cummins Power Generation, que incluem

para equipamentos industriais em seu

de arrefecimento em 37,9% e 21,3%,

chaves de transferência de parede ou

novo grupo gerador. A companhia realizou

respectivamente.

integrada ao grupo gerador e o sistema de

melhorias de eficiência na queima de

monitoramento

combustível e ajustes da bomba, além da

o novo gerador já está sendo montado na

Desenvolvido exclusivamente pela companhia,

tendência downsizing do motor, com o uso

fábrica da Cummins localizada em Guarulhos

este sistema permite o acompanhamento virtual

de materiais mais resistentes. Disponível

para

operar

em

de

combustível

em

Com motorização 4B 3.3, de 4 cilindros,

PowerCommand

Cloud™.

(SP), onde recebe alternador, controlador e

do Grupo Gerador em tempo real, reduzindo os

todos

radiador, ou seja, as soluções integradas

custos de operação e manutenção e o tempo

novo

que destacam a companhia no segmento de

de inatividade das máquinas em operação.

Grupo Gerador B3.3 da Cummins será

geração de energia. “Adotamos inicialmente

O Grupo Gerador B3.3 atende às

disponibilizado nas frequências de 60hz e

esta faixa de potência com alta capacidade

normas ISO 8528, NR 12 e ABNT NBR

50hz, com foco inicial nas vendas locais e

de influenciar a aquisição de um produto

16684 no Brasil, a regulamentação SEC

posteriormente em toda a América Latina.

mais eficiente e ‘green’. O lançamento

no Chile e a RETIE na Colômbia.

os

segmentos

de

mercado,

o


Painel de empresas

18

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

Divulgação / ABB

ABB vende negócio de inversores solares

A ABB, companhia especializada em

da empresa Power-One, adquirida pelo

indústrias digitais anunciou, no dia 9 de

negócio Discrete Automation & Motion

julho de 2019, a assinatura de acordo da

da ABB, em 2013. O negócio oferece

aquisição do negócio de inversores solares

um portfólio abrangente de produtos,

pela empresa italiana FIMER S.p.A. A

sistemas e serviços para diferentes tipos

transação

perspectivas

de instalações solares, e está atualmente

futuras do negócio de inversores solares

dentro do negócio de Eletrificação da

e permitirá que a empresa foque em seu

ABB – com receita de aproximadamente

portfólio de negócios de outros mercados

US$290 milhões em 2018.

aumentará

as

Ambas

em crescimento. O

negócio

de

inversores

solares

as

companhias

garantirão

uma transição suave para clientes e

800

funcionários. A FIMER honrará todas as

funcionários em mais de 30 países, com

garantias existentes e a ABB compensará

fábricas e centros de P&D localizados

a FIMER pelo cancelamento dos negócios

na Itália, na Índia e na Finlândia. Ele

e do passivo. Como resultado, a ABB

inclui o negócio de inversores solares

espera obter uma dedução de impostos

da

ABB

tem

aproximadamente


19

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

de

a determinadas condições, incluindo a

prédios

aproximadamente US$430 milhões no

conclusão do carve-out e consultoria

de energia e carregamento de veículos

segundo trimestre de 2019, com os

prévia com os órgãos de representação

elétricos”.

resultados

sobre

despesa

impactados

não

operacional

ano

sendo

dos funcionários.

proporcionalmente.

Cerca

semestrais

do

Tarak Mehta, presidente do negócio de

inteligentes,

armazenamento

Filippo Carzaniga, CEO da FIMER, declara

que:

“Temos

o

prazer

de

de 75% desse encargo é representado

Eletrificação da ABB afirma que “a venda

anunciar essa nova etapa em nosso

pelas saídas de caixa que a ABB pagará

está alinhada com a nossa estratégia de

desenvolvimento, pois o foco da FIMER

à FIMER a partir da data de fechamento

gestão sistemática e contínua de portfólio

no setor de energia solar será bastante

do negócio até 2025. Além disso, a ABB

para fortalecer a competitividade, focar na

aprimorado por essa integração. Nosso

espera até US$40 milhões de custos de

qualidade da receita e nos segmentos de

compromisso de influenciar positivamente

carve-out a partir do segundo semestre de

maior crescimento. O negócio de Solar

o mercado de energia será realizado

2019.

é um foco fundamental para a FIMER e,

por meio do desenvolvimento de novas

Após o fechamento da transação, a

como tal, acreditamos que ela seja uma

plataformas de produtos e tecnologias

ABB espera que a margem operacional do

excelente proprietária para os negócios de

digitais

EBITA para o negócio de Eletrificação seja

inversores solares da ABB. A combinação

com o excelente trabalho realizado pela

impactada positivamente em pouco mais

dos portfólios sob a gestão da FIMER

ABB

de 50 pontos base, apoiando o progresso

suportará maior crescimento de vendas.

recursos

do negócio em direção ao seu objetivo de

Por meio de nossa oferta inteligente de

experiência na Itália e no mundo. Com um

margem de 15 a 19%.

baixa e média tensão, a ABB continuará a

portfólio fortalecido, estamos mais bem

A conclusão está prevista para o

integrar a energia solar em uma variedade

posicionados para moldar o futuro desse

primeiro trimestre de 2020 e estará sujeita

de soluções de automação, incluindo

negócio cada vez mais estratégico”.

nos

inovadoras. últimos preciosos,

Continuaremos

anos,

combinando

conhecimento

e


Painel de produtos

20

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

Eletrodutos corrugados da Tramontina Eletrik www.tramontina.com.br

Os eletrodutos são tubos pelos quais passam os fios e

cabos que compõem a instalação, protegendo-os de quaisquer danos mecânicos, que possam causar superaquecimento, curtoscircuitos e choques. Fabricados de material antichama, são leves, não achatam e podem ser usados em regiões litorâneas.

Os eletrodutos corrugados da Tramontina possuem baixo coeficiente de atrito, o que

facilita a passagem dos cabos elétricos, e sua flexibilidade permite que sejam curvados para mudanças de direção, seja em paredes de alvenaria ou lajes, nos diâmetros nominais (bitola) de 20mm (1/2”), 25mm (3/4”) e 32mm (1”). São comercializados nas versões leve e reforçado e estão em acordo com a norma NBR 15465.

Câmera da FLIR Systems para medição de temperaturas www.flir.com.br

A câmera FLIR E75 oferece medições precisas de temperatura,

sem a necessidade de se entrar em contato direto com os objetos para isso – o que facilita, em casos de perigo. Para detectar falhas, basta apontar a câmera, observar a imagem de perda de calor gerada e identificar os pontos superaquecidos ou sobrecarregados (em tons de vermelho) que precisam de reparos.

RST Quadros Elétricos lança quadros de tomadas www.quadrodetomada.com.br

A RST Quadros Elétricos acaba de lançar os quadros

de tomadas ou “Quadros de Conexão Elétrica” (QCE), indicados para alimentação de energia para canteiros de obras, como escritórios, banheiros, almoxarifados, oficinas, máquinas, e para eventos, fábricas e outros serviços móveis que necessitem de energia protegida e segura.

Os quadros “QCE” possuem vários tipos de tomadas e correntes, todas protegidas contra

sobrecarga e curto-circuito e DR geral para proteção contra choque elétrico. Fabricados em caixa metálica IP54, na cor laranja, de acordo com as normas brasileiras NBR 5410, NR-10, NR-12 e NR-18, sua fixação em parede é opcional, possui alça e pés de apoio para uso móvel, além de cabos de alimentação apropriados.

Disponíveis em quatro potências para rede 220V (6kW, 8kW, 12kW e 20kW) e de três

potências para rede 380V (8kW, 12kW e 30kW). Os quadros de mesma tensão de rede podem ser interligados, trazendo mais flexibilidade ao usuário.


Fascículos

Apoio:

BIM – Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

22

Francisco Gonçalves Jr. Capítulo VIII – BIM 5D: uma nova forma de realizar o orçamento da sua obra - Orçamento tradicional - Orçamento e o BIM 5D - Processo de orçamento com ferramenta BIM e planilhas - Ferramentas específicas para orçamento

Equipamentos para ensaios em campo

26

Fabio Henrique Dér Carrião, Claudio Mardegan e Claudio Rancoleta Capítulo VIII – Inspeção: Termográfica e Ultrassom – Parte I: Inspeção Termográfica - Introdução - Anomalias mais comuns nas instalações elétricas - Termograma e relatório simplificado de anomalias - Custo do ensaio x custo da inspeção

Linhas elétricas para baixa tensão

32

Paulo E. Q. M. Barreto Capítulo VIII – Seções mínimas de condutores - Condutor de fase - Condutor neutro - Condutor de proteção


Apoio:

BIM - Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

22

Por Francisco Gonçalves Jr.*

Capítulo VIII BIM 5D: uma nova forma de realizar o orçamento da sua obra

O uso do BIM está relacionado a todo o ciclo de vida da edificação.

estrutura, instalações, entre outras. Após a análise das informações,

Através do BIM 3D, o modelo com informações e funcionalidades,

identificam os serviços e suas dimensões, considerando seus

traz como uma das principais vantagens a análise de interferências,

aspectos técnicos de execução e os quantitativos.

também chamadas de clash detection. Desta forma, é possível antecipar os problemas e soluções de interferências físicas entres as diversas disciplinas da obra, por meio da sua construção virtual. Depois, se adicionarmos a variável “tempo” a esse modelo, teremos outra dimensão do BIM chamada de 4D, que se refere ao planejamento inteligente da obra, como explicado no capítulo VII. Por conseguinte, se adicionarmos a variável “custo”, temos o BIM 5D, que nos permite efetuar orçamentos mais assertivos e um cronograma físico-financeiro mais realista e previsível, devido à riqueza de informações disponíveis no modelo, e sua forma automática e precisa de extração de quantitativos e insumos.

Fascículo

Essa nova metodologia aliada com suas ferramentas tecnológicas

Figura 1 – Projetos em CAD 2D.

proporcionam ao profissional de orçamento um nova perspectiva,

Nessa etapa, a interpretação e medição de plantas 2D em CAD

com foco na análise estratégica dos dados, ao invés de gastar um

pode ocasionar erros, desperdícios, falta de precisão, devido à

grande e valioso tempo em tarefas operacionais voltadas à extração

quantidade de itens que são necessários para a execução, mas não

dos mesmos.

estão representados no desenho. Vale lembrar que este é um objeto

Orçamento tradicional

de grande pressão ao profissional envolvido, pois os orçamentos,

O método utilizado para o levantamento de quantitativos e

geralmente, possuem uma margem de erro permitida, que pode

geração de orçamentos ainda é realizado por muitos escritórios de

variar de acordo com a fase de projeto e ser de grande importância

forma manual, demandando muito tempo e atenção para que não

para definição do custo e prazo da obra.

passe nada despercebido e ocasione problemas. Isto também pode

Por exemplo, em obras públicas, como demonstrado na tabela

significar que o método utilizado está impreciso e altamente sujeito

abaixo, é possível avaliar a precisão esperada na estimativa de custo

a erros.

de uma obra, em relação às suas fases, e a margem para cada uma. A

Esses profissionais recebem projetos de engenharia em CAD ou

precisão dessas estimativas de custos estará totalmente relacionada

impressos e verificam os memoriais descritivos, na qual são descritas

à forma na qual os quantitativos foram extraídos e a confiabilidade

as soluções adotadas para cada disciplina de projeto: arquitetura,

dos seus dados.


23

Apoio:

são de grande importância no processo de orçamentação do BIM 5D. Com elas, é possível gerar modelos 3D da edificação já com as informações de insumos, permitindo a extração automática de quantitativos com alto nível de precisão. Essas ferramentas, sejam de modelagem, como o Revit ®, ArchiCAD ® e Vectorworks ®, ou de autoria de projetos, como o QiBuilder ®, possuem funcionalidades para extração de quantitativos e manipulação de quantitativos e insumos. Além das ferramentas citadas acima, existe no mercado uma gama de ferramentas especializadas no BIM 4D e 5D, como AutoDESK Navisworks ® e Trimble Vico ®, que podem importar os modelos 3D da edificação em diversos formatos, como o IFC em formato aberto: OpenBIM, exportado pelas ferramentas BIM de projetos. Figura 2 – Tabela Faixa de precisão esperada do custo estimado de uma obra em relação ao seu custo final.

A próxima etapa é o cruzamento de informações de tabelas

Processo de orçamento com ferramenta BIM e planilhas

de custos para montagem das composições e geração final do orçamento. Para isso, são utilizadas planilhas para realização dos

Passo 1 – Extração de quantitativos

cálculos e tabelas de preços de insumos e mão de obra, como

Com a utilização de uma ferramenta BIM para a elaboração de

SINAPI, da Caixa Econômica Federal, além de outras como: TCPO,

projetos de instalações elétricas, como o QiBuilder, é possível obter

DEINFRA, SICRO, ou ainda, tabelas próprias.

os quantitativos de forma automática. Desta forma, os elementos do

Orçamento e o BIM 5D As ferramentas BIM de autoria para elaboração de projetos

cadastro de peças possuem dados capazes de conceber composições de itens e insumos. Eles são construídos a partir de várias regras e são quantificados de forma automática após o lançamento do projeto.


Apoio:

BIM - Building Information Modeling

24

Figura 3 – Projeto Elétrico QiBuilder.

As listas de materiais também são geradas de forma instantânea com rapidez e com alto nível de precisão, podendo ser obtidas da obra completa, por pavimento, por quadro ou por circuito. Isso aumenta a produtividade do processo, pois não é necessário fazer levantamentos manuais, demorados e imprecisos, como os realizados com base apenas em desenhos CAD 2D. Caso haja

Ferramentas específicas para orçamento

alterações, o retrabalho é praticamente nulo. Outras soluções disponíveis no mercado são softwares de Passo 2 – Aplicação das tabelas de custos de insumos e mão de

orçamento, que interagem com as ferramentas BIM diretamente

obra

através de “Plugins”, ou ainda, da importação dos quantitativos

Com o quantitativo extraído com precisão da ferramenta

gerados nos formatos *.XLS, *.Txt, *.CVC ou modelos IFC com as

BIM de autoria é possível elaborar rotinas “Macros” de planilhas

informações dos insumos, podendo citar sistemas como OrçaFascio

eletrônicas, como Excel, para a automação dos cruzamentos das

®, Volare Sisplo BIM ®, ou sistemas de gestão ERP como o SIENGE ®.

informações das tabelas de custos e insumos como a SINAPI, para montagem das composições e geração final do orçamento.

Fascículo

Figura 4 – Lista de materiais.

Figura 5 – Elaboração de Macro em planilhas para cruzamento dos dados.

Neste fluxo, os plugins, como: OrçaFascio ® e Volare Sisplo BIM ® são instalados em ferramentas de modelagem como o Revit,


25

Apoio:

permitindo extrair automaticamente os quantitativos do projeto, por meio de critérios definidos pelo usuário, com criação de diversas fórmulas, vinculando esses quantitativos com as tabelas de composições, como SINAPI, TCPO, entre outras, para a montagem de um orçamento preciso.

A aplicação de orçamentos com o BIM 5D na questão de obras públicas gera inúmeras vantagens, tais como: • Redução de aditivos de contrato, evitando obras mais caras do que o planejado e que normalmente estouram o orçamento previsto; • Desperdício do dinheiro público e desgaste político dos gestores; • Favorecer a transparência nas obras públicas, permitindo um acompanhamento em tempo real do cronograma físico financeiro do andamento de cada etapa da obra.

Mantenha-se alinhado com as tendências do mercado O orçamento é muito mais amplo e abrangente do que uma estimativa Figura 6 – Plugin de orçamento OrçaFascio x Revit.

de custo; ele também está relacionado ao setor de compras, medições de serviços, planejamento de mão de obra, definição de cenários de apoio, tomada de decisão e a geração de cronogramas físico-financeiro. Por isso,

O uso desses sistemas especialistas proporciona diversas vantagens, com destaque para a dispensa do uso de planilhas de quantitativos, composições e cruzamentos de dados manual, ou através de macros. Outra vantagem é a integração com todos os

é fundamental estar atualizado com essas tendências e entregar o melhor para o mercado e, é claro, para o seu cliente.

Referências bibliográficas:

envolvidos, devido aos arquivos serem também armazenados na nuvem, através das aplicações web.

EASTMAN, Chuck et al. Manual de BIM: um guia de modelagem da informação da construção para arquitetos, engenheiros, gerentes, construtores

-+++Obras públicas

e incorporadores. Bookman Editora, 2014. AGENCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL (ABDI).

Devido a todos os benefícios do BIM, especialmente no que se

Projeto Guias Técnicos BIM – EDIFICAÇÕES. Guia 3 – BIM na quantificação,

refere às obras públicas, o Brasil decidiu adotar o BIM seguindo a

orçamentação, planejamento e gestão de serviços da construção). Disponível

tendência mundial. Na esfera pública, iniciativas de órgãos das Forças

em: < http://www.mdic.gov.br>. Acesso 01 de agosto de maio 2019.

Armadas e Governos Estaduais, como o de Santa Catarina, além

GOVERVO DE SANTA CATARINA. Caderno de apresentação de projetos em

do Comitê Estratégico de Implantação BIM, criado pelo Governo

BIM. Disponível em: < http://www.spg.sc.gov.br/visualizar-biblioteca/acoes/

Federal, apontam o uso do BIM na busca de maior assertividade

comite-de-obras-publicas/427-caderno-de-projetos-bim/file >.

nas obras públicas, desde sua licitação, projeto, execução, custos e,

OrcaFascio software par engenharia. Disponível em: < https://www.orcafascio.

principalmente, durante a fiscalização.

com/>. Acesso 01 de agosto de maio 2019.

Diante deste cenário, o orçamento mostra ter um papel

Gryfus Inteligência em engenharia de custos e software. Disponível em: <

extremamente importante, até porque o uso do BIM se tornará

https://gryfus.com.br/volare-sisplo-bim//>. Acesso 01 de agosto de maio 2019.

obrigatório a partir de 2021 para projetos e construções brasileiras, conforme preconiza a Estratégia BIM BR, que foi instituída através

*Francisco de Assis Araújo Gonçalves Jr. é especialista em produtos e

do decreto 9.377/18. A proposta do Governo é que o escalonamento

serviços na AltoQi, graduado em Engenharia de Produção Elétrica pela

para a EXIGÊNCIA do BIM ocorra em três fases.

Universidade Federal de Santa Catarina, pós-graduado em Instalações Elétricas e Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade

1ª Fase (a partir de janeiro de 2021): tem como foco os projetos de

do Sul de Santa Catarina, MBA em plataforma BIM – Modelagem,

arquitetura e engenharia que são relevantes para a difusão do BIM.

Planejamento e Orçamento pelo INBEC.

2ª Fase (a partir de janeiro de 2024): visa estágios da obra como o planejamento, execução e o orçamento que também possuem grau de importância para a propagação do BIM. 3ª Fase (a partir de janeiro de 2028): esta última fase tem o intuito de abranger todo o ciclo de vida da obra e as demandas pós-obra.

Continua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para: redacao@atitudeeditorial.com.br


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

26

Por Fabio Henrique Dér Carrião, Claudio Mardegan e Claudio Rancoleta*

Capítulo VIII Inspeção: Termográfica e Ultrassom Parte I: Inspeção Termográfica

1 - Introdução A termografia é uma técnica que permite mapear uma região

• ABNT NBR 15763:2009 – Ensaios não destrutivos – Termografia – Critérios de definição de periodicidade de inspeção em sistemas elétricos de potência;

com a utilização de um aparelho específico, conhecido como

• ABNT NBR 15866:2010 – Ensaio não destrutivo – Termografia

termógrafo, para distinguir diferentes temperaturas por meio da

– Metodologia de avaliação de temperatura de trabalho de

radiação infravermelha, naturalmente emitida pelos corpos, de modo

equipamentos em sistemas elétricos;

que depois de feita a coleta de informação, possa desenvolver uma

• ABNT NBR 15718:2009 – Ensaio não destrutivo – Termografia –

análise técnica das imagens obtidas pelo aparelho.

Guia para verificação de termovisores.

A teoria da termografia diz que qualquer corpo com temperatura acima do zero absoluto (0K = -273,15°C) emite uma radiação infravermelha, porém, o olho humano só pode ver uma pequena parte do espectro eletromagnético, que se localiza na faixa entre um

Fascículo

dos extremos da ultravioleta e, no outro extremo, os nossos olhos não podem ver os infravermelhos. Para o desenvolvimento de um relatório de inspeção termográfica, faz-se necessária a observação de alguns itens, desde o conhecimento acadêmico e aplicação das normas existentes até o desenvolvimento final do produto (relatório de anomalias). Para o desenvolvimento desse relatório, devemos ter como ponto de partida a aplicação das

Ainda devem ser consideradas as práticas reconhecidas internacionais, como:

normas brasileiras e, se necessário, as normas internacionais. Dentre elas, podemos citar:

• Infraspection Institute – Standard for Infrared Inspection of Electrical Systems & Rotating Equipment;

• ABNT NBR 15572:2013 – Ensaios não destrutivos – Termografia

• Entre outras do International Training Center (ITC).

por infravermelha – Guia para inspeção de equipamentos elétricos e mecânicos;

A norma ABNT NBR 15572:13, na sua revisão mais atual,

• ABNT NBR 15424:2006 – Ensaios não destrutivos – Termografia –

define e qualifica os envolvidos na inspeção termográfica, onde no

Terminologia;

item 5 – responsabilidades de pessoas, descreve:


27

Apoio:

• Inspetor termografista – pessoa responsável pela realização da

• Máxima Temperatura Admissível (MTA) – O objetivo

inspeção e que tem conhecimentos dos equipamentos a serem

da inspeção termográfica é a detecção de pontos quentes,

inspecionados; que é capaz de executar e interpretar os resultados;

sobreaquecimento em equipamentos que normalmente não

conhece a operação do termovisor; e obedece às práticas e normas

apresentam essa diferença de temperatura quando comparados em

de segurança (NR-10) e da empresa;

condições de operação normal. Essas anomalias por aquecimento

• Assistente qualificado – pessoa que tem conhecimento sobre a

são geradas por diversos motivos, dentre eles, conexões mal fixadas,

operação do equipamento a ser inspecionado e sobre os requisitos

curtos-circuitos, sobrecargas e desequilíbrios. Como já mencionado,

de segurança da NR-10;

o termografista deverá ter o conhecimento da temperatura máxima

• Usuário final – pessoa que assume a responsabilidade por

sob a qual o equipamento a ser inspecionado pode funcionar sem

consequências provenientes de ações tomadas, ou não, como os

causar nenhum transtorno ao próprio equipamento, e do sistema

resultados obtidos da inspeção e designe um assistente qualificado

elétrico em que esse equipamento está operando. Para essas

para acompanhar o termografista.

informações é preciso, além de conhecer as normas brasileiras e internacionais, consultar os manuais dos equipamentos.

Como citado, para execução de uma inspeção termográfica,

• Fatores que afetam a medição:

deve-se seguir procedimentos e conhecer as teorias nas quais serão

✓ Distância;

baseadas para a produção do relatório final. Dentre elas estão:

✓ Foco; ✓ Faixa de temperatura (Range);

• Conhecimentos básicos para a realização da inspeção;

✓ Emissividade – parâmetro adimensional que estabelece a

• Tipos de termografia;

relação entre a quantidade de energia irradiada por um corpo

• Requisitos e formação – A equipe deve ser formada por profissionais

em estudo e a que seria emitida por um corpo negro, à mesma

com treinamentos específicos e reconhecimento formal por um

temperatura e comprimento de onda. A emissividade varia

organismo de certificações (item 4, ABNT NBR 15572:2013). Além

entre 0 a 1 (ABNT NBR 15424:2006);

disso, os profissionais envolvidos deverão possuir treinamento em

✓ Transmissividade – porção de energia incidente sobre um

NR-10 Básico e SEP, conforme determina o Ministério do Trabalho

corpo, que é transmitida por este, em um dado comprimento

e Emprego (MTE);

de onda. Para um corpo opaco, a transmissividade é igual a 0.


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

28

Materiais transparentes possuem valores de transmissividade

• Procedimento do trabalho – De acordo com a ABNT NBR

entre 0 e 1 (ABNT NBR 15424:2006);

15572:2013, item 9, em que descreve diversos procedimentos para serem

✓ Reflexibilidade – porção de energia incidente sobre uma

seguidos pelo envolvidos na inspeção, podemos citar:

superfície, que é refletida por esta, em dado comprimento de

✓ Preparação dos equipamentos e materiais: câmera termográfica

onda. Para um espelho perfeito, a refletividade é 1,0 e para um

calibrada, termo-higrômetro calibrado, alicate amperímetro, entre

corpo negro é 0 (ABNT NBR 15424:2006);

outros;

✓ Temperatura ambiente – temperatura do meio circundante ao

✓ Práticas para inspeção: designação de assistente qualificado pelo

objeto (ABNT NBR 15424:2006);

usuário final, informações sobre a instalação (por exemplo: zonas de

✓ Umidade do ar;

riscos e controlada);

✓ Clima.

✓ Efetuar os ajustes nos equipamentos (emissidade), observação do ângulo de inspeção entre o termovisor e o ponto a ser inspecionado,

Dentre esses fatores, o item que se destaca é a importância

entre outros;

da utilização do valor correto da emissividade. A seguir, está um

✓ Práticas de segurança: observar EPI e zona livre para

exemplo de utilização da emissividade incorreta. Observa-se que,

posicionamento do termografista, realizar uma inspeção visual

na utilização da emissividade igual a 0,21, houve uma elevação da

verificando possíveis anomalias.

temperatura de aproximadamente 40°C; modificando a análise, verifica-se que o valor de temperatura final é bem menor.

• Grau de intervenção – A revisão mais recente da ABNT NBR 15572:2013 menciona que: “a avaliação da severidade da anomalia térmica deve ser realizada seguindo os critérios próprios do usuário final, requisitos normativos, quando eventualmente adotados, ou recomendações do fabricante”. A norma ABNT NBR 15866:2010 descreve que uma anomalia pode ser referenciada em relação a: i – um valor estabelecido pelo fabricante nas condições nominais (MTA); ii – um elemento similar adjacente (DELTA T); iii – um valor estabelecido pelo usuário final com base no histórico operacional;

Fascículo

iv – critérios definidos pelo responsável técnico da análise termográfica.


Apoio:

29


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

30

2 - Anomalias mais comuns nas instalações elétricas

– Terminais ou ponteiras mal cravados; – Bobinas de comando com excesso de temperatura; – Outros.

Existem diversas anomalias encontradas no sistema elétrico. As causas que podem originar os sobreaquecimentos mais

• Fusível

usualmente detectados nas inspeções termográficas para os

– Maxilas com pressão insuficiente ou mal encaixadas;

equipamentos elétricos são:

– Ligações incorretas e terminais mal cravados; – Fusíveis com intensidades de corrente superiores;

• Cabo condutor

– Base fusível com defeito;

– Secção reduzida para a intensidade de corrente;

– Defeitos internos;

– Em circuitos trifásicos, intensidades de corrente distintas entre

– Outros.

as fases;

• Transformador – baixa tensão

– Folga nas emendas e uniões;

– Núcleos e enrolamentos com defeito;

– Terminais e ponteiras mal cravados;

– Isolamento deficiente nos enrolamentos;

– Terminais e ponteiras, de secção e/ou de material diferente;

– Bornes de ligação com folga ou com defeito;

– Cortes que reduzam ou debilitem a sua seção dos condutores;

– Outros.

– Cabos enrolados; – Cabos próximos a fontes de calor intensas;

• Baterias de corrente contínua

– Esteiras com cabos muito próximos uns dos outros;

– Ligações incorretas;

– Outros.

– Defeitos internos; – Cabos/shunts com defeito;

• Barramento

– Outros.

– Ligações incorretas; – Junções com materiais diferentes;

• Circuito de terra

– Uniões ou emendas com apertos insuficientes;

– Ligações defeituosas;

– Barras subdimensionadas para as intensidades de corrente;

– Soldas incorretas;

– Isoladores de apoio com defeito;

– Cabos elétricos com problemas de isolamento e consequentes

– Outros.

passagens à massa; – Eletrodos de terras com valores de resistências elevados;

• Régua de bornes

– Outros.

Fascículo

– Apertos incorretos; – Borne com defeito ou mal instalado;

• Motores

– Borne com seção diferente da do cabo instalado;

– Aquecimento excessivo na carcaça exterior com origem no

– Isolamento do cabo errado, aumentando a resistência de

rotor ou estator;

contato;

– Ligações com folgas;

– Zona de contato de material diferente do cabo condutor;

– Outros.

sobreaquecimento;

Escovas

com

desgaste

acentuado,

provocando

um

– Rolamentos com sobreaquecimento; • Disjuntor de baixa tensão

– Polias e correias com excesso de temperatura;

– Contatos internos com defeito;

– Outros.

– Folga nos contatos; – Terminais ou ponteiras mal cravados; – Subdimensionados, em relação à intensidade de corrente;

3 - Termograma e relatório simplificado de anomalias

– Isolamento de cabos condutores na zona de contato dos respectivos bornes; – Outros.

Ao final da inspeção termográfica, deverá ser emitido ao responsável da instalação ou contratante, que tem a responsabilidade legal sobre a instalação, um relatório técnico

• Contatores

das anomalias encontradas. Durante a inspeção, poderão ser

– Contatos internos com defeito;

encontrados equipamentos com recomendação de intervenção

– Ligações incorretas;

imediata, de forma a evitar algum problema na instalação, e


31

Apoio:

deverá ser emitido um Relatório Simplificado de Termografia ao

tempo do que a etapa de inspeção, deverá ser realizada com

final da inspeção do dia, para que imediatamente o responsável

apoio dos meios, como normas aplicáveis, software de inspeção,

possa acionar a manutenção corretiva nesses equipamentos.

modelos preparados para análises dos termogramas, dentre

Esse relatório deverá conter os pontos críticos a serem feitas as

outros específicos de cada empresa, estimamos um tempo de

manutenções imediatamente, com a descrição das anomalias

cerca de 30 minutos para cada equipamento.

encontradas, seu grau de criticidade, testes e ensaios necessários

Ao final desse artigo, podemos dizer que a técnica

para melhor entendimento das causas dessas anomalias. Segue

apresentada e utilizada amplamente no mercado e sua utilização

exemplo na Figura 3.

se deve ao seu valor comprovado e atestado pelos profissionais

Já o Relatório Termográfico, além de ser uma apresentação

que já utilizam estes meios para gerar um aumento de qualidade

com o formato da empresa contratada para execução, deverá

nas suas avaliações e na manutenção das instalações elétricas. As

ser de fácil consulta e conter as informações dos equipamentos

ferramentas e práticas ainda se encontram em desenvolvimento,

examinados que apresentaram sobreaquecimento. Este relatório

o que pode gerar grandes expectativas para este tipo de ensaio e

deverá ser entregue à pessoa responsável no prazo acertado,

na qualidade da avaliação para todos os profissionais.

porém, devido à necessidade de intervenção em alguns equipamentos, estima-se um prazo de aproximadamente 15 dias a

Fontes

contar da inspeção. Além disso, todo o formato e análise deverão ser seguidos de acordo com a norma ABNT NBR 15572:2013 –

- Fascículo de O Setor Elétrico – Ensaios Termográficos, Capítulo

Ensaios não destrutivos – Termografia por infravermelha – Guia

VII de Inspeção de Instalações Elétricas, Por Gabriel Rodrigues de

para inspeção de equipamentos elétricos e mecânicos.

Souza, Igor Cavalheiro Nobre e Marcus Possi. - Curso de Manutenção e Operação de Subestações – Engepower

4- Custo do ensaio x custo da inspeção No local, deverão estar presentes o inspetor de termografia

Eng. e Com. LTDA. *Fabio Henrique Dér Carrião é engenheiro eletricista, especialista em

(termografista, conforme ABNT NBR 15572:2013) e o

energia e automação (USP), gestor de equipes de campo (engenharia,

assistente qualificado, autorizado pelo usuário final, que possui

comissionamentos, montagens) em subestações de alta, média e baixa

conhecimento sobre a operação e histórico do equipamento,

tensão, em usinas, distribuidoras e indústrias. Gerente de Engenharia na

bem como a sua localização, além do auxílio para a abertura e fechamentos dos equipamentos a serem termografados (ver figura 3). O tempo de trabalho de uma termografia é muito variável devido ao tipo e às condições da instalação. Antes da execução, deverá ser realizada uma visita ao local, para que se possa estimar o tempo, os limites e quais equipamentos deverão ser inspecionados. Assim, no dia agendado, a equipe que fará a inspeção já estará preparada para a perfeita execução, tendo preparado todo o material que precisará para a execução. O tempo de execução da inspeção pode variar de cinco minutos a 15 minutos, dependendo das condições do equipamento e do local. Para a produção do relatório, etapa que demandará mais

ENGEPOWER *Claudio Mardegan é engenheiro eletricista, especialista em proteção de sistemas de potência, membro sênior do IEEE, professor, palestrante e CEO da ENGEPOWER. *Claudio Rancoleta é empresário, pesquisador eletrotécnico, especialista em produtos químicos para área elétrica, membro do COBEI (NBR transformadores elétricos) e CEO da URKRAFT Sistemas. Continua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para: redacao@atitudeeditorial.com.br


Apoio:

Linhas elétricas para baixa tensão

32

Por Paulo E. Q. M. Barreto*

Capítulo VIII Seções mínimas de condutores

Independentemente da corrente de projeto (Ib) que foi

corrente de projeto (Ib).

calculada para um circuito elétrico, a NBR 5410 estabelece uma

• Os condutores devem atender aos critérios de proteção contra

seção mínima para os condutores de fase. Ou seja, mesmo que um

sobrecargas, particularmente, as condições estabelecidas para

circuito de iluminação tenha uma corrente Ib = 1A, os condutores

coordenação entre condutores e dispositivos de proteção.

desse circuito não poderão ter seção inferior a 1,5mm2. Da mesma

• Também devem atender aos critérios de proteção contra curtos-

forma, se um quadro de distribuição possuir somente cargas

circuitos e solicitações térmicas, mediante a determinação da

ligadas entre fases e se desejar incluir um condutor neutro nesse

corrente de curto-circuito presumida (Ik), da capacidade de

alimentador para utilização futura, sua seção nominal não poderá

interrupção do dispositivo de proteção (Icn ou Icu) e a coordenação

ter valor muito inferior à dos condutores de fase. O mesmo ocorre

da integral de joule dos condutores e do dispositivo de proteção.

para o condutor de proteção (PE).

• Verificação das condições de proteção contra choques elétricos

Como se vê, existem requisitos para se definir a seção mínima de

por seccionamento automático da alimentação, particularmente no

qualquer condutor em uma instalação elétrica, conforme exposto a seguir.

que se refere à impedância do percurso da corrente de falta (Zs), que

Condutor de fase Por menor que seja o valor da corrente de projeto envolvida, a

é influenciada pela seção dos condutores. • Atendimento aos limites máximos de queda de tensão, visto que tais valores também são influenciados pela seção nominal dos condutores.

seção mínima dos condutores de fase de um circuito deve atender

Fascículo

ao que dispõe a tabela 47 da NBR 5410 (aqui reproduzida como tabela 8). Dessa tabela, considerando instalações fixas em geral e

Todos esses aspectos serão apresentados nas próximas edições desta série de artigos.

condutores de cobre isolados, destacam-se os seguintes requisitos: • Para circuitos de iluminação, a seção mínima deve ser de 1,5mm2; • Para circuitos de força (que inclui tomadas de corrente), a seção mínima deve ser de 2,5mm2; • Para circuitos de sinalização e circuitos de controle, a seção mínima deve ser de 0,5mm2. Afora os valores de seção mínima indicados na tabela 8 deste artigo, a NBR 5410 ainda estabelece alguns critérios para determinação dos condutores de fase, que podem passar despercebidos e ser causadores de anomalias e acidentes. São eles: • Devem ser incluídas as componentes harmônicas no cálculo da

Tabela 8 – Reprodução da Tabela 47 da NBR 5410:2004.


Apoio:

33


Apoio:

Linhas elétricas para baixa tensão

34

Condutor neutro Uma vez determinada a seção dos condutores de fase por meio desses critérios, o condutor neutro dos circuitos correspondentes deve atender ao que estabelece a NBR 5410, conforme segue:

questões das harmônicas e do maior valor suscetível de percorrer o condutor neutro nas condições normais e anormais de funcionamento. Pelo fato de o condutor neutro não possuir dispositivo de proteção nele instalado, sua proteção estará designada aos dispositivos contidos nos condutores de fase do correspondente

6.2.6.2.1 O condutor neutro não pode ser comum a mais de um

circuito. Para tanto, deve ser feita verificação da efetividade dessa

circuito;

proteção para o condutor neutro (ver tabela 9).

6.2.6.2.2 O condutor neutro de um circuito monofásico deve ter a mesma seção do condutor de fase.

Condutor de proteção

6.2.6.2.3 Quando, num circuito trifásico com neutro, a taxa de terceira harmônica e seus múltiplos for superior a 15%, a seção do condutor

Outro condutor que merece atenção especial no seu

neutro não deve ser inferior à dos condutores de fase, podendo ser

dimensionamento é o condutor de proteção (PE), tendo em vista

igual à dos condutores de fase se essa taxa não for superior a 33%.

sua importância em duas situações bem críticas, que é a de proteção

6.2.6.2.4 A seção de um condutor neutro de um circuito com duas

contra choques elétricos e a de uma falta fase-massa.

fases e neutro não deve ser inferior à seção dos condutores de fase,

O seu dimensionamento está baseado na mesma integral de

podendo ser igual à dos condutores de fase se a taxa de terceira

joule da proteção contra curto-circuito, que será abordada em outro

harmônica e seus múltiplos não for superior a 33%.

artigo, ou seja: ∫ i2.dt ≤ K2.S2. Com isso, a seção (S) do condutor PE

6.2.6.2.5 Quando, num circuito trifásico com neutro ou num circuito

tem de ser tal que suporte a corrente de curto-circuito (no caso,

com duas fases e neutro, a taxa de terceira harmônica e seus múltiplos

falta fase-massa), no mínimo, pelo tempo de atuação previsto para

for superior a 33%, pode ser necessário um condutor neutro com seção

o dispositivo de proteção correspondente. Se o tempo de atuação

superior à dos condutores de fase.

do dispositivo de proteção for inferior a cinco segundos, a equação

6.2.6.2.6 Num circuito trifásico com neutro e cujos condutores de fase

anterior pode ser expressa por: I2.t ≤ K2.S2.

tenham uma seção superior a 25mm2, a seção do condutor neutro

Como opção ao uso dessa expressão, pode-se utilizar a regra

pode ser inferior à dos condutores de fase, sem ser inferior aos valores

estabelecida na tabela 58 da NBR 5410 (aqui reproduzida como

indicados na tabela 48, em função da seção dos condutores de fase,

tabela 10), desde que os condutores de fase e PE sejam do mesmo

quando as três condições seguintes forem simultaneamente atendidas:

metal e o arranjo dos cabos das fases e PE seja tal que assegure a

a) o circuito for presumivelmente equilibrado, em serviço normal;

menor impedância do percurso da corrente de falta (Zs).

b) a corrente das fases não contiver uma taxa de terceira harmônica e múltiplos superior a 15%; c) o condutor neutro for protegido contra sobrecorrentes conforme 5.3.2.2; Portanto, embora seja usual querer reduzir a seção nominal do condutor neutro de alimentadores de quadros de distribuição, uma análise específica

Fascículo

deve ser realizada, com base nesses critérios, dos quais se destacam as

Tabela 10 – Reprodução da Tabela 58 da NBR 5410:2004.

*Paulo E. Q. M. Barreto é engenheiro eletricista, pós-graduado em Eletrotécnica. Tem experiência nas áreas de ensino, projeto, execução, manutenção, inspeção e perícia de instalações elétricas. É membro da Comissão que revisa a norma ABNT NBR 5410 desde 1982. Professor em cursos de pós-graduação. Coordenador da Divisão de Instalações Elétricas do Instituto de Engenharia. Ex-conselheiro do CREA-SP e da ABEE-SP. Inspetor da 1ª certificação de uma instalação elétrica no Brasil, no âmbito do Inmetro, em 2001. Consultor e diretor da Barreto Engenharia. www.barreto.eng.br Continua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados Tabela 9 – Reprodução da Tabela 48 da NBR 5410:2004.

para: redacao@atitudeeditorial.com.br


Renováveis Apoio:

ENERGIAS COMPLEMENTARES

FASCÍCULO

Ano 3 - Edição 38 / Agosto de 2019

Fixação dos módulos em estruturas de base NOTÍCIAS DE MERCADO COLUNA SOLAR: A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA AVANÇA COLUNA EÓLICA: JÁ ESTAMOS EM PLENA SAFRA DOS VENTOS APOIO

35


Apoio

Fascículo

36

Renováveis

Por Hans Rauschmayer*

FIXAÇÃO DOS MÓDULOS EM ESTRUTURAS DE BASE Figura 1 – Montagem de sistema solar em laje.

1 - Introdução

2 - Estruturas de Base

Abordamos nos fascículos anteriores as questões elétricas do

Já aprendemos que as células fotovoltaicas perdem eficiência

sistema fotovoltaico. Agora, entraremos em questões mecânicas e

com o aumento da temperatura (veja terceiro fascículo). Por isso, é

estruturais: como fixar os módulos em estruturas de base de forma

fundamental que os módulos possam dissipar o calor não somente pela

segura e durável.

frente, mas também por trás.

A discussão evidencia o fato de que o projeto fotovoltaico é

Em consequência, os módulos nunca são colocados diretamente sobre

multidisciplinar, requerendo conhecimento de várias áreas.

telhas, mas sempre sobre uma estrutura que garanta a circulação do ar por

Vale ressaltar que o trabalho na cobertura é tão importante quanto a

baixo dos módulos, diferente de coletores para aquecimento solar.

instalação elétrica do projeto, porém, exige muito mais do instalador por

Os princípios para escolher a correta base de fixação são os seguintes:

causa do desconforto de trabalhar sob o sol, do perigo de trabalhar em altura, e por causa do risco de infiltração com possíveis danos de alto

• Local da instalação: telhado inclinado, laje, solo ou fachada;

prejuízo. Por isso, é frequente ter nas equipes de instalação carpinteiros

• Forma da fixação, que o local permite;

além de eletricistas.

• Resistência estrutural da cobertura onde os módulos serão instalados;


37 • Montagem fixa ou com seguidor do sol;

Estruturas artesanais de material de qualidade inferior são menos

• Especificações do fabricante dos módulos.

eficientes e comprometem a durabilidade.

3.2 - Telhado ondulado

Em seguida, mostraremos várias tipologias.

3 - Telhado inclinado

A instalação de módulos em telhados inclinados ocorre paralela

à cobertura. Procuramos a melhor face em relação à irradiação e ao sombreamento, respeitando preferências estéticas e funcionais do telhado.

A instalação paralela ao telhado é leve, simples de executar e causa

pouca carga de vento. Essas vantagens, junto à queda de preço dos módulos, fazem com que, hoje em dia, não se corrija mais a orientação ou inclinação da cobertura. As condições encontradas são simplesmente avaliadas em um software fotovoltaico. Caso necessário, aumenta-se a potência do gerador.

Figura 3 – Fixação com parafuso prisioneiro em telhado ondulado. Fonte: Solar Group

Em telhado ondulado, usam-se parafusos prisioneiros que

atravessam as telhas e que são fixados na estrutura do telhado (figura 3.1 - Telhado de barro

3). Os parafusos são oferecidos com diferentes tipos de roscas e pontas na parte inferior, para base de madeira e metal.

O comprimento dos parafusos varia também e deve ser escolhido

conforme a altura da ondulação das telhas.

Na parte superior da rosca é fixado um adaptador, fazendo a conexão

com o trilho, que é o mesmo da telha de barro. Aliás, o sistema de parafusos pode ser aplicado também em telhados de barro. 3.3 - Telhado metálico

Figura 2 – Componentes da estrutura de base para telhado de barro.

Em telhado de barro, a estrutura é fixada no madeiramento do

telhado (figura 2):

Figura 4 – Base em telhado metálico trapezoidal, pronta para receber os módulos. Fonte: TRITEC

• Ganchos são fixados nos caibros, da forma que eles passem entre

uma telha e outra. Ajustes laterais e de altura permitem a adequação da

na telha, exigindo uma espessura mínima do metal de 0,5mm (verifique

estrutura ao telhado;

no manual da estrutura!). Há opções com trilhos inteiros ou então com

• Na parte superior do gancho, entra o trilho. Aqui também há ajustes para

peças pequenas de apoio, como no exemplo da figura 4.

adequar a distância dos trilhos à especificação dos módulos (veja a seguir);

• Os grampos seguram o módulo no trilho: o grampo terminal é usado no

dos módulos e deve ser considerada no plano de manutenção.

No caso de coberturas metálicas, a estrutura é fixada diretamente

A baixa inclinação deste tipo de telhado compromete a autolimpeza

início e no final de cada fileira, e o grampo intermediário, entre os módulos. 4 - Laje

O maior desafio na fixação em telhados de barro é a falta de

padronização: o formato das telhas varia muito, o que dificulta não somente a instalação, mas também a reposição de telhas quebradas.

Os sistemas de montagem oferecidos no mercado economizam

tempo gasto e material empregado e otimizam as ferramentas necessárias. O material mais usado é alumínio para trilhos e grampos, e aço inoxidável, para ganchos e parafusos. É recomendável procurar um fabricante que ofereça consultoria para situações difíceis.

Figura 5 – Base para laje com dormentes de concreto como lastro. Fonte: Solar Group


Apoio

Fascículo

38

Renováveis

A instalação em laje requer uma base elevada. Como não é

aconselhável perfurar a laje, usa-se lastro como ancoragem contra a força do vento (figura 5).

Até poucos anos atrás, a inclinação e a orientação eram

determinadas otimizando a geração de energia por cada módulo. Este conceito mudou na decorrência da redução do preço dos módulos. Hoje, a inclinação costuma variar entre 10° e 15°, minimizando assim a carga de vento sem abrir mão da autolimpeza.

Seguindo o mesmo princípio, atualmente, as fileiras são alinhadas

com a laje, simplificando projeto e instalação e aproveitando melhor o espaço disponível. 4.1 - Distância entre Fileiras

Figura 7 – A base Leste-Oeste aproveita melhor o espaço.

No nosso país, próximo ao Equador, esta base pode ser instalada

em qualquer orientação – o software calculará o rendimento anual. Algumas bases, como a da figura 7, economizam material, mas devem ser homologadas pelo fabricante do módulo.

Vale lembrar que os módulos das diferentes orientações não devem

ser conectados juntos, como descrito no fascículo 6. 5 - Estruturas em Solo

Figura 6 – Índice de sombreamento em módulos em um projeto em laje, causado pela platibanda e pelas outras fileiras. Cálculo no software PV*SOL.

A distância entre as fileiras deve respeitar dois quesitos: • A movimentação dos técnicos durante a instalação e manutenção (mín., 50cm). • O aproveitamento energético: havendo espaço sobressalente, vamos distanciar mais as fileiras e evitar o sombreamento entre elas (veja figura 6 e fascículo 6).

Figura 8 – Planta fotovoltaica em solo.

No caso contrário, quando o objetivo do cliente for gerar o máximo

Usinas fotovoltaicas de grande porte usam estruturas específicas que

requerem estudos geológicos e máquinas especiais. A maioria delas usa

de energia, então, será necessário aumentar as fileiras, mesmo que a

mesas que seguem o percurso do sol ao longo do dia (seguidor/tracker).

sombra cause perdas nos meses do inverno.

Em usinas de pequeno porte, como trabalhadas nesta série de

É essencial usar um software que permita experimentar de

fascículos, usam-se soluções mais simples, normalmente, bases fixas com

forma rápida alternativas, variando equipamento, conexão elétrica e

fundação de concreto. Neste caso, o layout das mesas é adequado ao layout

configuração da montagem elevada (inclinação, orientação, altura,

elétrico, da forma que uma mesa comporte strings inteiros.

afastamento). 6. Outras Estruturas 4.2 - Base Leste-Oeste 6.1 - Telhas fotovoltaicas

Já bastante popular na Europa, a base Leste-Oeste começou a chegar

Telhas fotovoltaicas têm gerado grandes expectativas por serem

ao Brasil. Ela aproveita melhor o espaço disponível, por evitar um corredor

consideradas mais bonitas do que módulos comuns, em função de

a cada duas fileiras. Outra vantagem é a proteção melhor do cabeamento

sua integração arquitetônica. No entanto, há várias desvantagens que

contra eventuais intervenções por pessoas não capacitadas.

comprometem a viabilidade:


39

• O formato das telhas dificilmente é o mesmo do telhado existente e demanda uma reconstrução; • A reposição de telhas danificadas será restrita ao mesmo modelo e depende da existência do fornecedor; • Cada telha representa, em termos elétricos, um módulo, e é equipado com dois conectores, aumentando, assim, os riscos de má conexão; • Mesmo com uma ventilação interna, as telhas esquentam mais do que os módulos comuns, causando perdas adicionais. O calor ainda é transferido à própria edificação, um efeito indesejado no nosso país tropical; • A manutenção e a simples limpeza das telhas requerem técnicos capacitados. 6.2 - Estacionamento

Para estacionamentos com cobertura fotovoltaica e carports (vagas

individuais), existem no mercado estruturas específicas com vedação entre os módulos. Consulte os fabricantes para obter mais informações. 6.3 - Fachadas

Fachadas podem receber módulos opacos, cobrindo muros, ou

translúcidos, em substituição a vidros. Como a fachada recebe menos irradiação do que a cobertura, fica difícil viabilizar uma usina vertical somente pela energia gerada.

O cálculo da viabilidade é diferente em casos de construções novas ou

em retrofit de prédios: o custo adicional da função fotovoltaica, quando comparado com uma fachada comum, pode trazer um retorno financeiro interessante.

Além disso, ocorre uma valoração do prédio pelo aspecto de

sustentabilidade. 7 - Projeto e Execução O objetivo da base é oferecer sustentação aos módulos pela vida útil deles, estimada em mais de 25 anos. Esta responsabilidade justifica um planejamento detalhado do projeto que tornará a execução mais segura e rápida. 7.1 - Faixa de Fixação do Módulos

Figura 9 – Faixa de fixação do módulo.


Apoio

Fascículo

40

O manual de instalação dos módulos especifica as condições

Renováveis

danificar os mesmos com os mosquetões do talabarte.

da fixação deles, em especial, a faixa permitida para fixação (figura 9).

• Içamento dos módulos: procure uma solução adequada, que pode ser

Esta faixa precisa ser respeitada para assegurar a resistência física da

içamento manual, com elevador ou usando um caminhão Munck;

instalação e manter as condições de garantia – é frequente observar

• Local da passagem dos cabos para dentro do telhado (sempre

erros em fotos divulgadas pelos instaladores.

protegido por um duto resistente às intempéries); • Interligação dos módulos: o cabo de retorno do string (veja fascículo

7.2 - Disposição no telhado

7) é conduzido em paralelo à colocação dos módulos; • Equipotencialização: para o aterramento dos módulos, existem soluções com chapinhas integradas à fixação ou usando os orifícios previstos no módulo. Consulte o fabricante sobre restrições. • O trilho também deve ser aterrado. 7.4 - Resistência da Cobertura

O arranjo fotovoltaico impõe uma carga adicional à cobertura,

pelo peso dos módulos (aproximadamente 12 kg / m²), da base de montagem e do lastro (em caso de lajes). Figura 10 – Princípios da disposição do arranjo no telhado.

A figura 10 mostra os princípios do projeto físico do arranjo

fotovoltaico:

A força oposta ocorre durante ventanias, chamada de carga

de vento. Esta é mínima em instalações paralelas ao telhado, mas considerável em montagens elevadas.

Quem fornece a garantia de que a cobertura resiste a estas

forças, é o engenheiro calculista. Ele emitirá uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), indispensável quando há

• Os trilhos são montados paralelos às ripas;

movimentação de pessoas por baixo da instalação.

• Os pontos de apoio dos trilhos (ganchos ou parafusos) devem ser distribuídos conforme especificações do fabricante do sistema de

8 - Manutenção

base. A distância mínima depende, principalmente, da resistência do próprio trilho;

A estrutura deve ser verificada em intervalos regulares por:

• Emendas de trilhos precisam ser conectadas por junções, para evitar que a dilatação provoque danos nos módulos;

• Corrosão dos elementos de fixação;

• A distância vertical entre os trilhos deve respeitar as exigências do

• Aperto adequado dos parafusos;

fabricante dos módulos em todas as fileiras (veja item anterior);

• Equipotencialização;

• A distância entre os módulos e a cumeeira lateral deve ser igual nos

• Eventuais tensões entre a estrutura do arranjo e a estrutura da

dois lados.

própria cobertura.

9 - Previsão

Na execução, é extremamente importante alinhar o primeiro

módulo com muito cuidado, já que todo o resto do arranjo será alinhado

No presente fascículo, já mencionamos cuidados importantes a serem

com ele. Uma pequena inclinação será multiplicada pelo número de

tomados na execução da instalação física. No próximo, veremos quais

módulos na fileira e será visível a olho nu. A correção posterior causa

medições elétricas devem ser executadas durante a obra e no ato do

um esforço enorme de retrabalho.

comissionamento. Explicaremos também o processo de legalização do projeto na concessionária.

7.3 - Sequência da Execução

Vários fatores determinam a melhor sequência da execução:

*Hans Rauschmayer é sócio-gerente da empresa Solarize Treinamentos Profissionais Ltda., onde montou a abrangente grade de capacitação

• Acesso e movimentação dos técnicos, respeitando a NR-35

[visite www.solarize.com.br]. Reconhecido especialista em energia solar,

(segurança de trabalho em altura) e a NR-33 (espaços confinados). É

já foi convidado para ensinar e palestrar em universidades, instituições,

proibido pisar nos módulos e deve-se tomar muito cuidado para não

congressos nacionais e internacionais e vários programas de TV.


Notícias

renováveis

41

EDPR anuncia venda de ativos de projetos eólicos no Brasil por R$1,2 MM Parque eólico de Babilônia, de 137MW, está localizado na Bahia e encontra-se em operação desde o 4T 2018

A EDPR Renováveis, S.A. (“EDPR”),

um múltiplo total unitário implícito de

chegou a um acordo com uma filial da Actis,

R$9,1 milhões/MW. A transação está

investidor de private equity em mercados

sujeita a condições regulatórias e outras

em crescimento, para a venda do Parque

condições comuns nestes processos, com a

eólico onshore de Babilônia, que tem

conclusão prevista para o 4T19.

137MW de capacidade instalada, por cerca

de R$650 milhões (valor do capital próprio;

estratégia de Asset Rotation, ou seja,

sujeito a ajustes em sua conclusão).

a venda de participações maioritárias

em projetos operacionais ou em

O ativo, localizado na Bahia,

A alienação anunciada faz parte da

encontra-se em operação desde o 4T

desenvolvimento, o que permite à EDPR

2018 e era somente da EDPR. Com isso,

acelerar a criação de valor, além de obter

sua venda efetuada no leilão LER 2015

mais capital para reinvestir em crescimento

assegurou um contrato de aquisição de

de outras operações.

energia (“PPA”) de 20 anos.

EDPR já alcançou ~25% do objetivo de

Baseado no preço da transação e na

Incluindo a transação anunciada, a

dívida líquida externa, o valor total implícito

€4MM de Asset Rotation para 2019-22,

do Enterprise Value, para 100% dos ativos,

conforme anunciado no Strategic update de

supera R$1,2 mil milhões, o que representa

12 de março de 2019.


42

Notícias

renováveis

Mega usina solar da TMW Energy entrará em funcionamento em Campinas Novo modelo de negócio do Grupo Royal FIC, usina fotovoltaica está sendo construída em Campinas com a premissa de ser a maior do Estado de São Paulo

A partir de setembro deste ano,

Grupo Royal FIC

entrará em funcionamento uma das cinco maiores usinas solares do Brasil em Geração Distribuída (GD): a UFV (Usina Fotovoltaica) da TMW Energy. A usina do grupo brasileiro Royal FIC terá potência instalada de 4,75MWp com projeção de geração de 7.318.000kWh de energia ao ano.

A usina, que terá energia

suficiente para abastecer 36 mil residências/ano, será a maior do Estado de São Paulo e a maior do País com painéis fotovoltaicos nacionais. Em um terreno de aproximadamente 80 mil m², localizado em Campinas (SP),

investem na usina fotovoltaica,

o reajuste energético, que no

a demanda de energia elétrica

estão sendo instalados 14.400

alugando cotas dentro do parque

último ano foi na média de 8,66%

em nosso País crescerá 200%

módulos fotovoltaicos de 330kWp.

solar. Em troca, o que é chamado

nas tarifas da CPFL paulista,

nos próximos 30 anos, segundo

A previsão é de que a usina seja

de sistema de compensação de

distribuidora do nosso raio de

o Ministério de Minas e Energia.

entregue em setembro próximo.

energia, as empresas recebem em

atuação”, explica.

Para suportar toda essa demanda,

Atualmente, o Grupo Royal FIC

sua conta de energia os créditos de

enxergamos uma forma de garantir

atua no mercado de combustíveis

desconto. A economia gerada pode

modelo de negócio em ascensão,

uma parte desse futuro por meio

fósseis e tem em seu portfólio

variar entre 10% e 20%.

a construção da nova usina

da geração compartilhada, que

a distribuidora de combustíveis

trará benefícios e um impacto

vem se firmando no mundo como

Royal FIC, a rede de postos Royal

gerente de Projeto da TMW Energy,

significativo para o meio ambiente.

uma das formas mais inteligentes

FIC, além de empresas de logística

ao adquirir as cotas, o cliente terá

A geração de energia da usina da

de produzir energia”, explica.

e importação de combustíveis.

uma série de vantagens, além

TMW Energy, com capacidade de

Pensando em inovação e na

da redução da conta. “Nessa

4,75MWp, será equivalente a mais

de energia solar TMW Energy

sustentabilidade de seus negócios,

modalidade, os clientes não terão

de 4,3 toneladas de dióxido de

ficará a cargo da Alsol Energias

o grupo fará um investimento de

que fazer investimentos com placas

carbono (CO2) neutralizado e mais

Renováveis, empresa do Grupo

aproximadamente R$21 milhões

fotovoltaicas nos telhados de suas

de 20 mil árvores plantadas.

Energisa, especializada em geração

com a instalação da usina.

empresas e nem bancar os custos

distribuída utilizando diferentes

Para Eduardo de Mello e Lima,

Além de figurar como um

A diretora geral do Grupo Royal

A construção da usina

com operação e monitoramento

FIC, Francine Nogueira Cassaro,

fontes renováveis. O parque solar

será o de Geração Compartilhada,

da usina. Nós é que financiaremos

explica que o projeto atende

contará com módulos fotovoltaicos

forma de distribuição

isso. Ao alugar as cotas, os clientes

a uma necessidade antiga do

fornecidos pela BYD Brasil, gigante

regulamentada pela Resolução

não sofrerão com a variação

grupo de investir em um modelo

global de energia limpa, fabricante

Normativa nº 482, da Agência

de bandeiras (Verde, Amarela e

de negócio que priorizasse a

de baterias de lítio-ferro e de

Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Vermelha) em suas contas, além de

sustentabilidade. “Sabemos que

veículos elétricos e plug-in, e que,

Nesse sistema, voltado para o B2B

o reajuste do contrato ser elencado

hoje a preocupação com o meio

em 2017, inaugurou sua planta de

(“de empresa para empresa”), os

pelo IGP-M (Índice Geral de Preços

ambiente e a sustentabilidade

produção de módulos fotovoltaicos

clientes formam um consórcio e

do Mercado), índice menor que

aumentam cada dia mais e que

em Campinas.

O modelo de negócio adotado


Notícias

renováveis

Acordo com empresas de construção deve gerar R$1 bilhão de vendas em equipamentos de energia solar Portal Solar entra com exclusividade no programa Juntos Somos +, programa de fidelidade nas vendas de produtos para construção civil

adesão ao programa Juntos Somos + é um divisor de águas no segmento de geração distribuída no País. “Esperamos popularizar o uso da energia solar no Brasil de uma vez por todas, ofertando a solução em dezenas de milhares de lojas de material de construção no Brasil”, comenta. E acrescenta: “A parceria gerará também dezenas de milhares de clientes para os instaladores cadastrados no Portal Solar. “Hoje, o número de empresas instaladoras ultrapassa 11 mil no Brasil”.

O executivo ressalta, no entanto, que será

feita uma triagem das empresas que poderão instalar sistemas de energia solar dentro do programa. “Somente empresas com Selo Portal acionistas a Votorantim Cimentos (45%), a Tigre

Solar poderão fazer parte. Já estamos apelidando

acaba de firmar um acordo com as gigantes do

(27,5%) e a Gerdau (27,5%). O programa, que já

carinhosamente a parceria com o programa de

ramo de construção civil para a comercialização de

conta com mais de 50 mil varejistas cadastrados

‘Juntos Somos + Solar!’”, brinca.

equipamentos fotovoltaicos em cerca de 55 mil

e com a adesão do Portal Solar, passa a ter 18

lojas de materiais de construção no Brasil.

empresas participantes, tendo o propósito de

Mais, uma parceria como essa está totalmente

O Portal Solar, marketplace de energia solar,

Para Antonio Serrano, CEO da Juntos Somos

modernizar o varejo da construção civil, ajudando

alinhada ao propósito da empresa: “É muito

exclusividade na oferta de geradores fotovoltaicos

o setor a ingressar de vez na era digital. Dentre as

importante apoiar iniciativas como essa, que estão

nos pontos de venda por meio do programa de

participantes do programa estão marcas como

inovando a forma com a qual o mercado encara a

fidelidade do varejo da construção brasileiro e a

Suvinil, Bosch, Eternit e Vedacit, entre outras, além

geração de energia. Tenho certeza de que a entrada

previsão é atingir um volume de negócios da ordem

de empresas do mercado financeiro, da área de TI e

do Portal Solar trará excelentes frutos, tanto em

de R$1 bilhão até o final de 2021.

de educação.

termos de negócios, como na transformação do

setor como um todo”, destaca.

A parceria garante ao Portal Solar a

Trata-se do Juntos Somos +, que tem como

Para Rodolfo Meyer, CEO do Portal Solar, a

43


Energia solar fotovoltaica

44

Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da Absolar

Rodrigo Sauaia é presidente executivo da Absolar

Marcio Takata é diretor da Greener e conselheiro da Absolar

A transição energética avança veículos elétricos, os custos do

mesmo junto, das unidades

regras claras, previsíveis e sólidas

passa por importantes

armazenamento diminuirão de

consumidoras. A GD, geração

que proporcionem os sinais

transformações, com o advento

forma significativa nos próximos

distribuída a partir de fontes

econômicos adequados para

de novas tecnologias e crescente

anos.

renováveis, possui papel

incentivar a incorporação destas

preocupação com o aquecimento

A descarbonização, termo

fundamental na ampliação das

novas tecnologias e a atração de

global. A transição energética

amplamente utilizado no mundo,

fontes renováveis mundo afora,

investimentos privados ao País.

é um amplo movimento

sinaliza o esforço global em

agregando inúmeros benefícios

internacional que tem repensado

buscar fontes de geração de

econômicos (redução de custos

Onde estarão as oportunidades

a forma de gerar e consumir

energia elétrica mais limpas

e aumento da competitividade),

desta transição para o setor e o

energia e eletricidade, com

e sustentáveis, com menores

sociais (geração de empregos e

mercado?

profundas mudanças no setor

emissões de poluentes e gases de

aumento da renda), ambientais

elétrico e implicações políticas,

efeito estufa. Este movimento já

(redução de emissões e poluentes

descarbonização, digitalização

econômicas e sociais para a

traz importantes consequências

e economia de água), energéticos

e descentralização (3D’s) tem

humanidade.

tecnológicas e econômicas, com

(redução de perdas e postergação

incentivado a criação de novos

O setor energético mundial

A combinação da

reduções nas emissões e nos

de investimentos em geração,

modelos de negócio e um

– Smart Grids –, já em teste

impactos ao meio ambiente.

transmissão e distribuição) e

significativo reposicionamento

em diferentes regiões do Brasil,

estratégicos (diversificação da

dos empreendedores e de suas

permitirão uma gestão mais

elétrica brasileira seja

matriz elétrica nacional, aumento

estratégias de crescimento.

eficiente da distribuição e do

predominantemente renovável,

da segurança de suprimento,

consumo de energia elétrica. A

com forte base hidrelétrica, a

aumento da resiliência e redução

empoderamento do consumidor

crescente digitalização das redes

ampliação da capacidade de

de riscos) às sociedades.

requerem a criação de negócios

permitirá a intensiva aplicação do

geração se dará com importante

No Brasil, dadas as condições

competitivos na captação

conceito de “resposta à demanda”,

contribuição da fonte eólica

favoráveis de mercado e o

de clientes e na prestação de

no qual os consumidores poderão

e, em especial, da fonte solar

excelente recurso solar disponível

serviços a um custo cada vez

interagir com a rede, de forma

fotovoltaica. A Associação

em todas as regiões do País,

mais acessível. Neste sentido,

a ajustar o seu consumo às

Brasileira de Energia Solar

a fonte solar fotovoltaica é

a tecnologia de informação,

condições do sistema elétrico,

Fotovoltaica (Absolar) tem

responsável por mais de

Big Data e outras baseadas na

reduzindo o consumo em

trabalhado intensamente

99,6% de todos os sistemas na

Internet e inteligência artificial

momentos de alta demanda

para catalisar este processo

modalidade de GD.

terão destaque.

nacional.

de transição energética,

As redes elétricas inteligentes

Embora a matriz

A digitalização e o crescente

A GD já proporciona dezenas

construindo uma visão de forte

Quais os desafios para a

de milhares de empregos no Brasil

elétrica terá novo papel neste

protagonismo para a geração de

transição energética no Brasil?

e o avanço de novas tecnologias,

cenário, contribuindo de maneira

eletricidade a partir do sol, junto

como o armazenamento de

decisiva para uma matriz mais

aos consumidores e em grandes

e regulatório que incentive o

energia elétrica, e poderá ser um

equilibrada e resiliente, com

projetos.

desenvolvimento da matriz

importante catalizador para novas

novos serviços e benefícios

elétrica nacional de forma a

oportunidades.

para geradores, distribuidores,

outro importante movimento,

entregar mais valor agregado

transmissores e consumidores.

com a geração de energia elétrica

ao consumidor final. Para isso,

E você, está preparado para as

Potencializado pela evolução dos

cada vez mais próxima, ou até

é necessária a estruturação de

transformações do futuro?

O armazenamento de energia

A descentralização representa

A criação de um marco legal


Energia Eólica

45

Elbia Gannoum é presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica)

Já estamos em plena safra dos ventos

Já começaram a chegar novos

tenhamos cerca de 80%

avisos do Operador Nacional do

da capacidade instalada no

Sistema Elétrico (ONS) sobre

Nordeste, o Sul do Brasil tem

os recordes de geração da

um capacidade instalada muito

temporada 2019. Estamos em

importante, sendo o Rio Grande

plena safra dos ventos, o período

do Sul o quarto Estado com mais

do ano em que costumamos ter

parques eólicos no Brasil. No

nossos melhores ventos, e que

dia 21 de junho, por exemplo,

vai até novembro.

a força dos ventos chegou a

atender 15,34% da demanda do

No dia 5 de agosto, uma

segunda-feira, ocorreram os

SIN, um recorde histórico, com

últimos recordes de geração

um fator de capacidade médio

eólica no Subsistema Nordeste,

de 64,73%.

de acordo com o ONS. Na média

diária, a energia dos ventos

recordes porque, em primeiro

deste tipo de vento, o que explica

também é grande, porque

abasteceu 85% da demanda

lugar, estamos instalando

em grande medida o sucesso da

seguimos lutando pela energia

da região, com geração de

cada vez mais parques. Há 10

eólica no País nos últimos anos.

eólica, trabalhando com foco

8.284MWmed e fator de

anos, tínhamos pouco mais de

Enquanto a média mundial do

e instalando cada vez mais

capacidade de 72%. Nesse

0,6GW instalados e estamos

fator de capacidade está em cerca

parques. E fazemos isso por

mesmo dia, foi registrada

chegando neste segundo

de 25%, o Fator de Capacidade

um motivo muito simples:

máxima diária de 9.632MW às

semestre de 2019 com 15,1GW

médio brasileiro em 2018 foi de

acreditamos que a energia eólica

13h35, com fator de capacidade

de capacidade instalada em

42%, sendo que, no Nordeste,

não é apenas uma boa escolha

de 84%, atendendo a 93%

mais 600 parques e com 7.500

durante a temporada de safra

do ponto de vista de segurança

da demanda do Nordeste. O

aerogeradores em operação.

dos ventos, que vai de junho a

do sistema e de competitividade,

Nordeste foi exportador de

novembro, é bastante comum

mas também porque é uma fonte

energia durante todo o dia.

importante: a qualidade de

parques atingirem fatores de

de energia que respeita o meio

nossos ventos. Para produzir

capacidade que passam dos 80%

ambiente, que traz benefícios

os recordes são registrados, já

energia eólica, são necessários

ou mesmo médias mensais de

sociais e ambientais concretos

que a alta geração eólica desta

bons ventos: estáveis, com

60% em Estados do Nordeste.

e que nos ajuda a lutar contra

época do ano tende a significar

a intensidade certa e sem

o aquecimento global. E todos

também um maior atendimento

mudanças bruscas de velocidade

apenas pela grande quantidade

estes são bons motivos para

do Sistema Interligado Nacional

ou de direção. O Brasil tem a sorte

de vento, mas também pela

continuar trabalhando e batendo

(SIN). Afinal de contas, embora

de ter uma quantidade enorme

sua qualidade. E nossa energia

recordes.

E não é só no Nordeste que

Estamos batendo estes

E tem um outro fator

Somos abençoados não


engineer story | shutterstock.com

46

Tec

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

*Por Paulo Henrique Vieira Soares, Vicentino José Pinheiro Rodrigues, Keli Cristine Silva Antunes, Paulo Marcio da Silveira, Carlos Alberto Villegas Guerrero, Frederico Oliveira Passos e Ronaldo Rossi

Perfil do novo profissional de proteção e automação do sistema elétrico


Tec 47

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

Resumo Na era das subestações digitais, com a “chegada” dos Intelligent Electronic Devices

subestações principais sendo uma de 230 kV,

da subestação os PLC’s com a função de

três de 69 kV e duas de 13.8 kV.

supervisionar os equipamentos e permitir

O objetivo principal do projeto era

comandos, tais como ligar, desligar e rearmar

(IEDs), baseados na norma IEC 61850,

integrar em uma base única todos os IEDs

ficam evidentes as diversas possibilidades

de dois fabricantes diferentes existentes

para construção e implementação das

na planta, permitindo a operação remota

conceito onde os relés de proteção passam a

filosofias de proteção, supervisão e controle.

dos disjuntores, redução no tempo de

realizar controle, medição, autodiagnostico

Todo este novo contexto traz à tona

comissionamento, redução dos custos

e comunicação. Neste novo cenário a figura

diversos questionamentos sobre o nível de

com cabeamento e a possibilidade da

do PLC deixa de existir na maioria das

maturidade das empresas frente a este novo

implementação lógica de esquemas de

aplicações, pois os sinais (chave local/remoto,

cenário, qual o investimento necessário

seletividade e intertravamento entre os

botão de emergência, relé 86, etc.) que antes

para a capacitação do corpo técnico e de

equipamentos.

eram interligados ao PLC, agora são ligados

gestão e o quanto isso impacta no dia a dia

Com o passar dos anos e a expansão da

pelo supervisório após uma atuação. A Norma IEC61850, traz um “novo”

diretamente ao IED.

dos profissionais da área, os quais passam

planta de beneficiamento de minério, novas

Na automação convencional o PLC

constantemente por uma mudança cultural

subestações foram construídas utilizando as

era responsável pela supervisão e controle

com avanço das tecnologias aplicadas

premissas definidas pela norma, sendo que

de todos os equipamentos. Agora é o IED

ao setor. Sendo assim, este artigo aborda

em 2011, ao término do retrofit, eram 150

que recebe os sinais do cubículo ou bay

brevemente o conceito da IEC61850 em

IEDs distribuídos entre as 6 subestações.

de sua responsabilidade, trata por meio

substituição aos sistemas convencionais

Já no final de 2018, após implantação de

de lógica configurada de acordo com

utilizados na Vale SA Itabira, aspectos

3 grandes projetos, atingiu-se a marca

o tipo de aplicação (entrada de barra,

introdutórios à norma de forma a elucidar

de 799 IEDs em rede, distribuídos em 36

transformador, alimentador), e intertrava

a ampla abordagem proposta pela IEC e,

subestações, sendo duas de 230 kV; quatro de

ou sinaliza utilizando o protocolo de

por fim, alguns dos conhecimentos exigidos

69 kV e trinta subestações de 13.8 kV.

comunicação GOOSE para troca de

para esse “novo” perfil que o profissional de proteção e automação precisa ter.

I - INTRODUÇÃO A norma IEC61850 nasceu da necessidade de se padronizar os aspectos de comunicação no SAS, especificamente entre

II - SISTEMA DE AUTOMAÇÃO DE SUBESTAÇÕES

mensagens entre os IEDs (comunicação horizontal) ou o protocolo MMS (Manufacturing Message Specification) para troca de mensagens com o sistema

A - Subestação convencional & Subestação

supervisório (comunicação vertical)

modernas baseada na Norma IEC61850

conforme definido na norma.

No processo de automação de

Com essa nova estrutura de automação,

os IEDs utilizados na proteção, controle

subestações convencionais, o relé de

surgiu dentro das subestações a figura do

e supervisão de sistemas elétricos. Assim,

proteção tem a única e principal função

switch: equipamento responsável por garantir

esta norma proporcionou a liberdade de

de proteger o equipamento. Para isso o

a comunicação entre os dispositivos que

configuração, redução de custo com fiações e

relé recebe sinais dos secundários dos

conformam o SAS. Para evitar interferência

interoperabilidade entre dispositivos [1].

transformadores de corrente e de tensão,

eletromagnética os IEDs são conectados

tratam os sinais, executam os algoritmos das

ao switch através de cabos de fibra ótica,

consolidada aplicação na automação dos

funções de proteção configuradas e, em caso

permitindo a comunicação com o sistema

sistemas elétricos industriais. Por exemplo,

de anomalia no sistema, atua emitindo um

supervisório e entre IEDs, reduzindo

em 2009 a Vale localizada na cidade de

sinal de disparo (TRIP) que desliga e isola o

drasticamente a quantidade de cabos

Itabira, conectada na rede base no nível de

circuito de sua responsabilidade.

elétricos necessários para realização de

Hoje a norma IEC61850 apresenta

230 kV, foi pioneira no processo de retrofit

Em condições normais, por questão de

esquemas de seletividade e intertravamento.

do sistema de automação de subestações

operação ou manutenção, diversas vezes é

A comunicação entre o sistema supervisório

existentes aplicando os novos conceitos

necessário realizar manobras no circuito

e os IEDs é feita utilizando um servidor OPC

estabelecidos pela norma. O sistema

elétrico. Destarte, para permitir a operação

com drive MMS que se encontra instalado

integrado de automação teve início com 6

remota dos disjuntores, são aplicados dentro

em uma infraestrutura datacenter.


48

Tec

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

IEDs, sendo está definida como comunicação horizontal e tem como objetivo trafegar de forma rápida entre os dispositivos possibilitando o envio de sinais de trip, intertravamento e seletividade lógica baseada no envio assíncrono de informações. C - Logical Nodes /Dataset A IEC61850 define mnemônico para as funções existentes dentro das subestações. Esses mnemônicos são chamados de logical

Figura 1 – Sistema de automação convencional (esquerda) e baseado na Norma IEC61850 (direita).

nodes (LN) e tem como objetivo expressar

III - NORMA IEC61850

os equipamentos no Nível de Bay, via rede. Em

exemplos, tem-se: CILO (C = Controle; ILO =

nível de Barramento de processo a norma define

interlock); CSWI (C = Controle; SWI = Switch),

A - Considerações iniciais

o serviço SMV (Sampled Measurement Values)

XCBR (X = Chaveamento; CBR = Circuit break),

que se baseia na troca de informações analógicas

etc... Os logical nodes vêm acompanhados de

digitalizadas de tempo crítico.

objetos (ex.: Pos = Posição) e atributos (ex.:

A norma IEC 61850 define três níveis nos quais são alocadas as funções de proteção,

stVal = Status) que compõem o sentido da

controle e supervisão do SAS, sendo eles o Nível de Estação, Nível de Bay e Nível de Processo.

o significado da função em questão. Como

B - MMS e GOOSE Para interface de comunicação entre o

As funções no Nível de Estação são as que

informação, conforme mostra a Figura 3. Outro ponto abordado pela norma é o dataset (pacote

realizam interface entre o SAS e o sistema de

Nível de Estação e o Nível de Bay, tem-se o

com as informações) que é composto por

Interface Homem-Máquina, centro de controle

Barramento de Estação. Neste a comunicação

diversos logical nodes. Os datasets são enviados

ou engenharia remoto, possibilitando seu

é classificada como vertical e é realizada por

imediatamente ao dispositivo de destino sempre

monitoramento e manutenção. Nesse trabalho

mensagens de prioridade média-baixa ou MMS

que ocorre a mudança de qualquer uma das

não será abordado o Barramento de Processo, o

que têm caráter acíclico do tipo cliente-servidor.

variáveis que o compõe.

qual é utilizado para envio dos sinais secundários

Também neste barramento é onde trafegam as

dos instrumentos do Nível de Processo para

mensagens GOOSE para comunicação entre

D - Aplicações A automação de subestações evoluiu muito com a IEC61850. A utilização do protocolo GOOSE traz diversas vantagens, dentre eles a flexibilidade e cabeamento reduzido. Porém, surgem novos desafios inerentes ao cenário, onde as ferramentas e técnicas tradicionais não podem verificar o status dos contatos e bobinas entre IEDs em um esquema baseado em GOOSE [3]. Ferramentas tradicionais não se aplicam

Figura 2 – Mecanismo de transmissão – Mensagem GOOSE.

a esquemas baseados em GOOSE, sendo necessário aplicar ferramentas e técnicas adequadas. O teste começa com documentação adequada de todas as comunicações físicas, lógicas e links entre o IED origem (publicador) e o IED de destino (assinante). Além de espelhamento de porta de switch para análise do tráfego de rede e analisadores de protocolo de rede e IED [4]. As comunicações baseadas em Ethernet estão se tornando opção prática para esquemas de automação relacionados à proteção. A

Figura 3 – Visão dos logical nodes e Estrutura IEC61850.

maioria dos relés de proteção que estão sendo


fabricados possui suporte aos protocolos da

ec 49 T equipamento seguindo as melhores práticas

norma IEC 61850, sendo assim, essa opção não

para segurança e disponibilidade da rede. Redes

implicará em despesas adicionais [5].

virtuais (VLAN) podem ser utilizadas, neste caso

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

IV - CONHECIMENTOS EXIGIDOS PARA O NOVO PERFIL PROFISSIONAL

é importante que a documentação e o critério de projeto contemplem as mesmas. Um protocolo de redundância deve ser aplicado à interface (portas principais) do switch que se fizer

A - Sobre IEDs A evolução dos relés de proteção, chegando

necessário, permitindo maior disponibilidade da solução. A configuração do switch deve ser

a dispositivos multifuncionais, força os

realizada pelo profissional de automação (ou

profissionais a cada dia mais terem que lidar com

telecomunicações) seguindo o padrão de rede

equipamentos sofisticados e de última geração.

definido. A segregação de fluxo de mensagens

Agora, além de garantir a correta parametrização

GOOSE utilizando VLAN é recomendada,

das funções de proteção, é necessário configurar

bem como o confinamento das mensagens

a comunicação de forma adequada, permitindo,

GOOSE apenas na região de atuação. Não é

por exemplo, que o start de uma função de

necessário que o profissional de proteção seja

proteção em um sistema básico, seja enviado

especialista no assunto, porém é desejável que

via mensagem GOOSE para o IED a montante,

possua os conhecimentos mínimos para análise

bloqueando sua atuação e garantindo que

da documentação de rede, interpretação das

seletividade lógica evite a descoordenação do

configurações evitando que possíveis descuidos

circuito e a abertura de um disjuntor de entrada.

na configuração das interfaces de comunicação

Essa mesma mensagem deve ser enviada via

do switch possam impactar no esquema de

MMS para o sistema supervisório, garantido que

proteção.

o operador tenha conhecimento da perturbação ocorrida no sistema. É interessante incluir no IED que recebe o sinal de bloqueio (start do IED

C - Sobre Servidores A infraestrutura de servidores comumente

a jusante) a sinalização via MMS para o sistema

fica localizada no datacenter da planta. O

supervisório com o objetivo de informar que

profissional responsável deve prever, durante a

a mensagem foi recebida. A configuração da

etapa de projeto, uma arquitetura que possibilite

comunicação deve ser realizada em conjunto

alta disponibilidade do sistema supervisório.

pelo profissional de proteção e automação (ou

Assim, uma arquitetura de servidores principais

seguindo um fluxo bem definido) de forma a

e redundantes pode ser adotada. Por outro lado,

evitar que retrabalhos sejam necessários durante

a configuração do sistema supervisório utilizado,

a confecção do sistema supervisório. Não é

as telas de operações, lista de alarmes e eventos,

necessário ao profissional de automação ser

relatório de audit (lista de eventos por usuário),

profundo conhecedor das funções de proteção

coleta automática de oscilografias e a faceplate

e dos algoritmos envolvidos, porém o mesmo

de operação são atribuições do profissional de

deve ser capaz de entender o princípio básico e o

automação. Neste ponto é importante que o

comportamento da função de proteção.

profissional de proteção participe da concepção e contribua de forma que o sistema supervisório

B - Sobre Switches Os switches assumiram papel de protagonista dentro do esquema de proteção

possua linguagem clara, objetiva e busque representar ao máximo as informações existentes e configuradas no IED em campo.

implementado nas subestações. Esses equipamentos são responsáveis por garantir a comunicação entre os IEDs e destes com

D - Sobre Sincronismo horário Para usufruir da estampa de tempo nas

o sistema supervisório. Os equipamentos

mensagens de forma assertiva, é importante

devem atender aos requisitos da norma, sendo

que o projeto seja dotado de pelo menos um

gerenciáveis e trabalhando com identificação

dispositivo GPS (Global Positioning System),

de prioridade de pacotes de comunicação. O

que quando configurado corretamente, os

profissional responsável deve configurar o

equipamentos do SAS, como IEDs, switches


ec T 50 e servidores, passam a operar na mesma

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

ajustes de proteção ou configurações dos IEDs

é único, sendo responsável pelas disciplinas de

base de tempo, gerando eventos e logs com o

utilizando o arquivo presente no servidor. Em

automação e proteção) devem possuir elevado

horário fornecido pelo GPS. Neste contexto

caso de indisponibilidade da comunicação,

senso analítico e trabalharem em conjunto.

os dois profissionais devem possuir uma visão

por rompimento da fibra ótica, por exemplo, o

Esse trabalho começa pela definição dos

geral da arquitetura, ficando o engenheiro

profissional de proteção deve exportar o arquivo

dispositivos de proteção, suas características

de automação responsável por configurar

do IED presente no servidor, importar em um

de comunicação e quais a funções serão

o sincronismo dos servidores, switch e

dispositivo móvel (notebook), realizar a alteração

utilizadas. Na sequência as definições de

aplicações e, por sua vez, o engenheiro de

em campo via conexão direta no frontal do IED

comunicação e intertravamento devem ser

proteção deve responder pela configuração

e, após finalizar, exportar os arquivos presentes

feitas para poderem nortear o próximo passo

dos IEDs. É comum a existência de mais de

no notebook e importar no servidor, fechando

de definição da topologia e configuração da

uma rede no projeto (ex.: rede da subestação

assim o ciclo e garantido que os arquivos do

rede. Etapas como documentação, fluxo de

A e rede da subestação B), sendo necessário

servidor sejam os mais atuais.

engenharia, definição do sistema supervisório

um caminho (gateway) para que essas redes possam comunicar com o dispositivo GPS. Neste caso, ambos os profissionais devem ter

e os critérios para comissionamento e G - Sobre cyber security A segurança das informações e processo

domínio da arquitetura, permitindo que o

é item crítico durante as definições de um

sincronismo seja realizado corretamente.

projeto e nem sempre uma rede fisicamente isolada significa estar bem protegida. O

E - Sobre rede de comunicação Arquiteturas de rede em anel, estrela, dentre

validação da solução, devem ser definidas em comum acordo. I - Capacitação A capacitação dos profissionais de proteção

acesso remoto aos IEDs possibilita a troca

e automação para a perspectiva da IEC61850

de parâmetros e alteração de lógica por um

é fator crucial no sucesso da implementação e

outras, podem ser aplicadas separadamente

profissional a alguns quilômetros de distância.

manutenção do SAS. Equipes bem estruturadas,

ou em conjunto, sendo que os switches devem

Essa comodidade, aliada aos dispositivos

com ferramentais adequados e dentro de

estar com as VLAN’s configuradas de forma a

em rede, suporte à conexão web entre

uma estrutura organizacional com foco na

permitir o tráfego das informações. Nos IEDs

outras, se feito da maneira errada ou por

disciplina são essenciais. Treinamento periódico

os pacotes GOOSE devem estar “tageados”

indivíduo mal-intencionado, pode resultar

para introduzir novos funcionários e reciclar

com a VLAN correta. O diagrama de rede e a

em consequências graves ao sistema, como

os existentes no tema, aliado a documentos

documentação lógica são essenciais, porém o

desligamentos indesejáveis ou até mesmo a

de padronização concebidos nas etapas de

engenheiro de proteção e o de automação devem

perda de um equipamento. Ao profissional de

implantação do projeto são a base para permitir

ter habilidades com ferramentas para análise

automação, fica a responsabilidade de definir

um ciclo virtuoso do SAS em qualquer empresa.

de rede, permitindo aos mesmos acompanhar,

regras de acesso aos switches, controle de

quando necessário, a troca de informações entre

usuários na aplicação, políticas de segurança

os dispositivos na rede e identificar erro de

no servidor de domínio (senha forte com

configurações.

números e caracteres especiais, prazo de

F - Sobre arquivos de comunicação

V - CONCLUSÕES Os tópicos abordados no item IV

validade da senha, bloqueio de portas USB,

apresentam visões de um novo cenário que

entre outros). Ao profissional de proteção,

vem sendo escrito para os profissionais de

fica a responsabilidade de configurar grupo

proteção e automação na era da IEC61850.

é com certeza um dos pontos chaves para

de acesso aos IEDs, utilizar os computadores

Para o momento de transição e mudança de

boa sinergia entre as disciplinas de proteção

que fazem parte do domínio e seguirem

cultura, ressalta-se a importância dos gestores

e automação. É fundamental que toda e

as políticas de segurança. Dispositivos de

das empresas que respondem pela área técnica,

qualquer alteração seja feita utilizando como

bloqueio físico podem ser implementados nos

pois os mesmos possuem influência direta na

base o arquivo mais recente de comunicação,

IEDs e nos switches, conferindo um nível de

formação das equipes. O grau de maturidade

pois a inobservância desse aspecto acarreta

segurança maior.

desse novo “perfil” está ligado diretamente à

A gestão dos arquivos de comunicação

capacitação, autonomia e sinergia disseminada

problemas de comunicação entre os IEDs e entre os IEDs e o sistema supervisório. Cabe

H - Engenheiro de Proteção e Automação

nas equipes. As instituições de ensino também são peças fundamentais na aceleração da

ao profissional de automação providenciar

O perfil do profissional que se dispõe

a infraestrutura (servidor) para suportar os

a trabalhar com proteção e automação do

curva de desenvolvimento dos profissionais

programas com os arquivos base dos IEDs,

sistema elétrico, seguindo as premissas

que chegam ao mercado e podem contribuir

garantindo assim um único arquivo a ser

definidas pela norma IEC61850, está sendo

significativamente na formação dos mesmos,

alterado e que se manterá atualizado sempre

modelado. Porém, já se sabe que esses

desenvolvendo trabalhos de pesquisa na área,

que for utilizado. Ao profissional de proteção

profissionais (em alguns casos, geralmente

antecipando a exposição dos temas e captando

fica a incumbência de sempre alterar os

empresas com o corpo reduzido, o profissional

futuros “pesquisadores” sobre o assunto.


VI - REFERÊNCIAS

Tec

1. [1] IEC 61850-7-1: Basic communication structure for substation and feeder equipment – Principles and models, 2003. 2. [2] IEC61850-6 IEC 61850-6 ed1.0: Configuration description language for communication in electrical substations related to IEDs. - Suíça: International Electrotechnical Comission: [s.n.], 2004. 3. [3] Atienza, E. Testing and Troubleshooting IEC 61850 GOOSE-Based Control and Protection Schemes, 2010. 4. [4] H. Fischer, J. Gilbert, G. Morton, M. Boughman, and D. Dolezilek, “Case Study: Revised Engineering and Testing Practices Resulting from Migration to IEC 61850,” proceedings of the 18th Annual DistribuTECH Conference and Exhibition, Tampa, FL, January 2008. 5. [5] Cabrera,C. Chiu, S. Nair, N, K, C. Implementation of Arc-Flash Protection Using lEC 61850 Goose Messaging, 2012. *Paulo Henrique Vieira Soares é engenheiro eletricista pelo UNILESTE-MG. Aluno do mestrado em Engenharia Elétrica pela UNIFEI (2019). Engenheiro de Automação na Vale S.A e membro do CIGRE, Comitê de Estudos B5.1 Aplicações da Norma IEC 61850. *Vicentino José Pinheiro Rodrigues é engenheiro eletricista e Mestre em Engenharia Elétrica, formado pela UFMG (1998). Gerente de Automação na Vale S.A na área de Tecnologia. *Keli Cristine Silva Antunes é engenheira eletricista e Mestre em Engenharia Elétrica pela UNIFEI (2016 e 2019). Aluna da Especialização em Proteção de Sistemas Elétricos (2019) da mesma instituição. *Paulo Marcio da Silveira é engenheiro eletricista e Mestre em Engenharia Elétrica pela UNIFEI (1984 e 1991). Doutor pela UFSC (2001). Professor da UNIFEI e coordenador do GQEE e do CEPSE. *Carlos Alberto Villegas Guerrero é engenheiro eletricista pela ESPOL (2009). Mestre e Doutor em Engenharia Elétrica pela UNIFEI (2011 e 2017). Professor da UNIFEI. *Frederico Oliveira Passos é engenheiro eletricista, Mestre e Doutor pela UNIFEI (2010 e 2015). Professor da UNIFEI. *Ronaldo Rossi é engenheiro eletricista, Mestre e Doutor pela UNIFEI (1972, 1975 e 2000). Consultor técnico da FUPAI e professor voluntário da UNIFEI.

51


O Setor Elétrico / Agosto de 2019

Por Sergio Roberto Santos*

A perda de patrimônio cultural Museu Staley

Espaço 5419

Espaço 5419

Museu Staley, em Illinois, após ser atingido por uma descarga atmosférica.

A norma técnica ABNT NBR 5419:2015

seu Artigo 216, substituiu a nominação

– Proteção contra descargas atmosféricas

Patrimônio

determina

Histórico

e

Artístico,

por

sejam

Patrimônio Cultural Brasileiro, incorporando

protegidas contra os riscos de perda do

o conceito de referência cultural e a definição

patrimônio cultural e apresenta as medidas

dos bens passíveis de reconhecimento,

necessárias para que isso aconteça.

sobretudo, os de caráter imaterial¹.

A

que

as

edificações

Embora seja um assunto distante do dia a

proteção

dos

bens

culturais

dia da maioria dos profissionais que trabalham

materiais, sujeitos à destruição tanto pelas

com a Proteção contra Descargas Atmosféricas

descargas

(PDA), vale a pena utilizar este espaço para

pelas consequências de surtos de tensão e

refletir sobre este tema. Seja a proteção de

corrente, causados por descargas indiretas,

edificações, ou a proteção de objetos, como

é um grande desafio para os especialistas na

quadros, esculturas e livros, temos aqui uma

PDA, já que envolve o projeto do Sistema

ótima oportunidade de interação entre

de Proteção contra Descargas Atmosféricas

arquitetos e engenheiros eletricistas.

(SPDA) e das Medidas de Proteção contra

Surtos (MPS) em prédios e instalações

A Constituição Federal de 1988, em

atmosféricas

diretas,

quanto


Apoio

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

elétricas

muito

antigas,

como

igrejas,

por um raio e, na sua maioria, são altamente

53

Referências

castelos, museus etc., onde as características

vulneráveis ao fogo.

arquitetônicas não devem ser modificadas.

Em sua parte dois, Gerenciamento

em si, as MPSs evitam que os sistemas de

detalhes/218

de risco, a norma ABNT NBR 5419:2015

preservação de bibliotecas, museus, igrejas

2 – (https://www.smithsonianmag.

define a perda de patrimônio cultural com o

e pinacotecas falhem durante ou após uma

com/smart-news/200-objects-

índice L3, sendo ela causada por descargas

descarga atmosférica, evitando prejuízos e

damaged-after-lightning-sets-fire-

atmosféricas diretas na estrutura (S1) ou

preservando o patrimônio.

french-museum-180964211/) , (https://

linhas de energia e sinal a ela conectadas

(S3). Já o risco de esta perda acontecer

de

recebeu o índice R3, risco de perda de

atmosféricas² (foto). A norma ABNT NBR

closed-due-to-lightning-damage/),

patrimônio cultural, sendo tolerável um

5419:2015 não foi omissa em relação ao

(https://slate.com/technology/2013/08/

risco da ordem de 10-4, muito baixo, já que

valor intrínseco da cultura para a nossa

lightning-struck-an-employee-at-the-

o risco zero seria algo totalmente utópico.

qualidade de vida, trazendo as ferramentas

creationism-museum-even-though-almost-

Embora muitos possam pensar que as

necessárias para que o patrimônio cul­

nobody-gets-struck-by-lightning-anymore.

medidas para a proteção contra perda de

tu­ ral brasileiro seja protegido contra as

html).

vidas humanas (L1), risco tolerável de 10 ,

descargas atmosféricas. Cabe agora a

possa ser suficiente para também proteger

quem de direito, arquitetos e engenheiros,

os bens de valor cultural, devemos lembrar

levar às nossas autoridades a informação

*Sergio Roberto Santos é engenheiro eletricista

que esses não se auto locomovem, são

de que destruições causadas por raios não

e membro da comissão de estudos CE 03:64.10

passíveis de serem atingidos diretamente

são meras fatalidades.

do CB-3 da ABNT.

-5

Além da proteção dos bens culturais

A internet apresenta vários exemplos museus

destruídos

por

descargas

1 – http://portal.iphan.gov.br/pagina/

staleymuseum.com/staley-museum-inthe-news/staley-museum-temporarily-


54

Espaço SBQEE

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

Diretoria da SBQEE

CBQEE em constante evolução

da

de pesquisa, entre outros. Assim, em

pela

1996, foi realizado o primeiro Seminário

humanidade, basicamente, a qualidade

Brasileiro sobre Qualidade da Energia

era medida pela disponibilidade ou não

Elétrica. A partir da sexta edição, a qual

da mesma. Ou seja, o único indicador

ocorreu em 2007, o evento começou a

era quanto tempo tínhamos uma fonte

ser chamado de Conferência Brasileira

de energia elétrica disponível.

sobre Qualidade da Energia Elétrica

Se

olharmos

utilização

da

para

o

energia

início

elétrica

sistemas,

(CBQEE). Esta conferência é realizada

de

que

bienalmente e já esteve presente em

somente o indicador de disponibilidade

todas as regiões do Brasil. A conferência

da energia elétrica não era suficiente

se consolidou rapidamente e hoje é

para medir a qualidade, pois diversos

o maior evento dedicado ao assunto

equipamentos começaram a falhar, ter

em toda a América do Sul, recebendo

vida útil reduzida, aumentar o consumo

contribuições não só do Brasil, mas

etc. Desta forma, outros indicadores

também de diversos países vizinhos.

como valor eficaz da tensão, distorção

harmônica,

tensão,

atualidade, o sistema elétrico mudou

desequilíbrio de tensão etc., foram

muito. No princípio, se tinha uma

surgindo. E os problemas nem sempre

ideia de que boa parte dos problemas

eram de fácil resolução, haja vista que

eram advindos das cargas, sejam elas

o sistema elétrico estava evoluindo

intermitentes, não lineares etc. Além

rapidamente. Já no início da década

do mais, nos sistemas de geração e

de 1990, surgiam os primeiros eventos

transmissão, havia poucos elementos

internacionais para reunir especialistas

perturbadores

e

a linha de transmissão em corrente

Com

a

aumentou-se

fomentar

evolução a

dos

percepção

flutuação

discussões

de

sobre

estes

Desde a criação da CBQEE, até a

podemos

ressaltar

assuntos.

contínua, a qual transporta a energia da

Estas mesmas questões motivaram a

parte paraguaia de Itaipú para a região

criação de um evento nacional dedicado

metropolitana de São Paulo –, e poucos

ao tema Qualidade da Energia Elétrica, o

compensadores

qual congregasse academia, indústrias,

os trabalhos focavam muito em cargas

concessionárias

(tanto como geradoras de distúrbios,

de

energia,

centros

estáticos.

Portanto,


Espaço SBQEE

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

55

baixo impacto ambiental. No entanto,

complexidade dos sistemas, problemas

elas tinham aos distúrbios presentes

possuem

frequência

que, na primeira edição, eram praticamente

na energia elétrica) e em soluções

para compatibilizar a intermitência da

irrelevantes, como a responsabilidade das

mitigadoras. Todavia, atualmente, o

fonte primária de energia (velocidade do

causas dos distúrbios na Qualidade da

cenário está bem diferente, a saber:

vento e incidência solar) com os padrões

Energia Elétrica, hoje, estão em foco.

quanto

como

a

sensibilidade

que

conversores

de

necessários à conexão na rede elétrica;

Durante todos estes 23 anos de

• As cargas que eram sensíveis a

• O sistema de transmissão também teve

existência da CBQEE, o sistema elétrico

problemas na rede elétrica estão cada

muita mudança, podendo-se destacar a

evoluiu significativamente e a CBQEE

vez mais imunes a estes;

entrada de novas linhas de transmissão

está

em corrente contínua e inserção de

evolução. Na XIII CBQEE, realizada de 01

compensadores estáticos;

a 04 de setembro de 2019, no Instituto de

em

• Quanto à distribuição, está havendo

Tecnologia Mauá, em São Caetano do Sul

estão

uma revolução com as denominadas

(SP), temas como processamento de sinais,

presentes nas residências. Podemos

“smart

em

compartilhamento de responsabilidade e

citar

eletrônicos

melhores indicadores de qualidade de

impacto de renováveis foram os temas

celulares

serviço, ajuste de demandas, além de

da vez. Mais de 250 conferencistas

etc.), lâmpadas a LED, equipamentos

contemplarem a inclusão de fontes de

participaram dos quatro dias de even­to

com

geração distribuídas;

que, além de sessões técnicas e plenária,

(refrigeradores, máquinas de lavar e

• Por fim, com o aumento da capacidade

contou com um minicurso sobre questões

ar-condicionado), entre outros;

de processamento dos computadores,

relevantes do Módulo 8 do PRODIST.

• Voltando-se ao sistema de geração,

destaca-se

a energia eólica e solar hoje são

simulações, contemplando inteligência

www.sbqee.org.br/cbqee

realidade, trazendo maior diversidade

artificial

Grande abraço!

e segurança para a matriz energética

dados reais obtidos em campo.

brasileira. São fontes renováveis e de

Desta forma, com o aumento da

Por

outro

lineares, quase

que que

ambientes

lado,

as

eram

cargas

exclusivamente

industriais,

hoje,

equipamentos

(computadores,

televisões,

conversores

de

não

encontradas

frequência

grids”.

e

Estas

também

impactam

o

simulações

avanço que

das

utilizam

sempre

acompanhando

esta

Mais informações e inscrições em:

Diretoria da SBQEE


Proteção contra raios

Apoio

56

Jobson Modena é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, onde participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia | www.guismo.com.br

Especificando minimamente um DPS Este é um resumo para ajudar a direcionar

a tensão de proteção de um DPS, melhor

a especificação de um dispositivo de proteção

proteção ele oferece ao equipamento. Portanto,

contra surtos (DPS) em linhas de energia.

o valor de U P deve ser o menor possível, desde

que não se comprometa tensão máxima de

Devem ser considerados, no mínimo, três

parâmetros:

operação contínua do DPS.

As tabelas 31

da NBR 5410 e A1, Anexo A, da NBR 5419, 1- A máxima tensão de operação contínua – UC;

fornecem parâmetros de referência para essa

2- A tensão de proteção – UP;

comparação.

3- O tipo de corrente a que o DPS será submetido (IIMP ou IN)

A máxima tensão de operação contínua – UC

O tipo de corrente a que o DPS será submetido (IIMP ou IN) Independentemente da sua construção,

Um DPS não deve atuar com a tensão

um DPS poderá ser submetido a várias curvas

de operação da linha onde ele está instalado;

de corrente em um ensaio. As mais usuais e

portanto, deve ser considerada uma margem de

que determinam os tipos I e II são as curvas

segurança, em torno de 10%, para especificar

padronizadas em tempos de frente de onda e de

sua máxima tensão de operação.

meia cauda, respectivamente, com 10/350µs e

8/20µs.

O valor de UC depende do esquema de

aterramento e do modo de instalação do DPS. A

tabela 49 da NBR 5410 mostra esses valores.

IIMP de ensaio das curvas classe I, (10/350), são

DPS’s que suportam os valores das correntes

Visando aumentar o tempo de vida útil do

caracterizados como tipo I e devem ser utilizados

DPS, em função da grande variação de tensão

em locais onde haja circulação de corrente

permitida no sistema de distribuição nacional, vale

impulsiva direta.

alertar para que seja utilizado um valor de UC mais

elevado do que disposto na tabela, tipicamente,

IN de ensaio das curvas classe II, (8/20), são

“um valor comercial” acima do calculado, por

caracterizados como tipo II e devem ser utilizados

exemplo: valor calculado, 150V, valor utilizado,

em locais onde haja circulação de corrente

175V.

impulsiva induzida ou atenuada à montante.

DPS’s que suportam os valores das correntes

A NBR 5410 especifica valores mínimos de

A tensão de proteção – UP

corrente para serem utilizados no primeiro nível

Pode-se obter a tensão de proteção do

de uma proteção em 12,5kA para DPS’s do tipo

DPS – U P do DPS fazendo-se a comparação

I, e 5kA para DPS’s do tipo II. Já a NBR 5419

simples com o nível de suportabilidade a

apresenta uma metodologia de cálculo no anexo

surtos do componente – UW do equipamento

E da parte 1 para a definição de valores dos

a ser protegido. A tensão U P deve sempre

DPS’s a serem utilizados em todas as possíveis

ser inferior ao nível de suportabilidade UW.

fronteiras das zonas de proteção contra raios

É importante destacar que, quanto menor

estabelecidas em projeto.


Iluminação pública

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

57

Luciano Haas Rosito é engenheiro eletricista, diretor comercial da Tecnowatt e coordenador da Comissão de Estudos CE: 03:034:03 – Luminárias e acessórios da ABNT/Cobei. É professor das disciplinas de Iluminação de exteriores e Projeto de iluminação de exteriores do IPOG, e palestrante em seminários e eventos na área de iluminação e eficiência energética. | lrosito@tecnowatt.com.br

O atual estágio das revisões normativas no Brasil Dando sequência nesta série sobre o

como base os critérios das publicações

serem revisadas e um plano para os próximos

tema iluminação, neste artigo iremos tratar

internacionais atualizadas tais como a CIE

temas ate o final de 2020. Devem ser

das revisões normativas no Brasil e o estágio

115:2010 – Lighting of Roads for Motor and

priorizadas as normas de iluminação interna

que se encontram até meados do ano de

Pedestrian Traffic.

para que sejam base para avaliação de

2019. As normas de iluminação no Brasil têm

Na fase final de revisão, está sendo

conformidade destes produtos, amplamente

sido tema constante através de elaborações

montada a versão para consulta pública

utilizados em escritórios, indústrias e outras

de novas normas e revisões das existentes

e avaliados os impactos da mudança nas

aplicações

nos últimos 10 anos no País de forma

classificações de vias e os respectivos

luminárias utilizadas em iluminação pública

mais efetiva que nos períodos anteriores

critérios de classificação, bastante diferente

através de atualização da ABNT NBR

a esta data. Atualmente, em um estágio de

dos utilizados atualmente. Em um momento

15129: Luminárias para iluminação pública

elaboração de novas normas sempre que

de discussão de substituição massiva pela

– requisitos particulares, que foi usada como

necessário, mas com mais ênfase na revisão

tecnologia LED, é importante o envolvimento

base para a portaria 20 do Instituto Nacional

das normas vigentes, a fim de deixá-las

de todos nesta discussão, pois sendo

de Metrologia, Qualidade e Tecnologia

sempre atualizadas com suas respectivas

aprovada a revisão da NBR 5101, mesmo

(Inmetro).

referências internacionais, assim como com

com tempo de ajuste, haverá necessidade de

as mais recentes tecnologias de construção

atualização dos profissionais para elaboração

CE 03.034.01, e a comissão de dispositivos

e aplicação. Fruto de trabalho de pesquisa

dos novos projetos, bem como do mercado

de controle/reatores CE 03:034:02, também

aplicada e do envolvimento de diversos

no desenvolvimento de estudos e avaliação

estão ativas e discutindo a revisão de normas

profissionais do setor que disponibilizam

dos futuros sistemas que serão implantados

de dispositivos de controle conhecidos

seu conhecimento e tempo para esta tarefa,

após a revisão na norma.

como “drivers” através do projeto de revisão

as revisões vêm sendo realizadas através

Durante o mês de agosto de 2019,

da ABNT NBR IEC 61347-2-13: 2012 –

das comissões de estudo da ABNT COBEI

também

CE

Dispositivo de controle da lâmpada - Parte

no âmbito do CB 03 – Comitê Brasileiro de

03:034.03 – Luminárias e acessórios, com

2-13: Requisitos particulares para dispositivos

Eletricidade. Desde setembro de 2017, está

o objetivo de atualizar as normas técnicas

de controle eletrônicos alimentados em c.c ou

aberta a revisão da NBR 5101: Iluminação

de luminárias que já foram modificadas

c.a para os módulos de LED, devendo esta

Pública – procedimento, através da comissão

em nível internacional junto à International

norma ser levada à consulta pública até o final

de estudo CE 03:034:04 - Aplicações

Electrotechnical

do ano de 2019.

luminotécnicas e medições fotométricas, já

objeto da primeira reunião de reativação

tendo ocorrido 17 reuniões para tratar deste

desta comissão é a revisão da NBR IEC

esperamos ter base para aplicação de novas

tema. Nas primeiras reuniões, foram definidos

60598-1:2010 – Luminárias – parte 1:

tecnologias e melhoria dos processos de

os grupos de trabalho para elaborar os textos

requisitos gerais e ensaios correspondentes,

avaliação da conformidade no País, assim

para discussão dos capítulos da norma e

abrangendo

marcação,

como ampliar o conhecimento existente neste

realizados diversos experimentos, cálculos e

construção mecânica e construção elétrica,

setor, envolvendo cada vez mais os usuários,

novas metodologias para serem aprovadas

juntamente com os ensaios correspondentes.

desenvolvedores, pesquisados, fabricantes

pelo grupo de revisão. Com o andamento

Após as definições relativas a esta norma,

e a sociedade em geral para melhorarmos a

da revisão, a comissão acabou seguindo

a comissão define as normas particulares a

qualidade da iluminação.

foi

reativada

a

a

comissão

Commission

classificação,

(IEC).

O

interiores,

assim

como

as

As demais comissões como a fontes de luz

Com estas novas revisões normativas,


58

Energia com qualidade

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE. jstarosta@acaoenge.com.br

Aspectos do fator de potência em regime de carga baixa – parte II

Na edição passada, trouxemos um caso de planta industrial

O cálculo desta energia reativa excedente segue as

que apresenta cobrança de excedente de energia reativa em

premissas da portaria 414 da Agência Nacional de Energia

período de baixa carga, quando o sistema de compensação

Elétrica (Aneel). A tabela 1 indica o perfil de carga típico dos 22

reativa

pelo

dias úteis do mês e o fator de potência é sempre corrigido pelo

comportamento da carga, respeitando-se as premissas de não

sistema de compensação existente. As tabelas 2 e 3 apresentam

tornar a carga capacitiva, evitando sobretensões e cobrança

os perfis de carga dos quatro sábados e quatro domingos do

de excedentes de reativos capacitivos na madrugada, quando

mês. Durante período parcial dos sábados, o reativo consumido

a regra de cobrança é invertida e os excedentes de energia

é corrigido pelo sistema existente e durante os períodos com

reativa são aplicados às instalações com fator de potência

carga baixa 43kW e 58kvar, o sistema de compensação de

capacitivo neste período.

energia reativa não opera.

clássico

não

possui

condições

de

operar

Tabela 1 – Perfil de carga dos dias úteis. Tabela 2 – Perfil de carga dos sábados.


O Setor Elétrico / Agosto de 2019

59

Tabela 3 – Perfil de carga dos domingos.

A tabela 4 resume os consumos de energia ativa e reativa em períodos de ponta e

fora de ponta, considerando 22 dias úteis e quatro finais de semana, bem como o cálculo da energia reativa excedente nestes períodos. Considerando que o cálculo da demanda relativa à energia reativa consumida apresentou sempre valores menores que zero, a mesma é, neste caso, desconsiderada. Tabela 4 – Resumo de consumo e custos.

Conclusões • Os valores cobrados de excedente de energia reativa não compensada são da ordem de 0,5% da conta. • A tarifa aplicada para o cálculo do excedente da energia reativa excedente, por conta da resolução 414 da Aneel, é da ordem de 80% da tarifa da energia consumida fora de ponta e próximo a 25% da tarifa da energia consumida na ponta. • Caso seja desejável a compensação da energia reativa consumida em baixa carga, deve-se prever uma solução que se adeque ao perfil de carga, sem que torne a instalação capacitiva (não só para se evitar sobretensões, mas até para evitar a cobrança na madrugada), neste caso, algo em torno de 50kvar de forma fixa com os devidos cuidados e compatíveis à solução de compensação existente para os períodos de carga.


60

Instalações Ex

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

Roberval Bulgarelli é consultor técnico e engenheiro sênior da Petrobras. É representante do Brasil no TC-31 da IEC e no IECEx e coordenador do Subcomitê SC-31 do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei). bulgarelli@petrobras.com.br

Eletricidade estática em atmosferas explosivas – Riscos, controle e mitigação – Parte 02/05

2 - A geração da eletricidade estática em atmosferas explosivas

Em função de a distância entre as cargas

estejam em contato ou atrito. Os elétrons

ser extremamente pequena no momento

mais afastados do núcleo de um material são

do contato ou da separação, o potencial

transferidos para o outro material, de forma

Podem ser citados como exemplos de

gerado pode ser alcançar tensões da

que o material que perde elétrons se torna

equipamentos instalados em atmosferas

ordem de muitos kV, independentemente da

positivamente

explosivas sobre os quais existe a preocupação

pequena quantidade de cargas eletrostáticas

pode permanecer por algum tempo, uma

sobre o risco de ignição devido à geração ou

envolvidas, o que pode dar origem a centelhas

vez que os materiais são isolantes e não

acúmulo de cargas eletrostática: tanques

e a fontes de ignição.

proporcionam um caminho efetivo de retorno

de armazenamento, vagões ou caminhões

A

para transporte de materiais inflamáveis

normalmente causada por dois materiais

Os materiais plásticos de invólucros

ou combustíveis, correias transportadoras,

isolantes diferentes em movimento e que

com tipo de proteção Ex “e” (segurança

esteiras ou pontes rolantes, elevadores de canecas, contêineres ou equipamentos de processo ou tubulações fabricadas com materiais não metálicos (isolantes ou não condutivos), mangueiras fabricadas com materiais não condutivos, caminhões vácuo, equipamentos para transporte pneumático.

No caso de os dois materiais serem

condutivos, ocorre a recombinação das cargas eletrostáticas e nenhuma quantidade significativa de carga eletrostática permanece em nenhum dos dois materiais após a separação.

Nos casos onde um ou ambos os materiais

sólidos forem do tipo “não condutivo”, a recombinação

eletrostática

não

ocorre

completamente e os materiais separados retêm parte de sua carga eletrostática.

eletricidade

estática

pode

ser

carregado.

Esta

condição

dos elétrons.


61

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

aumentada – Norma ABNT NBR IEC

para evitar estas situações de risco potencial

60079-7) normalmente recebem adição de

de fontes de ignição. Dependendo do nível

carbono, que é um material condutor de

de carregamento eletrostático e da energia

cargas eletrostáticas, de forma a atender aos

mínima de ignição de substâncias inflamáveis,

requisitos de resistência máxima superficial

os elevados potenciais eletrostáticos são

indicados na Norma ABNT NBR IEC

capazes de gerar centelhas que podem

60079-0 (109 Ω a 1011 Ω, dependendo da

causar a explosão de atmosferas explosivas.

umidade relativa do ar). Além disto, este tipo

O

de equipamento normalmente apresenta, em

líquidos

suas instruções específicas de instalação, o

processo que ocorre em sólidos, mas

alerta de que a limpeza deve ser feita com um

pode depender da presença de íons ou

pano úmido, de forma a evitar a geração de

de

cargas eletrostáticas.

eletrostaticamente. Os íons ou partículas

carregamento é

eletrostático

essencialmente

partículas

microscópicas

o

em

mesmo

carregadas

Peças de vestuário fabricadas em nylon

de uma polaridade podem ser adsorvidas

que são removidas do corpo são capazes

na interface entre os líquidos, e estas,

de gerar cargas eletrostáticas em um nível

então, atraem íons de polaridade oposta, as

de potencial suficiente para causar a ignição

quais formam uma camada difusa de carga

de gases inflamáveis, havendo registros

eletrostática no líquido, próxima da interface.

históricos de ocorrência deste tipo de fonte

de ignição.

na especificação técnica internacional IEC

As rápidas movimentações de fluidos,

TS 60079-32-1, o carregamento eletrostático

como em jatos ou spray podem também gerar

por contato pode ocorrer nas interfaces de

cargas eletrostáticas. Um jato de aerossol a

materiais sólido/sólido, líquido/líquido ou

partir de um recipiente pode gerar no bocal

sólido/líquido. Os gases inflamáveis não

tensões eletrostáticas da ordem de 5kV. De

podem ser carregados, mas nos casos onde

forma similar, tensões da ordem de 10kV

um gás inflamável contiver partículas sólidas

ou mais podem ser geradas no bocal de um

ou gotículas de líquidos em suspensão, estas

equipamento de limpeza com vapor de alta

podem ser carregadas eletrostaticamente por

pressão.

contato, de forma que o gás inflamável pode

acumular cargas eletrostáticas, com riscos de

O fluxo de líquidos ou gases inflamáveis

De acordo com os requisitos apresentados

ou de poeiras combustíveis através de

geração de centelhas.

tubulações e de equipamentos de processo

No

provoca a geração de cargas eletrostáticas,

dissimilares inicialmente não carregados

as quais se concentram nas superfícies

eletrostaticamente e no potencial do sistema

dos materiais, podendo causar potenciais

de terra, uma pequena quantidade de carga

eletrostáticos

caso

de

materiais

sólidos

ordem

eletrostática é transferida de um material para

de muitos milhares de Volt (kV). Esta

o outro, quando estes entram em contato,

tensão eletrostática é inaceitável em áreas

devido ao movimento relativo entre eles. Os

classificadas e deve ser eliminada por meio

dois materiais são, desta forma, carregados

de assegurar que todas as tubulações

eletrostaticamente com cargas opostas e,

e equipamentos de processo, elétricos

consequentemente, passa a existir um campo

e

elétrico entre eles. Se os materiais são, então,

de

de

automação

magnitude

estejam

da

devidamente

equipotencializados ou aterrados.

separados, um trabalho é realizado para

A utilização de materiais não metálicos,

superar o efeito de atração ocasionado neste

tais como equipamentos com invólucros

momento pelas cargas elétricas opostas e

plásticos ou sistemas de bandejamento com

pela diferença de potencial gerada entre eles.

coberturas plásticas com elevada resistência

Esta diferença de potencial tende a carregar

superficial podem gerar ou acumular uma

eletrostaticamente os pontos residuais de

quantidade

contato.

inaceitável

de

carregamento

eletrostático em áreas classificadas, caso não sejam tomadas medidas de controle

Continua na próxima edição.


62

Índice de anunciantes Ação Engenharia 59 (11) 3883-6050 www.acaoenge.com.br 55

Alpha (11) 3933-7533 vendas@alpha-ex.com.br www.alpha-ex.com.br Beghim 5 (11) 2942-4500 beghim@beghim.com.br www.beghim.com.br Chardon Group 18 (21) 99351-9765 chardonbrazil@chardongroup.com www.chardongroup.com 7

CINASE (11) 3872-4404 cinase@cinase.com.br www.cinase.com.br Clamper 19 e Fascículos (31) 3689-9500 comunicacao@clamper.com.br www.lojaclamper.com.br Cobrecom 23 (11) 2118-3200 cobrecom@cobrecom.com.br www.cobrecom.com.br 39

Condumax / Incesa 0800 701 3701 www.condumax.com.br www.incesa.com.br

O Setor Elétrico / Agosto de 2019

51

Itaipu Transformadores (16) 3263-9400 comercial@itaiputransformadores.com.br www.itaiputransformadores.com.br Maccomevap 27 (21) 2687-0070 comercial@maccomevap.com.br www.maccomevap.com.br 9

Megabrás (11) 3254-8111 ati@megabras.com.br www.megabras.com 29

Mitsubishi Electric (11) 4689-3000 mitsubishielectric.com.br/ia Novemp 6 e Fascículos (11) 4093-5300 vendas@novemp.com.br www.novemp.com.br Paratec 56 (11) 3641-9063 vendas@paratec.com.br www.paratec.com.br Romagnole 41 (44) 3233-8500 www.romagnole.com.br 17

SEL (19) 3518-2110 vendas@selinc.com.br www.selinc.com.br

3ª capa e Fascículos

D’Light (11) 2937-4650 vendas@dlight.com.br www.dlight.com.br 20

Embrastec (16) 3103-2021 embrastec@embrastec.com.br www.embrastec.com.br Gimi Pogliano 33 (11) 4752-9900 atendimento@gimipogliano.com.br www.gimipogliano.com.br 15

IFG (51) 3431-3855 ifg@ifg.com.br www.ifg.com.br 4ª capa

Intelli (16) 3820-1500 intelli@intelli.com.br www.grupointelli.com.br

Siemens 2ª capa www.siemens.com.br 61

Techno do Brasil (41) 98717 7000 mario.adinolfi@sales.techno.it www.technodobrasil.com.br 49

THS (11) 5666-5550 vendas@fuses.com.br www.fuses.com.br Trael 43 (65) 3611-6500 comercial@trael.com.br www.trael.com.br Tramontina 53 (54) 3461-8200 ex.elt@tramontina.net www.tramontina.net


Profile for Revista O Setor Elétrico

O Setor Elétrico (edição 163 - Ago/2019)  

O Setor Elétrico (edição 163 - Ago/2019)  

Advertisement