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Ação i Esporte i Viagem i  Arte i Música

Uma revista além do comum

outubro de 2013

ANDRE AGASSI  E Stefanie GRAF 

O casal garante:  sucesso não  existe 

LAUDA X HUNT 

Hollywood  conta a história  do duelo 

MATT DAMON 

O astro fala de  pôquer, mulheres  e dinheiro 

FELIPE

NASR

o próximo nome DO BRASIL NA F1

remada alucinante

Entramos na corrida de canoas no Havaí


o Mundo de red bull

Outubro 20 Rally Drácula

Mergulhamos na lama do Red Bull Romaniacs, na Transilvânia

FOTO DA CAPA: jork weismann. Fotos: Predrag Vuckovic/Red BUll Content Pool, Andy Knowles

Banda: Franz Ferdinand

bem-vindo

O Red Bulletin destrinchou a vida da única esperança brasileira para o futuro próximo da F1: Felipe Nasr. Viajamos para Mônaco para entrevistá-lo e descobrir de que maneira essa pressão o afeta e quais serão seus possíveis caminhos daqui em diante. Ainda no espírito da F1, entrevistamos Ron Howard, o aclamado diretor americano, que acaba de filmar Rush, que conta a eletrizante história da temporada de 1976, com o duelo entre Lauda e Hunt da F1. Passamos também pelo Red Bull Romaniacs, na Transilvânia, a corrida de canoas Olamau Race, no Havaí, pelo BASE-jump do Bridge Day e batemos um papo com Matt Damon. Está imperdível.

“ A gente ouve hip hop, eletrônico e temos referências de todos os tipos”

the red bulletin3


o Mundo de red bull

Outubro Nesta edição Bullevard 08 NOTAS  Pelo mundo 11 NA CABEÇA DE...  Stephen King 12 antes e depois  Microfones 16 FÓRMULA PERFEITA  Largada! 14 EU E MEU CORPO  Vatuvai 18  NÚMEROS DA SORTE  Viajantes

80

Destaques 20 Rally Drácula 

Entramos no enduro mais  animal da Terra

Remando sem parar

30 Electro Guzzi

Música eletrônica ao vivo ou   em fitas cassete

Conheça a Olamau Race, uma corrida alucinante nas águas do Havaí

33  Red Bull Illume

As imagens mais incríveis   do mundo do esporte e da ação

50 Felipe Nasr

Esperança brasileira no   horizonte da Fórmula 1

56 Bridge Day

92 meu equipo

Parks Bonifay mostra o equipamento que o permite superar qualquer expectativa

95

64  O sucesso é ilusão

minha cidade

68 F1 em Hollywood

São Paulo: Viviane Orth dá dicas desde os melhores hambúrgueres, bares badalados até brechós

É o que nos contaram   Stefanie Graf e Andre Agassi

Rush conta a história do duelo   entre Niki Lauda e James Hunt

74 Matt Damon O talentoso

80 Olamau Race

Tradição e modernidade   nas águas do Havaí

ação!

33 Red Bull Illume

As vencedoras do Red Bull Illume 2013. Fotos incríveis de ação e aventura 4



50 Felipe Nasr

O brasiliense é a esperança brasileira no horizonte da F1

92 93 94 95 96 97 98

MEU EQUIPO  Parks Bonifay Festa Amsterdã MALAS PRONTAS  Skydiving minha cidade  São Paulo música  Franz Ferdinand Na agenda  O melhor do mês Túnel do tempo

the red bulletin

Fotos: Chris Baldwin, Brian Smith, Getty Images, Zak Noyle/Red Bull Illume, jork Weismann

BASE-jumpers saltam ou   são catapultados de uma ponte


colaboradores nosso time em OUTUBRO THE RED BULLETIN Brasil, ISSN2308-5940 Editora e sede Editorial Red Bull Media House GmbH

Robert anasi

Jork weismann Perseguir um piloto com uma câmera durante um fim de semana inteiro de corrida? Isso exige certa sensibilidade para lidar com o gênio desses atletas. Porém, Jork Weismann, nascido em Viena, já conseguiu que estrelas como Eva Longoria e Patti Smith ficassem relaxadas para sua câmera. Apesar da agitação em Hungaroring, em Budapeste, ele fotografou o piloto brasileiro da GP2, Felipe Nasr, para a capa do Red Bulletin. Nasr é o atual vice-líder da competição.

rüdiger sturm Já se passaram 11 anos desde que Rüdiger Sturm entrevistou Matt Damon pela primeira vez. O que não mudou? O rosto de menino e a atitude pé no chão, aberta e autocrítica em relação a qualquer pergunta, garante Sturm. Formado em literatura, ele conta que as entrevistas com Damon são sempre duelos de igual para igual e, às vezes, têm um final surpreendente – como no último encontro em Cannes, quando Damon pagou a ele uma garrafa de vinho rosé.

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Começar a sentir dor e não desistir – e depois escrever sobre isso: Robert Anasi provou com seu livro sobre boxe, The Gloves: A Boxing Chronicle, que é capaz de fazer isso. O americano chegou a ser comparado ao escritor Norman Mailer. A pesquisa sobre a Olamau Race deve ter sido igualmente dolorosa. A corrida percorre 100 milhas em canoas, contornando Big Island, no Havaí, e dura três dias. Veja o resultado na reportagem Guerra N’Água, na página 80.

Gerente Geral Wolfgang Winter Diretor Editorial Franz Renkin Editor Chefe Robert Sperl Coordenador Editorial Alexander Macheck Editor Brasil Fernando Gueiros Diretor de Arte Erik Turek Diretor de Fotografia Fritz Schuster Editora Assistente Marion Wildmann Gerentes de Projeto Cassio Cortes, Paula Svetlic Apoio Editorial Ulrich Corazza, Werner Jessner, Ruth Morgan, Florian Obkircher, Arek Piatek, Andreas Rottenschlager, Stefan Wagner, Paul Wilson, Daniel Kudernatsch (iPad), Christoph Rietner (iPad) Editores de Arte Miles English (Diretor) Martina de Carvalho-Hutter, Silvia Druml, Kevin Goll, Carita Najewitz, Kasimir Reimann, Esther Straganz Editores de Fotografia Susie Forman (Diretora artística de fotografia) Ellen Haas, Eva Kerschbaum, Catherine Shaw, Rudi Übelhör Revisão Marina Corrêa, Manrico Patta Neto, Judith Mutici Impressão Clemens Ragotzky (Diretor), Karsten Lehmann, Josef Mühlbacher Gerente de Produção Michael Bergmeister

HERBERT VöLKER A temporada de Fórmula 1 de 1976 foi dramática: teve o acidente de Niki Lauda em Nürburgring em que seu carro pegou fogo, sua ressurreição em Monza e o final chuvoso em Fuji. Devido ao caos provocado pela chuva, Lauda abandonou sua Ferrari já na segunda volta, dando o título mundial a James Hunt. Herbert Völker, ex-redatorchefe da revista especializada Autorevue, foi testemunha viva do ocorrido, e, quando Hollywood transformou a história em filme, ele teve que fazer algumas perguntas ao diretor Ron Howard. Confira na página 68.

“O Matt Damon é um cara surpreendente e muito pé no chão” Rüdiger sturm

Produção Wolfgang Stecher (Diretor) Walter O. Sádaba, Christian Graf-Simpson (iPad) Financeiro Siegmar Hofstetter, Simone Mihalits Marketing & Gerência de países Stefan Ebner (Diretor), Stefan Hötschl, Elisabeth Salcher, Lukas Scharmbacher, Sara Varmingg Assinaturas e Distribuição Klaus Pleninger, Peter Schiffer Marketing de Criação Julia Schweikhardt, Peter Knethl Anúncios Marcio Sales, (11) 3894-0207, contato@hands.com.br. Gestão de anúncios Sabrina Schneider Coordenadoria Manuela Geßlbauer, Anna Jankovic, Anna Schober IT Michael Thaler Escritório Central Red Bull Media House GmbH, Oberst-Lepperdinger-Straße 11–15, A-5071 Wals bei Salzburg, FN 297115i, Landesgericht Salzburg, ATU63611700 Sede da Redação Heinrich-Collin-Straße 1, A-1140 Wien Fone +43 1 90221-28800 Fax +43 1 90221-28809 Contato redaktion@at.redbulletin.com Publicação The Red Bulletin é publicada simultaneamente na Áustria, Brasil, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Kuwait, México, Nova Zelândia, África do Sul, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Visite nosso site www.redbulletin.com.br

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A energiA de red Bull em trĂŞs novos sABores.

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Bullevard Sua dose mensal de esporte e cultura

Atacar! Existem mais de mil artes marciais diferentes, da mais antiga – a luta livre do Egito antigo – à mais praticada atualmente, o tae kwon do. Conheça quatro modalidades raras:

CRIADOR DE SOMBRAS Um homem faz pinturas em 3D com parafusos e madeira

BOKATOR, Camboja Uma dica para entender é o significado do nome: “leões se batendo”.

dambe, África Ocidental Boxe com chutes e imobilizações: era praticada por açougueiros.

Andrew Myers olha para as suas “telas” sem pinturas e fala a si mesmo: “Que se dane!”. Isso é porque o artista de 33 anos, nascido na Alemanha, criado na Espanha e morador de Laguna Beach, Califórnia, faz retratos com tinta, pincel e uma broca. Ele perfura milhares de buracos nas tábuas de madeira compensada, que podem medir de 61 cm a 1,2 metro quadrado e são geralmente cobertas com páginas da lista telefônica. Ele então coloca parafusos de diferentes tamanhos nos buracos e cria um rosto em 3D. Myers depois pinta as cabeças dos parafusos, como se fossem as sombras para “aumentar a realidade” criada. Os rostos são tão perfeitos que inclusive os cegos podem senti-los. www.andrewmyersart.com

Kalaripayattu, Índia Boa no combate armado e desarmado: uma compreensão corporal quase de um médico.

Clicks

A SUA FOTO AQUI Você já tirou uma foto com o sabor da Red Bull?

bartitsu, Inglaterra A mistura de jiu-jitsu e boxe que exige que seus praticantes usem suas bengalas.

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Todo mês a gente faz uma seleção com nossas favoritas. phototicker@redbulletin.com

Zadar

Polo aquático com correnteza: três contra três no Red Bull Sidrun. Marjan Radovic, Red Bull Sidrun the red bulletin


Craques da política Há quem diga que esporte e política não se misturam...

Vitali Klitschko O atual campeão mundial de boxe da WBC ingressou no Parlamento Ucraniano em 2012 como líder do partido Udar

Pela terceira vez: o novo Red Bull Kart Fighter

Fotos: dominique tardY, Sunday Alamba, picturedesk.com, Andrew Myers, getty images (4)

Karts na pista As críticas (e muitas horas de jogo) confirmam: o Red Bull Kart Fighter 3: Unbeaten Tracks não é apenas o melhor da série, mas também um dos melhores jogos de corridas para smartphone e tablet. A terceira versão tem novos karts e circuitos nos quais você pode jogar com seus amigos online. No jogo, como na vida real, você precisa saber de mecânica. Você tem objetivos de carreira, pode tunar o kart e tem uma porção de truques na manga para ser campeão. Dá para jogar até dar câimbra nos dedos. O Red Bull Kart Fighter 3: Unbeaten Tracks está disponível para Android e iPhone, iPad e iPod Touch. Baixe grátis: games. redbull.com

Ialta Os B-Boys Iron Monkey, Kosto e Menno dão seus passos na Ucrânia. Sergey Illin the red bulletin

Gianni Rivera Venceu a Liga dos Campeões com o Milan em 1963 e 1969 antes de se tornar membro do parlamento italiano e europeu

bill Bradley Venceu dois campeonatos da NBA com o Knicks e ganhou uma medalha olímpica antes de ser senador pelo partido democrata

Malcesine

GUARDE ESSE NOME A bola da vez em Hollywood, Sharni Vinson fala sobre lança-chamas e estar por trás da internet Piscina, escola, piscina. Essa era a rotina de adolescente de Sharni Vinson. Mas a australiana decidiu por não seguir a vida de esportista profissional e preferiu atuar. Hoje, aos 30 anos, ela combina suas paixões em papéis esportivos: fez a dançarina de Se Ela Dança, Eu Danço 3 e combateu invasores sedentos por sangue em You’re Next, uma rara comédia de terror tão assustadora quanto engraçada. the red bulletin: Como você se prepara para seus papéis? sharni vinson: Dessa vez foi com treinamento de artes marciais. Era parte do meu papel nocautear pessoas o tempo todo com um lança-chamas,

então eu tive que aprender a manuseá-lo como um bastão, coisas assim. Foi bem legal. Como você incorporou? Quando estávamos filmando You’re Next, vivíamos em um motel no meio do nada. Estava tão incorporada que até dormi com uma faca debaixo do travesseiro. “Espero que nenhum estranho bata na porta. Para sua própria segurança”, pensei. Existe um fotolog dedicado aos seus pés. Você acha isso bom ou ruim? É sério? Então eles precisam renovar suas fotos porque eu acabei de fazer uma tatuagem no pé, minha primeira. Esse site agora está desatualizado. Saiba mais sobre o lançamento de You’re Next: facebook.com/ YoureNextTheMovie

Apenas uma cena corriqueira com um machado

Participantes do Red Bull Cliff Diving saúdam o público italiano lá de cima. Dean Treml

Tóquio No parque municipal de Zounahana, ciclistas competem no Red Bull Pump Jam. Hiroyuki Orihara 9


Bullevard

Da passarela para balada

Batalha do Passinho

som do funk – e virou uma competição com vídeos caseiros que expandiram a cena funk carioca. O “passinho foda” não tem precedentes. Tanto camisas de times de futebol são bem-vindas, como correntes brilhantes e aparelhagem de som nos carros. Mas o que não pode mesmo faltar é a ousadia nos movimentos para vencer a batalha. Procure por “Batalha do Passinho Promo” no YouTube e assista ao trailer: www.youtube.com

Para cinéfilos São Paulo é o próximo destino da aclamada exposição “Stanley Kubrick”, que tem figurinos, maquetes, fotos, scripts, e todo tipo de material de um dos maiores diretores de cinema da história. A exposição acontece no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) e traz desde figurinos do filme Laranja Mecânica até detalhes do filme Lolita e a máquina de escrever que Jack Nicholson utilizou em O Iluminado. A partir do dia 9/10, no MIS, em São Paulo. www.mis-sp.org.br

Munique Matteo Manassero (esq.), da Itália, encara o golfe contra o base jumper Cedric Dumont. Phil Pham

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Tem moda, tem festa

Durante a invasão de modelos e gente da moda em São Paulo, no Fashion Week, boas festas surgem no calendário noturno da cidade

Em São Paulo, com o circo do SP Fashion Week armado no final de outubro, a cidade é invadida pelo mundo da moda. Fora das passarelas, grande parte desse glamour acontece nos bastidores, durante as festas. Mas de onde vem tanto agito? “A cidade está cheia, as pessoas já começam a esquentar durante os desfiles, então as festas acabam sendo um evento que fecha um dia de muito trabalho”, explica a modelo Mariana Nery. “Como tenho trabalho intenso nesses dias, a minha balada geralmente é descansando na cama. Por essas e outras, a que dá para aproveitar mais é a de encerramento.” Já a atriz Gisele Fraga prefere as festas mais reservadas: “Gosto dos jantares e coquetéis mais íntimos, são as ocasiões em que você consegue conversar com mais tranquilidade e prestigiar os estilistas”. Gosto tem para tudo e o que não faltam são noites repletas de modelos e gente interessante por toda a cidade. O SP Fashion Week acontece de 28/10 a 1/11. ffw.com.br/spfw

Atlanta No Red Bull Raising the Bar, Ronnie Renner voa sobre o obstáculo único de quase 8 metros de altura. Robert Snow

Dallas Erykah Badu foi a primeira artista a subir no palco para os shows no Texas. Gary Miller, Red Bull Sound Select the red bulletin

Texto: Fernando Gueiros. Fotos: passinho, corbis, getty images, rex features

Você não sabe o que é “passinho foda”? Então é seu dever assistir ao documentário Batalha do Passinho – O Filme, que mostra o movimento nascido nas ruas do Rio e que virou uma das grandes expressões artísticas da cidade. Jovens passaram a duelar via internet exibindo seus talentos no passinho – tipo de dança individual e grooveada ao


Bullevard

Onde Está sua Cabeça

Stephen King

Entramos na mente de um grande contador de histórias assombrosas. Stephen King está de volta, dessa vez com a sequência de um de seus livros mais famosos Por fora

Um livro de King é difícil de achar: Fúria (1979), publicado sob o pseudônimo de Richard Bachman, conta a história de um garoto que mata o professor, mantém a sua turma refém e comete suicídio durante o cerco. Após o livro ser associado com incidentes reais similares, King deixou que ele saísse do catálogo.

Cabeça aberta

Stephen Edwin King nasceu em Portland, nos EUA, em 21 de setembro de 1947. Quando criança, o porão do seu tio Clayt lhe mostrou que o “escudo da racionalidade” poderia ser “deixado de lado”. Com 12 ou 13 anos, uma caixa com os antigos livros de seu pai (que foi um escritor fracassado) também abriu sua mente.

Sempre iluminado

Com lançamento previsto para este mês, Doctor Sleep, seu 42º livro, é uma sequência da sua terceira obra, O Iluminado. O garoto Danny, hoje adulto, conhece uma garota com grande capacidade telepática de “iluminação”. Agora tente esquecer Jack Nicholson fazendo caretas através da porta que acabou de estilhaçar a machadadas. Impossível.

Muito medo

Cão Raivoso (1981) e Christine (1983) são livros sobre cachorros e carros do mal, respectivamente. Em 1999, Bryan Smith, distraído por seu cachorro de estimação, acabou indo parar na casa de King em uma caminhada. “Nossas vidas se juntaram de uma forma estranha”, disse King sobre Smith, que se matou um ano depois. “Sou grato por não ter morrido. Me sinto mal porque ele se foi.” texto: Paul Wilson. IlustraÇÃo: ryan inzana

Adaptações

Existem 79 adaptações para TV e cinema de suas obras, incluindo o melhor filme de todos os tempos, segundo o site IMDB: Um Sonho de Liberdade. É dele também o atual sucesso da TV americana, Under the Dome. Um terceiro filme de Carrie, a Estranha será lançado no próximo mês.

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Uma grande mulher

Em 1966, ele publicou sua primeira história, “The Glass Floor”, em uma revista local. Recebeu US$ 35 pelo trabalho. Em 1973, sua mulher pegou um rascunho e pediu para ele tentar reescrever; um ano depois, os direitos para Carrie, a Estranha foram vendidos por US$ 400 mil.

www.stephenking.com

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Bullevard

ANTES E DEPOIS

No gogó O rei dos microfones de todos os tempos deu à luz um dispositivo com um vínculo sutil com o passado (e sem fio)

APARÊNCIA

Futurista e reforçada graças ao revestimento de metal cromado. Com 1,4 kg, o S55s era o mais leve microfone de sua época: o predecessor pesava 3,3 kg.

VIBRAÇÃO

O S55s tinha um cabo de três saídas para regular a impedância, o som gerado pela vibração. Naquela época, com um cabo longo de microfone e, portanto, mais moléculas vibrando, você tinha que optar por um ajuste de baixa impedância. Diferente de hoje em dia.

1951 

Com a série 55, o designer Ben Bauer criou os primeiros microfones verdadeiramente unidirecionais. Desde que a voz estivesse no lugar certo, os ruídos em volta não eram captados.

Shure 55SH

Em 1939, o esforço de Ben Bauer, engenheiro da Shure, para fazer um microfone livre de feedback e de ruído de fundo resultou no Shure 55SH. Os microfones Shure rapidamente se tornaram o padrão para transmissões de rádio, música ao vivo e discursos públicos. Quando John F. Kennedy prometeu levar o homem à Lua e Martin Luther King disse que tinha um sonho, a Shure fez o mundo ouvir.

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MIRA CERTA

Elvis Presley usou tanto o modelo 55SH que ele é conhecido como o “microfone do Elvis”

the red bulletin


CABEÇA FIRME

Como o 55SH, o SM58 digital tem uma cabeça de metal cromado. Os vocalistas de hoje podem ser um pouco mais agressivos que os do passado: a grade pode ser mordida e o microfone segue em perfeitas condições.

TÁ VIVO!

A bateria completamente carregada dura cerca de 16 horas. Tem uma vida útil de 10 mil horas – cerca de 5 mil shows, com generosas voltas para o bis.

VÁRIOS CANAIS

Por: Florian Obkircher. fotos: kurt keinrath, Corbis, GEtty Images

O microfone transmite para um receptor que pode estar a até 60 m de distância. Se outro dispositivo interromper a frequência, ele muda automaticamente para outra.

2013

Shure SM58 DIGITAL

O SM58 chegou ao mercado em 1966. Usado primeiro em apresentações dos Rolling Stones e The Who, ele rapidamente se firmou em palcos de todo o mundo. O pepino de metal é o microfone mais vendido no mundo para música ao vivo: é fácil de usar e o som é limpo. Neste mês vai ter o lançamento da aguardada nova geração: uma versão digital sem fio, completa, com ajuste de frequência automática e tecnologia de bateria inteligente.

the red bulletin

Justin Timberlake usou um SM58 sem fio quando tocou na cerimônia deste ano do Grammy, na Alemanha

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Bullevard

EU E MEU CORPO

Manu Vatuvei

MENINO DE OURO 

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Dentes de ouro são tradição em Tonga. Coloquei os meus na primeira vez que visitei meus parentes no arquipélago em 2002. Minha tia me deu alguns dos seus anéis e eu os derreti, fazendo uma cobertura em dois dentes da frente como lembrança.

Apelidado de “The Beast” (A Fera), Vatuvei, 27 anos, é um neozelandês que faz do rugby sua vida. Ele tem um fraco por tortas e alguma dificuldade para dormir

CORPO PINTADO 

Ganho peso com facilidade e gosto de coisas que não ajudam muito: chop suey, taro, carne enlatada e tortas. Meu peso de jogo neste ano é 108 kg e é o menor que já tive. Mantive a força, mas ganhei velocidade.

NOITES AGITADAS  

2 SEQUELAS

Meu corpo está bem arrebentado depois de dez anos no rugby. Rompi os ligamentos do tornozelo direito e de ambos os joelhos. Quebrei a perna, as costelas e o braço, desloquei o ombro e estraçalhei o pulso.

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Acho difícil dormir depois dos jogos. Fico todo quebrado e dolorido, mas o pior é a adrenalina, que bate depois de algumas horas e às vezes me deixa acordado a noite toda jogando videogame. Costumo jogar Call of Duty: Black Ops II.

www.warriors.co.nz

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texto: Robert Tighe. foto: Nic Staveley

1 MASSA

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Desde que fiz minha primeira tatuagem no ombro, o escudo de Tonga, acrescentei duas carpas – porque sou do signo de Peixes –, um dragão, um leão, um anjo, meu sobrenome, os nomes dos meus filhos, dos meus pais e versos da Bíblia.


ilustraÇÃo: dietmar kainrath

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Fórmula Perfeita

PREPARAR, APONTAR, JÁ!

O segredo da largada explosiva nos 100m foi desvendado pelo nosso físico*.

Homem-foguete Curiosamente o grande velocista Usain Bolt não tem uma das melhores largadas. Mas o jamaicano ignora essa “fraqueza”, como ele explicou à agência Reuters: “Parei de pensar nesse assunto”. Seu recorde mundial prova o sucesso dessa atitude: ele tem a marca de 9,58 segundos nos 100m e 19,19 segundos nos 200m. www.usainbolt.com *Dr. Apolin Martin, de 48 anos, é físico e cientista esportivo,  trabalha como professor do ensino secundário e da Faculdade  de Física de Viena. É também autor de diversos livros.

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foto: getty images. IlustraÇÃo: Mandy Fischer

Homem-bala Nas provas de atletismo existe um alto-falante em cada bloco de largada. Por quê? A velocidade do som, sob uma temperatura de 20° C, é de cerca de 342 m/s. Se o starter estiver no meio da pista e o sinal de largada vier somente da arma, o velocista da raia de fora escutará o tiro cerca de 3/100 s depois – uma eternidade para as provas de 100m. Sendo assim, o sinal de largada é transmitido através de alto-falantes para que não haja nenhuma perda de tempo. A Figura 1 mostra o comportamento das forças horizontais na largada. Ela deixa claro por que a melhor perna deve ficar na frente no bloco de partida. Eis o raciocínio: força é massa x aceleração (F = m ∙ a). Aceleração é a mudança de velocidade no tempo (a = Δv/Δt). Assim, obtemos F = mΔv/Δt e FΔt = mΔv. A unidade força x no tempo é chamada de impulso. Os impulsos correspondem às áreas sob as curvas da Figura 1 e representam a “velocidade de largada”. Δv é o velocista ao sair dos blocos. O impulso da perna da frente é muito maior, porque está menos esticada na posição de largada (Figura 2) e se solta do bloco depois. Por esse motivo, a perna da frente deveria ser a mais forte. Do início da reação até o pé ser solto, são cerca de 0,3 s. Os melhores atletas do mundo largam em uma velocidade de cerca de 4 m/s – aproximadamente 1/3 da velocidade máxima alcançada depois. A aceleração na largada pode ser calculada com a = Δv/Δt = (4 m/s)/0,3 s ≈ 13,5 m/s². Caso um velocista conseguisse manter essa aceleração – o que, claro, ele não pode –, ele aceleraria de 0 a 100 km/h em cerca de 2 segundos (27,8 m/s)! Mas, então, como garantir uma largada justa? Nas grandes provas, o ponto de partida é equipado com dinamômetros. Estudos têm mostrado que as pessoas não conseguem reagir a estímulos acústicos em menos de 0,12 s. Por segurança, a Federação de Atletismo reduziu mais 2/100 s e define que o atleta queimou a largada quando as curvas de força aumentam dentro de 0,10 s depois do tiro. O velocista, então, “largou no tiro”, e os dispositivos eletrônicos conseguem provar isso.


Foguete: com atÊ 4 metros por segundo, o velocista Usain Bolt Ê catapultado na largada


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NÚMEROS DA SORTE

Ao redor do mundo Viajantes que fizeram de suas rotas grandes experiências de vida. O resultado são desafios e marcas que entraram para a história

O viajante Graham Hughes

O livro de Júlio Verne, A Volta ao Mundo em 80 Dias, surgiu em 1873. Um empresário ameri­cano excêntrico se re­ conheceu como o modelo de Phileas Fogg: George Francis Train viajou o mundo três anos antes e tam­bém teve uma jornada intensa, passando por cadeias e histórias nos países orientais.

1 426

De janeiro de 2009 a novembro de 2012, Graham Hughes visitou todos os 201 países na Terra em 1426 dias sem a ajuda de um avião. Mas, quando ele voltou para casa, o recorde só foi reco­ nhecido depois que ele viajou para Caliningrado, de ônibus. Durante a viagem original, ele não tinha visto para entrar na Rússia.

Júlio Verne

Estação espacial ISS

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Jean Béliveau

Capitão Loïck Peyron

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Em agosto de 1519, Fernão de Magalhães partiu para oeste de Sanlúcar de Barrameda (Espanha) com cinco embarca­ ções e 237 tripulantes. Depois de motins, escorbutos e batalhas com habitantes nativos, um único navio voltou para casa: o “Victoria” chegou cambaleante ao porto em setembro de 1522 com apenas 22 homens.

18



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Em 1995, o Concorde estabe­ leceu um recorde, ainda em vigor, pela mais rápida viagem pelo mundo: 31h27m49s, incluindo duas auroras e dois pores do sol. A 400 km de altitude, as coisas ficam ainda mais rápidas: desde 1998, a estação espacial ISS tem circulado a Terra a cada 91 minutos, cerca de 28 mil km/h.

“Meus amigos iam de ônibus para a escola do outro lado da baía, e eu ia de barco.” Foi assim que começou a carreira do velejador Loïck Peyron. Em 2012, o francês estabeleceu um novo recorde para a mais rápida viagem pelo mundo de barco: 45 dias, 13 horas, 42 minutos e 53 segundos. Ele rece­ beu o troféu Júlio Verne pelo feito.

75 000 Fernão de Magalhães e uma réplica do navio “Victoria”

O negócio faliu e, em seu 45° aniversário, em 18 de agosto de 2000, Jean Béliveau começou uma jornada que terminou levando 11 anos e atravessando 64 países. Ao caminhar por 75 mil km, ele calçou 54 pares de tênis e dormiu em qualquer lugar sem pagar – de hotéis a prisões. www.theodysseyexpedition.com the red bulletin

texto: ulrich corazza. fotos: corbis, graham hughes, getty images (3), picturedesk.com (2)

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Seus artistas favoritos compartilham playlists pessoais em rbmaradio.com

A melhor seleção musical da web.


Credit:

 Mais de 600 quilô metros de moto  pela Transilvânia,  na prova de enduro  mais difícil do  mundo. O Red Bull  Romaniacs faz a  seguinte pergunta:  “Você é frouxo  ou macho?”

por: Andreas Rottenschlager


Credit:

foto: dmytro vakulka/red bull content pool

O belga Pascal Berlin­gieri passa por um dos trechos de água na edição deste ano do rally de enduro Red Bull Romaniacs



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foto: dmytro vakulka/red bull content pool

Doideiras do off-road: Graham Jarvis passa por um trecho rochoso. O inglĂŞs ĂŠ mestre em caminhos como este



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Combate na floresta No rally de enduro Red Bull Romaniacs, durante quatro dias, 365 pilotos enfrentam a selva romena. A rota de cerca de 600 km contorna a cidade de Sibiu e leva às florestas do sul dos Cárpatos. Trocas de marcha agressivas, subidas montanhosas e ladeiras downhill: somando todas as subidas e descidas, os pilotos profissionais encaram 80 575 m de diferença de altitude, ou nove vezes o Monte Everest. As etapas passam por uma das maiores florestas da Europa. Quem navegar errado desperdiça combustível e fica para trás no meio do mato. Cyril Despres, tricampeão francês, define o Romaniacs: “Isso é mais difícil que o Rally Dakar”. Jonny Walker diz: “Durante os quatro dias você pilota no limite”. A pergunta mais importante da corrida é: quem vai ganhar de Graham Jarvis, o campeão inglês, que conduz sua Husaberg pela trilha como um leão da montanha? Se Jarvis ganhar, será o recordista do Romaniacs com quatro vitórias. Caras como Jonny Walker não gostam da ideia.

foto: dmytro vakulka/red bull content pool

 o primeiro dia, numa  estrada íngreme e  esburacada ao sul  da cidade de Sibiu,  nas montanhas dos  Cárpatos, na Romênia,  Jonny Walker sobe  em sua KTM e encara  a encosta atrás da  largada.  Em dois minutos começa o Red Bull Romaniacs 2013. São 6h da manhã e o termômetro marca 8 graus.

Jonny Walker, 22 anos, é a nova estrela entre os profissionais: tricampeão britânico e vencedor do Erzberg Rodeo. Na linha de chegada, garotas gritam seu nome. Mas ele sabe que nada disso o ajudará hoje. À frente estão 131 km de off-road, cruzando as montanhas romenas que abrigam a maior população de ursos da Europa. Walker abaixa sua viseira. Às 6h50 ele acelera, sobe com velocidade e desaparece na primeira curva. Ele ainda não sabe que este será o pior dia do rally.


O italiano Enrico Garavelli cruza a corredeira de olho no pr贸ximo barranco


Na foto maior: Erik Ekelmans acelara sua moto montanha acima. Abaixo: Jonny Walker

A 5 km da chegada da primeira série, aparece uma subida apelidada pelo diretor da prova de “Bad Shape”, ou melhor, “Má Formação”. No começo, colocaram um aviso: “Você está quase lá!”. A mensagem é irônica. “Bad Shape” tem uma inclinação de até 90 graus. O solo estáúmido por causa da chuva dos últimos dias. Às 14h, o trecho vira uma zona de combate – as motos deslizam, pilotos caem, motos precisam ser rebocadas nas ladeiras lamacentas. Graham Jarvis, atualmente o melhor piloto de trial do mundo, grita por socorro na floresta. Jonny Walker perde gasolina. Então o neozelandês Chris Birch forma com o britânico Paul Bolton uma equipe de emergência. Juntos dirigem suas motos na montanha. “Bad Shape” foi o grande obstáculo para os competidores: dos 41 pilotos, somente oito conseguiram percorrer a floresta dentro do tempo estabelecido de nove horas. Na linha de chegada, com termômetros a 38 graus, os relatos de desespero de Chris Birch, com os braços vermelhos 26



e o rosto pálido: “Não dava para atravessar o morro. Se não fosse a ajuda do Paul, eu ainda estaria preso”. Paul Bolton, mais parecendo uma vítima de briga de bar, falou: “Me disseram que caí. Mas não me lembro”. Perto da linha de chegada, Jonny Walker está sentado na grama e derrama água pelos ombros. Walker tem a cara de um estudante do ensino médio e as palmas das mãos de um estivador. As mãos estão cheia de calos, resultado dos milhares de quilômetros na KTM. Um quarto do percurso já foi. À noite, o resultado do dia está escrito numa lousa: “1º Lugar: Graham Jarvis – 25 minutos de vantagem”.

Pilotos respiram poeira Quem aguenta um rally de enduro? Por que encarar a forma mais extrema de corrida de moto off-road? No acampamento em Sibiu, os pilotos indianos apertam os parafusos de suas motos, e a Nova Zelândia enviou uma delegação de pilotos para a corrida liderada por Chris Birch.

 “Bad Shape” foi o grande obstáculo dos competidores: dos 41 pilotos, somente oito conse-  guiram percorrer a floresta no tempo estabelecido.


fotos: mihai stetcu/red bull content pool, predrag vuckovic/red bull content pool

O mais pirado de todos é o mexicano Jesus Zavala. Ele tem 34 anos, cabelo bagunçado e é cego do olho esquerdo. Ele foi operado três vezes depois que percebeu, em 2005, que sua visão só piorava e os médicos não conseguiam lhe explicar o porquê. Hoje, seu olho esquerdo está preenchido com silicone. Jesus chegou a pensar se deveria parar de andar de moto. “Seu cérebro se acostuma com tudo.” E por que uma prova dura como essa? “As motos, as meninas bonitas, meus amigos no acampamento”, afirma Jesus. “Treino o ano todo para esses quatro dias.” A segunda série de 163 km sai de Sibiu e leva à cidade do carvão, Petrila. Pela primeira vez, os pilotos aceleram por longos trechos de velocidade e pressionam Jarvis. A largada é dada cedo, num pasto coberto de orvalho e com muito barulho das rodas traseiras deslizando na lama. As motos barulhentas desaparecem no horizonte. Na parte da tarde, no km 160, a vila dos mineiros de Petrila escancara o tamanho da encrenca: a travessia do rio parece ser impossível – muitos perdem suas motos. Alguns espectadores ajudam a colocálas de volta no percurso, alguns pilotos tomam a direção errada, outros parecem totalmente perdidos... Quanto passa a pesar uma moto quando você precisa

levantá-la 100 vezes? A usina da mina de carvão de Petrila brota do chão como um gigante. É uma construção sombria, coberta com pó de carvão, com os vidros das janelas quebrados e uma estrutura de aço enferrujada. A última parte do percurso passa pelas entranhas da fábrica. As motos aceleram nos poços de produção. O lugar cheira a carvão e suor. Os pilotos estão surpresos: “Eu estou no esqueleto de uma indústria?” A linha de chegada surge sob o telhado plano da mina a 12 andares acima do solo. Parados sobre o piche, dois pilotos avaliam: “O ar lá dentro estava ruim” – “Isso é Romaniacs, velho”. O nome do profissional mais rápido do dia é Jonny Walker. O líder geral: Graham Jarvis.

O cara que não fala merda por aí Se você perguntar sobre Graham Jarvis no acampamento, a resposta será sempre a mesma: o rei do enduro é calado, tímido e bem esperto. Sentado em frente a Jarvis, essa impressão aumenta. O atual campeão de Erzberg e tricampeão do Romaniacs é um inglês pálido, de estatura média, que toma água no café da manhã e que escuta Elton John para relaxar. Ele evita qualquer contato visual. Perguntar sobre

RED BULL ROMANIACS Quando o criador do rally, Martin Freinadernetz, viu a paisagem e a topografia de Sibiu enquanto andava de moto, sabia que aquele lugar era perfeito para uma corrida de motos digna de tortura. A primeira corrida aconteceu em 2004, com Cyrill Despres, um campeão do Dakar, que levou o título do Romaniacs. Depois disso, aventureiros de todo o mundo descobriram o rally e estão de olho em uma vaga na disputa.

ucr â nia

mo l d á v ia

h ungria R om ê nia

SIBIU

bucareste

s é r v ia bu l g á ria

AS ETAPAS

O TERRENO

A ESTRELA

Os pilotos precisam se embrenhar na lama e na floresta durante quatro dias e correr 660 km

Montanhas, corredeiras, florestas, trechos de velocidade, parques industriais, : tudo de mais cruel que Sibiu pode oferecer

O inglês Graham Jarvis já levou o caneco quatro vezes e é um mestre nas seções de trial

the red bulletin

seus hobbies o faz ter dores. Seus adversários o chamam de assassino silencioso: “Isso é porque eu não falo merda por aí”, analisa Jarvis. Na trilha, ninguém domina mais a moto do que ele. “Você tem que encontrar a linha com a maior tração. Todos estão procurando essa linha. Confio no meu instinto.” O que o campeão faz depois? “Tento dormir, mas a adrenalina bomba demais.” Sobre os melhores momentos do Romaniacs, Jarvis fica em silêncio por um tempo. “As baladinhas depois da corrida não são ruins.” O terceiro dia leva de volta a Sibiu. Nuvens cinzentas pairam sobre as florestas de pinheiros. A chuva cai. Cada etapa do Romaniacs é dividida por um posto de serviço: uma espécie de vila provisória de caminhões e barracas que abastecem os homens e suas máquinas. O posto fica perto de um córrego na vila de Voineasa. Assistentes com capas de chuva cercam os pilotos sujos. A equipe usa a parada para apertar os parafusos e substituir os filtros de ar. Jonny Walker, encharcado, come duas barrinhas Mars de chocolate e um Twix para manter seu índice de açúcar. O regulamento dá 20 minutos de intervalo. Os pilotos desaparecem novamente na floresta e a massa de caminhões se dissolve. O ato heroico do terceiro dia fica com o piloto da Husqvarna, Andreas Lettenbichler: o alemão liberta o piloto espanhol Alfredo Gomez, a revelação do circuito, que estava preso embaixo da sua moto na floresta à espera de ajuda. Gomez termina a etapa com a calça encharcada de gasolina.

Só cascas-grossas A situação antes do quarto dia: esperar o Graham Jarvis errar – e dizem que isso acontece bastante por aqui. Está no regulamento: cada piloto tem que levar um kit de sobrevivência, e seu item mais importante é o minirrastreador, também conhecido como “botão de pânico”, que serve para alertar a equipe de resgate em caso de emergência. Os organizadores da prova garantem que nunca um piloto ficou perdido na floresta. No entanto, o kit contém 1 litro de água potável, uma manta térmica de alumínio e um sinalizador de fumaça vermelha. É melhor prevenir do que remediar. O último obstáculo, depois de 600 km de enduro, se chama “frouxo ou macho” e desafia os pilotos bem no ponto mais fraco dos homens: as bolas. A 400 m antes da chegada, os pilotos têm duas rotas para escolher: “frouxo” – uma passagem bizarra que faz perder uns 10 minutos de corrida, ou “macho” – 27


O veterano Chris Birch, da Nova Zelândia, depois de capotar com sua KTM: “Nós estávamos juntos nas subidas”

foto: predrag vuckovic/red bull content pool

 O botão de pânico na  moto alerta a equipe de  resgate. Em caso de  emergência, tem dois  sinalizadores de fumaça  vermelha.   uma travessia de água de 20 m de comprimento e 1 m de profundidade que só pode ser cruzada por aquaplanagem e com muito controle por parte do piloto. Ou seja, eles precisam surfar (e bem) com suas motos. A organização recomenda iniciar a travessia com uma velocidade de pelo menos 90 km por hora; depois, jogar o peso para a parte traseira, segurar firme, acelerar e se equilibrar com estilo para ter sucesso no desafio. À 1h da tarde, 4 mil espectadores aguardam numa arena completamente natural em forma de U que circula a chegada. Ćevapčići (bolinhos de carne típicos do país) estão na grelha para saciar a fome de todo mundo. Tem também muita, mas muita cerveja gelada para comemorar. Para alegria do público do enduro, a “frouxo ou macho” está um pouco longe, então é possível ver direitinho quem escolheu qual caminho e quem se deu bem ou mal: vão afrouxar ou cair para dentro? Optar pela segurança ou por uma passagem infernal? Graham Jarvis escolheu “frouxo” sem hesitar. Ele conquista sua quarta vitória e comemora levantando os braços. O piloto acaba de fazer história no evento. Andreas Lettenbichler acelera sua Husqvarna sobre a superfície da água, quase cai mas balança como se estivesse dançando para os espectadores. Jonny Walker atravessa sobre a água a toda velocidade. Chris Birch passa em uma reta só como se o seu motor fosse um propulsor aquático. A tensão acabou. Agora chegou a hora de beber e curtir a merecida festa de confraternização. Jonny Walker tira a camisa e cai na bagunça. Ele vai correndo nadar com as meninas que estão servindo champanhe. Paul Bolton não perde a chance e mergulha de cabeça para se juntar a eles. Graham Jarvis não tem escolha, forçado por quatro pilotos a cair na piscina. Agora o cara que não fala merda abre um grande sorriso. Palavrões, dores e arranhões ficaram para trás e são lembranças nesse buraco lamacento cravado na tenebrosa Transilvânia. No ano que vem tem mais. www.redbullromaniacs.com

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Elektro Guzzi

Máquina feita de homens

Fazer música eletrônica de primeira qualidade tocada só com baixo, guitarra e bateria – nada de sintetizadores e tudo ao vivo, sempre. Uma proposta tão inovadora quanto o fato de o novo álbum ter sido lançado em fita cassete

Ver a Elektro Guzzi tocar ao vivo pela primeira vez é ficar em dúvida sobre o que está acontecendo. O que está ali na frente é a configuração clássica de uma banda de rock: baixo, guitarra e batera. O que se ouve, no entanto, é um tecno hipnótico. É assim que funciona esse trio vienense, tocando música eletrônica sem aparelhos eletrônicos. O guitarrista Bernhard Hammer coloca trastes metálicos nas cordas para criar sons inusitados, o bacharel da Red Bull Music Academy, Jakob Schneidewind, usa efeitos no baixo, e o baterista Bernhard Breuer mete bronca no bumbo e na caixa. A banda falou ao Red Bulletin depois do show no Festival Sónar, em Barcelona.

jakob schneidewind: Além disso, a gente trabalha com efeitos de guitarra como filter e delay. A gente coleciona esses achados musicais faz tempo. Cada um de nós tem uma prateleira recheada desses efeitos no estúdio. Vocês usam pedais, mas não computador. Como não se perdem nos ritmos? bh: No palco nós não usamos sequenciadores. A gente não usa equipamento nenhum para marcar o tempo ou a sequência do arranjo porque não queremos ser

the red bulletin: Como surgiu a ideia de tocar tecno com instrumentos de rock? bernhard breuer: Quando começamos a Elektro Guzzi, há dez anos, éramos fãs de tecno, mas não conseguíamos trabalhar com computadores. E tampouco éramos DJs. Então, Eletrônico ao vivo no palco: Elektro Guzzi a gente toca nosso gênero favorito controlados por máquinas. de música usando os instrumentos que js: A gente faz questão de que todos sabemos tocar: guitarra, baixo e bateria. os sons que a plateia escute nos nossos Mas por que alguém que gosta de tecno shows sejam tocados por nós ao vivo não compra um sintetizador? no palco, sem nenhum playback ou bb: A gente veio da cena musical experioutra fonte de som. mental. Lá o desafio é tirar sons interesE vocês mantêm esse conceito também santes de seus instrumentos. quando gravam no estúdio? Como você consegue esses sons na js: É claro. No estúdio também, tudo é guitarra? tocado de verdade para a gravação. Não bernhard hammer: Coloco pequenos colocamos nem faixas nem instrumentos trastes de metal nas cordas. Isso muda adicionais. a estrutura do tom delas e cria sons Mas isso não é um problema, não? parecidos com um sino. Ou eu coloco Já que no fim das contas o ouvinte um prato de metal entre elas, o que não pode ver e não tem ideia de quais interfere com o campo magnético das instrumentos são usados. caixas, aí o som fica bem estranho. 30



bb: Esse é o desafio. Como que se cria a mais ampla gama possível de sons a partir de apenas três instrumentos? Você precisa passar muito tempo pesquisando sons. O negócio é saber quais partes têm a ver com as outras e misturar. js: No fundo, a gente é uma bateria mecânica e dois sintetizadores. Só isso. bb: Ou um sintetizador com 3 módulos. O eletrônico existe há quase 30 anos. Não é estranho que ninguém tenha tido a ideia de tocar assim, de forma orgânica, antes? bb: O que bandas alemãs de rock experimental como Can and Neu! estavam fazendo lá por 1970 era muito próximo da ideia do nosso eletrônico à mão. A batida monótona do baterista Jaki Liebezeit é lendária. Um dos seus colegas músicos disse uma vez: “Jaki toca como uma máquina. Só que melhor”. O novo disco foi lançado em cassete e não em CD. Essa seria a extensão lógica do ceticismo de vocês com computadores? bb: O verdadeiro motivo é bem banal. O álbum aparece em um selo chamado The Tapeworm (O verme de fita), que lança apenas cassetes. Isso era um desafio, porque você constrói um produto diferente, menorzinho, e vira um suspense de quando elas vão ser ouvidas. Seguindo no assunto, vocês têm mesmo aparelhos de fita cassete? Todos os três: Sim. bh: Eu tenho um que toca cassetes, mas infeliz­mente numa velocidade menor. bb: Isso para a música eletrônica não chega a ser um problema, porque sempre é rápida demais (risos). Circling Above sai em agosto: www.elektroguzzi.net the red bulletin

foto adicional: kipC.at

Por: Florian Obkircher  Foto: Dan Wilton


No backstage do Sónar (da esq. para a dir.): Bernhard Breuer, Bernhard Hammer e Jakob Schneidewind – ao fundo, Mario Stadler

Integrantes Bernhard Hammer (guitarra), Jakob Schneidewind (baixo), Bernhard Breuer (bateria), Mario Stadler (engenheiro de som) De onde vieram Viena, Áustria Influências Artistas do eletrônico como Jeff Mills e Basic Channel Discos Elektro Guzzi (2010) Parquet (2011) Live P.A. (2011) Sucesso Em 2012, eles foram eleitos a banda revelação no EBBA Award (o prêmio de música da Comissão Europeia) junto com Anna Calvi e Swedish House Mafia


injeção de adr e n al in a As m e lh o res i m ag ens d o mu nd o De surf na n eve a uma volta com os pássaros: as in cr íve is ima gens de ação e avent ura ve nce d o ra s d o Red Bull Illume 20 13

Dez fotografias tiradas por nove fotógrafos de sete nacionalidades

redbullillume.com


Lore nz H older Alemanha

v enc ed or categ o ri a : Pl ayg r o und

“Encontrei este lugar no verão, e minha ideia de fotografar em uma nevasca pesada não ia ser fácil. Tinha só uma chance de conseguir a foto. Usei dois grandes estroboscópios para iluminar os flocos de neve e uma exposição de 4s para captar a claridade da lua.”

Atleta Xaver Hoffmann  Local Raisting, Alemanha  Câmera Canon EOS 5D Mark II  Lente Zeiss Distagon T* 3.5/18 ZE  ISO 1000  F-stop 3,5  Vel. do obturador 4,0  Flash Elinchrom


RS u íçomin a A mato a

V enc ed or categ or ia : e ner gi a

“Estava cobrindo o Red Bull Cliff Diving em um barco. Gosto de fotos que intrigam quem vê. Nesse caso: de onde ele vem? Ele vai sobreviver? Aquele cara pensa mesmo que pode voar?”


Atleta Todor Spasov  Local Vila Franca do Campo, Açores, Portugal  Câmera Canon EOS-1D X  Lente EF70–300 mm f/4–5.6L IS USM  ISO 400  F-stop 6,3  Vel. do obturador 1/1600  Flash Keines


“O Tomas tenta fazer manobras novas e ‘impossíveis’ em sua mountain bike. Eu quis criar um clima de backstage para a foto. Penduramos a bike no teto: uma corda para Tomas e duas menores para a bicicleta.”

Ven c edor categoria : inovação

Da n i e l Voj t ěch R e p ú b l i ca C h eca

Atleta Tomáš Slavík  Local Praga, República Checa  Câmera Nikon D800E  Lente 24–70 mm f/2.8  ISO 100  F-stop 7,1  Vel. do obturador 1/100  Flash Fomei

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Atletas J. Marshall, T. Clark, Fr. Harrer, C. Ward, Th. Worrell, N. Rapoza, D. Brown  Local Tavarua, Fiji  Câmera Nikon D700  Lente Nikon 16 mm f/2.8 Fisheye  ISO 250  F-stop 5,6  Vel. do obturador 1/500  Flash nenhum

V e n c e do r cat ego r i a: l i f est yl e

Mo rgan Maass e n E UA


“Um grupo da próxima geração de surfistas americanos, que treinam dez horas por dia e saem do mar só para comer ou passar protetor. Fiz a foto numa manhã, eles falaram de surf e até de deveres que esqueceram em casa. Foram muito camaradas. Eles riem e falam sobre assuntos da vida com pura alegria.”


“Pensamos que seria uma longa sessão das melhores ondas em águas geladas. De repente, os ventos mudaram e em minutos começou a nevar. No meio da nevasca, a gente remou e voltou para a camionete para esperar a tempestade. A neve se amontoou ao redor e ficamos com a camionete presa. Keith e Dane foram para casa a pé.”


Vencedor categ o ria : c o r ag em

C h ri s B u r k a r d eua

Atletas Keith Malloy, Dane Gudauskas  Local Unstad, Lofoten, Noruega  Câmera Sony SLT-A77V Lente 70–200 mm F2.8 G  ISO 200  F-stop 4 Vel. do obturador 1/320  Flash nenhum


V e n c ed o r categ o ria : C lo s e U p

Jeroen Nieuwhuis h o l an da

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Atleta Erik Journée  Local Denekamp, Holanda  Câmera Canon EOS 5D Mark II  Lente 15 mm f/2.8 Fisheye  ISO 320  F-stop 16 Vel. do obturador 1/50  Flash nenhum


“Meu amigo Erik e eu pensamos que seria legal tentar alguma coisa diferente. Eu queria que esta foto fosse menos produzida, menos ‘de estúdio’. O sol estava perfeito, então a gente pegou nossos skates e eu peguei minha câmera. Depois de quase destruí-los no concreto, pensei: ‘Vou tentar só mais uma vez’. Esta foi a última imagem fotografada.”


“Este não foi um dia comprido pelos parâmetros do North Shore. Quando as ondas estão pequenas, os surfistas normalmente vão para o mar pouco antes do pôr do sol. Ao aumentar o grau das lentes, pude ver a areia e o céu, então é quase como se alguém estivesse caminhando pela praia e olhando aquilo – vendo Gabriel acertar este backflip fantástico.”

V en c e d o r categ o r i a: s eq u ê n c i a

Za k a ry N oy l e eua

Atleta Gabriel Medina  Local Oahu, Havaí  Câmera Canon EOS-1D Mark IV  Lente EF70–200 mm f/4L IS USM  ISO 320  F-stop 5,0  Vel. do obturador 1/800  Flash nenhum

“Depois de fotografar em um tripé, acabo fazendo fotos que são essencialmente as mesmas, com mudanças mínimas. No Photoshop, giro e trato para criar algo que não existe na vida real, com simetria perfeita, uma coisa que eu gosto muito. Nessa, eu espelhei partes de um prédio para dar a impressão de que é um prédio muito, muito grande.”

V en c e d o r categ o r i a: e xp e r i m e n tal

Lor e n z H o l de r al e m anh a

Atleta Jordan Mendenhall  Local Örnsköldsvik, Suécia  Câmera Canon EOS 40D  Lente Hartblei 50 mm f/2.8  ISO 160  F-stop 4,0  Vel. do obturador 1/1000  Flash nenhum


Vence d o r categ o ria : asas

Sa m o V i d i c Eslovê n i a

Atleta Jorge Ferzuli  Local Atenas, Grécia Câmera Canon EOS-1D Mark IV Lente EF 15 mm f/2.8 Fisheye  ISO 200  F-stop 3,2 Vel. do obturador 1/2000  Flash nenhum

“Fui inscrito na etapa grega do Red Bull Cliff Diving para fazer fotos na água. É muito difícil fotografar na água porque você tem ângulos limitados. O pássaro foi pura sorte.”


V e n c e do r cat ego r i a: luz

SC a nca dáott S e rfas “Queria muito tirar uma foto de um helicóptero, bem em cima do Travis Rice enquanto ele estava surfan­ do a neve, mas outro heli­ cóptero estava no ar ao mesmo tempo. O sol estava se pondo rápido, então, en­ quanto Travis descia a mon­ tanha e fazia sua segunda curva, fiz esta imagem – a última foto da viagem.”

Red Bull Illume Partners

Atleta Travis Rice  Local Tordrillo Mountains, Alasca, EUA  Câmera Canon EOS 1D Mark IV  Lente EF 100 mm f/2.0 USM  ISO 200  F-stop 10,0  Vel. do obturador 1/1000  Flash nenhum


A

Sinônimo de Vitória No horizonte da F1 apenas um brasileiro está no radar: Felipe Nasr, o brasiliense de 21 anos, que pretende acelerar numa das máquinas mais poderosas do mundo ainda este ano

Por: Rodrigo França Fotos: Jork Weismann



célebre e centenária frase de Porfirio Díaz “pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos” descreve bem a situação de um piloto da GP2: embora ela seja a última divisão de acesso da F1, neste último funil, é provável que apenas um ou dois pilotos consigam atravessar a fronteira e realizar o sonho de competir na principal categoria do automobilismo mundial. Se já há pressão suficiente sobre as cabeça destes jovens para superar a última barreira, o que dizer então do jovem piloto que é última esperança de uma nação que reinou por décadas na F1? Esse é o peso que Felipe Nasr carrega. Mas, pelo menos até aqui, esse “lastro” não faz a menor diferença em seu carro, até porque a sua responsabilidade vem de nascença: nasr, em árabe, quer dizer “vitória”, e se há 60 anos seu avô migrava do Líbano para a nova capital brasileira, Brasília, com a esperança de uma vida melhor, hoje é Felipe quem quer agradecer ao país que lhe acolheu e que já não sabe o que é nasr, ou melhor, vitória, em um mundial há 22 anos. Esse jejum não condiz com a trajetória vitoriosa do Brasil na F1, especialmente entre os anos de 1972 e 1991, quando Emerson Fittipaldi foi bi e Nelson Piquet e Ayrton Senna tricampeões. Depois disso, 12 nomes brasileiros já passaram pela F1: Pedro Paulo Diniz, Ricardo Rosset, Tarso Marques, Ricardo Zonta, Luciano Burti, Enrique Bernoldi, Felipe Massa, Cristiano da Matta, Antonio Pizzonia, Nelsinho Piquet, Bruno Senna e Lucas di Grassi – sem contar Christian Fittipaldi e Rubens Barrichello, que já estavam quando Senna se acidentou. Mas, e o futuro? Na categoria que serve de base para novos talentos da F1, 51


a GP2, apenas Nasr carrega a bandeira brasileira. Depois de ser campeão brasileiro de kart duas vezes, ele disputou seu primeiro campeonato na Europa com a F-BMW e foi pole logo em sua estreia – o que despertou atenção de grandes empresários da F1. Conquistou o título e depois foi campeão da F3 inglesa. A GP2 é sua casa desde 2012. Neste ano, Felipe está numa disputa acirrada com o monegasco Stefano Coletti pelo título e, segundo revelou ao Red Bulletin, pretende dirigir um F1 ainda este ano. Confira a seguir o que passa pela cabeça de nossa única esperança na F1.

a barra, mas aí pedi para andar de novo e, no ano seguinte, aos 9, disputei o meu primeiro campeonato (o Brasiliense de Kart) e fui campeão. Como a base adquirida do kart te ajudou na formação como piloto? Foi bom porque aprendi a me virar sozinho, viajava muitas vezes sem ninguém, com aqueles crachazões e tudo. Tive todo apoio da minha família, mas ela fez questão de que eu fosse independente e isso me ajudou. Todo final de semana, nas corridas em São Paulo, os locais treinavam a semana inteira e eu não. Chegava sexta-feira, fazia um treino de meia hora e já tinha que classificar e correr. Tinha que me adaptar rápido para entrar na briga pela vitória. Parecido com a GP2, não? Onde se treina muito pouco? Exato. Foi um exercício para eu aprender a me adaptar rápido. Foi uma estratégia deles e hoje estou colhendo os frutos. Na GP2 tem pouquíssimo treino. Me orgulho de minha trajetória no kart, especialmente com os dois títulos de campeão brasileiro e os dois da Copa do Brasil. Foi um período longo e importante, que fiz sem pular etapas até os 16 anos. Aprendi os conceitos principais, sobretudo de corrida. O kart te dá noção de posicionamento de pista, como ler a corrida, atacar, defender, largar... Os nomes que correram com você na base não chegaram na GP2. Por quê? Não tivemos pressa de vir para a Europa. Quando saí do kart, fiz treinos de F3 no Brasil com meu tio (Amir), para ver como era o carro, e isso me ajudou na preparação como piloto. Tive o convite para fazer a corrida da Fórmula BMW na preliminar da F1 em 2008 em Interlagos. Nessa corrida, pude treinar dois dias com o carro da categoria em Brasília. Aquele era um campeonato forte e eu nunca tinha andado em Interlagos. Consegui um quinto e um pódio, com terceiro lugar, mesmo sem conhecer a pista e o carro direito. Aí despertei o interesse do pessoal.

 “Vieram me perguntar  ‘Quem é você? De onde veio?’  depois que fiz pole na minha  primeira corrida na Europa”  red bulletin: Como você virou piloto? felipe nasr: Embora minha família seja envolvida com corridas (o pai e o tio têm uma equipe de corrida, com participações na Stock Car e F3 no Brasil), para ser sincero, eu não pensava muito nisso quando criança. Gostava mais de futebol. Joguei futsal por dois anos na equipe Universo, tradicional em Brasília. Com 8 anos, testei um kart a convite do meu pai, que me explicou o básico: aqui acelera, aqui freia etc. No momento que sentei e dei a primeira volta, foi uma experiência muito nova. A velocidade, a adrenalina... lembro desse momento até hoje. Foi muito natural, não me assustou. Pelo contrário: me pararam porque acharam que eu estava muito rápido! Meu pai nunca forçou 52



Mario Theissen (diretor da BMW na F1) me disse: “Ano que vem você tem que correr no europeu”. Como foi a adaptação na Europa? Fui morar na Itália, em Novara, uma cidadezinha pequena perto de Milão, onde fica a sede da equipe. Foi estranho, era um apartamento do tamanho de um quarto de hotel. Foi difícil, larguei tudo com apenas 16 anos de idade: escola, não falava italiano, nunca tinha morado em outra cidade a não ser Brasília. Deixei amigos, escola, minha casa, tudo para trás, e justamente por isso queria fazer bem-feito. Tive muitos momentos sozinho, dava saudade de casa. Meu tio ficou comigo algum tempo, mas eu acabava ficando com os mecânicos, engenheiros. Foi a fase mais difícil. A temporada também trouxe desafios: não conhecia nenhuma pista. A F-BMW era preliminar da F1. Já havia pressão naquela época? Não. Pelo contrário. Eu pensava que era a chance de mostrar serviço. Fui para a minha primeira corrida de fórmula na Europa, em Barcelona, e conquistei a pole. Foi uma surpresa para muita gente. Desci do carro e veio o Helmut Marko (conselheiro da Red Bull Racing), que me perguntou: “Quem é você, de onde veio?”


Felipe começou no kart aos 9 anos por influência de seu tio Amir (no detalhe, na página ao lado). Hoje está na GP2 pela equipe Carlin

“Ou você tem um Bom grupo de pessoas Por perto, ou está em algum programa de desenvolvimento de pilotos”

Foi um questionário completo. Ele queria que eu fosse piloto Red Bull. Logo depois, fui procurado por Steve Robertson (agente de Jenson Button e Kimi Räikkönen). Ele me disse que desde o Kimi não tinha visto alguém que o impressionasse e que só trabalhava com quem acreditava. Quando cheguei ao box, veio Theissen e já me falou: “Não fecha nenhum contrato nesse momento”. Ele sabia que estariam atrás de mim. Venci uma corrida e fiz um segundo lugar naquele final de semana. Fiquei muito emocionado. Uma memória incrível, o hino brasileiro tocando... Como você decidiu? Chamei meu tio, ele me ajudou a analisar todas as propostas e, com o campeonato andando, já estava liderando a F-BMW. De 16 corridas, fui 14 vezes ao pódio. Deu tudo certo, ganhei com mais de 100 pontos de diferença e acabei fechando com o Robertson. Eu não teria dinheiro para seguir na Europa sem ter fechado com ele, que é meu empresário até hoje. Quão importante é ter um bom empresário hoje para entrar na F1? Se não tiver alguém do meio, você dança. Agentes como o Robertson têm contatos, acesso a inúmeras equipes. Hoje em dia, 

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Felipe depois dos treinos para o grid do GP da Hungria: ele estรก na mira de equipes como Lotus, Force India, Sauber e Williams


ou você tem um bom grupo de pessoas trabalhando com você, como é o meu caso, ou está num programa de desenvolvimento de pilotos, como Ferrari, Red Bull, McLaren... Tenho certeza de que fiz a melhor opção para minha carreira até aqui. Nos quatro anos na Europa, ganhei dois campeonatos. Além disso, quando comecei, tive uma oportunidade que acontece uma vez em 1 milhão, que é ter um investidor que levou meu projeto a sério. Ganhei o campeonato de F3, fiz meu nome e atingi o objetivo de despertar o interesse de empresas brasileiras. Hoje tenho grandes patrocinadores, e isso foi fruto deste projeto de carreira. Até que ponto te pressiona já ter grandes patrocinadores na GP2? Sei que tenho que mostrar meu serviço e me cobro por isso, mas eu sei exatamente o quanto me cobrar. Não levo para o lado negativo, pelo contrário. Penso que tenho apoio de grandes empresas conhecidas no Brasil, tomo isso como algo positivo, não como pressão. Se eu fizer o trabalho do jeito que eu faço, tenho certeza de que tudo vai dar certo. E como é lidar com a expectativa de ser a última esperança de um país que já reinou 20 anos na F1, com três grandes campeões, e só tem você na categoria mais próxima para chegar lá nos próximos anos? Há algum tempo que criaram essa expectativa, mas meu momento de F1 é algo à parte. Quero ser campeão da GP2, sou o vice-líder e estou lutando pelo título. Minha mensagem para quem está esperando um novo brasileiro na F1 é: tenha calma. Fiz a minha carreira muito bem estruturada até aqui e não vai ser agora que vou dar um passo maior do que o necessário. Meu staff sabe disso, meus patrocinadores também. E a torcida, você acha que aprendeu com os anos de Rubens Barrichello e Felipe Massa de que não é fácil chegar na F1 e ser campeão? Sempre vai ter a comparação com Senna, Piquet, Emerson... Não tem como evitar. Mas quem entende de corrida sabe: não vai aparecer outro Senna, outro Piquet. Pode aparecer outro piloto muito bom, que vença corridas e tal, mas é uma outra época, outra história. Eu sou eu, estou fazendo minha história e espero chegar na F1 e fazer sucesso. O que mais admira nos três campeões brasileiros? O que me impressiona é como os três conseguiam reinar em uma época com um carro muito diferente de hoje. Não tinha nenhuma ajuda eletrônica, era muita potência, pouco downforce, não podia the red bulletin

errar marcha, o carro era pesado, as pistas não tinham área de escape adequadas... Para ser sincero, não acompanhei eles correndo, mas certamente o Senna é a minha maior inspiração, desde o kart. E quanto aos pilotos atuais, em quem você se inspira? Admiro o Schumacher, que dominou quando eu estava começando no automobilismo. Do grid atual, meus favoritos são Räikkönen, Alonso, Hamilton e Vettel. O que considera como seu ponto forte? O piloto tem que ser completo. Não adianta ser rápido em uma volta só. Tem que saber largar, usar os pneus na hora certa, saber defender, ultrapassar. Em todos os campeonatos, vejo a consistência como meu ponto forte. Conseguir salvar o máximo de pontos em um final de semana. Quando dá pra ganhar, vou para cima, mas quando não dá, busco o máximo de pontos. É assim que faço na GP2. Como foi seu ano de estreia na GP2. Teve dificuldades de adaptação? Foi bem complicado porque eu fiquei na indecisão entre World Series e GP2. Fiz treinos na World Series e fui bem, me adaptei bem ao carro, mas perdi o timing com as boas equipes. A opção melhor que tinha era a GP2 com a equipe francesa DAMS e perdi a pré-temporada. Fiz seis dias de treino (poderia ter feito 12) e fui para a primeira corrida. Meu companheiro era o Davide Valsecchi, que já tinha cinco temporadas. O time concentrava os esforços nele. Pelo menos, o aprendizado do ano passado me ajudou a lidar com os pneus mais usados e isso está sendo meu diferencial neste ano. A GP2 é o melhor caminho para a F1? Sim, é a melhor categoria para formação na F1: corremos no mesmo final de semana, na mesma pista, num carro que é mais próximo da F1 e que usa pneus de compostos do mesmo fornecedor (Pirelli).

E quando vai chegar a hora de testar um F1? Está ansioso? Há seis anos, se tivesse vencido a F3 inglesa, já teria alguma posição em equipe de F1. Era comum naquela época, mas isso mudou. Quando ganhei a F- BMW Europeia, havia como prêmio um teste de F1, mas eu perdi a chance porque a BMW saiu da categoria naquele ano. O Vettel e o Hamilton, por exemplo, pegaram essa fase final. Vou levar a sério esse primeiro teste, é claro, mas, como qualquer outro carro, é tudo uma questão de adaptação. Acho que estou próximo desse dia. Meu foco ainda é a luta pelo título da GP2, e a F1 é uma oportunidade que vai aparecer em breve. Como você não tem vínculo com nenhum time, acredita que tem mais chances? Sim, a gente tem mais possibilidades em aberto, especialmente com os times mais independentes, como Lotus, Force India, Sauber e Williams. No final do ano, vai ter um teste e pode ser uma boa chance. Fora das pistas, como é Felipe Nasr? Busco ser uma pessoa equilibrada: nem tanto baladeiro, mas nem tanto caseiro. E também fazer com que minha vida não se resuma só às corridas. Eu adoro estar com a família no Brasil, meus amigos, as pessoas que acreditaram no meu começo de carreira. Gosto de desligar e ir pescar com meus amigos. Já tem assédio de fãs? Sim, às vezes fico até impressionado, sobretudo nas redes sociais, com reconhecimento na Europa e no Brasil. Qual sua melhor corrida até aqui? Minha melhor corrida? Penso que seria Monza, 2011, na F3. Larguei em oitavo, cai para 11o, o painel do meu carro apagou e eu tinha que fazer tudo às escuras, trocar marcha só pelo barulho do motor... Consegui passar um a um os adversários e ganhei a corrida. Foi uma vitória inesquecível. Por falar em vitória, você carrega ela em seu nome. Você sempre soube disso? Na época do kart, não sabia. Depois é que meu pai e meu tio me falaram. Não podia ser melhor, né. Inclusive isso despertou interesse de muita gente do Líbano (o avô veio de lá, na época da construção de Brasília) e usamos a inscrição na lateral do carro.

“[A GP2] é a melhor categoria para formação na Fórmula 1: corremos no mesmo final de semana em um carro  que é mais próximo  da F1 e usa pneus  do mesmo fornecedor”

Conheça mais sobre o piloto em: www.felipenasr.com

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Uma vez por ano, 450 base-jumpers saltam de uma ponte que fica nas montanhas apalaches (EUA)

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os Veteranos usam uma catapulta, e os Estreantes ficam tensos. Bem-vindo ao Bridge Day Por: Andreas Rottenschlager, Fotos: Julie Glassberg

Festival de queda livre: “Você se sente como um apostador que tirou a sorte grande”


cott Haynes está em uma plataforma de 3 metros de altura no jardim do Hotel Holiday Lodge e respira fundo mais uma vez. Ele quer praticar seu salto. Mais uma vez. Haynes tem cabelo preto curtinho. Seu rosto se esconde atrás de um par de óculos escuros verdes. Não é muito alto, mas marca presença com um físico invejável. Ele está pendurado por uma armadura com duas cordas ligadas por grandes elásticos na parte de trás, que tem como objetivo amortecer sua queda. Ele estica os braços para os dois lados em um ângulo de 45 graus, olha direto para cima e conta: “Três, dois, um – até já!”, e salta da plataforma. As cordas elásticas se esticam e Haynes aterrissa suavemente em um colchão. Parece exercício de ginástica infantil, mas em uma emergência esse procedimento poderia salvar a vida de Haynes. Nova-iorquino de 23 anos, ele treina para

seu primeiro BASE-jump. Sua técnica ao saltar define se a queda será como pluma na brisa ou se terminará em desastre. BASE-jumping é considerada a forma mais perigosa de paraquedismo. A sigla em inglês B-A-S-E refere-se às plataformas de que se salta: prédios (buildings), antenas (antennas), arcos ou pontes (spans) e terra (earth, na forma de penhascos). A queda livre dura alguns segundos e não tem sentido carregar um paraquedas de reserva; não existe tempo hábil para abri- lo. “BASE-jumpers são pessoas felizes”, diz Haynes, retirando sua armadura depois do treino. Ele estuda inglês no Utica College, em Nova York, e quer se tornar professor depois de se formar. Ele é um dos 450 atletas que se classificaram para o Bridge Day Festival, quando, por seis horas, os BASE-jumpers saltarão da ponte New River Gorge, em West Virginia. Tudo dentro da lei e assistido por cerca de 80 mil pessoas. O Bridge Day é um tipo de Woodstock para o esporte: um megaevento no qual os veteranos, os principiantes e os mais fanfarrões se encontram. Desde 1977, quando a ponte foi inaugurada, a com– petição acontece no terceiro sábado de cada outubro. Os participantes da edição de 2012 tornaram o hotel Holiday Lodge, em Oak Hill, seu quartel-general. Durante dois dias, essa cidadezinha afastada, com 8 mil habitantes, se transforma na Meca do BASE-jumping. Para saltar no Bridge Day é preciso ter saltado pelo menos 100 vezes de paraquedas. O salto livre foi precursor do BASEjumping. Você salta de um avião e fica em queda livre por minutos. Aprende-se como se estabilizar no ar e como controlar

EMPACOTAR O PARAQUEDAS É UM RITUAL – TODA SANTA VEZ. O QUE VOCÊ PRECIS A FAZER É DOBRAR

Esquerda: esperando na plataforma de salto. Acima à esquerda: treinando nos cabos – a postura correta salva vidas. Acima à direita: dobrado, esticado, seguro – o especialista Henderson empacota o paraquedas

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os panos DENTRO DA MOCHILA PENSANDO QUE sua VIDA DEPENDE DISSO o paraquedas. Haynes tem 110 saltos de paraquedas no currículo, além de um curso que fez para iniciantes do BASE-jumping. “Você aprende como solucionar emergências”, diz ele sobre o treinamento. “Como quando uma de suas linhas se enrola no paraquedas e você entra em parafuso.”

H

aynes afirma que há dois tipos de pessoas. “Algumas gostam de ter os pés no chão. Outras começam a sonhar que estão voando desde criança.” Definitivamente, ele pertence ao segundo grupo, mas tem preocupações sobre seu primeiro BASE-jump. “Estou completamente em pânico”, afirma, prosseguindo na explicação de que ele salta para se the red bulletin

sentir vivo. Qualquer um que tenha tido essa sensação de felicidade não consegue mais escapar. “É como o apostador que tirou um dia a sorte grande.” Ele diz que alguns paraquedistas venderiam as próprias roupas para conseguir comprar um paraquedas novo: “Eles apresentam sintomas clássicos de vício”. Haynes viajou para Oak Hill, mesmo sem a garantia de um único quarto de hotel disponível. Por isso, ele vai passar a noite da véspera de seu primeiro BASE-jump em uma barraca no jardim do Holiday Lodge. No lobby, os saltadores ocuparam cada espaço, ajoelhados no carpete, em frente a seus paraquedas, arrumando, esparramando as linhas de forma organizada umas ao lado das outras. A maioria dos BASE-jumps realizados fora do Bridge

Day é proibida o que torna raro testemunhar o esporte acontecendo de maneira aberta e legalizada como ali. Se quiser se tornar um BASE-jumper, você precisa ser testado numa espécie de sistema de castas, primeiro servindo como assistente para algum BASE-jumper. Depois você tem que procurar um mentor, um BASE-jumper experiente que vai preparar os novatos para o primeiro salto, explicando todos os riscos e destruindo falsas expectativas. Dan Blakeley é um desses mentores. Ele empacota o paraquedas para um companheiro; recebe US$ 50 por “trabalho de empacotador” como esse. Dan é musculoso e tem um aperto de mão firme. Ele realizou mais de 6 mil saltos livres e 500 BASE-jumps, tendo iniciado cerca de 50 atletas nessa arte. 59


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ão ligo para a experiência que alguém tem”, diz Blakeley. “Alguns simplesmente não devem se tornar BASE-jumpers. Eu descubro quão rápido a pessoa toma decisões. Por exemplo: alguém derruba um drinque e o copo rola para fora da mesa. Será que a pessoa é do tipo que pega? Tem gente que é desastrada por natureza. Para estas eu tenho que dizer: ‘Desculpa, não dá...’ A pior coisa que poderia ter acontecido para este esporte foi o YouTube. A garotada vê um BASE-jump espetacular, mas o que eles não enxergam são anos de trabalho e treinamentos que existem antes disso.” Blakeley viu amigos morrerem e ele próprio quase se afogou alguns anos atrás quando aterrissou na água depois que o salto de uma ponte deu errado. Mas nem isso o fez pensar em parar. “BASE-jumping é a minha vida”, diz. “Adoro quando meu coração começa a disparar.” Blakeley parou de discutir os perigos desse esporte com outras pessoas, mas ele explica com satisfação a qualquer um que estiver interessado: “BASE-jumpers

não são malucos que cansaram de viver. Eu planejo morrer em casa quando estiver velho e de cabelos brancos”. Os atletas no Holiday Lodge estão aflitos. É uma estranha combinação de hiperatividade e tensão. Todos eles têm suas próprias maneiras de lidar com a pressão: ir dormir cedo, pedir o conselho de companheiros, beber uma Bud Light atrás da outra. O corredor do primeiro andar está em silêncio quando Ace Henderson empacota seu paraquedas. É um ritual, toda santa vez. O que você precisa fazer é dobrar um pedaço de pano do tamanho de uma barraca dentro da mochila tão perfeitamente que a sua vida possa depender disso. Henderson é um mestre nessa atividade. Há algo meditativo em olhá-lo fazer isso. Ele se deita por inteiro em cima do paraquedas para tirar todo o ar. Ele suaviza todas as rugas, protege o paraquedas já dobrado com estacas. Ele move seus dedos com a precisão de um cirurgião enquanto estica as linhas em paralelo pelo chão e então as coloca em 8. Você pensa que ele está cuidando de um velho amigo. O procedimento leva em torno

O

primeiro ponto alto do dia acontece às 10h. Donald Cripps sobe na plataforma. Aos 83 anos, ele é o mais velho de todos os presentes. Ele é um homem baixinho com uma cara simpática. Cripps já era um aposentado quando começou a saltar de paraquedas. Antes disso, serviu como técnico para a marinha dos EUA. Hoje, ele tenta seu segundo

Esquerda: a tensão aumenta na fila. Direita: três já foram... ainda faltam mais de 100

foto adicional: vertical visions

ela diz “aceito”. A NOIVA E O NOIVO SE CASARAM NO SALTO

de 40 minutos. Então, Henderson fecha sua mochila. “Queria fazer direito”, diz. Na manhã seguinte, o trajeto do hotel até a ponte New River Gorge leva menos de cinco minutos, o tempo exato para os carros ficarem presos na multidão de pessoas. Bridge Day é uma grande festa local. As ruas estão cobertas por bancas de cachorro-quente. Os pais carregam crianças nos ombros. As câmeras metralham flashes. As pessoas estão encantadas com os participantes e seu hobby doido. A ponte New River Gorge tem quase 1 quilômetro. Os espectadores vão para o meio dela onde a plataforma de salto se projeta da extremidade da pista. É uma queda de 267 metros até o leito do rio. Os saltadores olham por sobre um impressionante panorama de vermelho e marrom das folhas secas de árvores, vista que se prolonga em uma paisagem montanhosa até onde se pode enxergar. Barcos de resgate circulam no rio lá embaixo. Vistos de cima da ponte, parecem barquinhos de brinquedo. Os BASE-jumpers começam a saltar da ponte em intervalos de um minuto a partir das 9h. É um espetáculo surreal: corpos caindo, paraquedas abrindo e então a suave queda até o rio. Os paraquedistas ou se aproximam na ponta dos dedos da extremidade da ponte ou realizam saltos mortais. Alguns estão sérios. Alguns fazem caretas. Muitos deles gritam: “Até já!”.


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SSSSSSS! DEPOIS DO ESTRONDOSO SINAL, O BRAÇO DE AÇO SOBE E NESBITT É CATAPULTADo BASE-jump, sem demonstrar qualquer nervosismo. Ele é provavelmente o mais relaxado participante deste ano. Seus primeiros dois saltos de paraquedas foram no início dos anos 1950, durante a Guerra da Coreia. A maioria das pessoas presentes ainda não era nem nascida. Cripps acena para o público. “Tenham um bom dia!”, ele diz, e prontamente salta da ponte. Quando ninguém mais imagina que poderia ser mais surpreendido do que isso, disparam a catapulta humana. Os organizadores alocaram 24 lugares 62



para esta monstruosidade, um protótipo que foi pintado de vermelho e parece uma máquina da Idade Média. A contração tem força de ar comprimido. Às 10h45, Joe Nesbitt se senta reclinando para trás no assento ejetor. Ele responde às perguntas dos assistentes com frases incompletas. “Queria tentar algo diferente”, diz ele, quando questionado sobre o que o levou a isso. Sua versão do “Não, ele não contou para a família” é “Vou mandar uma foto para eles depois”. Sssssss! Depois do sinal, o braço de metal se ergue e Nesbitt é arremessado the red bulletin


Esquerda: da preparação ao lançamento, incluindo, acima à esquerda, uma catapulta. Direita: Scott Haynes depois do primeiro salto: “Algumas pessoas sonham em voar”. Abaixo, à esquerda: molhado mas macio, por um dia do ano o New River em West Virginia se transforma em uma pista de pouso de paraquedistas

COMO SE DESENHASSE UM ARCO NO AR da ponte como se desenhasse um arco no ar. Ele acaba se revelando um cara preparado e faz três giros com o corpo e então abre o paraquedas. Você ia querer ver a cara dos pais dele quando vissem as provas fotográficas de que isso aconteceu. Às 11h, o estranho destaque emocional do evento: uma cerimônia de casamento no abismo. Erika Terranova bebe da sua garrafa de água a cada 30 segundos. Ela veste um moletom branco e um laço de fita no cabelo. Erika está prestes a se casar com Patrick Steiner e então pular da ponte agarrada no seu marido. the red bulletin

O

vento sopra os pedacinhos dos votos de fidelidade da plataforma em direção ao público. “Eu vou sempre te apoiar... confiar em você... respeitá-la.” Às 11h15 em ponto, Erika e Patrick são declarados marido e mulher. Depois, esposa e esposo saltam para o New River com a multidão vibrando pela união, e a cerimônia acaba. Às 14h, com uma hora até o encerramento do evento, a fila para a plataforma é enorme. Os espectadores que querem assistir de baixo aos últimos paraquedis-

tas saltarem se acotovelam dentro de um dos ônibus escolares amarelos que fazem o transporte da ponte até a margem do rio. Os veículos descem rangendo pela estrada do vale em uma viagem que leva em torno de 20 minutos. Aqueles que saltam ao final da viagem são recompensados com uma extravagante e grotesca mistura de drama e êxtase: paraquedistas que aterrissam em alta velocidade são arrastados pelas pedras quebradas ainda presos ao equipamento. Em uma distância de apenas alguns metros, os barcos de resgate puxam BASE-jumpers triunfantes de dentro do rio. No limite do local de aterrissagem – molhado e com um sorrisão na cara – está Scott Haynes. Ele pulou duas vezes. E, como café da manhã, comeu uma barra de cereal. Não conseguiu comer nada além disso. “Acho que você ainda sabe o que significa BASE, né?”, ele pergunta. “Agora vou procurar por uma antena, um prédio e depois um penhasco.” www.officialbridgeday.com

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“é uma

ilus

pensar que alc seus objetivos você Feliz“ andre

Stefanie Graf Falam 64



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Entrevista: Stefan Wagner

ão ançar vai Fazer Agassi e

sobre sucesso the red bulletin

red bulletin: Sra. Graf, Sr. Agassi, vocês ganharam juntos 30 Grand Slam de tênis, ganharam dinheiro suficiente para várias gerações, são adorados mundialmente, são empresários reconhecidos, arrecadam milhões de dólares para crianças necessitadas, formam jovens tenistas, têm um casamento claramente feliz e seus filhos crescem felizes. Parece que qualquer coisa em que vocês ponham as mãos funciona. Queremos saber qual é a receita para tanto sucesso. Como vocês chegaram lá? Como veem o sucesso e o que fazem para alcançá-lo? Como foi depois do fim das carreiras de tenistas? Vocês tiveram que mudar o conceito do que é sucesso? Um campeonato começa na segunda-feira e o objetivo é a vitória no domingo, na final. Isso é relativamente simples... stefanie graf: …sim, e na segunda-feira sai o novo ranking mundial que diz onde você está. Quando ainda jogava tênis, uma vez um amigo me disse: “Que sorte você tem de poder dizer que é a melhor em alguma coisa”. Hoje eu entendo melhor do que naquela época o que ele quis dizer. Ter um lugar no ranking dá uma certa segurança. Um médico ou terapeuta nunca vai saber exatamente o quanto ele é bom em comparação aos outros. Nunca vai saber se poderia ser melhor. Você acha que a vida como esportista era mais fácil do que a que vem depois? sg: Não. Mas as questões eram outras. Como esportista, você se pergunta sempre se o sucesso que alcançou era realmente aquilo que queria. E esse tipo de pergunta se torna mais e mais importante à medida que um esportista envelhece. Andre Agassi: Eu tenho minha própria opinião sobre o sucesso. Ah, sim? aa: Eu acho que o sucesso é uma ilusão. Ah, Agassi, com quatro vitórias no Grand Slam, mais de US$ 31 milhões ganhos em prêmios, o número um do mundo, e você vem me dizer que o sucesso é uma ilusão? aa: Sucesso como um fim em si mesmo é uma ilusão, no esporte ou numa instituição de caridade. Veja esse exemplo: no ano passado, a Stefanie ajudou mil crianças através da sua instituição de caridade, Children for Tomorrow. Mas, mesmo que tivesse ajudado 2 mil, lá fora há 65


milhares de crianças que ela nunca poderá ajudar. Você chama isso de sucesso? Se você não fizer nada, vai acabar ficando louco, não? aa: Você não deixa de ficar louco por chamar de sucesso uma coisa que não é sucesso nenhum. Eu aprendi isso quando ainda jogava tênis: jogar a final não é o objetivo nem pode ser, porque isso significaria que na segunda-feira tudo tinha que começar outra vez. Mas, se seguirmos a sua lógica, Andre, o Roger Federer não se enquadraria necessariamente na categoria de tenista bem-sucedido. aa: Claro que ele é bem-sucedido. Mas não é porque ele tem todas aquelas vitórias no Grand Slam. Ele é bem-sucedido por ser o melhor de todos os tempos – o que ele é sem dúvida – e ainda assim tentar progredir cada vez mais. A verdadeira grandeza está na pessoa compreender que o sucesso não é algo que se vá alcançar no futuro, mas que está no aqui e agora. Uma vez que se tenha compreendido isso, existem duas consequências fundamentais: o importante não é o que eu faço, mas o como eu faço. Não posso aceitar não dar o melhor de mim. Não posso aceitar não tentar ser cada vez melhor. Tenho que tentar melhorar todos os dias independentemente do que o placar ou o ranking mundial diga ou de quantas contribuições consiga arrecadar. Mas você não pode separar o conceito de sucesso dos objetivos fixados e alcançados. aa: Posso sim. E é necessário separar as duas coisas. Faça uma experiência. Fixe para si um objetivo, dê duro e alcance-o. Isso vai te fazer feliz? Não. Pensar que colocar objetivos e alcançá-los vai fazer você feliz é uma ilusão. Quanto dinheiro vocês arrecadaram nos últimos 15, 20 anos para os seus projetos de caridade? Você para o Children for Tomorrow, Stefanie; e você, Andre, para a sua escola? sg: Eu me concentro em conseguir a quantidade necessária, ano após ano. No total foram milhões, muitos milhões. aa: No meu caso, foram durante todos esses anos exatamente US$ 175 milhões. E vocês sabem quantas crianças ajudaram? sg: No ano passado, foram mil crianças, o maior número dos últimos 15 anos. aa: Nos últimos anos, foram, por ano, 1300 crianças na nossa academia. Perdão, mas vocês têm que considerar isso um sucesso! aa: O sucesso não é o resultado. O que conta é o que você investe. A diferença entre fazer algo com toda dedicação ou 66



não fazer nada. Quando se trata de caridade, é assim: você primeiro cria um projeto e despois descobre o que é possível fazer de especial com ele. A fama ajuda? Você mesmo tem que arrecadar doações? Você tem que deixar seus filhos sozinhos para dar entrevistas? Então, você tem que se dedicar de todo coração. No tênis é a mesma coisa: descubra o que é da sua responsabilidade e concentre-se nisso. Malhe, treine os golpes. Não existem atalhos. Não tente se enganar. O sucesso não é o resultado. O sucesso é uma maneira de viver e você tem que se decidir por ela. Você quer dizer que o sucesso é algo subjetivo e não objetivo? sg: Com certeza. aa: Se tiver o sucesso como seu objetivo, você nunca o terá, porque ele se tornará uma forma de vício e você sempre vai querer mais e mais. Mas como vocês medem o sucesso? sg: A medida do sucesso é como você está se sentindo quando vai para a cama à noite. Tenistas profissionais sempre vão atrás de vocês em Las Vegas para aprender. O que você tem a dizer para eles, já que muitos são tenistas de nível mundial? Não deve ser como conseguir o saque perfeito... sg: Ah, às vezes se trata de técnica, sim. Claro que não são as técnicas básicas, mas a verdade é que sempre tem alguma dica que vale a pena. Andre, uma vez você disse que consegue em dez minutos ensinar para um jovem tenista aquilo que você aprendeu em dez anos. O que acontece nesses dez minutos? aa: Algumas coisas são muito importantes. E são simples. Por exemplo: em toda a sua vida você sempre joga por um único ponto: o ponto seguinte. Ou, que você tem que se concentrar só nas coisas que pode controlar: a sua atitude, a sua consciência profissional, a sua concentração. Se faz calor, você tem dores ou se ainda está cansado do jogo de ontem, essas, você tem que aceitar. Eu tento ensinar aos jovens tenistas que o tênis não é um esporte onde exista perfeição. Não existe tênis 100%. Só existe 100% daquilo que você pode render naquele dia. E o negócio todo é conseguir sempre render os seus 100%. Stefanie, como são os seus dez minutos com os tenistas? sg: Eu não tenho uma retórica tão afiada como o Andre. Dez minutos não são suficientes para mim. Além disso, eu acho que a minha tarefa é um pouco diferente: Não gosto de dar lições para a vida, prefiro escutar mais do que falar.

o sucesso então é algo subjetivo e não objetivo, andre?

Se tiver o sucesso como seu objetivo, você nunca o terá, porque ele se tornará uma forma de vício e você sempre vai querer mais e mais. the red bulletin


foto: LONGINES

Stefanie Graf e Andre Agassi: o casal número um do esporte mundial se encontrou em Hamburgo com a equipe do Red Bulletin para uma conversa

Andre, no seu livro você conta sobre as depressões que teve quando ganhou Wimbledon e se tornou o número um do ranking mundial. A dor da derrota é realmente mais forte que a alegria do triunfo? aa: …sim, tanto naquela época como hoje em dia. Como você lida com isso? aa: Eu aprendi a apreciar cada momento. Um dia bom com uma boa final é um bom momento, claro. Mas você também tem que aprender a valorizar cada um dos momentos que levaram você até lá. O momento da vitória não pode ser melhor que o momento da preparação. Aprender isso é quase uma questão de sobrevivência para um tenista. sg: O Andre tem razão. A euforia que você sente com a vitória passa muito rápido. O que as pessoas costumam ver como sucesso não dura nada. Você se assustaria se visse um de nós depois de uma vitória importante... Você notaria talvez um sentimento de alívio, mas nada de entusiasmo ou exaltação. Depois de uma grande vitória, você sente uma espécie de vazio, uma necessidade de rotina, tipo: “Vamos para casa, já terminamos isso aqui...” Parece triste. aa: É triste. E é por isso você tem que the red bulletin

aprender a ver as coisas de outra maneira. Os momentos na academia ou no treino têm que valer tanto como o dia da final em Wimbledon. Se não entender isso, você vai cometer erros graves. Você pode começar a pensar, por exemplo, que o dinheiro é importante. Mas o dinheiro só é uma ampliação das possibilidades de como você usa o seu tempo. O dinheiro não te faz feliz. Se você consegue se sentir feliz com as possibilidades que pode comprar com pouco dinheiro, então o dinheiro perde completamente a importância. O dinheiro é só o meio, não o objetivo. E é a mesma coisa com aquilo que você está chamando de sucesso: o sucesso não é o objetivo em si. O sucesso não é vencer. É meio chocante que a frase “o sucesso não é vencer” saia da boca de um esportista com a sua fama. Eu entendo o que você quer dizer, mas como um atleta chega a essa conclusão? sg: A vida é um ótimo mestre, seja você tenista ou não. Você tem que se perguntar seriamente: “A vida que eu levo é a vida que eu quero levar?” Você já pensava assim quando ainda jogava profissionalmente? aa: Com 27 anos, eu já tinha chegado a número um do mundo, tinha vencido Grand Slams, usado drogas, me separado,

tinha caído para o 141º lugar do ranking. Estava infeliz e tinha que me decidir se continuava jogando tênis ou não. Foi então que eu me dei conta de que, mesmo que tivesse sido meu pai e não eu quem tinha escolhido o tênis como esporte para mim, talvez o tênis pudesse me dar a chance de ter o controle sobre a minha vida. Eu ainda precisava de um sentido para a vida e o encontrei na escola que eu construí. E, assim, o tênis ganhou um novo significado. O esporte me possibilitou criar e manter algo que eu considerava realmente importante e, de repente, tudo pareceu muito simples: o tênis se tornou a ferramenta com a qual podia fazer aquilo que eu realmente queria. Andre, eu encontrei por acaso uma frase que você disse há pouco tempo: “O medo”, você disse, “é uma grande motivação”. Isso considerando a sua biografia, o que você sofreu na infância, o medo, a pressão: você quis dizer isso mesmo? aa: O medo de fracassar é um impulso importante. O medo de não conseguir fazer o melhor possível numa situação... Vocês criam seus filhos sem medo, é o que se houve dizer. Vocês tentam tornar a vida de muitas pessoas mais fácil através da caridade... aa: Mas o medo de fracassar está sempre lá. Ele é parte do ser humano. Você não pode ignorá-lo. Eu tenho medo de não tratar meus filhos corretamente e esse é um medo bom porque ele me mantém alerta. Então, na sua opinião, não existe vida sem medo? aa: Nós temos a capacidade de amar e de odiar, de sentir alegria e de sentir medo, e todas essas emoções são parte do que somos. Seria errado tentar desligar uma delas. O que é impossível de qualquer maneira. É possível criar um filho para ter, de acordo com a definição corrente, sucesso? sg: Não. aa: Mas você pode estragar tudo. sg: Isso é uma coisa da qual temos um medo muito real: de que façamos tudo errado com nossos filhos. aa: É fácil ensinar alguém a fazer tudo em função de um placar. Mas isso seria errado. As crianças devem aprender a buscar melhorar a cada dia, mas para si mesmas, não para outra pessoa e nunca para um placar. Se o resultado aparecer no placar, ótimo! Mas o que está lá não deve ser o sentido da vida. A vida é muito mais do que qualquer placar. www.childrenfortomorrow.de www.agassifoundation.org

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fórmula 1 e m hollywood Os cinemas finalmente receberão outra grande produção sobre Fórmula 1, o filme Rush, de Ron Howard, que conta a história do duelo pelo campeonato mundial de 1976 entre Niki Lauda e James Hunt – que teve um capítulo dramático, o acidente e incêndio com Lauda em Nürburgring, na Alemanha. É coisa boa, como se diz na indústria do cinema. Falamos com Ron Howard Por: Herbert Völker

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fotos: Atp Bildagentur München

Catástrofe: no dia 1º de agosto de 1976, Niki Lauda perdeu o controle da sua Ferrari em Nürburgring. O carro bateu e explodiu. Lauda quase morreu queimado


de filmes de corrida clássicos (Grand Prix, As 24 Horas de Le Mans) em vez de fazer um filme moderno tipo Velozes e Furiosos. Quis fazer algo em que as pessoas pudessem acreditar: um mundo coerente com personagens bacanas. Um mundo no qual você poderia se perder – e não ser distraído por um toque do diretor. Como é o mix entre ação real e computação gráfica? Recriar aquela época exigiu muita técnica, experiência e tecnologia. Quase todas as pessoas da equipe já têm um Oscar. Queríamos ser autênticos e foi um desafio como 

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fotos: picturedesk.com, atp bildagentur münchen

ouco antes de viajar para L.A., Lauda me estimulou: “O Ron é bacana. É como se fosse um personagem”. Niki parecia entusiasmado. Ron Howard, 59 anos, fez Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo, O Grinch e Frost/Nixon e já levou alguns prêmios de Hollywood, como Oscar, Globo de Ouro e Emmy. Isso como diretor, produtor e até ator – foram décadas como centro das atenções na maior fábrica de cinema do mundo. Ron sempre foi um queridinho da comunidade. Seu escritório, que não tem nada de bobagem hollywoodiana, fica no mais disputado e exclusivo endereço de Beverly Hills, com vista digna dos melhores quartos de hotel, porém sem seus preços absurdos. Nas paredes e prateleiras estão artigos esportivos e fotos de família – junto com os prêmios de cinema colocados como se fossem mais um vaso. Com Ron Howard não tem frescura. Ele é ágil, tem excelente postura e está em muito boa forma.

the red bulletin: O tema Fórmula 1 é considerado exótico para a grande indústria do cinema. O filme pode dar certo? ron howard: Não fizemos um filme seguindo a fórmula de Hollywood. Foi uma obra de amor. Esta é simplesmente uma daquelas histórias ótimas de rivalidade que às vezes acontecem nos esportes: um embate sob circunstâncias extraordinárias. Mas eu também pensei que faz um bom tempo desde que as corridas não são abordadas em filmes com a intensidade e a autenticidade que merecem. “Respeito” é uma palavra que definia o automobilismo de então. Nos anos 1970 era assim que se salvava vidas. Não tinha a parte eletrônica de hoje, eram só as peças de alumínio. As zonas de segurança não existiam nem na imaginação. Quem ia para a corrida tinha uma chance de 50% de se machucar gravemente. Hoje você pode voar do circuito dez vezes que geralmente tudo está sob controle. É por isso que os anos 1970 funcionam melhor para os filmes de corrida, bem separado do momento atual. Essa combinação entre Lauda e Hunt em 1976 não acontece todos os dias no mundo das corridas; na verdade, não acontece nem em dez anos. E eu acredito que com a tecnologia que existe hoje no cinema tivemos uma boa chance de recriar a época da forma mais realista possível. Você quer dizer uma tecnologia que faça uma mistura das cenas de corrida? Não, eu escolhi tentar replicar o estilo


As queimaduras sofridas por Lauda o levaram à UTI. Ele voltou a pilotar depois de seis semanas

tive em Apollo 13 (de 1995, dois Oscars e sete indicações). Dessa vez não tivemos o problema de flutuar na gravidade, mas ainda assim recriamos as corridas, todos os circuitos – e estávamos fazendo isso com um bom orçamento. Usamos carros de corrida verdadeiros. Os proprietários de carros históricos os disponibilizaram para as filmagens, o que foi bom demais. O maior desafio foi a filmagem das cenas em alta velocidade usando carros que custam uma fortuna e que você realmente não quer destruir. Nós também construímos algumas réplicas e usamos algumas the red bulletin

“ E s s a c o m b i n aç ão e n t r e L au d a e H u n t e m 1976 n ão ac o n t ec e to d o s o s d i a s n a s c o r r i d a s ,

na verdade, não acontece nem em dez anos” 71


imagens de carros gerados por computação gráfica para preencher o espaço e para filmar os acidentes. Usamos filmagens de arquivo e ainda criamos nossas próprias imagens – e às vezes misturamos tudo. Depois juntar todo esse quebra-cabeças para tentar replicar as corridas, às vezes em pistas históricas, se transformou num grande desafio. Como você escolheu seus pilotos? Nós contratamos profissionais de ação da Inglaterra e Alemanha, bem como pilotos do mundo da Fórmula 1. O mais famoso foi Jochen Mass, que nos ajudou muito. Ele é discreto e muito bacana. Jochen me contou que achou ótimo que disponibilizaram uma Marlboro-McLaren original de 1976 para filmar. Agora, sobre a trama do filme: a história se passa na temporada de 1976 com os dois personagens principais, James Hunt na McLaren e Niki Lauda na Ferrari. A história se tornou “interessante” depois que o carro de Lauda pegou fogo em Nürburgring, o que deu chances de Hunt se recuperar no campeonato, e depois levou ao desfecho histórico na corrida final, no Japão. É sem dúvida uma grande história. E dá para explorar mais: o playboy contra o realizador, a alta sociedade contra a pura determinação, mulheres bonitas em todas as partes, drama psicológico, a ressurreição do piloto que quase morreu e sofreu danos dentro e fora das pistas. Como foi a influência do Niki Lauda na trama? No filme, dá para notar que algumas cenas são um pouco diferentes do que de fato aconteceu. Peter Morgan é um dos mais bem-sucedidos roteiristas de cinema do mundo.

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James Hunt (foto) estava na cola para o título depois que Niki Lauda (direita, dias depois do acidente) ficou de fora

Ele nunca abriria mão de controle criativo. Foi explicado para Lauda como as coisas iriam se desenrolar e ele podia dizer sim ou não para o contrato. Ele deveria esperar que houvesse alguns detalhes de que não gostaria… Então vocês optaram por uma espécie de licença poética... Isso, e Lauda concordou com essa licença, quero dizer, ele quase nunca apareceu no set e não reclamou ao saber, por exemplo, de uma cena no script que divergia um pouco de suas memórias. Às vezes, ele mesmo achou as “novas” cenas muito boas, elas eram necessárias para expressar o espírito da época dentro de alguns

minutos, algo com o qual o público poderia se identificar. Então, Peter Morgan escreveu uma cena na que coloca um garoto supostamente tímido bem no meio da loucura da Ferrari, a adoração dos fãs, o erotismo e a emoção da velocidade… Em uma inocente estrada do interior na Itália... Aquilo atingiu o ponto exato da mágica ferrarista, uma mulher junto no carro, uma caroneira que depois se descobre ser uma fã, então o incêndio que acaba com o carro, e assim por diante. Na verdade, Niki provavelmente conquistou a namorada de forma um pouco mais sutil.

Por trás das câmeras: o director Ron Howard diz que não quis nenhuma fórmula hollywoodiana para fazer o filme, e sim muito amor

Você conheceu Lauda antes de decidir fazer Rush? Não, eu já tinha decidido fazer o filme – mesmo que não gostasse de Niki. Mas gostei dele imediatamente, ainda que durante as primeiras negociações o tenha

A verdade nem era tão ruim. Lauda contou como conheceu sua namorada Marlene: ele estava em Salzburgo em uma festa do astro de cinema Curd Jürgens em que ele não conhecia ninguém e ficou sentado por lá. Marlene, que não sabia absolutamente nada sobre automobilismo, pensou que o jovem era algum tipo de atleta e disse algo como: “Hmm, você é o famoso tenista”. Isso provocou a vaidade de Niki e, bem, daí foi... A história que contamos em Rush é ainda melhor que isso, maravilhosamente construída por Peter Morgan.

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fotos: Michael Horowitz/Anzenberger Agency, Rainer Schlegelmilch/Getty Images, constantin film

Os atores escolhidos: Chris Hemsworth é Hunt (esquerda) e Daniel Brühl é Lauda

achado meio difícil de lidar. Mas é assim, no papel você não consegue sacar o senso de humor e o intelecto de uma pessoa e nem a forma como ela resolve os problemas. Quando conversamos, lembrei dos astronautas que conheci quando estava fazendo Apollo 13. São pessoas que têm a confiança de se colocar em uma situação perigosa e acreditam que podem sobreviver. Niki é assim. Ele tem uma autoconfiança digna dos mestres de caratê. O Niki vai ficar contente. Acho que ninguém o chamou de mestre do caratê antes. O encontro com ele deve ter sido the red bulletin

um reencontro com Viena, não? Crepúsculo Vermelho foi meu primeiro trabalho no cinema. Eu tinha 4 anos. Cresci no showbiz, graças a meu pai. Deborah Kerr também estava no filme, mas o que eu realmente me lembro é de Yul Brynner. Ele fazia um comandante russo cruzando a fronteira durante a Revolução Húngara de 1956. Ele era muito bom com crianças. Em uma cena, ele toma uma dose de vodca e morde o copo. Ele disse para mim: “Você não pode fazer isso na vida real – você não pode morder o copo. Vai se machucar. Prove,

isso não é vidro, é açúcar”. Então ele me deixou lamber o copo e eu senti que realmente tinha gosto doce. Para mim, o set inteiro foi como um playground. Sentava no alto dos tanques e os soldados de verdade brincavam comigo. Quando conheci Niki, em Viena, uns bons 50 anos depois, tive que revisitar os destaques das minhas recordações, a roda-gigante – e um castelo como o da Bela Adormecida. Qual é a sua avaliação para o trabalho dos dois atores principais, Daniel Brühl e Chris Hemsworth? Estou impressionado, de verdade. Daniel já é um ator conhecido, mas, quando filmamos na Alemanha, notei que as pessoas estavam curiosas sobre como seria sua performance vivendo Niki. Elas não ligaram imediatamente Daniel a Niki. Para as cenas, mudamos um pouco os dentes do Daniel e outros detalhes – mas o fundamental foi que ele conheceu Niki e obteve muitas informações sobre aqueles dias. Daniel deu duro para aprender a falar como Niki, para pegar o sotaque. Depois das filmagens na Alemanha, todo mundo pensou que ele estava repetindo tudo – mas é claro que ele não estava. Apenas mostra o esforço e o talento do Daniel. E para Chris, conhecido primeiro por filmes de ação e fantasia, essa foi uma ótima oportunidade. As pessoas em Hollywood viram um seu trabalho no filme e ofereceram a ele coisas novas – papéis dramáticos importantes e também em histórias de aventura. O final feliz da história de amor do filme é meio melado. Não bastaria a verdade – que debaixo de chuva no último GP Niki pendurou a chuteira, de forma bastante compreensível, três meses após o trauma de Nürburgring? Niki não é o tipo do cara que joga um campeonato fora pelo amor de uma mulher… e nesse ponto ele realmente se espantou sobre o script. Lembra um pouco Casablanca – com o avião esperando e tudo mais. Bem, ele realmente estava a caminho do aeroporto de Tóquio e me contou que simplesmente não queria morrer nessa corrida sob tantas condições adversas. E existem várias boas razões para isso. O amor de uma mulher é uma, pelo menos no inconsciente. Niki não admite tais sentimentos, mas podemos expressá-los muito bem no filme. Ele tinha que tomar uma decisão e acreditamos que Marlene teve algo a ver com isso. O público também gostaria de ver dessa forma, mas isso não tem necessariamente que ter alguma coisa a ver com Hollywood. Rush estreia dia 13 de setembro: rushmovie.com

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cartada Por: R端diger Sturm

Foto: John Russo/Columbia TriStar

fala de mulheres, instinto assassino e como apostar na


Matt Damon é um dos mais bem-sucedidos atores de sua geração, mas alguns anos atrás ele temeu que sua carreira tivesse acabado: “Tinha feito já dois filmes-bomba e estava indo fazer o terceiro. Era um adeus e não tinha nada que eu pudesse fazer. Então fui para Londres, fiz uma peça e fiquei feliz.”

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heroico que enfrenta a classe dominante futurista em Elysium, que mistura ficção científica e drama político. Aos 42 anos, o ator parecia bastante animado na entrevista que deu ao Red Bulletin e não deu mostra da ressaca braba da noite anterior.

att Damon superou diversos desafios na carreira. Ele se transformou fisicamente – perdendo 22 kg para Coragem sob Fogo (1996) e ganhando 13 kg para O Desinformante! (2009). Ele é uma vítima constante dos notórios trotes praticados por George Clooney nos sets de filmagem. Teve que se esforçar para superar fases ruins depois do auge no início da carreira: ele venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original por Gênio Indomável. Tudo isso foi um bom treino para o papel de um sobrevivente

O TALENTOSO

Procura-se Amy O Homem que Fazia Chover Gênio Indomável

MR. DAMON Os filmes de Matt: uns grandes, outros menores e um em que ele interpreta um cavalo falante

Três Mulheres, Três Amores

Laços de Honra

Gerônimo – Uma Lenda Americana

Coragem sob Fogo

1988

1992

1993

1996

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1997

the red bulletin: Você sente culpa? matt damon: Por que eu sentiria culpa? Porque você pertence aos poucos escolhidos para viver uma vida sofisticada enquanto milhões vivem na linha da pobreza. Assim como os vilões do seu futuro filme, Elysium. Não sinto culpa. Me sinto sortudo por ter nascido onde nasci. Nós filmamos em um depósito de lixo na Cidade do México, onde 2,5 mil pessoas nasceram, se criaram e vivem, e eles vão morrer e nunca vão sair dali. Isso é uma casualidade de nascença. Então o problema é: como tirar tantas pessoas quanto possível dessa miséria? Eu tenho muito otimismo que podemos chegar a isso. Porque essa geração de jovens de hoje está muito mais consciente e engajada do que eu era nessa idade. Você seria capaz de matar por um lugar ao sol, como acontece no filme? A motivação do meu personagem vai além disso. Não é que ele queira viver neste mundo utópico, ele procura a cura do câncer. Mas, para responder sua pergunta, não. Mas você poderia matar alguém por sua vida, ou por um familiar se a vida dele dependesse disso? Eu definitivamente tenho o instinto humano da preservação e da proteção dos entes queridos. E, se eu pudesse olhar dentro do coração de alguém e ver

COMEÇO BRILHANTE Gênio Indomável é a história de um jovem obrigado a usar a inteligência para melhorar de posição na vida. Também Matt Damon foi forçado a usar a inteligência para superar uma posição na vida: escreveu o roteiro do filme junto com o amigo Ben Affleck para que os dois pudessem trabalhar em um bom filme, já que ninguém mais dava chance. A produção de US$10 milhões rendeu US$ 225 milhões em todo o mundo e ainda levou o Oscar de Melhor Roteiro Original.

Espírito Selvagem Titan Lendas da Vida O Resgate do Soldado Ryan Cartas na Mesa

Dogma O Talentoso Ripley

1998

1999

2000 the red bulletin


Fotos: Rex Features (11), Getty Images (2) Kobal Collection (9), Dreamworks, Paramount, Night Life Inc, Universal

que suas intenções são totalmente do mal, eu talvez possa ser capaz de matar essa pessoa. Mas eu não sei se existe a maldade absoluta, ou pelo menos eu nunca a encontrei. Um dos meus amigos mais próximos, entretanto, serviu nas forças especiais e seu trabalho no final da carreira era rastrear crimino– sos de guerra na Croácia e na Bósnia e levá-los para a Corte Internacional em Haia. Ele leu os dossiês dessas pessoas e disse que algumas delas poderiam ser classificadas como absolutamente más. Você tem a sorte de viver em uma bolha de luxo. Passa por sua cabeça o medo de perder o contato com a realidade? Sim. E não sei o que fazer. Eu moro em Nova York, que hoje já é uma espécie de Elysium. É muito elitizado porque é muito caro viver na cidade. Mas pelo menos você pode caminhar pelas ruas e se sentir parte de uma comunidade. Quando morei em Miami, o estilo de vida era bem mais suburbano. Você atravessa seu portão com o carro, vai aonde tem que ir, volta com o carro e fecha o portão. Você está por dentro do que acontece além deste mundo em que vive? Claro. Desde criança. Minha mãe me levou junto em viagens por lugares diferentes. Fomos de ônibus para a Guatemala nos anos 1980 e eu ainda fiz cursos no México. Esse é o tipo de experiência que abre a cabeça de um garoto americano. Então, espero que possa fazer isso com minhas filhas quando forem mais velhas. Quero que vejam o mundo. Você tem quatro filhas. É legal ser o único homem da casa? Tenho sorte por isso. É o sonho de qualquer homem. O déficit de testosterona em casa me torna muito especial: você aprende muito de olhar o mundo a partir do ponto de vista delas. Hoje tenho certeza

A Identidade Bourne Gerry Spirit – O Corcel Indomável

Onze Homens e Um Segredo

2001

Ligado em Você

2002

the red bulletin

2003

de que homens e mulheres são espécies diferentes, muito mais que antes. Você acha que elas entendem os homens? Ah, acho que elas nos entendem totalmente. Mas acho que a gente é que não entende elas. E suas filhas? Elas têm noção de que o pai delas é uma grande estrela de cinema? Não sei quando isso vai acontecer, mas então será natural. A Alexia, minha enteada de 14 anos, ouviu coisas na escola e começou a fazer perguntas. Mas àquela altura a coisa já tinha sido toda desmitificada. Elas conheceram sets de filmagem, viram o processo e conheceram todos os tipos de pessoas que trabalham nesse negócio. Elas perguntam coisas como: “Tio George é uma estrela de cinema?” E eu respondo: “Sim, George Clooney é uma estrela, acredite ou não”. O negócio do cinema pode ser instável. Você se preocupa em perder algum dia seu status de estrela? Eu certamente vou perder. O mundo do cinema é cíclico. A todo momento uns caras sobem, outros descem. O segredo é não tentar reter nenhum nível de popularidade, tentar fazer algo com o que você tem e realizar um bom trabalho. O quanto você recebe em cachê – isso sempre sobe e desce. É como jogar pôquer: não pode ter medo, precisa apostar porque tem que apostar – não porque você precisa daquele dinheiro. Se você faz um filme, pode ser o fim de sua carreira, ou não – tem que fazer. Então não deu medo quando você esteve em baixa, antes do sucesso da trilogia Bourne? Não, sempre soube que podia escrever. Eu não poderia estar mais tranquilo do que estava quando fizemos Gênio Indomável. Ninguém sabia quem eu era naquela época. Mas estava bem consciente de que

Team America – Detonando o Mundo A Supremacia Bourne 12 Homens TRILOGIA BOURNE e Outro No cinema de ação, a trilogia Segredo na qual Damon interpreta o agente Jason Bourne em busca da verdade foi um grande sucesso que eletrizou plateias no mundo inteiro. Identidade e Supremacia levaram os produtores de James Bond a relançar a franquia com Daniel Craig em 007 – Cassino Royale (2006), enquanto O Ultimato é a melhor história de um homem em missão solitária desde Bruce Willis em Duro de Matar, há 25 anos.

2004

Os Irmãos Grimm Syriana – A Indústria do Petróleo

2005

NASCIDO PARA O PAPEL Damon atuou em apenas uma produção que venceu o Oscar de Melhor Filme: Os Infiltrados, no qual Martin Scorsese também venceu o Oscar de Melhor Diretor. Ele é de Boston e seu personagem era perfeito, um mano local que entra para a polícia. O filme foi um remake de Conflitos Internos (2002), que venceu como melhor filme no equivalente ao Oscar em Hong Kong, seu país de origem.

O Bom Pastor Os Infiltrados

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Fotos: John Russo/Columbia TriStar (1), rex Features (5), Universal (2), Warner bros (4), PAramount PIctures, Kobal Collection, Focus Features, TCFFC/Camelot Pictures

QUERIDINHO DOS DIRETORES Eles amam Damon. O ator apareceu em dois filmes de Clint Eastwood e Francis Ford Coppola, três de Kevin Smith e Paul Greengrass e quatro de Gus Van Sant. Mas sua maior parceria foi com Steven Soderbergh: sete filmes, incluindo a trilogia de Onze Homens e Um Segredo e O Desinformante!

Treze Homens e um Outro Segredo O Desinformante! O Ultimato Bourne Invictus

Os Agentes do Destino Contágio Margaret Happy Feet 2: o Pinguim (voz) Compramos um Zoológico

Zona Verde Além da Vida Bravura Indômita

Behind the Candelabra Elysium

Terra Prometida

2007

2009

2010

2011

2012

MATT E O FUTURO Depois de interpretar o amante de Liberace – com 17 anos! – e um salvador do espaço em 2013, Damon tem mais dois filmes por vir: em The Monuments Men, em que George Clooney estrela e dirige, ele vive um caçador de arte nazista. O outro é “um pequeno papel”, segundo ele, em The Zero Theorem, de Terry Gilliam.

2013

“A indústria do cinema dá voltas. Uns caras sobem, outros descem”

um diretor e um roteiro do qual eu possa aprender alguma coisa. Espírito Selvagem, por exemplo, é uma das melhores coisas que fiz. Em sua versão original, tinha três horas e 12 minutos de duração. O estúdio o pegou do diretor Billy Bob Thornton e cortou para duas horas. Os críticos acabaram com ele e foi muito mal de bilheteria, mas tenho um enorme orgulho daquele filme. Teve um grande impacto em mim como ator e, espero, algum dia tenha quando for diretor. Sabendo o que eu sei hoje, voltaria atrás no tempo e faria aquele filme de novo e de novo. Você gosta muito de pôquer (Damon estrelou o filme de pôquer Cartas na Mesa (1998)). Qual foi sua derrota mais dolorida no jogo? A última vez que joguei foi há alguns meses. Fiquei bem desconfiado jogando contra um cara muito bom. A gente recebeu nossas cartas, eu tinha um full house maior do que o dele e, na última carta, ele acabou com uma quadra do mesmo naipe. Foi o chamado bad beat (quando o apostador toma uma as coisas não estavam indo da forma ideal. Quando virada na última carta). Essa foi a minha mais recensurgiu A Identidade Bourne, houve uma repercussão te e dolorida derrota. Mas o principal é: você pode negativa em Hollywood. Todo mundo estava dizensaber que vai perder, mas não faça isso jogando na do: “Isso vai ser um desastre”, porque tinha atrasado mão errada. Tem que perder fazendo a coisa certa. várias vezes. E ali seria o fim para mim. Já havia Só assim dá para deixar a mesa com dignidade. feito duas bombas e estava prestes a ter a terceira. Foi relatado que em um ponto da sua carreira Era um adeus e não tinha nada que eu pudesse fazer. você estava tão desesperado por sucesso que Então fui para Londres, fiz uma peça e fiquei feliz. estava disposto a abrir mão da dignidade e Você se arrepende de algumas de suas escolhas fazer um filme pornô. na carreira? Isso é uma piada. Quem inventou foi o diretor Não. O arrependimento é a pior coisa do mundo. de Identidade Bourne, Doug Liman. Ele disse: De todas as decisões que tomei na vida, profissional “A gente tem que acrescentar uma transa no final e pessoalmente, mesmo que elas não tenham funcio- e fazer o mais caro filme pornô de todos os tempos: nado, tirei alguma lição. Tomei as decisões com bas- A Identidade Porn”. tante consciência. Com um filme é assim: só escolho Visite a página de Elysium: www.itsbetterupthere.com

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Braço forte? Os havaianos Jeff Silva (esq.) e Nicholas Schenk, da Mellow Johnny’s, remam forte durante a Olamau Race



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A corrida das canoas mais rápidas do mundo na maior competição da modalidade acontece ao redor de Big Island, no Havaí. Habilidade, resistência e conhecimento dos segredos do mar nem sempre ajudam a vencer, mas podem garantir a vida p o r : R o b e r t A n a s i , f o t o s : C h r i s Ba l d w i n

anoas amarelas e brancas disparam na água com uma tripulação de seis homens remando freneticamente. A canoa Shell Va’a parece fluir naturalmente com as ondas, disparando na frente com uma graça que esconde o suor no rosto e as veias saltadas dos homens que estão remando com suas camisetas. O primeiro dia de uma das mais duras corridas do planeta parece ir de acordo com o programado: a melhor equipe tomou a dianteira. A Shell Va’a é um time taitiano e, no Taiti, a canoagem é como futebol no Brasil. Todo mundo rema – senhoras, crianças, velhos aposentados – com patrocínios fortes, como a Shell. Cada homem no barco da Shell é a versão taitiana de um Tom Brady ou LeBron James. Mas tem gente querendo estragar a festa da vitória taitiana: a equipe novata Mellow Johnny’s, liderada por Raimana Van Bastolaer, um mestre das ondas mais nervosas do mundo, em Teahupoo. Van Bastolaer é grande, parece um armário, e tem a pele bronzeada típica de quem vive no mar. “No Taiti você sabe como nadar, pescar, surfar e remar. O mar está em todas as partes e nós vivemos nele. As crianças são matriculadas em escolas de remo e passam os dias apostando corridas com amigos. Para elas é só brincadeira, mas, se tiverem talento, os pais sabem que terão um trabalho, previdência social, tudo”, afirma Van Bastolaer. O que acontece entre a Shell e a Johnny’s vai muito além da brincadeira. Eles precisam brigar um contra o outro para não ficar para trás. A disputa demolidora que mistura força e resistência dura entre três e cinco horas. A Shell e a Mellow Johnny’s estão dando golpes devastadores. As tripulações de seis membros remam em movimentos únicos e sincronizados, emitindo o som dos remos entrando e saindo da água em uníssono. Uma organização típica de canoa posiciona os homens mais rápidos na frente para estabelecer o ritmo, os mais fortes no

As canoas dos taitianos da Va’a (na foto maior) são as embarcações mais modernas da Olamau




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meio e os timoneiros no final para navegar, alertar e observar o mar. Trabalho em equipe e ritmo são tudo no remo – os Johnny’s são como o All Star Team levando o Miami Heat até o limite. Em duas horas de corrida as embarcações estão espalhadas por 60 quilômetros entre Laupahoehoe e Keokea, os primeiros 60 dos 160 que serão percorridos nos próximos três dias. As equipes de apoio seguem em barcos de escolta gritando palavras de incentivo e jogando garrafas de água gelada. Os primeiros dois dias do Olamau são tipo “iron man”, o que significa que as mesmas equipes de seis remam o dia inteiro. Essa etapa da corrida faz o duro esporte ser ainda mais sofrido: uma das mulheres da equipe 404 Wahine teve que desistir da competição, mergulhando na água e deixando a canoa terminar com cinco remadoras. “Espero que ela melhore rápido, porque vai remar de novo na sexta”, disse a capitã do time. O fator “iron man” e as premiações envolvidas não são as únicas coisas que separam Olamau das outras corridas de canoa. Em seu segundo ano, a Olamau é um evento com poucas restrições, ou seja, as equipes podem trazer quase qualquer canoa que quiserem – peso, formato, tamanho: é a America’s Cup da canoagem. E, mesmo sendo só sua segunda edição anual, a Olamau cresceu tão rápido que todas as grandes equipes colocaram a corrida no calendário. “O remo precisa crescer”, diz o organizador, Mike Nakachi. “No ano passado, tínhamos só 11 equipes. Neste ano, recebemos 24 e no ano que vem esperamos dobrar. O evento vai seguir melhorando.” A arma-nem-tão-secreta de Johnny é a mais nova embarcação a emergir do laboratório do designer de canoas Odie Sumi. O resultado pode ser as mais rápidas para seis ocupantes já construídas. Desde os cascos lisos até as proas afiadas, elas atravessam 84



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A equipe Alaka‘i Nalu entra na corrida depois de dar uma chacoalhada na largada

as águas com potência. Até a pintura verde e lustrosa ferve e brilha. A embarcação parece uma espécie de vespa ou uma nave de Guerra nas Estrelas voando nas ondas. “Eles falam de tradição, mas, se você vai remar alguma coisa de fibra de vidro e espuma, por que não fazê-lo com diversão?”, diz Odie Sumi. Há séculos os havaianos construíram suas canoas com um tronco inteiriço de koa (um tipo de madeira local) selecionado cuidadosamente de florestas que surgiram nas encostas vulcânicas das ilhas. Depois de meses de entalhes com uma machadinha de pedra, as canoas tomam forma. Em nossa era de materiais compostos e engenharia digital, as tradições ficam sufocadas. Por anos, as canoas modernas arrebentariam nas corridas oficiais e tirariam de circulação barcos tradicionais sem ganhar nada além do direito de se gabar. A Olamau também serve como campo de teste para as mais modernas tecnologias, the red bulletin

e Sumi, de apenas 31 anos, é um dos principais designers. Das 24 canoas da “America’s Cup da canoagem”, 11 são suas, o que o torna o Henry Ford das competições de barcos. Sua ascensão foi rápida: nascido no Havaí e formado na Universidade Politécnica da Califórnia, ele trabalhou em San Luis Obispo depois de se formar, mas logo acabou retornando para casa. De volta à Big Island, Sumi viu o que o pessoal estava pagando por remos de SUP e pensou: “Eu posso fazer isso”. Logo, mais encomendas do que poderia atender apareceram em sua garagem. E então seu sócio mostrou um novo design de canoa. “Eu estava fazendo remos, então sabia como colar pedaços de madeira e colocar fibra de vidro neles”, disse Sumi, cujo curso rápido se prolongou por cinco semanas. “O conceito era basicamente o mesmo: pegar madeiras ocas, colá-las umas nas outras, lixá-las e transformá-las em alguma coisa.” 85


Credit:

Dois dias da Olamau são chamados de “iron man”, quando seis homens da mesma equipe remam o dia inteiro. Isso deixa tudo mais sofrido: uma das mulheres da equipe 404 Wahine teve que abandonar a prova


Sumi tem uma aparência tão jovem quanto indeterminável, sem rugas. O cabelo escuro e o bronzeado natural revelam as origens havaianas, características típicas dos locais do Pacífico. Só três anos depois da sua primeira canoa, Sumi e seus designs dominam as corridas. Talvez isso faça dele mais um Bill Gates do que um Henry Ford: como o líder da Microsoft, Sumi começou a partir da garagem e hoje administra alguns depósitos na periferia de Kona. Atualmente, uma de suas canoas, pronta para ser usada com casco de madeira, com reforço de fibra de vidro de carbono, com resina infundida e iakos (suportes) de alumínio com reforço de carbono, sai por US$ 19 mil. E tem um toque pessoal: cada embarcação ganha uma borda à prova d’água costurada pela mãe de Sumi.

A Credit:

competição acontece em meio a paisagens estonteantes. Durante o percurso é possível avistar o vulcão Mauna Kea, que, com mais de 10 mil metros e é a montanha mais alta do mundo da base (abaixo do nível do mar) até o pico (senta lá, Everest). A Big Island é a mais nova das ilhas do Havaí, o que significa desmoronamentos constantes e rios de lava explodindo dentro do mar. As equipes da Olamau remam diante de despenhadeiros escuros e dezenas de cachoeiras. Outras equipes passam mais próximas de penhascos e praias de pedra e se arrependem do percurso porque as marolas da praia atrapalham as ondas e isso torna impossível tomar embalo. Eles remam com força máxima, brigando contra as ondas e a corrente. A maioria das equipes conta com um capitão local que conhece o trajeto, ou pelo menos um barco de apoio. O estado de Washington talvez seja o lugar dos EUA mais longe da Polinésia e, na canoa da PNW, que se esforça para cruzar as ondas, os havaianos troncudos remam junto com rapazes brancos cuja pele definitivamente não está acostumada ao sol tropical. Formada por ex-mergulhadores, remadores de canoas e havaianos imigrados, a PNW é feita de raça. Todos os remadores têm empregos para se sustentar e, depois de bater ponto, vão treinar. “A gente mantém um arquivo com os dias de treinamento”, diz o capitão do time, Lance Mamiya. “Quando você vê que alguém novo está participando, isso motiva a seguir em frente.” Aos 46 anos, Mamiya parece dez anos mais novo. Ele tem músculos fortes nos braços, nos ombros e no pescoço. Cresceu no arquipélago, mas a carreira do pai como piloto de caça na Força Aérea levou a família para os quatro cantos do mundo. Mamiya só começou a remar com seriedade quando se estabeleceu na Northwest. Para ele, é tanto um esporte radical como uma forma de se manter ligado às origens havaianas. “Quando você volta para o Havaí e consegue surfar e remar sem wetsuit ou um barco, você entra em uma conexão verdadeira com o mar. Cada vez que venho aqui fica mais difícil voltar para Seattle.” As condições em Seattle são bem diferentes do Havaí – roupas de mergulho são obrigatórias no inverno e os remadores têm que quebrar o gelo para atravessar. Ainda que remadores fortes participem do PNW, eles são prejudicados por treinar em baías e em rios. Lidar com o oceano exige um preparo diferente. Tradicionalmente, canoas não têm lemes ou alhetas, sendo que cabe ao capitão manter o rumo, tarefa que se torna difícil na medida em que a maré e o vento balançam a embarcação. Pegar uma ondulação numa canoa é como seis cegos tentando surfar em um pranchão. Cada remador precisa sentir a onda e ajustar a remada. Assim que a velocidade da onda se alinha, os remadores devem remar de forma mais curta e rápida para



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A equipe Mellow Johnny’s, uma das favoritas, vai de encontro a uma onda em Keokea no primeiro dia de corrida. No detalhe acima: Heiva Paie, um dos membros da equipe

Credit:

O CAPITÃO precisa deixar a canoa equilibrada para que ela não embique


Mauna Loa

Keokea Beach

H ava í Kawaihae Kukio Kamakahonu

Laupahoehoe Big Island

distância. Exaustas de lutar contra as ondas, elas agora precisavam competir umas contra as outras. “Cada vez que olho é um outro ataque se aproximando”, ela afirma. “Vencer aquelas equipes não foi fácil.” Depois da vitória no primeiro dia, Mathisen e sua equipe terminam em segundo lugar no segundo dia, em Na Hoa, mas mantêm os coletes amarelos na classificação geral. No ano passado, só uma equipe feminina competiu: neste ano são cinco, o suficiente para ter uma categoria paralela.

manter a velocidade. Enquanto isso, o capitão precisa manter a canoa equilibrada para não embicar na onda quando chegar à crista, mantendo seu curso. Ainda assim, a PNW vai abrindo caminho. No ano passado, eles correram a Olamau em um caiaque e terminaram em último, mas a sua pegada impressionou tanto os competidores que Sumi emprestou a eles uma canoa maior. O primeiro dia de competição termina com a Johnny’s e a Shell praticamente empatadas. A Shell cruza a linha de chegada 81 segundos na frente, um final muito parelho para uma corrida que dura quase quatro horas. O Pacífico parece que entrou em erupção no segundo dia. Ventos de até 30 nós (cerca de 56 km/h) e ondas de 3 metros arrebentam na costa. Nos barcos de turismo, as pessoas tomam Dramin e se seguram nos parapeitos. Chegar ao ponto de partida já é um teste de sobrevivência: o barco da Sea Shepherd emborca na arrebentação. Os remadores lutam para manter as cabeças fora d’água. Os barcos de apoio desaparecem atrás das ondulações e as canoas ficam abandonadas na tormenta. Uns minutos depois de ingressar na corrida, a Mellow Johnny’s fica inundada e tem que tirar a água. As melhores equipes tiram vantagem do tempo ruim usando as rajadas de vento para entrar nas maiores ondulações, surfando as ondas. A capitã da Pacific Wahine, uma equipe de cinco mulheres, Anna Mathisen está ambientada. A ex-nadadora profissional dos EUA passa a vida na água. Dá para notar sua ascendência norueguesa por causa dos cabelos extremamente louros e os olhos azuis-claros, mas quem preenche pelo menos metade da sua alma é o Havaí. “Pessoalmente, me dou bem quando o mar está grande”, ela diz. “Me inclinei para fora da canoa e segurei firme o remo para manter a canoa em linha reta”, disse Anna. “Depois mudei rapidamente para as remadas. O peso da água e a intensidade me jogaram para a frente”, afirmou. Depois de uma hora intensa pegando ondas, a Pacific Wahine entrou nas calmarias para encontrar três equipes femininas – Oceanic Connection, Kawaihae e a 404 – há alguns metros de the red bulletin

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o terceiro dia, o mar fica completamente liso, tão aveludado e calmo que parece um azeite. A corrida acontece entre três equipes: Shell, Mellow Johnny’s e a EDT brigam pela ponta e correm lado a lado. A Shell tem uma vantagem de quatro minutos na classificação final, mas quer ganhar a etapa. O primeiro lugar recebe US$ 2,5 mil, enquanto o vencedor geral embolsa US$ 15 mil. Parece uma premiação razoável, até que você pensa em dividi-la entre 12 e o custo de chegar ao Havaí. A Shell poderia vencer todas as corridas em que entrasse, todos os anos, e ainda assim não cobriria nem os gastos. Mas tem alguma coisa a mais que faz com que os remadores enfrentem longos voos na classe econômica, noites em dormitórios coletivos e horas infinitas de treino. É o espírito competitivo e a camaradagem, uma prática ancestral por uma costa abençoada com uma beleza natural incomparável. É uma forma de remar nessa tradição e ao mesmo tempo trazê-la para o século 21. “Para mim, é a vida na melhor forma possível”, diz Nakachi. “A Olamau pode ser aproveitada de muitas formas. É como viver a vida em sua plenitude.” Durante a festa depois da corrida, as equipes se misturam, batem papo, mostram suas cicatrizes... “A gente esteve na corrida inaugural e também nessa e pretendemos estar aqui enquanto nos aguentarem. Pode não ser tão sexy quanto BASE-jumping ou paraquedismo, mas tem sua intensidade e uma tradição muito forte. Estamos usando barcos novinhos, mas nos mantemos ligados a uma tradição de milhares de anos”, diz Mamiya. A Pacific Northwest não ganhou nenhum centavo com a Olamau. Em vez disso, terá de voltar ao continente com os músculos doloridos e um 13° lugar na classificação. Uma depois da outra, as equipes remam para dentro do porto de Kamakahonu – esgotadas mas satisfeitas. Turistas europeus assistem maravilhados aos remadores erguendo suas canoas para fora da água. É um Havaí muito diferente daquele mundo ancestral, no centro da ilha, há apenas alguns quilômetros de distância, mas, de certa forma, Olamau junta estes dois Havaís. No ano que vem, a corrida seguirá a mesma rota e continuará a transformar o mundo da canoagem competitiva. www.olamaurace.com 

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Foto: Everest Skydive

o Outro lado do Everest Se o mundo não for o bastante, faça uma viagem para a mais alta região de saltos da Terra

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SALTAR de um helicóptero E planar no topo do mundo é a aventura que nem James Bond sonhou Malas Prontas, página 94

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Ação!

Sempre seguro

Meu equipo

Botas Ronix Parks

Pé quente A parte de baixo é esquentada em um forno especial antes do uso. Quando está quente, se ajusta ao formato do pé.

Segurança a todo custo

Conforto Uma abertura mais profunda permite maior mobilidade nas manobras. Uma espuma colocada na sola amacia o impacto.

Capacete Pro-tec Ace Isso salvou meu pescoço muitas vezes. Ajuste perfeito, ótimo estofamento e almofadas de ouvido destacáveis.

Ajuste perfeito A bota é fixada à prancha com dois parafusos, mas o ângulo se mantém ajustável.

Não são pesadas As poucas camadas de tecido fazem com que o peso seja de apenas 2,5 kg.

COLETE Ronix Impact Ele é leve, elástico e tem zíper. Cai como uma luva em mim. Eu o usei quando saltei de helicópteros em pistas virgens.

Parks Bonifay (32) ganhou seu primeiro ouro nos X Games aos 14 anos

www.ronixwake.com

Pé quente Wakeboard Parks Bonifay fala sobre o equipamento que o permite superar qualquer expectativa O melhor cara do wake de todos os tempos? Talvez. Aqueles que o conhecem consideram Bonifay, 32, o maior praticante do esporte. Ele desenvolveu seu kit para funcionar de acordo com o seu estilo. Em 1999, conseguiu o primeiro switch toeside 1080 de todos os tempos – um movimento de giro triplo que já foi considerado impossível. Quando se trata

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de equipamento, ele valoriza a capacidade de manobra da prancha e das botas – essas devem ter conforto e pouco peso, mas sempre com segurança. “Antes que eu nascesse, um tio morreu afogado e por isso minha mãe nunca me deixou ir para a água sem um capacete e um colete salva-vidas.” www.parksbonifay.com

ATR EDTN Ronix Parks Minha prancha “para toda hora” tem 139 cm de comprimento e é boa para manobras. www.ronixwake.com

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Foto: Chris Garrison/Red Bull Content Pool

www.protec.com


ação!

festa

si n ais de f u ma ç a

Ainda se pode fumar baseado em Amsterdã?

No ano passado, falou-se sobre a proibição de estrangeiros nos coffee shops. Aqui contamos a verdade sobre o que aconteceu.

Baladas, shows, teatro, filmes: tudo isso no mesmo bairro

Via Láctea cultural

Por: florian obkircher. Fotos: de fotomeisjes (4), DigiDaan

Amsterdã O bairro que já foi refúgio hippie e que hoje é hipster: Melkweg – a “Via Láctea” – é um centro multicultural há 40 anos Duas casas de show, dois teatros, um cinema, uma galeria e espaço para 3 800 pessoas. Em 40 anos de existência, Melkweg se tornou o maior centro cultural da Holanda. A abertura foi em 1972, dentro de uma fábrica de laticínios abandonada no coração de Amsterdã e atraiu hippies de todo o mundo. Antes do fim da década, vieram os punks, e Melkweg se tornou parada obrigatória para bandas inglesas e europeias em turnês. Em setembro, vai ter show de bandas como Good Riddance, da cantora e compositora Kate Nash e do DJ de música eletrônica Jon Hopkins. Juntos, estarão representando o espírito dos bons tempos da Melkweg multicultural. Melkweg Lijnbaansgracht 234A 1017 PH Amsterdã, Holanda www.melkweg.nl

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Po d e Ritmo acelerado: todo dia tem pelo menos um show

PRIMEIROS PASSO S Existem muitas opções para tomar um bom café da manhã. Conheça três maneiras de driblar a ressaca na Holanda

SUCOS O Gartine serve o que produz em suas dependências. Um lugar bucólico que faz você esquecer que está no meio da cidade. Taksteeg 7 BG

SALGADOS O Barney’s Breakfast Bar oferece água e space cakes de entrada, mas também tem crepes e breakfast rolls deliciosos. Haarlemmerstraat 102

Fritos Os holandeses amam fritura. A melhor, em Vleminckx, é servida com molhos exóticos, cebola e amendoim. Voetboogstraat 33

A nova norma: cada cidade pode decidir se quer ou não vender cannabis para turistas. Amsterdã decidiu que quer; já outras cidades, principalmente no sul, foram contra.

P ER A L Á Não se pode fumar em coffee shops – cigarro, pelo menos. Se você está fumando hash, vá soltar sua fumaça para o outro lado. Mas muitos lugares oferecem uma erva que substitui o tabaco.

á rea c i n za Acender baseado do lado de fora é proibido, mas a polícia normalmente finge que não vê. As placas que sinalizavam ser permitido fumar maconha foram retiradas porque elas sempre eram roubadas.

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Ação!

MALAS PRONTAS

NÃO FIQUE DE BOBEIRA

No topo do mundo: o paraquedismo mais radical que você já imaginou

Te vejo no Nepal

Por água O Nepal é conhecido por seus rios bons para rafting. Aqui novatos e experientes encontram rios com o grau de dificuldade apropriado. www.nepalraft.com

De cima da montanha

Por ar Paraquedistas que quiserem um passeio em um avião do qual não precisarão saltar devem fazer o voo turístico em volta do Monte Everest para contemplar uma vista estonteante.

Everest Skydive Um salto a uma altura de mais que o dobro do normal exige nervos de aço, mas a vista incrível e a adrenalina de encarar os picos do himalaia são uma recompensa única

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www.buddhaair.com

FIQUE ATENTO Treino na academia “Você percorre uma trilha de seis dias antes do salto para se aclimatar com a altitude”, diz Bedingfield. “Então é importantíssimo malhar dois meses antes. Ajuda a ficar forte e preparado para a aventura.”

TUDO PRONTO

“A gente fornece basicamente tudo que for necessário para o salto”, diz Wendy Smith, da Everest Skydive. “Desde as jaquetas infláveis até roupas térmicas sob medida que parecem de astronauta. Para as caminhadas, no entanto, as pessoas precisam trazer suas botas. O resto é com a gente.”

Por terra Se você ainda tiver energia, a Everest Skydive pode organizar uma caminhada de sete dias até o acampamento-base do Monte Everest. A volta é de helicóptero até Katmandu.

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Por: Ruth Morgan. Fotos: www.wendysmithaerial.com, everest skydive

Em uma altitude de cerca de 3 800 metros, um salto de paraquedas convencional é aventura suficiente. Se você dobrar isso e colocar mais uns 1 370 metros, estará numa altitude de cruzeiro de um jato comercial, ou na mesma altura do Monte Everest. Antes de 2008, ninguém havia saltado de paraquedas próximo do Everest. Muitos pensaram que era alto demais, mas, com um suprimento extra de oxigênio, uma equipe de malucos praticou o primeiro salto e, desde então, realiza expedições anuais em outubro. Até hoje, foram menos de 100 pessoas as que saltaram. “Foi a primeira vez que pulei de paraquedas”, diz Molly Bedingfield, que saltou com a Everest Skydive para levantar recursos para sua entidade beneficente, a Global Angels. “Foi uma experiência incrível – desde a caminhada pela região mais alta do mundo até o próprio salto. Saltei www.everestem dupla com um especialista. Você -skydive.com fica cerca de seis minutos e meio desIndividual a partir de US$ 25 mil; cendo antes de aterrissar. O cenário em dupla a partir é de tirar o fôlego. Uma lembrança de US$ 35 mil para a vida toda.”


Ação!

MINHA CIDADE

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Praça Benedito Calixto

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algumas opções para quem quer elevar a adrenalina em sp

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Top cinco O melhor de São Paulo

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1 Parque do Ibirapuera

Av. Pedro Álvares Cabral, Portão 10 “É o melhor lugar da cidade para se exercitar. É aqui que eu venho correr. E o que acho mais divertido é ver vários esportes juntos num mesmo espaço.”

Fotos: tuca vifira (4)

SÃO PAULO Exercícios no parque, comida natural ou hambúrgueres e compras para todos os gostos A modelo Viviane Orth, de 22 anos, nasceu no estado no Paraná, mas se mudou para São Paulo – a capital da moda no Brasil – quando tinha 13 anos. Ela morou oito anos na cidade e então se mudou para o exterior. “São Paulo é acolhedora e maravilhosa para viver, apesar de ser um pouco intimidante para quem chega”, ela diz. “O tamanho assusta.” Vivi desfila para marcas como Dior e Calvin Klein e hoje, entre suas viagens pelo mundo, não deixa de parar em SP: “A vida noturna, os restaurantes e as lojas são os melhores do país”, garante. Veja o que ela selecionou. the red bulletin

www.kartodromogranjaviana.com.br

dos bares que mais fervem na noite paulistana, com chope e cerveja gelados, muita gente jovem e a melhor música ao vivo. Gosto muito do Salve Jorge.”

Viviane Orth é uma das mo– delos brasileiras mais badaladas atualmente

“Não saio de lá sem comer um hambúrguer”

kart O Kartódromo Internacional Granja Viana fica a 20 km da capital e é perfeito para os apaixonados por motores e velocidade. Custa R$ 85 para correr 25 minutos com equipamento.

4 Cidade Jardim

Av. Magalhães de Castro, 12100 “As melhores lojas, como Daslu, Channel e Hermes estão nesse shopping. É perfeito para uma tarde de compras e boa comida. Não saio de lá sem antes parar para comer um hambúrguer na Lanchonete da Cidade.”

Seja nas ladeiras do Morumbi ou nas praças, SP tem skate nas veias. As pistas privadas, em que você paga, fecha um horário e faz o rolê com os amigos, são boas opções. É assim na Toobs Land. toobsland.com.br

bike

2 Pé no Parque

Rua Inhambu, 240 “Eu adoro a lanchonete Pé no Parque, na Av. Helio Pelegrino. É uma opção saudável depois dos exercícios, com sucos, frutas, açaí… Adoro açaí com banana ou salada com manga.”

3 BAR SALVE JORGE

Rua Aspicuelta, 544 “A Rua Aspicuelta concentra uns

5 casa Juisi

R. Roberto Simonsen, 108 “A Casa Juisi, que fica no Centro da cidade, é fantástica! Neste brechó dá para encontrar peças incríveis, como óculos e bolsas, tudo muito legal e bem descolado. Imperdível!”

Experimente ir ao Parque Ecológico do Tietê para voar sobre magrelinhas em pistas de cross. O parque tem uma pista divertidíssima que abrange diversos níveis de bikers, de novatos a veteranos. www.ecotiete.org.br

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Ação!

Música

VINIL ZERO­ BALA Os reis dos estudantes de arte estão de volta! Quando o Franz Ferdinand lançou seu álbum de estreia, em 2004, foi unanimidade entre os roqueiros indie: nenhuma outra banda tinha referências tão boas e usadas com extrema habilidade. O quarteto escocês surgiu com vanguardismo russo misturado a bateria de New Wave e refrões que grudavam na cabeça. Nove anos e 3 milhões de discos depois, a trupe agora lança seu quarto álbum, Right Thoughts, Right Words, Right Action. O baterista Paul Thomson revela o som que a banda estava ouvindo enquanto gravava no estúdio.

Nos ouvidos do Franz playlist a banda escocesa acaba de lançar o novo disco. o que tocou no estúdio? HIP HOP PESADO, ELETRO E INDUSTRIAL DINAMARQUÊS

1 Kerri Chandler

Para informações sobre a turnê mundial: www.franzferdinand.com

2 Kanye West

3 Zomby

A original é boa, mas o remix do Foremost Poets, um produtor de house de Nova Jersey, é melhor. A forma como ele se apropriou da música é fantástica. Uma vez tive a oportunidade de vê-lo em Glasgow. Ele estava tocando os discos de outra pessoa porque os dele tinham extraviado. Mas ainda assim foi o melhor set de um DJ que vi na vida.

Parece que este disco foi inspirado em suas visitas ao Louvre em Paris. Acho ótimo que uma coisa como essa possa ter resultado de olhar pinturas renascentistas. É um rap muito contemporâneo. Obscuro, inovador, experimental. Kanye uma vez foi a um de nossos shows e disse que gostava da gente. Agora sou eu que gosto dele.

Esse cara é maluco. São 33 faixas eletrônicas em um álbum. Nenhuma delas tem mais de dois minutos. Para DJs é impossível mixar. Mas ainda acredito que suas batidas enquadradas como peças de quebra-cabeças são geniais. O Zomby tem tanta ideia que não quer perder tempo em cada uma. Provou isso no remix da nossa música “Ulysses”.

4 Vår

5 The Doppelgangaz

Elias Rønnenfelt é o vocalista da banda punk dinamarquesa Iceage. Uma das bandas mais malucas que você pode imaginar. Ao vivo eles são completamente doidos. Mas, recentemente, ele e um amigo lançaram um álbum de industrial dark com o nome Vår. Me lembra Depeche Mode, no momento não paro de ouvir a música “The World Fell”.

Quando era adolescente, ouvia thrash metal, umas músicas com guitarras bem pesadas mesmo. Foi assim até eu descobrir os raps do Public Enemy e Wu-Tang Clan. A energia deles tinha algo diferente. O Doppelgangaz me traz de volta esse hip hop fantástico dos anos 1990. Eles usam capas pretas e têm um som bem obscuro – o melhor do horror-core!

Bar A Thym

The World Fell

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Black Skinhead

HARK

COMO DEIXAR SEUS BOLACHÕES LIMPOS

NA MÁQUINA DE LAVAR A Spin Clean é um tubo plástico com escovas. Encha com água e detergente, gire os discos em sentido horário e deixe secar.

With Love

TIPO MÁGICA Com a pistola Milty Zerostat, você dispara íons de energia negativa e positiva no vinil, o que neutraliza sua superfície eletrostaticamente – a poeira simplesmente cai.

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Onbeat Solar Ele é equipado com carregadores solares de 55 cm3. As baterias de lítio nos fones de ouvido guardam a energia. Com o Onbeat Solar ainda dá para carregar seu celular com um cabo USB. www.onbeatheadphones.com

EM CASA Aplique cola de madeira no vinil e espalhe por ele com uma espátula. Depois deixe secar e remova a camada fina do filme junto com a poeira.

the red bulletin

texto: florian obkricher. foto: Splash News

Paul Thomson, 36 anos, é o baterista da banda escocesa Franz Ferdinand


ação!

Na agenda

C u rtas e boas Muito rock em outubro

4

sexta-feira

Clássico Os veteranos do B-52’s vão abrir a temporada roqueira em outu­ bro com shows no Rio e em SP. Hits como “Private Idaho” e “Rock Lobster” com certeza já embala­ ram algumas de suas noitadas. www.ingresso rapido.com.br

12 sábado

A competição de saltos de mais de 20 m chega ao Brasil

FOTOS: marcelo maragni/Red bull content pool (2), fabio amaral, fabio ura fotografÍa LTDA

28/9, em Niterói

1, 2, 3 e pula

Pela primeira vez o Brasil receberá uma etapa do circuito mundial de salto de penhascos. Com uma plataforma de 27 metros montada na praia de Icaraí, em Niterói, onde nos anos 1930 ficava um trampolim público, o Red Bull Cliff Diving deve atrair uma multidão para acompanhar os melhores saltadores do mundo. Cada pulo atinge uma velocidade de 85 km/h.

www.wrosfest.com.br

www.redbullcliffdiving.com

9 a 13/10, em São Paulo

Nas areias

18 a 22/9, em Paraty

Bem na foto Vá à Paraty em Foco, a feira internacional de fotografia da cidade histórica, que tem exposições ao ar livre, ocupações e intervenções. paratyemfoco.com.br

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Já está tudo pronto para a última parada do circuito mundial de vôlei de praia aqui no Brasil. Com vitó­ rias brasileiras nas para­ das de Gstaad e Haia (as duas na Holanda), Roma e Shangai – e outros pódios ao longo do ano –, o Brasil chega com duplas muito competitivas tanto no masculino quanto no feminino, em busca de um final de temporada vitorioso. www.fivb.org

Punk Bandas de hard­ core como Reel Big Fish, Goldfinger e MxPx vão acelerar a velocidade do Espaço das Améri­ cas durante o final de semana do festival Wros 2013. Espere por guitarras barulhentas e mosh pits.

6/10, em São Paulo

Maratona As inscrições para a Maratona Internacional de São Paulo estão abertas até o dia 2 de outubro. A prova é dividida em quatro modalidades (Maratona, 25K, 20K e Caminhada) e tem largada e chegada no monumento da revolução de 1932, em frente ao Ibira­ puera. Um dos grandes momentos é a passagem dos atletas pela Ponte Estaiada (foto), que fica tomada pelos corredores. maratonadesaopaulo.com.br

17

quinta-feira

Psicodélico A Tame Impala, banda que melhor traduz para nossos tempos o que é fazer rock‘n’roll com lisergia, se apre­ senta no Rio (Circo Voador) e em SP (Cine Joia) e pro­ mete fazer a pla­ teia ver estrelas. www.cinejoia.tv

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TÚNEL DO TEMPO

Outra Olimpíada

foto: Alan Band/Fox Photos/Getty Images

O primeiro evento alternativo às Olimpíadas aconteceu nos anos 1960. O East South Pennsylvania News, um jornal popular entre os jovens, criticou a atitude inflexível do COI à modernização das categorias esportivas num artigo intitulado “Por Que Olimpíadas?”. A partir daí, fizeram sua própria competição: em 1964 tiveram a primeira vitória na Travessia de Esqui Aquático em equipe (com esta surpreendente manobra da foto). Os “Y Games” aconteceram anualmente até 1976.

A próxima edição do Red Bulletin sai em outubro DE 2013 98



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The Red Bulletin Outubro de 2013 - BR