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ANO II | N.º 4 | JUL-DEZ 2018

Revista da Família Hospitaleira no Brasil

SAÚDE&HOSPITALIDADE

PROFISSÕES DE SAÚDE

Regulação, tendências e desafios TECNOLOGIAS DIGITAIS E SAÚDE MENTAL Nomofobia e distúrbio de games

ATENDIMENTO DE TRANGÊNEROS Novo desafio na Saúde

EXORCISMO Existe curso para isso?

ENTREVISTA Dr. Roberto Siqueira Castro Um advogado diferente


EDITORIAL Estou humildemente convencido de que o programa “Mais Médicos”, que conta na atualidade com cerca de 18 mil profissionais, foi a mais realista e benfazeja realização da presidenta petista que nos governou no terceiro quinquênio deste século. Mais realista e mais desatadora de nós das populações, particularmente nas periferias urbanas e nacionais. Lamentáveis só os ciúmes, disfarçados de defesa de direitos, manifestados pelos corporativistas “menos médicos”, que já cá estavam, incapazes de reconhecerem a instalação da classe e suas insuficiências no atendimento de uma população continental. Manifestações felizmente extintas nos anos seguintes, sinal evidente de que eram alarmistas seus alvoroços. Vieram os “Mais Médicos”, vagas foram preenchidas em quase todos os municípios brasileiros e a oferta de novas escolas, cursos e vagas também não para de aumentar, prova segura de que aumentam os profissionais de saúde, no Brasil. E não consta que eles sejam os que mais puxam as estatísticas do desemprego para cima. Então, ou o nosso povo está mais doente, ou havia muita demanda reprimida por serviços de saúde. Ou é a simples confirmação da lei da economia que assegura que, em saúde, a oferta faz aumentar a demanda! Foi o pequeno mundo das Profissões de saúde que o nosso Conselho Editorial elegeu para a edição da revista que o leitor tem nas mãos ou na tela. Na matéria de capa introduzimos o tema, listando as profissões de saúde, discorrendo sobre a sua regulação, enquadrando bastantes dessas profissões, enfatizando algumas que estão em alta e incluindo até dados sobre as

SAÚDE&HOSPITALIDADE

ANO II | N.º 4 | JUL-DEZ 2018 Administração: Estrada Turística do Jaraguá, 2365 Pirituba - 05161-000 - São Paulo - SP Fone: 11 3903-7857

Ir. Augusto V. Gonçalves, OH Superior da Ordem Hospitaleira no Brasil

escolas daquela que continua a ser o carro-chefe, a medicina. Pelas 12 páginas da “Qualidade de Vida” passam temas de especial atualidade, como o impacto das novas tecnologias (leia-se redes sociais) na saúde mental e os desafios de atender transgêneros ou temas recorrentes como a formação de profissionais para lidar com a morte, as questões da bioética ou mesmo dos exorcismos e as vivências dos estagiários no hospital. Completam o “cardápio” duas técnicas de enfermagem testemunhando sobre a arte de cuidar, uma farmacêutica estendendo sua profissão bem além da entrega de remédios, um engenheiro de materiais enfatizando a importância crescente dos biomateriais e a insuficiência de profissionais da sua área. Também homenageamos o Pe. Quinha oferecendo quatro páginas para o Relato da sua Obra e completam a edição a grande entrevista de um renomado advogado carioca, que ajuda a Ordem com seus bens; e a pequena entrevista de um missionário pernambucano, que ajuda a Ordem com sua vida. Desejo aos leitores boa leitura, e que tudo concorra para o aprendizado, crescimento e auto-estima de quem lê ou partilha suas leituras. Ah... e que Deus lhes revele alguma surpresa pessoal, escondida em algum texto! E se você exerce uma profissão de saúde, faça dela um sacerdócio mais do que um negócio. Contemple quantas vidas Deus lhe der para cuidar. Tenha zelo com cada uma, pois todas são especiais e únicas!

DIRETOR: Ir. Augusto Vieira Gonçalves

ARTE E DIAGRAMAÇÃO: Ana Paula Francotti

CONSELHO EDITORIAL:

IMPRESSÃO:

Vanessa C M Cavalcante Ivani Vera Cruz Juliana Vieira da Silva Manoel Pessoa M Junior Luiz Antonio de Moura Leila Maiworm SECRETARIA: Áurea Cruz

AHAS - Associação Hospitaleira de Assistência Social CNPJ: 33.796.681/0001-03 FONE: +55(11) 390737857 Tiragem: 5.000 exemplares

www.saojoaodedeus.org.br revista@saojoaodedeus.org.br


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A melhor legenda será premiada pelo conselho editorial da revista.

Concorra enviando sua proposta: revista@saojoaodedeus.org.br ou whatsapp: (11) 95740-4321

Na edição anterior da Revista OH! foi premiada Rosane Delgado Carneiro, com a seguinte legenda para a imagem ao lado: "No embalo desse conforto, repousei no Amor de Deus...".


SUMÁRIO 06 08 09 10 11 12 14 15 16

Tecnologias Digitais e a Saúde Mental FARMACÊUTICO Mais que entregador de remédios ATENDIMENTO DE TRANSGÊNEROS Novo desafio na saúde Como preparar o Profissional em Saúde para lidar com a morte? ENFERMAGEM A arte de cuidar HOSPITAL PSIQUIÁTRICO Ensino e aprendizagem Princípios éticos fundamentais para atuação do Profissional da Saúde CAMPANHA 2018 DA ORDEM: Construção de um Hospital no Benin Aumenta a demanda por Engenheiros Biomédicos

DEMANDAS EM SAÚDE MENTAL Nomofobia e distúrbio de games

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EXORCISMO Existe curso para isso? PROFISSÕES DE SAÚDE NO BRASIL Regulação, desafios e tendências ENTREVISTA Dr. Roberto Siqueira Castro CASA DA HOSPITALIDADE Acolhendo o Marciano O Lar São João de Deus que eu encontrei OFICINA DE JESUS Acolhimento e restauração de vidas SÃO JOÃO DE DEUS O Evangelho da Misericórdia MOSAICO DA FAMÍLIA HOSPITALEIRA Notícias Ir. José António: resposta missionária em Timor Leste

HOSPITAL PSIQUIÁTRICO Campo de aprendizado

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12 ENFERMAGEM A arte de cuidar

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PRINCÍPIOS ÉTICOS PARA O PROFISSIONAL DE SAÚDE

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SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA Derek S. Moreira

Médico pela Universidade Estadual Paulista Médico Assistente da Casa de Saúde São João de Deus

TECNOLOGIAS DIGITAIS E A SAÚDE MENTAL "Nomofobia" e "Distúrbio de Games", novas demandas O desenvolvimento tecnológico trouxe consigo inúmeros facilitadores ao cotidiano. A comunicação, o acesso à informação e a velocidade para realizar quaisquer tipos de transação foram completamente revolucionados, em primeira instância, pela Internet e, após algumas décadas, pelo advento e democratização dos smartphones. Nossas formas de diversão também mudaram, com a evolução dos games em diversas plataformas, do pc aos consoles e celulares, bem como o início da era da realidade virtual. Todavia, tantos benefícios trouxeram consigo prejuízos a variados aspectos da vida humana, resultando na criação de novos paradigmas e diagnósticos que têm afetado cada vez mais pessoas, com diferentes graus de morbidade e comprometimento. O cientista Miguel Nicolelis, em sua obra "Muito Além do Nosso Eu", entre outros assuntos, aborda a simbiose que tem se criado entre o homem e a tecnologia. De certa maneira, nossos gadgets podem ser considerados como extensões de nossos membros, trazendo diferentes possibilidades e paradigmas. Nossos cérebros e corpos, em conjunto com todo tipo de recurso tecnológico, realizam inúmeras tarefas que se tornam cada vez mais naturais, quanto maior a familiaridade e a frequência do uso. As possibilidades que podemos vislumbrar neste cenário são incríveis, porém, sob o ponto de vista da saúde mental, temos hoje, também, prejuízos graves para nosso desempenho. Tornamo-nos dependentes da tecnologia. Sabe aquela sensação desesperadora de sair e, no meio do caminho, perceber que deixamos o celular em casa? Um mis06 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

to de vulnerabilidade, impotência e desconexão com o mundo entra em cena e pode causar altíssimos graus de ansiedade e inquietação. Em virtude deste cenário ser cada vez mais comum, uma nova condição psiquiátrica foi criada para defini-lo: a nomofobia. A nomofobia, uma abreviação do inglês para "no-mobile phobia", é uma patologia em que há perda total do poder de escolha diante do uso do celular. Não usar ou mesmo não portar o celular resulta em um sofrimento psíquico tamanho que pode causar sintomas físicos e mentais como aceleração do ritmo cardíaco, respiratório, pressão torácica, irritabilidade, distúrbios do sono, da concentração, entre outros. Além desses problemas, para fins diagnósticos, é importante identificar se há prejuízo em outros aspectos da vida da pessoa devido ao uso do celular. Quando fatores como a vida profissional, social ou relacionamentos familiares começam a sofrer impactos negativos, é possível que estejamos diante de uma relação patológica com o smartphone. As redes sociais, outro produto da democratização da tecnologia, apesar de seus inúmeros benefícios, também tem sido vista como um potencial causador e reforço de diversos prejuízos do ponto de vista psiquiátrico e psicológico. Apesar de aproximar quem está distante, as redes sociais, muitas vezes, causam um efeito de superficialização das relações e da comunicação. Com frequência, o contato entre os usuários fica restrito a "likes" e outras reações pré-determinadas pela interface do aplicativo, empobrecendo a profundidade do diálogo e resultando numa mecanização do convívio. Por outro lado, reforça um comportamento narcisista de busca cons-


tante por aprovação alheia, gerando excessos na exposição da vida pessoal e deterioração da privacidade, por vezes, com o objetivo de obter o reconhecimento de outros usuários, muitos com os quais sequer há contato fora do mundo virtual. O número de blogs, páginas e outros recursos de auto-exposição vem em aumento constante. O resultado tem sido um reforço de comportamentos neuróticos e obssessivos, com graves consequências para a saúde mental de inúmeros usuários. A variedade de games disponível atualmente é inigualável. De todos os gêneros, como ação, suspense, terror, rpgs, esportes etc., é possível encontrar opções diferentes em qualquer tipo de plataforma virtual oferecida, dos smartphones aos computadores. Como resultado, hoje, surge um novo tipo de vício, incluído recentemente na Classificação Internacional de Doenças (CID) como mais um diagnóstico em saúde mental: "o distúrbio de games". É importante frisar que ser entusiasta ou mesmo fazer maratonas esporádicas não necessariamente representa um uso patológico destes recursos, todavia, quando o hábito afeta as demais áreas da vida da pessoa, deve-se pensar na existência de uma patologia. Quando há descontrole do tempo de jogo, restrição de repertório diário, gastos excessivos, prejuízo nos relacionamentos e na vida profissional e, em casos mais graves, até perda do auto-cuidado, com abdicação de necessidades básicas em função dos games, pode ser necessária uma intervenção médica e psicoterapêutica. Em virtude do aumento do número de casos documentados dessas patologias, centros especializados de tratamento têm surgido, oferecendo abordagens específicas para essas condições. Em países como Coreia do Sul e Japão, até mesmo medidas governamentais já foram criadas, com o intuito de controlar o problema, por meio da restrição do período de acesso a plataformas de jogos online. Como opções terapêu-

pinturas

Rua Min. Heitor BastosTigre, 184 Sala 02 - Jd. Monte Kemel Cep: 05634-060 - São Paulo - SP

ticas, oferecem-se variadas abordagens da psicologia, com importante papel da Terapia Cognitiva-Comportamental, faz-se o controle ou o impedimento total do uso dos gadgets e da internet e, se necessário, medicações são utilizadas para controle dos sintomas e abordagem dos transtornos ansiosos, frequentemente envolvidos nestes casos. Apesar dos benefícios incontestáveis da revolução tecnológica, observamos, atualmente, um claro desequilíbrio no uso dos novos recursos criados. Ademais, o potencial de agravo de diversas condições psiquiátricas e psicológicas já existentes encontrou neste descontrole um combustível, resultando, inclusive, em novos diagnósticos. Diante dos novos paradigmas trazidos pela democratização dos games, da internet, dos smartphones e gadgets, torna-se imprescindível manter nossa autonomia perante a tecnologia, fazendo seu uso de maneira saudável e consciente. Devemos estar atentos a sinais e sintomas para, se necessário, buscar o tratamento precoce de um excesso, antes de sua conversão em doença de fato. Não devemos temer a teconologia e os avanços, mas deixá-las tornar nosso cotidiano mais fácil, prezando sempre pelo poder de escolha e pela manutenção da qualidade de vida.

ALEXANDRE

Responsável Técnico

(11) 3742-1498 (11) 94021-2578 www.pirespinturas.net.br pirespinturas@terra.com.br


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA Rafaela Maria de Andrade Souza

Pós-graduada pela Faculdade Oswaldo Cruz Farmacêutica na Casa de Saúde Sao João de Deus

FARMACÊUTICO: muito mais que entregador de remédios

Hoje o cenário farmacêutico está em constante mudança, e com isso a atuação farmacêutica vem ganhando grande espaço em hospitais, clinicas, drogarias e outros serviços direcionado a saúde. O Farmacêutico pode atuar nas seguintes áreas: hospitais, drogarias, clinicas, indústrias farmacêutica, industria alimentícia, industria de cosméticos, distribuidoras, transportadoras, laboratórios de analises clinicas, farmácias magistrais, homeopatia, estética, policia cientifica entre outras áreas. O farmacêutico hospitalar responsabiliza-se por todo o ciclo do medicamento, desde sua seleção (ativos e fornecedores), armazenamento, controles, até o último momento, a dispensação e o uso pelo paciente. A atuação do farmacêutico hospitalar é muito abrangente. Ele é o profissional responsável por todo o fluxo do medicamento dentro da unidade de saúde e pela orientação aos pacientes internos e ambulatoriais, buscando contribuir na eficácia do tratamento, redução dos custos, direcionando também para o ensino e a pesquisa. Seu perfil profissional orienta-o para o exercício em outros segmentos mais específicos preconizados mundialmente como sendo parte integrante do exercício farmacêutico hospitalar que são: organização e gestão; administração e seleção de medicamentos e correlatos, participação nas equipes de controle de infecção hospitalar, suporte nutricional e quimioterapia, desenvolvimento farmacotécnico hospitalar, controle de qualidade, farmacovigilância, ensaios clínicos, radiofarmácia e cuidados farmacêuticos, sem esquecer o seu importante papel na educação. Com toda essa diversidade nos últimos anos o farmacêutico vem ganhando grande destaque e modificando sua atuação na área hospitalar, com a criação da Farmácia Clinica com essa mudança na atuação farmacêutica esses profissionais 08 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

deixam de ficar apenas na farmácia, e passa interagir com os pacientes e equipe multidisciplinar, de uma forma mais efetiva e importante para um tratamento mais seguro, e com isso diminui os possíveis riscos aos pacientes relacionado aos medicamentos, todo esse trabalho tem como finalidade identificar possíveis interações medicamentosas que possa interferir na farmacocinética e farmacodinâmica dos medicamentos, que por muitas vezes causam alguns danos aos pacientes diminuindo eficácia do tratamento. A farmácia clínica se constitui no estudo de cada paciente, com suas particularidades e comorbidades individuais, com objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e otimizar o tratamento do individuo, em conjunto com a equipe médica é feita a discussão de cada caso e mudanças de medicações ou reconciliação, e com isso observamos a evolução de cada caso. O Farmacêutico é responsável pelo Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), junto à equipe multidisciplinar, essa comissão tem uma função muito importante no âmbito hospitalar, tem como objetivo o controle e exterminação de bactérias resistentes às quais não tem tratamento, levando os pacientes a óbito. A Comissão de Controle de Infecção hospitalar se constitui pela equipe multidisciplinar que em reuniões discutem procedimentos e métodos que possam contribuir para prevenção de possíveis surtos de bactérias super-resistentes, desde a lavagem de mãos constante, para evitar contaminação cruzada de um paciente para outro, até o manuseio dos alimentos no setor de nutrição, por isso se da à importância de toda equipe multidisciplinar. O farmacêutico faz o controle dos agentes antimicrobianos e o uso racional e adequado para cada situação. Por esses e outros motivos, em qualquer dúvida em relação aos medicamentos procure um farmacêutico.


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA Cátia Maria Dantas

Psicóloga Clínica, Especialista em Saúde Mental e Dependência Química

Luciane Belfort

Terapeuta Ocupacional, Especialista em Ergononia. Mestranda em Educação para a saúde.

Técnicas da Casa de Saúde São João de Deus

ATENDIMENTO DE TRANSGÊNEROS

Novo desafio para profissionais de saúde

A sexualidade, desde sempre, é algo que permeia as relações humanas. Partindo desta ideia podemos perceber as várias formas como o ser humano se identifica e vivencia sua experiência na vida, e tais diversidades podem trazer sofrimento psíquico, visto que a sociedade nem sempre entende e/ou aceita a diversidade ou pluralidade da identificação humana.

O que é identidade de gênero? É exatamente como as pessoas se percebem. Quando uma pessoa nasce com o sexo biológico e se identifica com o seu sexo, ou seja, mulher se identifica com o corpo feminino e o homem se identifica com o seu sexo e com o seu corpo masculino é denominado “cisgênero”. Mas para algumas pessoas não é bem assim que acontece. Eles(as) não se sentem pertencentes a seu corpo, o qual está relacionado ao sexo biológico. Esta população leva a nomenclatura de “transgênero”, ou seja, todo os indivíduos cuja identidade de gênero não corresponde ao seu sexo biológico. O Transexual nasceu com um sexo masculino ou feminino, mas não se sente como tal, eles(as) adotam roupas do sexo oposto, consomem hormônios e, por vezes, decidem pela cirurgia da mudança de sexo. Independente do gênero, papel e orientação sexual o que os define é que o seu corpo é de um sexo, mas seu cérebro e coração (sensação, emoção) é oposto ao seu ver.

A vulnerabilidade social A pessoa transgênero já traz consigo, inúmeras dúvidas, medos e preconceitos, necessitando de apoio de pessoas próximas para que se compreenda melhor e reflita sobre os desafios que terá que superar na vida. Por vezes, a família é o primeiro grupo que exclui, por não aceitar ou desconhecer sobre identidade de gênero, muitas vezes a rua acolhe, mas traz consigo muitas cobranças, violência, oferta de prostituição e drogas. Infelizmente hoje, grande parte do público transgênero se encontra nessas situações de vulnerabilidade.

O cuidado hospitalar O profissional de saúde deve ter uma visão diversificada de gênero e da sexualidade humana para que seja hospitaleiro e acolhedor. Entender a trajetória, os preconceitos vividos, os medos adquiridos, as vitórias conquistadas, as perspectivas de vida é um dos primeiros passos para a garantia de um bom vínculo terapêutico. A discriminação é uma forma de violência que só bloqueia o tratamento, portanto é indispensável que terapeuta e paciente entrem em acordo sobre algumas necessidades. O respeito ao nome social é indispensável para garantia da cidadania e representatividade de gênero, além de ser um direito garantido na norma técnica 18/2014 do Ministério da Saúde. Também é necessário o respeito à composição da auto imagem, permitindo, dentro das normas hospitalares, que a pessoa possa escolher se irá vestir roupas masculinas ou femininas. É importante que sejam feitas orientações de auto cuidado e educação em saúde, por se tratar de uma população vulnerável. Os grupos de convivência ajudam na inclusão social, fortalecimento de vínculos e diversidade de ideias. Tentar resgatar os vínculos familiares fragilizados, ajuda na construção de novos objetivos de vida. A Casa de Saúde São Joao de Deus, traz em seu DNA o respeito e amor às pessoas, e não seria diferente com este público que tanto sofre exclusão social. As atividades terapêuticas visam a humanização, respeito, acolhimento tudo alicerçado na ética cientifica e moral o que proporciona a eles um lugar seguro para expressarem suas angustias e sofrimento, e terem a oportunidade de se socializarem com os demais pacientes. Lutamos por uma sociedade mais justa, harmônica e ética e é com estas diretrizes que nossos atendimentos são realizados. Esta instituição promove um ambiente saudável, acolhedor e respeitoso aonde os nossos pacientes terão sempre um atendimento integral e humanizado. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 09


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA Alexandre Ernesto Silva

Doutorando em Enfermagem - EE/UFMG Docente da Universidade Federal de São João del-Rei - MG

COMO PREPARAR O PROFISSIONAL EM SAÚDE PARA LIDAR COM O PROCESSO DE MORTE? Os avanços da ciência na cura e controle de doenças, fazendo com que as pessoas vivam cada vez mais tempo, fez com que a morte passasse de um acontecimento possivelmente precoce e familiar para um evento tardio e institucional. Estes avanços geraram na sociedade uma ideia de imortalidade, constituindo nos profissionais de saúde uma onipotência e onissapiência que na verdade não possuem. Neste sentido a sociedade não tem visto a morte como um evento natural da vida, mas como falência no processo de sua manutenção a quaisquer custos, muitas vezes utilizando da futilidade e obstinação terapêutica. Os profissionais de saúde em sua maioria são primariamente formados e treinados para pesquisar, diagnosticar e tratar doenças, e secundariamente para cuidar de pessoas. Portanto, diante de uma pessoa com uma doença progressiva, irreversível e que ameace a continuidade da vida, nos quais a tecnologia e os aparatos para sustenta-la se tornam insuficientes, estes profissionais se sentem angustiados, fracassados e incapazes diante da inevitabilidade da morte. Tratar da temática “morte” desperta nas pessoas sentimentos e atitudes que comumente remetem à rejeição, ao medo e a repulsão. Especialmente para os profissionais de saúde, a morte faz parte do seu cotidiano de trabalho e estas atitudes são especialmente utilizadas por eles com o intuito de defender da angústia gerada pelo assunto. Entretanto, estas atitudes não se fazem eficazes e o sentimento de angústia permanece, dificultando tanto a comunicação com o doente e seus familiares, quanto à elaboração do luto nos processos de perda. A escassez de tempo destinado à formação e a conhecer os sentimentos despertados no profissional de saúde pelo cuidado dispensado e as perdas vivenciadas, realça a importância de estudos na área do processo de morte e morrer para a equipe multidisciplinar envolvida neste contexto. Refletindo a necessidade de amenizar o sofrimento de quem vive o processo de morte e no preparo de profissionais que lidam diariamente neste contexto é que surge a ciência que estuda a morte e o processo de morrer, a Tanatologia. Esta ciência tem como objetivo, além do estudo da morte, os processos de morrer e as perdas e luto, auxiliar leigos e profissionais a lidar com tais processos, dando suporte e aliviando o sofrimento. São poucas as instituições educacionais que contemplam este assunto em seus currículos para formação na área de saúde, fazendo assim com que os profissionais se insiram no mercado de trabalho sem confiança para atuarem nesta tônica, repercutindo negativamente no atendimento e alívio de sofrimento às pessoas em fase final de vida e de seus familiares. Alguns países 10 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

da Europa instituíram a temática da morte e dos cuidados paliativos obrigatoriamente nos currículos de graduação dos cursos de saúde, e estudos a respeito das repercussões do novo currículo no conhecimento e autoconfiança dos alunos para atuarem diante destas condições, revelou eficácia desta inserção curricular na prática profissional. Considerando este panorama, é necessária na formação profissional uma abordagem que considere a morte como processo natural da vida, focando atitudes que possibilitem o cuidado humano com qualidade no decorrer de doenças, mesmo em situações nas quais a cura não seja possível, proporcionando consequentemente uma morte digna. Esta formação precisa ter objetivos delineados para não configurar uma proposta psicoterápica e sim uma proposta pedagógica, configurando nestes profissionais uma postura humanista de assistência, no qual seu olhar seja voltado para a pessoa e seus familiares e não somente para a doença que o acomete. Para que o profissional consiga lidar com a realidade do processo de morte e o morrer em seu cotidiano é preciso que seja desenvolvido junto dele, habilidades para superar o estresse e estratégias para que o mesmo se adapte a essas situações sem que estas lhe cause sofrimento. Estas habilidades precisam estar presentes na vida do profissional de saúde desde sua formação, por meio de práticas que previnam e aliviem possíveis sofrimentos causados pelo convívio com a morte. É importante que existam espaços nas escolas e nos ambientes de trabalho nos quais possam ser compartilhados e discutidos o tema da morte e do morrer, as vivências, sofrimentos, angústias e estratégias de controle de estresse. A intervenção por meio de projetos psicossociais nestes espaços, que dê suporte para as dificuldades e frustrações profissionais cotidianas, previne situações de angústia que poderão levar a doenças ocupacionais e sofrimento mental. A atuação do psicólogo na condução destes projetos, no acompanhamento coletivo ou individual dos profissionais de saúde é de suma importância, tendo em vista especificidades desta abordagem em sua formação. Referências bibliográficas CAPELAS, Manuel Luis et al. Cuidar da pessoa que sofre: uma teoria de cuidados paliativos. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2017. 87 p. OLIVEIRA-CARDOSO, Érika Arantes; SANTOS, Manoel Antônio. Grupo de Educação para a Morte: uma Estratégia Complementar à Formação Acadêmica do Profissional de Saúde, Psicologia: Ciência e Profissão, v. 37, n. 2, p. 500-514, abr./mai. 2017. PAWLOWYTSCH, Pollyana Weber da Maia; KOVALSKI, Edinara. O entendimento da morte para profissionais de saúde de um hospital geral de Santa Catarina, Saúde Meio Ambient., v. 6, n. 2, p. 28-38, jul./dez. 2017. PEREIRA, Clarissa Pires; LOPES, Sandra Ribeiro de Almeida. O processo do morrer inserido no cotidiano de profissionais da saúde em Unidades de Terapia Intensiva. Rev. SBPH, Rio de Janeiro , v. 17, n. 2, p. 49-61, dez. 2014.


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA

ENFERMAGEM, A ARTE DE CUIDAR Pessoas cuidando de pessoas doentes existiram desde que o mundo é mundo, mas a primeira referência histórica para os profissionais de enfermagem é Florence Nightingale (18201910), a “Dama da Lâmpada”, buscando feridos entre os soldados da Guerra da Crimeia (1853-1856). Foi ela quem escreveu:

“A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do Espírito de Deus? É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes!” Florence deu o mote e a Revista OH! foi atrás de duas técnicas de enfermagem do Lar São João de Deus para ouvir a sua confirmação e suas vivência dessa arte de cuidar chamada de Enfermagem.

Fabiana Aparecida dos Reis Técnica de Enfermagem

Nossa vocação como enfermagem é promover saúde e bem estar. Por isso nos empenhamos em oferecer cada dia um cuidado mais profissional carregado de carinho e amor. Além da capacidade profissional, estamos sempre ao lado do doente ou idoso para fazer companhia, escutar as repetidas e velhas histórias, emitir palavras de conforto e carinho, além de passar a tranquilidade e segurança para seus familiares. Com otimismo e sabedoria técnica cumprimos e aprendemos o lema “amar o próximo como a si mesmo”. Confesso que ás vezes a tarefa é difícil, mas com destaque não devemos esquecer o fato de doação chamado amor de ambas as partes: sarar as feridas do corpo e muitas vezes da alma!

Elaine dos Passos Tomaz

Técnica de Enfermagem

Toda as vezes em que eu ouvia falar sobre um idoso, me fazia várias perguntas e uma dela seria como será cuidar de um. Por inúmeras vezes achei que isso seria impossível para mim, mas, quando eu menos esperava, “cai de páraquedas” em um Lar para Idosos. Aqui encontrei meu lugar, minha segunda casa, minha outra metade. Todos os dias somos recebidos com sorrisos simples e verdadeiros de pessoas que nunca nos viram na vida, isso é muito gratificante. Aqui no Lar recebemos as famílias na chegada e na partida do seu maior bem e isso faz com que me dedique além do que posso, porque não quero perdê-los. Uma vez me perguntaram o que eu teria de bom para oferecer a um idoso e eu respondi, sem sombra de dúvidas: carinho, amor, atencão e respeito. Tenho certeza que nestes 8 anos, em que divido meus momentos com os idosos, pude dar um colo, um conforto na hora da dor, meus ouvidos para um desabafo ou uma lamentação. Aprendi a compreendê-los e a entendê-los melhor. Aprendi com muitos deles que o dinheiro, o luxo, não compra a carência e que mesmo que o tempo leve a memória, o que fez feliz no passado permanece na mente para que possa enfrentar o futuro. Recebemos e retribuimos o carinho a pessoas que nunca saberão o que é agradecer, mas, mesmo assim, não desistimos da nossa missão. O LSJD me traz todos os dias a experiência e o aprendizado que em qualquer outro lugar não encontraria. Por essa razão me orgulho em poder dar meu melhor a cada um dos hóspedes. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 11


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA José Raimundo Evangelista da Costa Doutor em Psicologia Clínica pela PUC/SP Professor Titular da Universidade Paulista - UNIP

HOSPITAL PSIQUIÁTRICO: CAMPO NATURAL DE ENSINO E APRENDIZAGEM Nas últimas décadas, os hospitais psiquiátricos têm se reinventado constantemente para atender as necessidades do mundo moderno e se enquadrar às leis que dispõem sobre a proteção e os direitos dos indivíduos portadores de transtornos mentais e ao mesmo tempo humanizar o modelo de atenção à saúde mental. Não é mais admissível que as pessoas portadoras de transtornos mentais sejam excluídas da sociedade, que tenham seus diretos violados, abusadas e torturadas. São pessoas com plenos direitos. A lei 10.216 faz um alerta, que o tratamento das pessoas portadoras de transtornos mentais em regime de internação, seja estruturado de forma a oferecer assistência integral a essas pessoas, incluindo serviços de equipe multiprofissional, como, médicos, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, nutricionistas, musicoterapeutas e outros. A lei deixa claro que “é vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares”.

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Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades; II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade; III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração; IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas; V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária; VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis; VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento; VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis; IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental (Art. 2º). BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Lei nº 10.216, Lei da Reforma Psiquiátrica de 06 de abril de 2001. Diário Oficial da União.


Com toda a transformação do hospital psiquiátrico, ele não perdeu uma das suas principais características, continua sendo um campo natural de ensino e aprendizagem. O hospital acolhe estudantes de diferentes cursos da área da saúde. O desejo de saber conduz centenas de estudantes a se lançarem no “mundo da loucura”. Na atualidade o estudante que mais busca conhecimento nos hospitais psiquiátricos é o estudante de psicologia – estágio curricular obrigatório. O estágio está ligado à disciplina de psicopatologia. Na formação do psicólogo, a disciplina de psicopatologia consta desde o início da criação das faculdades de psicologia que, a partir da década de 1970, expandiram-se em todo o país. Junto com o ideal clínico, a psicologia importou também o modelo médico como ideal de formação do psicólogo... No curso de psicologia, a psicopatologia foi dividida em Geral e Especial. A primeira, nos moldes de Jaspers – um tipo de psicologia geral do patológico – estuda os distúrbios das funções psíquicas, da personalidade e do comportamento. A psicopatologia especial, equivalente da psiquiatria clínica, engloba os métodos de classificação, propedêutica e nosologia psiquiátrica. Sabe-se que a nomenclatura psicopatológica nasceu de uma experiência prática contínua nos manicômios, sendo, portanto, essencialmente empírica. Seu ensino, tradicionalmente, também foi desenvolvido pelo contato diário com casos clínicos, observações, exames e intervenções práticas. No entanto, os estudantes de psicologia não dispõem desta experiência clínica, o que torna mais difícil a aprendizagem da diferenciação dos termos e conceitos psicopatológicos. FERREIRA, A. P. O ensino da psicopatologia: do modelo asilar à clínica da interação. Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., V, 4, 11-29.

O encanto do estagiário

O encontro do estudante de psicologia com as pessoas portadoras de transtornos mentais é uma experiência única. As oficinas, as dinâmicas, a escuta, a observação são

momentos que marcam a vida do estudante. Nas aulas de psicopatologia geral e especial os alunos partilham suas vivências no estágio supervisionado de psicopatologia no hospital psiquiátrico. Nos relatos das vivências fica claro o aprendizado e o encantamento do aluno com o “mundo da saúde mental”. Durante o estágio o estudante tem a oportunidade de treinar a sua observação clínica, mas que clínica estamos falando? Estamos falando da clínica do olhar, da clínica da escuta, da clínica da relação, da clínica do discurso. O estudante finaliza seu estágio com o desejo de “quero ficar um pouco mais”, mas é preciso ceder lugar para tantos outros estudantes. Com todo o aprendizado ao longo do estágio o estudante sai com uma certeza: o discurso de cada paciente é uma construção individual que lhe atribui um lugar no mundo. O diagnóstico pode até ser o mesmo, mas cada paciente é único. Quando o estágio termina... o paciente fica com seus sintomas, com seu transtorno, aguarda uma melhora clínica para receber alta médica e continuar o tratamento no CAPS... o estudante segue seu caminho um pouca mais rico em conhecimento e com a certeza que fez o melhor para minorar o sofrimento daquelas pessoas portadoras de transtornos mentais que cruzaram seu caminho durante o estágio... Para finalizar, De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que é preciso continuar. A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. (FERNANDO SABINO)


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA Luciano Augusto da Silva Barbosa

Mestre em Ciências (UNIFESP) Professor da Universidade Paulista - UNIP

PRINCÍPIOS ÉTICOS FUNDAMENTAIS PARA ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DA ÁREA DA SAÚDE A atuação dos profissionais da saúde é bastante ampla e possui suas especificidades. Em suas ações esses profissionais, cada um em seu domínio de saber, atuarão na promoção da saúde, prevenção, recuperação e reabilitação de um indivíduo, grupo ou comunidade. Deles muito é exigido, dada sua atuação voltada, em geral, para a garantia de bem-estar e qualidade de vida de pessoas que se encontram em situações com variados graus de vulnerabilidade física, emocional e/ou mental. Em seu cotidiano os profissionais da saúde lidam com vivências de grande impacto e significado na vida humana – o nascimento, o adoecimento e a morte –, situações cuja presença ou iminência geram medos, ansiedades, angústias e provocam crises pessoais e familiares. Tais eventos levam esses profissionais muitas vezes a questionar se suas práticas estão de acordo com o propósito ético da ciência que representam1. Em função disso na atualidade as profissões da área da saúde têm se preocupado com a reorientação da formação de seus profissionais, visando a construção de profissionais mais qualificados e eficientes, e capacitados a uma atuação mais humanizada. Essas profissões enfrentam como desafio oferecer uma formação ética para seus estudantes para que eles possam desenvolver suas competências profissionais baseadas na prudência, responsabilidade e comprometimento social2. Em sua ação o profissional de saúde pode vir a se deparar com dilemas éticos que podem deixa-lo em dúvidas sobre qual a melhor decisão tomar, havendo a necessidade de um fundamento, uma referência que o oriente nos momentos de tomada de decisão. Tal fundamento ou referência é sempre a pessoa humana, pois3: • A pessoa humana é única, singular. Cada ser humano 14 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

tem suas características, desejos, necessidades, etc., e essa singularidade deve ser respeitada; • A pessoa humana possui dignidade, ou seja, tem seu valor pelo simples fato de ser pessoa; • Essa pessoa é composta pela dimensão biológica (área de estudo da Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, dentre outras), pela dimensão psicológica (área de estudo da Psicologia), pela dimensão social ou moral (área de estudo das Ciências Sociais) e pela dimensão espiritual (área de estudo das Teologias). Essas dimensões juntas constituem a pessoa, sua totalidade. De forma a garantir o respeito à dignidade da pessoa humana, a atuação dos profissionais da saúde deve ser pautada pelos princípios da Beneficência/não-maleficência, Autonomia e Justiça3: 1 – Beneficência/não-maleficência: O benefício aos pacientes sempre foi a principal razão das profissões da área da saúde. Por beneficência entende-se “fazer o bem”, e não-maleficência significa “evitar o mal”. Assim sendo, deve-se oferecer sempre o melhor tratamento ao paciente – tanto em relação à aplicação da técnica quanto no reconhecimento de suas necessidades físicas, psicológicas e sociais –, reconhecendo sua dignidade e considerando sua totalidade. 2 – Autonomia: Por esse princípio, todo indivíduo tem liberdade de decisão sobre sua vida (autodeterminação), devendo ter respeitada a sua vontade. Diz respeito a um princípio fundamental elencado na Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (1948). O respeito à autonomia pressupõe que o profissional de saúde deve oferecer ao paciente todas as informações téc-


nicas sobre seu quadro ou procedimentos a serem adotados para que o mesmo possa decidir sobre si mesmo sem qualquer influência ou manipulação. A violação da autonomia só é eticamente aceitável quando o bem coletivo é sobreposto ao bem individual, como por exemplo, na proibição de fumar em ambientes sociais fechados. 3 – Justiça: Segundo esse princípio, todas as pessoas são diferentes, assim também são diferentes suas necessidades. Desta forma, o direito de cada um deve ser respeitado de forma imparcial. Ressalta-se que existe uma hierarquia entre tais princípios, sendo que diante de um processo de decisão o profissional deve primeiramente reconhecer o valor da pessoa, em seguida, deve buscar fazer o bem a ela evitando os malefícios, respeitar suas escolhas e ser justo em suas ações3.

co, amparado no princípio da beneficência/não-maleficência já mencionado. Vale lembrar que aliado à qualificação técnica está o exercício incansável do aperfeiçoamento da empatia – capacidade de se colocar no lugar do outro para tentar sentir na mesma perspectiva o que ele sente. Através dessa habilidade os profissionais da saúde podem compreender melhor sentimentos, emoções e necessidades daqueles que precisam de seus cuidados, garantindo a construção do vínculo, este entendido como uma aproximação estreita e respeitosa entre o profissional e o paciente, marcada por uma escuta atenta, pela confiança e pelo diálogo. Referências bibliográficas 1MEDEIROS, G. A. Por uma ética na saúde: algumas reflexões sobre a ética e o

Através do exposto, conclui-se que a atuação do profissional da área da saúde é profundamente compromissada com os direitos fundamentais da pessoa humana. Caso haja dúvidas sobre qualquer um dos princípios aqui elencados, que seja levado em consideração que todo ser humano merece ser respeitado. Além disso, é fundamental ao profissional o constante aprimoramento de seu conhecimento, alcançado através da realização cursos, congressos, seminários, etc., pois não há dúvidas de que a capacitação também é um dever éti-

ser ético na atuação do psicólogo. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 22, n. 1, p. 3037, mar. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1414-98932002000100005>. Acesso em: 14 jun. 2018.

Cada ano o Superior Geral propõe uma Casa da Ordem ou algum novo Projeto para que todo o mundo se mobilize a favor dele. Em 2018 vamos todos ajudar no Benim, na África! Naquele país, onde a Ordem chegou pela década de 1960, a recémformada Província São Ricardo Pampuri, se propõe a construir um Hospital Policlínico e Centro de Reabilitação com ozonoterapia. Nos arredores da capital, Cotonou, em terreno já adquirido, nascerá esse equipamento social moderno e espaçoso, ca-

paz de oferecer às populações cuidados de saúde, inclusive ozonoterapia, com qualidade e humanização, no respeito a dignidade humana, por ali tão maltratada ainda. No Brasil, quem puder e quiser contribuir para o Projeto, pode entregar sua oferta em qualquer Comunidade dos Irmãos ou depositar na seguinte conta bancária da Ordem: Banco Bradesco - ag. 910 - conta 96101-9. No final de outubro os valores acumulados serão enviados para a sede da Ordem, viabilizando o Projeto. Que São João de Deus a todos bendiga e inspire!

2FINKLER, M.; CAETANO, J. C.; RAMOS, F. R. Ética e valores na formação

profissional em saúde: um estudo de caso. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, n. 10, v. 18, p. 3033-3042, 2013. Disponível em: <http://www.scielo. br/pdf/csc/v18n10/v18n10a28.pdf>. Acesso em: 14 jun. 2018. 3UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO/UNIVERSIDADE ABERTA DO SUS.

Especialização em saúde da família. Módulo bioética. Disponível em: <http:// www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/1/modulo_bioetica/Aula01. pdf>. Acesso em: 15 jun. 2018.

OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 15


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA Eng.° Guilherme Gralik

Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis

BIOMATERIAIS

Porque o homem não é de ferro!

Aumenta a demanda por Engenheiros Biomédicos Os biomateriais são uma classe específica de materiais utilizados para promover a substituição de tecidos doentes e melhorar a qualidade de vida de pessoas acometidas de enfermidades como osteoporose, desgaste ósseo, queimaduras e problemas odontológicos. Estes devem possuir propriedades especificas para que sua aplicação seja eficiente, dimuindo ao máximo a possibilidade de rejeição ou ruptura durante o uso. Para que estes eventos não ocorram, as principais propriedades desejadas são a alta biocompatibilidade e em alguns casos, quando o tecido a ser substituído é submetido a esforços mecânicos, o biomaterial deve possuir alta resistência mecânica e baixa taxa de desgaste durante o uso. Os biomateriais são utilizados desde a antiguidade, exemplos de usos são confirmados em achados arqueológicos no antigo Egito e também na civilização Maia. Atualmente a utilização de biomateriais é crescente devido a inúmeros fatores como o aumento do nível tecnológico o que possibilita o desenvolvimento de biomateriais com melhor desempenho. Outro aspecto importante é o envelhecimento da população, de forma geral, o que aumenta a demanda principalmente de biomateriais ligados a patologias ligados à terceira idade, como osteoporose e desgaste ósseo, sendo o implante de prótese femoral uma das cirurgias mais realizadas nesta faixa de idade. O implante de prótese femoral é um procedimento complexo, cirurgicamente, e devido à alta solicitação mecânica associada aos movimentos relativos ao de uma articulação, o biomaterial deve possuir elevada resistência a fratura e ao desgaste. Existem inúmeros tipos de prósteses femurais constituídas de materiais diversos como metais, cerâmicas ou polímeros (plásticos), sendo a mais comum a feita de uma liga de titânio. Alguns fatores devem ser considerados na escolha do biomaterial mais adequado ao paciente, como nível de desgaste ósseo, idade e enfermidades pré-existentes. O meio de fixação da prótese femoral também é outro aspecto importante que deve ser considerado podendo 16 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

ser cimentada, ou fixada sob pressão, podendo ser também híbrida que associa a fixação cimentada à pressão. Atualmente as próteses femorais são submetidas a tratamentos superficiais com materiais que possuem alta compatibilidade com os ossos facilitando e acelerando o processo de integração entre o osso e o implante. Um exemplo é o recobrimento com hidróxido de apatita. Uma grande demanda atualmente é de profissionais especializados em aspectos relativos às áreas de conhecimento ligadas aos biomateriais. São exemplos destes profissionais: engenheiros de materiais, engenheiros mecânicos, médicos ortopedistas, dentistas e fisioterapeutas. O processo de desenvolvimento de biomateriais no Brasil está ligado principalmente a grupos de pesquisas vinculados a universidades. No processo de comercialização existem poucas empresas nacionais sendo a maioria dos biomateriais importados de países como a Suíça e a Alemanha. Existem no Brasil uma série de iniciativas para alavancar a área de biomateriais como o Congresso Latino Americano de Órgãos Artificiais e Biomateriais, realizado anualmente em diferentes cidades do Brasil e o Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica, além da criação da Sociedade Latino Americana de Biomateriais. Existem também diversos cursos de pós-graduação que têm como tema de pesquisa os biomateriais. Podemos destacar o Mestrado Profissional da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP, Campus Araraquara, que tem como objetivo formar profissionais especializados na área. Com o avanço de técnicas de caracterização de materiais, houve uma melhora considerável nos biomaterias desenvolvidos, o que possibilitou que um maior número de pacientes fossem atendidos em suas necessidades, aumentando também a demanda de profissionais qualificados. guilherme_gralik@yahoo.com.br


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA

EXORCISMO

A cura do corpo e da alma!

Frei Roger Villa, CIG

Graduando em Teologia e membro da Sociedade Brasileira de Teologia Moral

Existe curso de Exorcismo? “O Demônio existe, não o confundamos com doenças psicológicas”. Com esta frase do Papa Francisco, se reforça a presença do mal na humanidade. Um mal que tem por objetivo confundir e atormentar as pessoas, seja disseminando a intriga, a discórdia e a desavença, ou incitando os corações e mentes das pessoas a pecarem de forma individual deixando-se vencer por tentações e comodidades. Este mal também atua de forma social, arrebentando a vida comunitária da população e também atuando em todas as formas de destruição do planeta. Enfim, o mistério do mal se manifesta como desordem que quer acabar com a ordem estabelecida e criada por Deus. Esse estudo é próprio da Teologia Moral e busca nos apresentar um caminho para viver em conformidade com o Evangelho e as necessidades éticas do dia a dia. A proposta de Jesus de salvação e libertação de toda a pessoa, passa pela luta contra o mal e afirma o compromisso de todo o cristão de também estar sempre atento e não desanimar nessa batalha. É importante perceber que em seus envios missionários a ordem de Jesus é clara: “Curar os doentes” e, logo em seguida, “expulsar os demônios”. Jesus se preocupa, tem compaixão e dedica parte de seu ministério a executar curas sejam elas físicas ou espirituais, pois para ele o Reino de Deus visa pessoas sadias de corpo e alma. Jesus trata de forma diferente o doente físico e o possesso. Isso porque o doente físico precisa de uma palavra, um gesto, um cuidado, um medicamento; o possesso precisa de uma ordem de Jesus para ficar curado. E essa mesma ordem a Igreja segue até os dias atuais. Por isso nos evangelhos fica muito evidente que Jesus praticou de forma clara exorcismos. Com o passar dos séculos o tema do exorcismo ganhou muita força, como também muita superstição, muita crendice, muitos “óscares” nos cinemas e até mesmo muita poeira que obscureceu essa celebração, rica em elementos. Um exorcismo é um sacramental da Igreja e como tal é constituído de rito, fórmula, assembleia e presidência, enfatizando-se assim sua ligação com a liturgia e a oração do povo de Deus. Nos primeiros séculos do cristianismo já os novos catecúmenos recebiam a imposição das mãos da comunidade reunida e sobre eles era feita a oração do exorcismo, pedindo a Deus que fosse afastado deles todo o espírito do mal, todo o erro e todo o pecado, para que pudessem tornar-se templos do

Espírito Santo (cf. RICA 113). Hoje, na celebração do batismo, o fiel é chamado a renunciar ao mal, ao demônio e a todas as suas seduções. Também na profissão do Credo, promete-se crer em Deus e no seu projeto e se pede que o batizado e sua família sejam protegidos contra todo o tipo de poder maligno. Já no século III, em Roma, Santo Hipólito dizia que: “inspirada na prática e mandamento de seu Fundador, a Igreja, desde os primórdios, fez orações em favor dos fiéis, visando protegê-los contra a influência do maligno e subtraí-los de seu domínio” (Tradição Apostólica 42). Não é qualquer pessoa que pode presidir um Ritual de Exorcismo. Esta tarefa é do bispo que, por diversas necessidades ou impedimentos, pode nomear um sacerdote como exorcista. Este, por sua vez, deve ter toda uma equipe de consultores e auxiliares qualificados que possam ajudá-lo neste ministério. Hoje em dia pede-se que cada diocese, no mundo, tenha ao menos um exorcista, tarefa essa um pouco complicada pois em muitos lugares esse tema ainda é tratado na obscuridade e, por isso, acaba gerando muito desconhecimento e despreparo especialmente entre o clero. Os ordinários locais ainda não despertaram para essa realidade, para esta necessidade e preocupação pastoral, manifestada por parte dos últimos Papas. Fazendo-se uma pesquisa pelas dioceses vai-se chegar a um número surpreendente de dioceses que ainda não têm o seu exorcista. Os Papas têm insistido nesta necessidade de se ter exorcistas preparados e que atuem no meio do povo de Deus. Inclusive tem surgido uma crescente oferta de cursos para exorcistas, em escala mundial e até mesmo nos continentes. Tais cursos têm a aprovação do Vaticano. Em todo o caso, a responsabilidade pastoral e a resposta a esse desafio, quando se constata uma possessão, cabe em primeiro lugar ao bispo local. Um exorcismo só pode ser celebrado após todas as demais alternativas médicas e psiquiátricas terem se esgotado, não apenas por cuidado de veracidade, mas também por um zelo pastoral com cada pessoa. Celebrar a oração do exorcismo não faz mal a ninguém, ao contrário, ajuda o fiel a reavivar a fé e a assumir o seu compromisso com Deus, mesmo porque o zelo pelas coisas de Deus deve ser sempre uma das principais causas de um verdadeiro apostolado. Uma coisa é importante: nunca se deve esquecer que celebrar um exorcismo é também uma forma de anunciar o Reino de Deus. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 17


CAPA

PROFISSÕES DE SAÚDE NO BRASIL Regulação, desafios e tendências Continua a ser fascinante trabalhar em Saúde, em turbulentas favelas das periferias ou em sofisticados hospitais das grandes metrópoles. Comecemos por listar as profissões de saúde existentes no Brasil, ou ao menos chegar à lista aproximada, para sabermos do que vamos falar. Depois falaremos de regulação, de desafios, tendências, escolas, custos e não só. A lista da CBO Classificação Brasileira de Ocupações - identifica 40 itens, mas deixa de fora muitos profissionais que também se reivindicam da saúde. Afinal, “Profissional da Saúde” é uma pessoa que trabalha em uma profissão relacionada às ciências da saúde.

PROFISSÕES DE SAÚDE

CBO-CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES (por ordem alfabética) • Acupunturista • Médico • Agente de Saúde Pública • Médico Veterinário • Assistente Social • Nutricionista • Atendente de Enfermagem • Operador de Eletrocardiógrafo • Auxiliar de Banco de Sangue • Operador de Eletroencefalógrafo • Auxiliar de Enfermagem • Operador de Raio X (Técnico • Auxiliar de Laboratório de em Radiologia) Análises Clínicas • Óptico • Bacteriologista • Ortoptista • Biomédico • Parteira • Contactólogo • Parteira Prática • Cuidador • Protético Dentário (Técnico • Dentista em Prótese Dentária) • Dietista • Psicólogo • Enfermeiro • Quiropata • Farmacêutico • Recepcionista de Consultório • Farmacologista Médico/Dentário • Fisioterapeuta • Técnico de Laboratório de • Fonoaudiólogo Análises Clínicas • Instrumentador de Cirurgia • Técnico de Ortopedia • Laboratorista (Analista • Técnico em Higiene Dental Clínico Laboratorial) • Terapeuta Ocupacional • Massagista/Massoterapeuta • Visitador Sanitário OUTRAS PROFISSÕES ASSOCIADAS À SAÚDE Auxiliar de Cabeleireiro, Barbeiro, Cabeleireiro, Calista, Cosmetologista, Depilador, Esteticista, Grafologista, Manicuro, Maquiador, Musicoterapeuta, Naturopata, Optometrista, Pedicuro, Perfusionista, Podólogo, Psicanalista, Tecnólogo Esteticista, Terapeuta em Dependência Química, Terapeuta Holístico, Terapeuta Esteticista, Zootecnista. 18 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

REGULAÇÃO DAS PROFISSÕES Segundo Bárbara Starfiel (1932-2011), impulsionadora dos Cuidados de Saúde Primários a nível internacional, desde a antiguidade que junto com o médico atuam outros profissionais auxiliando ou complementando seu trabalho de prestação de serviço de saúde ressaltando que onde a oferta de médicos era pequena, profissionais de saúde como enfermeiros e auxiliares os “substituíam”. Atualmente a profissão médica deixou de ser a peça central da saúde, passando a associar-se ao conceito de saúde a multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdiciplinaridade. Das profissões que exigem formação superior são apenas 14 aquelas que são regulamentadas, no Brasil, segundo dados de 2012, os mais recentes que pudemos obter: Medicina, Odontologia, Psicologia, Enfermagem, Serviço Social, Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Biologia, Nutrição, Fonoaudiologia, Biomedicina, Técnico em Radiologia e Veterinária. Segundo Sabado Nicolau Girardi, Médico da Estação de Pesquisa de Sinais de Mercado do NESCON-FMUFMG, autor em quem baseamos este apartado do nosso trabalho, “Profissões podem ser definidas, em termos sociológicos, por suas jurisdições legais exclusivas, por sua autonomia e capacidade de auto-regulação. São instituições sociais caracterizadas pela detenção de um patrimônio constituído por um tipo de conhecimento complexo e abstrato, adquirido através de um longo processo de formação, geralmente em universidades, e não acessíveis em suas aplicações e julgamento pelo público. Os seus serviços são baseados na confiança com os clientes e na integridade moral dos seus membros. Devido a isso, ao contrário de outros negócios e atividades, as profissões são


reguladas de maneiras especiais. A prevenção de riscos para a vida, a integridade, a segurança, o bem-estar ou o patrimônio dos consumidores leva a um tipo de regulação denominado auto-regulação, ou seja, a regulação por seus próprios pares ao invés de uma regulação burocrática ou de mercado”. Segundo o art. 5º, XIII, da Constituição Brasileira (1988), “O trabalho, ofício ou profissão, é livre, desde que atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. E o Art. 22, XVI estabelece a competência exclusiva da União para legislar sobre a organização do sistema nacional de profissões. O Congresso Nacional, por sua vez, analisa as demandas de regulamentação profissional e depois de ouvir o ministério setorial bem como segmentos interessados do público, pode promulgar as leis profissionais, que estabelecem, basicamente, o direito e os âmbitos da prática de cada profissão e regras para a criação de entidades reguladoras profissionais - os conselhos profissionais (no caso de profissões autorreguladas).

prática. Desde 1999 até 2012, foram apresentados no Congresso 244 projetos de lei vinculados a profissões de saúde; 130 tratavam da regulação do exercício de 47 profissões já reconhecidas e que buscavam regulação. O processo de regulamentação profissional da saúde pode ser entendido como uma política pública, uma parte essencial das políticas de saúde. Nesse sentido, as demandas atuais e futuras de grupos profissionais para regulamentar as suas atividades devem ser consideradas à luz de alguns princípios como a eficiência, a equidade, a viabilidade e a responsabilidade, em nome do interesse público. Existe uma necessidade de alcançar um equilíbrio adequado entre o interesse público e a variedade de demandas de regulamentação profissional eventualmente em rivalidade - e conflitantes entre si.

MODELO BRASILEIRO DE REGULAÇÃO PROFISSIONAL

O estudante que opta por um curso da área de saúde pode estar escolhendo uma rotina de trabalho muito estressante e corrida, como a de médico ou de enfermeiro em hospitais. Mas também pode estar a investir numa rotina tranquila, se escolher, por exemplo, a via das terapias, como como fonoaudiologia ou a psicologia. Entretanto, quem apresentar facilidade de comunicação, equilíbrio emocional e sensibilidade para questões sociais, acabará se dando bem nessa área. Também se dá bem nela quem gosta de lidar com pessoas, tem meticulosidade e atenção para detalhes, sabe relacionar eventos e fenômenos, tem interesse por questões científicas e sociais e apresenta facilidade de concentração. Com o aumento da população e da expectativa de vida dos cidadãos, a demanda por profissões desta área cresce. No interior do país, a necessidade é mais urgente. Em Roraima, por exemplo, há um médico para cada 10.306 pessoas (dados de 2011), média inferior à de países africanos muito pobres. Já em São Paulo, a média é superior a países europeus ricos: um médico para cada 239 habitantes. As graduações mais procuradas na área de saúde são medicina, enfermagem, psicologia, educação física e fisioterapia. Pela mão de Guilherme Dearo, do Departamento Marketing do site EXAME, vamos conhecer essas e mais algumas.

O autogoverno das profissões e a autorização legal de direitos exclusivos de prática, através de atos privativos das profissões autorreguladas, podem ser definidas como as características essenciais do modelo brasileiro de regulação profissional. Há duas peças institucionais fundamentais neste modelo de autorregulam: 1. Leis de Exercício, que definem: • O âmbito/escopo de prática da profissão, constituído por certos atos exclusivos ou privativos; • Pré-requisitos de habilitação legal para a prática, particularmente as credenciais educacionais; • Formas e competências institucionais das autoridades reguladoras das profissões. (As profissões autorreguladas são regulamentadas por seus próprios conselhos). 2. Conselhos profissionais são autarquias federais especiais (ou seja, instituições que têm o poder de regular os seus membros e são parte do estado, um ramo de descentralização do governo, uma agência do Estado brasileiro) com autoridade reguladora. Sua principal missão é garantir a proteção do público e da integridade das profissões. Tem como função • Registrar e autorizar os profissionais para a prática; • Emitir resoluções concernentes ao exercício da profissão • Definir os códigos de ética, que regem a prática dos seus membros; • Estabelecer a vigilância da profissão e sua disciplina.

AS DEMANDAS DE REGULAÇÃO PROFISSIONAL NO CONGRESSO Existe um grande número de demandas - um verdadeiro excesso - por regulamentação, desregulamentação ou re-regulamentação de determinadas profissões e ocupações já em curso no país. Elas vêm de uma variedade de fontes e representam, muitas vezes, interesses rivais sobre domínios de

O MERCADO É PROMISSOR PARA PROFISSÕES NA ÁREA DA SAÚDE, CONHEÇA ALGUMAS

MEDICINA É a ciência que investiga a natureza e as causas das doenças humanas, procurando sua cura e prevenção. O profissional de medicina, em suas muitas especialidade, pesquisa e trata disfunções e moléstias, escolhendo os melhores procedimentos para preveni-las e combatê-las. Há trabalho para o médico em hospitais, clínicas, postos de saúde e empresas. Grande parte atua também em consultório próprio. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 19


ENFERMAGEM É a ciência que visa a implantação do tratamento de doenças e o cuidado ao ser humano, individualmente, na família ou em comunidade, de modo integral e holístico. O enfermeiro atua na proteção, na promoção e na recuperação da saúde e na prevenção de doenças. Em hospitais, é indispensável em todos os setores, da UTI à psiquiatria. É responsável desde a higiene e a alimentação do paciente até à administração de remédios, manutenção de curativos e outros cuidados.

PSICOLOGIA É o estudo dos fenômenos psíquicos e do comportamento do ser humano. O psicólogo diagnostica, previne e trata doenças mentais, distúrbios emocionais e de personalidade. Esse profissional atua em consultórios, em hospitais, escolas e nas mais variadas instituições de saúde, inclusive clínicas estéticas e spas. Também pode trabalhar na gestão de pessoas, em empresas.

alterações de má posição articular, que interferem na função normal de músculos e nervos. Ele trata, por exemplo, de hérnia de disco, alteração postural e dor nas costas ou de cabeça.

TERAPIA OCUPACIONAL São o estudo e o emprego de atividades de trabalho e lazer no tratamento de distúrbios físicos e mentais e de desajustes emocionais e sociais. O terapeuta ocupacional utiliza tecnologias e atividades diversas para promover a autonomia de indivíduos com dificuldade de integrar-se à vida social em razão de problemas físicos, mentais ou emocionais. Ele trabalha em clínicas, asilos, hospitais, instituições geriátricas, psiquiátricas e penais, centros de saúde, de convivência e de reabilitação, creches e empresas.

ESCOLAS DE MEDICINA NO BRASIL POR ESTADOS (por ordem decrescente do número de escolas)

EDUCAÇÃO FÍSICA O profissional de Educação Física organiza, executa e supervisiona programas de atividades físicas para pessoas ou grupos. Pode trabalhar com grupos, em escolas, clubes e academias de ginástica, ou prestar atendimento individual, como personal trainer. Pode focar desde a recreação e a terapia até o treinamento de atletas para alta performance.

FISIOTERAPIA É o conjunto de técnicas usadas no tratamento e na prevenção de doenças e lesões. O fisioterapeuta previne, diagnostica e trata disfunções do organismo humano causadas por acidentes, má-formação genética ou vício de postura. Ajuda na recuperação de pacientes acidentados e portadores de distúrbios neurológicos, cardíacos ou respiratórios, trabalha com idosos, gestantes, crianças e portadores de deficiência física ou mental.

ESTADO

TOTAL DE ESCOLAS

VAGAS 1º ANO

MENSALIDADE (R$) ESCOLAS PRIVADAS máxima / mínima

(cf. site Escolas Médicas do Brasil)

São Paulo

59

6106

12.191,00 / 5.333,95

Minas Gerais

44

4497

9.350,00 / 5.583,81

Rio de Janeiro

21

2599

9.480,00 / 5.612,00

Paraná

20

1954

8.717,25 / 4.900,00

Rio Gr. do Sul

19

1732

8.329,95 / 5.642,00

Bahia

19

1714

8.155,90 / 4.410,00

Santa Catarina

13

907

7.210,00 / 4.308,71

Goiás

11

954

6.300,00 / 4.984,51

Pernambuco

10

1110

6.950,00 / 5.207,35

Paraíba

9

935

8.350,00 / 6.650,00

FONOAUDIOLOGIA

Ceará

7

840

9.729,38 / 6.622,00

É a ciência que se ocupa da pesquisa, da prevenção, do diagnóstico, da habilitação e reabilitação da voz, da audição, da leitura e da escrita. Ele trata deficiências de fala, audição, voz, escrita ou leitura. Pode atuar em parceria com fisioterapeutas, otorrinolaringologistas, neurologistas e psicólogos.

Pará

7

690

8.956,36 / 6.349,00

Piauí

7

631

8.402,00 / 6.707,10

Mato Grosso

6

446

9.540,00 / 6.252,00

Maranhão

6

539

8.717,25 / 8.717,25

Tocantins

6

518

7.800,00 / 3.641,24

NUTRIÇÃO

Amazonas

5

585

6.450,00 / 6.224,63

Espírito Santo

5

520

6.013,00 / 5.500,00

É a ciência que investiga e controla a relação homem-alimento para preservar a saúde humana. O nutricionista planeja, administra e coordena programas de alimentação e nutrição em empresas, escolas, hospitais, hotéis, restaurantes comerciais, spas e asilos. Ele define os cardápios das refeições, sugerindo pratos adequados às necessidades nutricionais de clientes, pacientes ou hóspedes.

Mato Gr. do Sul

5

388

9.128,00 / 9.128,00

Rio Gr. do Norte

5

472

6.505,09 / 6.505,09

Alagoas

4

350

7.290,00 / 6.033,94

Distrito Federal

5

376

7.048,46 / 6.736,00

Rondônia

4

285

6.634,62 / 5.238,69

Sergipe

3

300

6.990,00 / 6.990,00

QUIROPRAXIA

Acre

2

161

(sem escola privada)

Roraima

1

80

(sem escola privada)

Amapá

1

60

(sem escola privada)

304

29.813

É a área da saúde que trata e previne doenças dos sistemas nervoso, muscular e esquelético por meio de terapia manual, principalmente manipulação das articulações. O quiropraxista dedica-se à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento das 20 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

Total Geral

FONTE: Wikipédia: “Estatísticas Nacionais”, setembro 2017.


QUATRO PROFISSÕES ESPECIALMENTE PROMISSORAS Os profissionais da Saúde costumam ter bons salários e um alto índice de empregabilidade. Se por um lado o mercado de trabalho para algumas áreas está saturado nos grandes centros, no interior do país existe uma enorme carência de especialistas dos mais diversos ramos. Além disso, pesquisas apontam algumas carreiras promissoras para quem quer trabalhar com Saúde, seja pelo potencial do mercado, aumento da expectativa de vida da população, surgimento de novas áreas do conhecimento ou mesmo falta de mão-de-obra especializada. Apoiados maioritariamente no site Guia da Carreira, apresentamos quatro delas, com futuro especialmente promissor.

BIOMÉDICO

A Biomedicina é uma das áreas da Saúde mais promissoras hoje em dia. É uma profissão que se adapta bem ao futuro devido à variedade de áreas de atuação de um biomédico e da necessidade que a Medicina tem de obter respostas para o diagnóstico e tratamento de doenças. Existem mais de 30 diferentes áreas de atuação para um biomédico reconhecidas pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). Dentre elas, a que concentra mais profissionais é a de Análises Clínicas, mas quem se forma em Biomedicina pode trabalhar ainda com banco de sangue, diagnóstico por imagem, reprodução humana, genética, radiologia e muito mais. Esta profissão tem ganhado muito destaque no mercado de trabalho, principalmente no que diz respeito ao estudo de células-tronco e genética. A área da Biomedicina Estética tem crescido bastante nos últimos anos e clínicas, SPAs, salões e outros estabelecimentos voltados à beleza têm contratado biomédicos. Segundo um levantamento realizado pelo site de empregos Catho, o salário do Biomédico cresceu 12% em 2015 se comparado com o ano anterior. A procura por este profissional também aumentou e, conforme informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o aumento nas admissões de biomédicos é da ordem de 19%.

CIRURGIÃO PLÁSTICO

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil é o segundo país do mundo em número de cirurgias plásticas. São realizados mais de 900 mil procedimentos por ano! Este número fica abaixo apenas dos Estados Unidos. A estimativa é que exista um cirurgião plástico para cada 44.000 habitantes. Apesar de especialistas conside-

rarem esse número elevado, a busca por cirurgias estéticas tem aumentado muito e não falta emprego para este médico. Além disso, o cirurgião plástico tem a maior média salarial do país, em torno de R$ 18 mil mensais.

GERONTÓLOGO

O aumento da expectativa de vida dos brasileiros faz com que a população de idosos seja cada vez maior. Com isto, o mercado de trabalho para profissionais que se dedicam a melhorar a qualidade de vida da terceira idade é bastante promissor. A Gerontologia é apontada como uma das profissões do futuro e, aos poucos, vem atraindo cada vez mais a atenção de jovens estudantes. É importante não confundir o trabalho do gerontólogo com o do médico geriatra. Enquanto o geriatra estuda e trata as doenças presentes em idosos, quem faz a faculdade de Gerontologia lida com os processos de envelhecimento e busca atender às necessidades físicas, emocionais e sociais de quem já chegou à terceira idade. O profissional desta área pode vir de outros segmentos da Saúde. Existem médicos e fisioterapeutas, por exemplo, que fazem especialização em Gerontologia para atuarem em espaços que cuidam de idosos. A previsão é que até 2025 o Brasil será o sexto país em população idosa. Isto faz com que o mercado de trabalho para os gerontólogos cresça ainda mais.

CUIDADOR DE IDOSOS

Esta profissão, recentemente reconhecida como tal, no Brasil, é outra que está em alta crescente devido ao aumento da longevidade da população. Cresce o número de idosos e cresce a quantidade de cursos para trabalhar com essa faixa etária e muitas pessoas escolhem essa profissão. De forma geral, a função do cuidador de idosos é auxiliar pessoas da terceira idade, aumentando sua qualidade de vida. Precisa fazer companhia, dar os remédios seguindo a prescrição médica, auxiliar o idoso em tarefas domésticas, na higiene pessoal e nas refeições, estabelecer contato com a família em caso de imprevistos. Quando atua no domicílio, geralmente cuida apenas de um idoso; quando atua em clínicas, lares ou outros locais especializados, atende simultaneamente vários. Paciência, responsabilidade, organização, simpatia, empatia, sensibilidade e delicadeza são qualidades que todo cuidador de idosos deve ter. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 21


ENTREVISTA

Dr. ROBERTO SIQUEIRA CASTRO: "Os Direitos Humanos são hoje uma exigência do processo civilizatório e do convívio social. " CARIOCA, GRADUADO EM DIREITO PELA UERJ, MESTRE EM MASTER OF LAWS LLM - MICHIGAN STATE UNIVERSITY E DOUTOR EM DIREITO PÚBLICO PELA UERJ, O DR. CARLOS ROBERTO SIQUEIRA CASTRO É, ATUALMENTE, PROFESSOR TITULAR DE DIREITO CONSTITUCIONAL DA UERJ. É PROFESSOR VISITANTE DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSITÉ PANTHÉON-ASSAS – PARIS II, CONSELHEIRO FEDERAL DA OAB (RJ) E EX-ASSESSOR DA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE DE 1987-88. ADVOGADO DO MAIS ALTO PADRÃO, LIDERA UM DOS MAIORES ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA DO BRASIL, COM REPRESENTAÇÕES TAMBÉM NO EXTERIOR, ATUANDO EM TODOS OS RAMOS DO DIREITO. CONHECEMO-LO EM 2016, QUANDO FOI, COM SUA ESPOSA, AO ENCONTRO DA ORDEM HOSPITALEIRA, NO LAR SJD, EM ITAIPAVA, COM UMA PARCERIA UNILATERAL CAÍDA DO CÉU E LOGO CONCRETIZADA: TIRAREM DO PAPEL O PROJETO DO CENTRO DE ATIVIDADES IRMÃO FERNANDES, ASSUMINDO INTEGRALMENTE O CUSTO DA SUA CONSTRUÇÃO. “CAÍDO DO CÉU” PORQUE JUNTO DE DEUS ESTÁ UM ANJO QUE OS INSPIRA: MARIA CLARA, SUA FILHA, ABRAÇADORA DE CAUSAS SOCIAIS, PRECOCEMENTE FALECIDA. Revista OH! - O senhor não escolheu ser carioca. E ser advogado, era sua vocação mesmo ou alguma vez duvidou? Dr. Roberto - Gosto muito de ser carioca. Apesar de todos os problemas que a cidade do Rio de Janeiro está hoje enfrentando, é a cidade mais linda do planeta e o carioca é o povo mais acolhedor e simpático que eu conheço. Quanto à escolha da profissão, sempre tive inclinação para as Ciências Humanas. Na adolescência, pensei em ser diplomata e fazer concurso para o Instituto Rio Branco do Itamaraty. Mas, para tanto, precisava estar cursando alguma faculdade, normalmente Direito, Economia ou Relações Internacionais. Optei pela Faculdade de Direito. Quando já estava no 3º ano da faculdade, o curso jurídico me encantou muito, o que me fez desistir da ideia da carreira diplomática. Percebi que a minha verdadeira vocação era ser advogado, opção essa da qual nunca me arrependi e que muito me orgulho. OH! - Por que o seu escritório cresceu tanto? Dr. R - Na minha longa carreira de advogado, experimentei várias fases da advocacia. No início, os escritórios eram de pequeno porte. Com o tempo e com o crescimento das empresas em geral os escritórios de advocacia foram crescendo e alguns deles se tornaram firmas de grande porte. São sociedades de advogados com centenas de profissionais e com filiais em vários estados brasileiros. É o caso do nosso escritório. Creio que eu e meus sócios conseguimos formar uma excelente equipe e aproveitar, com dedicação, dignidade e competência, as oportunidades que o mercado ofereceu. 22 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

OH! - Se ele estivesse ameaçado, era capa de mobilizar os seus associados para defender o papa Francisco? E Lula da Silva? Dr. R - Seria sempre uma grande honra e uma oportunidade divina poder defender e estar próximo do Papa Francisco. Quanto ao ex-presidente Lula e quaisquer outras pessoas que sejam acusadas da prática de crimes, penso que todos merecem o direito de defesa e a todos deve ser garantida a presunção de inocência, como determina a Constituição Democrática do Brasil. OH! - Avaliando globalmente o caminho da humanidade, considera que ela caminha para melhor ou para pior? Dr. R - Como pessoa sempre otimista, considero que a humanidade caminha para um horizonte melhor. Os Direitos Humanos são hoje uma exigência do processo civilizatório e do convívio social. É claro que nada é simples e tudo se faz sempre com muita luta. Como dizia o poeta Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. OH! - Seu mega-escritório tem uma vasta obra social. É comum isso nos escritórios de advocacia? Dr. R - Temos muito orgulho dos projetos sociais que há muitos anos procuramos realizar no nosso escritório, envolvendo toda nossa comunidade de sócios, advogados, estagiários, funcionários e colaboradores. Tenho de reconhecer que isso não é comum nos escritórios de advocacia, mas, na medida em que cada um possa dar um pouco de si em benefício dos


mais necessitados e das pessoas em estado de orfandade social, sobretudo crianças e idosos, o nosso mundo certamente poderá melhorar e alcançar as condições mínimas e indispensáveis para a promoção da dignidade humana, da solidariedade e da fraternidade social. OH! - Ouve-se às vezes dizer que “vivemos num mundo cão”. Com tanta experiência de advocacia, o senhor subscreve essa afirmação? Dr. R - Existem realmente situações de “mundo cão” por todo lado. A paisagem social não é animadora nestes tempos, porém, acredito que o amor e a solidariedade têm uma incrível e poderosa capacidade transformadora das realidades adversas. Nesse sentido, muito me encanta a frase de Madre Teresa de Calcutá: “não importa o que fazemos nesta vida, mas sim a quantidade de amor que colocamos em nossas ações” OH! - Considera que as faculdades de Direito estão preparando bem os alunos para os desafios de hoje? Dr. R - Creio que não, até porque os desafios da educação são imensos e nem sempre tangíveis. Vivemos numa época de mudanças frenéticas em que a velocidade do fluxo de informações e de conhecimentos pela internet ultrapassa a nossa capacidade de organização racional. Além disso, o impacto da inteligência artificial da robótica muda a cada dia o mercado de trabalho e impõem aos professores e alunos novas pautas da busca do aprendizado. Por isso uma Faculdade de Direito como todas as demais de outras áreas estará sempre sendo desafiada pelas novas tecnologias e pelos novos saberes. Importante, a meu ver, é preservar sempre os valores mais edificantes do espírito humano e abrir espaço para a conquista dessa nova era de conhecimentos científicos. OH! - Quanto à judicialização da Saúde, esse é o caminho ou é um mal necessário? Dr. R - A judicialização da Saúde existe porque, infelizmente, o estado e a sociedade civil ainda não criaram instituições e instrumentos capazes de universalizar os serviços de saúde para todos aqueles que deles precisam. Enfim, a omissão do Estado e da sociedade em prover para todos um serviço de saúde adequado ensejou que muitas pessoas, por necessidades legítimas, fossem bater à porta do poder judiciário para fins de obter internações hospitalares, cirurgias e medicamentos que deveriam ter sido ofertados e que não foram. OH! - Quem vos trouxe até ao Lar São João de Deus, foi Maria Clara mesmo, lá do céu? Dr. R - Eu e minha esposa chegamos pela primeira vez ao Lar São João de Deus, em Itaipava para assistir a missa dominical. Tivemos então a oportunidade de conhecer essa importante casa de acolhida e de cuidados para as pessoas idosas. Ficamos encantados com o trabalho de benemerência social que realiza, bem como com a generosidade e espírito de doação de toda a equipe de colaboradores do Lar SJD.

OH! - Qual a primeira imagem que formou do Lar SJD e qual a imagem que tem hoje? Dr. R - Minha percepção foi definitiva. É um centro de ajuda humanitária e caritativa para pessoas idosas, muitas delas doentes e que recebem um acolhimento de excelente nível, assistência médica, oferta de alimentação, de medicamentos e, sobretudo de calor humano e de companhia e carinho de que tanto necessitam os idosos. OH! - Doar custa muito? Dr. R - Penso que custa muito mais caro não doar. O custo do egoísmo é a tristeza, a amargura e o desencanto com a vida. Doar gera alegria, sentimentos gratificantes, novas amizades e elevação espiritual. OH! - Onde se imagina aos 90 anos, quando o senhor já for idoso? Dr. R - Se eu estiver no Lar São João de Deus estarei muito bem cuidado e feliz, com a graça de Deus. OH! - Para terminar, convidamos o senhor a reagir a cada uma de nossas palavras, também com uma palavra ou frase: Constituição brasileira? Democrática e cidadã. Rio de Janeiro? Cidade ainda, com muito custo, maravilhosa. Lares de Idosos? Assistência comunitária fundamental. Todas as pessoas serão idosas um dia. Instituto Maria Clara? Obra social que traduz o espírito de luz de sua fundadora. Mãe? Muita saudade. Réu? Todos têm direito de defesa. Casamento homoafetivo? Opção sexual e familiar a respeitar. São João de Deus? Extraordinário espírito de doação ao próximo. Exemplo de santidade. Eleições de 2018? Grande desafio e chance de mudanças que não podemos desperdiçar. Maria Clara? Um raio de luz. Amor? Sublime sentimento. Deus? Nosso pai criador e salvador, que nos ama e perdoa.


ACOLHER

ACOLHENDO O MARCIANO Chamemos-lhe Marciano, para assegurar o anonimato. Sr. Marciano tem 50 anos, se declara homossexual passivo e não tem problemas em expor-se, respondendo muito além das nossas perguntas. Chegou na Casa da Hospitalidade, educado e sereno, a meio da manhã, encaminhado pela paróquia, onde escutaram sua história e lhe serviram o café da manhã, mas não puderam pagar-lhe os 480 Km do ônibus até Campinas. Sempre morou nessa cidade, mas confessa que às vezes informa o nome de cidades vizinhas porque, demasiadas vezes, por injusta generalização, os campinenses são conotados como gays. Sr. Marciano e seu primeiro irmão nasceram quando sua mãe ainda não tinha marido. Depois ela se casou e teve mais uma filha. Aos 36 anos casou-se ele, no cartório e na igreja, “pois queria mudar de vida”. Relacionava-se sexualmente com a esposa, mas pensando em homens. Ela precisou fazer tratamento para tal e no sétimo ano conseguiu engravidar. Nas consultas de pré-natal teve duas surpresas: que estava gestando gêmeas e que contraíra AIDS. De imediato ela pediu a separação, acusando Marciano de a ter contaminado, o que ele acha bem provável, pois mantinha simultaneamente relações homo. Drogas nunca usou! As gêmeas nasceram, mas uma morreu ao final de três dias e a outra sobreviveu portando deficiência profunda. O Sr. Marciano trabalhou a vida inteira nos restaurantes do mesmo dono, como auxiliar de cozinha, mas há cinco anos está afastado, recebendo um salário de auxílio de doença, donde desconta 30% para a filha, ainda menor. Também ganha uma cesta mensal de uma ONG local, mas gasta muito com medicamentos, embora os da AIDS sejam grátis. Mora na casa da mãe e padrasto, com vida e economia separadas e não pode levar lá ninguém “porque o padrasto desdenha, 24 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

Por Ir. Augusto Gonçalves

devido à sua condição sexual” e logo interpretaria mal. Porque o seu dinheiro só chegou até aqui, o Sr. Marciano parou em Aparecida do Taboado, no regresso de Paranaíba, onde foi, sem sucesso, tentar se internar numa residência para aidéticos, “mas lá só aceitam em fase terminal ou muito debilitados”, como aliás acontece nas quatro ONGs que os internam em Campinas. Também já tentou ir para um lar de idosos, mas precisaria ter 60 anos. Está visto que o Sr. Marciano veio por uma viagem de ônibus, mas acabou contando a viagem da sua vida desencontrada! Enfim, acompanhamo-lo ao terminal rodoviário e compramos-lhe a passagem para o primeiro horário, ao final da tarde. Metade por nossa conta e metade pela paróquia, sempre boa parceira quando o assunto é solidariedade com os pródigos de Deus. Ah! Escolheu assento junto ao banheiro, pois “não tem controlo das urinas, devido aos remédios” e usa fralda. Ficou combinado que viria almoçar conosco e assim aconteceu, sempre educado, agradecido e conversador, com mais respostas do que as nossas perguntas, mas agora mais superficial porque os ouvintes tinham aumentado. No final aceitou rezarmos juntos e, ali mesmo, criamos umas falas para o Deus assexuado e criador de tudo e de todos, com ele a expressar que “espera morrer de forma rápida, sem os horrores próprios da fase terminal, lenta, dessa doença”. Depois aceitou dois pacotes de fraldas e mais um trocadinho para a viagem e despedimo-nos, provavelmente para sempre. Prometemos rezarmo-nos mutuamente e Marciano tomou o caminho do ônibus. Para Campinas mesmo! Aparecida do Taboado, 03/04/2018 ir.augusto@saojoaodedeus.org.br


INSTITUCIONAL

O LAR SÃO JOÃO DE DEUS QUE EU ENCONTREI

Leila T M Maiworm Diretora do Lar SJD desde abril 2018

Meu nome é Leila Maiworm, nasci em Petrópolis, sou casada há trinta anos e Mãe de um filho. Sou formada em Gestão de Pessoas com experiência nas áreas de Recursos Humanos e Administração de Empresas. Conheci o Lar São João de Deus através da Paróquia em que frequento, divulgando os trabalhos e eventos da instituição. Em março deste ano recebi o convite para fazer parte desta grande família, assumindo o cargo de Diretora. Porém, aos meus olhos, o Lar São João de Deus nada mais era do que uma grande Instituição que hospeda senhores e senhoras de diversas idades.

Na primeira conversa que tive com Frei Augusto, descobri que trabalhar no Lar seria mais do que uma nova experiência profissional, visto todo carisma que envolve a missão do Lar São João de Deus: Acolher e Servir com amor. Nos primeiros dias, após o almoço, passei a sentar-me junto aos hospedes no sofá da sala de estar, próximo à recepção. Inicialmente, algumas senhoras ficaram um pouco receosas, sem entender a minha presença em passar o meu tempo de almoço junto a elas. Com o passar dos dias, o ambiente estava integrado e diversas conversas e histórias circulavam à nossa volta, inclusive assuntos atuais como as greves no Brasil. Eu fico tão feliz, pois pequenos gestos fazem eu me sentir amada e especial, lembro-me das conversas após o almoço que tinha com minha mãe, consigo sentir o calor do amor da minha mãe nas conversas que tenho no sofá do Lar São João de Deus. Penso o quanto podemos aprender com os mais idosos, conhecedores de historias e contos, derrotas e vitórias. Muitos

são doutores em politica e outros verdadeiros filósofos, alguns religiosos, conhecedores do amor de Deus. Tal conhecimento se dá pelas décadas vividas e pelas diversas batalhas vencidas ao longo do caminho. Nossos hospedes foram grandes profissionais do mercado, cada um com sua particularidade; Nosso Lar está rodeado de boas mães e excelentes pais, cada um com um jeito diferente de amar. Espero sempre trabalhar com o mesmo carisma de nosso Santo São João de Deus, fazendo com que esta casa esteja sempre de portas abertas para receber nossos queridos hospedes, como tem sido ao logo destes 48 anos de missão. Quanto aos Colaboradores Profissionais, ainda estou conhecendo-os, mas noto que todos estão muito imbuídos na missão, alguns trabalham há longos anos e têm o Lar como sua segunda casa. Acredito que é possível melhorar algumas equipes e procedimentos com treinamento adequado, sem que se perca a união e colaboração permanente entre todos, a caminho da excelência do serviço que prestamos. Tenho tido a oportunidade de conversar com os familiares que nos confiam seus membros mais velhos e é bonito perceber que o Lar São João de Deus é provavelmente a melhor instituição de longa permanência para idosos da região serrana do Rio de Janeiro, situada em Itaipava, ótima localização, excelente clima. E que venham sempre visitar a eles e a nós! Vejo também, com satisfação, que o Lar acolhe uma comunidade cristã, com celebrações quase diárias, nas quais alguns idosos se integram. É mais um diferencial no qual espero participar frequentemente. Viva São João de Deus!! Viva nosso Lar!!


RELATOS Luiz Antonio de Moura

Pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio. Administrador do site www.sementesdapalavra.com.br

ESPECIALIZADA NO ACOLHIMENTO DE PESSOAS E NA RESTAURAÇÃO DE VIDAS Jesus, certa vez, depara-se com um doutor da Lei que busca saber o que deve fazer para alcançar a vida eterna. Jesus pede ao doutor para examinar a Lei e dizer o que vê de mais importante. O doutor, logo, logo, identifica o amor a Deus e ao próximo como os mais importantes mandamentos da Lei, ao que o Mestre de Nazaré consente e diz: “Respondeste bem; faze isso, e viverás”. O homem, no entanto, lança outra pergunta: “E quem é o próximo, a quem eu devo amar como a mim mesmo?” Jesus, de forma didática e paciente, conta a parábola de um homem que, vítima de ladrões que o haviam roubado e agredido violentamente, deixam-no caído na estrada que desce de Jerusalém para Jericó, bastante ferido e necessitado de ser acolhido, tratado e reincluído no meio familiar e social. Enquanto estava caído naquela estrada, conta Jesus, passaram por ali um sacerdote e um levita que, o vê-lo naquele estado trataram de tomar distância e de seguirem por outro caminho, sem prestar o socorro necessário. Depois destes dois, e pela mesma estrada, vem um samaritano montado em um jumento e, ao ver aquele pobre coitado caído, ferido e sem forças, desce da montaria e, cheio de compaixão, aproxima-se e trata de limpar aquelas feridas, com vinho e azeite. Em seguida, coloca o homem no lombo do jumento e segue com ele até a estalagem mais próxima, deixando-o aos cuidados do estalajadeiro, a quem entrega dois denários e compromete-se a voltar para pagar tudo o que for gasto a mais, no tratamento daquele pobre sofredor. Ao final, Jesus pergunta ao doutor da lei: “qual dos três homens que passaram por aquela estrada te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?” O doutor da lei responde prontamente: “aquele que usou de misericórdia com ele”. Jesus concorda e diz: “Vai e faze tu o mesmo” (Lc 10, 25-37). 26 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

O Biógrafo de São João de Deus – Francisco de Castro – na “História da Vida e Obras de São João de Deus”, ao falar sobre o primeiro hospital fundado pelo santo, afirma que: “Resolvido João de Deus a procurar deveras o alívio e remédio dos pobres, falou com algumas pessoas devotas, as quais o tinham ajudado nos seus trabalhos, e, com a sua ajuda e entusiasmo, alugou uma casa na Pescadaria da cidade, por ser perto da praça de Bivarrambla, de onde recebia, como de outras partes, os pobres desamparados, doentes e entrevados, que encontrava. Comprou algumas esteiras de anea e algumas mantas usadas, para dormirem, porque não tinha dinheiro para mais, nem outro remédio a fazer. E dizia-lhes: “Irmãos, dai muitas graças a Deus que esperou por vós tanto tempo, para que fizésseis penitência. Pensai naquilo em que O tendes ofendido, pois eu quero trazer-vos um médico espiritual, que vos cure as almas. Para o corpo, não faltará remédio também, confiai no


Senhor, que Ele a tudo proverá, como costuma fazer com aqueles que, da sua parte, fazem o que podem”. Saía, trazia-lhes um sacerdote e fazia-os confessar a todos” (Op. Cit. Capítulo XII – pág. 79).

e as causas que lançaram aquele sofredor naquele estado deplorável. Queria, apenas, curar aquele corpo e aquela alma, recuperando-a para a vida e libertando-a do vício, fosse ele qual fosse.

Um casal de petropolitanos – Nilza e Carlos – conta que, em uma noite de inverno rigoroso na cidade, ofereceu carona ao padre José Carlos Medeiros Nunes, mais conhecido como padre Quinha, que ia para o centro da cidade. Eles afirmam que, durante o percurso os três iam conversando animadamente quando, de repente, padre Quinha pediu para que Carlos desse uma paradinha no veículo. Em seguida, desceu do carro e atravessou a rua, indo na direção de um pobre morador de rua que, do outro lado da via, estava encolhido em um canto, sofrendo com o rigor do inverno. Padre Quinha imediatamente tirou o agasalho com o qual estava vestido e cobriu com ele o tronco do pobre sofredor, dando-lhe a benção e voltando para o carro, para seguir seu destino.

O segundo caminho para a fama do sítio, vem do trabalho que é realizado naquele espaço territorial, local de recebimento, de acolhimento e de tratamento de pessoas que, vitimadas pelo vício e pela dependência, seja do álcool ou das drogas químicas ou sintéticas, estão passando pelo tempo, sem viverem do modo desejado por Jesus, de forma plena e abundante. São, nas palavras de Graciliano Ramos, vidas secas, sem lógica, razão de ser ou projetos de continuidade, porque totalmente dependentes de fatores externos que, desgraçadamente, determinam os rumos da caminhada.

Olhando a trajetória do padre Quinha, com todos os trabalhos sociais e pastorais que promoveu na cidade de Petrópolis, com todo o bem que ele proporcionou a tanta gente, gente que se realizou espiritualmente, com a grande oportunidade de contribuir para o socorro dos irmãos sofridos, doentes e abandonados e gente que, vítima da dependência do álcool ou das drogas, viu nele a porta de entrada para uma vida nova, é difícil não traçar um paralelo com a parábola do bom samaritano, contada por Jesus, e com a vida e a obra de São João de Deus. Por três mãos distintas, a realização da obra de Deus: a misericórdia! Quando o tema é acolhimento, abrigo, tratamento, recuperação e reinserção de pessoas vitimadas pelo vício, seja do álcool ou das drogas, Padre Quinha deixou marcas profundas na cidade de Petrópolis. Quando do seu falecimento, em 18/01/2013, o portal G1 assim noticiou: “Padre Quinha foi um dos religiosos mais respeitados do município. Ele fazia um trabalho filantrópico e de evangelização em vários bairros da cidade e foi o fundador da Associação Oficina de Jesus, em 1997, entidade que presta assistência espiritual, psicológica, médica e social aos dependentes químicos em Petrópolis.” (http:// g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/noticia/2013/01/morrepadre-quinha-conhecido-pelo-trabalho-filantropico-empetropolis-rj.html). Muitas e muitas pessoas que vivem nas redondezas da cidade de Petrópolis, para não exagerar e dizer que todos por aqui, já ouviram falar no famoso “Sítio do Padre Quinha”. A fama deste sítio vem por dois caminhos distintos: o primeiro, pelo nome do Padre que, decididamente e com um carisma todo especial, resolve desempenhar de forma literal e espontânea, o papel do bom samaritano, aquele, da parábola contada por Jesus. É este exemplo vivo, extraído do Evangelho narrado por São Lucas, que Padre Quinha segue no curso da sua vida sacerdotal, de forma absolutamente normal. Cuida do próximo sem tomar conhecimento sobre de quem se trata. Para ele não interessava saber as razões, os motivos

Padre Quinha olhou para estes seres humanos caídos, não na estrada de Jerusalém para Jericó, mas, nas estradas próximas, por onde passava todos os dias, a pé, de transporte público, de carro ou de carona, e foi contabilizando quantas almas ardiam no fogo do vício, um fogo que pode ser apagado por qualquer um que se disponha ao total despojamento de si mesmo em prol do outro, em benefício daqueles de quem, quais aos leprosos de antigamente, todos querem distância e, sequer, lançam o olhar da piedade ou da misericórdia, mas, apenas, o da critica e o da condenação. É fácil olhar para um dependente do álcool e chamá-lo de “pé-de-cana”, “pinguço” ou “cachaceiro”. É fácil olhar para um viciado em drogas químicas e tachá-lo de “maconheiro”, “drogado” ou coisas parecidas. O difícil é compreendê-los; acolhê-los e propor-lhes um caminho concreto para a recuperação e para a retomada das próprias vidas. Padre Quinha fez, e ensinou como fazer, isso. Quem fala sobre o Padre Quinha, até por ter tido alguma convivência mais próxima com ele, insiste em afirmar a inquestionável postura própria dos santos. Quem, de alguma forma conviveu com ele, afirma que, à semelhança dos santos, ele não era homem apenas de reflexão e de clausura, mas, também, de ação. E de ação em benefício do pobre e do necessitado, sem se importar com origem, com religião, com estado de vida, social ou político, mas, e acima de tudo, com a condição humana deteriorada, ultrajada, desvalida e ignorada por amplos setores da sociedade. Ele foi, como dizem alguns dos que conviveram com ele de perto, o verdadeiro bom samaritano da diocese de Petrópolis reconhecido, inclusive, por pessoas ligadas a outras denominações religiosas que enxergavam naquele


sacerdote a figura de um homem preocupado com o outro, sem se importar com quem ele era ou quem tinha sido antes de cair naquela vida miserável que levava. Conta-se que a primeira preocupação do padre Quinha era com a necessidade das pessoas. Em uma primeira conversa, ele queria saber, em primeiro lugar, quais eram as necessidades da pessoa, do que estava precisando, qual era a maior carência e a principal dificuldade daquele ser humano. Ele era muito mais coração e muito menos razão! Entretanto, em janeiro de 2013 a morte pega de surpresa os amigos mais próximos, a comunidade petropolitana e, também, todos os que estavam envolvidos naquele trabalho de natureza humanitária. Com a perda do fundador, é natural que toda a obra tenha sentido fortemente a ausência do líder, porém, não houve interrupção nos trabalhos e tudo foi caminhando bravamente, passando por algumas administrações até que, em fins do ano de 2017, a diretoria, juntamente com representantes da diocese de Petrópolis e com outros grupos auxiliares, decidiu iniciar um trabalho de reavaliação e de reestruturação de todo o projeto iniciado sob o comando do Padre Quinha, com dois objetivos bem nítidos: preservar o carisma do fundador e pensar a gestão do sítio a curto, médio e longo prazos, não mais, como mera obra de caridade, mas, e, sobretudo, como uma atividade empresarial, trabalhando, inclusive, projetos de autossustentação, objetivando diminuir, e até eliminar a longo prazo a total dependência de ajuda externa. É claro que a ajuda externa é, e será, sempre muito bem-vinda, no entanto, a dependência desta ajuda é que deve ser eliminada, a fim de evitar a falência de determinadas atividades por falta de colaborações externas.

A vida no sítio e, principalmente, dos acolhidos, não deixa de ser acompanhada da imprescindível espiritualidade. É por meio dela, tendo à frente o Padre Rafael, que os acolhidos ouvem a Palavra de Deus, oram por si e pelos seus familiares e amigos e buscam forças para a total recuperação, pois, têm consciência de que, naquela Oficina, Jesus é o único e verdadeiro restaurador de vidas e de almas.

Esta é a visão da diretoria atual, segundo o gestor Roni Ribeiro, indicado para o cargo e para a função em novembro de 2017. Na visão do gestor, a preocupação, além da manutenção do carisma do padre Quinha, é pensar a instituição de forma empresarial, com vistas a projetar trabalhos e prognosticar resultados para os próximos anos e décadas trazendo para o sítio ideias e executando ações voltadas para a autossustentação. O exemplo mais recente desta guinada empresarial é a recém inaugurada Fábrica de Vassouras Padre Quinha, cuja fita inaugural foi cortada por D. Djanira Medeiros Nunes, mãe do Padre Quinha, em uma solenidade presidida por Dom Gregório Paixão, Bispo da Diocese de Petrópolis.

O trabalho realizado no Sítio do Padre Quinha é facilmente reconhecido a partir de conversas com os acolhidos, com o gestor, com os colaboradores, com os monitores e mesmo com a psicóloga. Por exemplo, da conversa com alguns dos acolhidos percebese, de pronto, a satisfação com o acolhimento e com a possibilidade de, talvez depois de muito tempo, sentiremse valorizados como pessoas, coisa que a dependência do


álcool ou das drogas tornou impossível após o rompimento de laços familiares, de amizade, eclesiais e sociais. Homens que, em muitos casos, possuem qualificação profissional; têm família, amigos, tinham casa e emprego mas, que, pelo efeito devastador do vício e da dependência, tornaram-se ocupantes das frias e perigosas ruas. Na Oficina de Jesus sentem-se acolhidos, tratados com dignidade e valorizados. Recebem acompanhamento espiritual e psicológico, além do constante tratamento por meio de remédios prescritos por médicos que atendem-nos antes mesmo de ingressarem no sítio. É por meio do trabalho do dia a dia, em prol da pequena comunidade de acolhidos, que estes homens desempenham as atividades que conhecem bem e, assim, auxiliam no crescimento e na manutenção da estrutura física do lugar sendo, ao mesmo, beneficiários e artífices de tudo o que é produzido nas hortas, por exemplo.

do vício do álcool ou das drogas. Ela afirma que muitos destes homens são levados porque familiares e amigos não aguentam mais conviver com a rotina do vício e suas consequências; outros, são levados por amigos que vêmnos jogados nas ruas da cidade e, penalizados, conseguem levá-los ao Centro Administrativo do Sítio; outros, ainda, são encaminhados por médicos que, depois de atendê-los em decorrência de uma overdose, e por conhecerem a Obra do Padre Quinha, indicam este caminho; outros, enfim, vão por conta própria, depois de terem ouvido falar na possibilidade concreta de uma recuperação assistida. Neste último caso, a pessoa comparece já com disposição e com vontade de se recuperar do vício. Ela conta, ainda, que o estado geral destes homens, quando chegam no centro de triagem é péssimo, tanto sob o aspecto físico, como sob o psicológico e o espiritual. Diante dos primeiros desafios, diz a psicóloga, alguns desistem assim que chegam no sítio. Apresentam as mais diversas desculpas e, voluntariamente, retornam às origens. Perguntada a partir de quando começa a perceber alguma alteração no estado geral dos acolhidos, ela afirma que isso ocorre a partir de fatos simples, como, por exemplo, fazer a barba, usar uma roupa mais limpa e alinhada, preocupar-se com o corte do cabelo ou das unhas. É a partir destes dados simples que dá para perceber o retorno de uma autoestima, do reinício de um pouco de amor próprio. Depois, vem o convívio, bem melhor, com os demais acolhidos, seja no trabalho diário, nas refeições ou mesmo nas horas de total descontração.

O consumo mensal de alimentos é muito grande. Abaixo pequena demonstração deste consumo, sendo revelado apenas os alimentos mais consumidos: ALIMENTO

GASTO MENSAL

Açúcar

120 kg

Arroz

180 kg

Café

50 kg

Feijão

80 kg

Frango

60 kg

Fubá

40 kg

Macarrão

80 kg

Óleo de soja

50 gfs

De uma conversa com a psicóloga, Dra. Maria Luísa Soares Laurindo Gomes, n’outro exemplo, extraem-se valiosas informações acerca de como é feita a triagem daqueles que se apresentam, voluntariamente, encaminhados ou levados por familiares e amigos, para a tentativa de abandono

Sobre o percentual de recuperação ela afirma não possuir dados estatísticos escriturados, mas, arrisca-se a presumir que algo em torno 30% a 35% saem realmente recuperados e prontos para a readaptação familiar. Diz que, ao final de seis meses (tempo estimado para a recuperação), muitos não retornam para informar sobre como estão vivendo. Outros, no entanto, retornam, agradecem e passam a frequentar o sítio e as reuniões semanais com o grupo de colaboradores e ex-acolhidos, objetivando dar testemunhos e contribuir para o crescimento da Oficina de Jesus. Indagada sobre se acredita no trabalho que realiza, Dra. Luísa diz que sim, que acredita e, faz uma declaração pra lá de surpreendente: “Sou casada com um ex-acolhido, que foi para o sítio, ficou lá durante o tempo necessário, saiu recuperado e, depois, voltou e começou a frequentar o sítio. Por fim, estamos casados há treze anos!”. A Obra realizada na Oficina de Jesus, no Sítio do Padre Quinha, precisa ser difundida para todas as pessoas, de todas as classes sociais e de todas as profissões de fé, como exemplo vivo, assim como diversas outras obras, do bem que muitas pessoas anônimas fazem pelos irmãos e irmãs que vivem caídos nas sombras das estradas da vida, por onde sacerdotes e levitas passam sem nada fazerem, mas, por onde, também, sempre existirão um bom samaritano, um São João de Deus ou um Padre Quinha para, estendendo-lhes as mãos, trazêlos de volta à vida, e vida em abundância, como ensinou o Mestre Jesus! OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 29


INSTITUCIONAL Luiz Antonio de Moura

Estudioso da vida de São João de Deus

SÃO JOÃO DE DEUS

Como ele compreendeu o Evangelho da Misericórdia! Quem poderia imaginar que o pequeno João Cidade, nascido na vila de Montemor-o-Novo, em uma habitação modesta da Rua Verde, um dia diria para o mundo e para a história que “os doidos não devem ser tratados com pancadas e açoites, mas, sim, com brandura e boas palavras”?, ele mesmo, anos mais tarde, internado como louco, pelo simples fato de, no meio da praça de Bivarrambla, atirando-se de boca na lama, ter confessado diante de toda a gente, dizendo: “Tenho sido um pecador muito grande para com o meu Deus, e tenho-O ofendido nisto e naquilo. Ora, que merece um traidor que tal fez? – Que de todos seja ferido e maltratado, e tido pelo mais vil do mundo, e ser lançado na lama e no lodaçal, para onde se atiram as imundícies”1. Diante da gente irada com tais confissões, João sai correndo pelo lugarejo, perseguido pelo povaréu, até que, alguém dele se compadecendo, leva-o para o Hospital Real “onde recolhem e tratam os loucos da cidade”. Na verdade, João Cidade não era louco; não estava louco, senão de amor por Deus e, por tal razão, profundamente arrependido por todos os pecados que a memória faziam-no recordar. Entretanto, ainda assim, os enfermeiros que lidavam com ele no período da internação, não apenas viam-no como louco, mas, pior ainda: como homem mau. Não que ele praticasse qualquer ato abominável, mas, somente porque, diante do tratamento que via ser dispensado aos demais internos, com açoites e outros castigos, rapidamente levantou a voz na 1CASTRO,

Francisco de. História da Vida e Obras de São João de Deus. Editorial Franciscana. Évora: 1980. Pág. 62. 30 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

defesa daqueles desvalidos, bradando em alto e bom som: “Oh! Traidores, inimigos da virtude! Por que tratais tão mal e com tanta crueldade a estes pobres miseráveis e meus irmãos, que estão nesta casa de Deus na minha companhia? Não seria melhor que vos compadecêsseis deles e dos seus sofrimentos, e os limpásseis e lhes désseis de comer com mais caridade e amor do que fazeis, já que os Reis Católicos deixaram para isso rendas suficientes?2. Ainda no recolhimento do hospital, João recebe um discípulo do Padre Mestre Ávila, enviado com a missão de semear naquele coração ferido a convicção de que, como valoroso soldado, deveria expor a própria vida ao seu Rei e Senhor, “e que aceitasse com humildade e paciência os sofrimentos que a divina Majestade lhe enviara”, conclamando-o a tudo aceitar como forma de treinamento da virtude para que, quando saísse daquela masmorra hospitalar, tivesse condições de pelejar contra os inimigos, sempre confiando do Senhor, “que nunca vos abandonará”. Mas João, certamente confiando na Palavra do seu Rei e Senhor – “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” – pedia com insistência “Jesus Cristo me conceda tempo e me dê a graça de eu ter um hospital, onde possa recolher os pobres desamparados e faltos de juízo, e servi-los como desejo”3. Passado algum tempo, e mais calmo e conformado à vontade do Senhor, João sai daquele hospício e, finalmente, depois de alguma caminha2Idem, pág. 65 3Idem, pág. 68


da e de mais alguns sofrimentos, como a fome e a desnudez tendo que, no frio intenso e descalço, sair para pedir esmola para o sustento próprio, retorna a Granada e, nos arredores da mesma praça de Bivarrambla, consegue alugar uma casa, com a ajuda de algumas pessoas devotas e piedosas que o ajudavam em seus trabalhos. É ali, e partir dali e de outras partes, que João começa a receber os pobres desamparados, doentes e entrevados, providenciando mantas usadas para dormirem e, também, a assistência espiritual por meio de qualquer sacerdote que se dispusesse a acompanhá-lo para ouvir as confissões dos pobres e desamparados sedentos, também, da paz de espírito. Devoto apaixonado da Paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, João queria que seus semelhantes, também, pudessem auferir todos os benefícios de tão caro sacrifício e, adotando a sexta-feira como dia especial da devoção, visitava as casas públicas das mulheres, para tentar “arrancar dali alguma alma das garras do demônio, em que estão metidas tais mulheres”4. A caridade do grande servo do Senhor era tanta, e ele vivia com tamanha consideração para com tudo o que recebera dos Céus, que sempre parecia-lhe ser muito pouco tudo o que fazia e dava, “julgando-se sempre em dívida para com os outros. Era assim que vivia, com aquela ânsia dos santos de se dar a si mesmo, de mil maneiras, por amor d’Aquele que tão magnífico e generoso tinha sido para com ele”.5 A fama de João aumentou tanto, diante do bem que fazia aos pobres, doentes e desamparados que, pessoas devotas e distintas resolveram comprar-lhe uma casa da Rua “De Los Gomeles” que tinha sido um mosteiro de religiosas, para onde foram transferidos todos aqueles socorridos pelo servo do Senhor. Era tanta gente que procurava por ele que, juntos, mal cabiam em pé. Pacientemente, João sentava-se no meio deles, para ouvir as necessidades de cada um e sempre dar alguma esmola ou aconselhamento, não deixando ninguém sair de mãos vazias. João de Deus viveu a misericórdia de forma intensa e retribuitiva por tudo o que do Senhor recebia. Certa vez, alcançou do Senhor a cura de uma mulher que tinha uma enorme ferida na perna. João, visitando esta enferma, e sem ter o que fazer por ela, lançou a boca naquela chaga aberta e, por dias seguidos, chupava os excessos e toda a podridão de carne que ali existia, cuspindo fora todo aquele mal. Conta a Condessa de Nova Goa – Raquel Jardim de Castro – que, foi assim que “Nosso Senhor se dignou sarar completamente a enferma, cremos que para a livrar de tão horrível mal e a ele (João) de tão dificultosa prática”6. João de Deus não pensava em alcançar salvação apenas para si. Andava pelas ruas da cidade exortando a todos a fazerem o bem a si mesmos. “Fazei o bem a vós mesmos!”, dizia ele, e muitos acolhiam o seu chamado. Raquel Jardim de Castro declara não saber dizer com preci-

são, entre a caridade e a paciência, qual destas virtudes resplandecia mais em São João de Deus, reconhecendo nele o conhecimento da seguinte verdade: “Para se atingir a perfeição, não basta fazer o bem; é preciso saber suportar o mal”7 Falar sobre São João de Deus é tarefa para uma vida inteira, tendo em vista o tanto e o quanto que ele fez e ensinou. Entretanto, de todo o legado do santo, existe algo que pode santificar-nos a todos: a compreensão e a vivência da misericórdia ensinada e vivida por Jesus Cristo, conforme testemunhado nos Evangelhos. São João de Deus, na exata medida dos santos e das santas, compreendeu e viveu a misericórdia e deixou para todas as gerações que o sucederam o exemplo. Cabe aos homens e às mulheres de cada tempo perseguirem a mesma compreensão e praticarem-na da forma mais adequada aos desafios de cada época, sempre mirando-se na parábola do bom samaritano, que enxerga-se a si próprio na pessoa do outro que carece de amparo, de socorro e de acolhimento. São João de Deus é modelo exemplar das virtudes evangélicas. Devemos conhecê-lo melhor e, dentro das nossas limitações, imitá-lo da forma mais perfeita possível por que ele, irmão de Cristo, aprendeu do próprio Senhor e deixou-nos uma herança de valor inestimável, conclamandonos a fazermos o bem a nós mesmos! 7Idem. pág. 145.

4Idem, pág. 85 5Idem, pág. 93 6CASTRO,

Raquel Jardim de. “S. João de Deus – Um Herói Português do Sec. XVI”. Lisboa. Rei dos Livros: 1995. 295 págs. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 31


IRMÃOS DE SJD CUIDAM DO PAPA E FARMÁCIA VATICANA Através de uma comunidade de 7 Irmãos e 50 Colaboradores, a Ordem Hospitaleira (Fatebenefratelli) presta cuidados de saúde ao(s) Papa(s) e assegura os 2.000 atendimentos diários da Farmácia Vaticana, que é aberta ao público. Quem lhes confiou essa missão, no ano 1874, foi Pio IX, o mesmo que enviou Bento Menni a restaurar a Ordem em Espanha, em 1866. Coordena a Comunidade o Ir. Vinis, indiano. Durante as audiências papais na praça de São Pedro ou na Aula Paulo VI, pelo menos dois Irmãos ficam de prontidão e 24 horas por dia algum está disponível para emergências de saúde nos ambientes do papa Francisco e, atualmente também (e sobretudo) do papa emérito Bento XVI.

CAMINHO DA INTEGRAÇÃO NA AMÉRICA LATINA Sob a coordenação de uma Comissão Delegada do Superior Geral, formada por 5 Irmãos e um Colaborador Leigo, estão em marcha as diligências necessárias para a organização da Ordem na América Latina em uma só Província. Tal meta está prevista para o ano 2020. Na foto abaixo grupo de Irmãos que operam no Brasil, já em onda latino-americana!

32 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

NOVOS SUPERIORES E DIRETORES

Na sequência do Capítulo Provincial de FEV/MAR, foram nomeados os novos Superiores das Comunidades da Ordem no Brasil, bem como os Diretores dos Centros Assistenciais: SUPERIORES: Divinópolis: Pe. Casimiro da Silva F Costa Itaipava: Ir. João Paulo de Oliveira Nunes São Paulo: Ir. João Pereira dos Santos DIRETORES: Itaipava: Sra. Leila T M Maiworm São Paulo: Vanessa C M Cavalcante Aparecida do Taboado: Ir. Augusto V Gonçalves

BISPOS NO BRASIL, EM MAIO DE 2018 Você sabe que o Brasil é o país com mais católicos do mundo. Mas talvez não tenha idéias sequer aproximadas sobre os seus Bispos. Atualize-se com o Prof. Fernando Altemeyer Junior, do Depº. de Ciência da Religião da PUC-São Paulo. Números referentes a 30/05/2018: Em 30 de maio de 2018 haviam 478 bispos católicos vivos no Brasil. 309 bispos estão na ativa e 169 bispos são eméritos (aposentados). Desses, 80 são paulistas, 67 mineiros, 57 gaúchos, 42 italianos, 35 catarinenses, 23 paranaenses, 19 baianos, 19 cariocas, 14 espanhóis, 15 pernambucanos, 11 capixabas, 9 cearenses, 7 alemães, 7 maranhenses, 6 sergipanos, 7 alagoanos, 7 paraibanos, 7 poloneses, 6 potiguares, 2 norte-americanos, 3 piauienses, 3 belgas, 2 libaneses, 3 amazonenses, 3 paraenses, 2 goianos, 2 holandeses, 2 franceses, 2 malteses, 2 austríacos, 2 suíços, 2 portugueses, 2 tocantinenses, 1 uruguaio, 1 irlandês, 1 mato-grossense, 1 brasiliense, 1 paraguaio, 1 cabo-verdiano, 1 sul mato-grossense, 1 Acriano. Não há rondonienses, nem roraimenses, nem amapaenses. • Há 5 bispos nascidos no Centro-Oeste • Há 9 bispos dos 7 Estados do Norte • Há 177 bispos que são do Sudeste • Há 115 bispos são do Sul • Há 79 bispos são nordestinos Quanto à origem, secular ou diocesana, anote: • Cardeais: 7 diocesanos e 3 de institutos religiosos. • Arcebispos: 41 diocesanos e 29 religiosos. • Bispos: 234 diocesanos e 165 religiosos. • Totalizando: 281 (59%) provindos do clero diocesano e 197 (41%) dos institutos religiosos.


NOVIÇOS HOSPITALEIROS LATINO-AMERICANOS

São nove os noviços da Ordem Hospitaleira na região América Latina, que constituirá uma única Província canônica. Oito, provenientes de 4 países (foto abaixo) se formam no Noviciado São Ricardo Pampuri, em Bogotá (Colômbia). Em São Paulo cumpre o segundo ano o noviço David Melo, de Crato (CE). Futuros noviços brasileiros se juntarão aos restantes latino-americanos, em Bogotá.

HOSPITAL SJD EM DIVINÓPOLIS COMPLETA 50 ANOS E MUDA NOME

O Hospital São João de Deus em Divinópolis cumpriu, em 1º de junho de 2018, 50 anos de serviço à cidade e região. Durante a sessão solene comemorativa das bodas de ouro, entre muitos discursos, congratulações, lembranças e homenagens, recebeu um presente: a Superintendente atual, Elis Regina, que tem recuperado enormemente a sua sustentabilidade, anunciou sua nova logomarca para a instituição, visando reposicioná-la no mercado. O que antes era “Hospital” se chama agora “Complexo de Saúde” São João de Deus e a romã deu lugar a duas letras “C” concêntricas que podem associar-se a competência, confiança, conforto... Apesar de não mais ser administrado pela Ordem Hospitaleira, o nome do santo português de Granada permanece a “iluminar e servir” Divinópolis, como aliás formulou votos o Ir. Augusto Gonçalves, coordenador da Ordem no Brasil, durante o seu discurso, no referido evento, onde a Ordem foi homenageada, juntamente com muitos profissionais e entidades parceiras. Desde abril de 2017 os Irmãos Hospitaleiros trabalham no Hospital, mas assegurando apenas o serviço de pastoral da saúde.

LAR SÃO JOÃO DE DEUS UM REFERENCIAL DE PESQUISA SOBRE TERCEIRA IDADE O Lar São João de Deus nos últimos anos vem se tornando um lugar muito procurado por Universidades, Faculdades e Estudantes para pesquisas voltadas a terceira idade, visto que a instituição vem se destacando pela qualidade assistencial e atendimento humanizado dispensados aos idosos institucionalizados e também graças ao Centro de Atividades Irmão Fernandes, de atividades de bem-estar, aberto a toda a população. Em parceria com a Universidade Católica de Petrópolis e a Universidade Estácio de Sá, os alunos do curso de Fisioterapia e Psicologia realizam, ao final do curso, um estágio supervisionado na busca de levar para prática toda a teoria aprendida ao longo dos anos, sendo que muitos desses acadêmicos realizam seu trabalho de conclusão de curso no Lar, sendo estudos de casos e revisões bibliográficas. Entre os vários trabalhos realizados na instituição destacamos o da pesquisadora Dra. Lisa Shaw, professora de estudos brasileiros da Universidade de Liverpool, Inglaterra. Seu objetivo é promover o bem-estar em pessoas da terceira idade através do estímulo da memória e reminiscências. O tema do seu trabalho é “Cine-Clube Memória”, autorizado e financiado pela universidade de Liverpool. O Lar fica muito satisfeito em saber que a cada ano que passa vem crescendo no meio acadêmico como um referencial para pesquisa, e abre sempre suas portas, pois a academia dentro da instituição só eleva o nível assistência do Lar. São instituições parceiras, entre outras, a Universidade Católica de Petrópolis, a Universidade Estácio de Sá, a Universidade Norte do Pará, a Faculdade Arthur Sá Earp Neto, o Colégio Candido Portinari, o Colégio São Bento e o Colégio Bom Jesus Canarinhos. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 33


LAR SJD: PASSEIO AO CENTRO HISTÓRICO DE PETRÓPOLIS Os idosos do Lar São João de Deus, em uma de suas atividades externas, visitaram a 29ª Festa do Colono Alemão, onde o centro Histórico de Petrópolis se transforma em um pequeno pedaço da Alemanha reunindo dança, músicas tradicionais e a deliciosa gastronomia destes colonos. Muitos dos idosos relembraram as primeiras festas realizadas na cidade. O passeio além de ocasionar boas lembranças e risadas, proporcionou aos nossos hóspedes, uma tarde agradável, com lanchinhos típicos e muita diversão. Destacamos a importância dessa vivência no processo do envelhecimento ativo, promovendo experiências que estimulam a autonomia e desenvolvem o protagonismo social dos idosos. A prática de atividades de lazer favorece a saúde e a qualidade de vida na terceira idade. (Alessandra Fernandes - Assistente Social LSJD)

CASA DE SAÚDE SJD: QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO O trabalho contínuo gera diversas conseqüências físicas e psicológicas ao trabalhador, principalmente em tempos de ritmos de vida acelerados, que a exigência constante por produtividade faz com que o colaborador se empenhe em ser um bom profissional e esquecendo de cuidar da saúde física e mental.

Para manter um bom ambiente de trabalho e reduzir o número de afastamento com problemas de saúde, como stresse, depressão e ansiedade, a Casa de saúde São João de Deus, vem se adequando com a finalidade de oferecer melhores ambientes de trabalho e tem proporcionado aos colaboradores momentos de atividades físicas baseada em técnicas de alongamento, respiração, reeducação postural, controle e percepção corporal. As aulas são orientadas por profissional da área de educação física, o professor Plínio Gustavo, e ocorrem todas as quartas feiras às 8:30 da manhã, no Auditório.

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CSSJD NA COPA DA INCLUSÃO A “Sã Consciência” é uma organização não governamental sem fins lucrativos que, desde 2002, promove a “Copa da inclusão” que é um encontro esportivo, cultural e terapêutico realizada dentro do contexto da reforma psiquiátrica, da luta antimanicomial, que propõe o desenvolvimento de novas práticas, discursos, transformações e construções . A Casa de Saúde São João de Deus participa intensivamente da Copa da Inclusão, visando a inclusão, o protagonismo e a reinserção social de seus assistidos.

AQUI TEM ARTE!

EVENTO DE ARTE PARA TÉCNICOS E PACIENTES DA CASA DE SAÚDE A equipe Técnica da Casa de Saúde São João de Deus preparou, juntamente com os pacientes, um dia de pura arte. Esse evento teve por finalidade a conscientização do potencial humano através do criar artístico, onde visa o tratamento do indivíduo como um todo, mente corpo e alma, integrando também a arte em sua vida. Como disse Ferreira Gullar “A arte existe porque a vida não basta!”. O evento foi organizado com a proposta de os pacientes apresentarem suas criações (música, dança, pintura), produzidas durante seu período de tratamento nas oficinas de Terapia Ocupacional, Musicoterapia, Psicoeducação e nas ações da Humanização.

SUPERIOR OH DA AMÉRICA VISITOU APARECIDA DO TABOADO A obra da Ordem em Ap.ª do Taboado-MS ganhou a visita do Delegado Geral da Ordem para a América Latina, Ir. Jairo, da Colômbia. Ele ouvia falar e recebia relatórios desse original ponto de hospitalidade chamado de Casa da Hospitalidade, mas quis conhecer ao vivo. Com o Irmão Diretor veio, na 1ª quinzena de abril, passar ali 3 dias. Durante sua intensiva estada teve oportunidade de conhecer os principais programas e projetos da Casa, de interagir com os Voluntários que ali atendem, de conhecer o pároco, de visitar várias pessoas e famílias atendidas e até de disfrutar da beleza paisagística aparecidense. Voltou agradado com o que viu e viveu e mais motivado para, também ele, se empenhar “pela vida a vida toda”.

CASA DA HOSPITALIDADE: ATIVIDADE EM 2017

No ano 2017, no qual completou 10 anos de idade, a Casa da Hospitalidade continuou a desenvolver seus 50 Projetos e registrou mais de 1.700 ações de solidariedade ou misericórdia. Eis algumas: 150 visitas domiciliares a doentes e idosos; oferta de 160 cestas de alimentos e 173 refeições; acompanhamento de 44 pessoas, em ambulância, ônibus ou carro, por motivos de saúde ou outros; realização de um Encontro para 36 Cuidadores de Idosos e Doentes em Casa; 144 entregas de roupas e calçados (para além dos milhares entregues, a preços simbólicos, nos 12 bazares beneficentes); 569 acolhimentos de doadores de roupas, calçados e artigos diversos; 12 empréstimos de cadeiras de banho ou rodas e auxiliares de marcha; 191 apoios monetários no pagamento de passagens, luz, água ou gás. Um pequeno grupo de Voluntários/as, visitado regularmente por um Irmão, fazem o atendimento diário na Casa. Eles estão convidando outros/as aparecidenses que sintam no seu coração o apelo para participarem dessa experiência de ser Voluntário de São João de Deus.

OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 35


CONHEÇA E AJUDE A ORDEM HOSPITALEIRA NO BRASIL E NO MUNDO

Casa de Saúde São João de Deus

Lar São João de Deus

Petrópolis, RJ

Casa da Hospitalidade

Comunidade dos Irmãos

Aparecida do Taboado, MS

São Paulo, SP

Divinópolis, MG

Estrada União Indústria, 12.192 Itaipava 25750-226 PETRÓPOLIS - RJ

Estr. Turística do Jaraguá, 2365 Pirituba 05161-000 SÃO PAULO - SP

Rua Duque de Caxias, 3001 Jd. Pioneiros

79570-000 APARECIDA DO TABOADO - MS

Rua do Cobre, 800 Bairro São João de Deus 35500-227 DIVINÓPOLIS - MG

Tel: (24) 2222-2657

Tel: (11) 3901-9100

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Sede Internacional da Ordem Hospitaleira

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Via della Nocetta, 263 00164 ROMA, ITÁLIA

Tel: 351-217213300

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INSTITUCIONAL “Desfiz-me dos meus pertences, despedi-me dos parentes e amigos e entrei para a Ordem.” Essa foi a opção do Ir. José Antônio, de Carpina, Pernambuco. Ali nasceu em 1952, aos 26 anos se graduou em Administração e aos 48 em Psicologia, quando descobriu São João de Deus. Preparou-se para os votos religiosos no Peru e professou na Ordem Hospitaleira em 2001. Aos 51 anos recebeu seu maior desafio: partir em missão para a Ásia e, com outro Irmão, implantarem a Ordem em Timor Leste, o mais jovem país do mundo, saido duma guerra e que fala tétum. Hoje a Ordem está florescente naquele pedaço da Ásia! Em férias no Brasil, fizemos-lhe três perguntas provocantes. OH!: Não teria sido melhor ter ficado em Carpina-PE, tranqüilo, gestor ou psicólogo, bom cristão, ajudando na paróquia, amealhando um pouco?... Ir. JA: Seguir Jesus é deixar tudo e estar a caminho. Foi isso o que ele respondeu ao jovem rico que queria saber o que fazer para herdar a vida eterna. Enquanto eu pensei em servir a Deus do meu lugar eu não pensei em comprometimento religioso, pois, já tinha o meu compromisso familiar pela morte prematura do meu pai e enquanto herdeiro da responsabilidade da minha família. Nunca me esqueci de manter-me na presença do meu Deus e Ele sempre me manteve por perto de Si. Jesus foi sempre uma referência forte na minha vida, às vezes ficava em falta com os meus compromissos pelas responsabilidades como chefe de família precoce, mas, logo que podia, marcava presença e sentia o acolhimento de Deus. Tive em minha mãe o exemplo de Maria, com as suas peculiaridades e pouca tendência ao beatismo, mas, de muita fé e respeito a Deus. Recebi os sacramentos nos tempos propícios. Fui batizado antes de completar o primeiro mês de vida, na solenidade da Assunção de Nossa Senhora, com direito a um padrinho e quatro madrinhas. Aos 7 anos fiz a primeira comunhão e aos 11 fui crismado; participei da Cruzada Eucarística e fui coroinha (acólito) durante e após o Concílio Vaticano II, vivi as mudanças de paradigmas da nossa igreja e, nessa época, o meu pároco, de quem eu era muito próximo, convidou-me para ser seminarista salesiano, por haver percebido indícios vocacionais para a vida religiosa consagrada. Nos vai-e-vem da vida, ora bem presente na vida da Igreja, ora um tanto ausente, contudo, a forma de ser sempre denunciou

o meu jeito de marcado para o Senhor. Houve uma colega de um estágio universitário que me apelidou de padre e contaminou os demais colegas desse estágio e não houve como me livrar da alcunha. Enfim, chegou o momento em que experimentei a revelação de Jesus a Pedro: “levantarás os braços, deixar-te-ás cingir e irás aonde não queres”. Assim fiz. Em 1998 pedi e recebi a orientação do Senhor”, desfiz-me dos meus pertences, despedi-me dos parentes e amigos e entrei para a Ordem Hospitaleira de São João de Deus. Optei por “amealhar tesouros no céu”. Hoje “Tenho cruzes, mas, vivo feliz.” OH! – Sabemos que o Reino de Deus é bem maior que a Igreja. Em qual você está investindo mais e como? Ir. JA: Com certeza, acredito estar investindo no reino de Deus, desde sempre e agora mais ainda, uma vez que vivo exclusivamente para isso. Na missão em Timor Leste, onde vivo há 14 anos, tive e tenho oportunidades de “fazer o bem”, como apregoava o nosso fundador, nas atividades e contatos que tenho diariamente. O Timor Leste ainda é um país de muitas necessidades e ajudar a formar e a suprir pequenas demandas do dia-a-dia de alguns necessitados de Jesus Cristo, com boa vontade, faz-me sentir estar contribuindo com a minha gotinha de água para o reino de Deus nesse mundo de carências materiais e espirituais e dureza de coração. Obviamente que o faço como homem de Igreja. E o que quer a Igreja senão construir o Reino sobre a terra?! OH!: Quer morrer em Timor ou no Brasil? Acha que vai para o céu? Ir. JA: Costumo repetir que nunca pedi a Deus para ir para o Timor Leste, então fico ao seu dispor para que Ele decida sobre onde posso melhor servi-Lo. Já passei por dificuldades que poderiam justificar tal desejo de regressar, mas, considero que a morte nos faz fisicamente muito pobres, mesmo sepultados em túmulos de ouro, portanto, morrer aqui ou ali, não me parece fazer grande diferença, o que importa é a riqueza do espírito: “Seja feita a Sua vontade”. Quanto ao mais, conforme Jesus revelou aos discípulos, ir para o céu é uma prerrogativa de Deus, eu me contentarei em ir para onde Deus quiser, Ele é meu Pai e também misericórdia, acredito que não vai enviar-me para onde Ele não quer ir visitar-me. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 37


LUZEIROS

Os filhos s ensinarรกs o teu voo; mas nรฃo s ensinarรกs a tua vida em cada s permanec dos ensina


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são como as águias: a voar mas não voarão ; ensinarás a sonhar, sonharão os teus sonhos; a viver, mas não viverão a. Mas, em cada voo, sonho e em cada vida cerá para sempre a marca amentos recebidos. Santa Teresa de Calcutá

AO ACESSAR UM DOS ENDEREÇOS ACIMA, VISITE PÁGINAS ESPECIALMENTE PREPARADAS PARA A EVANGELIZAÇÃO! Nosso trabalho é dirigido a todos os que, fiéis e tementes a Deus, buscam o seguimento aos ensinamentos de Jesus Cristo, independentemente da religião ou da fé que professam. A Palavra de Deus é dirigida a todos os seus filhos e filhas, de forma compassiva e indiscriminada. A santidade é o objetivo a ser perseguido por quem busca a salvação da sua alma, em permanente contemplação da vida, sentida e desejada na abundância prometida por Jesus Cristo (Jo 10,10).

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Revista OH! Edição 02 JUL-DEZ 2017  

Revista da Ordem Hospitaleira São João de Deus - Brasil

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