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ANO II | N.º 3 | JAN-JUN 2018

Revista da Família Hospitaleira no Brasil

Imagem: MP-Projetos - Maurílio Luiz Pimenta

SAÚDE&HOSPITALIDADE

INSTITUIÇÕES ASSISTENCIAIS

Restaurando vidas, repondo esperanças INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA: Voluntária, involuntária e compulsória

FAZENDAS DA ESPERANÇA: Recuperando dependentes através do amor

COMO ADMINISTRAR UM HOSPITAL: 7 princípios básicos

Entrevista com DOM GREGÓRIO Bispo de Petrópolis


EDITORIAL O tema das Instituições Assistenciais permeia quase todas as matérias desta edição. Elas estão aí, dizemos nós, “recuperando vidas e repondo esperanças”. Ou “para que todos tenham vida” ou “restaurando dignidades feridas”. Estão aí para toda a gente. E ninguém diga que não precisa ou não usa.

Ir. Augusto V. Gonçalves, OH Superior da Ordem Hospitaleira no Brasil

intrínsecas das instituições, dá para aprender com a alegoria do Sr. Policarpo.

Afinal, quase todos nascemos na maternidade, fizemos as vacinas e primeiras consultas no posto de saúde, fomos doar sangue ou levamos a mãe doente ao hospital, aconselhamos o vizinho dependente a internar-se numa comunidade terapêutica (católica ou evangélica), visitamos os velhinhos na residência sênior, conhecemos algum transeunte que pernoita nos albergues e já ouvimos lamentos de pais que perderam o(s) filho(s) para a casa-abrigo ou histórias de quem cresceu no orfanato ou se hospeda na casa de apoio, para tratamentos distantes de casa.

Sr. Policarpo morava na saída duma cidadezinha do interior e era gente sã, pessoa sociável, bem disposta e altruísta. A parada do ônibus era na porta do seu jardim e ele ficava por ali, dando bom dia ou boa tarde a quem ia chegando, acrescentando sempre mais alguma palavra amável, notícia fresca, preocupação pela saúde ou até um copo de água, quando o calor apertava e a sede era visível. Alguns viajantes começaram a vir mais cedo para a parada para disfrutar da companhia do Sr. Policarpo. Um dia ele achou que podia fazer algo mais e, pensando nos dias quentes, nos idosos, nas mães com crianças de colo, puxou três pedras para a porta do jardim e suspendeu, por cima, 4 metros de serapilheira, um pano que guardava na garagem. O Sr. Policarpo tinha acabado de criar uma instituição! Para bem e para mal. Pode ajudar mais, mas arrumou alguns problemas; serve o povo, mas não se livra de algumas acusações; pode proteger do sol alguns passageiros, mas não cabem todos no toldo. vários podem se sentar, mas outros ficam de pé. Nem todos gostam de ceder o lugar aos idosos e já se discutiu se as crianças deveriam ter preferência, opinando outros que deveria respeitar-se apenas a ordem de chegada. Às vezes só a vinda do ônibus resolve as contendas, ou é pedida a intervenção do Sr. Policarpo, que também não consegue agradar a todos. Sua popularidade tem baixado, embora todos o reconheçam como benemérito. Ele é que já tem pensado o contrário, mas vai se consolando fazendo a estatística de quantos consegue sentar e abrigar. O futuro do toldo, ninguém sabe prever, sobretudo quando faltar o seu instituidor...

Um “pensador e caminhante” pesquisa sobre as instituições assistenciais, descobrindo na sua essência o acolhimento, o cuidado e o respeito; técnicos da Casa de Saúde SJD ensinam quando internar em psiquiatria; o coordenador de enfermagem do Lar SJD discorre sobre os cuidados aos idosos internos; um jornalista narra a experiência restauradora das Fazendas da Esperança, um especialista da área partilha 7 princípios básicos da administração hospitalar e a coordenadora do serviço PHV da CSSJD aprova instituições assistenciais só se forem humanizadas. Dom Gregório, em entrevista exclusiva, definiu “idoso”, “lar de idosos” e muito mais e, na coluna Opinião, um teólogo, com o papa, motiva as instituições da Igreja a perseverarem na sua identidade católica. A edição se completa com as seções institucionais, sobressaindo o futuro do Lar SJD, sonhado pelo seu atual diretor, e as novidades do Capítulo da Província de PortugalBrasil-Timor. As instituições, como as pessoas, nascem, crescem, às vezes se reproduzem, e morrem. Quanto ao morrer, fiquemos com um dos acertos de Lenin (1870-1924): ”as organizações morrem quando os de baixo já não querem e os de cima já não podem”! Quanto ao nascer e algumas contradições

SAÚDE&HOSPITALIDADE

ANO II | N.º 3 | JAN-JUN 2018 Administração: Estrada Turística do Jaraguá, 2365 Pirituba - 05161-000 - São Paulo - SP Fone: 11 3903-7857

DIRETOR: Ir. Augusto Vieira Gonçalves

ARTE E DIAGRAMAÇÃO: Ana Paula Francotti

CONSELHO EDITORIAL:

IMPRESSÃO:

Vanessa C M Cavalcante Felipe Pimenta da Cunha Ivani Vera Cruz Manoel Pessoa M Junior Juliana Vieira da Silva Luiz Antonio de Moura SECRETARIA: Áurea Cruz

AHAS - Associação Hospitaleira de Assistência Social CNPJ: 33.796.681/0001-03 FONE: +55(11) 390737857 Tiragem: 4.500 exemplares

Capa: estudo para o desenvolvimento do Lar SJD e fachadas das Obras joandeínas no Brasil.

www.saojoaodedeus.org.br contato@saojoaodedeus.org.br


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SUMÁRIO 06 09 12 14 16 18 23 24 26 27 30 31 32 36 37 37

Internação psiquiátrica: voluntária, involuntária e compulsória

Internação psiquiátrica: voluntária, involuntária e compulsória

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Recuperar vidas sem medicamentos... É coisa de Deus! Envelhecimento mundial, desafio para as instituições de longa permanência Como administrar um hospital: 7 princípios básicos instituição assistencial? Só se for humanizada! Instituições Assistenciais: acolhimento, cuidado e respeito

Como administrar um Hospital: 7 princípios básicos

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Instituições assistenciais: acolhimento, cuidado e respeito

Manter sua Identidade: um desafio para as Instituições Católicas ENTREVISTA Dom Gregório Paixão

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INTUIÇÃO Se eu inventasse uma casa... Lar São João de Deus: sonhando o futuro em 3D Relato de uma beneficiária da Casa da Hospitalidade A Casa de (São João de) Deus, em Granada MOSAICO DA FAMÍLIA HOSPITALEIRA Notícias Novidades do Capítulo Provincial Bodas de Prata do Ir. Jair Corrêa ACONTECEU | ACONTECERÁ Eventos da Ordem Hospitaleira UM FILME, UM LIVRO, UM SITE Sugestões da nossa Equipe

Entrevista com Dom Gregório Paixão, Bispo de Petrópolis

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Lar São João de Deus: Sonhando o futuro em 3D

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SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA José Raimundo Evangelista da Costa

Doutor em Psicologia pela PUC-SP e professor na UNIP

Juliana Vieira da Silva

QUANDO INTERNAR NA CLÍNICA PSIQUIÁTRICA?

Terapeuta Ocupacional e Coordenadora Técnica na Casa de Saúde São João de Deus

INTERNAÇÃO VOLUNTÁRIA, INVOLUNTÁRIA E COMPULSÓRIA É importante deixar claro que nem todas as pessoas que têm um transtorno mental necessitam de uma internação psiquiátrica. A internação psiquiátrica deve ser adotada como último recurso terapêutico, e de preferência por um período curto.

TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS O próprio conceito de transtorno mental é muito diversificado. Veja-se a lista dos principais transtornos, segundo a classificação CID-10: F00* Demência na doença de Alzheimer (G30.-†) F10 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool F13 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e hipnóticos F14 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína F20 Esquizofrenia F22 Transtornos delirantes persistentes F23 Transtornos psicóticos agudos e transitórios F25 Transtornos esquizoafetivos F30 Episódio maníaco F31 Transtorno afetivo bipolar F33 Transtorno depressivo recorrente F34 Transtornos de humor [afetivos] persistentes F40 Transtornos fóbico-ansiosos F42 Transtorno obsessivo-compulsivo F43 Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação F50 Transtornos da alimentação F52 Disfunção sexual, não causada por transtorno ou doença orgânica F55 Abuso de substâncias que não produzem dependência F64 Transtornos da identidade sexual F70/71/72/73 Retardo mental leve/moderado/grave/profundo F80 Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem F82 Transtorno específico do desenvolvimento motor F90 Transtornos hipercinéticos F91 Distúrbios de conduta F95 Tiques

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) entende-se como transtorno mental as condições caracterizadas pelas alterações mórbidas do modo de pensar e alterações do humor associadas ao comportamento 06 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

psíquico global. Para que seja caracterizado transtorno, é fundamental que sejam anormalidades persistentes ou recorrentes e que causem ou perturbação do funcionamento pessoal, em uma ou mais esferas da vida. Alguns critérios são adotados pelos médicos para a efetivação de uma internação, vamos citar alguns: risco de autoagressão, risco de heteroagressão ou agressão à ordem pública, risco de exposição social e incapacidade grave de autocuidados.

TIPOS DE INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA Considerando a portaria nº 2.391, de 26 de dezembro de 2002 – MS/GM, que regulamenta o controle das internações psiquiátricas involuntárias (IPI) e voluntárias (IPV) de acordo com o disposto na Lei 10.216, de 6 de abril de 2002, e os procedimentos de notificação da Comunicação das IPI e IPV ao Ministério Público pelos estabelecimentos de saúde, integrantes ou não do SUS, existem quatro tipos de internação: Art. 3º Estabelecer que ficam caracterizadas quatro modalidades de internação: - Internação Psiquiátrica Involuntária (IPI); - Internação Psiquiátrica Voluntária (IPV), - Internação Psiquiátrica Voluntária que se torna Involuntária (IPVI), - Internação Psiquiátrica Compulsória (IPC). § 1º Internação Psiquiátrica Voluntária é aquela realizada com o consentimento expresso do paciente. § 2º Internação Psiquiátrica Involuntária é aquela realizada sem o consentimento expresso do paciente. § 3º A Internação Psiquiátrica Voluntária poderá tornar-se involuntária quando o paciente internado exprimir sua discordância com a manutenção da internação. § 4º A Internação Psiquiátrica Compulsória é aquela determinada por medida judicial e não será objeto da presente regulamentação.


A polêmica em torno da efetividade da internação compulsória persiste e divide os trabalhadores de saúde mental debatedores do tema. As questões que se levanta é até que ponto o sujeito tem a autonomia e a liberdade de escolher ou não o tratamento, ou até que ponto é ético um tratamento compulsório? Sem dúvidas a decisão de proceder com uma internação compulsória envolve muitas pessoas, como o paciente, os familiares, os trabalhadores da saúde mental e as autoridades do judiciário. É fundamental que antes da efetivação da internação compulsória, mesmo com a indicação judicial, o paciente seja avaliado por um médico psiquiatra. Que a avaliação médica seja minuciosa e leve em consideração alguns aspectos, como por exemplo: se a conduta e o pensamento do paciente representam uma ameaça para ele mesmo ou para as pessoas que vivem ao seu redor (risco de suicídio ou homicídio); se o tratamento ambulatorial não é indicado para o paciente ou não obteve êxito até aqui; se os recursos extra-hospitalares são insuficientes para o tratamento; se o ambiente do paciente é ameaçador, e por isso necessita ser adotado o regime de internação compulsória. No entanto, muitos profissionais diante da discussão da internação compulsória se fazem diversas perguntas, como: a internação compulsória seria uma política pública de saúde ou política de higienização que não passa pelo controle social? Seria um recurso terapêutico? Seria uma limpeza do Estado? São muitas perguntas... e as poucas respostas

parecem não satisfazer os mais angustiados. O que se sabe é que a internação compulsória é uma medida extrema, que só deve ser adotada em último caso, e seu objetivo é proteger o paciente dele mesmo ou de outros que o ameaçam. O paciente está vulnerável e necessita da proteção, assim, um Promotor de Justiça recorre a um Juiz solicitando a internação compulsória. Concordamos que a internação compulsória só deve ser utilizada como último recurso, ou seja, quando a vida do sujeito está em risco ou a vida de outros ao seu redor. Logo que o paciente estabilize deve retornar para seu meio, para sua vida familiar, pois o hospital psiquiátrico não deve ser utilizado como moradia ou prisão. Como podemos conferir na lei 10.2016/2001, “a internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos” (Art. 6). Tudo é pensado em nome da proteção do sujeito. Acreditamos que mesmo com todas as precauções, a internação compulsória continuará gerando polêmicas e dividido opiniões. Pois é uma medida extrema, que mesmo quando se defende o bem do paciente, por outro lado se deixa de respeitar à autonomia do paciente. No entanto, mesmo com todas as resistências em relação à internação psiquiátrica, sabe-se que nos momentos de crise muitos ainda recorrem à internação psiquiátrica como meio terapêutico. Recomenda-se que a internação seja por um período curto, o menor tempo possível. A Internação psiquiátrica involuntária deve obedecer à lei 10.2016/2001 e à portaria nº 2.391/2002 – MS/GM.

Art.4º Estabelecer que as internações involuntárias, referidas no art. 3.º § 2º, deverão ser objeto de notificação às seguintes instâncias: I - Ao Ministério Público Estadual ou do Distrito Federal e Territórios onde o evento ocorrer, I I à Comissão referida no art. 10º. Art. 5º Estabelecer que a Comunicação de Internação Psiquiátrica Involuntária deverá ser feita, no prazo de 72 horas, às instâncias referidas no artigo anterior, observado o sigilo das informações, em formulário próprio (Termo de Comunicação de Internação Psiquiátrica Involuntária, modelo constante do Anexo desta Portaria), que deverá conter laudo de médico especialista pertencente ao quadro de funcionários do estabelecimento de saúde responsável pela internação. Parágrafo único. O laudo médico é parte integrante da Comunicação de Internação Psiquiátrica Involuntária, a qual deverá conter obrigatoriamente as seguintes informações: I - Identificação do estabelecimento de saúde;

II - Identificação do médico que autorizou a internação; III - identificação do usuário e do seu responsável e contatos da família; IV - Caracterização da internação como voluntária ou involuntária; V - Motivo e justificativa da internação; VI - Descrição dos motivos de discordância do usuário sobre sua internação; VII - CID; VIII - informações ou dados do usuário, pertinentes à Previdência Social (INSS); IX - Capacidade jurídica do usuário, esclarecendo se é interditado ou não; e X - informações sobre o contexto familiar do usuário; XI - previsão estimada do tempo de internação Art. 6º. Estabelecer que ao Ministério Público caberá o registro da notificação das internações psiquiátricas involuntárias (IPI), bem como das voluntárias que se tornam involuntárias (IPVI), para controle e acompanhamento destas até a alta do paciente. (Portaria 2.391/2002 – MS/GM).

ENCAMINHAMENTOS PARA A REDE APÓS A INTERNAÇÃO É de fundamental importância pensarmos na discussão da inclusão e fortalecimento dos hospitais especializados no tratamento de pessoas em sofrimento psíquico decorrentes do uso de álcool e drogas na rede de atenção psicossocial (RAPS). A RAPS tem como objetivo principal ampliar o acesso à atenção psicossocial à toda população, bem como à integralidade do cuidado.

Aspectos como definição de fluxos assistenciais e de encaminhamentos e ações de matriciamentos são de fundamental importância para garantir a continuidade do cuidado após a internação, através da articulação da rede de atenção à saúde. Devemos considerar que a internação psiquiátrica deve ser de curta duração, objetivando a estabilização do quadro agudo e devidos encaminhamentos para a rede. Não podemos deixar de considerar as especificidades de cada caso no momento da elaboração do projeto terapêutico OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 07


singular e construção das estratégias de cuidado para a realização destes encaminhamentos. Podemos utilizar todos os recursos da RAPS para a construção das estratégias de cuidado, são eles:

Apesar do preconceito e estigma, ainda encontrados em relação a de redução de danos, muitas ações são desenvolvidas no Brasil, e vem a cada dia mais se fortalecendo e ganhando espaço nas políticas públicas de álcool e drogas.

ATENÇÃO BÁSICA: • Unidades básica de saúde; • Núcleo de apoio a saúde família; • Consultório na rua; • Apoio aos serviços atenção residencial de caráter transitório; • Centros de convivência e cultura.

O Ministério da Saúde vem sendo fortemente criticado devido à apresentação de propostas de mudanças a serem realizadas na Política de Saúde Mental.

ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ESTRATÉGICA: • Centros de atenção Psicossocial nas diversas modalidades. ATENÇÃO DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: • SAMU 192; • Sala de estabilização; • UPA 24 horas e portas hospitalares de atenção a urgência e emergência; ATENÇÃO RESIDENCIAL DE CARÁTER TRANSITÓRIO: • Unidade de acolhimento; • Serviço de atenção em regime residencial. ATENÇÃO HOSPITALAR: • Enfermaria Especialista em Hospital Geral; • Serviço hospitalar de referência para atenção as pessoas em sofrimento psíquico decorrentes do uso de álcool e outras drogas; ESTRATÉGIAS DE DESINSTITUCIONALIZAÇÃO: • Serviços de residenciais terapêuticos; • Programa de volta para casa. ESTRATÉGIAS DE REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL: • Iniciativas de geração de renda; e empreendimentos solidários e cooperativas sociais. Os serviços mais utilizados para os encaminhamentos após as internações hospitalares, são os chamados CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), cuja atuação está prevista na Portaria/GM nº 336 - De 19 de fevereiro de 2002que define e estabelece diretrizes para o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial, atender adultos ou crianças e adolescentes, considerando as normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Os CAPS AD acompanham seus usuários por meio da perspectiva da redução de danos, diferente dos hospitais, que atuam sobre a abstinência total. A redução de danos constitui uma estratégia de abordagem dos problemas com as drogas que não parte do pressuposto de que deve haver a extinção total do consumo. Atua na perspectiva da singularidade, onde cada indivíduo formula as práticas que para ele sejam eficientes e diminuam os danos provocados por esse consumo de drogas. As estratégias de redução de danos (RD) foram implementadas no Brasil a partir do final da década de 80, a partir da preocupação com o significativo aumento de usuários de drogas injetáveis e a transmissão descontrolada do vírus HIV. 08 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

NOVAS PERSPECTIVAS NA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL NO BRASIL

As críticas se baseiam nas avaliações de diversos órgãos institucionais que temem o retorno das internações psiquiátricas de pessoas com transtorno mental, sem critérios e propostas de cuidado, em detrimento do tratamento em serviços extra-hospitalares. Desde 2001, com a aprovação da Lei nº 10.216 (Lei da Reforma Psiquiátrica), o modelo assistencial de Saúde Mental, foi modificado de forma significativa, priorizando os tratamentos em regime extra-hospitalares, e sendo a internação Psiquiátrica utilizada apenas, quando recursos extra-hospitalares não forem mais efetivos. Entre os anos de 2001 e 2014, houve uma significativa expansão dos serviços de tratamento extra-hospitalar, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial). A resolução recentemente aprovada veda qualquer tipo de ampliação da capacidade já instalada de leitos psiquiátricos em hospitais especializados. Por outro lado, amplia a oferta de leitos qualificados em enfermarias especializados, além do reajuste nos pagamentos das diárias de cada paciente, potencializando as estratégias de cuidado especializado. É importante ressaltar que o processo de desinstitucionalização, vai continuar e se fortalecer a partir da oferta de cuidados especializados. A prova disso é abertura de 200 novos serviços de residência terapêutica até o final do ano de 2018, conforme resolução aprovada. Há quem considere esse conjunto de mudanças aprovadas, um retrocesso na reforma psiquiátrica antimanicomial, cujo objetivo é a extinção total dos leitos de internação psiquiátrica. Porém, vale ressaltar, que esse número vem diminuindo de forma significativa. Entre as mudanças que vem acontecendo, está também a criação de uma nova modalidade de assistência, voltada ao atendimento de urgência e emergência em cenas de uso de álcool e outras drogas que são os CAP (Centro de Atenção Psicossocial) onde é instituída a assistência da equipe multiprofissional de média complexidade no apoio dos demais serviços de atenção à saúde articulando com atenção básica. Outra proposta é a inclusão das comunidades terapêuticas na RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) visto que atualmente não podem ser consideras como equipamento de saúde. A nova resolução já está em vigor desde o início do ano de 2018, e para complementá-la, devem ser regularizadas diretrizes clínicas para linhas de cuidado, além dos critérios de acompanhamento e monitoramento da RAPS.


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA

Sérgio Botêlho Júnior

Foto: Arquivo Fazenda da Esperança

Jornalista

RECUPERAR VIDAS SEM MEDICAMENTOS... A experiência das É COISA DE DEUS! Fazendas da Esperança

COMO TUDO COMEÇOU... No final do século XX, muitos cidadãos costumavam abandonar suas regiões rumo aos grandes centros urbanos do Brasil, formado por Rio de Janeiro e São Paulo, em busca de uma vida melhor. Naquela época também era comum observar grupos de jovens marginalizados em vias públicas fazendo uso de entorpecentes, mais especificamente da maconha, que ganhava notoriedade na década de 1980. Neste cenário, havia um jovem de 17 anos, conhecido por Nelson Giovanelli Rosendo, segundo filho de uma italiana que foi morar no Brasil junto a um advogado sergipano, no qual ela encontrou o amor. Mas Nelson, envolvido com a nova geração do Movimento dos Focolares, diariamente costumava acompanhar as missas celebrada pelo também jovem padre Alemão Frei Hans Stapel Ofm, da Paróquia de Nossa Senhora da Glória, situada na cidade paulista de Guaratinguetá. Em seu trajeto rumo à igreja, o adolescente sempre observava um grupo com cerca de 20 jovens, numa esquina do bairro do Pedregulho, fazendo uso de drogas. Aquela situação dos usuários tocava-o de tal forma, que Nelson estudava um método para aproximar-se deles. Entretanto, num certo dia, inspirado no evangelho presente na carta para os Coríntios, a qual diz: “Com os fracos torneime fraco, para ganhar os fracos” (1Cor 9, 22), que o jovem observou um artesão e através dele conseguiu aproximar-se do grupo outrora esquecido. De início, Nelson pediu ao artesão que lhe ensinasse a confeccionar uma pulseria. Durante a confecção, ele começou a ouvir as histórias e logo o ganhou como seu amigo, que em seguida o apresentou para a turma da esquina. Com isso, Giovanelli começou a frequentar aquele lugar, até que um

dia, com a ajuda de sua irmã, preparou um bolo de aniversário para um dos seus novos amigos. Durante a comemoração, os jovens trocaram felicitações e abraços respeitosos. O recémchegado havia acabado de ganhar o respeito da turma da “boca”. O gesto simples e despretensioso não culminou somente com a conquista do respeito, mas também da confiança daqueles usuários de drogas. Tanto que o grupo começou a questionar suas próprias atitudes, até que um dia um dos frequentadores da Boca, Antônio Eleutério, pediu ajuda ao novo amigo. "Nelson, não aguento mais essa vida! Não quero mais fazer minha família sofrer e ver minha mãe chorar. Preciso de alguém 24 horas junto comigo", pediu.Diante daquele ato de humildade, Nelson logo respondeu que não tinha como ficar com alguém durante todo o dia. Mas atento aos sinais de Deus, o fez uma proposta que consistia em colocar em prática o evangelho todos os dias. Com isso, ele ainda o pediu que fosse a missa e que ficasse para a reunião com o grupo de jovens. Para sua surpresa, todos os 20 jovens assistiram a missa nos últimos bancos da igreja. A presença dos jovens dentro do templo fortaleceu os vínculos existentes entre aquele grupo de amigos. A convivência ficou tão intensa, que devido à viagem dos seus pais rumo a uma ação missionária fora do Brasil, Nelson convidou os jovens para morar com ele em sua residência. Todos aceitaram, mas com a condição de não mais fazer uso das drogas e de viver do seu próprio sustento. Com isso, o grupo adquiriu uma máquina de cortar grama e começou a trabalhar com ela em toda a vizinhança, a qual começou a olhá-los com mais dignidade. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 09


Esse trabalho, sobretudo, de fé e amor tem gerado um grande reconhecimento social, tanto que o processo de expansão, ao longo desses pouco mais de 30 anos, ocorreu devido ao clamor popular e de alguns municípios que entenderam, baseado nas experiências e resultados apresentados, a importância de se ter uma Fazenda da Esperança instalada. Por isso que atualmente há 129 fazendas ativas em todo o Brasil e em mais 20 países do mundo. Tudo isso, sem contar com outros 50 terrenos doados, que aguardam ansiosamente a instalação da referida comunidade terapêutica. Vale ressaltar, que o projeto da esperança assiste 4.000 brasileiros por ano, sendo considerada uma das maiores obras da América Latina. Segundo as normas da Fazenda da Esperança, uma comunidade terapêutica como esta somente poderá ser instalada se a região apresentar interesse e o apoio suficiente para o sua instalação. Mas no começo ainda faltava alguma coisa, que somente foi percebida na virada das décadas de 1980 para 1990, quando Nelson , em um encontro com jovens paroquianos da cidade sergipana de Lagarto, foi indagado sobre a falta de uma Fazenda da Esperança voltada para as mulheres. Naquele momento, Giovanelli respondeu que era porque ainda não tinha surgido uma mulher corajosa para atender este chamado. Após ouvir a resposta do fundador, a jovem Lucilene Rosendo, que já tinha em seu coração o desejo de vivenciar a experiência proporcionada pelas Fazendas com outras

Foto: Arquivo Fazenda da Esperança

Mas a Divina Aventura não parou por ai, pois o frei Hans ganhou um terreno no bairro do Pedregulho, em Guaratinguetá, e ali os jovens começaram a viver o carisma pregado pelo Movimento dos Focolares, o Carisma da Unidade. Mateus 18:20: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles”. Surgindo assim, a primeira Fazenda da Esperança do Brasil. Uma obra de fé que mudou milhares de vidas pelo mundo desafiando a sociedade e, principalmente, a medicina, a qual vê o uso e abuso das drogas como uma doença sem cura e que deve ser tratada na base de fortes medicamentos. Desde o seu surgimento, os desafios já eram tão grandes, quanto às críticas expedidas pela comunidade guaratinguetaense, a qual dizia, por exemplo, que o frei estava cuidando de jovens drogados e marginalizados para invadir a cidade. Tudo boataria. Mas foi neste cenário que o frei Hans e o jovem Nelson Giovanelli se movimentaram em busca do apoio necessário para levar o projeto das Fazendas da Esperança adiante. Entretanto, eles ainda não estavam de olhos bem abertos, pois foi necessário que a fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich, famosa por seus discursos em prol do Espírito Santo e tocada pelas experiências relatadas, os aconselhasse a largar tudo por esta divina missão. O conselho surpreendeu os religiosos e a frase de São Paulo, presente do interior do Nelson e do frei Hans, ganhou força, uma vez que a mensagem de Chiara havia sido entendida como uma luz a ser seguida. A partir disso, eles se dedicaram mais profundamente ao projeto das Fazendas da Esperança baseados no Carisma da Unidade, um princípio baseado, sobretudo, no amor. E foi com esse amor, que a comunidade terapêutica, sem o uso de qualquer medicamento indicado pela ciência, tem feito com que pessoas saiam do abandono social e familiar, para uma vida mais feliz, humilde e repleta de boas ações.

A FAZENDA QUE ENSINA, AMA E SURPREENDE

O tratamento dado pelas Fazendas da Esperança consiste basicamente no trabalho, na espiritualidade e convivência. Para ser acolhido por ela, o usuário apenas tem que escrever uma carta, a próprio punho, reconhecendo que precisa de ajuda. Depois disso, diferentemente das ruas e das clínicas psiquiátricas, ele é abraçado como mais um irmão que veio para somar e para viver uma nova vida. É dentro das Fazendas que os acolhidos aprendem o valor do trabalho, a importância da comunhão e do amor próprio e ao próximo. Além disso, a Fazenda da Esperança também trabalha junto à família, pois ela é uma das peças fundamentais para o sucesso da recuperação do jovem acolhido. É por isso, que quando os jovens adentram na comunidade, a Fazenda convida os seus familiares para participarem do Grupo Esperança Viva (GEV), a fim de que eles tenham o suporte necessário para recebêlo quando do término do seu tratamento. O objetivo da ação é estruturar a família, mas mesmo quando ela não atende a esse convite – que não tem caráter obrigatório - o tratamento continua e o jovem recuperado tem a oportunidade de amar a sua gente como ela é. 10 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

mulheres, levantou-se e assumiu a sua vontade de dedicar a sua vida à recuperação das vidas das mulheres. Diante disso, a paroquiana dirigiu-se a Paróquia de Nossa Senhora da Glória, em Guaratinguetá, quando, durante uma ação social junto aos mais pobres, por intermédio do frei Hans, conheceu Iraci da Silva Leite, outra jovem que nutria em seu coração e em suas orações a vontade de ajudar as dependentes químicas. Com isso, as duas paroquianas uniram-se em um modesto apartamento e lá fundaram a primeira comunidade feminina da Esperança. Depois disso, surgiram Fazendas da Esperança voltadas aos mais diversos segmentos, a exemplo daquelas voltadas às crianças e à população de rua.

A IDENTIDADE QUE LEVA ESPERANÇA E foi com este vasto leque de ações, que o projeto Fazenda da Esperança ganhou notoriedade e, consequentemente,


Foto: Arquivo Fazenda da Esperança

É coisa de Deus ver que num mesmo espaço, pessoas de realidades e problemas distintos convivem mais unidas do que as tradicionais famílias brasileiras. Só pode ser coisa de Deus recuperar vidas sem utilizar um medicamento sequer e ao mesmo tempo promovê-las utilizando somente os princípios estabelecidos pela Sagrada Escritura. Apesar das conquistas, humanamente falando é impossível afirmar que as Fazendas da Esperança cumpriram o seu papel social, uma vez que a cada dia que se passa, um novo problema emerge nas sociedades. Mas se é de esperança que se está falando, então pode-se dizer que as Fazendas conseguiram plantar no meio social a ideia de que, sim, é possível construirmos um mundo melhor para todos, sem exceção. tomou dimensões globais, chegando a ser classificado como um moderno santuário onde o evangelho e a esperança encontrou morada. Neste sentido, pode-se dizer que a morada do evangelho consiste num ambiente recheado de dificuldades, que são superadas através do trabalho, da espiritualidade, da convivência e, sobretudo, do amor. Mas o projeto é maior do que si próprio, tanto que chegou o momento dele construir a sua própria identidade e vertentes a serem seguidas. Neste cenário, os dirigentes da Obra da Esperança decidiram unir o Carisma da Unidade com a pobreza pregada pelo Franciscanismo, surgindo assim o Carisma da Esperança, reconhecido pelo Pontifício Conselho para os Leigos como Associação Internacional de Fiéis, em maio de 2010. O reconhecimento possibilitou à Fazenda da Esperança criar a sua própria identidade, a sua própria Família da Esperança, um conceito que para além dos livros pode ser vivido de maneira intensa entre os acolhidos, que lá já não buscam mais refúgio nas drogas, mas sim nos novos irmãos. É importante lembrar, que as drogas são o último refúgio para as almas atordoadas. É por isso que mesmo após o término do tratamento, os ex-acolhidos permanecem unidos seja na vida pessoal, seja no voluntariado ou em missões humanitárias de resgate e promoção da vida humana. Tudo isso é fruto do Carisma da Esperança, um ideal tido como o mais adequado para fazer um dependente químico acreditar na Santíssima Trindade, no amor ao próximo e nas pessoas que estão ajudando-o a reconstruir suas vidas. É a esperança responsável por fazer com que todos os seres humanos se movimentem rumo a um objetivo, neste caso a regeneração. Diante dos resultados obtidos nessas últimas três décadas, pode-se afirmar que as Fazendas da Esperança têm provado que quando Deus é colocado à frente das ações, existe a possibilidade de recuperar a vida daqueles tidos como incuráveis pela ciência. Mas esta possibilidade depende também do dependente, uma vez que o livre arbítrio está presente antes, durante e depois do tratamento, cabendo somente a ele reconhecer as suas limitações. O tratamento dado na citada comunidade terapêutica baseiase em processos pedagógicos que elevam a autoestima a fim de resgatar a dignidade das pessoas, através da aprendizagem de trabalhos, convivência comunitária e aquisição de valores espirituais. Por isso, pode-se dizer que ele é coisa de Deus.

• VIOLÊNCIA CONTRA O FETO, A CRIANÇA E O JOVEM • VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO • VIOLÊNCIA CONTRA OS POVOS INDÍGENAS • VIOLÊNCIA CONTRA O MORADOR DE RUA • VIOLÊNCIA CONTRA O PROFESSOR • VIOLÊNCIA CONTRA OS TRABALHADORES • VIOLÊNCIA CONTRA O PLANETA, A FAUNA E A FLORA • VIOLÊNCIA NO NARCOTRÁFICO • VIOLÊNCIA NA (IN)JUSTIÇA • VIOLÊNCIA SEXUAL • VIOLÊNCIA POLICIAL • VIOLÊNCIA DOMÉSTICA • VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO • VIOLÊNCIA RELIGIOSA • VIOLÊNCIA NA MÍDIA


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA Flávio Simas

Coordenador de Enfermagem do Lar São João de Deus

ENVELHECIMENTO MUNDIAL:

DESAFIO PARA AS INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA Sabemos que o envelhecimento populacional é uma conquista da humanidade, mas apresenta desafios a serem enfrentados pela sociedade. Em nível mundial, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais cresce de forma mais rápida que a de outras faixas etárias. Espera-se que em 2050 haja dois bilhões de idosos, 80% deles nos países em desenvolvimento. A população de 80 anos ou mais é a que mais cresce e poderá passar dos atuais 11% para 19% em 20501. Segundo o IBGE, a média da expectativa de vida no Brasil em 2017, é de 75,8 anos de idade. O surgimento de instituições para idosos não é de hoje. O cristianismo foi pioneiro no amparo aos velhos: há registros de que o primeiro asilo foi fundado pelo Papa Pelágio II (520-590), que teria transformado sua casa em um hospital para velhos2.

integral a idosos, dependentes ou não, sem condições familiares para a sua permanência na comunidade de origem3. No recenseamento de 2000, 113 mil idosos moravam em domicílios coletivos. Desse total, estimou-se em 107 mil o número de idosos residentes em ILPI, o que significa 0,8% da população idosa4. Acredita-se que esses números tenham se modificado, aumentando progressivamente a quantidade de idosos institucionalizados. O perfil da família brasileira tem se modificado ao longo dos anos. A inserção da mulher no mercado de trabalho, a diminuição da natalidade, e o aumento das doenças crônicodegenerativas dificultam realização do cuidado em ambiente domiciliar.

A instituição de longa permanência vem proporcionar os serviços de saúde em um só lugar, com uma equipe multidisciplinar

A instituição asilar, “asilo” (do grego ásylos, pelo latim asylo), se definia como casa de assistência social onde são recolhidas, para o sustento ou também para educação, pessoas pobres e desamparadas, como mendigos, crianças abandonadas, órfãos e velhos.

Devido ao caráter genérico dessa definição, outros nomes surgiram para denominar locais de assistência para idosos, como por exemplo, LAR. Procurando-se padronizar a nomenclatura, tem sido proposta a denominação de instituições de longa permanência para idosos (ILPI), definindo-as como estabelecimentos para atendimento 12 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

O número de instituições de longa permanência no Brasil vem crescendo assustadoramente. É de extrema importância conhecer melhor e aprimorar este segmento de institucionalização para idosos. Para que, quando inevitável, a internação se torne um alternativa que proporcione dignidade e qualidade de vida, a instituição tem que romper com sua imagem histórica de segregação e se tornar uma saída, uma opção na vida dos idosos. O Lar São João de Deus, instituição de longa permanência para idosos, seguindo os valores da Ordem Hospitaleira de São João de Deus, vem cumprindo a cada dia, com o apoio de


seus colaboradores, a missão que nos foi dada por São João de Deus, “Fazei o bem, sem olhar a quem.” Com um olhar mais crítico, podemos dizer também, que nos enquadramos num processo de reabilitação em muitos casos, principalmente em regiões montanhosas onde o acesso as suas residências é por escadas ou vielas, dificultando a logística da continuidade de um determinado tratamento. A instituição de longa permanência vem proporcionar os serviços de saúde em um só lugar, com uma equipe multidisciplinar composta por médico, enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, assistente social, psicólogo, realizamos o cuidado de todos os idosos que aqui vivem. Diante disso alguns idosos procuram a instituição por iniciativa própria, porém, muitos idosos são institucionalizados por doenças crônico-degenerativas e dificuldade de gerir sua própria vida. Não conseguimos falar de CUIDAR sem pensar nos profissionais de enfermagem que normalmente são peças fundamentais para a realização das atividades que proporcionam o bem estar biopsicossocial. Diariamente enfrentamos vários desafios que decorrem do avançar da idade e da progressão das doenças. Os hóspedes são acolhidos na sua integralidade, sabemos que cada um possui sua história que ao longo dos anos foi construída. Precisamos nesse momento abrir mão, muitas

A Vector é especialista no desenvolvimento de soluções tecnológicas exclusivamente para a gestão da saúde. São 20 anos de dedicação, construindo uma ferramenta completa de gestão, oferecida aos nossos clientes de forma modular e flexível. Atualmente são mais de 100 hospitais, prefeituras e OSS que utilizam nossa plataforma e atestam a qualidade, segurança e agilidade dos nossos serviços. Estamos presentes na

vezes das nossas opiniões e sermos completamente isentos de pré conceito, pois não nos cabe julgar o certo e o errado.

e no

O carinho, o respeito e o profissionalismo estão lado a lado, quando fazemos com amor o que gostamos. 1. Freitas EV. Demografia e Epidemiologia do envelhecimento. In: Py L, et al, organizadores. Tempo de envelhecer: percursos e dimensões psicossociais. Rio de Janeiro: Nau; 2004. p. 19-38. 2. Alcântara AO. Velhos institucionalizados e família: entre abafos e desabafos. Campinas: Alínea; 2004.149 p. 3. Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - Seção São Paulo – Instituição de Longa Permanência para Idosos: manual de funcionamento. São Paulo, Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - Seção São Paulo, 2003:39 p. 4. Camarano AA, et al. Idosos brasileiros: indicadores de condições de vida e de acompanhamento de políticas. Brasília: Presidência da República, Subsecretaria de Direitos Humanos; 2005. 144 p. 11. Brasil. Portaria n. 810

colaborando na gestão dos pacientes e dos recursos.

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SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA José Cleber do Nascimento Costa

Administrador hospitalar Mestre pela Universidade Mackenzie, MBA pela FIA-USP Membro da Academia Brasileira de Adm. Hospitalar,

(www.spdm.org.br/blogs/item/482-administração-hospitalar)

COMO ADMINISTRAR UM HOSPITAL: 7 Princípios Básicos A tarefa de administrar um hospital não é das mais fáceis. É de responsabilidade do gestor cuidar desde a implantação de rotinas diárias de um estabelecimento de saúde até os equipamentos necessários para o seu bom funcionamento. E no Brasil, que é marcado pelas desigualdades de acesso à assistência médica, o trabalho de organizar o dia a dia de um ambiente hospitalar torna-se desafiador. Para se ter uma ideia dessa disparidade regional, tanto de profissionais, equipamentos e tecnologias no setor público e privado do sistema de saúde no País, pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) mostra que os usuários de planos de saúde dispõem de 3,9 vezes mais médicos que os pacientes da rede pública. O estudo ainda expõe que apesar da existência de 371.788 médicos em atividade no País, há uma concentração de profissionais em regiões. O Sudeste, com 2,61 médicos por 1.000 habitantes, tem concentração 2,6 vezes maior que o Norte (0,98). O resultado do Sul (2,03) fica bem próximo do alcançado pelo Centro Oeste (1,99). Ambos têm quase o dobro da concentração de médicos por habitantes do Nordeste (1,19). Além disso, os usuários do SUS – Sistema Único de Saúde têm quatro vezes menos médicos que os da rede privada, considerando que 145 milhões de pessoas dependem do sistema público e 46 milhões possuem planos de saúde. 14 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

Isso sem falar que os gastos públicos são de apenas 45,7% do total destinado à saúde, enquanto que países como Reino Unido, França, Alemanha a destinação é respectivamente de 83,6%, 76,7%, 75,7%. Por conta deste cenário, a gestão de um hospital é um grande desafio, seja ele qual for: da capital ou do interior, geral ou especializado, de pequeno, médio ou de grande portes, público ou privado. Cada um tem suas particularidades, porém, o paciente que utiliza a saúde suplementar particular é muito diferente do usuário que depende do SUS, ao menos teoricamente. Quem está sujeito aos serviços do setor público fica mais suscetível, pois tem uma condição financeira inferior, logo uma qualidade de vida abaixo do esperado e consequentemente uma saúde mais fragilizada, daí do ponto de vista assistencial o paciente que precisa do atendimento público passa por um processo mais complexo. Isso faz com que a administração do estabelecimento de saúde tenha uma atenção maior e mais holística, ou seja, que envolve aspectos sociais, nutricionais, farmacêuticos, dentre outros, no tratamento do atendido. O alcance à saúde é o desejo de todos, de preferência ter recursos disponíveis de forma rápida e segura. Isso é quase uma utopia, um sonho, mas faz parte da tríade acesso x qualidade x financiamento. Para que o atendimento seja facilitado é necessário oferecer produtos e serviços de qualidade, e isto precisa ser pago por


alguém. Na área pública, por exemplo, o acesso depende de equipar adequadamente estruturas, nutri-las com insumos e pessoas 24 horas por dia, além de fazer enormes esforços para solucionar todos os problemas de saúde de uma comunidade. A promoção da saúde também envolve ações de prevenção de doenças, diagnóstico, tratamento, recuperação e reabilitação. Para isso é essencial a inclusão de sistemas universalizados, hierarquizados (medicina primária, secundária e terciária) e regionalizados. A gestão profissionalizada dos ambientes de saúde é complexa independentemente do estabelecimento, mas para que haja uma assistência tanto pública como privada adequada é fundamental atentar-se aos seguintes aspectos:

1

Clareza de missão e valores:

Um hospital deve saber claramente o papel a desempenhar em uma comunidade e os princípios básicos a seguir;

2

Pessoas:

Médicos, funcionários, fornecedores e demais pessoas envolvidas com a assistência precisam ser respeitadas e tratadas com dignidade para que possam retransmitir o mesmo tratamento aos usuários;

3

Estruturas físicas:

Cuidar do plano diretor de obras, de fluxos, de instalações e demais facilidades prediais tem um grande impacto na assistência;

4

Tecnologias:

Um hospital moderno é uma estrutura que exige equipamentos, instrumentais e utensílios de qualidade, da mesma forma a manutenção destas tecnologias, com uma engenharia clínica zelosa é fundamental;

5

Suprimentos:

Materiais de uso no paciente e medicamentos devem ser adquiridos da melhor forma visando a melhor aplicação;

6

Profissionalização da gestão:

Não se admite mais achismos e pessoas sem preparo na frente de estruturas complexas como um hospital;

7

Comunicação:

Lidar com pessoas profissionais de níveis diferentes (do médico ao auxiliar de higienização), com públicos diversos (pacientes, acompanhantes, visitantes, autoridades, etc.); se não houver uma comunicação eficiente entre todos estes atores a assistência fica prejudicada. É sabido que gerir um ambiente de saúde com recursos escassos é um desafio, particularmente no Brasil onde os hospitais públicos normalmente obtêm verbas para construir e equipar estruturas e depois não conseguem custear estes mesmos locais. Por exemplo, o gasto para colocar a edificação hospitalar em pé equivale às mesmas despesas para um bom funcionamento deste espaço em dois anos e meio, ou seja, cada ciclo de 10 anos para manter um hospital equivale a construir mais 4 hospitais. Às vezes os gestores públicos não enxergam esta realidade. Por tudo isso, é fundamental que a saúde pública complemente a privada e vice-versa, cada um com seu papel. Na assistência médica, em particular, isso fica evidente quando temos 145 milhões de brasileiros que dependem do SUS e 46 milhões da saúde suplementar. Se estes 46 milhões de brasileiros do setor privado fossem também depender do SUS, o caos estaria instalado. Assim, temos de ter olhos para entender estas duas realidades e aceitá-las sem preconceitos.

OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 15


SAÚDE & QUALIDADE DE VIDA

Ivani Cruz

Master em Coach e Pedagoga Coordenadora do serviço PHV: Pastoral, Humanização e Voluntariado da Casa de Saúde São João de Deus

INSTITUIÇÃO ASSISTENCIAL? SÓ SE FOR HUMANIZADA! O conceito de saúde perfeita elaborado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) surgiu por volta de 1948, expressado como o “estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. A finalidade desse conceito veio para ampliar o modelo, até então biomédico, centrado na ausência de doença.

social, de que devemos sempre respeitar as outras pessoas, tratá-las com responsabilidade, amabilidade, polidez e respeito. Olhar sempre o seu lado humano e não meramente vê-las como clientes, ou “alguém qualquer” a quem você esteja prestando um serviço. Temos que pensar no homem em construção, dialogante com os ambientes sociais, psicológicos e espirituais.

O modelo biomédico observava o homem como uma máquina, um conceito enraizado em sua formação profissional, de que a saúde significava ausência de doenças e, focava-se na especialização e fragmentação, a qual gerava a perda da visão do sujeito com suas subjetividades. O indivíduo perde sua significação, mas o objetivo é a doença e a cura, nos sintomas individuais e no tratamento (Cutolo, 2006).

O conceito de humanização é polissêmico, abrange inúmeras expressões e é permeado por imprecisões. Entretanto, as formas de perceber ou entender humanização não se dissociam de suas práticas. A humanização pode ser compreendida como um vínculo entre profissionais e pacientes, alicerçado em ações guiadas pela compreensão e pela valorização dos sujeitos, reflexo de uma atitude ética e humana.

Por décadas, a humanização das práticas e de atenção à saúde tornou-se motivo de grandes debates em torno do mundo. Em 2003 o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional da Humanização (PNH) com o intuito de promover uma nova cultura de atendimento na saúde, que apoiasse a melhoria na qualidade e eficiência dos serviços prestados, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar.

A pratica da humanização está associada na qualidade técnica do cuidado ao reconhecimento dos direitos do paciente e respeitando a sua crença, estilo de vida e referências culturais, além de uma maneira de agir baseada em escuta atenta, diálogo, participação, integração e corresponsabilidade. Implica na evolução do Homem, pois ele tenta aperfeiçoar as suas aptidões através da interação com o seu meio envolvente. Para cumprir essa tarefa, os indivíduos utilizam recursos e instrumentos como forma de auxílio. A comunicação é uma das ferramentas de grande importância, para que este processo seja eficaz.

A humanização pode ser compreendida como um vínculo entre profissionais e pacientes

O termo “humanização” vem se tornando tema constante nas literaturas científicas nacionais e internacionais oriundas de saúde coletiva e ocupando um lugar de destaque nas mídias para reconstrução das relações entre pessoas e serviço prestado. Isto porque, cada vez mais, há uma consciência 16 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

Com esta visão de humanização, as Instituições Sociais


da Ordem Hospitaleira São João de Deus no Brasil, vêm se adequando e aprimorando para ser cada vez mais humanizadas. Desde 2005, o Irmão Augusto Vieira estruturou o serviço PHV – Pastoral, Humanização e Voluntariado. Inicialmente houve vários questionamentos e muitas resistências, mas o momento era aquele, as mudanças e a conscientização eram inevitáveis, as transformações profissionais e pessoais foram significativas, levando sempre em conta o carisma de São João de Deus no serviço ao homem doente. Dada a complexidade da vulnerabilidade dos pacientes atendidos (adicções, psiquiatria, geriatria, entre outras), é de extrema importância garantir a atenção integral e humanizada na assistência ao paciente e aos seus familiares, assegurando o serviço multidisciplinar e o respeito aos direitos específicos previsto em legislação.

tratamento diferenciado por parte dos gestores da saúde, dando-lhe prioridade no estabelecimento de contratos e convênios no futuro. Porque, hoje só podemos acolher se tivermos um espaço, um profissional mais humanizado e consciente do acolhimento na íntegra. O segredo é muito simples: vamos tratar a equipe interna como gostaríamos que o cliente fosse tratado. Em outras palavras, vamos estabelecer esta relação de confiança também internamente, entre os colegas, entre profissionais e seus gestores, entre os pares. A confiança é construída com base nas pequenas ações do dia-a-dia, baseadas em: respeito, transparência, comunicação

Diante deste cenário, a Política de Humanização das Instituições São João de Deus tem como finalidade: • Fortificar a qualidade da ação das Instituições no atendimento especializado ao pacientes, seus familiares e na busca de conhecimentos técnicos e científicos relacionado à saúde; • Assegurar a transversalidade do tema, garantindo a atuação integrada entre a assistência e a gestão de serviços; • Reforçar a produção do atendimento, da assistência à saúde e dos processos de trabalhos baseados em uma ética de abertura, cuidado e respeito ao outro; • Criar espaços de discussão, de troca de experiências e formação continuada, com a finalidade de intervenções participativa e colaborativa. • Facilitar o acesso à informação; • Demonstrar carinho ao conversar, ao fazer uma pergunta e na recuperação; • Surpreender com a delicadeza de um sorriso; • Oferecer ambientes leves, proporcionando bem estar ao paciente. Estamos preparados para avançar em busca da excelência no atendimento aos pacientes, um tratamento humanizado, que leva em consideração o ser humano e sua história. Cada paciente é muito mais que um número e um corpo doente a ser tratado. O paciente aqui é chamado pelo nome, ele é ouvido, ele tem voz e é tratado com cordialidade. Se frieza e distanciamento tornam um hospital pesado, ao contrário, o calor humano e presença tornam a nossa Instituição um ambiente muito mais agradável e favorável para a recuperação, sempre tendo como base a forma de ver e pensar do nosso fundador São João de Deus. Além de termos uma equipe multiprofissional e assistencial composta por pessoas empáticas, buscamos aprimorar esse cuidado envolvendo o paciente em atividades construtivas dentro das Unidades e respeitando sempre as suas subjetividades. É de fundamental importância reconhecer e estimular as iniciativas de humanização, valorizar as instituições e os profissionais competentes e compromissados com o tema. Mais do que isso é desejável que o hospital verdadeiramente humanizado receba um

em duas vias (falar e escutar), senso de justiça, trabalho em equipe, colaboração. Portanto, todos são responsáveis por estabelecer um excelente ambiente de trabalho e que irá contribuir para o sucesso de uma política de humanização do atendimento. Referências Bibliográficas: BACKES, D. S.; LUNARDI, V. L.; LUNARDI FILHO, W. D. A humanização hospitalar como expressão da ética. Revista Latino-am Enfermagem. [s.l], v. 14, n. 1, p. 132-135, jan- fev. 2006. BARBOSA, I, A; SILVA, M, J. Cuidado humanizado de enfermagem: o agir com respeito em um hospital universitário. Revista Brasileira de enfermagem. Brasília, v. 60, n. 5, p. 546- 551, set- out. 2007. BRASIL, Ministério da Saúde. Manual do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar – PNHAH. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. COSTA W. S. Humanização, relacionamento interpessoal e ética. Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 10, n. 4, p. 17-21, out- dez 2003. MARCHESI PIEERLUIGI, SPINSANTI SANDRO, SPINELLI ARIBERTO. Para um Hospital mais Humano - Edições Paulistas. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 17


CAPA Luiz Antonio de Moura

Pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio. Administrador do site www.sementesdapalavra.com.br

INSTITUIÇÕES ASSISTENCIAIS

ACOLHIMENTO, CUIDADO E RESPEITO

É grande a responsabilidade social das instituições criadas e mantidas para o atendimento, o acolhimento, o cuidado e o respeito a que boa parcela da população revela-se carente e necessitada. Vamos tratar, aqui, da assistência social prestada ora pelo Estado, ora por entidades de natureza filantrópica, nos termos assegurados na Constituição da República (artigos 203 e 204 da CF/1988).

NUM PAÍS COMO O BRASIL...

Quando falamos sobre “Instituições Assistenciais”, principalmente, em um País como o Brasil, de dimensões continentais em todos os sentidos, somos levados a refletir sobre o gigantesco contingente de pessoas que estão dos dois lados da fronteira: os carentes e necessitados de acolhimento, tratamento e respeito e os profissionais, voluntários ou não, prontos para a ação. Se, de um lado, encontramos pessoas das mais diversas classes sociais, padecendo das carências, das dores e dos sofrimentos decorrentes de doenças – degenerativas ou do avanço da idade – do abandono e do descaso, da exclusão social ou mesmo da impossibilidade do cuidado e do acompanhamento familiar, do outro, temos excelentes profissionais, da área da saúde – médicos, dentistas, nutricionistas e enfermeiros – da psicologia, do magistério, da assistência social e da religiosidade que, de forma remunerada ou absolutamente voluntária, atuam dia e noite, em um contínuo e permanente revezamento, com a finalidade quase obsessiva de proporcionar uma caminhada mais segura e monitorada para aqueles que, ainda, têm longa estrada para percorrer. Entretanto, é de ser sublinhado o desafio que envolve a questão, apesar de certos “favores” prestados pelo Estado que, no caso brasileiro, como sempre, prefere transferir para a sociedade o encargo de recepcionar e de cuidar das pessoas carentes e/ou necessitadas, oferecendo alguns incentivos fiscais que, em alguns casos, realmente ajudam os dois agentes. 18 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

Um recebe um tratamento mais direcionado e mais humanizado, enquanto o outro é compensado com a isenção de alguns tributos. Quando falamos sobre política assistencial precisamos levar em conta alguns fatores bastante relevantes como: idade, condições de saúde, ambientação familiar e estado psicossocial. Em termos de idade, atenção especial deve ser direcionada à criança, desde a concepção, passando pela maternidade, primeira infância, adolescência até a juventude. Não é fato desconhecido que o processo de exclusão, racial e social, principalmente, aumenta os casos de carência e desafia o sistema, como um todo, a estar sempre pronto para recepcionar aqueles que caminham para a fase adulta. Neste aspecto, a criação e a manutenção de creches, públicas ou privadas, deve ter tratamento prioritário no campo da política social. Do mesmo modo, os portadores de deficiências das mais diversas, necessitam de apoio institucional para não ficarem retidos no isolamento e, por fim, na exclusão. Instituições especializadas no acompanhamento e na inserção ou na reinserção socio-cultural-profissional são de extrema necessidade a fim de proverem os cidadãos e as cidadãs, independentemente da classe social, uma vida orgânica, familiar e social, plenamente saudável.

ENTRANDO NA TERCEIRA IDADE...

Nesse universo, não podem ser esquecidas as pessoas que adentram na chamada terceira idade. São pessoas que, por já estarem na inatividade profissional, veem reduzido o espaço social – antes bastante alargado – por diversas razões, inclusive, pela dificuldade de locomoção e pela ineficiência estatal na questão da mobilidade urbana, com destaque para a enorme deficiência do “transporte público” e da dificuldade de movimentação nas calçadas públicas e no acesso aos prédios e repartições, públicos e/ou privados.


A partir destas restrições impostas às pessoas, já a partir do afastamento do mercado de trabalho, às vezes até por vontade própria, para tentarem uma vida mais saudável, o campo de atuação destas pessoas vai ficando cada vez mais limitado ao ambiente familiar e à circunvizinhança. O avanço da idade, a dificuldade de manter uma alimentação saudável e rica em nutrientes e proteínas somados à fragilidade do organismo e à quase inevitável entrada no campo da medicação permanente, vão tornando a pessoa cada vez mais carente e necessitada do apoio assistencial que, de início, e quase sempre, é provido pela família. No entanto, nem sempre a família, como um todo, tem condições de arcar com as enormes responsabilidades que envolvem a vida de uma idosa ou de um idoso e o quarto dos fundos passa a ser o único espaço destinado àquela ou àquele que acostumou-se ao trabalho e ao convívio social, ainda que na constância da extensa vida de trabalho. Enquanto a idosa ou o idoso acima retratados vivem ao lado do cônjuge ou do companheiro de muitos anos, as dificuldades podem ser compartilhadas. Porém, a ausência permanente de um, deixa o outro em grande estado de solidão, mesmo que resida nas proximidades do restante da família. Adolescentes, jovens e mesmo adultos preocupados com os afazeres do dia-a-dia, não costumam ter disponibilidade para conversar com os mais idosos e para acompanhá-los nos saudáveis passeios públicos. Aí, para piorar ainda mais as condições da vida, já bastante difíceis, surge a solidão da cadeira de balanço, da cadeira de rodas ou da própria cama, ainda que diante do aparelho de TV que, infelizmente, só tem a mostrar um mundo em constantes guerras, conflitos, violências e toda uma modernidade que, mal explicada e mal dimensionada, ampliam o desânimo, o descrédito, o medo, minando a força e a resistência para a necessária, e já difícil, caminhada. Miriam Goldenberg, no livro “A Bela Velhice”, chama a atenção para a importância de uma “velhice” baseada em um projeto de vida, enumerando algumas personalidades do mundo da música nacional que, apesar de estarem próximas, ou até de já terem superado a casa dos setenta anos de idade, mantém-se plenamente atuantes e engajadas na vida1. Eis a palavra chave: “Projeto de vida”. Manter-se vivo e atuante, de forma íntegra e bem disposta, independentemente da idade, importa o envolvimento em um saudável e tenaz projeto de vida que, nem sempre, acompanha a pessoa depois de ultrapassar a casa dos setenta/setenta e cinco anos de idade e, também, nem sempre a família possui tal compreensão ou mesmo condições gerais de indução da idosa ou do idoso para um rumo diferente daquele vivenciando até então. “A autoexpressão é algo que não se interrompe e que não deve ser interrompido. Todos somos criativos. Todos temos algo a oferecer ao mundo. E o tempo e a experiência jogam a nosso favor. A aposentadoria é uma época para criar projetos e realizar sonhos, para revisitar o passado e explorar o desconhecido. É uma época para desenhar nosso futuro”. Quem faz esta afirmação é a artista americana Julia Cameron que, em conjunto com a escritora e violinista Emma Lively,

escreveu o livro “Nunca é Tarde Demais”2, por meio do qual apresentam um conjunto de atividades sugeridas para qualquer pessoa que deseja, como elas dizem, “explorar a própria criatividade”3. A partir daí, é fácil confirmar a exatidão da tese do “Projeto de vida”. Todos nós, em qualquer fase da vida, necessitamos estar envolvidos em projetos, dos mais diversos, para incentivar e estimular a nossa caminhada. Entretanto, como visto, em algum momento da nossa existência a “caixa de projetos” fica vazia e, se não pudermos contar com a própria criatividade ou com o auxílio e o incentivo da família, corremos o risco de queda no abismo do ostracismo, do desânimo, da desilusão, da solidão e da perda da vontade de viver, tornando-nos presas fáceis da doença e da depressão que, em um organismo já fragilizado, pode conduzir à total dependência de remédios e de acompanhamentos médicos pelo resto dos nossos dias, daí decorrendo o que o médico psiquiatra Luiz Alberto Py denomina como “perda de si mesmo”, no livro “Amor e Superação – Como enfrentar perdas e viver lutos”4 que, segundo ele, “acontece quando o significado da própria vida e o contato com nossos próprios sentimentos se desfazem”5. Acreditando que aqueles que são bem acolhidos e acompanhados pela família são, também, incentivados e estimulados a desenvolverem seus pequenos, mas, produtivos, projetos de vida, tornando-os ativos por toda a vida útil, e considerando os demais sujeitos da assistência social, vamos nos encaminhar para o papel a ser desempenhado, e é, pelas instituições assistenciais que, também, atendem, acolhem, cuidam e respeitam os seres humanos que, de forma gratuita ou não, batem à porta pedindo socorro.

A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA... A Constituição da República, de 05 de outubro de 1988, denominada “Constituição cidadã” destina a Seção IV, do Capítulo II, à assistência social, direcionada à proteção da família, da maternidade, da infância, da adolescência e da velhice. O artigo 203 da Constituição da República afirma que “A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social”, apontando como 1GOLDENBERG,

Miriam. A BELA VELHICE. Editora Record. São Paulo: 2014. 123 páginas. 2CAMERON, Julia e LIVELY, Emma. NUNCA É TARDE DEMAIS. Editora Fontanar. São Paulo: 2016. 296 páginas. Pág. 16. 3Idem, pág. 17. 4PY, Luiz Alberto. AMOR E SUPERAÇÃO – COMO ENFRENTAR PERDAS E LUTOS. Editora Rocco. Rio de Janeiro: 2010. 125 páginas. 5Idem, pág. 75. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 19


principais objetivos da política social do Estado brasileiro “a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice”; “o amparo às crianças e adolescentes carentes”; “a promoção da integração ao mercado de trabalho; “a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária”, além da “garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei”. O artigo 204 da Constituição prevê que as ações a serem promovidas pela área da assistência social do Estado serão custeadas com recursos procedentes do orçamento da seguridade social, “além de outras fontes”. O artigo 195 da Carta Magna estabelece que a seguridade social é financiada “por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”, tendo na Lei Federal nº 8.212/91 todo o arcabouço jurídico normativo da política de assistência social do Estado brasileiro. A referida Lei, no artigo 4º, parágrafo único, alínea “b”, ao tratar da organização da Assistência Social, prevê, como uma de suas diretrizes, a “participação da população na formulação e controle das ações em todos os níveis” . A Lei Federal nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regula a isenção de contribuições para a seguridade social, na forma do artigo 1º ao estabelecer que: “A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação”, sabendo-se, de antemão, que a referida certificação ou sua renovação, na área da assistência social, em consonância com o artigo 18, só será concedida “à entidade de assistência social que presta serviços ou realiza ações socioassistenciais, de forma gratuita, continuada e planejada, para os usuários e para quem deles necessitar, sem discriminação” que, nos termos do parágrafo primeiro do referido artigo, são entidades que “prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos pela Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e as que atuam na defesa e garantia de seus direitos”. São, também, reconhecidas como entidades de assistência social, nos termos do artigo 18, parágrafo segundo, da Lei nº 12.101/2009, as que prestam serviços, sem qualquer exigência de contrapartida dos usuários: “com o objetivo de habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência e de promoção da sua inclusão à vida comunitária, no enfrentamento dos limites existentes para as pessoas com deficiência, de forma articulada ou não com ações educacionais ou de saúde” (alínea 20 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

“I”); as que são promotoras de “programas de aprendizagem de adolescentes, de jovens ou de pessoas com deficiência”, com a finalidade de integração no mercado de trabalho (alínea “II”); “as que realizam serviço de acolhimento institucional provisório de pessoas e de seus acompanhantes, que estejam em trânsito e sem condições de autossustento, durante o tratamento de doenças graves fora da localidade de residência” (alínea “III”)” Sendo assegurada a tais entidades, desde que certificadas, a “prioridade na celebração de convênios, contratos ou instrumentos congêneres com o poder público para a execução de programas, projetos e ações de assistência social”, conforme estabelecido no parágrafo quarto, do artigo 18 acima mencionado. É bastante extensa a legislação, seja a nível federal, estadual ou mesmo municipal, que disciplina e incentiva ações na área social por agentes da iniciativa privada que, sem fins lucrativos e sem a exigência de contrapartida por parte dos usuários, desejam, de alguma forma, atuar em benefício daqueles que são carentes e necessitados de cuidados, de acolhimento, de acompanhamento, de habilitação e reabilitação e, finalmente, de reinserção no ambiente familiar ou mesmo sócio-cultural-profissional, da comunidade e da sociedade, de um modo geral. Não bastassem as entidades certificadas na forma da lei, conforme acima descrito, temos, ainda, as entidades religiosas, procedentes das mais diversas profissões de fé que, por meio de creches, abrigos, maternidades, casas de repouso, leprosários, residências terapêuticas, lares, hospitais para deficientes e muitos outros, atuam de forma decisiva no acolhimento, no acompanhamento, na reabilitação e na reinserção de pessoas carentes, dependentes e necessitadas, no seio das comunidades a que pertencem, auxiliando no enfrentamento de situações que tais pessoas, por si mesmas, teriam muita dificuldade, ou mesmo impossibilidade, para resolverem. Caso bastante desafiador é o dos moradores de rua.

E OS MORADORES DE RUA?...

Matéria publicada no G1 (https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/rio-tem-2-mil-vagas-em-abrigos-para-14-mil-moradores-de-rua.ghtml), em 24/05/2017, informa que, para um contingente de 14000 (quatorze mil) moradores de rua, no Rio de Janeiro, existem apenas 2000 (duas mil) vagas, ainda assim, segundo a matéria “Quem vive em abrigos reclama da precariedade das instalações. Prefeitura diz que busca convênios para expandir acolhimento da população em situação de rua”, com o seguinte destaque: “Conforme o RJTV mostrou na terça-feira (23), a população de rua triplicou em três anos na capital fluminense. Em 2013, eram cerca de 5.580 e no final de 2016 já eram 14.279 – um aumento de 156% neste período. A reportagem do RJTV visitou um dos abrigos da cidade, a Unidade de Reinserção Social Realengo, na Zona Oeste. Destinado ao público masculino, o local abriga

Mo


atualmente 88 homens. Uma mulher trans abrigada lá reclama do preconceito de gênero ao direcioná-la a um local que só abriga homens.

Segundo Relatório elaborado pelo Ministério da Saúde, no ano 2004, divulgado no site http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/120.pdf:

A principal queixa dos abrigados é quanto a infraestrutura do local. Paulo Roberto Soares da Mota, de 48 anos, está no abrigo de Realengo há seis meses e relatou que são constantes infestações de percevejos no local. Ele reclamou também da desorganização do abrigo. “Aqui é uma bagunça danada, uma falação danada, ninguém consegue dormir”, contou Paulo.”

“As residências terapêuticas constituem-se como alternativas de moradia para um grande contingente de pessoas que estão internadas há anos em hospitais psiquiátricos por não contarem com suporte adequado na comunidade. Além disso, essas residências podem servir de apoio a usuários de outros serviços de saúde mental, que não contem com suporte familiar e social suficientes para garantir espaço adequado de moradia.

O site https://vejasp.abril.com.br/cidades/abrigos-para-moradores-de-rua-terao-parceria-com-rede-hoteleira/ publicou

oradores de rua da Praça 14 Bis, em São Paulo (Foto: Mariana Zylberkan)

em 04 de janeiro de 2017, matéria com o seguinte titulo: “Abrigos para moradores de rua terão parceria com rede hoteleira”, afirmando que a “Iniciativa faz parte de um novo projeto que pretende revitalizar espaços voltados para acolher essa população”. No âmbito da terceira idade, temos diversos lares de acolhimento e de repouso que, por suas características e estrutura, permitem, senão uma total reabilitação ou reinserção nos ambientes familiares, comunitários e sociais, pelo menos, uma vida baseada no acolhimento, no dedicado cuidado e no profundo respeito, de modo a que possam viver nas melhores condições possíveis. Neste aspecto, o destaque é para o Lar São João de Deus6 que, inspirado na vida e na obra do santo do mesmo nome, serve e honra a região serrana do Rio de Janeiro7. O mesmo podemos dizer das outras três Obras joandeínas no Brasil: em São Paulo8, Mato Grosso do Sul9 e Minas Gerais10. E também das quase 400 espalhadas pelo mundo, em 53 países. No campo da psiquiatria, vamos encontrar, por exemplo, a SIG, uma residência terapêutica totalmente voltada para o repouso ou a moradia assistida, situada no Rio de janeiro que, segundo seus fundadores, “é uma das formas encontradas para ressocializar os pacientes psiquiátricos” (vide http:// www.sigservicosmedicos.com.br/residencia-terapeutica-2/) .

[...] Atualmente, existem 256 SRTs (Serviço Residencial Terapêutico) em quatorze estados e 45 municípios do País, onde moram 1.400 pessoas. Estimativas recentes da Coordenação-Geral de Saúde Mental do Ministério da Saúde apontam a existência de aproximadamente 12.000 pacientes internados que poderiam ser beneficiários dos SRTs. Tais dados evidenciam a necessidade de significativa expansão do número de residências, de modo a reduzir a segregação e aumentar a reinserção social dos pacientes. A implantação de uma residência terapêutica exige pacto entre gestor, comunidade, usuários, profissionais de saúde, vizinhança, rede social de apoio, e cuidadoso e delicado trabalho clínico com os futuros moradores.”

A DEPENDÊNCIA QUÍMICA E A HANSENÍASE No trato com pessoas que padecem de dependência química (álcool e/ou drogas), existe a “Oficina de Jesus”, nome oficial para o popularmente conhecido “Sítio do Padre Quinha” (Sítio Nossa Senhora das Graças)11, que desenvolve trabalho de acolhimento e ajuda para homens e mulheres que, escravizados pela dependência do álcool ou das drogas, buscam o restabelecimento de suas condições físicas, orgânicas e espirituais, com vistas à reinserção no seio da comunidade e ao acompanhamento pós-desintoxicação, evitando que o reencontro com antigos colegas de infortúnio possa acarretar a tão indesejada “recaída no vício” e, consequentemente, na dependência e, de novo, na exclusão social, familiar e comunitária. Não podemos esquecer a questão que envolve os pacientes com hanseníase (antiga lepra) que, desde os tempos bíblicos, 6www.larsaojoaodedeus.org.br 7Em Petrópolis: Estrada União e Indústria, nº 12.192 – Itaipava. 8Na Estrada Turística do Jaraguá, nº 2365 – São Paulo-SP. 9Em Aparecida do Taboado: Rua Duque de Caxias, 3001 – Jd. Pioneiros 10Em Divinópolis: Rua do Cobre, 800 – Bairro São João de Deus. 11FONTE: Oficinadejesus.org

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sionadas-em-um-antigo-leprosario-15978978#ixzz564iJmdEW). Leia também em: http://www. osaogoncalo.com.br/itaborai/19428/hospital-colonia-agoniza-em-meio-a-crise-e-falta-de-apoio

eram vistos como “malditos da sociedade” e, portanto, totalmente excluídos e afastados (para sempre) do convívio familiar e comunitário. O site da BBC Brasil – http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36800589 - em matéria publicada em 24 de julho de 2016, por Lais Modelli, fala sobre “Os brasileiros que foram separados à força de pais com lepra e lutam por reparação”, apresentando um total de “40 mil bebês que foram separados de pacientes, segundo dados estimados pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República”. Segundo a matéria, o primeiro leprosário surgiu no Brasil em 1714, no Recife informando, ainda, que, “Entre 1920 e 1950, foram inaugurados quarenta asilos-colônias em todo o Brasil - 80% deles foram criados no governo de Getúlio Vargas”, época em que a lepra era vista e tratada como caso de “polícia médica”. Matéria publicada no jornal “O Globo”, em 26/04/2015, por Caio Barretto Briso, sob o título “Vidas ainda aprisionadas em um antigo leprosário” , fala sobre o Hospital Curupaiti, fundado em 1929 e “parte de um conjunto de 33 leprosários que existiram entre as décadas de 1930 e 1980” onde, segundo a matéria, existia então um grupo de 200 ex-pacientes que, sem terem para onde ir, estão lá, em alguns casos, por longos cinquenta anos. O autor da matéria, ao falar sobre as condições do referido hospital, afirma tratar-se de “um terreno de 45 hectares (metade do bairro do Leme) na Taquara, o hospital é pouco conhecido mesmo entre moradores da região. Existem nove antigos pavilhões onde os internos residem, todos em mau estado de conservação, sendo um em ruínas e outro incendiado há poucos meses por um sujeito barbudo e roliço que mete medo nos outros colonos, especialmente quando bebe. O velho cinema, onde os doentes tinham sessões três vezes por semana, está aos pedaços. Também um coreto onde os casais namoravam foi consumido pelo tempo: raízes crescem entre as rachaduras do concreto” (Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/vidas-ainda-apri22 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

Os hospitais reservados ao acolhimento e ao tratamento dos pacientes da hanseníase, mais do que histórias de sofrimento e de tristeza e, em muitos casos, de desumanidade mesmo, revelam a existência de parcela significativa de irmãos e de irmãs que, excluídos do meio familiar e social, sobrevivem de forma absolutamente desconhecida da maioria dos cristãos que, depois das missas e dos cultos, retornam para seus lares alegres e felizes, como se o mundo fosse representado apenas por suas conquistas particulares, pautadas em pregações e em homilias religiosas. Conforme ensina o Papa Francisco, a vida do cristão deve ser de saída. Saída para o acolhimento, o cuidado e o respeito voltados para quem sofre de tantos males, físicos, orgânicos, espirituais e sociais. Nossa matéria de capa é por demais extensa e rica. Talvez, seja útil e valioso escrever um livro sobre o tema das Instituições Assistenciais, sua necessidade e importância para vida e a sobrevida de irmãos e de irmãs que, longe dos olhos da imensa maioria dos cidadãos e das cidadãs, padecem dia e noite nas ruas, nas celas, nos leitos hospitalares, nos abrigos, nas creches e nos lares. Padecem, porém, não estão sozinhos, porque Jesus, acompanhado por muitos irmãos e irmãs, inclusive, por São João de Deus, está sempre presente e atuante acolhendo, cuidando e respeitando cada um e cada uma. Eis o exemplo a ser seguido.


OPINIÃO

Glaucio A. F. Souza

Mestre em Teologia Professor titular da Faculdade de Filosofia e Teologia Paulo VI e em várias instituições religiosas.

MANTER SUA IDENTIDADE:

Um desafio para as Instituições Católicas Em meados de novembro de 2017, tive a honra de participar da XXXII Conferência Internacional, promovida pelo Dicastério sobre o Desenvolvimento Humano Integral. Essa conferência aconteceu no salão Paulo VI, na cidade do Vaticano, e teve a seguinte temática: Afrontar a disparidade global em matéria de saúde. Os trabalhos ficaram concentrados na exposição de diversos palestrantes, que contavam suas experiências e também seus grandes desafios em relação à diminuição da distância entre ricos e pobres em matéria de recursos na área da saúde. Percebi neles um grande desejo de mudança e me pareceu claro um segundo viés de pensamento que apresentou certa preocupação na manutenção da identidade cristã das instituições católicas Por essa razão, me senti impelido a escrever sobre essa percepção da manutenção desta identidade. Não há dúvidas que vivemos numa sociedade de crises, na qual experimentamos as incertezas, os medos, as fobias e as violências constantes que nos rodeiam. Diante desta realidade surgem tais questionamentos: Como mudar essa situação? Como tentar diminuir as desigualdades que nos afastam? Vivemos uma gravíssima situação de exclusão social, onde a maioria da população está sendo excluída paulatinamente do seu direito de alcançar a dignidade humana. Isso é um escândalo inaceitável! Obviamente não se pode falar de cidadãos colocados à margem da dignidade, sem tocar na fonte desta exclusão que é o sistema neoliberal e o seu constante movimento de globalização. Percebe-se que esse movimento atinge todos os setores da sociedade, inclusive as instituições religiosas que “tendem” a uma mentalidade empresarial (o sistema neoliberal é diretamente relacionado à lógica do lucro). Essa tendência é muito séria e perigosa, pois a mentalidade empresarial está vinculada aos propósitos do mercado e, por sua vez, o mercado serve religiosamente a lógica do capital, que é excludente. O Papa João Paulo II denuncia esta realidade na Carta apostólica Novo Milenio Inuente (n. 50):

O nosso mundo começa o segundo milênio com contradições de um crescimento econômico, cultural e tecnológico que oferece a poucos afortunados grandes possibilidades e deixa milhões e milhões de pessoas [...] inferiores ao mínimo que é devido à dignidade humana”. Neste contexto de exclusão surge uma pergunta muito importante: Qual é o papel das diversas instituições católicas diante desta realidade onde a dignidade humana é pisoteada? Estamos aqui diante de uma questão delicada. Como manter a inteligência administrativa e ao mesmo tempo não excluir os mais enfraquecidos socialmente? Esta questão exige dos administradores das instituições católicas muita criatividade. Segundo o Papa Francisco, o maior desafio destas organizações católicas encontra-se na preservação da sua identidade (vale a pena lembrar que uma instituição social é uma forma de organização da sociedade), que é a irradiação do amor na sociedade. Logo, toda atividade apostólica deve ser realizada na proposta do amor, isso inclui a administração das instituições, principalmente as religiosas. Para que não haja equívocos, é necessário dizer que o amor produz efeitos, alarga a dignidade das pessoas, inclui, transforma em atenção, em cuidado e envolvimento com o outro. O amor também pode ser compreendido como visibilidade do Reino de Deus. O Reino de Deus é o centro da vida e do ensino de Jesus, ou seja, o seu assunto principal (Mc 1,15). Ele diz respeito à chegada de um novo tempo, um momento novo, uma nova oportunidade para aqueles que não tinham esperança, um novo recomeço para a humanidade. Através da instauração do projeto do Reino, a dignidade dos excluídos vai sendo restaurada, os pobres e doentes não ficam à margem da sociedade. Portanto, o papel de cada instituição social católica é ser uma sociedade de contraste em meio à sociedade do lucro e da competição, uma organização ou comunidade que se baseia num conjunto diferente de valores, os quais devem defender e proclamar com compaixão e cuidado, como propõe o mestre Jesus na parábola do bom samaritano. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 23


ENTREVISTA

Conduzida por Felipe P. da Cunha e Ir. Augusto Gonçalves

BISPO DE PETRÓPOLIS

DOM GREGÓRIO PAIXÃO:

“Lares de Idosos são extensão do coração amoroso de Deus”

Chamado à vida há 53 anos, em Aracajú-SE e depois chamado para monge Beneditino, Dom Gregório Paixão, foi chamado para bispo em 2006 e, após 6 anos como auxiliar de Salvador, foi chamado para bispo de Petrópolis, em 2012. De chamado em chamado, respondendo com generosidade, ele se declara feliz na missão e espera um dia voltar ao Mosteiro de São Bento da Bahia, onde professou em 1986, para curtir a “aposentadoria episcopal”. Estudou no Rio de Janeiro, Amsterdam e Salvador e aprendeu piano e orgão. Publicou livros sobre São Bento, Santa Escolástica e Catedral de Petrópolis, mas assinou também “Fábulas de La Fontaine” e “Como ensinar seu filho a estudar”. Seu lema episcopal é "Preparar os caminhos do Senhor". Reside em modesto anexo da Catedral, próximo à Cúria Diocesana. Nesta nos recebeu e respondeu todas as perguntas. Revista OH! - O senhor é Monge Beneditino. Como foi o convite para ser ordenado bispo e para assumir a diocese de Petrópolis? Dom Gregório - Quando ingressei no Mosteiro de São Bento da Bahia, não imaginava que um dia seria convidado pelo Vaticano para assumir uma diocese. Para mim, foi uma grande surpresa quando o Papa Bento XVI convidou-me para ser bispo da Igreja de Jesus. Aceitei esta graça como presente vindo do céu, tendo passado seis anos e meio como Bispo Auxiliar de Salvador. Já estou há cinco anos em Petrópolis e, para mim, foi uma grande surpresa vir para esta cidade, pois os bispos do nordeste tendem a ficar nas regiões norte e nordeste do Brasil. Em suma, devo dizer que ser bispo é algo gratificante e, por isso, sinto-me profundamente feliz na missão que me foi confiada por Deus. OH! - Quantos habitantes tem o território de sua diocese e qual a porcentagem de praticantes das Missas, nos finais de semana? DG - A Diocese de Petrópolis tem aproximadamente 800.000 habitantes. Calculamos que o número de praticantes nas missas de final de semana chegue a 50.000 (informação tendo por base o nº de folhetos litúrgicos distribuídos nas missas de final de semana), o que equivale a cerca de 12% da população dos católicos. OH! – Quais são os dois problemas ou temas que lhe preocupam mais ou que merecem mais seus cuidados de bispo? 24 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

DG - Dentre tantos problemas, preocupam-me o indiferentismo e a secularização dos cristãos de hoje. Por causa de um farisaico “politicamente correto”, vemos uma sociedade que se cala diante do mal e se mostra amedrontada frente aos contra-valores apresentados, principalmente, pelos meios de comunicação. Se assim continuarmos, formaremos uma geração secularizada que desembocará em um ateísmo prático. Esse é o péssimo exemplo dado pela Europa, que, infelizmente, estamos imitando. Precisamos vencê-los urgentemente. OH! - O turismo em Petrópolis favorece ou prejudica a vida e pastoral cristãs? DG - O turismo favorece a vida cristã, pois podemos conhecer novas culturas por meio daqueles que nos visitam e oferecerlhes a nossa acolhida e o nosso maior patrimônio, que é Jesus Cristo. Portanto, o turismo nos ajuda a evangelizar. OH! - Escreveu um livro sobre a Catedral São Pedro de Alcântara. Teve muitas surpresas ao pesquisar? DG - Sim, tive muitas surpresas. A história da Catedral é surpreendente e, ao estudá-la, trouxe à tona fatos até então desconhecidos. Menciono a título de exemplo, que sob o presbitério há um tesouro em documentos e moedas antigas ali colocados por Dom Pedro II; e que para concluir a Catedral foi necessário que o Pe. Teodoro fizesse um discurso, no púlpito da antiga Matriz, morrendo ali mesmo, de um ataque fulminante, em favor do prédio que se tornaria histórico.


OH! - E como vai a questão social... Temos muitas pobrezas no território da diocese? DG - A Diocese de Petrópolis desempenha um trabalho social surpreendente: Temos 29 colégios paroquiais que atendem 9.000 alunos gratuitamente. Contamos com 06 sítios para recuperação de dependentes químicos, além de 03 creches para atender à infância desvalida. A tudo isso, soma-se o trabalho social feito nas mais diferentes pastorais, com a distribuição de cestas básicas e presença nas comunidades carentes. É um grande trabalho que agradeço a Deus por existir. OH! - A terceira idade está suficientemente atendida pelo poder público? DG - A terceira idade está sendo assistida por meio da Pastoral do Idoso. Um trabalho que se faz nas diversas paróquias e instituições como o Lar São João de Deus. Inegavelmente, há ainda muito o que fazer, mas acredito que estamos no caminho certo. OH! - E as paróquias ... têm iniciativas? DG - Sim, as paróquias estão, pouco a pouco, investindo no trabalho de evangelização e assistência à terceira idade, o que é enriquecedor. OH! - Por suas palavras, como definiria o IDOSO? DG - O idoso é uma dádiva de Deus e uma graça da natureza, pois teve a oportunidade de desenvolver ao longo dos anos sua vocação, sua missão e seus talentos. Agora, em plena maturidade, tem muito a nos ensinar, recebendo de nós o carinho que se dá a um mestre pela vida e pelo conhecimento. OH! - Qual é a imagem que o senhor tem do Lar São João de Deus? DG - O Lar São João de Deus é uma graça para a nossa Diocese e um bom exemplo de como a pessoa idosa deve ser assistida no território brasileiro. Assim, tenho um carinho e uma admiração imensa por aqueles que o construíram, pela Ordem dos Hospedeiros que o sustenta e por todos aqueles que colaboram por sua perpetuidade. OH! - Onde se imagina aos 80 anos, quando o senhor for idoso? DG - Enxergo-me no Mosteiro de São Bento da Bahia, para onde regressarei após a minha “aposentadoria episcopal”. Espero ser um idoso alegre, plenamente realizado, buscando levar para os meus irmãos Aquele a quem servi por toda uma vida. OH! - São famosas suas “historinhas” Catedral São Pedro de Alcântara, de Petrópolis

educativas... Quer nos ensinar mais uma, que inclua idosos? DG - Uma criança se aproximou de sua avó e perguntou: “Vovó, o que é a velhice?” A avó, olhou para a netinha de apenas cinco anos e recordou, como num relance, todos os fatos tristes e alegres da sua vida. Depois, disse à menina: “Minha amada netinha, passe a sua mãozinha no meu rosto e você entenderá o que é a velhice”. A garotinha, então, delicadamente passou sua mãozinha sobre o rosto de sua avó, principalmente sobre todas as linhas que demarcavam as rugas, e, finalmente, exclamou: ”Vovó, como a velhice é bonita!”

OH! - Para terminar, convidamos Dom Gregório a reagir a cada uma de nossas palavras ou expressões, também com uma palavra ou frase: Catedral de Petrópolis? - Sentinela avançada do povo petropolitano. Mãe? - Prolongamento da “maternidade” de Deus. São Bento? - Um pai, um mestre, um condutor de almas. Nova BR 040? - Uma vergonha nacional! Lares de Idosos? - Extensões do coração amoroso de Deus. Papa Francisco? - Um presente de Deus. Ser padre, hoje? - Uma graça, uma alegria, para os que responderam sim ao apelo de Deus. Prefeito de Petrópolis? - Um político inteligente e bem intencionado. Lar São João de Deus? - Um exemplo vivo da caridade hospitaleira de São João de Deus. Ideologia de Gênero? - Uma insanidade. Dependência química? - Suicídio mitigado e destruição da família. Amor? - Uma palavra a ser experimentada a cada dia. Eleições 2018? - Uma expectativa repleta de esperanças. Deus? - Tudo! OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 25


INTUIÇÃO

SE EU INVENTASSE UMA CASA... Se eu inventasse uma casa só para mim, ela seria para muita gente, sobretudo gente machucada pela vida. A minha casa para muita gente havia de ser projetada em forma de H, para lembrar acolhimento, a mim e a todos que precisassem. Ela poderia chamar-se “Hospitalidade” e permitiria hospedar, em alas diferentes, pessoas (ainda) divididas. Na ala transversal colocaria a minha sala, uma lareira grande, a mesa das refeições e, bem no centro, um ambiente surpreendente de espiritualidade, subindo aí o teto em forma de pirâmide. A minha casa para muita gente e em forma de H seria próxima da estrada, com uma horta em vez de jardim e um poço em vez de piscina. Seria uma casa bonita, mas incompleta: muitas coisas estariam previstas, mas poucas acabadas. Quem viesse à minha casa incompleta seria convidado a colaborar e a inventar algo de novo para melhorar a casa ou restaurar as pessoas. E quem pensasse que não ter nada para dar, havia de surpreender-se consigo próprio. Na minha casa restauradora de gente, havíamos de passar muito tempo à mesa e à lareira, e tudo faríamos para que ninguém se sentisse mais pobre por ter vindo: encontraria biscoitos caseiros, café e chá, ambiente e ouvinte para contar a

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Por Ir. Augusto Gonçalves

sua história. Depois sairia reconfortado ou permaneceria para continuar a sua libertação. Na minha casa em construção alguns dos acolhidos virariam acolhedores. Eles descobririam por inteiro a vocação e a missão da minha casa para minha gente. Um dia a nossa casa ficaria pequena para tanta gente e alguém iria propor uma ampliação. Eu proporia antes uma casa nova para todos os que cresceram na “Hospitalidade”, libertando a primeira para quem continuasse a precisar dela. A nossa segunda casa já poderia ser em forma de A, com o teto elevado no ângulo de encontro das duas alas. A sua forma nos falaria do Amor. Esta ainda não seria para sempre, pois a nossa meta seria mesmo uma casa em forma de D, já sem necessidade de lareira, mesa ou espiritódromo. É que, se a Hospitalidade nos levou ao Amor, não duvido que o Amor nos atrairia a Deus!

ir.augusto@saojoaodedeus.org.br


INSTITUCIONAL Felipe Pimenta da Cunha Diretor do Lar São João de Deus

SONHANDO O FUTURO DO LAR SÃO JOÃO DE DEUS EM 3D No Brasil, a cada ano que passa a população acima dos 60 anos vem crescendo de forma acelerada, e a busca por um envelhecimento saudável é cada vez maior. Diante dessa demanda populacional é importante criar alternativas para cuidar com dignidade dessa faixa etária. O Lar São João de Deus se considera uma dessas alternativas. Vem se atualizando e modernizando, elaborou seu Planejamento estratégico e sua visão de futuro é ser uma instituição modelo para o cuidado da pessoa idosa com todo o suporte e adaptações necessárias para acolhê-la.

Imagem: MP-Projetos - Maurílio Luiz Pimenta

Quando falamos em idoso é importante ressaltar a necessidade de movimentar, estimular, criar espaços de convivência, com dinâmicas, e um ambiente acolhedor para inseri-lo de forma mais natural possível. No lar SJD essa necessidade vem aumentando porque vem aumentando também o grau de dependência da população atendida em regime de internação. Não é por acaso que passamos a falar da instituição como “residência assistida para idosos” e que atuamos nesse segmento com olhar do cuidado humanizando e buscando as técnicas mais atuais para a intervenção dos eventos do dia-dia.

Entretanto, nos últimos anos, fomos tomando consciência de que o potencial assistencial do Lar SJD é muito grande, comparado com aquilo que já se vem concretizando. E surgiram projetos novos, projetos audazes de desenvolvimento para esta instituição serrana, dando resposta a novas demandas, visíveis todos os dias para quem gere e anima a entidade. Que demandas? Famílias que ligavam perguntando se não havia atividades para idosos lúcidos durante o dia, ou até mesmo o próprio idoso que buscava o Lar para sugerir essas atividades.

O SONHO QUE JÁ VIROU REALIDADE! Como resposta a estas demandas e à necessidade de aumentar os espaços de circulação dos idosos que já viviam no Lar, com porcentagem crescente de cadeirantes, surgiu o primeiro projeto – a criação de um “CENTRO DE ATIVIDADES PARA IDOSOS”. Instalações subaproveitadas e precárias do estabelecimento virariam um complexo com um grande pátio, computadores, mesas com artesanato, arte terapia, estimulação com jogos eletrônicos, circuito aeróbico de treinamento e fortalecimento muscular, fisioterapia, sala de atendimento, salão de beleza, academia da terceira idade, lago, jardim de inverno, enfim... um Centro onde os idosos

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da comunidade externa ao Lar pudessem se encontrar para, juntos, realizar diversas atividades e se manterem em movimento com a vida. Projetado com recursos informáticos modernos, em 3D, ele era agradável de visionar na tela, entusiasmava os mais descrentes e fazia sonhar. Porém, apresentado em várias instâncias com pedido de recursos para a construção, recebeu sucessivos “não” até que, em finais de 2015, Deus colocou um anjo em nossa vida chamado Maria Clara Siqueira Castro, que lá do céu fez tudo acontecer. O projeto saiu do papel e, em 1° de outubro 2016, foi inaugurada essa conquista para os idosos do Lar, mas também para dezenas de outros de toda

a comunidade local, que passaram a utilizar o Centro em horários e atividades variadas.

SONHOS, AINDA SONHOS!... Mas sonhar faz bem e nosso sonho não pode parar aqui. Afinal estamos trabalhando para que o Lar São João de Deus seja referência no Brasil em cuidados à terceira idade. Não foram sujeitos sequer a aprovação dos Superiores, mas já sonhamos e desenhamos mais três projetos de desenvolvimento do Lar. Quem sabe aparece mais algum anjo parceiro para nos atender, leia-se financiar! Senhoras e senhores, por ordem da sua oportunidade, nossos sonhos são os seguintes:

Imagem: MP-Projetos - Maurílio Luiz Pimenta

1. CENTRO DE CONVIVÊNCIA Uma estrutura para atender aos idosos que vêm para passar o dia e à noite vão para casa, uma estratégia de tirar o idoso de casa e inseri-lo num ambiente de convivência com outros idosos, gerando benefícios de qualidade de vida para eles. Segundo a cartilha Guia de Orientações Técnicas Centro de Convivência do Idoso - «Centro Conviver / Secretaria de Desenvolvimento Social. - São Paulo, 2014. 22 p., um dos grandes objetivos de um Centro de Convivência é: • Contribuir para um processo de envelhecimento ativo, saudável e autônomo; 28 | OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE

• Assegurar espaço de encontro para os idosos e encontros Inter geracionais de modo a promover a sua convivência familiar e comunitária; • Detectar necessidades e motivações e desenvolver potencialidades e capacidades para novos projetos de vida; • Propiciar vivências que valorizem as experiências, estimulem e potencializem a condição de escolher e decidir, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia e protagonismo social dos usuários.


2. CENTRO DE CULTURA, ARTE E LAZER:

Imagem: MP-Projetos - Maurílio Luiz Pimenta

Quanto a este sonho, a ideia é construir uma estrutura onde os idosos poderão ter acesso a aulas de dança, teatro, canto coral e uma piscina para prática de atividades de hidroterapia, tudo adaptado e com professores capacitados para o desenvolvimento das atividades. Obviamente para idosos residentes no Lar ou que se desloquem de suas casas para usufruirem do equipamento, do sonho!

Imagem: MP-Projetos - Maurílio Luiz Pimenta

3. CONDOMÍNIO PARA TERCEIRA IDADE Uma construção de 15 Lofts com aproximadamente 37m², distribuídos em quarto, banheiro, sala e cozinha com um ambiente agradável e saudável, onde os moradores terão assistência de médico, enfermeiro, fisioterapia, nutricionista, psicólogo e várias atividades já oferecidas pelo centro de atividades, centro de convivência e centro de cultura, arte e lazer. Qual projeto você gostaria de apoiar? Ou a quais portas acha que devemos bater? Se conseguirmos recursos e apoiadores

para tirar esses projetos do papel – um de cada vez – toda a comunidade e os idosos serão os grandes beneficiários dessas realizações. E o Lar se compromete a fazer todo complexo funcionar com a melhor gestão possível. Nosso fundador nos inspira e nos encoraja a “fazer sempre o bem, bem feito”, e isso nos transmite muita coragem e audácia para lutar pelas pessoas mais fragilizadas e dar vida para todos que buscam vivê-la. OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 29


INSTITUCIONAL

“Eu morri mesmo de verdade... Vim embora do hospital, mas os freis continuaram me ajudando em casa.”

Relato de uma beneficiária da Casa da Hospitalidade, em Aparecida do Taboado - MS

me s os freis continuaram embora do hospital, ma Vim eu e e os rqu an po 68 m, m bé co linda tam us, hoje estou ndo em casa, e a Iso da . aju ua i Eu sou Luzia Rosa de Jes ág fre de do s ão avé lch atr co , fiquei em italidade em 2008 i em cadeira de rodas, ue i fiq fre i conheci a Casa da Hosp ue io, eg Júl i Ch l. fre ita o sp m també i internada no ho isso eu passei. Conheci do . Tu r ulo Augusto, quando fique Pa uto o do Sã o de e rqu ram dizes que vie is sobreviver, po ren ma ap is iria fre o s nã tro e ou qu e r o nsa Joã a pe e nós o tinha de bicicleta, saber o qu levar pra casa, que nã ham me visitar, sempre Vin disse que poderiam me ei ia só eb tom rec eu eu e e iu ist rqu alimentos, po iga Isolinda ins precisávamos e traziam r ao mais jeito. Mas minha am ga pa de ha tin pouca coisa e e e não morri. minha pensão, mas era quatro bolsas de sangu ava eu Banco e os remédios. ada e quando o frei cheg e Fiquei muito tempo intern s ço bra a casa, no meu er massagens nos meus fazer uma festa em minh ram vie dia Um só acenava para ele faz do an eim . Outras vezes o frei u corpo estava todo qu , no dia de Santa Luzia rio rsá ive an nas pernas, porque o me is ma ha go, na ambulância, morrer, porque não tin de acompanhante comi foi sto gu Au e eu pensava que ia os e o nd Rio Preto e Ilha nha boca ficava treme ressonância e exames em na r ssa pa ra pa solução de nada. A mi rto pe ava a leitura. E meu filho e toda a gente que cheg is o meu filho tem pouc po , ira lte So , meus dentes rangendo da son i ção para cuidadores ei ferida nas costas, use o participar numa forma ad sáb um foi o ficava com medo. Pegu mã la Hospitalidade e eu m reagia a nada e só pe e fazem lá na Casa da qu sos ido de ouvia, mas não falava ne m co le, nheci as meninas guia tomar suco pelo bu bém o dia inteiro e co tam lá i ue fiq s do frei Augusto eu conse ita mu boas pra mim. E s. A gente parece que tem que todas foram muito , ias tár lun vo surpresa dos enfermeiro de ram só ele e a Isolinda cuida almoçamos juntos lá. pessoas próximas, mas . ito tenho outras mu es -lh mim e devo para o Jardim Felix e ui aq i de mu je Ho u me de a e quase e Jesus me ressuscitou, câncer, sofro da colun m du to tra : ças en do E Posso dizer que eu morri rdade! com o José e eu morri mesmo de ve o subo mais na bicicleta nã Já . go xer en o nã mais uma chance, porqu falou itam às vezes. Minha amiga Isolinda me spitalidade ainda me vis Ho da E so. rdo Ca foi pela fé que eu revivi. ta a car efa não veio porque ela mandou um outra senhora, e a D. Jos m ve o, lin Ce o m Ve , que eu não iria morrer amiga que ainda cida do Norte, por uma ocupada, mas espero ito mu á est e rqu po para o Santuário de Apare ela noite nossa Senhora. E naqu venha. para pôr nos pés da le manto ue aq m co no hospital, r todos que me têm ela apareceu para mim ito agradecer a Deus po ! Foi pela fé da mu ela vi ero eu Qu s ma , da na ou çam de mim, que eu na cabeça. Não fal e que nunca se esque uma semelhança do são da tos aju san os e rqu po bom para a Casa da Isolinda e a minha, muito. Desejo tudo de Mas nessa altura ! o lica cis gé pre an ev sou eu e nçãos por se lembrarem de Deus. E olha qu eja. E. os meus lidade e só vitórias e bê igr ita a sp um Ho nh ne do tan en É uma benção essa casa! não estava freqü tes e dos que precisam. en do s do .. os. rox s como o frei foi um anjo pais eram católico e voluntários são anjos, is fre os E o nã , rar lho do visitava lá os doentes nto eu comecei a me ajudou no hospital, quan me e qu A partir daquele mome a, nh rzi lho me da. comecei a ficar e nem me conhecia ain rangia mais os dentes, Dr. José o e qu até , do Luzia Rosa de Jesus melhorando, melhoran casa, no pra ra bo em MS vir eu ra Aparecida do Taboado – Lima me deu alta pa época, com ssa ne a 8 rav 201 mo de eu Janeiro Jardim do Lago, onde mpanha. aco me je ho até e meu filho Cardoso qu

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INSTITUCIONAL

A CASA DE (SÃO JOÃO DE) DEUS, EM GRANADA É SABIDO QUE SÃO JOÃO DE DEUS (1495-1550) FUNDOU UM HOSPÍCIO NA CIDADE DE GRANADA, ESPANHA, QUE FOI O BERÇO DA ORDEM HOSPITALEIRA DO SEU NOME. O QUE NEM TODOS SABERÃO É QUE ELE CHAMAVA SUA INSTITUIÇÃO ASSISTENCIAL DE “CASA DE DEUS”. PESQUISAS RECENTES REVELAM QUE ERA BASTANTE COMUM, NESSA ÉPOCA, DAR ESSE NOME AOS HOSPITAIS, HOSPÍCIOS E INSTITUIÇÕES SIMILARES (VEJA-SE A SEMELHANÇA COM AS SANTAS CASAS DE MISERICÓRDIA, FUNDADAS A PARTIR DE 1498, UMA DELAS BEM AO LADO DA CASA PATERNA DE JOÃO DE DEUS, EM MONTEMOR-O-NOVO, LOGO EM 1499), PORÉM CONCORDAREMOS QUE É DIFERENTE, CONCEPTUALMENTE, TRABALHAR NA CASA DE DEUS OU, POR EXEMPLO, NA CASA DOS POBRES! RECORREMOS ÀS CARTAS ESCRITAS POR JOÃO E ELE PRÓPRIO NOS APRESENTA HOJE A SUA CASA DE DEUS, EM GRANADA:

São tantos os pobres que aqui se acolhem que eu próprio fico muitas vezes alarmado como se hão-de poder sustentar... pois, como a cidade é grande e muito fria, especialmente agora de Inverno, são muitos os pobres que procuram refúgio nesta casa de Deus. Pois, entre todos, doentes e sãos, pessoal de serviço e peregrinos há mais de cento e dez. Com efeito, como esta casa é geral, nela se recebe toda a espécie de doentes e toda a classe de pessoas, de modo que há aqui tolhidos, aleijados, leprosos, mudos, loucos, paralíticos, tinhosos, e outros muito velhos e muitos meninos; e, afora estes, muitos outros peregrinos e viajantes que aqui acodem e aos quais se oferece lume, água, sal e vasilhas para prepararem a comida. Ora, para tudo isto não há rendimentos, mas Jesus Cristo a tudo provê. Na verdade, não há dia nenhum em que, para o abastecimento da casa, não sejam necessários quatro ducados e meio, e às vezes cinco. Isto para o pão, carne, galinhas e lenha. sem contar os remédios e as roupas, que são despesas à parte. No dia em que se não recolhem esmolas suficientes para adquirir o que acabo de dizer, compro-o fiado e outras vezes jejuam. Deste modo, vejo-me aqui empenhado e preso só por Jesus Cristo, pois devo mais de duzentos ducados de camisas, capotes, sapatos, lençóis, mantas e de muitas outras coisas que são necessárias nesta casa de Deus, e ainda para a criação de meninos que para aqui jogam. (2GL 3-7) A carne e o azeite já não mos querem fiar, por eu dever muito: tenho-os acalmado dizendo-lhes que muito em breve me vão trazer dinheiro de Málaga. (2GL 17) O anel está bem empregado: mandei vestir dois pobres chagados e comprei uma manta com o que me deram por ele. (1DS 4) Ando a reparar toda a casa, que estava arruinada por todos os lados, a ponto de lá chover dentro, e com estas obras estou em grande necessidade. Resolvi por isso escrever para Zafra,

ao Conde de Féria e ao Duque de Arcos, pois está lá o Mestre Ávila, que será um bom intercessor, para que me mandem algum socorro que me ajude a sair de embaraços. (1DS 14) Outro dia, quando estive em Córdova, ao percorrer a cidade, encontrei uma casa na maior necessidade. Ali viviam duas moças que tinham o pai e a mãe doentes na cama, tolhidos havia dez anos. Tão pobres e maltratados os vi que me despedaçaram o coração: nus e cobertos de piolhos, com uns feixes de palha a servir-lhe de cama. Socorri-os com o que pude, pois ia com pressa para falar com o Mestre Ávila; mas não lhes dei como eu quisera. (1DS 15) Estou aqui em tão grande necessidade que, no dia em que tenho de pagar aos trabalhadores, ficam alguns pobres sem comer. (1DS 16) Os meus trabalhos, necessidades e angústias, se me aumentam de dia para dia, tanto pelas dívidas como pelos pobres que vão chegando, muitos dos quais sem roupa, descalços, chagados e cheios de piolhos, de modo que é forçoso que um ou dois homens não façam outra coisa senão escaldar piolhos numa caldeira a ferver. Este trabalho estender-se-á daqui em diante, por todo o Inverno, até ao próximo mês de Maio. (2DS 2) Não posso (sozinho) dar conta desta obra que comecei, pois estou a renovar todo o hospital e são muitos os pobres e grande a despesa que aqui se faz, e a tudo se provê sem rendimentos; mas é Jesus Cristo que tudo remedeia, pois eu não faço nada. Eu gostaria de partir já por essa Andaluzia até Zafra e Sevilha, mas não posso enquanto não acabar esta obra, para que não seja trabalho perdido. (2DS 20) Se para cá vierdes, não há-de ser senão para trabalhar e não para folgar, pois ao filho mais querido é que se confiam os trabalhos mais difíceis. (LB 13) O vosso mais pequeno irmão João de Deus, se Deus quiser, morrendo, mas entretanto calando e em Deus esperando, o qual deseja salvação de todos como a sua própria. Amém Jesus. (1GL12) OH! SAÚDE&HOSPITALIDADE | 31


AGORA ESTÁ APROVADO: EM 2020 A ORDEM NA AMÉRICA LATINA FORMARÁ UMA ÚNICA PROVÍNCIA A Ordem Hospitaleira de São João de Deus, na América Latina, desde o México até ao Chile, passando por Honduras, Cuba, Brasil e mais seis países, passará a constituir uma única circunscrição canônica – uma Província – sob a presidência de um único Superior Provincial – diretamente dependente do Superior Geral, em Roma. Essa mudança histórica acontecerá já no ano 2020 e foi decidida e aprovada no 1º Capítulo Regional Latinoamericano, realizado de 29 de janeiro a 09 de fevereiro de 2018, em Rionegro - Medellin, na Colômbia, participado por 65 Irmãos e 17 Colaboradores leigos. Até lá vigora um período de transição, mantendo-se as atuais três Províncias, uma Delegação Geral e uma Delegação Provincial (do Brasil). Neste território continental a Ordem mantém 40 centros assistenciais, com quase 4.000 leitos, atendidos por 115

XIII CONGRESSO DE PSIQUIATRIA SÃO JOÃO DE DEUS Sob o tema “Psiquiatria e Saúde Mental (100) Tabus”, se realiza em Lisboa, nos dias 19 a 21 de abril, o XIII Congresso de Psiquiatria São João de Deus. Trata-se de uma parceria entre a Ordem Hospitaleira e a Congregação Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, duas instituições religiosas que mantêm mais de 20 centros assistenciais em Portugal, assegurando 2/3 dos leitos psiquiátricos do país. Participado sobretudo por técnicos das duas instituições, ele atrai também profissionais externos e se tornou o evento mais participado sobre esta área da saúde, do saber e da medicina. Realiza-se regularmente desde a década de 1970.

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Irmãos, congregados em 27 Comunidades religiosas. Os Colaboradores são cerca de 10.000 Profissionais, 800 Voluntários e alguns milhares de Benfeitores. Esta decisão aconteceu, na sequência de um processo de Reconfiguração, iniciado três anos atrás, com assessoria de uma equipe argentina de especialistas, para os temas da vida dos Irmãos, e uma empresa multinacional americana, para os temas da reorganização dos Centros assistenciais. Também a formação dos futuros Irmãos se passará a desenvolverá em centros regionais unificados: Postulantado, Noviciado e Escolasticado.


JORNADA HOSPITALEIRA DE FORMAÇÃO CARISMÁTICA No âmbito da formação carismática para a Família Hospitaleira de São João de Deus, e evocando os 70 anos de presença contínua no Brasil, aconteceu a Jornada Hospitaleira, o maior evento de formação interCasas do ano. Sob o tema “Ordem Hospitaleira no Brasil: Passado, Presente e Futuro”, ela realizou-se em Roseira-SP, nos dias 10 a 12 de novembro e contou com a participação de 42 Irmãos e Colaboradores provindos dos três Centros da Ordem, concretamente de São Paulo, Itaipava e Aparecida do Taboado.

Sagrada Face, onde se realizou a Jornada, bem próximo de Aparecida do Norte.

Na primeira tarde se relataram os 70 anos de história da Ordem no Brasil; na manhã seguinte se apresentaram relatórios sobre as atividades da instituição, na atualidade; e na segunda tarde se projetou o futuro. Exposições teóricas, testemunhos, encenações, celebrações e dinâmicas diversas preencheram um programa multifacetado, coordenado pela equipe da Escola de Hospitalidade, à sombra do Mosteiro da

Na hora de projetar o futuro, os jornadistas, distribuídos em grupos, elaboraram propostas para o desenvolvimento dos centros assistenciais OH, nos próximos anos. E em cerimônia simbólica elas foram enterradas no jardim do mosteiro e, na mesma cova, plantada uma romãzeira. Queira Deus que elas frutifiquem muito, sobretudo as propostas!! No final da Jornada, as despedidas e o regresso das caravanas às respectivas Casas, mais unidos nos valores joandeínos e com mais vontade e mais razões para continuar a “fazer o bem, bem feito”, a favor dos usuários das Obras e Projetos desenvolvidos pela Ordem em terras brasileiras.

Irmãos e Colaboradores participantes na Jornada Hospitaleira 2017

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TERAPIA COM ANIMAIS NO LAR SÃO JOÃO DE DEUS

FORMAÇÃO CONTINUADA NA CASA DE SAÚDE SÃO JOÃO DE DEUS

Quando pensamos em hospitalidade, também podemos lembrar dos nossos amigos animais. Quem não gosta de chegar em casa e ser recebido com aquela alegria contagiante do seu animal? Falamos hoje de um projeto criado por Verônica Buenting e Débora Moulin. Há 1 ano o Lar São João de Deus, através de um trabalho de voluntariado, recebe CÃES que atuam como co-terapeutas. O PROJETO “ terapia com Animas “ objetivando recuperações, proporciona bem-estar, integração psicossocial, independência, coordenação motora e melhora do bom humor, fazendo assim, com que a terceira idade sinta-se importante no seu meio de convivência.

Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, dinâmico e exigente, a qualificação profissional tem se tornado um assunto em constante evidência.

“NOVOS ARES” Assim foi batizada a iniciativa matinal promovida na Casa de Saúde, por quatro técnicos, reunindo um grupo de pacientes no jardim, para um momento agradável com música, movimento corporal e reflexão espiritual, dando prioridade aqueles com comprometimento de locomoção. A iniciativa, que ressalta a humanização, teve como finalidade promover concentração, integração grupal, expressão física e emocional, em um ambiente aberto, à luz do sol, ofertando uma melhor qualidade de vida.

O profissional deve buscar por novos conhecimentos que contemplem a sua profissão, bem como suas características pessoais. No entanto, a Casa de Saúde São João de Deus, também tem um papel importante neste processo de formação continuada, já que o desenvolvimento do profissional está amplamente relacionado ao ambiente no qual ele exerce sua atividade. Partindo desta convicção, a instituição vem investindo na formação de sua equipe através de um Programa de Formação Continuada que prevê sessões mensais participadas por todos os Colaboradores. A primeira já aconteceu, tratou do "Manejo clínico de pacientes psiquiátricos” e foi ministrada pelo Psicólogo Guilherme Almeida.


IR. ELVIS E IR. BONIFÁCIO PROFESSAM SOLENE

GRITO DE CARNAVAL NA CASA DE SAÚDE SÃO JOÃO DE DEUS A Casa de Saúde São João de Deus, pensando no bem estar e em uma internação mais humanizada, promoveu, no dia 15 de fevereiro, o tradicional “Grito de Carnaval dos Pacientes”, com o objetivo de levar alegria e descontração a todos. O evento, um das mais aguardados pelos pacientes, foi animado por um bloco composto pelos próprios internos e coordenado pelo setor de musicoterapia. Os Ensaios foram realizados durante toda a semana, dentro da rotina das atividades multidisciplinares. Segundo os musicoterapeutas Luis e Cláudia essa iniciativa visa trabalhar aspectos psicossociais dos pacientes, como forma de interação, comunicação e expressão. Estas festividades seguem um calendário festivo anual, elaborado pela Coordenação da Pastoral, Humanização e Voluntariado, com a colaboração da Equipe Multiprofissional. Toda a equipe do hospital participou da organização do baile carnavalesco. Os pacientes estavam devidamente fantasiados e o espaço ornamentado. Os pacientes saborearam delicioso cachorro quente, refrigerantes e muitos picolés refrescantes.

O Brasil fica na história como o país onde se formaram os primeiros Irmãos do Timor Leste. Desde 2010 até 2017 fizeram o Noviciado e a profissão simples em São Paulo 10 jovens daquele jovem país asiático. No dia 30 de dezembro de 2017 os primeiros Irmãos timorenses – Elvis do Rosário e Bonifácio Lemos da Costa, comprometeram-se na fidelidade a Deus, por toda a vida, para o serviço dos mais pobres, doentes e necessitados, na Ordem Hospitaleira, seguindo Jesus, no estilo e obra de São João de Deus, diante do Ir. Benigno Ramos, 3° Conselheiro e Delegado do Superior Geral, Ir. Jesús Etayo, e do Ir. Vitor Manuel Lameiras Monteiro, Superior Provincial da Província Portuguesa. A Missa foi presidida pelo bispo Dom Basílio do Nascimento, na paróquia Nosssa senhora das Graças, em Laclubar, situado em Timor Leste, distrito de Manantuto. A celebração eucarística e a festa da profissão foram organizadas por uma comissão organizadora, chefiada pelo prof. Raimundo Soares e seus conselheiros. Teve a participação de quase dois terços dos paroquianos, juntamente com as famílias, amigos, parentes, religiosos e religiosas das diversas Congregações e Ordens, autoridades locais e estudantes estagiários da enfermagem da Universidade Nacional Timor Leste. Também teve a participação de outros Irmãos da Ordem, provindos de Portugal e de Moçambique. No dia 29 de dezembro, véspera da festa da Sagrada Família, teve um momento cultural onde, como manda a tradição timorense, as suas famílias fizeram a entrega dos novos professos solenes à Ordem Hospitaleira, com grande alegria e entusiasmo.

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INSTITUCIONAL

CAPÍTULO PROVINCIAL APROVA INTEGRAÇÃO DO BRASIL NA AMÉRICA E REELEGE O PROVINCIAL IR. VÍTOR LAMEIRAS O XXIX Capítulo Provincial da Província de PortugalBrasil-Timor, realizado em Fátima - Portugal, tomou, em 02 de março, uma decisão histórica: que no ano 2020 as Comunidades e Obras da Ordem presentes no Brasil passem a integrar uma única Província Religiosa, juntamente com as outras 25 Comunidades e 35 centros assistenciais presentes na América Latina e Caribe. Nos dois anos que faltam se farão as adaptações necessárias e se organizará o sistema de gestão e acompanhamento das Comunidades e Centros assistenciais. Não está definido ainda o país sede da futura Província unificada. Entretanto, os Centros para a Formação de Irmãos já estão sendo unificados, funcionando o Postulantado, o Noviciado e o Escolasticado, respetivamente na Argentina, na Colômbia e no Equador. O mesmo Capítulo de Portugal reelegeu como Provincial aquele que há 04 anos vem governando a Província: Irmão Vitor Manuel Lameiras Monteiro. Ele tem 45 anos, é

Ir. VITOR LAMEIRAS PROVINCIAL REELEITO

Assistente Social, foi Voluntário da Juventude Hospitaleira em Moçambique e liderou a fundação da Ordem em Timor Leste. Trabalhará com uma equipe de 04 Conselheiros: Pe. Alberto Paulo Madureira Mendes, (1º); Ir. Paulo Irineu Corte de Gouveia (2º); Ir. Augusto Vieira Gonçalves (3º) e Ir. José Augusto Gaspar Louro (4º). Como Delegado Provincial do Brasil continuará o Ir. Augusto Vieira Gonçalves, agora também Conselheiro Provincial. PROVINCIAL e CONSELHEIROS ELEITOS Ir. AUGUSTO | Pe. ALBERTO | Ir. VITOR | Ir. IRINEU | Ir. JOSÉ AUGUSTO

IR. JAIR: BODAS DE PRATA DE PROFISSÃO Completaram-se, em 30/01/2018 25 anos sobre a Profissão Religiosa do Ir. Jair José da Silva Corrêa, da Comunidade de Divinópolis, e no dia 08 de fevereiro houve festa, com a presença de todos os confrades que vivem e atuam no Brasil e outros convidados. No final da tarde, na Capela da Casa de Saúde São João de Deus, em São Paulo, foi celebrada a Eucaristia de Ação de Graças. No final o homenageado tomou a palavra para

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recordar histórias vividas e agradecer as ajudas recebidas. Seguiu-se uma refeição festiva, durate a qual lhe foi entregue um lindo presente oferecido pela Província Portuguesa da Ordem. O Ir. Jair, natural de Sapucaia, RJ, é o segundo Irmão brasileiro a atingir 25 anos de vida religiosa. A Revista OH! congratula-se com o Ir. Jair e lhe deseja as melhores bênçãos de Deus para as próximas etapas do seu caminhar hospitaleiro.


ACONTECEU | ACONTECERÁ FEVEREIRO/2018

Festa das Bodas de Prata (25 anos) de Profissão Religiosa do Ir. Jair José da Silva Corrêa, da Comunidade de Divinópolis-MG. Trata-se do segundo Irmão Hospitaleiro brasileiro que atingiu essa marca na vida consagrada.

FEVEREIRO/2018

Capítulo Provincial da Província de Portugal - Brasil - Timor Leste. Participam 04 Irmãos do Brasil e alguns Colaboradores leigos. Nele se avalia o quatriênio 2014-2018 e se projeta o seguinte. Também se elege o Superior Provincial e 4 Conselheiros para o quatriênio.

Dia 08 - São Paulo

26 a 02 - Fátima, Portugal

MARÇO/2018

• Dia de São João de Deus. • Dia Internacional das Mulheres.

Dia 08

MARÇO/2018

Dia 18 - Lisboa, Portugal

MARÇO/2018

Dia 21 e 22 - São Paulo

ABRIL/2018

Festa das Bodas de Diamante (75 anos) de Profissão Religiosa do Ir. Júlio Faria dos Reis, 93, que dedicou 36 anos à Ordem no Brasil, como Delegado Provincial, Superior, Mestre de Formação, Líder na fundação da Casa de São Paulo, etc. Formação Continuada para todos os Colaboradores da Casa de Saúde São João de Deus, sobre o tema “Interpessoallidade no Trabalho”.

Dia de São Bento Menni, Restaurador da Ordem Hospitaleira em Espanha, Portugal e México e Fundador das Irmãs Hospitaleiras do sagrado Coração de Jesus.

Dia 24

ABRIL/2018

XIII CONGRESSO DE PSIQUIATRIA SÃO JOÃO DE DEUS, sob o tema “Psiquiatria&Saúde Mental (100) Tabus”, uma parceria entre a Ordem Hospitaleira de SJD e a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.

JUNHO/2018

XII Encontro de Cuidadores de Doentes e Idosos no Domicílio, promovido pela Casa da Hospitalidade SJD, para pessoas que cuidam ou querem cuidar de outras, em suas casas. Inclui palestras de 3 profissionais de saúde de diferentes áreas.

19 a 21 - Portugal

Dia 30 - Ap. Taboado

SUGESTÕES DE NOSSA EQUIPE

filme

Sugerido por Manoel P. M. Junior

livro Sugerido por Áurea Cruz

site

Sugerido por Ivani Cruz

O CÉU É DE VERDADE | de Randall Wallace | 1h 40min | EUA 2014 Após a descoberta de uma doença eminente do pequeno Colton, filho do líder religioso Todd Burpo, algo inexplicável, aos olhos do homem, acontece. No momento da cirurgia do menino, o mesmo vai ao Céu e retorna, após um encontro com Jesus e com outros membros de sua família já falecidos. Ao relatar aos pais o ocorrido, seu pai começa a se questionar quanto a existência de Deus e do Céu, desta maneira a vida desta família se transforma. Um drama, baseado em um história real, que vai além dos entendimentos humanos, onde a fé sobrepõe a razão e nos faz refletir sobre nossas ações neste mundo.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA | de José Saramago (1922-20100) | Gênero: Romance A narrativa conta a história de uma epidemia de cegueira que se espalha e, a primeira pessoa atingida é um homem que, parado em um sinal vermelho, não consegue mais enxergar. A partir desse acontecimento, as pessoas que ficaram cegas foram isoladas, e a cidade ficou dividida entre os "cegos" e os "que veem". Nesse ensaio, Saramago mostra o lado obscuro do ser humano, principalmente quando as pessoas começam a se virar umas contra as outras em situações sociais críticas.

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LUZEIROS

A Igreja, com é a casa da h

E quanto bem se nos anima esta linguag linguagem d

Quantas feri desespero se

Para isto, é p abertas, sob coração.

H


mo a queria Jesus, hospitalidade.

m podemos fazer, armos a aprender gem da hospitalidade, de receber, de acolher!

idas, quanto e pode curar!

preciso ter as portas bretudo as portas do

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Portugal-Brasil-Timor Leste Ordem Hospitaleira de São João de Deus

Sede Internacional da Ordem Hospitaleira

Ordine Ospedaliero di San Giovanni di Dio

Rua São Tomás de Aquino, 20 1600-871 LISBOA - PORTUGAL

Via della Nocetta, 263 00164 ROMA, ITÁLIA

Tel: 351-217213300

Tel: 39-06-6604981

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www.ohsjd.org

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Revista OH! Edição 03 JAN-JUN 2018  

A Revista OH! é uma revista da Família Hospitaleira São João de Deus, no Brasil.

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