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Junho | 2011

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79 Ano ii

78 hectares de

REFUGIADOS

floresta

desmatados

EM CAXIAS

Renato

Família colombiana devastada pela violência das Farc, que matou oito de seus integrantes, encontrou abrigo, emprego e consolo entre os caxienses

Henrichs Disputa pela presidência da UAB envolve 85 mil caxienses

Major Romeu

e as lições da pacificação do Rio de Janeiro Dupla

CA-JU Patrocinadores devem deixar o Jaconi e o Centenário

Socos, chutes e educação no

taekwondo

André T. Susin/O Caxiense

Roberto

Hunoff A economia desacelera, mas o emprego continua em alta

R$ 2,50


Índice

O Caxiense entrevista | 5 Comandante da UPP Cidade de Deus, que virá a Caxias, diz que a favela está trocando o medo pelo turismo Meio ambiente | 7 Em cinco anos, Caxias perdeu o equivalente a dois Pavilhões da Festa da Uva de mata nativa Refugiados | 10 A dramática história da família colombiana que fugiu das Farc e foi acolhida em Caxias Boa Gente | 13 Dois apaixonados por ajudar e uma ajuda para comprar o seu All Star Artes marciais | 14 O que se aprende em uma aula de taekwondo Guia de Cultura | 16 A velha e a nova Caxias no cinema e uma guerra contemporânea no teatro Artes | 19 Abstratos simbólicos e milagres essenciais Dupla CA-JU | 21 A bagunça da Série C e a perda de patrocínio de Caxias e Ju Guia de Esportes | 22 Motores invadem uma cancha de laço no bairro Serrano Renato Henrichs | 23 UAB e Amobs elegem presidentes neste domingo

Arquivo pessoal, Divulgação/O Caxiense

Roberto Hunoff | 4 As preocupações da economia caxiense

Fernanda Ramos, Divulgação/O Caxiense

A Semana | 3 As notícias que foram destaque no site

www.OCAXIENSE.com.br Tudo pode ser recriado com maestria. Parabéns pelo caderno das candidatas a soberana. Mais do mesmo? #not Lisiane Zago

@leooportella orgulho de ser assinante do jornal @ocaxiense... edição 78 mostra as futuras soberanas da Festa da Uva!! #candidatasarainha @ChayDanda @ocaxiense Muito bom o novo aplicativo para o #Android. Acabei de instalar no meu celular! Valeu por todos os pedidos! :-) #ocaxiensenoandroid @adrielesl Finalmente, agora tem pra nós também!! #ocaxiensenoandroid

@jdsikelero @ocaxiense app instalado e aprovado! parabens por mais uma inovação e pela preocupação em atingir todos os públicos! #ocaxiensenoandroid @Sechaus Será que a PULIÇA tem isso? Ajudava eles né? #mapadocrime

@mmocelin Tô apaixonado pela matéria da Valquíria Vita em que ela entrevista a Loraine Slomp Giron, prof. de História. Ed. 78 d’@ocaxiense! Recomendo. #perfil

Expediente

Redação: André Tiago Susin, Camila Cardoso Boff, Carol De Barba, Fabiano Provin, Felipe Boff (editor), José Eduardo Coutelle, Luciana Lain, Marcelo Aramis (editor assistente), Paula Sperb (editora), Renato Henrichs, Roberto Hunoff, Robin Siteneski e Valquíria Vita Comercial: Pita Loss Circulação/Assinaturas: Tatyany Rodrigues de Oliveira Administrativo: Luiz Antônio Boff Impressão: Correio do Povo

Assine

Para assinar, acesse www.ocaxiense.com.br/assinaturas, ligue 3027-5538 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h) ou mande um e-mail para assine@ocaxiense.com.br. Trimestral: R$ 30 | Semestral: R$ 60 | Anual: 2x de R$ 60 ou 1x de R$ 120

Jornal O Caxiense Ltda. Rua Os 18 do Forte, 422, sala 1 | Lourdes | Caxias do Sul | 95020-471 Fone 3027-5538 | E-mail ocaxiense@ocaxiense.com.br www.ocaxiense.com.br

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O Caxiense

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Mapa do crime | Acompanhe no site o mapeamento exclusivo dos principais delitos cometidos em Caxias do Sul feito pelo jornal O Caxiense com base em registros policiais. Erramos | Diferentemente do publicado no caderno das candidatas a rainha da Festa da Uva, Jéssica Thomé tem uma irmã mais velha, Cláudia, e não um irmão, e foi seu tataravô, e não seu avô, quem veio da Itália; Michelle de Mateo, 22 anos, não tem “raízes em Londrina” - morou na cidade paranaense por três, mas vive em Caxias com a família desde os 16 Agradecemos | Iris Andreis, pelo auxílio na confecção da bandeira colombiana que ilustra esta capa – a pessoa retratada na foto não é refugiada.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


A Semana

André T. Susin/O Caxiense

Reproduççaõ/O Caxiense

editada por Felipe Boff | felipe.boff@ocaxiense.com.br

O Caxiense lançou o 1º aplicativo para smartphones com Android no Sul do país; pobreza em Caxias atinge 13 mil famílias, conforme a FAS

SEGUNDA | 30.mai DAP quer projeto do aeroporto este ano

O diretor do Departamento Aeroportuário do Estado (DAP), Roberto Barbosa de Carvalho Netto, quer concluir o projeto para a construção do aeroporto em Vila Oliva ainda neste ano. Uma das etapas mais demoradas, o estudo topográfico, foi cumprida ainda no governo Yeda para determinar o melhor local para o terminal. O plano também já tem verba praticamente garantida: o governo federal deve repassar cerca de R$ 3,3 milhões, com contrapartida de R$ 1 milhão do Estado – só falta assinar o convênio, o que Netto promete fazer em 90 dias.

TERÇA | 31.mai Prefeitura fiscalizará trabalho dos médicos O governo quer aumentar a vi-

tória que teve nos tribunais no último dia 17, quando a 2ª Vara Cível de Caxias exigiu que os médicos em greve atendessem 100% da demanda também nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) mesmo com 50% do efetivo. A secretária da Saúde, Maria do Rosário Antoniazzi, revelou que uma comissão formada por diversas secretarias visitará as UBSs. Enquanto isso, a reunião entre prefeitura, Sindicato dos Médicos, Sindiserv e Ministério do Trabalho, que aconteceu na terça, não deu em nada. Os médicos não querem interlocutor e farão nova reunião com o Município na próxima terça (14), quando o presidente do sindicato, Marlonei Silveira dos Santos, promete apresentar uma proposta para acabar com a greve. “Não vai mudar a reivindicação (o pedido de abono e garantia de plano de carreira), só vai mudar a fórmula”, afirmou Marlonei, sem dar detalhes. Disse só que os médicos não vão acabar a greve “de mãos abanando”.

www.ocaxiense.com.br

QUARTA | 1º.jun Empresariado quer fábrica da Hyundai em Caxias Apesar de não contar com as articulações diretas da prefeitura – como as principais concorrentes, Santa Maria e Pelotas –, Caxias do Sul também está na briga para receber uma fábrica de elevadores da Hyundai. O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs) defendeu a cidade na comitiva de 65 pessoas que acompanhou a visita do governador Tarso Genro (PT) à Coreia do Sul.

QUINTA | 2.jun 13 mil famílias vivem na pobreza em Caxias Foi lançado com pouca atenção da mídia nacional o plano do governo Dilma Rousseff (PT) de erradicação da pobreza extrema, o Brasil sem Miséria – os holofotes

ainda estão voltados para o cainão-cai de Antonio Palocci (PT). Em Caxias do Sul, segundo o cadastro da Fundação de Assistência Social (FAS), cerca de 13 mil famílias vivem com até R$ 147 mensais per capita. Conforme o Ipea, a faixa da miséria compreende a uma renda de R$ 70 mensais per capita. A FAS não tem dados de quantas famílias estão nessa situação.

SEXTA | 3.jun O Caxiense lança aplicativo para Android

Agora O Caxiense também está disponível em smartphones que usam o sistema operacional do Google, o Android. O jornal saiu na frente mais uma vez e é o primeiro no Sul do país a lançar aplicativo para celulares nesta plataforma – também é pioneiro em aplicativos para o iPhone e iPad. Para baixar, basta acessar o Android Market e buscar por “caxiense”. O download é gratuito.

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O Caxiense

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Roberto Hunoff roberto.hunoff@ocaxiense.com.br

Premiação

A Soprano recebeu é uma das três marcas mais lembradas no Brasil no segmento de disjuntor. O 18º Ranking de Conceito e Imagem da Indústria 2011 premiou empresas em 71 segmentos da construção civil. A Divisão de Materiais Elétricos representa 11% do faturamento do grupo de Farroupilha, atualmente a única fabricante de disjuntores com capital 100% nacional.

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O Caxiense

confiança para o restante do ano. Mas existem preocupações: o dissídio dos metalúrgicos é uma delas. As dificuldades de entendimento podem levar a paralisações, com reflexos na produção. Outro fato que preocupa as lideranças empresariais é a queda no consumo, decorrência das medidas restritivas do governo. No entanto, a inflação não cede. Já quanto à crise cambial parece haver unanimidade: o governo nada fará para mudar o quadro. Portanto, o melhor a fazer é esquecer o real valorizado e encontrar internamente os mecanismos para garantir a competitividade externa.

Mês atual/Mês anterior Acumulado no ano Acumulado em 12 meses 30 25 20 15 10 5

Nova empresa

abr/11

mar/11

fev/11

jan/11

dez/10

nov/10

out/10

set/10

0 abr/10

Com investimento de US$ 16 milhões, a multinacional chilena BBosch construirá unidade em Farroupilha, com projeção de início de atividade para julho de 2012 e geração de 180 empregos diretos. A planta será erguida na Linha Palmeiro, perto da divisa com Caxias do Sul. Nos 7 mil m² de área construída serão realizados serviços de galvanização a fogo. A empresa, com sete unidades no Chile e uma no Brasil, em Jundiaí (SP), estima faturamento anual de US$ 40 milhões em Farroupilha.

Cliente secreto

Economia de Caxias do Sul

ago/10

Neste sábado e domingo (dias 4 e 5) a Caixa Econômica Federal promove o 7º Feirão da Casa Própria e a 1ª Expopar. No Centro de Eventos da Festa da Uva estarão reunidos 36 expositores, dentre incorporadoras, construtoras e imobiliárias, além de fabricantes de móveis, decorações, acabamentos e afins. A 1ª Expopar tem o objetivo de mostrar tendências em termos de móveis, decoração e materiais para construção. No Feirão serão colocados à venda mais de 3 mil imóveis.

A economia de Caxias do Sul, tal qual a nacional, desacelerou sua atividade em abril em 7,4% na comparação com março, um mês atípico em termos de resultados positivos. Em relação a abril do ano passado o crescimento foi de 3,8%, fato que precisa ser comemorado se levado em conta a base de comparação elevada. No quadrimestre a expansão é de 9% e, em 12 meses, de 17,2%. Chama atenção nos dados apurados pela CIC e CDL de Caxias do Sul que, mesmo com a retração nas vendas, os segmentos econômicos continuaram contratando funcionários, foram quase 1,7 mil novos empregos, o que pode evidenciar

jul/10

Feirão

Desacelerada

jun/10

A CIC de Caxias do Sul programou para segunda-feira (6) a realização da quarta edição do evento Diálogos da Comunicação. Com o tema Plataforma de comunicação para a Copa 2014: uma construção coletiva, a programação começa com reunião-almoço, às 12h. O secretário de Esporte e Lazer do Estado, Kalil Sehbe Neto, falará sobre as oportunidades para o Rio Grande do Sul com a Copa do Mundo. A atividade prosseguirá a partir das 17h com workshops que abordarão aspectos econômicos, políticos, tecnológicos e internacionais voltados à comunicação do Mundial de 2014. O evento ocorre em parceria com a Associação Riograndense de Imprensa – Seção Serra Gaúcha.

mai/10

Comunicação

Fonte: CIC Caxias do Sul

Sustentabilidade

A Florense, fabricante de móveis de Flores da Cunha, comemora 10 anos da conquista da certificação ISO 14001, a primeira do mercado moveleiro da América do Sul. Nesta década a empresa plantou 2.324 árvores para compensar as emissões de CO²; e reduziu em 67% o consu-

Retração

Contrariando as expectativas, o varejo de material de construção no Brasil apresentou recuo de 6% nas vendas em maio na comparação com abril. No acumulado do ano, o crescimento é de 2,5% e, em 12 meses, 7,5%. Os produtos que mais influenciaram no resultado negativo foram cimento, argamassas, tubos e

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mo de água e em 12% o de energia elétrica. Por meio da evolução tecnológica diminuiu em 64% o uso de lâminas de madeira e em 25% o de tintas. Também baixou em 65% a geração de resíduos líquidos industriais e praticamente zerou a emissão de gases na atmosfera.

conexões. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção, Cláudio Elias Conz, as medidas do governo federal para restringir o consumo podem ter sido exageradas para o setor. Ainda assim acredita em expansão de 8,5% no ano sobre 2010.

A Vidi Shopper House, de São Paulo, está recrutando interessados em avaliar experiências de compras em empresas do varejo e serviços de Caxias do Sul. A vaga para Cliente Secreto objetiva avaliar em segredo a qualidade dos serviços oferecidos ao consumidor. Para candidatarse a uma das vagas é preciso ter idade acima de 18 anos, ser observador e ter interesse em contribuir para a melhoria do atendimento ao consumidor. Mais detalhes no site www.vidishopper.com.

Curtas

O Sindicato das Indústrias da Alimentação de Caxias do Sul reuniu mais de 200 empresários na palestra de Frans Van Luijk, presidente da Emulzint. Ele veio à cidade para falar sobre tendência para o setor de padarias nos aspectos mercadológicos e tecnológicos, com ênfase ao processo de congelamento na linha de produção. A Emulzint é uma empresa multinacional, com sede em Jundiaí (SP), que atua no setor de misturas para produtos panificados. Na terça-feira (7), o Sescon-Serra Gaúcha faz a entrega do Selo de Gestão da Qualidade Contábil e dos Certificados Individuais das Etapas de Treinamento para as turmas da região da Serra Gaúcha que implantaram o Programa Qualidade Necessária Contábil – Categoria Ouro. No evento, marcado para 19h, na CIC de Caxias do Sul, serão distinguidas as empresas Escritório Contábil Raiz, Contad Contabilidade e Prux Contabilidade. A PCP Produtos Siderúrgicos, de Caxias do Sul, e a finlandesa Ruukki Metals promoverão o Special Steels Day, seminário que visa à divulgação da nova geração de aços de alta resistência e produtos desenvolvidos. Em Caxias do Sul ocorrerá na quintafeira (9), no InterCity Hotel. Na segunda-feira (6), em Porto Alegre, ocorrerá o XX Congresso de Marketing da Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil. As palestras serão conduzidas por Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau; Ricardo Vontobel, presidente da Vonpar; e Nelson Sirotsky, presidente do Grupo RBS. A expectativa é reunir mais de 800 participantes no Teatro do Bourbon Country.

Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.


Arquivo pessoal, Divulgação/O Caxiense

O Caxiense entrevista

A mudança, segundo o oficial: “Uma época se premiava o batalhão que tivesse mais ocorrências. Agora, se premia quem tem menos”

“O CONFRONTO ARMADO

NÃO EXISTE MAIS”

E

por CAROL DE BARBA caroldebarba@ocaxiense.com.br

le é apaixonado por cachorros e filmes – é fã de Rambo I e II, E O Vento Levou... e Casablanca –, participou da ocupação de duas grandes favelas cariocas e, atualmente, comanda a Unidade de Polícia Pacificadora mais conhecida do Rio de Janeiro, a UPP Cidade de Deus. O major Felipe Gonçalves Romeu é um dos convidados da 3ª Semana de Debates de Temas Estratégicos, promovida pela Liga da Defesa Nacional, Associação dos Artilheiros Antiaéreos e Academia de História Militar Terrestre do Brasil, no 3º Grupo de Artilharia Antiaérea. Em entrevista a O Caxiense, o oficial, que palestra em Caxias na quinta-feira (9), às 20h, no 3º GAAAé, conta um pouco de sua experiência como responsável pela implantação desse novo modelo de segurança pública numa das comunidades que já esteve entre as mais violentas do Rio. O que você vai dizer aos caxienses? Farei uma palestra sobre as UPPs, para explicar como é o trabalho nessas áreas antigamente abandonadas pelo poder público, atuando com policiamento de

proximidade. Os próprios doutrinadores escrevem que o policiamento é mais difícil nessas comunidades devido ao histórico de repressão policial que sofreram quando eram dominadas por traficantes. Mas através das UPPs estamos interagindo cada vez mais com essas pessoas. Garantimos a segurança para que outros órgãos públicos entrem lá e ajudem a melhorar esse local. Como foi participar da pacificação do Rio de Janeiro? Sempre trabalhei com policiamento comunitário, desde 2002. Em 2008, participei da ocupação de duas favelas, o Morro do Cavalão e o do Estado, abrindo as portas para que ONGs e organizações privadas entrassem na comunidade trazendo melhorias. Por isso fui indicado para a Cidade de Deus, que era uma das favelas mais problemáticas. O que mudou na Cidade de Deus desde a implantação da UPP, há dois anos? A Cidade de Deus fica em Jacarepaguá, que é vizinho à Barra da Tijuca, um bairro de classe alta do Rio. Antigamente, muitas empresas queriam investir lá, só que não havia credibilidade por causa da proximidade com o morro. Os

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Major Romeu, que comanda a UPP Cidade de Deus, compartilha vivências da pacificação do Rio em Caxias

traficantes roubavam muito ma- muito mais, porque o material era terial de construção, por exemplo. roubado. Hoje, fiscalizamos e cuiHoje, se tem segurança lá. Quan- damos. Antes, a polícia entrava lá do as empresas querem fazer uma e trocava tiro direto. reforma ou doar material de construção, procuram a UPP para que Antes das unidades, a ligação de a gente faça esse elo. Sabem que luz era completamente ilegal, e a polícia estará lá para ver como as ruas nas favelas não tinham será utilizado. Curso de inglês, sequer nome. A UPP vai além da por exemplo, não tinha, porque atuação na segurança? as pessoas tinham Hoje, por exemmedo de tiroteio. plo, nós promoveAgora, o confronto “Os moradores mos uma reunião armado não existe estão sempre com os donos de mais. bares, por causa do perguntando problema da múquando a gente Quais são as prinsica alta. Levamos cipais dificuldades vai embora. Se uma especialista os traficantes que a polícia ainda para palestrar para encontra no mor- voltassem, quem os proprietários e ro? moradores que se nos ajudou A principal di- teria que sair” sentiam incomodaficuldade é uma dos com a situação minoria que ainda e mediar o conflito. quer fazer o tráfico, boa parte me- Quando falta luz, acionamos a nores de idade. E também existe Light (companhia de energia do alguma resistência dos morado- Rio) e avisamos que se faltar luz res, devido ao grande período de por mais de um dia e começar a repressão. A Cidade de Deus sur- estragar a comida do pessoal, eles giu de uma reforma habitacional têm o direito de fazer uma manifeita na década de 60 e sempre vi- festação. Quando vemos que tem veu sob domínio dos traficantes. muito lixo acumulado, chamaHoje, com a UPP, fizemos com mos a administradora da coleta que várias melhorias entrassem de lixo. Acabamos sendo fiscais no morro. As praças, que antes da Cidade de Deus. Trabalhamos eram depredadas, estão fican- muito nas escolas, com o Proerd do melhores. As obras custavam (Programa Educacional de Resis4 a 10 de junho de 2011

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tência às Drogas e à Violência), fazendo ronda escolar, atendendo às diretoras. Alunos que faltam muito, que não aparecem há duas semanas, vamos na casa saber o porquê. Aluno que é esquecido na escola, vamos ver o que aconteceu que a mãe não foi buscar. Oferecemos palestras educativas, aulas de artes marciais, informática, inglês, música, tudo ministrado por policiais. Questiona-se, também, se o Estado está preparado para dar emprego àqueles que desejam sair do tráfico. Como a UPP pode ajudar nisso? Para isso a gente tem uma parceria com o AfroReggae, que tem como responsável um ex-detento. Todos as pessoas que já cumpriram sua pena a gente encaminha para eles, que trabalham com empresas que dão emprego. Encaminhamos também para uma juíza que trabalha com egressos. Como era a política de segurança do Rio antes e como é agora? Ainda existe uma cultura muito arraigada no combate. Teve uma época que se premiava o batalhão que tivesse mais ocorrências. Agora, se premia quem tem menos ocorrências. Está se valorizando mais a prevenção. Nunca ganhamos, mas pode ser que nes-

se semestre a gente receba o prê- policiais baterem numa casa onde mio. Fazemos parte do 18º Bata- tiver só um adulto, ele pode não lhão, e estamos em segundo lugar. querer nos receber, porque tem aquele receio. Mas, se na escola Até quando as UPPs pretendem eu ajudo o filho dele em alguma manter essa estratégia? E depois, coisa, já nos vê com outros olhos, não há risco de os velhos donos e o resto da família também. dos morros voltarem? É, os moradores estão sempre Como se combate a corrupção perguntando quando a gente vai na polícia? embora. Eles sabem que, se os traSempre se mostra para a tropa ficantes voltassem, quem nos aju- que é errado. A gente trabalha dou, nos deu um copo d’água, te- muito com o exemplo. Na minha ria que sair. Mas existe um projeto opinião, isso é da índole do ser de lei aprovado pela Alerj (Assem- humano, mas precisa ter fiscalibleia Legislativa do Rio de Janeiro) zação, ensino e supervisão. No para que as UPPs durem 25 anos tempo que fiquei na UPP não teve (a proposta, aprovada por unani- nenhum caso de corrupção, pormidade, dá estabilidade jurídica que sempre dou palestras e estou ao programa, que passa a ter sua atento. Na polícia, costumamos continuidade garantida), só falta dizer que quando o marginal vai ser sancionado pelo governador. pra rua ele tem duas motivações, a vontade e a oportunidade. Não Muitos PMs foram recebidos podemos fazer nada contra a voncom desconfiança pelos mo- tade, mas criar obstáculos para radores, traumatizados com a evitar a oportunidade. É a mesma agressividade dos antecessores. coisa com a tropa. Como lidar com essa situação? A gente tem aulas de direitos Como foi a visita do presidente humanos, cursos junto ao Tribu- Barack Obama? nal de Justiça sobre mediação de O Obama queria conhecer a conflitos e polícia de proximida- localidade por causa dos filmes de, mobilização social, entre ou- Cidade de Deus e Orfeu, e tamtros. Isso nos ensina muito sobre a bém porque queria conhecer comunicação, favorece ao policial uma cidade pacificada. Acredito se aproximar. É por isso que esta- que ele gostou bastante Essa vimos sempre nas escolas, para nos sita foi muito importante porque aproximarmos das crianças. Se os está atraindo turistas que querem

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO

conhecer a Cidade de Deus. O pessoal das agências de turismo já veio nos procurar, e eu abri as portas. Será muito bom para a comunidade, pois os turistas vão querer almoçar, comprar souvenir, artesanato, vai ajudar a movimentar a economia. A presidente Dilma já manifestou sua vontade de levar o projeto das UPPs a todos os Estados. As UPPs valem só para grandes centros ou também para cidades médias, como Caxias? A Bahia já está usando a marca UPP e outros estão fazendo o mesmo, só que com outro nome. Não conheço Caxias, mas pelo número de habitantes, tenho certeza que se fizer policiamento de proximidade não precisa. Já vi num jornal de Gramado que lá o policiamento é comunitário. Qual morador não quer o policial indo lá, conversando? Se o bandido vê que ele é amigo da polícia, não se aproxima. As UPPs foram criadas para retomada de território, mas não com o mesmo objetivo da guerra. Para evitar o trânsito de marginais armados, execução ao ar livre, aqueles micro-ondas de pneu. Para trazer a paz. Acho que aí (em Caxias) não precisa disso, é só ter interação com a comunidade, fazer um policiamento ostensivo e preventivo.

Edital de Citação - Cível

4ª Vara Cível - Comarca de Caxias do Sul

Prazo de: 20 (vinte) dias. Natureza: Ordinária - Outros. Processo: 010/1.10.0005289-3. (CNJ:.0052891 - 60.2010.8.21.0010). Autor: Escritório de Contabilidade Posenatto Ltda. Réu: APF Equipamentos e Suprimentos para Informática e outros. Objeto: CITAÇÃO de APF Equipamentos e Suprimentos para Informática, atualmente em lugar incerto e não sabido, para, no PRAZO de QUINZE (15) dias, a contar do término do presente edital (art.232, IV, CPC), contestar, querendo, e, não o fazendo, serão tidos como verdadeiros os fatos articulados pelo autor na inicial. Caxias do Sul, 15 de abril de 2011. SERVIDOR: Osmar Cezar da Silva. JUIZ: Sergio Augustin.

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Patrimônio ambiental

PERDAS E DANOS O desmatamento avança em Caxias, que preserva apenas 17,33% da mata atlântica

André T. Susin/O Caxiense

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teriormente, a proporção cai para 50%. A maior parte dos licenciamene 2005 a 2008, Caxias perdeu 33 tos para corte, no entanto, foi para hectares de mata atlântica – aqui órgãos públicos. As justificativas conhecida tecnicamente como apresentadas pela Semma variam floresta ombrófila mista, ou seja, entre abertura de ruas e risco de a mata de araucária. No período queda das árvores, plantas com seguinte, mais recente e com um morte comprovada ou que apreano a menos, de 2008 a 2010, sentam lesões irreversíveis, caoutros 45 hectares foram devas- sos de localização inadequada tados. Equivale a dizer que, em – como espécies de grande porte cinco anos, a cidade viu sumir sob a rede elétrica –, troncos toruma área igual a dois Pavilhões tos, porte não condizente com o da Festa da Uva – incluindo não tamanho da calçada, árvores locasó os pavilhões em si, mas todo lizadas muito perto do meio-fio, o Parque Mário Bernardino Ra- de redes de esgoto, de entradas mos. Os dados constam no Atlas de garagem ou de esquinas. Condos Remanescentes forme Teles, todos Florestais, publicaos casos são avaliado pela Fundação “Se a área é dos pelos técnicos tua e tu precisa SOS Mata Atlântica da Semma e sempre e pelo Instituto Na- construir, não que possível se opta cional de Pesquisas tem o que pela poda, evitando Espaciais (Inpe). No o corte. entanto, órgãos pú- fazer, precisa blicos acreditam na autorizar (o O secretário compensação dos corte)”, diz o afirma que a predanos, com plantio secretário do feitura aposta na de novas mudas, e Meio Ambiente reposição das planem um cerco fiscatas como forma de lizador àqueles que compensar o desdesmatam sem autorizações. matamento. Para interesse parEm 2010, a Secretaria Munici- ticular, determina-se o plantio pal do Meio Ambiente (Semma) de cinco mudas para cada árvofoi a responsável por expedir 202 re exótica ou 15 para cada árvoalvarás para cortes de árvores na re nativa cortada. As mudas são zona urbana – na zona rural, as adquiridas em viveiros, a R$ 37 licenças são de responsabilidade cada, e aquelas que não podem da Fundação Estadual de Pro- ser plantadas no local original teção Ambiental (Fepam), que são destinadas ao setor de Praças, não disponibilizou a informa- Parques e Jardins da Semma. “Um ção. A Semma não sabe precisar dado importante que deve ser resquantas árvores correspondem saltado é que boa parte das repoa esses alvarás. Desses, 64 foram sições são para substituir mudas expedidos para pessoas físicas e destruídas por vandalismo”, alerjurídicas para extração em patri- ta o secretário. “A gente replanta mônio particular. Para isso, pes- quantas vezes forem necessário, soas e empresas que pretendam mas plantar numa área verde da construir precisam apresentar um cidade não adianta. Se a populaprojeto aprovado pela Secretaria ção não quiser árvores, não podede Urbanismo, com as especifi- mos fazer nada”, lamenta. cações da construção. Conforme Com isso, a prefeitura destina as o secretário do Meio Ambiente, mudas para o interior do municíinvariavelmente as licenças são pio. Numa das paredes do amplo expedidas. “Se a área é tua e tu gabinete do secretário está um precisa construir, não tem o que quadro do novo aterro sanitário fazer, precisa autorizar”, afirma de Caxias, em Rincão das Flores. Adelino Teles. Conforme a Lei da Na fotografia, ele aponta a área de Mata Atlântica, de 2006, em áreas 278 hectares onde foram plantaurbanas aprovadas até aquele ano, das 50 mil árvores. “Trinta e seis 70% da vegetação pode ser extra- mil como compensação pelo imída e o restante deve permanecer. pacto e o restante porque eu quis”, Para novos lotes aprovados pos- orgulha-se, citando a média de 16 por CAMILA CARDOSO BOFF camila.boff@ocaxiense.com.br

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m² de área verde para cada habitante da cidade. Desde 2008, 230 mil árvores foram plantadas, sendo que 50 mil precisaram ser repostas. “Neste ano não se tirou 1 mil árvores, mas já plantamos 70 mil”, estima o secretário. Caso a reposição proposta não seja cumprida, a pessoa é notificada e, se isso perdurar, ocorre a autuação. Em 2010, a Semma expediu 110 autos de infração e 43 multas. As multas variam de 180 a 1.500 valores de referência municipal (VRMs), conforme o dano causado – ou seja, ficam entre R$ 3,7 mil e R$ 31,1 mil. O dinheiro vai para o fundo do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) e é aplicado em iniciativas de cunho ambiental. O montante atual, conforme o secretário, gira em torno dos R$ 5 milhões.

é diferente da impunidade com a qual o policiamento de rua convive. As pessoas compreendem que estão erradas, recuperam. E ainda serve de alerta para os demais”, descreve. Há três anos, o agricultor Domingos Camello, 59 anos, obteve licença para a derrubada de uma área de mata de sua propriedade de 13 hectares para fazer um plantio de milho. Morador da Linha Maximiliano, em Santa Lúcia do Piaí, há 48 anos, ele diz que nunca havia precisado cumprir tais trâmites. Camello alega que não sabia da necessidade de plantar mudas para compensar o corte das árvores. Achou que bastava pagar a taxa de R$ 35 exigida para o licenciamento. Tempos depois, um vizinho, que o ajudava a cuidar dos pais idosos, pediu um pedaço de terra para fazer uma lavoura. Para isso, seria preciso desmatar outra área. Camello autorizou, pois achava que a primeira licença já seria suficiente. Mas uma denúncia – que resultou em processo judicial e TAC – lhe mostrou o quanto estava distante da prática legal. “Um dia chegou a Patram aqui, de colete e revólver na cintura, como se eu fosse um bandido. Eu não sou bandido, só queria tirar o meu sustento”, afirma, com o típico sotaque dos descendentes de italianos. No processo judicial, foi obrigado a fazer 60 horas de trabalho comunitário na sede do distrito. Para cumprir o TAC, plantou 30 mudas nativas variadas na área desmatada para o uso do vizinho e outros exemplares de bracatinga, também nativa, em outro canto da propriedade. “Se eu não posso mais plantar, do que que eu vou viver? Eu não André T. Susin/O Caxiense

A multa é um dos três tipos de processo respondidos por quem corta árvores irregularmente. No entanto, o segundo, de ordem cível, normalmente anula o terceiro, que implicaria em um inquérito judicial. Aplicados pelo Ministério Público, os Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) têm o objetivo de reparar o dano do desmatamento. Conforme a titular da 1ª Promotoria de Justiça Especializada de Caxias, Janaína De Carli dos Santos, o infrator é obrigado a plantar mudas de espécies nativas na mesma área desmatada ou, pelo menos, na mesma propriedade – o novo Código Florestal que tramita no Congresso poderá permitir que o plantio seja feito em outro bioma. Para isso avalia-se a extensão do dano e a condição financeira do infrator. É preciso elaborar

um projeto e implantá-lo em um (Patram), sargento Jonas Paulo prazo médio de seis meses. O MP Bernardi, considera os TACs efiacompanha o crescimento das cientes como métodos punitivos. plantas por cinco anos. Caso o in- “Na promotoria não tem jeito, frator não aceite ou não cumpra o tem que recuperar. No processo acordo, então é processado judi- judicial, o advogado pode alegar cialmente. A pena, determinada que não foi o proprietário o aupela Lei 9.605 de 1998, é de um tor, mas isso não serve para o MP, a três anos de detenção. Pelo fato porque o dono tem o dever civil de os cortes ilegais de árvores se- de proteger a terra dele”, explica. rem considerados crimes de me- Sediado em Caxias, o batalhão nor potencial ofensivo, o infrator atende 26 municípios da região, normalmente tem a atuando contra uma pena convertida em variedade de crimes prestação de serviço “Eles (imigrantes) além dos relacionaà comunidade ou não destruíram dos à flora, como doação de quantias tudo, mas exploração da miem dinheiro para criaram um neração, poluição ações ambientais. sonora, fauna em Na avaliação da pro- novo ecossistema, cativeiro e poluição motora, o TAC, um mesclando hídrica. “A flora não espécies nativas instrumento extraé menos nem mais judicial, não é me- e exóticas”, importante que as nos eficiente para diz Juliana outras ações, porevitar que o desmaque a demanda tamtamento ocorra. “É bém é grande, pouma oportunidade que se dá para rém decrescente. Ao meu ver, não o infrator. Ele repara o dano e ain- é um fator preponderante, mas é da paga por ele. E são poucos os o mais visível”, acredita. Conforreincidentes”, justifica. me o comandante, a Patram tem Atualmente, tramitam 72 casos mais facilidade para atuar porque de desmatamento na 1ª Promoto- o crime ambiental se perpetua no ria de Justiça Especializada. Con- tempo e é difícil camuflar os informe a promotora, a maioria dos dícios do delito. Em 2010 foram casos diz respeito a desmatamen- 247 intervenções da corporação to para construção de residência relacionadas à flora. Segundo Joou para plantios. “Muitas pesso- nas, os casos dividem-se entre exas já sabem que deveriam buscar tração para comércio, plantação uma licença ambiental, mas ainda de culturas diversas e invasões em há uma cultura de achar que se loteamentos clandestinos. pode fazer o que quiser na sua Há quatro anos na Patrulha propriedade. Ainda falta a cons- Ambiental, o sargento compaciência ambiental de que aquele ra a nova fase ao tempo em que bem é de todos”, reflete Janaína. agia no policiamento ostensivo. “Quem pratica um crime ambienResponsável pela fiscaliza- tal tem outra índole, não é a mesção dos crimes ambientais, o co- ma de quem pratica um crime mandante do 1° Batalhão de Polí- contra a vida. Aqui, surte efeito. cia Ambiental da Brigada Militar Existe a sensação de punição, que

“Existe punição. As pessoas compreendem que estão erradas, recuperam. E ainda serve de alerta para os demais”, diz o comandante da Patram

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tenho estudo, só posso trabalhar na terra, que é o que eu sei fazer”, reclama, em tom de lamento. No lote de terra íngreme, Camello capricha no manejo do solo para plantar tomate e vagem com qualidade suficiente para venda, além de milho para consumo dos animais. “Eu concordo que tem que cuidar, mas lá para cima, onde eles tiram toneladas de madeira para vender. Eu só queria plantar três caixinhas de milho. O que fizeram comigo foi uma injustiça”, revolta-se o pequeno produtor rural, que perpetua uma prática iniciada há 130 anos. A jornalista Juliana Bublitz, doutora em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, revisou o processo de colonização italiana com o olhar da preocupação ecológica. Pesquisou cartas, diários e relatórios de colonos, viajantes e agentes consulares, além de arquivos governamentais, que registram a instalação dos imigrantes italianos em terras gaúchas – mais especificamente na Serra, já que as áreas de planalto estavam todas ocupadas. “Foi o primeiro contato com uma natureza até então desconhecida, vindos de uma Europa que já não tinha nenhuma floresta natural”, relata. Para os imigrantes pobres, sem habilidade para agricultura, o cenário por vezes assustador represen-

tava também a possibilidade de ser proprietário de algo, mesmo que fosse um lote em terreno íngreme e completamente coberto por mata fechada. A primeira alteração drástica da paisagem aconteceu quando, visando à sobrevivência, cortaram parte da vegetação e atearam fogo. Na mistura de terra e cinzas, que no princípio serviu como adubo, plantaram alimentos para consumo próprio. “É importante não culpá-los, porque naquela época não tinha uma consciência ecológica, e eles precisavam sobreviver”, destaca. Alguns anos depois, passaram a explorar a extração de araucárias para construção de casas e móveis. Paralelamente, surgiu a implantação de videiras nas áreas desmatadas. “Os colonos enviaram cartas pedindo mudas e sementes e os parentes acabaram trazendo uma biota (conjunto de seres vivos de um ecossistema) portátil”, conta Juliana. A produção vitivinícola deu origem a uma paisagem. “Eles não destruíram tudo, mas criaram um novo ecossistema, mesclando espécies nativas e exóticas”, observa a pesquisadora. Porém, a ação acabou contribuindo para a extinção de espécies e dando origem a um hábito que perdura até hoje. “Ter terrenos limpos, sem mata, virou quase uma obsessão, porque era sinônimo de progresso”, recorda Juliana.

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A agrônoma Luciana Scur, do”, alerta. coordenadora do curso de CiênA diretora da gestão de conhecias Biológicas da UCS, explica cimento da S.O.S Mata Atlântica, que o processo de sucessão eco- Márcia Hiota, faz coro ao alerta lógica é inevitável. “A nossa vo- de preservação a qualquer florescação climática é florestal. Uma ta nativa. “Isso depende de esforárea de campo desmatado e aban- ços dos governos federal, estadudonada desencadeia um proces- al e também municipal. Porém, so que dá origem a uma capoei- autorizam o corte sem levar isso ra, que vai formar em conta”, lamenta. uma mata secunPara ela, é necessádária. Hoje em dia “Ter terrenos rio que permitam a não existem matas limpos, sem mata, construção em áreas primárias, com as virou quase já desmatadas. árvores originais”, uma obsessão, afirma. Conforme Para evitar a ela, a mata tem a porque era ampliação do desfunção ecológica sinônimo de matamento, a prede evitar erosão do progresso”, feitura criou no Plasolo e a poluição hí- recorda no Diretor de 2007 drica. Mesmo com pesquisadora as Zonas de Interesespécies exóticas, se Ambiental, que a floresta continua totalizam 24.887 cumprindo sua função, mas per- hectares espalhados em topos de a diversidade do bioma. de morros, banhados, encostas e A agrônoma atribui o avanço margens de rios. Nesses locais é do desmatamento à ampliação da proibido implantar atividades inzona urbana, já que o produtor dustriais e de silvicultura, intervir rural, conforme ela, é mais moni- na vegetação para fins agropecuátorado. “Não sei se teremos uma rios, caçar, realizar parcelamento solução, porque o crescimento de solo para fins residenciais e inurbano é inevitável. A saída é fa- dustriais, usar defensivos agrícozer um zoneamento e intercalar las em desacordo com as normas áreas urbanas, rurais e preser- e recomendações técnicas oficiais vadas”, afirma. “Não deveríamos e realizar queimadas. No entanter nenhum tipo de perda. A lei to, conforme o relatório da S.O.S de 2006 veda a supressão de mata Mata Atlântica, restam 28.522 atlântica, a não ser em casos de hectares de floresta no município, utilidade pública. Porém, os li- ou apenas 17,33% da cobertura cenciamentos continuam existin- original.

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Guerra e paz

SOBREVIVENTES DO

TERROR A saga da família colombiana massacrada pelas Farc que encontrou refúgio em Caxias

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prantos. O episódio do encontro com o comandante das Forças Amadas rouxe o dinheiro?”, pergunta o co- Revolucionárias em uma região mandante. da Colômbia (Farc) durou cerca “Tenho que pagar? Vocês mata- de quatro horas, contando a ida e ram minha família, não vou dar a volta ao vilarejo próximo da claum peso”, responde a senhora. reira. O maior grupo insurgente “Conosco não se brinca”, retruca das Américas, as Farc dizem buso homem, sentado em um tronco, car uma revolução comunista de sem levantar os olhos para ela. Ao inspiração bolivariana na Colômredor do comandante, que estava bia. A organização, no entanto, no meio de uma clareira próxima é considerada terrorista por boa a um vilarejo na Colômbia, apro- parte da comunidade internacioximadamente 12 mulheres, todas nal. Os guerrilheiros se armam jovens, vestidas com roupas ca- com dinheiro do narcotráfico, mufladas e carregando fuzis. principalmente de cocaína, e as“Eu sei. Vim falar com vocês sassinatos e sequestros de civis porque vocês são são frequentes. Na os piores. Um dia, manhã de quintaDeus vai cobrar de “Se você tem feira (2), o governo vocês.” colombiano anunproblema com “Nós também as Farc, eles não ciou que um dos acreditamos em principais líderes Deus”, diz o homem, esquecem. É tanta das Farc, Guillermo levantando a cabeça ignorância e Enrique Torres Cuepela primeira vez. maldade o que ter, conhecido como “Que bom, um dia fizeram para Julián Conrado, havai ter que prestar nós”, lembra via sido capturado contas a Ele. Queira na Venezuela. Deus perdoar vo- Ezequias Isabel (nome fictícês.” cio, como os outros “Veio nos dar esnesta reportagem, tudos bíblicos?” para proteger a identidade das “Não. Só vim dizer isso.” vítimas) assinara naquele encon“Trouxe o dinheiro?” tro sua sentença para virar refu“Não.” giada e, depois, reassentada. Ela “Então vamos negociar. Pode e a família – ao todo, 11 pessoas nos dar o valor em três vezes.” – encontraram abrigo em Caxias “Não vou te dar dinheiro.” do Sul. Na cidade, a colombia“Veio me falar isso?” na de 41 anos trabalha hoje no “Sim.” comércio de alimentos. O bom “Você sabe o que pode aconte- humor com que trata os clientes cer?” não condiz com as cicatrizes de “Sim.” seu passado. Todos no bairro a “Dentro de um mês você vai sa- conhecem. E ela conhece todos ber de nós.” os clientes. Trabalhando no local “O único dinheiro que vou dar há cerca de um ano e meio, sabe é 500 mil pesos (hoje, cerca de R$ o pedido de alguns de cor e passa 441).” o trajeto até sua casa conversando “Você vai saber de nós.” com a cobradora e o motorista do “Que um dia Deus vos perdoe.” ônibus que pega ao final dos dias O comandante carrega o fuzil e de trabalho. O refúgio em Caxias a mulher começa a chorar. ocorreu meio que por acaso – o “Você veio aqui para chorar?” responsável é Deus, diria a co“Não. Estou chorando de triste- lombiana devota de uma igreja za de vocês, porque são uns ani- adventista. Os acontecimentos mais.” que culminaram na vinda da fa“Vá embora, mande os 500 mil mília ao Brasil começaram 21 pesos e dentro de um mês você anos antes. vai saber de mim. Sei onde você trabalha e onde seus filhos estuA mãe de Isabel, Noemi, fadam”, irrita-se o comandante. zia o jantar no começo de uma “Tenha plena certeza de que noite de 1989. A família morava não vou dar um peso a mais”, diz em uma fazenda, a aproximadaa mulher antes de sair, ainda aos mente uma hora de carro da cidapor ROBIN SITENESKI robin.siteneski@ocaxiense.com.br

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cia e maldade o que fizeram para nós...”, diz Ezequias. As Farc ainda assassinaram o pai do segundo filho de Isabel, Otaniel, enquanto ela ainda estava grávida. Isabel conta que a guerrilha cobrava um imposto: quem ganhava 500 mil pesos colombianos (R$ 441), por exemplo, tinha que dar 300 mil (R$ 265) para eles. Ezequias montara com Lameque uma empresa de prestação de serviços, como cortar a grama das encostas das estradas. As ameaças continuaram: guerrilheiros descarregavam fuzis perto da casa da família para amedrontá-los, e Isabel, que deixou o emprego em um hospital para tocar a firma, recebeu uma carta das Farc: Receba uma cordial saudação de parte das Farc. Esta carta é para pedir-lhe o favor de se reportar. Mande-me 30 milhões para o dia 15 do presente mês (a carta data do dia 12 de novembro de 2003) sem falta e 400 presentes para as crianças. É a primeira vez que a

sobrinhas e filhas assustadas. As buscar a irmã Lia e a cunhada. No Farc estavam atrás dela, e haviam dia 21 de janeiro de 2004, os nove tentado levar seu filho mais velho, colombianos atravessaram a fronMacabeu, como refém. Como a teira para o Equador, mas não de rua estava movimentada e a po- ônibus, como haviam planejado. lícia fazia ronda, os terroristas ti- A fronteira estava fechada, e eles veram de recuar. Mas tiveram que pagar isso não os impediu um motorista de de pôr duas armas, “Vá embora, caminhão para lecontra a barriga e o esqueça a vá-los na caçamba, pescoço de Macabeu. Colômbia. junto com a carga Assim que o garoto A Colômbia de sacos de fariconseguiu se desvennha. O filho mais está podre e vai cilhar, correu com o novo de Isabel, irmão e as sobrinhas ficar pior”, Otaniel, hoje com aconselhou para dentro de casa. 15 anos, lembra A família decidiu um primo que não foi fácil se mudar novamente, guerrilheiro conseguir carona para a casa de uma depois de ter saíamiga de Isabel, que do do caminhão, morava em uma fazenda ao lado ainda brancos com a farinha que de um posto policial. Na madru- se grudara ao corpo de todos. A gada seguinte, levaram os mais família conseguiu refúgio e pronovos à fazenda. Na volta para teção internacional. Ficaram 10 resgatar os adultos – a irmã, Lia, meses no Equador. Por causa das e uma cunhada viúva, dona da condições precárias de vida e de casa –, Isabel e Ezequias pararam trabalho na capital, Quito, pedipara abastecer. No posto de gaso- ram para ser reassentados. Entre lina encontraram um primo, que, as três opções que o Alto Comispreocupado, ligou para o filho, sariado das Nações Unidas para Reprodução, André T. Susin/O Caxiense

de mais próxima. Além das duas mulheres, viviam ali o pai de Isabel, Jeremias, dois irmãos e uma irmã. Isabel era a primogênita. Os irmãos, Lameque e Ezequias, tinham respectivamente 16 e nove anos. A garota, Lia, contava quatro. Naquela noite, cinco homens armados chegaram à fazenda, perto das 19h. Os guerrilheiros das Farc tiraram o pai de dentro da casa. Sem maiores explicações, atiraram. “Não toquem na minha família”, foram suas últimas palavras. Isabel assistia. A mãe saiu e, desesperada tentando defender o marido, gritou: “Se matarem meu velho, me matem também.” E eles o fizeram. “Não há meio termo, ou você ajuda eles (as Farc), ou é inimigo. Minha mãe era enfermeira e meu pai trabalhava para o governo (era inspetor de polícia)”, conta Ezequias. Quem mais chamava atenção dos guerrilheiros era o pai. “Se havia mortes na região, ele ia verificar. Se havia briga entre eles, tentava conciliar.” Depois do massacre, não demorou muito

Encontro com líder dos guerrilheiros aconteceu depois de Isabel receber uma carta do comando das Farc exigindo dinheiro para os vizinhos da família apare- contatamos. Se não pagar, mandecerem. Isabel, Ezequias, Lameque me dizer quando pode subir pese Lia não dormiram na fazenda soalmente, me mande dizer com a naquela noite. mesma pessoa que te leva a carta. Os irmãos mais velhos assumiram o papel de pai e mãe na nova Dois dias depois, Isabel configuração familiar. “Criamos foi ao encontro do comandante um círculo tão fechado que cha- acompanhada de um amigo, que mava ele (Lameque) de pai”, lem- o esperou fora da clareira e que, bra Ezequias. A família cresceu assim como ela, acreditava que enquanto pipocava sairia vivo dali – na de cidade em cidade conversa, o pedido para fugir dos guer- “Por mais das Farc aumentou rilheiros. Moraram que achemos de 30 milhões de em pelo menos qua- que estamos pesos (R$ 26,5 mil, tro municípios dife- fazendo de tudo, em valores atuais) rentes. Lameque teve para 70 milhões duas filhas. Isabel nunca vai ser (R$ 61,8 mil). teve um menino, Ma- a terra deles”, Um mês se pasdiz Karin, da cabeu, cujo pai falesou e, no início de ceu, mas não pelas agência para dezembro de 2003, mãos das Farc. Dez refugiados os guerrilheiros anos depois da morvoltaram a fazer te de Jeremias e Nocontato. Na noite emi, os guerrilheiros voltariam a do dia 7, muitas pessoas estavam atingir a família. Mataram Lame- nas ruas comemorando o alumque, que na época trabalhava na brado natalino, época em que se polícia. “Se você tem problema colocam enfeites luminosos pelas com as Farc, eles não esquecem. cidades. Isabel estava na igreja e, Foi muito difícil. É tanta ignorân- ao voltar para casa, encontrou as

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pedindo ajuda. A contragosto, Isabel e Ezequias foram falar com o rapaz. Não se viam há pelo menos 15 anos, e ele tinha aproximadamente a idade de Isabel. Havia se juntado às Farc. “Quando chegamos, ele baixou a cabeça, pediu desculpas e chorou, disse que não sabia que tinham matado Lameque”, lembra Isabel. O parente guerrilheiro resolveu ligar para os líderes das Farc na região para pedir que a poupassem e deixassem voltar para casa. Ao largar o telefone, chorando, recomendou: “Vá embora, para longe. Há um programa que pode te ajudar a sair do país. Comece uma vida nova em outro país”. “Por quê?”, reagiu Isabel. “Se quer saber a verdade, vão te matar, ou colocar uma bomba na sua casa, e eu não posso fazer nada. Você tem até as 18h para tirar sua família de lá, mas você não pode voltar. Vá embora, esqueça a Colômbia. A Colômbia está podre e vai ficar pior”, aconselhou o primo. Ezequias, que na época tinha um filho pequeno, retornou para

os Refugiados (Acnur) ofereceu, o Brasil era o que mais rápido daria uma resposta ao pedido de refúgio. O nome da cidade para onde viriam, no entanto, só lhes foi revelado na sala de embarque do aeroporto. No Rio Grande do Sul, a Acnur reassenta palestinos e colombianos. Karin Wapechowski, coordenadora gaúcha do Programa de Reassentamento Solidário – que no Estado funciona em parceria com a ONG Associação Antônio Vieira –, afirma que a decisão de receber ou não perseguidos de zonas de conflito no Brasil leva pelo menos seis meses. São no mínimo quatro entrevistas com psicólogos, advogados e assistentes sociais. O Estado tem hoje 220 – 67 são palestinos – dos 430 reassentados no país pelas Nações Unidas. Por questões de segurança, eles só sabem o nome da cidade para onde vão no dia da viagem. Caxias do Sul já teve outras três famílias, todas colombianas, que hoje não estão mais

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no município. Segundo Karin, a língua nativa. Isabel ainda tem cidade foi escolhida para receber dificuldades com o português, e os estrangeiros por causa da qua- Ezequias mantém o sotaque. lidade dos serviços públicos e da “Quando chegamos, sentimos oferta de trabalho. muito preconceito. As pessoas O programa de reassentamen- ficavam nos olhando quando ento – utiliza-se este termo porque travamos no supermercado como essas pessoas já não são mais ví- se fôssemos roubar algo”, conta timas de perseguição quando são Isabel. Durante alguns anos, torealocadas, explica Karin – ga- dos moraram juntos. Os amigos rante auxílio-moradia e apoio da igreja os ajudaram a consepsicológico e financeiro durante guir emprego. Isabel trabalhou pelo menos um ano, além da do- como secretária antes de vender cumentação necesalimentos. Ezequias, sária para que os hoje com 31 anos, beneficiários aces- “Não sou trabalha na construsem serviços públi- imigrante, não ção civil. Aqui, pelo cos. A ajuda é gra- saí da minha menos, eles podem dualmente retirada. terra por escolha. viver com um pou“Mas, por mais que co mais de tranquiachemos que es- Vai ser difícil, lidade. “Do jeito que mas quero ficar tamos fazendo de estava, ou ficávamos tudo, nunca vai ser a velha e morrer lá e morríamos, ou terra deles”, pondera na Colômbia”, saíamos”, avalia EzeKarin. quias. sonha Isabel Isabel diz senAos poucos, o grutir falta do espírito po foi se separando, amistoso de seus compatriotas mas todos permanecem em Caquando os compara com a ma- xias. Isabel mora somente com os neira de ser dos caxienses. A fa- dois filhos. Chefe de família desmília foi buscar consolo na igreja de cedo por imposição, ela agora – a conversão veio após a morte se sente em um ninho vazio. “Eu de Lameque. O primeiro culto do sinto que fui o tronco caído para qual participaram depois de che- atravessar um rio tortuoso. Agora gar em Caxias ocorreu no dia 28 que a travessia acabou, os ramos de dezembro de 2004. No entan- começam a crescer”, diz, com láto, não foi muito proveitoso. “Não grimas nos olhos e uma expressão entendemos uma palavra do que de resignação e tristeza. o pastor disse”, lembra. No total, Isabel perdeu para a “No início foi complicado, o violência das Farc o pai, a mãe, o adolescente sofreu bastante”, marido, um irmão, três primos e conta um dos coordenadores da uma tia. Até hoje não consegue igreja, hoje amigo da família. Ele entender como saiu viva do enlogo percebeu que os colombia- contro com o comandante guernos iriam sofrer com o jeito dis- rilheiro. Ela conta que se arretante dos caxienses e, por isso, se pendia de falar imediatamente ao aproximou deles. A fuga de seu final de cada frase do diálogo que país, a complicada passagem pelo abre esta reportagem, e atribui a Equador e o desembarque no Deus ter sobrevivido. Apesar de Brasil fizeram com que os filhos tudo que passou, ainda quer vole sobrinhos de Isabel perdessem tar para o país natal. “Agora sou dois anos escolares. Tiveram que obrigada a ficar aqui por causa recomeçar em Caxias, em uma dos meus filhos, mas quero vollíngua diferente. O jovem Ota- tar. Não sou imigrante, não saí da niel, porém, fala português muito minha terra por escolha. Sei que bem e diz que já não sabe escre- vai ser difícil, não vou sentir tanta ver direito em espanhol, apesar tranquilidade, mas quero ficar vedas conversas em casa serem na lha e morrer na Colômbia.”

Isabel mostra uma foto sua com a mãe, assassinada em 1989

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por Paula Sperb e Marcelo Aramis

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Bernardete

Pavan Vezaro Em 2013, Bernardete encerra a sua segunda gestão como presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Caxias do Sul (Apae). "É impossível a gente não se apaixonar pela Apae", diz a voluntária que trabalha há oito anos na entidade. Garantir a inclusão social dos 575 usuários da Apae é a meta diária de Bernardete. "Nosso objetivo é preparálos para serem independentes", conta a presidente. Além de professores e assistentes sociais, a Apae oferece o serviço de Estimulação Global, que conta com psicólogos e fisioterapeutas. Aposentada do Banco do Brasil, Bernardete faz as contas. "Precisamos ter saúde financeira para manter o atendimento com bons profissionais." E o remédio é a solidariedade. No domingo (5), a entidade realiza seu tradicional almoço beneficente, a Feijoada da Apae. Informações pelo (54) 3028-2416.

Asdrubal

Falavigna "Todo o médico tem que ser um professor", diz o Dr. Asdrubal, homenageado na última terça (31), na Câmara de Vereadores, com o Prêmio Dr. Virvi Ramos de Saúde. Ainda na faculdade, como aluno e monitor, o médico escreveu dois livros sobre neurocirurgia e neuroanatomia, área na qual é especialista. Asdrubal se divide entre a prática da medicina e o trabalho na Universidade de Caxias do Sul, onde atua como professor e cordenador do curso de Medicina. Em 2004, fundou a Liga Acadêmica Multidisciplinar de Neurologia e Neurocirurgia. O grupo de alunos de diversas áreas da saúde se dedica à pesquisa e ao desenvolvimento de projetos para prestação de serviço comunitário voltado à prevenção. "Meu pai nunca perguntou o que eu ia ser. Criança não escolhe profissão, vai se apaixonando pelas coisas", conta o neurocirurgião que ficava entre a farmácia do avô e acompanhava o pai médico até na sala de cirurgia. "Ele só dizia para seguir o que o coração mandasse". Asdrubal seguiu.

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anos lembra muito bem de comprar no Mariani o seu primeiro Converse. Uma das lojas mais tradicionais da cidade vende até hoje modelos para a família toda – a partir da linha infantil, o menor é o 23. Mas a variedade é limitada ao básico, tanto em formas quanto em cores.

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DISCIPLINA

ALÉM DO TATAME Atletas se preparam para a 2ª Etapa do Campeonato Brasileiro de Taekwondo, sediada em Caxias, e praticam em casa as lições que aprendem na luta

Marlon Amarante faz parte da equipe de instrutores da academia Elite Martial Arts, que terá diversos alunos participando da competição

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por JOSÉ EDUARDO COUTELLE jeduardo.coutelle@ocaxiense.com.br

s pés descalços não demoram muito a se acostumar ao tatame gelado. Neste espaço é vetado usar calçados. No início da manhã da última terça-feira (31), após trocar os blusões de inverno por um abrigo, participei de uma aula experimental de taekwondo songahm – arte coreana adaptada ao estilo marcial pelas forças armadas americanas – sob a orientação de Paulo Fraga, 29 anos, professor e proprietário da Academia Elite Martial Arts. Comum às demais atividades físicas, os alongamentos compõem a primeira etapa do treino. Em seguida, os movimentos iniciais. “Coloque o pé esquerdo na frente do direito e levante a guarda”, mostra o professor. Mantendo o posicionamento, ele dá um soco veloz com a esquerda, faz soar o golpe no ar. “A mesma

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força que tu faz para frente, tens de fazer pra trás”, ensina, demonstrando em frente ao espelho. Bem sucedido, fui para a primeira combinação. A meta era manter o soco de esquerda (jab) aliado a um direto com a direita, nunca esquecendo o posicionamento dos membros inferiores: o pé de apoio deve estar perpendicular ao corpo enquanto o frontal se mantém reto ao oponente. “Tens de dar um grito para soltar o ar e com isso aumentar a força do golpe. Vamos lá, mais uma vez. Esquerda, direta, esquerda, direta”, incentiva o professor ao ver os primeiros sinais de cansaço. Em seguida, Fraga completa o combo com a inclusão do chute semicircular. Essa sequência de golpes contém parte dos princípios básicos de movimentação do taekwondo, que incluem a rotação (aumenta a potência), o chicote (movimento de bate e volta)

e o cravado (golpe certeiro que Fraga acredita que cerca de 350 conta com o apoio do restante do competidores de todo Brasil decorpo). vam participar da etapa. Além disso, Caxias estará representada Esses são apenas alguns por quatro escolas da arte mardos movimentos básicos da arte cial. “Aqui o taekwondo é muito marcial, que poforte. Por isso a ciderão ser vistos de dade foi escolhida perto neste final de “Depois que para sediar uma das semana, no Clube começou a treinar etapas do BrasileiJuvenil, durante a aumentou o ro”, conta. No sába2ª Etapa do Cam- autocontrole e a do (4), ocorrem as peonato Brasileiro lutas principais ende Taekwondo (Veja coragem”, conta tre os faixas pretas, Guia de Esportes, na a mãe de Nikole, e no domingo (5) as que trocou o balé página 22). Paulo apresentações ficam Fraga, faixa preta e a natação pela a cargo dos partide 4° e 5° Dan, é um arte marcial cipantes das faixas dos organizadores coloridas. do evento e particiApesar de Fraga pa também como competidor nas treinar praticamente todos os dias modalidades de demonstração para a competição, são os pequede Armas, utilizando um bastão nos que estão mais ansiosos para longo, Fórmula, em que realiza participar do evento – alguns, pela uma série determinada de movi- primeira vez. Acompanhada dos mentos, e Sparring, a luta em si. pais, Nikole Cecconello Koenig

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Arte marcial


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aguarda o início da aula. Na terça que mantém a faixa roxa decidi(31), a menina de longos cabelos da, não deverá competir neste loiros leva seus bonequinhos da final de semana. A mãe diz que Turma da Mônica para assistirem ele perdeu muitas aulas e não se ao treinamento. “Meu nome é Ni- sente seguro para a disputa. Já o kole com K”, diz a desenvolta me- colega Rodolfo irá participar nas nina, que abre todos os dedinhos modalidades de Sparring e apreda mão para informar a idade. sentação de Armas, manejando o Nikole, que irá participar da com- nuntchaco – dois bastões ligados petição nas modalidades Fórmula por uma corda ou corrente. e Sparring, já acumula diversiQuase no fim da aula, os alunos ficada experiência esportiva. A se preparam para a parte mais esmãe, Cristiane Cecconello, 38 perada. O professor ordena que anos, conta que a filha já fez nata- todos vistam rapidamente as proção, balé e agora ela teções – botas, lumesma optou por vas, peitoral e capaseguir no taekwon- “Ele aprendeu cete com viseira de do. “Nosso objetivo a lidar com a acrílico – e iniciem foi trabalhar a força frustração de os combates. Rodolinterior dela. De- perder”, revela fo é chamado para pois que começou compor a primeira Rosemari sobre a treinar aumentou a luta. Sob o olhar o autocontrole e a como o esporte atento de Amarante, coragem. Adquiriu mudou os os alunos cumprimuita disciplina de hábitos do filho mentam-se e logo uma forma natural. Fernando em seguida iniciam As aulas são um inos primeiros golpes. vestimento que vale Chutes e socos no a pena”, afirma. Para apurar ainda tórax valem um ponto. Chute salmais a técnica, o pai, Fábio Ko- tando no tórax, dois pontos. Chuenig, 37 anos, grava as aulas em te saltando na cabeça, três pontos. uma câmera digital. “Em casa a Cada luta tem um round de dois gente assiste e vê como melhorar minutos. Sob o comando do proos movimentos”, diz ele. fessor, Rodolfo parte para cima do colega com diversos chutes Enquanto Nikole aguarda semicirculares, que lhe rendem a para pisar no tatame, o professor primeira vitória do treinamento. Marlon Amarante, 19 anos, ensi- Com o resultado, Rodolfo, o orna a execução dos golpes e, prin- gulho da avó, permanece para a cipalmente, cobra a disciplina luta seguinte. E não tem a mesma aos alunos da turma da categoria sorte. Visivelmente mais lento e infanto. Formado integralmente cansado que o novo competidor, o por meninos, o grupo responde menino leva dois chutes seguidos rapidamente aos comandos de no tórax que o colocam no chão. Amarante, sempre referindo-se a “Tem que girar o corpo e se proele por senhor. Os alunos pedem teger dos golpes, Rodolfo”, insiste permissão para entrar e sair do ta- o professor Amarante. Derrotado, tame e quando um apresenta uma ele cumprimenta o adversário e falha considerada mais grave, to- segue para o final da fila. dos pagam uma pena. “Eles estão fazendo flexões agora porque um Também experimentei o dos alunos demorou muito tempo mesmo desgaste físico. Com poupara colocar as proteções”, expli- co mais de 30 minutos de treinaca a aposentada Solange Beatriz mento, a respiração ofegante exiRech, 62 anos, que se acostumou ge um intervalo maior de tempo às regras da escola assistindo as entre a realização de uma série e aulas do neto. outra de golpes. “Vamos lá. EsSentada no banco em frente querda, direta, chute. Mais uma ao tatame, Solange acompanha vez. Esquerda, direta e chute”, o treino de Rodolfo Estefani, 11 reafirmava o professor Paulo Fraanos, sempre com agulha e linha ga ao ver o cansaço e demora na em mãos. “Ele mudou muito com resposta. Somente no dia seguinrelação à disciplina depois que te após a aula, que contou ainda entrou para a academia. Rodolfo com o aprendizado de golpes utié filho único e fazia o que queria lizando o joelho e o cotovelo, foi em casa. Agora é mais organiza- possível perceber que a rotina de do e costuma sempre agradecer”, um atleta se faz de uma sequência conta a avó. Ao lado, Rosemari e não de um único treino, mesmo Mesquita Ribeiro, 43 anos, se- para os mais pequenos que não gue a mesma rotina de Solange. buscam o alto rendimento. Os Ela diz que o filho teve um con- músculos das costas, pernas, brasiderável desenvolvimento com ços e ombros, pouco exigidos em a prática do taekwondo. “Ele um cotidiano sedentário, amaaprendeu a lidar com a frustração nheceram doloridos. de perder. Além disso, os treinos melhoraram a concentração e a convivência”, revela sobre o peVídeo | Veja uma aula com os queno Fernando, 10 anos. Apesar princípios básicos do taekwonda vontade de por à prova os fundo em www.ocaxiense.com.br. damentos aprendidos, o menino,

Paulo Fraga, faixa preta, é um dos organizadores do evento 4 a 10 de junho de 2011

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Guia de Cultura

Janete Kriger, Divulgação/O Caxiense

por Carol De Barba | guiadecultura@ocaxiense.com.br

Uma das obras de Lissandro Stallivieri na mostra Cinema Daqui é tributo a Adelar Bertussi Recomenda l Mostra Cinema Daqui | De terça (7) a domingo (12), às 18h | Ordovás Oito filmes – curtas, médias e CINEMA longas-metragens – serão aprel Profissão: músico | Docu- sentados com entrada franca. A mentário. Quarta (8), 19h30 | Te- mostra integra as comemorações atro do Sesc do mês de Caxias do Sul. Produzido pelo Projeto CCOMA e pelo cineasta colombiano PROGRAMAÇÃO: Terça (7): Daniel Vargas, o documentário Campo dos Bugres, de Juliano mostra a revolução que o MP3 e Barasuol Flores. 18h. O documendownload gratuito causaram na tário faz um resgate da história de profissão de músico. Após a ses- Caxias do Sul antes da imigração, são, haverá um debate com o di- baseado em relatos dos historiaretor Daniel Vargas e o co-diretor dores Campos Neto e João SpadaLuciano Balen. Entrada franca. ri Adami. 15 min. | Montanha do Livre. 45Min.. Sonho Imigrante, de Lissandro Stallivieri. 18h. O filme retrata a l Mostra Kino Beat | Sábado saga dos imigrantes, narrada por (4), domingo (5), às 15h e às 17h testemunhas guiadas pelo roteiro | Ordovás de Nivaldo Pereira. 17 minutos. Com produção do Cine Como | Caxias do Sul te Convida!, de Le Gusta e da De Guerrilha Pro- Lissandro Stallivieri. 18h. O curduções, será exibido conteúdo ta mostra os principais traços da audiovisual relacionado à música: personalidade de Caxias e do seu documentários, ficção, curtas- povo: a herança gaúcha; o imimetragens, animação, videoarte, grante europeu e a indústria. 7 live performances e outros. min. | Quarta (8): No Ar – O Rádio e a Televisão, de Juliano PROGRAMAÇÃO: Sábado Barasuol Flores. 18h. O documen(4): What are you looking for? tário percorre as sete décadas do (Brasil, 2008), Kurt Masur: Uma rádio por meio de imagens de jorAventura Musical (Canadá, Bra- nais antigos e áudios originais das sil e Alemanha, 2008), Vai de emissoras. 45 min. | Quinta (9): Ópera, Velhinho? (Animação, Criadoras de Moda, de Viviane EUA, 1956. 15h. The Punk Rock Salvador. 18h. O filme alinhava a Movie (Inglaterra, 1978). 17h | trajetória de oito mulheres que já Domingo (5): Nas paredes da fazem parte da história da cidade pedra encantada (Brasil, 2011). pelo seu trabalho em confecção. 15h. DJ David Sample (Brasil, 47 min. | Sexta (10): A Sagração 2009), Brega S/A (Brasil, 2009). do Cotidiano – Benzeduras, de 17h Janete Kriger. 18h. O documentá-

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rio fala sobre a tradição das benzeduras na região, que sobrevive no novo século curando verrugas, cobreiros, mal-jeito e combatendo o mau-olhado. 24 min. | Sábado (11): Adelar Bertussi – O Tropeiro da Música Gaúcha, de Lissandro Stallivieri. 18h. O filme conta a história de Adelar Bertussi, integrante dos Irmãos Bertussi, dupla tradicionalista responsável pela formação da identidade musical do RS. 90 min. | Domingo (12): Caxias do Sul – Tradição & Inovação de um Povo, de Airton Soares. 18h. O filme traça um perfil histórico e contemporâneo da cidade através de depoimentos de moradores, personalidades e estudiosos locais. 80 min l Bróder | Drama. 14h20, 16h45, 19h40 e 21h30 | Iguatemi O filme conta história de três jovens da favela do Capão Redondo, na periferia paulistana. Jaiminho virou jogador de futebol; Pibe, corretor de imóveis; Macu acabou seduzido pelo crime e alugou sua casa para uma gangue de traficantes que pretende sequestrar uma criança. Só que a gangue muda de ideia e decide sequestrar Jaiminho. Dirigido por Jeferson De. Com Caio Blat. 14 anos. 93min.. Recomenda l Kung Fu Panda 2 | Animação. Sábado (4) e domingo (5), 16h20 e 18h30 | Iguatemi Em pré-estreia, o panda mais fofo, faminto, atrapalhado e heroico do Oriente está de volta, dessa vez, para se unir a um grupo de novos mestres kung fu e tomar a arma mortal de um velho inimigo. Dirigido por Jennifer Yuh. Livre. 90min..

AINDA EM CARTAZ: Jogo de Poder. Suspense. Quinta (2) e sexta (3), 19h30 (leg.), sábado (4) e domingo (5), 20h. Ordovás | Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas. Aventura. 15h15, 18h15 e 21h15 (leg.), 13h e 16h (dub. 3D), 19h e 22h (leg. 3D). Iguatemi | Padre. Suspense. 20h15 (leg.) Sem sessão na terça (7). UCS | Rio. Animação. 16h (dub.). UCS | Se beber, não case! Parte 2. Comédia. 13h30,15h40, 17h50, 20h e 22h10 (leg.). Iguatemi | Thor. Aventura. 18h (leg.). UCS | Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio. Ação. 16h20 e 21h50 (leg.), 13h40 e 19h10 (dub.). Iguatemi INGRESSOS - Iguatemi: Segunda, quarta e quinta (exceto feriados): R$ 14 (inteira), R$ 11 (Movie Club Preferencial) e R$ 7 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sênior com mais de 60 anos). Terça-feira: R$ 6,50 (promocional). Sexta-feira, sábado, domingo e feriados: R$ 16 (inteira), R$ 13 (Movie Club Preferencial) e R$ 8 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sênior com mais de 60 anos). Sala 3D: R$ 22 (inteira), R$ 11 (estudantes, crianças menores de 12 anos e sênior com mais de 60 anos) e R$ 19 (Movie Club Preferencial). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. RSC-453, 2.780, Distrito Industrial. 3209-5910 | UCS: R$ 10 e R$ 5 (para estudantes em geral, sênior, professores e funcionários da UCS). Horários das sessões de sábado a quinta – mudanças na programação ocorrem sexta. Francisco Getúlio Vargas, 1.130, Galeria Universitária. 3218-2255 | Ordovás: R$ 5, meia entrada R$ 2. Luiz Antunes, 312, Panazzolo. 3901-1316.

MÚSICA l Baile Municipal | Sábado(4), 21h | O baile comemora os 106 anos do Clube Juvenil, os 80 da Festa da Uva e o Aniversário de Caxias. Após o jantar, as atrações serão Dante Ramon Ledesma e a Banda Essência. Os convites podem ser adquiridos no setor de RP da Prefeitura (rua Alfredo Chaves, 1333 – 2º piso - bairro Exposição), com Carla. Traje social. Salão Social do Clube Juvenil R$ 200 (casal sócio) e R$ 220 (casal não sócio) | Júlio de Castilhos, 1677 | 3221-5225

Recomenda l The Beats | Quinta (9), 20h30 | A melhor banda Beatle do mundo volta a Caxias com seu novo show, Universais, lançado em maio, em Buenos Aires. Ingressos nos Postos Onzi e Bortoncello Informática. UCS Teatro R$ 70 e R$ 35 (sênior e limitado para estudantes) | Cidade Universitária | 3128-2309 l Festa à Fantasia Ídolos do Rock | Sábado (4), 23h | A festa que já é clássica no Vagão Bar acontece agora, pela primeira vez, no Classic. O show fica por conta da banda Toolbox, e o dono da melhor fantasia ganha um litro de Bacardi. Vagão Classic R$ 12 (feminino) e R$ 15 (masculino) | Júlio de Castilhos, 1343 | 3223-0616 l Ontem, para Sempre! | Sexta (10), 20h | Rafa Schuler, com o apoio dos músicos Mateus Bicca Sabbi, Lucas Cecchin Chini, Eliana Figueira Brausntein, faz releituras de clássicos que tocaram nas rádios e cinemas do mundo. A apresentação também conta com a participação virtual de dois ícones da música gaúcha, Renato Borghetti e Neto Fagundes, que interpretam Milonga para as Missões e Canto Alegretense e interagem com a plateia. Teatro do Sesc R$ 5 (comerciários), R$ 7,50 (estudantes e sênior) e R$ 15 | Moreira César, 2462 | 3221-5233 TAMBÉM TOCANDO – Sábado (4): Beale Street. Blues. 22h. Mississippi. 3028-6149 | Blues Heads e Delta Jam. Blues. 3221-

2679. 23h. Aristos. | DJ André Marques. Eletrônica. 23h. Pepsi Club. 3419-0990 | Preview We Can. Eletrônica, pagode e sertanejo universitário. 23h. Move. 3214-1805 | Vice Verso e DJ Eddy. Rock. 21h. Portal Bowling. 3220-5758 | Zava e Volux. Rock. 23h. Vagão Bar. 3223-0007 | Blues de Bolso. 22h. Bier Haus. 32216769 | Adriano Trindade com Bebeto Alves. Samba rock. 00h. Boteco 13. 3221-4513 | DJs Audiotronic. Pop. 23h. La Boom. 3221-6364 | DJ Gui Oliveira. Eletrônica. 18h. The King. 3021-7973 | DJ Juan Rodrigues. Eletrônica. 23h. Havana. 3224-6619 | Eletroacústico e Display. Rock. 23h30 Bukus Anexo. 3285-3987 | Quarteto Paiol. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 | Velho Hippie. Rock. 21h30. Zarabatana. 32289046 | Domingo (5): Swing Natural e DJ Eddy. Pagode. 21h. Portal Bowling. 3220-5758 | Viccia. Lançamento do CD Respeitável 1. 20h. Teatro São Carlos. 3221-6387 | Terça (7): Pietro Ferretti e Bico Fino. Som Brasil. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Maurício Santos. Pop rock. 21h30. Boteco 13. 3221-4513 | Quarta (8): Rafa Gubert e Tita Sachet. Blues. 22h. Mississippi. 30286149 | Cardo Peixoto Acústico. Som Brasil. 22h. Bier Haus. 32216769 | Classic Gamer. 21h. Vagão Classic. 3223-0616 | Maurício e Daniel. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774 | Maurício Santos e Banda. Pop rock. 21h30. Boteco 13. 3221-4513 | Quinta (9): Beijo Vulgar. Rock clássico. 22h. Mississippi. 3028-6149 | Beba do Samba. 21h30. Boteco 13. 32214513 | Projeto Rock e Cultura. 21h. Vagão Classic. 3223-0616 | Luiz Marenco e Grupo Macuco. Tradicionalista. 22h. Paiol. 32131774 | Fabricio Beck Acústico e Banda Disco. Pop rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Marcelo Valêncio e DJ Eddy. Sertanejo universitário. 21h. Portal Bowling. 3220-5758 | DJ Gui Oliveira. Eletrônica. 18h. The King. 3021-7973 | Quinta-feira do Beijo. Vagão Classic. 3223-0616 | Sexta (10): Festa da Revista Zunido. Vagão Classic. 3223-0616 | Janis ProThe Beats, Divulgação/O Caxiense

Marcos Hermes, Divulgação/O Caxiense

l X-Men: Primeira Classe | Ação. 14h, 16h30, 19h20 e 21h40 (leg.) | Iguatemi O filme conta a história de como começou a saga dos X-Men. Antes dos arqui-inimigos Professor X e Magneto havia apenas CharRecomenda les Xavier e Erik Lensherr, dois jovens amigos descobrindo seus l Zeca Baleiro | Sábado (4), 0h | poderes. Dirigido por Matthew Zeca volta a Caxias para mostrar, Vaughn. 12 anos. 132min.. além de músicas antigas, canções

dos novos trabalhos Concerto e Trilhas, que comemoram seus 13 anos de carreira. Ingressos nas farmácias Mais Econômica ou online pelo www.blueticket.com.br. All Need Master Hall R$30 (1º lote), R$35 (2º lote) e R$ 45 (3º lote), R$ 50 (mezanino) e R$ 65 (camarote) | Rua Castelnovo, 13351 | 3028-2200

Zeca Baleiro volta a Caxias para revisitar seus 13 anos de carreira; The Beats mostra novo show no UCS Teatro

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Fotos? Fernanda Ramos, Divulgação/O Caxiense

Em O Dragão, o grupo carioca Amok apresenta no Sesc o conflito entre palestinos e israelenses, um retrato da dor e da possibilidade de paz ject. Rock. 23h. Vagão Bar. 32230007 | Franciele Duarte e Banda. Rock clássico. 22h. Mississippi. 3028-6149 | DJs Audiotronic. Pop. 23h. La Boom. 3221-6364 | Beba do Samba. 21h30. Boteco 13. 3221-4513 | Base e DJ Eddy. Pop rock. 21h. Portal Bowling. 3220-5758 | Trahma. Rock. 22h. Bier Haus. 3221-6769 | Gui Oliveira DJ e DJ Ander Oliveira. Eletrônica. 18h. The King. 30217973 | Quarteto Paiol. Tradicionalista. 22h. Paiol. 3213-1774.

ao teatro de máscara, como a imaginação, a presença cênica e o engajamento. Os inscritos devem usar roupas adequadas para a prática de exercícios. Vagas são limitadas. Teatro do Sesc Entrada franca | Moreira César, 2462 | 3221-5233

l E se um dia... A história do convertido de Damasco | Sábado (4), 20h | A peça é inspirada na obra Paulo e Estêvão, de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier. Conta a história do apóstolo dos Gentios com interpretação, dança e canto. A adaptação é de Fabiano Paul, direção de Marcus Azuma e produção do Grupo de Teatro do Setor de Artes da Federação Espírita TEATRO do Paraná. Recomenda Teatro São Carlos l O Dragão | Sábado (4), 20h | R$ 15 | Feijó Júnior, 778 | 3221.6387 A Cia. Amok, que lotou a casa da Cultura com Kabul, no último Caxias em Cena, apresenta a primeira peça da Trilogia da Guerra. O Dragão é um retrato intimista do conflito entre israelenses e palestinos. “Na dor, não há diferenEXPOSIÇÕES ças”, destaca a diretora, Ana Teixeira. 12 anos. 80 min.. l Dos pequenos aos granTeatro do Sesc des... | Abertura segunda (6), às Entrada franca | Moreira César, 16h. Visitação de segunda a sexta, 2462 | 3221-5233 das 8h30 às 18h, sábado, das 10h às 16h | l Oficina de Improvisação A mostra reúne os trabalhos de com máscaras balinescas | crianças, adolescentes e adultos, Domingo (5), das 10h30 às 13h30, realizados nos projetos Menos rua e das 14h30 às 17h30 | mais vínculo e De volta para casa, O ator francês Stephane Brodt, do Instituto Fonte de Apoio, de que dirige o Amok Teatro ao lado Porto Alegre. de Ana Teixeira, ensina aos partici- Galeria Municipal pantes os princípios do teatro bruto Entrada franca | Rua Dr. Mone a desenvolver aptidões necessárias taury, 1333 | 3221-3697

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Recomenda l Marcelo Hübner | Abertura terça (7), 19h30. Visitação de terça a sexta, das 9h às 12h, e das 13h30 às 19h | Com pinceladas gestuais, que celebram sua paixão pela ótica impressionista, Marcelo Hübner pinta mulheres e flores com harmonia e suavidade, mas de um colorido quase tropical. Em seu universo, as figuras femininas têm formas exuberantes, uma beleza que se mescla com as flores. Galeria Arte Quadros Entrada franca | Via Decorata (Feijó Júnior, 975) | 3028-7896

l Folc – Industrial | De segunda a sexta, das 9h às 19h; sábado e domingo, das 15h às 19h | A artista porto-riquenha Beatriz Santiago Muñoz está em Caxias do Sul desde o dia 9 de maio para produzir um trabalho para a 8ª Bienal do Mercosul. Ela trabalhou com pessoas da comunidade, coletando objetos vinculados a noções políticas. No projeto Cadernos de Viagem, nove artistas de diferentes nacionalidades percorrem regiões do Rio Grande do Sul e, a partir desta experiência, produzem uma obra. Galeria do Ordovás l A porta aberta | De segun- Entrada franca | Luiz Antunes, da a sexta, das 8h30 às 18h30, e 312 | 3901-1316 sábado, das 8h30 às 12h30 | Em xilogravuras, pinturas, de- AINDA EM EXPOSIÇÃO – 10 senhos e composições, a artista Anos do Museu dos CapuchiAlessandra Baldissarelli procura nhos. De segunda a sexta, das 8h produzir obras que abram as por- às 11h, e das 14h às 17h. Museu tas da mente e da vida para novas dos Capuchinhos. 3220-9400 | oportunidades de conhecer, ex- V Clic Ambiental. De segunplorar, pensar e existir. da a sexta, das 9h às 19h, sábaFarmácia do Ipam dos e domingos, das 15h às 19h. Entrada franca | D. José Barea, Sala de Exposições do Ordovás. 2.202 | 3901-1316 3901-1316 | A vida tem a cor que você pinta. Miriam Cardol Las Calles de Havana | Se- so. Faculdade Anglo-Americagunda a sábado, das 9h às 22h, e no. De segunda a sexta, das 8h domingo, das 14h às 21h | às 22h. Faculdade Anglo-AmeAs quinze fotografias de Edson ricano. 3536-4404 | Brumas da Pereira foram produzidas durante Saudade. De segunda a sexta, uma viagem de estudos a Cuba, das 8h às 22h. Galeria de Arte em 2010. Refletem o retrato e do Campus 8 | No Ar - o Rádio a carga simbólica da revolução e a Televisão em Caxias do Sul. cubana, a tradição e a cultura da Terça a sábado, das 9h às 17h. cidade de Havana, e buscam no- Museu Municipal. 3221-2324 | vos olhares da vida de um povo. O Observador. Giovana MarIguatemi cos Clasen e Giovana Mazzochi. Entrada franca | RSC 453, 2780 | Diariamente, das 8h às 20h. Sesc. 3289-9292 3221-5233.

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Artes artes@ocaxiense.com.br

Abstrato Contemporâneo | Alex Milesi |

Quando o que nos cerca são símbolos, ícones, imagens que representam status e qualidades atribuídas, a abstração pode surgir como um respiro em meio a tantas marcas da contemporaneidade. É nesse contexto que surgem as fotografias de Alex Milesi, que serão expostas a partir de 14 de junho no Catna Café (Júlio de Castilhos, 2.854). A exposição Abstrato Contemporâneo tem curadoria de Mona Carvalho e segue até 30 de julho. Nas palavras de Silvana Boone, professora do Centro de Artes e Arquitetura da UCS, “no passeio pelas abstrações de Alex Milesi, a curiosidade instiga querer saber sobre a realidade dos objetos: o que realmente foi fotografado? A figuração não é identificada, permanece secreta. Alguém poderia denunciar: são recortes de um abstrato tornados fotografia.”

ESSÊNCIAS

MIRACULOSAS por ACÁCIO DE GEÓRGIA No meu jardim plantei diversas rosas, Brancas, azuis, vermelhas, amarelas... Para sentir essências milagrosas, Cada vez que abro portas e janelas. E eu sinto em minhas células porosas, Quando em mim se abrem poros e cancelas, Um bálsamo de essências poderosas, Nesse aroma que flui das rosas belas. Assim fui descobrir nessas essências, Que o meu corpo resume duas ciências, E ambas estão ocupando o mesmo espaço. Participe | Envie para artes@ocaxiense.com.br o seu conto ou crônica (no máximo 4 mil caracteres), poesia (máximo 50 linhas) ou obra de artes plásticas (arquivo em JPG ou TIF, em alta resolução). Os melhores trabalhos serão publicados aqui.

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Quando eu vou abrindo as portas da razão, E abro cancelas para o coração, As duas se revelam no que eu faço...

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Dupla por FABIANO PROVIN | fabiano.provin@ocaxiense.com.br

Inspeção

Representantes da empresa Arena, designada pela Fifa para vistoriar os candidatos a Centros de Treinamento de Seleções (CTS) na Copa do Mundo de 2014, devem vir a Caxias do Sul na próxima semana, provavelmente terçafeira (7). A inspeção no complexo esportivo da SER Caxias pode ser acompanhada pelo secretário estadual de Esporte e Lazer, o papo Kalil Sehbe, e pelo coordenador executivo do Comitê Gestor da Copa no governo do Estado, ex-árbitro Carlos Eugênio Simon.

Primeiros testes

Juventude e Caxias farão seus primeiros jogos-treino visando a preparação para a disputa das competições nacionais. No sábado (4), os grenás do técnico Guilherme Macuglia enfrentarão o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul no Centro de Treinamento (CT) Baixada Rubra, junto ao Estádio Centenário. O provável time: Sidivan; Alisson, Fábio Santos, Édson Rocha e Victor; Márcio Hahn, Itaqui, Thomaz e Marinho; Paulo Rangel e Lima. André Sangalli se recupera de lesão e Gerley será poupado. O Ju vai a Canela para jogar contra o Serrano, mesma equipe amadora que enfrentara na preparação para a disputa do Gauchão (no dia 13 de novembro de 2010). Na época, Telê fez o gol da vitória por 1 x 0. Foi desse time que o meia Paulo Josué, até então metalúrgico, foi contratado e até hoje integra o grupo alviverde. O provável time de Picoli terá Jonatas; Celsinho, Rafael Pereira, Fred e Alex Telles; Jardel, Léo Maringá, Christian e Cristiano; Rafael Aidar e Zulú. Serão poupados Júlio Madureira, Ramiro, Anderson Pico e Umberto. Ambas as partidas serão disputadas às 15h.

TABELA MUDA

MAIS UMA VEZ A entidade máxima do futebol no país, que deveria dar o exemplo de organização no esporte que é considerado a paixão nacional (sem falar na Copa 2014), mudou pela terceira vez a tabela da Série C. O motivo, agora, é a desistência da TV Brasil em transmitir as partidas da competição que será disputada pelo Caxias a partir de julho. Uma nota oficial emitida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estatal mantenedora da emissora, foi confirmada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no final da tarde do dia 1º de junho. Dirigentes grenás lamentaram a decisão. Na primeira fase, o Caxias teria três jogos transmitidos: contra Santo André (ida e volta) e contra Brasil (em Pelotas). A nota da EBC salientou que o acordo não foi fechado após “rigoroso exame da situação orçamentária e financeira, concluindo que seria imprudente destinar ao referido evento esportivo, embora reconhecendo sua importância e relevância, recursos que poderiam comprometer outras atividades da empresa e do Sistema Público de Comunicação que gerencia”. Traduzindo: o governo achou que iria

perder dinheiro. O contrato seria válido por quatro temporadas da terceira divisão. No ano passado, a TV Brasil transmitiu as partidas finais da competição. O pacote incluiria aos clubes passagens aéreas para o deslocamento acima de 500 quilômetros e, abaixo dessa distância, ônibus de categoria luxo. As partidas seriam transmitidas nas noites de segunda e sextafeira, nas manhãs de domingo e tardes de sábados. Péssima notícia para o Caxias, que vislumbrava uma redução nos custos – irá para Pelotas, Chapecó e Joinville (SC) e Santo André (SP). Além disso, o Caxias não deve renovar seus principais patrocinadores do Gauchão, o Banrisul e a Oi. No Estádio Alfredo Jaconi a situação não será muito diferente. Oi e Banrisul também devem sair das camisas de jogo. Ambas empresas, ainda na época da oficialização dos contratos, informaram que os mesmos valeriam para o primeiro semestre. Na verdade, até o término do Estadual. O presidente Milton Scola acredita na renovação das parcerias. Caso contrário, as contas ficarão apertadas no segundo semestre.

Partidas e chegadas

O meia Nakata, o volante Gere (irmão de Itaqui) e o atacante Sato, todos vindos do time júnior e promovidos em 2010 ao profissional, foram liberados pelo Caxias. Em compensação, o lateral esquerdo Victor, 17 anos, que estava nos juniores, foi promovido. O carioca que veio do Grêmio para o Centenário chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira Sub-15 em 2009. Além dele, desembarcou

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na casa grená o experiente meia paulista Nenê, 36 anos. Ele é o 10º reforço para a disputa da Série C – integrou o time do Guaratinguetá-SP que bateu o Caxias em casa e conquistou o acesso à Série B em 2009. Antes dele, chegaram o goleiro Walter; os atacantes Paulo Rangel e Marcelinho; os meias Thomaz e Marinho; os volantes Márcio Hahn e Saulo Lucas; e os zagueiros Vinícius e Fábio Santos.

Vale dar uma conferida O conselheiro do Ju e integrante do consulado Papos da Capital, Rudimar Schreiber Jr. criou o blog Ranking Gauchão pelo fato de não existir um acompanhamento histórico dos resultados das equipes no Campeonato Estadual disputado desde 1919. Passadas 91 edições, Schreiber decidiu montar, após muita pesquisa, uma tabela voltada aos interessados em futebol, história e estatísticas. Ele usou como metodologia a do “saudoso ranking da revista Placar”, onde o campeão ganha 10 pontos, o vice 9, e assim por diante. Contabilizados os pontos do Gauchão 2011, eis o ranking dos 10 primeiros – confira em rankinggauchao. blogspot.com a lista completa: 1º Grêmio – 635,5 pontos (69 participações) 2º Internacional – 628 pontos (67 participações) 3º Juventude – 283 pontos (49 participações) 4º Novo Hamburgo – 263 pontos (57 participações) 5º Caxias – 213 pontos (46 participações) 6º Brasil-Pe – 212 pontos (49 participações) 7º Pelotas – 168,5 pontos (50 participações) 8º Esportivo – 127 pontos (40 participações) 9º Guarany (Bagé) – 112 pontos (31 participações) 10º Santa Cruz – 111 pontos (41 participações)

Importados

No Juventude, os reforços vieram do Exterior. O primeiro a ser apresentado foi o meia-atacante paraguaio Martínez, 22 anos. Ele estava no Sportivo Luqueño. O hermano Lopez, 24 anos, é meia-atacante e vinha jogando pela equipe argentina do All Boys. O atacante argentino Léo Pereira, 18 anos, treina no Jaconi – veio do Argentinos Juniors. Sua documentação ainda não está regularizada e, portanto, não foi apresentado.

Rodrigo Fatturi, Div./O Caxiense

Primeira fase (todos aos domingos): 17/07, 15h: Caxias x ChapecoenseSC 31/07, 16h: Santo André-SP x Caxias 07/08, 16h: Brasil-Pe x Caxias 14/08, 15h: Caxias x Joinville-SC 21/08, 15h: Caxias x Brasil-Pe 28/08, 16h: Joinville-SC x Caxias 04/09, 15h: Caxias x Santo AndréSP 18/09, 16h: Chapecoense-SC x Caxias

Rodrigo Fatturi, S.E.R. Caxias/O Caxiense

Novo calendário grená

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os comentários de Fabiano Provin sobre a dupla CA-JU em www.oca-

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4 a 10 de junho de 2011

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Guia de Esportes Jonas Tonus, Divulgação/O Caxiense

por José Eduardo Coutelle | guiadeesportes@ocaxiense.com.br

FUTEBOL

SQUASH Recomenda l 1ª etapa do Campeonato Brasileiro Feminino e do Circuito Gaúcho | Sábado, das 11h às 19h, domingo, das 10h30 às 12h | As quatro quadras da Kviva estarão ocupadas pelas melhores jogadoras de squash do Brasil. Paralelamente ao Brasileiro ocorrem as partidas do Circuito Gaúcho. As finais serão no domingo. Kviva Entrada gratuita | Tenente Alvarenga Souto Maior, 680C, Pioneiro

TAEKWONDO Recomenda l 2ª Etapa do Campeonato Brasileiro de Taekwondo | Sábado, a partir das 17h, e domingo, a partir das 10h | Aproximadamente 400 lutadores participam da competição de Taekwondo Songahm. Serão disputadas três modalidades: Demonstração de Armas (bastão longo, curto e nuntchaco), Fórmula (movimentos) e Sparring (luta com dois minutos de duração). Clube Juvenil Entrada gratuita | Marquês do Herval, 197

BASQUETE

Cross country movimenta o Serrano domingo

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l UCS x Sogipa | Sábado, às 18h | Embalada pela vitória na estreia, diante do Corinthians SC, a equipe caxiense sub-19 faz seu segundo jogo no Estadual. Ginásio I da UCS Entrada gratuita | Francisco Getúlio Vargas, 1.130, Petrópolis

Centro de Formação de Atletas e Cidadãos (CFAC) l Caxias x Sindicato dos Entrada gratuita | Atílio AndreaAtletas | Sábado, às 15h | zza, Parque Oásis A equipe grená realiza o primeiro teste para a Série C. Para o jo- l Juventude x Caxias (juvego-treino contra o Sindicato dos nil) | Quinta (9), 15h | Atletas o Caxias, sob o comando A classificação para a fase sedo treinador Guilherme Macu- guinte do Campeonato Estaduglia, apresentará quase um elenco al da categoria será decidida em inteiro novo: Walter no gol; Fábio dois clássicos. O primeiro CA-JU Santos e Vinicius na Zaga; volan- ocorre na próxima quinta no Jates Márcio Hahn e Saulo Lucas; coni. A partida de volta, no Cenmeias Thomaz, Marinho e Nenê; tenário, está marcada para 12 de atacantes Paulo Rangel e Marce- junho. linho. Alfredo Jaconi CT Baixada Rubra Entrada gratuita | Hércules Galló, Entrada gratuita | Thomas Beltrão 1.547, Centro de Queiroz, 898 l Serrano x Juventude | Sábado, às 15h | A equipe alviverde viaja neste sábado a Canela para enfrentar o Serrano, time amador da cidade. Entre as novidades, o Ju testará alguns dos reforços, como o volante Léo Maringá e o meia paraguaio Nicolás Martínez. Estádio Pedro Sander Entrada gratuita | Martinho Lutero, 168, Canela l Caxias x Cruzeiro (juniores) | Sábado, 15h | Na categoria sub-20, a equipe grená busca a reabilitação no Estadual diante do Cruzeiro de Porto Alegre. Associação Atlética Bangu Entrada gratuita | Tronca, 3.456, Rio Branco l Juventude x Gaúcho (juniores) | Sábado, 15h | Empatada com o Inter na liderança, com 11 pontos, o Ju enfrenta o Gaúcho para definir quem se classifica para o quadrangular em primeiro do grupo.

HÓQUEI

l Campeonato Gaúcho | Domingo, das 10h às 15h | Na terceira rodada do Estadual, as equipes caxienses THC e Pirates entram em quadra em busca da classificação para o playoff final. No total, serão disputadas quatro partidas. Arena de Hóquei Entrada gratuita | Luiz Antunes, 312, Panazzolo, ao lado do Ordovás

CROSS COUNTRY Recomenda l 3ª Etapa do Campeonato Estadual de Cross Country | Domingo, a partir das 9h | Cerca de 80 pilotos percorrerão o circuito, enfrentando obstáculos naturais como troncos e córregos, além de muito barro. No final, haverá uma bateria com os 20 melhores pilotos entre todas as categorias. Cancha de Laço Biffi Entrada gratuita | Travessão Leopoldina, Serrano

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Renato Henrichs renato.henrichs@ocaxiense.com.br

Criticada por não assumir posição pública enquanto empresários e políticos de Bento Gonçalves se articulavam para definir Monte Bérico como o local do futuro Aeroporto da Serra, a prefeitura de Caxias sofre novos questionamentos – agora por faturar em cima da escolha de Vila Oliva. Pelo texto de anúncio publicado na mídia local, intitulado “Decolando com destino à felicidade”, o aeroporto regional representa uma vitória para a Serra gaúcha “que deve ser repartida com a comunidade, lideranças empresariais e todos que trabalharam por essa grande conquista”.

Tráfico x violência

Reunião de comandantes regionais da Brigada Militar, realizada esta semana na cidade para discutir ações futuras para a corporação, constatou o óbvio: o combate mais intenso ao tráfico de drogas diminuiu o número de homicídios em Caxias do Sul. A presença melhor distribuída de policiais nas ruas, também. De qualquer forma, fazer com que soldados da BM saiam às ruas para entregar notificações a motoristas com habilitações suspensas certamente não contribui para reduzir a criminalidade.

Projeção salarial

Entre 42 itens da pauta de reivindicações do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindiserv) à prefeitura está uma previsão de futuro. O Sindiserv solicita antecipação de ganho real referente a 2012, na ordem de 2,62%. A entidade sindical projeta também média de inflação para o próximo ano de 5,79% – e reivindica reajuste salarial com base nesse índice.

Número confirmado

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou oficialmente na quinta-feira os dados do Censo 2010. Se ainda havia alguma dúvida, o levantamento confirma a população de Caxias do Sul em 435.564 habitantes. Para quem esperava mais (ou até uma revisão nos números apresentados preliminarmente), resta o consolo de que o município teve a maior elevação da população, entre os maiores, em função basicamente do fato de atrair migrantes de diversas partes do Rio Grande do Sul.

Corrida

Começo de jornada

pela UAB O atual vice-presidente Valdir Walter e o presidente da Amob do São Vitor/Cohab Itacir Pegoraro disputam a presidência da União das Associações de Bairros (UAB), na eleição deste domingo. Ambos querem substituir Daltro da Rosa Maciel, presidente da entidade há oito anos. A eleição envolverá 85 mil caxienses de 230 associações de moradores de bairros, que também terão mudança de comando. A UAB é a segunda maior entidade comuni-

tarista do Rio Grande do Sul. Apesar de não ter filiação partidária, Pegoraro apresenta-se mais crítico em relação à administração municipal do que o petista Valdir Walter. Para ele, as obras nos bairros estão paralisadas. Walter, da situação, prefere mirar sua proposta de trabalho na questão da segurança pública – ou a falta dela. De acordo com o candidato, a insegurança se reflete na proliferação do tráfico de drogas e escalada da violência.

Mudamos um pouco a forma e flexibilizamos a pedida. É só ter boa vontade Presidente do Sindicato dos Médicos, Marlonei dos Santos, ao comentar a proposta “irrecusável” que será apresentada à prefeitura na próxima terça-feira (7) para acabar com a greve dos profissionais da rede pública de saúde

A partir da assembleia marcada para este domingo, 5, no salão paroquial de Cazuza Ferreira, uma série de mobilizações deverão acontecer para garantir a legalidade do processo de anexação daquela localidade e de Juá, distritos de São Francisco de Paula, ao município de Caxias – pela proximidade, por vínculos afetivos e pela possibilidade de maior atenção aos moradores desses locais. O movimento deverá culminar com a realização, em 2013, de um plebiscito para mudar os mapas de São Francisco de Paula e Caxias.

Atendimento melhor

Diz o ex-vereador Vitor Hugo Gomes, presidente da Comissão Provisória da Anexação: A verdade é que os cidadãos de Cazuza Ferreira e Juá estão abandonados, seja por questões geográficas, por questões políticas ou financeiras. Caxias do Sul pode atender muito melhor aquelas comunidades. Não se trata de briga ou desprezar um ou outro município. Mas a verdade é que, se pertencessem a Caxias, teriam um tratamento administrativo muito mais eficiente.

Debate necessário Direito dos animais

Prefeito de Porto Alegre José Fortunati (PDT) pensa em criar uma secretaria especial dos direitos dos animais. Uma proposta assim não seria do feitio do prefeito José Ivo Sartori (PMDB), embora muita

gente defenda iniciativa semelhante por aqui – em função, é claro, da proliferação de cães e gatos nas ruas, um problema que o poder público municipal está longe de conseguir resolver.

Saída peemedebista

Sem candidato natural a prefeito, apesar de o vereador Mauro Pereira já ter se apresentado, o PMDB caxiense continua vendendo o discurso da candidatura própria, mas na verdade está dividido entre apoios Agência Senado/Divulgação/O Caxiense

Destino felicidade

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que peemedebistas mais antigos execram. Dentro desse quadro, uma aliança com o PDT parece lógica, já que o candidato dos brizolistas é o exvice-prefeito Alceu Barbosa Velho.

Cai fora

Ao convidar, da tribuna, o ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci a deixar o cargo, em vista do meteórico aumento de seu patrimônio, o senador Pedro Simon (PMDB) honrou seu histórico – e as tradições políticas caxienses, baseadas em princípios de ética e moralidade. Não foi pouca coisa. Simon não se deixou levar pelo corporativismo partidário, como fizeram outros políticos daqui, como o deputado Gilberto Pepe Vargas e o senador Paulo Paim, ambos do PT.

Ao debater esta semana a situação dos táxis, com suas cabines desconfortáveis, e a gratuidade no transporte coletivo, a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara de Vereadores teve o mérito de levantar esses temas fora do processo de definição de tarifas dos serviços. Com isso, os problemas podem ser esmiuçados com isenção e profundidade. Os depoimentos dos participantes deixaram claro que a gratuidade no transporte para determinadas categorias ou faixas etárias corre o risco de inviabilizar o serviço, especialmente no interior do município. Em Criúva, 53% dos passageiros não pagam a tarifa por serem idosos. Em Santa Lúcia, o índice alcança os 46%.

Inútil e caro

A reunião da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara poderá encaminhar alternativas para um problema que se arrasta há anos: a obrigatoriedade do uso de cabines nos táxis. A lei municipal que exige o equipamento é questionada pela Associação de Taxistas Auxiliares. Ele é caro e inútil aos motoristas e desconfortável aos passageiros.

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Edição 79