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Semanalmente nas bancas, diariamente na internet.

DAQUI PARA A

ITÁLIA Realizações, frustrações e outras impressões de quem decidiu viver na terra dos antepassados

No Jaconi, é tempo de replantar a esperança | No Centenário, nunca é tarde para esperar Washington | Roberto Hunoff analisa desempenho da construção civil | Renato Henrichs questiona urbanismo da cidade em expansão

Juliana Rossa/O Caxiense

Caxias do Sul, dezembro de 2009 e janeiro de 2010 | Ano I, Edição 4 | R$ 2,50


Índice

www.OCAXIENSE.com.br

A Semana | 3

VíDEOS (Acompanhe vídeos, áudio e fotos em www.ocaxiense. com.br/multimidia)

Um resumo das notícias que foram destaque no site

Roberto Hunoff | 4 Construção civil manteve o pique durante a crise

Destino de milhões | 5

Fotos: Maicon Damasceno/O Caxiense

Onde e como a prefeitura aplicará nosso dinheiro em 2010

Guia de Cultura | 9

Exposição conjunta, ecos natalinos e festas para o Ano Novo

Viajar para ficar | 11 As histórias dos serranos que foram fazer a vida na Itália

Artes | 15

O pulo do gato, o bailado da vida e as bestas por trás da humanidade Os festejos batem à porta, emocionam e unem as pessoas

l O vídeo do Sistema Marecas – obra milionária que deverá abastecer Caxias do Sul em 2012 – mostra detalhes do seu funcionamento e grandiosidade. l O novo técnico do Juventude, Osmar Loss, diz que não aceitou o convite por questões financeiras. Assista estas e outras declarações em vídeo.

Compaixão animal | 16 Cães e gatos salvos da rua esperam por um lar

l A música já foi decorada por grande parte dos caxienses. Assista aos vídeos oficiais da Festa da Uva 2010.

Avanços ecológicos | 19

FOTOS

Alimentos orgânicos começam a se enraizar nos hábitos de consumo

Veja os esboços – feitos por alunos do curso de Design da FSG - dos dez carros que integrarão o corso alegórico da Festa da Uva 2010.

Guia de Esportes | 22

O Caxias vai a Santa Cruz testar seu novo time e seu novo técnico

TWITTER

(Acompanhe em www.twitter.com/ocaxiense)

Replantio alviverde | 23

@dornel Parabéns para @ocaxiense Sempre um passo a frente na veiculação das notícias por aqui. Paulo Dornelles, às 11h19 de 23 de dezembro

Scola quer fazer a confiança voltar a brotar no Jaconi

Saudades grenás | 25

@dbcassol Não sou de Caxias do Sul, mas saúdo a qualidade deste jornal: @ocaxiense. Daniel Cassol, às 14h38 de 21 de dezembro

Washington passa por Caxias e pensa no retorno ao Centenário

Renato Henrichs | 27

E-MAIL

Paradoxos, sobras e novos personagens do Legislativo

(Escreva para ocaxiense@ocaxiense.com.br) Parabéns pelo ótimo trabalho de vocês. Caxias do Sul estava precisando de um jornal assim de ótima qualidade. O que mais gostei foi a página de esporte só com a dupla CA-JU. Juliano Gusatto, Caxias do Sul Parabéns pela iniciativa do jornal. Nossa cidade estava precisando muito de um investimento como este. Paulo Rosa, Caxias do Sul

Expediente

Redação: Cíntia Hecher, Fabiano Provin, Felipe Boff (editor), Graziela Andreatta, José Eduardo Coutelle, Maicon Damasceno, Marcelo Aramis, Marcelo Mugnol, Paula Sperb (editora do site), Renato Henrichs, Roberto Hunoff e Valquíria Vita. Comercial: Leandro Trintinaglia Circulação e Assinaturas: Fernanda Massignani Administrativo: Luiz Antônio Boff Impressão: Correio do Povo

Assine

Para assinar, acesse www.ocaxiense.com.br/assinaturas, ligue 3027-5538 (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 18h) ou mande um e-mail para assine@ocaxiense.com.br . Trimestral: R$ 30 | Semestral: R$ 60 | Anual: 2x de R$ 60 ou 1x de R$ 120 Jornal O Caxiense Ltda. Rua Os 18 do Forte, 422, sala 1 | Lourdes | Caxias do Sul | 95020-471 Fone 3027-5538 | E-mail ocaxiense@ocaxiense.com.br www.ocaxiense.com.br

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O Caxiense

26 de dezembro de 2009 a 1° janeiro de 2010

Parabéns pela proposta do novo jornal e meus votos de muita comunicação e sucesso. Marcos, Bairro Bela Vista

PLURK

(Acompanhe em www.plurk.com/ocaxiense) O Caxiense também está na rede de microblogs que permite áudios e links integrados.

FACEBOOK

(Acompanhe em www.facebook.com/ocaxiense) O Facebook conecta as pessoas e agora facilita a interação com o jornal O Caxiense. Acompanhe nossas atualizações e comente no mural.

S e m an alm e nte n a s b an c a s , di ar i am e nte n a inte r n e t .


A Semana

Maicon Damasceno/O Caxiense

Mudam as regras da pavimentação comunitária e a cidade ganha dois novos cursos de engenharia

Novo treinador do Juventude, Osmar Loss tem currículo de títulos nas categorias de base do Internacional

SEGUNDA | 21 de dezembro Legislativo

Câmara de Vereadores ganhará ampliação A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul será ampliada. Com o investimento de R$ 1,4 milhão, um novo módulo de quatro andares, com a possibilidade de mais quatro, será construído ao lado do atual. Elói Frizzo, presidente da Câmara de Vereadores, conta que neste novo prédio haverá um centro de memória e salas para vereadores. O espaço da TV Câmara vai ser ampliado e também será criado um depósito. “Esse módulo resolve o problema de espaço por uns 10 anos”, diz Frizzo. A obra deve ser finalizada no máximo até junho de 2010.

TERÇA | 22 de dezembro Agilidade

Obras

Pavimentação deverá passar pelo OC

O projeto de Pavimentação Comunitária, de autoria do Executivo, foi aprovado por unanimidade em sessão extraordinária da Câmara de Vereadores. Único crítico do projeto, o vereador Mauro Pereira (PMDB) se manifestou contra, mas acabou votando a favor. Com a mudança na lei, a comunidade precisará conseguir as pavimentações no Orçamento Comunitário (OC) e arcar com as despesas de pó de brita e da construção de bocas de lobo. Neste modelo, a prefeitura se responsabiliza por cerca de 60% do valor da obra e os cidadãos pagam 40% – sendo que todas as demandas devem passar pelo OC. Conforme o projeto, todos os moradores da área a ser pavimentada precisam aderir à solicitação. Além disso, não serão permitidas pavimentações de forma descontinuada (uma quadra sim e outra não).

Obtenção da CNH será mais QUARTA| 23 de dezembro rápida em Caxias Caxias do Sul tem a primeira Regional do Detran/RS no interior do Estado. Ela está instalada na Rua Bento Gonçalves, nº 1.693. Sua função é realizar provas eletrônicas de primeira habilitação, renovação da Carteira Nacional de Habilitação e reciclagem. A partir de segunda-feira, dia 28, a Regional vai oferecer cinco turmas diárias. Pela manhã, às 8h30, 10h e 12h. À tarde, às 14h e 16h. A capacidade de atendimento total será de 325 candidatos por semana. O resultado das provas digitais será imediato.

Futebol

Osmar Loss é o novo técnico do Ju direção do Juventude anunciou o treinador para a temporada 2010: Osmar Loss Vieira, 34 anos. Loss atuou 15 anos nas categorias de base do Inter, em Porto Alegre, e atualmente comandava o time B colorado. Humberto Flores, que atua no time júnior alviverde, será o treinador de goleiros. O novo treinador terá como auxiliar técnico o ex-zagueiro Picolli.

Rodrigo Poletto é o preparador físico. As tratativas com Loss se iniciaram no sábado, dia 19. “Pedi um tempo até acertar detalhes com o Inter e não sair magoado com ninguém”, contou o técnico que conquistou mais de 30 títulos na base do Inter, como o Brasileiro Sub-20 (2006), o bicampeonato gaúcho de juniores (2008/2009) e, também em 2009, a Copa Arthur Dallegrave.

Justiça

MP denuncia 8 pessoas por morte em clínica estética Oito profissionais da Línea Clínica de Cirurgia Plástica e Medicina Estética foram denunciados pelo Ministério Público (MP) de Caxias do Sul por homicídio qualificado. A denúncia refere-se à morte de Noêmia de Oliveira Viera, 57 anos, ocorrida em 16 de julho de 2008. Noêmia foi submetida a uma abdominoplastia (correção cirúrgica da parede abdominal) e a uma lipoaspiração. Conforme o MP, os dois procedimentos eram contraindicados porque Noêmia sofria de obesidade mórbida de 3º grau, apresentava um quadro de início de diabetes e tinha idade avançada para este tipo de cirurgia. “Foram cometidas atrocidades. Considero o homicídio qualificado, já que a ação transcendeu a culpa. Os profissionais estavam conscientes do risco que a paciente corria e mesmo assim realizaram o procedimento. Desde o início, a responsabilidade pela morte é intensa. Está muito delineada a aceitação da morte, apenas para ganhar os valores relativos à lipoaspiração. São mercenários”, disse a promotora Sílvia Regina Becker Pinto.

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QUINTA | 24 de dezembro Juventude

Florian apresenta relatório de gestão Presidente do Juventude até o dia 31 de dezembro, Sérgio Florian apresentou um relatório dos trabalhos desenvolvidos nos dois anos à frente do clube. Na área patrimonial, o relatório cita a conclusão da reforma do novo gramado do Estádio Alfredo Jaconi, a reforma de banheiros e dos alojamentos dos juvenis e juniores, a ampliação do sistema de monitoramento (18 câmeras com gravação digital) e a instalação de vidros no alambrado leste, junto às arquibancadas. No Centro de Formação de Atletas e Cidadãos (CFAC), foram implantados quatro campos e construídos um ginásio e, para o miniestádio, arquibancadas e vestiários.

SEXTA | 25 de dezembro Ensino

FSG oferece 200 vagas para duas engenharias A Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) tem mais dois cursos: Engenharia Civil e Engenharia de Produção. Coordenados pelo professor Cesar Pandolfi, vão ter duração de 10 semestres e serão disponibilizadas 200 vagas anuais. As inscrições para a seleção ocorrem de 4 de janeiro a 8 de fevereiro e podem ser feitas no site ou na sede da FSG. A taxa de inscrição é de R$ 40. O exame será realizado no dia 9 de fevereiro, na sede da faculdade.

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O Caxiense

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Roberto Hunoff

roberto.hunoff@ocaxiense.com.br | www.ocaxiense.com.br/roberto-hunoff

O Grupo Vonpar, distribuidor da Coca-Cola no Rio Grande do Sul, anuncia em 4 de janeiro nova aquisição no segmento de alimentos. A empresa assume o comando da Neugebauer, quinta maior fábrica de chocolates do Brasil, que desde 2002 pertencia a Florestal Alimentos, de Lajeado. Recentemente a Vonpar havia adquirido a fábrica de balas Wallerius, de Arroio do Meio. A Neugebauer tem 500 funcionários em Porto Alegre e faturamento anual de R$ 100 milhões.

Em um ano em que a crise retraiu as atividades na maioria dos segmentos econômicos, a construção civil de Caxias do Sul conseguiu manter sua produção. Até novembro de 2009, o Departamento de Controle de Edificações da Secretaria Municipal de Urbanismo aprovou a edificação de 1.709 novos prédios na cidade, totalizando 799 mil metros quadrados.

Na comparação com igual período de 2008 o número de unidades físicas cresceu 14%, mas a área a ser edificada caiu 3%. A destinação residencial foi a mais representativa, com 60% do total, equivalente a 482 mil metros quadrados. Também foram aprovados quatro novos loteamentos e 28 projetos tramitam na repartição para aprovação definitiva.

Vinhos para americanos

Mais moradias

Pressão nos ambulantes

Outro dado que comprova a expansão do setor é a emissão de habite-se, liberando 1.453 prédios para ocupação, totalizando 623 mil metros quadrados. A maioria, 63%, é para residências, num total de 393 mil metros quadrados. Para o comércio foram liberados 132 mil metros quadrados; para indústria, 93,5 mil; e para fins institucionais, 5,3 mil metros quadrados. Em termos de expansão destaque para projetos de prédios comerciais em mais de 20%, o que deve suprir carência atual muita expressiva no mercado.

A secretaria, comandada por Francisco Spiandorello, ainda responde pela fiscalização e vistorias em prédios, calçadas, elevadores, casas noturnas e vendedores ambulantes. Estes últimos sofreram quase 4 mil vistorias, que resultaram em 192 apreensões. Vale destacar também a realização de 6,8 mil vistorias para a liberação de alvará de localização e o acompanhamento de execução de 1,5 mil metros quadrados de calçadas. Seus fiscais aplicaram R$ 174 mil em multas por desrespeito às legislações sobre obras e posturas.

Cristofer Giacomet, Div./O Caxiense

Márcia Regina Ribeiro Malicheski, representante das empresas promotoras de eventos, foi eleita presidente do Conselho Municipal de Turismo, que conta com novos conselheiros para o período 2010/2011. Para a vice-presidência foi indicado Jorge Benites, representante das agências de propaganda de Caxias do Sul. O conselho, instituído em novembro de 1990, atua como órgão auxiliar do Poder Executivo com a finalidade de formar uma filosofia de turismo para Caxias do Sul e apresentar sugestões para a elaboração de um calendário de eventos turísticos do município.

O empresário João Antonio Leidens (E), proprietário do Baita-Kão Lanches, assume oficialmente em 4 de janeiro a presidência do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares Região Uva e Vinho, em substituição a Nestor De Carli (D). À frente da entidade para o período 2010-2014, Leidens contará com apoio do vice-presidente Gladimir José Zanella, da Doce Docê Café; do secretário Antonio Casagrande Sehbe, do Samuara Hotel; e do tesoureiro Gustavo Sirena, do Restaurante Sica. O sindicato abrange 20 municípios e representa aproximadamente 1.500 estabelecimentos.

2008

802,1 799,0

Fonte: Secretaria Municipal de Urbanismo

Residenciais Comerciais

Residenciais Comerciais

2009

Industriais Comerciais

9,0 22,0

1,6

8,5

Súper em alta

88,4 76,2

3,0 7,0

Residenciais Industriais Industriais

Institucionais

Total

Curtas Com expectativa de atender média mensal de 1,5 mil consumidores, o Vivenda do Camarão é a nova opção gastronômica da Praça de Alimentação do Shopping Iguatemi. Esta é a 11ª loja da rede no Sul do país, que tem mais de 100 unidades espalhadas por vários estados. Sob o comando de Pedro Abrunhosa, a franquia tem mais de 50 opções de pratos quentes no cardápio, além de saladas, petiscos e sobremesas. A rede existe há 25 anos e serve, mensalmente, 600 mil refeições.

Novos conselheiros

O Caxiense

Projetos aprovados (em mil m²)

97,2 83,1

Até setembro último as indústrias brasileiras exportaram 26,1 milhões de litros de vinhos, uma alta de 135% sobre o mesmo período do ano passado. Os principais itens exportados são vinhos de uvas viníferas, com 12 milhões e crescimento de 218%; vinhos de mesa, com 9 milhões e avanço de 361%; e sucos de uva, com 4 milhões, mas recuo de 10%. Neste mês o projeto premiou as empresas destaques em exportação de 2009. São elas as vinícolas Miolo, que é a maior exportadora do Brasil, Casa Valduga e Lídio Carraro, de Bento Gonçalves, e Cooperativa Vinícola Garibaldi, de Garibaldi. As vendas totais do setor, incluídas as internas, somam quase 255 milhões de litros até setembro, em alta de 18%. A expectativa é de incremento ainda maior por conta das festas de final de ano.

99,6 120,0

Exportações crescentes

Sucessão

503,3 481,6

O Instituto Brasileiro do Vinho e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos farão, em 2010, trabalho de divulgação diretamente com os consumidores estrangeiros. As entidades, por meio do projeto setorial integrado Wines From Brazil, realizarão ação promocional e comercial do vinho brasileiro em 40 das 200 churrascarias brasileiras existentes nos Estados Unidos. A gerente de promoção comercial do projeto, Andreia Gentilini Milan, afirma que o objetivo é despertar no consumidor americano o interesse em conhecer os vinhos do Brasil, aumentar as vendas e a visibilidade das vinícolas nacionais.

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Construção aquecida

Júlio/Objetiva/Div./O Caxiense

Concentração de mercado

O Círculo agregou mais 2,3 mil vidas ao seu plano de saúde. Assinou contrato com a Bigfer, empresa de Farroupilha. A Randon S.A. Implementos e Participações acumula receita líquida consolidada de R$ 2,228 bilhões até novembro, recuo de 23,8% na comparação com o mesmo período de 2008. Já o valor bruto, sem eliminações de impostos, é de R$ 3,339 bilhões. Em

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novembro, a receita líquida de R$ 234,5 milhões foi 14,5% inferior a de igual mês do ano passado. A bruta somou R$ 353,3 milhões. A Associação de Garantia de Crédito da Serra Gaúcha, sistema de garantia de crédito, está com nova diretoria. Alexandre Scotti Debaco, da Aço Brasil Indústria e Comércio, assumiu a presidência e Antônio Natal de Barba, da Natal Comércio de Máquinas e Equipamentos, a vicepresidência. A principal função da instituição é possibilitar o desenvolvimento das micros e pequenas empresas da região por meio do suporte ao acesso ao crédito, baseado na complementação de garantias para as empresas sócias desse sistema. É formada por órgãos públicos, entidades e empresas associadas que pagam uma taxa para se candidatarem ao aval desejado. No relatório de 2008 consta que a instituição é formada por 359 pessoas jurídicas. A sede fica na Rua Ernesto Alves, no Centro.

O gaúcho gastará média de R$ 231,68, pouco acima do valor do ano passado – R$ 230 – em compras nos supermercados para as festas de final de ano. No entanto, cresceu muito a fatia daqueles que farão as compras neste segmento de mercado. Pesquisa realizada pelo Instituto Segmento Pesquisas a pedido da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS) revela que 54,5% dos gastos totais dos entrevistados com as festas de final de ano ficarão nos caixas dos supermercados contra 34,3% do ano passado. Dos 18 produtos analisados na pesquisa nove serão comprados majoritariamente em supermercados: peru/chester/pernil, vinhos nacionais, bebidas destiladas, refrigerantes, panetones, carnes, champanhas/espumantes e cerveja.

Incremento de 9%

Por conta destes indicadores, os supermercadistas do Rio Grande do Sul projetam vendas 8,7% maiores neste ano. Para atender a demanda, 35% dos estabelecimentos elevarão seus quadros e, no embalo, 45% anunciam ampliação da rede de lojas em 2010. Os produtos voltados às festas de final de ano representam 13% do faturamento de dezembro.

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Nosso dinheiro

ONDE VAMOS

INVESTIR

Saneamento, abastecimento e trânsito receberão a maior parte dos R$ 128 milhões destinados a novas obras no Orçamento do Município ação/O Caxiense

EM 2010

Sistema Marrecas

Luiz Chaves, Divulg

R$ 34,318 milhões

Pequenas obras, máquinas e equipamentos R$ 13,050 milhões Obras de adequação do trânsito R$ 12 milhões Orçamento Comunitário R$ 12 milhões Intervenção Fátima Baixo R$ 5,247 milhões Aterro sanitário R$ 3 milhões

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Luiz Chave

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Tratamento de esgotos

R$ 22,572 milhões

Asfaltamento do interior

R$ 26,014 milhões por GRAZIELA ANDREATTA graziela.andreatta@ocaxiense.com.br e VALQUÍRIA VITA valquíria.vita@ocaxiense.com.br

E

m 2010 fará 30 anos que a dona de casa Inês da Costa, 59 anos, mora no bairro Fátima Baixo, mais precisamente em uma faixa pequena e depreciada da região conhecida como Valão dos Braga. O lugar, que ficou estigmatizado por causa da violência e das más condições de habitação, fica em uma vala à beira do Arroio Tega e da RS-122. Em três décadas, o Valão mudou. “Ficou menos perigoso”, garante a dona de casa, e mais povoado. O número de casas aumentou – a de Inês ficou maior. O lixo foi tomando conta

do arroio. E a rodovia, sim, se tornou mais perigosa. “A cidade cresceu muito”, constata a mulher. Mas em 2010 quem deve mudar é Inês. E, com ela, 345 vizinhos, que serão removidos para o loteamento popular Victório Trez – homenagem ao ex-prefeito de Caxias (de 1969 a 1972 e de 1983 a 1988) e ex-deputado estadual, falecido em 2004 –, onde estão sendo contruídas moradias melhores, com rede de água e de esgoto e nenhuma estrada movimentada em frente. A dona de casa está feliz com a mudança, porque, apesar de não ter queixas do Valão, acredita que a troca “seja para melhor”. A filha de Inês, a tecelã Regina da Costa, 37 anos, e a neta, Amanda de

Almeida, 18, que moram no porão da casa dela, também vão ser beneficiadas, porque receberão um sobrado só para elas perto dali. “Teremos que pagar pelo sobrado. Mas nos disseram que será um valor simbólico, que teremos condições de arcar”, comemora Regina. Regina, que praticamente cresceu no Valão, ouve promessas sobre a remoção há muito tempo. A diferença é que agora o lugar entrou para a lista das obras que receberão investimentos do Orçamento do Município em 2010. Nele está definido como a prefeitura vai gastar os recursos públicos durante o ano. E a mudança na vida de Inês, Regina e Amanda está incluída nesses investimentos.

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A remoção das famílias do Valão faz parte de um plano que prevê também a duplicação de 1,5 quilômetro da RS-122, da entrada do bairro Pioneiro até o trevo de saída para a cidade de Flores da Cunha. Para esses dois projetos, foram reservados R$ 5,25 milhões do Orçamento de 2010. O secretário municipal de Gestão e Finanças, Carlos Búrigo, que é quem faz os cálculos, acredita que esse dinheiro será suficiente para concluir os dois projetos, se possível, ainda em 2010. O custo das obras na região do bairro Fátima não é tão alto se for levado em conta o total do Orçamento, que no próximo ano deverá ser de R$ 884,88 milhões, conforme estimativa da prefeitura baseada na arrecadação de 2009.

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O Caxiense

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feitura teve liberados os recursos de de, educação e segurança terão de ser uma série de financiamentos que ha- relegadas. Todos os programas atuais viam sido solicitados. Além disso, nós serão mantidos, garante Búrigo. Mas vínhamos poupando valores há dois nenhuma obra relevante para ampliaanos com o objetivo de termos assegu- ção desses serviços será realizada com radas as contrapartidas necessárias no verbas municipais. “Na hora de elencar momento em que receberíamos os em- quais obras seriam priozadas, tivemos préstimos”, explica o secretário Búrigo. que optar por aquelas que têm recursos A maior parte do Orçamento fica de financiamentos, que exigem contrapor conta das despesas e gastos fixos partida da prefeitura. Nisso, algumas do município, que deve dar conta da coisas realmente ficaram de fora.” manutenção de todas as suas secretaBúrigo afirma que a crise financeirias e ainda do Legislativo, do Ipam, do ra que atingiu a economia prejudicou Samae e da Fundação de Assistência também o poder público. A receita de Social (FAS). 2009 foi projetada com “Para fazer o cálbase na arrecadação de culo orçamentário, A crise destruiu impostos do ano antenós pegamos todos os a projeção de rior, como fazem tocontratos de aluguéis, arrecadar das as prefeituras. Mas de serviços e de emterminou sendo bem préstimos, separamos R$ 11 milhões menor do que o previsas verbas destinadas a mais de ICMS to. “Para você ter uma ao Legislativo, ao Ipam em 2009. ideia, 30% da receita da (Instituto de Previdên- A receita acabou administração direta da cia e Assistência Muniprefeitura é proveniente cipal) etc. e somamos à encolhendo dos recursos de transfemanutenção da prefei- R$ 4 milhões rência do Imposto sob tura. O que sobrar é o Circulação de Mercadoque vai para os investirias e Serviços (ICMS). mentos. É menos do que gostaríamos, Em 2008, recebemos R$ 204 milhões. mas é o que podemos fazer.” Previmos R$ 215 milhões para 2009, Na distruibuição do dinheiro a ser que seria um crescimento natural em investido em 2010, áreas como saú- anos sem crise. Mas devemos fechar o Maicon Damasceno/O Caxiense

Mas é uma fatia considerável da parce- Tomasi Ribeiro, afirma que a prefeitura la destinada aos investimentos, que so- de Caxias do Sul fará todas as melhomarão R$ 128 milhões, a ser divididos rias de trânsito naquele local, menos entre obras como o saneamento dos as obras relacionadas ao trevo de saída esgotos, a construção para Flores da Cunha, da barragem do Arroio embora elas estejam das Marrecas, o Progra- O dinheiro previstas no projeto e ma de Asfaltamento do para sejam uma reivindiInterior (PAI) e o novo investimentos cação da comunidade aterro de lixo. local. “Nossa parte, O secretário mu- representa nós faremos”, afirma nicipal da Habitação, 14,4% da receita Vinicius, isentando o Flávio Cassina, conta prevista para município da responque a construção das 2010, mas essa sabilidade sobre a rómoradias populares tula. Essa atribuição está adiantada. Ela foi fatia já foi bem seria do governo do iniciada com recursos menor Estado, que, pelo meempenhados no Orçanos por enquanto, não mento deste ano e com demonstra interesse participação do Plano de Aceleração em assumir o trabalho. do Crescimento (PAC) do governo federal. “As primeiras famílias devem se O dinheiro destinado a investimudar em janeiro ou fevereiro, se tudo mentos no Orçamento representa apeder certo. Esperamos que até dezem- nas 14,4% de toda a receita da cidade bro tenhamos removido todas.” de Caxias do Sul projetada para 2010. A obra de trânsito também foi ini- Mas é um percentual bem superior ao ciada, pois, assim como o loteamento de orçamentos anteriores. Em 2005, popular, recebeu recursos de 2009. As por exemplo, um dos mais baixos dos primeiras intervenções já podem ser últimos anos, o município empenhou observadas na região do posto de com- em novos investimentos R$ 23,15 mibustíveis situado próximo ao Valão lhões, ou seja, cinco vezes menos do dos Braga. O secretário de Trânsito, que agora. “Esse percentual aumentou Transportes e Mobilidade, Vinicius de a partir do ano passado, quando a pre-

Inês, a neta Amanda (C) e a filha Regina, moradoras do Valão dos Braga, à beira do Tega e da RS-122, terão a vida transformada por obras viárias, de saneamento e de habitação

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O Caxiense

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Receita (em R$) R$) ReceitaXXinvestimento investimento (em

768.104.042,24 768.104.042,24

Investimento Investimento

Receita Receita

Foto: Luiz Chaves, Divulgação/O Caxiense

877.213.760,00 877.213.760,00

884.884.644,00 884.884.644,00

639.364.239,19 639.364.239,19

502.845.340,29

Foto: Luiz Chaves, Divulgação/O Caxiense

Fonte: Secretaria Municipal da Fazenda Fonte: Secretaria Municipal da Fazenda

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165.242.250,00 165.242.250,00 128.204.270,00 128.204.270,00

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20.693.717,99 20.693.717,99

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24.484.070,83 24.484.070,83

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43.545.575,05 43.545.575,05

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68.641.036,24 68.641.036,24 23.144.179,28 23.144.179,28

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exercício com apenas R$ 200 milhões. Dos R$ 128 milhões destinados aos exercício com apenas R$para 200 este milhões. Dos R$ 128 milhões destinados aos Isso prejudica os planos ano e investimentos, quase metade do valor, Isso prejudica os planos para este ano e investimentos, quase metade do valor, os do seguinte também.” R$ 56,89 milhões, será para esses dois os do seguinte 56,89demilhões, para público. esses dois Mas Búrigotambém. ressalva” que o prejuízo R$ campos atuação será do poder Mas Búrigo ressalva que o prejuízo campos de atuação do poder público.a não será tão grande. Inês reconhece não será tão grande. Inês reconhece Ele lembra que alguimportância disso.a Ele lembra que alguimportância disso. mas obras em escolas As principais “Faz anos que o esgoto mas obras em escolas “Faz anos que o esgoto As principais e unidades básicas de obras não invade nossa casa e saúde unidades básicas de obras não invade nossa casa devem ser inauquando chove. Antigalistadas saúde devem ser inauquando chove. Antigaguradas nos próximos mente, isso acontecia e listadas guradas próximos mente, acontecia meses, nos apesar de não no Orçamento era bemisso ruim”, lembrae no Orçamento meses, apesar de não era bem ruim”, receberem recursos de 2010 a mulher, que, lembra entrede 2010, porque estão de tato, sente saudades de receberem recursos a mulher, que, entre2010 deverão ser com deverão ser quando o Tega era medesendo 2010,executadas porque estão tato, sente saudades de entregues verbasexecutadas empenhadas nos poluído. sendo com quando o Tega era meà população ainda emempenhadas 2009. “É um entregues O poluído. saneamento receverbas nos à população dinheiro que não foi em berá 22,57 milhões, 2012 ainda em 2009. “É um O R$ saneamento receusado, mas está foi re- em 2012 que serão aplicados na dinheiro quejánão berá R$ 22,57 milhões, servado para construção da rede de usado, mas já isso. está” reque serão aplicados na O Orçamento da cidade. servado para isso.”também prevê R$ 12 tratamento de esgotos construção da rede de milhões para a também execução prevê de obras es- tratamento É pouco para tratar todos os resíduO Orçamento R$ 12 de esgotos da cidade. colhidaspara no aOrçamento Comunitário Caxias do os Sul, mas milhões execução de obras es- osÉdomésticos pouco parade tratar todos resídu(OC) e no R$ 13 milhões para trabalhos os suficiente para de avançar nado construção colhidas Orçamento Comunitário domésticos Caxias Sul, mas menores e compra de suficiente de redes que coletar os esgotos (OC) e R$ou 13emergenciais milhões para trabalhos parairão avançar na construção máquinas e equipamentos. das casas e conduzi-los até as menores ou emergenciais e compra de de redes que irão coletar osestações esgotos “Temose equipamentos. que reservar esse recurso das de tratamento. Quando até o conjunto de máquinas casas e conduzi-los as estações para alguma emergência, como a que obras de saneamento estiver concluído, “Temos que reservar esse recurso de tratamento. Quando o conjunto de aconteceu esses dias, quando um tem- e a previsão é de que isso aconteça em para alguma emergência, como a que obras de saneamento estiver concluído, poral causou danos a escolas munici- 2012, quase todos os esgotos da cidade aconteceu esses dias, quando um tem- e a previsão é de que isso aconteça em pais”, justifica o secretário. serão recolhidos antes de terem contaporal causou danos a escolas munici- 2012, quase todos os esgotos da cidade to com a água dos arroios, para onde pais”, justifica o secretário. serão recolhidos antes de terem contaPara a famílias como a de Inês, irão somente depois de receberem o to com a água dos arroios, para onde do Valão dos Braga, que utilizam a rede devido tratamento. Para a famílias como a de Inês, irão somente depois de receberem o pública de saúde e educação e sofrem Aliás, é o ano de 2012 que marcará docom Valão dos Braga, utilizamo aremarede devido tratamento. problemas de que segurança, a entrega das principais obras listadas pública de saúde e educação e sofrem Aliás, é o anododeMunicípio 2012 que de marcará nejo de verbas não é o ideal. O lado no Orçamento 2010, com problemas de segurança, o remaa entrega das principais obras listadas positivo, no entanto, é que elas pode- que são também as mais importantes nejo verbas o ideal. O lado do Município de 2010, rão de contar comnão um éfuturo melhor em no do Orçamento segundo mandato do prefeito José positivo, no entanto, é que elas podeque são também as mais importantes outras áreas com mais investimento, já Ivo Sartori (PMDB). rão com umdefuturo melhoritens em doEm segundo prefeito José quecontar o Orçamento 2010 deixou 2012, mandato além do do plano de trataoutras áreas com mais investimento, já Ivo Sartori (PMDB). como a saúde de lado mas priorizou o mento de esgotos e da execução comque o Orçamento de 2010 deixou itens pleta Em do 2012, além dodeplano de tratasaneamento e o abastecimento. Programa Asfaltamento como a saúde de lado mas priorizou o mento de esgotos e da execução comsaneamento e o abastecimento. pleta do Programa de Asfaltamento w w w . o c a x i e n s e . c o m

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do Interior (PAI), deve ser entregue o que o Marrecas foi uma escolha entre do Interior (PAI), apontado deve ser entregue o Marrecasestudadas: foi uma escolha entre Sistema Marrecas, como a o asque possibilidades os mananSistema Marrecas, apontado como a as possibilidades estudadas: os mananmaior obra da História de Caxias do ciais do Piaí, da Mulada e da Sepultura. maior obra da História de Caxias do ciais do Piaí, da Mulada e da Sepultura. Sul. “O Marrecas é a garantia do Sul. “O Marrecas é a garantia E o que faz uma obra ser gran- abastecimento para os próximos 25do E oInvestimento que faz uma obra ser gran- anos. abastecimento parao crescimento os próximos diosa? de R$ 150 milhões, Ele vai garantir da 25 diosa? Investimento de R$ 150 milhões, anos. Ele vai garantir o crescimento ocupação de 605 hectares e capacidade cidade. Se Caxias não crescesse mais da ocupação 605 hectares capacidade cidade. Se Caxias não crescesse de abastecerdeCaxias do Sul epelo próxi- não precisaria nem fazê-lo”, explica mais o de abastecer Caxias do Sul pelo próxinão precisaria nem fazê-lo”, explica mo quarto de século são, para o pre- coordenador operacional das obras do o mo quarto século(PMDB) são, parae opara pre- Sistema coordenador operacional das obras do feito José IvodeSartori Marrecas, Gerson Panarotto. feito José Ivo Sartori (PMDB) e para Sistema Marrecas, Gerson Panarotto. o diretor-geral do Serviço Autônomo O investimento total do sistema está o diretor-geral do Serviço Autônomo O investimento total do sistema Municipal de Água e Esgoto (Samae), projetado em R$ 150 milhões – R$está Marcus Vinícius Caberlon, dados mais 104 de financiamento do milhões BNDES via Municipal de Água e Esgoto (Samae), projetado em R$ 150 – R$ do que suficientes para que odados Sistema de AceleraçãododoBNDES Cresci-via Marcus Vinícius Caberlon, mais Programa 104 de financiamento Marrecas seja considerado gran- mento (PAC)de e oAceleração restante de do recursos do que suficientes para quetão o Sistema Programa Crescidioso. Aproximadamente miMarrecas seja considerado tão gran- próprios. mento (PAC) e o restanteR$ de26 recursos O sistema de água deve estar pronto lhões já foram desembolsados R$ até 26 de-midioso. próprios. Aproximadamente na O metade de de 2011, para queestar até opronto ano zembro, quedesembolsados R$ 16 milhões até vie-desistema água deve lhões jásendo foram seguinte a represa, ficará de empréstimos milhõesviena metade de 2011,que para que em até Vila o ano ram zembro, sendo que eR$R$1610milhões Seca, já esteja abastecendo Caxias prefeitura. seguinte a represa, que ficará em do Vila daram de empréstimos e R$ 10 milhões Sul. Emprefeitura. termos de estrutura, Marrecas Seca, já esteja abastecendo Caxias do da A água que sair do Marrecas chegará irá superar o Faxinal. A futura Marrecas barraSul. Em termos de estrutura, a cerca de que 250 sair mil do pessoas. Como até gem a maior e mais A cara obrabarrado A água Marrecas chegará irá será superar o Faxinal. futura 2012 a população novo sistema de abasa cerca de 250 milda pessoas. Como até gem será a maior e mais cara obra do cidade terá cres-da tecimento de água de 2012 anão população novo sistema de abasSistema cido nessa proporção, Caxias, com um investicidade não terá crestecimento de água de acido represa vaiproporção, começar Marrecas, mento de R$ 66um milhões Sistema nessa Caxias, com investiabastecendo algumas que está sendo destinado unicamente a represa vai começar Marrecas, mento de R$ 66 milhões áreas já atendidas para ela. abastecendo algumas considerado destinado unicamente a que está sendo pelos cinco sistemas A barragem está senáreas já atendidas obra mais cara da para ela. existentes (Faxinal, do construída em Vila considerado a pelos cinco sistemas A barragem está senMaestra, Dal Bó, Sa- História Seca, próxima à comude existentes (Faxinal, obra mais cara da do construída em Vila muara e Galópolis). nidade de Nossa SeMaestra, Dal Bó, Sa- Caxias, Seca, próxima à comuHistóriagarantirá de Enquanto adminisnhora Aparecida, e terá abastecimento muara e Galópolis). nidade de Caxias, garantirá capacidade tra as obras do SisteparaNossa acumu-SeEnquanto adminisnhora Aparecida, e terá mais 25 anos lar 33 bilhões de litros ma Marrecas, o Samae por abastecimento tra as obras do Sistecapacidade para acumupermanece de olho no numa área alagada de ma Marrecas, o Samae por mais 25 anos 215 larhectares. 33 bilhões de litros ritmo de crescimenpermanece de olho no numa área alagada to da cidade. Caso ele se intensifique Ao redor do lago, o Samae manterá de ritmo de crescimen215 hectares. acima do esperado, não será por falta uma Área de Preservação Permanente to planejamento da cidade. Caso se intensifique Ao de redor lago, o que, Samae manterá de e de ele opções que a po- (APP) 400 do hectares, segundo acima do esperado, não será por falta uma Área de Preservação Permanente pulação ficará sem água. Basta lembrar Caberlon, está sendo monitorada por de planejamento e de opções que a po- (APP) de 400 hectares, que, segundo pulação ficará sem água. Basta lembrar Caberlon, está sendo monitorada por 26 de dezembro de 2009 a 1° janeiro de 2010 . b r O Caxiense

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Se todos esses planos grandiosos se concretizarem, famílias como a da dona de casa Inês da Costa, que esperam deixar o Valão dos Braga para trás até o final de 2010, não precisarão mais se preocupar com problemas como o do Arroio Tega, que invade moradias quando chove, com as ligações de água irregulares ou com as casas com risco de desabamento, situações quase inevitáveis em um núcleo habitacional localizado em meio ao esgoto e à beira de uma movimentada rodovia. Inês não tem a ilusão de que todos os problemas serão resolvidos. Nem Caxias do Sul vai se transformar em uma cidade perfeita em 2012 só porque terá mais água, esgoto tratado e asfalto. Mas, em toda sua simplicidade, a dona de casa dá uma lição quando o assunto é superar dificuldades, com ou sem a ajuda do poder público. “Eu sou de Lages, Santa Catarina, e gostava de lá, mas não tinha emprego. Meu exmarido veio para Caxias e conseguiu trabalho no dia seguinte. Fiquei feliz e mudei com a família para cá. Quase sempre morei neste bairro. Gosto bastante daqui e vou sentir saudades, mas acho que no loteamento novo vai ser melhor, porque tem calçamento, tem esgoto. Agora estou muito feliz também.”

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Maicon Damasceno/O Caxiense

programas ambientais – do total do investimento, R$ 4,7 milhões estão sendo gastos com gerenciamento e supervisão ambiental. “A área do entorno do lago será do Samae para que tenhamos um efetivo controle sobre ela”, acrescenta Caberlon. Da barragem, a água irá até uma Estação de Tratamento (ETA), que conseguirá tratar 1.070 litros por segundo. Após ser tratada, a água será transportada por gravidade, não precisando de bombeamento, para um centro de reservação que ficará na entrada de Caxias, no bairro Jardim das Hortênsias. Foi na terça-feira que Sartori e Caberlon trouxeram a público o andamento das obras do Marrecas. “É bom prestar contas do que está sendo encaminhado”, disse o prefeito, afirmando que, de um total de 29 quilômetros, mais de um quilômetro de canos das adutoras já foram depositados nos últimos 90 dias às margens da Rota do Sol. A perspectiva do Samae é de que a velocidade dos trabalhos aumente nos próximos meses. Durante janeiro e fevereiro, quando parte da cidade para, as obras do Sistema Marrecas não serão interrompidas. Mas ocorrerão em trechos alternativos, para não atrapalhar o tráfego da Rota do Sol e evitar o risco de acidentes. Um deles será entre a ponte do Faxinal e a estrada municipal perto da capela Santo Agostinho. “Até meados de março a nossa prioridade é seguir com as adutoras de água. Vamos levar as obras para longe da estrada”, diz o diretor-geral. Além da Estação de Tratamento, as obras da adutoras de água bruta e tratada estão em andamento. Só a barragem ainda está em fase de licitação, com previsão de começar a ser construída já em janeiro de 2010. Caberlon acrescenta que o sistema abrigará ainda um Centro de Memória, para que os visitantes da represa conheçam todo o processo pelo qual o Marrecas passou.

Loteamento popular Victório Trez receberá as famílias removidas do Valão dos Braga

S e m an alm e nte n a s b an c a s , di ar i am e nte n a inte r n e t .


Guia de Cultura

guiadecultura@ocaxiense.com.br

Carla Barth, Divulgação/O Caxiense

Rescaldos natalinos, conjunção de jovens artistas plásticos e festas para receber 2010

Em exposição na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, o universo infantil de Carla Barth para adultos lúdicos

MÚSICA l Banda Blackbirds | Rock. Sábado, 22h30 | Covers de grupos que influenciaram a banda, como Ramones, The Who, The Clash, e Oasis, entre outros. Músicas do repertório próprio também serão apresentadas, com a possibilidade de versões inéditas. Mississippi Delta Blues Bar R$ 10 (feminino) e R$ 15 (masculino) | Augusto Pestana, 810, São Pelegrino | 3028-6149 | www.msdelta.com.br | l Blue Label | Rock. Sábado, 23h | Sucessos do rock desde os anos 60 até meados dos anos 80. Roxx Rock Bar R$ 12 ou R$ 10 até às 23h30 | Júlio de Castilhos, 1343, Centro | 3021-3597 | l Festa Adiós 09 | Rock. Sábado, 23h | O bar oferece uma noite de palco aberto para diversas bandas na última festa do ano.

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Vagão Bar R$ 8 com nome na lista até meia-noite e R$ 10 sem nome na lista ou após meia-noite | Coronel Flores, 789, São Pelegrino | 3223-0007 | www.natrilhadovagao.blogspot.com | 350 pessoas | l Festa Retrômix | Música eletrônica. Sábado, 23h | Festa comandada pelo DJ Bebezão, com os hits de 2009. Studio54Mix R$ 10 | Visconde de Pelotas, 87, Centro | 9104-3160 | www.studio54mix.com | l Radiofonia | Pop. Sábado, 23h | Repertório eclético, com sucessos do pop, reggae, rock, sertanejo, hip hop, pagode e samba rock. Após, DJ residente Eddy. Portal Bowling – Martcenter R$ 10 (feminino) e R$ 15 (masculino) | RSC-453 Km 2, 4.140 | 3220-5758 | www.portalbowling.com.br | 1.000 pessoas | l Hernan Gonzalez y Los Infernales | Pop rock. Terça, dia 29,

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22h30 | O guitarrista argentino Hernan Gonzalez e sua banda, formada pelos músicos Nino Henz no baixo e Diego Romanini na bateria, trazem sucessos do pop rock latino, como La rubia del avión, além de canções de Creedence Clearwater Revival, U2 e Barão Vermelho. Mississippi Delta Blues Bar R$ 8 (feminino) e R$ 10 (masculino) | Augusto Pestana, 810, São Pelegrino | 3028-6149 | www.msdelta.com.br | l Rafa Gubert & Tita Sachett | Pop rock. Quarta, dia 30, 22h30 | Clássicos do pop rock nacional e internacional. O repertório conta com canções de Bob Dylan, Rolling Stones, AC/DC, Alanis Morissette, além de músicas mais alternativas, como At your side (The Corrs) e (Zeca Baleiro). Mississippi Delta Blues Bar R$ 8 (feminino) e R$ 10 (masculino) | Augusto Pestana, 810, São Pelegrino | 3028-6149 | www.msdelta.com.br | l Festa da Virada | Música eletrô-

nica. Quinta, dia 31, 00h30 | DJ Bebezão comanda a festa, que começa depois da virada de ano. Studio54Mix R$ 8 | Visconde de Pelotas, 87, Centro | 9104-3160 | www.studio54mix.com | l Réveillon Move | Música eletrônica. Quinta, dia 31, 00h30 | Celebrando o ano novo, a festa fica por conta do DJ Vanucci no Lounge Som Brasil. Já a pista é comandada pelo DJ residente Jeff Garcia e pelo DVJ Saimon Sun. A festa vai até as 9h, quando será oferecido café da manhã. Move R$ 15 (feminino) e R$ 20 (masculino) | Gaston Luis Benetti, 849, Parque Sanvitto | 8407-4942 | 1.800 pessoas | l Festa Happy New Year | Música eletrônica. Sexta, dia 1, 23h | A festa, comandada pelo DJ Bebezão, comemora a chegada do Ano Novo. Studio54Mix R$ 10 | Visconde de Pelotas, 87, Centro | 9104-3160 | www.studio54mix.com

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Twentieth Century-Fox, Divulgação/O Caxiense

Inferno Distribution/Divulgação

Nos cinemas, a lealdade de um cachorro que virou símbolo no Japão e as novas aventuras dos esquilos altruístas

NATAL l Divino Natal de Criúva | Domingo, 20h | Apresentação da Árvore Cantante pelo coral da Escola Estadual João Pilatti, visitação aos presépios, confraternização no CTG Pousada dos Tropeiros e encerramento das festividades do Divino Natal de Criúva. Praça Central Entrada franca | Criúva |

EXPOSIÇÕES l Coletividade | De segunda a quarta, das 8h30 às 18h | A mostra reúne trabalhos de quatro artistas jovens, de Porto Alegre e São Paulo, com identidade bem marcada e linguagem específica, com produções que refletem a arte plástica contemporânea. Um deles é Kone, pertencente a um grupo de grafiteiros da capital gaúcha, que demonstra a vontade de tirar o grafite da rua e mostrar toda sua dimensão artística. Carlo Vidor é fotógrafo com inspirações surrealistas, como o pintor René Magritte, e traz um universo onírico em suas obras. Carla Barth é ilustradora, com trabalho reconhecido internacionalmente. Ela expõe pinturas com toque lúdico, lembrando desenhos infantis, mas que agregam filosofia, cores e movimentos das crianças. Mário Níveo, que trabalha com colagem e acrílico sobre tela, apresenta uma obra mais nervosa, que traduz o caos urbano e o dia a dia frenético e febril das grandes cidades. Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim – Casa da Cultura Percy Vargas de Abreu e Lima Entrada franca | Dr. Montaury, 1333, Centro | 3221-3697 |

CINEMA l 2012 | Aventura. De sábado a quarta, 18h40 e 21h45. Quinta, dia 31, 16h20 | Escritor frustrado, que trabalha

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como motorista de limusine, tenta reaproximar a família ao saber que uma catástrofe iminente irá destruir a Terra. A mensagem apocalíptica é espalhada por um radialista de uma estação pirata, baseada no calendário dos maias, que termina em 21 de dezembro 2012. Com John Cusack, Danny Glover e Woody Harrelson. Dirigido por Roland Emmerich. Censura 12 anos, 161 minutos, dublado. Pepsi GNC 2 – Shopping Iguatemi Caxias Segunda e quarta-feira (exceto feriados): R$ 11 (inteira), R$ 7,50 (Movie Club Preferencial) e R$ 5,50 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sêniors com mais de 60 anos). Terça-feira: R$ 6,50 (promocional) Sexta-feira, sábado, domingo e feriados: R$ 13 (inteira), R$ 10 (Movie Club Preferencial) e R$ 6,50 (meia entrada, crianças menores de 12 anos e sêniors com mais de 60 anos). RST 453 nº 2780 - Distrito Industrial | 3209-5910 | l Alvin e os Esquilos 2 | Comédia. Sábado e domingo, 16h20 | O trio de esquilos Alvin, Simon e Theodore participa de um concurso de bandas para salvar a escola de música com o dinheiro do prêmio, mas um dos concorrentes é um grupo formado por três esquilas, as Chipettes. Dirigido por Tim Hill. Pré-estreia. Censura livre, 94 minutos, dublado. Pepsi GNC 2 – Shopping Iguatemi Caxias l Alvin e os Esquilos 2 | Comédia. Sábado e domingo, 13h30 | Pepsi GNC 4 – Shopping Iguatemi Caxias l A princesa e o sapo | Animação. De sábado a quinta, 13h15 | Jovem que deseja abrir seu próprio restaurante a todo custo se depara com um sapo que diz ser príncipe. Ao beijá-lo, após promessa de ajudá-la financeiramente, o príncipe não retoma sua forma humana. Pelo contrário: a jovem é que vira sapo. Anima-

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ção da Walt Disney Pictures, dirigida por Ron Clements e John Musker. Censura livre, 97 minutos, dublado. Pepsi GNC 6 – Shopping Iguatemi Caxias

terapia. Dirigido por Peter Billingsley. Censura 14 anos, 114 minutos, legendado. Pepsi GNC 1 – Shopping Iguatemi Caxias

l Atividade Paranormal | Terror. De sábado a quarta, 19h50 e 21h50. Quinta, dia 31, 16h | Casal de jovens, ao se mudar para uma nova casa, passa por experiências paranormais inexplicáveis, que se manifestam especialmente à noite. O rapaz decide instalar uma câmera de vídeo no quarto para documentar as estranhas manifestações. Dirigido por Oren Peli. Censura 14 anos, 87 minutos, legendado. Pepsi GNC 3 – Shopping Iguatemi Caxias

l Lua Nova | Aventura. De sábado a quinta, 13h40 e 16h20 | Continuação da saga Crepúsculo, baseada nos best-sellers de Stephenie Meyer. A jovem Bella se muda para cidade pequena e monótona, onde se apaixona por Edward, antes de descobrir que ele é um vampiro. Depois de um rompimento com o namorado, ela conhece Jacob, um lobisomem, inimigo ancestral dos vampiros. Com Robert Pattinson e Kristen Stewart. Dirigido por Chris Weitz. Censura 12 anos, 130 min, dublado. Pepsi GNC 2 – Shopping Iguatemi Caxias

l Avatar | Ficção científica. De sábado a quarta, 15h20, 18h30 e 21h40. Quinta, dia 31, 15h20 | Ex-fuzileiro naval é enviado ao planeta Pandora, onde encontra uma raça humanóide chamada Na’Vi. A missão dele é impedir que os Na’Vi atrapalhem a extração de minerais, mas o confronto com os alienígenas fica em segundo plano depois que um deles salva sua vida. Dirigido por James Cameron. Classificação 12 anos, 166 minutos, legendado. Pepsi GNC 4 – Shopping Iguatemi Caxias l Avatar | Ficção científica. De sábado a quarta, 15h10, 18h20 e 21h30. Quinta, dia 31, 15h10 | Pepsi GNC 6 – Shopping Iguatemi Caxias l Encontro de Casais | Comédia. De sábado a quarta, 14h20, 16h50, 19h10 e 21h35. Quinta, dia 31, 14h20 e 16h50 | Como tentativa de salvar o casamento, casal vai para resort em uma ilha tropical para participar de uma terapia de casais. Como forma de ganhar um desconto, eles convidam mais três casais de amigos, que pensam que só vão curtir o que a ilha oferece, mas ao chegar lá percebem que também precisarão participar da

l Sempre ao seu lado | Drama. De sábado a quarta, 14h, 16h, 18h, 20h e 22h. Quinta, dia 31, 14h e 16h | O cão abandonado Hachiko, da raça akita, é encontrado por professor universitário em uma estação de trem no Japão. Inspirado na história real de um cachorro que acompanhava seu dono até o ponto de embarque e aguardava sua volta, todos os dias, e que virou símbolo de lealdade para o povo japonês. Com Richard Gere. Dirigido por Lasse Hallström. Censura livre, 88 minutos, legendado. Pepsi GNC 5 - Shopping Iguatemi Caxias l Xuxa em o Mistério de Feiurinha | Infantil. De sábado a quarta, 13h50, 15h50 e 17h50. Quinta, dia 31, 13h50 | A princesa Feiurinha desaparece e Chapeuzinho Vermelho pede ajuda a todas as princesas famosas dos contos de fada, como Branca de Neve, Bela Adormecida, Rapunzel e Cinderela para encontrá-la. Para isso, até o mundo real é convocado. Baseado na obra infanto-juvenil de Pedro Bandeira. Com Xuxa e Sasha. Dirigido por Tizuka Yamasaki. Livre, 82 minutos. Pepsi GNC 3 - Shopping Iguatemi Caxias

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Nos

PASSOS Dos ANTEPASSADOS

A vida dos descendentes que foram para a Itália em busca de trabalho, estudo e, principalmente, felicidade

Juliana Rossa/O Caxiense

Notícias da Emigração

Rodrigo e Vanice, criados em comunidades do interior na Serra, mudaram-se em 2008 para Verona, onde conseguiram o desejado passaporte bordô

A

por JULIANA ROSSA de Verona, Itália Serra Gaúcha tem uma ligação inegável com a Itália. Afinal, foram os imigrantes italianos que colonizaram grande parte da região, em um processo que começou há quase 135 anos. Essa ligação se manifesta não só no interesse local em preservar os costumes dos imigrantes, mas também por alguns descendentes que fazem o caminho contrário dos seus antepassados e que hoje vivem na “velha bota”. Segundo o último relatório do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, de setembro de 2009, cerca de 70 mil brasileiros moram atualmente em terras italianas. Não se sabe exatamente quantos são caxienses ou serranos. É possível, no entanto, perceber que existe uma atração dos emigrantes que saem daqui pelo Norte e Nordeste da Itália. Os principais destinos são as regiões da Lombardia e do Vêneto, cuja dinâmica industrial e agrícola, além da identificação cultural, é mais intensa. Professor do Mestrado em História da Universidade de Passo Fundo (UPF) e pós-doutor pela Universidade de Verona, João Carlos Tedesco é um estudioso do fenômeno das novas imigrações internacionais, especialmente de brasileiros que partem para a Itália. Ele observa que na Serra Gaúcha existe um conjunto de fatores interligados que motivam os descendentes a viver

no país dos seus antepassados. O em- dentes. A grande procura pela dupla preendedorismo, o imaginário criado nacionalidade incentivou um mercado pelo nonos e bisnonos, a facilidade lin- especializado no auxílio de pessoas inguística e as afinidades histórico-cul- teressadas no passaporte bordô, já que turais são alguns do estímulos à emi- o processo é bastante burocrático. gração. Eles se completam com o apoio O advogado caxiense Lonis Stalliviede instituições e redes formais de coo- ri trabalha com processos de cidadania peração, acordos de geitaliana há 23 anos. A mellaggio, e, claro, pela cada mês, o advogado dupla cidadania. “Em Consulado da entra com cerca de seis geral, esses imigrantes, Itália novos processos de dumais identificados com tem 7 mil pla nacionalidade no o cenário hospedeiro, Consulado em Porto tendem a ser mais bem processos, Alegre, enquanto presaceitos, têm certo privi- e a espera ta informações para légio em espaços de tra- pela dupla mais de 50 pessoas, em balho, devido, em gran- cidadania é média. de parte, aos seus canais “Um processo pode de intermediação. Eles de 6 anos, atender somente a um sentem-se mais ‘em diz advogado requerente ou se escasa’, pelo menos em altender para todos os guns aspectos”, observa membros da família. o professor, que pesquisou a presença Já trabalhei com um caso de 120 rede brasileiros no Vêneto para escrever querentes.” Segundo Stallivieri, o Cono livro Imigração e integração cultural: sulado acumula hoje cerca de 7 mil interfaces. Brasileiros na região do Vê- processos, e o tempo de espera é de neto – Itália, lançado em 2006. aproximadamente seis anos. Para quem não quer aguardar tanto A desejada cidadania italiana, e tem disponibilidade de tempo e de segundo o Consulado Geral da Itá- dinheiro, uma solução pode ser entrar lia em Porto Alegre, é direito de todo com o processo de cidadania diretadescendente, sem limite de gerações. mente na Itália. Depois que os docuA única restrição é para descendência mentos estiverem traduzidos e legalimaterna: têm direito à cidadania ape- zados em algum Consulado Italiano nas os filhos de mulheres italianas nas- no Brasil, é preciso apresentá-los em cidos a partir de 1948 e seus descen- uma prefeitura na Itália, além de ser

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necessário fixar residência no país. Dependendo da cidade, o processo pode demorar de poucos meses a um ano. Para o professor João Carlos Tedesco, a grande procura pela cidadania italiana enquadra-se na tendência da reconstrução dos laços étnicos na sociedade contemporânea, neste caso, da italianidade. “Em meio à mundialização cultural, a dupla cidadania revela expressões de um cidadão global. Não deixa de ser algo interessante e bom retomar processos históricos, interessarse, compreendê-los e dar-lhes funcionalidade no tempo atual”, analisa. A vontade de reconstruir os laços étnicos foi um dos fatores que incentivaram a viagem de um casal do interior de Garibaldi para Verona, no Vêneto. Vanice Miorelli, 25 anos, e Rodrigo Lorenzon, 31 anos, nasceram em famílias de agricultores. Ela, na comunidade de São Luiz de Castro, no município de Boa Vista do Sul, e ele, na de São Roque Figueira de Mello, em Garibaldi. Eles se conheceram há nove anos, nos bailes do interior garibaldense. Depois de alguns anos de namoro, foram viver em Porto Alegre. sentiram esgotados, principalmente Porém, o casal chegou à conclusão de que precisava fazer uma mudança radical. A decisão reacendeu um antigo sonho de Vanice: conseguir a cida-

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na marra”, brinca Rodrigo. cheguei lá, porque eu estava pisando Verona é uma cidade que re- na terra dos meus bisavós”, relata. cebe turistas durante todo o ano e, Rodrigo resume, de forma divertida, por isso, os restaurantes estão sempre a questão da dupla nacionalidade, de cheios. “Os funcionários italianos não estar aqui e estar lá, de ser italiano e recebem bem o turista. Já o brasileiro, brasileiro ao mesmo tempo. “Eu gosto mesmo se brigou com a mulher, aten- de ter o sangue italiano, mas dou grade sempre simpático”, revela Rodrigo, ças a Deus por ser brasileiro!” dizendo que daqui para frente dificilRodrigo e Vanice, como outros bramente vai ficar sem trabalho na área e sileiros na Itália, têm de conviver com que os brasileiros são muito bem vistos essas duas identidades. Antes da parna profissão de gartida, existe a imagem çom. construída do país. O que o casal mais Quando chegam lá, gosta na Itália é o po- “Trabalhamos na muitas vezes não se sender de compra de um colheita da tem tão aceitos quanto trabalhador comum. framboesa, esperavam, mesmo com “A gente confronta o a dupla cidadania. E asdo kiwi e salário daqui (da Itásim acabam sentindolia) e de lá. Com 50 da maçã. se “mais brasileiros” na euros, o carrinho do Nada fora do Itália. mercado fica cheio. comum para nós, “Na Itália, descendenCom 50 reais no Brasil tes ou não, todos são do interior”, não se compra nada”, tratados e vistos como conta Vanice compara Vanice. imigrantes e nada mais, Porém, para aqueles e a sua importância no que acham que é fácil país obedece a uma lófazer fortuna na Itália, eles fazem um gica só: a sua otimização econômica. alerta. “Vive tranquilo quem trabalha Isso, para muitos, é um choque, uma bastante e usa o dinheiro com caute- falta de reconhecimento, uma ofensa la. Não é como anos atrás, em que o e uma grande falta de consideração e euro valia quatro vezes mais que o real. bom senso com a História, com a culAlém de tudo, o país está sofrendo bas- tura e com o próprio Brasil”, explica o tante com a crise mundial e vários bra- professor João Carlos Tedesco. sileiros precisaram voltar para casa”, Outros dados chamam atenção na observa Rodrigo. pesquisa de Tedesco com 268 brasileiros residentes na região do Vêneto. Depois de um ano e meio fora, “Grande parte está concentrada em Rodrigo e Vanice vieram passar as fes- regiões de identificação com colônias tas de fim de ano em Garibaldi. A volta de imigração no Brasil, em especial ao lar italiano está marcada para o fim no Norte e Nordeste da Itália. Outra de janeiro. questão é o desejo expresso de retorEnquanto isso, eles aproveitam para nar ao Brasil, ou seja, o fenômeno se compartilhar com a família as experi- realimenta com os novos imigrantes. É ências vividas na Itália que, para eles, interessante também a forte ligação os de país imaginário, virou realidade. trabalhos familiares, como na área de Uma das recordações mais interes- limpeza e assistência, além da agriculsantes de Vanice é a visita que fez à tura”, relata o professor. cidadezinha de Mori, na província de Trento, região do Trentino Alto Adige. A maioria dos brasileiros par“Foi uma emoção sem igual quando eu tiu para a Itália em busca de emprego.

Porém, existem profissionais que recebem convite no Brasil para trabalhar em território italiano. Foi o caso da enfermeira caxiense Rochele Bertoni, 35 anos. Rochele era uma enfermeira bemsucedida. Graduada pela UFRGS, com apenas 23 anos era Coordenadora do Controle de Infecção do Hospital Geral de Caxias do Sul. Depois de ter passado pelo Hospital Medianeira, pela Santa Casa de Porto Alegre e por uma clínica em Novo Hamburgo, achou que precisava de uma experiência internacional. Certo dia, folheando um jornal da capital, viu um anúncio da Região do Vêneto convidando enfermeiros descendentes para trabalhar na Itália. “Por que não?”, pensou. Rochele viajou em novembro de 2004 com um grupo de 15 profissionais, entre enfermeiros e fisioterapeutas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Eles receberam o auxílio de uma agência terceirizada, que os instruiu sobre a documentação necessária e os acompanhou no processo de instalação na Itália. O primeiro destino foi a cidade de Thiene, província de Vicenza, no Vêneto. “No começo foi um pouco difícil, pois a agência que cuidava do processo falhou em vários pontos, não cumpriu com o que foi prometido no Brasil. Acabamos sendo explorados, pois cobravam coisas que não tinham sido combinadas”, relata. Logo que chegou à Itália, Rochele fez um curso preparatório de três meses, que incluía língua italiana e instruções para o trabalho como enfermeira. Prestou exame e foi aprovada na Ordem dos Enfermeiros do Colégio Italiano. O país tem carência desse profissional, principalmente para assistência geriátrica. A Itália tem uma população envelhecida (cerca de 20% tem mais de 65 anos), o que gera oferta de trabalho em centros especializados no cuidado com os idosos. Paolo Cassella, Divulgação/O Caxiense

dania italiana. “Desde criança eu ouvia meus pais falando sobre os bisavôs que vieram da Itália, que todos tínhamos sangue italiano. Sem contar o dialeto que ouvíamos todos os dias e que era para mim motivo de dúvida: por que falávamos outra língua? Foi a partir disso que comecei a pensar em quem poderiam ser essas pessoas, por que saíram do país delas, como seria a tal Itália e como era bonito termos aprendido a cultura e o dialeto que todos sabiam falar”, conta Vanice. A garibaldense começou a pesquisar a origem dos seus bisavôs italianos e acabou influenciando Rodrigo, que também é descendente de imigrantes. Os dois reuniram a documentação e contrataram um serviço para auxiliálos na tradução e legalização das certidões. Depois de tudo pronto, resolveram partir com o objetivo de terminar o processo da cidadania na Itália e passar um tempo por lá. O casal chegou a Verona no dia 24 de junho de 2008. A cidadania foi concluída em 10 meses. “Nesse período, trabalhei nove meses in nero (ilegal) como garçom, em um restaurante no centro de Verona”, lembra Rodrigo, que foi à Itália preparado: antes da viagem, fez um curso de garçom no Senac. Vanice teve dificuldades para encontrar emprego. Conseguiu apenas pequenos trabalhos, inclusive na atividade agrícola. “Trabalhamos na colheita da framboesa, do kiwi e da maçã, em cidades vizinhas daqui. Foi uma experiência muito interessante, até porque o trabalho na agricultura não era nada fora do comum para nós, já que nascemos no interior”, diz Vanice. Na adaptação à nova língua, não tiveram problemas. Os dois aprenderam o dialeto vêneto em casa, ainda crianças. Dizem que muita gente achava estranho que eles falassem na forma dialetal, à moda das pessoas mais velhas da região. “No restaurante, às vezes eu puxava uma palavra em dialeto e os colegas me corrigiam. Aprendi o italiano

Convocado para a Seleção Italiana de Futsal pela primeira vez em julho de 2009 para amistosos, Daniel aguarda a chance de disputar sua primeira partida oficial pelo país

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Juliana Rossa/O Caxiense

A enfermeira Rochele descobriu boas oportunidades de trabalho num país de população envelhecida e escassa mão de obra para cuidar dela

Rochele, que tem bisavós paternos falta o mutuo (empréstimo, em italiaoriginários da Lombardia e maternos no) para pagar”, lembra a enfermeira. do Vêneto, terminou o processo de cidadania na Itália e exerce a profissão Além de profissionais da área da em um centro geriátrico. saúde, como Rochele, têm boas oporSobre o que mais tunidades na Itália os admira na Itália, Rojogadores de futebol, chele responde rápido. Os times em especial de futsal. “Aqui se respira cultu- italianos de Aliás, um esporte basra”, exalta a caxiense, futsal contam tante popular na Serra, lembrando também da que conta com equiHistória e da bela costa hoje com pes de nível nacional mediterrânea. Gosta pelo menos e é conhecida também ainda da culinária, e 20 jogadores pela força das escolas diz que se identificou saídos de de base. com as massas e torEssa tradição no estéis, que trazem recor- Caxias porte faz com que muidações da nonna Flora do Sul tos atletas ultrapassem Longhi Mattana, já faas fronteiras. Segundo lecida, e dos pratos da a Confederação Brasimãe, Marisa Mattana Bertoni. leira de Futsal, somente em 2009, 69 Quanto ao que menos gosta, a arro- jogadores pediram transferência para gância de alguns italianos desponta: o futsal italiano. Os gaúchos, serranos “Eles continuam pensando que estão na maioria, fazem parte do contingente no Império Romano”. que deixa as quadras do Brasil. SomenRochele namora um italiano. A ca- te de Caxias do Sul, hoje são pelo mexiense conheceu o socorrista Saverio nos 20 atletas que defendem equipes Bio, 39 anos, em um emprego ante- italianas. rior. “O que me chamou atenção nele Na Itália o esporte é conhecido como foi a forma carinhosa como tratava calcio a cinque (futebol de cinco), ou os velhinhos.” Saverio, explica Roche- calcetto (diminutivo de futebol), e a le, tem algo diferente dos italianos do cada ano ganha mais popularidade. O Vêneto. “Os italianos do Sul são mais campeonato nacional é dividido em abertos, mais afetuosos.” Concordando séries. A série A1 é formada pelas 14 com ela, Saverio se considera sortu- principais equipes do país. Depois vem do por ter encontrado uma brasileira a série A2, com 28 times. Na série B, para dividir a vida. “As italianas daqui são 78 clubes divididos por regiões. (do Vêneto) são frias, não têm o senso Isso sem falar nas séries C e D. A grande amizade, de família. Encontrei na de quantidade de clubes oferece um Rochele uma mulher doce, amorosa”, amplo campo de trabalho e melhor redeclara-se o siciliano. muneração para a qualificada mão de Há dias em que Rochele e Saverio obra brasileira. quase não se veem, pois os turnos de A maioria dos jogadores exportados trabalho nem sempre coincidem. Mas tem descendência italiana, o que facilio fruto conjuto de seus esforços já se ta a colocação nas equipes. A regra da materializou em um apartamento. Há Confederação Italiana de Futebol diz dois anos, financiaram um imóvel em que somente um atleta em cada time Cassola, província de Vicenza. “Agora pode ser estrangeiro. E aí se abre mais

uma porta aos cidadãos ítalo-brasileiros. Alguns se destacam tanto que chegam a ser convocados para a Seleção Italiana de Futsal. É o caso do caxiense Daniel Giasson, 22 anos, que joga na Itália há pouco mais de quatro anos.

para a Seleção principal. Jogou amistosos na Sérvia (estreou com dois gols), no Japão e em casa, contra a Bielorrússia. Agora, ele espera ansioso pela chance de jogar uma partida oficial. “O meu crescimento no futsal foi desenvolvido praticamente todo aqui. Posso dizer que me sinto quase um italiano. Tenho orgulho de vestir a camiseta da Seleção Italiana”, completa. Fora do ambiente do futsal, Daniel se mostra bastante integrado à cultura do país. Mora numa cidade vizinha à do clube, chamada Colleferro, com cerca de 60 mil habitantes. Além de jogar, faz faculdade de Educação Física na Universidade Foro Itálico de Roma. E aproveita para viajar. Já visitou diversos países da Europa, como Espanha, Inglaterra, Holanda, Rússia e Sérvia. Outro importante fator contribui para que Daniel se sinta bem na Itália. Há dois anos e meio, namora com Gloria Schiavi, 24 anos, uma italiana de Colleferro. “Fui muito bem acolhido pela família e pelos amigos dela. Assim, comecei a conhecer e viver realmente a Itália e os seus costumes”, acrescenta o jogador, que já trouxe a namorada duas vezes para o Brasil.

Daniel, que atua como fixo, iniciou na escolinha de futsal do Bella, em Caxias, com apenas oito anos. Passou às categorias de base da UCS um ano mais tarde. “Nesse ponto a coisa começou a ficar mais séria, pois a UCS disputava o campeonato estadual. Ali fui passando de categoria até chegar na adulta, mesmo com idade de juvenil”, conta o atleta. A oportunidade de sair do país veio em 2005, pelas mãos de Ângelo Guerra, ex-goleiro de futsal da UCS que na época jogava na Itália. Daniel enviou alguns vídeos ao amigo, que intermediou sua transferência. “Uma das coisas que me deram coragem de vir prá cá assim tão novo, com apenas 18 anos, foi o apoio dos meus pais. Eles me aconselharam e me deram liberdade total de decisão. E por isso agradeço muito a eles”, acrescenta Daniel, que é descendente de italianos e teve o processo da cidadania agilizado “Percebi o Até aqui, Daniel pelo time. não pontos negadesapontamento, tivos vê Daniel passou por em sua jornada diversos clubes italia- a desconexão italiana. A única coisa nos, nas séries A1 e entre o que o incomoda um A2, e hoje defende o idealizado pouco é a saudade da Città di Ceccano, onde e a vida família. Mas a maiojogam mais dois atleria dos emigrantes que tas de Caxias: Vagner cotidiana”, partem do Brasil para a Martins Toigo, 27 anos, conclui Itália em busca de trae Anderson Rodrigues pesquisador balho têm sentimentos da Silva, 24 anos. O diferentes. Esse é outro sucesso em quadras dado observado pelo italianas veio rápido. Na segunda tem- professor João Carlos Tedesco. “Perceporada no país, foi convocado para a bi com bastante clareza o desapontaSeleção Italiana Sub-21. Em julho de mento, a desconexão entre o idealiza2009, foi chamado pela primeira vez do e a vida cotidiana, em especial a do

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trabalho. Ainda que a dupla cidadania relata o estudante de Direito. “Um dia, favoreça em alguns aspectos e a media- uma colega que ficou sabendo que eu ção de instituições acabe protegendo era brasileira comentou: ‘mas como determinados grupos de imigrantes, brasileira, se ela não é negra?’”, lembra os brasileiros, de uma forma geral, são Rochele. vistos como extra-comunitários (não Os dois, no entanto, são unânimembros da Comunidade Europeia), mes em dizer que os italianos não são como estrangeiros. Os impactos são grosseiros, como costumavam escutar. inúmeros: os brasileiros oriundi espe- “Aquela história de que eles gritam, faram reconhecimento de pertencimen- zem gestos, no começo incomoda um to cultural e étnico, certos privilégios pouco, mas agora percebi que é a forma nos espaços de trabalho, legislações de agir deles. Tem aqueles que são grosespeciais, mas isso não se materializa”, sos e tem aqueles que são simpáticos, revela. como no Brasil”, observa Lucas. Talvez a situação seja um pouco mais Eles acreditam que a partir do motranquila para aqueles que viajam à Itá- mento em que se está em um país dilia para estudar. Geralmente, a instala- ferente é preciso entender e respeitar os ção é mais fácil, pois os estudantes já costumes do local. E estão encantados saem encaminhados por uma institui- com a multiplicidade de culturas com ção de ensino, viajam com a documen- que estão convivendo. Dividem um tação regularizada e podem programar apartamento com dois romenos, dois o retorno com antecedência. albaneses e um espanhol. “Onde quer A Itália tem sido o que se vá aqui na Itália destino preferido dos encontramos pessoas universitários da Ser- “Aqui reforçamos falando línguas difera que desejam fazer valores que nos rentes. É muita diversium intercâmbio no dade”, destaca Rochele. Exterior. Segundo a fazem melhores Outra coisa que chaAssessoria de Relações como pessoas. mou a atenção dos caInternacionais da UCS, Aprendemos a xienses foi a honestidesde 2000, 270 alunos conviver sem dade das pessoas. Um foram estudar em insexemplo é o sistema tituições italianas. Uma fazer de transporte urbano. das mais procuradas é a estereótipos”, “É muito interessanUniversidade de Vero- diz Rochele te que no ônibus não na, que neste ano receexista cobrador. Cada beu 10 alunos da UCS. um paga se quer, fica O casal de namorados Rochele Bar- na consciência do usuário. E a maioria celos Prá, 23 anos, e Lucas Carletto paga”, garante Lucas. Fardo, 23 anos, de Caxias, estão no Aqui reforçamos valores que nos fagrupo que partiu no início do segundo zem melhores como pessoas. Aprensemestre de 2009 para estudar em Ve- demos a não generalizar, aprendemos rona. Rochele está no quinto semestre a conviver com angolanos, albaneses, de Medicina e Lucas está quase acaban- sem fazer estereótipos”, diz a estudante do o curso de Direito. Ambos têm des- de medicina. cendência italiana, mas não possuem Os dois pensam que todos os univera dupla cidadania. Viajaram com visto sitários deveriam ter a oportunidade de de estudante. Lucas diz que escolheu a realizar um intercâmbio no Exterior. Itália como destino pela língua e pela Inclusive, entendem que seria impordescendência. Rochele amparou-se nas tante haver maior incentivo público ótimas referências da Universidade de para esse fim, já que após o período Verona. fora o estudante retorna com novos coNo início de agosto, antes que as au- nhecimentos para aplicar em seu país. las na universidade começassem, os “Na Espanha, muitos recebem bolsa de dois aproveitaram para fazer um “mo- 1.000 euros por mês para estudar fora”, chilão” pela Europa. “Já conhecemos compara Lucas. oito países diferentes, uma oportunidaDe toda a experiência na Itália, Rode que só teríamos aqui na Itália, pela chele aponta só um aspecto negativo. facilidade de viajar a preços acessíveis”, “Só estou aqui porque, com o valor da conta Rochele. Os caxienses estão sur- mensalidade de Medicina na UCS, dá presos com o tratamento que estão para pagar as despesas. É pena que eu recebendo no país, principalmente na não possa estar dividindo tudo isso universidade. “Os professores demons- com os meus pais, que estão trabalhantram interesse no nosso aprendizado, do para me dar essa oportunidade.” todos têm um gabinete com horário Rochele e Lucas devem prestar os para atendimento aos alunos e são bas- exames finais da universidade no início tante acessíveis”, diz Lucas. de janeiro. A programação para o Natal Mas os estudantes percebem certas incluiu ceia na casa de uma nova amidiferenças de comportamento nos ita- ga, na Polônia. Os voltaram para casa, lianos em geral. “Na aula, os colegas em fevereiro. Um retorno, com certeitalianos te olham, respondem se per- za, com um aprendizado inigualável e guntamos algo e depois viram a cara”, muitas histórias para contar.

Rochele e Lucas aproveitam o intercâmbio universitário em Verona

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Artes artes@ocaxiense.com.br

PAS DE

‘P

CHAT por LUIZ CARLOS PONZI

as de Bourré’, ‘Piqué’, ‘Pirouettes’, ‘Pas de Chat’, ‘Couru’. A vida toda fui perseguido por estas expressões que dançam por si só, mas ‘Pas de Chat’, a felina ‘Pas de Chat’, me acompanhou desde tenra idade. Filho de uma pianista alcoólatra, que noites adentro remoeu suas mágoas debruçada a um piano velho e nascido ao lado do Ballet Bonfim, fui criado entre acordes dissonantes e sapatilhas gastas. Tristes lembranças tenho de meu pai. Uma das poucas boas lembranças são seus lábios finos balbuciando: – ‘Pas de Chat’, o pulo de um gato! Minha casa era um sobrado escuro. Paredes mofadas e aquele cheiro característico dos tijolos úmidos. Janela para a rua não havia. Subindo a escada que dava acesso aos dormitórios, a primeira porta era meu quarto. Nessa época eu já beirava os seis anos de idade. Antes disso, entre roncos etílicos de minha mãe e gemidos de dor de meu pai, uma caixa de madeira abrigou meu sono infantil no mesmo quarto em que eles dormiam. Talvez não dormissem, mas esperassem a vida passar. Ainda em minha memória, o dia mais feliz de minha vida, o dia em que mudei de quarto. Como disse, janela para rua minha casa não tinha. Mas meu quarto... Ah, saudoso quarto... Este tinha uma janela especial. A janela do meu quarto dava para os fundos de uma escola de dança. O famoso Ballet Bonfim! Sete da noite. Uma drágea de analgésico e a luz apagada. Um beijo na testa de minha mãe e os passos frágeis de meu pai ecoavam à subida da escada. Lá embaixo o piano começava a tocar, lá em cima meu pai dormia. Essa rotina me acompanhou durante anos. No meu quarto... eu e a janela. ‘Pas de Deux’, ‘Port de Bras’ , ‘Mazurka’. ‘Mazurka Port de Bras’, ‘Pas de Deux’. ‘Pas de Chat’. Alguém sempre falava ‘Pas de Chat’! Às vezes demorava muito. Incrí-

vel. Eu não deitava antes de ouvir uma bailarina pronunciar ‘Pas de Chat’. Eu somente ouvia. Eu nunca vi. Tijolos opacos de uma escola para privilegiados não permitiram que para mim o som ganhasse forma. Amadureci na fantasia. A palavra me absorvia. Meu quarto, minha janela, ‘Pas de Chat’. Rodeado de tanta tristeza, essa era minha felicidade. ‘Pas de Chat’, o pulo de um gato. Noites e noites se passaram. Um, dois, três anos... Morre meu pai. Eu ainda menino e agora minha mãe doente. Piano? Cupins de barriga cheia. Agora havia silêncio. E no silêncio fúnebre de um entardecer triste apenas uma placa: Aluga-se. O Ballet Bonfim fechava suas portas. Cresci na solidão. Com quinze anos de idade éramos somente eu, Deus e lembranças. ‘Pique’, ‘Pirouette’, ‘Pas de Bourré’, ‘Pas de Bourée Couru’, ‘Pas de Chat’. Serei bailarino! Eu era magrela. Garoto sem cor e sem peso. E agora uma bolsa na mão. Dentro da bolsa, sapatilhas novinhas. Dona Taís, minha única tia, me deixa na porta da escola. Lá longe, escuto a música que aos poucos vai crescendo em meus ouvidos, tomando forma, resgatando aos poucos meus momentos mais saudosos. ‘Mazurka’... Sim, ‘Mazurka’! Eu lembro! E num instante surge a palavra... ‘Pas de Chat’! ‘Pas de Chat’! Largo minha bolsa na ante-sala da escola e correndo invado o linóleo onde bailarinos param seus passos ao ecoar de minhas palavras: – ‘Pas de Chat’, o pulo do gato! E de uma linda e delicada bailarina escuto a derradeira réplica. – Sim, ‘Pas de Chat’, um salto rápido e preciso fechando as pernas em quinta posição! Como num retrato fez-se à minha frente a imagem de outra bailarina no ar. Bela! Bela! As duas pernas dobradas... Flutuando... O alimento que não tive em minha infância. Felina bailarina que me devolveu a vida. ‘Pas de Chat’.

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Celso Bordignon | Bestias VIII |

A técnica que utiliza cera quente e tinta em madeira pinta as bestas que habitam no íntimo. Não cultivar nossa humanidade é dar espaço para as bestas que aguardam o instante de tomar forma. O artista plástico Celso Bordignon utiliza a técnica encáustica para alertar sobre as bestas.

Bailarina mecânica por MAQUIAM MATEUS SILVEIRA Elaborei o engenho mais perfeito Em métricas de aprumo e sem atrasos E dever de cansaço e recompensa, Dever de amor e fama consagrados. Mas desisti no enésimo fracasso E a Vida foi seguindo por si mesma. Agora é Ela quem me leva e engendra – Bailarina mecânica e sem arte.

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Maicon Damasceno/O Caxiense

Afeto Animal

um

focinho pede

carinho Vítimas da desumanidade de alguns, cães e gatos maltratados e abandonados são salvos pela compaixão de outros, enquanto aguardam pelo amor de novos donos

Na Soama, os cães mais velhos são rejeitados na hora da adoção. A preferência é sempre por filhotes ou cachorros de pequeno porte

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por CÍNTIA HECHER cintia.hecher@ocaxiense.com.br ocê chega em casa e tem seu animalzinho de estimação lhe esperando. Ele o recebe com a alegria de quem sente a maior saudade do mundo. Não tem como não sorrir e agradecer pela existência de companheiro tão fiel. As ruas da cidade estão repletas de cães e gatos com a mesma capacidade de amar, proteger e dar carinho, como o que você tem em casa, mas ninguém os aceita. Por conta disso, eles estão sujeitos a doenças e a maus tratos. Quem gosta de animais entende a dedicação deles ao dono e também sofre um pouquinho cada vez que vê um bicho sofrendo. A Sociedade Amigos dos Animais (Soama) é uma organização não governamental administrada por uma de suas fundadoras, Dinamar Maria Oselame Valenti, que acolhe animais abandonados em Caxias do Sul. A entidade, com oito funcionários, recebe apoio financeiro da prefeitura, mas a principal forma de entrada de recursos é a venda de produtos relacionados à marca.

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Há 11 anos Dinamar trabalha na entidade e convive com animais que sofreram desde abandono até agressão física. Para ela, em todo esses anos, nada mudou em relação ao comportamento humano. “As pessoas continuam sem consciência de que o animal também merece uma vida digna”, protesta Dinamar. Um pouco da fé na humanidade se foi. Dinamar é responsável pela supervisão das adoções e explica que as pessoas preferem levar os filhotes para casa. Mas a Soama abriga muitos animais que chegaram recém-nascidos e não foram adotados. Há uma preferência também por aqueles de pequeno porte, que chega a aproximadamente 90%. Filhotes grandes ou animais já com certa idade tendem a passar o resto de suas vidas por lá. A chácara, em São Virgílio da 6ª Légua, tem uma faixa na entrada informando a contagem de seus moradores: 1.800 animais. “Mas está bem desatualizada”, adverte Dinamar. Com três hectares, o chão de terra batida do local acomoda o que parece uma favela de bichos, com casinhas a perder de vista espalhadas pelo terreno. Ou,

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como diz a administradora, “é um cãodomínio”. Na entrada, um portão enorme de ferro se abre e permite avançar pela estrada ladeada de casinhas. Logo à esquerda, uma cachorra late agressivamente e chega a assustar uma das tratadoras, que lhe dava água. É uma exceção. Por mais que praticamente todos os cachorros tenham sido vítimas de maus tratos, normalmente eles ficam extasiados com a presença de quem possa lhes dar atenção. Os animais são distribuídos em casinhas ou em canis. Alguns são pequenos e parecem mais com galinheiros. Nesses menores ficam alguns dos animais adoentados. Nos canis maiores os cachorros ficam melhor alojados, pois contam com a vantagem de não estarem presos pelas correntes de mais ou menos um metro que seguram os outros. Mais ao fundo, encontra-se o hospital. Lá fica a maior parte dos bichos doentes, que estão recebendo tratamento, aguardando uma visita do veterinário ou em recuperação. Todas as cirurgias são feitas fora da Soama, por veterinários parceiros.

A entrada de cachorros e gatos na entidade é muito maior do que a saída. Para levar um bichinho para casa, é só ir até a chácara nas segundas-feiras, quintas-feiras e sábados, das 15h às 17h, e escolher um felizardo. Outra maneira é ir na feirinha realizada mensalmente no estacionamento da prefeitura, sempre em um domingo de bom tempo. Para adotar um cachorro ou gato da instituição, deve-se preencher e respeitar um termo de responsabilidade, onde precisam constar informações como quantas pessoas coabitarão com o bicho de estimação e qual o local escolhido para manter o animal. Se esse termo de alguma forma for desrespeitado e isso for descoberto pela fiscalização da Soama, a entidade pode entrar com ação no Ministério Público contra o dono. Deve-se, também, pagar R$ 25, referentes à vacinação e ao vermífugo aplicados. “A taxa é cobrada principalmente para valorização do animal, para ninguém achar que só porque é de graça ele é descartável”, explica Dinamar. Outro local que abriga ani-

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um arame, um filhote que parece mistura de pastor alemão e rotweiller se recupera em uma gaiola. Mesmo com o corte ainda bem à vista, o filhotão se anima e pede carinho. A situação do bicho entristece por demonstrar a maldade que um ser humano é capaz de fazer, mas alegra por comprovar a inocência e a falta de rancor de um animal. Beatriz tem certeza que o cachorro logo se recuperará. “Fiquei com tanta raiva que tive vontade de publicar por aí ‘fio de náilon, arame... por que não uma coleira?’ Foi uma cena horrível de se ver”, revolta-se ela. Ao contrário da Soama, na chácara de Flávio e Beatriz as adoções são mais comuns. Num mesmo dia levaram cinco cachorros. “Mas eu digo que eles têm que ser bem cuidados, já sofreram demais. Se não é pra cuidar com dignidade, que os deixem aqui”, exalta-se Flávio. Segundo ele, só neste ano foram doados cerca de 400 animais. Nada é cobrado, mas também nenhum tratamento de saúde é feito. “A única cobrança é para que eles sejam tratados direito.” Carinhoso, o dono da chácara é saudado efusivamente pelos bichos enquanto passa apontando um por vez, dizendo seus nomes e contando suas invariavelmente lastimáveis histórias. “Falo com eles sempre, assim se sentem bem e ficam alegres. Já tiveram tanta tristeza na vida, né?”, conta Flávio. O casal se refere aos seus hóspedes como “filhos”, preenchendo com amor o que não conseguem dar

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mais abandonados é a chácara de Flávio Dias. Sua esposa, Maria Beatriz dos Reis Dias, estima que entre cães e gatos há uns 300. Flávio não faz a menor ideia, perdeu a conta. Há sete anos o casal se mudou para a chácara, no bairro Parque Oásis, próximo ao Cemitério Parque. Conforme Beatriz, quando foram olhar o terreno para avaliar a compra, Flávio pensava em instalar por lá uma empresa. Ao ver aquele espaço verde, mudou de ideia. “Vou realizar meu sonho de infância, vou encher isso aqui de cachorro”, disse Flávio para a esposa. Ela topou. À beira da estrada, quem entra é recepcionado, com originalidade, por um pinheiro de Natal – uma árvore do terreno decorada com estrelas cadentes e luas recortadas de embalagens de ração – e um presépio – formado por estátuas de animais rodeando São Francisco de Assis e montado dentro de uma casinha de cachorro. À noite, as lâmpadas em volta da árvore são acesas. “É Natal pra eles também”, sorri Beatriz, referindo-se aos animais. Logo adiante, centenas de casinhas estão espalhadas por um terreno acidentado e repleto de árvores. Um pavilhão à direita serve de depósito e de abrigo aos bichinhos mais afetados. Lá fica uma caminhonete que não funciona mais, mas seu capô é aproveitado como cama por Dóris, uma gata cinza. Ali também se encontra uma prova de crueldade – e de resistência. Depois de sofrer uma tentativa de degola com

Com o apoio da mulher, Beatriz, Flávio realizou um sonho de infância

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Para quem não pode pagar nem essa quantia, ainda há outra maneira. Por meio de um cadastro na prefeitura, pessoas de baixa renda têm o direito de ter seu animal castrado sem custo algum, nem o de transporte. Duas moças da SOS Animal vão até a casa do cidadão pela manhã e recolhem o bichinho – não necessariamente um só. Na sua planilha de controle das castrações, Corina aponta casos como o de residências com 14 gatos levados de uma vez para a clínica. A quantidade não importa. Eles não vão embora até terminar todo o serviço, mesmo que supere a média diária de 20 animais. Corina, uma senhora de curtos cabelos brancos, é uma das fundadoras Mesmo com iniciativas como da Soama. Há três anos deu início essas, muito animais são abandonados à SOS Animal, um trabalho que, de e, consequentemente, maltrados pelas acordo com ela, não rende dinheiro, ruas de Caxias. Uma das soluções para só satisfação. “Aqui não tem nada a essa superpopulação de rua é a castra- ver com lucro, porque ele não existe. ção. De acordo com a coordenadora de O dinheiro vai para os veterinários, os Vigilância e Saúde da Secretaria Mu- remédios, os funcionários. É por amor nicipal de Saúde, Arlete Viezzer Bian- mesmo”, explica Corina. chi, uma das funções do órgão é o traA clínica fica na Rua Antônio Prabalho preventivo, de conscientização. do, entre a Visconde de Pelotas e a Um projeto pedagógico, em parceria Garibaldi, no Centro. É no térreo de com a Secretaria Municipal de Edu- uma casa comum, alugada. Logo na cação, deve estar nas escolas em 2010. entrada dá-se de cara com o que paAlunos da rede municipal aprenderão recem engradados de cachorros e gacomo tratar seu bicho de estimação, tos. São caixas onde os animais são recebendo dicas sobre transportados. Mais cuidados necessários e adiante, no corredor, posse responsável. “O “Não tem em grande gaiolas, bitrabalho é de conscienchos que ainda não tização da população, nada a ver com foram para a mesa de com ações em con- lucro, porque ele cirurgia aguardam junto para diminuir a não existe. sua vez. Atrás das úlquantidade de animais É por amor timas grades, a marca de rua e das entidades da maldade humana. que os recolhem. Não mesmo”, Dois animais, que repensar nisso é agressão enfatiza cebem carinho espeaos próprios animais”, Corina, da cial dos funcionários, afirma Arlete. “Espe- SOS Animal repousam. Uma delas ramos que a população é uma cachorrinha da se torne parceira e faça raça pinscher, com os sua parte”, complementa a coordena- olhos totalmente brancos pela cegueidora. ra, além da boca torta e da língua que Um dos planos da secretaria, a cria- pende para fora. “Abandonaram sabeção de um polêmico Centro de Zoo- se lá depois de dar quantas crias bem noses, onde seriam realizados tra- valorosas”, entristece-se Corina. A tamentos veterinários, castrações e outra é uma gata sem os dois olhos. a impopular eutanásia, não sairá do Chegou lá com os globos oculares papel. Depois da aprovação de uma pendurados depois de ser atacada prolei estadual que proíbe o extermínio positalmente por cachorros atiçados de animais pelos órgãos de controle pelos donos. de zoonoses, a implantação do estabeNo seu escritório com paredes forlecimento caxiense foi cancelada pelo radas de imagens de cachorros e gatos, prefeito José Ivo Sartori em julho deste ladeado por uma pequena cozinha e ano. três salas de cirurgia, Corina conta A castração é uma alternativa. Ela que ela e o marido ganharam do filho evita a reprodução em larga escala e, uma viagem à Itália. Então, ela sugepor consequência, o abandono e a ne- riu ao esposo que, ao invés do passeio, cessidade de adoção. Mas essa medi- realizassem uma vontade dela. Com da não depende só do bom senso das o a concordância dele é que nasceu a pessoas. Ela custa dinheiro. Quem clínica, à qual Corina se refere como não tem condições de levar seu bichi- “SUS animal”. “Isso é o que me deixa nho a uma clínica veterinária comum feliz, mais que a Itália. E aqui somos encontra a solução na SOS Animal, uma família.” ONG capitaneada por Corina Pivotto Na mesa repleta de papéis, onde se Meletti. perde um telefone bege antigo, daLá, as castrações custam pratica- queles de disco, há um calendário mente a metade do preço normal. com mensagens diárias de como viver Cobra-se R$ 50 para gatos e R$ 60 melhor. Entre elas, deveria constar para cachorros até 15 quilos. Os mais que o respeito com outros seres vivos, gordinhos pagam mais, por conta da humanos ou não, é essencial. Longe quantidade de anestésico a ser utili- dali, Flávio Dias completa o recado: zado. Desse valor, R$ 30 vão para o “Se cada pessoa praticasse um pouco médico veterinário que realizar a ci- de bondade, o mundo seria um lugar rurgia. São três os que atuam na ONG. bem melhor”.

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materialmente. “Eles são os melhores amigos que eu já arrumei”, assinala Flávio. O trabalho é 24 horas por dia, sem férias, sem domingos de folga, sem feriados. Mas eles não reclamam. “Não tem felicidade maior do que isso. Com eles se sabe que o carinho é real, que são puros”, diz Flávio. “Com eles se tem paz”, completa Beatriz. Os animais consomem 125 quilos de ração por dia, que é dada junto com arroz e miúdos de galinha. A infraestrutura não é das melhores. Por conta disso, voluntárias organizam eventos para arrecadar donativos à chácara. Aceita-se desde ração para cães e gatos até cobertores, tapetes e lençóis. Tudo que traga mais conforto.

Chácara da Soama, em São Virgílio, reúne mais de 1,8 mil animais

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Hábitos ecológicos

SAUDÁVEL

MINORIA

Feira de produtos orgânicos ganha espaço entre os caxienses preocupados com a saúde e o meio ambiente

À

por JOSÉ EDUARDO COUTELLE jeduardo.coutelle@ocaxiense.com.br

mente uma pesquisa para avaliar os alimentos cultivados de forma convencional, com defensivos químicos. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos encontrou, em 2008, amostras com agrotóxicos acima do valor permitido e algumas substâncias proibidas em todos os alimentos analisados. O campeão do agrotóxico foi o pimentão: 64,36% das amostras apresentaram 18 produtos proibidos para a cultura e quatro em quantidades acima do permitido. Outros alimentos com excesso de agrotóxicos foram o morango (36,05%), a uva (32,67%) e a cenoura (30,39%).

s 6h30min da manhã de sábado, quando a cidade recém desperta, os agricultores já tomam conta da Rua Dr. Augusto Pestana, junto à antiga Estação Férrea. Estão lá há um bom tempo, saíram de madrugada do interior de Caxias e de outras cidades para montar suas bancas. Agora, em questão de minutos, dezenas de pessoas à procura de frutas, legumes e outros alimentos começam a preencher o espaço que há poucas horas pertencia somente aos carros. Os automóveis só retomarão a rua depois das 11h30min, quando terminar mais uma Feira Ecológica. Conforme a prefeitura, exisAlém desse espaço, tem em torno de 6 mil a feira tem outro enfamílias de trabalhadodereço, na Rua 13 de res rurais em Caxias do Apenas 1% da Maio, entre Avenida Sul. Somente 10 delas Júlio de Castilhos e Si- produção estão cadastradas na nimbu, em sua versão caxiense é feira dos produtos orreduzida, que começou de alimentos gânicos, acompanhaa ser feita recentemendas de 17 provenientes orgânicos, te. Ela ocorre todas as de outros municípios. quartas-feiras, das 13h calcula Venturin, Na conta de Leandro às 17h. Ou seja: são assessor técnico Venturin, assessor técduas feiras ecológicas, do Centro nico do Centro Ecolócontra 44 tradicionais. gico Ipê, há 19 famílias Ecológico Ipê Ainda é pouco. Produproduzindo alimentos tores e consumidores orgânicos em Caxias. de alimentos orgânicos são minoria, Segundo ele, esse número se divide em em Caxias e em praticamente qualquer dois grupos. “O primeiro surgiu por lugar do mundo. Mas o importante é volta de 1998, 1999, e recebeu apoio que essa minoria vem avançando. técnico da administração anterior. Isto Alguns já fazem parte dela há tem- é, as famílias tiveram uma capacitapos. Teresinha Peruzzo, 81 anos, por ção. Já o segundo trabalha diretamente exemplo, frequenta a feira há 12. “Ve- para a Cooperativa Vinícola Aliança, nho todos os sábados, desde que ela e produz apenas uva.” Ainda segundo começou, pois me preocupo com a os cálculos de Venturin, apenas 1% da saúde e sei que aqui tenho produtos de produção rural da cidade é orgânica. qualidade”, elogia, enquanto pergunTécnico agrícola do Departamento ta ao vendedor se a couve é novinha. de Segurança Alimentar e Inclusão So“Sim”, ele responde. Outros consumi- cial da prefeitura, Ariovaldo Dutra de dores ainda estão se habituando à op- Lima acrescenta que a cidade tem quação ecológica. É o caso de Vera Salib, tro hortas comunitárias 100% ecológique não vai muito seguido à feira por cas, que empregam 20 pessoas. “Temos não encontrar lá todos os itens que de- o cuidado de permitir que só maiores seja. “Não consegui batata inglesa nem de idade lidem com a terra. Lugar de tomate hoje.” O vendedor explica a ela criança é na escola”, salienta. Os númeque são vendidos apenas os alimentos ros oficiais indicam que foram produda época, logo, não se pode encontrar zidas nessas hortas, no ano passado, de tudo. E ainda há aqueles que trans- 2,5 toneladas de hortaliças em uma formam o consumo em passeio, como área de 10 hectares. A prefeitura, com Izolte Werner Kirsch e a filha, Maria- o governo federal, realiza o programa na. “Os produtos são de qualidade e Compra Direta Local da Agricultura não têm agrotóxicos. Primo pela saúde Familiar, que também é dedicado exda minha família”, diz Izolte, escolhen- clusivamente à produção de orgânicos. do algumas verduras. Nele estão cadastradas mais de 250 Preocupada com a saúde, ou com a produtores, que fornecem em torno de falta dela, a Agência Nacional de Vi- 55 toneladas de hortaliças por mês. “O gilância Sanitária (Anvisa) faz anual- município oferece tudo: terra, assistên-

Alimentos frescos, sem agrotóxicos, são vendidos diretamente ao consumidor

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cia, adubos e sementes. O agricultor só vem com o trabalho. Só não produz alimentos orgânicos em Caxias do Sul hoje em dia quem não quer”, enfatiza Lima.

vendemos tudo aqui”, conta. Antes de produzir bananas orgânicas, Manuel usava agrotóxicos na plantação. “As pessoas não fazem ideia da quantidade de venenos que é colocada nas bananas.” Como os orgânicos são mais trabalhosos de produzir, pois necessitam de constantes cuidados, o preço fica um pouco mais caro, R$ 2 o quilo. Entretanto, o produtor argumenta que eles compensam na qualidade de vida e saúde que proporcionam.

médicos sobre os riscos de contaminação. Conforme o Ministério da Saúde, a “taxa de internação por envenenamento ou exposição à agrotóxicos” no Rio Grande do Sul é relativamente baixa comparada a outras regiões do país. No Estado, a taxa de pessoas internadas em 2006 foi de 0,77 por 100 mil habitantes. Esse número aumenta para 2,87 no Rio de Janeiro, 3,7 no Mato Grosso, 4,82 no Ceará e 6,83 no Distrito Federal. Estudos da Fundação De volta à feira, a Tenda Mi- Oswaldo Cruz apontam que a exposichelli está repleta de alimentos como ção aos agrotóxicos pode desenvolver queijos, alcachofra, alface, mel e toma- tumores malignos, deformações nos te. Entre um cumprimento de mão a fetos e baixa da natalidade masculina um comprador e um “bom dia, senho- nas pessoas que têm contato direto ra”, o agricultor Claudemir Michelli com esses produtos. exalta a qualidade de Todos os dias, no seus produtos. “Aqui, fim do serviço, o méàs seis e meia todas as “O preço é dico toxicologista Cébancas já estão arma- um pouco sar Pasqual guarda o das e com todos os seus jaleco branco e o esmais elevado, produtos em cima. Às tetoscópio e vai para sete, a feira já está cheia. mas o sua chácara em ForEu tinha umas alcacho- comprador queta. Ele e a esposa, fras lindas e enormes. sabe que está a médica anestesista Dariam ótimas fotos. Andrea Pasqual, vialevando algo Mas já vendi todas”, cojam 20 minutos de menta. Ele expõe seus de qualidade”, carro por uma sinuosa produtos na feira há 10 diz Tondello estrada até o sítio Reanos, e diz que a cada canto Ecológico, a 15 dia vende mais. Antiquilômetros do centro gamente, Claudemir produzia seus da cidade. Chegando lá, aos poucos, alimentos de forma tradicional. Tinha os ruídos habituais da vida urbana, plantações de maçã e pêssego. Aban- como surdinas agudas de motocicledonou o uso de agrotóxicos após sentir tas, o som pesado dos ônibus lotados seus efeitos nocivos e ser alertado por e buzinas de motoristas impacientes Maicon Damasceno/O Caxiense

De Antônio Prado, um pouco mais ao norte, José Tondello traz pêssegos, alfaces, rúculas. Tondello faz parte da Cooperativa Aécia, que reúne 22 famílias de agricultores. A cooperativa tem como foco principal a exportação – o Um dos expositores locais da Canadá é um dos países compradores. Feira Ecológica – que também reú- Há 12 anos vendendo seus produtos ne produtores de Ipê, livres de agrotóxicos Bom Princípio, Anna feira, o agricultor tônio Prado, Monte- “O município diz que o público connegro, Nova Roma do oferece tudo. sumidor é fiel. “Nossos Sul e Torres –, César Só não produz alimentos não contêm Pasqual, conhecido por produtos químicos. O sua vasta produção de alimentos preço é um pouco mais pêssegos, salienta que orgânicos quem elevado, mas o como plantio de orgânicos não quer”, prador sabe que está tende a crescer devido convoca levando algo de qualià implantação de um dade, que não fará mal selo de qualidade na- Lima, técnico à saúde.” cional. “Muitas pessoas da prefeitura Confirmando o distêm receio de que o alicurso de Tondello, o mento seja realmente presidente do Sindicato produzido sem agrotóxicos. Este selo dos Trabalhadores Rurais de Caxias dará uma confiança para o compra- do Sul, Renato Formolo, salienta que dor”, acredita. A certificação entrará a produção de alimentos orgânicos é em vigor na segunda-feira, dia 28, e os uma tendência natural do mercado. produtores terão um ano para se ade- “Já não se aceita o uso descabido de quar. agrotóxicos na produção de alimenJocemar Dal Molin é do grupo de tos. Existe uma demanda. O mercado feirantes que vêm de fora. Produz ali- estrangeiro, principalmente o europeu, mentos orgânicos em Nova Roma do está aberto para produtos orgânicos da Sul há 10 anos. O agricultor resolveu região tropical”, constata. plantar sem o uso de agrotóxicos por Saindo de Torres, Manuel Evaldt questão de saúde. Segundo Jocemar, Webber sobe a Serra todos os sábaque recebe apoio técnico da prefeitura, dos, dirigindo seu caminhão cheio os orgânicos dão mais trabalho, mas de bananas, para participar da feira. compensam por não expor seu orga- Há 10 anos tem a mesma rotina. “Tenismo aos defensivos químicos. mos banana branca e caturra. Sempre

Logo cedo, aos sábados, a Rua Dr. Augusto Pestana, na antiga Estação Férrea, é interrompida ao tráfego para ceder espaço à clientela da feira

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Adriana e o marido cuidam da variada produção orgânica que brota nos 17 hectares do sítio Recanto Ecológico, mantido por um casal de médicos em Forqueta

vão sendo substituídos pelo canto dos dução de apenas um produto em larga pássaros e pelo balançar dos galhos das escala, é uma característica marcante árvores. Os cães da propriedade dão o devido à facilidade de produção, armasinal sempre que pessoas estranhas se zenamento e venda. Com as plantações aproximam. orgânicas, é usada a técnica da rotação Caminhar pela chácara é parte do das culturas. Os alimentos são plantaexercício diário da família. Segundo dos cada vez em lugares diferentes, a César, para se produzir o alimento fim de que uma outra cultura recupere orgânico é necessário estar constan- o solo dos nutrientes desgastados pela temente conferindo a saúde do pro- anterior. duto. “Nossos grandes Andrea diz que o sevilões são os fungos e gredo para uma boa as moscas. Como não “Já não se plantação sem o uso usamos nenhum tipo aceita o uso de agrotóxicos começa de agrotóxico, temos descabido de pelo uso da adubação de aplicar nossas receiverde. Ela conta que o agrotóxicos tas caseiras.” Produtos processo é bem simnaturais são usados no na produção ples. É feito por meio combate aos insetos. de alimentos”, de um minhocário: em Ao longo das fileiras de diz Formolo, uma área coberta e dipessegueiros há uma vidida por canteiros presidente do garrafa pet furada, é colocado esterco de contendo um líquido sindicato rural gado, e sobre ele capim composto de vinagre, de elefante; em seguida, açúcar e água, que seras minhocas são inserive para capturar as moscas. das. Elas consomem o esterco e logo o O sítio Recanto Ecológico já tem 13 expelem. Esse resultado gera o húmus, anos. Nos seus 17 hectares existe uma um adubo natural oito vezes mais pogrande variedade de produtos orgâni- tente que o esterco normal. O capim é cos, entre eles cebola, repolho, alca- importante pois protege as minhocas chofra, salsa, tomate, alface, beterraba, de possíveis predadores, como pásbatata, ameixa, amora, pêssego, maçã e saros. “Cheire aqui. Não tem odor de mais outros tantos. Quase como uma esterco. Tem cheiro de terra molhada”, versão atual do Éden bíblico, a cada salienta. passo é possível provar uma fruta diTodo o processo de produção em um ferente apenas esticando a mão e co- sítio orgânico é natural. A água é caplhendo-a diretamente do pé. A cami- tada da chuva e armazenada em cisternhada pelo sítio acaba tornando-se um nas. As folhas são usadas para a produpasseio gastronômico. Essa é uma das ção de adubo, e o restante do material características que distinguem a plan- orgânico não aproveitado é colocado tação tradicional da orgânica. Na pri- nas compostagens. César conta que meira, a monocultura, ou seja, a pro- recebe apoio técnico do Centro Eco-

lógico Ipê, uma organização não-governamental que atua na Serra e no Litoral Norte. Além disso, conta com a cooperação entre os que se dedicam à agricultura orgânica. “Trocamos informações entre nós produtores mesmos. Nos reunimos mensalmente e expomos dificuldades e descobertas a fim de crescermos juntos”.

de encher um tanque plástico de 2 mil litros que está preso ao trator. Logo depois, são colocados dois litros do composto A e, em seguida, a farinha de trigo diluída em água. Já com o produto pronto, Vilson borrifa a mistura nos pessegueiros, que somam 600 pés. Com uma mão o caseiro segura a pistola e com a outra a direção do trator, feito que exige certa destreVilson Carlos Ferreira de Mat- za. Vilson, que já foi jóquei, cumpre tos, 38 anos, trabalha como caseiro no a tarefa com tranquilidade. “Parece sítio Recanto Ecológico. Sua mulher, complicado, mas com um pouquinho Adriana da Silva, 28 anos, e seus filhos, de prática acaba sendo bem fácil.” Em Vilson Junior, 11 anos, e Wesley, sete pouco mais de meia hora, o caseiro anos, acompanham e auxiliam na lida agricultor passa o produto em todos os diária do campo. A família mora há pessegueiros. sete meses no sítio, e tem uma rotina Os pêssegos são colhidos e armasimples. Todos acordam bem cedo, zenados às sextas-feiras, véspera da pois as crianças pegam o ônibus para feira. Depois, basta transportá-los até a escola às 6h30min. Nos dias de se- a cidade e deixar que o consumidor mana, as atividades incluem colher os faça sua escolha. A este último, porém, frutos maduros, semetambém cabe um cuiar novas hortaliças e dado importante: levar adubar as plantações. uma sacola de pano, Quase sempre, são fei- “Nos reunimos carrinho ou cesta para tas em conjunto. carregar suas compras. e expomos Vilson vai passar o dificuldades e Na Feira Ecológica de composto A – um proCaxias do Sul, foi dedescobertas duto natural à base de cretado, ainda em maio mamona, que serve a fim de de 2008, o fim da sacola como adubo e repe- crescermos plástica, incompatílente de insetos – nos juntos”, vel com a filosofia dos pessegueiros. Ele dirige orgânicos. Os consuconta o médico o trator até o galpão, midores que chegam onde Adriana está mis- e produtor César desprevenidos, porém, turando dois quilos de podem comprar sacofarinha de trigo dentro las confeccionadas com de um balde com água. Enquanto isso, produtos naturais em algumas bancas. Vilson Junior está montado sobre o Tudo para respeitar – e incentivar – a trator, segurando uma mangueira que saudável e crescente minoria adepta da puxa água da cisterna ao lado, a fim agricultura ecológica.

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Esperança alviverde

Scola diz que o apoio de ex-presidentes foi fundamental para fazê-lo voltar: “Aqui ninguém vai fazer nada sozinho”

A Difícil MISSÃO DE

RECOMEÇAR P

por FABIANO PROVIN fabiano.provin@ocaxiense.com.br relúdio. Esse é o nome do vinho produzido por Milton Scola dentro do projeto Vinha Solo, desenvolvido em parceria com o caxiense Marco Danielle. Um tinto elaborado com uvas Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc que, segundo degustadores de sites especializados, está acima do padrão. Até bem pouco tempo atrás, as videiras que forram uma área de terras no distrito de Fazenda Souza eram as maiores preocupações do novo presidente do Juventude. Na noite de 17 de dezembro, quando foi eleito com o apoio dos ex-presidentes que integram o Conselho Consultivo alviverde, Scola discursou prometendo empenho e equilíbrio entre receita e despesa. Também disse que vai apostar nos jogadores das categorias de base para montar o time que deve iniciar a disputa do Gauchão a partir da segunda quinzena de janeiro. Naquele momento, Scola sabia que não dedicaria mais o tempo desejado para a família e os vinhos, suas paixões. A partir de 1º de janeiro, quando assume oficialmente o cargo de Sérgio Florian, o caxiense formado em Arquitetura pela Universidade Federal

do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1981 terá um novo desafio: conduzir o Juventude no pior ano desde a fundação, em 1913. Casado e pai de duas filhas, Scola deixou de exercer a profissão de arquiteto e apostou na produção de vinhos há sete anos. Em 2009, participou da Expovinis Brasil (Salão Internacional do Vinho), em São Paulo. “Eu sou meio assim: gosto de vinhos, de arquitetura e de futebol”, resume-se. Mas Scola, que começou a atuar no clube em 1992, a convite do ex-presidente e líder da construção do Estádio Alfredo Jaconi (entre 1972 e 1974) Willy Sanvitto, garante que já gostou mais de futebol. “Não sei se terei prazer aqui dentro. Eu era um apaixonado pelo futebol. Como dirigente, sempre terei de agir com responsabilidade, sei disso”, contextualiza. Sentado em uma das salas do Departamento de Futebol do Jaconi e com a fisionomia preocupada, Scola olha vagamente para a mesa antes de responder perguntas pessoais. Sorriso, apenas um, bem no final da entrevista, ao comentar que foi parado em um supermercado durante a semana e questionado: “O que você faz, trabalha com educação?”, pediu um torcedor, referindo-se ao sobrenome de ori-

Milton Scola, presidente do Ju em 2010, gosta de ficar com a família, de vinhos e de arquitetura. E já gostou mais de futebol

gem italiana. Antes disso, o barulho Clube Juventude quando completou do ventilador de teto preencheu uma 18 anos. Integrante de uma família breve pausa antes de Scola contar o formada exclusivamente – garante ele que gosta de fazer nas horas de folga: – de papos, 21 anos depois tornou-se “Navego na internet e leio, mas gosto dirigente e integrou uma comissão de mesmo é de ficar em casa com minha obras, responsável por construir um família ou conversando com amigos e ginásio na antiga sede campestre. Em saboreando um bom vinho”. 1993, acompanhou a assinatura do Quando o assunto contrato de co-gestão é futebol, Scola muda, com a multinacional tem as respostas di- “Aprendi a Parmalat. “Muito diretas, objetivas. O observar muito nheiro entrou nos copresidente, que foi ao fres do clube. Foram estádio pela primeira para entender mais de US$ 3,2 mivez depois da eleição as decisões que lhões na época, ninsomente na tarde de eram tomadas. guém sabia quanto era terça-feira, dia 22, pa- Hoje sou um isso.” Nos dois anos rece focado. Ele levanseguintes, foi vice-preta a cabeça, olha para a dirigente, e não sidente de patrimônio. persiana que impede a um torcedor”, “Neste último ano, revisão da sala ao lado – lembra Scola formamos praticamenonde estavam dirigente todo o estádio. Em tes, entre eles o vice de 1994, conquistamos futebol, Juarez Ártico, e o gerente de a Série B do Campeonato Brasileifutebol, Túlio Cunha Lima, que nego- ro. Ou seja, estávamos na 1ª Divisão. ciavam a contratação do novo técnico Precisávamos modernizar o Jaconi. – e explica, com a experiência de ter Ampliamos as cabines de imprensa, os sido presidente do clube em dois man- vestiários e a pista frontal das arquidatos (1999 e 2000), que o Ju não pode bancadas, entre outros encaminhater um time caro e que não produza mentos. Para quem não lembra, o piso resultados em 2010. era de brita nesse local”, descreve. Em 1998, como vice de futebol do Scola se associou no Esporte então presidente Gastão Brito, Sco-

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la participou da conquista invicta do ventude racionalmente. Será preciso Gauchão com o técnico Lori Sandri, ser dar um passo atrás para nos fortítulo que quebrou uma hegemonia talecermos”. de mais de meio século dos clubes da capital. Em 1999, veio a principal glóScola garante ter se rodeado de amiria alviverde: a Copa do Brasil. Scola gos para conduzir o trabalho – viceera presidente (mesmo cargo que ocu- presidente, Geandro Elias Turcatti; pou no ano seguinte), e vice de patrimônio, Valmir Louruz, o treiRoberto Tonietto; vice nador. Depois disso, se “O enxugamento administrativo e fiafastou, “por opção”, do quadro nanceiro, Luiz Carlos do mundo da bola. será Ghiotti; vice de ma“Quando era jovem, rketing, Mauro Trojan; cheguei a pensar em inevitável. vice das categorias de ser dirigente. Quando Temos uma base, Antônio Comerme tornei um, vi ou- estrutura de lato; vice de futebol, tra realidade. Aprendi Série A, mas Juarez Ártico; e assesa observar muito para sores da presidência, entender as decisões estamos na C”, ex-presidentes Iguateque eram tomadas. avalia Scola my Ferreira Filho, WalHoje, com o pouco que ter Dal Zotto Júnior e aprendi, digo que a raMarcos Cunha Lima. zão deve predominar sobre a paixão. Scola anuncia que seu projeto preza Hoje sou um dirigente, e não um tor- pela credibilidade. “Aqui ninguém vai cedor. Mas, acima de tudo, um juven- fazer nada sozinho. Não podemos agir tudista”, exclama. Passados 10 anos, com paixão, mas com profissionaScola foi procurado pelo Conselho lismo e foco no torcedor.” Conforme Consultivo, coordenado por Alfre- diz, o torcedor não deve pensar como do Sehbe. “Eu não tinha a intenção um dirigente, caso contrário, perde de voltar. Nem pensava em me lan- o encanto. “Como aconteceu comigo çar candidato. Nesse ponto, o apoio depois de algumas situações. O maior dos ex-presidentes foi fundamental. patrimônio do Ju é a sua torcida. Ela A carta aberta encaminhada por eles já demonstrou diversas vezes do que é me deixou à vontade. O trabalho será capaz. Eu já vi esse retorno. Confio na e está sendo árduo, mas sei que conta- torcida.” Para estimular a participação mos com apoio da maioria”, desabafa da papada, a equipe de Scola estuda a o presidente eleito com diferença de criação de um plano de associados – o oito votos sobre o candidato da situa- projeto está em fase de elaboração. ção, José Antônio Boff, o Bofinho. Após a contratação de Osmar Loss Vestindo calça jeans, camisa e tênis como treinador, na quarta-feira, o priAll Star, Scola defende que o Juventu- meiro passo é a diminuição mensal do de precisa colocar os pés no chão. O déficit do clube (estimado em mais de clube, que teve aporte milionário da R$ 6 milhões até o final de 2009). Para Parmalat até 2000, quando a empre- isso, equilibrar receita e despesa é funsa encerrou a participação no futebol, damental, ressalta o dirigente. “Não continuou “a voar na mesma altitude, podemos mais acumular dívidas. O pois estava estabelecido. Agora, tem enxugamento do quadro de funcionáde baixar o avião e ter certeza de que, rios será inevitável, em todas as áreas. quando preciso, poderá pousar”, com- Hoje o Juventude tem um total de 160 plementa. funcionários, incluindo atletas. Temos Na noite da eleição, Milton Scola fi- uma estrutura de Série A, mas estacou rodeado por conselheiros no Sa- mos na Série C. Essa é nossa realidade. lão Nobre Walter Dal Zotto, no Jaconi. Chegou o momento no qual não poApós trâmites burocráticos, discursou demos mais brincar”, alerta o enófilo para os cerca de 160 presentes: “Essa Scola, morador do bairro Exposição. eleição histórica, a primeira a aconComo explica o dicionário Michatecer no clube desde sua fundação, elis, prelúdio é “ato ou exercício prevai nos ajudar ali na frente. Unidos, liminar; sinal ou indício de coisa que e independentemente do vencedor, há de acontecer”. Agora, tudo depende teremos de tratar dos assuntos do Ju- das escolhas de Scola.

Dirigente cultiva variedades viníferas no distrito de Fazenda Souza

S e m an alm e nte n a s b an c a s , di ar i am e nte n a inte r n e t .


gaspar nóbrega, vipcomm/Divulgação/O Caxiense

Nossos ídolos

O VALENTE

CORAÇÃO GRENÁ

Quando Washington vem a Caxias parece ser ainda mais difícil pará-lo. Mais ainda do que se estivesse em campo

Segundo as próprias contas, o centroavante, que renovou com o São Paulo, marcou 306 gols em 401 partidas

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por MARCELO MUGNOL marcelo.mugnol@ocaxiense.com.br entar entrevistar o Washington é tão difícil quanto marcá-lo em campo. Ainda mais quando o repórter não tem cacoete algum de zagueiro. Além disso, Washington tem bons escudeiros por perto, todos da família. Essa proteção se intensifica quando o eterno ídolo da torcida grená desembarca em Caxias do Sul. É que nem mesmo fora de campo Washington consegue sossego. É fulano ligando, beltrano lhe puxando a camiseta, sicrano convidando pra almoçar... e por aí vai. “É sempre uma correria. Um bate aqui, outro cerca dali...”, conta Maria Salete, 60 anos, como se estivesse narrando um jogo do filho Washington. É nessas horas que mais uma vez a gente se pergunta se é o futebol que imita a vida ou se é a vida que imita uma partida de futebol. A mãe de Washington diverte-se com toda essa agitação. Acostumou-se à vida louca do filho. “Quando ele vem para Caxias sempre tem alguém que acaba descobrindo. Então, às vezes não dá nem para começar um assunto com ele, porque antes de terminar alguém interrompe”, conta, sem perder o bom humor. “Se não dá tempo nem de conversar, imagina fazer os mimos que ele gosta ou a comida que ele prefere”, desconversa Maria Salete. Quando Washington vem para Caxias, mesmo que tenha um olho nos negócios, está sempre em família. Isso é tão certo quanto correr de braços abertos depois de um gol. Falando em gol, talvez seja essa a maior saudade do torcedor grená. Mas, por ora, o centroavante de eterno coração grená vai seguir mais um ano jogando pelo São Paulo. Em Caxias, é preciso dizer que não foi fácil pará-lo. Para conseguir a entrevista, a saída foi pegá-lo pelo coração. Isso significa apelar para Maria Salete. Ser mãe de jogador de futebol deve ser estressante às vezes. Mas a sempre atenciosa Maria Salete parece se divertir. Bem humorada, acostumou-se a ter de passar poucos minutos com o filho. E são minutos mesmo. Vez ou outra, porém, ela resolve ir a São Paulo para ficar mais perto do filho. “Dia 4 de janeiro ele volta pra Caxias. Mas antes disso, vamos passar o Réveillon juntos, na praia”, orgulha-se. Só depois de meia dúzia de ligações para ela e de um dia inteiro de espera é que se conseguiu chegar em Washington. Eram quase 21h de segunda-feira, e ele iria embora da cidade no dia seguinte. Depois de um breve giro pela sua história dentro do Caxias, Washington antecipou como anda preparando-se para o futuro: “Renovei por mais um ano no São Paulo. Foi um bom ano, tivemos altos e baixos. Não conquistamos títulos este ano, o que é ruim, e incomum em se tratando do São Paulo. O Brasileirão foi o campeonato dos vacilos e venceu quem vacilou menos”, analisa Washington Stecanela Cerqueira. “Mesmo sem o título, pra mim foi um bom campeonato. Eu já tenho 34 anos, estou em final de carreira, e posso não ter sido o artilheiro, mas termi-

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o trouxe a Caxias: “Vim ver a família”. e, segundo dizem os historiadores do Além, é claro, de dar uma olhada em futebol de Caxias, o primeiro jogador como andam as coisas na construtora a lançar a pelota para fora do CentenáSteca, negócio que ele mantém com os rio –, o Felipão que como Washington parentes. vestiu a camisa grená, foi o responsável Antes da despedida, ainda cabe a por não dar essa alegria ao Coração capciosa pergunta a respeito de Seleção Valente. Brasileira. Afinal de contas, WashingContra decepções como essa, Waton, para quem já esqueceu, vestiu a shington tem um bom antídoto. Tragloriosa camisa canarinho naquele balha com um olho no campo e outro elenco que estava sendo testado para ir no alto, no Deus Pai Todo Poderoso, à Copa 2002. “Não penso mais em Se- que tocou seu coração em 1998 através leção. Me coloco na realidade da coisa”, do batismo na igreja evangélica – sob diz, tentando organizar seu pensamen- a unção do pastor Edson dos Santos –, to. “Sei que o elenco está praticamente a quem agradece diariamente a bênção fechado e com a minha idade é difícil. de ter voltado aos gramados, mesmo Para que eu fosse convocado, só se eu sob os olhares de desconfiança alheios. estivesse extrapolando, fazendo 15, 20 Desconfiança essa que, para alguns, gols a mais que o vice-artilheiro do se acentua diante da idade do centrocampeonato, por exemplo.” avante. Mas, por outro lado, não são Washington é lançado para dentro poucos os torcedores grenás que já do túnel do tempo e revê seu bom esfregam as mãos de felicidade só de momento em 2001 e 2002, e então re- imaginá-lo correndo pelo gramado do corda da frustração de Centenário numa temnão ter sido convocaporada de despedida. do pra Copa do Mun- “A gente Quem não tem medo do. “Naquele momento perde na força, de sonhar, sonha com sim eu estava na briga, não tem mais um retorno arrebataera artilheiro da Copa dor: Washington bem do Brasil, do Paulistão. aquele pulmão que poderia voltar Mas, enfim, foi a esco- de guri, mas para ser campeão gaúlha do Felipão. Na época compensa com cho pelo Caxias. E não ele preferiu o Luizão... experiência”, seria má ideia se fosse Aí bateu a frustração num time comandado mesmo. Sei lá, talvez afirma o por outro ex-grená, se eu estivesse jogando centroavante Felipão. Seria um belo por outro clube maior, modo de se desculpar e não a Ponte Preta, tipor não tê-lo levado à vesse sido convocado. Sei lá...”, conta Copa, não é? Washington, tentando explicar o inexTalvez sejam sonhos altos demais, plicável. talvez estejam muito distantes, talvez nunca aconteçam. Mas não custa nada Felipão, o eterno xerife, um sonhar. Desde agora. Afinal, o coração zagueiro sem medo de errar da bola – valente de Washington é grená. Maicon Damasceno/O Caxiense

nei a temporada com 32 gols. É uma dele, resta ao torcedor grená preparar média muito boa”, avalia Washington. o gogó para o retorno do velho ídolo. Aos 34 anos, o atleta se sente velho. Se Romário voltou ao AmeriquiTalvez velho pra tomar porrada em nha para dar um título ao clube, é campo. Talvez velho pra ter de aguen- de se imaginar que Washington virá tar cara feia de zagueiro marrento. também para ser vencedor. Afinal de Esse carimbo de velho contas, em 2000, ano que marca a testa de da maior vitória grená Washington – ele mes- “Mesmo sem da história, o Campeomo reconhece – é da o título, pra nato Gaúcho (naquela cultura do futebol bra- mim foi um bom dupla batalha travada sileiro. “No Brasil não contra o Grêmio), Wase valoriza muito os campeonato. shington não jogava atletas com mais idade. Tenho 34 anos. mais no Centenário. A gente perde na força, Terminei a Já tinha partido para não tem mais aquele temporada o Paraná Clube, ainda pulmão de guri, mas um ano antes. “Como compensa com experi- com 32 gols”, naquele momento eu diz Washington ência”, justifica. era o principal jogaMesmo sem o “puldor do Caxias, e como mão de guri”, Washingo clube não estava tão ton segue estufando as redes. Para bem financeiramente, tiveram de me desespero dos goleiros adversários. vender, pra fazer caixa. Foi uma boa Curiosamente, ele deslanchou depois proposta do Paraná e, como foi bom de submeter-se a uma cirurgia de ca- pra mim e para o clube, acabei indo”, teterismo, em 2003. Coração Valente, recorda. que é como Washington ficou conheciMesmo vestindo a camisa tricolor do depois dessa tensa passagem extra- do São Paulo, Washington não consecampo, consagrou-se como artilheiro gue esconder o brasão grená que pado Campeonato Brasileiro de 2004 e rece ter tatuado no lado esquerdo do levou ainda os prêmios de Bola de Pra- peito. “Não penso em ser treinador do ta e Chuteira de Ouro, ambos concedi- Caxias, não. Mas quem sabe eu encerre dos pela revista Placar. Em 2008, então a carreira aqui. Quero muito isso. Mas com 33 anos, o centroavante foi nova- a ideia fixa que eu tenho é de vir a ser mente artilheiro do Brasileirão e levou presidente do clube. Não é novidade e sua segunda Bola de Prata para casa. já falei muito sobre isso. Mas tem de ser uma coisa bem pensada, bem plaDepois de tudo isso, de tantos nejada.” gols (segundo estatística do atleta, são 306 gols em 401 partidas), WashingO tempo passa e paira no ar a ton tem de ficar ouvindo que é velho, sensação de que Washington tem ainda que isso e aquilo. Paciência. Enquanto mais tempo para jogar fora conversannão vem para o Centenário pendurar do com o repórter. Mas é em vão. Logo as chuteiras, porque esse é o desejo ele lembra qual foi o real motivo que

Maria Salete aproveita a companhia do filho em um dos poucos momentos em que ele está disponível: “Não dá tempo nem de conversar, imagina fazer os mimos que ele gosta”

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Edição 4  

Realizações, frustrações e outras impressões de quem decidiu viver na terra dos antepassados

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