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Notícias do Mar

Portugal Obrigado a pescar menos

Texto Antero dos Santos

Espanhóis Perseguem Atuns com Implantes de Chips

A região dos Açores é a mais rica em peixe do Atlântico Norte, principalmente de atum e tem funcionado para os espanhóis desde sempre como a principal receita das pescas, acusados de usarem os FAD para atrair o peixe, agora são suspeitos de colocar implantes de chips em atuns, para os perseguirem com os cardumes.

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s pescadores açoreanos quando encontram algum cardume de atum que os barcos espanhóis deixaram passar, pescam-nos com uma vara com uma

linha, um atum de cada vez. Os espanhóis capturam-nos às dezenas de cada vez. É por pescarem assim que os espanhóis são a 1ª indústria do atum

da Europa e 2ª do mundo. Os tailandeses são a 1ª.mundial. O mar dos Açores tem sido um dos principais destinos das frotas de pesca espanholas de

Lista de atuns 2

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atum.que ali pescam todo ano para fornecerem a sua indústria de processamento de peixe e conservas. Tal como faziam os portugueses, quando iam para a pesca do bacalhau, todos os anos há uma frota espanhola com cerca de 80 barcos e um


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A Marinha Portuguesa nos açores junto a frota de pesca espanhola

Cardume de albacoras navio hospital que se instala nas águas dos Açores e com redes de cerco e arrasto pelágico, devasta os stocks de atum. São milhares de toneladas de atuns-rabilho, patudos e albacoras capturados, processados e congelados que enchem os porões dos navios e depois são descarregados em Espanha. De vez em quando há notícias de embarcações

Atum patudo

Polícia Marítima vai fiscalizar um barco de pesca espanhol

Navio hospital Juan de la Cosa 2019 Dezembro 396

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Cercador espanhol

espanholas pescarem dentro das águas dos Açores e às vezes são

fiscalizadas por navios da Marinha Portuguesa, com agentes da DGRM e Polí-

Arte de cerco 4

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cia Marítima. A pesca do Big Game está em declínio O atum é também alimen-

to para os peixes de bico, como o espadarte, espadim azul e espadim branco. Não havendo atuns naquela zona também não


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há espadins ou espadartes, porque estes peixes vão à procura do seu alimento para outro lado. Essa é a razão das queixas dos pescadores açoreanos, não apenas da falta do atum, mas também do desaparecimento dos espadartes e dos espadins. A pesca desportiva do Big Game, uma das receitas importantes do turismo nos Açores, está amplamente prejudicada, pois como não se pescam atuns nem espadins, não se motivam os pescadores de Big Game pelo destino Açores. Há anos que são encontrados e destruídos pelos pescadores açoreanos os famigerados FAD, Dispositivo de Agregação de Peixe, construídos com plataformas flutuantes e bóias, fundeados em determinados locais marcados por GPS, para atrair organismos mari-

Cardume de patudos

Traineira Portuguesa 2019 Dezembro 396

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Fotografia: Fabien Forget

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Tubarão atraído por um FAD

nhos e peixes que nadam por baixo e à volta. Começam a aparecer juvenis

de várias espécies, atuns patudos ou albacoras e tubarões, todos atraídos

por tanto alimento. Os FAD foram proibidos, mas continuam a ser encontra-

dos milhares. Nos Açores cerca de 60% da frota está licenciada para a pesca do Atum. Nos últimos 6 anos as descargas de tunídeos na Região registaram um decréscimo abrupto (mais de 85%) Agora suspeita-se de barcos espanhóis fazerem um implante com um chip num atum vivo e depois perseguirem o peixe até ao cardume. Na Universidade do Algarve, estudam-se os peixes com implantes de chips e disseram-nos que é possível implantar um chip em qualquer peixe e largá-lo no mar, mas não os estudam assim. Actualmente, o atum é

Toneladas de atum são pescadas todos os anos nos mares dos açores 6

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com rede de cerco Para pescar o atum, os espanhóis substituiram as tradicionais redes “sardinais”, por redes rectangutares adequadas, cujas dimensões variam entre 250 e 1.000 metros de largura e entre 40 e 100 metros de comprimento, consoante o tamanho do barco. Há dois anos a Espanha tinha nas áreas de pesca 595 navios que empregavam 6.395 tripulantes. Cercados espanhóis na pesca do atum

o principal produto da indústria espanhola de processamento de peixe. Na UE, o atum é responsável por quase 60% da produção total de peixe enlatado. A ver o atum passar Em Portugal nunca houve

armadores interessados na pesca do atum com rede de cerco. Foi pena porque teríamos hoje uma indústria de processamento de peixe, congelação e conservas pujante e competitiva. Nem se tinham encerrado as fábricas de conservas, pelo facto das armações

do atum do Algarve terem deixado de capturar atuns. Os empresários das armações ficaram a ver passá-los longe e não tiveram a iniciativa de os ir pescar. Os portugueses e os espanhóis, sempre pescaram a sardinha com o mesmo tipo de barco e

Redes com atum a serem reconhidas 8

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Porque não reconverter as traineiras em atuneiros? Desde Novembro até início de Maio as traineiras portuguesas não podem pescar sardinha e certamente muitas irão parar, porque só podem capturar cavala, biqueirão e carapau. E apenas o carapau tem mais valor nas lotas. Todos os anos temos que importar milhares de toneladas de atum para as nossas fábricas, porque não pescamos atum. Os espanhóis quando viram que o negócio da sardinha era fraco, reconverteram os barcos em cercadores de atum. Porque não fazemos como eles e reconvertemos também as traineras em cercadores para o atum? Temos muitas traineiras do tipo de cercador espanhol, que vão ficar paradas alguns meses. Porque não apoiar a reconversão das embarcações, em vez de se darem subsídios por estarem paradas? Reconverter os barcos em cercadores atuneiros,


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Atuneiros em cerco

Traineira Nossa Senhora da Lapa

só abastecer as fábricas de conservas, vão muitos atuns-rabilho para as lotas de Tóquio, que chegam a pagar 100 euros o quilo por atuns de 450 Kg.

Fotografia: Paddy Bohane/TIG Media/HotSpot Media

foi o que os espanhóis fizeram há muito tempo. Os portugueses não poderão fazer o mesmo? O negócio de Espanha com o atum, não é

Neozelandez pescaram um atum-rabilho de 416 kg 2019 Dezembro 396

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Lota do atum em Tóquio

Atum rabilho vai ser preparado

Atum-rabilho servido a mão com wasabi em conserva, refeicão de luxo japonesa 10

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Cabe ao Estado reconverter as traineiras portuguesas para metermos a “colher” no negócio dos Espanhóis. Ou isto é um negócio exclusivo deles? Não pode ser. Se fizermos isso, o nosso novo Ministro do Mar, tem depois que se bater na CE, para nos darem também uma “quotazinha” de atum. Mas vale a pena. Agora temos que Importar o atum aos espanhóis que é pescado nos Açores, para abastecer as nossas fábricas de conservas. Para comer,importamos 4 vezes o peixe que pescamos, porque apenas subsiste a pesca local. Não podemos aceitar ter mais barcos parados, como ficam as traineiras a receber subsídios. Em vez disso, o Estado deve pagar a reconversão das traineiras que estão paradas e outros barcos das artes do palangre ou redes de emalhar de fundo, para irem também pescar atum nos Açores e descarregá-lo nos portos de pesca açoreanos. Se o nosso Governo quiser, Portugal pode pescar mais e importar menos.


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Tubarões Ameaçados no Atlântico Norte

União Europeia e Estados Unidos Impedem Defesa

Tubarão-anequim Na reunião anual da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT) que teve lugar entre os dias 18 e 25 de Novembro, em Maiorca, tanto a União Europeia como os Estados Unidos da América, impediram as protecções vitais para a defesa dos tubarões, deixando já o tubarão-anequim em perigo.

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Barbatana de tubarão 12

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proposta para a Proibição no Atlântico Norte da pesca de tubarão que foi endossada por 16 países, incluindo o Japão e a China, foi frustrada na reunião da ICCAT. Os ecologistas ficaram chocados e angustiados pela decisão da União Europeia e dos Estados Unidos, apesar de promoverem a conservação de tubarões baseados na ciência, serem os principais obstáculos à adopção de protecções urgentemente necessárias para os tubarões-anequim na reunião


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Barbatanas cortadas

anual da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT). Dez países, liderados pelo Senegal e pelo Canadá, propuseram e lutaram por um consenso sobre a proibição da retenção de tubarão-anequim e a sobre-pesca no Atlân-

tico Norte de atum, como aconselham os cientistas da ICCAT. No entanto, a UE e os EUA recusaramse a abrir mão de excepções para que centenas de toneladas das espécies ameaçadas de extinção fossem desembarcadas. Os cientistas da ICCAT es-

timam que essa população pode levar quatro ou cinco décadas para recuperarse, mesmo se a pesca parar. A falta de consenso permite que o status quo da pesca em níveis insustentáveis continue. ​​ “O esgotamento do tubarão-anequim no Atlân-

Dois tubarões-anequim 2019 Dezembro 396

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Tubarão-anequim

tico Norte está entre as crises mais urgentes de conservação de tubarões do mundo”, disse Sonja Fordham, presiden-

te da Shark Advocates International. “Um remédio claro e simples estava ao nosso alcance. No entanto, a UE e os EUA co-

locam os interesses da pesca a curto prazo acima de tudo e arruinam uma oportunidade de ouro para um progresso

real. É realmente desanimador e horrível.” O Senegal, Canadá, Gâmbia, Gabão, Panamá, Libéria, Guatemala, Ango-

Barbatanas a secar 14

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Barbatanas secas para serem embaladas 16

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la, El Salvador e Egipto propuseram conjuntamente a proibição de tubarãoanequim no Atlântico Norte, com base científica, e foram apoiados pela Noruega, Guiné-Bissau, Uruguai, Japão, China, e Taiwan. Nenhum país falou a favor das propostas concorrentes da UE ou dos EUA, embora Curaçao tenha acrescentado o seu nome à proposta dos EUA. Os tubarões-anequim são particularmente valiosos, porque são procurados pela carne, barbatanas e a pesca desportiva. O crescimento lento tornaos excepcionalmente vulneráveis ​​à sobre-pesca. Os tubarões-anequim são


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Tubarão-anequim

Tubarão-anequim

pescados por muitas nações ao redor do mundo e ainda não estão sujeitos a quotas de pesca internacional. A UE, os EUA, o Senegal e o Canadá classificaram o primeiro, o terceiro, o quarto e o quinto, respectivamente, entre as 53 Partes da ICCAT em 2018 para desembarques do tubarão-anequim no Atlântico Norte. A Espanha é responsável por mais desembarques de tubarãoanequim do que qualquer outro país. “O comportamento da UE em relação à conservação do tubarãoanequim é uma farsa. A obstrução de protecções vitais baseadas na ciência permitirá que vastas

frotas da Espanha e Portugal continuem pescando esses tubarões ameaçados, essencialmente sem limites, e levem populações valiosas ao colapso”, disse Ali Hood, director de conservação do Shark Trust. Os cientistas alertam que os tubarões-anequim do Atlântico Sul estão num

caminho semelhante. O Senegal incluiu um limite de captura com base científica para essa população na sua proposta. As Partes da ICCAT planejam realizar uma reunião interseccional especial no próximo ano para continuar as negociações sobre o tubarão-anequim. “No meio do fracasso

patético dos tubarõesanequim, a liderança firme do Canadá e do Senegal, deu aos conservacionistas inspiração para continuar a luta”, disse Shannon Arnold, coordenador do Programa Marítimo do Ecology Action Center. “A Liga dos Tubarões continuará a trabalhar com os

Loja de venda de barbatanas 2019 Dezembro 396

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Restaurante

campeões emergentes de tubarão do mundo para incentivar mais países a preservar a longo prazo e obter ganhos económicos de curto prazo e garantir que os tubarões-anequim do Atlântico Norte sejam

protegidos antes que seja tarde demais”. No lado positivo, a ICCAT adoptou novos e inovadores limites de captura para tubarões azuis, que representam a primeira vez no mundo. Organis-

mos regionais de pesca proibiram a captura de várias espécies de tubarões, mas ainda não haviam estabelecido limites de captura internacionais concretos para os tubarões, até agora. Serão estabe-

Sopa de tubarão 18

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lecidos limites científicos à tonelagem desembarcada de tubarão azul no Atlântico Norte e Sul. Além disso, a ICCAT adoptou um texto revisado que, uma vez ratificado, modernizará a Convenção e fortalecerá a missão de conservação de tubarões. Um número recorde de países (33 dos 47 presentes) patrocinaram uma proposta para fortalecer a proibição de barbatanas de tubarão na ICCAT (cortar as barbatanas de um tubarão e descartar o corpo no mar), substituindo uma proporção problemática de barbatana por carcaça por um requisito mais aplicável para tubarões a serem desembarcados com barbatanas presas. Como repetidamente no passado, o Japão e a China bloquearam a medida.


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Texto Ana Matias e Gonçalo Carvalho

Economia do Mar

Um novo começo para as pescas em Portugal e na EU em 2020?

Resultado do arrasto de fundo A Política Comum das Pescas (PCP) reformada da União Europeia (UE), que entrou em vigor no início de 2014, exige um fim à sobrepesca o mais tardar até 2020.

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Não podem adiar mais o fim da sobrepesca 20

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menos de um mês deste prazo, que progresso foi feito pelos Ministros das Pescas da UE para implementar esta importante obrigação legal? E quais os benefícios ambientais e socioeconómicos que poderão estar a ser adiados? E como podem contribuir as decisões do Conselho dos próximos dias 16 e 17 sobre as possibilidades de pesca para 2020 para a urgente necessidade de


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lutar contra as alterações climáticas? A nova PCP entrou em vigor em 2014 e representou uma rutura significativa com o passado, já que continha pela primeira vez enunciados claros sobre objetivos ambientais: prazos legais para o fim da sobrepesca; referências diretas à abordagem ecossistémica e precaucionária; e ferramentas de gestão a longo prazo – os Planos Plurianuais (PPA). Esta ambiciosa mudança de rumo – justificada pelo falhanço das reformas anteriores – está consolidada no artigo 2º, ponto 2, onde se estabelece como objetivo da PCP que os recursos biológicos marinhos sejam explorados de forma a restabelecer e manter as populações das espécies

Não pescar acima do rendimento máximo sustentável

exploradas acima dos níveis que possam gerar o rendimento máximo sustentável (Maximum Sustainable Yield – MSY), sendo que esta deve ser atingida, se possível, até 2015, e, numa base progressiva e gradual, o mais tardar até 2020, para todas as unidades populacionais.

Figura 1: Número de unidades populacionais do Atlântico Nordeste sujeitas a sobrepesca, segundo o Comité Científico, Técnico e Económico da Pesca da Comissão Europeia (CCTEP). Fonte - The Pew Charitable Trusts3

Totais Admissíveis de Capturas (Figura 1) Infelizmente, o progresso para estas metas tem sido lento e o objetivo sucessivamente adiado, nomeadamente no que toca à principal ferramenta da PCP – o estabelecimento anual de Totais Admissíveis de Cap-

turas (TAC) nas reuniões do Conselho de Agricultura e Pescas (AGRIFISH) Na sua avaliação anual independente, o Comité Científico, Técnico e Económico da Pesca da Comissão Europeia (CCTEP), analisa anualmente a pressão de pesca no Atlântico Nordeste, comparando-a

Figura 2: Avaliação da The Pew Charitable Trusts da tabela TAC da FishFix5 (2019) – TAC do Mar Báltico, Águas Profundas e Atlântico Nordeste (Anexo IA), Versão 17 de maio 2019. Fonte - The Pew Charitable Trusts.

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Notícias do Mar

Os arrastões de profundidade destruiram os fundos

Grande proporção de stocks continua com capturas além dos níveis permitidos

Não pescar acima dos pareceres científicos 22

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com os níveis permitidos na PCP. No seu mais recente relatório4, O CCTEP continua a concluir que uma grande proporção de stocks continua com capturas além dos níveis permitidos (Figura 1), confirmando assim a afirmação de várias Organizações Não Governamentais (ONG) de que o progresso para a meta da PCP tem sido perigosamente lenta. Segundo a The Pew Charitable Trusts que, desde 2014, compara anualmente as decisões dos ministros das pescas com os pareceres científicos disponíveis, a proporção dos limites fixados para além dos pareceres científicos está a diminuir. Mas a evolução é demasiado lenta para cumprir o prazo estabelecido pela PCP para acabar com a sobrepesca (Figura 2). Parte da justificação para este trajeto estará na forma em como as decisões do Conselho são tomadas – à porta fechada e normalmente sem justificação concreta e suportada com dados para a definição de TAC acima dos pareceres científicos. A organização Transparência Internacional investigou e publicou em 2016 um relatório sobre os processos e as decisões dos Conselhos AGRIFISH sobre os TAC e recomendou várias melhorias6, poucas tendo sido seguidas. Já em 2019, o Provedor de Justiça Europeu investigou as famosas “maratonas negociais de Dezembro” sobre os TAC e determinou7 que os documentos e as posições dos Estados-Membros relacionados com os TAC têm de ser tornados públi-


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Continuam as capturas além dos níveis permitidos

cos quando são disponibilizados ou imediatamente depois. Enquanto a transparência não melhora, resta-nos avaliar os resultados dos Conselhos e os documentos partilhados em anos anteriores. Num estudo publicado em novembro de 2019, a ONG Client Earth avaliou os documentos dos Conselhos AGRIFISH8 (obtidos através de um pedido de acesso à informação) e reforçou a falta de progresso para os objetivos da PCP. Mais concretamente, a documentação

demonstra que certos estados- membros, de entre os quais Portugal, têm sido mais vocais dentro do Conselho a efetuar pressão para que vários TAC sejam definidos acima dos pareceres científicos, normalmente alegando razões socioeconómicas, geralmente sem apresentar dados ou evidências sólidas para as suportar. Melhorar a saúde dos ecossistemas marinhos E por que é tão grave este desrespeito pela Ciência

e pela legislação, em prol de decisões que apenas beneficiam as pescarias visadas a curto prazo? Num artigo publicado recentemente, o investigador de ciências económicas Griffin Carpenter, da ONG nef, expõe de forma exemplar as várias razões pelas quais os Ministros das Pescas da EU não podem adiar mais o fim da sobrepesca: • Se os stocks forem mais abundantes será mais fácil capturar o pescado, o que diminuiria o número de saídas de pesca, resultando numa redução de custos para os pescadores;

Devem ser respeitados os Totais Admissíveis de Capturas 24

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• A Ciência comprova que, de forma talvez contraintuitiva, stocks mais abundantes irão gerar capturas maiores do que as atuais – e a níveis sustentáveis, o que permitirá aumentar os rendimentos da atividade; • É urgente reconhecer que acabar com a sobrepesca e assegurar stocks de pescado mais abundantes é mais do que gerir inteligentemente um recurso comum e renovável – é também a forma mais direta e efetiva que temos de melhorar a saúde dos ecossistemas marinhos e aumentar a sua resiliência às alterações climáticas ou à poluição. Portugal será representado neste crucial Conselho AGRISFISH por um novo Ministro do Mar – Ricardo Serrão Santos – que, durante o seu mandato como eurodeputado, repetidas vezes alertou a Comissão Europeia e o Conselho sobre a necessidade de cumprir a PCP e efetivar todos os benefícios associados. Mas as decisões deste Conselho poderão ter um impacto bem mais amplo. Conforme reconhecido no Relatório Especial sobre os Oceanos e a Criosfera do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas10, o bom estado ambiental dos oceanos será essencial para lidarmos com as alterações climáticas. Assim, ao decidir acabar com a sobrepesca em 2020, os Ministros das Pescas da UE estarão não só a assegurar a sustentabilidade das pescas europeias, mas a tomar medidas concretas para enfrentar a crise climática que a Humanidade enfrenta.9 membros,


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de entre os quais Portugal, têm sido mais vocais dentro do Conselho a efetuar pressão para que vários TAC sejam definidos acima dos pareceres científicos, normalmente alegando razões socioeconómicas, geralmente sem apresentar dados ou evidências sólidas para as suportar. Não podem adiar mais o fim da sobrepesca E por que é tão grave este desrespeito pela Ciência e pela legislação, em prol de decisões que apenas beneficiam as pescarias visadas a curto prazo? Num artigo publicado recentemente9, o investigador de ciências económicas Griffin Carpenter, da ONG nef, expõe de forma exemplar as várias razões pelas quais os Ministros das Pescas da EU não podem adiar mais o fim da sobrepesca: • Se os stocks forem mais abundantes será mais fácil capturar o pescado, o que diminuiria o número de saídas de pesca, resultando numa redução de custos para os pescadores; • A Ciência comprova que, de forma talvez contraintuitiva, stocks mais abundantes irão gerar capturas maiores do que as atuais – e a níveis sustentáveis, o que permitirá aumentar os rendimentos da atividade; • É urgente reconhecer que acabar com a sobrepesca e assegurar stocks de pescado mais abundantes é mais do que gerir inteligentemente um recurso comum e renovável – é também a forma mais direta e efetiva que temos de melhorar a saúde dos ecossistemas marinhos e

Manter os stocks a níveis sustentáveis

aumentar a sua resiliência às alterações climáticas ou à poluição. Portugal será representado neste crucial Conselho AGRISFISH por um novo Ministro do Mar – Ricardo Serrão Santos – que, durante o seu mandato como eurodeputado, repetidas vezes alertou a Comissão Europeia e o Conselho sobre a neces-

sidade de cumprir a PCP e efetivar todos os benefícios associados. Mas as decisões deste Conselho poderão ter um impacto bem mais amplo. Conforme reconhecido no Relatório Especial sobre os Oceanos e a Criosfera do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas10, o bom estado ambiental dos oceanos será

essencial para lidarmos com as alterações climáticas. Assim, ao decidir acabar com a sobrepesca em 2020, os Ministros das Pescas da UE estarão não só a assegurar a sustentabilidade das pescas europeias, mas a tomar medidas concretas para enfrentar a crise climática que a Humanidade enfrenta.

Stocks mais abundantes poderão gerar capturas maiores e a níveis sustentáveis 2019 Dezembro 396

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Economia do Mar

Porto de Lisboa tem Novo Combustível Amigo do Ambiente Respondendo às regras da IMO, International Maritime Organization, o Porto de Lisboa antecipou a entrada em vigor, a partir de 1 de janeiro de 2020, e já está a fornecer os navios com um novo combustível marítimo amigo do ambiente, com apenas 0,5% de enxofre.

Porto de Lisboa já tem combustível verde

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Alcântara e Belém, a partir da Estação de Assistência Naval do Porto de Lisboa (EANPL). Num comunicado a APL diz “O porto de Lisboa recebeu o M/V Antonia para efectu-

Fotografia: Glenn Raymo/MarineTraffic.com

ste novo combustível, considerado um VLSFO (Verylow Sulphur Fuel Oil), foi distribuído pela Galp no fundeadouro do quadro central, situado na zona entre

Navio Antónia no Porto de Lisboa 26

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ar abastecimento ao largo, sendo o primeiro a receber o novo combustível marítimo menos poluente, com apenas 0,5% de enxofre, já de acordo com as regras estipuladas pela IMO (International Maritime Organization), para combater as emissões poluentes do transporte marítimo”. Com o navio “Antónia” Isto aconteceu, porque foi muito rápida a resposta eficiente da parte da Galp e da EANPL, para disponibilização do VLSFO aos seus clientes, tornando-os pioneiros a nível nacional e em antecipação à imposição da IMO, que entrará em vigor a 1 de janeiro de 2020”. Recorde-se que o combustível que é utilizado pelos navios na área do porto de

Lisboa é cinco vezes menos poluente, ou seja, tem no máximo 0,1% de teor de enxofre, de acordo com a diretiva europeia de 2015 que se aplica aos estados membros da EU. Segundo a APL, a IMO é uma agência especializada das Nações Unidas, criada em 1948, com responsabilidades na indústria do ‘shipping’, nomeadamente na segurança marítima e prevenção da poluição, preconizando com a adoção desta medida, um impacto substancialmente positivo para a saúde humana, para a melhoria da qualidade do ar e para a proteção do ambiente, nomeadamente dos ecossistemas marinhos e das populações que moram perto de portos e das principais rotas de navegação.


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Tagus Vivan

Crónica Carlos Salgado

Deixa de Criar Vida, E Não Só Qualquer rio que não tenha um caudal ecológico garantido, não consegue continuar a criar vida, que é a principal função para que nasceu ! O homem com a sua ganância de criar riqueza está a esgotar os recursos naturais, nomeadamente a água, essencial para a vida, comprometendo assim, inconscientemente, o seu futuro!

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quilo que está a acontecer ao nosso Tejo é um exemplo flagrante da falta de consciência ou competência, dos chamados responsáveis pela parte portuguesa ao permitirem que a Espanha esteja a gerir a água deste rio internacional, de águas partilhadas, a seu bel-prazer, é esta a pura realidade. Mas como este caso, sério, tem vindo a ser abordado nas páginas mais adiante deste jornal, ficamos por aqui para darmos continuidade ao relato da obra de três décadas da AAT/ Tagus Vivan, em prol do nosso maior rio, o Tejo. 28

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A Conferência Regional preparatória do Congresso do Tejo III, do Tejo Internacional, Geopark Naturtejo e Alto Tejo Português, a 4.ª do Ciclo de Conferências das 5 programadas, realizada em Vila Velha de Ródão no passado dia 12 de Outubro na Casa de Artes e Cultura desta Vila, que contou com o apoio logístico da Câmara Municipal local e a colaboração da nossa parceira Associação de Estudos do Alto Tejo, que desenhou o programa temático e conseguiu contar com a participação de comunicadores de elevado conhecimento que

contribuíram para que esta conferência excedesse as expectativas. Com efeito esta Conferência de Vila Velha de Ródão deu um contributo muito significativo para que a Tagus Vivan atualizasse o conhecimento sobre a riqueza dos patrimónios que este corredor fluvial que atravessa os Municípios de Vila Velha de Ródão, de Castelo Branco, e o de Idanha-a-Nova na margem direita, que já fazem parte do território português, que para montante até ao rio Erges, que demarca a fronteira com a Espanha, passa a ser considerado Tejo Internacional, classificado como Geopark

Naturtejo, continuando a margem esquerda a ser território espanhol, mas que a partir da barragem de Cedillo para jusante, entra no concelho de Nisa, na margem esquerda, que passa a ser território português também e começa a ser considerado o Alto Tejo português,. Toda a região envolvente deste corredor fluvial desde o Erges possui um valor patrimonial considerável, nomeadamente de biodiversidade e de geodiversidade e também de inúmeros vestígios da presença do homem pré-histórico, tanto na arte rupestre como nos seus artefactos, ferramentas e tradições milenares.

A acrescentar a esta riqueza, esta região continua a atrair e a abrigar as mais variadas espécies selvagens, com destaque para a avifauna, que encontra aqui uma importante área de nidificação. Todo este conjunto de valores patrimoniais, constituem um verdadeiro Santuário da Biosfera. Os temas selecionados e os respetivos especialistas convidados para comunicarem sobre os mesmos, pelo seu conhecimento e eloquência, transmitiram um conjunto de informações de particular qualidade a todo o auditório. Na Sessão de Abertura, tiveram assento na mesa

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os senhores José Manuel Alves, Vice- presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão em representação do Dr. Luis Pereira, Presidente da Câmara, que por um imprevisto de última hora teve de ausentar-se, Carlos Salgado, Presidente da Tagus Vivan e o Dr. Jorge Gouveia da Associação de Estudos do Alto Tejo. Seguiu-se o Painel 1, que teve como moderador o Eng.º João Soromenho Rocha, e Mário Benjamim da Universidade de Évora, CHAIA, Arquiteto e, Mestre em teoria e história da arquitetura e Doutorado em arquitetura pela Universidade de Évora (2012) foi o 30

primeiro a comunicar sobre o projeto de arquitetura no processo de reinterpretação do Vale do Tejo, uma análise prospetiva, Seguiu-se o tema Paisagem, Vale do Tejo, Identidade, por Carlos Neto de Carvalho, Geólogo Investigador, coordenador científico do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional - geoparque mundial da UNESCO, membro da Comissão de Coordenação da Rede Europeia de Geoparques com experiência de avaliação para a Unesco de projetos de geoparques na Europa, América Central e China. Sobre produtos turísticos, inovação, qualificação

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e estrutura de destino, Jorge de Oliveira, Historiador, Professor Associado com agregação do Departamento de História da Universidade de Évora onde coordena a área de Arqueologia e dirige o Doutoramento em Arqueologia e é autor de mais de 300 títulos de estudos científicos onde se destacam as temáticas do Megalitismo, Arte Rupestre, Arqueologia Judaica e Arqueologia da Pena de Morte e é diretor e fundador do Museu de Marvão, director e fundador da Revista Ibn , e fundador do Campo Arqueológico da Cidade de Ammaia e do seu Museu, que comunicou sobre o

tema: Do Tejo a S. Mamede – Antropização da Paisagem – Tejo; Serra de São Mamede, Rio Sever. Sobre Territórios; seguiu-se Luis Raposo, Arqueólogo, Presidente do Conselho Internacional de Museus para a Europa que comunicou sobre o tema A Presença Humana Antiga do Alto Tejo Português – Importância Internacional e Valorização Pública; e ainda neste Painel, João Caninas, Engenheiro e Mestre, membro da Associação de Estudos do Alto Tejo, fez uma comunicação, submetida ao tema, O Património Arqueológico do Alto Tejo Português e Tejo Internacional


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– diversidade e valor. O Painel 2 teve como Moderador o Prof. Dr. Miguel de Azevedo Coutinho e o primeiro orador foi o Dr. Nuno Coelho, empresário empreendedor de Incentivos Outdoor, do turismo da natureza e da atividade marítimo turística do Alto Tejo Português que dissertou sobre os usos múltiplos do rio e a navegação marítimo - turística, considerando que o Tejo é o eixo que contribui para potenciar as atividades turísticas da região, seguido do Sr.José Manuel Alves, Vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, que substituiu o Presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, sobre a Economia associada ao Rio, Políticas

de Desenvolvimento, dos valores naturais, a paisagem, as atividades humanas que são ativos importantes de toda a Região, como elemento diferenciador. O Painel 3 teve como Moderador o Almirante José Bastos Saldanha, e como o primeiro orador, D. Alberto Píris Guapo – Presidente da Mancomunidad Integral Sierra de San Pedro e Alcalde Presidente de Valência de Alcântara que estava confirmado para comunicar sobre a Partilha do rio com Portugal e futura articulação, ficou impedido de participar nesta conferência, para estar presente numa cerimónia oficial Comemorativa da Nacionalidade Espanhola, que por coincidência se realizou na

mesma data, passou-se à comunicação seguinte, A Paisagem Cultural do Tejo, Memorial da Humanidade, tema apresentado pelo Almirante José Bastos Saldanha, em representação da Tagus Universalis, ficou impedido de estar presente, devido a ter de participar numa cerimónia comemorativa da nacionalidade do seu país, por ter coincidido com o dia da realização desta conferência, pelo que o tema em causa não foi abordado e passou-se ao seguinte, A Paisagem Cultural do Tejo: Memorial da Humanidade, tema que foi apresentado pelo Almirante José Bastos Saldanha em representação da Tagus Universalis, Associação promotora do Projeto da Paisagem

Cultural, Valor Universal Excecional do Rio Tejo Português, dada a extraordinária multiplicidade de valores culturais associados ao projeto em construção. Estiveram também presentes a acompanhar os trabalhos atentamente, a Dr.ª Maria Idalina Trindade, Presidente da Câmara Municipal de Nisa e o seu Vice-presidente Eng. Francisco Cardoso. A presente reportagem tem como finalidade dar uma informação genérica sobre os trabalhos da Conferência do Tejo Internacional, Geopark Naturtejo e Alto Tejo Português, que pela qualidade dos temas e dos respetivos comunicadores, cumpriu os desígnios para que foi organizada, excedendo as expectativas.

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Notícias do Mar

O Voo do Guarda-Rios

Depois da Casa Arrombada…

Não dá para compreender como é que foi possível ter acontecido aquela descarga brutal, autêntico crime ecológico desproporcionado, que secou rios, praticado pela vizinha Espanha, com a esfarrapada justificação de cumprir a Convenção de Albufeira, segundo dizem (mas?), quando andou o resto do ano a deixar passar para o nosso lado apenas, a conta gotas um caudal, qual pálida e insignificante semelhança com um caudal ecológico ????????

E

m boa verdade o GR está perplexo como é que uma coisa destas pode ter acontecido, daí o título de abertura, porque, como diz o povo, depois da casa arrombada, trancas à porta, foi o que lhe veio à cabeça quando viu nas notícias das TVs, após este desastre ambiental ter ocorrido, aparecerem barcos pneumáticos a navegar no Tejo 32

com agentes ou fiscais da entidade portuguesa responsável pela monitorização do Tejo, à procura do que lá já não estava, sabendo ele de fonte segura, que anteriormente, das 29 estações hidrométricas instaladas ao longo do corredor fluvial do Tejo, apenas uma única estava a funcionar ou servia de controlo dos níveis da água, não dá para acreditar, pois

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não? Este acontecimento também contribuiu para levar o GR a recordar-se da falta que fez ao país a saudosa, ou a de grata memória ARH-TEJO, a Administração da Região Hidrográfica do Tejo que foi subordinada até à sua extinção na prática, pela APA, durante o período da Tróika, por um devaneio, imaturidade, incompetência ou outro vocábulo mais

apropriado para qualificar a inqualificável decisão da tal ministra que mais recentemente até chegou a ter a veleidade de julgar-se à altura de candidatar-se a Primeira Ministra, “isto é que vai uma crise… oh Agostinho…”. Mas o GR teve conhecimento em data anterior àquela inesperada e até inexplicável mega descarga da barragem de Ce-


Notícias do Mar

medidas cúbicas superiores, da mais pura água da nascente do Tejo que está a ser desviada pelo transvase Tajo – Segura, destinada ao sul do país, à região de Múrcia e Valência, para os tais fins que já têm sido aqui divulgados anteriormente, nem sequer fala também sobre qualquer diminuição ou interrupção da produção hidroelétrica nas inúmeras mega barragens existentes ao longo do curso do Tejo espanhol, barragens essas que retêm

a água o mais que podem. Tudo isto está na origem da água que devia regulsarmente chegar a Portugal, deixar de chegar. O GR, que continua atento a esta situação que, como parece, ameaça agravar-se, também ouviu mais notícias, como: Autarcas de Portugal e de Espanha manifestaram grande preocupação pela redução drástica do caudal do rio em toda a extensão do Tejo Internacional. Em comunicado enviado à

Fotografia: Expresso

dillo, à luz do que a Confederação Hidrográfica do Tejo (CHT), de Espanha revelou à comunicação social espanhola, de que o volume de água armazenado na bacia do Tejo do país vizinho é significativamente inferior à do ano passado e à média dos últimos cinco e dez anos. O presidente deste organismo autónomo do ministério da Agricultura, Pesca, Alimentação e Meio Ambiente, Juan Carlos de Cea, afirmou também àquela comunicação social que a bacia do Tejo está sob um alerta de seca e vão ser tomadas medidas de

urgência. Esta CHT informou num comunicado que a água atualmente acumulada naquela bacia do Tejo é de 4141,6 hectómetros cúbicos, que representa 37,6% da capacidade total de 11.007 e que, quer os reservatório de consumo, quer da hidroelétrica, estão abaixo das médias dos anos anteriores. Este senhor já tinha alertado para que a escassez atípica da pluviosidade desde o princípio deste ano hidrológico, relativamente aos valores médios do ano anterior, é bastante inferior, tendendo para uma situação de seca grave, pelo que apelou ao uso responsável da água, solicitando aos cidadãos espanhóis que devem tomar medidas de poupança no consumo da água, mas o GR considera que este senhor omitiu uma outra das causas não menos importante para esta situação que são os milhares de metros cúbicos, ou outras

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Notícias do Mar

agência Lusa, os autarcas de Castelo Branco, Vila Velha de Ródão e Idanhaa-Nova em Portugal, e de Cedillo, Carbajo, Herrera de Alcántara e Alcántara de Espanha condenam a forma como foram geridos os cau-

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dais no percurso do Tejo Internacional, que originaram elevados prejuízos ambientais, turísticos e económicos, afirmando que “Esta situação é inédita e inaceitável, demonstrando profunda insensibilidade para com

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este território, em que os autarcas têm investido no sentido de o Tejo ser um fator de atratividade e de desenvolvimento. Exigem ainda que a situação que agora ocorreu não volte a verificar-se no futuro e

apelam às entidades responsáveis de Portugal e Espanha que estabeleçam um quadro que garanta a boa gestão dos caudais e a melhoria da qualidade da água no rio Tejo”. O GR ouviu de um popular, que na sua simplicidade, ao olhar o Tejo saiu-se com esta: “Julga que alguém vai deixar passar a água do Tejo do seu lado para o lado de cá, enquanto precisar dela lá?”. Perante este estado de coisas o GR termina fazendo um desafio: Se o Eng. Jorge Froes, consegue arranjar água nacional bastante para que o seu Projeto Tejo, merecedor do nosso crédito, consiga funcionar em pleno, mesmo neste ambiente de aquecimento global, do que é que se está à espera? Porque estamos perante um caso de independência nacional!


Notícias do Mar

Ambiente

Brigada do Mar Limpa as Praias de Quatro Concelhos da Região Centro A Brigada do Mar está de volta às praias dos concelhos da Marinha Grande, Leiria, Pombal e Figueira da Foz para uma acção de limpeza nos cerca de quarenta quilómetros de areal entre São Pedro de Moel e Praia de Lavos.

A

descontaminação, a sétima que esta associação ambiental organiza na região, está a decorrer entre 20 e 25 de novembro e já retirou desta extensa faixa de areal cinco toneladas (valor estimativo) de resíduos de grandes dimensões, entre eles duas mil armadilhas para apanha de polvo, embalagens de plástico, redes de pesca, lixo urbano variado, como por exemplo electromésticos, pneus, lâmpadas, botijas de gás. “Cerca de 80% do lixo encontrado, em volume, provém da actividade piscatória e das embarcações”, refere Simão Acciaioli, responsável da Brigada do Mar e coordenador da acção. “Encontrámos também uma quantidade anor-

mal de resíduos coberto de percebes, o que significa que este lixo estava no mar há bastante tempo, além de quinze golfinhos em decomposição e muitas centenas de caravelas portuguesas”, salienta.   Pela tipologia e rotulagem é possível atribuir a origem de uma parte destes resíduos. Muito deste lixo tem proveniência na Ásia, norte de África, continente americano e Espanha. No que diz respeito aos resíduos de menores dimensões, sobretudo plástico, algum vem directamente das Estações de Tratamentos de Águas Residuais, como é o caso dos bastões de cotonetes, em grande quantidade.   Uma selecção do lixo encontrado e recolhido nestes concelhos servirá para pro-

duzir uma instalação artística. O restante será encaminhado para o circuito de reciclagem e tratamento.   Esta acção de limpeza e descontaminação conta com o apoio de My Planet da Navigator, Yamaha Portugal, Parque de Campismo da Praia do Pedrógão e das câmaras municipais da Marinha Grande, Leiria, Pombal e Figueira da Foz. A Brigada do Mar tem previstas mais acções regulares

de descontaminação desta faixa litoral de maneira a diminuir a quantidade de lixo acumulada. Sob o lema “indignação com acção”, a associação já limpou em Portugal mais de 600 km lineares de costa, retirou mais de 550 toneladas de lixo do areal e com ela colaboraram mais de mais de 6000 voluntários, em mais de 200 dias efectivos de iniciativas de limpeza e sensibilização.

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Notícias do Mar

Tejo a pé

Simplesmente Sintra

O olhar do céu em Sintra neste dia.

O

domingo chuvoso de dezembro foi perfeito para andar em Sintra. Desde logo porque chuva em dezembro é abençoada e é bom tempo e, depois, porque seleciona o grupo, mais pequeno e cúmplice. António Paiva, o guia convidado, confundese com as “coisas da serra”, é um profundo conhecedor da serra, dos seus segredos e da sua alma. A partir do Convento dos Capuchos subimos e descemos por trilhos e caminhos que só Sintra nos dá, para todos os gostos. Poucas vistas pela densidade da vegetação, porque Sintra se basta e também, como bem sabemos, porque à volta da serra há quase tudo o que não deve haver. Atravessámos o 36

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Bosque dos Druidas (designação popular), até à Anta do Monge. Esta é uma sepultura coletiva construída no período Calcolítico (2500/1500 a. C.) e reutilizada na Idade do Bronze (1800/800 a. C.). Descemos depois pelo trilho Kamikase, assim apelidado pelos praticantes de downhill, passámos pelo Monumento de Homenagem aos Bombeiros falecidos no incêndio de 6 de Setembro de 1966 e de regresso aos Capuchos houve a oportunidade beber um copo e comer a bucha. Apenas um senão, soube a pouco. PS: O Tejo a pé é um grupo informal de amigos que se junta para andar. Para ser convidado basta enviar um mail: cupeto@uevora.pt.


Notícias do Mar

Texto e Fotografia Carlos Cupeto (Universidade de Évora – Escola de Ciências e Tecnologia)

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Electrónica

Notícias Nautel

Walkie-Talkies Rádios portáteis livres de licença

Modelos CP226 e CP229 Pro (PMR446) A CPS Telecom é um fabricante de Hong-Kong especializado em rádios portáteis de uso indiscriminado e profissional.

O

s PMR446 são rádios portáteis analógicos de uso livre com um alcance máximo de até 5 km nas condições ótimas. Não necessitam de licença para o seu uso, uma vez que foi reservada uma banda de frequências especial para este uso . Tratamse pois de um transcetores ideais para uso empresarial ou em atividades de lazer. O CPS226 combina qualidade e versatilidade com um desenho elegante e discreto para garantir comunicações efetivas ao alcance da sua mão. Os walkie talkies PMR446 dispõem de 53 sub canais e 104 códigos implementados em 20 canais que graças à função de pesquisa de canais, fará com que o rádio possa ir buscar qual o canal que melhor se adapta às suas condições. Também têm implementadas funções como poupança de bateria, que ajuda a diminuir os gastos para longas períodos de utilização. Assim como a RSSI, que permite saber em que lugar tem uma maior intensidade do sinal de receção e assim ajuda a optimizar o tempo das comunicações. A versão CP229 tem módulo VOX (uso em mãos livres, quando usado com acessório micro-auricular. A potência (500mW) é a máxima permitida para este tipo de rádios, e a qualidade áudio torna tudo mais alto e claro… 38

Tudo isto torna estes produtos numa excelente e fiável solução nas comunicações rádio do dia a dia. Para ambos os modelos existe um pacote em estojo de transporte, com um par e unidades. É ideal para o uso em fábricas, armazéns, quintas, floresta, marinas, aeroportos, estaleiros, acampamentos, pesca, caça, viaturas todo-oterreno, motas, cicloturismo, seguranças de instalações, eventos, Super e Hipermercados instaladores, kayaks, canoagem, comunicações internas de navios, iates, aviões, desportos do ar livre etc. Descrição CPS Telecom, mod CP226, ARC Mini N/REF-CP226EFS PVP: s/IVA- 52,44€ c/IVA- 65€

CP226, ARC Mini Ambos os modelos seguem o padrão ambiental IP67 (proteção frente a poeiras com certa resistência de água- 1m de profundidade

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durante meia hora. A bateria é de ultima geração em polímero de lítio, com 3,7V e capacidade de 1.100 mAh.

CPS Telecom, mod CP226, ARC Mini, “Twin Pack” Par, em estojo de transporte N/REF-CP226EU PMR446, Rádios portáteis , livres de licença. Banda UHF PMR 446 MHz Padrão ambiental: IP67 (proteção contra poeiras e água até 1m de profundidade durante meia hora). Potência: 500mW. Dimensões: 74x 44 x19mm, aprox. Antena 40mm) Peso: 80g com bateria e clip 20 canais, com combinações 53CTCSS and 104 DCS . Pesquisa de canais (Scan)


Electrónica

Estojo de transporte Robustez para uso profissional. Potência: 500mW . Dimensões: 94 x 53 x 26mm, aprox. Antena 40mm) Peso: 115g com bateria e clip 20 canais, com combinações 53CTCSS and 104 DCS . Pesquisa de canais (Scan e Dual Watch) VOX , para operação com mãos livres (consultar para os acessórios) . Indicação de intensidade de sinal. Economizador de bateria, indicador de carga e indicador de “stand-by”. Bloqueio de teclado Bateria de polímetro de litio 3.7 V/1100mAh. Recarregável também por via MiniUSB Alcances estimados: 3 a 5 Km em linha de vista (livre de obstáculos), 500m a 1km em zona urbana, (ou com obstáculos). Conteúdo da embalagem: rádio, bateria, antena,base de carregador com ficha EU e mini-USB, clip de cinto e manual. PVP: s/IVA- 129,27€ c/IVA- 159€

Economizador de bateria, indicador de carga e indicador de “stand-by”. Bloqueio de teclado Bateria de polímetro de litio 3.7 V/1100mAh. Recarregável também por via MiniUSB Alcances estimados: 3 a 5 Km em linha de vista (livre de obstáculos), 500m a 1km em zona urbana, (ou com obstáculos). Conteúdo da embalagem: rádio, bateria, antena,base de carregador com ficha EU e mini-USB, clip de cinto e manual. PVP: s/IVA- 113,01€ c/Iva-139€ CPS Telecom, mod CP229, ARC Pro N/REF- CP229EFS PVP: s/IVA- 64,23€ c/IVA- 79€ CPS Telecom, mod CP229, ARC Pro, “Twin Pack” Par, em estojo de transporte N/REF- CP229EU PMR446, Rádios portáteis, livres de licença. Banda UHF PMR 446 MHz Padrão ambiental: IP67 (proteção contra poeiras e água até 1m de profundidade durante meia hora) .

CP229, ARC Pro

Para mais informação, tel.:213007030, geral@nautel.pt ou www.nautel.pt

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Náutica Texto e Fotografia Vitor Ganchinho

Náutica de Recreio

À Vela, Duas Almas Gémeas

Quando duas pessoas são amigas de verdade, são amigas em todo o lado: no frio da Polónia, no burburinho de uma qualquer cidade cosmopolita europeia, ou no calor de um deserto de África.

T

rago-vos hoje um desses casos, o de dois amigos que decidiram dar uma volta ao mundo em veleiro, e ocupar os seus dias de reformados de uma forma diferente, saindo do calor da lareira, do conforto de suas casas, para enfrentarem riscos, ventos e tempestades. 40

Falamos de Maciek Laskowski e de Wojtek Banaszak, dois incríveis amigos, extremamente simpáticos, e que resolveram partir de Lisboa, do Parque das Nações, para uma volta ao mundo. O rumo, meio vago, seria determinado de acordo com o humor de cada dia. A bordo do “Jemm of the Sea II”, com

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bandeira das Ilhas Virgens Britânicas, a proposta destes balzaquianos polacos era, numa primeira fase, sair pelo Atlântico fora, até aos Estados Unidos. Não há planeamento que resista, quando o objectivo é apenas estar no mar: com saída de Portugal a 28.10.19, destino Gibraltar

e posterior saída direito aos Açores, …a verdade é que, velejando a sul e chegados ao rochedo de Gibraltar, olharam às más previsões de tempo, com vagas de 12 a 14 metros no meio do Atlântico e …entraram Mediterrâneo dentro, tendo feito escala a sul de França, em Port-de Bouc, não muito lon-


Náutica

antes da viagem, para poderem ter uma ideia do “desgaste corporal” que tal opção poderia acarretar-lhes. E foi aí que entrou em acção a solidariedade natural que o povo português tem por todos os estrangeiros que nos visitam, e dos homens do mar para homens do mar, em particular. No dia seguinte, nova visita à loja GO Fishing e aí sim, tinham à espera deles diversos sacos de material preparados, com linhas de mão, amostras de superfície para atuns, jigs, chumbadas, teasers, uma tonelada de anzóis empatados, baixadas para pescar de dia com

linhas mais finas, baixadas pré-montadas para pescar à noite com linhas mais fortes, amostras fluorescentes, pilhas para lanterna, facas para arranjar peixe, linhas e amostras para marlins, para dourados, e …um sorriso amigo. Desfizeram-se as pessoas em agradecimentos e com o sentimento de que afinal poderiam concretizar a sua ideia de comer peixe fresco. Tudo estava preparado para meses e meses de pesca intensiva, com muitas variantes, em função das dificuldades que certamente iriam sentir e enfrentar. Acredito que coloquei

O Veleiro Gemm of the Sea II. ge de Marselha. Onde ainda estão hoje. Esta seria apenas mais uma viagem de circunavegação, não fora o caso de estes dois simpáticos polacos terem firmes intenções de comer peixe …pescado por eles. Por isso se dirigiram à loja de Almada, a GO Fishing Portugal, para se abastecerem de produtos. Piorou um pouco quando disseram que de pesca não tinham mais do que noções rudimenta-

res, umas ideias difusas de alguns peixes capturados na sua infância, em lagos e pequenas ribeiras. A solidariedade natural dos portugueses Fazer uma viagem transatlântica sem saber empatar um anzol, e querer comer peixe, faz soar as campainhas todas. Tive oportunidade de lhes fazer lembrar a necessidade de se pesarem,

Esta casca de noz faz travessias intercontinentais. Que coragem! 2019 Dezembro 396

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Náutica

Percurso dos nossos amigos polacos até ao sul de França. Percurso alternativo dada a impossibilidade de atravessar o Atlântico por …“mau tempo no canal”.

naquelas montagens muito mais cuidado e carinho do que aquele que aplico nas minhas, quando saio a pescar. Eu posso corrigir no local, tenho meios e conhecimento para isso, eles não. Mais agradecidos ainda ficaram quando pediram a conta de todo aquele equipamento e a resposta foi: “ É gratuito. Voltem e contem-nos as vossas experiências dentro de um ano”. Estão a ver como é fácil fazer amigos, e ter histórias para contar aos meus queridos leitores e eventualmente aos meus futuros netos? Um destes dias, voltarei a este assunto. As naturais limitações de comunicação via satélite, irão fazer-se sentir, mas um destes dias saberão o que andam a fazer aqueles dois velhotes polacos…

Ei-los, os polacos, com Vitor Ganchinho, nas instalações da GO Fishing Almada. 42

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Pesca Desportiva

Viagens de Pesca

Texto e Fotografia Vitor Ganchinho

Em Sesimbra, a Ucrânia no seu melhor…

Os pargos, sempre os pargos a dar alegrias ao pessoal da pesca. Aviso já que não vou publicar muitas fotos das pessoas, ...porque não faz bom cabelo a ninguém ser visado nesta situação. Mas posso dizer-vos os nomes: Oleski, Davydenko, Oleksii , Volodymyr Lytvynenko, e Igor. Vê-se logo que dificilmente é malta do Barreiro. Aconteceu em Novembro de 2019, e tratamos de cinco simpáticos ucranianos que resolveram contratar os serviços da GO Fishing Portugal para fazer uma saída de pesca.

À

s 6.30h da manhã, religiosamente, estavam os cinco perfilados à minha frente. Noite cerrada ainda. Perguntei ao chefe deles, Igor, se aquilo era 44

a melhor equipa de cinco pescadores que se podia conseguir na Ucrânia. Um com roupas de centro comercial, sapato de cabedal bicudo, outros de calções e traje desportivo,

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ninguém diria que iam à pesca. Que sim, que não eram maus, que me iriam surpreender muito… Olhei para mim: polar grossinho, casaco com o fecho apertado, luvas,

gorro de lã, colete posto, que os 7ºC de temperatura não eram para brincar. Olhei para eles: dois “marmanjos” estavam em T-shirt de manga curta, os outros estavam menos


Pesca Desportiva

Não se pode dizer que um fato de treino do Real Madrid seja o equipamento de pesca mais indicado, mas...estamos por tudo.

à vontade, mas não iam além de uma roupa que usaríamos em final de Setembro. Tenho sempre a bordo uns cachecóis, uns gorros, tralhas que mais dia menos dia acabam por ser úteis. Um deles aceitou, os outros cruzaram os olhos e entendi logo que estava a oferecer um casaco de malha grosso a um bedu-

Os primeiros peixes da manhã, uma bica e um pargo. 2019 Dezembro 396

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Pesca Desportiva

íno no deserto: nem pensar. Verdade se diga que o único que aceitou os meus agasalhos tê-lo-á feito por deferência, para ser simpático, que não por necessidade. Como tinham trazido sacos, deduzi que seriam roupas, pelo que não me preocupei em demasia: “quando tiverem frio, vão às mochilas deles e vestem-se como deve ser”…

Porque tínhamos entre 1,50 a 1.80 mts de ondulação, achei por bem oferecer a todos um comprimido contra o enjoo. Prevenir nunca é demais, e não foi difícil convencêlos a tomar a pastilha. Bem mais complicado foi convencer um deles a tomar o dito comprimido com água. Os outros todos aceitaram, mas aquele recusou e deduzi que

iria tomá-lo a seco. Concentrei as minhas atenções na navegação, que à noite sempre implica um pouco mais de cuidado. Chegámos ao local do crime: cheio de vida! À primeira aceleradela, lá foi o gorro. Daí a pouco, lá foi o cachecol….e à noite, nem valia a pena procurar muito. É isto que faz com

Quando a cana dobra, …está sempre tudo certo. 46

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que as tainhas por vezes nos apareçam agasalhadas de gorro polar na cabeça. E os ucranianos aos poucos lá me fizeram a vontade, lá colocaram uns casacos mais consentâneos com a época. Daí a pouco chegámos ao local do crime: cheio de vida! A sonda estava maluca a marcar uma massa de peixe incrível. Depois de vários dias de tormenta, o primeiro dia de pesca é sempre a estalar! Tínhamos peixe por baixo a aproveitar tudo aquilo que foi desenterrado e aniquilado por vários dias de vagas de 4 a 5 metros. Muita pancada de mar dá sempre boas pescarias a seguir. E assim foi: as primeiras baixadas foram de dose dupla, dois pargos aqui, duas choupas ali. Os carapaus a aparecerem também, numa entremeada que se adivinhava de muito trabalho de braços. Tentámos com cavala fresca, pescada no local. Tirando a sardinha, não conheço nada melhor. Sem avisar muito os pargos grandes apareceram, e dois deles tinham mesmo o tamanho certo para o forno. O meu convidado Davydenko, entusiasmado com a forma como as coisas estavam a correr, terá tropeçado em algo, e estatelou-se de cara contra a amura do barco. Eu, que estava a cortar filetes de cavala para isca, larguei a faca da mão e corri para ele preocupado. Tirando alguns dentes que já iam próximo do estômago, não lhe vi mal de maior. Voltei


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Pesca Desportiva

Pargos com cavala, uma receita que nunca falha.

Mais uns peixinhos. Para quem no seu país raramente pesca algo, as nossas águas são um paraíso. 48

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Pesca Desportiva

O conjunto Saltiga, cana e carreto a fazer estragos nos pargos.

à minha função de “gajo das iscas” e filetei como um pro japonês enquanto houve material. Nisto, o pobre Davydenko, provavelmente parente próximo do meu aftershave Davidoff, resolveu levantar-se. Pareceu-me bem. Mas só me pareceu bem durante uma fracção de segundo! Um passo depois voltou a cair em folha seca, e deu com a cabeça na amura do outro lado do barco, sem colocar os braços à frente. Fiquei preocupado. Os barcos da GO Fishing são rijos, mas era evidente que não iriam resistir a tanta pancada. De joelhos, levantei-lhe a cabeça com as mãos, esperando o pior. Estava combalido. Ainda assim, começou a rir-se, como se tivesse tomado uma caixa de Xanax, ou que

lhe tivessem dito que não iria pagar IRS… Quanto tempo levo daqui até Sesimbra? Daí a minutos, vi-o a despir-se. Em pêlo. Porque frequento ginásios vai para 40 anos, não achei estranho. O que era estranho era ele estar deitado no barco, de barriga para cima, com um sorriso de Mona Lisa. Daí a pouco, perguntou-me, num inglês retorcido, misturado de russo: “Quanto tempo levo daqui até Sesimbra?” Respondi-lhe que levaria a vida toda. Ou seja, no estado em que estava, com a água a 14 a 15ºC, cerca de 40 milhas, não seria difícil adivinhar que ao fim de alguns metros estaria no fundo do mar. Iria levar, em rigor, a vida 2019 Dezembro 396

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Pesca Desportiva

toda…que em perspectiva não era muita. Lá o conseguimos vestir. O hálito era o de uma destilaria de bagaço, onde se produz qualquer coisa relacionada com álcool etílico, do forte. Tresandava. Falei com o chefe Igor e ele mostrou-me então a razão daquele comportamento

estranho: tinha tomado o comprimido contra o enjoo com…duas garrafas de Vodka de litro, em jejum! Lá estavam as garrafas vazias, na mochila dele. Dizia-me o Igor: “É estranho, ele até prefere rhum….mas quando está em dia de sentir a garganta seca, bebe de tudo e

muito”. Fiquei apreensivo porque entendi que um dia de pescaria memorável estava a descambar para algo que se sabia como tinha começado, mas que não se sabia como iria acabar. Por aquele andar, algo de bem mais grave poderia acontecer. Levan-

Uma das garrafas do crime. Como pode alguém beber disto como se fosse água…? 50

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tei a âncora, por entender que estava na hora de sair dali. Perante tal situação, a pescaria estava terminada. Eram 9.25h da manhã. Haveria cerca de 13 kgs de peixe variado a bordo, mais dois pargos bons. Voltámos para casa, deixando para trás um pesqueiro completamente atestado de peixe. O Davidenko cantava como se o nome dele fosse Freddy e o apelido fosse Mercury. Para aquelas cavalas e peixes-agulha nunca se terá cantado tão alto. Desviavam-se bruscamente, não sei por efeitos da pancada e espuma do barco, se do cantar do artista. A conduzir a embarcação, com um olho no moço ucraniano, e em linha tão recta e tão depressa quanto possível, vim a matutar naquela situação. Como era possível que uma só pessoa fosse capaz de beber duas garrafas de litro de vodka!?? Despedidas, abraços e juras de amizade eterna, como convém. Mil desculpas por parte dos outros, também eles algo preocupados com o estado de saúde do colega. O prostrado e inerte Davidenko foi levado em braços por dois dos colegas, com os pés a arrojar no chão, e atirado para dentro do carro. Porque gosto de deixar as embarcações limpas e arrumadas, fiquei mais um pouco a dar um jeito nas coisas. A um canto, estava uma terceira garrafa vazia. Desta vez era uma de rhum…..cubano.


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Náutica

Notícias Touron

Mercury Marine Establece Record em Fort Lauderdale A Mercury Marine estabeleceu um novo recorde no número de motores exibidos no Fort Lauderdale International Boat Show 2019

Fort Lauderdale International Boat Show 2019

A

Mercury Marine continua a aumentar a sua presença no Fort Lauderdale International Boat Show (Flórida, EUA), uma das maiores e mais requisitadas feiras náuticas da América do Norte, atingindo outro recorde em 2019. A Mercury teve o maior número de motores em exibição durante na feira, com mais de metade do total de motores fora de borda em exposição. “Fort Lauderdale continua

a ser uma feira extremamente importante para a Mercury e para os nossos clientes”, disse Chris Drees, presidente da Mercury Marine. “Continuamos com grandes ganhos na quota de participação nos principais salões náuticos, principalmente devido ao lançamento de novos produtos como o Verado 350, 400 e 450R, bem como os nossos motores fora de borda V6 e V8, que continuam num

Os Mercury 450R em exposição 52

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crescendo de popularidade. Começamos a temporada de feiras náutica na América do Norte com uma grande exposição em Fort Lauderdale, onde a procura de motores Mercury a 4 tempos continua a aumentar”. Tal como no ano passado, a Mercury continua a acrescentar muitos construtores de embarcações à sua base de clientes, alguns tiveram grande número de motores Mercury nos seus stands, como nunca haviam feito antes, enquanto outros expuseram motores Mercury pela primeira vez. Os construtores de embarcações confiam no compromisso da Mercury na fiabilidade e na qualidade, bem como na sua aposta em ter o melhor parceiro para assegurar o seu crescimento. “Conversei com alguns construtores durante a feira que, há alguns atrás, não estavam interessados em conversar com a Mercury Marine”, disse Randy Caruana, Vice-presidente da Mercury Marine para a América e Ásia-Pacífico. “Agora, não só estão interessados,

como nos consideram como uma parte importante da sua estratégia de crescimento”. “A Mercury tem, de longe, o motor mais fiável e robusto que existe e continua a investir fortemente em novas tecnologias”, disse Mark Paulhus, CEO da Bertram Boats. “Na nossa marca não podemos subestimar o nosso produto oferecendo qualquer motor. Decidimos optimizar um conjunto integrado e a Mercury foi claramente a nossa escolha”. 2019 é o terceiro ano consecutivo de crescimento substancial da Mercury em Fort Lauderdale, uma tendência impulsionada pela procura dos clientes e pela popularidade dos motores de maior potência da Mercury, que são mais leves, mais rápidos e mais eficientes em termos de consumo do que qualquer outro motor fora de borda no mercado. A Mercury investiu mais de US $ 1,1 mil milhões em pesquisa e desenvolvimento e na expansão da capacidade de produção desde 2008. Os resultados mostraram uma presença significativamente maior não apenas em Fort Lauderdale, mas também em Miami e outras feiras importantes em todo o mundo. Tal foi recentemente reconhecido à Mercury Marine com o do prémio da empresa mais inovadora atribuído pela revista Soundings Trade Only durante a feira IBEX 2019. “No ano passado, tivemos a maior exposição de motores na feira de Fort Lauderdale e este ano superámos esses números”, disse Chris Drees. “A nossa equipa fez um trabalho fantástico ao aumentar a nossa participação no mercado e esperamos que essa tendência continue à medida que avançamos para a temporada de feiras em 2020”.


Náutica

Notícias Touron

Brunswick na CES Las Vegas 2020 A Brunswick estará presente na Consumer Electronics Show 2020, traçando novo futuro para a náutica.

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Brunswick Corporation (NYSE: BC) anunciou no dia 20 de Novembro que fará sua estreia no Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas, de 7 a 10 de janeiro de 2020, onde destacará a sua liderança em tecnologia na náutica de recreio, demonstrando como a sua estratégia de autonomia, conectividade, eletrificação e acesso compartilhado à ACES ajudará a definir o futuro da indústria marítima. “Vários membros da equipa da Brunswick têm estado presentes, ao longo dos anos, na CES, tendo concluído que este evento é uma grande fonte de inspiração para o futuro”, disse Dave Foulkes, CEO da Brunswick Corporation. “Com nossa posição de liderança em tecnologia marítima, estava na hora da Brunswick Corporation participar activamente na maior feira de eletrónica

e tecnologia do mundo. Estamos ansiosos para apresentar as nossas soluções marítimas de produtos e tecnologia no Las Vegas Convention Center, oferecendo aos participantes uma pers-

pectiva empolgante sobre o futuro da náutica e dar a conhecer as capacidades exclusivas da Brunswick”. Com a divisão Mercury Marine da Brunswick numa clara posição de liderança em propulsão marítima, com as marcas de barcos mais espectaculares e reconhecidas no mercado e com uma extensa

integração de empresas de peças, acessórios e tecnologia marítima, bem como do maior player em barcos partilhados, o Freedom Boat Club, a Brunswick está bem posicionado para participar da narrativa global de inovação e tecnologia da CES. Além de apresentar novos produtos e novas tecnologias marítimas, apresentando um novo vislumbre do futuro da náutica, o stand da Brunswick disponibilizará, ainda, a oportunidade de visualizar e interagir com os produtos usando a realidade aumentada. “O CES é um evento tão maravilhoso porque reúne engenheiros, cientistas e inovadores de muitas indústrias com o objetivo comum de aplicar a tecnologia na simplificação da nossa vida”, disse Foulkes. “A amplitude e o ritmo do desenvolvimento dos nossos produtos e das nossas tecnologias são incomparáveis no setor marítimo e estamos ansiosos para compartilhar a nossa visão numa exposição verdadeiramente emocionante que demonstre totalmente o nosso compromisso em redefinir a náutica”.

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Electrónica

Notícias Nautiradar

Placas de Terra da GLOMEX melhoram o desempenho das antenas de rádio Uma placa de terra é uma interface de ligação entre a eletrónica a bordo, geradores e a água para garantir a continuidade elétrica.

M

elhora o desempenho de transmissão e receção dos aparelhos de comunicação rádio da embarcação ao reduzir as interferências RF

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(rádio frequência). As chamadas Placas ou Chapas de Terra de Bronze Sinterizado de elevada qualidade da Glomex, fabricante líder a nível mundial de antenas para os setores de náutica de recreio e comercial, apresentam uma área de superfície 15% superior à da concorrência – até 5.75 m2. As Placas de Terra de Bronze Sinterizado da Glomex consistem em microesferas fundidas que criam uma superfície 10 vezes maior que o seu tamanho atual. Isto não só fornece uma maior capacidade como também um desempenho superior à antena. Disponíveis em modelos redondos ou retangulares, as Placas de Terra de Bronze Sinterizado possuem um for-

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mato exclusivo que resistem a incrustações e minimizam a resistência em deslocamento. Porcas e parafusos sextavados em bronze, feitos do mesmo material das placas, são fornecidos juntamente com espaçadores em plástico. A Glomex disponibiliza seis dimensões de placas: redondas de 55 mm e 128 mm e retangulares desde 155 mm a 455 mm. Em barcos a motor, as Placas de Terra de Bronze Sinterizado da Glomex devem ser instaladas no casco, no terceiro terço à ré, e perto da linha central. Num veleiro, a localização ideal fica entre a quilha e o leme. Em ambas as embarcações, o local de montagem deve ser o mais plano possível; qualquer espaço entre a placa e o casco superior a 3mm deve ser evitado. A instalação na popa não é recomendada, bem como não deve ser colocada à frente de um transdutor de sonda ou odómetro devido à ligeira turbulência criada pela Placa. A instalação de uma Placa de Terra é um trabalho do tipo “faça-você-mesmo” e por isso bastante simples. Após garantir que o local de montagem permite um acesso desobstruído no interior do casco,

a Placa pode ser usada como guia ou modelo para furação. Contudo estão incluídos desenhos técnicos com as dimensões e diâmetros precisos dos furos. Depois de limpa e seca a área, deve ser aplicada uma camada de vedante impermeável tipo silicone, pelo lado de dentro do casco, em cada furo e à sua volta. Garanta que o vedante não cobre a parte traseira da Placa. A porca sextavada e o espaçador de plástico dos parafusos devem ser então apertados à mão - não apertar em demasia. Finalmente, a ligação elétrica é efetuada ao conectar um cabo de cobre trançado de espessura mínima de 8,4mm2 com um terminal de olhal a um dos parafusos, e fixá-lo com a porca de bronze incluída. Para ligar a Placa de Terra ao negativo da bateria, utilize um cabo elétrico de características idênticas. Se usar uma fita de cobre para ligação à Placa de Terra, então opte por uma fita de cobre com uma largura mínima de 50 mm. O melhor desempenho nos rádios de MF/HF/ SSB é obtido quando se liga diretamente ao acoplador de antena do rádio. A manutenção das Placas de Terra é simples. Cracas e outras espécies da vida marinha não se agarram ao metal, pelo que basta limpar as Placas com lixivia e uma escova rígida, e nunca as pintar. Para mais informações sobre este produto da Glomex, por favor visite o site www.nautiradar.pt ou contacte através do 21 300 50 50.


Notícias do Mar

Notícias Docapesca

Parque de Apoio no Porto de Pesca de Lagos Docapesca lança concurso para parque de apoio aos armadores no Porto de Pesca de Lagos, Investimento de cerca de 170.000 euros, na melhoria das condições de segurança e de trabalho

Lagos

A

Docapesca lançou um concurso para a empreitada de construção do Parque de Apoio aos Armadores no Porto de Pesca de Lagos, com o preço base de 169.987 euros, para responder às necessidades das operações de recolha, reparação e acondicionamento de redes e apetrechos de pesca dos armadores e acondicionamento e armazenamento de isco. O parque será implantado num terreno no interior do porto de pesca de Lagos, com 2.753 m2, delimitado a sul pela água (porto), a oeste pelo acesso ao edifício da lota, a norte e a este por estrada de acesso aos ancoradouros. Será organizado por zonas, com espaços cobertos, de construção aligeirada, com condições de salubridade e conforto, no sentido melhorar as condições de trabalho e segurança da comunidade

piscatória local. A entrada e a saída localizam-se no lado da lota, colocando a zona de lavagem, a zona de telheiro e a zona de cofre e iscas junto a água, a

zona de redes (40 lugares) no centro e a zona de cerco (22 lugares) junto à estrada. O espaço excedente a norte e nascente será destinado a zona verde.

Esta intervenção, preparada em articulação com os representantes dos pescadores e armadores, vem assim dar resposta ao anseio de reorganização deste espaço portuário.

Porto de pesca de Lagos 2019 Dezembro 396

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Notícias do Mar

Economia do Mar

Ligação da Ferrovia Sines a Caia em Força

Foi dado mais um passo na ligação ferroviária entre Caia e Sines na terceira cerimónia de lançamento da maior obra ferroviária dos últimos cem anos decorreu no passado dia 4 de Novembro em Evora por Pedro Nuno Santos.

P

nes. “São investimentos absolutamente estruturantes. Será, talvez, o investimento mais mar-

cante do meu mandato como ministro”, destacou pedro Nuno Santos. A construção do corre-

Fotografia: radioelvas

otencia certamente, mais do que tudo, as eurocidades e o porto de Si-

Pedro Nuno Santos na cerimónia de lançamento da Obra Troco Elvas Alandroal 56

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dor ferroviário entre o porto de Sines e a fronteira espanhola (Caia) tem de ficar concluída até 2030. A nova ligação permitirá reduzir o actual transporte de mercadorias em cerca de 140 quilómetros de extensão e poupar três horas e meia gastos no trajeto, passando de 17 comboios com 400 metros para até 30 comboios com 750 metros, diariamente, retirando das estradas o equivalente a 850 camiões. A escolha recaiu numa solução próxima da zona urbana, mas as preocupações estão na minimização dos impactos para as pessoas. O maior investimento


Notícias do Mar

Sines a Badajoz

nos últimos 100 anos em Portugal em matéria de ferrovia está a fazer-se agora e também a unir duas regiões o Alentejo e a Extremadura espanhola e os dois países e está a fazer-se para cumprir a plataforma logística do sudoeste peninsular.A eurocidade Elvas/Badajoz/ Campo Maior, que reúne mais de 200 mil habitantes, está inserida no eixo Lisboa-Madrid-Barcelona, denominado por “Diagonal Continental Europeia

da Península Ibérica”.O projecto faz parte de uma rede transeuropeia de transporte, comércio, investigação e desenvolvimento. A eurocidade pretende reforçar a projeção exterior dos três concelhos,

valorizar o território, atrair e fixar pessoas e investimento, criar dinâmicas de emprego e crescimento e formar uma nova geração de cidadãos bilingues.. O projecto pretende ser um centro nevrálgico económico da Península Ibé-

rica, aproveitando a proximidade do aeroporto de Badajoz, a linha ferroviária de mercadorias SinesCaia-Madrid e a criação da plataforma logística do sudoeste europeu, polinucleada entre Elvas e Badajoz.

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Notícias do Mar

3º Mar em Português 2019

Mar em Português um Espaço de Debate

O Mar em Português, juntou mais de 140 pessoas em debate A terceira realização do Mar em Português, juntou mais de 140 pessoas, que se reuniram naquela que é a casa desta conferência, o Salão Nobre do Museu Nacional de Arqueologia, no Mosteiro dos Jerónimos.

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Crescimento Azul Miguel Marques (Economy of the Sea PwC Partner) 58

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om o pretexto de debater o Mar Português, juntámos empresas, entidades nacionais, institutos, escolas, media especializados e interessados. Às pessoas que aceitaram amavelmente o nosso convite, para nos darem um bocado do seu tempo, um obrigado. Neste espaço pudemos falar de todo um sector e do que ele precisa. A saída da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, lembra-nos que há ainda muito para fazer daqui para a frente. Uma coisa é certa do ponto de vista estratégico, o nosso Mar


Notícias do Mar

Economia do Mar: Casos de Sucesso Moderação de Miguel Marques (Economy of the Sea PwC Partner).  Manuel Braz (CEO da SUNCONCEPT), Salete Novaes (CEO do Grupo SIROCO) e André Castro (Design Manager da ALMADESIGN)

tem um papel importante no desenvolvimento e crescimento económico do país. Durante um dia abordámos temas transversais relacionados com a economia do mar em geral, a Náutica, a I&D, a soberania, a sustentabilidade, a periferia, o crescimento azul, numa lógica construtiva e a olhar para o futuro. O Mar é consensualmente estratégico pelo que é necessário definir os passos seguintes. Com esta conferência pretendeu-se fazer um ponto de situação do potencial e da riqueza do Mar e do seu futuro. Turismo Náutico O debate começou com a

Mesa-Redonda, Marinas: Hub Turístico e Motor do Turismo Náutico. Uma mesa diversa que contou com a perspectiva das Marinas na primeira pessoa, estando presentes Luís Filipe Teixeira, Administrador da Marina de Cascais e Martinho Fortunato, Presidente do CA

da Marina de Lagos, bem como a região de turismo do Alentejo através de António Lacerda, General Manager da Agência de Promoção Turística do Alentejo e ainda a visão abrangente dos empresários através de António Marques Vidal, Presidente da Direcção da APECA-

TE. Foi possível ter uma visão das idiossincrasias de uma infra-estrutura única, uma infra-estrutura turística, à volta da qual há uma economia do mar, onde se movimentam múltiplos operadores, que a utilizam e dinamizam o Turismo Náutico. O crescimento do Turismo em

Marinas: Hub Turístico e Motor do Turismo Náutico João Carlos Reis (Notícias do Mar), António Lacerda (General Manager da Agência de Promoção Turística do Alentejo), António Marques Vidal (Presidente da Direcção da APECATE), Luís Filipe Teixeira (Administrador da Marina de Cascais) e Martinho Fortunato (Presidente do CA da Marina de Lagos): 2019 Dezembro 396

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Notícias do Mar

Economia do Mar: Casos de Sucesso

Portugal, também aqui tem feito sentir o seu efeito, com pressões, mas também oportunidades. Porque os dados são escassos e por isso assumem uma importância ainda maior Miguel Mar-

ques (Economy of the Sea PwC Partner), falounos do Crescimento Azul, com base nos dados do LEME – Barómetro PwC da Economia do Mar Edição nº 9. Pudemos constatar que em 2017, 68%

das variáveis apresentaram uma evolução favorável, com os dados a demonstrar uma economia do mar resiliente. No sector dos Transportes marítimos, portos e logística, Portugal apre-

Construir em Português: Saber e querer Jaime Costa (Estaleiro Naval Jaime Costa), Francisco Cálão (RIAMAR) e Gustavo Mateus (NAVALPORT YARDS). Moderação de António Cavaco (APICAN) 60

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sentou um crescimento de 2,5% no número de navios e de 3,1% em DWT (dados de registos de navios, 1 de Janeiro de 2017 (DWT)), com o Registo Internacional de Navios da Madeira a assumir protagonismo. No Entretenimento, desporto, turismo e cultura o número de passageiros registados na via navegável do Douro, teve um crescimento de 35,4% entre 2016/2017. Registandose também crescimentos no Índice do número de check-in novo de embarcações em Portugal registadas no Latitude 32 e no Índice dos processos concluídos no âmbito da náutica de recreio (nº de acções – emissões de cartas, renovações, 2ª vias e equiparações). Na Formação e Emprego Marítimo (Capital


Notícias do Mar

Humano) poi possível notar a estabilização para o Índice do número de pescadores. Seguiu-se uma conversa sobre a Economia do Mar e a apresentação de alguns Casos de Sucesso Portugueses, que contou com as preciosas contribuições de André Castro, o Design Manager da ALMADESIGN, Salete Novaes a CEO do Grupo SIROCO e Manuel Braz, CEO da SUNCONCEPT, que nos apresentou o CAT 12, uma embarcação electro solar, cujo lançamento foi durante o Verão, em Vilamoura. O CAT 12 é um catamaran que se move a energia solar. Tem 12 metros de comprimento e 27,5m2 de área útil de convés e capacidade para 25 a 45 passageiros. Armazena a energia do Sol através dos painéis fotovoltaicos existentes no barco. Tem uma velocidade máxima de 10 a 14 nós, uma velocidade de cruzeiro de 6 a 10 nós. Despois do Coffeebreak, avançámos para as Estações Náuticas e a Oferta turística de qualidade que valoriza os recursos náuticos. Contámos com a presença de Paulo Simões, Primeiro Secretário da Comunidade Intermunicipal do Oeste (OESTE CIM), que nos falou da estratégia da região, a importância da questão ambiental e da Estação Náutica do Oeste, as Ondas da Nazaré e o Surf de Peniche, António José Correia da Fórum Oceano, fez um ponto de situação das Estações Náu-

Estações Náuticas: Oferta turística de qualidade, a valorizar os recursos náuticos Álvaro Azedo (Presidente da Câmara Municipal de Moura) e Paulo Simões (Primeiro Secretário da Comunidade Intermunicipal do Oeste - OESTE CIM).

ticas, as Águas interiores do grande lago do Alqueva também estiveram representadas na pessoa do Presidente da Câmara Municipal de Moura, Álvaro Azedo que nos falou da Estação Náutica de Moura e dos passos decididos e confiantes que estão a dar para desenvolver o Turismo Náutico no grande lago do Alqueva.

Sessão matinal sobre o Turismo Náutico

Democratização de dados oceânicos Tiago Cristóvão (Founder & Business Developer Undersee) 2019 Dezembro 396

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Notícias do Mar

Estações Náuticas a valorizar os recursos náuticos

Recursos da pesca portuguesa: a sardinha e mais além Alexandra Silva (Chefe da Divisão de Modelação e Gestão de Recursos Pesqueiros/IPMA) 62

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Um olhar azul Na Sessão da Tarde com Um olhar azul, Alexandra Silva (Chefe da Divisão de Modelação e Gestão de Recursos Pesqueiros/IPMA), falou-nos dos Recursos da pesca portuguesa: a sardinha e mais além, seguiu-se a apresentação de Tiago Cristóvão, Business Developer da Undersee, que nos falou da Democratização de dados oceânicos. A Undersee desenvolveu uma solução inovadora para acesso global a dados relativos à qualidade da água. É de simples instalação em qualquer tipo de embarcação e pode ser implementado

Turismo de pesca, uma experiência de Mar Hugo Pimenta (Go Fishing)


Notícias do Mar

directamente em bóias ou estruturas de aquacultura. Comente-se que a Undersee a par com a SEAentia (presente na edição de 2018 do Mar em Português), ficaram entre os três finalistas do Blue Bio Value, o programa nacional de aceleração para a economia azul. O Blue Bio Value, parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a a Fundação Oceano Azul realizou-se pela primeira vez em 2018. Para terminar este olhar Azul, Nuno Sá da Atlantic Ridge Productions (primeira produtora Nacional especializada em imagem subaquática em Ultra High Definition) falou-nos daquilo que o move há 15 anos e que o leva a Captar os Oceanos, como ninguém. A experiência de mergulhar com a baleia azul, fotografar curiosos tubarões azuis, descer aos 1.000 m de profundidade num submarino ou estar com uma foca única no mundo fez o resto. Construir em Português: Saber e querer, trouxenos o Mestre Jaime Costa do Estaleiro Naval Jaime Costa, especializado em Embarcações Tradicionais, Gustavo Mateus da NAVALPORT YARDS e Francisco Cálão da Riamar, que nos falaram do momento deste sector tão importante da Náutica, que é o da construção Naval e que se bate com problemas tremendos na angariação de mão-deobra. João Delgado, Vicepresidente da Mútua dos

Captar os Oceanos Nuno Sá (Atlantic Ridge Productions)

Pescadores, falou-nos da Pesca – um mar de riscos, a partir de alguns indicadores socioeconómicos reflectiu sobre a segurança marítima da actividade numa perspectiva global, articulando questões sociais, económicas, políticas e culturais, que condicionam o futuro do sector. Ao fim do dia, tivemos uma experiência de Mar

fazendo Turismo de Pesca com Hugo Pimenta da Go Fishing, que está sedeada em Sesimbra, onde encontrou as condições necessárias à sua actividade. O “Mar em Português” é uma organização do Jornal Notícias do Mar, Media 4U, empresa de eventos, e do Sea of Portugal, participação conjunta

Portuguesa na boot, feira internacional de náutica e desportos náuticos. Contou com o patrocínio da BOOT Düsseldorf, Nautel, Mútua dos Pescadores, Yamaha, Suzuki Marine, Torrestir, Boatcenter e o apoio do Museu Nacional de Arqueologia. Trata-se de um evento gratuito, venha debater connosco em 2020!

Sessão Captar os Oceanos 2019 Dezembro 396

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Notícias do Mar

boot - Dusseldorf

Sea of Portugal

Pela Quinta Vez Consecutiva na Boot

Noite Sea of Portugal O maior certame de náutica e desportos náuticos do mundo, começa dia 16 de Janeiro de 2020, em Düsseldorf e o Sea of Portugal marcará presença pela quinta vez consecutiva na boot.

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m 2020 o Sea of Portugal vai estar no Pavilhão 13 (Turismo Náutico) e pela segunda vez no Pavilhão 8a (Beach World), onde vamos beneficiar da excelente dinâmica do Pavilhão, agora renomeado de surf sports.

O Sea of Portugal conta com várias instituições e empresas portuguesas, a promoverem junto do mercado internacional o que Portugal tem de melhor para oferecer. Com uma representação muita transversal, de Norte a Sul de Portugal, contando

com a presença de Loulé, Vilamoura, Lagos, Alentejo, Mértola, Setúbal, Lisboa e Cascais, passando por Peniche, Nazaré e o OESTE, Espinho e Esposende. Fazem parte da participação conjunta Portuguesa: APPR, Baía de Setúbal, Câ-

Esplanada Sagres Sea of Portugal 64

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mara Municipal de Espinho, Câmara Municipal de Esposende, Câmara Municipal de Loulé, Câmara Municipal de Mértola, Comunidade Intermunicipal do Oeste, Estação Náutica de Vilamoura, Estação Náutica do Oeste, Marina de Cascais, Marina de Lagos, Marina de Vilamoura, Media 4U, Palmayachts e o Turismo do Alentejo.


Notícias do Mar

Marina de Lagos gica, Suíça, Itália, Áustria, França, entre muitos outros. A boot 2019 comemorou os seus 50 anos de actividade. Os números falam por si: 2.000 expositores, de 73 países diferentes, num total de 220 mil m2 quadrados,

A boot a liderar Estar na boot mais do que importante ou estratégico é necessário. Trata-se da maior feira do sector, o local onde se encontram todas as instituições, empresas e profissionais que funcionam como alavanca de muito o que se faz e acontece no sector. É ali que está o público-alvo do que Portugal tem para oferecer. A feira recebe muitos visitantes internacionais provenientes de países como os Países Baixos, Bél-

em 17 Pavilhões. Quase 250.000 visitantes. 1.500 embarcações e mais de 2.200 jornalistas. Turismo Náutico, Marítimo-turísticas, Marinas, Mergulho, Charters, Aluguer/Venda de Embarcações, SURF, Kitesurf,

Windsurf, foram algumas das actividades presentes, neste evento transversal às actividades náuticas, que oferece no mesmo espaço, soluções, produtos e serviços muito diferenciados, em muitas das áreas da Náutica

Sea of Portugal Surf Kitesurf Windsurf

Turismo de Portugal 2019 Dezembro 396

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Notícias do Mar

Palmayachts e dos Desportos Aquáticos, durante 9 dias. Estes números são únicos na indústria. Nenhuma outra feira de desportos aquáticos reflecte todo o mercado mundial em toda sua diversi-

dade quanto a boot. Um trabalho de continuidade A Náutica, o Turismo Náutico e os desportos aquáticos são estratégicos para o

Turismo e para a economia Portuguesa, pelo que através da sua promoção temos vindo a dar a conhecer e viabilizar junto do mercado internacional o que Portugal tem de melhor para oferecer

Câmara Municipal de Espinho

Noite Sea of Portugal 66

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neste sector: Avistamento de Cetáceos, Cruzeiros ao longo da costa, Eco-resorts, Kitesurf, Marinas, Mergulho, Surf e Surf Camps, Turismo Náutico (e de Natureza), Windsurf, Yacht Charters, etc. Das primeiras quatro participações, sabemos que Portugal tem uma imagem muito positiva junto dos visitantes. A percepção deles é de um país bonito, com paisagens naturais preservadas, condições únicas para a prática das actividades náuticas, seguro, com história e uma fantástica gastronomia. Acrescentamos que a nossa localização fica a 3 horas de mais de 500 milhões de pessoas, muitos deles não precisam sequer de passaporte para nos visitar e têm a mesma moeda que nós. O cliente internacional que procura a oferta Portuguesa, quer alternativas que incluam o contacto com a Natureza e a sua conservação, segurança, entretenimento variado, profissionalismo dos serviços e simplicidade na organização das suas férias. Os stands portugueses têm atraído, sobretudo, visitantes da Alemanha, Holanda, Bélgica, Grã-Bretanha e Espanha. Mais uma vez no Beach World Os expositores do Beach World usufruem de um espaço que beneficiou com a autonomia operada em 2018, para o Pavilhão 8a. Só a “THE WAVE” atrais mais de 100 mil visitantes, que assistiram às actividades aí realizadas. Os desportos aquáticos e surf sports em particular, são cada vez mais praticados e apelam a um público jovem, que inicia assim a sua relação com a água e que de forma natural faz a sua evolução para a Náu-


Notícias do Mar

tica. A boot vê de forma natural esta relação e estimula os mais jovens a interessarem-se por tudo o que esteja ligado com a água, não fosse a sua assinatura: 360º Água. Estar onde é necessário Temos de estar presentes e de braços abertos, com uma posição forte e associada a Portugal. É isso que o Sea of Portugal tem feito e tem funcionado. Somos reconhecidos pela nossa dinâmica; pela Calçada Portuguesa que estampámos no chão dos nossos stands; pelas Noites do Sea of Portugal onde partilhamos uma Sagres com os nossos amigos, parceiros, clientes e convidados no geral, no fim do dia de trabalho; pela oferta excepcional Portuguesa, que temos levado

Onshore Guide connosco. O objectivo do Sea of Portugal é ajudar as empresas na internacionalização do turismo náutico e a fazer negócios lá fora. Os turistas acham que Portugal é um grande destino de Turismo e querem fazer Surf ou outra actividade náutica aqui.

Não olhar, não ver esta oportunidade, é mais do que cegueira, é um erro estratégico enorme, que Portugal não pode cometer. Não se trata de apenas fazer promoção e marketing, temos de agir e de estar nos sítios certos. A boot não será certamente o úni-

co, mas é definitivamente aquele onde não podemos deixar de estar. Passo a passo, o Sea of Portugal vai continuar a trabalhar no objectivo de ajudar as empresas na internacionalização do turismo náutico e a fazer negócios lá fora.

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Vela

II Torneio de SB20 do Alqueva Regata dos Campeões

Espectaculares Regatas no Alqueva

Fim-de-semana incrível de regatas no Lago Alqueva No fim-de-semana 23 e 24 de Novembro 14 equipas, em representação de 12 clubes, com meia centena de velejadores, participaram no II Torneio de SB20 do Alqueva - Regata dos Campeões, em barcos da classe SB20.

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António Pereira ao leme com Filipa Schedel, Ricardo Schedel e António Matos Rosa 70

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ara tornar a prova ainda mais atractiva para os espectadores e para as equipas, a regata decorreu em modo ´round robin´ com 4 finalistas a competir pela vitória numa final. O torneio contou com a presença de Tony Castro, designer do barco SB20 tendo referido mais tarde que “foi um evento muito bom para os espectadores, seguimos a ação de muito perto nos barcos disponibilizados pela organização, fiquei


Vela

Tony Castro, designer do barco SB20

a desejar estar a participar!”. Muitos parabéns a todos os atletas participantes e em particular aos vencedores Campeões dos Campeões Diogo Costa, Tiago Morais, Pedro Costa e José Maria Cunha! Também um agradecimento especial a todos

Muita emoção no primeiro dia de provas, com vento acima dos 20 nós 2019 Dezembro 396

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Vela

Existem lagos com condições magnificas para a prática da vela

Portugal não é apenas oceano

Equipa do Henrique Brites com Rafael Rodrigues em grande plano e atrás Bernardo Torres Pego 72

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os que apoiaram e prestigiaram a realização deste torneio: Turismo do Alentejo,  Turismo de Portugal, Câmara Municipal de Moura,  SailCascais,  TradeWinds Portugal,  Alquevatours,  Herdade Das Servas,  Herdade do Sobroso,  Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos  e  Museu do Me-

Francisco Lufinha ao leme com David Abecassis e Pedro Costa Alemão


Mais um esforço para tirar o spi da água

dronho. A Estação Náutica de Moura mais uma vez demonstrou o potencial para a prática de desportos náuticos, e com o desenvolvimento progra-

mado das infraestruturas da Estação Náutica, mais e melhores condições estarão disponíveis para a realização de competições nacionais e internacionais.

Estavam excelentes condições para fazer regatas

1º Diogo Costa, Pedro Costa, Tiago Morais e José Maria Cunha. 2º Hugo Rocha, Paulo Manso, Margarida Cunha e Diogo Grade. 3º António Pereira, An-

Fotografia: Luís Fragas

Vela

tónio Matos Rosa, Filipa Schedel e Ricardo Schedel. 4º Henrique Brites, Rafael Rodrigues, Bernardo Torres Pêgo e Guilherme Gomes.

Todos os participantes no II Torneio de SB20 do Alqueva Classificações Nº

Classe

Clube

Timoneiro

Tripulação

Classificados

1

Snipe

Dom Pedro/ CWDS/ CNC

António Pereira

Filipa Schedel Ricardo Schedel António Matos Rosa

2

Optimist

ANM/CNC

Mário Soares

Vasco Soares Vasco Serpa Tó Zé Barros

3

ORC

ANMadeira/CV Tejo

Vitor Nobrega

Marco Sousa Luis Charola

4

ANC

AN Lisboa/ CNC/ Dom Pedro

José Sabido

Miguel Graça Kiko Amaral

5

Moth

CNC

Henrique Brites

Guilherme Gomes Bernardo Pego Rafael Rodrigues

6

49er

CNC/ RCN Palma/ANL

Tomás Barreto

Albert Torres Elias Aretz João Tomás

7

Liga Vela

CV Sado

Luis Santos

António Santos Pedro Vilela

8

Finn

CIMAV/ CWDS

Filipe Silva

Tiago Roquette Pedro Pontes

9

470

CWDS

Diogo Costa

Tiago Morais Pedro Costa José Maria Cunha

10

Liga Vela

CWDS

Afonso Leite

Nuno Bajanca Francisca Barros Tomás Rocha

11

420

CN Tavira/ CV Barreiro

Luis Niza

João Duarte José Lopes

12

Kite

AN Lisboa/ CNC

Francisco Lufinha

David Abecassis Pedro Costa Alemão

13

WoW

CNC

Sara Carmo

André Lecszycky Claudia Caracol

14

MultiClass

GCN Faro/ANM

Hugo Rocha

Paulo Manso Margarida Cunha Diogo Grade

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Surf

Campeonato Nacional Esperança Sub 14

Fotografia Tó Mané

Francisco Ordonhas sagra-se Campeão Nacional Numa competição repleta de qualidade e emoção, a vitória e consequente título nacional foi conquistado por Francisco Ordonhas, que derrotou na grande final Matias Canhoto por uma vantagem de mais de 2 scores.

O

Campeonato Nacional Esperança Sub 14 powered by 58 surf shop marcou o encerramento do evento Wave Series 2019, que entre maio e novembro, levou os melhores atletas nacio-

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nais dos desportos de surfing às praias do Porto e Matosinhos. Foram cerca de 50 os atletas que se apresentaram na Praia Internacional do Porto para disputar o título nacional da categoria de sub

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14. Cientes da importância desta competição para as suas carreiras no panorama internacional, os jovens surfistas esforçaram-se por fazer provas de qualidade, o que contribuiu largamente para a espetacularidade da

prova. Francisco Ordonhas, atleta do Clube Lombos Praia, destacou-se em todos os heats que participou tendo alcançado o pódio com 11,65 scores, seguindo-se Matias Canhoto (Peniche Surfing Clube,) no segundo lugar com 9,25. O terceiro lugar foi conquistado e partilhado por João Maria Pe-


Surf

reira (Surf Clube de Viana) e João Roque Pinho (Carca Surf Clube). O primeiro dia de competição ficou marcado pelas condições de mar excelentes o que, consequentemente, deu mais espetacularidade e emoção à Praia Internacional do Porto. O segundo dia de competição foi mais difícil. As prestações dos atletas foram condicionadas pelas condições atmosféricas com ondas de cerca de 1 metro de altura e vento side shore, mas ainda assim não se refletiu nas pontuações e registaram-se scores altos e com qualidade. Marcelo Martins, promotor do evento, congratula-se com  “mais uma excelente competição, que trouxe ao Porto e Matosinhos os futuros representantes da modalidade no panorama internacional. Terminou em grande esta edição do Wave Series, que tem contribuído fortemente para que o Norte seja, cada vez mais, visto como destino de eleição para a prática de surf”.  Em breve, a organização apresentará o cartaz da próxima edição do Wave Series.    O Campeonato Nacional Esperança Sub 14 powered by 58 surf shop é organizado pela Onda Pura Surf Center, em colaboração com as Câmaras Municipais do Porto e de Matosinhos, tendo ainda

A assistência o apoio institucional da Federação Portuguesa de Surf, da Associação Onda do Norte e do Turismo de Porto e Norte de Portugal. Conta também com o patrocinio da 58 Surf Shop , Mazda e Autosueco, Turquish Airlines, Caixa Agricola, Vitalis, Solinca, Mike Davis, Go Natural, Edifício Transparente, Picaba, Be stronger, Meo, e com os media partners Surf Total, Beachcam, e Fuel TV.

A estrutura de apoio

O pódio 2019 Dezembro 396

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Fotos: Capítulo Perfeito

Apurados os Surfistas para o 7º Capítulo Perfeito

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om o período de espera entre 17 Novembro e 31 de Janeiro 2019 estão apurados os surfistas que irão participar na 7ª edição do Capítulo Perfeito, o campeonato de surf que ocorre no melhor dia de ondas do inverno português. A prova terá lugar na Praia de Carcavelos, em Cascais, e pode acontecer com um aviso de 72h desde que as condições de ondulação e meteorológicas estejam reunidas. Seis dos melhores tuberiders  portugueses, escolhidos pelo público em votação online, irão competir com alguns dos melhores especialistas mundiais em ondas tubos.

Surfistas nacionais Joao Guedes, Miguel Blanco, Tiago Pires, Nic Von Rupp, Alex Botelho Wildcard: Pedro Boonman   Surfistas internacionais Aritz Aramburu, Cory Lopez, Bruno Santos, Clay Marzo, Pedro Scooby, Lucas Chumbo Wildcard:  Balaram Stack   Os dois wildcards são atribuídos pela  “Comissão de Notáveis”. Resgatam um surfista nacional e internacional que não entrou pela votação, com base nas suas recentes performances em ondas tubulares, a sua notoriedade, e a relevância para

o Capítulo Perfeito. New Generation Afonso Antunes Já com a presença garantida Capítulo Perfeito 201920 estavam dois wild-cards: William Aliotti, campeão em título, e João Moreira,  wildcard  local da Praia de Carcavelos. “Recebemos mais de 43 mil votos, de 92 países dos cinco continentes, o que espelha a adesão que o Capítulo Perfeito tem na comunidade do surf em Portugal e a nível mundial. Reunimos um cartaz de

grandes nomes nacionais e internacionais, está garantido o espetáculo para esta edição do evento. Prova disso é a qualidade dos nomes que ficaram de fora, com quem daria para fazer mais um Capítulo Perfeito de excelência,“ congratulou-se Rui Costa, organizador do Capítulo Perfeito. Os restantes surfistas que não integram o elenco principal ficam como substitutos, por ordem de votação. Serão chamados a competir no caso de desistências.

Director: Antero dos Santos – mar.antero@gmail.com Director Comercial: João Carlos Reis - noticiasdomar@media4u.pt Colaboração: Carlos Salgado, Gustavo Bahia, Hugo Silva, José Tourais, José de Sousa, João Rocha, João Zamith, Mundo da Pesca, Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, Federação Portuguesa de Motonáutica, Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, Federação Portuguesa Surf, Federação Portuguesa de Vela, Associação Nacional de Surfistas, Big Game Club de Portugal, Club Naval da Horta, Club Naval de Sesimbra, Jet Ski Clube de Portugal, Surf Clube de Viana, Associação Portuguesa de WindSurfing Administração, Redação: Tlm: 91 964 28 00 - noticias.mar@gmail.com

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Notícias do Mar n.º 396  

Jornal Notícias do Mar Online, n.º 396, Dezembro de 2019.

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