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FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

ALESSANDRA SERRA DE CASTRO MAURÍCIO ARAYA MACHADO

WEBJORNAL NO MARANHÃO: ANÁLISE E PROPOSTA DE UM MODELO

SÃO LUÍS – MA 2009


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ALESSANDRA SERRA DE CASTRO MAURÍCIO ARAYA MACHADO

WEBJORNAL NO MARANHÃO: ANÁLISE E PROPOSTA DE UM MODELO

Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção de grau de Jornalista, pela de Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Orientadora: Prof. Ms. Flávia de A. Moura


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ALESSANDRA SERRA DE CASTRO MAURÍCIO ARAYA MACHADO

WEBJORNAL NO MARANHÃO: ANÁLISE E PROPOSTA DE UM MODELO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como pré-requisito para obtenção do título de Bacharel/Licenciado em Jornalismo pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, submetida à aprovação da banca examinadora composta pelos seguintes membros:

Primeiro examinador

Segundo examinador

Prof. Ms. Flávia de Almeida Moura Orientadora

São Luís, 2009.


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RESUMO

Este trabalho monográfico pretende propor um modelo de webjornal, capaz de suprir a necessidade da sociedade da informação, instituída com a evolução das novas tecnologias na segunda metade do século XX, utilizando seus recursos multimídia – convergência das mídias e interatividade –, partindo de uma análise do portal maranhense de notícias Imirante.com. Desta forma, pretende-se demonstrar a utilização dos recursos que a Web proporciona à prática jornalística e o aprendizado prático alcançado das concepções do Jornalismo on-line. Palavras-chave: portal, webjornalismo, interatividade;

RESUMEN

Este trabajo monográfico tiene como objetivo preponer un modelo de ―webjornal‖, capaz de suministrar la necesidad de la sociedad de información, instituida con la evolución de las nuevas tecnologías en la segunda mitad del siglo XX, usando sus recursos multimedia – convergencia de los medios e interactividad –, a partir de un análisis del portal de noticias Imirante.com. De esta manera, se tiene la intención de demostrar el uso de los recursos que la Web proporciona al periodismo y el aprendizaje práctico alcanzado a través de los conceptos del periodismo on-line. Palabras-chave: portal, webperiodismo, interactividad;


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Aos nossos pais.


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AGRADECIMENTOS

Agradecemos aos nossos pais, pelo incentivo ao desenvolvimento da carreira jornalística e por sempre nos fazer acreditar.

À professora orientadora Flávia Moura, pelo trabalho desenvolvido ao longo desta monografia.

Aos entrevistados e colaboradores, pela participação e pela contribuição dada ao presente trabalho.

E aos colegas de turma, pelos momentos de alegria proporcionados ao longo da convivência e por sempre nos fazer acreditar que isso fosse possível.


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LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1. Exemplo de teletexto. ................................................................................................ 20 Figura 2. Terminal de consulta do Minitel. .............................................................................. 20 Figura 3. Reprodução da interface do Mosaic. ......................................................................... 23 Figura 4. Primeiro caso de crossmedia no Brasil. .................................................................... 30 Figura 5. Concepção gráfica das ligações entre sites feitas na Web. ....................................... 31 Figura 6. Modelo de portal horizontal. ..................................................................................... 34 Figura 7. Reprodução da página inicial do Imirante.com (abril/2009). ................................... 45 Figura 8. Reprodução de erro em pesquisa feita no Imirante.com (abril/2009). ...................... 55 Figura 9. Proposta de webjornal. .............................................................................................. 58 Figura 10. Modelo de newsletter. ............................................................................................. 63 Figura 11. Modelo de widget. ................................................................................................... 63 Figura 12. Modelo de página para acesso no celular. ............................................................... 64


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LISTA DE TABELAS Tabela 1. Usuários do portal Imirante divididos por sexo. ....................................................... 46 Tabela 2. Faixa etária dos usuários do portal Imirante. ............................................................ 46 Tabela 3. Escolaridade dos usuários do portal Imirante. .......................................................... 47 Tabela 4. Onde residem os usuários do portal Imirante. .......................................................... 47 Tabela 5. Velocidade de conexão. ............................................................................................ 48 Tabela 6. Freqüência de acesso o portal. .................................................................................. 48 Tabela 7. Local onde mais acessa o portal. .............................................................................. 49 Tabela 8. Assinante do jornal O Estado do Maranhão. ............................................................ 49 Tabela 9. Costuma ler o jornal O Estado do Maranhão pela Internet. ..................................... 50 Tabela 10. Costuma ouvir as rádios Mirante AM ou FM pela Internet.................................... 51 Tabela 11. Qual rádio prefere ouvir.......................................................................................... 51 Tabela 12. Costuma assistir à TV Mirante. .............................................................................. 52 Tabela 13. Costuma assistir às matérias da TV Mirante pela Internet. .................................... 52 Tabela 14. Costuma participar dos canais interativos do portal. .............................................. 53 Tabela 15. Costuma comentar nos blogs (colunas) do portal. .................................................. 53 Tabela 16. Participa do VC no iMirante. .................................................................................. 53 Tabela 17. Costuma participar do bate-papo (chat) do portal. ................................................. 54 Tabela 18. Costuma compartilhar as matérias do portal. ......................................................... 54 Tabela 19. Costuma imprimir as matérias. ............................................................................... 54 Tabela 20. Acha o serviço de busca eficiente. .......................................................................... 55


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LISTA DE SIGLAS

ABC

American Broadcasting Company

ARPA

Advanced Research Projects Agency

BBC

British Broadcasting Corporation

BBS

Bulletin Border System

Bitnet

Because It’s Time Network

CBS

Columbia Broadcasting Company

CNPq

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

CSNET

Computer Science Network

FAPESP

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

LNCC

Laboratório Nacional de Computação Científica

MC

Ministério das Comunicações

MCM

Meios de Comunicação de Massa

MCT

Ministério da Ciência e Tecnologia

NBC

National Broadcasting Company

NFC

National Science Foundation

NSFNET

National Science Foundation Network

PAL

Phase Alternating Line

PDF

Portable Document Format

UFRJ

Universidade Federal do Rio de Janeiro

UOL

Universo Online

USP

Universidade de São Paulo


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GLOSSÁRIO

Banners: termo formato publicitário comum na Internet, utilizado para divulgação de sites, produtos e serviços, atraindo os internautas através de hiperlinks. Bits: termo simplificado de BInary digiT, que compreende a menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida pela informática. Chat: salas de bate-papo ou programas que permitem a conversação entre vários internautas conectados à Internet. Crossmedia: distribuição de produtos ou serviços por meio de diversas plataformas de comunicação existentes no ciberespaço. E-mail: sistema de envio e recebimento de mensagens eletrônicas entre computadores conectados à Internet. Groupware: sistema conhecido como ―software colaborativo‖, baseado em um computador que auxilia grupos de pessoas envolvidas em tarefas comuns, baseada numa interface de ambiente compartilhado. Hiperlink: hiperligação, baseada em uma referência na forma de hipertexto, a outras partes de um documento ou a outro documento. Home Page: página de abertura de um site ou portal com hiperlinks para outras páginas. Indexação: ordenamento de páginas na Internet com o objetivo de tornar fácil a obtenção do resultado da busca, conceito oriundo da Biblioteconomia. Interface: parte gráfica de um programa de computador que permite ao usuário uma interação facilitada com o mesmo. Layout: distribuição gráfica de elementos como texto e imagens dentro de uma página da Web. Lead: corresponde a um modelo proposto em 1948 por Harold Lasswell, que visa apresentar um breve relato do fato noticiado e deve responder às seguintes perguntas: O que? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? e Para quê?. Nos jornais, corresponde ao primeiro


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parágrafo da notícia. Na TV, compreende o texto lido pelo apresentador ou âncora, chamado de cabeça. Sidebar: barra lateral de um weblog, onde geralmente se encontram ferramentas, aplicativos e hiperlinks. Site: é um conjunto de páginas na Web vinculadas entre si, através de hiperligações, para o mesmo propósito e que geralmente residem em um mesmo diretório no servidor da Web. Tags: palavras-chave ou termos associados que auxiliam o usuário na busca de determinado conteúdo em mecanismos de busca. Web: termo oriundo de World Wide Web (WWW), que significa ―rede de abrangência mundial‖. Weblog: termo criado em 1997 por Jorn Barger. São os diários on-line. Wiki: tipo específico de software colaborativo que coleciona documentos em hipertexto.


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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 14 CAPITULO 1 – A EVOLUÇÃO DAS NOVAS TECNOLOGIAS ......................................... 16 1.1 O Jornalismo e as novas tecnologias .............................................................................. 16 1.2 A hegemonia dos meios de comunicação tradicionais ................................................... 17 1.3 A quebra da hegemonia .................................................................................................. 18 1.4 O teletexto ...................................................................................................................... 19 1.5 O surgimento da Internet ................................................................................................ 21 1.6 Beleza é fundamental...................................................................................................... 22 1.7 A Internet no Brasil ........................................................................................................ 23 1.8 Rápido avanço e novas possibilidades............................................................................ 24 CAPITULO 2 – O WEBJORNALISMO ................................................................................. 29 2.1 As fases do webjornalismo ............................................................................................. 29 2.2 Conceito de portal ........................................................................................................... 30 2.3 Tipos de portal ................................................................................................................ 33 2.4 O texto da Web ............................................................................................................... 34 2.5 Os blogs .......................................................................................................................... 36 CAPITULO 3 – ANÁLISE DO PORTAL IMIRANTE.COM ................................................ 39 3.1 Um novo caminho .......................................................................................................... 39 3.2 Conteúdo e forma ........................................................................................................... 41 3.3 Perfil do internauta ......................................................................................................... 46 CAPITULO 4 – PROPOSTA DE WEBJORNAL ................................................................... 57 4.1 O chamariz ...................................................................................................................... 57 4.2 Ferramentas e recursos multimídia ................................................................................. 59 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 66 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 68


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ANEXO I – Formulário eletrônico da pesquisa de opinião realizada por este trabalho monográfico .............................................................................................................................. 71 ANEXO II – Lista de e-mails enviados na pesquisa de opinião realizada por este trabalho monográfico .............................................................................................................................. 73 ANEXO III – Lista de e-mails de pessoas que responderam à pesquisa de opinião realizada por este trabalho monográfico .................................................................................................. 74 ANEXO IV – Resultados e porcentagens da pesquisa de opinião ........................................... 75 ANEXO V – Roteiros das entrevistas ...................................................................................... 76 ANEXO VI – Reprodução do portal Imirante.com .................................................................. 79 ANEXO VII – Reprodução do portal Na Mira ........................................................................ 80 ANEXO VIII – Reprodução de modelo de matéria no Imirante.com ...................................... 81 ANEXO IX – Reprodução de página para celular do Imirante.com ........................................ 82 ANEXO X – Modelo de proposta de webjornal – Metrópole .................................................. 83 ANEXO XI – Modelo de matéria – Metrópole ........................................................................ 84 ANEXO XII – Modelo de página para celular – Metrópole .................................................... 85


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INTRODUÇÃO

Inúmeros fatos deram contribuição para a evolução da prática jornalística. O primeiro deles foi a criação do sistema de prensa móvel por Gutenberg, no século XV. Outros fatos que contribuíram para a evolução do Jornalismo foram as revoluções sociais e tecnológicas ocorridas nos últimos séculos: o surgimento de equipamentos e tecnologias deram rapidez na distribuição de notícias pelo mundo. As informações começaram a fazer parte do dia-a-dia das pessoas e atualmente são praticamente essenciais para qualquer uma delas. A mais recente evolução tecnológica trouxe consigo inúmeras possibilidades. Mas trouxe também vários dilemas. O surgimento da Internet em escala mundial, ocorrido na metade dos anos 1990, causou grande furor na sociedade e no meio acadêmico: pesquisadores em Comunicação tentam, até hoje, entender quais os reais impactos – positivos e negativos – causados por essa nova plataforma. É certo que esta nova mídia ainda está engatinhando, se compararmos à abrangência da Internet com relação aos outros meios de comunicação já existentes. Mas o grande potencial que esta mídia tem está sendo explorado por diversos veículos de comunicação no mundo. No Maranhão, a realidade observada não é diferente: vários portais prestam serviço à sociedade local. Como uma mídia democrática e barata, é possível perceber uma diversidade entre os portais, entre os que estão ligados a grandes veículos de comunicação e os que se iniciam de forma independente na exploração deste novo meio. Dessa forma, decidimos estudar quais os elementos que caracterizam os portais da Internet e examinar se estes estão presentes em âmbito regional. Para isso, escolhemos o portal Imirante.com – por se tratar de uma referência no Maranhão, por estar ligado ao maior grupo de comunicação do estado e por melhor explorar os recursos proporcionados pela Internet. A partir dessa análise, propomos um modelo de webjornal capaz de utilizar de forma eficiente os recursos multimídia, sendo esta a motivação principal para a realização deste trabalho monográfico. No Capítulo 1, apresentamos a trajetória do Jornalismo influenciada pela evolução das tecnologias, passando pelas primeiras mudanças tecnológicas ocorridas nos séculos XIX e XX


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– que deram agilidade à prática jornalística –, até o surgimento da Internet no Brasil e no mundo – bem como as possibilidades que ela trouxe consigo e os impactos causados pela emergência dessa nova plataforma de comunicação. No Capítulo 2, apresentamos, à luz dos autores, a inserção do Jornalismo na Internet, bem como as fases dessa transposição. Tratamos, também, sobre o surgimento dos grandes portais – no final dos anos 1990 –, sua conceituação, seus tipos e os elementos que os compõem. Além disso, apresentamos as novas competências agregadas à prática jornalística e o surgimento de um novo espaço democrático criado pela Internet: os blogs. No Capítulo 3, apresentamos uma análise do portal de notícias maranhense Imirante.com, resultado de entrevistas presenciais com seu coordenador e com seu diretor de Jornalismo, análise estrutural e pesquisa de opinião realizada com seus usuários via Internet, amostragem realizada via e-mail junto aos internautas. No Capítulo 4, apresentamos a proposta de um webjornal a partir do que observamos na análise do portal Imirante.com, com base nas entrevistas e pesquisa de opinião, com sugestões de ferramentas e soluções simples para a criação de um portal capaz de atrair o público. Pretendemos, desta forma, deixar uma importante contribuição tanto para a área de pesquisa em Comunicação no Maranhão quanto para o mercado de Internet na região, embora entendamos que o presente trabalho apenas introduz a discussão no assunto das novas tecnologias no Maranhão. Buscando abrir caminhos para outros pesquisadores é que apresentamos este trabalho monográfico.


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CAPITULO 1 – A EVOLUÇÃO DAS NOVAS TECNOLOGIAS

1.1 O Jornalismo e as novas tecnologias Desde que a prática jornalística surgiu, nada foi mais glorioso que a prensa de Gutenberg, que introduziu a Imprensa no Ocidente ao imprimir sua primeira Bíblia, no século XV. Este foi o marco para a inauguração de uma nova ordem de alfabetização e circulação do conhecimento, como destaca CASTELLS (1999, p.353): A alfabetização só se difundiu [...] após a invenção e difusão da imprensa e fabricação de papel. No entanto, foi o alfabeto que no ocidente proporcionou a infraestrutura mental para a comunicação cumulativa, baseada em conhecimento.

Aliás, a própria designação ―Imprensa‖, que atualmente engloba todos os meios de comunicação (inclusive o mais jovem: on-line), é oriunda da prensa móvel de Gutenberg. A Imprensa evoluiu paralelamente às revoluções tecnológicas surgidas no século XIX e no século XX, ambas influenciadas pelas mudanças político-sociais ocorridas neste período, como Guerra Civil nos Estados Unidos e a Primeira e Segunda Guerra Mundial. No século XIX, o capitalismo fez com que as empresas jornalísticas transformassem a notícia em mercadoria. A medida fez com que o mercado fosse conquistado com a redução do preço de venda dos jornais, conquistado por meio de uma grande produção, fazendo com que as informações circulassem e, principalmente, se tornassem cada vez mais importantes para o dia-a-dia das pessoas, fazendo nascer uma nova prática jornalística, como destaca LEAL (2003, p.120):

É o capitalismo e, obviamente, o aperfeiçoamento técnico que possibilitam ao jornalismo uma atuação mais e mais ―industrial‖. A conquista do mercado se faz, à época, por meio de uma grande produção (tiragem), que possibilita a queda do preço de compra do papel (quanto maior a compra, mais baixo o valor unitário) e, por conseguinte, a redução do preço de revenda do produto, acarretando maior difusão e alcance da mercadoria informativa. Os jornais se multiplicam em todo o mundo e, também, a circulação da mercadoria informação. [...] Decerto, todas essas mudanças estruturais ocorridas, ainda no século XIX, na estrutura da imprensa, conduzindo-a ao caminho mercadológico, aprimoram-se com a tendência de concentração imposta pelas agências de notícias. Estas padronizam e sincronizam, até os dias atuais, o processo de produção e apresentação da notícia em todo o mundo.


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Os avanços tecnológicos da época fizeram com que a Imprensa ficasse cada vez mais veloz em todas as suas etapas: coleta de informação, impressão e distribuição. O telégrafo – criado em 1835 por Samuel Finley Breese Morse (1791-1872) – deu maior agilidade ao Jornalismo e na distribuição de informações entre os continentes, como salienta DEFLEUR (1993, p.70): O telégrafo tornou-se cada vez mais útil como meio para transmissão rápida de notícias dos locais de acontecimentos importantes para a redação dos jornais. Esses avanços incrementaram substancialmente o atrativo do jornal para seus leitores e ampliaram o número de pessoas a quem os jornais podiam ser distribuídos.

Com o telégrafo, surgiu o famoso lead1, que resumia, por razões econômicas, as informações essenciais do fato a ser destacado pela Imprensa. Também neste século, a tecnologia de impressão já era avançada e permitia uma grande tiragem dos jornais da época, como também destaca DEFLEUR (1993, p.70): Impressoras rotativas, com clichês fundidos em um estereótipo metálico, tornaramse capazes de imprimir 10.000 e até 20.000 folhas por hora.

Sem dúvida, muitas mudanças na prática jornalística ocorreram no século XIX. Mas é no século XX que a comunicação de massa se consolida. É também neste século que o papel do jornalista se torna mais complexo e especializado, incorporando novas exigências e qualificações deste profissional, como afirma DEFLEUR (1993, p.70): O papel do repórter tornou-se mais complexo e especializado à medida que os jornais incorporaram correspondentes estrangeiros e colhedores de notícias especializadas de vários tipos.

Neste século, surgem novos meios de comunicação, como o rádio e a TV, impulsionados pela evolução da tecnologia.

1.2 A hegemonia dos meios de comunicação tradicionais Logo após a Primeira Guerra Mundial, é estabelecida a Era da Mídia Irradiada. Entre 1920 e 1940, as estações de rádio surgem e se comercializam. Com a proximidade do início 1

O lead corresponde a um modelo proposto em 1948 por Harold Lasswell, que visa apresentar um breve relato do fato noticiado. Nos jornais, o lead compreende o primeiro parágrafo da notícia. Na televisão, compreende o texto lido pelo apresentador ou âncora, chamado de cabeça. O lead deve responder às seguintes perguntas: O que? Quem? Quando? Onde? Como? Por que? e Para quê?


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da Segunda Guerra Mundial, é estabelecido o noticiário radiofônico. Durante a década de 1950, surge a TV e o veículo, a partir de então, consagra-se como o preferido do público. Neste século, a comunicação se dava de forma linear, ou seja, o receptor respondia ao estímulo desejado pelo emissor, assim como foi proposto por Robert Bauer, em 1964. O modelo de Bauer faz parte da Teoria da Comunicação que sustenta que ―todo membro do público de massa é diretamente ‗atacado‘ pela mensagem‖ (WRIGHT apud WOLF, 2003, p.04): a teoria hipodérmica. Aliás, esta teoria se confunde com a própria consolidação dos Meios de Comunicação de Massa (MCM), como destaca WOLF (2003, p.04): Historicamente, a teoria hipodérmica coincide com o período das duas guerras mundiais e com a difusão em larga escala das comunicações de massa, e representou a primeira reação que este último fenômeno provocou entre estudiosos de várias proveniências. Os elementos que mais caracterizam o contexto da teoria hipodérmica são, de um lado, justamente a novidade do próprio fenômeno das comunicações de massa e, do outro, a conexão desse fenômeno com as trágicas experiências totalitárias desse período histórico. Contida nesses dois elementos, a teoria hipodérmica é uma abordagem global da mídia, indiferente à diversidade entre os vários meios, e que responde principalmente à interrogação: qual efeito tem a mídia numa sociedade de massa?

A evolução tecnológica ocorrida no século XX continuou a impulsionar a prática jornalística, e contribuiu para a quebra de alguns paradigmas.

1.3 A quebra da hegemonia Mais precisamente nos anos 1990, começou-se a observar um novo fenômeno: a TV já não era tão popular quanto se tornou quando se consagrou nos anos de sua existência. As principais redes de televisão dos Estados Unidos (National Broadcasting Company - NBC, American Broadcasting Company - ABC e Columbia Broadcasting System - CBS) somavam juntas menos da metade da audiência desde que começaram a registrá-la, como destaca DIZARD (2000, p.19):

Foi um grande choque para um negócio que havia atraído uma assistência de mais de 90% dos lares americanos por mais de quarenta anos. Agora, essa hegemonia estava seriamente ameaçada. [...] Era um sinal claro de que o papel da televisão como o mais bem-sucedido meio de comunicação de massa dos tempos modernos estava se transformando.


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Essa quebra da hegemonia da televisão foi causada pela emergência de uma nova plataforma de comunicação: a Internet. Mas não só a hegemonia da televisão se quebrou. Os outros meios de comunicação também sentiam o impacto do novo veículo que surgira: Há diversas razões para essa mudança, mas a mais importante é que a televisão e os demais veículos clássicos de comunicação estão sendo desafiados pela Internet e por outras tecnologias que oferecem opções mais amplas de serviços de informação e entretenimento. A fragmentação da sólida audiência da televisão é apenas um exemplo dessa tendência. Outras mídias também estão sendo afetadas. Por exemplo, nos últimos anos da década de 90, a leitura de jornais diários por adultos diminuiu de cerca de 78% (índice do final da década de 40) para menos de 60%. (DIZARD, 2000, p.19)

Mais do que a quebra da supremacia dos tradicionais MCM, a Internet causou o rompimento da linearidade da comunicação que estes antes mantinham. Emergia, então, um número infinito de possibilidades que a Internet trazia consigo. Um deles, e o mais visível, é a convergência das mídias. Embora a Internet tenha contribuído para essa quebra de hegemonia, é necessário destacar que ela ainda está muito distante de chegar ao mesmo patamar dos MCM tradicionais no que diz respeito à popularização, principalmente nos países em desenvolvimento, onde o acesso ainda é muito restrito.

1.4 O teletexto A Internet surgiu com o desenvolvimento de várias tecnologias de informação. O teletexto é a primeira delas. O serviço informativo, transmitido em sistema PAL (Phase Alternating Line) de televisão, foi desenvolvido no Reino Unido, no final da década de 1960. Em outubro de 1972, a BBC (British Broadcasting Corporation) fez o primeiro anúncio do novo sistema, chamado de Ceefax, que foi lançado oficialmente em setembro de 1974. O teletexto oferece uma série de informações, como notícias, previsão do tempo, programação das emissoras de TV e até jogos.


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Figura 1. Exemplo de teletexto. Fonte: WIKIPEDIA, 2009. O surgimento do teletexto deu origem ao Minitel, rede projetada em 1978 e alimentada pela Companhia Telefônica Francesa. Apesar de ser considerada ―primitiva‖, essa foi a primeira experiência de um sistema em escala mundial.

Figura 2. Terminal de consulta do Minitel. Fonte: WIKIPEDIA, 2009. O Minitel fez um grande sucesso na França, o que contrastava com o fracasso dessa mesma rede em países como a Inglaterra, Alemanha e Japão. O sucesso se deu por duas razões, como destaca CASTELLS (1999, p.367):


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[...] A primeira era o comprometimento do governo francês com o experimento. [...] A segunda era a simplicidade de uso e a objetividade do sistema de faturamento bem-organizado que o tornaram acessível e confiável ao cidadão comum.

Por apresentar uma interface2 mais simples do que a atual Internet, o teletexto é visto por alguns como um sistema precursor à Internet. Mas na realidade as duas tecnologias caminharam paralelamente e o teletexto ainda está presente em países como Portugal e Alemanha. O teletexto acabou se revelando um sistema seguro de troca de informações durante os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, quando alguns sites3 da Internet ficaram inacessíveis após o grande número de acessos. Entretanto, a tecnologia já tem data marcada para acabar: com o fim das transmissões analógicas no Reino Unido, a BBC – primeira emissora do mundo a utilizar o sistema – anunciou, em 2008, o fim das transmissões do Ceefax no ano de 2012. A BBC, no entanto, está guardando uma seleção das páginas de Ceefax, para garantir que futuras gerações tenham conhecimento desta tecnologia.

1.5 O surgimento da Internet Em 1969, a criação da Arpanet – rede desenvolvida pela Advanced Research Projects Agency (ARPA – Agência de Pesquisa e Projetos Avançados), com fins militares, ―para garantir uma comunicação emergencial caso os Estados Unidos fossem atacados por um outro país – principalmente a União Soviética‖, como afirma FERRARI (2003, p.15) – dá origem à Internet. Novas redes foram se desenvolvendo, como a Bitnet (Because It’s Time Network) e CSNET (Computer Science Network), atendendo à comunidade acadêmica e científica que começara a explorar essa nova ferramenta. Mas a Internet, como conhecemos atualmente, começou a se internacionalizar com o surgimento da NSFNET, criada pela National Science Foundation (NFC – Fundação Nacional de Ciência), que utilizava a rede telefônica, fibras ópticas, microondas e satélites para interligar países. Em pouco menos de cinco anos de existência, a NSFNET já interligava oitenta países.

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Parte gráfica do programa de computador, ou software, que permite ao usuário uma interação facilitada com o mesmo. 3

Site, ou sítio, é um conjunto de páginas vinculadas entre si, através de hiperligações, para o mesmo propósito e que geralmente residem em um mesmo diretório no servidor na Web.


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Com o tempo, o tráfego de dados foi crescendo: na década de 70, a Arpanet transmitia 56 mil bits4 por segundo; no final da década de 80, a rede já transmitia 1,5 milhões de bits por segundo; no início da década de 90, a rede transmitia 45 milhões de bits por segundo; no ano de 1995, a rede já tinha capacidade de transmitir o equivalente a todo o conteúdo da Biblioteca do Congresso Norte-Americano em apenas um minuto.

1.6 Beleza é fundamental A interface, no início da Internet, não era tão agradável quanto é atualmente, como relembra FERRARI (2003, p.16): Era uma interface simples e muito parecida com os menus dos BBS 5. Mas, enquanto o número de universidades e investimentos aumentava em progressão geométrica, tanto na capacidade dos hardwares como dos softwares usados nas grandes redes de computadores, outro núcleo de pesquisadores, até bem modesto, criava silenciosamente a World Wide Web (Rede de Abrangência Mundial), baseada em hipertexto e sistemas de recursos para a Internet.

Foi o físico inglês Timothy John Berners-Lee que propôs a World Wide Web (WWW), em 1989, quando desenvolveu o Enquire, programa utilizado no reconhecimento e armazenamento de associações de informação (que incluíam as que continham links). Mas o Enquire não era um navegador, e sim o que se conhece hoje como groupware6, ou Wiki7. O primeiro navegador, que chega perto do que conhecemos atualmente, foi o Samba, desenvolvido pelo pesquisador belga do Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear (CERN – Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire) Robert Cailliau, em 1990. Com a evolução do design, da arquitetura da informação e dos protocolos de Internet, foram surgindo novos navegadores, que começavam a incorporar imagens no layout8 dos sites, como o Mosaic (criado em 1993 pelo programador norte-americano Marc Andreessen), 4

Bit, termo simplificado de BInary digiT, compreende a menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida pela informática. 5

Software que permitia a conexão via telefone de um computador a um sistema. A interface era bem simples, com um fundo preto e caracteres em verde (observação nossa). 6

Sistema conhecido como ―software colaborativo‖, baseado em um computador que auxilia grupos de pessoas envolvidas em tarefas comuns, baseada numa interface de ambiente compartilhado. 7

Tipo específico de software colaborativo que coleciona documentos em hipertexto.

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Distribuição gráfica de elementos como texto e imagens dentro de uma página da Web.


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o Netscape (lançado em 1994 pela empresa de mesmo nome) e o Internet Explorer (lançado em 1995 pela Microsoft), que revolucionou a forma de se navegar pela Web.

Figura 3. Reprodução da interface do Mosaic. Fonte: Advisory Group on Computer Graphics, 2009. Após a virada do século, outros três navegadores fizeram concorrência à hegemonia do Internet Explorer: o Safari (da Apple, lançado em 2003), o Firefox (da Mozilla Foundation, lançado em 2004) e Google Chrome (da Google, lançado em 2008).

1.7 A Internet no Brasil No Brasil, a Internet chegou com alguns anos de atraso. Em outubro de 1987, foi realizada, na Universidade de São Paulo (USP), uma reunião entre pesquisadores e representantes de instituições de pesquisa de todo o país, além de representantes do Governo e da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel), para estabelecer uma rede brasileira, para fins acadêmicos e de pesquisa, com acesso às redes internacionais já existentes na época. Entre setembro de 1988 e maio de 1989, o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Universidade


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Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conectam-se à redes internacionais de pesquisa. Era o início da criação de uma rede nacional de comunicação através de computadores. Em 1991, é implementada a rede que interligaria 11 capitais do país. As conexões desta época eram dedicadas, com velocidades de 9 mil a 64 mil bits por segundo. Em dezembro de 1994, o governo, através dos ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e das Comunicações (MC), anuncia a intenção de fomentar o desenvolvimento da Internet no país. Neste mesmo período, a Embratel testa, com 5 mil usuários, o primeiro serviço de Internet comercial do país. A partir de 1995, a Internet começou a ser comercializada para todos os usuários.

1.8 Rápido avanço e novas possibilidades O crescimento da Web foi muito rápido: em 1996, já eram 56 milhões de internautas navegando pela Internet em todo o mundo. Nos Estados Unidos, neste mesmo ano, o número de mensagens eletrônicas enviadas pela Internet já superava o número de cartas convencionais enviadas pelo serviço de correio. E o crescimento da rede não parou: o salto foi de 1,7 milhão de computadores interligados, em todo o mundo, em 1993, para 20 milhões, em 1997. O avanço da tecnologia permitiu o armazenamento e a transmissão de arquivos digitais, além da formação de uma cadeia de troca de informações e convergência e integração das mídias (áudio, vídeo, imagem e texto). A Internet se constituiu como uma nova revolução na sociedade – comparada à do surgimento da prensa de Gutenberg –, fazendo com que as pessoas se aproximassem umas das outras, não importando a que distância estivessem, como DIZARD (2000, p.25) afirma:

O poder da Internet está baseado na sua habilidade de superar as barreiras que limitavam o acesso de uma enorme massa de informações para os consumidores comuns. A Internet é o prático caminho para o ciberespaço e, além disso, o software que vai pegar carona em todas as faixas da nova auto-estrada da informação eletrônica – sistema de telefone, TV a cabo, televisão aberta e canais de satélite.

A nova tecnologia permitia concatenar, de forma multilinear, as várias tecnologias multimídia já existentes (áudio, vídeo, imagem, texto, etc.), como afirma FERRARI (2006, p.42):


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Desde o final da década de 1980 vivenciamos a popularização da palavra multimídia, tecnologia que engloba som, imagem e movimento e que ficou conhecida pelos CD-ROMs, capazes de reunir enciclopédias inteiras em um único disco óptico. Com a descoberta da rede hipertextual, criou-se a hipermídia, tecnologia que foi beber nas ciências cognitivas e na multimídia, proporcionando ao leitor a possibilidade de ler um aplicativo na ordem que desejar, já que engloba hipertextos e recursos multimídia. Para o pai do hipertexto, Ted Nelson, o conceito de texto elástico (strech text), aquele que se expande e se contrai conforme as solicitações do leitor, faz com que o internauta assuma o comando da ação, trocando filmes, vídeos, diálogos, textos, imagens como se estivesse em uma grande biblioteca digital.

Essa possibilidade que a Internet criou – em democratizar o acesso às informações, criar redes sociais para compartilhamento de idéias e troca de informações, livre de uma base territorial – levou alguns autores a refletir sobre a criação de um novo espaço inserido nesse contexto. Esse espaço criado (entenda-se, dentro de um âmbito virtual, ou seja, que supera a barreira do físico) foi chamado de ―ciberespaço‖ – termo criado em 1984, pelo escritor de ficção científica William Gibson. Dentro desse contexto, o ciberespaço seria, para alguns autores, a concretização de algo que já havia sido proposto pelo filósofo alemão Jürgen Habermas, a esfera pública, espaço de argumentação por excelência, como demonstra GOMES (1998, p.155):

A esfera pública é o âmbito da vida social em que interesses, vontades e pretensões que comportam conseqüências concernentes a uma coletividade apresentam-se discursivamente e argumentativamente de forma aberta e racional. A sua primeira característica é a palavra e a comunicação: ingresses, vontades e pretensões dos cidadãos podem ser levados em consideração apenas quando ganham expressão em proposições ou discursos. Estes, por sua vez, destinam-se a convencer interlocutores servindo-se de procedimentos demonstrativos na forma de argumentos. Argumentos aos quais se adere ou com os quais se contrasta na forma da discussão, debate, argumentação, raciocínio públicos. Nesse sentido, chama-se esfera pública o âmbito da vida social em que se realiza - em várias arenas, por vários instrumentos e em torno de variados objetos de interesse específico - a discussão permanente entre pessoas privadas reunidas num público.

A esfera pública até então não havia sido, de fato, observada, uma vez que a mediação por parte dos MCM – que ocorria entre o período das décadas de 1920 e 1950 – degradou o conceito, levando a uma ―pseudo-esfera pública‖.

[...] É justamente a íntima vinculação da esfera pública aos mass media e à mass culture, a sua submissão a estes, o fenômeno que configura da maneira mais evidente a degeneração da esfera pública moderna. GOMES (1998, p.163)


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Esse espaço de discussão democrático, livre de mediações, é visto positivamente por uma corrente de estudo dos fenômenos da sociedade da informação. Em meio a esta linha de pensamento, LEAL (2003, p.124) explicita o motivo pelo qual o ambiente criado pela Internet é, por excelência, democrático:

A Internet, isenta de regulamentações e de regime de concessões estatais no Brasil, apresenta-se, a princípio, como uma "ciberocracia", termo utilizado por Sodré (2002), ou como verdadeira democracia direta e em tempo real constituída no ciberespaço. Configura-se como espaço de livre movimentação e de livre manifestação, a tal ponto que pode ser vista como espaço anárquico, onde circulam as mais distintas informações e onde é possível a virtualização de relações sociais via tecnointegração. [...] Sem dúvida, a Web persiste como o meio mais democrático, na atualidade e em escala mundial.

A autora faz, no entanto, uma pequena ressalva sobre a real democratização dessa esfera de informação, a favor dos excluídos dessa realidade:

No entanto, enfatiza-se que o exercício democrático no contexto da Rede é restrito aos tecnoincluídos no processo, acentuando, por conseguinte, o abismo intelectual e educacional entre estes e os ciberexcluídos, sobretudo em se tratando das nações não desenvolvidas ou em desenvolvimento. LEAL (2003, p.124)

Outro aspecto positivo visto por esta corrente traz à tona a questão da memória e armazenamento da nossa história. A convergência das mídias e a possibilidade de digitalização das coisas que conhecemos, trazidas com a evolução das novas tecnologias, criou um leque de oportunidades de superação da fase em que a memória era transmitida de forma oral, e por sua vez, se perdia em meio às transformações que ela sofria. A informática auxiliou neste processo de armazenamento da história da sociedade com a objetividade com que ela trata a memória, como esclarece LÉVY (1993, p.119):

De acordo com sua perspectiva operacional, o saber informático não visa manter em um mesmo estado uma sociedade que viva sem mudanças e se deseje assim, como ocorre na oralidade primária. Também não visa a verdade, a exemplo da teoria ou da hermenêutica, gêneros canônicos nascidos da escrita. Ele procura a velocidade e a pertinência da execução, e mais ainda a rapidez e a pertinência das modificações operacionais. Sob o regime oralidade primária, quando não se dispunha de quase nenhuma técnica de armazenamento exterior, o coletivo humano era um só com sua memória. A sociedade histórica fundada sobre a escrita caracterizava-se por uma semi-objetivação da lembrança, e o conhecimento podia ser em parte separado da identidade das pessoas, o que tornou possível a preocupação com a verdade subjacente, por exemplo, à ciência moderna. O saber informatizado afasta-se tanto


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da memória (este saber "de cor"), ou ainda a memória, ao informatizar-se, é objetivada a tal ponto que a verdade pode deixar de ser uma questão fundamental, em proveito da operacionalidade e velocidade.

Outra corrente de estudo do ciberespaço é ―trágica‖ com relação às implicações que essa dimensão traz à sociedade. Dentro dessa vertente, BAUDRILLARD (1999, p.24) expõe sua inquietação com a fusão do mundo real e do ciberespaço:

Simples episódio em miniatura do crash entre o real e o virtual e de suas conseqüências fantásticas na escala planetária: separação entre um espaço virtual de altíssima freqüência e um espaço real de freqüência nula. [...] O que até agora se limita ao físico e ao geográfico, no caso de nossas auto-estradas, tomará toda a sua dimensão no campo eletrônico com a abolição das distâncias mentais e a compressão absoluta do tempo. Os curtos-circuitos (e a instauração desse cyberespaço planetário equivale a um imenso curto-circuito) geram eletro-choques. [...] Estamos apenas na aurora do processo, mas os dejetos e os desertos já crescem muito mais rápido do que a própria informática. Os dois universos, mesmo literalmente separados entre eles, são igualmente exponenciais. Tal distorção não cria, porém, nova situação política de verdadeira crise, pois a memória apaga-se ao mesmo tempo que o real. Ela é apenas virtualmente catastrófica.

Há, dessa forma, uma preocupação em torno dos efeitos causados pela artificialidade do ciberespaço. Uma vez que a sociedade se transporta para esse espaço de caráter virtual, haveria uma confusão – por meio da simulação criada pelo ciberespaço – do que é real e do que é virtual. Esse fenômeno pode ser observado atualmente nas comunidades e redes de relacionamento criadas na Internet, como no caso do programa de simulação da realidade Second Life, criado em 2003 pela empresa norte-americana Linden Lab. O programa gera situações em que o usuário pode ter, como sugere o próprio nome de origem inglesa, uma ―segunda vida‖. Relações entre o mundo virtual e o mundo real existem no Second Life: o usuário – que pode assumir sua verdadeira personalidade no mundo real, ou não – deve possuir, dentro desse mundo, uma meta de vida. Para isso, deve trabalhar (na esfera virtual) ou para alcançar esta meta, ele (na esfera real), pode comprar dentro do mundo virtual o que deseja. É essa confusão entre o que é virtual e real que teria um fim catastrófico, uma vez que o usuário passa a não viver nem o real e nem o virtual. Além desse aspecto, a interatividade acabou sendo um aspecto nunca antes visto durante o fenômeno dos MCM, como realça LEAL (2003,p.130):


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A interatividade, um passo adiante, pode ser concebida como o processo de interação técnica possibilitada pela máquina. No entanto, seu uso na TV e no rádio não se completa, porquanto o processo que possibilita à audiência interferir e participar da programação é muito mais reativo do que interativo. Na Internet, porém, ocorre o que denominamos de potencialização do processo de interatividade.

Outros autores preferem não ver essa separação entre o real e o virtual, tendo a dita ―realidade‖ como um espaço onde a representação simbólica já pode ser observada, como afirma CASTELLS (1999, p.395):

[...] Não há separação entre "realidade" e representação simbólica. Em todas as sociedades, a humanidade tem existido em um ambiente simbólico e atuado por meio dele. [...] A realidade, como é vivida, sempre foi virtual porque sempre é percebida por intermédio de símbolos formadores da prática com algum sentido que escapada sua rigorosa definição semântica. [...] Essa gama de variações culturais do significado das mensagens é o que possibilita nossa interação mútua em uma multiplicidade de dimensões, algumas explícitas, outras implícitas. Portanto, quando os críticos da mídia eletrônica argumentam que o novo ambiente simbólico não representa a "realidade", eles implicitamente referem-se a uma absurda idéia primitiva de experiência real "não-codificada" que nunca existiu. Todas as realidades são comunicadas por intermédio de símbolos. E na comunicação interativa humana, independentemente do meio, todos os símbolos são, de certa forma, deslocados em relação ao sentido semântico que lhes são atribuídos. De certo modo, toda realidade é percebida de maneira virtual.

Percebe-se, nesta idéia do autor, a conotação virtual dada à realidade, uma vez que a sociedade já atua de forma representativa. Dessa forma, não haveria confusão entre o virtual e real por parte dos internautas, uma vez que a ―realidade‖ apenas se transpõe para este mundo dito ―virtual‖. Sem dúvida, todos esses fenômenos observados com o surgimento da Internet oferecem uma gama de possibilidades ao Jornalismo, que soube se inserir nesta nova plataforma.


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CAPITULO 2 – O WEBJORNALISMO

2.1 As fases do webjornalismo Dentro das inúmeras possibilidades criadas pela evolução das tecnologias da informação, o Jornalismo seguiu o caminho da Web e se digitalizou. O boom dessa nova fase do Jornalismo brasileiro se deu entre os anos de 1997 e 2000, quando os grandes sites voltaram-se à produção de conteúdo em forma de notícia. Mas o início dessa fase se deu alguns anos antes, em 1995, com a criação da versão eletrônica do Jornal do Brasil, seguido do jornal O Globo e da Agência Estado. Nessa fase, as empresas se limitavam à transposição dos textos do jornal para a versão eletrônica. Por esse motivo, essa primeira fase do webjornalismo foi chamada de ―transpositiva‖ (LEAL, 2003). Essa primeira etapa foi seguida pela fase de ―percepção‖ (LEAL, 2003), quando o modelo de transposição do impresso para o eletrônico ainda existia, mas as redações já se empenhavam em praticar uma atualização mais freqüente de assuntos que fugiam às edições impressas. Nesse contexto, a revista Época, da Editora Globo, foi a primeira a fugir do padrão transpositivo no Brasil, quando instituiu, em 1998, um noticiário diário em sua versão on-line e começou a explorar o recurso de crossmedia9 (na edição do dia 22 de maio de 1998, a revista publicou na capa a seguinte manchete: ―Leia e ouça o grampo‖). A nova fase incorpora também outros recursos, como demonstra LEAL (2003, p.126):

Os fóruns de discussão e o correio eletrônico são também recursos adotados para incrementar a interatividade entre leitor e veículo de informação, embora prevaleça o domínio das empresas de comunicação bem estruturadas e referenciadas em outros suportes, sobretudo os impressos.

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Distribuição de produtos ou serviços por meio de diversas plataformas de comunicação existentes no ciberespaço.


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Figura 4. Primeiro caso de crossmedia no Brasil. Fonte: FERRARI, 2006. A terceira e última fase é a que conhecemos atualmente, e se chama ―hipermidiática‖ (LEAL, 2003). Como o nome sugere, essa fase se caracteriza pela convergência das mídias e utilização de recursos de hipertextualidade e interatividade, encontrada em qualquer grande portal da Web, sendo que no Brasil, o portal Globo.com, das Organizações Globo, é o maior expoente desse estágio do webjornalismo.

2.2 Conceito de portal A Internet pode ser concebida como um universo de informações que se irradia em todas as direções possíveis. Os hiperlinks10 levam o internauta a muitos lugares, dando a ele uma leitura e interpretação não-linear dos fatos. Esse novo caminho possibilitado pelas novas tecnologias criou, entretanto, um problema: como o internauta se localizaria no imenso mar da Web? Dentro dessa preocupação, surgiram os portais da Web, que basicamente são sites que 10

Uma hiperligação, baseada em uma referência na forma de hipertexto, a outras partes de um documento ou a outro documento. O conceito deriva das manifestações ocorridas em manuscritos nos séculos XVI e XVII. A primeira descrição dessa idéia ocorreu em 1945, no ensaio As We May Think, de Vannevar Bush, publicado pela revista The Atlantic Monthly.


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funcionam como centro aglomerador e distribuidor de conteúdo. Sua estrutura é observada por uma hierarquização de uma série de outros sites, sendo eles internos ou externos. Essa nova forma de difusão de notícias inverteu ―a hegemonia das fontes oficiais‖, que passaram, então, ―a dividir o espaço com os demais propagadores de notícias‖ (LEAL, 2003, p.130).

Figura 5. Concepção gráfica das ligações entre sites feitas na Web. Fonte: WIKIPEDIA, 2009.

Mais do que um provedor de notícias e serviços, ele tende a ser a ―porta de entrada‖ do internauta para a Web. Geralmente, para atrair e fidelizar o público da Web, os portais costumam oferecer todo tipo de serviço, como sugere FERRARI (2006, p. 30):

Os portais tentam atrair e manter a atenção do internauta ao apresentar, na página inicial, chamadas para conteúdos díspares, de várias áreas e de várias origens. A solução ajuda a formar "comunidades" de leitores digitais, reunidas em torno de um determinado tema e interessadas no detalhamento da categoria de conteúdo em questão e seus respectivos hyperlinks, que surgem em novas janelas de browser.

A autora sugere ainda que o conteúdo noticioso seja o principal ―engodo‖ dos portais. Isso é perceptível na própria concepção do layout das páginas principais dos portais, onde a


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seção de notícias está logo no topo da página. As manchetes mais importantes da hora costumam ser as maiores nos portais, inclusive possuindo muitas das vezes uma tipologia que supera o tamanho da própria identificação do portal.

O conteúdo jornalístico tem sido o principal chamariz dos portais. Pela possibilidade de reunir milhões de pessoas conectadas ao mesmo tempo, os sites do gênero assumiram o comportamento de mídia de massa. FERRARI (2006, p. 30)

Essa realidade começou em 1998, quando os portais nos Estados Unidos passaram a oferecer o noticiário em suas páginas principais. O portal Yahoo! foi o pioneiro nessa nova prática. Entre os serviços mais comuns oferecidos pelos portais, descritas por FERRARI (2006), estão: a ferramenta de busca (que auxilia o internauta a encontrar as informações através de palavras-chave), comunidades (onde o portal pode conhecer as preferências de consumo dos internautas), comércio eletrônico (que oferecem produtos a partir das características da comunidade que o portal atende), e-mail gratuito (ferramenta que ajuda a fidelizar o usuário), entretenimento e esportes, notícias, previsão do tempo, chat (ou batepapo, que permite agrupar pessoas geograficamente distantes por assuntos), discos virtuais (espaço disponibilizado gratuitamente pelos portais para armazenamento de arquivos em seus servidores), home pages pessoais (serviço oferecido desde 1999, com a intenção de oferecer espaço para hospedagem de páginas pessoais, e além disso ensinar o internauta como se faz), jogos on-line, páginas amarelas (guias com endereços comerciais), mapas (que facilita o usuário, por exemplo, a escolher o caminho mas fácil para um lugar que queira se deslocar), cotações financeiras, canais (que demarcam os assuntos do portal), mapa do site (que hierarquizam todas as páginas do portal em ordem alfabética e auxiliam o usuário na localização delas)

e personalização (visto como elemento mais importante para a

sobrevivência dos portais, uma vez que vivemos na sociedade da informação, que necessita participar, interagir no processo de comunicação). Esta última ferramenta vai ao encontro com o conceito mais inquietante para os portais da Web: a usabilidade. Este conceito nada mais é que a união de várias ―características de um produto que definem o grau de interação com o usuário‖ (FERRARI, 2006, p. 60).

Para uma ferramenta ser realmente útil, precisa permitir ao usuário completar a tarefa a que se propôs. O mesmo princípio se aplica para computadores, sites e


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softwares. Para esses sistemas funcionarem, seus clientes devem ser capazes de usálos de modo eficiente. Excesso de sofisticação, muitas vezes, só atrapalha - como todas aquelas funções do videocassete que ninguém usava porque aprendê-las dava muito trabalho. Muitos fatores fazem um site ser usável. Se ele se encaixa às necessidades do cliente, como atende às tarefas pedidas pelo usuário (com que eficiência e velocidade, por exemplo) e de que forma as respostas que dá correspondem às expectativas. FERRARI (2006, p. 61)

2.3 Tipos de portal Existem dois tipos de portal: os verticais e os horizontais. Os modelos de portais verticais surgiram em 1999. O portal vertical é aquele que se debruça sobre um assunto específico, dessa maneira, fidelizando com maior facilidade o internauta, como afirma (FERRARI, 2006, p. 36).

Focados em um assunto específico — ou em um conjunto de assuntos para uma comunidade de interesses comuns —, os portais verticais representam o perfeito casamento entre comunidade e conteúdo, uma vez que permitem personalização e interatividade com o usuário. Apresentam audiência segmentada, com tráfego constante e dirigido. Conseguem a fidelidade do usuário por meio de serviços personalizados, como por exemplo a busca interna, para localização de informações publicadas dentro daquele endereço — e não na imensidão da Internet, como ocorre com os sites de busca convencionais.

Exemplos de portais verticais podem ser encontrados na Web, como é caso do portal Info Online, da Editora Abril, especializado em mostrar as novidades da tecnologia. O modelo horizontal é o contrário disso: mostra tudo que for possível, mas de forma superficial. O objetivo dos portais horizontais é oferecer ao seu usuário uma gama de conteúdo, de forma a atrair todos os públicos possíveis. Além disso, os portais horizontais geralmente se tornam referência para seus usuários. Exemplos desse modelo são: Globo.com, Terra e UOL.


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Figura 6. Modelo de portal horizontal. Fonte: FERRARI, 2006.

2.4 O texto da Web Mais do que saber escrever para a Web, o webjornalista (também chamado por alguns autores de webwritters ou publishers) deve saber como ―empacotar‖ as informações (FERRARI, 2006). Afinal, o jornalista da Web já não é um mero relator dos fatos do cotidiano. O webjornalista é um produtor de conteúdo. E esse conteúdo é assimilado pelo internauta pela conjunção dos elementos que a convergência das mídias – proporcionada pela evolução das tecnologias – criou. Para interpretar a notícia, o internauta tem vários caminhos para escolher: ele decide se o áudio disponibilizado pela matéria é ou não um complemento essencial para o entendimento daquela notícia, se o vídeo é uma maneira mais fácil de ele visualizar aquela situação, se o infográfico é o modo mais fácil de compreensão os fatos, etc.


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Este novo jornalista deve se preocupar também com os caminhos que ele pode oferecer ao internauta com a inserção de hiperlinks no corpo da notícia, como afirma FERRARI (2006, p.44): Empacotar significa receber um material produzido, na maioria das vezes, por uma agência de notícias conveniada, e mudar o título, a abertura, transformar alguns parágrafos em outra matéria para ser usada como link correlato, adicionar foto ou vídeo, e por aí afora. As funções de editor se misturam com a de "empacotador", que ainda nem foi reconhecida pelos manuais de estilo em jornalismo. Na verdade, porém, o "empacotador" acaba tendo uma função de codificador, capaz de traduzir uma matéria para uma linguagem aceita na Web. Como já foi mencionado, essa área é muito nova e faltam profissionais no mercado que tenham aprendido na academia como criar hyperlinks, como melhor "empacotar" um texto etc.

Os hiperlinks levam o usuário a um aprofundamento do fato. Dentro desse contexto, o usuário também decide se deseja um detalhamento maior do fato ou se prefere uma abordagem superficial. Além disso, é necessário pensar em outras modalidades criadas pelas novas tecnologias, como as ferramentas de interatividade com o internauta. Jornalismo digital não pode ser definido apenas como o trabalho de produzir ou colocar reportagens na Internet. É preciso pensar na enquete (pesquisa de opinião com o leitor); no tema do chat, o bate-papo digital; nos vídeos e áudios; e reunir o maior número possível de assuntos e serviços correlates à reportagem. FERRARI (2006, p.45)

Essa nova competência do Jornalismo e a agilidade com que a notícia é tratada na Web fizeram com que se questionasse, no entanto, a qualidade dos textos da Web, como destaca LEAL (2003, p.127): Novos profissionais são imprescindíveis ao webjornalismo, e, assim, emergem categorias distintas, ao lado dos programadores, como webdesigners e webwritters. Mas, pelo menos em termos de realidade brasileira, a relação empregatícia ainda não está nivelada entre os jornalistas de outros suportes e os profissionais do webjornalismo. Daí decorre a dificuldade enfrentada por pequenas empresas com sites jornalísticos: manter a qualidade do produto disponibilizado em Rede. Constantemente, acontecimentos vendidos como textos noticiosos, mas que não possuem sustentação real, são veiculados na Internet, em face, principalmente, da não conferência de dados com as fontes, primeiro passo para um jornalismo de boa qualidade, em qualquer instância. Além da imprecisão de dados e de outras questões, erros de língua portuguesa e de digitação se avolumam nos webtextos.

O webjornalismo também muda a rotina de produção da notícia: algumas etapas fundamentais em outros meios de comunicação tradicionais são suprimidas nessa nova área do Jornalismo. A pauta, por exemplo, já não é necessária para a produção diária. Até porque, com a velocidade em que a notícia é publicada na Web, o planejamento quase sempre, na prática, é ―dispensável‖. Além disso, os portais e webjornais tratam dos fatos imediatos, que


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estão ―acontecendo‖. Por isso são tão questionados com relação ao aprofundamento das notícias e o uso do ―gerundismo‖.

2.5 Os blogs Um novo e democrático espaço é aberto aos webjornalistas com a evolução das novas tecnologias. Com mais de dez anos de criação, os chamados blogs surgiram em um formato completamente diverso do que era visto em outros meios de comunicação como revistas e jornais. No primeiro momento, o ponto de partida era a escrita em forma de citações e comentários a cerca de outros blogs. O apelo visual não era valorizado, tendo uma imagem grosseira com poucas ferramentas capazes de alterar tal característica. Sua apresentação com o termo weblog foi determinado pela primeira vez em 1997, por Jorn Barger, como sendo um espaço na Web onde o autor, chamado de ―blogueiro‖, cita todas as páginas interessantes por onde passa. As primeiras grandes mudanças feitas para automatizar a utilização desta nova tecnologia foram elaboradas em 1999, onde todo o processo de criação (definição do nome, descrição, sidebar11, temas, cores, etc.) e manutenção (criação e edição de postagens, inclusão de imagens, categorização de mensagens as tags12, etc.) tornou-se extremamente facilitado. A partir daí o conhecimento técnico não era mais uma necessidade para manter estas páginas, o que gerou uma adesão em massa aos blogs e a fortificação de uma mídia alternativa que, em sua maioria, é independente e pessoal, como afirma COSTA BISNETO (2008, p.291):

O blog também se apresenta como uma plataforma na qual, tanto os cidadãos como os jornalistas, podem exercer o seu narcisismo no palco multimidiático, ele permite o exercício individual do jornalista, o que, apesar disso, o torna um meio inclusivo e democrático.

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Barra lateral de um blog, onde geralmente são adicionadas ferramentas, aplicativos e hiperlinks pelos blogueiros. 12

Palavras-chave ou termos associados que auxiliam o usuário na busca de determinado conteúdo em mecanismos de busca.


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Explica-se neste quesito o motivo pelo qual esta inédita ferramenta para a época tornou-se logo alvo das opiniões mais controversas quanto à sua importância para a mídia e sociedade em geral. Se for para ressaltar idéias egocêntricas e diversificadas, teriam os blogs caráter informativo? Apenas se for aceito o conceito do ―infotenimento‖. Esta mistura de informação com peculiaridades do entretenimento é o ponto principal destas páginas que revelam um lado mais leve e em grande parte repleto de diversão aos olhos dos internautas que interagem com as informações através de comentários.

Não é à toa que o jornalismo-cidadão e open source esteja mais atrelado a essas redes e ao próprio conceito de inteligência coletiva do que aos blogs; neste caso, os blogs colaboram da mesma forma que na web como um todo, onde a inovação fica por conta das novas formas de relação que permitem aos usuários criarem os seus vínculos, as suas redes, compartilharem seus conteúdos e seus conhecimentos, desenvolver a sua própria interatividade e criatividade. COSTA BISNETO (2008, p.292)

Nesta passagem, COSTA BISNETO exprime a dinâmica que os weblogs fornecem para seus usuários ativos e internautas que somente acompanham ou comentam o conteúdo ali determinado. Existe um aspecto de liberdade que chama a atenção de todos e não passa despercebida pelos grandes meios de comunicação que desejam estar um passo à frente da concorrência. Portais como Globo.com, UOL e Terra possuem sua própria fonte de blogueiros que compartilham nestes espaços opiniões próprias e praticamente com temas nunca iguais entre si, visto que cada autor possui uma especialidade, ao exemplo de política, cultura, comportamento, moda e outras vertentes. Um dos fatores negativos em comum observado no grupo dos que agem dentro da ―blogosfera‖ é a falta de um consenso em relação aos conteúdos ali firmados e união dos mesmos quando se trata de auxilio para o crescimento de um espaço. O que se vê é um temor em assumir o valor dos blogs como formadores de opinião e falta de laços em ajudar uns aos outros nesta comunidade. Assim como na vida real, em caminhos profissionais, cada blogueiro procura destacar-se com seus próprios méritos e não costuma permitir semelhanças entre as páginas em relação a textos, layouts e outras ferramentas da Web.


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Outra questão apontada dentro desta prática é o fato que o blog em si reflete a idéia romântica do Jornalismo, sem vínculos de interesse empresarial e com debate social, sendo este um canal potencializado para o Jornalismo Opinativo. Um exemplo desta vertente pode ser observado no aspecto de alguns blogueiros juntarem forças através de textos com temas iguais. Sustentabilidade ambiental, contra a exploração sexual, pedofilia e outros assuntos já foram discutidos na chamada ―postagem coletiva‖. Porém, como já foi dito, a competição ainda prevalece entre estes escritores do mundo virtual. O chamado ―furo‖ de notícia é extremamente respeitado por quem o consegue, mas nem sempre o alcance é feito de forma apropriada. Por não terem vínculos diretos com a mídia em si e uma parte ignorar um fundamento do Jornalismo: a checagem das informações. Observa-se muito nos blogs a falta de zelo com as notícias colocadas e algumas acabam na classificação de inverdades. Pode-se, então, concluir que não se trata de uma ação negativa realizada de forma proposital. Com menos de duas décadas de criação, é de esperar falhas que ao longo do tempo poderão ser contornadas. Por enquanto, o amadorismo está em predominância no meio dos blogs, mas não por falta de vontade e sim pela pouca experiência de algo que está apenas ―engatinhando‖ em comparação à outros meios. Existe o potencial, mas também a carência de organização.


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CAPITULO 3 – ANÁLISE DO PORTAL IMIRANTE.COM

3.1 Um novo caminho Impulsionadas pelo entusiasmo trazido com a evolução das novas tecnologias e pelo cenário que começava a se apresentar no ano de 1999 – vários projetos brasileiros como iG, Zip.Net e Cidade Internet atraiam investimentos estrangeiros –, as Organizações Globo decidiram apostar na criação de um portal que concentrasse os diversos segmentos de mídia onde o conglomerado atua (televisão, rádio, jornais, etc.). Em março de 2000, as Organizações Globo lançam o portal Globo.com, como afirma FERRARI (2006, p.27): A Rede Globo sempre apostou em tecnologia, desde os altos investimentos para produção de novelas e programas de auditório até o lançamento do portal Globo.com, em março de 2000.

Dentro desse contexto, as Organizações Globo vislumbraram a necessidade das afiliadas da Rede Globo de Televisão adentrarem à essa nova realidade da comunicação no país. No Maranhão, o Sistema Mirante de Comunicação – maior grupo privado de comunicação do estado e formado pelo jornal O Estado do Maranhão, rádios Mirante FM e Mirante AM e pela Rede Mirante de Televisão – lançou, também em 2000, o portal Imirante.com. O portal não surgiu de uma necessidade local. O portal, inclusive, foi implementado pela equipe do portal iBahia.com, que trouxe o know-how para o Maranhão. Entretanto, o coordenador do portal Imirante.com, o jornalista José Raimundo da Silva Soares, – que trabalha no portal desde sua criação – afirmou em entrevista à este trabalho monográfico que, se o Sistema Mirante tivesse percebido antes o potencial da nova mídia, não seria atualmente apenas um portal (abril/2009): Eu acho até que [...] se a Mirante tivesse percebido muito antes, talvez ela tivesse entrado até como provedora. [...] A Mirante teve a oportunidade de receber um convite, mas naquela época não era um negócio que ela queria entrar. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Oportunidade vista bem antes pela Rede Brasil Sul (RBS), uma das afiliadas da Rede Globo de Televisão, que deu origem ao portal Terra, como destaca FERRARI (2006, p.83):


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O Terra é um dos principais portais brasileiros, originário de uma companhia de mídia regional, a Rede Brasil Sul (RBS), e da compra, em 1996, da Nutec, empresa de provimento de acesso. A partir desta data, o portal passou a ser conhecido como ZAZ, nome escolhido pela diretora de desenvolvimento de mercado, mídia e corporativo da região latino-americana, Sandra Pecis, que, em 1996, deixou o cargo de editora do caderno de Informática do jornal Zero hora para ajudar a fundar o portal. [...] Não podemos negar a magnitude dos seus fundadores, que, a partir de um médio provedor nacional, conseguiram vender conteúdo e expertise para a Telefônica, na mais bem feita negociação que a Web brasileira presenciou antes do final do milênio.

A RBS, inclusive, com o ClicRBS (portal surgido no mesmo ano de 2000 e que abrange os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina), está, atualmente, à frente do portal Imirante.com em número de acessos. Apesar de atualmente manter uma ótima posição no ranking dos portais afiliados à Globo.com, o Imirante.com teve um início bem discreto como afirmou o diretor de Jornalismo do portal Imirante.com, o advogado e jornalista Rômulo Barbosa – que também dirige a TV Mirante e rádio Mirante AM –, em entrevista ao presente trabalho monográfico (abril/2009): Desde o começo a Globo tinha um ranking que mostrava a posição de cada portal. E quando a gente começou, ocupávamos o último lugar. Hoje, nós somos o oitavo em visitors setting, o terceiro em pageviews13 e o nono em visitantes únicos. À frente da gente, só estão os portais que são provedores. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Os trabalhos do portal Imirante.com foram iniciados de forma bem empírica, como afirma Barbosa: ―Na realidade, a gente aprendeu fazendo‖. No início, nem os funcionários do próprio Sistema Mirante reconheciam o trabalho feito no portal, como afirma Soares: Era eu e o Jorge Tadeu, cantor maranhense que apresentou a Agenda Cultural [na TV Mirante]. Mas o Jorge Tadeu escrevia os tópicos para o Na Mira. Na realidade, eu é que tinha a obrigação de atualizar o site. Ninguém lia. Internamente, ninguém via. [...] Era um site que estava lá e a gente ia fazendo, do jeito que era possível. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Isso o que demonstra o receio tido pelo Sistema Mirante diante das novas tecnologias. Num trabalho de persistência, o portal Imirante.com foi evoluindo com o tempo, seguindo a tendência de convergência midiática proposta pelas novas tecnologias de informação: A gente foi colocando muita coisa que a gente imaginava. Áudio. Vídeo. E aí a gente chegou a esse modelo de sucesso. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

13

Referência utilizada pelos portais para medir a audiência, através do número de acessos de um usuário nas páginas da Web.


41

A convergência é percebida na colaboração observada de um veículo com o outro: na TV Mirante, o programa Mirante Notícia, apresentado logo no início da manhã, destaca as principais manchetes do portal Imirante.com. Com a velocidade em que as notícias são publicadas na Web e o destaque feito na TV Mirante se tratar de uma chamada gravada, percebe-se, no entanto, que algumas manchetes destacadas durante o Mirante Notícia já não estão como destaque no portal Imirante.com. Apesar de ter chegado a um ―modelo de sucesso‖, pelo menos em âmbito regional, o portal Imirante.com não tem como meta oferecer outros serviços além do conteúdo que já oferece ou se tornar um provedor, como os portais que estão à sua frente no ranking nacional, como afirma Barbosa: Eu acho que com essa quantidade de provedores, não tem sentido a gente ter um custo de manutenção e de estrutura para ser provedor. E, de certa forma, o retorno vai ser de longuíssimo prazo. Então, é melhor que a gente foque como portal de notícias, como ―provedor de notícias‖. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Talvez com sua trajetória empírica, o Imirante.com acabe reconhecendo no futuro a necessidade de explorar novos recursos da Web além dos que já explora para atrair novos públicos e manter seu confortável lugar no ranking, face ao próprio crescimento da concorrência local, como já reconhece o seu coordenador: Lá na frente surgirão outros. [...] Ele [o Imirante.com] vai começar a oferecer coisas para poder se diferenciar cada vez mais. Eu costumo dizer que ser o primeiro não é difícil. Chegar ao primeiro lugar não é difícil. Difícil, para mim, é manter-se na condição de primeiro lugar. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

3.2 Conteúdo e forma O portal Imirante.com tem como preceito manter sua abrangência regional. Isso foi bastante enfatizado durante as entrevistas com seu coordenador e diretor de Jornalismo. O conteúdo do portal é voltado a três editorias principais: notícias, esporte e entretenimento – destacados pelas cores azul (para notícias, e seguindo a concepção da cor padrão do Sistema Mirante), verde (para esporte) e laranja (para entretenimento). Além de produzir conteúdo próprio, o portal é alimentado com o conteúdo (texto, vídeo e áudio) proveniente dos veículos do Sistema Mirante de Comunicação (jornal O Estado do Maranhão e rádios Mirante AM e Mirante FM). Para a publicação de uma matéria proveniente destes veículos não há qualquer


42

tipo de restrição (como atraso de publicação no portal a fim de que tal informação seja transmitida antes pela TV, por exemplo), como afirmou Barbosa: Eu acho que o fato de estar sob um comando só contribuiu para que houvesse a convergência, que é uma coisa que é desejada, é sonhada, por todas as emissoras do país, e que poucas conseguem. [...] Não há embargo, se a rádio dá uma informação, imediatamente ela vai estar no portal. Se uma matéria vai para a TV, ela não é embargada para sair apenas depois. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

A convergência talvez tenha sido conquistada pelo portal Imirante.com, mas não em sua plenitude. Os sinais das rádios Mirante AM e Mirante FM são transmitidos em tempo real pela Internet, o que contribui para a ampliação da audiência destas, uma vez que ouvintes de outros estados e até outros países têm a chance de ouvi-las. A edição do dia do jornal O Estado do Maranhão é publicada na íntegra, em formato PDF (Portable Document Format), para o acesso de seus assinantes. O mesmo não acontece com a TV Mirante. Essa carência, no entanto, não esbarra em uma impossibilidade técnica de transmitir o sinal da TV Mirante em tempo real pela Internet, mas sim em uma impossibilidade ―contratual‖, como afirma Barbosa: É uma ironia, porque se começou a falar de Internet no Maranhão, a gente tinha o nosso sinal ao vivo na Internet. Depois de um contrato comercial com a [Rede] Globo, isso foi restringido. Há algumas implicações comerciais que impossibilitam a veiculação ao vivo. Mas é meramente uma questão contratual. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Além das notícias produzidas pela redação na capital, São Luís, é possível também saber o que acontece nos principais municípios do Maranhão, como Açailândia, Bacabal, Barreirinhas, Caxias, Codó, Imperatriz, Pinheiro, Santa Inês, São José de Ribamar e Timon. A credibilidade e periodicidade na publicação das notícias são fatores vistos como positivos para o portal Imirante.com, na perspectiva de Soares: Se você acostumar a primeira vez, a segunda, a terceira, na décima, na vigésima, ele [o usuário] vai estar todo dia no teu site. Esse é o segredo básico. Internet é assim. Tem que fazer aquilo todo dia. Rotina. As pessoas vão se habituar e elas fatalmente não vão encontrar em outro lugar. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Em cada notícia publicada, os usuários têm a oportunidade de tecer um comentário sobre o assunto. Entretanto, esse espaço não está livre de mediações, como teoricamente é vislumbrado. É o que afirmou o coordenador do portal em entrevista para o presente trabalho monográfico:


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Se existe um moderador, o moderador tem que corrigir tudo que está errado. [...] Acho que os sites precisam entender que nessa Web 2.0, que é a Web de retorno, você precisa retornar à altura. [...] Não estou chamando ninguém de analfabeto. Mas todo mundo gosta de ler uma coisa correta. Ou não gosta? É um trabalho a mais? É um trabalho a mais. Mas, aquilo fica no registro. Não posso deixar algo com digitação errada. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Essa mediação não se limita à estrutura do comentário, mas também trata das questões políticas desses comentários: se no comentário o usuário agredir verbalmente alguma pessoa pública, este não é aprovado para publicação. Os comentários, entretanto, também contribuem para a inserção de informações que, por vezes, não suprem a necessidade dos usuários do portal, como afirma Soares sobre um fato ocorrido no mês de abril de 2009, quando vários municípios do estado do Maranhão sofreram com enchentes e rompimentos de rodovias provocadas pelo grande volume de chuvas: Hoje perguntaram sobre a BR-316, em Maranhãozinho, que estava na capa [página principal do portal] de manhã. A pessoa estava perguntando em que quilometragem ele teria que fazer para não perder a viagem. [...] Aí eu liguei para o DNIT [Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes] e postei lá, ―no quilômetro 80 você tem que fazer o desvio‖. Quer dizer, essa pessoa está precisando de informação. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Além dos comentários, enquetes são produzidas, ampliando o canal de interatividade do portal com os seus usuários. Esse importante instrumento vem sendo utilizado pelos outros veículos do Sistema Mirante, como a TV Mirante: o telejornal Bom Dia Mirante sugere três assuntos para a escolha do público, onde o assunto mais votado é utilizado para a realização de uma matéria durante a semana, sendo, por vezes, aprofundado com uma entrevista com uma fonte autorizada em estúdio. A estrutura do Imirante.com, atualmente, segue o padrão adotado pelo portal Globo.com. Além de concentrar os sites de outros veículos do Sistema Mirante, o portal oferece alguns serviços, entre eles:

Blogs / colunas: jornalistas, advogados, músicos, professores e outros profissionais possuem seus blogs hospedados dentro do portal Imirante.com. O canal confirma a liberdade de expressão a estes profissionais. Mas essa liberdade é concedida apenas a profissionais que se enquadrem na linha editorial da empresa. Apenas em casos excepcionais, quando alguma notícia publicada neste espaço, ela ingressa na página inicial do portal Imirante.com, sendo uma informação de relevância pública e checada pelos redatores do portal (como veremos mais à frente).


44

VC no Imirante: espaço de interação com o internauta – concebido a partir do conceito da Web 2.014 – que recebe imagens, vídeos e depoimentos.

Globo Videochat: serviço oferecido pela Globo.com, que disponibiliza salas de interação entre internautas.

Na Mira: produto multiplataforma (Internet, rádio, jornal e TV) lançado em dezembro de 2007, tendo em seu conteúdo agenda de shows, fotos de eventos e matérias comportamentais.

Além destes serviços oferecidos, o portal possui ainda uma página especial que pode ser acessada através dos celulares, pelo endereço m.imirante.com. O layout da página inicial do portal Imirante.com traz consigo vários serviços e a concepção de convergência das mídias. Entre os principais elementos, pode-se destacar:

Plantão I: área reservada às notícias mais recentes, sendo normalmente alimentado de 30 em 30 minutos ou conforme a necessidade do dia.

Vídeos: disponibiliza um acervo de vídeos que em sua grande maioria foram anteriormente fornecidos pela TV Mirante ou oriundos de outros sites, como o YouTube. Jornais, trechos de shows, entrevistas, esporte e outros assuntos são publicados diariamente.

Serviço: neste espaço, é possível ter acesso a serviços de utilidade pública, como auxílio à Lista Telefônica, consulta a CEP, Detran, Imposto de Renda, consulta de resultado das Loterias e consulta de vôos on-line.

14

Termo criado em 2004, pela empresa norte-americana O'Reilly Media, para denominar uma ―segunda geração‖ na Web, a partir do surgimento de plataformas como os Wikis e redes sociais, por exemplo.


45

Figura 7. Reprodução da página inicial do Imirante.com (abril/2009).


46

3.3 Perfil do internauta Com o objetivo de traçar um perfil do internauta usuário do portal Imirante.com, realizamos uma pesquisa via Internet, entre os dias 28 de abril e 12 de maio de 2009. A pesquisa foi feita através de um formulário eletrônico (ver modelo anexo) enviado através de hiperlink a 104 e-mails, coletados por meio de participação nos blogs do Imirante.com – entendendo-se que estes participantes são potenciais usuários do portal. O contato com estes usuários foi feito por meio de uma conta de e-mail criada especialmente para a realização da pesquisa. Dos 104 e-mails enviados, pelo menos 17 deles não chegaram ao destinatário. Dos 87 usuários potenciais contatados por e-mail, outros 17 responderam à pesquisa feita para o presente trabalho monográfico, isto é, 16,34% dos entrevistados. Na amostragem obtida pela pesquisa, o número de usuários dos sexos feminino e masculino está equilibrado, como podemos ver na tabela: Sexo

Número

%

Masculino

9

52,94%

Feminino

8

47,06%

TOTAL

17

100%

Tabela 1. Usuários do portal Imirante divididos por sexo. A maioria dos usuários que responderam ao questionário (41,18%) se declarou na faixa etária de 20 a 29 anos, formados ou formandos em cursos de graduação no Ensino Superior (52,94%) e residentes na capital (82,35%), São Luís, como pode ser constatado nas seguintes tabelas: Faixa etária

Número

%

20 a 29 anos

7

41,18%

30 a 39 anos

5

29,41%

40 a 49 anos

4

23,53%

50 a 59 anos

1

5,88%

TOTAL

17

100%

Tabela 2. Faixa etária dos usuários do portal Imirante.


47

Escolaridade

Número

%

Ensino Médio

1

5,88%

Ensino Técnico

2

11,76%

Ensino Superior

9

52,94%

Pós-graduação

5

29,41%

TOTAL

17

100%

Tabela 3. Escolaridade dos usuários do portal Imirante.

Onde reside

Número

%

Capital

14

82,35%

Interior

3

17,65%

TOTAL

17

100%

Tabela 4. Onde residem os usuários do portal Imirante.

Nesta amostragem, obtida pela pesquisa realizada, não foi possível constatar o acionamento do portal Imirante.com por adolescentes com idade inferior a 20 anos ou por adultos com idade superior aos 59 anos, sendo o público de adultos jovens, entre 20 e 29 anos, responsável pela maioria dos acessos. Foi possível constatar, entretanto, que a maioria dos usuários que responderam à pesquisa se declara com nível superior de escolaridade, seguida pelos que se declaram ser pós-graduados, o que significa que o usuário do portal Imirante.com seria alfabetizado e teria certo senso crítico diante à realidade. Outro fato constatado é que a maior parte deste público se concentra na capital, São Luís, e que pode ser interpretado das seguintes formas: a Internet não chega à população dos municípios localizados no interior do Maranhão; a população não tem renda que possibilite a inclusão digital; ou o conteúdo do portal Imirante.com não provoca o interesse da população de municípios do interior do estado. Com relação à velocidade de acesso à Internet, constatamos através da pesquisa que a maioria dos usuários que responderam ao questionário (88,24%) tem acesso à rede através de uma conexão banda larga, que compreende a velocidade entre 70 mil bits por segundo e 150 milhões de bits por segundo, o que possibilita ao internauta uma utilização efetiva dos


48

recursos multimídia oferecidos pelo portal Imirante.com, não o fazendo esperar por muito tempo o carregamento de um vídeo ou de um áudio disponibilizado nas matérias: Tipo/velocidade da conexão

Número

%

Discada (56kbps)

2

11,76%

Banda larga (70kbps a 150Mbps)

15

88,24%

TOTAL

17

100%

Tabela 5. Velocidade de conexão.

Com relação à freqüência de acesso ao portal Imirante.com, constatamos com a pesquisa que a maioria (64,71%) acessa o portal de 1 a 8 vezes por dia, como se pode verificar na tabela: Freqüência de acesso o portal

Número

%

1 a 8 vezes por dia

11

64,71%

9 a 14 vezes por dia

3

17,65%

15 a 25 vezes por dia

3

17,65%

TOTAL

17

100%

Tabela 6. Freqüência de acesso o portal.

Ao contrário do que afirmou o coordenador do portal Imirante.com, em entrevista para o presente trabalho monográfico, constatamos que mais da metade dos usuários que respondeu à pesquisa (52,94%) afirma acessar a Internet de sua residência:


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Local de onde mais acessa o portal

Número

%

Residência

9

52,94%

Trabalho

6

35,29%

Outro

2

11,76%

TOTAL

17

100%

Tabela 7. Local onde mais acessa o portal.

Isso significa que, teoricamente, estes usuários possuem mais tempo de navegar pelo portal (e também por outros sites da Web) e, principalmente, participar efetivamente dos canais interativos propiciados pelo portal Imirante.com. Isso reflete também no modo de leitura: a maioria dos usuários prefere ler o conteúdo na própria tela do monitor, renunciando ao recurso de impressão da matéria, como mostraremos mais à frente. A maioria dos usuários que participaram da pesquisa (94,12%) afirma não ser assinante do jornal O Estado do Maranhão. Entretanto, a maioria (70,59%) afirma ter acesso ao conteúdo do jornal pela Internet, mesmo que o acesso integral ao este conteúdo seja restrito por senha a seus assinantes, como se pode verificar nas seguintes tabelas: Assinante do jornal O Estado do Maranhão

Número

%

Sim

1

5,88%

Não

16

94,12%

TOTAL

17

100%

Tabela 8. Assinante do jornal O Estado do Maranhão.


50

Costuma ler o jornal O Estado do Maranhão pela Internet

Número

%

Sim

12

70,59%

Não

5

29,41%

TOTAL

17

100%

Tabela 9. Costuma ler o jornal O Estado do Maranhão pela Internet.

Este dado pode ser interpretado como uma característica dessa nova mídia: o fato de não ter acesso ao jornal impresso ou preferir consumir a informação de uma forma menos tradicional não significa que o leitor não tenha acesso ao conteúdo deste veículo. Este é o principal temor deste meio de comunicação em si (aliás, sempre que surge um novo meio de comunicação): se este consumidor já não precisa desembolsar uma quantia para ter acesso às informações, para quê ele manterá este hábito? Entretanto, as mídias tradicionais, ao que parece, estão compreendendo e se adaptando a esta nova realidade. É o caso do jornal norteamericano Seattle Post-Intelligencer, que em meio a uma imensa dívida, decidiu encerrar suas atividades no papel e viu na Internet uma oportunidade de dar continuidade à sua trajetória secular, como afirma MARQUEZI (2009):

O mais prestigiado jornal local, soterrado por uma dívida de 14 milhões de dólares, anunciou o fim de sua edição impressa. O Seattle Post-Intelligencer tem 146 anos. E morre para renascer no futuro imediato. O SP-I vai ser o primeiro jornal de sua classe a se tornar inteiramente digital. Não é a primeira publicação do mundo a tomar esse caminho. Mas as suas características de "jornalão" tradicional fazem essa experiência ser observada por toda grande imprensa americana — e consequentemente mundial.

Entretanto, MARQUEZI afirma que essa mudança de plataforma deve ser seguida de uma alteração nos meios em que o jornal vai explorar comercialmente o espaço e, principalmente, o que diz respeito à manutenção dos funcionários: Ele vai tentar manter a estrutura e a rede de anúncios e receitas locais para continuar tendo a mesma força empresarial na outra mídia. Como toda grande mudança, vai causar traumas. E criar oportunidades. Deve perder fontes de renda. E ganhar outras. Vai despedir alguns funcionários. E contratar outros. A grande vantagem inicial é que a tecnologia digital é muito mais barata que a analógica.


51

A falta do hábito dos usuários também é percebida quando se trata do costume de ouvir às emissoras de rádio do Sistema Mirante pela Internet. A maioria (58,82%) afirma não ter o costume de ouvir as rádios Mirante AM e Mirante FM pela Internet. Entretanto, não se pode menosprezar o percentual considerável (41,18%) de usuários que afirmam ouvir as rádios pela Internet: Costuma ouvir as rádios Mirante AM ou FM pela Internet

Número

%

Sim

7

41,18%

Não

10

58,82%

TOTAL

17

100%

Tabela 10. Costuma ouvir as rádios Mirante AM ou FM pela Internet.

Qual rádio prefere ouvir

Número

%

Mirante AM

8

47,06%

Mirante FM

9

52,94%

TOTAL

17

100%

Tabela 11. Qual rádio prefere ouvir. A preferência entre as rádios AM e FM permanece equilibrada, como se percebe na amostragem obtida pela pesquisa. Este dado refuta o antigo dilema do fim da rádio AM: embora a qualidade de som das rádios FM ser indiscutivelmente superior, o conteúdo propagado pelas rádios AM ainda atrai uma grande parcela do público. Dos usuários do portal Imirante.com que também são telespectadores da TV Mirante, a maioria (58,82%) afirma ter o costume de assistir às matérias disponibilizadas pelo portal Imirante.com na Internet – confirmando a tendência do usuário em, mesmo mantendo o hábito de consumir a informação dos meios de comunicação tradicionais, utilizar essa nova ferramenta –, como se pode constatar nas tabelas abaixo:


52

Costuma assistir à TV Mirante

Número

%

Sim

14

82,35%

Não

3

17,65%

TOTAL

17

100%

Tabela 12. Costuma assistir à TV Mirante.

Costuma assistir às matérias da TV Mirante pela Internet

Número

%

Sim

10

58,82%

Não

7

41,18%

TOTAL

17

100%

Tabela 13. Costuma assistir às matérias da TV Mirante pela Internet.

A maior parte dos usuários do portal Imirante.com (76,47%) que participou da pesquisa feita para o presente trabalho monográfico afirma ter o costume de participar das enquetes ou comentar as matérias publicadas pelo portal e nos blogs (58,82%), confirmando a tendência de interatividade provocada pela emergência do ciberespaço. Entretanto, a grande maioria (94,12%) não participa do canal de interatividade mais evidente do portal Imirante.com, o VC no Imirante – o que contrasta com o princípio do espaço democrático de discussão proporcionado pelo ciberespaço, proposto pelos teóricos, uma vez que os usuários não utilizam esta ferramenta – e não participa das salas de bate-papo disponibilizadas pelo portal Imirante.com, como se pode verificar nas tabelas:


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Costuma participar dos canais interativos do portal

Número

%

Sim

13

76,47%

Não

4

23,53%

TOTAL

17

100%

Tabela 14. Costuma participar dos canais interativos do portal.

Costuma comentar nos blogs (colunas) do portal

Número

%

Sim

10

58,82%

Não

7

41,18%

TOTAL

17

100%

Tabela 15. Costuma comentar nos blogs (colunas) do portal.

Participa do VC no iMirante

Número

%

Sim

1

5,88%

Não

16

94,12%

TOTAL

17

100%

Tabela 16. Participa do VC no iMirante.


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Costuma participar do bate-papo (chat) do portal

Número

%

Sim

1

5,88%

Não

16

94,12%

TOTAL

17

100%

Tabela 17. Costuma participar do bate-papo (chat) do portal.

No que diz respeito ao compartilhamento de matérias, serviço disponibilizado pelo portal Imirante.com, a maioria dos usuários que participou da pesquisa (76,47%) afirma não ter o costume de compartilhar as matérias do portal. A maioria dos usuários (82,35%) também não costuma imprimir as matérias, outro serviço disponibilizado pelo portal – o que pode ser interpretado como um reflexo da maioria destes usuários ser adulto jovem, não sendo tão afetada pelo cansaço visual causado pelos monitores e, conseqüentemente, não tendo a necessidade de imprimir as matérias –, como se pode constatar nas tabelas: Costuma compartilhar as matérias do portal

Número

%

Sim

4

23,53%

Não

13

76,47%

TOTAL

17

100%

Tabela 18. Costuma compartilhar as matérias do portal.

Costuma imprimir as matérias do portal: Costuma imprimir as matérias

Número

%

Sim

3

17,65%

Não

14

82,35%

TOTAL

17

100%

Tabela 19. Costuma imprimir as matérias.


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Questionados sobre a eficiência do serviço de busca do portal Imirante.com, a maioria dos usuários que participou da pesquisa (76,47%) declarou ser eficiente o serviço, permitindo ao usuário encontrar o que deseja, como se pode verificar na tabela abaixo: Acha o serviço de busca eficiente

Número

%

Sim

13

76,47%

Não

4

23,53%

TOTAL

17

100%

Tabela 20. Acha o serviço de busca eficiente.

Entretanto, tentamos buscar no dia 13 de maio de 2009 o termo ―enchente‖ – sendo um assunto de destaque no momento da pesquisa – no serviço de busca do portal Imirante.com. O serviço se demonstrou ineficaz, uma vez que não apresentou resultados e em seu lugar a seguinte mensagem:

Figura 8. Reprodução de erro em pesquisa feita no Imirante.com (abril/2009).

Pode-se interpretar que não é dada uma prioridade ao serviço de busca. Questionado sobre o arquivamento do conteúdo e sobre a possibilidade de encontrar a primeira notícia publicada pelo Imirante.com, o próprio coordenador do portal confessa que nunca havia pensado sobre o assunto:

Eu espero que tenha. Eu gostaria até de saber, porque isso é uma coisa legal. Não pelo fato de ter sido uma das primeiras pessoas que escreveu, mas eu gostaria muito de saber o que a gente escreveu nos primeiros dias. Seria muito legal isso. Mas eu te


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confesso que é uma coisa que nunca tinha pensado. (Trecho de entrevista concedida, 2009)

Vale ressaltar que, com relação à pesquisa de opinião realizada via Internet para este trabalho monográfico, as tabelas de número 3, 6 e 7, apresentadas neste capítulo, possuem uma margem de erro de 0,01% para mais ou para menos. É importante salientar também que os resultados obtidos através da pesquisa não refletem necessariamente o verdadeiro perfil do internauta do portal Imirante.com. Todos os dados analisados neste trabalho monográfico são baseados na amostragem obtida pela pesquisa, uma vez que apenas uma pequena parcela dos usuários contatados aceitou responder ao questionário eletrônico, mesmo com o período de duas semanas concedido para participação.


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CAPITULO 4 – PROPOSTA DE WEBJORNAL

4.1 O chamariz Com base no aprendizado teórico, adquirido durante o curso, e prático, através de entrevistas presenciais e pesquisa realizada para o presente trabalho monográfico, propomos um modelo de webjornal capaz de atender às necessidades da sociedade de informação – instaurada a partir da evolução das novas tecnologias durante a segunda metade do século XX – e de utilizar os recursos que as novas tecnologias proporcionam tanto para a prática jornalística quanto para a sociedade em âmbito regional. Dessa forma, lançamos o portal Metrópole,

hospedado

no

endereço

provisório

e

em

caráter

experimental

www.metropole.cjb.net, como proposta e parte fundamental desse trabalho monográfico. É importante salientar que pretendemos sugerir ferramentas e práticas possíveis de se fazer uso, além de soluções de baixo custo operacional. Além disso, entendemos que para propor um portal eficiente, deve-se partir de um planejamento estratégico – que passa pelos âmbitos editorial, estrutural e comercial – e de várias etapas que incluem o conhecimento do público ao qual se pretende atingir – podendo-se aqui sugerir a realização de uma pesquisa de opinião, como fizemos para o presente trabalho monográfico, para alcançar este conhecimento. Dessa forma, o que propomos a seguir é apenas uma parcela deste planejamento que permitiria uma prática mais eficaz dos recursos oferecidos pela Web para a implementação de um portal. Partindo do pressuposto de que o portal deve ―atrair e manter a atenção do internauta‖ (FERRARI, 2006, p.30) e tendo como o conteúdo jornalístico o principal modo de atração desse público, propomos que a página inicial do portal dê destaque a um fato de relevância no momento por meio de uma manchete em caracteres de maior proporção que a de outras notícias e de uma foto (também em grande proporção) do fato destacado. Além disso, a manchete principal deve conter antetítulo e subtítulo, a fim do internauta obter uma informação preliminar do fato. Neste caso, o webjornalista deve usar a linguagem de forma a atrair o internauta para que este sinta a necessidade do aprofundamento naquele assunto. É importante lembrar que, para isso, o webjornalista não deve usar do sensacionalismo ou levar o internauta a ter uma expectativa preliminar errônea do fato, servindo este preceito para qualquer informação que seja publicada pelo portal.


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Figura 9. Proposta de webjornal.

Assim como o fato em evidência, deve ser destaque também as notícias mais recentes publicadas pelo portal, com informações dos mais diversos segmentos. O destaque deve ser feito acompanhado da hora em que a notícia foi publicada no portal. Esse detalhe oferece ao internauta uma impressão sobre a dinamicidade e rapidez com que as informações são publicadas pelo portal. As notícias devem ser categorizadas em três editorias principais: regional, nacional e internacional. O destaque pode ser feito através de cores, a fim de que o usuário identifique rapidamente a informação que procura, sendo propostas as seguintes cores para suas editorias e justificativas, respectivamente: vermelho para as notícias regionais, pelo dinamismo passado por essa cor; verde para as notícias nacionais, pela associação à própria bandeira do país; e azul para as notícias internacionais, pela associação feita com o azul do planeta Terra. Apesar


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de ter um foco maior nos fatos da região, o portal não deve negligenciar-se dos fatos ocorridos em âmbito nacional e internacional, uma vez que estes também são de interesse do público da região onde o portal atua. É importante salientar que o portal eficiente não é aquele que oferece ―tudo‖, mas sim o que oferece aquilo o que o usuário procura. O retorno desse internauta e o hábito de sempre procurar o que deseja em um determinado portal é o objetivo a ser alcançado, editorialmente e comercialmente. Embora o portal não seja capaz de manter uma perspectiva própria sobre os fatos que ocorrem além do seu campo de atuação, a reprodução de matérias de agências de notícias é válida – sendo as agências públicas de informação uma opção viável, por autorizarem e até incentivarem a reprodução do conteúdo – , mas isso deve ser claro para o internauta (ele deve saber a origem daquela informação). O portal deve reservar um espaço no topo de todas as suas páginas para uma barra de identificação – com logomarca, hora e data, etc. Abaixo dessa barra de identificação, deve conter também uma barra de ferramentas, com o serviço de busca e com os principais serviços oferecidos pelo portal. Na margem esquerda do portal, deve constar um menu com todas os canais e editorias do portal, apresentando assim as opções disponíveis ao usuário. Na margem direita, deve constar uma coluna com os serviços úteis, como previsão do tempo, resultado de loterias, etc. O espaço central deve ser utilizado para os destaques do portal, no caso da página principal, ou do conteúdo, em caso de notícias ou informações dos canais. E, por fim, na margem inferior do portal, deve constar uma breve apresentação do portal, bem como o ano de sua criação, além de hiperlinks para os canais de interação e comunicação com a administração do portal. É importante ressaltar que para todas as páginas, deve-se utilizar uma tipografia comum a todos os computadores, uma vez que o aspecto criativo do webdesigner pode ser embargado por uma impossibilidade técnica causada pelo computador do usuário.

4.2 Ferramentas e recursos multimídia O portal deve oferecer serviços aos seus usuários a fim de tornar o seu retorno uma necessidade. Elencamos abaixo algumas modalidades de serviços que propomos para o portal Metrópole alcançar esta meta:

Canais: o portal deve também oferecer informações de outras editorias específicas, como entretenimento (podendo aprofundar em diversos subtemas, como moda, comportamento, música, etc.), cultura e lazer (na divulgação de eventos e atividades), esporte, política, ciência, etc. Deve-se também dar destaque aos bastidores da TV,


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sendo um assunto que desperta o interesse do público pela abrangência deste meio de comunicação.

Especiais: espaço destinado à cobertura mais aprofundada de fatos que estão em destaque atualmente e que constantemente ganham mais detalhes.

Áudios: com boletins diários em áudio sobre os principais fatos ocorridos. Esporadicamente, o espaço pode ser utilizado para o lançamento de músicas, mantendo o usuário informado dos destaques mais recentes do cenário musical.

Vídeos: espaço onde o internauta pode fazer uma checagem mais rápida daquilo que pretende assistir.

Opinião: colunas de opinião com especialistas e profissionais de destaque na sociedade, sendo pretendido como um espaço de análise dos fatos, manifestação de idéias e de liberdade de expressão. O destaque deve ser dado no layout da página inicial do portal, entretanto, em um espaço que permita a distinção, por parte do leitor, de uma informação de caráter parcial e provida de julgamento pessoal por parte dos colunistas.

E-mail gratuito: Ponto importante para criar uma ligação entre o usuário e o portal. Para implementação deste serviço, sugerimos a utilização do Google Apps (http://www.google.com/a/), do Google Inc., ferramenta que atende à necessidade de gerenciamento de contas de e-mail voltada a organizações de todos os portes (inclusive, utilizada pela Globo.com). Além de oferecer aplicativos como Gmail (email do Google com até 7 gigabits de capacidade de armazenamento por conta), Google Talk (conversação instantânea), Google Agenda (para compartilhamento de agendas), Google Sites (construtor fácil de páginas para a Web) e Google Docs (gerenciamento de documentos on-line), a ferramenta não restringe o número de contas e-mail a serem criadas, oferece acesso através do celular e permite ao administrador um painel de controle. Por todas essas qualidades, a ferramenta torna-se uma oportunidade de conhecer e fidelizar o público do portal, além de sua utilização ter custo zero (sendo pago caso a organização tenha interesse em outros aplicativos além dos citados acima), fornecendo ao usuário uma ferramenta prática onde este pode


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checar suas correspondências eletrônicas e outros conteúdos que lhe interessar em um só lugar.

Busca: esta ferramenta deve ser eficiente, e para isso sugerimos outra ferramenta do Google Inc., por ser referência neste quesito: o Google Pesquisa Personalizada (http://www.google.com/coop/). A ferramenta permite a criação, gratuitamente, de uma pesquisa interna em um determinado site (neste caso, portal). Entretanto, o portal deve buscar a máxima eficiência deste recurso mantendo seu banco de dados e seus métodos de indexação15 atualizados.

Shopping: Nesta área, o usuário fica sabendo de ofertas e lançamentos de produtos que possam ser adquiridos virtualmente Trata-se de um dos métodos de sobrevivência do portal, garantindo a obtenção de renda. O portal deve oferecer espaços para banners16 ao longo de suas páginas, utilizando-se de seus formatos mais comuns. Além disso, na Internet existem outras ferramentas que ajudam os portais a se tornarem rentáveis, como os ―programas de afiliados‖, onde basta inserir códigos fornecidos para exibir anúncios. Exemplos disso são os programas de afiliados de sites de compra on-line como o Submarino.com, de sites de comparação de preços como o BuscaPé, e programas de publicidade como Google AdSense, do Google Inc. (sendo esta última ferramenta bastante eficaz, uma vez que exibe os conteúdos conforme o conteúdo das páginas de um determinado site).

Bate-papo: espaço, por excelência, de interação entre os usuários. O bate-papo (ou chat) permite agrupar os usuários do portal, dando a este uma pequena noção em que faixa está o seu público (idade, localidade, preferências, etc.).

Serviços úteis: resultado das principais loterias, horóscopo, links de utilidade pública (Correios, TRT, TRE, Detran, Receita Federal, etc.) e previsão do tempo são exemplos de serviços a serem utilizados para atrair os usuários do portal.

15

Ordenamento de páginas na Internet com o objetivo de tornar fácil a obtenção do resultado da busca, conceito oriundo da Biblioteconomia. 16

Formato publicitário comum na Internet – utilizado para divulgação de sites, produtos ou serviços –, atraindo os internautas através de um hiperlink.


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Mapas: esta ferramenta pode ser utilizada para mostrar aos internautas um guia completo de ruas e avenidas da cidade ou pontos de bloqueio ou fluidez do trânsito, por exemplo. Para implementação desta ferramenta, sugerimos a utilização do Google Maps (http://maps.google.com.br), do Google Inc., que permite a criação de mapas personalizados.

Interatividade: o usuário do portal deve poder interagir e, dessa forma, interferir no processo de comunicação. A sociedade da informação foi instituída para ser capaz de atuar junto aos webjornalistas na produção de conteúdo. Com isso, os portais devem manter canais de comunicação abertos com seus públicos. Dessa forma, sugerimos que o portal tenha, em cada matéria publicada, um espaço para a inserção de comentários do seu público, e para isso, seja apenas restrito mediante cadastro prévio do usuário. Com isso, garante-se a segurança dos comentários e permite ao portal conhecer uma parcela de seu público. Além desse canal, o portal deve também oferecer espaço para envio de conteúdo por parte dos seus usuários, manter uma seção de ―fale conosco‖ (amplamente divulgado) e, também, manter uma seção de enquetes (a fim de saber a opinião do internauta sobre determinado assunto).

Redes sociais: o portal deve saber utilizar as atuais comunidades de relacionamento (tais como Orkut, Twitter, etc.) a seu favor. Estar presente nessas redes sociais significa estar mais perto do leitor, além de poder, dessa forma, atrair novos públicos. RSS17: esta ferramenta permite ao usuário estar mais perto do conteúdo do portal, mesmo não estando nele. Com o RSS, o usuário pode ser informado de quando há novidade no portal.

Newsletter: trata-se de um boletim que o usuário pode receber, mediante a uma inscrição prévia, em seu e-mail com as últimas informações publicadas pelo portal. Essa ferramenta permite levar o conteúdo do portal para mais perto do usuário.

17

Conjunto de dialetos (chamados feeds) em formato XML (eXtensible Markup Language) que permitem ao usuário agregar o conteúdo de vários sites da Web, podendo ser acessado por meio de programas ou sites agregadores.


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Figura 10. Modelo de newsletter.

Widget18: trata-se de uma ferramenta capaz de oferecer as mais recentes atualizações de conteúdo do portal para webmasters de outros sites. Isso faz com que desperte nos usuários destes outros sites o interesse de conhecer o portal – atraindo, assim, novos públicos –, além de disponibilizar uma ferramenta útil para estes outros sites.

Figura 11. Modelo de widget.

18

Widgets ou webgets são aplicativos disponíveis a webmasters, por meio de códigos em linguagem HTML, a fim de oferecer a usuários de outros sites ou blogs um breve resumo atualizado do conteúdo do portal.


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Mobile: o portal deve ampliar os caminhos de acesso à informação para o internauta. Por isso, é importante manter páginas padronizadas para serem acessadas pelo celular, necessidade identificada após o surgimento do iPhone e dos smartphones19. Com isso, o portal fideliza o usuário não somente em sua forma tradicional (com seu acesso restrito aos computadores). Para tal, deve-se facilitar o acesso desta página, o que pode ser feito pela redução do endereço. Por isso, sugerimos que o endereço seja o seguinte: m.metropole.cjb.net.

Figura 12. Modelo de página para acesso no celular.

Além das ferramentas citadas, o portal deve explorar os recursos multimídia proporcionados pelas novas tecnologias. Neste caso, o webjornalista deve oferecer vários caminhos, através de hiperlinks ao leitor para um aprofundamento maior sobre o assunto. O webjornalista também deve ter a percepção do que vale ou não um recurso multimídia (vídeo, áudio, infográfico, etc.). Para isso, é exigido deste profissional outras capacitações, além do conhecimento que ele já possui no campo da comunicação, como saber editar áudios ou vídeos ou saber editar uma imagem, por exemplo. Em resumo, o bom webjornalista é aquele

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Telefone celular com funcionalidades, que permitem o uso de aplicativos, e-mail, comunicadores instantâneos e acesso à Web.


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capaz de oferecer o conteúdo ao internauta utilizando as melhores ferramentas de comunicação para a compreensão dos fatos. Isso não significa que ele deve usar todas, mas saber quais usar para complementar aquela informação que deseja passar.


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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A evolução da Internet está longe de chegar a um fim. Pelo contrário. A Internet vai evoluir sempre, agregando novas possibilidades e novos recursos. Para isso, os portais terão sempre que evoluir junto a essas mudanças, acompanhando constantemente as novas tendências que surgirão. Dessa forma, aprendemos – a partir do que pesquisamos para a realização deste trabalho monográfico – que na Web não existe um modelo ou um padrão. Existem vários modelos e vários padrões. A Internet é democrática e permite aos produtores de conteúdo inúmeras possibilidades. Basta escolher quais dessas possibilidades serão oferecidas aos usuários. Para isso, é fundamental conhecer o público. Tentar alcançar todos os públicos possíveis é um equívoco. O tempo da massificação da comunicação já passou. Isso porque a sociedade atual sente a necessidade de participar do processo de comunicação. Para entender o momento, basta observar a mudança na linguagem dos veículos de comunicação tradicionais: todos eles tentam criar um canal de interação com seu público. E esse canal será potencializado com a digitalização da TV e do rádio. No Capítulo 1, debatemos como a trajetória do Jornalismo pré-Internet influenciou a prática jornalística, tornando as informações cada vez mais relevantes à vida da sociedade – através do surgimento de novas tecnologias nos séculos XIX e XX que permitiram a rapidez na difusão do conhecimento entre os continentes. Além disso, mostramos quais tecnologias se aglomeraram nos últimos anos do século XX e permitiram a criação de uma rede de troca de informações em escala mundial: a Internet. Apresentamos também o debate entre as correntes que estudam os impactos causados pelo surgimento da Internet, da que vê os aspectos positivos proporcionados pela nova mídia até a que observa os impactos negativos causados na sociedade. No Capítulo 2, apresentamos as etapas da transposição do Jornalismo na Internet, o surgimento dos grandes portais no final dos anos 1990, a conceituação dos portais, seus tipos e elementos que os compõem e as novas competências agregadas à prática jornalista com a emergência desse novo modelo de veículo de comunicação. Além disso, debatemos o surgimento do novo espaço proporcionado aos jornalistas, que vem sendo cada vez mais explorado por esses profissionais: os blogs.


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No Capítulo 3, mostramos a análise do portal de notícias Imirante.com, escolhido por ser uma referência no Maranhão e por melhor explorar os recursos proporcionados pela Internet no estado. A análise foi possível através de métodos de pesquisa adotados a fim de se obter as informações necessárias para se contrapor as teorias que estudamos através da leitura bibliográfica e a o uso prático dos recursos oferecidos pela nova mídia em um portal. Para isso, realizamos entrevistas presenciais com o coordenador e com o diretor de Jornalismo do portal Imirante.com, além da análise da estrutura do portal e pesquisa de opinião realizada com os usuários do Imirante.com por e-mail. Entendemos que este último método tratou-se de um caminho inédito para obtenção de amostragem, por utilizar o mesmo canal de interação ao qual submetemos à pesquisa. Por fim, no Capítulo 4, apresentamos a nossa proposta de webjornal, a partir do que foi observado na análise do portal Imirante.com, das entrevistas e da pesquisa de opinião feita com seus usuários. Tratamos de apresentar sugestões de ferramentas e características que um portal pode ter para atrair o público. Para isso, propomos soluções simples e possíveis de serem praticadas por grandes ou por pequenos portais da Web. Dessa forma, esperamos deixar uma importante contribuição para o mercado de Internet no Maranhão. Mais do que elencar inúmeras características e ferramentas possíveis de se utilizar, pensamos que os portais devem ter vontade e motivação para explorar as diversas possibilidades proporcionadas pela Web. Este trabalho monográfico foi apenas um pequeno passo para a compreensão do impacto desta nova plataforma no Maranhão. Entendemos, assim, que vários outros caminhos de pesquisa nesta área se abrem para aprofundamento, visto que há outras experiências de portais em andamento no estado e outros certamente irão surgir impulsionados pelo espaço democrático que a Internet proporciona. Temos a certeza de que o curto período de tempo para pesquisa em campo não nos possibilitou uma análise mais consistente dos impactos causados pela Internet em nosso estado. Dessa forma, queremos deixar esta pesquisa em aberto para os que desejam, por acaso, dar continuidade ao estudo que motivou a realização deste trabalho monográfico20.

20

Trabalho monográfico apresentado como pré-requisito para obtenção do título de Bacharel/Licenciado em Jornalismo pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Contatos com os autores podem ser feitos por e-mail através dos endereços mauricioaraya88@gmail.com e eagcm7@hotmail.com


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REFERÊNCIAS

BAUDRILLARD, Jean. Tela total: mito-ironias da era do virtual e da imagem. Tradução de Juremir Machado da Silva. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 1999. BBS In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/BBS>. Acesso em: 27 mar. 2009. CASTELLS, Manuel. A cultura da virtualidade real: a integração da comunicação eletrônica, o fim da audiência de massa e o surgimento de redes interativas. A sociedade em rede. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999, p.353-402. CARVALHO, Marcelo Sávio Revoredo Menezes de. A trajetória da Internet no Brasil: do surgimento das redes de computadores à instituição dos mecanismos de governança. Dissertação. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006. CEEFAX marks 30 years of service, 2009. Disponível em: <http://news.bbc.co.uk/1/hi/entertainment/tv_and_radio/3681174.stm>. Acesso em: 10 maio 2009. COSTA BISNETO, Pedro Luiz de Oliveira. Internet, jornalismo e weblog: a nova mensagem. Estudos contemporâneos de novas tendências comunicacionais digitais. Dissertação de mestrado. São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, 2008. DEFLEUR, Melvin Lawrence, BALL-ROKEACH, Sandra. Teorias da comunicação de massa. Tradução da 5ª ed. norte-americana, Octavio Alves Velho. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1993. DIZARD, Wilson. A nova mídia: a comunicação de massa na era da informação. Tradução da 3ª ed. norte-americana, Edmond Jorge. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. ENQUIRE In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível http://pt.wikipedia.org/wiki/ENQUIRE>. Acesso em: 27 mar. 2009.

em

<http

FERRARI, Pollyana. Jornalismo digital. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2006. LEAL, Ana Regina Barros Rêgo. Webjornalismo brasileiro de referência. Revista comunicação e espaço publico. Brasília: Universidade de Brasilia, 2003. Ano VI, n. 1 e 2, p. 119-133. LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Tradução de Carlos Irineu da Costa. Coleção Trans. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. MARC ANDREESSEN In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Marc_Andreessen>. Acesso em: 27 mar. 2009. MARQUEZI, Dagomir. A bússola de seattle. Info Exame. São Paulo, n.278, abr. 2009. p.26.


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MINITEL In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Minitel>. Acesso em: 12 abr. 2009. NAVEGADOR In: WIKIPEDIA, 2009. <http://pt.wikipedia.org/wiki/Navegador>. Acesso em: 27 mar. 2009.

Disponível

em

PROTOCOLO DE INTERNET In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível <http://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Internet>. Acesso em: 27 mar. 2009.

em

ROBERT CAILLIAU In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível <http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Cailliau>. Acesso em: 27 mar. 2009.

em

SOFTWARE COLABORATIVO In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível <http://pt.wikipedia.org/wiki/Software_colaborativo>. Acesso em: 27 mar. 2009.

em

TIM BERNERS-LEE In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível <http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Berners-Lee>. Acesso em: 27 mar. 2009.

em

TELETEXTO In: WIKIPEDIA, 2009. <http://pt.wikipedia.org/wiki/Teletexto>. Acesso em: 12 abr. 2009.

em

Disponível

TEST Cards and Ceefax, 2009. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/archive/testcards_ceefax.shtml?chapter=9>. Acesso em: 10 maio 2009. WIKI In: WIKIPEDIA, 2009. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki>. Acesso em: 27 mar. 2009. GOMES, Wilson Esfera pública política e media: com Habermas, contra Habermas. In: RUBIM, Antonio Albino Canelas; BENTZ, Ione Maria G.; PINTO, Milton José (Org.). Produção e recepção dos sentidos mediáticos. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 155-185. WOLF, Mauro. Teorias da comunicação de massa; tradução Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2003.


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ANEXO


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ANEXO I – Formulário eletrônico da pesquisa de opinião realizada por este trabalho monográfico


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ANEXO II – Lista de e-mails enviados na pesquisa de opinião realizada por este trabalho monográfico


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ANEXO III – Lista de e-mails de pessoas que responderam à pesquisa de opinião realizada por este trabalho monográfico


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ANEXO IV â&#x20AC;&#x201C; Resultados e porcentagens da pesquisa de opiniĂŁo


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ANEXO V – Roteiros das entrevistas

José Raimundo da Silva Soares (coordenador do portal iMirante.com) Entrevista realizada no dia 23 de abril de 2009

1) Você está desde o início do portal? 2) Como é que começou? Quando ele foi inaugurado? 3) Então foi uma demanda que não surgiu do Sistema Mirante? 4) Teve algum planejamento editorial, gráfico? 5) Nesse ponto comercial, vocês tentam fazer uma coisa “casada”? 6) Vocês sabem para quem vocês estão escrevendo? 7) Qual é a rotina de produção? 8) De que forma ajudam vocês a, por exemplo, publicarem uma matéria? 9) Com relação aos comentários, como é feita a seleção do que pode ser publicado? 10) É capaz de a gente encontrar a primeira matéria que foi publicada no portal? Fica, realmente, tudo arquivado? 11) Voltando ao ponto dos comentários, de que forma eles ajudam no trabalho de vocês? Por exemplo, algum internauta que encontra um erro de informação, essa informação é modificada? 12) No aspecto do layout, de que forma vocês acreditam que as cores – que diferenciam notícias, esporte e entretenimento – ajudam o internauta? 13) Essa questão do layout também, de um tempo para cá ele ficou bem parecido com o da Globo.com. Essa adequação foi uma opção de vocês? 14) A gente vai para o pensamento de uma autora que ela afirma que um portal deve reunir algumas características, como ferramenta de busca, e-mail gratuito, discos


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virtuais, jogos on-line, mapas, etc. Essa é a meta de vocês, de ser um portal que oferece outros serviços? 15) Você diria que aqui todas as mídias estão unidas? No caso, o Imirante.com contribui para a TV, assim como a rádio contribui para o Imirante? Aqui existe essa troca? 16) As novas tecnologias da informação permitem a utilização do recurso do hipertexto, links para outros sites, outras fontes de leitura, permitindo ao usuário uma interpretação não-linear dos fatos. Por que esse recurso não é explorado no iMirante?


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Rômulo Barbosa (diretor de Jornalismo do portal iMirante.com, da rádio Mirante AM e TV Mirante) Entrevista realizada no dia 23 de abril de 2009

1) Rômulo, quando é que o portal foi inaugurado? 2) Que necessidade vocês tinham? 3) Foi uma sugestão ou vocês tinham uma necessidade de ampliar os caminhos, por exemplo? 4) Houve algum planejamento editorial, gráfica, com relação a isso? 5) Essa questão de ver provedor ou não faz uma grande diferença. Essa é a meta do portal Imirante ou não? 6) De que forma ele ajuda tanto com os outros veículos quanto os outros veículos ajudam o portal Imirante? 7) De que forma os aspectos da interatividade ajuda no trabalho de vocês? 8) As rádios AM e FM são transmitidas pela Internet. O jornal O Estado do Maranhão é reproduzido também no portal Imirante. Por que a TV Mirante não é, apesar dos vídeos serem colocados lá, transmitida? 9) Não é uma impossibilidade técnica? 10) Com relação aos blogs, sendo este um espaço essencialmente opinativo, por que algumas informações de blogs são publicadas como notícia?


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ANEXO VI – Reprodução do portal Imirante.com


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ANEXO VII – Reprodução do portal Na Mira


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ANEXO VIII – Reprodução de modelo de matéria no Imirante.com


82

ANEXO IX – Reprodução de página para celular do Imirante.com


83

ANEXO X – Modelo de proposta de webjornal – Metrópole


84

ANEXO XI – Modelo de matéria – Metrópole


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ANEXO XII – Modelo de página para celular – Metrópole


Webjornal no Maranhão: análise e proposta de um modelo