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Eleições nos EUA Entenda como funciona o processo eleitoral americano

Câmbio Comercial Saiba como a alta e baixa do Dólar afeta seu bolso Edição Nº 2 - ano I 09 de abril de 2008

Entenda a crise dos Estados Unidos na entrevista especial com o economista CARLOS SATURNINO

01 2005 02 03 2008

R$ 7,50

O mundo de olho na crise imobiliária que colocou em xeque o “american way of life”

E MAIS Burocracia na hora de abrir uma empresa O Alumínio no Maranhão


Carta ao Leitor

Aconteceu

Um país empreendedor

Na rota do desenvolvimento

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ma pesquisa, divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), revelou que, em 2007, houveram 15 milhões de empreendimentos iniciais no país. O número corresponde a cerca de 13% da população adulta (entre 18 e 63 anos) do país. O Brasil está entre os dez países com maior número de empreendedores. A maioria dos novos empresários decidiu abrir o negócio próprio por causa das oportunidades do mercado: nos últimos anos, tem ficado mais fácil e mais atrativo abrir uma empresa. A estabilidade da economia brasileira também é um fator importante, segundo o diretor-técnico do Sebrae Nacional,

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mundo inteiro está de olhos voltados aos Estados Unidos: o povo mais “gastador” do planeta acordou do sonho em que vivia porque, de fato, gastou o que não tinha. Aliás, este é um assunto que iremos tratar nesta edição da Revista Novas Amizades. O Brasil, diferente das últimas crises que vinham do hemisfério norte, permanece inabalado. Pelo contrário, vai muito bem, obrigado. Tudo graças à política econômica do governo atual, que tratou de criar reservas para o país, que deu maior segurança aos investidores internacionais. A política foi criticada por alguns economistas, mas é o que está permitindo aos brasileiros respirar com mais alívio e ver, com menos temor, a crise dos americanos. Isso só foi possível por causa do apoio popular que o governo atual tem. A economia brasileira vai tão bem, que no ano passado, somamos 15 milhões de novos negócios, segundo uma pesquisa divulgada na metade de março pelo Sebrae Nacional. Mas a “via crucis” que os interessados tem que seguir para abrir um negócio próprio ainda é grande. Esse também é um assunto que iremos tratar nesta edição de Novas Amizades. Você vai conferir um guia com o passo a passo para abrir o seu próprio negócio. E ainda: a crise na saúde do município de Caxias, no Maranhão, foi mostrada pelas principais redes de TV do país. Vamos refletir por qual motivo alguns políticos governam pensando somente em si. Nesta edição a gente também vai falar sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Você vai entender, em uma reportagem especial, como funciona o processo eleitoral que vai levar os americanos às urnas no próximo dia 4 de novembro.

Expediente

Luiz Carlos Barboza. “O Brasil experimenta um período de crescimento continuado e isso estimula novos negócios”, afirmou. Segundo a pesquisa, o maior número de empresas criadas no ano passado é de prestação de serviços. O comércio varejista, bares e restaurantes também se destacam. Outro dado interessante que a pesquisa revelou foi o maior número de mulheres à frente dos negócios. No ano passado, elas representaram 52% do total de empreendedores. Em 2001, elas representavam apenas 29%. Saiba como abrir uma empresa, leia mais na página 08 Edição nº 02 - 09 de abril de 2008

Capa | Crise nos Estados Unidos

Radar Sobe-e-desce

Pág. 03

Pág. 04

Rumo à Casa Branca

Pág. 05

Nem tão crítica O mundo está de olho na crise imobiliária americana. Mas economistas afirmam que ela não é tão grave assim. Pág. 06

Entrevista: Carlos Saturnino Pág. 07

Burocracia para abrir um negócio próprio

Pág. 08

Política Pessoal Pág. 09

A Revista Novas Amizades é uma publicação da Gráfica e Editora Novas Amizades // Arte da Capa: Maurício Araya // Tiragem: 100.000 exemplares

Editor-Chefe MAURÍCIO ARAYA

JACKSON QUEIROZ JENIFER RODRIGUES

Chefe de Reportagem PAULO JÚNIOR

Editor de Fotografia JOSIMAR MELO

Reportagens ALICE ALBUQUERQUE

Diagramação e Projeto Gráfico MAURÍCIO ARAYA

02 | 09 de abril de 2008 NOVAS AMIZADES

Diretora de Redação LI-CHANG SHUEN CRISTINA

© 2008 Gráfica e Editora Novas Amizades Todos os direitos reservados


Radar Política

Por PAULO JÚNIOR

Custa caro

O Dossiê de FHC

Rapina II

e acordo com a Comissão Federal Eleitoral Americana (FEC), a campanha presidencial dos EUA é a mais cara da história. Na última semana, o pré-candidato democrata Barack Obama, apenas no mês de março, arrecadou US$ 40 milhões. Apesar de ainda não ser oficial, Hillary Clinton arrecadou no mesmo período a metade do montante de seu rival. Já, o candidato republicano, Jonh Mccain conseguiu em fevereiro pouco mais que US$ 11 milhões. E esses valores vão subir cada vez mais, pois o pleito norte-americano acontece apenas em novembro.

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clima em Brasília está tenso. Tudo porque a crise dos cartões corporativos incendeia os ânimos dos parlamentares. Na última sexta-feira (4), a ministrachefe da Casa Civil, Dilma Rousseff condenou o suposto vazamento sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmando que isso seria um crime. Ela garantiu que o governo não é responsável pela divulgação desses dados. Enquanto não se sabe ao certo quem fez o que na história, só resta conferir o desenrolar dos fatos, se é que ele vão se desenrolar.

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Polícia Federal realizou, na última semana, a Operação Rapina II. O objetivo desta ação foi desmascarar os prefeitos e presidentes de Câmaras Municipais maranhenses que estavam comprando notas frias para fraudar as prestações de contas dos municípios. Até o momento, treze pessoas foram presas. A Rapina II é um desdobramento da operação que a PF realizou no fim do ano passado cujo objetivo foi desarticular uma quadrilha que desviava verbas públicas no Maranhão. Parabéns à PF que faz um trabalho para limpar a política maranhense.

O fax de São Pedro

as últimas semanas o Maranhão vem sendo castigado com as fortes chuvas que atingem o Estado. Alguns municípios maranhenses já decretaram estado de emergência. Em São Luís, por exemplo, a cada chuva os problemas estruturais da cidade ganham mais destaque. Perguntado sobre a situação da capital, o prefeito Tadeu

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Palácio foi enfático e disse que iria “ver se achava o fax de São Pedro para pedir que ele diminuísse um pouco as chuvas”. O que não disseram ao prefeito, é que ele é o gestor da cidade e, sendo assim, cabe a ele realizar obras para melhorar a falta de rede de esgoto, as vias públicas e outros “pequenos” detalhes. Vamos lá Tadeu, fale logo com São Pedro!

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Economia

Por MAURÍCIO ARAYA

Sem acordo sobre os domingos

Produção em Risco Reajuste nos Medicamentos

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m vírus da anemia infecciosa do salmão (AIS) está prejudicando a produção chilena do pescado. Esta é a terceira principal atividade econômica do país, que exporta o peixe para os Estados Unidos, Europa e Japão. Produtores reconheceram que o uso de antibióticos e a pouca distância entre viveiros contribui para a proliferação do vírus. A maior preocupação dos ecologistas é a ameaça que o salmão representa para outras espécies de peixe: as fezes dos salmões e as rações utilizadas na alimentação deles reduzem os níveis de oxigênio da água. Além disso, os salmões que conseguem fugir dos criadoros atacam estas outras espécies.

o último dia 31 de março, cerca de 20 mil remédios tiveram seus preços reajustados, em média 3,18%. O valor foi anunciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os preços devem ser mantidos até o próximo reajuste, previsto para março de 2009. O aumento foi calculado com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice que mede a inflação, acumulado nos últimos 12 meses.

Imposto de Renda

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s contribuintes devem declarar o Imposto de Renda até às 20h do próximo dia 30 de abril. Devem declarar aqueles que possuíram renda tributável maior que R$ 15.764,28 em 2007. Além da Internet, a Receita Federal recebe as declarações em disquete ou pelo formulário impresso (disponível na própria Receita). Quem não declarar até o dia 30, paga multa de R$ 165,74.

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onos de supermercados e comerciários não conseguiram entrar em acordo na audiência ocorrida no último dia 2 de abril, na 5ª Vara da Justiça do Trabalho. Com isso, a decisão judicial que determina o fechamento dos estabelecimentos após as 14h dos domingos continua valendo. A medida é resultado de uma ação do Sindicato dos Empregados no Comércio de São Luís (Sindcomerciários), a mesma que fez os supermercados fecharem as portas no último feriado da sexta-feira Santa. A ação, no entanto, foi questionada pela Associação Maranhense de Supermercados (Amasp). Uma nova audiência entre patrões e empregados está marcada para o próximo dia 14. Por enquanto, o estabelecimento que descumprir a decisão terá que pagar multa de R$ 5 mil por dia.

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Dólar

Sobe-e-desce

Em tempos de “economês”, saiba como a alta e a baixa do Dólar afetam o seu bolso Por JOSIMAR MELO

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ow Jones, Nasdarc, Bovespa, FED, inflação nos Estados Unidos. Você acha que nenhum destes termos têm relação com a sua vida? Cuidado! Eles são essenciais para definir o rumo não só da economia, mas, principalmente, do seu futuro e seus gastos mais importantes.

Dólar Saiba porque o Dólar está em queda, a entrada da moeda forte americana no país é maior que sua saída então o nosso Real se valoriza em relação a moeda americana. E com a valorização da nossa moeda, os investimentos estrangeiros aumentam, pois temos um maior índice de confiança no mercado mundial.A queda do Dólar prejudica alguns setores como o de calçados por exemplo: “Porque afeta principalmente o preço de importação pelo país desses produtos, produzidos em outros países, como da China, por exemplo, que possui escala de produção maior do que a nossa e por conseqüência, um custo de produção bem menor, resultando em preços de venda bem inferiores que os dos produtores brasileiros. Dessa maneira, com o dólar baixo, fica muito mais barato importar do que comprar dos próprios produtores brasileiros, ou seja, os produtos nacionais (nesse caso específico) podem se tornar mais caros que os produtos importados”.Explica o estudante de economia da Universidade Federal do Maranhão e funcionário do Tribunal de Justiça, Aurélio França.

Impostos, preços de alimentos mais altos, não entendemos o porquê destas altas incríveis, e por isso as bolsas mundiais e ainda mais empresários e industriais se aproveitam da nossa falta de conhecimento na economia para obterem maiores lucros. Vejamos um exemplo dentro do nosso país: as industrias de automóveis nas chamadas zonas francas. Grandes montadoras se instalam no país pagando impostos mínimos, às vezes com tantas isenções que por fim não pagam nada para se instalarem aqui, este é um ponto, por estarem mais perto, os carros sairiam mais baratos? A resposta é não. Então volta a pergunta: para que tantas facilidades para essas empresas ficarem aqui, se para o mercado consumidor os preços continuem em alta? A resposta é óbvia: o lucro. Pois esta formula é ótima Informática Mas a queda do dólar beneficia um para a exportação. setor que vive de importações e não para

de crescer: o da informática. Com o preço da moeda americana mais baixa esses produtos ficam mais baratos, principalmente por causa dos seus componentes que são produzidos fora de nosso país. Comprar, por exemplo, um computador com esta valorização de nossa moeda é um ótimo negócio. Comprando maquinários para sua produção, as indústrias também se beneficiam deste período para investir na implementação de novas tecnologias. Turismo É claro o que não poderia faltar o nosso lazer. Com o declínio do valor do dólar e a valorização do Real, fica mais compensativo negociar o preço dos pacotes turísticos, viajar em época de valorização da nossa moeda é um ótimo negocio, mas quem quiser viajar para os EUA não encontrará passagens agora, pois com o Dólar baixo a procura foi muito alta. Dívida Não devemos deixar de ressaltar as dividas do País(que são cotadas em dólares) que com o Dólar em alta os juros são maiores Tudo deve ser analisado de dois lados: Dólar baixo exportadores reclamam, dólar alto importadores reclamam.

Evolução do Dólar

Lula vençe a Eleição

A variação da moeda americana no Brasil, desde a criação do Real

Lançamento do Real Escândalo do Mensalão Abaixo dos R$ 2,00 desde 2000

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Entenda as eleições americanas A disputa presidencial é indireta.

As eleições só vão acontecer no mês de novembro, mas a disputa que antecede a hora do voto promete tirar o sossego dos candidatos.

O presidente não é eleito diretamente por voto popular, e sim por um colégio eleitoral. Os eleitores de cada estado votam numa lista de delegados. Os estados encaminham um certo número de eleitores para o colégio, de acordo com o número de sua população. O colégio Eleitoral, composto de 538 delegados, ao qual caberá escolher o Presidente da República.

Montagem: Maurício Araya

Por ALICE ALBUQUERQUE

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s previas das eleições presidenciais nos Estados Unidos começam com uma disputa entre dois candidatos à representação do partido democrata: a senadora Hillary Clinton, de Nova York, e o senador Barack Obama, de Illinois. A responsabilidade de escolher os candidatos dos partidos Democrata e Republicano é dos delegados das convenções partidárias nacionais dos Estados Unidos. Na segunda fase, acontece a disputa bipartidária entre o candidato Jonh MacCain, atual representante republicano, e o candidato eleito pelo partido Democrata. O senador MacCain conquistou o número de delegados necessário (1.266) para se tornar o candidato do seu partido. A preocupação da população americana começa à medida que as decisões são tomadas nas urnas, pois, ainda assim, podem ser alteradas com a eleição que realmente tem validade, a do Colégio Eleitoral. É que os delegados escolhidos estão, a principio, comprometidos com um dos candidatos. Embora sejam eleitos pelo povo, os

delegados não tem obrigação nenhuma de honrar seu papel (de respeitar o voto popular), podendo votar em qualquer candidato. O mais inacreditável é que, em pleno século XXI, as eleições presidenciais de um dos maiores países do mundo ainda acontece de forma ultrapassada: o sistema de eleição dos Estados Unidos é muito vulnerável. Lá, ainda são usadas as cédulas eleitorais. Há tantas falhas que é necessário, na maioria das vezes, fazer recontagem de votos, atrasando o resultado final das eleições. Caso nenhum candidato obtenha a maioria de votos dos delegados no Colégio Eleitoral, a eleição é transferida para o Congresso, onde o Senado elege o vicepresidente e a Câmara dos Deputados elege o presidente, a partir de um sistema de votação em que se atribui um voto para cada bancada estadual. A eleição só é totalmente concluída quando o presidente e o vice-presidente juram fidelidade à Constituição e tomam posse de seus cargos, o que deve acontecer em 20 de janeiro de 2009. Quem for eleito para substituir o atual presidente George W. Bush se tornará 44º presidente dos Estados Unidos.

Apenas dois partidos concorrem as eleições: democratas e republicanos. Quando há mais de um candidato na disputa para representar um partido, são feitas eleições primárias, no qual é decidido quem representará. Cada Estado, a chapa que obtiver a maioria dos votos populares ficará com os votos de todos os delegados, exceto Maine e Nebraska – dois Estados pequenos. A candidatura vitoriosa é aquela que alcançar 270 votos ou mais.

Por que o voto popular não determina o Presidente? A Constituição americana foi escrita em 1787, os 13 Estados originais guardaram seus direitos, pois os pequenos Estados temiam ser dominados pelos maiores. Naquela época, não havia entusiasmo em confiar ao povo a eleição presidencial. Então esta tarefa foi designada ao Colégio Eleitoral. A cada Estado foi dado o direito de escolher seus delegados Quando nenhum candidato consegue a maioria no colégio eleitoral, o presidente é escolhido pela Câmara dos Deputados.

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Capa

Uma “crise” não tão crítica assim Por PAULO JÚNIOR

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os últimos meses, mais precisamente de agosto de 2007 até hoje, o mercado imobiliário dos EUA está vivendo QUASE em uma crise. Mas crise na maior economia do planeta? Talvez, por que não? O feitiço virou contra o feiticeiro norte-americano. O capitalismo talvez esteja em uma das suas piores fases desde a crise de 29. Imaginem como a economia dos Estados Unidos se deparou com a inadimplência dos “queridinhos da América”. Esta é uma prova de que não só o brasileiro é quem contrai dívidas. Pobres americanos! Foram traídos pelo desejo da casa própria. Para entender como o mercado norteamericano se encontra na atualidade, é preciso observar a dinâmica do crediário dos últimos tempos. Os bancos do país se arriscaram. Correram um grande risco. Meu Deus! Eles tinham tanto capital que literalmente “deram”. Deram para qualquer pessoa que pedisse. No entanto, os capitalistas não exigiram nenhum tipo de garantia. Esse tipo de empréstimo é o

chamado subprime (crédito de risco). Agora, quem pediu dinheiro emprestado, não tem condição de quitar as dívidas. Não tem condição, de sequer, pagar os “míseros” juros. A conseqüência é a mais simples e lógica possível: os bancos retraem o capital para eles e pedem os imóveis negociados de volta, para, pelo menos, vendê-los e ganhar um trocado. Porém, a crise imobiliária dos EUA ainda não chega aos pés da terrível Crise de 29, quando as pessoas dormiam riquíssimas e acordavam miseráveis. É preocupante a situação do mercado norteamericano, mas nada que não possa ser resolvido. Não é uma condição tão crítica como os economistas estadunidenses transmitem para o mundo. Não parece ser o fim do capitalismo. Não mesmo! Em 1929 foi muito pior. Hoje, a “crise” ainda é restrita aos Estados Unidos. Tanto é, que os bancos americanos é que estão sendo desvalorizados. E como estão, diga-se de passagem! Agora, esperemos pelos próximos capítulos para sabermos se esta situação se tornará realmente uma crise, pois até o momento, não parece ser.

LIQUIDEZ GLOBAL Nos últimos anos, os bancos internacionais começaram a disponibilizar recursos às pessoas sem burocracia.

ONDA DE CRÉDITO No mercado, a grande quantidade de dinheiro em circulação fez com as pessoas se interessassem em pedir concessões de crédito. NOS EUA Com a enorme procura por crédito, o mercado imobiliário não suportou e empresas de hipoteca passaram a ter dificuldades.

RETRAÇÃO Com a problemática do crédito imobiliário dos EUA, os bancos fecharam suas portas e negaram os recursos que antes eles forneciam facilmente.

Veja a perda no valor de mercado de alguns dos maiores bancos americanos nos últimos sete meses, desde que a crise imobiliária se agravou (desvalorização das ações)(¹)

Ainda não é generalizada;

Citi Merrill Lynch Morgan Stanley Bank of America Lehman Brothers JP Morgan

Não imediatista.

(¹) De 18 de agosto de 2007 a 18 de março de 2008. Fonte: Economática

Estrutura econômica;

Estrutura social e conjuntural;

Destruição real do capital;

Até agora não houve destruição real do capital;

Foi mais generalizada (social e geograficamente); Imediatista.

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-57% -38% -31% -22% -20% -8%


“Os bancos vão quebrar” A instabilidade na economia norte-americana toma conta das páginas dos veículos de comunicação do mundo inteiro nos últimos meses. Os bancos emprestaram dinheiro com muita facilidade e não receberam o pagamento. Alguns especialistas dizem que esse procedimento resultou em uma crise. Outros, como é o caso do economista, marxista e ateu, Carlos Saturnino Moreira Filho, 61, mostrase contrário à palavra “crise” para designar o atual momento dos EUA. Saturnino explicou à NOVAS AMIZADES o seu pensamento.

Novas Amizades - Os EUA, atualmente, estão passando por uma crise? Saturnino - As crises são inerentes do modo de produção capitalista e de maneira geral, elas significam uma espécie de freio de arrumação da economia. Não podemos ainda afirmar que é uma crise. A “crise” dos EUA atual não é tão impactante como em 1929, pois afeta um pequeno setor da sociedade que utilizou o subprime (crédito de risco). Mas, m e s m o assim, a situação é séria.

NA - Mas se não é uma crise, por que é preciso se preocupar? E por que a Crise de 29 é diferente desta situação? Saturnino - Porque no funcionamento da economia no capitalismo todas as partes se ligam, mas elas não têm aquela natureza desestruturante que a Crise de 29 teve. Para a indústria autobilística, por exemplo, não vai faltar dinheiro. O que vai ser eventualmente ‘torrado’, e espero que seja mesmo, é a fração do capital financeiro que está por cima da demanda agregada. NA - E qual a conseqüência se essa fração ‘torrar’? Saturnino - Os bancos vão quebrar. Eles já estão, de certa forma, trabalhando com uma espécie de PROER (programa que e s t i m u l a a reestruturação de bancos) que o Brasil já usou. O governo americano está fazendo agora a mesma coisa.

Por PAULO JÚNIOR

NA - Então, o Governo dos EUA está fazendo de tudo para solucionar o problema? Saturnino - Não, pois os números que vemos por aí são absolutamente ridículos. Eles vêm socorrendo os bancos americanos com alguns poucos milhões de dólares, enquanto a economia dos EUA gira na casa dos trilhões de dólares.

NA - O único fator da “crise” foi o crédito dado facilmente às pessoas? E a guerra do Iraque? Contribuiu para o aumento do problema? Saturnino - O fator-chave foi o crédito fácil, mas não só este. As políticas dos vários governos mundiais, na euforia dos anos 80 a 90, os tornaram mais receptivos a capitais externos aumentando os riscos. Para mim, existe uma distorção. A guerra custa caro, mas não está tão ligado à esta “crise”. NA - Quais seriam as soluções para esse momento norte-americano? Saturnino - Pode ser uma intervenção mais forte do governo, para socializar as perdas e privatizar os lucros. E outra solução seria deixar os bancos que correram o risco resolverem seus problemas.

A ‘crise’ dos EUA atual não é tão impactante com em 1929, pois afeta um pequeno setor da sociedade. Foto: Paulo Júnior

NOVAS AMIZADES 09 de abril de 2008 |


Serviço

Microempresa: Burocracia para abrir e mantê-la Fonte: IBGE

Por JENIFER RODRIGUES

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ornar-se um empreendedor quer dizer enfrentar desafios. No Brasil a maioria dos empreendimentos formais urbanos é de micro e pequeno porte, que deveriam ser responsáveis pelo volume significativo de empregos e salários no país. As maiores dificuldades que as microempresas sofrem é a elevada carga tributária, dificuldade em obter crédito e excesso de burocracia. Estes são problemas que atingem os microempresários no Estado do Maranhão. Em meio a tantas dificuldades, as empresas menores são as que mais sofrem em sua luta para manter seus negócios. Para fugir da alta carga tributária e da inabilidade gerencial os microempresários partem para a informalidade. Vale destacar, também, que altos funcionários estimulam os empresários a estagiários, o que aumenta a informalidade encargos que envolvem a contratação de contratarem funcionários sem registro e e o subemprego.

Opinião MAURÍCIO ARAYA Editor-Chefe

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Burocracia?

m dado revelador: em 2007,

15 milhões de empreendimentos foram criados, ou seja, cerca de 13% da população adulta do país passou da condição de empregado para patrão, como mostra a nota que abre esta edição da Revista Novas Amizades. A pesquisa divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) confronta com a idéia que temos normalmente: a de que a burocracia em nosso país dificulta a abertura de novas empresas. De fato, abrir um empreendimento no mercado é complicado (veja o quadro ao lado), cheio de vai e vem em órgãos governamentais. Mas todo o esforço é necessário para que a empresa opere de forma legal, o que é uma garantia até para os funcionários. Mas o que fez com que o número de

novas empresas no ano passado fosse comemorado por muitos, na verdade, tem um fator econômico por trás: a economia do Brasil vai muito bem. Fato que influenciou também o ressurgimento da classe C no país. Aliás, a classe C é justamente a que se enquadra no perfil de novos empreendedores no país. Dois outros fatores foram estimulantes: a criação da Lei Geral de Micro e Pequenas Empresam (que instituiu o Simples Nacional - regime tributário que unificou o recolhimento de impostos e contribuições federais, estaduais e municipais) e o crédito facilitado e com juros baixos oferecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Tudo isso é muito bom para a nossa economia. Mas o Governo terá que saber manter este cenário, para que o país entre, de fato, num ciclo de desenvolvimento.

08 | 09 de abril de 2008 NOVAS AMIZADES

B

uscar o apoio do Sebrae é o primeiro passo para abrir seu próprio negócio. No órgão, o empreendedor poderá fazer um Plano de Negócios, importante para o planejamento do novo negócio. Para abrir uma empresa, os interessados devem registrar a nova empresa na Junta Comercial do estado ou se registrar, em qualquer cartório, como Pessoa Jurídica. Depois é necessário obter o registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Logo após, o interessado tem que obter um Alvará de Funcionamento, junto à Prefeitura. Depois disso, são necessários, ainda, uma inscrição estadual, o cadastro na Previdência Social e autorização para emissão de notas fiscais. Depois disso tudo, a empresa pode começar a operar normalmente, dentro dos parâmetros legais. Para mais informações, a dica é o site do Sebrae: www.sebrae.com.br


Maranhão

O Alumínio no Maranhão Por JACKSON QUEIROZ

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ode parecer exagero, mas o discurso utilizado por aqueles que tiveram a idéia e o interesse de trazer a instalação de uma das unidades da Alcoa para São Luís, souberam explorar o lado econômico de maneira que ninguém fosse contra o empreendimento, a não ser os ambientalistas de plantão ou parte daqueles que imaginavam acontecer o que não ocorreria. No mundo globalizado, é natural apoiar um projeto grandioso por se tornar importante para o desenvolvimento industrial de uma localidade. Porém, São Luís é conhecida por ser uma cidade financeiramente dependente do dinheiro público. Logo, este capital move o comércio local por ser esperado e, principalmente, por garantir movimentações de compra e venda.

Sobre a conhecida Alumar, sabe-se que o peso para sua instalação em São Luís foram os seguintes aspectos: logístico, por ser uma cidade litorânea e respectivamente portuária, o que tornou viável para o transporte aquaviário próximo aos mercados europeus, asiático e americano, comparando com os outros portos; o outro aspecto relevante foi a isenção de impostos por muitos anos, oferecido ao grupo nas esferas municipal e estadual. Segundo o economista Carlos Saturnino, o grupo Alcoa, juntamente com o grupo político na época, utilizou o discurso da geração de emprego e do surgimento de novas empresas especializadas com finalidades específicas de trabalhar a fabricação de novos produtos gerados pela matéria extraída da bauxita (minério), processado através da soda cáustica em autos fornos, de onde se obtém a alumina, produto que origina os

Política Pessoal Por JACKSON QUEIROZ

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ão é por falta de conhecimento eu o Maranhão é conhecido por ser um dos estados mais pobres da federação. Logo, os piores índices só poderiam ser nossos. Até aí, tudo bem. Porém, a pergunta chave, surge: mas por que isso ocorre? Para a maioria seria muito lógico responder que a culpa sempre foi dos governos, o que não é difícil confirmar tal pensamento, sem esquecer da responsabilidade daqueles que os colocam no poder. Politicamente, os nossos governantes sempre governaram em causa própria, isto é fato e ninguém nega. Assim, a outra pergunta: isso não é uma realidade nacional? Muito mais do nordeste brasileiro, em especial de estados como o Maranhão. Vejamos os fatos como confirmação da

tese. Os cidadãos maranhenses se viram obrigados a pelo menos ouvir falar, ou como outros, assistir a reportagens que só indignaram aqueles verdadeiros pagadores de impostos. Refiro-me às matérias jornalísticas exibidas no sábado (29/03) no Jornal da Band, da TV Bandeirantes, e no domingo (30/03) pelo Fantástico, da Rede Globo. Ambas as reportagens tiveram como foco principal a cidade de Caxias, no lamentável caso dos bichinhos identificados na merenda escolar e visto como tempero seco por uma merendeira quando argumentada por um aluno, esse primeiro fato assim foi noticiado pelo canal 12. Para não deixar dúvidas, a Rede Globo noticiou da mesma cidade, mais aprofundado a respeito do tema. A carne bovina que foi comprada no mês de férias tinha seu prazo de validade bimestral, enquanto isso as crianças são obrigadas a levar como merenda escolar: a

ligotes de alumínio. No entanto, 25 anos depois, verifica-se que as novas empresas não surgiram. A quantidade de empregos gerados não foi grandioso, até porque a mão-de-obra local não qualificada para ocupar os principais postos de trabalho não sofre investimento. Tanto estado como município deixaram de arrecadar pela isenção estabelecida, mesmo mínimo como é defendido. O impacto ambiental, além de se prevalecer e promover por meio das famosas responsabilidades sociais, que nada mais é a jogada de marketing. Por fim, falando em responsabilidade social, pergunta-se: será que para uma empresa detentora de bilhões de dólares basta construir uma ou outra escola, patrocinar uma ou outra organização ou atrair uma ou outra manifestação cultural? Com a palavra, você leitor.

farinha, sal e tempero seco para suprir a fome de pessoas sem lugar se quer para sentar ou banheiro para as suas necessidades. Agora sem colocar a emoção no lugar da razão, eu pergunto: que desgraça que política é essa? Política do “eu”, se é que existe, caberia muito bem como resposta. Mas infelizmente o cinismo do prefeito da cidade, que teve a coragem de vender o hospital com mobília, mas que o tomógrafo responsável de fazer tomografias da coluna, cabeça, bacia e etc., tão importante para uma cidade como Caxias, assim como tão necessitada, não se fazia presente no hospital comprado pelo estado. Pois bem, fatos como estes se reforça o entendimento sobre um estado cada vez mais pobre não apenas do ponto de vista econômico, mas principalmente carente de sérios políticos.

NOVAS AMIZADES 09 de abril de 2008 | 09


Revista Novas Amizades (edição de economia)  
Revista Novas Amizades (edição de economia)  

Projeto acadêmico de revista. nº 2, 9 de abril de 2008.

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