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Breves Bispo

anglicano gay lançará

autobiografia em

Londres

Único bispo anglicano homossexual assumido, Gene Robinson vai participar em julho do Festival de Literatura de Londres, onde lançará sua autobiografia, “In The Eye of the Storm”. O título, “no olho do furacão”, já antecipa o conteúdo polêmico de uma obra que conta a vida do religioso gay. A programação do evento inclui ainda a exibição do aclamado documentário sobre religião e homossexualidade “For the Bible Tells Me So”, que conta com a participação do bispo. Robinson participa ainda, ao lado do ator gay Ian McKellen, de um debate após a exibição do documentário. Cuba

autoriza operações de mu-

dança de sexo

O regime cubano decidiu autorizar os médicos a realizaram operações de mudança de sexo, noticiou a agência de notícias Reuters. Este novo sinal de abertura, mais um desde a substituição de Fidel Castro pelo irmão Raúl, este ano, tinha sido defendido o mês passado por Mariela Castro, filha do novo Presidente.

Nesta Edição... • Lambda encontra-se com Ministro Holandês - pag 1 • Preconceito e estigma sexual no séc. XXI -pag.3 • Uganda nega tratamento de seropositivos gays - pag.5 • Presidente Lula condena preconceito contra homossexuaispag.5 • Paris defende despenalização pag.5 • Queen Latifah vai casar-se com preparadora física - pag.7

LAMBDA ENCONTRA-SE COM MINISTRO HOLANDÊS DA COOPERAÇÃO A LAMBDA participou num encontro com o Ministro para a Cooperação da Holanda, Bert Koenders, no dia 13 de Maio de 2008, em Maputo. O Ministro holandês reuniu-se, em mesa-redonda, com várias organizações da sociedade civil moçambicana para discutir, entre outros assuntos, questões relacionadas com os direitos humanos em Moçambique, incluindo os direitos das minorias sexuais. A LAMBDA, representada por Carmen Malawene, levantou

várias questões relacionadas com a discriminação e violação dos direitos dos homossexuais em Moçambique que foram atentamente escutadas pelo Ministro. Os direitos das minorias sexuais fazem parte da agenda oficial de cooperação entre a Holanda e os países que recebem assistência holandesa para o desenvolvimento.

Segundo Mariela, há pelo menos 28 pessoas na ilha de 11 milhões à espera de poder mudar de sexo. 50 equipes disputarão Futebol Gay

a

Copa

de

A Associação Internacional de Futebol de Gays e Lésbicas (IGLFA) já anunciou, quais serão as equipes que participarão da próxima Copa Mundial de Futebol Gay e Lésbico da Inglaterra, a ser realizada entre os dias 24 e 30 de agosto, em Londres.Mais de 50 equipes provenientes dos 5 continentes participarão do Mundial este ano. No total serão 23 equipes do Reino Unido, 6 de outros países da Europa, 13 dos Estados Unidos e Canadá, 2 da África, 1 da Ásia, 2 da América Latina e 3 da Oceania.


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Editorial

Artigo Direitos & Cidadania

Editorial Nos últimos dois anos, o assunto da homossexualidade começou a ocupar mais espaço na comunicação social moçambicana. Uma confluência de fatores diferentes contribuíu para tal: maior presença de personagens homossexuais nas telenovelas brasileiras, maior protagonismo de ativistas dos direitos dos homossexuais moçambicanos e uma maior curiosidade dos próprios órgãos de comunicação social sobre o assunto, por motivos informativos, educativos ou sensacionalistas. Assim, temos visto e lido um crescente número de debates, artigos de opinião, entrevistas, notícias, etc, nos nossos jornais e televisões. No cômputo geral, esta atenção dada à homossexualidade e o debate que ela gera são bons porque dão visibilidade a um assunto que tem sido dos maiores tabus na nossa sociedade. Não é por acaso que, noutras sociedades em tempos mais conservadores, a homossexualidade era conhecida como “o amor que não se atreve a pronunciar o seu próprio nome1” ou “aquele indescritível vício dos Gregos2”. No entanto, mais debate não tem significado sempre melhor debate. Frequentemente, o assunto é tratado de forma demasiado superficial para a sua complexidade. A maior parte dos intervenientes ignora ou confunde conceitos e fatos científicos. Fazemse muitas perguntas erradas e responde-se com muitos dogmas e lugares-comuns, que não sobreviveriam a um escrutínio mais aguçado, se o debate se fizesse com um pouco mais de seriedade, profundidade e conhecimento. E com mentes mais abertas e menos preconceituosas. Muito deste debate sofre das consequências de vivermos numa sociedade heterossexista e preconceituosa do ponto de vista sexual, onde as minorias sexuais são estigmatizadas. O ponto de vista prevalecente na sociedade é de que a heterossexualidade é a única forma socialmente aceitável de sexualidade e, portanto, superior a todas as outras; a homossexualidade é inerentemente doentia, pecaminosa ou criminosa e, por consequência, os homossexuais também o são; e os homossexuais só são tolerados quando ficam no seu canto, invisíveis e mudos, e quando reclamam visibilidade e direitos iguais, então a maioria heterossexual tem o direito de os hostilizar e “pô-los no seu lugar”. A maior parte das vezes o debate é desenvolvido com base nas perguntas: Vamos legalizar? Vamos permitir? Vamos tolerar? Vamos aceitar? Perguntas feitas a partir de uma posição de superioridade social e moral, de dicotomia entre “nós, os legais” e “eles, os ilegais”, num debate em que a maioria virtuosa é chamada a decidir o destino da ovelha tresmalhada. E se a maioria decidir ser magnânima, as pobres minorias lá comerão umas migalhas de tolerância e aceitação...com limites, para não acharem que já são cidadãos de primeira, com direitos iguais. Afinal, aos olhos deles, no fundo nunca deixaremos de ser uns anormais! Assim, este número das Cores do Amor tem como tema de fundo a homofobia, a estigmatização e o preconceito anti-homossexual, com o objectivo de mudar o ponto de partida do debate, virar a mesa, como sói dizer-se, e perguntar: Afinal de que têm medo os que dizem “não” à homossexualidade?! 1 Do poema Two Loves, de 1894, de Lord Alfred Douglas, poeta britânico do século XIX, uma ode eufemística à homossexualidade. O último verso do poema diz “I am the love that dare not speak its name”. 2 Um outro eufemismo do séc. XIX, para se referir à homossexualidade, inventado pelos professores de Literatura Clássica das Universidades de Oxford e Cambridge, de forma a censurar a abordagem do tema nas aulas e nas discussões académicas. A mais conhecida alusão a este eufemismo aparece no romance semiautobiográfico do autor britânico E.M. Forster, Maurice, escrito em 1913, mas publicado penas em 1971.

“A República de Moçambique é um Estado de Direito, baseado no pluralismo de expressão, na organização política democrática, no respeito e garantia dos direitos e liberdades fundamentais do Homem.” Art 3 - Constituição de República de Moçambique (2004)

Atenção As “Cores do Amor” é uma publicação de distribuição gratuita. A sua concepção depende do trabalho voluntário de alguns elementos da nossa comunidade. Neste momento necessitamos de tradutores de Inglês e redactores. Caso queria fazer parte desta equipe, envie-nos um email para; ascoresdoamor@lambda,org,mz

Glossário Minorias Sexuais

Gay

Homossexuais (gays/lésbicas), bissexuais, transsexuais e intersexuais

Palavra originária da língua inglesa que significa alegre, já era um termo usado na Espanha desde a idade média como sinónimos de “rapaz alegre”. Actualmente usado para designar homens que sentem atracção física, emocional e espiritual por outros homens. Mas actualmente é usado também em substituição da palavra homossexual pelo seu sentido menos técnico.

LGBTI Acrónimo de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e Intersexuais Homossexuais Indivíduos que se sentem atraídos fisicamente, emocionalmente e espiritualmente por pessoas do mesmo sexo.

Lésbica Mulher que é atraída emocionalmente, fisicamente e espiritualmente por outras mulheres.

Para

além da Preconceito e Estigma Nos anos 70, dois acontecimentos tiveram lugar que viriam a ter profundas consequências para a forma como a orientação sexual passaria a ser vista no mundo. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria removeu a homossexualidade do seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, declarando que a homossexualidade não está associada a nenhuma psicopatologia. Esta decisão marcou uma mudança dramática na forma como a medicina, os profissionais de saúde mental e as ciências comportamentais passaram a encarar a homossexualidade. Em 1972, o psicólogo George Weinberg publicou o livro Sociedade e o Homossexual Saudável, onde cunhou o termo “homofobia”. Ao cunhar essa palavrar, Weinberg desafiou o pensamento prevalecente sobre o que se chamava na altura o “problema da homossexualidade”. Embora a introdução da palavra “homofobia” no discurso corrente tenha marcado uma viragem substancial na conceptualização da sexualidade, tanto a palavra como o seu conteúdo possuem limitações significativas. Por outro lado, o contexto social e politico da homossexualidade e das atitudes em relação a ela mudaram radicalmente nas últimas três décadas, exigindo um novo entendimento dos fenómenos de hostilidade antihomossexual. A Criação da “Homofobia”

Expressão

Até ao início dos anos 70, a homossexualidade era vista pelos psicólogos, e não só, como uma patologia. Assim, os problemas que os pacientes homossexuais tivessem no

trabalho, nos seus relacionamentos, ou em qualquer outro aspecto das suas vidas, eram vistos como uma consequências directa da sua orientação sexual e não das atitudes e comportamentos daqueles que os rodeavam. Conhecendo pessoalmente vários gays, George Weinberg, um heterossexual, acreditava que este pressuposto estava fundamentalmente errado. Olhando à sua volta, Weinberg verificou que muitos dos seus colegas heterossexuais tinham fortes reacções negativas em relação a homossexuais quando estivessem num meio não-clínico. Ocorreu-lhe então que essas reacções se assemelhavam a uma fobia em relação a homossexuais, um medo dos homossexuais, como se tivessem medo dum contágio ou medo de que os outros pensassem que eles também eram homossexuais - uma homofobia. Ao criar esta expressão, Weinberg deixou bem claro que considerava a homofobia, não como um fenómeno individual, mas sim uma forma de preconceito de um grupo social contra outro e quis demonstrar que o chamado “problema” da homossexualidade não reside nos homossexuais em si ou na sua orientação sexual, mas sim nos heterossexuais que são intolerantes em relação aos gays e lésbicas. O debate sobre a homossexualidade deixou de se centrar na ideia de que os homossexuais são indivíduos perturbados e transferiu o foco do problema para os que se manifestam contra a homossexualidade. Hoje, a homofobia faz parte do rol de males sociais, ao lado do racismo, discriminação sexual, xeno-

Homofobia: Sexual no Séc. XXI

fobia, entre outros. A aceitação da ideia que a hostilidade contra os homossexuais é um fenómeno social que merece atenção e estudo representou um grande passo na luta pelos direitos humanos e cívicos dos homossexuais. Limitações da Expressão “Homofobia” Mesmo reconhecendo a importância histórica do surgimento da expressão “homofobia”, devemos reconhecer também as suas limitações. As implicações do uso do sufixo fobia são problemáticas. Uma fobia é mais do que um simples medo. Uma fobia é uma reacção de medo intenso em relação a um determinado objecto. Nunca foi intenção de Weinberg que a homofobia fosse vista como uma categoria similar ao medo irracional de cobras (ofidiofobia), alturas (acrofobia), ou sítios fechados (claustrofobia), embora certos indivíduos tenham esse tipo de reacção fóbica em relação aos homossexuais. O que está no centro das atitudes emocionais negativas de heterossexuais em relação a homossexuais não é o medo, mas sim a ira e o nojo. Enquanto a componente emocional das fobias é a ansiedade, a componente emocional da homofobia é a ira. Um outro problema de utilizar o termo “homofobia” é que ela pode ser conotada como uma psicopatologia, como o são as outras fobias, o que não é verdade. A ser uma fobia, a hostilidade contra a homossexualidade seria um fenómeno puramente individual, um defeito de carácter, centrando a atenção no indivíduo preconceituoso e ignorando a gran-

de dimensão social e colectiva do preconceito em que o indivíduo está inserido. Uma compreensão mais completa e abrangente da hostilidade anti-homossexual exige uma análise das suas raízes culturais e sociais, assim como dos processos mentais individuais. A Evolução Histórica da Hostilidade Anti-Homossexual O conceito de homofobia é demasiado estreito na sua caracterização da opressão da homossexualidade, definindo-a implicitamente como o produto de medos individuais, mas ao mesmo tempo é demasiado difuso na sua aplicação, sendo usado para tratar fenómenos que vão desde pensamentos e sentimentos inviduais privados até às políticas e acções de governos, empresas e religiões organizadas. O facto de a homofobia ser usada de forma tão alargada indica a necessidade de um quadro conceitual mais afinado para distinguir entre os vários fenómenos aos quais ela é aplicada. O conceito de homofobia é produto duma época dominada pelo movimento de libertação sexual dos anos 70 e 80, em que o chamado movimento de libertação gay defendia que a fronteira entre a homossexualidade e heterosexualidade era arbitrária e artificial. Acreditando que todo o ser humano é inerentemente bissexual, os liberacionistas gays procuravam transformar a sociedade para que a “bissexualidade existente em cada um” pudesse expressar-se livremente. Para eles, a sociedade é que obrigava os seres humanos a definirem-se como homossexuais ou heterossexuais e a hostilidade contra a homossexualidade era o resultado do medo dos indivíduos heterossexuais dos sentimentos e tendências homossexuais que existiam reprimidos dentro de si. A homofobia [cont. pag 4]

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Artigo

Noticias

Alhos e Bugalhos e Feitiços contra os Feiticeiros por Thando M.

Recentemente, a comunicação social moçambicana noticiou que o músico Ziqo tinha sido chamado pelas autoridades a depôr em conexão com um video que circula pela internet e pelos telefones celulares alegadamente mostrando Ziqo num acto sexual com uma jovem. Dias mais tarde, a comunicação social publicou notícias segundo as quais Ziqo teria declarado que não era responsável pela divulgação pública do video, pois o seu telefone celular, onde o video fora gravado, tinha sido roubado durante uma festa por “um homossexual chamado Engrácio”. Não nos interessa aqui debater as alegadas proezas sexuais de Ziqo, nem o mérito das suas reportadas acusações contra o Engrácio. O que nos revoltou foi a menção da orientação sexual do Engrácio em conexão com o alegado roubo do telefone celular. Em parte nenhuma dos vários artigos publicados sobre o assunto se demonstra algum tipo de relacão entre a sexualidade do Engrácio e o desaparecimento do telefone do Ziqo. Porquê então mencionar que o Engrácio é homossexual? Nunca ouvimos dizer que “um heterossexual chamado fulano” foi acusado de roubar cabos eléctricos ou de matar o vizinho ou de desviar dinheiro da instituição onde trabalha. A menção da sexualidade do Engrácio cheira a sensacionalismo barato, soa a estigmatização e revela uma mentalidade preconceituosa. Apelamos à comunicação social para tratar assuntos sérios, como o caso do Ziqo, de forma responsável e profissional, sem resvalar para a valeta, sem inventar bodes expiatórios e sem agravar ainda mais os estigmas e preconceitos que infelizmente já existem na nossa sociedade, sobretudo contra as minorias sexuais. A ironia desta história toda é que a menção da sexualidade do Engrácio só serviu para criar pontos de interrogação na caabeça público em relação à sexualidade do Ziqo! Por isso, da próxima vez, DEIXEM PAZ!!

AS

BICHAS

EM

[continuação - Homofobia]

seria a rejeição por parte dos heterossexuais dos seus próprios desejos homoeróticos e poderia ser ultrapassada simplesmente pela aceitação individual dos aspectos reprimidos da sexualidade de cada um. Um slogan famoso da época era “Libertem o homossexual que existe em cada um de nós!”. Na mesma época, as lésbicas feministas desenvolveram um quadro analítico que defendia que ser lésbica não era apenas uma questão de atração sexual ou romântica, mas sim de rejeição da heterosexualidade obrigatória, parte de um sistema patriarcal que subjugava as mulheres aos homens. Assim, de acordo com esse modelo de análise, todas as mulheres poderiam ser lésbicas, independentemente dos seus sentimentos sexuais. Tanto o movimento de libertação gay como o feminismo lésbico viam a fronteira entre a homossexualidade e heterosexualidade como um artificialismo sociocultural a ser destruído. Nos finais dos anos 70, o movimento de libertação gay e o feminismo lésbico começaram a ceder lugar a uma abordagem mais baseada na identidade de grupo, que permanece dominante até aos dias de hoje. Em vez de tentar erradicar as

categorias sexuais ou de libertar o “potencial homossexual em cada um de nós”, esta nova abordagem de luta vê os homossexuais como um grupo minoritário fixo e claramente definido e o pincipal objectivo desta abordagem é a obtenção e manutençao de direitos humanos e cívicos para este grupo. Assim, a luta actual pela não-discriminação dos homossexuais no emprego, no casamento e na adopção de crianças, entre outros domínios, baseia-se no paradigma da luta pelos direitos cívicos e humanos das minorias. Com o aparecimento deste paradigma, a fronteira entre a homossexualidade e heterossexualidade endureceu-se e a homofobia deixou de ser vista como a rejeição individual dos desejos homoeróticos pessoais (um conflito “eu contra mim próprio”) e passou a ser a rejeição dos membros de um grupo minoritário bem definido por parte dum grupo maioritário (um conflito “nós contra eles”). Assim, a homofobia passou a ser entendida em termos de um conflito intergrupos e não intra-psíquico. A homofobia ganha, assim, um estatuto equivalente ao racismo, ao anti-semitismo e à xenofobia. O conflito entre os homossexuais e os que a eles são hostis ganhou um cunho de grupo, um cunho ideológico e político. Chamar a isso homofobia esconde a verdadeira raíz da hostilidade anti-homossexual. A hostilidade contra minorias sexuais não vem do medo, nem tem uma base individual ou psicodinâmica. A actual antipatia anti-homossexual é uma ideologia social claramente enraizada em convicções religiosas e políticas. Entender a hostilidade e a opressão contemporâneas em relação à orientação sexual exige que reconheçamos como a hostilidade anti-homossexual mudou nos últimos 30 anos e criemos novos modelos para a descrever, explicar e combater.

Olhando para o Futuro: Para além da “Homofobia” O conceito de homofobia foi extremamente valioso para consciencializar a sociedade sobre a opressão das minorias sexuais. No entanto, na actualidade, é necessário um vocabulário mais preciso para nos ajudar a entender os processos psicológicos, sociais e culturais que sustentam essa opressão. Há três prismas principais através dos quais se deve entender a hostilidade baseada na orientação sexual. Primeiro, essa hostilidade existe sob a forma de uma ideia compartilhada, que se manifesta através de culturas ideológicas que definem a sexualidade, demarcam grupos sociais nessa base e atribuem valores a esses grupos e aos seus membros. Segundo, essas ideologias expressam-se através de estruturas, instituições e relações de poder da sociedade. Terceiro, os indivíduos interiorizam essas ideologias e, através das suas atitudes e acções, expressam-nas e reforçam-nas. Estes três aspectos da hostilidade anti-homossexual são o estigma sexual, o heterosexismo e o preconceito sexual.

Uganda: Sem recursos, Presidente Lula condena preconceito país nega tratamento a se- contra homossexuais ropositivos gays O governo da Uganda afirmou nesta segunda-feira (2) que seu Programa de Tratamento anti-HIV não se estenderá aos “gays ilegais do país”, porque a Uganda não possui recursos para atender a todos os infectados. “Os gays são um dos principais responsáveis pelo alastramento da SIDA na Uganda, e motivados por escassez de recursos, não poderemos direccionar nossos programas de tratamento a eles”, afirmou o Secretário da Comissão Para SIDA, Kihumuro Apuuli. Apuuli afirmou que o foco do governo neste momento são os profissionais do sexo e os motoristas de caminhões, assim como pescadores de comunidades distantes e membros das forças armadas. Num país em que a Justiça chega a punir homossexuais com sentenças de prisão perpétua, é natural que maioria dos homossexuais esconda a sua orientação sexual. Entretanto, activistas estimam que a comunidade gay da Uganda chegue a 500 mil pessoas, de uma população total de 27 milhões de habitantes.

Paris vai defender despenalização cios Estrangeiros, a secretária de Estado anunciou que o Governo francês reconhece agora “oficialmente” essa Jornada. Rama Yade apresentou também às associações “o princípio de uma iniciativa europeia que apela à despenalização universal da homossexualidade”, que vai ser levada à AssembleiaGeral da ONU durante a presidência francesa da União Europeia.

O Estigma Sexual Independentemente das suas atitudes e convicções pessoais, os membros da sociedade sabem colectivamente que os actos e desejos homossexuais, assim como as identidades baseadas neles, são geralmente considerados negativos, doentios e inferiores à heterosexualidade. Esta ideia colectiva constitui o estigma. Historicamente, o estigma refere-se a uma marca corporal visível, habitualmente feita com um ferro em brasa ou um instrumento aguçado. A marca era feita num escravo ou numa pessoa escolhida para escárnio público por causa de um pecado ou um crime. Mas esta marca não tem que ser necessariamente física. A literatura socio-psicológica indica cinco pontos [cont. pag.6]

A França pretende defender junto da ONU, durante a sua presidência da União Europeia, no segundo semestre deste ano, a “despenalização universal” da homossexualidade, afirmou ontem a secretária de Estado dos Direitos Humanos, Rama Yade. Por ocasião do dia Internacional contra a Homofobia, que se assinalou no passado dia 17 de Maio, a governante francesa reuniu-se com associações que lutam contra as discriminações resultantes da sua orientação sexual. De acordo com um comunicado do Ministério dos Negó-

A governante disse desejar que esta iniciativa seja levada a cabo “em estreita concertação” com as associações. O comunicado indica ainda que a secretária de Estado se compromete a abordar os casos de homofobia constatados durante as suas viagens ao estrangeiro. Segundo dados de organizações de defesa dos direitos dos homossexuais, a homossexualidade é considerada um delito em cerca de 80 países.

presidente Lula da Silva segurando a bandeira do movimento., a direita ,a sua esposa

BRASÍLIA - Ao abrir a Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GBLT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o preconceito contra os homossexuais e se solidarizou com o movimento. - Quando se trata de preconceito, eu conheço nas minhas entranhas. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça de um ser humano - disse Lula. Lula também defendeu o direito à livre orientação sexual das pessoas. - Ninguém pergunta a opção sexual de vocês quando vão pagar imposto de renda,. Por que, então, discriminar na hora em que vocês livremente escolhem o que querem fazer com o corpo de vocês - completou o presidente, arrancando aplausos da plateia em vários momentos. Ao falar que já foi vítima de preconceito, Lula citou as críticas que sofreu quando usou boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em um evento. Na abertura da conferência, Lula posou para fotos com boné e bandeira do movimento GLBT. - Vou colocar todos (bonés), porque somente assim vou quebrar preconceitos - afirmou Lula, acrescentando que não é fácil para nenhum presidente da República participar

de eventos “que envolvam um setor tão grande, tão heterogêneo e tão vítima de preconceito”. A tal ponto que ele foi questionado várias vezes, por assessores, se participaria ou não do evento. Na conferência, Lula ouviu de representantes dos GLBT várias reivindicações. Entre elas, a da criação de uma secretaria que represente o movimento e o pedido de apoio ao projeto de lei que criminaliza a homofobia. O presidente afirmou que tentará atender os pedidos, mas não deu garantias. - No que depender do apoio do Poder Executivo e dos ministros, iremos trabalhar para que o Confesso Nacional o que precisa aprovar neste país disse Lula. O presidente completou: - Mas seremos honestos. Aquilo que não puder ser feito, a gente vai dizer: ‘Isso aqui não dá, isso aqui não passa - disse, alertando que o movimento deve buscar a unidade. Homofobia deve ser criminalizada, diz presidente da Associação Brasileira GLBT [continua. pag.6]

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Noticias [continuação-P residente Lula...]

O movimento de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis estava unido e fez muito barulho durante a abertura da conferência. Com reivindicações como Estatuto da Igualdade Sexual, Conselho Nacional GLBT e conferências periódicas, os homossexuais receberam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, parlamentares e membros da sociedade civil. - A principal reivindicação é sobre a legislação - disse o presidente da Associação Brasileira GLTB, Tony Reis, dirigindo-se ao presidente Lula e aos parlamentares. - Nós [continuação - Homofobia]

sobre o estigma que são relevantes para o nosso tema. Primeiro, o estigma referese a uma situação ou atributo duradouro, uma marca física ou figurativa de que um indivíduo é portador. Segundo, o atributo ou marca não tem um significado inerente; o seu significado é atribuído através das interacções sociais. Terceiro, o significado atribuído à marca pelo grupo maior ou pela sociedade involve uma conotação negativa. O atributo é entendido por todos como significando que o portador é um criminoso ou merecedor de ostracismo, vergonha e condenação social. Embora membros individuais da sociedade possam responder pessoalmente a um determinado estigma de formas diferentes, todos sabem que, para a sociedade em geral aquela marca tem um valor negativo. Um quarto elemento do estigma é que ele envolve toda a identidade da pessoa que o transporta. O estigma não é a rejeição social de apenas um aspecto de um indivíduo, mas sim do seu todo como ser humano. Finalmente, os papéis sociais dos estigmatizados e dos não-estigmatizados não são simplesmente simétricos ou opostos, são diferenciados pelo poder. Os grupos estigmatizados têm menos poder e menos acesso a recursos do

Noticias queremos a criminalização da homofobia e faremos o que for preciso para isso. A travesti Fernanda Benzenutti enfatizou que a prioridade para o movimento é a cidadania. - Nós não queremos mais ser reconhecidos como cidadãos de segunda ou terceira classe, porque na hora de votar o nosso voto não tem tem sexualidade. Fernanda lembrou ainda da violência, assinalando que um homossexual é morto no Brasil a cada três dias. A mesma sociedade que nos agride e nos violenta, também nos leva para a cama - concluiu. que os não-estigmatizados. A consequências última do estigma sexual é um diferencial de poder entre os heterossexuais e os não-heterossexuais e perpetua um conjunto de relações hierárquicas na sociedade que desvalorizam a homossexualidade e consideram-na inferior à heterosexualidade. Os homossexuais, as suas relações e as suas comunidades são considerados doentes, imorais, criminosos e inferiores a tudo o que é heterossexual. O Heterossexismo Se o estigma sexual representa a antipatia da sociedade em relação a tudo o que não é heterossexual, o heterosexismo refere-se aos sistemas que oferecem a lógica para essa antipatia. Esses sistemas incluem crenças sobre o género, moralidade e perigo, através das quais a homossexualidade e as minorias sexuais são definidas como desviadas, pecaminosas e perigosas. A hostilidade, a discriminação e a violência são, assim, justificadas como reacções apropriadas e mesmo necessárias. O heterosexismo usa o estigma sexual para forçar a invisibilidade das minorias sexuais e quando estas, mesmo assim, se tornam visíveis, a hostilidade aberta torna-se legítima. Podemos fazer um paralelo entre o sistema de valores do heterosexismo que denigre as pessoas com base

Falta muitoooo.... OMS afirma que apenas um terço dos seropositivos de todo o mundo recebem tratamento gratuito A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou recentemente, nota onde afirma que apenas um terço dos pacientes no mundo com o vírus HIV tem acesso aos remédios contra a SIDA. O número representa 31% da população mundial que precisaria receber o tratamento de forma gratuita. Segundo a OMS, considerando resultados gerais, a pior notícia vem do continente africano, onde 5 milhões de pessoas deveriam receber o tratamento. No Sudão, por exemplo, apenas 1% da população que convive com o HIV tem acesso aos cuidados. A taxa de atendimento da América Latina é destacada pela Organização como uma das melhores do mundo.

Apesar de reconhecer a baixa taxa de acesso à medicação, a OMS é optimista e diz que esse resultado pode ser considerado bom. Ela cita como motivo desse optimismo o constante crescimento da percentagem da população atendida. Em 2003, apenas 5% da população mundial afectada tinha acesso a medicamentos gratuitos, praticamente apenas os brasileiros. Em 2004, essa taxa subiu para 8% e, em 2005, para 15%. Em 2006, a proporção já seria de 22%. Mesmo com cerca de 3 milhões de assistidos, outros 6,7 milhões de pessoas ainda não contam com os remédios gratuitos.

na sua orientação sexual e os sistemas de valores com base na raça e no género, isto é o racismo e o sexismo. O heterosexismo é uma ideologia socio-cultural que se manifesta nas instituições da sociedade e a homofobia são as atitudes e acções individuais que derivam dessa ideologia. Assim, o heterossexismo é a ideologia socio-cultural que perpetua o estigma sexual ao rejeitar e denegrir quaIquer forma nãoheterossexual de comportamento, identidade, relacionamento ou comunidade.

bros, que são avaliados por serem membros desse grupo e não pelas suas qualidades individuais; terceiro, o preconceito é tipicamente uma atitude negativa envolvendo hostilidade ou rejeição. No caso do preconceito sexual anti-homossexual, trata-se de um conjunto de atitudes negativas e hostis em relação a um conjunto de pessoas simplesmente por elas pertencerem ao grupo homossexual.

O Preconceito Sexual O preconceito sexual são as atitudes negativas baseadas na orientação sexual. Dadas as relações de poder na sociedade actual, o preconceito sexual é mais comum contra os homossexuais. O preconceito contém três pontos-chave: Primeiro, o preconceito é uma atitude, que guia as acções futuras do indivíduo; segundo, a atitude é virada para um determinado grupo social e os seus mem-

[continua. pag.7]

A Homofobia Interiorizada Por vezes, certos homossexuais sentem uma espécie de auto-desprezo - sentimentos negativos em relação à sua própria sexualidade. A isto chama-se homofobia interiorizada. A noção de que membros de um grupo estigmatizado rejeitam-se a si próprios como consequência de aceitarem, ou interiorizarem, a percepção negativa que a sociedade tem deles não é exclusiva das minorias sexuais. Os membros de grupos minoritários normalmente [continua pag.7]

30 Anos Colorindo o Movimento

A bandeira gay, composta com as cores do arco-íris e predominante em todos os locais do mundo durante a temporada de Paradas, já tem trinta anos. Usada e reutilizada em todos os movimentos, estabelecimentos e manifestações gays, ela pode ser considerada o s��mbolo máximo da causa. Mas o que sabemos realmente sobre ela? Ela foi utilizada pela primeira vez durante a San Francisco Gay and Lesbian Freedom Day Parade, em 1978. Tomando o simbolismo do movimento hippie e de grupos de direito civil de negros, o artista Gilbert Baker esboçou a bandeira, devido a necessidade de um símbolo que pudesse ser usado ano após ano. Baker e 30 voluntários costuraram e tingiram a mão dois protótipos enormes da bandeira que possuía oito listras, com cada cor representando um componente da comunidade gay: rosa choque para o sexo, vermelho para a vida, laranja para a cura, amarelo para o sol, verde para a natureza, turquesa para as artes, índigo [continuação - Homofobia]

desenvolvem mecanismos de defesa para poderem enfrentar o preconceito. Em geral, esses mecanismos são de exteriorização, isto é dirigidos contra a fonte da discriminação. Mas, em alguns casos, também podem ser de interiorização, isto é o auto-desprezo, a identificação com o grupo dominante ou opressor e um sentimento de vergonha por se possuir as características desprezadas pela maioria. Este auto-desprezo é estendido aos outros membros do mesmo grupo por também possuírem as mesmas “características vergonhosas”. A homofobia interiorizada leva a um conflito interno, intrapsíquico, entre o que a pessoa acha que devia ser – heterossexual (porque a maioria da sociedade é) e aquilo que a pessoa é na prática - homossexual. A homofobia interiorizada, que é uma forma de preconceito sexual interiorizado, pode combinar atitudes nega-

para harmonia e violeta para a espiritualidade. No ano seguinte, Baker contactou a San Francisco Paramount Flag Company para uma produção em massa das bandeiras para a Pride de 1979. Mas o rosa choque não era uma cor disponível comercialmente e algumas alterações foram feitas no projecto original. O rosa e o turquesa foram retirados e o azul royal substituiu o índigo. A versão em seis cores se espalhou por San Francisco e, logo, para outras cidades do mundo. Prontamente, a bandeira se tornaria um símbolo do orgulho gay e da diversidade, como funciona até hoje. Actualmente, a bandeira é reconhecida até pelo International Congress Of Flag Makers. Em 1994, uma bandeira gigante foi confeccionada e carregada por 10.000 pessoas na New York’s Stonewall 25 Parade, surgindo, aí, o costume de ser carregada em Paradas. A escolha do arco-íris também não foi por acaso. Em culturas antigas, o arco-íris apareceu como referência à deuses e deusas e como símbolo de união e paz mundial. tivas em relação a si próprio – a vergonha de ser homossexual – e hostilidade em relação aos outros homossexuais por pertencerem a um grupo de que o indivíduo tem vergonha.

[continuação - Falta Muitooo]

A OMS já admite que a meta  de dar acesso aos medicamentos grátis a todos os pacientes de SIDA do mundo até 2010 não deve ser cumprida pela grande maioria dos países. Além disso, ela estima em US$ 35 bilhões, cerca de R$ 60 bilhões, o valor necessário para financiar o tratamento de seropositivos no mundo todo. Outro dado também preocupa a Organização: o número de pessoas infectadas por ano é superior ao total de novos beneficiados pelos medicamentos. 2,5 milhões de novos casos foram detectados no último ano, com 2,1 milhões de mortes. No total, 33,2 milhões de pessoas no mundo vivem com o vírus, dos quais 2,1 milhões são crianças. Ainda segundo a nota divulgada pela OMS, a África, principalmente o Norte, e o Oriente Médio apresentam os piores quadros de acessibilidade aos medicamentos. Apenas 7% dos seropositivos africanos recebem os remédios. No Sudão, essa taxa é de apenas 1%. Na Ásia Central, a proporção de beneficiados é de 17% e, no Sudeste Asiático, apenas 25% dos pacientes recebe o tratamento, ainda que a taxa seja seis vezes maior que em 2003. A América Latina atende 390 mil das 630 mil pessoas que necessitariam, uma das melhores taxas do mundo. De 2006 para 2007, o acesso aos remédios no continente passou de 58% da população para 62%.

Queen Latifah

vai se casar com

preparadora física

A cantora norte-americana Queen Latifah vai se casar em breve com sua preparadora física, Jeannette Jenkins, segundo afirmam publicações norte-americanas especializadas em celebridades. A National Inquirer, por exemplo, já dá como certa a união e diz ainda que as duas pretendem adoptar uma criança. As moças já moram juntas há cinco anos, mas nunca assumiram a relação. Queen Latifah sempre foi alvo de especulações por causa de sua sexualidade, que ela não define nas entrevistas que dá. No ano passado, ela declarou à Ebony Magazine que não comenta nada sobre sua vida sexual e que não interessa a ninguém com quem ela dorme. Nadador

olímpico assume ho-

mossexualidade

O nadador australiano Matthew Mitcham, de 20 anos, que já tem uma vaga garantida nas Olimpíadas de Pequim para competir na categoria ‘saltos ornamentais’, assumiu recentemente sua homossexualidade ao jornal ausatraliano “Sydney Morning Herald”. Segundo a revista americana OutSports, durante as Olimpíadas de 2004, em Atenas, apenas 11 atletas puderam ser classificados como assumidamente homossexuais, o que faz da revelação de Matthew uma quebra de barreiras não muito freqüênte no mundo dos desportos.

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Diversos

Faleceu vida...

ontem a pessoa que atrapalhava sua

Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito: “Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes”. No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava: - Quem será que estava atrapalhando o meu progresso? - Ainda bem que esse infeliz morreu! Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles. A pergunta ecoava na mente de todos: “Quem está nesse caixão”? No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. “SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU (SUA) NAMORADO(A) MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É O ÚNICO RESPONSÁVEL POR ELA.” O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando “você muda”

Calendário & Temas 05/07/2008 -Identidade de Gênero 19/07/2008-Violência Doméstica 02/08/2008 -Sexo e Protecção 16/08/2008 - Chantagens e soluções 30/08/2008 - Homossexualidade e Espiritualidade Horário: 9:00hrs Local: Rua Eça de Queiroz nr100 Bairro da Coop

A 18 de Janeiro de 2004, o canal de televisão norte-americano Showtime iniciou a transmissão de uma nova série chamada The L Word – A Palavra L. Era a primeira novela americana inteiramente centrada na vida de um grupo de mulheres lésbicas e bissexuais, os seus familiares, amigos e amores, na zona de West Hollywood, em Los Angeles. Entre as principais actrizes da série encontram-se Jennifer Beals (tornada famosa no filme Flashdance), Pam Grier (a fabulosa actriz negra de filmes como Foxy Brown), Cybil Shepperd e Marlee Matlin. Muitas celebridades apareceram na novela como convidados especiais: Anne Archer, Rosanna Arquette, Sandra Bernhard, Alan Cumming, Lolita Davidovich, Ossie Davis, Snoop Dogg, Charles S. Dutton, Lisa Hamilton, Eric Roberts, Russell Simmons e Gloria Steinem. Devido à sua popularidade, a série está agora no seu quinto ano, para surpresa dos seus próprios produtores. A 4 de Janeiro de 2009, será iniciada a transmissão do sexto e (infelizmente) último ano desta série. Esta novela é transmitida em mais de vinte países, incluindo aqui em Moçambique no canal da Multichoice, Mnet Series, através da DSTV.

Depoimentos.... Beth falando de si

Em poucas palavras vou falar da minha pessoa como Lésbica. Começou a ser visível a minha orientação sexual para lesbianísmo quando eu optei por determinar o meu modo de vestir. Nos meus primeiros anos tive muitos problemas com os meus pais, inclusive toda a minha família pelo modo que eu escolhera me vestir. Eles não gostavam da minha forma de vestir, não queriam de ver com roupas masculinas. Mas como me sinto bem vestida como me visto, eles não conseguiram me mudar como eles diziam que me queriam mudar. Chegaram até por me comprar roupas femininas mas as quis usar, chegando eles a conclusão e se convencendo que eu não me mudaria para algo que não me identifica, algo que não me dá conforto. De início, a minha mãe acreditou que era algo passageiro, o meu estilo, meu andar, a minha roupa era tudo influência da idade. Dizia: “Isso vai tudo mudar com o passar dos anos. Ainda és uma criança que não sabe o que faz”. O tempo foi passando e eles acabaram por se conformar que eu não sou assim porque quero ou porque “escolhi” assim ser mas, sou assim porque SOU ASSIM. Assim sinto-me bem e feliz comigo mesma. Hoje em dia, todos estes impasses foram ultrapassados, já não tenho problemas de relacionamento com os meus familiares pelo modo que me apresento. Sou muito grata e feliz por lhes ter por perto. Dou graças a Deus pelo problema ter sido ultrapassado, hoje sei quão boa é a sensação de alívio de estar livre de um problema com a família.


CA5