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edição #36 mai./jun. 2011 distribuição gratuita e dirigida

ESPECIAL Os emblemáticos textos do site

FOTOS Fotos inéditas dos editoriais de moda

5 anos Lado A Pioneira


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Editorial

Lado A 5 anos

A mais antiga revista GLS sem conteúdo erótico do Brasil Tudo começou com o preconceito. Durante um trabalho de projeto gráfico, quando eu fazia faculdade de jornalismo, os outros alunos e o professor esperavam que eu fizesse um projeto de revista, que era o tema, para gays. Sempre fui muito militante. Antes, trabalhei no grupo Dignidade, onde editava o Jornal Frisson, entre outras tarefas. Relembrando, quando era criança, na mesma época que sofria bullying na escola, já escrevia para o Tupi or not Tupi, o jornal da escola salesiana onde tive minha educação primária, no interior do Rio de Janeiro. Aos 15 anos, quando fui morar no Japão, mais uma vez o jornalismo cruzava a minha vida. Escrevia para a coluna social do Jornal Tudo Bem, da comunidade brasileira local, passava pautas para a revista Made In Japan, do mesmo grupo, era promoter de balada, e desenhava no Paint Brush um protótipo de revista. O preconceito sempre esteve presente na minha vida. Seja por ser gay, por ser mestiço, às vezes muito magro, às vezes acima do peso, o preconceito sempre me incomodou e não me deixou acomodar. Por isso, cursei jornalismo. Como forma de exteriorizar este senso de Justiça, da inconformidade. Quando meu professor e amigos de turma insistiram para eu fazer um projeto de revista GLS, não imaginava onde este projeto chegaria. Foram diversos prêmios, entre eles o Sangue Novo, ainda na faculdade, o maior 4 prêmio para estudantes de jornalismo no Paraná,

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dado pelo Sindicato dos Jornalistas. A Lado A abriu muitas portas, fechou algumas, o preconceito ainda é irascível, genioso. Por muito tempo, a Lado A e a minha pessoa se confundiram. Hoje não é mais assim. Há dois anos temos um escritório e uma equipe ótima


que produz a revista, além de outros títulos. A Lado A virou uma empresa de comunicação completa não voltada apenas ao mercado GLS. Deixando o “lado gay”, na minha profissão, trabalhei como colaborador da Folha de São Paulo neste meio tempo, ainda na faculdade, fui escolhido como foca (jornalista aprendiz) do mês do site Comunique-se, entre diversos alunos. Há um mundo lindo lá fora, por isso a Lado A sempre foi gay mas acessível a todos, de forma inteligente e discreta. Nostalgia. Este é o sentimento desta edição de 5 anos. A Lado A fecha um ciclo e passará em breve por mais reformas. Esta edição traz um pouco do que fizemos em cinco anos. Com orgulho, somos a revista pioneira, referência, reverenciada fora de nossa área de atuação e até fora do país. Os editoriais de moda da Lado A são consumidos em todo o mundo, fazemos moda, conteúdo e jornalismo. Destaque e mérito total aos nossos colunistas, cartunista, designers e todos que colaboraram muito ou pouco, dependendo do ponto de vista, com o nosso projeto. Lado A virou tendência, não é mais uma revistinha que um estudante idealizou, muitas mãos de sucesso fazem a Lado A e esse é o segredo. A Lado A já teve gay, hétero, transexual, drag queen, negro, idoso, amarelo, cartoons, de tudo um pouco em sua capa. Estivemos sempre na frente em inovação, desde o nosso lançamento. Fomos copiados, inspiramos muita gente e aos poucos conseguimos o que nenhuma revista gay conseguiu: grandes anunciantes fora do meio GLS. A história da revista é linda e não termina aqui. Investimos em pesquisa constante para aprimorar nosso produto. Empresas de fora vem buscar o nosso know how. Argentina, China, além de outros estados brasileiros, já buscaram idéias com a gente para publicações por lá. Somos convidados para todo tipo de evento e temos credibilidade no mercado que muita revista grande de editoras famosas não tem. Todos esses frutos vem de um único lugar: do trabalho de qualidade.

Quando chegam emails ou cartas de nossos leitores, é emocionante. Acredite: todos os dias temos um comentário de agradecimento pelo site e duas vezes por ano em média chegam cartas pelos Correios. Algumas escritas a mão, outras digitadas e impressas no computador, nas quais leitores sem rosto contam a sua história com a Lado A e como ela mudou a sua vida. Eu pego as cartas, leio, mostro para a equipe, algumas me fazem de fato chorar. Não somos uma empresa qualquer, somos uma fábrica de boas vibrações e esperança, tão essenciais àqueles que pouco tem para se apegar. Aprendemos e ensinamos, mostramos o Lado “A” da comunidade gay, mesmo que não exista esse conceito individualmente para os leitores e que o preconceito nos dê adjetivos e faces que não resumem a todos nós. A Lado A é um marco, é de todos, e agradecemos profundamente nossos leitores, colaboradores e anunciantes, por fazerem da nossa pequena revista uma grande vitória.

Allan Johan publisher

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Expediente capa Ilustração: xx

nesta edição 04 Editorial Born This Way! 06 Moda Iluminados 14 Bens de Consumo

LADO A # 36 - mai./jun.2011 Tiragem 5 mil

16 Especial Eles são surdos Eles são gays

J. Responsável Allan J. Santin DRT-PR 8019 Jornalista Profissional Diplomado

19 Coluna Social

Editor Allan Johan

25 Conto

Projeto Gráfico e Diagramação: TBN Com - 41 9814.0322 / 3528.0124

27 Turismo

Website: Supermodular

O dia sem gays

Minha Viagem: Buenos Aires

Colaboradores do site: Raquel Gomes, Arthur Virmond de Lacerda Neto, Beto, Fer Valois, Wander Mosco, Leandro Allegretti, Fernando Carlos, Eduardo e Paulo .

29 Guia Cultural

www.revistaladoa.com.br Contato 41 - 3027.6599 contato@revistaladoa.com.br

33 PR Guia GLS

Para anunciar: contato@revistaladoa.com.br

31 RS Guia GLS

35 SC Guia GLS

Correspondências CP 10321 CEP 80730-970 Curitiba - PR

38 Pastel e seus amigos

As matérias assinadas não expressam a opinião editorial da Revista Lado A.

DJ Jean Carlo

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38 Playlist


Especial 5 anos

As drags mais famosas da região Sul Texto publicado em 12/08/09 no site da revista Lado A

Você é daqueles que vai para boate só para assistir o show? Adora ver um bate-cabelo? Não perde uma montaria e adora música de ferveção? Então esta matéria é para você. A onda crescente de “new generation” de drag-queens é tamanha que é difícil acompanhar o fluxo, cada vez mais surgem novas caras e fica quase que impossível escolher uma só, portanto fizemos uma listinha com as drag queens de maior destaque da região Sul. Artistas que nos fazem sempre querer sair de casa. Muitos tantos ainda estão por vir porém, sem dedicação, inovação e simpatia não se pode construir um sucesso. Parabéns a todos os artistas que buscam sempre a superação e trazer o que há de melhor para o público que é merecedor deste carinho. Drags fazem parte da cultura gay e devemos respeito e carinho pelo trabalho delas. Paraná Dimmy Kier Começamos por ela que talvez seja a precursora de tudo isso, a inigualável dar parana-

Dimmy Kier

ense Dimmy Kier. Este artista de nome Dicésar Ferreira, nascido em 05 de janeiro de 1966 se descobriu muito cedo como maquiador, trabalhou em inúmeros lugares entre eles o SBT lugar onde permaneceu por muitos anos, foi também vitrinista, mas se descobriu mesmo como artista quando deu vida a bela “Dimmy Kieer”. Adora “colecionar” amigos como mesmo diz em seu site pessoal, além de falar muito. Dimmy é referência em todo o país atuando inclusive no exterior.

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Brigitte Beaulieu

Brigitte Beaulieu Seguindo nossa lista, temos ainda a famosa drag queen Brigitte Beaulieu. Brigitte é a drag mais conhecida da cena gay curitibana, além disso é muito bem vista também junto aos heterossexuais. Moderna, elegante e com personalidade forte esta artista já possui 10 anos de carreira e é considerada um ícone da comunidade gay do Paraná. Brigitte é o tipo de pessoa que não esconde o que pensa, adora a sua profissão de drag queen a qual leva muito a sério. Esta drag de nome bonito, não costuma planejar sua vida e diz que tudo acontece naturalmente, atua também em diversas partes do país em shows e eventos, mas é em Curitiba que Brigitte se sente em casa.

Ainda no Paraná, temos a maravilhosa Willana Top, drag que inova sempre em suas performances. Com o título de Top-queen, Willana inova a categoria de Top drag e chega a perfeição cênica com uma plástica corporal impecável e performances estonteantes. Willana arrasa no bate-cabelo e leva o público sempre ao delírio. Sempre antenada com o mundo da moda, ela mesmo define seu estilo como sendo “modelo evoluída”. Willana tem este nome como sendo a forma feminina do seu nome de batismo, William, seu segundo nome é definido por gostar de moda e se auto definir modelo. Detalhe que as três drags destacadas são nascidas na cidade de Maringá. No Paraná, ainda se destacam as artistas: Kauane Caras, Paola Full, Pauleti, Tinna Simpson, Kimberly Butterfly (da Cats Club), Aninha Butterfly, Tiffany Wonderfull, Diandra Special, Bline Dimamite, Bárbara Bouth, Elvira Star, Fervera Tiger, Shalanna Mitchel, Vicky Nouage, Beth Boo, Betina Brasfont, Vangrega, Manuela Hoffman, Lanna Kill, Raphaela Andrews, Rafaela Cyber (Manhattan), Alexia Blue, Paris Weingart, Alexia Blue, Syndel Queen, Mahara Taylor, Natalie Heart, Glória Godiva, entre tantas outras. O Paraná é o estado com mais drags no Sul, com certeza! Santa Catarina Selma Light

Willana Top

Selma Light Willana Top

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Indo em frente, chegamos em Santa Cata-


rina, estado de grandes nomes do cenário gay nacional, entre eles encontramos a simpática Selma Light. A artista é gaúcha de nascimento e mora na cidade de Florianópolis desde 98. A gaúcha – catarinense iniciou sua vida artística quando numa brincadeira de amigos decidiu se montar, de lá pra cá muita coisa mudou para Aurélio Bastos, seu nome de batismo, ator de profissão. Hostess de uma das casas mais antigas de Santa Catarina, o Mix Café, Selma Light surgiu de uma brincadeira do filme “Thelma e Luize” onde o artista dizia ser a versão brasileira do filme sendo “Selma e Luize”. A drag tem em seu currículo passagens por TV, rádio, revista, jornal, eventos de grande porte e até já lançou CD. Destaque para a música “Escândalo” que a lançou como sucesso em todas as paradas gays musicais do Brasil, o hit pegou fundo e virou mania nas boates. Kátia Karão Em Santa Catarina ainda temos um nome a falar: Kátia Karão. Definida como Top, a artista já participou de inúmeros shows e eventos por todo o país, arrasa no bate-cabelo e sua dublagem não deixa nada a desejar as mais poliglotas. Outro forte de suas apresentações são a dança e a mega produção, com bailarinos e figurinos caprichados. Kátia Karão tornou-se referência em Florianópolis e com jeito firme e pose de modelo, ela conquista o público por onde passa. Também fazem sucesso em SC e na região as drags: Marluce Dias, Kit Kitana, Tina Tunnel, Glam Birckhauer, Ceia Pentelhuda, Conchita, Daphiny Guestter, Kaka Summer, Vitanny, Daphiny Guestter, Candy Horst, entre outras. Rio Grande do Sul Dandara Rangel Descendo um pouco mais, temos as drags gaúchas que não poupam esforços quando o assunto é qualidade e simpatia. Começamos por ela, a cover oficial da cantora Alcione,

Dandara Rangel. A artista não se define como darg-queen e sim uma artista dos palcos, sem rótulos, Dandara se preocupa mesmo em agradar os fãs da cantora que rendeu a sua fama. Ela própria já disse estar preocupada em agradar a musa Alcione, a qual já encontrou pessoalmente inúmeras vezes. Mas Dandara ainda brinda a todos com outros personagens como a da menina inocente que chupa o pirulito, impagável. Engraçada, simpática e acima de tudo talentosa ela surpreende em cada apresentação.

Dandara Rangel Laurita Leão Laurita Leão ou Zé Ramalho, como queiram, é assim que este fantástico ator gaúcho se define. Laurita é conhecida por protagonizar sempre shows clássicos e sofisticados. Seu público é cativo e a cada vez é crescente o número de seguidores deste artista impecável em apresentações pra lá de chiques. Glória Cristal No casting do Cine Teatro temos a Diva Glória Cristal. Ícone da noite gay porto-alegrense Glória já passou por inúmeras casas. Sempre escolhida como uma das apresentadoras oficiais da Parada do Orgulho Gay de Porto Alegre ela tem o que podemos chamar de dom natural. Carismática, doce e sincera com seus fãs a

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diva é um orgulho para os gaúchos. Sempre atenciosa, Glória não deixou o sucesso subir a cabeça e sempre dá um jeitinho de ajudar a nova geração.

Glória Cristal

Suzzy B Em nossa lista de talentos encontramos também o talento de Suzzy B. Hostess e apresentadora de uma das casas mais antigas de Porto Alegre, o Vitraux Club, ela encanta em cada apresentação. Sempre em busca de novidades, Suzzy já participou de inúmeros trabalhos pelo país. Atuante sempre na Parada de Porto Alegre ela é uma artista que também já tem seu espaço garantido. Firme e forte, de personalidade marcante, Suzzy inova a cada apresentação. Qualidade pra ela é lei e suas apresentações deixam sempre o público com gostinho de quero mais.

Castanha Pra finalizar nossa pequena pesquisa de talentos, não poderíamos encerrar esta matéria sem falar nele que talvez seja o precursor de toda esta safra de talentos gaúchos. Estamos falando da personagem Maria Helena Castanha, ou somente Castanha, para os íntimos. Reconhecido não somente em Porto Alegre mas em todo o Brasil, Castanha tem em seu currículo inúmeros shows e eventos. Figura mítica da noite gay porto-alegrense suas apresentações são pra lá de escraxadas. Comediante de mão cheia, o ator procura sempre inovar em suas apresentações. Antenado com as notícias do país, suas performances sempre contam com uma pitada de sarcasmo e humor. Pelas terras gaúchas temos ainda: Charlene Voluntaire, Bruna Diniz, Vitória Principal, Letícia Dummont, Milena Night, Lolita Bombom, Jennifer Porto, Gisela Beauty, Sara Flyer, Fabielly Kimberly e Francesca são as que mais se destacam por lá.

Castanha

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Suzzy B


Especial 5 anos

Quando a balada virou uma droga? Texto publicado em 15/09/09 no site www.revistaladoa.com.br Em uma capital do Sul, o povo sai à noite e quer ir onde está lotado e grande parte deste público não sai pela boa balada ou pelo som, infelizmente. Eles vão onde estão as drogas. Onde está a melhor droga estará o maior número de pessoas e a balada faz sucesso. Claro, nem todo mundo consome e nem todo lugar é assim. Intermináveis filas nos banheiros, pessoas pedindo dicas umas às outras, passagem discreta de dinheiro e mercadoria. Um dos traficantes, ou dealers, como agora é moda chamarem, revela que chegou a vender 200 trouxas de cocaína em uma noite. São pelo menos R$2000 em dinheiro vivo. O preço do pó, ou Paulo Otávio, ou padê, é de 10 reais. O valor é o mesmo há 10 anos, contrariando a crise e altas do dólar. Quando a noite está fraca, os dealers fazem “promoções”, compra uma e leva outra, sabem conquistar os seus clientes. São fiéis ao preço e não aumentam nem se a mercadoria

estiver escassa. Se não há mercadoria, o público vai atrás. Já teve a onda do loló, do ácido, da ectasy mas é ao pó que sempre voltam (trocadilho irresistível). Os donos das casas fazem vista grossa. Até onde vai o poder do tráfico? A verdade é que sem a droga o público não aparece, ou vai embora cedo. Balada cheia é balada com drogas, receita de qualquer noite, hétero ou gay. “Na balada você encontra facilmente drogas, sempre tem alguém vendendo, só que você começa a usar e não consegue mais parar, enquanto não acabar seu dinheiro, ou a música, você está lá comprando, sem parar” conta Luis (nome fictício). Luis tem 21 anos e usou cocaína pela primeira vez aos 16 anos, ainda no interior, depois de beber e um grupo de desconhecidos oferecer a ele o famoso pó. Ele não gostou da sensação de dormência no nariz que sentiu. Aos 19 anos, já na capital, voltou a experimentar a droga, desta vez com amigos e diz que nunca

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mais parou. Premissa número um é não ser “nóia”, aquele drogado sem noção, que pode colocar tudo em risco e não partir para drogas consideradas mais pesadas como injetáveis e crack. Então, os viciados acreditam que se trate de uma recreação, de uma droga de final de semana e não se entendem como dependentes. Chegam a gastar mais de 100 reais em entorpecentes, a sentir falta do uso, e ainda acreditam não serem viciados. Há um falso glamour em torno do assunto. A discussão da qualidade das drogas no mercado é sempre um tema comum nas rodas, mesmo assim eles consomem, sem ter idéia do que entra em seus corpos. Outro ponto comum é dividirem a conta e usarem juntos, em grupos indiscretos. Geralmente são os próprios amigos que iniciam os novatos nas drogas. O apelo do grupo, ou mesmo um fim para a constante carga que sofrem os homossexuais por causa do preconceito ou situações indesejadas, colaboram para que a pessoa experimente pela primeira vez. Como já é marginalizado por ser homossexual pela sociedade e tem uma auto-estima baixa, as drogas parecem uma saída viável a todos os problemas, nem que por alguns minutos. Para Luis, “usa drogas quem quer, amigos influenciam muito, comecei a usar por influência deles, mas quando começamos, não conseguimos parar, viajamos para outro mundo, e acho isso muito bom”, relata o jovem. Ele afirma que não consegue ir para uma balada e ficar sem drogas, mas que não se considera viciado, pois só usa a droga nas baladas. Depois de 3 anos e meio de muitas festas e drogas, Rodrigo (nome fictício), de 23 anos, parou de sair tanto. Assim como Luís, ele não conseguia mais sair sem usar drogas. Segundo ele, começou a sentir “nojo” de baladas quando se viu dependente. Depois de um porre e se drogar a noite inteira, viu que não tinha mais controle sobre sua vida e decidiu parar. “Depois de “curado” da ressaca do pó, jurei pra mim mesmo

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“Chegam a gastar mais de 100 reais em entorpecentes, a sentir falta do uso, e ainda acreditam não serem viciados. Há um falso glamour em torno do assunto.” nunca mais fazer. Tive vontade algumas vezes, mas não era aquela coisa que eu PRECISAVA fazer. Algumas recaídas, mas era 1 ou 2 “tiros” e eu já estava para baixo, sabia que isso ia me deixar mal de novo. Me afastei também das pessoas que quando saem tem que usar alguma coisa. Se você ficar no meio, querendo ou não, você vai acabar fazendo de novo, a carne é fraca”. Luis, o jovem do interior, conta que está com medo do que está passando e que pensa em voltar para a casa dos pais para abandonar as drogas, mesmo não considerando ter um vício. “Olha... eu acho que fui brincar com uma coisa que eu não tinha a dimensão de quão perigosa ela é... já me coloquei em riscos muitas vezes, de vida, de saúde, de ter problemas. Vejo na internet pessoas com sequelas por causa disso, coisas que não se pode reverter... e isso que passei ou estou passando só vai ser um momento na minha vida”, conta o rapaz que promete fazer uma festa de despedida e buscar enterrar esse capítulo da sua vida. Em pesquisa realizada há um ano no site da revista Lado A, mais de 30% afirmaram fazer uso de drogas ilícitas, enquanto 49% afirmaram não curtir drogas e 18% já terem abandonado o uso. Apenas 1% afirmou estar tentando parar com o uso.


Especial 5 anos

It´s not right but it´s ok

Texto publicado em 05/10/09 no site www.revistaladoa.com.br, na coluna PsiLGBT Por Dr. Gustavo Pradi Adam

De acordo com uma conceituada revista americana de psiquiatria, jovens LGBT apresentam um risco maior de apresentarem transtornos mentais e comportamento sexual de risco do que o grupo HT (Heterossexual) correspondente. O que eu me questiono, como psiquiatra e como cidadão, é o motivo disso, para pensar na possibilidade de se reverter as estatísticas. Hoje, reconhece-se, na psiquiatria, que a maioria dos transtornos mentais são decorrentes de uma diátese orgânica (base genética, lesões orgânicas...) combinada a fatores ambientais. Como não existe na literatura científica qualquer relação entre a base orgânica da homossexualidade com a susceptibilidade orgânica a transtornos psiquiátricos, penso que o ambiente deva exercer um peso considerável na diferença entre os jovens LGBT e HT nos quesitos que a pesquisa americana encontrou. A adolescência não é um período fácil para qualquer um. Não preciso dizer para você, leitor da Revista Lado A, o quanto o fato de se descobrir LGBT pode ser um fator estressor importante. Não bastasse a dificuldade pessoal para se aceitar, muitos ainda precisam enfrentar pressão da família, de amigos, do trabalho, “bullies” (“valentões” que abusam dos mais fracos) e outros problemas. Não é difícil se fazer a correlação disso com transtornos depressivos ou outros. O que não me deixa satisfeito, nessas explicações, é que elas nos fazem parecer vítimas

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indefesas contra um meio ameaçador. Acredito que, a partir do momento em que uma pessoa aceita o papel de vítima, ela está perdida, porque o Mr. Big só para de enrolar a Carrie e casa com ela em filme mesmo... Acredito, por outro lado, que a autocomiseração (sentir pena de si mesmo) seja uma maneira de pensar que realmente nos coloque em risco. Primeiro, porque ela é autorecompensadora (choramos por dias no quarto ouvindo Whitney, nos sentimos no direito de tomar litros de sorvete, os amigos nos ouvem, nos dão colo...), o que gera perpetuação do comportamento. Segundo, porque ela não permite com que nos vejamos como protagonistas de nossa própria história (mocinha indefesa que é salva pelo Richard Gere que chega de limusine é tão anos 80)! Terceiro porque “coitadinho”, sofreu tanto e é por isso que apresenta comportamento sexual de risco pode explicar o fenômeno, mas não o justifica. O que eu vejo como necessário para reverter o quadro retratado pela pesquisa americana, portanto, é ajudar os jovens LGBT retomarem seus papéis de protagonistas. O meio em que vivemos está aí (precisamos lutar para mudá-lo, mas por enquanto, aquele tio chato vai continuar perguntando quando é que o menino vai levar uma namorada pra casa), então busquem/ ofereçam apoio. Não me refiro a ombro, mas realmente a um apoio que instrumentalize a crescer, a se desenvolver e a lutar.


Especial 5 anos

Você já ouviu falar da doença do beijo? Texto publicado em 18/05/10 no site www.revistaladoa.com.br A Mononucleose Infecciosa é o nome científico da enfermidade popularmente conhecida por “Doença do Beijo”, um mal que comumente afeta jovens entre os 15 e 25 anos de idade. A “Doença do Beijo” não é considerada uma DST (Doença Sexualmente Transmissível) mas é causada por um vírus, transmitido pelas secreções orais, a saliva. O vírus causador da doença é o “Epstein-Barr”, da mesma família do herpes, e é rara a transmissão via sexual ou por transfusão sanguínea. Quem pega o vírus pode não desenvolver os sintomas, que são similares ao de uma gripe comum: febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e linfonodos aumentados. Observa-se, em alguns casos, sinais e sintomas mais importantes, os quais merecem maior atenção médica. Dessa forma, o quadro viral comum é substituído por condições clínicas, na qual o indivíduo evolui com complicações, como o aumento do fígado de forma discreta, aumento do baço, erupções cutâneas e infecção grave na orofaringe. Maiores complicações como meningite, encefalite, neurite óptica e outras neuropatias, bem como alterações das células sanguíneas, e tem uma importância clínica reservada quando associada a AIDS. O diagnóstico é clinico e a confirmação laboratorial pode ser feita através da pesquisa de anticorpos específicos para o Epstein-Barr. Dependendo dos sinais e sintomas apresentados, bem com a condição clínica de cada pessoa, é

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escolhido o tratamento recomendado que dura em média uma semana, podendo se estender para duas ou mais, ou enquanto durarem os sintomas. O ciclo de vida do vírus é limitado, assim como o da gripe, porém, se não tratado, pode se tornar crônico, e causar quadro viral quando a imunidade do hospedeiro estiver baixa. A importância e necessidade de se ter o diagnóstico correto, reside no fato de o vírus poder ser transmitido por 1 ano ou mais, pelas pessoas que tiveram a doença e principalmente pelo fato de estar associado à origem de vários tipos de câncer, como cita o Manual de Doenças Infecciosas e Parasitarias, - 7ª Ed. Ano. 2010 – Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.


Especial 5 anos

O casamento guei existiu Texto publicado em 06/03/08 na coluna Para Pensar no site www.revistaladoa.com.br Por Arthur Virmond de Lacerda Neto Vários países, cidades isoladas e estados de países federativos (como as cidades de Buenos Aires e do México; a Espanha e o Uruguai: os estados de Nova Jérsei e do Oregon) adotaram, oficialmente, o casamento guei, ou seja, admitem a união marital entre pessoas do mesmo sexo, em situação de igualdade face ao casamento heterossexual. Outros países, cidades e estados reconhecem a convivência homossexual, sem lhe atribuir a condição matrimonial.

Ao longo da história, contudo, houve casamentos gueis, de que Marcial e Juvenal, na Antigüidade Romana, citam diversas, com a presença das famílias dos envolvidos, dotes e contratos, na aristocracia como entre a plebe. Em 342, o Código de Teodósio, imperador de Roma, proibiu casamentos entre homens, evidência de que eles existiam e, ao que parece, eles prosseguiram e no seu cerimonial, invocavam-se vários pares de santos conhecidos ou reputados como casais cristãos do mesmo

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sexo, a exemplo de Sérgio e Baco, ambos soldados romanos do final do terceiro século, que, unidos por estreita amizade, terão coabitado. Terminaram executados por recusarem-se a abjurar da sua fé cristã. O imperador bizantino Basílio I (867-886), antes da sua entronização, participou de cerimônias desta natureza duas vezes, como nubente: na primeira, uniu-se a Nicolau; na segunda, a João. Uma gravura medieval mostra-o, na sua boda com João, diante de um padre cristão e do evangelho aberto, em uma igreja. No século XII, multiplicam-se as versões escritas dos rituais dos matrimônios homossexuais, vedados aos monges. Havia velas acesas, aposição das mãos sobre os Evangelhos, união das mãos direitas dos nubentes, cingimento das mãos ou das cabeças deles com a estola usada nas cerimônias heterossexuais, preces, comunhão, beijo e, por vezes, cirandas à volta do altar. Em 1578, Montaigne testemunhou, na igreja de S. João da Porta Latina, uma cerimônia de união de portugueses: empregaram os textos nupciais e comungaram, após o que, cearam em comum e deitaram-se juntos. A cena foi testemunhada também pelo embaixador de Veneza. Segundo Montaigne, especialistas romanos afirmavam que, desde que o sexo entre homem e mulher somente pelo casamento se legitima, parecera-lhes justo autorizarem-no entre homens, por igual motivo. Segundo Colin Spencer (Homossexualidade. Uma história; Record, 1999), ao longo dos séculos, realizaram-se milhares destas cerimônias. Em Florença, condenou-se uma centena de homens cujas relações com outros eram reputadas como matrimoniais. Eis o ritual empregado na Macedônia, no século XI: Ordem para unir dois homens Colocando-os em frente ao altar, enquanto o diácono pronuncia estas preces: Em paz oramos ao Senhor pela paz celestial, pela paz de todos, para que os uma no amor

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“O imperador bizantino Basílio I (867-886), antes da sua entronização, participou de cerimônias desta natureza duas vezes, como nubente: na primeira, uniu-se a Nicolau; na segunda, a João. Uma gravura medieval mostra-o, na sua boda com João, diante de um padre cristão e do evangelho aberto, em uma igreja.” e na vida, oremos ao Senhor, por estes servos de Deus Fulano e Cicrano, e pela sua união em Cristo, oramos ao Senhor. Para que o Senhor nosso Deus os uma em perfeito amor e vidas inseparáveis oramos ao Senhor. Para que lhes seja dada a discrição e o amor sincero oramos ao Senhor. Pela dádiva presente do precioso corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo,para que eles a recebam sem pecado e preservem sua união sem inveja, oramos ao Senhor. Para que lhes seja dado todo o necessário para a sua salvação, oramos ao Senhor. Para que sejam preservados do sofrimento, do perigo e da necessidade, proteja-os, salveos, ó Senhor, sagrado e puro. Fontes: Tríbades galantes, de Amílcar Torrão Filho; edições GLS, 2000. Homossexualidade. Uma história, de Colin Spencer; Record, 1999.


Especial 5 anos

Sou feliz, meu filho é gay Texto publicado em 15/01/07 na coluna Coisas de Mãe no site www.revistaladoa.com.br Por Raquel Gomes Sou mãe de três rapazes jovens, saudáveis, inteligentes, dois são heterossexuais e um deles é homossexual. Todos foram criados e educados com muito carinho e amor e de maneira semelhantes, claro que tivemos vários problemas mas conseguimos juntos superá-los. Sempre fui uma mãe super protetora, atenta a tudo, querendo participar da vida de meus filhos e muitas vezes sendo até inconveniente, confesso. Em 2005, fui surpreendida com a afirmação de meu filho de 16 anos: “mãe, sou gay!”, mesmo tendo sido uma mãe presente e atenta, não notei essa situação, e ao saber levei um choque, chorei, sofri, rezei, fomos ao psicólogo, acreditei ser passageiro, mas também resolvi: quero entender, estudar, saber tudo sobre essa situação. Li muito, pesquisei, entrei em um grupo de ajuda para mães de homossexuais. E, na época, meu filho gay foi minha prioridade. Não conseguia entender o que se passava com ele. Mas, aos poucos, quase que como milagre, entendi que ele não tinha opção. A orientação sexual não é uma questão de livre arbítrio. É natural e espontânea, se não fosse daria para mudar... Se ele pudesse, tenho certeza, não escolheria ter essa confusão toda. Tendo conhecimento disso, consegui compreender, aceitar e amar meu filho como ele é: uma pessoa maravilhosa, como tantos jovens por ai que se encontram com esse mesmo “problema”. Também resolvi ver ‘in loco’ os ambientes que ele freqüentava. Parti para a luta, isso é, conheci seus amigos e namorados. Gente normal, como todos nós, e muito mais sensíveis, compreensivas e muito carentes de amor e compreensão. Isso me sensibilizou muito, e compreendi que se os pais dessas pessoas os acompanhassem e vissem que na maioria das vezes eles estão realmente sós. Se divertindo sadiamente, dançando, conversando e

até namorando em bares, boates, onde são aceitos sem restrições, sem recriminações, onde se sentem iguais. E lá me senti acolhida, até amada, e me olhavam com admiração, “nossa uma mãe na balada gay e com o filho”, “como gostaria que a minha viesse, que me acompanhasse, que me entendesse” e por ai afora. O ouvi muitas indagações e afirmações de meninos e meninas tão normais e ao mesmo tempo tão discriminadas e tristes, sem terem a quem recorrer. Desse momento em diante, não mais diferenciei os cuidados com meus três filhos, agora, os vejo todos iguais. Aconselho a todos que se protejam, se cuidem usando camisinha em seus relacionamentos, os aceito com suas namoradas e namorado em minha casa, sempre mantendo o devido respeito. Acredito que essa atitude, de conhecer seus amigos e de aceitá-los em casa, faz com que eu fique mais tranqüila e que todos me respeitem, me escutem, dividam comigo seus problemas e alegrias e me amem cada vez mais. Porque o que interessa para nós, mães, é que nossos filhos sejam felizes. E eu posso afirmar, sou mais feliz depois que soube que meu filho é gay.

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Coluna social Festa Holi Holi na UP (Joinville)

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Ejoy Carnaval (Florian贸polis)

Concorde Carnaval Made In Brazil (Florian贸polis)


Coluna social James Killing the Dance (Curitiba)

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The Cherry (Curitiba)

Bar Code 1 ano (Curitiba)


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Coluna social Prime Jungle (Baln. Cambori煤)

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Bar do Deca - Praia Mole (Florian贸polis)

Black Box 4 anos (Curitiba)

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Especial 5 anos

Fotos inéditas de ensaios feitos nos 5 anos de Revista lado a 1

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(1) Lado A 34 – Modelos Gustavo Zuccari (Time), Everton e Júlio Cesar por Eduardo Fiorindo; (2) Lado A 28 – Modelo Diego Batoni (DM) por Beto Bolliger; (3) Lado A 29 – Mr. Gay SC 2009 Lucas Gondin por Cezar Motta; (4) Lado A 33 – Modelo Diego Eduardo (DM) por Lis Catenaci; (5) Lado A 23 – Modelo Rafael Cruz (Ford) por Ygor Rodrigues; (6) Lado A 01 – Trapezista Pedro Mello por Ygor Rodrigues; (7) Lado A 21 – Mr. Paraná 2007 Gleiber Siolari por Lis Catenaci; (8) Lado A 21 – Modelo Diogo Nicoletti por Guilherme DiMatos; (9) Lado A 25 – Mr. Gay SC 2008 Maycon Araújo por Bob Máximo; (10) Lado A 24 – Maurílio (DM) por Herickson Laurindo; (11) Lado A 17 – Mr. Gay PR 2007 Bruno Toledo por Beto Bolliger; (12) Lado A 32 – Go Gos Thiago e Marcelo por Herickson Laurindo; (13) Lado A 22 – Modelo Eduardo Fiorindo (DM) por Herickson Laurindo e (14) Lado A 35 – Modelo Tiago Ruda (DM) por PIX Photo

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Especial 5 anos

Truques Conto publicado na coluna Contos do Wander em 17/03/09 no site www.revistaladoa.com.br Por Wander Mosco Ofereceram a ele uma toalha, seu rosto transbordava em suor, mas não ficou grato; tomou a toalha com indiferença. Quem o visse naquele momento teria a impressão de que segurava um pano de chão sujo por óleo queimado e rasgado em tiras de ponta a ponta. Não se demorou. Olhava constantemente para o relógio enquanto guardava na mochila seu avental e as peças do uniforme da lanchonete. Estava a uma semana de completar um ano naquele emprego que odiava abertamente sem forças para esconder seu descontentamento, mas sem coragem para mudar, seguia a vida entre hambúrgueres e outras muitas frituras. Observou seu companheiro de trabalho, seu amigo, sentado e trocando-se calmamente com olhar baixo e vago. Repousando no mesmo banco onde sentava, um celular vibrava constantemente. – Não vai atender? – Disse olhando para o amigo que apenas apanhou o celular, abriu, apertou um botão vermelho e fechou novamente o aparelho que voltou a ser deixado no assento. – Hoje só há enganos para mim. – Não era o que parecia há bem pouco tempo. Você brincava com esse aparelho parecendo uma criança. Era algum bofe novo? – Eu tenho namorado sua louca! Ai Breno você me conhece... Não sou dessas coisas! – Conheço muito bem e é por isso mesmo que estou perguntando... – Escreveram meu número em um orelhão;

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foi só isso. – Eita! Essas bichas invejosas! O celular vibrou mais uma vez e nessa nova tentativa foi atendido. Breno ouviu seu companheiro de trabalho confirmando alguma coisa; não pode ouvir bem, mas entendeu a confirmação. A ligação acabou. Uma curiosidade imensa o tomou. Vontade de perguntar; medo de ser tachado como curioso. Preferia manter-se inerte e indiferente, ao menos por fora, conseguindo exatamente o que queria: a informação desejada; logo seu amigo olhou sorrindo, dizendo para se aprontar, era o namorado ao telefone chamando para irem a uma balada nova. Breno resistiu à insistência de seu amigo em convidálo. Acabou cedendo após fazê-lo apelar muito. - Só por você mesmo Thiago! Eu tinha tanta coisa ainda pra fazer hoje. - Mas são dez da noite! O que você tanto tinha pra fazer? Caçar? Os dois riram um pouco da situação. Acabaram de se arrumar e com um leve beijo no rosto se despediram em frente ao restaurante de portas semi-fechadas; apenas uma pequena abertura, especifica para saída dos funcionários à noite, separava-os da rua. Depois de enfrentar quarenta minutos de ônibus finalmente Breno chegou a sua casa, foi rapidamente tomando banho, imaginava que seu amigo logo chegaria; entendia ser ele a razão da saída repentina, Thiago com certeza


queria sua companhia – “eles precisam de mim para serem notados” – pensava consigo. Mesmo sabendo do porte da balada que iriam e do público que freqüentava o lugar, ele não pode deixar de pensar que era seu espaço, imaginavase vital para o bom andamento daquela noite. Precisava escolher uma ótima camiseta; não conseguia imaginar a má impressão que causaria se o vissem pela noite com qualquer roupa. Ficou indeciso entre uma Dolce and Gabbana ou uma Levi´s, ambas ganhas de seu primo do interior; a primeira opção tinha defeitos suficientes que gritavam sua condição de falsificada enquanto a segunda tinha melhores atributos. Já adequadamente vestido para sua grande noite lembrou-se de um detalhe – “São vinte reais de entrada” – e rapidamente pensou em seu velho golpe; foi ao quarto da irmã em busca de um cartão de crédito, não encontrou nada. Ele sempre roubava o cartão, e ela sempre o perdoava depois, então ele jurava não fazer mais, e acrescentava que iria pagar logo em seu próximo pagamento, mas nunca cumpria a promessa. Precisou ser mais ousado dessa vez e decidiu levar o cartão de seu irmão mais velho. Para sua sorte a porta do quarto estava aberta enquanto o dono do cartão dormia tranqüilo na sala. Esperava em frente ao portão de sua casa quando ouviu um carro virando a esquina. Observou as rodas, a cor, o escurecimento dos vidros, ou a falta dele, analisou o automóvel desde o teto aos últimos sulcos dos pneus, incluindo seu amigo e o namorado quando saíram para cumprimentá-lo; nada passou despercebido por seu olhar. Abraçando Thiago aproveitou para sussurrar-lhe ao ouvido. - Um Chevete? - Sim, qual é o problema? - Seu ex tinha um Idea! Que decadência! - Decadência? E essa sua Levi´s “falsifix” ? Entre risadas e com braços envoltos pelas cinturas foram até o carro dando gargalhadas. Breno pensava consigo o quão inexperiente era o amigo. Se ao menos o houvesse consultado antes

“Precisava escolher uma ótima camiseta; não conseguia imaginar a má impressão que causaria se o vissem pela noite com qualquer roupa” de iniciar aquele relacionamento; desastroso aos seus olhos. Será que o ouviria? Não, talvez simplesmente ignorasse seus conselhos, seria inútil. Mesmo porque, muitas vezes, não conseguia nem organizar a própria vida quanto mais organizar a dos outros. Parou de pensar a respeito quando se localizou. Estavam perto da balada. Intrigado, procurando uma forma de escapar daquela humilhação, para não ser visto dentro de um carro daquele porte, inventou uma história para o amigo: mentiu sobre um encontro marcado por um batepapo – “Eu marquei bem aqui perto do Shopping” – conseguindo assim se desvencilhar de uma chegada desastrosa. Dentro de uma loja, com fundo de vidro para a rua, despediu-se mentalmente de sua carona. Discou para um zero oitocentos e chamou um táxi. Pediu para pagamento em cartão de crédito. O taxista estacionava em frente à balada, de grande estilo, informando o preço: “quatro e cinqüenta”. Breno estendeu um cartão de crédito tocando o braço do motorista com o objeto plástico. Seu método de pagamento não foi aceito, o valor era baixo demais. Com segurança no olhar pediu ao condutor que cobrasse dez reais utilizando o troco como gorjeta; seu pedido foi atendido sem rodeios. Desceu devagar, caminhou calmamente, transitou entre os que se aglomeravam em frente à casa noturna; fazia-se notar com olhar superior. Era um sentimento forte vindo de seu intimo, uma segurança inabalável, acreditava ser notado por todos. Após olhar atentamente a sua volta, virou-se para a grande entrada onde imaginava ouvir: por favor, nos encante com sua presença.

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Boate

SAUNAS Arpoador - R. Ivo Corsueli, 210 - Petrópolis Barros Cassal - R. B. Cassal, 496 - Independencia Convés Sauna Club -Av. Mauá, 1897 - Centro

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Free Space - R. 13 de maio, 626 - Centro

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Cascavel

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BOATES

Friends - R. Bem-Te-Vi, 136 - Centro

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Bares

Black Box - Mateus Leme, 585 - Centro; www.box-club.com; telefone: (41) 3027-4410 New SPM - R. Fernando Moreira, 185 Red Space - Al. Dr. Muricy, 1001- Centro Manhattan - R. Augusto Stelfeld, 199 THE CHERRY - Alameda Cabral, 521 - Centro; www.thecherry.com.br; telefone: (41) 3044-2828

Valentino - Av. Pres. Faria Lima, 486 - Jd. Maringá NY Lounge - Av. Bandeirantes, 160 - V. Ipiranga

Maringá Bar Art Lounge Bar - Av. Nobrega, 360 BOATES

Tribe Club - Rua Augusto Stelfeld, 308 - Centro

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SAUNAS

Jamboos - Av. São Paulo, 1005 - Zona 7 Estravaganza - R. José Romano, próx. Cocamar

Sauna 520 - R. Sen. Souza Naves, 520 - Cristo Rei; telefone: (41) 3262-4582; www.sauna520.com.br Club 773 - Bar e Sauna - R. João Negrão, 773 - Centro; telefone: (41) 3225-3690 Sauna Batel - R.Teixeira Coelho, 54 - Batel Caracala - R. Alferes Poli, 1039 - Centro Opinião - R. Amintas de Barros, 749 THERMAS SALDANHA - R. Saldanha Marinho, 214 Centro; telefone: (41) 3014-0066 ; www.termasaldanha.com.br

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SAUNAS Sauna Tropical - Av. Humaitá, 743 Spaço 53 - Av. Centenário, 53 - Jd. Aeroporto

Ponta Grossa Bar Deck Club Lounge - R. Balduino Taques, 1408 B


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» SC Guia GLS « Florianópolis Bares Bar do Deca - Praia Mole (último no sentido Galhetas) Blues Velvet - R.Pedro Ivo, 147 - Centro Café das Artes (F) - R. Esteves Júnior, 734 Jivago Lounge - R. Dep. Leoberto Leal, 4 Rancho do Maneca - SC 405 Km 1, nº 472A Deny’s Bar - R. João Grumiche, trav. 437 - Kobrasol BOATES Concorde Club - Av. Rio Branco,729 - Centro; www.concordeclub.com.br; telefone: (48) 3222-1981

SAUNAS Sauna Clube - R. 2450, nº 86 Centro Sauna Batel - R. 2800, nº 422 - Centro Sauna Bianca - Rua Jamaica, 700 - Centro

Blumenau BOATES Fly Music Club - R. Carlos Rieschbieter, 950 Centro SAUNA Sauna Bruno - R. Presidente Vargas - 173 - Centro

Mix Café - R. Menino Deus, 47 - Centro

Criciúma

SAUNAS

BOATE

Thermas Hangar - R. Henrique Valgas, 112 Thermas Oceano - R. Luiz Delfino, 231 - Centro PEGAÇÃO Hunter Videoclub - R. Padre Roma, 431 - Último andar; www.huntervideoclub.com.br; telefone: (48) 3228-5868

AVA Pub - Rod. Luiz Rosso, 1km após 28º GAC Galesi – R. Álvaro Catão, 913

Joinville Bar Bar Alternativo - Rua Cel. Procópio Gomes, 602 BOATEs

Bal. Camboriú Bares Duo Lounge - R. 300, 120 - Centro; www.duolounge.com.br; tel.: (47) 3268-6679 Sublime Café - R. Alvin Bauer, 555 - Centro Boates Levion - Av. Brasil, 3801 - Centro London - Av. do Estado, 1008 (Itajaí - BnC) Yes! Mix Club - Av. Atlântica, 1960 Illusion - Av. do Estado, 371

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Ivyx Club Mix - Av. Procópio Gomes, 602 - Centro UP Club - Av. JK, 615 - Centro; www.upjoinville.com.br; tel.: (47) 3026-1767 SAUNA Thermas Joinville - R. Independência, 721 - Anita Garibaldi

Lajes Bar Habuhiah Bar - R. Gonçalves Dias, 183 (Fundos) Coral 2002 - Barreiros


Famosos com a Lado

Momentos...

Sabrina Sato Lorena Simpson

Paulo Pringles

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Revista Lado A N°36