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#72 Edição Especial 12 ANOS

www.revistaladoa.com.br


#ÍNDICE ÍNDICE eDITORIAL eNTREVISTA MODA COLUNA SOCIAL ATRAQUE DRAG

MULHERES T DRAGS ESTILO DIREITOS HUMANOS GUIA GLS CURITIBA

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REVISTA LADO A #72

02 03 04 08 18 19 26 30 36 38

Abr. Mai. e Jun. de 2018 COLABORADORES E COLUNISTAS Allan Johan, Bruno de Abreu Rangel, Arthur Virmond de Lacerda Neto, Raíza L.uara Tiragem 5 mil CONTATO REDAÇÃO contato@revistaladoa.com.br CORRESPONDÊNCIAS CP 10321 CEP 80730-970 Curitiba - PR As matérias assinadas não expressam a opinião editorial da Revista Lado A. Proibida a reprodução total ou parcial de conteúdo sem autorização prévia.

CAPA #PROJETOFASHIONSTYLES Modelos: As Deendjers e Lucas Fachini (Forum Model) Produção Geral, Direção e Concepção: Victor Sálvaro Fotos: Felipé França

desde 2006

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#EDITORIAL

LADO A: 12 ANOS Fazendo História Há mais de uma década, nos inspiramos e inspiramos pessoas. A Lado A muda sempre e este ano traz seu novo site, uma nova marca desde o ano passado e em breve mais novidades. São 72 edições publicadas e uma história com seus leitores. A revista impressa mais antiga do país, com orgulho.

mos o nosso melhor. Ouse sonhar. É apartir dos sonhos que as grandes realizações começam. Persista. Ajude os outros. Peça ajuda. O sucesso é algo relativo mas nada é mais precioso do que saber que você trabalhou duro por algo e conseguiu.

Não tenha pressa, saiba o seu papel, não faça cobranças. Apenas resista e comemore as mudanças, as conquistas, individuais ou de um grupo. Uma nova equipe hoje coordena a revista mas fiz questão de escrever este editorial.

Apesar da crise, o sol nascerá amanhã e assim as esperanças. Ser feliz com o hoje e com o que se tem vale a pena. Nunca quisemos ser uma revista grande, mas nem por isso deixamos de ser uma grande revista. Obrigado a todos por esses 12 anos de experiências e momentos inesquecíveis.

A vida segue seu rumo. Estressar não vale a pena. Planejar e executar ainda é o jeito mais certo de se fazer as coisas. Mas a vida segue. As pessoas mudam, o mundo muda, a gente muda. E devemos celebrar cada instante, não como o se fosse o último mas com a certeza que sempre fize-

Allan Johan é o fundador da Lado A e atualmente trabalha como assessor da Diversidade Sexual da Prefeitura de Curitiba

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#ENTREVISTA

Gisele Alessandra Schmidt Uma trans paranaense em Harvard


A

advogada Gisele Alessandra Schmidt e Silva, 48 anos, foi a primeira pessoa trans a subir no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2017. Seu objetivo era sustentar o direito à retificação do nome de registro civil por pessoas trans, sem a necessidade de cirurgia. A ADI 4275 foi uma vitória histórica para o movimento trans este ano.

“Não somos doentes. Não sofro de transtorno de identidade sexual. Sofre a sociedade de preconceitos historicamente arraigados contra nós”, disse a advogada criminalista travesti diante dos ministros do STF. Gisele conversou com a Lado A dias antes de embarcar para Boston, para participar da Brazil Conference at Harvard. Confira entrevista a seguir:

Como se deu o processo de de escolha e registro desse nome? O nome Gisele veio de um bullying que sofria em meu trabalho na Fundação Cultural de Curitiba. Sempre fui afeminada e extremamente magra, assim, quando eu chegava nos lugares as pessoas falavam: “Lá vem a Gisele desfilando”, “jura que é a Gisele Bundchen”. Como sempre tive admiração pela Gisele Bundchen, resolvi adotar o prenome de Gisele. Já o Alessandra veio do meu nome de batismo que era Marcus Alessando Schmidt e Silva.

Curiosidade, desafio, identidade com a profissão, possibilidade de melhorar de vida.

Como você descobriu seus talentos e sua vocação para o Direito? Tenho talento para ser advogada, não sou uma grande estudiosa do Direito, mas consigo entender como a “coisa” funciona. Sou muito curiosa e sempre busco respostas. Tenho talento nato para saber se uma pessoa fala a verdade ou mente, basta eu trocar um olhar e poucas palavras com uma pessoa e já sei se mente ou diz a verdade. DesPor que você escolheu a carreira cobri meu talento para a advocacia praticando o Direito, procuro sempre de advogada? ler e escrever bastante. 5


Houve alguma situação na advocacia que lhe deu orgulho do trabalho que fez? E qual sua maior frustração? Me orgulho muito de ser advogada, profissão que somente me traz alegrias, exceto quando os clientes não pagam meus honorários. A sustentação oral no STF, esse momento foi o ápice em minha carreira, mas poderia ter feito melhor.

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tudar (só tinha feito até o segundo ano do segundo grau) e neste tempo trabalhei e me dediquei à música, estudei violino por 10 anos. Quando resolvi fazer Direito, minha prima Mara pagou o terceirão para mim no Dom Bosco. Fiz vestibular na Federal, PUC e Faculdade de Direito de Curitiba. Não passei na UFPR, mas sim na PUC e UNICURITIBA, e então optei por fazer a UNICURITIBA por ser a melhor faculdade de direito, pela qual me formei em 2012, sendo Como foi seu processo de quali- a primeira advogada transexual do ficação escolar para se tornar a Brasil. profissional de hoje? Frequentei a escola pública de meu Você enfrentou problemas por ser bairro, escola Bom Pastor, até a oitava transexual no ambiente de estusérie. Depois fiz o segundo grau em dos? outro colégio do bairro, Colégio Guido No colégio Bom Pastor, sofri muitas Straube, mas não cheguei a terminar. agressões físicas e verbais, principalFui fazer Telecomunicações e depois mente quando estava na sexta série. Eletrotécnica no CEFET, mas também Levei chutes, tapas, cuspidas e o pronao terminei. Fiquei por anos sem es- fessor de educação fisica, Orlando,


me apelidou de “florzinha”. Eu não gostava de fazer educação fisica e me recusava a tirar a camisa. Por outro lado sempre gostei muito de estudar e tinha facilidade para todas as matérias, adorava ler e sempre fiz isso. Não tínhamos televisão em casa e eu me enfiava nos livros desde sempre, devorava os livros, era minha fuga, minha válvula de escape. Após sua sustentação oral no STF, agora dará um novo passo em sua carreira com uma palestra em Harvard. Como surgiu essa oportunidade? Fui indicada pelo ministro Roberto Barroso para fazer uma fala sobre os 30 anos de nossa Constituição e do avanço que foi a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4275 (sobre a retificação do nome para pessoas trans sem a necessidade de cirurgia),

no Brazil Conference at Harvard. Qual o trabalho que desenvolve pelos Direitos Humanos LGBTI hoje? Prestei assessoria e orientações jurídica junto ao Grupo Dignidade e ao Transgrupo Marcela Prado e ainda faço parte dos seguintes movimentos: Conselheira Titular no Comitê LGBT da Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos do Paraná, representando a OAB/PR; Conselheira Suplente no Conselho Estadual de Direitos da Mulher do Paraná, representando o Grupo Dignidade; 2ª Secretária na Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero - OAB Paraná; e vice presidente da ANAJUDH (Associação Nacional dos Juristas para a Defesa dos Direitos Humanos). 7


12th CELE B R A TION 8


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#PROJETOFASHIONSTYLES As Deendjers por elas mesmas Modelos: Lucas Prado, Jhonatan Teixeira, André Mattos e Lucas Fachini (Forum Model Management) Produção Geral, Direção e Concepção: Victor Sálvaro Fotos: Felipé França Maquiagem masculina: Wagner Stope Os rapazes vestem Charlye Madison - Alameda Júlia da Costa, 1093, SL - Bigorrilho

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Gravatas por Brotto.co


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#COLUNA_SOCIAL

Armazen Urbano 16

Fotos: Mirian Bittencourt


#COLUNA_SOCIAL

Bwayne

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Fotos: Amanda Queiroz


Lado λ

Lado λ


#JOGO

Recorte as cartas e jogue com os amigos! Regras: Você divide a quantidade de cartas, um dos jogadores começa perguntando sobre um dos ítens do perfil da carta de cima do seu bolo (ex: bate cabelo).

Ano de início: 2013 Bate Cabelo: 5000 Glamour/Figurino: 3000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 3000

NATALIE HEART (PITTY)

BRENDDA MONTILLA

Ano de início: 2013 Bate Cabelo: 3000 Glamour/Figurino: 5000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 4000

ATRAQUE DRAG

ATRAQUE DRAG


ATRAQUE DRAG

KIMBERLLY BEY

Ano de início: 2004 Bate Cabelo: 5000 Glamour/Figurino: 4000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 2000

Aquele que tiver o maior valor, leva a carta do oponente e coloca as duas no final no monte. Quem ganhou a rodada continua perguntando e escolhendo o que perguntar. Se empatar, fazse uma nova pergunta com a mesma carta. Ganha quem conseguir acabar com as cartas do oponente.

ATRAQUE DRAG

MYRELLA MASSAFERA

Ano de início: 2007 Bate Cabelo: 5000 Glamour/Figurino: 4000 Versatilidade/Make Up: 3000 Humor/Diversão: 2000

NOVA REGRA: PODE PERGUNTAR A IDADE DA DRAG! E A MAIS ANTIGA GANHA.


Lado λ

Lado λ


Consulte a programação em nosso Facebook bwayne.cwb

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41 3203.9307 | Rua Almirante Barroso, 357 São Francisco - Curitiba - PR


#COLUNA_SOCIAL

Verdant

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Fotos: Amanda Queiroz


LUV THE CLUB.

Consulte a programação em nosso Facebook verdantcuritiba

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41 3209.9307 | Rua Doutor Claudino dos Santos, 126 São Francisco - Curitiba - PR


#COMUNIDADE

Mulheres Trans enfrentam o preconceito nas perfomances como drag queens Por Rodrigo Bragaglia 26


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er drag queen é mais do que aderir à uma figura feminina exagerada, mas também um ato político. A imagem impactante, composta pelo abuso de maquiagem e pela magnitude que brilha da cabeça aos pés, acende o debate sobre gênero e sexualidade num contexto social ainda tão nocivo à comunidade LGBT.

usaram dessa arte como processo de transição.

Na história das drag queens no mundo, se vestir como uma mulher para fins artísticos era aceitável, mas fazê-lo para atender à identidade de gênero diferente do sexo designado ao nascer era inadmissível. Tal como nos dias de hoje, as pessoas trans e travestis sofriam muito as represálias da sociedade que as marginalizavam e violentavam. Uma forma de disfarçar a transição era por trás da performance de drag queen, como algo que fosse Cada vez mais populares nos dias ser desmontado ao final do espetácuatuais, as drag queens estão presen- lo. tes no cenário cultural há muito mais tempo. Produções como o reality No Brasil dos anos de 1960, a artista RuPaul’s Drag Race, que estreou em Rogéria, como preferia ser chamada, 2009, e as abordagens midiáticas começou nos palcos do Rio de Janeiro. no debate de gênero e sexualidade Incentivada pela atriz Fernanda Monabrem espaço para atuação drag tenegro, Rogéria abandonou as coxias queen, como a cantora brasileira Pabl- do teatro onde maquiava outros artislo Vittar que está ficando mundial- tas e deixou para trás o Astolfo Barromente conhecida. Como já esperado, so Pinto, seu nome de batismo. A atriz a ascensão de Vittar enquanto uma começou a interpretar Rogéria, uma drag queen popularmente adorada mulher da alta sociedade que fazia por sua música e performance causou piadas com um sotaque francês. Foi igualmente admiração e polêmica ao nesse contexto cômico e de fantasia romper escancaradamente com este- que começou sua transição, quando reótipos de gênero. mais tarde se intitulou “A Travesti da Família Brasileira”. Rogéria faleceu em Ao mesmo tempo em que o exercício setembro de 2017, vítima de uma inda performance enquanto drag queen fecção generalizada. não representa necesariamente a identidade de gênero de seu criador, A jornalista mineira Léo Áquila, de 47 existem muitas mulheres trans que anos, já sabia que era diferente desde

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a infância. Apesar de ter trabalhado em atividades formais, almejava a fama e o glamour. Logo entrou para o teatro e começou com uma personagem feminina da peça “Plástica dos Sonhos”, apresentada em São Paulo. A artista trabalhou também em diversas casas LGBT fazendo performances e shows como drag queen. Nos dias atuais, Leonora Mendes de Lima já realizou diversas cirurgias de transição de gênero.

Apesar de a figura drag ajudar muitas transições, para Jorge Demétrio Cunha Santos, as coisas foram um pouco diferentes. Com dificuldade de se aceitar como transexual, nem a criação de Nany People conseguiu de imediato incentivar o jovem Jorge para sua transição. Há mais de 20 anos Nany People brilhava nas noites paulistanas e foi assim que começou a transicionar enquanto sua carreira decolava para ficar conhecida no Brasil e no mundo. 28

Patologização e preconceito

Não só a desenvoltura, as plumas e o brilho as drag queens que são transexuais têm em comum. Todas precisaram disfarçar sua transição por trás da atividade de drag queen, se montando durante o dia para poderem continuar como mulheres durante a noite e serem sempre como tal. A cultura drag queen, tão popularizada ultimamente com os debates sobre gênero, endossam uma luta histórica por respeito de toda a comunidade LGBT, em especial, as pessoas transgênero. Além do machismo e homofobia, a transfobia tem sua origem na patologização. Por muitos anos a comunidade médica considerou as transexuais e travestis como doentes. Em 1980 o Manual de Diagnóstico e Estatísticas de Transtornos Mentais, da Associação Psiquiátrica Americana (APA), estabeleceu o chamado Distúrbio de Identidade de gênero que considerava transexuais como transtornados. Expulsas das instituições sociais como família, escola e trabalho, que se baseavam na ciência equivocada sobre identidade de gênero e nos próprios preconceitos, as pessoas transgênero ficavam marginalizadas. O estigma social carregado por tantos anos está aos poucos sendo desconstruído com muita representatividade, mas ainda há muita contestação por parte de frentes conservadoras.


História e resistência

A história das drag queens se consolidou com muita performance, arte e também resistência. Nos palcos da antiguidade, desde os anos de 1800, as atrizes eram mal vistas socialmente e era mais aceitável que homens se vestissem de mulher. Nesse contexto, as drag queens começavam não só suas expressões artísticas mas também uma cultura cheia de significados.

vestissem como mulheres e fizessem apresentações, muitos imitando artistas da época como Marilyn Monroe, longe dos olhos conservadores da sociedade.

Os movimentos tomaram mais força ainda em 1960 com as diversas revoluções sociais da época, principalmente pela comunidade LGBT que começou a lutar por direitos, o que impulsionou o debate de gênero e sexualidade aos No século 19 as drags estavam ainda quais as drags já estavam associadas. mais populares entre os palcos, quando associadas às peças de comédia que Com essa organização e engajamento debochavam da alta sociedade. A alta da comunidade LGBT, as drag queens aceitação no mundo teatral, porém, seguiram endossando a luta. O surginão permitia que as drags saíssem mento das paradas LGBT nos anos de dali. Homens vestidos de mulheres so- 1970 destacaram ainda mais esse púcialmente eram passíveis de punição e blico. Produções artísticas começaram a trazer drag queens como a famosa investigação policial. Divine, do filme Pink Flamingos (1972), No entanto, foi através da arte que os do diretor John Waters. apertados espaços sociais foram aos poucos se abrindo. Muitas drag queens Hoje as drag queens estão bastante podos anos de 1920 e 1930 viajaram pela pularizadas. Depois do lançamento de europa e EUA para turnês em teatros. RuPaul’s Drag Race o assunto é cada vez Ser drag era visto agora como uma mais debatido principalmente nas redes brincadeira, e ainda não era associado sociais. A drag queen representa a posà comunidade LGBT que, nessa época, sibilidade de flexibilidade de gênero, de retirar de padrões socias as existências vivia no anonimato. e identidades que são múltiplas e não Os espaços de convivência drag foram cabem em determinações engessadas. se fortalecendo e aumentando, o que Uma grande discussão de gênero com criava uma frente cultural que então, viés artístico, representativo e cultural. pelo origem de preconceito quando Sobre a autora: fora dos palcos, fois associado ao pú- Raiza Luara é formada em Ciências blico LGBT. Nos anos de 1940 e 1950 Sociais pela PUC-PR, lésbica, procomeçaram a se instalar clubes nos fessora e redatora do site da Revis29 EUA onde era possível que homens se ta Lado A desde 2017.


BOYS BOYS 30


Qual é seu estilo? O

s estilos de moda masculina são inúmeros, cada um com suas especificidades e particularidades. Você sabe qual é o seu estilo? Tendências vêm e vão, mas o estilo sempre permanece. Por isso, na hora de montar composições, é fundamental depositar doses de personalidade para que o visual seja autêntico e pessoal. Veja os principais estilos de moda masculina: Tradicional e elegante (também chamado de clássico) é um visual bastante conhecido dentro do universo masculino, pois é o mais associado a situações formais, eventos de gala e ocasiões importantes. Casual ou esportivo. Por muito tempo o visual masculino menos formal e até com ares de despojado foi chamado de estilo esportivo, sendo usado com frequência na rotina de muitos, para uma saída com os amigos ou para ir à faculdade, por exemplo. Criativo e moderno. O estilo criativo e moderno é a vertente mais recente dentro da moda masculina e é a que mais se difere dentre as que são citadas, looks alternativos que se inspiram em diversas tendências que

estão em alta, exploram as harmonizações possíveis e, assim, obtêm um visual diferenciado e cheio de personalidade. Retrô. Estilo cada vez mais em evidência na moda masculina é o retrô, que consiste não em inserir novas peças, mas sim em resgatar aquelas que marcaram o vestuário masculino por meio de movimentos sociais e culturais entre os anos 20 e 70 e que hoje são consideradas atemporais. O básico tem seu lugar! O estilo básico que muitos homens gostam, mas que acabam negligenciando e deixando de lado por conta da crença de que básico é sinônimo de simplicidade e desleixo com a própria imagem — um mito da moda masculina. Existem algumas peças que todo o homem deve ter no armário. Elas são fundamentais para montar qualquer visual e transmitir a maturidade necessária na vida adulta. Para Dionny Alves, elas são: Camisetas de algodão; Uma camisa jeans; Calça chino;Suéteres de lã ou cashmere; Calça jeans escura e sem lavagem ; Uma bota preta de couro; Um sapato casual (sneaker ou mocassim); Camisa casual (estilo chambray, pode ser, ou de linho); Camisa com pattern (pode ser xadrez) 31


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Conceito, Produção e Direção Geral - Dionny Alves Modelos - Bruno Comerlatto, Martino Brostulim e Gabriel Fazzi - ( Dionny Alves Agêncy ) Agradecimento - Stitch Wear (Camisaria e Moda Masculina - Rua Emiliano Perneta 860 loja 12 Curitiba.

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MEMORIAL DIREITOS HUMANOS

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ia 17 de maio é o Dia Internacional e Municipal contra a LGBTfobia. Quando apenas em 1990 a Organização Mundial da Saúde deixou de classificar a variante da sexualidade “homossexual” como um transtorno mental. O amor que não se pode dizer o nome, como descreveu Oscar Wilde, já foi pecado mortal, motivo para prisão, deixou de ser uma doença. Ainda hoje, em mais de 70 países do globo, a homossexualidade é crime, em cerca de cinco destes territórios ainda é passível de pena de morte. Assim como no Holocausto, hoje, há campos de concentração de homossexuais, com trabalhos forçados, tortura e assassinatos. Sim, a Chechênia hoje mantém campos de concentração para homossexuais e o governo estimula os familiares a matarem os homossexuais em casa, assim como em vários países dominados pelo Estado Islâmico que praticam o assassinato de homossexuais em praça pública. O direito de um é o direito de todos. Quando o direito básico de uma pessoa é violado, os direitos de todos estão sendo violados. E isso faz com que o sentido de humanidade se perca. 36 Quando surgiram os Direitos Universais

do Ser Humano, com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e da Mulher, após a Segunda Guerra Mundial, foi para garantir que todos os habitantes do planeta tivessem consciência e acesso a uma existência digna. O conceito de Direitos Humanos se amplia então do indivíduo para a sociedade e da sociedade para o indivíduo. Todos os dias, temos o desafio de tratar uns aos outros de forma respeitosa. O respeito é uma das bases das relações humanas. Somos seres sociais, mas o dia a dia nos impõem desafios que por vezes nos desumanizam. Não podemos tratar o outro da forma que nos tratam, mas como gostaríamos e deve-


ríamos ser tratados. Somos todos seres políticos e defensores dos Direitos Humanos. Muitos apenas percebem isso quando são vítimas ou até algozes, de outros. Endurecer sim, perder a ternura jamais, disse certa vez o médico guerrilheiro Che Guevara.

se sempre não contam com o apoio dos pais, ao contrário de outras populações marginalizadas. Muitos, principalmente as trans, são rejeitados e expulsos de casa. A maioria precisa se esconder e viver vidas duplas, ou triplas, criar máscaras para evitar a rejeição. Temos ainda o caso de algumas religiões propagarem um discurso que nos exclui. Esse discurso incentiva ainda mais o preconceito, a autorrejeição. É-nos negado o direito a uma existência plena, antes mesmo de termos consciência de quem somos, pois assim somos educados a nos vermos como desviantes, como alguém que não tem o direito de estar ali.

E o Estado Democrático de Direito existe para assegurar os direitos de todos. A Justiça nos serve para arbitrar quando dois direitos se confundem ou uma lei é violada. Todas as estruturas existem para assegurar o respeito entre as pessoas, de seus direitos, e o funcionamento da sociedade. Para que cada indivíduo possa exercer a sua Cidadania, em deveres e direitos, devemos dar condições iguais, com Precisamos urgentemente de acolhimento da sociedade, do Estado, das Dignidade, para todos. famílias, das pessoas. Sobreviver em Assim como o exemplo da mulher um mundo assim é muito difícil. Quanafegã sob o regime talibã não entende tos são os LGBTs que negam a própria os seus direitos básicos que são nega- identidade e afirmam que não gostados, temos muito ainda no caminho riam de ter “nascido assim”, caminho de universalizar os Direitos Humanos. que leva à depressão e à morte. Sim, Homofobia não é Cultura, machismo pois nascemos assim, não é uma opnão é Cultura. São exemplos claros de ção. A única opção é fechar a cabeça desumanização e opressão. No Brasil, e as portas para outro ser humano, temos a expectativa de vida das mu- é optar em ser ou não desumano ou lheres trans calculada em torno dos preconceituoso. E não há nada mais 35 anos, além dos altos índices de humano do que a diversidade e a capaassassinatos de homossexuais como cidade de amar, seja quem for. O próuma amostra do quão desumano é o ximo não é apenas aquele que está ao lado mas, principalmente, aquele dismundo em que vivemos, ainda. tante de quem somos, aquele do qual Além da violência gratuita, falta de le- discordamos por ele ser exatamente gislação, homofobia ou LGBTfobia no diferente. Esse é o grande desafio do trabalho, na escola, temos ainda um amor ao outro. agravante: Nas famílias, os LGBTs qua37


#Guia.GLS

CURITIBA BAR Armazen Urbano- R. Dr. Manoel Pedro, 673 Barbarala - Al. Cabral, 353 Bar do Simão - Av. Manoel Ribas, 640 Cwb Bar e Balada - R. Saldanha Marinho, 206 Route 69 - Al. Cabral, 597 Spot Bear - Al. Princesa Isabel, 704 Vu Bar - Av. Manoel Ribas,146 Vitto Bar - R. Trajano Reis, 326 CLUB Bwayne - R. Almirante Barroso, 357 Cat´s Club - Al. Dr. Muricy, 949 CWBears - R. Kellers, 39 James - Al. Carlos de Carvalho, 680 Soviet - R. Bispo Dom José ,2277 Verdant - R. Dr. Claudino dos Santos, 126 SAUNA 520 - R. Souza Naves, 520 Caracala - R. Alferes Poli, 1039 Club 773 - R. Ubald. do Amaral, 1664 Opinião - R. Amintas de Barros, 749 Batel - R. Teixeira Coelho, 54 Sauna Master - R. Saldanha Marinho, 214 PEGAÇÃO Dragon Vídeo - R. Vol. da Pátria 475 / 708

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KIMBERLLY BEY

Ano de início: 2004 Bate Cabelo: 5000 Glamour/Figurino: 4000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 2000

ATRAQUE DRAG

BRENDDA MONTILLA

Ano de início: 2013 Bate Cabelo: 3000 Glamour/Figurino: 5000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 4000

MYRELLA MASSAFERA

ATRAQUE DRAG

NATALIE HEART (PITTY)

Ano de início: 2013 Bate Cabelo: 5000 Glamour/Figurino: 3000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 3000

Atraque Drag Jogue, Divirta-se, Colecione!

PARIS WEINGART

Ano de início: 2005 Bate Cabelo: 4000 Glamour/Figurino: 5000 Versatilidade/Make Up: 3000 Humor/Diversão: 2000

WAN GREGA

Ano de início: 1991 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 3000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 5000

Ed. 71 Ed. 70

ATRAQUE DRAG ATRAQUE DRAG

BEBEL CAMBURÃO

Ano de início: 1980 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 2000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 5000

ATRAQUE DRAG

BETTY BOO

Ano de início: 1998 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 4000 Versatilidade/Make Up: 5000 Humor/Diversão: 3000

www.revistaladoa.com.br/loja

Ano de início: 2007 Bate Cabelo: 5000 Glamour/Figurino: 4000 Versatilidade/Make Up: 3000 Humor/Diversão: 2000

PAOLA FULL

Ano de início: 1993 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 3000 Versatilidade/Make Up: 5000 Humor/Diversão: 4000

ATRAQUE DRAG TINNA SIMPSOM

ATRAQUE DRAG

WAGNAH JONES

Ano de início: 2005 Bate Cabelo: 3000 Glamour/Figurino: 2000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 5000

BETTYNA BRASFONT

Ano de início: 1991 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 4000 Versatilidade/Make Up: 3000 Humor/Diversão: 5000

ATRAQUE DRAG

ATRAQUE DRAG Ano de início: 2002 Bate Cabelo: 4000 Glamour/Figurino: 3000 Versatilidade/Make Up: 5000 Humor/Diversão: 2000

Ano de início: 1996 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 3000 Versatilidade/Make Up: 3000 Humor/Diversão: 5000

ATRAQUE DRAG

DIANDRA SPECIAL

ATRAQUE DRAG

ATRAQUE DRAG

ATRAQUE DRAG

ATRAQUE DRAG

SHAYANNE ASHELA

Ano de início: 2005 Bate Cabelo: 4000 Glamour/Figurino: 5000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 1000

SUZY LUVCOCK

Ano de início: 2015 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 4000 Versatilidade/Make Up: 5000 Humor/Diversão: 3000

ATRAQUE DRAG

AS DEENDJERS

Ano de início: 2008 Bate Cabelo: 2000 x2 Glamour/Figurino: 5000 x2 Versatilidade/Make Up: 4000 x2 Humor/Diversão: 3000 x2

LINDA POWER

Ano de início: 1999 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 5000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 3000

ATRAQUE DRAG

ATRAQUE DRAG

GLÓRIA GODIVA

ATRAQUE DRAG

Ano de início: 2003 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 5000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 3000

BRIGITTE BEAULIEU

Ano de início: 1992 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 5000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 3000

ATRAQUE DRAG

DALVINHA BRANDÃO

Ano de início: 2009 Bate Cabelo: 2000 Glamour/Figurino: 3000 Versatilidade/Make Up: 4000 Humor/Diversão: 5000

Nesta edição, publicamos a quinta e última série de cards do nosso jogo Atraque Drag, que traz as principais drags da cidade. Ed. 72

Se você perdeu algum número, pode pedir a sua edição atrasada na loja da Lado A. ATRAQUE DRAG

Ed. 69 Ed. 68

Lado A #72  

A edição 72 da Revista Lado A comemora os 12 anos da revista LGBT impressa mais antiga em atividade no Brasil. Essa publicação especial traz...

Lado A #72  

A edição 72 da Revista Lado A comemora os 12 anos da revista LGBT impressa mais antiga em atividade no Brasil. Essa publicação especial traz...

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