Issuu on Google+

Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3126 | 2 a 8 de novembro de 2016

R$ 1,50

www.arquisp.org.br Luciney Martins/O SÃO PAULO

Encontro com o Pastor Dom Odilo: Os Santos são a glória da Igreja e os verdadeiros discípulos de Cristo Página 3

Editorial Ano Santo ensina a perseverar na misericórdia Página 2

Previdência Social: distorções e a unificação dos regimes Página 10

Igreja valoriza piedoso costume de sepultar os corpos

‘Agradeço pela acolhida aos refugiados que vêm do Oriente Médio’ Cardeal Scherer presenteia patriarca Inácio Youssef III Younan com imagem de São Paulo Apóstolo em missa na Catedral da Sé, no domingo, 30

Em visita à Arquidiocese, no domingo, 30, o patriarca da Igreja Católica Siríaca, Inácio Youssef III Younan, participou de missa, presidida pelo Cardeal Scherer, na Catedral da Sé. Ele agradeceu à Igreja em São Paulo pelas iniciativas de acolhida aos refugiados do Oriente Médio. “Fazem parte desses

refugiados meus filhos sírios católicos que vieram aqui para o Brasil para procurar uma vida honrada, em paz”, afirmou. O Patriarca atendeu a imprensa no Clube Monte Líbano e falou sobre os conflitos e as perseguições sofridas pelos cristãos. Páginas 12 e 13

CNBB critica PEC 241 que limita Na Suécia, Papa e luteranos despesas do Estado brasileiro dão um passo à unidade cristã Em nota na quinta-feira, 27, o Conselho Permanente da CNBB avaliou que a PEC 241, que, se aprovada, limitará as despesas primárias do Estado pelos próximos 20 anos, é “injusta e seletiva”, “supervaloriza o mercado em detrimento do Estado” e “afronta a Constituição Cidadã de 1988”. Página 24

“Comprometemo-nos a testemunhar juntos a graça misericordiosa de Deus, que se tornou visível em Cristo crucificado e ressuscitado”, consta na declaração do Papa Francisco e do Reverendo Mounib Younan, presidente da Federação Luterana Mundial, durante a visita do Pontífice à Suécia. Página 9

Em Documento da Congregação da Doutrina da Fé, publicado no dia 25, Igreja pede para que se valorize o costume de sepultar os fiéis falecidos, mas não proíbe a cremação, desde que esta não seja feita por razões contrárias à fé cristã. Páginas 14 e 15 Luciney Martins/O SÃO PAULO


2 | Ponto de Vista |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Editorial

Perseverar na misericórdia

E

m 20 de novembro, em cerimônia que acontecerá na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco fechará a Porta Santa, encerrando dessa forma o Ano Santo extraordinário da Misericórdia. Os frutos deste ano santo são incomensuráveis: em todo o mundo, milhares de fiéis reaproximaram-se de Jesus Cristo, da Igreja e dos sacramentos, de maneira especial da Penitência e da Confissão. Tiveram, assim, a possibilidade de reconciliar-se com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Nas milhares de dioceses e paróquias do mundo inteiro, foi sensível o aumento do número de fiéis a participarem das celebrações eucarísticas. Inúmeras iniciativas pastorais nasceram do desejo dos pastores de atenderem ao chamado do Papa Francisco em prol de uma nova evangelização, centrada no anúncio de uma boa notícia: Deus é bom, é amor e nos ama. A sua misericórdia é infinita e se estende por todas

as gerações. Se o pecado e o mal estão presentes e possuem raízes profundas no coração humano e nas sociedades, a graça de Deus é maior, tem mais altura, mais largura e mais profundidade. Por maiores que sejam os pecados e erros cometidos, em Deus e na sua misericórdia, todo ser humano encontra um ponto de retorno e a possibilidade de recomeçar uma vida nova. A misericórdia de Deus não prescinde da justiça. Deus perdoa sempre, e mais do que o perdão, nos chama e nos ajuda a iniciar um caminho de conversão. As peregrinações em direção às Portas da Misericórdia significam precisamente isto: que, como Igreja, somos povo a caminho. Ainda não estamos plenamente convertidos, mas estamos a caminho, dia a dia, subindo os degraus que a caridade nos oferece como vias de reparação. Nesse caminho é preciso perseverar. Nesse sentido, outro grande fruto do Ano Santo extraordinário da Misericórdia

foi o de reacender nos corações dos fiéis as práticas das obras de misericórdia corporais e espirituais. Essas constituem um itinerário de vida que deve permear o dia a dia de um cristão. São direcionamentos muito concretos de reparação pessoal que têm a força de consolidar um fiel no caminho de conversão, de construção de uma vida santa. Em outras palavras: se bem vividas, as obras de misericórdia geram em quem as pratica virtudes, tornam-se atitudes habituais da pessoa que a transforma a partir de dentro, do coração, de onde procedem o bem e o mal. Funcionam como motores propulsores que nos lançam para fora de nós mesmos em direção ao amor de Deus e ao próximo. Mas as obras de misericórdia não mudam apenas a pessoa que as pratica. Elas impactam no ambiente, interpelam, provocam, irradiam, surpreendem, contaminam positivamente o pequeno mundo onde transcorre a existência concreta de um cristão. São, por isso, ações que trans-

formam. São antídotos contra o veneno do individualismo, trazem consigo a força intrínseca dos bons exemplos, aproximam os distantes e são capazes de purificar estruturas sociais corrompidas e marcadas pelo egoísmo humano. São alicerces fortes para a construção do Reino de Deus entre nós, que sempre pedimos quando dizemos: “Venha a nós o vosso Reino”, ao rezarmos a oração do Pai-Nosso. A Arquidiocese de São Paulo deseja marcar este ano de graça com um gesto concreto conjunto da Igreja em São Paulo. A construção de um novo abrigo para os sofredores de rua e dependentes químicos, que será levado adiante pela Missão Belém, bem no coração da cidade de São Paulo. Para tanto, está organizando uma grande campanha, a ser lançada ainda este ano, com o fim de arrecadar os recursos necessários para essa grande obra de amor. Não podemos nos omitir! O Ano Santo serviu para nos reiniciar nesse caminho. É preciso agora nele perseverar.

Opinião

O humanismo cristão no século XXI Arte: Sergio Ricciuto Conte

Ivanaldo Santos No período de 6 a 8 de outubro, aconteceu em São Paulo, nas dependências da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o III Congresso Latino-Americano Jacques Maritain, um congresso promovido pelos Institutos Jacques Maritain da América do Sul. O evento foi um marco nas discussões sobre as interpretações da obra do pensador francês Jacques Maritain, mas também nos debates sobre os problemas contemporâneos, especialmente a defesa da vida e da dignidade da pessoa humana. De um lado, Jacques Maritain, um dos maiores convertidos do século XX, dentro de um cenário marcado pelo terror, pela burocracia e pela cultura da morte, ou seja, as primeiras décadas do século XX, desenvolveu a teoria do humanismo integral. Um humanismo que, num primeiro momento, se abre para Deus, para a transcendência, para a vida mística e para as mais elevadas formas de cultura (arte, música, etc.), mas, logo em seguida, num segundo momento, conduz o ser humano para o respeito à vida e à dignidade da pessoa humana. O humanismo integral foi fundamental para, em 1948, ser aprovada pela ONU a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O humanismo integral foi um dos movimentos mais

importantes do século XX, tanto dentro da Igreja como nos diversos segmentos que lutaram pela ética e pelos direitos humanos no mundo. De forma preocupante, o século XXI vê o desenvolvimento de uma série de políticas e ideologias que desrespeitam a vida humana. Entre essas políticas, citam-se: a idolatria pelo Estado, o terrorismo, o abandono dos refugiados, a cultura da morte que se materializa na violência cotidiana, no aborto,

na eutanásia e na pena de morte. Dentro desse contexto, muito parecido com o que Maritain viveu nas primeiras décadas do século XX, a Igreja e os cristãos são convocados a, num primeiro instante, ter uma atitude de conversão, de busca genuína da vida mística, mas não ficar preso a essa busca. Pelo contrário, num segundo momento, é necessário buscar edificar o homem integral, um modelo de homem que não é apenas material, mas também espiritual, artístico,

educacional, ético e que, por isso, valoriza e respeita a dignidade da pessoa humana. O século XX foi o século da construção da teoria do homem integral. Já o século XXI precisa ser o século em que os cristãos vão colocar em prática esse homem integral e, com isso, derrotar a cultura de morte e estabelecer o respeito a todas as formas e manifestações da dignidade da pessoa humana. Uma dignidade que se inicia com a concepção e só termina com a morte natural. Por fim, afirma-se que, de um lado, o século XXI vive os mesmos dramas e angústias de todos os outros séculos da história da humanidade. Nesse sentido, isso representa o grande caminho da Igreja para lentamente ir construindo o Reino de Deus. No entanto, do outro lado, desde o século XX, o ser humano tem aperfeiçoado, de forma perversa, a arte de matar e de infligir dor ao seu semelhante. O século XXI é a continuidade desse processo. Nesse sentido, o cristão é convocado a combater a morte, como lembra o Papa Francisco, com as armas da misericórdia e da valorização da dignidade da pessoa humana. Nesse processo, a Igreja e os cristãos irão construir o humanismo integral no século XXI. Ivanaldo Santos é doutor em Filosofia e professor do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Sueli S. Dal Belo • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

Q

uantos são os santos da Igreja? Essa pergunta pode vir de uma simples curiosidade a respeito daqueles que a Igreja proclamou “santos” e, então, a resposta será possível mediante um levantamento cuidadoso do número daqueles que já foram inscritos oficialmente no “cânon”, ou seja, na lista dos santos assim reconhecidos e proclamados pela Igreja. Mesmo assim, não será sempre fácil fazer esse levantamento, pois o método da canonização, ao longo da história da Igreja, não foi sempre o mesmo que conhecemos hoje. Porém, a pergunta poderia revelar também a necessidade de compreender melhor o conceito de santidade que a Igreja usa, desde os seus inícios. Santas são as pessoas de Deus, que vivem em sintonia e comunhão com Deus, os amigos de Deus, e servidores de sua obra; aqueles que realizam a vontade de Deus durante a vida. Em poucas palavras, são santas as pessoas que vivem unidas a Deus e recebem de Deus a graça da santidade. Quem se aproxima do fogo é aquecido pelo seu calor. Quem se aproxima de Deus é santificado, porque Deus é santo. Já no Antigo Testamento era recomendado ao Povo de Deus: “sede santos porque eu, vosso Deus, sou santo!” (Lv 19,2). Jesus ensinou o caminho da santidade e os apóstolos, sobretudo Paulo, ensinaram explicitamente que a santidade é a grande meta da nossa vida: “desde toda a eternidade, Deus nos cha-

Quantos são os santos no céu? mou santos e íntegros diante dele no amor” (Ef 1,4). Na Carta aos Romanos, São Paulo chama “santos por vocação” a todos os batizados (cf. Rm 1,7). São João, nos seus escritos, insiste na ideia da santidade como comunhão com Deus: quem está unido a Cristo e a Deus Pai é santo (cf. Jo 17); quem vive o amor a Deus e ao próximo é santo. O Evangelho é rico de indicações para a vivência da santidade. No céu e na vida eterna, só há lugar para os santos e, neste caso, é preciso ampliar ainda mais o conceito de santidade. A santidade consiste, neste caso, no fato de ter sido redimidos pela misericórdia de Deus, que não quer que ninguém se perca (cf. Jo 6,39; 18,19). Entra na vida eterna quem aceita a mão estendida de Deus, quem se deixa encontrar pelo Bom Pastor da humanidade, que “veio para buscar e salvar o que estava perdido” (cf. Mt 18,11). Jesus Cristo é o caminho que nos leva a Deus, a verdade que nos ajuda a não errar o grande rumo na vida (cf. Jo 14,6). Jesus Cristo é o “rosto misericordioso de Deus”, sempre voltado para a humanidade; por meio dele, todos podem ser salvos e entrar na vida eterna. Por meio dele, é que recebemos o perdão e a misericórdia de Deus e o Espírito santificador. Mas, por vias misteriosas conhecidas somente por Deus, e que o Espírito Santo oferece a todos, podem ser salvos também aqueles que nunca ouviram falar de Cristo e do Evangelho (cf. GS 16). Em outras palavras, todos podem ser santos. Todas as pessoas que estão no céu são santas e são “uma multidão imensa, de todas as tribos, línguas, povos e nações, que ninguém

consegue contar” (cf. Ap 7,9). É a todos esses “santos”, mesmo desconhecidos, que a Igreja recorda na solenidade litúrgica de Todos os Santos. Os santos no céu são aqueles que já chegaram “na casa do Pai” (cf. Jo 14,2); são os peregrinos que já alcançaram a “Jerusalém celeste” e a pátria definitiva (cf. Fl 3,20; Hb 11,6), buscada com esperança e perseverança no caminhar desta vida. Os santos, que a Igreja canonizou e continua a canonizar, representam o fruto maduro da “colheita do Senhor” (cf. Mt 13,30). São os servidores bons e fiéis que o Senhor convidou para participarem “da alegria do seu Senhor” (cf. Mt 25,21); eles são exemplos de vivência do Evangelho e do seguimento de Jesus, que nos encorajam continuamente, com a sua intercessão, a fazer o mesmo que eles fizeram. Os santos são a glória da Igreja, são os grandes cristãos, os católicos fiéis, os verdadeiros discípulos de Cristo, que acreditaram nas palavras de Jesus e “edificaram sua casa sobre a rocha” (cf. Mt 7,24). São aqueles que, durante esta vida, observaram os mandamentos de Deus, amaram a Deus e ao próximo e confiaram na misericórdia de Deus. São aqueles que “entraram pela porta estreita”, como Jesus recomendou (cf. Mt 7,13). Quantos serão, pois, os santos do céu? A resposta é simples e confortadora, como já se lê no Livro do Apocalipse: são “uma multidão imensa... que ninguém pode contar! (Ap 7,9). Graças a Deus! E temos a esperança de estar entre eles, um dia, pois esta é a meta final da vida e a vocação de todos: “sereis santos porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo!” (cf. Lv 19,2).

| Encontro com o Pastor | 3

Monumento a Nossa Senhora Aparecida Imprensa CNBB

Na quinta-feira, 27, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, participou na sede da CNBB, em Brasília (DF), da inauguração de um monumento em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. A obra de arte é parte das comemorações pelo tricentenário do encontro da imagem, que será celebrado em 2017. A arte foi abençoada pelo Cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP). Também esteve no ato de inauguração o núncio apostólico no Brasil, Dom Giovanni D’Aniello. A concepção artística é de autoria do artista Cláudio Pastro, falecido no dia 19 de outubro, a produção é de Progetto Arte Poli, de Verona, na Itália, e instalação da Lótus Implantação de Projetos. (Com informações do Portal A12)

Cônegos no Cabido Metropolitano Em missa na Catedral da Sé, no domingo, 6, às 11h, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, tornará cônegos catedráticos do Cabido Metropolitano de São Paulo os padres José Renato Ferreira e José Augusto Schramm Brasil. Na ocasião, também haverá a promoção e provisão a cônegos catedráticos dos cônegos Antonio Aparecido Pereira, José Adriano, José Miguel de Oliveira, Walter Caldeira, José Bizon, Antonio Manzatto e Alfredo Nascimento.

Manifestação inter-religiosa No domingo, 6, às 19h, na Catedral da Sé, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, participará de uma manifestação inter-religiosa sobre a misericórdia.

agenciaeya.com.br

www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

PENSOU EM SOM PARA IGREJAS, PENSOU EM LANDO. O SiStema de SOm adOtadO pela CATEDRAL DA SÉ, MOSTEIRO DE SÃO BENTO e váriaS OutraS igrejaS. LIGUE (19) 4062-0120 E AGENDE UMA vISITA TÉCNICA GRATUITA.

www.lando.com.br contato@lando.com.br


4 | Fé e Vida |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Liturgia e Vida 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 6 de novembro de 2016 Solenidade de todos os Santos

Esses vieram da grande tribulação Cônego Celso Pedro “Muitas vezes e de modos diversos, falou Deus antigamente aos nossos antepassados por meio dos profetas. Agora, Ele nos fala por meio do Filho, que é o herdeiro de todas as coisas e pelo qual fez o mundo.” Assim começa a Carta aos Hebreus. No passado, Deus se fez ouvir por meio de muitas vozes. Agora, fala por sua única Palavra, que com Ele existe desde o princípio, Palavra que sai da boca do Pai e da própria boca faz sair o sopro do Espírito. Basta ouvi-la, porque a Palavra se encarnou e se tornou em tudo semelhante a nós, menos no pecado. Podemos vê-la, ouvi-la e apalpá-la. Podemos vê-la com olhos humanos. O que era invisível pode agora ser visto. O que não era matéria pode ser tocado. O que não se representava é agora figura humana, que fala na imagem e na pintura. Fala ou falou? Falava aos do seu tempo, quando percorria os nossos caminhos e pisava o nosso chão. E agora, como fala? “Vocês acreditam porque viram - disse Ele um dia - Felizes os que vão acreditar sem terem visto”. Já não vemos a figura nem ouvimos o som, mas nem por isso estamos na escuridão. “Na tua luz, vemos a luz.” A Palavra encarnou-se também em letras e perpetua-se nas Escrituras. Nelas, Jesus nos fala. Fala nas letras visíveis das Escrituras que se tornam sonoras quando pronunciadas. O que são essas letras senão imagens codificadas da revelação de Deus? Mas são letras mortas, que não se movem e podem estar empoeiradas na estante de uma biblioteca ou esquecidas num canto de nossa casa. Não tem Ele um meio mais sonoro de falar, com sons que atinjam os ouvidos e com imagens que se refletem na vista? Há outro meio de proclamar a Palavra que não seja com vocábulos? É possível gritar o Evangelho com a própria vida? Já se disse que a melhor interpretação das Escrituras é a vida dos santos e das santas de Deus. Ele fala nas vidas dos que leem e praticam as Escrituras meditadas. Nós cremos em Jesus, mas não o vemos com os olhos da carne. Nós o imaginamos de diversas maneiras nas esculturas e nas pinturas que o representam e nos filmes que o retratam. As Escrituras Sagradas são letras mortas que recebem vida de quem as lê. É o leitor quem dá vida aos textos escritos. Outro, porém, é o testemunho daqueles que vieram da grande tribulação, que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro, que têm a fronte marcada com o selo do nosso Deus, que têm mãos puras e inocente coração, que não dirigem sua mente para o crime. Estes participam da santidade de Deus e nos falam aos ouvidos com o que dizem e aos olhos com o que praticam.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 26 de outubro de 2016, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia São Vicente de Paulo, na Região Episcopal Ipiranga, Setor Pastoral Anchieta, o Revmo. Pe. Valeriano Pedro Klidzio, CM, pelo período de 06 (seis) anos. PRORROGAÇÃO DA NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 27 de outubro de 2016, foi prorrogada a nomeação e pro-

visão de Pároco da Paróquia São Vicente Pallotti e São Pedro Apóstolo, na Região Episcopal Belém, Setor Pastoral Carrão/Formosa, do Revmo. Pe. Luiz Braz de Resende, SAC, pelo período de 03 (três) anos. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 26 de outubro de 2016, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia São João Batista, na Região Episcopal Ipiranga, Setor Pastoral Imigrantes, o Revmo. Pe. José Bartolomeu dos Santos.

Você Pergunta

Posso rezar o Terço sem contemplar os mistérios? padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

A Marli, não me disse seu sobrenome. Ela é do bairro da Água Funda e quer saber: “Posso rezar o Terço sem contemplar os mistérios? É válido?” Claro que você pode rezar o Terço sem contemplar os mistérios, Marli. Mas eu entendo que a oração do Terço fica muito mais completa com a contemplação dos mistérios. E sabe por quê? Porque você estará mergulhando fundo na história de nossa salvação. Porque ao contemplar os mistérios, Maria está conduzindo você a Jesus. Porque a sua devoção a Maria não fecha você para Cristo, e você aprende com Maria a fazer tudo o que Jesus mandar. A beleza da devoção do santo Rosário

consiste mesmo nesse mergulho nos mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos de nossa fé. É uma devoção que antes de ser mariana é profundamente bíblica. É uma devoção que nos leva, pelas mãos de Maria, a Jesus, o Senhor e Mestre de nossas vidas. Quer Catequese mais bonita do que repassar toda a vida pública de Jesus, todo o ensinamento dele, toda a sua paixão, sua morte e ressurreição? A oração do Rosário nos permite isso. Então, faça um esforço de decorar esses mistérios. De tanto rezar o Terço, eu já sei todos os mistérios de cor. E me faz bem. Quando viajo, quando caminho pela cidade, quando perco o sono à noite, invoco Maria e mergulho nos mistérios da fé. Sinto-me acolhido pelo amor maternal de Maria e sinto-me mais próximo de Jesus.


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

Espiritualidade Nossa Senhora Aparecida nas escolas Dom Carlos Lema Garcia

E

Bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade

ra uma segunda-feira, dia 2 de maio de 2016. No início da santa missa, que tive a alegria de celebrar, a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida entrou em procissão na capela do Colégio Nossa Senhora de Sion. A partir de então - e até o início do próximo ano - essa imagem de Nossa Senhora percorrerá escolas católicas de toda a Arquidiocese. As nossas escolas participam das comemorações pelos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Nossa Senhora está entre nós! Essa é a grande notícia! Cada escola recebe a imagem com festa. A rotina da escola se altera pelos momentos celebrativos: cânticos, orações e preces. Professores, funcionários, alunos e pais aproximamse com o desejo de colocar aos pés da Virgem Maria os seus pedidos, as suas intenções, as suas necessidades. Muitas pessoas não conseguem conter a emoção: entre lágrimas e orações, agradecem o carinho materno de Maria e se colocam em suas mãos maternais. As crianças, com o estímulo de seus professores, preparam cânticos marianos para receber Nossa Senhora, enfeitam as escolas com cartazes alusivos à história do encontro da imagem nas águas do rio Paraíba do Sul, preparam apresentações

teatrais ilustrando milagres atribuídos a Conferência Geral do Conselho EpiscoEla. Terminada a visita de Nossa Senho- pal Latino-Americano (Celam) em maio ra, chega o momento da despedida. É di- de 2007. Nessa ocasião, rezou diante de fícil esconder as lágrimas. Mesmo antes Nossa Senhora com os peregrinos: “Mãe de deixar a escola, bate a saudade desses nossa, protegei a família brasileira e lamomentos de oração, de carinho e de fé. tino-americana! Amparai, sob o vosso Algumas crianças insistem com as pro- manto protetor, os filhos desta pátria fessoras e seus pais: “Quando vamos a querida que nos acolhe. Vós que sois a Aparecida para retribuir a visita de Nos- Advogada junto ao vosso Filho Jesus, dai sa Senhora? Ela veio à nossa escola, este- ao povo brasileiro paz constante e prosve conosco, e nós precisamos conhecer a peridade completa. Concedei aos nossos sua casa, agradecer a sua visita!” irmãos de toda a geografia latino-ameDesde o passado dia 12 de outubro, ricana um verdadeiro ardor missionário também estamos vivendo no Brasil o Ano Na- Muitas pessoas não cional Mariano, graças à conseguem conter a emoção: feliz decisão dos bispos da Conferência Nacio- entre lágrimas e orações, nal dos Bispos do Brasil agradecem o carinho materno (CNBB). Vamos aprovei- de Maria e se colocam tar os momentos de graça em suas mãos maternais. deste ano mariano, que se encerrará no dia 11 de outubro de 2017. irradiador de fé e de esperança”. E o Papa Para isso, vale a pena recordar alguns con- Francisco foi rezar em Aparecida no dia selhos dos três últimos papas em suas pe- 24 de julho de 2013: “Queridos amigos, regrinações a Aparecida (SP). viemos bater à porta da casa de MaSão João Paulo II celebrou a santa ria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos missa na esplanada do Santuário de Apa- aponta o seu Filho. Agora, Ela nos pede: recida em 4 de julho de 1980. Entre ou- ‘Fazei o que Ele vos disser’ (Jo 2,5). Sim, tras coisas, disse-nos: “E vós, devotos de Mãe, nos comprometemos a fazer o que Nossa Senhora e romeiros de Aparecida Jesus nos disser! E o faremos com espeaqui presentes e os que acompanham rança, confiantes nas surpresas de Deus pelo rádio e pela televisão: conservai ze- e cheios de alegria. Assim seja”. losamente este terno e confiante amor à Ao longo deste Ano Mariano, deVirgem, que vos caracteriza. Não o dei- vemos demonstrar nosso amor e nossa xeis nunca arrefecer... Sede fiéis àqueles confiança de filhos à Nossa Mãe Santa exercícios de piedade mariana tradicio- Maria. Quem sabe, começaremos a renais na Igreja: a oração do Ângelus, o zar o Terço diariamente, ou em família mês de Maria e, de maneira especial, o algum dia da semana, ou levar aos pés Rosário... O verdadeiro filho de Maria da Mãe de Jesus as nossas necessidades e é um cristão que reza”. Já o Papa Bento intenções. Ela nos levará a Jesus: “Fazei o XVI decidiu celebrar em Aparecida a V que Ele vos disser”.

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania Campanha da Fraternidade 2017 Padre Alfredo José Gonçalves, CS Mais uma vez a Campanha da Fraternidade da CNBB aborda o tema da preservação e cuidado com o meio ambiente durante o tempo da Quaresma. Em 2017, à preocupação com o equilíbrio geral dos recursos naturais, acrescenta-se o tema mais específico dos “biomas brasileiros”. Como temática de fundo, emerge a “defesa da vida” em todas as suas formas – a biodiversidade. O lema da CF 2017 – “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15) – aponta para a relação entre o ser humano, as demais formas de vida e as próprias coisas. Em vez da dominação, como às vezes transparece, sublinha-se o cuidado. Cuidado que podemos classificar de paterno/materno com tudo aquilo que nos cerca e serve de base para a geração e multiplicação da vida. Ainda no Livro do Gênesis (Gn 9, 8-29), vemos que a aliança entre Deus e o povo de Israel, na figura de Noé, contém duas preocupações que vão na mesma direção. Tendo como símbolo o arco-íris, tal aliança é construída pelo Senhor não somente em favor dos seres humanos. É muito mais ampla e abrangente. Diz textualmente a Escritura: os beneficiários são, por um lado, “todos os seres viventes”, tudo o que se move sobre a face da Terra; e, por outro, “as gerações futuras”. Duas perspectivas estão em jogo: primeiramente, o respeito, o cuidado e a preservação de todas as espécies de vida, animais e vegetais, bem como os biomas onde elas mergulham as raízes de sua sobrevivência e multiplicação; em segundo lugar, a manutenção e a defesa da vida para os séculos vindouros. Quando uma espécie está ameaçada, a própria vida humana perde qualidade, pois todas as formas viventes se complementam. Daí a necessidade de cultivar e guardar! Três observações ou três desafios para a CF 2017: De início, cada bioma do ecossistema brasileiro tem suas características próprias. Deve ser preservado enquanto tal para que possa se manter e gerar vida. Mais do que modificá-lo em vista de lucros e produtividade, o desafio é saber conviver com ele; Depois, retoma-se aqui o tema da carta encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, na qual o Pontífice chama a atenção para o “cuidado com a casa comum”; Por fim, a guarda e o cuidado com a casa comum, a criação, depende de todos e de cada pessoa em particular. Responsabilidades distintas e diferenciadas, claro, mas responsabilidade de todos. Existem tarefas que correspondem às organizações internacionais, outras que correspondem aos Estados, outras a determinados governos e grupos, e outras, enfim, a pessoas individuais. As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

CuidardaSaúde Quais as causas da rinite alérgica? Cássia Regina A rinite alérgica é uma doença crônica com sintomas de congestão e obstrução nasal, coceira no nariz e coriza clara, podendo estar associada a sintomas conjuntivais. Alguns casos podem provocar dor de cabeça e mal-estar. É uma doença comum e atinge de 15% a 30% da população. Ela pode ser sazonal. Piora durante a primavera devido à polinização das flores e das árvores. Também pode ser causada por alergia aos ácaros de poeira doméstica, mofo, animais domésticos e fumaça de cigarro. Suas complicações levam a sinusite, faringite e até amigdalite, pois a rinite alérgica aumenta a secreção nas vias aéreas criando um ambiente favorável para a proliferação de bactérias. Medicamentos como antihistamínicos e descongestionantes nasais podem reduzir os sintomas. Algumas vezes, o uso de anti-inflamatório ou corticosteroides pode ser necessário. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com

Comportamento

Para os pequenos, brincar é coisa muito séria Simone Cabral Fuzaro É comum nos pegarmos pensando na brincadeira como um passatempo infantil. Brincar nos parece algo alternativo: se faz quando não há nada mais importante para fazer. Normalmente, os pais e muitas escolas priorizam as atividades formais para crianças desde muito pequenas. Consideram bons os colégios que adotam apostilas desde os 2 anos de idade, aqueles em que as crianças têm uma grande quantidade de atividades formais, são estimuladas a aprender conteúdos memorizando conceitos, enfim, há uma ideia de que assim serão mais bem-sucedidas nos estudos posteriores, frequentarão universidades mais conceituadas, serão profissionais de sucesso. É importante sabermos, porém, que para potencializarmos o funcionamento do cérebro dos pequenos criando sinapses numerosas, redes neurais ricas que potencializarão a plasticidade cerebral, a aprendizagem

e a capacidade cognitiva, para formarmos um sujeito capaz de se relacionar com os conhecimentos, com o mundo, com as pessoas e consigo mesmo de modo produtivo, criativo e sensato, precisamos saber como se dá o processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças. Brincar, na infância, é seríssimo. É, por excelência, o modo de experimentarem movimentos, sentimentos, sensações, perceberem o mundo, os objetos, os diferentes papéis, conhecerem possibilidades, conhecerem seu próprio corpo e explorarem suas possibilidades motoras, perceptuais, cognitivas, conhecerem os colegas, suas reações, experimentarem diferentes modos de enfrentar situações-problema, elaborarem sentimentos, criarem, errarem... Enfim, na brincadeira, as crianças têm o mais amplo e intenso campo de potencialização de todo o aparato psíquico, cognitivo e neurológico. Brincar ao ar livre, criar brincadeiras e personagens, brincar com outras crianças é ainda mais rico. Hoje em dia, a agenda das crianças é tomada de compromissos, aulas, atividades, e muitas delas não têm tempo para brincar. Por outro lado, os pais, também mais ocupados, dedicam menos tempo para proporcionar aos pequenos momentos e espaços adequados à brincadeira. Segundo um estudo conduzido por Edelman Berland, agência independente de pesquisa de marketing, realizado entre fevereiro e março de 2016 nos Estados Unidos, Brasil, Reino Unido, Turquia, Portugal, África do Sul, Vietnã, Chi-

na, Indonésia e Índia, 56% das crianças passam uma hora ou menos brincando ao ar livre. Uma em cada cinco crianças passa 30 minutos ou menos ao ar livre; e uma em cada dez nunca brinca ao ar livre. Em todos os países pesquisados, as crianças passam 50% a mais do seu tempo brincando em frente às telas dos eletrônicos do que ao ar livre. A mesma pesquisa aponta para a consciência dos pais de que é importante equilibrarem melhor essa situação, proporcionando mais experiências e brincadeiras aos filhos, especialmente ao ar livre. Partindo da consciência de que brincar é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças, é preciso nos empenharmos - tanto pais quanto educadores - para garantir aos pequenos uma infância riquíssima em experiências lúdicas. É importante lembrarmos que, apesar do brincar ser uma atividade própria e espontânea para a criança, segundo, Márcia Maria A. Figueiredo, mestre em Educação e professora do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais, “isso não significa que o educador (pais ou professor) não necessite ter uma atitude ativa sobre ela, inclusive uma atitude de observação e de intervenção quando for o caso, sua atitude não passará apenas por deixar as crianças brincarem, mas, sobretudo, ajudar as crianças nesse ato e compartilhar com elas, ou até mesmo por ensinálas a brincar”. Vamos tratar a brincadeira com a seriedade que ela merece. Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga e educadora e mantém o blog educandonacao.com.br


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

Religiosos brasileiros prestam assistência a vítimas de furacão no Haiti Irmã Zelinda

REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

Irmã Zelinda, da Congregação das Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, que mora, em Porto Príncipe, no Haiti, está, com mais alguns missionários brasileiros, em Jeremie, uma das cidades mais destruídas pelo furacão Matthew, que assolou o país no início de outubro. “Este furacão deixou rastros profundos de destruição, de miséria, de desalojamento, de fome, de doenças nesta terra já tão sofrida do Haiti. Cidades, casas, matas, lavouras arrasadas até a raiz. Pequenas ilhas superpovoadas de pescadores desapareceram por completo. Por todos os lados, encontramos pessoas olhando para os escombros de suas casas que não existem mais ou estão descobertas, sem reclamar, silenciosos e pensativos. Muitos se perguntando: Por que? O que vai ser de nós?”, relatou a Irmã em mensagem à Arquidiocese de São Paulo. Ela conta que se surpreendeu ao subir

(Redação: Fernando Geronazzo, com informações do Padre José Enes de Jesus)

(Redação: Júlia Cabral – com informações de Conceição Aparecida de Carvalho, da Pastoral da Pessoa Idosa)

Pelo diálogo e a tolerância na comunidade afro Luciney Martins/O SÃO PAULO

Dom Eduardo Vieira dos Santos preside celebração inter-religiosa na Catedral da Sé, dia 30

e referencial da Pastoral Afro, e os demais líderes religiosos. De acordo com o Padre José Enes de Jesus, assistente eclesiástico da Pastoral Afro, o caráter inter-religioso do evento teve o objetivo de cultivar o diálogo e a

Uma rede para pensar sobre o envelhecimento na cidade de São Paulo

tolerância na comunidade afro. A peregrinação também foi oportunidade de recordar a violência e mortalidade de jovens negros no Brasil.

mais às grandes cidades. Existem muitas casas nas montanhas, os moradores tentam refazer alguma coisa, mas não têm telhas, nem lonas e eles têm sofrido, pois tem chovido todas as noites, e não há lugar para se abrigarem. A Arquidiocese está em campanha em favor das vítimas do furacão. As doações devem ser feitas à Cáritas Arquidiocesana de São Paulo: CNPJ 62.021.308/0001-70 – Banco Itaú – Agência 0057 – cc 17.627-3.

Pastoral Afro Em virtude do Jubileu extraordinário da Misericórdia, a Pastoral Afro da Arquidiocese de São Paulo realizou uma peregrinação à Catedral da Sé no domingo, 30. O ato contou com a participação de representantes da Pastoral Afro e das irmandades do Rosário dos Homens Pretos e de São Benedito, da Arquidiocese e das dioceses paulistas de São Miguel Paulista, Santo André e Osasco. Também participaram representantes de tradições religiosas de matriz africana. O grupo se reuniu diante do marco zero da cidade, na praça da Sé, de onde seguiram em procissão à Catedral, passando pela Porta da Misericórdia. Em seguida, houve uma celebração inter-religiosa conduzida por Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar de São Paulo

Pessoa Idosa

Na tarde da quinta-feira, 27, a Pastoral da Pessoa Idosa, a Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Área do Idoso e representantes da Associação Nacional de Gerontologia debateram, no auditório da Paulinas Livraria, a implantação da Rede Solidária de Formação em Envelhecimento na cidade de São Paulo. O objetivo da Rede é oferecer orientações sobre as leis e os serviços já disponíveis para os idosos. O evento também buscou proporcionar o início de diálogos na busca de um agir mais solidário em vista do cuidado integral da pessoa idosa. A atividade começou com um momento de espiritualidade, com o Padre Helmo Faccioli, assessor eclesiástico da Pastoral da Pessoa Idosa da Arquidiocese, que falou sobre os atos de caridade, que, segundo ele, vão além da filantropia. “A caridade é feita justamente pelo amor e com o amor que Cristo nos amou para que possamos amar com a mesma intensidade”, comentou. Dr. Sérgio Márcio Pacheco Paschoal, médico geriatra e coordenador da Área Técnica de Saúde do Idoso da Secretaria Municipal da Saúde, destacou que embora envelhecer seja um processo de todos seres vivos, é difícil para o ser humano aceitar as perdas e voltar ao passado, pois todos desejam viver o máximo de tempo com a melhor qualidade. Dr. Délton Esteves Pastore, Promotor de Justiça de Direitos Humanos, relatou que a maioria das ocorrências que chega ao Ministério Público (MP) é sobre idosos abandonados. Ele disse ser fundamental a participação da comunidade no auxílio aos idosos, pois o MP não tem como resolver todos os casos em tempo hábil. Também durante o evento, Conceição Aparecida de Carvalho, coordenadora arquidiocesana da Pastoral, falou sobre a audiência privada que teve com o Papa Francisco, em 19 de outubro, no Vaticano, em que o Pontífice abençoou a bandeira da Pastoral.

População pobre do Haiti está com condição de vida ainda pior após passagem de furacão

as montanhas para chegar a uma pequena cidade próxima a Jeremie para prestar assistência às pessoas. “Eu via aquela natureza que deveria ser lindíssima, mas está tudo devastado. Os coqueiros, as bananeiras, as plantações não existem mais. Não tem verduras, nem legumes. Nada mais. Foi devastadora a passagem do furacão”. Irmã Zelinda recorda que em um dia foram atendidas 216 pessoas. “Essa região é muito esquecida, porque a ajuda chega

| Geral/Pastorais | 7

Conheça as soluções pedagógicas pensadas para atender exclusivamente às necessidades das escolas católicas. Um jeito de ajudar a ampliar as possibilidades de trabalho de professores, facilitar a atuação do gestor e contribuir positivamente com toda a comunidade escolar.

Para conhecer as soluções do Integra Confessionais, solicite a visita de um consultor comercial: 0800 729 3232.

/FTDSistemaDeEnsino www.ftdse.com.br


8 | Pelo Mundo |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Venezuela

Governo reprime manifestações a favor do referendo revogatório Getty Imagens

Em grande manifestação contra a paralisação do processo para a convocação do referendo revogatório, repressão do governo deixou ao menos 120 manifestantes feridos e prendeu 147 em diversos estados Filipe David

Correspondente do O SÃO PAULO na Europa

Diferentemente do Brasil, a Venezuela não possui na sua constituição um mecanismo para o impeachment de seu presidente. Existe, no entanto, um outro procedimento, um “referendo revogatório”, que pode ser proposto a partir da metade do mandato presidencial. Foi o que fez a oposição. Eram necessárias 195 mil assinaturas para dar continuidade ao processo. A oposição entregou 1,85 milhão de assinaturas verificadas (de um total de 2,5 milhões – que não foram totalmente verificadas). Mesmo assim, após muitas semanas de atraso, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) – órgão encarregado de supervisionar as eleições e referendos – decidiu, no dia 20 de outubro, paralisar indefinidamente o processo, alegando fraude em algumas assinaturas. A oposição tem pressa: se o referendo for bem-sucedido antes do dia 10 de

Lilian Tintori, esposa de Leopoldo López - preso por oposição ao governo de Maduro –, participa das manifestações pelo referendo revogatório

janeiro de 2017, novas eleições presidenciais deverão ser convocadas. Se a vitória vier apenas após essa data, o vice-presidente assumirá o governo até o final do mandato, o que representará a continuação do chavismo no poder, pelo menos até 2019. Em resposta, a oposição convocou uma manifestação em 26 de outubro. Milhares de pessoas foram às ruas em diferentes estados. Em muitas regiões, a polícia e grupos paramilitares governistas agrediram os manifestantes: foram presas 147 pessoas e ao menos 120 fica-

ram feridas, segundo o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles. Já a Foro Penal Venezoelano – organização criada para lutar pelos presos políticos na Venezuela – estima em 208 o número de pessoas presas, das quais 119 continuaram encarceradas após o fim do dia de manifestações. Após 17 anos de socialismo chavista, a Venezuela enfrenta uma crise política, econômica e humanitária sem precedentes, em que a população sofre com a violência galopante e a escassez

Terremotos voltam a abalar a Itália Filipe Domingues

Vigili Del Fuoco

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Apenas dois meses depois do terremoto que destruiu quase toda a cidade italiana de Amatrice, a região central da Itália sentiu novamente fortes tremores no dia 26 e no domingo, 30. Entretanto, diferentemente do terremoto de agosto, que deixou 298 mortos, os últimos abalos sísmicos causaram menos danos e deixaram poucos feridos. No dia 26, dois intensos tremores foram sentidos, o primeiro de magnitude 5.4 na escala Richter e o segundo de 5.9. Na manhã do dia 30, outro ainda mais forte, de magnitude 6.5, sacudiu toda a região. Foi o maior na Itália desde 1980. Terremotos acima de 5.4 têm mais chances de causar estragos – o mais forte da história foi no Chile, em 1977, com 9.5. Os epicentros (origens) dos últimos terremotos italianos foram principalmente em Valnerina, Perugia, Rieti e Macerata. Após um primeiro tremor, normalmente outras centenas de réplicas se seguem. Na capital italiana, Roma, e em outras cidades maiores, os tremores foram sentidos com clareza. Em Roma,

Em Norcia, a famosa Basílica de São Bento desaba quase completamente após terremoto

o metrô, as basílicas papais e palácios do governo foram fechados por algumas horas para verificação. Em Norcia, a famosa Basílica de São Bento, construída no local de seu nascimento, desabou quase completamente. O diretor do Instituto de Geologia Ambiental e Geoengenharia do Conselho Nacional de Pesquisa (Igag-Cnr), Paolo Messina, afirmou ao jornal Il Sole 24 Ore que provavelmente os últimos abalos ativaram uma nova sequência de terremotos

no país, o que costuma acontecer sempre que há um tremor expressivo. “O forte terremoto sentido na Itália central faz parte, infelizmente, de uma dinâmica possível”, disse, acrescentando que uma hipótese é a ativação de uma nova falha geológica, isto é, um espaço entre rochas no subsolo que tende a gerar novos tremores até que elas se estabilizem. “Provavelmente, os últimos terremotos estão ligados àquele de agosto”, avalia Messina.

de produtos básicos, medicamentos e alimentos no país. Seguindo proposta do Papa Francisco – que recebeu o presidente Nicolás Maduro no dia 24, no Vaticano –, a oposição teve, no domingo, 30, um primeiro encontro com Nicolás Maduro e representantes do governo para iniciar um diálogo sobre a crise. Segundo os líderes da oposição, se o governo é realmente sincero em seu desejo de dialogar, deve libertar seus presos políticos e pôr fim à repressão. Fontes: DW/ La Patilla/ El País/ BBC/ CNE

‘Em Roma sentimos muito pouco estes tremores’, conta Dom Julio

Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, estava em Roma no domingo, 30, em um congresso internacional para vigários episcopais e delegados da vida consagrada e contou à rádio 9 de Julho o que vivenciou. “Em Roma, nós sentimos muito pouco esses tremores. Hoje de manhã [domingo], quando me preparava para sair para ir a este congresso, senti tontura, vertigem, mas logo percebi que não se tratava de um problema particular, era o prédio que estava tremendo. Eu estava no 3º andar da casa em que estou sendo hospedado. O terremoto foi, de fato, sentido pelas pessoas que estavam nas casas, principalmente nos andares mais altos. Quem estava na rua, praticamente não sentiu nada. Houve um pouco de medo, de susto, as pessoas saíram às ruas, mas não houve nada mais grave do que isto”, relatou em entrevista.


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

| Papa Francisco | 9

‘Não se pode ser católico e sectário’, afirma Francisco, em ida à Suécia L’Osservatore Romano

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

“Do Conflito à Comunhão, juntos na esperança”, foi o lema da viagem apostólica do Papa Francisco à Suécia na segunda-feira, 31, e na terça-feira, dia 1º, por ocasião da comemoração comum entre luteranos e católicos dos 500 anos da Reforma Protestante e os 50 anos do diálogo entre as duas confissões. O ponto alto da viagem foi a inédita oração ecumênica realizada na Catedral luterana de Lund, na qual o Papa Francisco e o presidente da Federação Luterana Mundial, Reverendo Mounib Younan, assinaram uma declaração conjunta, cujo texto se inicia com as seguintes palavras: “Permanecei em Mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em Mim” (Jo 15,4). Além de recordar os 500 anos da reforma, a declaração destaca que os 50 anos de “constante e frutuoso diálogo ecumênico entre católicos e luteranos” ajudaram a superar muitas diferenças e aprofundaram a compreensão e confiança entre as duas Igrejas. “Ao mesmo tempo, aproximamonos uns dos outros através do serviço comum ao próximo – muitas vezes em situações de sofrimento e de perseguição. Graças ao diálogo e testemunho compartilhado, já não somos desconhecidos; antes, aprendemos que aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos separa”, continua o texto.

Unidade ferida

Na declaração se evidencia, ainda, que “ao mesmo tempo que estamos profundamente gratos pelos dons espirituais e teológicos recebidos por meio da reforma, também confessamos e lamentamos

visita e seu significado, Francisco destacou que “não se pode ser católico e sectários”. “Devemos nos esforçar para estar com os outros. ‘Católico’ e ‘sectário’ são duas palavras que se contradizem”, enfatizou.

‘Gratidão, penitência, esperança’

diante de Cristo que luteranos e católicos tenham ferido a unidade visível da Igreja”. O Papa e o Reverendo afirmam que a fé em Jesus Cristo e o Batismo exigem dos cristãos uma conversão diária, “graças à qual repelimos as divergências e conflitos históricos que dificultam o ministério da reconciliação”. E acrescentam: “Enquanto o passado não se pode modificar, aquilo que se recorda e o modo como se recorda podem ser transformados”.

Testemunho da misericórdia de Deus

“Enquanto superamos os episódios da nossa história que gravam sobre nós, comprometemo-nos a testemunhar juntos a graça misericordiosa de Deus, que se tornou visível em Cristo crucificado e ressuscitado”, salienta o texto, reforçando que ambos os líderes estão cientes de que o modo como os dois grupos se relacionam entre si incide sobre o seu testemunho do Evangelho. Por isso, se comprometem “a crescer ainda mais na comunhão radicada no Batismo, procurando remover os obstáculos ainda existentes que nos impedem de alcançar a unidade plena”.

Apelo

Por fim, o texto traz um apelo aos católicos e luteranos do mundo inteiro: “Apelamos a todas as paróquias e comunidades luteranas e católicas para que sejam corajosas e criativas, alegres e cheias de esperança no seu compromisso de prosseguir na grande aventura que nos espera. Mais do que os conflitos do passado, há de ser o dom divino da unidade entre nós a guiar a colaboração e a aprofundar a nossa solidariedade”

Em conferência aos jornalistas, o Reverendo Martin Junge, secretário da Federação Luterana Mundial, manifestou que “gratidão, penitência, esperança” são as palavras que bem ilustram este evento histórico. Gratidão pelo intenso diálogo registrado nos últimos 50 anos; penitência, arrependimento, pelas feridas, violências, mal-entendidos provocados por ambas as partes; e esperança de que o trabalho rumo à unidade não pare e avance rumo a um futuro comum. Para o Luterano, o Papa não foi à Suécia para celebrar a divisão, mas para demonstrar a vontade de união, que significa superar uma mentalidade baseada no confronto. Com informações da Rádio Vaticano

L’Osservatore Romano

‘Caminhar juntos’

Na véspera de sua viagem, o Papa Francisco concedeu uma entrevista aos padres jesuítas Ulf Jonsson, diretor da revista sueca Signum, e Antonio Spadaro, diretor da revista italiana La Civiltà Cattolica, na qual sublinhou a importância de “caminhar juntos” para não permanecer fechados em perspectivas rígidas, porque nelas não há possibilidade de reforma. Entre vários assuntos tratados na entrevista, o Pontífice falou sobre sua amizade com os luteranos desde quando era garoto e depois nos tempos de seu ministério episcopal. Além de explicar as modalidades da

A última atividade do Santo Padre na Suécia foi uma missa, na terça-feira, dia 1º, no estádio de Malmo, com a pequena comunidade católica sueca, que representa pouco mais de 1% da população de cerca de 10 milhões de habitantes no total.


10 | Política |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Abstenções

Mais de 7 milhões de eleitores não compareceram às urnas para votar no segundo turno das eleições municipais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso representa 21,6% do total de eleitores. Em 2012, o percentual do segundo turno foi menor, de 19,11%. O número de votos em branco ou nulos somou 3,6 milhões, o que representa 14,3% do total de votos. Esse volume é 54% superior ao de votos não válidos registrados em 2012. Ao menos nas capitais Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS), o número de abstenções, nulos e brancos somados foi maior do que a votação dos prefeitos eleitos.

Número de prefeituras

Com o resultado de domingo, 30, o PMDB permanece como o partido com o maior número de prefeituras, elegeu 1.038 prefeitos, um crescimento de 1,6% em relação à eleição de 2012. Já o PSDB, que acabou o pleito com 803 prefeituras, cresceu 15,5% em comparação com as eleições passadas, quando elegeu 695. Os tucanos registraram o maior crescimento proporcional entre as grandes legendas brasileiras. Enquanto isso, o PT viu seu poder municipal diminuir em 60%. Antes, era o terceiro maior em número de prefeituras, com 638. Agora é o décimo, com 254. No universo das pequenas e médias legendas os maiores crescimentos foram do PTN (150%), PHS (131%), PCdoB (50%), PSL (34%) e PRB (31%). Já na Grande São Paulo se consolidou o fim do chamado “cinturão vermelho” com a derrota nas urnas do PT em Mauá e Santo André e a força do PSDB do governador Geraldo Alckmin na Região Metropolitana de São Paulo. Os tucanos conseguiram um feito inédito de obter 11 prefeituras na região. Além disso, o PSB, partido do vice de Alckmin, Márcio França, venceu em mais cinco cidades na localidade.

A Reforma da Previdência diante da necessidade de unificação dos regimes Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

O brasileiro hoje vive mais. Em 1900, a expectativa de vida era de 33,7 anos, dando um salto significativo em pouco mais de 11 décadas, atingindo 75,4 anos, em 2014. Em contrapartida, a taxa de fecundidade do país caiu de 6,16 filhos por mulher para apenas 1,57 filhos em pouco mais de sete décadas – de 1940 para 2014. Caminhamos para ser um país mais idoso. A pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mostra a forte tendência de aumento da proporção de idosos na população: em 2030, seria de 18,6% e, em 2060, de 33,7%. Em 2060, a proporção da população com até 14 anos de idade seria de 13%; a de jovens de 15 a 29 anos, de 15,3%; e a de pessoas de 30 a 59 anos, de 38%. Os impactos do envelhecimento do brasileiro serão sentidos em diversas áreas, especialmente naquelas relacionadas à seguridade social, fato que traz à tona o debate sobre a necessidade de uma reforma do sistema previdenciário brasileiro, mais concretamente das aposentadorias. O professor de Direito Previdenciário da PUC-SP, Miguel Horvath Júnior, em entrevista ao O SÃO PAULO, ressaltou alguns pontos que deveriam

ser considerados em uma reforma previdenciária. Para o professor, é preciso colocar uma idade mínima para a aposentadoria que seja independente do fator previdenciário. “O aumento de idade para aposentação é um assunto delicado e chato, mas há uma necessidade de estabelecer um limite de idade mínima. Esse é o padrão trabalhado pelos sistemas previdenciários mundialmente. Não é possível que todo mundo esteja errado e o Brasil certo”, opinou. Um dos pontos para se estabelecer a idade mínima é a informação dada pelo IBGE de que o brasileiro está vivendo mais, haja vista que se, por exemplo, um homem que começou a trabalhar aos 16 anos decide se aposentar com os 35 anos de contribuição, por mais que sua aposentadoria sofra uma redução por conta do fator previdenciário, ainda assim, ele viveria mais de 20 anos gozando de uma aposentadoria. Soma-se a isso a melhoria da qualidade de vida, o que faz com que esse homem ao se aposentar, com 51 anos, esteja em plenas condições laborais. Ao impor uma idade mínima para homens e mulheres, pode-se questionar que uma pessoa que mora no Norte ou Nordeste do país tem uma estimativa de vida menor do que quem mora no Sul e Sudeste. Quanto a essa questão, o professor Miguel destaca que a expectativa de vida é uma média, ou seja, é levado em consideração as condições de todo o país e depois é tirada uma média de idade. INSS

Olhos em 2018

Com o fim das eleições municipais, as atenções se voltam para as eleições presidenciais de 2018. Caso a Lava Jato não consiga tirar o ex-presidente Lula de cena, certamente ele será o nome forte do PT e da esquerda menos radical, aglutinando legendas e partidos dessa linha. Mas, Ciro Gomes, do PDT, já começa a se apresentar como alternativa ao “lulopetismo”. O aliado de Ciro e de seu irmão Cid Gomes, Roberto Claudio ganhou a prefeitura de Fortaleza (CE) e deu combustível para um possível projeto presidencial em 2018. Do outro lado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem se fortalecido. Além da vitória de João Doria no primeiro turno na capital, o PSDB emplacou um número maior de prefeituras na região metropolitana e contou com o crescimento de partidos aliados, como o PSB. Os adversários políticos de Alckmin dentro do PSDB estão sofrendo derrotas, o senador e Ministro das Relações Exteriores, José Serra, foi acusado em delação premiada da Odebrecht de receber R$ 23 milhões via caixa dois à campanha presidencial na eleição de 2010. Já o senador tucano Aécio Neves não conseguiu eleger o seu afilhado político em Belo Horizonte (MG), perdendo ainda mais protagonismo dentro do partido. Aécio já deu declarações em que defendeu a realização de prévias no partido para escolha de candidato à presidência em 2018. O que resta é saber como se comportará o PMDB. O presidente Michel Temer já afirmou que não tem intenções de se candidatar para a presidência em 2018. A conferir. Caso não tenha candidato próprio, quem contará com o apoio do PMDB em 2018? Fontes: El País, Folha de São Paulo, G1, Estadão, Carta Capital

Super aposentadorias e distorções No livro “A previdência injusta – Como o fim dos privilégios pode mudar o Brasil”, o jornalista e economista Brian Nicholson, inglês que há 30 anos mora no país, apresenta como algumas categorias dentro dos regimes próprios possuem determinados privilégios que tornam suas aposentadorias mais altas e pesadas para todos os demais. Para se concertar essas distorções, o professor Miguel afirma que o ideal seria que houvesse um único regime básico de Previdência e que essa previdência “desse cobertura para todos os trabalhadores. Da iniciativa privada, para quem tem vinculação com a administração pública que não seja servidor e para os servidores, um padrão único e um regime único, mas historicamente no Brasil temos uma proteção previdenciária segmentada”. Para a presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger, a reforma da Previdência para ser justa deve levar em consideração a proteção dos recursos previdenciários e unificação, ou pelo menos aproximação, de regras de aposentadorias de regime geral e regime próprio. Essa proteção dita pelo professor pode ser veri-

ficada nos regimes destinados aos servidores públicos federais, estaduais, municipais e aos militares, por exemplo. Como essas categorias conseguem se organizar e fazer uma pressão maior no parlamento - recordando que muitos deputados são servidores públicos licenciados ou aposentados -, seria muito difícil a criação de um regime único. “Por isso é preciso buscar um padrão de isonomia entre os regimes: a mesma regra que vai se aplicar ao regime geral se aplique aos regimes próprios. Notadamente com a questão de idade para a aposentadoria, isso é uma simetria, mas não é uma unificação”. O professor Miguel recorda, ainda, que entre as distorções que precisam ser equacionadas estão as pensões por morte. É preciso, segundo ele, reforçar o fim da natureza vitalícia do benefício. As mudanças feitas em 2015, de certa forma, já colocaram alguns limites no acesso às pensões por morte, mas é preciso que seja levado em consideração a capacidade laboral dos dependentes. A pensão pode ser provisória, como em alguns países, e logo que provada a capacidade de se manter dos dependentes é precioso que o benefício seja suspenso.


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

| Com a Palavra | 11

Padre Pirmin Spiegel

Misereor, há 50 anos unindo a Alemanha ao Brasil Misereor

Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

“A Misereor auxilia os membros mais fracos da sociedade: os pobres, os doentes, os famintos e os desprivilegiados. Não importa se são homens ou mulheres que necessitam ajuda, qual a sua religião ou naturalidade. O amor ao próximo é uma atitude fundamental da vida cristã que a Misereor visa traduzir em ação concreta, pois os pobres são nossos irmãos e irmãs e possuem o direito a uma vida digna. A Misereor não persegue outro fim senão o de promover o desenvolvimento humano: o mandato recebido pelos bispos alemães exclui a promoção de atividades pastorais e missionárias”. Assim, o site da Misereor – uma obra da Igreja Católica da Alemanha para a cooperação ao desenvolvimento – define sua atuação e missão. Há mais de 50 anos, Misereor está comprometida com a luta contra a pobreza na África, Ásia e América Latina. Nesse sentido, os projetos de Misereor buscam fortalecer a iniciativa própria dos pobres e incentivá-los a manifestar os seus interesses e necessidades – não como pedintes, mas como pessoas que conhecem seus direitos e deveres. Esse tipo de ajuda contribui, ao mesmo tempo, para que os pobres não se tornem dependentes da ajuda do exterior. Para compreender o trabalho da Misereor e sua atuação no Brasil, O SÃO PAULO entrevistou o Padre Pirmin Spiegel, diretor-geral, que por quase 15 anos trabalhou como missionário Fidei Donum no país.

O SÃO PAULO – O que foi mais difícil: se adaptar ao Brasil ou 15 anos depois voltar para Alemanha e se readaptar a vida lá? Padre Pirmin Spiegel - Eu tenho no meu coração pelo menos dois países, Alemanha e Brasil. Eu, pessoalmente, estava aqui num tempo onde havia mais força, mais garra. Ainda tenho garra, mas cheguei com 33 e fiquei até os 50 anos aqui, mas a situação é diferente. Nós éramos, antigamente, muito mais jovens. Agora temos uma média de 65, 70 anos. A Misereor financia muitas obras da Igreja no Brasil, quais são essas obras? A Misereor é fundada pela conferência episcopal da Alemanha, para uma obra de desenvolvimento contra a fome e as causas da fome. Então, atuamos no mundo inteiro, em 92 países de todos os continentes, e apoiamos projetos de desenvolvimento social, agrícola, urba-

no, promoção dos Direitos Humanos, trabalhamos na justiça climática; mas excluem-se projetos diretamente pastorais de evangelização. Porque na fundação, em 1958, já havia muitas obras pastorais. Nós trabalhamos no Brasil e em outros países da América Latina. Em 2014, foram quase 50 milhões de euros investidos em projetos. Mais projetos rurais, da saúde, questão de uma agricultura alternativa. Apoiamos Caritas, CIMI, CPTE, o Conselho dos Pescadores, trabalhos com consequências para a questão climática da mineração; trabalhamos muito na REPAM [Rede Eclesial Pan-amazônica] a questão da biodiversidade, dos indígenas, do solo, saneamento básico. Pela primeira vez, fizemos uma Campanha da Fraternidade junto com a Igreja daqui. Elaboramos juntos documentos, cantos e textos. Qual o motivo desse apoio? Depois da Guerra Mundial, na Alemanha, recebemos muito apoio dos outros países. Quando nós “vivíamos no chão”, outros ajudaram a nos erguer, para ser gente com cabeça erguida. Então, chegou a hora, durante o crescimento econômico da Alemanha, depois da Guerra, de também nós darmos uma contribuição para o desenvolvimento dos outros. Independentemente da religião, do sexo, da etnia e etc. Vocês refletiram sobre a CF também na Alemanha? Nós tínhamos representantes. Por exemplo, na abertura eu estava em Brasília junto da CNBB, fui ao palco junto com Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB, e Dom Sergio

da Rocha, presidente da CNBB, para a abertura da Campanha. Porque a ideia foi a seguinte: vivemos em uma casa comum. Tem desafios climáticos, do saneamento básico; não só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro. Tem exclusão de pessoas, pessoas que sempre perdem. Esses desafios da justiça social, da distribuição das riquezas existem no mundo inteiro. Então, nossa ideia é não só um país poder resolver esses desafios; precisamos [resolvê-los] de maneiras diferentes, mas resolver juntos, juntando as forças. Essa foi a base de criar pela primeira vez uma Campanha de Fraternidade juntos, entre Alemanha e Brasil, para juntos colocar a questão do saneamento básico, o direito de ter água para beber, água limpa; o direito a saneamento básico é muito amplo, há a questão de higiene, de acesso a saúde. Viver na cidade foi outra questão, ter direito de viver na cidade. Os pobres são obrigados a viver nas periferias e nas favelas, mas tem direito de viver no centro também. Mas isso é problema também das Filipinas, da Índia, da África. Então, a ideia é, [diante de um] desafio comum, enfrentar algo em comum, mas de maneira diferenciada, segundo a situação de cada país. Foi fácil, na Alemanha, para as pessoas compreenderem essa realidade, compreenderem que em determinado bairro as pessoas não têm água encanada nem esgoto. Como foi explicar isso parar eles? É uma boa pergunta! Em um primeiro momento, isso foi difícil, porque na Alemanha não existem esses desafios.

Mas, por exemplo, a questão de ter direito a água, direito à alimentação, direito a saúde básica... essas foram questões que lá também vingaram. Porque aos desempregados, por exemplo, é muito mais difícil ter acesso a uma saúde adequada; não é tão fácil quanto se pensa em um primeiro momento. Então, percebemos que trata-se de ter direito a vida, de direitos humanos. Mas o que implica isso? Implica ter saneamento básico.... Essas questões foram fáceis para explicar, mas os detalhes, como acontece aqui na periferia de São Paulo, na periferia do Rio de Janeiro. Isso foi difícil, porque para quem não conhece é muito difícil de imaginar contextos tão diferentes. Porque nós também não podemos criar soluções para cá, pois quem tem que lutar pelas soluções é a população, a sociedade que vive aqui; para pressionar o governo, temos o direito disto. Isso não foi tão fácil pelas realidades diferentes, mas eu penso que cuidar do outro, de outro país, faz parte do Cristianismo. Ver a situação do outro. Isso foi o que nós tentamos comunicar; que as nossas decisões políticas e econômicas na Europa têm consequências para a vida aqui e que as coisas daqui tem consequências na Europa. Por exemplo, a questão da soja. O Brasil exporta farinha de soja para Alemanha, para alimentar também nossos porcos, e essa compra mexe no plano agrícola daqui. Essas dependências nós trabalhamos na Campanha da Fraternidade. De tudo isso, qual tem sido o maior aprendizado para o senhor, mais pessoalmente, e para a Misereor de todo esse tempo desenvolvendo o trabalho aqui no Brasil? O aprendizado maior é que nós vivemos em uma casa comum e só podemos criar uma sustentabilidade para uma vida digna para todos, quando enfrentamos esses desafios juntos; cada um em seu país, mas sabendo das dependências e também participando da dor da exclusão do outro. Eu não posso dizer que a dor do outro para mim é indiferente. Indiferença para a dor do outro não é uma expressão de Jesus. Então, isso foi uma grande ajuda. Agora pessoas da Alemanha sabem muito mais sobre a Amazônia, sobre o projeto das barragens e o que isso significa para as populações indígenas. Isso no início ninguém sabia, mas agora sabem ‘olha, tem a ver conosco a questão da Amazônia’. Essa questão, de abrir horizontes no pensar e levar situações de outros países para reflexão, ajudou muito a Campanha da Fraternidade.

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


12 | Reportagem |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Patriarca da Igreja Católica Siríaca Sua Beatitude Inácio Youssef III Younan participou da missa na Catedral da Sé, no domingo, 30, e concedeu entrevista coletiva no Clube Monte Líbano Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

“Doces sírios” lê-se no banner colocado na porta da lanchonete na avenida Luís Dumont Villares, na zona Norte de São Paulo. Há pouco mais de um ano, o negócio começou com poucos itens e agora já contém um cardápio variado com doces e salgados. Os proprietários são refugiados sírios que vieram tentar a vida no Brasil e conseguiram abrir seu próprio negócio. De acordo com a Organização das Nações Unidas, em notícia publicada em março deste ano, o Brasil já recebeu um total de 2,1 mil refugiados sírios, a maioria em São Paulo. “A Síria está vivendo uma catástrofe”, disse o Patriarca de Antioquia e de todo o Oriente para a Igreja Católica Siríaca, Inácio Youssef III Younan, durante visita a São Paulo, no domingo, 30. O Patriarca participou da missa, presidida por Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, na Catedral da Sé (veja reportagem ao lado), e logo após recebeu a imprensa no Clube Monte Líbano, em Moema, para uma coletiva de imprensa, em que falou sobre a situação de conflitos no Oriente Médio e a realidade de perseguição dos cristãos.

‘Que os cristãos siríacos não se esqueçam das suas raízes’

“É a primeira vez que venho ao Brasil para conhecer esse país maravilhoso que acolheu nossa comunidade há mais de cem anos. Minha visita é litúrgica e apostólica à minha comunidade, emigrada da Síria devido a guerra, que começou há seis anos”, disse o Patriarca no início da coletiva. Em resposta às perguntas dos jornalistas, ele explicou que “a situação dos cristãos é vida ou morte e mais de 50% saíram do Iraque em direção a Europa ou Estados Unidos da América, lugares onde possam viver em paz. Antes da guerra da Síria, havia mais de 1 milhão de iraquianos refugiados na Síria, também devido à guerra no Iraque. Em 2014, o Esta-

O Patriarca da Igreja Siríaca Católica, Inácio Youssef III Younan, terceiro da esquerda para a direita participou da missa presidida pelo Cardeal Sche

do Islâmico entrou na região cristã, expulsou todos os cristãos e destruiu mosteiros e igrejas. Os refugiados saíram para países como Líbano, Jordânia e Turquia.” Sobre a acolhida brasileira, o Patriarca disse que “o país acolheu todos os refugiados, os ajudou a terem um visto de trabalho, por exemplo. Porém, o Brasil não é um país que pode ajudar, no sentido de dar trabalho e um lugar para morar, como alguns países europeus”. Em relação àqueles que decidiram ou não têm condições de sair dos países em conflito no Oriente, o Patriarca afirmou que “a Igreja está tentando ajudar a todos em seus países. Porém, os cristãos querem viver honestamente, dentro de uma casa e não em tendas. A Igreja está sempre tentando ajudá -los a conseguir isso. Mas, há muitos cristãos em aldeias que estão quase desertas por causa da guerra e a situação torna-se sempre mais grave”. Como mensagem aos cristãos siríacos que vivem no Brasil, Sua Beatitude disse que os cristãos do Oriente Médio têm com missão carregar a cruz do Senhor. “Não se esqueçam da sua tradição e cultura, de ficarem unidos ao país de seus pais. A integração é boa, mas é importante que os cristãos siríacos não se esqueçam das suas raízes, da sua fé.”

Patriarca desde 2009

Inácio Youssef III Younan nasceu em 15 de novembro de 1944 e é o atual Patriarca Sírio Antioqueno, líder da Igreja Católica Siríaca. Foi pároco e professor do seminário em Beirute, no Líbano. Viveu de 1986 a 1995 nos Estados Unidos da América, na Diocese de Our Lady of Deliverance, em Newark, quando foi nomeado, pelo então papa João Paulo II, bispo da diocese e visitador apostólico dos fiéis sírio-católicos da América. Em 2009, Inácio Youssef III Younan foi eleito como Patriarca pelo Sínodo siro-católico, reunido em Roma, sob a presidência do Cardeal Leonardo Sandri, então Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais. Bento XVI, hoje papa emérito, concedeu a comunhão eclesiástica em sua visita a Roma em 19 de junho de 2009. Na ocasião, o Patriarca presidiu a missa pelo rito siríaco na Basílica de Santa Maria Maior, em sinal de comunhão com a Igreja Católica Romana.

Igreja Católica Siríaca

A Igreja Católica Siríaca ou Igreja Católica Síria é uma Igreja Católica oriental sui juris em comunhão com a Igreja Católica. A sua comunhão formal e definitiva com a Santa Sé ocorreu em 1781, quando separou-se

definitivamente da Igreja Ortodoxa Siríaca. O seu rito litúrgico pertence à tradição siríaca de Antioquia; e utiliza o siríaco, o árabe, o aramaico, o inglês e o francês como línguas litúrgicas. “A Igreja Católica Siríaca partilhou da mesma história, do mesmo rito e idiomas da Igreja siríaca ortodoxa, até o século XVI, quando ocorreu um movimento de união sob a ação de missionários ocidentais, em particular, frades capuchinhos, e graça aos maronitas penetrou largamente na Igreja siríaca. Com Ignácio Andre Akhidja, eleito patriarca em 1662, a Igreja assume o nome de Igreja Siríaca Católica. A união definitiva é selada em 1783”, explicou Fernando Altemeyer Junior, professor da PUC-SP. A Igreja é sediada em Beirute, mas tem fiéis no Líbano, Síria, Iraque, Turquia e uma diáspora significativa no Ocidente, como na Suécia, por exemplo, além dos fiéis espalhados pelo mundo, a maioria refugiados pelos conflitos em seus países de origem. Atualmente, Sua Beatitude Youssef III Younan é o responsável direto por 14.500 católicos siríacos, em cinco centros de pastoral, e conta com 16 presbíteros. Ainda de acordo com informações coletadas pelo professor Fernando Altemeyer Junior, são, ao


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

a visita São Paulo Luciney Martins/O SÃO PAULO

Inácio Youssef III Younan agradece acolhida da Arquidiocese a refugiados do Oriente Médio Júlia Cabral

Especial para O SÃO PAULO

erer, no domingo, 30; ele veio ao Brasil visitar os sírios católicos, sobretudo os refugiados da guerra

todo, 19 prelados em 13 circunscrições os bispos de rito siríaco para um total de 160.418 católicos, 114 padres e 86 centros de pastoral.

Denúncia e oportunismo

Há cerca de um ano, no dia 8 de outubro de 2015, o Patriarca sírio Inácio Youssef III Younan denunciou no Vaticano, o “inferno” da perseguição religiosa contra cristãos no Oriente Médio, criticando o “oportunismo econômico” do Ocidente. “Sentimos que fomos esquecidos, traídos pelos países ocidentais”, disse durante a coletiva de imprensa sobre os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a família. Na ocasião, ele falou ainda sobre a “provação catastrófica” para as famílias, que fazem “todo o possível para sair do inferno, particularmente do Iraque e da Síria”. Este ano, durante a coletiva de imprensa no Clube Monte Líbano, em São Paulo, Sua Beatitude voltou a usar repetidas vezes os termos “catástrofe” e “caos”, ao se referir aos conflitos no Oriente Médio, criticou a Primavera Árabe e afirmou que os cristãos são “aqueles que estão sempre a carregar a cruz”.

Desafio pastoral

Em mensagem após a visita do Patriarca em Roma, em dezembro de 2014, o Papa Francisco afirmou que

“a difícil situação do Médio Oriente provocou e continua a causar deslocamentos de fiéis para as eparquias da diáspora e isso põe-vos diante de novas exigências pastorais. É um desafio: por um lado, permanecer fiéis às origens; por outro, inserir-vos em contextos culturais diferentes, trabalhando ao serviço da salvação das almas e do bem comum”. “Muitos fugiram a fim de se proteger contra uma desumanidade que põe na rua populações inteiras, deixando-as sem meios de subsistência. Com as outras Igrejas, procurai coordenar os vossos esforços para satisfazer as necessidades humanitárias de quantos permaneceram na pátria e também dos que se refugiaram noutros países”, continuou o Papa em sua mensagem. A vinda da Sua Beatitude Inácio Youssif III Younan ao Brasil tem exatamente o objetivo de visitar os fiéis da Igreja Católica Siríaca e ajudá-los a encontrar-se para celebrar sua fé em comunidade. Além de São Paulo, ele irá a Minas Gerais, Brasília e Rio de Janeiro. O Cardeal Scherer acenou positivamente sobre um espaço para os sírios católicos celebrarem em seu rito próprio e disse que irá procurar responder ao pedido do Patriarca referente a isso.

| Reportagem | 13

O Patriarca de Antioquia e de todo o Oriente para a Igreja Católica Siríaca, Inácio Youssef III Younan, foi recebido na porta da Catedral da Sé, no domingo, 30, pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano. Após saudar os fiéis, eles se dirigiram à capela do Santíssimo Sacramento, onde permaneceram até o início da missa. O Arcebispo de São Paulo, no início da celebração, dirigiu-se ao Patriarca, expressando solidariedade aos sírios. “Queremos acolher toda a Igreja Siríaca Católica que o senhor representa. E também todas as angústias, os sofrimentos e todos os temores dessa comunidade, assim como os das demais comunidades cristãs e não cristãs, que estão sofrendo por causa da guerra, discriminações, perseguições e martírios. Um risco muito grande que faz muitos deixarem suas terras, procurarem abrigo e refúgio em outros países, além de nós. Na Igreja em São Paulo, acolhemos muitos povos e refugiados que vem começar vida nova. Longe da guerra, longe da violência. Muitos foram martirizados por nossa fé em Cristo, muitos sofrem todo dia vexame e violência por causa de sua fé. Muita coragem, muita paz para todo aquele povo.” Após um abraço, o Cardeal Scherer convidou o Patriarca a falar. Inácio Youssef III Younan declarou-se feliz por estar no Brasil pela 1ª vez, principalmente em São Paulo, e fez um apelo: “Nessa primeira visita, tenho a honra de visitar o Brasil e a cidade de São Paulo. É uma pena que um país esteja tão sofrível e esquecido; especialmente a Síria, onde o Apóstolo Paulo entrou e recebeu o Batismo. Estou aqui para agradecer ao Brasil

pelo acolhimento. Especialmente a vocês de São Paulo, Eminência, que estão acolhendo, ajudando todos os refugiados que vem do Oriente, procurando amparo. Fazem parte desses refugiados, meus filhos sírios católicos que vieram aqui para o Brasil para procurar uma vida honrada, em paz. Fiquei sabendo do seu carinho com todas as igrejas orientais, todos os refugiados; e com isso tenho coragem para pedir que continue essa acolhida com uma igreja que possa atender nossos filhos sírios católicos em São Paulo.” Dom Odilo, na homilia, citou o “Deus amigo da vida”, apresentado na primeira leitura da Liturgia daquele domingo, o “Deus da Misericórdia” que quer salvar a todos. Pediu de modo especial a misericórdia de Deus para todos os que sofrem e os que praticam a violência. “Que a misericórdia de Deus toque o coração daqueles que vivem de costas para Deus, talvez até pensando que estão fazendo alguma coisa boa e, no entanto, estão ofendendo Deus, amigo da vida.” Ao fim da missa, o Cardeal presenteou o Patriarca com uma imagem do Apóstolo Paulo, feita pelo artista plástico Cláudio Pastro, recém-falecido e recebeu também um presente do Patriarca (foto). Também participaram da celebração Dom Philip Barakat, arcebispo de Homs, na Síria; Dom Joseph Gebara, eparca da Nossa Senhora do Paraiso; Dom Edgar Madi, eparca Maronita do Brasil; Dom Demaskinos Mansour, arcebispo Ortodoxo; Dom Mathias Tolentino, abade do Mosteiro de São Bento; Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo; e Dom Devair Araújo da Fonseca, Dom José Roberto Fortes Palau e Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo. Luciney Martins/O SÃO PAULO


14 | Reportagem |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé recomenda manutenção do costume de sepultar os mortos Luciney Martins/O SÃO PAULO

A cremação não está proibida, desde que a sua escolha não seja motivada por razões contrárias a fé cristã Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

O cuidado e o respeito com o sepultamento dos falecidos está presente na tradição desde os primórdios. Basta pensar que os primeiros cristãos, perseguidos pelo Império Romano, se reuniam e celebravam seus ritos junto aos túmulos dos irmãos defuntos, nas catacumbas, consideradas um dos primeiros “templos” do Cristianismo. Nas proximidades da Comemoração dos Fiéis Defuntos, popularmente conhecida como Dia de Finados, em 2 de novembro, a Congregação para Doutrina da Fé publicou, em 25 de outubro, a instrução Ad resurgendum cum Christo (para ressuscitar com Cristo), sobre o sepultamento dos falecidos e a conservação das cinzas da cremação. O documento tem objetivo de esclarecer dúvidas que possam surgir em relação à legislação canônica vigente sobre o tema, sobretudo no que diz respeito à cremação, atualmente bastante difundida, inclusive entre católicos. Na apresentação da instrução, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, explicou que a norma eclesiástica vigente em matéria de cremação de cadáveres é regulada pelo Código de Direito Canônico e diz que “a Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã.” O Doutor em Direito Canônico e vice-chanceler do Arcebispado de São Paulo, Padre Everton Fernandes Moraes, explicou ao O SÃO PAULO que o documento, enquanto instrução, “repõe as razões doutrinais pelas quais a Igreja recomenda insistentemente que se conserve o costume de sepultar os corpos dos fieis defuntos e, ao mesmo tempo, determina quais são as razões em que a Igreja admite a cremação para os corpos dos fiéis defuntos, sendo eles: higiene, econômicos e ou sociais, reafirmando, por fim, ser inadmissível que outros motivos, contrários a doutrina cristã, sejam assumidos como razoáveis para tal escolha.”

Tradição

O documento diz que, seguindo a antiga tradição cristã, a Igreja recomenda insistentemente que os corpos dos falecidos sejam sepultados no cemitério ou num lugar sagrado. “Ao lembrar a morte, sepultura e ressurreição do Senhor, mistério à luz do qual se manifesta o sentido cristão da morte, a inumação [enterro] é a forma mais idônea para exprimir a fé e a esperança na ressurreição corporal”, ressalta. Ainda segundo a instrução, “enterrando os corpos dos fiéis defuntos, a Igreja confirma a fé na ressurreição da carne e se separa de comportamentos e ritos que envolvem concepções errôneas sobre a morte: seja o aniquilamento definitivo da pessoa; seja o momento da sua fusão com a Mãe natureza ou com o universo; seja como uma etapa no processo da reencarnação; seja ainda, como a libertação definitiva da ‘prisão’ do corpo.”

Respeito e dignidade humana

Segundo o doutor em Teologia e professor da PUC-SP, Cônego Antonio Manzatto, a compreensão da Igreja sobre a questão do sepultamento, cremação ou tratamento respeitoso dos restos mortais significa, em primeiro lugar, à dignidade humana. “É verdade que as pessoas não estão resumidas no corpo, mas o corpo foi a sua maneira de estar no mundo. Portanto, respeitar seus restos mortais é, de alguma forma, respeitar as pessoas e sua dignidade”, explicou à reportagem.

“Se tratamos de qualquer maneira os restos mortais, isso significa que não valorizamos nada daquilo que está no mundo. E a Igreja sempre foi favorável de que se valorizem as coisas que estão no mundo, uma vez que o ser humano existe nele”, acrescentou o teólogo. A instrução também confirma que a sepultura nos cemitérios ou em outros lugares sagrados “responde adequadamente à piedade e ao respeito devido aos corpos dos fiéis defuntos, que, mediante o Batismo, se tornaram templo do Espírito Santo e dos quais, ‘como instrumentos e vasos, se serviu santamente o Espírito Santo para realizar tantas boas obras”.

Memória histórica

Cônego Manzatto destacou que outro aspecto a ser levado em conta em relação ao respeito com os restos mortais humanos está relacionado com a valorização da memória histórica. “É uma maneira de ter presente que o mundo não começou conosco. Não somos as primeiras pessoas do mundo, viemos não só de alguns lugares, mas de algumas pessoas, de seus projetos e suas ideias. Nós somos antecedidos por pessoas que prepararam o mundo, que nos testemunharam sua fé. Respeitar seus restos mortais é uma forma de respeitar sua memória”, disse.

Cremação e a doutrina

A cremação passou a ser admitida pela Igreja Católica a partir do momento

em que os católicos cada vez mais começaram a praticar esse hábito que, no passado, era mais comum nas culturas orientais. Logo no início do texto, o novo documento recorda que a Igreja estabeleceu que a prática a cremação não é em si mesma contrária à religião cristã por meio da Instrução Piam et constantem, de 1963, publicada pelo então chamado Santo Ofício. Esse texto afirmava, ainda, que não devem ser negados os sacramentos e as exéquias àqueles que pediram para ser cremados, desde que esses não manifestem tal desejo motivados por razões que neguem dogmas cristãos, ou ainda, “por ódio contra a religião católica e à Igreja”. Essa mudança da disciplina eclesiástica foi consignada no Código de Direito Canônico (1983) e no Código dos Cânones da Igreja Oriental (1990). O recente documento reafirma o ensino eclesial sobre o tema que diz que “a Igreja não vê razões doutrinais para impedir tal práxis; uma vez que a cremação do cadáver não toca o espírito e não impede à onipotência divina de ressuscitar o corpo. Por isso, tal fato não implica uma razão objetiva que negue a doutrina cristã sobre a imortalidade da alma e da ressurreição dos corpos”.

Ressureição

Nesse sentido, Cônego Manzatto reforçou que a cremação de um corpo não impede a ressurreição dos corpos profes-


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

| Reportagem | 15 Luciney Martins/O SÃO PAULO

sada na fé católica. Esse era um dos motivos pelos quais, no passado, havia cautela por parte dos cristãos. Ele explicou que assim como Deus cria a partir do nada “a recriação que Deus faz na ressureição não depende que lhe forneçamos uma ‘matéria-prima’”. “Não é necessário que os ossos ou outros elementos do corpo humano estejam intactos para que haja a ressureição”, argumentou o teólogo, recordando algumas situações extremas, como os casos das pessoas que morrem queimadas em incêndios, cujos restos mortais praticamente desaparecem e nem podem ser sepultadas convenientemente. Ele lembrou, ainda, o tempo das grandes travessias oceânicas, quando aconteciam muitas mortes e os corpos tinham que ser jogados ao mar por uma questão sanitária, assim com acidentes aéreos e até espaciais. “Temos acidentes nos quais os corpos das pessoas foram parar no fundo do mar, e não há condições de resgate.

Conservação

Apesar de não excluir a prática da cremação, a Igreja, por meio da instrução, salienta que, quaisquer que sejam as motivações legítimas que levaram à escolha da cremação do corpo de um falecido, suas cinzas “devem ser conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto é, no cemitério ou, se for o caso, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim determinado pela autoridade eclesiástica.” “Os fiéis defuntos fazem parte da Igreja, que crê na comunhão ‘dos que peregrinam na terra, dos defuntos que estão levando a cabo a sua purificação e dos bem-aventurados do céu: formam todos uma só Igreja’”, diz o documento, chamando a atenção para o costume primitivo dos cristãos de que seus falecidos sejam objeto de orações e de memória por parte da comunidade e seus túmulos tornaram-se lugares de oração, de memória e de reflexão. Por esse motivo, a conservação das cinzas num lugar sagrado pode contribuir para que não se corra o risco de afastar os defuntos da oração e da recordação dos parentes e da comunidade cristã. “Por outro lado, deste modo, se evita a possibilidade de esquecimento ou falta de respeito que podem acontecer, sobretudo depois de passar a primeira geração, ou então cair em práticas inconvenientes ou supersticiosas”, acrescenta o texto. Padre Everton explicou que a legislação canônica entende por lugares sagrados “aqueles destinados ao culto divino e ou à sepultura dos fiéis, mediante dedicação ou bênção.” “Dentre estes lugares sagrados estão as igrejas (cân. 1214), os oratórios (cân. 1223), as capelas particulares (cân. 1226), os Santuários (cân. 1230) e os cemitérios (cân. 1240). Quanto aos cemitérios, sendo próprios da Igreja devem desde sua fundação serem abençoados, tratando-se de cemitérios civis, estes devem ter os túmulos benzidos por vez (cân. 1240 §2)”.

Exceções

A legislação civil não proíbe a conservação de cinzas humanas em casa ou

sua dispersão em alguns lugares, embora comecem a surgir restrições para determinados locais públicos, como parques, jardins ou praças, por questões de higiene e saúde pública. A mesma concessão não ocorre em relação a outros tipos de restos mortais, como ossos, que devem sempre ser conservados em ambientes autorizados por lei, especialmente cemitérios ou locais que seguem regulamentação legal. A instrução da Santa Sé não exclui que, em casos de circunstâncias graves e excepcionais, dependendo das condições culturais de carácter local, as cinzas de falecidos possam ser conservadas em casa, mediante autorização da autoridade eclesiástica local. Padre Everton também esclareceu que, na prática, a instrução não determina como uma família deve fazer para conseguir a autorização para conservar as cinzas no lar. “A instrução prevê essa possiblidade apenas em casos ‘graves e excepcionais’, e aqui se observe que são dois conceitos normalmente usados pelo legislador para atribuir ‘extrema’ necessidade”, explicou.

Autorização

A instrução, na verdade, determina a quem se deve solicitar essa autorização, no caso, o “Ordinário”, que, segundo a legislação canônica, pode ser o papa, o bispo diocesano, o vigário geral e episcopal, os superiores provinciais para as congregações religiosas, e outros, que, segundo as determinações da conferência dos bispos poderá dar ou não essa autorização. “Sendo que o instrutor não determinou o modo de concessão dessa autorização, caberá a cada bispo diocesano determinar como a mesma deverá ser solicitada e concedida”. Mesmo com a devida autorização para a conservação das cinzas em casa, o documento é categórico ao afirmar que essas não podem ser divididas entre os vários núcleos familiares e deve ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condições de conservação das mesmas. De igual modo, para evitar qualquer tipo de equívoco “panteísta, naturalista ou niilista”, a instrução determina que não seja permitida a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água ou em qualquer outro lugar, prática muito difundida em algumas culturas. “Exclui-se, ainda, a conservação das cinzas cremadas sob a forma de recordação comemorativa em peças de joalharia ou em outros objetos”.

Segundo a tradição cristã, enterro é a forma mais idônea para exprimir a fé na ressurreição

podem ser adquiridas pelos fiéis para a conservação ossos ou cinzas de seus entes queridos. A maioria dos restos mortais depositados nessa capela são de falecidos cujos corpos foram sepultados em cemitérios e, após exumação posterior, foram transladados para esse local sagrado. Mais recentemente, outras paróquias, como a Paróquia Nossa Senhora do Brasil, no Jardim América, na zona Sul, também possui um pequeno espaço para a conservação das cinzas dos falecidos,

justamente com o objetivo de oferecer aos fiéis uma alternativa para uma destinação respeitosa dos restos mortais de seus entes. O Cemitério Gethsêmani Anhanguera, da Arquidiocese de São Paulo, na Vila Sulina, zona Oeste, também possui no subsolo da capela um espaço com ossuário e cinerário para a conservação das cinzas. Semelhante ao sepultamento em jazigos, esses espaços são adquiridos pelas famílias, que pagam uma manutenção semestral. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em São Paulo

Os grandes santuários e catedrais possuem a tradição de construírem criptas em seus subsolos, onde são sepultados bispos, arcebispos e personalidades da história das cidades e da igreja local. Embora pouco conhecidas, além dos cemitérios católicos, há igrejas na Arquidiocese de São Paulo que possuem espaços de oração destinados a conservação de restos mortais, inclusive cinzas dos fiéis. Um dos mais populares deles é a Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Roque, em Sapopemba, na zona Leste, que possui no seu subsolo uma capela -ossuário com mais de 9 mil gavetas que

Informações sobre espaços cinerários

Cemitério Gethsêmani Anhanguera: (11) 3916-2396; Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Roque: (11) 2675-7358 Paróquia Nossa Senhora do Brasil: (11) 3082 9786


16 | Fé e Cultura |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura Edmund Burke – Redescobrindo um gênio A mais completa biografia da vida, obra e pensamento de Edmund Burke. Neste volume, com textos inéditos e especialmente elaborados para a versão brasileira do livro de Russell Kirk, os leitores descobrirão que Burke foi “o primeiro estadista a reconhecer que não há resposta coerente ao iluminismo além do conservadorismo social e político”. Russell Kirk foi um dos líderes da renovação do interesse norte-americano por Edmund Burke, no período após a Segunda Guerra Mundial. Hoje, ninguém que leve a sério os problemas da sociedade ousaria ficar indiferente ao “primeiro conservador de nossos tempos tumultuosos”. Nas palavras de Russell Kirk, “as ideias de Burke interessam a todos

Cinema

A luz entre oceanos Divulgação

hoje em dia, incluindo aqueles que discordam profundamente de suas conclusões. Se os conservadores querem saber o que defendem, Burke é sua pedra-de-toque; e se os radicais desejam testar a força de seus opositores, devem se voltar para Burke”. Kirk explica a filosofia de Burke, mostrando como esta se revelou em situações históricas concretas durante o século XVIII e como, por meio de sua filosofia, “fala à nossa época”. Ficha Técnica: Autor: Russell Kirk Páginas: 576 Editora: É Realizações

“A luz entre oceanos” é um drama muito comovente sobre um casal que não consegue ter filhos e enfrenta algumas decisões difíceis após ter cometido o erro de criar o bebê desaparecido de outra pessoa como se fosse deles. O filme se passa na Austrália, depois da Primeira Guerra Mundial. Um homem trabalha em um farol com a sua esposa e, um dia, eles encontram dentro de um barco um cadáver e um bebê de 2 meses de idade. O casal pensa inicialmente em avisar a polícia, mas depois decide que esse foi um presente de Deus e passa a cuidar da criança. Muito tempo mais tarde, quando marido e mulher fazem uma viagem, eles percebem que tomaram a decisão errada. O filme estreia nos cinemas na quinta-feira, 3 de novembro.

MAS recebe exposição ‘Portal da Misericórdia: o sacro revisitado’ Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Vitor Alves Loscalzo Especial para O SÃO PAULO

Período da exposição “Portal da Misericórdia – o sacro revisitado”

A artista plástica Mirtis Moraes, 58, realiza, no Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS), a exposição “Portal da Misericórdia: o sacro revisitado”, com 85 esculturas confeccionadas em bronze, alumínio e mármore. Dentre as obras estão as representações de santos, de anjos, de homens e mulheres e de Jesus Cristo, cada uma trazendo um convite à reflexão e à transcendência. Segundo Beatriz Vicente de Azevedo, curadora da exposição, as peças de Mirtis Moraes propõem “o inconformismo com as limitações impostas pela matéria ao espírito”. É o que se vê, por exemplo, em “Allegro”, quando a bailarina, em ponta, quase não toca o solo e eleva todo o corpo e pensamentos para o alto. Beatriz Vicente foi precisa: “os trabalhos da artista são inspirados no permanente esforço do ser humano em transcender para ir além e enfrentar desafios”.

Dia: Até 6 de janeiro de 2017 Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo Endereço: Avenida Tiradentes, 676, Luz, São Paulo Tel.: (11) 3326.3336 – agendamento de visitas monitoradas Horário: Terça a domingo, das 9h às 17h Número de obras: 85 Técnicas: bronze, alumínio, mármore e resina Dimensões: variadas Ingresso: R$ 6,00 (estudantes pagam meia entrada); grátis aos sábados. Isentos: idosos acima de 60 anos, crianças até 7 anos, professores da rede pública (com identificação) e até 4 acompanhantes

Ano Santo extraordinário da Misericórdia, propagá-la de alguma forma, com os dons que vocês têm, cada um com o seu dom’. Então, eu como escultora, senti muita vontade de expressar esse amor celestial, esse amor eterno e misericordioso que nós podemos usufruir”.

O que é arte sacra?

Diferentemente dos outros estilos artísticos, o sacro volta-se para o culto sagrado. Mirtis afirma: “sabemos que somos corpo, mente e espírito e que não somos órfãos; temos um Pai... à medida que a arte sacra resgata este Pai Celestial e dirige-se também a ele, o sacro cumpre sua função”. Não é por acaso que obra de mais destaque – e a preferida da artista – é a sala dos turíbulos, que representam as obras de misericordiosa corporal e espiritual, culminado em Cristo Ressuscitado. Outra obra de importância é Cristo Vivo (terceiro lugar na Bienal de Roma),

O Museu de Arte Sacra

em que, fora da cruz, a mão direita está elevada, conversando com Deus, e a mão esquerda abaixada, resgatando o ser humano e estendendo a mão aos homens.

Inspiração

A artista plástica contou ao O SÃO PAULO como surgiu o trabalho. “Fiz essa exposição, pois o Papa falou: ‘vamos fazer alguma coisa, vamos, neste

Fundado em 1970 e localizado dentro do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz (avenida Tiradentes, 676, centro), o Museu de Arte Sacra de São Paulo é uma das principais instituições brasileiras voltadas ao estudo, conservação e exposição de arte sacra. Assim como o mosteiro, a coleção permanente do museu foi tombada e conta com importantes obras de artistas estrangeiros e brasileiros, como Aleijadinho, Benedito Calixto e Mestre Ataíde.


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

| Esporte | 17

Brasil vai ao pódio no Mundial de Karatê, esporte olímpico em Tóquio 2020 Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

O Campeonato Mundial de Karatê, encerrado no domingo, 30, em Linz, na Áustria, foi especial não só para os mais de 1.100 atletas, de 118 países, que participaram das disputas, mas também para a comunidade esportiva internacional, já que essa é uma das modalidades que ingressará no programa olímpico a partir dos Jogos de Tóquio 2020, assim como o surfe, skate, beisebol/softbol e escalada. Competindo em provas individuais e por equipes, o Brasil concluiu o mundial na 9ª colocação geral, com destaque para Valéria Kumikazi, medalhista de prata na categoria kumite feminino -55kg, após perder a decisão, no sábado, 29, para a francesa Emilie Thouy. “Eu só tenho a agradecer a Deus, a Nossa Senhora Aparecida, à minha família, ao meu professor que sempre acreditou em mim e a todos que rezaram e torceram. Não foi nada fácil chegar até aqui, e só minha família sabe o que passei. Mas valeu cada lágrima, saudade, cada centavo investido nesse sonho. Sim! Estou muito feliz por essa prata”, postou em sua página no Facebook a paulista de 31 anos, que é devota de Nossa Senhora Aparecida, tanto que no Pan de Toronto 2015, subiu ao pódio com um Terço para receber a medalha de ouro que conquistou. Outros bons resultados do Brasil no Mundial foram a 5ª colocação de Vinicius Figueira, no kumite masculino -67kg, a 7ª posição da equipe de kata feminino, com Nicole Yonamine, Monique Yonamine e Claudina Aguiar, e o bronze de Débora Knihs, no para-karatê para deficientes visuais, na categoria kata feminino. “O Brasil foi o país mais bem colocado das Américas. Tal resultado foi bom, no entanto, não atingiu as nossas expectativas, pois no mundial de 2014 também ficamos na 9ª colocação com uma medalha de ouro e uma de bronze. Para 2016, tínhamos uma expectativa de pelo menos três medalhas”, avaliou, ao O SÃO PAULO, William Cardoso, 34, diretor técnico da Confederação Brasileira de Karatê (CBK).

Uma das medalhas esperadas era a de Douglas Brose, campeão mundial em 2010 e em 2014, mas ele foi eliminado na terceira rodada pelo francês Sofiane Agoudjil, na categoria kumite masculino -60kg.

Tóquio 2020

Passado o Mundial, a CBK já planeja a participação do país nos Jogos de Tóquio 2020, especialmente após terem sido definidas, em 25 de outubro, pela Federação Internacional de Karatê, as categorias olímpicas que estarão em disputa: kata (masculino e feminino), kumite feminino (-55kg, -61kg e +61kg) e kumite masculino (-67kg, -75kg e +75kg). Segundo William Cardoso, o Brasil tem chances de classificação em todas as categorias olímpicas, mas será preciso que a modalidade receba investimentos no país para ampliar as estruturas de treinamento e proporcionar experiências de intercâmbio aos esportistas. “Não temos apoio financeiro nenhum, no entanto, temos parcerias com diversos setores como clínica médica, clínica de Fisioterapia, Núcleo de Alto-RendimentoNAR e clubes. Não recebemos nenhuma verba governamental. O máximo são as bolsas-atleta que nossos esportistas recebem. Já é uma grande ajuda, no entanto ainda é muito longe da estrutura ideal para o karatê do Brasil”, disse o diretor-técnico da CBK. Atualmente, conforme dados da CBK, o karatê é praticado no Brasil por 250 mil pessoas ligadas a 2.085 associações e clubes filiados a 27 federações estaduais. Aproximadamente 40 mil atletas participam de competições a nível municipal e estadual, e destes saem os participantes que disputam as seletivas nacionais e campeonato brasileiros. A CBK é constituída por uma comissão técnica de 13 técnicos e a atual seleção brasileira tem 29 atletas nas categorias principais e 130 esportistas nas categorias de base. Em janeiro de 2017, haverá eleições na Confederação. “Nossas experiências ficarão registradas para que a nova gestão da CBK possa se fundamentar nas ações realizadas no período de 2014/2016”, assegura William Cardoso.

Valéria Kumizaki e a campeã mundial Emilie Thouy, finalistas da categoria kumite feminino -55kg

SOBRE O KARATÊ

É uma arte marcial fundamental em técnicas de ataque e defesa e, principalmente, no Dojo Kun, que é o lema do Karatê, que se divide em cinco princípios: - Esforçar-se para a formação do - caráter; - Fidelidade para com o verdadeiro - caminho da razão; - Criar o intuito do esforço; - Respeito acima de tudo; - Conter o espírito de agressão.

Esses princípios norteiam as regras de competição, tanto no kata (apresentação de uma luta imaginária com técnicas pré-definidas) quanto no kumite (combate entre dois atletas objetivando marcar pontos). No kata, o atleta utiliza somente o kimono e a faixa. No kumite, além destes, há o uso de protetor bucal, protetor de tórax, protetor de mão e protetor de tíbia/pé. (Com informações de William Cardoso, diretor-técnico da CBk)


18 | Regiões Episcopais |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Brasilândia Há 50 anos, Perus é terra de missão para os monfortinos

Larissa Fernandes

Colaboradora de comunicação da Região

Uma história de amor e misericórdia tem rendido bons frutos aos participantes da Paróquia Santa Rosa de Lima, em Perus. Foi lá que, há 50 anos, os primeiros missionários monfortinos, Padre Guilherme Kuypers e Irmão Bento, chegaram da Holanda, em 1966. Numa semana de comemorações, realizada entre 25 e 30 de outubro, foram celebrados na Paróquia os atos concretos e o legado de evangelização deixado pelos seguidores do sacerdote francês e devoto de Nossa Senhora, São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716). No sábado, 29, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu pela primeira vez uma missa na Paróquia, que há dois anos teve seu templo reformado por meio de campanhas realizadas com empenho dos padres missionários, fato destacado pelo Cardeal. “A casa de Deus é a casa da comunidade, por isso, uma casa bonita é sempre convidativa para a oração”, afirmou. Dom Odilo, na homilia, citou o Ano Santo extraordinário da Misericórdia. Ele falou sobre o amor de Deus por todas as coisas e, com base no Evangelho do 31º Domingo do Tempo Comum, exortou todos a fazerem como Zaqueu: redimir-se e aproximar-se cada vez mais

Marcelo Dalan

Cardeal Odilo Pedro Scherer preside missa festiva pelos 50 anos da presença dos missionários monfortinos na Paróquia Santa Rosa de Lima

de Jesus. “Deus nos ama infinitamente. Mesmo quando estamos perdidos, Ele vem nos procurar.” O Arcebispo agradeceu às ações dos monfortinos, já que em 2016, além da comemoração do cinquentenário da chegada dos missionários do país, celebra-se também os 300 anos de morte de São Luís Maria Grignion de Montfort. Para Célia Leme, que faz parte da equipe litúrgica da Paróquia, há muito a ser comemorado, “principalmente o engajamento dos missionários nas questões

sociais. Eles sempre incentivaram o trabalho pastoral”, declarou. A história da Paróquia se mistura à dos monfortinos. “Sempre convivemos com padres estrangeiros, então, reconhecemos o fato de eles terem deixado suas terras e culturas pelo trabalho missionário”, complementou Célia. Na missa com o Cardeal, a homenagem se estendeu com uma declaração do Padre Peter Dennerman, provincial da Holanda. Ele agradeceu o convite e citou os nomes de todos os monfortinos que

passaram pelo Brasil. Como presente pelos 50 anos de vocações, a Paróquia recebeu um auxílio financeiro para seguir com as obras já realizadas e pensarem em novos projetos. Durante a semana festiva, também presidiram missas na Paróquia: Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia; Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC); e o Padre Matheus Vroemen, monfortino, que por 38 anos esteve na Santa Rosa de Lima.

Gerson Moreira

Viviane Santos

Dom Devair Araújo da Fonseca presidiu missa no domingo, 30, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Setor Pereira Barreto, durante a qual conferiu o sacramento da Crisma a jovens e adultos, em missa concelebrada pelo Padre Reinaldo Torres, pároco.

Na sexta feira, 28, os fiéis da Vila Miriam festejaram o padroeiro da Paróquia São Judas Tadeu, no Setor Nova Esperança. Houve procissão pelas ruas do bairro, seguida de missa solene, presidida pelo Padre Jaime Izidoro de Sena, pároco.

REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br Helena Ueno

Luciney Martins/O SÃO PAULO

No sábado, 29, Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Sé, presidiu missa na Catedral da Sé após a peregrinação de professores e alunos do Instituto de Teologia da Região Sé (Itelsé) à Porta Santa.

Na quinta-feira, 27, foi apresentada na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, no Setor Pastoral Jardins, a peça “Theresinha”. Protagonizada pela atriz Gabriela Cerqueira, a peça, dirigida por Helder Mariani, é inspirada na vida de Santa Teresa do Menino Jesus.


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

Projeto regional de pastoral é apresentado em assembleia

ção dos trabalhos e de confraternização. “Somos instigados para a missão. Somos chamados a abraçar de fato a missão”, expressou Dom Luiz Carlos, que pediu que as comunidades possam “superar o individualismo, fragmentação, e o querer ‘ficar na minha’”. Segundo o Bispo, isso ajudará a “Igreja a ser testemunha de Jesus na cidade”. “Se não vivermos em comunhão, que testemunho iremos dar ao mundo?”, indagou Dom Luiz Carlos, reDora Rocha

Na quinta feira, 27, aproximadamente 300 associados do Apostolado da Oração (AO) da Região Belém se encontraram, no Centro Pastoral São José, para a missa em ação de graças pelo ano de 2016, presidida por Dom Luiz Carlos Dias e concelebrada pelo Padre José Florentino, assistente eclesiástico e diretor espiritual do AO na Região.

Peterson Prates

cordando que a “comunhão nos compromete com o irmão e a irmã”. A comunhão é um dos três eixos do projeto pastoral 2017. Os outros dois são a missão e a misericórdia. O coordenador de pastoral apresentou a síntese das avaliações enviadas pelos setores, nas quais estavam listadas todas as atividades que motivaram e ajudaram na vivência do Ano Santo extraordinário da Misericórdia. Foi apresentado o projeto pastoral para o próximo ano, que tem como tema “Com Maria, sejamos verdadeiros discípulos missionários de Jesus”, com motivações das exortações apostólicas Evangelii Gaudium e Amoris Laetitia e da bula de proclamação do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, a Misericordiae Vultus. O projeto traz as mesmas diretrizes do 12º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, em processo de finalização. A revitalização dos setores pastorais é um dos objetivos do plano, que qualifica o setor como espaço de comunhão e participação, a fim de criar uma Igreja da eclesialidade, gerando organicidade,

Igreja em estado permanente de missão: Ir ao encontro das famílias em outros ambientes; visitas missionárias; dinamizar o mês missionário nas paróquias; formar agentes missionários e promover uma cultura missionária. Igreja - casa de iniciação à vida cristã: Catequese em estilo catecumenal, trabalhando a leitura orante da Bíblia e o ano litúrgico, com uma Catequese familiar, inserindo as famílias e os catequizandos na vida da comunidade, como catequistas missionários. Igreja - lugar de animação bíblica da vida e da pastoral: Incentivar os círculos bíblicos nas casas; assumir o método da leitura orante da Bíblia; formar ministros da Palavra e promover retiros para agentes de pastoral. Igreja - comunidade de comunidades: Formar e consolidar os conselhos pastorais paroquiais e os conselhos de assuntos econômicos paroquiais; formar os agentes leigos. Igreja à serviço da vida plena para todos: Aprofundar a cultura e a prática da misericórdia, valorizar a Campanha da Fraternidade 2017, envolvimento dos leigos em fóruns e conselhos paritários; e fomentar grupos para acompanhar vereadores eleitos e os projetos da Câmara Municipal. Igreja - família de famílias: família como eixo transversal da ação evangelizadora, formação para os agentes da pastoral da família; e discernimento sobre a Amoris Laetitia. ambiente de pastoral de conjunto e partilha de projetos comuns. Em cada uma das seis urgências, há pistas de ação para a efetivação do projeto pastoral. Para cada urgência será indicado um assistente eclesiástico para acompanha-la. ] Depois de apresentado e discutido em grupos, o projeto foi aprovado pela assembleia e, a partir de agora, junto com o 12º Plano de Pastoral da Arquidiocese, rege o trabalho pastoral da Região Belém.

Saudável

Vida

Marcos Carvalho

Belém

Alguns pontos do projeto de pastoral da Região Belém

Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, conduz a assembleia de pastoral da Região Episcopal Belém, no sábado, 29

Leigos, religiosas e os membros do clero atuante nas paróquias, pastorais e movimentos da Região Episcopal Belém se reuniram no sábado, 29, no Centro Pastoral São José, para a assembleia pastoral regional. O momento foi conduzido por Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, e pelo Padre Marcelo Maróstica, coordenador de pastoral. Padre Marcelo, no início, pediu que a assembleia fosse um momento de avalia-

| Regiões Episcopais | 19

ATENDIMENTO GRATUITO

AJUDA PSICOTERAPÊUTICA

No domingo, 30, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa na Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Setor Pastoral Vila Antonieta, concelebrada pelo Padre Waldomiro Rodrigues de Vasconcelos, pároco. A igreja-matriz está sendo reconstruída para acolher mais fiéis.

Você pode viver bem, ter vida saudável melhorando seu modo de ver a si mesmo, os outros e o mundo. O Dr. Bruno e o Dr. José darão a você ajuda continuada, indicando o caminho a seguir Os interessados devem comparecer as quartas-feiras, às 14h30, nas instalações das paróquias:

Nossa Senhora da Assunção e São Paulo Pessoal Nipo-Brasileira de São Gonçalo Praça João Mendes 108, Tels. 3106-8110 e 3106-8119


20 | Regiões Episcopais |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Paróquia São Benedito cria a Comunidade Santa Teresa de Calcutá Por ocasião do cinquentenário de sua fundação, a Paróquia São Benedito, no Setor Pastoral Jaçanã, como gesto concreto desse jubileu, lançou, no sábado, 29, a pedra fundamental da nova Comunidade Santa Teresa de Calcutá. A cerimônia foi presidida por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, acompanhado do pároco, Padre Marcelino Moldeski, e do vigário paroquial, Padre Severino Lisboa, junto com os fiéis. “Nesta comunidade, na rua Edu Chaves, iniciaremos o trabalho de evan-

gelização e a construção de uma nova capela. A descentralização é também uma resposta urgente para a expansão do Reino”, disse o Padre Marcelino. Em seguida, Dom Sergio se deslocou para o centro pastoral da Paróquia para abençoar as instalações do novo espaço, que tem uma brinquedoteca (área de lazer para crianças, enquanto seus pais participam das missas), biblioteca e sala de reuniões. Na ocasião, foi lançada a edição da revista do cinquentenário de fundação, contando sobre os fatos da Paróquia São Benedito no decorrer desse período. Diácono Francisco Gonçalves

Diácono Francisco Gonçalves

Bispo com fiéis no lançamento da pedra fundamental da Comunidade Santa Teresa de Calcutá Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus Borges reuniu-se, no dia 21, com os diáconos permanentes da Região Santana para discutir assuntos voltados à função pastoral. Paróquia Santa Inês

Na sexta-feira, 28, Dom Sergio de Deus Borges participou da procissão e presidiu missa na festa do padroeiro da Comunidade São Judas Tadeu, da Paróquia Nossa Senhora da Livração, no Setor Pastoral Medeiros. Concelebraram os padres Edilson Farias, pároco, e Silvano dos Santos, vigário paroquial. Dom Sergio de Deus Borges presidiu no dia 23 missa na Paróquia Santa Inês, no Setor Pastoral Mandaqui, concelebrada por Dom Waldir Mamede, bispo auxiliar de Brasília (DF) e pelos padres Cândido da Costa, pároco, e Edival dos Santos, vigário, acolitados pelo Diácono Jorge Vides. Na ocasião, Dom Sergio ministrou o sacramento da Crisma a 60 jovens e adultos da Paróquia Santa Inês, da Comunidade Nossa Senhora de Fátima e da Paróquia Nossa Senhora Aparecida da Vila Albertina.

Diácono Francisco Gonçalves

Paróquia São João Evangelista

Em celebração eucarística na Paróquia São João Evangelista da Casa Verde, presidida pelo Padre Everaldo Sanches Ribeiro, pároco, auxiliado pelo Diácono José Luiz Silvério, foram apresentados os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão que receberam sua primeira mandatação, bem como aqueles que tiveram seu mandato renovado por mais dois anos. O Padre destacou que a caminhada cristã dos ministros deve estar pautada na obediência, na humildade e no serviço.

No dia 22, Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, ministrou o sacramento da Crisma a 70 jovens e adultos da Paróquia Jesus no Horto das Oliveiras, no Setor Pastoral Vila Maria, em missa concelebrada pelo Frei Ernane Marinho, pároco.


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

| Regiões Episcopais | 21

Ipiranga

Bruno Cine, Angela Tieko, Cláudio Seiji e César de Holanda Colaboração especial para a Região

300 mil expressam devoção a São Judas Tadeu Mais de 300 mil fiéis passaram pelo Santuário São Judas Tadeu na sexta-feira, 28, para celebrar a memória litúrgica do “Santo das causas impossíveis”. Durante todo o dia, os devotos participaram das missas, realizadas de hora em hora, rezaram e agradeceram ao padroeiro. Na área externa do Santuário, onde em fila as pessoas aguardam para passar em frente à da imagem de São Judas Tadeu, era possível encontrar muitas falando das graças alcançadas pela intercessão do Santo. Voluntário na festa há 12 anos, José Eduardo Simas emocionou-se ao comentar sobre a devoção ao Santo. “Sou devoto de São Judas Tadeu e já alcancei muitas graças. Venho aqui todo dia 28, independentemente do mês, mas o ‘28 maior’, que é hoje, dedico inteiramente a ele. Saio de Santa Isabel (SP) logo cedo e venho ajudar como forma de gratidão por tudo o que foi feito por mim. Só saio daqui quando a festa acaba”, garantiu. “Muita gente agradece por ter conse-

Alexandre Silva Moura

Durante todo o dia 28 de outubro, fiéis lotam o templo e as imediações do Santuário São Judas Tadeu, na zona Sul da cidade de São Paulo

guido a cura de uma doença, pelos estudos dos filhos e até por empregos conquistados neste momento de crise. A festa é emocionante, pois encontramos diversas pessoas com um sentimento belo de gratidão”, afirmou o Padre José Ronaldo de Castro, vice-reitor do Santuário.

A festa teve cobertura jornalística de diferentes veículos de comunicação, que contaram com o apoio da equipe da Pastoral da Comunicação e de outras pastorais que ficaram à disposição para intermediar o contato entre o Santuário, os devotos e a mídia. Na cerimônia de encerramento da

festa, já ao final do dia, ambos os sentidos da avenida Jabaquara ficaram interditados para que as pessoas pudessem acompanhar a missa campal, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, realizada após a procissão com a imagem do padroeiro.

Em retiro, juventude vivencia o amor de Deus Bruno Cine

O grupo de jovens da Paróquia Nossa Senhora Mãe de Jesus, no Setor Pastoral Cursino, realizou retiro entre os dias 21 e 23 de outubro, ministrado pelos Salvistas, na casa de retiro São José, da comunidade Shalom, no bairro de Parelheiros, na zona Sul. Os 46 participantes do retiro, de cunho querigmático, que teve como carisma o Louvor de Deus, relataram ter feito uma experiência do amor divino.

“Foi um fim de semana incrível e inesquecível para todos os jovens. Muitos pela primeira vez fizeram a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, mas para outros, que já haviam tido esse primeiro encontro, foi um fim de semana de reabastecimento espiritual, graças aos intensos e profundos momentos de oração que nos levaram para uma extrema experiência de amor com Deus”, relataram os organizadores da atividade.

Gincana sobre Catequese e liturgia para as crianças

Angela Tieko

Jovens atuantes na Paróquia Nossa Senhora Mãe de Jesus, em retiro ministrado pelos Salvistas

No sábado, 29, na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, no Setor Pastoral Vila Mariana, aconteceu a primeira Gincana Cultural das Crianças, com o tema “Catequese e liturgia”, realizada pelas pastorais Vocacional, Catequética e dos Coroinhas. A gincana teve início com uma dinâmica em grupo, coordenada pelo Frater Josemar, da Congregação dos Padres

do Sagrado Coração de Jesus, com uma mensagem central: “Persistir num objetivo e nunca desanimar, porque Deus nunca desiste de nós e sempre estará presente para nos ajudar”. Após a divisão dos participantes em grupos, interagindo com perguntas e respostas, foram definidos os quatro finalistas (não foram informados seus

sobrenomes): Lucas, Gabriel, Thalita e Otávio. A final foi conduzida pelo Padre João Paulo Rizek, coordenador da Pastoral Vocacional, que havia elaborado as perguntas finais. E Thalita, da Paróquia Santa Cristina, foi a vencedora, e recebeu como prêmio um troféu e um tablet. Todos os finalistas também foram premiados com um livro e um quadro.

Padre João Paulo Rizek premia vencedora

Tarde de espiritualidade reforça a proximidade dos jovens com Cristo Cláudio Seiji

Jovens participantes da tarde de espiritualidade organizada pelo grupo Manancial, no dia 29

Os jovens do grupo Manancial, da Paróquia São João Clímaco, no Setor Pastoral Anchieta, vivenciaram uma tar-

de de espiritualidade no sábado, 29, com pregações, louvores, oração e adoração. A pregação foi conduzida pelo Mi-

nistério Rainha da Paz, de São Bernardo do Campo (SP), que abordou a juventude e o trabalho de evangelização. Nayara Oliveira e Emily Araújo, jovens participantes do grupo, organizaram o evento. “A tarde foi um desejo de nossos corações para sanar uma necessidade que nós tínhamos. Também identificamos com alguns jovens do grupo que era necessário um encontro com Deus no mais profundo íntimo para adorá-lo. Notamos que isso podia ser um motivo para a volta de muitos jovens que se perderam, e de reanimar aqueles com tempo de caminhada que se deixaram abater

pelo cansaço ou pelo desentendimento dentro de seus grupos de evangelização”, afirmaram. O encontro foi aberto às demais paróquias da Região Ipiranga. Segundo Thaís Lima, da Paróquia Santa Cristina, no Setor Pastoral Cursino, “a tarde de espiritualidade foi algo que não achei que fosse se tornar tão poderoso, desde o momento que cheguei que já estava todo mundo dançando, até o momento que pisei fora do salão, senti uma energia, uma força nova que não havia sentido em nenhum lugar. Deus estava presente fortemente naquele lugar”, comentou.


22 | Regiões Episcopais |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Lapa Concurso Pascom Lapa de fotografia revela novos talentos

Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

O concurso “Pascom Lapa de Fotografia”, com o tema “Vida na Comunidade Paroquial”, realizado com fotógrafos amadores pertencentes às paróquias da Região Episcopal Lapa, foi uma iniciativa da Pastoral da Comunicação (Pascom) da Região Episcopal Lapa, Arquidiocese de São Paulo, em comemoração ao Ano Santo extraordinário da Misericórdia. O objetivo foi incentivar e animar as pessoas a registrarem e homenagearem suas paróquias, com a produção de fotos de momentos ou celebrações importantes para a comunidade, além de revelar novos talentos na arte de fotografar. A Pastoral da Comunicação da Lapa tem como assistente eclesiástico o Padre Antonio Francisco Ribeiro; na coordenação regional estão Paulo Ramicelli, Maria Tiemi Masuki Oliveira e os coordenadores Tony Donomai, Mariana Al Zaher, Marcos Wilkens, Marli Palmieri, Carlos Alberto Marques de Oliveira, Julia Cleto e Benigno Naveira, repórter da Região Lapa. O concurso ocorreu na tarde do sábado, 29, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, com a exposição das 30 fotos finalistas (foram mais de 160 fotos inscritas) e a entrega das premiações aos vencedores. As fotos vencedoras foram escolhidas por uma comissão julgadora formada por Angela Santos (fotógrafa da Região Lapa), Luciney Martins (repórter-fotográfico do O SÃO PAULO), Damião Francisco (fotógrafo), Padre Luiz Claudio Braga (assistente eclesiástico da Pascom arquidiocesana) e Sonia Kavantan (produtora cultural). As três fotos escolhidas foram as dos temas “Procissão do Senhor Morto”, de Luis Henrique Rocha Rodrigues, da Paróquia São Domingos Sávio, no Setor Pastoral Pirituba; “Lava-Pés”, de Marcela Roscana Cripezzi, da Paróquia

Angela Santos

Os vencedores: Marcela Roscana Cripezzi, José Carlos Fernandes, Luis Henrique Rocha Rodrigues e Ana Paula de Souza

São João Batista, no Setor Pastoral Lapa; e “Sem Título”, de Ana Paula de Souza, da Paróquia Santíssima Trindade, no Setor Pastoral Rio Pequeno. Também foi premiada uma foto por votação popular: 23 dos 126 votantes escolheram a que retratou o tema “Nossa Senhora Aparecida”, de José Carlos Fernandes, da Paróquia Nossa Senhora da Lapa, no Setor Pastoral Lapa (veja fotos abaixo). Durante o evento, o Padre Antonio Francisco Ribeiro falou sobre o que é a Pascom Lapa. Padre Luiz Claudio Braga parabenizou toda a coordenação da Pascom regional e os participantes pela iniciativa. O fotógrafo Luciney Martins agradeceu à coordenação pelo convite para participar como jurado e falou como foi difícil a escolha das fotos, pelos critérios de avaliação: originalidade, criatividade, adequação ao tema e qualidade técnica realizada pelos participantes.

Marcela Roscana, uma das vencedoras, muito emocionada, afirmou ter ficado muito contente com a premiação que, para ela, é um incentivo ainda maior para continuar a fotografar não só os momentos de celebrações, mas outras situações. Os quatros vencedores receberam como prêmios: um troféu, um tablet, um livro artístico de Nossa Senhora Aparecida e um curso de fotografia no Serviço à Pastoral da Comunicação (Sepac), das Paulinas. José Carlos Fernandes

Luis Henrique Rocha Rodrigues

Tema: “Nossa Senhora Aparecida” – autor: José Carlos Fernandes – foto escolhida por votação popular

Tema: “Procissão do Senhor Morto” – autor: Luis Henrique Rocha Rodrigues Marcela Roscana Cripezzi

Tema: “Lava-Pés” – autora: Marcela Roscana Cripezzi

Ana Paula de Souza

Tema: “Sem Título” – autora: Ana Paula de Souza


www.arquisp.org.br | 2 a 8 de novembro de 2016

| Publicidade | 23

*Promoções exclusivas para Clientes do programa de relacionamento Clube Extra. Período de participação de 28/10 a 17/11/2016, ou, no caso da promoção de vale-brinde, enquanto durar o estoque de 13.200 brindes. Certificado de Autorização SEAE/MF n. 02/0391/2016. **Título da modalidade incentivo emitido pela ICATU CAPITALIZAÇÃO S.A., CNPJ/MF n. 74.267.170/0001-73, Processo SUSEP n. 15414.900958/2014-11. A aprovação deste título pela SUSEP não implica, por parte da Autarquia, incentivo ou recomendação à sua aquisição, representando, exclusivamente, sua adequação às normas em vigor. Valor do prêmio: R$ 6.000,00, líquido de IR. Serviço de Informação ao Cidadão SUSEP 0800 021 8484 (dias úteis, das 9h30 às 17h) ou www.susep.gov.br. Ouvidoria Icatu Seguros 0800 286 0047. Consulte condições de participação e regulamentos completos de ambas as promoções em www.extra.com.br/aniversario2016. Imagens meramente ilustrativas.


24 | Pelo Brasil |

2 a 8 de novembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Em nota, CNBB crítica PEC 241, do teto dos gastos A presidência da CNBB divulgou na quinta-feira, 27, uma nota em que se posiciona sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, que limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado, criando um teto para as mesmas,

Nota da CNBB sobre a PEC 241 Brasília-DF, 27 de outubro de 2016 P - Nº. 0698/16 “Não fazer os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida.” (São João Crisóstomo, século IV)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília (DF), dos dias 25 a 27 de outubro de 2016, manifesta sua posição a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo que, após ter sido aprovada na Câmara Federal, segue para tramitação no Senado Federal. Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado – educação, saúde, infraestrutura, segurança,

a ser aplicado nos próximos vinte anos. Conforme consta na nota, a PEC 241 é “injusta e seletiva”, “supervaloriza o mercado em detrimento do Estado” e “afronta a Constituição Cidadã de 1988”. Abaixo segue a íntegra da nota:

funcionalismo e outros – criando um teto para essas mesmas despesas, a ser aplicado nos próximos 20 anos. Significa, na prática, que nenhum aumento real de investimento nas áreas primárias poderá ser feito durante duas décadas. No entanto, ela não menciona nenhum teto para despesas financeiras, como, por exemplo, o pagamento dos juros da dívida pública. Por que esse tratamento diferenciado? A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública. A PEC 241 supervaloriza o mercado em detrimento do Estado. “O dinheiro deve servir e não governar!” (Evangelii

Igreja Católica está entre as instituições com maior índice de confiança no país A Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas divulgou na sexta-feira, 28, o relatório Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil). Na consulta a 1.650 residentes nas capitais e regiões metropolitanas do Distrito Federal, Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo durante o primeiro semestre de 2016, as Forças Armadas apareceram com o maior índice de confiança (59%), seguida pela Igreja Católica (57%), imprensa escrita (37%), Ministério Público (36%), grandes empresas (34%), emissoras de TV (33%) e Poder Judiciário (29%). Na

Imprensa CNBB

Presidência da CNBB apresenta nota sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241

Gaudium, 58). Diante do risco de uma idolatria do mercado, a Doutrina Social da Igreja ressalta o limite e a incapacidade do mesmo em satisfazer as necessidades humanas que, por sua natureza, não são e não podem ser simples mercadorias (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 349). A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional. A partir de 2018, o montante assegurado para estas áreas terá um novo critério de correção que será a inflação e não mais a receita corrente líquida, como prescreve a Constituição Federal. É possível reverter o caminho de aprovação dessa PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política.

Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241. A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres. Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo povo brasileiro. Deus nos abençoe! Dom Sergio da Rocha Arcebispo de Brasília Presidente da CNBB Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ Arcebispo de São Salvador da Bahia Vice-Presidente da CNBB Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM Bispo Auxiliar de Brasília Secretário-Geral da CNBB

Gruta desaba durante celebração na cidade de Santa Maria do Tocantins

lanterna ficaram a Presidência da República (11%), o Congresso (10%) e os partidos políticos (7%). “Retratar a confiança do cidadão em uma instituição significa identificar se o cidadão acredita que essa instituição cumpre a sua função com qualidade, se faz isso de forma em que benefícios de sua atuação sejam maiores que seus custos e se essa instituição é levada é levada em conta no dia a dia do cidadão comum”, consta em um dos trechos do relatório que teve como foco avaliar a confiança da sociedade no sistema judiciário. Fonte: FGV

Dez pessoas morreram e pelo menos outras seis ficaram feridas após o desabamento de parte da gruta Casa da Pedra, na zona rural de Santa Maria do Tocantins (TO), na manhã da terça-feira, dia 1º, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde. Segundo informações preliminares, aproximadamente 50 pessoas participavam de uma missa realizada frente à gruta pelo Dia de Todos os Santos, uma tradição de mais de 50 anos na cidade. Algumas delas estavam no interior da gruta. A prefeita da cidade, Helen Rute de Freitas, disse que toda a população e as

autoridades da região estão mobilizadas em solidariedade aos familiares dos mortos e feridos. “Enviamos carros, pessoas, máquinas. Entramos em contato com prefeitos de cidades circunvizinhas, que também estão dando suporte”, disse. Em nota à imprensa, o Governo do Estado de Tocantins informou que as equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e de saúde do município de Pedro Afonso prestaram os primeiros socorros às vítimas, e que as equipes do Corpo de Bombeiros da cidade de Colinas e da Defesa Civil de Palmas, capital do estado, estiveram no local. Fontes: G1, UOL e Jornal do Tocantins

Conta de energia terá acréscimo de R$ 1,50 a cada 100kWh consumidos As contas de energia elétrica neste mês estarão com a bandeira tarifária amarela, com custo de R$ 1,50 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a medida se deve às condições hidrológicas menos favo-

ráveis, o que determinou o acionamento de usinas termelétricas, encarecendo os custos. Desde abril, a bandeira tarifária estava verde, assim não havia custo extra para os consumidores. Em 2015, todos os meses tiveram bandeira vermelha,

primeiramente com cobrança adicional de R$ 4,50 a cada 100kWh consumidos e, depois, com a bandeira vermelha patamar 1, que significa acréscimo de R$ 3,00 a cada 100kWh. O sistema de bandeiras tarifárias começou em janeiro de 2015 como forma

de recompor os gastos extras com a utilização de energia de usinas termelétricas. A cor da bandeira é impressa na conta de luz (vermelha, amarela ou verde) e indica o custo da energia elétrica em função das condições de geração de eletricidade. Fonte: Agência Brasil


O SÃO PAULO - 3126