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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 60 | Edição 3054 | 3 a 9 de junho de 2015

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Núncio Apostólico enaltece Cardeal Scherer vivacidade da Igreja em São Paulo participa de reunião preparatória do Sínodo

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Entre os dias 25 e 26, o Cardeal Scherer, arcebispo de São Paulo, participou da reunião do Conselho da Secretaria do Sínodo dos Bispos, em Roma, que preparou, com o Papa Francisco, o Instrumentum laboris (Instrumento de trabalho) da 14ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo, que acontecerá de 4 a 25 de outubro, com o tema “A vocação e a missão

da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Segundo o Cardeal, a assembleia extraordinária, em 2014, “representou um grande ‘ver’, em relação aos desafios atuais da família no contexto da evangelização; a próxima assembleia estará mais voltada para o ‘julgar’ e o ‘agir’ sobre a vocação e a missão da família”. Página 23

Da periferia do Após mal-estar, Dom universo, o homem Paulo Evaristo Arns olha para dentro de si se recupera bem Página 14

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Na Paróquia Natividade do Senhor, Padre Andrés, Dom Sergio e Cardeal acolhem Dom Giovanni d´Aniello

Dom Giovanni d’Aniello, núncio apostólico no Brasil, visitou a Arquidiocese de São Paulo, nos dias 30 e 31. Ele esteve no Carmelo de Santa Tereza, no Jabaquara, e no Arsenal da Esperança, na Mooca; e presidiu missas na Paróquia Natividade do Senhor, na periferia da zona

norte; na Paróquia Nossa Senhora de Casaluce, no Brás; e na Catedral da Sé. Dom Giovanni agradeceu ao Cardeal Scherer pela oportunidade da visita e revelou ter ficado encantado com a vivacidade da Igreja na cidade. Páginas 3 e 15

Cyberbullying Ofensas realizadas pela internet são passíveis de pena e podem gerar consequências extremas para a vítima “Os mecanismos de agressão no ambiente escolar são os mesmos de qualquer outro ambiente social. Se por um lado a civilização foi capaz de avançar tecnologicamente, na outra ponta nos deparamos com comportamentos primitivos e requintes de crueldade no contato com o outro.” A declaração é de Lidia Gallindo, psicóloga e advogada, que, em entrevista ao O SÃO PAULO, falou sobre o cyberbullying, e tocou em temas como a justiça restaurativa e a educação para o respeito, numa sociedade cada vez mais

violenta. A questão do cyberbullying, ou seja, a violência física ou psíquica repetida contra uma pessoa ou grupo, é tema também de reportagem nas páginas centrais desta edição, com casos concretos de jovens que sofreram agressões e tentaram, inclusive, suicídio, por não saberem como agir. Importante ressaltar que, no caso de crimes realizados por menores, os pais podem ser responsabilizados. A justiça brasileira considera ilegal qualquer forma de anonimato na internet. Páginas 2, 11, 12 e 13

Ilustrações: Sergio Ricciuto Conte


2 | Ponto de Vista |

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Editorial

O bullying na era digital

A

té um passado não tão remoto, o bullying era comum, principalmente nas escolas. Definido como “intimidações repetitivas entre crianças e adolescentes”, a prática, infelizmente, conferia popularidade a quem inventava apelidos irônicos para os colegas e deixava apenas duas opões às vítimas: ignorar ou reagir. O silêncio esvaziava a “graça” do agressor, mas poderia ser encarado como aceitação do apelido. Reagir agravava a situação, já que quem praticava esse tipo de assédio media o êxito da investida de acordo com a irritação do assediado.

A boa notícia é que a sociedade começa a perceber a diferença entre brincadeira e preconceito. Cada vez mais, pais e educadores se preocupam com a questão e não toleram piadas envolvendo o aspecto físico, a etnia, a religião ou outras características da criança ou do jovem. A reação vem ao encontro de pesquisas que demonstram os danos psicológicos sofridos pelas vítimas desse tipo de agressão. A má notícia é que a modernidade traz outra modalidade de bullying, ainda mais danosa: o cyberbullying, cometido através de e-mail, da internet e das redes sociais. O problema é

potencializado já que, ao contrário do bullying tradicional, restrito a ambientes definidos, como a sala de aula, por exemplo, as “curtidas” e compartilhamentos espalham difamações a limites inimagináveis. Ainda há poucos dados estatísticos sobre o cyberbullying no Brasil. O estudo mais abrangente foi realizado há quatro anos pela Safernet, ONG voltada para a segurança das crianças na internet. O trabalho, que envolveu mais de 2 mil crianças e adolescentes, apontou que 38% delas têm um amigo que sofreu cyberbullying e que cerca de 16% dos entrevistados consideram o proble-

ma como um dos maiores da internet. Levando em conta a popularização do acesso à rede nos últimos anos e os casos que têm se multiplicado, acredita-se que o problema tenha se agravado. O anonimato pode proteger, por vezes, quem pratica o assédio, mas é cada vez mais fácil rastrear quem o comete. Fica o alerta. Se o filho, menor de idade, comete cyberbullying, os pais é que devem responder legalmente por seus atos. Mas antes de remediar as consequências, devemos combater as causas. A prevenção ao bullying (presencial ou digital) começa em casa, com uma educação pautada no respeito ao próximo.

Opinião

Maus ventos para a economia Sergio Ricciuto Conte

Antônio Carlos Alves dos Santos O anúncio do contingenciamento do Orçamento para 2015 deveria ter sido um momento para reafirmar o compromisso da atual administração com o ajuste fiscal, mas aconteceu exatamente o contrário: a ausência do ministro Levy, em razão de uma alegada gripe, criou ruídos desnecessários que acabaram chamando mais a atenção que as próprias medidas anunciadas. É sempre bom lembrar que o ministro Levy mal começou o longo e difícil processo de recuperação da credibilidade da política econômica brasileira. Sem ele, este processo será muito difícil, para não dizer impossível. Pior ainda: levaria o mercado a impor a sua própria versão de ajuste fiscal com custos sociais superiores aos deste que está sendo negociado pelo governo Dilma. Um país que passa por um momento econômico extremamente delicado, como é o nosso caso, requer da sua classe dirigente um comportamento menos autocentrado e mais focado no bem-comum. Infelizmente, a revisão do fator previdenciário e as difíceis negociações em torno de medidas que alteram a regra para o direito à pensão por morte e os critérios para o acesso a benefícios trabalhistas demonstram o apego a velhas e equivocadas políticas populistas, cuja conta acaba sempre sendo paga pela população de baixa renda. Os dados macroeconômicos recentes confirmam o que já estamos cansados de saber a respeito das tentadoras políticas

econômicas populistas, mas que infelizmente insistimos em ignorar: a bonança inicial cobra um custo social elevado quando se torna impossível ignorar a fragilidade dos seus fundamentos econômicos. É exatamente isso que estamos presenciando no Brasil, com o aumento da taxa de desemprego, queda de renda, fragilidade fiscal e problemas no setor exter-

no, para não mencionar inflação bem acima da meta. Esse cenário desolador dificilmente será revertido no segundo semestre, ou seja: a oferta de emprego continuará anêmica e a taxa de desocupação continuará subindo. Somente a inflação é que deverá apresentar melhoras, mas mesmo assim deverá fechar o ano em torno de 8%. O setor

externo também deverá continuar patinando, com a balança comercial refletindo a falta de uma política realista para o setor que requereria, por exemplo, maior abertura às negociações com a União Europeia e os Estados Unidos, e isso requer somente maior pragmatismo do governo brasileiro em relação aos parceiros do Mercosul. O cenário poderá tornar-se ainda mais difícil, se a versão final do ajuste fiscal o tornar ainda mais limitado do que a versão apresentada na semana passada: o corte nas despesas ficou muito abaixo dos 6% inicialmente propostos; as promessas de gastos equivalentes aos de 2013 foram, aparentemente, deixadas para as calendas. Já o cenário róseo, marca registrada do primeiro governo Dilma, se fez presente com a expectativa de aumento de arrecadação de impostos, quando o que se verifica é justamente o contrário. De esperado somente o inevitável corte dos investimentos, em razão do conhecido engessamento do orçamento brasileiro. Em síntese, não se deve esperar melhoras significativas no cenário econômico brasileiro antes do próximo ano, isso se tudo sair como manda o figurino. E por isso, recomendo ao caro leitor evitar assumir compromissos financeiros que não sejam realmente essenciais. O momento requer cautela e uma administração das despesas da família ainda mais cuidadosa que as que já nos habituamos a fazer nos tempos de vacas magras em nosso País. Antônio Carlos Alves dos Santos é professor titular de Economia da PUC-SP e conselheiro do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto e Fernando Geronazzo • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Maria Aparecida Ferreira • Impressão: Alliance Editorial S.A. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 36669660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

N

os dias 27 a 29 de maio, foi realizada, no Vaticano, a assembleia plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Entre as atribuições desse Organismo da Cúria Romana estão o acompanhamento da Catequese em toda a Igreja e a promoção do Ano Santo extraordinário da misericórdia de Deus, que será aberto no início do próximo mês de dezembro. A catequese é uma ação permanente na vida da Igreja e precisa confrontar-se com os mesmos apelos à “nova evangelização”, feitos a todas as dimensões da vida e da missão da Igreja, sem esquecer que a catequese é uma das dimensões fundamentais da evangelização. Como precisa ser “nova” a catequese? Há cerca de 30 anos, já tivemos um documento precioso do pontificado de São João Paulo II sobre a “catequese renovada” – Catechesi traddendae, que ainda permanece atual e está longe de ter sido plenamente absorvido na vida ordinária da Igreja. Que mais deveria ser renovado na catequese em nossos dias? Se formos refletir bem, há questões bem concretas a serem levadas em conta na renovação da catequese, a fim de que ela seja inserida plenamente no grande esforço do nova evangelização. Ela precisa ser gradual, le-

Catequese e Nova Evangelização vando em conta a iniciação querigmática (catecumenal), que ajude a promover o primeiro e profundo encontro com Jesus Cristo e com Deus; ela precisa ser gradual e sistemática, envolvendo todos os aspectos da fé e da vida cristã; ela precisa ser sacramental, na medida em que prepara para recepção e vivência dos mistérios da fé celebrados nos Sacramentos da Igreja; ela precisa estar voltada para a formação permanente do cristão, abrangendo todas as etapas e situações da vida. A catequese é mais do que “instrução”, embora esse aspecto não deva faltar. Ela precisa levar ao essencial da vida cristã, que é o encontro com Deus, por Jesus Cristo e no dom do Espírito Santo. Sem isso, a catequese é falha e não alcança o seu objetivo. E precisa levar ao seguimento de Jesus Cristo na via do Evangelho e à participação pessoal e generosa na vida e na missão da comunidade eclesial. Enfim, a catequese tem a missão de formar o cristão para o testemunho de Jesus Cristo e do Evangelho na vida cristã ordinária, através das virtudes teologais da fé, esperança e caridade, das demais virtudes humanas e cristãs, da prática da oração e da Liturgia, da escuta constante da Palavra de Deus. No processo de nova evangelização, a catequese precisa incluir sempre mais os adultos não evangelizados; em muitos lugares, funciona intensamente o catecumenato e a iniciação à vida cristã de adultos. O

fato é que vai havendo sempre mais jovens e adultos de famílias católicas, que não foram batizados ou não receberam uma adequada iniciação à vida cristã; muitas pessoas se aproximam e desejam fazer um caminho mais aprofundado de formação cristã. E as comunidades da Igreja precisam estar preparadas para atender a essas pessoas. Na reunião do Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização também se refletiu sobre o “ministério do Catequista”; de várias partes do mundo, há o pedido para que a Igreja institua esse ministério, destacando a importância da catequese e do serviço prestado pelos catequistas à vida e à missão evangelizadora da Igreja. A reflexão continua e levará em conta as diversas posições já manifestadas à Santa Sé sobre o assunto. De fato, a compreensão das atribuições e da missão de catequista não é uniforme nas diversas partes do mundo e na prática da vida eclesial. Mesmo se, por alguma razão, o ministério de catequista não viesse a ser instituído formalmente pela Igreja, ele existe na prática da vida eclesial e pode ser valorizado pelas dioceses mediante um mandato específico, conferido pelo bispo diocesano aos catequistas, como já vai acontecendo em muitas dioceses do mundo. No final dos trabalhos, os membros do Pontifício Conselho tiveram uma audiência com o Papa Francisco.

| Encontro com o Pastor | 3

Visita do Núncio à Arquidiocese No último fim de semana, dias 30 e 31, Dom Giovanni d´Aniello, núncio apostólico no Brasil, visitou a Arquidiocese de São Paulo. Acompanhado pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, o Núncio, no sábado esteve no Carmelo de Santa Tereza, no Jabaquara. Arquivo pessoal

Também no sábado, presidiu missa na Paróquia Natividade do Senhor, na Região Episcopal Santana, e na tarde do domingo, 31, participou da procissão e presidiu a missa na Paróquia Nossa Senhora de Casaluce, na Região Sé (leia mais na página 15). Arsenal da Esperança

Ainda no domingo, pela manhã, o Núncio visitou o Arsenal da Esperança, no bairro do Brás (foto acima). Recepcionado pelo fundador, Ernesto Olivero, ele conheceu as estruturas da casa que acolhe homens em situação de dificuldade de vida e os capacita para oportunidades de trabalho Helena Ueno

Também no domingo, o Núncio esteve na Catedral da Sé (foto acima), quando visitou a cripta e presidiu a missa das 11h. Ele agradeceu a oportunidade de conhecer melhor São Paulo e confidenciou ter ficado encantado com a vivacidade da Igreja na cidade. O Núncio refletiu sobre o mistério da Santíssima Trindade e apontou que o amor ao próximo que testemunhou nos serviços oferecidos no Arsenal da Esperança são um bom exemplo da ação desse amor tributário. (por Rafael Alberto e Daniel Gomes)


4 | Papa Francisco |

A “

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Trindade é comunhão de Pessoas divinas, as quais estão uma com a outra, uma para a outra, uma na outra: essa comunhão é vida de Deus, é o mistério do amor do Deus vivo.” Assim se expressou o Papa Francisco ao iniciar a reflexão que antecedeu a oração mariana do Ângelus, às 12h do domingo, 31, Solenidade da Santíssima Trindade. “Mistério do único Deus em três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo”, este mistério nos foi revelado por Jesus, que nos falou de Deus como Pai, nos falou do Espírito Santo e falou de si mesmo, continuou Francisco. Ressuscitado, Jesus enviou os discípulos ao mundo para evangelizar e batizar “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. A Igreja recebeu esse mandato missionário dos apóstolos e de cada um de nós, os batizados. Na Solenidade da Santíssima Trindade, contemplamos “o maravilhoso mistério de onde viemos e para o qual iremos”, continuou o Papa. É uma celebração que nos renova na missão de viver a comunhão com Deus e a comunhão entre nós. Temos que viver uns com os outros, para os outros e

O caminho da vida cristã é essencialmente trinitário nos outros. “Isso significa acolher estamos nos recordando disso. O e testemunhar concordes a beleza Papa convidou todos a fazerem o do Evangelho; viver o amor recí- sinal da cruz. proco e para os outros, partilhando No encerramento da mensaalegrias e sofrimentos, aprendendo gem, Francisco se referiu ao final a pedir e dar perdão, valorizando do mês de maio, mês de Maria, e os diversos carismas sob a guia dos convidou a todos a se confiarem pastores.” a ela que “mais do que qualquer Francisco sintetiza a nossa mis- outra criatura conheceu, adorou, são: “edificar comunidades ecle- amou o mistério da Santíssima siais que sejam sempre mais famí- Trindade”. Que Maria “nos guie lia, capazes de refletir o esplendor pela mão; nos ajude a perceber da Trindade e de evangelizar não nos eventos do mundo os sinais somente com palavras, mas com da presença de Deus, Pai e Filho a força do amor de Deus que habita em Na Solenidade da Santíssima nós”. A Trindade é o Trindade, contemplamos fim último de nossa “o maravilhoso mistério de peregrinação terre- onde viemos e para o qual na. O caminho da iremos. É uma celebração que vida cristã é “essen- nos renova na missão de viver a comunhão com Deus e a cialmente trinitário”. comunhão entre nós” Somos guiados pelo Espírito ao pleno conhecimento de Cristo e Cristo e Espírito Santo”. Maria nos faça nos faz conhecer o Pai, nos guia amar Jesus e caminhar rumo à vipara ele e nos reconcilia com ele. são da Trindade. Enfim, “peçamos A vida cristã gira em torno do mis- a ela também para ajudar a Igreja, tério da Trindade. Para a glória de mistério de comunhão, para ser coDeus, “existimos, trabalhamos, lu- munidade acolhedora, onde cada tamos, sofremos” e somos chama- pessoa, especialmente pobre e mardos a “um imenso prêmio”. A nossa ginalizada, possa encontrar acolhivida inteira e o nosso ser cristão é da e sentir-se filha de Deus, querida abraçado por esse mistério e quan- e amada.” do nós fazemos o sinal da cruz, (Por Padre Cido Pereira)

Intenções para junho L’Osservatore Romano

Foram divulgadas, na segunda-feira, dia 1º, as intenções de oração do Papa Francisco para o mês de junho. O Pontífice confiou ao Apostolado da Oração os seguintes propósitos: Intenção universal: “Para que os migrantes e refugiados sejam acolhidos e respeitados nos países onde chegam”. Intenção para a evangelização: “Para que o encontro pessoal com Jesus suscite em muitos jovens o desejo de oferecer-lhe a própria vida no sacerdócio ou na vida consagrada”.

Viagem a Turim A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou, no sábado, 30, o programa da viagem do Papa Francisco a Turim, na Itália, nos dias 21 e 22 de junho. Serão dias intensos, nos quais o Papa pronunciará sete discursos. Entre as atividades estão a oração diante do Sudário, a celebração com os Salesianos pelo bicentenário de nascimento de Dom Bosco, o encontro com o mundo do trabalho, a histórica visita ao Templo Valdense, o abraço aos doentes de Cottolengo e também um momento em família: uma missa e almoço com familiares piemonteses de Bergoglio.

Mensageiro de paz Faltando poucos dias para a viagem a Sarajevo, no sábado, 6, o Santo Padre enviou uma vídeo-mensagem aos cidadãos da Bósnia-Herzegovina. “Eu os convido a se unirem às minhas orações, para que esta viagem apostólica possa produzir os frutos esperados para a comunidade cristã e para toda a sociedade”, afirmou Francisco, que disse, ainda, estar se preparando para partir como um “irmão mensageiro de paz”, e para expressar a todos a sua estima e amizade. “Gostaria de anunciar a cada pessoa, a cada família, a cada comunidade, a misericórdia, a ternura e o amor de Deus”. (Por Fernando Geronazzo)


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Espiritualidade

Fé e cidadania

A Trindade Santíssima de Deus (1)

Palavra e pão para a vida eterna

Dom Eduardo Vieira do Santos

A

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Solenidade da Santíssima Trindade vem nos recordar um dos principais mistérios de nossa fé: Deus é Uno (único) e Trino. Nós cremos no Pai, no Filho e no Espírito Santo, ao afirmarmos: Creio em um só Deus, em três Pessoas realmente distintas. A história de Deus com a humanidade, no Antigo Testamento, representada pelo Povo de Israel, foi sempre uma história de gradual revelação do próprio Deus e uma história de salvação. Toda a Trindade estava presente desde a criação e em cada manifestação e ação salvadora de Deus. Essa presença nem sempre se manifestava de maneira clara, mas tudo era ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O livro do Gênesis nos lembra de que no princípio, quando Deus criou o mundo, “o Espírito pairava sobre as águas” (Gn 1,2). Por sua vez, o início do Evangelho de São João se refere à pessoa do Filho ao afirmar que “Tudo

foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1,3). Sem dúvida, nós não teríamos acesso a esse mistério de maneira clara se Ele não nos fosse revelado pelo Filho de Deus, que se encarnou no seio da Virgem Maria, por ação e graça do Espírito Santo. “Nos tempos antigos, muitas vezes e de muitos modos, Deus falou aos antepassados por meio dos profetas. No período final em que estamos, falou a nós por meio do Filho. Deus o constituiu herdeiro de todas as coisas e, por meio dele, também criou os mundos. O Filho é a irradiação da sua glória, e nele Deus se expressa tal como é em si mesmo” (Hb 1, 1-3). Conhecemos a intimidade de Deus que é Uno e Trino por Jesus Cristo: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9); “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14,11). Com essas expressões, Jesus nos revela que há uma relação de paternidade e de filiação; Deus é Pai e também é Filho. Jesus também nos diz “que Deus é Espírito e aqueles que o adoram devem adorálo em Espírito e verdade” (Jo 4,24). Fica para nós relativamente fácil entender as relações de paternidade e filiação. Já a terceira pessoa da Santíssima Trindade nos é revelada como o Amor. O Espírito Santo se revela na Trindade como o próprio amor com que o Pai e o Filho se amam. Esse mesmo Espírito nos foi dado, quan-

do Jesus retorna ao Pai. Podemos concluir a partir do que foi dito que as relações trinitárias são relações de amor. Existem entre as três Pessoas da Santíssima Trindade por meio da comunhão de amor. Podemos também afirmar que a Trindade Santíssima é uma família (relação de paternidade e filiação). Isso traz consequências práticas para nós, criados à imagem e semelhança de Deus. Nós só nos realizaremos em nossa vida no movimento de contínua saída de nós mesmos, para o encontro com os outros. Somos seres de relações e é por isso que vivemos em sociedade. Na Trindade, a característica do relacionar-se é o amor. De igual modo, também a realização humana passa pelo amor, pelo respeito, solidariedade e pela sensibilidade para com as pessoas que cruzam a nossa vida. Outra conclusão bem simples é que assim como existe a comunhão de pessoas na vida íntima da Trindade, deverá existir comunhão e amor em nossas famílias, que são espelho da família divina. Por último, e não menos importante, é lembrar que quando nos unimos em oração numa assembleia convocada pelo Espírito (ação litúrgica), nossa oração é louvor à Trindade Santíssima de Deus. Dirigimo-nos ao Pai por meio de Jesus Cristo e no Espírito Santo.

Padre Alfredo José Gonçalves, CS

Dia 13 de junho, celebramos a Festa de Santo Antônio. Trata-se de uma das devoções mais populares no Brasil e em numerosos outros países. Contemporâneo de São Francisco de Assis, Fernando (nome de berço) nasceu em Lisboa, em Portugal, em agosto de 1195, e faleceu em Pádua, na Itália, precisamente em 13 de junho de 1231. Doutor da Igreja, na virada do século XII para o século XIII, tornouse popularmente conhecido como o santo da palavra e do pão. Palavra de Deus, que anima, conforta e revigora os que andam cansados e abatidos pelas estradas do êxodo; “pão nosso de cada dia”, que representa o direito inalienável a uma vida justa, condizente com a dignidade humana. Mais do que isso, porém, Santo Antônio, por meio de sua vida, obra e pregação, foi capaz de fazer da palavra e do pão verdadeiros alimentos para a vida eterna. Além de levar pão aos famintos, alegria aos tristes e paz aos atormentados, soube orientá-los a “ajuntar riquezas no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não assaltam nem roubam” (Mt 6,20). Da mesma forma que outras Igrejas particulares, a Arquidiocese de São Paulo possui várias paróquias, comunidades e capelas dedicadas a Santo Antônio. Uma delas, localizada na praça Patriarca, em pleno coração da metrópole. No dia 13 de junho, receberá dezenas de milhares de fiéis, desde as primeiras horas do dia até a noite. O que busca essa imensa multidão anônima? O pão, o lírio, uma palavra, a benção, a celebração eucarística... Mas não é só isso! Na vida agitada e febril em que vivem, na correria do dia a dia, na sede constante e frenética de novidades – cada pessoa busca, em primeiro lugar, uma parada, um pouco de silêncio e paz, de quietude e repouso. Busca a reconciliação consigo mesmo, com os outros e com Deus. Busca um ponto de apoio numa sociedade privada de referências. Um ponto, por mais frágil que seja, a partir do qual recomeçar o sentido da própria vida. O testemunho de Santo Antônio, bem como de outros santos e santas ao longo da história, constitui exatamente esse ponto inicial que orienta os homens e mulheres para Jesus Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6). Quanta gente órfã, solitária e perdida em meio às turbulências imprevistas da vida urbana! Pessoas que procuram um raio de luz, uma palavra de alívio, um pedaço de pão, um toque amigo, um olhar compreensivo, um abraço, um encontro... Uma rocha firme, onde firmar os pés e dar o primeiro passo, retomando o caminho em direção a um novo horizonte.


6 | Fé e Vida |

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Liturgia e Vida

Você pergunta

10º Domingo do Tempo Comum 7 de junho de 2015

O que quer dizer ‘repouso no Espírito?’

O Senhor é nosso baluarte ANA FLORA ANDERSON

A liturgia deste domingo reflete sobre a tensão entre o mal que existe no mundo e o amor e o poder de Deus que são nossa luz e salvação. A primeira leitura (Gênesis 3, 9-15) narra a visão dos antigos, cujo desprezo pela serpente a tornou o símbolo do mal que atinge a humanidade. Nem o homem nem a mulher são capazes de assumir a responsabilidade pela desobediência. Adão acusa Eva e ela afirma que foi enganada pela serpente. Deus, porém, revela que o Mal será vencido. Na segunda leitura (2 Coríntios 4,13 - 5,1), São Paulo ensina ao povo de Corinto que não se pode desanimar. Na medida em que a graça de

Deus crescer num número maior de pessoas, seremos renovados no dia a dia. O Evangelho de São Marcos (3, 20-35) começa de maneira muito humana. Depois de um dia de pregação, Jesus e os discípulos voltam para casa querendo jantar e descansar. Mas, como sempre, o povo sedento de apoio cerca a casa enquanto que os parentes do Senhor e os teólogos desconfiam que Jesus usa o mal para impressioná-lo e enganá-lo. Jesus, então, explica que o Espírito veio infundir em toda gente o amor e a união. O Reino não é uma raça ou uma nação. O Reino é uma família reunida por Jesus. Por isso, quem fizer a vontade de Deus é sua irmã, seu irmão e sua mãe!

Atos da Cúria PRORROGAÇÃO DA NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 28 de maio de 2015, foi prorrogada a nomeação e provisão de Pároco da Paróquia São Vicente Pallotti, da Região Episcopal Belém, Setor Pastoral Carrão/Vila Formosa, o Revmo. Pe. Luiz Braz de Rezende, SAC, pelo período de 1 (um) ano. Em 8 de março de 2015, foi prorrogada a nomeação e provisão de Pá-

padre Cido Pereira osaopaulo@uol.com.br

A pergunta é da Jandira (que não disse seu sobrenome) e que mora em Guarulhos. “Repouso no Espírito” é um fenômeno muito difundido pelos grupos pentecostais evangélicos e católicos. O padre, o pastor ou qualquer líder do grupo coloca a mão na cabeça das pessoas, ou se agita a custódia com o Santíssimo Sacramento e as pessoas como que desmaiam, desfalecem. Eu, pessoalmente, nunca provoquei esse tipo de reação nas pessoas e não aprovo esse tipo de procedimento. E acho não ser correto admitir que quando acontecem esses fenômenos, o

Espírito Santo esteja se manifestando. Penso que existam razões mais psicológicas do que espirituais para fazerem as pessoas caírem nesse “desmaio místico”. O pior nessas manifestações é que muitas pessoas que participam desses grupos de oração e não “repousam no Espírito” ou não desmaiam, ficam confusas entendendo que elas não têm fé, que não cresceram na fé. E não há ninguém que as ajude a entender que elas não são menos cristãs e menos amadas por Deus do que aquelas que estão lá passando por aquela experiência estranha. A CNBB divulgou algumas instruções para a Renovação Carismática Católica

que valem para todos os grupos pentecostais católicos. Faz-se necessário hoje aquilo que está preocupando muito a Igreja: a iniciação à vida cristã. Um cristão que aprofunda a sua fé certamente vai vivê-la de modo autêntico, sereno, tranquilo, saciando sua fome de Deus diretamente da Sagrada Escritura e nos sacramentos da Igreja, sem nenhum fenômeno psicológico que mais confunde do que faz crescer na fé. Mas o que eu acabo de dizer é a minha prática pastoral, é a minha opinião. Que a Palavra de Deus, que o Catecismo da Igreja Católica, que os ensinamentos da Igreja sejam a luz para vivermos e testemunharmos a fé.

ANTONINHO DA ROCHA MARMO PRECISA DE VOCÊ roco da Paróquia Santo Antônio, da Região Episcopal Sant´Ana, Setor Jaçanã, o Revmo. Pe. Indemini Ziero (Pe. Hermenegildo), pelo período de 1 (um) ano. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 20 de maio de 2015, foi nomeado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia Imaculado Coração de Maria, da Região Episcopal Brasilândia, Setor Pastoral São José Operário, o Revmo. Pe. Jean-Luc Luki Musulu, SV.

O processo de Beatificação e Canonização do Servo de Deus já encerrou a fase Diocesana e se encontra em Roma. Por Diligência da Congregação, foi pedido depoimentos de vinte Sacerdotes para confirmar a fama de santidade do Servo de Deus. Favor falar com o Padre Edson (11) 3826-5143 (Tribunal Eclesiástico) ou com Dr. Camargo (11) 3053-4300 (Comercial) ou (11) 97428-7501 (Celular).

EDITAL DE CONVOCAÇÃO A FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, convoca seus membros diretores para a assembleia ordinária a realizar-se no dia 17 de junho de 2015, às 14h, em sua sede à Avenida Higienópolis, 890, sala 16, São Paulo, SP, em primeira chamada com todos os diretores presentes, e, às 14h30, em segunda chamada, com os que estiverem presentes. A assembleia terá como pauta: 1 - assuntos ordinários da “Rádio 9 de Julho”; 2 – assuntos ordinários do Jornal “O SÃO PAULO”; 3 – outros assuntos. São Paulo, 03 de junho 2015. O Presidente


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| Pastorais | 7

Pastoral Carcerária

Dom Angélico: ‘muitos estão cegos para a vida dos irmãos presos’ “Devemos atender ao chamado do Papa Francisco e quebrar a globalização da indiferença. Vocês são profecia dentro da Igreja. Levem a realidade e os problemas vividos pelos presos e pelas presas para a sensibilização e conhecimento de nossas comunidades. Muitos estão cegos para a vida desses irmãos”. Essa foi uma das falas de Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), durante o retiro espiritual dos agentes da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de São Paulo, em 23 de maio, realizado na Cúria da Região Santana. Dom

Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Região, esteve presente no retiro para acolher e saldar os participantes. O retiro alternou momentos de reflexão, motivados por Dom Angélico, com momentos de oração e meditação individuais. A espiritualidade cristã, a evangélica opção preferencial pelos pobres, e o trabalho missionário da Pastoral Carcerária foram os eixos condutores do retiro, tendo como fundamentação, entre outras referências, Mateus 5, 1-12, Mateus 25, 31-46, e algumas passagens da exortação apostólica Evangelli Gaudium, do Papa Francisco.

Dom Angélico insistiu que os cristãos devem “gritar, juntamente com o Papa Francisco, pela cultura do encontro”, pois o Reino que Jesus pregou é de justiça, amor e paz. A defesa da dignidade humana é imperativa na conduta cristã: “Os grandes santuários não são as catedrais e igrejas, mas a pessoa humana”, disse. Para seguir Jesus, “temos que rezar. E rezar com a realidade; com o pé no chão!”, afirmou Dom Angélico, pois, “a misericórdia – maior das virtudes –, o amor fraterno, e a opção pelos pobres são as marcas da vida cristã” completou.

Pastoral Carcerária

Dom Angélico durante retiro com agentes da Pastoral Carcerária, dia 23

Contra a globalização da indiferença, Dom Angélico lembrou das “ordens de Jesus”: “estive preso e me visitou” e “lembrem-se dos presos”. Ele motivou a Pastoral Carcerária,

ao final do retiro, recordando as palavras do Cardeal Paulo Evaristo Arns: “Vamos avante! De esperança em esperança, sempre com esperança!”. (Por Marcelo Naves/Pastoral Carcerária)

Pastoral Vocacional Um dia de formação para despertar vocações Para o auxílio na escolha da vocação, a Pastoral Vocacional da Arquidiocese de São Paulo realizou nos dias 23 e 24, na Casa Vocacional Frei Galvão, na Vila Formosa, um encontro voltado para jovens rapazes com mais de 25 anos, e que já tenham o ensino médio completo ou sejam universitários (perfil dos vocacio-

nados para o Propedêutico II). O tema abordado foi “A pessoa de Jesus Cristo na vida do padre diocesano”. O evento teve a participação do reitor do Seminário Propedêutico, Padre José Adeildo Pereira Machado; do seminarista formado em Letras, Thiago Henrique Peluso dos Santos; além da psica-

nalista Dra. Márcia Regina Mendes Silva. Os vocacionados tiveram momentos dinâmicos em que aprofundaram o tema do encontro. Segundo Maitê Lima Bossi, secretária do Centro Vocacional Arquidiocesano, “os momentos de espiritualidade foram a celebração da santa missa da Vigília

Pastoral do Menor Arquidiocese já atenta à eleição de conselheiros tutelares Aconteceu na quarta-feira, 27, a primeira reunião da chamada equipe Criad, que tem como objetivo articular as políticas públicas de atendimento a criança e ao adolescente na cidade São Paulo. A equipe é composta por representantes das pastorais do Menor, Fé e Política, da Educação, e da Criança, além do Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo (Clasp), Rede Marista de Solidariedade, Conselho Municipal em Defesa da Criança e do Adolescente (Cmdca) e a conselheira tutelar do Jaçanã, Aparecida Pergom. Nessa reunião foi levantada e articulada a iniciativa de existirem candidatos ao cargo de conselheiro tutelar que te-

nham experiências em pastorais e movimentos religiosos voltados à criança e ao adolescente. Segundo a representante do Criad, Sueli Camargo, a Pastoral do Menor está em contato com o clero das regiões episcopais para motivar que indique leigos conscientes e ativos nas paróquias e comunidades como candidatos ao conselho tutelar. Os indicados terão instrução e preparação devida para o exercício correto como conselheiros tutelares. A reunião com os futuros candidatos acontecerá no dia 25 de junho, em local a ser definido. Em 2012, a Lei nº 12.696/2012 estabeleceu a necessidade de um processo de escolha em data unificada

nos municípios brasileiros, e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) apoiou essa iniciativa. Assim, as eleições em todo o País acontecerão em 4 de outubro de 2015. O Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo encarregado pela sociedade de zelar pela garantia e defesa dos direitos da criança e do adolescente por parte da família, da comunidade em geral e, acima de tudo, do Poder Público. É formado por cinco membros eleitos pela população local, que atuam em colegiado, de acordo com as atribuições estabelecidas no artigo 136 do Estatuto da Criança e do Adolescente. (Colaborou Rubya Beranger)

de Pentecostes, a Liturgia das Horas e o momento Mariano”, afirmou. Também de acordo com Maitê, em média, os vocacionados são acompanhados por um ano. “Porém, esse período não é fixo, podendo ser estendido ou diminuído, dependendo de cada vocacionado”, esclareceu. Os próximos eventos, destinados a rapazes, acontecerão nos dias 7 de junho, para os adolescentes que cursam o 1º e 2º ano do ensino médio; nos dias 13 e 14 de junho, para estudantes do 3º ano do ensino médio ou que já finalizaram o colegial; e nos dias 20 e 21 de junho, para os que já têm

ensino médio completo, estudantes universitários ou jovens acima dos 25 anos. Todos os encontros serão na Casa Vocacional Frei Galvão (rua Ibaiti, 67, Vila Formosa), com início às 9h do sábado, e término às 12h do domingo. A Pastoral Vocacional existe há 15 anos, desde 19 de março de 2000, com o objetivo de estimular a espiritualidade e o discernimento das vocações. O jovem que deseja participar deve retirar um formulário de inscrição na Rua Felipe de Oliveira 26, 6º andar, próxima à Catedral da Sé. Outras informações em (11) 3104-1795. (Colaborou Rubya Beranger)

Nota de falecimento Rádio 9 de Julho

Morre radialista da rádio 9 de Julho Faleceu no sábado, 30, vítima de infarto, aos 74 anos, o radialista Luis Carlos Araújo. Natural de Itapetininga (SP), como locutor, Luis Carlos passou por grandes emissoras da capital paulista, como a Rádio Difusora, quando na década de 70 comandou o programa “Som: alegria da cidade”; e a rádio 9 de Julho, onde estava há 15 anos, e comandava o programa “A saudade se faz canção”. Luis Carlos Araújo deixa a esposa, Lúcia Helena, e três filhos. (Fonte: rádio 9 de Julho)


8 | Igreja em Missão |

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REDAÇÃO

Destaques das Agências Nacionais

osaopaulo@uol.com.br

Peregrinação e Simpósio das famílias em Aparecida (SP) A 7ª Peregrinação e o 5º Simpósio da Família no Santuário Nacional de Aparecida (SP) aconteceram nos dias 30 e 31. Promovidos pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB e pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), o Simpósio foi realizado no sába-

do e reuniu mais de 2 mil pessoas no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida. No domingo, 31, as missas na Basílica de Aparecida foram voltadas para a temática das famílias e seus valores. O bispo referencial para a Vida e a Família, Dom João Bosco de Souza, lembrou que o

Papa Francisco oferece “uma proposta muito bonita, brotada no coração de Jesus”, para guiar as famílias do mundo. “Nós temos que estar unidos diante de toda essa transformação cultural que está havendo no mundo. E o Papa Francisco nos oferece um caminho muito claro do que

Papa Francisco saúda Cardeal Hummes pelos 40 anos de episcopado Reprodução

Em 15 de maio, o Papa Francisco enviou saudação ao Cardeal Cláudio Hummes, por conta dos seus 40 anos de ordenação episcopal, completados no dia 25 do último mês. “Ao Venerado Irmão Cardeal Dom Cláudio Hummes por ocasião dos seus 40 anos de Ordenação Episcopal, desejo fazer chegar cordiais solicitações compartilhando com fraterna estima sua ação de graças pelos frutuosos anos de vida que Deus lhe concedeu nela esculpindo os traços do Bom Pastor enquanto imploro pela materna intercessão da Virgem Maria, aquela perfeita alegria, a que, desde jovem o chama São Francisco de Assis ao conceder-lhe extensiva a quantos lhe são queridos, a Bênção Apostólica. Vaticano, 15 de maio de 2015”, consta na saudação (veja ao lado).

devemos buscar como alimento para as nossas famílias. O que quero dizer para as famílias é que temos uma proposta muito bonita, brotada do coração de Jesus, para oferecer para o mundo carente, necessitado de um caminho claro para ser seguido”, disse o Bispo. (Fonte: CNBB/ Redação: Nayá Fernandes)

Em Belo Horizonte, 50 mil fiéis pedem paz Mais de 50 mil fiéis foram ao Mineirão, em Belo Horizonte (MG), para o 15ª Torcida de Deus, no domingo, 31. O evento, em comunhão com o Ano da Paz convocado pela CNBB, trouxe a paz como grande tema. Diversos momentos vividos durante a celebração emocionaram os fiéis, como as coreografias e a coração de Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. Causou especial emoção a projeção de um vídeo no tablado que

cobria o gramado do estádio. As imagens projetadas, também exibidas nos telões, homenagearam Minas Gerais, a Padroeira do Estado Nossa Senhora da Piedade, e a presença de Cristo Rei, com seu trono nas montanhas mineiras. Fiéis vindos em caravanas das paróquias dos 28 municípios que integram a Arquidiocese de Belo Horizonte participaram do evento. (Fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte/Redação: Nayá Fernandes)

172 anos da Infância e Adolescência Missionária Criada na França, em 19 de maio de 1843, a Obra da Infância e Adolescência Missionária (IAM) completa 172 anos de fundação. Para marcar a data, no dis 31, a IAM em todo o Brasil celebrou a sua 3ª Jornada Nacional, iniciativa que já vem sendo realizada em vários países. No Brasil, a Obra conta

com mais de 30 mil grupos e a Jornada Nacional aconteceu nas dioceses e paróquias, com a consagração das crianças e adolescentes durante a Coroação de Nossa Senhora, entrega do lencinho e do escuto da IAM e a coleta do cofrinho com a oferta das crianças. (Fonte: POM/ Redação: Nayá Fernandes)

Reforma Política é votada no Congresso Desde o dia 26, a Câmara dos Deputados está votando uma proposta de reforma política. Dos itens propostos pela casa - defini-

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ção do sistema eleitoral, financiamento de campanha, coligações partidárias, cláusula de barreira, periodicidade das eleições, reeleição, voto obrigatório, idade mínima para cargos – mais da metade já foi votado. As votações acontecem em meio a discussões e acusações. Tudo isso porque o presidente da casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desfez a comissão que vinha trabalhando no texto da reforma política e decidiu votá-la diretamente em plenário, o que facilita as modificações.

Com discursos de que o “povo quer mudanças”, os parlamentares iniciaram os trabalhos votando a forma de eleição para os cargos legislativos – vereadores, deputados estaduais e federais. Nesse ponto, o sistema permanece como está, pois todas as alternativas apresentadas foram rejeitadas. Um ponto de conflito eram as questões da constitucionalização do financiamento de campanha. Em um primeiro momento, algo rejeitado pelos deputados, mas na segunda tentativa eles votaram

e aprovaram a questão do financiamento aos partidos políticos e não mais aos candidatos.. Como a mudança é constitucional, haverá votações no Senado e em um segundo turno da Câmara. Além disso, os parlamentares acabaram com a reeleição, mantiveram as coligações partidárias para as eleições proporcionais, aprovaram a cláusula de barreira – partidos sem nenhum parlamentar eleito não terão direito ao fundo partidário ou ao tempo de televisão. (Redação: Edcarlos Bispo)


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Destaques das Agências Internacionais

| Igreja em Missão | 9 Filipe David

Correspondente do O SÃO PAULO na Europa

Congo

Bispos de Bukavu: ‘clima de genocídio’ A Assembleia Episcopal da Província de Bukavu, no oeste do Congo, publicou uma mensagem na qual denuncia o “clima de genocídio” e o jihadismo que têm tomado conta da região recentemente. Segundo a Assembleia, diversos grupos armados na região “se comportam como

inimigos de um povo abandonado”, cometendo crimes de guerra e contra a humanidade, incluindo a mutilação de crianças e a estripação de mulheres grávidas. Segundo os bispos, estão instalados nos maciços de Ruwenzori diversos grupos que recrutam jovens e lhes

“inoculam o espírito jihadista”, treinando-os em seguida ao terrorismo internacional. Os bispos denunciam o processo em curso de deslocamento forçado da população local, cujas terras são ocupadas pelos terroristas. Também a Igreja sofre com a violência: no dia 12 de maio, houve uma

tentativa de sequestro do bispo de Kasongo. Além disso, os bipos afirmam estar indignados com o silêncio a respeito dos três padres sequestrados em 2012, dos quais ninguém conhece o paradeiro e nem mesmo se estão vivos ou mortos.

Nigéria ‘Não ao aborto em massa’ Dom Anselm Umoren, bispo nigeriano, propõe ajuda às futuras mães e critica o aborto em massa, como sugerem alguns às vítimas do Boko Haram. Graças às recentes ofensivas da parte do exército nigeriano, centenas de mulheres que haviam sido sequestradas recuperaram a liberdade. Muitas estão grávidas devido à violência sexual que sofreram.

Dom Anselm Umoren, bispo auxiliar de Abuja e presidente do Comitê pela Saúde da Conferência Episcopal da Nigéria, propõe o auxílio às futuras mães: “Em colaboração com todas as pessoas de boa vontade, a Igreja Católica na Nigéria está disposta a oferecer todo o apoio necessário para acelerar o tratamento, a reabilitação e o restabeleci-

Fonte: Fides

Arquivo pessoal

mento das vítimas, de maneira que elas possam se reintegrar rapidamente à sociedade”. Dom Anselm criticou a proposta de aborto em massa: “Já que as crianças por nascer são inocentes e inconscientes dos crimes cometidos contra suas mães, é imoral puni-las pelos pecados e crimes de seus pais desviados”. Fonte: Fides

Jovens libertadas do cativeiro do Boko Haram, na Nigéria

Irlanda

Sudão do Sul

Aprovação do ‘casamento’ gay

Conselho denuncia tortura, estupros e recrutamento de crianças

Em referendo popular, a Irlanda aprovou o “casamento” entre duas pessoas do mesmo sexo. O movimento homossexual irlandês, financiado principalmente pela organização bilionária Atlantic Philanthropies, tem trabalhado já há uma década no projeto. Sua estratégia de ação incluiu desde o simples lobby com políticos ao longo dos últimos anos até campanhas de difamação contra os opositores do projeto e técnicas avançadas de manipulação psicológica. Durante a campanha, os defensores da família tradicional foram

acusados de “serem contrários à democracia”, “prejudicarem vidas”, “serem contra os direitos humanos”, “serem a favor da discriminação”, “serem contra o amor”, entre outros. O valor estimado gasto apenas na mais recente campanha – que culminou com a aprovação do projeto, no referendo do dia 22 de maio – está entre US$ 17 e 25 milhões, cerca de 50 vezes mais do que o gasto pelos defensores da família tradicional, financiados na maior parte com pequenas contribuições individuais. Fonte: LifeSiteNews

O Conselho de Igrejas do Sudão do Sul publicou uma declaração na terça-feira, 26, na qual denuncia os crimes de guerra cometidos no País: “As pessoas são assassinadas, estupradas e torturadas. (...) Crianças são recrutadas em grupos armados e os saques são constantes”. A guerra civil que começou em 2013 já causou mais de 10 mil mortes e obrigou 1 milhão de pes-

soas a se deslocarem. Apesar de conversações de paz estarem em andamento, a violência continua. O Conselho pediu um maior comprometimento das autoridades para o restabelecimento da paz: “É inaceitável que as negociações para eleições de lugares de poder sejam celebradas em ‘hotéis de luxo’, enquanto a população morre assassinada e continua sendo assassinada”. Fonte: ACI


10 | Viver Bem |

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Comportamento

A importância dos pequenos gestos Valdir Reginato conviver com pessoas acolhedoras cunstâncias externas ajudam, sem e otimistas, que saibam valorizar dúvida, mas a primeira chama Um estudo publicado recen- os dons dos demais, sem inveja; deve estar acesa no interior, onde temente foi realizado na Univer- que sabem elogiar com sincerida- a nossa vontade, o nosso querer se sidade de Washington, nos Esta- de os feitos dos outros; que se ale- fortalece a cada dia. dos Unidos, pelo psicólogo John gram pelas conquistas da esposa Se esperarmos somente pela Gottman a respeito das relações (o); que incentivam aqueles com ocasião de um grande churrasco amorosas no mundo, e as atitu- maior dificuldade em começar, para nos alimentarmos, corremos des que os casais têm para serem sem esperar nada em troca futura, o risco de chegar lá tão fracos, ou felizes, chega a quatro conclusões todas elas são pessoas felizes. doentes, pelo jejum prolongado, muito interessantes e práticas para É fácil verificarmos em casa as que não conseguiremos apreciar. o cotidiano familiar. (Scientific inúmeras circunstâncias que per- Grandes churrascos não se fazem American, mente e cérebro, maio mitem que “pequenos atos, com todos os dias, e para se comer bem, amor, valem a pena”. Desde dizer “o é preciso estar saudável. Portanto, 2015, p 76-77). O pesquisador afirma que “um bom dia” até “o boa noite” são mui- alimentar-se diariamente do ardos principais determinantes da tas as ocasiões que surgem, mes- roz com feijão, bem temperado, felicidade de uma relação é a capa- mo sem que seja necessário uma nos permitem, eventualmente, cidade que ambos têm de reparar programação espee sair de estados negativos”. Para cial para isso. O que tanto, organizou as atitudes em é importante, como Não é preciso elaborar adverte a pesquisa, é grandes projetos para quatro grupos, a saber: 1) Pequenas atenções: Deta- que estejamos “ligapodermos ser felizes. É lhes de sorriso, um toque de cari- dos” como radares nho, um olhar para dizer que está para perceber quando justo que quebrar a rotina ouvindo atentamente soma posi- elas aparecem. Como com uma experiência tivamente. deixar de perguntar diferente, que favoreça 2) Lidar com conflitos de in- se a dor de cabeça uma maior convivência teresse: Enfatiza que os casais de- melhorou, se a entrevem deixar de defender seus inte- vista para o emprego para os dois, poderá ser resses individuais para pensar nos foi bem, como está maravilhosa interesses do casal. se preparando para o 3) Olhar e ouvir: Estar atento exame, ou comentar a às solicitações do cônjuge é um elo alegria por saber da viagem que se saborear um bom churrasco. Pequenos gestos de atenção: forte para felicidade. Casais que se aproxima? Como é melhor ser reseparam respondem, com o passar cebido por um sorriso, ser ouvido olhar e ouvir; saber ceder; valodos anos, por apenas 33%, enquan- sem ser interrompido pelo celular! rizar o outro no cotidiano. Perto os que perseveram 86%. 4) Va- Oferecer-se antes de ser solicitado. mito-me acrescentar um item lorizar aspectos positivos: O casal Levantar-se para o outro sentar. aos resultados da pesquisa, muito deve concentrar-se nos aspectos Buscar um copo d’água para quem lembrado pelo Papa Francisco: positivos de seu cônjuge. Críticas chegou cansado... perdoar. Com isso, vivemos o recorrentes e negativas desgastam A felicidade nasce no coração amor. Parece fácil?! Mas esta é a e afastam o casal, enquanto a valo- para manifestar-se aos demais. luta diária da humanidade desrização de pequenas atitudes posi- Não é preciso elaborar grandes de que saiu do Jardim do Éden. tivas cotidianas do outro aproxima. projetos para podermos ser felizes. “Começar é de todos; perseverar, “Um pequeno ato, feito por É justo que quebrar a rotina com de santos. Que a tua perseveranamor, quanto não vale!”, afirma uma experiência diferente, que ça não seja consequência cega do São Josemaria Escrivá. (Cami- favoreça uma maior convivência primeiro impulso, fruto da inérnho, ponto 814). Isso é o que a para os dois, poderá ser maravi- cia; que seja uma perseverança pesquisa acabou comprovando ao lhosa. Mas será melhor se ambos refletida” (Escrivá, em Caminho, revelar que a felicidade conjugal cultivarem no cotidiano o carinho ponto 983). Agora é um bom moestá principalmente nos pequenos nos pequenos gestos de atenção. mento para recomeçar... gestos de carinho do cotidiano, e Do contrário, corre-se o risco de Dr. Valdir Reginato é médico de não, necessariamente, nos gran- saírem como dois estranhos, ou família, professor da Escola Paulista des acontecimentos. Sabemos que o que seria pior, brigados. As cirde Medicina e terapeuta familiar.

Cuidar da Saúde

Febre: quando procurar o médico? Dra. Cássia Regina

Nessa época do ano, é comum que as crianças fiquem resfriadas e a febre é um dos sintomas que pode aparecer. E muitas mãe correm ao pronto-socorro no primeiro episódio. Febre é um alerta do corpo avisando que algo está errado. Mas, dependendo da doença, se a imu-

nidade estiver boa a febre desaparece em dias e a pessoa não chega a adoecer. Os hospitais e pronto-atendimento quase sempre estão contaminados com bactérias cada vez mais resistentes. Por isso, quando seu filho estiver com febre, coriza, mas sem nenhum outro sintoma, observe os primeiros dias. Mas se aparecerem alguns sinais impor-

tantes, como falta de apetite, deixar de mamar, deixar de brincar, irritabilidade ou olhar triste, aí sim há motivos para procurar um serviço de saúde. Alimentar-se de forma saudável, não se automedicar e dormir são ótimas dicas para manter a imunidade em boas condições. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF)


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| Entrevista | 11

Com a Palavra Lidia Pereira Gallindo Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

O crime já acontece há muitos anos, mas o Projeto de Lei da Câmara (PL), número 68, de 2013 (originalmente PL nº 5.369/2009) foi aprovado pelo Senado Federal somente em março deste ano. Por meio dele, se “institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying) em todo o território nacional”. O PL considera que bullying é a sequência de episódios de violência física ou psicológica, intencionais e repetitivos, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas, produzindo na vítima prejuízos físicos, morais ou psicológicos. Já o cyberbullying, tema tratado em reportagem nas páginas 12 e 13 desta edição, é uma das modalidades da violência sistemática, e que ocorre por meio das diversas aplicações disponibilizadas na internet. “Trata-se, portanto, de violência moral sistemática no cyberspace, o ambiente virtual da rede global, suportado pelas mais diversas tecnologias de informação e comunicação”, afirmou, ao O SÃO PAULO, Lidia Pereira Gallindo, advogada, psicóloga e especialista no tema de assédio moral, tendo escrito, em 2006, o estudo “Assédio Moral nas Instituições de Ensino”, trabalho que defendeu na conclusão do curso de Direito. Ela é também formada em Mediação de Conflitos pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo e tem MBA em Gestão em Direito Educacional pela Escola Paulista de Direito. O SÃO PAULO - Toda e qual-

quer agressão realizada na internet pode ser considerada cyberbullying?

Lidia Pereira Gallindo - De posse desse conceito estabelecido, não só pelo Projeto de Lei, mas por todas as outras produções legislativas e bibliográficas, podemos observar que são necessários alguns requisitos para se caracterizar o cyberbullying, bem como todas as outras modalidades de intimidação sistemática (bullying). Em tese, poderíamos dizer que o cyberbullying não é toda e qualquer agressão, pois uma agressão isolada não é caracterizadora de assédio moral. Todavia, sabemos do poder da internet em disseminar com rapidez o que nela se veicula, o que faz com que, mesmo não havendo intenção de causar prejuízos físicos, morais e/ou psicológicos à ví-

‘O cyberbullying é mais uma modalidade de violência’ tima, eles acabam ocorrendo pela escala de veiculação do conteúdo ofensivo e as reações que provoca no meio social da vítima.

Até onde vai a responsabilidade das instituições de ensino e onde começa a da família nesses casos de violência?

Essa é uma questão bastante complexa. Precisamos mudar o paradigma da resolução de conflitos que faz parte da vida em sociedade. A cada dia mais, a sociedade está “judicializando” os seus conflitos e isso significa que estamos cada vez mais atrofiando as habilidades para o diálogo e para restauração das relações tão necessárias para o equilíbrio social. Quando buscamos um responsável, aparentemente resolvemos a questão posta e com isso temos o que vou denominar de alívio psíquico. Se quisermos promover a paz social, precisamos restaurar as relações. Para isso, precisamos nos apropriar dos círculos restaurativos e da justiça que restaura por meio do perdão, da compreensão do se colocar no lugar do outro de maneira empática. Observemos que o fenômeno do bullying é tão antigo quanto o próprio homem, e nessa direção, podemos dizer que bullying é coisa de gente grande e que os pequenos estão replicando.

Como e quando os educadores podem identificar o cyberbullying? As vítimas mostram comportamento que estão sofrendo o problema?

Muito embora o cyberbullying ocorra em um ambiente extremamente veloz e “sem fronteiras”, não necessariamente as informações chegam na mesma velocidade para os agentes protetores

como os pais, escola, familiares e amigos, mesmo porque há ações do bullying que são muito discretas e demasiadamente ameaçadoras. Não podemos descuidar do fato de que a violência sutil e o pacto com o silêncio são formas imperiosas em uma situação de assédio moral. A recusa em ir à escola, crises de choros, ansiedade, sintomas físicos como dor de cabeça, enjoos, dor de barriga são

causam muito sofrimento para cada pessoa envolvida diretamente com a ação e também para toda a comunidade. É importante que a escola tenha um trabalho constante e não apenas trate do tema de forma pontual. Não podemos esquecer que o cyberbullying é só mais uma modalidade de violência a que os alunos estão expostos. Se, por um lado, observarmos a iniciativa de criminalizar o bullying, por outro, Luciney Martins/O SÃO PAULO é louvável a iniciativa das leis que tem como objetivo a conscientização, a prevenção e o combate ao bullying/ assédio moral.

Como a vítima deve proceder se estiver sofrendo cyberbullying?

alguns sinais. O medo e a angústia diante da utilização do computador e/ou do celular também. A vítima tende a se isolar e não mais expressa o desejo de participar de festas, passeios e de atividades em grupo de um modo geral. É preciso estar atento ao comportamento de algumas vítimas que tentam agradar ao máximo os seus agressores na expectativa de que eles aliviem as “brincadeiras” e toda sorte de maldade e humilhação, bem como vislumbram a possibilidade de serem aceitas pelo grupo agressor, e, possivelmente, se tornar um deles.

As escolas, de modo geral, devem lidar de que maneira com o cyberbullying?

Instruindo, demonstrando, exemplificando por todos os meios e formas que esse é um comportamento inaceitável e que gera consequências negativas, que

Não basta instruir, conscientizar, apresentar literatura, cartilha e manuais para estarmos seguros que a vítima irá procurar socorro. Podemos e devemos instruí-la para procurar uma pessoa da sua confiança e contar para os seus pais o que está acontecendo. Encorajá -la a pedir ajuda e não manter o silêncio. Contudo, há algo que é subjetivo e que pode paralisá-la, por mais treinada que esteja. O fato de a vítima não procurar socorro não quer dizer necessariamente que não confia no adulto, nos pais, nos amigos e/ou na escola. O grupo unido é muito mais forte do que um agressor ou grupo de agressores.

Qual a primeira atitude dos pais ao se depararem com a questão?

Acolher e ouvir. O acolhimento no primeiro momento é essencial para que a vítima se sinta protegida e amada. Em um segundo, propiciar um espaço de escuta ativa para que a vítima possa se expressar, chorar, expressar sua angústia, raiva e outros sentimentos.

Que consequências podemos pensar a curto, médio e longo prazo?

É importante ter em mente que nem todos reagem aos abusos da mesma maneira. Entretanto, é passível a conclusão de que há um dano emocional, psíquico e social que se revela na falta de desejo para ir à escola, na falta de motivação para o aprendizado formal, isolamento, tristeza e outros sintomas. A médio e longo prazo, pode ocorrer a cronificação dos sintomas, levando a vítima a se isolar por completo do convívio social, chegando, por vezes, a situações limites. A questão do tempo quando se trata de cyberbullying é bastante relativo. Em 2012, houve dois casos de suicídio. Duas meninas, uma do interior do Rio Grande do Sul e outra do litoral do Piauí, se enforcaram após constrangimentos sofridos por meio de posts compartilhados anonimamente.

E sobre o agressor: qual a melhor maneira de ajudá-lo?

Acreditar na capacidade do agressor de se recriar. Muitas vezes, o agressor não tem consciência de que o que faz ofende e destrói o outro. O programa de conscientização, prevenção e combate serve para todos os personagens do bullying. É sabido que o agressor também é ou foi vítima. Por vezes, é preciso cuidar e tratar de toda a família que está permeada por atitudes hostis e violentas e que também não tem consciência. O diálogo deve ser a mola mestra, pois nele é que nos encontramos, nos identificamos e estreitamos laços, criamos vínculos. É no diálogo que nos restauramos. Nos casos patológicos em que se pode observar requintes de crueldade e sadismo é necessário algo mais.

Poderíamos dizer que os agressores têm algumas características comuns?

A falta de ética nas relações. A dificuldade em mudar de posição, o que denota pouca ou nenhuma empatia com o próximo. Comportamentos com características opressoras, tiranas, intimatórias; chantagem, manipulação, perseguição, intrigas, fofocas também podem ser observadas nas atitudes dos agressores. Leia a íntegra da entrevista no site da Arquidiocese: www.arquisp.org.br ou utilize o leitor de qr Code do seu celular.


12 | Reportagem |

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Muito mais que uma ‘brincadeirinha’ Nayá Fernandes

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esde os tempos dos nossos avós e até mesmo nayafernandes@gmail.com antes deles, ser magro ou um pouco mais gordo, usar óculos, ter o cabelo ruivo ou simplesmente penteá-lo de maneira diferente da maioria sempre foram motivos para que a pessoa seja alvo de piadinhas na escola ou num grupo qualquer a que pertence. Isso sem contar outras características como discriminação pela cor, classe social e situação familiar. Porém, a prática de bullying, ou seja, a violência física ou psíquica que acontece com frequência nas escolas e em outros ambientes, se agrava com o uso da internet, chamado de cyberbullying. São mais frequentes do que imaginamos os casos de adolescentes e jovens que sofrem com isso, e o que era para ser uma simples “zoação” pode tornar-se um trauma que leva a pessoa a pensar até mesmo no suicídio. Embora a sociedade pareça estar atenta às novas interfaces que surgem a cada dia na rede, casos divulgados pela mídia mostram a urgência de alertar a todos, sobretudo os jovens, acerca dos perigos do ambiente digital e as consequências legais que podem recair sobre os responsáveis de um menor de idade que tenha cometido um ato de difamação, calúnia ou preconceito com um colega, por exemplo. Como resposta a essa necessidade, tem surgido instrumentos que auxiliam na compreensão dessa nova cultura da comunicação e a melhor maneira de estar inserido nela. A Nethics Educação Digital, por exemplo, que é uma consultoria que tenta ajudar pais, filhos, educadores e toda a sociedade a compreender como o direito pode colaborar para uma sociedade justa, realiza palestras e ações nas escolas, eventos e instituições. Alessandra Borelli, coordenadora do Núcleo de Combate aos Crimes contra a Inocência da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes de Alta Tecnologia da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB/SP), é a criadora da Nethics, educadora e advogada atuante no Direito Digital, com experiência profissional nesse segmento, tanto no combate ao cyberbullying como outros crimes cibernéticos. A advogada avalia que a tecnologia trouxe inúmeros benefícios, “mas, infelizmente, pessoas se valem de um pseudoanonimato para expressar suas opiniões da pior forma possível. As consequências para a vítima são devastadoras e as ofensas disseminadas em segundos a um número inesgotável de pessoas. Atinge qualquer tipo de pessoa, mas tenho visto muitos casos envolvendo jovens e professores”.

Meu filho sofre bullying no Facebook, e agora?

Ilustrações: Sergio Ricciuto Conte

Ela era diferente, mas, ao mesmo tempo, tinha as mesmas características da maioria das meninas da sua idade, e estudava em um colégio da capital paulista. Porém, Carolina (nome fictício) começou a fazer cortes na própria barriga com a lâmina do apontador.

Por que Carolina fazia isso? Problemas na família? Crises depressivas? Essa foi uma maneira que ela encontrou de punir o próprio corpo, motivo de chacota na escola. Carolina começou a sofrer cyberbullying simplesmente por ser muito magra. Os colegas da turma “tiravam sarro” dela nas redes sociais, criavam grupos no WhatsApp com ela inclusa e quando a menina saía, adicionavam-na novamente. Para tentar resolver o problema, os pais de Carolina a colocaram em outra escola. Ainda assim, sempre algum colega da escola anterior fazia a ponte e a perseguição começava de novo. A situação de desespero da jovem foi compartilhada após uma das palestras sobre o tema numa escola de São Paulo. A reportagem acompanhou uma das atividades em que vários jovens procuraram a palestrante no fim do evento para tirar dúvidas e contar também experiências semelhantes. Em todo mundo, 1 bilhão de pessoas utilizam as redes sociais e 90,8% dos brasileiros possuem contas em redes como o Facebook ou o YouTube, segundo informações fornecidas pela OAB em uma cartilha disponibilizada gratuitamente na internet sobre “Recomendações e boas práticas para o uso seguro das redes sociais para toda a família”. A média de horas dos brasileiros nas redes sociais é de 3,1 horas diárias, acima da média mundial, que é de 2,0 horas. Por esse motivo, é importante que os pais tenham com o ambiente digital o mesmo cuidado que têm em relação a outros ambientes ou amizades dos filhos. “Pais que não atribuem ao ambiente virtual o mesmo valor e cuidado que dão ao ambiente físico não somente deixam seus filhos vulneráveis a sérios problemas como também assumem o risco de serem interpelados judicialmente a ter que indenizar um terceiro por dano causado por aqueles, uma vez que, de acordo com o artigo 932 do Código Civil, os pais são responsáveis pela reparação civil decorrente de atos ilícitos praticados por filhos menores”, afirmou Alessandra Borelli em um dos artigos que escreveu sobre o tema. “Pais, inocentemente, deixam seus filhos muito à vontade com os dispositivos tecnológicos e se esquecem que, diferente da TV, estes promovem a interatividade. Algumas escolas, ainda insistem em dizer que o que acontece fora de seus domínios não é sua responsabilidade, o que é um engano. O professor e a família são os maiores e mais importantes referenciais na vida do jovem e não só legal, mas, sobretudo moralmente, a família e a escola têm por dever direcionar seus filhos e alunos para o exercício da cidadania e pleno desenvolvimento humano, assim como o Estado e a sociedade. É o que


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de mau gosto determina a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do adolescente e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira”, completou Alessandra.

Intolerância ao diferente? “Os adolescentes são intolerantes ao diferente”, afirmou outra jovem de 12 anos, que também sofreu com bullying na escola. Essa intolerância pode causar feridas difíceis de sarar, enfatizou o psicólogo Cyzo Lima, que trabalha numa clínica na zona leste da São Paulo. “Ainda não se chegou a uma conclusão unânime dos possíveis transtornos na psique da vítima a longo prazo. Minha relação com vítimas de bullying tem mostrado que a pessoa fica como que ‘engessada’, ‘travada’, limitada, e, inclusive, que gera certo atraso no desenvolvimento psicológico da vítima. Ela tende a se sentir como se lhe faltasse terra firme sob os próprios pés. Um rapaz, ótimo executivo, após sofrer uma injusta agressão verbal na sua empresa de parte de seu superior, levou anos para voltar a ter o mesmo nível de produção na sua área de estratégia e logística empresarial”. “Mudei de escola justamente porque alguns colegas da sala insistiam em colocar-me num grupo do WhatsApp só para que eu observasse as ofensas e apelidos que faziam sobre mim. Elas me chamavam de gorda, baleia, hipopótamo. Eu saía do grupo e eles me inseriam novamente. Os adolescentes são intolerantes ao diferente e por isso condenam quem está fora dos padrões”, contou a jovem que não conseguia ficar livre das ofensas nem dentro da própria casa, pois não parava de receber mensagens ofensivas pelo celular. Alessandra percebe que as instituições de ensino estão mais atentas a tais situações, porém reconhece que os prejuízos podem ser muito mais do que os chamados crimes contra a honra, tipificados no Código Penal. “Dependendo da situação, a brincadeira pode ter outros desdobramentos, como, por exemplo, uma instigação ao suicídio, também considerado crime pela lei penal”. A jovem que foi vítima de cyberbullying comentou que as campanhas na televisão e na internet só começaram a acontecer após muitos relatos de jovens que ficaram doentes ou acabaram por tirar a própria vida em razão das ofensas sofridas. Ela reclamou que “a escola normalmente não dá tanta atenção para esses casos porque acha normal crianças e adolescentes “tirarem sarro” umas das outras. Já a família é quem sofre mais. Os

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Atenção! a legislação brasileira garante a liberdade de expressão, mas proíbe qualquer manifestação anônima na internet, e qualquer crime cometido na rede pode ser identificado, Mesmo usando provedores de navegação privada e cujos desenvolvedores estão alocados fora do País.

pais veem o filho ficar triste e depressivo, e não podem fazer nada para parar com os comentários cruéis e a maldade vinda da internet, ou seja, em todo o lugar. Não dá para fugir”. Para ela, o cyberbullying é pior que o bullying, pois se espalha mais rápido. “O sofrimento fica sempre maior. Além disso, é muito difícil tirar alguma coisa da internet, e até ser retirado muita gente já viu e sabe sobre. Por isso, o tratamento é diferente, mas a prevenção tem que seguir os mesmos princípios: cidadania, respeito e tolerância. ”

De onde surgem as ofensas? Uma das primeiras e principais dificuldades do cyberbullying é identificar o agressor. A maioria das pessoas enganase ao pensar que é possível criar grupos, sites ou mesmo manifestar uma opinião sem identificar-se. Contas falsas são criadas, os famosos perfis Fake no Facebook, por exemplo. Mas, para além da ilegalidade, cada pessoa é responsável pelos seus atos e palavras no ambiente digital tanto quanto o é no ambiente físico ou presencial, ou seja, no trabalho, na escola, no cinema ou durante um passeio no parque, pode ser localizada. Aceitar as diferenças e praticar a tolerância são princípios para se viver bem em qualquer lugar, assim como cada um deve pagar as próprias contas e dar um destino para o lixo que produz. A lógica do salve-se quem puder pode até servir nos filmes de ação, mas no cotidiano da vida o respeito ao outro e máximas como a “de não faça para os outros o que não quer que façam com você” podem até parecer ultrapassadas, porém, em algum momento da vida, farão todo o sentido. O papel dos pais, responsáveis, professores e de todos os que são educadores e referenciais para crianças, adolescentes e jovens é ajudar o uso lúdico, mas também responsável e consciente da tecnologia. Alessandra, que acompanha casos de cyberbullying quase diariamente no seu trabalho, salienta que tem cada dia mais certeza de que muitos dos ilícitos cibernéticos envolvendo jovens poderiam ser evitados com o mínimo de orientações. “O que me motiva a contribuir com meu conhecimento na disseminação de orientações e boas práticas no mundo digital é ver os olhos chocados e arrependidos dos jovens quando termino uma palestra tratando somente deste tema. Gosto de dizer que com amor e informação podemos fazer da tecnologia instrumento de vida e aprendizagem.”

Pais e professores! • A responsabilidade das instituições de ensino extrapola o que ocorre nos seus domínios. É na escola que a criança começa a compreender que, apesar de importante, sua opinião não é a única, e que seu direito termina onde começa o do outro;

vidos deve ser uma das estratégias de ensino do educador, sobretudo para não gastar energia se defendendo, mas ao contrário, pelo uso de métodos ativos, suscitar a efetiva participação no desenvolvimento educacional dos filhos;

• Os dirigentes dos estabelecimentos de ensino são também responsáveis por contribuir para a formação do indivíduo. Com efeito, o artigo 2° da Lei 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) – ratificou o previsto no artigo 53 do Estatuto da Criança e do Adolescente, ao atribuir à educação o compromisso de preparar os educandos para o exercício da cidadania;

• Os exercícios propostos não devem ser mecânicos e repetitivos, mas precisam estimular crianças e adolescentes a refletir e elaborar suas próprias respostas com criatividade e autonomia;

• Menores de 18 anos, não podem ser legalmente punidos. Assim para que pais e educadores não sofram prejuízos, a palavra de ordem é prevenir;

• Pais devem ter com os dispositivos tecnológicos e ambientes digitais que os filhos estão presentes, o mesmo cuidado e atenção que têm com os filhos na escola ou outros lugares que frequentam.

• Manter os pais informados e envol-

• É válido lembrar que, uma vez prévia e expressamente comunicado, é lícito o monitoramento da escola em seus ambientes físicos e digitais;

*Dicas elaboradas a partir de informações fornecidas pela advogada Alessandra Borelli.


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Luciney Martins/O SÃO PAULO

No espaço, o homem busca uma resposta sobre si Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Após mal-estar, Cardeal Arns está bem Rafael Alberto e Fernando Geronazzo Especial para O SÃO PAULO

O estado de saúde do Cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, é estável, mas ele permanece no Hospital Santa Catarina, na região central da Capital, para realização de exames complementares. Aos 93 anos, Dom Paulo deu entrada no hospital na manhã da segunda-feira, dia 1º, após passar mal em sua residência, em Taboão da Serra, na região metropolitana. De acordo com o boletim médico divulgado na terça-feira, 2, o Cardeal está consciente, respirando sem a ajuda de aparelhos e segue sob os cuidados do médico Dr. Humberto Benedetti. Na tarde da terça-feira, 2, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, esteve no hospital e conversou com Dom Paulo. Segundo relato de Dom Odilo, Dom Paulo “está sereno e se alegrou quando lhe falei da novena a São José de Anchieta” – o santo é celebrado no dia 9 de junho. Segundo o Cardeal Scherer, Dom Paulo “pediu para rezar por ele e disse que também está rezando pela Arquidiocese”. Além disso, o Cardeal Arns “pediu a benção e enviou uma benção, especialmente aos padres”. Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade, também visitou Dom Paulo. Ele afirmou ao O SÃO PAULO que o Cardeal Arns estava bem e conversou com ele. “Ele está sendo bem acompanhado, consciente... Levei a saudação dos demais bispos e lhe disse que estamos todos unidos em oração pela sua pronta recuperação”. O Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e ex-prefeito da Congregação para o Clero, também esteve com Dom Paulo. Mais recolhido por conta da idade, o Cardeal Arns tem participado pouco de atividades públicas. Sua última aparição em um grande evento foi na missa da Conversão de São Paulo, patrono da Arquidiocese, na Catedral da Sé, em 25 de janeiro. Em novembro de 2014, também na Catedral, ele concelebrou a missa em ação de graças pelos 69 anos de sua ordenação sacerdotal.

O que a pesquisa espacial pode revelar sobre o ser humano? Esse questionamento, aparentemente, pode confrontar fé e razão, ciência e religião, mas na ótica do professor Doutor Ulisses Barres de Almeida - físico PhD em Astrofísica pela Durham University (Grã Bretanha), membro da Royal Astronomical Society de Londres, e da Sociedade Brasileira de Astronomia, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas do MCT -, a resposta pode ser um ponto comum entre duas realidades que parecem distantes. O encontro com o professor Ulisses aconteceu na quarta-feira, 27, no auditório da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), durante a Conferência Explorers, promovida pelo Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, quando participaram Dom Carlos Lema Garcia, vigário episcopal para a Educação e a Universidade, e o Padre Antônio Iraildo Alves de Brito, diretor da Fapcom. O Professor traçou um paralelo entre a sonda espacial Voyager, criada para estudar Júpiter e Saturno (a sonda teve sua rota redirecionada e se dirigiu para o fim do sistema solar, lugar onde che-

gou em 12 de setembro de 2013), e a busca da ciência e da religião para dar respostas aos questionamentos mais fundamentais que o ser humano faz a cerca de sua vida e de sua existência. Partindo de uma afirmação do Papa Francisco - “Estou convencido de uma coisa: as grandes mudanças na história ocorreram quando a realidade não era vista a partir do centro, mas sim da periferia. Trata-se de uma questão hermenêutica: entende-se a realidade apenas se ela for olhada da periferia, e não quando nosso olhar estiver equidistante de tudo” –, o pesquisador ressaltou a importância de fazer esse mesmo movimento em relação a Terra.

Diálogo franco e aberto entre a ciência e religião

A Terra vista de longe não passa de um simples “ponto azul”, sem nenhuma “significância geográfica”. Porém, de acordo com o Professor, este é precisamente o ponto do cosmo no qual o homem tomou consciência do universo e de si mesmo. “O que o homem buscava não tinha tanto a ver com a realidade desconhecida. Mas o homem procurava algo de si. A exploração não é só uma exploração geográfica que vai para fora, mas carrega dentro de si um movimento que é mais fundamental, que é a verdadeira

exploração: a exploração do homem de si”, afirmou. Sobre o diálogo entre fé e ciência, o pesquisador ressaltou que deve ser uma prática “franca e aberta”, pois é uma ação importante para a formação cultural da sociedade. Ao ser questionado sobre a tentativa da ciência de provar a existência de Deus, o professor Ulisses acredita que a ciência revela a ordem do cosmo, trazendo à tona a categoria de que as coisas têm um sentido e, portanto, falam de uma razão que está por trás delas. O Padre Vandro Pisaneschi, coordenador de pastoral do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, destacou que a “verdadeira ciência abre o ser humano à beleza das coisas. E o ser humano quando encontra a beleza das coisas, encontra muitas respostas para si mesmo, e percebe que a vida encontra sentido e vale a pena, e isso pode ajudar no caminho de fé”. Ao avaliar o encontro, o Coordenador de Pastoral destacou que a atividade atingiu o resultado esperado, e ao trazer um acadêmico e pesquisador, o Vicariato mostrou que um cientista, quando é honesto em sua pesquisa, irá se deparar com as questões fundamentais do ser humano e, também, com as questões da fé. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Dom Carlos Lema, Professor Ulisses Barres, Padre Antonio Iraildo e Padre Vandro Pisaneschi, na Conferência Explorers


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| Geral | 15 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Jovens, crianças e adultos lotam Paróquia Natividade do Senhor, na Região Episcopal Santana, no sábado, 30, para missa presidida por Dom Giovanni d´Aniello, núncio apostólico no Brasil

Na periferia da zona norte, Núncio se surpreende com a vivacidade da Igreja Dom Giovanni d´Aniello presidiu missa na Paróquia Natividade do Senhor, no Jardim Fontalis, no sábado, 30 Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Quem chega ao Jardim Fontalis, na periferia da zona norte de São Paulo, dificilmente não se surpreende com as dimensões da matriz da Paróquia Natividade do Senhor, em meio às ruas estreitas e às modestas casas. Desde 2010, o novo templo paroquial está sendo erguido. Criada no ano 2000, nas comemorações do jubileu do nascimento

de Cristo, a Paróquia é sinal da “Igreja em saída”, por meio de células de evangelização em diversos pontos do bairro. “Vivemos com a pluralidade religiosa, há muitas igrejas evangélicas aqui. Também há o desafio de trabalhar em meio às drogas, à falta de lazer para a juventude. Assim, a Igreja é a oportunidade de o jovem se sentir integrado, parte de alguma coisa”, contou, ao O SÃO PAULO, o Padre Andrés Gustavo Marengo, pároco. O templo em construção e a intensa participação dos jovens e famílias foram motivos de surpresa para o núncio apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, que na noite do sábado, 30, presidiu missa na matriz, a convite do Cardeal Odilo

Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, que foi um dos concelebrantes, assim como Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, e seis presbíteros, entre os quais o Padre Andrés. “Dom Odilo me disse que iríamos visitar uma paróquia, que era um pouco longe, mas quando passamos aqui em frente eu nunca imaginaria que entrando fossemos a uma ‘catedral’! Como é linda!”, observou o Núncio, que na homilia, mencionado a Solenidade da Santíssima Trindade, recordou que Deus espera que os fiéis sejam colaboradores na evangelização e na construção de seu reino. “Como vocês foram capazes de transformar uma pequena igreja numa grande ‘catedral’,

podem transformar o que está ao redor de vocês para que seja melhor, para que o amor seja sempre mais forte, para que a fraternidade seja sempre mais estreita, para que a amizade se construa sempre mais, e para que seja uma comunidade daquele amor que nos trouxe o Cristo”, exortou Dom Giovanni. A vivacidade das pastorais e grupos foi expressa em diferentes momentos da missa, como na entrada de banners com a história da Paróquia, a procissão do ofertório e a coroação de Nossa Senhora Aparecida, feita pelas crianças. “O bom de ser da Natividade do Senhor é estar em uma paróquia jovem”, contou Edenice Maria de Araújo, 43, há 25 anos na comunidade. “O que fez com que me apaixonasse por aqui são

as pessoas, pelo tanto que trabalham e se dedicam”, comentou Lilian Martucci, 40, catequista. Antes dar a bênção final aos fiéis em nome do Papa Francisco, o núncio apostólico recebeu os agradecimentos do Padre Andrés, de Dom Sérgio e de Dom Odilo. O Cardeal ressaltou a presença dos jovens, crianças e famílias na missa e enfatizou que essa evangelização junto às novas gerações deve ser mantida para que a Paróquia não se torne apenas um templo bem acabado. Dom Giovanni expressou o desejo de voltar à Paróquia quando for inaugurada e se comprometeu a transmitir ao Papa Francisco o pedido do pároco e dos fiéis para que o Sumo Pontífice os visite em 2017, quando deverá estar no Brasil.

Dom Giovanni revive suas raízes na festa de Casaluce Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo

Especial para O SÃO PAULO

Durante sua visita à Arquidiocese de São Paulo, o núncio apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, voltou às suas raízes italianas, na tarde do domingo, 31, na Paróquia Nossa Senhora de Casaluce, no encerramento da 115ª edição da festa de rua no Brás. Natural de Aversa, no sul da Itália, Dom Giovanni foi à Paróquia acompanhado do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, e do administrador paroquial, Padre Gilberto dos Santos Martins. O Núncio participou da procissão com a imagem da padroeira pelas ruas do bairro, e, em seguida, presidiu uma missa campal. Na homilia, disse que há muitos anos não participava da festa de Nossa Senhora de Casaluce e agradeceu a Dom Odilo por acolher seu pedido de visitar a Paróquia. “Hoje, para mim, é um grande dia, de muita felicidade. É como se eu me sentisse em casa com vocês. Voltei a ser um menino, quando participava da procissão na minha cidade”. Foi na cidade natal do Núncio que, segundo uma lenda popular do século XII,

Dom Giovanni e Cardeal Scherer em procissão com a imagem de Nossa Senhora de Casaluce

em um dia de temporal, uma bela moça negra segurando um bebê bateu a porta de um convento de padres para pedir abrigo. Porém, como não era permitida a entrada de mulheres, os padres pediram que a moça fosse a um convento de freiras na cidade mais próxima, Casaluce (Casa de Luz), onde a mulher foi acolhida em um quarto. No dia seguinte, as religiosas não a encontraram, e no seu lugar havia um quadro que retratava a figura da moça, com uma criança nos braços. A partir daí, vários milagres foram atribu-

ídos àquela santa. Por isso, os padres de Aversa teriam reclamado o quadro por ter sido lá que a santa havia estado primeiro. Para evitar discórdia, ficou resolvido que o quadro ficaria quatro meses em Aversa e oito em Casaluce. Porém, Dom Giovanni contou ao O SÃO PAULO a versão histórica da devoção, cujo quadro com a imagem da Virgem Maria teria sido trazido da Terra Santa por um rei francês e doado aos padres celestinos que viviam em Casaluce, mas que possuíam uma casa de veraneio em Aversa.

“Quando os padres iam para Aversa passar o verão, levavam consigo a imagem. Daí permanece a tradição de a imagem passar oito meses em Casaluce e os quatro meses do verão em Aversa”, explicou. O Núncio também relacionou a devoção a Casaluce com visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel, recordada pela Igreja em 31 de maio. “Nossa Senhora vem como que visitar o povo da minha cidade e ficar conosco. Mas ela não vem sozinha, traz nos braços um menino, Filho de Deus”, afirmou. Dom Giovanni convidou, ainda, todos a levarem Cristo para o mundo. “Voltando para casa, cada um de vocês, precisam saber que têm uma missão a cumprir, a mesma que Maria cumpriu quando, visitando a prima, trouxe o Filho de Deus”. A devoção foi trazida ao Brasil pelos imigrantes italianos que se fixaram no Brás. Até hoje, só existem duas Igrejas no mundo com o título de Nossa Senhora de Casaluce, uma na Itália e outra em São Paulo. A festa de rua italiana é a mais antiga da cidade e, de acordo com o Padre Gilberto, cerca de 4 mil pessoas participam em cada um dos quatro finais de semana dessa edição.


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Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura

Curso

A arte de aproveitar as próprias faltas

Letras e versões que marcaram época

A arte de aproveitar as próprias faltas é um clássico que há mais de cem anos vem abrindo à esperança até os corações mais cheios de culpa. Nele, Joseph Tissot se utiliza de inúmeros conselhos de São Francisco de Sales, que são dirigidos não apenas às almas fervorosas, mas principalmente àquelas que frequentemente cometem faltas e por isso acabam por cair num desânimo paralisador. São Francisco de Sales vai nos acautelar contra este grande perigo, como o faz neste trecho: “É uma regra geral que ninguém será tão santo nesta vida que não esteja sujeito a cometer imperfeições. Perturbar-se e desanimar quando se cai em pecado é não conhecer a si mesmo”. É por isso que o próprio Tissot dirá que “todo aquele que depois de cometer

Divulgação

uma falta meditar sobre algumas linhas desta obra encontrará, com a ajuda do Senhor, uma graça para tornar a levantar-se”. Ficha técnica Autor: Joseph Tissot Páginas: 144 Editora: Cleofas/ Cultor de livros

A Casa Guilherme de Almeida oferece um curso sobre letras e versões musicais. O compositor e versionista Carlos Rennó utilizará nesse curso importantes obras da música brasileira e internacional para realizar um estudo a respeito dos recursos poéticos presentes nos trabalhos selecionados. Por meio da análise detalhada das letras, o aluno poderá conhecer mais sobre aspectos da linguagem a serem observados na criação de

uma letra ou de sua versão a outro idioma. Serão focalizadas letras de Orestes Barbosa, Noel Rosa e Cole Porter, entre outros. Carlos Rennó, letrista e versionista, orienta – nessa oficina – o emprego do processo de criação de versões de canções americanas clássicas para o português utilizado por ele no repertório dos discos Canções, Versões – Cole Porter e George Gershwin e Nego (com repertório de Richard Rodgers e

Lorenza Hart, Irving Berlin, Oscar Jammerstein e Harold Arlen), que tiveram entre seus intérpretes nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Elza Soares, Gal Costa, Rita Lee, Cássia Eller, Zélia Duncan, Maria Rita e Seu Jorge. A primeira aula será na sextafeira, dia 12, das 19h às 21h. Para mais informações: (11) 36731883 ou casaguilhermedealmeida.org.br

Música Revisão e edição de Villa-Lobos O mais recente lançamento pela gravadora Naxos traz a Sinfonia nº 12 e as obras Uirapuru e Mandu-Çarará, de Heitor VillaLobos, com participação do Coro da Osesp e do Coro Infantil, sob regência de Isaac Karabtchevsky.

Os quatro títulos já lançados no mercado nacional e internacional contemplam metade da produção de sinfonias de Heitor Villa-Lobos. Villa-Lobos escreveu mais de mil obras e nunca as revisou. A Osesp, em parceria com o maestro

Karabtchevsky, iniciou um projeto de edição e revisão musicológica de todas as suas sinfonias, incluindo ainda algumas obras orquestrais esquecidas. As peças estão sendo gravadas e lançadas comercialmente em parceria com a Naxos.


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Com Marin na prisão, algo mudará no futebol brasileiro? Rafael Ribeiro/CBF

Após ex-presidente da CBF ser preso na Suiça, CPI do Futebol avança no Senado e mudanças na gestão deste esporte são discutidas Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Passada uma semana da prisão de José Maria Marin, expresidente da CBF, e de outros seis dirigentes da Fifa, na Suiça, na quarta-feira, 27, o ambiente político fora das quatro linhas segue agitado no Brasil. Após Marin ser banido da Fifa, a CBF também o afastou da função de vice-presidente, e na sexta-feira, 29, o atual mandatário, Marco Polo Del Nero, disse que não sabia dos contratos assinados na gestão de Marin. No entanto, Del Nero referendou o balanço de demonstrações financeiras da CBF de 2014, quando Marin ainda era o presidente. A investigação conduzida pelo FBI, que culminou na prisão dos sete cartolas, aponta para um esquema de propinas em contratos de transmissão de jogos e direitos de marketing de futebol nos Estados Unidos e na América do Sul. O escân-

Com a prisão de Marin, CBF, hoje presidida por Del Nero, é alvo de investigações

dalo movimentou o mundo do futebol a ponto de Joseph Blatter, reeleito presidente da Fifa na sexta-feira, 29, ter anunciado na terça-feira, 2, que convocará um congresso extraordinário para a eleição de um novo presidente da Fifa. No escândalo já revelado, Marin seria um dos beneficiários de US$ 110 milhões de propinas pagas por uma empresa ligada à Traffic para assegurar os direitos de transmissão de edições da Copa América. Também estaria recebendo R$ 2 milhões anuais pela cessão de direitos comerciais da Copa do Brasil. A CBF, por sua vez, é investigada em propinas de R$ 63 milhões em contratos comerciais para a Copa América de 2019, que acontecerá no Brasil.

Repercussões no futebol brasileiro

Um dia após a prisão de Marin, o senador Romário Faria (PSB-RJ) conseguiu as assinaturas necessárias para instalar a CPI do Futebol. Agora, basta que os partidos indiquem os senadores para a comissão que vai investigar as denúncias de corrupção na CBF. “O escândalo e as prisões em nível inédito geram um efeito em cadeia. Depois de várias tentativas, já está caminhando para que aconteça uma CPI a respeito dos contratos da CBF. Outra questão que pode ganhar força é a discussão sobre a MP 671, do refinanciamento da dívida dos clubes. O governo está com pouca margem de negociação no Congresso, a bancada da bola é forte, mas ago-

quanto Anderson consideram que as exigências dos patrocinadores sobre a CBF podem ser determinantes para mudanças. “Talvez pela questão do clamor e da opinião pública, as empresas comecem a pressionar, porque as marcas investem milhões no futebol para ter um retorno positivo, não para se ver envoltas em escândalos”, analisou Anderson. “Eu acho muito difícil que o Del Nero tenham sustentação política para ficar no comando da CBF. Os próprios parceiros comerciais não vão querer ver seus nomes envolvidos em falcatruas e vão exigir que ele saia da CBF de alguma maneira”, observou Rodrigo.

ra o clamor muda”, avaliou, ao O SÃO PAULO, Anderson Gurgel, especialista em comunicação e economia do esporte. Para Rodrigo Viana, jornalista esportivo e professor universitário, a prisão de Marin é um fato significativo, mas não definitivo para mudanças. “Os clubes votaram nele, no Congresso existe a força da chamada bancada da bola, ou seja, derrubar a CBF como um todo é muito difícil, eles são muito articulados politicamente”. O jornalista esportivo considera que o episódio fortalece as demandas apresentadas pelo grupo de atletas do Bom Senso FC – que, em nota, afirmou que “é chegada a hora de discutir e investigar o comando do futebol brasileiro”. Rodrigo defende que haja maior atuação do governo na CBF. “Eu sou a favor de uma QUARTA-FEIRA (3) intervenção pública na Brasileirão de Futebol CBF, uma vez que o fu21h – São Paulo x Santos (Morumbi) tebol é um patrimônio brasileiro: eles cantam QUINTA-FEIRA (4) Brasileirão de Futebol o hino, usam o nome 21h – Palmeiras x Inter (Allianz Brasil, usam a emoção e Parque) paixão do torcedor, e são uma entidade privada? SÁBADO (6) E ainda roubam com Brasileirão de Futebol 22h – São Paulo x Grêmio (Morumbi) isso?”, questiona.

AGENDA ESPORTIVA

Pressão dos patrocinadores Tanto

Rodrigo

DOMINGO (7) Amistoso da seleção 17h – Brasil x México (Allianz Parque)


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Brasilândia

Padre Cilto José rosembach, Juçara Terezinha e Renata Moraes Colaboração especial para a Região

Padre Neno é homenageado com nome em centro de educação infantil Renata Moraes

Dom Angélico Sândalo Bernardino inaugura CEI Padre Neno, na Parada de Taipas, com a presença do prefeito Fernando Haddad

Na manhã do sábado, 30, na Comunidade Santo Antônio de Taipas, vinculada à Paróquia São Luís Maria Grignion de Montfort, aconteceu uma celebração que rememorou os dois anos de falecimento do Padre Carlos Augusto da Costa, o Padre Neno, que morreu em 19 de maio de

2013, aos 60 anos, vítima de enfarte, após uma missa nessa comunidade. A celebração no sábado foi presidida por Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), e concelebrada pelos padres João Mildner, capelão do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, e Sérgio

Antônio Bernardi, administrador da Paróquia São Luis Maria Grignion de Montfort. No comentário inicial, Padre Neno foi relembrado por sua atuação e militância nas causas sociais, por seu dinamismo pastoral e jeito jovem de evangelizar.

Dom Angélico, na homilia, destacou que “Padre Neno louvou a Deus em sua trajetória de vida. Demos graças a Deus pela vida do nosso irmão, que, a exemplo de Jesus, passou a vida fazendo o bem. Ele está vivo em nossos corações”, finalizou. Os familiares, irmãos e sobrinhos do Padre Neno também proferiram palavras de agradecimento à Comunidade, onde o Sacerdote esteve frente de 2009 até a data do falecimento. Dom Angélico convidou que todos repetissem uma conhecida frase do Padre Neno: “Só por amor vale a vida”, para que todos recordassem com alegria a passagem do Sacerdote junto aos fiéis da Brasilândia. Após a celebração, todos seguiram para a Rua Agripiano Barros, 133, na Parada de Taipas, onde foi inaugurado o Centro de Educação Infantil Padre Neno, em homenagem ao Sacerdote. A solenidade de inauguração, conduzida por Dom Angélico, contou com a presença do prefeito Fernando Haddad.

Ação pastoral ligada à fé e à dinâmica social O Conselho Regional de Pastoral (CRP) da Região Brasilândia reuniuse no sábado, 30, na Paróquia Santos Apóstolos, com Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, para avaliar as atividades realizadas nos meses de abril e maio. Representantes do Setor Cântaros falaram sobre os problemas do lixo e da área de saúde. “O atendimento de saúde nas UBS preocupa as lideranças, pois há uma demora em conseguir uma consulta, devido à falta de médicos”, destacou o Padre Konrad Korner, coordenador do Setor. O Sacerdote disse, ainda, que a presença da juventude nas comunidades é um fato marcante, mas que há preocupação com a quantidade de jovens e

adolescentes com doenças venéreas nos bairros da região. Dos representantes do Setor Freguesia do Ó, veio a informação de que uma comissão está acompanhando o projeto de implantação da linha 6 Metrô e a indenização dos moradores que serão afetados pelas obras. No Setor Jaraguá, o destaque foi a formação sobre o Diretório de Comunicação da CNBB, realizado no dia 26, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima. A articulação das equipes do Batismo, o projeto de formação de um curso de noivos e o contínuo estudo sobre os processos de iniciação à vida cristã foram as ações do Setor Nova Esperança. O Setor Pereira Barreto está or-

ganizando um encontro com os crismandos para o mês de agosto, além de um curso para os ministros extraordinários da sagrada comunhão. No Setor Perus, já foram iniciadas as mobilizações para indicar candidatos aos conselhos tutelares. Além disso, no dia 4, às 15h, na praça do Samba, haverá a celebração de Corpus Christi. As lideranças da Pastoral Fé Política comentaram que os objetivos da Semana de Fé e Compromisso Social, realizada em maio, foram alcançados. Também foram apontados temas para outros debates, o próximo já marcado para o dia 20, às 15h, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3.907), com o tema “mandato popular”.

Durante a reunião foram dados também alguns informes: quatro jovens da Região irão participar da Conferência da Juventude, em São José do Rio Preto (SP), em agosto; a semana de formação regional será entre 27 de junho a 3 de julho, com o tema “Doutrina Social da Igreja”; no dia 14 deste mês, às 10h, haverá a celebração pelos 54 anos de sacerdócio e 80 anos de vida do Padre Daniel Francis Mc Laughlin, na Paróquia São José (rua João Jacinto de Mendonça, 134, Perus); e no dia 20, às 10h30, haverá a celebração dos 50 anos do sacerdócio do Padre Vidal Enrique Becerril, na Paróquia Santa Terezinha, (rua Jorge Palmiro Mercado, 22, Vila Terezinha).

Terço dos Homens: um hábito de fé que beneficia as famílias Arquivo pessoal

1º Encontro Regional do Terço dos Homens, na São Luís Gonzaga

Com a participação de 400 homens, vindos dos setores pastorais da Região Brasilândia, aconteceu no domingo, 31, o 1º Encontro Regional do Terço dos Homens, na Paróquia São Luís Gonzaga, no Setor Pereira Barreto. Foi um encontro marcado pelo testemunho da fé dos grupos do Terço dos Homens que atuam nas paróquias e comunidades da Região Brasilândia. Os participantes foram acolhidos pelo Padre Ricar-

do Pieroni, pároco da Paróquia São Luís Gonzaga, e na sequência rezaram o Terço com simplicidade e em profundo recolhimento. Depois, houve a celebração da Eucaristia, presidida por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, que na homilia falou da experiência de fé diante do mistério da Santíssima Trindade, ressaltando que muitas famílias são beneficiadas quando os homens se

recolhem em oração. Ele destacou, ainda, essa antiga tradição da Igreja e mostrou ser possível apresentar às famílias do tempo presente, o valor da oração, de forma simples e profunda. Ao final da celebração eucarística, firmou-se o compromisso de manter esse encontro sempre no último domingo do mês de maio, a fim de que outras comunidades se sintam também atraídas à espiritualidade com a recitação do Terço.


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Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

‘O coroinha precisa fazer uma amizade com Jesus’ Na manhã de sábado, 30, os coroinhas, acólitos e cerimoniários da Região Episcopal Belém se encontraram com Dom Edmar Peron, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, na matriz da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na praça Silvio Romero, no Setor Tatuapé. Esse foi o primeiro encontro em que se reuniram crianças e jovens que colaboram com o serviço do altar, de várias paróquias da Região Belém. Além de ser um momento de oração mútua, o encontro foi direcionado a dar orientações aos coroinhas e acólitos, e também a tirar dúvidas sobre o serviço do altar.

Durante o momento de oração, Dom Edmar parafraseou o Papa Francisco, dizendo que “o coroinha precisa fazer uma amizade com Jesus”. O Bispo também recordou falas dos três últimos papas sobre o serviço dos coroinhas. Durante a Catequese, Dom Edmar repetiu com as crianças, que “nós somos cristãos, somos missionários”, recordando que a missão de ir ao mundo inteiro e levar o Evangelho a toda criatura é também missão dos coroinhas e acólitos. Após responder perguntas dos participantes, Dom Edmar apresentou aos coroinhas todos os padres, seminaristas, irmãos religiosos e casais que

Belém Peterson Prates

Coroinhas, acólitos e cerimoniários participam de encontro com Dom Edmar Peron, dia 30

participaram do encontro. Na sequência, o Padre Rodrigo Thomaz, administrador da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, realizou um momento vocacional, relembrando a importância da vo-

cação para a vida da Igreja. Para finalizar o encontro, houve um momento de adoração com a bênção do Santíssimo, quando os coroinhas, acólitos e cerimoniários puderam rezar unidos aos padres,

diáconos, seminaristas, religiosos, casais e ao Bispo. “Servir a Deus na liturgia é um dom”, foi na certeza da frase do papa emérito Bento XVI que os coroinhas e acólitos deixaram o encontro.

Um dia para pensar a administração das secretarias paroquiais Aconteceu no dia 26, no Centro Pastoral São José, o encontro do conselho das secretárias da Região Episcopal Belém. Durante a oração inicial e reflexão bíblica, o Cônego José Miguel lembrou que “as secretárias devem fazer a experiência mística de Deus”.

Após a recepção, as secretarias se dividiram em dois grupos de reflexão, nos quais responderam um questionário sobre a administração dos sacramentos nas respectivas paróquias, além de levantarem discussões sobre os desafios no trabalho da secretaria paroquial. Na sequência, aconteceu

à plenária, levantando as questões de maior relevância tratadas nos grupos. O Cônego respondeu algumas dúvidas das secretárias. Para finalizar o encontro, Dom Edmar Peron, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, partilhou com as secretárias os frutos e os momentos

vividos durante a 53ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em abril, em Aparecida (SP), esclarecendo temas como a reforma política, o Projeto Rota 300 (sobre o tricentenário da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida) e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019.

Três motivos para comemorações na Paróquia São Filipe Neri Em maio, a Paróquia São Filipe Neri, no Setor Vila Alpina da Região Belém, esteve em festa ao celebrar o padroeiro, o aniversário de dedicação da igreja e a recepção da imagem peregrina. Entre os dias 17 e 25, aconteceu a novena do padroeiro, finalizada com a missa solene, no dia 26, na memória litúrgica de São Filipe Neri, presidida por Dom Edmar Peron, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, e concelebrada pelos missionários orato-

rianos, Padre Fabiano Micali, Padre Paulo Sandes e o Padre Norival da Silva, pároco. “A Festa de São Filipe Neri renova a fé desta paróquia. Que ela não seja apenas a paróquia do [parque] São Lucas. Que seja no bairro, que manifeste a alegria do encontro com o Senhor”, lembrou Dom Edmar na homilia. Durante algumas semanas de maio, ficou exposta para a veneração dos fiéis a imagem peregrina de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, pa-

Peterson Prates

Dom Edmar Peron apresenta relíquia de São Filipe Neri em missa

droeira do Brasil. Na sexta feira, 29, a comunidade celebrou o 22º aniversário de dedicação da igreja e da consagração do

altar. Já no domingo, 31, os fiéis saíram às ruas, em procissão, como de costume, com as

relíquias de São Filipe Neri, relíquias estas que guardam fragmentos dos ossos e das vestes litúrgicas do santo, que em 2015, completa 500 anos de nascimento. “Que celebremos bem a festa da Paróquia. Que a Paróquia seja marcada pela alegria do Evangelho”, disse Dom Edmar, dirigindo a palavra aos fiéis. Até o primeiro fim de semana do mês de junho, a comunidade realizará quermesses.


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Santana Vocação sacerdotal é compromisso, mesmo diante das tribulações

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Diácono Francisco Gonçalves

Padres durante missa em Atibaia (SP), no retiro do clero atuante na Região Santana

Entre os dias 25 e 28, o clero atuante na Região Santana esteve em retiro, em Atibaia (SP), no Santuário de Schoenstatt. O pregador foi Dom Fernando Penteado, bispo emérito de Jacarezinho (PR), que abordou alguns aspectos da vida sacerdotal como celibato, o lado mise-

ricordioso e a importância da vida em relação ao próximo. Durante o retiro, alguns eventos comoveram os participantes, como na primeira noite, quando padres e diáconos saíram em procissão rezando o Terço e orando para que todos aceitem o chamado para a vida

consagrada, matrimonial ou leiga, de modo a assumir a vocação cristã na caminhada da vida. Outro instante marcante aconteceu no segundo dia, quando Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, cedeu a presidência da celebração eucarística ao Padre José de Coito Pita, pároco da Paróquia Santo Antonio do Tucuruvi, que completa 50 anos de sacerdócio em 2015. A missa foi concelebrada no altar com outros padres jubilandos, que comemoram 25 anos de sacerdócio, João Holek, MS, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo; Benedito Hercules Daniel, pároco da Paróquia São Luiz Gonzaga do Jaçanã; e José Benedito Brebal Hespaña (Padre Zezé), pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima; além do Padre Wilson dos Santos, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Matias, presbítero há cinco anos. Padre Pita, na homilia, recordou

que em sua infância ouviu o mesmo Evangelho daquele dia, 26, festa de São Filipe Neri, em que Cristo diz que quem o segue abandona pai, mãe, e terá a recompensa da vida eterna. No entanto, o Sacerdote recordou que o que o impressionou foi a continuação do Evangelho: mas sofrerá atribulações. Porém, mesmo assim quis ser padre. Ordenado, trabalhou em missões como redentorista em Goiás e no Amazonas. Relembrou que duas vezes foi preso na ditadura por defender padres perseguidos e mortos. Depois de lecionar Filosofia no seminário, tornou-se padre secular atuando em paróquias da cidade de São Paulo, especialmente nas regiões episcopais Lapa e Santana. O Jubilando revelou que nunca pensava que chegaria a completar 50 anos de sacerdócio e nem 80 anos de vida. Ao recordar São Paulo Apóstolo, disse que combateu o bom combate, guardou a fé e espera da misericórdia divina a vida eterna.

Missionárias da Consolata em ação de graças pela Beata Irene Na Paróquia Sant´Ana, com missa presidida por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, as missionárias da Consolata comemoraram a beatificação de Irmã Irene Stefani, realizada no mesmo dia 23 no Quênia. Nascida em Anfo, na Itália, em 1891, Irene foi uma das primeiras religiosas a entrar na congregação, tendo sido recebida pelo próprio fundador do Instituto Missões Consolata, o Beato José Allamano. Logo após o noviciado, partiu para o Quênia,

em 1915, onde se dedicou aos doentes e à formação de jovens. Faleceu a 31 de outubro de 1930, aos 39 anos, ao contrair uma peste entre os doentes que ela cuidava naquele país. Dom Sergio, na homilia, assinalou que no mesmo dia 23 outra beatificação ocorria, a de Dom Oscar Romero, em El Salvador. Para o Bispo, ambas as beatificações são frutos do Espírito Santo, que fecundou aquelas almas para exercerem, uma o martírio e a outra a misericórdia. O Bispo lembrou que Irene foi chamada de “Nyina watha”

Diácono Francisco Gonçalves

Divulgação

Missionárias da Consolata e fiéis lotam missa em Santana, em ação de graças pela Beata Irene Stefani

(mãe de toda bondade), mas que também pode ser traduzido por “a mãe compaixão”. Convidada por Dom Sergio, a Irmã Rosa Clara Franzoi, IMC, falou do milagre

que tornou Irmã Irene beata e que ocorreu quando cerca de 250 pessoas se refugiaram no interior de uma igreja, em Moçambique, para fugir do ataque de guerrilheiros. Lá

permaneceram vários dias, e por sugestão do padre italiano Giuseppe Frizzi invocaram Irmã Irene e ficaram bebendo da água da pia batismal que não findava.

Josefinos de Murialdo: 100 anos de evangelização no Brasil Diácono Francisco Gonçalves

A Paróquia de São Benedito festejou o centenário de trabalho no Brasil da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo), que é responsável pela paróquia no bairro Jaçanã. No dia, 17, Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, presidiu missa antecipando o dia festivo do santo, 18 de maio. Segundo o Padre Marcelino Modelski, CSJ, pároco, os Josefinos chegaram ao Brasil

Dom Sergio durante procissão de entrada na Paróquia São Benedito

em 5 de janeiro de 1815, procedentes da Itália para iniciar seu trabalho com jovens carentes do Rio Grande do Sul.

A Congregação foi fundada por São Leonardo Murialdo, em 19 de março de 1873, em Turim, na Itália. Chamam-se

“Josefinos’, porque a família de Nazaré, em especial São José, é o modelo a seguir. O carisma da Congregação se endereça preferencialmente à educação e promoção de crianças, adolescentes e jovens pobres, por meio de obras sociais, paróquias, centros de formação profissional, escolas, em bairros da periferia de centros urbanos. Na Região Santana, os Josefinos atuam na Paróquia

São Benedito desde sua fundação, em 16 de outubro de 1966, por Dom Paulo Evaristo Arns, à época ainda bispo auxiliar do Cardeal Agnelo Rossi, então arcebispo de São Paulo. Padre Marcelino convida para a celebração de dedicação e bênção da matriz paroquial (rua Igarité, 338), em 6 de junho, às 18h, com missa que será presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo.


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Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

‘Santo Antônio: servidor da vida e da esperança’ Divulgação

Junho é dedicado à devoção a Santo Antônio no Pari e na Barra Funda

A 101ª edição da Festa de Santo Antônio do Pari terá como tema “Santo Antônio: servidor da vida e da esperança”. Iniciada no dia 30, segue até o dia 21, sendo que a trezena preparatória, que começou no dia 31, será concluída no dia 12, neste ano fazendo memória às invocações da ladainha de Santo Antônio. As celebrações da trezena acontecem aos domingos, às 19h, aos sábados, às 16h e nos demais dias às 19h30. No dia 13, haverá a celebração do Dia de Santo Antônio, com missas a cada uma hora e meia, iniciando às 6h e terminando com uma missa solene às 19h30, após a qual acontecerá a procissão pelas ruas do bairro com a imagem do padroeiro. Neste dia, haverá também a venda do bolo e do lírio de Santo Antônio, além da distribuição de pães abençoados. A quermesse, que começou no último fim de semana, segue nos dias 6, 7, 13, 14, 20 e 21, das 17h às 22h. Outras informações podem ser consultadas na secretaria da Paróquia (praça Padre Bento, 13) ou pelos telefones (11) 3459-1434 e (11) 34591436.

Devoção na Barra Funda

A Paróquia Santo Antônio na Barra

Funda (rua Cônego Vicente Miguel Marino, 421) também está no clima da festa do padroeiro. Até o dia 12, acontece a trezena preparatória, de segunda a sexta-feira, às 19h30, e aos sábados e domingos, às 18h. No dia 13, haverá missas às 8h, 10h, 12h, 15h, e às 18h, procissão seguida de missa. A festividade social acontece nos dias 6, 7, 13,14,20 e 21, das 18h às 23h59. Outras informações pelo telefone (11) 3392-6090.

Festa junina em Perdizes

A Paróquia Santa Rosa de Lima, em Perdizes, realiza sua 22ª Festa Junina de rua nos dias 6, 7, 13 e 14, das 18h às 22h. A festa conta com barracas de comidas típicas como pinhão, curau, pamonha, espiga de milho, canjica, arroz-doce, bolos variados. Haverá também as barracas do pastel, churrasquinho, mini-pizza, sanduíche de pernil e doces dos mais variados, principalmente os portugueses. O evento acontece na rua Apiacás, altura do número 250 (trecho entre as ruas João Ramalho e Bartira, que fica fechado ao trânsito de veículos). Informações pelo telefone (11) 3862-0369 ou pelo site www.santarosaperdizes.com.br.

Ipiranga

Caroline Dupim

Colaboradora de comunicação da Região

Padre Antônio Lisboa é o novo coordenador regional de Liturgia Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga, apresentou na terça-feira, 2, o Padre Antônio Lisboa, atualmente administrador da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Setor Imigrantes, como novo coordenador regional de Liturgia. Padre Lisboa, como é mais conhecido, é natural de Balsas (MA). Foi ordenado presbítero em 13 de julho de 1996, e anos depois veio a São Paulo cursar o mestrado em Teologia Pastoral, na Faculdade Nossa Senhora da Assunção, e doutorado em Ciências da Religião, na Universidade Metodista de São Paulo. Em 2009, com uso de ordens na Arquidiocese de São Paulo, foi nomeado responsável da Área Pastoral Nossa Senhora de Fátima que, em 2012, passou a ser a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, tendo o Padre Lisboa como administrador.

Padroeiro dos catequistas, São José de Anchieta inspira comunidade no Jabaquara Para festejar o primeiro ano de canonização de São José de Anchieta, a comunidade dedicada ao santo, pertencente à Paróquia-santuário São Judas Tadeu, realizará neste mês a novena em louvor ao padroeiro, durante a qual a imagem da Imaculada Conceição visitará as casas das famílias da comunidade. Segundo as lideranças da comunidade, a Festa de São José de Anchieta está sendo preparada com entusiasmo. A missa de encerramento das novenas acontecerá no dia 7. No dia 9, Dia de São José de Anchieta, acontecerá missa solene às 20h, após a qual os participantes poderão visitar as barracas de lanches e de lembranças do padroeiro. A comunidade, localizada na rua Taquaruçu, 369, no Jabaquara, foi fundada em 1978, durante uma novena de Natal, realizada no quintal da família Colpani. Logo depois, um primeiro grupo de crianças foi formado para receber a 1ª Eucaristia, e começaram as orações nas casas e a celebração das missas. No ano de 1980, a Comunidade

Arquivo pessoal

Comunidade dedicada a São José de Anchieta prepara novena ao padroeiro

passou a ser considerada, pela Paróquia-santuário São Judas Tadeu, como uma comunidade eclesial. Com a beatificação do Padre José de Anchieta no mesmo ano, os participantes o escolheram como padroeiro, por ter sido um dos primeiros catequistas do Brasil. A Catequese era o fator que caracterizava a identidade da comunidade. Com o tempo, a residência do casal Colpani já não era mais suficiente para atender a demanda dos que iam participar das missas. Ao ver esse cresci-

mento, foi adquirida uma casa na mesma rua para abrigar a comunidade, que foi ali inaugurada em 30 de outubro de 1983. Atualmente, além da formação de catequética e do conselho de pastoral, a comunidade conta com Ministério de Música, Grupo de Teatro Anchieta, Clube de Mães, Ministério Extraordinário da Eucaristia, grupo de jovens, Pastoral dos Coroinhas. Regularmente, há a distribuição de cestas básicas e promoção de eventos festivos e culturais.


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Lapa

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Padre Antonio Francisco Ribeiro e Benigno Naveira Colaboradores de comunicação da Região

Espiritualidade do sacerdote é tema de retiro do clero com Dom Cappio Padre Antônio Ribeiro

Clero atuante na Região Lapa durante retiro realizado em São Roque (SP)

Aconteceu, entre os dias 25 e 29, na casa de encontro das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, na cidade de São Roque (SP), o retiro do clero atu-

ante da Região Episcopal Lapa, que foi orientado por Dom Luiz Flávio Cappio, OFM, bispo da Diocese de Barra, no estado da Bahia.

Dom Cappio conduziu o retiro falando da espiritualidade do sacerdote, apresentando exemplos de sua experiência pastoral. Padre Raimundo Martins, no início do retiro, afirmou: “Eu resumiria a introdução do nosso retiro: ‘O que devo fazer para alcançar o Reino de Deus? O que devo fazer para exercer bem o meu pastoreio? Sentar-me aos pés do Senhor, a fim de, à semelhança de Maria, ouvi-lo e lhe falar do que se passa em meu coração. A partir daí, poderei ser também cada vez mais parecido com Marta (cf. Lc 10, 38-42). Sem a postura de Maria, não se aprende o que e como fazer; sem a atitude de Marta, fica-se no mundo das ideias e boas intenções sem nada

construir. As duas terminam sendo a imagem de uma única pessoa em atitudes que se complementam”. No final do retiro, Padre Celso de Souza Guedes agradeceu, em nome do clero, toda a riqueza espiritual partilhada pelo Bispo. Dom Cappio ficou conhecido em 2005 e 2007, quando fez greve de fome em protesto contra o projeto do governo federal de transposição do rio São Francisco. Em 2008, a organização Pax Christi Internacional, da Bélgica, deu a Dom Cappio o prêmio da Paz, reconhecendo sua luta pela defesa da vida na região do São Francisco. Em 2009, recebeu o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo, da Fundação Kant da Alemanha.

Gaudium et Spes: ponto de encontro entre Cristo e o homem Cerca de 50 agentes de pastoral da Região Lapa participaram de um encontro de formação realizado na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, no sábado, 30. Orientado pelos padres Antonio Ribeiro e Geraldo Raimundo, o encontro teve como referência de estudo a constituição pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II. Padre Antonio destacou que este documento, que trata da relação da Igreja com o mundo atual, foi descrito em páginas admiráveis e que todos deveriam conhecê-lo, independentemente da religião ou credo que professam. A Constituição Pastoral leva de novo a Igreja ao meio da vida contemporânea, mas não para dominar a sociedade, nem para dificultar o autô-

nomo e honesto desenvolvimento de sua atividade, mas para iluminá-la, sustentá-la e consolá-la. A Gaudium et Spes assinala o ponto de encontro entre Cristo e o homem moderno, suas alegrias e esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem - “hoje, mais que nunca, as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS 1). Tudo o que é verdadeiramente humano “ressoa no coração” dos discípulos, no coração da Igreja. Padre Antonio lembrou que a Campanha da Fraternidade deste ano trouxe como tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e lema “Eu vim para servir”, e que a escolha desse tema teve como objetivo inse-

ângela Santos

Padre Antonio palestra sobre a constituição pastoral Gaudium et Spes, dia 30

rir a Campanha nas comemorações do jubileu do Concílio Vaticano II. “Podemos dizer que a eclesiologia e o esforço pela renovação da Igreja

perpassam não apenas a Gaudium et Spes, mas todos os documentos do Concílio, o qual foi eminentemente eclesiológico”, afirmou.

Na Paróquia Santíssima Trindade, Padre Marcos apresenta CD No sábado, 30, a Paróquia Santíssima Trindade, no Setor Rio Pequeno da Região Lapa, realizou um dia de festejos, reunindo cerca de 1.500 pessoas. A festa foi realizada na rua em frente a Paróquia, com um palco e várias barracas com pastel, churrasco, doces, além de uma feijoada servida no salão paroquial. A animação ficou por conta da Banda Motivasom. A festa também comemorou uma tarde de autógrafos do lançamento do novo CD, “Eu vou por Amor”, do Padre Marcos Roberto Pires, pároco. Em conversa com a reportagem da Pastoral da Co-

Benigno Naveira

Padre Marcos Roberto Pires apresenta música de seu novo CD na Paróquia Santíssima Trindade

municação regional, o Padre ressaltou a participação dos paroquianos na festividade e falou do seu CD, com músicas

religiosas católicas, que será gravado no dia 11 de junho e terá lançamento nacional em setembro. Lembrou, ainda, o

lançamento do seu primeiro livro “Não há mal que me possa vencer”, que acontecerá em 18 de junho, na Paróquia.

Às 17h30, o Padre presidiu missa, destacando a Solenidade da Santíssima Trindade. “O Pai é aquele que ama, o Filho nosso Senhor Jesus é o amado do Pai, o Espirito Santo é o amor”, afirmou, destacando que Deus é o amor feito vida, a personificação do amor. A vida do Deus de amor é comunicada às pessoas e repartida com todos para trazer felicidade e libertação, até que os homens e toda a criação de Deus participem de seu amor por toda a eternidade. Após a celebração, Padre Marcos, acompanhado da banda Motivasom, cantou as músicas do seu novo CD.


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Sínodo em outubro: vocação e missão da família Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

Nos dias 25 e 26, aconteceu, no Vaticano, a reunião do Conselho Ordinário do Sínodo dos Bispos, em preparação à 14ª Assembleia Geral Ordinária, que com o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”, será realzada de 4 a 25 de outubro. O Conselho presidido pelo Papa Francisco conta com a participação do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo. No encontro de dois dias, o Conselho examinou detalhadamente o projeto do instrumento de trabalho da próxima Assembleia, enriquecido com as contribuições enviadas pelas conferências episcopais e por outros organismos, além de descritivos de diversas realidades eclesiais e de fiéis, chegadas à Secretaria Geral. De acordo com a Sala de Imprensa da Santa Sé, a ampla e profunda análise do texto ofereceu propostas e contribuições para a sua integração e melhoria. O texto assim revisado e partilhado pelos

membros do Conselho foi confiado à Secretaria Geral para a redação final, a tradução em diversas línguas e a publicação, que deverá ocorrer em poucas semanas. O “caminho sinodal” proposto pelo Papa começou em outubro de 2013 com a convocação de uma Assembleia Extraordinária, que foi precedida por um documento preparatório com um questionário que suscitou uma vasta resposta por parte de católicos do mundo inteiro. A Assembleia Extraordinária em outubro de 2014 teve como tema “Os desafios pastorais da família no contexto da Evangelização” e resultou na “Relatio Synodi”, relatório final da Assembleia. Em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO, o Cardeal Scherer explica que a Assembleia de 2014 representou um grande “ver”, em relação aos desafios atuais da família. Já a Assembleia deste ano estará mais voltada para o “julgar” e o “agir”, sobre a vocação e a missão da família. Abaixo segue a íntegra da entrevista.

O SÃO PAULO - O senhor participou recentemente da reunião do Conselho do Sínodo dos Bispos. Quem esteve nessa reunião e qual foi o objetivo?

Cardeal Odilo Pedro Scherer - Sim, nos dias 25 e 26 de maio, participei da reunião do Conselho da Secretaria do Sínodo dos Bispos, em Roma, juntamente com os outros membros do Conselho, num total de 15 cardeais e bispos de todo o mundo. Participaram também os consultores e alguns peritos. E o Papa Francisco esteve presente em todas reuniões. O objetivo da reunião foi a preparação do “Instrumentum laboris” (Instrumento de trabalho) da próxima assembleia ordinária do Sínodo, em outubro deste ano, que terá como tema a “vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

Como é elaborado esse instrumento de trabalho?

Antes de tudo, foi levado em conta o tema da próxima assembleia, que já havia sido definido no ano passado pelo Papa Francisco: “vocação e missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Parte importante do instrumento de trabalho será a “Relatio Synodi”, que é o relatório final da assembleia extraordinária do Sínodo sobre a Família, de 2014; foram leva-

(colaborou Fernando Geronazzo)

L’Osservatore Romano

Cardeal Scherer participa de reunião do Conselho Ordinário do Sínodo dos Bispos com o Papa Francisco

das em conta igualmente as muitas respostas ao questionário enviado às conferências episcopais e dioceses do mundo inteiro. Tudo isso, naturalmente, precisou ser trabalhado para organizar a nova proposta de trabalho para o Sínodo de outubro. A assembleia extraordinária do ano passado representou um grande “ver”, em relação aos desafios atuais da família no contexto da evangelização; a próxima assembleia estará mais voltada para o “julgar” e o “agir” sobre a vocação e a missão da família.

Como as contribuições das dioceses e conferencias episcopais são valorizadas?

As contribuições das dioceses, conferencias episcopais e de outros organismos eclesiais foram muito importantes, pois são o fruto de uma participação mais ampla da Igreja na reflexão sobre os temas da família. Elas foram levadas na devida conta na elaboração do Instrumentum laboris.

Quais serão as principais questões que a próxima assembleia do Sínodo deverá enfrentar?

A próxima Assembleia do Sínodo vai, certamente, partir de novo da situação atual da família, sobretudo daqueles desafios já levantados no ano passado e que se referem às mudanças

culturais e antropológicas, ao contexto socioeconômico e também eclesial e religioso, que incidem sobre a família e desafiam a evangelização, mas depois deve tratar de maneira mais especial da vocação da família no plano de Deus e do seu desígnio amoroso de salvação da humanidade. Nesse sentido, deverão ser tratadas as questões propriamente eclesiais do Matrimônio e da família. Enfim, a reflexão se concentrará sobre a missão da família na Igreja e na sociedade atual e sobre aquilo que a Igreja precisa fazer para ajudar a família a realizar, da melhor forma, sua vocação e missão.

Os “temas quentes” que apareceram na última assembleia do Sínodo serão novamente tratados, como a situação dos casais em segunda união e a participação destes na Igreja?

Os temas relativos à família são muito vastos e não seria bom que toda atenção fosse concentrada apenas sobre algum ponto específico, de maior interesse no contexto cultural contemporâneo. A reflexão do Sínodo não deixará de levar em consideração os problemas atuais da família e o fará no horizonte da vocação e missão da família, no plano de Deus e no serviço à pessoa, à comunidade, à sociedade e à Igreja.

Quando o Instrumentum laboris será publicado?

A previsão é que seja publicado até julho próximo, de maneira que as reflexões sobre o tema continuem na Igreja e para que os membros da Assembleia, eleitos pelas conferências episcopais ou escolhidos pelo Papa, possam preparar-se bem para participar da Assembleia, em outubro.

Quem participará da 14ª assembleia ordinária do Sínodo?

Serão os bispos eleitos para isso pelas conferências episcopais e confirmados pelo Papa; outros membros serão escolhidos pelo Papa, conforme prevê o Regulamento do Sínodo. Entre os convidados, haverá também sacerdotes, religiosos, leigos e representantes de outras Igrejas cristãs, além de um bom número de peritos, que ajudarão nos trabalhos de Secretaria. O Papa preside o Sínodo, mas deixará a condução dos trabalhos a quatro presidentes-delegados: Cardeal Vingt-Trois, de Paris; Cardeal Tagle, de Manila; Cardeal Raymundo Damasceno Assis, de Aparecida; e o Cardeal Napier, de Durban, África do Sul. O relator será o Cardeal Peter Erdö, de Budapeste, e o secretário especial dessa assembleia do Sínodo será o arcebispo Dom Bruno Forte, de ChietiVasto, na Itália.


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3 a 9 de junho de 2015 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

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