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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3026 | 6 a 11 de novembro de 2014

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Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Dom Milton assumirá Diocese de Barretos em 21 de dezembro Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, Dom Milton Kenan Júnior, 50, foi nomeado bispo de Barretos (SP), pelo Papa Francisco, na quarta-feira, 5. Página 24

Terra, moradia, trabalho: o Papa aos movimentos sociais Padre Julio Lancellotti, vigário episcopal para o Povo da Rua, falou ao O SÃO PAULO sobre a mensagem de Francisco no encontro mundial com os movimentos populares. Página 15

Evangelizadoras, rádios católicas analisam perspectivas e desafios futuros Mais interativas, com maior presença em frequência modulada (FM), disponibilizando conteúdos em diferentes plataformas, para apresentar, sem pieguices, os

valores cristãos. Essas são algumas das projeções para as emissoras católicas, conforme apontaram os debatedores do painel temático, “O futuro da rádio católica”, pro-

movido pela rádio 9 de Julho, no sábado, dia 1º, no Colégio de São Bento, no centro de São Paulo. Participante da atividade, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo

metropolitano, afirmou que tais rádios devem evidenciar, sem medo, que possuem uma identidade católica.

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Rafael Alberto

20 mil pessoas participam do ‘Canção Nova Abraça São Paulo’, que tem missa de encerramento presidida pelo Cardeal Scherer, no estádio do Canindé, dia 2 - Pag. 24

A luz que vem da Doutrina Social da Igreja

Relatório Final do Sínodo, Parte III – Agir

Dia de Finados: esperança e realismo da vida

Entre os dias 29 e 31 de outubro, São Paulo recebeu pessoas de diferentes países e estados brasileiros para refletir sobre a Doutrina Social da Igreja, durante o I Congresso Internacional, iniciativa da Rede Latinoamericana e Caribenha do Pensamento Social da Igreja. Família, trabalho e política foram os principais temas das conferências no evento.

O SÃO PAULO dá sequência à apresentação do resumo do relatório final da 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Nesta edição, com análise do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Padre Sinodal, destaca-se o “Agir” para o desenvolvimento de uma Pastoral Familiar que responda aos desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização.

No domingo, 2, Dia de Finados, em missas em cemitérios e paróquias, fiéis foram convidados a olhar para a existência com realismo e a manter a esperança na vida eterna. Celebrações foram presididas por padres, bispos auxiliares e pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, que esteve nos cemitérios da Quarta Parada e Gethsêmani Anhanguera.

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Páginas 12 e 13

Páginas 3,18, 19, 21 e 23


2 | Ponto de Vista |

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editorial

Papa incentiva movimentos populares na construção de uma nova história Encanta-nos sempre a simplicidade e a coragem do Papa Francisco. Decidido a colocar a Igreja “em saída” e torná-la misericordiosa como a quer Jesus, e preocupado com os sérios problemas que ferem milhões de pessoas no mundo, tratados como coisa, descartados como lixo, como massa sobrante, o Papa convocou um encontro com Movimentos Populares de todo o mundo. O encontro aconteceu e Francisco, com o Compêndio da Doutrina Social da Igreja nas mãos, disse, sem medo, o que era preciso dizer, denunciando a injustiça que fere, mata, exclui e descarta crianças, jovens e adultos.

Francisco quer um mundo movido por uma solidariedade que, em vez de anestesiar os pobres, os leve a ser donos do próprio destino, protagonistas de um mundo novo. Essa solidariedade será vivida em comunidade, na partilha, na luta contra os sinais de morte que aí estão, presentes na desigualdade, no desemprego, na falta de moradia digna, de trabalho, na sede de lucro, no tráfico de pessoas, nas migrações, na droga, na guerra, no total desrespeito à natureza. O Papa sempre soube da força dos movimentos populares. Sabe que eles estão construindo uma nova história, e os convoca para a luta por três direitos

sagrados: a terra, a moradia e o trabalho. Há uma frase que sempre tem um sabor de atualidade e vem sendo repetida nesses 50 anos após o Concílio Vaticano II: “A Igreja somos nós”. Pois bem, a Igreja misericordiosa, a Igreja que opta pelos pobres, somos nós. Nesse sentido, portanto, o Papa não falou apenas aos movimentos populares, falou à Igreja, falou a todos nós, falou às nossas pastorais sociais. É de se esperar que particularmente as pastorais sociais se sintam apoiadas, convocadas e enviadas aos pequenos e pobres para organizá-los, para torná-los protagonistas de sua própria libertação, em nome de Jesus Cristo, o filho de Deus

que quis ser filho do carpinteiro, quis ser pobre, migrante, sem teto e sem trabalho numa terra estranha. Foi bonito ouvir o coro dos participantes do encontro, regido pelo Papa: “Nenhuma família sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”. O discurso profético de Francisco precisa ser acolhido e refletido. Ele nos anima a desenvolver a cultura do encontro, da partilha de bens e saberes, da troca de experiências, da globalização da solidariedade verdadeira capaz de concretizar o Reino de Deus no mundo.

opinião

Os debates políticos, a razão e o coração da pessoa Sergio Ricciuto Conte

Ana Lydia Sawaya e Francisco Borba Ribeiro Neto A confusão presente tanto no debate entre os candidatos quanto nas discussões que a sociedade brasileira travou em torno deles, nas rodas de amigos, nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, demonstrou frequentemente o predomínio de posições instintivas, rígidas e tendenciosas. A intransigência e o fechamento intelectual e humano observados nestas semanas têm também uma nuance de indiferença e de hostilidade, em que o vale-tudo se estabelece para afirmar a própria opinião e o próprio poder. A desqualificação do outro, a difamação se tornam instrumentos “normais”. Parece que diante da política, a razão não tem voz e o que domina é a emoção. Luigi Giussani assinalava, em “O senso religioso”, que a redução positivista da razão a subtrai dos interesses mais propriamente humanos, como a política. Hannah Arendt, em “As origens do totalitarismo”, mostra que essa redução começou quando a razão se separou da experiência, dispensando a verificação da realidade e se colocando como o sujeito da construção do mundo. Para ela, o “pensamento ideológico destrói toda a relação com a realidade”, não se deixa questionar pela experiência nem aprende com a realidade. Não interessa mais discutir os fatos, mas apenas performances de imagens midiáticas construídas por marqueteiros. No Facebook, charges e piadinhas substituem a discussão política dos fatos inerentes à gestão de poder e às possibili-

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

dades para o futuro. Perde-se, assim, a relação com a verdade factual. Mas “a verdade factual relaciona-se sempre com outras pessoas: ela diz respeito a eventos e circunstâncias nas quais muitos são envolvidos; é estabelecida por testemunhas e depende da comprovação (...). É política por natureza”, considerava Arendt, em “Entre o passado e o futuro”. Uma atitude política realista e

racional, no sentido exposto acima, demanda um caminho educativo cotidiano, no qual a razão encontra os desejos mais verdadeiros que existem no coração da pessoa. Giussani, em “O eu, poder e as obras”, considera que “a política, enquanto forma completa de cultura, só pode ter como preocupação fundamental o homem” e que “só existe possibilidade de se construir sobre o desejo

presente (...). O desejo, como energia de construção, jamais se cansa e (...) por sua natureza, escancara os homens diante da realidade”. Todavia, perdemos a consciência desse desejo de realização integral que existe em nosso coração, substituindo-o por vontades e imagens fragmentadas, manipuladas pelas mídias, que nos fecham no individualismo, no utilitarismo e no imediatismo. Temos dificuldade em perceber que o nosso desejo não pode se realizar sem a construção do bem comum, sem o encontro com o outro e sem perceber que o prazer, fugaz vindo do poder ou da satisfação da instintividade, não constrói nossa felicidade. Sem essa percepção do desejo e do uso da razão, torna-se impossível superar a politicagem e realizar a verdadeira política, que é construção do bem comum. Nesse contexto, a comunidade cristã tem a tarefa de lembrar-nos de nosso desejo e nosso limite diante do ideal, lembrar que a construção coletiva que nasce desse desejo de bem é diferente de um projeto político construído sobre uma concepção ideológica do mundo e dos homens. “A análise e a construção dependem da intensidade realista do desejo”, lembra Giussani. A partir desse desejo profundo do coração, a política pode abraçar a realidade e criar espaços onde o debate se orienta para o encontro e o bem comum. Ana Lydia Sawaya é professora da UNIFESP, coordenadora do Grupo de Estudos em Nutrição e Pobreza do Instituto de Estudos Avançados da USP e conselheira do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP. Francisco Borba Ribeiro Neto é coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

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O último dos teus dias cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

A comemoração dos fiéis defuntos, ou Dia de Finados, trouxe mais uma vez a ocasião para refletir sobre a morte e sobre a vida. Neste ano, a celebração transcorreu num domingo e, talvez, seja essa uma explicação para a diminuição de visitantes aos cemitérios da capital nesse dia; ao menos, foi essa a informação que recebi. Não deixa, no entanto, de ser um fato intrigante, pois nosso povo, geralmente, cultiva profundos e variados sentimentos em relação aos falecidos. Será que a morte ficou banalizada, a ponto de as pessoas esquecerem rapidamente daqueles que já faleceram? Serão o ritmo da vida e as preocupações do dia a dia que não deixam mais espaço para lembrar que não somos eternos neste mundo, nem peças de uma máquina cega, surda, que vai descartando de modo insensível que já não lhe interessa? Que somos pessoas, com uma história pessoal, com angústias, anseios e esperanças no coração? Parece que não há mais tempo para viver, nem para morrer. Tudo vai tão depressa, tudo vai para frente; quem ficou pra trás, já se foi e não conta mais... É a vontade de viver, tragando

a vida pessoal e fazendo perder de vista o seu sentido... No Dia de Finados, os mortos recordam aos vivos algumas lições fundamentais. Nossa vida é preciosa, é pessoal, é única. Ela nos foi entregue como um dom, para que dela façamos o melhor que pudermos, como empreendedores laboriosos, que fazem render os talentos recebidos. A vida não deve ser desperdiçada; não é um ensaio, não há uma segunda chance. E cada um deverá prestar contas a Deus pela própria vida e por aquilo que tiver feito dela. Vida e morte se encontram misturadas na realidade que nos cerca. Nos dois cemitérios onde celebrei a Missa no Dia de Finados, havia diversos velórios de pessoas falecidas na véspera. Enquanto anunciávamos a fé no Deus da vida e na ressurreição de Jesus, garantia da nossa ressurreição futura, as pessoas, nos velórios ao lado, choravam a morte de familiares e amigos... Enquanto numa das salas do cemitério era velada uma senhora falecida, perto do esquife da mãe chorava, inconsolável, a filha grávida de 9 meses. Fim da vida e sua continuidade ali se encontram, misturando dor e alegria. A morte leva, a vida traz. A esperança dá coragem para continuar vivendo. O encontro com a morte transmite um sadio realismo e ensina a não se refugiar em ilusões, tentando não enxergar. A fé nos ajuda com uma luz sobrenatural, que nos faz enxer-

gar para além do que, humanamente, seríamos capazes. A vida é mais forte que a morte. Sobretudo, porque cremos no Senhor da vida, que tem poder para fazer ressurgir a vida mesmo onde restam apenas ossos ressequidos e pó de morte. Quem se une a Deus recebe dele a vida. Não somos autores da vida, nem no seu início, nem no seu final terreno. Sem a fé, a morte permanece um enigma insolúvel. A visita aos cemitérios não nos faz pensar apenas naqueles que já faleceram: também nos confronta conosco mesmos, com o sentido da nossa vida e com o modo como estamos vivendo. Quem pode conhecer qual será o último dos seus dias neste mundo? Um dia, será também nossa vez de deixar este mundo. Como nos preparamos para esse momento que, na visão da fé, deveria ser o dia mais importante da vida, pois será o momento de se encontrar com Deus, de sair da penumbra para entrar na plena luz da glória de Deus? O pensamento da morte, de certa forma, aterroriza. No entanto, isso não é preciso; esse pensamento pode também ser salutar, conforme já advertia o sábio: pensa no último dos teus dias e vive bem o dia de hoje... Viver cada dia como se fosse único e o último da vida, isto nos pode ajudar a manter-nos alertas diante das escolhas que fazemos e decisões que tomamos. Vivendo bem cada dia, estaremos sempre preparados para o grande encontro que nos espera.

| Encontro com o Pastor | 3

Diálogo na Congregação Israelita Paulista (CIP) CIP

Na quinta-feira, 30, Dom Odilo Scherer esteve na Congregação Israelita Paulista (CIP) para um encontro com o Rabino Michel Schlesinger, que relatou a audiência privada que teve em Roma com o Papa Francisco por ocasião do Congresso Judaico Mundial, em setembro. O encontro contou com a participação de membros das comunidades católica e judaica, e os presentes tiveram a oportunidade de fazer perguntas ao Cardeal e ao Rabino sobre os desafios do diálogo inter-religioso, o último Sínodo, o fanatismo no Oriente Médio, entre outros aspectos.

Missa de Finados Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu na manhã do domingo, 2, missa pelo Dia de Finados no Cemitério Gethsêmani Anhanguera, que pertence à Arquidiocese de São Paulo. O Arcebispo de São Paulo lembrou que aquele era um dia de esperança e também para olhar a vida com realismo.

Encontro com a RCC No sábado, dia 1º, Dom Odilo esteve numa pré-assembleia da Renovação Carismática Católica (RCC) presente na Arquidiocese. O Arcebispo lembrou que uma das principais atitudes dos membros da RCC é levar todos a uma experiência com Cristo e a santidade, de modo que todos devem se esforçar para viver o vínculo da unidade com a Igreja local. Dom Odilo pediu que lembrem sempre que fazem parte de uma comunidade local conduzida por um sacerdote e também devem participar das atividades em suas paróquias e na Arquidiocese de São Paulo. Todos os coordenadores de grupo devem procurar ser transparentes nas suas prestações de contas, evitando criar caixas independentes do conhecimento do pároco e do administrador para evitar que as coletas arrecadadas nos grupos sejam utilizadas para outros fins.


4 | Papa Francisco |

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Terra, moradia e trabalho são direitos sagrados e inalienáveis No dia 28 de outubro, em um longo discurso aos participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares, no Vaticano, o Papa Francisco afirmou que esse evento foi um “grande sinal” de que os pobres não só padecem à injustiça, mas também lutam contra ela, não se contentam com promessas, nem ficam passivamente à espera de ajuda de ONGs e planos assistenciais que os anestesiam ou domesticam. Eles querem ser protagonistas e estudam, trabalham, reivindicam e praticam a solidariedade. Para Francisco, a “solidariedade ‘palavrão’ se não leva a pensar e agir em comunidade, prioriza a vida de todos”, e leva a lutar pelas causas dos pobres, e contra a desigualdade, o desemprego, a falta de terra e de moradia; leva a enfrentar o domínio do dinheiro, as migrações, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas as realidades a serem transfor-

madas. “A solidariedade faz história via movimentos sociais.” Francisco incentivou os movimentos populares a lutarem por três direitos, para ele, “sagrados e inalienáveis”: Terra, moradia e trabalho. E afirmar isso não é ser comunista porque se trata de pura Doutrina Social da Igreja. O Papa denunciou a desapropriação da terra, o desmatamento, a apropriação da água, os agrotóxicos “que arrancam física, existencial e espiritualmente o homem de sua terra natal”, a ponto de a comunidade rural estar em decadência e em risco de extinção. A fome, resultado da especulação financeira, é criminosa, porque o alimento é um direito inalienável. “Uma casa para cada família”, proclamou o Papa em relação ao direito à moradia. “Família e moradia andam de mãos dadas”. E o teto tem uma dimensão comunitária expressa no bairro, onde se começa a construir a grande família da humanidade, a partir da

convivência com os vizinhos. Ele denuncia as grandes cidades que oferecem prazer a poucos e excluem as “pessoas em situação de rua”, um eufemismo que, como tantos outros, esconde um crime. E cita os valores dos bairros populares, onde se destaca a cultura popular e onde há espaços que favorecem a integração e o relacionamento entre as pessoas. E o trabalho? “Não existe pior pobreza material do que a que não permite ganhar o pão e o priva da dignidade do trabalho”. O desemprego, o trabalho informal, à falta de direitos trabalhistas, são frutos de “um sistema econômico que coloca os lucros acima do homem e da humanidade”. O Papa somou a tudo isso a injustiça social que transforma os excluídos em “resíduos sobrantes”. Descartam-se crianças pelo controle da natalidade e falta de alimentação, jovens pelo desemprego e idosos porque não produzem. O Papa elogiou e agradeceu a resistência dos trabalhadores que respondem ao desemprego

com o artesanato, com o trabalho comunitário, com a economia popular, com a solidariedade. E proclamou que “todo trabalhador, esteja ou não no sistema formal do trabalho assalariado, tem direito a uma remuneração digna, à segurança social e a uma cobertura de aposentadoria”. A interferência do homem na natureza em busca do lucro, e que provoca catástrofes naturais que ferem principalmente os mais pobres, também é parte das preocupações do Papa. Ele apoia os que entendem ser preciso mudar o sistema. Urge “voltar a levar a dignidade humana para o centro, e sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos”. Para isso, “é preciso coragem, inteligência e tenacidade, paixão”, mas sem fanatismo, sem violência. Como guia de ação, Francisco propõe as bem-aventuranças evangélicas (Mateus, 25). Para ele, no encontro que reuniu uma diversidade de pessoas, religiões, culturas, praticou-se a “cultura do encontro”, que é o contrário da xenofobia, da discriminação e da intolerância. “Precisamos caminhar juntos”, diz ele, apoiando o desejo de se revitalizarem as democracias, com o protagonismo das grandes maiorias, que vai além da democracia formal. Um mundo de paz supõe a superação do assistencialismo paternalista, a criação de novas formas de participação, que incluam os movimentos populares, e a incorporação dos excluídos na construção do destino comum. Francisco concluiu pedindo a todos que dissessem juntos: “nenhuma família sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”. (Por Padre Cido Pereira)


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| Fé e Vida | 5

Espiritualidade

fé e cidadania

A ascese cristã e a preservação do planeta

Migrações, Igreja e Madre Assunta

Dom José Roberto Fortes Palau Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga

Continuando nossas reflexões acerca da ascese cristã, vamos, neste artigo, abordar a relação entre ascese e o relacionamento com o meio ambiente. Pois bem, temos consciência que nossa vida é um processo contínuo de conversão, de luta cotidiana contra o pecado. Infelizmente, conhecemos, e bem, o poder destruidor do pecado; e como ele destrói, além de nós, seres humanos, o nosso planeta, degradando os bens da natureza. Por isso, “a criação geme como em dores de parto” (Rm 8,22), clamando por cuidados com seus distúrbios climáticos. É, portanto, parte integrante do discipulado cristão um relacionamento equilibrado com o meio ambiente. Aliás, é uma dimensão da ascese cristã. O uso das realidades criadas para o nosso sustento e sobrevivência é imprescindível. Porém, é preciso resgatar a sobriedade no consumo dos bens necessários à

vida e evitar os desperdícios e degradações dade e a Vida do Planeta”. Naquele ano, do ecossistema. Nossa sociedade contem- o manual da CF apresentou algumas atiporânea, em função de um desmedido tudes simples, que servem de referência consumismo, perdeu a sabedoria da vida para o processo ascético de transformasimples. O “homo sapiens” tornou-se ção do “homo consumens” em “homo “homo consumens”. Desde muito cedo, as serviens”. Essas atitudes foram denomipessoas são orientadas a se tornarem gran- nadas de os “dez mandamentos do amigo des consumidoras, muitas vezes perdendo do planeta”. São eles: só jogue lixo no lua capacidade de discernir entre o neces- gar certo; poupe água e energia; não dessário e o supérfluo. Uma vez formado esse “homo consumens”, suas necessi- O uso das realidades criadas dades se tornam cada vez para o nosso sustento e maiores. Para ele, o supér- sobrevivência é imprescindível. fluo torna-se conveniente, Porém, é preciso resgatar a e o conveniente, necessá- sobriedade no consumo dos rio. Portanto, ao “homo bens necessários à vida e evitar consumens”, egocêntrico e compulsivo pelo “ter” mais os desperdícios e degradações do que pelo “ser’” escravo do ecossistema das necessidades, se faz necessário, através de uma sadia ascese, perdice; proteja os animais e as plantas; contrapor o “homo serviens”, isto é, o ho- proteja as árvores; evite poluir seu meio mem disposto a fazer de sua existência um ambiente; faça coleta seletiva do lixo; só serviço de amor ao próximo e à natureza, use produtos biodegradáveis; conheça capaz de cultivar com alegria um estilo de mais a natureza; enfim, participe ativavida simples, solidário e comprometido mente do esforço pela preservação de nosso planeta (cf. Manual da CF 2011, com a vida no planeta. Há pouco tempo, mais precisamente pp. 207-212). Portanto, cuidar bem da natureza é durante o ano de 2011, a Campanha da Fraternidade abordou a preservação do parte integrante do processo de santificameio ambiente, com o tema “Fraterni- ção; é missão de todo cristão!

eSPAÇO ABERTO

A maior crise do País é moral Fabiana Ribeiro do Valle Smith Depois da tristeza, afinal foi um golpe na esperança, no sonho, no que poderia ter sido... Depois da indignação, parecia tão clara a necessidade de mudança, tão urgente, afinal milhares saíram às ruas no início do ano clamando por isso, me encontro agora no período de reflexão. Reflito onde errei, onde erramos que não conseguimos mostrar para pouco mais da metade dos brasileiros que somos dignos de confiança? Por que eles conseguiram “vender” essa ideia da divisão? Dos polos “nós contra eles”, “brancos contra negros”, “elites contra trabalhadores”, “nordeste contra sudeste”... Após ler vários textos, algumas reflexões fazem sentido. A primeira é o fato de, durante muito tempo, em meio ao nosso egoísmo, termos ignorado a dor e a miséria dos menos favorecidos de nosso País. Diria que eles foram conquistados pelo estômago, que estava vazio e alguém deu o que comer. É esmola? Vai explicar isso para alguém que passa fome... Tínhamos a prioridade de arrumar a economia antes e depois íamos atacar as mazelas sociais? Vai explicar isso para quem passa fome... Dessa maneira, a “bandeira” dos defensores dos fracos e oprimidos foi apropriada indevidamente pelo PT e agora fica difícil resgatar.

Estamos agora com medo da crise Também não estou contente, tinha politico-econômica que se apresenta, outros planos, tinha confiança em uma mas eu tenho convicção de que a maior nova politica, mas, certamente, prefiro crise do nosso Brasil não é politica, não é estar do lado dos que produzem e têm econômica, não é de gestão: a maior crise condições de ajudar do que dos que redo País é moral. Nosso governo é corrup- cebem Bolsa Família e Bolsa etc... to e imoral. Não respeita e não zela pela Os valores que recebi da minha família, estando mais preocupado com família – base de toda sociedade – sua permanência no poder do que em incluem zelar pela verdade, pelos diamparar e educar o povo que lhe foi confiado. Devemos combater Também não estou contente, esse descaso sendo uma tinha outros planos, tinha sociedade mais ativa po- confiança em uma nova politica, liticamente, com valores mas, certamente, prefiro estar bem definidos e vontade do lado dos que produzem e de militar a favor de totêm condições de ajudar do que dos. Todos. Sinto vergonha de dos que recebem Bolsa Família e alguns comentários nas Bolsa etc... minhas redes sociais, ataques grosseiros às vezes vindos de ami- reitos de todos, pelos desfavorecidos. gos que eu julgava mais sensatos e que Então, sim, vou seguir ajudando como estou dando um desconto porque devem posso, conscientizando onde posso e estar vivendo ainda o calor do momento, assim, quem sabe, ganhando a conescrevendo sandices preconceituosas e fiança daqueles que não sentem segurança para dar o passo necessário para ideias agressivas, descabidas! “Não venha me pedir caridade, con- a mudança. tribuições e cestas de Natal para os poE como li em um texto: “Só pra conbres, que eu não tenho nada com isso, vai trariar”, vou me esforçar e ser ainda mais pedir para a D. Dilma!”, bradava um se- honesta e verdadeira. Mas ninguém é? nhor em um áudio raivoso. Que triste... Eu não sou ninguém! Espero realmente que depois de esfriar a Fabiana Ribeiro do Valle Smith é consultora de marketing cabeça pense melhor.

Padre Alfredo José Gonçalves No sábado, 25 de outubro, ocorreu na Catedral da Sé de São Paulo a cerimônia de beatificação da Serva de Deus Madre Assunta Marchetti, cofundadora da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo (Scalabrinianas). A celebração eucarística foi presidida pelo arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer, enquanto a beatificação foi oficiada pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação Pontifícia para a Causa dos Santos. Estiveram presentes vários bispos e sacerdotes e, como não poderia deixar de ser, grande número de representantes da Família Scalabriniana: irmãs, padres, missionários seculares e leigos. No domingo, 26, na Basílica de Aparecida, o Cardeal Raymundo Damasceno Assis presidiu a celebração eucarística de agradecimento pela beatificação de Madre Assunta. No evento que se seguiu, a Irmã Neusa de F. Mariano, Superiora Geral das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu, anunciou e fez ouvir a voz do Papa Francisco, o qual, durante a bênção do Ângelus, diretamente da praça de São Pedro, em Roma, havia transmitido a notícia da beatificação. Cabe uma nota histórica. A vida, obra e missão de Madre Assunta, “mãe dos órfãos, doentes e migrantes” (como também de seu irmão José Marchetti e de Dom João B. Scalabrini “pai e apóstolo dos migrantes”), na virada do século XIX para o século XX, constitui um dos “sinais dos tempos” da sensibilidade da Igreja para com a “questão social”, particularmente no campo da mobilidade humana. Basta recordar que a Rerum Novarum, de Leão XIII, documento inaugural da Doutrina Social da Igreja, vem à luz em maio de 1891. Agora a beatificação de Madre Assunta (da mesma forma que a beatificação de Dom Scalabrini, em 1997, e o processo em andamento do Padre José Marchetti) representa igualmente um “sinal dos tempos” de uma nova sensibilidade da Igreja para com a “questão social”, com destaque para o drama das migrações, fenômeno cada vez mais intenso, diversificado e complexo, hoje amplificado em nível mundial. Resulta que, nos dois casos, a preocupação com a “questão social” e a consolidação da Pastoral Social na Igreja é irmã gêmea da Pastoral dos Migrantes, cujo carisma nos foi legado por essas três figuras: Scalabrini, Madre Assunta e José Marchetti. A nova evangelização terá um “novo ardor missionário” na medida em que leve em conta os desafios ligados aos migrantes refugiados, prófugos, marítimos, itinerantes... que lembram a condição dos seres humanos sobre a terra, peregrinos em busca do Reino definitivo.


6 | Fé e Vida |

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LITURGIA E VIDA

novos santos e beatos

Restituta Kafka

DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE LATRÃO 9 DE NOVEMBRO DE 2014

O Templo de Deus ANA FLORA ANDERSON A liturgia deste domingo quer aprofundar o sentido de “ser Igreja”. Festejamos a dedicação de uma igreja romana e, ao mesmo tempo, as leituras falam da Igreja-Povo de Deus. A antífona fala desse povo como a noiva de Deus, a nova Jerusalém se preparando para estar junto a Deus. A oração descreve esse mesmo povo como pedras vivas que, recebendo o Espírito Santo, crescem cada vez mais. A primeira leitura (Ezequiel 47, 1-2.8-9.12) narra a ação de Deus no seu Templo como uma água que sai das portas do Templo para atingir o mundo inteiro. Em todo lugar que passa, é uma força de vida: os animais, os peixes, as árvores frutíferas crescerão e darão sustento para o povo. Na segunda leitura (1 Coríntios 3, 9-11.16-17), São Paulo compara a comunidade de Corinto a uma lavoura ou a uma construção feita por Deus. Paulo, como “Mestre de Obras”, coloca o alicerce que é Jesus Cristo. O verdadeiro santuário de Deus é o seu povo. O Evangelho de São João (2, 13-22) apresenta a ação de Jesus no Templo de Jerusalém. Era costume na época vender oferendas para o povo oferecer no Templo. Jesus, porém, vê exagero nesse comércio e insiste que a Casa de seu Pai deve ser uma Casa de oração. Ele revela que seu Corpo é o verdadeiro Templo de Deus. Mesmo que seja destruído na crucificação, será levantado de novo e reunirá todos que Deus ama.

você pergunta

É normal emocionar-se ao falar de Deus e de Nossa Senhora? Padre Cido Pereira

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

A Terezinha (que não disse seu sobrenome), da Vila Iório, quando ouve falar de Deus e de Nossa Senhora, sempre se emociona. Chega a chorar. “Por que será? É normal?”, pergunta ela. Terezinha, tudo bem. Emocionar-se, chorar quando se ouve uma meditação, uma homilia bonita, é sinal de que o tema está tocando seu coração, sua alma. Muitos homens e mulheres neste mundo de Deus ficaram em êxtase, choraram, se tocaram ao ouvir falar de Deus e ao falarem com Deus na oração. São Francisco de Assis chorava por Deus não ser tão amado quanto merece. Ele dizia em lágrimas: “Que pena! O amor não é amado!”. Mas nós precisamos ter em conta que o ficar emocionado, o ser tocado no coração ao se ouvir falar de Deus e de Maria não é critério de fé. Há pessoas que creem, embora não sintam nenhuma consolação, nenhuma emoção no seu crer. Os santos usavam uma expressão que é muito interessante: as pessoas que oram e que buscam a comunhão com Deus e nada sentem, vivem uma sensação de aridez espiritual. Mas, o mais bonito é que seguem avante em sua fé, crendo apesar de tudo. Que bom que você se emociona ao ouvir falar de Deus e de Nossa Senhora, Terezinha. Você é uma pessoa sensível. Mas não pense que sua fé é maior do que a dos outros. Sua experiência é bonita, mas saiba que outras pessoas vivem de modo diferente a própria fé e esses meios diferentes devem ser respeitados.

30 de outubro

Em 1º de maio de 1894, nasceu Helene, filha de Anton e Maria Kafka, na cidade de Bruno, atual República Tcheca. Helene concluiu os estudos e formou-se enfermeira, com o desejo de tornar-se religiosa. No início, conformou-se com a negativa dos pais, mas, ao completar 20 anos, ingressou na Congregação das Franciscanas da Caridade Cristã, agora com a bênção da família. Como religiosa, adotou o nome de Irmã Maria Restituta, o primeiro em homenagem a sua mãe e o segundo a uma mártir do século I. Foram muitos anos que serviu a Deus por meio dos doentes, para os quais estava sempre disponível. Em março de 1938, Hitler mandou o exército ocupar a Áustria. A capital Viena tornou-se uma das bases centrais do comando nazista alemão. Irmã Restituta colocou-se logo contrária a toda aquela loucura desumana. Não teve receio de mostrar que, sendo favorável à vida, não apoiaria, jamais, o nazismo de Hitler, independentemente de qual fosse o preço. Por isso, quando os nazistas retiravam o crucifixo também das salas de cirurgia, ela, serenamente, o recolocava no lugar, de cabeça erguida, desafiando os nazistas. Como não se submetia e muito menos se “dobrava”, os nazistas a eliminaram. Foi presa em 1942. E

Reprodução

ela fez da prisão uma espécie de lugar de graça, para honrar o nome de sua consagração, ou seja, Restituta, aquela que foi restituída para Deus. O Papa João Paulo II, em 1998, elevou Irmã Maria Res-

50

tituta Kafka aos altares para ser reverenciada pela Igreja como bem-aventurada. Ficou estipulada para 30 de outubro a sua festa litúrgica, data em que foi decretada a sua sentença de morte.

anos

Capa da edição de 8 de novembro de 1964

Em visita a SP, presidente Castelo Branco fala a estudantes e trabalhadores Completados seis meses dos desdobramentos políticos que conduziram os militares ao comando do Brasil, o então presidente, Marechal Castelo Branco, visitou a cidade de São Paulo, fato que mereceu destaque na capa da edição do O SÃO PAULO de 8 de novembro de 1964. “Poucas vezes uma visita presidencial em apenas 24 horas terá tido tanta repercussão como a que foi feita a esta capital pelo presidente Castelo Branco”, constava na introdução da reportagem do Semanário Arquidiocesano. Na visita, Castelo Branco esteve com Ademar de Barros, à época governador, e enfati-

zou que “o Estado de São Paulo, sem dúvida, será a grande ajuda para que melhores dias surjam para o Brasil”. O Presidente também foi à cidade universitária, quando falou a estudantes e professores, garantindo que não era contra associações estudantis. “Não é possível bloquear as manifestações de inteligência dos moços, mas é preciso atribuir-lhes suas reais responsabilidades”, afirmou. Por fim, reuniu-se com dirigentes sindicais, com os quais se comprometeu a manter o pagamento do 13º salário dos trabalhadores, pois havia boatos de que isso não seria feito ao final daquele ano.


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| Pastorais | 7

PASTORAL CARCERÁRIA

‘É acertada a decisão da Corte de Apelação de Bolonha no caso Pizzolato’ A Pastoral Carcerária Nacional, por meio de nota pública datada de 30 de outubro, considerou “acertada a decisão da Corte de Apelação de Bolonha”, que, no dia 28, negou o pedido do governo brasileiro para que Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil condenado no processo do mensalão, fosse extraditado para o Brasil. A decisão da Corte teve por base o tratamento degradante dispensado aos presos nos cárceres brasileiros. “Ainda que já tenha virado rotina a denúncia, por organizações não governamentais, movimentos sociais e organismos nacionais e internacionais, de violações bárbaras de direitos humanos no sistema penitenciário brasileiro, parece que basta o envolvimento de pessoas pertencentes a extratos sociais mais elevados, em geral imunizadas contra as arbitrariedades do Estado, para que a situação ganhe maior repercussão”, apontou a Pastoral. Ainda na nota pública, a Pastoral Carcerária enfatizou que “presídio não é lugar de gente, é moinho de gastar pobre, sendo que muitos cárceres brasileiros são inadequados até para abrigar animais”; e

que situações de torturas e maus-tratos ocorrem em todo o Brasil, “resultando em motins e rebeliões que, por vezes, interrompem a fina sintonia entre o Estado e o ‘crime-organizado’ e transbordam para as ruas, vitimando os mesmos de sempre: pobres, pretos e periféricos”. A Pastoral cobrou do Executivo e do Judiciário brasileiro que sejam adotadas “medidas urgentes e concretas” diante das condições das prisões do País e expressou solidariedade “com todos aqueles que, sem os mesmos recursos de defesa e atenção da mídia [do caso Pizzolato], padecem em situação de total indignidade em nossas masmorras medievais”. Ainda segundo a Pastoral, “apenas o enfrentamento ao processo maciço de encarceramento poderá responder à crise humanitária em que se converteu o sistema prisional do País, conforme já subscrito pela Pastoral Carcerária Nacional e outras organizações na ‘Agenda pelo Desencarceramento’. A escolha é clara: mudar radicalmente a atual perspectiva punitivista ou conviver com a barbárie”. Colaborou assessoria de imprensa da PCr

Serviço Pastoral dos Migrantes

Encontro de migrantes nordestinos é realizado em Louveira (SP) Idealizado pelo Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) aconteceu em 19 de outubro, numa chácara em Louveira (SP), o “1º Encontro dos Amigos Candibenses”. Candiba é um município do sudoeste do Estado da Bahia. Sua população é estimada em mais de 13 mil habitantes. A ideia desse encontro surgiu através do SPM, quando os funcionários da Secretaria Nacional observaram o êxito dos vários encontros de migrantes por origem e, sendo alguns deles, migrantes da cidade baiana, começaram a construir a proposta. O encontro foi uma novidade. Durante o dia todo, foram mais de 550 pessoas se reencontrando, confraternizando,

e fortalecendo suas redes de apoio entre amigos e familiares. Através da página no Facebook “Candiba Histórico”, a ideia ganhou corpo e na própria cidade de Candiba a equipe foi crescendo. O que era sonho começou a se tornar realidade. A equipe foi formada por oito pessoas, além dos vários contatos pela internet e telefone, foram feitas três reuniões pessoais para planejar e dividir as tarefas. Muitos patrocínios foram conseguidos dos conterrâneos que têm comércio em São Paulo, Louveira e mesmo em Candiba. Um dos principais motivos do encontro era promover a união e a solidariedade. No almoço teve comida típica, feijão farofado, frango com quiabo, farofa de

ATOS DA CÚRIA NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 27 de outubro de 2014, foi nomeado Pároco da Paróquia São Luís Gonzaga, Região Episcopal Sé, pelo período de 6 (seis) anos, o Revmo. Pe. Geraldo Lacerdine Américo, SJ.

VIGÁRIO PAROQUIAL Em 1º de novembro de 2014, foi nomeado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia São José, Setor Perus da Região Episcopal Brasilândia, o Revmo. Pe. Antônio Manzatto.

couve e, ao final, xirinaga e chimango, bolinhos de tapioca e biscoito feito em Candiba e que chegaram especialmente para o dia da festa. O dia foi embalado ao som do forró e com grande participação de crianças, jovens,

adultos e idosos; um clima bastante familiar. Depois desse 1º encontro, os trabalhos não param e visam fortalecer a rede do povo candibense e suas raízes, seja em São Paulo, Louveira ou em outro município. Colaborou Roberval e Roseni Divulgação


8 | Igreja em Missão |

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Destaques das Agências Nacionais

Edcarlos bispo edbsant@gmail.com

Dom José Negri é nomeado coadjutor de Santo Amaro O Papa Francisco nomeou na quarta-feira, 29 de outubro, Dom José Negri como bispo coadjutor da Diocese de Santo Amaro (SP), transferindo-o da sede episcopal de Blumenau (SC). Dom José é natural de Milão, Itália. Nasceu em 18 de setembro de 1959. Estudou Filosofia no seminário do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME) e Teologia, no “Studentato Teologico PIME”. Foi ordenado presbítero em 1986, em sua cidade natal. O Bispo também é licenciado e mestre em Psicologia pela Universidade Gregoriana de Roma. Em entrevista para Jornal de Santa Catarina, o Bispo destacou que “foi uma grande surpresa” receber o anúncio de sua transferência. Quando

Arquivo pessoal

Anúncio de nomeação foi divulgado na quarta-feira, 29 de outubro

perguntado se poderia opinar sobre o seu futuro, ou sobre a decisão do Papa em transferilo, dom José afirmou que até poderia dizer não ao Pontífice e não aceitar a transferência,

mas, segundo ele, “quem tem coragem de dizer não para o Papa?”. Sobre o desafio de assumir uma diocese com 3 milhões de fiéis, o Bispo desta-

CNLB disponibiliza material de reflexão para o Dia dos Leigos Inspirado no Estudo 107 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),“Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) publicou o subsídio “Círculos de Reflexão”, para o Dia do Leigo e Leiga de 2014. O subsídio do CNLB apresenta uma proposta de três encontros: o primeiro reflete sobre a presença dos leigos e a realidade do mundo; o segundo reflete sobre o “sujeito eclesial, cidadãos, discípulos missionários”; e o terceiro aborda a ação transformadora como cristãos leigos na Igreja e no mundo. O material apresenta também um roteiro de sugestão para

a celebração da Solenidade de Cristo Rei. O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato e bispo de Caçador (SC), Dom Severino Clasen, faz um convite para a reflexão. “Convocamos a todos os batizados para participarem desses Círculos de Reflexão. Acreditamos em novos tempos e queremos iniciar o Advento com a conclusão do ano litúrgico homenageando e honrando a Cristo como o grande enviado do Pai para anunciar o Reino de paz, de justiça e de amor”, reforçou. O material está disponível no site do CNLB: www. cnlb.org.br Fonte: CNBB

cou que isso o assusta, pois ele nunca trabalhou em São Paulo. “Lembro-me de uma época em que fui conselheiro regional da Província de São Paulo. Praticamente todos os meses eu viaja de ônibus de Santa Catarina para São Paulo. Quando chegava à periferia e via aqueles prédios e arranha-céus pensava: ‘como é possível evangelizar este povo? Como o Evangelho pode chegar a todas essas casas, a todas essas pessoas?’ Porém, o que está trabalhando dentro de mim é esta missionaridade, que se encaixa com aquilo que diz o Papa: a Igreja tem que estar presente na periferia. Portanto vejo essa como uma missão especialíssima. Na Diocese de Blumenau aconteceram as missões diocesanas, nas

quais todos se tornaram missionários. Também eu, como primeiro diocesano da diocese, estou sendo enviado em missão. Eu estou dando o exemplo”, disse. Antes do episcopado, Dom José atuou em Frutal (MG), em 1987. No mesmo ano, assumiu a diretoria espiritual do Seminário Menor do PIME, até 1988, em Palhoça (SC), onde também foi responsável por uma paróquia, até 1990. Trabalhou como reitor, de 1990 a 1992, e diretor espiritual, de 1992 a 1995, do Seminário de Filosofia do PIME, em Brusque (SC). No mesmo período, foi conselheiro regional da Região Brasil Sul de sua congregação. Fonte: CNBB, diariocatarinense. clicrbs.com.br

Comissão de Bioética organiza seminário sobre a Evangelium Vitae Com o objetivo de celebrar os 20 anos da exortação apostólica Evangelium Vitae, escrita por São João Paulo II, serão realizados, em Curitiba (PR), de 20 a 22 de março de 2015, o Seminário da Comissão de Bioética da CNBB e 6ª Jornada Interdisciplinar de Pesquisa em Teologia e Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). A Conferência de abertura, no dia 20, trará o tema “Evangelium Vitae na perspectiva do Magistério da Igreja”, com presença do arcebispo de Utrecht – Holanda e membro da Pontifícia Academia para a Vida, Cardeal William Eijck. A expectativa da organização é

receber mais de 250 participantes. O público-alvo são os agentes das comissões estaduais e regionais de Vida e Família e Pastoral Familiar, docentes de Teologia e Bioética, pós-graduandos de Teologia e Bioética. O evento também é aberto aos profissionais das áreas da saúde, jurídicas, sociais e humanas. Visando oferecer outras informações sobre os encontros, a organização lançou o hotsite. Na página, é possível encontrar a programação completa, além de orientações sobre hospedagem, programação, inscrições de trabalhos/resumos, entre outros dados. Acesse: seminariobioetica.cnbb.org.br Fonte: CNBB

Conferência Nacional de Economia Solidária será realizada em Brasília O Conselho Nacional de Economia Solidária e a SENAES do Ministério do Trabalho e Emprego promovem a 3ª Conferência Nacional de Economia Solidária, a ser realizada em Brasília (DF) de 27 a 30 de novembro de 2014, sendo precedida de conferências temáticas, municipais, territoriais e estaduais, com o tema: “Construindo um Plano Nacional da Economia Solidária para promover o direito de produzir e viver de forma associativa e sustentável”. Após quatro anos da segunda conferência, o Conselho Nacional convocou a terceira Conferência com os seguintes objetivos: realizar

balanço sobre os avanços, limites e desafios da economia solidária, considerando as deliberações das conferências nacionais de economia solidária; promover o debate sobre o processo de integração das ações de apoio a economia solidária fomentada pelos governos e pela sociedade civil; elaborar planos municipais, territoriais e estaduais de economia solidária; elaborar um plano nacional de economia solidária contendo visão de futuro, diagnóstico, eixos estratégicos de ação, programas e projetos estratégicos e modelo de gestão para o fortalecimento da economia solidária no País. Fonte: http://caritas.org.br/


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Destaques das Agências Internacionais

| Igreja em Missão | 9 Filipe david

osaopaulo@uol.com.br

FRANÇA

Militante de 85 anos na luta permanente pela vida O senhor Xavier Dor, um pediatra católico de 85 anos de idade, é o fundador da Associação SOS Tout-petits (SOS Pequeninos), que luta desde os anos 1980 pela vida, sob a proteção de Nossa Senhora de Guadalupe. Entre as ações desenvolvidas pela entidade, estão a distribuição de folhetos contra o aborto, a promoção de passeatas e grupos de oração, às vezes em frente às clínicas de aborto, e a tentativa de dissuadir mulheres que estão pensando em abortar. No final do mês passado, o pediatra foi condenado a pagar uma multa de 10 mil euros, metade no caso de uma reincidência. Seu crime? Ele entrou em uma clínica da Planned Parenthood – a maior rede de clínicas de aborto do mundo, com faturamento (incluindo doações de grandes organizações) em torno de 160 milhões de dólares por ano – e ofereceu a uma mulher, que vinha para se informar sobre um aborto, um par de sapatinhos de tricô para bêbê: “um ato extremamente violento”, qualificou

a mulher em audiência judicial, na qual afirmou ser “insuportável” que esse homem “interfira na vida dos outros”.

O senhor Xavier, que já sofreu uma dezena de condenações no passado por atos semelhantes, promete continuar com todo empenho seu

combate pela vida, apesar dos 85 anos, e mesmo depois da morte, se Deus quiser. Fontes: LifeSiteNews/ La Croix Eric Cabanis/AFP

O pediatra Xavier Dor, em uma ação contra o aborto em frente à Catedral Saint-Etienne de Toulouse, em abril de 2006.

Síria

Ano da Vida Consagrada Em meio à guerra civil e à persiguição religiosa, a Igreja na Síria organiza um ano dedicado à vida consagrada, que começará no dia 29. Em encontro na cidade de Damasco, 50 religiosos de 16 congregações e institutos de vida consagrada participaram de reunião com o bispo Georges Abou Khazen e

com o arcebispo Mario Zenari, Núncio Apostólico na Síria, para discutir sobre os desafios e dificuldades da vida religiosa atualmente no País, marcado pela escalada da violência e da pobreza. O encontro foi também uma oportunidade de consolação e reconforto para todos: “Em situações

como aquela que estamos vivendo, o amor de Deus pode ser experimentado concretamente somente se os outros o veem refletido no amor que nós mesmos, com os nossos limites e as nossas fragilidades, oferecemos aos nossos irmãos”, explicou o Bispo. Fonte: ACI

Sri Lanka

África/Burkina Fasso

100 dias de preparação para a visita do Papa

‘Rezem por reconciliação, justiça e paz’

A Igreja no Sri Lanka, país insular localizado ao sul da Índia, convocou os fiéis a uma preparação de cem dias para a visita do Papa Francisco, que se realizará entre os dias 13 e 15 de janeiro do ano que vem. A preparação deve incluir missas, vigílias e obras de caridade. O anúncio foi feito durante missa celebrada Basílica Nacional de Nossa Senhora de Lanka: “Necessitamos de uma preparação espiritual mais profunda

pela visita do Santo Padre e pela canonização do Beato José Vaz”, disse o bispo auxiliar de Colombo, Dom Emmanuel Fernando”. O País, que foi conquistado e colonizado por portugueses no século XVI, conta atualmente com uma população de pouco mais de 20 milhões de habitantes, dos quais cerca de dois terços são budistas e apenas 7% cristãos, na maior parte católicos. Fonte: ACI

Foi o que pediu o Cardeal Philippe Ouédraogo, arcebispo de Ouagadougou, capital do País. O Cardeal proclamou uma novena pela paz, em razão dos recentes acontecimentos: em meio às manifestações e conflitos que têm abalado o País, causando mais de 30 mortes. O presidente Blaise Compaoré foi

forçado a renunciar no dia 31 de outubro, deixando o poder com os militares. “Filhas e filhos de nossa família, da Igreja de Deus, eu peço que rezem. Rezem por reconciliação, justiça e paz no nosso País”, escreveu o Cardeal em mensagem divulgada pela Caritas Burkina Fasso. Fonte: Fides

Roma

‘Astúcia do diabo está em fazer que não se acredite em sua existência’ A declaração foi feita pelo psiquiatra Valter Cascioli, porta-voz da Associação Internacional de Exorcistas, à Radio Vaticano: “A luta contra o mal e o maligno é uma emergência cada vez

maior. Isso é devido claramente, além da ação direta do inimigo de Deus, à diminuição da fé, à anomia, quer dizer, a falta de valores e o relativismo cultural. Por outro lado, assistimos a

um contínuo florescimento de mensagens da mídia, livros, programas de televisão e cinematográficos que, de alguma forma, sobre as vias do sensacionalismo e do espetáculo, incenti-

vam especialmente às novas gerações a terem contato com o ocultismo, o satanismo, e às vezes a praticá-lo”. Fonte: ACI


Cuidar da saúde

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O sucesso da monogamia fiel Sergio Ricciuto Conte

“Formar casais pode ter sido o melhor passo que nossos antepassados deram”. Concomitante ao acontecimento recente do Sínodo da Família, publica-se um artigo, oportunamente, numa revista científica - Scientific American do Brasil - intitulado “O Poder do Par”, de Blaker Edgar (ano 13, nº 149, Outubro, 2014, p 52-57). Nele, constata-se que “a poligamia aparece na maioria das sociedades. Mas, mesmo quando a poligamia é permitida, o arranjo é da minoria. Grande parte das sociedades humanas está organizada em torno do pressuposto de que uma grande fração da população formará pares duradouros, casais exclusivos sexualmente. E a monogamia parece ter feito bem à nossa espécie. ‘Ligações em pares’, como cientistas chamam as relações monogâmicas, foram uma adaptação importante num ancestral arcaico que se tornou essencial para os sistemas sociais humanos e nosso sucesso evolutivo. ‘Temos uma grande vantagem sobre muitas outras espécies devido a ligações em pares’, avalia o antropólogo da Universidade de Montreal, Bernard Chapais. O casal monogâmico também forma a base para algo exclusivamente humano – as vastas e complexas redes sociais em que vivemos.” Segundo o autor, “há décadas cientistas lutam para compreender as origens e implicações da monogamia humana. Questões básicas, como quando começamos a formar casais pelo resto da vida, por que era vantajoso e como isso pode ter estimulado nosso sucesso como espécie, permanecem sem resposta e são controversos, mas uma nova pesquisa nos trouxe mais perto de solucionar o mistério”. As pesquisas apontam para uma hipótese que o que promoveu o sucesso da monogamia foi o fato de os machos hominídeos de categorias mais baixas desviarem a energia de lutar entre si para encontrar comida para as fêmeas, como incentivo ao acasalamento. Por sua vez, as fêmeas passaram a preferir os provedores mais confiáveis aos mais agressivos. Essa “descoberta” leva-nos a cogitar que a ciência está verificando que a união de um homem com uma mulher, de forma duradoura, surge quando o homem passa a se preocupar com a sua companheira, única, e esta corresponde a esse sentimento oferecendo a sua preferência para uma união estável. Esses estudos que retomam ao comportamento de nossos antepassados há milhões de anos, parecem estar perfeitamente identificados com os fatos da atualidade. O compromisso e a segurança sempre foram apontados como as considerações mais significativas para uma mulher numa relação. Para isso, é necessário que o futuro esposo demonstre que está mais preocupado em servi-la, do que em demonstração de força bruta com os demais. Antropologicamente, as ramificações que originaram o homem

atual assumiram o comportamento monogâmico de compromisso e sentimento de unidade verificado nos “pares humanos”. Essas manifestações do cuidado, no núcleo familiar, parecem ter sido fundamentais também em relação aos filhos, que na espécie humana alcançam um diferenciado e progressivo desenvolvimento cerebral, mas que apresentam uma dependência mais prolongada dos pais na sua infância, quando comparado a outras espécies. O artigo conclui: “Foi a cooperação, então, sob a forma de pares monogâmicos, famílias nucleares ou grupos, que permitiu a humanos ter sucesso quando todos nossos antepassados fósseis e primos foram extintos. Na verdade, a cooperação pode ser a maior aptidão que adquirimos nos últimos 2 milhões de anos, permitindo que nosso gênero jovem sobrevivesse a períodos de mudança ambiental e estresse, que podem muito bem determinar o futuro de nossa espécie geologicamente jovem”. Palavra da ciência.

Mês Azul Estamos no mês que recentemente foi denominado Mês Azul, em homenagem aos homens. Você pode se perguntar, por quê? Os homens sempre foram mais resistentes a ir ao médico ou de cuidarem da saúde. A princípio por ser arrimo de família e não terem tempo para isso, e depois pelo machismo. Já sabemos que cada vez mais as mulheres contribuem nos lares. Então, essa desculpa não cabe mais. E o machismo? Vamos pensar... não é só exame de toque que realizamos na consulta direcionada aos homens. Periodicamente, prevenimos

hipertensão arterial, diabetes, enfarto, dislipidemia, obesidade, entre outras várias doenças que também levam a complicações e a mortes precoces. O que dói mais: realizar exames agora ou se desesperar depois com algo que poderia ter sido evitado? Pensando nisso, também estamos fazendo nos postos de saúde a consulta do PAI, na qual aproveitamos a consulta da gestante para fazer o futuro papai se cuidar. Pense bem, aproveite e marque sua consulta. Este mês é seu. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF)

Dr. Valdir Reginato é médico de família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar.

Tecnologia

Comportamento

10 | Viver Bem |

Na rede social, as notícias que você compartilha dizem quem você é Terminadas as eleições, percebemos o impacto das redes sociais no processo eleitoral. Isso já foi notado pela primeira vez nas eleições de 2010, mas nunca antes como agora. Por quê? Uma das razões é fácil de notar: em 2010, o Brasil possuía cerca de 9 milhões de usuários na principal rede social, enquanto que hoje são cerca de 59 milhões. Assim, as informações não dependem exclusivamente da imprensa para serem divulgadas. A capacidade de divulgação de uma rede de pessoas interconectadas é assustadora, propagando tudo em progressão geométrica. E é fácil perceber como. Na principal rede social, cada pessoa possui, em média, 200 amigos. Ao divulgar uma informação para um de seus amigos, você permite que eles a retransmitam. Se a informação for relevante, uma fração deles vai compartilhar, certo? Imaginemos que uma pessoa divulgue uma informação. Suponhamos que apenas 10% de seus amigos compartilhem essa informação. Se assim for, somente no “primeiro giro” do compartilhamento, ou seja, com seus amigos diretos, essa informação já teria atingido mais de 4 mil pessoas. Se isso se propagar mais, os números chegam muito rapidamente a muitos milhares. Ocorre que as pessoas perceberam esse poder para o bem e para o mal. Quantas informações falsas, ou minimamente equivocadas, não foram compartilhadas, intencionalmente ou não. Então, se você não quiser ser utilizado para propagar uma informação falsa, sugiro alguns cuidados. Sempre verifique a origem da informação, você conhece seus amigos e sabe quem é mais confiável. Se ele compartilhou uma notícia, procure a fonte. Se a fonte for desconhecida, busque na internet e verifique se algum meio de comunicação conhecido e confiável também a divulgou. Se tudo estiver correto, verifique por último a data da notícia para ver se não é algo do passado e que não tem relação com o momento atual. Se tudo estiver correto, fique tranquilo e compartilhe se sentir que deve, mas não se esqueça: na rede social, as notícias que você compartilha dizem quem você é. Luiz Otávio Ugolini Vianna é engenheiro e Diretor de Tecnologia da MultConect


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| Reportagem | 11 Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Padre Zezé, Malu Veiga, Luiz Carlos Ramos, Padre José Renato Ferreira, Padre Cido Pereira e Irmã Helena Corazza participam de painel temático sobre as rádios católicas, no Colégio de São Bento

Há futuro para as rádios católicas?

de São Paulo, que falou brevemente aos participantes do evento. Ele destacou que emissoras como a 9 de Julho precisam evidenciar, sem medo, que possuem uma identidade católica, pois participam da missão da Igreja, “prestam um serviço à sociedade, com valores próprios da Igreja”. O Padre José Soares Rodrigues, Padre Zezé, da rádio Imaculada Conceição, de São Roque (SP), enalteceu a atuação da Rede Católica de Rádio, que leva a mensagem reflexiva e formativa dos bispos do Brasil aos pontos mais distantes do País e coloca em evidência os projetos da Igreja desenvolvidos pelos leigos nas pastorais.

Especialistas analisaram esta temática em painel de reflexões promovido pela 9 de Julho, emissora da Arquidiocese de São Paulo, no sábado, dia 1º Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Mais interativas, com maior presença em frequência modulada (FM), disponibilizando conteúdos em diferentes plataformas, para apresentar, sem pieguices, os valores cristãos. Essas são algumas das projeções para as emissoras católicas, conforme apontaram os participantes do painel “O futuro da rádio católica”, realizado no sábado, dia 1º, no Colégio de São Bento, em São Paulo. Como lembrou o Padre José Renato Ferreira, diretor da rádio 9 de Julho AM 1.600 kHz, promotora do evento, o painel não se propôs a buscar respostas definitivas, mas, com base na partilha de experiências, provocar reflexões e apresentar alternativas.

Interatividade e novas linguagens

Malu Veiga, radialista e coordenadora da programação da rádio Aparecida, relatou as diferentes estratégias de interação com os públicos da emissora em AM, ondas curtas e em FM. “Em FM, trabalhamos com uma linguagem mais jovem, devido ao público alvo, desde a locução, que é mais ágil, a interação com a internet, com intervenções no YouTube, Facebook e promoções interativas. Nas ondas curtas e na AM, usamos uma linguagem mais falada, porque temos que passar a mensagem de evangelização, da Palavra de Deus e isso requer mais de reflexão. Também estamos na internet e nos aplicativos de celular”, detalhou ao O SÃO PAULO. Segundo Malu Veiga, todo processo de produção, programação e marketing da rádio Aparecida está integrado, e a emissora trabalha com o tripé de convergência midiática, inteligência coletiva e cultura participativa. “Até na AM e nas ondas curtas, onde o público tem mais idade, as pessoas pedem interação. É um retorno rápido, muito ágil, que acrescenta muito, pois os ouvintes aca-

Migração para a FM

Cardeal Scherer e Padre José Renato falam sobre a missão evangelizadora da rádio 9 de Julho

bam sendo, também, produtores de conteúdo”, afirmou, projetando que o rádio com imagens e a disponibilização de podcasts (arquivos digitais de áudio) tendem a ser intensificados no futuro. Na avaliação do Padre José Renato, “o cuidado com a linguagem sempre deve existir para anunciar com fidelidade a Igreja e ainda há a questão da convergência de mídias. Temos que ser humildes e admitir que não temos todas as respostas, e que precisamos aperfeiçoar a interatividade, para que tenhamos uma proximidade ainda maior com os nossos ouvintes”, comentou.

Para além de orações e devoções

Também participante do painel reflexivo, Padre Cido Pereira, vigário episcopal para a Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo e apresentador da rádio 9 de Julho, opinou que, por vezes, há um uso equivocado do rádio apenas para divulgar orações, devoções e “milagres”, reduzindo a interação com Jesus Cristo aos problemas pessoais, o que acaba por limitar o alcance a novos ouvintes. Segundo Padre Cido, as rádios católicas precisam enfrentar o desafio de dialo-

gar com o mundo, de conscientizar para os direitos, de convocar à solidariedade e à fraternidade. “Temos que ter evangelização, destaque para os valores cristãos, sem ser piegas. É possível formar mentes e corações para Deus, ter uma rádio católica de notícias e não uma rádio de notícias católicas”, enfatizou. A presidente da Signis Brasil, Irmã Helena Corazza, paulina, alertou para a necessidade de capacitação dos leigos que apresentam programas religiosos em rádios que não são católicas, a fim de que levem aos ouvintes os valores do Evangelho e ajudem a formar cidadãos capazes de pautar questões na sociedade. “Outro desafio é das linguagens, falar aos afastados, pois é preciso pensar naqueles que, às vezes, só ouvem a Igreja pelo rádio. Precisamos ser criativos para ser ouvidos. A autossustentação também é um desafio. Temos que criar essa consciência de rede para compartilhar a abundância do que temos. É preciso chegar onde as pessoas estão, precisamos nos reformular”, afirmou.

Identidade católica

Um companheiro seguro, versátil e popular. É assim que o rádio é visto pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo

Na avaliação de Luiz Carlos Ramos, professor da PUC-SP e coordenador de jornalismo da rádio Capital, o radialismo pode ser potencializado com as novas mídias e a migração das emissoras da AM para a FM. “As FMs falam muito para os jovens. Hoje em dia, as AMs são sintonizadas principalmente por pessoas de 40 a 90 anos, com a migração, também vão atrair interesse de quem tem 20 anos, 25 anos, e isso para uma rádio da Igreja Católica é muito bom. Mas ao tentar atrair o jovem, não se deve perder o ouvinte fiel de mais idade. É preciso mesclar, não fazer uma transformação muito brusca”, afirmou. Desde 2013, o decreto 8.139, do Ministério das Comunicações, autoriza as emissoras AMs a pedirem mudança de faixa para o FM. No total, o órgão já recebeu 1.386 pedidos de migração, sendo que 237 destes são de rádios que operam no Estado de São Paulo. O passo seguinte será a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realizar estudos de viabilidade técnica em cada município para determinar se há espaço para a migração de todas as emissoras interessadas em cada município. Se não houver espaço no espectro, poderá ser usada a faixa estendida de FM (de 76 MHz a 88 MHz). “Quando essas emissoras começarem a emitir sinal em FM, não vai ser possível captá-lo nos atuais aparelhos de rádio, porque estarão numa faixa mais baixa, então, será preciso produzir novos aparelhos. No Estado de São Paulo, essa migração deverá ocorrer principalmente a partir de 2016, a não ser que haja atrasos em função de problemas técnicos”, explicou Luiz Carlos à reportagem.


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Relatio Synodi da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos:

‘Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização’ Redação

osaopaulo@uol.com.br

O SÃO PAULO dá sequência à série sobre o relatório final da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, ocorrida entre os dias 5 e 19 de outubro. Publicamos nesta edição a tradução em português dos principais trechos da terceira parte do relatório, que, após olhar e traçar um diagnóstico dos principais problemas que afetam as famílias no mundo atual (Parte I - Olhar) e oferecer um referencial analítico-teológico e de fé sobre a família segundo o plano de Deus (Parte II - Julgar), agora propõe pistas para o desenvolvimento de uma Pastoral Familiar que responda, de modo conveniente e realista, aos “desafios pastorais sobre a família no contexto da Evangelização” (Parte III - Agir). Nesta edição, serão apresentados os conteúdos dos parágrafos 29 a 40, e na próxima edição, dos parágrafos 41 a 62, sempre com comentários explicativos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano e Padre Sinodal. O texto original do relatório se encontra no site do Vaticano (www.vatican.va) somente em italiano. A tradução dos trechos publicados no O SÃO PAULO é de autoria e responsabilidade do diretor e editor do jornal, assim como os subtítulos que antecedem os trechos traduzidos. Parte III

Perspectivas pastorais Anunciar o Evangelho da família com a ternura de mãe e clareza de mestra “O anúncio do Evangelho da família constitui uma urgência para a Nova Evangelização. A Igreja é chamada a atuar com a ternura de mãe e clareza de mestra (cf Ef 4,15), em fidelidade à Kenosi misericordiosa de Cristo. A verdade se encarna na fragilidade humana não para condená-la, mas para salvá-la (cf Jo 3,16-17)”. (N.29) As famílias cristãs: chamadas a serem sujeitos ativos da Pastoral Familiar “Evangelizar é responsabilidade de todo o povo de Deus (...). Sem o testemunho alegre dos casais e das famílias, igrejas domés-

ticas, o anúncio, ainda que correto, corre o risco de ser incompreendido ou de se afogar no mar de palavras que caracteriza a nossa sociedade (cf Novo Millenio Ineunte, 50). Os padres sinodais, muitas vezes, reafirmaram que as famílias católicas (...) são chamadas a ser sujeitos ativos da pastoral da família”. (N.30)

O primado da Graça e a necessidade de uma conversão missionária “Será decisivo acentuar o primado da graça e as possibilidades que o Espírito doa no sacramento (...) à luz da Parábola do semeador (Mt 13,3ss); a nossa tarefa é de cooperar na semeadura: o resto é obra de Deus. Desnecessário lembrar que a Igreja que prega sobre a família é sinal de contradição”. (N.31). “Por isso, se exige que toda a Igreja viva uma conversão missionária: é necessário não se limitar a um anúncio teórico, meramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas” (tendo em vista que) a crise da fé comportou uma crise do Matrimônio e da família e, como consequência, muitas vezes, se interrompeu a transmissão da fé dos pais para os filhos”. (N. 32) “A conversão deve ser também da linguagem para que esta seja efetivamente significativa”. (N.33) Leitura orante da Palavra de Deus “A Palavra de Deus é fonte de vida e de espiritualidade para a família. Toda a Pastoral Familiar deverá deixar-se modelar interiormente e formar membros da Igreja doméstica, mediante a leitura orante e eclesial da Sagrada Escritura. A Palavra de Deus não é apenas uma boa notícia para a vida privada das pessoas, mas também um critério de juízo e uma luz para o discernimento dos diversos desafios com os quais se confrontam os casais e as famílias”. (N. 34) Matrimônio cristão: vocação que exige preparação adequada dentro de um itinerário de fé “O Matrimônio cristão é uma vocação que se acolhe com uma preparação adequada dentro de um itinerário de fé, com um discernimento maduro, e que não seja considerado apenas como uma tradição cultural ou exigência social jurídica. Portanto, ocorre realizar percursos que acompanhem a pessoa e o casal de modo que, à comunicação dos conteúdos da fé se una a experiência de vida oferecida por toda a comunidade eclesial”. (N.36) “Foi repetidamente acentuada a necessidade de um renovamento radical das práticas pastorais à luz do Evangelho da família, superando óticas individualistas que ainda a caracterizam. Por isso, muitas vezes, se insistiu sobre o renovamento da formação dos padres, dos diáconos, dos catequistas e demais agentes de pastoral, mediante um maior envolvimento das famílias”. (N.37)

Evangelização profética que denuncie os condicionamentos sociais e a lógica do mercado “Foi enfaticamente destacada a necessidade de uma evangelização que denuncie com franqueza, os condicionamentos culturais, sociais, políticos e econômicos, com o excessivo espaço dado à lógica do mercado, que impedem uma autêntica vida familiar, determinando discriminações, pobreza, exclusões, violência. Para tanto, seja desenvolvido um diálogo e cooperação com as estruturas sociais, e sejam encorajados e incentivados os leigos que se empenham, como cristãos, no âmbito cultural e sociopolítico”. (N.38) Preparação do Matrimônio: resgate das virtudes e da castidade “Na preparação para o Matrimônio, ‘é necessário recordar a importância das virtudes. Entre estas, a castidade resulta condição preciosa para o crescimento genuíno do amor interpessoal’. (...) Os Padres sinodais foram concordes em destacar a exigência de um maior envolvimento de toda a comunidade, privilegiando o testemunho das famílias, além de radicar a preparação do Matrimônio no caminho da iniciação cristã, destacando o nexo do Matrimônio com o Batismo e os demais sacramentos. Evidenciou-se, ainda, a necessidade de programas específicos para a preparação próxima do Matrimônio que sejam verdadeiras experiências de participação na vida eclesial e aprofundamento de diversos aspectos da vida familiar”. (N. 39) Acompanhar os primeiros anos da vida matrimonial “Os primeiros anos de Matrimônio são um período vital e delicado durante o qual os casais crescem na consciência dos desafios e do significado do Matrimônio. Daí a exigência de um acompanhamento pastoral que continue após a celebração do Sacramento (cf Familiaris Consortio, parte III). Resulta de grande importância nessa pastoral a presença de casais de esposos com experiência. A Paróquia é considerada como o lugar onde casais experientes podem se colocar à disposição dos casais mais jovens, com a eventual participação de associações, movimentos eclesiais e novas comunidades”. (N.40) Encorajar os casais a acolherem a vida e terem filhos “Ocorre encorajar os esposos a uma atitude fundamental de acolhimento do grande dom dos filhos. Vai destacada a importância da espiritualidade familiar, da oração e da participação na Eucaristia dominical, incentivando os casais a reunirem-se regularmente para promover o crescimento da vida espiritual e a solidariedade nas exigências concretas da vida”. (N. 40)

Síntese Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

A terceira parte da Síntese Final (Relatio Synodi) da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos trata das perspectivas pastorais que se abrem, ou que decorrem como uma necessidade diante dos muitos e graves desafios vividos hoje pela família e o Matrimônio. Que fazer? O trabalho dos grupos, na segunda semana da Assembleia, aprimorou e ampliou as eventuais “saídas” pastorais para as situações de crise. É preciso dizer que, desde a abertura da Assembleia estava muito claro que a indissolubilidade do Matrimônio não estava em discussão. Disse-o explicitamente o Papa Francisco nas palavras de abertura da Assembleia, no dia 6 de outubro. Portanto, mais que tudo, tratavase da busca de caminhos pastorais para ir ao encontro das situações de angústia e sofrimento de muitas pessoas, que desejam viver a sua fé numa situação de casamento fracassado, mas reconstruído numa segunda união; ou para devolver ao casamento e à família novo apreço entre os jovens, para que se preparem com coragem e esperança para a vida matrimonial; ou para devolver às famílias uma verdadeira mística cristã, num tempo em que os lares e o convívio familiar são invadidos por avalanches de “valores” incompatíveis com a vida cristã... Após falar uma semana inteira dos desafios e problemas da família e do casamento, foi fácil perceber que é preciso retomar, com urgência, o anúncio do “Evangelho da família”: Deus tem um desígnio bom sobre o casamento e a família e reserva uma bênção toda especial para quem os quer viver com seriedade: como se reza na liturgia do casamento, esta bênção nem mesmo depois do pecado original foi abolida. Talvez a avalanche de mensagens depreciativas e de testemunhos pouco edificantes em relação ao casamento e à família abalaram até mesmo as convicções dos cristãos a esse respeito. Anunciar o Evangelho da família significa apresentar com coragem e perseverança os valores da família e do casamento e as graças que Deus reserva para tanto. Entre as indicações pastorais, que fazem parte do Evangelho da família, está a recuperação da relação da família cristã com a Igreja: cada famí-


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Final do Sínodo da Família (III) lia é uma “Igreja doméstica”, confiada aos cuidados dos esposos e pais. Já no rito do Matrimônio, alude-se a essa missão, assumida pelos nubentes com um solene “sim” à pergunta que lhes é feita: estais dispostos a assumir com amor os filhos que Deus lhes confiar e a educá-los na lei de Cristo e da Igreja? É preocupante a constatação do distanciamento generalizado entre Igreja e família: esta já não se sente mais protagonista da vida da Igreja mediante à transmissão da fé aos filhos e sua iniciação à vida cristã. Será preciso rever profundamente a “pastoral familiar”, para que ela seja uma ajuda mais eficaz à vivência cristã e eclesial dos casais

e das famílias. Também nesse caso, falouse em “conversão missionária” da Igreja e de suas organizações, como já aconteceu na Conferência de Aparecida. A renovação da Pastoral Familiar requer uma reflexão séria também por parte dos presbíteros e agentes de pastoral, lembrados de que as famílias bem formadas e assistidas pastoralmente serão multiplicadoras das ações de evangelização. Cada família católica deveria ser uma das pequenas comunidades de vida cristã e de missão na grande comunidade paroquial. Na Assembleia Extraordinária do Sínodo tratou-se muito da necessidade de uma boa preparação para o casamento, que já

deveria começar remotamente, e não apenas quando já chegou o momento de celebrar as núpcias. Essa preparação deveria ser encarada como um verdadeiro catecumenato de iniciação à vida cristã matrimonial e familiar, em que houvesse a possibilidade de uma boa experiência da vida na fé e da vida na comunidade eclesial. Muitos casamentos já começam mal e poderiam até ser considerados nulos perante a Igreja, uma vez que lhes faltam os elementos essenciais para a realização de um casamento válido. Isso pode ser evitado, em boa parte, na medida em que houver uma preparação adequada para os jovens que vão casar.

Luciney Martins/O SÃO PAULO


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‘Criar uma rede de relações mais autenticamente humanas’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

I Congresso Internacional da Doutrina Social da Igreja reuniu 520 pessoas para refletir sobre economia, política, família e a DSI Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

“Ao descobrir-se amado por Deus, o homem compreende a própria dignidade transcendente, aprende a não se contentar de si e a encontrar o outro, em uma rede de relações cada vez mais autenticamente humanas.” Para promover essa rede de relações da qual fala o artigo quarto do Compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI), citado acima, o Centro Universitário Salesiano (Unisal), em parceria com a PUC-SP, realizou I Congresso Internacional de DSI, entre os dias 29 e 31, na zona norte da capital paulista. Com o tema “A Doutrina Social da Igreja no Magistério Recente: Continuidade e Desafios”, o Congresso reuniu 520 participantes e teve uma programação intensa de conferências e comunicações. O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Grão-chanceler da PUC-SP, os reitores Padre Ronaldo Zacharias (Unisal) e Anna Maria Marques Cintra (PUC-SP) participaram da cerimônia de abertura, seguida pela conferência magna de Dom Mario Toso, Secretário do Pontifício Conselho Justiça e Paz, da Santa Sé. O Cardeal Scherer destacou a relevância do evento neste ano

Representantes de diferentes países participam do I Congresso Internacional de Doutrina Social da Igreja em São Paulo

em que a Igreja se encontra na celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II, e citou documentos basilares para a DSI como a Gaudium et Spes, pois no que se refere à relação Igreja e sociedade, ela aprofunda a questão antropológica e social e é uma carta magna de referência na área. Participantes provenientes de Bogotá (Colômbia), Buenos Aires (Argentina), Salamanca (Espanha) e Cidade do México (México), na maior parte, membros da Rede Latino-americana de Caribenha do Pensamento Social da Igreja (Redlapsi), compuseram as mesas durante os debates.

Novo humanismo integral Dom Mario Toso, em sua conferência, acentuou a necessidade de uma nova compreensão da realidade para avançar nas questões sociais. “Apoiada no amor cheio de verdade que se experimenta vivendo Cristo, vemos que é necessária uma nova epistemologia para que a Igreja compreenda as questões sociais. Assim, para um

renascimento cultural e um novo humanismo integral, a encíclica Caritas in Veritate (Caridade em Verdade), do Papa Bento XVI, por exemplo, repropõe uma nova ordem na qual o ser humano não está disponível para viver só por si mesmo, mas em comunhão com os outros e com Deus.”

A Doutrina Social da Igreja e a família “Família: globalização, perspectivas e valores” foi o título da conferência do professor Ángel Galindo, da Universidade Pontifícia de Salamanca. Seguida da mesa “Novas configurações familiares: desafios para a DSI”, com a professora Maria Inês de Castro Millen, de Juiz de Fora (MG) e com o professor Ronaldo Zacharias, do Unisal, chamou atenção sobretudo devido às discussões recentes sobre o relatório da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Padre Zacharias tratou da necessidade de acompanhar as famílias feridas e fragilizadas:

“É hora de elaborar uma ética da fragilidade. Todos podem fracassar na vivência do amor e serem traídos pelos próprios desejos. Quando abordamos esses assuntos do ponto de vista moral, acreditamos que todos compreendam a linguagem utilizada. Mas, o significado que damos às palavras pode causar a dificuldade de sermos pastoralmente incisivos. Usamos uma linguagem abstrata para o amor e esperamos que as pessoas se adaptem a elas” afirmou.

Trabalho e política Gilhermo Sandoval é leigo e responsável pela pastoral do trabalho em Santiago, no Chile, e veio ao Brasil convidado pela Redlapsi, da qual também é membro. Sobre a sua participação no Congresso, Sandoval ressaltou que os temas são muito atuais, baseados no ensinamento da Igreja sobre a DSI. Sobre a questão política, discutida no segundo dia do Congresso, o Chileno salientou que é uma

dimensão que deve estar muito presente entre os leigos. “Aqueles que têm vocação às coisas públicas, creio que precisam ser mais acompanhados pela Igreja para exercer a vocação adequadamente e não deixar simplesmente que as coisas aconteçam sem que haja uma presença cristã mais intensa na sociedade”, afirmou. Guilhermo Sandoval é encarregado da área de animação trabalhista do Vicariato da Pastoral Social em Santiago. “Trabalho com sindicatos, comunidades cristãs em ambientes de trabalho, trabalhadores individuais e, recentemente, criamos um site que trata de dar visibilidade aos sindicatos e seus dirigentes”, contou. Sandoval destacou, ainda, que, embora muito discriminado em alguns meios, o sindicato é uma maneira de organização política dos trabalhadores, política, não partidária.

Na prática Padre Rosalvino Moran Viñayo, salesiano, fundador e atual diretor tesoureiro da Obra Social Dom Bosco de Itaquera, na zona leste de São Paulo, acompanhou a Fanfarra Dom Bosco, que se apresentou na conclusão do Congresso, na sexta-feira, 21. Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Padre explicou que o objetivo da Obra é, sem dúvida, aplicar os ensinamentos da DSI. “Precisamos ajudar os jovens a se capacitarem com uma missão dignificante. E, por isso, aqui na Obra, temos oficinas de eletrônica, gastronomia, panificação etc. Assim como exorta o Papa Francisco, nossa missão é a de ir às ruas”, disse, enquanto ajudava as crianças e jovens a se preparar e posicionar os instrumentos para começar o show.

Santos: grandes cristãos, bons católicos, fiéis testemunhas do Evangelho Helena Ueno

Carolina Keyko

Especial para O SÃO PAULO

Cardeal incensa imagem de Nossa Senhora, em celebração de Todos os Santos

No sábado, dia 1º, o Cardeal Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, presidiu a missa da solenidade de Todos os Santos, na Catedral da Sé. Na homilia, o Arcebispo destacou que todos os beatos e santos da Igreja foram “pessoas de carne e osso” e lembrou que a data é celebrada mundialmente.

Segundo o Arcebispo, os santos e bem-aventurados deixaram um exemplo de vida que estimula e encoraja para que todos façam a própria parte. “Não são figuras míticas nem idealizadas. Foram grandes cristãos, bons católicos, fiéis testemunhas do Evangelho. Foram pessoas reais e históricas, caminharam pelas ruas de São Paulo”, afirmou. Dentro dos credos da Igreja, acredita-se que todos os homens

excessivamente virtuosos, podem ser canonizados após suas mortes e, por estarem próximos a Deus, são capazes de realizar milagres na terra. O Dia de Todos Santos foi criado pelo Papa Bonifácio IV, com a proposta de homenagear todos os santos em um único dia. Inicialmente, era comemorado em 13 de maio, mas foi transferido para 1º de novembro, pelo Papa Gregório III, no ano de 835.


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Padre Julio Lancellotti

‘Não domestiquemos os pobres, não façamos deles pessoas inofensivas’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Nayá Fernandes

chamamento de atenção muito forte para o mundo, para a Igreja, para nossas pastorais. Ele insiste, porém, que os eufemismos, essas formas elegantes de falar, não mudam nada. Assim, o Papa enfatiza o primado da prática, da ação, e da mística da transformação.

nayafernandes@gmail.com

“Digamos juntos com o coração: nenhuma família sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá.” Difundida em jornais, sites e nas redes sociais, a frase do Papa Francisco é um pequeno trecho da mensagem proferida durante o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, que aconteceu entre os dias 27 e 29 de outubro, em Roma. Organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais e com os líderes de vários movimentos, o encontro reuniu líderes dos movimentos populares. Do Brasil, estiveram representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina e o secretario geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, participou entre os bispos convidados. O Papa insistiu nas palavras terra, trabalho e moradia e baseou sua mensagem nestas três necessidades do ser humano, referindo-se sempre à Doutrina Social da Igreja (DSI). Para aproximar a mensagem de Francisco à realidade paulistana, na qual está inserida a Arquidiocese, O SÃO PAULO conversou com Padre Julio Lancellotti, vigário episcopal para o Vicariato do Povo da Rua.

O SÃO PAULO – Na mensagem do dia 28 de outubro, o Papa insistiu no protagonismo dos pobres. Como a Igreja pode favorecer isso? Padre Julio Lancellotti - Para mim, o que o Papa Francisco está mostrando é a importância de a Igreja apoiar os movimentos populares, não é se substituir a eles. Mas estar junto, ao lado.

A urgência da reforma agrária, apontada por Francisco, diminuiria a migração para os grandes centros urbanos. Mas, e no que se refere à vida na metrópole? Esse tipo de colocação está ligada diretamente à reforma urbana e à função social da propriedade. Acredito que o Papa deixa bem claro: nenhum camponês sem terra, o que é um claríssimo apoio à reforma agrária. Nenhum trabalhador sem trabalho e nenhuma família sem casa. Isso aponta claramente para a reforma

urbana, para a função social da propriedade.

Na cidade, um grande vilão da moradia é a chamada especulação imobiliária... Sem dúvida. É o que a Doutrina Social da Igreja chama de primado do econômico sobre a pessoa. E o Papa ressalta o primado da pessoa. Por isso, esse encontro é bonito para o mundo, mas é também altamente comprometedor para a Igreja e coloca seriamente a questão de quais são as nossas opções pastorais. Também é interessante ver que, na nossa história, da Arquidiocese de São Paulo, o Papa coloca em evidência as questões que já foram as diretrizes pastorais da Arquidiocese, que são trabalho e moradia. É um texto provocativo e indicativo, que pede compromisso. E Ele insiste na aplicação da Doutrina Social da Igreja... Sim. O que Francisco ressalta é a Doutrina Social da Igreja (DSI) que, muitas vezes, fica relegada a um segundo plano. O Papa João Paulo II já falava da função social da propriedade e isso é uma tradição na DSI, então, nesse sentido, é um resgate importante. A grande novidade de Francisco é ter discutido a DSI com os movimentos sociais e populares.

Ele não discutiu com a academia, com os políticos, os profissionais ou os governantes, ele discutiu com os protagonistas da ação de mudança.

Foi por isso que o encontro contou com um grupo de pessoas escolhidas, já comprometidas com as causas sociais? Sim, de Buenos Aires, por exemplo, o Papa convidou um catador de papel, amigo dele. Lá chamado “Papeleiro do Papa”, ou o “Catador do Papa”, porque tem um trabalho de cooperativa entre os catadores de papel. O Pontífice critica também os eufemismos, ou seja, palavras elegantes que acabam por amenizar os problemas sociais. Na Itália, pessoa em situação de rua é chamada de senza fissa dimora, ou seja, sem moradia fixa. Sim, pois é bonito [...] politicamente correto dizer isso. Mas, atrás deste eufemismo, que é um “ficar em cima do muro”, se esconde um crime, o da pessoa sem dignidade, sem direito a nada. Ele diz que as cidades são bonitas, modernas, cheias de prédios, de belezas construídas modernamente e, no entanto, existem pessoas que estão na rua. Esse é um

A mensagem insiste também na cultura do encontro e na eliminação do preconceito. Atitudes intolerantes atingiram as pessoas em situação de rua, sobretudo neste período póseleições? Nesse sentido, a polarização dos eleitores e as manifestações contra os nordestinos pós-eleição presidencial desembocaram no preconceito com as pessoas em situação de rua. Há uma tendência de identificar que, em São Paulo, os nordestinos são os moradores de rua. Estamos sentindo muitas ações de higienização, de preconceito, discriminação e violência contra a população que está nas ruas de São Paulo. E, como disse o Papa, essas pessoas estão nas ruas, pois lhes foi negado o direito a uma vida digna. Porém, Francisco ressalta muito que não domestiquemos os pobres, não façamos deles pessoas inofensivas. Temos que incomodar essa desordem que se estabeleceu, que nós chamamos de ordem. É uma desordem que tira a dignidade, tira as condições de vida das pessoas. É um texto que precisa ser lido mas também colocado em prática. O que o senhor sugere? Esse texto deve ser divulgado, multiplicado, deve chegar também às pessoas em situação de rua, pois a mensagem do Papa é uma palavra de ânimo, de esperança. É, acima de tudo, uma palavra de quem confia na caminhada do povo e de quem não quer caminhar se não for no meio do povo. Mas, como você disse, essas palavras têm que nos comprometer. Devemos tê-las, sobretudo os membros das pastorais sociais, como temos a Evangelii Gaudium. As pastorais sociais deveriam aprofundar esses textos e aprofundar pensando em como fazer disso uma realidade. Às vezes, as pastorais parecem estar separadas dos movimentos sociais. Mas o Papa está mostrando que a pastoral é a vida do povo. O encontro dele não foi com religiosos, mas com pessoas dos movimentos sociais. Ele está dando o exemplo, a fundamentação também. Agora, precisamos agir.


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Felipe David

osaopaulo@uol.com.br

Divulgação

De tempos em tempos, estoura um novo conflito em Israel. Na última vez, milhares de pessoas terminaram mortas, na maioria, palestinos. Mas quais são as origens desse conflito que parece nunca terminar? Como tudo começou? Será que uma solução é possível? A Casa do Saber oferece aos interessados um curso sobre o assunto, que começará no dia 11: “Na situação atual do Oriente Médio, o conflito israelense-

palestino é um dos mais importantes eixos não apenas para os países da região, mas como uma questão geopolítica, interessa a todos as nações. O curso abordará o conflito desde a origem dos movimentos nacionalistas na região e as razões pelas quais o movimento sionista foi bem-sucedido frente à estagnação da condição palestina.” Outras informações podem ser obtidas em: www.casadosaber.com.br.

A língua é um patrimônio imaterial

micas do presente, empreende-se neste livro a tentativa de mostrar que elas, querendo ou não, demonstram uma tendência imanente que aponta a uma só destinação. De preferência, invocou-se o testemunho de autores não católicos ou anticatólicos: os caminhos levam a Roma”.

Museu

“Caminhos para Roma - Aventura, Queda e Vitória do Espírito” é o livro de Otto Maria Carpeaux, lançado pela Vide Editorial. “Estamos em crise, quer dizer, estamos sem fé. Começou na Reforma, com a autocracia do indivíduo, o caminho funesto que, através do racionalismo, iluminismo, liberalismo, imperialismo, bolchevismo, conduz ainda ao horror do aniquilamento. Já não acreditávamos em nada e, enfim, tampouco em nós mesmos. Mas é impossível viver sem fé. Viver, aliás, já é um ato de fé. Por isso, preferimos morrer; crescem em progressão geométrica as cifras de suicídio”, consta no descritivo do livro. “O indivíduo e a comunidade reconheceram que viver e conviver são impossíveis sem positivas convicções de fé, como só a religião é capaz de oferecê-las. O Estado e a política recordam-se de fundamentos religiosos; a economia aspira a alcançar compromissos morais de antigamente. Mesmo as ciências, até agora tão alheias à religião, tornam a reconhecer a força vital indestrutível da postura religiosa, e chegaremos a ouvir que os resultados da pesquisa científica moderna já não são obstáculos, e sim suportes à fé. Mas ainda domina o território a ciência ateísta do século XIX, infundida em milhões de cabeças por um dilúvio de livros e brochuras populares”. “A propósito de iluminar as diversas correntes espirituais e religiosas, políticas e econô-

Israel e Palestina

Curso

Dica de leitura

‘Caminhos para Roma’, livro inédito de Otto Maria Carpeaux

FICHA TÉCNICA Autor: Otto Maria Carpeaux Editora: Vide Editorial Páginas: 172

Como expor uma língua em um museu? A resposta é: com tecnologia interativa. Explicase: “Muito mais que aplicar as tecnologias ao espaço expositivo por puro deleite de modernidade, o Museu da Língua Portuguesa adota tal museografia a partir de um dado muito simples: seu acervo, nosso idioma, é um ‘patrimônio imaterial’, logo não pode ser guardado em uma redoma de vidro e, assim,

exposto ao público”. Para quem ainda não conhece o Museu, localizado na Estação da Luz, a visita vale a pena. Em tempos de reformas ortográficas que surgem, não se sabe muito bem com quais critérios, esperemos que a língua de Machado de Assis e José de Alencar não tenha se tornado apenas uma peça de museu. Mais informações: www.museudalinguaportuguesa.org.br.

espaço do leitor Rádio 9 de Julho: no coração do povo e com qualidade de programação (edição 3025) “Se a rádio 9 de Julho se chamasse ‘Rádio Resistência’, ‘Rádio Per-

severança’ ou, ‘Rádio Esperança’, não ficaria mal. Parabéns a todos que durante tanto tempo mantiveram a voz da Igreja de São Paulo no ar”. Pedro Luiz de Araujo (pelo Facebook)

“A grande esperança que nossa rádio 9 de Julho possa ampliar sua estratégia e alcançar o merecido lugar na audiência dos cristãos e das comunidades em geral. Os desafios continuam, a luta é

árdua nesses tempos modernos em que a comunicação é disputada palmo a palmo. Mas tem que comemorar, essa luta faz parte do dia a dia de nossa rádio”. Jose Carlos Veloso (pelo Facebook)

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO


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| Esporte | 17 Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Um Brasil que não quer deixar a peteca cair Atletas brasileiros do badminton melhoram desempenho em competições; na última semana, foram três pódios em torneio internacional, em São Paulo Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

A peteca, feita com asas de ganso, pode alcançar até 440 km/h. Às vezes, parece que vai atingir o teto do ginásio, mas rapidamente desce em direção à quadra adversária. Após ser rebatida com uma raquete, por vezes chega aos limites do outro lado da quadra ou passa “por um triz” de tocar na rede. Assim são os jogos de badminton, que puderam ser vistos na última semana no Club Athletico Paulistano, em São Paulo, durante a Copa Internacional de Badminton, que reuniu atletas de 20 países, entre os quais 69 brasileiros. A prática do badminton no Brasil é algo relativamente recente, foi iniciada nos anos 1980, e já há evolução de resultados. Em outubro, o País obteve quatro medalhas no Panamericano da modalidade, em Toronto, no Canadá. “Hoje o Brasil é terceiro colocado na América. Esse posto antes era do Peru. Estamos fazendo um trabalho mais a longo pra-

zo, com um técnico exclusivo para a seleção brasileira. Vemos que o nível dos jogadores está melhorando, há brasileiros entre os cem primeiros do mundo”, enfatizou, ao O SÃO PAULO, Cássio Toledo, 57, que há 14 anos é um dos organizadores da Copa Internacional de Badminton em São Paulo.

Trabalho de base Lohaynny Vicente, 18 (imagem em destaque), é o melhor exemplo dessa evolução do badminton no Brasil. Ela conheceu a modalidade em um projeto social no Rio de Janeiro, e aos 15 anos representou o País no Pan de Guadalaraja 2011, alcançado às quartas de final no individual. Em 2012, conquistou medalha de bronze no Internacional de Badminton em São Paulo. Em 2013, na mesma disputa, foi medalhista de prata, posição que repetiu na

última semana, quando perdeu apenas na final para a norte-americana Iris Wang. “A gente está treinando bastante, até porque a estrutura no esporte brasileiro mudou. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) tem ajudado, principalmente por causa das olimpíadas de 2016. Todo atleta precisa do apoio de um fisioterapeuta, psicólogo, profissional de alimentação e de um bom técnico, como é o Marco Vasconcelos [português, treinador da seleção]”, opinou. Em teoria, Lohaynny tem ao menos mais de dez anos para chegar ao ápice de sua performance. “Hoje se você for ver os dez melhores jogadores do mundo, a idade média deles vai ser acima dos 30 anos. É difícil ter um jogador entre os dez melhores com 20 anos”, comentou Cássio Toledo. Daniel Paiola, 25, que no torneio em São Paulo conquistou bronze na dupla masculina

Copa Internacional de Badminton acontece no Club Athletico Paulistano, com atletas de 20 países

MUNDO DOS ESPORTES

• Feitas com 16 penas de ganso, as petecas utilizadas em competições oficiais podem alcançar a velocidade de 440 km/h.

• Esse esporte se assemelha ao tênis: é jogado com raquetes, mas em vez de bolas há petecas, as dimensões da quadra são menores e a rede é mais alta. O

• As primeiras aparições dessa modalidade em olimpíadas aconteceram em Munique 1972 e Seul 1988, como esporte demonstração. Oficialmente,

objetivo do jogo é mandar a peteca ao chão da quadra adversária. Em competições oficiais, vence a partida quem ganhar dois sets primeiro, cada um com duração de 21 pontos.

Crescimento nos estados e perspectivas para o Rio 2016 Oficialmente, o badminton está organizado em 16 estados brasileiros. Segundo Francisco Ferraz, 35, presidente da Confederação Brasileira de Badminton, a proposta é difundir a modalidade em todo o País. “Este é o nosso projeto: desenvolvimento nos estados, com parcerias no processo educativo, para a formação de professores de badminton e criação de talentos da modalidade”. Francisco ressaltou que o Governo Federal e o COB têm colaborado financeiramente para o aperfeiçoamento dos atletas da seleção, mas que a conquista de uma medalha olímpica no Rio de Janeiro é pouco provável. “A gente espera passar da fase de grupos na olimpíada de 2016, mas está pintando uma surpresa com a dupla feminina Lohaynny e Luana Vicente, que foi montada esse ano e evoluiu muito rápido: em seis torneios, subiu mais de cem posições no ranking mundial”, comentou.

AGENDA ESPORTIVA Quinta-feira a domingo (de 6 a 9) GP Brasil de Fórmula 1 (Autódromo de Interlagos) Treinos entre os dias 6 e 8; e prova no domingo, 9, às14h

Badminton • Segundo esporte mais praticado do mundo, atrás apenas do futebol, o badminton guarda semelhanças com o tamborete, praticado na Grécia Antiga, em um jogo que consistia no rebater de petecas com tacos. Porém, foi apenas em 1870, na Índia, que oficiais do exército britânico sistematizaram as primeiras regras do badminton.

ao lado de Hugo Arthuso (o Brasil ainda teve bronze no individual feminino com Fabiana Silva), apontou para o avanço do nível técnico da modalidade no País. “Os juniores estão vindo com uma base muito melhor do que tive. Na minha época, era um esporte 100% amador, nenhum atleta se dedicava integralmente. Hoje, já existe badminton nas escolas, as pessoas sabem o que é o esporte, como que faz e como funciona. O badminton está crescendo no País”, afirmou o jogador, que foi medalhista de bronze no Pan de Guadalaraja 2011.

consta como modalidade olímpica desde Barcelona 1992, sendo dominado por esportistas asiáticos. • No Brasil, há registros de jogos de badminton desde os anos 1980, mas a confederação da modalidade foi fundada em 1993. Até hoje, nenhum brasileiro se classificou para as olimpíadas, mas três já conseguiram medalhas de bronze em jogos Pan-americanos: Rio 2007 (Guilherme Pardo e Guilherme Kumasaka, na dupla masculina); Guadalaraja 2011 (Daniel Paiola, no individual).

Sexta-feira (7) 19h30 – Liga Nacional de Basquete Paulistano x Macaé Basquete (Ginásio do Paulistano – rua Colômbia, 77, Jardim América) Sábado (8) 19h30 – Brasileirão de Futebol Palmeiras x Atlético Mineiro (Pacaembu) Domingo (9) 19h30 – Brasileirão de Futebol Corinthians x Santos (Arena Corinthians)


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Brasilândia

Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

Renata Moraes

Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula – 2013 C.N.P.J./M.F. n. 47.085.758/0001-33

Balanço Patrimonial

ATIVO Circulante Caixa e Equivalentes de Caixa Créditos Despesas do Exercício Seguinte Total do Circulante Imobilizado Imobilizado Líquido Intangível Líquido Total do Imobilizado TOTAL DO ATIVO PASSIVO Circulante Financiamentos Obrigações Trabalhistas/Tributárias Outras Total do Circulante Não Circulante Financiamentos Patrimônio Liquido TOTAL DO PASSIVO

Dom Angélico preside missa no Cemitério Dom Bosco, em Perus

Finados: celebração da vida e da esperança Na manhã do domingo, 2, data em que a Igreja celebra a memória dos fiéis falecidos, centenas de pessoas se reuniram no Cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, onde houve missa, presidida por Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), e concelebrada pelos padres Luciano Andreoli, pároco da Paróquia Santa Rosa de Lima, e Cilto José Rosembach e Márcio Clay Chen, respectivamente, pároco e vigário da Paróquia São José. Em sua saudação inicial, Dom Angélico lembrou aos leigos que o Dia de Finados é o dia de celebrar a vida. “Não celebramos a morte, mas sim a vida, a fé, a esperança e a salvação”. Como de costume e como forma de memória e homenagem, a missa foi celebrada em frente ao Memorial da Vala de Perus, inaugurado em agosto de 1993, sobre a vala comum do Cemitério, onde foram encontrados, nos anos 1990, 1.049 ossadas de desaparecidos políticos e indigentes, provavelmente assassinados no período da ditadura militar no Brasil. Na homilia, o Bispo consolou aqueles que perderam seus entes queridos, reafirmando a certeza da fé e da vitória da vida sobre a morte. “No Dia de Finados nós proclamamos a fé, a vida que triunfa sobre a morte. Celebramos o Cristo Ressuscitado, aquele que veio para nos dar vida em plenitude”, afirmou. Ao final da celebração, em frente ao Monumento da Vala Comum, Dom Angélico abençoou o local, como forma de homenagear todos que morreram e ali foram enterrados como indigentes. Ele explicou o gesto. “Temos que continuar lutando por dignidade, educação, saúde e vida justa para todos; temos que sempre nos mobilizar e denunciar. Sigamos sempre de esperança em esperança, na esperança sempre”.

AGENDA REGIONAL De sexta-feira a domingo (7 a 9) Encontro de Casais com Cristo - 1º Etapa, na Paróquia Nossa Senhora do Retiro, do Setor Pereira Barreto (rua Domingos Moreira, 424, no Jardim Cidade Pirituba). Informações pelo telefone 3974-7204. Encontro de Casais com Cristo- 1º Etapa, na Paróquia Santa Rosa de Lima, do Setor Perus (rua Oscar Cunha Correia, 141, em Perus). Informações pelo telefone 3917-0895.

2013 2012 234.316,51 79.500,00 2.240,47 316.056,98

185.663,45 91.632,44 3.577,96 280.873,85

637.445,99 400,00 637.845,99 953.902,97

664.492,15 400,00 664.892,15 945.766,00

11.050,00 9.073,93 1.713,16 21.837,09

7.092,70 1.634,07 8.726,77

8.287,51 923.778,37 953.902,97

937.039,23 945.766,00

As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras.

Demonstração do Superávit/(Déficit) do Exercício

RECEITAS OPERACIONAIS Doações - Pessoa Física Doações - Pessoa Jurídica Renúncia Fiscal Aluguel Outras Receitas Operacionais TOTAL RECEITAS OPERACIONAIS CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS CUSTOS OPERACIONAIS Custos com Ensino e Formação DESPESAS OPERACIONAIS Despesas Tributárias Renúncia Fiscal TOTAL DESPESAS OPERACIONAIS TOTAL CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS RESULTADO FINANCEIRO Receitas Financeiras Despesas Financeiras TOTAL RESULTADO FINANCEIRO SUPERÁVIT (DÉFICIT) DO EXERCÍCIO

2013 26.025,20 240.626,00 7.999,54 273.221,05 - 547.871,79

2012 50.966,15 215.437,00 37.225,79 258.514,64 14.122,18 576.265,76

(550.441,36) (461.461,27) (5.205,99) (4.104,87) (7.999,54) (37.225,79) (13.205,53) (41.330,66) (563.646,89) (502.791,93) 6.673,59 4.548,25 (4.186,07) (2.745,85) 2.487,52 1.802,40 (13.287,58) 75.276,23

As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Valores em Reais

Patrimônio Superávit/(Déficit) Total Social Exercício Saldo em 31/12/2011 826.619,73 35.126,87 861.746,60 Transferência 35.126,87 (35.126,87) Ajuste Credor Exerc. Anteriores 16,40 - 16,40 Superávit / ( Déficit) do Exercício 75.276,23 75.276,23 Saldo em 31/12/2012 861.763,00 75.276,23 937.039,23 Transferência 75.276,23 (75.276,23) Ajuste Credor Exerc. Anteriores 26,72 26,72 Superávit / ( Déficit) do Exercício (13.287,58) (13.287,58) Saldo em 31/12/2013 937.039,23 (13.260,86) 923.778,37

As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras.

Demonstração do Fluxo de Caixa – Método Indireto

EXERCÍCIO FINDO EM 2013 Superávit / (Déficit) Líquido (13.287,58) (+) Depreciação e Amortização 62.015,16 Ajustes Credores – Exercícios Anteriores 26,72 Lucro Líquido Ajustado (Aumento) Redução de Outros Créditos 12.132,44 (Aumento) Redução de Despesas Antecipadas 1.337,49 Aumento (Redução) de Obrigações Trabalhistas 1.980,02 Aumento (Redução) de Obrigações Tributárias 1,21 Aumento (Redução) Outras Obrigações 79,09 1. Disponibilidades líquidas geradas pelas aplicações nas atividades operacionais – subtotal 01 64.284,55 2. Das Atividades de Investimentos ( - ) Aquisições de Ativo Imobilizado (34.969,00) ( - ) Baixa de Ativo Imobilizado - 2. Disponibilidades líquidas geradas pelas aplicações nas atividades de investimento – subtotal 02 (34.969,00) Financiamentos 19.337,51 Aumento (Redução) das Disponibilidades (1+2+3) 48.653,06 Saldo Inicial do Exercício 185.663,45 Saldo Final do Exercício 234.316,51 Aumento (Redução) nas Disponibilidades 48.653,06

Valores em Reais

2012 75.276,23 53.889,02 16,40

(15.626,58) 328,96 2.155,74 1,70 (28.819,95) 87.221,52 (10.408,00) (31.590,00) (41.998,00) 45.223,52 140.439,93 185.663,45 45.223,52

As notas explicativas da administração são parte integrante das demonstrações financeiras.

NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

EM 31/12/2013 E 31/12/2012

1- CONTEXTO OPERACIONAL Com a denominação de “Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula”, também conhecida por Ordem dos Mínimos, fica constituída uma associação civil de direito privado, inteiramente beneficente, sem finalidades econômicas, de duração, com sede e foro em São Paulo, SP, na rua Dr. Luiz Fonseca Galvão, 171 – Parque Maria Helena, no Bairro de Capão Redondo, Santo Amaro, tem os seguintes objetivos sociais e, para tanto, se propõe a: - Promover o aperfeiçoamento humano e espiritual de seus membros; - Favorecer a educação, nos seus diversos graus, da juventude em especial das classes menos favorecidas e em situação de vulnerabilidade social; - Promover a integração na sociedade, das crianças e adolescentes em estão de necessidade, sem fazer distinção do credo religioso ou político, da cor, da raça ou nacionalidade do indivíduo; - Favorecer a juventude, podendo concedê-los bolsas de estudo, bem como auxílio e subvenções necessárias a tanto. - Promover com iniciativas de caráter religioso, cultural, assistencial e filantrópico, a coletividade local onde a Associação desempenhe suas atividades. 2 – APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As Demonstrações Financeiras foram elaboradas em observância às práticas contábeis adotadas no Brasil e atendendo a Resolução 1409 do Conselho Federal de Contabilidade – CFC que instituiu o ITG 2002 – Entidade sem finalidade de lucros, combinada com a NBC TG 1000 – Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas, que estabelecem critérios e procedimentos específicos de avaliação, de registros dos componentes e variações patrimoniais e de estruturação das demonstrações contábeis, e as informações mínimas a serem divulgadas em notas explicativas.

c) Apuração das receitas e despesas As receitas e despesas são registradas considerando o regime de competência do exercício; entretanto as receitas de doações são reconhecidas quando do efetivo recebimento. d) Estimativas contábeis Na elaboração das demonstrações financeiras, é necessário utilizar estimativas para contabilizar certos ativos, passivos, e outras transações. As demonstrações incluem, portanto, estimativas referentes a provisões, créditos a receber e outras similares. Os resultados reais podem apresentar variações em relação às estimativas. e) Instrumentos financeiros Instrumentos não-derivativos incluem caixa e equivalente de caixa, contas a receber e outros recebíveis, contas a pagar e outras obrigações. f) Ativos não circulantes Composto somente de imobilizado. g) Passivos circulantes e não circulantes São demonstrados pelos valores conhecidos ou calculáveis acrescidos, quando aplicável, dos correspondentes encargos, variações monetárias e/ou cambiais incorridas até a data do balanço patrimonial. Quando aplicável os passivos circulantes e não circulantes são registrados em valor presente, com base em taxas de juros que refletem o prazo, a moeda e o risco de cada transação. h) Provisões As provisões são reconhecidas, quando a ORDEM OS MÍNIMOS possui uma obrigação legal ou constituída como resultado de um evento passado, e é provável que um recurso econômico seja requerido para saldar a obrigação. As provisões são registradas tendo como base as melhores estimativas do risco envolvido. CAIXA E EQUIVALENTE DE CAIXA Caixa e Equivalentes de Caixa Caixa Geral Bancos Conta Movimento Aplicações Financeiras Total Caixa Equiv. de Caixa

2013 5.189,03 44.927,12 184.200,36 234.316,51

2012 3.525,29 40.361,15 141.777,01 185.663,45

IMOBILIZADO O Imobilizado é demonstrado ao custo de aquisição, a depreciação calculada pelo método linear com base em taxas que levam em consideração a estimativa útil dos bens. Ativo Imobilizado 2013 2012 Depreciação % Tangível Máquinas e Equiptos.Escritório 23.724,73 23.724,73 10% ao ano Móveis e Utensílios 61.807,03 55.938,03 10% ao ano Equipamentos de Computação 25.733,34 25.733,34 20% ao ano Imóveis e Terrenos 710.220,06 710.220,06 4% ao ano Veículos 236.563,88 207.463,88 20% ao ano Outros 10.327,31 10.327,31 10% ao ano ( - ) Depreciação Acumulada -430.930,36 -368.915,20 Total Tangível 637.445,99 664.492,15 Intangível Software 549,00 549,00 20% ao ano Uso de Linha Telefonica 400,00 400,00 sem deprec. ( - ) Amortização Acumulada -549,00 -549,00 Total Intangível 400,00 400,00 Total Imobilizado 637.845,99 664.892,15 OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS São compostas de: Obrigações Trabalhistas Salários a Pagar INSS a Recolher FGTS a Recolher Pis sobre folha de Pagamento Contribuição Sindical/Assist. Total Obrigações Trabalhistas

2013 1.614,64 1.384,73 442,92 75,12 46,94 3.564,35

2012 ,00 1.527,23 402,57 34,02 26,72 1.990,54

RECEITAS E DESPESAS As receitas e despesas da Entidade são apuradas e contabilizadas através dos comprovantes de recebimento, entre eles, avisos e depósitos bancários, e através de notas fiscais e recibos, em conformidade com as exigências legais; não possuindo a ORDEM DOS MÍNIMOS restrições na aplicabilidade dos recursos. Receitas Doações - Pessoa Física Doações - Pessoa Jurídica Receita com aluguel Total das Receitas

2013 26.025,20 209.626,00 237.221,05 508.872,25

1012 50.966,15 215.437,00 258.514,64 524.917,79

A Entidade não recebe auxílios ou subvenções do Poder Público. Toda atividade desenvolvida pela ORDEM DOS MÍNIMOS é totalmente gratuita , devidamente registrada no centro de custos com ensino e formação, totalizando: Custos Ensino e Formação

2013 550.441,36

2012 461.461,27

REMUNERAÇÃO A Entidade não remunera, nem concede vantagens em benefícios por qualquer forma ou título a seus diretores, conselheiros, instituidores, benfeitores ou equivalentes. VOLUNTÁRIOS No presente exercício não dimensionou os valores tomados de voluntários, entretanto entende sua Administração que o valor não é representativo. PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS Não foi provisionado valores estimativos, pois entende a Administração da Entidade não haver possíveis riscos de perdas de qualquer tipo. COBERTURA DE SEGURO A Entidade possui seguros para cobrir eventuais prejuízos contra incêndio, roubo ou danos a bens. RENUNCIA FISCAL Os valores apurados de renúncia fiscal são: Renúncia Fiscal IRPJ s/Superávit do Exercício CSLL s/Superávit do Exercício Confins s/Receitas Pis s/Faturamento Total Renúncia Fiscal

2013 ,00 ,00 7.999,54 ,00 7.999,54

2012 11.291,43 6.774,97 3.411,97 15.747,53 37.225,79

Em 2012 procedeu-se a estimativa da renúncia do Pis e, em 2013 não foi realizada a estimativa, pois entende-se que a legislação de entidades sem finalidade de lucros é bastante clara quanto a tributação com base na folha de pagamento à alíquota de 1% portanto, já devidamente registrado e pago mensalmente.

a) Demonstração de Valor Abrangente – DRA A DRA não foi apresentada separadamente ou dentro das mutações do patrimônio líquido, pois não há transações e eventos registrados sobre esse conceito, ou seja, o resultado o exercício é igual ao resultado abrangente.

O IRPJ e a CSLL no ano calendário de 2012 e 2013, são calculados pelo regime tributário como se fosse lucro real, aplicando-se a alíquota de 15% e 9% respectivamente; sendo que em 2013 não há valores correspondentes, pois a ORDEM DOS MÍNIMOS apurou déficit no exercício.

3 – RESUMO DAS PRINCIPAIS DIRETRIZES CONTÁBEIS a) Moeda funcional e de apresentação As Demonstrações contábeis estão apresentadas em reais, que é a moeda funcional.

SUPERÁVIT/(DÉFICIT) DO EXERCÍCIO O déficit do exercício de R$ 13,827,58 e será incorporado à conta Patrimônio Líquido (PL) após a aprovação da Assembleia Geral dos Associados.

b) Caixa e Equivalentes de caixa As disponibilidades são avaliadas pelo custo, acrescidas dos rendimentos auferidos até a data do balanço, quando aplicável. Compreendem depósitos bancários e de aplicações financeiras de liquidez imediata, com baixo risco e cujas taxas são factíveis às de mercado, estando ao seu valor justo e de realização.

São Paulo, 31 de Dezembro de 2013. Constantino Mandarino CPF: 329.008.487-68 Presidente

Sílvia Regina Schwarz CRC CT 1SP 172.399/O-0 Contadora


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João Carlos Gomes

Colaborador de Comunicação da Região

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Belém

Um dia de esperança e para olhar a vida com realismo João Carlos Gomes

AGENDA REGIONAL Quarta-feira (5), 20h Crisma na Paróquia Nossa Senhora Aparecida (rua Amaraes, 470, na Vila Formosa). Sábado (8), 19h Crisma na Paróquia São José Vila Zelina (praça Republica Lituana, 74, na Vila Zelina).

Cardeal preside missa de finados no Cemitério da Quarta Parada; celebrações também acontecem nos cemitérios da Vila Formosa e Vila Alpina

Como acontece em todo Dia de Finados, as paróquias próximas aos três cemitérios localizados na área de abrangência da Região Episcopal Belém (São Pedro, no Setor Vila Alpina; Quarta Parada, no Setor Belém; e Vila Formosa, no Setor Carrão/Formosa) organizaram missas durante o dia 2 para celebrar a data. No cemitério da Quarta Parada, o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro

Scherer, presidiu a celebração às 11h, no altar montado ao lado das salas de velório. “Oferecemos esta missa a todos os falecidos neste cemitério, mas, de modo particular, queremos nos unir com solidariedade a quem está velando seus parentes e amigos neste dia”, disse Dom Odilo. Não obstante à tristeza do dia, Dom Odilo refletiu sobre a necessidade de se olhar para a própria vida com esperança.

“Este é um dia em que as pessoas visitam os túmulos, vêm chorar, num momento de dor e de tristeza que se renova; mas é, antes de tudo, um dia de esperança e de olhar para nossa vida com realismo, verificando se a orientamos segundo os desejos de Deus, conforme ele determinou nesta vida. Para que, chegada a hora de nossa morte, sejamos acolhidos na sua glória, na vida eterna”, disse.

Colaboradores de comunicação da Região

São Judas Tadeu nos braços e corações de 250 mil pessoas anos de evangelização pela música, participou da animação da missa. O Cardeal Scherer, na homilia, falou sobre o Sínodo dos Bispos e a missão da família nos dias atuais: “É missão de todas as famílias católicas mostrar ao mundo, que é belo viver como família, estando ela dentro dos planos de Deus”. Ele também fez um apelo às famílias: “Casais, rezem juntos! Somente pela oração, a harmonia e a paz entram nas casas!”

Terça-feira (12) 8h - Reunião do Clero da Região Belém, no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, no Belém). 20h – Formação do Setor São Mateus, na Paróquia São Mateus Apóstolo (rua Antonio Previato, 1.343, em São Mateus).

Ipiranga

Francisco David e Renata Quito

Em 28 de outubro, cerca de 250 mil fiéis passaram pela Paróquia-santuário São Judas Tadeu, na tradicional festa do padroeiro. Segundo o pároco, Padre Sérgio Heinkemeier, “pessoas de todo o Estado de São Paulo participam da festa. Alguns vêm a pé para pagar promessa, outros vêm em excursões e há aqueles que moram na metrópole e vêm durante o horário do almoço”, detalhou. O bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal da Região Ipiranga, Dom José Roberto Fortes Palau, presidiu a missa às 16h na chamada “Igreja Nova”. Na homilia, o Bispo destacou a humildade: “A pessoa humilde, reconhece suas falhas e suas qualidades, no entanto, recolhe suas falhas para corrigi-las e coloca suas qualidades a serviço do outro. O humilde procura colocar em prática tudo o que Deus lhe deu em amor ao próximo”. O arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, presidiu a missa de encerramento, que aconteceu no palco montado na Avenida Jabaquara em frente à Paróquia, com uma multidão de 25 mil pessoas. Dom José Roberto, o Padre Sérgio Heinkemeier e outros sacerdotes da Paróquia-santuário foram os concelebrantes. Padre Zezinho, que neste ano completa 50

Domingo (9) 10h – Crisma na Paróquia São Pedro Apóstolo (rua Ibitinga, 838, na Vila Oratório). 16h – Crisma Colégio Agostiniano São José, que será na Paróquia São Carlos Borromeu (rua Conselheiro Cotegipe, 933, no Belenzinho).

Priscila Galli

Fiéis participam das atividades de encerramento da festa de São Judas Tadeu, dia 28

Renata Quito

Francisco David

Aconteceu de 28 a 30 de outubro, a Semana de Liturgia na Região Episcopal Ipiranga, com a presença de 80 pessoas. Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, deixou uma mensagem e concedeu a benção aos participantes. A Semana de Liturgia foi assessorada pelo professor Márcio Antônio de Almeida, Doutor em música, especialista em liturgia e membro da equipe de reflexão da CNBB.

Dom José Roberto visitou na quinta-feira, 30, o Seminário Propedêutido Dehoniano, onde celebrou a missa com os seminaristas e a comunidade, acompanhado pelo reitor, Padre Victor de Oliveira Barbosa, SCJ. Na homilia, o Bispo destacou a luta contra o mal: “Precisamos resistir às tentações do diabo e anunciar a verdade com coragem!”.


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

‘Deus me tem assistido e dado forças’, afirma Padre Maurício de Souza Diácono Francisco Gonçalves

Padre Maurício precede Dom Sergio na entrada da missa em que comemora 25 anos de sacerdócio

A Paróquia Santa Zita e Nossa Senhora do Caminho realizou, no dia 1º, a solene celebração eucarística pelos 25 anos de sacerdócio de seu pároco, Padre Maurício Vieira de Souza, com presença de Dom Sergio de Deus Borges, bispo

auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, vários sacerdotes e fiéis. Padre Mauricio nasceu em Alto Piqueri (PR), em 10 de julho de 1963. Sua mãe, Carmen Faria de Souza, já o via, criancinha, tentando imitar o

padre que mensalmente passava pelo lugarejo. Ainda na infância, sua família mudou-se para Jundiaí (SP) e o futuro sacerdote foi participar de uma paróquia sob os cuidados dos padres da Congregação dos Religiosos de São Vicente Diácono Francisco Gonçalves

Padre Andrés Gustavo Marengo, diretor regional da Cáritas, com os coordenadores de pastorais sociais

AGENDA REGIONAL

de Paulo, RSV, que lhe apresentaram a espiritualidade do Beato Frederico Ozanan. Aos 16 anos, conheceu o movimento do Caminho Neocatecumenal, que é um itinerário de formação cristã, iniciado na Espanha, em 1964. Ao ingressar no Seminário Diocesano de Jundiaí, encontrou-se com o falecido bispo de Guarulhos (SP), Dom Joaquim Justino Carreira, à época reitor do Seminário. Lá fez seus estudos até a Filosofia e depois foi enviado para concluir a Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Ordenado diácono, em 1989, foi feito presbítero em 29 de outubro do mesmo ano, pelas mãos de Dom Roberto de Almeida, então bispo de Jundiaí. Exerceu seu ministério sacerdotal, durante 12 anos, na cidade de sua ordenação, até

Família, missão e ação social são prioridades do Núcleo Santana da Cáritas A Cáritas Núcleo Santana promoveu, no dia 1º, na Cúria de Santana, reunião com representantes das pastorais sociais regionais. Sob a coordenação do Padre Andrés Gustavo Marengo, diretor regional da Cáritas, os coordenadores pensaram ações conjuntas com o objetivo de dar continuidade às decisões tomadas na última as-

Diácono Francisco Gonçalves

Quinta (6), 8h30 Encontro das secretárias (os) paroquiais, na Cúria de Santana (avenida Mal. Eurico Gaspar Dutra, 1.877). Sábado (8), 8h30 às 11h30 Encontro de Formação da Cáritas nos Setores Casa Verde e Imirim, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (avenida Imirim, 1.410). Domingo (9) 10h – Sacramento da Confirmação com Dom Sergio de Deus Borges, na Paróquia Nossa Senhora da Consolata (rua Leão XIII, 303). 18h30 - Sacramento da Confirmação com Dom Sergio Borges, na Paróquia Nossa Senhora da Anunciação (rua Maria Cândida, 507).

se tornar capelão da Aeronáutica, em 2005. Aposentando-se como capitão, em 2011, foi acolhido na Arquidiocese de São Paulo por Dom Joaquim, à época bispo auxiliar na Região Santana, e desde janeiro de 2012 é pároco da Paróquia Santa Zita, onde desenvolveu o carisma do Caminho Neocatecumenal. Ao completar 25 anos como sacerdote, Padre Mauricio lembrou-se da frase da leitura da missa de sua ordenação - “O Senhor me assistiu e me revestiu de forças” (2 Timóteo 4,17) - para resumir a própria vida: “Hoje, se estou aqui é porque Deus me tem assistido e dado forças. Quero agradecer à Arquidiocese pela confiança depositada e a Dom Sergio, que estando próximo sempre, me anima a dizer o sim ao Senhor”.

No domingo, 2, Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, presidiu missa na capela do Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha. Na homilia, o Bispo lembrou que todos estavam reunidos para homenagear seus entes queridos porque acreditam que eles estão vivos com Deus.

sembleia regional, que refletiu ações pastorais desenvolvidas e planejou, com base no 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese, metas para atuação pastoral em 2015. Naquele evento, presidido por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, foram estabelecidas as seguintes prioridades pastorais: família, missão permanente e missão social. No encontro do dia 1º foram estabelecidas algumas ações para 2015: promover a Semana Social; realizar missa mensal para imigrantes de língua espanhola; criar a Escola de Doutrina Social e as cartilhas de orientações sociais. A Cáritas Regional realizou, no primeiro semestre, encontros de formação nos setores Vila Maria e Medeiros. Os setores Casa Verde e Imirim tiveram esse encontro dia 25 de outubro, no dia 8, das 8h30 às 11h30, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima do Imirim (avenida Imirim, 1.410) serão aprofundadas as quatro dimensões da ação social. Outras informações podem ser obtidas no e-mail caritas.resa@bol. com.br.


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Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação na Região

Cardeal Scherer: relatório da Assembleia Extraordinária do Sínodo não é o documento final A reunião do clero atuante na Região Episcopal Sé, realizada na quarta-feira, 29, contou com a presença do arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, que falou sobre os assuntos refletidos na 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, da qual ele participou entre os dias 5 de 19 de outubro. Ao falar sobre “os desafios da família no contexto da evangelização”, Dom Odilo explicou que o Sínodo é um organismo de colegialidade, permanente, não da Cúria Romana, mas da Igreja. “É representativo do episcopado para estar com o Papa na condução da vida da Igreja”, disse, acrescentando que o relatório final da Assembleia não se trata de um documento final, mas de um texto que sintetiza as reflexões dos padres sinodais. O Cardeal também ressaltou que ao todo foram mais de 400 intervenções feitas pelos padres sinodais e demais participantes, o que proporcionou o contato com um panorama da Igreja como um todo e suas muitas realidades. “Conhecemos a realidade eclesial desde as Igrejas mais antigas, às mais jovens, as que vivem situações de decadência, sob a pressão das grandes religiões, onde os cristãos são minoria”. Essa experiência, de acordo com o Arcebispo, permitiu que os padres sinodais constatassem que “a família está em crise em toda parte” e seus fatores se fazem sentir em todos os lugares. “A família tradicional está em crise. Há casamentos que não duram e se desfazem rápido, que se manifestam no fechamento à transmissão da vida. Novas propostas com novos modelos de família que estão tentando ser impostos, como a ideologia de gênero, por exemplo, estão querendo reformatar a família e o casamento”, pontuou.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Dom Odilo Pedro Scherer trata de questões do Sínodo da Família com padres atuantes na Região Episcopal Sé

Valorizar o casamento enquanto rito e formalização Outro fator de crise apontado na 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, segundo Dom Odilo, é o fato da pouca valorização do casamento enquanto rito e formalização, uma “tendência de viver sem estar junto continuamente, sem vínculo, tendência a um individualismo exacerbado que não quer partilhar mais a vida com ninguém”, afirmou o Cardeal, salientando que isso é fruto da “virada cultural marcada pelo desgaste dos valores tradicionalmente convidados e aceitos”. Outra análise do Sínodo refere-se à pressão do fator econômico, que se tornou preponderante na vida comum. O Cardeal destacou que o próprio casamento entrou em um

giro econômico do mercado assim como o desejo do casal de ter filhos sofre uma profunda influência do fator econômico. Os padres sinodais também refletiram sobre uma crise religiosa. “Crise de fé, de modo que dentro da própria Igreja os casais católicos não valorizam a proposta do casamento e da família cristã, e são absorvidos pelo conjunto de ideias circunstantes”, disse Dom Odilo. Finalizando, o Cardeal esclareceu que, ao convocar o Sínodo, o Papa quer que haja uma profunda reflexão sobre esses desafios para que a Igreja possa enfrentá-los à luz do Evangelho da família. Em seguida, houve um momento para tirar

Celebrações de finados no centro de SP Anderson Nunes

Padre José Roberto atende fiel ao lado de jazigo no Cemitério da Consolação, no Dia de Finados

O dia da comemoração dos fiéis defuntos, no domingo, 2, foi marcado por celebrações em vários cemitérios da região central de São Paulo. No Cemitério da Consolação, um dos maiores da capital, foram celebradas cinco missas, além de confissões, atendimentos e bênçãos. Já na Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Sufrágio das Almas, mais conhecida como

Santuário das Almas, milhares de fiéis participaram das missas celebradas de hora em hora. Popular pela tradição das lajotas que decoram o templo com os nomes de fiéis falecidos, o Santuário é referência para as pessoas cujos entes queridos estão sepultados em outros estados e por isso, não podem visitar o cemitério no Dia de Finados.

dúvidas do clero sobre esses temas. Para o Padre Aparecido Silva, vigário episcopal para a Região Sé, o encontro foi muito positivo. “Essa reunião mensal do clero é importante, em primeiro lugar, pelo espírito de comunhão presbiteral e, ao mesmo tempo, nós queremos viver o que a Igreja ensina e sermos sinal da misericórdia de Deus que acolha e oriente os fiéis”. “Muitos dos desafios refletidos no Sínodo já começam a acontecer em nossas paróquias. Percebemos que foi um trabalho muito intenso e muito denso. Penso que teremos resultados muito positivos desse processo”, completou o Padre José Augusto Schramm Brasil, pároco da Paróquia São Geraldo, em Perdizes.

Vigília Pré-DNJ O Setor Juventude da Região Episcopal Sé, em comunhão com a Arquidiocese de São Paulo, realizou no sábado, 1º, uma vigília em preparação para o Dia Nacional da Juventude. O evento aconteceu no Colégio Notre Dame, Sumaré, e reuniu jovens de diversas paróquias, pastorais, movimentos, novas comunidades e associações que atuam na evangelização da juventude. Com o tema “Feitos para sermos livres, não escravos” e a iluminação bíblica “Eis o que diz o Senhor: Praticai o direito e a justiça, e livrai o oprimido das mãos do opressor” (Jr 22,3a), a celebração quer dar continuidade ao trabalho da Campanha da Fraternidade deste ano. A celebração arquidiocesana do DNJ será no dia 16, no Instituto Dom Bosco (praça Coronel Fernando Prestes, 231, próximo à estação Tiradentes do metrô e ao lado da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora).


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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

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Lapa

‘Pela nossa união com Cristo, aqueles que já faleceram não estão separados de nós’ No domingo, 2, cerca de 100 pessoas participaram da missa de finados na capela do Cemitério Municipal da Lapa, presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, e concelebrada pelo Padre Aramis Francisco Biaggi, salesiano. Dom Julio, no início da celebração, pediu um minuto de silêncio à comunidade para que rezassem aos fiéis defuntos, parentes, amigos, benfeitores e pelos falecidos que ninguém recorda. O Bispo, na homilia, lembrou que aquele era um dia de muita saudade, em que “nos lembramos daqueles que viveram conosco, que nos acompanharam em nossa vida, foram grandes benfeitores nossos, que já faleceram, dos quais temos muita saudade, e isso não é uma

coisa ruim, sentir saudade de quem a gente ama, de quem nos amou”. O Bispo apontou que a liturgia daquele dia chamava a atenção para o aspecto de que todos estão unidos a Cristo, “ele é a nossa vida, a nossa ressureição; por causa da nossa união com Cristo, aqueles que já faleceram não estão separados de nós, é verdade que nós sentimos falta, não podemos tocar, não podemos ver, é verdade, mas pela nossa fé, a celebração de hoje nos chama atenção para essa realidade misteriosa da vida Cristã”. Antes da benção final, Padre Aramis agradeceu a Dom Julio pela presença e também pela participação dos fiéis e do administrador do Cemitério, senhor João Amorim.

Benigno Naveira

Dom Julio Endi Akamine preside celebração no Dia de Finados, no Cemitério Municipal da Lapa

Um cemitério criado em meio a goiabeiras por conta da gripe espanhola A reportagem da Pastoral da Comunicação regional visitou na quarta-feira, 29, o Cemitério Municipal da Lapa, sendo recebida pelo administrador, João Amorim, que contou um pouco da história do cemitério desde seu surgimento. O Cemitério da Lapa, popularmente conhecido como “Cemitério da Goiabeira”, teve seu inicio em 1918, após a epidemia de gripe espanhola. A Prefeitura o construiu às presas num terreno que tinha muita plantação de goiaba. Foram abertas muitas valas comunitárias por causa do alto número de pessoas que vieram a falecer em curto período devido à doença. O responsável pela construção do Cemitério foi Antonio Pereira Marques, de nacionalidade portuguesa, “lapeano” por opção, fundador do seminário “O Progresso”, em 1 de setembro de 1918. Através deste, abraçou a campanha para a constituição do Cemitério, do qual foi nomeado o primeiro administrador. João Amorim explicou de que

Benigno Naveira

Adão Leite da Rosa, funcionário mais antigo do Cemitério Municipal da Lapa, ao lado do administrador, João Amorim

maneira são feitos os sepultamentos: na parte de concessão, a pessoa compra um túmulo ou pode ser também feito na quadra geral, que é uma quadra cedida não gratuitamente, para quem não tem terreno, sendo um túmulo comunitário, onde são sepultados oito corpos de famílias diferentes que ficam por três anos, período após o qual é feita a exumação do corpo, que posteriormente é levado a um ossário geral, e, devidamente

Bispo confere sacramento da Crisma em duas paróquias No sábado, 1º, na Paróquia Santo Antônio de Pádua, no Setor Rio Pequeno, aconteceu a celebração da missa da Crisma de 30 jovens, presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, e concelebrada pelo pároco, Pa-

dre Antônio Soares. Outra celebração de Crisma aconteceu na noite daquele sábado, na Paróquia Nossa Senhora dos Pobres, no Setor Butantã, quando o Bispo conferiu o sacramento a 13 crismandos, em missa concelebrada pelo pároco, Padre Zygmunt Frackowiac.

identificados os ossos ficam à disposição da família. Na área administrativa trabalham cinco pessoas e na operacional duas equipes de cinco sepultadores e cinco responsáveis pelos velórios. Segundo João Amorim, em 2 de novembro e nos dois dias que o antecedem, cerca de 5 mil pessoas visitam o Cemitério. A reportagem conversou com o funcionário mais antigo, Adão Leite da Rosa, que começou a trabalhar em 1971. Com 43 anos

de serviço, ele disse gostar do trabalho, mas revelou que fica muito emocionado quando o sepultamento é de uma criança. Ele recordou que já sepultou o cantor sertanejo José Dias Nunes, mais conhecido com Tião Carrero, quando teve roda de viola e muita música; e que também fez o sepultamento de Vicente Leporace, consagrado jornalista da Rádio Bandeirantes, apresentador do extinto programa “O Trabuco”.

ERRAMOS Na edição 3025, página 23, a foto que ilustrou a reportagem “Dom Julio detalha relatório final do Sínodo dos Bispos ” referia-se, na

verdade, à celebração da Crisma presidida pelo Bispo na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, reportada na mesma página.


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Dom Milton é nomeado bispo para a Diocese de Barretos Anúncio da transferência foi feito na quarta-feira, 5; posse será em 21 de dezembro Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Papa Francisco nomeou na quarta-feira, 5, Dom Milton Kenan Júnior para bispo da Diocese de Barretos (SP). Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo desde 2009, o Bispo tomará posse no domingo, 21 de dezembro, às 15h, em local ainda não informado. A Diocese de Barretos foi desmembrada da Diocese de Jaboticabal, em 1973, pelo Beato Paulo VI, e, coincidentemente, o primeiro bispo diocesano, Dom José de Matos Pereira, CMF, era primo do pai de Dom Milton. Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Bispo destacou que recebe a nomeação “cheio de gratidão ao Papa Francisco, que ao confiar-me esta missão, demonstra uma grande confiança no meu trabalho”, e prosseguiu: “peço a Deus a graça de corresponder à confiança do Santo Padre e da Igreja! Ao mesmo tempo, tenho alegria e esperança de poder

contar com uma Igreja relativamente jovem, que se destaca pela ação missionária, onde fé e vida se conjugam no serviço à vida e à esperança”. À Arquidiocese de São Paulo, Dom Milton afirmou que deixa seu “muito obrigado pela acolhida e pelo apoio aqui recebido”. Para ele, “conviver com os bispos, presbíteros, religiosas, religiosos e agentes de pastoral em São Paulo foi um grande aprendizado. Neste momento, a gente se dá conta de que recebeu muito mais do que pôde oferecer”. Sobre a realidade da Diocese de Barretos, o Bispo contou que teve contato com os bispos e padres de lá quando foi coordenador diocesano de pastoral em Jaboticabal (SP), além de ter pregado um retiro na Diocese em 2013. “É uma Igreja relativamente jovem, por onde passaram já cinco bispos. É bastante dinâmica, instalada numa região do País onde predomina a agropecuária. A cidade de Barretos se destaca por ser um centro de referência internacional no tratamento do câncer. Confiando na graça de Deus, coloco-me mais uma vez em suas mãos”, afirmou. O Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, enviou uma mensagem a Dom Milton, parabenizando-o pela nomeação e manifestando seu agradecimento pelo serviço e dedicação à Igreja de São Paulo. “A experiência das responsabilidades pastorais aqui desempenhadas lhe será de grande valia, agora, no serviço à comunidade diocesana de Barretos”, afirmou Dom Odilo (a íntegra da mensagem pode ser lida no site da Arquidiocese: www.arquidiocesedesaopaulo.org.br).

Biografia e ação pastoral Na Arquidiocese de São Paulo, Dom Milton é vigário na Região Episcopal Brasilândia, além de ser referencial para o Secretariado de Pastoral; do Mundo da Cultura e da Política – Arquivo Metropolitano; Pastoral Fé e Política; Comissão de Bioética – e do Serviço da Caridade, Justiça e Paz – Cáritas Arquidiocesana; Pastorais Sociais (Pastoral da Criança, Pastoral Indigenista, Pastoral do Menor, Pastoral dos Migrantes, Pastoral da Moradia, Pastoral da Mulher Marginalizada, Pastoral da Saúde, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Sobriedade, Pastoral Carcerária, Pastoral da Ecologia, Pastoral Afro, Pastoral dos Nômades, Pastoral dos Portadores de Deficiência); Comissão Justiça e Paz; Centro Santo Dias. Paulista de Taiúva, Dom Milton nasceu em 24 de novembro de 1963. Fez os primeiros estudos em sua terra natal. Obteve o bacharelado em Filosofia no Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (CEARP), em 1982; e o bacharelado em Teologia na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, em 1986. Obteve o Mestrado em Teologia da Espiritualidade na Pontifícia Faculdade de Espiritualidade “Teresianum”, em Roma, em 1997. Foi ordenado sacerdote na Diocese de Jaboticabal em 5 de setembro de 1987. Em 28 de outubro de 2009, foi nomeado pelo Papa Bento XVI bispo auxiliar de São Paulo e titular de Acque di Bizacena, recebendo a ordenação episcopal em 27 de dezembro de 2009. Seu lema episcopal é In Manus Tuas (Em tuas mãos).

20 mil participam do ‘Canção Nova Abraça São Paulo’ Canção Nova - SP

Fábio Augusto da Silva

Especial para O SÃO PAULO

“A Igreja não faz culto aos mortos”. Essa foi a ideia central da homilia do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, na missa de encerramento do “III Kairós Canção Nova Abraça São Paulo”, realizado no domingo, 2, Dia de Finados, no Estádio da Portuguesa, mais conhecido como Canindé. Cerca de 20 mil pessoas participaram do evento, que teve como tema o versículo “Aquele que está sentado no trono disse: Eis que faço nova todas as coisas”. Foi a terceira edição do evento, que é um projeto da Comunidade Canção Nova de São Paulo. Padre Adriano Zandoná, responsável pela missão paulistana, explicou que a iniciativa nasceu para “levar o abraço de Deus a todos da capital paulista”. Ele afirmou, ainda, que o desejo é “promover a evangelização através dos meios de comunicação e dos encontros de massa”. “Nesse Kairós, foi semeado o Evangelho e a ressu-

Evento no estádio da Portuguesa, no domingo, 2, Dia de Finados, tem a participação do Cardeal Scherer

reição de Cristo. Com Ele, tudo pode ser transformado”, comentou. Já para o missionário Dunga, o evento quer fazer com que os paulistanos voltem a frequentar estádios. “Nos anos 1980, era comum vir a São Paulo para os cenáculos”, explicou. O “Abraça São Paulo”, em sua

opinião, “é um recomeço para a cidade e para a Renovação Carismática Católica”. Os portões do estádio se abriram às 7h, e os fiéis foram chegando de vários lugares para acompanhar o dia de louvor, que contou, também, com a presença do Padre Paulinho (Comunidade Canção Nova), do

Padre Robson de Oliveira (Santuário do Divino Pai Eterno – GO), do pregador Ironi Spuldaro (da RCC nacional) e do cantor Tony Allysson. Na missa de encerramento do evento, Dom Odilo iniciou a homilia com uma pergunta retórica, sobre quem tinha conhecidos já falecidos. O próprio Cardeal respondeu que provavelmente todos. Ele lembrou que a morte “nos impressiona e nos comove”, mas não deve amedrontar, sobretudo aqueles que têm fé. Comentando a primeira leitura, Dom Odilo lembrou que Jó foi provado de várias maneiras, mas nunca deixou de confiar em Deus. O Arcebispo concluiu seu raciocínio com uma frase do Evangelho de João, que diz: “Essa deve ser a nossa certeza, Jesus é capaz de fazer surgir novamente vida onde somente há o pó da morte”. O Cardeal destacou, ainda, que a Igreja ensina que os cristãos devem rezar pelos falecidos da mesma maneira que rezam pelos vivos. “Devemos ter uma morte feliz, uma morte em Deus, nos braços dele”, encerrou.

O SÃO PAULO - edição 3026  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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