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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3020 | 24 a 30 de setembro de 2014

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Reflexões sobre os debates Novas tecnologias estimulam e o perfil do presidente Apps de leitura da Bíblia Cláudio Daólio, Mestre em Direito Processual Civil, analisa debate promovido pela CNBB e opina: presidente deve conduzir reformas no Estado. Página 2

A popularização dos smartphones e da Web 2.0 facilitaram o acesso à leitura e divulgação da Sagrada Escritura, principalmente entre os mais jovens. Páginas 12 e 13

A caminho da assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos Luciney Martins/O SÃO PAULO

Membro ordinário do Conselho do Sínodo dos Bispos, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, participará da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo, entre 5 e 19 de outubro, no Vaticano, que tratará do tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. No fim de semana em que completou 65 anos de vida - no domingo, 21 - o Cardeal assessorou uma manhã de estudos sobre o Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho) do Sínodo, no sábado, 20, em que destacou que o evento no Vaticano “não vai fazer uma simples avaliação sociológica sobre o tema em pauta”. Outros brasileiros que participarão do Sínodo são os cardeais Orani João Tempesta e Raymundo Damasceno Assis, além do casal Hermelinda e Arturo Zamperlini, este entre os auditores. Página 24

Revelando São Paulo reúne mais de 1 milhão Página 14

Dom Pedro Casaldáliga recebe título da PUC Página 8

Com a Palavra – Eleições 2014: Geraldo Alckmin, candidato à reeleição

25 pessoas se suicidam no Brasil por dia; enfrentar o tabu é a melhor prevenção

Brasilândia e Santana realizam assembleia para planejar ações pastorais

Na conclusão da série de entrevistas com os candidatos ao Executivo Paulista, O SÃO PAULO conversa com Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. Atual governador responde perguntas sobre permanência no poder, segurança hídrica, transportes e violência policial, e apresenta suas opiniões sobre aborto e aumento do prazo de internação de menores que cometeram crimes hediondos.

“Se começarmos a falar em nossos círculos profissionais e pessoais, podemos deixar de perder 25 brasileiros ao dia”, afirma o Centro de Valorização da Vida. Mas, ainda que a sociedade e a Teologia católica tenham dado passos enormes nesse sentido, a questão permanece envolta em uma atmosfera de silêncio e pré-julgamentos. A média brasileira é de seis a sete mortes por 100 mil habitantes.

As reuniões aconteceram no sábado, 20, nas Regiões Episcopais Santana e Brasilândia e foram um momento de reflexão sobre as ações pastorais desenvolvidas e uma oportunidade para, com base no 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese,desenvolver as metas para a atuação em 2015. Participaram deste momento os vigários episcopais, padres, diáconos e coordenadores de pastoral.

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2 | Ponto de Vista |

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editorial

Em campanha eleitoral, prometer é fácil À medida em que as eleições se aproximam, os números apresentados pelas pesquisas eleitorais vão redefinindo, em linhas gerais, as estratégias comunicativas de cada candidato. Isso é normal e esperado. Esperado também que candidatos com números expressivos de votos passem a sinalizar quem irão apoiar em um eventual segundo turno, caso fiquem de fora da disputa. Esperado, ainda, que candidatos que, segundo as pesquisas demonstram, lideram as disputas procurem estrategicamente minimizar riscos de queda de intenções de votos se expondo em novos debates. Assim, a TV Cultura

resolveu cancelar o debate entre os presidenciáveis programado para 22 de setembro, em parceria com o jornal O Estado de S.Paulo e YouTube, porque as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) informaram que não participariam. No debate realizado na terça-feira, 16, promovido pela TV Aparecida em parceria com a CNBB, Dilma (PT), Marina (PSB), Aécio (PSDB), além de Eduardo Jorge (PV), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Luciana Genro (PSOL) e Pastor Everaldo (PSC) marcaram presença. No verdadeiro “vale tudo” por

voto, é comum acontecer que candidatos realizem promessas de campanha: isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, criação de escolas técnicas, melhorias no sistema de saúde, construções de tantas escolas e hospitais etc. Aqui, importa o quanto o eleitor acompanha ou não a vida política do País, pois os candidatos, de modo geral – raras exceções - falam aquilo que acreditam que o eleitor quer ouvir. Todos, por exemplo, falam contra a corrupção. Cabe ao eleitor a verificação dos fatos, do que está acontecendo no mundo real para assim discernir se o que

determinado candidato está dizendo é verdadeiro ou não. A quem está no poder, há sim o dever do eleitor de cobrar satisfações e exigir que eles (os chefes da nação) assumam responsabilidades sobre os níveis e a incidência de corrupção, ocorridos no exercício de seu mandato. Sobre as promessas de campanha eleitoral, o eleitor deve estar atento: prometer é fácil, cumprir tem-se demonstrado mais difícil. Mais do que prometer, é preciso que os candidatos expliquem “como” pretendem executar seus compromissos de campanha, caso sejam eleitos.

opinião

A importância do debate e o presidente que queremos Sergio Ricciuto Conte

Cláudio M. Henrique Daólio Em 16 de setembro, realizou-se mais um debate entre os candidatos à Presidente da República, promovido por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e organizado pela TV Aparecida. Os debates apresentam grande importância durante o processo eleitoral, constituindo importante ferramenta de afirmação da jovem democracia brasileira. Apesar das amarras da legislação eleitoral, que veta contraposição direta entre os candidatos, os debates permitem conhecer um pouco mais do que pensam os postulantes ao cargo máximo da República, sem os efeitos especiais, cada vez mais comuns nas campanhas. No tocante especificamente ao debate em Aparecida, a relevância do evento foi ainda maior. A organização do evento foi muito feliz, ao preparar questionamentos sobre temas muito relevantes, que vêm sendo relegados a segundo plano, por serem considerados “polêmicos”. Os questionamentos diretos sobre projetos relacionados à proteção à vida e à dignidade da pessoa humana permitiram verificar o que pretendem fazer os candidatos, se eleitos. A sempre polêmica temática do aborto também não passou despercebida, sendo posta de maneira clara pelos mediadores do debate, permitindo aferir quais os postulantes que se posicionam claramente em defesa da vida humana, desde a concepção. Outras preocupações relevantes que foram abordadas relacionam-se

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aos projetos de combate à pobreza e melhoria da vida dos cidadãos, razão principal que deveria mover todos aqueles que nos governam. Não se pode admitir que pessoas continuem morrendo em hospitais

públicos ou que os alunos da rede pública de ensino deixem os bancos escolares sem conseguir interpretar textos ou realizar operações matemáticas. Os temas econômicos também

foram enfrentados, deixando claro que a sociedade não tolerará o retorno da inflação – tão danosa aos mais pobres e também a perda do controle fiscal da administração pública. Ao final da noite, após a realização de entrevistas individuais com os candidatos, foi possível concluir que o principal objetivo dos organizadores foi, de fato, atingido. Debateram-se os grandes temas nacionais, de forma respeitosa e direta, colaborando com a formação do convencimento dos eleitores, que irão às urnas dentro de duas semanas. Atingiu-se, em última análise, o intento de proporcionar maior participação dos cidadãos na vida política do País, colaborando para que conhecessem as ideias e posicionamentos dos candidatos. No entanto, há ainda uma dúvida, a tirar o sono dos eleitores: qual o presidente que queremos? Ou, em outras palavras, qual o perfil desejado para o governante, que estará à frente da União Federal, nos próximos quatro anos? Parece mais adequado que o próximo presidente tenha capacidade de liderança, suficiente para conduzir as grandes – e urgentes – reformas do ineficiente aparelho estatal brasileiro. Mais do que um mero gestor, o País precisa de alguém com visão de futuro, que dialogue com todas as parcelas da sociedade e possa assegurar o respeito às liberdades individuais e aos direitos humanos fundamentais. Cláudio M. Henrique Daólio é advogado e mestre em Direito Processual Civil pela Universidade de São Paulo

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| Encontro com o Pastor | 3 Dom Odilo: 65 anos de vida Luciney Martins/O SÃO PAULO

cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

Aproxima-se a beatificação de Madre Assunta Marchetti, marcada para o dia 25 de outubro, às 10h, na Catedral Metropolitana de São Paulo. É um fato extraordinário, que não acontece todos os dias entre nós! Por isso, a movimentação para deixar tudo pronto é grande e a expectativa vai aumentando... Madre Assunta é cofundadora das Missionárias de São Carlos Borromeu, também conhecidas como Irmãs Carlistas, ou Scalabrinianas; elas se dedicam aos migrantes, conforme o carisma recebido do bispo de PiacenzaItália, João Batista Scalabrini, fundador da Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeu, os Carlistas. Madre Assunta nasceu na Itália, em 15 de agosto de 1871, na localidade de Lombrici, município de Camaiore; a comunidade fica na Diocese de Lucca, na Toscana. Em 1895, veio ao Brasil, acompanhando sua mãe e seu irmão, o jovem Padre José Marchetti, junto com algumas companheiras, que também nutriam o desejo missionário de acompanhar os imigrantes italianos no Brasil. Passou breves períodos no interior do Estado de São Paulo e no Rio Grande do Sul. Mas foi em São Paulo que ela viveu mais longamente e se dedicou a uma intensa ação caritativa voltada, sobretudo, aos imigrantes, aos doentes e às crianças órfãs ou em situação de pobreza. Atuou longamente no Orfanato Cristóvão Colombo, da Vila Prudente, perto da igreja

Em São Paulo, beatificação de Assunta Marchetti de São Carlos Borromeu. Com as companheiras e a mãe, consolidou a Congregação das Missionárias Scalabrinianas, que continuaram o seu ideal de dedicação aos migrantes e aos pobres. A Congregação hoje está presente em vários Estados do Brasil e também em outros países. Madre Assunta faleceu em 1º de julho de 1948 e seu túmulo está na Vila Prudente, no local onde viveu e trabalhou. O processo de beatificação, introduzido em 1987 pela própria Congregação das Missionárias Scalabrinianas, na Arquidiocese de São Paulo, destaca sua grande caridade e dedicação ao próximo, seu generoso espírito missionário e o testemunho de uma vida consagrada inteiramente ao serviço do Reino de Deus. Padre José Marchetti, seu irmão, faleceu muito jovem e com pouco tempo de trabalho missionário no Brasil. Também ele viveu intensamente o serviço aos pobres e doentes, em São Paulo, acabando por contrair a febre tifóide, que lhe ceifou a vida. Seu corpo está sepultado no Ipiranga, na igreja do Orfanato Cristóvão Colombo, por ele fundado. A causa de sua beatificação também está em andamento. A beatificação de Madre Assunta é motivo de alegria não apenas para os membros da Congregação fundada com a sua colaboração, mas para toda a Igreja. De fato, os cristãos beatificados ou canonizados são o belo fruto da missão e da vida da Igreja; eles realizaram de maneira extraordinária a vocação à santidade, que é de todos; são os grandes cristãos, os católicos exemplares, em cuja vida o Evangelho produziu frutos abundantes. Pela beatificação e a canonização, a Igreja reconhece as virtudes

extraordinárias e, muitas vezes, heróicas desses seus filhos, que podem ser imitados como verdadeiros “mestres” de vida cristã, pelo exemplo que deixaram e, muitas vezes, também, pelos seus escritos. Os santos e bem-aventurados, junto de Deus, formam a Igreja celeste, para onde também nós estamos encaminhados. A beatificação, no dia 25 de outubro, será presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos. Presente também estará o bispo de Lucca e um grupo de pessoas da comunidade de Camaiore. Muitos bispos, sacerdotes e religiosos participarão da celebração e caravanas de diversos lugares do Brasil já estão inscritas. É pela segunda vez que uma beatificação é realizada na Catedral da Sé de São Paulo. A primeira, em 2003, foi a do bem-aventurado Padre Mariano de la Mata, um frade Agostiniano que viveu na Paróquia Santo Agostinho, na Liberdade. Para a Arquidiocese de São Paulo, isso é motivo de alegria e uma graça muito especial. Além de Madre Assunta e Padre Mariano, viveram em São Paulo, boa parte de sua vida, também São José de Anchieta, Santa Paulina e Santo Antônio de Santana Galvão. O testemunho dos santos edifica a Igreja. Foram pessoas humanas como nós e viveram num determinado período da história; não se trata de mitos criados pela fantasia. Eles enfrentaram os problemas e as contradições do seu tempo, foram fiéis a Cristo e à Igreja, cristãos exemplares e cidadãos dignos. Os santos enobrecem nossa comunidade, estão perto de Deus e continuam perto de nós.

No domingo, 21, o Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu missa, na Catedral da Sé, em ação de graças por seu aniversário de 65 anos de vida. A celebração contou com presença do núncio apostólico no Brasil, Dom Giovanni D’Aniello, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e da reitora da PUC-SP, Ana Marques Cintra.

Saudação do Papa Francisco Representante do Papa no Brasil, Dom Giovanni trouxe uma saudação pontifícia ao Cardeal e aproveitou para desejar, em nome de toda a nunciatura, que Dom Odilo permaneça vivendo à altura do Evangelho de Jesus Cristo. Já o Governador destacou o incansável trabalho pastoral do Cardeal na cidade.

Frutos da videira O Cardeal ganhou de presente uma videira e, ao agradecer às homenagens, recordou a missão da Igreja. “Obrigado pelo apreço pela vida... Eu gostei do presente da videira... Jesus é a videira e nós somos os ramos. Esse é o sentido do nosso serviço aqui, na Arquidiocese. Agradeço a oração e o apoio de todos que nos ajudam a levar essa missão. Obrigado!”, disse.

Encontro com novos padres

Começou na segunda, 22, o tradicional encontro do Arcebispo com os padres que têm até oito anos de ordenação. O encontro acontece em Campos do Jordão (SP) e reúne 50 padres, com o tema “A fé que celebramos e rezamos”, destaque no 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo.

Catedral de Cartas Rafael Alberto/O SÃO PAULO

Está em exposição no shopping Plaza Sul (praça Leonor Kaupa, 100, Jardim da Saúde) até a quinta-feira, 30, uma réplica da Catedral da Sé feita totalmente com cartas de baralho pelo artista Bryan Berg. Bryan usou mais de 115 mil cartas de baralho para reproduzir o templo. A entrada é gratuita. (Por Rafael Alberto)


4 | Papa Francisco |

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Francisco aos jovens albaneses: ‘digam não à idolatria do dinheiro!’ No domingo, 21, o Papa Francisco, em viagem apostólica à Albânia, celebrou missa na praça Madre Tereza, em Tirna. Na homilia, ele lembrou todo o sofrimento da Igreja naquele País, a perseguição religiosa contra os católicos, ortodoxos e muçulmanos, o que fez da Albânia uma “terra de mártires”. Hoje, porém, disse ele, a Igreja assiste um novo protagonismo missionário do Povo de Deus. Francisco, então, concluiu sua reflexão fazendo um veemente apelo: “Igreja que vives nesta terra da Albânia, obrigado pelo teu exemplo de fidelidade. Não vos esqueçais do ninho, da vossa história que vem de longe, incluindo as provações; não esqueçais as chagas, mas não vos vingueis. Continuai a trabalhar com esperança para um futuro grande. Muitos dos filhos e filhas da Albânia sofreram até ao sacrifício da vida. O seu testemunho sustente os vossos passos de hoje e do

futuro no caminho do amor, no caminho da liberdade, no caminho da justiça e, sobretudo, no caminho da paz. Assim seja.” Após a celebração, Francisco rezou o Ângelus com os fiéis. Antes da oração, porém, ele dirigiu-se aos jovens. Após saudá-los, convidou-os a construir a vida sobre Jesus Cristo: “quem constrói sobre Cristo, constrói sobre a rocha, porque ele é sempre fiel, mesmo quando falha a nossa fidelidade”. O Papa prosseguiu lembrando aos jovens que “Jesus conhece-nos melhor do que ninguém; quando erramos, não nos condena, mas diz: ‘Vai e de agora em diante não tornes a pecar’”. Francisco prosseguiu falando aos jovens que eles constituíam a nova geração do Evangelho. E exortou: “Com a força do Evangelho e o exemplo dos mártires, sabei dizer não à idolatria do dinheiro, não à falsa liberdade individualista, não às

dependências e à violência; e, pelo contrário, sabei dizer sim à cultura do encontro e da solidariedade, sim à beleza inseparável do bem e da verdade. Sim à vida gasta com ânimo grande, mas fiel nas pequenas coisas”. E concluiu Francisco: “Desse modo, construireis uma Albânia melhor e um mundo melhor”. O Papa convidou, por fim, que todos naquele instante se dirigissem à “Virgem Mãe que venerais, sobretudo, com o título de Nossa Senhora do Bom Conselho”. O Santo Padre aludia ao Santuário de Escutário, onde Maria é venerada com esse título e é muito querida do povo albanês. À Nossa Senhora do Bom Conselho, o Papa confiou toda a Albânia, a Igreja e especialmente as famílias, as crianças e os idosos. “Nossa Senhora vos guie para caminhardes, ‘junto com Deus, rumo à esperança que nunca desilude’”. (Por Padre Cido Pereira)

Convivência e fraternidade na Albânia Na visita de 11 horas à Albânia, realizada no domingo, 21, o Papa Francisco fez chamados à tolerância entre as religiões e animou a seguir o modelo de um país exemplar para a convivência pacífica entre várias confissões. Durante sua permanência no País balcânico, o Pontífice prestou homenagem aos mártires religiosos do comunismo e elogiou “os cristãos que não se dobraram diante da ameaça, mas mantiveram, sem vacilar, seu caminho de fé”. Aos jornalistas a bordo do voo de volta para a Itália, Francisco afirmou ter descoberto que os albaneses “não são tolerantes, mas irmãos, têm a capacidade da fraternidade, e isto se vê na convivência, na colaboração entre as religiões: islâmicos, ortodoxos e católicos, colaboram como irmãos”. L’Osservatore Romano

Testemunho emocionante Durante um encontro na Catedral de São Paulo, em Tirana, com os sacerdotes, religiosos e movimentos leigos da Albânia, o Papa Francisco se emocionou com testemunho do Padre Ernest Simoni (foto), 84, um dos últimos sobreviventes da perseguição comunista no País. O sacerdote foi encarcerado em 1963 em condições desumanas. “Trabalhei nos canais de esgotos e durante o período da prisão celebrei a missa, confessei e distribui a comunhão às escondidas”, relatou o Sacerdote, que foi liberado quando caiu o regime comunista e começou a liberdade religiosa. Ao final do depoimento, Padre Simoni recebeu um forte abraço do pontífice entre lágrimas.

Mensagem aos judeus Por ocasião do Ano Novo judaico, o Papa Francisco enviou uma mensagem ao Rabino Chefe de Roma, Riccardo di Segni, na segunda-feira, 22. “Que Deus nos ajude a contribuir juntos na promoção da justiça e da paz em um mundo que tem tanta necessidade disto”, desejou o Pontífice para a comunidade judaica que comemora o início do ano de 5775. O ano novo judaico é denominado de Rosh Hashaná (Cabeça do Ano), dia em que Deus criou o mundo. Na mensagem, o Santo Padre invocou “a bênção do Altíssimo para que estes dias de festa possam ser fonte de felicidade e motivo de consolidação das ligações familiares e comunitárias”. (Por Fernando Geronazzo)


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| Fé e Vida | 5

Espiritualidade

fé e cidadania

Missão para libertar!

A dimensão social do Evangelho

Dom Sergio de Deus Borges

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

As Pontifícias Obras Missionárias têm por missão promover a dimensão missionária do ser cristão, como fundamento de toda a ação evangelizadora. Um momento forte deste trabalho de conscientização é a Campanha Missionária, realizada no mês de outubro. Este ano, a Campanha Missionária tem como tema “Missão para Libertar”, e quer nos recordar o testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando ele foi à Sinagoga de Nazaré e proclamou solenemente o texto do profeta Isaías, onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para que dê a boa notícia aos pobres; enviou-me a anunciar a liberdade...” (Lc 4,18). Com essa proclamação, o Senhor Jesus ensina que a missão evangelizadora é uma missão para a libertação e convida os discípulos missionários a ver, com o olhar da fé no Seu rosto - maltratado por nossos pecados, morto e ressuscitado, glorificado pelo Pai. Nesse rosto doente e glorioso está “o rosto humilhado de tantos homens e mulheres de nossos povos e, ao mesmo tempo, sua vocação à liberdade dos filhos de Deus, à plena realização de sua dignidade pessoal e à fraternidade entre todos” (DA 32).

A Igreja está a serviço de todos os seres humanos, filhos e filhas de Deus e, na Igreja, os batizados são os continuadores da missão do senhor Jesus, o missionário por excelência. Na força do mandato de Jesus e impulsionados pela presença santificadora do Espírito Santo, os batizados são, hoje, os missionários com que o Pai conta para anunciar a libertação. Anunciar a libertação, como discípulos missionários de Jesus, é proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Ele é o libertador do homem e é Ele que todo batizado é convidado a anunciar com o testemunho de vida e a proclamação da Palavra: Os discípulos missionários anunciam aos povos que Deus os ama, que sua existência não é ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele os acompanha na tribulação, que alenta incessantemente a esperança em meio a todas as provas. Os cristãos são portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras (cf. DA 30). Há muita gente oprimida, gente que não fez a experiência pessoal com o Senhor Jesus, gente que não participa da vida da Igreja, gente que não se sente membro da comunidade de fé e não experimente o amor de Deus, e são pessoas que desejam verdadeiramente a Deus. A Campanha Missionária

quer despertar nos discípulos missionários a sensibilidade para ir ao encontro dessas realidades e levar o libertador de todos: Jesus Cristo. Quer também despertar a consciência que a missão não é uma atividade a ser realizada somente no mês de outubro, porque uma comunidade de fé precisa estar em estado permanente de missão. Para realizar a Campanha Missionária, há um belíssimo material elaborado pelas Pontifícias Obras Missionárias e distribuídos nas paróquias e comunidades de toda a Arquidiocese. “Entre os materiais deste ano estão: cartaz, livro da novena, DVD com testemunhos, mensagem do papa, oração missionária, oração dos fiéis, marcadores de página e envelopes para a coleta do Dia Mundial das Missões”. É possível também encontrar parte deste material no site da POM (http:// www.pom.org.br). Como discípulo missionário, procure em sua paróquia ou comunidade e participe da Campanha, inicie uma nova etapa na sua vida e ajude na conversão pastoral da Igreja. Esta é a hora! Todos são convocados: bispos, padres, diáconos, vida consagrada e comunidades. Não deixemos a graça passar em vão. É hora de nos unirmos no grande mutirão evangelizador para que Jesus, o libertador do homem, chegue ao coração de todos os homens. (Cf. CNBB. Doc. 88. P.6).

espaço do leitor Sobre o jornal “Prezados senhores, antes de mais nada, quero parabenizarvos pelo brilhante trabalho que O SÃO PAULO vem desempenhando há tantos anos, sem nem sempre receber o reconhecimento que lhe é realmente devido. Sou leitor regular do jornal e tenho acompanhado a forma cuidadosa com que o jornal tem tratado as eleições. Percebi que em uma edição os candidatos foram elencados em ordem alfabética, e na edição seguinte, foram elencados em ordem alfabética inversa, de modo que ficasse claro ao leitor a imparcialidade partidária do jornal: parabéns! Mas me senti compelido as escrever-vos em face do Espaço do Leitor, da Edição 3018. Também li com cuidado o artigo ‘Orientações do Magistério sobre o voto’ da edição de 27 de agosto e, para

mim, foi esse um artigo esclarecedor. Eu não sabia, por exemplo, que a Igreja se manifestava com tanta clareza sobre o socialismo, e posso citar de memória o trecho que em mim ficou marcado daquele artigo: ‘ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista’. Fiquei feliz pelo jornal publicar a divergência, o que demonstra a transparência e credibilidade jornalística. Por fim, não posso deixar de mencionar que - com todo respeito - que se aquele artigo foi escrito “para outro mundo”, eu devo ser desse outro mundo. Saudações e sucesso em vossa empreitada”. Fernando Firmino (por e-mail)

“Prezados editores, gostaria de parabenizar o jornal pela oportuna publicação, na edição 3016, do texto ‘Orientações do Ma-

gistério sobre o voto’. E gostaria também de parabenizar o Padre Michelino Roberto pelo texto publicado na edição 3018, na seção Espaço Aberto, na defesa mais do que apropriada da mesma reportagem. Agradeço em nome de todos os leitores que procuram ser fiéis aos ensinamentos da Santa Mãe Igreja. A Paz de Cristo!” Rogério Schmitt (por e-mail)

“Peguei a minha edição hoje em minha paróquia e já praticamente li quase tudo. Para ser sincera, adoro esse jornal”. Renata Flamini (pelo Facebook)

“Esse jornal está cada dia melhor” Rosangela Morengola (pelo Facebook) Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

Padre Sancley Lopes Gondim “Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo”, diz o Papa Francisco na exortação apostólica “A Alegria do Evangelho” (n.176). De fato, o anúncio da mensagem de Jesus e de sua Pessoa deve provocar a conversão naquele que a acolhe, no seu modo de pensar, de ser e de viver, e ultrapassa o âmbito meramente individual e desemboca na organização da vida em todas as suas dimensões. Existe “uma conexão íntima entre evangelização e promoção humana”. Assim, o Papa se coloca na grande esteira da Doutrina Social da Igreja, em seus “princípios permanentes” que balizam as “exigências da justiça através do uso responsável da liberdade, de atender aos direitos da liberdade através do cumprimento dos deveres da justiça” (ÁVILA, Pequena Enciclopédia de Doutrina Social da Igreja, p. 163). Sua história se inaugura com a encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII (1891), mas sua pré-história começa com a libertação do povo de Deus do jugo de seus opressores (cf. Êxodo), que continua com a voz dos profetas (cf. Amós). Mas foi, sobretudo com o surgimento da chamada questão social – consequência da revolução industrial dos séculos XVIII-XIX: abandono do campo, concentração urbana com grandes ondas migratórias, acumulação do capital e operariado, salário e emprego etc (cf. Op. Cit., p. 379) -, que inúmeros pensadores católicos, antes mesmo da difusão do marxismo, analisaram com extraordinária clarividência os grandes problemas sociais de nosso tempo. O Papa Francisco ressalta o que há de positivo no tempo em que vivemos: “os progressos que se verificam no âmbito da saúde, da educação e da comunicação. Todavia, não podemos esquecer-nos que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia a dia precariamente;

crescem a falta de respeito e a violência, a desigualdade social torna-se cada vez mais patente. Essa mudança de época foi causada pelos enormes saltos qualitativos, quantitativos, velozes e acumulados que se verificam no progresso científico, nas inovações tecnológicas” (Evangelii Gaudium, 52). Portanto, é dever dos cristãos dizer “Não a uma economia da exclusão, (nn. 53-54). Não à nova idolatria do dinheiro (nn. 55-56). Não a um dinheiro que governa em vez de servir (nn.57-58). Não à desigualdade social que gera violência (nn.59-60), e “aprender a descobrir Jesus no rosto dos outros, na sua voz, nas suas reivindicações, sem nos cansarmos jamais de optar pela fraternidade, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano”. Eis o que deve fundamentar a vida social a partir do Evangelho: “Confessar um Pai que ama infinitamente cada ser humano, confessar que o Filho de Deus assumiu a nossa carne humana, e que sua redenção tem um sentido social. Confessar que o Espírito Santo atua em todos implica reconhecer que Ele procura permear toda a situação humana e todos os vínculos sociais”. A evangelização procura colaborar também com essa ação libertadora do Espírito. A vida cristã tem seu modelo na Trindade, na qual a diversidade das Pessoas divinas não compromete a comunhão. Tal deve suceder entre nós, pessoas humanas, criados “à Sua imagem e semelhança”: promover o bem comum e garantir a realização pessoal de cada um, mediante o exercício do trabalho profissional e das diversas vocações e serviços, cujo fim é sempre a caridade, segundo a verdade, no bem e na justiça. Padre Sancley Lopes Gondim é presbítero da Arquidiocese de São Paulo, bacharel em História e Mestre em Direito Canônico, é Defensor do Vínculo do Tribunal Eclesiástico de São Paulo). E-mail: sancleygondim@uol.com.br

Erramos Diferentemente do publicado na reportagem “Conselho de Leigos estuda Mateus e encíclica do Papa em retiro anu-

al” (página 19, edição 3019), o documento em estudo foi a exortação apostólica Evangelii Gaudium e não uma encíclica.


6 | Fé e Vida |

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LITURGIA E VIDA

novos santos e beatos

São Pio de Pietrelcina

26º DOMINGO DO TEMPO COMUM 28 DE SETEMBRO DE 2014

Unidos no amor

ANA FLORA ANDERSON Neste domingo, celebramos o Dia da Bíblia e a liturgia apresenta a profundidade desta Palavra Sagrada. Na antífona, o profeta Daniel anuncia que somos pecadores que recebem a misericórdia divina. A oração faz lembrar que o poder de Deus se manifesta no seu amor infinito. Na primeira leitura (Ezequiel 18, 25-28), o profeta ensina que muitas vezes não entendemos os julgamentos de Deus. Aos olhos divinos, o justo que faz o mal perde a vida, mas o ímpio que se arrepende e faz justiça viverá. Na segunda leitura (Filipenses 2, 1-11), São Paulo descreve sua visão da vida em comunidade. Haverá amor mútuo, consolação, ternura, compaixão e comunhão no Espírito. Paulo deseja essas graças para todas as comunidades, pois assim superamos a competição e a divisão. O Evangelho de São Mateus (21, 28-32) narra palavras de Jesus dirigidas às autoridades religiosas. Jesus afirma que, diante da pregação de João Batista, as prostitutas e os cobradores de impostos (considerados ladrões) se converteram e mudaram de vida; ao contrário, as autoridades religiosas rejeitaram as palavras do profeta sobre o caminho da justiça. Jesus conclui que aqueles que a sociedade desprezava irão preceder as autoridades religiosas ao entrar no Reino de Deus.

você pergunta

Quem são os ‘sedevacantistas’ e o que eles pregam? cônego Cido Pereira

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

O Luiz Carlos deve ter lido sobre um grupo de cristãos chamados “sedevacantistas” e me pergunta quem são eles e o que pregam. A expressão “sede vacante” é usada na Igreja para indicar à própria Igreja que ainda não se escolheu um novo papa ou a qualquer diocese que ainda não recebeu um bispo para substituir aquele que morreu ou foi transferido. Enquanto não é escolhido um novo papa, enquanto a Santa Sé não nomeia um novo bispo, a Igreja ou a diocese é “sede vacante”. Luiz Carlos, você imagina que há um grupo de católicos tradicionalistas que acredita que a Igreja Católica está em situação de Sede Vacante desde a morte do Papa Pio XII? Esses católicos malucos entendem que os papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco não são papas legítimos, porque abriram à Igreja ao modernismo. Eles não aceitam o Concílio Vaticano II e toda a transformação na Igreja que o Concílio realizou. Trata-se de uma minoria que aceita esse tal de “sedevacantismo”. É impressionante isso. E o que é mais triste é que eles mexem com a cabeça de muita gente, inclusive jovens. Fica difícil depois trabalhar a cabeça desses jovens. Nós temos mais é que dar graças a Deus pelo fato de o Espírito Santo ter conduzido a Igreja ao longo dessas últimas décadas. Ele inspirou São João XXIII a convocar o Concílio, e a Igreja aprendeu a dialogar com o mundo e a fazer sua as dores, as angústias, os sonhos e as esperanças do mundo de hoje. E após João XXIII, tivemos papas maravilhosos, cada um deixando um rastro de luz por seu amor a Cristo e à Igreja.

23 de setembro

Padre Pio nasceu no dia 25 de maio de 1887, em Pietrelcina, na Itália. Era filho de Gracio Forgione e de Maria Josefa de Nunzio. No dia seguinte, foi batizado com o nome de Francisco e, mais tarde, seria, de fato, um grande seguidor de São Francisco de Assis. Padre Pio passou toda a sua vida contribuindo para a redenção do ser humano, cumprindo a missão de guiar espiritualmente os fiéis e celebrando a eucaristia. No campo da caridade social, esforçou-se por aliviar sofrimentos e misérias de tantas famílias, fundando a “Casa Sollievo della Sofferenza”, ou melhor, a “Casa Alívio do Sofrimento”, em 1956. Para Padre Pio, a fé era a essência da vida: tudo desejava e tudo fazia à luz da fé. Passava o dia e grande parte da noite conversando com Deus. Ele dizia: “Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus”. Desde a juventude, sua saúde sempre inspirou cuidados e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente. Padre Pio faleceu no dia 23 de setembro de 1968, aos 81 anos. Seu funeral caracterizou-se por uma multidão de fiéis, que o consideravam santo. Nos anos que se seguiram à sua morte, a fama de santidade e de milagres foi crescendo cada

Reprodução

vez mais, tornando-se um fenômeno eclesial, espalhado por todo o mundo. Em 1999, o Papa João Paulo II declarou bem-aventurado o Padre Pio de Pietrelcina, estabelecendo o dia 23 de setem-

bro a data da sua festa litúrgica. Depois, o mesmo Sumo Pontífice o proclamou santo, em 2002, mantendo a data de sua tradicional festa. Fonte: www.paulinas.com.br

50

anos

Papa nomeia auditores leigos para o Concílio Vaticano II A edição do O SÃO PAULO de 27 de setembro de 1964 trouxe como uma das notícias de capa que “oito novos leigos católicos foram nomeados hoje pelo Papa para participarem do Concílio na qualidade de observadores, ou melhor, de ‘auditores’ já que esta última denominação é reservada aos católicos, enquanto a de ‘observador’ é reservada aos cristãos não católicos”. Entre os nomeados por Paulo VI estava o brasileiro Bartolo Peres, da Juventude Operária Católica internacional, além de representantes da União dos Chefes de Empresa Católicos, da Federação Internacional de Médicos Católicos, do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos, da Ação

Católica das Filipinas, da Federação Internacional da Juventude Católica Masculina, do rito bizantino, e do Conselho do Apostolado dos Leigos. No mesmo mês, o Papa nomeou 15 auditoras para as sessões do Concílio, sendo oito destas, religiosas, e sete, leigas, estas últimas “são viúvas de guerra de comunidade do Vaticano. Sua indicação assinala que Capa da edição de 27 de setembro de 1964 foram escolhidas para honrar a dor que representam e bolo das aspirações mais profunque constitui ao mesmo tempo das da Humanidade em favor da uma condenação à guerra e o sím- verdadeira paz cristã”.


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| Pastorais | 7

Pastoral do migrante

Na Catedral, a celebração de Nossa Senhora das Dores “Mãe das Dores abençoai os vossos filhos peregrinos Que caminham nesta terra prometida aos pequeninos” Este bendito, cantado pelo povo nordestino, expressa o carinho e a devoção do sertanejo à sua Mãe, também sofredora, quando viu descer seu filho morto na cruz. No domingo, 14, às 15h, a Catedral da Sé já estava cheia para a celebração de Nossa Senhora das Dores. A rádio 9 de Julho e o jornal O SÃO PAULO fizeram o convite aos quatro cantos da cidade de São Paulo, cuja população nordestina chega a mais de 3 milhões de pessoas, sem contar tantos descendentes de nordestinos nascidos aqui neste chão da Arquidiocese e dioceses vizinhas. O Padre Eduardo Baronto, salesiano, nascido em Pernambuco, acolheu os fiéis nordestinos, chamando-os por Estado: Bahia, Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Ceará, Alagoas, Piauí, e outros

mais. A cada chamada, as pessoas levantavam seus braços em sinal de presença. Uma grande imagem de Nossa Senhora das Dores, com muitas rosas brancas, motivou a oração do povo. No ofertório, vários símbolos foram levados por pessoas da Pastoral dos Migrantes, muitas das quais vindas das periferias da cidade. Em procissão, trouxeram farinha, a cuia, o chapéu de couro, o cacto, cartaz da Semana do Migrante, a imagem do padre Cícero, o facão do cortador de cana, artesanatos do grupo de mulheres, entre outros. Ao final da celebração, o clima era de festa e as pessoas continuavam por lá, conversando entre si e com o Padre, agradecidas pela linda celebração, cuja ideia nasceu do próprio Cardeal Odilo Scherer, que não pôde estar. Para o ano que vem, Padre Baronto, juntamente com a Pastoral dos Migrantes, sonham em ampliar esta devoção popular, tão viva ainda no meio do povo

Luciney Martins/O SÃO PAULO

nordestino. A ideia é fazer uma procissão pelo centro da cidade e, após a missa, uma confraternização, com uma festa na praça da Sé, com a cultura nordestina, comidas típicas e música. O povo nordestino vê na Mãe

das Dores, sua luta na migração, enfrentando a seca e até a fome, em busca de vida melhor. Mas também vê na Mãe das Dores, a Mãe do Ressuscitado, que venceu a morte, pois esse é um povo igualmente lutador, que resiste, traba-

lhador e que clama por justiça.

“Seca, enchente a gente enfrente, mas não larga a caminhada. Passo a passo a gente luta pra fazer nova estrada” Colaborou Roberval Freire

apostolado da oração e movimento eucarístico jovem Arquivo pessoal

MEJ realiza encontro de articulação O Movimento Eucarístico Jovem (MEJ) realizou, no sábado, 20, reunião na Sede Nacional do Apostolado da Oração e do MEJ, no Alto do Ipiranga, visando a estruturação do Movimento e uma avaliação dos grupos onde já são realizados os encontros e quais outros lugares poderão se iniciar novos grupos. Participaram do evento, o coordenador nacional do MEJ,

Notas de falecimento Pastoral da Saúde A Pastoral da Saúde informa com pesar o falecimento de Joana Machado Ribeiro, a Joaninha. Há mais de 30 anos atuando nessa Pastoral, foi uma apaixonada pelo serviço aos idosos e enfermos, não media esforços para atendê-los, fazia de tudo por eles! Ora acompanhando-os em consultas médicas, ora buscando medicamentos nos postos de saúde ou levando Jesus no Sacramento da Eucaristia, sempre com imensa dedicação!. Pastoral do Migrante Com pesar, a Pastoral do Migrante comunica o falecimento de Rosa Ana da Silva, integrante da Pastoral dos Migrantes de Campo Limpo, Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na zona sul de São Paulo. Rosa tinha uma dedicação total com a Pastoral, junto com Eduardo, Irmã Viviane, Fátima, Marinalva e outros companheiros e companheiras. Ela participou muito dos encontros nas casas, visitas e atividades nas paróquias.

Everson Donizete Araújo Lima, a coordenadora Arquidiocesana do Apostolado da Oração, Ana Lúcia Contarelli, além das Regiões Episcopais que possuem o Movimento Eucarístico Jovem. O encontro foi um momento de troca de experiências e de partilha, em que os jovens puderam se conhecer melhor e ter contato com outras realidades. “Mesmo morando na mesma

cidade, temos realidades diferentes, e temos que ver cada caso. São jovens com muita vontade de evangelizar”, afirmou a coordenadora Arquidiocesana do Apostolado da Oração, que concluiu, “foi uma reunião muito rica, com jovens que sabem o que querem e estão para seguir Jesus e evangelizar outros jovens”. Colaborou Ana Lúcia Contarelli

pastoral da juventude Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

No domingo, 14, no auditório do Colégio Salesiano, aconteceu o primeiro “Festival da Juventude” da Região Santana. Várias apresentações e de maneiras diferentes de evangelização por meio da música, teatro e dança integrarem os setores da Região.

A PJ realizou no sábado, 20, um encontro de preparação para a Missão Jovem (MJ). A formação visa preparar os jovens que farão a missão para a realidade e os desafios que encontrarão. A MJ acontecerá nos dias 26 a 28, com o tema “Juventude mística e profética a serviço da libertação”.


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Destaques das Agências Nacionais

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

PUC-SP outorga título Doutor Honoris Causa a Dom Pedro Casaldáliga “Doutor honoris et passionis causa” foi uma das maneiras de referirse ao título conferido à Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), como um mérito recebido, como ele mesmo disse em outra ocasião, mais por paixão do que por honra. A recordação foi do Padre Antonio Manzatto, professor de Teologia da PUC-SP e primeiro a tomar a iniciativa de sugerir à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo a entrega do Doutor Honoris Causa a Dom Pedro. A pedido do próprio Bispo, Padre José Oscar Beozzo, coordenador do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep), representou o Bispo espanhol no evento na quarta-feira, 17. Fundador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Pedro “viveu a solicitude por todas as igrejas e foi perseguido também no interior da Igreja. Pedro, como gosta de ser chamado, é teólogo e poeta dos pobres. Sua poesia é dura, mas também sábia e reconfortante. Mais que teólogo, bispo ou pastor, é um pai”, disse Padre Manzatto, que ressaltou a profecia e a defesa das causas dos pobres, assumida pelo Bispo desde que chegou ao Brasil, em 1968. No ano 2000, tendo recebido o título de Doutor Honoris Causa, da Unicamp, dividiu a honraria com o seu povo e até com o rio Araguaia. “A partir daquele momento, transformou todos os seguidores e simpatizantes da sua causa em doutores”, destacou o texto publicado pela Unicamp. “É a primeira vez na história em que uma universidade confere o

Arquivo pessoal

título de doutor a um rio”, disse Dom Pedro, à época. Profundamente emocionado, Padre Beozzo recordou uma das visitas

Thiago Pacheco/ACI PUC-SP

Começam os preparativos para o 17º Congresso Eucarístico Nacional A comissão organizadora do 17º Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá em Belém (PA) lançou, no dia 1º, o concurso para escolha do Hino do congresso. Com o tema “Eucaristia e Partilha na Amazônia Missionária” e lema “Eles

que fez a Dom Pedro, a simplicidade, a profecia da casa sempre de portas abertas, a cena que ele presenciou de ver o Bispo, logo pela manhã, la-

o reconheceram no partir do pão” será realizado, de 15 a 21 de agosto de 2016. O prazo para inscrição é até 12 de janeiro de 2015. Informações: congressoeucaristico2016@gmail. com. Fonte: CNBB

var a sua própria roupa. Além disso, a grande capacidade de acolher a todos, qualquer um que o procurasse, a qualquer momento. Frei Carlos Josaphat, que também recebeu o mesmo título pela PUC-SP em agosto de 2013, disse à reportagem que por diversas vezes compartilhou com Dom Pedro reflexões sobre Bartolomeu de Las Casas (jesuíta que lutou em defesa dos índios latino-americanos no século XVI). “Para mim, ele é hoje Bartolomeu de Las Casas, porque dá a vida pela causa indígena.” “Fiquei entre a alegria do ‘antes tarde do que nunca’ e o silêncio de um quase velório, porque o título foi concedido a esse grande profeta dos índios e dos pobres quando o homenageado, já muito enfermo, mas sempre lúcido e atuante, não pode comparecer. Agradecimentos a quem persistiu remando contra a corrente, notadamente aos da PUC-SP. Evento discreto, como o Pacto das Catacumbas assinado por 40 padres conciliares na catacumbas de Domitila, em Roma, após uma celebração eucarística, em 1965, mas eloquente de verdade e esperança”, afirmou Maria Cecília Domezzi, professora de Teologia no Instituto Teológico de Estudos Superiores (Itesp). Para Bruno Tserebutuwe Tserenhimi’ Rãmi, 27, indígena da etnia xavante, que veio do Mato Grosso para São Paulo e acabou entrando para o projeto Pindorama, da PUC-SP, para estudar, foi um momento profundo de gratidão ao Bispo do Araguaia. “Sem ele, nós não estaríamos mais lá. Lutei ao lado de Dom Pedro e da família xavante pela nossa terra”, falou o jovem, que fez uma oração na língua xavante no início da cerimônia.

60 anos da Conferência dos Religiosos do Brasil em Romaria a Aparecida No dia 4 de outubro, a Conferência Nacional dos Religiosos do Brasil (CRB) fará uma romaria de religiosos e religiosas à Basílica Menor de Nossa Senhora Aparecida. Com o tema “Vida Consagrada, com a Mãe Aparecida, presença consoladora na dor”,

o objetivo é celebrar, durante a novena que antecede a festa da Padroeira, o jubileu de 60 anos da CRB, que foi comemorado dia 11 de fevereiro de 2014. Informações: www.crbnacional.org.br ou http://crbnacional60anos.blogspot.com.br.

23 de setembro: Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças O dia 23 de setembro foi escolhido como o “Dia Internacional contra a exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças”, em 1999, 86 anos após a lei “Palácios”, a primeira contra a prostituição infantil e a corrupção de menores a

ser promulgada, na Argentina. O Brasil é um país de origem, destino e trânsito do tráfico de pessoas e exploração sexual. Cerca de 70 mil pessoas já foram levadas ao exterior como produto de tráfico e da exploração sexual. A gran-

de maioria das vítimas são mulheres de família de baixa renda, com 18 a 25 anos de idade, e os principais destinos estrangeiros são os países europeus, tais como Espanha, Holanda, Portugal e Suíça. O dia é importante para dar visibili-

dade à problemática e apresentar o que vem sendo feito pela sociedade civil por meio de ONGs, movimentos e pastorais, como a Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM). Fonte: PMM


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Destaques das Agências Internacionais

| Igreja em Missão | 9 Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

NIGÉRIA

Boko Haram leva milhares a fugir de suas casas Nas últimas semanas, combatentes do Boko Haram, grupo islamista radical, têm conquistado diversas cidades importantes na Nigéria, o que tem levado muitos cristãos a abando-

nar suas casas. A ONU estima que 10 mil pessoas fugiram para Camarões, apenas em agosto deste ano, enquanto 15 mil fugiram para a região de Diffa, no Níger. O grupo decretou o

califado no nordeste do País e há indícios de que tenha se aliado ao grupo Estado Islâmico, que opera no Iraque e na Síria. Boa parte dos refugiados é cristã, porque os combatentes do

Boko Haram costumam, à imagem do grupo Estado Islâmico, destruir igrejas, sequestrar mulheres cristãs e matar os homens. Fontes: WorldNetDaily/ WorldWatchMonitor

SUDÃO

Testemunho de fé na perseguição Míriam Ibrahim, uma jovem mãe de família cristã sudanesa que havia sido condenada à morte em seu País por apostasia do Islã, concedeu recentemente entrevista à Fox News, em que contou como sua fé a sustentou durante sua experiência no cativeiro. Filha de pai muçul-

mano, Míriam foi formada na fé cristã por sua mãe. A justiça do Sudão havia considerado que, por ser filha de um muçulmano, Míriam não poderia ter adotado a fé cristã (a conversão ao Cristianismo é proibida aos muçulmanos pela lei sudanesa) e nem ter se casado com um cristão.

Assim, Míriam foi condenada à morte por apostasia e a cem chicotadas por adultério, já que seu casamento não era considerado válido. Ela foi presa durante sua segunda gravidez e deu à luz na penitenciária: “Confiei apenas na minha fé e sabia que Deus ia estar comigo em todo mo-

mento e em qualquer situação”. Outra dificuldade foi suportar a enorme pressão para se converter ao Islã: “Deram-me o prazo de três dias e diversos imãs (clérigos muçulmanos) pressionaram-me para me converter. Confiei em Deus, minha fé era a única arma que eu tinha na confrontação com

esses imãs. Ceder teria sido renunciar e isso não era uma opção, pois não é o certo”. Em meio a pressões internacionais pela sua liberação, Míriam conseguiu finalmente ser inocentada e abandonou seu país para ir viver nos Estados Unidos com seu marido. Fonte: ACI

UCRÂNIA

‘A Ucrânia está sangrando’ Foi o que disseram os bispos greco-católicos ucranianos reunidos entre os dias 7 e 14 no seu sínodo anual em Lviv, no oeste do País. Segundo o pronunciamento dos bispos, “centenas de unidades de armamento pesado e tecnologia, bem como milhares de mercenários e soldados do exército russo têm atravessado as fronteiras, semeando a morte e a destruição”. Os bispos afirmaram também que milhares de pessoas têm sido sequestradas e torturadas, e centenas de milhares estão abandonando suas casas sob ameaças. Os bispos temem que, se a situação continuar a se deteriorar, o número de mortes aumente exponencialmente com a chegada do inverno. Pedem ainda à comunidade internacional e aos fiéis de todas as religiões que ajudem a parar o derramamento de sangue na Ucrânia. A Rússia tem repetidamente negado o seu envolvimento no conflito, afirmando que qualquer cidadão

russo lutando pelos separatistas próRússia está por sua própria conta. O conflito teve sua origem em uma série de acontecimentos que se seguiram à crise e revolução ocorrida no País em fevereiro deste ano. A Rússia se recusou a aceitar o novo governo – denunciando a revolução como um golpe de Estado – e, em março, anexou a península da Criméia, região até então autônoma, no sul do País. A anexação, que foi precedida por um plebiscito em que os pró-russos foram maioria – é considerada perfeitamente legal pela Rússia, mas denunciada como ilegal pela Ucrânia e pelos países ocidentais. O evento contribuiu para que separatistas russos ganhassem força no leste da Ucrânia e lançassem, em abril deste ano, um ataque a prédios do governo nas regiões de Donetsk e Luhansk, que foi como começou o conflito atual. Desde então, a Rússia tem apoiado os separatistas, embora negue envol-

AP

vimento direto, e os Estados Unidos e alguns países ocidentais têm oferecido de uma maneira ou de outra algum tipo de suporte aos ucranianos. O conflito tem sido considerado como a mais grave crise de segurança na Europa desde o fim da guerra fria.

Desde o início do conflito, mais de 3 mil pessoas foram mortas e 5 mil ficaram feridas. Estima-se que 155 mil pessoas tenham fugido para outras regiões na Ucrânia e outras 188 mil tenham fugido para a Rússia. Fontes: News.va/ BBC

ESTADOS UNIDOS

Revista desmente mito das ‘grandes riquezas’ do Vaticano A revista Fortune afirmou em artigo intitulado “Este Papa fala sério” que, ao contrário do que se costuma pensar, se o Vaticano fosse uma empresa, não chegaria nem perto da menor das 500 empresas

mais ricas do mundo, lista divulgada pela revista. O orçamento total do Vaticano é de apenas 700 milhões de dólares. Para se ter uma ideia, a menor das 500 maiores empresas do mundo possui uma receita de 5

bilhões de dólares, sete vezes maior que o orçamento do Vaticano. Dos 700 milhões, depois dos custos e despesas, o Vaticano registrou em 2013 um superávit de apenas 11 milhões de dólares. A revista assinalou

que, embora as dioceses do mundo inteiro enviem dinheiro ao Vaticano, a maior parte desse valor é destinada ao trabalho missionário e às ações de caridade. Fontes: ACI/ Fortune


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Gravidez masculina!? Valdir Reginato Nos últimos anos, chama a atenção que várias maternidades fecharam suas portas por falta de ocupação, ou seja, não estão nascendo crianças como antes! O mesmo registre-se para as enfermarias de Pediatria que estão sendo substituídas para outras áreas clínicas. A queda vertiginosa no índice de natalidade nas últimas décadas ocorreu nos países chamados do primeiro mundo, e alcança o planeta como um todo. Resta uma melhor reflexão sobre por quê. Falta de alimentos, sempre alegado, não justifica, visto que se joga comida fora em boa parte do mundo e a obesidade cresce nos países em desenvolvimento. Falta de água, quando a dessalinização vai se tornando cada vez um recurso a ser utilizado, garante maior tranquilidade. Falta de matéria prima? E as toneladas de lixo de embalagens descartáveis? A indústria da reciclagem oferece esperanças. Falta de espaço? Quando concentramos cada vez mais a população em grandes aglomerados urbanos, mas verificamos que o planeta ainda tem clarões continentais por serem ocupados, preferencialmente de modo ordenado e sem saquearem a natureza. A criação é de uma generosidade incrível e agimos como filhos mimados, queimamos, sem pena ou arrependimento, a fortuna feita pelos avós e preservada pelos pais, por anos com muito sacrifício. Mais uma vez, a resposta se dirige ao homem e não à criação. Nesse caso específico das maternidades fechadas, o envolvimento implica a mulher. Muitas transformações sociais (que merecem outro artigo)

conduziram-na para fora do lar. Ela transformou-se de companheira em adversária nesta guerra dos sexos, em que, às vezes, marido e mulher disputam uma mesma vaga profissional. No entanto, o sacrifício maior da dupla ou tripla jornada ficou mesmo para ela, na imensa maioria das oportunidades. As esposas perderam o apoio e a segurança de seus maridos. A gravidez, de boa notícia, chega como um castigo ou de modo “indesejável”. Sabem que terão que levar tudo sozinhas. As mulheres, em poucas décadas, saíram dos lares, mas os maridos ainda não entraram em casa. Na verdade, infelizmente, preferem deixar a família muitas vezes, já que não há mais quem cuide. Gravidez é sinônimo de alegria, expectativa e esperança, assim como de novidade e crescimento, doação, amor, desafio, felicidade e graça. Baniu-se a gravidez do cenário familiar e social, e a substituímos pelo trabalho insano, na busca de felicidades aparentes. Há a necessidade da participação masculina na gravidez! Há de se perceber a alegria associada à responsabilidade desde a concepção. Acompanhar a esposa por toda a jornada da gestação, “arregaçar as mangas” e oferecer a segurança de um lar com amor. Sem disputas. Valorizar o trabalho da mulher sim, mas jamais esquecê-la como esposa. Com a conscientização solidária da “gravidez masculina”, as maternidades voltarão a ouvir o choro de crianças nas salas de partos e ver o sorriso nos rostos dos pais. Dr. Valdir Reginaldo é médico de família, e professor da Escola Paulista de Medicina e terapia familiar

O Terço, os livros, o carro e o trânsito Pedro Paulo de Magalhães Oliveira Jr. Todos os que moramos em São Paulo sofremos, de uma forma ou de outra, os efeitos do trânsito, que nos últimos dois anos parece ter piorado de forma considerável. Uma opção é se aborrecer, irritar-se, buzinar, brigar para andar um metro a mais do que o carro vizinho... Outra opção, mais saudável para a vida física e espiritual, é aproveitar os recursos tecnológicos que temos para usar melhor este tempo que nos é tomado nos congestionamentos. Há cerca de cinco anos, descobri os audiobooks para os celulares. Existem serviços pagos com narrações excepcionais como o “Audible”, e há serviços gratuitos como o “Librivox”. Muitas pessoas se queixam da falta de tempo para ler, mas por que não usar um dispositivo que você já tem para aumentar a sua cultura, se distrair e aprender coisas novas? Nestes cinco anos, con-

Sergio Ricciuto Conte

fesso que passei a apreciar o trânsito. Mais tempo de leitura. Quase cem livros lidos nestes 60 meses. Outra coisa que podemos fazer é rezar. Em 2010, próximo à Festa da Imaculada Conceição de Maria, vinha pensando nisso e resolvi fazer um aplicativo para o meu celular, para me ajudar a rezar o Terço no carro. Ficou melhor do que eu esperava e decidi chamá-lo de “iTerco” e colocá-lo na loja do iPhone (http://bit.ly/iterco). Muita gente gostou e, passados quatro anos, já são mais de 20 mil pessoas que utilizam esse programa para rezar. Há versões para Android e Windows Phone também. Com a companhia de Nossa Senhora, o trânsito passa mais rápido, é mais fácil ser gentil com as pessoas e prudente na condução. É usar a tecnologia para melhorar nossa vida. Pedro Paulo de Magalhães Oliveira Jr. é engenheiro pela PUC-Rio e Doutor em Medicina pela USP. Atualmente ocupa o cargo de Diretor de Operações da Netfilter.

Cuidar da saúde

Direito do Consumidor

Comportamento

10 | Viver Bem |

Icterícia Você já reparou que grande parte dos recém-nascidos apresenta, nos primeiros dias de vida, uma coloração amarelada na pele? Isso é conhecido como icterícia neonatal, que acontece devido ao acúmulo da bilirrubina, um pigmento produzido naturalmente pelo organismo, que deveria ser transportado para o fígado, metabolizado e em seguida eliminado pelas fezes. Quando esse processo não acontece de maneira adequada, ocorre o acúmulo desse pigmento e, por isso, surge o tom amarelado na pele do bebê. A icterícia atinge cerca de 60% dos bebês, podendo chegar até 80%, no caso de prematuros. É um processo fisiológico na maioria dos casos. Geralmente, começa no segundo dia e piora até o quinto dia de vida. Nos prematuros, pode se intensificar durante toda a primeira semana. Por isso, é importante o acompanhamento médico, para que seja feito o

diagnóstico e para saber se existe a necessidade de fototerapia, que é o principal tratamento. Mesmo aparentemente inofensiva, a bilirrubina em níveis altos coloca o bebê em risco para complicações neurológicas como surdez e retardo mental. Não há como preveni-la, mas é possível identificar alguns fatores de risco para desenvolvê-la como prematuridade e incompatibilidade sanguínea. Há também algumas situações que retardam a melhora, como a amamentação inadequada e a imaturidade do fígado do bebê, que é uma característica dos bebês e que melhora progressivamente após o nascimento. Nos casos que não necessitam de fototerapia, é aconselhável submeter o bebê a banhos de sol no início da manhã e fim da tarde para acelerar a eliminação da bilirrubina. Dra Silvia Maia Holanda é coordenadora da Neonatologia do Amparo Maternal


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| Reportagem | 11

O grito da v Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Luzia Maria de Jesus Gabriel, 52, diante das conversas frequentes com o irmão, Francisco Siqueira e Silva, 43, percebeu algo errado: “Estava se mostrando uma pessoa negativa, deprimida”. As outras irmãs que moravam com Francisco confirmavam que ele não era mais o menino alegre que viram crescer. Com saudade no olhar, aquela mesma de quem se vê marcado pela ausência, Luzia contou à reportagem que, pelas atitudes do irmão, sentia que um dia ele iria embora para sempre. “Lembro-me daquele olhar sempre perdido, como se a vida não tivesse mais sentido”, desabafou. “No último domingo com a gente, ele falou que iria acender a fogueira de São João. Era um costume do nosso pai. Depois, soubemos do suicídio. Sei lá. Talvez se ele tivesse imaginado a dor que nos causou, não teria feito, mas não havia nele condições emocionais para isso”, disse Luzia. Para a família de Francisco e Luzia e para a maioria das pessoas, a morte continua sendo um tabu e pode ser um momento de recomeço ou de rompimentos profundos e dores para as quais parece não haver remédio. Quando o assunto é suicídio, então, pouco se fala e talvez, a maioria das pessoas não saiba que ele causa a morte de mais de um brasileiro por hora, segundo dados do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Falamos, mas não o bastante “Se começarmos a falar em nossos círculos profissionais e pessoais, podemos deixar de perder 25 brasileiros ao dia”, afirma o CVV. Mas, ainda que a sociedade e a Teologia católica tenham dado passos enormes neste sentido, a questão permanece envolta em uma atmosfera de silêncio e pré-julgamentos. Durante a produção desta reportagem,

o metrô de São Paulo teve problemas de atraso. Era uma segunda-feira, 21, e, segundo o aviso sonoro o motivo foi “a presença de usuário na via”. Não é incomum para os usuários presenciarem casos de suicídio nas estações. A média brasileira é de seis a sete mortes por 100 mil habitantes, bem abaixo da média mundial – entre 13 e 14 mortes por 100 mil pessoas. Mas, enquanto a média mundial permanece estável, esse número tem crescido no Brasil. E a maior porcentagem está entre os jovens. Oscar Lópes Maldonado, professor de Teologia, observou que é preciso perceber que “a Igreja Católica passou da ideia de condenação, proibição de entrar na igreja ou do sepultamento no cemitério da comunidade, para uma Teologia aberta, incapaz de condenar ninguém, embora essa visão ainda permeie o imaginário popular”. Alex Villas Boas, professor de Teologia Moral na PUC-SP, esclareceu que “o aspecto essencial do Magistério eclesial é afirmar o valor da vida, e, de modo mais acentuado, da vida humana, por sua capacidade de decidir, a fim de ajudar as pessoas a decidirem pelo bem. O suicídio é, portanto, objetivamente um mal, pois atenta contra a vida da pessoa e provoca sofrimento irreparável para as pessoas que amam aquele que cometeu suicídio”. Importante ressaltar que a Teologia Moral tentou assimilar a contribuição das ciências psíquicas, sobretudo a contribuição da teoria freudiana, que apesar de seus limites, como de toda área da ciência, colabora com a descoberta do inconsciente e faz com que se olhe para aquilo que condiciona a liberdade humana. “Só Deus conhece a condição da liberdade de cada um e, portanto, cabe à Teologia Moral ajudar a encontrar as causas do suicídio e ser uma mensagem de confiança aos que se veem desesperados com seus dramas psíquicos e morais”, continuou Alex.

Sobre a teoria freudiana, Pollyana Brandão, 27, estudante de Psicologia, lembrou, em conversa com a reportagem, que, para Freud, a diferença entre um psicopata e um neurótico é que o psicopata quando assassina não sente nada, nenhuma espécie de culpa. “O neurótico, caso chegue a cometer um assassinato, não aguenta e se mata também. Mas, no caso de suicídio como único fato, a pessoa não tem coragem, ou capacidade de matar outro ou acabar com situação em que está envolvido. Essa energia de violência e de morte recai sobre si mesma”, comentou a jovem.

‘Para não frustrar ninguém, decidiu partir’ Era dia 9 de junho de 2011, quinta-feira ensolarada em Manaus (AM). Nadiele Alves, 26, foi acompanhar o amigo, Mário Célio Batista de Souza, 26, para comprar um terno para ele e outro para o filho de apenas 1 ano. Iria se casar em breve. “Mamãe ligou e perguntou se o Mário ia jantar em casa. Eu disse que não, mas ele pegou o celular: ‘Tia, tem feijão?’. A mamãe deve ter dito sim, e ele disse que ele iria jantar lá”, lembrou Nadiele. Conversaram aquela noite inteira, e, no dia seguinte, Mário começaria um novo emprego. Por volta de 4h30, foi pra casa. “Vi ele se distanciar e acenei com a mão. Ele respondeu com um largo sorriso. Por volta de 6h30, meu celular tocou, era o pai dele, chorando. Havia gritos dolorosos e amargos. ‘Ele morreu, se matou’. Fiquei em choque. Minha mãe desmaiou”, disse Nadiele. Além da dor daquele momento, a jovem lembrou que uma vizinha abraçou-a e disse: “Você sabe que ele vai para o inferno né?”. “Na hora, acho que nem escutei. Da casa dele pra minha são 120 passos, a gente contou aos 14 anos. Vi a mãe dele ajoelhada, chorando. Olhei mais à frente e o vi, com as mãos fechadas. Pendurado

pelo pescoço com a corda que amarrava a rede do pai.” “Eu olhava sem pensamento nenhum, sem lágrima nenhuma. Só lembro que, em algum momento, surgiu o primeiro de muitos por quês”, expressou Nadiele, para quem Mário deixou uma única carta. “Ele pediu desculpas por ter sido fraco, por não ter lutado pelos sonhos. Mas não sabia o que estava acontecendo. Achava que não seria capaz de encarar a nova vida, era tudo muito maravilhoso. Ele não merecia. Era sujo, indigno, incapaz de cuidar de tanta coisa boa que Deus tinha confiado a ele, e para não frustrar ninguém, decidiu partir, pois assim seria melhor pra todo mundo. Fiquei emocionalmente desiquilibrada durante um ano, recebendo visitas da psicóloga voluntária todos os dias, com a camisa dele numa mão e a carta na outra. Convivo com resquícios há três anos. Sinto impotência por não ter percebido e traição da parte dele por não ter se permitido viver”, confessou Nadiele. A data de 10 de setembro foi declarada como o “Dia Internacional de Prevenção do Suicídio” para que haja mais abertura entre as pessoas de conversarem sobre o tema. Segundo dados do Centro de Valorização da Vida, pelo menos nove em cada dez suicídios poderiam ser prevenidos se o suicida pedisse algum tipo de ajuda, ao contrário do que muitos pensam. Porém, para que isso aconteça, é necessário liberdade em falar do assunto. Sendo uma das organizações não-governamentais (ONG) mais antigas do Brasil, O CVV foi fundado em 1962 por um grupo de voluntários. O objetivo é escutar as pessoas em suas necessidades, momentos de angústia e desespero. Os mais de um milhão de atendimentos anuais são realizados por 2.200 voluntários em 18 estados mais o Distrito Federal, 24 horas por dia, pelo telefone 141, pessoalmente nos 68 postos de atendimento, pelo site www.cvv.org.br, via chat, Skype ou e-mail.

I D A Cerca de 25 pessoas se suicidam por dia no Brasil; lidar com o tabu é a melhor maneira de prevenir


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A popularização dos smartphones e a Web 2.0 facilitaram o acesso à leitura e divulgação da Sagrada Escritura Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

“No princípio era a Palavra, e a palavra estava junto de Deus, e a palavra era Deus...”. A leitura do Evangelho, segundo São João, embala mais um início de dia. De casa, no Jardim Vista Alegre, até o trabalho, em Higienópolis, são aproximadamente 15 quilômetros, mais de 1h30, um percurso realizado em dois ônibus. Mesmo com o ônibus lotado, e com o sol forte de início de primavera, a experiência de ler a Bíblia pelo celular, foi, mais uma vez, diferente. Em outra oportunidade, apenas por curiosidade e para consultar um versículo bíblico, acabei lendo por completo o livro do Cântico dos Cânticos. A facilidade de carregar a Bíblia “no bolso” aproxima essa coleção de livros milenares do dia a dia das pessoas, deixando um grande espaço na mochila ou na bolsa. Além da Bíblia propriamente dita, existem diversos aplicativos que usam trechos de livros bíblicos para meditação e oração, como a liturgia das horas e a Lectio divina, por exemplo.

Os aplicativos (Apps) O surgimento da Web 2.0, em 2004, e o aumento do número de dispositivos móveis, como os smartphones – celulares inteligentes –, tornaram mais dinâmico o acesso a conteúdos online que, necessariamente, não estão na internet. De acordo com o estudo da empresa de consultoria International Data Corporation (IDC), publicada no início deste mês, as vendas de smartphones no Brasil durante o segundo trimestre de 2014 somaram 13 milhões de aparelhos comercializados, um crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2013, número recorde. Além disso, a ideia da Web 2.0 não se refere à atualização nas especificações técnicas, e

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sim a uma mudança na forma como ela é percebida por usuários e desenvolvedores, ou seja, o ambiente de interação e participação que hoje engloba inúmeras linguagens. A Web 2.0 aumentou a velocidade e a facilidade de uso de diversos aplicativos. Em uma busca da palavra ‘bíblia’ nas lojas de venda de aplicativos da Apple e da Google são achados mais de 250 e 400 itens, respectivamente, que levam na composição do nome do aplicativo a palavra ‘bíblia’ – esses itens variam desde jogos ao livro propriamente dito. Desses aplicativos, há um que, somando os downloads das duas lojas virtuais, tem mais de 180 milhões de dispositivos no mundo que o instalaram. Com ele é possível, não apenas ler a Sagrada Escritura, mas escolher um idioma específico, criar amizades dentro do próprio App – como uma rede social –, fazer marcações, compartilhar passagens específicas, adicionar anotações, entre outras atividades. O setor “mobile” da Canção Nova criou o aplicativo “Diário da Palavra”, apenas para iPad. Com ele é possível, além da leitura do conteúdo, a marcação de versículos, páginas e anotação de comentários. Para fazer a leitura do conteúdo é possível utilizar o recurso folhear, passando por cada página. Entretanto, se o interesse for em uma informação específica, o usuário pode utilizar a busca localizada na canto superior direito da tela, que pode ser feita por: “traduções”, “livros”, “capítulos” e “versículos”. Outra forma de fazer o estudo bíblico é clicar, por alguns segundos, no versículo escolhido. Em seguida, é exibida na parte inferior da tela uma barra com quatro opções. As duas primeiras possibilitam compartilhar o conteúdo selecionado através das redes sociais como Twitter e Facebook. Há, ainda, aplicativos que fazem o usuário ter contato com a liturgia das horas, por exemplo, em dispositivos que usam o sistema IOS (iPhones e iPads), é possível usar o aplicativo “iLiturgia”. Com um layout de fácil acesso, o App apresenta ao usuário o tempo litúrgico que a Igreja está celebrando, o santo do dia e a cor litúrgica para aquela celebração.

Com esse aplicativo, é possível celebrar o ofício das leituras, as laudes, as horas terça, sexta e nona, além das vésperas e das completas. O App permite que seja feita a oração do rosário, apresentando todos os mistérios e, para que o usuário não se perca nas Ave-Marias, existe um botão para ser tocado e ao final para contabilizar as vezes que a oração já foi realizada.

Uma experiência que se multiplica e se compartilha Em tempos de rede, o verbo “compartilhar” assumiu uma proporção ainda maior. Em alguns clicks, qualquer usuário consegue tornar público um pensamento e uma tarefa que está sendo realizada. Assim, as experiências e contatos com a Palavra de Deus são vividas intimamente, em um primeiro momento, porém, logo são tornadas públicas nas redes sociais. Por essa questão, muitos dos aplicativos facilitam ao usuário que ao ler uma passagem, ao meditar um salmo, ao rezar com o trecho do Livro Sagrado, pode compartilhar o conteúdo em suas redes sociais. Nas redes sociais, por sua vez, a experiência de compartilhamento da Bíblia – e consequentemente, sua divulgação –, tem sido feita em grandes proporções. Em uma das redes mais populares no Brasil, o Facebook, há centenas de grupos e páginas dedicados ao estudo bíblico, à divulgação de atividades

A Bíblia na ponta dos dedo


a os

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Luciney Martins/O SÃO PAULO

relacionadas à leitura bíblica e mais uma dezena de atividades e iniciativas. Uma dessas páginas, por exemplo, é a do Centro Bíblico Verbo, que como se define é: “Um centro de estudos que há 25 anos está a serviço do Povo de Deus, desenvolvendo uma leitura exegética, comunitária, ecumênica e popular da Bíblia. O Centro Bíblico Verbo produz os materiais bíblicos e oferece cursos regulares de formação bíblica, em diferentes modalidades”. Na página da entidade é possível encontrar reflexões voltadas para auxiliar na Catequese e nos grupos e círculos bíblicos, além das fotos das diversas formações que o grupo desenvolve pelo Brasil afora.

Uma história que se modificou com passar dos anos No dia 30 de setembro, celebra se São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja. Neste dia, também, é comemorado o “Dia da Bíblia”, pois o santo foi o responsável pela tradução da Sagrada Escritura a partir dos textos originais e a revisão da antiga versão latina. Isso ainda por volta do ano 405, no século V. Dez séculos depois, em 1455, Johannes Gutenberg, inventor e gráfico alemão, produzia a primeira Bíblia impressa. Uma cópia completa dessa Bíblia possui 1.282 páginas, com texto em duas colunas; a maioria era en-

cadernada em dois volumes. Hoje, em pleno século XXI, é possível ler a Bíblia na “palma da mão” e acessá-la a qualquer momento e em qualquer lugar. “Como não tiro o celular da mão é uma forma de estar em contato com a Palavra de Deus”, afirmou o estudante de Filosofia Marcus Túlio. Marcus comenta que sempre que tem uma oportunidade, aproveita para ler a Bíblia, ou rezar a liturgia das horas, mas ainda assim destaca que, por mais que os aplicativos facilitem o acesso a Palavra de Deus, se a “pessoa não tiver uma intimidade com o livro, dificilmente se ‘encantará’ pelo App”. O jovem atua em sua paróquia na Liturgia e Catequese e afirma que sempre que precisa dar uma formação usa o tablet e o aplicativo da Bíblia. De acordo com ele, as catequistas mais idosas “acham o máximo”, e mesmo não tendo muita intimidade com os Apps, surpreendem ele com as perguntas: “Você tem ‘Face’? Posso te adicionar?”. Outro jovem que faz uso da Bíblia em seus dispositivos eletrônicos é Everton Calício. Ele utiliza há aproximadamente três anos, como “uma forma que encontro, para estar em contato com minha fé, no dia a dia corrido, já que estudo e trabalho”. O uso que ele faz do App da Bíblia é mais para consulta de versículos e meditação, além da Lectio divina. Para Everton, os aplicativos da Bíblia auxiliam sim, mas “é claro, que o ambiente, na minha opinião, faz toda a diferença. Por exemplo, sinto que minha oração tem mais fluidez dentro de uma igreja do que dentro do ônibus, no smartphone, porque lá, a chance de eu me dispersar é maior”. Para o Doutor em comunicação e semiótica e assessor do Centro de Estudos Bíblicos (Cebi), Rafael Rodrigues da Silva, há duas avaliações para serem feitas sobre o uso da Bíblia em dispositivos eletrônicos. De uma forma mais positiva, avalisa Rafael, a popularização desses dispositivos serve como uma maneira de evangelização. “E assim pode ser visto como positivo, porque você vai disseminando o uso da Bíblia, a leitura dos textos e certa espiritualidade”, afirma. Por outro lado, Rafael comenta que essas novas tecnologias podem tirar a dimensão do

texto escrito, do instrumento da leitura e, até mesmo, do papel, da dimensão da Palavra no papel, De acordo com ele, há outra relação com o texto sagrado, quando lido em um dispositivo eletrônico ou quando lido no papel. O assessor do Cebi confessa que possui o aplicativo da Bíblia em seu tablet e usa sempre que precisa achar, de uma forma mais rápida, uma passagem, ou um texto. Rafael salienta que não se pode transformar a leitura, por meio de Apps, na única forma de ler a Bíblia, por mais que os dispositivos estejam colocando a Palavra mais próxima dos jovens, é preciso buscar trabalhar as duas dimensões. Já Welder Lancieri Marchini, mestrando em Ciências da Religião, que escreveu um estudo na área pastoral sobre a “catequese e as novas tecnologias”, destaca que o uso dos dispositivos eletrônicos “está mudando o modo de nos relacionarmos com os conteúdos”. Por mais que o leitor não tenha o livro físico, o uso do dispositivo pode tornar o livro acessível. Na concepção dele, “isso muda a Catequese não o principio catequético”. Welder afirma não ter uma visão “nem positiva, nem negativa”, apenas que isso é uma característica do mundo moderno. “Isso é próprio do mundo em que vivemos, as pessoas estão usando esses meios e isso vai mudar a forma como nos relacionamos, inclusive com a Palavra de Deus”, concluiu. Questionado sobre o uso desses dispositivos durante a liturgia, Welder afirma não ter pensado nesse uso, mas não vê “que isso traria uma mudança nos conteúdos da fé ou nos símbolos, a Palavra de Deus não é o papel, se eu tenho um tablet eu tenho a Palavra de Deus do mesmo modo, mas do que o papel, ela é a mensagem”. Welder destacou que é preciso trabalhar com as catequistas “a atitude de perder o medo das novas tecnologias”, pois elas estão cada vez mais “presentes na vida dos catequizandos e se o catequista tem medo disso, porque ele tem medo de não dar conta da turma, dos anseios do catequizando, ele só vai perder. Se, por outro lado, ele assimila isso, ele vai ganhar o catequizando. Não é uma questão de ser contra os meios tecnológicos, mas é de assumir o catequizando que usa isso”.


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Rafael Leitão/Abaçaí

Um festival de cultura feito à mão

Fotos: Nayá Fernandes/O SÃO PAULO

XVIII Revelando São Paulo reuniu manifestações culturais e artísticas do Estado, com a presença de mais de 1 milhão de pessoas Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Culinária, artesanato, fé, música e mãos, muitas mãos à obra. Pelos corredores, tachos sobre fogão a lenha, doces sendo apurados, café no bule e coador de pano, cachaças caseiras, senhores esculpindo madeira, pedra sabão, mulheres tecendo a palha do coqueiro, de bananeira, fazendo crochê e fuxico, rodas de moda de viola, indígenas com seus artesanatos, negros, gente que veio de longe mostrar sua arte. Essas e outras manifestações culturais, parte do Patrimônio Imaterial de São Paulo, como Folias de Reis e do Divino, Congada, Tropeiros e Bonecões, puderam ser vistas por quem visitou entre 12 a 21, no Parque Vila Guilherme-Trote (PVGT), o “Revelando São Paulo” – XVIII Festival da Cultura Paulista Tradicional. Com martelo e madeira em uma mesinha no fundo do estande, Jesuel Fernandes fazia mais um aviãozinho enquanto uma menininha com o pai escolhia a borboleta verde para brincar. Jesuel e sua esposa, Luiza de Paula Fernandes, vieram de Américo Brasiliense (SP) e, durante todo o ano, participam de eventos e feiras para expor os brinquedos. “Acho que o brinquedo de madeira, feito à mão, tem seu espaço privilegiado, para um público determinado”, disse Jesuel, que mesmo otimista em relação ao seu trabalho, admite que a indústria dos brinquedos é cruel e, estimula o consumismo desde cedo nas crianças. Também da madeira é que Ednelson José Andrioti, 59, de Cândido Mota (SP), extrai as pe-

Ednelson, de Cândido Mota, participa do Revelando há cinco anos e mostra peças artesanais com madeira e palha

‘Agostinho da Paçoca’ esbanja alegria

ças que ele orgulhosamente mostra e estimula o tato, o olfato e o olhar de quem passa por ali. “Esta é raiz de aroeira, eu praticamente não fiz nenhuma intervenção”, disse, mostrando um porta canetas. As dezenas de objetos de decoração expostos são raízes ou pedaços de eucalipto vermelho, ypê, canelinha, goiabeira. “Recolho o que a natureza ou algumas construtoras descartam e me encanto com o resultado, pois cada peça é única. Minha esposa também faz artesanato com palha de milho e, assim, fazemos uma boa parceria”, afirmou o artesão. E, se alguém, desavisado, desconfiou da perfeição nos detalhes das cestas no estande de Caraguatatuba (SP), estava ali, senta-

para provar. Paçoca de amendoim com farinha de milho, com farinha de mandioca ou açúcar mascavo, de carne ou de torresmo. “Quem compra leva a sacolinha de brinde”, brincava o senhor de cabelos e jaleco brancos, que já foi desenhista mecânico, músico e historiador. Mas deixou tudo para começar uma pequena fábrica de doces caseiros e paçoca. “Além disso, faço pilões e instrumentos musicais e já escrevi vários livros. Alguns até me chamaram de Monteiro Lobato Moderno”, disse Agostinho José da Silva, o “Agostinho da Paçoca”, também conhecido por “Vô Gustinho”, que mora em Guaratinguetá (SP) e é um grande conhecedor da culinária e da cultura brasileira, contador de causos e inventor. “Uma nação que melhora seu ato de cozinhar, melhora sua civilização”, afirmou Agostinho, que emendou outras várias conversas sobre literatura, doce, pilão e tudo o que faz parte da vida deste homem que deixou tudo para trabalhar com as mãos. Há mais de dez edições participando do “Revelando São Paulo”, o paulista de Guaratinguetá esbanja saúde, simplicidade e alegria. Aliás, característica marcante em todos por ali.

Especulação e ameaças Mesmo com uma trajetória de 18 anos, e tendo reunido, somente na edição 2014, cerca de 1 milhão de pessoas e mais de 10 mil alunos em visitas guiadas sofre a cultura do interior paulista, o evento sofre ameaça de uma nova mudança. O “Revelando” acontecia no Parque da Água Branca, e teve que sair

da numa cadeira, com luvas nas mãos, Luana Kogus, 29, tecendo a palha do coqueiro enquanto conversava com a reportagem. Durante a semana, ela tem outro trabalho e cursa faculdade, mas, aos fins de semana, expõe seu artesanato nas feiras da cidade. “O artesanato é uma forma de manter viva a pessoa do meu pai, que faleceu há oito anos. Ele era conhecido na cidade por seu artesanato”, disse a jovem, emocionada. Na décima oitava edição, o “Revelando” também não deixou de lado a tradição que tomou conta do bairro, local que, até 2005, mantinha a Sociedade Paulista de Trote. Assim, cavaleiros vestidos com trajes típicos mostraram suas habilidades e carros

de boi, passearam sob os olhos atentos das crianças. A cultura e culinária de outros países também foram representadas nos dez dias do evento. Portugueses, poloneses, chineses, bolivianos, com suas comidas e trajes típicos, mostraram aquilo que qualquer passeio pelas ruas da capital faz saltar aos olhos; a diversidade. O “Revelando São Paulo” é um festival de cheiros, cores e costumes de gente que vive as próprias raízes e faz questão de mostrar a todos que o que vale também é o fazer-se em grupo, é o fazer com as mãos.

devido à reformas no parque. Segundo Roberto Freire, presidente da Associação de Amigos do Parque Vila Guilherme-Trote, há uma grande especulação imobiliária desde sua ampliação, em 2006. Por isso, os expositores apoiaram um abaixo-assinado contra a construção de um shopping center ou torres de apartamentos na área de 178 mil m2 que pertenciam ao Mart Center. No estande de artesanato do

grupo de detentas da Penitenciária Feminina Santana, estava Márcia Cataldo com um formulário explicativo e uma lista para recolher assinaturas. “Se tirarem o “Revelando” daqui, não sei que outro espaço o poderia receber tão bem, porque não é um evento como os outros. Além disso, ficará prejudicada uma das únicas áreas verdes dessa região”, lamentou a responsável pelas oficinas de artesanato na penitenciária. (NF)

A paçoca de Agostinho Os pilões em fila, a colher generosa e muitas mãos estendidas


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Geraldo Alckmin

‘São Paulo vive seu melhor momento’ Divulgação

Daniel Gomes

cerca de 67,4 milhões de metros cúbicos de água e vão reduzir a dependência da região do Sistema Cantareira. Essas obras darão muito mais segurança hídrica para o Estado nos períodos de estiagem.

danielgomes.jornalista@gmail.com

Para concluir a série de entrevistas com os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas Datafolha e Ibope na disputa pelo Executivo Paulista, O SÃO PAULO concede a palavra a Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição ao governo estadual.

O senhor tem sido defensor de que haja uma alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para que se aumente de três para oito anos o prazo de internação de menores que cometeram crimes hediondos. Por que tal medida beneficiará a sociedade? As unidades da Fundação Casa têm estrutura para ressocializar esses menores em oito anos? Qual seria o custo adicional?

O SÃO PAULO - Caso o senhor seja reeleito, o PSDB completará 24 anos a frente do Executivo Paulista. Tamanha permanência de um mesmo partido no poder é saudável para o processo democrático? Em duas décadas no comando, em que aspectos efetivamente o PSDB fez o Estado de São Paulo avançar? Geraldo Alckmin - O mandato é de quatro anos. Você sempre se submete ao julgamento popular. É o povo que julga e que diz se o governo deve continuar ou deve ser interrompido. Confio muito no julgamento popular. Somado a isso, São Paulo vive seu melhor momento, com capacidade de investimento recorde de R$ 23 bilhões e o menor endividamento dos estados. A revista The Economist coloca que São Paulo tem a melhor administração pública e é o Estado mais competitivo.

Em seu programa de governo, não há menção sobre iniciativas de ensino religioso na rede pública estadual paulista. O senhor tem algum plano para o ensino religioso no Estado? Seria possível inseri-lo no contexto da ampliação das escolas de tempo integral e nos planos de capacitação dos professores? São Paulo segue a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que prevê o ensino religioso facultativo nas escolas. A disciplina é oferecida aos alunos matriculados no nono ano do Ensino Fundamental e é opcional. Antes do início do ano letivo, é feita uma consulta aos pais dos alunos. A partir disso, se institui se haverá turmas de ensino religioso. Se a turma não for formada, a aula será destinada à disciplina de matemática, conforme a resolução. Os alunos que escolherem não acompanhar as aulas de ensinos religiosos fazem reforço de outra disciplina. Atualmente, 269 escolas da rede estadual aplicam a disciplina com 415 docentes.

Pretende aperfeiçoar as parcerias com as organizações sociais ligadas à Igreja, especialmente nos serviços de saúde e assistência social?

É fundamental o trabalho da Igreja para a sociedade no auxílio aos mais necessitados. A ajuda ao Governo do Estado é de extrema importância no combate às drogas e no apoio aos familiares dos dependentes químicos. O Programa Recomeço é um ótimo exemplo. Comunidades terapêuticas, com ou sem vínculos religiosos, ajudam o Estado e as secretarias de Desenvolvimento Social, Saúde, Justiça e Defesa da Cidadania na oferta de tratamento aos dependentes, além de acolhê-los no processo de reinserção na sociedade. Também temos parcerias em outros programas sociais, como o Bom Prato, que chegará a 51 unidades até o final do ano e serve 75 mil refeições por dia em todo o Estado, e em AMEs e Santa Casas, gerenciadas por Organizações Sociais. Vamos reforçar essa parceria com mais ações.

Têm sido recorrentes as reclamações dos usuários sobre a lentidão e a superlotação das composições da CPTM e do Metrô. Não há outras alternativas para resolver a questão além do aumento da quantidade de linhas e de veículos sobre trilhos? Estamos avançando nas obras do Metrô, da CPTM e da EMTU. Já são 101 quilômetros de trilhos em obras: o maior investimento metro-ferroviário da América Latina, com R$ 45 bilhões. Mais 52 quilômetros de corredores de ônibus. E uma novidade: o cartão BOM, que integra trem, metrô e ônibus, agora terá desconto. Garantindo mais tempo livre com mais economia. Com bom transporte coletivo, a pessoa

fica mais com a família e tem melhor qualidade de vida.

Qual o planejamento do senhor, caso reeleito, para garantir o abastecimento de água no Estado mesmo se os índices de chuva em 2015 se mantiverem baixos como foram este ano? São Paulo é o Estado que mais investe em saneamento e abastecimento no País. Entre 1995 e 2013, foram investidos R$ 9,3 bilhões em medidas para aumentar a segurança do abastecimento de água só na Região Metropolitana de São Paulo. Nesse período, a capacidade de produção de água subiu de 57,6 m³/s para 73,2 m³/s. Evitamos o racionamento em todas as cidades atendidas pela Sabesp, mesmo durante esta que é a maior seca dos últimos 84 anos. Vamos continuar as obras para elevar a produção de água e saneamento. Em maio de 2011, entregamos as obras de ampliação do Sistema Alto Tietê, resultado da primeira PPP em saneamento do País. A Estação de Tratamento de Taiaçupeba, em Suzano, teve a capacidade de produção aumentada, passando de 10 mil litros por segundo para 15 mil litros por segundos. Esse acréscimo no sistema é suficiente para abastecer cerca de 1,6 milhão de pessoas. Vamos concluir a PPP do São Lourenço, já em obra, e interligar as represas Atibainha e Jaguari. Também vamos fazer dois grandes reservatórios, que já estão projetados, na Bacia dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari (PCJ). O reservatório Pedreira será construído no rio Jaguari, na divisa entre Pedreira e Campinas, e o Duas Pontes, no rio Camanducaia, em Amparo. Juntos, eles irão armazenar

O ECA é uma boa lei e assegura os direitos da criança e do adolescente, mas não dá resposta aos casos graves e reincidentes. Estive recentemente na Câmara dos Deputados, em Brasília, para pedir agilidade na votação da proposta que torna mais rigoroso o ECA para crimes hediondos. A impunidade deseduca. Uma das propostas é aumentar a pena para o adulto que corrompe o menor para levá-lo a cometer crimes.

O senhor é favorável a alguma mudança na legislação que aumente, reduza ou mesmo legalize o acesso ao aborto? Sou contra. Sou favorável ao planejamento familiar. Entendo que a Legislação atual é correta.

Nos últimos quatro anos têm se intensificado os casos de adolescentes e jovens mortos nas periferias de São Paulo e em alguns casos há indícios de participação de policiais militares. Como o Estado tem reagido diante disso? As escolas de formação de policiais são muito rigorosas e têm cursos voltados à questão de direitos humanos, respeito às pessoas. A Polícia de São Paulo é extremamente preparada. Ela faz cumprir a lei, mas com respeito às pessoas. Em casos de abuso e infração, a Corregedoria, que é a maior do País, sempre apura os policiais envolvidos. Nos casos que são comprovados o envolvimento, os PMs são expulsos da corporação e respondem processos civil e criminal. Desde 2011, 759 policiais foram expulsos do quadro da PM. Antes, demorava anos e anos para você concluir o processo e tirar o mau policial. Agora, a gente faz isso em meses. Essa é a orientação, não há nenhuma tolerância com desvio de conduta. Trabalhamos com tolerância zero.


16 | Fé e Cultura |

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Filipe David

Violência e armas

Divulgação

Entre os dias 2 e 4 de outubro, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) tocará, na Sala São Paulo, a terceira sinfonia de Gustav Mahler, compositor e maestro austríaco do início do século XX. Mahler foi um dos últimos compositores de uma linhagem com-

Dica de Leitura

Há dez anos, o Brasil declarava guerra às armas. Em 2003, foi aprovado o estatuto do desarmamento, que dificultou o acesso às armas de fogo legais em território nacional. O artigo 35 desse estatuto, que proibia pura e simplesmente o comércio de armas, foi rejeitado pelo referendo realizado em 2005. Hoje, quase dez anos depois do referendo, o País registra um número de homicídios superior a 50 mil ao ano, mais de 25 homicídios anuais por 100 mil habitantes. Para se ter ideia, boa parte dos países europeus possui uma taxa inferior a um homicídio por 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos, são menos de cinco e, no Japão, menos de 0,5. Boa parte dos chamados “formadores de opinião” costuma culpar o comércio de armas de fogo pela violência. Mas será que a proibição das armas tem realmente o efeito de reduzir a violência? É o que discute Joyce Lee Malcom em “Violência e Armas”, livro recentemente traduzido para o português e publi-

3ª sinfonia de Mahler na Sala São Paulo

cado pela Vide Editorial. Em um estudo histórico sobre a sociedade inglesa a partir da Idade Média até o século XX, Malcom analisa os impactos de diferentes fatores na criminalidade e

sua relação com as armas de fogo, como a guerra, a economia e a legislação penal. Em seguida, analisa a efetividade das atuais leis restritivas ao comércio de armas no combate à violência.

Cinema

Cultura

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posta por nomes como Beethoven, Schubert, Liszt, Wagner, Bruckner e Brahms. Morto em 1911, sua obra conheceu um relativo descaso até a metade do século passado, quando foi reavivada por grandes compositores, notadamente por Leonard Bernstein a partir dos anos 60.

A vida espiritual reduzida a três princípios Em “A vida espiritual reduzida a três princípios”, o leitor vai encontrar a ciência da vida espiritual dos Santos, de modo condensado, prático e possível de se viver. Nessa obra, encontraremos, como diz o título, toda a vida espiritual simplificada e reduzida a três lições fundamentais – Orar, Vencer-se e Amar o Divino Salvador –, sem as quais a mais transcendente ascese de nada serviria. Padre Meschler é considerado, sem contestação, como um dos mestres mais abalizados da espiritualidade dos tempos modernos. Suas obras e publicações nos diversos terrenos da vida espiritual são tão numerosas quanto apreciadas. “Esse livro do padre jesuíta Mauricio Meschler, escrito em 1909, como

Divulgação

todo bom livro de espiritualidade, nunca perdeu o seu valor”, afirma o professor Felipe Aquino. FICHA TÉCNICA Autor: R. P. Mauricio Meschler, S. J. Editora: Cultor de Livros 204 páginas

Livrai-nos do mal Está nos cinemas o filme “Livrai-nos do mal”, do diretor Scott Derrickson, o mesmo de “O exorcismo de Emily Rose”. O filme se diz baseado em fatos reais e conta a história de um policial de Nova Iorque que precisa derrotar o líder de

uma seita satanista, mas que antes terá que recuperar a sua fé. Suspense extremamente assustador, o filme é construído sobre uma visão essencialmente cristã da realidade, mas atenção: contém cenas fortes de violência.

ATOS DA CÚRIA ADMINISTRADOR PAROQUIAL Em 13 de setembro de 2014, foi nomeado Administrador Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia São Luís Maria Grignion de Montfort, Região Episcopal Brasilândia, o Revmo. Pe. Sérgio Antônio Bernardi, CRL.

VIGÁRIO PAROQUIAL Em 13 de setembro de 2014, foi nomeado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia São Luís Maria Grignion de Montfort, Região Episcopal Brasilândia, o Revmo. Pe. Fábio Rodrigo Cherubim, CRL.


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Uma virada esportiva com múltiplas atividades Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Oitava edição do evento teve a presença de atletas profissionais e de ‘amadores’ transformados em esportistas por um dia Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

O último fim de semana, dias 20 e 21, foi marcado pelas mais de 2 mil atividades da 8ª Virada Esportiva, evento organizado pela prefeitura de São Paulo, ao longo de 34 horas, em diferentes pontos da cidade, como praças, parques, centros esportivos e centros educacionais unificados (CEU). A reportagem do O SÃO PAULO acompanhou as ações realizadas nas proximidades do Vale do Anhangabaú, no centro da cidade, que misturaram adrenalina, cultura esportiva e dicas de saúde.

LUTA

De longe era possível ouvir e empolgação da torcida na Arena Temática de Artes Marciais, montada nas proximidades do Viaduto Santa Ifigênia. Nela, era possível praticar e conhecer detalhes sobre Kung Fu, Tai Chi Chuan, Capoeira, Judô, Taekwondo, Jiu-Jitsu, Kickboxing e Boxe. Nas apresentações de Kung Fu, – uma arte marcial milenar que surgiu em templos, quarteis militares e vilas camponesas da China, a partir da observação da postura dos animais, – chamou a atenção a grande quantidade de jovens. Estariam eles atraídos por uma atividade violenta? Não! É o que garantiu Fábio José de Melo, 37, preparador da Liga Garra Águia de Kung Fu. “Quem pratica não é treinado para brigar, para a violência, mas para desfrutar da arte marcial como um esporte ou para poder se defender. O principal motivo do treino do Kung Fu é para se ter uma filosofia de vida, é algo para fortalecer o corpo e a mente”.

DESCE

Quem aguardava na fila em cima do Viaduto do Chá talvez tenha se assustado um pouco com o barulho do atrito das roldanas com o cabo aéreo, mas não se intimidou a praticar a Tirolesa, atividade de aventura originária da região de Tirol, na Áustria, e que tem sido intensificada no Brasil desde a década de 1990. O percurso entre o alto do Viaduto e o Vale do Anhangabaú levava cerca de um minuto e atraiu a atenção de Carlos Cesar Caitano, 50. “É emocionante, não senti medo, apesar de ser a primeira vez. O bom de ter a ‘Virada’ é que incentiva as pessoas a praticar esportes”. Segundo Marcos Bernardes, 38, montanhista há 20 anos e que foi um dos orientadores da Tirolesa, a prática pode ser feita por qualquer pessoa e é segura. “No final do percurso, existem dois guias para receber a pessoa, freando a corda, se chegar muito rápido, ou puxando até o fim, se parar pelo caminho. A pessoa usa um cinto, que a gente chama de cadeirinha, uma fita tubular, mosquetão de alumínio, mosquetão de aço, tudo superdimensionado para que aguente, ao menos, 1,5 toneladas”.

SOBE

Um grande “paredão azul” no Vale do Anhangabaú chamava a atenção de quem circulava pelo local. O desafio era praticar a Escalada. Algo diferente, que Helena Souza, 34, aceitou fazer pela pri-

esportista Maurren Maggi, 38, medalhista de ouro na Olimpíada de Pequim 2008, nas disputas do salto em distância. “Ninguém melhor do que eu que sou atleta, que sei a importância da respiração, para falar para as pessoas sobre isso. Fui convidada e aceitei na hora, porque acho muito importante passar para todos que a gente respirando melhor e tendo uma vida mais ativa com a respiração, pode melhorar nosso dia a dia”, afirmou Maurren à reportagem.

AGENDA ESPORTIVA Quarta-feira (24) 22h – Brasileirão de Futebol São Paulo x Flamengo (Morumbi) Quinta-feira (25) 19h30 – Brasileirão de Futebol Palmeiras x Vitória (Pacaembu)

meira vez. “Não sou esportista. O máximo que eu faço é abdominal em casa, sempre tive vontade escalar. Adorei, é delicioso. Vou fazer a escalada de novo e me informar sobre o esporte”, disse, sorridente, mesmo sem ter conseguido chegar ao topo da Escalada. Na avenida Paulista, dez escaladores profissionais aceitaram escalar parte da fachada Edifício Gazeta, mesmo sob a garoa da

tarde do sábado, 20. Quatro deles chegaram à etapa final e quem cumpriu o percurso mais rápido foi o gaúcho Dione Capelani, em um minuto e nove segundos.

RESPIRA

“Respire pelo nariz e viva melhor” foi o lema de uma campanha divulgada no Vale do Anhangabaú por meio de um grande nariz inflável, dentro do qual as pessoas

aprendiam sobre as funções das narinas e dos benefícios da respiração nasal na prática esportiva e no dia a dia, como a melhora no olfato, no sono e no desenvolvimento dos ossos da face, da fala e da linguagem. Promovida pela Academia Brasileira de Rinologia e pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, a iniciativa teve como madrinha a

Sábado (27) 21h - Brasileirão de Futebol São Paulo x Fluminense (Morumbi) Domingo (28) 18h30 – Brasileirão de Futebol Santos x Goiás (Pacaembu) Terça-feira (30) 20h – Paulista de Basquete Masculino Paulistano x Limeira (Ginásio do Paulistano – rua Colômbia, 77, Jardim América)


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Brasilândia

Renata Moraes

Colaboradora de comunicação da Região

Em assembleia, são definidas prioridades para 2015

A Região Episcopal Brasilândia realizou no sábado, 20, sua assembleia regional de pastoral, que aconteceu no salão da Paróquia Santos Apóstolos, no Jardim Maracanã. Cerca de 150 pessoas, entre padres, diáconos, religiosos e religiosas, coordenado-

res dos conselhos de pastorais e leigos deram continuidade às discussões para o projeto pastoral do próximo ano. A acolhida do encontro coube ao Padre Reinaldo Torres, coordenador de pastoral da Região, e a oração inicial foi feita pela equipe das CEBs.

Foram apresentadas as quatro linhas de destaque para a discussão, com os temas: Família, Iniciação à Vida Cristã, Juventude e Formação. Após a explanação dos temas e as considerações gerais de Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidioce-

se na Região Brasilândia, os participantes foram divididos em grupos para apresentar as sugestões pastorais referentes aos temas. Na plenária e exposição dos resultados, os grupos que discutiram o tema Família apontaram à necessidade de se retomar as visitas aos núcleos familiares, e evangelizar as famílias a partir da iniciação cristã. Sobre juventude, os leigos identificaram que é preciso ampliar os espaços para os jovens, criando estratégias para atingi-los e convocá-los. Festivais de música e dança para os jovens foram os apontamentos práticos para 2015. Na Iniciação à Vida Cristã, os fiéis refletiram ser ne-

cessário retomar a maneira de viver o querigma, e dinamizar e renovar a maturidade da fé. E por fim, sobre a formação, as pastorais identificaram a necessidade de renovação das lideranças e de novos investimentos. Todos os apontamentos serão levados para a próxima reunião do Conselho Regional de Pastoral, que fará o documento final para ser apresentado na Assembleia Arquidiocesana, em 8 de novembro. Dom Milton citou a importância da formação e preparação dos leigos para o ingresso de novos integrantes e ressaltou a necessidade de que integrem os conselhos participativos e outras representações na sociedade.

Festa de Santa Terezinha: ‘Amar a Jesus e fazê-lo amado’ Entre 25 de setembro e 4 de outubro, acontece a Festa de Santa Terezinha do Menino Jesus, que neste ano terá como tema “Amar a Jesus e fazê-lo amado”.

Durante todos os dias da novena haverá missa às 20h, com um padre diferente convidado para presidir as celebrações. Aos finais de semana, após as missas, haverá barraca de do-

ces e salgados, além de brincadeiras para as crianças. No dia 1º, dia da padroeira da Paróquia Santa Terezinha (rua Jorge Palmiro Mercado, 143, Vila Terezi-

nha), haverá missa às 20h, presidida por Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia. Outras informações pelo telefone (11) 3921-9577.

Mutirão Bíblico no fim de semana Os sete setores pastorais da Região Brasilândia realizam no fim de semana, dias 27 e 28, atividades do Mutirão Bíblico, com

convite à participação de paroquianos nas igrejas da Região. No Setor Nova Esperança, o Mutirão

será no sábado, 27, às 19h, na Paróquia Santa Rita de Cássia (rua João Melo Câmara, 47, Vila Progresso). No domingo, 28, às 14h, acontecerão as atividades do Mutirão nos demais setores: Setor Cântaros, na Paróquia Santa Terezinha (rua Jorge Palmiro Mercado,143, Vila Terezinha); Setor Freguesia do Ó, na Paróquia São José (rua Ribeirão das Almas, 337, Vila Palmeiras); Setor Jaraguá, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição (rua Nossa Senhora da Conceição, 117, Jaraguá); Setor Pereira Barreto, na Paróquia São Luís Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Morvidi, 1, Vila Pereira Barreto); Setor Pe-

rus, na Área Pastoral Santíssima Trindade - Comunidade Deus Pai dos Humildes (rua Antúrio Rosa, 1, Conjunto Habitacional Recanto dos Humildes); Setor São José Operário, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3.907, Itaberaba). Outros detalhes podem ser obtidos pelo telefone (11) 3924-0020.

AGENDA REGIONAL Sábado (27), 19h Terço dos Jovens pela Paz, do Grupo Jovens em Cristo, da Paróquia Bom Jesus dos Passos (rua Professor João Machado, 856, Nossa Senhora do Ó). Renata Moraes - set.2013


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves e José Henrique Monfré Colaboradores de comunicação da Região

Lideranças pastorais planejam ações para 2015 Diácono Francisco Gonçalves

Coordenações de pastorais, de novas comunidades e movimentos refletem ações e traçam metas futuras

A Região Episcopal Santana reuniu, no sábado, 20, no Colégio Luiza de Marillac, as coordenações paroquiais, setoriais e regionais de pastoral, de novas comunidades e movimentos para refletir sobre as ações pastorais desenvolvidas e planejar, com base no 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese

de São Paulo, metas para atuação em 2015. Presidida por Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, o evento, realizado pela coordenação regional de pastoral, sob a responsabilidade do Padre João Luiz Miqueletti, teve inicialmente um mo-

mento de espiritualidade com a participação da banda Canto de Maria, que neste ano completa 25 anos de evangelização. Ao iniciar os trabalhos, Padre João Luiz explicou os objetivos do encontro: fazer uma análise dos trabalhos pastorais realizados nos últimos anos segundo a urgência “Igreja Casa

de Iniciação à Vida Cristã”, do 11º Plano de Pastoral arquidiocesano; e planejar o ano de 2015, seguindo os critérios das urgências “Igreja em Estado Permanente de missão” e “Igreja a Serviço da Vida Plena para Todos”, igualmente do 11º Plano de Pastoral. O Coordenador incitou a todos a atuar numa pastoral de conjunto, buscando a essência da evangelização que é o encontro com Cristo. Os participantes foram distribuidos em nove grupos correspondentes aos Setores em que está dividida a Região, para refletir e trazer ao plenário as ações pastorais a serem focadas no próximo ano. Após a apresentação dos

grupos e verificando quais projetos tiveram maior acolhida, se destacaram as seguintes atividades pastorais: família, missão permanente e missão social. O Bispo lembrou que o que deve nortear ação pastoral regional é o 11º Plano de Pastoral e o documento “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia” (Estudos da CNBB 104), que já está sendo refletido com o clero e os agentes de pastoral. Dom Sergio encerrou o encontro enaltecendo o trabalho realizado e afirmando que no início do próximo ano se reunirá nos Setores para empreender ações baseadas nas prioridades levantadas na assembleia.

Células de evangelização impulsionam paroquianos na São Benedito Na evangelização paroquial na Região Santana destaca-se o que é desenvolvido na Paróquia São Benedito, que realiza uma experiência originária do Mato Grosso do Sul pela Comunidade Fanuel – Rosto de Deus, a partir do movimento fundado em Milão, na Itália, pelo sacerdote Pigi Perrini: células de evangelização. O trabalho em células é um grupo de relacionamento constituído de até 12 pessoas, reunindo-se semanalmente em uma casa em particular, geralmente na casa do líder da célula. Se a “estratégia” de evangelização funciona e aumenta o número dos participantes, nasce uma nova célula com um novo responsável, assim como se multiplicam as células na biologia. As

Eliseu Sousa Junior

células estão presentes em todos os continentes, em 40 países. Na Paróquia São Benedito, no bairro do Jaçanã, as células começaram em 2007 e atualmente existem 32, sendo sete delas formadas por cem jovens.

Elizeu Sousa Junior, líder de células jovens, informa que a Paróquia atua com células baseadas no tripé espiritualidade, formação e ação. Há muito estudo bíblico e ação social, pois a Paróquia está sob a orientação dos Padres Josefi-

nos, que têm uma forte ação social em seu carisma. Mensalmente, juntam-se todas as células com pregação, espiritualidade e louvor. “Célula não é grupo de oração nem de discussão bíblica. Célula é uma pequena comunidade cristã que tem a multiplicação do corpo de Cristo como objetivo. Nesse sentido, célula é uma miniatura da Igreja, reunindo-se nos lares. A convivência dos seus membros é o que garante vida à célula. Nela são gerados fortes vínculos de comunhão, de amizade, de aceitação. Algumas células são homogêneas, como por exemplo, somente casais, jovens, mulheres, outras heterogêneas, integrando pessoas de diferentes sexos e idades”, afirma Eliseu.

Para integrar sites paroquiais e formar agentes nas mídias sociais No sábado, 20, a Pastoral da Comunicação da Região Santana realizou, no laboratório de informática do Colégio Nossa Senhora da Consolata, no Imirim, mais uma etapa do projeto idealizado com Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, para que todas as 64 paróquias regionais tenham seus sites integrados ao site da Região. Para isso, 15 agentes de pastoral, represen-

AGENDA REGIONAL Quarta-feira (24), 20h Reunião de Diáconos Permanentes Segunda-feira (29), 19h30 Festa do Padroeiro da Comunidade São Miguel (rua Maria Elisa Siqueira, 219, Vila Prado).

tando seis paróquias, participaram de oficina. A assessoria foi de Carlos Roberto Minozzi e Thiago Del Ré Cavallini. A oficina foi iniciada com a mensagem de Dom Sergio aos participantes, que resume toda a proposta: “Estamos continuando com um bonito trabalho da Pastoral da Comunicação de nossa Região Episcopal, conhecida como Pascom. Um trabalho bonito de evangelização. Através das mídias digitais, nós queremos levar o Nosso Senhor Jesus Cristo, Jesus que amamos, Jesus que é luz de nossa vida e que quer ser luz da vida de todos os homens e mulheres que o acolherem. Para realizar esse projeto de evangelização, é necessário se preparar, conhecer a Palavra e as mídias digitais, e assim fazer essa bela união, para que a Palavra seja conhecida e animada. Por

José Henrique Monfré

isso, vocês estão reunidos e se preparando, através deste seminário, para conhecer melhor os mecanismos das mídias digitais e assim realizar um serviço com mais ardor, amor, e melhor preparados. Não podemos permitir que as dificuldades de conhecimento em relação às mídias digitais impeçam

que a missão avance, mas tomando conhecimento, nos aprofundando, fazendo escola, como hoje vocês estão fazendo. Tenho certeza que com vossa colaboração e com nosso trabalho conjunto, todos faremos com que a missão na cidade de São Paulo avance sempre mais. Deus os abençoe!”.


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Fenando Geronazzo

Colaborador de Comunicação da Região

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Na Mooca, a devoção centenária a San Gennaro A Paróquia São Januário, tradicional no bairro da Mooca, celebrou seu padroeiro popularmente conhecido pelo nome italiano, San Gennaro, na sexta-feira, 19, com missa solene presidida pelo arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer. Em 2014, a Paróquia também comemora seu centenário. Além das celebrações religiosas, de 5 de setembro a 6 de outubro, acontece a 41ª Festa de San Gennaro, com barracas típicas e atrações culturais. No domingo, 21, houve uma procissão pelas ruas do bairro com a imagem de San Gennaro, cuja devoção chegou ao Brasil pelos imigrantes italianos, sobretudo da cidade de Nápoles. Na homilia, Dom Odilo destacou o testemunho de São Januário, bispo martirizado no século IV, vítima da perseguição do Império Romano aos cristãos. “Os már-

Novena e festa de Santa Teresinha

tires são para nós exemplo de firmeza e perseverança na fé. Eles nos encorajam para que nós também tenhamos firmeza na fé”, disse. O Cardeal também afirmou que essa não é uma realidade somente dos primeiros séculos. “O século XXI começou com muitos martírios. Este ano mesmo, estamos vendo muitos mártires”, disse o Cardeal, referindo-se às recentes notícias de cristãos perseguidos e mortos, sobretudo, no Oriente Médio e na África. “Isso está acontecendo nos nossos dias. Cristãos que estão enfrentando toda a série de perseguições, calúnias, condenações injustas, por causa do nome de Cristo, por causa da fé cristã”. Ao falar sobre o centenário da Paróquia, comemorado em fevereiro, Dom Odilo estimulou os paroquianos a ajudarem a escrever o próximo centenário, sendo testemuParóquia Santa Teresinha do Menino Jesus

Começou na segundafeira, 22 e segue até o dia 30, a novena da padroeira da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus (rua Maranhão, 617, Higienópolis). Sempre às 19h, a novena é marcada pela benção das rosas, sinal da devoção à Santa, além da tradicional chuva de pétala de rosas no final da celebração. No dia de Santa Teresinha, dia 1º, haverá missas às 7h30, 9h, 12h,15h30 e 19h. Mais informações pelo telefone (11) 3660-1220.

Cardeal Scherer visita Paróquia São Joaquim O Cardeal Odilo Pedro Scherer visitou a Paróquia São Joaquim, no Cambuci, no domingo, 21. Na missa concelebrada pelo pároco, Padre José Donizeti Coelho, e pelo vigário paroquial, Padre Hélio Pereira de Campos Vergueiro Filho, o Arcebispo foi homenageado pelo seu aniversário natalício comemorado naquele dia. A Paróquia de São Joaquim do Cambuci foi criada

1895. Um ano depois, a pedra fundamental da matriz paroquial chegou a ser abençoada nas proximidades do bairro. Nesse período, a sede provisória da Paróquia era a Igreja de Nossa Senhora da Glória. Porém, o novo templo não chegou a ser construído e a Igreja de Nossa Senhora da Glória passou a ser a matriz definitiva da Paróquia. (Colaborou Ruy Halasz)

Paróquia São Januário

Cardeal Scherer preside missa solene na Festa de San Gennaro, em paróquia centenária na Mooca

nhas de Jesus Cristo na cidade de São Paulo. O pároco, Padre Claudiomiro Bispo, apresentou a Dom Odilo as lideranças pastorais e os voluntários da festa para serem abençoados. Ele afirmou ao O SÃO PAULO que a comunidade

tem se tornado cada vez mais viva e participativa, sobretudo, no sentido religioso. “A festa geralmente era conhecida pelo seu aspecto cultural. Nos últimos anos, temos nos empenhado em estimular a dimensão de fé e devoção ao padroeiro”.

Denise Baroni Fazenda, 76, frequenta a Paróquia há 15 anos e é bastante devota de São Januário. “Ele é um grande exemplo de fé que nos sustenta e dá força para enfrentarmos os problemas da vida. Já alcancei muitas graças pela intercessão dele”.

Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários A Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários (rua Almirante Brasil, 125, Mooca) se prepara para celebrar sua padroeira no dia 12 de outubro. As comemorações vão começar com a novena entre os dias 2 e 10, que acontecerá de segunda a sexta-feira, às 20h, na matriz; no sábado, 4, às 17h, no Arsenal da Esperança (rua Dr. Almeida Lima, 900); e no domingo, 5, às 9h, 11h e 18h30 também na matriz. Na véspera da festa, dia 11, haverá missa no Arsenal da Esperança, às 17h, com rito da coroação da Nossa Senhora. No dia da Padroeira, domingo, 12, haverá missa às

Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviário

9h, 11h e 16h15, sendo que às 15h30 acontece procissão pelas ruas do bairro. Também nos dias 4, 5, 11

e 12 acontecerá a quermesse logo após as missas. Mais informações pelo telefone (11) 2796-6016.


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Ipiranga

Francisco David e Nei Márcio Oliveira de Sá

Colaboradores de comunicação da Região

700 pessoas na novena de Nossa Senhora das Mercês Francisco David

Há mais de 60 anos, chegavam a São Paulo, na Vila das Mercês, os freis da Ordem das Mercês. A vila era mais conhe-

cida na época como “Vila dos Quarenta”, devido à construção de um grupo de 12 casas, na década anterior, por André

Nunes, político e proprietário da loja de calçados “Quá-Quá Quarenta”. O bairro não possuía os serviços básicos de saneamento e de energia elétrica. Em 1953, o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, na época arcebispo de São Paulo, criou a Paróquia Nossa Senhora das Mercês. A cerimônia de instalação canônica foi realizada no dia 14 de novembro de 1954, na rua Santa Cruz, 23 (atual rua Marquês de Lages, 1.230), pri-

meira casa paroquial dos Padres Mercedários. A missa de posse foi presidida pelo Cônego José Lafaiete Álvares, chanceler do arcebispado. Era o dia de São Serapião e os Padres Mercedários presentes eram Amadeo González Ferreiros e José Vázquez Díaz. Com a posse dos Mercedários, passou-se a trabalhar no projeto e edificação de um templo em um terreno cedido pela Mitra Arquidiocesana de São Paulo. No domingo, 21, na Paró-

quia construída há 60 anos, os fiéis puderam celebrar a novena de Nossa Senhora das Mercês. Cerca de 700 pessoas participaram em quatro missas durante o dia, entre jovens e idosos. Houve a consagração e a coroação de Nossa Senhora das Mercês, a procissão e a missa, com grande participação do povo. A Festa de Nossa Senhora das Mercês acontece propriamente, na quartafeira, 24, com missas às 7h30, 15h e 19h30.

‘A Bíblia e o Jovem’: estudo do Evangelho de Mateus O Centro de Estudos Teológicos do Ipiranga (CETI) e o Setor Juventude da Região Ipiranga promoveram no sábado,

13, na PUC-SP, o encontro de formação “A Bíblia e o Jovem”, que reuniu cerca de cem jovens, coordenadores de grupos, Divulgação

participantes, catequistas de Crisma de várias paróquias dos cinco setores da Região. A palestra de abertura foi feita pelo Padre Boris Agustín Nef Ulloa, professor da PUC-SP e pároco da Paróquia Imaculada Conceição. Depois, os participantes foram divididos em quatro grupos e percorreram quatro subtemas com dinâmicas de aprofundamento sobre os principais pontos do Evangelho de Mateus: Pai-Nosso, tema motivado por Paulo Rossi e Áurea Rodrigues, da equipe de assessores do Setor Juventude; Igreja-comunidade, motivado pelo missionário da Consolata, Geoffrey Boriga; Justiça em Mateus, coordenado pelos frades Dominicanos, Aniel Silva e Gustavo Rodrigues; As Bemaventuranças, caminho de fe-

Nei Márcio

licidade, motivado por Edson Machado, da equipe de assessores do Setor Juventude. No final da atividade, foi distribuído um subsídio com roteiros de encontros para grupos. O Setor Juventude da Região promoverá nos dias 27 e 28 mais um Curso de Dinâmica

Cristã para Lideranças Jovens (CDC), no Centro de Apostolado Salvatoriano, no bairro do Jabaquara. O curso já têm inscritos de paróquias dos cinco setores e pretende impulsionar a formação de coordenadores para os grupos de jovens paroquiais.


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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

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Lapa

‘As atitudes de São Mateus são exemplos de vida’ A comunidade paroquial da Igreja São Mateus, do Setor Rio Pequeno, celebrou seu padroeiro, com um tríduo entre os dias 19 e 21. O ponto alto da festa foi às 19h do domingo, 21, dia do padroeiro, com a celebração eucarística, presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, Dom Julio Endi Akamine, e concelebrada pelo pároco, Padre José Oliveira dos Santos. Dom Julio, na homilia, falou do Evangelho do dia, que se referia ao patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para sua vinha

e com estes combinou o pagamento de uma moeda de prata por dia. Também contratou trabalhadores em outros horários, e os últimos ao final da tarde, falando que a todos pagaria o preço justo. No fim do dia, pagou uma moeda de prata a cada um, começando pelos últimos. O Bispo, continuando sua homilia, recordou que Mateus estava sentado à mesa da coletoria de impostos quando Jesus o chamou para segui-lo e Mateus aceitou e ao se tornar discípulo de Jesus, escreveu um dos Evangelhos. Dom Julio ressaltou que as atitudes de

Benigno Naveira

Mateus são exemplos de vida, e que, para Jesus, não existem pessoas perdidas, que o cristão, o discípulo de Jesus, acre-

dita na conversão, pois esta e a satisfação dependem do chamado que Jesus faz a cada um. Padre Oliveira, antes do

término da missa, agradeceu a presença de Dom Julio e da comunidade. O Bispo encerrou com a bênção final.

Santuário da Mãe Peregrina é instituído na Paróquia São Patrício Em 18 de outubro de 1914, na Alemanha, com o Padre José Kentenich, surgiu o Movimento Apostólico de Schoenstatt, que celebra seu centenário no próximo dia 18. Essa é a data da Mãe Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, que sela sua Aliança de Amor e estabelece sua presença permanente na antiga capelinha de São Miguel e a transforma num santuário de graça. Na noite de quinta-feira, 18, aconteceu na Paróquia São Patrício, no Setor Rio Pequeno, a instituição do Santuário da Mãe Peregrina, um mês an-

tes de completar o centenário do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Cerca de 700 fiéis aguardavam a chegada da imagem da Mãe Peregrina, que estava no Santuário de Schoenstatt, na Vila Mariana, e foi enviada após uma oração, feita pela Irmã Marcia Maria, coordenadora da Mãe Peregrina da Arquidiocese de São Paulo. A Imagem chegou em carreata na Paróquia São Patrício. O rito da instituição começou com acolhida da Vela do Centenário. As zeladoras colocaram as imagens ao lado do Santuário, e, em seguida, houve a entrada dos símbolos

do Santuário Paroquial: o “Livro de Ouro” do Movimento Apostólico de Schoenstatt da Paróquia São Patrício, um pedaço das vestes do Padre Kentenich, a cruz da unidade e o quadro da Mãe Peregrina. O pároco, Padre João Carlos Borges, fez a solene instituição do Santuário Paroquial “Tabor da Aliança Missionária”, que foi consagrado à Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt, sendo o primeiro Santuário da Região Lapa. Formou-se o ambiente de Tabor, que conduz todos à experiência do amor profundo a Deus e entre os membros da

Benigno Naveira

comunidade. Padre João Carlos Borges presidiu a celebração eucarística e ressaltou que Maria é a presença materna nas celebrações litúrgicas.

Antes da benção final, o Pároco passou a palavra à Irmã Marcia Maria, que falou da importância do Santuário Paroquial para comunidade de São Patrício.

Dom Julio participa da Hora Santa do Apostolado da Oração Benigno Naveira

Apostolado da Oração, que teve seu inicio em 1884, na França, define-se como “Uma união de fiéis que está presente e tem um trabalho em conjunto com diversas pastorais, movimentos e ministérios na paróquia”. O movimento tem a missão de propagar e praticar a devoção à comunhão reparadora da primeira sextafeira do mês, a Hora Santa, a

Consagração das Famílias ao Sagrado Coração de Jesus, a entronização da imagem ou quadro do Coração de Jesus nos lares. Os membros do apostolado em suas comunidades participam da Pastoral da Saúde, visitando enfermos, idosos, moradores de rua, e também da Pastoral da Criança e outras atividades da Paróquia. Na quarta-feira, 17, na Paróquia Cristo Jovem, Setor

Lapa, a reportagem da Pastoral da Comunicação regional acompanhou o encontro do Apostolado da Oração da Região Lapa. Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, que está em visita pastoral na Paróquia, junto com o pároco, Padre Euclides Eustáquio de Castro, e os membros do Apostolado fizeram a Hora

Santa. Dom Julio refletiu com a comunidade sobre as intenções do mês: “Intenção

Missionaria aos pobres e sofredores”; “Intenção Geral à Doença Mental”.

AGENDA REGIONAL Quarta-feira (24), 20h Catequese do Bispo Dom Julio Endi Akamine, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298, Lapa).


24 | Geral |

24 a 30 de setembro de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

‘Sínodo não vai fazer uma simples avaliação sociológica sobre o tema em pauta’, diz Cardeal Scherer Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo Especial para O SÃO PAULO

O arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, é membro ordinário do Conselho do Sínodo dos Bispos e, portanto, participará da III Assembleia Geral Extraordinária que acontecerá de 5 a 19 de outubro, com o tema: “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Sobre este tema, foi realizada uma manhã de estudos promovida pela Paulinas Livraria, na Vila Mariana, em parceria com Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Paulo, no sábado, 20. O encontro foi assessorado por Dom Odilo e o pelo Padre Denilson Geraldo, Doutor em Direito Canônico e coordenador da graduação em Teologia da PUC-SP, a partir do Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho) do Sínodo. O Cardeal explicou o que é o Sínodo dos Bispos enquanto organismo da Igreja instituído pelo Papa Paulo VI em 1965, no final do Concílio Vaticano II, e destacou seu caráter consultivo, ou seja, o Papa convoca os bispos para refletirem sobre determinado tema, os ouve e, a partir das propostas, dá suas orientações para Igreja por meio de uma exor-

tação apostólica pós-sinodal. No caso dessa assembleia extraordinária, o arcebispo salientou que, como o próprio enunciado do tema diz, o foco principal do encontro é a evangelização diante dos desafios atuais da família. “A questão de fundo é a evangelização: como levar a Boa-Nova de Jesus Cristo e da Igreja às pessoas que vivem esses desafios? Os problemas enfrentados pela família são antigos e novos, e o Sínodo não vai fazer uma simples avaliação sociológica sobre o tema em pauta”. Dom Odilo também acrescentou que a própria Igreja se questiona: “Diante das questões enfrentadas pela família, o que vamos fazer? Qual será nossa atitude para ser coerente com a de Cristo, o bom pastor, que ‘veio buscar e salvar o que estava perdido’? Ou que ensinou: ‘não são os sadios que precisam de médico, mas os doentes’?”. Padre Denilson explicou que o Documento é dividido em três partes e seu conteúdo é uma síntese das respostas do questionário enviado a todas as dioceses do mundo no fim do ano passado. De acordo com o Professor, “o documento não é uma reflexão aprofundada sobre algum dos temas das 38 questões enviadas, mas,

enquanto instrumento de trabalho, levanta especulações” sobre as respostas colhidas. Entre os assuntos apresentados no Texto, foi constatado nas respostas do questionário um desejo de conhecer melhor os temas bíblicos e pronunciamentos do Magistério da Igreja a respeito da família. “E onde a doutrina é conhecida, surge o problema da não aceitação”, destacou o Padre, indicando o grande desafio da Pastoral Familiar. O Professor ressaltou, ainda, que o Documento indica que o grande problema pastoral de hoje é o fato de a família ter sido transformada em um tema somente religioso. “Este é um assunto de interesse humano. Por meio da família, podemos abrir um grande canal de diálogo com a sociedade [...]. Transformamos a família em um assunto privado, que diz respeito somente ao casal. Mas os problemas da família incidem na sociedade”. O Cardeal Scherer explicou, ainda, que não estão previstos documentos finais ao término da assembleia extraordinária, uma vez que essa será somente a primeira etapa de um percurso que se concluirá em 2015, quando, de 4 a 25 de outubro, se realizará o XIV Sínodo Geral Ordinário.

Casal de São José dos Campos (SP) estará entre os auditores da assembleia extraordinária Daniel Gomes desafios pastorais da família no danielgomes.jornalista@gmail.com contexto da evangelização”. A confirmação da participação veio há Entre os 253 participantes da III duas semanas. Assembleia Geral Extraordinária do “Seremos auditores e, como tal, Sínodo dos Bispos, que acontecerá ouvintes atentos e observadores. no Vaticano, entre 5 e 19 de outubro, Em data e hora a ser comunicada, estarão 14 casais, entre os quais Her- poderemos nos expressar por um melinda, 61, e Arturo Zamperlini, tempo de exatos quatro minutos, e 65, atual casal responsável no Bra- ai teremos a oportunidade de dizer sil pelas Equipes de Nossa Senhora, a nossa opinião, em consonância associação privada de fiéis presente total com a Igreja Católica”, afirmou o casal à reportagem. em mais de 70 países. Sobre o momento vivido pelas Ao O SÃO PAULO, Hermelinda e Arturo, que moram em famílias, os responsáveis no Brasil São José dos Campos (SP), recor- pelas Equipes de Nossa Senhora daram que foram consultados em acreditam que “estamos no limiar maio pela Nunciatura Apostólica de uma mudança de época, um no Brasil sobre a possibilidade de verdadeiro desafio para toda a Igreserem auditores do sínodo extra- ja. Como Movimento fiel à Igreja, ordinário, que terá como tema “os nossos desafios constantes são a

evangelização de casais, e como nos orienta a Igreja, precisamos ‘sair’ e ir ao encontro das famílias com todos os seus problemas: a evangelização dos jovens, a preparação para o Matrimônio, os casais que coabitam sem o sacramento do Matrimônio, os idosos com suas necessidades, os casais em segunda união. Nosso papel é ajudar e apoiar todos esses casais rumo à santidade”. Hermelinda e Arturo não escondem a satisfação em participar do sínodo extraordinário. “Seremos, na medida do possível, e se autorizados, os porta-vozes que a santa Igreja brasileira precisar. Será um momento único em nossas vidas. Agradecemos profundamente a Deus, nosso Senhor, e à Virgem Maria por essa bênção”.

Arquivo pessoal

O SÃO PAULO - edição 3020  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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