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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3003 | 20 a 26 de maio de 2014

R$ 1,50 Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Arsenal da Esperança: 50 anos semeando a paz A iniciativa proposta pelo Arsenal da Esperança queria juntar 50 pontos para que, ao longo de uma semana, esses lugares fizessem reflexões, orações e atividades falando da paz. Ao término da inscrição, a

coordenação da atividade já contava com o credenciamento de mais de 120 pontos, entre igrejas, colégios, congregações, casas, praças públicas e até mesmo uma escola de cabeleireiros.

Simon Bernard, missionário da Fraternidade da Esperança, que completa 50 anos de criação, comentou que a proposta da atividade não é fazer manifestações de massa, mas criar pontos de paz na cidade,

pequenas ações que promovam o sentido de viver a cultura de paz, e fortaleçam os lugares ou grupos que já realizam algo nesse sentido. Página 24

Papa Francisco visitará a Terra Santa a partir do próximo sábado

Coalizão pela Reforma Política quer lei de iniciativa popular

Evento lembra resistência da Igreja durante a ditadura militar

Entre sábado, 24, e segunda-feira, 26, o Papa realizará visita à Terra Santa, quando passará por territórios da Jordânia, Palestina e Israel, onde já cresce a expectativa da população pela presença do Pontífice. Católicos e Ortodoxos se reuniram em oração nas Igrejas e lugares santos à espera de Francisco.

Proposta de projeto de lei de iniciativa popular, cuja finalidade é desencadear uma campanha pela efetivação imediata da reforma política, numa perspectiva democrática. A ideia é que o projeto seja transformado em lei até setembro de 2015, para que tenha validade para as eleições municipais de 2016.

O Fórum de preparação à 5ª Conferência de Aparecida (SP) promoveu um encontro para recordar a resistência da Igreja Católica durante a ditadura. O evento contou com a presença de dom Angélico Sândalo Bernardino, padre Oscar Beozzo, José Cardonha e Roberval Freire. Cópias de processos como o de madre Maurina foram apresentados.

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2 | Fé e Vida | editorial

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Paulo VI, um profeta em favor da vida

Na semana passada, o papa Francisco assinou o decreto que reconhece um milagre atribuído à intercessão do Servo de Deus papa Paulo VI e, assim, abriu as portas para a sua beatificação. No mês de outubro, teremos mais um papa elevado à honra dos altares e cuja vida nos será proposta como modelo a ser seguido. Deo Gratias! A Igreja necessita do exemplo de santos para estimular no seio da mesma a santidade de vida. A notícia veio enquanto a Igreja ainda comemora as recentes canonizações dos papas João XXIII, que antecedeu Paulo VI e João Paulo II, que o sucedeu após o brevíssimo pontificado de João Paulo I (33 dias). Diferentemente desses dois papas

opinião

santos provenientes de famílias economicamente modestas, Giovanni Montini é oriundo de uma família abastada da Lombardia. Não passou por privações econômicas e tão pouco precisou trabalhar no campo ou como operário. Frequentou as melhores escolas e, depois, a Academia Romana. Dedicou grande parte de sua vida ao serviço da diplomacia do Vaticano. Pode-se dizer que tinha modos refinados e que possuía um trato mais contido com as grandes massas, se comparado a João XXIII, João Paulo I, João Paulo II e o próprio papa Francisco. Em comum: foi um verdadeiro santo, um “rezador”, dono de uma cultura humanista e teológica profundas, conjugadas com uma espiritualidade que o tornou um Homem de Deus.

Sua beatificação reafirma que a santidade de vida não conhece fronteiras sociais. Ainda antes de ser cardeal, Montini trabalhou duro nas comissões preparatórias do Concílio Vaticano II. Tal como João XXIII, acreditava na ideia de uma Igreja sinodal. Entendia a importância de promover o diálogo não apenas entre a Igreja Católica e as demais denominações cristãs, mas também da Igreja Católica com outras religiões e com o mundo, como garantias de paz. Ideias que fizeram João XXIII, em sua época, sofrer com uma certa resistência daqueles que temiam que a Igreja fosse engolida pela modernidade e consideravam que o melhor modo de protegê-la era mantê-la

Que país é esse?

Jornalista, assina colunas diárias em 30 jornais brasileiros com o pseudônimo de Giba Um, é também consultor de comunicação.

encerrada dentro de sua própria tradição, sem diferenciar muito o que era Tradição de tradição. Como papa, Paulo VI assumiu como prioridade primeira de seu pontificado levar adiante o Concílio Vaticano II, o que cumpriu. E apesar de todos os seus esforços, terminou o seu pontificado impopular, recebendo “pedradas” após a publicação da encíclica Humane Vitae, na qual não faz outra coisa que defender a dignidade da transmissão da vida humana em perfeita conformidade com a Tradição da Igreja que, fidelíssima ao mandamento de Cristo, se opõe, profeticamente, à instrumentalização da vida, à coisificação do homem e da mulher e da ditadura dos promotores da cultura da morte.

Sergio Ricciuto Conte

GILBERTO DI PIERRO

Todos os dias, no Jornal Nacional, os brasileiros são quase soterrados por uma avalanche de más noticias, incluindo assassinatos, tortura, assaltos, explosões de caixas eletrônicos, crimes de corrupção em órgãos públicos, ônibus incendiados, supermercados saqueados, balas perdidas e mais ingredientes de um cardápio de excelência em podridão humana. Aí, surge o direito à dúvida: a Globo mudou o recheio do principal noticioso de TV, hoje rolando ladeira abaixo na audiência, para atingir um público cultivador de tragédias ou tudo aquilo é mesmo o espelho do que o Brasil se transformou? E surge antiga frase: “Que país é esse?” Muita gente acha que essa frase-desabafo é de autoria de Renato Russo, da Legião Urbana. Nada disso: foi criada pelo mineiro Francelino Pereira, expresidente da Arena, hoje com 92 anos de idade, que aderiu ao regime militar, foi governador biônico de Minas Gerais e amigo de Geisel. A frase, de 1976, era uma crítica aos que duvidavam da disposição do mesmo Geisel em promover a reabertura política. Só que, com o passar dos anos, a frase virou sinônimo da incredulidade nacional diante do que o País vinha e vem se transformando nos últimos anos. Virou um

bordão de profundo desprezo entre os brasileiros que olham um País decadente e perguntam entre si: “Que país é esse?” No que transformaram essa nação e quando nos acomodamos? Quem elegemos? Quem são os responsáveis? O mesmo Jornal Nacional dedica grandes espaços ao sumiço de Amarildo e à morte do bailarino DG. Só que não dedica

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

um minuto aos 137 brasileiros assassinados (média) por dia. A matança nacional atinge hoje 50 mil homicídios por ano. Ou seja: em termos absolutos, em nenhum outro país do planeta se mata mais do que no Brasil. E somos campões também em outra categoria. Quando surgiu nas redes sociais o movimento “Eu Não Mereço Ser Estuprada”, nem as esforçadas partici-

pantes tinham ideia de que, segundo o Ipea, 527 mil pessoas são estupradas por ano no País. É o equivalente a 1.443 estupros por dia em toda a Nação. Mais: há dias, a revista “France Football”, com uma capa negra, estampava a chamada “Medo do Mundial”. No texto, garante que o Brasil não é o paraíso imaginado pela Fifa, que “a corrupção é endêmica” e

que “tudo se desenvolve na base da propina” e da burocracia. E acentuava: “Todo o alto escalão do governo Lula está preso por corrupção”. De quebra, compara os serviços brasileiros aos do Congo. “Que país é esse?” Hoje, o mundo convive, anualmente, com uma corrupção estimada em R$ 2,5 trilhões e nesse bolo, o Brasil participa com R$ 200 bilhões por ano, segundo dados da ONU. Um exemplo: em 2007, quando começou, o projeto de Transposição do São Francisco estava orçado em R$ 3,5 bilhões e deveria estar pronto em 2010. Hoje, já está em R$ 8,2 bilhões e ninguém sabe quando ficará pronto. E mais um pouco desse País que os brasileiros lúcidos começam a perceber que se transformou numa colossal lata de lixo, um País onde se cobra (média) 12% de juros ao mês no cartão de crédito e quase 10% no cheque especial também por mês: a dívida pública do Brasil superou, no ano passado, R$ 2 trilhões e o Brasil pagou (e pagará mais este ano) perto de R$ 250 bilhões de juros/ano (perto de R$ 700 milhões por dia). Nos últimos cinco anos, foram mais de R$ 1 trilhão em juros. E segundo estudos da Unicamp, 70% dessa dinheirama vai para o bolso de 30 mil famílias brasileiras (banqueiros, investidores e similares). Alguém tem alguma dúvida em repetir, entre atônito e revoltado: “Que país é esse?”, que se atreve até sediar uma Copa do Mundo.

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Daniel Gomes, Edcarlos Bispo e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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encontro com o pastor

Sínodo extraordinário: família e evangelização

Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal odilo pedro scherer

Nos dias 13 e 14 de maio, o Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, formado por 15 cardeais e bispos, reuniu-se em Roma. A pauta principal dos trabalhos foi a preparação da próxima assembleia extraordinária do Sínodo, programada para os dias 5 a 19 de outubro deste ano. Tratou-se, sobretudo, da elaboração do Instrumentum laboris (Instrumento de Trabalho) da assembleia sinodal, um texto que será publicado em breve e enviado às conferências episcopais e, sobretudo, àqueles que deverão participar da assembleia de outubro. O Instrumento de trabalho vai recolher as respostas ao questionário, para conhecer a situação atual da família e de várias questões relativas ao casamento e à família, enviado em 2013 às conferências episcopais de todo mundo. As contribuições foram abundantes e serão apresentadas de maneira temática no Instrumentum laboris, para orientar os trabalhos sinodais. O tema do sínodo extraordinário despertou grande interesse e expectativa por toda parte: várias situações de crise e questões atuais da família e do casamento interpelam a Igreja e sua ação evangelizadora.

e tem convicção sobre a importância da família para a pessoa, para a sociedade e para a própria vida e missão da Igreja. Por isso, ela quer anunciar de maneira renovada a Boa Nova do casamento e da família, especialmente nas situações mais difíceis e problemáticas que a atingem. A assembleia extraordinária de outubro próximo não vai esgotar o tema e seus trabalhos estarão orientados para novas reflexões na assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2015, quando se tratará da pessoa humana e da família à luz de sua vocação em Cristo. Serão dois momentos complementares O tema do sínodo de um caminho de evangelização, que extraordinário despertou tem como centro a antropologia cristã grande interesse e e suas implicações para a pessoa, o expectativa por toda parte: casamento, a famívárias situações de crise e lia, a sociedade e a Igreja. questões atuais da família O papa Francisco participou um e do casamento interpelam dia inteiro da reua Igreja e sua ação nião, sinalizando para a importância evangelizadora dada por ele ao Sínodo extraordinário os fatos recorrentes, em vários de outubro. Ele tem falado tampaíses, de políticas contrárias à bém da importância do próprio família; sem esquecer as uniões organismo do Sínodo dos Biscivis de pessoas do mesmo sexo. pos, criado por Paulo VI no fiCiente das várias situações nal do Concílio Vaticano II, em problemáticas que a família 1965, como expressão de coleatravessa, a Igreja não a aban- gialidade e da responsabilidade dona, pois também conhece o de todos os bispos, junto com o plano salvador de Deus em re- Papa, em relação à Igreja inteilação ao casamento e à família; ra. Fazem parte do temário a difusão e a aceitação do ensinamento da Igreja Católica sobre o casamento e família; as dificuldades para colocar em prática esse ensinamento no contexto cultural contemporâneo; as situações difíceis que muitos casais e famílias enfrentam, com casamentos desfeitos e refeitos com nova união; sua participação na vida da Igreja e a transmissão da fé aos filhos em tais situações... Mas entram também as questões novas, tais como o fato sempre mais presente em vários contextos culturais de pessoas que não se casam mais, nem constituem uniões estáveis ou famílias; ou

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INFORMAÇÕES Por mandato do Em.mo senhor cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano da Arquidiocese de São Paulo, foi nomeado: Pároco Em 24 de abril de 2014, o Rev.mo Padre Marcelo Alves (OP), para a Paróquia Sagrada Família, Região Episcopal Ipiranga, Setor Pastoral Cursinho, pelo período de seis anos. Em 28 de abril, o Rev.mo Padre Thomas Xiao Shihui teve a sua provisão de pároco da Paróquia da Sagrada Família, Região Episcopal Sé, prorrogada pelo período de três anos. Em 3 de maio de 2014, o Rev.mo Padre Sandro Nascimento da Cunha (SJS), para a Paróquia Nossa Senhora Mãe de Jesus, Região Episcopal Ipiranga, Setor Pastoral Cursinho, pelo período de seis anos.

Capelão Em 28 de abril de 2014, o Rev.mo Diácono Ailton Machado Mendes, Capelão do Hospital e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, Região Episcopal Sant’Ana, Setor Casa Verde, pelo período de dois anos.

Vigário Paróquial Em 22 de abril de 2014, o Rev.mo Padre Edson Donizete Toneti, para a Paróquia Nossa Senhora da Esperança, Região Episcopal do Ipiranga, Setor Vila Mariana, com o poder de assistir casamentos, pelo período de um ano. Em 24 de abril de 2014, o Rev.mo Padre Fr. Márcio Alexandre Alves (OP), para a Paróquia Sagrada Família, Região Episcopal Ipiranga, Setor Pastoral Cursinho, com o poder de assistir casamentos, pelo período de dois anos.

Decreto de Uso de Ordens Em 14 de maior de 2014, recebeu Uso de Ordens na Arquidiocese de São Paulo o Rev. mo Padre Gennaro Antonio di Luccia, para celebrar, pregar e administrar os Sacramentos nesta Arquidiocese, pelo período de dois anos.

agenda do Cardeal Terça- Feira (20)

há 50 anos

Diocese de Bauru ganha primeiro bispo “Toda a população manifestou pelas ruas, praças e igrejas a alegria de que se achava possuída pela chegada de seu primeiro bispo diocesano”. Em 24 de maio de 1964, o jornal O SÃO PAULO estampava a capa com a chamada da posse do primeiro bispo de Bauru (SP), dom Vicente Zioni, que outrora fora diretor do Semanário Arquidiocesano durante sete anos. Sua posse contou com a participação de diversos bispos, padres, leigos e até mesmo pastores de Igrejas evangélicas prestaram homenagem ao novo Bispo.

Com o foco no bispado de dom Vicente, o periódico publicou um artigo intitulado “Saudação a dom Vicente Zioni”, artigo este para dar boas-vindas ao Bispo por sua diocese e saudar o trabalho realizado por ele como jornalista do O SÃO PAULO. “Desde já pelo fato de conhecermos o seu modo de agir, só podemos ver com esperança e alegria o futuro da Igreja em Bauru, futuro esse que será alegre e esperançoso, porque nele vão estar presentes: espirito sobrenatural, o sacrifício, a luta, a inteligência e a boa vontade de Vossa ExcelênCapa da edição de 24 de maio de 1964 cia. Senhor Bispo muito obrigado”.

9h: Abertura do evento “Diálogos na Universidade – Vozes do Tráfico Humano: Realidades e Desafios”, na (PUC-SP) 16h30: Celebração Eucarística pelo Encerramento do Ano Jubilar do 4º Centenário da Morte de São Camilo – Centro Universitário São Camilo (Ipiranga)

Quarta-Feira (21)

12h: Sessão Solene do Congresso Nacional em homenagem pela Canonização de São José de Anchieta (Brasília).

Quinta-Feira (22)

10h30: Gravação - TV 14h30: Audiências 19h: Sessão especial da Câmara Municipal de São Paulo pela Campanha da Fraternidade


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liturgia e vida 6º DOMINGO DA PÁSCOA 25 DE MAIO DE 2014

palavra do papa

Não à murmuração, ao ciúmes e à inveja

Ana Flora Anderson

Deus sempre presente Estamos nos aproximando das grandes festas da Ascensão e de Pentecostes. A liturgia deste domingo tem como finalidade a preparação para essas grandes festas. Começamos a liturgia pedindo para que nossas vidas correspondam aos grandes mistérios que celebramos. A primeira leitura (Atos dos Apóstolos 8, 5-8.1417) apresenta o diácono Felipe pregando na Samaria. O poder do Ressuscitado age nele para curar todo tipo de doença. Essa presença poderosa faz com que o povo responda com alegria, pedindo para ser batizado. Em seguida, Pedro e João foram enviados para que, pela imposição das mãos, o povo pudesse receber o Espírito Santo. A segunda leitura (1 Pedro 3, 15-18) ensina que a presença de Cristo em nós é a base da nossa esperança. O próprio Jesus aceitou o sofrimento por amor a nós. Da mesma maneira, se ao fazer o bem somos injustiçados, não devemos perder a força da esperança. O Evangelho de São João (14, 15-21) narra as palavras de Jesus na Última Ceia. Ele ensina aos discípulos que o verdadeiro amor nos leva a ser obedientes à vontade de Deus. Essa fidelidade ao ensinamento de Jesus nos traz o dom do Espírito Santo que estará sempre conosco revelando o caminho da verdade. Ao terminar essas palavras, Jesus enfatiza que o nosso amor por ele garante que viveremos no amor do Pai e na presença dele, o Nosso Senhor. leituras da semana

Segunda-feira (26): At 16,11-15; Sl 149; Jo 15, 26–16,4a. Terça-feira (27): At 16, 22-34; Sl 137; Jo 16, 5-11. Quarta-feira (28): At 17, 15.22–18,1; Sl 148; Jo 16, 12-15. Quinta-feira (29): At 18, 1-8; Sl 97; Jo 16,1.6-20. Sexta-feira (30): At 18, 9-18; Sl 46; Jo 16, 20-23a. Sábado (31): Sf 3, 14-18; Is 12, 2-6; Lc 1, 39-56.

Papa francisco

Na catequese que antecede o Reginae Coeli, o papa Francisco apresentou uma breve reflexão sobre o trecho do Atos dos Apóstolos, em que conclui que os problemas da Igreja não são resolvidos com “falatórios” e “lamentações”, mas sim, com diálogo e oração. A leitura dos Atos dos Apóstolos da liturgia de hoje nos mostra que já na Igreja primitiva aparecem as primeiras tensões e os primeiros desacordos. Na vida, os conflitos existem, a questão é como são enfrentados. Até aquele momento, a unidade da comunidade cristã tinha sido favorecida pela pertença a uma única etnia e a uma única cultura, a judaica. Mas quando o Cristianismo, que por vontade de Jesus foi destinado a todos povos, se abre ao âmbito cultural grego, passa a faltar

essa homogeneidade e surgem as primeiras dificuldades. Neste momento, sobram os ventos do descontentamento, há lamentações, correm vozes de favoritismo e diferença de tratamento. Isso acontece também em nossas paróquias! A ajuda da comunidade às pessoas desfavorecidas – viúvas, órfãos e pobres em geral -, parece privilegiar os cristãos de origem hebraica em prejuízo de outros. Então, diante desse conflito, os apóstolos tomam nas mãos a situação: convocam uma reunião com a participação estendida também aos discípulos, discutem juntos a questão. Todos. De fato, não se resolvem problemas fingindo que não existem! E é belo ver esse confronto implantado entre os pastores e os fiéis. Se chega, por fim, a uma distribuição das tarefas. Os Apóstolos fazem uma proposta que é aceita por todos: eles se dedicaram à oração e ao ministério da Palavra, enquanto sete homens, os diáconos, se dedicarão ao serviço de assistência aos pobres. Os sete diáconos não foram escolhidos porque são especialistas nos negócios, mas enquanto homens hones-

Tweets do papa 16-O nosso objetivo como cristãos: configurar-nos cada vez mais a Jesus tomando-O como modelo do 19-Uma pessoa que escuta atennosso comportamento. tamente a Palavra de Deus e reza 15-Peçamos ao Espírito Santo a devera, perguntar sempre ao Senhor: graça de realizarmos as opções qual é a tua vontade a meu respeito? concretas na nossa vida de acordo 17-O mês de maio, dedicado a com a lógica de Jesus e do seu Maria, é um tempo oportuno para se Evangelho. começar a rezar o terço todos os dias. 13-Leiamos um pouco do Evange-

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SANTOS E HERóIS DO POVO – 20 DE MAIO

Hoje, vamos encontrar um santo muito simpático: São Bernardino de Sena (imagem). Grande devoto de Nossa Senhora, distingue-se, também, pela observância fiel da regra de São Francisco. Tornou-se apóstolo da Itália e doutor da Igreja, por suas grandes andanças apostólicas e seus escritos. Por onde passava, restituía a paz, na Itália, que era naquela época um ninho de guerra. Seu lema tornou-se muito conhecido “Jesus, Homem Salvador”, cujas iniciais IHS, se encontravam tantas vezes nos véus dos tabernáculos e nas alfaias do altar. Morreu em 1444. Neste mesmo dia, veneramos também Santa Basila, mártir do século 4º, que deu nome a um cemitério de Roma, mais tarde rebatizado com o nome de São Hermes. A seguir, partamos para Constantinopla, na Turquia. Aí, vamos encontrar, na veneração de todo o povo, um santo de nome bastante conhecido: Germano. Era bispo e confessor, no século 8. Defendia com firmeza e devoção popular do culto às imagens, e sofreu, por isso mesmo, o exílio. A ele devemos as belíssimas homilias em honra a Nossa Senhora. E, igualmente, uma série de hinos religiosos. Fonte: “ Santos e Heróis do Povo” livro do cardeal Arns

tos e de boa reputação, plenos do Espírito Santo e de sabedoria; e são constituídos em seu serviço mediante a imposição das mãos. E assim, daquele descontentamento, daquelas lamentações, daqueles boatos de favoritismo e diferença de tratamento, se chega a uma solução. Confrontando-se, discutindo e rezando. Assim se resolvem os problemas da Igreja. Confrontando-se, discutindo e rezando. Com a certeza que com os falatórios, as invejas, os ciúmes não poderão jamais nos conduzir à concórdia, à harmonia ou à paz. Também alí foi o Espírito Santo a coroar essa espera e isso nos faz entender que quando deixamos ao Espírito Santo a liderança , ele nos conduz à harmonia, à unidade e ao respeito dos diversos dons e talentos. Entenderam bem? Nada de falatório, nada de invejas, nada de ciúmes! Entenderam? A Virgem Maria nos ajude a ser dóceis ao Espírito Santo, para que saibamos nos querer mutuamente e convergir, sempre mais profundamente, na fé e na caridade, tendo o coração aberto às necessidades dos irmãos. lho cada dia. Assim, aprenderemos a viver o essencial: o amor e a misericórdia. 12-A nossa vida foi salva pelo sangue de Cristo. Deixemo-nos sempre renovar-nos por este amor. 10-Uma família iluminada pelo Evangelho é uma escola de vida cristã. Nela se aprende fidelidade, paciência e sacrifício.

você pergunta

Por que a liturgia não faz memória de São Jorge? Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação na Arquidiocese de São Paulo

Padre Cido Pereira

A Norma, que mora no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo, percebeu que não se celebraram missas nas paróquias em louvor a São Jorge no dia a ele dedicado. “Por que não?”, pergunta ela. Minha irmã, é bom que entendamos as razões da Igreja. Ela não brinca com a fé das pessoas. Ela não inventa santos. Ela não nos propõe devoções que não sejam de profundas bases his-

tóricas e teológicas. A Igreja não brinca com a fé das pessoas, porque a fé é um dom de Deus. Por que propor à veneração dos fiéis alguém sobre o qual pairam dúvidas históricas? Por mais que São Jorge seja amado e venerado em alguns países da Europa e aqui no Brasil também, a Igreja, embora respeite a devoção do povo, não a incentiva. Repare, Norma, que a própria forma de apresentar São Jorge em luta contra um dragão, tem tudo a ver com lenda e não com realidade. Norma, a Igreja não inventa ou faz santos. Cada santo se faz, com a própria vida de santidade.

Quando a Igreja canoniza oficialmente e solenemente um santo, como fez recentemente com o padre Anchieta e com os papas João XXIII e João Paulo II, ela simplesmente está reconhecendo o que todo mundo já sabia: a santidade dessas pessoas. Não existem fontes seguras que nos garantam que São Jorge existiu. Por mais que possamos interpretar a luta contra o dragão como uma luta constante que todos temos que enfrentar diante do mal que existe no mundo, a Igreja não impede a nossa devoção, mas não os propõe celebrar a santidade dele na liturgia. Espero ter respondido à sua questão, Norma. Fique com Deus, viu?


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literatura

dicas de cultura

Reprodução

Exposição na Zipper Galeria explora a fronteira entre o real e o ficcional O real e o imaginário se confundem nas fotografias de Marcelo Tinoco, em uma série que junta histórias para narrar o tempo. O artista expõe suas obras de 14 de maio a 7 de junho na Zíper Galeria, na mostra “Era Uma Vez…”. A entrada é gratuita. Tinoco usa a manipulação digital de elementos plásticos e figura-

tivos para explorar a fronteira entre memória, com o nosso imaginário o real e o ficcional. Sua produção de tempos remotos somados à situtambém se destaca pelo uso de ações atuais. uma refinada técnica colorista nas paisagens. As obras do fotógrafo criam O QUE: Era Uma Vez... Diariamente, até 7 junho. sensações visuais que buscam QUANDO: QUANTO: Gratuito destacar expressões e situações ONDE: Zipper Galeria (rua Estados humanas, criando uma condição Unidos, 1.494, Jardins). fotográfica que dialoga com nossa Divulgação

João Paulo II e Bento XVI No dia 27 de abril, o papa João João Paulo II e da vida e eleição Paulo II foi declarado santo pela de seu sucessor - Bento XVI. Igreja Católica em Roma. Conheça a vida desse novo Ficha Técnica santo por meio desta coleção, em Titulo: João Paulo II e Bento XVI três volumes que a Editora Cor- Autores: Dominique Bar e Guy vara traz ao público brasileiro. Lehideux O terceiro e último volume Páginas: 40 informações: corvara@ desta coleção, “João Paulo II e Outras corvara.com.br Bento XVI”, trata da morte de

vamos cuidar da saúde!

direito do consumidor

Menopausa

Produto com defeito – assistência técnica

A menopausa é a ausência do ciclo menstrual em um período de um ano, que geralmente ocorre a partir dos 40 anos. Cinco por cento das mulheres têm menopausa precoce (antes dos 40 anos), que pode estar associada à magreza, dieta vegetariana, tabagismo e uso de antidepressivo. Existe também o período do climatério, que precede a menopausa em alguns anos, e declínio lento dos níveis hormonais. Com a menopausa, aumenta a incidência de diabetes, osteoporose e risco cardiovascular. Como sintomas precoces a pessoa pode apre-

sentar: ondas de calor (fogachos), 57 %; alteração da libido, 57 %; distúrbio do sono, 52%; depressão/irritabilidade, 57%. Como sintomas tardios: alteração do humor, doença cardiovascular, osteoporose e demência. A reposição hormonal deve ser bem criteriosa e individualizada, com baixas doses e por menor possível. Cuidado com fitoterapia sem indicação médica, pois isso também pode causar dano. Por isso, devemos fazer um bom acompanhamento nessa fase para amenizar os riscos e realizar um tratamento individualizado. Dúvidas, dracassiaregina@gmail.com Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia

de Saúde da Família (PSF).

Se você comprar um produto com defeito e depois de remetido à assistência técnica perdurar o mesmo problema com o produto, o Código de Defesa do Consumidor, no artigo 18, §1°, prevê que “não sendo o vício sanado no prazo máximo de 30 dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; o abatimento proporcional do preço”. Saiba dos seus direitos. Procure um advogado. Ronald Quene é formado em Direito

O SÃO PAULO: UMA EQUIPE TRABALHANDO POR VOCÊ

JOVENAL PEREIR A

Desde junho de 2006, Jovenal Alves Pereira, 48, coloca a sua experiência de diagramador e de editoração eletrônica a serviço do O SÃO PAULO, com as mesmas mãos que já deram “rosto” a páginas da Folha de S.Paulo, jornal Amarelinho e materiais das editoras Abril e Globo. “É muito bom trabalhar com essa equipe, pois sou respeitado pelo que executo e é um lugar onde temos ótimo ambiente. Não se torna cansativo, pois mesmo na madrugada, após horas trabalhando, ainda temos disposição de brincar, conversar”. E o que ele faz após cada jornal impresso? “Sempre procuro os erros para tentar corrigir nas próximas edições”.

ANA LUCIA

O jornal O SÃO PAULO está ganhando novo layout e Ana Lucia Comolatti, 56, tem colaboração direta nisso. Desde abril deste ano, ela coordena a edição gráfica do Semanário Arquidiocesano, colocando em prática a graduação em Comunicação Visual/Desenho Industrial que possui. “É muito gratificante fazer parte desta equipe tão engajada no trabalho de levar a Palavra do Senhor à cidade de São Paulo”, comenta, complementando: “Me sinto feliz e realizada em dar minha contribuição para um jornal tão importante para a Igreja e para São Paulo”.


6 | Fé e Vida |

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direito canônico

fé e cidadania

São João XXIII e São João Paulo II, rogai por nós!

Bola na rede

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano, e professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT)

Edson Luiz Sampel

A Igreja militante, a Igreja padecente e a Igreja triunfante, respectivamente, os peregrinos deste mundo, os que se encontram em estado de puruficação e os santos bemaventurados do céu rejubilam de felicidade pela canonização de São João XXIII e São João Paulo II. São João XXIII convocou o Concílio Vaticano II. Esse evento magnífico, ocorrido entre 1962 e 1965, promoveu uma atualização (aggiornamento) na Igreja, vale dizer, capacitou-a ao diálogo com o mundo moderno, sem a perda dos valores católicos. À luz do ensinamento do papa emérito Bento XVI, o Concílio Vaticano II tem de ser interpretado em estrita conexão com os outros 20 concílios ecumênicos precedentes, sobretudo em íntima harmonia com o Concílio Vaticano I (1869 e 1870) e o com o Concílio de Trento (1545 a 1563). São João Paulo II disse logo no limiar de seu pontificado: “Non abbiate paura!” Não tenham medo! Conclamou os fiéis a abrirem o coração a nosso Senhor Jesus Cristo, permitindo que o ideário do Evangelho transforme as pessoas, bem como as instituições políticas e econômicas. Qual pastor supremo da cristandade, em constantes périplos, protagonizou momentos importantes da história da humanidade, como o fim do comunismo ateu. O que os novéis santos têm em comum? Eu diria que a ab-

soluta fidelidade ao depositum fidei (depósito da fé), isto é, à Boa Nova proclamada por nosso Senhor Jesus Cristo e que foi entregue à Igreja. A propósito, nenhum papa, nos dois mil anos de existência da Igreja, titubeou uma única vez em expor corretamente a fé e a moral cristãs. Entre as batalhas travadas por São João Paulo II, uma das mais atrozes consistiu em conter a catastrófica e virulenta ofensiva de certas teologias da libertação de viés marxista, as quais infeccionaram a sociedade eclesial, sobremodo na América Latina, retardando em muitos aspectos o desenvolvimento espiritual do povo de Deus. Ao lado de São João XXIII, temos de homenagear igualmente outro bispo de Roma: Paulo VI. Com efeito, o Concílio Vaticano II poderia ter levado décadas para terminar com sucesso. No entanto, graças à habilidade de Paulo VI, conforme explicou Jean Guitton, da Academia Francesa, em menos de quatro anos, os padres conciliares lograram concluir frutuosamente essa assembleia maravilhosa, que trouxe e continua a trazer infindáveis bênçãos aos cristãos e a todos os homens de boa vontade. As canonizações aqui referidas consistem num relevante alento aos católicos. De fato, ultimamente, a Igreja de Cristo é vítima de vitupérios, em virtude da postura dela a favor da família tradicional e em prol da vida humana desde a concepção. Os dois santos papas, do paraíso, intercederão por todos aqueles que tiverem coragem de anunciar dos telhados o Evangelho (Lc 12,3), arrostando os inúmeros algozes hodiernos!

Padre Alfredo José Gonçalves

Bola na rede é o objetivo máximo de qualquer partida de futebol. Atores e plateia, campo e arquibancada, concentramse nesse objetivo. E quando o alcancam, vem a alegria, os aplausos, as bandeiras erguidas, a festa. Para isso, porém, a cada passe e a cada drible, é preciso evitar que o adversário chegue também ao gol. Só assim o time pode contar com um placar positivo. Transportando a imagen para o âmbito da sociedade, como conciliar as expectativas de jogadores e torcedores para chegar a um “gol de placa” no que diz respeito ao bem-estar da população, em particular os mais pobres, excluídos e de baixa renda? Em outras palavras, como diminuir a distância entre os habitantes do andar de cima e os do andar de baixo da pirâmide social? Semelhantes perguntas e inquietudes estão nas ruas e praças de várias cidades do País,

em diversas manifestacões e movimentos sociais. Mais do que gritar contra a Copa do Mundo em si, o protesto de tais mobilizações visa combater o abismo entre os mais ricos e os mais pobres, entre o pico e a base da pirâmide, entre o padrão Fifa para a infraestrutura do evento, por um lado, e a precariedade dos serviços públicos, por outro. Se o esporte é importante, mais ainda é a vida do cidadão. Nesse caso, o gol ou a bola

necessário ir mais além e mais a fundo. Quem deve marcar o gol de placa? É evidente que aqui não há gramado e plateia. Todos e todas somos chamados ao jogo, ao exercício efetivo da cidadania, embora com funções e responsabilidades distintas. E por “cidadania” entende-se a conquista e defesa de condições reais e concretas de vida (e nãoo apenas de sobrevivência) para o conjunto da população. Tal exercício na busca do bem comum ganha maior relevância É evidente que aqui não há em ano de eleições. gramado e plateia. Todos e Quem escolher como representante para todas somos chamados ao definir as regras do jogo, ao exercício efetivo da jogo? Depois de eleicidadania, embora com funções tos os políticos, como controlar sua prática e e responsabilidades distintas o orçamento público de que deverão disna rede deveria representar o es- por? Podemos ou não interferir forço das autoridades no sentido na escolha de estratégias para de implementar políticas públi- vencer os inimigos da justica, da cas que respondam às necesida- paz e da solidariedade? des básicas da população mais Eis as interrogações que estão carente e abandonada, como é o em pauta. Nada contra o futebol, caso dos sem-teto, só para citar mas não podemos utilizá-lo como um exemplo entre tantos outros. fumaça nos olhos para esquecer Nao bastam políticas compen- os problemas que nos cercam. satórias, não basta pão e circo, é Somos interpelados à ação.

espaço aberto

Para quem conhece a parábola do bom samaritano É dona de casa. Tem 64 anos, casada há 42 anos. Possui quatro filhos e oito netos

VERA HELENA RIBEIRO DO VALLE

Há poucos dias, tive a primeira experiência de violência na rua e espero que seja a única. Em meio ao trânsito, em um dos acessos escuros da Marginal Pinheiros, com muita violência, dois rapazes apareceram do nada, quebraram o vidro do passageiro entraram meio corpo dentro do meu carro. Levaram minha bolsa com todos os documentos. Arrancaram de meu dedo a aliança de casamento que trago há 42 anos, me ameaçaram e sumiram tão de repente quanto apareceram, deixandome paralisada e sem entender

como tudo isso tinha acontecido. Muitas pessoas assistiram inertes ao ocorrido e sem qualquer reação. Tudo em minha volta continuou igual. Trânsito, monte de carros, o burbúrio, a

Era apenas mais um assalto e, como disse uma atendente quando liguei para o banco para cancelar meu cartão, que bom que a senhora está viva. Logo, me vi agradecendo por ter sido só assaltada e não assassinada. Depois me deu uma profunda tristeza Cadê a solidariedade humana? e sentimento de soliSerá que ela não tem lugar dão. Cadê a solidariedade humana? Será neste mundo atual? Cadê o que ela não tem lugar Bom Samaritano? Ele saiu de neste mundo atual? moda, não resistiu? Cadê o Bom Samaritano? Ele saiu de moda, não resistiu? cidade continuou o seu camiPensei: que bom poder connho. Ninguém, absolutamente tar com um anjo da guarda, ninguém, nem mesmo eu, pa- porque, ao que parece, o Bom rou. Nem para olhar, nem para Samaritano está adormecido, perguntar, nem para businar, acostumado com a violência da ninguém para socorrer e ajudar. cidade.

espaço do leitor

Papa nomeia dois bispos auxiliares para a Arquidiocese de São Paulo (Edição 3001)

“Que Jesus ilumine os passos dos nossos pastores nessa nova missão que lhes foi confiada... Maria Santíssima

passe a frente, Rogando... modelo de missionariedade para casais, experimentem” amém!” Zileide Cantuara (pelo Facebook)

Equipes de Nossa Senhora: há 64 anos no Brasil (edição 3002)

“Nossa Senhora também é

Padre Brasilio Oliveira (pelo Facebook)

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO


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MOVIMENTO EUCARÍSTICO JOVEM

Arquivo pessoal

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bioética

O futuro da vida no planeta em perigo (2) padre leo pessini

MEJ realiza 2º Encontro Nacional de Lideranças Jovens ana25lucia@hotmail.com

Entre os dias 2 a 4, ocorreu em Baturité, no Ceará, o 2º Encontro Nacional de Lideranças Jovens do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ), no qual estavam presentes mais de 100 mejistas de diversos lugares do Brasil, todos com o mesmo intuito: saber qual é a real situação do MEJ e buscar melhorias para suas dioceses e arquidioceses. Desse encontro participou o diretor geral do MEJ-Mundial, padre Frédéric Fornos, e a assistente internacional, irmã Lourdes Varguez. Nesses três dias de experiências, houve diversos momentos marcantes, tais como as palestras, a partilha e os momentos de oração em conjunto e individual. Nas palestras, tratou-se sobre a realidade da juventude no Brasil, mostrando o real sentindo

da juventude, como ela está na sociedade atual e como buscar esses jovens para fazerem parte da Igreja. Houve também a palestra do padre Claudio Barriga, que mostrou um pouco sobre MEJ - Identidade e Espiritualidade, indicando a verdadeira missão dos mejistas no mundo, que é seguir Jesus como modelo na Eucaristia. O coordenador nacional, Everson Donizete Lima, falou sobre como está o MEJ no Brasil e qual é a sua frente. Na última palestra, foram deixadas três questões que serviram para meditar e partilhar nos grupos e nas oficinas, para observar o que realmente está acontecendo no Brasil dentro do Movimento Eucarístico Jovem, como por exemplo, qual é a dificuldade e quais soluções podem ser encontradas. Ana Carolina Santos Cruz, que participou do evento representando

o MEJ da Arquidiocese de São Paulo, comentou: “Pude aprender diversas coisas e trocar experiências com outras pessoas, pois estávamos ali com o mesmo objetivo, que é vivenciar a frase que estava como lema do 2º Encontro Nacional de Lideranças Jovens do Movimento Eucarístico Jovem – ‘Um só pão, um só corpo... um só senhor’, pois unidos permanecemos em Cristo. E com a experiência da minha oração pessoal, percebi o quanto Jesus me chama para seguir o seu caminho, no qual Ele me mostrar a minha grande capacidade para segui-lo, pois neste encontro, me senti viva e renascida no amor de Cristo ao desfrutar de grandes emoções, percebemos que é assim que vamos ‘Construindo corações ao estilo de Jesus’”. Por: Ana Lúcia Contarelli

PASTORAL DO DÍZIMO

O dízimo pertence ao Senhor MARTA SAMPAIO LIMA ELIA

Em Levítico 27,30, aprendemos que o dízimo pertence ao Senhor: todos os dízimos da terra, tanto dos produtos da terra quanto dos frutos das árvores, pertencem a Iahweh; é coisa consagrada a Iahweh. É propriedade do Senhor. Então, quando não o oferecemos em nossa paróquia ou comunidade, estamos retardando a realização do Plano de Deus. E isso não é bom.

Não é bom porque desobedecemos aos ensinamentos bíblicos de Deus, atrasamos a evangelização, o socorro aos pobres, o sustento e o desenvolvimento da paróquia. Ao oferecermos o dízimo, abrimos as portas do desenvolvimento na paróquia: as pastorais têm chance de se atualizar, de se equipar, para atender condignamente os paroquianos. Por exemplo: a Catequese e a Pastoral da Juventude precisam oferecer um trabalho bem planejado, com recursos modernos, para despertar o interesse e garantir a presença de crianças e jovens. Não podemos nos esquecer de que a paróquia concor-

re com clubes, festas, danceterias, passeios e outros atrativos. E, que para enfrentar esses concorrentes, é preciso desenvolver um bom trabalho, de qualidade. Como isso requer investimento, aí entra o dízimo, fazendo parte integrante da evangelização. Querido leitor, junte-se a nós. Seja dizimista e se engaje nessa pastoral. Há muito trabalho interessante a ser implantado e desenvolvido. A Pastoral do Dízimo de sua paróquia espera por você! Se você já é dizimista, parabéns! Continue sempre e tenha a coragem de atualizar o dízimo, quando seu coração pedir.

Não há mais como negar o fato de que as mudanças climáticas estão impactando a vida de todos os seres vivos no planeta. Temos as ondas de calor, os eventos de extrema precipitação e o aumento do nível do mar em 19 centímetros no decorrer do último século. A Holanda teve de aumentar a altura de diques para evitar a invasão do mar. Os impactos negativos das secas prolongadas que arruínam a agricultura e na diminuição dos reservatórios de água potável. Aumentaram os riscos à saúde com o aumento de doenças transmitidas por mosquitos ou doenças típicas de zonas úmidas, a mortalidade e as doenças provocadas pelo calor e a queda de qualidade da nutrição. Todos os aspectos da segurança alimentar estão afetados, com a ameaça da fome, extinção de espécies e riscos de conflitos violentos em forma de guerras civis e atos de violência por causa da disputa provocada pela pobreza, fome e falta de moradia. A lista das desgraças vai longe e as mudanças climáticas trazem a ameaça de que países inteiros podem sumir do mapa, deixando milhões de refugiados sem casa, sem comida e sem pátria. Como sempre, os pobres e vulneráveis serão as pessoas mais afetadas por todas essas mudanças. Entres os principais riscos estão à inundação permanente de pequenas ilhas e áreas costeiras. Essas são algumas das possíveis consequências causadas pelo aquecimento global que o órgão da ONU – Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC) aponta, com o objetivo de orientar os governos a ser comprometerem a definir, até 2015, um novo tratado global contra a mudança climática, na próxima Conferência do Clima de Paris, marcada para o próximo ano. Não seria uma missão impossível de reverter esse quadro apocalíptico? Muitos são pessimistas, mas existe esperança se houver mudanças de comportamento do ser humano. Os riscos globais do impacto da mudança climática podem ser reduzidos, caso a magnitude e o ritmo do fenômeno seja limitado, diz o documento “Mudança climática 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade”, do IPCC. Entre outras medidas indicadas, aponta-se à necessidade de reduzir as emissões de CO2 de forma rápida. Existem opções relativamente baratas e simples, como reduzir o desperdício de água e aumentar a reciclagem. Entre outras medidas necessárias para prevenir um cenário trágico e catastrófico, menciona-se: evitar os assentamentos humanos em áreas propensas às inundações, os deslizamentos de terra e à erosão costeira; Preservar terras úmidas que podem servir de barreiras contra as inundações e salvar os manguezais que podem proteger as costas de tempestades inesperadas; Lutas contra os incêndios florestais; Introduzir cultivos resistentes às secas e estimular os sistemas de irrigação eficiente; Desenvolver áreas verdes na cidade que suavizem o impacto das ondas de calor; Elaborar políticas públicas contra o aquecimento global em nível local, regional e nacional; Reforçar em todos os níveis os planos de luta contra desastres naturais. Fortalecer as instituições internacionais que atuam para desativar crises entre os países que disputam recursos naturais. Não temos alternativa a não ser de percorrer esse novo caminho. Habitamos um planeta comum, com recursos naturais finitos. Hoje, somos 7 bilhões de pessoas, num futuro próximo seremos 8 ou 9 bilhões, cada uma precisando satisfazer suas necessidades básicas de vida. Ou usamos os recursos naturais de modo mais inteligente, responsável e sábio, ou claramente o futuro da vida simplesmente não existirá (continua)


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PASTORAL OPERÁRIA

CAMI

Meditações antes do apito inicial de 12 de junho de 2014!

Imigrantes participam do 1º de Maio na Catedral da Sé

Professor da rede pública estadual e coordenador da Pastoral Operária

OSVALDO DE ANDRADE

No dia a dia, vemos e observamos fatos de origem social, cultural, econômica e política que mostram, mas também escondem, ocultam e dissimulam os diversos “mecanismos sociológicos” que mantêm e sustentam a complexa estrutura social, econômica e política de nosso País. Por essa razão, há fatos que merecem análise e meditação, pois suas origens, gênese e causas são como um iceberg. Os fatores socioeconômicos e políticos, se traduzidos como “mecanismos sociológicos”, são os que reproduzem e retroalimentam as “engenhosas relações sociais, econômicas e políticas” que produzimos ao longo da história e, lógico, por tabela, são eles que interferem em nossas vidas em particular, bem como nas estruturas de nossa sociedade e do nosso País. Isto é, cada pessoa, cada cidadão, cada família (com suas necessidades, costumes, educação, trabalho, laços e vínculos) mantém vínculos e laços com as demais pessoas e com o conjunto das estruturas da sociedade e do País. Nisso, assemelha-se às “teias de aranhas”, que são “arquitetadas” e construídas por meio de fios que se ligam entre si. Nas sociedades humanas, as coisas são um pouco mais “engenhosas”. Em cada fato, há uma complexidade social e sociológica. A vida social, o modo de produzir, as ações cotidianas das pessoas, os conflitos, as desigualdades, as decisões políticas, as reações populares, as leis, os cargos, atrelam-se (possuem vínculos) a estruturas mais complexas do conjunto do País e, como um “cipoal”, se entrelaçam, resultando em uma dinâmica própria com efeitos e consequências para cada membro, setor e esfera da sociedade. Dito isso, vamos às devidas explicitações, com exemplos retirados da situação e da realidade da base e do topo da pirâmide brasileira. Por exemplo: o governo, os empresários e a mídia do Brasil têm alardeado pelos meios de comunicação nos últimos meses que somos a sétima economia do mundo. Indago, mas será mesmo? Se tal fato é real mesmo, por que vemos e encontramos no dia a dia em nossas ruas, praças, periferias de cidades paulistas e brasileiras tantas pessoas de origem social proletária vendendo sua força de trabalho por um salário mínimo (menos de R$ 730,00) ou por menos do que isso e, muitas outras, sem ganho algum sobrevivendo em extrema pobreza e em situação de exclusão social? Se o País encontra-se nessa posição econômica na atualidade, por que, então, ainda vemos e observamos tais fatos e situações tão concretas por onde passamos? E, por que não há soluções para esses problemas, nem freios para atenuar seus efeitos e consequências? Nosso modo de produzir as “coisas” geraram as estruturas de nossa sociedade e de nossos problemas ao longo da nossa história. Entrelaçaram-se diversos fatores que norteiam a conjuntura atual do país. A acumulação e a concentração de riquezas nas mãos de poucos vêm de longa data. Na atualidade, as contradições estruturais do país estão atingindo o ponto máximo, agravando os problemas, crises, conflitos e gerando a barbárie.

cami.imigrantes@terra.com.br

Na tradicional missa de 1º de maio, na Catedral metropolitana, na praça da Sé, o coração da celebração foram os trabalhadores, inclusive imigrantes, que se fizeram ouvir desfraldando bandeiras e cartazes, denunciando a precarização do trabalho e exigindo direitos iguais, sem trabalho escravo e com exercício de cidadania. Participaram trabalhadores principalmente da área da confecção, de diferentes nacionalidades sul-americanas, mobilizados pelo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI). Num ato simbólico, uma máquina de costura foi colocada próximo ao altar da celebração, para dar visibilidade às situações de exploração e vulnerabilidade do trabalhador imigrante: “buscamos nossa dignidade, não podemos deixar que nossos compatriotas trabalhem nessas condições, com mais de 16 horas ao dia, ganhando 400 ou 600 reais por mês, morando em quartinhos im-

provisados, trabalhando gratuitamente para pagar dívidas de viagens que não são nossas. Não podemos seguir ganhando R$ 0,50 por peça”, denunciou um boliviano. Outra jovem trabalhadora da área têxtil, que convidou seus patrícios, cidadãos estrangeiros, para a celebração, salientou: “queremos dizer aos governos que nós somos muito importantes e indispensáveis para a construção deste país. A sociedade não pode ser indiferente a esta realidade”. Uma frequentadora da Catedral sublinhou: “o trabalho precarizado é consequência do capitalismo, da competitividade que estimula condições degradantes de trabalho. A sensibilização e participação da sociedade são importantíssimas para abolir de vez esta que é uma das maiores violações dos direitos humanos”. O celebrante, padre Tarcisio Mesquita, refletiu na homilia sobre a humanização dos e das trabalhadoras no mundo e a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus. A ce-

lebração foi organizada pela Pastoral Operária e reuniu, nesta data histórica do 1º de maio, representantes de diferentes movimentos sociais, pastorais, entidades sindicais e fiéis. Foi um grande momento de fé e comunhão, com a participação de centenas de trabalhadores. Após a missa, houve concentração na praça da Sé, onde de um palco montado, discursaram dirigentes sindicais por melhores condições de trabalho e repúdio à contratação de trabalhadores sem direitos durante a Copa do Mundo. Nessa manifestação histórica, o Grupo Kantuta, da Bolívia, apresentou-se com uma dança típica, demonstrando que os trabalhadores (as) imigrantes promovem também a arte e a cultura popular. As reivindicações se espalharam por várias cidades do Brasil e diversos países onde a exploração capitalista torna desumanas as condições de trabalho e vida. Por Assessoria de Imprensa

Cami

PASTORAL CARCERÁRIA

Pastoral manifesta-se sobre reivindicações dos presos do ‘Mensalão’ imprensa@carceraria.org.br

Por meio de nota pública, na quintafeira, 15, a Pastoral Carcerária Nacional (PCr) manifestou-se sobre as recentes reivindicações dos presos na Ação Penal 470, mais conhecido como episódio do “Mensalão”, feitas após decisões do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa. A PCr externou que se recusa “a fazer coro com vozes que agora se levantam para falar dos possíveis reflexos do ‘mensalão’ para o restante da população carcerária, como se a barbárie e o desmando já não fossem a tônica da Justiça Criminal”, pois entende que “enfrentamentos individualizados apenas trarão respostas individualizadas e elitistas, deixando à margem, como de costume, os presos e as presas que padecem em nossas masmorras”.

Ainda segundo a Pastoral, “não é possível denunciar publicamente que determinado indivíduo está cumprindo pena em regime diverso daquele em que foi condenado, sem levar em conta os outros milhares que sofrem com a mesma violação” e também “não é possível atacar publicamente a ausência de tratamento médico especializado para determinado indivíduo preso e, ao mesmo tempo, ignorar que as pessoas no sistema penitenciário são privadas dos cuidados de saúde e higiene mais básicos, ainda convivendo com surtos de sarna e mortes por tuberculose em pleno século 21”. Sobre os posicionamentos que defendem o fim da dispensa da revista vexatória para os familiares dos condenados do “Mensalão”, a PCr enfatiza que tal procedimento “é uma prática ilegal de revista, que expressa repudiável violência sexual, e é um dos inúmeros aspectos cruéis do cárcere, especialmente

por ser uma espécie de ‘pena’ que se estende dos presos para seus familiares, e que não poucas vezes provoca o rompimento total do convívio destes, já que muitos se recusam a passar por situação tão degradante, inclusive a pedido dos próprios presos, e acabam por deixar de visitá-los”. Em outro trecho da nota, a Pastoral aponta que “na luta contra o cárcere, seletivo e cruel em sua raiz, não podemos praticar uma ‘solidariedade’ igualmente seletiva e, portanto, igualmente cruel, como se a injustiça doesse mais em uns do que em outros” e também sentencia que “precisamos, sobretudo, abandonar a ilusão da prisão como instrumento de ‘ressocialização’ e entendê-la como ela é: uma ferramenta de exclusão, estigmatização e alienação social por excelência”. A íntegra da nota pode ser acessada em www.carceraria.org Por Assessoria de Imprensa


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A Igreja

Pelo Mundo

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Destaques das Agências Internacionais Padre MICHELINO ROBERTO, Diretor do o São Paulo

vaticano/terra santa

Novena preparatória à visita do Papa une católicos e ortodoxos Arquivo L’Osservatore Romano

O patriarca Antenágoras e papa Paulo VI, em 1964, em Jerusalém

Rabino e muçulmano acompanham o Papa em viagem à Terra Santa

Papa não quer nem carro blindado e nem papamóvel fechado O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, informou que o papa Francisco não usará carro blindado durante sua visita à Terra Santa, mas se deslocará em “papamóvel” aberto para ficar o mais perto possível das pessoas. Padre Lombardi recordou que no Oriente Médio os católicos são minoria, por isso não se esperam cenas parecidas com as da visita ao Brasil pela JMJ, quando a multidão ultrapassou a barreira de segurança e rodeou o carro do Papa.

O rabino Abraham Skorka e o dignatário muçulmano Omar Addoub, que já trabalharam com papa Francisco a favor do diálogo inter-religioso na Argentina, vão acompanhá-lo na sua viagem à Terra Santa. Para Abraham Skorka, atual reitor do Seminário Rabínico latino-americano de Buenos Aires, a deslocação do Papa à Terra Santa será um “verdadeiro desafio”, já que “israelitas,

palestinos, judeus, cristãos e muçulmanos esperam muito” do seu pontificado. O Rabino faz votos de que “com prudência e inteligência, já que os habitantes destas regiões são muito apaixonados, Francisco possa deixar uma mensagem de paz e inspirar uma dimensão de paz para todos”. O muçulmano Omar Abboud, diretor do Instituto para o diálogo inter-religioso de Buenos

NAÇõES UNIDAS

Dom Paglia na ONU: colocar a família no centro da política Luciney Martins/O SÃO PAULO

Católicos e Ortodoxos se reuniram em turnos de oração, nas Igrejas e lugares santos, preparando-se para a visita do papa Francisco à Jerusalém. A finalidade principal foi apoiar espiritualmente a peregrinação do Papa e seu encontro com o Patriarca Bartolomeu I. O encontro entre o papa Francisco e Bartolomeu I ocorrerá cinquenta anos depois do histórico encontro de Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, que marcou um novo e positivo começo no diálogo entre os ortodoxos e a Igreja Católica. A peregrinação do papa Francisco à Terra Santa ocorrerá de 24 a 26 de maio próximos.

Por ocasião do 20º Dia da Família promovido pela ONU (15/5), a representação diplomática da Santa Sé propôs um encontro na sede da organização em Nova York. Em sua intervenção, dom Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, declarou: “Estou satisfeito que as Nações Unidas, neste Dia, queiram incentivar os governos a colocar a família no centro das suas políticas, porque percebem que sem ela falta o relacionamento entre as gerações, e a criação da própria história, afinal, se enfraquece! É por isso que a Santa Sé, consciente da urgência de tudo isto, quer dar a sua contribuição, sublinhando que a família - por sua particular construção: pais, mães, filhos, avós e netos, - é o bem mais importante para as nossas sociedades, e mais ainda, é a fonte de um desenvolvimento em escala humana das nossas sociedades”. Fonte: Rádio Vaticano

Aires, é também “um amigo de longa data de Francisco”, com quem colaborou na aproximação das comunidades de diferentes credos presentes na capital argentina. Para ele, a ida do Papa à Terra Santa tem na sua gênese muito do trabalho que Jorge Bergoglio fez enquanto Cardeal, “no sentido de criar espaços para que uma cultura do encontro possa ver o dia”. Fonte: ACI

brasil

Congresso da Infância e Adolescência Missionária O Brasil se prepara para acolher o Primeiro Congresso da Infância e Adolescência Missionária, com o tema “IAM da América a serviço da Missão” e o slogan “Vocês são meus amigos”, o evento se realiza de 23 a 25 de maio em Aparecida e pretende reunir cerca de 700 responsáveis e coordenadores da IAM de toda a América. O Brasil participa com 500 membros. Segundo dados das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil, que promovem o evento, dos 180 milhões de latino-americanos menores de 14 anos, cerca de 70 milhões vivem na pobreza e quase 30 milhões na miséria. Segundo dados da OIT, 168 milhões de crianças trabalham. Desse número, 120 milhões trabalham em tempo integral e 70 milhões estão expostos a trabalhos arriscados ou perigosos. 72,6% das crianças não têm direitos e não possuem acesso a escolas ou centros de saúde. Esta situação provoca o aumento da população infantil no mercado de trabalho ilegal e a exploração infantil. Fonte: Fides


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Oriente Médio vive expectativa pela visita do Papa Padre Cido Pereira/O SÃO PAULO

Em peregrinação à Terra Santa, padre Cido Pereira, vigário episcopal da Pastoral da Comunicação, detalha preparativos para a chegada do Pontífice

Agenda do papa na Terra Santa* Sábado (24) 7h35- Cerimônia de boas-vindas, no Palácio Real de Amã (Jordânia); 9h45 - Missa International Stadium de Amã (Jordânia); 12h50 - Oração silenciosa no local do Batismo de Jesus – encontro com refugiados e jovens com deficiências (Jordânia); Domingo (25) 4h45 – Missa na praça da Manjedoura de Belém (Estado da Palestina); 12h50 - Encontro Ecumênico no Santo Sepulcro de Jerusalém (Israel);

Daniel Gomes Redação

O papa Francisco inicia no sábado, 24, uma visita de três dias à Terra Santa, quando passará pelos territórios da Jordânia, Palestina e Israel, para momentos de oração, celebração de missas e encontro com autoridades civis e religiosas. “Tanto em Israel quanto no território palestino é grande a expectativa com a visita do papa Francisco. Nos lugares de maior presença dos peregrinos, há cartazes dando as boas-vindas ao Papa, e sob a foto dele o lema da viagem ‘Para que todos sejam um’. De fato, em contato com os religiosos que atuam em diferentes lugares santos, se percebe que

todos estão conscientes do significado dessa visita. Quer o papa exortar a um maior diálogo entre as Igrejas cristãs que cuidam dos lugares santos”, contou, ao O SÃO PAULO, o padre Antônio Aparecido Pereira, o padre Cido, vigário episcopal para a Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, que está em peregrinação pela Terra Santa. Sobre os preparativos das

autoridades para a visita, padre Cido comentou que os jornais locais têm mostrado que a polícia de Israel está pronta para uma operação de segurança de dimensões nacionais. A Santa Sé já informou que Francisco não usará papa-móvel nem carro blindado, mas se deslocará em carro convencional ou em jepp aberto. Padre Cido também destacou as condições sociais que serão

encontradas por Francisco. “A visita do Papa é aguardada com muita esperança pelos cristãos palestinos que sofrem muito com a falta de emprego e com o custo de vida muito alto”, apontou. “Eu conversei com alguns que afirmam a dificuldade deles com falta de trabalho e com o custo de vida altíssimo. Um quilo de carne na Palestina custa em torno de trinta dólares”, complementou.

Segunda-feira (26) 2h- Visita ao Grão-mufti de Jerusalém; 3h10 - Visita ao Muro Ocidental; 3h40 - Visita ao memorial de Yad Vashem; 4h40 - Visita de Cortesia aos dois Grão-rabinos de Israel; 5h40 - Visita ao Presidente do Estado de Israel; 9h50 - Encontro com sacerdotes, religiosos e seminaristas Igreja de Getsêmani de Jerusalém (Israel); 11h - Santa Missa com Ordinários da Terra Santa Cenáculo, em Jerusalém (Israel); * Horários de Brasília.

Legião de Maria: fé vivenciada no orar e agir Arquvo pessoal

Daniel Gomes Redação

Ir ao encontro das pessoas e famílias que precisam de auxílio espiritual é o trabalho de apostolado que os 300 mil integrantes da Legião de Maria cumprem semanalmente no Brasil, desde 1951, quando o primeiro grupo surgiu no Rio de Janeiro. No entanto, a história dessa associação privada de fiéis começou 30 anos antes, em 7 de setembro de 1921, em Dublin, na Irlanda, por iniciativa do filósofo e teólogo Frank Duff (1889-1980). Hábil comunicador, ele elaborou o manual do Movimento, no qual consta que “a Legião de Maria tem como fim a glória de Deus, por meio da santificação dos seus membros, pela oração e cooperação ativa, sob a direção da autoridade eclesiástica, na obra de Maria e da Igreja”. “Um dos nossos desafios é unir dois verbos importantíssimos: orar e agir, igual a oração. Onde a Igreja necessitar dos nossos trabalhos, aí devemos e deveremos estar. Sempre de prontidão, sempre alertas”, explicou, ao O SÃO PAULO, Wanderley Aparecido Turine, 48, presidente do Senatus de São Paulo da

Wanderley Turine (dir.) fala sobre trabalhos e história da Legião de Maria, iniciada por Frank Duff (esq.) na Irlanda, em 1921, e que atualmente no Brasil conta com 300 mil legionários

Legião de Maria - conselho que abrange os legionários de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo (onde há grupos desde 1954). Ainda segundo Turine, “Ma-

ria é a grande referência da nossa Associação. Pela trajetória de vida que ele teve relatada pela Sagrada Escritura, pela Tradição da Igreja, bem como pelo campo devocional do povo ao logo de

tantos séculos, temos muito que ‘imitá-la’. Espírito de discernimento, de esperança, de ouvir – guardar e colocar em prática à vontade de Deus”. Semanalmente, os grupos de

legionários se reúnem para rezar, partilhar experiências e definir um gesto concreto de ação para a semana, a ser feito em atividades diversas, tais como a visita às famílias e hospitais e a participação ativa em paróquias e comunidades, no auxílio da Catequese e do Batismo. Na avaliação de Wanderley, as ações da Legião de Maria estão afinadas com o que pede o papa Francisco. “O que está sendo solicitado por nosso Papa, uma ‘Igreja de ir ao encontro’, faz parte da Legião de Maria há quase 93 anos no mundo. É claro que precisamos nos adaptar, cada vez mais, com meios para melhor atingirmos às pessoas que Deus nos coloca em nosso caminho. A importância de todos estes trabalhos, ao longo de décadas, é o contato pessoal”, afirmou. “Querendo ou não, este início de século, com tantas transformações pessoais, crises sociais e ideológicas, diversas formas culturais e religiosas, diversidade sexual, tem nos provocado várias reflexões para um melhor anúncio, uma melhor evangelização”, complementou.


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Em junho, bispos do Regional Sul 1 promovem assembleia De 3 a 5 de junho será realizada a Assembleia dos Bispos do regional Sul 1 da CNBB, em Aparecida (SP). O encontro é promovido anualmente e reúne o episcopado das dioceses do estado de São Paulo para avaliação e planejamento das atividades. O tema será “Alegria do Evangelho: desafios e propostas para a evangelização”.

Cardeal Scherer detalha preparativos do Sínodo extraordinário da família Luciney Martins/O SÃO PAULO

Da Redação

Participante da reunião do Conselho da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, em Roma, entre os dias 13 e 14, o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, explica nesta entrevista ao O SÃO PAULO o significado e os preparativos para a realização da assembleia extraordinária do Sínodo, em outubro, que tratará das situações desafiadoras da família e do casamento para a evangelização.

O SÃO PAULO – Quem participará da assembleia extraordinária de outubro deste ano? Cardeal Scherer - Conforme o Regulamento do Sínodo, participarão os presidentes das conferências episcopais, os patriarcas e os arcebispos maiores das Igrejas Orientais Católicas “sui iuris”, além de outras pessoas que o Papa pode convidar. Poderão ser umas 180 pessoas.

O SÃO PAULO – Nos dias 13 e 14 de maio, o senhor participou da reunião do Conselho da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, em Roma. O que vem a ser o Sínodo dos Bispos? Cardeal Odilo Pedro Scherer - O Sínodo dos Bispos é um Organismo da Igreja, instituído pelo papa Paulo VI, em 1965, no final do Concílio Vaticano II, para expressar de maneira mais eficaz a colegialidade episcopal e a responsabilidade de todo o episcopado, junto com o papa e sob a sua autoridade, pelo bem da Igreja inteira. O Sínodo é presidido pelo papa e tem em Roma uma Secretaria Geral permanente; tem também um Conselho, formado por 15 cardeais de várias partes do mundo. Reúne-se em assembleias gerais ordinárias periódicas e também pode haver assembleias extraordinárias, como aquela que vai acontecer em outubro. Das assembleias participam representantes das conferências episcopais de todo o mundo, além de outros membros, convidados pelo Papa. O SÃO PAULO - Quem escolhe o tema das assembleias? Cardeal Scherer - Sempre é feita uma ampla consulta às conferências episcopais e outros organismos eclesiais; finalmente, o Papa escolhe o tema, entre as várias propostas apresentadas a ele. O SÃO PAULO - Qual foi o objetivo da reunião dos dias 13 e 14 de maio? Cardeal Scherer - O Conselho ocupou-se, sobretudo, da elaboração do Instrumentum laboris (Instrumento de Trabalho), que é o texto de trabalho feito a partir das sugestões vindas das conferências

realiza:

que ela enfrenta; sabemos, de antemão, que há várias situações problemáticas. O papa Francisco chamou para refletir sobre o que a Igreja deve fazer diante dessas situações. Ela não pode mudar as palavras de Cristo nem sua própria doutrina, mas pode ter um trato pastoral novo, para não deixar as pessoas sem esperança, nem dar a impressão de que ela não tem mais nada a dizer diante de certos casos irregulares, segundo sua doutrina.

episcopais e de outros organismos eclesiais de todo o mundo. O tema, já conhecido, tratará dos desafios da evangelização diante das situações atuais da família e do casamento. O questionário enviado no ano passado às dioceses de todo o mundo resultou num grande número de contribuições, mostrando o interesse especial que a temática despertou. O Instrumento de Trabalho será publicado e reunirá, de maneira temática e orgânica, essas contribuições e as apresentará como “objeto” de trabalho para a assembleia do Sínodo de outubro próximo.

O SÃO PAULO – Como o tema da assembleia extraordinária deste ano vai se relacionar com o tema da assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, que acontecerá em outubro de 2015? Cardeal Scherer - Serão dois momentos de um único caminho; a temática de fundo refere-se à pessoa humana, à família e ao casamento, à luz do Evangelho e da fé cristã. Neste ano, a reflexão será, sobretudo, sobre as situações desafiadoras atuais da família e do casamento para a evangelização; no próximo ano, tratar-se-á de olhar para essa realidade a partir do Evangelho e da vocação à vida nova “em Cristo”, para chegar a orientações pastorais e eventuais decisões, em vista da evangelização mais O SÃO PAULO – O tema despertou eficaz. Há muito trabalho a ser feito! muito interesse em toda parte. Como serão as respostas da Igreja às perguntas O SÃO PAULO – O Sínodo dos Bispos foi feitas? instituído por Paulo VI há quase 50 anos. Cardeal Scherer - O papa Francisco pe- Continua uma Instituição atual ainda diu que todos rezem na intenção do Síno- hoje? do, para que o Espírito Santo ilumine e Cardeal Scherer - Certamente! É claro conduza a Igreja nas orientações que ela que também o modo atuação do próprio deve dar. Não podemos antecipar decisões Sínodo precisa ser adequado e atualizado que ainda não foram tomadas, nem criar de tempos em tempos. E o papa Francisco expectativas irreais. O primeiro objetivo está atuando para isso. A propósito, o papa desta assembleia do Sínodo é uma grande Paulo VI será beatificado no domingo, 19 tomada de consciência da situação em que de outubro, dia do encerramento da assemvive a família, sobretudo dos problemas bleia extraordinária do Sínodo dos Bispos.

15ª Turma 01 a 07 de junho em São Leopoldo/RS Inscreva-se: www.institutoaxis.com.br - (31) 3284-6480

Exclusivo: Provinciais e Conselheiros


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O Golpe de 1964 e a Igreja Católica:

Reprodução

entre o apoio e a resistência Evento destacou pessoas, movimentos e meios de comunicação eclesiais no período da ditadura militar brasileira Luciney Martins/O SÃO PAULO

NAYÁ FERNANDES

REPORTAGEM NA ZONA SUL

Na quarta-feira, 14, o auditório da Livraria Paulinas, na zona sul da capital, recebeu o Fórum de preparação da 5ª Conferência de Aparecida, que promoveu o evento: “O Golpe Militar de 1964 e a Igreja Católica: entre o apoio e a resistência”. Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SP); José Cardonha, professor de ciências políticas da Universidade São Francisco; José Oscar Beozzo, historiador e o convidado, Anivaldo Padilha, pastor da Igreja Metodista, compuseram a mesa, mediada por Roberval Freire, membro do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM). Dom Angélico começou relembrando o tempo em que trabalhava como padre e jornalista em Ribeirão Preto (SP). “O jornal ‘Diário de Notícias’ foi várias vezes censurado e eu, em diversas ocasiões, fui acusado de favorecer a luta armada”, afirmou o Bispo. A prisão da madre Maurina Borges da Silveira, única freira brasileira presa e torturada, fato que se tornou histórico e conhecido mundialmente, também foi recordada pelo Bispo, bem como a perseguição a padres e religiosos da cidade Ribeirão Preto, onde ela morava. “Depois de um tempo, a Igreja começou a acordar, porque no

José Cardonha mostra resultado da pesquisa que fez nos arquivos da ditadura, com destaque para a presença da Igreja

início da ditadura, ela ainda estava dormindo” – afirmou dom Angélico, que recontou o dia em que acompanhou dom Paulo [Evaristo Arns], no reconhecimento do corpo de Santos Dias da Silva, assassinado em 1979 – “Eu nunca vi a imagem de Cristo morto como naquela ocasião”. O jornal O SÃO PAULO, um dos meios de comunicação da época que resistiu à censura da ditadura militar, também foi várias vezes citado. “É importante que eu fale, principalmente, da falsificação de um exemplar do

semanário da Arquidiocese que falsificava a fala de dom Paulocom o título ‘Mea culpa’”, mostrou dom Angélico que, consigo, levou uma maleta cheia de livros e recortes de jornais. O Bispo ressaltou também que, diante de um contexto de incertezas, a CNBB demorou em se pronunciar, mas em 1972, os bispos do Brasil reunidos Brodowski (SP) fizeram um documento que condenou a tortura. Com alegria e bom humor, que marcam a presença de dom Angélico, ele terminou sua fala

dizendo que “acredita na mudança quando o povo sai às ruas repetindo os ensinamentos de Jesus, ontem, hoje e amanhã”. O professor e pesquisador José Cardonha, o Zé legal, foi buscar nos arquivos do Estado Brasileiro a resistência católica nos anos de chumbo (19681974). “Fui buscar nos arquivos do opressor, a resistência dos oprimidos.” O Zé legal mostrou cópias de documentos censurados e relatórios da ditadura, que perfilavam, por exemplo, nomes de padres, bispos, religiosos e leigos que se destacavam como líderes à época. Um questionamento deixado por Zé legal foi a necessidade de se descobrir porque os torturadores utilizavam da simbologia cristã. O instrumento de dar choque na boca das pessoas, por exemplo, eles chamavam “hóstia sagrada” e gostavam de escutar músicas religiosas como “Jesus Cristo” de Roberto Carlos, enquanto realizavam as torturas. Outro documento interessante foi um em que os relatores descrevem o que seria uma “missa revolucionária”. Eles explicam que é uma missa celebrada de modo radicalmente diferente e que nela, os fiéis se davam as mãos. Zé legal destacou ainda que todos os padres e freiras de Ribeirão Preto foram fichados pela ditadura.

O que aconteceu durante os meses de março a junho? Da reportagem

“Gostaria de responder à interrogação sobre o que aconteceu entre 31 de março, dia do anúncio da renúncia de João Goulart e o dia 2 de junho, quando foi publicada uma nota da CNBB sobre o que havia acontecido”, explicou padre Oscar Beozzo no início da sua fala. Beozzo lembrou que, já nesta primeira semana, aconteceram centenas ou mi-

lhares de prisões. “As pessoas da Igreja, principalmente os líderes de movimentos sindicais rurais foram para a cadeia nos primeiros dias e também gente do Movimento de educação de base (MEB). A cartilha do MEB passou a ser recolhida. Quem era encontrado com ela, era preso como comunista”, falou Beozzo. O Padre falou também sobre o pronunciamento feito pela CNBB após março de 1964, documento que ele teve

acesso aos rascunhos. “É possível ver as anotações e correções feitas no documento, e como os bispos tinham visões diferentes sobre a ditadura.” Em 1968, em outra assembleia da CNBB, ficou decidido que no ano seguinte, a Conferência dos Bispos do Brasil faria um pronunciamento. “Porém, com o AI-5 e as censuras da ditadura, isso só aconteceu em 1977, 13 anos após o Golpe de 1964.”.

“O resgate da história não é suficiente”, afirmaram alguns participantes da mesa redonda. “Precisamos levar isso às escolas, às paróquias, grupos de jovens.” O pedido veio por parte de quem vive o dia a dia das comunidades e escutou os relatos históricos. “A memória só vale quando a gente a atualiza. Precisamos dizer quantos jovens estão sendo assassinados nas periferias e identificar os resquícios que a ditadura deixou.” (NF)


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Um milhão de assinaturas para uma nova política Sergio Ricciuto Conte

Proposta de lei de iniciativa popular, a exemplo da Ficha Limpa, é defendida e apoiada pela CNBB

Proibição da doação por empresas

98% do dinheiro das campanhas vem do caixa grandes empresas. Empreiteiras e bancos são os maiores doadores. O resultado disso é muita desigualdade, pois não dá para concorrer com igualdade de chances contra as candidaturas milionárias. Além disso, as empresas não doam por ideologia, mas por lucro. Depois, recebem tudo de volta na forma de contratos públicos. Por isso, as doações de campanha têm feito parte dos maiores escândalos políticas no Brasil.

Edcarlos Bispo

redação

Depois das manifestações ocorridas em junho de 2013, o País viu emergir, por parte da população, dezenas de anseios e pedidos. As pautas eram as mais diversas – impeachment da presidente Dilma e do governador Alckmin; aprovação ou veto a uma centena de PECs; porcentagem do PIB para a educação, entre outros temas. Os políticos, querendo acalmar o povo e aparentando ouvir o “clamor das ruas”, apressaram-se em aprovar medidas provisórias e propostas de emenda à Constituição que, ao menos na teoria, favoreciam o povo de forma geral. A grande massa saiu das ruas, porém os grupos de militantes que antes de junho de 2013 já ocupavam as ruas continuaram a propor pautas e reivindicações de mudança. Uma delas, que vinha sendo discuta há alguns anos, ganhou força e foi acolhida por diversos grupos e movimentos sociais. A reforma política. Com essa pauta, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), juntamente com entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) e mais uma centena de entidades da sociedade civil, criaram uma Coalizão pela Reforma Política. “A Coalizão é o resultado de uma ação conjunta de entidades que, em reunião na CNBB em agosto de 2013, aprovaram o Manifesto da Sociedade Civil por uma Reforma Política Democrática, e a proposta de projeto de lei de iniciativa popular, cuja finalidade é desencadear uma campanha pela efetivação imediata da reforma política, numa perspectiva democrática. A proposta da Coalizão tem como principais pontos: o afastamento definitivo do financiamento de empresas nas campanhas eleitorais (principal fonte da corrupção eleitoral e política); a igualdade de representação política entre homens e mulheres (apesar das mulheres representarem 51% do eleitoral, hoje elas têm cerca de 9% dos quadros de representação política); eleições proporcionais em dois turnos (voto num programa de governo e depois nos candidatos) e a participação soberana e constante do povo em decisões nacionais (através de plebiscitos, projetos de lei de iniciativa popular e referendos)”, afirmou Robson Sávio Reis Souza, 45, doutor em Ciências Sociais, coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC-Minas e Arquidiocese de BH (Nesp). A proposta da Coalizão visa recolher mais de 1 milhão de assinaturas para a criação de uma lei de iniciativa popular, como no caso das leis 9.840 e a da Ficha Limpa. “A população está exausta e cada vez mais atenta e exigente em

Severa punição para o caixa dois em campanhas eleitorais

Criminalizar a conduta de quem realiza caixa dois nas campanhas eleitorais, prevendo penas de dois a cinco anos de reclusão para esse crime. De acordo com o projeto de lei, responderão pelo crime de prática de caixa dois, além do candidato, os integrantes do comitê financeiro e quem efetuar doações ilegais do recurso.

Novo sistema eleitoral

Precisamos de partidos que cumpram o que prometem. Mas para isso precisamos que eles exponham claramente os seus programas, a sua ideologia. Hoje ninguém mais sabe o que defendem os partidos. Precisamos deixar isso mais claro. Ao mesmo tempo, nosso povo não abre mão de dar a palavra final sobre os eleitos. Por isso, a sociedade brasileira criou um sistema eleitoral inovador. Nele, o eleitor vota, primeiro, no partido e depois no candidato. É um sistema de votação em dois turnos, assim como já acontece nas votações para presidente e governador, por exemplo. É o que chamamos de “Voto Transparente” . O eleitor fica sabendo exatamente qual o efeito do seu voto. relação aos direitos que lhe são negados. Neste momento, é mais do que importante uma Reforma Política para garantir a efetiva participação popular nas decisões dos poderes executivo, legislativo e judiciário, por meio de plebiscitos, referendos, leis de iniciativa popular, no controle das ações desses poderes, no controle do poder econômico e da mídia”, afirmou a coordenadora da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, Carmen Cecília de Souza Amaral, a Caci. Para Caci, o Brasil está atrasado nas reformas de base. “Reformas de base: reforma urbana, reforma agrária, reforma tributária, democratização dos meios de comunicação. O povo sofre as consequências deste atraso e convivemos com perversa estratificação social: poucos moram nos jardins e frequentam os shoppings, muitos precisam fazer ‘rolezinhos’ para aí adentrar. O povo pobre, jovem, negro continua sendo assassinado pela polícia e pelo tráfico”.

para que esteja valendo para as eleições municipais de 2016. Por isso, a Coalizão pela Reforma Política disponibiliza diversos materiais como cartilhas, cartazes e folders para o aprofundamento e o estudo sobre o tema, além da possiblidade online de assinar a petição (www. eleicoeslimpas.org.br). As diversas entidades que compõem a Coalizão, convidam a população a estudar e se aprofundar no tema da reforma política, que possui diversos pontos (leia os principais ao lado), além de ser multiplicadora e divulgadora do tema. “O principal mote da campanha é convencer o cidadão de que o sistema político atual não responde às muitas demandas da população; produz corrupção; é pouco transparente; mantém estruturas de representação elitistas e afasta os eleitos dos eleitores. Portanto, para que os representantes estejam mais próximos dos anseios e das demandas populares e represente, de fato, a população (e não grupos e interesses Como Funciona econômicos), é necessária uma reforma A ideia é que o projeto seja trans- democratizante de todo o sistema polítiformado em lei até setembro de 2015, co atual”, afirmou Robson.

Redução do número de candidatos

Fazendo uma situação da aplicação do sistema do Voto Transparente nas eleições municipais do ano passado, verificando que , se o modelo já houvesse sido implantado, nós teríamos uma redução de 73,5% do número de candidatos. Hoje, temos candidatos demais e programas partidários de menos. Por isso, as eleições são tão caras e não fiscalizáveis. O sistema que propomos é muito mais barato. Com menos candidatos, será mais fácil conhecer quem está na disputa para escolher quem mais merece o voto. E fica muito mais fácil ver se algum deles está praticando ilegalidades na campanha.

Fim do “vota em um, elege outro”

Já viu isso? Está cada vez mais comum chamarem pessoas famosas para atraírem votos para o partido. O resultado é que acabam sendo eleitos outros candidatos nos quais os leitores jamais pensariam em votar. Nosso sistema é tão ruim que permite que o voto dado a uma candidato beneficie outro sem que o eleitor entenda como isso acontece. No voto transparente, acaba-se com isso. O voto só beneficia o candidato que o recebeu; ninguém mais. Fonte: www.eleicoeslimpas.org.br


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Setor Juventude capacita novas lideranças 50 jovens da Região Episcopal Ipiranga participaram do Curso de Dinâmica para Liderança Cristã

Francisco David

Colaborador de Comunicação da Região

A Virada Cultural e a antecipação do calendário de provas de faculdades e escolas não foram empecilhos para

IPIRANGA

mais de 50 jovens da Região Episcopal Ipiranga participar do Curso de Dinâmica para Liderança Cristã (CDC), promovido pelo Setor Juventude Regional, dias 17 e 18, no Centro de Formação Sagrada Família. Vindos de diversas paróquias dos cinco setores pastorais, os jovens tiveram

INSTITUTO J.V.I.F.E.C. PROF. DANIEL COMBONI CNPJ: 01.817.591/0001-57

BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2012 E 2013.

(Valores em Reais) 2012 2013 Ativo Passivo Circulante Circulante Caixa e Equivalentes de caixa 380.190,25 13.312,08 Antecipaão do Conv. PMSP Aplicação Financeira 667.553,92 917.532,12 Salarios e Encargos Sociais Adiantamento de Empregados 41,37 125.594,09 Tributos a Recolher Imposto a recuperar 1.105,10 1.105,10 Não Circulante Patrimonio Social Imobilizaso 577.408,73 712.743,99 Superávit/défict Acumulado Depreciação de Imobilizado (238.441,23) (252.618,89) Superávit/défcit do Exercicio Total do Ativo 1.387.858,14 1.517.668,49 Total do PL e Passivo

2012

2013

321.355,15 69.616,00 5.975,90

371.202,20 76.359,66 7.166,85

3.770,00 3.770,00 1.573.324,38 987.141,09 (586.183,29) 72.028,69 1.387.858,14 1.517.668,49

Reconhecemos a exatidão do presente Balanço Patrimonial, cujos os valores do Ativo e Passivo mais Patrimônio Líquido importam em R$1.517.668,49 (Um milhão, quinhentos e dezessete mil, seiscentos e sessenta e oito reais e nove centavos)

formação a respeito de autoconhecimento, dinâmica de grupo, comunicação no grupo com jovens, senso crítico, método ver-julgar-agir, tipos de coordenadores, dignidade da pessoa humana, Jesus Cristo e ser Cristão, Igreja e Comunidade a partir dos documentos do Vaticano 2º - Lumen Gentium e Gaudium et Spes, Setor Juventude e Espiritualidade cristã. O curso foi assessorado por Nei Márcio Oliveira de Sá, coordenador do Setor Juventude e pelos assessores leigos dos setores: Karen Eufrosino, Elaine Cristina, Luis Marrone, Edson Machado, Adilson Machado e Reinaldo Siqueira. Vários padres se fizeram presentes: frei José Maria Mohomed Junior, religioso mercedário, coordenador de

pastoral do Setor Anchieta e pároco da Paróquia Nossa Senhora das Mercês; padre Pedro Luiz Amorim, pároco da Paróquia Santa Paulina, padre José Lino, assessor do Setor Juventude no Setor Cursino e pároco da Paróquia Santa Ângela e São Serapião; padre Uilson dos Santos, ecônomo da Região Ipiranga e pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima do Jardim Maristela. O curso foi encerrado com uma celebração Eucarística presidida pelo padre Valdir Silva e trouxe um grande ânimo aos participantes. O Setor Juventude tem reunião marcada para o sábado, 7, às 14h, na sede da Região. Representantes de todas as paróquias, áreas pastorais, pastorais, movimentos e novas comunidades estão convidados.

Marcos Antonio Navas Faé CRC 1SP096866/0-0

DEMONSTRÕES DOS RESULTADOS

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DO CAIXA

EM 31 DE DEZEMBRO DE 2012 E 2013. (Valores em Reais) EM 31 DE DEZEMBRO DE 2012 E 2013. (Valores em Reais) 2012 2013 2012 Receita Bruta Superavit/Defit líquido do exercício 72.028,69 Cotribuição/Doação 3.459.559,35 4.097.141,36 - Depreciação e amortização 36.107,61 - Alienação de ativo imobilizado (17.229,95) Superávit Bruto 3.459.559,35 4.097.141,36 90.906,35 Variação Despesas Operacionais - Aumento/ Redução dos ativos (125.552,72) Gerais e Administrativas (4.076.059,29) (4.065.541,51) - Aumento/ Redução dos Passivo 57.781,66 Receitas Financeiras 53.561,22 49.140,78 Caixa líquido gerado nas atividades operacionais (67.771,06) Despesas Financeiras (18.024,57) (10.971,89) FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO (4.040.522,64) (4.027.372,62) Aquisição de ativo imobilizado, diferido e intangível (140.035,26) Caixa líquido gerado (consumido) nas atividades de Investimento (116.899,97) Superávit Operacional (580.963,29) 69.768,74 FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO AUMENTO (DIMINUIÇÃO) NO CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA (116.899,97) Outras Despesas/Receitas (5.220,00) 2.259,95 Caixa e equivalente de caixa no início do exercício 1.047.744,17 Caixa e equivalente de caixa no fim do exercício 930.844,20 (116.899,97) Superávit/Défict Líquido do Exercício (586.183,29) 72.028,69 AUMENTO (DIMINUIÇÃO) NO CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL

(Valores em Reais) Capital Social Patrimônio Reserva de Reserva de Superávit/ Deficit Total Social Capital Lucros Acumulado Saldo em 31 de dezembro de 2011 - 3.770,00 - - 1 .573.324,38 1 .577.094,38 Aumento de Capital - - - - - Realização de Reserva - - - - - Déficti do Exercicio (586.183,29) (586.183,29) Transferecnia para Reservas - - - - - Saldo em 31 de dezembro de 2012 - 3.770,00 - - 987.141,09 990.911,09 Aumento de Capital - - - - - Realização de Reserva - - - - - Superávit do Exercicio 72.028,69 72.028,69 Transferecnia para Reservas - - - - - Saldo em 31 de dezembro de 2013 3.770,00 1.059.169,78 1.062.939,78 Reconhecemos a exatidão da presente Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, cujos os valores do Patrimônio Líquido importam R$1.062.939,78 ( hum milhão, sessenta e dois, novecentos e trinta e nove reais e setenta e oito centavos) São Paulo, 31 de Dezembro de 2013.

Marcos Antonio Navas Faé CRC 1SP096866/0-0

Pastoral Familiar realiza encontro do guia de implantação da região episcopal

A Pastoral Familiar da Região Episcopal Ipiranga realizou, o encontro para implantação da Pastoral Familiar, seguindo o Guia da CNBB, com a finalidade de implantar a Pastoral familiar nas paróquias da Região. E um dos objetivos da Arquidiocese de São Paulo é também tema importante para o próximo Sínodo que acontecerá em outubro de 2014. O encontro contou com o apoio do assessor eclesiástico, frei José Maria Mohomed Júnior, pároco da Paróquia Nossa Senhoras das Mercês e coordenador do Setor Anchieta, onde foi realizado o encontro. Outros párocos da Região Episcopal Ipiranga partici-

param igualmente. A implantação dessa pastoral se faz necessária, pois todas as pastorais passam pelas famílias. Com a Pastoral Familiar nas paróquias haverá uma coesão e um trabalho conjunto duradouros e melhor às comunidades levando em consideração suas diferentes realidades, serão famílias evangelizando famílias. Os coordenadores da Pastoral Familiar nas paróquias serão um importante elo com os párocos, por meio de uma interação com as outras paróquias e uma produtiva troca de experiências, pois são trabalhados além de outras situações, os aspectos pré-matrimonial, pós-matrimonial e casos especiais.


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| Região Belém | 15 João Carlos Gomes

Seguindo as propostas tiradas no Conselho Regional de Pastoral, cerca de 100 lideranças do Setor Vila Alpina da Região Episcopal Belém se reúnem no sábado, 17, para dia de formação

Agentes aprofundam-se no tema ‘A fé que celebramos’ Oito dos dez setores Vila Alpina) realizaram seus encontros, com a média de 100 fizeram na última pessoas por dia de formação. Os subsídios foram preparados semana encontros pelo bispo auxiliar da Arquidiode formação com cese de São Paulo para a Região Belém, dom Edmar Peron. o tema ‘A fé que celebramos’ A fé que celebramos João Carlos Gomes

Colaborador de comunicação da Região

Seguindo as propostas tiradas no Conselho RegiobELÉM nal de Pastoral, como forma de seguir e fortalecer o 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese, os 10 setores que formam a Região Episcopal Belém iniciaram o processo de formação para seus agentes de pastoral. Entre os dias 13 e 17, oito setores (São Mateus, Guarani, Belém, Vila Prudente, Carrão/Formosa, Conquista, Sapopemba e agenda regional

Quinta-feira (22), 19h Festa da padroeira da Paróquia Santa Rita de Cássia (rua Santa Rita, 799 – Pari).

Terça-feira (27) Às 8h30, encontro de secretárias(os) paroquiais da Região Belém no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366 – Belém). Às 19h30, chegada da imagem de Nossa Senhora de Fátima Peregrina, vinda de Portugal, na Paróquia São Paulo Apóstolo (rua Tobias Barreto, 1320 – Belém).

A iniciativa dos encontros de formação para agentes veio do primeiro Conselho Regional de Pastoral de 2014, onde, a partir das respostas do questionamento: “Como sua pastoral, movimento e/ou associação tem contribuído para o processo de iniciação a

vida cristã?”, a coordenação regional e dom Edmar elaboram um subsídio que foi transmitido aos setores. “Fizemos um pacto que vamos nos esforçar mais para aprofundar nossa vida de fé e tornarmos nossa comunidade mais engajada na Evangelização de acordo com os desafios dos dias de hoje”, disse o coordenador arquidiocesano de pastoral e pároco da Nossa Senhora do Bom Parto, padre Tarcísio Mesquita, ao fim da formação no Setor Tatuapé. No Setor Vila Alpina, que realizou sua formação dia 17,

no salão da paróquia Nossa Senhora do Carmo, o coordenador do Setor, padre José Antonio Tejada, o vigário geral Regional, padre José Miguel de Oliveira, o padre Miguel, e a irmã Bertila Pirelli ajudaram as cerca de 120 lideranças a refletirem sobre a fé e a unidade. “Esta é a melhor maneira de se criar a unidade com o trabalho”, avaliou o padre José Antonio. Para irmã Bertila, celebrar a fé, viver os sacramentos, “nos ajuda aderir com profundidade a Jesus Cristo, pois toda a ação evangelizadora é para que a gente

se encontre com Jesus Cristo e com os seus projetos, que devem ser vividos por todos nós”. Padre Miguel completou o raciocínio com sua reflexão sobre os sacramentos que devem ser conhecidos e vividos com amor pelos cristãos: “A palavra sacramento também pode ser representada pela palavra ‘sinal’, então é fácil deduzir que os sacramentos são os sinais da presença de Deus em nossa vida, que se manifesta por meio do amor. O amor representado pela presença de seu filho, Jesus Cristo em nossas vidas”.

palavra do bispo

Espiritualidade pascal: Chamados a sair de nós mesmos Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

A espiritualidade desse tempo da Páscoa inclui, certamente, a mensagem do papa Francisco para o 51º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Ele inicia a sua mensagem com o tradicional texto de Mateus: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mt. 9,37-38). Deus é o “Senhor da colheita”; lavrou a terra, semeou, cultivou. E, agora, no tempo da Igreja, é hora de trabalhar para colher. Esse campo “é a humanidade, somos nós”. Dessa maneira, a oração de que fala Jesus é para que aumente o nú-

mero das pessoas que “estão ao serviço do seu Reino”. Pessoas que conseguem contemplar a ação de Deus no mundo, o adoram e, consequentemente, sentem-se interpeladas por ele para, livremente, “agir com ele e por ele”. E continua o papa Francisco: “Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo, uma saída de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a ele nos irmãos e nas irmãs. Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos co-

rações (1Pd 3,15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projeto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração”. Depois, o papa Francisco convida cada pessoa “a ouvir e seguir Jesus, a deixar-se transformar interiormente pelas suas palavras que ‘são espírito e são vida’ (Jo 6,63)”. Ele afirma que nos fará um bem enorme “participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em cada um e ao seu redor as melhores energias”. Enfim, conclui o Papa:

“Quanto mais soubermos nos unir a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais haverá de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós”. Continuemos hoje a salvadora experiência de Jesus: percorrer nossa Cidade, testemunhando com nossas vidas “o Evangelho do Reino”, cheios de compaixão pelas multidões que continuam “angustiadas e abandonadas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,35-36). A Páscoa é convite permanente para irmos ao encontro desses irmãos e irmãs: eis o nosso êxodo cotidiano.


16 | Região Santana |

20 a 26 de maio de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br Luiz Fernando Garcia

Dom Sergio, ao fim da missa, reúne-se com os casais participantes do Encontro com Jesus, o Bom Pastor, realizado no Recanto Nossa Senhora de Lourdes, no Tremembé

Casais em nova união fazem ‘Encontro com Bom Pastor’ Evento de dois dias, no Recanto Nossa Senhora de Lourdes, abordou aspectos espirituais, teológicos, canônicos e vivênciais Diácono Francisco Gonçalves

conhece suas ovelhas e não as abandona. A missa de encerramento foi presidida por dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, e presentes os casais participantes e toda equipe de suporte e apoio. Dom Sergio destacou que no Ofício das Leituras do dia, São Máximo de Turim, tem uma palavra muito bonita que diz: “Você que é batizado, você que pertence

ao povo de Deus, nunca deve permitir que os problemas que você tem, que você passou se coloquem como pedras para o tropeço no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Antes de você ser pecador, você é filho, você pertence a essa nação santa e não deve permitir que as dificuldades e situações de sua vida impeçam o seguimento do Senhor, o Salvador. Fazemos parte da nação santa e da raça escolhida”.

“A motivação aos casais não cessa com o encontro. Uma reunião geral pós-encontro e reuniões já agendadas de grupos formados durante o evento, com o apoio e participação de agentes do setor de situações especiais da Pastoral Familiar da Região, ajudarão os fiéis a perseverar e se inserirem em suas paróquias, participando da comunhão, não em espécie, mas espiritualmente”, disse Luiz Fernando e Ana Filo-

mena Garcia, casal coordenador da Pastoral Familiar da Região Episcopal Santana. O interesse em participar do próximo encontro já pode ser manifestado. Envie um e-mail para pastoralfamiliar.resa@gmail. com.br com nome completo do casal e e-mail e telefones para contato. Oportunamente, um agente da Pastoral Familiar entrará em contato para agendar uma visita e efetivar a inscrição.

Colaborador de comunicação da Região

Casais separados em nova união tiveram a oportunidade de enten- SANTANA der sua situação peculiar perante a Igreja durante o “Encontro com Jesus, o Bom Pastor”, que há dezoito anos os acolhe em dois dias de muita espiritualidade, oração e palestras. Realizado pela Pastoral Familiar da Região Santana, nos dias 17 e 18, no Recanto Nossa Senhora de Lourdes, o encontro teve por objetivo mostrar aos casais sua importância para a Igreja e a importância da sua inserção na vida em comunidade para sustentar sua espiritualidade. As palestras abordaram aspectos espirituais, teológicos, jurídico-canônicos e vivenciais relacionados ao novo casamento de fiéis que não tiveram o reconhecimento da nulidade do sacramento do Matrimônio recebido anteriormente, destacando a mensagem do Bom Pastor, que

palavra do bispo

Calçai os pés na comunidade...! (cf. Ef 6,15) Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

A família recebe no ato de sua constituição, na celebração do Matrimônio, um direito muito especial: professar e difundir a fé. Mas para que este direito seja exercido em toda a sua plenitude, é necessário que os pés estejam bem calçados na

experiência de uma comunidade de fé. É na comunidade que os esposos fazem a primeira e grande profissão de fé como família, por meio da celebração do matrimônio. ‘O Matrimônio, que na sua natureza profunda é a proclamação, na Igreja, da boa-nova sobre o amor conjugal: é Palavra de Deus que “revela” e “cumpre” o sábio e amoroso projeto que Deus tem sobre os esposos, introduzidos na misteriosa e real participação do próprio amor de

agenda regional

Deus pela humanidade’ (Exortação Apostólica Familiaris Consortio de João Paulo 2º, 51). Esta profissão de fé não é um ato isolado e único, realizado no dia do matrimônio, mas deve ser renovado todos os dias, porque a presença amiga do Senhor se prolonga no percurso da vida dos esposos e da família. Deus, cheio de misericórdia, que tomou a iniciativa de chamar o casal para o Matrimônio e que abençõou a nova família, continua a chamálos e abençoá-los, todos os dias,

Quinta-feira (22)

Domingo (25)

Às 15h, missa na Paróquia Santa Rita de Cássia (rua Fritz Jank, 40).

Às 8h30, elevação da Comunidade São Marcos à Paróquia (rua Ita, 313).

Às 20h, reunião com diáconos permanentes na Cúria de Santana (avenida Mal. Eurico Gaspar Dutra, 1877).

Às 19h, missa na Paróquia Nossa Senhora da Luz (rua Heloísa Moya, 59).

durante a convivência na vida matrimonial. A comunidade de fé é o lugar privilegiado para o casal sustentar o cotidiano da vida matrimonial e familiar. Na comunidade descobrirá que não está sozinho, verá a presença de Deus nos fatos, problemas, dificuldades, acontecimentos da existência de todos os dias e, com Deus, os ideais belíssimos dos primeiros anos jamais envelheceram, porque Deus renova constantemente todas as coisas.

De segunda-feira a quinta-feira (26 a 29)

Retiro do clero da Região Santana na Casa de Retiros Schoenstatt-Tabor (rodovia Dom Pedro I, Km 78 - Atibaia SP).


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| Região Lapa | 17

Emoção e fé na festa de Nossa Senhora de Fátima Paróquia, na Vila Leopoldina, lota na celebração de sua Padroeira, no dia 13 Benigno Naveira

ao mundo, este nasceu de mulher para nos dar a graça da filiação adotiva e para derramar o Espírito em nossos corações (cf. Gl 4,4-7). A invocação dos títulos de Maria, como a de Fátima, nada mais é do que a comunhão nos

louvores que ela mesma faz aos prodígios que Deus cumpriu em favor de seu povo. Diante de Maria se calam os raciocínios e a argumentação da mente para dar lugar à poesia e ao canto do devoto. Por isso, os

títulos de Maria sugerem uma real participação de Deus na vida dos fiéis e a experiência do amor da mãe nos remete a verdadeira comunhão com seu filho Jesus, deixemos que eles nos conduzam em nossa devoção.

Para acolher os fiéis que participaram das missas, a Paróquia promoveu uma pequena quermesse tipicamente luso-brasileira, com bolinho de bacalhau, caldo verde, doces portugueses, pastel, vinho quente e outros. Pascom Lapa

Colaborador de Comunicação da Região

“A treze de maio na cova da Íria, no céu aparece LAPA a virgem Maria. Ave, ave, ave Maria! Ave, ave, ave Maria”. Mais de 700 pessoas entoavam esse canto na tarde do dia 13. acenando e cantando para a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Em cada olhar, em cada aceno, em cada lágrima, um pedido, uma graça, um desejo: que a “mãe de Deus e nossa”, recolha nossos anseios e necessidades e, intercedendo por nós, junto ao seu Filho Jesus, “cuide de nosso coração, da nossa vida, do nosso destino”. Foi nesse sentimento devocional que a Paróquia de Nossa senhora de Fátima da Vila Leopoldina iniciou os festejos em louvor a sua padroeira. Durante o dia, foram celebradas três missas: às 7h; às 15h30 e às 19h; presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Episcopal Lapa, dom Julio Endi Akamine, e concelebrada pelos padres Tarcísio Justino Loro e Edilberto Alves da Costa. Na missa da tarde, dom Júlio partilhou a homilia sobre as “As bodas de Caná”. Disse que Nossa Senhora aparece duas vezes ao lado de seu Filho Jesus: nessa festa de casamento, no início da vida pública de Jesus, e junto à cruz, ao fim de sua missão. “Maria esteve presente nos momentos decisivos da vida de Jesus e de sua comunidade. Ela é a pessoa encarregada de difundir a fé, a que estimula os amigos de Jesus a realizar sua vontade, ou seja, a vontade de Deus-Pai. Nossa Senhora é figura feminina do Povo de Deus”, destacou dom Julio. Dom Julio enfatizou ainda que Maria, já naquela época, pedia oração e penitência. Por isso, ela é a propagadora da fé e da oração, para combater a violência, a perseguição e as guerras. A figura de Maria é muito atual entre nós, como mediadora de Jesus e propagadora da paz. Ainda hoje temos que rezar pela paz, pois há discórdia e guerras entre os povos. Como Maria, nós também devemos rezar, e muito pela paz, advertiu o Bispo. Os muitos títulos de Maria são o modo cordial e afetivo de se aproximar do mistério da Salvação: tendo enviado seu Filho

Durante todo o dia, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Leopoldina, recebe milhares de fiéis que cultivam a devoção à Virgem, lembrada no dia 13

palavra do bispo

A igreja da Paróquia Cristo Jovem Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Querido leitor do jornal O SÃO PAULO, a construção e principalmente a consagração da igreja paroquial Cristo Jovem – ocorrida em 10 de maio – tem significado especial para a comunidade paroquial, para a Arquidiocese e também para todo o Povo de Deus. Primeiramente, é preciso tomar consciência de que o edifício de pedras é o lugar físico e concreto onde Deus derrama as suas graças por meio de Cristo. O templo é o lugar onde os fiéis

recebem a graça do novo nascimento, são robustecidos pelo dom do Espírito, se reúnem para orar e dialogar com Deus. É nele que, todos os domingos e também durante a semana, os cristãos são alimentados pelo pão da Palavra e da Eucaristia. Entrando no templo, as pessoas se recolhem em oração, encontram refúgio em meio ao ruído do mundo e dele saem fortalecidos para a missão evangelizadora. Mas o edifício de pedras aponta para além dele mesmo: aponta para Cristo que é o verdadeiro templo. Somos assim conduzidos a uma passagem: passamos do visível do templo para o invisível do Mistério de Cristo. O respeito pelo templo,

agenda regional

os dons que nele se recebem, as ações sagradas que nele se realizam, tudo isso nos conduz ao encontro com o verdadeiro templo da aliança que é Cristo. O encontro de Cristo com os seus discípulos missionários, porém, leva a fazer ainda outra passagem. Cristo é o verdadeiro templo. Verdadeiro templo é também a comunidade cristã. Pela união com Cristo, os fiéis são reunidos como pedras vivas do templo espiritual; em outras palavras, a comunidade reunida em Cristo é o templo vivo do Espírito Santo. O templo nos remete ainda para a realidade escatológica da Jerusalém celeste. Uma vez que somos continuamente santificados por Deus, reunidos

em Cristo e cumulados pelo Espírito, o templo traz presente a realidade definitiva e última da habitação em Deus. Deus habita entre nós, habita no templo e habita no coração para que nós habitemos para sempre em Deus. Todas essas realidades: edificação material, Cristo, Espírito Santo, comunidade cristã e Jerusalém celeste se transfundem em única realidade misteriosa. A presença e a ação de Deus tem a concretude da pedra, a força misteriosa e espiritual do sacramento, o rosto humano da comunidade, a antecipação e o antegozo da esperança. Tudo isso se concentra e se adensa em todas as igrejas que edificamos e consagramos.

Até quinta-feira (22)

Sexta-feira a domingo (23 a 25)

Visita Pastoral de dom Julio Endi Akamine na Paróquia São Mateus (avenida Professor Maria Alkimim, 254, Jardim Esmeralda, Setor Rio Pequeno).

4º Encontro de Casais com Cristo na Paróquia São João Gualberto (rua Miguel Pereira Landim, 85, Jardim Jaraguá, Setor Pirituba).


18 | Região Brsilândia |

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Padre José Renato celebra jubileu sacerdotal

Fotos: Cibele Barbi

De Santo Antônio da Alegria para a Brasilândia, o sacerdote e comunicador se emocionou na ação de graças por seus 25 anos de ministério presbiteral Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

Um encontro de amigos, de companheiros da caminhada, foi o BRASILÂNDIA que aconteceu na noite do sábado, 17, em que centenas de fiéis lotaram o pátio da Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus, no alto da Freguesia do Ó, agenda regional

Sábado (24), 19h Jubileu de 20 anos da Comunidade Missão Mensagem de Paz, shows com convidados especiais. (avenida Paula Ferreira, 3.715, Pirituba) Outras informações no telefone (11) 2362-8093.

para juntos celebrarem o jubileu sacerdotal do padre José Renato Ferreira, pároco, atual diretor da rádio 9 de Julho e apresentador do programa “A Caminho do Reino”, vencedor do prêmio Microfone de Prata, da CNBB em julho de 2011. A missa foi presidida pelo anfitrião, e concelebrada por dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, e dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC). Contou também com a presença dos padres do clero regional, e padres que foram ordenados com ele em 16 de abril de 1989. Relembrando o lema de sua ordenação sacerdotal, que dizia: “O Bom Pastor nos conduz ao novo céu e a nova terra”, toda a liturgia eucarística, foi preparada com esse tema e fazia memória de Cristo, o Bom Pastor que conduz suas ovelhas. A casa estava cheia, eram amigos e familiares, pastorais e movimentos, leigos das paróquias aos quais ele foi pároco: Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora do Carmo, Santa Cruz de Itaberaba e Nossa Senhora Mãe de Deus, reuniram-se para homenagear o Padre que veio do interior do Estado, para a periferia de São Paulo. Durante a homilia, em suas palavras, dom Milton agradeceu

Emocionado, o anfitrião padre José Renato relembra os principais momentos de sua caminhada sacerdotal

a Deus pelo ministério sacerdotal e serviço do padre José Renato. “Um homem que ama seu sacerdócio e que vive seu ministério 24 horas por dia, sendo pároco, comunicador e animador pastoral, em todos os momentos, um pastor que ama e dá a vida por seu povo”. Dom Angélico agradeceu a vida e o serviço ministerial do aniversariante, relembrando seu trabalho junto as pastorais sociais da região. O Pároco fez memória de sua caminhada vocacional, vindo da Arquidiocese de Ribeirão Preto. “A gente não é padre sozinho, agradeço a Deus que me quis padre nessa cidade de São Paulo e a muita gente boa que me ensinou e me ensina a ser padre todos os dias”. No ofertório, foram levados

ao altar os símbolos que marcaram a sua caminhada sacerdotal e dos trabalhos sociais desenvolvidos nesse tempo. Em procissão, representantes das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, e das Mestras Pias Filippini, membros da pastoral familiar, da fraternidade cristã de pessoas com deficiência e os romeiros das Comunidades Eclesiais de Base, ofertaram suas vidas e trabalho. A ação de graças foi marcada por homenagens destas pastorais e movimentos, que traziam faixas e cartazes com palavras que representavam o ministério e sacerdócio do padre José Renato, na vida das comunidades. Ao fim da celebração, foi apresentado um vídeo contando

um pouco da história desses 25 anos de caminhada com o povo. Com imagens da infância, adolescência, a vida no seminário, os principais momentos vivenciados nas quatro paróquias que o Pároco trabalhou, e o registro dos momentos em família e com os amigos, fez o sorridente padre José Renato chorar emocionado. Em entrevista à Pascom Brasilândia, o Sacerdote resumiu a data em dois sentimentos: “Tudo é graça de Deus e o outro é gratidão. Deus me chamou em seu Filho e me fez seu ministro. Amo a Igreja e o ministério que Deus me confiou, peço a graça de ser um bom servidor, prudente, justo e que embora pecador, revele com entusiasmo o grande Amor de nosso Deus”, encerrou.


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| Região Sé/Geral | 19

Conselho de Pastoral estuda Iniciação Cristã Lideranças continuam reflexão sobre implantação de processo de inspiração catecumenal nas paróquias e comunidades

vidas de como trabalhar toda essa dimensão que envolve não apenas uma pastoral. “Se não entendermos como é o processo de inspiração catecumenal, vai ser muito difícil pensar nesse âmbito”. No encontro, foi apresentada uma síntese do Documento de Estudos 97 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 2006, cujo tema é “Iniciação Cristã – um processo de inspiração catecumenal”. Segundo a síntese, esse tema Fernando Geronazzo “é uma urgência para os nossos Colaborador de comunicação da Região tempos, nos desafia a refletir e descobrir como levar as pessoas A reunião do a viverem seu Batismo, estabeleConselho Regional de Pastoral SÉ (CRP) da Região Episcopal Sé, repalavra do bispo alizada na quartafeira, 14, deu continuidade às orientações para a aplicação da urgência assumida auxiliar da pela Arquidiocese de São Paulo Bispo na em 2014: “Igreja: casa de Inicia- Arquidiocese Região Sé ção à Vida Cristã”. O encontro entre lideranças Dom Tarcísio pastorais e coordenadores de seScaramussa tores da Região, contou com a presença de dom Tarcísio Scaramusa, bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal na Região Sé Continuando a indicação de e foi assessorado pelo coordena- passos no caminho da Iniciação dor regional da Animação Bíbli- Cristã, com inspiração na Exorco-catequética, padre Marcelo tação Apostólica “A Alegria do Delcin. Evangelho”, do papa Francisco, “Não tratamos desse tema no hoje destacaremos a integração CRP anterior. Neste encontro, no povo de Deus, a pertença aprofundamos isso, com uma eclesial e a vida comunitária. abordagem a partir do processo A salvação de Deus é para de Iniciação à Vida Cristã com todos. Por isso, ele se volta inspiração catecumenal”, expli- para cada pessoa, com atenção cou o Padre. particular. Porém, ninguém se Padre Marcelo também afir- salva sozinho, como indivíduo mou que muitas paróquias têm dú-

cendo um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo e como fazê-las mergulhar no Evangelho e iniciálas verdadeira e eficazmente na vida da comunidade Cristã”. Para o padre Marcelo, a primeira ideia que precisa ser mudada é justamente quanto à compreensão da Iniciação Cristã apenas como preparação para os sacramentos. “Na Iniciação Cristã, fala-se dos três sacramentos, Batismo, Eucaristia e Confirmação. Quando falamos de Iniciação à Vida Cristã, nos referimos a não só trabalhar bem com aqueles que querem receber os sacramentos, mas o que fazer com os

muitos católicos que têm pouca consciência de sua fé para que tenham uma experiência profunda de Jesus Cristo”. A animação bíblico-catequética da Arquidiocese de São Paulo também elaborou um subsídio de implementação da Iniciação à Vida Cristã que foi distribuído no início do ano para ser refletido em todas as paróquias. As reflexões sobre esse tema não se limitam à Catequese, mas ao processo de Iniciação Cristã presente em toda atividade pastoral, com o objetivo de colocar em prática a “conversão pastoral” apontada pelo Documento de

Aparecida. “Para que realmente formemos discípulos e missionários, necessariamente passamos pela Iniciação à Vida Cristã”, ressaltou padre Marcelo. Catequista na Paróquia Assunção de Nossa Senhora, Solange Francisco Ângelo Datri tem participado dos encontros sobre Iniciação à Vida Cristã. Para ela, o grande desafio levar esse processo para a paróquia. “É preciso mudar uma mentalidade. É um processo que precisa ser recomeçado. As pessoas acabam se acomodando e deixando as coisas como sempre foram feitas. Isso precisa ser transformado”.

Caminhos da Iniciação Cristã (3) isolado, nem por suas próprias forças. Por isso, Deus convoca cada ser humano, de todos os tempos, a se integrar no caminho do povo de Deus. “Deus atrainos, no respeito da complexa trama de relações interpessoais que a vida numa comunidade humana supõe” (EG, 113). Esta consciência precisa ser explicitada, quando crescem as propostas de caminhos individualistas de fé, em que as pessoas afirmam se relacionar diretamente com Deus, sem necessidade dos outros e da comunidade. Dando mais um passo na inserção da pessoa no povo de Deus, o Papa esclarece que “este povo, que Deus escolheu para si e convocou, é a Igreja. Jesus não

diz aos apóstolos para formarem um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: ‘Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos’ (Mt 28, 19). São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, ‘não há judeu nem grego (...), porque todos sois um só em Cristo Jesus’ (Gal 3, 28)”. O Papa então faz um convite, que deve ser repetido por todos os Cristãos, no empenho evangelizador: “eu gostaria de dizer àqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo ou aos indiferentes; o Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor” (Idem, 113)! Mas o que significa ser Igreja? “Ser Igreja significa ser povo

de Deus, de acordo com o grande projeto de amor do Pai. Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, deem esperança e novo vigor para o caminho. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho” (EG, 114). Ser Igreja e viver em comunidade é dimensão fundamental do caminho de Iniciação. Voltaremos a esta reflexão na próxima semana!

Caritas Arquidiocesana inaugura nova sede Padre Michelino Roberto

Redação

A Cáritas Arquidiocesa de São Paulo inaugurou a sua nova sede. Instalada em um sobrado na rua Major Diogo, Bela Vista, desde o dia 12 de abril, a novas instalações receberam a bênção de dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo da Arquidiocese de São Paulo, na manhã de 19 de maio. Segundo o diretor da Cáritas, padre Marcelo Monge, desde de abril, 850 novos refugiados imigrantes, provenientes sobretudo do Haiti, receberam assistência para tirar documentos, iniciarem cursos de língua portuguesa e encontrarem um trabalho. A Cáritas Arquidiocesana atua em parceria com diversas instituições e possui convênio com o Governo Federal. Diariamente atende cerca de 200 imigrantes provenientes, além do Haiti, da República Dominicana, da Síria, da República Democrática do Congo, da Nigéria e do Paquistão.

Cardeal Scherer, em visita à nova sede da Cáritas Arquidiocesana, conversa com refugiados e imigrantes. Mais de 200 atendimentos diários


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| Geral | 21

copa do mundo

O que muda na cidade nos dias da Copa? Luciney Martins/O SÃO PAULO

Logística de transportes, sistemas de segurança e restrições comerciais serão adotadas, especialmente nas datas dos seis jogos do Mundial em SP

Brasil: da decepção à consagração – 1990 a 1994

Daniel Gomes Redação

A cidade de São Paulo vivenciou o primeiro dia de Copa do Mundo no domingo, 18, ao menos no que se refere à estruturação de segurança e transporte. Na primeira partida oficial do “Itaquerão”, na zona leste, entre Corinthians e Figueirense, foi adotada logística similar a que será válida para o jogo de abertura da Copa, em 12 de junho, entre Brasil e Croácia, e para as outras cinco partidas que acontecerão no estádio: Uruguai e Inglaterra (19/06 – Feriado de Corpus Christi); Holanda e Chile (26/06); Coreia do Sul e Bélgica (26/06); um jogo de oitava de final (1/07) e um jogo semifinal (9/07 – Feriado da Revolução Constitucionalista).

Chegada ao estádio por transporte público A Arena Corinthians tem dois acessos principais. Os torcedores com ingresso para os setores oeste e sul entraram pelo Portão 1. Eles tiveram que desembarcar na Estação Arthur Alvim do Metrô e caminhar por cerca de um quilômetro. Quem possuía ingresso para os setores leste e norte, acessou a Arena pelo Portão 2. Três horas antes da partida, a CPTM disponibilizou a esses torcedores o Expresso da Copa, com trajeto direto, com 19 minutos de duração, entre as estações Luz e Corinthians Itaquera. O Expresso teve funcionamento intercalado com a

Estabelecimentos comerciais próximos ao Vale do Anhangabaú, palco da Fifa Fan Fest, terão restrições durante a Copa

linha 11 Coral da CPTM, para os demais passageiros. Na última semana, também já foi anunciado o serviço de ônibus executivo partindo do Aeroporto de Guarulhos até o estádio, quando houver jogos da Copa.

Trânsito nas proximidades da Arena No último domingo, foram feitos 26 bloqueios operacionais nas proximidades do estádio. A operação começou quatro horas antes da partida e foi concluída duas horas após o jogo. Nas proximidades da arena não se permitiu a circulação de veículos, mas duas vias de acesso foram disponibilizadas aos moradores do bairro, e se montou ainda, seis pontos de verificação, para acesso dos veículos credenciados ao evento.

Áreas de Restrição Comercial A Lei Geral da Copa (lei nº 12.633/2012) classifica como Locais Oficiais de Competição os estádios, centros de treinamento, centros de mídia, cen-

tros de credenciamento, áreas de estacionamento, áreas para a transmissão de partidas e áreas oficialmente designadas para atividades de lazer destinadas aos fãs – como é o caso do ambiente Fifa Fan Fest, que será montado no Vale do Anhangabaú. Nesses locais, haverá uma Área de Restrição Comercial, em um perímetro máximo de dois quilômetros. A circulação de transeuntes, moradores ou torcedores será livre (exceto se o local também estiver no chamado perímetro de segurança), assim como as atividades comerciais regulares, desde que os estabelecimentos não associem ou promovam suas marcas ou as de terceiros com a Copa do Mundo Fifa. Comerciantes e moradores desses locais estão impedidos, por exemplo, de usar marcas e símbolos da Copa para alugar propriedades ou ceder espaços para contribuir com empresas não patrocinadoras da Copa que tenham a intenção ressaltar suas marcas instalando painéis, outdoors ou publicidades em prédios próximos aos estádios. O desrespeito à legislação pode

redundar em multa ou detenção de três meses e um ano.

Diante de insatisfação é possível acionar a Justiça De acordo com Paulo Sérgio Feuz, doutor em Direitos Difusos pela PUC e coordenador do Curso de Direito das Faculdades Integradas Rio Branco, “quem se sentir prejudicado pela Lei Geral da Copa pode recorrer à Justiça Federal, mas a União é parte do processo”, explicou ao O SÃO PAULO. O artigo 23 da Lei Geral da Copa postula que a União assumirá a responsabilidade civil perante a Fifa pelos danos que surgirem em função de qualquer incidente de segurança relacionado aos eventos do Mundial. “Qualquer prejuízo que a Fifa tenha, a União se comprometeu a ser avalista, e qualquer pessoa que for lesada por manifestações, por exemplo, pode entrar com ação contra quem as organizou. O direito de manifestação não resguarda o direito à violência, à quebra de patrimônio público e privado”, analisou Feuz.

O Brasil chegou à Copa de 1990, na Itália, com um ambiente tenso entre os jogadores e após três vitórias “apertadas” na primeira fase, foi eliminado nas oitavas de final pela Argentina, que perderia a decisão para a Alemanha. No mundial seguinte, nos Estados Unidos, sob o comando do técnico Carlos Alberto Parreira, a seleção não teve atuações espetaculares, mas contou com a habilidade de Romário. A conquista do tetracampeonato aconteceu em 17 de julho de 1994, diante da Itália, nos pênaltis.

Seleções convocam brasileiros e ‘estrangeiros’ do Brasileirão A Fifa divulgou na sexta-feira, 16, a relação dos 30 pré-convocados de cada uma das seleções para a Copa. Sete jogadores nascidos no Brasil poderão ser confirmados, em 2 de junho, para a disputa do Mundial por outros países: Thiago Motta e Rômulo (Itália), Diego Costa (Espanha), Pepe (Portugal), Marcos González (Chile), e Sammir e Eduardo Silva (Croácia). Algumas seleções convocaram jogadores que atuam em clubes brasileiros. Na pré-lista do Uruguai estão Martín Silva (Vasco), Sebastian Eguren (Palmeiras), Álvaro Pereira (São Paulo) e Nicolas Lodeiro (Botafogo); na do Chile, Valdívia (Palmeiras), Charles Aráguiz (Internacional) e Mena (Santos); na da Colômbia, Edwin Valencia (Fluminense). Já Carlitos Tévez, da Juventus, da Itália, ídolo do Corinthians e campeão Brasileiro pelo clube paulista, em 2005, não foi relacionado para a seleção Argentina. (DG)


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Sonhos de uma mãe que exercita as ‘cores de dentro’ Fotos: Arquivo pessoal

Nayá Fernandes Redação

Ela se chama Izabel Monteverde e foi mãe aos 15 anos. Carioca da gema, a especialista em neurolinguística divide seus projetos com a filha Mariana Monteverde, 18, que sonha em fundar um hospital lúdico, onde as pessoas vivam uma relação diferente com a saúde e a doença. Filha de Mariza Monteverde, a fundadora do Projeto “Engenharia do Ser” teve uma infância difícil desde os três anos, quando a mãe se separou do pai para morar em uma casa abandonada, com mais três irmãos. “Minha mãe teve mais de um casamento e, a certo momento, sentiu-se culpada por não ter acompanhado a educação dos filhos. Eles se envolveram com drogas e foram morar numa casa abandonada. Naquele momento, ela achou que a melhor coisa a fazer era juntar todos os filhos e tentar salvá-los da situação”, contou Izabel. A irmã mais velha de Izabel ficou noiva e, após o casamento, saiu da casa. Desde então, ela se sentiu muito sozinha e cresceu revoltada com a mãe “por ter que viver naquela situação de fome, de ratos dormindo com a gente. Aos 15 anos também eu me casei e saí de casa. O pai do meu marido foi um pai também para mim. Ele me incentivou a estudar e, com a chegada da Mariana vivi

Arquivo pessoal

Izabel e a ‘Engenharia do Ser’ Da Reportagem

“Quando criança, um dos meus irmãos, que faleceu antes mesmo que eu saísse daquela casa, me disse: ‘Por que você existe? A mamãe devia ter abortado você!’. Eu fiquei muitos dias em choque, pensando naquilo. Mas, de repente, me lembrei de uma frase que a mamãe sempre dizia: ‘Belzinha, eles fazem isso, porque eles têm um grande

vazio sem cor dentro deles’. Então, eu comecei a pensar que, se eu descobrisse quais eram as minhas cores de dentro, eu poderia existir. Então, uma noite, meu outro irmão, que era cego e sempre me contava histórias de noite, disse que ia me ensinar a olhar para dentro. No dia seguinte, ele me vedou e, a partir dali, nós começamos uma grande aventura em busca das cores de dentro.” E foi o irmão de Izabel quem

uma experiência que foi um divisor de águas. Com ela, aprendi a ser mãe, mulher, amiga, com ela voltei a sonhar”, disse Izabel. Mãe e filha participam juntas de um projeto social na comunidade do Cantagalo. Um projeto individual que semanalmente ajuda as pessoas a descobrirem quais são as suas “cores de dentro”. Uma das grandes alegrias de Izabel é perceber que, mesmo tendo com uma infância e juventude conturbadas, ela conseguiu ser diferente com a filha. “Meu dia a dia é um pouco diferente do de um adolescente comum, pois minha mãe me criou com a estrutura de que eu preciso olhar mais para o mundo. Sou envolvida em vários projetos sociais com ela. O meu desejo de mudar o mundo vem da minha formação”, falou Mariana em um vídeo no qual ela explica o que é o “Cérebro do Bem”. “Talvez um dia você consiga entender o porquê dessa obsessão tão grande por esse sonho. Sempre quis te ensinar a importância de fazermos algo significativo por esse mundo aqui... Desculpe-me por essa jornada muitas vezes exigir da gente mais do que suportamos. Grandes feitos exigem nossa superação máxima, obrigada por estar ao meu lado me apoiando nesses anos todos! Sei que vamos conseguir filha”, expressou a mãe no Facebook de Mariana.

perguntou o que ela sonhava. “Naquele momento, eu descobri que queria crescer e abrir uma escola para colorir pessoas. Então, eu persegui este sonho e hoje ajudo as pessoas a encontrar suas cores de dentro, que são as nossas emoções. Elas, bem trabalhadas, podem nos ajudar a ser melhores, a ser seres humanos que não se preocupam só consigo mesmos.” (NF)


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‘Os serviços públicos podem sim ser de qualidade’ Ana Clara Fernandes/Rede Rua

Alderon da Costa assumirá a Ouvidoria da Defensoria Pública com a proposta de tornála “mais próxima das realidades desafiadoras, como as questões carcerárias e a população em situação de rua” Edcarlos Bispo

redação

A Defensoria Pública foi uma conquista na Constituinte de 1988, mas em São Paulo, só veio se concretizar por meio da pressão e da construção das Organizações e Movimentos Populares, com o “Movimento pela Defensoria Pública”. A principal missão constitucional da Defensoria Pública é defender os pobres perante o sistema de Justiça. Em outras palavras, é defender àqueles e àquelas que não podem pagar um advogado. Hoje, já são mais de 40 unidades da Defensoria no Estado e aproximadamente 700 defensores públicos. Para colaborar com o trabalho da Defensoria Pública existe a Ouvidoria. “A Ouvidoria trabalha para a continuidade e aprofundamento da proximidade das organizações e movimentos sociais da Defensoria, na defesa da efetividade de sua missão constitucional. O ouvidor é um dos animadores desse processo. Juntamente com o Conselho da Ouvidoria e a equipe de trabalho da Ouvidoria Externa, siste-

matiza as manifestações dos cidadãos e cidadãs que precisam da Defensoria e da publicidade no Conselho Superior da Defensoria, em relatórios, debates e fóruns”, afirmou Alderon Pereira da Costa (foto), 52, escolhido entre outros dois nomes para assumir o cargo de ouvidor-geral. Formado em Filosofia e Comunicação, com especialização em Jornalismo, ele é fotógrafo e atualmente coordenador de projetos da Associação Rede Rua, além de ser vice-presidente da Organização Civil de Ação Social (Ocas). Alderon falou ao O SÃO PAULO sobre os desafios do cargo que irá assumir em 6 de junho.

Jornal O SÃO PAULO - Como recebe essa escolha para ser ouvidor da Defensoria Pública? Alderon Pereira da Costa - Recebo com um sentimento de desafio e de muita esperança. Vivemos momentos difíceis, temos um número de pessoas cada vez maior que precisa de atenção, de defesa e de esperança. É só darmos uma olhada nos números no sistema carcerário, de pessoas em situação de rua, da quantidade de déficit habitacional e da qualidade do sistema de saúde. Atuar na defesa e na propositura de ações civil pública é uma das principais

missões da Defensoria Pública. Apoiar, cobrar e incentivar a atuação efetiva deste órgão que cresce e corre o risco de um fechamento à participação da sociedade civil, da transparência e do seu grande diferencial, que é a democracia, é um desafio. Poder participar de uma instituição que tem a nobre missão de defender aqueles que a sociedade do consumo não quer saber, é uma grande honra. Poder atuar em nome da sociedade civil na construção de uma controladoria externa para melhorar essa atuação, é poder acreditar que um dia os serviços públicos podem sim ser de qualidade e podem atender aos pobres com toda dignidade e respeito que o ser humano tem direito.

O SÃO PAULO - Como pretende tornar a Ouvidoria mais próxima da população? Alderon Costa - Além do trabalho de escuta qualificada que já acontece nas unidades da Defensoria, essa aproximação deve acontecer, principalmente, por meio do Conselho Consultivo, que representa várias organizações e movimentos sociais, pelas ações de comunicação que vêm sendo desenvolvidas pela equipe da Ouvidoria e por uma proximidade pessoal do Ouvidor e sua equipe. Pretendo estar mais próxima das realidades desafiadoras, tais como a situação carcerária, população em situação de rua, a defesa contra a violência sofrida pelas mulheres, juventude e crianças, questões habitacionais, meio-ambiente e outros. As audiências públicas podem ser uma forma de aproximação qualificada da Ouvidoria. A população, não só pode, como deve nos contatar para reclamar, elogiar, propor alternativas e nos provocar.

Em busca de doadores do ‘sangue de ouro’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes

Reportagem na zona sul

Pela segunda vez em quatro meses, Leonildo Almeida Roza, 59, foi ao Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) para doar sangue. Na sexta-feira, 16, lentamente, sua bolsa de armazenamento adquiria um tom diferente do vermelho “cor de sangue”: ganhava tonalidades de amarelo-ouro, graças às plaquetas, componentes responsáveis pela coagulação sanguínea, e que são fundamentais para a recuperação de pacientes com câncer. “Tanto as hemácias [responsáveis pela cor vermelha do sangue] quanto as plaquetas são muito importantes para o tratamento de quem está com câncer, porque a quimioterapia tem o efeito de diminuí-las no paciente e isso precisa ser resposto. E aqui no IBCC, como o paciente oncológico tem uma internação prolongada, temos que transfundir plaquetas todos os dias. Há uma grande necessidade de plaquetas”, explicou, ao O SÃO PAULO, Tatiana Gomes Noronha, médica hemo-

terapeuta responsável pelo banco de sangue do Instituto. Segundo Tatiana, a doação de plaquetas requer quase os mesmos requisitos de uma doação de sangue (veja ao lado) e pode ser feita muitas vezes ao ano. “Como a plaqueta se refaz mais rápido que a hemácia no sangue, a pessoa pode doar em intervalos de 48 horas. Em um ano, cada

pessoa consegue fazer até 24 doações de plaquetas”, detalhou. “É uma doação um pouco mais demorada, cerca de uma hora e meia, pois o sangue vai para a máquina e volta ao nosso organismo, mas é como fosse uma doação comum. Ser doador é muito gratificante e recompensador. Espero contribuir muitas e muitas vezes”, garantiu Leonildo,

que revelou ter se tornado doador em gratidão ao atendimento que sua esposa recebeu em um exame de rotina no IBCC, que é administrado pela Província Camiliana Brasileira. Em média, de 20 a 30 doações de sangue são feitas por dia, mas o número de doadores de plaquetas é inferior a dez, quantidade mínima considerada ideal. “Muitos não conhecem a doação de plaquetas e temos divulgado e explicado como é o procedimento e que os pacientes oncológicos necessitam muito”, disse Michael Silva Santos, 38, voluntário da Capelania Católica do IBCC. “A capelania é também presença de espiritualidade, trazendo confiança, esperança e motivando as pessoas, pacientes e familiares, a enfrentar o câncer”, complementou o padre Paulo Aniceto Rodrigues, 49, capelão. O Banco de Sangue do IBCC, inaugurado há um ano, coleta doações de sangue e de plaquetas de segunda a sexta-feira, das 8h às 15h. Informações e agendamentos: (11) 3474-4280 ou no e-mail bancodesangue@ibcc.org.br.

DETALHES SOBRE A DOAÇÃO DE PLAQUETAS Doar plaquetas demora mais que doar sangue – aproximadamente uma hora e meia – porém, não é mais dolorido; Antes de realizar a doação de plaquetas, a pessoa é submetida a um hemograma; Todo o kit utilizado para a doação é descartável; Uma pessoa pode doar plaquetas até 24 vezes ao ano, em intervalos de 48 horas; O doador de plaquetas, assim como doador de sangue, deve: ter de 16 a 69 anos; pesar no mínimo 50 quilos; ter dormido ao menos seis horas nas últimas 24 horas; não ter ingerido comidas gordurosas quatro horas antes da doação e nem bebidas alcoólicas 12 horas antes; Em até três dias antes de realizar a doação, a pessoa não pode ter ingerido antiflamatório; Enquanto uma bolsa de sangue pode ser conservada por até 35 dias, uma bolsa de plaquetas deve ser utilizada em até cinco dias, por isso são necessárias doações constantes. Informações: Tatiana Gomes Noronha, médica hemoterapeuta do IBCC


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Pequenas ações para construção de uma cultura de paz

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Arsenal da Esperança realiza atividade para promover, em diversas regiões da cidade, a ideia de pequenas iniciativas pacíficas Edcarlos Bispo

reportagem na zona leste

“Eu entendo muito que eles falam no Arsenal, a respeito da transformação. Transformar algo que aparentemente não era legal em algo bacana. Desde que minha mãe foi assassinada há um ano e meio, eu decidi que não queria falar de dor, que isso fosse transformado em algo positivo.” Enquanto falava, as lágrimas rolavam pelo rosto, a mão se apertava uma contra a outra e não disfarçava o tremor. Elaine Mazzaro relembrava o episódio do assassinato da mãe, a aposentada Nair Possamai, morta em casa, na cidade de Marília (SP). “A paz não é uma meta é um ponto de partida, se ficar falando no que aconteceu não vou esquecer, mas porque não transformar isso em uma coisa boa”. E foi isso que Elaine decidiu fazer. Ela e mais 120 pessoas decidiram ser pontos de paz. A iniciativa proposta pelo Arsenal da Esperança queria juntar 50 pontos para que, ao longo de uma semana, esses lugares fizes-

Elaine Mazzaro, que teve sua mãe assassinada em 2013; Ernesto Olivero entrega bandeira, símbolo do Arsenal, a participantes do ‘Ponto de Paz’

sem reflexões, orações e atividades falando da paz. Ao término da inscrição, a coordenação da atividade já contava com o credenciamento de mais de 120 pontos, entre igrejas, colégios, congregações, casas, praças públicas e até mesmo uma escola de cabeleireiros. De acordo com Simon Bernard, missionário da Fraternidade da Esperança, que completa 50 anos de criação, a atividade vai ficar a cargo de cada grupo, Elaine, por exemplo, promoverá uma arrecadação de alimentos em uma praça na rua onde sua mãe foi assassinada. A moça conta que os vizinhos não entenderam quando

ela perdoou o assassino, isso gerou revolta entre eles, voltar lá e realizar este gesto será uma forma de mostrar que a paz começa em cada pessoa. Simon comentou, ainda que a proposta da atividade, não é fazer manifestações de massa, mas criar pontos de paz na cidade, pequenas ações que promovam o sentido de viver a cultura de Paz e fortalecer os lugares ou grupos que já realizam algo neste sentido. Presente no Arsenal, o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e vigário na Região Episcopal Brasilândia, dom Milton Kenan Júnior, lembrou

os jovens assassinados na zona noroeste, periferia da capital, e destacou que a juventude da periferia vive “sem grandes perspectivas”. “É ilusão nossa esperar um mundo de paz se não trabalhamos pela justiça”, afirmou dom Milton. O Serviço Missionário Jovem (Sermig) fundado por Ernesto Olivero, entidade responsável pelo Arsenal da Esperança, completa 50 anos. A comunidade possui casas em Turim, na Itália, em Mandaba, na Jordânia, e em São Paulo, no Brasil. Presente na cidade para a abertura dos 50 pontos de paz, Ernesto conversou com a reportagem do O SÃO PAULO.

Ernesto fez uma dura crítica a indústria bélica e destacou que muitos países colocam na base de seu orçamento o gasto com armas, e isso não dará futuro. “O mundo entrará num sistema justo na medida em que parar de construir armas. Só fazer uma análise econômica sobre a economia mundial e é fácil perceber que as armas com seus exércitos têm uma fatia percentual no balanço econômico.” Para o fundador do Sermig é preciso que a Organização das Nações Unidas (ONU) se torne uma organização séria e que “possa, de verdade, monitorar o que acontece no mundo”.

Uma semana para a Palavra de Deus, inspiradora da constituição dogmática Dei Verbum Divulgação Semana Teológica

Nayá Fernandes

Reportagem nas zonas norte e sul

A Palavra de Deus, inspiradora da constituição dogmática Dei Verbum foi o tema deste ano da Semana Teológica da PUC-SP nos campi Santana e Ipiranga. Nomes como frei Carlos Josaphat, Ana Flora Anderson, irmã Rosana Pulga, Joel Gracioso e os próprios professores da faculdade de teologia como Ney de Sousa, Mathias Grenzer e Edelcio Ottaviani compuseram a lista dos cerca de 20 conferencistas que falaram sobre a Dei Verbum, em diferentes aspectos. Este ano, a Semana Teológica contou com participação efetiva dos alunos, que se deu, diferentemente dos anos anteriores, na organização total do evento, desde a escolha dos subtemas e assesso-

Este ano, a participação efetiva dos alunos na organização da Semana Teológica é um diferencial do evento na PUC-SP

res, até a mediação das mesas. A Palavra de Deus foi destaque não somente na exposição dos professores, mas também no cuidado com que os estudantes preparam os momentos de oração, debates e oficinas de cada dia.

Frei Josaphat, dominicano e especialista em teologia dogmática reforçou que antes mesmo do Concílio Vaticano 2º o povo começava a ter o gosto da Palavra de Deus. “Num certo momento, eu mesmo senti que a Igreja pre-

cisava de renovação e tive aflição dentro de mim em relação a isso, mas ouvi a resposta: vá trabalhar para a renovação da Igreja”. Ele então começou a conhecer os movimentos, a maioria, movimentos bíblicos. “O povo de Deus

marchava e a autoridade eclesiástica, temia. O papa Pio XII dizia que o Povo de Deus devia andar devagar. Importante ressaltar, neste contexto, que a constituição dogmática Dei Verbum foi feita colocando em evidência o Povo de Deus”, afirmou o Frei. Outra afirmação que provocou curiosidade e reflexão foi a do professor Joel Gracioso, filósofo e teólogo, professor da Faculdade São Bento, que relacionou fé e Palavra de Deus. “Eu creio porque não tenho fé suficiente para ser ateu.” Joel salientou que o fato de considerar o universo fruto do acaso, por exemplo, é outra maneira de dizer que o ser humano não pode explicar todas as coisas. “O nada é nada, como do nada pode vir tudo? Precisamos admitir que não conhecemos as causas de tudo o que existe.”

O SÃO PAULO - edição 3003  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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