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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 2998 | 15 a 22 de abril de 2014

R$ 1,50 Luciney Martins/O SÃO PAULO

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Semana Santa

Memória viva de Cristo no coração da cidade De metrô, desde a estação Tucuruvi até a Sé, veio o grupo que encenou a Via-Sacra, no evento promovido pela Pastoral do

Menor na sexta-feira, 11. Mais de 2 mil pessoas participaram da oração, sobretudo crianças, vindas de diferentes regiões de

E os buracos na cidade, quem vai resolver? Página 22

São Paulo. O combate ao tráfico de pessoas foi um dos apelos dos cartazes, carregados pelas crianças. No domingo, 13, a

Anchieta é homenageado na Câmara Municipal Página 9

partir do Marco Zero da cidade de São Paulo, fiéis viveram a procissão e a bênção dos ramos, seguida de missa na Cate-

Jovens paraenses são traficados e explorados Página 10

dral. Com a celebração, os católicos iniciam a Semana Santa e a preparação à Páscoa. Páginas 12, 13 e 24

Indígenas continuam ameaçados no País Página 23


2 | Fé e Vida |

15 a 22 de abril de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br Sergio Ricciuto Conte

frases da semana

“Um morador reclamar que existe um buraco, tudo bem, mas não pode ser só isso, precisaria periodicamente ser feito um levantamento da malha, ter um banco de dados para agir antes que se abra um monte de buracos, mas para isso é preciso um sistema de gestão”.

Liedi Bernucci, doutora em Engenharia de Transportes, professora da Poli-USP.

“O Brasil é signatário de tratados internacionais que classifica este tipo de violência praticada contra os povos indígenas de ‘Crime contra a humanidade’ que descreve atos de perseguição e violência contra um grupo de indivíduos, passíveis, inclusive de julgamento em tribunais”.

Carlos Alberto Dutra, estudioso sobre crime de remoções forçadas de indígenas.

você pergunta

Espiritualidade

Como ser santo nos dias de hoje?

A oração com todas as letras do alfabeto

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação na Arquidiocese de São Paulo

Padre Cido Pereira

É Cleonice do Nascimento, do bairro São Matheus que quer saber como ser santo nos dias de hoje. Vamos conversar com ela. Cleonice, minha irmã. A sua pergunta é muito séria e revela que você quer acertar sua vida com a vontade de Deus. A primeira coisa a lembrar, Cleonice, é que todos nós somos chamados à santidade. “Sede santos, como vosso pai celeste é santo”, nos pede Jesus (Mt 5, 48). Se não somos santos de fato, pelo menos somos santos por vocação e devemos buscar a santidade. É santo, Cleonice, quem é batizado e vive como verdadeiro filho de Deus. É santo quem ama a Deus sobre todas as coisas e ama o próximo como a si mesmo. É santo quem escreve a lei de Deus no seu coração. É santo quem vive intensamente a sua fé e testemunha a alegria da fé para os outros. É santo quem não perde a esperança e confia em Deus até mesmo na tribulação. É santo quem ama apaixonadamente a Deus e ao próximo. Cleonice, muitos de nós, ao ler a vida daqueles cuja santidade foi oficialmente reconhecida pela Igreja, ficamos desanimados e dizemos: eu nunca vou viver a santidade como este santo ou aquela santa viveu. É que a gente encara os santos como pessoas extraordinárias, verdadeiros extraterrestres. E não é assim. Os santos foram homens e mulheres iguais a nós que viveram a sua fé intensamente. A Igreja os coloca em destaque para que nós os imitemos no seguimento de Jesus. Como ser santo nos dias de hoje? – pergunta você. Vivendo como os santos viveram. Colocando amor em tudo que fazemos. Não tendo medo de proclamar a nossa fé. Bebendo a água viva da graça que o Senhor nos oferece nos sacramentos. Dialogando com Deus na oração. Amando o nosso próximo. Uma fonte rica de santidade nos é oferecida na eucaristia, viu Cleonice. Porque quando a comunhão é bem feita, nós vamos ficando parecidos com Cristo. Coragem, Cleonice! Busquemos a santidade!

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Frei Patrício Sciadini

É um dia aparentemente como tantos outros. Mas na verdade me encontro num pequeno povoado do alto Egito. E para rezar em árabe é só ficando em silêncio como normalmente faço. Entendo algumas palavras, sei de cor o Pai-nosso e Ave-Maria mal rezado e mal pronunciado. O resto escuto com muito amor e sei que Deus que é Pai, sabe compreender o que eu quero dizer com os outros que rezam. Lembrei-me de uma história que tinha escutado há tantos anos atrás. Diz que tinha um rabino fiel à sua oração como ninguém. E um dia também ele esqueceu o seu livro de oração. E quando devia rezar as suas orações de manhã, ao meio dia e à noite sentia

dentro dele uma grandíssima angústia interior. Como fazer para rezar sem livros? Ele era tão fiel que não queria alterar nenhuma palavra da sua oração. Pensou, repensou e viu que a única maneira era fechar os olhos e ter uma conversa franca com Deus. E disse: “O Senhor sabe e conhece a minha fidelidade na oração e como sou fiel em dizer todas as palavras sem pular nenhuma e sem esquecer. Mas deixei o meu livro em casa. Todas as palavras são compostas com as letras do alfabeto e nenhuma palavra pode ser sem algumas letras. O Senhor conhece o alfabeto. Eu fico em silêncio com a cabeça entre as minhas mãos e vou pensando em todas as letras do alfabeto e aí o Senhor sabe que quero pronunciar as palavras certas.” E assim fez. Depois de um tempo de silêncio terminou as orações e enquanto estava agradecendo escutou a voz do Senhor que dizia: “nunca você rezou com tan-

“Fará bem se nos perguntarmos: ‘Quem sou eu? Quem sou diante de meu Senhor? Quem sou eu diante de Jesus que entre em festa em Jerusalém? Sou capaz de exprimir a minha alegria, de louvá-lo? Ou tomo distância? Quem sou eu diante de Jesus que sofre?’”.

Papa Francisco

to fervor e sem errar nenhuma oração como hoje. O seu silêncio me agradou e compreendi todas as palavras que você queria me dirigir.” É necessário que sejamos simples na nossa oração. Às vezes damos muita importância às palavras. Devemos sempre pensar o que dizemos e a quem nos dirigimos. Se falta essa atitude interior enchemos a nossa oração de palavras. Como é bom às vezes não ter livros para rezar! Isto nos ajuda a sermos criativos no nosso diálogo com Deus, a buscar caminhos novos pelos quais podemos manifestar o nosso amor ao Senhor. Afinal, não são as palavras que contam, mas o seu conteúdo e muito mais o amor com que nós rezamos. É bom entrar no íntimo de nós mesmos e, como que esquecendo todas as palavras, deixar que Deus Pai interprete o que se passa dentro de nós. Ele sempre escuta até o mínimo dos nossos suspiros.

palavras que não passam

Os santos “Joãos” do Concílio PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

O papa João 23, aos oitenta anos de idade, teve a inspiração para realizar um Concílio mundial de reflexão sobre a presença da Igreja no mundo moderno. Reconheceu que a Igreja tinha muito a oferecer, mas carecia da capacidade de comunicar-se. Pior, ela preferiu isolar-se no interior de seus muros e ignorar sua natureza e missão diante das necessidades do mundo. Afinal, Jesus Cristo não teria fundado a Igreja exatamente para participar da História da Humanidade em cada época? Em tempo oportuno, João 23 percebeu que o problema, naquele momento seria um Pentecostes para a Igreja e a Humanidade. O profeta João 23 teve olhos e coração para ver e sentir o afastamento da Igreja e o mal que isso causava a ela própria

e ao mundo. Percebeu que os claros desafios da época a estimulavam, orientando como setas indicativas de onde e como a Igreja deveria voltar para cumprir sua missão. João 23 concluiu que as dificuldades do mundo não deveriam provocar o afastamento da Igreja, como que evitando contaminar-se, mas seria a graça de ela envolver-se de corpo e alma na situação como que para purificar-se da longa ausência e descaso da missão. A canonização de João 23 é o sinal claro da própria Igreja de que a inserção dela e dos cristãos em cheio no mundo de hoje é o ambiente propício para transformar em vida concreta os valores do Evangelho e promover a santidade dentro do coração do mundo: [...] “um concílio concentrado no mistério de Cristo e da Igreja e simultaneamente aberto para o mundo” (TMA 18). A canonização dos dois papas em conjunto é um aval oficial da Igreja ao anunciar que o projeto apresentado pelo Concílio é um caminho para a

santidade moderna nos tempos novos. A aguardada canonização do papa Paulo 6º, o mártir do Concílio, virá confirmar que o projeto do Concílio é caminho de santificação para as pessoas nos tempos modernos. A Igreja tem atitude de quem caminha junto e reflete à luz do Evangelho. Assim também age conjuntamente com a variedade das outras Igrejas e instituições preocupadas em contribuir na busca do mundo cada vez mais próximo do sonho de Deus. Portanto, a união de forças descortina o caminho indicado para, em cada época, cumprir a missão diante de problemas específicos. Deste modo a reflexão e a ação comprometidas no espaço dos cinquenta anos do Concílio Vaticano 2º, devolvem a credibilidade a uma Igreja a serviço da esperança do novo. O mesmo Espírito iluminou os dois profetas do Concílio: um João para início à nova Igreja(João 23); o outro João (João Paulo 2º) para dar continuidade ao compromisso eclesial.

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Daniel Gomes, Edcarlos Bispo de Santana e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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encontro com o pastor

editorial

Feliz Páscoa!

“Disto todos nós somos testemunhas” Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal odilo pedro scherer

Jesus ressuscitado deu este encargo aos apóstolos: “vós sereis as minhas testemunhas em Jerusalém, na Galileia... até os extremos da terra” (Lc 24,48). E São Pedro, pregando à multidão após a vinda do Espírito Santo, afirma: “com efeito, Deus o ressuscitou dos mortos e disto todos nós somos testemunhas” (At 2,32). Havia gente negando que Jesus tivesse ressuscitado já naqueles dias... A afirmação da ressurreição de Jesus enfrentou resistência e contestação, desde o início; e isso depõe em favor de sua veracidade. Os apóstolos a testemunharam até o martírio. “Jesus Cristo ressuscitou dos mortos” - esse é um fato extremamente importante para a fé cristã; nisso, nossa fé não pode vacilar. Para muitos, a ressurreição de Jesus não seria possível, humanamente falando. Mas é bem aí que está o ponto: não é realização do homem. Desde o início, os apóstolos afirmam que Jesus ressuscitou “pelo poder de Deus”, e não pela lógica das leis da natureza. E se Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos, significa que Jesus é de Deus. Os apóstolos afirmam com vigor essa verdade, que faz toda diferença para a fé da Igreja. São Paulo, respondendo a alguém que negava a ressurreição, chega a dizer: “se Cristo não ressuscitou, nossa pregação é vazia e a vossa fé não tem fundamento!” (cf 1Cor 15, 12-18). Tal é a importância da ressurreição de Jesus para a fé da Igreja!

Por isso, também nós cremos e afirmamos, com toda a Igreja: Jesus Cristo ressuscitou dos mortos! Deus confirmou que ele é seu Filho e que tudo o que ensinou é verdadeiro; que Jesus, por isso, é o mediador entre Deus e os homens, o “salvador”, que nos introduz diante de Deus e nos transmite sua vida, mediante o Espírito Santo; que, finalmente, Jesus Cristo é o “Senhor”, o Juiz dos vivos e dos mortos. E disso também nós continuamos sendo testemunhas! A Páscoa é a ocasião para uma profunda renovação da nossa fé e de nossa adesão a Jesus Cristo

Salvador, “nossa vida e ressurreição”. É também a ocasião para renovar nossa disposição de sermos testemunhas de Jesus Cristo no mundo, como seus discípulos missionários! Querido povo de Deus em São Paulo, com a Igreja, também nós cantamos: “este é o Dia que o Senhor fez para nós! Alegremo-nos e exultemos de alegria!” Desejo que todos sintam aquela alegria e paz que o Ressuscitado transmitiu aos discípulos nos encontros com eles após a sua ressurreição. Feliz e santa Páscoa! Deus abençoe a todos! Luciney Martins/O SÃO PAULO

A Semana Santa para o Povo de Deus sempre foi e continuará sendo um profundo retiro espiritual. Ele faz memória, em sucessivas celebrações, do maravilhoso mistério de sua salvação. Ele toma consciência de que Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado na história, reconcilia o homem com seu Pai por meio de sua Paixão, Morte e Ressurreição. E a Páscoa judaica adquire um sentido muito mais amplo, porque o homem, redimido, lavado nas águas do Batismo, se torna filho de Deus no Filho Jesus que vence a morte. O Domingo de Ramos, celebrado domingo passado, abriu o retiro espiritual do Povo de Deus. Em procissão, ramos nas mãos, como se viu em todas as comunidades, ele aclamou Jesus como rei, como seu Senhor e Mestre. Imediatamente depois, ele fez memória de modo detalhado da paixão dolorosa desse rei que é rei pelo serviço, pela entrega total de si mesmo à morte de cruz. Na Quinta-feira Santa, o Povo de Deus contempla Jesus lavando os pés dos discípulos e dizendo: façam assim também, estejam a serviço e recebam o meu novo mandamento: “Amem-se uns aos outros como eu vos amei!” Um programa de vida! E Jesus nos presenteia com o Sacramento do seu Corpo e do seu sangue, instituindo de uma só vez o Sacramento da Eucaristia e o sacerdócio cristão. Na Sexta-feira Santa, o Povo de Deus jejua, se abstém de carne e celebra piedoso a Paixão e a Morte de Jesus. Às 15h, momento exato da morte de Jesus, o Povo de Deus lê, invoca, adora e comunga a Paixão do Senhor. No Sábado Santo, à noite, o Povo de Deus fica em vigília. Acende o círio pascal com o fogo novo, tirado da pedra, e proclama com alegria que a noite é santa, relê na Sagrada Escritura a história da Salvação. Numa linda liturgia batismal, fala do novo nascimento em Cristo e canta o alegre e solene aleluia, pela vitória da vida sobre a morte. Enfim, no domingo da ressurreição, o povo celebra a presença confortadora do Cristo vencedor da morte. É a Páscoa dele, é a Páscoa dos que o aceitam como Senhor e mestre. Que deste retiro espiritual, saiamos fortalecidos na certeza de que Jesus nos reconciliou com seu Pai e fez de nós filhos amados dele. Viva a Páscoa!

Terça-feira (15)

9h: Reunião da Comissão de Restauros

Quarta-feira (16)

10h : Celebração penitencial com o clero da Região Sé (Mosteiro de São Bento)

Quinta-feira (17)

9h: Missa do Crisma e da renovação das promessas sacerdotais com o clero da Arquidiocese, na Catedral da Sé. 19h: Missa da ceia do Senhor e da Instituição da Eucaristia, na Catedral da Sé.

Sexta-feira (18)

@DomOdiloScherer mos na Comunidade de Heliópolis, SP. Bonito. Povo animado! 11 - ”Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca”. 11 - ”Cristo sofreu por vós deixan-

Semana Santa: retiro espiritual do Povo de Deus

agenda do Cardeal

Tweets do Cardeal

14 - Celebrando o Domingo da Ra-

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do-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos” 10 - “Quando injuriado, não retribuía as injúrias”. 9 - ”Ensinai-me, ó Senhor, vossos caminhos e mostrai-me a estrada certa!”. 9 - ”Sede bons uns para com os

outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo”. 9 - “Sede imitadores de Deus, como filhos que ele ama. Vivei no amor, como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo a Deus por nós”.

9h: Confissões, na Catedral da Sé 15h: Celebração da Paixão e Morte de Jesus, na Catedral da Sé.

Sábado (19)

19h: Solene Vigília Pascal, na Catedral da Sé.

Domingo (20)

11h: Missa de Páscoa, na Catedral da Sé.


4 | Fé e Vida |

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liturgia e vida

palavra do papa

‘Sou eu como Pilatos?’

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO 20 DE ABRIL DE 2014 Ana Flora Anderson

A fonte da vida Para os cristãos não existe outra festa igual a da Páscoa. A primeira leitura (Atos dos Apóstolos 10, 34.37-43) apresenta o testemunho de Pedro que acompanhou Jesus durante todo o seu ministério, na sua Paixão e Morte e no mistério de sua Ressurreição. Pedro afirma que desde seu Batismo no Jordão Jesus, ungido por Deus, recebeu o Espírito Santo e o poder divino. Tudo isso está na base da pregação apostólica. A segunda leitura (Colossenses 3, 1-4) nos faz compreender que, pelo Batismo, participamos da Ressurreição de Jesus. Essa graça deve nos fazer viver no desejo de realizar o ensinamento de Jesus e para poder participar de seu triunfo no final dos tempos. O Evangelho de São João (20, 1-9) narra a cena da descoberta do túmulo vazio. Maria Madalena em todos os evangelhos é uma figura central. Num mundo “ainda escuro”, ela vai lamentar a morte de seu Mestre e descobre o túmulo vazio. Madalena se apressa para avisar a Pedro e ao outro discípulo, nomeado como Discípulo Amado. Mesmo sem compreender o mistério, o referido Discípulo Amado viu o túmulo vazio e acreditou. Com o tempo, todos os discípulos entenderam que o amor vence a morte. leituras da semana

Segunda (21): Terça (22): Quarta (23): Quinta(24): Sexta(25): Sábado (26):

At 2, 14.22-32; Sl 15; Mt 28, 8-15 At 2, 36-41; Sl 32; Jo 20, 11-18 At 3, 1-10; Sl 104, 4-9; Lc 24, 13-35 At 3, 11-26; Sl 8; Lc 24, 35-48 At 4, 1-12; Sl 117, 1-27; Jo 21, 1-14 At 4, 13-21; Sl 117, 1-21; Mc 16, 9-15

Papa francisco Esta semana começa com a procissão festiva com os ramos de oliveira: todo o povo acolhe Jesus. As crianças, os jovens cantam, louvam Jesus. Mas, esta semana vai avante no mistério a morte de Jesus e da sua ressurreição. Nós escutamos a Paixão do Senhor. Fará bem se nos perguntarmos: “Quem sou eu? Quem sou diante de meu Senhor? Quem sou eu diante de Jesus que entra em festa em Jerusalém? Sou capaz de exprimir a minha alegria, de louvá-lo? Ou tomo distância? Quem sou eu diante de Jesus que sofre?”. Ouvimos tantos nomes. O grupo dos dirigentes, alguns sacerdotes, alguns fariseus, alguns mestres da lei, que tinham decidido matálo. Esperam a oportunidade para prendê-lo. Sou eu um deles? Ouvimos também outro nome:

Judas. Trinta moedas. Sou eu como Judas? Ouvimos outro nomes: os discípulos que não entendiam nada, que dormiam enquanto o Senhor sofria. A minha vida é sonolenta? Ou sou como os discípulos que não entendiam o que seria trair Jesus? Como aquele outro discípulo que queria resolver tudo com a espada: sou eu como eles? Sou eu como Judas, que finge amar e beija o mestre para entregá-lo, para traí-lo? Sou eu traidor? Sou eu como aqueles chefes que depressa montam o tribunal e procuram falsas testemunhas: sou eu como eles? E quando faço estas coisas, se as faço, creio que com isto salvo o povo? Sou eu como Pilatos? Quando vejo que a situação é difícil, lavo as mãos e não sei assumir a minha responsabilidade e deixo condenar ou condeno - as pessoas? Sou eu como aquela multidão que não sabia bem se estava em uma reunião religiosa, em um julgamento ou em um circo, e escolhe Barrabás? Para eles é o mesmo: era mais divertido, para humilhar Jesus. Sou eu como os soldados que golpeiam o Senhor, lhe cospem no rosto, insultam-no, se divertem com

a humilhação do Senhor? Sou eu como o Cireneu que voltava do trabalho, cansado, mas teve a boa vontade de ajudar o Senhor a levar a cruz? Sou eu como os que passavam diante da cruz e se zombavam de Jesus. Era tão corajoso: “Desça da cruz, e nós creremos nele”. Zombaram de Jesus... Sou eu como aquelas mulheres corajosas, e como a mãe de Jesus, que estavam ali, sofriam em silêncio? Sou eu como José, o discípulo escondido, que leva o corpo de Jesus com amor, para dar-lhe sepultura? Sou eu como as duas Marias que permanecem diante do sepulcro, chorando, orando? Sou eu como aqueles que no dia seguinte foram a Pilatos para dizer-lhe: “Olhe que este dizia que iria ressuscitar. Que não aconteça outro engano!”, e bloqueiam a vida, bloqueiam o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não saia? Onde está o meu coração? A qual dessas pessoas eu me pareço? Que essa pergunta nos acompanhe durante toda a semana. L’Osservatore Romano

santos e heróis do povo - 19 de abril

No dia 19 de abril, no Brasil, concentramos nossa atenção sobre o Dia do Índio. E temos como padroeiros neste dia, três indígenas da Guatemala: uma senhora, chamada Joana Tun, seu marido Vicente e o filho Patrocínio. Eles deram a vida em favor do Reino de Deus, reino que começa aqui na terra. Diziam: “ A gente deve saber que vai morrer. Mas que seja para salvar nosso povo, e nossa família”. É por isso, também, que na mesma Guatemala, tão sofrida hoje, se venera todas as mulheres mártires dos últimos tempos, neste dial. Junto com os índios, lembramos um beneditino, bispo e confessor, Santo Ursimar. Passou a vida fundando mosteiros, para que os homens soubessem orar e cultivar os campos. E para que, ao mesmo tempo, soubessem reconhecer que Deus é o dono de tudo. Por incentivar os colonos, foi enterrado com veneração, no alto do morro, numa capela, levantada pelos fiéis camponeses. Devemos lembrar a figura de um papa: São Leão 11 (imagem), o Santo, abriu novos caminhos na história para a conversão dos povos e também para a paz na Europa. Viveu no começo do milênio, de 1002 a 1054. Fonte: “ Santos e Heróis do Povo” livro do cardeal Arns

Após a santa missa de domingo, 13, o papa Francisco recebeu 250 delegados, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, que participaram do encontro sobre as Jornadas Mundiais da Juventude; o próximo encontro mundial se realizará em julho de 2016, em Cracóvia e terá como tema “Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia”.

há 50 anos

Trabalho consciente do homem moderno A mudança de governo por um ato institucional foi manchete do semanário arquidiocesano O SÃO PAULO, na matéria da chamada intitulada “O Brasil tem um novo Governo”. A matéria principal possuía informações de como se sucedeu a proclamação do ato no salão nobre do Ministério da Guerra e o teor dos 11 atos institucionais que davam vigência ao novo Governo. “Art. 3ª: o presidente da República poderá remeter ao Congresso Nacional projetos de emenda da Constituição”. A capa da edição também continha o telegrama recebido pelo cardeal-arcebispo dom Agnelo Rossi, um

convite para comparecer à cerimônia de posse presidencial, representando a Arquidiocese de São Paulo. A mesma edição trouxe um pequeno artigo que demonstrava o quanto os meios de comunicação, em destaque à televisão, estavam contribuindo pra a evangelização, Durante sua peregrinação a Terra Santa, o papa Paulo 6º agradeceu à cobertura da impressa e ressaltou o quanto aquele trabalho era necessário. “Levai em conta que os vossos próprios filhos podem estar vendo e ouvindo... Trabalhai sempre ao serviço nobre e Capa da edição de 19/4/1964 consciente do homem moderno.”


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informações

Por mandato do Em.mo Senhor cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, foi nomeado: Em 4 de abril de 2014 Cooperador na Paróquia Santíssimo Sacramento, Região Episcopal Sé, Setor Paraíso, o diácono Antonio Pedro dos Santos, pelo período de 1 ano. Em 7 de abril de 2014 Decano da Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo da Arquidiocese de São Paulo, o Ex.mo e Rev.mo cônego dr. Martin Segú Girona, para o mandato de 5 anos.

Por mandato do Em.mo Senhor cardeal Odilo Pedro Scherer,arcebispo metropolitano de São Paulo, fazemos saber que receberam o Uso de Ordens na Arquidiocese de São Paulo:

1 ano; o Rev.mo padre Stefano Ferrari (PIME), pelo período de 1 ano; o Rev.mo padre Giancarlo Vecchiato (PIME), pelo período de 1 ano; o Rev.mo padre Sérgio Bradanini (PIME), pelo período de 1 ano.

Em 28 de março de 2014 O Rev.mo padre Giji Pichappillil Mathew (SDV), pelo período de 2 anos.

Coleta da Evangelização A Mitra Arquidiocesana de São Paulo informa que o valor arrecadado na Coleta da Evangelização 2013 foi de R$ 346.564,60. Desse total, 35% foram destinados para a CNBB; 20% para a Regional Sul 1 e 45% para a manutenção das pastorais da Arquidiocese de São Paulo.

Em 4 de abril de 2014 O Rev.mo padre Raju Vandanam Koppula (PIME), pelo período de 1 ano; o Rev.mo padre Massimo Cesaro (PIME), pelo período de

| Viver Bem | 5

literatura

dicas de cultura

Cinema, teatro e arte invadem ônibus em terminal de SP Divulgação

Quem passar pelo terminal Parque Dom Pedro II às terças-feiras, às 20h, provavelmente terá uma boa surpresa com a programação artística e cultural do projeto “Toda Terça Tem Trabalho, Tem Também Teatro”, realizado pela Trupe Sinhá Zózima. As ações ocorrem sempre dentro de um ônibus, estacionado na plataforma, durante todo o ano de 2014, com entrada gratuita. Há sete anos, o grupo pesquisa o ônibus urbano como espaço cênico e de democratização do acesso às artes. O projeto recémlançado leva apresentações de espetáculos teatrais, performances, rodas de debates, saraus, cantoria, cinema e encontros ao terminal. “Queremos trocar experiências com aqueles que constroem diariamente a nossa cidade, que trazem consigo a sabedoria do dia a dia, das segundas, das terças, das quartas, das quintas, das sextas, das feiras de todos os dias e de todos os cantos dessa cidade”, afirma Anderson Maurício, diretor artístico e um dos fundadores da Trupe. O QUE: Toda Terça Tem Trabalho, Tem Também Teatro. QUANDO: 25/03 à 29/04 Terças às 20h QUANTO: Catraca Livre ONDE: Terminal Parque D. Pedro II rua Dom Pedro II, 55, Sé.

No dia 27 de abril de 2014, o papa João Paulo 2º será declarado Santo pela Igreja Católica em Roma. Conheça a vida deste novo Santo por meio desta bela coleção, em três volumes que a Editora Corvara traz ao público brasileiro. O primeiro volume desta trilogia: A Vida de João Paulo II. Karol Wojtyla, de Cracóvia a Roma, traça o percurso da vida de Karol Wojtyla, de sua infância na Polônia até sua eleição ao Papado em 1978.

vamos cuidar da saúde!

Vacinação Foi iniciada a campanha do HPV, como mencionado anteriormente. Então, aproveitamos para chamar a atenção sobre outras vacinas. Está chegando a Copa e com ela poderemos estar em contato com diversas doenças, pois aqui no Brasil temos um esquema vacinal amplo. Todavia não é assim em todos os países. Então, se sua profissão deixa você em contato constante com estrangeiros, preste atenção em sua caderneta de saúde. Leve-a até um posto de saúde para que seja feita a atualização e assim você estará imunizado. Caso não tenha sua caderneta, leve um documento com foto e lá farão uma nova. Outra coisa importante, as vacinas em sua maioria não são dose única. Preste atenção na data das doses subsequentes. Você só estará totalmente protegido se realizar todas as doses. Isso é prevenção! Dúvidas: dracassiaregina@gmail.com. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF).


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direito canônico

fé e cidadania

Os bens preciosos e culturais (1)

Sabor de Páscoa

Padre Carlos Roberto Santana da Silva

A “preciosidade” de uma coisa provém: “por seu valor artístico ou histórico”. No Código de 1917 havia dois elementos que definiam a preciosidade: “matéria” (“matéria e causa”) e “notável valor em razão da arte ou da história”. O Código de Cânones das Igrejas Orientais, no cânon 1019, resgata o elemento “materiae causa”, do Código de 1917. Para se determinar a preciosidade de uma coisa “o valor não é tomado em relação à utilidade de quem tem a coisa como sua, isto é, para a Igreja... mas relativamente à arte e à história... contida na própria coisa”. Os bens podem ser tomados como individualmente ou “como coleção que podem ser adquiridos por um grande preço”. Para se determinar a preciosidade de uma coisa se requer que tenha “notável valor”. Qual é o critério para se afirmar que uma coisa tem “notável valor”? São dois os critérios: 1) O valor da “coisa preciosa” é independente do modo de avaliar os bens eclesiásticos a serem alienados; 2) no antigo direito eram considerados precio-

sos também certos bens. A fonte de preciosidade indicada no cânon 1497 § 2, do Código de 1917 não é exaustiva ou taxativa, mas são indicadas como exemplo. Quando se trata de imagens, a preciosidade delas deve ser avaliada de acordo com o que afirma o cânon 1189 do Código, isto é, “por antiguidade, arte ou culto”. Em relação aos bens culturais, é uma categoria de bens que é necessário mencionar e que em certo sentido é semelhante à categoria dos bens preciosos, ainda que não se identifique com eles, e que constitui de per se uma classe de bens, com importância especialmente em relação à legislação civil. O conceito é subtraído do próprio conceito civil e tem importância uma vez que o Estado se atribui a tutela do patrimônio cultural de uma nação, incluindo entre os bens culturais todos aqueles que a lei os considera como tais, quem quer que seja o titular, e entre eles se encontram os bens da Igreja. Esta qualificação não muda a titularidade dos bens, mas os submetem às normas estatais que os regulamentam. O Código de Direito Canônico não trata destes tipos de bens, porém são objeto normal dos pactos ou concordatas da Igreja e os Estados. (Continua na próxima edição)

Padre Alfredo José Gonçalves

Qual o sabor da Páscoa? Para o comércio em geral, talvez a primeira coisa que vem à mente seja o chocolate. As crianças também lembrarão o gosto adocicado dos ovos de Páscoa. De resto, tampouco os adultos o ignoram. A Páscoa, entretanto, tem um sabor bem mais profundo, invisível. Sabor espiritual e misterioso de travessia: da escravidão para a liberdade, do pecado para a graça, das trevas para a luz, da morte para a vida. No centro estão a cruz e a ressurreição. Duas dimensões que nos acompanham não somente nesse período litúrgico, mas durante toda a vida. Do berço ao túmulo, cruz e ressurreição cruzam e recruzam nossa existência. Representam dores e esperanças, ilusões e desilusões, sonhos e fracassos. Uma e outra, como irmãs gêmeas, seguem os caminhos e os passos de cada um de nós, desde o nascimento até a morte. Enquanto a primeira nos mantém com os

pés no chão, a outra nos dá Jesus que “passou pela vida fazendo o bem”, mas ainda asas para voar. Eis um equilíbrio difícil, não em sua forma definitiva. Daí o duplo sentimento do mas de suma importância. Da mesma forma que na tra- Mistério Pascal: ao mesmo jetória e na prática de Jesus, tempo celebração e convite jamais podemos esquecer que à ação evangelizadora. Se, o sofrimento faz parte da vida por uma parte, celebramos pessoal, familiar, comunitária, com alegria a ressurreição de social e política. Aliás, cada Cristo como caminho aberto a um sabe de sua própria cruz, e todos os homens e mulheres, em geral julga-a a mais pesada por outra, somos convidados de todas. Ao seu lado, porém, caFestejar e caminhar – eis o sabor da minham outros Páscoa! Celebrar e construir juntos, irmãos e irmãs com suas cruzes a partir daqui e de agora, o Reino igualmente dolode Deus. Reino feito de pequenos ridas, e muitas gestos solidários que se somam, vezes bem mais pesadas. Pessose multiplicam e pouco a pouco as que aberta ou contagiam a sociedade silenciosamente pedem socorro a concretizar essa realidade necessitam de solidariedade! Por outro lado, recorrendo no cotidiano de nossas vidas e ainda ao mistério da encarna- relações pessoais, bem como ção, morte e ressurreição de no contexto socioeconômico e Jesus, a fé, a esperança nos político-cultural em que viveensinam que o sofrimento e a mos. Festejar e caminhar – eis morte não têm a palavra final. Aí está a grande lição da Pás- o sabor da Páscoa! Celebrar e coa, seu sabor oculto, mas construir juntos, a partir daqui presente entre nós. Ao vencer e de agora, o Reino de Deus. a morte, Jesus antecipa o bri- Reino feito de pequenos geslho resplandecente do Reino tos solidários que se somam, de Deus. Este, de fato, já se se multiplicam e pouco a poufaz vivo e atuante na obra de co contagiam a sociedade.

espaço aberto

Tráfico humano João Baptista Herkenhoff

Quando estudamos a História do Brasil aprendemos que a abolição da escravatura ocorreu em etapas. Primeiro foi abolido o tráfico de escravos (1850). Depois foi promulgada a Lei do Ventre Livre, em benefício dos filhos de escravos (1871). Veio depois a Lei dos Sexagenários que libertava da escravidão os idosos (1885). Finalmente, em 13 de maio de 1888 a abjeta escravidão foi totalmente proscrita de nosso país. Se assim é contada nossa história, o que é esse tráfico humano que a Campanha da Fraternidade deste ano denuncia? Ainda existe o tráfico de pessoas em terras brasileiras, já que o tráfico foi abolido em 1850? Infelizmente a resposta à indagação é afirmativa. Crianças são traficadas para extração e comércio de

órgãos. Mulheres desprovidas de um mínimo de informação são iludidas com promessas de bem-estar e traficadas para a prostituição. Trabalhadores são deslocados do lugar onde vivem e transportados para outros territórios a fim de serem explorados como escravos. Não se trata de uma fantasiosa história de terror, mas de um fato concreto que os bispos brasileiros, com a reputação conquistada pelos serviços prestados ao povo, certificam, denunciam e condenam, conclamando todas as pessoas de caráter a uma tomada de posição. Sim, não se trata de conclamar os cristãos, e muito menos os católicos. Não é preciso ser católico ou ser cristão para dizer peremptoriamente: basta, isto não pode continuar. Para o homem religioso o tráfico humano é uma blasfêmia, é ofensa ao Deus Criador. Para o homem que guarda princípios éticos, sem professar uma crença, sem se filiar a um credo, o tráfico humano é uma ignomínia que não pode ser tolerada.

Não basta protestar e indignar-se. É preciso exigir providências para que o tráfico humano desapareça dos horizontes nacionais. Sejam cobradas ações efetivas dos Poderes Executivo e Legislativo. Que se exijam posições firmes e rigorosas do Ministério Público. Que o Poder Judiciário, devidamente provocado, não se cale, nem transija. Que a sociedade civil como um todo assuma sua grande parcela de responsabilidade. O que não se pode admitir é a atitude de passividade e silêncio, quando sabemos que existem seres humanos tratados como mercadoria. E até pior do que mercadoria porque as mercadorias são guardadas e conservadas para que não se deteriorem, enquanto pessoas humanas vítimas de tráfico são expostas à perda da condição humana, à destruição, à doença e à morte. Se aqueles que são vítimas do tráfico nem protestar podem, sejamos nós a voz dos que não têm voz, de modo que nosso grito de revolta ecoe de norte a sul.


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pastoral da comunicação

bioética

Qual é o lugar mais acolhedor de sua casa?

Bioética e CF-2014 (2)

Coordenador da Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo.

Diácono Francisco de Assis Gonçalves

Caso eu tenha o prazer de um dia lhe visitar, qual o lugar de sua casa onde me sentirei mais acolhido? Se sua resposta for a sala, vou lhe contrariar e direi que o local onde sentirei mais sua hospitalidade é junto à mesa. Outro dia, li um fato narrado por uma pesquisadora de um museu britânico: “Anos atrás, uma mulher originária da Armênia convidou meu chefe e a mim a ir à sua casa. Ela tinha herdado um manuscrito antigo da Bíblia e queria ajuda de profissionais como nós para encontrar um museu ou biblioteca para conservar aquela obra. Enquanto

conversávamos na sala, nossa ansiedade estava em ver o manuscrito inestimável que ela manteve debaixo da cama embrulhada em uma toalha. Entretanto, antes que ela mostrasse, disse: ‘Vocês têm que entrar em minha cozinha e comer comigo’. Nós nos sentamos em uma mesa limpa, guarnecida com pratos de amêndoas de seu pomar e folhas de uva com arroz. ‘Se você come comigo, você não me trairá. Eu quero confiar em você’, ela disse. O que poderia ter se tornado noutra transação empresarial, se transformou em amizade através da hospitalidade de uma simples refeição”. A mesa é a síntese da partilha, porque nela se partilham os bens. A mesa é o momento da palavra, onde se expõem idéias. A mesa é um dos lugares mais íntimos em nossas vidas, onde nós nos damos um ao

outro. Estranho como possa soar, a mesa é o lugar onde nós queremos nos tornar alimento para o outro. Não é sem razão que é junto à mesa do altar que Cristo se torna nosso alimento pela partilha do pão. Isso forma a cultura do encontro com o outro, aliás, esse é o tema da mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais: “A comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”. Procurando refletir essa mensagem papal a Pascom e Sepac promoverão, no sábado, dia 26 de abril de 2014, palestra com o padre Edélcio Ottaviani, reitor da Unifai. O evento será no Auditório Paulo Apóstolo (rua Dona Inácia Uchoa, 62 - Estação do Metrô Vila Mariana). Participe do evento gratuito inscrevendo-se pelo telefone 2125 3540.

espaço do leitor Luciney Martins/O SÃO PAULO

‘Há 50 anos, um dia de revolução ou golpe?’ (edição 2995) Foi um golpe ou uma cacetada na moleira dos brasileiros, que mesmo tentando não aceitar, foram submetidos ao regime de ditadura militar, com a presença dos AIs da vida. A liberdade de expressão não existia e quem demonstrasse indignação ficava ainda mais indignado ao ser levado para o DOPS e depois desaparecia do mapa. Posso dizer que aqueles idiotas que nem sabiam o significado da palavra comunismo e por motivos diversos, até por ignorância, mostrasse predileção ao regime de países, como colocar no filho o nome de Yuri tinham suas casas invadidas na madrugada e em geral, juntamente com um membro de suas famílias eram enviados a um lugar de tortura, onde o pai via o filho sendo açoitado e vice-versa, a fim de confessarem coisas que eles desconheciam. Gerson Aristides

Quem sentiu na pele pode dizer, infelizmente tem gente que diz ter saudade da ditadura, não dá pra justificar um erro por conta de outro erro... Claudio Antônio

to não. Já li e reli varias textos e a história dele. Fico pensando que diria os índios mortos e domesticados do planalto paulista? Sei não, isso me parece mais jogada de marketing do Vaticano. No Brasil temos santos, como padre Josino, irmã Dulce, e tantos outros que poderiam ser verdadeiramente santos brasileiros, bom mas, se o Papa acha que é então é né! Valéria Gomes

Este final de semana estive em uma reunião da comissão de formação e teologia do Clasp na Mitra e esta matéria foi muito elogiada pela comissão que tem como um de seus membros Ana Flora, parabéns! Rogério da Silva

Especial canonização do padre José de Anchieta (edição 2996)

Não concordo muito com esse san-

Parabéns pelo empenho e profissionalismo. Adiante seguindo os passos do Apóstolo do Brasil. Sempre um jornal inculturado falando a língua do povão. Fernando Altemeyer Junior

Por que não dizer da garra com que a equipe do O SÃO PAULO organizou este trabalho? Parabéns mesmo a todos do O SÃO PAULO! Padre Tarcísio Marques Mesquita

Parabéns a toda equipe do jornal. Nota 10 Padre Antonio F. Ribeiro

Ele merecia uma grande solenidade com o Papa, os cardeais e até a presidenta, no Vaticano, num domingo. Não sei porque isso não foi feito. Afinal ele “fundou” o Brasil ! Ivan Tadeu Couto Rojas

Muito bom! Belo exemplar. São José de Anchieta, rogai por nós! Sueli Camargo

Superintendente da União Social Camiliana

padre Christian de Paul de Barchifontaine

Bioética, ética da vida, da saúde e do meio ambiente, é um espaço de diálogo transprofissional, transdisciplinar e transcultural na área da saúde e da vida, um grito pelo resgate da dignidade da pessoa humana, dando ênfase na qualidade de vida: proteção à vida humana e ao ambiente, por meio do desenvolvimento da tolerância e da solidariedade. A globalização com a competição econômica tem provocado migrações de pessoas em busca de melhores condições de trabalho e de vida. Essas pessoas tornam-se vulneráveis perante a ação de tráfico humano. Temos que distinguir na migração atual, tráfico de pessoas do contrabando de migrantes, pois nesse último, existe o consentimento do trabalhador, sujeitando-se a uma condição de ilegalidade. Visando ao lucro acima de tudo, a globalização econômica gera uma massa de excluídos sujeitados à terceirização, à informalidade e às formas precárias de trabalho. Dessa condição aproveita-se o tráfico humano para aliciar pessoas, com propostas de trabalho enganosas. O enfrentamento do crime do Tráfico Humano exige a cooperação entre os países, em áreas como a criminal, jurídica, tecnológica, econômica e de meios de comunicação. O Brasil adotou a “Convenção de Palermo” das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional onde foi assinado um Protocolo Adicional conhecido como “Protocolo de Palermo”. Esse instrumento legal internacional, o principal para prevenção, repressão e punição do tráfico humano, define o crime e aponta os elementos que caracterizam: 1. Os atos mais comuns no recrutamento: o transporte; a transferência; o alojamento; o acolhimento de pessoas. 2.Os meios que configuram o tráfico: ameaça; uso da força; outras formas de coação: rapto; engano; abuso de autoridade; situação de vulnerabilidade; aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre a outra. 3. A principal finalidade: a exploração da pessoa sob várias formas: prostituição e outras formas de exploração sexual; a servidão; a remoção de órgãos. É importante frisar que, para a configuração do crime de tráfico humano, o consentimento da vítima é irrelevante. Os traficados devem ser vistos como vítimas e são protegidos pela lei brasileira, mas ainda faltam leis mais abrangentes quanto ao crime de tráfico de pessoas.

O enfrentamento do crime do Tráfico Humano exige a cooperação entre os países, em áreas como a criminal, jurídica, tecnológica, econômica e dos meios de comunicação

Sobre o jornal

O jornal O SÃO PAULO é um exemplar de comunicação e evangelização no Brasil e no mundo. Everton da Silva

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

Erramos

Diferente do publicado na agenda das celebrações da Semana Santa na Catedral da Sé (edição 2997) a missa de Páscoa das 11h, no domingo, 20, presidida pelo cardeal Scherer não terá a presença da Orquestra do Sesi e sim a participação da Orquestra Filarmônica Senai São Paulo e da Capela Musical da Catedral da Sé.


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Pastoral das Pessoas com Deficiência

movimento eucarístico jovem

Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto durante a Semana Santa

MEJ comemorará cem anos

pastoral.pcd.sp@gmail.com Entre os dias 17 e 19 de abril, a Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo participará, pela primeira vez, das atividades da Semana Santa, realizadas na Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto, localizada à rua Serra do Japi, 1.172, no bairro do Tatuapé. Na ocasião, será possível a plena participação do público com deficiência presente, uma vez que em todos os momentos da liturgia, haverá recursos de acessibilidade. Entre as particularidades utilizadas, terão os folhetos das celebrações em braile, para pessoas com deficiência visual (cega ou com baixa-visão). Haverá, igualmente, a áudio descrição para pessoas com deficiência visual e intelectual; Para as pessoas com deficiência auditiva, um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (libras) fará as traduções. Outro recurso para as pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida será a acessibilidade arquitetônica, assim também como transporte acessível para àquelas que tiverem outros tipos de deficiência. Enfim, desde o acolhimento na chegada à igreja, ao auxílio no decorrer das celebrações, serão apoiadas por pessoas

preparadas. O objetivo é melhor atender os participantes com cada tipo de deficiência; As celebrações terão a participação de pessoas com várias deficiências, desde a leitura dos textos litúrgicos, na cerimônia do Lava-pés, na procissão da Paixão de Cristo e nas leituras da Vigília Pascal. Com essa iniciativa, esperamos estimular a participação do público com deficiência na vida religiosa, com equiparação das condições e de oportunidades com as demais pessoas. Esperamos ainda, sensibilizar e despertar a todos da comunidade para a necessidade e a importância de caminharmos juntos. Ressaltamos a finalidade de criarmos uma cultura de acessibilidade também nos espaços religiosos, permitindo a todas as pessoas, desfrutarem da palavra de Deus, sem qualquer tipo de restrição. E ainda, que possamos construir uma sociedade mais justa e humana, em que o amor e o respeito ao próximo prevaleçam sobre a intolerância e à violência. Serviço: Pastoral das Pessoas com Deficiência E-mail: pastoral.pcd.sp@ gmail.com Telefones: (11) 2888-8866 e 9643-94206

Ana Carolina Cruz O Movimento Eucarístico Jovem - MEJ está prestes a comemorar cem anos de existência no mundo. Somos a ramificação infanto–juvenil do Apostolado da Oração que, também este ano, comemora seus cento e setenta anos de presença na Igreja. O seguimento de Jesus Eucarístico é nosso estilo de vida, trazendo assim a vida e historia de Cristo para os dias atuais. Podemos afirmar que o MEJ tem uma grande importância para a Igreja Católica, pois procuramos inserir crianças, adolescentes e jovens nos ensinamentos de

Cristo, levando a uma formação de vida cristã, visando à aplicação na sociedade. A nossa vivência procura ter como modelo Cristo- Eucaristia, buscando sempre “viver ao estilo de Jesus” e “em tudo amar e servir”. O nosso primeiro pilar é a Eucaristia, que é o alimento que recebemos de Cristo, que se torna vivo em nossa vida. E nós, mejistas, temos como intuito fazer da Eucaristia um alimento para nós e para o nosso próximo. Ser Eucaristia em nossa própria vida! O alimento da Palavra é outro pilar de nosso movimento. Essa “Palavra Viva” que encontramos na bíblia

para fortificar-nos e também ao nosso próximo, que muitas vezes se encontra desamparado. Os mejistas seguem aquilo que Jesus Cristo nos deixou: “Sermos contemplativos na ação e na oração”. Somos alimentados de Seu Corpo e da Palavra Viva para juntos sermos discípulos missionários dele em favor de nossos irmãos. Depois de descobrir nosso jeito de ser MEJ, queremos propor como reflexão no tempo quaresmal às seguintes questões: o que fiz para ajudar o meu próximo nessa quaresma? Que tipo de alimento estou oferecendo a mim e ao meu próximo?

escola diaconal

Dom Cláudio Hummes visita Escola Diaconal da qual é fundador Fábio José Parpinelli Neste sábado, 12, a Escola Diaconal recebeu para um encontro especial, seu fundador há 14 anos, o arcebispo emérito de São Paulo cardeal dom Cláudio Hummes. O encontro foi realizado no auditório da Cúria de Santana, onde dom Claudio falou aos 54 candidatos ao Diaconato Permanente da Escola Arquidiocesana São José, e suas esposas. No encontro, dom Cláudio

comentou com detalhes sobre sua participação no Conclave e posteriormente na primeira aparição do papa Francisco, na varanda da praça de São Pedro. Também conversou conosco sobre a Evangelii Gaudium, a Alegria do Evangelho, a 1ª Exortação Apostólica do papa Francisco e suas perspectivas, visto que dom Claudio possui uma profunda amizade com o primeiro Papa Latino Americano. Também fez memória da

fundação da Escola Diaconal na Arquidiocese de São Paulo e atualizou as esperanças e a missão do diácono na Arquidiocese. Motivaou os candidatos a testemunharem a importância desse ministério ordenado na vida da Igreja em São Paulo. Foi com muita alegria que o recebemos na Escola Diaconal idealizada por ele, que juntamente com o clero restituiu o diaconato permanente na Arquidiocese de São Paulo.


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Câmara de vereadores de SP vai ter busto de Anchieta Legislativo municipal homenageou, em sessão solene, o fundador de São Paulo, canonizado pelo papa Francisco no último dia 3 Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

A Câmara Municipal de São Paulo deverá ter um busto de São José de Anchieta em frente ao prédio que leva o nome do novo santo do Brasil, no viaduto Maria Paula, no centro. A notícia foi anunciada na quinta-feira, 10, pelo presidente da atual legislatura, o vereador José Américo, durante sessão plenária solene em homenagem ao fundador de São Paulo, Padre José de Anchieta, proclamado santo pelo Papa Francisco, no último dia 3. Iniciativa do vereador Paulo Frange, a homenagem

a São José de Anchieta na Câmara Municipal de São Paulo aconteceu no Plenário 1º de Maio, e contou com a participação do cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, e do padre Carlos Alberto Contieri, diretor do Pátio do Colégio. Ao abrir a sessão, José Américo destacou que a atuação de Anchieta em São Paulo vai além do campo religioso. “Ele era um homem visionário, que combateu a escravização dos indígenas; levou o espírito da generosidade cristã para as tribos e os colonos que chegavam ao país na época, além de intermediar os conflitos”, disse.

Carta de agradecimento ao papa Francisco

Antes de fazer uso da palavra, o cardeal Scherer recebeu, em nome da Igreja de São Paulo, uma placa comemorativa pela canonização de José de Ancheita. Em sua fala, o Arcebispo de São Paulo leu trechos de uma biografia que preparou sobre o religioso jesuíta. “Anchieta não levou ouro do Brasil

Luciney Martins/O SÃO PAULO

para a Europa e nem escravizou os índios”, destacou o Cardeal. Para o Arcebispo, Anchieta “poderia ser considerado o primeiro antropólogo do Brasil, pois, segundo consta, ninguém antes dele colocou no papel tantos elementos sobre os povos brasílicos e sua cultura”. Em nome da Companhia de Jesus, padre Contieri também agradeceu a homenagem da Câmara Municipal. O jesuíta destacou que José de Anchieta é um homem da cidade e para a cidade, além de ser inspiração para as atitudes das pessoas nos dias de hoje. “Que ele possa nos inspirar de tal modo que as pessoas e a população de São Paulo estejam no centro da preocupação de cada um de nós”. O presidente da Casa anunciou, antes do fim da sessão, que um Voto de Júbilo será assinado pelos 56 vereadores de São Paulo e encaminhado, por meio de dom Odilo, ao Papa Francisco, como agradecimento da cidade de São Paulo pela canonização de seu fundador. (Colaborou Diego Monteiro)

Arcebispo se reúne com coordenações pastorais Luciney Martins/O SÃO PAULO

Diego Monteiro

Especial para O SÃO PAULO

O Secretariado Arquidiocesano de Pastoral se reuniu com as coordenações do Laicato, dos Movimentos e Novas Comunidades, e do Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, que têm como referencial o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, no sábado, 12, na Cúria da Região Episcopal Ipiranga, para dar continuidade aos trabalhos de reflexão acerca da urgência pastoral que a Arquidiocese se dedicará em 2014: “Igreja, Casa de Iniciação à Vida Cristã”. O Cardeal lembrou as palavras do Apóstolo Paulo, dizendo que a Igreja é um grande corpo, em que há muitos membros, cada um com a sua

função. O que mais importa, no entanto, é que cada membro faça bem a própria função para que o corpo esteja sadio. “Mas tem uma cabeça, que é Cristo. Coragem! E que cada um no seu canto, tenha sempre essa visão do grande conjunto”.

Ação Pastoral e Iniciação à Vida Cristã

Segundo padre Tarcísio Mesquita, coordenador arquidiocesano de pastoral, o objetivo do encontro foi fazer com que todos se empenhassem com essa urgência pastoral.

“Muitos colocaram o que já fazem em relação à Iniciação à Vida Cristã. As nossas sugestões foram para que os grupos se enriquecessem, colocandoas em prática dentro da atividade pastoral de cada um”. Cônego José Bizon, dire-

tor da Casa da Reconciliação, afirmou ser importante que a dimensão ecumênica esteja presente em todas pastorais. “Que o sacramento da Iniciação Cristã, prepare as crianças e os jovens para um bom relacionamento, respeito mútuo e testemunho. Assim, juntos, podemos ter uma sociedade justa, humana, fraterna e igualitária, a partir do testemunho da fé”. Messias Albano, responsável pela Missão São Paulo da Comunidade Católica Shalom, destacou que a comunidade atua em sinergia com a urgência pastoral discutida. “Trabalhamos num tripé: evangelização, formação, e oração. Levar o cristão ao encontro com ele mesmo, e descobrir como ele pode ser uma resposta para a Igreja”.


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Tráfico de homossexuais é investigado Luciney Martins/O SÃO PAULO

Reportagem teve acesso às investigações do Ministério Público, que apontam a existência de uma quadrilha na rota São Paulo-Pará Edcarlos Bispo

redaçao

Desde antes do início da Campanha da Fraternidade 2014, “Fraternidade e tráfico humano”, O SÃO PAULO tem apresentado reportagens diversas apontando depoimentos de quem sofreu com a questão do tráfico ou de pessoas diretamente ligadas a essa problemática que “coisifica” o ser humano e o faz mercadoria, como já salientou a irmã Henriqueta Cavalcanti – religiosa paraense ligada a Comissão Justiça e Paz da CNBB, que faz trabalhos de combate e enfretamento ao tráfico de pessoas – em entrevista já publicada no jornal. Recentemente, em São Paulo, foi deflagrada uma ação da Polícia Civil, no centro da cidade, que resultou no fechamento de uma ONG que servia de fachada para o aliciamento de adolescentes homossexuais, residentes no Pará para a prostituição na capital paulista. A reportagem teve acesso ao inquérito do Ministério Público (MP) que investigou, por mais de três anos, as quadrilhas que atuam na rota São Paulo/Pará e aliciam garotos para virem à capital, mudarem seu corpo – com cirurgias plásticas e de implantação de silicone –, para depois serem colocados na prostituição, sofrendo ameaças, extorsões, cárcere privado e diversos outros tipos de violência física e psicológica. “Trata-se de Procedimento Investigatório Criminal deflagrado em razão da informação de instauração de Boletim de Ocorrência registrado em Belém do Pará, com a grave notícia da existência de possível organização criminosa, atuante no eixo Belém do Pará/São Paulo, envolvida com tráfico de pessoas para fins de exploração sexual.” De acordo com o inquérito do MP e os depoimentos ouvidos, a rede aliciava os jovens no estado do Pará e fazia promessas

O jornal O SÃO PAULO

de crescimento profissional e de cirurgias plásticas. Todavia ao chegarem em São Paulo, após terem sua viagem completamente paga pelos aliciadores, os jovens se viam endividados e tendo que se submeter à prostituição e, na maioria das vezes, para suportar os programas, envolviam-se no consumo de drogas. Um dos nomes citados nas investigações é o de T. R. N. Investigada desde 2011, T. já havia deposto em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados, em 2012, sobre o tráfico humano, em que era acusada de facilitação à prostituição e rufianismo, que significa exploração para obtenção de lucro por meio da prostituição alheia. “O fato é que sabemos que vários outros travestis têm sido vítimas de traficantes da hoje conhecida rota Belém do Pará/ São Paulo, motivo pelo qual fizemos juntar aos autos, em anexo, outras investigações que dão conta de organização criminosa para idêntico fim e que também mencionam, por várias vezes, a atuação das traficantes T., M., Q. e M. (irmã de D., ora preso). Surge a suspeita de que todas estas investigações cheguem à mesma organização criminosa ou com o mesmo ‘braço criminoso’ em São Paulo.” Segundo relatos das travestis que denunciaram T., a acusada obrigava que as vítimas fizessem uma quantidade mínima de programas, além de castigá-las fisicamente. T. também seria responsável por intermediar cirurgias feitas por “bombadeiras” (pessoas que vendem serviços de aplicação clandestinas de silicone, muitas vezes utilizando silicone industrial). Quando se fala em tráfico humano, pode-se por vezes perder a concepção de como este crime retira a dignidade das pessoas e tem uma rede muito extensa, que se vale de agressões, físicas, psicológicas e de torturas. No caso da investigação sobre o tráfico de pessoas para a prostituição, a rede possuia o contato com um médico cirurgião plástico que executava as intervenções. Dentro da investigação, talvez o que mais impressione é o fato de, mesmo após as dezenas de provas, muitos dos travestis tinham medo de realizar denúncias contra os acusados, pois temiam que seus familiares sofressem retaliações e corressem risco de morte.

está de cara nova

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DOMINGO DE RAMOS

Quem sou eu diante de Cristo? News VA

Em homilia improvisada, papa Francisco pede a fiéis que iniciem a Semana Santa com profunda meditação pessoal

Semana Santa

FILIPE DOMINGUES

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Movido por um intenso clima de oração na praça de São Pedro, o papa Francisco deixou de lado a homilia preparada para a missa do Domingo de Ramos e improvisou uma mensagem a seu próprio estilo. “Diante do mistério da morte e da ressurreição de Jesus, será bom nos fazermos só uma pergunta: Quem sou eu? Quem sou eu diante do meu Senhor?” Falando para cerca de 100 mil pessoas, segundo a rádio Vaticano, Francisco refletiu sobre o Evangelho com mais perguntas do que respostas. O Papa convidou os fiéis a iniciarem a Semana

Mundial da Juventude em âmbito diocesano, evento instituído por João Paulo 2º. No Vaticano, além dos grupos da Diocese de Roma, jovens brasileiros compareceram para passar aos poloneses a cruz e o ícone mariano que representam as JMJs. O próximo encontro internacional será justamente na Polônia, em 2016.

Santa com uma profunda meditação pessoal. “Com qual destas pessoas me pareço mais?” Seria Judas, que beijou Jesus, fingindo amálo, mas o traiu? Ou Pilatos, que lavou as mãos e não assumiu responsabilidade? Ou a multidão que humilhou Jesus? “Sou eu como aquelas mulheres co-

rajosas, como a mãe de Jesus, que estavam ali e sofriam em silêncio?” A proposta tem a ver com o “jeito Francisco” de rezar. Trata-se de um tipo de meditação muito usado nos retiros espirituais dos sacerdotes jesuítas, congregação da qual o Papa faz parte.

João Paulo 2º

Outros detalhes chamaram a atenção. O Pontífice entrou usando uma capa vermelha que foi de João Paulo 2º, uma aparente homenagem ao papa polonês que será canonizado em 27 de abril (com o papa italiano João 23). Também porque no Domingo de Ramos se celebra a Jornada

Além das celebrações tradicionais, a semana do Papa terá novidades. A primeira é a meditação da Via-Sacra, que, neste ano, será sobre a crise econômica, o problema da imigração e a opressão dos jovens. A pedido de Francisco, os textos foram escritos pelo arcebispo italiano dom Giancarlo Bregantini, de Campobasso. Outra novidade é o local da Missa do Lava-pés, na quinta-feira. Até dois anos atrás, a cerimônia costumava ser na catedral de Roma, a Basílica São João de Latrão, mas Francisco saiu da rotina já no ano passado, quando celebrou em um centro de detenção para jovens. Desta vez, vai ao encontro de pessoas com deficiência.

Igreja pelo mundo

Destaques das Agências Internacionais Católicas Padre michelino roberto diretor do o são paulo

Vaticano

O Papa: Tráfico de seres humanos é “ferida no corpo da humanidade contemporânea”

As declarações feitas pelo papa Francisco na quinta-feira, 10, durante o encontro com os participantes da Segunda Conferência Internacional sobre o Combate ao Tráfico de Seres Humanos, resumem seus objetivos e motivações. “Este encontro é um gesto da Igreja, um gesto das pessoas de boa vontade, que querem gritar ‘basta’! O tráfico de seres humanos é uma chaga! – Uma chaga! – no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo! É um delito contra a humanidade. O fato de nos encontrarmos aqui, para unir os nossos esforços, significa que queremos que as estratégias e competências sejam acompanhadas e reforçadas pela compaixão evangélica, pela proximidade aos homens e mulheres vítimas deste crime”. reiterou Papa Francisco.

Fonte: Asia News

BRASIL

Divulgação

“O Filho de Deus” estreia nos cinemas

Para o dia 17 de abril, por ocasião da Semana Santa, está prevista a estreia nos cinemas brasileiros do filme “O Filho de Deus” que relata a vida de Jesus desde seu nascimento até sua ascensão aos Céus. Em 138 minutos, o filme percorre numerosas passagens da vida de Jesus, como a cura de um paralítico, o chamado de São Mateus, a pregação das Bem-aventuranças, a confissão de Pedro, a ressurreição de Lázaro, a oração do Senhor no Templo e outros. Relata a Paixão e Morte com

BRUXELAS

“Um de nós” no Parlamento Europeu

Em 10 de abril, foi apresentada, no Parlamento Europeu, em audição pública, a petição “Um de nós”, que conseguiu mais de 1milhão e 700 mil assinaturas a favor da vida humana em todas as suas fases. A iniciativa reuniu cidadãos de 19 países, e pede que a União Europeia

cenas da entrada triunfal em Jerusalém, a traição de Judas, a Última Ceia, a oração no Getsêmani, a negação de Pedro, a apresentação ante Pôncio Pilatos, a flagelação, a coroação de espinhos e o caminho para proíba o financiamento de atividades que impliquem a destruição de embriões humanos, em particular, nas áreas da pesquisa médica e da saúde pública. A petição “Um de nós” foi promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa, com o apoio do papa Francisco. Tem por objetivo promover uma cultura da vida na Europa, em que cada pessoa humana é co-

o Calvário, com a crucifixão e morte (e destruição do Templo). Também a Ressurreição e Ascensão do Cristo ao Céu são retratadas na obra. O sucesso de uma minissérie sobre a Bíblia, transmitida pelo History Channel (100 milhões de espectadores!), motivou a realização do filme, dirigido por Christopher Spencer, que escreveu o roteiro junto com Richard Bedser, Colin Swash e Nic Young. “O Filho de Deus” chega ao Brasil através da distribuidora “Diamond Filmes Brasil”, uma das maiores da América Latina. Fonte:ACI/EWTN

locada no centro, com sua incomparável dignidade. Fonte: Ecclesia

Tanzânia

Violências contra cristãos derivam do extremismo religioso

“Extremistas muçulmanos gostariam de eliminar os cristãos da sociedade por pensarem que a única religião na Tanzânia deve ser a islâmica”, denuncia

dom Tarcisius Ngalalekumwta, bispo de Iringa e presidente da Conferência Episcopal da Tanzânia, que se encontra em Roma para a visita Ad Limina Apostolorum. Os bispos da Tanzânia já denunciaram em outras ocasiões as clamorosas violências e intimidações contra os cristãos na África. As tensões mais graves ocorreram na ilha de Zanzibar, onde se verificaram nos últimos anos violentíssimos ataques a sacerdotes e a locais de culto cristão. de Zanzibar. Segundo dom Augustine Shao, bispo de Zanzibar, “os ataques a cristãos derivam de uma mistura de motivações políticas, religiosas ou simplesmente criminosas. Como cristãos e muçulmanos, vivemos juntos pacificamente por centenas de anos, tanto é verdade que matrimônios mistos não são incomuns. (...) A atual onda de ataques deve ter motivos recentes, que podem ser econômicos, políticos ou religiosos, causados pela difusão de pregações extremistas que provêm do exterior”. Fonte: Fides


12 | Geral |

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Também nós, com ramos, entram Na manhã do domingo, 13, o cardeal Odilo Pedro Scherer deu início ao rito da bênção e da procissão de Ramos no Marco Zero da cidade, que antecedeu a missa, na Catedral da Sé. Na homilia, o Arcebispo enfatizou que o Domingo de Ramos dá início à celebração da Páscoa, que marca a passagem da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Dom Odilo lembrou que os ramos não são objetos sagrados, mas sinais da adesão a Jesus Cristo; e que nesta semana todos devem se preparar para celebrar a alegria da Páscoa, em que Deus presenteia o mundo com seu filho. O Cardeal apontou, ainda, que a Paixão de Cristo continua ainda hoje em todas as pessoas que sofrem desprezo, humilhação, condenação injusta, discriminação e que são exploradas em sua dignidade.

brasilândia

São Carlos Borromeu

Nossa Senhora Aparecida

Regina/Paróquia São Paulo Apóstolo

Padre Sylas

Fábio Parpinelli

belém

São Paulo Apóstolo

imaculado coração de maria

Lapa

são judas tadeu

nossa senhora das mercês

Sagrado Coração de Jesus

Sônia Bessornia

Nossa Senhora de Fátima

Nossa Senhora do Carmo

Oswaldo Araújo

Sé Marina Quintal

santana

Santuário Nossa senhora da Salette

Padre Luiz Cláudio

santa paulina

Cidinha Panhoca

Paróquia Santa Paulina

Luana Oliveira

Ipiranga

santo antônio


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mos em Jerusalém

CELEBRAÇÕES COM OS BISPOS

Luciney Martins/O SÃO PAULO

CARDEAL ODILO PEDRO SCHERER Quinta-feira Santa Sexta-feira Santa 9h – Missa do Crisma e da Reno- 15h – Celebração da Paixão e vação das Promessas Sacerdotais, Morte de Jesus, na Catedral da Sé. na Catedral da Sé. Sábado Santo 19h – Missa da Ceia do Senhor e 19h – Solene Vigília Pascal, na CaInstituição da Eucaristia, na Cate- tedral da Sé. dral da Sé. Domingo de Páscoa 11h – Missa da Páscoa, na Catedral da Sé. CARDEAL CLÁUDIO HUMMES Quinta-feira Santa 18h – Missa da Ceia do Senhor e Lavapés, na Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte (rua do Carmo, 202, Sé). Sexta-feira Santa 15h – Celebração da Paixão e Morte de Jesus, na Paróquia São Francisco de Assis (largo São Francisco, 133, Sé).

são josé

João César

Paulo José

Nossa senhora mãe e rainha

São Francisco de Assis

Padre Daniel Francis

Anderson Braz

Paróquia Imaculado Coração de Maria

DOM EDMAR PERON Quinta-feira Santa 21h – Missa da Ceia do Senhor e Lavapés, na Paróquia Santa Bernadete, Setor Vila Alpina (avenida do Oratório, 4.246, Vila IVG). Sexta-feira Santa 15h – Celebração da Paixão e Morte de Jesus, na Paróquia Santa Bernadete, Setor Vila Alpina.

Angela Santos

São josé

Sábado Santo 19h – Vigília de Páscoa e Missa da Ressurreição, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil (praça Nossa Senhora do Brasil, s/nº, Jardim Paulista). Domingo de Páscoa 9h – Missa da Páscoa, na Catedral da Sé (praça da Sé).

Sábado Santo 9h – Laudes e ritos batismais, na Paróquia Santa Bernadete, Setor Vila Alpina. 23h – Vigília Pascal, na Paróquia Santa Bernadete, Setor Vila Alpina. Domingo de Páscoa 9h – Missa da Páscoa, na Paróquia Jesus Ressuscitado, Setor Conquista (rua Plutão, 61, Jardim Santa Bárbara).

DOM SERGIO DE DEUS BORGES Quinta-feira Santa 21h – Missa da Ceia do Senhor, na Paróquia Sant’Ana (rua Voluntários da Pátria, 2.060, Santana). Sexta-feira Santa 8h às 13h – Confissões na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (avenida Imirim, 1.382, Imirim). 15h - Celebração da Paixão e Morte de Jesus, na Paróquia Sant´Ana, seguida de procissão (18h).

Sábado Santo 19h – Vigília Pascal, na Paróquia Santa Zita (rua Padre Saboia de Medeiro, 827, Vila Maria Alta). Domingo de Páscoa 10h30 – Missa da Páscoa, na Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres (avenida General Ataliba Leonel 3.013, Tucuruvi).

DOM TARCÍSIO SCARAMUSSA Quinta-feira Santa 20h – Missa da Ceia do Senhor e Lavapés, na Paróquia Divino Espírito Santo (rua Frei Caneca, 1.047, na Bela Vista). Sexta-feira Santa 15h - Celebração da Paixão e Morte de Jesus, na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte (rua do Carmo, 202, centro).

Sábado Santo 19h – Vigília Pascal, na Paróquia Nossa Senhora da Boa Morte Domingo de Páscoa 10h – Missa da Páscoa, na Paróquia Senhor Bom Jesus dos Passos (praça Portugal, 20, Vila Guilhermina).

DOM JULIO ENDI AKAMINE Quinta-feira Santa 20h – Missa da Ceia do Senhor e Lavapés, na Paróquia São Francisco (avenida General Mac Arthur, nº 1.130, Jaguaré). Sexta-feira Santa 15h - Celebração da Paixão e Morte de Jesus, na Paróquia São José (rua José Vicente Ramos, 82, Jardim Monte Alegre), com procissão (19h).

Sábado Santo 19h – Vigília Pascal, na Paróquia São José. Domingo de Páscoa 8h – Missa da Páscoa, na Paróquia São José. 11h – Missa da Páscoa, na Comunidade Missão Eucarística Voz dos Pobres (Rua Guaraúna, 157, Rio Pequeno).

Santa Francisca Xavier Cabrini

Sandra Castanhato

DOM MILTON KENAN JÚNIOR Diego Monteiro

aria

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Mosteiro da Luz

Quinta-feira Santa 20h – Missa da Ceia do Senhor e Lavapés, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida (praça 25 de Novembro, 53, na Vila Zatt). Sexta-feira Santa 15h - Celebração da Paixão e Morte de Jesus, na Paróquia São Luis Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Morvidi, nº 1, Vila Pereira Barreto). 19h – Presença na encenação da Paixão de Cristo, no supermercado Atacadão, em Taipas.

Sábado Santo 19h – Vigília Pascal, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Vila Zatt. Domingo de Páscoa 6h – Missa da Páscoa, na Praça do Cruzeiro, na Freguesia do Ó, com as paróquias Mãe de Deus e São José da Vila Palmeira.


14 | Região Ipiranga |

15 a 22 de abril de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br Maristela Macedo

Curso prepara 450 novos Ministros da Eucaristia Atividade acontece no Centro Universitário São Camilo, no Ipiranga, com conteúdo formativo e momentos de oração Da Região Episcopal

Neste ano, 450 leigos e leigas da Região EpiscoIPIRANGA pal Ipiranga se preparam para receber a investidura como Ministros Extraordinários da Santa Comunhão (MESC). O curso acontece no auditório do Centro Universitário São Camilo, no Ipiranga. Além do conteúdo formativo, a programação inclui momentos de oração e comunhão. Participa também um grupo de animadores da Pastoral da Saúde, sinalizando o crescimento da unidade

entre as pastorais na Região. O diácono Anivaldo Blasques, um dos organizadores, define o curso como uma oportunidade para o aprofundamento pessoal e eclesial dos futuros ministros. Os coordenadores dos MESC de cada setor pastoral da Região trabalham para que tudo aconteça em um ambiente acolhedor e com bom conteúdo, da escolha dos assessores ao datashow, do crachá ao cafezinho. O objetivo é ajudar os novos ministros a atuar no 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese.

Jovens celebram o Dia Mundial da Juventude Da Região Episcopal

Mais de 200 jovens, dos cinco setores da Região Episcopal Ipiranga, reuniram-se no sábado, 12, na Paróquia Nossa Senhora do Sião, para celebrar o Dia Mundial da Juventude. A partir do tema proposto pelo papa

O primeiro encontro teve como conteúdo a urgência da Ação Evangelizadora para 2014, “Igreja: Casa da Iniciação á Vida Cristã”. Durante a apresentação, o padre Pedro Luís Amorim, da Paróquia Santa Paulina de Heliópolis, fez um itinerário da Sacrosactum Concilium ao texto da Arquidiocese com as “Sugestões Pastorais para a Implementação da Iniciação à Vida Cristã”. O segundo encontro foi conduzido pelo padre Ricardo Antonio Pinto, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Vila Arapuá e as-

sistente dos MESC da Região. O assunto foi ministerialidade eclesial, levando os participantes a descobrir que o “rosto” do ministro é o “rosto” de quem se dispõe a servir por amor nos desafios da cidade. A irmã Helena Corazza, da Congregação das Paulinas, assessorou a formação seguinte desenvolvendo o tema “O MESC e a comunicação da Palavra”, com conteúdo teórico e prático. Os encontros continuam em abril e maio, com assessoria da irmã Veronice Fernandes, do Apostolado Litúrgi-

co, falando sobre o “Domingo: Páscoa semanal” e o padre Jorge Bernardes, da Paróquia Santa Rita de Cássia, de Mirandópolis, que aprofundará aspectos práticos da visita aos enfermos e celebração de Exéquias. A oração introdutória do primeiro dia enfatizou o sentido do curso. A simbologia do ofertório fez com que os participantes de cada setor se colocassem como cálices e patenas vazias para acolher o vinho e o pão oferecidos como dons pelos outros setores.

Francisco, “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino do céu” (Mt 5,3), dom Tarcísio Scaramussa, sdb, bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial para o Setor Juventude, expôs conteúdos para reflexões dos jovens. Em seguida, padre Messias de Moraes, da Pastoral Vocacional, apresentou testemunhos de vida: padre, religiosa, missionária, jovem, casal e um vocacionado. No final da Noite

de Oração, com velas acesas, os jovens fizeram sua profissão de fé e dom Tarcísio animou um momento de exposição e adoração eucarística. A Noite de Oração foi animada pelos jovens da Paróquia São Vicente de Paulo, pertencentes ao Movimento Juvenil Dominicano, que entoaram refrãos contemplativos de Taizé. No final, o coordenador do Setor Juventude da Região, Nei Márcio de Sá, agradeceu

ao pároco, padre Celso Torres, aos envolvidos na organização e a todos, convocando-os a participar, com entusiasmo, nas várias celebrações da Semana Santa. Além dos jovens das muitas paróquias da Região, participaram vários padres, incluindo o vigário episcopal da Região, padre Anísio Hilário, religiosas, seminaristas e leigos adultos, que colaboram na evangelização da juventude.


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Clero participa de celebração penitencial Dom Julio Endi Akamine conduziu atividade, realizada na Paróquia São Francisco de Assis, no Jaguaré, na zona oeste

tiveram um tempo para as confissões individuais e depois retornaram para o encerramento da celebração. Alguns avisos importantes foram dados, em especial sobre a Missa do Crisma e da renovação das promessas sacerdotais, na Catedral, na quinta-feira, dia 17; e o retiro que os padres realizarão

nos dias 26 a 30 de maio. Padre Roberto Grandmaison, csc, da Paróquia São José do Jaguaré, falou sobre a proliferação da dengue na Região Lapa, que segundo ele já atingiu proporção de epidemia e por isso exige ações emergenciais de combate ao mosquito transmissor. Além da preocu-

pação e alerta para os casos de reincidência da doença em sua forma mais grave, chamada de hemorrágica e da possibilidade de o mosquito ter sofrido uma mutação e agora ser também agente de transmissão de uma doença mais grave que a dengue e que ainda é desconhecida no meio médico. Também en-

tregou a todos um cartaz com informações importantes de prevenção e combate à doença. Depois dos avisos, todos rezaram juntos a liturgia das horas, o ofício do meio-dia. No final da celebração todos foram convidados para o almoço preparado pela comunidade paroquial. Antonio Francisco Ribeiro

Padre Antonio Francisco Ribeiro COLABORADOR DA COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

Aconteceu na sexta-feira, 11, na Paróquia São LAPA Francisco de Assis no Jaguaré, a celebração penitencial com todo clero da Região Episcopal Lapa. Acolhidos pelo pároco, padre Flávio Hellyngton, todos os padres participaram de um momento de confraternização no salão paroquial. Às 10h30, na igreja matriz, dom Julio Endi Akamine iniciou a celebração penitencial motivando todos a um verdadeiro e alegre encontro com o Senhor. Na primeira parte da celebração, dom Julio convidou os padres a fazerem um exame de consciência, com alguns questionamentos: “Dedicamos momentos ao encontro com Deus? Escutamos com paciência quem nos procura? Estamos atentos às realidades de nosso tempo e às mensagens do Papa Francisco? Participamos das celebrações da Liturgia, sobretudo a Eucarístia, com entusiasmo e com uma consciência plena do encontro com o Senhor, em comunhão com os irmãos?” Depois da leitura do Evangelho de Jo 10, 31-42, passagem em que os judeus queriam apedrejar Jesus, dom Julio refletiu sobre a importância do sacramento da Penitência, dizendo que o padre além de ser o ministro do sacramento também é um penitente que se beneficia dele: “Hoje estamos aqui, porque tudo isso que pudemos experimentar em relação aos penitentes, queremos também que se realize em nós. O que vivenciamos como ministros, nós desejamos ardentemente que aconteça em nós como penitentes. Desejamos que o perdão do Pai possa nos curar por meio do nosso encontro com Cristo bom pastor. Por isso, nós, como ministros desse sacramento, experimentamos, nós mesmos, este encontro sacramental, e com isso nos tornamos ainda mais disponíveis em oferecer esse serviço humilde, árduo, paciente e alegre aos nossos fiéis” Após a homilia, os padres

Durante celebração penitencial, dom Julio Endi Akamine convida padres a exame de consciência sobre encontro com Deus e escuta aos fiéis que os procuram palavra do bispo

O que os padres vivenciam como ministros, devem desejar como penitentes Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Querido leitor do jornal O SÃO PAULO, nos dias de hoje é preciso reconhecer as dificuldades atuais no exercício do ministério da penitência. Creio que as dificuldades são conhecidas: uma certa perda do sentido do pecado, certa antipatia para com este sacramento, uma presumida falta de utilidade no confessar-se (muitos acham que se não se está em pecado grave não é preciso se preocupar), enfim, o cansaço espiritual dos ministros, ocupados com tantas atividades. Mas a confissão é sempre um renascimento espiritual que transforma o penitente em uma nova criatura e estreita sempre mais sua ami-

zade com Cristo. Através desse serviço humilde, árduo, paciente e alegre das confissões, o clero tem a oportunidade de constatar que a Igreja não somente anuncia a conversão e o perdão, mas ela é real e misteriosamente o sinal portador da reconciliação com Deus e com os irmãos. A misericórdia de Deus, o seu perdão, a reconciliação e a paz de Deus não é somente uma ideia bonita, uma teoria consoladora. A misericórdia de Deus é realidade e mistério na vida dos cristãos. E tal realidade misteriosa se torna palpável, concreta, atuante e sacramental através da ação eclesial (da ação dos ministros ordenados) de perdoar e de absolver os pecados e o Senhor Jesus continua pronunciando suas palavras de perdão através das palavras (eu te absolvo). Os gestos e as palavras do ministro são um meio para

agenda regional

que se realize um verdadeiro milagre da graça, ao ouvir as confissões mais uma vez o sacerdote é confrontado com a eficácia da ação de Deus no coração dos penitentes. Quando se toma consciência da eficácia da ação de Deus, os fieis são encorajados a se aproximarem do sacramento da penitência. A ação do ministro é ação de Deus em favor dos fiéis: o sacerdote cumpre o ministério de bom pastor, que busca a ovelha perdida; do bom samaritano, que cura as feridas; do Pai, que espera o filho pródigo e o acolhe ao voltar; do justo juiz, que não faz acepção de pessoas e cujo julgamento é justo e misericordioso ao mesmo tempo. Em suma, o sacerdote é o sinal e o instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador. Pelo fato de agir em nome de Cristo bom pastor, o ministro sente a urgência de

conhecer e discernir as doenças espirituais e de fazer-se próximo do penitente, de ser fiel ao ensinamento do magistério sobre a moral e a perfeição cristã, de viver uma autêntica vida de oração, de adotar uma postura prudente na escuta e nas perguntas, de ser disponível a quem pede o sacramento oportunamente e de seguir as moções do Espírito Santo. O que os padres vivenciam como ministros, devem desejar ardentemente para si na qualidade de penitentes. Desejar que o perdão do Pai possa curar através do encontro pessoal com Cristo bom pastor. Por isso, os ministros desse sacramento também experimentam essa graça no encontro sacramental da Penitência, pela confissão, tornamse ainda mais disponíveis em oferecer este serviço humilde, árduo, paciente e alegre a todos os fiéis.

Quinta-feira (17), 20h

Domingo (20), 11h

Missa na Paróquia São Francisco de Assis, com o padre Flávio da Silva (avenida Mac Arthur, 1.130, no Jaguaré ).

Missa de Páscoa na Comunidade Missão Eucarística Voz dos Pobres (rua Guajaraúna, 157, no Rio Pequeno), com a presença do bispo dom Julio Endi Akamine.


16 | Região Santana |

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Conselho de Pastoral reflete Iniciação Cristã Diácono Francisco Gonçalves/Pascom

Lideranças estudaram documento “Sugestões pastorais para a implementação da Iniciação à Vida Cristã” da Arquidiocese Diácono Francisco Gonçalves Colaborador de comunicação da Região

Os membros do Conselho Regional de Pastoral SANTANA (CRP) se reuniram, dia 5, na Cúria, com dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana, e padre João Luiz Miqueletti, coordenador regional de pastoral, para refletirem sobre o documento “Sugestões pastorais para a implementação da Iniciação Cristã”, da Arquidiocese de São Paulo. Durante o encontro, dom Sergio chamou atenção para o fato de que atualmente, cresce o número de jovens e adultos não batizados. E mesmo entre aqueles que receberam o Batismo, é grande a quantidade de pessoas que nunca completam a sua Iniciação Cristã. Segundo o Bispo Auxiliar, o último censo aponta para um declínio de católicos, hoje estimados em 60% da população. Diante desse quadro, o Bispo lembrou o Documento de Aparecida que propõe que o processo catequético de formação adotado pela Igreja para a Iniciação Cristã seja assumido. Depois, virá a Catequese permanente que continua o processo de amadurecimento da fé, na qual se deve incorporar um discernimento vocacional e a iluminação para projetos pessoais de vida. “Precisamos que cada comunidade se transforme num poderoso centro de irradiação da vida de Cristo. Que Deus nos livre da desilusão, do cansaço, da acomodação ao ambiente; que renove nossa alegria e nossa esperança”, disse dom Sergio. Padre João Luiz reforçou agenda regional

Conselho Regional de Pastoral (CRP) reflete com dom Sergio Borges o documento “Sugestões pastorais para a implementação da Iniciação à Vida Cristã”

que é uma urgência para toda a Igreja a implantação da Iniciação à Vida Cristã e depois a Catequese permanente para um processo de amadurecimento da fé. “Como dizia Tertuliano, os cristãos não nascem, se fazem. Daí ser preciso um pro-

cesso de formação para se tornar cristão. Jesus formou seus discípulos devagar, convivendo, aprendendo, indo em missão”, disse padre João Luiz. Padre João Luiz informou que o próximo CRP será dia 7 de junho, e forneceu o seguinte

questionário para ser devolvido com respostas, até dia 30: Os agentes das suas pastorais estão de fato evangelizados?; O que poderíamos fazer para o crescimento da fé de nossos agentes?; Estamos levando as pessoas que são destinatárias

das pastorais, para Cristo, estamos sendo mistagógicos?; Como contribuirmos para a formação?; Qual formação é necessária?; Como transformar nossas pastorais para que sejam mais evangelizadoras?

instituição do sacerdócio e do sacramento da Eucaristia. A Sexta-Feira Santa está centrada no mistério da paixão, dia de jejum e de penitência, completamente orientado para a contemplação de Cristo na Cruz. No Sábado Santo, a Igreja, unindo-se espiritualmente a Maria, permanece em oração junto do sepulcro, onde o corpo do Filho de Deus jaz inerte como numa condição de repouso depois da obra da criadora da redenção, realizada com Sua morte. À noite, deste dia, iniciará a solene Vigília Pascal, durante a qual em todas as Igrejas o cântico jubiloso do Glória e do Aleluia pascal se elevará do coração dos novos batizados e

de toda a comunidade cristã, feliz porque Cristo ressuscitou e venceu a morte. Participando atentamente do Tríduo Pascal vemos como o mal não tem a última palavra, porque quem vence é Cristo crucificado e ressuscitado e o Seu triunfo manifesta-se com a força do amor misericordioso. A sua ressurreição dá-nos esta certeza: apesar da obscuridade que vem do mundo, o mal não tem a última palavra. Amparados por esta certeza poderemos comprometer-nos com mais coragem e entusiasmo para que nasça um mundo mais justo. (este artigo é uma síntese da alocução do Papa Bento 16 do dia 12 de abril de 2006).

palavra do bispo

O centro do ano litúrgico Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

O Tríduo Pascal é o centro de todo o ano litúrgico. Ajudados pelos ritos sagradas de Quinta-Feira Santa, da Sexta-feira Santa e da solene Vigília Pascal, reviveremos o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Esses são dias adequados para despertar em nós um desejo mais profundo de aderir a Cristo e de seguí-lo generosamente, conscientes que Ele nos amou a ponto de dar a sua vida por nós. De fato, o que são os

acontecimentos que o Tríduo santo nos propõe, a não ser a manifestação sublime deste amor de Deus pelo homem? Portanto, preparemo-nos para celebrar o Tríduo Pascal acolhendo a exortação de Santo Agostinho: ‘Considera agora atentamente os três dias santos da crucifixão, da sepultura e da ressurreição do Senhor. Destes três mistérios realizamos na vida presente aquilo de que a Cruz é símbolo, enquanto cumprimos através da fé e da esperança aquilo que a sepultura e a ressurreição simbolizam’ (Carta 55, 14,24). O Tríduo Pascal começa na Quinta-Feira Santa, com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, onde celebramos a

Quinta-Feira (17), 20h

Sexta-Feira (18)

Sábado (19), 20h

Domingo (20), 10h30

Ceia do Senhor - Paróquia Sant’Ana (rua Voluntários da Pátria, 2060).

8h às 13h – Confissões na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (avenida Imirim, 1382). . 15h - Celebração da Paixão: Paróquia Sant’Ana. 18h - Procissão: Paróquia Sant’Ana.

Vigília Pascal: Paróquia Santa Zita (rua Padre Sabóia de Medeiros, 827).

Missa - Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres (avenida General Ataliba Leonel 3.013).


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Paróquia é referência para os migrantes Igreja na região central acolhe e oferece apoio àqueles que chegam ao Brasil em busca de uma vida nova Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

A Paróquia Nossa Senhora da Paz é uma refeSÉ rência para os imigrantes que chegam a São Paulo. Fundada em 1940, por imigrantes italianos, a igreja localizada no centro da capital acolhe e promove a mediação de oportunidades para os milhares de latinoamericanos, africanos, haitianos e asiáticos que chegam ao Brasil. Mantida pelos Missionários de São Carlos Borromeu (Scalabrinianos), a paróquia foi voltada para os italianos. A partir de 1970, tanto a paróquia quanto a congregação começaram a abrir o olhar para os imigrantes vindos de outras partes do mundo. “Esta é uma paróquia marcada por ter uma atenção especial para a situação da mobilidade humana”, destacou o pároco, padre Antenor João Dalla Vecchia. Além da paróquia territorial, a Igreja Nossa Senhora da Paz sedia duas paróquias pessoais, a Latino-Americana e a Italiana, que assumem uma responsabilidade pastoral por todos aqueles que falam essas respectivas línguas. “E agora, começa a surgir, quem sabe, uma quarta paróquia pessoal voltada para aqueles que falam língua francesa. Já temos até uma missa em francês todos os meses”, informou o Pároco. A Paróquia também possui a Missão Paz, que desenvolve trabalhos sociais voltados aos migrantes. Entre os eixos de trabalho desenvolvidos pela Missão, existe a mediação para encaminhamento ao trabalho entre aqueles que buscam um emprego e as várias empresas conveniadas que procuram mão de obra. “Em cada dia de atendimento, passam cem pessoas, em média, por aqui”, explicou a assistente administrativa Cláudia Neto. Outro eixo da educação e mediação para cursos, que tem parcerias com 35 escolas e 150 cursos cadastrados. Também são oferecidas palestras sobre os direitos do trabalhador, com o objetivo de evitar explora-

ções e até mesmo o trabalho escravo. Ainda para combater a escravização, realidade que tem crescido, sobretudo com os imigrantes latino-americanos no mercado da costura, a Missão Paz busca parcerias com entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que possui um projeto de criação de microempreendedores individuais na área de corte e costura. “Isso ajudaria aqueles

que saem da situação de escravidão a terem uma melhor condição de vida”, explicou a mediadora Carolina Staggemeier. Luís Villaverde Torres tem 71 anos e veio de Assunção, Paraguai, há 40 anos. Aposentado, hoje, ele atua como voluntário na Missão Paz, acolhendo as pessoas que chegam ao centro de pastoral. “Eu me sinto muito bem aqui porque ajudo as pessoas nesse primeiro contato que é muito difícil”, disse.

A Missão Paz também oferece assistência social e jurídica e auxilia na emissão de documentos. A Casa do Migrante acolhe por um período aquele que chega à cidade e precisa se estabilizar e regularizar sua situação. As missas em diferentes idiomas acontecem uma vez por mês. A celebração em língua italiana é sempre no primeiro domingo, às 11h; no terceiro domingo, 11h, acontece a

celebração em francês; e no último domingo, às 12h, a missa é sempre em espanhol. O trabalho com a comunidade latino-americana tem se expandido para várias paróquias da Grande São Paulo, que têm aberto suas portas aos povos de língua espanhola. “Nossa preocupação não é reunir todos aqui, mas que, aos poucos, os imigrantes se integrem às comunidades ondem vivem”, destacou padre Antenor. Paróquia Nossa Senhora da Paz

Paróquia Nossa Senhora da Paz acolhe e dá espaço para manifestações culturais dos povos migrantes latino-americanos, africanos, haitianos e asiáticos

palavra do bispo

Cristo Ressuscitou! Alegria no Senhor! Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

A alegria do Evangelho transparece no brilho do testemunho do batizado, pois foi transformado pela graça de Cristo. Como diz o papa Francisco, não viverá mais uma “Quaresma sem Páscoa”, nem terá constantemente uma “cara de funeral”! Viverá na alegria de quem foi libertado por Cristo, pois “é para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Ser alcançado por Cristo Ressuscitado é uma experiência que muda a vida de pes-

soas e de comunidades, pois Cristo realiza a antiga promessa anunciada pelos profetas: “Eis que eu farei coisas novas e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca... Este povo, eu o criei para mim e ele cantará meus louvores” (Is 43, 19.21). Essa é a missão do povo de Deus! Temos consciência que o mistério da cruz continua presente na realidade do sofrimento humano. O flagelo da escravidão, do tráfico de pessoas e de órgãos é uma cruz pesada nas costas de muitos irmãos. É a Ressurreição de Cristo que acende uma luz nesta escuridão, porque é a

vitória da vida sobre a morte, é a libertação para uma vida nova. “Pelo Batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova” (Rm 6,4), e lutemos pela libertação de nossos irmãos e irmãs. A Páscoa nos faz contemplar a realidade da vida vencendo a morte, com o mesmo olhar dos apóstolos que foram ao sepulcro e testemunharam: Ele não está aqui. Ressuscitou” (Lc 24,6). Por isso, é possível alegrar-se! Ainda que o anúncio da Páscoa não tire todo o sofrimento do mundo, que nos deparemos ainda com tantos

sofrimentos, com situações de escravidão, com os problemas de sempre. Alegremo-nos, pois Cristo já inaugurou a nova vida. A vida nova do Ressuscitado é a certeza da vitória sobre a dor, a escravidão, a morte. Pois, como em Adão, todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão (1Cor 15,2). Esteja sobre nós a graça da Páscoa: “O Deus todo-poderoso, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo e nos concedeu o perdão de todo pecado, guarde-nos em sua graça para a vida eterna, no Cristo Jesus, nosso Senhor”. Feliz Páscoa!


18 | Região Brsilândia |

15 a 22 de abril de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Setor Nova Esperança celebra Vigília da Juventude Em preparação para a Semana Santa, jovens de quatro paróquias se reúnem para rezar e meditar a Paixão de Cristo vitória camargo

Colaboradora de Comunicação da Região

Na noite do sábado, 12, aconteceu na Paróquia Santo Antônio, na BRASILÂNDIA Vila Brasilândia, uma vigília de oração em preparação para a semana santa. O momento de espiritualidade reuniu os grupos de jovens das paróquias Nossa Senhora do Carmo, São Judas Tadeu, Santa Rita de Cássia e Santo Antônio. O encontro foi marcado por música, oração e a alegria dos jovens. Em sua fala inicial, dom Milton Kenan Júnior, vigário geral da Região Brasilândia, após expressar sua alegria

“Eu só tenho a agradecer todo o Setor Nova Esperança, todos os jovens que participaram porque para mim foi muito gratificante!”

Thaila Larissa Leite do Nacimento, Paróquia Santa Rita de Cássia

“Foi muito especial esse encontro para mim. Saiu tudo como esperado, foi algo muito gratificante para todos nós. Sentimos que esse encontro foi apenas o início de uma Jornada que não acabará tão cedo, pois ainda há muito pela frente”.

Felipe Valin, Paróquia Santo Antônio

“É sempre muito bom receber os jovens, acolhêlos em nosso setor. Este acolhimento é também uma forma de dizer a eles da sua importância e o seu protagonismo junto á Igreja.”

Padre Marcos Câmara, pároco da Paróquia Santo Antônio

agenda regional

Sexta-feira (18), 19h Encenação da Paixão de Cristo, no estacionamento do supermercado Atacadão (avenida Elísio Teixeira Leite, nº 7.173). Outras informações em (11) 3924-0020.

Ana Claudia Ferreira

por reunir-se com a juventude, fez menção à reflexão do papa Francisco sobre “as bem-aventuranças” por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, em 2013. “O Papa Francisco diz: as bem aventuranças são uma proposta, ou melhor, um caminho de felicidade. Jesus, nas bem aventuranças, nos mostra o que devemos fazer para que possamos ser felizes”, lembrou dom Milton.

Hospital da Brasilândia é tema de debate da região episcopal

Nossa Senhora, luzes e cores

A presença de Maria na vigília aconteceu por meio da reza dos mistérios luminosos do Rosário. Cada mistério foi iluminado pelas chamas de velas de diferentes cores, cada qual simbolizando um dos continentes: verde, a África; Amarelo, a Ásia; Azul, a Oceania; Branco, a Europa; e Vermelho as Américas. A Adoração ao Santíssimo Sacramento marcou o final da Vigília.

Adoração ao Santíssimo encerra a noite de Vigília Jovem na Brasilândia

Na noite da quarta-feira, 9, moradores da Vila Terezinha e conselheiros da Associação dos Moradores do Alto da Brasilândia, se reuniram com dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, para discutir a construção de um hospital, no bairro. O novo hospital é uma promessa da atual gestão municipal. Seu projeto já está pronto, porém o que vem gerando debates é o local sugerido pela Prefeitura para sua instalação: um terreno onde hoje funcionam um sacolão municipal e uma quadra de esportes. Durante a reunião, decidiu-se pela formação de um comitê especial que nos próximos dias encaminhará à Secretaria Municipal de Saúde da cidade de São Paulo, algumas propostas de locais alternativos ao proposto. A Associação dos Moradores do Alto da Brasilândia pretende incluir nas discussões o espaço para a instalação da estação do Metrô Cardoso, prevista para a mesma área.

palavra do bispo

As lições da Paixão de Jesus Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

Alguns episódios relatados por Mateus na Paixão de Jesus, proclamada, na liturgia de Ramos, neste último final de semana, (cf. Mt 27,11-66) chamaram a minha atenção. Creio que podem nos ajudar nesta semana em sintonia com o Senhor que nos amou e se entregou por nós: Em primeiro lugar, creio que será importante considerar que a Paixão e a Cruz são a chave que nos dão a possibilidade para compreender quem é Jesus de Nazaré. Qual é a sua missão? O que ele tem a dizer de tão importante aos homens e mulheres de todos os tempos? Muitos dos que o contemplam na Cruz, o desafiam dizendo: “Se és o Filho de Deus, desce da cruz!” (v.40); “A outros salvou...a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel...Desça da cruz! E acreditaremos nele” (v.42). Ora, o que isso tem a ver com a identidade e a missão de Jesus? Tem muito! Sem se dar

conta, eles declaram quem é Jesus: Jesus é aquele que “não salvou a si mesmo”, ao contrário, deixou que o tratassem como criminoso e submeteu-se a morte vergonhosa da cruz, para redimir a humanidade e abrir para os homens e as mulheres de todos os tempos o caminho do Reino: do amor que dá a vida. O exemplo de Jesus nos convida a fazer o mesmo! O nosso caminho deve ser semelhante ao dele. Enquanto queremos “salvar a nós mesmos”, fechados nosso mundo egoísta, não podemos dizer que somos discípulos de Jesus de Nazaré. O messianismo de Jesus e a sua condição divina manifestaram-se no rebaixamento, no esvaziamento, na entrega de si, na morte de Cruz, no amor que dá a vida (cf. Flp 2, 6-11). Imitando-o, podemos dizer que temos parte com Ele. Em segundo lugar, chama a nossa atenção o fato da multidão, induzida pelos sumos sacerdotes e anciãos, preferirem Barrabás, um criminoso, a Jesus. Pilatos, impressionado com a inocência de Jesus, propõe diversas vezes a possibilidade de libertá-lo por ocasião da Festa

da Páscoa que se aproximava; e, no entanto, todas as vezes que era interrogada a multidão gritava: “Barrabás!” (v.21); e quando se referia a Jesus, a multidão amotinada clamava: “Seja crucificado!” (v.22). O gesto de escolher um criminoso e rejeitar Cristo deve nos interpelar: vejamos se não fazemos o mesmo: quantas vezes continuamos a escolher Barrabás e rejeitar Jesus? Quantas vezes voltamos a gritar: “Seja crucificado!” – à Jesus de Nazaré? Nas vezes que nos omitimos, nas vezes em que pensamos mais em nós do que nos outros, nas vezes em que preferimos nos vingar a perdoar, nas vezes em que calamos nossas vozes diante das injustiças e das arbitrariedades, nas vezes em que negamos por tão pouco a nossa fé e nossa decisão de seguir o Senhor de perto. Em terceiro lugar, o grito agonizante de Jesus na Cruz parece a declaração do seu fracasso: Eli, Eli, lamá sabactâni! (Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?) (v. 46). Se consideramos humanamente o mistério da Paixão e da Cruz, o que vemos? Vemos um homem

fracassado, condenado à morte mais vergonhosa (destinada aos criminosos inveterados). Se, de fato, tudo terminasse aí, teríamos motivo para acreditar no fracasso de Jesus; mas, a confissão do oficial e dos soldados que estavam próximos dele já nos faz vislumbrar o mistério da Ressurreição: “Ele era mesmo o Filho de Deus” (v.54). Quando nos interrogamos sobre fracasso ou vitória, no fundo nos perguntamos se de fato valeu a pena? Valeu a pena tanto esforço, tanta doação, tanta generosidade na entrega de si? Valeu a pena amar como Ele amou? Como o Pai o ressuscitou e o fez sentar-se à sua direita na glória, podemos dizer sim que ‘valeu a pena’ amar como Ele amou. É isso que Ele nos repete e vai repetir durante esta semana: vale a pena amar como Ele amou, sofrer como Ele sofreu, viver como Ele viveu, dar a vida como Ele deu a sua vida. A Cruz, para nós, é sinal de vitória, é garantia de salvação! Deixemo-nos tocar por ela, abracemos a nossa cruz também; e aí veremos que a vida se transforma, as trevas tornam-se luz, aí, sim, é Páscoa para nós!!!


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| Região Belém | 19 João Carlos Gomes

Com dom Edmar Peron, bispo auxiliar na Região, procissão de Ramos reúne cerca de 500 pessoas, que se somaram as 300 que aguardavam na Paróquia Santa Maria Madalena, no Setor Sapopemba

Procissão e missa de Ramos reúne comunidades Fiéis da Paróquia Santa Maria Madalena participaram das solenidades; saída foi da Comunidade Dom Oscar Romero e Santa Luzia João Carlos Gomes

Colaborador de comunicação da Região

Na manhã do domingo, 13, as cinco comunidades bELÉM que compõem a Paróquia Santa Maria Madalena no Setor Sapopemba da Região Episcopal Belém se reuniram para celebrar, junto com seu pároco, padre José Carlos dos Anjos e com o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo para o Belém, dom Edmar Peron, o Domingo de Ramos. O início da procissão aconteceu na comunidade dom Oscar Romero e Santa Luzia, onde dom Edmar promoveu a bênção dos Ramos. Logo em seguida, iniciou-se o trajeto de cerca de um quilômetro até a sede paroquial, onde se deu a continuidade da missa.

Manifestação pela paz

Ao chegar à paróquia, dom Edmar se lembrou de outra caminhada que fez, no dia anterior, que culminou na entrega de um manifesto dos moradores do Jardim Alto Alegre a autoridades políticas e policiais de São Mateus. Ele relatou: agenda regional

“Ontem tivemos outra procissão, com saída do Jardim Alto Alegre e chegada no largo de São Mateus; lá entregamos um manifesto pedindo ao poder público, políticas públicas efetivas que impeçam a violência naquela região”, disse. Para dom Edmar as duas procissões – a de sábado e a de Domingo de Ramos, tiveram o mesmo significado. “Tanto na caminhada de ontem, como

nessa que fizemos com tanta disposição hoje, são manifestações pela paz onde quisemos mostrar o nosso crescente desejo de que Cristo seja o Rei”. Após a leitura do Evangelho (Mt 27, 11-54), alertou a assembleia para a postura de cristãos que se de um lado dizem ‘Bendito o que vem em nome do Senhor’, do outro acusam ‘Crucifica-o’. “É um alerta para todos nós que em

algum momento poderemos não ser testemunhas da vida de Jesus Cristo; é fácil de perceber durante a caminhada da procissão a postura do ‘eu sou cristão’ presente em cada um que se dispôs a andar pela avenida, sem medo dos carros e ônibus sem sentir o peso da caminhada. Mas será que somos assim todos os dias? Somos realmente pessoas corajosas que diz ‘Eu sou cristão’

e que realmente é fiel testemunha de Jesus Cristo?”, questionou dom Edmar. A resposta para seu questionamento foi dada pelo padre José Carlos, ao final da missa. “A missa de Ramos marca o início da Semana Santa e realça o tempo de penitência, sacrifício e, sobretudo, de muito amor, para nós cristãos; é morrer um pouco todo dia para sempre ressuscitar com Cristo”.

palavra do bispo

O Tríduo Pascal do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

Aproximam-se os dias sagrados do Tríduo Pascal, chamado por Santo Agostinho de “tríduo, do crucificado, do sepultado e do ressuscitado”; com a sua celebração se torna presente e se cumpre o mistério da Páscoa do Senhor. Celebrando esse tríduo, a Igreja se associa em íntima comunhão com Cristo seu esposo, por meio dos sinais litúrgicos e sacramentais. Procuremos compreender, um pouco mais o sentido desse Tríduo. Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor a Igreja inicia o “Tríduo Pascal”, fazendo memória da entrega total do Senhor e anunciando já a sua ressurreição, como bem nos diz o refrão do canto de aber-

tura dessa missa: “A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressureição: foi ele que nos salvou e libertou” (cf. Gl 6,4). O mistério do Crucificado: “padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto”. A Sexta-feira Santa, dia em que “Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado” (1Cor 5,7), a Igreja, na Celebração da Paixão do Senhor, meditando a “Paixão” – pelas leituras da Liturgia da Palavra – e adorando a cruz, comemora o seu nascimento do lado de Cristo que repousa na cruz, e intercede pela salvação do mundo todo, elevando ao Pai a tradicional Oração Universal. O mistério do sepultado: “sepultado, desceu à mansão dos mortos”. Durante o Sábado Santo a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando a sua paixão e morte, a sua descida à mansão dos mortos, e esperando na oração

e no jejum a sua ressurreição. É o dia sem Eucaristia. Dia que expressa simbolicamente a situação da pessoa humana nesta terra, esperando a vinda gloriosa do Senhor, o Domingo sem fim. O mistério do Ressuscitado: “ressuscitou ao terceiro dia”. Ao anoitecer do segundo dia, o sábado, tem início o grande Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor. Ele possui duas solenes celebrações: a Vigília Pascal, durante a noite, e a Missa do Dia. A Vigília comemora a noite santa em que o Senhor ressuscitou da morte vencedor; noite da verdadeira libertação; noite que recapitula toda a obra pascal do Senhor. E o Domingo é o primeiro de todos os Domingos do ano: é o “Dia que o Senhor fez para nós, dia de festa e de alegria”! Dia da ressurreição do Senhor, começo da nossa ressurreição. Reunidos na alegria desse Dia,

celebramos a vitória do Cristo e valorizamos, como sinais desta vitória, as conquistas e vitórias da comunidade e os passos de libertação que cada um de nós, pela força do Espírito, deu em sua vida pessoal; em meio às nossas lutas e sofrimentos podemos e devemos cantar com Jesus Cristo, nesse dia: Ressuscitei, Senhor; contigo estou, Senhor; teu grande amor, Senhor, de mim se recordou; tua mão se levantou, me libertou! Por isso a Igreja, fundada em uma tradição apostólica, cuja origem encontra-se no próprio dia da Ressurreição de Cristo, celebra a cada oito dias, no Domingo, o mistério pascal de Cristo. Sugiro aos leitores o estudo do documento sobre a preparação e celebração das festas pascais, intitulado Paschalis Sollemnitatis, que lhes foi apresentado nesse texto. Feliz Páscoa!

Quinta-feira (17), 21h

Sexta-feira (18), 15h

Sábado (19)

Domingo (20), 9h

Missa Ceia do Senhor na Paróquia Santa Bernadete, (avenida do Oratório, 4246 – Vila IVG).

Paixão do Senhor na Paróquia Santa Bernadete, (avenida do Oratório, 4246 – Vila IVG).

9h – Laudes e Ritos Iniciais do Batismo na Paróquia Santa Bernadete (avenida do Oratório, 4246 – Vila IVG).

Missa Pascal na Paróquia Jesus Ressuscitado (rua Plutão, 61 – Jardim Santa Bárbara).

23h – Vigília Pascal na Paróquia Santa Bernadete, (avenida do Oratório, 4246 – Vila IVG).


20 | Editais |

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ASSOCIAÇÃO FRANCISCANA DE SOLIDARIEDADE

CNPJ 11.861.086/0001-63 - São Paulo - SP (Republicação Invalidando a Publicação Anterior) DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

EM 31 DE DEZEMBRO (Em Reais R$ 1)

ATIVO NOTA 2.013 CIRCULANTE 365.888 Caixa e equivalentes de caixa 4 310.570 DIREITOS REALIZÁVEIS 55.318 Adiantamento a funcionários 21.163 Adiantamento a fornecedores 33.003 Outros direitos realizáveis 1.152 NÃO CIRCULANTE 175.688 IMOBILIZADO 5 175.688 TOTAL DO ATIVO 541.576

(As notas explicativas integram o conjunto das demonstrações contábeis)

2.012 248.868 216.930 31.938 28.428 3.510 176.832 176.832 425.700

PERÍODO DE 01/JAN./2012 A 31/DEZ./2013 (Em Reais R$ 1)

PERÍODO 01/JAN./2013 01/JAN./2012 NOTA A A 31/DEZ./2013 31/DEZ./2012 RECEITA BRUTA 12 2.535.929 2.772.932 Custo com projetos sociais e assistenciais 14 (2.391.154) (2.268.265) SUPERÁVIT BRUTO 144.725 504.667 RECEITAS (DESPESAS) OPERACIONAIS (245.498) (550.240) Despesas gerais e administrativas (232.616) (538.954) Receitas financeiras 3.832 7.121 Despesas financeiras (22.478) (20.434) Outras receitas operacionais 5.764 2.027 (DÉFICIT) DO PERÍODO (100.723) (45.573) (As notas explicativas integram o conjunto das demonstrações contábeis)

(As notas explicativas integram o conjunto das demonstrações contábeis.)

PATRIMÔNIO SUPERÁVIT/ TOTAL SOCIAL (DÉFICIT) DO GERAL PERÍODO (81.818) 100.922 19.104 100.922 (100.922) - (45.573) (45.573) 19.104 (45.573) (26.469) (45.573) 45.573 - (100.723) (100.723) (26.469) (100.723) (127.192)

(As notas explicativas integram o conjunto das demonstrações contábeis)

EM 31 DE DEZEMBRO (Em Reais R$ 1

PASSIVO NOTA 2.013 CIRCULANTE 668.768 Fornecedores 7 30.260 Tributos a recolher 5.716 Obrigações com pessoal 8 157.387 Contribuições sociais a recolher 9 101.116 Direito de férias adquirido e encargos sociais 271.236 Parcerias e convênios 10 94.701 Outras obrigações 8.352 PATRIMÔNIO LÍQUIDO (127.192) Patrimônio Social (26.469) (Déficit) do período (100.723) TOTAL DO PASSIVO 541.576

(As notas explicativas integram o conjunto das demonstrações contábeis)

2.012 452.169 43.406 3.851 6.606 149.618 229.757 7.539 11.392 (26.469) 19.104 (45.573) 425.700

(Em Reais R$ 1)

PERÍODO 01/JAN./2013 01/JAN./2012 A A 31/DEZ./2013 31/DEZ./2012 FLUXO DE CAIXA NAS ATIVIDADES OPERACIONAIS (Déficit) do Período (100.723) (45.573) Ajustes: Depreciação 37.442 17.397 Resultado líquido ajustado (63.281) (28.176) Variações: Adiantamentos a funcionários 7.265 (10.682) Adiantamentos a fornecedores (33.003) Outras variações ativas 2.358 (2.573) Fornecedores (13.146) 5.720 Tributos 1.865 871 Obrigações com pessoal 150.781 (7.831) Encargos sociais (48.502) 80.454 Convênios 87.162 (10.887) Outras variações passivas (3.040) 5.217 Caixa líquido proveniente das atividades operacionais 129.938 108.809 FLUXO DE CAIXA NAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO Aplicações no ativo imobilizado (36.298) (137.153) Caixa líquido usado nas atividades de investimento (36.298) (137.153) VARIAÇÃO LÍQUIDA DE CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA 93.640 (28.344) CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA 93.640 (28.344) No início do período 216.930 245.274 No fim do período 310.570 216.930

CONTAS ESPECIFICAÇÕES SALDOS EM 01/ JAN./2012 Incorporação ao Patrimônio Social (Déficit) do Período SALDOS EM 31/ DEZ./2012 Incorporação ao Patrimônio Social (Déficit) do Período SALDOS EM 31/ DEZ./2013

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO

BALANÇO PATRIMONIAL

DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA

(Em Reais R$ 1)

notas explicativas NOTA 1. CONTEXTO OPERACIONAL A Associação Franciscana de Solidariedade foi constituída juridicamente no início de 2.010, e a partir do segundo semestre de 2.010 iniciou sua operação. É uma entidade beneficente de assistência social, de direito privado, de natureza associativa, de fins socioassistencial, sem fins lucrativos, constituída por número ilimitado de associados e com duração por tempo indeterminado. Tem como missão promover ações e atitudes de solidariedade com os empobrecidos e marginalizados, contribuindo para o exercício da cidadania e inclusão social, no modo franciscano de viver e anunciar o Evangelho. Tem como finalidade: I – Executar serviços de Assistência Social, no horizonte da defesa dos direitos humanos e do exercício da cidadania, tendo como público usuário, pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade e riscos sociais e econômicos. II – Sob o entendimento de que a Assistência Social tem como função dialogar com outras políticas, no sentido de promover a defesa, o acesso e a garantia aos direitos humanos e sociais, a Associação Franciscana poderá executar serviços e projetos, integrados a outras políticas setoriais, especialmente àquelas relacionadas à defesa de direitos humanos, à promoção da igualdade e superação das violências de gênero, etnias e geracional, o direito à cultura, bem como à defesa e proteção do meio ambiente. Parágrafo Primeiro: A visão que a Associação Franciscana persegue para o cumprimento de sua finalidade é a de ser um Serviço social fundamentado nos direitos humanos e ecológicos, a partir dos princípios cristãos e franciscanos, voltado para a busca da equidade social, articulando atendimento imediato e construção de políticas públicas que assegurem os direitos da população. Parágrafo Segundo: A prestação de serviço ou as ações assistenciais serão realizadas de forma gratuita, continuada e planejada, para os usuários e a quem deles necessitar, sem qualquer discriminação. Para auxiliar no cumprimento dos objetivos sociais, a Associação mantem as seguintes filiais: • Centro Franciscano de Acolhida para Crianças e Adolescentes, CNPJ 11.861.086/0002-44, Pinhão Tanguá/RJ; • Centro Franciscano de Convivência e Proteção à Criança e ao Adolescente Andorinha, CNPJ 11.861.086/0003-25, São Sebastião/SP; • Centro Franciscano de Convivência da Criança e do Adolescente Gente Viva, CNPJ 11.861.086/0004-06, Petrópolis/RJ; • Centro Franciscano de Acolhida do Largo da Carioca, CNPJ 11.861.086/0005-97, Rio de Janeiro/RJ; • Sefras Porciuncula, CNPJ 11.861.086/0006-78, Niterói/RJ; e • Centro Franciscano de Proteção e Acolhida de Curitiba, CNPJ 11.861.086/000759, Curitiba/PR. A Associação está inscrita nos seguintes conselhos e possui: • COMAS - sob n° 27, aprovada pela Resolução COMAS-SP n° 560 de 01/12/2011, publicada no Diário Oficial da Cidade de São Paulo de 03/12/2011; • Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente sob o n° CMDCA/1650/11, de acordo com a Lei Federal n° 8.069 de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA), conforme Resolução n° 059/CMDCA/01; • Certificado de Utilidade Pública Municipal de São Paulo, através do Decreto 52.842/2011 de 09 de dezembro de 2011; • Grande Conselho Municipal do Idoso da Prefeitura de São Paulo, registro n°. GCMI/0003/12 de 22/11/2012 de acordo com a Lei Federal n° 10.741 de 1 de outubro de 2003; • Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Tanguá sob o n° 021/2012 de 15/05/2012; • Certificado de matrícula de organização de Assistência Social do município de São Paulo sob o nº 16.89 de 29/08/2012; e • Certificado de Regularidade Cadastral de Entidades – CRCE do Governo do Estado de São Paulo sob o nº CRCE 2012/2012 de 10/09/2012 de acordo com o Decreto nº 57.501 de 08 de novembro de 2011. NOTA 2. APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As demonstrações contábeis foram elaboradas segundo as práticas contábeis adotadas no Brasil, que abrangem, além das disposições da legislação societária brasileira, os Pronunciamentos, Orientações e Interpretações emitidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC. As alterações trazidas pela Lei número 11.638/07 e pela Lei número 11.941/09 à Lei número 6.404/76 estão sendo observadas integralmente e adotadas quando aplicável. Foi adotada, também, a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade 1.409/2.012, que se refere à ITG 2002 – Entidade sem finalidade de Lucros, a qual trata em específico dos aspectos contábeis das entidades sem fins lucrativos.

NOTA 3. PRINCIPAIS POLÍTICAS CONTÁBEIS Dentre as principais políticas contábeis adotadas para a elaboração das demonstrações contábeis ressaltamos: a) RECEITAS E DESPESAS As receitas com contribuições e donativos foram reconhecidas por seus valores originais e de acordo com sua realização financeira, as demais receitas contratuais foram reconhecidas por seus valores originais e de acordo com a sua competência. As despesas foram reconhecidas por seus valores originais e de acordo com sua competência. b) APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE LIQUIDEZ IMEDIATA Estão demonstradas pelos valores aplicados, atualizadas com os respectivos rendimentos até a data de encerramento do balanço patrimonial. c) IMOBILIZADO Está demonstrado pelo custo de aquisição, ajustado por depreciações acumuladas, calculadas pelo método linear, a taxas estabelecidas em função do tempo de vida útil, por espécie de bens. d) DIREITO DE FÉRIAS ADQUIRIDO E ENCARGOS SOCIAIS Foram constituídas provisões, com base no regime de competência, observando as férias transcorridas e ainda não gozadas, num montante julgado suficiente para cobertura das obrigações com férias dos seus funcionários, apropriadas até a data de encerramento do balanço. Essas provisões foram calculadas partindo do número de dias de férias, convertidos para valor em moeda pelo salário atual de cada funcionário, acrescido dos encargos mais um terço constitucional, conforme legislação trabalhista em vigor. e) DOAÇÕES As doações, subvenções e contribuições espontâneas captadas da comunidade são contabilizadas em contas de receita. NOTA 4. CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA Estão representados pelos valores originais, conforme demonstrado no quadro seguinte: Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 Caixa 2.820 2.800 Bancos - conta movimento 56.866 30.301 Aplicações financeiras 250.884 183.829 Total 310.570 216.930 As aplicações financeiras correspondem a investimentos em fundos, poupança e CDB. NOTA 5. IMOBILIZADO Está representado pelos valores originais, deduzidos das depreciações acumuladas, conforme demonstrado no quadro seguinte: Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 Instalações em Geral 19.399 19.399 Móveis e utensílios 20.922 11.566 Aparelhos e Instrumentos Musicais 2.152 2.152 Máquinas e equipamentos 32.787 27.845 Equipamentos de informática 85.606 63.606 Veículos 79.000 79.000 (-) Depreciação acumulada (64.178) (26.736) Total 175.688 176.832 NOTA 6. SEGUROS Para atender medidas preventivas, a Entidade, a seu critério, procede à contratação de seguros em valores considerados suficientes para a cobertura de eventuais sinistros. NOTA 7. FORNECEDORES Estão representados pelos valores originais, conforme demonstrado no quadro seguinte: Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 Fornecedores de materiais diversos 8.168 12.986 Fornecedores de serviços 22.092 30.420 Total 30.260 43.406 NOTA 8. OBRIGAÇÕES COM PESSOAL Estão representados pelos valores originais, conforme demonstrado no quadro seguinte: Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 Ordenados a pagar 149.833 0,00 RCT a pagar 6.606 6.606 Pensão alimentícia a pagar 948 0,00 Total 157.387 6.606

(Em Reais R$ 1)

NOTA 9. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A RECOLHER Estão representadas pelos valores originais, conforme demonstrado no quadro seguinte: Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 INSS 74.743 124.707 PIS 3.659 3.357 Contribuições Sindicais 439 541 FGTS 22.275 21.013 TOTAL 101.116 149.618 NOTA 10. PARCERIAS E CONVÊNIOS 1) Convênio com a Prefeitura Municipal de São Sebastião, firmado em 12 de abril de 2.013, através do Convênio de Cooperação Assistencial, cujo objeto é o atendimento gratuito à população carente, em conformidade com as diretrizes de ação social, na área do atendimento ao adolescente, conforme demonstrado abaixo: Saldo em Descrição 31/dez./2013 Valores liberados 140.814 ( - ) Valores aplicados (136.866) Saldo a Aplicar 3.948 2) Convênio com a Prefeitura Municipal de São Sebastião, firmado em 01 de maio de 2.013, através do Convênio de Cooperação Assistencial, cujo objeto é o atendimento gratuito à população carente, em conformidade com as diretrizes de ação social, na área do atendimento ao adolescente, conforme demonstrado abaixo: Saldo em Descrição 31/dez./2013 Valores liberados 18.000 ( - ) Valores aplicados (2.121) Saldo a Aplicar 15.879 3) Convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde/Fundo Municipal da Saúde, firmado em 02 de julho de 2.013, através do Termo de Convênio n° 025/2013-SMS-G, cujo objeto é a realização do projeto “Informar e Multiplicar para Prevenir”, conforme demonstrado abaixo: Saldo em Descrição 31/dez./2013 Valores liberados 94.657 Rendimento financeiro 2.939 ( - ) Valores aplicados (31.099) Saldo a Aplicar 66.497 4) Convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, firmada em 27 de abril de 2.012, através do Termo de Convênio n° 066/SMADS/2012, cujo objeto é a prestação de serviço denominado de “Serviço de Inclusão Social e Produtiva”, conforme demonstrado abaixo: Saldo em Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 Saldo incial 6.351 0 Valores liberados 238.713 157.459 ( - ) Valores aplicados (236.687) (151.108) Saldo a Aplicar 8.377 6.351 5) Estão representados pelos valores originais e referem-se ao “Termo de Parceria Assistencial”, acordado entre a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e a Associação Franciscana de Solidariedade, em 17 de março de 2.010, o qual vigorará por prazo indeterminado, conforme demonstrado no quadro seguinte: Saldo em Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 Valores liberados 2.098.539 1.600.849 ( - ) Valores aplicados ( - ) Captação Telemarketing (1.223.065) (1.059.513) ( - ) Gestão Sefras (875.474) (541.336) Saldo a Aplicar 0 0 6) Parceria assistencial com a Província Franciscana da Imaculada Conceição firmada em 13 de outubro de 2.011, que vigorará até a data da entrega do relatório das despesas realizadas com as importâncias repassadas, bem como o relatório descritivo das atividades assistenciais realizadas no projeto social, conforme demonstrado abaixo: Saldo em Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 Valores liberados 1.188 18.426 ( - ) Valores aplicados ( - ) Projeto Centro Franciscano de Reinserção Social – CFRS (1.188) (10.322) ( - ) Projeto Serviço Franciscano de Apoio à Reciclagem – Recifran 0 (6.916) Saldo a Aplicar 0 1.188 Resumo das parcerias e convênios: Convênio/Parceria 1) Prefeitura de S.Sebastião firmado em 12/abr./2013 2) Prefeitura de S.Sebastião firmado em 01/mai./2013 3) Prefeitura de SP firmado em

Saldo em Saldo em 31/dez./2013 31/dez./2012 3.948

0

15.879

0

Continua

BALANÇO PATRIMONIAL


Continuação

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br | 15 a 22 de abril de 2014

| Editais | 21

ASSOCIAÇÃO FRANCISCANA DE SOLIDARIEDADE

CNPJ 11.861.086/0001-63 - São Paulo - SP (Republicação Invalidando a Publicação Anterior) 02/jul./2013 4) Prefeitura de SP firmado em 27/abr./2012 6) Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil TOTAL

66.497

0

8.377

6.351

0 1.188 94.701 7.539

NOTA 11. PATRIMÔNIO LÍQUIDO A Associação não remunera os membros componentes de sua diretoria, conselheiros, associados ou equivalentes e não distribui ou concede vantagens sob nenhuma forma. NOTA 12. RECEITA BRUTA Está representada pelos valores originais, conforme demonstrado no quadro seguinte: Saldo em Descrição 31/dez./2013 31/dez./2012 a) Contribuições e donativos 2.337.425 2.320.346 Pessoas físicas 196.970 291.597 Pessoas jurídicas 41.532 18.265 Contribuições em espécie 12.848 1.532 Telemarketing 2.072.308 2.002.460 Doação de Ativo Imobilizado 13.767 6.492 b) Doações do Exterior 198.504 452.586 Pessoas jurídicas 198.504 452.586 Total (a + b) 2.535.929 2.772.932 NOTA 13. BENEFÍCIOS FISCAIS A Associação, na condição de entidade sem fins lucrativos, nos termos da legislação vigente, se beneficiou do não recolhimento de tributos e contribuições. O quadro a seguir apresenta os principais benefícios: Valores estimados Descriçã 2013 2012 COFINS – Contribuição social sobre o faturamento 3% 79.472 83.462

Centro de Convivência e Apoio ao Idoso “Casa de Clara”- Espaço de convivência que tem por objetivo proServiço de porcionar uma convivência saudável Convivência e e de forma integral à pessoa idosa, Fortalecimento contribuindo para o protagonismo na de Vínculos busca de seus direitos e seu espaço social. Centro Franciscano de Atendimento e Proteção à População de Rua “Chá do Padre” - Serviço especia- Serviço Espelizado de atendimento e defesa de cializado para direitos que tem como objetivo contri- Pessoas em buir para o exercício da cidadania e a Situação de Rua mobilização política da população em situação de rua.

7.017

350.590

4.187

707.779

•Inscrição perante o Conselho Municipal de Assistência Social de Tanguá/RJ, sob nº 11 (18/10/2012) •Inscrição perante o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Tanguá/RJ, sob nº 021/2012 (15/05/2012)

52.774

270.145

Centro Franciscano de Apoio à Reciclagem – Recifran – Serviço de Serviço Espeinclusão produtiva que visa contribuir cializado para com a inclusão social e produtiva da Pessoas em população em situação de rua / catadoSituação de Rua res na perspectiva da justiça ambiental

9.658

129.584

Centro Franciscano de Luta contra a AIDS – Cefran – Serviço que Serviço de tem como objetivo promover e assegurar um espaço de convivência, Convivência e contribuindo para a emancipação, o fortalecimento exercício da cidadania e a melhoria de Vínculos da qualidade de vida das pessoas vivendo / convivendo com HIV/AIDS

10.462

291.683

Centro Franciscano de Atendimento à Pessoa em Conflito com a Lei Serviço de e familiares – Serviço que possui como objetivo contribuir na poten- Assessoramento cialização da consciência crítica e na e Defesa de Direitos construção de relação mais fraternas e humanizadoras entre mulheres e adolescentes presas, os familiares e a sociedade.

3.355

87.870

SÃO SEBASTIÃO/SP Centro Franciscano de Proteção à Serviço de Criança e ao Adolescente Andori- Proteção Social nha – serviço de execução de me- a Adolescentes didas socioeducativas de Liberdade em CumprimenAssistida (LA) e Prestação de Serviço to de Medida à Comunidade, contribuindo para a Socioeducativa 955 24.634 garantia dos direitos dos adolescen- de Liberdade tes em cumprimento de medida. Assistida (LA), e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC); - Inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social de São Sebastião, sob nº 017 com validade por tempo ideterminado (10/07/2013). - Inscrição no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Sebastião sob nº 050/2013 com validade até 11/10/2016 (11/10/2013). - Declaração de Utilidade Pública Municipal de 03/05/2012. - Cadastro Pró-Social junto à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo sob nº SEDS/PS – 27/2013 com validade até 03/12/2014 (21/05/2013). - Certificado de Regularidade Cadastral de Entidade do Governo do Estado de São Paulo (29/04/2013). TOTAL

NOTA 14. ASSISTÊNCIA SOCIAL A Entidade mantém projetos de assistência social para crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres, sem distinção de raça, cor, escolaridade, crença religiosa, opção política ou condição social, na formação humana, social e cultural, na área de assistência social, visando promover a dignidade humana. Os projetos de assistência social estão dentro dos parâmetros estabelecidos pela Lei 12.101/2009, regulamentada pelos Decretos 7.237/2010 e 7.300/2010. No quadro seguinte está resumida a abrangência dos projetos e os valores aplicados durante o período de 2013:

•Renovação da Inscrição no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo/SP – Nº 1650 até 24/09/2015 (04/09/2012); •Inscrição no Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo/SP – nº GCMI/0003/12 com validade até 22/11/2014 (22/11/2012); •Certificado de Matrícula de Organização de Assistência Social perante a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo – nº 16.89 com validade até 30/06/2015 (29/08/2012); •Inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social sob nº 27, com prazo de validade por tempo indeterminado (08/12/2011); •Declaração de Utilidade Pública Municipal conforme decreto 52.842/2011 (09/12/2011); e • Certificado de Regularidade junto ao Cadastro Municipal, Único das Entidades Parceiras do Terceiro Setor da Prefeitura do Município de São Paulo com validade até 21/10/2014 (22/11/2013).

VALOR TIPIFICAÇÃO NÚMERO DE NA ASSISTÊN- ATENDIMEN- APLICADO CIA SOCIAL EM 2013 TOS/MÊS SÃO PAULO/SP Centro Infantil Clara de Assis - Espaço de convivência e fortalecimento Serviço de de vínculos familiares e comunitários, Convivência e 11.019 292.200 que promove atividades visando esti- Fortalecimento mular a participação cidadã de crian- de Vínculos ças de 04 a 8 anos e 11 meses.

PETRÓPOLIS/RJ Centro Franciscano de Acolhida à Criança e ao Adolescente Gente Serviço de Viva – Serviço de convivência de crian- Convivência e 25.975 236.669 ças e adolescentes, que tem como Fortalecimento objetivo acolher e promover ações de Vínculos educativas no exercício consciente da cidadania e da solidariedade humana. •Inscrição perante o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente nº 006 com validade até novembro de 2014. (11/2012).

SERVIÇOS

TANGUÁ/RJ Centro Franciscano de Acolhida Serviço de para Crianças e Adolescentes Santo Antônio – serviço de acolhimento ins- Acolhimento Institucional titucional de crianças e adolescentes.

125.402

2.391.154

INFORMAÇÕES ADICIONAIS - Durante o período de 2013, a Entidade cumpriu sua obrigação perante o INSS – Cota Patronal, SAT e Terceiros, conforme demonstrado abaixo: Descrição Valor INSS Cota Patronal 524.020 SAT 51.163 INSS-Terceiros 148.051 Total 723.234 ( - ) Reembolso Prefeitura ( 67.295) ( - ) Reembolso Província (301.127) Total Pago 354.812 - A Entidade, aguarda o resultado, referente ao pedido de concessão de Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social, junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, sob protocolo nº 71000.059751/2012-22.

LEONEL ANTONIO BARBOSA TC CRC 1SP128591/O-2 - CONTADOR FREI JOSÉ FRANCISCO DE CÁSSIA DOS SANTOS CPF 009.174.536-54 - PRESIDENTE AUDIACTO AUDITORES INDEPENDENTES SS CRC-PR – 04.618/0-9-S-SP - AUDITORIA

RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Ilmos. Srs. Administradores e Associados da ASSOCIAÇÃO FRANCISCANA DE SOLIDARIEDADE São Paulo - SP

primento de exigências éticas pelos auditores e que a auditoria seja planejada e executada com o objetivo de obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis estão livres de distorção relevante.

Examinamos as demonstrações contábeis da ASSOCIAÇÃO FRANCISCANA DE SOLIDARIEDADE, que compreendem o balanço patrimonial na data de 31 de dezembro de 2013 e as respectivas demonstrações do resultado do período, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa na data referida, assim como o resumo das principais práticas contábeis e demais notas explicativas. Responsabilidade da administração da Entidade sobre as demonstrações contábeis A administração da Entidade é responsável pela elaboração e adequada apresentação dessas demonstrações contábeis, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e pelos controles internos que ela determinou como necessários para permitir a elaboração de demonstrações contábeis livres de distorção relevante, independentemente se causada por fraude ou erro. Responsabilidade dos auditores independentes Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis com base em nossa auditoria, conduzida de acordo com as normas brasileiras e internacionais de auditoria. Essas normas requerem o cum-

Uma auditoria envolve a execução de procedimentos selecionados para obtenção de evidência a respeito dos valores e divulgações apresentados nas demonstrações contábeis. Os procedimentos selecionados dependem do julgamento do auditor, incluindo a avaliação dos riscos de distorção relevante nas demonstrações contábeis, independentemente se causada por fraude ou erro. Nessa avaliação de riscos, o auditor considera os controles internos relevantes para a elaboração e adequada apresentação das demonstrações contábeis da ASSOCIAÇÃO FRANCISCANA DE SOLIDARIEDADE para planejar os procedimentos de auditoria que são apropriados nas circunstâncias, mas não para fins de expressar uma opinião sobre a eficácia desses controles internos da Entidade. Uma auditoria inclui, também, a avaliação da adequação das práticas contábeis utilizadas e a razoabilidade das estimativas contábeis feitas pela administração, bem como a avaliação da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto.

quadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da ASSOCIAÇÃO FRANCISCANA DE SOLIDARIEDADE, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o período findo naquela data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Ênfase A Entidade encontra-se com Patrimônio Líquido devedor(negativo), em R$ 127.192. A melhoria de resultado, está condicionada a performance de arrecadações e parcerias com entidades, inclusive ligadas. Outros assuntos As demonstrações contábeis da ASSOCIAÇÃO FRANCISCANA DE SOLIDARIEDADE referente ao período findo em 31 de dezembro de 2012, apresentadas para fins de comparação, foram por nós examinadas, onde emitimos o Relatório dos Auditores Independentes com data de 13 de fevereiro de 2013, sem ressalva. CURITIBA, 26 de fevereiro de 2014.

Acreditamos que a evidência de auditoria obtida é suficiente e apropriada para fundamentar nossa opinião.

AUDIACTO AUDITORES INDEPENDENTES SS CRC-PR – 04.618/0-9-S-SP

Opinião sem ressalva Em nossa opinião, as demonstrações contábeis acima referidas apresentam ade-

GILSON TAKAYAMA CONTADOR CRC – SP – 254344/O

classificados

fundação santa terezinha CNPJ nº: 69.273.050/0001-49

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Balanço patrimonial ENCERRADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2013 - Em R$ (reais)

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NOTA EXPLICATIVA Não houve movimentação financeira no exercício de 2013, haja visto o fato de os 02 (dois) apartamentos pertencerem à Fundação, estarem em comodato, conforme relatório de atividades.

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22 | Geral |

15 a 22 de abril de 2014 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

copa do mundo

58% de jogos inéditos: possíveis surpresas? Daniel Gomes Redação

Entre os 48 jogos da primeira fase da Copa de 2014, estão previstos clássicos do futebol, tais como Espanha e Holanda (finalistas em 2010), Inglaterra e Itália, Uruguai e Inglaterra, Alemanha e Portugal, mas também partidas inéditas nos mundiais: serão 28 jogos que nunca aconteceram, 58,3% do total dos duelos. Com esse percentual de jogos inéditos, aumenta a probabilidade de surpresas. Na Copa de 2010, por exemplo, 31 das 48 partidas da primeira fase nunca haviam acontecido e em alguns embates os favoritos decepcionaram. A Inglaterra, em um de seus jogos, empatou sem gols com a Argélia, resultado que foi determinante para que perdesse a liderança de seu grupo para os Estados Unidos. Para a Itália, o saldo de jogos inéditos foi ainda pior: o empate com a Nova Zelândia e a derrota para a Eslováquia levaram à eliminação da Squadra Azzurra ainda na primeira fase. “O fator retrospecto é muito importante dentro do futebol, ainda mais em se tratando de Mundial, mas não podemos ignorar: o bom momento técnico pode, sim, surpreender as seleções favoritas”, avaliou, ao O SÃO PAULO, o jornalista Cesar Berbel Faustino, especialista em jornalismo esportivo e negócios do esporte. Na Copa no Brasil, todos os grupos terão ao menos um jogo nunca antes realizado na história dos Mundiais, sendo que, no grupo C, todos os duelos entre Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão serão inéditos. Entre as campeãs mundiais, França e Argentina são as que terão mais adversários novos, dois, enquanto Brasil e Alemanha só enfrentarão seleções com quem já duelaram. Vale lembrar que em 2010, a média de gols dos jogos inéditos, 2 gols por partida, foi inferior à média geral da primeira fase, 2,1 gols por jogo. Nessas 31 partidas, houve 10 empates. 1966 - Pela última vez, Pelé e Garrincha juntos Na Copa de 1966, na Inglaterra, Pelé e Garrincha atuaram juntos pela última vez na seleção. Eles marcaram os gols na vitória de 2x0 sobre a Bulgária na estreia, mas Pelé saiu de campo contundido e não jogou a partida seguinte, na derrota de 3 a 1 para a Hungria. No jogo decisivo, contra Portugal, Pelé voltou ao time, entretanto Garrincha não foi escalado pelo técnico Vicente Feola. O título ficou com os ingleses, que venceram a Alemanha na final, por 4 a 2.

Remendos de sempre, buracos recorrentes Fotos: Daniel Gomes/O SÃO PAULO

Paulistanos convivem com vias esburacadas, especialmente na periferia; serviços de reparo, por vezes, resistem menos de seis meses Daniel Gomes

Reportagem nas zonas leste e noroeste

A Coordenação das Subprefeituras de São Paulo garante: “a durabilidade do asfalto é, em média, de nove meses a um ano”. Porém, ao menos na Vila Terezinha e no Jardim Carumbé, na zona noroeste, essa não é a realidade. Em novembro de 2013, o O SÃO PAULO fotografou buracos na rua Hélcio da Silva e na estrada Lázaro Amâncio. Semanas depois, estes foram tapados. Na quinta-feira, 10, passados seis meses, a reportagem voltou aos locais e encontrou fissuras nos remendos e irregularidades nos pavimentos consertados. “Há muito tempo não é feito um trabalho de recapeamento nas vias mais movimentadas, sendo apenas utilizados meios paliativos de ‘tapa-buraco’. Com isso algumas ruas como a estrada Lázaro Amâncio e a rua Hélcio da Silva estão em péssimas condições e parecem ‘colchas de retalho’ com tantos remendos”, relatou Cláudio Rodrigues, 41, presidente da Associação dos Moradores do Alto da Vila Brasilândia. De acordo com a doutora em Engenharia de Transportes, Liedi Bernucci, professo-

Na primeira foto, trecho da estrada Lázaro Amâncio, na zona noroeste, em novembro de 2013; imagens na sequência, do último dia 10, mostram sobreposição de asfalto e novos buracos na via

ra da Poli-USP, para que os remendos tenham durabilidade, a massa asfáltica aplicada deve estar bem compactada e nivelada. “Deixar

um remendo um pouquinho desnivelado, pra cima, é ruim, porque logo depois do remendo, os veículos caem no pavimento e vai arre-

bentar de novo”. Também é fundamental que a aplicação seja feita a quente, para que não se formem vazios, que reduzem a resistência da mistura asfáltica, “porque quando não se consegue compactar, a água da chuva entra nesses vazios e com os veículos passando o material vai ser removido”, explicou, avaliando, ainda, que em vias com muitos remendos o recapeamento é o procedimento ideal e mais barato. Em trechos da avenida Sapopemba e na estrada da Barreira Grande, na zona leste, muitos dos buracos reaparecem após as chuvas. “Depois de muito tempo, os buracos são tapados, mas o serviço só dura até a próxima chuva e muitas ruas ainda precisam ser recapeadas”, contou Caroline Oliveira, 25, moradora do bairro Vila Rica. “Há algumas semanas, tinha um buraco perto de um ponto de ônibus na Barreira Grande que enchia de água. Quando o ônibus passava, molhava a gente”, lamentou. Segundo Leidi, um dos problemas para a recorrência dos buracos na cidade é a falta de uma manutenção periódica do asfalto. “Ações como a Operação Tapa-Buraco são operações emergenciais, teria que ser exceção”, opinou, defendendo um melhor monitoramento das condições das vias. “Um morador reclamar que existe um buraco, tudo bem, mas não pode ser só isso, precisaria periodicamente ser feito um levantamento da malha, ter um banco de dados para agir antes que se abra um monte de buracos, mas para isso é preciso um sistema de gestão, é preciso investimento, montar um grupo de gestão do sistema viário”, opinou.

Em um ano, 427 mil buracos tapados na cidade da Reportagem nas zonas leste e noroeste

Segundo dados da Coordenação das Subprefeituras, em 2013, 68 vias da capital receberam serviços de recapeamento e 427.551 buracos foram tapados, nas Operações Tapa-Buraco, “realizadas constantemente pelas subprefeituras a partir do levantamento de vias que apresentam necessidade de serviço tapa-buraco, além de atendimento às reclamações de munícipes realizadas por meio do telefone 156,

pelo site (http://sac.prefeitura.sp.gov. br) ou nas praças de atendimentos das subprefeituras”, informou a Coordenação à reportagem. Diariamente, de mil a 2 mil buracos são tapados por 70 equipes que efetuam reparos no asfalto da cidade, e quando empresas não ligadas a serviços da Prefeitura fazem escavações nas vias, a subprefeitura responsável pela área as aciona e solicita a execução dos reparos, que se não feitos podem redundar em multa. Ainda segun-

do a Coordenação, a Superintendência das Usinas de Asfalto, responsável pelas execuções, tem estudado e utilizado novos tipos de materiais para o recapeamento. Sobre as ocorrências na rua Hélcio da Silva, a Coordenação disse que a via recebe fluxo de veículos leves e pesados e já foi incluída no programa de recapeamento, por ter uma malha viária antiga. Não houve resposta sobre os buracos nas vias da zona leste citadas na reportagem. (DG)


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Os crimes contra indígenas na ditadura André Campos/Agência Pública

Nayá Fernandes Redação

O ex-cacique Ataíde Francisco Rodrigues, Xehitâ-ha Ofaié, 58, e José de Souza, Kói Ofaié, atual Cacique, 39, irão depor na Comissão da Verdade nos dias 24 e 26 de abril, na cidade de Dourados, em Mato Grosso do Sul, durante a 2ª Sessão de Audiência da Comissão Nacional da Verdade. Os relatos destes indígenas do povo Ofaié, somados a outros que vêm sendo descobertos, tornam o dia 19 de abril, bem mais que uma data para que as crianças nas escolas pintem o rosto e enfeitem a cabeça como se estivessem usando um cocar. “Com a instalação da Comissão da Verdade, muitas situações de violência contra os povos indígenas, durante o regime militar, têm vindo à tona”, afirmou Benedito Prezia, membro da Pastoral Indigenista em São Paulo e coordenador do Programa Pindorama da PUC-SP, que promove a inserção de indígenas nos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade. Ele contou ao O SÃO PAULO, o caso da denúncia da existência do Reformatório Agrícola Crenaque, que na realidade era o presídio Krenak, e que funcionou em Resplendor (MG) entre os anos de 1967 a 1972. E o caso da fazenda Guarani, situada também em Minas Gerais. “Ora, sabemos que a maior parte das ações emanadas do Estado são lícitas por força da Lei, porém injustas”, disse, em entrevista, Carlos Alberto dos Santos Dutra, professor, diácono e defensor da causa indígena no Mato Grosso.

Indígena, ex-confinado na fazenda Guarani, ajuda a reconstruir a história que aconteceu durante a ditadura

Um “campo de concentração” em Minas Gerais da reportagem

Benedito Prezia recontou o caso da fazenda Guarani, a partir de um texto publicado no Porantim, em outubro de 2012. A história envolve a atuação de Queiroz Campos, primeiro presidente da Funai durante a ditadura militar. “Além de aceitar aberrações como o presídio Krenak e a Guarda Rural Indígena (GRIN), estimulou o extermínio étnico do povo Krenak”, disse.

A Funai entrou com uma ação de reintegração de posse da área Krenak, invadida por fazendeiros, tendo ganho de causa na Justiça em março de 1971 que exigia que os invasores deixassem a área num prazo de 15 dias. “Porém, os fazendeiros pediram à Funai uma ampliação do prazo. Essa ampliação, na verdade, resultou na remoção dos indígenas que ali viviam por parte do mesmo presidente do órgão”, considerou Benetido. Em 1º de dezembro de 1972, os ocupantes do Reformatório Agrícola Crenaque foram removidos para a fazenda Guarani, pertencente à polícia militar de Minas Gerais, em

Carmésia (MG). “Os indígenas foram levados para esse local, de forma violenta, alguns deles algemados. Retirados foram também os Krenak que viviam no Reformatório, sem estarem sob regime prisional”. Todo o sistema prisional e as práticas de “campo de concentração étnico” foram transferidos para a fazenda. Além disso, ela passou a receber os indígenas que vieram do presídio Krenak, levados para lá não por “crimes ou conflitos internos”, mas por resistirem aos projetos desenvolvimentistas do governo militar ou à expansão das propriedades rurais invasoras. “Em 1974, a Funai levou

46 Guarani e 11 Tupinikim, de Caieiras Velha (ES); famílias Pataxó Hã-hã-hãe; da área Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu (BA) e, dessa forma, o núcleo se transformou num misto de área de confinamento e colônia penal indígena”, lembrou Benedito. No final de 1979 ainda estavam nesse reformatório 49 Krenak, 35 Pataxó, 3 Guarani, além de indígenas outras etnias, como Xerente e Pankararu. Vê-se que parte do povo Guarani já havia retornado ao Espírito Santo, assim como os Tupinikim. Só em 1983, a Justiça determinou a homologação da área indígena ocupada pelos guaranis naquele município.

Quase exterminado, o povo Ofaié pede justiça no Mato Grosso do Sul da reportagem

A entrevista foi concedida por Carlos Alberto dos Santos Dutra, o professor Carlito, que está reunindo material para provar os crimes de remoção forçada do território e assassinatos cometidos contra a etnia Ofaié, no Mato Grosso do Sul. O SÃO PAULO - A remoção do povo Ofaié é considerada um crime judicialmente, a partir dos procedimentos da época? Carlito – Inicialmente, há de se dizer que “crime” (juridicamente falando) é a conduta tipificada na Lei Penal como ilícita. Dizer que o povo Ofaié foi removido de seu território por força de uma portaria, decreto ou ordem infraconstitucio-

nal só serve para justificar os atos praticados pelos agentes do Estado em face dos povos indígenas, deixando esse agentes públicos ilesos e isentos de culpa. No caso, na participação da remoção de povos indígenas (e comunidades tradicionais), o Brasil é signatário de Tratados Internacionais que, segundo o Direito Internacional, classifica este tipo de violência praticada contra os povos indígenas de “Crime contra a humanidade”. Esses atos de perseguição e violência contra um grupo de indivíduos são passíveis, inclusive de julgamento em tribunais internacionais. O SÃO PAULO - Quantos indígenas do povo Ofaié existem hoje? Em que situação se encontram?

Carlito - A aldeia Enodi abriga hoje 96 indivíduos do povo Ofaié, sendo que destes miscigenados com Kaiowá e não-indígenas, restam menos de 10 falantes da língua materna. Há 22 anos, eles esperam a demarcação de sua terra que já foi identificada em Brasilândia (MS) em uma área de 1.937 hectares. Vivem numa área de 484 hectares de mata nativa e 605 hectares de área agriculturável, negociadas em compensação pela remoção do povo Ofaié das margens do rio Paraná pela construção da UHE Engenheiro Sérgio Motta (exPorto Primavera). O SÃO PAULO - Como pesquisador e defensor desta causa, o senhor considera que este povo pode voltar a viver elementos essenciais perdidos

devido às migrações forçadas? Carlito - Os diversos projetos implantados pela sociedade envolvendo o povo Ofaié deu a ele uma sobrevida, ajudandoo a soerguer-se das cinzas. O acesso à internet e a antena de celular ainda não chegaram à aldeia, mas já é um desejo e exigência da Escola que funciona lá, igualmente ao de transformar a escola rural em indígena com o ensino bilíngue na comunidade. Voltar ao passado é impossível, mas conservar o que a comunidade ainda guarda de sua cultura, fazendo as devidas adaptações é um caminho que os Ofaié estão experimentando, como o restante dos povos indígenas do Brasil. O SÃO PAULO - Que casos concretos

de indígenas assassinados durante a ditadura (Ofaié ou de outras etnias) o senhor tem conhecimento? Carlito - No período do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), os relatórios do órgão indigenista narram grupos inteiros do povo Ofaié assassinados (um deles narrado pelo Ofaié Otávio, descrito na página 96 do livro “Ofaié, morte e vida de um povo”), outros aprisionados no posto de Ivinhema (descrito na página 113), no tempo da Funai, o caso de estupros na região de Bodoquena (noticiado pelo O Globo) e o assassinato do indígena Atanásio também na reserva Kadiwéu. Ataíde Ofaié narra que seu irmão foi assassinado diante de seus olhos por um fazendeiro próximo a sua aldeia durante esses tempos bicudos. (NF)


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Nas ruas da capital, Via-Sacra denuncia o tráfico humano Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Evento realizado pela Pastoral do Menor reuniu crianças de diversas entidades e escolas católicas da cidade Edcarlos Bispo

reportagem no centro

A vida de quem depende do transporte público em São Paulo, comumente, é uma viasacra, porém na sexta-feira, 11, isso se tornou real e visível. A Comunidade Instrumento de Deus, da zona norte da capital, encenou a Paixão de Cristo dentro da linha azul do metrô – Tucuruvi/Jabaquara. Era pouco mais que sete horas da manhã, as pessoas se espremiam e empurravam para poder passar pela catraca e se dirigir à plataforma. Alguns olhares, menos dispersos, notaram a presença de algumas figuras atípicas para o movimento rotineiro do metrô. Jesus, guardas, as Marias... na plataforma do metrô esperavam o trem para embarcar. “Que isso!?”, perguntavam alguns, “na hora mais cheia do metrô, não poderia ser feito em outro momento?”, diziam outros. Eles percorreram onze estações, em cada uma, ao se abrirem as portas do vagão, as pessoas olhavam admiradas para Jesus, coroado de espinhos e ensanguentado. Ao chegar à Estação da Sé, antes ainda de sair pelas escadarias que dão acesso à Catedral, o grupo começou a encenar o sofrimento de Cristo

e sua caminhada até o Calvário. Não houve quem não parasse para tirar uma foto, ou dar uma espiada no que estava acontecendo. A interpretação do grupo chamou tanto a atenção que até os seguranças do metrô começaram a comentar

e pararam para assistir. Ao cruzar a praça da Sé, Jesus não apenas carregou sua cruz, mas passou pelos moradores de rua e pedintes que estavam na praça, alguns ainda dormindo, para lhes abraçar, olhar em seus olhos, convidar

que percorressem, com ele, as ruas do centro histórico da cidade. Já no Pátio do Colégio, os ônibus cheios de crianças vindos das diversas regiões da cidade não paravam de chegar. De acordo com a coordenadora da

Pastoral do Menor, Sueli Camargo, organizadora da Via-sacra da Criança e do Adolescente, foram mais de 35 ônibus e a participação superou 2 mil pessoas. O tema da Via-Sacra este ano foi a denúncia do tráfico humano. Iluminada pela Campanha da Fraternidade, as crianças e adolescentes traziam cartazes e, também elas, davam o seu grito de que essa prática, que torna o ser humano uma mercadoria, não dever permanecer impune. A pequena Priscila Oliveira dos Santos, 12, vinha à frente da procissão. Ela e o grupo de estudantes do CEC Emília Mendes de Almeida, entidade mantida pela Associação Nossa Senhora do Bom Parto, carregavam o cartaz da Via-Sacra. Para ela, é preciso acabar com o tráfico humano e isso “não pode acontecer com ninguém”. Da mesma maneira, Nara Florentino Almeida, 15, do Cedesp 9 de Julho, fez uma apresentação durante uma das paradas que tratava do tráfico de órgãos. A jovem destacou que já tinha ouvido falar do assunto, pois o centro educacional onde estuda estava realizando trabalho com os alunos ligados ao tema do tráfico humano. Ao fim da procissão, em frente à Catedral da Sé, os estudantes pararam para assistir o momento da crucificação. De joelhos e em profundo silêncio, viram o momento em que Jesus, representado por um jovem da comunidade Instrumento de Deus, foi tirado da Cruz, para, logo em seguida, sair ressuscitado de dentro da igreja e ser abraçado por um morador de rua que estava acompanhando a Via-Crucis.

O SÃO PAULO - edição 2998  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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