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Jornada Universitária será em 15 de março Página 9

Religiosa denuncia tráfico humano

MCCE quer impedir eleições com ‘fichas-sujas’

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Paróquia no Bom Retiro comemora 100 anos

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

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ano 59 | Edição 2991| 25 de fevereiro a 5 de março de 2014

R$ 1,50

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Arcebispo do RJ é criado Cardeal L’Osservatore Romano

O arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, foi um dos 19 cardeais criados pelo papa Francisco durante o Consistório público realizado no sábado, 22, em Roma. Pela primeira vez na história, um Consistório contou com a participação de dois papas: além de Francisco, o papa emérito Bento 16 esteve na cerimônia. No do-

mingo, 23, nas catacumbas de São Sebastião, o cardeal Tempesta presidiu a primeira missa após ter recebido as insígnias cardinalícias e recordou o testemunho de cristãos perseguidos no mundo. Dom Orani recebeu o título da Igreja Santa Maria Mãe da Providência, no bairro de Monteverde. Páginas 23 e 24

Santa Sé tem nova organização financeira O papa Francisco alterou na segunda-feira, 24, por meio do Motu Proprio “Fidelis Dispensator et Prudens”, a estrutura de coordenação dos assuntos econômicos da Santa Sé, criando a Secretaria para a Economia. No mesmo ato, o Pontífice instituiu um novo Conselho para a Economia,

com oito membros clérigos e sete leigos, em substituição à Comissão de 15 cardeais para o Estudo dos Problemas Organizativos e Econômicos da Santa Sé. O IOR, conhecido como Banco do Vaticano, não sofreu mudanças e prossegue em estudo.

Papa quer destacada atenção à Família

Reforma do sistema político está em discussão

Em Consistório que reuniu cerca de 150 cardeais, o papa Francisco deu início à reflexão sobre o tema da evangelização das famílias, antecipando os trabalhos do Sínodo de outubro.

O Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político deve acontecer de 1º a 7 de setembro no País. No sábado, 22, Escolas de Fé e Política discutiram propostas.

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Entidades criticam ‘lei antiterrorismo’ ‘A juventude tem Tramita no Senado o projeto de lei nº uma tentativa de evitar manifestações que sonhar, tem 499/2013, conhecido como “lei anti- em megaeventos e de uma falsa assoterrorismo”. A proposta é criticada ciação das manifestações com os atos por movimentos sociais. Para espe- de vandalismo. que ser alegre’ cialistas ouvidos pelo O SÃO PAULO, é Página 12

Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo se reuniu no sábado, 22, para rezar e refletir sobre a Evangelii Gaudium do papa Francisco. Juntos, jovens membros das pastorais, movimentos e novas comunidades puderam aprofundar o caminho sugerido pelo papa na exortação apostólica. “Uma juventude sem alegria, sem sonhos, não é juventude, é algo que nem sei explicar o que seria”, afirmou Reinaldo Santos, um dos jovens participantes. Página 9

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Página 13 Luciney Martins/O SÃO PAULO


2 Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 25 de fevereiro a 5 de março de 2014 Gabirante

frases da semana

“Para que a Igreja e a CF tenham coragem de denunciar o problema que vivemos, não adianta falar de combate ao tráfico humano sem falar de combate à pobreza, combate à desigualdade econômica, desigualdade cultural que existe em nossos locais.”

Irmã Henriqueta Cavalcante, que atua contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.

“Os jovens, mais do que ninguém, devem se sentir comprometidos com essa missão. Nada melhor que colocar essa exortação [Evangelli Gaudium] nas mãos dos jovens para que eles possam compreender o apelo que hoje Deus faz à sua Igreja, faz a cada um de nós para o anúncio do Evangelho.”

Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese, no retiro do Setor Juventude

você pergunta

Espiritualidade

Como ser um bom comentarista na liturgia da missa

Necessidade permanente de convivência

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

Padre Cido Pereira

Janice Marques, de São Mateus, me escreve: Padre Cido, eu sempre faço o comentário das missas em minha Paróquia, e às vezes fico na dúvida de qual seria a melhor forma de motivar os fiéis e anunciar o canto inicial da missa e as leituras sem parecer exagerada ou apática. Existe um tom ou maneira ideal? Janice, o comentarista na missa deve ser sóbrio, sem fazer do presbitério um palco onde ele vai dar um show. Ele está ali para ajudar os irmãos a tomarem consciência de que vão celebrar a Eucaristia, vão se alimentar da Palavra de Deus e do Corpo e Sangue do Senhor. Um tom alegre, piedoso, e firme deve transparecer nas boas-vindas e no convite a acolher a procissão de entrada e a cantar o canto inicial. O comentarista pode iniciar com um convite ao silêncio, para que todos interiorizem a importância de estarem ali, em volta do altar, como família em torno da mesa. Voz alta, pausada, clara, acolhedora é fundamental. Seria bom que todas as comunidades treinassem os comentaristas, escolhessem aqueles que têm uma voz clara e forte. Não basta saber ler para ser comentarista. É preciso ajudar os irmãos a orarem sem interferir na celebração. A saudação inicial e o convite a ficar de pé, a introdução à Liturgia da Palavra e a mensagem final sejam claras e carregadas de ternura. Não estamos, repito, numa celebração qualquer. Estamos celebrando a Eucaristia, onde nasce, cresce e se firma a certeza de que somos Igreja, família, Povo do Senhor. Aproveitando a sua pergunta, Janice, creio que fica bem, nestes tempos em que a telefonia celular nos mantém em sintonia com o que acontece fora da Igreja, convidar a assembleia a desligar os celulares, para que a conversa naquele momento seja com o Pai pela mediação do Cristo e na unidade do Espírito Santo. Fique com Deus, minha irmã Janice. Que ele abençoe você e sua família.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Arcebispo emérito de Uberaba (MG)

Dom Aloísio Roque Oppermann

Parece que o mundo moderno acentuou demais a importância da pessoa individual. O subjetivo tornou-se um valor imprescindível. Em grande parte é isso mesmo. A autorrealização virou um ideal de plenificação. Não podemos mais repreender uma criança quando ela diz: “Este brinquedo é meu”. É um estado de alma que permite fazer crescer a autoestima. Devemos achar isso certo. Mas com isso corremos o risco de realçar o isolamento. Cada um carrega consigo uma propensão de se encerrar num círculo, ao qual ninguém tem acesso. Quase nos tornamos anacoretas psicológicos. Não seria o medo de alguém roubar a nossa felicidade? Na verdade, tal atitude nos empobrece.

Não podemos ser corujas solitárias. (Ou você já viu um bando de corujas?) Como filhos de Deus, nós carregamos em nós uma tendência impossível de anular. O Criador é um ser comunitário, porque vive na Trindade. “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1,16). A nossa inclinação para a convivência com o semelhante faz parte da nossa natureza. Jesus, para fortalecer seus discípulos na fé, reuniu-os em comunidade. A Igreja nascente, desde o começo, é um ente comunitário. “Já não sois peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2,19). Por isso, a preocupação de São Paulo foi de fundar comunidades em toda a parte. Desde cedo, São Bento reuniu os monges, que procuravam viver a perfeição cristã, em comunidades religiosas. Os bispos, sucessores dos Apóstolos de Cristo, reuniram os fiéis em dioceses e paróquias. Os próprios

“A Igreja tem um olhar positivo e de esperança sobre o casamento e a família, a partir da fé no Deus criador e salvador e a partir do seu desígnio de amor sobre o homem e o mundo.”

Cardeal Odilo Pedro Scherer, sobre a temática da família, refletida no último Consistório.

leigos sempre aspiraram a agrupamentos para fortalecer a fé, tais como associações, ligas, congregações, pastorais, irmandades... “Ao que anda sozinho o lobo pega”, diz o povo. Uma entidade, a Paróquia, parecia ter se tornado um peso morto e inútil. Agora está voltando à vida plena, porque

A Paróquia renovada é a mãe que reúne todos os filhos da grande família quer dar um salto de qualidade. No Brasil, ela não é mais pensada como uma grande comunidade, cujos membros se reúnem na Matriz. Mas se considera a mãe de inúmeras outras pequenas comunidades: grupos de reflexão, círculos bíblicos, associações, grupos de oração, capelas, visitadores domiciliares, evangelizadores... A Paróquia renovada é a mãe que reúne todos os filhos da grande família.

palavras que não passam

A Igreja parceira da formação do mundo novo (16) PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

A educação integral da pessoa humana em todos os níveis foi uma preocupação importante do Concílio, considerando-a um assunto gravíssimo: tanto a educação intelectual como a profissional e a social para a convivência em sociedade e a cristã baseada nos princípios sólidos do Evangelho. É conhecido o pioneirismo da Igreja no campo educacional. E sua missão continua importante, mas deve preparar cidadãos cristãos para serem uma presença de bom nível em todos os setores do mundo moderno. Convém lembrar que a educação, ao longo da História, tem sido uma das mais belas referências ao bem prestado pela Igreja a incalculável número de gerações em todas as partes do mundo.

Por fim, é preciso salientar que o Concílio, ciente de que a Igreja muito deixa a desejar no uso dos meios, e principalmente na própria comunicação, para cumprir sua missão de evangelizar, dedica o decreto Inter Mirifica ao assunto que, neste meu trabalho, vem sendo desenvolvido na medida do possível como foco dos temas abordados. A insistência é plenamente justificada, pois a missão de comunicar está na base da fundação da Igreja. O Concílio seguiu a intuição de seu idealizador, o papa João 23. No discurso inaugural do Concílio Ecumênico Vaticano 2º, o qual, depois de afirmar que a Igreja, querendo reafirmar sua adesão aos princípios da fé revelada, queria também, de maneira especial, corresponder às expectativas do mundo, porque o (...) “espírito cristão, católico e apostólico do mundo inteiro espera um progresso na penetração doutrinal e na formação das consciências, em correspondência mais perfeita com a fidelidade à doutrina autêntica;

mas também formas de indagação e formulação literária do pensamento moderno”. Insisto na mensagem do discurso inaugural: “Uma é a substância da doutrina – Depositum fidei – outra é a formulação que a reveste: e é disto que se deve – com paciência se necessário – ter grande conta, medindo tudo nas formas e proporções do magistério prevalentemente pastoral”. Cada documento conciliar orienta a Igreja na sua transformação da imagem e do estilo, realmente nova, porque restaurada. Lembra uma cirurgia plástica, não? É também como se cada documento fosse uma faceta nova no rosto da Igreja, que sai restaurado da grande oficina do Concílio. A esperança é de que as transformações introduzidas pelo Vaticano 2º diante da compreensão das realidades terrenas sejam sinais que apontem para o surgimento de uma Igreja nova – dialogante e serviçal –, parceira da construção do mundo novo.

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Daniel Gomes, Edcarlos Bispo de Santana e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 25 de fevereiro a 5 de março de 2014

encontro com o pastor

O que Deus quer da família?

Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal odilo pedro scherer

A família continua dando o que falar. Há quem mostre seus problemas para, talvez, passar a ideia de que ela é uma instituição falida, que seria melhor abandoná-la; há quem faça novela sobre a família para passar a ideia de que tudo mudou e que há muitos modelos de família, todos com igual direito ao reconhecimento da sociedade; nestes tempos de exacerbação da individualidade e da subjetividade, também a realidade família dependeria da criatividade de cada um e já não existiria mais um referencial comum de família, válido para todos... Não há dúvida de que a família enfrenta hoje uma crise cultural profunda, como bem observa o papa Francisco na Evangelii Gaudium (nº 66), que não deixa intactas nem mesmo a identidade e a missão fundamental da família. E esse estado de ânimo tomou conta de setores da própria Igreja e de cristãos, que já não sentem mais segurança sobre o que afirmar a respeito da família e sua missão, apesar dos ensinamentos claros do Magistério da Igreja. Mas a mesma Igreja não se desencoraja diante das dificuldades e crises enfrentadas pela família

e continua a se interrogar sobre qual é o desígnio divino sobre a família e sobre como ajudá-la a conhecer melhor a vontade de Deus e a corresponder com a vocação da família. Afinal, na sua fé, baseada na Palavra de Deus, a Igreja tem a convicção de que a família não é produto apenas de projetos humanos, mas faz parte de um plano amoroso de Deus em relação ao homem e ao mundo. Foi com esse objetivo que o papa Francisco anunciou a realização da assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos de outubro de 2014, para tratar das situações atuais da família que interpelam a Igreja e desafiam a evangelização. Para preparar esse Sínodo extraordinário, já foi feita uma consulta ampla, através das Conferências Episcopais de todo o mundo, para ter uma visão sobre a situação da família nos mais diversos cantos do mundo e sobre as questões mais desafiadoras para a missão da Igreja. A Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos recebeu uma imensidade de respostas e está trabalhando na preparação do instrumento de trabalho para o Sínodo de outubro. O levantamento procurou ser muito realista, não se furtando nem mesmo às questões mais espinhosas vividas pelas famílias. Com o mesmo objetivo, o papa Francisco já quis ouvir os membros do Colégio Cardinalício, reunidos com ele nos dias 20 e 21 de fevereiro passado. Cerca de 150

cardeais refletiram sobre o “Evangelho da família”: o que Deus quis da família “desde o princípio”, ao criar o homem e a mulher um para o outro? Como o pecado atingiu a realidade e a vida da família? Como o plano de redenção, que Deus realizou em Jesus Cristo em favor da humanidade, envolve também a família? Qual é o lugar da família no conjunto da vida e da missão da Igreja? Foram dois dias fecundos, de reflexões e testemunhos muito enriquecedores sobre as realidades familiares nos diversos continentes e países; deu para perceber que a problemática da família não é a mesma em toda parte e que os problemas são mais acentuados nos países ditos “ocidentais”, onde a crise cultural é mais profunda. Não se deixou de refletir sobre as situações, sempre mais frequentes, dos casais que vivem uma segunda ou terceira união, depois de desfeito o casamento. Há sincero desejo da Igreja de ajudar esses casais a viverem na Igreja e a perseverarem na fé, mesmo quando não lhes é possível receberem a santa comunhão. As questões a enfrentar, porém, são complexas e não se deve esperar respostas simplistas. O papa Francisco convidou a Igreja a viver o “caminho sinodal” dos próximos dois anos com interesse, confiança e muita oração, para discernir com serenidade o que Deus está pedindo à sua Igreja neste momento de sua história. Luciney Martins/O SÃO PAULO

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editorial

Carnaval, Quaresma e não ao tráfico humano O Brasil para no próximo fim de semana e na segunda e terça-feira seguintes. É carnaval. E o povo cai na folia. Muitos mergulham numa alegria verdadeira, colorida, feita de sons, de ritmos, de cores. Nosso povo que já é alegre normalmente se torna mais alegre ainda, numa grande festa coletiva. Para muitos, porém, a alegria é falsa, porque fabricada à força de uma mistura terrível de álcool, drogas e sexo. A Igreja não se opõe ao carnaval. Até porque a história dessa festa passa por grandes festivais que antecediam o mergulho na penitência, na oração e na caridade em preparação para a Páscoa. O carnaval, de certa forma, antecede a Quaresma, que começa com a imposição das cinzas na quarta-feira. É preciso dizer que a alegria é característica dos filhos de Deus. Nada pode fazer alguém mais feliz, mais alegre, do que a certeza que temos do amor de Deus. Pode o cristão se alegrar no carnaval? Pode, claro que pode. A Igreja não se opõe ao carnaval. Ela se opõe, sim, ao que fizeram do carnaval. Muitos afirmam que no carnaval o diabo anda à solta. E muitos vivem o carnaval nessa perspectiva. Caem as barreiras morais. Vira loucura. Vira desrespeito ao próprio corpo e ao corpo do outro. Para essa visão torta do carnaval a Igreja chama atenção, adverte, admoesta. E lá vem o carnaval. Como todos os anos, haverá aqueles que vão cair na folia. Alegres, felizes, em companhia dos amigos. E o carnaval será mesmo uma grande festa em que se interrompe a vida para celebrar a própria vida. Como todos anos, haverá aqueles que vão cair na orgia. Que pena. Para eles, a Quarta-Feira de Cinzas será vivida com um amargo na boca e no coração. Como todos os anos, haverá aqueles que vão se encontrar com Deus, no silêncio, na oração. Aproveitarão para olhar para dentro de si mesmos e ouvir os apelos de Deus à conversão. Bom retiro para eles. E haverá aqueles que vão procurar a paz do interior, vão entrar em contato com a natureza e refazer suas forças. Para nós, católicos do Brasil, após o carnaval, após cobrirmos a cabeça com cinzas na quartafeira, vamos meditar, orar, jejuar e encontrar os caminhos do amor fraterno, tendo no coração as vítimas do trafíco humano. Será hora de abraçarmos tantas vítimas dessa chaga social que destrói vidas de crianças, adolescentes, jovens e adultos, homens e mulheres vendidos como gado no indecoroso comércio de vidas. Abraçá-las, porém, não basta. Será preciso gritar alto exigindo políticas que ponham fim a essa dolorosa realidade. Deus nos ilumine nessa empreita! Tweets do Cardeal

@DomOdiloScherer 24 - “Temer a Deus é o princípio do saber, é sábio aquele que o pratica. Permaneça eternamente seu louvor.”

23 – “Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, pro-

curando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações.” 22 – Provérbios 16, 9.17: “O coração do homem projeta seu caminho, mas é o Senhor que dirige seus passos. Quem zomba do pobre insulta o seu Criador”. 21 – Tiago 1,19ss: “Meus queridos irmãos, sabei que todo homem deve ser pronto para ouvir, mas lento para falar e lento para se irritar...”. agenda do Cardeal Até 3 de março

Reuniões na Santa Sé


4 Fé e Vida liturgia e vida

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM 2 DE MARÇO DE 2014

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palavra do papa

Cardinalato é serviço à comunidade

Ana Flora Anderson

Nossa fortaleza e repouso O Salmo Responsorial (Sl 61) orienta os textos litúrgicos deste domingo. No decorrer da vida, enfrentamos muitas dificuldades, mas o Senhor nosso Deus é nosso rochedo e nossa fortaleza. O profeta Isaías (49,14-15) lembra o grito do povo que, na angústia, pensa ser abandonado por Deus. O profeta, em nome de Deus, proclama que, mesmo se for possível a uma mãe se esquecer de seu filho, o nosso Deus jamais se esquecerá de seu povo! Na segunda leitura (1 Coríntios 4,1-5), São Paulo ensina que nossa vocação cristã exige a fidelidade. Ao seguirmos o caminho de Jesus, não devemos desanimar com o julgamento dos outros. É o Senhor Deus que ilumina o que está em nossos corações e é somente Ele que nos julgará com amor e verdade. O Evangelho de São Mateus (6,24-34) revela o caminho que o cristão deve seguir. A nossa lealdade total precisa estar no serviço a Deus. O cristão não pode viver de coração partido. O Evangelho de Mateus sempre coloca em primeiro lugar a nossa vocação de buscar em tudo a justiça do Reino de Deus. Quando nós nos entregamos a promover o mundo que Deus quer, a paz, a justiça, a misericórdia e a pobreza de coração, Ele nos dará a graça do seu Reino. leituras da semana SEGUNDA (3) TERÇA (4): QUARTA (5): QUINTA (6): SEXTA (7): SÁBADO (8):

1Pd 1, 3-9; Mc 10, 17-27 1Pd 1, 10-16; Mc 10, 28-31 Jl 2, 12-18; Mt 6, 1-6.16-18 Dt 30, 15-20; Lc 9, 22-25 Is 58, 1-9a; Mt 9, 14-15 Is 58, 9b-14; Lc 5, 27-32

Santos e heróis do povo 27 de fevereiro

“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam” (Mt 6,19) A meditação de hoje iniciase com duas santas. Elas vão encher de amor e ternura o dia de cada um. A primeira é Santa Ana Lina, da Inglaterra, viúva e mártir. Alma privilegiada, ela sabia duas coisas, que realmente fazem a vida: a primeira, rezar; e a segunda, doar-se ao próximo. Essas duas realidades encheram completamente a sua existência. De fato, prestou grande serviço aos sacerdotes, dando ajuda aos que eram perseguidos. Quisera ter salvo muito mais. Embora tenha morrido em 1600, foi canonizada somente por Paulo 6º. Outra mulher, esta, serva de Deus, é Maria Deluil Martini (imagem), francesa. Fundou, com a ajuda do cardeal Dechamps, uma sociedade com o objetivo de reparação e oração. O que mais a preocupava na vida era exatamente aquilo que ainda hoje nos preocupa: o problema do sacerdócio dos fiéis, ou seja, como estes podem oferecer a Deus suas mágoas e dificuldades, trabalhos e alegrias. Ela foi assassinada por fanáticos, na Quarta-Feira de Cinzas de 1884. Fonte: “Santos e Heróis do Povo”, livro do cardeal Arns

Papa francisco Na segunda leitura do domingo, 23, São Paulo afirma: “Ninguém ponha sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas [isso é, Pedro], o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1Cor 3, 23). Por que o Apóstolo diz isso? Porque o problema ao qual o Apóstolo se encontra diante é aquele das divisões na comunidade de Corinto, onde se havia formado grupos que se referiam aos vários pregadores, considerando-os seus chefes; diziam: “Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefa…” (1, 12). São Paulo explica que este modo de pensar é errado, porque

a comunidade não pertence aos apóstolos, mas são eles – os apóstolos – que pertencem à comunidade; porém, a comunidade, inteira, pertence a Cristo! Desta pertença, deriva que, nas comunidades cristãs – dioceses, paróquias, associações, movimentos as diferenças não podem contradizer o fato de que todos, pelo Batismo, temos a mesma dignidade: todos, em Jesus Cristo, somos filhos de Deus. E esta é a nossa dignidade: em Jesus Cristo somos filhos de Deus! Aqueles que receberam um ministério de guia, de pregação, de administrar os sacramentos não devem se considerar proprietários de poderes especiais, patrões, mas se colocar a serviço da comunidade, ajudando-a a percorrer com alegria o caminho da santidade. A Igreja hoje confia o testemunho desse estilo de vida pastoral aos novos cardeais, com os quais celebrei a santa missa. Podemos saudar todos os novos cardeais,

com um aplauso. Saudemos todos! O consistório de ontem e a Celebração Eucarística de hoje nos ofereceram uma ocasião preciosa para experimentar a catolicidade, a universalidade da Igreja, bem representada pela variada proveniência dos membros do colégio cardinalício, recebidos em estreita comunhão em torno do sucessor de Pedro. E que o Senhor nos dê a graça de trabalhar pela unidade da Igreja, de construir esta unidade, porque a unidade é mais importante que os conflitos! A unidade da Igreja é de Cristo, os conflitos são problemas que não são sempre de Cristo. Que os momentos litúrgicos e de festa, que tivemos a oportunidade de viver ao longo dos dois últimos dias, reforcem em todos nós a fé, o amor por Cristo e pela sua Igreja! Convido-vos também a apoiar estes pastores e a auxiliá-los com a oração, a fim de que guiem sempre com zelo o povo que lhes foi confiado, mostrando a todos a ternura e o amor do Senhor. Ricardo Stuckert/PR

Tweets do papa

@Pontifex_pt 24 - Nossa Senhora está

sempre ao nosso lado, sobretudo quando o peso da vida se faz sentir com todos os seus problemas. 22 - Nunca percamos a esperança! Deus nos ama sempre, mesmo com os nossos erros e pecados. 21 - A Confirmação é importante para um cristão; dá-nos a força para defender a fé e difundir o Evangelho com coragem. 20 - Senhor Jesus, tornai-nos capazes de amar como vós.

Francisco recebeu em audiência privada na sexta-feira, 21, a presidente Dilma Rousseff, que visitou o Vaticano por causa do consistório público no qual dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro foi nomeado cardeal.

há 50 anos

O santo que os brasileiros almejam A curiosidade para obter mais conhecimento sobre o nascimento de uma cidade jovem, moderna, erguida por uma Igreja pobre e uma grotesca cruz instalada na planície de Piratininga leva um jornalista espanhol a criar, depois de conhecer a “Casa de Anchieta”, uma campanha para a canonização do fundador, o padre José de Anchieta. Há 50 anos já estava iniciando um trabalho em prol da canonização do beato José de Anchieta, fundador da cidade de São Paulo (SP). Hoje esta campanha vem sendo acompanhada pelo ar-

cebispo metropolitano dom Odilio Scherer, e, neste momento, com grande apreço pelo papa Francisco. Outra chamada do jornal era a preocupação com aqueles que não respeitavam a cidade e não davam rumo certo ao lixo, e tinham a resposta da cidade em forma de enchentes. A edição tratou de orientar os moradores da cidade e mostrou a importância dos trabalhos daqueles que cuidavam da limpeza da cidade. “Mas há pessoas que teimam em desobedecer à postura municipal, feita para o bem-estar coletivo.”

Capa da edição de 23 de fevereiro de 1963


Viver Bem

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literatura

dicas de cultura Divulgação

Com 30 obras, entre desenhos e pinturas, mostra ‘Espaço do Silêncio’ pode ser vista na Caixa Cultural As paisagens urbanas, com diversas atmosferas e significados, são a tônica dos desenhos e pinturas do artista plástico cubano Gustavo Acosta na exposição “Espaço do Silêncio”. A mostra contém 30 de suas obras e pode ser vista na Caixa Cultural, de 23 de fevereiro a 20 de abril, de

terça a domingo, das 9h às 19h. A entrada é Catraca Livre. Gustavo Acosta é conhecido por ter integrado a geração dos oitenta em seu país. Na exposição, o artista expõe, também, um material audiovisual que serve de apoio e reflexão, com base no registro de seu trabalho diário. O curador Rodolfo de Athayde afirma que Gustavo escolhe os conteúdos da sua arte representando espa-

ços e símbolos urbanos como abstrações de um mundo pós-humano. serviço O que: Gustavo Acosta: Espaço do Silêncio Quando: de 23/2 a 20/4 - Terças, Quartas, Quintas, Sextas, Sábados e Domingos das 9 às 19h Quanto: Grátis Onde: Caixa Cultural Sé

vamos cuidar da saúde!

direito do consumidor

Depressão

Policial e abordagem no carro

Essa é uma doença com uma prevalência muito alta, mas que, muitas vezes, é confundida com outras doenças por apresentarem sintomas semelhantes. Devemos prestar bastante atenção em nossos familiares e amigos pois a depressão tem cura, mas se for tratada de forma incorreta pode acarretar futuramente problemas neurológicos. E muitas vezes existe a necessidade de ser tratada pelo psiquiatra, mas há resistência. Os sintomas mais frequentes são falta de apetite, isolamento, afastamento de suas atividades prazerosas, problemas de memória e choro fácil. Na presença desses sintomas, procure um médico. Dúvidas, dracassiaregina@gmail.com

Uma vez, fui parado por um policial, enquanto dirigia meu carro, fui informado de que seria revistado pessoalmente. O policial mandou que eu descesse do carro, revistou-me e pediu minha identificação (documentos). Depois, disse-me que revistaria meu carro, mas isso pode? Pode sim, o policial pode revistar seu carro quando há uma fundada suspeita de que você tenha algo de ilícito no carro. Lógico que se recomenda que ele deixe você acompanhar a revista, mas isso não é obrigatório. Vale apenas mencionar que um trailler, onde alguém mora, não pode ser revistado pelo policial sem mandado judicial. Isso porque o Supremo Tribunal Federal (STF) já disse que se trata de forma equiparada ao conceito de “casa”, e por proteção constitucional a casa é inviolável. Saiba de seus direitos, procure um advogado. Dúvidas: ronaldquene@gmail.com.

Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF).

Ronald Quene é formado em Direito

O jornal O SÃO PAULO

Roteiros Homiléticos da Quaresma A Quaresma é tempo oportuno de penitência e de conversão. “Convertei-vos e crede na Boa Nova!” é o apelo que Jesus nos dirige neste tempo “favorável da Quaresma”. A acolhida deste apelo implica “pôr-se a caminho iluminados pelo próprio Senhor”. “A liturgia quaresmal prepara para a celebração do mistério pascal tanto dos catecúmenos, fazendo-os passar pelos diversos degraus da iniciação cristã, como dos fiéis, que recordam o próprio Batismo e fazem penitência” (NALC, nº 27). Formato: 14 x 21 cm | 80 p. R$ 7,00 Disponível em: www.edicoescnbb.com.br

está de cara nova

Assine O SÃO PAULO faça parte você também desta mudança e-mail: assinaturas@osaopaulo.org.br (11) 3666-9660 / 3660-3723 / 3660-3724


6 Fé e Vida

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direito canônico

fé e cidadania

A subsidiariedade no âmbito da Igreja (2)

Mercadores de carne humana

Padre Carlos Roberto Santana da Silva

dade nos institutos religiosos como se vê nos seguintes cânones: o cânon 634, § 1, determina que os institutos, províncias e casas, como pelo próprio direito, são pessoas jurídicas, têm a capacidade de adquirir, possuir, administrar e alienar bens temporais, a não ser que essa capacidade seja excluída ou limitada nas constituições; o cânon 635, § 2, propõe que todos os institutos devem estabelecer normas adequadas sobre uso e administração dos bens, pelas

Pelos Ordinários de lugar ou Ordinários religiosos. Têm competência os Ordinários de lugar ou Ordinários religiosos, nesses casos: o cânon 1263 determina que o Bispo diocesano, ouvido o conselho econômico e o conselho presbiteral, tem o direito de impor às pessoas jurídicas públicas, sujeitas a seu regime, um triO cânon 634, § 1, determina que buto moderado, os institutos, províncias e casas, em favor das necessidades da como pelo próprio direito, são Diocese; o cânon pessoas jurídicas, têm a capacidade 1276, § 2, deterde adquirir, possuir, administrar e mina que os Ordinários devem alienar bens temporais, a não ser providenciar a que essa capacidade seja excluída ou organização gelimitada nas constituições ral da administração dos bens eclesiásticos por meio de ins- quais seja promovida, defentruções especiais, dentro dos dida e expressa a pobreza limites do direito universal e que lhes é própria; o cânon particular; o cânon 1303, §§ 1 638, § 1, estabelece que e 3, determina a competência compete ao direito próprio, da autoridade eclesiástica a dentro do âmbito do direirespeito das fundações pias; to universal, determinar os o cânon 1304, § 2, determina atos que excedem os limites que sejam estabelecidas, pelo e o modo da administração direito particular, outras con- ordinária e estabelecer o que dições para a constituição e é necessário para praticar validamente um ato de admiaceitação de fundações. Há uma ampla aplicação nistração extraordinária. do princípio de subsidiarie(Continua na próxima edição.)

Padre Alfredo José Gonçalves

A frase do título representa uma denúncia de Joao B. Scalabrini, bispo de Piacenza, no fim do século 19. Scalabrini – “pai e apóstolo dos migrantes” – referia-se aos intermediários que, no fenômeno das migrações históricas da época, traficavam com a mão de obra dos emigrados europeus especialmente para as Américas. Eram mercadores sem coração, que aproveitavam da necessidade de quem buscava um futuro melhor para a família, comercializando inescrupulosamente os seus sonhos de trabalho e pão, Pátria e dignidade. Se é verdade que a mobilidade humana faz parte do direito de ir e vir, também é certo que, muitas vezes, o deslocamento se torna compulsório, devido às condições de vida nos países de origem. Passou-se mais de um século, mas a frase-denúncia de Scalabrini continua viva e atual, como uma chaga aberta em pleno século 21. O tráfico de

seres humanos para a explora- pessoal ou familiar, eclesial ou ção trabalhista ou sexual atin- social, impõe-se uma solidariege milhões de pessoas, como dade incondicional para com mostra a Campanha da Frater- quem sofreu tais abusos. A denúncia torna-se chave nidade (CF) deste ano. Juntamente com o tráfico de armas para combater o tráfico. Não e de drogas, constitui uma das tanto uma denúncia em nível fontes de maior rentabilidade pessoal, que pode trazer perseguições desnecessárias, mas da economia globalizada. Nos subterrâneos das rela- em nível institucional, envolções internacionais, o crime or- vendo movimentos, pastorais, ganizado não poupa mulheres e entidades, Igrejas, setores do até crianças, quando o objetivo governo e organismos internaé a exploração. No fim da linha Se é verdade que a mobilidade desse comércio ilegal e ilegítimo, humana faz parte do direito de ir o sonho se cone vir, também é certo que, muitas verte em pesadevezes, o deslocamento se torna lo. O Brasil hoje vem sendo um compulsório, devido às condições de dos países que vida nos países de origem fornecem “trabalhadores e trabalhadoras” para essas transa- cionais de defesa dos direitos humanos. ções criminosas. Quanto à informação, revelaA CF-2014 nos desafia: o que fazer diante dessa situa- se condição básica nos lugares ção? Três palavras resumem de origem. Números, fatos e roas possibilidades de ação so- tas do crime organizado devem ciopastoral: acolhida, denúncia ser divulgados amplamente ene informação. A acolhida cons- tre famílias, escolas, comunidatitui o DNA da Pastoral Migrató- des e em toda a sociedade. A inria. No caso dos tráfico, requer formação pode figurar como um uma sensibilidade especial às verdadeiro antivírus, uma vacina feridas das vítimas, difíceis de contra a possibilidade de cair na serem cicatrizadas. Em nível rede do tráfico.

espaço aberto

Fogo em ônibus Marcelo Camargo/Agência Brasil

Professor na PUC-SP

Padre Antonio Manzatto

ASSOCIAÇÃO CULTURAL E BENEFICENTE P. O BEM ESTAR DO IDOSO. CNPJ N. 09.584.987/001-03 São Paulo, 19 de fevereiro de 2014.

CONVOCAÇÃO PARA A ASSEMBLEIA 11 DE ABRIL DE 2014, ÁS 14H. Estamos convocando os participantes, diretoria e membros do conselho fiscal para comparecerem á ASSEMBLEIA da Associação Cultural e Beneficente para o Bem-Estar do Idoso, que será realizada no dia 11 de abril de 2014, ás 14h00min horas, em 1ª. Convocação e, ás 14h30m, com qualquer números de participantes presentes, na sede na R Apiacás, 266, CEP 05017-020, Perdizes, Município de São Paulo, Capital, para discutir e deliberar sobre a seguinte: ORDEM DO DIA: 1 - Alteração do Estatuto da Associação; 2 - Contrato de assessoria jurídica; 3 - Contrato para ASSESORIA, na aprovação do projeto do asilo junto á CETESB; 4 - Eleição da Nova Diretoria para o triênio 2014-2017; 5 - Mudança de endereço da Associação para a R Pelágio Lobo, 107, bairro Perdizes, CEP 05009-020, Capital-SP; 6 - Aprovação das Contas de Resultado da Diretoria, referente aos Balancetes 2011, 2012 e 2013. Associação Cultural e Beneficente para o Bem-Estar do Idoso. Padre Bartolomeu da Silva Paz - Presidente Rua Apiacás, 266, Perdizes, cep 05017-020. Fone 3864-4193 São Paulo/sp

O início de 2014 foi quente não apenas na temperatura, mas também na explosão da violência que acarretou no hábito de incendiar ônibus. Na cidade de São Paulo, isso aconteceu em todas as regiões, atingindo mais de 50 veículos. O mesmo aconteceu em outras cidades do Brasil, e também o pacato interior de São Paulo conheceu esse tipo de violência. De um lado isso mostra que há uma forte indignação popular não apenas contra a forma de organizar o transporte público, mas contra a forma de organizar a sociedade. Claro que a violência das manifestações não resolve nenhum problema, mas indica que a paciência da população chegou ao limite. De outro lado, e isso é que pasma, mostra a total incapacidade do Governo reagir diante de tais circunstâncias. O Governo não sabe por que os ônibus são incendiados, não

sabe quem faz isso, porque acontece, não sabe de nada! Incapaz de organizar de forma civilizada o transporte público, também se mostra incapaz de manter a ordem social e a segurança de trabalhadores que, simplesmente, precisam se deslocar pela cidade. Até agora os responsáveis pela segurança pública no Estado não sabem dizer por que ônibus são incendiados, qual a relação que existe entre os diferentes episódios, nem como os moradores da periferia vão se virar com a necessidade de uti-

lizar o transporte público, que se torna cada vez mais raro. Motoristas e cobradores de ônibus, com razão, têm medo de circular em certos lugares e horários, e por isso se mobilizam querendo mais segurança. A população que precisa de transporte se pergunta como fazer para ir e voltar se os ônibus não circulam. E o Governo assiste a tudo sem reação, no velho discurso de que está fazendo. Sim, a população está vendo o que está sendo feito e se lembra também de que este é um ano eleitoral.


Igreja em Ação

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comiar

bioética

Um passo no caminho de nossa vocação missionária

Bioética, J. F. Kennedy, A. Huxley E C. S. Lewis (1)

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Integrante de COMIÂR da Arquidiocese de São Paulo

Irmã Carolyn Moritz, MM

Às vezes, para nós, cristãos, especialmente nós que estamos envolvidos nas pastorais da Igreja, vem a ideia errada que temos todas as respostas e soluções dos problemas do mundo. Pensamos que somente nós sabemos evangelizar corretamente, e que o Reino vai chegar por causa de nosso trabalho, esquecendo que somente somos os operários no vinhedo do Senhor. Mas chega a hora em que enfrentamos, face a face, a nossa arrogância e fraqueza. O cristão, discípulo missionário de Jesus Cristo, não pode usurpar a missão de Jesus como se fosse dele. Temos no Evangelho nosso padroeiro que nos ajuda a seguir um caminho de verdade e humildade – São Pedro. Pedro era o apóstolo que sempre tinha as respostas corretas para o Senhor: “Não deve ir a Jerusalém para ser crucificado” ou “Eu nunca vou denunciar você”. Sabemos que aconteceu. Mas a humildade salvou Pedro, e a humildade vai nos salvar, também. A humildade frente a nossa fraqueza é o dom que nos ajuda a reconhecer nossa pequenez. Humildade é o dom que temos que pedir cada dia e em cada situação de nossas vidas. Para nos situarmos dentro de uma atitude de humildade, é bom sempre lembrarmos que essa obra não é nossa iniciativa, mas a iniciativa de Deus. Cada um de nós pode cumprir somente uma fração

padre leo pessini

do trabalho, e nossa fração é como uma gota de água. Precisamos dessa gota e temos que contribuir com ela. Com isso sabemos que a gota é necessária, mas a gota não é o mar. Nada que fazemos neste mundo está completo. O Reino de Deus sempre está além de nós. Quando falamos, não é possível dizermos tudo – uma boa razão de fazer homilias curtas. Nossas orações nunca vão expressar toda a nossa fé. Nenhum projeto pastoral cumpre toda a missão da Igreja. O mais que cada discípulo missionário de Jesus Cristo pode fazer em sua vida é plantar sementes que um dia, talvez, vão crescer. Também podemos regar as sementes que ou-

tros plantaram. Podemos fazer os tijolos ou colocar o alicerce, mas não somos os construtores mestres, mas somente operários. Nossa sabedoria vem de saber que não podemos fazer tudo, mas temos que fazer algo para participar na obra missionária de Deus. É com humildade que entramos no caminho dessa vocação, sabendo que nosso trabalho pode parecer incompleto, mas está em construção – e isso é suficiente. É pela graça de Deus e pelo conjunto dos trabalhos de nossos irmãos e nossas irmãs que se vai cumprir a obra. Nós temos que ficar contentes com isso e agradecer o Senhor, pois somos parte da obra.

“Cursar teologia é ver o mundo com os olhos da fé” (edição 2989) Muito rica e interessante esta matéria. Gostei! Fraterno abraço!

gar à nova construção. Não é para saber mais e sim para ser melhor. Pessoa melhor. Mais “gente”!

pelo trabalho de vocês. Obrigada por tudo.

Levi José, pelo facebook

Irineu Uebara, pelo facebook

Cursar Teologia é aprender que muito do que se sabe precisa ser desconstruído para dar lu-

“San Gennaro: uma igreja além da festa” (edição 2990) Que linda reportagem. Parabéns

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

espaço do leitor

EDITAL DE CONVOCAÇÃO Pelo presente edital fica convocada a Sra. JOSIANE MARANGONI (PARTE DEMANDADA), com endereço desconhecido para que compareça de terça à sexta feira, das 13h00 , às 15h00, ao tribunal Eclesiástico Regional e de Apelação de São Paulo, à Av. Higienópolis,901- Higienópolis- São Paulo- SP, para tratar de assuntos que lhe diz respeito. São Paulo,03 de fevereiro de 2014 Côn. Martin Segú Girona Vigário Judicial

Janice Gajanigo, secretária da paróquia Santa Gennaro

Por uma daquelas estranhas coincidências da História, John F. Kennedy, Aldous Huxley e Clive S. Lewis morrem no mesmo dia, aos 22 de novembro de 1963, portanto há 50 anos. Claro que o assassinato de JFK, do jovem e elegante presidente norte-americano, foi um dos fatos midiáticos mais divulgados da História humana e ainda hoje causa fascínio, levanta dúvidas e chama a atenção de todos. A celebração dos seus 50 anos de morte ocasionou uma enxurrada de comemorações nos Estados Unidos, publicações e discussões na mídia mundo afora. Enfim, ele se transformou num mito que o imortaliza como se estivesse vivo entre nós, ainda hoje. Devemos à família Kennedy a criação do Instituto Kennedy de Bioética na famosa Georgetown University, dirigida pelos Jesuítas norte-americanos no início dos anos 70 do século passado. Os patriarcas da família Kennedy, Joseph e Rose, doaram 1 milhão de dólares para o início das atividades deste centro de pesquisa ética, a fim de investigar as causas das doenças de origem genética, já que eles tinham uma filha que sofria de distúrbios mentais atribuídos à questão hereditária da família. É nesse centro de Bioética que se firma o chamado paradigma principialista da Bioética, hegemônico nas primeiras três décadas de uma história de 43 anos de Bioética. Nenhum estudante ou interessado de Bioética pode deixar de ler a novela de ficção científica, “Admirável Mundo Novo”, de 1932, em que ele prevê clínicas de fertilização in vitro, clonagem, engenharia genética, separação entre sexualidade e reprodução e uso de drogas que alteram profundamente o “humor” humano. Assim se expressa um dos líderes daquela sociedade no ano 632 após Ford, exaltando os benefícios da droga denominada “soma”. “Existe sempre soma para acalmar a sua angústia, para reconciliá-lo com seus inimigos, para torná-lo paciente frente ao sofrimento. No passado, você pôde somente conseguir essas coisas com grande esforço e após anos de duro treinamento moral. Agora, você toma dois ou três comprimidos e você está lá. Todos podem ser virtuosos agora. Você pode carregar pelo mesmo método de sua moralidade em garrafas. Cristianismo sem lágrimas, isto é o que define o ‘soma’.” (Continua na próxima edição).

Colégios, instituições, centros culturais e associações, publiquem seus balanços e editais em

3666-9660 / 3660-3709 / 3660-3723 / 3660-3724


8 Igreja em Ação

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Mundo do trabalho – pastoral operária

pastoral fé e política

A trama contra os direitos dos trabalhadores

Formação política

Waldemar Rossi

Em artigo publicado pelo “Correio”, no dia 25 de janeiro, tive a ocasião de mostrar, através de várias fontes, a falácia do “Rombo da Previdência”, publicada com alarde pela imprensa. Pude mostrar que o tal “rombo” nada mais é que a soma das sonegações reconhecidas oficialmente, mas não cobradas, com as sonegações não declaradas e com a oficialização da sonegação através dos incentivos fiscais às grandes empresas, principalmente às montadoras. No dia 30 do mesmo mês, a própria imprensa – sempre a serviço dos interesses do capital – revela que o Governo Dilma planeja ampliar a flexibilização do trabalho temporário. Matéria publicada no “Estadão”, originária de Brasília, de autoria de João Vilaverde, diz o seguinte: “Para baixar o custo da mão de obra e agilizar o mercado de trabalho, o governo federal quer flexibilizar a contratação de trabalhadores temporários pelo setor privado. Inicialmente prevista para contratações visando a Copa do Mundo, a Medida Provisória (MP), em preparação, vai permitir essas contratações flexíveis, sem registro em carteira, para todos os setores da economia. Em qualquer momento do ano, em todo o País”. “... No governo, a futura Medida Provisória é apelidada de ‘MP Magazine Luiza’, dada a influência da empresária Luiza Trajano na gestação do mecanismo, inicialmente proposto pelo Planalto e formulado no âmbito do Conselho de Relações de Trabalho, que conta com integrantes do Governo, do setor privado e dos sindicatos”. (Negrito para destaque da ação sindical apelegada e vendida aos interesses do capital, como temos denunciado com frequência.) Outra curiosidade que aparece na mesma página do “Estadão” (B7 – 30/01/14), revela, mais uma vez, que o “déficit da Previdência fecha 2013 com alta de 14,8%, para R$ 51,2 bilhões”. E aqui aparece a criminosa manobra coletiva: Governo fala em baixar custo da mão de obra; sindicalistas pelegos se juntam aos empresários para tramar contra os trabalhado-

res; imprensa se incumbe de mostrar dados como se fossem soltos, sem revelar a sórdida trama contra aqueles que geram as riquezas com seu trabalho, suor e, muitas vezes, com a própria vida, como vem acontecendo nas obras dos estádios de futebol, das barragens, dos altos edifícios. A mídia e o Governo procuram passar a imagem de que tais medidas vão ajudar a gerar trabalho temporário, e que isto, implicitamente, favorece o trabalhador. Porém, a verdade é bem outra. O que se constata é que são várias as formas de punir quem trabalha, usurpando seus direitos, enquanto joga com o canto da sereia da ampliação de postos de trabalho. Alguns aspectos dessa sórdida manobra: - Ao apoiar a ampliação das contratações temporárias sem registro em carteira, o Governo está, de fato, permitindo que essas empresas deixem de contribuir para o fundo da Previdência. Não sendo repassado o dinheiro devido, o tal “rombo” cresce. É manobra antiga que visa tornar os serviços da Previdência precários. Com isto tentam “justificar” a eliminação dos direitos dos trabalhadores. Tal atitude implica no desrespeito às leis nacionais, consagradas pela nossa Constituição, desrespeito praticado por empresários e pelo governo. - Não sendo registrado, o trabalhador fica desamparado dos seus direitos e da devida assistência previdenciária, garantida pela Constituição de 1988. E quem pratica esse crime é o Governo Federal, presidido por Dilma. - Com essa manobra sórdida, o Governo incentiva a rotatividade no emprego, uma das maiores do mundo, com dispensas e recontratações constantes; a cada dispensa, o trabalhador fica tempos sem sua fonte de renda necessária à manutenção de sua vida e da sua família; e a rotatividade tem sido a principal forma do rebaixamento salarial e do padrão de vida do trabalhador brasileiro. As novas medidas irão acelerar essa deterioração, gerando mais desespero e revolta. Felizmente, ainda restam esperanças que nascem nas ações das novas gerações descrentes de tudo o que é oficial. São os que querem e que deverão, com o passar do tempo, provocar as mudanças pelas quais minha geração lutou bravamente.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

marcia@pastoral fp.com A cidade vive um tempo propício ao debate político sobre o Estado que temos e o Estado que queremos. Para qualificar esse debate, espaços de formação e reflexão política têm se desenvolvido com as Escolas de Cidadania, Fé e Política. Em 2013, a Região Belém inaugurou a Escola de Fé e Política Waldemar Rossi, que entra em seu segundo ano. As aulas acontecem às segundas-feiras, das 19h30 às 21h30, no Centro Pastoral São José. Em 2014, a Região Santana inaugura a Escola de Fé e Política Dom Paulo Evaristo Arns. As aulas serão às terças-feiras, das 19h30 às 21h30, no Centro de Formação Pastoral Frei Galvão/Cúria de Santana. As escolas buscam refletir e aprofundar questões sóciopolíticas-econômicas a partir da fé cristã para sermos “Sal e Luz no mundo” por meio de ações cidadãs. Tem entre seus objetivos: refletir as questões sociais sob o ponto de vista da Doutrina Social da Igreja; desenvolver senso crítico em vista da participação cidadã; mapear a realidade de área geográfica da cidade, identificando as estruturas a serviço da vida e as carências; construir plano de metas para a área geográfica estudada; fomentar o diálogo com poder público em vista a ações concretas frente às demandas identificadas durante o Curso. Os cursos desenvolvem-

-se em módulos com enfoque na capacitação para ação no município. Serão desenvolvidos os aspectos da Relação Fé e Política, Doutrina Social da Igreja, Prefeitura – Programa de Metas, Lei Orgânica do Município, Plano Diretor, Conselho Participativo Municipal, Orçamento Municipal (PPA LDO LOA), Campanha da Fraternidade como instrumento de ação política, Conceitos fundamentais da Política, organização do Estado e princípios constitucionais no Brasil, Democracia Participativa, Democracia Direta, Democracia Representativa – Reforma Política, Políticas Públicas, Controle Social no Município, Fé e Política no território, Questões sociais e econômicas no Brasil, transformação social e respei-

to aos direitos fundamentais da pessoa humana, economia e a política – crescimento e desenvolvimento sustentável Mais informações e disponibilidade dos horários podem ser obtidas no site da Pastoral, www.pastoralfp.com, no Belém (telefone 3022-6821, e-mail: escolafp@pastoralfp.com) e em Santana (telefone 29915882, e-mail: cpfreigalvao@ gmail.com). Embora a justa ordem da sociedade e do Estado seja dever central da política, a Igreja não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. O pensamento social da Igreja orienta uma ação transformadora e é sinal de esperança que brota do coração amoroso de Jesus Cristo (papa Francisco Evangelii Gaudium, n.183).

PASTORAL FAMILIAR

Família em questão (2) Secretários da Pastoral Familiar Arquidiocesana.

Zuleica e João Abrahão

O papa Francisco participou que aproveitou a reunião do Colégio Cardinalício, realizada em 20 e 21 de fevereiro, para refletir sobre a realidade da família no mundo atual, visto que ela passa por transformações profundas na sociedade moderna, que chegam a pôr em dúvida a própria instituição familiar. Lembra, fundado no Documento de Aparecida, que “a família é o valor mais querido por nossos povos e que se deve assumir a preocupação por ela como um dos eixos transversais de toda ação evangelizadora da Igreja” (DAp nº 435).

Pondera da responsabilidade da Pastoral Familiar, a fim de que seja intensa e vigorosa “para proclamar o Evangelho da família, promover a cultura da vida e trabalhar para que os direitos das famílias sejam reconhecidos e respeitados” (idem). As pastorais, em especial a Pastoral Familiar, estão em compasso de espera no aguardo da realização da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, a ser realizada entre os dia 5 e 19 de outubro, que versará a respeito dos “desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”. Aguardemos o Sínodo com alegria e esperanças e, também, com preocupação e cautela. Que o Sínodo se inspire e se deixe conduzir pelo Espírito Santo. As famílias estão em cri-

se e pedindo socorro. Muitas famílias, digamos em circunstâncias particulares, precisam de ajuda e desejam ser aceitas como membros ativos da comunidade eclesial (Familiaris Consortio nºs 77-85). Que elas não se sintam excluídas, nem sejam fonte de preconceito. Ao contrário, que não se considerem separadas da comunidade eclesial e aí sejam estimuladas a integrá-la como filhos amados e queridos de Deus. E, assim, enfim, que não se releguem esforços para que a instituição familiar – considerada em todas as suas circunstâncias particulares – seja fortalecida para o bem de toda a humanidade, hoje e sempre, pois, “através da família, passa a história do homem, a história da salvação da humanidade” (Cartas às Famílias – papa João Paulo 2º – nº 23).


Geral

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Na alegria do Evangelho, jovens participam de retiro Encontro promovido pelo Setor Juventude estudou a exortação Evangelii Gaudium Edcarlos Bispo de Santana

reportagem na zona leste

O Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo promoveu, no sábado, 22, das 8 às 17h, um momento de retiro espiritual para os jovens de pastoral, movimentos e novas comunidades que fazem parte do Setor. Participaram do encontro, de acordo com a coordenação, cerca de 200 jovens. Os jovens refletiram sobre a exortação apostólica Evangelii Gaudium. A apresentação do documento do papa Francisco foi feita por dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário na Região Brasilândia. “A exortação dá o tom e indica para a Igreja clara e nitidamente o caminho a percorrer”, afirmou o Bispo. “Os jovens devem se sentir protagonistas, serem chamados em causa. Os jovens mais do que ninguém devem se sentir comprometidos com essa missão. Nada melhor que colocar essa exortação nas mãos dos jovens para que eles possam compreender o apelo que hoje Deus faz a sua Igreja, faz

a cada um de nós para o anúncio do Evangelho”, disse dom Milton. O jovem Reinaldo Santos, do Ministério Jovem do Belém, destaca que a juventude precisa ter essa alegria, pois a mesma é baseada na alegria. “Uma juventude sem alegria sem sonhos, não é juventude, é algo que nem sei explicar o que seria. É algo perdido. A juventude

tem que sonhar, tem que ser alegre, acredito que uma juventude firme e forte caminha com alegria. A Evangelii Gaudium é isso, transmitir a alegria por meio das palavras do nosso Papa.” De acordo com Reinaldo, um grande desafio para a juventude na atualidade é sair da comodidade, ir à missão, ser evangelizador e anunciar a Boa

Nova que é Jesus Cristo. “Esse é o grande chamado da juventude”, afirmou. Para o padre André Torres, sdb, assessor do Setor Juventude, a própria juventude já possui dentro de si a alegria, pois vive a vida com alegria e tem o olhar de esperança e de futuro. O Sacerdote destacou que é preciso apoiar a juventude para que “a ação de ir ao encontro

aconteça com facilidade”. Por sua vez, dom Milton acrescenta que a exortação coloca a Igreja em uma atitude saída, em um caminho que deixe de lado a comodidade e assuma sua missão. Para o Bispo, a Evangelii Gaudium propõe esse mesmo desafio à juventude, que ela saia de si mesma e vá ao encontro do outro em uma atitude evangelizadora. Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Encontro reúne aproximadamente 200 jovens ligados à Pastoral da Juventude, movimentos e novas comunidades em dia de estudo sobre a exortação apostólica

Arquidiocese de São Paulo prepara Jornada Universitária para março Daniel Gomes

Reportagem no centro

Testemunhar a fé católica no ambiente universitário nem sempre é tarefa fácil. “Uma das nossas lutas é a questão da fé e da razão: temos que estar preparados e conhecer a história da Igreja e a doutrina para saber daquilo que acreditamos”, contou, ao O SÃO PAULO, Inaiara Saraceni de Andrade, 23, estudante de Astronomia na USP, onde participa do grupo de oração universitário do Ministério Universidades Renovadas. Atenta à realidade dos universitários católicos na cidade, a Arquidiocese de São Paulo realizará no sábado, 15 de março, às 15h, na Fapcom (rua Major Maragliano, 191, vila Mariana), uma Jornada Universitária para refletir sobre a “A Alegria de Evangelizar nos desafios da universidade”. Na última reunião preparatória da atividade, na quinta-feira, 20, no Mosteiro de São Bento, padre Vando Valentini, assessor

da Pastoral Universitária, detalhou que no evento, que terá a participação do cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, será apresentado um panorama dos desafios do ambiente universitário, três professores testemunharão suas experiências de fé no mundo

acadêmico, haverá diálogo com os participantes, além de apresentações artísticas na perspectiva da evangelização. “O propósito do evento é que os universitários possam participar de um gesto de Igreja amplo e que encontrem pessoas mais maduras no caminho

de fé dentro da universidade”, explicou o Padre. “Hoje não dá para ser católico na universidade sem enfrentar uma batalha muito grande, não com os outros, mas, muitas vezes, consigo mesmo, para não ter medo de dizer o que acredita”, completou. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Segundo dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial da Pastoral Universitária, a Jornada possibilitará a acolhida dos novos universitários. “Será uma forma de a gente acolher bem aqueles que entram na universidade, para que possam viver essa experiência não como algo que seja um obstáculo à vida de fé, mas um pleno desabrochar, um amadurecimento da fé”, comentou. Já para Inaiara, a Jornada ajudará não só os calouros, mas também os veteranos, que por vezes desanimam na fé pelas críticas que recebem. “É legal se reunirem e descobrirem que todos os universitários católicos vivem a mesma realidade, mas que é possível continuar sendo sal e luz dentro da universidade”, opinou. Para participar do evento não é necessária inscrição prévia. Outras informações pelo telefone (11) 3670-8557 ou no e-mail pastoraluniversitariasp@gmail.com.


10 Geral

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Loris Capovilla, o poder de um símbolo Loris Capovilla, 99 anos, foi secretário pessoal do papa João 23 e escolhido pelo papa Francisco para estar nos novos cardeais, em seu primeiro Consistório. Capovilla vive em Sotto il Monte, a cidadezinha na qual nasceu João 23. Dias depois de eleito, Francisco telefonou a Capovilla e lhe disse, brincando: “O senhor tem voz de jovem”.

Aumenta a violência contra padres em todo o mundo Salesianos na Venezuela

Dados de 2013 quase dobraram em relação ao mesmo período de 2012, segundo relatório da Agência Internacional Fides Padre Michelino Roberto Diretor do O SÃO PAULO

Um relatório elaborado pela Agência Internacional Fides revela que em 2013 quase dobrou o número de agentes de pastoral católicos que foram

mortos de forma violenta ao redor do mundo. Foram 23 mortes contra 13 registradas no ano anterior. Segundo o relatório da Fides, a maior parte das vítimas que morreram em circunstân-

cias que envolviam violência era sacerdotes (20 no total) e, pelo quinto ano consecutivo, a maior parte dos casos ocorreu na América Latina, sobretudo na Colômbia. Na lista dos agentes de

pastoral vítimas da violência de 2013 consta um brasileiro, padre Elvis Marcelino de Lima, 47, morto com dois tiros nas costas em uma tentativa de assalto em 13 de julho de 2013, na cidade de

Fortaleza, no Ceará. Padre Elvis era superior regional da Congregação da Sagrada Família de Nazaré e foi baleado por dois rapazes, de 20 e 21 anos, após entregar a estes as chaves do carro, um celular e os poucos trocados que tinha. O caso provocou grande comoção local. Mais recentemente, em 15 de fevereiro, outros dois religiosos salesianos foram assassinados em Guapano, Diocese de Valência, Venezuela. Padre Jesus Plaza, 80 anos, e o irmão Luis Sanches, 84, foram mortos em uma tentativa de assalto à Casa Dom Bosco em Guapano, realizado por dois menores, de 13 e 15 anos (foto).

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Pastoral Operária promove estudo sobre a Evangelii Gaudium A Pastoral Operária Arquidiocesana promoverá um seminário de estudo sobre a Evangelii Gaudium do papa Francisco. O evento será no sábado, 15, das 9h às 16h, no Centro de Pastoral São José do Belém (rua Álvaro Ramos, 366). A assessoria será do padre Miguel Pipolo e o e-mail para informações é pometropolitana@yahoo.com.br.

‘Não adianta falar de combate ao tráfico humano sem falar de combate à pobreza’ Arquivo pessoal

Religiosa que trabalha no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes fala da importância da Campanha da Fraternidade 2014 Edcarlos Bispo de Santana

redação

“Nenhum tipo de criminalização nos deve fazer recuar. Temos que levantar a cabeça e saber que a vida é muito preciosa para ser violada.” A entrevista foi feita por telefone, antes de ligar para o celular da irmã Henriqueta Cavalcante, que mora no Pará, foi preciso enviar uma mensagem, explicar a importância da matéria para, após a concordância da religiosa, ligar e fazer a entrevista. Devido ao seu trabalho junto à Comissão de Justiça e Paz da CNBB, a Irmã é vítima de ameaças, por isso a cautela no atendimento de ligações de números desconhecidos. Henriqueta atua no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes e, conse-

Irmã Henriqueta (dir.) junto as atrizes Dira Paes e Nanda Costa, no lançamento da campanha de combate ao tráfico humano

quentemente, no combate ao tráfico humano. A Religiosa não escondeu sua empolgação com a Campanha da Fraternidade deste ano, “Fraternidade e Tráfico Humano”, “Estou muito confiante no objetivo dela [da Campanha], que é dar visibilidade para esse crime e diminuir o número de possíveis vítimas.” A Irmã, porém, alerta que é preciso cuidar “para que a Igreja e a CF tenham coragem de

denunciar o problema que vivemos, não adianta falar de combate ao tráfico humano sem falar de combate à pobreza, combate à desigualdade econômica, desigualdade cultural que existe em nossos locais”. Henriqueta comenta sobre a existência de documentos e leis que pautam o combate ao tráfico humano, como, por exemplo, Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, porém a execução

de tais leis acaba se tornando um desafio. Para ela, nenhuma das esferas do Poder Público – Federal, Estadual e Municipal – conseguiu “dar atenção e atendimento adequado para as pessoas que sofrem com o problema do tráfico”. “Não podemos apenas pensar em enfrentar esse crime, mas se trata de dar respaldo para quem consegue se livrar dele. É preciso prevenir esse ato criminoso, precisamos de

uma estrutura maior para que o serviço seja qualificado”, afirmou. “Há um caso emblemático de uma moça que foi traficada para a Espanha e retornou de uma forma completamente destruída. O olhar dessa moça, a fala dela, atualmente sofre de uma esquizofrenia muito avançada... Ela perdeu o sentido da existência. Isso me chama a atenção porque ela está tão arrebentada. O que mais me preocupada é o fato de ela não se identificar. Ela sofreu tanto e não nega o sofrimento, mas nega que foi traficada. A pessoa que a traficou está em liberdade, e ela está numa situação de miséria e de abandono por parte do Estado, que não garante a recuperação mínima de sua saúde mental e qualidade de vida”, conta a Religiosa referindo-se a um dos casos que mais a marcou. A denúncia feita por irmã Henriqueta é sobre a falta de fiscalização nas fronteiras do País. Ela aponta a entrada de bolivianos, venezuelanos, paraguaios e haitianos, muitas vezes vítimas de tráfico para servirem ao trabalho escravo, à prostituição e, até mesmo, à mendicância. Os estados para os quais esses traficados se direcionam são os mais distintos, a Irmã enumera alguns: São Paulo, Acre, Amazonas e Pará.

CNBB promove curso a distância sobre a CF-2014 Nayá Fernandes Redação

A primeira turma do Curso a distância sobre a Campanha da Fraternidade 2014 começou na segunda-feira, 24, com 200 inscrições. Com o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1), o curso é uma novidade da CNBB para a CF deste ano, e conta com a supervisão da equipe executiva da Campanha. A plataforma escolhida foi a SOLAR, uma empresa que visa contribuir com a mudança na percepção sobre o valor de participar da construção das

políticas públicas e oferecer serviços à sociedade que contribuam para a qualificação das políticas públicas e para a garantir o acesso das pessoas aos direitos humanos. Segundo Cácio Nunes de Oliveira Borges, coordenador de Educação a Distância, o curso tem tido muita procura e as inscrições são de todo o País. Para a segunda turma (que começa dia 17 de março) já são mais de 50 pessoas inscritas. “Há muitas paróquias que nos procuraram e pessoas físicas também. A nossa programação inclui textos, vídeos, áudios e muita interação, inclusive dois chats com especialistas no tema”, disse.

Serão quatro módulos, com total de 40 horas e duração de 40 dias. O conteúdo programático foi desenvolvido a partir do Texto-Base da CF 2014, focado no método: ver, julgar e agir. As unidades do curso são: O tráfico humano no contexto da globalização, com foco na mobilidade e trabalho, e as formas de enfrentamento ao tráfico humano; A iluminação no Antigo e Novo Testamento; Propostas para o enfrentamento do tráfico humano e canais de denúncia e Histórico e sentido da Campanha da Fraternidade no Brasil. De acordo com o secretário executivo da CF, padre Luiz

Carlos Dias, em entrevista publicada no site da CNBB, o objetivo do curso é “oferecer uma nova modalidade de capacitação sobre os conteúdos da Campanha da Fraternidade e, assim, contribuir com a formação que ocorre nos regionais e em várias dioceses do Brasil”. Serviço O que: Curso a distância sobre a Campanha da Fraternidade 2014 Quando: Em três turmas nos dias 15, 17 e 24 de março Quanto: R$ 20 Informações: www.solarconsultoria.com ou (61) 3364.2097


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Combate aos ‘fichas-sujas’ pode ser mais eficaz Luciney Martins/O SÃO PAULO

MCCE realiza petição on-line para que Justiça Eleitoral exija de candidatos certidões cíveis e criminais Daniel Gomes Redaçao

Nas eleições municipais de 2012, foram barrados mais de mil candidatos em todo o Brasil, com base na Lei da Ficha Limpa (lei complementar nº 135/2010). Esse número poderia ser ainda maior se já ao registrar as candidaturas, a Justiça Eleitoral determinasse a apresentação das certidões criminais e cíveis dos candidatos. Atualmente, somente a primeira é exigida. “Condenações como a de improbidade administrativa, por exemplo, tramitam na esfera cível e nem sempre acabam caracterizando algum crime, mas a condenação em segunda instância desses processos impede a candidatura. Dessa forma, se faz necessária a apresentação de todas as certidões para efeito de regis-

Exigência de certidões cíveis deve facilitar combate à candidatura de políticos ‘fichas-sujas’ nas próximas eleições

tro de candidatura, pois caso seja somente apresentada as certidões criminais, o candidato poderia não ter impugnações, conseguiria o registro, poderia ser eleito e tomar posse”, explicou, ao O SÃO PAULO, o advogado Luciano Santos, integrante do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e presidente do Centro

Santo Dias de Direitos Humanos. Com vistas a fazer com que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exija já nestas eleições que cada candidato apresente as certidões cíveis retiradas nos estados onde morou nos últimos oito anos, o MCCE lançou uma petição on-line, que até a segunda-feira, 24, já tinha

recebido mais de 67,5 mil assinaturas, por meio do site www. change.org/certidoesciveis. Os ministros do TSE têm até 5 de março para apresentar a resolução referente ao registro de candidaturas para as eleições deste ano. Para Carmen Cecília de Souza Amaral, Caci, integrante do MCCE e da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese,

“o MCCE está peticionando não apenas em nome dos que já participam de suas atividades, mas em nome de milhares de pessoas que assinaram a petição expressando seu empenho a favor de eleições limpas, empenho que também exigem e esperam do órgão máximo de controle do processo eleitoral”, opinou. Caci explicou que a obrigatoriedade de apresentação das certidões cíveis facilitará o combate aos candidatos “fichas-sujas”. “A apresentação de certidões cíveis por parte dos pré-candidatos quando registram suas candidaturas permitirá que juízes e promotores eleitorais possam com mais facilidade decidir quais estão incluídos em itens de inelegibilidade descritos na Lei da Ficha Limpa. O calendário eleitoral determina que cinco dias após a inscrição das candidaturas, o Tribunal Regional Eleitoral informe quais pré-candidatos que poderão concorrer nas eleições e quais foram considerados inelegíveis. São milhares de candidatos em cada estado e, mesmo trabalhando diuturnamente, os juízes e promotores não dão conta de conhecer a vida pregressa de todos, pois são dezenas de cartórios, tribunais, associações e parlamentos a serem consultados”, detalhou.

Lei antiterrorismo põe em risco os direitos constitucionais Edcarlos Bispo de Santana

redação

Uma lei que está para ser votada no Senado tem causado um grande debate na sociedade. Trata-se do Projeto de Lei do Senado (PLS) 499/2013, de autoria do senador Romero Jucá. Conhecido como “lei antiterrorismo”, o projeto, de acordo com o site do Senado (www. senado.gov.br): “Define crimes de terrorismo, estabelecendo a competência da Justiça Federal para o seu processamento e julgamento”. Desde que surgiu, o PLS tem preocupado os movimentos sociais, que lançaram um manifesto de repúdio ao projeto de lei assinado por mais de 130 entidades. Para alguns, ele representa uma tentativa clara de evitar manifestações durante a Copa do Mundo e os grandes eventos que o País irá receber nos próximos anos. Pedro Aguerre, membro associado da Escola de Governo de São Paulo e colaborador da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, afirma estar

preocupado com o projeto de lei, e entende “que não tem procedência a vinculação do terrorismo ao contexto político e social brasileiro. Iniciativas como estas mostram, por um lado, o negativismo do ativismo legislativo: sob o argumento de atender a questões críticas do momento, podem criar situações de exceção, que venham a pôr em risco direitos constitucionais”. Em entrevista ao site do jornal “Brasil de Fato”, João Tan-

credo, advogado e presidente do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (DDH), afirma que o “Brasil é um dos poucos países que têm lei para tudo”, refutando os argumentos de quem diz que nos protestos os “vândalos” são presos, mas não se consegue mantê-los presos porque não existe uma lei para enquadrá-los. Para João, há uma tentativa de criar uma legislação mais dura por conta das manifesta-

ções durante a Copa. “Existem grupos econômicos poderosos que querem afastar as pessoas das ruas, de qualquer manifestação. Manifestante ser chamado de terrorista é um absurdo grande. Manifestante é manifestante. Agora, tem gente que é delinquente e aí o crime está lá previsto. Se cometeu algum crime previsto no Código Penal, tem que ser preso. A legislação tem previsão para tudo. Não tem que criar mais Tânia Rêgo/ABR

nada, basta aplicar o existente.” Já Pedro destaca que “há uma indevida associação generalizada das manifestações de rua a situações de violência e daquilo que passou a ser chamado generalizadamente de ‘vandalismo’. Esse debate parece estar posto, mas precisa ser feito de forma democrática, levando em consideração as prerrogativas e responsabilidades de todos os atores sociais envolvidos. Diversas situações em que se observaram explosões de violência revelaram ações de pessoas ou grupos os mais diversos, e não apenas ou especificamente dos chamados ‘black blocks’. Mas também mostraram, desde os primeiros momentos, em junho do ano passado, posturas e estratégias das instituições responsáveis pela segurança pública igualmente criticáveis. A reivindicação, inclusive por meio de uma iniciativa legislativa, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 51/2013, da revisão do modelo policial militarizado que perdura há décadas, expressa a consciência da sociedade sobre esses limites”.


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Plebiscito pela Constituinte Exclusiva e Soberana Darcy Pereira

Movimentos de debate político e mobilização popular propõem uma consulta para reforma da Constituição, em setembro de 2014

Reprodução

NAYÁ FERNANDES Redação

“Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?” Essa é a pergunta que será feita durante o Plebiscito Popular que propõe uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Mais de 70 entidades já assinaram a cartilha, que está disponível para download no site www.levante.org.br e em outros sites de movimentos populares. A campanha foi lançada no Dia da Proclamação da República, 15 de novembro de 2013, durante o Encontro Nacional de Fé e Política, em Brasília (DF). O Plebiscito Popular reúne, por uma mesma causa, movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos, pastorais so-

Lançamento da campanha acontece durante Encontro Nacional de Fé e Política no dia 15 de novembro de 2013; movimentos articulam-se para divulgação

ciais e a Plataforma dos Movimentos Sociais para a Reforma do Sistema Político. Programado para acontecer entre 1º e 7 de setembro de 2014, na Semana da Pátria, a sua proposta é de, até lá, promover debates sobre o tema, cursos de formação sobre o Estado, explicando as competências dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e a sociedade brasileira: quais as reformas necessárias e urgentes. “O plebiscito quer trabalhar com formação nas bases, como aconteceu com a campanha contra a proposta da Área de Livre Comércio das Améri-

cas (Alca), em 2002”, explicou José Antônio Moroni, membro da coordenação do Fórum Nacional de Participação Popular. “A convocação é necessária porque, mesmo que haja vários movimentos na sociedade, que lutam pela reforma do sistema político, a iniciativa popular não pode, por exemplo, apresentar propostas de emenda à Constituição (PEC)”, disse Moroni. Entre as principais mudanças está o financiamento das campanhas políticas, a maioria composta por empresas privadas. Hoje, dos 594 parlamentares (513 deputados e 81

senadores) eleitos em 2010, 273 são empresários, o que demonstra que não há representatividade das minorias sociais. Guacira César de Oliveira, da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, recordou a longa trajetória da Plataforma na causa. “Há quase uma década, começamos a nos reunir para priorizar esta questão. Não queremos uma reforma só da representação, não queremos ser incluídos nesta ordem estabelecida. A gente quer que o cidadão possa exercer diretamente o seu poder. A gente quer, inclusive, uma

comunicação democrática.” Sandra Costa, da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, representa a Arquidiocese no Comitê Estadual Paulista pelo Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Ela explicou que, em São Paulo, a mobilização já começou, e o esforço é para que as escolas abracem a campanha. “No dia 15 de março, haverá uma grande plenária, provavelmente na sede do Sindicato dos Químicos. Mais de 500 pessoas já se inscreveram e lá vamos explicar como e por que propomos o Plebiscito.”

Escolas de Fé e Política debatem reforma Edcarlos Bispo de Santana

reportagem na zona leste

A Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo realizou, no sábado, 22, o 6º Encontro das Escolas de Fé, Política, Cidadania e Justiça de São Paulo, para promover a partilha de experiências entre as escolas do Estado de São Paulo, tendo como tema a “Reforma Política”. Participaram do encontro representantes de dez escolas de Fé e Política. Na Arquidio-

cese de São Paulo, existem três escolas: Região Belém, Região Santana e Região Ipiranga. Os encontros são realizados a cada três ou quatros meses por ano para pensar e articular as propostas de trabalho e atuação. Eduardo Brasileiro, de Itaquera, zona leste da capital, destacou que as Escolas de Fé e Política possuem o papel de trazer a política para perto do cidadão, pois elas trabalham com o interesse popular. Para Eduardo, há um longo

caminho a ser percorrido pelas Escolas e Pastoral. De acordo com ele, é preciso vencer a resistência que existe por parte do clero na relação entre Fé e Política, pois “muitas igrejas estão com as portas fechadas”. “É preciso resgatar os movimentos sociais que cuidam dos direitos sociais da população”, afirmou Eduardo, acrescentando a necessidade de se discutir a “abertura dos salões paroquiais” para acolher os debates acerca dos problemas sociais da população.

O debate sobre a reforma política foi assessorado por Luciano Santos, advogado, coordenador da Escola de Governo e membro do grupo de trabalho jurídico do Movimento Nossa São Paulo, e Plínio de Arruda Sampaio, intelectual, ativista político e membro do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Luciano afirmou que, após as manifestações de junho, a população pede mudanças na forma de representação. Para ele, as frases como “esse Par-

lamento não me representa”, ou coisas similares, demostram o descontentamento da população com os parlamentares e governantes e a necessidade de reformas no sistema político. As escolas de Fé e Política, na visão de Luciano, possuem um papel fundamental, pois colaboram na discussão das questões de cidadania, além de dar formação para os seus agentes que levam essa discussão para a periferia, para suas comunidades. Luciney Martins/O SÃO PAULO


14 Região Ipiranga

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Escola Vocacional inicia atividades em abril Reprodução

Com o tema: “Ide e anunciai! Vocações diversas para uma grande missão!”, curso convoca líderes comunitários Francisco David

Colaborador de Comunicação da Região

A Região Episcopal Ipiranga, em parceria com o IPIRANGA Serviço de Animação Vocacional e a Pastoral Vocacional da Arquidiocese de São Paulo, lança a Escola Vocacional Com o tema: “Ide e anunciai! Vocações diversas para uma grande missão!”, é direcionada aos jovens, líderes, coordenadores e ao povo de forma geral das paróquias e pastorais da Região Ipiranga, que sentem a necessidade de se aprofundar no tema. A Escola Vocacional quer proporcionar, por meio de encontros, estudos e partilhas, um aprofundamento na dimensão vocacional para a missão evangelizadora nas paróquias e comunidades. A Escola Vocacional iniciará seus encontros a partir do dia 5 de abril e contará com diversos padres e leigos especializados em Pastoral Vocacional. Acontecerão no Colégio Marista Arquidiocesano, que fica na avenida Domingos de Morais, 2.565, em frente ao metrô Santa Cruz. O primeiro encontro falará sobre a estrutura da Pastoral Vocacional Paroquial, explicará o funcionamento, as equipes necessárias e os objetivos específicos de trabalho nas paróquias. Contará com a presença do padre Juarez Destro, religioso rogacionista e membro do Instituto

para a Pastoral Vocacional. No dia 12 de abril, no segundo encontro será visto o tema da Pastoral Vocacional e Cultura Urbana, na sua visão antropológica. Quem falará sobre este tema será o padre Antônio de Lisboa Lustosa Lopes, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, da Vila Guarani, e a irmã Fátima Uchoa de Alencar, religiosa apostolina. No dia 26 de abril, o tema será a “História da Pastoral Vocacional no Brasil”. Este abordará também o simpósio vocacional, que será realizado de 16 a 18 de maio em todo o Brasil. Quem abordará o tema será a irmã Cíntia Giacinti, religiosa apostolina e secretária-executiva do Serviço de Animação Vocacional da Região Ipiranga.

No dia 10 de maio, o encontro terá como tema o marketing vocacional e o design gráfico. Esse encontro demonstrará as possibilidades e estraté-

gias para alcançar os jovens nos diversos meios de mídia. Quem fará a assessoria deste encontro será o Luiz Dalmacyr, secretário do Centro Vocacio-

nal Arquidiocesano e a irmã Cíntia Giacinti. Este encontro, excepcionalmente, acontecerá na Faculdade Paulus de Comunicação (FAPCOM), que fica à rua Major Maragliano, 191, Vila Mariana. No dia 24 de maio, o tema será: “Ovelhas ou protagonistas? Teologia da Vocação”. Com a assessoria do padre Antônio Brito com leigos das paróquias da Região Ipiranga. O último encontro formativo será no dia 31 de maio e será tratada a Eclesiologia da Vocação, com o tema: “Somos Povo de Chamados e o Chamado deve chegar ao Povo!”, com a assessoria do padre Manuel Madruga Samaniego, religioso jesuíta. No dia 1º de junho, acontecerá uma animação vocacional em uma das paróquias da Região Ipiranga, onde todos os integrantes que fizeram a Escola Vocacional poderão aplicar aquilo que puderam obter de conhecimento durante o semestre. Os encontros terão o custo de R$ 50 para todos os encontros, a ser pago no primeiro encontro ou R$ 10 por cada encontro que queira realizar. As inscrições deverão ser feitas pelo e-mail: pastoral@ regiaoipiranga.com.br ou pelo telefone: (11) 2274-8500.

Núcleo Cáritas Ipiranga promove bazar beneficente no Jardim Marajoara na sede do grupo escoteiro Pascom Ipiranga

Grupo Escoteiro Ibiraguassu participa de atividade da Cáritas; renda é destinada à manutenção da instituição da região episcopal

No dia 15 de fevereiro, sábado, o Núcleo Cáritas Ipiranga promoveu na sede do Grupo Escoteiro Ibiraguassu um bazar beneficente com roupas doadas pela Suíça, pela Cáritas Internacional, e que restaram dos dois bazares que realiza-

mos aqui na Região Ipiranga em 2013. O Grupo Escoteiro, localizado no Jardim Marajoara, além das atividades específicas, realiza um bonito trabalho com a comunidade à volta, com jovens e crianças. O bazar foi um sucesso, e roupas em bom estado foram vendidas a preços bem aces-

síveis a toda a população. E o bem foi se multiplicando em novas atividades com essas roupas já que, uma senhora do grupo, adquiriu grande quantidade de peças, que serão recicladas e reformadas por um grupo de mulheres carentes, que estão aprendendo a costurar e bordar.


Região Lapa

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15 Benigno Naveira

Padre Geraldo Pereira e professor João Clemente de Souza Neto (centro) assessoram curso sobre a temática do tráfico humano, assunto em destaque na Campanha da Fraternidade em 2014

Fiéis participam de capacitação sobre CF-2014 Três paróquias na Região Lapa sediaram atividade de formação sobre a Campanha, que mobilizará a Igreja na Quaresma Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Aconteceu na tarde de sábado, 22, o EnconLAPA tro de Formação da Campanha da Fraternidade de 2014, que tem por tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e como lema “É para a Liberdade que Cristo nos Libertou”. Houve a participação de fiéis nas paróquias Nossa Senhora Auxiliadora, às 9h, reunindo o Setor Pirituba; Nossa Senhora da Lapa, às 14h, abrangendo os setores Lapa e Leopoldina e; Santa Maria Goretti, às 14h, reunindo os setores Butantã e Rio Pequeno. A Pascom Lapa acompanhou o encontro de formação na Paróquia Santa Maria Goretti, coordenado pelo pároco padre Geraldo Pereira, que após as boas-vindas iniciou o encontro com uma oração. Na dinâmica de apresentação, o Padre ressaltou que o tema da Campanha fala dos direitos e da dignidade do ser humano, enquanto a fiel Luciane Parro Poli entrava caminhando em direção ao altar, com as mãos

acorrentadas e estendidas, simbolizando a situação de dominação e exploração das vítimas do tráfico humano e a situação de impotência diante dos traficantes. O palestrante convidado foi o professor João Clemente de Souza Neto, do curso de mestrado da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que dissertou sobre a pergunta: O que faz o tráfico humano? Indicando que o objetivo é a exploração sexual, o trabalho e atividades ilegais. Na maioria dos casos, com falsas promes-

sas de melhores condições de vida e normalmente vinculado à migração. O tráfico humano é um crime multifacetado, lucrativo, silencioso, de baixo custo e de poucos riscos aos traficantes. A condição socioeconômica e as escolhas tornam as pessoas-alvo fácil dos traficantes. A exploração atinge mais mulheres, crianças e adolescentes, no mercado do sexo e trabalho escravo. O tráfico de pessoas é uma barbárie, tira a liberdade, destrói a personalidade. Não há país livre do tráfico de

pessoas, em toda a História. Padre Geraldo, após a palestra, falou sobre a esperança de libertação do tráfico humano. Essa esperança se nutre da entrega total de Jesus Cristo na cruz para vencer as situações de morte e conceder a liberdade a todos. O chamado foi para a liberdade. Ao contrário do que muitos pensam, Jesus não chamou para um regime novo de escravatura, ele chamou para a liberdade de Deus. A decisão de permanecer livre está nas mãos de cada pessoa, “Cristo nos libertou, e

quem decide permanecer livre somos nós”. Em seguida, o coordenador de pastoral, Osvaldo Reis Silva, da Paróquia Santa Maria Goretti, falou da necessidade de a Igreja se articular como advogada da justiça e defensora dos pobres e, na qualidade de cidadão, ajudar a sociedade a se estruturar por meio da conscientização e prevenção do tráfico humano, denunciando todas as situações de abuso e atuando na reinserção social das vítimas e políticas que levam a ações sociais concretas.

palavra do bispo

A inspiração bíblica é um carisma do Espírito Santo Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Querido leitor do jornal O SÃO PAULO, em nossa última reflexão falamos da Palavra de Deus que está contida nas palavras da Escritura. A Bíblia não é um livro qualquer. Os livros que formam a Bíblia são, todos eles, livros inspirados por Deus. Mas o que é inspiração bíblica? Como ela age no escritor inspirado? A inspiração bíblica suspende temporariamente a consciência humana? Ela absorve e substitui as faculdades humanas? No parágrafo 105 do Catecismo da Igreja Católica, encontramos a definição do que

se entende por inspiração divina dos livros da Bíblia. “Deus é o autor da Sagrada Escritura. A verdade divinamente revelada, que os livros da Sagrada Escritura contêm e apresentam, foi registrada neles sob a inspiração do Espírito Santo. A Igreja considera como sagrados e canônicos os livros do Antigo e do Novo Testamento porque eles foram escritos por inspiração do Espírito Santo, têm Deus por autor, e, como tais foram confiados à própria Igreja” (DV 11). A inspiração bíblica é um carisma do Espírito Santo. Trata-se de um carisma específico porque é um dom que impulsiona autores humanos a escrever. Não é um carisma para pregar, para fazer milagres, para prever o futuro. É um carisma dado para escrever. Por isso, o escrito que

resulta da atividade humana tem uma qualidade peculiar: ele contém a verdade revelada por Deus. Por isso, podemos afirmar que a Sagrada Escritura tem por autor Deus. De fato, o Espírito pode impelir para muitas coisas: pode inspirar uma ação, pode sugerir uma oração, pode revestir de beleza e arrebatamento uma pregação, pode guiar um discernimento e um julgamento, pode revelar coisas futuras. Tudo isso o Espírito pode realizar nas pessoas. Mas nós chamamos de inspiração bíblica somente o carisma ligado a escrever. Por isso, o carisma da inspiração bíblica é o que garante que o escrito é querido por Deus e pode ser chamado de Palavra de Deus. No parágrafo 106, encontramos a seguinte explicação

do modo como age a inspiração bíblica nos autores humanos. Deus inspirou os autores humanos dos livros sagrados. “Para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens, na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo ele neles e por eles, pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que ele queria” (DV 11). O influxo do Espírito Santo sobre os hagiógrafos não absorve nem destrói a ação dos autores humanos. Pelo contrário, preserva e assume o que é próprio dos autores humanos: suas vivências, sua história pessoal, seu estilo, vocabulário, seu temperamento etc. Por isso, os autores inspirados são autores genuínos e não meros instrumentos passíveis e extrínsecos da ação do Espírito.


16 Região Santana

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Padre Marcos assume Paróquia São José Operário Diácono Francisco Gonçalves/Pascom

Sacerdote da Comunidade Adoração e Missão atuava em Pouso Alegre (MG) e substitui padre Fabiano Pereira, enviado em missão à Amazônia Diácono Francisco Gonçalves colaborador de comunicação da Região

Padre Marcos Alves de Oliveira, da ComuniSANTANA dade Adoração e Missão, que é uma associação pública de fiéis, foi empossado, no domingo, 16, por dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, como novo pároco da Paróquia São José Operário, na Vila Galvão, que anteriormente era administrada pelo padre Fabiano Pereira, enviado em missão pela Arquidiocese de São Paulo à Amazônia. Originário de Loanda, município brasileiro do Estado do Paraná, padre Marcos nasceu em 27 de março de 1978. Quando jovem, em sua cidade, participou de um retiro dirigido por membros da Comunidade Adoração e Missão, o que despertou seu desejo de conhecer mais a vida religiosa sob esse carisma. Fez seu discernimento vocacional e, em 1996, entrou para essa instituição. Realizado seus estudos, foi ordenado sacerdote na Arquidiocese de Pouso Alegre (MG), em 4 de agosto de 2007. Veio para São Paulo, onde durante um ano e meio foi capelão da Capela São José, do Hospital Geriátrico Dom Pedro 2º, no Jaçanã. Depois foi transferido para Pouso Alegre, onde permaneceu, durante cinco anos, como responsável pela igreja Coração de Jesus e prestando ajuda á catedral. “Pela nossa formação espiritual a partir da Eucaristia e da Sagrada Escritura, vamos, com a ajuda das pessoas, desenvolver a evangelização criando vínculos fortes entre todos nós. Vamos também unidos finalizar a reforma da igreja e realizar um trabalho social”, deixa como mensagem aos seus paroquianos o novo pároco.

Padre Marcos durante a procissão de entrada na missa em que dom Sergio lhe deu posse como novo pároco da Paróquia São José Operário da Vila Galvão

palavra do bispo

A carta dos direitos da família! Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

O papa Francisco convocou a 3ª Assembleia Extrarordinária do Sínodo dos Bispos para o mês de outubro, a fim de refletir sobre a evangelização da família hoje. Tal preocupação do papa Francisco está em sintonia com todo o magistério recente da Igreja em relação à família e à promoção de seus direitos e seu papel insubstituível na sociedade. A Assembleia do Sínodo de 1980 teve como tema a missão própria da família no mundo de hoje e as conclusões e sugestões dos padres sinodais foram promulgadas pelo Beato João Paulo 2º na Exortação Apos-

tólica Familiaris Consortio. Naquela ocasião, os padres, constatando que a família sofre intoleráveis usurpações por parte do Estado e da sociedade, elencaram os seguintes direitos da família: 1 - O direito de existir e progredir como família, isto é, o direito de cada homem, mesmo o pobre, a fundar uma família e a ter os meios adequados para a sustentar; 2 - O direito de exercer as suas responsabilidades no âmbito de transmitir a vida e de educar os filhos; 3 - O direito à intimidade da vida conjugal e familiar; 4 - O direito à estabilidade do vínculo e da instituição matrimonial; 5 - O direito de crer e de professar a própria fé, e de a difundir; 6 - O direito de educar os fi-

lhos segundo as próprias tradições e valores religiosos e culturais, com os instrumentos, os meios e as instituições necessárias; 7 - O direito de obter a segurança física, social, política, econômica, especialmente tratando-se de pobres e de enfermos; 8 - O direito de ter uma habitação digna e a conduzir convenientemente a vida familiar; 9 - O direito de expressão e representação diante das autoridades públicas econômicas, sociais e culturais e outras inferiores, quer diretamente, quer através de associações; 10 - O direito de criar associações com outras famílias e instituições, para um desempenho de modo adequado e solícito do próprio dever;

11 - O direito de proteger os menores de medicamentos prejudiciais, da pornografia, do alcoolismo, etc., mediante instituições e legislações adequadas; 12 - O direito à distração honesta que favoreça também os valores da família; 13 - O direito das pessoas de idade a viver e morrer dignamente; 14 - O direito de emigrar como família para encontrar vida melhor (beato João Paulo 2º, FC 46). A Igreja conhece o caminho pelo qual a família pode chegar ao coração de sua verdade profunda. Este caminho a Igreja aprendeu na escola de Cristo e vai continuar ensinando, promovendo, defendendo como o Bom Pastor que conduz e protege as suas ovelhas.

Pastoral da Saúde promove formação para agentes da região episcopal

A Pastoral da Saúde da Arquidiocese de São Paulo convida todos os Agentes (Pastoral da Saúde, Pessoa Idosa, ministro extraordinário da Sagrada Co-

munhão) e pessoas indicadas pelo Pároco para organizar em sua Paróquia, uma Pastoral da Saúde. E a oportunidade será dada a partir da formação a ser ministrada às quintas-feiras, a

agenda regional

partir do dia 6 de março, das 14h às 16h, na Igreja de Santana – Sala São Lucas (rua Voluntários da Pátria, 2.060). Taxa mensal de R$ 20 (embutido livros sobre o curso e participação, em setembro, do

Congresso anual da Pastoral da Saúde – Nacional). Dúvidas podem ser sanadas com Paulo Moura da Silva, coordenação da Pastoral da Saúde da Região Santana, pelo e-mail: pakvs@superig.com.br

Domingo (2), às 10h

Domingo (9), 17h

Posse do padre Selso Eügen Feldkircher como pároco da Paróquia Santa Cruz (avenida Santa Inês, 2.229).

Abertura regional da Campanha da Fraternidade (CF) 2014, na Igreja de Santana (rua Voluntários da Pátria, 2.060), com a presidência de dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana.


Região Sé

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Ministros da Comunhão têm primeira reunião do ano Centro de Pastoral da Região

Encontro destacou o aspecto missionário desse ministério extraordinário instituído para o serviço à comunidade eclesial Fernando Geronazzo

Colaborador de Comunicação da Região

A primeira reunião de 2014 dos coordenadores SÉ paroquiais dos ministros extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística na Região Episcopal Sé aconteceu na manhã do último sábado, dia 22, na Paróquia Santa Generosa, na Zona Sul de São Paulo. O encontro foi conduzido pelo padre Helmo César Faccioli, responsável por acompanhar os ministros na Região. O tema foi a preparação de novos ministros e a renovação do mandato daqueles que já exercem o ministério. Logo no início da reunião, o padre Helmo falou da importância da função dos coordenadores. “Coordenar significa animar, não significa fazer tudo, nem somente distribuir funções. O ministério da coordenação tem que ter o sentido missionário. Na Igreja, quem coordena exercita a missão e deve não só ser o ponto de unidade, mas, também, aquela força para ajudar a trazer novas pessoas para fazer parte da vida da comunidade.” O Padre propôs que cada coordenador tenha, o mais breve possível, uma conversa com seu pároco no que diz respeito aos novos ministros. “Quem, por direito, apresenta o ministro é sempre o pároco. Porém, nada impede de o coordenador sugerir ao pároco alguns nomes.” Uma questão delicada a qual os coordenadores também devem auxiliar os párocos é em relação àquelas pessoas que não têm mais condições físicas para exercer o ministério. “Às vezes, a pessoas está com agenda regional

Terça-feira (25) e quarta-feira(26),19h30 Encontro Regional de Formação Litúrgica na Paróquia Imaculado Coração de Maria (rua Jaguaribe, 735, Santa Cecília).

Coordenadores dos ministros extraordinários da Sagrada Comunhão da Região Sé participam de formação no sábado, 22, e falam sobre a missão na Igreja

muita dificuldade de locomoção, por exemplo. É delicado, porém é pastoral e de caridade ajudar as pessoas a tomarem consciência de que é hora de parar o ministério. Isso não significa acabar com a vida da pessoa. Nós temos que ter a virtude do desapego da própria função que exercemos”, destaca padre Helmo, lembrando que esse ministério não é perpétuo, mas temporário, e recordou o testemunho do papa Bento 16, há um ano, ao reconhecer suas limitações físicas e da idade ao renunciar o pontificado. “Lembremos que, em decorrência do Batismo, o mais importante

não é o que fazemos, mas o que somos, ou seja, sermos cristãos”, completa. Outra orientação dada pelo padre Helmo aos coordenadores foi em relação a não reduzir o ministério somente para as funções litúrgicas. “Temos que cair na conta do grande apelo do próprio papa Francisco para irmos ao encontro das pessoas. O ministro que não tem um enfermo para visitar deve repensar um pouco sua missão. Se eu não tenho condições físicas de visitar um doente, então devo repensar a minha função de ministro.” Outro aspecto ressaltado

na formação é quanto ao nome correto da função, ministério extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística, não “ministro da Eucaristia”, como popularmente é dito. “Somente o sacerdote validamente ordenado é o ministro, que, fazendo as vezes de Cristo, é capaz de realizar o sacramento da Eucaristia. Por isso, o nome de ministro da Eucaristia cabe ao sacerdote”, explica o padre Helmo, que acrescenta: “Em virtude do sacramento da Ordem, são ministros ordinários da comunhão os bispos, presbíteros e diáconos, a quem lhes compete distribuir a comunhão”, de modo que em

uma missa na qual há a presença desses ministros, eles têm a precedência para distribuir a comunhão. Isso explica o caráter extraordinário dos demais ministros. A programação para a preparação dos novos ministros ficará a cargo dos setores. “Essa preparação é obrigatória para os novos e antigos ministros. E os antigos devem ser os primeiros a estar presente para dar testemunho aos novos”, alerta o padre Helmo. Para essa formação, está sendo preparada uma nova edição do livreto de orientações elaborada pela Região.

palavra do bispo

Que a vossa alegria seja completa Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

Aproxima-se o carnaval, e já sentimos o clima de festa próprio deste tempo. Enquanto muitos vão às ruas, outros aproveitam para viajar, ou se recolher para descansar, fazer retiros ou encontros de reflexão e partilha da fé. Todos buscam a alegria. As primeiras palavras que dão nome à exortação apostólica do papa Francisco sobre a evangelização foram escolhidas certamente com a

convicção de que “a alegria do Evangelho” tem a força para marcar a dinâmica necessária para um grande impulso missionário. O filósofo e psicanalista argentino, Miguel Benasayag, que vive há muitos anos em Paris, e o professor de psiquiatria infantil e da adolescência, Gérard Schmit, da Universidade di Reims, fazem uma análise esclarecedora do nosso tempo (cf. M. Benasayag, G. Schmit, L’epoca delle passioni tristi, Feltrinelli, Milano, 2004). Eles pesquisaram o motivo que está por trás dos sintomas que percebem em seus consultórios. Em síntese, a grande maioria das pessoas

que os procura não apresenta sofrimento de origem propriamente psicológica, mas refletem a tristeza difusa que caracteriza a nossa sociedade contemporânea, atingida por um sentimento permanente de insegurança e de precariedade. Sem promessa de futuro, o desejo se agarra ao presente. É preciso aproveitar hoje, porque não há perspectiva para amanhã. Segundo o papa Francisco, “o grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais,

da consciência isolada” (EG, 2). Mas o papa fala também de cristãos que perderam o ânimo, “que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa”, ou de evangelizadores “com cara de funeral” (EG, 10). O reencontro com Cristo, fonte de toda alegria, é a fonte de um novo vigor espiritual e de uma nova fecundidade evangelizadora. “Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual” (EG 11).


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Fraternidade e tráfico humano é tema de formação Centenas de pessoas estiveram no evento regional que refletiu a temática da Campanha da Fraternidade de 2014 Renata Moraes

Colaboradora de comunicação da Região

No sábado, 15, agentes de pastoral reuniram na-se Paróquia BRASILÂNDIA Santos Apóstolos, no Jardim Maracanã, para refletir sobre o tema da Campanha da Fraternidade de 2014: “Fraternidade e Tráfico Humano”, e o lema “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). A equipe regional da CF2014 propôs a contextualização do tema de acordo com o objetivo geral da CNBB: “Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-las como violação da dignidade e da liberdade humanas, mobilizando cristãos e pessoas de boa vontade para erradicar este mal com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus”. Na abertura do encontro, o padre Reinaldo Torres, assessor da CF-2014 na Região, alertou sobre a importância do tema. “Infelizmente, muita gente em nossas comunidades pensa que o tráfico humano é coisa de novela, mas não é. O tráfico humano está presente em nossas comunidades e, muitas vezes, não temos uma resposta de amor e compaixão para nos colocarmos ao lado das pessoas traficadas. Nós temos que construir juntos um processo que lhes devolva a dignidade e a liberdade de filhos de Deus.” agenda regional

Sexta-feira (28), 19h30 Missa de posse do padre Luciano Andreol, da Congregação dos Padres Monfortinos, como pároco da Paróquia Santa Rosa de Lima, em celebração na qual também será apresentado como vigário paroquial o padre Taddeo Pasini. A celebração será no Centro Comunitário Padre Guilherme Kuypers (rua Dona Rosina, 235, Perus).

A formação foi divida em quatro pontos: “A fundamentação bíblica”, assessorado por Antônio Claro Leite, advogado e professor; “O tráfico humano”, por Heidi Ann Cerneka, da Pastoral Carcerária Nacional; “Tráfico de órgãos”, com a irmã Antonieta Abreu, da Rede Nacional Um grito pela vida; e “A exploração de crianças e adolescentes”, assessorado por Sueli Camargo, da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo. Baseado no texto de Gála-

tas 5,1, – “É para a liberdade que Cristo nos libertou”, o assessor Antônio refletiu sobre os aspectos bíblicos. “É preciso que usemos de misericórdia e compaixão para resgatar a dignidade da pessoa traficada.” Sobre o tráfico humano, a assessora Heidi, da Pastoral Carcerária Nacional, mencionou depoimentos de pessoas que foram presas por terem sido enganadas pelos aliciadores. “A vulnerabilidade, a carência humana e o desejo de melhorar suas condições de

vida são um dos motivos que levam as pessoas a cair nas armadilhas dos aliciadores e traficantes de pessoas.” A irmã Antonieta, que atua contra o tráfico de pessoas, discorreu sobre a realidade do tráfico de órgãos em nosso País. “O tráfico de órgãos ainda é desconhecido, mas muito presente em nossa realidade, principalmente em casos de crianças desaparecidas. O papel da Igreja e da sociedade é informar, advertir e prevenir.” Para Sueli Camargo, da Pas-

toral do Menor, “a exploração sexual e o trabalho escravo são um dos maiores índices que atingem as crianças e adolescentes, pois eles estão entre as vítimas mais vulneráveis”, avaliou. Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, também esteve presente e expressou a importância de debater o tema na Região, que também sofre com o tráfico humano. O encontro foi finalizado com a Oração da CF2014. Renata Moraes

Agentes de pastoral são animados pela equipe regional da CF-2014, durante a manhã do sábado, 15, na formação sobre o tráfico humano

palavra do bispo

A oração de Elias, o profeta Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

Elias, o primeiro dos grandes profetas de Israel, atuou no tempo do rei Acab e Acazias, reis de Israel (874-855a.C.). O nome Elias significa “O Senhor é o meu Deus”. Viveu num período de grande apostasia (abandono da fé), quando a idolatria alcançava índices jamais vistos em Israel. Elias é considerado o pai dos profetas, “daqueles que procuram a Deus, dos que buscam a sua face” (Sl 24,6). De fato, toda a vida de Elias é não só para chamar o povo ao verdadeiro Deus; mas é, também, marcada profundamente pela oração, a tal ponto que São Tiago, na sua carta para estimular a oração, se refere ao profeta Elias dizendo que “a

oração fervorosa do justo tem grande poder” (Tg 5, 16-18). Toda a vida de Elias é apresentada como um constante caminhar, de um lado para outro, ditada sempre pela ordem do Senhor. O Senhor diversas vezes repete ao profeta: “Levanta-te e vai... Levanta-te e come... pois, o caminho te será longo demais... Vai, retoma o teu caminho...” (1Rs 17,9; 19,7; 19,15). O caminho que Elias percorre é sempre sustentado pela oração: “Por ocasião do sacrifício do monte Carmelo, prova decisiva para a fé do Povo de Deus, foi por sua súplica que o fogo do Senhor consumiu o holocausto, ‘na hora em que se apresenta a oferenda da tarde’: “Responde-me, Senhor, responde-me”, são as mesmas palavras de Elias que as liturgias orientais repetem na epiclese eucarística” (CIC 2583; cf. 1Rs 18, 20-39). É célebre e, ao mesmo tempo, de uma beleza extra-

ordinária, o encontro de Elias com o Senhor sobre o Horeb (cf. 1Rs 19, 9-18). O Senhor o surpreende revelando-se não nos moldes como se revelara a Moisés em tempos passados naquela montanha, com fogo e tremor; mas, servindo-se de uma brisa suave que acaricia lhe o rosto, para sustentá-lo na sua missão. Se “a adoração do ídolo, em vez de abrir o coração humano à alteridade, a uma relação libertadora que permita sair do espaço limitado do próprio egoísmo para aceder a dimensões de amor e de dom recíproco, fecha a pessoa no círculo exclusivo e desesperador da busca de si mesmo” (Bento 16, Catequese 15/06/2011); Elias demonstra que a adoração a Deus é fonte de liberdade e de vida sem limites para o crente. Só em Deus, as pessoas encontram a liberdade e a vida que almejam! Só em Deus, encontra-se a paz!

A oração, na perspectiva como vive o profeta Elias, é sempre um convite à conversão: “O fogo de Deus que transforma o nosso coração e nos torna capazes de ver Deus e, assim, de viver segundo Deus e de viver para o próximo” (Bento 16, ibidem). A saga de Elias é também uma imagem do próprio Cristo, e do discípulo verdadeiro. Aquele fogo que abrasou o profeta Elias na sua trajetória (cf. Eclo 38,1); é o mesmo que vai orientar Jesus até a cruz, até o dom de si mesmo, e desperta também o coração do que crê: “O fogo de Deus, o fogo do amor consome, transforma e purifica, mas precisamente por isso não destrói, mas, ao contrário, cria a verdade do nosso ser, volta a criar o nosso coração. E assim, realmente vivos pela graça do Espírito Santo, do amor de Deus, somos adoradores em espírito e verdade” (Bento 16).


Região Belém

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Paróquia São José inicia festejos de aniversário Apresentação de grupos de corais, exposição de oratórios e missa sertaneja abrem os festejos do 86º aniversário da Paróquia

da Paróquia São José do Belém continuarão em todos os sábados e domingos do mês

de março, com apresentações culturais e quermesse no Largo São José do Belém. No dia

19 de março, dia do padroeiro, haverá missas das 7h às 20h. Mais informações na Secre-

taria da Paróquia, telefone (11) 2693-1548, ou pelo e-mail paroquiasjbelem@uol.com.br. João Carlos Gomes

João Carlos Gomes

colaborador de comunicação da região

O domingo, 23, mostrou que a Paróquia São bELÉM José do Belém, na Região Episcopal Belém, planeja uma festa inesquecível para celebrar os 86 anos da Paróquia, que acontecerá no dia 19 de março, dia de seu padroeiro São José. Na abertura dos festejos, a Paróquia organizou uma exposição de oratórios nas laterais da Igreja, realizou um encontro de corais, finalizando o dia com uma missa sertaneja, celebrada pelo vigário paroquial, padre Atanásio Enchioglo e concelebrada pelo pároco da São José do Belém, padre Márcio Leitão. Cerca de 300 pessoas acompanharam a missa, animada pela Orquestra de Violeiros de Mauá (SP), regida pelo maestro José Manoel de Lira, o Dedé de Lira. A orquestra – tombada pelo Patrimônio Histórico da cidade de Mauá – celebrou na ocasião sua 1001ª apresentação em 24 anos de vida.

Abençoada Arte

“Pensamos em renovar a nossa festa, trazendo a cultura das nossas famílias e incentivando a participação da comunidade”, disse padre Márcio, que valorizou a presença dos fiéis durante todo o dia e se surpreendeu com o talento de um de seus paroquianos, Marco Rossi, que, durante a apresentação dos corais, pintou um quadro da Sagrada Família e o doou para a comunidade. “Ele retocava o quadro enquanto apreciávamos os corais, e nós ficamos todos admirados com sua maestria, típica daquelas pessoas cheias de Deus”, alegrou-se padre Márcio. Ao final da celebração, padre Márcio pediu uma ‘canja’ da Orquestra de Violeiros, que após a bênção final ainda brindou a grande maioria de fiéis que permaneceu na Igreja para ouvi-los com várias músicas sertanejas de raiz. Os festejos de aniversário

“Missa sertaneja” inicia preparativos para festa de São José; quadro da Sagrada Família pintado durante a apresentação dos corais pelo artista Marco Rossi

palavra do bispo

Ritos iniciais: ato penitencial Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

O ato penitencial da missa, presente também nas celebrações da Palavra, quer ajudar a assembleia reunida a: louvar o Deus Santo e Misericordioso (Lc 5,8; Is 6, 1-7); abrir-se à conversão pessoal e comunitária (Mc 1,15; Mt 5,24); reconhecer-se pecadora e necessitada de purificação (Lc 18, 9-14); e, com os outros ritos iniciais, preparar-se para “ouvir a Palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia”. O Missal Romano apresenta três maneiras ou formas de realizar o ato penitencial: – o Confesso a Deus todopoderoso e a vós, irmãos e irmãs, que pequei muitas vezes, por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, por minha tão

grande culpa. E peço a Virgem Maria, aos anjos e santos e a vós, irmãos e irmãs, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor; – os versículos responsoriais, conforme o Salmo 84,8: Tende compaixão de nós, Senhor – Porque somos pecadores. Manifestai, Senhor, a vossa misericórdia – E dai-nos a vossa salvação; – as aclamações a Cristo, seguidas do: Senhor, tende piedade de nós...; essas aclamações a Cristo podem variar, seguindo o ritmo do tempo litúrgico, como, por exemplo, essas propostas para a Quaresma: (1) Senhor, que nos mandastes perdoar-nos mutuamente antes de nos aproximar do vosso altar, tende piedade de nós – Senhor, tende piedade de nós; (2) Cristo, que na cruz destes o perdão aos pecadores, tende piedade de nós – Cristo, tende piedade de nós; (3) Senhor, que confiastes à vossa Igreja o ministério da

agenda regional

reconciliação, tende piedade de nós – Senhor, tende piedade de nós. Todas as três formas são introduzidas por um convite “à penitência”, seguido de silêncio, e concluídas pelo Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Essa conclusão, porém, “não possui a eficácia do sacramento da Penitência” (IGMR 52). É, preciso, portanto, considerar que na liturgia da missa: – no ato penitencial, a Igreja propõe uma confissão geral dos pecados, sem que cada pessoa diga os próprios pecados; a assembleia inteira reconhece que pecou “muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões”, sem, porém, enumerar quais foram os pecados praticados por pensamentos, palavras, atos e omissões; – também no cordeiro de Deus, suplicamos: “Tende piedade de nós” e “Dai-nos a paz”;

– antes da comunhão dizemos: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”; – enfim, acima de tudo, a fé católica nos ensina que a missa é sacramento do “sangue derramado” por nós, para a “remissão dos pecados”. Assim, seria muito importante assumir a sobriedade da confissão geral dos pecados (1ª e 2ª formas) e a beleza de aclamar a Cristo, nosso Salvador (3ª forma), sem fazer listas de pecado, mas enfatizando o Deus misericordioso que “nunca se cansa de perdoar”. Aqui, cabe muito bem a oração proposta pelo papa Francisco, na Evangelii Gaudium, nº 3: “Senhor, deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de vós. Resgatai-me de novo, Senhor; aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores”.

Sexta-feira (28), às 20h

Sábado (1º), às 18h

Aniversário Episcopal de dom Edmar Peron, na Paróquia São Paulo Apóstolo. Local: praça Miguel Ramos de Moura, 86, jardim 4º Centenário.

Crisma Missão Belém, na Paróquia São João Batista do Brás. Local: Largo Senador Moraes Barros, s/nº, Brás.


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PARÓQUIAS CENTENÁRIAS

No Bom Retiro, uma igreja com vocação à acolhida Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora há cem anos é espaço de expressão multicultural da fé no centro da cidade

marcas da Paróquia. Há 12 anos, Maria Aparecida Garcia, 64, mudou-se de Santo André (SP) para o Bom Retiro e passou a frequentar as missas. “O pessoal me viu cantando na assembleia. Um dia, os cantores não vieram e uma das irmãs religiosas apontou para mim e disse ‘aquela moça canta, vamos convidá-la’. E foi

assim que passei a me envolver mais”, recordou a leiga, hoje ministra extraordinária da Sagrada Comunhão e autora do hino do centenário da Paróquia. Maria de Fátima Mota Fernandes, 53, chegou à Paróquia na década de 1970, ainda adolescente. Ali se casou e educou os filhos na fé. Ela lembrou-se,

com saudade, que até o fim da década de 1990 havia um intenso envolvimento das famílias na festa de Nossa Senhora Auxiliadora. “Quando eu cheguei à Paróquia, havia mais pessoas que trabalhavam na igreja. Hoje o que acontece é que há poucas pessoas fazendo muita coisa.” A esperança de renovação Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes

Reportagem no centro

Os católicos no Bom Retiro, no centro de São Paulo, vivenciaram nos últimos três anos os festejos do centenário da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, concluídos em 2 de fevereiro. Na igreja, confiada à Congregação dos Salesianos de Dom Bosco, foram feitas adequações e restaurações no templo e intensificadas ações pastorais no bairro, que surgiu com as famílias italianas, acolheu a migração judaica na metade do século 20 e atualmente é também morada de coreanos e migrantes latino-americanos. “A Paróquia teve que se adaptar a essa multiculturalidade, que significa um desafio pastoral maior no horizonte de olhar para os migrantes. Isso é hoje um dos desafios, assim como o crescente número da população em situação de rua, de dependentes químicos oriundos da Cracolândia, além dos trabalhadores que vêm para o Bom Retiro”, analisou, ao O SÃO PAULO, o padre Sérgio Augusto Baldin, pároco há um ano. Ele explicou que diante desse contexto tem se pensado na Catequese e na ação pastoral aos imigrantes e sido feitas missas voltadas aos trabalhadores. Acolher novos paroquianos e inseri-los nas ações é uma das

Maria Aparecida, Magda, Maria de Fátima e padre Sérgio falam da dinâmica da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora

de lideranças está nos jovens, a maioria proveniente dos trabalhos socioeducativos e cursos profissionalizantes do Instituto Dom Bosco. Em 2010, Magda Alves, 20, ingressou no Instituto e se encantou pelas semanas missionárias, protagonizadas pelo Grupo de Animação Missionária em comunidades distantes, e também pelo Domisal, um domingo de missão realizado nas férias do meio de ano, quando os jovens evangelizam pelas ruas e casas do Bom Retiro. “É bem mais difícil. As pessoas têm muito medo de assalto, não abrem a porta para qualquer um que bate, mas a gente tenta”, afirmou, complementando que a ação social dos jovens que participam do Instituto, “é o mínimo que podemos retribuir: dedicando nossa vida para ajudar a Paróquia”. Para o padre Sérgio, a atenção aos jovens é uma urgência permanente. “A evangelização da juventude se torna desafio nessa realidade, temos que adaptar processos, rever o horizonte da iniciação cristã e tudo isso temos feito ao longo desse trabalho”, explicou.

Espaço de fé dos imigrantes italianos, poloneses e latino-americanos da reportagem

Ao criar a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no Bom Retiro, em 2 de fevereiro de 1914, dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo metropolitano, a confiou à Congregação dos Salesianos de Dom Bosco. Ao lado do templo, os Salesianos inauguraram, em 1919, o Instituto Dom Bosco, que hoje atende cerca de 6 mil pessoas, a maioria em situação de vulne-

rabilidade social, especialmente com projetos de educação para adolescentes e jovens. A primeira sede da nova Paróquia foi um antigo depósito transformado em capela. A construção de um templo maior só começou em 1923 e foi concluída dez anos depois. Ao longo das décadas, o bairro formado inicialmente por italianos, também acolheu a população judaica e se transformou em um centro têxtil e comercial. Nas

últimas décadas, imigrantes coreanos e latino-americanos passaram a morar no Bom Retiro. Atualmente, a Paróquia conta com um grupo dos ministros extraordinários da Sagrada Eucaristia, as pastorais Litúrgica, do Dízimo, da Música, da Juventude, dos Acólitos e da Iniciação Cristã Bíblico-Catequética (Batismo, Catequese e Crisma), além do grupo de animação missionária de jovens e adultos, grupos de oração, Da-

mas da Caridade e o clube Dom Bosco (oratório festivo para crianças e jovens). O templo também é a sede da Capelania Polonesa, havendo todos os domingos, às 11h, missas em polonês. A Capelania e a comunidade paroquial preparam para 27 de abril, missa festiva pela canonização do papa João Paulo 2º (cardeal Karol Wojtyla, nascido na Polônia em 1920, e morto em 2005). (DG)


Geral

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Bancos de sangue precisam de doadores A Fundação Pró-Sangue em São Paulo está com os estoques de bancos de sangue em níveis críticos. Mais de cem hospitais da região metropolitana dependem desses estoques para as necessidades de emergência dos pacientes. Conforme atualização de 20 de fevereiro, apenas há estoque suficiente para os tipos sanguíneos AB+ e AB-.

Papa Francisco ressalta o sacramento da Confissão Luciney Martins/O SÃO PAULO

Pontífice comentou que a Confissão com o sacerdote ajuda a desabafar coisas que pesam no coração

A Confissão e o 11º Plano Pastoral

Padre Michelino Roberto Redação

O papa Francisco dedicou a sua Catequese conferida durante a audiência pública de quarta-feira, 19, ao tema do sacramento da Confissão. Recentemente, Francisco já havia demonstrado sua preocupação com o fato de muitos fiéis católicos não receberem o sacramento da Confirmação (Crisma) e assim permanecerem com a iniciação e a vida cristã incompletas. Agora, o Santo Padre dá um “puxão de orelhas” naqueles fiéis que nunca buscam a Confissão com o sacerdote a pretexto de se confessarem diretamente com Deus. “Alguém pode dizer: ‘Eu me confesso somente com Deus’”, disse o Papa, em seu natural tom coloquial. Sim, você pode

Confissão. Uma pessoa quando está na fila para se confessar sente todas estas coisas – também a vergonha – porém, logo quando termina a Confissão, sai livre, grande, belo, perdoado, puro, feliz. E essa é a beleza da Confissão”.

dizer a Deus: “Perdoa-me”, e dizer-lhe seus pecados. Porém, nossos pecados são também contra os nossos irmãos, contra a Igreja e por isso é necessário pedir perdão à Igreja e aos irmãos, na pessoa do sacerdote”, afirmou Francisco.

Sobre a vergonha que se pode sentir durante a Confissão, o Papa objetou: “… a vergonha também é boa, é saudável ter um pouco de vergonha (…) nos faz bem, nos faz mais humildes. E o sacerdote recebe com amor e com ternura essa

confissão e, em nome de Deus, perdoa”. O Papa ressaltou ainda que, do ponto de vista humano, a Confissão com o sacerdote ajuda a desabafar aquelas coisas que pesam no coração. “Por isso, não tenham medo da

Priorizar o atendimento pessoal e disponibilizar horários para que os fiéis possam buscar tanto o sacramento da Confissão quanto o aconselhamento espiritual é uma das diretrizes propostas no 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Infelizmente, acostumamos os nossos fiéis a buscarem o sacramento da Confissão apenas em momentos fortes da liturgia, como a Páscoa e Natal, ocasionando um grande afluxo de fiéis em um mesmo dia, o que impede que o sacerdote dedique o tempo e a atenção que muitas vezes os fiéis necessitam. Soma-se a isso o fato de que não poucas vezes a Confissão auricular é indevidamente substituída por celebrações penitenciais com absolvição coletiva, tem-se como consequência a perda gradativa do hábito de os fiéis buscarem o sacramento da Penitência.

Subsídio orienta sobre Iniciação à Vida Cristã Padre Cido Pereira

Vigário para a Pastoral da Comunicação

Neste ano, 2014, dentro do 11º Plano de Pastoral, a Arquidiocese de São Paulo quer que o destaque “Igreja – casa de iniciação cristã” ocupe o centro das atenções de todas as suas forças vivas. Nesse sentido, visando desenvolver nas comunidades um processo de iniciação à vida cristã, o Setor de Animação Bíblico-Catequética elaborou e disponibilizou aos catequistas um texto intitulado “Sugestões Pastorais para a implementação da Iniciação à Vida Cristã”. Para dom Odilo Pedro Scherer, esse instrumento, oferecido a toda a Igreja em São Paulo, visa “suscitar em todas as paróquias e organismos da Igreja... uma reflexão sobre a iniciação à vida cristã e a busca de caminhos eficazes para realizá-la.

Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese, explica que o subsídio deverá ser estudado até o mês de junho nos grupos e organismos eclesiais ligados às paróquias. Também as congregações religiosas e todos os organismos da Arquidiocese são instados a aprofundar o texto. A partir do conhecimento do texto, pede-se que se levantem as experiências já existentes que ajudem no processo e que se apresentem também sugestões, acréscimos e ajustes ao texto, para fazer dele um instrumento que desperte as comunidades para a Iniciação à Vida Cristã.

Reprodução

O subsídio inicia falando da Comissão Bíblico-Catequética da Arquidiocese, cujo objetivo

é uma “formação sistemática e progressiva dos catequistas”. E entra no tema apresentando a vida cristã como vida no mistério, encontro do divino e do humano na fé. Dom de Deus, a fé é o encontro com Jesus Cristo pela ação da Igreja. A vida cristã é caminho que objetiva o encontro dinâmico com Cristo. A Catequese deve ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo, fascinar-se por ele e a optar por segui-lo. Os sacramentos da Iniciação à Vida Cristã são fundamentais no processo. O Batismo nos insere no Mistério da Morte e Ressurreição de Jesus e nos faz novas

criaturas, a Crisma nos vincula mais perfeitamente à Igreja e nos unge para a missão, e a Eucaristia realiza a comunhão de vida com Deus e com os irmãos. E vêm, enfim, as orientações pastorais que insistem na corresponsabilidade de todos no processo de Iniciação à Vida Cristã: catequistas inseridos nas comunidades, os pais, os fiéis leigos, os religiosos, presbíteros e diáconos e bispos. Trata-se de um verdadeiro Ministério da animação e coordenação da Iniciação à Vida Cristã, que exige comissões bem estruturadas na Arquidiocese, na região e na paróquia. As “Sugestões Pastorais para a implementação da Iniciação à Vida Cristã” foram enviadas a todos os padres e às coordenações pastorais e estão à disposição no site da Arquidiocese: www.arquidiocesedesaopaulo.org.br.


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www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 25 de fevereiro a 5 de março de 2014

Papa Francisco nomeia novo bispo auxiliar de Brasília (DF) O papa Francisco nomeou na quarta-feira, 19, monsenhor Marcony Vinícius Ferreira como bispo auxiliar de Brasília (DF). Atualmente, atua como vigário-geral da mesma Arquidiocese. O Sacerdote ingressou para o Seminário Maior Nossa Senhora de Fátima, em 1982, onde cursou Filosofia e Teologia. Recebeu a ordenação presbiteral em 3 de dezembro de 1988.

Papa muda organização financeira do Vaticano Reforma de Francisco inclui leigos onde antes só havia cardeais Padre Michelino Roberto Redação

Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

O papa Francisco assinou na segunda-feira, 24, o “Motu Proprio Fidelis Dispensator et Prudens” (gerente fiel e prudente) mediante o qual instituiu uma nova estrutura de coordenação dos assuntos econômicos e administrativos para a Santa Sé e o Vaticano: o Conselho para a Economia, o Revisor Geral e a Secretaria para a Economia. O Conselho para a Economia será composto por 15 membros, dos quais 8 serão clérigos (cardeais e bispos) e 7 serão especialistas leigos. Este conselho substituirá a atual Comissão de Cardeais para o Estudo dos Problemas Organizativos e Econômicos da Santa Sé. Suas principais atribuições

serão oferecer orientações para a gestão econômica e fiscalizar as atividades financeiras da Cúria e de todas as instituições ligadas a Santa Sé. Já a Secretaria para a Economia será presidida pelo cardeal George Pell, atual arcebispo de Sydney, e terá autoridade sobre todas as atividades econômicas e financeiras da Santa Sé, do Governatorato, passando pela Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) e pelos meios de comunicação do Vaticano. A ideia dessa reforma administrativa é unificar para economizar. O cardeal Pell informou por meio de uma carta aberta que assumirá o seu novo posto em Roma no fim de março. Além da inclusão de especialistas leigos onde antes havia apenas clérigos cardeais, a reforma de Francisco introduz também uma nova figura antes inexistente: a do Revisor Geral. Nomeado diretamente pelo Santo Padre, ele terá o poder de instituir auditoria, em qualquer momento, a toda e qualquer agência ou instituição da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano. L’Osservatore Romano

Cardeal George Pell, prefeito da recém-criada Secretaria para a Economia, assumirá em março

Principais Organismos Econômicos e Financeiros da Santa Sé A Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé – criada em 15 de agosto de 1967, por Paulo 6º, é constituída por uma comissão de 8 Cardeais, um dos quais exercendo a função de presidente. Sua competência foi definida por João Paulo 2º com a Constituição Apostólica Pastor Bonus de 1988. Trata-se de um órgão de controle e vigilância. Suas principais atribuições são: examinar relatórios relativos ao patrimônio da Santa Sé, examinar balancetes, escrituras e orçamentos; redigir balancetes e orçamentos e submetê-los à autoridade superior. É função da Prefeitura de Assuntos Econômicos exprimir pareceres sobre as iniciativas econômicas e financeiras mais importantes. O Motu Proprio assinado na segunda não menciona mudanças nesse organismo. A Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA)- foi constituída por Paulo 6º em 15 de agosto de 1967, é subdividida em duas seções: a ordinária, que tem como função administrar parte dos bens e do patrimônio do Vaticano, destinados a fornecer recursos para o cumprimento das funções da Cúria Romana. Compete à Seção Ordinária a administração dos imóveis e a gestão dos assuntos jurídico-econômicos do pessoal (funcionários) da Santa Sé. A seção extraordinária administra os bens móveis próprios e os que lhe são confiados por outras instituições da Santa Sé. Com o Motu Proprio Fidelis Dispensator et Prudens, a Apsa teve sua função reiterada de Banco Centro para o Estado e Cidade do Vaticano. O Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano: atua como uma prefeitura do Estado da Cidade do Vaticano. Sua principal função é a gestão de diversas instituições prestadoras

de serviços para os seus dependentes (funcionários e pessoa). Sob sua responsabilidade estão: um posto de atendimento médico, o correio, um supermercado, uma farmácia e uma loja de departamentos com produtos diversos, que vão de roupas a aparelhos eletrônicos. O Instituto das Obras Religiosas (IOR), conhecido como Banco do Vaticano, foi instituído com o fim de realizar os pagamentos realizados pelo Vaticano aos seus prestadores de serviços, receber e realizar doações e atender às necessidades de caráter econômico e financeiro de congregações religiosas. O Motu Proprio não prevê mudanças em sua estrutura e funcionamento. A Autoridade de Informações Financeiras (AIF), instituída por Bento 16, tem como função colaborar com as unidades de informação financeira de outros estados, com o fim de combater o terrorismo e lavagem de dinheiro. Suas funções e estruturas também permanecem inalteradas.

Ponto de vista

A ideia de centralizar as questões financeiras em um único organismo pode ser boa se ajudar a Cúria Romana a fechar torneiras, garantir transparência e evitar desvios. A fórmula de unificar os centros de despesas, obter melhores preços de fornecedores, racionalizar e economizar é consistente e amplamente recomendada pelas melhores empresas de consultoria existentes. E ninguém deve estranhar que o papa Francisco esteja preocupado com assuntos tão “mundanos”, já que a Igreja existe no meio do mundo e, para cumprir seus fins espirituais e de promoção humana, necessita de suas instituições e de recursos materiais. As novas medidas de Francisco anunciadas comportam, porém, ao menos um risco. Ao criar uma nova estrutura de coordenação financeira, diferente e separada das demais e sem suprimir as já existentes, corre o risco de inchar a Cúria Romana.


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Consistório para criação de novos cardeais Fotos: L’Osservatore Romano e Carlos Moiolli/ArqRio

No sábado, dia 22, o papa Francisco criou 19 novos cardeais, dentre os quais o arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ), dom Orani João Tempesta. Pela primeira vez na história, um Consistório contou com a participação de dois papas: Bento 16 estava presente entre os cardeais e retirou o solidéu para saudar seu sucessor; dom Orani recebeu o título da Igreja Santa Maria Mãe da Providência, no bairro de Monteverde, em Roma

O cardeal Raymundo Damasceno foi nomeado pelo papa Francisco um dos três presidentes delegados do Sínodo dos Bispos, que será realizado em outubro, com o tema da Família; os outros dois presidentes nomeados são o cardeal André VingtTrois (Paris), e o cardeal Luis Antonio Tagle (Manila)


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Papa quer Pastoral da Família corajosa e permeada de amor Debates deram início a trabalhos do Sínodo Extraordinário que será realizado em outubro FILIPE DOMINGUES

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Cerca de 150 cardeais de todo o mundo se reuniram no Vaticano na última semana para refletir sobre os desafios da Igreja para o matrimônio e a família. Eles foram convocados pelo papa Francisco para um Consistório Extraordinário de dois dias – reunião de cardeais com o Pontífice – e, na prática, já começaram a trabalhar no tema do próximo Sínodo dos Bispos, “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”, a ser realizado em outubro. A família é “a célula fundamental da sociedade”, reiterou o Papa, pedindo aos cardeais uma profunda reflexão sobre “esta realidade humana tão simples e tão rica, feita de alegrias e esperanças, de fadigas e sofrimentos”. Segundo ele, a Igreja precisa de uma pastoral “inteligente, corajosa e permeada de amor”. São muitos os motivos para esse apelo. O documento de preparação do Sínodo menciona, por exemplo, a família monoparental; a poligamia; os matrimônios arranjados; as “barrigas de aluguel”; as uniões de pessoas do mesmo sexo; as uniões

de casais que não buscam o sacramento do Matrimônio; o acesso dos divorciados aos sacramentos. De acordo com o documento, são “numerosas novas situações que exigem a atenção e o compromisso pastoral da Igreja”. Durante o Consistório, o cardeal alemão Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, fez uma longa introdução teológica sobre o tema. Conforme revelou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, ele recordou o sentido da família como “Igreja doméstica”, recordou a origem bíblica da família e também trouxe à tona aspectos pastorais. Uma das questões práticas mais discutidas é a das pessoas divorciadas em segunda união.

Segundo o padre Lombardi, é um problema que obviamente está na mente dos participantes. “Isso foi tratado com amplitude e de forma diferenciada”, confirmou Lombardi à imprensa. O vaticanista italiano Andrea Tornielli, do jornal “La Stampa”, informou que o cardeal Kasper ofereceu mais perguntas do que respostas. Por exemplo, de que forma acolher um cristão divorciado que deseja ter acesso aos sacramentos da Penitência e da Comunhão, reconhecendo os erros da primeira união, mas educando os filhos na fé católica e sabendo da impossibilidade de se voltar atrás? Em entrevista ao jornal norte-americano “Boston Globe”, o cardeal Sean O’Malley, membro do Conselho criado

por Francisco para promover uma série de reformas, afirmou que “a Igreja precisa ser fiel ao Evangelho e ao ensinamento de Cristo” quanto à indissolubilidade do Matrimônio. Mas sugeriu que possa ser possível facilitar o acesso aos processos de nulidade matrimonial – pelos quais, após análise de cada caso, pode-se descobrir que o sacramento nunca foi válido. Já o recém-nomeado cardeal britânico Vincent Nichols, declarou ao jornal “Catholic Herald” que a Igreja precisa examinar o quanto as paróquias costumem responder à vida em família no mundo atual. “Temos muito a fazer em termos de preparação para o Matrimônio no longo prazo, especialmente nos seus primeiros anos”, disse. L’Osservatore Romano

Dom Orani Tempesta preside primeira missa como cardeal Do Especial para O SÃO PAULO, em Roma

Ser cardeal é ser capaz de dar a vida pelo Evangelho e um “convite a todos” a entregarse pela missão. Esse foi o centro da mensagem do cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, na primeira missa que presidiu após receber do papa Francisco o título de cardeal. Os cardeais são os homens de confiança do Papa e aqueles com menos de 80 anos podem eleger um novo pontífice numa eventual eleição. Na Basílica de São Sebas-

tião, em Roma, onde está o túmulo do santo que viveu no século terceiro e foi martirizado pelo Império Romano, dom Orani recordou o exemplo de pessoas que morreram pela fé. “Este é um momento para olhar nossa vocação e responsabilidade. Gostaria que todos pudessem compartilhar disso.” São Sebastião é também o padroeiro da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Segundo o Cardeal, ainda hoje existem muitas formas de perseguição aos cristãos. “Às vezes, é muito profunda, mesmo onde aparentemente

não existe. No mundo ocidental temos outro tipo de perseguição e uma dificuldade crescente”, admitiu. “Mas precisamos nos colocar a serviço de um mundo em transformação.” Ele recordou as palavras do papa Francisco quando insistiu que o cardinalato não é uma honraria. “A cor vermelha é a do martírio, do sangue. Na grande cidade, na pequena cidade, temos de renovar a nossa disposição para servir.”

Ladrões de coração

Após a missa, dom Orani

conversou rapidamente com O SÃO PAULO. Perguntado sobre algum momento especial com o papa Francisco durante os dias em Roma, respondeu com bom humor: “Perguntei ao Papa o que deveria dizer ao povo do Rio de Janeiro quando voltasse ao Brasil. Ele me disse assim: ‘Transmita ao povo meu carinho e diga que eles são ladrões. Porque roubaram meu coração!’. Depois o Papa passou de novo por mim e acrescentou: ‘E diga que eles sabem roubar bem!’”, brincou. (FD)

Igreja não se resigna diante dos problemas da família Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

O SÃO PAULO – Sobre o que os cardeais refletiram durante o Consistório? Dom Odilo Pedro Scherer – Tratou-se, de modo geral, da evangelização da família, talvez, não suficientemente cuidada; a Igreja tem um olhar positivo e de esperança sobre o casamento e a família, a partir da fé no Deus criador e salvador e a partir do seu desígnio de amor sobre o homem e o mundo. É verdade que também a família e o casamento foram marcados pelo pecado e suas consequências; por isso, são realidades que precisam ser continuamente iluminadas e orientadas pela luz de Cristo. Mas a Igreja não se resigna, com atitude pessimista, diante dos problemas atuais enfrentados pela família. Nas circunstâncias atuais, mais uma vez, põe-se a discernir sobre o que Deus quer da família e do casamento; e o que quer da Igreja, para melhor servir a família e o casamento. O SÃO PAULO – Houve algum destaque nos temas debatidos? Dom Odilo – Foi refletido especialmente sobre a situação dos divorciados e recasados e sua participação na Igreja; esta é, certamente, uma questão complexa, que não se reduz à admissão, ou não, à sagrada comunhão e à confissão, daqueles que vivem uma segunda ou terceira união. Qual será o melhor caminho a seguir para que, de um lado, a Igreja seja fiel à palavra explícita de Cristo sobre a indissolubilidade do casamento e, de outro, para ajudar esses casais a cultivarem sua fé e a participarem da vida eclesial. Obviamente, não foram tomadas decisões a respeito disso. O SÃO PAULO – Como foi a participação do papa Francisco neste primeiro Consistório de seu pontificado? Dom Odilo – O papa Francisco esteve presente em atitude de escuta o tempo todo; no final, convidou a continuar a reflexão e a percorrer o caminho sinodal que a Igreja tem pela frente nos próximos dois anos; a assembleia ordinária do Sínodo, de outubro de 2015, retomará o tema e o relacionará com a antropologia, a partir da fé cristã. Pediu para que se rezasse e buscasse serenamente a vontade de Deus a respeito da questão tratada.

O SÃO PAULO - edição 2991  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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