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Sé discute Campanha da Fraternidade

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JMJ põe jovens em ação nas paróquias

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Vida no semiárido é teimosia ou desafio?

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Paróquia San Gennaro completa 100 anos

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ano 59 | Edição 2990| 18 a 24 de fevereiro de 2014

R$ 1,50

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Cardeal tem 1ª audiência com o Papa L’Osservatore Romano

Dom Odilo Scherer fala sobre o primeiro encontro particular que teve com o papa Francisco, ocorrido na manhã de sábado, 15, no Vaticano. O Cardeal revelou ao O SÃO PAULO, em Roma, que, na conversa, o Pontífice se mostrou pessoalmente interessado pela causa do padre José de Anchieta e que a canonização deverá ser anunciada para breve. Os desafios pastorais da Igreja em São Paulo e a beatificação da Madre Assunta Marchetti também foram temas da audiência. Página 24

Evangelii Gaudium quer Igreja em saída Para dom Filippo Santoro, arcebispo de Taranto, Itália, a exortação apostólica Evangelii Gaudium, de Francisco, é o estilo e o convite para uma Igreja em saída. Na quarta-feira, 12, dom Filippo falou em evento promovido pelo Núcleo Fé e Cultura, da PUC-SP, Movimento, Comunhão e Libertação e Pastoral Universitária. Página 22

Igreja mobiliza sociedade contra tráfico humano Na Quarta-feira de Cinzas, 5 de março, tem início mais uma Campanha da Fraternidade, o jeito de a Igreja no Brasil viver a preparação para a Páscoa do Senhor. A oração, o jejum e o amor fraterno iluminam um aspecto sofrido da sociedade, colocam os cristãos diante dessa realidade e os convidam a buscar soluções para superála. “Fraternidade e Tráfico Humano” é o tema deste ano. O SÃO PAULO, nesta edição, propõe um começo de reflexão sobre a Campanha que quer identificar as práticas do tráfico humano, denunciá-las e mobilizar a sociedade para pôr fim a essa chaga social. Especial páginas 11 a 14

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Pastorais sociais e PUC-SP dialogam Um projeto de cooperação entre a PUC-SP e as pastorais sociais da Arquidiocese começa a ser viabilizado. Mesas de debate sobre a realidade social reunirão agentes das pas-

torais e a comunidade acadêmica. Para dom Milton Kenan Júnior, o que se espera é uma Universidade comprometida com a realidade social. Página 9

Mosteiro da Luz é tema de exposição A história dos 240 anos do Mosteiro da Luz, cuja construção foi projetada por Frei Antônio de Sant’Ana Galvão está sendo contada em uma exposição que inclui desenhos da frente da Igreja do Mosteiro feitos pelo próprio Santo. Montada no Museu de Arte Sacra, a exposição se estende até o dia 9 de março. Página 10

Luciney Martins/O SÃO PAULO


2 Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 18 a 24 de fevereiro de 2014 Gabirante

frases da semana

“Ele dizia que, se eu fugisse, ia me dar mal, porque não conhecia nada da cidade e não sabia falar português. Um dia chegou a me agredir e dizer que, seu eu fugisse, ele iria atrás de mim, pois já tinha acabado com a vida de uma mulher.”

Camila Sousa (nome fictício), vítima do tráfico de pessoas

“Devemos não só criar uma norma específica ao tráfico de pessoas, tipificar esta conduta, mas aprimorar o Estatuto do Estrangeiro, que é de 1980, muito restritivo, um campo fértil para que aqueles que queiram imigrar sejam cooptados pelas redes de tráfico.”

Ricardo Felix, advogado, sobre as políticas públicas de enfrentamento ao tráfico de pessoas

“Com base nas Copas anteriores e em outros megaeventos que ocorreram mundialmente e também no Brasil, em que os relatos das ONGs revelam um significativo crescimento de violações de direitos, em particular de exploração sexual de crianças e mulheres.”

Eurides Alves de Oliveira, da Rede Um grito pela Vida, sobre a Copa do Mundo no Brasil

você pergunta

Espiritualidade

Qual a função do acólito na liturgia eucarística?

Louvo-te, ó Pai, pelos 70 mil mártires de 2013

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

Padre Cido Pereira

O João Paulo da Cunha, do bairro de Santo Amaro, quer saber a função do acólito na liturgia eucarística. Nossa, João Paulo. O acólito é muito importante na liturgia eucarística. Ele permite ao Sacerdote concentrarse na celebração sem ter que mexer com livros, preparar o vinho, correr atrás da água para purificar as mãos, acender e transportar velas. Pense bem como o sacerdote ficaria dividido tendo que, ao mesmo tempo, orar, pregar o Evangelho, consagrar Pão e Vinho e distribuir a sagrada comunhão. O acólito, junto ao sacerdote, está ali, servindo discretamente, segurando o missal nas orações, oferecendo o vinho e a água na preparação das oferendas, oferecendo a bacia para o Padre purificar as mãos antes da liturgia eucarística, segurando a patena na comunhão. João Paulo, o acólito é muito importante. E tem uma coisa linda nesse serviço: muitos meninos, como eu um dia, se descobriram vocacionados para o sacerdócio. Deus permita que em nossas comunidades meninas e meninos em grande número sirvam ao altar. Essa proximidade com Jesus é muito bom para eles, para a família e para toda a comunidade. Fique com Deus, meu irmão. Que ele abençoe você e sua família.

Muitos meninos, como eu um dia, se descobriram vocacionados para o sacerdócio. Deus permita que em nossas comunidades meninas e meninos em grande número sirvam ao altar

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Frei Patrício Sciadini

Segundo as estatísticas que li por aí, no ano 2013, um exército de mártires no mundo inteiro caminhou orgulhosamente para a morte. Um total de 70 mil pessoas cristãs, que, em nome da verdade, da justiça, da defesa do direito à vida, incomodaram tanto alguns “prepotentes” que foram eliminados e tentaram calar a voz que grita profeticamente a verdade de Deus e a verdade do ser humano. Cada um de nós não pode deixar de ter no seu coração dois sentimentos que, a priori, parecem contrastantes, mas não são. São sentimentos que encontramos no mesmo Jesus diante do mistério da morte. O primeiro sentimento que inunda a minha alma de cristão, de

pessoa humana, é tristeza profunda em saber que a humanidade não é capaz de dialogar, de respeitar os diferentes, de escutar a voz dos que defendem a verdade e querem a justiça. Mas, ao mesmo tempo, sinto em mim o que sentia Teresa do Menino Jesus: a vocação de ser mártir e “queria todos os martírios porque um só martírio não seria suficiente…” É uma confissão da alegria em ver que tantos irmãos, um exército, deram a vida com alegria pela fidelidade aos valores que não podem ser negociados a nenhum preço. A vida, sua dignidade, não se negocia, se doa, se oferece com o profundo amor. Unome, silenciosamente, mas em oração, a tantos irmãos e irmãs que deram a vida por serem cristãos, e rezo para que nunca terminem de correr na terra esse sangue fecundante do amor. Onde estes nossos irmãos morreram e como morreram? São perguntas que vêm à cabeça, a “geografia dos

mártires” é geografia global da humanidade. Não é fácil circunscrevê-la. Pessoas que morrem para não entrar no jogo das armas, das drogas, da violência, e que defendem a vida. São mártires novos da geração da nova evangelização. Cantemos com todos eles e elas e sejamos fiéis a Cristo. Vale a pena. Peçamos ao Senhor que, em nosso ambiente pequeno ou grande, hostil ou não, sejamos testemunhas de qualidade do Evangelho e de Jesus. Que a Virgem Maria, a primeira mártir do novo Testamento, mártir que aceitou sofrer com o Cristo, mesmo não derramando o seu sangue fisicamente, nos proteja e nos ampare na luta de cada dia, para defender o ser humano, que é a mais bela página do Evangelho, feita carne em todos os tempos. Minha única tristeza é que não fui considerado digno de estar entre os 70 mil...

palavras que não passam

A missão é de corresponsabilidade (15) PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

O documento sobre o ministério e a vida dos presbíteros (padres) naturalmente mereceu atenção carinhosa do Concílio. A missão específica da Igreja e, por conseguinte, do sacerdote, é comunicar a vida plena de Jesus Cristo a todas as pessoas. Como fazer isso? Pelos serviços essenciais típicos da missão da Igreja: o serviço da Palavra, o serviço dos sacramentos (também conhecido como o serviço da Liturgia) e o serviço da caridade. É a conhecida expressão “tria munera”, ou seja, três serviços. No exercício desses três serviços pastorais, ou a tríplice missão, o sacerdote evangeliza, é evangelizado e se santifica. Além disso, a pessoa do Padre é consagrada com reserva exclusiva. Porque é tirada do convívio comum,

para servir ao Povo de Deus na esfera do sagrado. Sem dúvida alguma, o Concílio é claro quanto à necessidade da formação aprimorada para os candidatos a se tornarem ministros de Cristo. A atualização dos sacerdotes é absolutamente necessária para servir à altura às inquietações do Povo de Deus do seu tempo. A vida consagrada ou religiosa é, na palavra de João Paulo 2º, a alternativa da Igreja para o mundo. As pessoas vocacionadas são preparadas para ser a linha de frente da Igreja, ou seja, uma presença que interpele e questione a prática dos valores ilusórios vividos pela sociedade; e, pelos conselhos evangélicos (votos), aponta para os valores perenes do Evangelho. A vida consagrada recusa outra referência para a felicidade da vida que não seja Deus. O pastoreio do Povo de Deus é confiado pelo Espírito Santo aos bispos, sucessores dos apóstolos. Cristo lhes “confiou o mandato e o poder de

ensinarem todos os povos, santificarem na verdade e apascentarem o rebanho. Os bispos, portanto, pelo Espírito Santo que lhes foi dado, foram constituídos verdadeiros e autênticos mestres da fé, pontífices e pastores” (Christus Dominus-CD 2; Lumen Gentium-LG 21, 25-25). Porém, a responsabilidade pela missão da Igreja é igualmente dos cristãos leigos, os batizados, exatamente por exigência de seu próprio Batismo. O Concílio insiste que o Batismo é a fonte do direito e da responsabilidade do compromisso do apostolado na Igreja. É necessário preparar os leigos, dar-lhes responsabilidades na vida da comunidade e confiar. Em determinados assuntos e atividades, eles são mais capazes do que os ministros ordenados e devem ser respeitados como tais. É hora de as mulheres se responsabilizarem e serem responsabilizadas na Igreja, com base na sua atuação de igualdade de competência aos homens na sociedade.

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Daniel Gomes, Edcarlos Bispo de Santana e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


Fé e Vida

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encontro com o pastor

editorial

Anchieta, proclamado ‘santo’ pela Igreja? Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal odilo pedro scherer

A canonização do Bem-aventurado José de Anchieta parece estar muito próxima. Além do renovado interesse demonstrado pela Conferência Episcopal do Brasil e por várias dioceses, mais relacionadas com a vida e a obra missionária do padre Anchieta, agora o próprio papa Francisco está pessoalmente interessado nesta causa. Em breve, poderemos ter a alegria de ver, finalmente, proclamado “santo” aquele que, já no seu funeral, no fim do século 16, foi aclamado por índios e portugueses como “apóstolo do Brasil”. Mas por quais motivos Anchieta deveria ser proclamado “santo” pela Igreja? Convém recordar quem são os santos na Igreja: são as pessoas que vivem a comunhão e a sintonia com Deus e recebem do Espírito Santo a graça da santidade; Deus é o Santo, por excelência, que comunica a santidade a quem se aproxima dele. A santidade não é apenas fruto do esforço humano, embora requeira esse mesmo esforço para corresponder com Deus e viver em sintonia com Ele. O santo é uma

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pessoa de Deus e testemunha da sua santidade; testemunha também de Jesus Cristo e do seu Evangelho. Na Igreja, os cristãos que correspondem de maneira profunda com a graça santificadora recebida de Deus no Batismo, através da fé, são santos; são aqueles que vivem a “vida nova”, segundo o Evangelho de Cristo, seguindo sua Palavra e seu exemplo. Como a graça de Deus é multiforme e também conta com as qualidades humanas, assim a santidade se expressa de muitas maneiras; há os santos da caridade, da missão, do ensinamento, do testemunho excelso das virtudes humanas e cristãs, do serviço à Igreja, da contemplação, da mística, do martírio... Deus é admirável nos seus santos! Por muitos motivos, Anchieta pode ser considerado “santo” pela Igreja. Foi um missionário generoso e extraordinário, dedicando sua vida ao serviço dos irmãos indígenas, para lhes levar a alegria e as riquezas do Evangelho de Cristo. Uma vida inteira dedicada à missão só é possível mediante uma profunda comunhão com Deus e com a Igreja. Foi catequista e formador de cristãos, discípulos de Cristo. Sofreu por Cristo e pelo Evangelho... Anchieta é também um dos iniciadores da vida da Igreja no Brasil. Em São Paulo, isto é muito claro. Por isso, tem todo sentido dar-lhe

o título de “apóstolo do Brasil”. Ele continua sendo um exemplo e estímulo para a vida da Igreja; somos continuadores da obra missionária de Anchieta e dos outros missionários, que entregaram a vida pelo Evangelho nesta “Terra de Santa Cruz”. Anchieta foi místico e homem de oração e contemplação, testemunha de Deus no seu modo de ser e agir. Ainda mais: Anchieta viveu a caridade e outras virtudes de maneira extraordinária. Dedicava imenso amor aos doentes, respeito profundo aos indígenas e sua cultura, desejando ajudá-los a crescer nas suas condições humanas e espirituais. Foi um promotor da paz, que não hesitou em se entregar como refém durante a confederação dos Tamoios, mesmo com riscos para a sua vida, querendo dar mostras de sinceridade nos propósitos e no trato com as partes em luta, enquanto seus confrades negociavam a paz. E os milagres? Deus pode conceder a graça especial do milagre através da intercessão dos santos. Mas os milagres não são o requisito principal para proclamar um santo, e a Igreja pode mesmo dispensálos na canonização. O essencial mesmo é a vida santa e que o santo tenha sido uma pessoa de Deus, uma testemunha fiel e vigorosa de Cristo e do Evangelho. Anchieta foi tudo isso.

Arquivo pessoal

A violência com as próprias mãos é antievangélica À violência da criminalidade, somam-se, hoje, em nossa sociedade, a violência da polícia e a violência da sociedade, essas duas descarada ou veladamente incentivadas por programas de rádio e televisão, mais preocupados em disputar audiência do que em ajudar o povo a refletir. Consequência: o medo impera no coração dos bons. E a revolta da população a conduz a aceitação da vingança coletiva, do linchamento, da justiça pelas próprias mãos. É preciso, porém, que fique bem claro: vingança coletiva, linchamento, justiça pelas próprias mãos não são atos verdadeiros de justiça, são arremedos de justiça, caricaturas distorcidas da justiça. Quem incentiva ou participa de um ato de vingança coletiva contra alguém, quem incentiva e participa de um linchamento, quem faz justiça pelas próprias mãos se nivela aos criminosos, na barbárie, no crime. Alguém cometeu um crime bárbaro? Que seja identificado, julgado e punido na forma da lei, e afastado do convívio social para que repense sua vida, se ressocialize e seja devolvido à sociedade. Esse é o caminho de uma sociedade bem estruturada. Nós cristãos, discípulos do Cristo, temos, além do que se acaba de dizer, outras razões que tornam mais forte o repúdio à justiça pelas próprias mãos. Temos o exemplo e as palavras de Cristo, que não desiste de nenhum ser humano a ele confiado pelo Pai. Amar o inimigo e orar por quem nos persegue, é ordem dele a todos nós. E ele se identifica com os prisioneiros, ao anunciar o juízo final: “Estive preso e vocês me visitaram”. Preso no horto, após a última ceia, ele manda Pedro, que sai em sua defesa, guardar a espada. E do alto da cruz, agonizando, ora ao Pai por seus torturadores, “porque eles não sabem o que fazem”. É hora, portanto, de gritar o lema de uma distante Campanha da Fraternidade: “Fraternidade sim, violência não!” É hora de tomar consciência dos caminhos de barbárie que começamos a percorrer fazendo justiça pelas próprias mãos, justificando linchamentos e violência policial. É hora de exigir segurança e justiça pronta e ágil, que não deixe impune o crime e garanta a paz social. E é hora de proclamar que o caminho do Evangelho garante vida em plenitude para todos. Tweets do Cardeal

@DomOdiloScherer 17 – Provérbios, 3, 11-12: “Não rejeites as lições do Senhor Deus, nem desanimes quando ele te corrige. Pois o Senhor corrige aqueles a quem ama”. 16 – Hoje é domingo, Dia do Senhor: “Vinde, povo do Senhor e rebanho que ele guia: vinde todos, adoremos!” 13 – Cresce a expectativa pela canonização do padre José de Anchieta, apóstolo do Brasil. 11 – São Paulo aos Gálatas: “Vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim... O Filho de Deus me amou e por mim se entregou na cruz”. agenda do Cardeal Na quinta-feira, 13, o cardeal Scherer esteve em audiência, em Roma, com o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, que confirmou a cerimônia de beatificação de Madre Assunta Marchetti, para 25 de outubro, às 10h, na Catedral da Sé.

Até 3 de março

Reuniões na Santa Sé e consistório para novos cardeais pelo papa Francisco.


4 Fé e Vida liturgia e vida

7º DOMINGO DO TEMPO COMUM 23 DE FEVEREIRO

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palavra do papa

Fofoca envenena a vida, diz Papa

Ana Flora Anderson

Ser perfeito como o Pai Os textos litúrgicos deste domingo apresentam o caminho concreto para realizar a vontade de Deus na vida diária. A primeira leitura (Levítico 19, 1-2.17-18) revela que devemos ser santos, pois nosso Deus é santo. Não podemos sentir ódio do próximo ou procurar a vingança. Devemos amá-lo como Deus nos ama. Na segunda leitura (1 Coríntios 3, 16-23), São Paulo avisa a comunidade de Corinto, considerada tão sábia, que os cristãos são os santuários de Deus. Eles devem compreender que a verdadeira sabedoria consiste em conhecer as coisas de Deus. Tudo pertence àqueles que seguem a vontade dele. Estes não devem temer o futuro ou a morte, pois estão seguros no amor infinito do Pai. O Evangelho de São Mateus (5, 38-48) é um apelo radical à conversão. Jesus proclama que não devemos nos vingar de quem nos agride e que, se alguém pede nossa malha, devemos oferecer também o casaco! Amar os amigos é pouco, devemos amar os inimigos e aqueles que nos perseguem. Quando recebemos a graça de viver assim, nós nos tornamos os verdadeiros filhos de nosso Pai. Deus oferece seus dons a todos os seres humanos, e nós devemos ser imitadores de nosso Pai no caminho da santidade. leituras da semana Segunda (24): Terça (25): Quarta (26): Quinta (27): Sexta (28): Sábado (1º):

Tg 3, 13-18; Sl 18; Mc 9, 14-29 Tg 4, 1-10; Sl 54; Mc 9, 30-37 Tg 4, 13-17; Sl 48; Mc 9, 38-40 Tg 5, 1-6; Sl 48; Mc 9, 41-50 Tg 5, 9-12; Sl 102; Mc 10, 1-12 Tg 5, 13-20; Sl 140; Mc 10, 13-16

Santos e heróis do povo – 21 de fevereiro

“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em mim, nunca mais terá sede.” O santo de hoje foi muito célebre em sua época. É São Pedro Damião. Tornou-se notável, quer pela sua austeridade de vida, quer pela sensibilidade de que era dotado. Como bispo de Ostia, na Itália, e depois como Cardeal da Igreja, lutou para torná-la Esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, santa e imaculada. Foi por isso mesmo o melhor auxiliar dos papas, para reformar a Igreja do século 11. Na França, venera-se um santo considerado mártir da missa. É o Santo Natal Pinot. Foi preso durante a celebração eucarística e levado à guilhotina, ainda revestido dos paramentos de celebrante. Isso se deu durante a Revolução Francesa, em 1794. Mas deixou a todos os cristãos o testemunho sobre o valor da presença de Cristo em cada celebração e em cada celebrante da Eucaristia. Por fim, recorda-se de uma mulher: hoje é a festa litúrgica da bem-aventurada Henriqueta Dominici (imagem), italiana do século 19, apóstola dos pobres, última pessoa beatificada pelo saudoso papa Paulo 6º. Fonte: “Santos e Heróis do Povo”, livro do cardeal Arns

Papa francisco No domingo, 16, papa Francisco, antes de rezar com os peregrinos a oração mariana do Angelus, refletiu com eles sobre o Evangelho do dia. Segue parte da reflexão. O Evangelho deste domingo faz parte ainda do chamado “sermão da montanha”, a primeira grande pregação de Jesus. Hoje o tema é a atitude de Jesus com relação à Lei judaica. Ele afirma: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para abolir, mas sim para levá-las à perfeição” (Mt 5,17). Jesus, então, não quer cancelar os mandamentos que o Senhor deu por meio de Moisés, mas quer levá-los à sua plenitude. E logo depois acrescenta que este “cumprimento” da Lei requer uma justiça superior, uma observância mais autêntica. Diz de fato aos seus discípulos: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20). Mas o que significa este “pleno cumprimento” da Lei? E esta justiça superior em que consiste? O próprio Jesus nos responde com alguns exemplos. Jesus era prático, falava sempre com os exemplos para se fazer entender. Começa pelo quinto mandamento do decálogo: “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que

se encoleriza com seu irmão será réu em juízo” (vv. 21-22). Com isto, Jesus nos recorda que também as palavras podem matar! Quando se diz que uma pessoa tem língua de serpente, o que quer dizer? Que as suas palavras matam! Portanto, não só não se deve atentar contra a vida do próximo, mas também não lançar sobre ele o veneno da ira e atingi-lo com a calúnia. Nem falar mal dele. Chegamos às fofocas: as fofocas podem matar, porque matam a fama das pessoas! É tão bruto fofocar! No começo pode parecer uma coisa agradável, até divertida, como chupar uma bala. Mas no fim enche o coração de amargura e envenena também a nós. Digo-vos a verdade, estou convencido de que se cada um de nós fizesse o propósito de evitar as fofocas, no fim se tornaria santo! É um belo caminho! Queremos nos

tornar santos? Sim ou não? [Praça: Sim!] Queremos viver atrelados às fofocas como hábitos? Sim ou não? [Praça: Não!] Então estamos de acordo: nada de fofocas! Jesus propõe a quem o segue a perfeição do amor: um amor cuja única medida é não ter medida, ir além de todos os cálculos. O amor ao próximo é uma atitude tão fundamentada que Jesus chega a afirmar que a nossa relação com Deus não pode ser sincera se não queremos fazer as pazes com o próximo. E diz assim: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão” (vv. 23-24). Por isso, somos chamados a reconciliar-nos com os nossos irmãos antes de manifestar a nossa devoção ao Senhor na oração. Reprodução

Papa Francisco recebeu na tarde de quarta-feira, 12, na Casa Santa Marta, dois irmãos argentinos, Carlos e Rodolfo, que fugiram para a Suécia, em 1970, como refugiados políticos durante a ditadura militar. O encontro durou quase uma hora. A conversa começou com as recordações do papa Francisco, que conheceu a esposa já falecida de um dos dois irmãos. Naquela época, Jorge Mario Bergoglio trabalhava num laboratório de química. Fonte: www.news.va

há 50 anos

O SÃO PAULO comenta sobre a luta pela Declaração dos Direitos Humanos Povo, elemento formativo da Nação; Reações contra o despotismo, As liberdades e Responsabilidade Coletiva foram os temas tratado no semanário arquidiocesano há 50 anos. O texto foi escrito com a intenção de esclarecer e incentivar a defesa dos direitos humanos, bem como chamar a atenção dos órgãos competentes. Outro destaque na capa da edição foi o deslocamento de uma favela do Pasmado, em Botafogo,

Rio de Janeiro, para casas construídas em Bangu 1. À época, as pessoas foram removidas pacificamente, porém, não se deram conta da especulação imobiliária. A edição tratou ainda da questão do analfabetismo no mundo. “A inquietação da Igreja diante da extensão do analfabetismo foi manifestada pelo papa, num discurso que pronunciou ao receber os membros da presidência e da direção da Associação Educadora italiana.”

Capa da edição de 16 de fevereiro de 1963


Viver Bem

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literatura

dicas de cultura

Estação Trianon-Masp do Metrô recebe instalações artísticas

Divulgação

Duas novas instalações são colocadas na estação Trianon-Masp do Metrô para que o público tenha maior contato com a cultura. A ação faz parte do Projeto Vitrines, que leva obras de Angella Conte e Rita Balduino ao local. A exposição fica em cartaz entre 17 de fevereiro e 18 de maio e pode ser visitada diariamente, durante horário de funcionamento do Metrô. Para a visita é necessário pagar a tarifa de R$ 3. Confira abaixo um pouco das artistas e obras: Angella Conte – “Cotidiano Inventado” O trabalho consiste em um conjunto de recombinações de imagens presentes em obras anteriores realizadas pela artista, misturadas e inseridas em outro contexto. São fotografias manipuladas digitalmente que mudam a paisagem ao utilizar humor e estra-

nheza. Seus personagens reais e fictícios misturam-se ao ambiente do Metrô. Rita Balduino – “Caixa de Diálogo #2” Uma imagem digital – qualquer foto feita com celular, por exemplo – é formada por códigos-fonte, estrutura textual que é o lado de dentro da imagem, o seu corpo. Na obra, a artista articula um jogo de traduções e incompatibili-

dades para refletir sobre a intensa circulação da informação. serviço O que: Projeto Vitrines Quando: diariamente de 17/02 (Seg) a 18/05 (Dom) das 4h40 às 23h59 Quanto: Tarifa do Metrô (R$ 3) Onde: Estação Trianon-Masp (Metrô - Linha 2 Verde)

vamos cuidar da saúde!

direito do consumidor

DPOC

IPTU: até quando pagar?

Você sabe o que é DPOC? Essa sigla significa Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. É uma enfermidade que se caracteriza por uma falta de ar severa em que na maioria das vezes é necessário usar oxigênio 24 horas por dia. Em sua grande maioria são pacientes que foram tabagistas por longos anos, mesmo que em pequenas quantidades. Pessoas que já possuem antecedentes de problemas respiratórios e fumando aumentam em 90% as probabilidades de desenvolver essa doença. Essas chances caem bruscamente em indivíduos que não fumam e fazem atividade física regular. Que tal desde já começar a pensar em ter uma vida saudável no futuro? Dúvidas, dracassiaregina@gmail.com

Você sabia que o IPTU é um imposto de competência municipal e, de acordo com a lei vigente, a partir do momento em que o IPTU é exigido por meio do carnê de pagamento (aquele que nós recebemos em casa), o Município (Fazenda Pública) tem o prazo, em regra, de cinco anos para cobrar o pagamento a partir do primeiro dia do ano seguinte à data do carnê, isso através de uma ação judicial de execução que deve observar as normas processuais vigentes bem como a Lei 6830/1980. Se passar desse prazo de cinco anos provavelmente não será mais possível o Município cobrar o IPTU. Mas, cuidado, porque se ainda houver possibilidade de cobrar, incidirão juros e multa. Saiba de seus direitos, procure um advogado.

Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF).

Ronald Quene é formado em Direito

Tríduo Vocacional Em preparação ao Dia Mundial de Oração pelas Vocações A oração pelas vocações é um pedido e um convite insistente de Jesus. Sem oração, não existirão as vocações para os ministérios de que a Igreja necessita. É com grande alegria e com imenso prazer que lançamos este Tríduo Vocacional, em preparação para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, tradicionalmente celebrado, em todo o mundo, no 4º Domingo da Páscoa, dia do Bom Pastor. Trata-se apenas de uma proposta, mas feita com amor, competência, criatividade e qualidade. Formato: 14 x 21 cm | 24 p. R$ 3,00 Disponível em: www.edicoescnbb.com.br


6 Fé e Vida

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direito canônico

fé e cidadania

A subsidiariedade no âmbito da Igreja

Trabalho e dignidade humana Conselheiro geral dos padres salesianos

Padre Alfredo José Gonçalves

Padre Carlos Roberto Santana da Silva

O princípio de subsidiariedade aplica-se da seguinte maneira nas diversas esferas eclesiais. Pelas conferências episcopais: As conferências episcopais gozam de muitas faculdades. Dentre elas, podemos citar as seguintes: O cânon 1262 determina que os fiéis devam concorrer “para as necessidades da Igreja com as contribuições que lhes forem solicitadas e segundo as normas fixadas pela Conferência dos Bispos”; O cânon 1265 § 2 determina que a Conferência dos Bispos pode estabelecer normas sobre coletas de esmolas a serem observadas por todos, inclusive por aqueles que por instituição são chamados de mendicantes; O cânon 1272 determina que cabe às conferências episcopais estabelecer normas, de acordo com a Sé Apostólica, e, por elas aprovadas, regulamentar a administração dos benefícios, de modo que as rendas, e, quanto possível, o próprio dote dos benefícios passem, pouco a pouco, ao instituto mencionado no cânon 1274,§ 1; O cânon 1274 §§ 2 e 4 determina que, onde haja a previdência social a favor do clero, a Conferência Episcopal deve cuidar para que haja um instituto com o qual se providencie devidamente a seguridade social do clérigo; O cânon 1277 diz que cabe às conferências episcopais determinar quais são os atos considerados de administração extraordinária; O cânon 1297 determina que cabe às conferências episcopais estabelecer normas a respeito da locação de bens eclesiásticos. Pelas outras pessoas e ofícios abaixo das conferências episcopais: O cânon 1264 determina a competência dos bispos da província – estabelecer taxas a serem aprovadas pela Sé Apostólica pelos atos de poder executivo gracioso ou pela execução dos rescritos da Sé Apostólica, bem como determinar ofertas por ocasião da administração dos sacramentos; O cânon 1275 determina que o patrimônio proveniente de diversas dioceses é administrado segundo as normas concordadas entre os bispos interessados. (Continua na próxima edição.)

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

A Fundação Metropolitana Paulista, convoca seus membros diretores para a assembleia ordinária a realizar-se no dia 10 de março de 2014, às 14h, em sua sede à Avenida Higienópolis, 890, sala 16, São Paulo, SP, em primeira chamada com todos os diretores presentes, e, às 14h30, em segunda chamada, com os que estiverem presentes. A assembleia terá como pauta: 1 - assuntos ordinários da “Rádio 9 de Julho”; 2 – assuntos ordinários do Jornal “O SÃO PAULO”; 3 – outros assuntos. São Paulo, 18 de fevereiro de 2014. O Presidente

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

A Fundação Capella Menino Jesus e Santa Luzia convoca seus membros diretores para a assembleia ordinária a realizar-se no dia 10 de março de 2014, às 15h, em sua sede à Avenida Higienópolis, 890, São Paulo, SP, em primeira chamada com 2/3 dos diretores presentes, e, às 15h30, em segunda chamada, com os que estiverem presentes. A assembleia terá como pauta: 1 - assuntos ordinários da Fundação Capella Menino Jesus e Santa Luzia; 2 - outros assuntos. São Paulo, 18 de fevereiro de 2014. O Presidente

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

A Fundação Santa Terezinha, convoca seus membros da mesa administrativa para a assembleia ordinária a realizar-se no dia 10 de março de 2014, às 16h, em sua sede à Avenida Higienópolis, 890, São Paulo, SP, em primeira chamada com 2/3 dos membros presentes, e, às 16h30, em segunda chamada, com os que estiverem presentes. A assembleia terá como pauta: 1 - assuntos ordinários da Fundação Santa Terezinha, 2 - outros assuntos. São Paulo, 18 de fevereiro de 2014. O Provedor

O trabalho tem sido objeto de inúmeros estudos, tanto de caráter socioeconômico quanto político e cultural. Também nos escritos da Doutrina Social da Igreja o tema sempre ocupou um lugar privilegiado, como chave e meio para a garantia da dignidade humana. Um voo sobre a trajetória da humanidade, contudo, mostra como o tema do trabalho abriga gritantes injustiças, desigualdades e contradições. Estas derivam de dois fatores estritamente correlatos e condicionados: a relação trabalhista entre empregador e empregado e a remuneração pelo esforço feito ou “salário”. A relação trabalhista, ao longo da história, adquiriu diferentes modalidades, tais como o trabalho escravo, a prestação de serviços ao rei ou ao senhor, o artesanato livre da cidade, o contrato mediante pagamento... Atualmente, não é exagero afirmar que nenhuma dessas formas foi completamente extinta. É o que procura mostrar a Campanha da Fraternidade deste ano, convidando-nos a refletir sobre a temática Fraternidade e trabalho escravo, em pleno século 21. Aqui as contradições se revelam ainda mais estridentes: a tecnologia de ponta convive lado a lado com formas de trabalho análogas à escravidão: trabalho infantil, trabalho temporário sob a pressão de dívidas, trabalho feminino com remuneração inferior, trabalho domiciliar com ganhos por peça, trabalho autônomo, que não passa de autoexploração...

Entra em cena o segundo fator, de tal forma que, quanto mais instável a relação trabalhista, mais degradante tende a ser o trabalho realizado, seja do ponto de vista formal ou informal. No fim da linha, encontramos “os serviços mais sujos, pesados, perigosos e mal pagos”, jogados normalmente sobre os ombros dos imigrantes indocumentados. Sem papéis, o trabalhador se vê privado de um contrato regular, o que o torna vulnerável a todo tipo de exploração. Semelhante realidade, por sua vez, costuma fechar ao imigrante a porta dos serviços públicos básicos,

como moradia, escola, saúde, etc. Escapando de um país que lhe negava a cidadania, na origem, não consegue encontrar uma verdadeira pátria, no destino. A Doutrina Social da Igreja, desde sua origem, com a carta encíclica Rerum Novarum, de Leão 13 (1891), estímula e defende a associação e organização dos trabalhadores, como meio para lutar pelos direitos fundamentais à dignidade da pessoa humana. No campo da mobilidade humana, dom João B. Scalabrini – pai e apóstolo dos migrantes – já no século 19 denunciava os “mercadores de carne humana”. Luciney Martins/O SÃO PAULO

espaço aberto

Cultura do encontro versus cultura do conchavo e da exclusão Coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP

Francisco Borba Ribeiro Neto

Com a beleza e a força da exortação apostólica Evangelii Gaudium, corremos o risco de esquecer outras palavras do papa Francisco, que podem até ter aplicação mais direta no momento atual da sociedade brasileira. Num ano como este, com eleições à vista e manifestações nas ruas, vale a pena ver, por exemplo, o discurso do “Encontro com a Classe Dirigente do Brasil”, durante a Jornada Mundial da Juventude. Nesse discurso, Francisco salienta a necessidade de um “paradigma cultural” capaz de resgatar a política, recolhendo a sabedoria de um humanismo integral e sabendo projetá-la para um futuro melhor, exercendo-a com responsabilidade social e praticando o diálogo construtivo. Esse “paradigma

cultural”, o Papa define em outros momentos como “cultura do encontro”, que busca o outro, o fragilizado, o diferente, o empobrecido. Uma cultura que é radicalmente diferente daquela vigente na política brasileira, onde se busca não o encontro com o outro, mas o conchavo que privilegia os interesses individuais ou de grupos e acaba perpetuando a exclusão social – mesmo quando se propõe a combatê-la. “Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo.” Diante das manifestações a que estamos assistindo atualmente, onde tanto aqueles que praticam quanto aqueles que sofrem com a violência são provavelmente vítimas de um todo maior, essa frase do Papa vale como denúncia e como sinal de esperança. A violência sempre nasce lá onde morreram o diálogo e a possibilidade do encontro. Mas o encontro exige um ser humano renovado, uma humanidade capaz de amor e ternura para com o outro, capaz de não se co-

locar no centro do mundo, mas sim se abrir para a realidade e a dor do outro. Esse é o testemunho que o papa Francisco tem nos dado neste último ano. Diante do momento atual de nosso País, o povo cristão, formado por cada um de nós, é chamado a seguir o testemunho do Papa e se tornar ele próprio esse sinal e esse testemunho da possibilidade de se construir uma cultura do encontro e do amor. Não basta denunciar os erros e as omissões do Governo e dos políticos, ou indignar-se com a violência deste ou daquele grupo, é preciso viver e testemunhar outro modo de enfrentar os problemas sociais. Num mundo onde a política parecia totalmente entregue ao cálculo de interesses, aos acordos e conchavos, o Papa demonstrou que existe um anseio generalizado pelo respiro de uma vida pública determinada pelo amor e pela entrega ao outro. Cabe a cada um de nós pensar e demonstrar o que isso quer dizer na realidade brasileira deste ano de eleições.


Igreja em Ação

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SPM

bioética

Viver no semiárido: teimosia ou desafio?

Vida nascente sob controle de qualidade

SPM

spm.nac@terra.com.br Os Estados do Nordeste (região do semiárido) são apresentados pela mídia (a grande imprensa), como sendo uma região onde predomina a seca, isto é, a carência de água. E realmente não podemos fugir dessa constatação. As chuvas são escassas, pois elas ocorrem no início do ano, e durante oito ou nove meses a estiagem é predominante. Daí podemos perguntar: como é possível viver numa terra onde há uma carência de algo tão essencial para a vida: a água? Frente a essa situação, nos últimos anos, várias Organizações Não Governamentais (ONGs) procuraram, juntamente com as comunidades locais, discutir alternativas viáveis a curto, médio e longo prazos. Assim surgiu o projeto de construção de cisternas como solução viável para tal realidade. As cisternas são reservatórios com capacidade para armazenar 16 mil litros de água. Essa quantidade possibilita que uma família de cinco pessoas tenha água para beber e cozinhar durante cerca de sete meses, isto é, praticamente todo o período de estiagem. A água da chuva é recolhida através de calhas de zinco colocadas no telhado das casas. Ela cai no telhado, escorre sobre as calhas e é conduzida para dentro da cisterna por canos de PVC. A família retira a água da cisterna facilmente através de uma bomba manual de sucção, de uma forma muito prática e rápida. A construção das cisternas para as famílias é fruto de um processo que envolve não apenas a família em si, mas toda a comunidade local. Claro que a família deve necessariamente estar envolvida no processo, pois ela contribui na construção da cisterna. É a família que assume a escavação do buraco onde ela será erguida, além de mexer e transportar a massa, fornecer hospedagem e preparar a alimentação para o pedreiro. Outro aspecto notável é que

padre leo pessini

os materiais necessários para a construção das cisternas são adquiridos no comércio local, favorecendo assim o crescimento da economia local e regional. Para que se faça a opção por onde começar o projeto num determinado município, é formada uma comissão municipal, constituída por entidades da sociedade civil. É esta comissão que aponta as comunidades mais carentes, isto é, onde há um grau elevado de dificuldade para a obtenção da água. Através das lideranças da comunidade, as famílias são convidadas a participarem do programa. Dentre as entidades e organizações que assumiram o projeto das cisternas, está o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) do Nordeste, Paraíba, que por sua vez faz parte de uma rede de entidades ligadas à Articulação no Semiárido (ASA), com sede no Estado de Pernambuco. A ASA constitui-se numa rede de entidades formada por cerca de 3 mil organizações sociais. Tal rede atua na criação, gestão e desenvolvimento de políticas voltadas à região do semiárido. Atualmente, o programa de

construção de cisternas faz parte da política pública adotada pelo Governo Federal, e é chamado de Programa Água para Todos. Além da esfera federal, a ASA possui parcerias com governos estaduais e municipais, e ainda, entidades internacionais e empresas privadas que acreditam e valorizam o investimento em tecnologias sociais. Podemos perguntar: Por que uma organização que está a serviço dos migrantes assume projetos para a construção de cisternas? As ações assumidas pelo SPM contribuem para a redução da migração forçada, já que, sem as condições dignas de vida, o sertanejo se obriga a deixar sua terra em busca de vida melhor. Por isso, além de promover a conquista da cisterna, o Serviço Pastoral dos Migrantes promove encontros de formação nas comunidades, com o objetivo de fortalecer a organização popular, visando com isso à construção da cidadania. Ao se dar conta de seus direitos, o sertanejo passa a lutar para que sua família tenha acesso à educação, saúde, moradia digna, transporte, etc.

vocações adultas (Propedêutico Nossa Senhora da Assunção). Desejo, no entanto, solicitar uma correção/errata: o articulista/repórter informou que o cônego Adriano disse que os que já possuem formação acadêmica ingressam no segundo ano do propedêutico. De fato, o propedêutico é um período de apenas um ano. O que foi dito é: “ingressam no Propedêutico dois”. Grato por mais esse favor.

“Racionamento de água em São Paulo pode ser inevitavel” (edição 2989) Destroem a natureza e agora vão bombardear as nuvens gastando 4 milhões para tentar uns pingos de chuva

Por Antonio Marcos de Oliveira

espaço do leitor

“No dia de seu centenário, igreja é dedicada” (edição 2988) Obrigado! @JornalOSAOPAULO por registrar minha presença no Centenário da Paróquia Santo Antônio da Barra Funda Igor Belo @IgorBeloReal (pelo Twitter)

“20 candidatos são acolhidos no Propedêutico II” (edição 2989) Caros amigos, muito obrigado pelo belo artigo sobre o nosso Seminário Preparatório para as

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Cônego José Adriano (por e-mail)

Paulo Almeida (pelo facebook)

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

Manchete num dos grandes jornais paulistas chamou a atenção, lia-se: “São Paulo ‘exporta’ sêmen para mais de 200 clínicas do País, mercado cresceu 528%” (“Folha de São Paulo”, 24/11/2013). Ao lermos a matéria, tomamos conhecimento de que existe um mercado brasileiro de sêmen, que aumentou 528% em 18 anos e ultrapassou 1.200 amostras comercializadas em 2012, e a demanda tende a crescer mais. Esse mercado foi impulsionado por mulheres solteiras, adeptas da “produção independente”; casais de lésbicas e homossexuais que respondem por um em cada três procedimentos de gravidez artificial. O maior e mais antigo banco de sêmen do Brasil, o Laboratório Pro-Sed, já vendeu 11 mil amostras de esperma paulistano para mais de 200 clínicas espalhadas pelo País. A partir das doações dos voluntários, doadores anônimos (a lei brasileira coíbe pagamento), o banco cria uma espécie de cardápio de características físicas dos doadores. dentre elas constam cor da pele, cabelo, olhos, tipo físico, profissão e hobby. Orientais e negros são mais raros, com 5% e 10% das amostras respectivamente, informa o laboratório, sendo que a demanda por negros está crescendo. Os preços do sêmen variam de 1.600 reais para fertilização in vitro a 2.200 reais para inseminação artificial. Casais heterossexuais inférteis buscam doadores com tipo físico parecido com o pai. Casais de mulheres homossexuais ou mães solteiras preferem homens com mais de 1,80 metro, magros, brancos e loiros. O nascimento do primeiro bebê de proveta, Louise Joy Brown, em 25 de julho de 1978, se deu na Inglaterra, por obra dos médicos Patrick Steptoe (falecido em 1988) e do fisiologista Robert Geoffrey Edwards, agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2010. “As realizações de Edwards tornaram possíveis tratar a infertilidade, um problema de saúde que aflige mais de 10% de todos os casais do mundo inteiro”, afirmou o Instituto Karolinska, responsável pelo Nobel. O primeiro bebê de proveta do Brasil e da América Latina é a paranaense Ana Paula Caldeira, de São José dos Pinhais, nascida em 7 de outubro de 1984, que tem vida normal em Curitiba. O procedimento foi realizado pelo médico Nilton Nakamura, em São Paulo (falecido em 1997). Estima-se que desde 1978, quando se inicia a era da reprodução medicamente assistida, mais de 4 milhões de pessoas nasceram em todo o mundo. Segundo o urologista Renato Fraietta, coordenador do Centro de Reprodução Humana, da Universidade Federal de São Paulo, são feitos mais de 300 mil ciclos de fertilização in vitro por ano no mundo – só no Brasil, são mais de 5 mil. “Isso significa que nascem cerca de 2.500 crianças todos os anos no nosso País por conta dessa técnica”, diz Fraietta. Estamos diante de fatos científicos com questões éticas dificílimas. Como evitar o comércio torpe de gametas? A seleção de embriões defeituosos já intra útero, quando são descartados, não seria abortamento? Afinal, quem é o embrião? Mero amontoado de células, que podemos manipular ao nosso bel-prazer? Ou já é o princípio de uma nova vida que merece ser respeitada e cuidada (posição da ética cristã)? O que fazer para evitar manipulação, descarte e comércio de embriões em clínicas de fertilização in vitro, como o que ocorreu em São Paulo, com o caso do ex-médico Roger Abdelmassih? Selecionar embriões não seria uma forma de discriminação? Perante problemas de infertilidade e esterilidade, por que não se assumir também a perspectiva de adoção de uma criança? Frente ao dom da vida (para nós, divino), nasce a responsabilidade ética de protegê-la. Uma nova vida nunca deveria ser produto de um processo mecanicista de laboratório, mas fruto do amor responsável de um casal heterossexual.


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Mundo do trabalho – pastoral operária

PASTORAL DO DÍZIMO

A exortação do Papa

O dizimista deve ser em primeiro lugar justo, misericordioso e fiel (cf. Mt 23, 23-24)

PADRE Miguel Pípolo

nossas sociedades. A crise financeira a que atravessamos nos faz esquecer que, na sua origem, há uma crise... a negação da primazia do ser humano” (55). No mesmo número, o Papa continua dizendo que estamos a criar um “bezerro de ouro” à moda do Êxodo 32. O dinheiro é o atual fetichismo. No século 19, Carlos Marx falava do fetichismo da “mercadoria”. Mais do que nunca “dinheiro e mercadoria”, e vice-versa, continuam a exercer fascínio sem par. O consumo é a meta da “civilização” atual; não há felicidade sem ele (56). “Os me-

Foi muito bem recebida a Exortação “Alegria do Evangelho” do papa Francisco. Em 1975, o papa Paulo 6º escrevera a Exortação “A alegria cristã”. É bom ver a palavra “alegria” difundida pelo mundo cristão, palavra muito usada nas páginas bíblicas. “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo vos digo: alegrai-vos!” (Fl 4,4). Quem não gostou nada nada da Exortação foi a poOs excluídos veem crescer este derosa rede de câncer social que é a corrupção televisão americana CNN, profundamente radicada em que lhe concemuitos países – nos seus deu a “medaGovernos, empresários e lha de papelão” dedicada instituições – seja qual for a àqueles que faideologia política dos governantes lam bobagens em matéria de economia. O papa Francisco, canismos da economia atual de fato, escreveu linhas preci- promovem uma exacerbação sas sobre o que está aconte- do consumo, mas sabe-se cendo no modo de produção que o consumismo desenfreda vida material. Aquelas ado, aliado à desigualdade linhas poderiam ser escritas social, é duplamente daninho por qualquer observador. A para o tecido social” (60). Exortação não dá nenhuma Também não faltam linhas a lição de economia; ela tão so- respeito da corrupção: “Os mente repete o que “gregos e excluídos veem crescer este troianos” (americanos, não) câncer social que é a corrupestão dizendo sobre o atual ção profundamente radicada estágio de “civilização”. Afi- em muitos países – nos seus nal, segundo a ONU, existem Governos, empresários e 4 bilhões de pessoas vivendo instituições – seja qual for a ideologia política dos goverabaixo da linha de pobreza. Diz o Papa: “O ser hu- nantes” (60). Vale a pena mencionar que mano é considerado, em si mesmo, como um bem de o Papa defende a função do consumo que se pode usar Estado como mediador e cone, depois, lançar fora. Assim dena a autonomia absoluta do teve início a cultura do ‘des- mercado. “Enquanto os lucros cartável’... Já não se trata de poucos crescem exponensimplesmente do fenômeno cialmente, os da maioria side exploração e opressão, tuam-se cada vez mais longe mas de uma realidade nova; do bem-estar daquela minoria com a exclusão, fere-se, na feliz. Tal desequilíbrio provém própria raiz, a pertença à de ideologias que defendem sociedade onde se vive, pois a autonomia absoluta dos quem vive nas favelas, na pe- mercados e a especulação firiferia ou sem poder já não nanceira. Por isso negam o diestá nela, mas fora. Os ex- reito de controle do Estado... cluídos não são ‘explorados’, Instaura-se uma nova tirania mas resíduos, ‘sobras’” (55). invisível.” (56). O “alegrai-vos” do ApósVocê lembra há quantos anos falamos dos “excluídos” no tolo Paulo aos filipenses fora País? Para o Papa nem exclu- dito a uns poucos cristãos ídos são mais; são “sobras”. pertencentes à mais baixa Muito menos fazem parte do escala social no Império Rofamoso “exército de reserva” mano. Quais seriam as razões que nos fariam dizer hoje dos economistas. O Papa continua: “Uma “alegrai-vos”? Alegremo-nos das causas desta situação pelas preocupações pastorais está na relação estabeleci- do papa Francisco que ele tão da com o dinheiro, porque bem demonstrou quando araceitamos pacificamente o cebispo de Buenos Aires (Arseu domínio sobre nós e as gentina).

Marta Sampaio Lima Elia

“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho, enquanto descuidais o que há de mais grave na lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade; é isto que era preciso fazer, sem omitir aquilo. Guias cegos! Filtrais o mosquito e engolis o camelo.” Nesse trecho, Jesus nos diz que, antes de oferecer o dízimo, devemos praticar a justiça, a misericórdia e a fidelidade “sem omitir aquilo”, isto é, sem omitir o dízimo. Deus nos pede um dízimo agradável. E um dízimo agradável é aquele acompanhado de justiça, misericórdia, fidelidade e outras virtudes mais. O justo tem conduta íntegra, e seus pensamentos são honestos; não deixa a língua solta, não faz mal aos outros, reflete antes de responder. O misericordioso é aquele que perdoa, pratica a justiça, diz sempre a verdade e auxilia o irmão em suas dificuldades. Vamos relembrar as obras de misericórdia:

Corporais

1. Dar de comer a quem tem fome.

2. Dar de beber a quem tem sede. 3. Vestir os nus. 4. Dar pousada aos peregrinos. 5. Visitar os enfermos e encarcerados. 6. Remir os cativos. 7. Enterrar os mortos.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Espirituais

1. Dar bom conselho. 2. Ensinar os ignorantes. 3. Corrigir os que erram. 4. Consolar os aflitos. 5. Perdoar as injúrias. 6. Sofrer com paciência as fraquezas do próximo. 7. Rogar a Deus pelos vivos e defuntos. O fiel é aquele que vive sua fé, que cumpre a Palavra e observa o direito. O plano econômico de Deus – o dízimo – é o único que exige a vivência dos ensinamentos de Jesus Cristo. Esse deveria ser o plano econômico mundial para que houvesse equilíbrio nas riquezas, paz e amor. Como o mundo é impulsionado pela energia do amor, o plano econômico de Deus é o único que poderá salvar este mundo do caos em que se encontra. Por tudo isso, não se deve ter medo ou insegurança de oferecer o dízimo. Oferecê-lo significa confiança na Providência Divina. Então, na medida em que nosso coração mandar, aumentemos o seu valor.

Que Deus continue nos abençoando. Caros dizimistas, vamos iniciar o ano com as seguintes reuniões: a) para os coordenadores dos setores: dia 15/02/14, das 9h às 11h30, na Região Episcopal Ipiranga. Objetivo: Apresentação do cronograma anual. b) para toda a Pastoral do Dízimo da Região Ipiranga: dia 22/3, no mesmo horário e local. Objetivo: Preparar a campanha do dízimo de maio.

PASTORAL FAMILIAR

Família em questão (1) Secretários da Pastoral Familiar Arquidiocesana

Zuleica e João Abrahão

No fim do ano passado, as pastorais movimentaram-se em razão das respostas a serem oferecidas ao questionário apresentado pela Santa Sé para motivar a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, a ser realizada entre os dias 5 e 19 de outubro de 2014. A importantíssima temática questionada reza sobre “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”. Grande é a expectativa das pastorais sobre as diretrizes que serão extraídas da mencionada assembleia, pois estarão em jogo as novas situações fa-

miliares e suas relações com a doutrina eclesial. Isso tendo em vista o teor do questionário que enfrenta complexas questões antropológicas, considerando praticamente todas as situações de grupos familiares, ou seja, desde a preparação para a vida matrimonial até as uniões de fato e divorciados em segunda união, chegando mesmo até aos procedimentos de nulidade matrimonial. Que os estudos trilhem por um caminho de acolhida e misericórdia, sem cobrar comportamentos, pois isso o tempo e a convivência comunitária o farão. A Igreja está preocupada com as profundas transformações que ocorrem na sociedade, algumas que chegam até a pôr em dúvida a própria instituição familiar, razão pela qual o 3º Sínodo de outubro próximo cuidará de todos os tipos de situações familiares

e, sem dúvida, da preservação da família criada por Deus. Não se condene, nem se julgue, mas se olhe com misericórdia, pois o próprio Deus usa de misericórdia com o pecador arrependido (cf. 1Jo 1,9). E a família, seja lá em que situação se encontre, quando sediada sobre a rocha de Jesus Cristo, deve ser acolhida e acompanhada com prudência e amor compassivo e, mais, que seja sustentada na fé e na esperança (Familiaris Consortio, nº 84; e Sacramentum Caritatis, nº 29). Concluímos aqui com uma frase deverás expressiva do papa Francisco, para que possamos meditar e refletir, que reza: “A Eucaristia, embora constitua plenitude da vida sacramental, não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos” (Evangelii Gaudium, nº 47).


Geral

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Pastorais sociais e PUC-SP iniciam diálogo Próximo encontro será em 20 de março e iniciará conversa institucionalizada para mútua cooperação Edcarlos Bispo de Santana

redação

As pastorais sociais da Arquidiocese de São Paulo e a PUCSP estão desenvolvendo, ainda em fase inicial, um projeto de cooperação. Neste primeiro momento, o “diálogo pretende construir mesas de debates entre integrantes das pastorais sociais atuantes na Arquidiocese de São Paulo e membros da comunidade acadêmica”, descreve o projeto. Para o dia 20 de março, a partir das 9h, acontecerá um

diálogo entre os representantes das pastorais que compõem a Comissão Pastoral do Serviço da Caridade, Justiça e Paz com os professores do Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito da PUC-SP. À frente do projeto, dom Milton Kenan Junior, bispo referencial da Comissão Pastoral do Serviço da Caridade, Justiça e Paz, e o professor doutor Wagner Balera, titular de Direitos Humanos, coordenador do grupo de estudos de Doutrina Social e coordenador do programa de Pós-Graduação em Direito, conversaram com a reportagem do O SÃO PAULO e ressaltaram a importância deste diálogo que se inicia. Para o Bispo, o objetivo do projeto “é que a universidade não fique à margem da realidade social, é inserir o alunato na realidade social e ir de encontro à missão da PUC, que é conhecer e trabalhar as realidades da Igreja. Após o conhecimento dessa realidade, acredito que

Luciney Martins/O SÃO PAULO

a universidade poderá propor, contribuir e cooperar com as diversas pastorais sociais da Arquidiocese de São Paulo.” Já o professor Wagner, destaca que a ideia é que haja uma interação entre o trabalho das

pastorais e as diferentes linhas de pesquisa e extensão da Universidade. Para ele, os alunos serão beneficiados, pois terão em seu favor o conhecimento das realidades sociais, que, muitas vezes ou quase sempre,

aparece de modo distorcido para eles. “Poderão vivenciar os problemas essenciais da comunidade em seus diversos campos e carências, como o da população de rua, os encarcerados, os menores e portadores de necessidades especiais. Os alunos deverão adquirir uma consciência crítica da realidade e descobrirem o papel transformador que as estruturas jurídicas são chamadas a desempenhar em nossa sociedade.” O professor destaca que essa parceria será importante no campo acadêmico, pois pretende ampliar horizontes de pesquisa, de extensão (novas propostas de parcerias, de cursos e de formação especializada) e em perspectiva cultural. “A Universidade Católica, como afirma o Documento de Buga, é diálogo institucionalizado. A parceria pretende criar um canal permanente para que esse diálogo flua de maneira dinâmica e proveitosa”, afirma.

Com ação dos jovens em paróquias, a JMJ continua Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes Redação

“Ide, sem medo, para servir.” Sete meses depois, o mandato do papa Francisco aos jovens de todo o mundo, no encerramento da JMJ Rio-2013, tem sido vivenciado em paróquias da Arquidiocese de São Paulo, por grupos que se formaram após a Jornada. Na Paróquia São Francisco de Assis, na Região Lapa, o primeiro Encontro de Jovens com Cristo aconteceu em novembro, reunindo aqueles que se conheceram melhor ao longo da JMJ. “Através das palavras do Papa, a ação do Espírito Santo nos inflamou e fez com que não nos conformássemos com o pouco que fazíamos antes daquela semana”, comentou, ao O SÃO PAULO, Rebeca Tosta, 21, coordenadora do grupo, que aos domingos reúne, em média, 15 jovens. “A JMJ rendeu frutos a praticamente todas as pastorais da comunidade e trouxe novos membros para servir.” Na Região Brasilândia, a reArquivo pessoal

alização da JMJ também fortaleceu o projeto de formação de um grupo de jovens na Paróquia Espírito Santo. “Durante a Jornada, e nas semanas seguintes, um grupo de jovens iniciou um processo de amizade, se reuniu nas casas para assistir a filmes, conhecer as famílias, para partilhar a alegria. Após a Jornada, convocamos todos para um encontro, em setembro, e foi a parArquivo pessoal

tir daí que começou”, explicou o padre Jaime Estevão Gomes, 49, pároco, destacando que estão sendo capacitados futuros coordenadores do grupo, que reúne 40 jovens, para que articulem ações missionárias pelo Parque Bélem, bairro periférico da região noroeste. Visitar jovens que já receberam a Crisma, montar uma pastoral dos Coroinhas e dialo-

gar com a juventude que faz uso de drogas e bebidas alcoólicas na praça próxima à Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto, na Região Belém, são metas do grupo Reconquista, fundado em agosto de 2013. “Assumimos a tarefa missionária, especialmente evangelizando outros jovens. A JMJ não foi um evento isolado de uma ou duas semanas. Na verdade, foi uma granArquivo pessoal

de oportunidade de aprimorarmos nossa opção preferencial pelos jovens”, comentou Eldino José Pereira, 27, seminarista da Arquidiocese e articulador do grupo. Na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Região Sé, dez jovens que participaram da Jornada foram capacitados para coordenar o grupo Divino Coração, iniciado em fevereiro, com média de 55 participantes. “Apesar do pouco tempo de JMJ e de não termos convivência anterior entre nós, formou-se uma família de pessoas com as mais diferentes características, mas com um desejo em comum: ir além do padrão, se envolver mais na missão de evangelização”, garantiu Rafael de Andrade, 33, coordenador. O grupo já tem como tarefas organizar uma via-sacra, um retiro de jovens e se preparar para uma missão no Amazonas. “As falas do Papa incendiaram os nossos corações para arregaçarmos as mangas, ‘nadarmos contra a maré’, ‘botarmos fé’ de que é possível mudar o mundo”, opinou. Arquivo pessoal


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Mostra conta os 240 anos do Mosteiro da Luz Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em seis ambientes, a história bissecular desta construção pensada e projetada por Frei Galvão é lembrada em exposição Edcarlos Bispo de Santana

Serviço

Reportagem no centro

Um desenho, rabiscos que formam a frente de uma igreja, nele é possível ver as torres, os sinos, a cruz. Preso à parede da pequena sala, um exemplar da arquitetura de taipa – técnica construtiva que utiliza argila, essencial para as edificações coloniais paulistas do início do século 18, transporta o espectador no tempo. O cenário acima, juntamente com mais cinco ambientes, conta a história dos 240 anos do Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz ou, simplesmente, Mosteiro da Luz, na ex-

ma, toda a cidade de São Paulo, passou nos últimos anos. As obras expostas são dos mais variados artistas e períodos históricos. Pinturas de Benedito Calixto, Anita Malfatti e Almeida Júnior, além de obras de diversos séculos e períodos históricos, como, por exemplo, uma tetradracma de prata, moeda do século 4º antes de Cristo, a peça mais antiga do MAS.

Desenho feito por Frei Galvão na entrada de sua cela, que viria a ser a fachada do Seminário Arquidiocesano

posição “Mosteiro da Luz, 240 anos” montada no Museu de Arte Sacra (MAS), que seguirá até 9 de março. De acordo com Inês Coutinho, diretora técnica do museu, as próprias peças do acervo do museu são usadas para contar e fazer um passeio pela história do Mosteiro, que, atualmente, abriga o Convento das Irmãs Concepcionistas, que dedicam

seus dias à oração e ao trabalho, a Igreja de Nossa Senhora da Luz e o Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP. A imagem que mais chama a atenção na exposição é a reprodução de um desenho encontrado no corredor que dava acesso à cela do Frei Antônio de Sant’Anna Galvão. De acordo com a curadora da mostra, o desenho feito por Frei Gal-

vão, o primeiro santo brasileiro e responsável pela projeção e construção do Mosteiro, foi um esboço do que depois viria a ser o Seminário Arquidiocesano, atualmente a Igreja de São Cristóvão, na Luz. Em um dos espaços é possível ver, com a ajuda de recursos de imagem, a localização do Mosteiro e as mudanças pelas quais o bairro, e de certa for-

Exposição: Mosteiro da Luz: 240 anos Curadoria: Maria Inês Lopes Coutinho Pesquisa histórica: Dalton Sala Instalação: Wilson Sukorski Abertura: 2 de fevereiro de 2014, domingo, às 10 h Período: 4 de fevereiro a 9 de março de 2014 Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo Endereço: Avenida Tiradentes, 676, Luz, São Paulo Telefone: (11) 3326-5393 - visitas monitoradas Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 17h, sábado e domingo das 10h às 18h Ingresso: R$ 6,00 (estudantes pagam meia-entrada); grátis aos sábados

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ESPECIAL TRÁFICO HUMANO | Edição 2990| 18 a 24 de fevereiro de 2014 Reportagens: Daniel Gomes, Edcarlos Bispo de Santana e Nayá Fernandes

Jovem de El Salvador foi enganada e, por quase um ano, se escondeu em São Paulo

‘Ele me explorou, me usou e não sei se vou conseguir superar’

A história de Camila Sousa* foi contada com exclusividade à reportagem do O SÃO PAULO nas escadarias da igreja Nossa Senhora da Paz, em São Paulo, um dia antes que ela viajasse de volta para El Salvador, seu país de origem. O drama vivido pela jovem de 26 anos foi relatado com emoção e voz baixa, porque, quando se vive uma situação como a dela, qualquer lugar ou pessoa passam a ser temidos. Camila conheceu Carlos José*, boliviano, pela internet. Eles começaram um relacionamento online, e, depois de mais de um ano, ele a convidou para um encontro em São Paulo. “Ele pagou tudo, as passagens, gastos da viagem. Disse-me que eu não precisava me preocupar com hospedagem e alimentação, porque ele estava bem estabelecido em São Paulo.” A jovem, que tem uma filhinha de 3 anos, tirou o passa-

porte e teve autorização para ficar um mês no Brasil. “No início foi tudo muito bom! A gente passeava, ele era muito gentil comigo. Depois, foi ficando cada vez mais difícil, ele não queria que eu levantasse a cabeça quando saíamos juntos, pois tinha ciúmes e dizia que eu estava olhando para outros homens, por isso, precisava andar de cabeça baixa ao seu lado.” Com a passagem já comprada, Camila queria voltar logo para casa, mas tinha que esperar. Quando faltavam poucos dias para a viagem, Carlos tomou das mãos dela os documentos e os rasgou em pedacinhos. Emocionada, a jovem mostrava o passaporte que

ela colou com fita adesiva. Então, o homem começou a tê-la como prisioneira na oficina de costura que tinha e a fazer ameaças. “Ele dizia que, se eu fugisse, ia me dar mal, porque não conhecia nada da cidade e não sabia falar bem o português. Um dia, chegou a me agredir e dizer que, se eu fugisse, ele iria atrás de mim, pois já tinha acabado com a vida de uma mulher.” “Depois daquele dia, eu fiquei com muito medo, e não

conseguia falar com ninguém, nem com os funcionários da oficina de costura. Cheguei a tomar um monte de remédios, porque estava desesperada e queria tirar minha vida, mas o máximo que eles me fizeram foi ter muito sono e uma diarreia forte.” Um dia, porém, Camila decidiu fugir. Sem saber onde estava, saiu à rua procurando pelo bairro do Brás, pois era a único lugar que tinha ouvido falar. “Não levei nada, só meus documentos. Edições CNBB Peguei a chave escondida e saí correndo.” De ônibus, ela foi para o Brás e, chegando lá, disse que era estrangeira e precisava de ajuda. “Indicaram a Casa do Mi-

grante”, disse. A Casa fica na rua do Glicério e hospeda migrantes do Brasil e do exterior, além de auxiliá-los com documentação e busca de trabalho. “Isso aconteceu em janeiro [de 2013]. Desde então, nunca mais tive coragem de sair da casa. Tinha medo de que ele me encontrasse na rua.” Camila entrou em contato com a família e soube que Carlos tinha feito a mesma coisa. No dia 7 de setembro de 2013, quando conversou com a reportagem, já estava de passagem marcada e muito ansiosa para voltar. “Ele me explorou, me usou e não sei se vou conseguir superar isso.” Ao ser perguntada se denunciaria Carlos, Camila disse que não. “Não quero mais pronunciar o nome dele. Quero apenas que este pesadelo acabe. Quero ver minha filha, cuidar dela e viver em paz.” *Nomes fictícios

CF-2014 ressalta problemática do tráfico humano Identificar as práticas de tráfico humano e denunciá-las como violação da dignidade e da liberdade, mobilizando os cristãos e a sociedade para erradicá-las, são os objetivos da Campanha da Fraternidade 2014, que começa em 5 de março, com o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). O Texto-base da Campanha, em seu parágrafo 261, sintetiza que “o tráfico humano, que estende seus tentáculos por todas as partes do mundo, se desenvolve num ambiente de exploração de pessoas para o lucro... A exploração ocorre por meio da venda de pessoas, de partes do corpo humano, da exploração do corpo em atividades sexuais, de trabalhos forçados, sem as mínimas condições. Violam-se a dignidade e a intimidade da pessoa; elas são tratadas com extrema violência e, por vezes, mortas”.

A CF-2014 propõe ações dos cristãos individualmente (dimensão pessoal), em comunidade (dimensão eclesial/comunitária) e no âmbito sociopolítico. A Igreja no Brasil, conforme o parágrafo 238 do Texto-base, utilizará “sua imensa rede de fiéis e sua presença em todo o território brasileiro, para divulgar e conscientizar os filhos e filhas de Deus sobre a questão do tráfico humano”, também com vistas à prevenção, cuidado pastoral das vítimas e sua reintegração à sociedade. “Nos, como católicos, cris-

tãos, temos que ser pessoas extremamente vigilantes. Muitas vezes, estamos sabendo do que acontece longe, de casos no Pará, no Maranhão, no Piauí, mas a escravização de pessoas pode estar acontecendo no edifício onde moro, na cidade

em que vivo, naquele estrangeiro que está no comércio ou na produção de algum produto. Nós, por um dever cristão e de cidadania, devemos estar atentos e denunciar”, comentou o padre Ricardo Rezende Figueira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que por décadas esteve em contato com pessoas traficadas. Ainda segundo o Textobase, a CF-2014 visa conscientizar para as situações de tráfico humano e suas origens na vulnerabilidade social, impulsionar as ações de grupos e pastorais que lidam com pro-

blema e formar agentes multiplicadores sobre a temática. Outros propósitos são estimular que os governos estaduais criem comissões e comitês de enfrentamento ao tráfico humano, que haja aprimoramento do sistema de coleta de dados sobre tal prática e que o Congresso Nacional debata e aprove uma nova lei de migrações. “Essa temática é bastante desafiadora para a Igreja, profética. O tráfico de pessoas está na invisibilidade, é um tema que vem criando uma série de violências e exclusões, que a Igreja já acompanha há muito tempo com várias organizações, e que hoje ganha uma dimensão maior, principalmente neste momento em que o Brasil deixa de ser um país de rota e passa a ser país-destino do tráfico de pessoas”, opinou, ao O SÃO PAULO, Edson Silva, coordenador da equipe arquidiocesana da CF. (colaborou padre Cilto José Rosembach)


12 Tráfico Humano

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Legislações e políticas públicas em construção no país Anualmente, 800 mil pessoas são vítimas diretas do tráfico humano no mundo, conforme relatório da ONU, divulgado em outubro de 2013. Desde o ano 2000, a problemática tem recebido maior atenção internacional, após a Convenção de Palermo, na Itália, que estabeleceu um protocolo para prevenir, reprimir e punir o tráfico de pessoas. Signatário do Protocolo, o Brasil lançou em 2006 a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, para a prevenção e repressão de tais situações e o atendimento às vítimas, uma legislação mais abrangente ao que consta no Código Penal brasileiro, que tipifica como crime de tráfico humano apenas aquele praticado para fins de exploração sexual e também pune o crime de escravidão. A partir da Política, surgiu em 2008, o 1º Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (I PNETP), que, entre outras medidas, estimulou a criação de núcleos estaduais de enfrentamento. Desde 2013, está em vigor o II PNETP, que visa aperfeiçoar o marco regulatório de enfrentamento ao tráfico, fortalecer as políticas públicas e redes de atendimento já existentes, ampliar a capacitação e disseminar informações sobre a temática e desenvolver campanhas de mobilização. Para Ricardo Felix, advogado da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, é preciso haver uma lei sobre o tráfico de pessoas no Brasil, além de aprimoramentos de legislações. “Devemos não só criar uma norma específica ao tráfico de pessoas, tipificar esta conduta, mas também aprimorar o Estatuto do Estrangeiro, que é de 1980, muito restritivo, um campo fértil para que aqueles que queiram imigrar sejam cooptados pelas redes de tráfico humano”, opina ao O SÃO PAULO. No Estado de São Paulo, desde a década passada, existe

o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, e, desde 2011, a Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo, com 15 comitês regionais. Na capital, onde o Ministério do Trabalho e Emprego estima que existam cerca de 10 mil oficinas de costura clandestinas, somente em 2013 foi instituída a Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Escravo, que iniciou atividades em fevereiro deste ano. “Não fazemos o atendimento direto da vítima de tráfico, mas pensamos em ações do município para enfrentar o trabalho escravo, e articulações com outras secretarias e a sociedade civil”, explica Marina Novaes, assessora especial de Promoção de Trabalho Decente, que articula a Comissão. Ela comentou que não há quantificação de vítimas em São Paulo e lembrou que o tráfico humano está relacionado ao trabalho escravo, com significativa quantidade de imigrantes. Para Edson Silva, coordenador arquidiocesano da Campanha da Fraternidade, faltam estruturas para atender as vítimas. “Nem no município, nem no estado, nem na União, temos serviços especializados que possam orientar e encaminhar essas pessoas para, por exemplo, tirar documentos e legalizar a situação junto à Polícia Federal. A maioria dos serviços é feita pelas organizações não governamentais.”

Inspirados pela Campanha da Fraternidade de 2014, um grupo de universitários do Curso de Rádio e TV da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, elaborou um vídeo documentário sobre a questão do tráfico de pessoas. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem a duração de pouco mais de 30 minutos e apresenta o depoimento de pessoas que trabalham diretamente no combate dessa prática, tendo por objetivo “informar e conscientizar sobre a gravidade do problema, mostrando como a escravização e exploração de seres humanos ainda é um fato comum na atualidade, embora haja muito pouca discussão sobre o tema”, destaca a sinopse do trabalho. O título do documentário, “Tráfico de Pessoas – uma lenda urbana real”, surgiu após as entrevistas realizadas pelo grupo, como conta Rafael Augusto Thomaz de Moraes, 23, um dos integrantes do grupo, e a repetição do termo “lenda urbana” nas falas dos especialistas. “O tráfico de pessoas tem tanta força,

pois ninguém acredita que ele existe, quase não há denúncias e os aliciadores e traficantes conseguem explorar as pessoas por isso. Afinal, o tráfico de pessoas é uma lenda urbana. Então, pensei em colocar exatamente dessa forma: uma lenda urbana real, para mostrar antes mesmo de assistir ao documentário: ‘Cuidado’! O tráfico de pessoas existe”, afirma Rafael. “O que? Quem? Como? Por quê? O que é o tráfico. Quem são as vítimas? Quem são os aliciadores? Como é realizado o tráfico? Estatisticamente qual o volume desse tráfico, ou seja, quanto milhões ele movimenta por ano? Qual o papel da justiça? Como agir? Como combater? Como reincluir a vítima na sociedade?”, são algumas perguntas apresentadas e respondidas durante o documentário. Para assistir ao documentário, acesse: http:// www.youtube.com, e coloque na busca o título do documentário: “Tráfico de Pessoas – uma lenda urbana real”.

PRINCIPAIS MODALIDADES Luciney Martins/O SÃO PAULO

O C I F Á TR MANO HU

Tráfico para exploração no trabalho: os traficados são submetidos a trabalhos sem as mínimas garantias de direitos trabalhistas, têm a liberdade cerceada, a dignidade aviltada, e estão sujeitos a condições degradantes, incluindo longas jornadas. A maioria dos traficados são homens. Tráfico para exploração sexual: exploração da prostituição ou de outras formas de exploração sexual. A exploração utilizase da pornografia, do turismo, da indústria do entretenimento e da internet. 80% dos traficados são mulheres. Tráfico para a extração de órgãos: envolve a coleta e venda de órgãos de doadores involuntários ou doadores que são explorados ao venderem seus órgãos. Geralmente há médicos especializados envolvidos e o receptor do órgão está próximo. Tráfico de crianças e de adolescentes: situação em que crianças e adolescentes são traficados para adoção ilegal e exploração sexual. Fonte: Texto-base da Campanha da Fraternidade 2014.

Gabirante

‘Tráfico de Pessoas - uma lenda urbana real’

‘O gato foi um pai para eles Em uma fazenda no Pará, o fazendeiro percebeu que os trabalhadores estavam desestimulados pelo excesso de trabalho e aumento das dívidas, e teve uma ideia: “Todos receberam dinheiro e foram para o cabaré [de avião para uma cidade vizinha], mas o gato [que alicia as pessoas ao trabalho escravo] avisou o delegado: ‘estamos levando esses homens, demos a eles uma quantia de dinheiro, você tem de pegá-los e dar um susto neles’. Então, quando os trabalhadores estavam lá bebendo as suas primeiras cervejas, a

polícia entrou e para a delegac alguns, e aí vei gato. E aí os tra negociação do ‘Mas, senhor d do doutor fula trabalhadores, não são bagun ‘não, são bagu problema na c doutor, não é v todos trabalh chegaram a um


Tráfico Humano

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Gente que denuncia, enfrenta, acolhe quem sofre Na cidade de Cachoeiro do Itapemirim (ES), uma grande gaiola foi colocada na praça e, dentro dela, duas crianças de olhos vendados. Essa foi a forma que a Rede Um Grito pela Vida encontrou para chamar a atenção dos que passavam por ali para um tema um tanto quanto desconhecido pela população em geral: o tráfico de pessoas. “Ainda hoje, em pleno século 21, há pessoas em situação de tráfico. Nunca tivemos tantos escravos! Segundo a Organização Internacional do Trabalho, no mundo há 20,9 milhões de pessoas exploradas, consideradas mercadorias slucrativas. O que movimenta tudo isso é o dinheiro: o tráfico de pessoas é uma

entre as três fontes ilícitas mais lucrativas e movimenta no mundo 32 bilhões de dólares”, explicou irmã Gabriella Bottani, missionária comboniana, da coordenação Nacional da Rede Um Grito pela Vida e membro do I Comitê diretivo de Talitha Kum (Rede internacional da Vida Consagrada comprometida no enfrentamento ao tráfico de pessoas). O objetivo da Rede é contribuir para romper o silêncio, e para que o clamor das pessoas em situação de tráfico seja ouvido. “Para enfrentar essa grave violação dos direitos humanos, é necessário superar uma visão exclusivamente fundamentada em ações repressivas”, disse a Religiosa. Nos últimos anos, os grupos da Rede, presentes em 20 Estados brasileiros, realizaram atividades e ações de prevenção ao tráfico humano, como a sensibilização em datas comemorati-

história, respeitando a identidade, visando a integração e o protagonismo de cada um deles no novo contexto social, fortalecidos pela riqueza do encontro intercultural e unidos em torno da construção da cidadania universal”, diz o texto no site da instituição www. missaonspaz.org. “A grande força desta Campanha da Fraternidade é sua divulgação capilar. Em todas as comunidades católicas no Brasil se falará de Tráfico Humano. A CF é um instrumento muito importante para sensibilizar e alertar a população. Mas, para que possa contribuir na solução de casos de tráfico, precisa de uma articulação maior e não pode ser simplesmente celebrada no tempo de Quaresma”, afirmou irmã Gabriel, diante do questionamento sobre a contribuição efetiva da CF em relação à problemática.

Campanha quer combater o tráfico humano nos grandes eventos “Com base nas Copas anteriores e em outros megaeventos que ocorreram mundialmente e também no Brasil, em que os relatos das ONGs revelam um significativo crescimento de violações de direitos, em particular de exploração sexual de crianças e mulheres, com incidência no tráfico de pessoas, consideramos importante estar em estado de alerta, pois, no clima de euforia, grande mobilidade humana e grandes interesses econômicos, o turismo sexual, o trabalho infantil, o alcoolismo, a drogadição, a violência e imagem estereotipada das mulheres brasileiras internacionalmente, as práticas de aliciamento para o tráfico de pessoas, seja para exploração, seja para o trabalho degradante ou para a indústria sexual, tendem a se intensificar”, afirma irmã Eurides Alves de Oliveira, coordenadora da Rede Um Grito pela Vida. A religiosa é uma das articuladoras da campanha “Jogue a favor da vida, denuncie o tráfico de pessoas”, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), através da Rede um Grito pela Vida. De acordo com irmã Eurides, a campanha pretende, portanto, desenvolver atividades de prevenção através da sensibilização, informação e formação divulgando notícias

s’

e prendeu todos. Levou cia, andou batendo em io o salvador: chegou o abalhadores assistem a gato com o delegado. delegado, são homens ano de tal, são homens olha a mão deles, nceiros.’ E o delegado, unceiros, estão criando cidade’. E o gato, ‘não, verdade, são gente boa, hadores’. Finalmente, m acordo. ‘A gente paga

vas; formação nas escolas; cursos para lideranças; participação em fóruns de direitos e comitês e campanhas específicas. A Rede tem núcleos ativos nos estados do Amazonas, Pará, Rondônia, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás e em outros seis Estados e no Distrito Federal em fase de articulação: Acre, Roraima, Mato Grosso, Maranhão, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Outra instituição, dessa vez no centro da cidade de São Paulo, na rua do Glicério, é a Missão Paz. Lá funciona a Casa do Migrante, dos padres scalabrinianos, que recebe hóspedes de diferentes lugares do mundo. “Nossa missão é acolher os migrantes, os imigrantes e os refugiados, entendendo a

sobre como acontece o tráfico de pessoas, dados sobre essa realidade, “alertando para os riscos, divulgando os disques denúncias e criando um estado de alerta e compromisso da população frente a esta realidade, que constitui um atentado à vida e à dignidade humana, em especial das populações mais vulneráveis”. A coordenadora da campanha afirma que a mesma terá uma abrangência internacional, pois contará com a adesão de redes latino-americanas e, também, da Rede Internacional Talitha Kum, que abrange mais de 30 países. Esses países já estão traduzindo, para o inglês e espanhol, e divulgando os materiais da campanha.

As atividades formativas e informativas de prevenção acontecerão em especial nas cidades sedes da Copa do Mundo, mas também nas cidades próximas onde existem os núcleos organizados da rede. “Nestas localidades [cidades-cede], os núcleos da rede, em parceria com as pastorais, organizações e ONGs que aderirem à campanha, estão realizando oficinas, debates, cines-fóruns, atividades de formação nas escolas, comunidades e grupos sobre o tema, os riscos e as probabilidade de seu crescimento durante a Copa do Mundo, bem como formando equipes para, durante a Copa, atuarem no corpo a corpo através de plantões para distribuição de panfletos e informações nos aeroportos, rodoviárias, praças, ruas e proximidades dos estádios.” As denúncias poderão ser feitas através dos números 100 e 180. Para a Religiosa, é preciso tirar a questão do tráfico humano da “invisibilidade, divulgar informações e desvelar as causas geradoras do tráfico de pessoas”. De acordo com ela, é preciso que haja um “insistente trabalho de informação e formação, pautando o tema em todos os espaços possíveis, igrejas, escolas, meios de comunicação social, redes sociais, usando a arte, cultura, promovendo estudos e fóruns de debates”.

‘O que eu faço? Estou nu’ uma fiança e leva eles para a fazenda, eles têm que trabalhar, doutor.’ Então, os trabalhadores assistem à cena: o gato tira a carteira do bolso e dá um dinheiro para o delegado, a fiança, e leva os trabalhadores de novo para a fazenda. Os trabalhadores foram agradecidos pela coragem do gato. O gato foi um pai para eles. Os trabalhadores saíram agradecidos e foram trabalhar com mais entusiasmo, e mais endividados”. (Relato contado pelo padre Ricardo Rezende Figueira, durante o Curso Verão 2014, na PUC-SP).

Um jovem, de 18 anos, com família residente no Rio de Janeiro, tinha sido libertado de uma fazenda no Pará em condição de trabalho escravo e se preparava para voltar. “Eu disse a ele, ‘Mas como? Você acabou de ser libertado e está pensando em retornar ao Pará?’ Então, ele falou, ‘mas eu não vou com o mesmo gato’. E eu falei, “mas você sabe que esse novo gato pode fazer o que o gato anterior fez’. Dai, ele me

fez a seguinte pergunta: ‘O que que eu faço? Eu estou nu’. ‘E o que é estar nu?’, perguntei. ‘Não tenho trabalho, não tenho dinheiro, não posso comprar uma camisa nova, não posso beber uma cerveja, não posso pagar uma cerveja na festa da padroeira para o meu amigo...’ Aí eu falei com ele. ‘Escuta, se você ganhasse um salário mínimo, você sairia daqui?’ Então, ele me perguntou: ‘Mas quanto é o salário mínimo?’. Daí eu

falei, na época, R$ 160, e ele ‘quanto?’. Eu repeti, e ele disse: “Por R$ 50, eu não saio daqui’. Quer dizer, ele não estava indo porque gostava de sofrer, ele não estava indo porque era masoquista, não estava indo porque faltava informação, ele estava indo porque era obrigado a ir, era levado ao deslocamento humano, geográfico, por necessidade”. (Relato contado pelo padre Ricardo Rezende Figueira, durante o Curso Verão 2014, na PUC-SP).


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‘Chegamos ao ponto de coisificar as pessoas para ganhar dinheiro’ Uma notícia, no mínimo curiosa, chamou a atenção dos brasileiros na semana passada. Em uma feira, no centro da capital paulista, um homem vendia dois bolivianos. Não eram bonecos, peças de roupa ou artesanato, mas dois seres humanos. “Aí vai o trabalho mais vil do homem. Chegamos ao ponto de coisificar as pessoas para ganhar dinheiro. É isso, o dinheiro é senhor de nossas causas hoje”, afirma a promotora de justiça Eliana Vendramini. Responsável pelo Programa de Identificação e Localização de Desaparecidos, a promotora afirma que, no centro de São Paulo “vivemos um problema terrível”. “Não está longe de nós, o centro da cidade é um dos principais lugares para falsificação de RG, obtenção de silicone industrial para colocar em travestis que ‘quer se fazer’ em São Paulo. Não quero polemizar a adoção brasileira que muitas delas são feitas por amor, mas existe muito tráfico de bebês, o que é batizado de ‘adoção à brasileira’. Por exemplo, encontrei a criança a mãe me deu, gosta muito de mim e peço a guarda e depois a adoção, mas na verdade a mãe nunca me viu. Eu posso ser a mãe boa, mas posso ser uma traficante, conseguir a guarda e depois vender”, comenta. Talvez, ao falar em tráfico humano, as pessoas se remetam a algo distante de suas vidas, ao interior, às fazendas, ou, até mesmo, àquele cenário de novela, mas a realidade é diferente e está muito mais próxima das

pessoas do que elas pensam. “O maior número de caso [em São Paulo] de trabalho escravo é ligado às confecções, à indústria têxtil com a exploração de bolivianos de maneira geral, mas no ano passado houve um aumento muito grande na construção civil, como tem grandes obras, grandes empreendimentos, em vista da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Essa mão de obra é aliciada de alguns estados do Nordeste, principalmente”, conta a doutora Christiane Vieira Nogueira, procuradora do Ministério Público do Trabalho. As modalidades de tráfico humano, quatro ao total, atingem as pessoas em situação de vulnerabilidade. E essa “vulnerabilidade”, ressalta a doutora Eliana, “se apresenta das diversas maneiras possíveis. Uma vítima traficada é vulnerável, ‘vulnerável economicamente’, alguém pode dizer. Não! Ela é vulnerável em qualquer ponto. O travesti sai de lá só porque era pobre? Não. É porque não era aceito socialmente. Vai aí outra questão de fraternidade”, comenta a promotora fazendo menção à CF-2014. Trabalho escravo ou situações análogas à escravidão Paulo Rodrigo dos Santos, um lavrador de 40 anos, nunca estudou. Sabe ler e escrever, pois, como ele mesmo diz, “se virou na vida”. Em conversa com a pesquisadora Claudilene da Costa Ramalho, mestra em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Espírito Santo, conta ele como um “gato” o “aliciou” para

o trabalho do corte de cana em uma usina de Mato Grosso. A promessa era receber R$ 100 por dia, mas o máximo que ele conseguiu receber foi aproximadamente R$ 60, “no melhor dia”, acrescenta, pois no pior dia o valor não passou de R$ 18. Fora os gastos com alimentação e moradia, a promessa de um salário justo, como forma de pagamento dos trabalhos prestados, ficou apenas na promessa. Em casos assim, destaca a promotora Eliana, “a maioria das vítimas de tráfico sabe o que elas vão fazer, o problema são as condições que são descobertas mais tarde”. Ao passo que há um silêncio por parte das vítimas, “essas vítimas, não querem falar em juízo. Elas não são a prova oral do crime. Se falar, vitimiza, se falar, pode morrer, se falar, pode perder oportunidade, é indigna a situação dela, mas é melhor do que de onde ela saiu.” A doutora Christiane acrescenta: “Há muito silêncio. Nem temos ideia do percentual real do trabalho escravo que tem por aí a fora. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) tem alguns estudos que é um percentual relativamente pequeno dessas denúncias”. A procuradora do Ministério Público do Trabalho ressalta que, atualmente, os casos do trabalho escravo vêm aumentando e tudo isso como reflexo dos grandes eventos que acontecerão no Brasil inteiro, “estádios, aeroportos, hidrelétricas, obras do PAC, Minha Casa, Minha Vida...”, enumera.

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Jovens refletem sobre o tráfico humano, suas causas e consequências Hildete Emanuele Souza, 33, nasceu na periferia de Salvador (BA), numa comunidade chamada Pedreiras. Lá cresceu e conheceu a Pastoral da Juventude. O nome, ela herdou da vó. “Minha avó lutou por coisas que ainda hoje não conquistamos”, disse Hildete, durante uma assessoria que fez para um grupo de jovens da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de São Paulo, no sábado, 15, na Cúria da Região Episcopal Santana sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2014. “Minha comunidade é uma ocupação e, por isso, os serviços da prefeitura não chegam lá.” Com todas as dificuldades de uma jovem negra da periferia, Hildete conseguiu ingressar na faculdade e terminou o curso de letras. “Quando disse que ia fazer faculdade, ninguém sabia direito o que era, pois oportunidade, numa comunidade como a minha, é ganhar na loteria.” Atualmente, ela mora em Brasília

(DF) e trabalha com os irmãos maristas na Pastoral da Juventude. Os jovens, reunidos para refletir sobre o tráfico humano, discutiram não só as modalidades de tráfico que existem, mas, sobretudo, as suas causas e consequências.

“A violência tem várias garras e uma delas é o tráfico humano. São questões que têm raízes na escravidão, quando as pessoas eram encaixotas e trazidas como mercadorias. Assim, é na miséria humana, nos lugares mais pobres, onde Luciney Martins/O SÃO PAULO

faltam sonhos e perspectivas, que o tráfico vai buscar gente. Lá onde a dignidade humana é ferida, onde não tem emprego, nem oportunidade, mas prevalece as relações injustas”, comentou Hildete. Para Elaine Lima, educadora e membro da Pastoral, as vítimas da violência na cidade de São Paulo têm rosto, nome, sexo e idade. “A violência tem nome; tem idade, de 18 a 29 anos; tem cor, é negro; tem sexo, é homem; e tem lugar, é da periferia”. Os jovens lembraram o compromisso de ser uma Igreja em saída, como tem insistido o papa Francisco. “A gente precisa saber o nome, conhecer as pessoas às quais somos enviados. Na minha comunidade, em Salvador, o último jovem que morreu foi assassinado porque estava roubando cabelo para dar de presente à mãe, no dia do aniversário dela. O sonho dela era ter cabelo grande, mas recebeu, no dia do aniversário, o filho no caixão”, contou Hildete.


Região Lapa

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Semana Catequética ressalta a iniciação cristã Dom Julio Endi Akamine assessorou atividade realizada em paróquias da Região Espiscopal Lapa, na última semana

o caminho da iniciação à vida cristã para a pessoa acolhida na comunidade, de forma que se sinta bem dela fazendo parte e descubra sua vida a partir do encontro com Jesus e seu mistério, sua presença na Palavra, na comunidade e na celebração. “A iniciação cristã se realiza mediante o conjunto

dos três sacramentos: o Batismo, que é o começo da vida nova; a Confirmação, que é seu afiançamento; e a Eucaristia, que alimenta o discípulo com o Corpo e o sangue de Cristo para ser transformado nele” (CCE, n. 1275). Dom Julio, em entrevista à Pastoral da Comunicação, du-

rante a jornada da Semana Catequética, disse que ficou muito contente e satisfeito com a presença dos fiéis que compareceram em grande número, principalmente porque participaram com perguntas, interagindo e demostrando verdadeiro interesse em aprender e desenvolver mais o conhecimento ne-

cessário para a caminhada de evangelização. Padre Geraldo Pereira, agradeceu a dom Julio pela pronta disponibilidade e interesse em assessorar os encontros, bem como os coordenadores e todos os fiéis que participaram da Semana Catequética, que atingiu os objetivos propostos. Benigno Naveira

Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Aconteceu na tarde do sábado, 15, na Paróquia LAPA Nossa Senhora da Lapa, com a presença dos fiéis dos setores Lapa e Leopoldina, o encerramento da jornada da Semana Catequética da Região Episcopal Lapa, com o tema ”Iniciação à Vida Cristã”. A jornada começou na Paróquia São José do Jaguaré, no Setor Butantã, segunda-feira, 10, seguindo pela Paróquia São Patrício, no Setor Rio Pequeno, na quartafeira, 12, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no Setor Pirituba, na quinta-feira, 13, com o assessoria do bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, dom Julio Endi Akamine, e do animador catequético, padre Geraldo Pereira. Padre Geraldo refletiu sobre a mensagem do papa Francisco, que lembra a todas as pessoas batizadas a responsabilidade de anunciar Cristo. “Há uma responsabilidade para nós, os batizados: anunciar Cristo, levar adiante a Igreja, esta maternidade fecunda da Igreja. Ser cristão não é fazer um curso para ser advogado ou médico cristão, não. Ser cristão é um presente que nos faz avançar com a força do Espírito no anúncio de Jesus Cristo.” E dom Julio disse que para isso é necessário “desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação à vida cristã, que conduza a um encontro pessoal cada vez mais profundo com Jesus Cristo” (DGAE 2011-2015 n.40). Deus vem ao encontro do homem, interpelando-o e comunica-lhe a Boa Nova. É só na fé que existe o verdadeiro e pleno encontro entre Deus e o homem. A fé é o primeiro passo do homem em direção a Deus. A vida cristã é um caminho a “conhecer Jesus Cristo”. “A vida eterna é que conheçam a Ti, Pai e aquele que enviaste” (Jo 17,3). Para conhecer Jesus, o caminhar é a acolhida ao seu convite. Dom Julio comentou sobre

Dom Julio, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, comenta que iniciação cristã se realiza pelos sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia palavra do bispo

O Cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’ Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Querido leitor do jornal O SÃO PAULO, os parágrafos 101 a 119 do Catecismo da Igreja Católica tratam da Sagrada Escritura. Gostaria de começar esta reflexão perguntando: o que é a Bíblia? Etimologicamente falando, a palavra “Bíblia” significa conjunto de livros: trata-se, portanto, do substantivo coletivo de livro, ou seja, Bíblia significa “biblioteca”. “A Bíblia é, portanto, um conjunto de escritos”. Mas não qualquer tipo de escrito. Os escritos que fazem parte da Bíblia são inspirados por Deus. Somente os livros que são ins-

pirados pelo Espírito Santo estão presentes nessa biblioteca, na Bíblia. A Bíblia é a Palavra de Deus? Evidentemente que sim. Mas é importante que fique claro que a expressão “Palavra de Deus” não indica primeiramente a Escritura, a palavra escrita, mas o evento, o acontecimento da revelação. Quando falamos de “Palavra de Deus” é preciso pensar primeiramente não num texto, mas em uma pessoa, ou seja, em Cristo, que é a plenitude da revelação divina (cf. DV 2). É essa compreensão que encontramos no Catecismo da Igreja Católica: ao falar da Escritura, o Catecismo começa com o tema “Cristo: Palavra única da Sagrada Escritura”. O que significa essa afirmação: Cristo é a Palavra única da Sagrada Escritura? Cristo é a Palavra única da

Sagrada Escritura, no sentido de que a Revelação cristã antes de ser Escritura é evento, é acontecimento. A Igreja Católica venera as Sagradas Escrituras, mas ela sabe que o Cristianismo não é uma ‘religião do Livro’. O Cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo (cf. VD 7). Cristo é a Palavra única da Sagrada Escritura, no sentido de que ele é o princípio da unidade de toda a Sagrada Escritura porque, nas palavras escritas, ressoa a única Palavra que é o próprio Cristo. Por isso, se quisermos ter acesso à revelação divina, é preciso ir a Jesus Cristo, o Verbo que se fez homem. Nós veneramos a Bíblia porque a plenitude da revelação, que é Jesus Cristo, pode ser

descoberta por nós somente através da mediação da Escritura. Assim, todo esforço que fazemos para conhecer a Sagrada Escritura está finalizado a conhecer o próprio Cristo. É fato que os livros da Bíblia foram escritos sob o impulso do Espírito Santo e isso faz com que eles tenham duas características: eles são normativos e são sagrados. Eles são normativos, porque a Igreja recebe dos livros divinamente inspirados a sua regra de vida; neles, ela recebe a orientação segura e clara de como Deus deseja que nós vivamos e nos comportemos, tanto como indivíduos, quanto como comunidade. Eles têm um caráter sagrado exatamente porque foram escritos por inspiração do Espírito Santo. Por isso, nós os chamamos de Sagrada Escritura.

agenda regional

Sábado (22), 14h Encontro de preparação da Campanha da Fraternidade 2014, com o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”. Para os setores Lapa e Leopoldina, será na Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298); Para os setores Butantã e Rio Pequeno, será na Paróquia Santa Maria Goretti (rua Dr. Romeo Ferro, 281, Vila Gomes); Para o Setor Pirituba, será na Paróquia Nossa Senhor Auxiliadora (rua Padres Valombrosanos, 126, Pirituba).


16 Região Santana

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Paróquia Santa Rosa de Lima tem novo Pároco Arquivo paroquia

Missa de posse foi presidida por dom Sergio de Deus Borges, na sexta-feira, 7 Diácono Francisco Gonçalves colaborador de comunicação da Região

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na SANTANA Região Santana, empossou, na sexta-feira, 7, padre Roberto Fernando Lacerda como novo pároco da Paróquia Santa Rosa de Lima. Paulistano, nascido em 22 de julho de 1971, desde criança participou das atividades de igreja na Paróquia Nossa Senhora de Fátima da Vila Sabrina, na Região Santana. Como coroinha, a liturgia já o seduzia, e, ao voltar para casa, brincava celebrando missa com outras crianças. A liturgia iria leválo mais tarde, aos 28 anos, a entrar no seminário para ordenar-se Sacerdote, em 30 de março de 2008, e depois a se tornar vice-cerimoniário da Arquidiocese de São Paulo. Ordenado Padre, foi inicialmente vigário na Paróquia de Santana, onde ficou por um período de um ano e meio, sendo transferido depois para exercer essa função nas paróquias São João Evangelista e Menino Jesus. Em seguida, foi pároco na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Matias. agenda regional

Sexta-feira (21), 20h Reunião de dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana, com os diáconos permanentes, na Cúria de Santana (avenida Mal. Eurico Gaspar Dutra, 1877).

Sábado (22) Visita de dom Sergio de Deus Borges às capelas: São José, Sagrado Coração de Jesus, Santíssima Trindade e Sagrada Família, da Paróquia Natividade do Senhor (rua Augusto Rodrigues, 291, Jardim Fontales).

Domingo (23) Das 9h às 14h, Encontro Vocacional, no Seminário Propedêutico II (rua Franklin do Amaral, 888A).

Padre Roberto Fernando Lacerda abençoa bispo, padres e fiéis presentes na missa de sua posse como novo pároco da Paróquia Santa Rosa de Lima

Padre Roberto também assessorou o Programa Juventude em Ação, que realizava atividades com os jovens da Região.

Como Sacerdote, relata que sua maior alegria é ministrar o sacramento da Confissão, pois ele vê vidas feridas saírem em

paz pela misericórdia divina. Outra atividade que lhe contenta é a visita aos doentes. Muitas vezes tem visto a Unção dos

Enfermos trazer a serenidade às pessoas que sofrem. É com esse espírito que assume suas novas atividades.

palavra do bispo

Um grande missionário! Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

Celebramos, domingo, 16, junto com a Família Consolata, a abertura do Ano do Allamano, na Comunidade São Marcos, Paróquia Nossa Senhora da Penha. O Ano do Allamano visa a tornar mais conhecido o Beato José Allamano, sacerdote diocesano e grande missionário da Igreja. No dia da beatificação do padre José Allamano, o Beato

João Paulo 2º disse: “Ele nos recorda que para permanecer fiel à nossa vocação cristã (...) é necessário anunciar com coragem e com coerência o Cristo a qualquer pessoa que encontrarmos, principalmente para aqueles que ainda não o conhecem”. Foi com este espírito que o Beato José Allamano, como zeloso formador dos seminaristas e do clero, procurou enfatizar a dimensão missionária da consagração sacerdotal. Dizia: “A vocação missionária, essencialmente, é a vocação de todo santo sacerdote. A vocação missionária não é senão um amor mais

intenso para com Jesus Cristo, nosso Senhor; um amor que nos impele a torná-lo conhecido e amado por aqueles que ainda não o conhecem e não o amam” (Pavesi Org., 16). Desenvolvendo, ao seu redor, a consciência missionária foi surgindo naturalmente a necessidade de organizar um instituto dedicado às missões “para ajudar aos que se sentiam animados do ideal missionário a realizar a própria vocação” (Pavesi Org., 17). Fundou, a partir deste objetivo, o Instituto Missões Consolata no ano de 1901 e o Instituto das Missioná-

rias da Consolata em 1910. Estes dois institutos missionários estão presentes em nossa Região Episcopal Santana e foram, desde o início, dinamizadores da ação missionária e evangelizadora para que a Igreja se tornasse sempre mais “mãe fecunda de filhos”, “vinha que dá frutos de salvação”. Somos gratos por esta presença missionária e desejamos que, neste Ano do Allamano, a consciência do discipulado missionário cresça em todos nós, pelo exemplo de vida, consciência missionária e intercessão do Beato José Allamano.

Igreja Santo Antonio recebe seu pároco, padre Gabriel da região episcopal

A Paróquia Santo Antonio, no Lauzane Paulista, recebeu festivamente, no domingo, 9, seu novo pároco, padre José Esteves Filho (Gabriel), juntamente com dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana, que o empossou. Padre Gabriel, ao deixar o Exército, em cumprimento ao serviço militar, sentiu despertar mais forte a vocação sacerdo-

tal e entrou no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, no ano de 1983, onde iria permanecer por cinco anos. Verificando que sua vocação era de padre diocesano, vem concluir seus estudos de teologia na Arquidiocese de São Paulo. Ordenou-se padre, em 1993, pelas mãos de dom Joel Ivo Catapan, então bispo auxiliar na Região Santana. Atuou como Sacerdote nas seguintes paróquias: São Domingos Sá-

vio, Nossa Senhora da Piedade e Santa Rosa de Lima. “Minha família sempre foi muito atuante na Igreja. Esta foi a base de onde surgiu minha vocação. Por outro lado, minha vida sacerdotal é uma caminhada de amadurecimento, aprendizado e grandes realizações”, diz padre Gabriel. Foi muito bem acolhido na nova Paróquia, o que o deixa contente, além de observar que ela está bem organizada.

“O padre não trabalha sozinho, tudo que realiza, sempre o faz em comunhão com o presbitério e com a comunidade. Guardo ótimas recordações da Paróquia Santa Rosa de Lima, aprendi muito naquela Paróquia. Lá também há ótimas pessoas. Finalmente, peço que rezem por mim, preciso da oração de vocês para que tenha bom êxito em minha nova missão”, conclui padre Gabriel.


Região Sé

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Campanha da Fraternidade de 2014 em destaque Paróquia São Paulo da Cruz

Padres e leigos participaram de formação sobre a CF, que neste ano denuncia o tráfico humano Fernando Geronazzo

Colaborador de Comunicação da Região

A primeira reunião do clero na Região EpiscoSÉ pal Sé em 2014 teve como assunto principal a Campanha da Fraternidade (CF) deste ano. Realizado na Paróquia São Paulo da Cruz (Calvário), zona oeste de São Paulo, na quarta-feira, dia 12, o encontro abordou o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”. A assessoria do tema foi feita pelo advogado Ricardo Felix, da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, que realiza um trabalho de atendimento a refugiados num convênio com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e com o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça. O advogado apresentou a realidade atual do tráfico de pessoas no Brasil e o que pode ser feito para intervir nessa situação, seja por instrumentos de denúncia ou em situações específicas. Ele também falou dessa problemática no âmbito sociológico e legal. Houve, em seguida, um momento de perguntas dos padres para esclarecimentos de dúvidas. Para dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal da Região Sé, o encontro foi oportuno para esclarecer os padres e diáconos sobre um tema tão sério. “A Campanha da Fraternidade suscita a preocupação e motivação evangélica necessárias para a atuação e compromisso na defesa da vida em todos os âmbitos”, disse. O Bispo também ressaltou que não apenas o clero, mas os leigos, os agentes de pastorais da Região estão se preparando agenda regional

Sábado (22), às 9h Reunião dos Coordenadores Paroquiais de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão – Paróquia Santa Generosa (avenida Bernardino de Campos, 360 – Paraíso).

Na quarta-feira, 12, a primeira reunião do clero na Região Sé dá destaque para formação sobre a Campanha da Fraternidade, com assessoria de Ricardo Felix

para a CF-2014. No último dia 4, foi realizado um encontro de formação sobre o tema na Paróquia Santa Generosa, zona sul da capital. Por não ter havido uma apresentação de todas as paróquias da Região, dom Tarcísio tem reforçado o convite para todos participarem dos encontros de formação que serão realizados pelo Setor Paraíso, nos dias 25 a 27, no auditório da Livraria Paulinas (avenida Domingos de Morais, 660, Paraíso), das 20h às 22h. Além do tema da CF, a reunião do clero foi uma oportunidade de acolhida dos novos padres na Região, a maioria deles de congregações religiosas que atuam na Sé. Também foram feitos encaminhamentos básicos para os trabalhos pastorais deste ano. Em seguida, houve um almoço de confraternização dos padres e diáconos.

Semana Bíblico-Catequética da região episcopal

A Semana Bíblico-Catequética da Região Sé reuniu mais de 300 pessoas no auditório da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na zona oeste, dos dias 1º a 14, para refletirem sobre a Iniciação à Vida Cristã, uma das prioridades pastorais para este ano. O encontro, assessorado por dom Tarcísio Scaramussa e pelo coordenador regional da Animação Bí-

blico-Catequética, usou como base o subsídio arquidiocesano “Diretrizes pastorais para a implementação da Iniciação à Vida Cristã”. A maioria dos participantes eram catequistas de crianças, jovens e adultos. Houve, também, um momento de trabalho em grupos, divididos por setores, para pensarem na organização dos trabalhos de catequese. A semana foi encerrada com uma missa e o envio dos catequistas.

palavra do bispo

‘Não aceitamos morrer de fome’ Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

Este é um apelo dramático, feito pelo padre Frans van der Lugt, jesuíta holandês, que vive na Síria, na cidade de Homs, sitiada há um ano e sete meses pelo regime de Assad. Simbolicamente, sua fala é gravada diante do altar de uma igreja. Entre inúmeros problemas que o povo está vivendo, o maior é o da fome. “As pessoas não encontram comida. Nada é mais doloroso que ver mães pela estrada em busca de comida para os seus

filhos”, afirma o Padre. Perguntado se acha que receberá socorro da comunidade internacional, ele responde: “Nestas condições é impossível que a comunidade internacional e nós todos juntos não façamos nada”. Esse drama de nossos irmãos na Síria se repete em todas as partes do mundo. Há 842 milhões de pessoas passando fome, o que significa que uma em cada oito pessoas sofre de fome crônica no mundo (FAO). Todos os anos morrem 2,5 milhões de crianças com fome. Dois bilhões de pessoas têm deficiências nutritivas. Nesta semana que passou, a liturgia nos colocou diante

da narrativa da multiplicação dos pães. Os gestos de Jesus nos mostram que Deus quer acabar com a fome e quer que seus discípulos se comprometam para que não falte o alimento para nenhum irmão. A Igreja recebeu de Cristo a missão de anunciar a Palavra e ser servidora, comprometida na construção de um mundo mais justo. A salvação ou a libertação que Jesus Cristo nos encarregou de levar a todo o mundo é espiritual e também corporal, porque está voltada para a pessoa como um todo. “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”, disse Jesus. O filósofo e teólogo ucraniano Nicolaj Berdjaev

(1874-1948) dizia: “Se tenho fome, este é um problema material; se um outro tem fome, este é um problema espiritual”. No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o papa Francisco pediu o fim do “escândalo” da fome. Na Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”, ele lembra que “evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo”... O querigma possui um conteúdo inevitavelmente social: no próprio coração do Evangelho, aparecem a vida comunitária e o compromisso com os outros. O conteúdo do primeiro anúncio tem uma repercussão moral imediata, cujo centro é a caridade.


18 Região Brasilândia

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Padre Reinaldo assume Paróquia na Vila Bonilha Renata Moraes

No Setor Pereira Barreto, o Sacerdote foi nomeado pároco e também coordenador regional de pastoral Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

No domingo, 16, dom Milton Kenan Junior, bispo auxiliara da BRASILÂNDIA Arquidiocese na Região Brasilândia deu posse ao padre Reinaldo Torres como pároco da Igreja Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na Vila Bonilha. A missa foi presidida pelo Bispo regional e concelebrada por padres da região e padres convidados. O templo estava lotado, eram pessoas vindas das diversas paróquias pelas quais padre Reinaldo trabalhou em praticamente 19 anos de sacerdócio. Em sua homilia, o Bispo destacou que uma das principais tarefas de um presbítero é anunciar a Palavra de Deus ao seu povo, agradeceu a disponibilidade e o sim do padre Reinaldo e fez menção especial aos pais do sacerdote, Ida e Fernando, pela vida e doação de seu filho. A missa foi marcada por homenagens e agradecimentos. A Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha expressou seu carinho e gratidão pelos 11 meses de trabalho do Padre. Assim como a nova paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima o recebeu de coração aberto. Nos ritos finais da missa, dom Milton anunciou o padre Reinaldo como o novo coordenador de Pastoral da Região Brasilândia, função que foi exercida nos últimos três anos pelo padre Valdiran Ferreira dos Santos. Dom Milton expressou em entrevista seu agradecimento ao padre Valdiran pelo trabalho desenvolvido anteriormente e mencionou a nomeação do padre Reinaldo. “O coordenador regional de pastoral é aquele que auxilia o Bispo na coordenação dos trabalhos, que ajuda a organizar e dar forma, seguindo o plano de pastoral da Arquidiocese de São Paulo e em comunhão e sintonia com os coordenadores das demais regiões.” E completou, elogiando a competência do Sacerdote.

Durante celebração, o presbítero, com a mão sobre a Bíblia, renova promessas sacerdotais e é empossado pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima

À Pascom Brasilândia, padre Reinaldo lembrou as expectativas de seu ministério. “Que as alegrias desta noite, proporcionadas pela acolhida carinhosa da nova Paróquia, perdurem e fortaleçam os sinais de que Deus está no meio

de nós.” E falou também sobre a nomeação regional: “Ser coordenador de pastoral é trabalhar, contribuir, somar esforços e valorizar os potenciais de padres, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, pois estamos numa

caminhada de fé e vida”. O Presbítero também apontou que há muito trabalho pela frente e que cuidar da ação pastoral é uma das prioridades: “Nossa região sempre foi marcada pelas CEBs, pelas lutas sociais em favor de me-

lhorias para o povo, por isso há um jeito peculiar de ser Igreja na Brasilândia e isso me encanta”, encerrou. Na próxima edição, noticiaremos o encontro de formação da CF-2014, ocorrido no sábado, 15.

tretanto, podemos dizer que dois grandes tons se destacam na oração sálmica: a súplica e o louvor. A súplica se realiza na certeza de que Deus sempre atende; e o louvor e ação de graças brotam justamente da experiência de uma salvação realizada. Os Salmos, diz Bento 16, ensinam a rezar. “Neles, a Palavra de Deus transforma-se em palavra de oração – e são as palavras do salmista inspirado – que se torna também palavra do orante que recita os Salmos.” O saltério é dado “ao fiel precisamente como texto de oração, que tem como única finalidade se tornar oração daqueles que os assumem e com eles se dirigem a Deus. Dado que são uma Palavra de Deus, quem recita os salmos fala a Deus com as palavras que o próprio Deus nos concedeu, dirige-se a Ele com as palavras que Ele mesmo nos doa. Desse modo, recitando os Salmos, aprendemos a rezar. Eles constituem uma escola de oração”.

Com eles, aprendemos a dirigir-nos a Deus, comunicarnos com Ele, a falar-lhe de nós com as suas palavras; assim, aprendemos também a conhecer a aceitar os critérios do seu agir, aproximar-nos do mistério dos seus pensamentos e dos seus caminhos (cf. Is 55, 8-9). O título que a tradição judaica deu aos Salmos é tehilim, um termo hebraico que significa “louvores”. Esse livro, complexo e diversificado, com seus diversos gêneros literários é acima de tudo um livro de louvores, que “ensina a dar graças, a celebrar a grandeza do dom de Deus, a reconhecer a beleza das suas obras e a glorificar o seu santo nome”. Ao ensinar-nos a rezar, os Salmos ensinam-nos que, mesmo na dor, em meio ao sofrimento, a presença de Deus sempre gera estupor e consolação: “Pode-se chorar, suplicar, interceder e lamentar-se, mas com a consciência de que estamos a caminhar rumo à luz, onde o louvor poderá ser definitivo”.

palavra do bispo

A oração dos Salmos Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

Na Antiga Aliança, o rei Davi aparece como “o pastor que ora por seu povo e em seu nome, aquele cuja submissão à vontade de Deus, cujo louvor e arrependimento serão o modelo da oração do povo. Sua oração é adesão fiel à promessa divina, confiança cheia de amor e alegria naquele que é o único Rei e Senhor” (CIC 2579). Ao rei Davi é atribuído o livro dos Salmos que o torna, na tradição de Israel e depois na Igreja, o “primeiro profeta da oração judaica e cristã”. “Os Salmos alimentam e exprimem a oração do Povo de Deus como assembleia, por ocasião das grandes festas em Jerusalém e a cada sábado nas sinagogas...O Saltério é o livro em que a Palavra de Deus se torna oração do homem” (CIC 2587).

Na sua catequese sobre o livro dos Salmos (Roma, 22 de junho de 2011), o papa Bento 16 diz que “o saltério apresenta-se como um ‘formulário’ de orações, uma coletânea de cento e cinquenta salmos, que a tradição bíblica oferece ao povo dos fiéis para que se tornem a sua, a nossa oração, o nosso modo de nos dirigirmos a Deus e de nos relacionarmos com ele.” Os Salmos reúnem as mais diversas experiências humanas, demonstrando, assim, que toda realidade humana pode se tornar objeto de oração. Neles “entrelaçam-se e exprimem-se alegria e sofrimento, desejo de Deus e percepção da própria indignidade, felicidade e sentido de abandono, confiança em Deus e solidão dolorosa, plenitude de vida e medo de morrer”, afirma Bento 16. São diversos os gêneros literários dos Salmos: hinos, lamentações, súplicas, individuais e comunitárias, cânticos de ação de graças, salmos sapienciais e outros gêneros. En-


Região Belém

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Padre Comboniano assume a Paróquia São Sebastião Em missa presidida pelo vigário geral regional, cônego José Miguel de Oliveira, padre Mário Andrigheto recebeu provisão de pároco

posse com a entrega pelas mãos de lideranças dos símbolos que representam a entrega da Paróquia ao novo Pároco: as chaves da porta da Igreja e do Sacrário, os livros dos rituais de Penitên-

cia e do Batismo, juntamente com os seus óleos, o Missal, a Estola e o Pão da Comunhão. Ao final da celebração, padre Mário agradeceu a presença do vigário geral, padre Mi-

guel, e de todos os presentes. Também falou de sua expectativa. “Tenho fé e muita esperança de fazer a caminhada sempre junto com toda a paróquia; tenho que me inserir numa

caminhada que já acontece para dar a minha contribuição e testemunho. Não venho fazer coisas novas, mas me colocar a serviço dos irmãos”, finalizou padre Mário. João Carlos Gomes

João Carlos Gomes

Colaborador de comunicação da Região

A Paróquia São Sebastião, no Setor SapopembELÉM ba da Região Episcopal Belém, celebrou na noite do sábado, 15, a posse de seu novo pároco, o Missionário Comboniano do Coração de Jesus, padre Mário Andrigheto, de 56 anos, dos quais 30 dedicados ao sacerdócio. A celebração foi presidida pelo vigário geral regional, o cônego José Miguel de Oliveira, o padre Miguel, delegado pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo para a Região Belém, dom Edmar Peron, e concelebrada pelos confrades do padre Mário, padres Vanderlei Bervian e Elias Arroyo Roman, e pelo diácono permanente Jorge Luiz de Almeida. Cerca de 120 pessoas participaram da celebração, que teve início com a leitura da biografia do padre Mário, feita por lideranças da comunidade e, em seguida, padre Vanderlei fez a leitura da carta de provimento do novo Pároco.

Cultivar o amor de Deus

Valendo-se da leitura do Evangelho de São João escolhida pela comunidade, a parábola do Bom Pastor (Jo 10, 11-18), padre Miguel falou da necessidade de tanto a Paróquia quanto o novo Pároco amarem como o Bom Pastor e também seu Pai. “Ao chegar a esta comunidade, padre Mário precisa ser acolhido com respeito e dignidade; entretanto, a comunidade só será capaz de amar este padre se amar como ama Deus”, disse padre Miguel. “Do mesmo modo, o padre Miguel só será capaz de amar esta comunidade se amar a Deus. Ajudemos padre Mário a ser um bom pastor, mas ele só o conseguirá, se todos nós da Paróquia nos esforçarmos para imitar o Bom Pastor supremo, Cristo Jesus”, completou. Seguiu-se a partir daí os ritos próprios da celebração de

Padre Mário Andrigheto (centro) recebe de lideranças as chaves da Paróquia São Sebastião e do sacrário, em missa realizada na noite do sábado, 15

palavra do bispo

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo! Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

É sempre um prazer recordar que nós, cristãos, nos alimentamos de um único “pão da vida”, Jesus Cristo. Recebido, porém, de duas mesas, da Palavra e da Eucaristia, ambas tão unidas que constituem “um só ato de culto”. Esse “ato de culto” uno é introduzido pelos Ritos Iniciais (IGMR 46-54): canto de entrada (com procissão dos ministros e veneração do altar), sinal da cruz e saudação, rito penitencial, Kyrie, Glória e Oração do dia. Em seu conjunto, esses pequenos ritos têm por finalidade “fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembleia, constituam uma comunhão e se disponham a ouvir atentamente a Palavra de Deus e celebrar

agenda regional

dignamente a Eucaristia”. Desse modo, é como Igreja, comunidade de fiéis – raça escolhida, povo sacerdotal, nação santa (1Pd 2,9) –, que nos dispomos a participar ativamente da Liturgia da Palavra e da Liturgia Eucarística. Consideremos, agora, cada um dos pequenos ritos. O canto de entrada promoverá a comunhão, principalmente em sua forma dialogal: a assembleia canta o refrão, mais “condizente com a ação sagrada e com a índole do dia ou do tempo”, enquanto que as estrofes (normalmente um salmo) são cantadas pelo grupo de cantores ou por um(a) solista. A dimensão dialogal, realizadora de comunhão, prossegue no sinal da cruz e na saudação à assembleia: uma principal, a bíblico-ritual, e a outra espontânea, para acolher as pessoas e introduzir a assembleia no mistério do dia. O ato penitencial é “realizado por toda a

assembleia”, através de uma das três fórmulas presentes no Missal: Confesso...; Tende compaixão...; Senhor, que viestes... (há muitas invocações alternativas propostas pelo Missal, para os diversos tempos litúrgicos). Rico de caráter comunitário é o rito de bênção e aspersão da água, memória do nosso Batismo, próprio para o domingo, no lugar do ato penitencial. Quando a invocação cristológica “Senhor, tende piedade” – o Kyrie – não aparece no próprio ato penitencial, ela deverá ser cantada após o Deus todo-poderoso tenha compaixão... Também o Glória revela a comunhão da assembleia que canta ao Pai e ao Filho, “congregada no Espírito Santo”. E, por último, a Oração do dia ou coleta manifesta a comunhão dos fiéis; antes de ser formulada por quem preside a celebração, toda a assembleia, inclusive quem a preside, se conserva em silên-

cio e formula interiormente as suas intenções. É claro que a comunhão eclesial, promovida por todos esses ritos do começo da missa, é ainda inicial; depois de escutarmos juntos a Palavra de Deus, alcançaremos o ponto alto de nossa união na comunhão eucarística, realizada pelo Espírito Santo: “participando do Corpo e Sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo num só corpo” (Oração Eucarística II). E a assembleia aclama: “Fazei de nós um só corpo e um só espírito”. Enfim, os ritos iniciais nos ajudam a realizar uma primeira Páscoa: a passagem da dispersão da vida cotidiana à união de uma assembleia convocada pelo próprio Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, “sacramento de unidade” (São Cipriano – SC 26): Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

Sábado (22), 17h

Domingo (23)

Formação pastoral na Paróquia São Miguel Arcanjo (travessa Pé de Manacá, 57, Jardim da Conquista).

Às 14h, atividade da CRB, no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, Belém). Às 18h, Crisma na Paróquia Jesus Eucarístico e Santa Maria (rua Engenheiro Pegado, 374, Carrão).


20 Região Ipiranga

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Paróquia celebra solenemente sua Padroeira Dia Mundial do Enfermo foi celebrado com missa solene, com a intercessão de Nossa Senhora de Lourdes José Antônio de Moraes

colaborador de Comunicação da Região

A Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, IPIRANGA criada em 30 de outubro de 1957 por decreto do então arcebispo de São Paulo, o cardeal dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, sendo a primeira Igreja Católica Apostólica Romana do Planalto Paulista, desde então cuidada pela Congregação dos Oblatos de Maria Virgem (OMV), celebrou sua Padroeira na terça-feira, 11, às 15h, com uma missa solene. A data relembra a primeira aparição da Virgem Maria a Bernadette Soubirous, na gruta em Massabielle na cidade de Lourdes, França, em 1858. Local de peregrinação constante, esta gruta à margem do rio Gave, com cerca de 6 milhões de peregrinos por ano, é atualmente um dos maiores santuários marianos do mundo. No

local a Virgem se apresentou como a Imaculada Conceição a Bernadette. Ao todo, foram 18 aparições. Na gruta do interior da Paróquia, assim como em Lourdes, o povo devoto de Nossa Senhora de Lourdes, se reúne para pedir a cura do corpo e da alma. Essa missa solene, neste ano presidida pelo novo pároco, padre Célio Cardoso (OMV), revestiu-se de especial significado. Foi um momento importante de acolhimento recíproco desta comunidade ao seu novo Pároco, como também do Pároco ao povo devoto que ali estava para celebrar. No dia 11 de fevereiro, a comunidade paroquial também comemorou o 22º Dia Mundial do Enfermo, tendo como Padroeira dos enfermos, Nossa Senhora de Lourdes.

Pascom Ipiranga

Na terça-feira, 11, fiéis recordam aparição da Virgem Maria a Bernadette, na gruta em Massabielle na cidade de Lourdes

O Dia Mundial do Enfermo é instituído em 1992 por João Paulo 2º da região epeiscopal

Vale relembrar que na mensagem do papa Francisco para este dia, especial destaque foi dados aos doentes e também aos agentes de saúde, quando diz que: “...Maria, impelida pela misericórdia divina, vai ajudar a sua prima Isabel; intercede, junto ao seu Filho, nas núpcias de Caná; carrega consigo as palavras do velho Simeão que Pascom Ipiranga

‘uma espada iria transpassar o seu coração’; permanece, com coragem, aos pés da cruz de Jesus”. Quem está aos pés da cruz, como Maria, aprende a amar como Jesus. A cruz de Cristo nos convida a nos deixar contagiar pelo seu amor, nos ensina a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre e precisa de ajuda. Por isso, o santo padre con-

enfermos foi particularmente emocionante para todos os que lá puderam estar para apresentarem seus pedidos à Padroeira e receberem na pessoa do padre, as bênçãos que selam a esperança de cura dos males do corpo e da alma. A Padroeira é reverenciada todo dia 11 de cada mês e a Pastoral da Saúde está sempre à disposição, para esclarecimentos e indicações médicas.

Pastoral do Dízimo realiza sua primeira reunião em 2014 João Joaci Ricarte Filho

colaborador de Comunicação da Região

Coordenadores paroquiais reúnem-se para discutir as prioridades da Pastoral

fia o próximo Dia Mundial do Enfermo à intercessão de Maria, para que ajude os enfermos a viver o seu sofrimento em comunhão com Jesus; ajude aqueles que lhes prestam assistência, os agentes da saúde e os voluntários. Na Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes do Planalto Paulista, a celebração com a bênção e aspersão da água santa e o rito da unção dos

No sábado, 15, na sede da Região Episcopal Ipiranga, foi realizada a primeira reunião deste ano da Pastoral do Dízimo com os coordenadores paroquiais. Na reunião, compareceram coordenadores de 16 paróquias da região. Foi constatada a necessidade de uma comunicação melhor e rápida com os dizimistas, portanto, as pastorais

irão se utilizar de e-mails personalizados para promover a evangelização sobre o dízimo, divulgar as campanhas, festas e outros eventos ocorridos nas paróquias e demais informações aos dizimistas. A intenção é promover um canal de comunicação sem custo e ágil, que atenda aos objetivos da pastoral. A reunião foi conduzida pelo novo coordenador da Pastoral do Dízimo na Região Ipiranga, que coordenou du-

rante muitos anos a Pastoral na Paróquia São José, no Setor Ipiranga. A reunião foi muito produtiva junto com os coordenadores paroquiais, e a Pastoral do Dízimo tem muitos desafios e trabalhos na Região Ipiranga. Evangelizar sobre o dízimo de fato é um grande desafio. O dízimo deve ser visto e divulgado como uma modalidade de partilha nas comunidades paroquiais, sobretudo, como uma atitude de fé cristã.


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passa tempo

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Papa Francisco recebe presidente Dilma em audiência privada Francisco receberá em audiência privada na sexta-feira, 21, a presidente Dilma Rousseff, que visitará o Vaticano por causa do consistório público no qual dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, será feito cardeal. O encontro acontecerá assim que terminar a cerimônia e será a segunda ocasião na qual o Papa receberá Dilma.

‘Papa quer uma Igreja mais pobre, ágil e simples’ Dom Filippo Santoro, arcebispo de Taranto, falou sobre a Evangelii Gaudium, durante evento na PUC-SP Nayá Fernandes

Reportagem na zona oeste

Uma das primeiras coisas que dom Filippo Santoro fez, ao ser nomeado, em 2011, pelo papa emérito Bento 16, como arcebispo da cidade de Taranto, na Itália, foi visitar um grupo de operários que estava em greve, pois a fábrica que trabalhavam havia falido. “Eu quis ir até eles e mostrar que a Igreja estava próxima, porém disse-lhes: ‘Não radicalizem o protesto, pois a vida é preciosa’.” Dom Filippo, que recentemente foi nomeado pelo papa Francisco como consultor do Pontifício Conselho para os Leigos, trabalhou um mês com o então cardeal Bergoglio quando ele presidiu a comissão que preparou o documento da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, que aconteceu em Aparecida (SP), no ano de 2007. “Chegou um momento em que eu não sabia bem o que escrever, porque havia muitas correntes diferentes e o cardeal Bergoglio me disse: ‘Fique calmo,

Filippo, escreva aquilo que você tem que escrever. Eu irei fazer uma intervenção no momento oportuno’. Assim, o documento não começou com o olhar sobre a realidade social, mas com a perspectiva da fé, a experiência dos discípulos missionários com Cristo”, contou dom Filippo. O Arcebispo foi convidado para dar uma palestra na quarta-feira, 12, sobre a exortação apostólica Evangelii Gaudium, num evento promovido pelo Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, pelo Movimento Comunhão e Libertação e pela Pastoral Universitária. No auditório lotado, ele falou a membros do Movimento, do qual também faz parte, a sa-

cerdotes, religiosos e religiosas e muitos jovens, sobretudo de novas comunidades. “A Evangelii Gaudium retoma a Evangelii Nuntiandi e a Gaudium et Spes, mas, sobretudo, retoma uma colocação do papa João 23, na abertura do Concílio Vaticano 2º, que se chama Gaudet Mater Ecclesia, ou seja, ‘Alegre-se a Mãe Igreja’ e também um texto de Paulo 6º que se chama Gaudete in Dominus, ‘Alegrai-vos no Senhor’. Ele invoca os textos dos papas que falam sobre a alegria, sobretudo a do anúncio”, explicou dom Filippo. Na palestra, o Bispo fez uma apresentação da exortação, tocando pontos essenciais e insistiu

que a novidade do documento é o estilo e o convite para uma Igreja em saída, que se dirige às periferias geográficas e existenciais. Outro aspecto apontado por ele foi a capacidade que Francisco tem de tocar pontos vivos da experiência. “O Papa sugere uma cultura do encontro, pois só um encontro verdadeiro com Cristo pode levar ao anúncio alegre.” “Quando ele propõe uma reforma da Igreja, fala também sobre a reforma do papado, dando uma maior abertura às conferências episcopais. As conferências não devem ter somente um poder consultivo, mas disciplinar. Não no que se refere à doutrina, mas nas questões do modo de

ser da Igreja”, continuou dom Filippo, que disse também que o Papa quer sim uma refoma da Igreja e insiste em concentrar-se no essencial. “A reforma da Igreja ele quer com certeza. O Papa quer uma Igreja mais pobre, ágil e simples e isso ele vai levar à frente com muita força. Nesta perspectiva, o tema que o interessa muito, junto ao do anúncio, é a questão dos pobres. Assim, ele retoma a Conferência de Aparecida e a aplica a toda a Igreja. Não é somente uma conferência para a América Latina, mas se torna um magistério para o mundo inteiro”, afirmou dom Filippo Santoro. Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, Movimento Comunhão e Libertação e Pastoral Universitária promovem evento de reflexão sobre a exortação Evangelii Gaudium

Francisco e a homilia padre João Bechara

especial para o são paulo

Muitos dos fiéis escutam uma única pregação do Evangelho ao longo de toda a semana: a homilia – também chamada “sermão” – da missa. Para alguns, ela é o critério definitivo para se frequentar esta ou aquela paróquia: se a homilia não é boa, procura-se outra igreja. Os padres, por causa dela, recebem tanto os maiores elogios como as piores críticas. Uma homilia impulsiona para Deus ou aborrece; aquece ou esfria o coração... De fato, ela “avalia a proximidade

e a capacidade de encontro de um pastor com seu povo” (Evangelii Gaudium, 135). Por isso, na exortação “A Alegria do Evangelho”, Francisco realça a importância da homilia no anúncio da Palavra, e oferece alguns parâmetros para que desempenhe um papel central na Nova Evangelização. O Papa define-a como uma “comunicação entre os corações” (n. 142). Não exatamente entre o Padre e os fiéis – embora isto aconteça –, mas, sobretudo, entre o coração de Deus e os nossos corações. Por isso, a homilia deve ser breve e respeitar a

harmonia com as demais partes e o ritmo da Missa, a fim de que “o Senhor brilhe mais do que o ministro” (n.138). O seu tom deve ser como o de uma “mãe” – pois a Igreja é nossa Mãe –, ou uma “língua materna” que nos faz sentir em casa, e da qual recebemos “coragem, inspiração, força, impulso” (n. 139). Deve ser calorosa, próxima, com estilo manso e gestos alegres. Portanto, a homilia não comporta linguagem impessoal, abstrata, ou demasiado conceitual. Também não pode ser puramente moralista, doutrinadora, ou uma lição de exegese

bíblica. Não é esse o diálogo de uma mãe com filhos. Segundo Francisco, “o pregador tem a belíssima e difícil tarefa de unir dois corações que se amam: o do Senhor e os de seu povo” (n. 143). Desse modo, é ineficaz a pregação que apresenta um ideal elevadíssimo, mas não oferece esperança e caminhos concretos para atingi-lo. Ou que se limita a dizer o que está errado, o que é proibido. Uma homilia que se reduza a isso, ou que – pior – agrida, acuse e expresse ressentimentos, não é capaz de unir. O “sermão” sem dúvida deve

falar a verdade, mas “sempre de mãos dadas com a beleza e o bem” (n. 142). Por essa razão, para o Papa, a homilia deve ser positiva, pois nela importa “não tanto o que não se deve fazer, mas o que se pode fazer melhor” (n. 159). Enfim, ela deve nascer da meditação profunda da Palavra de Deus e refletir uma busca sincera do pregador pela santidade. Assim sintetizará o conteúdo essencial de toda a pregação da Igreja – o amor de Deus, que “me amou e Se entregou por mim” (Gl 2, 20) – e atingirá seu fim: ser fonte de esperança.


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PARÓQUIAS CENTENÁRIAS

San Gennaro: uma igreja além da festa Paróquia na Mooca completou 100 anos em 2 de fevereiro, com história marcada por acolhida a migrantes

as pastorais da Juventude, Social, da Pessoa Idosa, dos Coroinhas e Familiar, além do grupo de Perseverança; e fortalecidas as pastorais da Saúde, Catequese e grupos de oração. “Saímos, domingo sim, domingo não, convidando o pessoal nas casas para vir à igreja”, contou Vitor Uska, 17, que coor-

dena a Pastoral dos Coroinhas e é do grupo de jovens da Paróquia. Os avós de Vitor, quando jovens, participaram do grupo Tupi, através do qual Miguel Eduardo Dias, sacristão, hoje com 71 anos, ingressou na Paróquia, na década de 1950. “Primeiro vieram os jovens, éramos cerca de cem, depois

chegaram os pais, e com eles se formou um grupo de casais, que se reunia na semana para falar do Evangelho”, recordou Miguel, comentando, ainda, que foi o grupo de pais que se mobilizou para iniciar a festa de San Gennaro, na década 1970. “Antes não tinha forno para fazer pizza, fazíamos em uma garagem aqui Paróquia São Januário

Daniel Gomes

Conhecida pela realização da Festa de San Gennaro, evento do calendário oficial de São Paulo, a Paróquia São Januário (Igreja de San Gennaro), no bairro da Mooca, completa neste mês 100 anos de fundação. De presente, a comunidade paroquial e o pároco, padre Claudiomiro Bispo, desejam que a igreja não seja lembrada apenas na época da festa. “Nossa meta é fazer com que as muitas pessoas que trabalham na festa retornem, porque é uma minoria que participa diariamente. Com um trabalho de evangelização durante a festa de San Gennaro, muitos já voltaram para a comunidade. E esta é a nossa preocupação neste centenário: evangelizarmos de maneira mais efetiva os voluntários da festa”, revelou o Pároco ao O SÃO PAULO. Para cativar a permanência dos fiéis, a Paróquia procura se adaptar. Desde 2010, acontece a missa do trabalhador, às terças e quintas, às 12h15; e no segundo domingo de cada mês, a missa dos motociclistas, como parte do movimento “Paz no trânsito, paz no mundo”, idealizado pelo Pároco. Também foram criadas

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Reportagem no centro

Vitor Uska, Miguel Eduardo Dias e padre Claudiomiro Bispo falam de história e desafios da Igreja de San Gennaro

de frente e na casa do coordenador, que tinha um forno caseiro, onde a gente assava a pizza e trazia para cá. Era coisa de maluco”, brincou. Com os recursos arrecadados na festa, a Paróquia mantém uma creche e realiza outros trabalhos sociais, como um projeto de capoeira e esporte para jovens e a doação de cestas básicas para famílias carentes, em especial de imigrantes latinoamericanos que moram e trabalham na Mooca. Ainda hoje, os descendentes de italianos estão entre as lideranças paroquiais, mas nas últimas décadas migrantes nordestinos têm tomado parte das ações. Joana Neta Carlos, 51, natural de Natal (RN), está na Paróquia há 20 anos e tem um desejo: “Meu sonho é ver esta paróquia cheia no dia de San Gennaro, com a procissão pelas ruas cheia de gente também”, revelou. A festa de San Gennaro deste ano será de 6 de setembro a 5 de outubro. Já a comemoração do centenário aconteceu em 2 de fevereiro, com duas missas, uma presidida pelo Pároco e outra por dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese.

Paróquia nasce com italianos e acolhe diferentes imigrantes da reportagem

Instituída em 2 de fevereiro de 1914, por decreto de dom Duarte Leopoldo e Silva, então arcebispo metropolitano, a Paróquia São Januário (Igreja de San Gennaro) cresceu com a devoção dos imigrantes italianos no bairro da Mooca, tendo como primeiro pároco, o padre Argílio Malatesta, seguido pelo

monsenhor Nicolau Consentino, padre João Albino Pequeno, cônego Antonio Ariette e cônego Esvígio Concílio, que mobilizou a comunidade para a construção do salão paroquial e os altares de mármore, e também idealizou a festa de San Gennaro, na década de 1970, para viabilizar reformas no templo. Atualmente a festa, que faz parte do calendário ofi-

cial de eventos da cidade, é frequentada por cerca de 10 mil pessoas no mês de setembro. Ao cônego Esvígio, e sucederam-se os padres Benedito de Jesus Laurindo, Pasquale Priolo, que conseguiu a doação de sinos para o templo, e Claudiomiro Bispo, atual pároco. A partir da década de 1980, a Mooca passou por mudanças significativas, com o fecha-

mento de fábricas tradicionais e a mudança de famílias do bairro. Nos anos sequentes, migrantes nordestinos e imigrantes latino-americanos, em especial bolivianos, muitos dos quais hoje atendidos por projetos sociais da Paróquia, para ali se mudaram. “A Paróquia de San Gennaro tem essa característica viva e acolhedora”, avaliou o padre Claudiomiro. (DG)


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Por reformas na Cúria Romana, conselho de cardeais se reúne O grupo de oito cardeais nomeados pelo Papa para propor reformas na Cúria Romana se reúne desde a segunda-feira, 17, no Vaticano. O conselho de cardeais tem a missão de colaborar em importantes decisões. O arcebispo de Tegucigalpa e coordenador do grupo, Óscar Rodríguez Maradiaga, informou que a reunião prossegue até quarta-feira, 19.

Dom Odilo visita papa Francisco no Vaticano L´Osservatore Romano

Foram temas da audiência os desafios da evangelização nas grandes metrópoles e a canonização do Beato Anchieta, que, tudo indica,‘está próxima’ Filipe Domingues

Especial para O São Paulo em ROMA

Pela primeira vez, o papa Francisco e o cardeal Odilo Pedro Scherer puderam conversar em particular sobre alguns dos temas mais importantes para a Igreja em São Paulo. Em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO em Roma, o Arcebispo de São Paulo revelou que os dois refletiram sobre a necessidade de se realizar uma verdadeira “retomada missionária” nas grandes metrópoles urbanas de todo o mundo. Eles recordaram o forte exemplo do Beato Padre José de Anchieta, um dos primeiros jesuítas enviados por Santo Inácio de Loyola ao Brasil, em 1553, cuja canonização “está próxima”. O encontro ocorreu na manhã do dia 15 de fevereiro, um sábado, em audiência que durou pou-

1ª audiência entre dom Odilo e papa Francisco foi marcada por preocupação com desafios da Igreja no contexto urbano

co mais de meia hora, como já é costume no Vaticano. Dom Odilo contou que a conversa com o Papa foi simples. “Foi um encontro bonito. O Papa estava muito tranquilo, afável, amoroso. Ele nos deixa muito à vontade.” Em poucos minutos, o Cardeal expôs um pouco da realidade da Igreja em São Paulo e suas prioridades – conforme o Plano Pastoral da Arquidiocese, entre elas estão a “permanente missão”, a necessidade de formação dos fiéis, e o esforço para evangelizar os jovens. “O Papa falou sobre sua experiência em

Pontífice está ‘pessoalmente interessado’ na causa de Anchieta do Especial para O São Paulo em ROMA

O Papa conhece há muito tempo a história do Beato José de Anchieta e está “pessoalmente interessado” na canonização. Assim revelou o cardeal Odilo Pedro Scherer em entrevista exclusiva a O SÃO PAULO em Roma, após sua primeira audiência privada com Francisco. Um dos temas de destaque do encontro foi justamente o padre jesuíta que, em 1553, chegou ao Brasil como missionário, um dos primeiros enviados por Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus. Segundo dom Odilo, o papa Francisco reconhece um “significado especial” na causa. “O padre Anchieta deixa um grande legado missionário para o Brasil. É uma grande alegria para todo o País. Ele é o apóstolo do Brasil”, declarou o Arcebispo, confirmando que Anchieta será chamado “Santo” muito em breve. “Manifestei ao Papa o pedido da canonização e tudo indica que esse dia está próximo, mas ainda não temos uma data.” Para dom Odilo, a cidade de São Paulo está muito ligada ao Padre Anchieta, um dos seus fundadores. “Sua canonização é um sinal de uma retomada missionária da Igreja de São Paulo.” (FD)

Buenos Aires, capital da Argentina, que também é uma grande cidade, e perguntou como se faz o trabalho da Igreja na metrópole paulistana”, detalhou dom Odilo, referindo-se ao fato de que Jorge Mario Bergoglio, hoje papa Francisco, foi arcebispo metropolitano de Buenos Aires por 15 anos, antes de ser eleito Bispo de Roma em março de 2013. Embora a Arquidiocese de Buenos Aires seja bem menor que a Arquidiocese de São Paulo, as dificuldades pastorais são parecidas. As grandes cidades possuem graves desigualdades

sociais, o tráfico de drogas e de pessoas, o abandono de idosos e doentes, a exploração de menores e diversas outras formas de violência. “A presença da Igreja nas grandes cidades é uma reflexão profunda, compartilhada por outras áreas metropolitanas do mundo”, disse o Cardeal, explicando que o Papa concorda com essa percepção. De fato, na exortação apostólica Evangelii Gaudium (“A Alegria do Evangelho”), Francisco fala da problemática da Igreja nas cidades, afirmando que é preciso “criar espaços de oração e comunhão

com características inovadoras, mais atraentes e significativas para as populações urbanas”. Dom Odilo comentou com o Papa sobre “a dificuldade de a Igreja estar próxima das pessoas, uma vez que também a vida urbana é muito absorvente e deixa pouco espaço e tempo para o envolvimento com a Igreja”. Mas, segundo o Cardeal, é preciso continuar a “bater nas portas” e buscar soluções. “Em São Paulo, há vários anos, assumimos o versículo do salmo 48, ‘Deus habita esta cidade’, certos de que a metrópole não está esquecida de Deus. Nós, como Igreja, temos a missão de dar testemunho dessa presença amorosa de Deus junto de todos os seus filhos, ainda mais quando se encontram no abandono social e no meio de sofrimentos”, disse. Outros temas – No mesmo encontro, dom Odilo agradeceu ao Papa por ter aprovação da beatificação da religiosa scalabriniana Madre Assunta Marchetti, italiana que partiu em missão para o Brasil em 1895. “O Papa também quis saber como está o povo de São Paulo, os padres, os bispos, os eméritos. Enfim, perguntou como está a vida”, contou o Arcebispo. “Ao fim da audiência, pedi uma bênção especial para o povo de São Paulo, que o Papa gentilmente concedeu.”

Entenda nova missão do Cardeal na Congregação para a Educação Católica L´Osservatore Romano

do Especial para O São Paulo em ROMA

Um dos motivos para a viagem do cardeal Odilo Pedro Scherer a Roma foi a assembleia plenária da Congregação para a Educação Católica, para a qual foi nomeado membro pelo papa Francisco em 30 de novembro de 2013. Essa foi, portanto, sua primeira participação no grupo. Mas como funciona esse tipo de reunião? Dom Odilo contou a O SÃO PAULO. As chamadas “Congregações” presentes no Vaticano são “dicastérios” da Cúria Romana, isto é, partes de um grande organismo que ajuda o Papa a governar a Igreja. Os presidentes e os membros das Congregações são escolhidos pelo Pontífice. No caso da “Educação Católica”, como o próprio nome diz, o objetivo é oferecer ao Papa instrumentos para as decisões sobre instituições de ensino da Igreja em todo o mundo, como faculdades de Teologia, universidades e escolas. Nomeado membro de tal Congregação, dom Odilo passou a ser um

Papa Francisco participa de reunião plenária da Congregação para a Educação Católica

dos que contribuem nos debates e reflexões sobre o tema. São mais de 30 os membros, entre eles 15 cardeais. “Todos participam das atividades em pauta nas assembleias. Assim acontece também comigo”, explica o Arcebispo. “Os membros são, de fato, ‘conselheiros’ da Congregação.” As assembleias são, portanto, encontros para discutir questões importantes para a Congregação. São convocadas pelo presidente a cada um ou dois anos. Esta última durou três dias. “Pode acontecer

que seja pedido a algum membro que prepare uma exposição sobre algum tema antes que seja submetido à discussão geral”, relata. Nos encontros, discutem-se documentos, diretrizes ou propostas para a educação. “Todos os membros têm a liberdade de intervir e dar sua contribuição nas reflexões. As assembleias ficam, assim, muito enriquecidas e produzem uma visão bastante ampla sobre a questão em pauta.” As decisões finais, porém, são sempre do próprio Papa. (FD)

O SÃO PAULO - edição 2990  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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