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Dom Aviz explica ano dedicado à Vida Consagrada

Curso de teologia da PUC-SP inicia ano letivo

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São Paulo terá Faculdade de Direito Canônico

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

O centenário de fé da Paróquia Santo Antônio

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ano 59 | Edição 2989| 11 a 17 de fevereiro de 2014

R$ 1,50

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Luciney Martins/O SÃO PAULO

15º ENP reúne 500 padres em Aparecida Com o tema: “O Concílio Vaticano 2º e os Presbíteros no Brasil: testemunhas de fé, esperança e caridade”, e o lema: “Estai sempre prontos a dar a Luciney Martins/O SÃO PAULO

razão da esperança a quem a pedir” (cf. 1Pd 3,15), encontro reuniu na cidade de Aparecida (SP) de 5 a 11, mais de 500 sacerdotes de todo o Brasil.

O 15º Encontro Nacional de Presbíteros é organizado pela Comissão Nacional de Presbíteros, juntamente com a Comissão Episcopal para os Mi-

nistérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB. Em entrevistas exclusivas, dom Pedro Brito e padre Anselmo Matias Limberger ressaltaram

a importância do encontro, bem como do convívio fraternal que deve haver entre os sacerdotes. Página 13 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Há risco de racionamento de água em São Paulo O nível dos reservatórios do Sistema Cantareira já é inferior a 20%. Embora a Sabesp descarte o racionamento de água, ação pode ser inevitável se nível chegar a 10%. Para especialistas, falta de chuvas não é o único problema. Página 9

Cardeal encontrará papa Francisco em Roma O Arcebispo de São Paulo viaja para participar do Consistório e para tratar da criação da Faculdade de Direito Canônico. Na pauta da viagem, beatificação da madre Assunta e canonização do Beato Anchieta. Página 24

Seminário registra alto número de ingressantes Somando as duas casas de formação, Propedêutico I e II, são 33 candidatos ao sacerdócio, que, como afirma o cônego José Adriano, reitor do Propedêutico

Nossa Senhora da Assunção, resolveram largar tudo para seguir o chamado vocacional. De acordo com o Cônego, há muito não se via um número tão alto

de ingressantes no seminário. De volta às atividades, os seminaristas tiveram, no sábado, 8, um encontro com o Cardeal. Página 12


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Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 11 a 17 de fevereiro de 2014 Gabirante

frases da semana

“O que essa situação crítica expõe não é apenas o descaso e a falta de investimentos por parte do Estado, mas principalmente o esgotamento da capacidade que a própria natureza tem para manter constante o ciclo da água.” Vicente Pimenta, da Pastoral da Ecologia, sobre a falta de água na capital

“Cursar teologia é ter a oportunidade de ver o mundo com o olhar da fé mais equilibrada, depurada de preconceitos e mitos, o que, indubitavelmente, agrega valor às relações cotidianas em todos os âmbitos.”

“Mas nós da cidade como vamos fazer? Vamos apenas pensar CEBs no sentido antigo de ter aquele grupo, ou vamos encarar, descobrir e entender aquilo que o Papa disse que a CEBs é um jeito normal de ser Igreja.”

Leonardo Bento dos Reis, estudante que está concluindo o curso de teologia

você pergunta

Espiritualidade

O abraço da paz não dispersa as pessoas no momento da comunhão?

Todos somos devedores ao padre Libânio

Vigário episcopal para a Pastoral da Comunicação

Padre Cido Pereira

“Na hora de proclamar ‘Cordeiro de Deus’, não devemos estar virados piedosamente para o altar? Percebo que, muitas vezes, neste momento, as pessoas ainda estão dispersas se abraçando na saudação da paz.” É a Maura Maria de Alencar, de Santo André, quem pergunta. Maura, que pergunta boa você fez. Sabe, o abraço da paz é importante, muito importante. Ele lembra-nos aquela palavra de Jesus: “Se tu fores apresentar teu sacrifício a Deus e lembrar-te que teu irmão tem alguma coisa contra ti, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, depois volta e apresenta a tua oferenda”. O abraço da paz lembra-nos que, em torno da mesa da Eucaristia, somos família, somos irmãos, e precisamos nos desarmar, encher nosso coração de paz, para que a Eucaristia surta em nós os efeitos maravilhosos que ela produz nos corações abertos para Deus e os irmãos. Acontece, Maura, que, muitas vezes, a gente se estende demais nos cumprimentos. O ideal seria cumprimentar quem está perto de nós, fazer do abraço da paz um gesto simbólico. Não há necessidade de sairmos do nosso lugar. Eu penso também que o sacerdote deve ter um pouco de paciência e esperar, e os próprios cantores devem ter essa paciência em vez de usar o canto do Cordeiro como uma chamada de atenção para a missa continuar. Há padres que antecipam o abraço da paz para o início da missa, outros o transferem para o final da missa. Eu convido mesmo o povo antes da comunhão, porque penso que antes de comungar Jesus no pão e vinho consagrados, eu posso também comungá-lo na pessoa do irmão ou irmã ao meu lado. Havendo paciência e bom-senso, Maura, tudo se ajeita. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Frei Patrício Sciadini

A notícia triste da morte imprevista do padre Libânio, teólogo, místico, escutador da Palavra de Deus e do povo, através dos amigos comuns, me chegou imediatamente. A sua teologia tem ultrapassado os estreitos confins das faculdades teológicas e tem chegado ao povo fecundando o apostolado. Se eu pudesse definir o padre Libânio, diria que foi um incansável mensageiro de Deus, sempre pronto a dar a sua palavra serena, tranquila. Várias vezes, tive a oportunidade de encontrálo, conversar com ele, escutá-lo. Dava gosto. Padre Libânio caminhou não à margem da Igreja e nem fora dela, caminhou com a Igreja e com o povo. Sabia ser um profundo perscrutador dos

sinais dos tempos, sabia esperar, mas chegava com sua palavra, que iluminava os nossos caminhos. Não importa os livros que escreveu nem o curriculum teológico ou as láureas de doutorado que ele tinha. Isso não substitui o padre Libânio pessoa, sacerdote, Jesuíta, religioso. Era um homem de fé, de oração. Conhecia os místicos e sabia tratá-los com o devido respeito. Falava do sagrado como de algo que fascina e seduz. Era alguém que nos conduzia pelos caminhos da teologia como “experiência de Deus”, uma experiência íntima, profunda, que só se pode ter na oração. Era profundo conhecedor, sem dúvida, um apaixonado de Santo Inácio de Loyola, mas tinha uma “queda especial” por Santa Teresa e, especialmente, por São João da Cruz. Um dia, padre Libânio escreveu: “Longa tradição a religião viu na morte, no sofrimento esta imensa janela, que nos abre para a transcendência. Alguns místicos chegaram muito mais

Dom Edmar Peron, no encontro das CEBS, de avaliação do 13º Intereclesial

longe. São Paulo dizia ‘desejo partir para estar com Cristo que é muito melhor’, Santa Teresa de Jesus suspirava dizendo ‘vivo sem viver em mim /e tão alta vida espero/ que morro porque não morro’. Basta ler São João da Cruz: ‘acaba já se queres, rompe a tela para este tão feliz encontro’. Ou em outro lugar ‘matando, morte em vida tens trocado’”. Essas palavras, o padre Libânio as escreveu num artigo na vida pastoral. Todos nós somos devedores à teologia do padre Libânio, ao seu espírito fino e penetrante, ao seu amor ao povo e à Igreja e ao seu grande espírito de oração e de contemplação. Agora que ele partiu para o céu, o que podemos dizer é “obrigado, padre Libânio, e reze por nós, para que os teólogos, antes de serem escritores, sejam místicos contemplativos e, só assim, poderão transformar a partir de dentro a realidade da Igreja, tornando-a menos humana e mais de Jesus Cristo”.

palavras que não passam

Uma sombra na comunicação do papa Francisco PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

Há uma sombra perigosa na euforia em torno da comunicação do papa Francisco. Uma sombra na mais disfarçada e equivocada decepção pelo viés “conservador” com que se interpretam as suas posições doutrinais. O Papa é taxado de “conservador” sempre que se posicionar em defesa da doutrina e da moral da Igreja: na questão do aborto, por exemplo. Na verdade, chamá-lo de conservador nesta doutrina não deixa de ser um elogio inesperado. Porque, se conservador for a pessoa que conserva com o cuidado de não alterar nada, brindá-lo assim é reconhecer que o Papa não faz concessões. Isto é, não cede, porque sua missão na Igreja é a guarda do chamado “depósito/patrimônio da fé”.

Como autoridade suprema, está sob sua responsabilidade exercer a função para que a Igreja foi fundada por Jesus Cristo. A Igreja de Cristo é responsável pela garantia da integridade da fé e para ser a mestra da fé. Não é fiel o papa que não se responsabilizar pela conservação de tal patrimônio e da sã tradição das comunidades da Igreja. Não se pode esquecer, porém, de que o papa Francisco mantém sua comunicação clara, corajosa, firme, profética e respeitadora do diferente em suas tomadas de posição em questões polêmicas. Por isso, merece o respeito que ele também dá no trato dessas questões. E foi até premiado com a personalidade mundial do ano! Não se confunda o esforço de atualizar a Igreja para melhor servir ao mundo com a ânsia de hoje para se tornar atualizado, sacrificando a verdade ou relativizando o que é perene. Fidelidade é saber e conseguir distinguir entre atitudes populistas com convicções de

fidelidade ao que se acredita e se vive porque acredita. Recentemente, o Ano da Fé propiciou rever as convicções sobre as quais fundamentamos nossa fé. A razão principal da fé é conhecer para aderir à fé de Jesus Cristo. A fé de Jesus significa que ele concordou, aceitou e aderiu totalmente o projeto do Pai para a salvação da humanidade; e viveu toda a sua vida de acordo com a missão que ele livre e voluntariamente se comprometeu. Nada fez ou deixou de fazer que contrariasse a vontade do Pai. Aí está a importância de confrontar nossa fé com a fé de Jesus. Hoje, está cada vez mais difícil dar as razões da nossa fé sem nos tornarmos “conservador”, mas testemunhando nossa fidelidade ativa. Não nos perguntam no que acreditar, mas como vivemos a fé na qual acreditamos. Não sou eu que questiono a fé. É a fé que me questiona sobre como eu vivo, no mundo, a adesão a Jesus Cristo e ao seu projeto de salvação.

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Daniel Gomes, Edcarlos Bispo de Santana e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


Fé e Vida encontro com o pastor

Onde vai ser o próximo ônibus?

Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal dom odilo pedro scherer

Queimaram mais um ônibus? Onde será que vai ser o próximo? Todas as manhãs, invariavelmente, os noticiários falam da queima de mais um ônibus em alguma parte da extensa cidade de São Paulo. Na capital, já somam mais de 40, só neste ano; dá mais de um por dia. Na área metropolitana, há muitos outros casos. Raramente são identificados os autores da façanha; e quando isso acontece, há sempre a alegação que se tratou de um protesto ou represália contra algum outro fato de violência. Já virou rotina e nem mais aparece nas páginas da grande imprensa. Tudo integrado na “normalidade” da vida urbana... Uma normalidade assustadora, em que a morte de pessoas, chacinas, danos ao patrimônio e outros fatos de violência acabam importando pouco, mas deixam a população assustada e refém do crime. E começam a aparecer tentativas de fazer justiça com as próprias mãos, encontrando simpatia e apoio na opinião pública. Essa é uma situação perigosa, na qual a população se sente ameaçada e desprotegida, passando a apostar em “justiceiros” criminosos, que viram heróis. É a desmoralização da autoridade constituída e o início do caos. Que está acontecendo em São Paulo e em outras grandes cidades do Brasil?! Há um mal-estar no meio da população, que se vê desatendida em questões básicas no convívio social, como segurança, saúde, educação, moradia... Os preparativos da Copa do Mundo foram a ocasião para que se soltassem os gritos de descontentamento de muitas gargantas, que desejariam ver escolas “padrão Fifa”, hospitais, transporte, moradia, tudo “padrão Fifa”...

Violentos e vândalos à parte, muitas pessoas não desejam mais apenas pão e circo e reclamam investimentos significativos para a melhoria das suas condições de vida e do convívio social. Se dá para investir enormes somas para preparar um evento esportivo, por qual motivo não se pode fazer mais ainda para superar, de fato, a pobreza humilhante das vastas periferias urbanas em todo o Brasil?! Não há desculpas, menos ainda, aprovação, para os fatos de violência que marcam a vida de São Paulo e de outras cidades. A violência nunca é um meio bom para atingir objetivos honestos. E os fatos de violência não podem ser deixados ao seu curso, pois acabam degenerando em violência sempre maior. Portanto, as autoridades competentes, segundo a tarefa que lhes é própria, precisam agir. Mas a superação da violência não se consegue apenas pela repressão e ação policial, ou pela força da lei. Estamos diante de um grave déficit de educação para valores altos e construtivos no convívio social. Pouco se ouve falar em valores éticos e morais, orientadores

para o convívio e referenciais para um comportamento social aceitável. Tudo ficou relegado ao subjetivo, e cada um vai traçando o padrão de sua conduta, não tendo ninguém que interferir nas suas escolhas... E se alguém tenta propor valores e referências comportamentais válidos para todos no convívio social, recebe imediatamente uma saraivada de desaprovações e é acusado de impor a sua ética aos outros, ou de interferir na vida privada das pessoas. A ética ficou privatizada e, assim, cada um faz a sua. Também o violento, o desonesto, o antissocial fazem as suas escolhas subjetivas e acham justificativas para as escolhas que fazem. Vale para todos? Eles acham que vale para eles também. Penso que toda a sociedade tem um dever de casa a fazer: discutir seriamente os referenciais éticos do convívio social. É preciso reconhecer: em ética e moral existe, sim, o correto e o não correto, o aceitável e o não aceitável, o certo e o errado. Se existe, então deve ser assumido e assimilado através da educação.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na quinta-feira, 6, o cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu a missa de abertura do ano letivo da PUC-SP. Ao final da celebração, o Arcebispo entregou um exemplar da exortação apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco, à reitora Anna Maria Marques Cintra e aos professores da Pontifícia Universidade.

Tweets do Cardeal

@DomOdiloScherer 9 – Bom domingo! “Vós sois a luz

do mundo... Vós sois o sal da terra...”, disse Jesus. 8 – “Guiai, Senhor, os nossos passos no caminho da paz.” 6 – Sl 143,3 “Que é o homem, Senhor, para vós? Por que dele

cuidais tanto assim? Como o sopro de vento é o homem, seus dias são sombra que passa.” 6 – Cl 1,23 “Permanecei inabaláveis e firmes na fé, sem vos afastardes da esperança que vos dá o Evange-

lho, que ouvistes, que foi anunciado.” 4 – “Salvai-nos, Senhor, quando velamos, guardai-nos também quando dormimos! Nossa mente vigie com o Cristo, nosso corpo repouse em sua paz!”

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editorial

O que existe para além das desculpas? Logo após a publicação da nota em que a Organização das Nações Unidas se pronunciou sobre os escândalos de abuso sexual na Igreja, os 3 bispos, 953 sacerdotes e cerca de 2 mil seminaristas da Ordem dos Legionários de Cristo pediram desculpas pelos erros cometidos pelo seu fundador, morto em 2008. O pronunciamento foi para reconhecer e pedir perdão pelos escândalos do padre mexicano Marcial Maciel. Além dos casos de pedofilia e abuso sexual de seminaristas, o fundador dos Legionários de Cristo foi acusado de atos imorais com homens e mulheres, do uso arbitrário da sua autoridade e dos bens materiais, do consumo de substâncias químicas e por ter apresentado, como seus, escritos de terceiros. “Ao ponderarmos a gravidade do mal e o escândalo, colocamo-nos sobre o olhar misericordioso de Deus que, com sua providência, continua a guiar os nossos passos. E unindo-nos a Cristo, esperamos redimir a nossa dolorosa história e vencer com o bem as consequências do mal”, afirmaram os religiosos em mensagem oficial. A notícia foi divulgada nos principais jornais do mundo. Recebemos todos esse pedido de desculpas como um verdadeiro ato de humildade e amor à verdade de quem não quer jogar a “sujeira para debaixo do tapete” e, como afirmaram os religiosos reunidos em seu Capítulo Geral em Roma, marca o desejo da Ordem de “virar a página” e recomeçar. Afinal, mesmo e apesar dos pecados de seu fundador, são inegáveis os diversos serviços que a Ordem dos Legionários de Cristo tem prestado à Igreja, como também é inegável a boa disposição da grande parte de seus membros que se sentiram traídos por seu fundador. Mesmo assim fica a pergunta: pedir desculpas é suficiente para poder virar a página? A resposta é não! A opinião pública, de modo geral, sempre quer perdoar. Os fiéis católicos amam a Cristo, amam a Igreja e amam seus padres e religiosos. Por isso, ficam tristes com fatos dessa natureza. E eles querem perdoar. Para tanto, necessitam, além do reconhecimento do mal causado e pedido de desculpas, de garantias de que esses fatos não voltarão a acontecer e, o quanto for possível, reparar o sofrimento ocasionado. Seria oportuno também que a Ordem, nesta nova vida que quer ter, reconsiderasse alguns aspectos de seu carisma, tal como foi colocado pelo seu fundador. Não seria o caso de aproveitar a ocasião para isso? Por exemplo, rever a ênfase de evangelizar as elites econômicas neste momento em que o papa Francisco nos fala sobre a necessidade de adentrarmos nas periferias das cidades e do coração dos homens e mulheres? Estaria a Ordem disposta a atuar em maior comunhão com os bispos e pastores das Igrejas locais, de atuar em bairros carentes, de assumirem os planos pastorais das dioceses onde, quase como diocesanos, atuam? agenda do Cardeal

De 11 de fevereiro a 3 de março

Reuniões na Santa Sé e consistório para novos cardeais pelo papa Francisco


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Fé e Vida

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liturgia e vida

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM 16 DE FEVEREIRO DE 2014

palavra do papa

O cristão tem que ser lâmpada acesa

Ana Flora Anderson

A sabedoria de Deus Neste domingo, as leituras apresentam uma reflexão sobre o dom de viver segundo a sabedoria divina. A antífona (Sl 30) glorifica a Deus, que é nosso rochedo, nosso abrigo e a rocha que nos conduz à vida. A primeira leitura (Eclesiástico 15, 16-21) ensina que o segredo da vida consiste em confiar em Deus e fazer a sua vontade. Mesmo que o ser humano precise enfrentar o bem e o mal, a sabedoria de Deus é nossa força, e Ele nos livra da morte que nasce do pecado. Na segunda leitura (1 Coríntios 2, 6-10), São Paulo ensina que é a sabedoria de Deus que nos leva à plenitude da vida. Ele insiste em que esta sabedoria o mundo não conhece. A sabedoria dos poderosos somente leva à destruição. É o Espírito Santo de Deus que nos oferece a possibilidade de amar e de compreender o mundo com a visão de Deus. O Evangelho de São Mateus (5, 17-37) narra um discurso de Jesus no qual Ele ensina a viver segundo a vontade de Deus. Jesus mostra que somente a sabedoria divina nos revela o sentido mais profundo dos mandamentos. Por exemplo, “não matarás” também significa que não podemos ter raiva do próximo ou falar dele de maneira humilhante. Jesus mostra ainda que não podemos nos aproximar do altar de Deus se não tivermos a sensibilidade de obedecer ao sentido mais profundo dos mandamentos. Quem viver assim e ensinar esta visão aos outros entrará no Reino dos Céus. leituras da semana

SEGUNDA (17): Tg 1, 1-11; Mc 8, 11-13 TERÇA (18): Tg 1, 12-18; Mc 8, 14-21 QUARTA (19): Tg 1, 19-27; Mc 8, 22-26 QUINTA (20): Tg 2, 1-9; Mc 8, 27-33 SEXTA (21): Tg 2, 14-24.26; Mc 8, 34 –9,1 SÁBADO (22): 1Pd 5, 1-4; Mt 16, 13-19

Santos e heróis do povo – 14 de fevereiro

Santos: Os santos empregaram toda a força do seu corpo e do seu amor em favor dos irmãos. Hoje vamos lembrar dois santos muito venerados na Europa: São Cirilo e São Metódio. Ambos trabalharam na Europa Central, no século 9º. Foram eles que compuseram o alfabeto eslavo. Puderam, assim, levar o povo a ler o Evangelho e a rezar na própria língua eslava. Foram também os homens de maior influência sobre os povos da Europa Central, no primeiro milênio desde a Tchecoslováquia até a Polônia. Heróis do Povo: Lembra-se também, neste dia, em Jacareí (SP), de um mártir da caridade. Trata-se de Francisco de Castro Holzwarth (imagem), apóstolo dos cárceres, pertencente à Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Jacareí. Ele foi assassinado em 1981, enquanto trabalhava com grande afinco, em favor dos presos. Franz é considerado mártir dos cárceres, associado benemérito e exemplo para todos aqueles que queiram evangelizar os encarcerados. Fonte: “Santos e heróis do povo”, livro do cardeal Arns

Papa francisco No domingo, 9, às 12h, o papa Francisco rezou com os fiéis reunidos na praça São Pedro, a oração mariana do Angelus. Segue a reflexão que ele fez antes da oração. No Evangelho deste domingo, que vem logo após as bem-aventuranças, Jesus diz aos seus discípulos: “Vos sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14). Isso nos espanta um pouco, se pensarmos em quem estava diante de Jesus, quando dizia essas palavras. Quem eram os discípulos? Eram pescadores, gente simples... Mas Jesus os vê com olhos de Deus, e a sua afirmação se entende mesmo como consequência das bem-aventuranças. Ele quer dizer: se vocês forem pobres em espírito, se forem meigos, se forem puros de coração, se forem misericordiosos, vocês serão o sal da terra e a luz do mundo. Para compreendermos melhor essas imagens, tenhamos presente que a lei hebraica prescrevia colocar um pouco de sal sobre cada oferta apresentada a Deus, como sinal de aliança. A luz, para Israel, era o símbolo da revelação messiânica que triunfa sobre as trevas do paganismo. Os cristãos, novo Israel, recebem, portanto, uma missão em relação a todos os homens: com a fé e com a caridade pode orientar, consagrar, pode tornar fecunda toda a humanidade. Todos nós, batizados, somos dis-

cípulos missionários e somos chamados a nos tornar no mundo um Evangelho vivo: com uma vida santa daremos “sabor” aos diversos ambientes e os defenderemos da corrupção, como faz o sal; e levaremos a luz de Cristo com uma vida de testemunho de uma caridade genuína. Mas, se nós, cristãos, perdemos sabor e não levamos a sério nossa presença de sal e de luz, perdemos a eficácia. Que bela é esta missão de dar luz ao mundo! É uma missão que temos. É bela! É também muito bonito conservar a luz recebida de Jesus. O cristão deveria ser uma pessoa luminosa, que leva luz, que sempre dá luz! Uma luz que não é sua, mas é um presente de Deus, um presente de Jesus. E nós carregamos essa luz. Se o cristão desperdiça essa luz, a sua vida não tem sentido: é um cristão de nome somente, que não leva a luz, uma vida sem sentido. E eu gostaria de perguntar a vocês agora, como querem viver? Lâmpada aceO papa Francisco foi informado sobre a morte do padre João Batista Libânio, que faleceu dia 30 de janeiro, pelo padre Luis González-Quevedo. O Jesuíta entrou em contato com o Pontífice por e-mail. O Papa lamentou a morte e disse: “Libânio tinha feito muito bem à Igreja e à vida consagrada”. O padre Luis González foi aluno do padre Libânio em Teologia Fundamental, na Faculdade Cristo Rei, em São Leopoldo (RS). “Sempre tive admiração pelo padre Libânio como pessoa e também pelo seu trabalho. Eu fui redator da revista “Itaici”, Revista de Espiritualidade Inaciana, e pedia, muitas vezes, artigos para ele, que sempre me atendeu com muita disponibilidade”, afirmou o Jesuíta.

sa! É o próprio Deus que nos dá essa luz e nós a damos aos outros. Lâmpada acesa! Esta é a vocação cristã. Após o Angelus Terça-feira, 11, celebraremos a memória da bem-aventurada Virgem de Lourdes, e viveremos o Dia Mundial do Enfermo. É ocasião propícia para colocar no centro da comunidade a pessoa enferma. Orem por eles e com eles, fiquem próximos deles. A mensagem desse dia é inspirada em uma expressão de São João: “Fé e caridade – Também nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1Jo 3,16). Em particular, possamos imitar a atitude de Jesus para com os doentes, doentes de toda espécie: o Senhor cuida de todos, partilha com eles seu sofrimento e abre o coração à esperança. A atitude generosa e cristã para com os doentes é sal da terra e luz do mundo. Que a Virgem Maria nos ajude a vivê-la, e obtenha paz e conforto para todos os que sofrem. Portal Jesuíta

Fonte: site www.jesuitasbrasil.com

há 50 anos

Comissão comenta Sacrosanctum Concilium Quando foi promulgada a Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, a Comissão Arquidiocesana de Liturgia publicou uma série de orientações para a aplicação. “A ordenação da Sagrada Liturgia depende unicamente da Autoridade da Igreja. Esta autoridade cabe à Santa Sé Apostólica e, pelo direito, ao Bispo.” O semanário noticiou também o pouso da nave espacial Ranger 6: “O ponto determinado para o pouso havia sido o mar da Tranquilidade, um dos maiores ‘mares secos’ da Lua. A Ranger devia

tomar uns 3 mil quadros de imagem televisada na última etapa de sua viagem à lua. As câmaras iam ser acionadas pela energia acumulada pelas baterias solares, e crê-se que este fracasso é devido a uma falha nos cálculos telemétricos necessários para enviar os impulsos que iam pôr em ação as diversas câmaras”. Na seção “Diário do Concílio”, O SÃO PAULO continuou a publicar o texto da Declaração Conciliar sobre os meios de comunicação.

Capa da edição de 9 de fevereiro de1964


Viver Bem dicas de cultura

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Divulgação

literatura

Divulgação

‘Seleção Brasileira de Todos os Tempos’ invade o Mercado Municipal Exposição de caricaturas elaboradas por Dodô Vieira pode ser prestigiada até dia 28 de fevereiro O Mercado Municipal recebe a exposição “Seleção Brasileira de Todos os Tempos”, que conta com caricaturas elaboradas pelo artista Dodô Vieira de jogadores e técnicos que já passaram pela Seleção Canarinho. A mostra fica em cartaz até 28 de fevereiro e pode ser visitada de segundas a domingos, das 10h às 16h. A entrada é gratuita. Atletas de várias gerações do futebol brasileiro estão representados nas caricaturas de Dodô. O público que for prestigiar a mostra pode votar em seus desenhos favoritos. Os 11 mais bem co-

locados serão levados ao Sesc Carmo para exposição. O objetivo dessa atividade é valorizar a cultura do esporte e os atletas do Brasil, homenageando os craques do nosso futebol, reunindo informações e curiosidades sobre os caricaturados. serviço O que: Seleção Brasileira de Todos os Tempos Quando: de 27/01 a 28/02 - Segundas, Terças, Quartas, Quintas, Sextas, Sábados e Domingos das 10:00 às 16:00 Quanto: Gratuito Onde: Mercado Municipal de São Paulo - Rua da Cantareira, 306 – Centro – São Paulo

vamos cuidar da saúde!

direito do consumidor

Exames

Gravidez

Muitas vezes, analisamos a consulta não só pelo antendimento, mas também pela quantidade de exames que são solicitados. Quantas vezes você já não ouviu: nao gostei da consulta pois ele não me pediu nada. Exames existem para complementar o diagnóstico e, se realizados desnecessariamente, também podem causar danos. Devemos ter em conta: idade e sexo, estado civil, doenças pessoais e ou familiares, sintomas recentes ou crônicos e vulnerabilidade. Então confie em seu médico, ele fará o melhor pela sua saúde. Dúvidas, dracassiaregina@gmail.com

A trabalhadora que descobrir a gravidez durante o aviso prévio terá direito a estabilidade provisória no emprego até concluir a licença-maternidade. O benefício está assegurado por lei. A estabilidade provisória também vale para o aviso prévio indenizado – aquele em que a empregada recebe indenização equivalente a um salário sem a necessidade de cumprir o período de trabalho estipulado por lei. Art. 391-A, CLT: A confirmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Saiba dos seus direitos, procure um advogado.

Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF).

Ronald Quene é formado em Direito

Músicas das Campanhas da Fraternidade - 1970-2014 Ao celebrarmos os 50 anos da Campanha da Fraternidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem a alegria de lançar a coletânea das partituras de todos os cantos que fizeram parte desta história. A edição tem o objetivo de valorizar e registrar a vasta produção de música sacra da Igreja no Brasil. Essa coletânea manterá viva a história da Campanha da Fraternidade e ajudará a cantar, hoje e sempre, as maravilhas do Deus da vida que caminha com seu povo! Formato: 22,5 x 31 cm | 256 p. R$ 37,00 Disponível em: www.edicoescnbb.com.br


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Fé e Vida

direito canônico

fé e cidadania

Pedofilia no clero e ataques da ONU

As ruas voltam a se manifestar

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano, e professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT)

Edson Luiz Sampel

As recentes investidas da ONU contra a Santa Sé, acusando a Igreja de encobrir a pedofilia praticada por clérigos, devem ser refletidas com bastante cuidado. É claro que houve casos de abusos sexuais contra menores cometidos por padres. Conhecemos o desastre na Arquidiocese de Boston, por exemplo. No entanto, sabemos que a Igreja tomou providências drásticas para pôr um fim à pedofilia. Entre as medidas levadas a cabo, destaca-se, ainda, no pontificado de Bento 16, o alargamento da prescrição penal canônica, de 10 para 20 anos. Os crimes de pedofilia, na verdade, são punidos, com o rigor da lei, pelos diversos Estados ou países onde residem os clérigos pedófilos. Cada nação faz atuar seu Direito Penal próprio. A Santa Sé, ou o Vaticano, não tem como impedir que um presbítero seja processado. Ademais, Bento 16 determinou que nenhum bispo deixasse de denunciar um pedófilo às autoridades civis. Outro dado importante a ser considerado, já tantas vezes repisado, é que a pedofilia, desafortunadamente, infecciona outros setores da sociedade, como a própria família desajustada, e não só o ambiente clerical. O que está por trás desse súbito ataque da ONU? A res-

posta encontra-se no nuperpromulgado relatório da instituição, que, além da pedofilia, alude à posição da Igreja contra o denominado casamento gay e o aborto. Graças à sua soberania, a Igreja, através do sucessor de São Pedro, é a única sociedade no mundo em condições de anunciar intrepidamente o Evangelho de Jesus Cristo, sem respeitos humanos, conclamando os homens à conversão. Nesse sentido, a Igreja ensina que o único caminho para a vivência sadia do sexo é a heterossexualidade, no matrimônio. Por outro lado, a Igreja combate o aborto, pois se trata de um dos delitos mais covardes e nefandos que se podem perpetrar. No fundo, certos setores da ONU desferem contra a Igreja um golpe visivelmente ideológico. Por esse motivo, sob o pretexto da pedofilia, tremulam, outrossim, as bandeiras do homossexualismo e do aborto. A soberania da Cidade-Estado do Vaticano constitui um ingrediente imprescindível a favor da vida e da família. Imaginem se o Papa fosse um simples súdito de algum país! Ele seria ameaçado o tempo inteiro; ele estaria cerceado no múnus de confirmar a fé dos cristãos e pregar o Evangelho. A pedofilia começará a ser cabalmente lancetada, a partir do instante em que os valores cristãos, como o matrimônio, voltarem a vicejar na comunidade. O chamado iluminismo os pôs abaixo, destronou-os, sugando do Ocidente a seiva do vigor evangélico.

Conselheiro geral da Congregação dos Padres Scalabrinianos

Padre Alfredo José Gonçalves

O ano de 2014 promete surpresas, algumas inesperadas, outras nem tanto. Já em junho de 2013 manifestantes de vários movimentos sociais, instituições e organizações de base, com boa predominância de jovens, usaram as ruas e praças como caixa de ressonância, seja para o descontentamento e mal-estar generalizados, seja para suas reivindicações. Agora, às vésperas do Carnaval e da Copa do Mundo, o fenômeno volta a preocupar as autoridades. Um duplo aspecto caracteriza as manifestações: por uma parte, prevalece uma crítica insistente ao padrão Fifa para estádios e eventos relacionados à Copa; por outra, a exigência de que o mesmo padrão se estenda aos direitos básicos da população. A verdade é que o desenvolvimento do País sofre estruturalmente de um mal crônico. Em tempos de “vacas magras”, como bem sabemos, os estratos mais pobres pagam a conta; em tempos de “vacas gordas”, os benefícios do progresso e do crescimento se acumulam em poucas mãos. Em outras palavras, privatizem-se a renda e a riqueza, ao mesmo tempo em que se so-

NOME___________________________________________________________ _________________________________________________________________ DATA DE NASC. ___/___/____CPF/CNPJ _________________________________ ENDEREÇO ___________________________________________________________ __________________________________________________________ nº __________ COMPLEMENTO ______________________ BAIRRO ___________________________ CEP ____________ - ___________ CIDADE____________________________________ ESTADO ______ E-MAIL: ________________________________________________ TEL: (__________) ______________________________________ DATA ____/___/____

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Racionamento de água Padre Antonio Manzatto

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

participar na divisão do bolo, num País que vem dando sinais de vigor e crescimento. Crescimento para quem? – perguntam com razão os jovens pelas ruas e praças! A força das manifestações se revela inversamente proporcional à capacidade do Governo de impor políticas públicas voltadas para a necessidades básicas do País. Entra em cena o núcleo do problema, o verdadeiro nó da questão. Do ponto de vista político e econômico, o que está em jogo? Um projeto de Governo que leve em conta a grande lacuna das reformas necessárias e urgentes, ou um simples projeto de poder, de olho no processo eleitoral que se seguirá à Copa do Mundo? Como diz o provérbio, privilegiamos a médio e longo prazo as futuras gerações, ou, em curto prazo, as próximas eleições?

espaço aberto

Professor de teologia da PUC-SP

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

cializam a pobreza, a exclusão e a miséria. Desse estado de coisas, histórico e persistente, resultam o descontentamento e as mobilizações sociais, simultaneamente causa e efeito de uma consciência crescente em determinados setores da população. Resta sempre a pergunta: até que ponto a onda de euforia relacionada à Copa do Mundo traz benefícios reais e duradouros para a população de baixa renda? Formulada de outra maneira: no apagar das luzes da decisão final, independentemente de quem seja o novo campeão do mundo, sobrarão algumas migalhas para os pobres? Isso para não falar de uma verdadeira e profunda distribuição de renda! Essas questões nada têm de mera retórica. Expressam um desejo vivo e consciente de

É verdade que nunca tivemos um verão tão quente e sem chuva. As temperaturas estão elevadíssimas, e o consumo de água aumentou significativamente. Isso somado com a escassez de chuva traz um cenário bastante preocupante com relação ao abastecimento de água na cidade de São Paulo e na região metropolitana. Os reservatórios estão com níveis baixíssimos, e o racionamento aponta no horizonte. Dois aspectos merecem nossa atenção. O primeiro é educativo e diz respeito ao consumo de água que existe entre nós. Temos muitos rios no Brasil e, por isso, nem sempre temos consciência de que a água

existe em quantidade determinada no Planeta. São muitos os lugares que padecem escassez de água e, por isso, não temos o direito de desperdiçála. Há que economizar água, e isso depende de cada cidadão, e não vale a afirmação de que estou pagando e posso fazer o que quero com ela, porque a água é um bem da humanidade, nunca poderá ser um bem privado. Não se pode gastá-la de qualquer jeito, pois é preciso economizar. O segundo aspecto é político e diz respeito à forma como o Governo gerencia a questão da água. Não se pode jogar tudo nas costas do povo, que não economiza, ou nas costas de São Pedro, que não manda chuva. O Governo tem a maior parte de responsabilidade, porque cabe a ele captar a água, tratá-la e distribuí-la. Existe grande desperdício de água na rede de fornecimento, por

falta de investimentos e manutenção. Nossos grandes rios, Tietê e Pinheiros, continuam como esgotos a céu aberto, o que também ocorre com outros rios e riachos. O Governo simplesmente não investe o suficiente no tratamento de esgotos. Não há políticas públicas consequentes na gestão da água, permite-se a contaminação de mananciais e dejetos industriais acabam lá onde se poderia captar água para a população. Isto é um problema que o Governo deve resolver. O racionamento já existe, pois as regiões mais periféricas não recebem água todos os dias ou ela não chega com força e quantidade suficientes para encher os reservatórios. Ele pode se estender pelo resto da cidade, e a gente precisa aprender a economizar, e também a cobrar de nossas autoridades um serviço público com a qualidade que o povo merece.


Igreja em Ação PASTORAL CARCERÁRIA

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bioética

Pastoral Carcerária arquidiocesana planeja ações de 2014 Bioética e sementes imprensa@carceraria.org.br massa, o fim da tortura e a demo- regiões episcopais, padre Eugênio suicidas! (3) cratização de acesso ao Judiciário. Luiz de Barros (Sé), Eliana Rocha A coordenação arquidiocesana da Pastoral Carcerária reuniu-se, na sexta-feira, 7, para traçar as principais linhas de ação deste ano. O encontro foi iniciado com uma breve análise da conjuntura do sistema prisional, com destaque para o crescimento acelerado da população carcerária no País. Após relembrar as ações dos últimos anos e ter em conta as observações dos agentes pastorais ao final de 2013, se estabeleceu três frentes de ação para 2014. Uma delas é a visita aos cárceres, tendo atenção à formação e preparação dos agentes para execução dos trabalhos com enfoque na Justiça Restaurativa, Catequese, Estúdio Bíblico e Evangelização Cristã. O trabalho com egressos, familiares, paróquias e comunidades também será destacado, auxiliando egressos e seus familiares na obtenção de direitos básicos. Ao mesmo tempo, se estimulará nas paróquias e comunidades reflexões sobre a realidade carcerária também para conseguir novos agentes e colaboradores da Pastoral. Outro enfoque das ações será o combate ao encarceramento em

Os agentes pastorais serão convidados a refletir sobre a conjuntura excludente e punitiva, especialmente sobre os pobres, jovens e negros. Para atingir tais objetivos, serão criadas equipes para trabalhar e refletir temas específicos sobre tais realidades. Participaram do encontro o coordenador arquidiocesano da Pastoral, padre Valdir João Silveira; o vice-coordenador, Marcelo Naves; o secretário arquidiocesano, Deyvid T. Livrini Luiz; os coordenadores nas

(Santana) e Nice Rocha (Brasilândia); os agentes de pastoral Durval Dutra, Catarina Heinolde e Caroline Braga; a advogada Ana Beatriz Guimarães Passos e o secretário estadual da Pastoral, Adolfo Oliosi. No sábado, 15, das 8h30 às 11h30, haverá a primeira reunião de formação continuada para agentes da Pastoral Carcerária arquidiocesana. Será no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, próximo ao metrô Belém). Por Deivyd Livrini Pastoral Carcerária

CESeEP

Curso de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso de 2014: ‘Violência: desafio às religiões na construção da justiça e da paz’ ecumenismo@ceseep.org.br Aspectos preocupantes da atualidade são as formas estruturais de violência atreladas a injustiças econômicas e sociais, que atingem a sociedade toda, mas particularmente os mais vulneráveis: crianças, mulheres, jovens, idosos, desempregados. O tráfico e o consumo de drogas agravam esse quadro no cotidiano das famílias e da juventude. Encontrar mecanismos e alternativas para a sua superação não é tarefa apenas do Estado, mas de todas as pessoas, de organismos da sociedade civil e, especialmente, das Igrejas cristãs e das religiões. O grande desafio é, portanto, o da superação da violência por uma sociedade fundada na justiça, na

igualdade e na solidariedade. As Igrejas cristãs e as religiões são desafiadas a apresentar a sua contribuição nessa luta contra a violência e contra a injustiça. A mensagem evangélica de amor, justiça e fraternidade exige uma atitude de denúncia das injustiças sociais e dos mecanismos da violência, mas também de anúncio de propostas e ações que venham a contribuir para a melhoria de vida das pessoas e transformação da sociedade na direção da justiça e da paz. Muitas experiências revelam que a sociedade civil organizada, com a participação das Igrejas e religiões, pode encontrar caminhos que levem às mudanças desejadas. O tema do Curso de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso de 2014:

“Violência: desafio às religiões na construção da justiça e da paz” oferece a possibilidade de refletir sobre essa realidade, com aprofundamento teórico acompanhado de contato com iniciativas e práticas significativas das Igrejas e religiões nesse âmbito. O Curso é organizado pelo Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP), em parceria com o Mofic, Clai, Koinonia e com o apoio do Conic. Oferece um espaço de rica convivência entre pessoas de diferentes Igrejas e religiões, momentos de espiritualidade e festa e intenso programa de visitas a comunidades religiosas e a iniciativas em favor da paz. Leia mais: http://ceseep.org.br/ curso-de-ecumenismo/

padre leo pessini

A humanidade precisa se proteger desta “tecnologia assassina”. Impera uma moratória global em relação desde o ano 2000, quando as Nações Unidas realizaram a Convenção sobre Diversidade Bioética, que conclamou a todos os governos “não permitir a experimentação e comercialização da tecnologia Terminator”. No Brasil, a Lei da Biossegurança proíbe “a utilização, comercialização, o registro, o patenteamento e o licenciamento de tecnologias genéticas de restrição do uso” (Art. 6º, Lei 11.105/2005. Esta moratória vem sendo fortemente atacada pela indústria multinacional de sementes. Estão insistindo para que se coloque, no texto da moratória (Austrália, Canadá, Nova Zelândia e EUA), uma “cunha mortal”, para que essas tecnologias Terminator possam ser aprovadas “caso a caso”. Trata-se na verdade de uma armadilha para se conseguir primeiro os transgênicos e a seguir o Terminator! Isto se confirmando seria um crime “contra a humanidade”. Necessitamos de vigilância cidadã, com os projetos de lei no Congresso “patrocinados”, na verdade comprados pelas multinacionais das sementes, para que a “biossegurança e a biodiversidade brasileiras não sejam agredidas. Há que se respeitar e fortalecer a moratória internacional imposta pela ONU à tecnologia Terminator e garantir a soberania nacional em relação ao uso e reprodução das sementes, à segurança e soberania alimentar dos povos e aos direitos dos agricultores, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, ao livre uso da biodiversidade e da agrobiodiversidade. Essa questão estratégica da alimentação evidencia que, além de uma política global, necessitamos urgentemente também de uma bioética global, que vigie pela garantia dos direitos humanos, principalmente aqueles ligados com a sustentabilidade da vida do ser humano no presente, mas também no futuro. Tais questões de política global, que se preocupam com o futuro da humanidade, foram assumidas na histórica declaração da Unesco em 2005, Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos. Para além de ser um horizonte utópico, idealista, para onde devem convergir as ações da atual sociedade tecnologizada. Urge fazê-la valer, isto é, colocar em prática.

espaço do leitor

“‘Salário da Cracolândia’ é usado para mais drogas” (edição 2988) A situação é extremamente delicada, mas era mesmo provável que isso acontecesse – o programa não exige que eles deixem de usar a droga, e não os retirou da região onde é fácil comprá-la. Mas é uma alternativa absolutamente nova, na qual antes sempre reinou um mar de intolerância e preconceito. O tratamento é de redução de danos, não de

desintoxicação (apesar da desintoxicação ser oferecida). Quanto a usuários vindos de outras cidades, sinceramente não sei opinar ou vislumbrar uma luz no fim do túnel. Falta mesmo é uma política nacional efetiva. William Douglas

A situação é complexa e delicada e, por mais que se faça sempre, vai haver uma brecha para os críticos, é como o caso

das enchentes, ninguém até hoje resolveu e nem vai resolver tão já, mas, se alguém aparecer com uma fórmula mágica, vai ter sempre os críticos de plantão. Claudio Antonio

Não me parece que a questão seja somente limpeza demográfica da região. Se fosse para esconder a feiura, para que pagar hotel? Por que não colocálos compulsoriamente em clíni-

cas de fachada, todos amontoados? Seria mais barato, varreria o problema para longe, como tentaram outras administrações. Penso que o que se está tentando é algo novo – e por isso passível de erros – se eles compram pedra com salário, tanto melhor. Se trabalham, podem fazer o que quiserem com o dinheiro, como eu, você, nós. Já é uma situação melhor do que estarem nas ruas roubando. O

programa tenta dar a dignidade perdida a essas pessoas. É somente quando voltarem a serem vistos como cidadãos que poderão pensar e buscar uma alternativa para sair desta vida. Vanessa Silva

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO


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Igreja em Ação

Mundo do trabalho – pastoral operária

SETOR JUVENTUDE

O sindicalismo brasileiro

Setor Juventude convida jovens e adultos para retiro

Padre Miguel Pipolo

O sindicalismo brasileiro está murcho e frouxo como nunca esteve. Longe estão os dias de lutas, vitórias e derrotas. Ele chegou ao ridículo de convocar uma passeata após as manifestações de junho passado. A troco de quê... Ninguém sabe. Até mesmo os antigos pelegos fariam melhor. Sua grande reclamação é não ter acesso à presidente Dilma Rousseff como deveria... Os sindicatos estão felizes. Os dissídios têm sido tranquilos porque não encontram resistência do patronato na hora de acordos salariais e outros “benefícios”. Houve sérias divergências em São José dos Campos, por exemplo. A população de Porto Alegre está sem ônibus há muito tempo. Em ambas as cidades os sindicatos são fortes. Fora disso, só professores quando no início de aulas. O sindicalismo do ABC paulista flutua num mar de rosas. Grande parte dos que criaram o sindicalismo cutista está ocupando cargos em todos os níveis de governo. A Força Sindical procura imitar a CUT. Às vezes, acontece o contrário... Vivemos outros tempos, dizem os sindicalistas. Não muito tempo atrás

sabíamos quem enfrentar. O adversário era o governo militar. As “palavras de ordem” eram conhecidas por todos. Não era preciso esforço algum; “diretas, já”. Além do patronato era preciso enfrentar a interferência dos governos militares sobre o que negociar nas mesas de negociação. A Comissão da Verdade está aí para comprovar que empresas brasileiras entregavam nomes e endereços de funcionários à repressão. Não há como negar que os tempos são outros e que o salário mínimo acima da inflação e o “Bolsa Família” deixam a militância sindical sem muito argumento. Enquanto isso as Centrais Sindicais estão “rindo à toa”, pois “papai” Lula lhes fez o grande favor de reconhecêlas e de lhes dar toneladas de dinheiro. A troco de quê... A rigor, alguém saberia para que as Centrais servem? O que elas fazem? Para que servem as Federações e Confederações? Foi-se o tempo em que as respostas para isso eram fáceis. Um dos grandes méritos da CUT foi apresentar proposta de reestruturação do sindicalismo brasileiro. Logicamente, ela nunca conseguirá do grande número de Centrais existentes no País consenso para isso. Certamente o contexto é outro; foi-se o embate capital x trabalho? Estaria o sindicalismo à espera de respostas de Lenin...

setordejuventude@uol.com.br No sábado, 22, das 8h às 17h, acontecerá o Retiro Espiritual do Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo, no Arsenal da Esperança, próximo à estação Bresser-Mooca do metrô. Destinado a jovens e adultos que atuam na evangelização da juventude, o retiro será orientado por dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e vigário episcopal para a Região Brasilândia. O Setor Juventude, através de carta assinada por dom Tarcísio Scaramussa, sdb, bispo auxiliar da Arquidiocese, vigário episcopal para a Região Sé, convida as lideranças da Pastoral da Juventude, dos Movimentos Eclesiais, das Novas Comunidades e Congregações Religiosas para este momento importante, que abre os trabalhos de evangelização de 2014. O tema do retiro será a Exortação Apostólica Evangelii

Gaudium, recém-lançada pelo papa Francisco. O retiro espiritual tem por objetivos proporcionar aos participantes um momento de oração pessoal e comunitário,

permitir a criação de laços afetivos entre os participantes e animar os agentes de pastoral que trabalham com a juventude no espírito da Evangelii Gaudium. As inscrições podem ser feitas através do e-mail do

Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo: setordejuventude@uol.com.br. Outras informações com Lorenzo, da Equipe de Animação do Setor Juventude, no telefone (11) 98168-0604. O custo do Retiro será R$ 10,00 (dez reais). Ninguém deve deixar de fazer o retiro por questão financeira. Para melhor organização do evento, pede-se que as inscrições sejam feitas até o dia 17 de fevereiro. O Setor Juventude é a organização que representa, acompanha e reúne, em espírito de comunhão eclesial, as pastorais, movimentos eclesiais, novas comunidades e congregações religiosas que atuam na evangelização da juventude. O espírito e o ânimo trazidos pelo papa Francisco na inesquecível Jornada Mundial da Juventude do Brasil não podem ser perdidos! Todos estão convidados a participar deste importante momento de oração, comunhão e integração em nossa Arquidiocese!


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Racionamento de água em São Paulo pode ser inevitável Sabesp garante que não haverá restrição de fornecimento na capital, mas nível das represas do Sistema Cantareira está próximo do limite Daniel Gomes Redação

O volume armazenado de águas nas represas do Sistema Cantareira já é inferior 20% da capacidade. Apesar de o governador Geraldo Alckmin e a diretora-presidente da Sabesp, Dilma Pena, terem afirmado recentemente que não haverá racionamento de água, o decréscimo no nível das represas deve tornar a medida inevitável. “Próximo dos 10% do nível dos reservatórios, já fica inviável bombear água. No Sistema Cantareira, se a falta de chuvas continuar, vai ter que haver algum tipo de restrição de consumo. Se passarmos o mês de fevereiro sem chuvas, dificilmente escaparemos de limitações no fornecimento”, analisou, ao O SÃO PAULO, Edison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, que se dedica a estudos sobre a coleta de tratamento de esgoto no País. A aposta da Sabesp para que haja redução do consumo de água na Grande São Paulo é uma política de incentivo econômico, lançada na última semana. Os clientes residenciais, comerciais e industriais que reduzirem em 20% o consumo médio terão desconto de 30% sobre o valor final da conta. Segundo Dilma Pena, ainda não é possível saber o impacto da ação, “mas a Sabesp conta com a colaboração da população, que é sempre muito solícita”, afirmou à reportagem. Na avaliação de Vicente Pimenta, da Pastoral da Ecologia da Arquidiocese, a política de incentivo da Sabesp tem viés “publicitário” e “ajuda a manter as causas estruturais do problema longe da discussão popular. É uma campanha irresponsável porque a hidratação é uma necessidade de todo ser vivo. Fazer uma campanha para reduzir o consumo de água durante as ondas de calor pode resultar na fragilização da saúde e em um custo maior para o cidadão”.

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Luciney Martins/O SÃO PAULO

Sistema Cantareira: volume de água armazenado e pluviometria do mês de fevereiro

2010 Nível do reservatório:

2011 Nível do reservatório:

97,9%

90,1%

Pluviometria do mês:

Pluviometria do mês:

31 milímetros

18,8 milímetros

2012 Nível do reservatório:

2013 Nível do reservatório:

76%

56,6%

Pluviometria do mês:

Pluviometria do mês:

0,2 milímetro

40,4 milímetros

Fonte: Portal da Sabesp, consultado em 6 de fevereiro de 2014/Arte: Jovenal Pereira

Dicas da Sabesp para economia de água Tome banhos curtos e feche o registro ao passar sabonete e xampu; Não lave a calçada ou o carro com mangueira; Antes de lavar a louça, retire o excesso de comida com a esponja e deixe a torneira fechada ao ensaboar;

Acumule as roupas para utilizar a máquina de lavar na capacidade máxima. Deixe a torneira fechada enquanto escova os dentes ou faz a barba; Corrija o mais rápido possível vazamentos dentro do imóvel; Não utilize o vaso sanitário

como lixeira ou cinzeiro; Molhe as plantas à noite e prefira um regador à mangueira; Depois de usufruir da piscina, use a água para lavar ambientes da casa; o mesmo pode ser feito com a água do tanque ou da máquina de lavar.

Escassez de chuvas, o único problema? da redação

Segundo a Sabesp, nunca choveu tão pouco na Região Metropolitana de São Paulo. Em dezembro, foram 62 milímetros de precipitação, a média histórica é de 226 milímetros. Em janeiro, foram 87,8 milímetros. Porém, desde 2011, o nível dos reservatórios do Sistema Cantareira apresenta decréscimo, apesar dos diferentes índices de pluviometria (veja acima). Para Edison Carlos, a baixa no nível dos reservatórios não se deve apenas à falta de chuvas, mas também às perdas

nas redes de distribuição “que em São Paulo estão entre 25% e 30%, é uma perda alta” e ao consumo de água não regularizado. “Há mais de 3 milhões de pessoas na Grande São Paulo morando em áreas irregulares e, muitas vezes, esse consumo não é medido”, comentou. Segundo Dilma Pena, o índice de perda de água nas redes de distribuição está em 24,7%, e a meta é alcançar o índice de 18% até o final da década, especialmente por meio do Programa de Redução de Perdas de Água, que prevê investimentos de R$ 1,9 bilhão, até 2016, em ações preventivas e de reparos.

Para Vicente Pimenta, o nível crítico das reservas de água no Sistema Cantareira já era previsível. “No verão, o consumo de água aumenta bastante, mas o sistema de coleta, tratamento e abastecimento de água opera no limite mesmo nas estações de temperatura mais moderada. O que essa situação crítica expõe não é apenas o descaso e a falta de investimentos por parte do Estado, mas principalmente o esgotamento da capacidade que a própria natureza tem para manter constante o ciclo da água”, opinou. (DG)


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Papa pediu à Congregação que atualize documentos da Igreja que tratam dos religiosos

Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

Anunciado pelo papa Francisco para 2015, o Ano da Vida Consagrada vai acontecer no contexto das celebrações pelos 50 anos do Concílio Vaticano 2º, explicou o Cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Em passagem pelo Brasil para participar do Curso Anual dos Bispos, realizado pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ), dom João Braz concedeu entrevista aos Jornais O SÃO PAULO e “Testemunho de Fé”, e falou sobre ações previstas para celebrar o Ano da Vida Consagrada. Segundo ele, são aproximadamente 1,5 milhão de religiosos e religiosas espalhados em cerca de 2 mil institutos, ordens, congregações ou institutos de apostolados leigos. Leia os principais trechos da entrevista. O SÃO PAULO – Por que um ano voltado à vida consagrada? Dom João Braz – O papa Francisco sente que, neste momento, a vida consagrada precisa olhar para o passado com grande gratidão. Não vamos ficar só chorando pelos pecados. Tem muita coisa de erro, sim, mas também há muita tentativa de desmoralizar a Igreja. Vamos olhar para o passado agradecendo a Deus por tudo de bom e vamos rever o que está errado, sem medo. Depois, queremos olhar para o futuro com esperança. Não dizer: “Ah, está tudo morrendo mesmo, não tem mais jeito”. E viver o presente com paixão. Esse é o grande programa para o Ano da Vida Consagrada. O Papa tem um grande amor pela vida religiosa. O SÃO PAULO – Quais ações estão previstas para marcar o Ano da Vida Consagrada? Dom João Braz – Estamos preparando a assembleia plenária da nossa Congregação para os Institutos de Vida Consagrada para outubro ou novembro de 2015. Também queremos realizar um encontro de superiores gerais em Roma. Prevemos, ainda, um encontro de pessoas que estão no âmbito da formação nos vários institutos, e queremos realizar, também, encontros

Dom Aviz fala sobre Ano da Vida Consagrada Canto Nuevo.eu

por vocações e algo específiO SÃO PAULO – Como vimentos onde os jovens têm co para vida contemplativa, apresentar aos jovens a vida se despertado para todos os como uma corrente de oração. religiosa? Ela responde aos tipos de vocações. Muita gente pensa que a Essas são as primeiras anseios do homem atual? perspectivas... O Papa tamDom João Braz – É inte- vida consagrada não existe bém nos pediu para renovar ressante, mas o jovem quer mais. Ela não tem mais a mesos documentos fundamentais seguir Jesus. Quando a gen- ma força em determinados que falam da vida consagrada. te fala e testemunha Jesus, a lugares, como a Europa. Mas Por exemplo, o documento que gente nota que o jovem quer aqui na América Latina, África fala da relação entre bispos e um grande ideal. Então, quan- e em parte da Ásia as vocações religiosos, nós temos que re- do o jovem ouve um grande estão se desenvolvendo de ver, pois está desatualizado. ideal e vê testemunhado um modo muito profundo. Nesse sentido, o jovem resO documento que fala da vida grande ideal, ele se sente contemplativa dos monges e atraído. Hoje, aqui no Rio de ponde. Mas ele precisa de audas monjas também tem que Janeiro, a referência que te- tenticidade e de desafio, pois o ser revisto, pois o que temos nho diante dos meus olhos é a jovem não quer coisa pequena. agora é de 1950. imagem do que aconteceu en- Ele quer algo que valha a pena Além disso, estamos para tre os jovens e o papa Francis- dedicar toda a sua vida. publicar um documento sobre co durante a Jornada Mundial os chamados “irmãos”, ou seja, da Juventude (JMJ). O SÃO PAULO – Como reaqueles que são consagrados Mas isso não é só aqui. novar a vida religiosa sem pere não se tornam padres, para Nós temos, por exemplo, mo- der a fidelidade aos carismas? revalorizar essa Dom João Braz – vocação como ela Aqui tem duas coisas. O carisma é como uma herança é. É uma vocação O carisma é como muito grande e uma herança que que cada família religiosa recebe cada família religiosa ela foi deixada um pouco na sombra. recebe do seu fundaJá estamos com o do seu fundador, da sua fundadora. dor, da sua fundadodocumento quase ra. A primeira coisa é A primeira coisa é que, se uma pronto. E, claro, que se uma congregaqueremos escução quer sobreviver, tar aquilo que vai congregação quer sobreviver, deve deve permanecer fiel nascer no mundo à luz que recebeu. Se inteiro. permanecer fiel à luz que recebeu começar a pular de

galho em galho, e ir para campo que não é dele, ele mata o carisma, por que a graça não estava naquela outra coisa, mas naquilo que foi dado ao fundador. Agora, do outro lado, o fundador, às vezes, viveu no século passado e a linguagem do século passado e a organização da sociedade eram diferentes. Então, precisa atualizar o diálogo com a cultura atual. Nós temos que escutar o homem e a mulher, perceber quais são as suas sensibilidades, quais são seus valores, conviver e aprender com a sociedade, mas não perder aquilo que vem do carisma e aquilo que vem do Evangelho. O SÃO PAULO – Quais são as preocupações e anseios da vida religiosa hoje? Dom João Braz – Nós temos alguns problemas. Por exemplo, temos que recuperar profundamente a vida fraterna, a vida de família dentros das congregações e das ordens. Por que se você está numa casa e não se sente bem nela, você vai para a rua. O jovem também faz isso. Nós temos que recuperar esse senso da fraternidade, onde você está com o outro e sente alegria, não desconfia, onde você quer o bem do outro e se deixa modificar pelo outro. Outro desafio é voltar aquilo que foi a primeira decisão da gente no seguimento da vocação do consagrado. O que aconteceu ali? Ali Deus manifestou seu grande amor pela gente. E nós nos sentimos atraídos pela beleza deste amor. Depois, acabamos nos desiludindo um pouco, o caminho é sempre difícil, com tropeços. Então, é preciso recuperar essa ligação profunda com Jesus para se deixar moldar por ele. Também é preciso saber a hora de sair das obras... Se tem muita obra e pouca gente, deixa de lado um pouco de obra. Não mata o carisma. Segura o carisma e deixa as obras. Deixa a obra à disposição da Igreja e cuida do carisma. Também é preciso fazer a ligação entre novos e antigos carismas. Não são dois Espíritos. É o mesmo Espírito que falou no passado e que agora fala no presente. Se não a gente contrapõe os movimentos atuais dizendo “bom, os outros já passaram, e agora é conosco”. Não é assim. Colaboração: Igor Marques/Jornal “Testemunho de Fé”/ArqRio


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‘Cursar teologia é ver o mundo com o olhar da fé’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Missa de abertura do ano letivo da Faculdade Nossa Senhora da Assunção aconteceu nos campi Ipiranga e Santana da PUC-SP Nayá Fernandes

Reportagem na zona sul

A Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção nasceu como Instituição Pontifícia, ligada à Arquidiocese de São Paulo e, no fim de 2008, foi integrada juridicamente à PUC-SP. Com notas 4 (campus Santana) e 5 (campus Ipiranga) na avaliação do MEC, a faculdade forma bacharéis em teologia e conta também com um programa de pós-graduação. Na quinta-feira, 6, professores, funcionários, alunos e seus familiares participaram da missa de abertura do ano letivo, presidida pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, nos dois campi. No Ipiranga, houve uma aula inaugural após a missa sobre os aspectos cristológicos e eclesiológicos da exortação apostólica Evangelii Gaudium, que acontece também em Santana, na terça-feira, 11. No Ipiranga, o curso é matutino e com-

Após missa, no campus Ipiranga, acontece aula inaugural que aborda aspectos da Evangelii Gaudium

posto basicamente por seminaristas da Arquidiocese de São Paulo, de dioceses vizinhas como Santos (SP) e Osasco (SP) e de congregações religiosas e tem duração de quatro anos. Já o curso noturno, em Santana, recebe um grande número de leigos e candidatos ao diaconato permanente e tem duração de cinco anos, devido à complementação filosófica. Iara Martins dos Santos, 40, da Diocese de São Miguel Paulista (SP), está no primeiro semestre. “Optei pela teologia para aprofundar ainda mais a Palavra de Deus.” A analista de recursos humanos percorre

um longo trajeto todos os dias. Ela mora na zona leste e, por isso, precisa acordar às 5h, pois trabalha na zona sul. “Chego sempre à meia-noite em casa, mas não quero parar. Acho que estudar na PUC é um diferencial. Cada aula é uma surpresa. A de hebraico, por exemplo, é fantástica.” Já Leonardo Bento dos Reis, 52, está no quinto ano, último semestre. Casado há 23 anos com Sonia Maria Alarvarces, ele é pai de Mariana e Isabela e trabalha como bancário. “Conjugar trabalho, família e estudos não é fácil, mas tenho duas certezas: já aprendi muitas coisas novas e úteis

e ainda tenho muitas outras a aprender.” Leonardo também escolheu a graduação após dois anos de Teologia para Leigos em Osasco (SP), e quando recebeu uma bolsa de estudos da Diocese. Ministro extraordinário da Palavra e do Matrimônio, além das pastorais da Catequese e do Batismo, foi premiado pela Universidade, em 2013, por uma pesquisa de Iniciação Científica sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum em diálogo com a filosofia de Michel Foucault. “Cursar teologia é ter a oportunidade de ver o mundo com o olhar da fé mais equilibrada, depurada de preconceitos e mitos, o que, indubitavelmente, agrega valor às relações cotidianas em todos os âmbitos”, disse Leonardo. Na homilia, dom Odilo lembrou algumas prioridades para este ano da Arquidiocese, como o estudo do documento conciliar Sacrossanctum Concilium. Padre Valeriano dos Santos, diretor da faculdade, ressaltou também que este ano há um grande motivo a ser comemorado. “Depois de uma crise, iniciamos o curso noturno com mais de 40 alunos, por isso, estamos em festa.” Durante a missa, alguns professores receberam a Missio Canônica, que é uma autorização do Arcebispo para lecionar, e, ao mesmo tempo, uma recordação de que o ensino teológico é uma missão importante na Igreja.

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20 candidatos são acolhidos no Propedêutico II De acordo com o cônego José Adriano, “há muito tempo não tínhamos um número assim”, as duas casas do início da formação sacerdotal somam juntas 33 seminaristas Edcarlos Bispo de Santana

redação

“São 33 candidatos no propedêutico [somando as duas casas], há muito tempo não tínhamos um número assim. Normalmente entravam 8 ou 10”, conta o cônego José Adriano (foto), reitor do Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção (Propedêutico II). O Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição é composto por quatro casas de formação: Propedêutico Santo Antonio de Sant’ Anna Galvão (Propedêutico I); Propedêutico Nossa Senhora da Assunção (Propedêutico II); Filosofia Santo Cura D’Ars; Teologia Bom Pastor. Os propedêuticos são “a porta de entrada” para quem deseja ser sacerdote. Nele, o candidato dá os primeiros passos deste longo caminho. De acordo com o cônego Adriano, quando o candidato já possui uma formação acadêmica, é mais velho – vocação tardia –, ou possui uma considerável caminhada

Novos ares, essa renovação trazida pelo papa Francisco também colabora com o despertar vocacional, anima e ajuda as pessoas a buscar mais

A gota d’água para meu sim foi o papa Francisco, as atitudes dele. Voltei da JMJ decidido a fazer parte desse novo impulso que a Igreja pede

em alguma comunidade, ele ingressa diretamente no segundo ano do propedêutico. O Cônego trabalha na formação dos padres há 22 dois anos, como ele mesmo faz questão de ressaltar “desde os tempos de dom Paulo, passando por dom Cláudio e agora com dom Odilo”,

mostrando a confiança que os arcebispos metropolitanos têm em seu trabalho. Com essa vasta experiência, o Cônego está muito feliz em poder acolher na casa de formação 20 novos candidatos ao sacerdócio, fato que, segundo ele, não acontece há anos e se deve a dois fatores, um deles é o “bom trabalho da

Pastoral Vocacional arquidiocesana. Todo um trabalho de despertar que está produzindo esse efeito”. O outro fator destacado pelo cônego José Adriano é o atual momento por que passa a Igreja. Para ele, esses “novos ares, essa renovação trazida pelo papa Francisco, também colaboram com o despertar vocacional, anima e ajuda as pessoas a buscar mais”. “A vantagem, hoje, dessa motivação vocacional é que ela não é a euforia pela euforia no sentido de uma nova ideologia, um pensamento novo, uma utopia. Na verdade, é algo que começa com o trabalho concreto, o Papa convida a Igreja a sair de si e ir ao povo, fazer um trabalho missionário. Ao entrar no seminário, o candidato também vai para a pastoral, vai para a missão, misturar-se com o Povo de Deus”, afirmou. Formado em eletrotécnica e economia, Adriano Passos (foto), 35, ingressou no seminário neste ano. Sentiu o chamado vocacional aos 12 anos, porém seu pai não permitiu que ingressasse no seminário menor. Aos 14 anos o pai vem a falecer, o filho mais velho de três irmãos assumiu o cuidado da família, seguiu sua vida e sua carreira profissional, porém sem abandonar o desejo de ser sacerdote. De acordo com ele, a “gota d’água” para sua entrada no seminário foi a JMJ no Rio de Janeiro e as atitudes do papa Francisco e seu novo impulso missionário. Para Adriano, não há nada de novo no que prega Francisco, porém a forma que ele apresenta é nova e atraente.

Seminaristas se encontram com o cardeal Scherer Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes

Reportagem na zona sul

O sábado, 8, foi de retomada de atividades para os seminaristas da Arquidiocese de São Paulo. Reunidos no Seminário de Teologia Bom Pastor, no Ipiranga, eles se encontraram com o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano. Lá estavam seminaristas que ingressam este ano no Propedêutico I ou II, e os que já iniciaram estudos para o sacerdócio, como é caso de Bruno Muta Vivas, 25, estudante do terceiro ano de Teologia, que aconselhou os ingressantes. “Se abram à formação, deixem-se ser levados pela formação da Igreja. Uma dica, até mais importante que esta: rezem muito, sem oração não se consegue nada no seminário”, disse ao O SÃO PAULO. Dom Odilo lembrou aos seminaristas que a formação presbiteral envolve não apenas estudos, mas também um conjunto de ações voltadas à formação humana, espiritual, pas-

Atividade realizada no Seminário de Teologia Bom Pastor reúne seminaristas das casas de formação da Arquidiocese

toral, missionária, intelectual e filosófica. Ressaltou, ainda, que a dinâmica do seminário está inserida na vida da Igreja, e recomendou o estudo do documento conciliar Sacrosanctum Concilium, que estará em destaque este ano no 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese, e da exortação apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco. De acordo com o Arcebispo, o estudo da Sacrosanctum

Concilium deve ser priorizado a análises externas, já que estas, por vezes, trazem deturpações sobre a liturgia. À reportagem, dom Edmar Peron, bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial dos ministérios ordenados, explicou que as orientações da Igreja para a liturgia podem ser encontradas na referida constituição conciliar, nos documentos que surgiram a partir dela e nas introduções dos ritos litúrgicos.

Ao falar aos seminaristas sobre a Evangelii Gaudium, dom Odilo comentou que o Papa aponta que a Nova Evangelização precisa de evangelizadores novos, ressalta a missionariedade, critica as divisões internas da Igreja e pede atenção especial para com os pobres. Segundo dom Edmar, o estudo da Evangelii Gaudium nos seminários pode ser levado em

conta, por exemplo, nas reflexões sobre a moral social, a liturgia e a formação. “É uma encíclica para ser conhecida no todo, mas que pode ser acolhida parte por parte”, detalhou. Ao final do encontro, dom Odilo comentou sobre as explicações do Vaticano à ONU para os casos de pedofilia. Ele afirmou que essa não é uma situação generalizada na Igreja e enfatizou que nos seminários não se toleram perversões sexuais, mas que nem sempre os superiores ficam sabendo dos casos. Seminaristas na Arquidiocese de São Paulo

Seminário de Teologia: 32 seminaristas e 6 diáconos; Seminário de Filosofia: 24 seminaristas; Propedêutico II: 20 seminaristas; Propedêutico I: 13 seminaristas; Seminário São José, da Aliança de Misericórdia: 6 seminaristas.


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Presbítero, convidado a ser ‘testemunha de fé, esperança e caridade’ Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Encontro Nacional de Presbíteros, em Aparecida, reuniu mais de 500 padres para revisitar o Concílio Vaticano 2º Edcarlos Bispo de Santana enviado especial a Aparecida (SP)

A cidade de Aparecida (SP), acolheu, até a terça-feira, 11, o 15º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP), organizado pela Conselho Nacional de Presbíteros, juntamente com a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB. O encontro reuniu mais de 500 sacerdotes de todo o Brasil para refletirem sobre o tema: “O Concílio Vaticano 2º e os Presbíteros no Brasil: testemunhas de fé, esperança e caridade”. O lema do encontro foi “Estai sempre prontos a dar a razão da esperança a quem a pedir” (cf. 1Pd 3,15). No domingo, 9, a missa de abertura dos trabalhos daquele dia, celebrada na Basílica de Aparecida, foi presidida por dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, concelebrada por diversos bispos, entre eles dom Pedro Brito Guimarães, presidente da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB,

Padre Anselmo e dom Pedro Brito falam ao O SÃO PAULO durante 15º ENP; dom Odilo preside missa no domingo, 9

além das centenas de padres que participaram do encontro. Na homilia, o Cardeal destacou que o encontro pede que os presbíteros sejam testemunhas de fé, esperança e caridade e este, de acordo com dom Odilo, é o convite feito pela Palavra de Deus proclamada no domingo. O Arcebispo destacou, ainda, que este é um momento importante na vida da Igreja, pois, na voz do papa Francisco, o Povo de Deus, fiéis leigos, sacerdotes e consagrados estão chamados a uma conversão pastoral. Já aos sacerdotes, o Arcebispo afirmou que são pessoas especiais e chamadas por Deus. Citou o Papa, quando o mesmo afirmou que os sacerdotes são ungidos, não para serem meros administradores, mas para ajudar na santificação do Povo de Deus, e, para isso, precisam estar em plena sintonia com Deus.

Reflexões do 15º ENP

Dom Pedro, em entrevista ao O SÃO PAULO, aproveitou a oportunidade do encontro para afirmar que a ideia neste momento é aproveitar as comemorações dos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano 2º para revisitar e reler suas constituições, decretos e documentos. Uma das coisas que tornaram essa releitura necessária é o fato de muitos dos presbíteros não serem nem nascidos quando o Concílio foi realizado e promulgado. O Bispo destacou que mais que realizar massiças palestras com a aplicação de conteúdos extensos e ouvir grandes teólogos, o encontro desejou ser um momento de convivência entre os padres. “Convivendo com o outro, vendo o problema do outro e a alegria do outro, por isso, estamos fazendo isso”.“Um padre ajudando o outro, sempre digo que o melhor amigo de um

sacerdote é outro sacerdote”, comentou dom Pedro. Sobre a falta de sacerdotes, o Bispo disse que no Brasil o problema não é tanto a quantidade de padres, mas a má distribuição do clero, que se concentra em grande número em determinadas regiões e de forma mais escassa em outras.

Realidade da Pastoral Presbiteral

“A Pastoral Presbiteral tem como objetivo principal o cuidado pela vida do Padre como pessoa, como homem. Tendo um Padre bem cuidado e saudável, podemos oferecer uma qualidade melhor de serviço ao Povo de Deus”, assim descreve o padre Anselmo Matias Limberger, presidente do Conselho Nacional de Presbíteros (CNP). De acordo com o sacerdote, o fortalecimento, amadurecimento e articulação da Pastoral

Presbiteral será um dos desafios e preocupações para o próximo encontro que acontecerá daqui a dois anos. “Vamos a partir daqui fazer a avaliação e encaminhamento de propostas, e a Comissão toda vai sentar e avaliar qual o tema do encontro daqui a dois anos. Sentimos a necessidade de uma reflexão bastante concreta da Pastoral Presbiteral, temos muitos padres trabalhando, engajados, dando um testemunho de fé com alegria. Mas temos muitos padres fragilizados, doentes, que necessitam de cuidados”, afirmou. Sobre o perfil de vida de um Presbítero na atualidade, padre Anselmo destacou que as situações são diversas, pois existem padres, a maior parte, salientou, que estão bem, trabalhando, realizados e felizes, porém, continuou, existem padres que estão “envelhecidos, doentes que demandam pela própria doença um cuidado especial. Existem inclusive, alguns casos de doenças como o estresse, depressão, ansiedade e isolamento”. Como soluções possíveis para esses problemas, padre Anselmo afirmou que os sacerdotes não devem perder a esperança: “é preciso se colocar diante do Santíssimo Sacramento com a Bíblia na mão e ali se alimentar da Palavra e da Eucaristia, além de participarem de encontros entre si e buscarem sempre manter o diálogo e a amizade com seus confrades.

No Maranhão, Padre cuida de 80 comunidades do enviado especial a aparecida (SP)

O sacerdote visita as comunidades de sua paróquia duas vezes por ano, dependendo da correria, algumas são visitadas apenas uma vez. Mesmo assim, padre José Orlando da Cruz (foto), da Diocese de Brejo (MA), tem a consciência de que a sua realidade é diferente da dos padres da “cidade grande”. “É outro contexto, às vezes os padres da cidade grande, que possuem dez comunida-

des, por exemplo, se assustam, mas é outro contexto. A população na cidade grande é maior, você tem que estar ali no dia a dia. Na nossa paróquia não tem como, e às vezes nem precisa, pois são pequenos povoados com dez ou 40 famílias. Pequenas comunidades que vivem da agricultura, pesca ou de outros meios.” O mais bonito, para o Sacerdote, é ver a força dos leigos das comunidades que participam de formações e se tor-

nam ministros da Palavra, ou uma liderança que vai animar, motivar e levar adiante aquela comunidade. De acordo com o Sacerdote, a história da comunidade, muitas vezes construída a partir de leigos, é muito valorizada pelo povo. Sendo passada dos mais velhos para os mais novos, “a história dos mais velhos ajuda, fortalece e ilumina os mais novos que estão chegando”, destacou. Para o Padre, a “presença dos leigos é

um braço forte do Sacerdote”. Além do trabalho religioso, o Sacerdote destaca a missão social e política, que muitas vezes adquire em lugares, principalmente no interior, onde o poder do Estado não está presente. Sobre esse aspecto, o Padre afirma que a missão é “pastoral, espiritual e social, não podemos só falar do Evangelho e de Jesus Cristo e na hora não fazer nada, a Igreja tem que estar presente nessas horas também”.


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Região Ipiranga

Padre Boris assume paróquia do campus Ipiranga da PUC Padre Pedro Luiz Amorim

“Que seja uma referência, um local de se viver a fé para aqueles que passam pela faculdade todos os dias. Deverá ter um forte trabalho pastoral universitário”, disse dom Odilo Padre Pedro Luiz Amorim

Colaborador de Comunicação da Região

A sede da Paróquia Imaculada Conceição, no IPIRANGA bairro do Ipiranga, tem uma forte conexão com a história da Arquidiocese de São Paulo. Inaugurado do início da década de 40, o Seminário Central do Ipiranga foi, durante muitos anos, o local que abrigava centenas de estudantes que se preparavam para o presbiterado em diversas dioceses. Hoje, o prédio serve como campus da Pontifícia Universidade Ca-

Professores, alunos e paroquianos participam da missa em que o Cardeal deu posse ao pároco da Imaculada Conceição

tólica e também abriga o Instituto de Direito Canônico Padre José Pegoraro. A capela que abrigava as orações de todos os seminaristas é hoje a sede da Paróquia Imaculada Conceição, que, na sexta-feira, 7, recebeu seu novo Pároco e um novo Vigário. O pároco é Boris Agustin Nef Ulloa, professor de Sagradas Escrituras na PUC-SP, doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Com a missão de auxiliar o novo Pároco, foi recebido o padre João Júlio Fa-

rias Junior, também professor da PUC-SP e procurador da Mitra Arquidiocesana. A posse foi presidida pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, e concelebrada por diversos sacerdotes professores da faculdade de Teologia e formadores do seminário. Paroquianos de Santíssima Trindade, São Paulo Apóstolo e Nossa Senhora do Bom Parto (Região Belém), comunidades que já tiveram a presença de padre Boris, também se fizeram presentes em grande número, assim

como os alunos da faculdade e os próprios paroquianos da Imaculada Conceição. A nomeação dos padres foi lida por padre Anísio Hilário, vigário episcopal para a Região Ipiranga. O fato histórico da pertença da sede paroquial ao antigo Seminário Central foi mencionado no documento lido por padre Anísio, mostrando o grande valor histórico daquele templo. O Cardeal, na homilia, fez questão de externar seu desejo de que aquela comunidade “seja uma referência para os

estudantes e professores de Teologia, um local de se viver a fé para aqueles que passam pela PUC todos os dias. A Paróquia deverá ter um forte trabalho pastoral universitário”, disse. “A Paróquia é uma imagem daquilo que é toda a Igreja” lembrou dom Odilo, continuando, “ela é o local no qual Cristo nos convida a seguirmos produzindo os frutos da fé e nos envia como apóstolos para sermos suas testemunhas!”. O Arcebispo ainda recordou do tríplice múnus que cada paróquia deve exercer: o anúncio da Palavra, a santificação do Povo de Deus e o pastoreio do rebanho de Cristo. Em seu discurso de agradecimento, padre Boris não se esqueceu dos amigos que fez na Região Episcopal Belém, lembrou que agora a missão era ainda mais árdua, pois deveria conciliar as 40 horas na universidade com as responsabilidades de Pároco. “Espero trabalhar em comunhão profunda com os leigos e leigas que compõem a Paróquia, eu conto com a participação ativa e construtiva dos leigos para que a comunidade cresça no discipulado de Cristo!” pediu o novo Pároco da histórica Paróquia da Imaculada Conceição.

Um novo Pároco para Nossa Senhora de Sião da região episcopal

O arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer presidiu a celebração eucarística na qual foi empossado como novo pároco de Nossa Senhora de Sião, no Alto do Ipiranga, o padre Celso Paulo Torres. A missa das 18h do domingo, 9, recebeu fiéis que encheram a igreja, além dos paroquianos que desejavam rezar com seu novo Pároco, também esteve presente um número considerável de católicos pertencentes à Paróquia Santa Rita de Cássia, de onde veio o padre Celso Torres. No início da celebração, dom Odilo acolheu os presentes e afirmou que o que estava acontecendo naquela missa era um ato da Igreja. Recordando o papa Francisco, dom Odilo lembrou que a Igreja Católica não é uma ONG ou uma empresa na qual o Padre é um gerente que administra uma sede de uma multinacional. “A Igreja é antes de tudo a família de Deus! A casa de Cristo na qual ele continua presente de muitas formas” exortou o arcebispo de São Paulo.

Dom Odilo lembrou que o Padre é a presença de Jesus Cristo, que assume a comunidade paroquial em nome da Igreja, para que ela viva e cresça na fé e na missão de Nosso Salvador. Padre Celso Torres recebeu os agradecimentos de dom Odilo, o Cardeal lembrou que o Sacerdote aceitou a transferência para uma nova missão mesmo depois de tanto tempo de árduo trabalho na Paróquia

de Santa Rita de Cássia. Dom Odilo disse ainda compreender o quão difícil é para o povo se despedir de um bom Sacerdote que serviu a Igreja por tanto tempo, de forma tão valorosa, mas afirmou que a Igreja é uma grande família que vive em conjunto, e por isso o Sacerdote não pode estar fixo em um só lugar. “Por tudo isso, as transferências acontecem para o bem da Igreja” disse. A nomeação do padre Celso

Torres foi lida pelo padre Messias de Moraes Ferreira, do Centro Vocacional Arquidiocesano. Após a leitura, padre Celso fez sua profissão de fé diante de todos os presentes e, de forma oficial, assumiu a função de pároco. A Paróquia Nossa Senhora de Sião foi fundada em 1932 por dom José Gaspar, no início ela esteve sob os cuidados dos padres de Sion, que ainda possuem trabalho pastoral no Ipiranga, padre Celso Paulo Padre Pedro Luiz Amorim

Além da Paróquia Nossa Senhora de Sião, outras igrejas da Região Ipiranga acolheram seus novos sacerdotes

Torres é o terceiro pároco diocesano que dirige a tradicional comunidade paroquial que está no Alto do Ipiranga. Mudanças na Região Ipiranga No sábado, 8, o padre Benedito Vicente de Abreu foi empossado pároco na Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório, pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer. Também no sábado, simultaneamente, o padre Anísio Hilário, vigário episcopal da Região Ipiranga, empossou o padre Márcio Rogério Manso, como pároco da Santa Cristina, até então padre Márcio estava na Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório. Na manhã do domingo, padre Anísio Hilário empossou o padre João Cícero Freitas, na Paróquia Santa Cândida, até então padre João Cícero, estava na Paróquia Nossa Senhora de Fátima no Jardim Maristela. Já na noite de domingo, padre Anísio empossou o padre Uílson dos Santos na Paróquia Nossa Senhora de Fátima – Jardim Maristela. Padre Uílson até então era pároco na Paróquia Santa Cristina.


Região Lapa

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Seminaristas salesianos são ordenados diáconos Celebração aconteceu na Paróquia São João Bosco, no sábado, 8, presidida por dom Julio Endi Akamine Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Aconteceu no sábado, 8, na Paróquia São LAPA João Bosco, no Setor Leopoldina, a missa solene de ordenação diaconal de nove seminaristas salesianos: João Carlos André, João Gabriel Galhoti Pinto, José Sávio Mariano, Magnus Antônio Petry, Marcel Silvestre do Couto, Marcelo de Oliveira Pereira, Rafael Galvão Barbosa, Tiago Eliomar Gonçalves de Morais e William de Lima. A igreja estava lotada e o bispo convidado para presidir a celebração foi dom Julio Endi Akamine. Participaram como concelebrantes os padres Edson Donizete Castilho, Assis Moser, Ailton dos Santos e convidados. Dom Julio destacou, na homilia, que, com o auxílio de Deus e Jesus Cristo, aqueles irmãos foram chamados para a ordem do diaconato e que o Evangelho de hoje torna claro que Jesus chamou os seus discípulos para o serviço: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser se tornar grande, se torne o vosso servidor. Pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. A palavra diácono é originária do vocábulo grego diákonos e significa, etimologicamente, “ajudante, servidor”. Diaconato é o primeiro grau do sacramento da Ordem. Os outros dois são o presbiterado e o episcopado, portanto, diáconos, presbíteros e bispos compõem a hierarquia da Igreja. Com a ordenação, o diácono deixa sua condição de leigo e passa a fazer parte do clero. Esse sacramento imprime um caráter que o faz diácono por toda a eternidade. Na ordenação, o diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da Igreja sob a autoridade do Bispo, em relação ao ministério da Pala-

vra, do culto divino, da condução pastoral e da caridade. Por isso, é importante que toda a Igreja reze suplicando ao Senhor que suscite no coração dos batizados sinceras e santas vocações ao sacramento da Ordem. Dom Julio, antes da bênção final, agradeceu a presença de todos e desejou felicidades aos novos diáconos na caminhada de evangelização.

Benigno Naveira

Pela imposição das mãos de dom Julio Endi Akamine, seminaristas salesianos recebem, no dia 8, ordem do diaconato

palavra do bispo

O magistério tem o encargo de interpretar, aplicar e expor a Palavra de Deus Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Prezado leitor do jornal O SÃO PAULO, em nossa última reflexão sobre o Catecismo da Igreja Católica tratamos do depósito da fé. Continuando, gostaria de propor algumas perguntas: O Magistério da Igreja exerce sozinho a tarefa de transmitir e interpretar a Palavra de Deus? Os fiéis cristãos podem contribuir no progresso da inteligência da fé? Ou eles somente devem receber a pregação do papa e dos bispos? Todos os fiéis contribuem para o progresso da compreensão e da vivência de tudo o que a Igreja recebe da Revelação. Todos contribuem, mas

cada um segundo as suas responsabilidades que são dadas pelo próprio Deus. É uma simplificação errada pensar que o papa e os bispos possam produzir novas verdades de fé para impô-las aos outros. É preciso repetir e ficar claro que o Magistério da Igreja não está acima da Palavra de Deus, mas a seu serviço. O Magistério tem o encargo de interpretar, aplicar e expor fielmente a Palavra de Deus, mas o Magistério não pode, não deve e não quer inventar novas verdades de fé. Os dogmas que o Magistério vez ou outra proclama não são uma criação de uma nova verdade de fé. Pelo contrário, ao proclamar um dogma, o Magistério somente reconhece que tal verdade está contida na Palavra de Deus e na tradição apostólica. Para proclamar um dogma,

o Magistério deve constatar a fé concorde de toda a Igreja. Dessa maneira, dizer que o papa ensina com autoridade não significa dizer que ele seja a origem ou a fonte da fé. Para discernir a verdadeira fé, e mais exatamente a interpretação autêntica e correta da Bíblia, o papa e os bispos não se colocam acima da Igreja. No exercício de sua autoridade, o Magistério sempre recorre ao senso sobrenatural da fé. Essa expressão (senso sobrenatural da fé) indica certa consulta espiritual democrática da fé e da prática da Igreja toda (desde o bispo até o último dos fiéis). Os conteúdos de conhecimento oferecidos pelo senso sobrenatural da fé não resultam tanto de um trabalho conceitual, mas muito mais de uma experiência concreta que é formada pelas vivências

concretas e por conhecimentos adquiridos. O senso sobrenatural da fé, que é comum a todos os fiéis, conduz interiormente esses mesmos fiéis cristãos ao consenso da fé. Esse consenso da fé vai sendo construído por obra do Espírito Santo ao longo do tempo na vida da Igreja. Por isso, pode acontecer que, em dado momento histórico, uma verdade se apresente com total clareza a ponto de poder ser definida dogmaticamente. Um exemplo desse processo interior e espiritual do senso da fé que conduz toda a Igreja a um consenso da fé foi a declaração do dogma da Assunção de Maria. Depois de ter consultado amplamente as dioceses e de ter constatado um consenso universal a respeito da fé na Assunção de Nossa Senhora, Pio 12 proclamou solenemente em 1950 o dogma.

Curso de Teologia para Leigos forma nova turma Benigno Naveira

Da Região Episcopal

Na noite de sábado, 8, na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida, dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese, presidiu a celebração eucarística em ação de graças pela formatura dos alunos do Curso de Teologia para Agentes de Pastoral (CTAP), unidade da paróquia local. O pároco Geraldo Evaristo da Silva, concelebrou a missa demonstrando sua alegria pelos sete alunos concluintes do curso de Teologia, cujo lema de formatura escolhido foi: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Mt 28,19). No início da celebração, dom Julio saudou os formandos e

Dom Julio Endi Akamine posa para foto com alunos concluintes do curso

agradeceu a Deus o dom da vida e perseverança dos alunos, que, após quatro anos e meio de estudos teológicos e de aprofundamento da fé, concluíram com êxito o programa proposto. Na homilia, refletiu sobre a identidade do c cristão lançando a

agenda regional

pergunta: “Será que o fiel conhece a si mesmo?”. No Evangelho, Jesus disse a seus discípulos: “Vós sóis o sal da terra e a luz do mundo”, portanto, o cristão é chamado a ser discípulo missionário de Jesus, dando sabor como sal da terra e sendo luz que

ilumina o mundo. A função do sal não é aparecer por si só, antes o sal se doa e realça, faz aparecer o sabor dos outros alimentos. Se não houver esse tempero, logo se percebe a sua falta. A luz do verdadeiro discípulo não vem dele mesmo, mas é reflexão da luz que é Jesus. O formando Marcio Takahashi destacou a importância do curso, que serviu de referência para o aprofundamento de sua fé e da Palavra de Deus, possibilitando a partilha de experiência entre amigos. Após a missa, os formandos fizeram o juramento, e receberam os certificados de conclusão do CTAP e comemoraram no salão paroquial.

Quarta-feira (12), 20h

Quinta-feira (13), 20h

Sábado (15), 14h

Semana Catequética no Setor Rio Pequeno, com a presença de dom Julio Akamine, na Paróquia São Patrício (rua Octacílio Tomanik, 1.555).

Semana Catequética no Setor Pirituba, com a presença de dom Julio Akamine, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora (rua dos Padres Valambrosanos, 126).

Semana Catequética no Setor Lapa/ Leopoldina, com a presença de dom Julio Akamine, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298).


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Região Santana

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Paróquia aposta na formação Bíblico-catequética Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa

Pautado no 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese, encontro reúne paroquianos na São Gabriel da Virgem Dolorosa Diácono Francisco Gonçalves colaborador de comunicação da região

Com grande afluência de fiéis, padre ZaSANTANA carias José de Carvalho Paiva, pároco da Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, promoveu, entre os dias 3 e 7, a Semana de Formação sobre a Bíblia e a Doutrina da Igreja: “Casa da Iniciação Cristã – Exigência do 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo”, assessorada por padre Zacarias e pelo seminarista Luiz Carlos Tose. “Muitos paroquianos não atuantes em Pastoral participaram desta formação e puderam aprofundar os conhecimentos na Palavra de Deus, na doutrina e na espiritualidade. Motivada pelo 11° Plano de Pastoral, a Paróquia foi dividida em dimensões. A primeira a ser trabalhada foi a dimensão catequética. Foi um meio de fazer uma reciclagem com nossos catequistas, meditando a realidade da nossa sociedade e refletindo como estamos rezando, vivendo e celebrando em nossas pastorais”, disse Tose, que se sentiu honrado em auxiliar sua paróquia de origem, além da experiência ser importante na sua formação. “Percebi grande aceitação e participação, e acredito que dessa formação iremos colher muitos frutos na atualização, no modo de trabalho pastoral e também com novos fiéis se encontrando na comunidade de fé”, expressou padre Zacarias. Alguns dos participantes deram depoimentos durante a formação, como Arlete Marcelo: “Muito bom, está interessante, quem ainda não foi, deveria fazer um esforço, vale a pena”, diz. “Valendo a pena... Obrigada, meu Deus!”, comentou entusiasmada Giorgia Lima Santos.

Seminarista Luiz Tose assessora, com padre Zacarias, Semana de Formação sobre Bíblia e a Doutrina da Igreja, que acontece na Paróquia São Gabriel palavra do bispo

O Matrimônio é um ato de fé Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

Na ação pastoral e evangelizadora, encontramos muitos casais que constituíram a família sem a graça do sacramento do Matrimônio, como se o Matrimônio fosse algo privado que diz respeito somente ao casal, sem nenhuma relevância comunitária e eclesial. São casais que professam a fé católica, querem que os filhos sejam educados na fé, mas perderam o sentido original do Matrimônio, como está contido no livro do Gênesis, no qual a união entre o homem e

a mulher, o Matrimônio, não é uma mera invenção humana, mas foi querido e instituído pelo próprio Deus: “Deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne” (Gn 2,24). Estes casais perderam também a alegria da presença de Jesus na família. Esqueceram como é belo ter Jesus na família, como aconteceu nas bodas de Caná, quando o Senhor, no início de sua vida pública, abençoou a vida matrimonial e lá realizou o primeiro milagre, transformando água em vinho (cf. Jo 2, 1-12). A presença de Jesus fez a diferença na vida do jovem casal. Jesus não tirou a alegria e a espontaneidade dos esposos

na festa, antes salvou a alegria dos esposos e permitiu que a festa continuasse, que a vida da pequena família iniciasse e permanecesse na bênção. Precisamos, em nossa ação pastoral, ajudar os casais que professam a fé a redescobrir a beleza da presença de Deus na vida familiar. Jesus não tira a alegria, o afeto, e não prende ninguém. Pelo contrário, a presença de Jesus ajuda os casais a se amarem de uma maneira nova, de se edificarem mutuamente e orientar a vida familiar no seu sentido original, como dom e vocação. O papa Francisco disse que “o Matrimônio é como se fosse um primeiro sacramen-

to do humano, onde a pessoa se descobre a si própria, se compreende a si mesma em relação aos outros e em relação ao amor que é capaz de receber e de dar. [...] No Matrimônio, entregamo-nos completamente sem cálculos nem reservas, compartilhando tudo, dons e renúncias, confiando na Providência de Deus. Esta é a experiência que os jovens podem aprender dos pais e dos avós. Trata-se de uma experiência de fé em Deus e de confiança recíproca, de liberdade profunda e de santidade, porque a santidade supõe o doar-se com fidelidade e sacrifício cada dia da nossa vida!” (Papa Francisco, 23.10.2013).

Padre Dalmir assume Paróquia Nossa Senhora de Fátima no Imirim José Henrique Monfré Pascom

Padre Dalmir Oliveira dos Anjos foi empossado por dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana, dia 9, como pároco na Paróquia Nossa Senhora de Fátima no Imirim. Essa paróquia, anteriormente sob os cuidados dos Missionários da Consolata, que a fundaram em 24 de dezembro de 1948, está sendo entregue aos padres diocesanos. Passados 65 anos, a Paróquia é entregue ao padre Dalmir, com a missão de assumir seu rebanho, auxiliado pelo padre Eduardo Higashi, que foi apresentado no mesmo dia como vigário paroquial. Padre Dalmir é natural de Anajé (BA),

agenda regional

onde nasceu em 19 de abril de 1953. Sua formação religiosa foi toda feita em São Paulo, onde cursou Filosofia e Teologia, se graduou em Pedagogia e se especializou em Artes e Sociologia. Em sua trajetória de vida sacerdotal, há uma curiosa coincidência de repetição de santos padroeiros. Iniciou como pároco na Paróquia Nossa Senhora de Fátima no Tremembé, seguida pelas paróquias Santo Antônio na Vila Mazzei, Nossa Senhora da Livração no Jardim Brasil, para, em 2005, iniciar o pastoreio na Santo Antonio no Lauzane, de onde parte para um novo desafio. Hoje, padre Dalmir acumula as funções de coordenador do Setor Imirim e assessor eclesiástico da Pastoral da Educação da Região Santana.

Ademar Graça

Padre Dalmir Oliveira dos Anjos é empossado pároco

Sexta-feira (14), 20h

Sábado (15), 9h

Domingo (16), 10h

Missa de Abertura das Escolas de Teologia e de Evangelização da Região Santana, na Paróquia de Sant’Ana (rua Voluntários da Pátria, 2.060), com presidência de dom Sergio.

Reunião do CRP, na Cúria de Santana (avenida mal. Eurico Gaspar Dutra, 1.877), com participação de dom Sergio Borges e do padre João Luiz Miqueletti, coordenador regional de pastoral

Abertura do Ano do Allamano, dom Sergio de Deus Borges preside missa com os Missionários da Consolata, na Comunidade São Marcos (rua Ita, 313, Pedra Branca).


Região Sé

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Centro de Pastoral da Região Sé

Padre Marcelo Delcin fala sobre iniciação à vida cristã, na primeira reunião do CRP em 2014; encontro conta com a presença de dom Tarcísio, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo

Em reunião, CRP reflete sobre iniciação cristã Conselho Regional de Pastoral abordou uma das urgências da Arquidiocese para 2014 Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

A primeira reunião do Conselho Regional de SÉ Pastoral (CRP), da Região Episcopal Sé, foi realizada na quartafeira, 5, e reuniu, no Centro de Pastoral da Região, na zona oeste de São Paulo, coordenadores de pastorais e de setores para iniciarem a caminhada de 2014. O tema principal da reunião foi uma das urgências assumidas pela Arquidiocese para este ano, “Igreja: Casa de Iniciação à Vida Cristã”, que foi refletido pelo padre Marcelo Delcin, coordenador regional da Animação Bíblico-Catequética. A partir do material preparado para ser trabalhado na Arquidiocese com base no 11º Plano de Pastoral, padre Marcelo explicou que “a iniciação à vida cristã se tornou uma urgência missionária em todo o mundo, também para os povos do Ocidente, marcado pela cultura cristã. A exortação apostóagenda regional

Quarta-feira (12), 9h30 Reunião do clero, na Paróquia São Paulo da Cruz (Calvário), rua Cardeal Arcoverde, 950.

lica do papa Francisco fazendo referência ao Sínodo dos Bispos sobre ‘a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã’ faz um forte apelo para a Igreja e traz também um grande estímulo nesse sentido.” O Padre apontou os aspectos fundamentais para a compreensão do processo de iniciação à vida cristã, como a “vida no mistério”, “fé: dom de Deus”, “vida cristã: caminho” e a iniciação em si. “O Batismo, a Crisma e a Eucaristia são sacramentos intimamente ligados entre si. Constituem, na verdade, três etapas de um único caminho de fé e vida, através do qual a Igreja introduz os fiéis no mistério pascal de Cristo,

tornando-os novas criaturas, filhos de Deus, membros vivos de seu povo santo. Por isso são chamados de sacramentos da Iniciação Cristã”, explicou. Dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal da Região Sé, também ressaltou que todas as instâncias da Igreja estarão empenhadas nesse processo de renovação pastoral, e as indicações pastorais contidas no 11º Plano são indicativas dessa renovação. “O aprofundamento do processo de iniciação à vida cristã em nossas comunidades deverá envolver de modo especial as pastorais de animação e acompanhamento do processo de iniciação, como Batismo,

Crisma, Eucaristia, e também a Catequese de adultos já batizados e não completamente iniciados, em estreita articulação com a liturgia.” “Muito mais que a organização de cursos que se inspiram numa pedagogia de escola, o processo de iniciação se inspira na experiência catecumenal das primeiras comunidades cristãs. É nessa direção que se encaminha a Nova Evangelização exigida pelos tempos atuais e que exige uma verdadeira conversão pastoral”, completou o Bispo.

Também durante a reunião do

CRP, dom Tarcísio informou que foram nomeados os novos coordenadores de setores da Região para os próximos três anos. São eles: Setor Aclimação, padre José de Assis Batista; Setor Bom Retiro, padre Luiz Cláudio de Almeida Braga; Setor Brás, padre Claudiomiro Bispo; Setor Catedral, padre Ismael Destéfani Bruneli; Setor Cerqueira César, cônego Severino Martins da Silva Filho; Setor Jardins, padre Sidney José Barone; Setor Paraíso, padre Mário Pizetta; Setor Perdizes, padre Sérgio Henrique Nouh; Setor Pinheiros, padre Adiair Lopes da Silva; Setor Santa Cecília, padre José Roberto Pereira.

de contentar-se com pouco, com uma ideia ‘pequena’ da vida. Vós, pelo contrário, aspirai a coisas grandes! Ampliai os vossos corações!” Mas como transformar esta pobreza em estilo de vida? O Papa responde indicando três pontos: ser livre em relação às coisas, converter-nos em relação aos pobres, e aprender da sabedoria dos pobres. Enfim, o Papa aprofunda o motivo da felicidade dos pobres de espírito: ‘porque deles é o Reino do Céu’: “Jesus é o Reino de Deus em pessoa, é Deus conosco. E é no coração do homem que se estabelece e cresce o Reino, o domínio de Deus”. Por isso, há uma ligação profunda entre pobreza e evangelização. E aqui o Papa retoma o mandato da última

JMJ: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”. O Papa lembra também que, no próximo mês de abril, comemoramos o 30º aniversário da entrega aos jovens da Cruz do Jubileu da Redenção, e que, no segundo domingo de Páscoa, será canonizado João Paulo 2º, o qual será proclamado “grande patrono das Jornadas Mundiais da Juventude”. A mensagem encerra-se lembrando “o Magnificat, o cântico de Maria, pobre em espírito, que é também o canto de quem vive as Bem-aventuranças”. A alegria do Evangelho brota dum coração pobre, que sabe exultar e maravilhar-se com as obras de Deus, como o coração da Virgem, que todas as gerações chamam ‘bemaventurada’”.

Novos coordenadores de setor

palavra do bispo

Mensagem para a JMJ de 2014 Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

Todos os anos, a Igreja realiza uma Jornada Mundial da Juventude, no domingo de Ramos. O Papa escreve uma mensagem especial para este dia, e o papa Francisco acaba de lançar sua mensagem para a JMJ deste ano de 2014, com o tema “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5,3). As Bem-aventuranças são um caminho de verdadeira felicidade, um caminho de vida que o próprio Cristo percorreu, pois, “em toda a sua vida, desde o nascimento na gruta

de Belém até à morte na cruz e à ressurreição, Jesus encarnou as Bem-aventuranças. Todas as promessas do Reino de Deus se cumpriram n’Ele”. Jesus convida-nos a segui-lo neste caminho de amor. Esse modo de felicidade apontado por Jesus traz uma novidade revolucionária, e se opõe àquele que é transmitido habitualmente pela mentalidade dominante em nosso mundo atual. Na lógica deste pensamento, os que Jesus proclama felizes são considerados “perdedores”, fracos. A proposta de Jesus se torna, portanto, um desafio de fé e exige uma resposta de coragem na busca da felicidade. “Num tempo em que se é atraído por tantas aparências de felicidade, corre-se o risco


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Região Brasilândia

Freguesia do Ó e Jaraguá acolhem novos padres Josino Benites Monteiro

Dando continuidade às transferências anunciadas em dezembro de 2013, o mês de fevereiro na Região Brasilândia é marcado por posses Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

Na noite do sábado, 8, na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, Setor fre- BRASILÂNDIA guesia do Ó, em missa presidida por dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo para a Região Brasilândia, tomou posse o padre Airton Pereira Bueno como pároco, e apresentado como vigário paroquial o padre Palmiro Carlos Paes. Para padre Airton foi o momento também de celebrar seus 15 anos de ordenação sacerdotal, que aconteceu nesta paróquia em 6 de fevereiro de 1999. Padre Palmiro comentou também que tem um significado especial retornar à paróquia em que ele também foi ordenado e que completará seu jubileu de prata sacerdotal em dezembro deste ano. Na homilia, dom Milton falou sobre a riqueza do Evangelho, refletindo o chamado de Jesus. “Que onde quer que estejamos possamos revelar a presença de Cristo, sendo sal da terra e luz no mundo.” Aos padres, o Bispo direcionou a palavra exortando sobre a importância de serem imagens vivas de Jesus. O Bom Pastor, aquele que ama, apascenta e dá a vida por suas ovelhas. E pediu à comunidade Santa Cruz de Itaberaba que acolha com amor seus novos pastores. Em entrevista à Pascom Brasilândia, padre Airton expressou sua alegria em, 15 anos depoisretornar à paróquia onde foi ordenado e agradeceu todas as pessoas que o ajudaram na caminhada. “A nossa expectativa é que a Paróquia cresça ainda mais, fazendo com que todos bebam dessa fonte que é o próprio Cristo, da Palavra e da Eucaristia. E que juntos possamos dar frutos e irradiar a presença de Jesus no meio de nós.” O fim da missa foi marcado por homenagens e agradecimentos feitos pelos fiéis e amigos da caminhada das paróquias em que os padres Airton e Palmiro trabalharam.

Padre Palmiro é apresentado como vigário paroquial e padre Airton como novo pároco da Santa Cruz de Itaberaba, em celebração no sábado, dia 8

palavra do bispo

A súplica de Moisés Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

Outro personagem do Antigo Testamento, que se destaca pela sua vida de intimidade com Deus, é Moisés, o homem de oração por excelência. O Catecismo da Igreja Católica referindo-se a ele diz: “O Senhor fala com Moisés face a face, como alguém que fala com seu amigo” (Ex 33,11). A oração de Moisés é característica da oração contemplativa, graças à qual o servo de Deus é fiel à sua missão. Moisés “conversa”, muitas vezes e longamente, com o Senhor, subindo à montanha para ouvi-lo e lhe

implorar, e descendo ao povo para repetir as palavras de seu Deus e guiá-lo. “Ele é homem de confiança em toda a minha casa. Com ele, falo face a face, às claras e não em enigma” (Nm 12, 7-8), pois “Moisés era homem muito humilde, mais do que qualquer pessoa sobre a terra (cf. Nm 12,3). Dessa intimidade com o Deus fiel, lento para a cólera e cheio de amor, Moisés tirou a força e a tenacidade de sua intercessão. Não ora por si, mas pelo Povo que Deus adquiriu” (2576-2577). Quando nos referimos a Moisés, associamos sua figura ao libertador de Israel, homem destemido e corajoso, que enfrenta o Faraó a fim de libertar o seu povo da escravidão. Esquecemos, ou não valorizamos suficientemente o

Josino Benites Monteiro

fato de que ele é o homem do “face a face” com Deus, que permanece longamente com o Senhor para ouvi-lo e interceder por seu povo. Moisés, no dizer do papa Bento 16 (na Catequese de 1º/6/2011), prefigura Cristo “que, no alto da cruz, realmente está diante de Deus, não apenas como amigo, mas como Filho. E não só se oferece, mas com o Seu coração trespassado fazse cancelar, torna-se, como diz o próprio São Paulo, pecado, carrega sobre si nossos pecados para salvar a todos”. Cristo, por sua vez, “reza por mim, sofreu e sofre por mim, identificou-se comigo, assumindo o nosso corpo e a nossa alma humana. E convida-nos a entrar nesta sua identidade, fazendo-nos um corpo, um só espírito

Padre Alécio é o novo pároco da Mãe e Rainha da região episcopal

Proclamação do Evangelho na missa de posse, dia 9

com ele, porque do alto da cruz ele não trouxe novas leis, tábuas de pedra, mas trouxe a si mesmo, o seu corpo e o seu sangue, como nova aliança. É assim que nos faz consanguíneos com ele, um corpo com ele, identificados com ele. Convida-nos a entrar nesta identificação, a estarmos unidos com ele no nosso desejo de ser um corpo, um só espírito com ele” (Bento 16, audiência 1º/6/2011). Aprendamos com Moisés a viver na intimidade com Deus! Ao longo do dia, nos seus diversos momentos, aprendamos a buscar a face de Deus e a permanecer diante dela. A escritura atesta que os homens e mulheres mais ativos na história do Povo de Deus foram, acima de tudo, homens e mulheres de oração.

No domingo, 9, dom Milton deu posse ao padre Alécio Ferreira Silva, como pároco da Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha, no Parque Panamericano. O Padre que exercia a função de vigário paroquial desde fevereiro de 2013, assumiu a paróquia que antes era pastoreada pelo Padre Reinaldo Torres. Na homilia, dom Milton expressou sua alegria em apresentar padre Alécio como o pastor próprio dessa comunidade. “Com toda a sua experiência de mais de 25 anos de sacerdócio e após ter tra-

agenda regional

balhado em diversas comunidades da Região, padre Alécio assume essa missão com alegria e largueza no coração, confiando sempre no amor de Deus.” O Pároco expressou, em entrevista, que sua expectativa é dar continuidade ao trabalho já iniciado. “São nove comunidades em uma região pobre da periferia da cidade, principalmente nas comunidades mais afastadas. Vamos contar com a ajuda dos leigos e com a ajuda de Deus, pois ‘tudo posso naquele que me fortalece’”. E agradeceu ao Bispo a confiança nele depositada.

Sábado (15)

Domingo (16), 18h30

Das 8h às 12h, encontro Regional de Formação da Campanha da Fraternidade 2014, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3.907, Jardim Maracanã). Informações (11) 3924-0020.

Missa de posse do padre Reinaldo Torres, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (avenida Paula Ferreira, 1.522, Vila Bonilha). Informações (11) 3975-3406.


Região Belém

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Nossa Senhora de Lourdes: festa para as famílias Festejos se iniciaram no dia 9 no pátio da Paróquia e seguem no fim de semana seguinte; missa solene presidida por dom Edmar Peron acontece dia 11

solenes nos dias da primeira e última aparição de Nossa Senhora de Lourdes. “Fazemos memória das aparições em celebrações nos dias 11 de fe-

vereiro, quando ocorreu a primeira, e 18 de julho, data da última aparição a Bernadette. É um momento de muita fé para a Paróquia”, conta padre Derville.

Para quem quiser participar das celebrações do dia 11, ou da quermesse no dia 19, a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes está localizada na

rua João Soares, 13, na Água Rasa. Outras informações pelo telefone 2606-8309 ou pelo site www.senhoradelourdes.org.br. João Carlos Gomes

João Carlos Gomes

Colaborador de comunicação da Região

A Pa r ó q u i a Nossa Senhora de Lourdes, bELÉM na Água Rasa, Setor Belém da Região Episcopal Belém, iniciou no domingo, 9, festejos que durarão até o próximo domingo, 16, em homenagem à sua padroeira. No dia 11, data da primeira aparição de Nossa Senhora à jovem Bernadette Soubious, em Lourdes, na França, além das missas às 8h, 10h e 19h, acontecerá a celebração solene em honra à padroeira, com a presidência do bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo para o Belém, dom Edmar Peron, às 15h além das missas às 8h, 10h e 19h. “No ano passado, mais de 3 mil pessoas estiveram em nossa missa solene; vêm pessoas de todo o estado de São Paulo”, relembrou o padre Derville Alonço, há dois anos pároco da Nossa Senhora de Lourdes.

Festa para as famílias

Para o padre Derville, os paroquianos, bem como os moradores do bairro Água Rasa, têm poucas opções de lazer e locais onde passear com suas famílias. Por conta disso, a Paróquia não se furtou em envolver um grupo de mais de 40 lideranças para trabalhar na festa. “Resolvemos fazer a quermesse porque o bairro não oferece diversão. Os paroquianos saem da missa e vão para suas casas, não têm o que fazer nos fins de semana. A quermesse é uma forma de trazer as famílias para um momento descontraído, de estar junto, de comunhão”, contou padre Derville, ajudado pelas lideranças comunitárias Dirce Risaffi Ladeira e Beivi Senci da Costa, também voluntárias da festa. Desde o ano passado, a Paróquia vem realizando missas

Assim como em 2013, quando 3 mil pessoas estiveram na missa solene, expectativa é que festejos deste ano lotem celebrações e quermesses na Paróquia

palavra do bispo

A liturgia é fonte da graça de Deus Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

Encontramos na constituição do Concílio Vaticano 2º, sobre a sagrada liturgia, Sacrosanctum Concilium (SC), a compreensão de que a liturgia em geral – particularmente a celebração eucarística – é uma fonte da graça de Deus, que jorra sobre nós e que nos dá a possibilidade de alcançarmos eficazmente a santidade e, ao mesmo tempo, a glória de Deus (SC 10). Assim, a liturgia foi recolocada como a fonte espiritual da qual todos podemos nos aproximar e deixar que Deus sacie a nossa sede, como aconteceu com a samaritana (Jo 4, 1-42). Mas,

é preciso que cada pessoa se aproxime dessa fonte e dela beba “consciente, ativa e frutuosamente” (SC 11). Isso exige formação de todo o Povo de Deus e, nele, especialmente dos ministros ordenados (SC 14). Assim, seguindo o ano litúrgico e os textos e ritos de nossa liturgia, quero percorrer com vocês um caminho espiritual e, ainda com vocês, beber dessa fonte divina. Uma primeira disposição de fé, exigida de quem participa da sagrada liturgia, é formar a comunidade, integrar, fazer parte da assembleia reunida para celebrar o mistério pascal de Jesus Cristo: “As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é ‘sacramento de unidade’, isto é, Povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bis-

pos (São Cipriano). Por isso, tais ações pertencem a todo o Corpo da Igreja, manifestam-no, atingindo, porém, cada um dos membros de modo diverso, segundo a variedade de estados, funções e participação atual” (SC 26). Assim, compreendemos que a participação litúrgica não é um ato de devoção pessoal, como se cada pessoa pudesse agir independentemente dos outros irmãos e irmãs. “Eu gosto de participar de joelhos”... “Eu gosto de ficar sentado o tempo todo”... “Eu gosto de...”, tais expressões, muito presentes em nossas comunidades, exigem de todos nós conversão! A esse respeito, a Instrução Geral do Missal Romano – IGMR 42 – nos ensina que “os gestos e posições do corpo [...] que todos os participantes de-

agenda regional

vem observar é sinal da unidade dos membros da comunidade cristã, reunidos para a sagrada liturgia, pois exprime e estimula os pensamentos e os sentimentos dos participantes”. Esses gestos e posições não dependem do gosto pessoal dos participantes, fiel leigo ou ministro ordenado, mas devem respeitar as “diretrizes” da Instrução Geral do Missal Romano e da “prática tradicional do Rito romano”; desse modo, todos contribuirão “para o bem comum espiritual do Povo de Deus”. Para nos auxiliar em nosso caminho de conversão – ser Igreja, “sacramento de unidade” –, lembremo-nos de que o Senhor está no meio de nós: Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles (Mt 18,22).

Domingo (16)

Segunda-feira (17)

Às 11h, dom Edmar Peron preside a Crisma na Área Pastoral Regina Mundi (rua Francisco Marengo, 1.470, Tatuapé).

Início do retiro do clero da Arquidiocese atuante na Região Episcopal Belém. Será em Itaici, Indaiatuba (SP).

Às 18h, dom Edmar Peron preside a Crisma na Paróquia Santo Antonio de Lisboa (rua Euclides Pacheco, 1.980, Tatuapé).


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Entretenimento

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passa tempo

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Geral

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Paróquia Santo Antônio da Barra Funda recebe honraria na Câmara Municipal Na sexta-feira, 7, a Paróquia Santo Antônio da Barra Funda, que comemora centenário de instalação neste ano, recebeu a Salva de Prata, honraria oferecida pela Câmara de São Paulo pelos serviços prestados pela Paróquia à cidade. O proponente da distinção foi o vereador Claudinho de Souza (PSDB), primeiro-secretário da Câmara.

Encontro de CEBs avalia o 13º Intereclesial Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em reunião na quinta-feira, 6, membros das Comunidades Eclesiais de Base partilharam os frutos do encontro realizado em janeiro no Ceará Edcarlos Bispo de Santana

reportagem na zona leste

Quase um mês depois do 13º Intereclesial de CEBs ter chegado ao fim, às vivências e partilhas deste encontro continuam a ressoar na vida dos delegados que estiveram na Diocese de Crato, durante o mês de janeiro, vivendo esse encontro. Questionados pela pergunta: “Que bom? Que pena? Que tal?”, os delegados da Arquidiocese de São Paulo se reuniram na quinta-feira, 6, no Centro Pastoral São José, no Belém, para avaliarem o encontro e partilharem o que lá foi vivido. A convivência com as famílias, a cobertura realizada pelo jornal O SÃO PAULO, a verificação de uma Igreja viva e caminhante, a preocupação

Delegados da Arquidiocese de São Paulo durante o 13º Intereclesial de CEBs

pela causa dos mais pobres, a simplicidade e acolhimento das pessoas, entre outras coisas, marcaram positivamente, na visão dos delegados da Arquidiocese, este Intereclesial. Para o “que pena”, foram destinadas as coisas que não saíram também como, por exemplo, o excesso de atividades que impossibilitou uma maior convivência com as famílias, as falhas do sistema de som e a falta de comprometimento de alguns delegados. Já o “que tal”, referindo-se ao que deve ser posto em prática. No geral, reapareceram as propostas apresentadas ao final do

encontro, entre elas, o fortalecimento da identidade das CEBs. Sobre a questão do fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base e sua presença no meio urbano, o bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial para as CEBs, dom Edmar Peron, destacou que o 13º Intereclesial não conseguiu dar uma resposta clara, porém nas conversas dos delegados do Regional Sul 1 “ficou claro que esse será o desafio para Londrina”. O Bispo destacou que não há uma resposta para a questão das CEBs urbanas, como no caso das grandes capitais. “Mas nós, da cidade, como vamos fa-

zer? Vamos apenas pensar as CEBs no sentido antigo de ter aquele grupo, ou vamos encarar, descobrir e entender aquilo que o Papa disse que as CEBs são um jeito normal de ser Igreja.” “Política e fé vão juntas, quem olha as CEBs apenas como movimento político e partidário está olhando mal, está com preconceitos. É preciso compreender que estamos em outro passo”, afirmou o referencial das CEBs sobre os questionamentos que surgem acerca do trabalho e da identidade das comunidades. Para a coordenadora arquidiocesana das CEBs, Liz Marques, é preciso trabalhar a dimensão de despertar na cidade a questão do acolhimento, da convivência na vida da comunidade e dos vizinhos. Liz salienta que é preciso “extrapolar os muros e o corre-corre da vida para ser mais irmão, mais parceiro”. Com o olhar de que não há uma receita para trabalhar a questão das CEBs urbanas, a coordenadora arquidiocesana afirmou que é preciso “dar um passo maior na integração com os movimentos sociais que estão aí, desde o trabalho com a população de rua, com a criança e com a juventude, sabendo que na cidade de São Paulo a questão da violência, da morte prematura da juventude, é um índice muito grande”.

Reunidos no Rio de Janeiro, bispos discutem temas atuais Nayá Fernandes Redação

Foram mais de 100 inscritos para a 23ª edição do Curso dos Bispos, no Rio de Janeiro (RJ), que aconteceu de 4 a 7 no Centro de Estudos e Formação do Sumaré, no Rio Comprido. Neste ano, o tema abordado deu continuidade ao que foi refletido nos anos anteriores: “Cinquenta anos após o Concílio Vaticano 2º – Liturgia, Missões e Leigos”. O curso, promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, começou na época do cardeal Eugenio Sales e proporciona “no período de férias do início do ano, um encontro para bispos, onde eles participam de conferências, recebem orientações, podem partilhar a vida e desfrutar de períodos de convivência, especialmente durante as visitas a diversos pontos da

cidade. Percebemos que, cada vez mais, esse evento tem sido procurado e apreciado”, avaliou dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. O presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, cardeal Stanislaw Rylko; o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Antônio Cañizares; dom Antônio Staglianò, bispo de Noto, Itália; Ana Cristina Villa

Betancourt, membro do Pontifício Conselho para os Leigos, e dom Filippo Santoro, arcebispo de Taranto, na Itália, estiveram entre os conferencistas que trataram de temas como “Papado e Episcopado no Concílio Vaticano 2º” e a “Missionariedade e as Igrejas locais”. Na quinta-feira, 6, o bispo diocesano de Garanhuns (PE), dom Fernando Guimarães, falou sobre a atual realidade da Gustavo de Oliveira/ArqRio

Encontro, que acontece anualmente, tem dom Filippo como um dos assessores

vida religiosa consagrada e enfatizou que “na vida consagrada há muita vida. Às vezes, esta vida não parece tão visível porque, como se costuma dizer, uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce. Na vida consagrada, como em todas as realidades humanas e eclesiais, existem problemas, mas eles não nos podem impedir de ver a vida”, afirmou. “A relação entre o papa e os bispos tem como único fim a edificação da Igreja e a comunhão de fé e de caridade de toda a Igreja”, ressaltou dom Filippo. Ele proferiu uma conferência na tarde da quinta-feira, 6, em que explicou também que o papa possui uma missão própria: ser princípio e fundamento, isto é, o início fundante da natureza comunal da Igreja na sua experiência de fé. Com agências

Direto de Roma Apelo do cardeal Sandri na festa de São Maron - Paz para a Síria e o Líbano Que a paz volte quanto antes à região médio-oriental. Foi o apelo lançado pelo cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, que no domingo, 9, festa de são Maron, participou na divina liturgia presidida no Pontifício Colégio Maronita pelo bispo François Eid, procurador de Antioquia dos Maronitas em Roma. Na saudação pronunciada no final da celebração, o purpurado quis confiar à intercessão do santo monge e eremita duas intenções particulares a “liberdade religiosa” no Líbano e “a paz em todo o Médio Oriente”, em particular na terra que foi a sua pátria, a Síria, que ainda hoje – afirmou – debate-se no meio de “angústias imensas”. LEV publicará nova obra sobre Bento 16 Um ano após o anúncio da renúncia do papa Bento 16, que aconteceu em 11 de fevereiro de 2013, durante encontro com cardeais, uma nova obra sobre Joseph Ratzinger deverá ser publicada pela Livraria Editora Vaticano (LEV). O autor é o jornalista-escritor alemão Peter Seewald, o mesmo que em 2010 assinou o livro-entrevista “Luz do mundo”. A obra anterior já havia sido publicada pela LEV, detentora dos direitos de Bento 16 e de todos os pontífices. Não está excluída a possibilidade de que textos do Papa Emérito sejam acrescentados à nova obra de Seewald, cujo título não foi revelado. O cardeal Turkson fala em Londres sobre a crise financeira Um compromisso concreto também da parte do mundo econômico contra a pobreza opressiva, a desigualdade crescente entre as pessoas, a exclusão social e a degradação ambiental. O cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, falou, quinta-feira, 6, na London School of Economics and Political Science (Lse), fazendose intérprete destes desejos do papa Francisco naquele que é considerado um dos ateneus mais prestigiosos do mundo – sobretudo no campo das ciências sociais –, que, em colaboração com a capelania universitária (higher education chaplaincy) da Arquidiocese de Westminster, organizou um foro inter-religioso. Com agências de notícias


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PUC-SP promove palestra sobre a Evangelii Gaudium Na terça-feira, 12, às 20h, acontece no campus Perdizes da PUC-SP, a palestra de dom Filippo Santoro, arcebispo de Taranto, na Itália, sobre a exortação apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco. Será no Auditório 329 da universidade, com entrada pela rua Ministro Godoy, 969, Perdizes). Informações em (11) 3670-8557.

São Paulo ganhará Faculdade de Direito Canônico Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Projeto já foi enviado à Congregação para a Educação Católica e concederá os títulos de mestrado e doutorado pelo instituto da Arquidiocese de SP Nayá Fernandes

Reportagem na zona sul

“O Matrimônio católico e a família: filhos, fidelidade e valor do sacramento” é um exemplo de temas abordados pelos alunos da pós-graduação do Instituto de Direito Canônico Padre Doutor Giuseppe Benito Pegoraro, da Arquidiocese de São Paulo. Agregado ao Instituto de Utriusque Iuris da Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, criado em 1999 e com cerca de 140 alunos já formados, o Instituto tem como diretor o cônego Martin Segú Girona e como secretário geral, padre Edson Chagas Pacondes, que conversou com O SÃO

Instituto tem sede no Ipiranga e forma mestres e doutores em Direito Canônico provenientes do Brasil e do exterior

PAULO sobre a atualidade do Direito Canônico e suas aplicações pastorais. “O objetivo é formar mestres e doutores que possam agir em suas dioceses e tribunais eclesiásticos, como também no ensino do próprio Direito da Igreja, seja ele latino ou oriental”, explicou padre Pacondes. Além dos cursos de mestrado e doutorado, que acontecem em seis semestres e são abertos a todos os que possuírem um diploma universitário, o Instituto promove, anualmente,

a Semana de Direito Canônico e publica a revista Suprema Lex, especializada na área. Os alunos, na maioria, são sacerdotes ou religiosos, enviados de diferentes dioceses do País e também do exterior, para se formar em direito e habilitar-se para o magistério ou para os diversos serviços curiais, como os da magistratura canônica, nas diversas câmaras e tribunais eclesiásticos. Atualmente, o Instituto tem uma média de 25 mestrandos e 15 doutorandos. A maior parte é do Estado de São Paulo, de ci-

dades como Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos e Campo Limpo. Mas nesta turma há também estudantes de Fortaleza (CE), Natal (RN), Juiz de Fora (MG) e até mesmo do exterior, do Líbano, da Síria e da Bolívia, que vêm para o Brasil e permanecem em São Paulo especialmente para obter os títulos de mestre ou doutor em Direito Canônico. O próximo passo do Instituto é a abertura de uma faculdade em São Paulo. “Obtivemos alguns passos nesse sentido, o próprio dom Odilo [Pedro

Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo e grão-chanceler do Instituto] apoia o projeto. A Congregação para a Educação Católica já acenou para esta possibilidade, mas não há ainda uma previsão de datas para o início”, comentou padre Pacondes. O Secretário disse ainda que, com a criação de uma faculdade, “poderemos, nós mesmos, dar o título de mestre e doutor, sem necessidade da Lateranense. Será uma contribuição importante à Igreja do Brasil”. O Padre afirmou que, aqueles que estudam e trabalham com o Direito da Igreja prestam sempre um serviço ao povo e lembrou à reportagem as palavras do papa Francisco. “O papa Francisco, na locução no dia 24 de janeiro, disse que o trabalho no Direito passa por um tripé, que o tribunal eclesiástico passa por uma formação humana, uma formação jurídica e uma dimensão pastoral. Ele disse que o nosso trabalho não pode ser legalista, precisa ser muito humano e voltado às realidades hodiernas. Ele não citou nada de Direito Canônico e, ao mesmo tempo, tudo, dizendo que o Código deve estar a serviço de cada povo.”

113ª Romaria a Aparecida será em 4 de maio Daniel Gomes

Reportagem no centro

Os 170 quilômetros que distanciam São Paulo de Aparecida há tempos são percorridos por romeiros que partem da capital paulista para devoção à Padroeira do Brasil. Em 4 de maio, os fiéis das paróquias da Arquidiocese de São Paulo são convidados a participar da 113ª Romaria arquidiocesana, que terá como momento solene a celebração da missa das 10h no Santuário Nacional. Para organizar a Romaria, foi realizada na quarta-feira, 5, na Paróquia São Gonçalo, no centro, com a participação de dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, uma reunião do Secretariado de Pastoral com os articuladores das regiões episcopais. Em 2013, 17 mil pessoas participaram da Romaria ar-

quidiocesana, que neste ano, segundo o padre Tarcísio Marques Mesquita, coordenador do Secretariado de Pastoral, terá em conta a urgência destacada para 2014 no 11º Plano de Pastoral “Igreja – Casa da Iniciação à Vida Cristã”. Para me-

lhor organização da atividade, a proposta é que em cada paróquia ao menos dois leigos ou religiosos ajudem a articulá-la, tendo por base um pequeno roteiro de organização, que será repassado pelo Secretariado. Dom Odilo comentou que

não faz sentido as paróquias realizarem romarias dissociadas da Arquidiocese, recomendou que o Secretariado envie cartas motivando à participação dos fiéis, e sugeriu que os romeiros recebam algum símbolo como sinal de que foram à Daniel Gomes/O SÃO PAULO

Dom Odilo Pedro Scherer participa da primeira reunião de articulação da 113ª Romaria Arquidiocesana a Aparecida

Romaria. O Arcebispo também recordou que o Santuário de Aparecida pertenceu à Arquidiocese de São Paulo até 1958, e que o cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, arcebispo metropolitano entre 1944 e 1964, dedicou-se à construção do templo. Experiente em romarias, Meire Margatho, 73, da Região Episcopal Sé, acredita que “quanto mais pessoas participarem da romaria arquidiocesana, mais se demonstrará a unidade da Arquidiocese”, disse ao O SÃO PAULO. “Os padres também precisam ajudar, dar a maior força, divulgar durante as missas, para o interesse pela romaria ir crescendo”, concluiu. A próxima reunião preparativa da Romaria acontecerá em 12 de março, às 19h30, na Paróquia São Gonçalo (praça Dr. João Mendes, 108, centro).


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PARÓQUIAS CENTENÁRIAS

Interação com o bairro é o desafio para igreja Paróquia Santo Antônio do Pari completou 100 anos de fundação em 2 de fevereiro e age para se adaptar às novas realidades locais Daniel Gomes

Reportagem no centro

A praça Padre Bento, onde desembocam as vias principais do Pari, na região central, hoje está rodeada de comércios. Mas nem sempre foi assim. Há um século, o bairro abrigava muitas famílias, especialmente de portugueses, espanhóis e italianos e foram elas, com o apoio dos frades Franciscanos, que se mobilizaram para a construção da Paróquia Santo Antônio do Pari, criada por decreto de dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo, em 2 de fevereiro de 1914. “O bairro cresceu em volta da Paróquia. A minha avó, na época da construção da igreja, saia com o frei Paulo Luig com os estandartes, junto com outras senhoras, para pedir donativos”, recordou, ao O SÃO PAULO, Margarette Bastos Valsechi, 69, paroquiana desde a infância. “Aqui, infelizmente, se tornou um bairro comercial. Nos arredores da Paróquia não existe quase mais residências”, lamentou, lembrando-se de que em sua juventude havia até tarde de cinema na Matriz. Catequista desde 1976, ela comentou que, naquele ano, 400 crianças participaram na Catequese. “Recentemente, tive uma turma com 30 crianças.” Evangelizar o bairro nesse novo contexto é a missão dos fiéis e dos frades Franciscanos. Há um ano como pároco, frei

Adriano Freixo Pinto tem ciência do desafio e é enfático: “O fato de o bairro ser comercial não vai impedir o nosso trabalho de evangelização, mas isso nos pede coragem, audácia e renovação, aquilo que o papa Francisco tem insistido muito, uma Igreja em saída, indo ao encontro das pessoas”, comentou. Érika Augusto da Silva, 29, paroquiana desde criança, hoje atuante na Pastoral da Comunicação, também acredita que a Paróquia deve se adaptar à nova realidade. “O bairro mudou muito nos últimos dez anos, passou de residencial para comercial. Muitos dos que ainda moram são imigrantes e migrantes, especialmente de Minas Gerais e da Bahia. Olhamos para esses jovens, já fizemos até um encontrão chamando a juventude boliviana. Temos que encarar as mudanças do tempo.” Na avaliação do frei Carlos Lúcio Nunes Corrêa, vigário paroquial, a comunidade precisa se abrir às mudanças para que aconteçam. “Quando a gente tem um coração generoso, aberto à realidade nova que acontece em volta, consegue ver a grande mão de Deus realizando as coisas. É importante esse momento de celebração do centenário, mas sempre orientamos os fiéis à necessidade de transformação que o momento

presente pede, e, como missionários Franciscanos, estamos aqui para ajudar as pessoas a ser uma presença evangélica, testemunho de vida no bairro.” As comemorações do cen-

tenário, iniciadas com o tríduo preparatório e missa solene em 2 de fevereiro, presidida por dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, seguirão ao longo do

ano, na festa de Santo Antônio, em junho, e no Natal, “com uma inauguração que estamos estudando para encerrar o centenário com uma surpresa”, garante frei Adriano. Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

No Pari, devoção a Santo Antônio é inspiração para fiéis como Margarette e Érika, motivados por frades Franciscanos

100 anos de superação e vivência comunitária da reportagem

Quando dom Duarte Leopoldo e Silva criou a Paróquia Santo Antônio do Pari, em 2 de fevereiro de 1914, não havia um templo específico, o que fez com que o primeiro pároco, frei José Rolim, alugasse a sala de um sobrado no bairro para as atividades. Tempos depois, Arthur Vautier, proprietário de terrenos na região, doou o espaço para a construção do templo, na praça Padre Bento.

Em 1922, começaram as obras, que ganharam impulso renovado em 1923, com a vinda do frei Paulo Luig. Em 13 de junho de 1924, a estrutura básica da matriz foi concluída, tendo sido complementada nos anos seguintes com mais 15 altares, seis confessionários, batistério, as duas imponentes torres, de 52 metros de altura, e os sinos. Ao longo das décadas, as atividades pastorais se expandiram pelo bairro, com a colaboração dos fiéis.

Em 2006, após a festa do padroeiro, em 13 de junho, um incêndio, iniciado no velário, destruiu a lateral direita do templo, além da torre onde ficava o mecanismo do relógio e os sinos. Com a mobilização dos fiéis, boa parte da igreja foi restaurada e, em 10 de dezembro de 2007, dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, dedicou o Templo. Nos anos seguintes, seguiuse o processo de restauro da Paróquia, que é administrada

pela Província Franciscana da Imaculada Conceição, e tem atividades de iniciação cristã (Batismo, Catequese, Crisma), atuação das pastorais Vocacional, do Dízimo, dos Migrantes e da Juventude, formação para coroinhas e ministros da Sagrada Comunhão, curso de noivos, Encontro de Casais com Cristo, e movimentos, tais como a Legião de Maria, Movimento Mariano, Mãe Peregrina, Vicentinos e Renovação Carismática Católica. (DG)


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Cardeal Scherer cumpre extensa agenda em Roma Luciney Martins/O SÃO PAULO

Padre Michelino Roberto Diretor do O SÃO PAULO

Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

Nas próximas semanas, o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, cumprirá extensa agenda em Roma. Durante sua estada na capital italiana, entre 11 de fevereiro e 1º de março, o Arcebispo possivelmente tratará com o papa Francisco, entre outros temas, da canonização do Beato José de Anchieta, Apóstolo do Brasil e fundador da cidade de São Paulo. O principal propósito da viagem de dom Odilo a Roma é participar do Consistório em que o papa Francisco criará 19 novos cardeais para a Igreja, entre os quais o arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ), dom Orani João Tempesta. A celebração em que os novos cardeais receberão o barrete cardinalício acontecerá no dia 22 de fevereiro. Antes, nos dias 20 e 21, o papa Francisco irá se reunir com todos os cardeais para refletir sobre o tema da família. A iniciativa de Francisco antecede os trabalhos da Assembleia do Sínodo dos Bispos, que será realizada de 5 a 19 de outubro deste ano, durante a qual serão abordados os desafios pastorais da família no contexto da evangelização. O Arcebispo participará, ainda, de reuniões do Conselho do Sínodo dos Bispos, órgão permanente da Cúria Romana, da Congregação para a Educação Católica, a primeira desde que foi nomeado membro no fim do ano passado, da Pontifícia Comissão para a América Latina, e irá visitar outros discatérios, como as Congregações Luciney Martins/O SÃO PAULO

para a Doutrina da Fé e do Clero. Além disso, o Cardeal solicitou uma audiência com o cardeal polonês Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação para a Educação Católica, para dialogar sobre a aprovação do pedido para que o Instituto de Direito Canônico Padre Dr. Giuseppe Benito Pegoraro (agregado à Pontifícia Universidade Lateranense), da Arquidiocese de São Paulo, se torne uma faculdade. Em audiência com o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o cardeal italiano Angelo Amato, dom Odilo, acompanhado pela superiora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu, irmã Alda Monica Malvessi, vai discutir detalhes da celebração em que Madre Assunta

Marchetti, cofundadora das religiosas scalabrinianas, será beatificada. A cerimônia de beatificação ocorrerá no dia 25 de outubro, em São Paulo, e contará com a presença do cardeal Amato como legado pontifício. O último compromisso oficial do cardeal Scherer no Vaticano será a reunião ordinária da Comissão de cardeais para o Estudo dos Problemas Organizativos e Econômicos da Santa Sé. Composta por 15 cardeais, esta comissão é responsável pela elaboração de estratégias administrativas e fiscalização de todos os organismos financeiros que envolvem o Vaticano, inclusive o Instituto para as Obras de Religião (IOR), também conhecido como Banco do Vaticano.

Entendendo a Cúria Romana A Santa Sé é a sede da Igreja Católica Apostólica Romana, representada pelo Papa, sucessor do apóstolo Pedro, Bispo de Roma e líder religioso de 1,2 bilhão de fiéis espalhados pelo mundo inteiro. Do ponto de vista jurídico institucional, cabe à Santa Sé, entre tantas outras competências, criar dioceses (Igrejas Particulares), nomear bispos, orientar e fiscalizar a formação nos seminários, e autorizar a criação de institutos educacionais como as Pontifícias Universidades Católicas. O Vaticano, também conhecido como Cidade do Vaticano, é um Estado soberano (o menor do mundo, com 0,44 km) e abriga a Santa Sé, que também é a personalidade jurídica através da qual o Vaticano estabelece relações diplomáticas com os demais Estados civis, a fim de garantir a missão evangelizadora da Igreja no mundo. Para exercer sua missão, o Papa conta com um conjunto de cardeais, bispos, padres, religiosos e leigos que atuam em departamentos (chamados dicastérios), que juntos formam a Cúria Romana. Conheça os departamentos com os quais dom Odilo Scherer tomará contato na atual viagem a Roma: A Congregação para a Educação Católica é responsável pelo acompanhamento e supervisão de institutos de educação católicos, sobretudo aqueles que têm o título de “Pontifício”. O departamento também cuida de matérias ligadas ao ensino religioso. A Congregação para o Clero tem a competência de acompanhar a vida e a missão dos diáconos e padres no mundo inteiro, bem como a formação nos seminários. Na Congregação a Causa dos Santos correm os processos de beatificação e canonização dos fiéis católicos, que, cada qual em sua época, deram testemunho heroico de fé, esperança e caridade. A Congregação para a Doutrina da Fé é a mais antiga da Cúria Romana, e sua principal missão é difundir e cuidar para que a doutrina católica seja vivida de maneira correta. Também cabe a este departamento o julgamento de delitos graves contra a fé, contra a moral e contra a celebração dos sacramentos. A Pontifícia Comissão para a América Latina acompanha as questões relativas à missão e ao desenvolvimento das Igrejas Particulares na América Latina e, entre outras competências, facilita a mediação entre instituições que trabalham em favor da região latino-americana com os departamentos da Cúria Romana. (Padre Michelino Roberto e Rafael Alberto)

Papa exorta jovens a dizer não à cultura do provisório Padre Cido Pereira

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Com o coração saudoso da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) vivida no Brasil em julho do ano passado, o papa Francisco redigiu sua mensagem para o Dia Mundial da Juventude, a ser celebrado no Domingo de Ramos deste ano. Ele deseja que os próximos três anos sejam de preparação para a JMJ em Cracóvia, em 2016. Temas dessa preparação serão as Bem-aventuranças. Em 2014, ele toma como tema: “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus”. Em 2015, “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”. E em 2016, “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.

As Bem-aventuranças são o caminho que Jesus indica para que os jovens alcancem a felicidade verdadeira, uma “novidade revolucionária”, um modelo de felicidade oposto ao que hoje é transmitido por boa parte dos meios de comunicação. Bem-aventurados quer dizer felizes. O Papa questiona os jovens se eles querem ser felizes de verdade. Em nossos tempos, há os que, atraídos pelas aparências de felicidade, se contentam com uma ideia pequena da vida. Os jovens devem aspirar a grandes coisas, ampliar o coração, dizer não à cultura do provisório, da superficialidade e do descartável. Entrando no tema dos pobres em espírito, o Papa acentua que, por conta da crise econômica, embora pareça que pobreza não

combina com a felicidade, ela pode ser concebida como bênção, quando tem Jesus como modelo e é vivenciada como despojamento. Os pobres em espírito têm consciência de seus limites, confiam no Senhor e sabem que dependem dele. Exemplos há em São Francisco de Assis, Santa Terezinha do Menino Jesus, Santo Padre Pio, Beata Madre Teresa de Calcutá e Beata Nhá Chica. Francisco apresenta três formas de fazer da pobreza evangélica um estilo de vida: liberdade em relação às coisas; conversão para os pobres, cuidando deles em suas carências espirituais e materiais; e aprender com eles que a pessoa não vale pelos bens materiais que tem e sim por aquilo que é: filho de Deus. Os “pobres em espírito” ensinam a

todos a ser humildes e a confiar em Deus. O papa Francisco ressalta a ligação entre o tema da JMJ-2013 – “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” – e o tema da Jornada da Juventude deste ano – “Felizes os pobres em Espírito porque deles é o Reino dos céus”. A pobreza evangélica é condição fundamental para que o Reino de Deus se estenda, e como as mais belas alegrias vêm dos mais simples que pouco têm a que se agarrar, “a evangelização no nosso tempo só será possível por contágio de alegria”. O papa Francisco marcou a canonização de João Paulo 2º para o segundo domingo de Páscoa e fará dele o Patrono das Jornadas Mundiais da Juventude, por tê-las começado e impulsionado.

O SÃO PAULO - edição 2989  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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