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Concílio motiva Semana de Direito Canônico

Carlos Mesters reflete sobre a Igreja de hoje

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Arcebispo de SP celebra em Centro de Detenção

Campanha alerta contra tráfico humano na Copa

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ano 58 | Edição 2981| 3 a 9 de dezembro de 2013

R$ 1,50

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br comunicação

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Exortação Apostólica

Pascom do Sul 1 discute sua missão Recepcionados pelo arcebispo dom Raymundo Damasceno Assis, agentes da Pastoral da Comunicação do Regional Sul 1 reuniram-se em Aparecida (SP), de 29 de novembro a 1º de dezembro, e refletiram sobre o tema “Evangelizar é comunicar: fundamentos bíblicos teológicos da Pascom”. Padre Joãozinho, scj, foi o assessor. Página 24

envio

Celebração de envio reúne participantes do Intereclesial Luciney Martins/O SÃO PAULO

No sábado, 30, na Casa de Oração do Povo da Rua, delegados da Arquidiocese ao 13º Intereclesial de CEBs, em janeiro, em Juazeiro do Norte (CE), participaram de celebração de envio, na qual também se resgatou a história dos intereclesiais. “Justiça e profecia a serviço da vida” é o tema do 13º Intereclesial. Página 24

Políticas para estrangeiros

Imigrantes querem votar e ser votados

Papa quer Igreja renovada na ‘Alegria do Evangelho’

L’Osservatore Romano

Como um presente de Natal antecipado, o papa Francisco oferece à Igreja a exortação apostólica Evangelii Gaudium, sobre o anúncio do Evangelho ao mundo de hoje. Em linguagem direta, com termos simples, o Papa recolhe as colaborações colhidas no Sínodo sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã, realizado em outubro de 2012, e muitas outras contribuições para propor uma renovação da Igreja em saída missionária. Bem acolhida em todo o mundo, a Carta mostra o que o papa Francisco tem no coração para a Igreja nos próximos anos: fazer dela uma mãe de coração aberto para a humanidade, a casa aberta do Pai. “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo” é a palavra de ordem de Francisco. Páginas 12 e 13

catedral da sé Luciney Martins/O SÃO PAULO

Cidade se ilumina para acolher Jesus

Promovida pela Coordenação de Políticas para Migrantes, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, realizouse em São Paulo a 1ª Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes. Durante evento, foi intensamente debatido o direito de votar e ser votado para cargos públicos.

Na Catedral, no domingo, dia 1º, uma cerimônia ecumênica com membros do Movimento de Fraternidade de Igrejas Cristãs abriu o “Natal Iluminado”, evento promovido pela Associação Comercial, Prefeitura e Guaimbé Bureau de Cultura. Dom Odilo destacou a importância de se preparar para o nascimento de Jesus.

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Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 3 a 9 de dezembro de 2013 Gabirante

frases da semana

“Ir para um lugar sagrado como Juazeiro é sair de si. É deixar para trás simbolicamente e de fato todas as coisas que não nos permitem viver a justiça e a profecia, isso implica na volta para casa assumir comportamentos de conversão”.

Padre Gilberto de Aguiar, na celebração de envio para o 13º Intereclesial de CEBs

“Os agentes devem estar atualizados com as tecnologias, usar uma linguagem própria, especialmente com as redes sociais, tão utilizadas pelos jovens. É importante que este anúncio seja acompanhado pelo testemunho dos comunicadores.”

você pergunta

Espiritualidade

Não vejo as freiras servindo no altar. Por que será?

Como anda a minha fé? Frei Patrício Sciadini

Diretor do O SÃO PAULO, semanário da Arquidiocese de São Paulo

Padre Cido Pereira

“Raramente, veem-se freiras ou religiosas servindo no altar, principalmente nas missas solenes. Por que isso?”, pergunta a Neusa, que mora no bairro da Lapa. Neusa, na história da liturgia, o ser acólito sempre foi uma função muito bonita e especial e ainda hoje é uma das ordens menores, isto é, alguma função que é dada aos candidatos ao sacerdócio antes da ordenação diaconal e presbiteral. Essa função sempre foi conferida aos homens. Chegou um momento em que ela passou a ser admitida por pessoas que não eram candidatas ao sacerdócio. Surgiram, então, os coroinhas, que eram meninos e jovens que ajudavam o padre durante as celebrações litúrgicas. É uma função bonita a dos acólitos ou coroinhas. Muitos se descobriram chamados por Deus ajudando o Padre durante a celebração da missa. Eu mesmo fui coroinha e ouvi o chamado de Deus exercendo o acolitato. Até bem pouco tempo, as meninas não podiam ser coroinhas. Mas o saudoso papa João Paulo 2º permitiu, e isso foi e é uma bênção para nossas comunidades: o fato de as crianças, meninos e meninas, servirem ao altar. Agora, quanto à sua pergunta, quero lembrar a você que, em muitos lugares onde não há, nem chega com frequência um padre, as freiras, as religiosas, assumem a comunidade, fazem a celebração da Palavra e distribuem ao povo a santa comunhão que o padre deixou no sacrário. Nas missas solenes, Neusa, não faltam ministros nem coroinhas. Por isso, não há a necessidade de as freiras assumirem como acólito, não é mesmo? Fique com Deus, minha irmã. Que Deus abençoe você e sua família.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Terminamos o Ano da Fé, proclamado pelo papa emérito Bento 16. É bom fazer um balanço não da fé dos outros, cada um sabe como anda a sua fé, e como tem aproveitado dessa oportunidade para seguir o caminho traçado pelo mesmo Papa. Uma das sugestões era fazer uma leitura e estudo do “Catecismo da Igreja”, não do “Compêndio”, mas sim do “Catecismo ‘grandão’”, que parece um dicionário teológico e onde nós encontramos o essencial do que devemos crer e de como devemos crer. Confesso que tenho feito o dever de casa. Neste ano, tenho lido todo o “Catecismo” e tenho tirado bastante proveito. Não de tudo e nem com uma força renovada. Mas tenho visto que muitas coisas eu não sabia e, se as tivesse sa-

Cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, 19º Encontro Estadual de Comunicação

bido, as teria esquecido porque me importunam. Às vezes, na vida, há coisas que a gente prefere não saber, porque a consciência fica mais tranquila. E é claro que o que mais me perturbou não foram os números de reflexão sobre os mistérios da fé ou sobre o Credo, mas, sim, sobre os mandamentos de Deus e sobre o grande comentário do Pai-Nosso. Porque vi que estou bem longe de viver o que a Igreja exige de mim. Sempre tive um apreço especial pela quarta parte do “Catecismo”, que é dedicada à oração. Aliás, anos atrás, publiquei um livro sobre essa quarta parte com o título “Catecismo da oração”. É normal que como Carmelita a oração me interesse mais de perto, mas devo confessar que não raramente me vejo mais como teórico da oração do que como orante. Sei muitas coisas sobre a oração, mas não sempre rezo com o devido fervor e amor. O problema não é não saber, mas como sempre, é viver. E, somente quando vivemos com coerência, podemos ensinar e exigir co-

“O Papa é um profeta e cativou todo mundo pela humanidade. Ele vive essa irradiação de humanidade igual a Jesus. Deus queira que ele tenha uns 15 anos para fazer isso, aí acaba com os clericalismos e tanta coisa errada na nossa Igreja.”

Frei Carlos Mesters, em entrevista exclusiva ao O SÃO PAULO

erência dos outros. Deus não nos quer teóricos e sabedores da vida, mas sim praticantes da sua Palavra. Espelhando-me no espelho puríssimo do “Catecismo”, tenho visto com o rosto de cristão, de sacerdote e de Carmelita, meio deformado, quase que irreconhecível. Não é culpa do espelho, é culpa mesmo do meu rosto, não sempre transparente e cheio de amor de Deus. Devo reconhecer e confessar que a minha fé não anda lá nas melhores condições. Creio que é uma análise preocupante para mim. E quero tentar superar por meio de um ato de fé, de abandono em Deus e crer na sua misericórdia e amor. E sua fé, como anda? Não deixe de fazer um exame de consciência. Eu fiz o meu publicamente porque quero ajudar os meus leitores a não desanimarem e botarem fogo e gasolina na fé encoberta com tantas cinzas, para que como luz brilhe na noite nossa e dos outros. “Para que os homens, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está no céu.”

palavras que não passam

A comunicação evangelizadora (9.2) PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

A qualidade da água depende das condições da fonte de onde ela brota. O tipo de linguagem de uma instituição depende do tipo da instituição. A linguagem de uma Igreja dependerá da concepção que se tiver da Igreja. Numa visão geral, hoje a comunicação evangelizadora corre por dois caminhos bem definidos. Vou chamá-los de “a linguagem eclesial light”, e “a linguagem eclesial profético-libertadora”. Ambas se apresentando como herdeiras do Concílio. A “linguagem light” é a que “toca” o coração das pessoas. É a linguagem de manutenção das coisas como estão, sem mudar ou se submeter a alguma revisão e reforma no acidental. É a oferta e a busca de evangelização de

autoajuda, que reduz a evangelização a sessões de psicologia; produz alienação em que a pessoa se descompromete com o mundo e, de tão individualista, usa os dons de Deus só em nível pessoal, ignorando o comunitário. É uma linguagem que se deixa seduzir pela proposta do neopentecostalismo da nossa época, em que a experiência religiosa é intensamente emocional. Sobressai como “light” a linguagem com aparência poderosa, que promete intervenções divinas extraordinárias, que produzem sensação de efeito sobrenatural sobre as dificuldades de pessoas crédulas. Destaca-se ainda na “linguagem light”, a linguagem simplória fecunda em descobertas exóticas na Bíblia e que leva as pessoas mais pensantes a considerar a religião como coisa para ingênuos. A “linguagem light” e suas derivadas geram a mediocridade insuportável. Nem fria nem quente (cf. Ap 3, 15-16). Indiferente. A linguagem indiferente é perniciosa, porque acomoda a instalação e a aliena-

ção das pessoas satisfeitas com sua mediocridade. Conformada com a situação de injustiça, talvez provoque alguma mudança superficial sem atingir as causas. E entre elas, a indiferente, dos acomodados a quem tanto faz como tanto fez, contanto que não mexam comigo. Essas pessoas vão sendo carregadas pela vida assim como ela acontece, sem maior interesse pelo que for. Espalha-se um moralismo pernicioso pela linguagem de pregadores que detectam o pecado em tudo e ameaçam com o aquecimento do fogo do inferno. Em todo tipo de linguagem, é urgente ter o cuidado de o mensageiro não superar a mensagem! Criatividade, sim! Mas com fidelidade dinâmica à proposta do Concílio. Em atitude de “solidariedade com o gênero humano e com sua história” (Gaudium et Spes, GS, 1; 32). Relembro o pensamento de João 23, que o “depósito da fé” é inalterável, mas sua compreensão e divulgação respeitam o contexto vivido em cada época (cf. GS 62,2).

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Antônio Aparecido Pereira • Reportagem: Daniel Gomes e Edcarlos Bispo de Santana • Colaboração: Nayá Fernandes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


Fé e Vida encontro com o pastor

Também vós, ficai preparados Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal dom odilo pedro scherer

Qual é o sentido da vida humana? Por que existimos? Há um motivo consistente para a prática do bem e para evitar o mal? Há muitos modos de compreender a vida, dependendo das culturas, dos sistemas filosóficos, das ideologias, das religiões. Essa questão é crucial para o espírito humano, que tenta responder a ela através de suas múltiplas expressões simbólicas e culturais. Não é o caso de analisar, aqui, as muitas respostas. Vamos refletir algo sobre as respostas do Cristianismo, a nós apresentadas como Evangelii Gaudium – boa notícia - através da pregação constante da Igreja. Em particular, algumas convicções basilares aparecem no tempo litúrgico do Advento. Trazemos em nós um anseio irreprimível de superação das nossas limitações, de plenitude e de paz. Isso move continuamente a humanidade a trabalhar, a buscar soluções, a mover-se para uma perfeição, que conseguimos alcançar apenas em parte. Leva também à certeza de que o “pior” não é o “melhor” e, portanto, não nos conformamos com as coisas que vão mal, mas continuamos a lutar. A fé cristã, baseada na Palavra de Deus, apresentada com abundância no Advento, nos diz que isso não é sonho vazio, nem utopia alienante. Deus não nos fez para a frustração, mas para a plenitude. Nossa vida não se esgota na precariedade insuperável do “reino terrestre”, mas está voltada para o “reino celeste”, ao qual Deus nos atrai e chama a participar, por sua graça e benevolência. Vivemos de “esperança segura”. Enquanto nos debatemos “entre angústias e sofrimentos, alegrias e esperanças”, não estamos sozinhos, mas podemos contar com a ajuda de Deus, que veio ao nosso encontro e nos estendeu a mão por meio do seu Filho, o Cristo, Ungido de Deus. Por isso, nossa vida não precisa estar mergulhada na desorientação e tristeza. Desde agora, sabemos onde está a luz, o caminho, a porta, o pão, a água, a companhia segura durante o nosso peregrinar neste mundo. Depende de nós aceitar a companhia de Deus e sua paterna providência, ou rejeitá-la.

Este mundo não está entregue a forças cegas, que agem automaticamente sobre ele, com maldade inclemente, ou com bondade impessoal. A guerra não é desencadeada por forças ocultas e irracionais; a violência, a corrupção, a injustiça e a miséria não são fatalidades incontroláveis... O mundo está entregue em nossas mãos, para que o conduzamos no bem. Depende de nossas escolhas pessoais e comunitárias. O homem é responsável pelos seus atos, pessoal e socialmente. Toda causa gera consequências. Por isso, durante a sua vida, o ser humano deve fazer escolhas conscientes e acertadas. Deus lhe mostra o caminho, dá o discernimento e concede sua ajuda para escolher o bem. Na linguagem da fé, isso significa viver “atentos e vigilantes”, como nos é dito de várias maneiras na Liturgia do Advento. São Paulo exorta a “despir-se das obras das trevas” e a “revestir-se de Cristo Jesus” (cf Rm

13, 11-14), ou seja, a viver segundo os ensinamentos do Evangelho. A grande tentação do homem, porém, é a de ser o “deus” de si mesmo, acima do bem e do mal, a última instância para tudo. Não é assim que nós nos compreendemos. Somos criaturas e não somos senhores absolutos do nosso ser e do julgamento sobre nossas decisões: a vida e nossas capacidades, incluindo a liberdade para as escolhas, são dons, que nos são confiados; de seu uso deveremos dar contas a Deus um dia. Por isso, cabe-nos “vigiar” sobre nós mesmos e sobre nossas escolhas. Mas isso não nos deve parecer uma ameaça aterradora: muito mais, isso deve ser visto como a pedagogia de Deus, que nos conduz pelas estradas da vida, para alcançarmos a meta suprema de nossa existência - o grande encontro com ele - e para sermos considerados dignos de participar do “banquete da vida eterna”. Rafael Léo/Diocese de Franca

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editorial

Alegria do Evangelho vivida e anunciada Alegres e surpresos nos deixa o papa Francisco com a sua carta apostólica Evangelii Gaudium. É uma convocação a experimentarmos a alegria do Evangelho que “enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”. Como não descobrir ou redescobrir essa alegria, quando o sucessor de Pedro a irradia em tudo que diz, em tudo que fala, em tudo que deseja para a Igreja? O Papa recolheu carinhosamente todas as contribuições dos representantes do episcopado mundial reunidos no Sínodo sobre a transmissão da fé e elaborou essa carta apostólica que, não tenhamos dúvida disso, coloca a Igreja a caminho para anunciar Jesus Cristo de modo alegre, festivo, acolhedor, esperançoso ao homem de hoje fechado em seu individualismo, triste por perder o sentido verdadeiro da vida. O papa Francisco sabe bem que a alegria do Evangelho vivida com intensidade leva à necessidade de ser partilhada. Sabe bem que a Igreja deve estar a caminho, desinstalar-se, “primeirear”, isto é, tomar a iniciativa de mostrar o verdadeiro caminho que leva à felicidade que o mundo sonha, embora buscando-a lá onde ela não está. Papa Francisco sabe também que todos nós precisamos nos converter para a missão: paróquias, comunidades, leigos, padres, bispos e até ele mesmo, Papa, sucessor de Pedro. Essa conversão supõe o abandono de velhos esquemas, passa pela ternura do acolhimento, pede à Igreja tornar-se pobre para os pobres, requer a abertura da alma e do coração para todos, mesmo para aqueles que não comungam a mesma fé que temos. “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas a uma Igreja enferma pelo fechamento e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças”. É o que pensa, vive e ensina o sucessor de Pedro. Palavras que incomodam, que fazem pensar. Que o mundo saiba das razões de nossa fé! Que o mundo saiba e conheça a razão de nossa alegria, que é Jesus, Filho de Deus encarnado, que por amor a nós morreu e ressuscitou.

Dom Odilo é nomeado pelo Papa para a Congregação para a Educação Católica No sábado, 30, o papa Francisco nomeou o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, como membro para a Congregação para a Educação Católica. O Cardeal, que segue como arcebispo de São Paulo, atuará no organismo junto com dez cardeais nomeados no mesmo dia, e a outros 23 membros que foram confirmados no cargo pelo Papa, entre os quais o cardeal Zenon Grocholewski, na função de prefeito dessa Congregação.

agenda do Cardeal Quinta-feira (5)

10h – Missa no Hospital do Câncer AC Camargo 11h30 – Reunião no Regional Sul 1 da CNBB 19h30 – Assembleia da Cáritas

Sexta-feira (6)

9h – Reunião com a Comissão de Presbíteros da Região Ipiranga 19h30 – Missa com a Comunidade Shalom e renovação de votos

Sábado (7)

9h – Missa no Seminário Imaculada Conceição – Festa Patronal 15h – Missa com ordenações presbiterais – Catedral da Sé

Domingo (8)

Na noite da segunda-feira, 2, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e presidente do Regional Sul 1 da CNBB, presidiu missa na festa de preparação dos 100 anos da Catedral Imaculada Conceição, em Franca (SP).

11h – Missa na Catedral da Sé – Solenidade da Imaculada Conceição 15h – Missa por jubileus sacerdotais – Catedral da Sé 18h – Jubileu Sacerdotal do padre Ariede, Paróquia São Dimas

Segunda-feira (9)

14h30 - Coletiva de imprensa sobre o Natal


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Fé e Vida

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liturgia e vida

3º DOMINGO DO ADVENTO 15 DE DEZEMBRO DE 2013

palavra do papa

O tempo do Advento nos restitui o horizonte da esperança

Ana Flora Anderson

Alegrai-vos no Senhor As leituras deste domingo estão entre as mais belas do Ano Litúrgico. Celebramos com alegria nossa fé em Deus, que nos amou e nos salvou. Esperamos com felicidade a vinda de Nosso Senhor Jesus no Natal. Na primeira leitura (Isaías 35, 1-6.10), o profeta celebra a salvação descrevendo o renascer da natureza. Ao contemplar sua beleza, vemos a majestade de Deus que anima os desanimados e enfraquecidos. O amor de Deus nos livra de todas as dores. Na segunda leitura (Tiago 5, 7-10), somos chamados a ficar firmes e fortalecidos na fé em Jesus que vem. Devemos seguir os antigos profetas, que, apesar do sofrimento, permaneceram firmes na espera da salvação. O Evangelho de São Mateus (11, 2-11) reflete a profecia de Isaías ao anunciar a verdadeira identidade de Jesus. Na resposta enviada a João Batista, Jesus confirma que é Ele que realiza as profecias: curando cegos, surdos, mudos e coxos. Jesus acrescenta que, também, ressuscita os mortos e anuncia o evangelho aos pobres. E termina explicando ao povo que João Batista era mais do que um profeta. Foi o mensageiro que preparou o caminho para Jesus. Mas, mesmo assim, Jesus revela que o menor no Reino de Deus é maior do que João Batista.

Papa francisco

Apostemos na esperança da paz! Segue, texto extraído da mensagem do Papa aos peregrinos, que, no domingo, dia 1ª, se reuniram na praça São Pedro para orar com ele a oração mariana do Angelus. Iniciamos hoje, primeiro Domingo do Advento, um novo Ano Litúrgico, isto é, um novo caminho do Povo de Deus com Jesus Cristo, o nosso Pastor, que nos guia na história para o cumprimento do Reino de Deus. Por isso, este dia tem um encanto especial, nos faz experimentar um sentimento profundo do sentido da história. Redescobrimos a beleza de estar todos a caminho: a Igreja, com a

sua vocação e missão, e toda a humanidade, os povos, as culturas, todos em caminho pelos caminhos do tempo. Mas em caminho para onde? Há uma meta comum? E qual é esta meta? O Senhor nos responde através do profeta Isaías, e diz assim: “No fim dos tempos acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas e dominará as colinas. Para aí correrão todas as gentes, e os povos virão em multidão: ‘Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó: ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas’” (2, 2-3). Isto se refere àquilo que nos diz Isaías sobre a meta para onde vamos. É uma peregrinação universal para uma meta comum, que no Antigo Testamento é Jerusalém, onde surge o templo do Senhor, porque dali, de Jerusalém, veio a revelação da face de Deus e da sua lei. A revelação encontrou em Jesus Cristo o seu cumprimento, e o “templo

do Senhor” tornou-se ele mesmo, o Verbo feito carne: é ele o guia e junto à meta da nossa peregrinação, da peregrinação de todo o Povo de Deus; e à sua luz também outros povos possam caminhar rumo ao Reino da justiça, rumo ao Reino da paz. Diz ainda o profeta: “De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra a outra, e não se arrastarão mais para a guerra” (2, 4). Permito-me repetir isto que nos diz o Profeta, escutem bem: “De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra a outra, e não se arrastarão mais para a guerra”. Mas quando acontecerá isto? Que belo dia será, no qual as armas serão desmontadas, para se transformar em instrumentos de trabalho! Que belo dia será aquele! E isto é possível! Apostemos na esperança, na esperança da paz, e será possível!

L’Osservatore Romano

leituras da semana

SEGUNDA (16): Nm 24, 2-7.15-17; Mt 21, 23-27 TERÇA (17): Gn 49, 2.8-10; Mt 1, 1-17 QUARTA (18): Jr 23, 5-8; Mt 1, 18-24 QUINTA (19): Jz 13, 2-7.24-25 ; Lc 1, 5-25 SEXTA (20): Is 7, 10-14; Lc 1, 26-38 SÁBADO (21): Ct 2, 8-14 ou Sf 3, 14-18a ; Lc 1, 39-45

Santos e Heróis do Povo – 3/12/13

“A Palavra de Deus não está algemada” (2Tm 2,9b) Poucas pessoas terão influenciado tanto a Igreja dos tempos modernos quanto São Francisco Xavier, fundador das missões no Oriente. Sua vida abrange os anos de 1506 a 1552. Alguns até o chamam de “São Paulo do Oriente”, embora fosse precedido lá por Franciscanos e Dominicanos, em séculos anteriores. Ele soube abrir caminhos novos para o Evangelho e penetrar sempre mais em terreno desconhecido e perigoso, deixando aos seus colaboradores a tarefa de consolidar o que iniciava. O mérito especial de São Francisco Xavier foi a formação de comunidades cristãs, com o fervor e a vitalidade semelhantes às atuais Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Cuidou em especial da formação do clero da região. Os amigos da Bíblia vão reler também hoje o profeta Sofonias, que proferiu seus oráculos contra os povos estranhos ou estrangeiros e fez profecias de salvação. “Iahweh é soberano. E o povo tem de purificar-se diante dele!”, é a grande mensagem do profeta Sofonias. Fonte: “Santos e heróis do povo”, livro do cardeal Arns

Tweets do papa

@Pontifex_pt 30 - A Igreja chama a todos

a deixar-se envolver pela ternura e o perdão do Pai. 29 - Para nós, é difícil perdoar os outros. Senhor, dai-nos a vossa misericórdia para perdoarmos sempre. 28 - Aprendamos a ser dóceis à Palavra de Deus, prontos para as surpresas do Senhor que nos fala. 26 - A Igreja é missionária. Cristo nos envia a levar a alegria do Evangelho por todo o mundo.

O Santo Padre recebeu, na manhã de sábado, 30, na Sala Clementina, no Vaticano, uma peregrinação de cerca de 300 fiéis Greco-melquitas de Antioquia. Em sua saudação, o Papa agradeceu aos fiéis presentes a visita ao túmulo dos Apóstolos Pedro e Paulo como “testemunhas das origens apostólicas da nossa fé”. A seguir, o Pontífice dirigiu seu pensamento “aos irmãos e irmãs da Síria, que, há tanto tempo, passam por uma grande tribulação”, e rezou por aqueles que perderam a vida e pelos seus entes queridos. “Que o Senhor enxugue as lágrimas destes seus filhos”, diz o Papa, que confirma “a solidariedade de toda a Igreja, para confortá-los na angústia e livrá-los do desespero”. Fonte: site Rádio Vaticana

há 50 anos

Papa Paulo 6º saúda povo brasileiro A edição do semanário da Arquidiocese noticiou que, em 8 de dezembro, por ocasião da Cruzada do Rosário em família “a artista espanhola Sarita Montiel, os Canarinhos de Petrópolis e muitos outros estarão cantando”. Houve também uma crítica aos “sindicais e trabalhistas milionários em colocações públicas, às autoridades jejuns em civismo, a todos quantos, deixando de lado o futuro do País”. A chamada principal disse que “Culpa de Cúpula no

Suicídio do Ferroviário”. Na sessão “Diário do Concílio”, O SÃO PAULO noticiou o balanço das 42 Sessões de 1963. “Ao término dessa sessão, apenas dois decretos foram promulgados: o da liturgia e o dos meios de comunicação. Os conciliares também discutiram esquemas sobre a Igreja, sobre os bispos e o governo das dioceses, sobre o ecumenismo, quando se manifestaram divergências profundas, sem que isso significasse obstáculos.

Capa da edição de 8/12/1963


Viver Bem

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literatura

dicas de cultura Divulgação

‘Agenda Litúrgica e Pastoral 2014’

Grupo interpreta Villa-Lobos, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Ravel e outros compositores Na próxima sexta-feira, dia 6, quem estiver pelo centro da cidade na hora do almoço tem a oportunidade de assistir ao Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), que faz uma apresentação na Igreja Nossa Senhora da Paz, na Sé, às 13 horas. A entrada é Catraca Livre. Referência na música vocal do Brasil, o Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo traz a combinação entre um grupo de cantores de sólida formação musical e a condução de uma das principais regentes brasileiras, Naomi Munakata. O grupo coral aborda diferentes períodos musicais, num repertório de obras consagradas. Peças

corais dos brasileiros Almeida Prado, Aylton Escobar, Camargo Guarnieri, Villa-Lobos, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Paulo Vanzolini, além de outras de Debussy, Ravel, Deruflé e Poulenc integram a lista de músicas apresentadas na ocasião. SERVIÇO O QUE: Coro da OSESP QUANDO: Sexta 6/12 às 13 horas Adicionar à minha agenda do Google QUANTO: Catraca Livre ONDE: Igreja Nossa Senhora da Paz - São Paulo Rua do Glicério, 225 - Sé - Centro - São Paulo (11) 3111-7000

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A “Agenda Litúrgica e Pastoral”, além de registrar os compromissos, assuntos a serem tratados, contatos e planejamentos futuros, oferece a liturgia diária com a 1ª leitura, Salmo e Evangelho do dia e também a listagem da Organização da Igreja no Brasil. Semanal: R$ 25,00 | Diária (capa dura): R$ 25,00 | Diária (capa cristal): R$ 21,00 | Disponível no site: www.edicoescnbb.com.br ou ainda pelo telefone: (61) 2193-3019.

Celebre a liturgia em comunhão com toda a Arquidiocese de São Paulo. Assine o folheto litúrgico Povo de Deus em São paulo. Confira os preços pelo telefone (11) 3826-0133

Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF).

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Fé e Vida

direito canônico

fé e cidadania

Um novo dogma

Cristianismo esquizofrênico

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT)

Edson Luiz Sampel

Ultimamente, após a eleição de Francisco, a Santa Sé está pondo em prática uma forma diferente de ecumenismo. Em vez de enfocar os temas comuns para os católicos e os irmãos separados (evangélicos), parte-se de um ponto estritamente católico, como, por exemplo, o papel de Maria santíssima no cristianismo. De fato, esse modo de proceder está em perfeita harmonia com o Concílio Vaticano 2º, que esclarece: “É absolutamente necessário que a doutrina inteira seja lucidamente exposta. Nada é tão alheio ao ecumenismo quanto aquele falso irenismo, pelo qual a natureza da doutrina católica sofre detrimento e seu sentido genuíno e certo é obscurecido” (Decreto Unitatis Redintegratio, n. 11). Nessa novel perspectiva ecumênica, nós transmitimos aos irmãos separados os tesouros inestimáveis da fé católica, o que possuímos de melhor. É-nos lícito falar de uma Maria ecumênica. Com efeito, na magistral encíclica Redemptoris Mater (ns. 29 a 34), o beato João Paulo 2º expõe uma autêntica mariologia ecumênica, demonstrando que a mãe de Jesus contribui sobremaneira nos esforços em prol da unidade de todos os cristãos. Afirma o Papa: “Maria é sempre o exemplo e que deve conduzi-los [os cristãos] à unidade, querida pelo seu único Senhor” (Redemp-

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toris Mater, n. 30). Quando o Papa define um dogma, não significa que se está a criar uma nova doutrina. Ao declarar um dogma, o vigário de Cristo ensina que determinado ponto da fé, como, por exemplo, o fato de Maria nascer sem o pecado original, se encontra presente direta ou indiretamente tanto na tradição sagrada quanto na Bíblia sagrada. A aludida doutrina, então, deve ser crida com o assentimento de todos os fiéis, consoante prescreve o Código Canônico: “Deve-se ainda firmemente aceitar e acreditar também em tudo que é proposto de maneira definitiva pelo Magistério da Igreja em matéria de fé e de costumes (...)” (cânon 750, § 2º). Assim que Francisco foi eleito, católicos do mundo todo, sobretudo dos Estados Unidos, têm se mobilizado para pedir a definição do 5º dogma mariano: Maria, medianeira ou mediadora das graças. Os quatro primeiros dogmas referentes a Nossa Senhora são os seguintes: 1º) Virgindade perpétua de Maria, 2º) Maria mãe de Deus, 3º) Imaculada concepção ou conceição e 4º) Assunção ao céu. No Brasil, estou encabeçando um abaixo-assinado, sugerindo ao papa Francisco que estude a possibilidade de definir o dogma de Maria medianeira das graças. Gostaria de contar com a adesão do amado leitor. Escreva no Google “Abaixo-assinado 28439”. Ponha apenas nome, e-mail e R.G. Não é necessário preencher os outros campos. Que grande presente o papa Francisco nos dará, definindo o 5º dogma de Maria!

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Conselheiro geral na congregação dos padres scalabrinianos

Padre Alfredo José Gonçalves

O termo esquizofrenia designa “uma demência precoce caracterizada por distúbios da afetividade”, ou também “uma desintegração da personalidade humana” (cf. Dicionário). Pode ser utilizado como metáfora para definir aqueles que, implícita ou explicitamente, costumam separar a fé do comportamento prático, seja ele social, pastoral ou político. No caso do cristianismo, a fé em Jesus Cristo torna-se um sentimento de natureza privada, intimista e espiritualizante, sem implicações no contexto histórico em que a pessoa se encontra inserida. Prevalece um dualismo muitas vezes inconsciente: enquanto o “encontro com Deus” adquire um caráter estático de êxtase, o “encontro com os irmãos” mantém-se indiferente diante

da injustiça, do sofrimento e da exclusão social. Chegamos ao extremo de “uma descrença objetiva”, ao lado de uma “piedade subjetiva”, como diz o teólogo alemão Jurgen Moltmann. A oração diante do Cristo Ressuscitado se interioriza numa forte sensação de louvar ao Deus eternamente presente e glorioso, a ponto de desinteressar-se por completo de qualquer compromisso com a realidade que nos cerca. Instala-se uma clara dicotomia entre a vivência entusiástica e, às vezes, eufórica e exagerada da fé, por um lado, e, por outro, a ação pessoal ou social no trabalho, na família, enfim, no cotidiano da vida. Ambas parecem linhas paralelas que jamais se cruzam e menos ainda se interpelam. Nas cartas de Paulo, particularmente na Primeira aos Coríntios, o apóstolo combate esse êxtase falso de uma expectativa imediata do Reino, que abandona a situação real para se refugiar no âmbito de

uma fé estéril. Se, por uma parte, é verdade que Cristo “já” ressuscitou dos mortos e está vivo, por outra, também é certo que nós permanecemos sujeitos às incongruências e contradições deste mundo. Experimentamos no corpo e na alma o “ainda não” da morte e a promessa de sua vinda gloriosa. Caminhamos à sombra da cruz, tendo na mão a chama da ressurreição do Messias, na expectativa de nossa própria ressurreição e da instalação definitiva do Reino de Deus. Por isso não podemos separar “justos e injustos, puros e impuros, salvos e perdidos, Deus e o mundo – como âmbitos absolutamente contrários”. Todos estamos a caminho, na tensão entre o pecado e a graça, e somos chamados à solidariedade com os pobres, os pecadores, os mais necessitados, os últimos, como não se cansa de lembrar o papa Francisco. Como conclusão, resulta que fé e compromisso sociopolítico são indissociáveis.

espaço aberto

A prisão dos mensaleiros Marcello Casal Jr./ABr

Professor de Teologia da PUC-SP

Padre Antonio manzatto

O processo do mensalão arrastou-se durante longos 8 anos, desde a denúncia inicial até a conclusão do julgamento e a prisão inicial de réus condenados. É verdade que o processo ainda não terminou, e isso nos faz pensar que, ainda durante o próximo ano, a imprensa terá assunto suficiente para seus noticiários. Por um lado, forçoso é reconhecer e lamentar a lentidão e as excessivas possibilidades de adiamento que sofrem os processos na justiça brasileira. Uma justiça excessivamente lenta e morosa, sempre pronta a abrir mais possibilidades de delongas para perder de vista as causas que ali tramitam. Juristas renomados admitem que a justiça que tarda, falha! Não é possível que processos tramitem por 8, 10 ou 20 anos sem que haja uma definição. Não é do interesse do povo brasileiro tal demora, que, muitas vezes, justifica o funcionamento ou aumento do efetivo do Judiciário, com mais gastos para as contas públicas.

Por outro lado, o caso do mensalão foi acompanhado por muitos brasileiros como se fosse campeonato de futebol. Organizaram-se torcidas de um lado e de outro, as paixões foram exacerbadas e os denunciados, rotulados como culpados de todos os males que existem no País. Aqueles que atuaram pela sua condenação aparecem como heróis nacionais, salvadores da Pátria. Gritos de vitória e de comemoração ecoaram pelas ruas, como se houvesse vitoriosos. Não há! Por acaso acabaram-se os problemas no País? Estamos livres de todos

os males que nos atingiam? Claro que não! O País perde com a corrupção. Ela não atinge um único partido, como o demonstram os recentes escândalos na Prefeitura de São Paulo ou no Governo do Estado. Não há investimentos suficientes em educação, moradia, transporte, saúde... Os mensaleiros não são os únicos corruptos do País, e o sonhado fim da corrupção não significa fim dos problemas, pois ainda haverá que se discutir e decidir sobre políticas públicas que beneficiem o povo brasileiro, e não os que se instalam no poder.


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pastoral carcerária

bioética

Pastoral Carcerária realiza reuniões em São Paulo

Animais como cobaias de pesquisa! (2)

Pastoral Carcerária

padre leo pessini

imprensa@carceraria.org.br A Pastoral Carcerária da Arquidiocese realiza no sábado, 7, das 8 às 11h30, no Centro Pastoral São José (avenida Álvaro Ramos, 366, Belém), próximo ao metrô, sua última reunião de formação continuada em 2013. Será um momento para avaliar as atividades desenvolvidas no ano, tais como visitas aos cárceres; trabalho junto às famílias dos presos e egressos; ações nas paróquias e comunidades; mobilizações pelo fim da tortura e do encarceramento em massa; e luta pela democratização do Sistema Judiciário e por uma nova política de Segurança Pública, assuntos que estiveram em destaque no seminário “Justiça e Direito Igual para Todos”, realizado em 31 de outubro.

No encontro, também será avaliado o que precisa ser mantido e avançar nessas ações no ano de 2014, bem como no que se refere a materiais e momentos de formação e comunicação; estruturas gerais e de escritório e secretaria, e ações de coordenação e assessorias. A equipe arquidiocesana atua em sintonia com a coordenação estadual, que, em 9 de novembro, também no Centro Pastoral São José, realizou um encontro com os coordenadores diocesanos no Regional Sul 1 da CNBB, no qual houve troca de experiências e reflexões sobre a atuação da Igreja dentro das unidades prisionais paulistas. Cerca de 80 pessoas participaram, dentre as quais dom Otacílio Luziano da Silva, bispo de Catanduva (SP) e referencial da Pastoral Carcerária, e Deyvid Livrini, coordenador estadual.

Em São Paulo, a Pastoral Carcerária está presente em 36 dioceses, com cerca de 900 agentes cadastrados, número ainda insuficiente para dar atenção aos 200 mil presos no estado. Durante o encontro, houve momentos formativos, um desses conduzido por Heidi Cerneka, da coordenação nacional da Pastoral. Heidi tratou da situação das mulheres presas que são mães. Ela apontou que a limitação de duas pessoas por visita e a prática da revista vexatória fazem com que estas tenham menor contato com os filhos. Também lembrou que nenhuma mulher grávida pode ser algemada antes, durante e depois do parto, e que todas têm direito a acompanhamento médico no pré-natal e no pós-parto. Por Assessoria de Imprensa

pastoral da criança

Festa do Dia das Crianças Pastoral da Criança

danielfieo@bol.com.br Foi com grande alegria que a Comunidade Nossa Senhora de Fátima, da Paróquia São Patrício, que pertence ao Setor Rio Pequeno, Região Episcopal Lapa, celebrou no mês de outubro o Dia das Crianças. Neste dia dedicado às crianças, a comunidade preparou várias atividades para elas se divertirem e ficaram contentes. As crianças passaram uma tarde agradável e de muito entretenimento junto a seus colegas e pais. A coordenação arquidiocesana da Pastoral da Criança parabeniza a coordenadora da Pastoral no Setor e suas líderes pelo belo trabalho que vem sendo desenvolvido com as crianças e gestantes da Comunidade Nossa Senhora de Fátima. Por Daniel Zampieri

O Brasil ainda não reconhece os animais não humanos, como autênticos sujeitos de direitos, explica Daniel Braga Lourenço, advogado e coordenador do Instituto Abolicionista Animal. Consequentemente, eles não são titulares de direitos subjetivos e continuam indevidamente vítimas do dogma da coisificação, isto é, são considerados como “bens móveis” pela legislação civil e “recursos naturais” pelas leis ambientais. Configuram-se, portanto, co mo seres vivos, descartáveis, dentro de uma visão ética utilitarista à disposição do “bem-estar humano”. Segundo o magistrado Daniel Lourenço, militante na área do protecionismo animal, existe uma diferença entre a ideologia do protecionismo animal e dos direitos dos animais propriamente ditos. As leis de proteção animal apenas regulamentam o uso dos animais, como, por exemplo, a famosa “Declaração Universal dos Direitos dos Animais” (Unesco, 1979) e no Brasil a lei de proteção dos animais, conhecida como Lei Arouca (1999), colocando eventuais salvaguardas com o objetivo de minimizar o “sofrimento desnecessário” dos animais não humanos, mas não questionam a moralidade dessas mesmas condutas e instituições de pesquisa. A teoria dos direitos dos animais, embasando-se no fato de que boa parte dos animais é senciente, isto é, tem sentimentos, emoções, sente dor, advoga o rompimento da perspectiva de utilização deles como simples meios para o bem-estar humano, incompatível, portanto, com o paradigma do animal como propriedade humana. Em pesquisas recentes, que deram origem à “Declaração de Consciência de Cambridge” (EUA, 2012), cientistas afirmam que “A ausência de um neocórtex não parece impedir que um organismo experimente estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos de estados de consciência juntamente como a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente (...) os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos”. A solução então seria de simplesmente “abolir o uso de animais em experimentação” e não de elaborar “leis que garantissem o bem-estar dos animais” no processo de experimentos! O australiano Peter Singer, conhecido também como “bioeticista e filósofo radical”, é militante desta perspectiva. O paradigma do modelo animal pareceu viável nos séculos 17 e 19, quando os conhecimentos fisiológicos e anatômicos eram mínimos, mas, em pleno século 21, essa visão seria “obsoleta”, segundo os militantes do “protecionismo animal”. (Continua na próxima edição).


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Mundo do trabalho – pastoral operária

pastoral do migrante

Pastoral Operária realiza segundo momento de sua Assembleia

Grupo de migrantes urbanos da Grande São Paulo realiza reunião

pometropolitana@yahoo.com.br

res públicos”. Foi marcante, com o trabalho da assessoria, o questionamento sobre “Como contribuir com a organização no local de trabalho, estando fora dele?”. O trabalho da assessoria encerrou o período da manhã apontando que existe uma necessidade de a Pastoral Operária procurar atingir os trabalhadores onde eles se encontram, principalmente com uma nova abordagem que se dedique especialmente aos jovens trabalhadores. O período da tarde contou com a presença de dom Antônio Celso de Queirós, bispo emérito de Catanduva (SP), que, numa forma de conversa e prosa, trouxe aos mem-

Reunidos, no sábado, 9 de novembro, na Casa da Solidariedade, a Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo e os representantes das regiões episcopais e dioceses, que compõem a Catedral Metropolitana de São Paulo, realizaram o segundo momento de sua Assembleia, aprofundando a Conjuntura Sindical e Eclesial. No período da manhã, com a coordenação de Nadia Gebara, assessora do Sindicato dos Trabalhadores Químicos Unificados de Campinas, Valinhos e Osasco, os membros da Pastoral ouviram um relato sobre as manifestações acontecidas Dom Celso motivou a todos a em junho deste ano, uma estarem atentos às mensagens do recuperação papa Francisco e ressaltou que, histórica das apesar do pouco contato com ações do movimento sindia Pastoral Operária, se sente à cal e popular vontade para conversar com uma ao longo dos pastoral de trabalhadores, pois anos 70, 80 e 90 e as case faz entendido racterísticas que marcaram esses acon- bros presentes a história e tecimentos envolvendo os as núncias da ação social da trabalhadores. Como parte Igreja ao longo das últimas das atividades, a assessora décadas, ressaltando os fatos motivou um trabalho em pe- que envolveram a todos em quenos grupos, no qual tra- 2013: a renúncia de Bento 16; balhassem os desafios para a eleição de um arcebispo arorganizar os trabalhadores e gentino, sob a inspiração no o que cada um enxerga como nome Francisco; sua primeira dificuldade para a realização visita papal; e a vinda ao Brasil para a Jornada Mundial da dessa ação. Em plenária, os mem- Juventude. Apesar de seus 80 anos, bros da Pastoral destacaram como desafios: a dificuldade dom Celso, com vigor e aniem unir os trabalhadores de mo, motivou a todos a estaserviços, muito divididos, rem atentos às mensagens como no caso do comércio e do papa Francisco e resa necessidade de o trabalha- saltou que, apesar do poudor saber que ele é o sujeito co contato com a Pastoral Operária, se sente à vontada história no sindicato. Além dos desafios, várias de para conversar com uma vozes apontaram como difi- pastoral de trabalhadores, culdades: “Olhar o desafio pois se faz entendido. Sua com o que cabe o braço da exposição foi carregada de gente”; “Como unir traba- muito otimismo com os deslhadores de diversas catego- tinos da Igreja. rias? Exemplo dos servidoPor José Lucas dos Santos

spm.nac@.com.br Do grupo de migrantes da Grande São Paulo, 12 lideranças se reuniram no sábado, 23, na Casa do Migrante, bairro do Glicério, para avaliar e pensar as ações para o ano de 2014. Na oração inicial, com base no Evangelho do semeador, os participantes refletiram que as sementes são atiradas pelo caminho e que é tempo de semear. Deus é quem dá o crescimento da semente e talvez outros serão os que colherão os frutos. Foi feita uma avaliação dos “frutos” da caminhada de 2013 e “sonhadas” algumas ações para 2014. Como fruto, a Pastoral destaca: o avanço do trabalho comunitá-

rio e crescimento do grupo de Campo Limpo; o resgate do diálogo com o poder municipal, através do escritório modelo da PUC “Dom Paulo Evaristo Arns” na luta junto aos semteto – ajudando cerca de 50 comunidades; perseverança das Pastorais Sociais; a partilha de boas notícias das lutas do povo; as reuniões, as celebrações e as visitas às famílias de migrantes e imigrantes (encaminhamento das crianças, acompanhamento de doentes); as manifestações deste ano, com pressão do povo por direitos. Já como sonhos, pode serafirmar o desejo de que os grupos sigam semeando; o fortalecimento do grupo, de forma que cada grupo envie ao

SPM

menos um representante em cada reunião; mais consciência e esclarecimento da atual crise mundial; ampliar a Tarde Cultural; discutir o Plano Diretor, buscar o que, de fato, beneficie a periferia; organizar uma missão urbana em uma comunidade (Campo Limpo); apoiar ou criar novos grupos (Ex. candibenses/Bahia); resgatar contato com os distantes: Vicente de Carvalho, Campinas, Santo André; Bem Viver como resistência a este sistema; a Semana do Migrante mais assumida pelas comunidades; missa do migrante na Catedral, com cantos nossos, da caminhada; que todos tenham casa, saúde, respeito na dignidade. Por Roberval Freire

Pastoral Familiar

A família de Nazaré Secretários da Pastoral Familiar Arquidiocesana

Zuleica e João Abrahão

Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo (cf. Mt 1,16), narra o final da genealogia de São Mateus. Essa é a Família de Nazaré (cf. Lc 1, 26-27; 2,39 e Mt 2,23), formada de um “sim” de Maria (cf. Lc 1, 38) e de José (cf. Mt 1, 24). Um “sim” de fé, com o coração repleto de confiança, sem ter dúvidas, de coração aberto e entregue aos desígnios de Deus. As coisas mais simples de nossas vidas espelham-se no

modelo da Família de Nazaré. Tanto Maria como José acreditaram, até o fim, admirados das coisas que d’Ele se diziam (cf. Lc 2, 33) e conservando todas essas palavras, meditando-as no seu coração (cf. Lc 2, 19.51), certos de que a solução para toda e qualquer aflição (cf. Lc 2, 48), qualquer dúvida (cf. Jó 2, 5), está em acreditar, ter fé, esperança e muita oração. As mesmas dificuldades que José e Maria enfrentaram [o machismo da época (cf. Mt 1, 19), nenhum lugar para Jesus nascer (cf. Lc 2, 7); fuga para o exílio (cf. Mt 2, 14); o desespero na procura do filho perdido (cf. Lc 2, 43); educação do filho (cf. Lc 2, 50-52); pai virginal (cf. Mt 1, 18.25);

mãe divina (cf. Lc 1, 34-35)] são as mesmas que a família atual enfrenta. Que a fervorosa fala do anjo Gabriel a José e Maria, “não tenhas medo” (Mt 1, 20; Lc 1, 30), seja a nossa força e a nossa guarida para enfrentar as limitações e superar as dificuldades diárias. Assim, a família cristã confia em Deus e segura na mão d’Ele, segue seus ensinamentos, testemunhando a Família de Nazaré nos dias de hoje e assumindo seu ser e sua missão no mundo. A família que “acolhe, vive, celebra e anuncia a Palavra de Deus” (cf. Santo Domingo, n. 214) e permanece vigilante na fé supera todos os imprevistos, e, quanto mais ela se torna cristã, mais ainda se torna humana.


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Instituto de Direito Canônico “Pe. Dr. Guiseppe Benito Pegoraro”

vem senhor jesus

24ª Exposição Franciscana de Presépios NAYá FERNANDES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Dom Odilo participa da abertura da 11ª Semana de Direito Canônico e profere a conferência inicial, dia 26

Semana de Direito Canônico recorda jubileu do Concílio Evento aconteceu entre os dias 26 e 29, numa parceria do Instituto “Pe. Dr. Giuseppe Benito Pegoraro” e a Universidade Lateranense NAYÁ FERNANDES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

O Instituto de Direito Canônico “Pe. Dr. Guiseppe Benito Pegoraro”, agregado à Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, promoveu entre os dias 26 e 29, a 11ª Semana de Direito Canônico com o tema “30 anos do Código Latino e 50 anos do Concílio Vaticano 2°”. O curso, que é certificado pelo Instituto no Brasil e pela Lateranense, em Roma, teve o objetivo de aprofundar alguns elementos da Codificação Canônica Vigente, “o último documento do Concílio Vaticano 2º”, instrumento para a evangelização. Entre os conferencistas, estiveram os italianos: padre Manuel Jesus Arroba

Conde e os professores Riondino Michelle e Matteo Nacci. O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer proferiu a conferência de abertura e falou sobre o Concílio Vaticano 2º e, no mesmo dia, à tarde, aconteceram as primeiras defesas de teses (públicas) de Doutorado e Mestrado, que se sucederam até quinta-feira, 28. No último dia, ao abordar a pastoralidade do Direito Canônico, cônego Martin Segú Girona, diretor do Instituto de Direito Canônico “Pe. Dr. Giuseppe Benito Pegoraro”, afirmou: “As condições devem ser justas, humanas e cristãs, em conformidade com a BoaNova. Caso contrário, não serão pastorais. Que não se permitam formas abusivas de poder, que são contrárias ao próprio Evangelho”. Ao O SÃO PAULO, padre Jean Rafael Eugênio Barra, coordenador da Semana, e responsável pela tese de doutorado sobre “A fidelidade do Confessor ao Magistério e as qualidades de Médico e Juiz”, explicou que este ano as discussões versaram sobre a orientação personalista do processo canônico no Código de 1983, com suas dificul-

dades e desafios, abordados também em relação às bases antropológicas da perícia frente ao Direito e nos trabalhos nos Tribunais Eclesiásticos. A justiça reparativa, o Direito Penal Canônico e os princípios de Direito Público Eclesiástico na Codificação Canônica, também estiveram entre os temas das conferências. “O Direito Canônico na Igreja é em vista da pastoral. Ele vem garantir pra nós os direitos e deveres das pessoas, que, a partir do Batismo, pertencem verdadeiramente à Igreja. Assim, a medida que conhecem Jesus Cristo, não têm mais medo do Direito, mas se servem dele para viver a justiça e a qualidade de vida que Deus nos concede”, explicou padre Jean. Foram defendidas 11 teses de Doutorado e 6 de Mestrado. Dentre elas, a da leiga Kimiko Kaulano, sobre a “Cúria diocesana e o Poder Executivo”. Para ela, que é também doutora em Direito Civil, o Direito Canônico foi uma graça recebida de Deus. “Comecei sem muito interesse. Depois da teologia fui fazer mestrado em Direito Canônico. Sinto que isso estava no projeto de Deus.”

“A figura do Papai Noel está relacionada ao aspecto econômico. Não tem nenhum laço e significado cristão, bem como não faz parte das figuras do presépio. Papai Noel preenche um curto período e cria falsa sensação de realização, enquanto Jesus, personagem principal do presépio, preenche e completa toda a vida. Na cena do presépio, o ser humano tem a sua existência identificada em cada personagem e faz a experiência do encontro, do afeto, da realização plena.” O testemunho é do frei Róger Brunorio, ofm, museólogo e curador da Exposição Franciscana de Presépios do Convento São Francisco de Assis, desde a 21ª edição. A exposição já faz parte das festividades natalinas da cidade de São Paulo há 24 anos. “O acervo pertence a uma coleção iniciada nos anos de 1970, pelos freis Estêvão Ottenbreitt, ofm, e Paulo Limper, ofm. Em todas as mostras, foram expostos mais de 800 presépios provindos de várias partes do Brasil e do mundo”, explicou frei Róger ao O SÃO PAULO. A cada ano, novos presépios são adquiridos e, depois, incorporados à coleção. “Costumamos também fazer empréstimos para outras casas franciscanas e entidades religiosas e culturais. Este ano, cerca de 100 presépios da coleção estarão em outras exposições”, disse o Curador. Quem visitar o Convento, entre os dias 6 e 29, verá

presépios da Argentina, Alemanha, Quênia, Paraguai, Angola, Polônia, Filipinas, EUA, Indonésia, Itália, Bolívia, Peru, Síria, Hungria, Áustria e Brasil. O ambiente foi preparado para lembrar uma estrebaria, e há presépios especialmente montados para as crianças. Frei Róger contou como foi pensada a mostra infantojuvenil. “Tivemos a sorte de encontrarmos estes conjuntos que remetem ao universo infanto-juvenil. A primeira busca foi por causa de um presépio da Playmobil, da Áustria e daí os demais vieram para compor este universo mágico e lúdico.” Em 2012, foram cerca de 10 mil visitantes, e o objetivo é que mais pessoas façam a experiência de meditar o mistério do Natal. “As pessoas vêm para ver os presépios e também por causa do verdadeiro sentido do Natal: o nascimento de Jesus. Encontram um oásis de paz e, contemplando os presépios, fazem a sua reflexão”, afirmou frei Róger. Serviço 24ª Mostra Franciscana de Presépios do Convento São Francisco de Assis Local: Largo São Francisco, 133, Sé Abertura: sexta-feira, 6 de dezembro, às 11h30 Visitação: 6 a 29 – segunda à sexta-feira das 9h às 17h; sábados das 9h às 15h e domingos das 9h às 12h. Nos dias 24 e 25, não haverá visitação. Informações: (11) 3291-2400 Fotos: Frei Róger Brunorio


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Geral

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Plataforma Sinergia articula ações pela erradicação da fome Na quarta-feira, 4, haverá uma reunião de articulação para colher assinaturas de apoio ao projeto de lei que visa: Erradicação da fome, fazendo-se cumprir a função social dos alimentos. O evento, promovido pela Plataforma Sinergia, será na Câmara Municipal de São Paulo, das 10h às 11h30. Informações: www.plataformasinergia.com.br/fome.

Na Copa do Mundo de 2014, ‘Jogue a favor da vida’ Campanha será realizada entre março e julho do próximo ano, com foco no combate ao tráfico humano Daniel Gomes Redação

Na sexta-feira, 6, acontece na Costa do Sauípe (BA), o sorteio dos grupos da Copa de 2014, no Brasil. O mundial de futebol, que aguça a paixão dos torcedores, também tem se revelado ocasião para o aumento do tráfico humano, realidade que atinge mais de 800 mil pessoas no planeta, segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM). Reunidas todas as vítimas, seria

Arquivo pessoal

Participantes da rede ‘Um Grito pela Vida’ apresentam, em Brasília, campanha que será lançada nacionalmente em março

possível lotar por mais de dez vezes o estádio Maracanã, palco da final da próxima Copa. Atenta a essa realidade, a rede “Um Grito pela Vida”, iniciativa da Vida Religiosa do Brasil Intercongregacional, constituída por 150 religiosos(as), apresentou em novembro a campanha “Jogue a favor da vida”, que promoverá ações preventivas ao tráfico humano antes e durante a Copa de 2014. “A campanha prevê a produção de material, a capacitação

de lideranças para sua divulgação nas comunidades e nos grupos de risco de tráfico de pessoas, no Brasil e nos países limítrofes, e tem como objetivos: sensibilizar e informar a sociedade civil, sobretudo os grupos mais vulneráveis, sobre tráfico de pessoas e os riscos do seu crescimento durante a Copa; favorecer a reflexão sobre o impacto social de grandes eventos, de modo especial a Copa, evidenciando e denunciando as violações de direitos dos gru-

CENTRO DE FORMAÇÃO IR. RITA CAVENAGHI CNPJ: 01.409.519/0001-90

CONGREGAÇÃO MISSIONÁRIAS DA IMACULADA CNPJ: 44.373.520/0001-15

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO ENCERRADO EM DEZEMBRO/12 Renda Operacional Bruta Receitas Convênio Prefeitura R$ 579.862,00 Receitas com Donativos R$ 128.993,71 Receitas com a Creche R$ 17.289,15 Receitas de artesanato R$ 3.663,90 Receitas Financeiras R$ 4.494,58 Res.Oper.Bruto R$ 734.303,34 Despesas Operacionais Desp.Recursos Humanos R$ (100.286,84) Desp.Financeiras R$ ( 2.155,65) Desp.Manutenção R$ (82.536,17) Desp.Adm. Conv.CEI R$ (527.280,53) R$ (712.259,19) Result. Operacional Líquido R$ 22.044,15 Result.do Exercício anterior R$ 243.231,20 R$ 265.275,35

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO ENCERRADO EM DEZEMBRO/12 Renda Operacional Bruta Receitas com Donativos R$ 531.595,89 Receitas Financeiras R$ 10.659,43 Res.Oper.Bruto R$ 542.255,32

BALANÇO PATRIMONIAL DE 01/01/2012 À 31/12/2012 ATIVO ATIVO CIRCULANTE DISPONIBILIDADES Bancos Conta Movimentos R$ 186.241,79 REALIZÁVEL A CURTO PRAZO Provisão Trabalhista R$ (54.715,74) Total do Ativo Circulante R$ 131.526,05 ATIVO PERMANENTE IMOBILIZADO Imóveis R$ 238.489,39 Móveis e Utensílios R$ 56.288,07 Máquinas e Equipamentos R$ 12.506,15 Depreciação Acumulada R$ (92.321,68) Total do Ativo Permanente R$ 214.961,93 TOTAL DO ATIVO R$ 346.487,98 PASSIVO

PASSIVO CIRCULANTE VALORES À PAGAR A CURTO PRAZO Obrigações com Pessoal R$ 65.954,51 Obrigações Sociais R$ 15.258,12 Total do Passivo Circulante R$ 81.212,63 PATRIMÔNIO LÍQUIDO RESULTADO ACUMULADO Superávits Acumulados R$ 243.231,20 Superávit do Exercício R$ 22.044,15 Total Superávits Acumulados R$ 265.275,35 TOTAL DO PASSIVO R$ 346.487,98 Reconhecemos a exatidão do presente BALANÇO PATRIMONIAL, levantado em 31/12/12, que soma a importância de R$ 346.487,98 (Trezentos e Quarenta e Seis Mil Quatrocentos e Oitenta e Sete Reais e Noventa e Oito Centavos).

Despesas Operacionais Desp.Recursos Humanos Desp.Financeiras Desp.Manutenção Result. Operacional Líquido Result.do Exercício anterior

BALANÇO PATRIMONIAL DE 01/01/2012 À 31/12/2012 ATIVO ATIVO CIRCULANTE DISPONIBILIDADES Bancos Conta Movimentos R$ 25,00 VALORES À RECEBER Aplicações à Curto Prazo R$ 319.983,95 Total do Ativo Circulante R$ 320.008,95 ATIVO PERMANENTE IMOBILIZADO Imóveis R$ 3.604.581,51 Móveis e Utensílios R$ 64.841,39 Máquinas e Equipamentos R$ 64.981,81 Veículos R$ 138.430,75 Depreciação Acumulada R$ ( 948.694,06) Total do Ativo Permanente R$ 2.924.141,40 TOTAL DO ATIVO R$ 3.244.150,35 PASSIVO PASSIVO CIRCULANTE VALORES À PAGAR A CURTO PRAZO Empréstimo Banco Obrigações Sociais Total do Passivo Circulante

Bragança Paulista, 31 de Dezembro de 2012.

Luiz Marques Sperandio Contador - CRC 1SP119134/O-5

R$ 378,23 R$ 863,34 R$ 1.241.57

PATRIMÔNIO LÍQUIDO RESULTADO ACUMULADO Superávits Acumulados R$ 3.270.320,40 Déficit do Exercício R$ ( 27.411,62) Superávits Acumulados R$ 3.242.908,78 TOTAL DO PASSIVO R$ 3.244.150,35 Reconhecemos a exatidão do presente BALANÇO PATRIMONIAL, levantado em 31/12/12, que soma a importância de R$ 3.244.150,35 (Três Milhões Duzentos e Quarenta e Quatro Mil Cento e Cinqüenta Reais e Trinta e Cinco Centavos).

Bragança Paulista, 31 de Dezembro de 2012. Irmã Antonia Dal Mas Presidente

R$ (10.540,30) R$ ( 1.139,09) R$ (557.987,55) R$ (569.666,94) R$ ( 27.411,62) R$ 3.270.320,40 R$ 3.242.908,78

Irmã Antonia Dal Mas Presidente

Luiz Marques Sperandio Contador - CRC 1SP119134/O-5

pos mais vulneráveis; contribuir para coibir o crescimento do tráfico de pessoas e práticas similares de exploração durante a Copa; e promover uma cultura de respeito e valorização da vida”, explicou irmã Eurides de Oliveira, coordenadora da campanha, ao O SÃO PAULO. De acordo com a Religiosa, a ideia da campanha surgiu em 2011, baseada em realidades das Copas de 2006 e 2010. “Estudos feitos demonstraram o aumento da exploração sexual com relação aos megaeventos ‘Copa’, e no contexto da África do Sul, o aumento do tráfico de pessoas, sobretudo de mulheres para fins de exploração sexual”, recordou. A partir de março de 2014, a campanha estará nas mídias sociais, e nos meios de comunicação e seguirá até julho, com materiais divulgativos em português e espanhol, tendo, também, “atividades de formação, sensibilização, panfletagem, divulgação na imprensa, de-

bates, seminários, plantão nas rodoviárias, aeroportos, portos, além de divulgação dos disquedenúncias e articulação com os conselhos tutelares, órgãos de segurança, núcleos de enfrentamento e centros de direitos humanos, para garantir os espaços de atendimento, acolhida e encaminhamento das denúncias”, detalhou a Irmã. A campanha, segundo a Religiosa, já vai ser apresentada às dioceses, comunidades e pastorais durante a CF-2014, que tratará do tráfico humano, para que essas possam aderir à iniciativa e ajudar em sua sistematização e divulgação. ‘Jogue a favor da vida’

Visa atuar na prevenção do tráfico humano antes e durante a Copa do Mundo de 2014; Na logomarca da campanha, as mãos revelam o símbolo de força e vida; e a bola de futebol e a palavra “jogue” procuram estimular as denúncias; Blog - http://gritopelavida. blogspot.com.br E-mails – gritopelavida@gmail. com ou pastoral@icm-sec.org.br

Cáritas Arquidiocesana de São Paulo “Deus é amor: quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele” 1Jo 4,16 SOLIDARIEDADE À NAÇÃO FILIPINA Vamos nos unir em uma grande rede de solidariedade em favor de nossas irmãs e irmãos filipinos que sofrem em consequência aos danos provocados pelo Tufão Haiyan. A Arquidiocese de São Paulo, por intermédio da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, disponibilizou uma conta corrente para que possamos contribuir para o atendimento às pessoas atingidas. A Cáritas Filipinas e a Igreja Local, por meio das dioceses e das paróquias das áreas mais afetadas, estão arrecadando e distribuindo alimentos. Mais de 20 mil kits já foram distribuídos em 13 dioceses e, em breve, 18 mil tendas serão distribuídas para abrigos temporários. Os recursos arrecadados pela campanha emergencial na

Arquidiocese de São Paulo serão encaminhados a Cáritas Brasileira, para que sejam destinados a Cáritas Filipinas e revertidos nesse primeiro momento, em utensílios de primeira necessidade, tais como: comida, água potável, produtos de higiene pessoal e abrigos. Após essa primeira etapa, os recursos serão destinados a apoiar a reconstrução das comunidades. Experimente a ALEGRIA DE DOAR, “Há mais alegria em dar do que em receber” At 20,35 Banco: Itaú - 341 Agência: 0057 Conta Corrente: 17.627-3 Informações para DOC ou TED: Caritas Arquidiocesana de São Paulo CNPJ: 62.021.308/0001-70 Outras informações: 3105-4023 caritasarqsp@uol.com.br http://www.caritassp.org.br Padre Marcelo Álvares Matias Monge - Diretor


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Encontro Arquidiocesano da Campanha da Fraternidade No sábado, 7, das 8h30 às 12h30, acontecerá o Encontro Arquidiocesano da Campanha da Fraternidade que terá como tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e como lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,11). O encontro será no Auditório Dom Paulo, no Centro de Pastoral São José do Belém (rua Álvaro Ramos, 366, Belém).

Conferência trata de políticas para imigrantes Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania

Evento em São Paulo reuniu estrangeiros que vivem na cidade e resultou em 57 propostas a ser apresentadas na etapa nacional Daniel Gomes

Reportagem no centro

A defesa de que os imigrantes possam votar e ser votados para cargos públicos foi uma das principais bandeiras assumidas pelos participantes da 1ª Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, realizada no centro de São Paulo, entre 29 de novembro e 1º de dezembro. Promovida pela Coordenação de Políticas para Migrantes (CPMig), da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, a atividade permitiu a socialização das demandas de estrangeiros que vivem na cidade e resultou em 57 propostas

Secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottilli, fala na abertura do evento no centro de São Paulo, dia 29

para a 1ª Conferência Nacional de Migrações e Refúgio, que será em 2014, com a participação de delegados de todo o País, 50 dos quais da cidade de São Paulo. Rogério Sottilli, secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, afirmou que a atual administração tem discutido a regulamentação das atividades culturais dos imigrantes, o combate ao preconceito que sofrem e formas de desburocratizar os documentos de que necessitam. Ele também defendeu que tenham direito a voto.

7ª Marcha dos Imigrantes “Nova Lei de Migração justa e humana – para o fim da discriminação” foi o tema da 7ª Marcha dos Imigrantes, realizada no domingo, dia 1º, em São Paulo. Partindo da praça da República, os participantes caminharam pelas ruas do centro e concluíram a atividade com ato público na praça da Sé, apresentando, entre outras demandas: o direito de votar e ser votado, rechaço às deportações, garantia de trabalho decente, defesa de educação e

saúde de qualidade, integração dos povos, e uma cidadania universal. Sobre o tema da 7ª Marcha, João Carlos Alves Pereira, que integra o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), comentou que “a discussão da nova política de imigração é para que tenha como foco central a dignidade humana e não que o imigrante é o outro, alguém não conhecido, visto com desconfiança. É para que tenham acessos a direitos básicos”.

“Uma população só é valorizada realmente quando vota. Queremos nesta Conferência discutir e levar para a Conferência Nacional a luta pelo direito ao voto do imigrante”, destacou ao O SÃO PAULO. A vice-prefeita da capital, Nádia Campeão, também considerou justa a reivindicação dos imigrantes pelo direito ao voto, assim como o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que à reportagem disse que a discussão poderá ser levada ao Senado, considerando legislações

vigentes em outros países. Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça, afirmou que o Brasil ainda não tem estruturas dignas para atender às demandas dos imigrantes, mas que a 1ª Conferência Nacional pretende tirar da invisibilidade os dramas por eles sofridos. Mônica Rodriguez Ulo, há oito anos em São Paulo, avaliou que o evento foi um momento histórico e lembrou que os imigrantes ainda têm dificuldades para a legalização de documen-

tos e sofrem preconceitos. Para ela, só alcançarão visibilidade com o direito a voto. “Eu adoro o Brasil, gosto de morar aqui, tenho dois filhos brasileiros, tenho direitos que devem ser respeitados. Todos somos iguais.” João Carlos Alves Pereira, que integra o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), avaliou que as conferências são avanços nas lutas pelos direitos dos imigrantes, porém lamentou que nem todos tenham podido participar do evento, por estar em momento de trabalho. “É preciso pensar agendas que sejam acessíveis a todos, e outro desafio são os imigrantes sem documento, que têm medo de aparecer em público, é preciso informá-los para que percam o temor de ir a esses eventos.” De acordo com Paulo Illes, coordenador da CPMig, há na cidade de São Paulo cerca de 500 mil imigrantes, dos quais 397 mil estão regularizados na Polícia Federal. Ele garantiu que, após a Conferência Municipal, será criado um grupo de trabalho para estudar o documento final do encontro e integrar as demandas ao Plano de Metas de São Paulo.

Luciney Martins/O SÃO PAULO


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A Evangelii Gaudium do papa Francisco Transformação missionária da Igreja é um dos pontos tratados na exortação lançada pelo Pontífice no encerramento do Ano da Fé PADRE CIDO PEREIRA DIRETOR DO O SÃO PAULO

Enfim chega a tão esperada exortação apostólica assinada pelo papa Francisco, que resume a colaboração de bispos de todo o mundo que participaram da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada de 7 a 28 de outubro de 2012, e que teve como tema “A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”. Intitulada Evangelii Gaudium, a carta traz a marca da simplicidade característica do papa Francisco. Ele a inicia falando da alegria do Evangelho que enche o coração e a vida dos que se encontram com Jesus, alegria que, experimentada naturalmente, é anunciada. Quer o Papa a transformação missionária da Igreja, quer uma Igreja “em saída”, neolo-

gismo que ele usa para dizer que a Igreja tem que se desinstalar. Ele usa também o verbo “primeirear”, para afirmar que a Igreja “em saída” toma a iniciativa, se envolve, acompanha, frutifica e festeja no anúncio do Evangelho. Para que a Igreja chegue a essa transformação missionária, papa Francisco fala da necessidade da conversão pastoral ou de uma pastoral em conversão. A essa conversão são chamados, os movimentos e comunidades, a paróquia, a diocese, o bispo e até mesmo o papado. Essa conversão vai levar a Igreja a não se perder no anúncio de um amontoado de verdades, todas importantes, mas a se concentrar “na beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo, morto e ressuscitado”. Mais respaldo às conferências episcopais, revisão de costumes tradicionais, igrejas de portas abertas, pastores com o cheiro das ovelhas são temas que retornam na Evangelii Gaudium. Impressiona ouvir o Papa dizendo preferir “uma Igreja ferida e suja, que sai pelas ruas, a uma igreja prisioneira de si mesma. A igreja deve mesmo ficar inquieta diante do fato de muitos irmãos viverem sem a amizade de Jesus. E, ao apontar as tenta-

ções dos evangelizadores no mundo a que são enviados, o Papa vai clamando: “Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário... a alegria da evangelização... a esperança... a comunidade... o Evangelho... o amor fraterno... a força missionária...” “Que a homilia seja breve, singela, endereçada ao coração das pessoas, sem moralismos, sem doutrinação”, explica Francisco. Bem preparada, deve semear a esperança. Papa Francisco quer a presença da mulher na Igreja, inclusive nos espaços em que se tomam decisões. Pede mais atenção às motivações dos candidatos ao sacerdócio. Alerta contra a inveja e o ciúme na vida das comunidades eclesiais. Acentua o protagonismo dos leigos contra o clericalismo excessivo. Enfim, que a Igreja seja “pobre e para os pobres” e tenha coragem de denunciar o sistema econômico mau em sua raiz, hoje. A Evangelii Gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, delineia um rosto novo para a Igreja. Ler com atenção esse documento e estudá-lo em paróquias, comunidades, movimentos, associações é o grande sim que a Igreja é chamada a dar ao Papa.

L’Osservatore Romano

Papa Francisco entrega exemplar da exortação apostólica Evangelii Gaudium

análises

A alegria do Evangelho por meio da comunicação no mundo Jornalista, doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Trabalha no SEPAC (Serviço à Pastoral da Comunicação), presidente da Signis Brasil

Irmã Helena Corazza, fsp

Olhando, ainda que brevemente, a exortação apostólica Evangelii Gaudium, na ótica da comunicação, pode-se dizer que a alegria e o espírito missionário são o fio condutor de toda a carta. Atitudes essas que nascem da autenticidade de vida e se tornam testemunho, fazem parte das novas linguagens, necessárias à Nova Evangelização, para sermos eficazes ao comunicar na sociedade contemporânea. Quem faz a experiência do encontro pessoal com Cristo vibra pela missão e sua alegria e entusiasmo são contagiantes. Neste tempo em que a comunicação visual e tátil predomina e as pessoas querem experimentar e sentir proximidade, a pessoa do papa Francisco demonstrou, desde o primeiro instante do seu pontificado, ser comunicativa, próxima, não só pela palavra, mas pelo

seu ser, olhar, gestual, modo de se relacionar, modo de falar e de organizar o discurso. O Papa fala a partir de um contexto marcado pela cultura midiática e das redes, no contexto da comunicação global. Assinala a importância da pessoa que comunica, o diálogo, o acolhimento, tendo em conta o interlocutor e não a comunicação de mão única. Em relação aos meios de comunicação, produção e recepção, recomenda atitude vigilante e crítica, no modo de fazêla, tanto no interno da Igreja quanto em relação ao Sistema, para que não se abra mão da mensagem integral do Evangelho. Entre os desafios do mundo atual, nesta cultura globalizada, influência dos meios de comunicação, a carta aponta a educação para a comunicação e uma atitude crítica para não nos deixarmos levar pela cultura dominante que valoriza o imediato, o superficial, a aparência, o provisório, mas ocupemos nosso espaço com ousadia, produzindo uma comunicação comprometida com o anúncio do Evangelho.

Igreja convocada a um renovado anúncio da Palavra Presidente do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep) e assessor da comissão da CNBB para as comemorações do jubileu do Concílio Vaticano 2º

Padre José Oscar Beozzo

No primeiro documento inteiramente de sua lavra, o papa Francisco convoca a Igreja toda para um renovado anúncio do Evangelho no mundo atual. Na tradição de São Lucas, ao qual recorre repetidamente, coloca este anúncio sob a luz da alegria que irradia do próprio Evangelho: “Eis que eu anuncio a vocês a Boa Notícia que será uma grande alegria para todo o povo...” (Lc 2,10). Em cinco capítulos, o Papa pede uma Igreja, toda ela, missionária, analisa a crise do compromisso comunitário, propõe formas atuais para o anúncio do Evangelho, trata da dimensão social da evangelização, com ênfase na inclusão social dos pobres e no diálogo como contribuição para a paz. Conclui com um apelo para uma evangelização que traduza o espírito do Ressuscitado e aponta Maria como estrela da Nova Evangelização, citando o Nican Mopohua, o relato do encontro do

índio Diego com a Virgem Maria que, no México e em toda a América Latina, será invocada como Nossa Senhora de Guadalupe. Não escreveu uma encíclica, documento de cunho doutrinal, mas uma exortação apostólica, de caráter mais pastoral e de raiz colegial, pois sintetiza as propostas dos bispos do mundo inteiro emanadas da 13ª Assembleia do Sínodo dos Bispos (2012), sobre o tema da “Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”. Num gesto inusitado em documentos pontifícios, ele recolhe ainda contribuições da periferia da Igreja respigadas em documentos dos bispos das Filipinas, Índia, Congo, Estados Unidos, França e, principalmente, no Documento de Aparecida (2007), além de evocar Puebla e Santo Domingo. Retoma o magistério de seus antecessores, João 23, Paulo 6, João Paulo 2º e Bento 16, mas ancora fortemente suas propostas nas grandes linhas traçadas pelo Concílio Vaticano 2º sobre o Povo de Deus e a colegialidade episcopal (LG), sobre o ecumenismo (UR) e o diálogo inter-religioso (NAe) e, principalmente, sobre a presença da Igreja no Mundo de hoje, na Gaudium et Spes.


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Para dom Odilo Scherer, ‘Exortação aponta rumos da Evangelização’ L’Osservatore Romano

Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

Fruto da Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada em 2012, a exortação apostólica Evangelii Gaudium é a primeira do pontificado do papa Francisco e traz com clareza as impressões pessoais do novo Papa. Nesta entrevista, o cardeal dom Odilo Scherer comenta aspectos do documento, apresentado ao mundo no Domingo de Cristo Rei. O Arcebispo recomenda a leitura integral da Exortação durante o tempo do Advento, como “boa preparação para o Natal”. Confira a íntegra da entrevista. O SÃO PAULO – No Domingo de Cristo Rei, 24 de novembro, o papa Francisco entregou à Igreja sua primeira exortação apostólica, Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho). O que vem a ser uma exortação apostólica? Dom Odilo Pedro Scherer – Trata-se de um documento em forma de carta pastoral dirigida pelo Papa a toda a Igreja, tratando de um assunto específico, ou de vários temas. É uma “exortação”, ou seja, uma orientação forte e insistente. No caso presente, é sobre a evangelização no mundo atual. O SÃO PAULO – Qual é a relação deste documento do papa Francisco com a Assembleia do Sínodo dos Bispos de outubro de 2012, cujo tema foi “A Nova Evangelização para transmissão da fé cristã”? Dom Odilo – A relação é estreita. De fato, depois do Sínodo de 2012, o Papa ainda não havia feito, como acontece, a sua exortação pós-sinodal sobre o tema tratado. É por isso que o papa Francisco o fez agora. Ao mesmo tempo, porém, Francisco deu nessa Exortação a sua grande palavra pessoal sobre a missão evangelizadora nos dias atuais. O SÃO PAULO – Evangelii Gaudium significa “A Alegria do Evangelho”. Há algum motivo especial nessa escolha do título? Dom Odilo – Os documentos pontifícios sempre tomaram o título a partir das primeiras palavras do seu texto em latim. Com o título, o Papa já aponta que o Evangelho é a “Boa-Nova”, que traz alegria e, portanto, interessa a todo homem; lembra, também que o anúncio do Evangelho só é possível se experimentarmos

essa alegria, que brota do encontro com Deus, por meio de Jesus Cristo, no dom do Espírito Santo. Por outro lado, lembra, ainda, que essa alegria não deve ficar presa em nós, nem ser desfrutada sozinha. O Evangelho é “Boa Nova” para todo o povo, como o anjo do Natal disse aos pastores. No fundo, o Papa vai dizendo, desde o título, que o Evangelho é um dom de Deus para a vida do mundo e nós somos os seus felizes mensageiros. O SÃO PAULO – Quais são os principais temas tratados? Dom Odilo – A Exortação Evangelii Gaudium fala dos desafios e necessidades atuais da evangelização. Após uma introdução, vem logo o tema da “transformação missionária da Igreja”; neste capítulo, o Papa fala da “conversão missionária” que urge fazer na Igreja, para que ela se coloque “em saída” e “em

estado permanente de missão”. Nos capítulos seguintes, o documento trata da atual crise do compromisso comunitário e das tentações que os evangelizadores precisam evitar. No capítulo 3, trata da evangelização como missão de todo o povo de Deus e dá um destaque especial à homilia e ao anúncio querigmático. No quarto capítulo, o Papa fala da dimensão social da evangelização e dos pobres, como primeiros destinatários do Evangelho. Enfim, no capítulo 5, fala dos “novos evangelizadores”, que precisam ser animados de espírito novo. O SÃO PAULO – O que o Papa pretende com a exortação Evangelii Gaudium? Dom Odilo – São vários os objetivos, de acordo com as par-

tes do documento. Mas o objetivo principal é apontar à Igreja de hoje quais devem ser os rumos e preocupações da evangelização. O Papa transmite as grandes preocupações e apelos do Sínodo de 2012. Agora, Francisco mostra como a Nova Evangelização deve acontecer; fé na força do Evangelho, conversão da vida, alegria de crer, entusiasmo na missão, atenção aos pobres e a transformação do mundo de acordo com o “Evangelho da Alegria”. O SÃO PAULO – Muito se divulgou que, com este documento, o Papa promoveria uma ampla “reforma” na Igreja. É essa a intenção do papa Francisco? Dom Odilo – Talvez não será a “reforma” que se está imaginando... Porém, a Exortação Apostólica aponta na direção das profundas mudanças necessárias para “renovar” a Igreja. O Papa está chamando para mudanças de atitudes e posturas, de convicções e iniciativas, para que a Igreja, entendida como a inteira comunidade dos batizados, recobre a alegria da fé e do empenho missionário. O SÃO PAULO – É possível perceber traços do Documento de Aparecida na Exortação do papa Francisco? Dom Odilo – Sem dúvida. Francisco leva consigo a sua experiência eclesial da América Latina e também as intuições da Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe, de 2007, onde ele esteve presente e atuou como coordenador da Comissão de redação do Documento. Há muitos elementos do Documento de Aparecida na Evangelii Gaudium. O SÃO PAULO – Como a Exortação Evangelii Gaudium deve ser acolhida pela Igreja? Dom Odilo – Este precioso documento é um presente de Deus para toda a Igreja. Deveria ser lido e estudado por todos, quanto antes. É fácil ter o texto pela internet e, logo mais, nas livrarias católicas. Sugiro ler durante o Advento; seria uma boa preparação para o Natal! Com a leitura e a reflexão, devem surgir iniciativas de muitos tipos para levar à prática a Exortação vigorosa e paternal do papa Francisco a toda a comunidade eclesial.


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Região Ipiranga

Núcleo Ipiranga da Cáritas realiza bazar Pascom

Atividade aconteceu no sábado, 30, e terá sua verba destinada a ajudar as obras sociais que estão presentes na Região Padre Pedro Luiz Pereira

colaborador de comunicação da região

O núcleo Cáritas da Região Episcopal Ipiranga IPIRANGA é um dos mais ativos braços da caridade da Igreja Católica no território que compreende esta região episcopal. Coordenada pelo diácono permanente Anivaldo Blasques, da Paróquia São Vicente de Paulo, a atuação da Cáritas responde aos anseios de uma Igreja solidária com os que sofrem, pensamento atualizado pelas recorrentes palavras do papa Francisco. No entanto, o núcleo Cáritas da Região Ipiranga permaneceu inativo durante algum tempo, e foi somente no fim do ano de 2009 que dom Tomé Ferreira da Silva, ora bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e atual bispo da diocese de São José do Rio Preto, reiniciou o núcleo Cáritas na região episcopal, nomeando um diácono e uma equipe de leigos que aceitaram e assumiram os desafios desse trabalho, sendo portanto o braço da caridade nesta porção da Arquidiocese de São Paulo. Durante o período de reestruturação do núcleo Cáritas, os trabalhos apresentados foram inicialmente de estudos e conhecimentos das realidades da Região Episcopal. Este levantamento foi feito por meio

Cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, comparece a bazar da Cáritas, Núcleo Ipiranga, realizado no sábado, 30

de visitas a locais de benemerências, como entidades que valorizam as pessoas na sua dignidade através da educação e do amparo e acolhimento daqueles que mais sofrem. Neste período de reestruturação, o núcleo Cáritas visitou o Amparo Maternal, o Arsenal da Esperança, a Associação Cruz Verde, que cuida de portadores de paralisia cerebral grave, o Lar São Vicente de Paulo do bairro Heliópolis, o Lar de Idosos da Vila Brasilina e a Casa de Recuperação da Vila Carioca. O núcleo Cáritas também caminha de acordo com as pistas de ação da Arquidiocese de

São Paulo e, juntamente com os grandes temas solicitados pela Arquidiocese através do 11º Plano de Pastoral, ofereceu momento de formação para os agentes e pessoas interessadas em conhecer, aprofundar e agir em suas pastorais e comunidades seguindo o projeto de Evangelização 2013-2016. Neste ano, no mês de maio, aconteceu o estudo da Lumen Gentium promovido pelo núcleo Cáritas. Já no mês de junho, o núcleo regional da Cáritas realizou o primeiro Bazar do Bem, com roupas doadas pela Igreja na Suíça, as doações de roupas

com qualidade de conservação são vendidas na sede da Região Ipiranga, e o valor arrecadado é aplicado nas futuras ações sociais que acontecem nas visitas dos membros da Cáritas às instituições de assistência social. No sábado, 30, aconteceu a segunda edição do Bazar do Bem, a sede da Região Episcopal Ipiranga permaneceu aberta das 8h até às 17h, e dessa vez contou com a inesperada presença do arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer. Por estar em visita ao Seminário de Teologia Bom Pas-

tor, que fica ao lado da sede da Região Ipiranga, dom Odilo foi conferir de perto o trabalho do núcleo Cáritas, ajudando nas vendas e também comprando algumas peças para doar aos necessitados. O Arcebispo de São Paulo ainda permaneceu na Região Ipiranga, pois, no sábado, presidiu a celebração eucarística que crismou jovens e adultos da Paróquia São Bernardo de Claraval. Atualmente a equipe Cáritas núcleo Ipiranga é composta de dez pessoas que formam a representatividade dos cinco setores pastorais da região episcopal Ipiranga.


Região Lapa

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Paróquia Santa Mônica retoma obras de construção Templo precisou ser demolido por conta de rachaduras e reconstrução foi iniciada em 2012 Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Na tarde de terça-feira, 26, a reportagem da LAPA Pascom na Região Lapa visitou as obras de construção da nova igreja matriz da Paróquia Santa Mônica (rua Felício Bottino, 95), Setor Pirituba, sendo recebida pelo padre Jaidan Gomes Freire, responsável pelo acompanhamento da obra. Padre Jaidan acompanhou a visita à obra e comentou sobre a infraestrutura até agora realizada e citou o engenheiro responsável pela obra, José Luiz. Após o término da visita, na secretaria improvisada na casa de uma paroquiana que mora em frente à obra, padre Jaidan disse que a celebração das missas acontece aos domingos, às 9h30, na Escola Estadual João Nogueira Lotufo, e que todos os pertences da igreja, como bancos, geladeira, fogão e outros, estão espalhados nas casas de paroquianos. Explicou, ainda, sobre o início das obras até os dias de hoje. As instalações da Paróquia anteriormente estavam comprometidas com várias rachaduras, abalando sua estrutura, por isso foi demolida. O início da obra de reconstrução da Paróquia aconteceu no dia 26 de agosto de 2012, com a missa presidida pelo arcebispo metropolitano, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer. Dom Odilo, antes do início da missa, ressaltou que “a Igreja prevê uma bênção especial para a pedra fundamental, que tem um significado muito bonito: nós edificamos a Igreja sobre Jesus Cristo, Igreja viva que somos todos nós. A Igreja edifica-se sobre Jesus Cristo, que é a rocha, e todos nós somos como pedras vivas, para erguer o templo do Senhor”. A obra foi iniciada e, depois de alguns meses, já no término da sua fundação, teve de ser interrompida, por falta de recursos financeiros. Padre Jaidan explicou que a obra foi retomada graças à colaboração de diversas paróquias e benfeitores de outros lugares, inclusive da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora,

Benigno Naveira

que abriu todas as portas e espaços e tem ajudado de muitas maneiras, com eventos festivos, bazar permanente, dezenas de carnês e empenho dos padres Jaidan Gomes Freire e Donizete José Xavier. Com toda a ajuda recebida, a obra está na fase de colocação dos pilares de sustentação e até o fim do ano será feita a concretagem da laje. As doações são essenciais para o andamento da obra, e quem puder colaborar poderá contribuir depositando qualquer valor, no Banco Bradesco, Agência 2220 – C/C 33007-8, em nome da Mitra Arquidiocesana de São Paulo.

Templo da Paróquia Santa Mônica, na Região Lapa, está em reconstrução desde agosto de 2012, após ser demolido por conta de problemas em sua estrutura

palavra do bispo

Presépio: para quê? Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Caro leitor do jornal O SÃO PAULO, o acontecimento do Natal, que os evangelhos narram pela palavra, o presépio representa através das imagens. O presépio é um sacramental que nos ajuda a “guardar e meditar no coração” o que Deus fez para nos salvar. Diante do presépio, somos evangelizados e interpelados a responder ao Deus que vem ao nosso encontro. Olhando para o presépio, tomamos consciência de que Deus está muito próximo: Ele nos acompanha, nos ama, nos deseja e

nos espera, por isso proponho algumas indicações práticas e pastorais: 1. Monte o presépio em lugar adequado. Em casa ou em lugares públicos, o presépio deve ser de fácil visualização. É significativo quando seu lugar se torna mais importante que outros; 2. Envolva a família, principalmente os filhos, na sua montagem. Além de incentivar a criatividade e o senso da beleza, a montagem do presépio é uma preciosa oportunidade de revisitar com a mente e com o coração os evangelhos. Usar as mãos, compor a cena, imaginar as ações e os sentimentos, olhar as imagens são ações que ajudam a nos aproximar do mistério da noite luminosa em que os céus e a

terra trocam os seus dons; 3. Monte o presépio no início do Advento e o desmonte no dia do Batismo do Senhor. A montagem pode seguir também o ritmo das festas natalinas: a imagem do Menino Jesus seja colocada na noite de Natal e as imagens dos reis magos, no dia da Epifania. Essa “sintonia” da disposição das peças com a celebração litúrgica ajudará a uma participação mais cordial, atenta e frutuosa das mesmas celebrações; 4. Reze em família diante do presépio. Dedique tempo para agradecer o dom que Deus faz de si mesmo a nós, para reconhecer que ele nos ama, para louvar as maravilhas que ele realiza em nosso favor. Pela oração, oferecemos

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nosso coração ao Filho que se entregou para nossa salvação. A oração é indispensável para que possamos passar do visível do presépio para o invisível da encarnação, do significante das imagens para o significado salvador do Deus feito carne, dos “sacramentos” para os “mistérios”; 5. Leve a imagem do Menino Jesus nas missas do dia 15 de dezembro para ser benzida. Em toda a Arquidiocese de São Paulo, os padres darão essa bênção a fim de ajudar as famílias a celebrarem bem o Natal. Com nossos presépios, unamo-nos ao canto que o céu e a terra entoam na noite suave e santa de Deus: glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!

Quarta-feira (4)

Quinta-feira (5), 20h

Às 20h, Catequese de dom Julio Endi Akamine na Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298).

Mutirão de confissões no Setor Rio Pequeno, para o Advento, na Paróquia Santo Antonio de Pádua (avenida Otacílio Tomanik, 520).

Às 20h, mutirão de confissões no Setor Rio Pequeno, para o Advento, na Paróquia São Mateus (rua Professor José Maria Alckmin, 254).


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Região Santana

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Catequistas participam de dia de retiro regional Diácono Francisco Gonçalves/Pascom

‘Catequista: protagonista da fé, do amor e da esperança’ foi o tema refletido na Paróquia Nossa Senhora Aparecida Diácono Francisco Gonçalves

Catequistas durante retiro ouvem padre Carlo Battistoni, da Diocese de Ponta Grossa (PR), sobre o tema ‘Catequista: protagonista da fé, do amor e da esperança’

O retiro de catequistas da Região Episcopal SANTANA Santana aconteceu no sábado, 23, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida da Vila Albertina, tendo como tema “Catequista: protagonista da fé, do amor e da esperança”. O dia começou com missa presidida por dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arqudiocese na Região Santana. Em sua homilia, dom Sergio destacou a importância do ministério da Catequese assumido com convicção e dedicação, com verdadeira clareza de quem é iluminado com a luz do Ressuscitado, que a todos prepara nesta caminhada rumo ao Reino definitivo. O Bispo recomendou ainda que, em todo encontro de Catequese, o catequista deve rezar com seus catequizandos, ensinando-os a rezar; sem se esquecer de Maria, mãe de Jesus e nossa mãe. Dom Sergio concluiu motivando a todos para o retiro como um momento privilegiado para a espiritualidade do catequista. O pregador, padre Carlo Battistoni, da Diocese de Ponta Grossa (PR), conseguiu contagiar a todos com seu modo de conduzir as reflexões. Começou falando da alegria necessária no rosto e no coração dos catequistas. Destacou que o protagonismo do catequista está na sua experiência de fé, na sua confiança e fidelidade a Jesus e a sua palavra: “Ele nos escolheu seus colaboradores para permanecer com ele e enviá-los para anunciar a Boa-Nova: o impossível que se torna possível”. Ao fim do evento, os catequistas colocaram-se em oração para o momento mariano, motivados pelo padre Paulo Cesar Gil, coordenador regional de Animação BíblicoCatequética, e receberam a programação de atividades previstas para 2014.

Domingo, dia 8, tem eleição para Conselho Participativo Municipal

Colaborador de Comunicação da Região

da região episcopal

No domingo, 8, ocorrerão as eleições para o Conselho Participativo Municipal, que será composto por conselheiros, com mandato de dois anos e sem remuneração, e com a importante tarefa de fiscalizar as ações e os gastos públicos, assim como participar do planejamento de políticas públicas. Eles serão eleitos em votação com urnas eletrônicas fiscalizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral. O Conselho Participativo da Subprefeitura Vila Maria será composto por 30 pessoas;

Casa Verde, por 31; Jaçanã, por 30; e Santana, por 33. No dia da eleição, qualquer morador(a) da cidade poderá votar em até cinco candidatos,

apresentando título de Eleitor e um documento de identificação com foto, como o RG. Na Região, apresentaramse candidatos comprometidos Padre Paulo Cesar Gil

Candidatos engajados em pastorais na Região Santana visitam Cúria, dia 28

com as pastorais e tiveram incentivos de padres e do bispo dom Sergio Borges. Para agradecer esse apoio, estiveram na Cúria, dia 28, alguns agentes de pastoral e candidatos, com seus respectivos números e telefones: José Gimenez, 78.043; Anselmo Silva, 78.011; Wagner Seixas, 78.101; Vera Agueda, 78.100; José Afonso, 78.040; Paulo Moura, 80.068; e Severina Eudoxia, 76.093. Os locais de votação estão no seguinte link, ou ligar para os candidatos acima mencionados que eles irão lhe ajudar: www.conselhoparticipativo. prefeitura.sp.gov.br.

palavra do bispo

Nesta casa, Jesus é acolhido! Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

Nossa Arquidiocese está oferecendo para todas as comunidades, lideranças e pessoas entusiasmadas pelo Reino de Deus, a Novena de Natal, com o belíssimo tema: “Ele está no meio de nós”. Os encontros da novena foram muito bem elaborados e nos auxiliarão a viver melhor o tempo do Natal e a ter sensibilidade pela presença de Jesus em nosso meio. Uma frase em destaque no cartaz da novena, aquele pequeno, em que somos convidados a colocar na porta da casa ou do apartamento, me tocou

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o coração; a frase diz: “Nesta casa, Jesus é acolhido”. Fez-me recordar das muitas passagens dos Evangelhos, nas quais as pessoas abriram as portas de suas casas para acolher o bom Jesus. Pedro acolheu Jesus em sua casa; sua sogra, que sofria com muita febre, foi curada. A Palavra diz que ela, na mesma hora, passou a servir Jesus (Lc 4, 38-39). Marta e Maria abrem as portas do lar e o recebem com muita alegria; Maria deixa os afazeres e dedica tempo para ouvir Jesus e recebe estas palavras de conforto: “Escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10, 38-42). Zaqueu, homem pecador, cobrador de impostos, recebe de Jesus a belíssima notícia: “Zaqueu, hoje quero ficar em

tua casa”. Quando entrou na casa de Zaqueu, o Senhor disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa”. E Zaqueu foi transformado, tornou-se um homem novo, com esperança, alegria e entusiasmo (Lc 19, 1-10). Essas passagens nos mostram que a presença do Senhor na casa provoca uma transformação, graças se derramam sobre a pessoa que o acolhe com alegria e com a decisão de dedicar um tempo para Ele. São graças que o povo de Belém perdeu. Quando estava se completando o tempo para o nascimento de Jesus, São Lucas nos conta que o povo de Belém não foi capaz de perceber a presença do Salvador, que Jesus estava no meio deles, que Deus os estava visitando. As pessoas não

quiseram acolher Jesus em suas casas (Lc 2,7). Cada um pode escolher entre a alegria de Zaqueu, de Maria e da sogra de Pedro ou a indiferença do povo de Belém. Cada um pode escolher um tempo bonito de graça, de presença amiga do Senhor ou a agitação dos que não têm tempo, não têm futuro, vão passar mais um ano sem graça. O tempo do Advento, a novena em preparação ao santo Natal, os exercícios espirituais, a santa Confissão têm a finalidade de nos auxiliar a preparar a casa, deixá-la bem aconchegante porque é certo que o Menino Jesus vai bater à nossa porta. Ele sabe que existe um lugar especial para Ele em nossa ‘casa’, em nosso coração.

Terça-feira (3), 10h

Sexta-feira (6), 9h

Sexta-feira e sábado (6 e 7)

Confraternização do Clero, na Cúria de Santana.

Reunião da Comissão de Presbíteros, na Cúria de Santana.

Dia 6, das 14h às 22h, e, no dia 7, das 7h às 22h, encontro da Comunidade Anjos da Vida, no Centro Santo Frei Galvão (avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, 1.853).


Região Sé

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Encontro no Centro Pastoral reúne secretárias Centro de Pastoral da Região Sé

Atividade realizada há mais de 15 anos na Região tem o objetivo de valorizar a acolhida dos fiéis no atendimento das paróquias Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

A Região Episcopal Sé realizou na quinta-feira, SÉ 28, mais uma edição do Encontro Regional de Secretárias Paroquiais. A reunião aconteceu no Centro Regional de Pastoral, na zona oeste de São Paulo. Houve uma manhã de espiritualidade a partir do Tempo do Advento, iniciado no domingo, 1º . “Refletimos sobre o sentido do Advento enquanto preparação para a Natal, além de falar sobre a importância do trabalho das secretárias e secretários para a vida da comunidade paroquial. Por isso, a necessidade de alimentar a espiritualidade”, explicou o padre Aparecido Silva, vigário geral da Região Sé. Na reflexão, o Padre motivou as secretárias a refletirem sobre o sentido de seu serviço e que, antes de tudo, são “seres humanos, pessoas cristãs, com sua vida de fé”. Houve também um momento de avaliação das atividades do ano e também de sugestões de temas a serem abordados no próximo ano. “Entre os temas sugeridos, destacamos questões relacionadas ao acolhimento e orientações relacionadas ao atendimento dos fiéis, sobretudo aqueles que procuram as paróquias para a celebração de sacramentos, como Batismo e Matrimônio”, destacou padre Aparecido. Esses encontros com as secretárias já acontecem há mais de 15 anos na Região Sé e tem um resultado positivo. “Nós percebemos um crescimento, amadurecimento das secretárias que têm participado desses encontros. Tais encontros também são uma grande oportunidade de troca de experiências, uma vez que elas vivem desafios comuns. Tanto que uma das propostas para o próximo ano é que haja mais dinâmicas de grupo para que elas possam falar de suas dificuldades e desafios”, destacou o Padre. Adenize de Oliveira é secretária na Paróquia Santíssimo Sa-

Secretárias paroquiais da Região Sé participam de encontro formativo na quinta-feira, 28, no Centro Regional de Pastoral, na zona oeste de São Paulo

cramento há seis anos e participa assiduamente dos encontros. “Sempre é muito edificante participar desses encontros, pois os desafios no nosso trabalho são cada vez maiores e precisamos estar preparadas”, afirmou. Para ela, é preciso nunca perder de vista a necessidade de sempre acolher bem, lembrando que recentemente o papa Francisco tem insistido na ideia de que a Igreja não pode ser uma “alfândega pastoral”, que barre o acesso das pessoas à vida de fé. “A secretária é a principal porta de entrada de uma pessoa

para a paróquia. A partir do momento em que a pessoa é bem acolhida, ela se sente estimulada a participar da comunidade. Assim como quando não é bem

acolhida, gera um bloqueio para seu acesso à comunidade”, ressaltou. Para que haja um bom acolhimento, Adenize reforçou

que, sem um preparo e uma espiritualidade, é impossível desempenhar essa missão. “Eu procuro atender bem as pessoas, pois são meus irmãos.” Centro de Pastoral da Região Sé

Reunião do Clero – Os padres e diáconos que atuam na Região Sé se reuniram na última quinta-feira, 28, na Paróquia Santíssimo Sacramento, na zona sul. O encontro teve como objetivo avaliar as atividades de 2013 e foi também um momento de confraternização do clero reunido com dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal para a Região Sé.

palavra do bispo

Rorate Coeli Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

Rorate coeli é um canto da tradição cristã para o tempo do Advento. Inspira-se no texto do profeta Isaías 45 e 64, e expressa a grande expectativa da humanidade pela vinda do Salvador! O refrão diz: “Derramai, ó Céus, das alturas, o seu orvalho, e as nuvens chovam o Justo”. A primeira estrofe compara a realidade da vida a um deserto necessitado de água. Esta Cidade Santa é a Igreja, sedenta de renovação em cada uma de nossas comunidades: “Não vos irriteis, Senhor, e

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não recordeis nossas iniquidades. Eis que sua Cidade Santa foi feita um deserto: Sião um deserto tornouse, Jerusalém está desolada; a casa de Sua santificação e de Sua glória, onde Vos louvaram nossos pais”. A seguir, nossa condição de pecadores é comparada a uma folha morta, arrastada pelo vento, cada vez para mais longe do Senhor! O canto nos faz reconhecer nossos pecados, que pode significar também a necessidade de conversão pastoral: “Pecamos, e estamos vivendo como imundos, caímos nas profundezas, como uma folha morta no universo e nossas iniquidades nos arrastam como um vento forte: escondestes Vossa face de nós

e nos aquebrantastes com o peso de nossa própria iniquidade”. Por isso, imploramos a misericórdia do Senhor, para que venha ao nosso encontro quanto antes. Ele é o cordeiro que nos liberta do jugo que nos oprime. Somente a partir de Cristo nossa Igreja recobrará ânimo e liberdade para quebrar os grilhões que a prendem e voar para a missão: “Vede, Senhor, a aflição de seu povo, e mandai rapidamente Aquele que está para vir: enviai diante de nós o Cordeiro, Senhor de toda a Terra, da Rocha do deserto aos Montes das filhas de Sião, e retirai o severo jugo de nossa sujeição”. Como a chuva desce do alto e irriga a terra, o Senhor vem a nós e nos faz recobrar

a vida e vencer toda aflição e todo medo. Por isso, comprometidos com o Reino de Deus, imploramos Rorate coeli: “Consolai-vos, Consolai-vos, Ó Meu povo, pois que vem tua Salvação. Por que estais se consumindo em aflição, por que vos renovais em sua dor? Eu salvar-te-ei, não tenhais medo: Eu Sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Redentor”. Na expectativa do Natal, desejamos que os céus se abram novamente, e que se derrame sobre cada pessoa a vida de Deus, do Deus que vem a nós vestido de humanidade, para elevar-nos e nos fazer participar de sua divindade. É acreditar que este acontecimento é atual em nossa vida!

Sábado (7), 19h

Domingo (8)

Celebração da Confirmação na Paróquia Santa Cecília (largo Santa Cecília, sem número).

9h – Celebração da Confirmação na Paróquia Santo Eduardo (rua dos Italianos, 567 – Bom Retiro). 18h – Celebração da Confirmação na Paróquia São Joaquim (avenida Lacerda Franco, 2 – Cambuci).


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Região Brasilândia

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Posse de pároco e Crisma marcam missa em paróquia Celebração foi presidida por dom Milton Kenan Júnior, bispo regional, em igreja no bairro de Taipas Daniel Araújo

Colaborador de comunicação da Região

O domingo, dia 1º, foi especial para os fiéis da Paróquia Nossa BRASILÂNDIA Senhora das Dores, no Setor Jaraguá da Região Brasilândia. Em uma mesma celebração, eles prestigiaram o sacramento da Crisma de 34 jovens e 6 adultos e acolheram o novo pároco, padre Hamilton Wagner da Rosa, 56, que assumiu a igreja com provisão de seis anos, em lugar do padre Cássio José Leite Esteves. Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, presidiu a missa, concelebrada pelos padres Cássio, Hamilton e Reinaldo Torres, coordenador do Setor Jaraguá. No começo da celebração, o novo pároco renovou promessas de fidelidade à Igreja e houve a leitura dos decretos de nomeação e provisão. Na homilia, dom Milton agradeceu ao padre Cássio os três anos à frente da Paróquia e expressou o desejo de que padre Hamilton realize um trabalho fecundo. O Bispo ressaltou que todo pároco é chamado a animar os fiéis muito mais por gestos que por palavras, e pediu que os paroquianos acolham bem o novo Padre e o apoiem. Dirigindo-se aos crismandos, dom Milton apontou que na Crisma, o Espírito Santo lhes é dado para que sejam testemunhas de Cristo e pessoas cheias de alegria, capazes de fazer a diferença no mundo. Comentou, ainda, que o recebimento da Crisma não é o fim da caminhada na Igreja, mas o começo, pois, por esse sacramento, os crismados se tornam corresponsáveis pela vida da comunidade cristã. Padre Hamilton, após a homilia, renovou suas promessas sacerdotais, e dom Milton conduziu os ritos da Crisma. Ao final da celebração, os jovens agradeceram a seus monitores e reproduziram o trecho da homilia do papa Francisco no encerramento da JMJ Rio-2013, no qual o Pontí-

Foto: Daniel Araújo

fice exortou a todos: “Ide, sem medo, para servir”. Ao final da missa, o novo Pároco agradeceu a confiança nele depositada pelo Bispo e disse que chega à Paróquia para somar e não para dividir o Povo de Deus. Anteriormente, padre Hamilton era vigário na Paróquia Santos Apóstolos. Nascido em São Paulo, em 15 de janeiro de 1957, foi ordenado padre em 11 de dezembro de 1999.

Padre Hamilton renova promessas sacerdotais, ao tomar posse como pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores

Juventude à espera do Salvador na igreja São Judas Tadeu Da Região Episcopal

No sábado, 30, na Paróquia São Judas Tadeu, na Vila Miriam, o Advento foi recebido pela Missão Magis, como é chamado o grupo de jovens, com um encontro em forma de lucernário. O clima foi de profunda interiorização e espiritualidade, impulsionado pelo silêncio interior e pelas músicas e refrãos orantes que eram entoados. Os jovens tiveram a oportunidade de vivenciar um rito que remonta dos primórdios da Igreja, em que os cristãos san-

tificavam o fim do dia com uma prece comunitária ao acender das velas. A animação ficou por conta

de um dos coordenadores da Missão Magis, Dicler Cardoso de Abreu, que convidou a todos a deixar seus pensamentos aos Gabriel Veiga

Jovens participam de encontro promovido pela Missão Magis, no sábado, 30

cuidados do Espírito Santo e se entregar ao silêncio do coração. O encontro foi fortalecido pela Palavra da Anunciação de Maria (cf. Lc 1). Durante a partilha das experiências, o jovem Rodrigo Vasconcelos disse que a sensação de proximidade com Deus por ele sentida durante o encontro foi ímpar, muito diferente do que é possível se alcançar até mesmo na tranquilidade de sua casa, no seu quarto e sozinho; o que foi reiterado por Felipe Import que destacou a paz de espírito que sentiu.

palavra do bispo

Advento, tempo de alegria! Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

Começamos um novo Ano Litúrgico, com o tempo do Advento! Ele nos anuncia a vinda, a chegada do Senhor! Fala de Deus que vem ao nosso encontro para nos salvar! Daí a exultação que deve tomar conta de nossas comunidades, nossas celebrações, nosso corações! Daí a razão da nossa alegria! Há poucos dias, o papa Francisco publicou a exortação apostólica “A alegria do Evangelho”. Feliz coincidência com o tempo do Advento que agora iniciamos, pois se trata de um convite à alegria do encontro com o Senhor e do testemunho que decorre da sua descoberta e da sua presença.

A primeira parte da exortação é uma descrição da alegria messiânica, ou seja, daquela alegria que irrompeu no mundo com a chegada do Salvador, o Senhor Jesus! Diz o Papa no primeiro parágrafo do texto: “Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria”. Percorrendo vários textos do Antigo Testamento, Francisco fala da alegria presente já em vários textos proféticos, culminando com a alegria do Evangelho. Todo Evangelho é anúncio de alegria, que nasce da presença do Salvador no meio dos homens. Dessa afirmação decorrem algumas implicações para a nossa vida: “Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras.

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Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados...” (n. 6). Mais adiante, o Papa diz que “um evangelizador não deveria ter constantemente cara de funeral” (n. 10); pois, “o Deus que manifestou o seu amor imenso em Cristo morto e ressuscitado... torna os seus fiéis sempre novos; ainda que sejam idosos, “renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem se desfalecer” (Is 40,31)” (n. 11). A alegria, como o tempo do Advento, é fruto da novidade do Evangelho, da presença redentora de Cristo! Diz Francisco: “Com a sua novidade, ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade e a proposta cristã, ainda que atravesse perí-

odos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece. Jesus Cristo pode romper também os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-lo, e surpreende-nos com a sua constante criatividade divina. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas entradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual Na realidade, toda a ação evangelizadora é sempre ‘nova’” (n.11). Acolher a alegria que o Advento anuncia é abrir-se mais uma vez à novidade do Evangelho, é ter a coragem de deixarse surpreender com o mistério inaudito da presença de Deus entre nós! Só assim a alegria deixa de ser um sentimento apenas e torna-se realidade.

Quarta-feira (4), 10h

Domingo (8), 19h

Missa no Hospital de Pirituba (rua Menotti Laudísio, 100, Pirituba). Informações (11) 3924-0020.

Crisma na Paróquia Nossa Senhora do Retiro (rua Hermínia Fidélis, 321, Vila Mirante). Informações (11) 3974-7204.


Região Belém

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Lideranças discutem propostas para 2014 Com dom Edmar e coordenação, 30 lideranças dos dez setores da Região Episcopal Belém participaram do Conselho Regional de Pastoral JOÃO CARLOS GOMES

COLABORADOR DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

Na quinta-feira, 28, 30 lideranças represenbELÉM tando os dez setores da Região Episcopal Belém, 30 lideranças se reuniram na Sala Santana, do Centro Pastoral São José, para, junto com o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo para o Belém, dom Edmar Peron, discutirem as propostas pastorais para o próximo ano e também definir atividades para concretizar o Projeto Pastoral 2014. O encontro teve início com o Salmo 34, como agradecimento pelos trabalhos realizados e motivação para os novos desafios. “Temos muitos projetos e num ano que foi muito corrido. Na alegria deste ano que caminha para o final e ilumina os nossos planejamentos, bendizemos o Senhor com o Salmo 34”, disse dom Edmar. Em seguida, dom Edmar explicou os objetivos da reunião. “Este nosso encontro não quer ser apenas uma retrospectiva, mas, como Região Episcopal e observando nossas pastorais e movimentos, olhar para frente e, diante dos nossos olhos, definir quais horizontes comuns podemos assumir, dentro de cada particularidade dessas pastorais e movimentos.” Na menção do horizonte comum, dom Edmar abordar o compromisso da Região Belém com Arquidiocese de São Paulo de ser uma Igreja em estado permanente de missão e de conversão pastoral e, para isso, trabalhar da melhor maneira possível o 11º Plano de Ação Pastoral e o Projeto Pastoral para 2014. De acordo com dom Edmar, esta será a pauta comum para ser trabalhada em toda a região episcopal, acrescida de assuntos específicos do que acontece nos Conselhos Paroquiais de Pastoral, nos Con-

selhos do Setor e no Conselho Regional de Pastoral. Outros dois pontos definidos foram a formação, que deverá ocorrer em dois encontros em nível setorial durante o ano, e o encontro de crismandos com dom Edmar, tal qual fora os encontros da Catequese por ocasião da Jornada Mundial da Juventude deste ano. “Queremos, com esta proposta, encorajar quem caminha e ‘cutucar’ quem ainda não anda a contento; temos trabalhos tão distintos, mas que caminha sempre na mesma direção, o Reino de Deus. É ele que dá sentido à nossa luta e aos nossos recomeços todos”, finalizou dom Edmar.

João Carlos Gomes

Centro Pastoral São José do Belém acolhe na quinta-feira, 28, lideranças que participam do Conselho de Pastoral

palavra do bispo

Advento, alegria com penitência Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

“Seguir, com fidelidade o desenrolar do Ano Litúrgico” é um convite, hoje, para entrarmos no mistério do Advento, particularmente guiados pelos textos da liturgia. O primeiro domingo do Advento iniciou adequadamente o Ano Litúrgico, pois marcou o início desse intenso período de preparação que conduz à celebração do Natal do Senhor e às suas primeiras manifestações, particularmente a Epifania. Tal preparação é ao mesmo tempo litúrgica, espiritual e moral, pois requer verdadeira conversão do coração. A segunda leitura deste domingo (Rm 13,11-14a) continua a ressoar como um convite apropriado à conversão: “Vocês conhecem o tempo, e já é hora de vocês

acordarem: a nossa salvação está agora mais próxima do que quando começamos a acreditar. A noite vai avançada e o dia está próximo. Deixemos, portanto, as obras das trevas e vistamos as armas da luz. Vivamos honestamente como em pleno dia: não em orgias e bebedeiras, prostituição e libertinagem, brigas e ciúmes. Mas, vistam-se do Senhor Jesus Cristo” (Bíblia Pastoral). Essa palavra muito ajudou Santo Agostinho, em sua conversão, e tem o poder de, no tempo atual, mudar também as nossas vidas. A penitência é empenho para ver acontecer uma regeneração espiritual. A vida espiritual é semelhante à terra seca, não cultivada, que precisa de máquinas e trabalho duro para ser semeada e dar frutos; somente com um trabalho árduo e incansável, poderemos preparar um caminho para o Senhor, como encontramos na seguinte oração: “Despertai, ó

Estudo da CF 2014 atrai 60 pessoas

Padre Marcelo Matias coordena o estudo do Textobase da Campanha da Fraternidade 2014, cujo tema é “Fraternidade e tráfico humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. Domingo, dia 1º, 60 pessoas estiveram na Sala “Dom Paulo Evaristo Arns” do Centro Pastoral São José, para, a tarde de estudo da Campanha da Fraternidade 2014, “É para a liberdade que Cristo nos Libertou”, que trata do tráfico humano. Padre Marcelo Álvares Matias Monge, da Paróquia São João Batista do Brás e diretor da Cáritas Arquidiocesana, coordenou o estudo, que teve início com oração e a leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas (5,1), texto que é o lema da Campanha da Fraternidade 2014.

Deus, os nossos corações, a fim de prepararmos os caminhos do vosso Filho, para que possamos, pelo seu Advento, vos servir de coração purificado” (Liturgia das Horas, 2ª Semana do Advento, quinta-feira). Entretanto, a penitência não é somente um trabalho da pessoa. Ela é, em primeiro lugar, um efeito da graça de Deus em nossas vidas. Mas, para que Deus realize em nós a sua obra salvadora, devemos remover os obstáculos que impedem a sua ação: “deixemos, portanto, as obras das trevas e vistamos as armas da luz”. E nós fazemos essa limpeza – “remover os obstáculos” – como pessoas livres; usando nossa liberdade de modo responsável, abrimos caminho para que Deus tenha acesso à nossa vida. Nesse sentido, ouçamos o ensinamento de São Carlos Borromeu: “A Igreja deseja ardentemente fazer-nos compreender que o Cristo, assim como veio uma só

Pascom

vez a este mundo, revestido de nossa carne, também está disposto a vir de novo, a qualquer momento, para habitar espiritualmente em nossos corações com a profusão de suas graças, se não opusermos resistência” (Liturgia das Horas, Ofício de Leituras, 1ª Semana do Advento, segunda-feira). Lembremo-nos, ainda, que o Advento não é um tempo penitencial da mesma maneira que o é a Quaresma. Ele é marcado pela alegria jubilosa: “Um tempo de piedosa e alegre expectativa”; é a alegria de quem espera a pessoa amada, o tempo em que a Igreja espera a chegada do Esposo, e, como João Batista – na austeridade e na alegria –, alegra-se ao ouvir a voz do esposo (cf. Jo 3,29). Assim, para acolhermos sem obstáculos o “Verbo de Deus” – Jesus Cristo – que vem, dediquemo-nos com maior empenho à meditação da “Palavra de Deus”, ajudados por Maria, a serva do Senhor.

Padre Tadeu celebra 25 anos de vida presbiteral

Missionário do Verbo Divino recebe amigos e familiares na celebração de seu Jubileu de Prata que levou 400 pessoas à Paróquia São Marcos. No dia 30 de novembro, cerca de 400 pessoas participaram da celebração de 25 anos de vida presbiteral do pároco da Paróquia São Marcos Evangelista (Setor Conquista da Região Episcopal Belém), José Tadeu Silva Ferreira, o padre Tadeu.


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Geral/Entretenimento Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

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© Revistas COQUETEL 2013

O que o nome de Canção gospel de André Valadão Dramaturgo Era Conceito Deus deve ser, na anunciada filosófico norueguês de Terra que Moisés não oração do com ousadia pelos de Lao- “Casa de Bonecas” chegou a conhecer, por ter Pai-nosso discípulos (At 4:31) tse e “Peer Gynt” desobedecido ao Senhor

Profeta acusado por Amazias de conspirar contra Jeroboão (Am 7:10)

Esposa de Nabal Ídolo dos amonitas Matéria ígnea de Vitamina de ação origem antigripal vulcânica

A de José para o Egito foi involuntária

Profeta escarnecido por ser calvo

152, em algarismos romanos

O pai de Samuel (I Cr 6: 33-34) Interjeição de quem atende ao telefone Discípula (?) de Deus: quem não a ouvir será amaldiçoado (Dt 28:15)

Corrente contínua (sigla)

Talentos naturais Filisteia que traiu Sansão Iodo (símbolo) Conjunção aditiva

Nome original do Apóstolo dos Gentios Elétron (símbolo)

Anverso da coroa, na moeda

O homem que nega Deus (Sl 14:1) (?) Jatene, exMinistro da Saúde

(?) de prumo, utensílio do pedreiro

(?)-Codi, órgão do Regime Militar

Nome da 18 a letra do alfabeto

Feita de ouro Patriarca do Dilúvio Ácido da síntese proteica da célula

Segundo, em inglês Terminação de palavras no plural

E R R E C L I I N I A

D

S O L T A O C A B O D A N A U

nas bancas e livrarias

I F I C B I G A S N E L C A N A Ã V E D A L I O I N E S C S E A A U R N D A O I L Z E B E D

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passa tempo

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Solução

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A noite do domingo, dia 1º, na Catedral da Sé, foi iluminada. Centenas de pessoas participaram da cerimônia de abertura do “Natal Iluminado”, o evento é uma promoção da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Prefeitura de São Paulo e Guaimbé Bureau de Cultura. No início do evento houve uma celebração ecumênica com alguns membros do Movimento de Fraternidade de Igrejas Cristãs (MOFIC), entre eles o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, e representantes das Igrejas: Ortodoxa Antioquina; Apostólica Armênia; Evangélica de Confissão Luterana do Brasil; Episcopal Anglicana; Presbiteriana Unida do Bra-

para você se lembrar de tudo

N T A M O O L U O Z Q U L E F O I C O

reportagem no centro

Após a projeção das luzes, que iluminaram a Catedral da Sé, a família Gomes voltava para casa emocionada. Para Elaine Cristina Saito de Moraes Gomes, que só foi à Catedral para ver a apresentação de um de seus alunos na Orquestra, as pessoas não se dão conta de que não são só presentes, que Natal, na verdade, é nascimento, renovação, esperança de algo melhor. Já para a pequena Luísa Saito de Moraes Gomes, filha de Elaine e de Agnelo Gome Júnior, o Natal deixa a mensagem de que este é o tempo de uma vida nova. Se pudesse dar um presente à cidade, Luísa, com um sorriso no rosto, afirmou que daria mais amor. Na cerimônia de abertura do “Natal Iluminado”, também estiveram presentes na Catedral da Sé, representantes de outras denominações religiosas como o Judaísmo, Islamismo, Budismo, Espiritismo e de Religiões de Matriz Africana. Para o cônego José Bizon, da Casa da Reconciliação, a presença de líderes de outras denominações religiões mostra que o Natal é acolhimento e vai ao encontro do que pede o papa Francisco, “deixar a religião para o segundo plano, mas, enquanto pessoa de fé, nos aproximemos para dar este testemunho ao mundo”.

jogos e exercícios

S A P A A L A V R S A D E D S E U S

Edcarlos Bispo de Santana

sil e da Igreja Armênia Católica. Na saudação, dom Odilo destacou que para os católicos este é um tempo de preparação para o Natal do Senhor, porém a cidade já se reveste de alegria, luzes e movimentação em vista do Natal. O Arcebispo afirmou ainda que os cristãos querem compartilhar as alegrias do Natal com todos e, se alegram, com todos os que celebram a recordação do nascimento de Jesus. Autoridades civis também participaram do encontro, entre eles o prefeito da cidade, Fernando Haddad, e o vice-governador, Guilherme Afif Domingos. Na sua fala, o prefeito afirmou que, no tempo do Natal, “todos nós sentimos mais a presença de Cristo em nossas vidas, em nossos corações. Eu desejo, do fundo do meu coração, que aproveitemos este tempo para ensinar às crianças a mensagem de Jesus, uma mensagem eterna, mensagem de caridade, fraternidade e, sobretudo, de amor, mensagem que nos faz perdoar ser mais humildes”. Após a celebração ecumênica, houve a apresentação da Orquestra Sinfônica Heliópolis, Orquestra Juvenil Heliópolis e do Coral da Gente, todos mantidos pelo Instituto Baccarelli. Os cerca de 200 jovens arrancaram aplausos, sorrisos e lágrimas da plateia.

2

Solução

Catedral iluminada para o Natal Na noite do domingo, dia 1º, “Natal Iluminado” contou com celebração ecumênica e apresentações musicais

Deus-Sol do Egito faraônico

3/arn — doi — oil. 4/amós. 5/ibsen. 6/néscio — second. 7/zebedeu.

BANCO

Com ele estavam Óleo, em inglês Tiago e João, consertando as redes (Mt 4: 18-21)


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Morre o bispo da diocese de Itumbiara (GO), dom Antônio Lino da Silva Diniz Faleceu no domingo, dia 1º, o bispo da Diocese de Itumbiara (GO), dom Antônio Lino da Silva Diniz. De acordo com o padre Joaquim Cavalcante, da Diocese de Itumbiara, ele já estava enfermo há algum tempo e a causa da morte foi uma insuficiência respiratória. Natural de Portugal, dom Antônio Lino era bispo da Diocese de Itumbiara, desde 1998.

Arquidiocese ganhará três diáconos permanentes Luciney Martins/O SÃO PAULO

Ordenação presidida por dom Odilo acontecerá no sábado, 14, às 15h, na Catedral da Sé Edcarlos Bispo de Santana

redação

“O diaconato permanente constitui um enriquecimento importante para a missão da Igreja. Uma vez que os munera que competem aos diáconos são necessários à vida da Igreja, é conveniente e útil que, sobretudo nos territórios de missão, os homens que na Igreja são chamados a um ministério verdadeiramente diaconal, quer na vida litúrgica e pastoral, quer nas obras sociais e caritativas, ‘sejam fortificados por meio da imposição das mãos, transmitida desde o tempo dos Apóstolos, e sejam mais estreitamente unidos ao altar, para poder explicar mais frutuosamente o seu ministério com a ajuda da graça sacramental do diaconato’”. O trecho acima foi extraído de uma orientação conjunta – Normas fundamentais para a formação dos diáconos permanentes, Diretório do ministério e da vida dos diáconos permanentes –, da Congregação para a educação católica e da Congregação para o clero. A Arquidiocese de São Paulo possui mais de 70 diáconos

Candidatos ao diaconato permanente durante celebração de admissão presidida por dom Odilo Scherer em 2012

permanentes e, no sábado, 14, às 15h, na Catedral da Sé, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, ordenará mais três diáconos permanentes. Carlos Alberto de Paula Ribeiro, 41, casado há 14 anos, pai. Trabalha como consultor técnico de negócios. Atua na Comunidade Nossa Senhora de Fátima. Eu já participava da Igreja como Ministro Extraordinário.

Então conheci o diaconato e resolvi assumir este compromisso que já tinha, agora de forma oficial com o Sacramento da Ordem. Pretendo ajudar a Igreja na Evangelização do Povo de Deus, me colocar a serviço para as suas necessidades espirituais e temporais, também em sua ação missionário, com ênfase nos três pilares do diácono: Palavra, Liturgia e Caridade. Também trabalhar para o aumento das vocações dia-

conais dentro das pastorais em que for atuar. Aparecido Francisco Cavanha, 65, casado há 32 anos. Em toda a sua vida, sempre atuou na Paróquia de São Luís Gonzaga. Inicialmente, não fazia parte de minha vida assumir esse ministério. Durou precisamente sete anos, para me decidir a entrar na escola diaconal e na Faculdade de Teologia. Foi após ter participado da Liturgia Eu-

carística Dominical, ouvindo a leitura em que Jesus indaga o apóstolo Paulo, a caminho de Damasco, compreendi! E como Paulo, atendi ao chamado, pois dentro de mim foi amadurecendo cada vez mais o comprometimento pelo projeto de Reino de Deus. Em princípio, sempre visando realizar a união Igreja e família, pois pelo Batismo assumi o dever de difundir os ensinamentos de Jesus Cristo, procurando tornar essa Igreja santa e pecadora, toda vez que pelo rosto sofrido do irmão denunciar o apelo pela justiça e a dignidade do ser humano. Valdomir Ramiro, 61, casado há 30 anos, pai de duas filhas. É publicitário e participa na Paróquia Nossa Senhora de Sião. Nascido e criado no Ipiranga, sempre tive como referência o trabalho do conde Bueno de Azevedo, criador da Fundação Nossa Senhora Auxiliadora. Ele sempre viveu o diaconato, pois foi um homem da sua família e da Igreja, promovendo a caridade e o bem ao clero, à vida religiosa e ao povo desamparado, tendo recebido da Igreja o título de Conde. Serviço é o que não falta em nossa Igreja, pois nossas paróquias, que estão sempre em sintonia com o Ano Litúrgico e o Plano de Pastoral, apresentam grandes desafios na missão de evangelizar esta cidade tão imensa e com suas especificidades e as mais diferentes realidades.

Cônego Celso Pedro é nomeado padre assistente do diaconato permanente Luciney Martins/O SÃO PAULO

Diácono Paulo Roberto especial para O SÃO PAULO

No sábado, 30, festa de Santo André Apóstolo, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, nomeou o cônego Celso Pedro da Silva ao cargo de padre assistente dos diáconos permanentes da Arquidiocese de São Paulo, por um período de três anos. A posse aconteceu no Seminário de Teologia Bom Pastor, durante a celebração eucarística por ocasião da 4ª Reunião Ordinária dos Diáconos da Arquidiocese, quando seu antecessor, o chanceler da Cúria Metropolitana, padre Eduardo Vieira dos Santos, leu o decreto de nomeação. Durante a celebração, dom Odilo, na homilia, ressaltou aos diáconos as ações de Santo André, ao partilhar a

Boa Nova de Jesus Cristo a seu irmão Pedro, e que, junto com Filipe, apresentou Cristo aos pagãos, sinalizando a necessidade de apresentar Cristo à comunidade. Ressaltou a homilia de São João Crisóstomo, na qual Santo André, após seu aprendizado com Jesus, “não escondeu o tesouro só para si, mas correu depressa à procura de seu irmão, para fazê-lo participar da sua descoberta”. Recomendando aos diáconos a “condução a Jesus”, a missionariedade “dócil e a prontidão de espírito de Pedro”. Não se julgar plenamente “capaz de explicar tudo…”, mas conduzir os irmãos a Cristo, “própria fonte da luz”. Após a celebração eucarística aconteceu um café de confraternização e encerramento das atividades formativas e participativas entre o

corpo diaconal, em clima de comunhão e alegria com o recém-nomeado cônego Celso Pedro da Silva, e de carinho e agradecimento ao padre Eduardo Vieira dos Santos pelos seis anos em que acompanhou os diáconos permanentes. Cônego Celso Pedro da Silva sempre foi e é um estudante, professor e formador, entrou no seminário em 1948, com 11 anos. Ordenado, trabalhou no Centro de Formação Intercultural Missionária em Petrópolis (RJ), e atuou em paróquias das regiões Belém, Lapa e Brasilândia. Foi subsecretário da CNBB na década de 80 e fez pós-gradação fora do País, especializando-se em Bíblia. Professor na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção – PUC, foi reitor do Centro Universitário Assunção (Unifai).


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Cardeal Scherer presidirá ordenações sacerdotais No sábado, 7, às 15h, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção, na praça da Sé, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, presidirá a ordenação sacerdotal dos diáconos João Paulo G. Rizek, 34 anos, Eduardo Higashi, 43, e João Bechara Ventura, 29. Informações pelo telefone (11) 3107-6832.

Dom Odilo celebra no CDP de Pinheiros Fotos: Edcarlos Bispo de Santana/O SÃO PAULO

Missa aconteceu na terça-feira, 26, e teve a participação de detentos, agentes penitenciários e diretores da unidade prisional Edcarlos Bispo de Santana

reportagem na zona oeste

“Como nós vemos a Deus?”, foi a pergunta feita pelo cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, aos detentos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, zona oeste da capital paulista, na homilia da missa celebrada na tarde de terçafeira, 26, para os presos, agentes penitenciários e diretores do CDP. A missa, presidida por dom Odilo, foi concelebrada pelos padres Manoel Ferreira dos Santos Júnior, provincial dos Missionários do Sagrado Coração (MSC), e Eugênio Luiz de Barros, msc, sacerdote que trabalha no atendimento aos detentos do CDP. Na saudação inicial, dom Odilo destacou que a celebração já se insere na preparação

Após a celebração no CDP de Pinheiros, dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, ganha das mãos do diretor da unidade um presente feito pelos detentos

para o Natal. O Cardeal afirmou, ainda, que Deus é um Pai de misericórdia, e que dá às pessoas palavras de conforto, mas também de orientação para que elas possam se acertar na vida. Já na homilia, o Arcebispo pegou como exemplo a figura de Jesus Bom Pastor, aquele que cuida de suas ovelhas, que vai atrás da ovelha perdida e desamparada. Dom Odilo destacou, também, que na vida de todas as pessoas pode

ter um momento de desencaminhamento, porém todos têm a possibilidade de se reencontrar. Dom Odilo pediu ainda que, mesmo sendo difícil o período de reclusão, os presos aproveitem o momento que estão internos para aprender coisas boas, pois isso será útil na vida. E recomendou que não se desesperem, não deixem de procurar o caminho bom, o caminho que conduz para a liberdade e felicidade.

Padre Eugênio, que há dois anos trabalha no CDP de Pinheiros, contou que a religião abre perspectivas de indicar um caminho por onde caminhar, para que o encarcerado tenha um caminho a seguir e permaneça firme para não voltar a errar. Para o Sacerdote, a visita do “Pastor maior da Arquidiocese” é importante, pois “não existe maior prova de amor do que a presença”. Padre Eugênio acrescentou que a presen-

ça da Igreja “começa a partir de um olhar misericordioso, que é o olhar de Jesus, a resgatar essas ovelhas e trazer de volta ao redil”. O diretor da unidade, doutor Guilherme Silveira Rodrigues, afirmou que a Igreja sempre colaborou no trabalho das unidades de detenção, fazendo parte, para ele, de um tripé – família, trabalho e religião – o que colabora para a disciplina e ajuda na ressocialização dos detentos.

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Bispo das causas sociais morre em Volta Redonda (RJ) Morreu em Volta Redonda (RJ), dom Waldyr Calheiros Novaes, bispo emérito naquela diocese. Internado desde meados de novembro, faleceu aos 90 anos, no sábado, 30, pela manhã, devido a falência múltipla dos órgãos. De Murici (AL), dom Waldyr é lembrado pelo grande envolvimento com as causas sociais, que começou durante a ditadura.

A Igreja e a sabedoria do Mesters Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Frade Carmelita falou sobre o papa Francisco, a família e o protagonismo do leigo

Comissão teológica abre trabalhos no Vaticano Começou na segunda-feira, 2, no Vaticano, a sessão plenária da Comissão Teológica Internacional, presidida pelo arcebispo alemão Gerhard Ludwig Müller. A Comissão dará sequência ao estudo de três temas: a questão do monoteísmo, o significado da Doutrina Social da Igreja no contexto mais amplo da doutrina cristã; e a problemática do sensus fidei. Na sexta-feira, 6, os membros da assembleia plenário serão recebidos em audiência pelo papa Francisco.

Nayá Fernandes

Especial para O SÃO PAULO

Carlos Mesters é frade carmelita da Província de Santo Elias. Ele nasceu no sul da Holanda no dia 20 de outubro de 1931. De uma família de sete irmãos, Jacobus Gerardus Hubertus Mesters, nome de Batismo do frei Carlos, mora atualmente em Unaí (MG). Quando completou 80 anos, o Centro de Estudos Bíblicos (Cebi) e a Província Carmelitana Santo Elias quiseram escrever um livro com sua biografia, mas ele disse que “Se alguém merece incenso, este alguém é o povo!”. No Brasil ele chegou em 1949, com 17 anos, e, terminado o noviciado, fez a profissão religiosa no dia 22 de janeiro de 1952. Foi consagrado presbítero no dia 7 de julho de 1957 e se formou em Teologia no Angelicum, em 1958. Em ciências bíblicas, formou-se primeiro, no Institutum Biblicum, em Roma e, depois, na Escola Bíblica de Jerusalém. Em 1963, de volta ao Brasil, foi nomeado professor no Curso Teológico dos Carmelitas, em São Paulo, e diretor do Cebi de 1979 a 1991. Desde então, continua no Conselho Nacional como assessor. Ao O SÃO PAULO, frei Carlos concedeu uma entrevista exclusiva durante o 9º Encontro Nacional Fé e Política, que aconteceu de 15 a 17 de novembro, em Brasília (DF) e falou sobre questões como a presença profética do papa Francisco, os leigos e as mulheres na Igreja e a preparação de um sínodo sobre a família. A forma peculiar de explicar a Bíblia de maneira simples é a grande característica do frei Carlos. Sobre isso, ele explica: “É uma coisa que nasce aos poucos, como o cabelo na cabeça ou como um chapéu que tem que caber na cabeça.

Direto de Roma

IOR tem novo diretor geral

Com 82 anos, frei Carlos Mesters participa de Encontro Nacional de Fé e Política e concede entrevista ao O SÃO PAULO

Eu preparei um texto, mas descubro que a cabeça é diferente, e aí preciso refazer”. O SÃO PAULO – O senhor considera que o papa Francisco tem um modo diferente de explicar a Palavra de Deus? Frei Carlos Mesters – O Papa fala a partir da experiência dele. Ele vem da América Latina e a Igreja viva está no coração dele. Então, ele fala da experiência que está no coração de cada um de nós. Certa vez, um rapaz me disse assim: “Eu gosto do Papa porque a palavra dele é aquilo que meu coração deseja no mais profundo”. Esta é a definição: ele responde ao coração humano. O Papa é um profeta como o papa João 23 foi e cativou todo mundo pela humanidade. O que a gente mais tem que ser é humano. Se você é humano, cativa as pessoas, se fica

impondo coisas, ninguém te quer. Ele vive essa irradiação de humanidade igual a Jesus. Jesus cativava todo mundo. Deus queira que ele tenha uns 15 anos para fazer isso, aí ele acaba com os clericalismos e tanta coisa errada na nossa Igreja. O SÃO PAULO – E sobre a presença das mulheres na Igreja, Frei? Frei Carlos Mesters – Depende das mulheres e depende de nós, do clero. É um processo e está em andamento. O Papa falou uma frase bonita, que Maria é mais importante que os apóstolos, é frase dele. As atitudes que ele tem tomado estão chamando ainda mais atenção para a questão. Nós estamos abaixo do que Jesus fez e da Igreja inicial, mas alguma coisa já está caminhando. O machismo não é

O Papa é um profeta como o papa João 23 foi e cativou todo mundo pela humanidade. O que a gente mais tem que ser é humano. Se você é humano, cativa as pessoas, se fica impondo coisas, ninguém te quer.

só na Igreja, mas em todos os lugares. O SÃO PAULO – Como o senhor vê a convocação de um sínodo sobre a família? Frei Carlos Mesters – O Papa está fazendo um inquérito sobre a família e as problemáticas vão aparecer. Então, quando os bispos de todo o mundo estiverem reunidos, orientados por gente da base, eu acho que vai ter uma resposta esclarecedora. Aliás, uma resposta para esta problemática tem que sair. O SÃO PAULO – E sobre os leigos? A Igreja tem dado passos, conforme as luzes acendidas pelo Concílio Vaticano 2º? Frei Carlos Mesters – Leigo ou laico é membro do Povo de Deus e, como membros do Povo de Deus, todos deveriam estar aqui [9º Encontro Nacional Fé e Política]. Não estar como bispos, mas como membros do Povo. Você e eu somos laicos. Ainda há muito clericalismo. Mas, quando o clericalismo se torna forte é porque os leigos estão avançando e também incomodando. Então, é uma forma de defesa do clero. Mas, precisamos crescer e o papa Francisco está ajudando muito.

O Conselho de Superintendência do Instituto para as Obras de Religião (IOR), mais conhecido por Banco do Vaticano, anunciou no sábado, 30, a nomeação do italiano Rolando Marranci, como diretor geral. Anteriormente, Marranci era vice-diretor geral do banco. O IOR tem sede apenas na Cidade do Vaticano e está sujeito à vigilância e à regulamentação da Autoridade de Informação Financeira (AIF).

26ª Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para os Leigos “Anunciar Cristo na era digital”, será o tema da 26ª Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para os Leigos, entre os dias 5 e 7, em Roma. A abertura será feita pelo cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Pontifício Conselho. Haverá palestras e mesas-redondas sobre o mundo virtual, e apresentação do site deste organismo da Igreja. Fonte: www.radiovaticana.va


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Contra a criminalização dos movimentos sociais A Comissão Justiça e Paz de São Paulo, o Centro Santo Dias, a Comissão Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz e outras instituições convidam para a campanha de manifestação contra a criminalização dos movimentos sociais. O evento será na terça-feira, 10, às 14h, na Faculdade de Direito da USP (largo São Francisco, Centro).

Pascom: renovar a alegria de comunicar Ricardo Luciano

Entre os dias 29 de novembro a 1º de dezembro, aconteceu o 19º Encontro Estadual de Comunicação, promovido pelo Regional Sul 1 da CNBB RENATA MORAES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Centenas de agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom) estiveram reunidos no Seminário Bom Jesus, em Aparecida (SP), para debater os caminhos da PasTORAL. O encontro discutiu o tema “Evangelizar é comunicar: fundamentos bíblicos teológicos da Pascom”, com assessoria do teólogo e cantor padre João Carlos de Almeida, conhecido como padre Joãozinho, scj. Na abertura do encontro, participaram o cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, e dom José Moreira de Melo, bispo de

Participantes do 19º Encontro Estadual de Comunicação posam para foto durante atividade realizada em Aparecida

Itapeva (SP) e referencial da Comunicação, além da irmã Maria Celeste Ghisland, assessora da Pastoral da Comunicação no Regional Sul 1. Em entrevista ao O SÃO PAULO, o arcebispo de Aparecida falou sobre os desafios da comunicação na Igreja. “Os agentes de Pascom devem estar preparados e atualizados com as novas tecnologias, e saber usar uma linguagem própria para os meios, especialmen-

te por meio das redes sociais, tão utilizadas pelos jovens.” E completou: “É importante que este anúncio do Evangelho seja acompanhado pelo testemunho de vida dos comunicadores, pois as pessoas se convencem mais pelo testemunho do que pela palavra”. Para irmã Celeste, o encontro contribuiu para a partilha de experiências na comunicação pastoral e na missão dos comunicadores de Jesus

Cristo e de sua mensagem. Padre Joãozinho conduziu os trabalhos do sábado, 30, e fez uma síntese da visão da Igreja para o uso da comunicação como forma de evangelização, desde o decreto Inter Mirifica (1963), passando sobre as mensagens dos papas pelo Dia Mundial das Comunicações até a primeira exortação apostólica do papa Francisco: Evangelii gaudium (A Alegria do Evangelho). “O pensamento e atuação

da Igreja, referente à evangelização, está voltado para a utilização dos meios de comunicação como forma de promoção da Teologia do Encontro.” Segundo o Sacerdote, para tornar a Teologia do Encontro mais eficaz na atuação da Igreja, é necessário que os agentes que nela atuam, especialmente na Pastoral da Comunicação, reflitam sobre o que está sendo feito para que, em tempos de evangelização, os agentes da Pascom realizem um encontro interpessoal, com ações concretas e sugestões inovadoras. Na noite de sábado, os participantes visitaram o Santuário Nacional de Aparecida. Com visita monitorada, puderam conhecer um pouco da história da Basílica e da arte de Cláudio Pastro. Para Marcos Gonçalves de Oliva, da Região Brasilândia, participar do encontro foi uma experiência excepcional e que contribui efetivamente com uma comunicação mais próxima da comunhão e evangelização das pessoas. “Fico muito grato pela oportunidade de participar do evento e saber que existem pessoas capazes de mudar a Pascom para um novo modelo de atuação”, afirmou.

CEBs na luta pela ‘justiça e profecia a serviço da vida’ Edcarlos Bispo de Santana

Reportagem no centro

Em janeiro, a Diocese do Crato, em Juazeiro do Norte (CE), será o destino dos romeiros das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) de todo o Brasil. A terra do padre Cícero receberá, de 7 a 11 de janeiro, o 13º Intereclesial de CEBs ,que tem como tema “Justiça e profecia a serviço da vida”. No sábado, 30, os cerca de 80 delegados que representarão a Arquidiocese de São Paulo no 13º Intereclesial participaram de uma celebração de envio, na Casa de Oração do Povo da Rua. Organizada pela equipe de coordenação arquidiocesana das CEBs, a celebração teve um resgate histórico de todos os intereclesiais e uma fala do padre Gilberto Orácio de Aguiar destacando as atitudes que os romeiros devem ter. “O fato de ir a um lugar sagrado como Juazeiro é sair de si. Esse sair de si é deixar para traz simbolicamente e de fato todas as coisas que não nos permitem viver a justiça e a profecia, tema do intereclesial. E implica, na nossa vol-

ta para casa, assumir atitudes e comportamentos de conversão”, destacou o Padre. Para o Sacerdote, é importante que os romeiros estejam “preparados e livres de seus preconceitos”, para poderem ter um contato mais próximo com

uma cultura diferente da deles. O Padre contou que nunca foi a nenhum Intereclesial e que está muito ansioso para este momento. Com a mesma ansiedade está o jovem Elias Bizelli, de 20 anos, da Região Episcopal Brasilândia, que, também, Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

pela primeira vez, participará de um intereclesial. Para ele, a juventude precisa conhecer melhor as Comunidades Eclesiais de Base. E ressalta: “É uma coisa animadora espero que tenha alegria acima de tudo. E esse amor fraternal da Igreja”, afirmou. De acordo com Liz Marques, da Equipe Arquidiocesana de Coordenação das CEBs, este ano de preparação para o intereclesial contou com reuniões mensais da equipe de coordenação, algumas com a presença de dom Edmar Peron, bispo auxiliar e referencial para as CEBs da Arquidiocese, mais dois encontros realizados com a participação de todos os delegados da Arquidiocese. Do estado de São Paulo, Liz conta que será levada a experiência dos quilombolas para ser partilhada com os demais. Para ela, a identidade das CEBs é igual em qualquer lugar, principalmente quando se fala “de uma Igreja ministerial, de comunhão e participação, onde é escola de formação, onde se há os compromissos com a justiça, uma Igreja onde todos se conhecem e se busca caminhar ecumenicamente”.


O SÃO PAULO - edição 2981