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Debate na PUC-SP discute ciência e religião

Quilombolas denunciam violência da Marinha

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CEBs têm formação para o 13º Intereclesial

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Padres do Regional Sul 1 preparam-se para o ENP

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ano 58 | Edição 2971| 24 a 30 de setembro de 2013

R$ 1,50

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br Imprensa/Santuário Nacional de Aparecida

Recursos como audiodescrição, Libras e textos em braille são utilizados para permitir a participação de pessoas com deficiência na celebração eucarística

Romaria e Missa da Acessibilidade em Aparecida A Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo organizou a 1ª Romaria a Aparecida (SP). Cerca de 200 pessoas participaram da Missa da Acessibilidade no Santuário Nacional, presidida por dom Fernando Mason, da Diocese de Piracicaba (SP), também em romaria. Página 20

Ano da Fé reúne Santana na Catedral No domingo, 22, foi a vez da Região Episcopal Santana peregrinar até a Catedral da Sé, no contexto do Ano da Fé. Nem a chuva, nem o “dia sem carro”, nem a “virada esportiva” impediram fiéis e padres de participar da missa presidida por dom Odilo Scherer e concelebrada por dom Sergio de Deus e pelos padres da Re-

Luciney Martins/O SÃO PAULO

gião e de renovar solenemente a sua fé. No fim da celebração, dom Odilo foi homenageado pelos jovens pela passagem do seu aniversário. Ele recebeu de presente uma orquídea, mas fez questão de acentuar que o melhor presente era a presença da juventude ali no presbitério. Página 10 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Região Santana peregrina à Catedral da Sé, no domingo, 22; no fim da celebração, jovens homenageiam o Cardeal

Congresso aborda Nova Evangelização De 23 a 27, a Universidade São Camilo sedia o 8º Congresso de Teologia. Dom Odilo Pedro Scherer abriu o evento, que

tem como tema “Nova Evangelização: Problemas de fronteira”. Entre os participantes estão alunos das instituições

que formam a Comissão de Estudantes de Teologia do Estado de São Paulo. Página 8 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Aniversário natalício do Arcebispo de São Paulo é marcado por homenagens

Dom Odilo aniversaria e é homenageado Na tarde do sábado, 21, na Catedral da Sé, a Arquidiocese comemorou o aniversário de dom Odilo Pedro Scherer. Ele presidiu a missa e convidou todos a agradecer a Deus

o dom da vida. Também dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar na Região Sé, foi homenageado pelo seu aniversário, transcorrido no dia 19. Página 11


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Fé e Vida

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frases da semana

“São 50 anos de massacre da comunidade. Todas as violências acontecem a partir da Marinha do Brasil. Lá já teve estupro, morte por falta de socorro, assassinato de pessoas da comunidade e várias violências contra idosos, crianças e adolescentes.”

“Meu caso se deu devido à união dos meus pais, que eram primos. Então, tive baixa visão até os 30 anos e, hoje, só vejo claro e escuro. Mas vivo com prazer, embora sem a visão.”

Rose Meire dos Santos Silva, na reportagem sobre a comunidade quilombola Rio dos Macacos

José Vicente de Paulo, na Romaria da Pastoral das Pessoas com Deficiência

você pergunta

Espiritualidade

Abençoar um bebê não batizado?

As tentações de toda a vida, mas...

Diretor do O SÃO PAULO, semanário da Arquidiocese de São Paulo

Padre Cido Pereira

A Luciene Lobo, de Fortaleza (CE), me pergunta, via e-mail: “Se podemos abençoar normalmente um bebê que ainda não é batizado, ou só depois que ele for batizado?”. Luciene, minha irmã. A vida é dom de Deus. A vida humana, mais ainda. Somos todos filhos amados de Deus. Se não somos batizados, somos filhos de Deus na ordem da natureza. Se somos batizados, somos filhos de Deus na ordem da graça, da adoção filial no Batismo, de forma que pais, avós e quem mais o desejar podem abençoar um bebê, podem dizer de coração: “Deus te abençoe!”, mesmo que ele não seja batizado. Esta bênção, porém, mesmo se for dada por um padre, não substitui o Batismo, que é a porta de entrada na família de Deus, na Igreja de Jesus, na comunidade dos santos. Por isso, Luciene, é preciso que os pais cristãos, que a família cristã, se empenhe em batizar o quanto antes o filho, a filha, para que o coraçãozinho dele receba o caráter ou o selo de propriedade de Deus, de filho, de filha de Deus. Sabe, Luciene, é tão bom visitar um casal amigo que acaba de receber a graça de um filho. Eu abraço os pais e abençoo aquela criança pedindo que Deus logo faça dela uma filha amada de Deus Pai, irmã de Jesus e templo do Espírito Santo. É isso aí, minha irmã. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família!

Somos todos filhos amados de Deus. Se não somos batizados, somos filhos de Deus na ordem da natureza; se somos batizados, somos filhos de Deus na ordem da graça, da adoção filial no Batismo

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Frei Patrício Sciadini

O Egito me faz bem. Redespertou em mim o grande amor da minha juventude, o amor à Palavra de Deus. Nesses últimos tempos, tenho lido, relido, saboreado as tentações de Jesus. “Foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado.” A vida é o nosso deserto onde somos levados pelo Espírito e somos tentados. É necessário aprender a pedagogia e estratégia de Jesus para lutar contra as tentações: responder ao mal com as mesmas armas e derrotá-lo com um firme “não”… Com o mal não se pode nem discutir nem escutá-lo, senão, como Eva, seremos vencidos. Ela quis convencer o demônio, mas não o conseguiu, o demônio com arte sutil acabou por convencê-

la. Ele ganha na discussão e perde na rejeição. Não é capaz de nos vencer se somos movidos pelo amor de Deus e pela oração. As tentações são sempre as mesmas, embora em alguma época uma seja mais forte que a outra, caminham juntas e tentam nos derrotar juntas. Primeira: na juventude, a tentação mais forte é a da sexualidade, da busca do prazer, da sensibilidade. Ela nos morde na carne e tenta nos dominar com todos os meios. Unida a essa força está também o amor ao dinheiro e ao poder. São as conquistas “amorosas”, ser mais sedutores que os outros. É uma forte tentação que devemos lutar. Depois, essa força permanece debaixo das cinzas e não grita tanto como antes. Segunda: na idade adulta levanta a cabeça, a tentação do poder. Querer mandar, buscar cargos de importância, ser “importantes” diante dos outros, é a tentação do tráfico da influência. Aproximamo-nos das pessoas importantes,

“Cada vez mais a ciência toca em assuntos que interessam a religião, pontos de contato são inevitáveis e cabe aos cientistas entenderem melhor o que os princípios religiosos falam e quais os limites, as virtudes e a importância dos princípios religiosos e vice-versa.”

Eduardo Cruz, no encontro com o tema “Ciência e Religião: Possibilidade de diálogo?”

políticos, artistas, bispos, cardeais, segundo os nossos sonhos e ideias… O poder corrói os que não o têm. Mata por dentro, mas seduz. É só olhar por aí. A corrida para o poder não é própria dos jovens de 25 anos, mas dos maduros e maduras de 40 anos ou mais… Terceira: na idade do pôr do sol, entra pela porta da frente a tentação da segurança, do futuro, da prudência e tudo em nome disso se transforma em “avareza”. Os idosos, normalmente, são muito apegados ao dinheiro. Têm o desejo de acumular porque não se sabe quando virá o momento de precisar de dinheiro para uma doença, para uma reforma da casa, para uma viagem para... para... Todas as três andam juntas, mas cada uma é mais forte em certo momento da vida. É só parar e se perguntar em que “tempo de tentação me encontro?”. Olhe-se no espelho e verá. Posso estar errado, mas lendo as tentações de Jesus me veio esta ideia.

palavras que não passam

Uma série sobre o Concílio Vaticano 2º PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

Concílio é a reunião de todos os bispos católicos sob a presidência do papa, para refletir sobre as necessidades da Igreja e sua missão no mundo. Vivi anos antes, acompanhei o seu desenrolar e o pós-Concílio como religioso dehoniano e sacerdote. Com otimismo, atrevo-me a vasculhar a memória numa viagem pelo tempo luminoso de meio século decorrido do Concílio Ecumênico Vaticano 2º (1962-1965). Aproveito para reforçar meu compromisso com a Igreja no novo relacionamento de diálogo com o mundo moderno. É passagem rápida como uma excursão de poucos dias, em que a gente não se detém diante de todas as atrações sem se deixar levar pelos recantos sossegados da memória. Desfilo aqui lembranças de um passado não tão distante que parece se confundir com o presente

desafiador. Talvez caiba a comparação o “Repórter Esso” (já antes do Concílio). Foi bom aquele tempo? Foi! Hoje é de alguém que folheia um álbum de fotografias que recordam muitas alegrias de melhor ou pior? O melhor tempo é aqueuma pessoa feliz por haver participado le que a gente está vivendo sem desprezar as recordações positivas – e até as dessa história bonita. Sou da geração de pessoas que mais negativas – do passado. Seria bom um novo Concílio? Existe do que se lembrar, viveram o Concílio. Encaixo-me entre os que falam do que quem responda não, porque a proposta viveram, por isso conservam marcas do Vaticano 2º ainda não foi esgotada. profundas que influenciaram sua vida. Para outros é sim, porque existem hoje Dessas marcas, comento algumas que questões novas que exigem o aval de um me parecem responder ao É passagem rápida como uma desafio que me propus com a finalidade de auxiliar os excursão de poucos dias, em que a mais novos desejosos de gente não se detém diante de todas entender a profundidade e as atrações sem se deixar levar pelos o significado das mudanças com destaque para a área recantos sossegados da memória da comunicação. Então, por causa do vasto campo comunicati- Concílio. Sim ou não, ambas revelam vo em que se desenvolve a vida da Igre- que o Concílio por si é irreversível. Sim ja – afinal tudo é comunicação –, peço ou não, a proposta do Vaticano 2º peratenção a apenas alguns aspectos que manece válida hoje. Num e noutro caso, creio que o papa selecionei, não sei se os melhores, para desencadear a reflexão. Previno que Francisco esteja preparado para o que não me atribuo os recursos de historia- lhe parecer mais necessário para a Igreja dor. Apenas sou um mero “testemunha no mundo de hoje. ocular da História”, como se intitulava (Parte 1 - Continua na próxima edição)

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Antônio Aparecido Pereira • Reportagem: Daniel Gomes • Colaboração: Nayá Fernandes e Edcarlos Bispo de Santana • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: osaopaulo@uol. com.br (redação) • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura.


Fé e Vida

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encontro com o pastor

Corrupção e educação moral

Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal dom odilo pedro scherer

Há algum tempo, os fatos de corrupção e desonestidade na gestão dos recursos públicos estão em evidência na opinião pública. No primeiro julgamento do “mensalão”, o STF pronunciou-se sobre a acusação de um enorme esquema de corrupção instalado nos altos escalões do Poder Federal e o povo pôde acompanhar tudo, em capítulos, pela televisão. Por decisão do mesmo STF, haverá uma segunda etapa no julgamento desse caso. É para ninguém ficar sem poder ver... Mas não é o único caso. Por vários cantos do Brasil pipocam acusações de desonestidade na gestão dos recursos públicos. Há para todos os bolsos e gastos... Será que a corrupção é maior agora do que no passado? Ou será que a polícia trabalha mais e sua ação ficou mais eficaz? Será que a maior divulgação dos crimes, ou de suspeitas de crimes, gera a impressão que o fenômeno da desonestidade está mais espalhado do que nunca? Certamente, não se pode atribuir esse fenômeno a uma causa apenas. Entre as várias causas, está a lentidão da Justiça, o que passa certa presunção de impunidade e

leva a concluir que o crime compensa. Outra explicação para o aumento da desonestidade é a escassa educação para os padrões éticos de comportamento, em que o senso de justiça, de respeito pelo próximo e de retidão são desconsiderados. Estaríamos diante de um relaxamento na formação da consciência ética e moral dos cidadãos? Será que isso ainda é objeto de educação? Quem se preocupa em educar para padrões éticos válidos para todos? Ainda há quem eduque nas escolas sobre o que é bom ou mau, digno ou indigno, honesto e desonesto? Eis uma questão crucial. Quem, sem ser logo contestado, ainda ousa afirmar valores éticos e morais universais e referenciais para todos?! Em tempos de individualismo e de subjetivismo, também os referenciais éticos da honestidade, da justiça, da dignidade e dos direitos acabam sendo relativizados e deixados para a decisão individual. E então estamos diante do caos ético. A falta de uma educação voltada para comportamentos éticos e dignos é agravada pelo mau exemplo oferecido, infelizmente, muitas vezes, por quem está em maior evidência. As palavras sobre educação das atitudes éticas são logo desmentidas pelos maus exemplos por causa da falta de ética. O ladrão e o desonesto não nascem feitos, mas passam por um processo de “formação para o Arquivo pessoal

crime”; pequenas desonestidades não corrigidas preparam para atos delituosos sempre mais graves e expressivos. A consciência vai se habituando e já não reage mais. Jesus, no Evangelho, nos previne contra o amor ao dinheiro, que pode se tornar uma verdadeira idolatria. E São Paulo diz que o amor ao dinheiro é uma verdadeira idolatria (cf. Cl 3,5), pois leva o homem a dedicar toda a atenção e culto ao dinheiro. Leva mesmo a trair a própria consciência, a desobedecer aos mandamentos de Deus e a “vender a alma para o diabo”... A ganância e a avareza escravizam o ser humano. À luz dessa verdade, compreendemos a Palavra de Jesus no Evangelho: “Não podeis servir a dois senhores” (Lc 16,13). O amor ao dinheiro, à ganância e à avareza pode se tornar uma verdadeira escravidão, levando o homem a servir esse “senhor” implacável, bem mais que a Deus. O único Senhor, que devemos servir sem reservas e acima de todas as coisas, é o Senhor Deus. Um dia, seremos chamados, como aquele administrador da parábola: “Presta contas da tua administração” (Lc 16,2). Precisamos educar-nos para as virtudes da fidelidade e da honestidade: “Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes” (Lc 16,10). O bem mais precioso, que devemos administrar, com lealdade e honestidade, é nossa própria vida. Arquivo pessoal

editorial

Igreja missionária e misericordiosa Como não destacar a mensagem do papa Francisco em sua homilia na cidade de Cagliari, no domingo passado? Com muita clareza, ele voltou a condenar o sistema econômico mundial, que no lugar do homem e da mulher, que Deus colocou no centro do mundo, colocou o “deus dinheiro”, que joga à margem da vida quem não dá lucro, os idosos e os jovens. O papa Francisco deixa claro o recado de que é hora de o mundo mudar a lógica do lucro a qualquer preço e é hora de os discípulos de Cristo se unirem para não deixar que o sistema econômico globalizado roube as esperanças dos jovens e lhes garanta o direito ao trabalho. Como não destacar também o encontro dos padres do Estado de São Paulo, que se reuniram na semana passada para preparar o 15º Encontro Nacional de Presbíteros, marcado para fevereiro de 2014 em Aparecida (SP)? Lá ficou claro que os padres, apesar de todas as crises que enfrentam, estão aí, testemunhando a esperança e sendo para o Povo de Deus sacerdotes, mestres e pastores. Os padres querem em Aparecida testemunhar que não perderam a esperança e que estão aí, dando a quem desejar saber as razões dessa esperança. Como não destacar, enfim, a piedosa peregrinação dos padres e do Povo de Deus que está na Região Norte de São Paulo? Cada peregrinação tem sido um testemunho público de fé, e a peregrinação da Região Santana não foi diferente. Apesar do tempo nublado, da cidade estar preocupada com a “virada esportiva”, de a população ter sido convocada para um “dia sem carro”, os fiéis de Santana foram confessar, celebrar, viver e testemunhar a sua fé. Enfim, é preciso que se destaque que o nosso arcebispo, dom Odilo Pedro Scherer, celebrou seu aniversário e foi alvo do carinho e das preces de toda a Igreja em São Paulo. Que nunca lhe faltem as bênçãos de Deus para governar com sabedoria, serenidade e firmeza a porção do rebanho de Cristo que lhe foi confiada. Parabéns, dom Odilo! Esta edição do O SÃO PAULO, portanto, chega aos leitores rica de conteúdos e mostrando que a nossa Arquidiocese está cada vez mais decidida a anunciar Jesus Cristo e a tudo fazer para que Deus habite de forma sempre mais visível a cidade de São Paulo.

Os padres querem em Aparecida testemunhar que não perderam a esperança e que estão aí, dando a quem desejar saber, as razões dessa esperança

Na manhã do domingo, 22, o cardeal Scherer visitou a Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Luciano, na Região Belém. “Foi dia de graça e júbilo, que confirmou os irmãos na fé da Igreja”, disse uma das paroquianas.

Na segunda-feira, 23, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, iniciou, em Campos do Jordão (SP), um encontro de formação com os padres “novos” da Arquidiocese, que segue até quarta-feira, 25

agenda do Cardeal Terça-feira e quarta-feira (24 e 25) Encontro de formação com os Padres “Novos” da Arquidiocese de São Paulo – em Campos do Jordão (SP).

Sexta-feira (27) Acompanhe dom Odilo na tevê e no rádio

Rede Vida

“Palavra do Cardeal” Aos domingos, às 2h - reprise às 7h15 e às segundas-feiras, às 6h45.

Rede Século 21

“Igreja Presente” Aos sábados, às 15h45.

Canção Nova

“Discípulos e Missionários” Às terças-feiras, às 19h30.

Rádio América – AM 1410 kHz “Discípulos e Missionários” Aos domingos, às 21h.

Rádio 9 de Julho – AM 1600 kHz

“Encontro com o Pastor” Todos os dias, às 12h, logo após o Angelus. “Transmissão da missa” Aos domingos, às 11h, direto da Catedral da Sé.

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20h – Abertura do 17º Encontro da Pastoral Familiar do Regional Sul 1 – na Fapcom

Sábado (28) 15h – Encontro Universitário ‘Dom Odilo responde aos jovens’, no Mosteiro de São Bento.

Domingo (29) 15h – Missa na Catedral da Sé pela peregrinação da Região Brasilândia.


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Fé e Vida

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liturgia e vida

palavra do papa

Trabalho quer dizer dignidade

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM 6 DE OUTUBRO Ana Flora Anderson

O povo clama a Deus Ao lermos a primeira leitura da liturgia deste domingo, sentimos que estamos lendo sobre a situação do mundo atual (Habacuc 1, 2-3; 2, 2-4). O profeta clama a Deus sobre a violência e a iniquidade que existem no mundo. Não existem soluções, só discussão e discórdia. A antífona de entrada dirige-se ao Deus do universo, que tem todo o poder. A oração do dia fala do imenso amor do Pai e pede misericórdia para seu povo. Na segunda leitura (2 Timóteo 1, 6-8.13-14), São Paulo ensina que devemos reavivar o dom da fé que recebemos. Esse dom não nos oferece um espírito de timidez, mas de fortaleza para enfrentar as dificuldades deste mundo. O Espírito Santo habita em nós e, em tempos de tribulação, nos fortifica com a graça de Deus. O Evangelho de São Lucas (17, 5-10) narra um diálogo entre Jesus e seus discípulos. Seus seguidores pedem que Jesus aumente a sua fé. O Mestre responde que o mínimo de fé é suficiente para arrancar árvores! Quem segue a Jesus deve compreender que a fé em Deus lhe confere um poder ilimitado. Quem crê deve responder diante dos males do mundo. O Mestre ensina que este dom da fé nos leva a realizar tudo que é necessário, mas, mesmo assim, podemos e devemos realizar mais!

Papa francisco Em sua segunda visita pastoral na Itália, à cidade de Cagliari, no domingo, 22, o papa Francisco criticou o sistema econômico mundial, que descarta os jovens e os idosos. Abaixo, parte da homilia do Santo Padre. Esta é a segunda cidade que eu visito na Itália. Curiosamente, as duas, a primeira e a segunda, são ilhas. Na primeira, eu vi o sofrimento de tanta gente que busca, arriscando a vida, dignidade, pão, saúde: o mundo dos refugiados. E vi a resposta daquela cidade, que, sendo ilha, não quis se isolar, e recebe aquele mundo, e o faz seu, nos dá um exemplo de acolhida: sofrimento e resposta positiva.

Nesta segunda cidade, esta ilha que visito, também aqui encontro sofrimento. Um sofrimento que um de vocês disse que “enfraquece você e acaba por roubar sua esperança”. Um sofrimento – falta de trabalho – que leva você, me alertem se sou um pouco forte, mas digo a verdade, a se sentir sem dignidade! Onde não há trabalho, falta dignidade! E isso não é um problema somente da Itália ou de alguns países da Europa, é a consequência de uma escolha mundial de um sistema econômico que tem, no centro, um ídolo que se chama dinheiro. Deus quis que no centro do mundo não haja um ídolo, mas o homem, o homem e a mulher que levam avante o mundo com o próprio trabalho. Mas agora, neste sistema sem ética, no centro do mundo há um ídolo, e o mundo se tornou idólatra desse deus dinheiro. Manda o dinheiro! Mandam todas essas coisas que servem a ele, a esse ídolo. E o que acontece? Para defender esse ídolo, se amontoam todos no centro

e caem os extremos, caem os anciãos, porque neste mundo não há lugar para eles! Alguns falam desta situação de “eutanásia escondida”, de não curá-los, de não levá-los em conta. “Sim... deixemos que se percam...” E caem os jovens que não encontram trabalho e a sua dignidade. Mas pense em um mundo onde os jovens – duas gerações de jovens – não têm trabalho. É uma prece necessária. Trabalho quer dizer dignidade, trabalho quer dizer levar o pão para casa, trabalho quer dizer amar! Para defender esse sistema econômico idolátrico, ali se instaura a “cultura do descarte”, se descartam os avós e se descartam os jovens. E nós devemos dizer “não” a esta “cultura do descarte”. Nós devemos dizer: “Queremos um sistema justo! Um sistema que nos faça andar, todos progredir”. Devemos dizer: “Não queremos este sistema econômico globalizado, que nos faz tanto mal!”. No centro deve estar o homem e a mulher, como Deus quer, e não o dinheiro. Site da Rádio Vaticano

leituras da semana

SEGUNDA (7): At 1, 12-14, Lc 1, 26-38 TERÇA (8): Jn 3, 1-10, Lc 10, 38-42 QUARTA (9): Jn 4, 1-11, Lc 11, 1-4 QUINTA (10): Ml 3, 13-20a, Lc 11, 5-13 SEXTA (11): Jl 1, 13-15; 2, 1-2, Lc 11, 15-26 SÁBADO (12): Est 5, 1b-2; 7, 2b-3, Jo 2, 1-11 (Bodas de Caná)

santo da semana

São Gregório – 30 de setembro Gregório nasceu por volta do ano 257, na Armênia e, como filho de monarca, recebeu uma formação cuidadosa. Ele foi enviado para a Cesareia da Capadócia, onde recebeu também educação e formação cristã. Aos 22 anos, casou-se com uma jovem cristã e teve dois filhos. Depois de sete anos, o casal, de comum acordo, interrompeu a vida matrimonial. Ela foi viver retirada num convento e ele se ordenou sacerdote. Em 287, por interesse do Império Romano, que desejava tirar a Armênia do poder dos persas, Tiridates foi enviado com soldados romanos para retomar o trono que era seu por direito. Curiosamente, nesse exército estava também Gregório, que era seu colaborador e conselheiro particular. Ele voltou à Capadócia, onde se tornou o bispo e um dos maiores líderes da Igreja armênia, sucedido por um de seus filhos. Dessa maneira, Gregório pôde realizar seu grande sonho, que era o de se retirar para um lugar solitário e viver apenas de oração e penitência, até a morte em, 332. (Com informações do site catolicanet)

Tweets do papa

@Pontifex_pt 21 - A verdadeira caridade exige um pouco de coragem: vençamos o medo de sujarmos as mãos para ajudar os necessitados. 20 - Cristo é sempre fiel. Rezemos para que sejamos também nós sempre fiéis a ele. 19 - Somos todos pecadores, mas vivemos a alegria do perdão de Deus e caminhamos confiantes na sua misericórdia. 17 - Há tantas necessidades no mundo de hoje. Fico fechado nas minhas coisas, ou me lembro de quem precisa de ajuda?

“Trabalho significa dignidade. Que o dinheiro não seja ídolo”, afirmou Francisco em sua visita a Cagliari, na ilha da Sardenha, no domingo, 22. O Papa narrou a migração de seu pai, que foi para a Argentina com a ilusão de “fazer a América” e sofreu a terrível crise dos anos 30. “Conheço isso muito bem! Mas devo dizer-lhes: ‘Coragem!’”. Para que não seja uma palavra de circunstância, Francisco pediu solidariedade e inteligência para enfrentar esse “desafio histórico”.

há 50 anos

Reinicia-se o Concílio Vaticano 2º “Datada de 14 de setembro, o santo padre Paulo 6° enviou aos bispos de todo o mundo uma exortação destinada com anúncio do reinício dos trabalhos conciliares em 29 de setembro [1963].” Nela, o Santo Padre, comovido pela grandeza da herança deixada por João 23, reconhece o grande encargo de tomar a cátedra de Pedro. Assim, foram estabelecidas novas normas de trabalho, entre as quais os grupos de moderadores, e constituiu -se uma nova comissão para ordenar e coordenar os trabalhos das comissões conciliares. Também foi determinada a ree-

laboração dos esquemas em forma mais reduzida, obedecendo-se ao critério de terem em primeira vista os princípios mais gerais, deixandose as questões que não sejam diretamente pertinentes, “uma vez que o Concílio tem em mira, antes de tudo, a Igreja Universal”. Ainda sobre o reinício do Concílio, que tomou toda a capa da edição, as mudanças contemplaram a inclusão de certo número de católicos leigos nos trabalhos conciliares, participação de procuradores das maiores instituições internacionais católicas e aumento de convites a entidades não cristãs.

Capa da edição de 29/9/1963


Fé e Vida fé e cidadania

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L’Osservatore Romano

Mártires da História do Brasil Professora titular da USP. Presidente do Instituto Jacques Maritain do Brasil.

Maria Luiza Marcilio

“Animai-vos, povo, pois está para chegar o dia em que todos seremos irmãos e iguais!” Essa foi uma das frases escritas à mão, nos panfletos que foram colocados na porta de igrejas na saída das missas e colados nas esquinas da cidade de Salvador, na Bahia, em 12 de agosto de 1798. A cidade já não era mais a capital da colônia brasileira. O povo passava fome com o alto preço e a falta de alimentos, e era massacrado pela contínua elevação dos impostos. As notícias das ideias de Liberdade, Igualdade, Fraternidade chegavam da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos da América. Escravos e libertos do Haiti acabavam de proclamar a primeira República Negra da América.

Tudo propiciava um clima de insubordinação que contaminava quartéis e, particularmente, o povo pobre. A revolta se disseminava entre artesãos, pequenos comerciantes, alfaiates, soldados, livres e escravos. Alguns da elite branca culta traziam livros e ideias novas dos iluministas franceses, que, empolgados, criaram uma loja maçônica, intitulada “Cavaleiros da Luz”, para debater as novas ideias e preparar um movimento emancipacionista. Os panfletos que distribuíram naquele dia continham seis pontos de luta: abolição da escravidão; proclamação da República; diminuição dos impostos; abertura dos portos; fim do preconceito; aumento dos salários dos soldados. Os líderes principais foram Cipriano Barata, médico dos pobres formado em Montpellier, na França, e o jornalista e padre Francisco Agostinho Gomes, críticos ardorosos do opressor regime colonial português.

O movimento foi denunciado às autoridades portuguesas. A rainha de Portugal, dona Maria I, ordenou rigorosa investigação e condenação dos principais. Foram presas 59 pessoas e muitos torturados. Apenas os pobres, negros – escravos e libertos – foram processados, com prisão perpétua ou degredo para a África. Todos da elite branca foram absolvidos ou nem sequer investigados. Conhecido como a Revolta dos Alfaiates, foi o único movimento popular e abolicionista. Em 8 de novembro de 1799, um triste cortejo, percorrendo as principais ruas de Salvador, levou ao cadafalso os quatro únicos sentenciados de morte; todos negros. Enforcados, tiveram os seus corpos esquartejados e expostos pelas ruas da cidade. Seus nomes não são alvo de celebrações em nossa História e não são conhecidos: João de Deus e Manoel Faustino dos Santos, alfaiates; Lucas Dantas e Luís Gonzaga, soldados http://atitudecomunicacaobahia.wordpress.com

espaço aberto

Saúde não pode ser monopólio Professor de teologia da PUC-SP

Padre Antonio Manzatto

Uma das angústias da população brasileira é o atendimento à saúde. Em um país de contrastes como é o Brasil, convivemos com medicina de ponta e falta de atendimento médico; pesquisas avançadas em laboratórios que são a última palavra em tecnologia e doentes morrendo na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e em hospitais sucateados. Essa preocupação já foi apontada em diversas pesquisas de opinião pública e o governo Dilma havia, ainda na campanha eleitoral, eleito o tema

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como uma de suas prioridades. É indiscutível que o sucateamento da saúde não se resolverá apenas com a presença de médicos. É preciso que eles tenham condições de trabalho, material necessário à disposição e equipe que cuide da estrutura. Tudo isso precisa ser trabalhado e o governo tem responsabilidade no caso. Mas é inadmissível que, por receio da perda de monopólio, setores médicos reajam com preconceito e arrogância frente a medidas que visam ao atendimento da população. É preciso haver médicos lá onde a pobreza reina, mas os afeitos à privatização do setor e aos lucros não querem estar onde não haja lucros. Por isso, opõem-se à vinda de médicos estrangeiros ao País. E argumentam que

aqui temos muitos médicos, e realmente temos, mas poucos se dispõem a trabalhar em função da vida dos pobres. Os que são contra a presença de médicos estrangeiros nas periferias e nos lugares mais esquecidos do País deveriam, então, se organizar para suprir essas necessidades! Na periferia, sabemos o que significa a ausência de médicos! Há que se reclamar da estrutura? Claro que sim! Há que exigir que o governo cumpra suas obrigações? Claro que sim! Mas não há que fazer do Brasil um lugar onde a saúde seja monopolizada por uma indústria que visa apenas o lucro fácil! Os médicos fazem o juramento de trabalharem para salvar vidas! Isso nunca poderá ser monopólio de ninguém!

Mudanças na Cúria Romana No sábado, 21, o papa Francisco fez algumas alterações na Cúria Romana. Entre elas, aceitou o pedido de renúncia, por limite de idade, do cardeal Manuel Monteiro de Castro, como penitenciáriomor e nomeou como seu sucessor o cardeal Mauro Piacenza, até então prefeito da Congregação para o Clero. Na Congregação para a Doutrina da Fé, confirmou como prefeito, dom Gerhard Ludwig Müller; como secretário, dom Luis Francisco Ladaria Ferrer; e nomeou secretário adjunto dom Joseph Augustine Di Noia, até então vice-presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei; confirmou ainda os membros e os consultores, nomeando como novo consultor dom Giuseppe Sciacca, secretário adjunto do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica. Na Congregação para a Evangelização dos Povos confirmou: como prefeito, o cardeal Fernando Filoni; como secretário, dom Savio Hon Tai-Fai; como secretário adjunto, dom Protase Rugambwa; e todos os membros e consultores do Dicastério. Na Congregação para o Clero: nomeou como prefeito, o arcebispo dom Benia-

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

mino Stella, até então presidente da Pontifícia Academia Eclesiástica; confirmou como secretário, dom Celso Morga Iruzubieta; e nomeou como secretário para os Seminários, dom Jorge Carlos Patrón Wong, elevando-o à dignidade de arcebispo. Na Administração do Patrimônio da Sé Apostólica: nomeou delegado da Seção Ordinária, o monsenhor Mauro Rivella, do clero da Arquidiocese de Turim. O Santo Padre nomeou núncio apostólico na Alemanha, dom Nikola Eterovic, até então secretário-geral do Sínodo dos Bispos; e chamou para suceder-lhe no mesmo cargo dom Lorenzo Baldisseri, até então secretário da Congregação para os Bispos. O papa Francisco nomeou ainda como núncio apostólico em Serra Leoa, dom Miroslaw Adamczyk, até então núncio na Libéria e Gâmbia. Por fim, o Pontífice nomeou como núncio apostólico e presidente da Pontifícia Academia Eclesiástica, o monsenhor Giampiero Gloder, conselheiro de nunciatura, elevando-o à dignidade de arcebispo. (Com informações do site www.arquidiocesedesaopaulo.org.br)

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

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Igreja em Ação pastoral operária

Há 58 anos, o semanário da Arquidiocese de São Paulo chega às comunidades com notícias que contribuem para a formação de uma sociedade justa e solidária. Assim, O SÃO PAULO cumpre o papel de prestação de serviço, promoção da cultura do bem e entretenimento para os seus leitores. #leia #compartilhe #assine #anuncie

Pastoral Operária prepara sua assembleia pometropolitana@ig.com.br

Reunidos, no sábado, 14, representantes das Regiões Episcopais Belém, Brasilândia, Ipiranga e das dioceses de Campo Limpo, Santo Amaro e São Miguel Paulista iniciaram a preparação da Assembleia da Pastoral Operária na cidade de São Paulo. A reunião iniciou com a finalização do estudo do caderno de Carlos Mesters e Mercedes Lopes – O Evangelho de Lucas – “Quem é Jesus para nós”.

Teve como pontos principais: Qual o Rosto da Pastoral nas Regiões e Dioceses? E finalizou com os acertos para a realização da assembleia, que começará em 19 de outubro, o dia inteiro, na Casa da Solidariedade – Região Ipiranga, com uma análise da conjuntura econômica, a ser feita por Plínio de Arruda Sampaio Júnior. O segundo momento da assembleia acontecerá no dia 9 de novembro, também na Casa da Solidariedade, aprofundando, na parte da manhã, a conjun-

tura sindical e, na parte da tarde, o momento atual da Igreja, com a participação de dom Antonio Celso de Queirós, bispo emérito da Diocese de Catanduva (SP). A terceira fase da assembleia acontecerá nos dias 7 e 8 de dezembro, na Casa dos Padres Salvatorianos, no bairro do Jabaquara, Região Ipiranga. O objetivo de todo este trabalho é permitir à Pastoral Operária definir seus rumos e suas ações nos próximos dois anos (2014 e 2015). Pastoral Operária

PO realiza no sábado, 14, reunião em preparação da assembleia para definir os rumos e ações dos próximos dois anos

Pastoral Fe e política

Uma primavera para a democracia participativa flavio@pastoralfp.com

marketing@osaopaulo.org.br assinaturas@osaopaulo.org.br (11) 3666-9660 / 3660-3723 / 3660-3724

Há tempos a cidade esperava viver esta primavera! Ela tem início quando o prefeito envia à Câmara projeto para o qual o vereador Police Neto propõe emenda, prevendo o Conselho Participativo nas 32 subprefeituras. Projeto aprovado, agora Lei nº 15.764/2013: institucionaliza os Conselhos, regulamentados pelo Decreto nº 54.156, dispondo sobre a criação, composição e atribuições dos mesmos. É chegada a hora de participar. Somos responsáveis por construir este momento único para a cidade. Os conselheiros serão eleitos pelos moradores da Sub-

prefeitura. As inscrições de candidatos (as) tiveram início dia 07/09; vão até 07/10, nas sedes das subprefeituras, inclusive no sábado, 28. As eleições acontecem dia 08/12 de 2013. Os (as) conselheiros (as) serão eleitos por voto direto, secreto, facultativo e universal de pessoas portadoras de título de eleitor, cédula de identidade ou outro documento de identificação oficial com foto. O processo eleitoral para candidatos e votantes que não possuam título de eleitor será regulamentado pela prefeitura. Cada pessoa votará uma única vez, em até 5 candidatos ao Conselho correspondente à Subprefeitura em cuja área se

localizem sua zona e seção eleitorais. Serão eleitos 1.125 conselheiros (as). Piragino, diretor da Escola de Governo, lembrou-se dos anos de “luta” para se conseguir “um conselho territorial”. É um marco na cidade de São Paulo a ser complementado pela descentralização administrativa. “Caso contrário, os Conselhos Participativos serão somente mais um conselho anêmico e a sociedade não investirá neles!”, alertou. E “o fortalecimento da descentralização precisa ser confirmado já na proposta do Plano Plurianual 2014-2017 e na Lei Orçamentária do próximo ano”. Por Nelson Teixeira


Igreja em Ação

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Pastoral afro

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bioética Pastoral Afro

Espiritualidade nas empresas? Utopia? Ingenuidade? Padre Christian de Paul de Barchifontaine

12º Encontro de Mulheres Negras, no Centro Pastoral São José, com os temas Ano da Fé; e Mulher, luz do mundo, Vidas que iluminam vidas

Pastoral realiza encontro de ‘mulheres negras’ pastoralafro@ig.com.br

No dia 8 de setembro, a Pastoral Afro promoveu o 12º Encontro de Mulheres Negras no Centro Pastoral São José do Belém, o qual contou com a participação de 40 mulheres vindas de diversas regiões. Para o encontro, cujos temas foram 2013 “Ano da Fé”, e “Mulher, luz do mundo – Vidas que iluminam vidas”, Ruth Maria, do Secretariado de Pastoral, e a professora Sônia Querino refletiram sobre os temas. “Ruth, abordando o Ano da Fé, fez renovar em cada um de nós a devoção a Jesus Cristo e à Igreja Católica Apostólica Romana com

as palavras: Deus é absoluto e somente ao lado dele nos realizamos plenamente, ao final, professamos o Creio, pedindo a Deus que aumente cada vez mais a nossa fé”, afirmaram os participantes. Já a professora Sônia, por meio da dança africana, fez os participantes sentirem que estavam, de fato, na África e, ao focar o tema “Mulher, luz do mundo – Vidas que iluminam vidas”, surpreendeu a todos com fotos em slides das participantes do encontro, mostrando que elas são essa luz do mundo. No encerramento do encontro, a irmã Maria de Lourdes do Patrocínio, mjc, mostrou em slides fotos do Quê-

nia, onde partiu em missão no dia 21 de setembro, e permanecerá nos próximos três anos. A mesma agradeceu à irmã Lindaura Araujo, mjc, a amizade e orações que lhe deram forças na caminhada, renovando seu amor a Jesus e aos mais necessitados. Ao fim do encontro, foi celebrada a missa presidida pelos padres Luiz Fernando, da Região Belém, e José Enes de Jesus, do Instituto do Negro Pe. Batista, que deram a bênção de envio à irmã Maria de Lourdes e, depois, cada participante recebeu uma vela, acenderam no Círio Pascal e juntas se comprometeram a ser luzes do mundo, renovando nossa fé.

matérias: críticas, com foco no social e com o espaço disponível para as diversas atuações pastorais da Arquidiocese de São Paulo. A Pastoral do Menor parabeniza toda a Equipe do Jornal O SÃO PAULO e agradece a participação na construção da história desta Pastoral.

terial para meus encontros de Crisma. Grande abraço, excelente trabalho!

espaço do leitor

Escrevo-lhes para falar sobre a mudança do jornal, que agora está mais clean. O novo projeto gráfico o deixou muito mais bonito, fazendo a leitura do mesmo mais agradável. Parabéns pelas modificações. Dai Zito – coordenadora da Pastoral da Juventude

Quem lhes escreve é uma antiga leitora, ou uma leitora antiga... Não importa! O importante é ressaltar que, de imediato, custei a me acostumar com a nova cara do jornal O SÃO PAULO, mas aos poucos fui me adaptando. Com o seu novo formato, ficou de fácil leitura: no ônibus, no escritório, em casa. Fácil de manusear. Muito mais bonito, atrativo, colorido. Destaco, ainda, a qualidade das

Sueli Camargo – coordenadora da Pastoral do Menor

Oi, galera do jornal O SÃO PAULO, estou escrevendo para parabenizar vocês pela nova cara do jornal, além de mais atrativo, a leitura está mais prática e com rosto de renovação. Ficou muito bom, sempre leio o jornal e já adorava as matérias, não podia deixar de parabenizá-los pela mudança... Utilizo-o como ma-

Djessyka Silva Costa – catequista de crisma na Paróquia Natividade do Senhor

Boa tarde jornal O SÃO PAULO. Desejo dizer que gostei muito do novo estilo do formato implantado no jornal. Agora, ficou muito mais fácil e atrativo ter as leituras semanais. Continuem inovando como fizeram para ficar mais inteligível os textos, assim só teremos a agradecê-los. Ronald Quene

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

O conceito globalização está manchado pela face escura da modernidade, por sua racionalidade instrumental e eficácia funcionalista, e pela face antissocial do capitalismo em sua forma tardia de neoliberalismo. Seu produto final é sofrimento e exclusão econômica, em função da maximização dos lucros. Só globalizou-se o econômico! E o social? Assim, a globalização é uma tragédia para a maioria da humanidade: tanto a economia mundialmente integrada quanto o mercado se regem pela competição e não pela cooperação. Se dermos livre curso à competição sem a cooperação, caminharemos em direção à “entropia”, colocando em alto risco todo o sistema de vida. A verdadeira globalização, a verdadeira sustentabilidade planetária, depende de mudanças profundas na concepção de pessoa e natureza e de implementação de um outro modelo de sociedade, onde o determinante não seja o capital, o lucro, mas a vida dos homens e das mulheres interagindo com toda a natureza. Precisamos redescobrir a solidariedade, a corresponsabilidade, a compaixão, a partilha, o cuidado. Hoje, o mercado está dando origem a uma forma moderna de religião, “a religião da mercadoria”, “a espiritualidade do mercado”, gerando uma imensa idolatria. O dogma central dessa religião é este: “O dinheiro tudo pode, move o céu e a terra”. A espiritualidade apresenta a tese de que a humanização se dá no e pelo consumo. Existem os templos dessa religião, ou seja, os bancos, com seus sacerdotes que são os banqueiros e os financistas que prestam o maior culto ao dinheiro; inclusive, os bancos têm os seus ‘sacrários’: os cofres-fortes. Existe também a romaria aos espaços mais carregados de significação, que são os grandes shoppings e cidades de consumo, como Miami, Paris... Então, exige-se uma fé irrestrita e uma confiança ilimitada no caráter benéfico da lógica econômica. O sistema econômico não propõe mais a inclusão de todos ao mercado, e sim reciclagem e diversificação da produção para provocar o consumo dos que estão no mercado. Os outros, os que sobram, são mantidos à distância, contornados, eventualmente assistidos até que desapareçam. Assim, existem os planos sociais de compensações como cestas básicas, Bolsa Família, programas escolares, comunidade solidária, assentamento de famílias sem-terra, que são direitos e não esmolas! O mercado não tem compromisso com os povos, com as pessoas. Passamos por uma profunda crise de humanismo. Em escala mundial, presenciamos grandes transformações em várias instâncias, tais como economia, política, desenvolvimento tecnológico, direitos e deveres dos cidadãos, funções familiares, saúde e sobrevivência de muitos povos, dentre outras. Da globalização excludente seria possível passar à globalização da solidariedade? O que está acontecendo com as pessoas? Onde está o humano? O simples estar com o outro, a compaixão, a tolerância, a solidariedade tornaram-se valores descartáveis que contam pouco ou nada? Até quando? (continua na próxima edição)


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Geral

Peça conta a história de Santo Agostinho “Inquieto coração” é uma reflexão sobre a vida, por meio do encontro dos escritos de Agostinho, este primeiro homem “moderno”, com o homem atual. Local: Viga Espaço Cênico/Sala Piscina – www.viga.art.br - telefone: (11) 3801-1843. Sextas às 21h30; sábados, às 21h; e domingos, às 19h. Temporada até: 29/09/2013

A teologia e a evangelização nas fronteiras Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Realizado pela Comissão de Estudantes de Teologia do Estado de São Paulo, Congresso começou na segunda-feira, 23 NAYÁ FERNANDES

Especial para O SÃO PAULO

“Nova Evangelização: problemas de fronteira” é o tema sobre o qual refletirão, até sextafeira, 27, os participantes do 8º Congresso de Teologia, que começou na segunda-feira, 23, e terá como assessores nomes como Fernando Altemeyer Junior, Rubens Ricupero e Maria Clara Bingemer. A realização é da Comissão de Estudantes de Teologia do Estado de São Paulo (Cetesp), que congrega as seguintes instituições: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Escola Dominicana de Teologia, Faculdade de São Bento, Centro Universitário Salesiano de São Paulo e Instituto São Paulo de Estudos Superiores (Itesp) e as Faculdades Integradas Claretianas. O Congresso acontece no

8º Congresso de Teologia acontece até sexta-feira, 27, e reflete sobre a Nova Evangelização e os problemas de fronteira

Centro Universitário São Camilo, no Ipiranga, e a abertura contou com a presença de representantes de cada um dos institutos de teologia, do vicereitor da PUC-SP, professor José Eduardo Martinez, e do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer.

Em sua fala, o Cardeal ressaltou que, para a Nova Evangelização, é preciso considerar a história e verificar os momentos em que a Igreja viveu fases de renovação. Ele destacou ainda que o cinquentenário do Concílio Vaticano 2º é um momento privilegiado para

que, no atual contexto, a renovação aconteça e que o problema central é o reencontro consigo mesmo, ou seja, com a identidade católica de cada um. Dom Odilo recordou também o papa Francisco, quando o Pontífice falou sobre o Concílio convocado por João 23.

“Nós, durante algum tempo, após o Vaticano 2º, estivemos preocupados com a periferia das reformas e não com o interior delas. A Nova Evangelização não se fará sem uma atenção renovada ao Concílio Vaticano 2º.” Da equipe de organização, Janete Nogueira da Luz, graduanda na Faculdade São Bento, explicou que o evento deste ano tem novidades como exposições e apresentações artísticas. “Haverá exposição de obras de arte e fotografia dos estudantes de teologia (Sergio Ricciuto e Lucas Henrique Santos, ambos do Itesp). Teremos também um grupo de dança africana e um coquetel no último dia.” A primeira palestra do Congresso foi sobre “Carisma da Nova Evangelização: simplicidade e autenticidade”, com assessoria de Fernando Altemeyer Junior, assistente doutor da PUC-SP. “Procurei explicar que o Evangelho é radical e, como isso, foi compreendido por algumas pessoas, como São Francisco de Assis, Charles de Foucauld e Santa Teresa de Lisieux. Esses três personagens descobriram o núcleo da Nova Evangelização, que é aprender das periferias, ir da margem ao centro e não do centro para a margem”, disse ao O SÃO PAULO.

PUC-SP debate diálogo entre ciência e religião Edcarlos Bispo de Santana

Especial para O SÃO PAULO

O programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUCSP promoveu na quinta-feira, 19, um encontro com o tema “Ciência e religião: Possibilidade de diálogo?”. A atividade foi realizada no campus Monte Alegre, nas Perdizes, e teve como palestrante a doutora Ruth Bancewicz (foto), associada ao Instituto Faraday para Ciência e Religião, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Autora do livro “O teste da fé. Os cientistas também creem”, Ruth apresentou uma visão sobre a relação entre fé e religião e como pode haver mais que uma “convivência pacífica” e sim uma mútua colaboração entre os dois lados. Além disso, a doutora apresentou casos de

pessoas, que, após declarada descrença na fé, se voltaram para a religião. Em entrevista ao O SÃO PAULO, Ruth afirmou que considera importante esse debate no meio acadêmico, pois “todos têm que ter a oportunidade de debater sobre isso e entender a realidade de como os dois temas interagem, independentemente de um cientista ser religioso, ou não. Ter o interesse do debate essas duas coisas juntas”. Quando questionada se há uma fórmula para a convivência entre ciência e religião, a doutora salientou que possui uma fórmula própria e que isso muda de pessoa para pessoa. “A minha fórmula é que a ciência é uma parte da minha vida e a religião envolve todos os aspectos de minha vida.” O professor do programa

de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC-SP, Eduardo Cruz, destacou que “cada vez mais a ciência se aproxima de assuntos propriamente humanos”. Para ele, a ciência não estuda mais coisas afastadas do cotidiano humano. “Cada vez mais a ciência toca em assuntos que interessam à religião, pontos de contato são inevitáveis, e cabe aos cientistas entender melhor o que os princípios religiosos falam, quais os limites, as virtudes, qual a importância dos princípios religiosos e vice-versa, ou para evitar julgamentos intempestivos, inadequados as pessoas religiosas têm que entender o que está em jogo na pesquisa científica”, afirmou Eduardo.

Luciney Martins/O SÃO PAULO


Geral

Quando cultura e religião se encontram

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ANO DA FÉ

Jovem católico testemunha fé no ambiente universitário

Fotos: Nayá Fernandes e Luciney Martins/O SÃO PAULO

Religiosidade popular marcou 17ª edição do “Revelando São Paulo – Festival da Cultura Tradicional Paulista”

Daniel Gomes/O SÃO PAULO

Daniel Gomes Redação

Aos 22 anos, Matheus Cedric Godinho dedica-se na maior parte do tempo aos estudos das duas faculdades que cursa simultaneamente – filosofia, na PUC-PR, e ciências sociais, na Universidade Federal do Paraná (UFPR) – e não abre mão de cultivar e vivenciar a fé. “Acredito que a fé é aquele sentido último e, ao mesmo tempo, o primeiro sentido da nossa existência. É aquele motor espiritual, humano, que nos coloca em caminho, rumo a Deus, rumo à razão plena da nossa existência. É esse sal, esse sabor da nossa vida diante de tantas dificuldades e desafios, é essa força interior que nos conduz rumo a um futuro melhor, a uma sociedade melhor, ao Reino de Deus.” Nascido em família católica, Matheus mora com uma tia, pois sua mãe já é falecida. Desde 2011, tem testemunhado a fé de uma forma partilhada, sendo um dos agentes do Setor Universidades da CNBB. Fomentar o diálogo entre aquilo que é estudado

NAYÁ FERNANDES

Especial para O SÃO PAULO

A 17ª edição do “Revelando São Paulo – “Festival da Cultura Paulista Tradicional”, aconteceu entre os dias 13 e 22, no Parque do Trote, zona norte da capital. O Revelando é um evento que reúne artesanato, cerca de 130 estandes; atividades interétnicas e religiosas; culinária, em 102 espaços de preparo e consumo; apresentações de dança, música, teatro, cavalgadas; e momentos de conscientização ecológica. Quem passou pelos corredores viu inúmeras expressões de fé, manifestadas em quadros, esculturas, nomes e imagens colocadas nos estandes de artesanato e culinária, ornadas com flores e outros objetos, que mostram a devoção popular como característica forte e presente na cultura paulista. Festa do Divino, procissões nas águas, Corpus Christi, Paixão de Cristo e encontros de Folias de Reis foram contados como parte do chamado patrimônio imaterial do Estado de São Paulo, apresentado num grande mapa exposto na entrada do pavilhão de artesanato. As filas nos espaços gastronômicos comprovaram que, quem visitou o Revelando, não deixou de experimentar pratos típicos, como a “Galinhada de São José”, preparada por Justina Aparecida Moreira. Questionada sobre o nome dado para o prato, que mistura arroz e frango, a culinarista contou que, para ela, cozinhar é um dom de Deus. “Nossa Senhora Aparecida acompanha a gente desde o princípio, quando fazíamos feijão-tropeiro. Ano passado, comecei com a galinhada e pedimos a intercessão de São José para que desse tudo certo. Além disso, somos da cidade de São José dos Campos (SP).” Ainda sobre a arte culinária, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que tem 302 anos em São Paulo, esteve presente com comidas

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típicas da cultura afro-brasileira e as imagens de Nossa Senhora do Rosário, São Domingos e São Benedito. E foram as imagens de São Benedito, padroeiro dos cozinheiros, e de Nossa Senhora Aparecida, escolhidas para uma procissão entre os corredores, seguida de culinaristas que batiam tampas de panelas. “É uma passeata para lembrar Deus”, disse a senhora que levava à frente o oratório de madeira com as imagens. Jailson Chaves da Silva e Júlio Ferraz são de Itaquera,

zona leste de São Paulo, e esculpem imagens religiosas na madeira. “Eu fazia desenhos de papelão e um dia, participando de um encontro de jovens, pediram que eu fizesse uma cruz de madeira. Desde lá, não parei mais”, falou Jailson. Júlio contou que, por incentivo da Igreja Católica, eles puderam fazer um curso para aprender sobre arte sacra com o mestre Paiva, de Mariana (MG). “O curso, para mim, foi um despertar, um incentivo grande.”

Jovem Matheus Cedric Godinho

papa Francisco nos tem alertado, nós, cristãos, devemos promover o encontro, então é um exercício de caridade, de encontro com o outro, através da perspectiva do Evangelho de Jesus”. Evangelizar em ambientes universitários Vivenciar a fé dentro do não o assusta, ambiente universitário é pois Matheus tem uma experiência nem sempre a convicção de a universimuito fácil, porque é um lugar que dade não é local extremamente plural, de vários desconhecido aos credos, não credos, de várias católicos. “Historicamente, a Igreperspectivas de sociedade ja foi uma das colaboradoras na vida acadêmica e a pro- para a fundação das univerfissão de fé, e promover sidades, e, ainda hoje, é uma encontros de espiritualida- das principais instituições a de com universitários, bem manter universidades. Além como levá-los a se desper- disso, enquanto uma instituitar para a prática da carida- ção que prega valores éticos, de, são rotinas pastorais de princípios de desenvolvimenMatheus. Ações desafiado- to humano e social, por meio ras, segundo ele. do Evangelho, a Igreja tem “Vivenciar a fé dentro muito a colaborar com a unido ambiente universitário versidade, na medida em que é uma experiência nem quebra um pouco essa visão sempre muito fácil, porque plenamente cientificista que é um lugar extremamente muitas vezes alguns cursos plural, de vários credos, têm, e nos dá a perspectiva não credos, de várias pers- dos valores da vida e do ser pectivas de sociedade. É humano para além da ciênum desafio, mas como o cia”, concluiu.


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Geral

Santana e suas comunidades peregrinam à Catedral

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Nem o tempo chuvoso, de início de primavera, impediu que os fiéis, padres e o bispo dessem um testemunho público de sua fé Edcarlos Bispo de Santana

Especial para O SÃO PAULO

As dezenas de imagens na frente do altar da Catedral da Sé, destacaram que as diversas comunidades da Região Episcopal Santana, que tem por padroeiro alguns santos como, por exemplo, Santa Teresa, São José, Santo Antônio, Nossa Senhora da Salete, Nossa Senhora Aparecida e São Pedro estavam em peregrinação à Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção. Esse gesto, de acordo com o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, já está repleto de simbolismo, pois, significa que os santos, pontos de referência das comunidades, estão todos unidos na Catedral da Sé, junto aos fiéis e a toda a Igreja, que, de modo particular, peregrinou, na tarde do domingo, 22, para dar um testemunho público de fé e dizer que creem com toda a Igreja. O bispo auxiliar da Arqui-

Região Episcopal Santana peregrina à Catedral da Sé e enfeita a “Igreja Mãe da Arquidiocese de São Paulo” de um colorido especial. Repleta de simbolismo é a presença das imagens dos padroeiros das comunidades

diocese e vigário na Região Episcopal Santana, dom Sergio de Deus Borges, afirmou que a peregrinação é um momento de mostrar a comunhão com toda a Igreja e que a Região faz parte de toda a Arquidiocese. Para ele, a melhor forma de transmitir a fé é pelo testemunho, “um testemunho coerente de que está na Igre-

ja, que segue o ensinamento da Igreja, vive o ensinamento da Igreja e o santo Evangelho do Senhor”. A juventude da Região Santana também marcou presença na peregrinação à Catedral da Sé. Antes da bênção final, cerca de 30 jovens entraram com um presente da Região para o Cardeal, por ocasião de seu

aniversário natalício, no sábado, 21 (leia matéria sobre o aniversário de dom Odilo na página 11). Para Felipe Pedro da Silva, 17, da Paróquia Santa Rita de Cássia, que participa do Grupo de Jovens Conquistados por Cristo (Concri), a fé é algo importante e essencial, e, por ocasião do Ano da Fé, as pes-

soas devem aproveitar para alimentar a fé com a Palavra de Deus. Já Rafael Saulo Patrício, 23, afirmou que tenta viver a fé de acordo com o que aprende na convivência em comunidade e, além disso, concluiu ele, “ser um sinal para a juventude e para as outras pessoas com quem convivo”.


Geral

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Cardeal Scherer: 64 anos de gratidão pelo dom da vida Arcebispo metropolitano festejou com missa seu aniversário natalício no sábado, 21, na Catedral da Sé, junto a padres, religiosos e fiéis Daniel Gomes

Reportagem no centro

Com a Catedral da Sé lotada, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, festejou no sábado, 21, em missa por ele presidida, seus 64 anos de vida. Como comentou no começo da missa e também em sua homilia, foi momento de agradecer a Deus o dom da vida, espalhado em abundância pela terra, dom que, segundo o Cardeal, deve ser respeitado por todos e colocado a

serviço da glória de Deus e para o bem da humanidade. Dom Odilo também ressaltou que o homem é administrador da vida e de todas as coisas do mundo, devendo agir com coerência, sendo fiel a Deus, sem ceder às tentações da corrupção e da desonestidade, pois todos um dia prestarão contas da própria vida e dos bens que receberam de Deus. O filho de Edwino Scherer e Francisca Wilma Steffens Scherer, nascido em Cerro Largo (RS), em 21 de setembro de 1949, arcebispo de São Paulo desde 2007, também foi homenageado pelos leigos, representados por um casal da Pastoral Familiar; pelos religiosos, por meio da irmã Geni dos Santos Camargo, presidente do Regional São Paulo da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB); e pelo padre João Inácio Mildner, capelão do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em nome do clero arquidiocesano.

“Com certeza, eu e todos os meus irmãos padres, diáconos, estamos elevando a Deus um grande hino – ‘Graças dou por esta vida de dom Odilo’ – pelo bem que dom Odilo revela a cada um de nós, a cada instante. Também damos graças a Deus pelo futuro que nos reserva para a Igreja de São Paulo com a presença de dom Odilo, mas, acima de tudo, damos graças a Deus por tudo que passamos, por tudo que o senhor passou, amando essa Igreja particular como sua esposa”, expressou o Padre. Ao fim da celebração, o Cardeal agradeceu as felicitações e lembrou que dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar da Arquidiocese e um dos concelebrantes da missa, também aniversariou naquela semana (dia 19). Desejou, ainda, que todos continuem a ser dons de Deus uns aos outros e se mantenham firmes no testemunho da fé. Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Parabéns, dom Odilo!

Acho dom Odilo alguém muito simpático, muito bacana, como pastor da Igreja. A missa de domingo com ele às 11 horas é para mim uma alegria. Desejo a ele muita saúde, paz, bastante energia e coragem para continuar servindo à Igreja.

Cibele dos Santos, leiga

Dom Odilo é uma pessoa presente em tudo, tem uma disponibilidade muito grande. Nas questões mais sérias, como no caso da Cracolândia, e em todos os casos que a cidade necessita da presença da Igreja, ele está presente. Ele é uma bênção para nós!

Antonio Funari Filho, presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese

Dom Odilo, a gente vive uma comunhão como Igreja e nós queremos continuar assim. Parabéns, muita paz, muita alegria, muitos frutos no seu ministério, muitos anos de vida e muita vida em todos os seus dias.

Irmã Geni dos Santos Camargo, presidente do Regional São Paulo da CRB

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Mês da Bíblia CBV

Comunidade no Acre comemora 25 anos do CBV

Bíblia: ‘devolvida ao povo de hoje’ Edcarlos Bispo de Santana

Especial para O SÃO PAULO

Uma iniciativa que se espalhou em várias regiões do Brasil como, por exemplo, Rondônia, Acre, Paraná, Maranhão, Bahia, Minas, Santa Catarina, Sergipe e em várias dioceses de São Paulo, além de ter uma produtora de vídeos, a Verbo Filmes, além de publicar livros e escrever artigos na revista Vida Pastoral. “Por exemplo neste ano, distribuímos mais de 100 mil exemplares da ‘Bíblia Gente’ em todo o Brasil”, contou Shigeyuki Nakanose, diretor do Centro Bíblico Verbo, “um centro de estudos que há 25 anos está a serviço do Povo de Deus, desenvolvendo uma leitura exegética, comunitária, ecumênica e popular da Bíblia. O Centro Bíblico Verbo produz os materiais bíblicos e oferece cursos regulares de formação bíblica, em diferentes modalidades” descreveu. Professor em três faculdades, Shigeyuki destacou que sua motivação na realização deste trabalho bíblico vem da convicção de que “a Bíblia nasceu no meio do povo e tem que ser devolvida ao povo de hoje. Ler a Bíblia a partir da nossa vida cotidiana é fundamental. Nós, professores, devemos dialogar e aprender com nosso povo, por isso temos de estar no meio do povo. Nosso sonho, de todos os assessores, é formar mais os assessores regionais que conhecem a vida e a história do seu povo, com isso consegue fazer exegese junto com seu povo na leitura comunitária e pastoral. Assim, estamos promovendo cursos de especialização e mestrado com qualidade e baixo custo para que todos tenham acesso ao mundo acadêmico e pastoral.” Uma das bandeiras do Centro Bíblico Verbo é a “Leitura Orante”. Shigeyuki descreve quatro passos para a realização deste modo de ler e meditar a Palavra de Deus, são eles: 1º Estudo do texto em si: conhecer, respeitar e situar. Ver o texto (contexto literário), olhar a situação (contexto histórico), descobrir a mensagem (contexto teológico); 2º Meditação: suplicar, louvar e atualizar; 3º Oração: suplicar, louvar e agradecer; 4º Contemplação: escutar, amar, decidir e agir com um novo olhar para o mundo. Para saber mais sobre o Centro Bíblico Verbo e a “Leitura Orante”, entre no site http://www.cbiblicoverbo.com.br/ e conheça os cursos e valores.


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Região Brasilândia

Mutirão bíblico reúne paróquias do Setor Perus Renata Moraes

As parábolas da misericórdia no Evangelho de São Lucas foram referência da demonstração pública de fé da região episcopal

Nem a chuva que caiu sobre São Paulo na tarde do domin- BRASILÂNDIA go, 22, impediu que os fiéis das seis paróquias formam o Setor Pastoral Perus da Região Episcopal Brasilândia e realizassem seu mutirão bíblico, que se iniciou na Comunidade São João Batista, no Morro Doce. O tema do encontro foi “As parábolas da misericórdia extraídas do livro de São Lucas”. A mensagem central foi o amor de Deus e sua misericórdia manifestada em gestos de compaixão e acolhida amorosa. O mutirão foi dividido em quatro atos, ao longo da caminhada, onde foram encenados pequenos teatros baseados nos textos bíblicos. Em entrevista, padre José Osmar Rosa, pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças e coordenador do Setor

Pelas ruas da periferia noroeste, no bairro Morro Doce, fiéis de diferentes comunidades refletem o Evangelho de Lucas durante mutirão bíblico do Setor Perus

Perus, explicou a importância do evento. ”O mutirão bíblico é o nosso encontro de comunidades e paróquias do Setor Perus, coroando o encerramento do Mês da Bíblia. É um momento muito especial de encontro e confraternização de tantas comunidades e de conscientizar a todos para a vivência bíblica.” Após ser acolhido, o povo foi convidado a refletir no primeiro ato sobre as questões da pobreza e da desigualdade social vividas na periferia. Foi momento também de reivindicarem em favor das 91 famílias da Comunidade São João Batista, que estão ameaçadas de perder suas casas, devido à desapropriação do local que está situa-

agenda regional

do em uma área ambiental. O texto de Lucas 6, 20-26 ajudou nas reflexões sobre a prática do amor, da misericórdia, da justiça e da solidariedade que estão na essência da fé cristã. Embalados por cantos, os fiéis caminharam em procissão até a Paróquia Nossa Senhora das Graças, onde foi refletido o segundo ato, que contemplou a parábola do Bom Samaritano (cf. Lucas 10, 25-37), refletindo sobre a prática do acolhimento e compaixão para com o próximo. Em seguida, o grupo caminhou até o local conhecido como “Terrenão” e foi ajudado pelos jovens a refletir o 3º ato, com a

encenação da parábola do Filho Pródigo (cf. Lucas 15, 1-2.1132), que ensinou sobre o perdão e a misericórdia de Deus. No 4º e último ato, um dos mais emocionantes do mutirão, foi apresentada a passagem dos discípulos de Emaús, em que Cristo Ressuscitado caminha com os discípulos, que apenas reconhecem Jesus no partir do pão, e, tomados de alegria, assumem a própria missão. Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese na região, esteve no mutirão. “É uma grande alegria ver todos vocês reunidos em torno da Palavra de Deus. A nossa celebração de hoje conclui-se com o episódio

dos discípulos de Emaús, que hoje somos nós, que muitas vezes caminhamos na vida desanimados e cansados e esquecemos o que o Evangelho vem nos ensinar: Jesus é o nosso companheiro, ele caminha conosco. E, ao celebramos a Eucaristia, ele nos ajuda a abrir os olhos e perceber sua presença, que faz arder o nosso coração com a sua Palavra e nos chama a sermos também seus discípulos e missionários”, falou aos participantes o Bispo. Ao fim do encontro, antes da bênção final, as pessoas foram ungidas como óleo perfumado, como sinal de compromisso e envio à missão: “Vai e anuncia a Boa Nova”.

Sexta-feira (27), 19h30

Sábado (28), 7h30

Domingo (29), 15h

Vigília do Setor Freguesia do Ó, na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba (avenida Itaberaba, 2.093, Itaberaba). Informações em (11) 3924-0515.

2º Retiro para Mulheres da Região Brasilândia, na Capela Santa Luzia (rua Oscar Dias Paião, 219, Vila América). Informações em (11) 3976-4527.

Peregrinação da Região à Catedral da Sé, celebrando o Ano da Fé. Concentração às 14h no Pátio do Colégio, com caminhada até a Catedral para a missa das 15h. Informações em (11) 3924-0020.

O jornal O SÃO PAULO está de cara nova faça parte desta mudança

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Região Belém

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Paróquia São Mateus Apóstolo celebra padroeiro Durante festividades, dom Edmar Peron, bispo regional, celebrou uma das missas, a do sábado, dia 21 da região episcopal

A Paróquia São Mateus Apóstolo, no Setor São bELÉM Mateus da Região Episcopal Belém comemorou o dia de seu padroeiro com diversas atividades durante a semana de 18 a 22. As festividades começaram no dia 18, com o início do tríduo, que se seguiu até o dia 20. No dia 21, dia em que toda a Igreja celebra São Mateus, aconteceu a missa solene, presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese para a Região Belém, dom Edmar Peron, e concelebrada pelos padres Lauro Wisnieki e Francisco Reginaldo Henriques de Miranda, respectivamente, pároco e vigário paroquial da paróquia. A missa contou com a animação do coral paroquiano, com a regência do maestro Hélio Augusto. “Nossas 12 comunidades que formam o Setor São Mateus se reuniram para agradecer a vida e a caminhada em torno da Palavra a nós anunciada por São Mateus. Que nosso padroeiro abençoe a cada um de nós e continue intercedendo por nossas comunidades”, disse padre Lauro. Para dom Edmar, celebrar o padroeiro é um momento importante de retomar os compromissos assumidos em comunidade. “Como é bom nos reunir de novo nesta igreja e hoje para celebrar o padroeiro São Mateus Apóstolo; isso nos ajuda a retomar como paróquia os nossos compromissos de Pastoral, de evangelização, num empenho sincero de viver em comunhão e comunidade”, disse. Dom Edmar valorizou a pron-

tidão de Mateus ao ouvir o convite de Jesus, “Segue-me”. “Quando Jesus disse a Mateus, ‘Segueme’, sua resposta não foi com palavras, mas com um ato. Ele se levantou e começou a caminhar com Ele. Isso é seguir Jesus: praticar o seu mandamento; colocar em prática o Evangelho.” Após o fim da missa, teve início um momento cultural com apresentações musicais no pátio da igreja. Finalizando a semana de festa do padroeiro, a Paróquia realizou na manhã do domingo, 22, uma procissão pelas ruas que circundam a igreja, culminando com uma celebração. A festividade se encerrou com um show de música na tarde de domingo, com a apresentação da banda Ministério Adoração e Vida.

João Carlos Gomes

Em missa presidida por dom Edmar Peron, São Mateus Apóstolo é venerado em paróquia a ele dedicada na Região Belém

palavra do bispo

Crescer na fé, celebrando a Palavra de Deus Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

Quando desejamos conhecer melhor a missa, normalmente procuramos algum livro a respeito do assunto; e isso é uma boa coisa. Quero, aqui, propor um texto frequentemente desprezado: a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR). Ela nos oferece os elementos principais da teologia litúrgica e as orientações a respeito dos ritos (o jeito de celebrar) e dos ministérios (os serviços que as pessoas realizam). A IGMR nos ensina que missa é toda ela um único ato de culto, formada por duas partes,

intimamente ligadas entre si, e que não podem jamais ser separadas: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Elas são como que duas mesas nas quais nos é servido o pão da vida, Jesus Cristo: “Sobretudo na sagrada liturgia, a Igreja nunca deixou de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, tanto da mesa da Palavra de Deus como da mesa do corpo de Cristo” (Dei Verbum, 21). Encerrando o mês de setembro, apresento brevemente a Liturgia da Palavra, para que dela participem ativa, consciente e frutuosamente (cf. IGMR 29.55-71). Escutar com atenção: enquanto ouvimos as leituras, Deus nos fala e, quando o Evangelho é anunciado, o próprio Cristo fala ao seu povo, reve-

lando-lhe o mistério da salvação e oferecendo-lhe o alimento espiritual. Por isso, as leituras da Palavra de Deus devem ser escutadas por todos com veneração; Recolhimento – silêncio: são necessários para que possamos acolher, pela ação do Espírito Santo, a Palavra de Deus; Graças a Deus – Glória a vós Senhor: honramos a Palavra de Deus e agradecemos a Deus que nos falou; O “Aleluia” cantado em pé: por esses ritos, reconhecemos que o Cristo está presente e nos fala e, assim, professamos nossa fé nele, que está vivo no meio de nós; Homilia: Cristo está presente na pregação da Igreja e nutre a nossa vida cristã; Profissão de Fé ou Creio: é

uma resposta à Palavra de Deus anunciada pelas leituras e explicada pela homilia. É também recordação eclesial dos grandes mistérios da fé, antes de iniciarmos a celebração deles na Liturgia Eucarística; Oração universal ou dos fiéis: a assembleia, povo sacerdotal, eleva preces a Deus pelas necessidades da Igreja e salvação de todos (cf. 1 Tm 2, 1-8). Portanto, são necessárias, principalmente, duas atitudes de fé: para todos, “ouvir” com atenção as leituras; para quem lê a Palavra, preparar-se bem, colocando a Palavra em seu coração para que, ao ler a Palavra diante dos irmãos, deixe Deus falar, como João Batista: “Eu sou a voz”, mas não a Palavra. O Senhor fala pela voz do (a) leitor (a).

agenda regional

Terça-feira (24), às 8h30 Domingo (29) Encontro de Secretárias comemoração ao dia CPSJ (avenida Álvaro Ramos, 366).

8h - Crisma Nossa Sra. das Graças (rua Capivaruçu, 274, Jardim Elba). 11h - Crisma Paróquia Santa Cruz (rua Alfredo Marcondes, 191 – Vila Rica). 18h - Crisma Missão Belém – Paróquia São João do Brás (largo Senador Moraes Barros, 166 – Brás).


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Região Ipiranga

Cardeal celebra na Paróquia Nossa Senhora Aparecida

INFORME PUBLICITÁRIO

FEIRA DE EDUCAÇÃO SABER 2013 De 19 a 21/09 das 8:30 as 20:00 ocorreu no Parque de Exposições Imigrantes a Feira SABER 2013, onde reuniu milhares de professores, diretores, autoridades e estudantes para conhecer as novidades do setor educação.

Diversos congressos ocorreram durante a feira, bem como oficinas dos expositores O Jornal O SÃO PAULO esteve presente na feira e conferiu as novidades junto com a empresa Input Center Informática, anunciante frequente do nosso jornal, que ficou muito satisfeita com a participação nesta feira: “Durante a feira apresentamos a diversos diretores e proprietários de escolas, universidades e secretários de educação as novidades do nosso ERP (software) de gestão educacional, o produto WinCol .net, que transforma a cultura organizacional da administração no todo em uma cultura mais moderna, dinâmica e na vanguarda da tecnologia. Recebemos visitas de celebridades em nosso espaço e acreditamos que vamos rea-

lizar muitos negócios graças a feira SABER e ao nosso produto de certificação internacional”, diz Edson Leite, diretor comercial da Input. Durante a feira, a Input distribuiu exemplares do Jornal O São Paulo e ainda sorteou o tablet da educação, o iPut, lançado na feira SABER. Esse tablet, diferentemente dos demais do mercado, integra o sistema de gestão educacional à gestão de conteúdos e trabalhos acadêmicos desde o ensino infantil até o curso universitário com total segurança: “É a revolução da educação no Brasil na mais alta tecnologia e no mais baixo custo já experimentado pelo mercado”, complementa Leite.

Missa presidida por dom Odilo, arcebispo metropolitano, dá início às festividades de Nossa Senhora Aparecida

Após celebração, paroquianos lembraram o aniversário natalício do Cardeal, que foi homenageado e recebeu flores e presentes da região episcopal

Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropoIPIRANGA litano, presidiu, no domingo, 22, missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Setor Ipiranga. A celebração foi concelebrada pelo padre Anísio Hilário, pároco e vigário episcopal na Região Ipiranga. Na homilia, dom Odilo refletiu sobre o Evangelho ressaltando a honestidade que deve permear todo o trabalho pastoral e administrativo de quem

está na e com a Igreja. E ainda ressaltou que “quem não é honesto com o pouco, não será com muito.” No fim da missa, padre Anísio comentou sobre o aniversário natalício de dom Odilo, que foi homenageado com um parabéns da comunidade paroquial. Recebeu flores, presentes e um bolo. Segundo a Paroquiana Aparecida Neusa Floter, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida sente-se muito honrada com a presença do pastor da Arquidiocese, e, mais feliz, por ter participado da comemoração do seu aniversário. Aparecida ainda recomendou orações a dom Odilo, para que continue sendo um pastor que guia e dá segurança para seguir o que Jesus sempre pregou. Por fim, disse: “Dom Odilo, a casa da Mãe Aparecida sempre estará aberta ao senhor, com toda a alegria que suas ovelhas sentem por estarem com o seu Pastor.” Após a celebração eucarística, aconteceu uma apresentação do Encontro de Corais Maestro Salvatore. O nome do

evento se refere ao idealizador Maestro Salvatore Stavale. O objetivo do concerto musical é enriquecer culturalmente os festejos de aniversário do bairro do Ipiranga, que este ano completa 429 anos e, ao mesmo tempo, trazer para a comunidade um momento de beleza artística, de harmonia e paz. O Coral Cantate Domino, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, foi o anfitrião desse encontro. Houve a participação de mais de cinco corais da Região Episcopal Ipiranga. O cardeal dom Odilo esteve presente e apreciou a apresentação dos corais. No fim, fez a entrega do troféu Maestro Salvatore Stavale ao coral de crianças. A celebração eucarística com a presença do cardeal dom Odilo Pedro Scherer, juntamente com o Encontro de Corais, deu início aos preparativos da 71ª Festa de Nossa Senhora Aparecida, no dia 12 de outubro, por onde passam milhares de pessoas para rezar e pedir bênçãos à Padroeira do Brasil.

Pastorais realizam curso de formação para agentes A Pastoral Catequética e a do Batismo da Região Episcopal Ipiranga realizaram no sábado, 21, um curso de formação para catequistas e agentes da Pastoral do Batismo, promovido pelo Centro de Estudos Teológicos da Região Ipiranga (CETI). Desse encontro, participaram cerca de cem pessoas, entre jovens e adultos das paróquias pertencentes à Região Episcopal Ipiranga. Segundo padre Márcio Rogério Manso, pároco da Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório, Setor Cursino, e assessor espiritual da Pastoral Catequética, o en-

Ipiranga realiza formação para catequistas e agentes da Pastoral do Batismo

contro serviu para aprofundar o sentido de catequizar o Povo de Deus nas paróquias, além de

trazer um momento de unidade entre os catequistas da Região Ipiranga.


Região Lapa

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Paróquia São Mateus faz festa a seu padroeiro Pascom

Dom Julio Endi Akamine, bispo regional, presidiu missa do tríduo no sábado, dia 21, após procissão pelas ruas do bairro da região episcopal

Com os temas “São Mateus e o chamado de LAPA Jesus”, “São Mateus e o segmento de Jesus”, e “São Mateus e a conversão”, a comunidade paroquial da Igreja de São Mateus, do Setor Rio Pequeno da Região Episcopal Lapa, celebrou seu padroeiro. As comemorações iniciaram-se com tríduo nos dias 18, 19 e 20. O ponto alto da festa foi no sábado, 21, às 19h, dia do padroeiro, quando houve a tradicional procissão dos fiéis pelas ruas do bairro e, em seguida, a celebração eucarística, presidida por dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, e concelebrada pelo pároco, padre José Oliveira dos Santos. Dom Julio, em sua homilia, lembrou que São Mateus era um cobrador de impostos e que nos dias de hoje, todos pagam impostos, que são revertidos em benefícios da população, como saúde, educação, transporte, segurança, entre outros, mas na época de Jesus os impostos não eram iguais a estes. Os impostos eram levados para o Império Romano, por isso os cobradores de impostos eram odiados, considerados pecadores públicos por dois motivos: por cobrar imposto do povo judeu para o imperador romano; e por se enriquecer com o dinheiro extorquido das pessoas. Eles não somente cobravam o que o imperador determinava, cobravam a mais e se enriqueciam com isso. O Bispo recordou que Mateus estava sentado à mesa da coletoria recebendo impostos quando Jesus o chamou para segui-lo, e Mateus largou tudo e foi. Ele era pecador e ao se

Fiéis lotam Paróquia São Mateus, no Setor Pastoral Rio Pequeno, na celebração presidida por dom Julio Endi Akamine, bispo regional, no sábado, dia 21

tornar discípulo de Jesus, escreveu um dos Evangelhos. Dom Julio lembrou, ainda, que as atitudes que Mateus demonstrou são, para todos,

exemplo de vida, e que, para Jesus, não existem pessoas perdidas, que o cristão, o discípulo de Jesus, acredita na conversão, não deve desistir,

desanimar, pois a conversão e a satisfação dependem do chamado que Jesus faz a cada um. Ao término da missa, padre José Oliveira agradeceu

a presença de dom Julio e convidou ele e toda a comunidade para a quermesse, que foi parte dos festejos ao padroeiro.

palavra do bispo

Os filhos de Abraão são ‘nossos irmãos mais velhos’ Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Prezado leitor do jornal O SÃO PAULO: na semana passada, começamos a refletir sobre as etapas da revelação. Sabemos que a plenitude da revelação acontece em Jesus Cristo, quando Deus vem pessoalmente ao encontro do homem. Hoje vamos refletir sobre as alianças com Abraão e Moisés. Elas marcam um salto qualitativo na presença

e na ação pessoal de Deus, uma vez que, nessas etapas, Deus escolhe para si um povo: o povo de Israel. Essa Aliança tem uma grande importância para os cristãos, porque a Igreja se sente profundamente unida a Israel. O que une os cristãos com Israel são laços espirituais, que podemos sintetizar em quatro. Primeiro: a Igreja reconhece que ela está presente já no chamado divino feito aos Patriarcas e na Aliança de Deus com Abraão. Assim, os cristãos, mesmo que não tenham laços de sangue com Abraão, sentem-se incluídos na vocação dos Pa-

Pascom

triarcas. O povo que tem sua origem em Abraão é a raiz de onde foram enxertados os pagãos que se tornaram cristãos pela graça de Cristo. Segundo: a união espiritual verificase no êxodo, que é o evento fundador da Aliança e cujo significado e efeito não dizem respeito somente a Israel, mas assinalam o início da salvação que Cristo realizou e, por isso, inclui a Igreja. Terceiro: uma vez que os dons de Deus são sem arrependimento, a Igreja reconhece que é devedora de Israel porque dele recebeu a revelação bíblica do Antigo Testamento (AT). Em relação

Fé é tema de retiro em paróquia da região episcopal

Padre Antonio Francisco Ribeiro orienta retiro na Paróquia São João Batista

agenda regional

ao AT, a Igreja percebe que se apropria da revelação veterotestamentária, quanto é acolhida nela. Em outras palavras, os cristãos se sentem destinatários da revelação do AT e, ao mesmo tempo, se veem inseridos e mergulhados nela. A união espiritual está fundada na reconciliação e na paz que Cristo estabeleceu pela sua cruz entre os judeus e os gentios, derrubando o muro de separação e fazendo dos dois uma só coisa nele. A partir dessa união espiritual, que vincula Israel e a Igreja, podemos chamar os filhos de Abraão de “nossos irmãos mais velhos”.

No domingo, 22, na Paróquia São João Batista, Setor Butantã da Região Episcopal Lapa, realizou-se um dia de louvor, reflexão e palestras no 1º Retiro de Meditação sobre a Fé, com a participação da Pastoral Universitária e grupos de oração da cidade de Botucatu (SP); Movimento Universitário Renovadas, além do diácono Marcos Aparecido Tozadore. O retiro foi coordenado pelo padre Antonio Francisco Ribeiro, que deu início presidindo a missa, na qual re-

fletiu sobre os documentos pessoais que cada pessoa tem para identificação, fazendo um paralelo que a Igreja também tem os seus documentos: O Catecismo da Igreja Católica e outros. Após a missa, o Padre conduziu uma palestra sobre a fé, destacando que é um dom, uma graça sobrenatural e uma capacidade interior que Deus dá a todos os que a pedem e procuram. Na sequência, houve a apresentação de um filme sobre a vida do papa Francisco, além de cânticos de louvor e reflexões.

Terça-feira (24), 9h

Quarta-feira (25), 14h

Quinta-feira (26), 16h

Sexta-feira (27), 15h

Reunião da Comissão de Presbíteros, na Cúria da Lapa (rua Afonso Sardinha, 62, Lapa).

Reunião do Apostolado da Oração, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298, Lapa).

Missa na Capela do Lar Nossa Senhora das Mercês (rua Dona Elisa de Moraes Mendes, 250, no Alto de Pinheiros).

Missa no Hospital Municipal Dr. Mario Degni (rua Lucas de Leyde, 257, no Rio Pequeno).


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Região Santana

Experiências do 11º Plano são apresentadas Diácono Francisco Gonçalves/Pascom

Encontro aconteceu no sábado, 21, e reuniu lideranças paroquiais, diáconos e padres durante assembleia da região episcopal

Na manhã do sábado, 21, sob a presidência SANTANA de dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana, padres, diáconos e lideranças paroquiais estiveram reunidos para relatar as experiências e discutir ideias surgidas durante as assembleias paroquiais e setoriais sobre o 11° Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Inicialmente, dom Sergio enfocou que todos ali estavam reunidos em assembleia como discípulos missionários reunidos com Jesus Cristo para explicar os projetos para trilharem o caminho no objetivo do anúncio do Reino de Deus. O Bispo alertou para o erro que se pode cometer em pensar a Igreja como uma ONG caritativa, alerta esse também mencionado pelo papa Francisco, pois isso pode levar à perda da fé. Outro erro é pensar que basta ser pobre materialmente para ser salvo, porque impede as pessoas de fazer um caminho de conversão e não se faz um autêntico encontro com Jesus. “Todos os homens e mulheres batizados devem tomar consciência de que foram configurados, com Cristo, sacerdote, profeta e pastor, e fazem parte do Povo de Deus. Por isso, devem sentirse corresponsáveis na obra da evangelização”, disse dom Sergio. Para tanto, é necessário revitalizar nosso modo de ser católicos, executando uma evangelização missionária. “O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro. Por isso, o discípulo, fundamentado na rocha da Palavra de Deus, sente-se motivado a levar a Boa Nova da salvação a seus irmãos. Discipulado e missão são como as duas faces da mesma moeda: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode

Clero e lideranças discutem sugestões das paróquias e setores para a assembleia arquidiocesana que será realizada em 26 de novembro deste ano

palavra do bispo

Uma ‘parada’ saudável!

Conta-nos São Lucas que o bom Jesus, em certa ocasião, foi bem cedo para um lugar deserto. Porém, a multidão que havia visto a acolhida carinhosa dos doentes, as bênçãos e os milagres foi à procura do Mestre e não queria que fosse embora (Lc 4,40-42). Jesus não se deixa levar

pela multidão, que o ovacionava e queria ver o espetáculo, o milagre, a cura; não se deixa levar pelo sucesso repentino no qual todos estavam elogiando e queriam vê-lo; também não se deixa conduzir pelo ativismo, que pode levar ao desgaste psiquico e ao cansaço na ação. Ele, após um tempo árduo de missão, se retira, se isola por um momento e volta para o centro de sua missão: Eu devo anunciar o Reino de Deus também a outras cidades, pois para isso é que fui enviado (cf. Lc 4,43).

Esse “retirar-se” de Jesus tem uma grande importância para todo discípulo missionário, enviado por Cristo a continuar a sua obra de evangelizador. Há uma ordem teologal que devemos seguir continuamente, para que o cansaço das obras não nos faça desanimar e o sucesso das realizações não faça perder de vista o horizonte autêntico que dá valor às coisas: o Reino de Deus (Girolami, 264). A assembleia (paroquial, setorial, regional) é esta parada, é este retirar-se do meio

deixar de anunciar ao mundo que só ele nos salva”, explicou dom Sergio. O Bispo resumiu as características básicas do discípulo: ter como centro a pessoa de Jesus Cristo; ter espírito de oração; ser amante da Palavra; praticar a confissão e a Eucaristia frequentemente; participar da comunidade

eclesial e social; ser solidário no amor; e ser fervoroso missionário. Padre João Luiz Miqueletti, coordenador regional de pastoral, em seguida, relembrou as diversas fases anteriores que culminaram com aquela assembleia. Citou que o caminho começou no ano passado com um texto proposto pela

Arquidiocese de São Paulo para estabelecer um plano de pastoral a partir das ideias e sugestões provindas das comunidades. Em 25 de janeiro, era lançado o 11° Plano de Pastoral. A partir de então, o plano foi estudado na Região, seja em reunião do clero, seja nas paróquias e comunidades. Ocorreram assembleias

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

agenda regional

das atividades e da euforia da multidão, para refletir sobre o essencial da missão de nossa Igreja e de cada um de nós, à luz da Palavra de Deus e do 11º Plano de Pastoral. Assim, ao pensarmos o planejamento para 2014, não vamos pensar em nossos projetos, nossas pastorais, mas no grande projeto para o qual somos enviados a participar ativamente – a mesma meta de Jesus: anunciar o Reino, traduzida no mesmo objetivo da Arquidiocese: testemunha de Jesus Cristo na cidade.

paroquiais e setoriais, que antecederam essa assembleia regional, que irá levar as contribuições da Região para a assembleia arquidiocesana a ser realizada em 26 de novembro. Cada representante de setor apresentou, então, as sugestões provenientes das assembleias setoriais.

Sábado (28), das 8h às 17h

De terça a quinta-feira (1º a 3 de outubro), das 19h30 às 21h45

7° Encontro Regional de Coroinhas e Acólitos, na Academia da Polícia Militar do Barro Branco (avenida Água Fria 1.923). Dom Sergio Borges preside missa, às 9h. Durante o dia, haverá gincanas e lanche comunitário.

Semana Teológica, com o tema “A Nova Evangelização a partir do Documento de Aparecida”. Assessoria de João Décio Passos e do padre Alexandre Awi Mello, no Colégio Luiza de Marilac (rua Voluntários da Pátria, 1.653, Santana).


Região Sé

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Fiéis festejam Nossa Senhora das Angústias Fernando Geronazzo

Paróquia dedicada à devoção originária da Espanha foi marcada pelas transformações no bairro da Barra Funda da região episcopal

A Paróquia Nossa Senhora das Angústias, na SÉ Barra Funda, zona oeste de São Paulo, celebrou a festa de sua padroeira no sábado, 21. As comemorações iniciaram-se com tríduo, entre os dias 18 e 20, com o tema “Professando a nossa fé”, dentro do contexto do Ano da Fé, a partir da reflexão sobre o Credo. Na tarde do sábado, houve missa solene, que reuniu os paroquianos e devotos. No domingo, 22, as três missas da Paróquia encerraram as comemorações. A devoção a Nossa Senhora das Angústias é originária da cidade espanhola de Granada, que a tem como patrona. “Sempre no quarto domingo de setembro, há uma grande comemoração em Granada. Nós, daqui do Brasil, nos unimos a esta grande celebração”, explicou o pároco, padre Admário Gama Cambraínha. Fundada em 21 de abril de 1960, a Paróquia Nossa Senhora das Angústias, única com este título no Brasil, iniciou sua história com a necessidade de uma comunidade católica na antiga Vila dos Ferroviários. Por meio da mobilização dos moradores, ajuda de pessoas abnegadas e a religiosidade do industrial José Pinto, que, solidário, doou o terreno destinado à edificação da igreja. Sua esposa, Encarnacion Pinto, fez vir de Granada a imagem de Nossa Senhora das Angústias para ser a padroeira da futura igreja. Tão logo a primeira capela de madeira ficou pronta, a imagem foi transferida e, depois, com o trabalho dos moradores, a ajuda de devotos e da colônia espanhola, foi erguida a igreja atual. A Paróquia está localizada agenda regional

Padre Admário Gama Cambraínha preside missa na festa de Nossa Senhora das Angústias, que tem por tema “Professando a nossa fé”, no sábado, dia 21

em um bairro que sofreu grandes impactos do desenvolvimento da cidade. Por muitos anos, o território da Paróquia teve predominância de indústrias e empresas. Mais recentemente, a Região está sendo tomada pelos empreendimentos imobiliários, que estão transformando o bairro novamente em uma área residencial. “Sou pároco aqui há 18 anos e agora, de dois anos para cá, começamos a receber muitas pessoas que estão morando nos muitos prédios de apartamentos sendo construídos nas imediações”, destacou padre Admário.

Outra realidade marcante na paróquia é a juventude. Foi na Nossa Senhora das Angústias que o grupo “Jovens Sarados” iniciou seus encontros há quatro anos, motivados por um padre da Comunidade Canção Nova, e hoje está presente em vários pontos do País. “Nossa paróquia é considerada a casa mãe desse grupo de jovens. É um movimento muito grande que acolhe jovens de várias partes da cidade”, contou o Pároco. “A evangelização dos jovens pelos jovens é uma realidade bonita que podemos testemunhar em nossa paróquia.”

Centro de Pastoral da Região Sé.

ENCONTRO ANUAL: os ministros extraordinários da Sagrada Comunhão da Região Episcopal Sé participaram de seu encontro anual na Catedral da Sé, no sábado, 21. O encontro contou com um momento de adoração eucarística, formação assessorada pelo padre Valmir Neres de Barros e missa presidida por dom Tarcísio Scaramussa.

palavra do bispo

Jovem: levante-se, seja fermento! Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

No Brasil, há 47 milhões de jovens. Embora representando um grande percentual da população, a situação dos jovens brasileiros é de muita insegurança. O desemprego, as dificuldades de educação, a falta de referência de valores e a consequente violência estão entre os fatores mais preocupantes. Movida pelo Evangelho, a Igreja toca com as mãos essa realidade e deseja ir ao encontro dos jovens, como um sinal vivo e atual de Cristo para eles. O Dia

Nacional da Juventude (DNJ) se insere dentro dessa dinâmica da missão da Igreja como mais uma oportunidade. Após a Semana Missionária e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a juventude de São Paulo fará mais uma grande manifestação por ocasião do DNJ, que será no dia 20 de outubro, mas a sua preparação já começou. Cada grupo está convidado a realizar os três encontros propostos pela comissão nacional, de acordo com o subsídio que já foi enviado às paróquias e grupos. Esses encontros são parte fundamental do processo do DNJ, em vista da preparação e do envio dos jovens como missionários. Os temas dos encontros

querem responder a três eixos da missão - a pessoa, a comunidade, a sociedade: Transformar os corações, para transformar o mundo; Grupo de jovens: comunidade missionária; Fronteiras novas de missão. O tema do DNJ é “Juventude e missão” e tem tudo a ver com a JMJ. E o lema é um convite animador e uma chamada para a missão: “Jovem: levante-se, seja fermento”. Este lema evoca naturalmente à passagem do Evangelho segundo Lucas (Lc 7, 1117). A mãe que já tinha perdido o esposo, agora acompanhava em prantos o féretro do filho. A cena é comovente, e Jesus “encheu-se de compaixão por ela”, e a consolou: “Não chores!” Faz

parar o cortejo e ordena ao jovem: “Jovem, eu te digo, levanta-te”. Aquele jovem que estava morto sentou-se e começou a falar. Jesus então o entregou à sua mãe. A narrativa de Lucas evoca também a memória do profeta Elias, que cura o filho da viúva de Sarepta (1Rs 17, 1743) como um sinal dos tempos messiânicos. Era uma antecipação do gesto de Jesus Cristo devolvendo a vida àquele jovem conhecido apenas como o filho da viúva de Naim. Cristo espera também nosso gesto profético continuando sua missão, para dizermos aos pais de nossos jovens de hoje o mesmo que Elias disse à viúva de Sarepta: “Aqui está o teu filho vivo”.

Terça-feira (24)

Sexta-feira (27)

Sábado (28)

Segunda-feira (30), 19h30

Aniversário natalício do frei Alain André Henri Hevin, vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Aniversário natalício do frei Atanael de Almeida Lima, pároco da Paróquia Santa Teresa de Jesus; e do padre Carlos Alberto Contieri, capelão da Igreja Beato José de Anchieta (Pátio do Colégio).

Aniversário natalício do monsenhor Luiz Geraldo Amaral Mello, membro do Cabido Metropolitano.

Noite Teológica no Instituto de Teologia da Região Episcopal Sé (ItelSé). Será no Colégio Maria Imaculada (avenida Bernardino de Campos, 79, Paraíso).


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Santuário de Aparecida se une a santuários do mundo para homenagear Nossa Senhora O Santuário de Aparecida, junto a mais nove santuários do mundo - de Nazareth, Lourdes (França), Vailankanni (Índia), Czestochowa (Polônia), Nairobi (Quénia), Banneux (Bélgica), Akita (Japão), Washington (EUA) e Lujan (Argentina) – promoverá em 12 de outubro o momento de meditação do terço, “Estar com Maria para além da noite”.

Padres de SP preparam-se para encontro nacional Em São Pedro (SP), 125 sacerdotes do Regional Sul 1 da CNBB participaram do “Paulistão presbiteral”, entre os dias 26 e 29 PADRE CIDO PEREIRA

DIRETOR DO O SÃO PAULO

Entre os dias 26 e 29, no Seminário dos Capuchinhos, em São Pedro (SP), 125 padres participaram do “Paulistão”, encontro da Comissão Regional de Presbíteros do Sul 1 da CNBB. O encontro teve como objetivo a preparação para o 15º Encontro Nacional dos Presbíteros (ENP). Das 44 dioceses do Sul 1, apenas 3 não mandaram representantes. Da Arquidiocese de São Paulo participaram 15 padres. “Concílio Vaticano 2º e os Presbíteros no Brasil: Testemunhas de fé, esperança e caridade” foi o tema que, conforme explicado no início do encontro pelo presidente do Regional, padre Carlos Alves Ribeiro, do clero da Arquidiocese de São Paulo, quer mudar o foco dos encontros de presbíteros, para mostrar que, apesar dos desafios, mostrados nos ENPs anteriores, os padres per-

manecem firmes na fé e dando as razões de esperança. Os participantes do “Paulistão” são todos delegados de suas dioceses no ENP, que será de 5 a 11 de fevereiro de 2014. Com a ajuda do padre Manoel Henrique, de Maceió (AL), eles se inteiraram sobre a caminhada da Igreja após o Concílio Vaticano 2º, e, dentro dessa caminhada, o nascimento da Comissão Nacional do Clero, depois transformada em Comissão Nacional dos Presbíteros, e dos 14 encontros nacionais, que abordaram diferentes aspectos da vida e da missão do padre. Nessa história, houve um momento de crise dos presbíteros, que em certos aspectos se repete hoje, exigindo atenção e ação. Marcaram também os dias de reflexão, os depoimentos e a partilha de sofrimentos, de alegrias, de experiências positivas de caridade presbiteral. Merece destaque o depoimento do padre Antonio Luiz Fernandes, da Diocese de Limeira, que fez interessante relato de seu trabalho na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, junto a índios de 23 etnias, com 18 dialetos e quatro línguas oficiais. Particularmente, os padres da Arquidiocese de São Paulo se comprometeram em fazer acontecer a Pastoral Presbiteral, em vista de maior integração, fraternidade, e encontro dos padres, de forma que cada um se sinta amado, acolhido e responsável pelos demais.

Padre Carlos Alves Ribeiro

Sacerdotes de São Paulo participam do “Paulistão presbiteral”, preparatório ao 15º Encontro Nacional dos Presbíteros

‘Somos homens de esperança! O povo nos vê assim’ Durante o evento, padre Manoel Henrique, assessor do “Paulistão”, falou ao O SÃO PAULO. O SÃO PAULO – Por que a necessidade de criar uma Pastoral Presbiteral? Padre Manoel Henrique – Ação pastoral é assumir a solicitude do Bom Pastor, que se faz próximo de todos envolvendo com seu amor. Nesse sentido é que se insere e se faz urgente a Pastoral Presbiteral: o cuidado para com o presbítero. Cuidado em vários aspectos: sua saúde física e mental, seu sustento financeiro e espiritual, sua atualização teológico-pastoral, seu descanso e lazer, sua comunhão com todo o presbitério junto com o bispo para que ele seja e se sinta realmente pessoa. O SÃO PAULO – Como a Pastoral acontece na Arquidiocese?

Padre Manoel Henrique – É expressão da Pastoral na Arquidiocese: a reunião dos padres do setor e região; o retiro espiritual, as confraternizações; a atualização teológico-pastoral; a Casa São Paulo, que acolhe padres idosos e doentes; a Irmandade de São Pedro dos Clérigos, que tem a função de ajuda aos padres; o “fundo de autogestão”; mas tudo isto ainda precisa ser aprofundado. Penso que mais padres precisam aderir a essas iniciativas existentes. Elas são formas concretas de alimentar e testemunhar a alegria de ser padre, a partir dessa comunhão-partilha. Acredito ainda que o bispo deva ser o primeiro responsável dessa animação. Como insiste o papa Francisco, temos que promover a “cultura do encontro”, sobretudo fazendo-nos próximos uns dos outros. Sem proximidade, as estruturas correm o risco de

não serem aceitas, assimiladas e compreendidas. O SÃO PAULO – Que expectativas existem para o 15º ENP? Padre Manoel Henrique – O 15º ENP convida os padres a olhar a sua vida e seu ministério na ótica da esperança. “Estai sempre prontos a dar razão da esperança a quem pedir” (1 Pd 3,15). Somos homens da esperança! O povo nos vê assim. Temos que nos sentir assim. Este encontro quer trazer à Igreja, à sociedade o exemplo da grande maioria dos padres, que são verdadeiras testemunhas da esperança. Parafraseando o cardeal Van Thuan, digo que o padre tem “o caminho da esperança pavimentado de pequenos atos de esperança. Assim, vivendo cada instante na esperança, ele pode fazer com que ela chegue a animar a sua vida inteira”.

Gente simples, fazendo coisas pequenas pelo Reino KARLA MARIA

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

O 13º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) já começou. Ao menos para os 400 delegados do Estado de São Paulo, que participaram nos dias 21 e 22, em Pirajuí, na Diocese de Lins, de um encontro preparatório e de envio para o encontro nacional das CEBs, que será de 7 a 11 de janeiro de 2014, em Juazeiro do Norte (CE). A Arquidiocese de São Paulo foi representada por 90 pessoas, entre as quais 79 delegados. Assessorados pelos padres Benedito Ferraro e Nelito Dornelas, os delegados refletiram sobre a identidade das CEBs e a profe-

cia a serviço da vida. “Quando falamos de CEBs, falamos de fé e vida. O nosso compromisso social é a luta pela justiça”, apontou carta final do encontro. O tema trabalhado foi o mesmo que norteará a dinâmica no Ceará, em janeiro: “Justiça e

profecia a serviço da vida - CEBs romeiras do Reino no campo e na cidade”. É tradição, as CEBs de todo o Brasil partilharem suas experiências de comunidade de fé, após a análise de conjuntura da realidade que se vive eclesial e politicamente.

E, é diante dessas realidades, e em memória dos mártires da Igreja, que essas lideranças assumem compromissos para a construção do Reino. Para Jefferson Rodrigues, 21, membro da Pastoral da Juventude e um dos delegados da CEBs Região Brasilândia

Arquidiocese, o encontro deixou uma mensagem. “Que todos nós, cristãos, possamos estar sempre a serviço da vida. Que saiamos do nosso comodismo e debaixo dos telhados das igrejas, para ir ao encontro da verdadeira Igreja, que está nas ruas, no campo e na cidade.” Jefferson esteve na Jornada Mundial da Juventude, para se encontrar com o papa Francisco, que vem reforçando seu desejo de ver uma Igreja mais próxima dos pobres. Os delegados do Estado foram acolhidos pelo bispo de Lins, dom Irineu Danelon, e acompanhados pelo bispo referencial das CEBs, dom José Luiz Bertanha.


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Dom Odilo responde aos jovens Acontecerá, sábado, 28, às 15h, no Mosteiro de São Bento – largo de São Bento, s/n, Centro, Metro São Bento – o encontro universitário com o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, onde, responderá a perguntas dos universitários. A atividade é uma promoção da Pastoral Universitária da Arquidiocese de São Paulo.

Quilombolas lutam para permanecer em território Arquivo pessoal

Moradores da Comunidade Rio dos Macacos, em Simões Filho (BA), denunciaram que têm sofrido violência por parte da Marinha brasileira

Marinha contesta acusações Redação

Daniel Gomes Redação

“São 50 anos de massacre da comunidade. Todas as violências acontecem a partir da Marinha do Brasil. Lá já teve estupro, morte por falta de socorro, assassinato de pessoas da comunidade e várias violências contra idosos, crianças e adolescentes. Direitos humanos, não têm: não tem posto médico, não tem colégio, não tem casa adequada. A maioria das nossas casas é de barro, de plástico, e, quando a gente tenta entrar com materiais para refazer os barracos, é impedida. No nosso território, a gente não pode plantar, e quando está trabalhando na roça, eles vêm para espancar, a

Moradores da Comunidade Rio dos Macacos, na Bahia, afirmam que Marinha do Brasil têm lhes perseguido constantemente

gente é perseguida noite e dia.” A denúncia que Rose Meire dos Santos Silva, 34, fez ao O SÃO PAULO durante a 5ª Semana Social Brasileira, em setembro, já é de conhecimento da presidente Dilma Rousseff, do governo da Bahia e também da Justiça. Desde 2009, os moradores da comunidade quilombola Rio dos Macacos e a Marinha brasileira disputam a posse da área, no município de Simões Filho (BA), na região metropolitana de Salvador, onde está instalada a base naval de Aratu. Em 2010, uma liminar do

juiz Evandro Reimão dos Reis, titular da 10ª Vara Federal, determinou que os moradores desocupassem o local, mas eles permaneceram. Em 2011, a Fundação Cultural Palmares reconheceu a área como de quilombo e, em 2012, um relatório técnico do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) também classificou o território como quilombola e indicou a necessidade de delimitação de 301 hectares. Porém, até hoje, o relatório não foi publicado no Diário Oficial da União. Novas determinações de desocupação já foram expe-

didas pelo mesmo juiz, mas a comunidade, onde residem 67 famílias, resiste. “Sei que vou morrer, estamos ameaçados de morte, mas estamos lutando pelo nosso território, tenho esperança”, disse, à reportagem, Rose Meire, que comentou, ainda, que os quilombolas têm até limitações para manifestações de fé. “A Marinha não deixa ter religião nenhuma, antigamente tinha todas as religiões na comunidade, mas eles destruíram tudo. A gente não consegue receber visita de padre, de bispo, de pastor, de ninguém”, lamentou.

Em 4 de janeiro deste ano, o Comando do 2º Distrital Naval enviou nota à imprensa afirmando que a ocupação da Comunidade Rio dos Macacos é irregular, pois a propriedade é da União e está sob a administração da Marinha. Também citou que somente em 2011 os moradores se definiram como remanescentes de quilombo. A Marinha disse que lhes ofereceu outro território, onde seriam construídas moradias, mas a proposta foi recusada. O Comando aponta que as acusações de violência são imprecisas, que sofre uma campanha difamatória por parte da comunidade, que sempre dispensou tratamento respeitoso e humano aos moradores e tem buscado uma solução pacífica para a questão. A íntegra de nota pode ser acessada em https://www.mar. mil.br/com2dn/imprensa9. html. (DG)

Encontro destaca aspectos do Evangelho de Lucas Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes

Reportagem na zona sul

Stephany Oliveira tem apenas 15 anos, mas já auxilia nas turmas de Catequese da Paróquia Santa Cândida, da Região Ipiranga. “Muita gente acha que por ser nova, não sei falar sobre a Bíblia, mas tenho um pouco de noção e passo o que sei”, disse ao O SÃO PAULO. A adolescente tem buscado aprimorar os estudos e, no sábado, 21, esteve no encontro “A Bíblia e o Jovem”, promovido pela Região no campus Ipiranga da PUC-SP, que teve como foco o Evangelho de Lucas. “É necessário a gente ter formação. Como estou na Catequese, preciso saber um pouco mais para passar para os catequizandos”, comentou Stephany. Na abertura do encontro, padre Jorge Bernardes, do

Evento ‘A Bíblia e o Jovem’ capacita agentes que atuam com a juventude, sobre peculiaridades do Evangelho de Lucas

Centro de Estudos de Teologia da Região Ipiranga (CETI), falou sobre as origens da Bíblia e apontou que as, pessoas além de terem contato com a Sagrada Escritura, precisam estudá-la, a fim de evitar

uma leitura fundamentalista. Outro assessor, padre Ramires Henrique de Andrade, da Paróquia São José, também lembrou que “para ler bem a Bíblia é preciso buscar o contexto do texto” e destacou que

o olhar dos católicos para os textos bíblicos sempre leva em conta a tradição, a Escritura e o Magistério da Igreja. Nei Márcio de Oliveira Sá, mestre em teologia pastoral, apresentou detalhes do Evan-

gelho de Lucas e comentou que este tem como peculiaridades o destaque dado às mulheres na ação de Jesus, à oração, à contraposição entre pobreza e riqueza e à presença do Espírito Santo. À reportagem, Nei avaliou que os católicos ao entender melhor a Bíblia, “percebem os porquês da sua fé, das opções que a Igreja faz, do testemunho dos apóstolos, dos profetas, de Jesus; ficam firmes em suas comunidades e não se deixam levar por qualquer discurso”. Após as reflexões dos assessores, foram realizadas oficinas de aprofundamento sobre aspectos do Evangelho de Lucas e, ao fim do encontro, os participantes receberam materiais formativos sobre o Mês da Bíblia, que tem como tema “Discípulos missionários a partir do Evangelho de Lucas”.


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Pastoral da Juventude realiza Missão Jovem

A Pastoral da Juventude (PJ) da Arquidiocese de São Paulo promove em outubro, de 4 a 6, a “Missão Jovem”. Este ano, com o tema “Juventude, e a fé que liberta da Opressão”, pretende aprofundar a reflexão sobre como os jovens, baseados em sua fé, podem se libertar da opressão. A inscrição pode ser feita no site da PJ - http://pjsp.org.br

‘com todos os sentidos’

Em romaria, a Pastoral das Pessoas com Deficiência organizou a 1ª Missa da Acessibilidade no Santuário de Aparecida NAYÁ FERNANDES

Especial para O SÃO PAULO em aparecida (SP)

“É indescritível! Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer”, disse Mariana Pereira de Sousa, que, pela primeira vez, visitou o Santuário Nacional de Aparecida (SP) e participou da romaria da Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo (SP), e da 1ª Missa da Acessibilidade celebrada no Santuário, no domingo, 22. Mariana, que tem deficiência em uma das pernas, devido à paralisia infantil, rezou as preces dos fiéis durante a celebração e, sentada em torno do altar central do Santuário, junto aos outros cerca de 200 romeiros da Pastoral, se emocionou ao falar com a reportagem. Emocionado também ficou José Vicente de Paulo, coordenador do movimento “Amigos pra valer”, que agrega pessoas com deficiência visual e voluntárias, na organização de atividades de caráter religioso e cultural. “Estive aqui há 40 anos e hoje retorno trazendo um ‘montão de gente’. Sinto que é bom receber, mas é melhor fazer o bem”, disse José, que é casado, tem uma filha e é

Fotos: Imprensa/Santuário Nacional de Aparecida

deficiente visual há cerca de 20 anos. “Meu caso se deu devido à união dos meus pais, que eram primos. Então, tive baixa visão até os 30 anos e, hoje, só vejo claro e escuro. Mas vivo com prazer, embora sem a visão.” A celebração, presidida por dom Fernando Mason, bispo da Diocese de Piracicaba (SP), teve como tema “Atenção às pessoas com deficiência e sua plena participação na sociedade” e contou com recursos como audiodescrição, Libras (Língua Brasileira de Sinais), livros em braille e a presença de voluntários que acompanharam as pessoas com deficiência motora, mental e com síndrome de down. Maria Rosimar da Silva veio com o grupo do Movimento “Fé e Alegria”, que reúne pessoas com deficiência mental. Ela é mãe de Arthur Dini Grassi Netto, 27, que após uma maratona de consultas jurídicas, conseguiu casar-se legalmente com Ilka Farrath, 35. Ambos têm síndrome de down e o Código Civil os restringe, por conta própria, de assinar o documento de casamento. Após o caso, o estatuto explicita que deficientes intelectuais ou mentais vão passar a ter o direito ao casamento, sem restrições, sob curatela. Vencer barreiras e lutar contra o preconceito são tarefas cotidianas das pessoas com deficiência e seus familiares. Marinalva Sousa Rodrigues é mãe de Anderson Sousa Rodrigues, 38, que nasceu com paralisia cerebral. “A fé é essencial para que tenhamos força e alegria, e a participação na Igreja sempre nos ajudou. Ele não lê nem escreve, mas tem uma memória fotográfica e hoje é coroinha na paróquia”, contou a mãe.

Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência e defesa de seus direitos DA ESPECIAL PARA O SÃO PAULO em aparecida (SP)

De acordo com dados do Censo de 2000, no que se refere à população com deficiência, são 24,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o equivalente a 14,5% da população brasileira. A maior proporção se encontra na Região Nordeste (16,8%) e a menor na Região Sudeste (13,1%). Desse total, 48,1% são portadoras de deficiência visual; 22,9%, de deficiência motora; 16,7%, de deficiência auditiva; 8,3%, de deficiência mental e 4,1%, de deficiência física. A informação pode ser conferida no texto do Minis-

tério da Saúde, “Política Nacional de Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência”, publicado em 2008, e disponível no link http://bvsms. saude.gov.br. Nesse texto, estão contidos quais são os direitos das pessoas com deficiências e o que compete aos governos para garantir que essas pessoas possam viver com dignidade e sejam incluídos socialmente, de acordo com a legislação brasileira. Para garantir que essa política seja implantada, pela Lei nº 11.133, foi criado o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado desde 2005 a cada 21 de setembro. Outro marco importante foi

o decreto nº 3.956/01, que promulgou a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. Em entrevista ao O SÃO PAULO, Carlos Campos, coordenador da Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo, disse que há um grande esforço para a inclusão dessas pessoas também nas igrejas. Ele comentou que o Projeto Igreja Acessível, lançado ano passado, ainda não foi realizado em nenhuma paróquia. “Nossa equipe é pequena e o contato com as paróquias é difícil”, enfatizou. (NF)

O SÃO PAULO - edição 2971  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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