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Idiomas diferentes não dificultam a comunicação

Peregrinos são acolhidos no Palácio do Governo

Dicas para curtir bem a Jornada no Rio de Janeiro

Páginas 8 e 9

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Teatro colabora para a reflexão na Pré-Jornada Página 4

Ano 58 | Edição 2962| 20 a 30 de julho de 2013

R$ 1,50

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Agora é fazer do Rio a capital do mundo jovem católico Semana Missionária agita São Paulo e prepara a juventude à Jornada Mundial na próxima semana na capital fluminense Jovens de 58 países tomaram conta da cidade por uma semana. Acolhidos nos lares católicos, nas paróquias, colégios e associações, participaram de Catequeses, solidarizaram-se com os pequenos e pobres, conheceram um pouco de nossa cultura e partilharam a sua conosco. Foi assim a Semana Missionária,

que preparou a Jornada Mundial da Juventude na Arquidiocese de São Paulo. Agora, enviados solenemente por dom Odilo Pedro Scherer, eles vão ao Rio de Janeiro somar-se a tantos outros para serem confirmados na fé pelo papa Francisco e voltarem a seus países como discípulos missionários de Jesus Cristo.


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Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 20 a 30 de julho de 2013 Gabirante

FRASES DA SEMANA

“Hoje [18] é aniversário de Nelson Mandela [95 anos] e de Bartolomeu de Las Casas [17 de julho] que gritava ao mundo os direitos dos indígenas. Recordemos também o assassinato de dois padres, Carlos Mugica e Júlian, em 1974.”

Professor Fernando Altemeyer, na Conferência do Centro Universitário Assunção

EDITORIAL

Diácono Benedito Camargo, no evento na Casa de Cultura Salvador Ligabue, zona noroeste

“Estou muito animado para a Jornada Mundial da Juventude. Tenho a esperança que o papa Francisco vai mudar a ideia que o mundo tem da Igreja Católica, transformar a Igreja com os jovens dentro. No Rio, mesmo a gente não falando a mesma língua, vai se entender por gestos, por oração. JMJ, vem em mim!”

Wagner Pereira Santana, 16, peregrino da JMJ na Região Belém

ENCONTRO COM O PASTOR

Ide, fazei discípulos!

Vão com Deus irmãos peregrinos! O Rio de Janeiro os aguarda!

Arcebispo metropolitano de São Paulo

É isso aí, peregrinos! Vocês chegaram a nossa cidade, a nossas paróquias, a nossas casas. Vieram como irmãos e nos unimos num grande abraço. Como foram lindos esses dias de Semana Missionária, de Pré-Jornada! Oramos juntos. Juntos mergulhamos fundo no Evangelho e ouvimos Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor. Juntos, abraçamos os pobres. Partilhamos com vocês um pouco da cultura deste País imenso que os recebeu. Juntos, caímos no samba numa grande roda de fraternidade. É isso aí, juventude! Nós nos preparamos para receber muito mais irmãos do que aqueles que vieram. Por isso, sobrou amor em nosso coração, sobrou alegria em nossas festas, sobrou espaço em nossos lares. E repartimos tudo com vocês e continuamos com muito amor, muita alegria, com muita vontade de abraçar quem está perto e quem vem de longe. E pensar que tudo isso foi apenas uma aperitivo! Foi apenas uma pré-jornada! Foi uma Semana Missionária. E pensar que há muito mais a viver, muito ainda a experimentar, milhões de irmãos e irmãs a abraçar! Vamos, portanto, ao Rio de Janeiro. Lá, continua a festa que nos faz sentir cidadãos do mundo, filhos da mesma Mãe Igreja. Discípulos do único Senhor Jesus, Caminho, Verdade e Vida. Vamos ao Rio de Janeiro! Ouçamos lá, o sucessor de Pedro. Reeditemos Pentecostes. Deixemos que o sopro do Espírito nos impulsione, que suas línguas de fogo nos purifiquem, aqueçam e iluminem e nos façam anunciadores da da Boa Notícia do Evangelho. Que o mundo saiba que vale a pena conhecer Jesus Cristo, ouvi-lo, conviver com ele, sentir sua presença, deixar que ele nos transforme a mente e o coração. Nesta edição de O SÃO PAULO, que oferecemos a vocês para que não se esqueçam de nós, contamos um pouco do que foi nossa Semana Missionária. Um pouco só, mas não nos preocupamos muito, porque tudo o que ela significou, tudo que aprendemos nela, está no coração de todos nós que dela participamos... Recebam o abraço de todos os voluntários paulistanos que amaram vocês antes mesmo de conhecê-los e agora os amam muito mais, depois desses dias de profunda comunhão.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

“Estamos felizes com este congraçamento com a África, principalmente porque devemos muito a esse povo, já que tivemos quilombos e muitos escravos que se escondiam aqui na Região da Brasilândia.”

CARDEAL DOM ODILO PEDRO SCHERER

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) encerra a sua primeira etapa; a Semana Missionária foi realizada em todas as dioceses do Brasil. Foi uma experiência nova nas JMJs e será necessário fazer uma avaliação, para ver como as coisas aconteceram. No entanto, desde logo, podemos afirmar que a experiência foi muito positiva. Na Arquidiocese de São Paulo, houve um envolvimento positivo das organizações da Igreja e das famílias. Muitas paróquias, colégios, congregações e ordens religiosas, movimentos e associações de fiéis fizeram um bom trabalho com a juventude local e com os jovens peregrinos, vindos de 58 países diversos! Os frutos virão, certamente. É bem compreensível que não tenha havido a afluência de massas de peregrinos estrangeiros, como se poderia ter esperado inicialmente; pelo fato de se fazer a Semana Missionária em todas as dioceses do Brasil, os custos de viagem e as duas semanas de peregrinação para quem veio de longe, representam fatores não indiferentes e devem ser levados em consideração. Belo foi tomar consciência de que o senso de hospitalidade ainda existe, apesar de todas as dificuldades que nossos tempos de insegurança e violência oferecem. Muitas pessoas e famílias abriram suas casas para acolher hóspedes desconhecidos, mas reconhecidos como irmãos e irmãs em Cristo.

E essa capacidade de acolhida e Nessas últimas semanas, ashospitalidade surpreendeu positi- sistimos a diversos tipos de manivamente a muitos. festações. Agora é a vez da multiOs jovens peregrinos deixa- dão dos jovens peregrinos: serão ram-nos exemplos de sua fé, de manifestações de fé, de esperança, sua alegria e esperança. Vieram de paz e de amor a Deus e à Igreja. como missionários e nos trouxe- É hora de dar toda atenção a eles e ram a percepção mais clara de de não desviar o foco da Jornada. que somos irmãos na fé e filhos da A JMJ mostrará o rosto jovem mesma Igreja. Deixarão saudades da humanidade, que aspira conem tantas famílias acolhedoRezemos para que Nossa Senhora ras, que se desdobraram em Aparecida, padroeira do Brasil, atenção para guie os passos dos participantes e com eles; espero que levem no abra os seus corações a acolher a coração algo do missão que Cristo os dará que viram e experimentaram da nossa cultura e vivência eclesial. Deus os aben- viver em paz; é o rosto da humaçoe. Continuem indo “a todos os nidade, chamada a formar uma povos, fazendo discípulos” (cf. Mt grande família, onde as diferenças 28,19). não são barreiras, mas fatores de Seguem agora sua peregrina- enriquecimento recíproco. A Igreção ao Rio de Janeiro, e nossos ja representa o início e o anúncio jovens vão com eles. Lá, viverão dessa única e grande família dos juntos a JMJ, com tantos outros filhos e filhas de Deus. jovens do Brasil e de numerosos A JMJ Rio-2013 será um anúnpaíses. O Cristo Redentor acolhe a cio profético da humanidade e da todos de braços abertos. Será uma Igreja do amanhã. Vão com Deus, nova experiência da fé cristã, vivi- jovens peregrinos. Vão a todos os da com emoção e intensidade, com povos, anunciem que o Reino de seus sacerdotes e bispos e com o Deus já chegou e façam discípulos papa Francisco. para Cristo (cf. Mt 28,10)! Luciney Martins/O SÃO PAULO

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Antônio Aparecido Pereira • Reportagem: Daniel Gomes • Colaboração: Nayá Fernandes e Edcarlos Bispo de Santana • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: osaopaulo@uol. com.br (redação) • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura.


Fé e Vida

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PALAVRA DO PAPA

Nos vemos dentro de três dias! PAPA FRANCISCO

O papa Francisco se comunica pela rede social Twitter desde o dia 17 de março. Ele pediu oração. “Queridos amigos, de coração vos agradeço e peço para continuardes a rezar por mim. Papa Francisco.” Na sua conta em português, ele tem cerca de 464 mil seguidores. Na versão em inglês, possui 2,7 milhões de seguidores. Sobre a Jornada Mundial da Juventude, ao que tudo indica, a ansiedade não é só dos jovens do Brasil e do mundo. É também do papa

Francisco. No domingo, 14, durna“Jovens amigos, tantos de vote a oração do Ângelus, ele disse: cês já chegaram ao Rio e muitos “Eu partirei dentro de oito dias, outros estão chegando nestas mas muitos jovens partirão para horas. Nos vemos dentro de três o Brasil ainda antes. Rezemos, en- dias”. Disse também: “Neste Ano tão, por essa grande peregrinação da Fé, não esqueçamos da fé que que se inicia, para que Nossa Se- nos guarda e devemos comparnhora Aparecida, padroeira Rezemos para que Nossa Senhora do Brasil, guie os passos dos Aparecida, padroeira do Brasil, participantes guie os passos dos participantes e e abra os seus corações para abra os seus corações a acolher a acolher a missão que Cristo missão que Cristo os dará os dará”, disse o Pontífice. Ontem, sexta-feira, 19, o papa tilhá-la. Todo cristão tem de ser Francisco enviou mensagem pelo um apóstolo”. E acrescentou: “Na Twitter (@pontifex), lembran- vida cristã, são essenciais a orado que faltavam três dias para ção, a humildade e o amor a toele chegar ao Brasil. Confiram: dos. Esse é o caminho”.

ESPAÇO DO LEITOR

E-mails e mensagens enviadas para a redação do O SÃO PAULO “Queridos amigos e colegas de redação, paz e graça! Parabéns pelo novo visual do O SÃO PAULO! Entendo que essa renovação periódica bem demonstra o espírito de busca de atualização e de bem servir aos leitores e à própria finalidade de retratar a nossa Arquidiocese nas páginas do jornal. É por isso que me sinto feliz em fazer parte da equipe e poder dar minha colaboração a OSP. Recebam o abraço fraterno de sempre e carinhosa bênção do padre Augusto.” Padre Augusto César Pereira, scj

“Quero cumprimentar os organizadores do jornal O SÃO PAULO pela nova apresentação: moderna, bonita, prática. Com meu melhor abraço.”

Maria Luiza Marcilio

“Gostaria de parabenizar toda equipe do jornal O SÃO PAULO pelo novo e atualizado formato. Notícias exemplarmente na medida e um layout extremamente agradável. Quem sabe, no futuro, não pensar numa coluna relacionada à espiritualidade e cinema como aprofundamento cultural e formativo para as lideranças pastorais das comunidades. Com votos de muitos frutos.”

Padre Air José

“Parabéns! Com o novo formato do jornal O SÃO PAULO, a leitura fica mais fácil e dinâmica. Muito bom para os leitores que navegam por dispositivos móveis. Bênçãos para vocês!” Márcia Scatolin sobre matéria “Um O SÃO PAULO de cara nova” publicada no site da Arquidiocese

Ciclista encontra-se com o papa Francisco “Quando chegamos do lado de fora, o Papa apertou a mão dos rapazes da Guarda Suíça, que estavam perto da porta e eu fiz o mesmo. Mostrei-lhe minha bicicleta e falei sobre minha viagem. Eu disse: esta é a minha casa, aqui a cama, ali a cozinha e assim por diante. Ele me fez algumas perguntas e nós dois rimos quando eu disse que gente louca encontra-se em todo lugar, inclusive em Porto Alegre (RS). O Papa disse: a vida é louca!” Dessa forma, Leandro Martins, um gaúcho de 30 anos, de Porto Alegre, descreveu em seu blog pessoal como foi o encontro com o papa Francisco na manhã de quinta-feira, 18, na Casa Santa Marta. Leandro está viajando de bicicleta pelo mundo e, após escrever inúmeras cartas ao Papa, acabou chamando a atenção do seu Secretário particular, que o convidou para participar da missa na Casa Santa Marta. Leia mais no blog do ciclista: http://www.leandrobybike.blogspot.com.br/

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Facebook/Rádio Vaticano

“Parabéns comunidade! É uma alegria poder receber esses jovens. Nossa comunidade ia receber nove jovens, mas, por ser distante de São Paulo e do Rio de Janeiro, cancelaram. Estamos torcendo por todos, Deus abençoe para que tudo de certo.”

Lourdes [sobrenome não identificado] sobre matéria do jornal “Primeiros peregrinos chegam à Arquidiocese de São Paulo” publicada no site da Arquidiocese

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP: 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

Ciclista brasileiro consegue encontro com o papa Francisco em viagem ao Vaticano

EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLEIA GERAL ORDINARIA E EXTRAORDINARIA DA COOPERATIVA DE TRABALHADORES DE COLETA SELETIVA E RECICLAGEM – RECICLA BUTANTÃ A Presidente da Cooperativa Sra. Heloisa Vitorino dos Santos no uso de suas atribuições que lhe confere o art. 38 da Lei 5.764/71, convoca os sócios, que nesta data somam 20 (vinte), para reunir-se em Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária a serem realizadas no dia 09 de Agosto de 2013 na Rua Mariana Belizária da Conceição, n.º 93, Jd Ester, Butantã-SP, às 13:00 horas em primeira convocação, necessitando a presença de 2/3 de seus associados, as 14:00 horas, em segunda convocação com a presença de metade mais um de seus associados eas 15:00 horas em terceira e ultima convocação com a presença de no mínimo 10(dez) associados para deliberarem sobre as seguintes ordens do dia: 1)-Reforma do Estatuto Social, 2)-Eleição de membros do conselho fiscal, 3)-Assuntos gerais,4)-Aprovação de regimento interno

O jornal O SÃO PAULO está de cara nova

FAÇA PARTE DESTA MUDANÇA Assine O SÃO PAULO

e-mail: assinaturas@osaopaulo.org.br (11) 3666-9660 / 3660-3723 / 3660-3724


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Musical conta a história do Beato Anchieta Espetáculo preparado pela comunidade Shalom será exibido no Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial EDCARLOS BISPO DE SANTANA ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

“Mas é José, José de Anchieta, jovem igual a todos, igual a você”, talvez essa seja uma das frases mais emblemáticas do musical “Anchieta para todas as Tribos”, apresentado pela Comunidade Católica Shalom, na noite de quinta-feira, 18. O Teatro da Universidade Católica (Tuca) estava lotado, na plateia membros da comunidade, padres, bispos, convidados e até peregrinos estrangeiros que estão na cidade devido a Semana Missionária. O musical conta a história do missionário jesuíta desde a sua adolescência até a sua vinda para o Brasil e a catequização dos índios. De uma forma envolvente e com uma medida de humor, a peça mostra os conflitos, os sonhos, e o desejo de evangelizar que moveu a vida deste Beato, que recebeu o qualificativo de “apóstolo do Brasil” e é um dos intercessores da JMJ.

Francisco Albuquerque (Chico Muniz), ator que interpretou José de Anchieta, é membro da Comunidade Shalom, o jovem estava radiante de alegria e emoção. Para ele, a palavra que resumia aquele momento é “gratidão” e completa “gratidão por ter anunciado essa paz”. Marcos Merlos, diretor executivo do espetáculo, contou que, apesar de alguns percalços, é emocionante ver o espetáculo se realizando, pois o que colaborou para a realização do espetáculo “foi o óbolo da viúva”, ou seja, as pequenas contribuições financeiras que foram feitas. O diretor ainda conta que no Rio de Janeiro as apresentações serão no teatro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no dia 23, às 12h e 15h. O cardeal dom Odilo Pedro Scherer e o bispo auxiliar e referencial para o Setor Juventude, dom Tarcísio Scaramussa, acompanharam o espetáculo. No fim do espetáculo, dom OdiLuciney Martins/O SÃO PAULO

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Musical “Anchieta para todas as tribos”, produzido pela Comunidade Shalom, conta a história do “apóstolo do Brasil”

lo saudou os presentes e fez um paralelo da peça com o tema da JMJ, “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”, pois, segundo o Arcebispo, assim como An-

ravilhada com o que viu. A atriz conta que devido à agenda não poderá estar na JMJ, ou ver o Papa, mas que tem incentivado os jovens a participar.

Reestreia o espetáculo ‘A missa da minha vida’ NAYÁ FERNANDES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Na peça, o jovem Henoque vive na missa da sua vida, o encontro com Jesus

chieta os jovens são enviados a serem missionários. A atriz da Globo, Paloma Bernardi, também compareceu ao espetáculo e disse estar ma-

Bater duas colheres para imitar o som de castanholas, enquanto o grupo cantava a Salve Rainha, em latim, no fim do Musical “A missa da minha vida”, idealizado pela comunidade Toca de Assis, foi apenas uma das novidades do espetáculo apresentado dias 17 e 18, no Teatro Anhembi Morumbi, zona central de São Paulo (SP). A autora da ideia das colheres foi Jaqueline Rodrigues, 27, que é percursionista na Toca há sete anos. “Fazer parte do grupo é sempre uma inovação e

um desafio. Eu amo tocar com a Toca”, disse. O musical foi apresentado há cinco anos e reapresentado com nova roupagem por ocasião da JMJ. A direção geral e o roteiro são do irmão Tarcísio de Jesus. Ao O SÃO PAULO, ele disse que “a ideia é chamar o público para uma meditação sobre a missa. Estamos trabalhando no musical há um ano para o Rio de Janeiro (RJ), mas quisemos apresentar em São Paulo e Campinas (SP) antes”. O elenco do musical, com 23 membros, entre atores, músicos e dançarinos, é composto por voluntários, amigos da co-

munidade. Maicon do Espírito Santo, 29, de Taubaté (SP), representou o protagonista Henoque e fez sua estreia como ator. “Conheci a Igreja pela Toca e, nesses dias em que estamos ensaiando e apresentando a peça, participar da missa tem sido uma experiência muito especial”, testemunhou Maicon. Anderson Alves Diniz, 19, pertence ao grupo de jovens Shekiná e soube do musical pelo facebook. “Eles retrataram a missa de uma maneira muito profunda. Demonstraram realmente o sentido da celebração. Foi lindo”, disse.


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Jovens vivenciam carisma de Santo Agostinho Escola na Região Episcopal Belém acolheu encontro de abertura da Semana Missionária da juventude agostiniana EDCARLOS BISPO DE SANTANA ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

A festa era com temas ligados ao Brasil. À completa reprodução do “Sítio do Pica-pau Amarelo”, havia o Saci, a Emília, o Visconde, enfim, toda a turma do Sítio. Pelo Pátio do Colégio Agostiniano Mendel, na zona leste da capital, jovens de diversos países e cidades brasileiras dançavam e se divertiam. O evento, programado dentro da Semana Missionária, reuniu os jovens agostinianos no Encontro Juvenil Agostiniano (EJA). De acordo com o diretor do colégio, padre Eduardo Flausino, OSA, são mais de 585 jovens, de cerca de 16 países distintos, onde os agostinianos possuem trabalhos. “A alegria de poder ver a juventude, que tem tido tantos motivos para se desviar, e ter a oportunidade de ver os jovens nessa fraternidade, nessa amizade, não tem preço”, destacou o Padre, ao ser questionado sobre a importância da Sema-

na Missionária. E acrescentou: “O primeiro intuito é vivenciar o carisma agostiniano e a amizade de Cristo. Aproveitamos este momento para mostrar à Igreja essa maneira de vivenciar o Cristianismo”. Ao chegar à escola, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, saudou os jovens em diversos idiomas e brincou com os peregrinos, chamando cada um pelo país de origem. No cumprimento feito aos jovens, o Arcebispo destacou sua felicidade em ver todos aqueles jovens. O argentino Francisco Fabían Ayala Pérez disse acreditar que o Brasil está bem preparado para realizar a JMJ e “muito organizado para acolher tantos jovens que vêm de diversas partes do mundo”. O jovem afirmou que, além de estar ansioso para ver o Papa, também está na expectativa de ver como a presença do Pontífice vai mexer com a juventude. Para o mineiro de Belo Horizonte, Fábio Amorim de Oliveira,

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Durante encontro, jovens tiveram contato com a cultura brasileira por meio da música, da comida e das artes, dia 16

a Semana Missionária “deixa a mensagem de que o jovem pode mudar o mundo e nos pequenos detalhes fazer a diferença”. De acordo com ele, o mais mara-

vilhoso nas atividades é poder celebrar uma única fé. Quando falou aos jovens, o Cardeal, de uma forma bem animada, recomendou que eles

aproveitem bem a estadia em São Paulo, porém “não se cansem demais, porque aqui é só o começo. Depois é no Rio [de Janeiro] que o bicho pega”.


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‘A lanterna do jovem aponta bons caminhos’ Encontro entre peregrinos e o governador aconteceu na manhã de quinta-feira, 18, no Palácio dos Bandeirantes Luciney Martins/O SÃO PAULO

EDCARLOS BISPO DE SANTANA ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Talvez, os jovens presentes no Palácio dos Bandeirantes não entendiam o porquê um senhor de 62 anos estava tão emocionado. Plácido Bento de Oliveira é assessor do governador e foi um dos articuladores para que, na manhã de quinta-feira, 18, os jovens peregrinos, ao viver a Semana Missionária no Estado de São Paulo, visitassem a sede do governo paulista e se encontrassem com o chefe do executivo, Geraldo Alckmin. Participaram do encontro cerca de 120 jovens – um representante de cada país, mais jovens brasileiros, a primeiradama Lu Alckmin, os cardeais dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, e dom Antonio María Rouco Varela, arcebispo de Madri (Espanha), o bispo auxiliar da Arquidiocese e referencial do Setor Juventude, dom Tarcísio Scaramussa, além de bispos de outras dioceses do Estado e de outros países e secretários do Poder Executivo. Plácido explica sua emoção destacando que é preciso levar a Igreja para participar do dia a dia do governo, principalmente os jovens. “O futuro desse País e do mundo está com os jovens”, afirmou. Na sua saudação aos jovens, o cardeal dom Odilo destacou

No Palácio dos Bandeirantes, jovens peregrinos foram acolhidos pelo governador do Estado, por sua esposa e pelos cardeais Odilo Scherer e Rouco Varela, dia 18

que espera que todos tenham sido bem acolhidos, estejam bem hospedados e gostando da cidade. O Arcebispo agradeceu ao governador a acolhida aos jovens, que, segundo dom Odilo, representam não apenas a cidade, mas todo o Estado. Geraldo Alckmin contou brevemente a história do surgimento da cidade, ressaltando sua estreita ligação com a Igreja e sua vocação em ser missionária. Em entrevista, destacou que conversou com jovens de diversos países e que cada um

traz a sua alegria, generosidade e esperança. “A lanterna do jovem aponta bons caminhos. Estejamos todos atentos, acho que é um momento muito importante da vida brasileira”, afirmou o governador. Marcel Vitorino, representando os brasileiros, e Ivana Cogelja, representando os estrangeiros, fizeram breves intervenções e destacaram a alegria da juventude de estar reunida na cidade. Ivana agradeceu a acolhida e hospitalidade dos paulistas. Para ela, foi uma grande

honra representar todos os jovens estrangeiros e, especialmente, o seu país, a Croácia. O jovem, representante dos brasileiros, destacou o esforço das equipes de preparação da Semana Missionária para que tudo acontecesse bem. De acordo com ele, são momentos de lágrimas e risos, porém, agora, diante das atividades que já acontecem na cidade, é emocionante. Marcel relembrou as palavras do papa emérito Bento 16, ditas em 2007, durante encon-

tro com a juventude no Estádio do Pacaembu, de que a juventude é o rosto jovem de uma Igreja jovem. “Nós representamos a juventude, não porque estamos à frente, porque as pessoas que estão à frente esquecem a juventude lá atrás”, afirmou Marcel, que, ainda fez um pedido ao Cardeal e ao Governador, “que vocês continuem olhando sempre de forma especial para nossa juventude, pois, ao contrário do que falam, não é o problema da sociedade”.

Para uma Semana Missionária, muitos meses de trabalho Luciney Martins/O SÃO PAULO

DANIEL GOMES

REDAÇÃO

Organizar a Semana Missionária em São Paulo (SP), encerrada no sábado, 20, na praça Heróis da FEB, com a missa de envio dos peregrinos à JMJ Rio2013, demandou meses de trabalho e a criação de comissões arquidiocesanas, regionais e paroquiais para viabilizar as atividades e a acolhida dos peregrinos de 58 países. “A Semana Missionária começou a ser preparada assim que foi confirmado o Brasil como sede da Jornada Mundial da Juventude. Desde agosto de 2011, portanto, foi pensada e gestada, e, em janeiro de 2012, os trabalhos foram oficialmente abertos pelo Setor Juventude da Arquidiocese”, recordou ao O SÃO PAULO Nei Márcio Oliveira de Sá, secretário executivo do Setor Juventude. Desde o início dos preparativos houve especial preocupação com os eventos centrais,

Voluntários da Semana Missionária preparam kit dos peregrinos; evento começou a ser articulado após JMJ Madri-2011

como as vigílias regionais e a missa de envio dos peregrinos. De acordo com Nei, cerca de 700 voluntários participaram desta celebração, que, segundo projeções do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, reuniria, além dos padres

e bispos da Arquidiocese e da Diocese de Santo André (SP), 278 padres estrangeiros e 12 bispos de outros países. Ainda segundo o Secretariado, 210 ministros e igual quantidade de auxiliares para a distribuição da Eucaristia fo-

ram escalados e todas as obrigações referentes à segurança, saúde e higiene do local foram seguidas. Houve preocupação para que todos pudessem compreender a celebração, por meio dos livretos de missa em espanhol, francês, italiano e in-

glês, e da tradução simultânea em inglês e espanhol. Articulada pelo Vicariato Episcopal para a Pastoral da Comunicação, a apresentação cultural que antecedeu a missa também foi pensada em detalhes. Nos últimos três meses, 150 pessoas se dedicaram ao menos uma vez por semana aos ensaios e, no dia da celebração, estavam na praça Heróis da FEB desde as primeiras horas. “Tudo foi feito em espírito colaborativo, de construção coletiva, usando o que os grupos já tinham e faziam. Fomos intercalando e construindo cenas. Ficou um trabalho bacana que mostra um painel de São Paulo em três momentos: o início religioso, com o beato Anchieta e os índios; a chegada dos imigrantes, que foi muito forte na história de São Paulo; e o mundo atual com os desafios que os jovens têm para viver em São Paulo”, explicou o frei José Carlos de Oliveira, coordenador da apresentação.


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Pré-Jornada multicultural na Brasilândia

Peregrinos de cinco países acompanharam apresentação de consagradas músicas brasileiras e da história da periferia Divulgação Casa de Cultura Salvador Ligabue

DANIEL GOMES

REPORTAGEM NA ZONA NOROESTE

Aos poucos, a alegria dos jovens da Índia, Quênia, Tanzânia, Moldávia e Honduras tomou conta do largo da matriz da Freguesia do Ó, na zona norte, na manhã da quintafeira, 18. Hospedados em paróquias da Região Brasilândia, esses peregrinos foram convidados para assistir a uma apresentação de músicas brasileiras, interpretadas por alunos do projeto vocacional da Casa de Cultura Salvador Ligabue. Porém, antes de ouvirem as canções “Asa Branca” (Luiz Gonzaga), “Garota de Ipanema” (Tom Jobim), “Tiro ao Álvaro” (Adoniran Barbosa) e “Diana” (Carlos Gonzaga), eles, ainda no largo, formaram rodas de dança, conversaram e posaram para fotos com as bandeiras dos países. Tamanha espontaneidade de manifestação da fé católica

Hondurenhos, quenianos, moldávios, indianos e tanzanianos assistem apresentação musical em casa de cultura na periferia

não é algo comum para a jovem Victoria Turcan, que passou a Semana Missionária na Paróquia Bom Jesus dos Passos. Em seu País, a Moldávia, no Leste Europeu, apenas 1% da população professa a fé na

Igreja Católica Apostólica Romana. “É bem difícil vivenciarmos nossa fé, porque somos a minoria e o resto do povo não nos reconhece como uma Igreja”, comentou ao O SÃO PAULO. Já no Quênia, país africano,

a situação é oposta. “Na Igreja do Quênia a gente dança bastante, cantamos juntos”, garantiu o peregrino Lucas Masila, para quem “a Semana Missionária tem sido muito feliz e educativa”. Ele, junto a quatro

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Após intensas atividades, um grupo de jovens jesuítas parou por algumas horas para almoçar na Casa de Oração do Povo da Rua, na região central da cidade. O grupo de peregrino faz parte do “Magis Brasil”, uma experiência espiritual, cultural, pastoral, social e missionária de jovens que cultivam a espiritualidade inaciana, realizada nos dias que antecedem às Jornadas Mundiais da Juventude. O almoço aconteceu na quintafeira, 18, no meio das diversas atividades da Semana Missionária que animam a Arquidiocese de São Paulo até o sábado, 20. O vigário episcopal para o Povo da Rua, padre Júlio Renato Lancellotti, saudou os jovens e

contou um pouca da história do local. O Padre contou à reportagem de O SÃO PAULO que muitos jovens conversaram com ele e destacaram que, em seus países ou cidades, “não têm muito contato com as pessoas em situação de rua”. Esse almoço, ressaltou padre Júlio, representou uma “possibilidade deles voltando, terem uma ação pastoral nos seus países em relação ao povo de rua”. Uma das responsáveis pela visita à Casa de Oração do Povo da Rua foi Maria Madalena Ferreira Alves. Segundo ela, era muito fácil levar os jovens para almoçar em um restaurante, porém “que aprendizado eles teriam?”. Pensando nisso, ela articulou a visita dos jovens ao local, para que, até durante o almoço, eles tivessem um ensinamento. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Jovens do Magis Brasil almoçam na Casa de Oração do Povo da Rua, na quinta-feira, dia 18

(Colaborou: Gabriel Cabrera) Aline Rodrigues Imércio

Casa de Oração do Povo da Rua recebe peregrinos EDCARLOS BISPO DE SANTANA

quenianos e dois tanzanianos, ficou hospedado na Paróquia Nossa Senhora da Expectação (Nossa Senhora do Ó) e foi bem acolhido no bairro onde os africanos são parte da história. “Estamos felizes com este congraçamento com a África, principalmente porque devemos muito a esse povo, já que tivemos quilombos e muitos escravos que se escondiam aqui na Região da Brasilândia”, recordou o diácono Benedito Camargo, há 38 anos na Paróquia. Acolhida na Paróquia Santa Isabel, junto a outros 16 hondurenhos, Doris Rodriguez estava encantada com a Pré-JMJ em São Paulo (SP). “Temos vivido uma impressionante irmandade, que me regozija em ser católica, vendo que estamos unidos na mesma fé.” Segundo ela, além da interação religiosa e de danças e músicas, até um típico almoço hondurenho consta no programa de atividades.

Atividade proporciona conhecimento artístico, cultural e histórico pelas ruas da capital paulista

Passeio diferente pelo centro da cidade NAYÁ FERNANDES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Caminhando devagar e olhando para cima, os participantes do “Passeio fotográfico pelo centro histórico de São Paulo”, dias 17 e 18, estiveram em lugares como o Largo de São Bento, rua Direita, praça da Sé, Pátio do Colégio, Igreja do Carmo, Viaduto do Chá e Teatro Municipal. O passeio foi pensado pelo grupo dos Cooperadores Paulinos para o Evangelho, como atividade para a Semana Missionária, com o objetivo de proporcionar aos peregrinos e paulistanos um conhecimento melhor sobre os principais pontos turísticos da capital, com um guia de informações e sugestões de pontos fotográficos e áudio-guia em inglês, espanhol e português. “Pensamos em algo que tivesse duração após o evento, que pudéssemos

criar diálogos posteriores, como um espaço na web para trocar informações”, esclareceu Adriano, professor de Fotografia nas faculdades Paulus de Comunicação e Anhembi Morumbi. O grupo tem o desejo de dar continuidade às atividades. “Queremos destacar os detalhes, as diversidades culturais. E o interessante é que depois que a foto é publicada no facebook, as pessoas comentam, se interessam. É legal ver como a cidade reage a tudo isso.” Para Aline Rodrigues Imércio, 21, estudante de Jornalismo, “a experiência foi positiva, não vou ao Rio, mas deu para sentir o gostinho do que será a Jornada. Além disso, pude passear e fotografar pontos da minha cidade, que, às vezes, no dia a dia me passam despercebidos. Tem, em particular, uma rua pequena, atrás do Pátio do Colégio, que eu nem conhecia e ela é realmente linda, serve para cenários de dramaturgia”.


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Geral

O Papa e os jovens são tema de conferência Chilenos, mexicanos, norte-americanos e dominicanos participaram de evento sobre o pontificado de Francisco NAYÁ FERNANDES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

“Caminante, son tus huellas/ el camino, y nada más/ caminante, no hay caminho/ se hace camino al andar” (Caminhante, são teus rastros/ o caminho, e nada mais/ caminhante, não há caminho/ se faz o caminho ao andar). O trecho é do poeta espanhol Antônio Machado e foi lembrado pelo professor da PUC-SP Fernando Altemeyer, na Conferência sobre o pontificado do papa Francisco e a realidade dos jovens, que aconteceu no Centro

Universitário Assunção (Unifai), zona sul, na noite de quinta-feira, 18. A atividade foi pensada como atividade da Semana Missionária e contou com a presença do cardeal Antônio Maria Rouco Varela, arcebispo de Madri, e do grão-chanceler da Unifai, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano. Os jovens que lotaram o auditório, sentados pelos corredores, falando em inglês, espanhol e português, com mochilas nas costas e bandeiras coloridas, foram saudados pelo padre Edelcio

Ottaviani, reitor da Unifai, e puderam também assistir a um vídeo sobre a vida do papa Francisco. Cardeal Rouco falou sobre a situação dos jovens europeus, principalmente os espanhois. “A juventude europeia perdeu um pouco a memória e é preciso resgatar as raízes cristãs da história, pois não se explica quase nada da Europa, nem a música nem a arte sem a fé cristã.” Ele recordou, ao falar sobre o papa Francisco, de um retiro pregado para os bispos espanhois em 2006, quando o Pontífice era arcebispo de Buenos Aires, na Argentina. “Ele é um

homem interior e, da sua interioridade, nascem muitas coisas boas”, disse. Dom Odilo, em espanhol, contou a história de José de Anchieta e como a colonização no Brasil, desde o início, teve a presença de religiosos, principalmente dos jesuítas. “Anchieta veio para o Brasil com 18 anos, com um grande ideal missionário. Assim, nós cremos porque recebemos a fé, desde os apóstolos”, destacou. Também em espanhol, Altemeyer lembrou missionários que deram sua vida pelo anúncio do Evangelho e a defesa dos

mais pobres. “Hoje é aniversário de Nelson Mandela [95 anos] e de Bartolomeu de Las Casas [17 de julho] que gritava ao mundo os direitos dos indígenas. Recordemos também o assassinato de dois padres, Carlos Mugica e Júlian, em 1974.” Com um grupo de 97 peregrinos, Camila Gonçalves Pereira, 22, é brasileira, mas mora no Chile há um mês. “Está sendo uma experiência fantástica! Gostei muito da fala do professor Altemeyer, quando ele disse que a Igreja neste momento deve voltar a voz para os jovens e as mulheres.” Luciney Martins/O SÃO PAULO

No auditório lotado, jovens e demais participantes acompanham a conferência que teve a presença do cardeal de Madri, Rouco Varela, do arcebispo de São Paulo, dom Odilo, e do professor Altemeyer

A Catedral com a fé de madrilenhos e latino-americanos DANIEL GOMES

REPORTAGEM NO CENTRO

Anfitriões da última Jornada Mundial da Juventude, os madrilenhos, acompanhados de peregrinos latino-americanos, lotaram a Catedral da Sé na quarta-feira, 17, para uma das missas da Semana Missionária, presidida pelo cardeal Antonio María Rouco Varela, arcebispo de Madri. Ricardo Jimenez, 18, foi um deles. Hospedado com cem madrilenhos no Colégio Santa Terezinha, na zona norte, o jovem se disse encantado com a Semana Missionária e comentou ao O SÃO PAULO que espera que a JMJ Rio-2013 “seja uma jornada ainda melhor que a que tivemos em Madri”. Também feliz com a Pré-Jornada estava a adolescente Lilian Castillo, 15, que veio de Puebla, no México, para participar pela primeira vez da JMJ. Hospedada com outros 12 mexicanos na Paróquia Nossa Senhora de Loreto, na zona norte, ela encontrou “pessoas

muito carinhosas e divertidas com a gente” e disse acreditar que a JMJ Rio2013 “vai ser uma experiência muito agradável e incrível, porque terá muito mais pessoas”.

No começo da missa, os jovens foram saudados, em espanhol, pelo cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, que recordou que a cidade nasceu pelo trabalho dos jeLuciney Martins/O SÃO PAULO

Cardeal Rouco preside celebração para peregrinos espanhóis na Catedral da Sé, na quarta-feira, 17

suítas, entre os quais o beato espanhol José de Anchieta, e convidou os jovens a viverem a Semana Missionária “como discípulos missionários na cidade e que a Jornada no Rio seja para todos uma grande bênção de Deus”. O cardeal Rouco, na homilia, destacou que a Igreja é uma comunidade mundial que em todos os lugares tem “a mesma Palavra, os mesmos sacramentos e o impulso de amor e de caridade para com os outros”. Disse ainda que os jovens precisam ter consciência no seguimento a Cristo, e, recordando um diálogo que teve certa vez com Bento 16, hoje papa emérito, afirmou que a JMJ é o prelúdio da vida eterna e que “a Jornada no Rio de Janeiro será uma experiência do céu na terra”. Ao final da missa, motivados pelo cardeal Rouco, os jovens entoaram o “Maria, Mira-me”, uma das marcas da JMJ Madri-2011, e na sequência caminharam até o Mosteiro de São Bento, onde participaram da oração da “Hora Média” com os monges beneditinos.


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Colégio Arquidiocesano acolhe vigília no Ipiranga Cerca de 3 mil jovens entre peregrinos estrangeiros e brasileiros participaram do momento celebrativo Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

EDCARLOS BISPO DE SANTANA ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Bandeiras de diversos países, jovens se comunicando nos mais variados idiomas. Assim foi a Vigília da Semana Missionária realizada pela Região Episcopal Ipiranga, no Colégio Marista Arquidiocesano, na tarde da sexta-feira, 19. O responsável pelo Setor Juventude da região, padre Everton Moraes, destacou que para a realização do evento foi montada uma equipe de quase 200 pessoas, e que a atividade deve levar as pessoas a terem um encontro com Jesus. “Enquanto Igreja em São Paulo, estamos com a sensação de missão cumprida”, destacou o Padre, que afirmou, ainda, “a vigília é o ponto alto daquilo que aconteceu nas comunidades, cada jovem traz o que viveu nas paróquias e celebramos aqui, juntos.” Ao chegar ao local, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, mostrou animação ao saudar os jovens, brincou e chamou o nome dos cerca de 14 países que possuíam representantes no evento, para acolher os peregrinos cantou, “seja bem-vindo o lelê, seja bem-vindo o lalá, paz e bem

Peregrinos de diversas nacionalidades participam de momento de oração, louvor e adoração durante Vigília Regional; Cardeal reza o terço com os jovens

pra você que veio participar”. Dom Odilo lembrou que estão sendo realizados os eventos nas seis regiões episcopais, e que as semanas missionárias e as vigílias representam uma preparação para o Rio de Janeiro. O Arcebispo afirmou que “no Rio de Janeiro, o Cristo Redentor já nos espera de braços abertos”.

As jovens Ivana Brigheli, 15, da Arquidiocese de Messina Lipari S. Lucia del Mela, e Sofia Medeiros, 21, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Moema, não escondiam a felicidade e a animação. Ambas vão para o Rio de Janeiro no domingo, 21, e afirmam que a troca de experiências foi algo que não irão esquecer.

A italiana Ivana Brigheli contou que adorou a cidade e que São Paulo é muito diferente do lugar de onde veio e, mesmo diante da diferença de culturas e de línguas, todos compartilham da mesma fé. O diretor do Colégio Marista, Ascânio João Sedrez, afirmou que este é o momento de ouvir os jovens, “a JMJ

é um exercício de escuta da juventude”, e ainda “como educadores, mudamos o vértice. De uma educação que fala tudo para a juventude, para uma que dialoga com a juventude”. De acordo com ele, o colégio se sente honrado em receber o evento e “em se sentir Igreja com a Igreja de São Paulo”.

Na praça da Sé, juventude celebra alegria de crer NAYÁ FERNANDES,

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

A praça da Sé, que na sua história foi palco de tantas manifestações culturais, artísticas, políticas e religiosas, na sextafeira, 19, acolheu a Vigília da Região Episcopal Sé, momento forte da Semana Missionária. As atividades começaram às 15h com a oração mariana do terço dentro da Catedral, em várias línguas. Entre as apresentações culturais no palco, as comunidades chilena, boliviana e paraguaia dançaram e animaram peregrinos e voluntários que se reuniram para celebrar a fé e a universalidade de São Paulo, cidade de todos os povos. A programação contou com apresentações musicais, momentos de reflexão, inclusive sobre a população em situação de rua e o testemunho de um jovem acolhido na comunidade Aliança de Misericórdia. Gumercindo Monteiro da Silva, 43, foi preso por ter tirado a vida do pai. Encontrado na Cracolândia pela comunida-

de, foi acolhido em uma casa para recuperação do vício. “Hoje, sou funcionário da ‘Casa Restaura-me’, onde ensino e aprendo. Agradeço a Deus esta oportunidade”, disse. Um flash mob que encenou “Cristo Vive” também foi executado e um grupo de sulafricanos lembrou Nelson Mandela, com uma música que re-

petia o nome do líder político. Dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo, vigário na Região Episcopal Sé e referência para o Setor juventude na Arquidiocese, foi amplamente aplaudido ao agradecer a alegria que os peregrinos trouxeram “de todas as partes do mundo”. Ele saudou bispos e padres, especialmente os padres da Região Sé.

“Estamos aqui para dizer: ‘Eis-me aqui! Envia-me!’. E, para que sejamos firmes na fé, com a convicção de discípulos missionários, vamos implorar a intercessão de Maria e de Jesus na Eucaristia”, disse dom Tarcísio, antecedendo o momento mariano e a Hora Santa Eucarística com a qual se encerrou a Vigília. Spela Pras, 21, é eslovena

e viveu a Semana Missionária na Paróquia Santíssimo Sacramento, zona sul. “Gostei muito daqui, principalmente porque posso dar minha energia e receber também. Acredito que a fé é a mesma, mas a energia de cada país é muito diferente. Quero conhecer mais jovens de todo o mundo e, quem sabe, ver o papa Francisco de perto.” Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Peregrinos e voluntários se reúnem na praça da Sé para a Vigília Regional, que contou com apresentações culturais e celebração conduzida por dom Tarcísio


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Santana reúne peregrinos no Parque da Juventude Jovens da PJ em comunhão com os peregrinos de várias nacionalidades, fizeram uma bela festa, na sexta-feira, 19 Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

PADRE CIDO PEREIRA

DIRETOR DE O SÃO PAULO

Das 14h às 20h, os cerca de mil jovens peregrinos acolhidos na Região Santana, as famílias que os hospedaram e os jovens da Pastoral da Juventude tiveram, no Parque da Juventude, uma tarde de convivência, onde puderam se confessar, adorar Jesus Sacramentado, ouvir e cantar com várias bandas. Em uma tenda ampla, padres ouviam as confissões. Em outra, os jovens adoravam Jesus Sacramentado. Outras três tendas temáticas foram dedicadas às pastorais sociais e às pastorais da juventude e vocacional. Em uma quarta, a Pastoral Carcerária contava para os jovens a história do massacre do Carandiru, tendo em vista que o Parque da Juventude foi construído no terreno onde 111 presos foram mortos pela Polícia Militar. A chuva fria que caiu logo no início da festa não acabou com a alegria. Os jovens esperaram que ela parasse, e a festa continuou, ruidosa, colorida, vibrante, alegre e fraterna. Um momento forte de espiritualidade criou o clima para a missa presidida por dom Ser-

A partilha da Palavra de Deus, a música com temas bíblicos e os peregrinos com suas cores nacionais, movimentam o Parque da Juventude, em Santana

gio de Deus e concelebrada por padres da Região e padres peregrinos. “Como é bela a Palavra de Deus”, disse dom Sergio, no início da homilia. E explicou: ela nos fala de um mundo com Deus, de um Deus que dialoga com os homens, se preocupa com a vida dos homens... E

ela nos “mostra Deus ao lado da vida, dos jovens, dos oprimidos, dos que sofrem, dos que sonham e lutam por um mundo melhor”. Dom Sergio garantiu aos jovens que eles não estão sozinhos na busca de um projeto de vida e de liberdade. “Vocês, nós, temos a Igreja de Deus...

E ela nos ajudará a enfrentar todo o projeto de morte que tira a esperança e a liberdade dos filhos de Deus.” O Bispo para a Região Santana prosseguiu: “A religião não é um obstáculo para a liberdade, nossa fé católica é um poderoso auxílio e caminho para a vida plena”. E exortou a todos:

“Queridos filhos e filhas, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa também de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos afastados”.

Na Lapa, jovens se comprometem com a evangelização Angela Santos

DANIEL GOMES

REPORTAGEM NA ZONA OESTE

“Podemos contar com os jovens para transmitir Cristo?”. O “sim” e os aplausos dos mais de mil participantes da Vigília regional da Semana Missionária na Região Lapa à pergunta de dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região, mostraram a disposição da juventude para evangelizar em todo o mundo. Iniciada às 15h30, da sextafeira, 19, a Vigília aconteceu na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Leopoldina, com momentos de oração, apresentações culturais de peregrinos, adoração ao Santíssimo, conduzida pelo monsenhor portoriquenho Ruben González, e a missa de encerramento. Dom Julio, na homilia, comentou que, embora nem sempre seja possível entender o que os jovens peregrinos falam, “com sua presença, testemunho e alegria já nos transmitem a pessoa de Jesus Cristo”, comentou, desejando

Dom Julio Endi Akamine preside missa da vigília regional da Semana Missionária, que é antecedida por momento de interação cultural e adoração ao Santíssimo

que a JMJ Rio-2013 “manifeste para nossa cidade, o Brasil e ao mundo que os jovens desejam comunicar Jesus Cristo. Essa é a riqueza que vocês têm, que receberam e que nós esperamos de vocês”. Peregrinos dos Emirados Árabes, Santa Lúcia, Filipinas, Índia, Senegal, Porto Rico, Colômbia, Bolívia, Nigéria, Esta-

dos Unidos e Iugoslávia juntaram-se aos jovens brasileiros na vigília. O porto-riquenho Yan Carlos Rivera, 17, foi um deles. “A Semana Missionária foi impressionante, muito importante para os missionários de toda a parte do mundo, já que aprendemos muito sobre a cultura do Brasil, a realidade do País e o grande coração que

têm os brasileiros”, comentou ao O SÃO PAULO. Também para o padre Geraldo Pedro dos Santos, da comissão regional da Semana Missionária, “a Vigília foi presença de Deus nas comunidades e do florescimento da juventude”. Já o monsenhor Ruben agradeceu a acolhida recebida na Arquidiocese. “Te-

mos a alegria de saber que esta é uma Igreja jovem, que anuncia com gosto a Jesus Cristo.” A Vigília foi concluída com a consagração dos fiéis a Nossa Senhora e a entrada da réplica da Cruz da JMJ. No fim, já nas escadarias da paróquia, os peregrinos, espontaneamente, realizaram um momento de interação musical.


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3,5 mil participam do Festival da Juventude no Belém Jovens da região e peregrinos de diferentes países se uniram para uma festa cheia de cantos, mística, cultura e paz Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

JOÃO CARLOS GOMES ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Nem a chuva, nem o frio e nem o trânsito caótico da cidade de São Paulo, típico de um final de tarde de sexta-feira, 19, impediram que aproximadamente 3,5 mil jovens lotassem o campo do Parque Esportivo do Trabalhador, mais conhecido como CERET, para o Festival da Juventude da Região Episcopal Belém, em preparação para a Jornada Mundial da Juventude. A juventude dos dez setores do Belém se juntou com peregrinos de países de quatro continentes (excetuando a Oceania), para uma festa cheia de cantos, mística, cultura e paz. Muitas das caravanas de peregrinos vieram acompanhadas por seus bispos, padres e religiosos (as). Após uma tarde recheada de música, para “esquentar” o frio que chegara, às 19h30, deu-se início ao Festival, com a entrada do círio e das réplicas do ícone de Nossa Senhora e da cruz da JMJ. O bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Belém, dom Edmar Peron, junto com bispos da França, Argentina, Lituânia e Irlanda do Norte, acolheu a juventude.

Durante encontro jovens fazem orações em seu idioma; evento conta com apresentações artísticas e culturais, além de momentos de oração e reflexão

Ajudado pelos intérpretes que animaram o evento, dom Edmar pediu que todos fizessem um momento de oração. “Somos todos bem vindos e cada um de nós com o seu idioma, somos filhos e filhas de Deus e nos alegramos sempre no Senhor”. A partir daí, repre-

sentantes dos quatro continentes fizeram orações em suas línguas. Em seguida, teve início as apresentações culturais, com os grupos da Zâmbia, Taiwan, França, Costa Rica e Brasil, mostrando um pouco de suas culturas para os demais.

O grande momento de fé aconteceu ao final das apresentações, quando dom Edmar convidou várias pessoas para acenderem suas velas no círio e irradiaram pela multidão, como uma forma de envio para os jovens que vão para a Jornada Mundial da Juventude no

Rio de Janeiro. “A JMJ assumiu como tema ‘Ide, fazei discípulos entre todas as nações’; nós como discípulos, nos encontramos por causa da missão, por causa do envio. Cristo é a luz do mundo e nós em Cristo também somos esta luz. Eis-me aqui, envia-me Senhor!”.

Na Brasilândia, peregrinos fazem vigília no Jaraguá RENATA MORAES

Renata Moraes

Ricardo Luciano

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Na manhã de sexta-feira, 19, a juventude da Região Brasilândia se reuniu com os peregrinos para celebrar a Semana Missionária, com muita música, esportes, lazer e momentos de oração. O encontro aconteceu no Parque Estadual do Jaraguá, próximo ao Pico do Jaraguá, na zona noroeste. Logo na entrada do parque já dava para ouvir a alegria dos peregrinos vindos de Honduras, Venezuela, Índia, Angola, Argentina, Guatemala, Quênia, Tanzânia, Moldávia, Síria, Itália e Polônia. Os peregrinos, em festa, traziam sobre os ombros as bandeiras e camisas de seus países, e cantavam sua nacionalidade. No início do encontro, os jovens rezaram as laudes, traduzidas em três idiomas: português, espanhol e inglês. Em seguida, foram acolhidos pelo bispo auxiliar de Arquidiocese de São Paulo na Região Brasilândia, dom Milton Kenan Júnior. Os jovens foram convidados a fazer a trilha de escalada do Pico

Dom Milton Kenan Júnior preside missa da vigília da Semana Missionária na Brasilândia, que começa com atividades de lazer e cultura no parque do Jaraguá

do Jaraguá, em um trajeto de quatro quilômetros, rumo ao Mirante. Sem desistir, 1.500 pessoas percorreram, cantando, o trajeto, durante quase duas horas e meia. Um grupo vindo da Angola contagiou a todos com a reza do terço cantado. Após o lazer no parque, e devido à chuva, os jovens foram conduzidos à Paróquia Nossa Se-

nhora da Conceição, no Jaraguá, onde aconteceu a celebração da missa, presidida por dom Milton e concelebrada por padres da região e também por padres estrangeiros. Em sua homilia, o Bispo destacou a proximidade da Jornada Mundial da Juventude. “A Jornada nos faz recordar que todos nós somos peregrinos,

enviados ao mundo com uma missão, que é a de proclamar o amor de Deus e mostrar às pessoas o quanto elas são amadas por ele.” Um dos pontos fortes da celebração foi a entrada do Círio Pascal, quando os jovens acenderam suas velas e fizeram sua profissão de fé, rezada nos três idiomas.

Após a comunhão, todos rezaram a oração oficial da Jornada Mundial da Juventude. Dom Milton agradeceu aos que participaram da Vigília e também ao trabalho da comissão executiva regional e das comissões paroquiais pelo empenho em preparação da Semana Missionária. No fim, houve a adoração ao Santíssimo Sacramento.


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O RIO A CAMINHO DA JMJ

A caminho do Rio EXPECTATIVAS DOS JOVENS QUE VÃO À JMJ

“Estou muito animado para a Jornada Mundial da Juventude. Tenho a esperança que o papa Francisco vai mudar a ideia que o mundo tem da Igreja Católica, transformar a Igreja com os jovens dentro. No Rio, mesmo a gente não falando a mesma língua, vai se entender por gestos, por oração. JMJ, vem em mim!” A Jornada deve atrair cerca de 2 milhões de pessoas, segundo o secretário nacional interino de Políticas de Turismo do Ministério do Turismo, Sandro Fernandes. “Isso deve trazer impacto para o País de mais ou menos R$ 1,2 bilhão na economia.” Além de dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano e dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito, está confirmada a presença dos bispos auxiliares da Arquidiocese de SP nas Catequeses da JMJ. São eles: dom Tarcísio Scaramussa, dom Edmar Peron, dom Milton Kenan Júnior, dom Julio Akamine e dom Sergio de Deus Borges.

Wagner Pereira Santana, 16, Paróquia Imaculada Conceição, Região Belém, peregrino da JMJ.

“A JMJ vai acrescentar muito na minha vivência de fé, vai trazer uma experiência ímpar ajudar outras pessoas que têm a mesma crença e que estão lá por uma única razão: mostrar como nós, jovens católicos, temos fé em que nos criou e que estamos prontos para sermos discípulos de Jesus e Maria.”

Beatriz Magalhães Santos, 18, Paróquia Nossa Senhora da Salette, Região Santana, voluntária na JMJ.

Itália e França são as nacionalidades europeias mais numerosas na JMJ. Espera-se cerca de 7 mil italianos e 5 mil franceses. Além disso, são aguardados 2.600 espanhóis, 2 mil alemães e 1.700 poloneses. O desembarque dos peregrinos será realizado diretamente nas paróquias. Os veículos que desembarcarem/embarcarem peregrinos nas paróquias permanecerão estacionados durante todo o evento e não circularão pela cidade. O cardeal João Bráz de Avis, único brasileiro com funções na Cúria Romana, fará parte do séquito do papa Francisco. O brasileiro é também prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada. (Com informações do site www.rio2013.com)

“Os dias que vamos passar lá no Rio vão ser de grande aprendizado. Nunca achei que iria participar de uma Jornada, por conta de uma disponibilidade que eu não tinha antes, mas esse ano deu certo, e vendo os mais jovens, a gente acaba se animando também. Espero que seja uma experiência muita boa.”

Talyta Amaral, 27, Paróquia Nossa Senhora da Livração, Região Santana, peregrina na JMJ.

“Estou animada, mas a intenção era vir cedo para conhecer o trabalho. Espero aprofundar a minha fé. É uma alegria fazer parte do grupo de jovens, pessoas que buscam algo mais.”

Mégan Buhrmann, peregrina Escocesa

“Com a Jornada Mundial da Juventude posso ver e entender minha missão e razão nas atividades com os jovens. Encontrar com o Papa será um ponto ápice da minha fé e estar com ele no altar será a confirmação de todas as minhas ações para com toda a juventude que me acompanha”.

Gisele Cavalcante Moraes, 28, estará no altar com o Papa na vigília da JMJ.

“Resolvi ir de última hora e acho que vai ser uma experiência magnífica! Milhões de pessoas na Vigília, ajoelhados pelo mesmo Cristo. A semana inteira é uma grande expectativa, não somente a visita do Papa. Ver jovens católicos unidos pelo mesmo ideal será maravilhoso.”

Anderson Alves Diniz, 19, Paróquia Santa Maria e São Francisco de Assis, São Paulo

“Acredito que quem faz um bom evento são as pessoas que estão participando. Então, espero um povo com o coração aberto para experiência com Cristo. Tenho um pouco de receio ao passeio, pois é claro que as pessoas que nunca estiveram no Rio vão querer conhecê-lo e acho isso justo, mas espero que não seja só isso.”

Léo Meireles, 24 anos, Paróquia Nossa Senhora da Paz, zona central de São Paulo

“Estou muito emocionada, porque acho que vai ser uma experiência muito grande para nós, um verdadeiro encontro com Jesus. Quero muito viver as Catequeses e a Vigília, e escutar com atenção tudo o que o Papa queira falar a nós, jovens.”

Estrella Léniz, 24, veio com uma delegação de 97 peregrinos chilenos

“A expectativa é positiva, ver jovens do mundo inteiro reunidos para celebrar uma única fé, é um momento maravilhoso. Muita ansiedade para chegar ao Rio de Janeiro e participar da Jornada Mundial da Juventude. Pensar que estaremos lá com mais de 2 ou 3 milhões de jovens reunidos celebrando juntos com o Papa, vai ser algo maravilhoso nem dá para descrever com palavras.”

Fábio Amorim de Oliveira, de BH, no Encontro de Jovens Agostinianos

“É uma parte do que eu sei fazer, do dom que Deus me dá para que a Palavra dele chegue ao coração de todo o povo que virá. É a participação do pouco que eu tenho para colaborar com essa grandiosidade, o pouco que temos para que esse evento grande aconteça.”

Natália Paula Pereira, voluntária da JMJ

“Quero aprofundar a fé. Espero que este momento ajude, mas quero também conhecer o país, o povo e os jovens. O Brasil é conhecido como um país que está crescendo, mas queremos ver o outro lado. Não apenas o país rico.”

Sean Grant, peregrino Escocês

“Estamos a fazer uma pré-jornada em São Paulo e estou com uma grande expectativa para o Rio, porque vivi com muita emoção a Jornada em Madri-2011 e a Vigília em Munique, foi uma experiência muito boa! Quero também conhecer o Corcovado.”

Inês Quintela, 20, de Vila Real, Portugal, veio com uma delegação de 17 portugueses


A caminho do Rio

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A caminho do Rio Rejane Guimarães

Catedral Metropolitana de São Sebastião ficou lotada para a missa de boas-vindas dos voluntários da Jornada Mundial da Juventude, presidida pelo arcebispo dom Orani João Tempesta, na terça-feira, 16

Rio de Janeiro já está em clima de JMJ Voluntários nacionais e internacionais estão na cidade maravilhosa, onde Jornada terá início na terça-feira, 23 FERNANDO GERONAZZO ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Na segunda-feira, 15, um clima diferente começou a tomar conta do Rio de Janeiro (RJ). Estavam chegando os primeiros dos mais de 60 mil voluntários internacionais da JMJ. Embora o encontro comece apenas na terça-feira, 23, já é possível ver nos aeroportos, estações de trem e de metrô, nos ônibus e nas ruas, jovens

vindos de vários cantos do Brasil e do mundo, que foram acolhidos para atuar em diferentes frentes de trabalho na Jornada. A Catedral Metropolitana de São Sebastião foi o ponto de encontro desses jovens e ficou lotada para a missa de boasvindas, presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, na tarde da terça-feira, 16. A celebração foi animada com cantos em diferentes idiomas, bem como as

leituras e as preces, que foram feitas por jovens de diferentes nacionalidades e contou com a presença dos símbolos da JMJ – a Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora –, depois de percorrerem todas as dioceses brasileiras em peregrinação. Na homilia, dom Orani agradeceu a presença e a disponibilidade dos jovens em dedicar um tempo de suas vidas para servir e ajudar a JMJ a acontecer. “A Cidade Maravilhosa se

tornou ainda mais maravilhosa por vocês estarem aqui! Vocês trazem não só a alegria juvenil, mas a luz da fé, sendo protagonistas deste mundo novo, como diz a oração da Jornada”, disse. Carmen Diaz, 21, veio do Chile e será voluntária pela primeira vez. Ela está muito ansiosa com a JMJ. “Ainda nem chegaram os peregrinos e já podemos sentir o clima da Jornada. Em todos os lugares por que passamos, encontramos

pessoas de diferentes países nos saudando e os moradores da cidade nos dando boas-vindas”, comentou à reportagem. Pablo Rudah Pinheiro Ribeiro, que veio de Natal (RN), participou como peregrino da JMJ de 201em Madri e agora será socorrista voluntário. “Estou muito animado com este trabalho. Já vivi a experiência de uma jornada e agora ver isso acontecer em nosso país é muito emocionante.”

Antes da viagem, atenção às malas e aos transportes Fernando Frazão/ABr

REDAÇÃO

Com o encerramento da Semana Missionária, jovens de São Paulo (SP) e peregrinos estrangeiros que estiveram na cidade já se preparam para ir à Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio-2013), que começa na terça-feira, 23. Antes de “pegar a estrada” ou “ganhar os ares” até o Rio de Janeiro (RJ), é recomendável que cada peregrino esteja atento aos itens que não podem faltar na bagagem e que tenha em mãos os contatos dos serviços municipais de transporte na capital fluminense. Ao lado, o O SÃO PAULO apresenta um resumo de dicas e contatos úteis, com base em informações do site da Jornada (www.rio2013.com) e dos sistemas de transporte ca-

Peregrina é orientada por voluntários da Jornada na chegada ao Rio de Janeiro

rioca. Em caso de dúvidas, o peregrino pode contatar o Comitê Organizador Local: (21) 2122-8050, contat@rio2013.

com ou na própria sede: Edifício João Paulo II (rua Benjamin Constant, 23, Glória, Rio de Janeiro).

NA BAGAGEM Originais e cópias autenticadas do documento de identificação com foto, inscrições e credenciais; Na bagagem de mão: dinheiro, documentos, itens eletrônicos e objetos pessoais; Recomenda-se: filtro solar, óculos de sol, guarda-chuva, chapéu ou boné, repelentes, roupas de praia, chinelo, lanterna, saco de dormir e adaptador para tomadas. Medicamentos: antialérgicos, antiácidos e analgésicos e receita médica dos remédios que necessitam de prescrição para serem comprados; Roupas e calçados: leves e confortáveis, mas é bom levar ao menos um agasalho.

TRANSPORTES Os peregrinos usarão transporte público da cidade para se locomoverem entre as atividades da JMJ Rio-2013. Durante a Jornada, haverá venda de bilhetes especiais. Linhas municipais de ônibus 0800-886-1000 www.rioonibus.com www.vadeonibus.com.br (busca de itinerário) Metrô 0800-595-1111 www.metrorio.com.br Trens 0800-726-9494 www.supervia.com.br


Na Fé e na Luta, Jovens Urbanos Especial

20 a 30 de julho de 2013

Pacaembu lotado e o pedido da JMJ EDCARLOS BISPO DE SANTANA ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

“Beatíssimo Padre, obrigado por estar aqui! Obrigado por ter desejado este encontro! Obrigado por acreditar na novidade que os jovens são e que carregam em si para o bem de todos. E saiba que estes jovens que agora o acolhem, esperam e vos pedem que o quanto antes o nosso Brasil

possa ser contemplado como sede da Jornada Mundial da Juventude.” Com essas palavras, em um Pacaembu lotado, com milhares de jovens e sob forte aplauso, dom Eduardo Pinheiro da Silva, SDB, bispo auxiliar de Campo Grande (MS), e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, da CNBB, pediu, na noite daquele inesquecível 10

de maio de 2007, que o Brasil fosse sede da JMJ. O Bispo destaca que, na época, não imaginava que os demais bispos o colocariam como porta-voz, e, mais ainda, após seis anos, estaria “envolvido com toda essa movimentação em vista da realização da JMJ”. “Senti como se meu coração pedisse olho no olho do Santo Padre, que nos ouvisse

e realizasse nosso pedido”, essa foi a emoção de Welton do Amaral Rodrigues, membro de aliança da Comunidade Católica Palavra Viva, que na época estava com 29 anos. Welton diz não esquecer as palavras do então papa Bento 16 naquela noite. Para ele, as palavras do Pontífice fortaleciam ainda mais o carisma de sua Comunidade “anunciar Jesus ao mundo”,

para ele “foi um chamado mais que pessoal”. Dom Eduardo destaca que a organização da Arquidiocese de São Paulo contribuiu de forma especial para tornar aquela noite ainda mais inesquecível. “A organização da Arquidiocese de São Paulo foi espetacular e proporcionou a todos nós, jovens e adultos, momentos inesquecíveis e calorosos naquela noite fria de maio”, afirma. Luciney Martins/O SÃO PAULO


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Na Fé e na Luta, Jovens Urbanos

Pelo Brasil...

Luciney Martins/O SÃO PAULO

NAYÁ FERNANDES

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Em 1980 morria, em Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), o poeta e músico Vinicius de Moraes. O País ainda estava sobre os efeitos da Ditadura Militar e a década de 1980 era marcada por inúmeras manifestações artísticas e culturais. Foi a primeira vez que um Papa pisou em terras brasileiras, João Paulo 2º, que faria duas outras visitas ao Brasil, em 1991 e 1997. A visita de 1980 foi marcada pela beatificação de José de Anchieta, fundador da cidade de São Paulo (SP) e pela participação no 10º Congresso Eucarístico Nacional. Na ocasião, o Papa visitou 13 cidades em 12 dias, percorreu cerca de 10 mil quilômetros e foi recebido pelo último presidente no período da Ditadura, o general João Batista Figueiredo. A segunda visita foi em 1991, quando o Pontífice visitou irmã Dulce, em Salvador (BA). O presidente era Fernan-

Em 2007, papa emérito Bento 16 visita o Brasil e acompanha apresentações culturais no Estádio do Pacaembu; cresce a expectativa pela visita do papa Francisco

do Collor de Mello, que, um ano depois, sofreria impeachment, sucedido por Itamar Franco. Já em 1997, na missa da catedral do Rio de Janeiro, aconteceu um encontro com dom Hélder Câmara, arcebispo

emérito de Olinda e Recife. “Irmão dos pobres, meu irmão”, disse o Papa. Muito debilitado, com 88 anos, dom Hélder beijou a mão de João Paulo 2º e recebeu um beijo na testa. O Papa presidiu missa campal no

Aterro do Flamengo (RJ), para 2 milhões de pessoas. Foi nessa visita que ele surpreendeu com a frase: “Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca”. Já o papa emérito Bento 16 esteve em terras brasileiras em

2007. Visitou as cidades paulistas de São Paulo, Aparecida e Guaratinguetá, canonizou o beato Antônio de Santana Galvão e abriu a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho.

TRABALHO

POLÍTICA

Organizações da Igreja capacitam para oportunidades

Em São Paulo, juventude está inserida no mundo da política

Arquivo pessoal

Daniel Gomes/O SÃO PAULO

André Azevedo e Júnior Vitor são exemplo da ação da Igreja com o trabalho

DANIEL GOMES

REDAÇÃO

O Brasil tem oscilado de 6ª à 8ª economia do mundo, o que não é sinônimo de pleno emprego, especialmente entre os jovens. Conforme informou a Pastoral Operária no Dia do Trabalho, em 1º de maio, 19,5% da juventude

se encontra desempregada. Alguns organismos da Igreja em São Paulo auxiliam os trabalhadores para que se capacitem e encontrem oportunidades, como é o caso do Centro de Atendimento ao Trabalhador (CEAT) e também do Arsenal da Esperança Dom Luciano Mendes de Almeida. Há três meses, Júnior

Aparecido Vitor, 26, chegou a São Paulo e foi morar na rua. Acolhido pelo Arsenal da Esperança, já está fazendo curso em panificação, confeitaria e auxiliar de cozinha. “Hoje em dia é preciso se profissionalizar para ter uma área de atuação, pois existe serviço, mas só consegue quem tem capacidade para fazer.” Capacitação é algo que André Azevedo, apaixonado por tecnologia, sempre se preocupou. Hoje com 33 anos, ele é sócio de uma consultoria de negócios especializada em sistemas de gestão, na qual ingressou quando tinha 27 anos. “Empreender como cristão é uma vocação e um desafio, pois significa estar constantemente diante de situações em que os princípios e valores humanos são desafiados fortemente.” Há um ano, André participa da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE), que dissemina os princípios cristãos no meio empresarial. “Precisamos retirar o estigma de que empresa e valores cristãos são incompatíveis, inclusive tornar essa consciência um bem comum é algo inestimável.”

Arquivo pessoal

EDCARLOS BISPO DE SANTANA ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

“Estimular a participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos diversos níveis e instituições, promovendo a sua formação permanente e iniciativas concretas, incentivando a sua participação nos Conselhos Paritários e Comunitários, bem como de Direitos Humanos”, dessa forma descreve, na “Quinta urgência: Igreja a serviço da vida plena para todos”, o 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, “Testemunhas de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”. Está indicação do 11º Plano está intimamente ligada ao trabalho que a Pastoral Fé e Política realiza na Arquidiocese. A Pastoral, de acordo com Márcia Cas-

tro, conta com a participação de poucos jovens, porém são jovens ativos e comprometidos. Márcia destaca, ainda, que a Pastoral “dedica-se a explorar a temática da juventude e tem sido solicitada a promover palestras e cursos de curta duração para a Juventude, com temas ligados à Cidadania e Participação”. Como é o caso da jovem de 26 anos, Jéssica Duran Tunes (foto), que participa das reuniões de um grupo da Pastoral Fé e Política na Paróquia Santa Zita, Região Episcopal Santana. Para ela, que já foi da Pastoral da Juventude (PJ), a participação contribuiu na sua formação. “Eu abri os olhos para questões nunca antes pensadas por mim, e percebi a importância do trabalho coletivo, junto à comunidade”. Para Jéssica, política e religião devem caminhar lado a lado, pois “é impossível retirar o caráter político da pessoa de Jesus, ele foi um preso e perseguido político, morreu na cruz como outros condenados políticos, e se colocava contra a ordem romana vigente. Portanto, hoje, dizer que se tem fé em Jesus e esquecer esse papel político dele é no mínimo uma incoerência”, afirma.


Na Fé e na Luta, Jovens Urbanos

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Evangelizar nas redes

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Arquivo pessoal

Novas mídias são usadas no anúncio da Boa Nova do Reino de Deus EDCARLOS BISPO DE SANTANA ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

As entrevistas foram feitas pelo “inbox” (o canal de bate-papo do facebook). Devido à correria do dia a dia, os dois jovens acharam que dessa forma seria melhor. Um, Fernando Geronazzo, trabalha na Revista Família Cristã, é jornalista e compõe a equipe dos Jovens Conectados; o outro, Robson Paz Landin, estudante de jornalismo, membro da Renovação Carismática Católica e catequista. Ambos concordam que, com o advento das novas mídias, as relações entre os fiéis e a religião foram alteradas. “Com as novas mídias, não só a instituição Igreja tem notoriedade, mas todas as suas vertentes, incluindo seus fiéis, que ganham voz e vez para manifestarem sua fé”, afirmou Robson.

Fernando Geronazzo des- Precisamos de jovens mais tacou que as novas mídias re- conectados à realidade que os presentam um desafio para a cerca, conectados a Deus, aos Igreja. No olhar do jornalista, irmãos, à sociedade”, salienta a Igreja ainda está “habituada Fernando. O papa emérito Bento 16, à lógica da comunicação de um (instituição), para muitos”, po- na mensagem para o 47º Dia rém a rede é um ambiente mais Mundial das Comunicações Sodemocrático, o que impele a ciais, deixou claro que o olhar Igreja a se adaptar e se ade- da Igreja também está atento quar, sem perder, porém, seus para as novas mídias. Logo no título, “Rede sociais: Portais da princípios basilares. Os jovens utilizam de meios verdade e da fé, novos espaços como blogs, twitter, facebook, de evangelização”, deixa sinais instagran, entre outros. Os claros de que os católicos predois admitem que a rede não é cisam estar presentes nesse “mais um ambiente”, mas um meio. desdobramento das relações e vivências, do que A rede não é “mais um pode ser chamado como “mundo ambiente”, mas um real”. desdobramento das relações “A rede deve ser, de fato, uma e vivências, do que pode ser extensão do que chamado como “mundo real” é vivido fora dela.

Jovens conectados à realidade evangelizam e dão testemunho pelas novas mídias

CULTURA

HABITAÇÃO

‘Seres brincantes e praticantes da arte-vida’

Vidas em construção

EDCARLOS BISPO DE SANTANA

NAYÁ FERNANDES

Arquivo pessoal

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

“No Documento 85 da CNBB – ‘Evangelização da juventude: Desafios e perspectivas pastorais’ –, a palavra cultura aparece 66 vezes. Esse mesmo documento indica que é necessário integrar ‘o racional com o simbólico, a afetividade, o corpo, a fé e o universo’ (pág. 97), e segue no parágrafo 169: ‘Valorizar as diferentes expressões culturais existentes como meio pedagógico de formação e envolvimento de jovens (dança, teatro, esporte, grafite, paródias, arte, bandas)’”. Com essa citação, o jovem Vitor Hugo da Silva Ramos (foto), colaborador do Centro Pastoral Anchietanum e membro fundador da coordenação do Curso de Dinâmicas para Líderes (CDL) Musical, mostra que o seu conhecimento não é apenas da prática cultural, mas de todo o processo que deve fomentar tal prática dentro da Igreja e entre os jovens. Vitor conta que a porta de entrada para o mundo das artes foi o grupo de jovens de sua paróquia, no qual conseguiu um espaço no grupo musical para tocar pandeirola (meia lua) e, daí em diante, não parou mais. Após um longo processo formativo e de estudo, atual-

mente promove periodicamente atividades como o “Espaço Comunicarte” e o “Café com Cultura”, além de manter um canal no YouTube de poesias e colaborar com outro de músicas pastorais. “É preciso apresentar a arte e a cultura como lugar de convivência entre as pessoas, de forma agradável e lúdica, experimental, vivencial, onde se busque o encantamento, o cuidado, o carinho e o cativar. Essa alma cativada e construída na olaria de Deus é capaz de belezas concretas e transformações necessárias no bairro, na cidade e no mundo em que vivemos. Que possamos ter esperança de chegarmos ao ponto de sermos todos seres brincantes e praticantes da arte-vida” afirma o jovem.

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Construir! É o desejo de Gabriel Chaves (foto), e esse mesmo desejo o leva a entrar na casa de centenas de famílias, a cada atividade do TETO, Organização Não Governamental (ONG) criada em 1997, no Chile, por um grupo de jovens que trabalhava para combater a pobreza extrema. A ONG espalhou-se pela América Latina, chegando a mais de 15 países, entre eles, o Brasil. “Atuar com a comunidade e buscar alternativas para problemas sérios relacionados ao trabalho, educação, saneamento básico é a meta do TETO. A urgência é a construção de moradias de emergência para famílias que moram em casas (barracos) de madeira com riscos sérios de sobrevivência”, explicou Gabriel. Antes de ser construtor de casas, porém, o jovem de 19 anos precisou reconstruir a própria vida. “Vivi uma história muito triste, envolvendo drogas, brigas, decepções, família arrasada. Depois de muito sofrimento, resolvi ser internado na ‘Fazenda da Esperança’, comunidade terapêutica que mudou minha vida”, contou. Gabriel disse que aprendeu três coisas essenciais na

Fazenda: cultivar a espiritualidade, trabalhar e conviver. “Aprendi que todos somos irmãos e que, quando se aprende, é preciso ensinar”, disse o jovem, que, pela Comunidade, foi missionário na Rússia e na Alemanha. “Já participei de sete construções. É emocionante

perceber o quanto significa, para uma família, receber uma casa de emergência e poder, a partir daí, pensar outros projetos. Percebi que não existe sentido na vida, se ela não for direcionada para ajudar os outros”, expressou Gabriel, líder de construção no TETO. Arquivo pessoal


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Na Fé e na Luta, Jovens Urbanos

Cultivar o verde na selva de pedras

Mesmo com o corre-corre da metrópole, jovens encontram tempo e se dedicam a atividades voltadas para a natureza Arquivo pessoal

NAYÁ FERNANDES

Arquivo pessoal

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Cortado pelo maior rio do mundo, o Amazonas, com seus 6.937 quilômetros de extensão e mais de mil afluentes, o Brasil é um país “abençoado por Deus e bonito por natureza”, como lembra a música “País Tropical” de Jorge Ben Jor. Porém, essa riqueza natural sofre ameaças, devido a exploração humana. Sabrina de Paula, jovem historiadora, e Felipe Toledo, professor de Jardinagem na Associação Reciclázaro, que objetiva reintegrar pessoas por meio de ações socioambientais, contaram o que fazem para tentar reverter esse quadro. De família simples, “meus avós eram colonos fugidos da Alemanha nazista”, Sabrina viu a mãe cultivar uma plantação no quintal. “Aprendi essas coisas com ela, hoje, planto tudo o que como (tomates, laranjas,

Sabrina de Paula e Felipe Toledo dedicam seu tempo para cultivar, ensinar e percorrer caminhos de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável

alho) e procuro viver da forma mais simples possível.” A jovem professora cultiva também uma relação com indígenas que vivem em São Paulo. “Identifiquei-me rápido com o modo de vida deles e transmito aos alunos a cultura, a diferença entre as sociedades indígenas e a percepção

sobre isso”, contou Sabrina, que também apoia projetos em defesa dos animais. Já Felipe começou a se interessar por educação ambiental e permacultura na Associação Reciclázaro, durante um curso de capacitação em jardinagem. “Despertando a visão crítica pelo modo que

nos relacionamos com o ambiente, busquei um curso em Gestão Ambiental.” Dois anos depois, Felipe foi contratado pela Associação e hoje se sente feliz no trabalho que realiza. “Estou construindo uma casa sustentável, com técnicas de bioconstrução e outras como captação de água da

chuva. Todas com o objetivo de interagir de forma não agressiva e proporcionar ambientes saudáveis, vivos e com fertilidade.” ALGUNS SITE SUGERIDOS www.reciclazaro.org.br www.tijolimpo.com.br www.cantinhovegetariano.com.br www.moradadafloresta.com.br

SAÚDE

ESPORTE

Solidariedade e ação por políticas públicas que mudam vidas

Nos campos e quadras, a evangelização esportiva

DANIEL GOMES

REDAÇÃO

A Igreja no Brasil tem dedicado atenção às questões de saúde, tanto que em 2012 a Campanha da Fraternidade tratou do tema, com a perspectiva de que a sociedade tenha vida saudável, que Daniel Gomes/O SÃO PAULO

haja espírito fraterno e comunitário na atenção aos enfermos e empenho por melhorias no sistema público de saúde. No País, cerca de 90 mil agentes da Pastoral da Saúde dedicam-se à qualidade de vida do próximo, e também organizações da Igreja são parceiras do Poder Público na promoção da saúde às pessoas em situação de rua e àquelas que desejam se libertar das drogas. Em São Paulo, o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto desenvolve o programa “A Gente na Rua”, que, junto à prefeitura, leva assistência de saúde às pessoas nessas condições. Danielle Silva Souza (foto), 29, desde 2007, é uma das agentes de saúde do programa. Em 2000, após ter se desentendido com a família em Barretos (SP), ela viveu por dois anos nas ruas de São Paulo e se tornou usuária de maconha, vício do qual se livrou após uma promessa. “Se Deus me ajudasse, ia parar de usar drogas. Ele mostrou que estava do meu lado, levantou minha autoestima, e já não uso mais nada. As pessoas que moram na casa de acolhida, onde presto serviço, acham bonito meu testemunho de vida, veem que há esperança no fundo do túnel.” Para ela, levar saúde às pessoas em situação de rua é fundamental. “Se não tiverem incentivo, abandonam o cuidado com a saúde, já que sofrem discriminação por serem moradores de rua ou por viverem em casa de acolhida ou albergue.”

DANIEL GOMES

REDAÇÃO

No país da Copa do Mundo de 2014, não é raro encontrar parcerias do esporte com a Igreja. Para a divulgação desta Semana Missionária em São Paulo (SP), por exemplo, a Arquidiocese realizou uma corrida de rua, e jovens que vão à JMJ Rio-2013 organizaram diversas pedaladas ciclísticas. Por aqui, até nos clubes de futebol é possível rezar: Corinthians e Portuguesa, por exemplo, têm capelas em suas sedes. E também alguns projetos de futebol surgiram em comunidades católicas, como é o caso do projeto “Pererinha”, iniciado em 2008, com o apoio de jovens da Paróquia Santa Cristina, no Parque Bristol, na zona sul. De acordo com Edivaldo Ferreira Lima, o Tuti, 29, um dos organizadores do projeto, a escolinha de futebol atende 250 crianças e jovens, de 4 a 17 anos, todos os sábados. “O primeiro foco é diminuir o tempo que as crianças ficam na rua, já que o bairro é na periferia, mas a gente também consegue tratar de questões de educação e religião.” Algumas regiões episcopais também utilizam o esporte para atrair a juventude. Em Santana, desde 2008, acontece o “Juventude em Ação”, que une competições esportivas e de arte, e na Brasilândia, desde 2011, a “Taça PJ de Futsal”. “É uma atividade para de-

senvolver o trabalho em equipe entre os grupos de jovens das paróquias. É algo que motiva os jovens a criar laços de amizade, fraternidade e união, o que ajuda para que os grupos cresçam cada vez mais”, explicou Jairo de Miranda (foto), 21, coordenador da Pastoral da Juventude, na Brasilândia. Arquivo pessoal

O SÃO PAULO - edição 2962  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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