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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 60 | Edição 3038 | 11 a 17 de fevereiro de 2015

R$ 1,50

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Com a palavra: Padre Papa envia mensagem para Manoel Conceição Quinta a Campanha da Fraternidade

Dom Devair Araújo é acolhido pela Região Brasilândia

Coordenador da CF na Arquidiocese fala sobre alguns aspectos da campanha

Nomeado auxiliar da Arquidiocese, Bispo foi acolhido pela região da qual será vigário episcopal

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“Fraternidade: Igreja e sociedade” é o tema da campanha que tem início na próxima quarta-feira, 18

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88% dos partos no Brasil são cesáreas, OMS recomenda máximo de 15%

Irmãs Paulinas comemoram abertura do centenário

Nas instituições privadas de saúde 88% dos partos realizados são por meio de cirurgia, no geral esse número chega a 52%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que esse percentual não deve ultrapassar 15%. Recomendado para a saúde da mulher e do bebê, o parto humanizado tem muitos benefícios como a redução da depressão pós-parto e a proteção contra infecções hospitalares. Leis estaduais e municipais em São Paulo garantem o acompanhamento das mães para que se sintam seguras ao optar por ter seus filhos de maneira natural. O SÃO PAULO contou a história das mães Paula e Sueli que tiveram seus filhos por parto normal e não se arrependeram da escolha.

Fundadas em 1915 na Itália pelo bem-aventurado Tiago Alberione, as Irmãs Paulinas celebraram abertura do centenário durante missa na Catedral da Sé, no sábado, 7. Religiosas, padres, colaboradores e cooperadores leigos partici-

Páginas 14 e 15

Marcelle Machado/Amparo Maternal

param da celebração que foi presidida pelo cardeal Odilo Scherer. Silvânia Freire, noviça natural de Manaus, contou sua experiência, nos passos de Paulo, considerado por Alberione, fundador da Família Paulina. Página 13

Uma educação que exclui a família e limita as parcerias

Sueli teva a filha de parto natural no hospital Amparo Maternal em São Paulo

Tramita na Câmara Municipal de São Paulo o Plano Municipal de Educação (PME). O PME – por omissões ou opções ideológicas – exclui a participação da família como protagonista no processo de educação escolar, transfere para o Estado a decisão acerca

dos valores a serem transmitidos às crianças em detrimento aos pais, impõem “valores” acerca da vida em sociedade como se fossem consensuais e universais e não considera as parcerias com a rede conveniada. Página 24

Arquidiocese celebra a ordenação episcopal de Dom Eduardo Vieira Luciney Martins/O SÃO PAULO

Cardeal Odilo Scherer e os sete bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo, em celebração na Catedral da Sé, sábado, 7, após ordenação de Dom Eduardo

A Arquidiocese de São Paulo ganhou mais um bispo auxiliar no sábado, 7. Dom Eduardo Vieira dos Santos recebeu a ordenação episcopal pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer em celebração na Catedral da Sé. Dom Odilo ressaltou que a ordenação de um novo bispo é um ato importante na vida da Igreja e, especialmente ao clero de São Paulo, “pois um irmão de vocês foi chamado para o ministério episcopal, estímulo para os sacerdotes todos desta Arquidiocese”. No domingo, 8, Dom Eduardo foi acolhido na Região Sé, para onde foi designado vigário episcopal. “Quero, com vocês amar o povo, fazer o bem para os quais nos foram confiados. Preciso contar com vocês”, disse o novo bispo. Página 12 e 13


2 | Ponto de Vista |

11 a 17 de fevereiro de 2015 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

editorial

É carnaval! Hora de escolher a alegria que queremos Apesar da preocupação que toma conta do povo brasileiro com a falta de água que o obrigará a aprender a utilizar o pouco dela que nos sobra, apesar do escândalo da corrupção na Petrobrás, que envolve empresas e personalidades da classe política e nos envergonha aos olhos do mundo, apesar da violência urbana que nos tira o sono, apesar das drogas que jogam sempre mais pessoas de todas as idades às margens da vida, o Brasil para no próximo fim de semana para curtir o carnaval. Carnaval! Como sempre há aqueles que pensam que se trata de um tempo em que todas as barreiras morais podem ser derrubadas. A bebida, as drogas, o sexo pelo sexo, são oferecidos a homens e mulheres de todas as idades. Um vale tudo

insano destrói vidas, embota consciências, esvazia valores. Tudo em nome de uma alegria falsa, fabricada e que deixa marcas dolorosas no corpo e na alma. Carnaval! Mas há também aqueles que farão festa mesmo, se divertirão mesmo, em família, entre amigos. Eis aqui um outro jeito de celebrar o carnaval. É bonito ver famílias inteiras em festa, grupos de vizinhos se encontrando. Algumas comunidades reúnem o povo em seus salões de festa. E lá pulam e dançam em divertidas cirandas que estreitam laços, que mostram que o bom senso, o respeito, a cabeça e o coração livres de más intenções, não impedem a alegria que se deseja. Carnaval! Haverá quem vai procurar a tranquilidade do interior, rever parentes e

amigos que lá estão, fazer com eles a festa do encontro, da partilha do pão e da vida. Isso também é legítimo, isso também faz bem para o corpo e para a alma. Carnaval! E haverá, também os que vão buscar, nesses dias, o silêncio interior que permite escutar a Deus, alimentar o espírito, rever a vida. Quantos retiros espirituais programados. Quanta comunhão com Deus neles. A adoração, o louvor, a revisão de vida, a súplica fervorosa e a contemplação oferecem aquela paz tão difícil de encontrar na agitação do mundo. Carnaval! Haverá, enfim, encontros muito alegres de jovens cristãos, que cantarão a alegria de conhecer, amar, viver e testemunhar Jesus Cristo. Que os dias de carnaval não nos anes-

tesiem para os sérios problemas que certamente interferirão no nosso dia a dia neste ano de 2015. Que a alegria que todos buscam não termine na Quarta-feira de Cinzas. Que não se adie a paz que todos queremos pela alucinação do carnaval. Que a escolha que devemos fazer das alegrias que nos são propostas, seja ditada pela sabedoria. Que não tenhamos que lamentar os exageros, os abusos contra a dignidade da vida e do corpo humano. E que na Quarta-feira de Cinzas nos reunamos em nossas comunidades para ouvir o lembrete de que somos pó e ao pó voltaremos, e a exortação à conversão e a buscar na oração, no jejum e na esmola o caminho que nos levará ao Cristo Pascal.

opinião

Época de mudanças ou mudança de época? Sergio Ricciuto Conte

Evaristo de Miranda

Igreja e sociedade na Campanha da Fraternidade 2015 Neste início do século XXI, a sociedade brasileira não vive uma época de mudanças, como a que marcou as décadas de 60 e 70 e o final do século passado. Vivemos sim, uma mudança de época. Quais as características marcantes dessa mudança na sociedade? Como estão hoje as relações entre a Igreja e a sociedade? Esse será o foco da Campanha da Fraternidade 2015. Sobre essa questão, um primeiro indicador está na religião praticada pelos brasileiros. A cada ano, uma parte significativa da sociedade abandona a Igreja católica, mesmo se permanece cristã. No último Censo do IBGE, a Igreja teve uma redução da ordem de 1,7 milhão de fiéis (12,2%) em dez anos. Pela primeira vez, em 500 anos, o número de católicos caiu em termos absolutos. Com essa tendência, em 25 anos, católicos e evangélicos terão números iguais na população. Essa igualdade e até inferioridade numérica já é vivida pela Igreja católica em várias cidades e periferias urbanas. Esse fenômeno ocorre em toda a América Latina, mas em nenhum país com a intensidade observada no Brasil. Em 1970, 91,8% dos brasileiros eram católicos. Em 2010, eles eram 64,6%. Os evangélicos passaram de 5,2% da população para 22,2%. A proporção de católicos é maior entre as pessoas com

idade superior a 40 anos. Os evangélicos têm sua maior proporção entre crianças e adolescentes, o que indica também o envelhecimento da população católica. Como a proporção de cristãos mantém-se a mesma na sociedade (86,8%), há uma clara migração social de católicos para as correntes evangélicas. O povo não se tornou

ateu, nem deixou o Cristianismo. O divórcio é com a Igreja romana. A Igreja fez uma opção preferencial pelos pobres e eles pelas igrejas evangélicas. Qual a responsabilidade da Igreja frente a esse processo de “perda de fiéis”? Esse aspecto reveste-se de uma forte dimensão quaresmal. Os católicos encontram essa mudança

religiosa no seu cotidiano e acostumaram-se à pluralidade religiosa resultante no trabalho, na comunidade e nas famílias. Mesmo quando ela se traduz por atitudes agressivas em relação à Igreja. Como está o irmão que deixou a Igreja? O que essa mudança trouxe para sua vida? Onde está o teu irmão (Gn 4,9)? O que ele encontrou de crescimento e realização pessoal ou familiar nessa mudança de igreja? Ninguém responde. Poucos sabem. A hemorragia de fiéis é cotidiana. Mesmo assim, não há nem mobilização institucional visível face à retração social da Igreja, nem engajamento claro na busca de resultados efetivos para reverter tal situação e seus processos. E o rebanho segue diminuindo. Os católicos podem ficar indiferentes a esse processo? A o quê estará reduzida a Igreja católica daqui mais 50 anos? Todas essas transformações no relacionamento Igreja - Sociedade suscitam muitas interrogações. Tratei desses processos no livro “Eu vim para servir – Comunidade, Igreja e Sociedade”, publicado recentemente pela Edições Loyola. O processo de abandono da Igreja e de envelhecimento dos fiéis prossegue e tende a acelerar-se. O fermento de justiça e fraternidade, que tantos documentos episcopais reivindicaram como essenciais na ação da Igreja na sociedade, não têm sido capaz de fazer crescer a massa do pão católico. Haverá para a Igreja na Campanha da Fraternidade 2015 um tema mais relevante a ser debatido do que o declínio do número dos que aderem à fé católica?

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto e Fernando Geronazzo • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Maria Aparecida Ferreira • Impressão: Metromidia Grafica e Importação Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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| Encontro com o Pastor | 3 Movimento Sacerdotal Mariano Helena Ueno

Você e os outros cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

Em sua Mensagem para a Quaresma de 2015, o papa Francisco aborda o tema da indiferença e faz uma reflexão muito oportuna para os tempos que correm, marcados pela exasperada busca do gozo individual da vida. Fala da indiferença diante dos sofrimentos do próximo, das muitas tragédias humanas em curso, diante das quais poderíamos ficar, simplesmente, indiferentes ou neutros, uma vez que isso se passa lá longe e não nos ameaça de perto... Há o drama dos migrantes e do tráfico humano, tão sentido na Europa meridional, sobretudo na Itália e na Espanha; o Mediterrâneo é rota de chegada de muitos imigrantes clandestinos à Europa, traficados com frequência por organizações criminosas, que os exploram e, depois, os abandonam à própria sorte. Muitas milhares dessas vítimas já pereceram nas águas do Mediterrâneo. Também há as tragédias das guerras em curso e de ações selvagens de grupos intolerantes e terroristas, que tentam impor seu poder aos outros pelo terror. Muitos cristãos e

outros grupos religiosos estão sendo vítimas dessa fúria insana. Este é um tempo de muitos mártires! Enquanto essas coisas acontecem longe de nós, tendemos a ficar indiferentes ao drama de quem sofre. Infelizmente, as notícias e imagens sobre as tragédias humanas tendem a despertar mais curiosidade do que solidariedade. Ouvimos falar de pessoas que foram sequestradas, decapitadas, crucificadas, queimadas vivas e isso nos parece coisa de cinema... E ficamos indiferentes; afinal, não poderíamos fazer nada mesmo para mudar as coisas... Mas não faltam dramas humanos bem perto de nós; nem por isso nos envolvemos. Temos sempre uma boa razão para justificar nosso não envolvimento com os sofrimentos alheios. Todavia não deveria ser assim e o Papa nos chama a mudar nossa atitude, como parte de nossa conversão quaresmal. Os cristãos são chamados a se envolverem com os outros: “se um membro, sofre todos os demais membros sofrem com ele” (1Cor 12,26). O exemplo de Cristo Jesus, que se solidarizou conosco e assumiu nossas dores e as carregou em seu corpo deveria ser nossa referência. O cristão experimenta o amor de Deus e a solidariedade de Cristo: “tanto Deus amou o mundo, que lhe enviou se Filho único, para que

não pereça todo aquele que nele crer, mas tenha a vida eterna” (cf Jo 3,16). Por isso, exorta o Papa, os cristãos e cada uma das organizações da Igreja devem ser “ilhas de solidariedade” num mundo cada vez mais fechado à fraternidade. “Onde está teu irmão?” (Gn 4,9); esta pergunta, feita por Deus a Caim, depois do assassinato de Abel, continua a ser feita a cada um de nós também, desafiando-nos a ficarmos atentos às situações vividas pelos outros, não buscando apenas o próprio bem. A Igreja é um corpo e, em cada uma das nossas comunidades eclesiais, deveria ser voltada uma atenção especial para os membros mais frágeis, os pobres, os doentes e os pequeninos. Um amor meramente ideal e universal não pode deixar sem atenção os Lázaros concretos que jazem à frente das nossas portas... A Quaresma é um tempo propício para nos voltarmos para os outros; a Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB todos os anos, vai nessa direção e nos aponta sempre para alguma dimensão específica da vivência do amor ao próximo, inseparável do amor a Deus. O Papa nos convida a superarmos a “vertigem da indiferença”, saindo do fechamento em nós mesmos e voltando nossa atenção ao próximo, com suas necessidades e sofrimentos.

Domingo, 8, foi realizado, na Catedral da Sé, um grande Cenáculo do Movimento Sacerdotal Mariano (MSM). O evento foi encerrado com a celebração da missa, presidida pelo Cardeal Odilio Pedro Scherer e concelebrada por Dom Emilio Pignoli, bispo emérito de Campo Limpo, e por alguns sacerdotes. Dom Odilio, antes da Missa, renovou o ato de Consagração ao Coração Imaculado de Maria dos Sacerdotes e em seguida de todos os fiéis. O Cenáculo contou com a presença do padre Laurent Larroque, o padre francês, que hoje é o responsável mundial do MSM. O Movimento surgiu em Fátima em oito de maio de 1972 com o sacerdote italiano padre Gobbi (Padre Steffano Gobbi), falecido em junho de 2011 e tem três compromissos: Consagração ao Coração Imaculado de Maria (fazer e viver); União de oração e amor ao Santo Padre o Papa (rezando por ele e ouvindo e vivendo sua palavra); Levar, quanto for possível, as pessoas para o “Refúgio Seguro” do Coração Imaculado de Maria através da difusão dos Cenáculos.

Diálogo Católico Judaico

Arquivo pessoal

Na quinta feira, 5, foram recebidos na Cúria Metropolitana por Dom Odilo Pedro Scherer o senhor Dr. Fernando Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), e o Rabino Michel Schlesinger, da Confederação Israelita Paulista (CIP) para conversarem sobre uma agenda comum para 2015. Pretende-se uma agenda bem diversificada com orações, debates, reflexões e eventos culturais sobre o Diálogo Inter-religioso, envolvendo as duas comunidades - católica e judaica – e, se possível, outras tradições religiosas também, por ocasião dos 50 anos da Declaração Nostra Aetate, do Concílio Ecumênico Vaticano II.

Quarta-feira de Cinzas Na Quarta-feira de Cinzas, 18, o Cardeal Odilo Pedro Scherer presidirá missa com imposição das cinzas, às 15h, na Catedral da Sé. Essa celebração marca o início do Tempo Quaresmal e também a abertura da Campanha da Fraternidade. Por Edcarlos Bispo


4 | Papa Francisco |

11 a 17 de fevereiro de 2015 | www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Conselho dos Cardeais

Jesus salva, cuida e cura No domingo, 8, às 12h, o Papa Francisco, antes da oração do Ângelus, refletiu com os peregrinos reunidos na Praça São Pedro, sobre o Evangelho do dia, que mostra Jesus pregando na Sinagoga e em seguida curando muitos doentes. “Pregar e curar: esta é a principal atividade de Jesus na sua vida pública. Com a pregação, Ele anuncia o Reino de Deus e com a cura demonstra que este está próximo, que o Reino de Deus está entre nós”. O papa chama atenção para a cura da sogra de Simão e a multidão que o procura com todos os tipos de doença: físicas, psíquicas e espirituais. Jesus anuncia e realiza “a salvação de todo o homem e de todos os homens” e tem especial predileção pelos feridos no corpo e no espírito: “os pobres, os pecadores, os endemoninhados, os doentes e os marginalizados”. Ele é médico da almas e dos corpos, “bom Samaritano do homem.” É o verdadeiro Salvador que salva, cuida e cura. Francisco aproveita da realidade da cura dos doentes

e se refere ao Dia Mundial do Enfermo que se celebra nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lurdes. “Abençoo as iniciativas preparadas para este dia, especialmente a Vigília que será realizada em Roma, na noite de 10 de Fevereiro”. A obra salvífica de Cristo, continua na Igreja, “sacramento do amor e da ternura de Deus para com os homens”. Aos seus discípulos enviados em missão, Jesus confere o mandato de “anunciar o Evangelho da salvação e curar os enfermos (cf. Mt 10,7-8). Fiel a este ensino, a Igreja sempre considerou a assistência aos doentes parte integrante da sua missão.” Para Francisco os enfermos se constituem “numa via privilegiada para encontrar Cristo, para acolhê-lo e servi-lo. Curar um doente, acolhê-lo, servi-lo, é servir Cristo: o doente é a carne de Cristo”. E prossegue a reflexão lembrando que isto vale para nosso tempo em que, apesar dos avanços da ciência, o sofrimento interior e físico suscita interrogações sobre o sentido da doença, da dor e do porquê da morte. São perguntas existenciais, às quais a Igreja

deve responder por sua ação pastoral, à luz da fé e tendo diante dos olhos o Crucifixo, que revela o amor de Deus Pai pelos homens, não poupando o seu próprio Filho. Cada um de nós “é chamado a levar a luz do Evangelho aos que sofrem e aos que os assistem, parentes, médicos e enfermeiro... com amor evangélico, com ternura. A Igreja, através de nossas mãos, acaricia os nossos sofrimentos e cura as nossas feridas, e o faz com a ternura de uma mãe. Após a oração do Ângelus, o Papa referiu-se à memória de Santa Josefina Bakita, que em criança foi vítima do tráfico. “Encorajo os que estão empenhados em ajudar os homens, mulheres e crianças escravizados, explorados e abusados como instrumentos de trabalho ou de prazer e, com frequência, torturados e mutilados. Faço votos que os que têm responsabilidade de governo trabalhem com decisão para remover as causas desta vergonhosa chaga, indigna de uma sociedade civil. Cada um de nós se sinta empenhado em ser voz desses nossos irmãos e irmãs, humilhados em sua dignidade.”

L’Osservatore Romano

Teve início na segunda-feira, 9, a oitava reunião do Conselho dos Cardeais – conhecido como “C-9”. O Papa Francisco participou dos três dias de encontros, no Vaticano, que se encerra na quarta-feira, 11. O Conselho de Cardeais tem como missão auxiliar o Papa no governo da Igreja e promover o aperfeiçoamento do documento que regulamenta atualmente a Cúria Romana, os dicastérios da Santa Sé e a constituição ‘Pastor bonus’, assinada por João Paulo II em 28 de junho de 1988. Entre as decisões já tomadas, está a criação de uma estrutura de coordenação para as atividades econômicas e administrativas da Santa Sé e do Vaticano, sob a direção do Cardeal George Pell, membro deste conselho.

Visita à periferia L’Osservatore Romano

O Santo Padre fez uma visita pastoral na tarde de domingo, 8, à Paróquia São Miguel Arcanjo, em Pietralata, bairro localizado na periferia nordeste de Roma. No caminho para a matriz paroquial, Francisco decidiu mudar o programa e, com o pároco, Padre Aristide Sana, parou em um acampamento precário que abriga equatorianos, poloneses, russos, eritreus e ciganos. Surpresos, os moradores acolheram o Pontífice com festa, abraços e apertos de mãos, rezaram juntos o Pai-Nosso em espanhol e Francisco os abençoou.

Leigos e as grandes cidades O Papa Francisco recebeu em audiência os participantes da Plenária do Pontifício Conselho para os Leigos, que se concluiu no sábado, 7, sobre o tema “Encontrar Deus no coração das cidades”. “Deus não abandona a cidade, mas habita nela”, recordou o Pontífice. Ele continua presente mesmo em meio ao seu ritmo frenético e dispersivo. Eis então que os fiéis leigos são chamados a sair sem temor para ir ao encontro dos homens urbanos. “Trata-se de encontrar a coragem de fazer o primeiro passo de aproximação ao outro, para ser apóstolos do bairro.” Por Fernando Geronazzo com informações da Rádio Vaticano


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| Fé e Vida | 5

Espiritualidade

Estudo: mar adentro! Dom Carlos Lema Garcia Bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a educação e a universidade

Na semana passada, as redes sociais noticiaram que Ana Luísa Rocha, de 18 anos, foi aprovada em primeiro lugar em Medicina nos vestibulares da Universidade de São Paulo (Fuvest/USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Obteve, ainda, a maior nota entre todos os candidatos inscritos no geral nos dois vestibulares com a pontuação que conseguiu, acrescida de bônus, por ter feito o ensino médio em escola pública. Durante todo o último semestre de 2014, seguia uma rotina forte: acordava às 6h, estudava até às 11h30, almoçava, ia para o cursinho e lá ficava até às 19h10, voltava para casa e seguia com seus estudos até às 23h. Para os estudantes que estão se preparando para o vestibular, Ana Luísa dá dicas de como se sair bem: 1) Descubra o melhor método de estudos para você e não copie o dos outros; 2) Descubra em qual horário você rende mais; 3) Faça provas antigas, exercícios e testes; 4) Faça pausas estratégicas;

5) Durma adequadamente; 6) Leve lanche para prova; 7) Mantenha a calma; 8) Não estude na véspera; 9) Não acompanhe os gabaritos das provas que fizer, isso pode te afetar; 10) Não deixe maus resultados te abalarem. Ao ler essa notícia, pensei que esse início de ano letivo seria um bom momento para todos nós, especialmente para os estudantes, refletirmos sobre o tempo que dedicamos ao estudo, a sua motivação e o seu aproveitamento.

Benefícios do estudo: Uma pessoa que estuda faz exercícios de inteligência, de compreensão, de concentração e de transmissão de ideias. Ao ler e aprofundar no estudo, exercitamos também a imaginação e cultivamos a memória: guardamos os dados, sistematizamos os conhecimentos, relacionamos os conceitos e chegamos a conclusões que nos entusiasmam como sempre que conquistamos uma verdade. Melhoramos a nossa capacidade de expressão, de escrever, de narrar os acontecimentos. Por meio do estudo ampliamos os nossos conhecimentos e nos relacionamos com outras pessoas, outras épocas, costumes, modos de ver o mundo. Formar-se é aprender a buscar a verdade, crescer em sabedoria. Tudo isso se pode resumir na ideia de ser

culto, de “ser lido”, de haver ampliado o raio dos próprios interesses, de haver superado o estreito horizonte individual, até alcançar uma visão mais elevada e universal, capaz de considerar positivamente o que é diferente e até “ampliar-se por dentro” com o que se aprendeu e se viveu. Uma pessoa que estuda e lê continuamente, tem maior facilidade de se entender com os demais, porque saber expressar-se corretamente ao dizer as coisas e, sobretudo, porque raciocina com seriedade e lógica, sem se deixar levar por preconceitos, precipitações ou emoções passageiras. Uma pessoa que estuda tem uma opinião formada acerca dos diferentes assuntos, é alguém que não se deixa enganar, que tem critério e sabe opinar sobre os problemas que se apresentam. Formar-se é uma tarefa contínua, que perdura até o fim dos nossos dias. Mas para que esta tarefa tenha êxito é preciso que seja constante e disciplinada: para isso, precisamos ler bons autores e conversar com pessoas que têm algo a acrescentar. Jesus Cristo estudou nas escolas ligadas às sinagogas. Depois ficou conhecido pela sua profissão de artesão, porque não era um profeta errante. Tinha um trabalho pelo qual era conhecido em Nazaré: era o carpinteiro, filho de José. Quando ele vai formar o grupo dos seus seguidores, não se dirige às escolas rabínicas ou aos sábios e filósofos gregos de Atenas. Até

seria razoável que o fizesse. Mas vai escolher um grupo de gente trabalhadora. Pescadores do Mar da Galileia: gente experimentada nas duras faenas marinheiras. Quer contar com gente que se dedica, que trabalha, que tem uma qualificação profissional. Todavia também opta por convidar gente habituada a enxergar longe: os desafios do alto mar. Por isso lhes dilata os horizontes, quando diz: “navegai mar adentro e lançai as vossas redes para a pesca” (Lc 5,4). Jesus também fala aos estudantes, no início do ano: “não se contentem em fazer o mínimo, para ser aprovado nas matérias, para passar de ano, para não perderem a bolsa.” Jesus também nos convida a dilatar os horizontes, a entrar no mar alto. Dirigir-se às águas mais profundas. Não ser peixeiros: que vão somente até a praia para comprar as sobras trazidas nos barcos dos pescadores. Não ficar na monotonia, não se contentar com a mediocridade. Jesus quer que eles cheguem longe. Que façam desta sua profissão um trampolim, impulso para crescer como pessoa e depois para chegar a muitíssimo mais longe: “Não tema: doravante será pescador de homens” (Lc 5,10). Que pesca maravilhosa! Seus olhos brilham. Assim é que dá gosto! Jesus lhes abre o panorama com uma proposta ambiciosa: ser pescadores de homens, pescar pela cabeça. Assim também espera o mesmo de nós.

ATOS DA CÚRIA NOMEAÇÃO DE VIGÁRIO GERAL E VIGÁRIO EPISCOPAL Em 2 de fevereiro de 2015, foi nomeado e provisionado Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal da Região Sé, o Exmo. Dom Eduardo Vieira dos Santos, em decreto que entrou em vigor em 7 de fevereiro. Em 2 de fevereiro de 2015, foi nomeado e provisionado Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal da Região Brasilândia, o Exmo. Dom Devair Araújo da Fonseca, em decreto que entrou em vigor em 7 de fevereiro. MANDATO ESPECIAL Em 3 de fevereiro de 2015, o Cardeal Odilo Pedro Scherer delegou o Exmo. Dom Eduardo Vieira dos Santos, para nomear, provisionar, transferir e remover párocos, Administradores Paroquiais e Vigários Paroquiais, segundo as normas do Direito e os usos e costumes desta Arquidiocese. Este mandato entrou em vigor em 7 de fevereiro. Em 3 de fevereiro de 2015, o Cardeal Odilo Pedro Scherer delegou o Exmo. Dom Devair Araújo da Fonseca, para nomear, provisionar, transferir

e remover párocos, Administradores Paroquiais e Vigários Paroquiais, segundo as normas do Direito e os usos e costumes desta Arquidiocese. Este mandato entrou em vigor em 7 de fevereiro. DECRETO DE PROVISÃO Em 22 de janeiro de 2015, foi nomeado e provisionado Capelão do Mosteiro de Santa Teresa, o Revmo. Pe. Vittorio Moregola, este decreto entrou em vigor em 2 de fevereiro. Em 27 de janeiro de 2015, foi nomeado e provisionado Capelão da Capela Sagrada Família e Santa Paulina, o Revmo. Pe. João Júlio Farias Júnior, este decreto entrou em vigor em 2 de fevereiro, pelo período de 1 (um) ano. Em 31 de janeiro de 2015, foi nomeado e provisionado no cargo de Cura da Sé de São Paulo, o Revmo. Pe. Luiz Eduardo Baronto. Em 31 de janeiro de 2015, foi nomeado e provisionado no cargo de Auxiliar do Cura da Sé de São Paulo, o Revmo. Pe. Helmo César Faccioli. AUTORIZAÇÃO CANÔNICA Em 5 de dezembro de 2014, foi concedida a autorização para Conservação da Reserva Eucarística na Comunidade Vem e Segue-me, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida,

Região Episcopal Belém. Em 6 de dezembro de 2014, foi concedida a autorização para Conservação da Reserva Eucarística na Comunidade Aliança Fonte de Vida, da Paróquia São Mateus Apóstolo, Região Episcopal Belém. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 6 de janeiro de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja, da Região Episcopal Sé, o Revmo. Pe. José Edivaldo Melo, pelo período de 6 (seis) anos. Em 24 de janeiro de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia São Francisco de Paula e São Benedito, da Região Episcopal Santana, o Revmo. Pe. Mauricio José de Lima, pelo período de 6 (seis) anos. Em 1º de fevereiro de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Santo Estevão Rei, da Região Episcopal Lapa, o Revmo. Pe. Donizete José Xavier. Em 1º de fevereiro de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, da Região Episcopal Belém, o Revmo. Pe. Valdecir Soares Santos, MSC, pelo período de 6 (seis) anos.

Em 2 de fevereiro de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Pessoal São Bonifácio para os Católicos de língua alemã, de São Paulo, o Revmo. Pe. Georg Pettinger, este decreto entrou em vigor em 8 de fevereiro. Em 2 de fevereiro de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Pessoal São Bonifácio para os Católicos de língua alemã, de São Paulo, o Revmo. Pe. Georg Pettinger, este decreto entrou em vigor em 8 de fevereiro. Em 8 de fevereiro de 2015, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia São Miguel Arcanjo, da Região Episcopal Belém, o Revmo. Pe. Alex Sandro Sudré, MSC. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE ADMINISTRADOR PAROQUIAL Em 2 de fevereiro de 2015, foi nomeado Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Região Episcopal Sé, o Revmo. Pe. Ederaldo Macedo de Oliveira, SDS, pelo período de 2 (dois) anos. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 1º de fevereiro de 2015, foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado

Coração, da Região Episcopal Belém, o Revmo. Pe. Reuberson Rodrigues Ferreira, MSC. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE DIÁCONO PERMANENTE COMO COOPERADOR Em 13 de dezembro de 2014, foi nomeado Cooperador da Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina, da Região Episcopal Belém, o Revmo. Diácono Permanente Benedito José da Silva. Em 13 de dezembro de 2014, foi nomeado Cooperador da Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina, da Região Episcopal Belém, o Revmo. Diácono Permanente Benedito José da Silva. Em 13 de dezembro de 2014, foi nomeado Cooperador da Paróquia São Mateus, da Região Episcopal Belém, o Revmo. Diácono Permanente Gilmar Freire Rodrigues. Em 13 de dezembro de 2014, foi nomeado Cooperador da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, da Região Episcopal Belém, o Revmo. Diácono Permanente Francisco Janduí Gonçalves. Em 13 de dezembro de 2014, foi nomeado Cooperador da Paróquia Santa Maria Madalena, da Região Episcopal Belém, o Revmo. Diácono Permanente Marcelo Brito.


6 | Fé e Vida |

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LITURGIA E VIDA

novos santos e beatos

São Cirilo

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM 15 DE FEVEREIRO DE 2015

O nosso rochedo ANA FLORA ANDERSON

Ao começar a celebração da missa do domingo cantamos o Salmo 30. Devemos perder todos os medos e superar as fraquezas, pois Deus é nosso rochedo e a fortaleza que nos salva. Em seguida, na oração suplicamos que, tendo um coração sincero, Deus habitará em nós. A primeira leitura (2 Reis 6, 9-14) narra como Deus age pelo profeta Eliseu. Um estrangeiro importante pede para ser curado da lepra. O homem de Deus o manda banhar-se no Rio Jordão. O estrangeiro orgulhoso pensa que os rios de sua terra são melhores! Seus servos, porém, pedem que ele entre no Rio Jordão. Humildemente, ele se banha sete vezes e o Deus misericordioso o cura. Na segunda leitura (1 Coríntios 110,31-11.1) São Paulo ensina que, como Jesus, nós devemos sempre agir procurando o bem dos outros. No Evangelho de São Marcos (1, 40-45) Jesus compassivo cura um leproso e toda a população começa a procurá-lo. As leituras de hoje nos ensinam que não podemos mais ter medo. Deus vence o mal e as maldades. Quem crê nele não pode ser fatalista ou comodista. O amor radical de Deus penetra nos relacionamentos e nos acontecimentos. É um amor transformador que gera vida nova para todos que têm fé.

você pergunta

Separou-se e quer casar na Igreja com outro. O que fazer? padre Cido Pereira

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação

A filha da Maria, de Lauzane Paulista, ficou casada um ano e oito meses. Agora conheceu um rapaz católico e quer casar-se com ele na igreja. Ela é desquitada. O que deve fazer para casar-se na Igreja? Pergunta ela. Maria, Maria. Se você segue as respostas que eu dou aqui, no jornal O SÃO PAULO e no site Família Missionária, você já tem muitos elementos para orientar a sua filha. Sua filha está presa a um juramento solene de amor e fidelidade quando se casou na Igreja. Infelizmente não deu certo o primeiro casamento, como você diz. Durou apenas um ano e oito meses. Paciência. O que lhe resta agora, minha irmã, é entrar com um processo de verificação de nulidade do primeiro casamento para ela poder casar-se de novo na Igreja. Entre as muitas razões para um casamento ser nulo está a falta de maturidade dos noivos. E o tribunal eclesiástico hoje é bastante sensível a isto. Um casamento que durou pouco menos de dois anos certamente foi marcado por essa imaturidade. Converse com sua filha, Maria. Vá ao tribunal eclesiástico e abra um processo de verificação de nulidade. Uma vez constatado que a primeira união foi nula, ela estará livre para casar-se na Igreja com esse jovem católico. Pode demorar um pouco este processo, mas eu repito: hoje o tribunal está muito atento a esta e a outras razões que fazem nula uma união. Sua filha tem direito a uma segunda oportunidade. É louvável que ela queira construir uma vida familiar mais saudável, segura e cristã. Pois então, procure o tribunal. Vai ser bom porque tanto ela quanto o marido ficarão livres para uma segunda união diante de Deus.

14 de Fevereiro

Constantino nasceu em 826 na Tessalônica, atualmente Salônico, Grécia. Cirilo tinha catorze anos quando o pai faleceu. Um amigo da família, professor Fócio, que mais tarde ajudou seu irmão acusado de heresia, assumiu a educação dos órfãos em Constantinopla, capital do Império Bizantino. Rejeitando um casamento vantajoso, ingressou para a vida espiritual, fazendo votos particulares, se tornou bibliotecário do ex-patriarca. Em seguida foi cartorário e recebeu o diaconato. Mas sentiu necessidade de se afastar, indo para um mosteiro, em Bósforo. Seis meses depois foi descoberto e designado para lecionar Filosofia. Em seguida, convocado como diplomata para a polêmica questão sobre o culto das imagens junto ao ex-patriarca João VII, o Gramático. Seu irmão mais velho, que era o prefeito de Constantinopla, abandonou tudo para se dedicar à vida religiosa. Em 861, Cirilo foi se juntar a ele, numa missão evangelizadora, a pedido do imperador Miguel III, para atender o rei da Morávia. Nesta ocasião, Cirilo encontrou um corpo boiando, que reconheceu ser o papa Clemente I, que tinha sido exilado de Roma e atirado ao mar.

Reprodução

Os dois foram chamados por Roma, onde o papa Adriano II, solenemente recebeu as relíquias de São Clemente, que eles transportavam. Mas, Cirilo que estava doente, piorou. Pressentido sua morte, tomou o hábito definitivo de monge e o nome de Cirilo. Após cinquenta dias faleceu em Roma, no dia 14

50

há Capa da edição de 8anos de fevereiro de 1965

Capa da edição de 8 de fevereiro de 1965

de fevereiro de 868. A celebração fúnebre foi rezada na língua eslava, pelo papa Adriano II, sendo sepultado com grande solenidade na Igreja de São Clemente. Cirilo e Metódio foram declarados pela Igreja como “apóstolos dos eslavos”. O papa João Paulo II, em 1980, os proclamou junto com São Bento de “Patronos da Europa”.

Nova sede do Governo Paulista No aniversário de 411 anos de São Paulo, há 50 anos, o Estado ganhou um novo prédio no Morumbi, o Palácio dos Bandeirantes. Foi uma doação dos descendentes dos italianos, da família Matarazzo, “por tantos títulos digna da gratidão dos paulistas, como é ela grata ao torrão que a tornou justamente famosa”. Na ocasião, o então governador Ademar de Barros pronunciou as seguintes palavras: “São Paulo é fruto do labor e do sangue”. Na edição já se falava da

canonização de Anchieta, anunciada por dom Jaime de Barros Câmara, no programa “A voz do Pastor”. A dificuldade para se chegar à canonização na época residia especialmente nas investigações minuciosas exigidas pela Sagrada Congregação dos Ritos, para verificar se houve algo de incorreto na vida do beato. Dom Jaime concluiu sua fala “fazendo votos para que todos os católicos se valham do nome de Anchieta nas horas de aflição e necessidade”.


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| Pastorais | 7

Movimentos e Novas Comunidades

Para comemorar uma presença Na quinta-feira, 5, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, celebrou uma missa por ocasião do décimo aniversário de falecimento de Dom Luigi Giussani, fundador do movimento Comunhão e Libertação (CL) e da comemoração do 33º aniversário de reconhecimento pontifício da Fraternidade de CL, associação de direito pontifício que congrega os membros adultos do movimento. Na homilia, Dom Odilo salientou que Dom Giussani criou um espaço de formação e de vida comunitária para que os cristãos crescessem integralmente tanto na sua vida espiritual quanto em sua presença na sociedade, coisas que faltam no mundo de hoje. Após a missa, um grupo de responsáveis do movimento em São Paulo se encontrou com o cardeal e o assunto girou principalmente sobre a presença dos cristãos junto aos jovens de hoje. Constatou-se que os jovens parecem cada vez mais inconstantes e pouco

comprometidos com a vida, mas que, ao mesmo tempo, estão cada vez mais carentes de uma resposta verdadeira a seus anseios humanos e mais propensos a ouvir quando um testemunho real lhes é apresentado. Para o movimento, a presença de Dom Odilo nesta missa foi muito significativa, pois reafirma um vínculo eclesial que sempre foi muito valorizado pelo seu fundador. Nas palavras do arquiteto Ubiratan Silva, responsável do movimento em São Paulo: “Para nós, a presença do cardeal de São Paulo é um importante reconhecimento da Igreja local, pois Dom Giussani sempre nos ensinou que o bispo é o ponto de referência para a Igreja. Ficamos alegres por Dom Odilo ter aceitado rezar essa missa porque, com ele, podemos compartilhar explicitamente nosso ser Igreja em São Paulo”. Nascido na Itália, a partir do ramo estudantil da Ação Católica, o movimento ganhou seu nome

Roberto Parizzi

Movimento Comunhão e Libertação comemora 33º aniversário de reconhecimento pontifício em celebração no dia 5

no contexto das manifestações juvenis que abalaram o mundo em 1968. O nome foi uma resposta ao desejo de liberdade que se tornara evidente naqueles tempos: “é a comunhão com Cristo e sua Igreja que gera a verdadeira libertação”. O movimento foi iniciado nas escolas, por Dom Giussani, e sempre teve forte incidência nos ambientes escolares e universitários.

Em São Paulo, a presença do movimento começou nos anos 1970, por um convite de Dom Paulo Evaristo Arns, que constatou a força de CL nas universidades italianas e o sucesso de missionários do movimento que já atuavam junto ao povo nas periferias das cidades brasileiras. Daí nasceram as primeiras comunidades brasileiras inspiradas no carisma de Dom Giussani, entre

jovens universitários paulistas que mais tarde formariam os primeiros núcleos do movimento no país. Assim, a presença no meio universitário e junto ao povo nas periferias urbanas, por meio da criação de numerosas obras sociais, algumas reconhecidas e premiadas no Brasil e no exterior, se tornaram marcas características do movimento no Brasil. Colaborou Ana Luiza Mahlmeister

pastoral da Juventude

Setor Juventude convida jovens e adultos para retiro espiritual No dia 21 de fevereiro, sábado, das 8h às 17h, acontecerá o retiro espiritual do Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo, no Arsenal da Esperança – próximo à estação Bresser-Mooca do metrô. Destinado a jovens e adultos que atuam na evangelização da juventude, o retiro será orientado por Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Educação e Universidades. O Setor Juventude, através de carta enviada por Dom Carlos, convida jovens dos grupos paroquiais, da Pastoral da Juventude, dos Movimentos Eclesiais, das Novas Comunidades e Congregações Religiosas para este momento, que abre os trabalhos de evangelização de 2015. O tema do retiro será a bem-aventurança “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”, reflexão proposta no Dia Mundial da Juventude pelo Papa Francisco. As inscrições podem ser feitas através do e-mail do Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo: setordejuventude@ uol.com.br. Outras informações podem ser obtidas com Marco, da Equipe de Animação do Setor Juventude, no telefone: (11) 22920977. O custo do Retiro será R$

10,00 (Dez reais). Café da manhã e almoço serão servidos durante o dia. Para melhor organização do

Retiro, pede-se que as inscrições sejam feitas até o dia 14 de fevereiro. A Arquidiocese de São Pau-

lo, por meio do Setor Juventude, em breve iniciará a preparação da Delegação oficial para a Jornada

Mundial da Juventude 2016, que será em Cracóvia, na Polônia. Colaborou Nei Márcio Oliveira de Sá


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Destaques das Agências Nacionais

Henrique Sebastião com agências

Comissão da CNBB realizará a 1ª Reunião das Associações de Família no Brasil O evento conta com apoio da Confederação Nacional de Entidades de Família (CNEF), que atua na articulação junto ao Congresso nacional em projetos de lei relativos à família, e é organizado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família da CNBB, com realização na sede da Secretaria Nacional da Pastoral Familiar (SECREN), em

Brasília (DF). As inscrições estarão disponíveis a partir de março. O público-alvo são presidentes das associações e representantes oficiais da entidade. Para o assessor nacional da Comissão Vida e Família da CNBB, Pe. Rafael Fornasier, a reunião será um momento importante para o conhecimento dos trabalhos das

associações e projetos futuros em conjunto: “Será a primeira reunião das associações (...), com o intuito de aprofundar a sua natureza, finalidade e objetivos, bem como a criação de uma rede de ação conjunta”. As associações de famílias surgiram em resposta ao apelo de São João Paulo II na Exortação Apostó-

lica Familiaris Consortio, de se formarem organismos que garantam à família recursos para que possam atuar como sujeitos cristãos e sociais, congregando pessoas convictas que se empenhem em fortalecer o reconhecimento de que ela, a família, é o recurso fundamental para cada pessoa e para a sociedade. Fonte: CNBB

Seminário de Bioética da CNBB abre inscrições O Seminário da Comissão de Bioética da CNBB e 6ª Jornada Interdisciplinar de Pesquisa em Teologia e Humanidades da PUC do Paraná acontecem de 20 a 22 de março. A proposta é celebrar os 20 anos da Encíclica Evangelium Vitae, de São João Paulo II.

Com base nos textos da Encíclica, haverá reflexão pastoral e acadêmica sobre sua atualidade e as perspectivas futuras de desenvolvimento, e temáticas afins. Para a realização do evento, conta-se com apoio de setores da Igreja e da sociedade, coordenados pela Comissão Nacional de Bioética da CNBB.

Na página do evento na internet (seminariobioetica.cnbb.org.br) é possível encontrar a programação completa, além de orientações sobre hospedagem, programação e outros dados. Fonte: CNBB

Ciclistas percorrem 275 km para chegar à cidade de Aparecida Thiago Leon/THX/A12

Romaria da Terra motiva reflexão sobre a sucessão rural familiar No dia 17 de fevereiro, a Arquidiocese de Passo Fundo (RS), acolhe a 38ª Romaria da Terra, na cidade de David Canabarro. – A Romaria da Terra quer motivar uma reflexão sobre a sucessão rural familiar, políticas públicas e sustentabilidade social, e valorizar uma produção sustentável que gere vida onde a família, em especial pequenos produtores, garantam diversidade de produtos alimentícios de forma saudável, com base na agroecologia.

A Romaria da Terra é também um espaço de integração, celebração, estudo e cultura para a juventude. Nos dias 15 e 16 acontecerá o 10º Acampamento da Juventude. De acordo com o Assessor Arquidiocesano da Pastoral da Juventude, Pe. Leandro de Mello, o acampamento visa realizar um processo de animação com atividades práticas, troca de experiências, cultivo da vida e fortalecimento da fé em Cristo: “Nesse contexto

é importante pensar e construir políticas públicas com o objetivo de preparar, especialmente, os jovens, valorizando a educação relacionada às atividades típicas da agricultura familiar e incentivar a produção de alimentos saudáveis, (...) bem como a possibilidade de proporcionar que os reflexos da organização sustentável favoreçam a vida digna no meio urbano”. Fonte: Arquidiocese de Passo Fundo

A “Romaria Ciclística da Paz”, promovida pela Arquidiocese do Rio de Janeiro e pela Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro (FECIERJ), reuniu 50 ciclistas no domingo (8), em Aparecida (SP). As primeiras peregrinações chegaram a contar com 300 inscritos, mas com o passar dos anos a Federação limitou o número em 50. Organizada desde o ano 2000, a peregrinação alcança sua 13ª edição mantendo o mesmo objetivo: agradecer a Deus pelas competições vividas pelos ciclistas e pedir as bênçãos da Mãe Apa-

recida para a nova temporada. Antes do início da peregrinação ao longo da Via Dutra (o grupo é acompanhado por onze staffs de apoio e escoltado por uma equipe da Polícia Rodoviária). Os ciclistas se reuniram no sábado (7), para uma Missa na Igreja Santa Rosa de Lima, às 9h, presidida pelo Cardeal Arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. Depois de percorridos 275 quilômetros, a chegada ao Santuário Nacional aconteceu por volta das 12h30 do domingo. O grupo participou da Missa das 14h, no Altar Central. Fonte: A12

Belo Horizonte na luta pelo consumo consciente da água e pelo meio ambiente Diante da grave crise hídrica que atinge toda a Região Sudeste do Brasil, a Arquidiocese de Belo Horizonte inicia a campanha “Pela vida: economize água, cuide do meio ambiente”. A partir da iniciativa, a Arquidiocese convoca cada cristão a preservar, ainda mais, a água, e a defender com especial empenho a natureza. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, diz que: “as comunidades de fé são convidadas a desenvolver

ações que visem à economia dos recursos hídricos e a dar bons exemplos, que inspirem também novas iniciativas. Igualmente é de fundamental importância que todos, em comunhão, rezemos para que Deus nos conceda as chuvas necessárias para o abastecimento dos reservatórios de nossas cidades”. A sugestão é que nas celebrações todos rezem a oração para pedir chuvas ao bem-aventurado Papa Paulo VI. Fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte


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Destaques das Agências Internacionais

| Igreja em Missão | 9 Filipe david

Roma

Mensagem do Papa Francisco para a Campanha da Fraternidade 2015 O Papa Francisco enviou a todo o povo da Igreja no Brasil uma carinhosa mensagem especialmente dedicada à Campanha da Fraternidade de 2015, cujo tema é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, e o lema: “Eu vim para servir” (Mc 10, 45). Na mensagem, a ser divulgada na Quarta-feira de Cinzas, o Pontífice destaca a Quaresma como período de preparação à Páscoa de Cristo: lembra-nos, à sua maneira cativante, que agora, prestes a entrarmos nesta época propícia à penitência, oração e caridade, recebemos uma vez mais a oportunidade de “renovação de nossas vidas, identificando-nos com Jesus através de sua entrega generosa aos irmãos, sobretudo os mais necessitados”. Recorda-nos o Santo Padre as palavras da Constituição Gaudium et Spes, cujo significado profundo por vezes esquecemos, nas correrias da vida cotidiana: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”(GS1). A CF quer enfatizar a missão da pessoa cristã, individual e comunitariamente, interagindo

e colaborando também enquanto sujeito social, com modos e posturas que se reflitam na convivência: “durante os quarenta dias em que Deus chama seu povo à conversão, a Campanha da Fraternidade quer ajudar a aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Vaticano II”. Estado laico e Doutrina Social da Igreja – O Papa salienta que a atuação dos cristãos deve ser em sintonia com a laicidade do Estado, sem “esquecer a autonomia das realidades terrenas”; lembra que, no mundo contemporâneo, não há como esperar que todas as decisões obedeçam aos ditames da fé, mas salienta que a contribuição da Igreja “encontra forma concreta na sua Doutrina Social”, com a qual esta Igreja quer “assumir evangelicamente e a partir a perspectiva do Reino as tarefas prioritárias que contribuem para a dignificação do ser humano e a trabalhar junto com os demais cidadãos e instituições para o bem (...)” (Doc. de Aparecida, 384). Sob a proteção de Deus, nossa Constituição permitiu que coubessem ao Ministério Público suas necessárias funções, que também garantem ao

povo a liberdade de crença e a livre expressão da religião (art. 5º). Ainda assim, muito se tem confundido Estado laico com Estado ateu. – Laico é o Estado em que instituições religiosas e políticas atuam separadamente, mas (importante) no Estado laico não são apenas os que não têm religião que possuem o direito de se manifestar. Não é um Estado em que a participação religiosa seja coibida. Cada um a sua parte – Deste convite da CF à reflexão, oração e ações em prol de relações entre Igreja e sociedade mais estreitas, justas e proveitosas para todos, somos exortados de que não estamos diante de uma tarefa exclusiva das instituições: nas palavras de Francisco, “cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu trabalho, junto das pessoas com quem me relaciono”. Por fim, a ênfase da mensagem aponta para o anseio, que deve ser comum a todos nós, de construirmos, como disse Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB, na apresentação do texto: “uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana”. Henrique Sebastião

Peru/Roma

Um mártir italiano no Peru Na terça-feira, 3, o Papa Francisco autorizou a promulgação de um decreto que reconhece o martírio do Padre Alessandro Dordi, sacerdote italiano morto por um grupo comunista no Peru em 1991, por causa de seu trabalho apostólico. O Padre Alessandro chegou ao Peru em 1980, quando o grupo Sendero Luminoso (termo espanhol que significa “sendeiro” ou “caminho” iluminado), iniciava uma campanha de violência para tomar o poder no País, matando milhares de pessoas. O grupo, cujo nome oficial é Partido Comunista do Peru – Sendero Luminoso (PCP-SL), é uma organização comunista de inspiração maoísta, criada nos

anos 60 por alunos e professores de diversas universidades do Peru. O trabalho do Padre Alessandro – alfabetização, defesa das mulheres, catequese e construção de capelas – atraiu a ira do grupo, que, seguindo o pensamento marxista ortodoxo, contava com o ódio e a luta de classes como motores para a revolução comunista. Para Karl Marx, a religião é apenas um instrumento das elites para manter o povo sob controle, o “ópio do povo”. Em agosto de 1991, o Padre Alessandro soube que o Sendero Luminoso havia assassinado dois padres franciscanos poloneses em uma cidade vizinha. O padre escreveu a um amigo sacerdote: “Você pode

imaginar a ansiedade em que estamos vivendo. Há ameaças de mais mortes. O Sendero Luminoso, que busca conquistar o poder pelo terror, tem a Igreja em sua mira.” O padre pressentia sua morte: “Adeus. Estou voltando agora e eles vão me matar.” No dia 25 de agosto, quando estava a caminho com dois seminaristas para celebrar a missa, homens mascarados cercaram o carro em que estava, fizeram descer os seminaristas e assassinaram Padre Alessandro com três tiros. O martírio do Padre Alessandro foi reconhecido pelo Papa Francisco junto com o dos dois padres poloneses que morreram na cidade vizinha. Fontes: News.va/ CNA

Estados Unidos

Por que o episcopado não apóia a ‘não discriminação’? Um projeto de lei que já foi aprovado pelo senado em 2013, prevê proteção especial contra a discriminação em função de orientação sexual e “identidade de gênero”. Embora o projeto tenha incluído ressalvas para preservar a liberdade religiosa, analistas indicam que essas ressalvas dificilmente poderão ser utilizadas. Assim, empresas e organizações que se opõem em consciência a certas ati-

vidades, poderão ser processadas por discriminação. O Doutor Chad Pecknold, professor de teologia histórica e sistemática na Universidade Católica da América, em Washington, DC, explicou à CNA que leis anti-discriminação podem se tornar discriminatórias. O projeto é discriminatório “contra o entendimento da Igreja de aspectos centrais da natureza humana,

especialmente com relação à família e à educação das crianças”, acrescentou. O professor se refere às escolas católicas, por exemplo, que seriam obrigadas a contratar professores que pensam e vivem em contradição com a ética que deveriam ensinar. Ainda segundo o professor, a objeção dos bispos é bem fundada, pois o projeto “enraizará por lei na sociedade um tipo de visão de

mundo que não é somente contra a discriminação injusta – reconhecer que algumas pessoas se sentem atraídas pelo mesmo sexo e merecem, obviamente, respeito – mas que legitimiza culturalmente e socialmente um determinado estilo de vida e comportamento”. Além dos bispos católicos, diversos cristãos protestantes também se opõem ao projeto: “Nós e os bispos católicos estamos juntos

contra esse tipo de legislação porque ela não protege aqueles que têm razões legítimas para considerar o comportamento sexual na hora de contratar”, disse Russell Moore, presidente do Comitê de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul. O projeto de lei ainda depende da aprovação final do Congresso americano. Fonte: CNA


10 | Viver Bem |

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Suicídio em jovens: um grito silencioso Valdir Reginato Estamos iniciando um ano - 2015 – no qual a Igreja, mais uma vez, coloca a família, na sua importância, como ponto central para a reflexão. O que isto tem a ver com o suicídio em jovens? Os dados estatísticos nas últimas décadas, pouco divulgados na mídia nacional, não deixam de ser alarmantes, ainda que, nesta ocorrência o Brasil não ocupe os primeiros lugares. As avaliações falam em um crescimento de 30 a 40% dos casos, comprometendo crianças, adolescentes e jovens; sendo mais acentuado nos últimos dez anos. Assusta saber que para cada suicídio consumado, nesta faixa etária, podem ocorrer mais de 100 casos de tentativas não consumadas, comparadas a 20, com relação aos adultos. Os homens jovens, que constituem maior número de casos, costumam escolher meios mais agressivos que levam a uma maior certeza da consumação do ato. Quais as causas para este crescimento absurdo, e que evolui como um grito silencioso desta população jovem para uma sociedade surda? Os especialistas apontam para: depressão, histórico familiar, uso de álcool e drogas, abuso sexual, bullying, estresse, pressão interna, dificuldade de interação social e outras. Constata-se que, quando a criança ou adolescente chega ao socorro médico,

já havia praticado mais de uma tentativa de suicídio, que passou despercebida pela família. Isto pelo fato dos familiares não valorizar em mudanças de comportamento dos filhos, que podem estar ocorrendo há meses. Ocorrências como fechar-se no quarto, evitar conversas, tristeza aparente prolongada, irritabilidade, falta de interesse pelo que gostava, mudança do hábito alimentar, apatia... Sintomas esses que devem chamar a atenção. Não se pode fazer uma relação causa-efeito simplista, mas verifica-se que os países que se apresentam destacados nos primeiros lugares desta tragédia social pertenceram, até recentemente, ao antigo Bloco Soviético (URSS) ou outros países socialistas. O mesmo ocorre naqueles onde se tem verificado um crescimento do ateísmo, acompanhado de mudanças radicais quanto à referência da família como base da sociedade. Pode ser mera coincidência, mas não deixa de ser um registro marcante com índices acima de 20 casos para cada 100.000 pessoas, por ano, que é considerado grave para a Organização Mundial da Saúde. O Brasil apresenta este índice ao redor de cinco casos (três homens e duas mulheres) Fica a questão: Não serão muitas das causas, apontadas pelos especialistas, relacionadas à crise familiar que se verifica na sociedade, por ter seus valores fundamentais bombardeados, cotidianamente,

para que se possam “atualizar” aos novos tempos? Percebo um elo de união para a maioria destas causas: carência de afeto. Há falta de convivência de pais e filhos, e não notam que seu filho já é um alcoólatra! Não há percepção das mudanças nos escassos diálogos, porque cada um está isolado no seu celular “falando com o mundo”. Não há incentivo diante das dificuldades, porque nem sequer são conhecidas. Não se sabe o valor do Amor, porque isto se confundiu em prevenir alguma doença sexualmente transmissível ou engravidar sem querer. Não se pode deixar de mencionar o crescimento, con-

Tecnologias do futuro Luiz Otávio Ugolini Vianna Na área da tecnologia se diz que o seriado Jornada nas Estrelas teria, não intencionalmente é claro, criado aparelhos que posteriormente se tornaram realidade. É o caso do comunicador manual usado na série, semelhante a um celular, ou outros como tradutor simultâneo. Mas ultimamente é o romance de George Orwell, “1984”, que parece estar roubando a cena. No famoso romance, o “Big Brother” espiona e controla a todos. Mas não é somente a questão política que chama a atenção, a “tecnologia” e que o grande irmão utilizava para espionar as pessoas. Esse assunto gerou especial destaque nos últimos dias, depois da repercussão gerada por um site, que destacou um trecho da política de privacidade que acompanha os televisores da Samsung com reconhecimento por voz (recurso que aceita comandos não só do controle remoto, mas também comandos falados pelo usuário). No trecho, presente inclusive no site da empresa, o fabricante faz o seguinte alerta, em tradução livre: “Por favor, esteja ciente que, se junto com seus comandos por voz você disser informações pessoais ou confidenciais, essa informação estará entre os dados capturados e transmitidos a terceiros”. A comparação com as “teletelas” do roman-

ce de Orwell, aquelas que poderiam espionar as pessoas próximas a elas, foi imediato. Ao “conversar com a TV”, sua conversa poderá ser transmitida a terceiros. Tecnicamente falando, várias ferramentas de tradução ou de reconhecimento de voz transmitem seus dados, para que as traduções ou interpretações sejam feitas em sistemas computacionais parrudos na nuvem. Dessa forma, os equipamentos dos usuários podem ter menores capacidades tecnológicas, e os dados colhidos de todos os usuários podem ajudar a melhorar a própria tecnologia. Até aí, para os tecnólogos de plantão, não há novidade. Mas e para o público em geral? Como as empresas estão explicando isso? As questões que se levantam parecem banais, porém no âmbito da privacidade são bastante relevantes. Os usuários se perguntam se querem que suas falas sejam enviadas para terceiros, e se não seria um preço alto demais para terem acesso a funcionalidades que nem sempre funcionam como deveriam. O fato é que a informação é sim transmitida. A empresa alertou sobre este fato em sua política de privacidade. O que fica difícil, nos dias da espionagem mundial da internet, é saber quem seriam os “terceiros”. Luiz Otávio Ugolini Vianna é engenheiro e Diretor de Tecnologia da Mult.Connect

Cuidar da saúde

Tecnologia

Comportamento

Sergio Ricciuto Conte

comitante, de lares separados e suas consequências. Penso que, a exemplo do que faz a Igreja, é preciso valorizar cada vez mais a família. É a família um local privilegiado de educação e convivência de amor com o filho querido, pelo que ele é, com os defeitos e dificuldades, comuns a todos. Devemos ajudá-lo, acolhê-lo de modo compreensivo, alegre, sem preconceitos, para que se desenvolva como uma pessoa que aprendeu o que é amar, porque se sente amada. É preciso ouvir este grito silencioso! Ninguém se suicida por se sentir feliz!

Hemorroidas Dra. Cássia Regina Hemorroidas são veias da parte interna do anus que se inflamam e ficam expostas, causando dor, sangramento e incomodo para sentar e para evacuar. Entre as causas estão: obstipação intestinal, gravidez, obesidade, sedentarismo e dieta pobre em fibras. Pode começar com uma coceira, provocado pela pressão sobre as terminações nervosas até saliência no anus. O tratamento pode ser com pomadas, supositórios ou cirúrgicos, com dependência do grau. Algumas orientações são importantes: evite usar papel higiênico, de preferência a lenços umedecidos ou duchas; tenha uma dieta a base de fibras; beba bastante líquido, mas evite bebida alcoólica; faça banhos de assento morno. O mais importante: só fique no vaso sanitário o tempo necessário, não force a evacuação, não fique lendo no banheiro. Isso aumenta a pressão das veias e aumenta muito a incidência de hemorroidas. Dra. Cássia Regina é médica na Estratégia de Saúde da Família (PSF)

Erramos Ao contrário do crédito dado ao texto de Comportamento da sessão “Viver Bem”, na edição 3037: (Re) adaptação escolar – turbilhão de emoções, a autoria do texto é da fonoaudióloga, educadora, Mestre em Distúrbios da Comunicação pela PUC-SP, especialista em linguagem, e coordenadora pedagógica da Escola de Educação Infantil Pedrita, Simone Ribeiro Cabral Fuzaro.


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Padre Manoel Conceição Quinta

“O diálogo e a colaboração (entre a Igreja e a sociedade) se tornarão estreitos à medida que existir um pensamento comum, uma ação que não esteja eivada de ideologias” Luciney Martins/O SÃO PAULO

Coordenador da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de São Paulo, fala ao O SÃO PAULO e destaca alguns aspectos da CF 2015, “Fraternidade: Igreja e sociedade” Edcarlos Bispo edbsant@gmail.com

Na Quarta-feira de Cinzas, 18, inicia-se na Igreja o período da Quaresma. É um momento de reflexão e meditação voltado ao jejum, oração e esmola. No Brasil, a Igreja realiza durante esse período a Campanha da Fraternidade (CF). Neste ano, o tema da CF, “Fraternidade: Igreja e sociedade”, quer aprofundar, à luz do Evangelho, “o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus”, descreve o Texto Base da Campanha. O documento apresenta seis objetivos específicos: “Fazer memória do caminho percorrido pela Igreja com a sociedade, identificar e compreender os principais desafios da situação atual; Apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da doutrina Social da Igreja, como elementos autenticamente humanizantes; Identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; Aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação, da cultura da paz, do espírito e do diálogo inter-religioso e intercultural, para superar as relações desumanas e violentas; Buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da Igreja de Cristo de levar a Boa-Nova a cada pessoa, família e sociedade; Atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária”. Na Arquidiocese de São Paulo, o coordenador e responsável pela CF, padre Manoel Conceição Quinta, SSP, em entrevista ao O SÃO PAULO, falou dos desafios de assumir a coordenação da Campanha, qual a importância de discutir a relação Igreja e sociedade, como a Arquidiocese se articulará na vivência da CF e a importância da coleta que acontecerá, em todo o Brasil, no Domingo de Ramos.

O SÃO PAULO - Como é ser coordenador da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de São Paulo? Como está sendo assumir este desafio? Padre Manoel Conceição Quinta - É um desafio grande, como coordenar qualquer outra pastoral. A Arquidiocese de São Paulo é imensa e coexistem na cidade muitas realidades diferentes. Penso ser importante trabalhar em conjunto com o Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, com o coordenador de Pastoral de cada Região, com o objetivo de formar núcleos de animadores da Campanha da Fraternidade, para atuarem nos setores e nas comunidades. Se o desafio é grande, a colaboração de todos é maior.

O que o tema da Campanha “Fraternidade: Igreja e sociedade” tem a dizer para a Igreja em São Paulo? A Campanha recorda à Igreja sua missão de construir o Reino de Deus. Ela tem de ser presença viva de Jesus Cristo, contribuindo para que a sociedade seja mais justa e fraterna. A Campanha lembra à Igreja que ela vive numa sociedade onde há muitos miseráveis e desprovidos de tudo. Às vezes é bom trazer à memória realidades desagradáveis. Há sempre o perigo de nos esquecermos delas, tudo sendo assimilado como “cultura” e aí não se faz mais nada. Qual a contribuição da Igreja para a sociedade brasileira ao

longo dos últimos cinquenta anos? São múltiplas as contribuições da Igreja para a sociedade brasileira. Podemos partir das mais simples: a Igreja não prega a violência, nas suas orações sempre inclui as aflições da sociedade, reflete sobre a realidade social e por vezes aponta injustiças, que atentam contra a dignidade humana. Promove a assistência, coloca-se a serviço dos mais necessitados. Basta lembrar a existência das Pastorais Sociais da Arquidiocese. Quando necessário, se engaja politicamente e colabora com outras instituições comprometidas com o bem comum, a dignidade do ser humano e a justiça social. Como estreitar o diálogo e a colaboração entre Igreja e sociedade? A Igreja, a partir do Concílio Vaticano II, sempre esteve aberta ao diálogo e à colaboração, para que a sociedade seja mais justa e fraterna. O diálogo e a colaboração se tornarão estreitos à medida que existir um pensamento comum, uma ação que não esteja eivada de ideologias. Quais as questões desafiadoras na evangelização da sociedade? Entre tantas questões desafiadoras nomeio algumas: a droga, a violência e criminalidade, o indiferentismo e individualismo, o consumismo e o hedonismo.

Como buscar novos métodos, atitudes e linguagens para atualizar a missão da Igreja de levar a Boa-Nova a cada pessoa, família e sociedade? A pergunta é bem ampla, a resposta é breve: o amor. Lembro-me de São Paulo Apóstolo: “Tende vem vós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo” (Fl 2,5). Aqui está o segredo de tudo. Qual a importância da coleta da Campanha da Fraternidade? Como é usado esse dinheiro? A Coleta da CF é o gesto concreto dos católicos, para os projetos próprios de cada campanha específica. Na falta de projetos específicos, o que é arrecadado destina-se à manutenção das obras sociais da Igreja e no nosso caso, às Pastorais Sociais da Arquidiocese. A coleta da Campanha está sempre ligada ao espírito quaresmal. A quaresma é tempo de penitência, oração, esmola, jejum e conversão. O Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica, nos diz que “o clamor dos pobres faz-se carne em nós”. Pede para voltarmos a ler a Palavra de Deus sobre a misericórdia. “A misericórdia não teme o julgamento” (Tg 2,12-13). A literatura sapiencial fala da esmola como exercício concreto de misericórdia para com os necessitados: “A esmola livra da morte e limpa todo pecado” (Tb 12,9). Encontramos o mesmo pensamento no Novo Testamento: “Mantende em vós uma intensa caridade, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1Pd 4,8) (EG, 193). Como será trabalhada a Campanha na Arquidiocese? A Campanha da Fraternidade está sendo trabalhada na Arquidiocese desde dezembro de 2014. Várias reuniões já foram feitas com o objetivo de divulgar a Campanha e formar agentes que animem as comunidades. Algumas Regiões Episcopais estão bem organizadas com suas equipes de divulgação da CF. Quais desafios para que os padres e leigos assumam o compromisso com a Campanha? A Campanha é a maior expressão de unidade pastoral da Igreja Católica no Brasil. Ela evangeliza e ensina a todos a ler a realidade, à luz do Evangelho. Não é necessário inventar muita coisa. É preciso conhecer as Pastorais Sociais da Arquidiocese e apoiá-las em tudo. Como sugestão se poderia retomar o “Seminário da caridade”, para todos tomarem conhecimento da ação social da Igreja na Arquidiocese de São Paulo.


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Dom Eduardo é ordenado bispo na Catedral da Sé Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo

Especial para O SÃO PAULO

“O episcopado é um serviço e não uma honra; o bispo deve distinguir-se mais pelo serviço prestado que pelas honrarias recebidas do Senhor. Conforme o preceito do Senhor, aquele que é o maior seja como o menor, e aquele que preside, como o que serve”. Essa foi a mensagem do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, na homilia da missa na qual recebeu a ordenação episcopal Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese, na manhã do sábado, 7. A Catedral da Sé estava lotada para a celebração, que foi concelebrada por 16 bispos, entre eles o arcebispo emérito de São Paulo Cardeal Cláudio Hummes, os bispos auxiliares da Arquidiocese e inúmeros sacerdotes. Dom Odilo foi o ordenante principal e os co-ordenantes foram Dom Tomé Ferreira da Silva, bispo de São José do Rio Preto, e Dom Edmar Peron, bispo auxiliar da Arquidiocese. A maioria dos fiéis presentes era das comunidades paroquiais da Arquidiocese pelas quais o então Padre Eduardo atuou como sacerdote desde sua ordenação presbiteral no ano 2000. O Arcebispo também ressaltou que a ordenação de um novo bispo é um ato importante na vida da Igreja e, especialmente ao clero de São Paulo, sublinhou que era um dia de alegria, “pois um irmão de vocês foi chamado para o ministério episcopal, estímulo para os sacerdotes todos desta Arquidiocese”. “No bispo com seus presbíteros está presente na Igreja o próprio Jesus Cristo, Senhor e pontífice eterno. Pelo ministério dos bispos, é Cristo que continua a proclamar o Evangelho e a distribuir aos que creem os sacramentos da fé”, pontuou o Arcebispo, que ainda disse ao novo bispo: “Prega, portanto, a Palavra de Deus, quer agrade, quer desagrade”, mas também exortou: “admoesta com paciência e desejo de ensinar”.

‘Um padre exemplar’

Os fiéis acompanham atentamente o rito de ordenação episcopal, marcado pelo momento no qual o eleito se prostra diante do altar enquanto toda a assembleia invoca a intercessão dos santos, a imposição das mãos, gesto central da ordenação, a Oração Consecratória proferida pelo ordenante principal, enquanto o livro dos Evangelhos é colocado sobre a cabeça do eleito, a unção da cabeça do novo bispo com o óleo do Crisma e a entrega das insígnias episcopais – anel, mitra e báculo. Um desses fiéis era o comerciante aposentado Devanir Rosa, da Paróquia São João Gualberto, na Região Episcopal Lapa, onde Dom Eduardo foi pároco por sete anos. “O Padre Eduardo sempre foi uma pessoa muito amável, de diálogo em

Com presença significativa de representantes de movimentos negros da capital, Dom Eduardo recebeu, pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, a ordenação episcopal, sábado, dia 7, na Catedral

tudo. Aquele padre atuante junto ao seu rebanho”, atesta Devanir, que proclamou a primeira leitura na celebração. “Lá em nossa comunidade, todos nós temos o prazer de que ele venha em nossas casas, almoçar, tomar um café, o que ele desejar. Ele é um padre exemplar e como bispo, sem dúvida alguma, continuará a sê-lo”, acrescentou o amigo.

‘Rezem por mim’

Em seu primeiro pronunciamento como bispo, Dom Eduardo agradeceu a Deus pela sua vida e vocação sacerdotal e agora episcopal. Emocionado, agradeceu ao seu pai, Augusto Vieira, falecido há quatro anos, e sua mãe Maria Alves, que mor-

reu há apenas três meses. “Agradeço por terem me dado a vida, um lar, uma família, muito amor e educação”, disse. Dos oito irmãos de Dom Eduardo, sete são vivos e vieram da cidade paranaense de Sarandi para a celebração, junto com uma caravana de parentes e amigos. Sua irmã, Olímpia Vieira dos Santos, manifestou ao O SÃO PAULO a emoção e alegria da família em ver o irmão assumindo uma nova missão. “É um presente, uma graça de Deus para nós. O Eduardo é uma pessoa ímpar, tem um diferencial. É uma presença de Deus em nossa vida”, afirmou. Olímpia contou, ainda, que quando o irmão comunicou à família que queria ser padre, foi uma alegria. “Ao mesmo tempo,

questionávamos se era para valer ou uma ideia passageira. Mas sua convicção se concretizou nesses anos todos de sacerdócio”. No período de convalescência da mãe, a família se uniu mais para cuidar dela. “O Eduardo, mesmo estando longe, foi um dos filhos que esteve muito presente. Com certeza, nossos pais no céu estão em festa e nosso irmão pode contar com a intercessão deles”, acrescentou Olímpia. Ainda antes da celebração, a irmã, muito emocionada, contou que quando desse o primeiro abraço no irmão já bispo, iria dizer-lhe: “Dom Eduardo, receba aqui não apenas o abraço da sua irmã que te ama muito, mas o abraço da tua mãe e do teu pai.”


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Do Especial para O SÃO PAULO

A acolhida de Dom Eduardo Vieira dos Santos na Região Episcopal Sé aconteceu no domingo, 8, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no Bom Retiro. Os padres, diáconos, religiosos e fiéis das paróquias e comunidades da Região manifestaram a alegria pelo novo vigário episcopal. Dom Eduardo chegou à igreja acompanhado do Cardeal Odilo Scherer, que o apresentou ao povo e mais uma vez desejou-lhe a benção de Deus e toda força do Espírito Santo no desempenho de sua missão. “Dom Eduardo, essa Região está entregue de modo particular, aos seus cuidados, com todas as suas paróquias, comunidades... Para que você, junto com os padres que aqui trabalham possam fazer a animação da vida eclesial e fazer frutificar todo bem na vida da Igreja, nesta porção da nossa Arquidiocese”, disse. “Quero, com vocês amar o povo, fazer o bem para os quais nos foram confiados. Preciso contar com vocês”, afirmou Dom

‘Gostaria de anunciar o Evangelho com simplicidade e alegria’ Eduardo aos padres, durante a homilia. “Vocês me conhecem. Vocês sabem quem eu sou. Essa caminhada que gostaria de ter com vocês, anunciar a pessoa de Jesus Cristo”, acrescentou. Dom Eduardo manifestou que sempre quis ser padre para servir, e como bispo, deseja continuar a exercer essa missão. “Anunciar Jesus Cristo, de modo particular, entre o povo que nos foi confiado é a minha primeira missão. Gostaria de realizá-la com simplicidade e alegria”, disse, recordando seu lema episcopal: “Alegrai-vos sempre no Senhor”. “E se acaso eu tiver dando um contra testemunho, sejam irmãos para corrigir-me”, pediu.

‘Conte conosco’

Em nome dos leigos da Região, Idivaldo e Maria Lúcia Gramigna, coordenadores regionais da Pastoral Familiar. “O senhor está em nossos corações e em nossas orações desde sua nomeação como vigário episcopal para a Região Sé. Temos a consciência de que o senhor será o nosso amigo, além de ser o nosso pastor, que nos mostrará o caminho a ser seguido. Como discípulos e missionários, inseridos nas diversas pastorais, movimentos, associações, novas comunidades, os colocamos a serviço no seu pastoreio para a construção de uma Igreja acolhedora, alegre e

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participativa. Conte sempre conosco!” Em nome das religiosas da Região, a Irmã Maria Chiara Zarinelli, renovou o compromisso de doação a serviço da Igreja. “Conte não somente com as nossas orações, mas com o nosso empenho pastoral”. Padre José Augusto Schramm Brasil, pároco da Paróquia São Geraldo, e membro do Conselho de Presbíteros , falou em nome do clero. “Nossas comunidades rezaram insistentemente para que o Senhor concedesse novo auxiliar para a Arquidiocese, e que fosse expressão do coração do bom pastor. Nós o acolhemos coma alegria porque é um irmão. Queremos estar com o senhor. Nós, presbíteros, queremos somar e multiplicar como convém ao povo santo de Deus”, afirmou. No final da missa, representantes da Pastoral Afro-Brasileira entronizaram a imagem de Nossa Senhora Aparecida e entregaram ao novo bispo, confiando a ela seu ministério. (FG)

‘E a Palavra se faz comunicação’ Arquivo pessoal

Na Catedral da Sé, Irmãs Paulinas celebraram abertura do centenário da Congregação

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Incansável, aos 94 anos, a irmã paulina Felicidade Zillio coloca as capinhas de plástico nos livros e Bíblias que são publicados pela gráfica, localizada entre São Paulo e Osasco. Por suas mãos passam, a cada dia, palavras que são verdade, beleza, alegria, coragem, bondade, são sinais do Reino de Deus impressos no papel, transformados em livro, revista, caderno e também em som e imagem. Irmã Felicidade viu a história das Irmãs Paulinas crescer no Brasil e celebra junto com as demais religiosas, jovens em formação, cooperadores leigos e toda a Família Paulina, o centenário desta congregação religiosa que tem o carisma de comunicar a Palavra de Deus com os meios e na cultura da comunicação. “Eu não sei tudo, mas o que sei está aqui, eu faço”, disse irmã Felicidade às jovens que estão no noviciado. Entre elas, Silvânia Freire, que nasceu em Manaus (AM) e antes mesmo de decidir fazer uma experiência na vida religiosa consagrada, emprestava sua voz como comunicadora num programa da Rádio Rio Mar em Manaus e navegava os rios amazonenses entre caixas de livros que eram levados para as comunidades ao longo do rio Amazonas.

Silvânia, noviça da Congregação das Irmãs Paulinas, que participou da missa de abertura do centenário do Instituto, junto à irmã Felicidade que tem 94 anos

“Fazer parte desses 100 anos de Paulinas no mundo é motivo de celebrar a fé, a esperança e o chamado de seguimento a Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida. Sou feliz por contribuir nessa missão e alargar meu coração para sonhar um futuro em que a dignidade humana seja o meu ideal de permanecer fiel a este carisma tão nobre e necessário para nossa Igreja” disse Silvânia, que está na congregação há 5 anos. As palavras de Silvânia resumem a experiência da vida paulina no que se refere à espiritualidade e missão desse Instituto que está presente em 50 países e tem o Apóstolo Paulo como pai e protetor.

‘Um carisma de atualidade luminosa’

Na Catedral da Sé, sábado, 7, às 17h, na missa presidida pelo cardeal Odilo Scherer, arcebispo metropolitano, aconteceu a aber-

tura do centenário de fundação das Irmãs Paulinas no mundo. Religiosas, padres e irmãos paulinos, membros das demais congregações da Família Paulina, colaboradores que trabalham nas livrarias ou nos diversos setores de missão e os cooperadores leigos se uniram em ação de graças pela família que nasceu a partir da inspiração do bem-aventurado Tiago Alberione. Na homilia, dom Odilo disse que o carisma das Filhas de São Paulo já na época da fundação tinha uma grande importância e, “ainda mais hoje, que vivemos num tempo de comunicação, num ambiente novo”. O Cardeal reforçou que a Igreja precisa estar neste novo ambiente e por isso, “o carisma paulino tem uma atualidade luminosa”. A superiora provincial das Irmãs Paulinas no Brasil, irmã Antonieta Bruscato agradeceu pelas

palavras de encorajamento de dom Odilo e agradeceu “a Deus pelas insondáveis riquezas de graça que ele concedeu às Irmãs Paulinas, principalmente aos protagonistas desta história, o padre Tiago Alberione e a Irmã Tecla Merlo, primeira religiosa paulina”.

Um início, La Valsusa

“Parece até uma fábula, ao invés são páginas de história.” Assim a participação das jovens paulinas está narrada no site do jornal “La Valsusa”, que pode ser lida, em italiano, no endereço www.lavalsusa.it. “Em 1907, após dois anos e meio de suspensão da publicação, o jornal passou a se chamar “La Valsusa”. São os anos em que padre Tiago Alberione jogou as sementes das futuras Filhas de São Paulo em Susa. Em 1919, após a guerra, o Bispo pediu ao padre Alberione que enviasse a Susa 14 moças, que faziam tudo do jornal desde a re-

dação, os esboços, a correção, impressão e também a difusão. São as mais jovens a percorrer as ruas de Susa anunciando que o novo número estava à disposição.” Esse foi o primeiro projeto das Irmãs Paulinas, que em Susa passaram a ser chamadas pelo povo como “Filhas de São Paulo”, pois carregavam sempre consigo um quadro do Apóstolo, considerado por Alberione o pai da família e até mesmo seu fundador. Hoje, espalhadas pelo mundo, essas mulheres constroem redes de comunicação e consagram a vida seguindo os passos de Paulo. E se Paulo vivesse hoje, perguntou-se Alberione e perguntam-se, diariamente suas filhas, as Irmãs Paulinas. A resposta, que não está finalizada, constrói-se a cada livro que alguém lê e passa de novo a acreditar na Palavra que transforma o mundo em vida e no bem que não tem fronteiras.


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Parto normal para nascer de modo mais humano Arquivo pessoal

No Brasil prevalece a cultura da cesariana e muitas mães têm dificuldade quando optam por ter seus filhos sem intervenção cirúrgica Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Quando Paula Ferreira Nascimento Nunes, 30, mãe da Antonella Nunes e esposa do Felipe Nunes descobriu que estava grávida foi uma mistura de felicidade e insegurança. Ela ainda estava se recuperando porque havia perdido um bebê com 6 semanas. Nessa fase já começou a procurar um médico que a ajudasse a ter um parto natural. Foi então que Paula conheceu Fabiola de Souto, professora de yoga, advogada e doula (auxiliar da gestante antes, durante e após o parto). Fabiola promove rodas de gestantes gratuitas sobre parto humanizado. “Participei de uma destas rodas e me apaixonei pela ideia de ter um parto natural. Algumas vezes, cheguei a discutir com quem me chamava de louca por isso, inclusive meu marido”, contou Paula. Mas Felipe entendeu a importância do parto humanizado após assistir o filme “O renascimento do parto”. Ele repetia sempre à esposa: “se der pra fazer como você quer, tudo bem, mas se for necessário de outro jeito...”. A mãe catarinense não gostava dessa frase, pois havia escutado de três médicos pelos quais passou. Foi então que ela decidiu ir de Tubarão para Florianópolis (SC) e lá conseguiu um médico. A experiência vivida por Paula acontece com muitas mães brasileiras. Segundo a pesquisa “Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre o parto e nascimento”, primeiro estudo nacional de

Em Santa Catarina, Paula e Felipe optaram pelo parto humanizado no nascimento da primeira filha, Antonella

base epidemiológica que descreve a atenção ao parto, 66% das mulheres preferiram o parto normal no início da gravidez, só que depois acabam mudando de ideia ou sendo convencidas dos supostos benefícios da cesariana. A pesquisa, disponível no site www6.ensp.fiocruz.br/nascerbrasil, acompanhou 23.984 mulheres e seus bebês em estabelecimentos de saúde públicos, conveniados ao SUS ou privados, que realizaram mais de 500 partos por ano, entre fevereiro de 2011 e outubro de 2012. Foram coletados dados em 266 hospi-

Direitos da mãe Aprovada, a lei 712/2013 assegura o direito ao parto humanizado nos estabelecimentos públicos de saúde do Estado e, em 23 de dezembro de 2013,

tais de 191 municípios, incluindo as capitais e algumas cidades do interior de todos os estados, das cinco regiões do País. Um dos objetivos da pesquisa é o de analisar a atenção à gestação e ao parto e seus principais desfechos, além de descrever a motivação das mulheres para opção pelo tipo de parto, a estrutura das instituições hospitalares e a relação com os desfechos obstétricos e neonatais.

Dentro da água

Paula decidiu pelo parto normal e encontrou um médico em

também foi aprovada, no município de São Paulo, as diretrizes para a criação do Programa Centro de Parto Normal - Casa de Parto. Outro Projeto de Lei, o 359/13, de maio do mesmo ano, prevê a inclusão de obstetrizes nos serviços de saúde

Florianópolis que orientava o parto dentro d’água. A gravidez aconteceu de forma tranquila e, com 34 semanas, ela começou a massagem perineal ensinada na roda de gestantes de Tubarão. “Sentia uma conexão incrível com aquele serzinho que habitava meu corpo. No fim da gestação meu marido pegou férias e fomos para ‘Floripa’ esperar nossa princesa dar o ar da graça”, contou Paula. O grande dia: 24 de maio de 2014 chegou. Começou com uma caminhada na praia e uma feijoada ao meio dia. “À tarde, dormi

destinados à promoção e atenção à saúde da mulher e à assistência durante a gestação, parto e pós-parto. “As obstetrizes atuam de forma autônoma e em equipes multidisciplinares”, afirma o artigo 3º do Projeto de Lei. Mesmo com a aprovação destas leis, devido ao

como um anjo e acordei profundamente apaixonada pelo meu marido. Enquanto me arrumava para sair com os amigos, senti que a bolsa estourou.” Paula, com o apoio do Felipe começou a fazer as posições que havia treinado para aliviar as contrações e tentava respirar e manter a calma. “Este controle respiratório aliviava as contrações, e a cada contração, não falava nada. Somente estalava os dedos, respirava forte. Senti que a boa hora havia chegado! Mal conseguia me movimentar até o carro pela frequência das contrações, e confesso que cheguei a pensar: porque escolhi isto pra mim e não uma cesárea? Pensava na minha mãe, que é um símbolo de força para mim.” Ao chegar à maternidade, Paula foi para a banheira. “Ali assumi a posição de cócoras que era como gostaria de parir. De repente, senti uma vontade incontrolável de fazer força. Chamaram o médico, que teve que subir na banheira para me examinar. Continuava fazendo força a cada contração e pensei: Agora ela vem! O médico disse: ‘Corre pai, entra na banheira que a cabeça já esta ali’. A sensação de tocá-la juntos e sentir aquele cabelinho bem macio foi indescritível. Naqueles poucos minutos senti uma ansiedade tremenda. E assim, senti ela deslizar aparando-a em meus braços junto com o Felipe. Puxei-a para o meu peito rapidamente e o médico pediu que eu descesse um pouco, pois ela tinha uma circular de cordão no pescoço. Calmamente ele desenrolou com um dedo. Depois, pediu que eu baixasse um pouco mais e cobrisse o corpo dela com água. Ficamos os três ali, com aquele chorinho gostoso dela, cobertos pela água quentinha, extasiados de emoção.” E foi o pai, Felipe que cortou o cordão umbilical da filha. A mãe já partilhou essa experiência em várias mídias e na própria página no Facebook.

grande número de usuários de planos de saúde no Brasil, o número de cesárias chega a 88% dos partos em instituições de saúde privadas, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que este número não ultrapasse os 15%.


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Acolhida e segurança na hora de dar à luz Em 2014, o Amparo Maternal realizou 7.407 partos, numa média de 617 por mês, sendo 70 % normais Rodeadas de verde, muitas mamães em São Paulo encontram no Amparo Maternal, instituição privada e filantrópica de saúde na zona sul de São Paulo, um lugar seguro na hora do parto. Isso porque “as decisões sobre a conduta a ser tomada diante de cada parto estão embasadas nas premissas institucionais de acolhimento, humanização e segurança para a saúde da mãe e do bebê, bem como todos os demais detalhes que garantam o seu vínculo neste momento que é um dos mais importantes para o ser huma-

no”, afirmou Júnia Cordeiro, Diretora Executiva do Amparo Maternal. Sueli Regina Maria Barbosa, 38, teve no Amparo, o segundo filho de parto normal. Ou melhor, a segunda filha, Alita Mariana Barbosa de Souza nasceu no dia 5 de fevereiro e estava com apenas algumas horas quando sua mãe foi entrevistada para esta reportagem. O pai, Ailton Antônio de Souza, 41, acompanhou o parto da filha e participou deste momento tão importante na vida da família. “Nunca pensei em outra forma de ter meus filhos. Desde que eu quis engravidar, comecei a ler muitas coisas e sempre achei muito interessante esses partos naturais. Quando entrei na 39ª semana, a médica perguntou se queria fazer uma cesariana e eu não quis. Todo mundo falou que eu estava

doida, pois deveria fazer a cirurgia. Hoje comecei a sentir as contrações, vim pra cá e foi rapidinho”, contou Sueli. A mãe de Alita teve 13 irmãos e foi a única filha que não nasceu de parto normal. “Hoje, quando fiquei sozinha no quarto, pensei na minha mãe. Ela teve filhos com parteiras e até sozinha. Eu trabalhei até ontem e hoje comecei a sentir contração. Na hora do parto, a ajuda da equipe é muito importante e das doulas ou obstetrizes também. Ao invés de pensar na dor, eu pensei na força que deveria fazer”, contou a mãe, que sempre recomenda às amigas o parto normal, mas constata que a maioria prefere a cesárea, e concluiu “Isso não é estranho?”.

Marcelle Machado/Amparo Maternal

Colaborou nesta reportagem Marcelle Machado, do Amparo Maternal

Cesárea humanizada? Uma questão de linguagem? Melania Amorim, médica ginecologista obstetra, pesquisadora, professora e ativista pela humanização do parto e nascimento é referência para o assunto no País e alimenta um blog regularmente levantando o debate sobre o tema. Para ela, não existe cesariana humanizada. “Isso é balela para vender a cesariana como uma alternativa válida e equivalente ao parto normal. A cesariana pode ser linda, – ah, como é linda! Uma cesariana necessária e salvadora! Pode ser respeitosa e a assistência ao nascimento pode ser humanizada e baseada em evidências, mas o procedimento em si, nada tem a ver com o conceito de humanização do parto, por isso evito o termo. Também não falo em cesariana natural ou minimamente invasiva, prefiro falar de técnica de cesárea baseada em evidências e humanização da assistência ao nascimento na cesariana”. A médica e pesquisadora Me-

lania já utilizou procedimentos como episiotomia de rotina (um corte que se faz entre a vagina e o ânus da mulher para, em tese, facilitar a saída do bebê durante o parto) e fórceps de alívio em primíparas (mães de primeira viagem), mas não recorre mais a esses métodos nos partos que acompanha. “A gente evolui e se transforma. Felizmente. Eu também fazia. Eu mudei. Só nunca fui cesarista. Questão semântica, puramente? – Não acho”, afirmou em um texto que escreveu para sua página na internet.

Violência obstétrica

Outro tema defendido por Melania é o de que a violência obstétrica está entre um dos principais tipos de violência contra a mulher, praticada em diferentes países. Ela compartilha essa opinião de Fabiana Dal’Mas Rocha Paes, promotora de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo. “No

meu entendimento, a violência obstétrica é um termo relativamente novo para descrever problemas antigos, que possuem três aspectos inter-relacionados. Os direitos de gênero, o direito à saúde e os direitos humanos. Pode caracterizarse de distintas formas: recusa à admissão ao hospital (Lei nº 11.634/2007), impedimento de entrada de acompanhante (Lei nº 11.108/2005), violência psicológica, cesariana desnecessária e sem consentimento, impedimento de contato com o bebê e o impedimento ao aleitamento materno”, explicou Fabiana. Ela informou também que o sistema jurídico brasileiro já possui legislação genérica protetiva para tratar da violência obstétrica, mas que a questão não pode ser tratada de forma superficial, necessitando um amplo debate com a participação da sociedade civil, das autoridades e dos médicos.

Dica Geiza Nhoncanse, médica formada pela Universidade Federal de São Carlos recomenda que todo casal grávido assista ao filme “O Renascimento do Parto”. Disponível no site www.orenascimentodoparto.com.br, o filme trata sobre os benefícios do parto normal para o bem da mãe e do bebê.

Sueli com a filha nascida há apenas algumas horas de parto normal em São Paulo

Mitos e verdades do parto normal * Medo da dor A dor é pessoal e suportável, em casos de maior dificuldade, pode-se utilizar a anestesia; Medo de alterar o períneo (a entrada da vagina e do ânus) Esta questão está relacionada ao colágeno da família e à quantidade de filhos que a mulher terá na vida – pode-se fazer massagens e utilização de aparelho; Cesariana é mais segura Ao contrário, há mais riscos para a mãe pois é uma cirurgia, a cicatriz uterina traz riscos em outras gestações e para o bebê há risco da prematuridade; Idade avançada Não há limite de idade, as condições podem aparecer sim, mas dependem de cada mulher;

O primeiro filho foi com cesárea O ideal é que haja dois anos entre uma gestação e outra, mas há segurança no parto espontâneo, mesmo depois da cesárea; Bebê com circular de pescoço 30% dos bebês tem circular no pescoço, durante o trabalho de parto reconhece-se se a criança está tendo diminuição de vitalidade, mas isso não é impedimento; Bebê muito grande ou bacia estreita Sempre é importante passar pela prova do trabalho de parto. É muito difícil numa gestação saudável que o bebê seja feito de uma maneira incapaz de passar pela bacia da mãe; Parto de gêmeos Podem nascer de parto normal na maioria dos casos.

*Informações de Ana Fialho, ginecologista obstetra, no programa “Parto Normal Medos e Mitos”, apresentado na Tv FioCruz em 28/10/2013.


A Arte de Escrever em 20 Lições Uma pergunta nos ocorre desde já: devemos escrever? Não será mau serviço favorecer as tendências para se cobrir de letras o papel? Não haverá bastantes escritores? Será preciso avisarmos os que escrevem mal? Estamos inundados de livros. Que será a literatura, quando toda a gente a praticar? Ensinar a escrever não será impelir o próximo a publicar tolices? Não será rebaixar a arte o pô-la ao alcance de todos e não a amesquinharemos, tornando-a mais acessível? (...) Quase todas as pessoas escrevem mal porque não se lhes demonstrou o mecanismo do estilo, a anatomia da escrita, nem como se encontra uma imagem e se constrói uma frase. Impressionei-me sempre com a quantidade de pessoas que poderiam escrever e que não escrevem, ou escrevem mal, por não terem alguém que as desimpedisse das ligaduras em que estão comprimidas. (...) O meu alvo é mos-

Reprodução

Literatura

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Samuel Beckett na Casa Guilherme de Almeida Dentro da série Livro Falado, que apresenta traduções literárias recém-lançadas por meio de uma conversa com o tradutor, Ana Helena Souza fala do processo de traduzir o irlandês Samuel Beckett, autor ao qual ela se dedica – como tradutora e pesquisadora – há diversos anos. Na ocasião, terça-feira, 24, às 19h, será lançada sua tradução de Malone meurt (Malone morre), de Beckett. Na quarta-feira, 25, também às 19h, haverá uma ofi-

Cinema

dica de leitura

16 | Fé e Cultura |

trar no que consiste a arte de escrever; decompor os processos de estilo; expor tecnicamente a arte da composição; ministrar os meios de aumentar e ampliar as aptidões do estudioso, isto é, duplicar-lhe e triplicar-lhe o talento; em poucas palavras: ensinar a escrever quem

quer que não o saiba, mas que tenha o que é preciso para o saber. Ficha técnica: Autor: Antoine Albalat Páginas: 300 Editora: Vide Editorial

cina de tradução, na qual as características da obra bilíngue de Samuel Beckett serão apresentadas e discutidas por meio da análise de trechos de sua prosa em inglês e em francês. Num segundo momento, os alunos poderão traduzir passagens da obra do autor, comparar e comentar entre si os resultados obtidos, e, também, confrontá-los com traduções já publicadas em português. Para inscrições ou mais informações: casaguilhermedealmeida.org.br

Caminhos da Floresta: um filme para crianças? Está em cartaz nos cinemas “Caminhos da Floresta”, o novo filme da Disney. O filme, em forma de musical, conta a história de um casal de padeiros que precisa encontrar cinco itens para desfazer uma maldição que os impede de ter filhos. A história reconta em versão um pouco mais sombria diversos contos de fada arqui-conhecidos, como Cinderela e Chapéuzinho Vermelho. Com boa atuação (incluindo Meryl Streep como bruxa), o filme é, infelizmente, uma

grande confusão, veiculando visões de mundo contraditórias e uma trama final sem muito sentido. Um exemplo da falta de unidade se encontra nas canções: uma fala sobre perdão, outra diz que nós é que devemos decidir o que é certo e errado, outra afirma que nunca estamos sós. Uma coisa, no entanto, se destaca no filme: a dificuldade (quase incapacidade) de todos os personagens em lidar com as próprias emoções e fazer o que é certo, mesmo quando é difícil.


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| Esporte | 17 Lead Comunicação

Definido os dois últimos arqueiros para o Pré-Pan de tiro com arco Redação

O último final de semana foi de grande importância para o tiro com arco nacional, a seletiva realizada em Maricá (RJ) definiu os dois últimos integrante da seleção que irá disputar o Pré-Pan em Santo Domingo, na República Dominicana, previsto para março deste ano. O Brasil será representado por uma equipe de quatro arqueiros. Marcus Vinícius e Daniel Xavier, os melhores do País na modalidade, já haviam

garantido duas vagas brasileiras, na Argentina, em 2014. Neste último final de semana, Disney Machado e Fábio Emílio garantiram as outras duas. A grande aposta para essa seletiva era Dream Braga, o arqueiro índio que está integrando a seleção, embora não tenha conseguindo a pontuação suficiente para ser o primeiro arqueiro indígena brasileiro a participar de uma competição internacional, o jovem indígena ficou em terceiro lugar, com uma diferença de três centési-

mos para o segundo colocado. Com esse resultado, Dream Braga confirma o seu favoritismo para integrar a seleção permanente, que irá representar o Brasil nas Olimpíadas de 2016.

Modalidade olímpica O Tiro com arco é modalidade esportiva que faz parte do quadro olímpico desde 1900. Em comparação com outras modalidades, o Brasil não tem uma longa história na arqueria. Embora seja um país de raízes indígenas, o esporte só foi difundido como

competição na década de 50. Mesmo assim, o país conta com medalhas internacionais importantes como a conquista do bronze no Pan-Americano de 1972 e três bronzes em 1983. Nos jogos Olímpicos, a equipe brasileira de Tiro ao Arco, estreou em 1980. Em Londres, 2012, contou apenas com um representante, sem medalhas. Hoje no Brasil são 10 federações estaduais ligadas à Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO). Nos últimos campeonatos Nacionais e In-

ternacionais o Amazonas subiu várias vezes ao podium com Roberval Fernando dos Santos, Anibal Forte, Carlos Galindo, Francisco das Chagas, Elisabete da Silva, Victor Sebastian e Larissa Feitosa. Para Carlos Galindo, presidente da Federação Amazonense de Tiro com Arco (FATARCO), “o projeto, além de beneficiar diretamente os jovens, contribui para a popularização da modalidade esportiva ‘ Tiro com Arco’ no Brasil e no mundo”. Fonte: Lead Comunicação

Início da Temporada 2015 da Fórmula 1 Redação

A temporada 2015 da Fórmula 1 já começou, pelo menos no que diz respeito aos novos carros, que já foram apresentados por quase todas as equipes. Só a austríaca Red Bull e sua filial italiana Toro Rosso ainda não mostraram a versão 2015 de suas máquinas. Para alegria dos fãs do esporte, a expectativa é que os carros sejam mais velozes este ano. Apesar de os motores serem os mesmos modelos V6 do ano passado, as mudanças aerodinâmicas impostas pelo novo regulamento e a promessa da Pirelli de pneus mais resistentes, tendem a deixar os carros de dois a três segundos mais rápidos, segundo Paul Hembery, diretor empresa italiana de pneus. Mantendo a tradição, o primeiro grande prêmio do ano será na Austrália, em 15 de março. A temporada

se encerra em novembro, 29, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. O GP do Brasil será a penúltima corrida do ano, também em novembro, porém, no dia 15 (veja calendário completo ao lado). A novidade deste ano é o GP do México, no dia 1º de novembro. Os mexicanos recebem de volta a Fórmula 1 após 23 anos de ausência. A última corrida disputada no país foi em 1992, com vitória do inglês Nigel Mansell. Outra novidade em 2015 é a saída do GP da Coréia do Sul do calendário oficial. Os organizadores da etapa asiática enfrentam dificuldades financeiras há alguns anos e declararam inviabilidade total para a realização da prova em 2015. O que não deve faltar na temporada deste ano da Fórmula 1 é emoção. Serão 20 etapas, nove equipes e 22 pilotos disputando volta a volta os pontos que podem levar aos títulos por equipe e individual. Fonte: http://sites.uai.com.br/

GP da Austrália GP da Malásia GP da China GP do Bahrein

15/3 29/3 12/4 19/4

GP da Espanha GP de Mônaco GP do Canadá GP da Áustria GP da Inglaterra GP da Alemanha GP da Hungria GP da Bélgica

10/5 24/5 07/6 21/6 5/7 19/7 26/7 23/8

GP da Itália GP de Cingapura GP do Japão GP da Rússia GP dos EUA GP do México o Brasil GP de Abu Dhabi

reprodução

06/09 20/09 27/09 11/10 25/10 01/11 15/11 29/11


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Brasilândia

Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

Fotos: Pascom Brasilândia

Dom Devair é acolhido por leigos, lideranças pastorais e centenas de fiéis da Região; Clero se fez presente na recepção do novo bispo regional

Em festa, Região Brasilândia acolhe seu novo bispo Dom Devair nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo em 10 de dezembro, o novo bispo teve sua ordenação episcopal no último dia 01 de Fevereiro, em Franca -SP Na tarde do sábado, 7, na Paróquia São Luis Gonzaga, em Pirituba, toda a Região Episcopal Brasilândia se reuniu para dar as boas-vindas ao seu novo pastor e vigário episcopal Dom Devair Araújo da Fonseca. A igreja estava lotada de fiéis leigos, coordenadores de pastorais, padres e díaconos, religiosos e religiosas. Também estavam presentes os familiares de Dom Devair, assim como os fiéis

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

paroquianos da cidade de Orlândia (SP) e de Franca (SP), que traziam cartazes e banners em forma de gratidão pelos trabalhos prestados na Diocese de Franca. A missa foi presidida pelo próprio acolhido, e concelebrada por Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC) e primeiro bispo regional da Brasilândia, e por dom Carlos Leme Garcia, também bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Educação e Universidade. Os padres Neil Charles Crombie, vigário paroquial da região, Pedro Ricardo Pieroni, pároco da Igreja São Luis Gonzaga, Konrad Korner, pároco da Bom Pastor e Antônio Leite Barbosa Júnior, pároco da Santos Apóstolos também compuseram o altar. Demais padres do clero da igreja local estiveram presentes. Dom Devair foi apresentado ao seu novo rebanho pelo Cardeal Dom Odi-

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

NOME___________________________________________________________ _________________________________________________________________ DATA DE NASC. ___/___/____CPF/CNPJ _________________________________ ENDEREÇO ___________________________________________________________ __________________________________________________________ nº __________ COMPLEMENTO ______________________ BAIRRO ___________________________ CEP ____________ - ___________ CIDADE____________________________________ ESTADO ______ E-MAIL: ________________________________________________ TEL: (__________) ______________________________________ DATA ____/___/____

lo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. Após a leitura da nomeação do papa Francisco,( também conhecida como bula), feita pelo vigário da região padre Neil Charles Crombie, o cardeal Dom Odilo, que esteve no início da missa, agradeceu a Dom Devair por ter aceitado o chamado para ser bispo auxiliar em São Paulo, uma grande metrópole e recordou que a Região Brasilândia tem enormes disparidades sociais, mas tem uma grande riqueza humana em seu povo. Em sua homília, Dom Devair expressou sua alegria em presidir a eucaristia, feita durante as oitavas de sua ordenação episcopal. O bispo lembrou que a celebração do sacramento da Ordem faz perceber a vivacidade da Igreja. “Quando se celebra a ordenação vê-se que a Igreja continua de pé, que ela está viva, crescente e atuante”, O bispo também comentou que uma das coisas que o marcaram nesse período de ordenação foi a reunião de pessoas vindas de lugares tão diferentes para testemunhar o acontecimento da ordenação, que é sinal da universalidade da Igreja. “No nosso dia a dia, precisamos falar com a própria vida sobre essa Igreja, testemunhando a fé que dos apóstolos recebemos”. E encerrou falando sobre a perseverança na Fé e sobre o amor de Deus, que nunca nos abandona, “Permanecer em Deus é querer estar sempre na presença dele. Somos chamados a permanecer na presença de Deus. Jesus permanece na cruz e dá o sinal de amor a Deus”. Durante o ofertório, as quatro urgências pastorais assumidas pela Região na Asssembleia de pastoral em 2014 foram apresentadas: Ini-

ciação Cristã, Formação, Família e Juventude. Em seguida, representantes dos sete setores pastorais e de todas as paróquias relembraram a história da Brasilândia, região que atualmente conta com 36 paróquias, quatro áreas pastorais, com uma população de 1,3 milhão de habitantes. Ao final, o bispo acolheu a imagem de Nossa Senhora Aparecida, Mãe Negra trazida pela pastoral Afro da região Brasilândia. Depois foi saudado por representantes do clero, leigos e religiosos, ganhou de presente uma sandália, como sinal da caminhada que se inicia, e para que o bispo percorra toda a região Brasilândia. “Vinde e vede, pelos morros, vielas e becos e se impregne com o cheiro das ovelhas da Brasilândia”, discursou a leiga Andréa Guarnieri, representando todos os leigos. Uma cesta com produtos artesanais feito por projetos da Cáritas, também compuseram o presente do bispo. Dom Devair agradeceu pela presença de todos, em especial que se deslocaram de Franca e de Orlândia para a cidade de São Paulo. “Nós não temos tempo, o tempo pertence a Deus, temos que viver bem aquilo que Deus permite. Para mim o episcopado não é promoção por um serviço bem feito. O padre tem que fazer bem o serviço em nome de Jesus Cristo”. Segundo o bispo ir para a Brasilândia é apenas uma mudança de lugar para fazer aquilo que já fazia antes. “Espero realizar bem a missão que Deus me confia, sendo muito feliz no episcopado, assim como fui feliz sendo padre”, encerrou a celebração, abençoando a todos.

AGENDA REGIONAL 22 de Fevereiro (14h) Abertura da Campanha da Fraternidade na Paróquia Bom Jesus dos Passos, setor pastoral Freguesia do Ó. (Rua Professor João Machado, 856 - Nossa Senhora do Ó) Informações no Telefone 11 3924-0020


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João Carlos Gomes

Colaborador de Comunicação da Região

Belém

‘Quem é Jesus, caminho’ é tema de semana catequética Dos dias 9 a 12 de fevereiro, a Região Episcopal Belém, tal como as outras cinco Regiões Episcopais da Arquidiocese de São Paulo promove a semana de Iniciação à Vida Cristã, a Semana Catequética, que este ano tem como tema Quem é Jesus: o Caminho! As três primeiras noites, será feito nos setores e a última noite (12/02), será no Centro Pastoral São José, sede da Região Belém. Os encontros começarão às 20h, nas seguintes paróquias: Paróquia Nossa Senhora do Pilar (Setores Guarani, Vila Alpina e Vila Prudente); Paróquia São João Batista (Setores Belém, Tatuapé, Vila Antonieta e Carrão Formosa), Paróquia Nossa Senho-

João Carlos Gomes

Semana de Iniciação à Vida Cristã, a Semana Catequética, este ano tem como tema Quem é Jesus: o Caminho

ra de Fátima (Setores Sapopemba e São Mateus), Paróquia Imaculado Coração de Maria (Setor Conquista). A partir do tema geral,

cada uma das noites terá uma inspiração. Na segunda-feira, será ‘Encontro pessoal com Jesus’, a partir do Documento Evangelii Gaudium. Na terça-feira,

Arquivo Paróquia São Miguel Arcanjo

será ‘Encontro na Comunidade’, a partir do Doc. 100 da CNBB, ‘Paróquia, Comunidade de Comunidades’. Na quarta-feira, os setores refletirão sobre ‘A

Novo administrador paroquial na São Miguel Arcanjo Em celebração presidida pelo bispo auxiliar da Região Belém, dom Edmar Peron, no domingo, 8, a paróquia São Miguel Arcanjo, do Setor Conquista, acolheu seu novo administrador paroquial, padre Alex Sandro Sudré, missionário do Sagrado Coração. “Tenho fé e confio em Jesus por sua Palavra Testemunhada pelos que com Ele conviveram e na experiência de tantos homens e mulheres que, ao longo da história da salvação, receberam de Deus a missão de nos transmitir o que Ele deseja de nós”, disse o padre Alex Sandro.

Endereço: Estrada das Lágrimas, 910 - Sacomã Fone/ Fax: 2274-2853 / 2215-6111 Emails: secretaria@santuariosantaedwiges.com.br/ comunicacao@santuariosantaedwiges.com.br Site: http://www.santuariosantaedwiges.com.br

Vida e a Missão na Comunidade’, a partir do Documento Gaudium et Spes. No encerramento no Centro Pastoral, os setores se reunirão para a conclusão e partilha das reflexões. “Este será um grande momento de espiritualidade, celebração e formação. É aberto a todas as pessoas, sobretudo as que trabalham com o Batismo, Primeira Eucaristia, Crisma e em Pastorais que têm esse sentido catequético”, convidou o coordenador regional de pastoral, padre Alexandre Ferreira Santos.

AGENDA REGIONAL 11/02 à 17/02 - 11/02, 15h – Padroeira Paróquia Nossa Senhora de Lourdes. Local: Rua João Soares, 13 – Água Rasa. 14/02, 17h – Crisma Missão Belém na Paróquia São João Batista Brás. Local: Largo Senador Moraes Barros, s/n – Brás. 15/02, 10h – Crisma Paróquia Imaculado Coração de Maria. Local: Av. Rodolfo Pirani, 445 – Jd. Rodolfo Pirani

EXPEDIENTE PAROQUIAL MISSAS Segunda a sexta-feira às 15h e às 19h30 Sábados às 16h e Domingos às 7h, 9h, 11h e 18h30. Dia 16 de cada mês às 7h, 9h, 11h, 13h, 15h, 18h e 19h30. Secretaria Paroquial Segunda a Sexta- Feira das 8h às 19h30 Sábados das 8h às 12h e das 14h às 18h Confissões Segunda à sexta-feira: das 8h30 às 11h, das 14h às 15h e das 16h às 17h Sábado: das 8h30 às 11h Dia 16 de cada mês: das 6h30 às 19h Bazar de Objetos Religiosos Segunda a Domingo das 8h00 às 19h30


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Santana

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Luz e Candelária festejam a Virgem Maria Rodrigo Villa

Fiéis com velas comemoram festa da padroeira na Paróquia Nossa Senhora da Luz

Nossa Senhora da Luz, também chamada de Nossa Senhora das Candeias, ou Nossa Senhora da Candelária, ou Nossa Senhora da Apresentação ou Nossa Senhora da Purificação, são títulos

marianos pelos quais a Igreja Católica homenageia Maria, a Mãe de Deus. Com base na festa da apresentação de Jesus/purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da

Purificação. Como narra o Evangelho que Simeão promete que Jesus será a luz que irá aclarar os povos, nasce o culto em torno de Nossa Senhora da Luz/das Candeias/ da Candelária, cujas festas

eram, geralmente, celebradas com procissão de velas para relembrar o fato. Na Região Episcopal Santana são duas as paróquias que festejam suas padroeiras, em 2 de fevereiro: Nossa Senhora da Luz, e Nossa Senhora da Candelária. A Paróquia Nossa Senhora da Candelária (Praça Nossa Senhora da Candelária, 01 - Vila Maria Alta) promoveu novena preparatória com o tema “Maria escuta atenta ao chamado de Deus à missão”; A Paróquia Nossa Senhora da Luz (rua Heloísa Moya - 59 - Parada Inglesa) realizou tríduo em preparação à festa. Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, compareceu em ambas as paróquias. No dia 30 de janeiro, ele presidiu missa na Paróquia Nossa Senhora da Luz, onde foi acolhido o Padre

Anderson Antônio de Souza, que veio para São Paulo completar seus estudos de Pós-graduação em Direito Canônico. Nesse período, de três anos, trabalhará como padre colaborador na Comunidade Nossa Senhora da Defesa, pertencente à paróquia. A missa foi concelebrada pelos Padres Valdevir Cortezi, pároco da comunidade, Paulo Gil e Antônio Robson Gonçalves (Padre Toninho), que celebrava o 21º aniversário de ordenação sacerdotal, e foi auxiliado pelo Diácono Marcio José Ribeiro. Durante as festividades, a paróquia promoveu a Festa da Pizza da Padroeira. Mais de duas mil e cem pizzas foram servidas, em pouco menos de duas horas, para cerca de trezentas e vinte pessoas. Importante ressaltar a dedicação da equipe de trabalho formada por quase cinquenta pessoas.

Leigos têm nova coordenação regional O Conselho Nacional do Laicato do Brasil da Região Episcopal Santana – (CNLB-SANTANA), se reuniu em

Mais que apresentar notícias, queremos fazer uma parceria: Sua paróquia nos ajuda a dar visibilidade ao O SÃO PAULO e nós facilitamos a distribuição do folheto O POVO DE DEUS.

Assembleia Geral Ordinária, dia 6 de dezembro de 2014, na sede do Centro Pastoral Frei Galvão (avenida Mare-

chal Eurico Gaspar Dutra, 1877 – Parada Inglesa), para eleição da coordenação central para o biênio 2015-2016. Ficou assim constituída a coordenação: Presidente: Nelson Teixeira da Silva; Vice-Presidente: Luiz Claudio Zocarato; Secretaria: Elisabete dos Santos; Vice-Secretário: Clemente Raphael Mahl; Tesoureiro: Jadson José Baracho da Silva e Vice-Tesoureira: Maria Inês Leandro. Na ocasião, foi feito agradecimento ao trabalho desenvolvido por Clemente Mahl que, por quatro anos, esteve coordenando, primeiramente, o Grupo de Articulação e, posteriormente, o CNLB da Região Santana. Igualmente foi ressaltada a atuação do Diácono Nilo José de Carvalho Neto, assessor eclesiástico.

No último dia 29 de janeiro, a nova diretoria se reuniu, na Cúria de Santana, com Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana. “O encontro teve o objetivo de se colocar a serviço, pois temos a necessidade de vivermos unidos uns aos outros, porque só podemos ser edificados e abençoados se permanecermos juntos como um só corpo. Nesta reunião também apresentamos nossas propostas de trabalho para 2015, tais como: Dia da Cidadania, Escola de Fé e Política com a Cáritas Regional para realização de um curso de Doutrina Social da Igreja. A Dom Sergio nossa gratidão pelo incentivo e pelo amor que vem nos dedicando”, disse a secretária Elisabete. Diácono Francisco Gonçalves/Pascom

SAIBA MAIS:

11 3666-9660 11 3660-3724

Dom Sergio recebe na Cúria de Santana a nova coordenação regional de leigos


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Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação na Região

Paróquia de língua alemã tem novo pároco O Arcebispo metropolitano de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, presidiu a celebração na qual deu posse ao novo pároco da Paróquia Pessoal Alemã São Bonifácio, na Vila Mariana, no domingo, 8. Padre Georg Pettinger, ou Padre “Jorge”, como se tornou conhecido em sua experiência missionária de cinco anos na Paróquia Conde da Diocese de Alagoinhas (BA), tem 39 anos e é natural de Trostberg, no estado alemão da Baviera. Ele sucede o Padre Georg Fischer, que após sete anos à frente da São Bonifácio, retorna para a Alemanha. Dada a sequência de nomes, os paroquianos não tiveram dúvida: seu

novo pároco atenderá pelo nome de “Jorge II”. A celebração contou com a presença de várias autoridades da colônia alemã, entre estes, o Consul Geral da Alemanha, Friedrich Däuble, o Consul adjunto, Uwe Heye, além de representantes da Igreja Luterana, das escolas alemãs e diversas entidades de cultura alemã de São Paulo. Em sua homilia, Dom Odilo ressaltou o papel do novo pároco, relembrando o padroeiro São Bonifácio, o evangelizador mártir e patrono da Alemanha, encorajando-o a seguir seus passos a serviço do povo de Deus. Ao final da missa, Padre Georg se disse pronto a ser-

Karl Stanzel

Cardeal Scherer dá posse ao Padre Georg Pettinger como pároco da Paróquia Pessoal Alemã São Bonifácio

vir e convidou a todos a participarem na vida ativa da paróquia. A Igreja inaugurada em 1966 reúne os católicos de

língua alemã e da comunidade local em missas celebradas em alemão e português. A comunidade, portanto, se prepara com para as come-

morações do cinquentenário de sua igreja e seu centro pastoral paroquial em 2016. (Com informações da Paróquia São Bonifácio)

Padre José Edivaldo toma posse na Paróquia Mãe da Igreja Fernando Cesar Bertolino Jr.

Padre José Edivaldo (dir.) toma posse como pároco da Paróquia Mãe da Igreja, sábado, 7

A Paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja, em Cerqueira Cesar, acolheu seu novo pároco, Padre José Edivaldo Melo, que tomou posse no sábado, 7. A celebração foi presidida pelo

Padre Aparecido Silva, vigário geral da Região Episcopal Sé, e concelebrada por diversos padres da Arquidiocese. Padre José Edivaldo assume a nova missão após um tra-

balho de 16 anos na formação presbiteral da Arquidiocese de São Paulo. Nascido em 28 de agosto de 1964, em Tobias Barreto (SE), ele foi ordenado presbítero em 25 de janeiro

de 1998, pelo então arcebispo Cardeal Paulo Evaristo Arns. Nesse primeiro ano de sacerdócio, foi vigário paroquial da Paróquia Santíssimo Sacramento, no Paraíso. Em 1999, foi nomeado pelo Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo na época, vice-reitor de Seminário Propedêutico Cristo Rei, função que exerceu até 2001, quando foi designado reitor do Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção. Em 2004, foi nomeado reitor do Seminário de Filosofia Santo Cura d’Ars, cargo que exerceu até dezembro de 2014. Em seu pronunciamento após a posse, Padre Edivaldo agradeceu Cardeal Odilo Pedro Scherer, por confiar-lhe essa nova missão. “Agradeço também a sua confiança pelas

Formação litúrgica para a Quaresma O Primeiro Encontro de Formação Litúrgica da Região Sé de 2015 aconteceu nos dias 3 e 4 na Paróquia São Joaquim, no Cambuci. Assessorado pelo professor Eurivaldo Silva Ferreira, mestre em Teologia pela PUC-SP, com concentração em Liturgia, que falou sobre o Tempo da Quaresma, que se inicia no próximo dia 18. “Toda semana, no domingo, o Dia do Senhor, nós nos aproximamos da graça salvadora de Cristo, celebrando sua ressureição, e de maneira mais especial

no período do Tríduo pascal. Logo, quem participa das ações litúrgicas, entra em contato com a riqueza das virtudes e méritos de Jesus Cristo, por isso o mistério de Cristo anunciado e vivido ao longo de um ano possibilita a quem crê a plenitude da graça da salvação”, explicou o Assessor. Eurivaldo também recordou que a celebração litúrgica tem a preocupação de colocar o ser humano em relação com o mistério pascal da morte e da ressurreição de Cristo, em quase todas as ocasiões da vida,

pois do mistério pascal derivam a graça e a força pelas quais se santificam os fiéis bem dispostos. “A finalidade da celebração litúrgica se resume em dois atos: santificação do povo e o louvor a Deus, analisemos o tempo quaresmal, como um tempo que possibilita uma participação ativa, plena, frutuosa e consciente, e consequentemente a santificação de cada participante, de que fala o documento conciliar”, disse recordando a Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II.

missões que a mim foram a atribuídas anteriormente, especialmente na formação dos seminaristas de nossa Arquidiocese, e pela que agora me confia-os cuidados desta Paróquia”, disse. Aos paroquianos, o novo Pároco também agradeceu a acolhida. “Com vocês formaremos uma família, a família paroquial de Nossa Senhora Mãe da Igreja, em continuidade com os trabalhos realizados pelos padres e fiéis que nos precederam nesta comunidade paroquial”, afirmou, pedindo a todos as orações pela sua missão. “Rezem por mim, para que eu seja a imagem do bom Pastor para os fiéis deste bairro, e realize o melhor possível esta missão!” Comissão Regional de Liturgia

Professor Eurivaldo assessora encontro de formação litúrgica


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Lapa

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BENIGNO NAVEIRA

COLABORADOR DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

Síntese do carisma Agostiniano: o Amor a Deus, oração e a união dos homens em Cristo dentro da Igreja O Seminário Teológico Santa Mônica, no Setor Leopoldina, dia 17, recebeu a visita da reportagem da pastoral da Comunicação da Região Episcopal Lapa, sendo recepcionada pelo Frei Rhuam Ferreira Rodrigues de Almeida. Ele falou sobre a fundação Ordem dos Agostinianos Recoletos (OAR), e a fundação do Seminário. Acrescentou ainda que a Ordem dos Agostinianos Recoletos, significa recolhimento e oração, salientou. É uma ordem religiosa católica,

ramificação da família agostiniana, seguidora do pensamento de Santo Agostinho. Foi fundada na Espanha em 1588, em plena reforma católica, a partir da Renovação da Província Agostiniana de Castela. No Brasil possui três províncias: Província de São Nicolau Tolentino (Região Norte e Nordeste), Província de Santo Tomás de Vila Nova (Região Norte e Sul), Província de Santa Rita de Cassia (Rio de Janeiro, São Paulo e Espirito Santo). O Frei ressaltou que há hoje no

Brasil cerca de 80 a 100 Frades, três bispos, que trabalham entre às três Províncias Recoletas, e um quarto bispo no Ceará. A Casa Geral, onde mora o Prior Geral, responsável pela ordem, fica no Vaticano em Roma. Frei Rhuam destacou o caminho da vida religiosa dos seminaristas agostinianos que começa com a primeira etapa: o Seminário Filosófico na cidade de Franca/SP, onde permanecem por três anos como seminarista, morando e estudando

filosofia. Depois começam a etapa intermédia, que é o noviciado, que fica no Deserto da Candelária na Colômbia onde durante um ano residem e estudam, recebendo o titulo de Frei que significa Irmão, aí passam a ser regiosos. Na sequência ficam mais quatro anos no Seminário Teológico Santa Mônica em São Paulo, morando e estudando Teologia no Instituto Teológico PIO XI, e um ano em missão em Lábrea na Amazonas ou na ilha de Marajó no Pará, depois

retornado e recebendo o diaconato e a ordenação sacerdotal. O Religioso falou sobre a fundação do Seminário Teológico Santa Mônica mais conhecido como Teologado Santa Mônica, que tem este nome em homenagem a Santa Mônica que é mãe de santo Agostinho, pela sua orações ao seu filho, porque santo Agostinho até os seus 30 anos não era cristão. O Frei informou que a construção teve inicio em dezembro de 1975 e foi inaugurado em 21 de abril de 1977.

Curso de teologia para leigos forma 14 alunos No domingo, 8, às 18h, a reportagem da pastoral da Comunicação Regional, acompanhou na Paróquia Santa Maria Goretti, Setor Butantã, a missa pela formatura de 14 alunos do Curso de Teologia para Agentes de Pastoral (CTAP), da Região Episcopal Lapa, unidade da própria Paróquia, que escolheram como lema para a formatura “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). A celebração Litúrgica foi presidida pelo Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Lapa, Dom Julio Endi Akamine e concelebrada pelo Padre Geraldo R. Pereira, pároco. No inicio da missa, Dom Julio saudou os formandos e agradeceu a Deus a vida de todos os alunos, que completaram quatro anos e meio de estudos teológicos e de aprofundamento na fé.

Benigno Naveira

T

Dom Julio insistiu com os teólogos(as) para que reconheçam a responsabilidade missionária que o conhecimento adquirido traz e precisa ser colocado a serviço da felicidade humana e do bem comum. Após a missa, os formandos

fizeram o juramento e receberam os certificados de conclusão do CTAP das mãos dos celebrantes, coordenadores e professores. Osvaldo Reis, um dos formandos, manifestou à reportagem sua alegria e contentamento por con-

cluir o Curso de Teologia para leigos, que mudou sua opinião sobre certos conceitos que tinha antes de fazer o curso. “Parabéns a equipe de coordenação e professores pela dedicação e desempenho para com o curso”.

Coordenação do Curso de Teologia para Agentes de Pastoral - CTAP Dom Julio Endi Akamine, Dom Fernando Penteado, Carmen Cecilia de Souza Amaral, Maria Ângela Palma Ribeiro, Rosa dos Santos Ramicelli, José Pavanelli Galbe. Coordenação da Unidade: Isabel Cristina Bossi Alves Formandos 2014: Ana da Purificação Cordeiro, Bernadete Trindade Camargo Janiry, Genésio Valesi, Helenita Silva Valesi, José Aparecido de Araujo, Kiyoko Kurano Shirota, Márcio Ricardo N. A. das Graças, Maria Cristina de Checchi, Maria Rita N.A. das Graças, Náiade Augusto das Graças, Osvaldo Reis da Silva, Pedro Jovino Cuciaro, Rita de Cassia Raga, e Vaniza Pasa.

Dez salesianos são ordenados diáconos As Inspetorias Salesianas do Brasil celebraram, no dia 7 , na Paróquia São João Bosco, no Alto da Lapa, em São Paulo-SP, a ordenação diaconal de dez salesianos. A Celebração Eucarística foi presidida por Dom Hilário Moser, SDB, bispo emérito da Diocese de Tubarão-SC, e concelebrada pelos inspetores salesianos e pelo Conselheiro Geral para a Pastoral Juvenil Salesiana, Pe. Natali Vitale. Pela imposição das mãos, Dom Hilário ordenou diáconos os salesianos: Arlan Braga Oliveira e Délio Mota Ferreira, da Inspetoria Salesiana do Nordeste do Brasil; Alexandro Santana e Pedro André Pinto Junior, da Inspetoria Salesiana de Nossa Senhora Auxiliadora, de São Paulo; Ermelindo Dias Vasques e Raimundo Marcelo C. Maciel, da Inspetoria São Domingos Sávio, de Manaus; Ádano Islei Pinheiro, da Inspetoria São João Bosco, de Belo Horizonte; Antonio Braz de Oliveira e Leandro Brum Pinheiro, da Inspetoria São Pio X, de Porto

Pascom Lapa

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Alegre; e Euller da Silva, da Missão Salesiana de Mato Grosso. Na homilia, Dom Hilário mencionou três ícones do diaconato - Estêvão, Filipe e Lourenço – que doaram a vida a Deus no serviço aos irmãos e no anúncio do Evangelho de Cristo, tornando-se assim modelos para os candidatos.

“Ao revisitar a minha história vocacional vejo os sinais do amor de Deus e o quanto cuidou de mim. Exercer o ministério diaconal é também ser este sinal de amor a tantas pessoas, sobretudo aos jovens. Por isso, consciente e reconhecendo ser necessário o constante cultivo no amadurecimento humano e na vida de oração para abraçar a vo-

cação a qual o Senhor me chamou, quero continuar servindo a Deus na missão salesiana”, conta o Diácono Alexandro Santana. “Ser Salesiano é um projeto de vida que vale a pena! Quando as pessoas dizem que nossa formação é longa, costumo dizer que depende do ponto de vista, pois ao longo desse período já se experimenta o que será vivido com mais intensidade após a ordenação presbiteral, ou, no caso dos Saleianos Irmãos, após a Profissão Perpétua”, afirma o Diácono Pedro André. O lema “Ide sem medo para servir”, frase utilizada pelo Papa Francisco no discurso de encerramento da Jornada Mundial da Juventude 2013, escolhido pelos neo-diáconos, certamente ilumina o último ano de formação inicial que, além do 4° ano de teologia, contempla a prática ministerial em diversas paróquias salesianas e diocesanas.


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Plano municipal da educação exclui a participação da família e limita parcerias com entidades filantrópicas Pe. Michelino Roberto/ Edcarlos Bispo osaopaulo@uol.com.br

tém muitos pontos positivos. “Acerta quando propõe a valorização dos professores através de sua qualificação profissional, cargas horárias mais adequadas e melhorias salariais. Acerta também em sua meta de superar o analfabetismo absoluto entre a população acima dos 15 anos , de zerar o déficit das crianças fora da creche e na diminuição dos número de alunos em sala de aula”, afirmou o Coordenador de Pastoral do Vicariato para a Educação. Para atingir este fim, o plano prevê a “ampliação dos recursos destinados à Educação por parte do Município em no mínimo 30% da receita tributária do Município e 5% em educação inclusiva. Propõe também parcerias com instituições de ensino superior e universidades, preferencialmente públicas, que visam garantir a qualificação dos professores com cursos de especialização, mestrado e doutorado.

ba, o maior problema do Plano “não está no que está dito, mas sim no não dito, ou melhor, no que não está escrito”. Segundo explicou em entrevista ao O SÃO PAULO, “o PME muito fala sobre participação pública, mas supõe que esta ocorra através de instâncias burocratizadas e politizadas”, principalmente os conselhos em vários níveis, desde o escolar até o municipal. “Ora, as famílias, além de na maior parte dos casos desconhecerem completamente esses conselhos, quando conhecem têm grande dificuldade em participar, seja pela indisponibilidade de tempo – reuniões e debates ocorrem em horários impróprios para famílias onde todos trabalham oito horas por dia, perdem horas no transporte público e ainda tem que cuidar da família no tempo que resta – seja pela falta de conhecimentos sobre questões de ordem técnicas e ideológicas que lhes permitam uma participação crítica e ativa”, explicou o professor. “Não existe no plano propostas para estreitar o relacionamento entre a comunidade educadora (escola) e a família dos educandos. A alternativa, da qual não se fala, seria o fortalecimento dos vínculos entre a escola e a comunidade como sujeito ativo para dentro da escola e que levem a escola para dentro das famílias”, completou. Na mesma linha de raciocínio, Padre Vandro vê problemas no plano municipal. “existem poucas referências, em todo o plano, à instituição família”, alerta o sacerdote. Ainda em sua visão, essa omissão

está longe de ser fruto de um descuido, é proposital. Na formulação anterior deste mesmo projeto de lei, aprovado na Comissão de Administração Pública em 6 de novembro de 2013, constava um item – meta 22 (conforme ilustração) – que indicava a promoção de práticas educativas em conformidade com os valores da família, base da sociedade. A comissão de Educação, Esporte e Cultura simplesmente retirou do PME este item e as referências à instituição familiar. Como resultado, o PME exclui os pais e a família do processo formativo de seus filhos. Na visão do professor Borba, este é o maior problema do PME: “a estatização da educação”, em detrimento dos pais e demais instituições educativas.

Tramita na Câmara Municipal de São Paulo o Projeto de Lei (PL) Nº 415/2012, de autoria do executivo municipal, ainda na gestão do prefeito Gilberto Kassab. O PL aprova o Plano Municipal de Educação (PME) da cidade de São Paulo para os próximos dez anos. Após idas e vindas, o projeto, atualmente, está na Comissão de Finanças e Orçamento – após ter sido aprovado com alterações realizadas pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte, em novembro de 2014 –, onde passará por votação, antes de ir ao plenário e posterior sanção ou veto do Prefeito Fernando Haddad. O SÃO PAULO solicitou uma avaliação do PME a dois especialistas: Padre Vandro Pisaneschi, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e em Teologia Moral pela Pontífício Instituto João Paulo II para o Estudo da Família e do Matrimônio, em Roma, Coordenador de Pastoral O Professor Borba concorda com a Outro ponto controverso do PME é a do Vicariato Episcopal para a Educação avaliação do Padre Vandro no que se refemeta 5, que prevê a limitação das parcerias entre a Prefeitura e a rede conveniae a Universidade da Arquidiocese de São re aos pontos positivos presentes no PME, da no atendimento à crianças . A medida Paulo, e Francisco Borba, sociólogo, pro- mas duvida da capacidade do governo mufessor da PUC-SP e Coordenador do Nú- nicipal em colocá-los em prática: “O texto compromete, por exemplo, a subsistência cleo Fé e Cultura. do PME traz ideias boas, bem intenciofutura de creches mantidas por instituições religiosas, católicas e de outras deO PME possui 13 artigos, nos quais nadas em muitos aspectos, mas carece de nominações, que para operarem necessiestabelece orientações e metas que, uma propostas que viabilizem muitas das meditam do convênio com a prefeitura. Estas vez aprovado, o município deverá cum- das sugeridas”, afirmou o sociólogo. prir. Propõe o “aprimoramento da eduPor isso, na avaliação do Professor Borinstituições, de caráter filantrópico, tem cação de crianças jovens e adultos, agingarantido inúmeras vagas em creches do de forma inclusiva e contando com evitando a desnutrição infantil e o abanPlano de ação me - construir um sistema de monitoramento de metasta des implementação do nt Plano de do ple im dono de crianças ampla participação de representantes da de me to de ampla de balanço anual. endivulgação oramcom nitPaulo, Educação de São de mo anual. temdaaCidade sis22: ço lan ba comunidade educanas ruas, possibilide pla am - construir umMeta com divulgação São Paulo,mecanismos, de e ad Cid cional e da sociedade Promover e institucionalizar práticas educativas e um amplo debate, em tando que seus pais da ão aç Educ conformidade com os valores da família, que é a base da sociedade, em parceria com debate, em plo am civil”. Na avaliação de um possam trabalhar. e s iva : at educcomo foco a equidade, a Meta 22 as associações, igrejas eca educação, áticas tendo nismos,de pr ria com me instituições r rce za pa ali em ion , nossos entrevistados, uc Em entrevista de tit da ins justiça social e a valorização das diferentes culturas. cie e so da Promover família, que é a base e, a ad da Estratégias: uid es eq lor a va na prática, o PME – por o O SÃO PAULO, ao os foc m co mo do co escolar, dos ten conformidade - promover ações contínuas ucação, da deõe formação sensibilização comunidade s de eed uiç tit ins e omissões ou opções conferida no fim da s eja igr , visando ao combate de quaisquer tipos de as associaçõesprofessores e pais de salunos, entes culturas. er dif da discriminação. o ideológicas – exclui a missa de aniversáçã iza lor va justiça social e- a instituir meios para o cumprimento das regras legais já existentes que combatem as dos participação da família rio da cidade em 25 comunidade escolar, e valores da família eliz doaç cidadão comum. da ão tégias: práticas de quem fere os princípios tra Es ibi ns se e o çã ma de como protagonista no for de janeiro último e os de tip -õe prever conteúdos e materiais educativos que orientem como o indivíduo deve se as er ínu s cont quaisqu de mbate eem conformidade - promover açportar ao decoensino em sociedade, deno acordo com as do instituições com an vis processo de educação que contou com a s, alu pais de transmitida por sua própria família. professores ea orientação escolar, transfere para presença do prefeito Fernando Haddad, o as em at - garantir aos gestores, professores e funcionários um amplo debate comen a tes sociedade que comb exosistalunos já crimianação.para enfrentar os desafios en ais leg as gr da convivência dos colegas para com e seus re s próprio Secretário da Educação do Muo Estado a decisão acerca dosdis valores da to mprim para onocu responsáveis, cotidiano das escolas, nas ruas e em família. e do cidadão comum. nicípio, se tituir meios ília insdetrifam da Gabriel Chalita, reconheceu a serem transmitidos às crianças-em es lor va e os valorizar as os vivências e ípi especificidades das culturas que de um modo geral, ajudaram princ fere o indivíduo deve como s de qu-eem tem ien or prática e qu mento dos pais, impõem “valores” acerimportância dessas parcerias que agora, o s influenciaram na formação do povo brasileiro, tais como: a indígena, a européia, a ivo at materiais educ nformidade com eúdose aeasiática. ever contafricana ões de ensino e em co ca da vida em sociedade como-sepr fossem PME pretende limitar. tituiç ins as m co do or ac garantir o desenvolvimento integral de toda e qualquer criança, em seus aspectos dade, de rtar em socie consensuais e universais e não po considera Padre Vandro Pisaneschi considera . ília físico, psicológico, cultural ria fam propostas pedagógicas que considerem própconstruindo ciedade a por suea social, m a so te co nsmitid ba de plo as vivências e as especificidades das mais variadas culturas, em conformidade com o am as parcerias com a rede conveniada, ser muito importante, neste momento, um s a orienotação tra rio ores e funcioná s e seus Estatuto dare Criança do ss Adolescente. s, preofe os alunoque m gesto co ra pa que inclui as creches católicas -e ga demais os católicos tomem conhecimento as rantir aosSala leg co s donovembro da Comissão de Administração Pública, 06 de de 2013. ncia convivê fios -da sa de os ar . nt instituições educativas confessionais, que do conteúdo do PME e formem frentes ília fre Gilson Barreto (PSDB) Presidente en fam ra em pa , nas ruas e daramcom o intuito de dialogar e ajudebates ral, de Alfredinho (PT)iano das escolas ge do mo no cotid hoje prestam um grande serviçoreaospsisteum de e onsáveis,Atílio qu s Francisco (PRB) -pe cificidades das cultura européia, a e es Relator cias (PSD) ma educacional da cidade. vivênCamilo como: a indígena, a até mesmo, pressionar as autoridades púis ta - valorizar asCoronel , iro ile as br vo po do o çã David na Soares ma for(PSD) blicas municipais, exigindo o aprimorae influenciaram Mario Covas Neto (PSDB) s ctoplano aspedo us se mento e corrigindo-o em seus . em ica , ça iát as an qualquer cri africana e a Marquito (PTB) e da to de l ra m re eg int ide ns to co en e Segundo o Padre Vandro, o PME condesvios. im qu olv as nv gic se - garantir o de indo propostas pedagó de com o ltural e social, constru cu , ico lóg ico ps lturas, em conformida , cu ico s fís da ria va is ma s cificidades da as vivências e as espe do Adolescente. 2013. Estatuto da Criança e 06 de novembro de

Espinhos

Flores

Extinção gradual de parcerias

O SÃO PAULO - 3038  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 60 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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