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Leigos ganham espaço na Cúria Romana

Iniciação à Vida Cristã preocupa Arquidiocese

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Monjas contam como vivem a Quaresma

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

CPI investigará práticas de Tráfico Humano

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ano 59 | Edição 2994| 18 a 24 de março de 2014

R$ 1,50

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SP terá Faculdade de Direito Canônico Com aprovação da Congregação para a Educação Católica, o Instituto de Direito Canônico “Padre Dr. Giuseppe Benito Pegoraro” foi elevado à con-

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Luciney Martins/O SÃO PAULO

dição de Faculdade de Direito Canônico, a primeira do Brasil que será instalada solenemente que no dia 7 de abril. Página 24

Trabalho escravo Falta de e a exploração de gestão ameaça vulneráveis direito à agua A luta pela sobrevivência, a necessidade de prover suas famílias e o sonho de uma vida melhor levam muitos homens e mulheres ao trabalho escravo. Transportados como gado, submetidos a condições desumanas de trabalho, a escravidão que marcou o Brasil-colônia adquire uma nova face, não menos humilhante, não menos cruel, no começo do terceiro milênio.

No sábado, 22 de março, comemora-se o Dia Mundial da Água, que, neste ano, acontece num contexto de possível racionamento em grandes centros urbanos. O direito à água e ao saneamento, de difícil acesso no semiárido, preocupa também os grandes centros urbanos pela escassez de chuvas e falhas de gestão.

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Testemunho de professores motiva estudantes A Jornada Universitária realizada pela Pastoral Universitária da PUC-SP, em parceria com a coordenação arquidiocesana dos Movimentos e Novas Comunida-

des e a Faculdade São Bento, reuniu dezenas de jovens no auditório da Fapcom, no sábado, 15. Com o tema: “A alegria de evangelizar nos desafios da universidade”,

o encontro foi marcado pelo testemunho de quatro professores universitários que interagiram com os jovens estudantes. Página 10


2 Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 18 a 24 de março de 2014 Sergio Ricciuto Conte

frases da semana

“Nova evangelização é, antes de tudo, fazer de novo o que se deixou de fazer. Portanto, é preciso fazer novamente e bem feito, de acordo com as circunstâncias atuais”. Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo.

“Uma gestão mais eficaz do saneamento básico por parte das cidades brasileiras resultaria na melhoria da qualidade dos nossos recursos hídricos, e assim poderíamos contar ainda mais com a água dos rios para o abastecimento humano”. Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil.

você pergunta

Espiritualidade

Como a Igreja avalia a teoria da evolução?

Os três silêncios de Jesus

Vigário episcopal para a Pastoral da Comunicação

Padre Cido Pereira

Ronaldo Augusto Neves, de Embu das Artes (SP), pergunta como a Igreja avalia a teoria da evolução. Caro Ronaldo, já houve muita discussão sobre isso. A questão se coloca no binômio ciência e fé. A Igreja entende hoje que ciência e fé não se opõem nem precisam se opor. Porque, se de um lado a ciência explica, do outro lado a fé busca os porquês que se escondem por trás da realidade explicada pela ciência. Vamos exemplificar com a teoria da evolução. Tudo bem que a ciência explique como se deu a evolução. Mas nós podemos tranquilamente afirmar que Deus estava por trás de tal evolução e se revelou num momento desta história ao homem, exatamente naquele momento em que o homem pôde tomar consciência de sua existência, pôde perceber que era diferente das demais criaturas, pôde refletir sobre o seu passado, o seu presente e o seu futuro. A ciência nos explica como o homem, após um grande caminho evolutivo, se tornou a ponta de lança de toda a criação. A religião nos explica que este mesmo homem, criado à imagem de Deus, tem uma origem e um destino divinos. Na verdade, Ronaldo, o saudoso Bem-aventurado João Paulo 2º fez uma belíssima encíclica em que ele fala da perfeita harmonia que pode existir entre a fé e a razão. Quanto aos questionamentos que você vai ouvir de ateus criticando a Bíblia, a melhor resposta é: respeitamos as descobertas da ciência, mas respeitamos também a Palavra de Deus, a qual nos dá o dom da fé para questionarmos a razão. Na verdade, a fé não é absurdo como querem muitos homens da ciência. A fé ilumina a razão. Deus o abençoe, Ronaldo.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Frei Patrício Sciadini

É tempo de Quaresma, tempo propício para aprender o valor do silêncio num mundo que gosta muito de falar, sem se cansar, e que tem medo do silêncio porque o considera como espaço “vazio e inútil”. É belo reaprender a ser comunicação silenciosa, com poucas palavras, e com a coerência de vida. Aliás, sabemos como a mais bela descrição que foi dada de Jesus não foi a de que “ele passou no meio de nós falando muito, mas “passou no meio de nós fazendo o bem a todos”. Mas quais são os três silêncios de Jesus que eu quero colocar em evidência para que possam nos ajudar? Sem dúvida são mais de três, mas escolhi esses:

1. O silêncio de Jesus diante das perguntas inúteis que lhe são feitas, às quais não responde a não ser com sua vida pessoal. Quando Pilatos lhe pergunta o que é a verdade, sendo ele mesmo a Verdade, não dá nenhuma resposta. E o silêncio de Jesus indispõe e irrita a velha raposa, que se vê derrotado não pela palavra, mas pelo silêncio de Cristo. Quanto tempo não perdemos querendo definir o que é “verdade”, quando não é necessário palavras, mas sim silêncio? 2. O silêncio de Jesus diante da morte. É curioso que quando as duas irmãs amigas de Jesus, Marta e Maria, mandam lhe dizer que o seu amigo Lázaro está enfermo, ele não diz nada, permanece em silêncio. É o silêncio de quem ama e de quem sabe o que vai fazer. Diante da morte não há outra resposta possível a não ser o silêncio. Como diante da morte de Cristo na cruz há mais si-

“Não se trata de programar grandes penitências, severos jejuns e boas obras. Nada disso teria valor se não houvesse, como fundamento, esta radical busca da autenticidade e veracidade ao nosso compromisso fundamental de ‘nada antepor ao amor de Cristo’”. Irmã Martha Lúcia, da Ordem de São Bento.

lêncio que palavras. A morte não exige palavra, mas sim silêncio. Devemos aprender com Jesus que, diante da dor dos outros, as palavras não servem para nada, o que serve é ter em nós a certeza que o outro é solidário com nossa dor. 3. O silêncio imposto por Jesus aos demônios, para que não digam quem é ele; e aos discípulos, para que não contem nada do que têm visto e sabem. É um silêncio que nos ensina que a verdade se manifestará no momento oportuno, sem propaganda e sem gastar palavras inúteis para prová-la. Chegará o momento em que Cristo se manifestará em toda a sua glória diante de todos. Os demônios fugirão, e as pessoas saberão quem é ele. Há muitos outros silêncios, seria tentado a falar do quarto silêncio, mas o quarto é o meu silêncio de adoração diante do silêncio de Jesus, que fala forte ao meu coração.

palavras que não passam

A Palavra de Deus recobra a sua importância (17.4) PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

A importância da Palavra está em ser ela Palavra de Deus. Jesus Cristo é a Palavra de Deus que veio para o meio de nós em forma de gente (cf. Jo 1,14). O Povo de Deus é o destinatário privilegiado dessa Palavra, porque só ele é idôneo para discernir se vai ou não se comprometer com a Aliança com Deus. Porque só o povo/comunidade é o parceiro insubstituível da Aliança entre Deus e esse mesmo povo. É o Povo de Deus, porque escolhido pelo próprio Deus! Portanto, a comunidade nasce e se constrói pela Palavra viva e eficaz (cf. Hb 4,12); pela Palavra, a Igreja nasce e constrói-se (cf. Jo 15,16; At 2,41ss); e na Palavra encontra a plenitude da vida (cf. Mc 16,15). Foi assim com o povo de Israel na

decisão sobre a adesão à Palavra da Aliança nos Dez Mandamentos. Depois do discernimento, o povo se aliou à proposta de Deus e se tornou o Povo de Deus para o Deus do Povo (cf. Ex capítulos 19-20). A comunidade de fé é o ambiente privilegiado da proclamação, da escuta e da prática da Palavra. Foi graças a esse costume das antigas comunidades que a Palavra se conservou inteira e confiável até hoje. A fé é comunitária, porque a comunidade bebe na mesma fonte, convive e testemunha a “mesma” fé de todos os seus membros (cf. Ef 4,5); porque a Igreja recebeu dos apóstolos “o depósito da fé” (2Tm 1,12); ela garante a integridade da fé; e por isso ela é a mestra da fé. A Assembleia Litúrgica é o lugar privilegiado para a experiência de fé no encontro pessoal com Jesus Cristo na Palavra (cf. Dei Verbum, DV, 21; Verbum Domini, VD, 52-7; Sacrosanctum Concilium SC, 24). Assim respaldada, a Palavra de Deus não mais pode ser considerada

simples preparação ao sacramento do Vinho e do Pão, mas é elemento indispensável do sacramento da Eucaristia. Pelo Espírito Santo, a Palavra torna-se também sacramento, sinal da presença de Cristo, tão digna de respeito quanto o mistério do vinho e do pão (cf. DV 21). Cada Domingo, o Povo de Deus dirige-se à comunidade para ouvir uma nova Boa Notícia de Cristo. A Palavra se colocou ao alcance da comunidade, quando o Filho de Deus assumiu forma humana. Na sinagoga de Nazaré, Jesus se apresentou como o ungido, o enviado e credenciado para ser ele a autêntica interpretação da Palavra do Pai (Lc 2,14-21). A Palavra tem preferência total. Ela é “o principal testemunho que temos sobre a vida e a doutrina do próprio Cristo” (DV 18). Por isso, a Igreja sempre deu à Palavra a mesma veneração que dava ao pão na Eucaristia. E com esse mesmo respeito também tem distribuído ao Povo de Deus tanto a Palavra como o pão (cf. DV 21).

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Daniel Gomes, Edcarlos Bispo de Santana e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


Fé e Vida

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encontro com o pastor

Erigida a Faculdade de Direito Canônico ‘São Paulo Apóstolo’

Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal odilo pedro scherer

No dia 26 de fevereiro passado, a Congregação para a Educação Católica aprovou e erigiu a Faculdade de Direito Canônico “São Paulo Apóstolo”, na Arquidiocese de São Paulo. Na mesma ocasião, também já aprovou, ad quinquennium, os estatutos da nova Faculdade e nomeou seu grão-chanceler. Trata-se da primeira faculdade do gênero no Brasil e a segunda nos países de língua portuguesa. Em Portugal já existe há mais tempo uma congênere. Com essa medida, a Sé Apostólica acolheu o projeto e o pedido da Arquidiocese de São Paulo para que o Instituto de Direito Canônico “Padre Dr. Giuseppe Benito Pegoraro”, em função há aproximadamente 15 anos, fosse elevado à condição de Faculdade Eclesiástica de Direito Canônico, alterando o nome para “São Paulo Apóstolo”. A nova Faculdade de Direito Canônico será instalada, com solene ato acadêmico, no dia 7 de abril de 2014, na sede do atual Instituto em São Paulo, no bairro Ipiranga. A Faculdade poderá conferir graus acadêmicos de mestrado e doutorado, como instituição acadêmica eclesiástica autônoma, em conformidade com as prescrições canônicas e as diretrizes da constituição apostólica Sapientia christiana. A criação da primeira Faculdade de Direito Canônico no Brasil é motivo de especial satisfação e ação de graças a Deus. Essa decisão da Sé Apostólica abre novos horizontes e possibilidades para a formação qualificada de leigos, sacerdotes, diáconos e religiosos no Direito Eclesiástico, para o serviço do Povo de Deus.

Talvez possamos questionar, se isso vai ao encontro das prioridades da “Nova Evangelização”, ou das “urgências” da ação evangelizadora da Igreja no Brasil... Tal dúvida oferece a ocasião para uma reflexão sobre a função pastoral do Direito Canônico. Evidentemente, não imaginamos o Direito como exercício de “burocracia desnecessária”, nem como “legalismo farisaico”, contrário à liberdade dos filhos de Deus... O Direito Canônico traduz para a organização e a vida da Igreja, e para relações entre as suas pessoas e instituições, aquilo que decorre da própria natureza da Igreja. Há um pressuposto de fé sobre a Igreja e uma eclesiologia na base das normas canônicas. O Direito Canônico tem a grande finalidade de assegurar a justiça e o verdadeiro bem na Igreja. Não é sem motivo que, no último cânone do Código, aparece recordada a lei suprema (suprema

lex) da Igreja: “A salvação das almas” (cf. cân. 1.752). Por isso, o Magistério da Igreja, na voz dos Pontífices recentes, tem insistido sobre a dimensão pastoral do Direito e da atividade judiciária, e sobre a necessidade de oferecer esse “serviço pastoral” mais amplamente ao Povo de Deus. No Brasil, há grande falta de canonistas para uma assistência jurídica mínima aos fiéis e para as decisões canônicas necessárias para a promoção do seu bem da Igreja. Apenas para atender às questões matrimoniais e do reconhecimento da nulidade matrimonial haveria a necessidade de um número muito grande de canonistas bem formados. Tenho a esperança de que a recém-erigida Faculdade de Direito Canônico “São Paulo Apóstolo” poderá oferecer uma contribuição valiosa para a vida e a missão da Igreja no Brasil. E tenho a certeza de que o fará.

Assessoria de imprensa/Diocese de Guarulhos

No domingo, 16, dom Odilo Scherer esteve presente na missa de posse de dom Edmilson Amador Caetano na Diocese de Guarulhos (SP). Na posse, que lotou o ginásio da cidade, encontrava-se dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, seminaristas, padres e bispos de diversas dioceses, e leigos.

Tweets do Cardeal

@DomOdiloScherer 10- “Então, Jesus lhe ordenou:

Vai embora, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor Deus adorarás, e só a ele servirás!” 11- “Ó Deus, amigo dos homens, tornai-nos solícitos para o bem do

próximo, a fim de que, por meio de nós, brilhe para todos a luz da vossa salvação” 13- Tg 4,7-8 “Obedecei a Deus, mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Aproximai-vos de Deus, e ele se

aproximará de vós” 16-Neemias 8, 9b.10b “Este é um dia consagrado ao Senhor, nosso Deus! Não fiqueis tristes nem choreis. Pois este dia é santo para o nosso Senhor”

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editorial

O itinerário espiritual da Quaresma “Queremos ser santos? Sim ou não?” São palavras provocantes do papa Francisco, dirigidas a todos os homens de boa vontade e que foram escolhidas como síntese da pregação de seu primeiro ano de pontificado. Essas palavras ganham força quando associadas ao tempo da Quaresma, que a Igreja, inspirada na história do Povo de Deus, que na Antiguidade passou 40 anos caminhando pelo deserto antes de conquistar a terra prometida após a travessia do Mar Vermelho, nos propõe. Foram 40 anos durante os quais uma nova geração de hebreus nasceu e cresceu purificada dos costumes religiosos que seus ancestrais haviam assimilado no Egito durante os 400 anos de escravidão. Tempo em que o Povo de Deus em marcha necessitou também para aprender e amar a liberdade conquistada pela ação salvífica de Deus e para não mais sentir saudades das cebolas do Egito, porque adquiriam sua autoestima na certeza de que pertenciam ao Deus único, verdadeiro e libertador. Como resultado desse verdadeiro período de expiação, Deus lhes concedeu as tábuas da Lei. E, posteriormente, a conquista da terra prometida com a queda do muro de Jericó. Baseados ainda no exemplo de Cristo, que movido pelo Espírito se dirigiu ao deserto antes de iniciar sua vida pública, a Igreja hoje convida os seus fiéis a viverem bem o período da Quaresma em preparação para a Páscoa. A Quaresma é um caminho de volta à simplicidade. Por meio dela, Deus quer arrancar do nosso coração aquilo que nos impede de amálo e ao próximo. Através, respectivamente, da oração, do jejum e da esmola, as três raízes de nossa miséria espiritual são combatidas: a indiferença religiosa; a dependência dos prazeres sensíveis; e o apego aos bens materiais. A oração leva-nos a tributar a Deus o lugar e o tempo que ele merece em nossas vidas. Faznos reconhecer a total dependência do Senhor, quebra nossa autossuficiência e protege-nos, desse modo, contra o primeiro inimigo de nossa salvação: o diabo. A esmola, além de ser um ato de amor ao próximo, revela-nos que “não podemos servir a dois senhores”, e purifica nossa vaidade e autocomplacência. Dessa forma, contribui para erradicar o “mundo”, segundo inimigo de nossa santificação. O jejum, por sua vez, faz ver, como Jesus tentado no deserto, que “nem só de pão vive o homem”. Arrefecendo as afeições dos sentidos, liberta-nos da escravidão dos prazeres e sensações e investe, assim, contra o nosso terceiro grande inimigo: a carne. Retirando a indiferença religiosa diabólica, o apego mundano aos bens materiais e a submissão carnal aos prazeres, as três obras quaresmais tendem a extirpar os muitos espinhos que sufocam a graça de Deus em nós: o desleixo na vida de oração; o apego ao dinheiro e à vaidade; o egoísmo; a busca cega de prazeres; a indiferença com a família; os hábitos sexuais desordenados; os gastos supérfluos; os relacionamentos doentios; o menosprezo pelos pobres... E assim, a purificação quaresmal, que deve culminar numa sincera Confissão dos pecados, permite-nos olhar com olhos limpos a Jesus crucificado; e não apenas olhar, mas segui-lo! Pois, “quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Que, pela intercessão da Virgem Maria, nossa Quaresma seja um tempo de verdadeira conversão a Cristo. Nisto consiste a verdadeira alegria!


4 Fé e Vida liturgia e vida

3º DOMINGO DA QUARESMA 23 DE MARÇO DE 2014

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palavra do papa

Escutar Jesus e oferecê-lo aos outros

Ana Flora Anderson

Justificados pela fé As leituras deste domingo da Quaresma nos levam a uma meditação profunda sobre a nossa fé. Na primeira leitura (Êxodo 17, 3-7), o povo, liberto da escravidão do Egito, ainda desconfia da misericórdia de Deus. Moisés é o mediador. Ele leva o povo à fé que é a verdadeira água viva. Na segunda leitura (Romanos 5, 1-2.5-8), São Paulo revela que, por amor, Jesus nos justificou na fé e nos levou a uma esperança que não decepciona porque nasce do amor de Deus. O Evangelho de São João (4, 5-42) nos leva à Samaria, uma antiga região de Israel, onde o povo abandonou a fé em Deus, adotando cinco deuses pagãos. É aí que Jesus encontra a mulher samaritana e, conversando com ela, ensina o caminho da fé que, como no Livro do Êxodo, é relacionado à água viva. Para São João, chega-se à fé pelo diálogo. Jesus e a samaritana tem em comum o pai Jacó. É necessário, porém, ir além e chegar à fé no Deus verdadeiro. A água viva que Jesus oferece é uma fé viva que sacia toda a sede humana. A mulher abre seu coração e reconhece que Jesus é o Messias prometido. O ato de fé da samaritana faz com que ela se torne anunciadora do Evangelho. Ela volta à cidade e prega a Boa-Nova ao povo. Muitos deles, depois, foram até Jesus e abraçaram a fé. O Deus misericordioso e bondoso sustenta seu povo no deserto, na Samaria e no nosso mundo de hoje. leituras da semana

Segunda (24) 2Rs 5, 1-15ª; Sl 41; Lc 4, 24-30 Terça (25) Is 7, 10-14; 8, 10; Sl 39; Hb 10, 4-10; Lc 1, 26-38 Quarta (26) Dt 4, 1.5-9; Sl 147; Mt 5, 17-19 Quinta (27) Jr 7, 23-28; Sl 94; Lc 11,14-23 Sexta (28) (Os 14, 2-10); (Sl 80, 6-17); (Mc 12, 28b-34) Sábado (29) (Os 6, 1-6); (Sl 50); Lc 18, 9-14)

Santos e heróis do povo - 19 de março

Hoje comemoramos o grande patrono da Igreja Universal, São José. É de conhecimento de todos que São José é o esposo de Nossa Senhora e o pai adotivo de Jesus. A ordem dada a São José, de receber Maria como esposa é o fim do Antigo Testamento e o começo do Novo. Ele é o patriarca, o grande pai. A fuga para o Egito e a volta lembra a história do povo sofrido de Israel – o Êxodo. Portanto, São José é amigo do povo, dos pobres, dos pequeninos, dos perseguidos e dos sofredores. Da Bíblia, recebeu ele o título maior que ela costuma dar a alguém: Justo, São José era homem “justo’’. Tanto a Idade Média quanto os tempos modernos lembraram muito deste Santo como modelo para o lar e, também, para o operário. Junto com São José, ainda festejamos o Bem-Aventurado Isnard. Ele é do tempo de São Domingos, portanto, do século 13. É apresentado como homem virtuoso, pregador admirável, grande amigo de Deus e dos homens. O povo venerava-o como milagroso. Mas, só em 1919, foi confirmado o seu culto. Fonte: “ Santos e Heróis do Povo” livro do cardeal Arns

Papa francisco Papa Francisco, na oração mariana do 2º Domingo da Quaresma, refletiu sobre o convite do Pai no Evangelho da Transfiguração: “Este é meu Filho amado. Escutem o que ele diz”. É muito importante este convite do Pai. Nós, discípulos de Jesus, somos chamados a ser pessoas que escutam a sua voz e levam a sério suas palavras. Para escutar Jesus, é preciso ser próximo a ele, segui-lo, como faziam as multidões do Evangelho que o seguiam pelos caminhos da Palestina. Jesus não tinha uma cátedra, ou um púlpito fixo, mas era um mestre itinerante, que propunha seus ensinamentos, que eram os ensinamentos que o Pai lhe havia dado, ao longo dos caminhos,

percorrendo trajetos nem sempre previsíveis e, às vezes, pouco fáceis. Seguir Jesus para escutá-lo. Mas também escutamos Jesus na sua Palavra escrita, no Evangelho. Faço uma pergunta a vocês: vocês leem, todos os dias, um trecho do Evangelho? Sim, não… Sim, não… Meio a meio? Alguns sim e alguns não. Mas é importante! Vocês leem o Evangelho? É uma coisa boa; é uma coisa boa ter um pequeno Evangelho, pequeno, e levá-lo conosco, no bolso, na bolsa, e ler um pequeno trecho em qualquer momento do dia. Em qualquer momento do dia, eu pego do bolso o Evangelho e leio alguma coisinha, um pequeno trecho. Ali é Jesus que nos fala, no Evangelho! Pensem nisto. Não é difícil, nem necessário que sejam os quatro: um dos Evangelhos, pequenino, conosco. Sempre o Evangelho conosco, porque é a Palavra de Jesus para poder escutá-Lo. Deste episódio da Transfiguração, gostaria de colher dois elementos significativos, que sintetizo em duas palavras: subida e descida. Nós

temos necessidade de ir além, de subir a montanha em um espaço de silêncio, para encontrar nós mesmos e perceber melhor a voz do Senhor. Isto fazemos em oração. Mas não podemos permanecer ali! O encontro com Deus na oração nos impele novamente a “descer da montanha” e retornar para baixo, à planície, onde encontramos tantos irmãos sob o peso do cansaço, das doenças, injustiças, ignorâncias, pobreza material e espiritual. A estes nossos irmãos que estão em dificuldade somos chamados a levar os frutos da experiência que fizemos com Deus, partilhando com eles a graça recebida. E isto é curioso. Quando nós ouvimos a Palavra de Jesus, escutamos a Palavra de Jesus e a temos no coração, aquela Palavra cresce. E vocês sabem como cresce? Dando-a ao outro! A Palavra de Cristo em nós cresce quando nós a proclamamos, quando nós a damos aos outros! E este é o caminho cristão. É uma missão para toda a Igreja, para todos os batizados, para todos nós: escutar Jesus e oferecê-lo aos outros. L’Osservatore Romano

Tweets do papa

Na tarde de domingo, 16, o papa Francisco fez uma visita pastoral à Paróquia Santa Maria da Oração, no setor norte da diocese de Roma, bem longe do centro. Ele encontrou diversas realidades, em particular os doentes, depois as crianças e os jovens da Catequese, Primeira Eucaristia, Crisma e Pós-Crisma.

@Pontifex_pt 17 - Obrigado por todas as manifestações de carinho no aniversário de pontificado. Por favor, continuai a rezar por mim. 13 - Rezai por mim. 8 - O desafio dos esposos cristãos: estar juntos, saber-se amar para sempre e viver de modo que o amor cresça 7 - A nossa alegria mais pro-

funda vem de Cristo: estar com Ele, caminhar com Ele, ser seus discípulos.

há 50 anos

A herança do Filho de Deus Com a proximidade do tempo da paixão de Cristo, o jornal O SÃO PAULO há 50 anos buscava falar aos leitores sobre o que deveria ser lembrado neste período durante as orações. A matéria com o título de “Semana da Paixão” indicava aos leitores que o Filho de Deus, em forma de homem, aceitou cumprir sua penosa tarefa de passar pela paixão, morte e ressurreição. Sacrificando-se por todos os homens, assim deixou de herança a mensagem de que todos os homens têm o mesmo valor perante Deus. “Não há mais judeus nem gregos”, assim tornando dever e obrigação de todos lutar contra toda e qualquer forma

de desigualdade. E, junto à Igreja, os fiéis poderiam trabalhar para que o pilar fundamental da Lei de Deus, o amor ao próximo, fosse propagado sempre. Outra chamada do jornal era a inquietação a respeito do que se compreendia como sacerdote segundo a opinião pública. “Os mais variados juízos caem sobre a figura do Padre: ministro de Cristo, ponte lançada entre o céu e a terra, mão de Deus estendida aos pecadores, mestre de verdadeira vida, fonte verdadeira de luz e alegria.” Mas, acima de tudo, o artigo concluía que o Padre é aquele capaz de transmitir a Palavra de Cristo com paz, sinceridade e alegria.

Capa da edição de 15/3/1964


Viver Bem

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literatura

dicas de cultura

Mostra de cartuns no Museu de Arte Sacra homenageia um ano do papa Francisco Divulgação

Para marcar o primeiro ano de pontificado do papa Francisco, o Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS), a Arquidiocese de São Paulo e a Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) iniciaram, em 14 de março, a exposição “O Papa Sorriu”, que reúne desenhos de cartunistas brasileiros e estrangeiros retratando o pri-

meiro Papa latino-americano. A ideia de homenagear o papa Francisco com cartuns surgiu quando o presidente da ACB, José Alberto Lovetro, percebeu que os cartunistas haviam captado o bom humor do Pontífice, sobretudo durante a viagem que ele fez ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, realizada

Divulgação

na cidade do Rio de Janeiro, em julho do ano passado. A associação reuniu, então, trabalhos publicados na imprensa e alguns inéditos para homenagear o Papa. No dia 25 de fevereiro deste ano, após ter concelebrado com Francisco na capela da Casa Santa Marta, em Roma, o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, entregou ao Papa o livro com os cartuns da exposição. O Papa se interessou muito pelo livro, que o fez gargalhar. “Humor é bom”, humor faz bem, disse o Papa ao Cardeal. O que: Mostra de cartuns no Museu de Arte Sacra Quando: Até 30 de abril de 2014 Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 17h, sábado e domingo, das 10h às 18h Quanto: R$ 6,00 (estudantes pagam meia-entrada); grátis aos sábados Onde: Museu de Arte Sacra de São Paulo (avenida Tiradentes, 676, Luz, São Paulo - Metrô Tiradentes)

vamos cuidar da saúde!

direito do consumidor

Diabetes

Trabalho noturno do menor de idade

Certamente você já ouviu várias informações sobre diabetes. Então quero chamar a atenção daqueles que ainda não são diabéticos e podem evitar. Está claro que existem fatores genéticos, mas existem vários fatores externos que podem ser modificados. Muitas pessoas que têm glicemia baixa pensam que nunca desenvolverão essa doença, mas não é bem assim. A insulina (responsável pelo transporte do açúcar até o músculo onde ele fica armazenado) é produzida pelo pâncreas. Esse pode se esgotar se for estimulado excessivamente com ingesta de açúcar. Por isso é importante comer de forma saudável a cada duas horas se você tem hipoglicemia. Dúvidas, dracassiaregina@gmail.com

O ser humano não possui hábitos noturnos, por isso o trabalho realizado nesse período requer mais esforço físico e mental para ser executado. O legislador atento a isso previu na Constituição Federal no artigo 7º, IX, que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social a remuneração do trabalho noturno superior a do diurno. Todavia, a própria Constituição, no mesmo artigo, veda (não permite) o trabalho noturno para os menores de idade. Veja: artigo 7º, inciso XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 anos. Saiba de seus direitos, procure um advogado. Dúvidas: ronaldquene@gmail.com.

Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF).

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Ronald Quene é formado em Direito

Anjinhos do Brasil Deus Criou “Deus Criou” é o primeiro volume da coleção Anjinhos do Brasil e as Histórias da Bíblia. Neste livrinho, cada Anjinho conta de um jeito bem divertido tudo o que aconteceu em cada um dos seis dias da Criação e no dia do descanso. Os Anjinhos vão ensinar muitas curiosidades sobre como Deus criou todas as coisas. E, para deixar essa leitura ainda mais divertida, o livro vem com um joguinho da memória para combinar as criações divinas com as invenções humanas. Formato: 20 x 27,5 cm | 56 páginas Valor: R$ 23,90 Disponível em: www.edicoescnbb.com.br


6 Fé e Vida

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direito canônico

espaço aberto

Os bens sagrados

Misericórdia na Igreja

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT)

Edson Luiz Sampel

O cânon 1171 afirma que “coisas sagradas” são aquelas “que foram destinadas pela dedicação ou bênção ao culto divino”. De acordo com este cânon, dois sãos os requisitos para que uma coisa seja considerada sagrada: destinação ao culto divino, mediante dedicação ou bênção. São “coisas sagradas”: imagens (c. 1188); relíquias (c. 1190); lugares (c. 1205); edifício (c.1214); Bens (c. 1220, § 2); Coisas (cc. 1269, 1.376). Coisa Sagrada não é uma espécie de bem eclesiástico, isto é, nem todos os bens eclesiásticos são sagrados, e nem todos os bens sagrados são eclesiásticos, pois, pessoas individuais ou jurídicas podem ser possuidores ou detentores de “coisa sagrada” (cf.c.1269). As “coisas sagradas” não estão “fora do comércio”. Apesar disso, deve-se colocar alguns limites, tais como: “As coisas sagradas... sejam tratadas com reverência, e não se empreguem para uso profano ou não próprio a elas, mesmo que perten-

çam a particulares” (c. 1171). “Quem profana coisa sagrada, móvel ou imóvel, seja punido com justa pena” (c. 1376). A comunidade católica e a comunidade civil devem, por isso, sentir a grave responsabilidade de conhecer, guardar valorizar e transmitir às gerações futuras toda a preciosa herança que lhe foi temporariamente confiada. A Igreja Católica, em particular, deve considerar os bens culturais religiosos como fonte primária da sua atividade pastoral para a reevangelização do mundo contemporâneo. A ação da Igreja para a guarda e valorização dos bens culturais religiosos móveis e imóveis é, particularmente urgente, no atual momento histórico”. Conforme já assinalamos acima, compreendem não somente os bens imóveis senão também todos aqueles enumerados pela CNBB, que acrescenta: “Estes bens também não podem ser demolidos, mutilados, removidos, modificados, nem restaurados sem autorização da autoridade competente (o Bispo e a comissão diocesana) e, se tombados como monumento nacional ou estadual do órgão nacional ou estadual competente (Dec. Lei nº 25 de 30/ XI/37)”. (Continua na próxima edição).

Professor de teologia da PUC-SP

Padre Antonio Manzatto

Em recente encontro com os padres que trabalham na diocese de Roma, o papa Francisco lembrava mais uma vez da necessidade de a Igreja ser sinal do amor misericordioso do Pai, através da prática da misericórdia. Convocava os padres a viverem a misericórdia para com seus paroquianos tanto no sacramento da Reconciliação como fora dele. Ele mesmo, pessoalmente, dizia se sentir ne-

cessitado de misericórdia, tanto recebendo quanto distribuindo. Este é um assunto próprio para o tempo quaresmal: pensar no que significa a misericórdia e como ela pode transformar a dinâmica sacramental em atitudes cotidianas. O Papa lembra a figura do bom samaritano como exemplo das atitudes que a Igreja deve assumir nos tempos atuais, e reafirma sua proposta de que a Igreja seja como um hospital de campanha. Sempre pronta para acolher e atender os feridos do mundo atual, inclusive os que são feridos por conta de situações que envolvem a Igreja. Misericórdia para ele significa cuidar das vítimas, diminuir-

-lhes os sofrimentos e cuidar de seus machucados. A opção preferencial pelos pobres torna-se bastante clara aqui, ressaltando que o papel da Igreja não é o de ser dona da verdade, distribuindo acusações e julgamentos, mas simplesmente ajudar a humanidade ferida a levantar-se e prosseguir seu caminho. Desta forma, e não de outra, a Igreja mostra que é seguidora do seu Mestre. Aqui está o clamor por uma conversão eclesial que possibilite o cuidado para com aqueles sofredores que vivem nas diversas periferias existenciais, inclusive a geográfica. Não é isto que nos propõe o tempo quaresmal? Luciney Martins/O SÃO PAULO

fé e cidadania

Um ano do papa francisco Conselheiro geral na Congregação dos Scalabrinianos

Padre Alfredo José Gonçalves

O primeiro ano de pontificado do papa Francisco constitui um bom motivo para um olhar ao mesmo tempo retrospectivo e prospectivo, tendo em vista não só a atitude de sua pessoa, mas também as possibilidades de mudanças nos rumos da Igreja como Instituição. Nos parágrafos que se seguem, e de forma abolutamente provisória, podemos apontar quatro breves aspectos como pontos de partida para uma avaliação mais acurada. Não se trata evidentemente de negar o valor do aprofundamento doutrinário e bíblico-teológico, e menos ainda a tradição dogmática positiva na trajetória da Igreja. Diferentemente de seus imediatos antecessores, porém, o atual Papa revela uma preocupação centralizada muito mais na solicitude do vigário de Cristo para com “as multidões cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9, 35-38) do

que na defesa intransigente de uma moral rígida e tradicionalista. Seu olhar e gestos, suas palavras e ações, demonstram uma solicitude pastoral que se sobrepõe ao doutrinamento sistemático. Retoma-se assim o espírito da Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concilio Ecumênico Vaticano 2º. A Constituição Lumen Gentium, sobre a Igreja e o Decreto Ad Gentes, sobre sua ação missionária. De uma parte, a Instituição Católica faz-se luz dos povos na medida em que, a exemplo de Jesus, o Pontífice, os bispos/pastores, os presbíteros, os religiosos/as, os agentes de pastoral e os cristãos em geral dispõem-se a caminhar junto com todos, e de forma especial com os mais atribulados. Em meio a essa “multidão dos sem”, tratam de ouvir, acompanhar e ser solidários com seus dramas. De outra parte, isso somente será possível numa Igreja integralmente missionária: ou seja, menos concentrada no interior da sacristia, num liturgismo ritualista e estéril, em pompas e solenidades principescas, enfim, numa exterioridade triunfalista e medieval...

E mais, muito mais sensível e solidária diante do que ocorre fora de seus muros. Numa palavra, mais preocupada com o espírito evangélico do serviço e menos propensa ao poder/ riqueza/imagem. Na recente Exortação Apostólica, o papa Francisco insiste sobre ambas as dimensões. Confere especial atenção ao contato vivo e criativo com o povo, contato que transparece de forma visível e notória nas visitas e audiências, bem como no dia a dia de sua missão como bispo de Roma. Ao mesmo tempo, cita com insistência o Documento de Aparecida sobre a renovação do espírito missionário de toda a Igreja. Prevalece não a concepção piramidal da Igreja Hierarquia, e sim a concepção de Igreja “comunhão e partilha”, que caminha ao encontro da humanidade, levando em conta suas dores e temores, lutas e esperanças. Profila-se maior espaço a uma efetiva colegialidade, bem como à participação mais ampliada na tomada de decisões no interior dessa Instituição bimilenar. Isso sem falar da abertura ao ecumenismo e ao encontro inter-religioso.


Igreja em Ação

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pastoral carcerária

bioética

Tragédia nas prisões pode transbordar para além dos muros

A grave situação econômica das Santas Casas e Entidades Filantrópicas

imprensa@carceraria.org.br A coordenação da Pastoral Carcerária do estado de São Paulo divulgou na quarta-feira, 12, nota pública na qual manifesta indignação e preocupação com a atual situação do sistema prisional paulista, que, superlotado, já conta com 206 mil presos. A Pastoral lamentou a manutenção da política do governo do estado de construção de presídios e de aprisionamento em massa (41.811 pessoas foram encarceradas de janeiro de 2011 a janeiro de 2014), especialmente de pessoas provenientes de áreas com precariedades sociais, em sua maioria jovem e negra, “acusadas, em regra, de crimes contra o patrimônio ou de pequeno comércio de entorpecentes”. No entender da Pastoral, a superlotação carcerária em São Paulo pode ser enquadrada como crime de tortura, havendo ainda violações aos direitos básicos dos presos a estudo, trabalho, serviços de saúde e materiais de higiene. De acordo com a nota, a população carcerária feminina proporcionalmente cresceu o dobro da masculina nos últimos dez anos, devido as mulheres terem assumido mais funções na comercialização

de drogas. Também se faz menção em massa e do extermínio para esà violência imposta aos familiares camotear as profundas desigualdados presos, como a revista vexató- des que ainda persistem em nossa ria e a distância geográfica para vi- sociedade e para reprimir as popusitar um parente encarcerado; e às lações periféricas”. Por fim, é feito o alerta “sobre consequências das atrocidades do sistema prisional aos agentes peni- a tragédia que já está estabelecida tenciários, que, “não à toa acabam no sistema prisional paulista e que de entrar em greve, com toda legitimação, Infelizmente, a nossa população para reivindicar a reprisional, em sua maioria jovem, quase versão da precarização de seus trabalhos sempre pobre, quase sempre negra, ainda derivada diretamente sente na pele o terror e a violência de do encarceramento em massa”. um Estado nada democratizado e que se A coordenação utiliza, largamente, do encarceramento estadual da Pastoral em massa e do extermínio para Carcerária também lamenta que o Judiciescamotear as profundas desigualdades ário não esteja cumque ainda persistem em nossa sociedade prindo sua função de e para reprimir as populações periféricas zelar pelo direito das pessoas presas, bem como o Ministério Público. Ainda poderá, desastrosamente, transborconforme a nota, às vésperas dos dar para além dos seus muros, caso 50 anos do golpe militar de 1964, medidas efetivas para reverter à “infelizmente, a nossa população barbárie carcerária não sejam adoprisional, em sua maioria jovem, tadas imediatamente”. A íntegra da nota está em http:// quase sempre pobre, quase sempre negra, ainda sente na pele o carceraria.org.br/pastoral-carceraterror e a violência de um Estado ria-divulga-nota-publica-sobre-sisnada democratizado e que se utili- tema-prisional-paulista. za, largamente, do encarceramento Por Daniel Gomes

Padre Niversindo Antonio Cherubin, Camiliano

O Congresso Nacional acaba de formar uma subcomissão especial na Comissão de Seguridade Social e Família. A subcomissão é formada por cinco deputados federais titulares e quatro suplentes. Dentre os deputados titulares avultam dois com presença destacada: o deputado doutor Antonio Brito, da Bahia, que é o presidente da Frente Parlamentar das Santas Casas e presidente da Confederação Internacional das Misericórdias, e o deputado padre José Linhares Ponte, do Ceará, que foi várias vezes presidente da Confederação das Misericórdias do Brasil e presidente da Confederação Internacional das Misericórdias. O objetivo da subcomissão se destina a analisar e diagnosticar a situação econômica em que se encontram as Santas Casas e Entidades Filantrópicas e apontar uma solução que dê a elas condições de poderem continuar prestando os serviços imprescindíveis na assistência à saúde, como fizeram até hoje. Isto em vista, sobretudo porque sem elas, a assistência à saúde seria enormemente carente, como aparece no quadro abaixo:

Internações hospitalares do Sistema Único de Saúde – 2013

comiar

Um passo no caminho de nossa vocação missionária Integrante de Comiar da Arquidiocese de São Paulo

Irmã Carolyn Moritz, MM

Às vezes, nós, cristãos, especialmente nós que estamos envolvidos nas pastorais da Igreja, pensamos erradamente que temos todas as respostas e soluções dos problemas do mundo. Pensamos que somente nós sabemos evangelizar corretamente e que o Reino vai chegar por causa de nosso trabalho, esquecendo que somente somos os operários no vinhedo do Senhor. Mas chega a hora em que enfrentamos, face a face, nossa arrogância e fraqueza. O cristão, discípulo missionário de Jesus Cristo, não pode usurpar a missão de Jesus como se fosse dele.

Temos no Evangelho nosso padroeiro que nos ajuda a seguir um caminho de verdade e humildade – São Pedro. Pedro era o apóstolo que sempre tinha as respostas corretas para o Senhor: “Não deve ir a Jerusalém para ser crucificado” ou “Eu nunca vou denunciar você”. Sabemos o que aconteceu. Mas a humildade salvou Pedro, e a humildade vai nos salvar também. A humildade frente à nossa fraqueza é o dom que nos ajuda a reconhecer a nossa pequenez. Humildade é o dom que temos que pedir cada dia e em cada situação de nossas vidas. Para nos situar dentro de uma atitude de humildade, é bom que sempre nos lembremos de que esta obra não é nossa iniciativa, mas iniciativa de Deus. Cada um de nós pode cumprir somente uma fração

espaço do leitor

O jornal O SÃO PAULO está cada dia melhor: qualidade das fotos, impressão e notícias especiais, de Roma!

e atraente. Obrigado por esse dedicado e fecundo trabalho. Um abraço fraterno.

Marta Lu Domingues

Padre Ricardo Pinto, Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Região Episcopal Ipiranga, Setor Anchieta

Parabenizo a Redação de O SÃO PAULO pela nova formatação gráfica e pelos interessantes assuntos capazes de enriquecer a interlocução da Igreja com a cidade. A última edição está muito bonita

Redação do jornal O SÃO PAULO. Endereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. E-mail: osaopaulo@uol.com.br Twitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO

do trabalho, e nossa fração é como uma gota de água. Precisamos da nossa gota e temos que contribuir com ela. Com isso, sabemos que a gota e necessária, mas a gota não é o mar. Nada que fazemos neste mundo está completo. O Reino de Deus sempre está além de nós. Quando falamos, não é possível dizermos tudo – uma boa razão de se fazer homilias curtas. Nossas orações nunca vão expressar toda a nossa fé. Nenhum projeto pastoral cumpre toda a missão da Igreja. O mais que cada discípulo missionário de Jesus Cristo pode fazer em sua vida é plantar sementes que um dia possivelmente crescerão. Também podemos regar as sementes que outros plantaram ou fazer os tijolos ou colocar o alicerce, mas não somos os mestres de obras, mas somente os operários. Nossa sabedoria nos leva a crer que não podemos fazer tudo, mas temos de fazer algo para participar na obra missionária de Deus. É com humildade que adentramos o caminho desta vocação, sabendo que nosso trabalho pode parecer incompleto, mas está em construção – e isso é suficiente. É a graça de Deus e o conjunto dos trabalhos de nossos irmãos e nossas irmãs que vão cumprir a obra. Nós temos que ficar contentes com isso e darmos graças ao Senhor por sermos parte da obra.

Entidades estatais................. 4.998.564....... (45%) Santas Casas e Entidades Filantrópicas......... 4.978.433.. (44,45%) Privadas................................. 1.140.637.... (10,2%) Total de internações em 2013.................................11.117.634 A situação aflitiva em que vivem e operam as Santas Casas e Entidades Filantrópicas se deve há muitos anos à defasagem entre os custos e a remuneração dos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Um levantamento mostra que, de cada R$ 100 gastos no atendimento aos pacientes, o SUS só ressarce R$ 65, gerando uma diferença de 54%. Até 2013, os números apontam para um déficit de R$ 5,3 bilhões. Se esta verdadeira hemorragia não for estancada, a dívida acumulada dos últimos anos fechará 2013 com um déficit de mais de R$ 11 bilhões. Entre as medidas apresentadas pela subcomissão, está o reajuste da tabela de remuneração do SUS de 100% sobre os 100 procedimentos de internação com maior incidência que correspondem a 84% das internações e 81% dos valores pagos, o que geraria um impacto de 4 bilhões para o setor filantrópico. Estamos convencidos de que os parlamentares e a imensa maioria dos brasileiros estão cientes da importância das Santas Casas e Entidades Filantrópicas. São milhões de brasileiros que dependem dos serviços dessas instituições. Elas desempenham inclusive, papel de relevância para o funcionamento do sistema público e suplementar de saúde. Os números revelam o quão estratégico, para a assistência à saúde dos brasileiros, é se garantir a continuidade da participação das Santas Casas e Entidades Filantrópicas, oferecendo-lhes os meios necessários para que sigam prestando um serviço de qualidade.


8 Igreja em Ação

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Mundo do trabalho – pastoral operária

SETOR JUVENTUDE

Terceirizações, um pesadelo

Curso para assessores adultos de juventude Mestre em Teologia pela PUC-SP, é secretário-executivo do Setor Juventude da Arquidiocese de São Paulo.

Padre Miguel Pipolo

Há um projeto sobre terceirizações circulando pelo Congresso e pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Após ter recebido muitas modificações, governo e deputados chegaram ao consenso. A prática é uma grande exploração dos trabalhadores sem qualificação e desorganizados. É, portanto, uma forma de aumentar os lucros imorais dos que praticam tal pesadelo. O principal ponto do texto é que a terceirização pode ser estendida para todas as atividades de uma empresa, atividades-fim e atividades-meio. O consolo dos trabalhadores é que existe a súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho que proíbe a terceirização de atividades-fim. O projeto racionaliza as coisas numa área em que há muita bagunça e confusão. Representantes das centrais sindicais, do governo, parlamentares e empresários chegaram a um acordo após várias reuniões. A atividade-fim é a atividade principal de uma empresa. Assim, numa fábrica de aparelhos eletrônicos a atividade-fim é a produção de celulares, de aparelhos de televisão, de geladeiras. Atividades como segurança, alimentação, vigilância, conservação e limpeza são chamadas de atividades-meio. Estas são terceirizadas na maior parte das empresas. Pelo projeto acaba o conceito de atividade fim e meio. A terceirização pode ocorrer em qualquer etapa do processo produtivo, e isto aumenta a competitividade das empresas. A empresa terceirizada tem de ser uma empresa que realize uma única atividade. Não será como hoje em que funcionam como intermediadoras de mão de obra. Logicamente haverá leis rígidas para as empresas atuarem como terceirizadas. Acredite quem quiser... As centrais sindicais defendem que o projeto proíba a contratação de terceiros na atividade-fim. Segmentos da área sindicalistas e trabalhadores foram às ruas contra o projeto apesar de esperança nula. Para eles, estará declarada guerra entre capital e trabalho no dia a dia das empresas. Todos concordam que é preciso impor limites para a terceirização. Outro ponto de debate é saber quem terá o direito de representar os terceirizados nas negociações coletivas. O consenso chega numa época em que a indústria tem enorme dificuldade de competir, em que há descompasso entre produção e consumo, em que a política econômica é feita de improvisações e remendos, com poucos setores ainda eficientes. A terceirização, neste contexto, não anima ninguém.

EDITAL DE CONVOCAÇÃO Assembléia Geral Ordinária

A ASAAC – Associação de Apoio e Acompanhamento, de acordo com o artigo 12 e 15 inciso I de seu Estatuto, convoca os associados para a Assembleia Geral Ordinária, que se realizará no dia 31 de março de 2014, na sede da Entidade, localizada na Praça Clovis Bevilácqua, nº 351, 5º andar, conj. 501 - Centro, São Paulo, com a primeira chamada às 10h00, com cinquenta por cento mais um dos associados, e segunda chamada às 10h30 com qualquer número, de associados, quando estarão em pauta os seguintes assuntos: 1. Inclusão e exclusão de associados 2. Eleição da nova Diretoria, para o biênio de 2014/2016 3. Assuntos gerais São Paulo, 07 de março de 2014 Heidi Ann Cerneka Presidente da ASAAC

Nei Márcio Oliveira de Sá

No ano seguinte à realização da JMJ no Brasil, a evangelização da juventude continua na mente e no coração dos pastores e lideranças de nossa Igreja. O Papa nos convoca para esta Missão: “A pastoral juvenil, tal como estávamos habituados a desenvolvê-la, sofreu o impacto das mudanças sociais. Nas estruturas ordinárias, os jovens habitualmente não encontram respostas para as suas preocupações, necessidades, problemas e feridas. A nós, adultos, custa-nos ouvi-los com paciência, compreender as suas preocupações e aprender a falar-lhes na linguagem que eles entendem” (Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, nº105). Procurando responder à grande necessidade de acompanhamento para os grupos de jovens existentes nas paróquias, colégios católicos, pastorais, movimentos eclesiais, novas comunidade e congregações religiosas, o Setor Juventude da Arquidiocese quer convidá-los (as) a participar e animar sua comunidade a enviar representantes adultos para o “Curso de Formação Para Acompanhantes e Assessores de Jovens”, que acontecerá nos dias 29 e 30 de março de 2014, sábado e domingo, das 8h às 17h, nos dois dias. O curso acontecerá no Centro Pastoral São José, av. Álvaro Ramos, 366, estação Belém do metrô – fone: 2693-0287. Os participantes não dormirão no local. O valor será R$ 50,00 (cinquenta re-

ais). Esta contribuição, acrescida de subsídio da Arquidiocese, cobrirá os gastos com alimentação (café da manhã, almoço e cafezinhos nos dois dias) e os materiais do curso. Caso haja dificuldade financeira, não deixem de participar por conta desta questão. Converse com a equipe de animação do SEJUSP. Para efetuar a inscrição, este valor deverá ser depositado até 23 de março, na seguinte conta corrente: Mitra Arquidiocesana de São Paulo – CNPJ: 63.089.825/038702. Banco Bradesco – Agência: 3099 – Nova Pacaembu – Operação 003 – Conta: 252-9. Feito o depósito bancário, enviar o comprovante, junto com a ficha de

inscrição preenchida, disponível no site da Arquidiocese: www.arquidiocesedesaopaulo.org.br, para o e-mail: setordejuventude@uol. com.br. Feito este trâmite, enviaremos a confirmação da inscrição, com outros detalhes sobre o curso. Para mais informações: (11) 99478-8881. Este curso é destinado para adultos a partir de 25 anos e pressupõe participação integral, nos dois dias. O trabalho com a juventude exige de nós cada vez mais capacitação e entusiasmo. E os adultos possuem um importante papel como referenciais de testemunho e formação para os jovens de nossa Igreja. Não deixem passar esta oportunidade! Luciney Martins/O SÃO PAULO

patoral familiar

Pastoral Familiar: São José Secretários da Pastoral Familiar Arquidiocesana

Zuleica e João Abrahão

São José foi escolhido por Deus para realização de seu plano de amor para a humanidade, considerando-se que o anjo do Senhor, fala três vezes com José (cf. Mt 1, 20-24; 2, 13 e 19-20), e José realiza o que lhe fora comunicado. Na Bíblia, há apenas pequenas menções ao protetor da Sagrada Família, na figura do pai adotivo ou mesmo “pai putativo”, porém cremos que pai virginal é mais significativo e apropriado, pois José – como Maria – viveu a castidade. Somente perante a Lei judaica é que José era considerado pai legítimo de Jesus

e, nessa situação, possuía todos os direitos da paternidade (cf. Lc,27; 2, 4-7; 16; 22-24; 33; 43; 48 e 51). São José era um homem de bem e, ao mesmo tempo, uma pessoa escolhida por Deus. Era fervoroso na fé, tanto que, apesar de inicialmente hesitar ao receber a notícia da gravidez de Maria, enfrentou com coragem, segurança e amor a defesa da Sagrada Família, e ainda sem titubear assumiu a paternidade de Jesus, porque ouviu, com disponibilidade e prontidão, a mensagem divina, deixandose guiar pela vontade de Deus (cf. Mt 1, 19-25). José, homem justo, abraçou ser guardião da Sagrada Família e, juntos, viveram no exílio (cf. Mt 2,14) e cremos que com algumas dificuldades, como da língua, religião, costumes e outras do local. Saíram do

Egito quando avisado divinamente em sonho, partindo para a província da Galileia, onde se estabeleceram na cidade de Nazaré (cf. Mt 2, 22-23). Nós, hoje, também, muitas vezes planejamos nossas vidas, temos nossos sonhos e ideais e só a eles nos dedicamos ferrenhamente, que chegamos a ficar cegos e surdos, pois não conseguimos perceber o que Deus quer de cada um de nós. Como José, precisamos ficar atentos aos “gemidos inefáveis do Espírito Santo” (Rm 8,26). São José, como pai, alimentou e educou Jesus. Como esposo, foi casto, respeitando a virgindade de Maria. E como responsável pela Sagrada Família, foi protetor, orientador e benfeitor. São José, guardião da Sagrada Família, protegei nossas famílias.


Esportes/Geral

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copa do mundo Rafael Ribeiro/CBF

Seleções utilizarão trabalhos de psicólogos durante o Mundial de futebol; sucesso não está relacionado à conquista de título

1950 e 1954 – Decepção em casa, vexame na Suíça

Daniel Gomes Redação

Quando foi convocada pela primeira vez, ela quase complicou a seleção brasileira: às vésperas da Copa de 1958, indicou que Pelé era um jogador mediano e que Garrincha não tinha responsabilidade para estar em um mundial de futebol. Mas Vicente Feola, então técnico, não seguiu os indicativos dos testes de psicologia, feitos pelo psicólogo João Carvalhes, e relacionou os dois atletas, que foram decisivos para o inédito título brasileiro. Mais de 40 anos depois, a psicologia do esporte voltou a ter destaque: para a Copa de 2002, Luiz Felipe Scolari integrou a psicóloga Regina Brandão a comissão técnica. O trabalho foi decisivo para escolha de um novo capitão para o time, após à contusão do meio campista Emerson, e para a montagem da “Família Scolari”, como ficou conhecida a seleção campeã. Regina já está “convocada” para a Copa deste ano, e, segundo Felipão, “fará os exames psicológicos, vai traçar o perfil de cada

Psicologia não calça chuteira, mas decide jogo selecionado e com o conhecimento de cada indivíduo, queremos errar o mínimo possível”. Para a psicóloga Luciana Ferreira Angelo, especialista em psicologia do esporte, a avaliação sobre o sucesso das estratégias adotadas não se baseia apenas em títulos. “Por uma questão profissional da comissão que assume o trabalho é que é possível haver um resultado mais satisfatório, o que não quer dizer ganhar a competição, mas ver um bom futebol, um nível técnico elevado, um time organizado e uma estratégia de jogo clara”, explicou ao O SÃO PAULO.

De acordo com a psicóloga, nos últimos 15 anos as estratégias de trabalho na seleção brasileira pouco mudaram, “mas há particularidades em função de cada comissão, o que possibilita um comprometimento maior do grupo”. Segundo ela, o engajamento de um atleta no projeto definido é fundamental. “A convocação, nesses casos, não se dá pelo enquadramento no perfil psicológico, mas no projeto pensado para a seleção. A comissão técnica deve avaliar se aquele atleta tem condições físicas, técnicas e psicológicas,

para fazer parte do projeto, pois existem muitas pressões, muitas cobranças, isso com todas as seleções”, comentou, apontando que também as seleções da Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália fazem uso da psicologia do esporte. Luciana relativizou o impacto do “clima” das concentrações para o desempenho final das equipes. O assunto ganhou destaque nas últimas Copas. Nos preparativos para a de 2006, na Alemanha, o Brasil concentrouse na cidade suíça de Weggis, tendo grande contato com torcedores e alguns jogadores fo-

Na primeira Copa após a 2ª Guerra Mundial, 13 seleções atuaram nos gramados brasileiros. No quadrangular final, o Brasil goleou a Suécia, 7x1, empatou com a Espanha 2x2, e perdeu o título ao ser surpreendido pelo Uruguai, 2x1, no Maracanã, em 16 de julho de 1950. Em 1954, na Suíça, o Brasil foi eliminado pela Hungria nas quartas de final, na conhecida “Batalha de Berna”, por conta da troca de socos, chutes e até de garrafadas após o jogo. Favorita ao título, a Hungria perdeu a final para a Alemanha.

ram flagrados em festas. Em 2010, na África do Sul, a opção foi isolar os atletas e não convocar os com fama de ‘baladeiros’, mas o resultado foi o mesmo: eliminação nas quartas de final. “Nesses casos, tivemos grupos diferentes, comissões técnicas com estilos diferentes e objetivos muito diferenciados. Não se pode fazer uma comparação efetiva para avaliar se a presença de uma rigidez ou não na concentração seja o único fator para um resultado mais favorável”, analisou.

Entidades lutam contra a criminalização dos movimentos sociais Edcarlos Bispo

redação

Com o crescente aumento das manifestações de rua e a tentativa, por parte de alguns congressistas, de endurecer a punição contra os manifestantes, entidades como a Comissão de Justiça e Paz, Centro Santo Dias de Direitos Humanos, Vicariato do Povo de Rua, entre outras, criaram uma campanha contra a criminalização dos movimentos sociais (publicado no O SÃO PAULO, na edição 2992). Para buscar uma resposta das ações policiais, que têm realizado prisões arbitrárias, como na manifestação de 22 de janeiro, além do uso da “tropa do braço”, um grupo da Polícia Militar especializado em artes marciais, representante das entidades acima citadas se reuniram na última semana com o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, para debater e buscar soluções diante deste empasse entre os manifestantes e o Poder Público. O professor Luiz Antônio de Souza Amaral, do Centro Santo Dias, que esteve presente na reunião com o secretário de

Segurança Pública, destacou a atenção do secretário no atendimento aos representantes dos movimentos e pastorais. De acordo com o professor, o secretário conta com as entidades da sociedade civil para a busca de uma resposta a estes problemas. Na visão do professor, o endurecimento da polícia, bem como as prisões arbitrárias, representa uma tentativa de ame-

drontar os manifestantes e “cortar o mal pela raiz”, já que os grandes eventos estão se aproximando e os governantes querem passar uma visão positiva do Brasil para o mundo. Outro aspecto, destaca Luiz Antônio, é fazer com que a opinião pública desaprove os protestos, não reconhecendo as pautas legítimas dos manifestantes, mas se foLuciney Martins/O SÃO PAULO

cando apenas nas situações de violência que acontecem por parte dos dois lados. Da mesma forma pensa o padre Julio Lancellotti, vigário episcopal para a Pastoral do Povo de Rua. De acordo com o sacerdote, há uma tentativa de criminalização dos movimentos sociais e populares e tudo isso se deve ao ano em que vive o País. Presente nos recentes protestos acontecidos na capital, contra a Copa do Mundo, o sacerdote afirmou que há uma tentativa de amedrontar o participante para que as manifestações sejam desencorajadas e percam sua força. Para Paulo Spina, do Fórum Popular da Saúde do Estado de São Paulo e do coletivo “Se não tiver direitos não vai ter Copa”, é preciso deixar claro quais são as pautas dos manifestantes que, por vezes, são postas de lado para se noticiar apenas as situações de violência. As ações de violência da PM, de acordo com Paulo, violam os direitos dos manifestantes. Para além de ser contra a Copa do Mundo, o manifestante destaca que é a favor de políticas públicas que visem o bem de todo o povo, como o investimento em saúde, educação e moradia.


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‘A alegria de evangelizar nos desafios da universidade’ Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Encontro aconteceu na Fapcom e reuniu dezenas de estudantes de diferentes instituições de ensino Edcarlos Bispo

reportagem na zona sul

A Pastoral Universitária da PUCSP, em parceria com a coordenação arquidiocesana dos Movimentos e Novas Comunidades e a Faculdade São Bento, realizou no sábado, 15, no auditório da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), a Jornada Universitária. Com o tema: “A alegria de evangelizar nos desafios da universidade”, o encontro reuniu dezenas de jovens de faculdades como, por exemplo, USP, PUC e Fapcom, para, em vez de uma aula, ouvirem dos professores testemunhos de como a religião transformou a vida universitária e a carreira dos mesmos. Presente ao encontro, o arcebispo metropolitano, dom Odilo Pedro Scherer, anunciou a criação do Vicariato da Educação. De acordo com o Cardeal, há um número alto de instituições de ensino, estudantes, professores e funcionários

ligados ao mundo universitário, que, portanto, precisa de uma atenção maior da Igreja. Para a estudante de Filosofia da PUC, Vanessa Pozzoli, 22, o encontro superou suas expectativas, pois foi pertinente ver os professores falarem dos desafios do mundo universitário e encorajar os universitários a seguir em frente.

A jovem, que participa do Movimento Focolares, destacou como é importante “não ter medo de mostrar que você é cristão”. “Mais do que tudo foi um incentivo, sempre é bom se ver como católico para mostrar que não estamos sozinhos”, afirmou sobre o encontro. Outro estudante da PUC, o jovem José Felipe Calandrelli,

19, lembrou que a adesão a Jesus Cristo não se dá, apenas, por meio de discursos, mas, também, por atitudes cotidianas e de vida. “Eu tirei para mim que preciso mostrar a partir das minhas experiências de vida o que é ser cristão”, disse. Estudante de Relações Internacionais, Felipe destacou

que a universidade, apesar de ser católica, é hostil com os alunos que não têm vergonha de professar a sua fé. O encontro serviu, na visão dele, para o encorajar a demonstrar a sua fé, sem medo ou receios do que possam falar. Felipe participa do Movimento Comunhão e Libertação, e, para ele, há um problema com os alunos que são mais radicais no tocante aos assuntos religiosos, pois eles se dizem abertos ao diálogo e à conversa, porém quando as ideias são contrárias às deles, os mesmos agem de forma agressiva. “Essa é uma grande questão, como colocar isso em prática. Para encontrar Cristo não existe um único caminho ou um discurso. Para fazer essa ponte entre o discurso e a prática, basta mostrar como você vive sua vida”, afirmou o estudante. O professor doutor Alexandre Ferraro, pediatra, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP; o professor doutor Antonio Marchionni, professor de Teologia da PUC; a professora mestra Marli Pirozelli Silva, professora de Ciências Humanas do Centro Universitário da FEI; e o professor doutor Joel Gracioso, da Faculdade São Bento, destacaram a alegria de poder, junto aos alunos, fortalecer a fé e os caminhos para abrir as universidades para o diálogo e a presença da religião.

Ação pastoral inspira atendimento a mães presas Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes

Reportagem no centro

Está em vigor no estado de São Paulo, desde 8 de março, a política institucional, da Defensoria Pública, para atendimento às mulheres presas visando assegurar a gestação segura e o exercício da maternidade durante o período da custódia penal, bem como a garantia dos direitos das suas crianças e adolescentes. A política inspirou-se na atenção da Pastoral Carcerária às mães presas. “A ação começou em 1997, quando ficamos comovidos com as histórias que ouvíamos nas visitas pastorais de mulheres que não sabiam onde os filhos estavam, ou que davam à luz e, ao voltarem ao presídio, nunca mais tinham contato com eles. Procurávamos advogados amigos que apresentavam os caos à Justiça”, recordou, ao O SÃO PAULO, Heidi Cerneka, 48, da coordenação nacional da Pastoral Carcerária. A partir de 2011, a iniciativa ganhou o apoio da Ouvidoria da Defensoria Pública de São Paulo, com a criação do projeto “Mães do Cárcere”, com a meta de que os três núcleos especializados da Defensoria

– da Infância e Juventude, de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, e da Situação Carcerária – construíssem uma política de atendimento às mães presas e seus filhos. “A grande influência do projeto foi expor a necessidade urgente de uma política institucional que integrasse os atendimentos na área criminal e na área da infância e juventude, possibilitando o exercício do direito de defesa em ambas as áreas”, comentou o advogado Rodolfo

de Almeida Valente, 31, voluntário da Pastoral Carcerária. “A mãe era ilegalmente separada da sua criança e só depois de anos ficava sabendo que, na Justiça da Infância e Juventude, perdera o poder familiar sem sequer ser ouvida e, para piorar, a sua criança já tinha sido adotada por outra família”, recordou. Pela nova política, está garantido o atendimento jurídico às presas grávidas, em período de amamentação, ou que tenham filhos menores de 18 anos em situa-

ção de vulnerabilidade. Um núcleo permanente de assessoria, Convive, receberá e encaminhará as demandas apresentadas por órgãos da Defensoria Pública, familiares das presas, entidades sociais ou pela Secretaria de Administração Penitenciária, esta por meio de formulários preenchidos pelas detentas assim que ingressem nas unidades prisionais. Com a aprovação da política, Heidi está otimista em um melhor atendimento jurídico às mães presas, mas alerta para a efetiva execução. “Cabe à Defensoria Pública, mas também à sociedade civil e à população presa, fiscalizar para que os encaminhamentos aconteçam e para que haja retorno às mulheres encarceradas.” Para Rodolfo, o avanço trazido pela nova política “consiste no fato de que o direito de a pessoa presa de conviver com seus filhos e de se defender amplamente quando o poder familiar é contestado judicialmente poderá agora ser efetivado a partir de atribuições bem definidas entre membros da Defensoria Pública da área criminal e da infância e juventude, com a integração das atuações e o estabelecimento de fluxo de atendimento e de monitoramento dos casos”.


Geral

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Arquidiocese de São Paulo celebra 1º ano de pontificado do papa Francisco Na quinta-feira, 13, dom Tarcísio Scaramussa, Vigário Geral da Arquidiocese, presidiu missa na Catedral da Sé para celebrar 1º ano do papa Francisco (foto); na noite anterior, o Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo (CLASP) realizou vigília de oração nas escadarias da Catedral para rezar pelo Pontífice.

Água: recurso escasso e com falhas de gestão Dia Mundial da Água, será celebrado em 22 de março; no Brasil, saneamento básico e secas são realidades que preocupam

desafios, especialmente em relação ao acesso à água e saneamento de pessoas que vivem em assentamentos informais em centros urbanos e em áreas rurais, e aquelas afetadas pela seca. Igualmente existem grandes diferenças

no acesso a este direito por distintos setores da população, como as comunidades indígenas e negras. Além disso, existem profundas desigualdades no acesso a água e ao saneamento entre as distintas regiões brasileiras”.

Para Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, a falta de investimentos em saneamento básico ocasiona a proliferação de doenças como a diarreia e a degradação da qualidade das águas nos rios e praias. “Uma gestão mais Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes Redação

Em todo o mundo, 1 bilhão de pessoas não têm acesso a abastecimento de água suficiente, ou seja, conforme indica a ONU, não dispõem de fonte que possa fornecer 20 litros por pessoa ao dia, a uma distância máxima de um quilômetro de onde vivem. Com o foco de ampliar as discussões sobre a temática da água, a ONU criou, em 1993, o Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. Em 2014, a data trata do tema “Água e Energia”. Segundo a ONU, 8% da energia gerada no planeta é usada para bombear, tratar e levar água para consumo das pessoas, e boa parte da energia elétrica é gerada a partir de recursos hídricos. No Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Águas, 70% da matriz energética provém das hidroelétricas. Segundo a declaração oficial da ONU sobre o direito humano à água e saneamento, de dezembro de 2013, no Brasil, “persistem diversos

Igreja no Brasil e a atenção com a água Da redação

A problemática da água no Brasil tem recebido atenção da Igreja. Em 2004, quando a Campanha da Fraternidade teve como foco a água, a CNBB lançou o questionário “a realidade hídrica do Brasil” e atuou para a formação da Defensoria das Águas.

Em abril de 2013, a CNBB divulgou a nota “Sede de Água e de Justiça”, na qual apontou que “o ciclo de secas ‘não pode nos fazer pensar que o semiárido brasileiro seja apenas um condicionamento climático e, a longa estiagem, sua intempérie. O semiárido é, antes de tudo, um conjunto de condições próprias de um bioma e, desse modo, exige-nos um novo olhar e a construção de iniciativas diferenciadas’ para a convivência nesta região,

onde vivem 46% da população nordestina e 13% da população brasileira, representando 11% do território nacional”. Na nota, a CNBB alertou, ainda, que a seca provoca migrações forçadas, desintegração familiar, tráfico humano, instrumentalização de pessoas para fins eleitoreiros, agravamento da miséria, dizimação da produção agrícola e agropastoril e colapso no abastecimento de água das áreas urbanas. (DG)

eficaz do saneamento básico por parte das cidades brasileiras resultaria na melhoria da qualidade dos nossos recursos hídricos, e assim poderíamos contar ainda mais com a água dos rios para o abastecimento humano. Tão importante, portanto, quanto cobrar o cidadão para que economize água é a urgência em reduzir as perdas de água nas redes de distribuição e ampliar rapidamente os indicadores de acesso da população à água tratada, à coleta e ao tratamento dos esgotos”, opinou ao O SÃO PAULO. A falta de água para consumo no Brasil, que historicamente afeta a região do semiárido, também tem sido recorrente nas metrópoles. Em São Paulo, desde o fim do ano passado, há preocupação com o baixo nível das reservas do Sistema Cantareira, principalmente pela escassez de chuvas. “Em um sistema natural equilibrado as grande parte da águas das chuvas se infiltram pelo solo, encontram diversos tipos de obstáculos rochosos, saliências e porosidades que as retêm em mananciais subterrâneos por longo tempo e depois retornam à superfície em milhares de pequenas nascentes. Em uma cidade impermeabilizada, as águas das chuvas caem, e a maior parte escorre pelas calhas de cimento, pelo asfalto e pelos encanamentos, provoca grandes transtornos à população e depois vai embora sem sequer tocar o solo”, analisou Vicente Pimenta, integrante da Pastoral da Ecologia da Arquidiocese.


12 Fraternidade e Tráfico Humano

Trabalho análogo à escravidão Iberê Thenório/CNJ

por: Daniel Gomes

Lúcia, boliviana, conta sua difícil chegada ao Brasil e como sofreu para fugir da exploração

Mudança de hábito de consumo colabora no combate “Quem costurou a camisa que você está usando agora?”. À primeira vista, a pergunta soa banal e sem importância. Quem ao entrar em uma loja e comprar uma camisa, por exemplo, procura saber a procedência do produto, por onde passou, quantas pessoas e empresas estão envolvidas na produção da mesma. Porém, ao se desvendar as redes de exploração do trabalho escravo ou situações análogas à escravidão, percebe-se que a resposta a essa questão pode romper com uma cadeia de exploração. O questionamento acima foi feito por Ricardo Félix, advogado do Centro de Acolhida de Refugiados da Cáritas Arquidiocesana. Para ele, é preciso que haja uma reeducação dos hábitos de consumo das pessoas, pois a forma como se consome produtos atualmente está intimamente ligada a situações

de exploração de mão de obra. Um exemplo citado por Ricardo é a situação da República Democrática do Congo, que, de acordo com ele, “de República e democrática não tem nada”. O País é rico em contan – um minério usado na produção de chip de celular e computador –, e por isso é fruto da especulação e exploração de multinacionais do ramo de eletrônicos. Quando o cliente adquire um celular, um tablet, um notebook e, após seis meses ou um ano, troca aquele aparelho por outro mais moderno, ele não leva em consideração os caminhos percorridos para a fabricação daquele produto. Ricardo não cita o nome de nenhuma empresa, apenas destaca que o Ministério Público do Trabalho tem realizado autuações e punições de empresas que ferem os direitos trabalhis-

tas dos cidadãos. Para ele, a empresa, enquanto ente jurídico, não possuiu um rosto, ou alma, dessa forma não tem implicações morais, assim só sentirá o peso de suas ações quando perder financeiramente. “Se um cidadão tem conhecimento de alguém que está sendo explorado será que não faz parte do compromisso solidário, do compromisso cidadão, informar as autoridades que aquilo está acontecendo?”, questionou Ricardo, destacando o papel da população na luta contra o trabalho escravo. Sobre a participação da Igreja, o advogado destacou que quando a mesma se propõe a isso, tem uma grande capacidade, não só de cuidar da vítima – quando ela são atendidas e recuperadas –, mas principalmente fomentar essas ideias para levar consciência, principalmente para o consumo consciente. CNJ

Empresas que não jogam limpo O Ministério do Trabalho e Emprego atualiza, semestralmente, o Cadastro de Empregadores, que contém infratores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas a de escravo. Os procedimentos de inclusão e exclusão são determinados pela Portaria Interministerial nº 2/2011 – MTE/ SDH (Secretaria de Direitos Humanos a qual impõe que a inclusão do nome do infrator no

Cadastro ocorrerá após decisão administrativa final relativa ao auto de infração, lavrado em decorrência de ação fiscal, em que tenha havido a identificação de trabalhadores submetidos ao trabalho escravo. Por sua vez, as exclusões derivam do monitoramento, direto ou indireto, pelo período de dois anos da data da inclusão do nome do infrator no Cadastro, a fim de verificar a não reincidência na prática do “trabalho es-

cravo” e do pagamento das multas resultantes da ação fiscal. Cumpre asseverar que o MTE não emite qualquer tipo de certidão relativa ao Cadastro, sendo certo que a verificação do nome do empregador na lista se dá por intermédio da simples consulta ao Cadastro, que elenca os nomes em ordem alfabética. Confira a lista em: www.cnj. jus.br Fonte: CNJ

Hoje, Hugo M. tem 3 anos. Ele nasceu na Bolívia e tem dois irmãos, uma boliviana e o mais novo, brasileiro. Os três são filhos de Lúcia M., que veio para o Brasil em janeiro de 2012 para tentar juntar dinheiro e pagar uma dívida que adquiriu na Bolívia. “Uma amiga que conhecia há mais de cinco anos me pediu que assinasse um documento em que testemunhava por um empréstimo que ela queria fazer para ajudar o filho. Fui ao banco com ela e assinei. Depois de três meses, ela não pagou. Mais dois meses, e o banco veio bater na minha porta. A partir daí, cobravam todo mês. Eu não ia pagar, não podia pagar. Eles começaram a ameaçar que ia tomar a casa onde morávamos. A dívida passou de R$ 10 mil e eu não sabia o que fazer para conseguir pagar. Então, decidimos vir trabalhar no Brasil”, contou Lúcia.

Na Bolívia, Lúcia trabalhava com marcenaria. “Eu fazia portas, janelas, cadeiras, mesas. Estava bem na Bolívia, mas, depois da dívida, comecei a trabalhar sábado, domingo, todos os dias sem parar. E não era suficiente. Então, precisei sair de lá.” A chegada da família ao Brasil foi muito difícil. Desde o começo, Lúcia conta que tinha raiva dos brasileiros, porque não entendia nada do que falavam, mas, segundo ela, os maiores sofrimentos vieram por parte dos seus compatriotas. “Tinha

Políticas p Em âmbito nacional

Existe a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), instituída em 2003, ano em que surgiu o 1º Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo. Desde

2008 está em vigor o 2º Plano. Na Conatrae, há o Grupo Móvel (GM) de fiscalização, que atua de forma planejada, sigilosa, em qualquer ponto do território nacional onde haja suspeita ou denúncia de trabalho escravo.


Fraternidade e Tráfico Humano

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o: é possível pagar esta dívida?

mes, Edcarlos Bispo e nayá fernandes Daniel Gomes/O SÃO PAULO

gente que morava aqui há cinco, seis e sete anos, mas parecia não querer nos ajudar. Na verdade, sinto muita lástima por eles, porque não sabem o que estão fazendo. Eles são bolivianos, não são brasileiros. Também sofreram como nós.” Com o marido, foi empregada em uma oficina, mas com os filhos pequenos, não tinha condições de trabalhar o tempo todo e, durante uma boa parte do dia, ficava cuidando dos filhos. Depois, ficou grávida de novo e, então, a situação piorou ainda mais. Era cobrada pelo

patrão e, como tinha muitos gastos com os filhos, começou a adquirir mais dívida, pois o que o pai ganhava não era suficiente para sustentar a família, mesmo trabalhando mais de 12 horas por dia. “Sofri muito. Tudo o que passei com meus filhos ninguém pode imaginar. Agora eles vão à escola, mas quando chegamos, eles ainda não iam. Gastava muita fralda, muito leite. Mesmo grávida, eu lavava roupas para as pessoas e elas me pagavam com a doação de leite, fraldas, roupas e sapatos.

Mas fomos jogados num quartinho e a situação ficava cada vez mais difícil. Lá, eu não conseguia nem respirar direito e não tinha espaço pra eles”, disse chorando. Mas as coisas começariam a mudar para a família quando chegou o tempo do parto do último filho do casal. “Procurei sozinha o pronto-socorro e fui encaminhada a um hospital. Lá, fui muito bem tratada. Quando vi, a criança já tinha roupas, brinquedos, fraldas. Não posso esquecer como fui ajudada.” Com a ajuda de muitas pessoas, inclusive da Missão Paz, instituição que acolhe e encaminha migrantes e imigrantes em São Paulo, a família conseguiu que o esposo fosse empregado na construção civil e também alugasse uma casa. “Hoje temos documentos. Meu marido trabalha muito e eu fico em casa com as crianças. A casa é alugada, mas ali eu fico como se fosse minha e, além disso, meus filhos têm espaço para brincar. As pessoas acham que os bolivianos ganham muito dinheiro no Brasil, mas, na verdade, não é assim. Achamos que íamos conseguir emprego fácil com os bolivianos, mas eles nos fizeram sofrer muito.”

públicas de enfrentamento No estado de São Paulo

A Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae), instituída em 2011, em São Paulo, traça objetivos para a Política Estadual de Combate ao Trabalho Escra-

vo. Há 15 comitês regionais da Comissão em todo o estado de São Paulo.

Na cidade de São Paulo

Em outubro de 2013, foi criada a Comissão Municipal de

Erradicação do Trabalho Escravo de São Paulo (Comtrae/ SP), com a meta de prevenir e combater o trabalho escravo. As reuniões de trabalho da Comissão começaram neste ano.

Bolívia Cultural/Divulgação

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Na ótica da Pastoral Operária A ‘aceitável’ mão de obra infantojuvenil doméstica A exploração de crianças e adolescentes no trabalho doméstico ainda é um problema recorrente em diferentes regiões do País, com vítimas, muitas vezes, traficadas de uma cidade para outra, conforme aponta a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que, em uma pesquisa realizada com 121 trabalhadores resgatados, constatou que a maioria começou a trabalhar antes dos 16 anos e, mais de um terço, antes dos 11 anos. Conforme consta no texto-base da CF-2014, “empregar crianças no trabalho doméstico, muitas vezes em idade bastante precoce, é uma prática comum e bem aceita no País. Apesar de prejudicar profundamente crianças e adolescentes, a carga de trabalho é muito pesada, e a maioria das crianças não consegue frequentar a escola. Por outro lado, essa atividade acontece de forma escondida, tornando-se difícil vigiar e normatizar esse tipo de exploração da forma de trabalho infantojuvenil”. Para a advogada Cláudia Luna, presidente do Movimento contra o Tráfico de Pessoas, muitas vezes o trabalho infantojuvenil doméstico é visto com naturalidade no País, mas a exploração dessas crianças e adolescentes pode ir além das atividades laborais. “Na medida em que essas meninas são exploradas no ambiente doméstico, outras formas de violência podem ocorrer nesse espaço, como a violência sexual. E, muitas vezes, elas para fugirem dessa exploração, vão para as ruas e ficam expostas a outras formas de violência. Por isso, é importante que não naturalizemos essa problemática do trabalho infantil doméstico”, avaliou ao O SÃO PAULO.

São Paulo está profundamente marcada pelo poder paralelo nesta questão do tráfico humano, principalmente no que diz respeito à venda da força de trabalho. Nossa prioridade, portanto, atendendo ao apelo do Documento de Aparecida, nº 370, é ultrapassar uma pastoral de mera conservação para assumir uma pastoral decididamente missionária. É continuar trabalhando para atingir a consciência das pessoas que estão trabalhando em regime de escravidão, que vivem em verdadeiros guetos periféricos, os porões e cortiços, cheios de latinos numa subvida, totalmente excluídos já pela irregularidade em que se encontram, não podendo usufruir de nenhum benefício neste país, por mais simples que seja, como por exemplo, colocar suas crianças na escola; vivem em cubículos que possuem divisórias cheias de limbo, além de que acontece uma situação específica que se chama “Cama Caliente”, ou seja, enquanto um dorme o outro trabalha e vice-versa, provocando promiscuidade e proliferando doenças venéreas. Cativeiros onde imperam os mais lamentáveis padrões de qualidade de vida em que as pessoas estão confinadas aos limites do seu próprio universo, não têm voz, nem vez, nem voto. As famílias são compradas como um pacote fechado para trabalharem nas confecções e aceitam qualquer condição por estarem na clandestinidade. Precisamos ser ousados e gritar pelos direitos deste povo, ajudá-los a formar a consciência de cidadania, ampliando o olhar de cada um sobre sua própria história de vida neste território, para que possam tomar posse do que é deles de fato, e que nessa luta pelos direitos sociais possam viver a sua cultura dignamente. Afinal, somos todos trabalhadores, irmãos no Cristo Operário, a nacionalidade de cada um constitui um fator puramente periférico. Por irmã Miryam Apparecida Marquezini Feitosa, coordenadora Arquidiocesana da Pastoral do Mundo do Trabalho.


14 Região Ipiranga

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Santuário celebra posse do novo pároco Pascom Ipiranga

Missa presidida por dom Odilo, no domingo, 16, celebrou a acolhida ao padre Sérgio José Hemkemeier Priscila Thomé Nuzzi

Colaboradora de comunicação da Região

O Santuário São Judas Tadeu celebrou no IPIRANGA domingo, 16, a posse do novo pároco e reitor, o padre Sérgio José Hemkemeier, scj. Na mesma ocasião, o padre Jacinto Weizenmann, scj, assumiu como novo vigário paroquial. A missa foi presidida pelo arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer. Toda a comunidade, com suas pastorais, movimentos e serviços, foi convidada a participar deste importante momento de transição, rezando pelo antigo pároco e reitor, o padre Luiz, e pelo atual, o padre Sérgio, pedindo que seja dedicado e iluminado pelo Senhor da Messe diante dos desafios de sua nova missão. Durante a celebração, o cardeal Scherer refletiu com a assembleia sobre as perguntas que todos os católicos devem se fazer no tempo quaresmal: “Em quem nós cremos? Nós cremos em Jesus? Quem é batizado põe a fé em Cristo,

Padre Sérgio Hemkemeier, scj, é o novo Pároco e Reitor do Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara, zona sul

naquele que foi solidário conosco até o fim, que sustenta a promessa de Deus, que dá a própria vida”. E completa refletindo sobre outra questão: “A prática de nossa vida é coerente com a nossa fé?”. Dom Odilo, na homilia, citou São Paulo Apóstolo: “Ele nos recorda que em Cristo somos criaturas novas, apesar de tentados a continuar usando a medida geral dos costumes humanos”. O Cardeal convidou a assembleia a ser fiel a Deus e disse que, na Igreja, se crê não

somente no padre, mas principalmente no Deus fiel que o sacerdote anuncia: “Abraão creu em Deus de maneira heroica, creu no autor da promessa, no Deus fidedigno. Ele não tinha segurança humana para crer, mas acreditou no autor da esperança de maneira incondicional. Assim deveria ser também a nossa fé em Deus!”, sinaliza o Arcebispo, que concluiu: “Ouvindo o Filho de Deus, que seja purificado o olhar da nossa fé, para que caminhemos a ele, tendo sempre de novo a cora-

gem para levantar nas quedas ao longo do caminho”.

Quem é o padre Sérgio

O novo Pároco do Santuário, no Jabaquara, é dehoniano, da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Neste tempo em que a Igreja celebra o primeiro ano do pontificado do papa Francisco, padre Sérgio Hemkemeier afirma tê-lo como modelo a ser seguido, e que deseja estar mais próximo do povo, caminhar unido à comunidade. Lembra ter lido

certa vez que o seu nome, “Sérgio”, significa “servo”, aquele que está a serviço. A palavra de ordem para o padre Sérgio será a “unidade”, nesta fase da vida em que assume, pela segunda vez, a responsabilidade de Pároco e Reitor da Paróquia/Santuário São Judas Tadeu, sendo que sua primeira gestão foi no período de 1994 a 1999. O Sacerdote afirma que é necessária a participação concreta de todos os católicos batizados na Igreja, seguindo os passos de Jesus, vivendo a experiência do Ressuscitado. “Quando o cristão reza, encontra-se com Cristo, ele não abandona a Igreja. O católico verdadeiro, que vive a experiência de Cristo ressuscitado, não é apenas de momentos, mas quer estar em sintonia com Cristo e a sua Igreja e caminha com ela.” Para dar prosseguimento às atividades pastorais do Santuário, padre Sérgio quer estimular o diálogo e a partilha entre as pastorais e afirma que, “como Paróquia/Santuário São Judas Tadeu, vamos trabalhar muito a Pastoral de Conjunto, buscando e expressando a unidade na vida paroquial, em sintonia com o 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo e toda a Igreja”. E completa, “vamos rezar e ajudar o Papa a realizar o sonho de colocar a Igreja em estado permanente de missão, indo sempre ao encontro de quem mais precisa conhecer e encontrar Cristo e a sua salvação”.

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Região Lapa

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São Patrício é lembrado no Rio Pequeno Comunidade festeja o dia do seu padroeiro participando da 48ª festa paroquial

rio, exemplo de vida para nós. A sua atividade apostólica intensa não o impedia, pelo contrário, exigia a sua relação com Deus”. Dom Julio disse, ainda, que “às vezes, falamos que não temos tempo de rezar, por ter muitas atividades, e São Patrício nos mostra que a ação brota

da oração e que a ação nos faz retornar a oração. Isto é válido não só para os padres, bispos, mas é válido para os cristãos que devem buscar a oração”. E o Bispo refletiu ainda que o Evangelho do dia falou sobre a transfiguração, e explicou o que significa.

Jesus foi transfigurado diante de Pedro, Tiago e João, numa alta montanha, sendo que seu rosto resplandeceu como o sol e suas vestes se tornaram brilhantes. Aparecem Moisés e Elias para Jesus, Moisés representava a Lei de Deus do Antigo Testamento, e Elias foi um gran-

de profeta. E ele não morreu, foi levado para o céu num carro de fogo, e os judeus esperavam a sua volta do céu nos fins dos tempos. Moisés e Elias representam a Lei e os profetas, ou seja, toda a revelação antes de Jesus Cristo, de todo o Antigo Testamento. Guilherme Henrique Bernardo Correâ

Benigno Naveira

Colaborador de Comunicação da Região

No domingo, 16, a reportagem da PastoLAPA ral da Comunicação da Região Lapa acompanhou junto à comunidade as comemorações da 48ª festa da Paróquia São Patrício, no Setor Rio Pequeno e a celebração de seu padroeiro. As comemorações iniciaram-se com o tríduo, nos dias 13, 14 e 15 com o tema “Com São Patrício, rezamos e celebramos a fé”. No primeiro dia do tríduo, 13, com o lema “O significado do trevo de São Patrício”, a missa foi presidida pelo padre José Miguel, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, Vila Alpina. No segundo dia, 14, com o lema “São Patrício e a iniciação cristã”, a missa foi presidida pelo padre Geraldo Raimundo, coordenador da Pastoral Catequética da Região Lapa. E, no terceiro dia (15) com o lema “Revestidos pela couraça de São Patrício”, teve missa presidia pelo padre Cícero Alves de França, reitor do Seminário de Teologia Bom Pastor da Arquidiocese de São Paulo. Houve também no dia 15 bingo e barracas típicas e, no dia 16, música ao vivo. O ponto alto das comemorações foi no dia 16, às 7h, com a celebração eucarística presidida pelo bispo emérito de Jacarezinho (SP), dom Fernando José Penteado, e concelebrada pelo pároco padre João Carlos Borges. Às 19h, ocorreu a celebração eucarística presidida pelo bispo auxiliar da Região, dom Julio Endi Akamine, e concelebrada pelo pároco padre João Carlos Borges e padre Mario Lopes, paulino. Dom Julio, em sua homilia, comentou: “Hoje estamos festejando a festa do padroeiro São Patrício, que foi um grande evangelizador e missionário. Ele não só atuava na Irlanda, mas sua atuação se expandiu até o continente europeu. Ele e os monges irlandeses foram os responsáveis pela evangelização novamente no continente europeu. São Patrício é um grande santo, grande missioná-

Dom Julio preside a celebração eucarística do dia do padroeiro, na Paróquia São Patrício, após tríduo preparatório à festa que reuniu várias comunidades

palavra do bispo

A Revelação divina e a fé Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Querido leitor do O SÃO PAULO, na semana passada demonstramos que a Revelação bíblica está profundamente radicada na história. Hoje vamos refletir sobre o fato de que a Revelação divina é uma iniciativa amorosa de Deus com a finalidade de estabelecer com o ser humano uma comunhão de vida. Deus vem ao nosso encontro como amor que se propõe, como liberdade que se oferece, como graça que quer fazer de nós os interlocutores de um diálogo de amizade. Portanto, é a própria revelação divina que reclama a livre e responsável resposta do homem, resposta

essa que nós chamamos de fé. Leiamos juntos dois parágrafos do Catecismo, que mostram essa correspondência entre revelação de Deus e fé humana. 142. Pela sua revelação, “Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para convidar e admitir à comunhão com Ele” (DV 2). A resposta adequada a este convite é a fé. 143. Pela fé, o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador (cf. DV 5). A Sagrada Escritura chama “obediência da fé” a esta resposta do homem a Deus revelador (cf. Rm 1,5; 16,26). A fé consiste no “escutar” a palavra da pregação que nos conduz à “obediência da fé”.

agenda regional

Vice-versa a obediência da fé leva à escuta da pregação. Para chegar à fé, não basta um processo reflexivo puramente racional, mas é necessária uma conversão interior. Por isso, pode-se dizer que a fé é ato da vontade, uma atividade do homem que livremente se submete à vontade divina e que se entrega pessoalmente a Deus. Essa entrega confiante compromete o homem todo. Com a fé, a pessoa humana se entrega confiantemente ao Deus que se revela. A fé é a resposta afirmativa, amorosa e acolhedora, é o consciente e responsável abandono de si a Deus. A obediência da fé pode ser também descrita como opção fundamental, que é uma decisão total que empenha a liberdade do homem. A opção fundamental é uma opção absoluta, ou seja, ela torna o restante relativo: é opção ab-

soluta não por ser fanática, mas porque ela unifica toda a existência; dá sentido aos nossos atos e atitudes; tem momentos fortes, mas não se esgota neles; é definitiva, não provisória, mas pode progredir ou regredir. A fé é uma atitude pessoal que imprime uma orientação nova e definitiva à vida do homem; surge no mais profundo da sua liberdade, uma vez que o ser humano é internamente convidado pela graça divina. A fé abrange toda a pessoa humana, em sua inteligência, vontade e ação, por isso, ao aceitar as exigências de Deus, o homem não vê nelas mandamentos impostos, mas o convite a uma coerência na vida. A fé obriga em consciência quem a abraça, mas não destrói a sua liberdade, antes a manifesta, a expressa e a eleva.

Domingo a sexta-feira (16 a 21)

Domingo (23), 8h

Visita pastoral de dom Julio Endi Akamine à Paróquia São Patrício (avenida Octacílio Tomanik, 1.555, Rio Pequeno).

Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar na Região, preside missa na Paróquia São José (rua José Vicente Ramos, 82, Pirituba).


16 Região Santana

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Dom Sergio Borges acolhe ‘Família em Missão’ Trabalho originário da Espanha realiza visitas nas casas preparando o surgimento de novas paróquias missionárias

amor de Cristo e a transformação em nossas vidas e de graça estamos aqui para anunciar e contribuir da melhor forma possível, mas sempre Cristo na

frente!”, disse Erivaldo. Erivaldo lembra também com gratidão que, em 1° de fevereiro, na Sala Paulo 6°, no Vaticano, ele ali estava presen-

te com sua esposa no momento em que o papa Francisco fez o envio de centenas de famílias em missão para outros países, inclusive o Brasil. Daniela Santos/Pascom

Diácono Francisco Gonçalves Colaborador de comunicação da Região

Na quinta- feira, 13, dom Sergio de Deus Borges, SANTANA bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário na Região Santana, visitou o casal Erivaldo e Sheila Oliveira (36), juntamente com seus filhos, Rafaella Oliveira, Gabrielle Oliveira, Miguel Oliveira e Angelo Gustavo Oliveira, para dar as boas-vindas para essa família que veio de Brasília (DF) executar na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Parque Edu Chaves, um trabalho missionário denominado “Família em Missão”. “Família em Missão” é uma ação desenvolvida pelo Caminho Neocatecumenal, obra de Kiko Argúello e Carmen Hernandez, iniciada na década de 1960, em Madri (Espanha). Recentemente, em resposta ao convite do Papa para uma Nova Evangelização, muitas famílias do Caminho se ofereceram para ajudar a missão da Igreja. Essas famílias doam suas vidas, vão só com a roupa do corpo para viver em regiões descristianizadas do mundo inteiro, preparando o surgimento de novas paróquias missionárias. Aqui em São Paulo existem famílias nesse trabalho em outras duas paróquias, uma na Região Belém, e outra na Paróquia Santo Antonio do Limão. Eles visitam as casas levando a Palavra e contando suas experiências de vida. “Deus vem em nosso auxílio não para tirar e sim para nos acrescentar”, disse, na ocasião, dom Sergio. O Bispo complementou seu pensamento dando o exemplo da samaritana (cf. Jo 4, 5-42), que Jesus, ao lhe pedir água no poço, também lhe deu seu perdão. E, imediatamente, ela anunciou a todos esse amor. Isso retrata que uma Igreja viva suscita e incentiva a missão, o amor e a partilha, onde Cristo é a cabeça. “De graça recebemos o

Dom Sergio recebe integrantes “Família em Missão” e agradece a disponibilidade de todos para a evangelização

Lançado curso gratuito para educadores da região episcopal

A Pastoral de Educação e Ensino Religioso da Região Episcopal Santana, a partir da quarta-feira, 19, juntamente com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, oferecerá à comunidade educativa e demais pessoas interessadas, sob a forma de extensão cultural, o curso de Educação em Valores, a ser realizado na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção – Campus Santana (rua Voluntários da Pátria, 1.653), sempre às quartasfeiras, das 19h às 22h. O curso é coordenado pelo cônego José Bizon e a professora Wilma Rosa Canonaco. É destinado aos profissionais em educação e pessoas interessadas em uma educação em valores e qualidade profissionalizante. Documentos necessários: RG e CPF. Informações: borges.clodoveu@gmail. com. Celular: (11) 99930-6476.

palavra do bispo

O amor conjugal é aberto à vida e à educação.... Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

Na carta dos direitos da família (FC 46), o Beato João Paulo 2º reafirma o direito dos esposos de exercer as suas responsabilidades no âmbito de transmitir a vida e de educar os filhos. O Beato João Paulo 2º quer com isso nos recordar, em primeiro lugar, que o amor não é um valor fechado em si mesmo, mas é aberto à totalidade do Matrimônio, ou seja, tende naturalmente à trasmissão da vida. Enquanto se doam entre si, se doam para além de si mesmo a realidade do filho, reflexo vivo do seu amor, sinal permanente da unidade conjugal e síntese viva e indissociável do ser pai e mãe. Tornandose pais, os esposos recebem

de Deus o dom de uma nova responsabilidade. O seu amor parternal é chamado a tornarse para os filhos o sinal visível do próprio amor de Deus, do qual deriva toda a paternidade no céu e na terra (FC 14). Porém, seria incompleta a nobre missão dos esposos se estivesse circunscrita a geração dos filhos, a transmissão da vida, sem a continuidade íntima e profunda com a educação. Por isso que o Beato João Paulo 2º recorda, em segundo lugar, que a transmissão da vida se completa com a educação, dos filhos. ‘Sem a educação a geração é um ato imperfeito. geração e educação são funções complementares” (cf. Llano Cifuentes, 79). Esse direito dos esposos em educar os filhos é um direito natural e é protegido pela Igreja no próprio corpo do direito eclesial, como podemos

ver no cân. 226 § 2: ‘os pais, tendo dado a vida aos filhos, têm a gravíssima obrigação e gozam do direito de educá-los; por isso, é obrigação primordial dos pais cristãos cuidar da educação cristã dos filhos, segundo a doutrina transmitida pela “Igreja”’. No entanto, as novas necessidades e a grave situação social que vivem muitas famílias impedem os pais de exercer este direito sagrado. Os pais passam o dia e, muitas vezes, a semana longe dos filhos e não conseguem tempo para estar ao seu lado como presença afetiva, formadora e orientadora, confiando a educação dos filhos a outros: parentes e instituições. Outras famílias priorizam a ascensção econômica e pessoal, em detrimento da natural educação dos filhos: são quase estranhos dentro de casa, sem

agenda regional

afeto, sem presença estimuladora de valores. Há uma estrutura econômica e cultural que favorece o esfacelamento da base do corpo social. A sociedade como um todo precisa fortalecer a base do corpo social. Precisamos trabalhar por novas políticas públicas de valorização da missão dos pais. Políticas que equacionem a renda e o trabalho, favorecendo a positiva e insubstituível presença dos pais junto a seus filhos, evitando a necessidade da mãe, principalmente, de confiar a terceiros o exercício da maternidade. Na ação pastoral precisamos ajudar os pais a redescobrir a verdadeira cultura e a recuperar a hierarquia dos valores, para uma nova consciência de seus direitos e sua alegre e irrenunciável responsabilidade: na formação integral dos filhos.

Quarta-feira (19)

Quinta-feira (27), 9h

Festa do padroeiro na Paróquia São José Operário (alameda Afonso Schmidt, 96) com missas e horários: 7h30, padre Moisés Facchini; 10h, dom Sergio Borges; 12h, padre Claudinei Lucio; 15h, padre Eduardo Higashi; 20h, padre Carlos Alberto Doutel.

Encontro de secretárias com dom Sergio Borges, na Cúria (avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, 1.877).

Às 8h, 15h e 20h, festa de São José na Capela da Cúria (avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, 1.877). Dom Sergio Borges presidirá às 15h e as demais missas com padre José Pita.


Região Sé

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Escolas católicas refletem sobre tema da CF-2014 Diretores de instituições de ensino reúnemse seis vezes por ano para trocarem experiências e se integrarem na vida da Igreja local

Em outros aspectos, une forças em alguns projetos comuns”, afirmou. Irmã Maria Izabel Botelho representa o Colégio da Companhia de Maria, na Vila Nova Conceição, e coordena o núcleo Fé, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) em São Paulo. Ela confirma os bons frutos colhidos desses encontros. “É uma experiência muito boa não apenas para o conhecimento

entre os diretores, mas a criação de laços que ajudam muito no trabalho das instituições. Por exemplo, quando uma escola precisa de professores, há indicações de um colégio para o outro. É um grupo que está crescendo no relacionamento entre os diretores.” Em 2013, foi muito intenso o trabalho de integração das escolas no período da Jornada Mundial da Juventude (JMJ),

especialmente na Semana Missionária, que antecedeu ao evento. “Vários projetos foram feitos em comum e isso deu um resultado muito grande.” O centro de São Paulo aglutina muitas escolas católicas e muitas comunidades religiosas. “Talvez por essa presença de congregações religiosas que haja mais escolas. Mas também há escolas mantidas por leigos que têm uma iden-

tificação muito grande com a Igreja”, destacou dom Tarcísio. Participam ativamente dos encontros de 15 a 20 escolas, que se reúnem seis vezes por ano. Para a Religiosa, também a interação com a Região é muito importante. “Dom Tarcísio nos informa sobre os acontecimentos da Arquidiocese e da vida da Igreja como um todo. Isso ajuda a criar um elo entre as instituições de ensino e a Igreja.” Centro de Pastoral da Região Sé

Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

Os diretores e representantes de escolas catóSÉ licas presentes na Região Episcopal Sé reuniram-se na terçafeira, 11, para refletir sobre suas caminhadas junto com a Igreja. O encontro aconteceu no Centro Regional de Pastoral, na zona oeste da capital, e contou com a presença de dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo e vigário episcopal na Região Sé. A reunião tratou do tema da Campanha da Fraternidade 2014, que reflete sobre a problemática do tráfico humano. Foi apresentado o documentário “Tráfico de Pessoas”, da Verbo Filmes, que traz reflexões sobre um dos maiores crimes da atualidade. O objetivo do documentário é de levantar a discussão do direito à liberdade e à vida para a sociedade. Após a exibição do vídeo, houve um debate entre os diretores sobre como a educação pode atuar de maneira preventiva nas escolas para combater o tráfico. Os diretores reúnem-se seis vezes por ano na Região. “O objetivo é justamente o de unir forças entre as escolas católicas para partilhar os vários aspectos da vida educativa e, principalmente, dos desafios que são comuns na realidade de hoje, e também para o trabalho pastoral, especialmente com a aplicação do 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese.” Dom Tarcísio, que também é membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na qual acompanha as universidades e o Ensino Religioso, vê positivamente essa integração entre as escolas católicas da Região. “Têm sido momentos muito interessantes de reflexão sobre os desafios da educação e de partilha sobre como cada escola, cada comunidade educativa, está respondendo a esses desafios. E assim há um enriquecimento mútuo.

Com dom Tarcísio Scaramussa, diretores de escolas católicas da Região Sé assistem a vídeo sobre a Campanha da Fraternidade e refletem sobre o tráfico humano

palavra do bispo

O caminho da fé Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

Na sequência de artigos sobre a Iniciação à Vida Cristã, depois de ter caracterizado o processo de iniciação como mergulho no Mistério, aprofundamos hoje o que significa a experiência da fé. Santo Agostinho nos deixou um testemunho extraordinário de sua experiência de fé. Como todo ser humano, tinha sede da verdade, e buscava intensamente, por vários caminhos, respostas aos anseios mais profundos do coração. Após

perambular anos em busca da verdade e do amor, embalado por algumas correntes de pensamento filosófico, descobrirá mais tarde que Deus estava mais próximo do que imaginava: “Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora de mim (…) Brilhaste e resplandeceste diante de mim, e expulsaste dos meus olhos a cegueira. Exalaste o teu Espírito e aspirei o teu perfume, e desejei-te. Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e abrasei-me na tua paz” (Confissões X, 27,38). O encontro com o Senhor significou para Santo Agostinho a resposta de uma busca intensa: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e

agenda regional

inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti” (Confissões, I,1). A conversão de Agostinho foi obra da graça de Deus, mas foi favorecida pela fé de sua santa mãe Mônica, pela aproximação com uma comunidade cristã concreta, pelo encontro com Santo Ambrósio, bispo de Milão, que o fez mergulhar nas Sagradas Escrituras, pelo conhecimento da experiência de vida de Santo Antão do Deserto. O encontro com Cristo é “mediado pela ação da Igreja, ação que se concretiza em cada tempo e lugar, de acordo com o jeito de ser de cada povo, de cada cultura” (DGAE 20112015, n. 37). A fé é uma resposta a Deus,

“uma adesão pessoal do homem inteiro a Deus que se revela”, por isso dizemos “Eu creio”. Mas a fé não é um ato isolado, pois recebemos a fé de outros e devemos transmitila a outros: “Nós cremos”. Foi assim, desde o testemunho dos Apóstolos e dos primeiros discípulos missionários. “Eu creio: esta é a fé da Igreja, professada pessoalmente por todo crente, principalmente pelo Batismo. Nós cremos: esta é a fé da Igreja confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, mais comumente, pela assembleia litúrgica dos crentes. Eu creio é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus com sua fé e que nos ensina a dizer: eu creio, nós cremos” (CIC, n. 167).

Até sexta-feira (21)

Quinta-feira (20), às 9h

Sábado (22), às 8h30

Retiro anual do clero (Campos do Jordão, SP)

Reunião das secretarias paroquiais, Centro de Pastoral Regional (avenida Pacaembu, 954, Pacaembu).

Encontro Regional de Catequese, Batismo, Centro de Pastoral Regional (avenida Pacaembu, 954, Pacaembu).


18 Região Brasilândia

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Pastoral da Mulher tem 24º encontro celebrativo Com o tema “Sou Mulher, vida e dignidade”, encontro celebrou a data festiva de 8 de março, em evento na Paróquia Santos Apóstolos

formá-los de que a mulher tem os mesmos direitos que eles.” E os homens também estiveram no encontro: os membros da Comunidade Cristo Ressuscitado, da Paróquia Nos-

sa Senhora Aparecida, de Vila Souza, foram os responsáveis pelo almoço e também ajudaram na animação. O final do encontro foi marcado pela celebração da Eu-

caristia, presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, dom Milton Kenan Júnior. Em ação de graças, foram apresentados altar cartazes com os nomes de

mulheres que fizeram história: Nhá Chica, Escrava Anastácia, Luiza Maria, Zilda Arns, Irmã Dorothy Stang e a presença da Mãe Maria: Nossa Senhora Aparecida. Juçara Terezinha

Renata Moraes

Colaboradora de comunicação da Região

O domingo, 16, foi o dia de as mulheres da Brasilândia se BRASILÂNDIA reunirem na Paróquia Santos Apóstolos, no Jardim Maracanã, para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Em sua 24ª edição, o encontro foi marcado por momentos de arte, mística, música, formação política e social. Inicialmente, a vice-prefeita da cidade de São Paulo, Nádia Campeão, discursou às mulheres. Em entrevista à Pascom Brasilândia, a vice-prefeita falou sobre as principais reivindicações e lutas das mulheres. “Já tivemos avanços em diversas áreas, mas ainda há muito que precisa ser feito, como, por exemplo, o aumento do número de creches para atender as crianças e as mulheres trabalhadoras; na área da saúde, promover um atendimento de qualidade, principalmente na prevenção ao câncer. E também o combate à violência contra a mulher. Essas são hoje as principais demandas das mulheres na cidade de São Paulo”. O filósofo Sérgio Barbosa, coordenador do “Coletivo Feminista Laço Branco”, explanou sobre a violência contra a mulher e falou em especial aos homens presentes. “A violência contra as mulheres é uma questão social e histórica. A emancipação delas e a conquista dos seus direitos causaram em alguns homens o despertar da violência, por se acharem ‘donos’ delas. O trabalho do Coletivo Feminista Laço Branco é sensibilizar esses homens, inagenda regional

Sábado (22), 9h Reunião do Conselho Regional de Pastoral (CRP), na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3.907, Jardim Maracanã). Outras informações (11) 3924-0020.

A vice-prefeita da cidade de São Paulo, Nádia Campeão, fala às mulheres da Brasilândia sobre as principais demandas e bandeiras de lutas

palavra do bispo

Uma oração sincera e verdadeira Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

Como consideramos nos artigos anteriores, Jesus revela-se como o orante por excelência; prova disso, é o fato de que a oração acompanha toda a sua vida e o seu ministério. As orações de Jesus tornam claro para nós, embora resumidamente, aquele diálogo que Jesus estabelece continuamente com o Pai, cheio de confiança e num filial abandono, que lhe permite enfrentar as mais atrozes dificuldades, e sair vitorioso delas. Jesus é, portanto, mestre de oração. O Catecismo diz que “ao orar, Jesus já nos ensina a orar”; embora, “o Evangelho nos dá um ensinamento explícito de Jesus sobre a oração” (CIC 2607). Nesse mesmo parágrafo, o Catecismo lembra a pedagogia de Jesus quando se tratou de formar os discípulos para a oração: “Como pedagogo, ele

nos toma onde estamos e, progressivamente, nos conduz ao Pai. Dirigindo-se às multidões que o seguem, Jesus parte daquilo que elas já conhecem da oração, conforme a Antiga Aliança, e as abre para a novidade do Reino que vem. Depois lhes revela, em parábolas, essa novidade. Enfim, falará abertamente do Pai e do Espírito Santo a seus discípulos, que deverão ser pedagogos da oração em sua Igreja” (ibid.). Um dos textos evangélicos, onde Jesus ensina a orar é Mt 6, 5-6 (proclamado na liturgia, na Quarta-feira de Cinzas); em que ele adverte os discípulos sobre o perigo da hipocrisia na oração; pois, na verdade, não pode chamar de oração a prece do hipócrita que não busca a Deus, mas a si mesmo; e, quando reza, deseja o aplauso humano e não a glória de Deus! “E, quando orardes, não sejais como os hipócritas...” É a advertência de Jesus aos discípulos. No seu ensinamento, Jesus diz que a oração é genuína quando nasce do desejo sincero de Deus, de estar com

Ele, de ouvi-lo, de encontrá-lo, deixar-se conduzir por Ele: e quando é movido pelo desejo de se colocar diante dele, na verdade do próprio ser, tais quais somos, retirando as próprias máscaras. E é justamente isso que os hipócritas recusam em fazer. Em Mc 12, 38-40, Jesus, ao censurar os mestres da Lei, “que fazem questão de andar com amplas túnicas e de serem cumprimentados nas praças, gostam dos primeiros assentos na sinagoga e dos lugares de honra nos banquetes” diz que, embora aparentem uma piedade sublime, “eles devoram as casas das viúvas. Por isso, serão julgados com mais rigor”. Se por um lado a oração verdadeira é aquela que nasce de um coração que busca a Deus e se coloca na verdade, diante dele, ela chegará ao coração de Deus se o coração daquele que reza está afinado com as exigências do Reino de Deus e da sua justiça (cf. Mt 6,33; 7,21). Ambos os textos (Mc 12, 38-42 e Mt 6, 5-6) são um convite à conversão do coração.

O Salmo 24 (23) parte das perguntas: “Quem pode subir à montanha do Senhor? Quem pode ficar de pé no seu lugar santo?”. Em outros termos, o salmista se pergunta: que estará na presença do Senhor como verdadeiro adorador e oferecerá ao Senhor um culto que lhe seja agradável? O Salmista responde: “Quem tem mãos inocentes e coração puro, e não se entrega à falsidade, nem faz juramentos para enganar” (Sl 24, 3-4). Àquele em quem há verdadeira piedade, virtude efetiva, cujo coração está afinado com os imperativos da justiça. O Salmista conclui: “Ele obterá do Senhor a bênção e do seu Deus salvador a justiça. Esta é a geração dos que o procuram, dos que buscam tua face, ó Deus de Jacó” (Sl 24, 5-6). Esses poucos versículos retratam todo o ensinamento de Jesus, que previne os discípulos da oração hipócrita, que não busca a Deus, mas a si mesmo; que não se faz na verdade, mas sim nas aparências.


Região Belém

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Dom Edmar fala a 200 crismandos no Setor Guarani João Carlos Gomes

Evento fez parte das reuniões propostas pelo Bispo com crismandos de todos os setores da Região Episcopal Belém João Carlos Gomes

Colaborador de Comunicação da Região

O domingo, 16, iniciou-se animado para cerca de bELÉM 200 jovens que praticamente lotaram o salão da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Os jovens, que se preparam para o sacramento da Crisma nas seis paróquias que formam o Setor Guarani da Região Episcopal Belém, tiveram encontro com o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo para a Região, dom Edmar Peron. Após o lanche da manhã, organizado pela Pastoral Familiar da Paróquia que acolheu o evento, os participantes, jovens e catequistas, se prepararam para o momento de oração e acolhida organizado pelo Setor Guarani, por meio de seu coordenador, padre Alexandre Ferreira Santos, que também é responsável pela Pastoral Vocacional na Região Belém.

Falando de vocação

Aproveitando o momento propício, padre Alexandre distribuiu a oração pelas vocações feita pela Arquidiocese de São Paulo. Após a oração, fez o convite: “Em nome dos padres, religiosas, leigos e leigas do Setor Guarani, quero dizer a todos vocês, ‘bem-vindos, que bom que vocês vieram’, mas tenho também um segunda intenção que é convidar a você – rapaz que quer ser padre, garota que quer dar o passo da consagração na vida religiosa – que venha bater um papo com a gente, vamos falar de vocação?”. Da mesma maneira que fez nos encontros com os crismandos dos setores Conquista e São Mateus, dom Edmar passou a falar sobre a mensagem do papa Francisco para os jovens e, em seguida, abriu-lhes espaço para perguntas e observações. “Fico muito contente de encontrar os jovens antes do dia do sacramento, e ainda mais assim tão animados. Com este lindo sol da manhã e com esta animação de vocês, tenho certeza que será um encontro quente”, brincou dom Edmar.

Na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, dom Edmar Peron conversa com crismandos; encontro também ressalta vocações sacerdotais na Arquidiocese

De fato, os participantes do evento destacaram a importância do momento. Para a coordenadora de Catequese da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Anna Villanova, 56, em dez anos de Catequese, nunca havia participado de um momento assim.

“É a primeira vez que acontece um encontro como este no Setor e é maravilhoso, porque os jovens, no dia da Crisma, ficam assustados e apreensivos e, com um contato anterior, esse medo se dissipa”, disse. Para os jovens, é igualmente importante e ainda há a vanta-

gem de conhecer mais amigos. É o que avaliam os crismandos Maria Isabel dos Santos e Gustavo Lima Meneguin, ambos com 13 anos. “É muito legal um encontro assim, em que podemos conhecer pessoas, fazer amigos e ficar mais próximos de Deus”, disse Isabel. Gustavo concordou

e acrescentou: “A gente vai conhecendo novos grupos e vamos aprender mais sobre a vida de Jesus e também a da nossa Igreja”. Os próximos encontros com crismandos acontecem nos dias 22 de março, com os jovens do Setor Belém, e 23 de março, com os do Setor Vila Prudente.

palavra do bispo

Quaresma: tempo de escutar o Filho amado Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

Dom Edmar Peron

Dentre os poemas de Carlos Drummond de Andrade, um me chama a atenção: “Procura da Poesia”. O Poeta convida a penetrar “surdamente no reino das palavras”, pois nesse reino os poemas, à espera de serem escritos, estão paralisados, sós e mudos. Nesse reino, é preciso conviver com os poemas, ter paciência, caso se mostrem obscuros e esperar “que cada um se realize e consuma com seu poder de palavra e seu poder de silêncio”. Ora, essa postura livre, desarmada, perseverante, silenciosa, requerida para quem deseja entrar no mundo da poesia,

não seria necessária também para a pessoa que deseja entrar no mundo da Palavra, daquela inspirada por Deus e contida na Bíblia? Sim, e disso são testemunhas e exemplo: Jesus Cristo, Maria e os outros santos e as santas, bem como a tradição da Igreja, que nos ensina a leitura orante da Palavra de Deus (Verbum Domini, 86-87). Os primeiros domingos da Quaresma nos apresentam Jesus como modelo de quem penetrou “surdamente no reino das palavras”. Ele, no silêncio do deserto, entrou como habitante no mundo da Palavra de Deus e dela tirou a força para vencer o demônio; três foram as tentações, três vezes Jesus venceu-as com a Palavra, dizendo um texto das Escrituras (Mt 4, 4.7.9). E porque Jesus entrou no mundo da Palavra, o Pai o apresenta como aquele

agenda regional

cuja palavra deve ser ouvida: “Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz” (17,5). Escutar a Palavra do Filho amado... Maria é exemplo porque “meditava em seu coração” tudo o que se referia a Jesus, e igualmente suas palavras e ações (Lc 2, 19.51). Os santos e as santas são exemplos também, pois, como nos diz Bento 16, “se deixaram plasmar pela Palavra de Deus, através da sua escuta, leitura e meditação assídua” (Verbum Domini, 48). Eles nos ensinam que é próprio do cristão “conformar-se com o significado das palavras da Escritura, sem ousar tirar nem acrescentar seja o que for” (São Basílio Magno). Dizia Santa Teresa do Menino Jesus: “Apenas lanço o olhar sobre o Evangelho, imediatamente respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para onde correr”.

Sei que nos parece impossível à nossa geração ficar um só instante sem falar ao celular ou sem estar conectado nas redes sociais, sem ouvir música (nem sempre de qualidade!) ou assistir a TV e sempre falando, claro! Mas fui aprendendo, ao longo da vida, que temos necessidade do recolhimento e do silêncio para crescermos como homens e mulheres, como gente de fé. Assim, deixemos crescer em nossos corações um vivo amor pela leitura e meditação da Palavra de Deus. Reservemos um momento a cada dia, ainda que curto, para ler e meditar a Palavra de Deus. Cristo quer nos falar, falar a você e a mim. Vivamos a Quaresma, preparando-nos para celebrar a Páscoa, dedicando-nos a uma “escuta mais frequente da Palavra de Deus”.

Sábado (22), 8h30

Domingo (23), 9h30

Quarta-feira (26), 20h

Encontro de dom Edmar com os crismandos do Setor Belém, na Paróquia São José do Belém (largo São José do Belém, s/n°, Belém).

Encontro de dom Edmar com os crismandos do Setor Vila Prudente, na Paróquia São Pedro Apóstolo (rua Ibitinga, 838, Vila Oratório).

Encontro dos Diáconos Permanentes, na Paróquia São José do Maranhão (largo São José do Maranhão, 180, Tatuapé).


20 Entretenimento

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passa tempo

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Geral

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Vida monástica: ‘noite e a aurora da eternidade’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Não se trata de programar grandes penitências, severos jejuns e boas obras. Nada disso teria valor sem o compromisso de nada antepor ao amor de Cristo Nayá Fernandes Redação

Um grande retiro de silêncio. Assim é vivida a Quaresma, o tempo de preparação à Páscoa nos mosteiros. Coincidentemente, durante a elaboração da matéria, um jovem pastor de uma Igreja Evangélica perguntou à reportagem: “Mas, como é a vida de uma monja? Ela não pode sair?”. Como resposta, ele ouviu que a vocação religiosa à vida contemplativa exige sim que a pessoa se retire. Mas que isso não significa que ela está fora do mundo. O jovem concluiu dizendo que gostaria muito de conhecer essas pessoas que dedicam toda a sua vida a Deus. A curiosidade de Adalberto Sousa, casado, carteiro e estuNayá Fernandes

Reportagem na zona sul

Muito mais que a santa das rosas. “Theresinha”, o teatro, entrou profundamente na vida e nos sentimentos da jovem de Lisieux que morreu aos 24 anos e foi proclamada doutora da Igreja e padroeira das missões. Com dramaturgia e encenação de Helder Mariani, o monólogo foi apresentado por Gabriela Cerqueira e está em cartaz na Casa das Rosas desde fevereiro. Uma apresentação única foi realizada no sábado, 15, no auditório Paulo Apóstolo, das Irmãs Paulinas. O espetáculo foi organizado por Paulinas Revistas, a partir de uma reportagem publicada na Revista Família Cristã. “Foi a primeira vez que apresentei a peça à noite e para um público tão grande. Vocês são uma plateia muito talentosa e a troca de energia foi grande”, disse Gabriela, no debate que aconteceu após o espetáculo. O teatro mostra Theresa como uma “florzinha” frágil, que teve crises de choro e doenças inexplicáveis, como uma crise nervosa aos dez anos de idade, a partir da morte da

dante de teologia da PUC-SP, é a pergunta de muitas pessoas que não tiveram a oportunidade de conhecer a vida dos religiosos consagrados que vivem como monges. O SÃO PAULO conversou com irmã Martha Lúcia, da Ordem de São Bento. Ela vive, com outras religiosas, num mosteiro em Itapecerica da Serra (SP) e contou como é a vivência da espiritualidade das irmãs neste tempo litúrgico da Quaresma. “Intensificamos nossa vida de oração, tendo mais horários para a Lectio Divina (leitura orante da Palavra) e, para isso, deixamos de ter o recreio diário em alguns dias da semana. Como esse é um período de maior silêncio, não recebemos visitas de familiares

e amigos durante a Quaresma, assim como suspendemos a correspondência, restringindo-a a situações graves”, explicou irmã Martha. Por esse motivo da restrição das visitas, a reportagem do O SÃO PAULO não pôde ir até o mosteiro em Itapecerica da Serra, mas a Priora do mosteiro se prontificou a responder aos e-mails. Outra mudança na rotina das irmãs é referente à alimentação. “Nossa alimentação, que já é de modo geral frugal, passa a ser mais sóbria, e temos fora os dias de jejum prescritos pela Igreja, os jejuns monásticos às 6ª feiras da Quaresma e no Sábado Santo, e, somente aos domingos e so-

lenidades, temos uma refeição mais festiva, inclusive com a música clássica no refeitório, além das leituras diárias”, disse a Priora, que enfatizou, porém que “a principal renúncia deve ser àquilo que não ajuda a estar mais centrada ao espírito de silêncio e de interiorização que esse tempo convida”. A monja, que vive inspirada por São Bento, lembrou o que o seu fundador recomendava para a Quaresma. “É, de certa forma, sinônimo de viver com maior intensidade e solicitude o que já nos é exigido como nossa fidelidade diária. É como se São Bento nos dissesse para vivermos de modo autêntico e verdadeiro. Não se trata, por-

Muito além das rosas mãe. Suas duas irmãs mais velhas entraram para o Carmelo, e ela sofreu muito com estes fatos, a ponto de ficar por meses na cama sem comer. Mas, em uma noite de Natal, milagrosamente, ela recuperou a força que a levaria adiante no propósito de se tornar a mais jovem carmelita da França. “Aquela noite na vida

de Theresinha foi um mistério”, respondeu a atriz, ao ser questionada se se tornou devota de Santa Theresinha após encenar a peça. Alguns cantos usados são fruto da comunidade monacal “as bem-aventuranças” uma comunidade monástica mista que se remete à espiritualidade de Lisieux e adapta trechos

dos manuscritos de Theresa a melodias modernas e simples, mas executadas no estilo das liturgias do mosteiro. Gabriela explicou que, embora Helder, o dramaturgo tenha devoção pela santa, eles não ficaram preocupados em esconder alguns elementos como os desvios de personalidade que ela viveu, sobretudo Fotos: Thiago Bugalho/Divulgação

tanto, de programar grandes penitências, severos jejuns e boas obras. Nada disso teria valor se não houvesse, como fundamento, esta radical busca da autenticidade e veracidade ao nosso compromisso fundamental de ‘nada antepor ao amor de Cristo’.” A vida monástica é também, nesse sentido, um catecumenato para a morte e a ressurreição, respectivamente a noite e a aurora da eternidade. Em nossa região (zona rural da cidade de Itapecerica da Serra – Grande São Paulo), encontramos mais casos de violência familiar, prostituição, drogas e pedofilia. Sempre tentamos orientar as pessoas que atendemos e que recorrem a nós, sobre todos esses tipos de escravidão. As práticas da Quaresma no mosteiro • Partilhas semanais em preparação à Páscoa, sobre a liturgia dominical ou conferências sobre temas relacionados com o tempo da Quaresma; • As leituras do refeitório são orientadas para aprofundamento sobre esse tempo; • Tempo para a Lectio Divina individual mais longo (três vezes por semana); • Alguma privação alimentar comunitária em benefício dos pobres.

na infância e adolescência e, ao mesmo tempo, sua autodeterminação, a ponto de falar diretamente com Jesus. Importante ressaltar que na época em que a jovem viveu, a espiritualidade católica era marcada por uma acentuada obediência aos superiores. Numa brilhante interpretação, Gabriela faz cerca de 20 vozes e, tendo como cenário apenas um banquinho de madeira, consegue transportar os olhares atentos para a França do século 19. “Eu me lembro bem. Estávamos no jardim e eu argumentei com tanta força a minha vocação, mas com tanta força, que o papai acabou se convencendo que a vontade era do próprio Deus.” Serviço Teatro: Theresinha Onde: Casa das Rosas (avenida Paulista, 37, Bela Vista) Quando: domingos, de 16 de março a 6 de abril, às 11h. Classificação etária: acima de 12 anos Gratuito – 25 lugares (aconselhase chegar com 1 hora de antecedência) Informações: contato@ casadasrosas.org.br


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Alesp abrirá delegacia e CPI do tráfico humano Marcia Yamamoto/Alesp

Anúncio foi feito durante sessão de lançamento do texto da CF-2014 promovida pelo Regional Sul 1 da CNBB Diego Monteiro

Especial para O SÃO PAULO

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) anunciou a criação de uma Delegacia Especializada no Combate ao Tráfico de Pessoas e a instauração de uma CPI que vai investigar trabalhos análogos à escravidão. O comunicado foi feito na quinta-feira, 13, durante o evento promovido pelo Regional Sul 1 da CNBB (Estado de São Paulo) para lançar o textobase da Campanha da Fraternidade (CF) 2014, que tem como tema o tráfico humano. Na solenidade, estavam presentes os representantes

Parlamentares, bispos e representantes da sociedade civil durante lançamento do texto-base da CF 2014, na Alesp

regionais da CF: dom Fernando Legal, bispo referencial; dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo e secretáriogeral regional da Campanha; padre Antonio Carlos Frizzo, coordenador estadual; e Edson Silva, coordenador na Arquidiocese de São Paulo; além de parlamentares e outros repre-

sentantes de entidades civis e organismos da Igreja, como a Cáritas Brasileira e a Pastoral da Mulher Marginalizada. Os deputados estaduais padre Afonso Lobato, Marco Aurélio de Souza e Ed Thomaz afirmaram ao O SÃO PAULO que irão sensibilizar outros parlamentares para que

se empenhem com o tema da Campanha da Fraternidade. Segundo eles, a CPI deverá ser instaurada ainda nesta semana e terá duração de 120 dias. Dom Fernando fez breve histórico da Campanha e lembrou que ela tem o objetivo permanente de despertar o compromisso social. “Estamos

aqui não apenas como cristãos, mas como cidadãos. A Campanha será aquilo que nós queremos que ela seja.” Dom Tarcísio falou sobre a importância da Campanha na sociedade, destacando o espaço que o Poder Legislativo estadual abriu para discussão do tema. Ele leu trechos da mensagem que o papa Francisco enviou para a CF, ressaltando, das palavras do Pontífice, que a questão do tráfico de pessoas é uma chaga social e é “impossível ficar passível sabendo que existem seres humanos sendo tratados como mercadoria”. Tania Teixeira, uma das autoras do Texto-Base, ao falar sobre o tema da Campanha, explicou a diferença existente entre o “tráfico de pessoas” e a “migração ilegal”. Na primeira, segundo a professora, é necessário que a atuação seja por meio de força, fraude, coação ou engano (real, percebido ou implícito), exceto nos casos envolvendo crianças. Já nos casos de “migração ilegal”, geralmente, há cooperação por parte do migrante.

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Arquidiocese prioriza Iniciação à Vida Cristã Em encontro com lideranças reforça urgência de voltar a fontes da Catequese das primeiras comunidades cristãs Fernando Geronazzo Especial para O SÃO PAULO

Diante dos desafios e complexidades do mundo atual, a Igreja volta à experiência vivida pelos primeiros cristãos para propor a retomada de uma Catequese que promova uma experiência concreta dos fiéis, batizados ou não, com o mistério de Cristo. “Igreja, casa de Iniciação à Vida Cristã” é a urgência pastoral que a Arquidiocese de São Paulo se dedicará em 2014 e foi o tema que norteou o encontro arquidiocesano das equipes de coordenação, realizado no sábado, 15, na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom). Coordenadores e representantes de pastorais, movimentos, novas comunidades, organismos e serviços da Igreja em São Paulo refletiram sobre o aprofundamento do processo catequético de Iniciação à Vida Cristã, proposto pelo 11º Plano Arquidiocesano de Pastoral. Essa é também uma das urgências das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. “Supomos que todos estão

evangelizados, que todos são católicos, que todos tiveram Catequese. Mas isso acontece? Será que as pessoas foram, de fato, iniciadas no caminho cristão?”, indagou o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, no início do encontro. Para isso, foi elaborado pela Comissão de Animação BíblicoCatequética da Arquidiocese de São Paulo um subsídio com sugestões pastorais para a implementação da Iniciação à Vida Cristã. O texto apresenta a Catequese catecumenal das primeiras comunidades cristãs, método estimulado pelo Documento de Aparecida e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de vários documentos e estudos. “É nessa dimensão que se encaminha a Nova Evangelização exigida pelos tempos atuais e que exige uma verdadeira conversão pastoral”, salientou

dom Odilo, na apresentação do subsídio. O Arcebispo também recordou que quando se fala da Nova Evangelização, não está se propondo fazer “tudo novo”. “Nova Evangelização é, antes de tudo, fazer de novo o que se deixou de fazer. Portanto, é preciso fazer novamente e bem feito, de acordo com as circunstâncias atuais.” A partir do subsídio, o Secretariado Arquidiocesano de Pastoral elaborou três questões a serem respondidas nas paróquias, pastorais e organismos. A primeira delas quer saber quais as experiências e práticas já existentes nas comunidades, que favorecem o processo de Iniciação à Vida Cristã. A segunda questão busca saber se nas paróquias há alguma experiência de Iniciação na dinâmica proposta pelo Diretório Nacional de Catequese ou no Documento de Estudo 97 da CNBB, que trata da Catequese

catecumenal. Enquanto a terceira questão pede sugestões relacionadas aos sacramentos da Iniciação Cristã que poderiam ser apresentadas no caso de uma eventual revisão do Diretório dos Sacramentos da Província Eclesiástica de São Paulo. O coordenador arquidiocesano de pastoral, padre Tarcísio Marques Mesquita, informou que o estudo do subsídio e as respostas das questões devem ser feitas até junho. As respostas deverão ser entregues aos coordenadores regionais de pastoral, que as encaminharão ao Secretariado de Pastoral. Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar de São Paulo e responsável pelo Secretariado de Pastoral, informou que o próximo encontro das equipes de coordenação será em agosto, quando serão discutidas as contribuições do estudo do subsídio. Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Padre Antonio Francisco Lelo assessora encontro das equipes de coordenação pastoral da Arquidiocese, realizado dia 15

Processo exige mudança de mentalidade, avaliam coordenações do Especial para O SÃO PAULO

Tanto padres quanto agentes de pastorais reconhecem o desafio para a implementação da Iniciação à Vida Cristã na Arquidiocese. O padre Alexandre Ferreira Santos, pároco da Paróquia Santo Antonio, na Chácara Mafalda, Região Belém, chama a atenção para o desafio de propor uma Iniciação, sendo que os próprios iniciadores ain-

da não foram iniciados. “Partimos de um pressuposto de que os catequistas e agentes de pastoral estão capacitados para implementar isso e não estão.” Cecília Beli Falciano atuou como catequista por 18 anos e hoje é coordenadora Arquidiocesana da Pastoral da Pessoa Idosa. Para ela, a Iniciação à Vida Cristã começa na família. “A família precisa viver esse processo de Catequese junto

com os filhos. A Catequese é permanente. Deve estar em todos os momentos da vida da Igreja.” Na Paróquia de Sant’Ana, Região Santana, há alguns anos existe a experiência de Catequese feita com a família e as crianças juntas. “Adaptamos o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA) para a Catequese. Tem sido uma experiência muito boa. Muitos terminam

o período da Catequese e permanecem na comunidade”, contou o pároco, padre João Luiz Miqueletti, que, porém, reconhece que há muito a ser feito. “Temos um caminho a ser percorrido em relação à Catequese para adultos, principalmente com os já batizados que ainda precisariam continuar a Catequese. Falta algo mais sistematizado para que haja uma Catequese permanente.” (FG)

Catequese que determine a identidade do cristão do Especial para O SÃO PAULO

Para aprofundar o tema da inserção à vida cristã no encontro com as equipes de coordenação da Arquidiocese, foi convidado o padre Antonio Francisco Lelo, doutor em Liturgia, e estudioso da Iniciação à Vida Cristã. Ele explicou que a Catequese não pode ser vista apenas como preparação para os sacramentos, pois o objetivo da Iniciação à Vida Cristã é gerar identidade cristã para a vida toda. “A configuração pascal é que determina a nossa identidade. A dinâmica dos três sacramentos da Iniciação (Batismo, Eucaristia e Confirmação) se explicita na configuração pascal. Os catequistas, geralmente, não relacionam esses três grandes sacramentos. Isso desvia e prejudica a compreensão de Iniciação.” Também segundo o teólogo, a Catequese compreendida apenas por idades limita a Iniciação Cristã e apresenta o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA) como modelo de iniciação para todas as idades. “Não é apenas um conjunto de orações. Tem uma pedagogia que possibilita adaptações e, portanto, não se restringe a adultos, pois conserva a unidade dos sacramentos e do processo de Iniciação.” Por fim, o teólogo reforçou que é importante assumir a pedagogia catecumenal como espiritualidade primeira de toda pastoral, “porque é uma espiritualidade batismal-eucarística, centrada na Palavra e na vivência do mistério de Cristo e comum a todo o Povo de Deus”. (FG)


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São Paulo ganha 1ª Faculdade de Direito Canônico do Brasil Instituto Padre Doutor Giuseppe Pegoraro foi elevado com decreto da Congregação para a Educação Católica e nova faculdade será instalada dia 7 de abril Rafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

A Congregação para a Educação Católica, organismo da Cúria Romana, aprovou, com decreto assinado no dia 26 de fevereiro, a ereção da Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo, primeira do gênero no Brasil. O anúncio foi feito na manhã de segunda-feira, 17, pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo (leia a íntegra ao lado). A nova faculdade será instalada no dia 7 de abril, em Ato Acadêmico Solene às 9h30, na sede da Faculdade (avenida Nazaré, 993 Ipiranga), com a presença do núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni D’Aniello. A Faculdade de Direito Canônico da Arquidiocese de São Paulo é fruto da elevação do atual Instituto de Direito Canônico Padre Doutor Giuseppe Benito Pegoraro, após solicitação da Arquidiocese. Em fevereiro, em Roma, o cardeal Scherer teve uma audiência com o prefeito da Congregação para a Educação Católica, o cardeal polônes Zenon Grocholewski, para tratar do assunto. A autorização foi repassada a dom Odilo na semana passada, em telefonema da Nunciatura Apostólica. Durante a sessão de anúncio da nova

Faculdade, o cônego Martin Segú Girona, nomeado decano da instituição, manifestou alegria pela notícia. Segundo ele, 18 professores doutores já foram aprovados, pela Congregação para Educação Católica, para lecionar Direito Canônico na nova Faculdade, e irão se dedicar a responder, paulatina e progressivamente, aos novos desafios, sem perder de vista que a Salus animarum (Salvação das Almas) é a suprema lei da Igreja. Cônego Segú explicou, ainda, que “as faculdades eclesiásticas, para poderem ser distinguidas das estatais, normalmente, são qualificadas, ou com o nome de pontifícias (as mais antigas e com direitos adquiridos) ou então simplesmente com o título de Faculdade, embora gozem dos mesmo direitos e deveres das que ostentam o nome de Pontifícia. Isto porque as novas faculdades erigidas pela Congregação para a Educação Católica são igualmente supervisionadas pelo Dicastério Apostólico”. Segundo documento divulgado à im-

prensa, um dos objetivos da faculdade é investigar, aprofundar e explanar de maneira sistemática as fontes do Direito, tanto as do passado quanto as do presente, “procurando harmonizar as exigências científicas com as necessidades pastorais do Povo de Deus”. Um outro objetivo é desenvolver o Direito Canônico, tendo como guia o Magistério da Igreja, de maneira que a aplicação do decreto da Congregação para a Educação Católica, que renova a ordem nos estudos nas faculdades de Direito Canônico, de 2 de setembro de 2002, contribua para a compreensão das práticas latino-americanas e brasileiras sem desmerecer a universalidade do Código. Além disso, a nova faculdade deve promover a “formação jurídica tanto do clero e pessoas consagradas, quanto de leigos, dando ênfase especial à formação e preparação dos professores em Direito Canônico e de ministros de Cúria, tanto para o Poder Executivo quanto para o Judiciário”. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Dom Odilo Scherer e cônego Martin Segú, durante anúncio da criação da Faculdade de Direito Canônico

Papa Francisco reforça participação de leigos na Cúria Romana Padre Michelino Roberto Da redação

Desde de que o documento conciliar Lumen Gentium foi assinado pelo Papa Paulo 6º em 1964, a Cúria Romana tem vivido uma discreta, porém, contínua e progressiva renovação impulsionada pela crescente participação laica em postos de comando em diversos dicastérios do Vaticano. O exemplo mais contundente, ocorreu durante o pontificado de João Paulo 2º que colocou à frente da Sala de Imprensa do Vaticano o médico psiquiatra e jornalista Joaquim Navarro-Valls. De origem espanhola e membro leigo do Opus Dei, Navarro-Valls comandou por mais de duas décadas a Sala de Imprensa da Santa Sé. Em plena era da globalização e advento dos novos meios de comunicação de massa, o então porta-voz do Vaticano teve de enfrentar a difícil tarefa de modernizar a comunicação do Vaticano buscando um difícil equilíbrio entre a necessidade de transparência e o dever de salvaguardar a intimidade que toda instituição necessita e tem direito para evitar crises de informação. Como resultado, as inesquecíveis

imagens transmitidas ao vivo, pelo Centro Televisivo do Vaticano, dos cardeais reunidos na Capela Sistina para o início do Conclave que elegeu Bento 16 em 2004. Foi precisamente durante o pontificado do hoje papa emérito Bento 16, que em 2010, Flaminia Giovanelli tornou-se a primeira leiga mulher a ocupar um alto cargo na Cúria Romana, sendo nomeada subsecretária-geral da Pontifícia Comissão para a Justiça e Paz. Falando sobre o papel da mulher na Igreja, em uma entrevista concedida na ocasião para a revista católica Famiglia Cristiana, dra. Flaminia acentuou o importante papel que as mulheres sempre exerceram na Igreja como conselheiras. “Pensemos, por exemplo, nas prioras dos conventos de clausura ou nas superioras de comunidades religiosas que são conselheiras espirituais de bispos ou cardeais, ou mesmo na proximidade da dra. Wanda Poltawska ao Beato João Paulo 2º, do qual foi grande amiga e provavelmente conselheira”, recordou a dra. Giovanelli à Famiglia Cristiana. Os casos de Navarro-Valls e Giovanelli não são isolados. Na lista dos 16 oficiais do Pontifício Conselho da Pastoral para os

Migrantes e Itinerantes, presidida pelo cardeal italiano Antonio Maria Vegliò, constam nada menos do que nove leigos, sendo que cinco são mulheres. Considerando que entre os oficiais duas são freiras, o número de oficiais mulheres deste setor do Vaticano passa para sete. Outro importante organismo da Santa Sé que apresenta grande concentração de leigos como oficiais, é o Pontifício Conselho para os Leigos. Dos quatro chefes de sessão, três são leigos sendo que um é mulher). Já o Pontifício Conselho para a Família possui 11 oficiais, dos quais apenas quatro são leigos (um homem e três mulheres) e entre seus membros, 20 são casais de diferentes procedência, inclusive do Brasil. A participação dos leigos na Cúria Romana foi recentemente reforçada por papa Francisco, que, na semana passada, nomeou sete leigos especialistas como membros do recém-criado Conselho para a Economia, que terá como atribuições, além de revisar e aprovar as contas do Vaticano, repensar o papel do (IOR), Instituto para as Obras Religiosas mais conhecido como Banco do Vaticano. Com colaboração de Pe. Anderson Bernardes Banzatto

Comunicado do Arcebispo CÚRIA METROPOLITANA DE SÃO PAULO Tenho a honra de comunicar a todos os interessados que a Santa Sé, por Decreto da Congregação para a Educação Católica, de 26 de fevereiro de 2014, assinado pelo prefeito e pelo secretário da mesma Congregação, respectivamente, cardeal Zenon Grocholewski, e arcebispo Vincenzo Zani, erigiu a Faculdade de Direito Canônico “São Paulo Apóstolo”, na Arquidiocese de São Paulo. Na mesma data, também aprovou ad experimentum para cinco anos, os Estatutos da nova Faculdade de Direito Canônico e lhe nomeou grão-chanceler o Arcebispo metropolitano de São Paulo. Desse modo, conforme projeto e pedido anteriormente apresentados à Sé Apostólica, o Instituto de Direito Canônico “Padre Dr. Giuseppe Benito Pegoraro”, até agora em função, foi elevado à condição de Faculdade Eclesiástica de Direito Canônico, com a denominação de “São Paulo Apóstolo”, em homenagem ao Apóstolo Missionário e Doutor dos povos. A Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo será instalada, com solene ato acadêmico, no dia 7 de abril de 2014. A aprovação e criação, em São Paulo, da primeira Faculdade de Direito Canônico é motivo de especial júbilo e ação de graças a Deus. Ao mesmo tempo, esse ato da Sé Apostólica abre novos horizontes para a formação qualificada de leigos, sacerdotes, diáconos e religiosos no Direito Eclesiástico, para o serviço do Povo de Deus. Manifesto meu profundo agradecimento à direção e aos professores do Instituto de Direito Canônico “Padre Dr. Giuseppe Benito Pegoraro” pelos anos de serviço dedicados ao mesmo Instituto e pela elaboração do Projeto de criação da Faculdade de Direito Canônico, que agora alcançou seu feliz êxito. Da mesma forma, agradeço à direção da Pontifícia Universidade Lateranense, de Roma, pelo apoio recebido ao longo dos anos em que o Instituto de Direito Canônico “Padre Dr. Giuseppe Benito Pegoraro” esteve “afiliado” e “agregado” àquela Universidade, bem como pelo incentivo e orientação oferecidos para o encaminhamento do projeto de criação da nova Faculdade. Agradeço à Santa Sé, que, através da Congregação para a Educação Católica, acolheu favoravelmente o pedido de elevação do Instituto em Faculdade de Direito Canônico. Deus seja louvado! O Apóstolo São Paulo interceda pela nova Instituição eclesiástica, nascida para servir à vida e à missão da Igreja. São Paulo, 17/3/2014

Cardeal Odilo Pedro Scherer arcebispo metropolitano de São Paulo grão-chanceler da Faculdade de Direito Canônico “São Paulo Apóstolo”

O SÃO PAULO - edição 2994  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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