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Toma posse o novo ouvidor da polícia de SP

Nota repudia violência policial na Cracolândia

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Cardeal fala à imprensa sobre sua saída do IOR

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Iniciação Cristã terá Semana Catequética na Sé

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Semanário da Arquidiocese de São Paulo

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ano 59 | Edição 2987| 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 2014

R$ 1,50

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Igreja e cidade festejam São Paulo Luciney Martins/O SÃO PAULO

No dia 25 de janeiro, na Catedral, a Arquidiocese e a administração da cidade celebraram seu patrono, o Apóstolo Paulo. A cidade comemorou 460 anos de fundação. O prefeito Fernando

Haddad ressaltou todas as possibilidades que a cidade oferece aos seus moradores. Dom Odilo Scherer, na homilia, lembrou que, após as inúmeras mudanças ocorridas que fizeram da aldeia uma

Amazônia recebe missionários de SP Na manhã do domingo, 26, na Catedral, em missa presidida pelo arcebispo dom Odilo Pedro Scherer e concelebrada pelo ar-

cebispo emérito, dom Cláudio Hummes, o padre Fabiano de Souza Pereira e as religiosas Luiza Ferreira da Silva, Julia

Maria Peccin e Izabel Patuzzo foram enviados em missão à Amazônia. Página 22 Luciney Martins/O SÃO PAULO

metrópole, permanece o desejo de que a cidade seja um lugar bom para todos. São Paulo foi apresentado também por dom Odilo como um modelo a ser seguido para a Igreja que quer anunciar Je-

sus Cristo à cidade. Houve homenagens aos fundadores da cidade e foi anunciado o avanço no processo de canonização do bem-aventurado José de Anchieta. Página 24

Papa reflete sobre a comunicação Na sua mensagem para o próximo Dia Mundial das Comunicações, a ser celebrado no dia 1º de junho, o papa Francisco pede uma comunicação que supere a imensa distância, que, apesar

dos meios de comunicação, ainda separa ricos e pobres. Para ele, comunicar-se é fazerse próximo a exemplo do bom samaritano. Página 9

Missa lembra vítimas do Holocausto Pela primeira vez, a pedido da Comunidade Judaica e com organização da Comissão Nacional de Diálogo Reliogioso Católico Judaico, dom Odilo presidiu missa pela vítimas do Luciney Martins/O SÃO PAULO

Formação dos padres inspira encontro Promovido pela CNBB e a Osib, o 2º Seminário Nacional sobre Formação Presbiteral reuniu em Aparecida de 20 a 25, 232 participantes, que refletiram sobre o tema “Presbíteros segundo o coração de Jesus, para o mundo de hoje”. Cristo “é para nós referência, vida, guia, esperança e fim, afirma mensagem do encontro.” Página 13

Holocausto. O Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto, instituído pela ONU em 2005, celebra-se no dia 27 de janeiro. Página 11 Luciney Martins/O SÃO PAULO


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Fé e Vida

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 2014 Gabirante

frases da semana

“Quero seguir no diálogo que está sendo feito há um tempo, e buscar contribuir cada vez mais na construção da autonomia, do protagonismo juvenil em vista da construção da Civilização do Amor, espaço de vida plena sonhado na América Latina”.

Aline Ogliari, nova secretária nacional da Pastoral da Juventude, sobre a relação que pretende ter com o Setor Juventude.

“Certamente, trata-se de uma das cidades mais vibrantes do mundo. A sexta maior capital do planeta, que oferece a todos nós a oportunidade de criar nossos filhos, nossos netos e de nos desenvolver do ponto de vista econômico, cultural e espiritual”.

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, sobre o aniversário de 460 anos da cidade.

você pergunta

Espiritualidade

Pode-se trocar uma leitura da missa por um trecho da vida de um santo?

Obrigado, padre Aury Azélio Brunetti

Diretor do O SÃO PAULO, semanário da Arquidiocese de São Paulo

Padre Cido Pereira

Nas missas durante a semana, podemos trocar a primeira leitura por um trecho da vida de um santo? Essa é a pergunta da Rosimeire, que mora na Freguesia do Ó. Rosimeire, por mais bonita que seja a reflexão de um santo ou de uma santa, por mais teológica que seja essa reflexão, ela jamais terá a força da Palavra de Deus. A liturgia da Palavra é o momento de Deus nos falar diretamente, ou pela mediação dos apóstolos, as testemunhas visuais dos mistérios de nossa salvação. O que a gente canta na liturgia da Palavra não diz exatamente que é chegado o momento de se escutar a Deus. A gente não canta: “Escuta, Israel, Javé, teu Deus vai falar?”. A gente não diz: “Fala, Senhor Javé, Israel quer te escutar?”. A gente não canta: “Tua palavra é luz do meu caminho?”. A gente não diz: “Toda Bíblia é comunicação de um Deus de amor?”. Mesmo que a missa seja em louvor de um grande santo, na liturgia da Palavra, que ele que fique quieto e nos falem os profetas, os apóstolos e o próprio Cristo. Se quisermos alguma lição dos santos, que isso seja na saudação inicial ou no final da missa. É tempo de darmos valor à Palavra de Deus. Amar e acolher a Palavra de Deus é acolher o próprio Cristo. Nem Maria, nem santo algum, pode tomar o lugar de Deus em nossa fé, em nossas celebrações, em nossos momentos de oração. Fique com Deus, Rosimeire. Que ele abençoe você e sua família.

É tempo de darmos valor à Palavra de Deus. Amar e acolher a Palavra de Deus é acolher o próprio Cristo

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Frei Patrício Sciadini

Agradeço ao padre Aury Azélio Brunetti, que conheci como diácono, casado, e com ele conversei tantas vezes e que depois da morte de sua esposa foi ordenado sacerdote pelas mãos de dom Odilo Pedro Scherer. O Padre escreveu um livro de memórias: “80 anos de vida em 7 bênçãos de amor”. Um livro em que conta a sua longa, aventurosa e maravilhosa trajetória de pessoa chamada à vida religiosa, ao estudo, à teologia, mas que depois de um certo caminho Deus lhe fez compreender que era melhor tomar o caminho do Matrimônio e do serviço generoso à Igreja, com as muitas qualidades que Deus lhe deu. O livro se lê sem respirar. É um li-

“Precisamos de gente preparada e isso deve acontecer em duplo nível: espiritual e de qualificação pastoral. Precisamos preparar os seminaristas para atuar nas diferentes realidades da cidade e não apenas nas paróquias”.

vro em que nos sentimos envolvidos pela sua vida de paixão pela Igreja, pela missão. Um amor que nos faz viver o seu entusiasmo. Uma das qualidades do padre Aury é o entusiasmo por tudo que faz. Primeiro como diácono na Arquidiocese de São Paulo, desempenhou várias atividades e sempre bem. O seu testemunho é um testemunho de vida, não de palavras. É uma palavra feita carne, feita missão e evangelização. O seu livro me tem feito muito bem aqui nas terras do Egito. E de vez em quando o folheio para reviver momentos da vida desse amigo. Lendo a vida familiar com sua esposa, Maria Aparecida, vejo que foi de autênticos missionários, apóstolos, que transformaram a sua casa numa “pequena Igreja”, como nos diz o Concílio Vaticano 2º. No seu livro, padre Aury, com certa saudade, cita frases latinas que não são pesadas, mas que alegram o coração e que nos trazem

Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, no 2º Seminário Nacional de Formação Presbiteral.

à memória tempos não tão longínquos da liturgia. Como exímio organista que é, tem familiaridade com os cantos insuperáveis da Igreja, que somente em latim podemos saboreálos. A vida de padre Aury e de sua esposa foi circundada de padres, de bispos, de cardeais, religiosos e de religiosas, e não podia ser diferente, visto a sua missão ativa dentro da Igreja. Vale a pena sentir em todas as páginas a força da fé, do entusiasmo, de persistência de padre Aury. Que o seu testemunho suscite vocações santas para Matrimônio e para a vida sacerdotal. E que muitos viúvos “santos e bons” possam seguir o exemplo do diácono Aury, que depois do falecimento de sua esposa, Maria Aparecida, não duvidou em pedir o sacerdócio, e o cardeal dom Odilo, que o conhece bem, não hesitou em ordená-lo. Parabéns, meu irmão e amigo, desta terra do Egito, mas sempre aqui no jornal O SÃO PAULO.

palavras que não passam

Ainda ‘os 16 chips’ do Concílio PADRE AUGUSTO CÉSAR PEREIRA

Os documentos especificam os campos em que a Igreja deverá cumprir sua missão de serviço ao Povo de Deus. Naturalmente, 50 anos atrás, tanto os temas quanto as interpretações justificadamente deveriam ter aspectos próprios. No entanto, a visão de mundo mostra muito bem o desejo de transformação da Igreja levado a sério – tanto quanto possível por causa de certos emperramentos. Houve afirmações que revelam um pacto de consenso entre correntes conservadoras e inovadoras. Mas, no geral, e apesar de inconvenientes diversos, o Concílio Ecumênico Vaticano 2º correspondeu vitoriosamente aos seus objetivos. Gaudium et Spes (GS - Alegria e esperança): ela reconhece no mundo

o espaço da missão e o indicador dos “sinais dos tempos”. Por sua natureza relacional, quer novas relações com o mundo, em clima de confiança mútua e de respeito às competências, em permanente busca de interação com a realidade. Conhecê-lo para amá-lo e, assim, colocar-se em condições de entabular o diálogo fraterno com o mundo. “Nada existe de verdadeiramente humano que não lhe ressoe no coração” (GS 1). Como servidora da humanidade, dialoga com o mundo, cumprindo a missão dada por Cristo. Na missão (GS) do serviço, a Doutrina Social da Igreja (DSI) quer devolver a alegria e a esperança ao homem moderno, neste mundo complexo e decepcionante. Questionada e desprestigiada, porque alheia ao mundo e centrada em si, a Igreja rejuvenesce pelo diálogo esperançoso. Com os pobres, as relações são de mãe e servidora: “Tal como é e quer ser, isto é, a Igreja de todos e particularmente a Igreja dos pobres” (João

23, 1962). A Igreja se reconhece e se revela “comunidade de amor” (cf. DCE-2ª). Se, para os pobres, a Boa Notícia é libertação, para a Igreja, é conversão para a missão. A relação com o mundo do trabalho deve orientar-se pelos princípios defendidos pelos papas recentes, com vistas à promoção da justiça social em substituição às estruturas sociais injustas que produzem pobreza e miséria (cf. DAp 383-384; 501; 543-546). Com relação à missão, a evangelização baseia-se no conhecimento e respeito das culturas assumindo novos modos de comunicar, celebrar e viver a Boa Notícia sem perder a própria e sem desconsiderar a identidade do outro (cf. AG). Com as demais religiões, a Igreja cultiva o diálogo inter-religioso fraterno, para o conhecimento e o respeito mútuos, sem desconfianças. E, sem abdicar da identidade própria de cada qual, incentiva o esforço comum de promoção da pessoa humana, filha de Deus. (Continua)

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Antônio Aparecido Pereira • Reportagem: Daniel Gomes, Edcarlos Bispo de Santana e Nayá Fernandes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 36669660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinatura) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


Fé e Vida encontro com o pastor

cardeal dom odilo pedro scherer

Muito interessante a mensagem do 3º Domingo do Tempo Comum, celebrado no dia 26 de janeiro. Fala do início da missão pública de Jesus, depois da prisão de João Batista (cf. Mt 4, 12-23). Jesus deixa Nazaré, onde passou a fase de sua vida oculta, e fixa morada em Cafarnaum, iniciando sua missão pública junto do mar da Galileia. Vai anunciando que o Reino de Deus está perto e chama as pessoas a acolherem essa Boa Nova e a se voltarem para o Reino de Deus. Logo vai juntando muita gente ao seu redor; trazem-lhe doentes, pessoas com problemas de todos os tipos, que Jesus atende e cura. E vai chamando discípulos a seguirem atrás dele. Chama a atenção o fato de Jesus não começar a pregar em Jerusalém, no templo, no ”centro”... Ele começa pela periferia, em regiões tidas até mesmo como “lugar de trevas”, gente meio pagã, idólatra... A “terra de Zabulon”, na Galileia, ainda hoje faz divisa com o sul do Líbano e com a Síria; a “terra de Neftali”, do outro lado do Jordão, ia para dentro do Líbano e da Síria atuais. Essas regiões, meio pagãs e contagiadas pela idolatria dos povos vizinhos, no tempo de Jesus, constituíam a “Galileia dos gentios”. É lá que Jesus faz ressoar o bom anúncio da proximidade do Reino de Deus. Mateus vê, assim, realizada a profecia de Isaías, que falava da luz que resplandece para aqueles que viviam nas trevas e na “região escura da morte” (cf. Is 9,1). É Jesus a luz de Deus que resplandece e ilumina os homens esquecidos e até desprezados, fazendo-os reviver e ter esperança. Não foram esquecidos por Deus, que lhes en-

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editorial

Terra de Zabulon, terra das periferias Arcebispo metropolitano de São Paulo

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viou seu Filho. A realização dessa profecia continua ao longo da história através da vida e da atuação da Igreja. Também isso aparece já no início da pregação pública de Jesus, que chama apóstolos para o seguirem e para serem, depois, enviados em missão, com a sua própria autoridade. Em vários momentos, Jesus enviou os discípulos em missão, para anunciarem a Boa Nova do Reino de Deus; finalmente, após a ressurreição, enviou os apóstolos, na força do Espírito Santo, para continuarem a sua missão “até o fim dos tempos”. O papa Francisco, em nossos dias, tem incentivado a Igreja para ir às periferias da humanidade. Talvez ficamos muito sossegados, cuidando mais de quem já está no “centro” e cujo cuidado absorve todas as nossas energias e todo o nosso tempo. A Igreja é enviada, não apenas às periferias geográficas, mas também sociais, econômicas, políticas e mesmo religiosas. As “periferias” podem estar mesmo

no centro de nossa cidade; elas não estão longe de nós; basta abrir os olhos. O Evangelho é luz para todos, mas onde as pessoas já acham que vivem “na luz”, ele é menos bem acolhido e tem menos fruto. A Boa Nova do Reino de Deus, dirigida ao povo relegado às periferias, redime, resgata e salva essas pessoas, fazendo-as viver e dando-lhes esperança. Os fiéis em Cristo, se desejam ser fiéis a ele, precisam imitar o seu exemplo e fazer como ele. De maneira significativa, neste mesmo domingo, foi feito o envio missionário de três religiosas do Regional Sul 1 para a Diocese de Alto Solimões, no Regional Norte 1, na extrema periferia noroeste do Brasil; e o padre Fabiano, da Arquidiocese de São Paulo, como missionário fidei donum, para a Diocese de Castanhal, no Pará. Que Deus nos ajude a sermos uma Igreja verdadeiramente missionária, disposta a levar a Boa Nova do Reino de Deus às terras de Zabulon e Neftali dos nossos dias... Paróquia São Paulo Apóstolo

Na tarde do sábado, 25, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa na Paróquia São Paulo Apóstolo, na Região Episcopal Belém.

Evangelizar é preciso! Celebramos com fé, esperança, amor e alegria, muita alegria, o patrono da Arquidiocese e o patrono da cidade. São Paulo foi evocado como aquele apóstolo que entendeu, como nenhum outro, que a salvação oferecida pelo Cristo era para toda a humanidade e que os apóstolos chamados a segui-lo deveriam ultrapassar os confins da terra prometida a Israel, para fazer do mundo inteiro a terra prometida a todos os homens. A fé marcou as celebrações que se fizeram no coração da cidade de São Paulo e em todas as paróquias e comunidades da Igreja que está na cidade. A esperança também se fez presente nas celebrações, esperança sem a qual nenhum pregador do Evangelho se sustenta. Esperança que ilumina o propósito da Arquidiocese de anunciar Jesus Cristo à cidade de São Paulo. É uma esperança que incendeia mentes e corações e que se multiplica como todo fogo que não diminui quando se multiplica, antes cresce em intensidade. Enfim, o amor a Deus e o amor entre discípulos e mestres marcou e deverá crescer entre os discípulos missionários, porque essa talvez seja a melhor forma de anunciar Jesus Cristo, com o coração cheio de amor por ele e pelos destinatários da pregação. E a alegria? É um precioso dom de Deus aos que nele confiam. Por isso, houve, sim, e há vibração no coração dos apóstolos de Jesus. A alegria no evangelizar prova as certezas que temos no coração, certezas e razões do nosso ir ao mundo, ir à cidade de São Paulo. Esta cidade que há 460 anos tem sido cosmopolita como seu Patrono, sendo ponto de chegada de todos os que buscam uma vida melhor, vindos de todo o Brasil e de todo o mundo. Como aquela grande “Galileia”, onde pregou Jesus, como nos afirmou Mateus no Evangelho do domingo passado. Vamos em frente. Evangelizar é preciso! Esta edição marca o fim do serviço de uma direção do O SÃO PAULO e o início de outra. Na Igreja que está em São Paulo, dentro desta cidade imensa que precisa ser evangelizada, não faltarão as bênçãos do Pai, a presença constante do Filho e as necessárias e abundantes luzes do Espírito Santo para que este semanário da Arquidiocese continue concretizando os seus propósitos de colaborar com a comunhão da Igreja de São Paulo, e de ajudar na missão que tem de anunciar Jesus Cristo e seu Evangelho.

A alegria no evangelizar prova as certezas que temos no coração, certezas e razões do nosso ir ao mundo, ir à cidade de São Paulo. Esta cidade que há 460 anos tem sido cosmopolita como seu Patrono, sendo ponto de chegada de todos os que buscam uma vida melhor agenda do Cardeal

Terça-feira (28)

Tweets do Cardeal

19h – Reunião Pastoral na Região Episcopal Ipiranga.

@DomOdiloScherer 25 – Louvado seja Deus pelo

apóstolo São Paulo, missionário do Evangelho entre os povos, patrono da Arquidiocese de São Paulo! 25 – Parabéns, São Paulo, 460 anos! Do pátio da capela e do colégio da missão jesuítica à metrópole

Domingo (2) cosmopolita! 24 – Quem aposta na divisão da Igreja não age por inspiração do Espírito Santo. É o diabo (diábolus) que suscita o espírito de divisão. 23 – Seria lamentável passar horas trocando mensagens com pessoas

distantes e não brindar com uma palavra sequer as pessoas ao seu redor... 22 – São Paulo: Rm 8, 35-37: “Quem nos separará do amor de Cristo?... Mas, em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou!”.

9h – Missa na Catedral da Sé. 11h – Missa pelos 50 anos da Paróquia São Luis Gonzaga, na Região Brasilândia. 18h – Missa pelo centenário da Paróquia Santo Antônio/ Barra Funda, na Região Sé.

Segunda-feira (3)

15h30 – Posse do novo diretor do jornal O SÃO PAULO, padre Michelino Roberto.


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Fé e Vida

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liturgia e vida

APRESENTAÇÃO DO SENHOR 2 DE FEVEREIRO DE 2014

palavra do papa

Se o Senhor chama, seja corajoso, vá com ele!

Ana Flora Anderson

O sumo sacerdote misericordioso Os textos deste domingo aprofundam nossas reflexões sobre a encarnação. Um bebê, nos braços de sua mãe, é revelado como luz do Mundo e Sumo Sacerdote da Misericórdia. A primeira leitura (Malaquias 3, 1-4) é uma profecia sobre o enviado de Deus, cujo caminho é preparado por um anjo. Ninguém se colocará contra ele, pois quem pode resistir à misericórdia de Deus? Ele chegará com poder para purificar os sacerdotes, filhos de Levi, e eles farão oferendas que agradam a Deus. A segunda leitura (Hebreus 2, 14-18) afirma que Jesus, como nós, teve carne e sangue que ofereceu para destruir o poder do pecado. Ele nos libertou de todo tipo de escravidão que nasce do mal. O Evangelho de São Lucas (2, 22-40) narra a observância religiosa de Maria e José ao obedecer a lei sobre os primogênitos. Estes deveriam ser consagrados a Deus no Templo de Jerusalém. O evangelista Lucas apresenta dois idosos proféticos. Simeão, movido pelo Espírito Santo, recebe Jesus em seus braços e proclama que este menino será luz para iluminar as nações. A viúva, Ana, profetiza que este mesmo menino é aquele que o povo esperava para libertar Jerusalém. Os pais, admirados com tudo que foi revelado, voltam a Nazaré. O Filho de Deus se encarnou e habitou entre nós! leituras da semana

SEGUNDA (3): 2Sm 15, 13-14.30; 16, 5-13a; Mc 5, 1-20. TERÇA (4): 2Sm 18, 9-10.14b.24-25a.30 - 19,3; Mc 5, 21-43. QUARTA (5): 2Sm 24, 2.9-17; Mc 6, 1-6. QUINTA (6): 1Rs 2, 1-4.10-12; Mc 6, 7-13. SEXTA (7): Eclo 47, 2-13; Sl 17 (18); Mc 6,14-29. SÁBADO (8): 1Rs 3, 4-13; Mc 6, 30-34.

Santos e Heróis do Povo, 28 de janeiro

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a sua vida? Pois o que daria o homem em troca de sua vida?” (Mc 8, 36-37). Hoje, a Igreja celebra um dos maiores santos da História: Santo Tomás de Aquino (imagem). É o autor da Suma Teológica. Pertenceu à ordem dos padres dominicanos. Declarado Doutor da Igreja, em 1567, foi de fato um gênio, que poderia ter-se perdido, se não tivesse se libertado das atrações mundanas de sua classe, pois era rico e cerceado em seu desenvolvimento pela própria família. Foi em Paris – o maior centro de estudos teológicos da época – que ele pôde compor sua obra gigantesca, a “Suma Teológica”, verdadeira síntese do passado e intuição do futuro. Não se pode esquecer do aniversário de abertura da célebre Conferência de Puebla, no México, que reuniu os bispos de toda a América Latina. Foi no dia 28 de janeiro de 1979. Dessa Conferência, podemos guardar, como pedra preciosa, estas palavras que tão bem resumem o seu trabalho: “Deus está vivo em Jesus Cristo libertador, no coração da América Latina”. Fonte: “Santos e Heróis do Povo”, livro do cardeal Arns

Papa francisco Aqui a reflexão que o papa Francisco fez no domingo, 26, antes da oração Mariana do Angelus, na praça São Pedro para os milhares de peregrinos que se reuniram para ouvi-lo e orar com ele. O Evangelho deste domingo relata os inícios da vida pública de Jesus nas cidades e nas vilas da Galileia. A missão dele não parte de Jerusalém, ou seja, do centro religioso, centro também social e político; mas parte de uma zona periférica, uma zona desprezada pelos judeus mais observantes, por conta da presença, naquela região, de diversas populações estrangeiras; por isso Isaías a indica como “Galileia dos Gentios!”. Terra de fronteira, zona de trânsito onde se encontram pessoas diferentes pela raça, cultura e religião, a Galileia se torna, assim, o lugar simbólico de confronto e necessidade de encontro. Também nós estamos imersos diariamente em uma “Galileia dos Gentios” e, nesse tipo de contexto, podemos nos assustar ou ceder à tentação de construir refúgios para estar mais seguros, mais protegidos. Mas Jesus nos ensina que a Boa Nova que ele traz não é reservada a uma parte da humanidade, é para comunicar-se a todos. É um alegre anúncio destinado a todos os que o esperam, mas também a todos os que, talvez, não esperam mais nada

Caros amigos e amigas, o See não têm nem mesmo a força de nhor também hoje passa pelas buscar e de pedir. Partindo da Galileia, Jesus nos estradas da nossa vida cotidiana. ensina que ninguém é excluído da Também hoje, neste momento, salvação de Deus e que Deus pre- o Senhor passa pela praça. Ele fere partir da periferia, dos últimos, nos chama para andar com ele, para chegar a todos. Ele nos ensina a trabalhar com ele para o Reino um método, o seu método, que, po- de Deus, nas “Galileias” do nosso rém, exprime um conteúdo, a mise- tempo. Cada um de vocês pense: ricórdia do Pai. “Todo cristão e toda o Senhor passa hoje. O Senhor me comunidade discernirá qual seja o olha, está olhando! O que me diz? caminho que o Senhor pede. Porém, E, se alguém de vocês sente que o somos convidados a aceitar a este chamado. Sair Para escolher seus primeiros da própria comunidade e ter a coragem de alcançar discípulos e futuros apóstolos, todas as periferias que não se dirige às escolas dos têm necessidade da luz escribas, dos doutores da Lei, do Evangelho” (Evangelii Gaudium, 220). mas às pessoas humildes e às Jesus começa a sua pessoas simples, que o seguem, missão não só de um lugar descentralizado, mas imediatamente também de homens que se poderia dizer, “de baixo perfil”. Senhor lhe diz “siga-me” seja coPara escolher seus primeiros dis- rajoso, vá com o Senhor! O Senhor cípulos e futuros apóstolos, não se não decepciona jamais. Ouçam em dirige às escolas dos escribas, dos oração se o Senhor os chama a sedoutores da Lei, mas às pessoas gui-lo. Deixemo-nos alcançar pelo humildes e às pessoas simples, seu olhar, pela sua voz e sigamo-lo! que o seguem, imediatamente: “Para que a alegria do Evangelho Deixam as redes e vão com ele – a chegue até os confins da terra e vida deles se tornará uma aven- nenhuma periferia se prive da sua tura extraordinária e fascinante. luz” (Ibidem, 288). Tweets do papa

@Pontifex_pt 27 - Queridos jovens, não vos contenteis com uma vida medíocre. Deixaivos fascinar pelo que é verdadeiro e belo, por Deus!

25 - Dirigir-se a Deus para pedir, é fácil… todos nós o fazemos! Quando aprenderemos também a agradecer-lhe e a adorá-lo?

24 - Como novas criaturas, somos chamados a viver o nosso Batismo, cada dia, revestidos de Cristo.

21 - Se vivemos a fé na vida diária, o próprio trabalho se torna uma oportunidade para transmitir a alegria de sermos cristãos.

20 - Não basta dizer que somos cristãos; é preciso viver a fé, e não apenas em palavras, mas com as obras.

há 50 anos

O maior potencial hidroelétrico e a Peregrinação Ecumênica “O presidente João Goulart revelou ter mantido encontro informal com o presidente Stroessner, do Paraguai, durante o qual teriam sido afastadas todas as dificuldades que existiam, entre os dois países, para a construção da hidrelétrica de Sete Quedas, na Foz do Iguaçu.” O semanário da Arquidiocese de São Paulo deu esta notícia de capa e sobre a Peregrinação Ecumênica que fez o papa Paulo 6º. “A peregrinação papal teve um efeito inesperado. A inacreditável acolhida feita por muçulmanos, cristãos católicos, ou não, israelitas, os entendimentos havidos

entre cristãos separados, tudo serviu para levar o mundo à nova expectativa: a de uma nova e duradoura paz religiosa, sem dúvida sinal e penhor de paz social.” No “Diário do Concílio”, O SÃO PAULO marcou a 45ª Sessão Geral abordando os assuntos discutidos: Primado, Diaconato, Hierarquia, Presbiterato, Prerrogativas e poderes episcopais, Magistério da Igreja, Diáconos para a África, Diaconato sem celibato, Colegialidade em que sentido?, Definição sobre episcopado, De novo o diaconato e observações históricas.

Capa da edição de 26/1/1964


Viver Bem

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literatura

dicas de cultura

‘Mais Amor Por Favor’ invade o Sesc Carmo O Sesc Carmo promove uma série de intervenções artísticas na campanha “Mais Amor Por Favor”, em diversos espaços da unidade, inspirada no movimento concebido pelo VJ Suave, formado pelo duo de artistas audiovisuais Ygor Marotta e Ceci Soloaga. As ações acontecem entre 13 de janeiro e 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 9 às 20 horas, com entrada Catraca Livre. A campanha foi criada para pedir mais carinho, responsabilidade, respeito e educação em gestos e ações, pessoais e sociais. A série aborda, de maneira leve, delicada e visual, os valores e as atitudes que remetem ao conceito “como viver junto”, na concepção de espaço de convivência compartilhado com respeito e gentileza. As peças criadas pelo VJ Suave exaltam o amor por seu grande potencial transformador das relações do indivíduo com a sociedade, convidam a repensar a maneira de lidar com as situações cotidianas e ampliam a percepção sobre as posturas assumidas na vida e seus reflexos. Além de imagens fixadas nas paredes da unidade compondo a ideia de grafite e pichação adesiva, são exibidos vídeos e curtas-metragens na Central de Atendimento e na Internet Livre, que remetem aos conceitos da campanha.

Divulgação

Obra aborda a pedagogia de Jesus na Catequese

SERVIÇO O que: Intervenções “Mais Amor Por Favor” Quando: de 13/01 a 30/04 - Segundas, Terças, Quartas, Quintas e Sextas das 9 às 20 horas Quanto: grátis Onde: Sesc Carmo

vamos cuidar da saúde!

direito do consumidor

Hipotireoidismo na infância

Direito do idoso

O hipotireoidismo é bem frequente nas crianças e não é ao acaso que já faz parte da triagem neonatal no teste do pezinho. Sem tratamento, pode levar a sérios transtornos neurolágicos. No berçário, a triagem costuma garantir diagnósticos precoces e iniciação de tratamento nas primeiras 3 a 4 semanas de vida, o que vai garantir um desenvolvimento psiconeuromotor adequado. Já em crianças que desenvolvem depois do nascimento, a presença de bócio ( aumento de volume na região do pescoço, conhecido gogó) é uma das principais queixas. Adolescentes portadores de baixa estatura, ou velocidade de crescimento progressivamente diminuída, pele seca, cabelo quebradiço, retardo dos desenvolvimento dos caracters sexuais nos meninos e aparecimento precoce da puberdade nas meninas, podem estar desenvolvendo hipotireoidismo. Existem vários tipos de disfunção da tireoide. Por isso, a importância de levar periodicamente seu filho ou neto às consultas com o pediatra. Ele sim conseguirá identificar precocemente essa doença e iniciar tratamento adequado. Dúvidas, dracassiaregina@gmail.com

Sabia que as pessoas idosas e deficientes muito pobres têm direito a um salário mínimo mensal? Isso está na Constituição, no art. 203, inciso 5º: “A garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovarem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. O pretendente deve ser portador de deficiência física incapacitante ou possuir mais de 65 anos e não ter possibilidade de prover sua própria subsistência ou de tê-la provida por sua família (condição de miserabilidade). A Lei prevê um parâmetro objetivo para aferir a miserabilidade: o grupo familiar deve possuir renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo, mas, esse critério está ultrapassado. Os novos programas governamentais de combate à miséria tem adotado como referência a razão de meio salário mínimo por pessoa da família. Saiba dos seus direitos, procure um advogado.

Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF).

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O jornal O SÃO PAULO

Ronald Quene é formado em Direito

Usando os acontecimentos de uma época conflituosa, de um país dividido, de gente explorada, onde imperavam a pobreza; a doença; o trabalho dos pescadores, pastores, camponeses, Jesus Cristo, por meio de parábolas, com pedagogia clara e simples, foi formando seguidores. Com o intuito de ajudar os catequistas a se reencantarem por Jesus Cristo, levando-os a transformar a catequese, a PAULUS lança “A pedagogia de Jesus”, da coleção “Cadernos” Catequéticos resultado do trabalho de irmã Mary Donzellini, da Congregação Missionárias de Jesus Crucificado. “De maneira prática e com ‘pé no chão’, diante dos desafios do novo século, essa mestra da catequese preparou este novo

material sobre a pedagogia de Jesus. Irmã Mary ama a catequese, e está sempre preocupada em atender às necessidades de nossos catequistas”, diz Geni Cremasco, coordenadora da Catequese na Diocese de Campo Limpo. Dividido em sete capítulos, o livro, ilustrado, traz aos catequistas, sugestões de trabalho em grupo, textos e reflexões, mostra o passo a passo de como Jesus fez a sua catequese. Irmã Mary apresenta Jesus, o Mestre e também apresenta os mestres de Jesus; seus pais. De maneira clara e didática, leva o catequista a buscar semelhança com o Mestre Jesus. Irmã Mary Donzellini é autora de diversas obras sobre catequese e pertence à Congregação Missionárias de Jesus Crucificado.

está de cara nova

Assine O SÃO PAULO faça parte você também desta mudança e-mail: assinaturas@osaopaulo.org.br (11) 3666-9660 / 3660-3723 / 3660-3724


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Fé e Vida

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direito canônico

fé e cidadania

O Direito Canônico e a esperança

Herança de 2013

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT)

Edson Luiz Sampel

Qual é a relação entre a virtude teologal da esperança e o Direito Canônico? O Direito Eclesial ou Canônico consiste no conjunto das normas que regem a vida do católico na Igreja. A esperança, por sua vez, pode ser laconicamente definida com as palavras do Papa emérito: “Toda ação séria e reta do homem é esperança em ato” (Spe Salvi, 35). As ações e comportamentos humanos são objeto de duas ciências sagradas, a saber: a Teologia Moral e o Direito Canônico, antigamente denominado de Teologia Prática. Neste artigo, quero tecer alguns comentários acerca do Direito Canônico como facilitador da vivência da virtude teologal da esperança. A construção do Reino de Deus, consubstanciado numa sociedade justa, livre e fraterna, diz respeito a todos os católicos. Ninguém deve ficar de fora dessa grande empreitada, pois nossa vocação batismal nos compele à prática do amor. Entretanto, historicamente falando, em meio às vicissitudes e ambiguidades do tempo presente, existe a necessidade de mediações e instrumentos que orientem a caminhada do Povo de Deus e, concomitantemente, suscitem a esperança. Nesse sentido, a Lei Eclesiástica ou Canônica é um guia fiel e seguro. Ao cumprirmos a lei docilmente, e não servilmente, percebemos que a esperança está fervilhando ao nosso derredor. A história de Josefina Bakhita, narrada por Bento 16º na encíclica Spe Salvi, demonstra luminosamente o advento da esperança. A escrava negra passa a ter esperança no momento em que é submetida a um patrão amoroso e misericordioso. Até então, a pobre mulher só conhecera adversidades e leis injustas. O novo senhor representa uma ordem jurídica respeitosa da dignidade humana. Só neste ambiente acolhedor frutifica a esperança: um mundo melhor é possível. O Direito Canônico é, por definição, “performativo” e não meramente “informativo”, para empregarmos a terminologia de Ratzinger na encíclica Spe Salvi. Dessa feita, o Código Canônico visa a ações intrinsecamente boas e construtivas, próprias a comunicar o amor. Por isso, o cânon 1752 sintetiza lapidarmente o escopo da lei na Igreja: Salus animarum suprema lex est (A salvação das almas é a suprema lei). Esta regra jurídico-canônica é a baliza para a aplicação do Código. Ao estabelecer a estrutura de uma comunidade eclesial justa, o Direito Canônico cria condições para o afloramento da esperança. A Lei Canônica iguala a todos e, por conseguinte, revela ao católico a face benevolente do “bom patrão”. A esperança cristã, por ser uma virtude diretamente ligada a Deus, não é uma vã espera, mas a concretização escatológica do amor divino.

Ao estabelecer a estrutura de uma comunidade eclesial justa, o Direito Canônico cria condições para o afloramento da esperança

Padre Alfredo José Gonçalves

Que legado o ano de 2013 deixa a seu sucessor 2014? Do ponto de vista da política econômica, pouca coisa mudou. De um lado, a iniciativa privada fatura lucros extraordinários com as telecomunicações, o preço das matérias-primas, os grandes conglomerados e redes comerciais e a alta dos juros, com benefícios crescentes especialmente para o setor financeiro. De outro lado, os indicadores sociais mostram as reais condições de vida da população de baixa renda. Os aluguéis sobem acima dos rendimentos familiares, continuam precários os serviços públicos de saúde, segurança, educação, transporte... Precários devido aos baixos investimentos nessas áreas, sobretudo se comparados aos gastos de infraestrutura para

os eventos da Copa do Mundo e das Olímpiadas. Resulta que, uma vez mais, prevaleceu a lei do mais forte, própria da economia capitalista de filosofia neoliberal: os pobres permanecem estacionados ou se tornam mais pobres, enquanto os ricos se fortalecem sempre mais. Vale o alerta do papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EV): “Assim como o mandamento ‘não matar’ põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, hoje devemos dizer ‘não a uma economia de exclusão e iniquidade’. Esta economia mata” (EV, nº 53). Além dessa herança negativa, porém, o ano que finda aponta algumas luzes para o ano que começa. A primeira delas vem da mobilização maciça da juventude. Esta, como barômetro histórico das mudanças, deixou as arquibancadas e entrou em campo, sacudindo o torpor de pessoas, políticos e instituições. Saiu à rua para protestar e celebrar. O protesto

se verificou em centenas de manifestações espalhadas por todo o território nacional. A dimensão celebrativa veio da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro (RJ), com o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Outra luz vem da organização das forças populares. Estas, numa ampla coalizão que envolve mais de 90 organizações, entidades e movimentos sociais, propõem para 2014 um Plebiscito Popular pela Constituinte Eclusiva e Soberana do Sistema Político, no sentido de acelerar as mudanças urgentes e necessárias na política do País. Trata-se, no fundo, “de um grande movimento de reoxigenação da democracia brasileira” (cf. “Brasil de Fato”, editorial da edição 560). Esse exercício popular da prática democrática, previsto em lei, representa um processo de debates, reflexão e atividades que têm como horizonte a coleta de votos na Semana da Pátria de 2014, de 1º a 7 de setembro.

espaço aberto

Esta doença chamada câncer Padre Zezinho

Neste Natal, recebi uma boa notícia. Posso me preocupar menos com esta enfermidade, chamada câncer, uma vez que já carrego um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e um diabetes sempre prontos a me balançar! Meus amigos me perguntavam se a notícia não me abalava. De fato, não! Tive mãe e pai estoicos e paralíticos e aprendi muito com eles. Isso não me faz mais santo do que os outros, mas me ensinou a encarar a vida sem ser trágico. Já cantei a respeito deles que ter problemas na vida não é ter vida infeliz! Depois de três riscos de morte, três acidentes, um dos quais um Acidente Vascular Cerebral, que me tirou de circulação por mais de um ano e, às vezes, dribla minha fala, eu me considero um missionário sem barcos, nem aviões, com menos microfones e quase nenhuma câmera! Mas ainda estou na ativa! Grato por quem orou por mim! Não mereço, mas ganhei mais do que mereço. Mas penso nos outros que carregam esta disfunção! Há crianças, adolescentes, jovens, adultos, anciãos a enfrentar o câncer. Outras doenças também matam com dores até mais martirizantes. Mas é do câncer que mais se tem medo. O diagnóstico sempre preocupa. São células rebeldes que precisam retroceder para não contaminar as células sadias.

Sofrem de câncer o menino, a menina, o jovem, avô, avó, tio e tia, namorados, atletas, bandidos, santos, governantes, artistas, ricos e pobres, médicos e até pregadores que diziam que Jesus cura seus fiéis e seus familiares! Uma disfunção do corpo devora as células de tal maneira que elas vão sendo comprometidas antes do coração e do cérebro. Em muitíssimos casos, os fármacos, uma cirurgia, um milagre revitalizam as células, e a pessoa recupera a vitalidade e sobrevive. Cada filho ou filha de Deus atingido por esta enfermidade reage como é, ou como aprendeu a reagir. O fato é que, no dia em que o médico sereno e amigo nos diz que seu corpo está perdendo células vitais em determinada região do corpo, se for o seu caso, você sabe que tem mais alguns meses, ou muitos anos de vida. Mas é apenas uma possibilidade. Pode haver revitalização ou não; pode haver milagre ou não. Aí entram a calma e a fé! Milagres acontecem! Oração funciona! E nem sempre só os bonzinhos e gentis são curados. Pecadores também! É aí que a chance aumenta! Procurar clínicas, ir a um lugar de romaria, um templo, pedir mais alguns dias de vida, procurar um pregador que apregoa curas no seu templo, na “mais igreja”, pedir intercessão, tudo isso é ótimo. Mas quando se crê que o autor da vida é Deus, talvez a atitude mais certa é manter a calma e seguir as orientações dos médicos e médicas. Como poucos sobrevive-

rão mais de 80 anos, convém conversar com aquele que nos criou e colocar corpo e espírito no colo dele. As células ou nos levarão, ou esperarão. Mas estaremos em paz se entendermos que se trata de uma passagem. Se estou morrendo? Não! Os médicos não mentem para mim, nem para meus superiores religiosos. O que sei é que o tratamento é de qualidade. E os médicos ficaram alegres. São queridos. Todos e todas. As Irmãs Pequenas Missionárias de Maria Imaculada são serenas e competentes. Daqui a alguns meses direi se as células foram controladas. Veremos, enquanto oro e ajudo meu povo a pensar. Mas não tenham pena de mim. Pensem nos que perderam a paz por causa dessas células. Eu continuo crescendo como pessoa e como pregador diante de mais esse desafio. Não foi o único e, provavelmente, não será o último! Todo mundo passou ou passará por desafios. Ele sabe e eu também acho que sei que a decisão é dele! Oro por todos que deitam naquelas máquinas ou recebem aquelas injeções mensais! A maioria encara o tratamento com serenidade! Agora que meus médicos dizem que estou fora deste perigo, mas que terei que me cuidar para sempre, desejo o mesmo a todos. Aguardem mensagens e CDs a respeito. É uma das razões por que estou guardando silêncio até 31 de janeiro. Orem comigo. Oro com vocês em minhas liturgias! Grato!


Igreja em Ação

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comiar

bioética

A Missão de Jesus – Nossa Missão

Bioética e sementes suicidas! (1)

cmoritzmm@gmail.com Desde o Concílio Vaticano 2º, nós começamos a entender nossa vocação missionária pelo Batismo. Para nós, cristãos, a vocação de ser missionário vem da vocação missionária de Jesus Cristo. Os Evangelhos têm muitas dicas para definir nossa missão missionária. Em cada canto dos Evangelhos, temos o exemplo de Jesus missionário. Durante a época de Natal, entramos no Evangelho de Lucas. Depois das leituras sobre o nascimento de Jesus e o tempo do Menino, no capítulo 3 de Lucas, a gente começa a ler sobre a “Missão de Jesus”. Isso inclui o batismo de Jesus, tentação no deserto e a atuação de Jesus na Galileia. Jesus volta a Nazaré, pega as escrituras e abre o livro de Isaías: “Encontra o lugar onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu, para

anunciar a Boa Nova aos pobres, enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano aceito da parte do Senhor’”. Depois disso, Jesus indicou que tudo o que está escrito neste trecho de Isaías era cumprido nele. Meditando neste capítulo do Evangelho de Lucas, nós podemos reconhecer as características de nossa vocação missionária como cristãos. Tudo que é parte da vocação missionária está incluído neste versículo de Lucas. Primeira: “O Espírito está sobre mim, pois ele me ungiu...” Nenhum cristão pode tomar um passo sem o Espírito. Sabemos que recebemos o Espírito, ele nos ungiu em nosso Batismo, e que a vocação missionária vem de nós através do Batismo. Depois, a gente tem que reconhecer que o centro da voca-

ção missionária é o mandato de “... anunciar a Boa Nova aos pobres...”. Isso é a Boa Nova: que o Reino de Deus está perto; e que o Pai mandou seu filho para salvarnos; e que todos somos os filhos e filhas de Deus; e que todos nós temos que seguir nos passos de Jesus trazendo sua paz e libertação. Trabalhar para justiça e liberdade aos oprimidos é essencial na vocação missionária dos cristãos. Somos chamados a levar a missão de Jesus a todos os cantos de nosso mundo. A vocação não é somente vocação de uns poucos – padres, religiosos e religiosas –, mas é a vocação de cada batizado, adulto, jovem e criança. No começo de um ano novo é bom refletir Lucas 4, 16-21, para vermos como nós também podemos viver esta missão de Jesus em nossas vidas. Missão é o compromisso de cada um de nós. Por Irmã Carolyn Moritz, MM

pastoral afro

Confraternização da Pastoral Afro Pastoral Afro

pastoralafro@ig.com.br Aconteceu no dia 21 de dezembro de 2013, na Paróquia Santo Eduardo, no bairro do Bom Retiro, a Confraternização das Comunidades Negras, que reuniu cerca de 80 pessoas vindas das regiões e das dioceses vizinhas. Neste dia, ao brinde de champanhe, aproveitamos para comemorar o aniversário de 80 anos de vida da irmã Lindaura Araujo e seus 60 anos de vida religiosa; 25 anos de vida sacerdotal do padre Luiz Fernando de Oliveira; e 24 anos de vida sacerdotal do padre José Enes de Jesus. Dançamos, resgatamos nossa cultura, tendo como tema “Baile dos anos 60”, nos divertimos muito ao som dos Embalos de Sábado a Noite, com direito a coreografia feita pelos convidados. O que nos fez perceber que a alegria de ser-

vir a Cristo é sempre melhor vivida e contemplada quando a fazemos de forma sadia ao lado daqueles que tomamos por irmãos(as) pelos

laços de Jesus, Maria e José, que vieram abençoar e santificar. Um 2014 repleto de bênçãos a todos! Por Irmã Lindaura Araujo, mjc

Nota de Repúdio

Centro Santo Dias de Direitos Humanos O Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo se manifesta publicamente sobre o incidente acontecido na quinta-feira, 23, na Cracolândia, por ação da Polícia Civil. A despeito da independência da Polícia Civil em suas investigações, o que é legítimo, é lamentável a forma como a ação se deu. Como é do conhecimento de todos, a região vem há muito tempo sofrendo a ação, de um lado, dos que são vítimas das drogas e merecem um tratamento digno para buscar a recuperação e, de outro lado, dos traficantes que se aproveitam dessa situação. Exatamente neste momento, quando a Prefeitura da cidade desenvolve uma tentativa de alcançar essas vítimas de forma

pacífica e humana, acontece esta ação que provoca intranquilidade entre todos os agentes: Prefeitura, Governo do Estado e as suas polícias. Ainda que mantendo sua independência, a Polícia Civil deveria, antes de interferir de forma desastrada e infeliz, ter dialogado com as autoridades responsáveis pela atuação na região, evitando situações como a ocorrida, totalmente previsíveis, e que só atrapalham os objetivos sérios dos governos responsáveis. O Centro Santo Dias vai acompanhar os desdobramentos dessa ação, juntamente com a Ouvidoria da Polícia Civil, bem como junto ao Ouvidor da Secretaria de Segurança recém-empossado, para que

padre leo pessini

O título desta reflexão ética soa estranho, fora de nossa linguagem coloquial, mas evoca uma questão de suma importância para o futuro alimentar da humanidade e é amplamente conhecido nos âmbitos científicos dos laboratórios da pesquisa genética. Servimos neste texto de reflexões da pesquisadora Silvia Ribeiro, para entender do que se trata esse assunto (Cadernos IHU, ano 9, nº 44, 2013, p.55-58). A tecnologia terminator é “uma tecnologia transgênica para fazer sementes suicidas: são plantadas, dão fruto, mas a segunda geração torna-se estéril, para obrigar os agricultores a comprar sementes novas em cada ciclo de semeadura”. Elas querem que seja biologicamente impossível aos agricultores replantarem as sementes que colheram. Precisam comprar sementes novas e isto é lucro certo para as empresas e “bioescravidão” para os agricultores! Essa tecnologia foi desenvolvida no fim dos anos 90, pela empresa Delta & Pine (hoje propriedade da Monsanto) com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. O nome oficial utilizado pelas Nações Unidas e pela comunidade científica internacional para se referir ao Terminator é “Tecnologia Genética de Restrição de Uso”, em inglês, Genetic Use Reduction Tecnology (GURTs). Utiliza-se um indutor químico externo para controlar a expressão de um traço genético de uma planta. Não se trata de um híbrido, que na segunda colheita dá menos quantidade ou uma qualidade diferente, mas é uma semente que “suicida”, isto é, ela se torna totalmente estéril. As transnacionais químicas detêm hoje o mercado global de sementes e estão comprando a maioria das empresas de sementes. Hoje somente três empresas transnacionais, cuja origem é a produção de tóxicos químicos e agrícolas (Monsanto, DuPont - Pionner e Syngenta), detêm mais da metade do mercado global de sementes (53%) e, entre as dez maiores, controlam 32% do mercado global de sementes comerciais e 33% das vendas mundiais de agrotóxicos. Junto com a Delta & Pine detêm 86% das patentes sobre variantes da tecnologia Terminator e dominam a pesquisa agrícola industrial global. Essas três empresas têm as patentes Terminator. A Syngenta obteve sua mais recente patente Terminator em 2004. (Continua na próxima edição).

este caso seja celeremente apurado e seus responsáveis devidamente responsabilizados. O Centro Santo Dias vem acompanhando este problema juntamente com a Rede de Entidades a Favor da Vida e outras instituições da sociedade civil organizada que atuam especificamente no local, colaborando e trabalhando para que este terrível mal seja mitigado e suas vítimas ressocializadas. Dr. Luciano Santos Presidente do CSD Professor Luiz Antonio de Souza Amaral Secretário Executivo do CSD

As transnacionais químicas detêm hoje o mercado global de sementes e estão comprando a maioria das empresas de sementes. Hoje somente três empresas transnacionais, cuja origem é a produção de tóxicos químicos e agrícolas (Monsanto, DuPont - Pionner e Syngenta), detêm mais da metade do mercado global de sementes


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Igreja em Ação

Mundo do trabalho – pastoral operária

pastoral da criança

A Pastoral Operária em 2014

Acompanhamento nutricional

Padre Miguel Pipolo

A Pastoral Operária começa 2014 com desafios de todos os anos. Ela enfrenta sempre o desafio de atrair membros à sua ação pastoral. Atuar no conflito capital-trabalho e luta de classes sempre assustou lideranças das comunidades paroquiais; qualquer outro desafio, menos esse. A Pastoral Operária ressente-se da presença dessas lideranças no movimento sindical. Muito dificilmente uma dessas lideranças parte para alguma presença e atuação nessa área; muitas vezes, tal atuação inexiste na sua própria categoria. O desafio de manter os grupos de base e criar outros tem sido sempre uma constante na caminhada da Pastoral Operária. Outro desafio perene é incluir a categoria “trabalho” como eixo do pensar teológico. É bem provável ser óbvio que o trabalho é o que marca a existência do ser humano. Há muita coisa bonita escrita sobre o ser humano feito à imagem do seu Criador. A questão central não é essa. O trabalho se dá dentro do contexto de luta de classes. Ele se desenvolve como mercadoria com um certo preço. Isto foi o que Carlos Marx desvendou e, em muitos anos mais tarde, houve considerações cristãs com a encíclica de Leão XIII sobre a condição do operariado. A partir desse desafio, se desenvolveu um pensar teológico mais concreto e situado. Percebe-se, portanto, que a Pastoral Operária tem mantido sempre a formação

como prioridade; formação para ela mesma e formação para o crescimento de consciência de classe. Este, sim, um outro desafio perene. A Pastoral Operária nunca encontrou alguém que se definisse como trabalhador(a); esse alguém se define sempre de várias formas, mas não como trabalhador, e muito menos como operário. Grupos de base – formação – história da classe trabalhadora e sindical: a Pastoral Operária gira sempre ao redor deles. A Pastoral Operária está também às voltas com a questão do atual perfil e caráter contemporâneo do operário. O desenvolvimento tecnológico mudou para sempre esse perfil. Quem é esse operário? Se existe uma porcentagem pequena do que poderíamos chamar de “aristocracia operária”, envolvida no mundo das mudanças tecnológicas, existe também o que se poderia chamar de “subproletariado”, aquela porção bastante grande à margem de quase tudo e sempre descartável. O desafio de sempre é também enfrentar as investidas sobre o que o empresariado chama de “custo Brasil”. Um dos seus componentes é o custo do trabalho sempre visto como muito alto. O movimento sindical tem aí uma das suas principais prioridades: não deixar que se mexa na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que resulta das muitas lutas e conquistas da classe trabalhadora; como também não deixar que se mexa no artigo 7 da Constituição Federal. O movimento sindical enfrenta também o atual contexto de “geleia geral”, em que se encontra com antigas lideranças sindicais encasteladas na burocracia estatal.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

danielfieo@bol.com.br A missão da Pastoral da Criança é promover o desenvolvimento das crianças, do ventre materno aos seis anos, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, por meio de orientações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania, fundamentadas na mística cristã que une fé e vida. Para isso, atua numa abordagem integral por meio de ações concretas na comunidade, partilhando com as famílias conhecimentos científicos atuais, comprovados, respeitando e valorizando a experiência e conhecimentos de mães, pais e familiares. De acordo com pesquisas realizadas a partir da década de 1970 até 2010, houve uma diminuição das taxas de baixo peso na população e, paralelamente, um aumento nas taxas de sobrepeso e obesidade. Observou-se que, entre os anos de 2008 e 2009, as taxas de excesso de peso atingiram cerca de metade da população adulta. Crianças e adolescentes também são atingidos, inclusive as crianças de famílias de baixa renda. Diante desses resultados, além do cuidado com as crianças desnutridas, a Pastoral da Criança percebeu a necessidade de atuar em mais esse problema que afeta diretamente a saúde de tantas crianças. Para tanto, desenvolveu o Programa de Acompanhamento Nutricional, o qual visa a melhoria dos padrões adotados para a determinação do diagnóstico nutricional das crianças e, com isso, uma melhor atuação com caráter preventivo, tanto sobre a desnutrição, quanto em rela-

ASSINATURA SEMESTRAL: R$ 45 ANUAL: R$ 78 FORMA DE PAGAMENTO CHEQUE (Nominal à FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA) DEPÓSITO BANCÁRIO Bradesco ag 3394 c/c44159-7 COBRANÇA BANCÁRIA

NOME___________________________________________________________ _________________________________________________________________ DATA DE NASC. ___/___/____CPF/CNPJ _________________________________ ENDEREÇO ___________________________________________________________ __________________________________________________________ nº __________ COMPLEMENTO ______________________ BAIRRO ___________________________ CEP ____________ - ___________ CIDADE____________________________________ ESTADO ______ E-MAIL: ________________________________________________ TEL: (__________) ______________________________________ DATA ____/___/____

todo teve início em 2009 com projeto-piloto nas cidades de Maringá e Cascavel, no Paraná. Diante dos resultados obtidos, o programa está sendo expandido para todos os estados. Aqui, na Arquidiocese de São Paulo, iniciaremos o processo de capacitação pela Região Episcopal do Ipiranga, nos dias 15 e 16 de fevereiro. Com o apoio dos capacitadores formados nesse primeiro encontro, pretendemos implementar o projeto em toda região episcopal na Arquidiocese.

pastoral familiar

O amor matrimonial Secretários da Pastoral Familiar Arquidiocesana.

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP - CEP 01238-000 - Tel: (011) 3666-9660/3660-3724

ção ao sobrepeso e à obesidade infantil. O objetivo desse programa é atuar na prevenção precoce da desnutrição e obesidade infantil. Até então o método utilizado era o índice peso/idade, porém, pesquisas demonstram que os resultados são mais fidedignos se utilizada também a altura, obtendo-se, assim, o Índice de Massa Corporal (IMC). Esse é o método preconizado pela Organização Mundial de Saúde. A aplicação deste novo mé-

Zuleica e João Abrahão

A família formada pelo Sacramento do Matrimônio possui sua própria força no amor conjugal. Só o amor mútuo e verdadeiro e que se exprime sem reservas e doação total vive e testemunha os valores e as exigências da família e, assim, consequentemente, se ajudam na construção de uma verdadeira comunidade de vida e amor fecundo. “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para

si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente” (João Paulo 2º, Redemptor Hominis, nº 10). O projeto de vida de um homem e uma mulher que se amam e pretendem construir um lar, fundado na graça do Matrimônio, suporta e vence qualquer dificuldade, qualquer crise pelas quais, por vezes, passam toda família, mesmo a cristã. Quando alguém coloca condições para amar o outro, já não ama, pois a perfeição do

amor conjugal se dá quando se aceitam qualidades e defeitos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Não existe amor aos pedaços. “Suportaivos uns aos outros e perdoaivos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós” (Cl 3,13). O amor matrimonial deve gerar vida no casal, e o casal, amando-se, gera a vida dos filhos, forma este rochedo sobre o qual é construído o lar cristão, e de onde a família tira suas forças para sobrepujar todas as diferenças e escala de valores individuais, equilibrando todo o relacionamento familiar.


Geral

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Em encontro, PJ elege nova secretária nacional

Fotos: Pastoral da Juventude

A jovem Aline Ogliari, 22 anos, da Diocese de Chapecó (SC), falou com exclusividade ao O SÃO PAULO da alegria da escolha e dos desafios para a Pastoral

Representantes das dioceses participam da ANPJ em Minas Gerais; Aline Ogliari, escolhida secretária nacional (det.)

Edcarlos Bispo de Santana

Redação

A Pastoral da Juventude Nacional realizou, de 20 a 26 de janeiro, na cidade de Ribeirão das Neves (MG), a Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude (ANPJ). A Ampliada acontece a cada três anos e, dessa vez, tem como tema “Somos Igreja Jovem: 40 anos construindo a civilização do amor”, revivendo os 40 anos de existência da Pastoral da Juventude no Brasil, e a iluminação bíblica é de Atos dos Apóstolos, “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4,20). Os quase 100 delegados vindos de todos os regionais da CNBB, presentes no Recanto Marista, avaliaram a caminhada da PJ, além de realizar deliberações e escolha das diretrizes para a ação pastoral. E a escolha da nova secretária nacional da Pastoral. Em um levantamento apresentado no encontro foi revela-

Padre Cido Pereira DIRETOR DO O SÃO PAULO

No dia 24, a Igreja celebrou a memória litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas. Sempre nesse dia, o Papa divulga sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações, a ser celebrado na solenidade da ascensão de Jesus, neste ano, no dia 1º de junho. Jesus volta para o Pai e envia os apóstolos ao mundo inteiro para evangelizar todos os povos. “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro” é o tema da mensagem. O mundo se tornou pequeno por força dos meios de comunicação e da explosão de tecnologias. Os mass midia aproximam e interligam as pessoas, e criam uma interdependência entre elas. Isso é motivo de otimismo, mas o papa Francisco alerta para o perigo de termos

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Aline Ogliari – Eu espero poder corresponder à confiança. Vejo com alegria a confiança dada, não a mim, mas a uma caminhada que trago em minha “mala de garupa” – caminhada construída no chão da Diocese de Chapecó (SC). Quero me dedicar o máximo que puder para ser, junto a tantas e tantos, sinal de fidelidade ao seguimento do jovem de Nazaré. O SÃO PAULO – Quais são os desafios que enfrentará? Aline Ogliari – Acredito que os desafios são muitos. Contribuir na dinamização dos espaços e instâncias de organização da PJ no Brasil inteiro, conseguir visualizar e vivenciar as diferentes realidades que são o chão sagrado da juventude nesse País. Como condição e não desafio, necessariamente, rezo para permanecer na coerência àquilo que acreditamos e anunciamos. O SÃO PAULO – Qual articula-

ção pretende fazer com o Setor Juventude? Aline Ogliari – Quero seguir no diálogo que está sendo feito há um tempo, e buscar contribuir cada vez mais na construção da autonomia, do protagonismo juvenil em vista da construção da Civilização do Amor, espaço de vida plena sonhado na América Latina. O SÃO PAULO – Quais são, em sua opinião, os desafios para a PJ? Aline Ogliari – Perceber os sinais dos tempos para aprofundar na construção de espaços alternativos e de vida para as juventudes, dinamizar e fortalecer principalmente os grupos de base e demais instâncias de articulação, inclusive a questão da assessoria e acompanhamento, como opção afetiva e efetiva. Ser presença profética e coerente nos espaços eclesiais, sociais, políticos.

Comunicar é fazer-se próximo, ensina o Papa

outro como meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder de comunicação como ‘proximidade’. A nossa comunicação seja sem truques e perfumada pelo azeite e pelo vinho bom que dá alegria”. O Papa nos encoraja a sermos “cidadãos do ambiente digital” e quer a Igreja atenta e presente neste mundo da comunicação, “para dialogar com o homem de hoje e leválo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos”. Este é o grande e desafiante desafio dos meios de comunicação, “desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus”.

da a existência, atualmente no País, de 9.183 grupos de jovens da Pastoral da Juventude, em 2.675 paróquias. De acordo com informações do assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, padre Antônio Ramos do Prado, durante a ANPJ. Os dados, apresentados pelo assessor, são resultados de uma pesquisa realizada junto aos regionais e dioceses do Brasil, com o objetivo de fazer um diagnóstico da realidade da Pastoral da Juventude no Brasil. A pesquisa constata, ainda, que das 2.675 paróquias, 1.765 têm coordenação da PJ, mas 1.641 não têm assessoria e acompanhamento. No encontro, os jovens apontaram os desafios e avanços das dioceses e regionais com relação à Pastoral da Juventude e indicaram membros para a Comissão Nacional de Assessores, responsável por acompanhar as formações de asses-

nossa consciência obscurecida a ponto de não enxergarmos as divisões escandalosas que permanecem em nível global. Ele fala da “distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos pobres”, um escândalo com o qual estamos tão acostumados a ponto de nos tornarmos insensíveis a ele, de não nos deixarmos impressionar. Os muros que nos dividem, continua o Papa, podem ser superados se “estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros”. A distância que divide ricos e pobres pode ser destruída pela força dos meios de comunicação de massa. E ele cita particularmente a internet por sua maior possibilidade de encontro e de solidariedade. “Isso é uma coisa boa”, diz Francisco, “é um dom de Deus”.

sores e jovens nos regionais. Aline Ogliari, uma jovem de 22 anos, da Diocese de Chapecó (SC), foi a escolhida para, nos próximos três anos, estar à frente da Pastoral da Juventude Nacional. Em entrevista ao O SÃO PAULO, a jovem conta sobre esta escolha, os desafios que enfrentará à frente da PJ e os desafios para a própria Pastoral nos próximos anos. O SÃO PAULO – Qual a emoção de ser eleita secretária nacional da PJ? Aline Ogliari – Na verdade, o sentimento é de muita responsabilidade, de cuidado e de prudência. Arde o coração ao pensar o que isso significa nesse momento histórico para a PJ. É um misto de sentimentos, de tantas coisas, de lembranças, de rostos, de exemplos. O SÃO PAULO – Como vê essa confiança depositada em você?

O Papa alerta para o perigo que corremos com a rapidez das comunicações. Essa velocidade louca muitas vezes impede a reflexão e o discernimento, e impede uma equilibrada comunicação de si mesmo... L’Osservatore Romano

Nesse ambiente, podemos crescer, mas também podemos ficar totalmente perdidos, desorientados. “Quem é o meu próximo?”, perguntou um escriba a Jesus em Lucas 10,29. Diz Francisco: “Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a proximidade no uso dos meios de comunicação e no ambiente criado pelas tecnologias digitais?” A partir da parábola do bom samaritano, Francisco responde: “Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o

(com agências)


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Projeto ‘Percorrendo São Paulo’ é apresentado para homenagear 460 anos de SP Os paulistanos Sergio Oliveira e Cristiane Cambria apresentaram na sexta-feira, 24, no Pateo do Collegio, o projeto “Percorrendo São Paulo”, que será concluído em 29 de março, com o lançamento do livro de mesmo nome, com a participação de ex-prefeitos vivos e depoimentos de personalidades da cidade, como o cardeal Scherer.

Novo ouvidor da polícia de São Paulo toma posse Luciney Martins/O SÃO PAULO

Solenidade na sede da Secretaria da Segurança Pública contou com a participação do cardeal dom Odilo Pedro Scherer

A ouvidoria de polícia Criada em janeiro de 1995 na gestão do governador Mário Covas e regulamentada por lei complementar em 1997, a Ouvidoria de Polícia do Estado de São Paulo foi o primeiro órgão do gênero no País. Tem a função de receber denúncias, reclamações, sugestões e elogios referentes aos servidores da Secretaria da Segurança Pública (Polícia Militar, Civil e Técnico-Científica). É dirigida por um ouvidor da sociedade civil, escolhido pelo governador de São Paulo, a partir de uma lista tríplice, apresentada pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).

Daniel Gomes

Reportagem no centro

O advogado Julio Cesar Fernandes Neves tomou posse na quarta-feira, 22, como ouvidor da polícia paulista, em cerimônia realizada na Secretaria da Segurança Pública (SSP), no centro. A Ouvidoria de Polícia, órgão responsável por receber denúncias e sugestões da sociedade referentes aos servidores da SSP, estava sem um titular há três anos. Neves foi escolhido pelo governador Geraldo Alckmin em dezembro de 2013 a partir de uma lista tríplice, apresentada pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Fernando Grella Vieira, secretário de Segurança Pública, enalteceu o passado de lutas de Neves e comentou que “em um país onde a democracia ainda amadurece, as ouvidorias fortes são sinônimos de estabilidade institucional”. Assessor jurídico da Ouvidoria desde 2005, Neves apontou que esta é um canal para que a população contribua com o Poder

Novo ouvidor ressalta que órgão precisa ter a confiabilidade dos movimentos sociais e dar respostas mais ágeis

Público para a garantia dos direitos humanos na área da segurança pública, e ressaltou que o órgão “tem que ter a confiabilidade dos movimentos sociais, muitas vezes, injustamente criminalizados. Não basta o ouvidor estar à disposição durante 24 horas. A Ouvidoria precisa utilizar dos recursos tecnológicos e humanos para ampliar sua capacidade auditiva e estabelecer controle sobre o tempo de resposta das questões encaminhadas”. Ao O SÃO PAULO, Neves, que é membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese

de São Paulo (CJP), disse que terá atenção às denúncias sobre ações violentas da polícia em manifestações e de extermínio da juventude na periferia. Presente à solenidade de posse, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, lembrou que a segurança em função da dignidade da pessoa e dos direitos humanos é uma preocupação constate da Igreja, como se demonstrou na Campanha da Fraternidade de 2009, nos pronunciamentos do papa Francisco contra a globalização da

indiferença e, em São Paulo, de modo especial, com as ações do cardeal dom Paulo Evaristo Arns durante a ditadura militar. Antonio Funari Filho, presidente da Comissão Justiça e Paz e ex-ouvidor de Polícia, recordou, à reportagem, que a criação da Ouvidoria foi ideia de um dos membros da CJP, o jurista Fábio Konder Comparato. “Para nós, a Ouvidoria é um filho, temos muito carinho com relação a esse órgão, que teve várias crises, mas está de pé. A escolha do Julio se deveu muito ao fato de já ter currículo, ex-

0800-177070 periência”, disse. Ele informou que está sendo programada uma reunião entre o novo ouvidor com entidades sociais e algumas pastorais da Igreja. Para Luciano Pereira dos Santos, presidente do Centro Santo Dias de Direitos Humanos, entidade ligada à Arquidiocese, Neves terá como principal desafio pacificar os conflitos atuais. “Temos problemas de manifestações, problemas com Cracolândia, que são temas delicados que necessitam de uma sensibilidade maior do Estado para com a população.”

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Missão da Pastoral Nacional dos Migrantes acontece no Vale do Jequitinhonha A Pastoral dos Migrantes Nacional realiza de 25 de janeiro a 1º de fevereiro a Missão no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, que acontece anualmente desde os anos 1980. Participam sacerdotes, religiosos e leigos. No dia 1º, haverá um seminário sobre: “Conflitos Socioambientais, Migração e Direitos: Desafios no Vale do Jequitinhonha”.

Missa histórica na Sé lembra vítimas do Holocausto Católicos e judeus unem-se para rezar pelos mortos do Shoah, no qual foram assassinadas 6 milhões de pessoas Nayá Fernandes

Reportagem no centro

Em vista do Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto, 27 de janeiro, foi celebrada no domingo, 26, às 17h, uma missa na Catedral da Sé, presidida pelo arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer. A celebração contou com a participação numerosa de membros da comunidade judaica, entre eles o rabino Michel Schlesinger, presidente da Congregação Israelita Paulista. A missa foi um pedido da comunidade judaica, acolhido pelo cardeal Scherer. A organização ficou por conta da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Cató-

lico-Judaica, que é liderada pelo cônego José Bizon. Estabelecida pela Organização das Nações Unidas em 2005, a data foi escolhida porque neste dia, em 27 de janeiro de 1945, Auschwitz-Birkenau, o maior campo de concentração nazista foi liberado pelas tropas soviéticas. “Hoje, pela primeira vez na história desta Catedral, uma missa é celebrada em memória das vítimas do Shoah”, disse o rabino Michel Schlesinger. O Rabino lembrou ainda das palavras do papa João Paulo 2º, em 1993, durante uma cerimônia de recordação do 50º aniversário do Gueto de Varsóvia (maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha nazista na Polônia durante o Holocausto), na qual ele descreveu o Holocausto como um crime contra Deus e a humanidade. “Em 1998, o Vaticano publicou o documento ‘Nós recordamos: Uma reflexão sobre o Shoah’, texto que descreve o massacre dos judeus como uma tragédia indizível”, contou o Rabino. Em sua homilia, dom Odilo refletiu sobre trechos da mensa-

gem do papa emérito Bento 16 na visita ao campo de Auschwitz, em 2006. “Devemos fazer-nos esse questionamento, bem mais incômodo: onde estava o homem?”. Dom Odilo disse ainda que o momento foi para fazer memória e rezar pelas vítimas do Holocausto e por nós mesmos. “Este fato interpela nossa fé.” “A missa foi linda, nos emocionamos muito”, disseram algumas senhoras do coral feminino da Wizzo (sigla em inglês da Organização Internacional de Mulheres Sionistas – ONG identificada com o judaísmo e a benemerência). O coral, no fim da missa, cantou músicas sobre o Shoah e foi homenageado com rosas, entregues pelas duas filhas do cônsul-geral de Israel em São Paulo, Joel Barnea. O Cônsul testemunhou sua própria experiência, pois é sobrevivente do Holocausto e falou sobre a visita do papa Francisco à Terra Santa, que será em maio deste ano. A cerimônia do domingo encerrou também, na Catedral, a exposição “Os papas em Israel, a Terra Santa” que será transferida para o Mosteiro de São Bento.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Missa pedida pela comunidade judaica marca dia proclamado pela ONU

O serviço aos pobres dos ‘Irmãos da Estação’ Fotos: Fratelli della Stazione

Nayá Fernandes redação

“Começa esta noite a aventura do Dormitório Santo Afonso. 16 pessoas que hoje vivem pela estrada ou na estação, terão um leito e um banho quente pelos próximos meses. Rezem por nós e pelos nossos pobres. E, se puderem, venham nos dar uma mão!” O testemunho foi publicado no facebook dos Fratelli della Stazione (Irmãos da Estação) no dia 15 de janeiro e se refere ao último projeto do grupo inter-confessional, que nasceu no ano 2000, na cidade de Foggia, sul da Itália, e desenvolve atividades de assistência a migrantes e pobres que vivem pelas ruas ou na estação de trem da cidade. Às segundas-feiras eles se reúnem na capela e, de tempo em tempo, se pode ouvir o barulho do trem, que, como diz a cantora brasileira Maria Rita, é trem de “encontros e despedidas”. Após a oração do terço, eles

O grupo começou com um casal de namorados e já envolveu mais de 500 jovens na cidade de Foggia, sul da Itália

partilham as experiências e organizam o “serviço” da semana. Na última reunião de 2013, acompanhada pela reportagem, o objetivo era providenciar o que ainda faltava para o Dormitório Santo Afonso, que funcionará durante três meses como abrigo para aqueles que não têm onde se proteger do frio intenso. Leonardo Ricciuto e sua esposa, Ivana Piccirilli, foram os fundadores do grupo. “No iní-

cio, éramos minha namorada e eu. Havia algumas senhoras que cozinhavam a pasta, e nós íamos de segunda a sexta-feira na estação para distribuir aos pobres.” Após um ano, o casal pensou em pedir ajuda na paróquia. “Dei um testemunho após a missa e perguntei se alguém gostaria de se unir a nós. Aí, vieram duas, três, quatro pessoas e fomos crescendo. Assim já passaram mais de 500

jovens”, contou Leonardo. Ele disse ainda que a inspiração veio de uma temporada que viveu em Londres. “Eu sempre viajei. Vivi na Alemanha, nas Ilhas Canárias e na Inglaterra. Em Londres, morava em um bairro jamaicano e, a cada quinta-feira, algumas pessoas vinham distribuir comida. Eu era um daqueles que fazia a fila para receber. Ali, vi como as pessoas amavam a nós, que éramos os últimos.

Voltei à Itália e devia ir à África, pois queria ser missionário lá. Mas, conheci Ivana e acabei descobrinho que minha África era aqui, na minha cidade”. “Eu era afeiçoada a muitas daquelas pessoas. Toda noite um deles, o Aldo, me esperava e dizia: ‘Eu esperava você. Queria conversar’. Ele não aceitava comida, mas eu podia ver o brilho nos seus olhos. Então, eu voltava em casa com a ideia de que tinha tudo e eles não tinham nada. Aprendi muito, sobretudo a valorizar pequenas coisas da vida”, afirmou Ivana. Na Itália, todas as pessoas podem permanecer na estação e, por isso, o lugar converge vários tipos de pobreza. “Lá, eles se sentem menos pobres porque se confundem com os turistas. A maior parte é migrante, mas há aquele que tem casa, mas não o que comer. Além disso, o leite e os biscoitos que levamos são uma forma de promover o encontro e diminuir a solidão”, explicou Leonardo.


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‘Quem se lembra do rio São Francisco?’ Agência Câmara

Fórum temático sobre terra e territórios no Encontro Nacional Fé e Política, em Brasília, no ano passado, trouxe à tona a questão da transposição do “Velho Chico” Nayá Fernandes REDAÇÃO

“Uma questão agrária é sempre um mal-estar provocado pela estrutura de propriedade, posse e uso da terra, que é objeto de expressão política.” A afirmação é de Guilherme Costa Delgado, membro da diretoria da Associação Brasileira de Reforma Agrária, em artigo publicado no relatório anual da Rede Social sobre os Direitos Humanos no Brasil, lançado em novembro do ano passado. A questão da terra e dos territórios tem sido tema de debates em todo o Brasil, escolhido como temática de um dos fóruns do 9º Encontro Nacional Fé e Política, que aconteceu em Brasília em 2013. Entre os participantes do fórum, havia um grupo de Carinhanha (BA), que, entre

Comunidades ribeirinhas na Bahia sentem os impactos das obras no rio São Francisco e temem uma migração forçada

outras problemáticas ambientais que têm afetado a região, trouxe a questão do rio São Francisco, o “Velho Chico”. Segundo os ribeirinhos, a situação está cada vez mais crítica e, mesmo que as obras da transposição não estejam di-

retamente na região, eles podem sentir as consequências. Maria da Conceição Ferreira Dias, lavadeira e moradora das margens do Velho Chico, lembrou dom Luís Flávio Cappio, bispo da Diocese de Barra (BA) e sua greve de fome para

defender o rio. “Está secando, se criam, cada dia mais, bancos de areia no rio. Antes era fundo, nem a nado a gente podia atravessar. Agora, tem lugares na área do pontal que se passa a pé. Isso se deve ao desmatamento e à falta de

consciência do povo, que escava e joga esgoto.” Outro ribeirinho, João Aparecido Dias, disse se lembrar de que, na época em que a sociedade ainda estava discutindo a transposição, “veio um engenheiro e orientou os moradores a desmatar as margens do rio para criar vazantes e plantar”. “Então, dom Luís fez uma peregrinação desde a nascente até a foz do rio, que durou um ano. Eu o acompanhei de Carinhanha até Cidade da Barra, e ele falava que depois de alguns anos, os ribeirinhos iriam plantar no leito do rio, na ‘cama dos peixes’. Os mais antigos também falavam isso e é o que está acontecendo hoje”, lamentou João. Maria já participou de muitos encontros e seminários sobre as questões ambientais e de território. “A terra é nossa e o rio também. A minha esperança é que o povo brasileiro crie vergonha e escolha pessoas que façam valer as leis. Quero fazer um apelo ao Poder Público. Eles se preocupam com o dinheiro para a transposição, que é uma destruição. Para a transposição tem dinheiro, mas para a revitalização não. Quem se lembra do rio São Francisco? O Poder Público até investe na saúde, mas não na preservação da natureza. Existe saúde sem a vida da natureza? Ninguém vive sem a vida da natureza.”

Indígenas relatam problemas de violência e descaso em suas regiões Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edcarlos Bispo de Santana

Redação

“A minha vivência com meu povo não é boa, não temos o que comemorar temos apenas a esperança e a proposta de luta de ir avante”, com um tom de desesperança e o olhar distante, o pajé Antônio Celestino (foto), da tribo Xucuru Kariri, em Palmeira dos Índios, nas Alagoas, fez essa afirmação. Presente no 13º Intereclesial de CEBs, na cidade de Juazeiro do Norte (CE), o Pajé conversou com a redação do O SÃO PAULO e contou as dificuldades que seu povo tem enfrentado, principalmente nas questões relacionadas à violência e à demarcação de terra. Antônio, afirmou que os índios “vivem em conflito desde o Descobrimento do Brasil”, e que os índios estão fugindo para tentar escapar das perseguições. Para ele, o grande culpado é o Estado Brasileiro, pois no Congresso Nacional há representantes e defensores de um grupo. O grupo daqueles que defendem o progresso e “esse progresso é o extermínio de todo direito do povo”.

O Pajé contou que a comunidade de Palmeira dos índios vive um novo conflito, pois estava em trânsito uma demarcação de terras indígenas, em fase avançada, segundo ele, já estava para acontecer a indenização dos “posseiros”, porém, após a interferência de dois senadores da República, o processo foi travado. Antônio afirma que isso pode se tornar um processo pesado. Também presente no 13º Intereclesial, a índia Yaranawi (foto), da tribo Pataxós-hã-hã-hães, no sudeste da Bahia, que destacou as dificuldades em que vivem seu povo. De acordo com ela há uma falta de água de qualidade, além de uma saúde precária e a ausência de boas escolas. “A nossa estrutura da saúde é muito ruim, não temos saúde de qualidade. Nosso povo esta morrendo de câncer, tuberculose e verminose”. Yaranawi, irmã do índio Galdino Jesus dos Santos, queimado por três jovens enquanto dormia nas ruas de Brasília, destaca que a mesma coisa que aconteceu ao seu irmão continua acontecendo com diversos índios, que são queimados pelos fazendeiros.

Luciney Martins/O SÃO PAULO


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Presbíteros segundo o coração de Jesus

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2º Seminário Nacional de Formação Presbiteral, realizado em Aparecida (SP), refletiu sobre a preparação vocacional dos novos padres Daniel Gomes (texto) Luciney Martins (foto)

Enviados especiais a Aparecida (SP)

“Na arte de formar presbíteros segundo o coração de Jesus, somos exortados a sair de nossas comodidades e autorreferências e, sem medo, ir às periferias existenciais que marcam nosso tempo”, aponta um dos trechos da mensagem final do 2º Seminário Nacional de Formação Presbiteral, realizado em Aparecida (SP), entre os dias 20 e 25, com a participação de 232 pessoas. A atividade aconteceu 14 anos após o primeiro seminário, em 2000. Segundo o padre Domingos Barbosa, presidente da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (Osib), o encontro deste ano foi motivado pelas indicações à formação de padres, a partir do Concílio Vaticano 2º, da Conferência de Aparecida e das Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil (Documento 93

Em evento de formação presbiteral, dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, destaca que Cristo, Igreja e missão são pilares da vida do presbítero

da CNBB). Além disso, antes do evento, foi enviado aos participantes, junto com o texto base, um questionário para se conhecer a realidade da preparação presbiteral no País. Na abertura dos trabalhos, dom Pedro Brito Guimarães, arcebispo de Palmas (TO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, disse que é preciso colocar Jesus no centro de interesse do discurso vocacional. O tema do seminário “Presbíteros segundo o coração de Jesus, para o mundo de hoje” foi tratado de modo detalha-

do por quatro conferencistas, um deles o arcebispo de Brasília, dom Sérgio da Rocha, que apresentou detalhes dos decretos conciliares Optatam Totius e Presbyterorum Ordinis, e lembrou que após o Concílio apareceram duas tendências, a cristológica (sacerdócio a partir de Cristo) e a eclesiológica (sacerdócio a partir da Igreja), além da valorização da missão. “Cristo, Igreja e missão são os grandes pilares na vida do presbítero”, destacou. Ao O SÃO PAULO, dom Sérgio comentou que o complexo mundo atual exige diferentes respostas pastorais da Igreja.

“Por isso que nós precisamos de gente preparada e isso deve acontecer em duplo nível: espiritual e de qualificação pastoral. Precisamos preparar os seminaristas para atuar nas diferentes realidades da cidade e não apenas nas paróquias, porque há uma tendência de restringir a ação pastoral nas paróquias”, comentou. Também conferencista do encontro, o cardeal dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero, avaliou que é preciso rever a formação dos padres para que estejam mais próximos das pes-

soas, em estado permanente de missão, e lembrou que o crescimento do número de sacerdotes não é proporcional à quantidade de católicos e da população. Para o padre Wagner da Silva Navarro, diretor espiritual da Diocese de Bragança Paulista (SP), que por seis anos foi reitor do seminário propedêutico daquela diocese, diante de um cenário de mudança de época, com as novas mídias, os formadores dos presbíteros “precisam entender esse processo de abertura para o novo, para novos horizontes que também a Igreja tem proposto”. (Com Pontifícias Obras Missionárias)

‘Quem decide ser padre tem que se configurar a Jesus Cristo’, diz dom Pedro Brito Do enviado especial a Aparecida (SP)

Em entrevista ao O SÃO PAULO, dom Pedro Brito Guimarães (foto), arcebispo de Palmas (TO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, afirma que a formação presbiteral deve considerar que Cristo é o centro de tudo na Igreja, e que há no Brasil, em média, ‘meio’ seminarista por paróquia. O SÃO PAULO – O senhor disse no começo deste encontro que o discurso vocacional deve recuperar a dimensão de que Cristo é o centro. Atualmente se está distante dessa dimensão? Dom Pedro Brito Guimarães – Não se está distante, mas é bom que se diga que uma vocação presbiteral tem tudo a ver com a dimensão cristocêntrica, pois Cristo é o centro de tudo na Igreja e a razão maior da nossa vida, é central para a formação presbiteral. O documento

Pastores dabo Vobis diz que a formação pode mudar em muita coisa, não precisa ser da mesma forma em todo lugar, mas o que não pode mudar é a configuração a Jesus Cristo. Quem decide ser padre tem que se configurar a Jesus Cristo, tem que ter dentro de si as condições que teve Jesus Cristo, viver com o sentimento de Jesus. O discurso vocacional da Igreja tem que levar em conta a questão do cristocentrismo, é por Jesus que eu me ordeno padre. O SÃO PAULO – A formação dos padres hoje está distante da realidade das demais pessoas? Dom Pedro – Não tenho condições de afirmar isso. Há formações que estão dando certo, mas existem lacunas. Existe o apressamento, às vezes, um queimar etapas, mas dizer que está distante da realidade, não. Todo mundo está se esforçando para conseguir. Mas há lugares que precisam ser revitalizados. Há algumas lacunas, mas não é a regra geral.

O SÃO PAULO – A Comissão tem uma explicação para o reduzido número de jovens que se interessam pelo ingresso no sacerdócio? Dom Pedro – Temos menos padres que antigamente, mas nunca a Igreja teve quantidade compatível de padres para o aumento da população. Há dois agravantes hoje: o aumento da população, pois embora isso tenha diminuído, ainda é grande se comparado à quantidade de presbíteros ordenados; e o aumento de cristãos também. Temos hoje no Brasil, 5.540 seminaristas, o que leva à média de um seminarista para cada município, e 10.720 paróquias, o que significa que temos ‘meio seminarista’ por paróquia. Tenta-se justificar isso pelo fato de as pessoas terem menos filhos, por estarmos em uma mudança de época, com mais opções de vida para os jovens, mas é nesta época que as famílias deveriam ser mais generosas no incentivo ao sacerdócio, pois não se dá a Deus o que sobra. (DG)


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Região Ipiranga

Pastoral Vocacional cria página no Facebook Uma programação intensa de atividades se iniciará no dia 5 de abril com assessoria de padres, religiosos e leigos Francisco David

Colaborador de Comunicação da Região

No sábado, 25, Festa do Patrono da Arquidiocese IPIRANGA de São Paulo e data em que a cidade de São Paulo completou 460 anos, a Região Episcopal Ipiranga, em colaboração com o Serviço de Animação Vocacional/Pastoral Vocacional (SAV/PV), lançou oficialmente uma página no Facebook para as vocações da Região Ipiranga (www.facebook.com/savpv. regiaoipiranga). Segundo a irmã Cíntia Giacinti, Apostolina e referencial

para o SAV/PV na Região Ipiranga, essa página ajudará a muitas pessoas, sobretudo os jovens e também será uma ponte de evangelização do Evangelho da vocação. Para a formação de uma consciência vocacional na Região Ipiranga, será iniciada uma Escola Vocacional que terá este ano como tema: “Ide e anunciai! Vocações para uma grande missão!”, cujo tema também remete ao Simpósio Vocacional do Brasil, que será realizado em Brasília, de 16 a 18 de maio deste ano, organizado pelo Instituto da Pastoral Vocacional. A Escola Vocacional ajudará os jovens a se descobrirem agentes vocacionais, não somente para o serviço sacerdotal, mas englobando todas as vocações. Segundo a irmã Cíntia, a Escola Vocacional quer proporcionar, por meio de encontros, estudo e partilha, um aprofundamento na dimensão vocacional para a missão evangelizadora nas paróquias e comunidades. Desenvolvendo um itinerário das temáticas de Pastoral Vocacional, a proposta é tam-

bém de capacitar as lideranças para implantar, nas realidades das paróquias, equipes de Pastoral Vocacional, em conjunto com todas as pastorais da Região Ipiranga. O primeiro encontro da Escola Vocacional será no dia 5 de abril e contará com a assessoria do padre Juarez Destro, Rogacionista e membro do Instituto da Pastoral Vocacional, e acontecerá no Colégio Marista Arquidiocesano. Depois, a programação seguirá com encontros semanais, sempre das 14 às 17 horas, contando com a assessoria de diversos padres, freiras e leigos especialistas na área vocacional. O último encontro da Escola Vocacional será no dia 1º de junho e terá uma animação da Pastoral Vocacional como “fruto concreto” em uma paróquia da Região, ainda a ser definida. Informações sobre como participar da Escola Vocacional no site da Região Ipiranga: www.regiaoipiranga.com.br ou entre em contato pelo e-mail: pastoral@regiaoipiranga.com. br e pelo telefone: 11 22748500.

Atividades do Serviço de Animação Vocacional são intensificadas neste ano


Região Lapa

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Paróquia Nossa Senhora dos Pobres tem novo pároco Benigno Naveira

Padre Paulo Franckowiak, ressurreicionista, foi empossado por dom Julio Endi Akamine, no domingo, dia 26, Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

Na manhã do domingo 26, às 11h, com a preLAPA sença de muitos fiéis, a Paróquia Nossa Senhora dos Pobres, no Setor Butantã, recebeu oficialmente seu novo pároco: padre Paulo Franckowiak (ressurreicionista), que veio da cidade de Resende (RJ). Padre Paulo, que já trabalhou nessa Paróquia (1988/1994), retorna ao convívio da comunidade. A missa de posse foi presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, dom Julio Endi Akamine, e concelebrada pelo novo pároco, e pelos padres Luciano Piotroisski, (ressurreicionista) e Antonio Francisco Ribeiro, coordenador do Setor Butantã. No início da celebração, dom Julio disse que estava muito contente com a nomeação do novo pároco e convidou todos para ouvirem a leitura do decreto de nomeação, que foi lida pelo padre Luciano. Na sequência, padre Paulo rezou a profissão de fé diante da comunidade, que acompanhou com muita atenção. Na homilia, dom Julio refletiu, tendo como referência o Evangelho do dia, sobre o convite de Jesus aos primeiros discípulos, que deixaram de ser pescadores de peixes e se tornaram pescadores de homens, e sobre a missão do novo Pároco. Segundo o Bispo, a comunidade deve ser unida e ajudar o pároco na missão de evangelizar e administrar os bens temporais da Igreja. Após a homilia, padre Paulo fez a renovação das promessas sacerdotais e manifestou sua disposição de cooperar com o Bispo, trabalhando em comunhão com ele e cuidando com zelo da paróquia que lhe está sendo entregue. Dom Julio entregou as chaves da igreja, indicando a continuidade do cuidado do Povo de Deus que lhe foi confiado. O Pároco recebeu a chave do sacrário, para lembrar que a Eucaristia é o ápice e a fonte de todo culto e da vida cristã em que se realiza a

‘A Eucaristia seja o centro de toda a ação pastoral e de toda a vida da paróquia’, diz dom Julio Endi Akamine, na posse do padre Paulo Franckowiak, dia 26

unidade do Povo de Deus e se completa a construção do Corpo de Cristo. Por isso, o novo Pároco deverá zelar com todo o cuidado para que a Eucaristia seja o centro de toda a ação pastoral e de toda a vida da paróquia. Ele recebeu, também, os instrumentos do batistério

para o Batismo dos novos filhos de Deus e os instrumentos do Sacramento da Penitência: a estola roxa, para que possa distribuir aos pecadores as riquezas da misericórdia infinita de Deus, para assim revelar toda a grandeza da misericórdia de Deus e o zelo por sua igreja.

Antes da bênção final, padre Antonio, coordenador do Setor Butantã, deu as boasvindas em nome da Região Lapa ao padre Paulo, desejando-lhe felicidades no seu trabalho de evangelização e missão na Paróquia. A comunidade recebeu o novo Pároco

de braços abertos, pois visível era a alegria de todos na homenagem que fizeram entregando um presente em nome de toda a comunidade paroquial. Depois da bênção final, todos tiveram a oportunidade de cumprimentar e dar as boas-vindas ao padre Paulo.

palavra do bispo

Somos chamados a cooperar para a salvação do mundo Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa

Dom Julio Endi Akamine

Querido leitor do jornal O SÃO PAULO, no dia 22 de janeiro a Igreja celebrou São Vicente Pallotti, fundador da Sociedade do Apostolado Católico (Congregação Palotina), nascido em Roma no dia 21 de abril de 1795 e falecido em santidade no dia 22 de janeiro de 1850. Com sua profunda vida espiritual, suas múltiplas atividades apostólicas e a realização profética do apostolado, influiu de modo relevante na história da Igreja do século 19. A experiência de Deus, amor infinito, abriu os olhos de Vicente às necessidades da Igreja do seu tempo e o esti-

mulou a oferecer respostas. No dia 9 de janeiro de 1835, o Espírito Santo o fez intuir uma obra em que os batizados participam da missão da Igreja enquanto se unem e cooperam na realização de um objetivo comum. Vicente Pallotti exprimiu essa sua intuição: “O apostolado, isto é, universal, como pode ser comum a toda classe de pessoas, é fazer o que cada um pode e deve fazêlo para a maior glória de Deus e para a salvação própria e a do outro”. A União do Apostolado Católico já no seu primeiro núcleo era constituída por sacerdotes, religiosos e fiéis leigos. Hoje, a União conserva substancialmente a mesma fisionomia e permanece aberta a todos os membros do Povo de Deus, porque o seu fim é o de chamar todos, de fazer coope-

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rar todos, com todos os meios para a salvação do mundo. Segundo Pallotti, a unidade da União (perdão pelo pleonasmo!) se fundava sobre o empenho de amor vivido e de zelo apostólico; por isso, o seu vínculo era antes de tudo a caridade. Alma, motor e substancial constitutivo de toda a União do Apostolado Católico, é o espírito da mais perfeita caridade. O corpo místico de Cristo (Igreja) nos ajuda a entender o que significa caridade como substancial constitutivo da União. Os membros são muitos e diversos, os dons são diferentes, mas um só é o corpo de Cristo. O hino à caridade ressoa como um convite urgente. Paulo disse aos coríntios e diz hoje de novo: “Ensinarei a via melhor”. O esplêndido hino à

caridade suscita a nossa admiração, o nosso entusiasmo e também um profundo sentimento de reconhecimento e de agradecimento. Devemos, com efeito, agradecer porque esse texto existe e nos apresenta um ideal tão belo, o mais belo que a nossa vida pode ter. E podemos também agradecer porque a caridade existe realmente entre nós (os dons de Deus são irrevogáveis) e nos dá alegria tomar consciência deles. Hoje o convite de São Paulo e de São Vicente Pallotti é mais do que nunca atual: “Aspirai aos carismas melhores”. A esse convite corresponde o nosso desejo mais profundo: viver em plenitude a caridade que Deus nos deu, a Caridade que é Deus. Podemos cooperar para a salvação se amamos a caridade, se somos unidos pela caridade.

Quarta-feira (5), 20h

Sábado (8), 15h

Início do curso de Teologia para agentes de Pastoral, na Paróquia São Francisco de Assis (avenida Gen. Mac Arthur, 1.130, Jaguaré). Informações (11) 3768-4308.

Início do curso de Teologia para agentes de pastoral, na Paróquia Nossa Senhora dos Pobres (avenida Dr. Vital Brasil, 1.185, Butantã). Informações (11) 3726-2618.


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Região Santana

Início do ano marcado por posses e despedidas Dom Sergio realiza transferências de párocos da Região Santana; Paróquia São José Operário se despede de seu Pároco diácono francisco Gonçalves

Colaborador de Comunicação da Região

A Região Santana teve semana movimentada SANTANA com a posse dada por dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar na Região Santana, dos párocos padres Gil Fábio Moretto, iam, no dia 24, na Paróquia São Sebastião, e Wilson Pereira dos Santos, dia 26, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Matias. Padre Gil é de Tupi Paulista (SP), tendo nascido em 3 de abril de 1975. Sua vocação sacerdotal surgiu no seu trabalho como catequista e ao conhecer a Comunidade Adoração e Missão, fundada pelo padre Hércules Daniel, atualmente Pároco na Paróquia São Luiz Gonzaga. “Queremos trabalhar na unidade e evangelizar. E sejamos centralizados na Eucaristia e saiamos para levar adiante essa graça que recebemos”, diz padre Gil, em mensagem aos seus paroquianos. Já padre Wilson é paulistano, tendo nascido em 22 de março de 1980. Criado no bairro do Jaguaré sentiu, aos sete anos, durante a vigília pascal, o chamado para

a vida sacerdotal pela beleza litúrgica. Foi ordenado sacerdote em 18 de dezembro de 2010. Antes de ser Pároco, serviu como vigário paroquial na Paróquia São Pedro, no Tremembé. “Fé e esperança sempre. Não podemos perder a fé nem tampouco a esperança. Com certeza, construiremos juntos um mundo melhor através da esperança, sem perder a nossa fé”, expressou padre Wilson para seus paroquianos. Também nessa semana, na Catedral da Sé, ocorreu o

envio missionário do padre Fabiano de Souza Pereira, que era pároco na Paróquia São José Operário, para a Diocese de Castanhal (PA), onde ali ficará por cinco anos. “Eu nunca vou me esquecer dessa Paróquia São José Operário, pois minha vocação começou na capela dedicada também a esse santo, e vou para Castanhal, cujo padroeiro é São José. Que São José e Nossa Senhora possam providenciar na vida desses meus queridos paroquianos toda a paz e alegria”, disse em sua despedida padre Fabiano.

Diácono Francisco Gonçalves/Pascom

Padre Gil Moretto é empossado como novo pároco da Paróquia São Sebastião

palavra do bispo

Avançar no caminho... Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

Dom Sergio de Deus Borges

O papa Francisco, na Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho”, pede que “todas as comunidades se esforcem por atuar nos meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão” (EG 25). O Santo Padre, ao destacar que as comunidades se esforcem, está dizendo a todos nós que o caminho de conversão pastoral e missionário não é simples e fácil, mas exige determinação da vontade. A determinação da vontade é fundamental para vencer a acomodação ao ambiente e aos projetos, porque muitas vezes nos contentamos em

manter as coisas como estão, atendendo as pessoas que nos procuram e mantendo os projetos já em andamento, sem nenhum esforço de renovação. A acomodação não permite desabrochar no coração e nos olhos o entusiasmo e nos tornamos apenas administradores das comunidades, pastorais e movimentos. Isto se torna perceptível nas reuniões de planejamento do ano, onde apenas se marcam datas de eventos, atividades e reuniões, iguais às do ano anterior. O papa Francisco disse que “neste momento, não nos serve uma ‘simples administração’” (EG 25), ou seja, este modo de fazer as coisas não pode continuar. É preciso conversão pastoral, é preciso esforço de cada um e de cada comunidade em renovar-se e, assim, gerar um caminho de renovação geral das comunidades. O esforço que nos pede o

Santo Padre está em abrir o coração e a mente para a Palavra que renova todas as coisas; o esforço para compreender as orientações da Igreja que nos indicam o caminho que devemos seguir no processo de conversão pastoral; o esforço para executar o plano de pastoral da Igreja local, nossa Arquidiocese; o esforço para viver em “estado permanente de missão”. Para isso acontecer é imprescindível a determinação da vontade, ou seja, precisamos nos decidir pelo caminho apontado pelo Santo Padre e pelos Bispos. As comunidades precisam colocar-se em processo de leitura, acolhida dócil e realização das orientações pastorais que estão sendo geradas à luz da Palavra e da realidade em que vivemos. Somente assim percorreremos o caminho de conversão pastoral. Esta conversão pastoral levará as comunidades e cada um

de nós à missão, a fazer acontecer o projeto missionário de Jesus hoje. Mas não o faremos de qualquer modo ou conforme nosso modo de pensar; e, sim, seguindo as orientações do Santo Padre e do projeto de evangelização na Arquidiocese. A comunidade em caminho de conversão pastoral não deixará as coisas como estão, mas fará do 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese a orientação segura para avançar no processo de uma comunidade em estado permanente de missão. O caminho de conversão gerará a consciência de que “a dimensão missionária não é, portanto, mais uma realidade a ser trabalhada, mas é a exigência que deve estar presente em tudo o que se faz. As iniciativas, preocupações e programas pastorais devem estar impregnados pelo anseio e o compromisso de anunciar Jesus Cristo” (11º Plano de Pastoral, 78).

Criada, em Santana, Escola de Fé e Política ‘Dom Paulo Evaristo Arns’ da região episcopal

A Região Episcopal Santana, em 2014, criou a Escola de Fé e Política “Dom Paulo Evaristo Arns”, um processo de formação que qualifique ainda mais a atuação social de paroquianos. “Qual o Projeto de sociedade que queremos? Quem é o Estado? O que são Políticas Públicas? Qual a relação entre Fé e Política? O que é cidada-

nia? Como exercer cidadania nesta cidade? Escola de Fé e Política colocará estas e muitas outras pautas em discussão”, diz Kamila Gomes, que faz parte da equipe de coordenação, em conjunto com Gláucia Máximo, Marcelo Naves e Nelson Teixeira. As aulas serão às terçasfeiras, das 19h30 às 21h30, no Centro de Formação Pastoral Frei Galvão (avenida Marechal

agenda regional

Eurico Gaspar Dutra, 1.853), com encontros na Pastoral Fé e Política um sábado ao mês. As aulas serão divididas em dois módulos e vão de fevereiro a novembro de 2014. O curso é certificado com extensão universitária pela PUC-SP. O investimento é de 30 reais por mês. Mais informações no telefone 2991-5882, de 2ª à 6ª feira, das 13h30 às 18h. E-mail: cpfreigalvao@gmail.com

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Sexta-feira (31), 19h30

Sábado (1º), 18h

Domingo (2)

Dom Sergio Borges, bispo na Região Santana, preside missa do Encontro de Casais com Cristo (ECC), na Comunidade São Marcos (rua Ita, 313, Pedra Branca).

Posse do pároco, padre Vicente Paulo Moreira Borges, na Paróquia São José Esposo da Virgem Maria (rua dos Gauleses, 266, Jardim Guançã).

Às 11h, posse do pároco, padre Marcos Luis Erustes Polonio, na Paróquia Santo Antonio (avenida Professor Celestino Bourroul, 715, Limão). Às 19h, missa de despedida, do padre Fabiano de Souza Pereira, na Paróquia São José Operário (rua José Gomes de Gouveia, 201, Vila Nova Galvão).


Região Sé

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Arquivo/ Centro de Pastoral da Região Sé

Semana de Animação Bíblico-Catequética destaca a Igreja como casa da iniciação à vida cristã e aprofunda as urgências das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

Semana Catequética destaca iniciação cristã Evento destinado a agentes de pastoral aprofundará urgência das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora Fernando Geronazzo

Colaborador de comunicação da Região

Em sintonia com o 11º Plano de Pastoral SÉ da Arquidiocese de São Paulo, a Semana de Animação BíblicoCatequética da Região Episcopal Sé, de 10 a 14 de fevereiro, irá aprofundar as urgências das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O coordenador da Animação Bíblico-Catequética da Região, padre Marcelo Delcin, explicou que as urgências serão abordadas ao longo dos quatro anos de vigência do Plano de Pastoral. Em 2014, o destaque será para a urgência “Igreja: Casa da Iniciação à Vida Cristã”. “Todas as nossas regiões episcopais irão realizar as suas semanas de formação em comunhão, para transmitir as orientações de como se organizar para atuar nesta urgência da evangelização, que não trata apenas de sacramentos,

mas da própria evangelização e formação dos discípulos missionários de nossa Igreja. É uma ação que deve atingir a todos”, afirmou. Padre Marcelo também informou que, durante a Semana Bíblico-Catequética, será disponibilizado e estudado um subsídio elaborado pela equipe arquidiocesana para orientação dos trabalhos neste ano. De acordo com as DGAE, a implantação do processo da Iniciação Cristã nas comunidades e paróquias é funda-

mental, e lembra que se trata de um projeto que deve ser assumido por toda a Igreja. Para isso, é necessário que haja agentes bem preparados para o acompanhamento dos catecúmenos, ou dos cristãos que pedem a formação, e um itinerário catequético integral e permanente, a fim de que todos tenham clareza do processo formativo. O documento lembra que a Iniciação à Vida Cristã deve ter inspiração bíblica, catequética e litúrgica, pois, são nos momentos de oração, nas celebra-

ções litúrgicas, na experiência comunitária e no compromisso apostólico que o Cristo se dá a conhecer. Nessa perspectiva, a Iniciação Cristã não pode ser reduzida à realização de cursos, que também são muito importantes, mas que apenas fazem parte do processo maior da formação cristã. O evento é destinado principalmente a agentes de pastoral que atuem no processo de iniciação à vida crista, e será realizado na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima (avenida Dr. Arnaldo, 1831 -

Sumaré - próximo ao metrô), das 20h às 21h50. Os assessores confirmados são dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal da Região Sé, e o padre Marcelo Delcin. As inscrições são feitas exclusivamente no Centro de Pastoral da Região Sé, por email (regiaose@regiaose.org. br), fax (3826-3148) ou carta. (avenida Pacaembu, 954 – CEP: 01234-000 - São Paulo). Mais informações pelos telefones 3672-5259 (Margarete) ou 2796-6016 (padre Marcelo).

palavra do bispo

Motivações para um renovado impulso missionário Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

A Igreja nos convoca para um estado permanente de missão. Esta é uma urgência do momento. Há uma grande mudança de rumo pastoral a realizar: passar de uma pastoral de manutenção para uma pastoral missionária. A realização desta mudança, no entanto, não acontece simplesmente com uma proposta de renovação técnica de organização e estruturas pastorais. Precisa contar com “evangelizadores com espí-

rito”. Este é o título e a base do conteúdo do último capítulo da Exortação Apostólica “A alegria do evangelho”, do papa Francisco. “Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo” A evangelização não se faz apenas com palavras, por isso, são necessários evangelizadores que transfiguram em suas vidas a presença de Deus. A experiência do encontro com o Senhor qualifica o evangelizador: “Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que rezam e trabalham”, continua o papa! Um encontro que significa estar unido ao Senhor, para

produzir frutos: “Não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário, nem os discursos e ações sociais e pastorais sem uma espiritualidade que transforme o coração”. As motivações autênticas para a ação evangelizadora brotam do encontro com o amor de Jesus, da experiência de ser salvos por Ele. Esta convicção sustenta e anima o evangelizador. “Uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, enamorada, não convence ninguém.” A falta de elã evangelizador é sinal de aridez espiritual, pessoal e comunitária, de afastamento da fonte da vita-

lidade apostólica, que é o encontro com o Senhor. O Papa sugere que, “se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos nos deter em oração para pedir que volte a cativar-nos”. A missão deve ser assumida como parte de minha vida pessoal, não como um apêndice ou momentos pastorais. “Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo”, lembra o Papa. O missionário é alguém que tem consciência de ser enviado pelo Pai e de procurar o que Jesus procura, ou seja, a glória do Pai. E “a glória do meu Pai consiste em que deis muito fruto” (Jo 15,8), nos diz Jesus!


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Região Brasilândia

População indígena luta para manter sua cultura Nativos buscam a preservação de suas raízes e clamam pela demarcação das terras, na aldeia guarani Tekoa Pyau, localizada na Estrada Turística do Jaraguá

meio da pesca, está poluído. Sem contar com o grande número de cães e gatos que são abandonados ali por moradores dos arredores.

A comunidade sobrevive de benefícios do Governo, das doações de alimentos de organizações não governamentais e com a ajuda da popula-

ção local. E também da venda de seus artesanatos. A aldeia possui duas escolas nas quais crianças são alfabetizadas nas duas línguas: Português e GuaRenata Moraes

Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

Na manhã do domingo, 26, em uma atividade propos- BRASILÂNDIA ta pelo Centro Cultural da Juventude (CCJ), localizado na Vila Nova Cachoeirinha, um grupo de 70 pessoas visitou a aldeia indígena Tekoa Pyau, situada no Jaraguá, próximo ao Parque Estadual. A atividade foi sugerida e idealizada pela jovem monitora juvenil do CCJ, Juliana Queiroz dos Santos, filósofa e militante da causa. Presente na cidade desde 1964, a aldeia guarani Tekoa Pyau (que significa “tribo da cachoeira”) foi cortada ao meio pela Estrada Turística do Jaraguá, e hoje se divide em duas aldeias, sendo a “de cima” ainda sem a demarcação da terra. A maior luta é o reconhecimento da parte de cima da aldeia como terra indígena. “A falta da demarcação de terras nos impede de dar continuidade aos projetos da aldeia e compromete o futuro de nossas crianças”, expressou o jovem cacique Vitor Fernando Soares, que em guarani se chama Carai Mirim. Em 1987, o Governo Federal demarcou apenas a parte baixa da aldeia, e, desde então, eles aguardam o Ministério da Justiça expedir a portaria declaratória, reconhecendo o local como território tradicional indígena. A última etapa é a homologação pela Presidência da República. Em vez de ocas, há casas de pau a pique e barracas improvisadas, onde vivem cerca de 180 famílias, com aproximadamente 800 pessoas, sendo quase metade deste número de crianças e adolescentes, que sobrevivem em condições precárias. Há lixo por várias partes, a rede de esgoto não funciona e o rio, que já foi limpo e fonte de sustento, por

Artesanato é uma das fontes de renda da aldeia, que sobrevive de doações do Governo e de outras instituições

rani e também há uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Para o professor de História, Davi Martim, é uma alegria receber os visitantes. “Nós costumamos receber as pessoas de uma forma harmoniosa em nossa aldeia, pois vivemos assim, e essa visita proporciona uma maior integração entre o índio e o homem branco, desmistificando e quebrando paradigmas. E é importante também para as pessoas conhecerem suas origens, muitos têm descendência indígena e não conhecem a cultura.” Durante a visita, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da cultura indígena, seus valores e suas crenças. Na casa da reza, local de oração, em que os índios fazem suas preces todas as noites, eles puderam presenciar um canto de agradecimento pelos bens e frutos que a natureza oferece. Para a jovem estudante, Louise De Villio, 20, a atividade gerou reflexão. “Com a visita, aprendi que políticas públicas não têm que só subir o morro ou sair do asfalto, mas têm que entrar na mata também.”

palavra do bispo

No caminho da oração Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

No mundo que vivemos, parece desnecessário falar de oração. O que a oração pode resolver, quando tudo parece previsto e planejado? O que pode a oração, num tempo em que temos a sensação de que a solução dos problemas é consequência do gerenciamento correto dos efeitos e das causas? O que falar da oração, quando na maioria das vezes o que está em pauta é a nossa ação? Creio que, é sempre importante retornar nossa atenção para o desafio da oração. O Catecismo da Igreja Cató-

lica (CIC) dedica à “oração cristã”, a quarta e última parte. São mais de 300 parágrafos apresentando a definição, os modelos, os elementos, métodos, recursos ligados à oração. No primeiro parágrafo, tratando da oração na vida cristã, o Catecismo fala da oração como exigência do Mistério que professamos, celebramos e vivemos. É a oração que permite ao cristão estabelecer uma relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro (cf. CIC 2558). Sem oração, a fé que professamos se reduz a conhecimento, nossas liturgias, a ritos, e o conjunto de atitudes, a uma ética sem vida e difícil de suportar. A oração nos torna capazes de vislumbrar o Mistério, a Presença, Aque-

agenda regional

le que dá sentido, preenche, renova, transforma, ilumina e satisfaz nossa busca por conhecer, celebrar e viver o que acreditamos. Antes de tudo, a oração é dom de Deus. É Ele que nos atrai, nos convida, nos espera. Por ser dom, a oração exige antes de tudo humildade. O Catecismo, citando Santo Agostinho, fala do homem como “mendigo de Deus”, necessitado de Deus (cf. CIC 2559). Alguém cheio de si dificilmente se curva diante da oração; o que se apoia unicamente na sua perspicácia e na sua força, não dará com certeza importância à oração. A oração é sempre resposta a um chamado, a um convite. É sempre Cristo que “vem ao encontro de todo ser humano, é o primeiro a nos

procurar, e é Ele que pede de beber”... “A oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede dele” (cf. CIC 2560). São João da Cruz diz que se é grande o desejo que temos de Deus, é maior o desejo que Deus tem de nós. Atender ao desejo de Deus de encontrar-se conosco é rezar. Deixar-se encontrar por Deus é o sentido da verdadeira oração. Mais importante do que discursar sobre oração é rezar. Enveredemos pelo caminho da oração, com humildade e ao mesmo tempo com a certeza de que o Deus, que buscamos, Ele nos espera na oração para matar a nossa sede de infinito e nos cumular de paz!

Sábado (1º), às 19h30

Domingo (2)

Missa de posse do padre José Adeildo, na Área Pastoral Santíssima Trindade (rua Antúrio Rosa, 1, em Conjunto Habitacional Recanto dos Humildes). Informações 3918-8579.

Às 9h, missa de posse do padre Roberto Moura, na Paróquia Bom Jesus dos Passos (rua Professor João Machado, 856, Moinho Velho). Informações 3976-4527. Às 11h, Missa do 12ºAniversário de Ordenação Episcopal de dom Odilo, na Paróquia São Luis Gonzaga (praça Dom Pedro Fulco Morvidi, 1, Vila Pereira Barreto). Informações 3975-6790.


Região Belém

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Barnabitas celebram ordenação de sacerdote João Carlos Gomes

Padre Fernando Mizael Maria Barbosa, da Paróquia São Rafael, foi ordenado por dom Edmar Peron João Carlos Gomes

Colaborador de comunicação da Região

Se o dia 25 de janeiro é uma data importanbELÉM te para a Igreja Católica e para a cidade de São Paulo por conta da conversão do Apóstolo Paulo e pelo aniversário do município, para a Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo, mais conhecidos como Barnabitas, e para Fernando Mizael Maria Barbosa, 31 anos, a data reveste-se de importância ainda maior: é também a data de sua ordenação presbiteral. O diácono foi ordenado padre na Paróquia São Rafael, na Mooca, local onde nasceu e se criou. A missa foi presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Belém, dom Edmar Peron, e concelebrada pelos Padres Barnabitas, entre eles o provincial superior, padre Valdo Castro, e o assistente geral da província, padre Francesco Papa, que veio da Itália para acompanhar a celebração e que ajudará o novo Padre na transição para seu local de início de vida presbiteral. Padre Fernando Mizael irá trabalhar na província italiana Centro Sul, em Nápoles. Cerca de 400 pessoas, in-

Padre Fernando Mizael Maria Barbosa, 31, recebe vestes sacerdotais em missa de sua ordenação presbiteral, presidida por dom Edmar Peron, dia 25

cluindo os pais e amigos do padre Fernando, estiveram presentes na missa.

Testemunha de Jesus Cristo

Dom Edmar ressaltou a necessidade do comprometimento com a Palavra de Deus e o seguimento a Jesus Cristo, tal como fizera o Apóstolo Paulo, para viver o sacerdócio em plenitude. “Você será testemunha de Jesus Cristo e por isso asagenda regional

sumirá compromissos na Igreja, assim, nunca descuide da oração e da alegria de viver a Palavra de Deus. Que sua vida reflita as palavras de sua oração e que você tenha sempre em foco o sentido do caminho, refletindo, fazendo memória, vivendo o Evangelho, a exemplo do Apóstolo Paulo”, disse dom Edmar. Em seguida, dom Edmar deu início ao rito de ordenação,

que culminou com o abraço da paz do Bispo e dos presbíteros confrades ao novo Padre. Para o padre Fernando, essa nova fase de vida é a confirmação do carisma de sua Congregação. “O carisma de nossa Congregação é a reforma do fervor cristão; nesse sentido, quero ajudar a construir o Reino de Deus e uma Igreja mais nova e mais atuante na sociedade. Ser fogo e luz onde mais

precisar. Quero me manter em firme e constante renovação espiritual e levar a mensagem para que as pessoas nunca desistam de acreditar em Jesus Cristo e em seu Projeto”, finalizou. Ao final da celebração, o novo Padre foi cumprimentado pela assembleia. Sua primeira missa foi celebrada no domingo, 26, na Paróquia São Rafael.

Sábado (1º), 17h30

Domingo (2)

Posse do padre Paulo Henrique Lino na Paróquia Imaculado Coração de Maria (rua Fortaleza de Bertioga, 156, Jardim Rodolfo Pirani).

Às 10h, posse do padre Francisco Reinaldo H. Miranda na Paróquia Nossa Senhora das Graças (rua Serra do Capivaruçu, 274, Jardim Elba). Às 18h, posse do padre Luciano Macedo, na Paróquia Santo Antonio de Lisboa (rua Euclides Pacheco, 1.980, Tatuapé).


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Entretenimento

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passa tempo

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Geral

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Renovação Carismática Católica realiza encontro nacional Presidida por dom Bernardino Marchió, bispo da diocese de Caruaru (PE), aconteceu a missa de envio do Encontro Nacional de Formação 2014, que se encerrou no domingo, 26. Participaram da celebração mais de 8.500 lideranças carismáticas do Brasil. De 17 a 20 de julho acontecerá o 31° Congresso Nacional da RCC, em Aparecida (SP).

Dom Odilo fala sobre saída do IOR Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em coletiva de imprensa, na quinta-feira, 23, Cardeal também comentou sobre a transferência de padres no Ipiranga, CF-2014 e Sínodo dos Bispos Daniel Gomes

Reportagem na zona oeste

Em coletiva de imprensa na Cúria Metropolitana, na quinta-feira, dia 23, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, disse ter estranhado a grande repercussão sobre sua saída, por decisão do papa Francisco, da comissão de supervisão do Instituto para as Obras de Religião (IOR), mais conhecido como Banco do Vaticano, pois tal comissão não tem função administrativa ou gerencial. O Arcebispo também comentou, entre outros assuntos, sobre a Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, a transferência de padres na Região Episcopal Ipiranga, a temática da Campanha da Fraternidade, e o conteúdo polêmico de um vídeo de Natal na internet.

Mudanças no IOR

Questionado pelos jornalistas sobre sua saída do IOR, dom Odilo, inicialmente, explicou que o Instituto não tem todas as atribuições de um banco. A finalidade é a gestão dos recursos financeiros colocados à disposição da vida e missão da Igreja. Também esclareceu que o IOR possui uma diretoria, que acompanha a gestão cotidiana, um conselho de superintendência, formado por personalidades do mundo financeiro, que fornece indicações para políticas de trabalho, e que para algumas questões, a comissão de supervisão, formada por cinco cardeais, é chamada, e que acima desta está o secretário de Estado do Vaticano. O Cardeal comentou que com a escolha de um novo secretário pelo Papa, mudanças eram esperadas na comissão de supervisão do IOR, mas que a reforma do Banco do Vaticano ainda está em curso,

Cardeal Scherer recebe imprensa para entrevista coletiva na quinta-feira, 23, na Cúria Metropolitana

com vistas a proporcionar mecanismos que deem maior segurança possível de gestão, para evitar negócios desonestos. Segundo o Arcebispo, o papa Bento 16 já havia estabelecido normas severas de controle e transparência no Instituto, mas sempre é possível que haja desvios e gestão desonesta. Dom Odilo foi enfático ao dizer que o IOR não está descontrolado ou cheio de escândalos.

Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos

Para o cardeal Scherer, os preparativos para a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, prevista para outubro deste ano, têm chamado mais atenção do que outras já realizadas, por conta da temática dos desafios pastorais da família, assunto sobre o qual não há unanimidade de pensamento.

Transferências de padres no Ipiranga

Ao comentar as transferências de párocos na Região Episcopal Ipiranga, dom Odilo destacou que essa é uma prática comum na Igreja, e que no Brasil as nomeações são feitas para um período de seis anos, com possibilidade de renovação. O Arce-

bispo afirmou compreender a insatisfação de alguns fiéis com as transferências de párocos, mas disse que as mudanças são benéficas para dar novo dinamismo às comunidades paroquiais. Também garantiu que conversou pessoalmente com cada um dos padres transferidos e que estes aceitaram a decisão tomada.

CF-2014

O Cardeal comentou sobre a temática da Campanha da Fraternidade 2014 “Fraternidade e Tráfico Humano”, que, para ele, trata-se de um fenômeno crescente e que é motivo de escândalo na sociedade atual. O Arcebispo lembrou que muitas migrações são motivadas pelo tráfico humano.

Vídeo de Natal – Porta dos Fundos

Dom Odilo classificou como legítimas as manifestações dos católicos que pedem que patrocinadores deixem de apoiar o site do grupo Porta dos Fundos, após a postagem de um vídeo de Natal, cujo conteúdo foi considerado como desrespeitoso ao Cristianismo. No começo do ano, em sua conta no Twitter, o próprio Cardeal questionou se o vídeo não era uma intolerância religiosa travestida de humor.

Direto de Roma EUA: declaração de apoio à Santa Sé

Milhares de pessoas assinaram uma declaração de apoio à Santa Sé por causa de uma campanha para que seja retirado seu status de observador permanente ante as Nações Unidas. Os católicos receberam apoio de membros de outros credos para assinar um documento que defende que “o status especial da Santa Sé lhe permite alentar um diálogo genuíno, promover soluções pacíficas aos conflitos e apelar mais além dos simples interesses territoriais dos estados às consciências de seus líderes”. A petição foi lançada pelo Instituto Estadunidense Família Católica e Direitos Humanos, no dia 17 de janeiro, e em apenas três dias teve mais de 3 mil assinaturas. O documento explicou que o serviço desinteressado e não partidário da Santa Sé “foi sempre apreciado pelos Estados Membros nas Nações Unidas”. “Unimo-nos aos Estados Membros em gratidão pelo testemunho espiritual e moral da Santa Sé nas Nações Unidas”, indicou, por isso, “o mundo será muito mais pobre se a voz da Santa Sé ao interior das Nações Unidas for alguma vez silenciada. Esperamos que esse dia nunca chegue”. O presidente do Instituto, Austin Ruse, indicou que a campanha de petição é uma resposta aos esforços de retirar a Santa Sé da Assembleia Geral das Nações Unidas. “A Santa Sé é a consciência das Nações Unidas. É a única delegação que não tem considerações políticas em como negociam. Eles negociam puramente desde seus primeiros princípios”, disse.

Síria, monsenhor Tomasi: a única alternativa à guerra é o diálogo

Prossegue em Genebra, na Suíça, a Conferência Internacional sobre a Síria, Genebra 2. Monsenhor Tomasi, observador permanente da Santa Sé junto da ONU em Genebra, apresentou na quartafeira, 22, a posição e as propostas da Igreja e da Santa Sé para a crise na Síria. No seu discurso, monsenhor Tomasi iniciou por recordar que “os representantes da população Síria e da comunidade internacional encontram-se reunidos nesta conferência de Genebra 2 com o principal objetivo de encontrar e adoptar passos concretos que conduzam a um futuro de paz para o povo sírio e do Médio Oriente”. Nesse sentido, observou, “perante o imenso sofrimento do povo sírio, um sentido de solidariedade e de responsabilidade comum leva-nos a empenharmo-nos num diálogo baseado na honestidade, na confiança recíproca e em passos concretos. O diálogo, asseverou, permanece a única via para andar avante. Não existe solução militar à crise na Síria.”


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Enviados em missão para a Amazônia Em missa na Catedral da Sé, presidida por dom Odilo, um sacerdote e três religiosas foram destinados para trabalhar, respectivamente, na Diocese de Castanhal e Alto Solimões

Amazônia, cardeal dom Cláudio Hummes, pelo bispo diocesano de Jundiaí e presidente do Conselho Missionário Regional (Comire) e do Projeto Missionário Norte 1 – Sul 1, dom Vicente Costa, pelo secretário do Regional Sul 1, dom Tarcísio Scaramussa, pelo vigário geral da Diocese do Alto Solimões, Valdenir Ribeiro, e pelo cura da Catedral, padre Eduardo Vieira.

Na homilia, dom Odilo destacou que a Igreja tenta reviver o envio missionário feito por Jesus após sua ressurreição, pois esta foi a grande missão que ele deu aos seus discípulos e, por consequência, a Igreja. O Arcebispo afirmou ainda que a Igreja é missionária em sua própria identidade. O Cardeal destacou sua alegria em realizar a celebração

de envio missionário, pois, de acordo com ele, a “Igreja chama, prepara e envia”. Dom Odilo agradeceu, em nome da Igreja, a disponibilidade das religiosas e do padre de aceitarem o chamado missionário. Para ele, é preciso partilhar, com outras dioceses e regiões do Brasil, a presença de missionários. Padre Fabiano, que irá para a Diocese de Castanhal, Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edcarlos Bispo de Santana

Reportagem no Centro

No domingo, 26, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa de envio de três religiosas e um padre diocesano – Luiza Ferreira da Silva, Julia Maria Peccim, Izabel Patuzzo e Fabiano de Sousa Pereira –, que irão fazer missão no Amazonas. A missa foi concelebrada pelo arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a

Ao final da celebração, dom Odilo pede aos fiéis que estendam as mãos e orem pelos missionários enviados à Amazônia

Padre Fabiano

Izabel Patuzzo

Vou com o coração aberto, quero ser sinal de Deus e ajudar as pessoas a comunicar a Palavra de Deus e amar os pequeninos.

Luiza Ferreira da Silva

Que a vida religiosa possa contribuir para o crescimento e fortalecimento da Igreja no Amazonas.

PA, destacou que sempre foi seu desejo fazer missão e que “esse desejo foi aumentando ao passar do tempo”, principalmente, afirma ele, quando foi conhecendo a Igreja e suas necessidades. “A minha vida em São Paulo, na periferia, já está sendo uma mudança de conversão e de entrega, creio que serei eu mesmo porque é Cristo que vai permanecer plenamente em minha vida, porque todo sacerdote é chamado à missão, mas é necessário abrir o coração para esse chamado”, afirmou o Padre. Presente na celebração, a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), irmã Geni dos Santos Camargo, destacou a importância do envio das irmãs para a Amazônia, especificamente para a Diocese de Alto Solimões, cidade de Tabatinga (AM). Um dos aspectos deste envio é que as religiosas são de congregações diferentes, o que fortalece e contribui para a intercongregacionalidade, que, de acordo com a irmã, é “um dos aspectos muito caros, muito preciosos ao CRB, pois é uma soma de força de diferentes congregações enfrentando os diferentes desafios”.

Julia Maria Peccim

Uma missão para o novo. Ampliar a Igreja na acolhida com o povo e na comunhão com Deus e com as pessoas.

Ser esse Jesus que vai ao encontro de quem está precisando, do que está enfermo, ser a mão de Jesus que abençoa, acolhe.

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Há um ano aconteceu incêndio na boate Kiss No dia em que uma das maiores tragédias do País completou um ano, na segunda-feira, 27, a cidade de Santa Maria (RS) não dormiu. Desde a madrugada, familiares e amigos das 242 vítimas do incêndio na Boate Kiss fizeram homenagens que se estenderam até a noite. Pela manhã, cerca de 200 pessoas saíram em caminhada até o Ministério Público.

Conselheiros são empossados no aniversário de SP Cerimônia foi realizada no Anhembi e foram diplomados 1.113 representantes da sociedade civil Edcarlos Bispo de Santana

reportagem na zona norte

Na manhã do sábado, 25 de janeiro, aniversário da cidade, aconteceu no Palácio de Convenções do Anhembi, na zona norte da capital, a entrega da medalha “25 de janeiro” e a posse dos conselheiros do Conselho Participativo Municipal. Participaram da cerimônia o prefeito da cidade, Fernando Haddad, a primeira-dama, Ana Estela Haddad, a vice-prefeita, Nádia Campeão, o presiden-

te da Câmara Municipal, José Américo, representando a presidente da República o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, e o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, além de deputados federais, estaduais, vereadores e demais autoridades. Foram empossados 1.113 representantes da sociedade civil, que, no último dia 8 de dezembro, foram eleitos para o cargo de conselheiros. Subiram ao palco, durante a diplomação, Edinalva Rodrigues Novaes e Elzo Gama da Silva, conselheiros mais votados, Gabriel Duarte Ferreira e Luna Zarattini Brandão, os mais jovens, e Juscelita Ribeiro e Osvaldo Daud, os mais experientes, representando os demais conselheiros. Membro na Capela São Miguel Arcanjo, Região Episcopal Santana, Glaucia Máximo dos Santos destacou a articulação que foi realizada pela comunidade para que ela fosse eleita.

“Foi uma experiência muito legal, uma articulação com a juventude, e hoje é um dia de muita alegria”, afirmou. De acordo com ela, o papel do conselheiro é, de fiscalizar a subprefeitura de cada região em que foi eleito. “O conselheiro é a ponte entre a prefeitura e a cidade”, afirmou. Sobre a escola de “Fé e Política” que está sendo articulada na Região Santana, da qual Glaucia é uma das responsáveis, a conselheira destacou que o trabalho será mostrar, justamente, a importância da política participativa. A Arquidiocese de São Paulo conseguiu a eleição de alguns membros de suas comunidades e pastorais. Perguntado sobre essa articulação, o cardeal dom Odilo parabenizou o trabalho que foi feito, e os conselheiros que foram eleitos, mas pediu que nas próximas oportunidades haja um maior empenho das comunidades e dos leigos para ele-

ger representantes católicos.

Medalha 25 de janeiro

A outorga criada em 2009 foi entregue neste ano para o compositor e cientista Paulo Vanzolini (falecido em abril de 2013) e a artista plástica Tomie Ohtake, com a medalha a condecoração é uma homenagem e reconhecimento pelas relevantes atuações científicas e culturais prestadas à cidade.

Paulo Vanzolini

Paulistano nascido no dia 25 de abril de 1924, o compositor Paulo Vanzolini é autor de clássicos da música popular brasileira como “Na boca da noite”, “Praça Clóvis” e “Volta por Cima”. Médico por formação com doutorado em zoologia na Universidade de Harvard (EUA), Vanzolini foi diretor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) até 1993, exercendo a função por quase três décadas. Pai de cin-

co filhos, o músico morreu no dia 28 de abril de 2013, aos 89 anos, vítima de uma pneumonia. “Esta é uma bonita homenagem para ele, que amava tanto essa cidade, ainda mais compartilhar esse momento com uma pessoa tão especial como a Tomie Ohtake”, disse a filha do homenageado, Maria Eugênia Vanzolini.

Tomie Ohtake

Japonesa de Quioto, a artista Tomie Ohtake completou 100 anos do dia 21 de novembro no ano passado. Ela está no Brasil desde 1936, quando veio visitar um irmão e, por conta da guerra entre Japão e China, acabou ficando no País. Suas obras, como os quatro grandes painéis da Estação Consolação, a escultura em concreto armado na avenida 23 de Maio e a pintura em parede cega na Ladeira da Memória fazem parte da história e da paisagem de São Paulo. (com sites)


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Geral Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Festa do Patrono, no sábado, 25, reúne autoridades civis e religiosas na Catedral; culturas que fazem parte da história da capital paulista são representadas na procissão das oferendas

São Paulo é exemplo para missão na metrópole A capital foi fundada para que as pessoas vivam bem e não pode ser uma cidade onde alguns não têm lugar, lembrou o Cardeal Nayá Fernandes

Reportagem na zona central

A festa da conversão do Apóstolo Paulo, patrono da Arquidiocese de São Paulo foi celebrada com missa presidida pelo cardeal dom Odilo Pedro Scherer, na Catedral Metropolitana, no sábado, 25. Junto à festa patronal, foram comemorados os 460 anos da cidade, com a presença do prefeito Fernando Haddad, do ministro da Saúde Alexandre Padilha e de outras autoridades civis. Líderes religiosos também se fizeram presentes em grande número, entre eles, representantes do Judaísmo; Islamismo; Budismo; Espiritismo; e religiões de Matriz Africana (Umbanda e Candomblé). Antes dos ritos iniciais da celebração, membros das pastorais arquidiocesanas levaram símbolos que representam sua missão na capital. Cerca de 40 sacerdotes concelebraram a missa, que contou também com a presença dos bispos auxiliares, do cardeal dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito, e de dom Edson Damian, bispo

de São Gabriel da Cachoeira (AM). Na saudação inicial, Haddad enfatizou que a pergunta que cada um deveria se fazer, no aniversário da cidade, é se conhece todas as oportunidades que São Paulo oferece. “Certamente, trata-se de uma das cidades mais vibrantes do mundo. A sexta maior capital do planeta, que oferece a todos nós a oportunidade de criar nossos filhos e netos e de nos desenvolver do ponto de vista econômico, cultural e espiritual. Não é uma cidade que pertença a um indivíduo ou

religião, nem a um partido político”, ressaltou. “Da aldeia à metrópole, quanta coisa mudou, mas uma permanece”, disse dom Odilo ao enfatizar que os fundadores da cidade tinham uma ideia comum: que fosse um lugar bom para todos. Ele lembrou que ninguém pretende fundar uma cidade onde alguns não têm lugar, onde forças não boas tomem conta. “Este sonho de quem fundou São Paulo ainda nos compromete, porque nós somos herdeiros daqueles que quiseram fazer dela uma cidade

Luciney Martins/O SÃO PAULO

onde ninguém ficasse excluído”, afirmou o Cardeal. Ele continuou recordando que o aniversário de São Paulo é momento de retomar este sonho, não desconhecendo quantas coisas o contrariam. “Isto, para nós, cristãos, é um compromisso que vai junto com a nossa fé.” Dom Odilo destacou ainda que, no dia da celebração da conversão de São Paulo, é preciso olhar e aprender do Apóstolo. “Ele foi o discípulo de Cristo, afeiçoado ao seu Mestre, a ponto de dizer meu viver é Cristo.”

Momento forte da celebração foi a presença das várias culturas. Indígenas, africanos, portugueses, libaneses, japoneses, paraguaios, chilenos e peruanos. Povos que fazem parte da história da cidade e que mostram a multiculturalidade da metrópole entraram no momento da procissão das oferendas. O Arcebispo comentou sobre a canonização do beato José de Anchieta, ainda em processo, e da beatificação da bem-aventurada Madre Assunta Marchetti, que será no dia 25 de outubro na Catedral da Sé.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Arcebispo participa de homenagem aos fundadores

Jovens depositam flores na imagem do Apóstolo

Em comemoração aos 460 anos da cidade de São Paulo, aconteceu na manhã de sábado, 25, um ato cívico militar com deposição de coroas de flores no monumento de fundação da capital, no Pátio do Colégio. Com a participação de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, do prefeito, Fernando Haddad, e do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, o evento abriu as comemorações do dia.

Após a missa solene na Catedral da Sé, no sábado, 25, às 9h, o cardeal Scherer convidou a todos para acompanhar a deposição de flores na imagem de São Paulo, que fica na praça da Sé. Um grupo de jovens da Pastoral da Juventude levou as flores, seguido pelos bispos e padres concelebrantes e pelos líderes religiosos de outras tradições que participaram da celebração.

O SÃO PAULO - edição 2987  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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