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editorial ao leitor

Leitura de

Gibi M

p4 Entrevista

Com Bioterapeuta Sônia Ramos sobre autoconhecimento

ais uma edição da Feira do Livro de Mossoró está se encerrando e deixando saudades, pelos autores, pelas discussões e programação realizada pelos estandes, pela oportunidade de adquirir livros e especialmente, pelas crianças que passam a ter contato com esse vasto universo literário. A revista desta semana traz como tema de capa a importância do prazer da leitura através das histórias em quadrinhos, dos super-heróis e das possibilidades de aprender e se divertir com os gibis. Quem gosta de ler certamente já passou pelos personagens dos quadrinhos e essa é a mensagem principal da matéria de capa desta semana. Nunca se é criança demais ou velho demais para fazer essa leitura divertida! Seguindo essa ideia de leitura e diversão, Domingo traz uma matéria com a universitária Brena Santos, que estreou seu blog no portal Defato.com, o divertido ‘Acompanha café?’, em que ela fala de forma leve e descontraída sobre o que mais gosta: Música, Cinema, Literatura, Diversão. A edição desta semana traz a poesia amadurecida e de muita beleza da Dulce Cavalcante, uma entrevista com Sônia Ramos em que ela explica sobre a Pranoterapia. Delícias da culinária, artigos e mais pra você ter um domingo cheio de leitura interessante. Boa semana!

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Música O talento da banda Brazuka Jazz uma das atrações do Festival Bossa Jazz de Pipa

Capa Feira do Livro relembra a leitura dos Gibis para iniciar os novos leitores

p8 Coluna

Rafael Demetrius em Qual é o tipo de Chefe que você tem?

Adoro comer Uma nota mais gostosa do que outra

• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Wil­liam Rob­son • Dia­gra­ma­ção – Ramon Ribeiro • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Marcelo Bento • In­fo­grá­fi­cos – Neto Silva

Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

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conto

joSÉ NIcoDemoS*

Contracheque

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ma indisposição intestinal, Cecílio chegou no bar sem vontade de beber a cerveja de todo sábado. O nome civil era Cecílio, mas chamavam-no de Ceci, desde menino. Era sábado, mas até aquela hora, ali pelas nove da manhã, de bar sempre lotado, só o dono por trás do balcão, debruçado, atrás dele a geladeira em branco repouso. Sentou na mesa do costume, passou a mão pela barriga, numa cara de malestar, não pediu a de sempre. Talvez mais tarde, se fosse o caso de melhorar. Não demorou, e foi chegando a turma. A dele. Cerveja e copos na mesa. Ceci afastou o dele. Cólicas, explicou-se. Talvez mais tarde. Acendeu o primeiro cigarro do dia. Ficaram de conversa. O assunto do atual momento, naturalmente. Foi que a mulher do prefeito tinha sido flagrada em adultério com o dentista da cidade. Já se falava, é verdade, mas tudo suspeita por certas cenas mais ou menos insinuantes. Ceci também tinha sido traído pela mulher, anos atrás, ficou na dele. Sem jeito. Vamos dizer, também tinha culpa formada. Encheu o copo, entornou-o de uma vez. E amiudou. Não era agora

Não demorou, e foi chegando a turma. A dele. Cerveja e copos na mesa. Ceci afastou o dele. Cólicas, explicou-se. Talvez mais tarde. Acendeu o primeiro cigarro do dia.

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aquele que falava das coisas com quanta verve tinha espírito. Na dele. . Pensou em mudar o assunto, seria como dar parte de si mesmo, personagem do mesmo drama. Revirando-se por dentro. Até que o assunto saiu da aventura sexual da mulher do prefeito pro sumiço de verbas na prefeitura, o prefeito, que não tinha nada, rico da noite pro dia. Apartamento até no Rio de Janeiro. De preço. O povo dá conta de tudo. . De súbito, Ceci pôs a mão no peito, se levasse uma facada, uma careta de dor, começou a suar frio, amarelando. Me levem pro hospital. Começo de enfarto, diagnosticou o médico. Medicado,

Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com

)

ficou pra observação, horas. . Ao prescrever-lhe os cuidados, o médico deu com os olhos na carteira de cigarro no bolso da camisa de Ceci. O senhor tem de deixar definitivamente o cigarro, se quiser viver mais um tempo. A decisão é sua. Com a presença de espírito de toda hora: – Devo também largar o emprego, doutor? E aí? – Por quê? Ora, doutor, tão perigoso pro coração quanto o cigarro, fator de risco batendo ali um no outro, é... contracheque de professor de meninos.

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entrevista

SÔNIa RamoS

“Existem fórmulas individuais para o sucesso”

Por Izaíra Thalita izathalita@gmail.com | Twitter: @izairathalita

S

ônia Ramos, nascida em Campinas, SP, onde mora atualmente, após ter vivido quase 30 anos em Milão, Itália, é considerada um Healer, pessoa que tem o dom espontâneo de cura. Até descobrir esse dom, trabalhou como intérprete, jornalista, relações públicas e como executiva de empresas de grande porte, em países como Alemanha, Áustria, Espanha, Inglaterra e Hungria. Há mais de 15 anos, após algumas experiências muito especiais, parou com todas as suas atividades comerciais e decidiu dedicar-se aos estudos da Pranoterapia e cura por níveis mentais. Sônia também é escritora e estudiosa do poder humano e esteve ontem em Mossoró ministrando um Seminário de Autodesenvolvimento no hotel VillaOeste, onde foi prestigiada com bom público. Sobre os detalhes do seu trabalho, ela fala mais nesta entrevista. 4

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entrevista DOMINGO – O que é a pranoterapia? Como você passou a atuar nesta linha de cura? SÔNIA RAMOS - Pranoterapia é uma interação energética que ioniza, oxigena e refaz células, o que beneficia e ou cura diversas patologias. Comecei pelo destino. Literalmente, sem tirar nem pôr. Quando somos “descobertos” por alguém, significa que está na hora de assumir nova vida. Eu tive que fazer isto também. Um sensitivo italiano repetiu o que outros já haviam dito sem sucesso anteriormente, e a partir daí tudo foi acontecendo, pessoas chegando, testes de confirmação. Enquanto tudo isto acontecia a minha vida de até então ruía clamorosamente para me empurrar definitivamente, para desmanchar minhas resistências, as quais, aliás, foram enormes. Depois veio o amor imenso, o descortinar de novos mundos, das energias e o contato constante com o mistério e seu poder indestrutível. O SEMINÁRIO de Autodesenvolvimento que você realizou ontem em Mossoró tratou como tema “Destino, prosperidade e saúde”. Esse é mesmo o desejo da maioria das pessoas. Existe mesmo uma fórmula para se alcançar isso? EXISTEM fórmulas individuais para isto. É fundamental compreender como está desenhado o seu mapa interior para encontrar o seu caminho para chegar lá. Encontrar trilhas pessoais é possibilitar isto. Autoconhecimento unido a técnicas mentais e espirituais, ou melhor, autoconhecimento e conhecimento levam a um novo tipo de prosperidade, a outro nível de energia de saúde e a nova percepção do que seja destino. Destino significa individuar as setas, os sinais e as indicações que abrem energias para certas direções e não outras. Lutar pelo próprio destino é ato digno de heróis, de humanos e de esperança para si e para os que nos cercam. QUANDO se fala que é preciso ter firmeza emocional, diz respeito às instabilidades e pressões do ser humano? SIM, mas as instabilidades nos dias atuais estão ainda mais fortes, não é mesmo? Meio ao desgaste do uso quase incontrolável dos meios eletrônicos, do imediatismo afetivo e das expectativas geradas pela ideia de que um ser moderno merece tudo e o mais rapidamente possível, a firmeza emocional parece ter se tornado um sonho longínquo para grande parte das pessoas. Tomar consciência de como usar meios para lidar com tudo isto nos prepara a uma

Reunir essas áreas do conhecimento humano em suas obras tem sido um caminho difícil? ABSOLUTAMENTE. Tem sido um prazer indizível. Meu pai era um estudioso da medicina e um cultivador do espírito, nada mais natural para mim que unir a ciência e o espírito. Além do mais, o que é a ciência senão uma expressão do espírito? Quando estudei oito anos numa academia em Milão, o mundo da energia adquiriu as cores da ciência, quando ensinei Reiki pelo mundo afora por anos sem parar, o mundo da energia adquiriu as cores do espírito, e quando ultrapassei os quinze anos de consultório, o universo se tornou energia cientificamente espiritual.

nova etapa da existência. As pressões só nos parecem pressões insustentáveis quando nos falta foco mental e emocional, quando não temos clareza sobre nossas prioridades interiores, aquelas que determinam nossas realizações exteriores. DE QUE forma podemos ter mais estabilidade e firmeza emocional? INSISTO no conhecimento que provém da antiguidade, leia-se eternidade dos tempos, e no treinamento interior. Não há validade de um sem o outro nem há firmeza sem ambos. SEUS estudos e alguns livros já publicados tratam da linguagem das energias e que estas podem contribuir para o bem-estar e cura de doenças. As energias podem curar? S - As doenças são energias estagnadas ou condensadas, e, portanto, energias podem curar. Há patologias que já estão estabelecidas no físico de maneira dramática, nestes casos, podemos somente tratar ou estancar o processo. FALTA tempo para o autoconhecimento? NÃO; falta o hábito. Quando se cultiva tal hábito ele se torna parte do nosso tempo, da nossa experiência. Não é mais necessário “usar” horas para aplicá-lo. Você se conhece. Ponto. SUAS obras também caminham na linha entre o espiritual e a ciência.

EM SEU site, há também o serviço de coaching, que atua como treinador de sucesso e realização interior para se obter o sucesso. De que forma é realizado esse trabalho? INDIVIDUALMENTE, o treinamento começa com uma consulta e a seguir se estabelecem ritmos de trabalho, por telefone ou face a face, semanais, quinzenais ou mensais. Tudo depende da necessidade, da urgência, do impacto de metas desejadas e da medida do conflito interior ou no ambiente de trabalho. O coaching profissional ajuda a reorganizar as ideias, os conceitos e as metas, assim como propõe métodos compatíveis a cada necessidade, entretanto é o “treinando” ou a pessoa a ser treinada que estabelece os ritmos na medida em que os aceita ou não. O coaching é um processo que anda segundo a abertura do coachee. SUA experiência maior com a Bioterapia foi fora do Brasil. Como está sendo a aceitação aqui? EXTRAORDINÁRIA, à medida que fui sendo conhecida e que o trabalho foi aparecendo na vida das pessoas. Meus clientes e alunos já entenderam há anos que aprender a cura é ainda mais importante do que simplesmente ser curado. PARA finalizar, como obter mais informações sobre seu trabalho e sobre essas temáticas com as quais você trabalha? O SITE está disponível e contém muita informação. Aliás, eu dei preferência a um site informativo, para que a pessoa pudesse escolher o que lhe interessasse com bastante clareza. Também há endereço eletrônico além da secretária da clínica em que trabalho em Campinas (SP). Acesse: http://www. soniaramos.com

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música

Jazz de excelente qualidade

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ma bela paisagem, boa comida e música de excelente qualidade. Essa é a proposta do Fest Bossa & Jazz, festival que chega à sua terceira edição, na Praia de Pipa, que oferece ao público do Estado e região espetáculos de Jazz, Blues, Bossa Nova e de boa música instrumental. Desde a sua primeira edição em 2010, o Fest Bossa & Jazz se mostra como oportunidade única de conferir de perto, mostrar e difundir a cultura, promover e divulgar compositores, músicos e intérpretes que compõem o cenário musical jazzístico local, regional, nacional e internacional. Por isso, o evento está no circuito dos grandes festivais que ocorrem por todo o País e se compromete com a formação de plateia, movimentando o turismo cultural e contribuindo para o

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desenvolvimento social da população local através de ações paralelas aos shows. Neste ano o evento será realizado de 30 de agosto a 2 de setembro com uma estrutura especialmente desenvolvida para abrigar o evento, em uma área de 1.8000 m², em meio à natureza exuberante da região, com bares, estacionamento no local e acesso pela rua principal do vilarejo, próximo a hotéis, pousadas e restaurantes. O Festival será totalmente gratuito e contará com 12 shows de artistas nacionais e internacionais. Entre as atrações estão a cantora americana Alma Thomas, Coco Montoya, José James e bandas como Carontes, os Cariocas, Brazillian Blues Band e a banda mossorense Brazuka Jazz e seus convidados – o músico Arthur Maia e o coral Harmus.

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A Banda Brazuka Jazz é uma das boas atrações do Festival Jazz Blues de Pipa A Brazuka Jazz surgiu em maio de 2005 na cidade de Mossoró-RN e ganhou o Brasil. O grupo é o resultado da união de três músicos autodidatas que a partir da ideia inicial do baterista Gustavo Almeida e o guitarrista Alisson Brazuka, iniciaram o grupo de música instrumental. Alisson Brazuka (guitarra), Humberto Luiz (piano) e Gustavo Almeida (bateria) encontram na Brazuka um ambiente de plena satisfação musical, pois todos contemplam seus interesses em produzir, compor, desenvolver e divulgar a música brasileira da maneira mais liberta e aprofundada possível. “Mesmo a banda Brazuka Jazz tendo a música brasileira como seu foco, em hipótese alguma nega quaisquer influências musicais. O objetivo é expandir a concepção de música, não criando fronteiras que deli-


música mitem até onde vai ou onde começa a bossa nova, o forró, o rock, o funk, o samba, a salsa, a música clássica, o jazz, etc. A gente entende que o verdadeiro conhecimento parte da união dos estilos, sem hierarquia das músicas, pois o ideal da Brazuka é evidenciar que a música viva e verdadeira é o resultado de todos os sons do mundo”, ressalta o baterista Gustavo Almeida, resumindo o pensamento do grupo. Um dos convidados da banda para o Festival de Pipa é Arthur Maia, músico reconhecido que já acompanhou artistas ao vivo como Ivan Lins, Luiz Melodia, Márcio Montarroyos, Lulu Santos, Gal Costa, Djavan, Gilberto Gil e Ney Matogrosso, além de gravar com Ana Carolina, Caetano Veloso, Djavan, Fernanda Fróes, George Benson, Gilberto Gil, Juarez Moreira, Marisa Monte, Roberto Carlos, Seu Jorge, Toninho Horta e outros grandes nomes da música brasileira e internacional. Gustavo conta que a banda Brazuka teve seu primeiro contato com Arthur durante a Expomusic em São Paulo e de lá para cá, há três anos a banda vem constantemente tocando com o músico. Da mesma forma a banda já realizou outras apresentações ao lado do grupo coral Harmus, inclusive participou de gravação de DVD do grupo que será lançado em breve. Destaques A Banda Brazuka Jazz e seus componentes vêm se destacando em festivais nacionais de música como a Expomusic 2009 e 2010, Tagimaday, Circular Brasil 2007, Cascavel Jazz 2006. Entre as cidades por onde a banda se apresentou estão: Natal, Fortaleza, Recife, João Pessoa, Curitiba, São Paulo, Campinas, Salvador e Brasília, realizando shows com músicos renomados como: Arthur Maia, Toninho Horta, Marcos Nimiricter, Di Steffano, Sergio Groove, Manoca Barreto, Eriberto Marimbanda, Leonardo Gonçalves, Álvaro Tito, Serginho Carvalho, João Castilho, Jubileu Filho, Fabinho Costa, Ebinho Cardoso, Eduardo Ardanuy, Raphael Duvalle, Pipoquinha, Carlos Martins (Portugal). Mais que música Além de uma programação que inclui nomes de peso, o Fest Bossa & Jazz oferecerá workshops para músicos e estudantes de música e oficinas de cunho socioambiental para a população local. Quem quiser conferir a programação completa do festival pode acessar o site do evento: http://www.festbossajazz. com.br/home. Jornal de Fato | DOMINGO, 12 de agosto de 2012

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capa

Quadrinhos

mais que divertidos

Leitura de gibis faz parte da infância de crianças de ontem e de hoje; a diferença é que já se sabe que ela estimula a criança a gostar de ler

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gosto pela leitura deve ser estimulado no contato com as primeiras letras e a diferentes formas de leituras. Esse ano, a oitava edição da Feira do Livro mostra a importância do gibi como mecanismo de iniciação das crianças nesse hábito de leitura. O que mostra que os quadrinhos já são vistos de forma diferente do passado, quando as crianças precisavam esconder da professora para não ser repreendidas. Os quadrinhos são uma excelente opção para incentivar a leitura a começar pelos personagens, que, por si só, são atraentes para a garotada. Muitos deles já fazem parte do seu dia a dia, pois estão presentes em brinquedos, jogos, roupas, embalagens, peças de teatro e desenhos na televisão. Alguns dos personagens que podem ser crianças comuns como é

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o caso da Turma da Mônica, passam por situações parecidas com as de seus leitores mirins: vão à escola e ao parque, têm pesadelos ou não gostam de tomar banho. E nos balões, as falas dos personagens são cheias de sensações com as onomatopéias, como "ploft" e "grrr", que facilitam a compreensão de diversas situações e emoções. São tantas as possibilidades de se trabalhar com a leitura de gibis que em algumas escolas já há também um espaço exclusivo para esse tipo de produto, as gibitecas. Para a professora de Português Itamar de Sousa, os gibis ajudam as crianças a se familiarizarem com a leitura, entonação, pontuação: “São muitas as possibilidades de se trabalhar com o gibi. Eu considero uma

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)) Professora Itamar

Sousa: “Gibis ajudam a iniciar a leitura”


capa ferramenta de ensino, prazerosa e divertida”, explica a professora, que esteve com seus alunos durante a Feira do Livro. A estudante Analice Soares, 10 anos, conta que sempre gostou de quadrinhos, especialmente os da Turma da Mônica. “Até quis colecionar, gosto muito porque sempre tem uma historinha legal, diferente e engraçada”, conta ela. Estima-se que 70% das crianças não vivenciam situações de leitura em casa. Esse dado foi mostrado em uma pesquisa que mais adiante gerou um projeto denominado Semeando o Prazer de Ler com as Histórias em Quadrinhos – vencedor do Prêmio Professores do Brasil (dado pelas fundações Orsa e Bunge, com o apoio do Ministério da Educação). Os quadrinhos entraram como mecanismo fundamental para iniciar o trabalho com classes de crianças com 4 e 5 anos a gostarem de ler. E para realizar o projeto, os professores envolvidos resolveram utilizar os Gibis. As respostas foram as mais surpreendentes. O interesse pela leitura e a rápida alfabetização das crianças são alguns dos pontos destacados. Boa Ideia Hoje sabe-se que mesmo os quadrinhos considerados “mais violentos” possuem conteúdos para serem trabalhados em sala de aula. Disciplinas que ajudam a reflexão das crianças sobre temas que estão atravessando as histórias podem ser um caminho muito mais interessante. Uma ideia legal para se trabalhar os gibis de forma educativa é criar uma gibiteca. Reunindo-se o acervo de gibis em casa e ou na escola várias atividades como apresentar os personagens e falar

sobre as histórias, formar rodas de leitura com crianças de todas as idades e emprestar as revistinhas, criar cenários e peças teatrais sobre a compreensão das histórias podem ser feitas, disseminando, assim, o prazer de ler. Outra ideia é a de após saber quais as histórias e os personagens mais conhecidos dos alunos, os professores podem confeccionar nas oficinas de artes junto com os alunos, fantoches dos mais populares, narrar e facilitar a compreensão do enredo dos quadrinhos. As histórias ficam ainda mais divertidas.

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Baratinhas A Feira do Livro de Mossoró está repleta de boas oportunidades de comprar gibis com preço mais em conta do que nas bancas. Em alguns estandes é possível comprar dois gibis da Turma da Mônica ao preço de R$ 5,00. Tem gibis de personagens como a do Didi e Lili por R$ 2,00 e revistas dos mais variados super-heróis em formato americano por R$ 5,00. Hoje, por ser o último dia, é possível encontrar ainda mais barato. Aproveite e monte uma gibiteca para ler com as crianças em casa. Diversão e bom estimulo à leitura.

Quadrinhos no Brasil Em 14 de dezembro de 1837, Manuel Araújo Porto-Alegre publicou o primeiro cartoon brasileiro. A primeira revista infantil que apareceu no país foi "O TicoTico". Surgiu no dia 11 de outubro de 1905. As histórias de Chiquinho e seu cachorro Jagunço, criação de 3 americanos, ficaram bastante famosas. Mas os personagens foram superados pelo trio Reco-Reco, Bolão e Azeitona, de Luís Sá. "O Tico-Tico" acabou no final da década de 1950. O primeiro personagem brasileiro foi Nhô Quim, que apareceu na revista "Vida Fluminense" em 30 de janeiro de 1869. Seu autor, Ângelo Agostini, italiano radicado no Brasil, era também especialista em fazer caricaturas de Dom Pedro II. A explosão dos quadrinhos no Brasil aconteceu com o "Suplemento Juvenil" e a criação do personagem Roberto Sorocaba, desenhado por Monteiro Filho. O sucesso do periódico inspirou a criação de muitos outros: Globo Juvenil, O Mirim, O Gibi, O Gury e O Lobinho. Os desenhos de J. Carlos eram referência de novidades. Foram mais de 50 mil em 49 anos de trabalho. Ele trabalhou em importantes revistas como Fon-Fon, Tagarela e Careta, num total de 40 publicações. No final dos anos 50, quadrinhos pornográficos invadiram as bancas. O autor usava o pseudônimo Carlos Zéfiro. Sua identidade permaneceu em segredo até ser revelada pela revista Playboy, em 1991. Carlos Zéfiro era o funcionário público Alcides Caminha. - Alguns heróis que surgiram no Brasil eram cópias descaradas dos heróis americanos. O Morcego, por exemplo, era uma mistura de Batman com Fantasma. O Bola de Fogo parecia irmão gêmeo do Tocha Humana. Fonte: Guia dos Curiosos. Cia das Letras, 2001.

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poesia

Sonhos com bicicletas

A escritora Dulce Cavalcante, em seu terceiro livro de poesias, deixa correr solta a emoção dos sonhos e dos tempos de criança

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uando criança, a menina Dulcinéia adorava andar na bicicleta das crianças da rua. Sem condições de comprar uma bicicleta para satisfazer as vontades, seu pai a proibiu de andar de bicicleta. Então, ela pegava os trocados dos pães e alugava escondido a bicicleta para sentir o vento no rosto e a felicidade de andar ligeiro. A menina tornou-se mulher, esposa, mãe e avô e vez por outra, sonha andando de bicicleta. “É uma das memórias que tenho mais vivas, do quanto queria ter uma bicicleta. Acho que pelo fato de nunca ter pos-

suído uma quando era criança porque a família era grande e meus pais não tinham condições, isso ficou em mim”, relata Dulce. Vez por outra depois dos sonhos, Dulce escrevia e lá estava a bicicleta como personagem. Reuniu vários poemas com essa divertida relação e a transformou em um belo livro, lançado na última sexta-feira, no Memorial da Resistência, Bicicletas de papel, pela Sarau das Letras. Esse é o terceiro livro de Dulce Cavalcante, que iniciou na maturidade a vida de escritora: “Sempre gostei muito

de ler e escrever. Mas adorava ler poesias como as de Cora Coralina, Maria Cristina César, Florbela Espanca, Sofia de Melo e muitas outras. Mas depois que os filhos casaram e se viu novamente a recomeçar uma vida com mais tempo livre para si mesma, passou a ler mais e a escrever mais. O primeiro livro foi Quatro Estações e o segundo, Poltrona Azul. “Espero que as pessoas leiam e gostem, pois na medida em que vamos escrevendo, a poesia parece refletir mais essa maturidade. Estou muito feliz com esse livro”, ressalta Dulce.

# sobre a autora: Dulcinéa Aguiar Cavalcante e Silva, Poeta e escritora. Nasceu em Cedro – CE. É formada em Pedagogia (Licenciatura) pela Universidade Estadual do Rio Grande do Note - UERN; Curso de decoração de interiores - Universidade Sem Fronteiras - Fortaleza-CE. Atualmente está aposentada OBRAS PUBLICADAS: LIVROS: --"QUATRO ESTAÇÕES". Expressão Gráfica - Fortaleza-CE; --"POLTRONA AZUL". Expressão Gráfica - Fortaleza-CE. DVD: -- "ILHADA". (Homenagem a Mossoró) PUBLICAÇÕES EM ANTOLOGIAS: -- Prêmio Padre Donato Vaglio - Fortaleza-CE; -- Antologia pelo Clube de Leitura as Traças - Fortaleza-CE. PUBLICAÇÕES EM REVISAS: -- "Revista Traçando", comemorativo aos 15 anos do Clube de Leitura as Traças - Fortaleza-CE. RECONHECIMENTO - CONDECORAÇÕES: -- Membro do Clube de Leitura “As Traças” – Fortaleza-CE, desde 1994; -- Membro do Grupo de teatro "Tereiro Ato" - Fortaleza-CE. --Membro da Academia Feminina de Letras e Artes Mossoroense – Mossoró/RN.

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)) Dulce Cavalcante realizou lançamento na última sexta-feira Fonte: www.aflammossoro.com.br


internet

Tem que

acompanhar L

ivros, filmes e música. Esse trio cultural faz parte das preferências de muitos jovens que encontram na Internet um espaço ideal para compartilhar, indicar ou recomendar o que mais gostaram. É nesse senti-

do que a jovem universitária Brena Santos passa a atuar com seu “Acompanha café”, o mais novo e já bem visitado blog do portal Defato.com. O lançamento do Blog ocorreu na noite da última quintafeira durante a Feira do Livro de Mosso-

)) Brena Santos é

estudante de Direito da UFCG e agora blogueira

O blog da universitária Brena Santos, o ‘Acompanha Café’, mistura diversão com comentários e linguagem descolada. ró no stand do Jornal De Fato. “Sempre gostei de ler, ver filmes e o blog é para dividir com as pessoas que gostam, outros jovens o que penso sobre essas experiências”, explica Brena, que teve a concepção de todo blog, da temática ao visual atraente, com imagens de artistas, autores e filmes de sua preferência. O nome do blog é uma das curiosidades que a jovem explica: “Sou viciada em café e quando estou lendo, curtindo uma música é a minha bebida preferida. A indagação que dá nome ao blog é porque alguns produtos, principalmente musicais da moda, não combinam com um bom café. O produto que pretendo comentar, de livros, músicas e filmes acompanham sempre um bom café”, ressalta. No blog Acompanha Café o webleitor vai encontrar os canais como Aumenta o Som, Caiu na Net, Canal, Literatura, LuzCâmera-Ação, Não curti e indicação de outros blogs. A blogueira também promete novidades com a criação de novos canais de interação. Para acessar o Blog Acompanha Café basta acessar o site do portal – www.Defato.com e buscar a área de blogs ou diretamente pelo endereço – www.acompanhacafe.blogspot.com.

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sua carreira

Rafael DemeTRIUS

Chefe QUEM, EU?

os dez piores tipos de chefe

H x

oje veremos os dez piores tipos de chefes que existem no mercado. Todos são horríveis e torço que nenhum seja o seu.

Chefe GRITO

Gritar é o seu lema. Grita de dia, grita de noite. Adora brigar no telefone, gritar com a recepcionista e até com o presidente. O "bom-dia" já é em alto e bom tom – isso quando o sujeito quer ser fino. Grita porque não encontra a carteira; grita porque não acha a pasta da reunião; grita porque o Corinthians perdeu. O que fazer? Com esse tipo, a única opção é dar um grito ainda maior. Se ele baixar a guarda – geralmente eles têm a autoestima muito baixa –, você ganhou e vai conseguir, sim, suas férias e até o aumento que você queria. Se a figura não for lá muito de ter medo, pronto, você perdeu o emprego. Mas, pelo menos, gritou também. Chefe NÃO

Não importa a pergunta ou a necessidade, é não e acabou. O Chefe Não gosta de intimidar tudo e todos com sua negativa sonora. O seu "não" parece tão definitivo que seus subordinados nunca mais perguntarão nada e farão seus trabalhos quietinhos. Nada como intimidar alguém a ponto do coitado não ter coragem para questionar mais nada – é o lema deste querido chefe. O que fazer? Tente perguntar: "Por que não?" e veja-o escorregar facilmente na sua própria armadilha. E, se ele responder "Porque não", pergunte novamente: "Por que não?". É bem provável que sua pergunta ganhe um "sim" como resposta só para ele se livrar de você. Este é o famoso "cachorro-que-late-mas-não-morde".

Chefe SEI-QUE-SOU-BOM-DEMAIS

Não é que este tipo leva mesmo a sério o que o RH falou para ele? Foi mais ou menos assim: "O principal ativo da empresa são nossos colaboradores, nossos talentos: você". Este chefe se acha tão bom, mas tão bom, que a pergunta que ele vai te fazer é: "Como você consegue viver sem mim?" O que fazer? Aproveite. Com o chefe SEI-QUE-SOU-BOM-DEMAIS é só lustrar o ego da vítima e você conseguirá tudo o que merece. Até mesmo, um dia, ser chefe dele. Dica: fale três vezes ao dia para este chefe em questão o quanto você o acha incrível! Elogie os sapatos, se for mulher, o terno, se for homem. Esses narcisos acreditam em qualquer tipo de elogio.

Um "sabonetão", este chefe faz de tudo para não ter que resolver nada. Ele não só foge do conflito como faz de conta que o problema não é dele. Quem paga é a sua equipe, que, para não passar por incompetente, acaba tendo que fazer de conta que seu chefe não é tão inútil assim. O que fazer? Na frente de todo mundo, o questione em alto e bom tom. Coloque-o frente a frente com o problema e exija uma solução. Peça respostas, pressione. Ele vai dizer que precisa comprar um cigarro e nunca mais vai voltar. E nem fumante ele é. Chefe Indicação

Está lá na mesa de chefe só porque tem boas conexões. Geralmente é amigo do dono ou do filho do dono. Pouco sabe sobre o trabalho ou a empresa e geralmente atrapalha bastante a equipe com ideias inovadoras, mas pouco funcionais. Como tem costas quentes, não se preocupa em falar ou fazer besteira. O que fazer? Ajude-o a fazer aquelas planilhas de Excel que ninguém sabe para que servem, assim você ganha a simpatia dele. Chefe Reunião

Este chefe pede uma reunião pra tudo. Para aprovar um projeto: "Vamos fazer uma reuniãozinha?" Para definir se o estagiário senta do lado direito ou do lado esquerdo da mesa: "Vamos pra sala de reunião?" Para dar ok nas suas férias: "Vamos nos reunir?" E pior: reúne toda a equipe por horas e não diz nada. O que fazer? Tenha sempre uma pauta pesada para essas reuniões. O Chefe REUNIÃO faz reunião para não ter que resolver nada. Se a reunião se tornar trabalho, ele vai pensar duas vezes antes de pedir outra. Chefe TROPA DE ELITE

Este é um dos piores chefes. Se não for o seu, agradeça a todos os deuses do universo corporativo. O Chefe TROPA DE ELITE é daqueles que gosta de colocar a equipe sob pressão máxima. Nunca está satisfeito e adora mostrar que ele, o chefe, tem uma solução melhor para tudo. Diminuir a autoestima da equipe é uma tática para transformar pessoas em zumbis workaholics. Ai daquele que chegar para trabalhar sem ter checado seus e-mails às duas da manhã. O que fazer? Não tem outro jeito... Peça demissão. Este tipo de chefe não vai mudar e ainda tem todo o apoio da diretoria. Aliás, o sonho do board é que toda empresa fosse feita de Capitães Nascimento. Chefe 171

"Enrolador e enrolão", este cara adora não fazer nada, esperar a equipe resolver o problema e posar de pavão. O Chefe 171 sempre acaba se dando bem. São sem-vergonhas, sem caráter e sem ética nenhuma. Mas conseguem a simpatia de todos e de todas, inclusive de quem é usado e abusado por ele da sua área. O que fazer? Faça a máscara do sujeito cair no meio de uma reunião geral com todas as áreas. Mas atenção: o 171 é inteligente e muito escorregadio. É capaz de ele conseguir reverter a situação e você passar por bobo ou incompetente.

Locação de Salas Os melhores espaços para as reuniões de seus funcionários estão na META. Alugue salas ou excelente auditório pelo menor preço. Ligue 84 3314-1024 ou mande um e-mail para comercial@tenhametas.com.br e faça sua inscrição.

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artigo

PeDRo FeRNaNDeS*

Para ler Rol da feira, de Márcio de Lima Dantas

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inda se escrevem róis. E as qualidades do gênero têm suas proximidades com as da poesia. Até chegar a esta observação, ler Rol da feira, o novo livro de Márcio de Lima Dantas, apesar de ponto de partida para as reflexões, não foi suficiente. É possível que, no instante, em que buscar essas aproximações, encontremos as razões pelas quais dão sustento ao poeta para assim denominar um feixe ímpar de vinte e três quartetos. Aponta a princípio a semelhança formal. Um rol não ocupa a dimensão total do papel. Mesmo que esse papel seja pequeno o bastante para não conter o escrito, imaginariamente, ficam os espaços em branco para as margens. Um rol geralmente agrupa uma sequência de elementos inventariados em série enumerativa assemelhada à disposição do verso; e, se olharmos as características da poesia contemporânea, nas de estágio surrealista, estamos pensando em Leo Spitzer, as “enumerações nominais”, sequenciando elementos, também é uma característica do poema. O rol tem uma efemeridade. Só lhe serve no momento em que é lido para lembrança do que precisa sem feito ou adquirido. O poema só nos serve quando experienciado no gesto da leitura. O rol, no instante em que, formado pela palavra, cumpre uma eternidade. Um rol está condicionado a remanejamentos internos: fissuras, suturas, cortes, ampliação e padece de quase nunca uma finalização. Também o poema, por determinações próprias, tem essa característica. Fato é que o poema só se cumpre quando da morte do poeta, dada não apenas pelo estágio de falência biológica do organismo, mas se o eu-lírico inválido não assume mais as condições necessárias para revolver no papel o

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magma verbal. Rol da feira foi-me apresentado pelo menos um ano antes da forma que ora está publicado. Há na sua gênese pretensões muitos maiores que as de agora. Não quero com isso dizer que o que tenho é matéria aquém do esperado, nem alimentar esperanças que depois deste, apareça aí um livro dentro das pretensões primeiras. Não. O tempo do poema é caro demais para deter-se em questões tão meramente ilustrativas. Sim, uso da constatação privilegiada apenas para dizer quanto efêmero pode ser o que aqui se ensaia, ou para, desculpar-me publicamente por está diante de uma materialidade tão deslizante como é a da poesia. E também porque esse livro de Márcio de Lima Dantas no instante em que apresenta essa forma, acena para uma incompletude, como se nesse rol, ainda coubesse mais coisas, ou como se esse rol de coisas fosse apenas uma pequena parte de uma enumeração maior. Isso, no entanto faz-me decidir pelo entremeio do mérito e o do não-mérito. Até porque o mérito de está num ou noutro lado da coisa só me seria concedido se estivesse diante uma obra acabada, mas diante de uma produção tão prolífera como a do autor de Rol da feira, sinto-me obrigado a decidir pelo entremeio. O tempo se encarregará do resto. Afinal, se o tempo do poema é caro demais, qualquer eternidade, próxima ou distante, será o lugar ideal para aferir determinadas conclusões. O que se reaviva nesse último livro é algo que já havia observado em Xerófilo, publicação indexada na terceira edição do caderno-revista 7faces: a palavra como instância transfigurada. Não sei se notei com esses termos, mas façamos de conta que tudo que eu tive oportunidade de dizer sobre o livro na época em que

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ele apareceu está resumido nessa ideia. A operação ensaiada pelo poeta é processo muito sofisticado, mais sofisticado do que a reinvenção do código linguístico por meio da introdução de novos vocábulos, porque nele é a finesse do sentido o que é reiventado. Ao contrário dos poetas céticos que apostaram por longa data no “ceticismo da palavra”, para recuperar os termos de Hofmannsthal, Márcio de Lima Dantas crê na palavra como peça na condução do leitor à produção do estado poético. Em Rol da feira, já desde o título e a sequência de poemas como “Arma branca”, “Galo”, “Cigana”, “Gazo”, “Cacimba de areia”, “Sinuca”, “Casa sertaneja”, e há outros, mas bastam estes, apesar de rememorar nomes, tipos, o leitor não encontrará neles uma evocação realista – com toda implicação assumida entre o termo e o objeto –, mas uma apropriação dos sentidos que nomes e tipos possam evocar para sua ressemantização. Arrisco-me a dizer: o poeta se apoia na vida e nas palavras e entende o gesto poético como uma ficção deduzida da observação. E se descartei os subterfúgios da complexa relação entre termo e objeto, descarto também os sinônimos de falsificação, fraude ou de mentira para a ficção. Prefiro crer que o trabalho aqui é o alargar as fronteiras tão precárias da realidade e de novas maneiras de dizer as coisas. Noutras palavras, a transfiguração evocada aqui não se guia por além de, mas pela pequenez da universalidade, alimentada integralmente pelos resquícios da palavra. Tem seu nascimento, sua existência, sua movimentação na sofisticada relação desenhada entre o eu-poético e a ‘arma branca’; “No embate, um/ só corpo emana”, um poema que lembrando o que vemos reinventa suas fronteiras.

* Pedro Fernandes de O. Neto, é aluno do Doutorado em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Jornal de Fato | DOMINGO, 12 de agosto de 2012

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adoro comer

DavI moURa

Feliz dia dos pais

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Hoje é dia dos pais e não posso deixar de agradecer ao meu querido Geraldo Moura por ter me colocado no mundo e ter formado o homem que sou hoje! Amo você, meu velho! E se você, assim como nossa família, adora comer, hoje as dicas são de locais bem diferentes para você levar o seu querido pra conhecer – quase um tour por Canoa Quebrada!

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Hotel Vila Troja

Os pais fãs de pizza vão curtir o Pizza Nostra, que fica quase no meio da Broadway, com um primeiro andar e seu charme particular. A parte de cima é iluminada por lanternas coloridas e dá pra fazer sua refeição sentindo a brisa do mar. Delicioso! Ponto positivo para a variedade de pizzas, com sabores bem compostos, incluindo frutos do mar. Se quiser algo mais light, o frango grelhado é delicioso e vem acompanhado com uma salada refogada no molho agridoce. Contato: (0xx88) 3421-7262 / 8827-7342.

Lançamento do Ashmaki Temakeria Foi inaugurada na última quarta-feira a Ashmaki Temakeria. Está funcionando onde era o Seu Marza antigamente, ao lado do estádio Nogueirão, pertinho da Bel Service. Há todo um charme especial naquele ponto – quem conhece, sabe e confirma. O local é lindo e manteve as mesmas características físicas do antigo Seu Marza, incluindo o chão bicolor que dá uma superefeito. Ambiente legal, cardápio impecável, com algumas opções criadas pela chef Marina Cavalcante. Acesse também suas redes sociais: @ ashmakibr e http://www.facebook.com/ashmaki.

Pra começar, uma boa dica de hospedagem. O Villa Troja fica na zona nobre da Vila de Canoa Quebrada, a poucos metros da praia e com uma espetacular vista para o mar. Para os mais aventureiros, ainda há passeios e excursões via litoral em 4×4 para os vários pontos turísticos da região. Sem falar na simpatia e cordialidade dos donos e colaboradores do local. Sua localização é à 50m da praia e 150 metros da Rua Principal de Canoa Quebrada. Seu cardápio conta com uma das bebidas mais conhecidas internacionalmente, a caipirinha, além de vários pratos italianos. Anote o endereço: R. da Integração, beira-mar. Contato: (0xx88) 8815-2218.

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Pizza Nostra

Café Habana Localizado no início da Broadway (a rua principal de Canoa), oferece um espaço muito agradável, decorado com muito bom gosto, que faz referência à própria Havana, em Cuba. A bandeira está posicionada na porta e a trilha sonora também é bem latina. Uma grande variedade de pratos, desde os típicos até os internacionais. Um cardápio rico e variado, com pratos deliciosos, como o peixe à delícia. Aberto diariamente das 10h30 às 23h30. Contato: (88) 3421-7375.

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Meudrink.com.br Criado pelos gênios Hugo Medeiros e R. Pinto, que acharam uma maneira profissional de externar o sentimento beberrão. Pra começar, logo no topo do site, você digita o que tem em mãos e, na busca, ele seleciona os drinks possíveis de serem feitos com aqueles ingredientes dentre as receitas cadastradas no site. No geral, o funcionamento do site é muito fácil e claro. Logo na home há uma aba com as últimas novidades. Curtiu? Então cadastrese no site e fique sempre inspirado pra tomar aquele drink: http://meudrink.com.br/

Aproveite e acesse o http://blogadorocomer.blogspot.com para conferir esta e outras delícias! 14

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adoro comer

Temaki de Salmão com Cebolinha INgReDIeNTeS • 50 gr de salmão picado(s) • 40 gr de arroz japonês cozido(s) • 1/4 unidade(s) de nori • Quanto baste de wasabi • Quanto baste de cebolinha verde

MODO DE FAZER • Misture o salmão picado com a cebolinha verde. Reserve. • Corte a folha de nori ao meio. Segure o nori com a mão seca e coloque o arroz no lado esquerdo. Espalhe o arroz cobrindo a metade esquerda da alga. Passe o wasabi. • Coloque o recheio na diagonal. • Enrole pegando a ponta do canto inferior esquerdo com os dedos indicador e o polegar e leve até a extremidade superior esquerda do arroz. • Vá enrolando com a mão direita até formar um cone. Use um grão de arroz para fechar.

DIcaS PaRa fazeR o aRRoz Do TemaKI: • Lave bem meia xícara (chá) de arroz próprio para sushi, esfregando-o com as mãos, até a água ficar transparente. Coloque numa panela e junte 1 xícara (chá) de água. Deixe descansando por 30 minutos. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 20 minutos ou até o grão ficar macio. Retire a panela do fogo e deixe descansando, tampada, por cerca de 5 minutos. • Em uma tigela, junte 1 colher (sopa) de vinagre de arroz, 1 colher (chá) de açúcar e meia colher (chá) de sal. Misture até ficar bem dissolvido. • Transfira o arroz para uma tigela grande e acrescente a mistura de vinagre, incorporando delicadamente com a ajuda de uma espátula de madeira ou garfo molhado em água. Deixe esfriar em temperatura ambiente, antes de utilizar.

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Revista de Domingo  

Revista semanal do Jornal de Fato