Page 1

Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

Uma radiografia do Programa Saúde da Família (PSF) de Resende Costa Mais de 90% dos usuários do Programa Saúde da Família (PSF), de Resende Costa, avaliam como positivo o desempenho dos agentes comunitários de saúde (ACS), bem como as visitas realizadas aos domicílios. É o que mostra pesquisa de satisfação dos usuários do PSF, realizada pelo Instituto Dataminas para a Prefeitura Municipal. Se o desempenho das equipes de atenção básica foi aprovado, com ressalvas, o mesmo não se pode dizer da infraestrutura, que recebeu mais críticas. PÁG 10

Diocese de São João del-Rei acolhe seu novo bispo Dom José Eudes Campos do Nascimento tomou posse no dia 2 de fevereiro como bispo diocesano, sucedendo a dom Célio de Oliveira Goulart, falecido no dia 19 de janeiro de 2018. Dom José Eudes é o quinto bispo da Diocese de São João del-Rei. PÁG 15

ANO XV

• FEVEREIRO 2019 • Nº190

15 anos

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Renovação Carismática Católica comemora 50 anos de presença no Brasil Foto Leticia Resende

Grupo de Oração Filhos de Maria na igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Resende Costa

O movimento católico criado em 1967 nos Estados Unidos chegou dois anos depois ao Brasil e rapidamente se espalhou por todo o país. Atualmente a RCC

congrega milhares de adeptos que se reúnem nos Grupos de Oração, nos momentos de louvores, em missas e apresentações dos padres carismáticos,

como Marcelo Rossi, Fábio de Melo, Jonas Abib. Em Resende Costa, a Renovação é presente na paróquia através do Grupo de Oração Filhos de Maria. Leia

nesta edição uma entrevista com padre Javé Domingos Silva, assessor eclesiástico da RCC na Diocese de São João del-Rei. PÁG 05, 06 e 07

Lei aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo Executivo aperta o cerco a proprietários de lotes que não garantem infraestrutura básica aos imóveis A partir deste ano, os proprietários de lotes em Resende Costa

deverão se atentar à Lei número 4.378, a qual vai penalizar

quem possui espaços no centro urbano que não apresentem

passeio concretado e muro. PÁG 11


PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

EDITORIAL Não foi uma tragédia

E

X

P

E

D

I

E

N

T

E

O rompimento da barragem 1 de rejeitos de minério de ferro da Vale, no dia 25 de janeiro, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, expôs muito mais do que questões meramente técnicas apresentadas por engenheiros e especialistas, tais como: vulnerabilidade, riscos de rompimento, tecnologia ultrapassada, inspeções, descomissionamento, alteamento, etc. A tragédia (anunciada) em Brumadinho revela o desprezo pela vida humana e pela natureza em favor da ganância desenfreada por dinheiro, um acúmulo maior do que o mar de lama que soterrou vidas e sonhos de trabalhadores e moradores do distrito de Córrego do Feijão. Até o fechamento desta edição, em 6 de fevereiro, 13º dia de buscas pelos desaparecidos, foram resgatados 150 restos mortais, 182 pessoas continuavam desaparecidas. Para agravar ainda mais o sofrimento e a angústia dos familiares das pessoas desaparecidas, o Corpo de Bombeiros informou que provavelmente muitos corpos jamais serão encontrados devido às condições adversas impostas pelo tempo e pela decomposição desses mesmos corpos. A tragédia humana e ambiental nos faz lembrar cenas apocalíticas de filmes de ficção científica. Porém, nesse caso, as cenas são reais. O alto número de desaparecidos pode levar a computar mais de 300 mortos, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros. Usamos até agora a palavra “tragédia” para classificar o rompimento da barragem e os efeitos terríveis causados por ele. Mas será que foi mesmo uma tragédia? Se analisarmos a origem do termo tragédia, voltaremos à Grécia antiga e aos espetáculos dramáticos apresentados pelos gregos. A tragédia grega possuía elementos fixos que reuniam deuses, humanos, destino e sociedade. Numa tragédia grega, humanos, deuses e semideuses não podiam fugir do destino, podendo este terminar em um final feliz ou triste. Portanto, para os gregos não era possível evitar uma tragédia, prevenir o seu desfecho, mudar o seu destino. Ele já estava escrito. Visto por esse lado, o episódio de Brumadinho, assim como o rompimento da barragem da Samarco em Bento Gonçalves, distrito de Mariana, há três anos, não podem ser classificados como uma tragédia. Seria melhor os classificarmos como crimes, negligência, desastres que poderiam ser evitados. Mas, em ambos os casos, a ganância – por sugar predatoriamente os recursos naturais – superou o bom-senso, a prudência, o cuidado, o zelo pela vida e pela natureza. A busca pelo acúmulo perverso de riquezas e pela alta das ações nas bolsas de valores cega empresas como a Vale, cujo compromisso com a preservação do meio ambiente e da vida humana se resume tão somente em propagandas caríssimas divulgadas em horários nobres nos meios de comunicação. Causa revolta assistir ao comunicado da Vale sobre o rompimento da barragem 1 de Brumadinho. No final do comunicado, a empresa destaca “que possui compromisso com a segurança”. Quanta hipocrisia! As cenas “apocalípticas” do mar de lama engolindo casas, soterrando máquinas, carros, trens, guindastes, matando o rio Paraopeba devem nos alertar quanto ao rumo que estamos tomando. Se escolhermos a ganância desenfreada pelo consumo, pela produção e pelo dinheiro, seguindo a lógica maquiavélica de que tudo pode quando a finalidade é obter lucro, continuaremos assistindo à natureza ser depredada e vidas humanas serem ceifadas impiedosamente. A exploração dos recursos naturais, como o petróleo e o minério de ferro, devem continuar a acontecer nesse ritmo avassalador capaz de destruir em poucos dias o que a natureza levou milhares de anos para construir? As imagens assustadoras captadas pelas câmeras de segurança da Vale no instante do rompimento da barragem mostram a fúria da natureza quando suas forças são desafiadas pelo homem. A humanidade precisa encontrar meios de viver em harmonia com a natureza. Os mortos de Brumadinho, muitos eternamente sepultados sob um mar de lama seca e venenosa, estão gritando isso. O JL é solidário às vítimas desse infame desastre que poderia ser evitado.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Com Política! FERNANDO CHAVES

Relações históricas entre mídia e política O jornalismo como campo social dedicado a produzir e distribuir notícias com regularidade tem origem no século XVII, quando surgem na Europa os primeiros impressos com periodicidade fixa. Desde então, o campo da comunicação e as plataformas de veiculação jornalística mudaram enormemente, assim como a relação do campo político com as tecnologias da comunicação. Algo essencial, no entanto, não mudou. Mídia e política são esferas da vida social que se entrelaçam e mantêm relações intensas, desde os primórdios da imprensa moderna até os dias atuais: a política está sempre tentando instrumentalizar as plataformas de comunicação social em seu proveito, especialmente as novas plataformas, quando elas emergem como novidade tecnológica ao longo da história. No século XVIII, a relação dos primeiros periódicos com o campo político era de dependência. Muitos dos impressos da Europa setecentista assumiram papel de instrumentos políticos. Sua razão de ser era panfletária e suas fontes de financiamento partidárias, o que lhes conferia um caráter predominantemente opinativo, muitas vezes virulento. A disseminação dos ideais da Revolução Francesa e a agitação popular que caracterizou esse movimento foram corroboradas pela afixação e circulação de periódicos impressos, à época uma nova tecnologia e instrumento precioso de ativismo político. Ao longo do século XIX, a imprensa se transformou. Caminhou gradativamente para se tornar, no início do século XX, um empreendimento capitalista voltado para o lucro. Se muitos dos jornais europeus do século XVIII tinham finalidade e

financiamento oriundosde grupos políticos, na virada para o século XX o contexto é radicalmente diferente: os jornais se tornam empresas com grandes tiragens e circulação nacional. A publicidade surge como principal fonte de receita e o jornalismo desenvolve os ideais de objetividade e imparcialidade. A profissionalização dos jornalistas avança e, por volta de 1920, surgem os primeiros cursos superiores de comunicação. A mídia, nessa fase, se torna mais independente do campo político no aspecto financeiro e é convertida em uma espécie de palco simbólico, onde é gerada a visibilidade social. A imprensa do século XX assume a função de gestora da visibilidade. Os agentes políticos buscam chamar a atenção da cobertura midiática para suas ações e projetos, a fim de ocupar o palco da comunicação de massa, obtendo visibilidade e gerando credibilidade junto à população. Em meados do século passado, rádio e TV se consolidavam como novas plataformas de comunicação e ampliavam o alcance das notícias para as camadas mais pobres e sem instrução. O campo jornalístico e a indústria da mídia construíram certa independência em relação à esfera política no século XX. Mas isso não quer dizer que nesse período a política não tenha lançado mão de expedientes para instrumentalizar meios e plataformas de comunicação com finalidade político-ideológica. A ascensão do rádio, por exemplo, como nova mídia na década de 1930, foi amplamente utilizada por Adolf Hitler para disseminar os ideais do Nazismo. No iníciodo século XXI, assistimos a uma nova reconfiguração das relações entre o campo político e a comunicação social. Inten-

sificou-se a midiatização da vida cotidiana e das relações entre as pessoas. A mídia é muito mais que um palco gestor da visibilidade social. Ela passa a se estruturar como uma grande rede que permeia toda a sociedade. A digitalização das mídias, os dispositivos móveis de acesso e a emergência das novas mídias digitais permitem o surgimento de novos atores comunicacionais. Em paralelo com a mídia tradicional, que ainda exerce forte poder, outras vozes ecoam no cenário comunicacional. Conforme ilustra a instrumentalização da imprensa durante as disputas políticas dos séculos XVIII e XIX e a utilização do rádio como um dos principais meios de propaganda nazista no século XX, as novas mídias contemporâneas (digitais, horizontais e em rede) têm o seu uso amplamente orquestrado por grupos de poder com finalidades político-ideológicas, como toda nova tecnologia que emerge na história humana. O uso político do que se tem chamado de fake news e outras estratégias de manipulação ou administração da informação é algo tão velho quanto as notícias. O estudo das relações históricas entre os campos da comunicação e da política revela que é nos momentos de surgimento e expansão de novas tecnologias da comunicação (imprensa, rádio, televisão, internet) que estamos mais vulneráveis à manipulação da informação! Isso explica a grande onda de fake news com efeitos observáveis sobre a última eleição brasileira. É como se a sociedade ainda não possuísse os antídotos para as novas tecnologias e suas implicações e aplicações políticas, como se ainda precisasse ser alfabetizada para as ferramentas de que já dispõe.


ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 3

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Salário de vereador em Resende Costa é um dos menores da região Instituto Dataminas comparou o valor dos subsídios pagos em 18 municípios membros da AMVER – Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes O Instituto Dataminas, da cidade de São João del-Rei, realizou um levantamento visando a dar maior transparência aos valores dos subsídios pagos pelo Poder Legislativo aos Edis nos diversos municípios que compõem a região do Campo das Vertentes. O estudo foi realizado entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019 por meio de coleta e análise de dados online nos Portais da Transparência de 18 cidades da região. Apresentamos, a seguir, uma síntese dos dados disponibilizados pelo Instituto e que apontam Resende Costa como a cidade de melhor desempenho, quando considerados o conjunto de critérios adotados pela pesquisa. Na tabela 01, o Instituto apresenta o valor bruto do subsídio pago ao vereador em cada município da região, além do número de eleitores por município e do gasto mensal por eleitor com subsídios de Edis em cada cidade analisada. Considerando o valor bruto do subsídio pago a cada vereador, as cidades de Coronel Xavier Chaves, Resende Costa e Prados se destacam por possuir os menores valores. Inversamente, os maiores valores são pagos nos municípios de São João del-Rei e Barroso, que são as cidades mais populosas da região. Espera-se que em cidades maiores, onde o vereador representa um número mais extenso de eleitores, o subsídio seja mais alto que nas cidades de menor população. São João del-Rei, por exemplo, paga o maior subsídio da região em termos absolutos (R$ 6.603,03). Por outro lado, o

município apresenta o menor valor pago por eleitor em subsídios aos Edis: R$ 0,88 mensais. Mas isso nem sempre é verificável. Piedade do Rio Grande, por exemplo, figura entre os municípios de menor população eleitoral, mas exibe um dos maiores subsídios da região, com o segundo maior custo por eleitor dentre os 18 municípios. O valor médio dos subsídios pagos aos vereadores na região é de R$ 2.491,35. O valor médio gasto por eleitor, a cada mês, para pagar os subsídios dos Edis de seu município é de R$ 3,46 para a região. Conforme revelam os gráficos do Instituto Dataminas, Resende Costa está muito abaixo da média regional nos dois quesitos. O Gráfico 01 traz uma comparação entre o valor bruto do subsídio pago ao vereador em cada município e o valor bruto pago em média na região. O Gráfico 02 mostra uma comparação entre o valor médio pago por eleitor em cada município e o valor pago por eleitor, em média, na região do Campo das Vertentes. A análise dos dados mostra que o município de Resende Costa aparece muito bem em ambos os gráficos. A cidade está muito abaixo da média regional, independentemente do critério adotado (valor bruto do subsídio ou valor gasto por eleitor com o pagamento mensal de subsídios). Nos dois casos, Resende Costa aparece com o segundo melhor desempenho dentre os 18 municípios. Nenhum outro município obteve resultado tão positivo em ambos os critérios analisados.

Fontes: * Portais de Transparência das Câmaras Municipais. Consulta em dezembro de 2018 ** Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Consulta em dezembro de 2018.


PÁG. 4 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Quatro novos profissionais assumem secretarias na Prefeitura de Resende Costa Em 2019, quatro secretarias da Prefeitura Municipal de Resende Costa foram assumidas por novos profissionais, que chegam com a missão de dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido nas áreas da Saúde, Obras, Cultura e Assistência Social. Conheça os perfis dos novos secretários:

SAÚDE

OBRAS

GEÓRGIA ARAÚJO RESENDE, 36 ANOS

RICARDO JOSÉ RESENDE, 30 ANOS

Formação: graduada em Nutrição pela UNIPAC; pós-graduada em Nutrição Humana e Saúde pela UFLA; coach nutricional pela Academia de Coaching e Nutrição; e pós-graduanda em Gestão em Saúde pela UFSJ.

Formação: graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de São João del-Rei e Matemática pela Claretiano, e cursando Técnico em Segurança do Trabalho no IF Sudeste MG.

Experiência: monitora e supervisora do controle de qualidade na empresa Rivelli Alimentos, de Barbacena-MG, onde também atuou como Gerente de Unidade de Alimentação e Nutrição; relacionamento com o público; nutricionista do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) nas Prefeituras de Desterro de Entre Rios e de Resende Costa. “Dentre as secretarias com maiores demandas da Administração Municipal, a Secretaria de Saúde tem uma grande importância para a população. Tratando-se o SUS de uma política pública abrangente e complexa, esta tarefa configura-se como grande desafio. Estou entusiasmada e preparada para contribuir com melhorias na saúde visando resultados que beneficiem a população resende-costense”.

Experiência: trabalhou na área de manutenção e gestão de pessoas da Ferrovia do Aço; gestor na iniciativa privada; amplo relacionamento com público e funcionários. “É uma secretaria que envolve com todas as áreas, como Educação, Saúde, Assistência Social, dentre outras. Tentando trabalhar junto com todas estas secretarias, estamos prontos para atuar no município com a missão de realizar qualquer serviço dentro do prazo programado para a execução. Queremos melhorar a atuação da secretaria na cidade e na zona rural, trabalhando para atender da melhor forma as demandas da população. É um grande desafio, mas estou preparado e assumo a função com muita vontade”.

TURISMO, ARTESANATO E CULTURA

ASSISTÊNCIA SOCIAL

FERNANDO DE RESENDE CHAVES, 33 ANOS

MARCO ANTONIO PEREIRA FARO, 61 ANOS

Formação: graduado em Jornalismo pela UFSJ; mestre em Comunicação Política pela UFJF. Experiência: atuou como assessor de imprensa da Câmara Municipal de São João del-Rei. Em Resende Costa, foi um dos fundadores do Instituto IRIS, ONG ambiental e Cultural que completa 10 anos em dezembro de 2019. Fernando também fez parte da comissão que idealizou e organizou as duas primeiras edições da Mostra de Artesanato e Cultura em 2013 e 2014. “O desafio que se impõe para a jovem secretaria criada em 2018 é o de constituir uma rotina de trabalho que permita maior fomento e apoio aos setores cultural e turístico, incluindo melhor planejamento e organização nos eventos culturais do município, mais eficiência da política de preservação e valorização patrimonial, melhor posicionamento da divulgação turística da cidade e mais proximidade e interação do poder público com as entidades culturais e turísticas de Resende Costa. Esses são os principais eixos de ação considerados indispensáveis para a estruturação efetiva da secretaria, que avançou muito no seu primeiro ano de existência, mas ainda tem um longo caminho a percorrer até ocupar o espaço estratégico que lhe cabe na administração do município”.

Formação: graduado bacharel em Direito pela Faculdade de Direito Candido Mendes; pós-graduado em Direito Civil e Processo Civil; curso de gestor na área da saúde; cursos de desenvolvimentos e competências gerenciais e de negociação e gerenciamento de conflitos. Experiência: Secretário de Saúde em São João del-Rei; assessor jurídico na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; administrador de finanças em clínica de reabilitação geral multifuncional. “Minhas expectativas passam pela reformulação interna e externa da secretaria. Foi estipulado o Café com o Secretário: reuniões semanais de duração máxima de 1h30, objetivando uma maior interação entre as pessoas com formulação de objetivos, apresentação de metas e datas de cumprimento. Vou buscar desenvolver um censo de participação coletiva, realizar reformas estruturais no prédio e nas instalações em geral, visitas a outros municípios objetivando ampliar ideias e inovações, treinamento para toda a equipe e conselhos, além de outras metas. Queremos ainda estimular a ativar canais de comunicação com outros entes públicos e privados, como Câmara Municipal, judiciário, Polícia Civil, Escolas, Conselhos etc.”.


ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

JORNAL DAS LAJES

Especial

• PÁG. 5

Renovação Carismática Católica celebra Jubileu de Ouro no Brasil ANDRÉ EUSTÁQUIO

De 9 a 13 de janeiro, aconteceu na Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), o Encontro Nacional de Formação (ENF-2019) promovido pela Renovação Carismática Católica. O ENF reuniu lideranças carismáticas de dioceses de todo o país, entre elas coordenadores estaduais, de Ministérios e de Grupos de Oração. O evento, realizado pelo segundo ano consecutivo na Canção Nova, celebrou os 50 anos da RCC no Brasil. Segundo o portal de notícias da Canção Nova, o tema do ENF proposto para reflexão é o mesmo que a Renovação Carismática viverá em 2019: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). A missa de abertura do ENF-2019 aconteceu na quarta-feira, 9, às 18h, no Santuário Nacional de Aparecida (SP). A programação do encontro contou com workshops, momentos de oração e de testemunhos, adoração eucarística e “noite carismática”. Diversos pregadores, entre eles religiosos (bispos e padres) e leigos participaram do encontro na Canção Nova. Destaque para a presença da norte-americana Patti Gallagher Mansfield, uma das participantes do Retiro de Duquesne, em Pittsburgh (EUA) em 1967, considerado o início do movimento no mundo. No dia 11, o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, presidiu uma missa no Centro de Evangelização da Canção Nova. O cardeal destacou os 50 anos da Renovação Carismática no Brasil e as obras de evangelização que o movimento realiza, especialmente nos meios de comunicação. “Lá atrás não se imaginava a força dessa expressão carismática (...). Celebrar o jubileu é olhar como uma retrospectiva, ver tantos ministérios reunidos hoje em workshops acolhendo pessoas vindas das mais diversas realidades, isso é fruto do Espírito Santo. Nesse jubileu é tempo de recomeçar todas as coisas, é tempo de olhar para frente, reconhecendo os erros do passado e firmar a decisão para os novos desafios do futuro na evangelização. Se tem algo marcante na RCC, é saber anunciar

Jesus Cristo”, disse o cardeal. O SURGIMENTO DA RCC Quem já participou de um Grupo de Oração ou de uma missa abrilhantada pelas músicas e pelo “rito carismático” pôde perceber que a liturgia dessas celebrações destoa do tradicional rito romano. As celebrações carismáticas, dentro ou fora da missa, são animadas por muita música, palmas e mãos estendidas para o alto. É o estilo carismático de celebrar. Para muitos a Renovação Carismática Católica revolucionou a Igreja, conquistando milhares de fiéis que estavam migrando para diversas denominações evangélicas. Mas há também críticas ao movimento vindas de setores mais conservadores da Igreja. A Renovação Carismática Católica, em sua origem nos EUA em meados da década de 1960, foi também chamada de “Pentecostalismo Católico” devido à forte presença do culto ao Espírito Santo, conforme se constata nos relatos dos fundadores. A RCC teve origem a partir de um retiro espiritual realizado entre os dias 17 e 19 de fevereiro de 1967, na Universidade de Duquesne, em Pittsburgh, estado da Pensylvania. A partir de uma experiência descrita pelos participantes do retiro como fortemente espiritual, rememorando, segundo eles, a manifestação do Espírito Santo no evento de Pentecostes, no início do cristianismo, os adeptos se organizaram em grupos, comunidades e movimentos que se espalharam pelos Estados Unidos e pelo mundo, seguindo ideais espirituais e regras de vida. CAUTELA E RECONHECIMENTO A Igreja Católica, uma instituição milenar, é conhecida por se pronunciar e agir sempre com cautela diante de fatos que surgem dentro e fora dos seus muros. E essa reação não foi diferente em relação à Renovação Carismática. No início, alguns integrantes da hierarquia da Igreja apoiaram o Movimento, alegando ser ele “um precursor do ecumenismo (maior unidade de testemunho do Evangelho entre as diferentes tradições cristãs). Pensava-se que essas práticas aproximariam a Igreja Católica e as comunidades protestantes em um ecumenismo verdadeira-

mente espiritual”, destaca uma publicação sobre a RCC. Atualmente, a Renovação Carismática Católica é reconhecida como um Movimento Eclesial e tem o apoio do papa, de bispos e de sacerdotes de dioceses do mundo inteiro Os últimos quatro papas, Paulo VI, São João Paulo II, Bento XVI e Francisco reconheceram a RCC. Oficialmente, Paulo VI reconheceu o Movimento em 1971 e o reafirmou canonicamente em 1975. O romano pontífice responsável pela conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II (19621965) disse que a Renovação Carismática “trouxe vitalidade e alegria à Igreja”. São João Paulo II também apoiou a Renovação e foi a favor da sua política considerada conservadora. Tanto João Paulo II quanto seu sucessor Bento XVI ao mesmo tempo que “reconheceram bons aspectos do movimento”, pediram“cautela, ressaltando que os membros devem manter sua identidade católica e comunhão com a Igreja Católica”. Entre os anos de 1995 e 2000, foi realizado pelos pesquisadores David Barret e Tood Johnson um amplo levantamento quantitativo sobre a expansão da Renovação Carismática pelo mundo, desde o seu surgimento em 1967. De acordo com o estudo, em 1970 já havia grupos de oração em 25 países e, em 1975, em 93 nações. No ano de 2000, a Renovação Carismática encontrava-se presente em 235 países, por onde se distribuíam cerca de 148.000 Grupos de Oração. A RCC DO BRASIL A Renovação Carismática Católica chegou ao Brasil, considerado o maior país católico do mundo, em 1969 e espalhou-se rapidamente pelas grandes cidades e dioceses. O Movimento teve início em Campinas (SP) através dos jesuítas padre Haroldo Joseph Rahm e padre Eduardo Dougherty. De Campinas, a RCC tomou os mais diversos caminhos e expandiu-se pela maioria dos estados, como mostra detalhadamente o site oficial da RCC Brasil (www.rccbrasil.org.br). O padre salesiano Cipriano Chagas, em sua tese de mestrado A descoberta do Espírito e suas implicações para uma transformação eclesial – um estudo sobre a Renovação Carismática, afirma:

Foto portal RCC Brasil

Evento realizado em janeiro na Comunidade Canção Nova marcou os 50 anos da RCC

Encontro Nacional de Formação 2019 da Renovação Carismática, na Comunidade Canção Nova

“No início, a Renovação atingiu os líderes já engajados em movimentos como Cursilho, Encontros de Juventude, TLC etc. e foi se ampliando gradativamente como uma nova ‘onda’ de evangelização com identidade própria”. Em 1972, padre Haroldo Rahm publicou o livro Sereis Batizados no Espírito. A obra, na qual o autor explica o que é o “Pentecostalismo Católico”, é considerada uma das publicações pioneiras no Brasil sobre a Renovação e motivou o surgimento de diversos Grupos de Oração. Padre Haroldo foi o responsável por divulgar a Renovação Carismática a muitos dos que viriam a se tornar suas lideranças, entre eles o padre (hoje monsenhor) salesiano Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova. A adesão do padre Jonas ao movimento, logo no início, é considerada por muitos como responsável por dar “um grande impulso à Renovação”. A década de 1980 assistiu ao grande fortalecimento da Renovação Carismática no Brasil, conforme elucida Brenda Carranza em seu livro Renovação Carismática Católica: origens, mudanças e tendências: “A partir de 1980, a Renovação Carismática consolidou-se institucionalmente, espalhando-se por todo o território nacional, vindo a ocupar um espaço significativo na mídia, seja como objeto de notícias, seja como usuária dos meios de comunicação social.” Em 1980, o jesuíta Eduardo Dougherty fundou a Associação do Senhor Jesus (ASJ). No portfólio da associação havia uma vasta lista de materiais religiosos, como livros de formação e de cânticos, visando a dar subsídios à realização de programas de TV. Logo em seguida, foi criado o programa “Anunciamos Jesus”, que, em 1986, já

cobria, através de três redes de TV, 60% do território nacional. Atualmente, a grande referência da Renovação Carismática no Brasil é a Comunidade Canção Nova. Iniciada em 1974 na cidade de Lorena, interior de São Paulo, a Comunidade adquiriu em 1980, em Cachoeira Paulista, uma rádio e mais adiante, em 1989, conseguiu uma concessão de TV. Através da Fundação João Paulo II, a Rede Canção Nova TV é o canal católico que mais cresce no Brasil, possui retransmissoras em todas as regiões do país, estando também presente na Itália e em Portugal. Segundo o site da RCC Brasil, “estudos recentes contrariam alguns prognósticos da não expansão da base social da Renovação para além da classe média, indicam que o movimento também chegou às camadas trabalhadoras dos bairros populares, onde há uma tendência ao crescimento acelerado.” Ainda de acordo com o portal da RCC, atualmente a Renovação Carismática encontra-se presente em todos os estados e também no Distrito Federal, com 285 coordenações (arqui)diocesanas organizadas e cadastradas junto ao Escritório Nacional. Uma estimativa realizada no final de 2005, junto às coordenações estaduais da RCC, contabilizou como aproximadamente 20.000 o número de Grupos de Oração em todo o Brasil, excluindo as comunidades de vida, de aliança, associações e outras tantas atividades de apostolado ligadas à RCC. Fontes: Portal da Comunidade Canção Nova (www.cancaonova.com); portal da Renovação Carismática Católica Brasil (www. rccbrasil.org.br); Wikipédia.


PÁG. 6 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

Especial

No início da década de 1990, em Resende Costa pouco se conhecia sobre a Renovação Carismática Católica, um movimento religioso de espiritualidade pentecostal nascido em 1967 nos Estados Unidos, que chegou ao Brasil dois anos depois. Meu primeiro contato com a Renovação se deu em 1991, quando, aos 10 anos de idade, ingressei-me no grupo dos Coroinhas da Paróquia Nossa Senhora da Penha de França. A saudosa Lilia Lara era a coordenadora dos Coroinhas e em nossas reuniões, realizadas todas as sextas-feiras às 17h, no Centro de Pastoral Paroquial Nossa Senhora da Penha (CPP), rezávamos o Terço, meditávamos textos da Sagrada Escritura e cantávamos músicas, até então desconhecidas por nós, de um certo padre Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), hoje um dos maiores líderes da Renovação Carismática no Brasil e no mundo. Na tarde do dia 25 de janeiro último, conversando na igreja de Nossa Senhora do Rosário com membros do Grupo de Oração Filhos de Maria, da Paróquia Nossa Senhora da Penha de França, concluímos que a Lilia Lara, com seu enorme carisma, espiritualidade e perseverança no trabalho de evangelização, foi a precursora da Renovação Carismática em Resende Costa. “Ela foi uma grande intercessora para que o Grupo de Oração pudesse ser criado”, diz Maria da Conceição Mendonça de Resende. Uma ata registra oficialmente a criação do primeiro Grupo de Oração na Paróquia de Resende Costa em novembro de 1999. Porém, entre os dias 26 de julho e 01 de agosto do mesmo ano, foi realizado na paróquia o primeiro Cerco de Jericó, considerado precursor do Grupo de Oração Filhos de Maria. “Em visita à Canção Nova, eu tive uma experiência muito forte durante a adoração ao Santíssimo e refleti: o mesmo Jesus que está aqui realizando milagres também está em Resende Costa”, disse Maria Margarida Mendonça Resende Pinto, integrante do Grupo de Oração Filhos de Maria e uma das idealizadoras do Cerco de Jericó, que acontece até hoje na Paróquia Nossa Senhora da Penha de França. Ésio Marciel de Assis, atual coordenador do Grupo de Oração Filhos de Maria, explica melhor o que vem a ser o Cerco de Jericó: “O Cerco de Jericó é uma vigília que dura sete dias, cujo propósito é derrubar as muralhas, conforme se encontra no livro de Josué, capítulo 6, no Antigo Testamento. Mas que muralhas são essas? As tribulações, doenças...”. “Definindo bem, o Cerco de Jericó é o momento para a gente converter o coração para, assim, vencer as tribulações”, completa Conceição Mendonça.

No início, em 1999, tanto o Cerco de Jericó quanto o Grupo de Oração eram realizados nos bairros, mais especificamente nas casas de alguns moradores da cidade. “Durante o dia, o Santíssimo Sacramento ficava nas casas e à noite ia para a capelinha na igreja matriz para a vigília de 24 horas”, lembra-se Conceição Mendonça. “O Cerco de Jericó abriu as portas para o Grupo de Oração e ainda impulsionou a construção de capelas em alguns bairros da cidade”, destaca Ésio Assis. GRUPO DE ORAÇÃO No início dos anos de 1990, a Paróquia Nossa Senhora da Penha de França viveu uma grande efervescência de movimentos religiosos importantes, como os grupos de jovens e de Emaús. Em 1994 e 1995, foram criados os grupos de Jovens Shalom e Sal da Terra, este último no povoado dos Pintos. “Nesta época, eu conheci a Canção Nova, o jeito Carismático de ser”, conta Ésio Assis. Ele destaca a importância dos grupos Shalom, Sal da Terra e Emaús para o surgimento e o fortalecimento da Renovação Carismática em Resende Costa: “Esses grupos abraçaram o Cerco de Jericó e, consequentemente, levaram toda a comunidade a abraçar também. Hoje o Cerco de Jericó não é exclusivo da Renovação, mas de toda a comunidade”. O Cerco de Jericó acontece três vezes ao ano, em janeiro, julho e outubro com Adoração ao Santíssimo Sacramento na capelinha da igreja matriz de Nossa Senhora da Penha. O Grupo de Oração Filhos de Maria conta com a participação de inúmeros fiéis que se reúnem toda segunda-feira, às 19 horas, na igreja do Rosário. “A identidade do Grupo de Oração é o batismo no Espírito Santo, a prática dos carismas e a vida em comunidade”, explica Maria Margarida. O grupo tem um núcleo de coordenação que se reúne antes de cada encontro e escolhe o Rema, isto é, o tema proposto para o encontro. “O Rema é o que Deus que falar naquele dia”, diz Conceição Mendonça. O Rema segue sempre um roteiro composto dos seguintes temas: Amor de Deus, Pecado, Jesus Salvador, Senhorio de Jesus, Fé e Conversão, Cura Interior e Comunidade. “Em cada encontro do Grupo de Oração, nós trabalhamos um tema específico. O encontro inicia-se com louvores através da música, com o objetivo de alegrar os participantes; depois segue-se um momento de oração de acordo com o tema do encontro; em seguida, vem a pregação do dia, retirada do Rema; e concluímos com um momento breve de testemunhos e de oração”, detalha Maria Margarida. “O essencial do Grupo de Oração é a conversão, ou seja, levar as pessoas a mudarem de vida através do batismo no Espírito Santo. Esse é o objetivo maior”, frisa Conceição Mendonça.

Membros do Núcleo do Grupo de Oração Filhos de Maria. O grupo se reúne todas as segundas-feiras na igreja do Rosário Foto Ésio Assis

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Foto Leticia Resende

Grupo de Oração Filhos de Maria fortalece a espiritualidade da Renovação Carismática Católica em Resende Costa

Cantinho da Criança do Grupo de Oração Filhos de Maria

FORMAÇÃO E COMUNHÃO COM A IGREJA Quando a Renovação Carismática começou a se espalhar e a se fortalecer nas dioceses e paróquias do Brasil, a reação das autoridades eclesiásticas se dividiu entre apoio e não aceitação. Houve bispos e padres que temiam o que consideravam exageros na maneira de louvar e de pregar. Todavia, com o tempo, as lideranças da RCC convenceram a hierarquia da Igreja de que o movimento segue total comunhão eclesiástica. “No início, muitas pessoas não estavam preparadas e, na alegria de viver esse algo novo, às vezes praticavam certo fundamentalismo na interpretação da Palavra de Deus. Há casos de pessoas que chegaram a discutir com os padres”, diz Maria Margarida. Conceição Mendonça destaca a importância da formação: “A formação é a guardiã dos carismas. A adoração é um exercício espiritual que deve ser educado, orientado.” Maria Margarida fala das incompreensões que ainda surgem em

relação aos Grupos de Oração e aos carismas cultivados pela Renovação Carismática: “É preciso deixar claro que o batismo no Espírito Santo não é um novo batizado; nós já fomos batizados quando crianças e recebemos o Espirito Santo através do sacramento do Crisma. O batismo no Espírito Santo significa reavivar, assegurar que sou templo do Espírito, marcado por Ele.” O Grupo de Oração Filhos de Maria é formado por Ministérios. Ao todo, 11 servos, divididos em pregadores e coordenadores, formam o Núcleo. Além deles, mais 26 servos trabalham nos diversos ministérios: promoção humana, família, música, intercessão, crianças, jovens, formação e pregação. “Muita gente pensa que se trata de um grupo fechado. É o contrário, o grupo é aberto, mas quem quiser participar da Renovação precisa passar pelo processo formativo”, explica Conceição Mendonça. A formação dura aproximadamente três anos. Em Resende Costa, os encontros formativos acontecem a cada 15 dias.

“De vez em quando, descobrem-se alguns Grupos de Oração ‘clandestinos’, que não estão em comunhão com a Renovação e com as paróquias. O objetivo, quando isso acontece, é orientá-los a viver em comunhão com as paróquias e com a Renovação”, diz Lucilene de Resende Assis. “O Grupo de Oração Filhos de Maria está em total e comunhão com a nossa paróquia e obediência a ela. Nosso objetivo é conduzir de volta à Igreja sobretudo aqueles que se encontram distantes dos sacramentos”, afirma Ésio Assis. Ésio Assis, Lucilene Assis e Maria Margarida participaram, de 31 de maio a 4 de junho de 2017, em Roma, do Jubileu de Ouro da Renovação Carismática. Para eles, foi uma experiência indescritível. “O Papa Francisco falou aos presentes no encontro no Circo Máximo que ‘agora as rugas estão começando a aparecer; estamos (Renovação Carismática) vivendo o período de amadurecimento, colhendo os frutos’”, lembra-se Lucilene Resende.


ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 7

ESPECIAL entrevista com padre Javé Domingos

“A RCC surge no contexto do encerramento do Concílio Vaticano II, convocado por São João XXIII, que conclamava a Igreja a viver ‘um novo Pentecostes’”

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Neste ano, comemoram-se os 50 anos da Renovação Carismática Católica (RCC) no Brasil. Esse movimento católico nasceu durante um retiro de jovens na Universidade de Duquesne, nos Estados Unidos, em 1967. Apenas dois anos depois, o movimento carismático chegava ao Brasil, em Campinas (SP), através dos jesuítas padre Haroldo Rham e padre Eduardo Dougherty (ver reportagem na página 5). A partir desse impulso, o chamado “Pentecostalismo Católico” rapidamente se espalhou pelo Brasil todo. Na Diocese de São João del-Rei, a RCC se faz presente em quase todas as paróquias. O Jornal das Lajes conversou com o padre Javé Domingos Silva, assistente eclesiástico da Renovação Carismática na Diocese de São João del-Rei. Padre Javé é pároco da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Minduri, Sul de Minas. PRESENÇA DA RENOVAÇÃO CARISMÁTICA NA DIOCESE DE SÃO JOÃO DEL-REI “A Renovação vem realizando trabalhos de evangelização e procurando, de maneira esforçada, viver em tudo a comunhão com a Igreja. Além das práticas de espiritualidade, muitos Grupos de Oração mantêm atividades sociais na busca de uma pregação encarnada e viva. Estamos, atualmente, realizando pesquisas sobre as origens. Mas

é certo que nos dois primeiros anos da década de 1980 já havia grupos de oração em Lavras e São João del-Rei.” O SURGIMENTO “A RCC surge no contexto do encerramento do Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado por São João XXIII, que conclamava a Igreja a viver ‘um novo Pentecostes’, nessa quadra de grandes novidades para a sociedade e para a Igreja. De fato, a década de 60 do século passado foi um período de intensas transformações em todo o mundo. Na política, nos comportamentos e nos estilos. Na Igreja essas transformações chegariam movidas pelo impulso do Espírito, promovendo o aggiornamento (atualização) proposto por São João XXIII. A RCC surge com outros inúmeros movimentos e novas comunidades que assumiram tal orientação do Concílio, como afirmou o Papa Bento XVI: ‘Quem olha para a história da época pós-conciliar pode reconhecer a dinâmica da verdadeira renovação, que muitas vezes assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que torna quase palpáveis a vivacidade inesgotável da Santa Igreja, a presença e a ação eficaz do Espírito Santo’ (Missa Crismal, 2012).” ESPIRITUALIDADE, METODOLOGIAS E PASTORAL “A espiritualidade da RCC se fundamenta, essencialmente, na cultura de Pentecostes e no uso dos dons carismáticos (dons ministeriais colocados a serviço da comunidade). A RCC prega,

ainda, uma experiência religiosa do encontro pessoal e comunitário com o Cristo como forma de engajamento eclesial. As metodologias próprias de oração e de evangelização utilizadas pela RCC não raro provocaram estranheza e questionamentos; afinal, tratava-se de novidades que não estavam isentas de desvios e exageros. Entretanto, transcorridos 50 anos de existência, a RCC é uma das expressões da Igreja de nossos tempos, com trabalhos já reconhecidos e com práticas já depuradas. Muitos frutos tem dado à seara da Igreja: renovação da pertença eclesial, recuperação de pessoas já ‘perdidas’, incentivo à leitura da Palavra de Deus, incentivo à prática sacramental são alguns dos muitos frutos colhidos nesse meio século. Já a base pastoral da RCC é constituída pelos Grupos de Oração, que são encontros semanais nos quais os participantes louvam a Deus, rezam com os dons carismáticos, refletem a Palavra de Deus e aprimoram a vivência da fraternidade.” FRUTOS “Nesse meio século, a Renovação Carismática Católica tem feito muito bem à Igreja e às pessoas, apresentando um modo simples e novo de seguimento do Evangelho. É notável o incremento da vida sacramental, o fortalecimento da identidade eclesial, novos projetos de vida a partir de mudanças e conversões, dentre muitos outros frutos bons, superando caminhos tortuosos e preconceitos, com grande esforço de caminhada nos trilhos seguros da Santa Igreja.”

Foto Arquivo Particular

Padre Javé Domingos, assistente eclesiástico da Renovação Carismática na Diocese de São João del-Rei, conversou com o JL sobre a RCC, que está comemorando Jubileu de Ouro no Brasil

Padre Javé Domingos é pároco de Minduri e assessor eclesiástico da Renovação Carismática na Diocese de São João del-Rei

Padre Javé Domingos, Assessor Eclesiástico da RCC, em encontro com membros do Movimento


PÁG. 8 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

CULTURA

Jornalista Fernando Chaves é o novo secretário municipal de Artesanato, Turismo e Cultura de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

Foto Fernando Chaves, arquivo pessoal

Fernando Chaves

No início de 2018, foi implantada em Resende Costa a Secretaria Municipal de Artesanato, Turismo e Cultura (SETAC), um antigo sonho de administrações anteriores que vinha sendo destaque em praticamente todos os projetos de governo, mas não se efetivava, sobretudo por falta de recursos financeiros. Ter na estrutura administrativa uma secretaria que possa cuidar de políticas públicas voltadas à cultura e ao turismo, considerados, ao lado da agropecuária, os principais vetores de desenvolvimento da economia de Resende Costa, é uma estratégia vista como impor-

tante para o futuro do município. Em seu primeiro ano, a SETAC contou com dois secretários. O empresário Cícero Chaves foi o primeiro a assumir a secretaria, ficando, porém, apenas um mês na função, assumida logo em seguida pelo servidor municipal Lucas Lara. No início deste mês, após a saída de Lucas, o jornalista Fernando de Resende Chaves tomou posse como novo secretário municipal de Artesanato, Turismo e Cultura. Fernando Chaves formou-se em Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), é mestre em Comunicação Política pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), atuou por dois anos como assessor de imprensa da Câmara Municipal de São João del-Rei. Em Resende Costa, foi um dos fundadores do Instituto IRIS, ONG ambiental e cultural que completa 10 anos em dezembro de 2019. O secretário também fez parte da comissão que idealizou e organizou as duas primeiras edições da Mostra de Artesanato e Cultura em 2013 e 2014. Num momento em que os municípios mineiros sofrem com a falta de recursos financeiros, Fernando assume a SETAC com a importante missão de organizar o carnaval, a maior festa popular de Resende Costa, que vem pas-

sando por reformulações. Além do carnaval, há ainda uma agenda de eventos, como a Mostra de Artesanato e Cultura, e importantes ações de preservação do patrimônio material e imaterial que demandam investimentos. O JL, do qual Fernando Chaves é colaborador assinando a coluna “Com Política!”, elaborou três perguntas para o novo secretário de Artesanato, Turismo e Cultura de Resende Costa. O que o motivou a ser secretário de Artesanato, Turismo e Cultura de Resende Costa? A criação de uma secretaria municipal voltada para os campos do turismo e da cultura é uma reivindicação antiga em Resende Costa. Eu acompanhei essa discussão, que foi apresentada por vários movimentos sociais com os quais eu convivi ou dos quais participei, como AmiRCo, IRIS, Jornal das Lajes, Asseturc, dentre outros. Esse ideal de uma secretaria voltada para o turismo e a cultura também foi debatido intensamente em eleições municipais por mais de uma década. Depois de todo esse tempo de debate e reivindicações, a administração municipal conseguiu em 2018 iniciar a estruturação da secretaria e, com isso, o setor cultural e o turístico ganharam grande expectativa de avanço. Minha maior motivação ao assu-

mir a secretaria vem da possibilidade de poder contribuir para a estruturação desse setor tão importante para a administração do município e que acabou sendo criado tardiamente em Resende Costa. Quais são seus principais objetivos frente à secretaria? O objetivo maior que se impõe para a jovem secretaria é o de constituir uma rotina de trabalho que permita maior fomento e apoio aos setores cultural e turístico, incluindo melhor planejamento e organização nos eventos culturais do município, mais eficiência da política de preservação e valorização patrimoniais, melhor posicionamento da divulgação turística da cidade e mais proximidade e interação do poder público com as entidades culturais e turísticas de Resende Costa. Esses são os principais eixos de ação considerados indispensáveis para a estruturação efetiva da secretaria, que avançou muito no seu primeiro ano de existência, mas ainda tem um longo caminho a percorrer até ocupar o espaço estratégico que lhe cabe na administração do município. Como desenvolver projetos culturais e turísticos no município contando com poucos recursos financeiros? Em cada eixo de ação que mencionei aci-

ma, é possível elencar diversas ações possíveis. Algumas ações são mais desafiadoras por envolverem custos mais significativos, como a sonhada revitalização das Lajes de Cima ou a implementação do centro de informação ao turista. Para executá-las num período de escassez de recursos como o atual, é preciso eficiência no planejamento, na busca e na gestão dos recursos. Por outro lado, há ações menos onerosas, que podem ser desenvolvidas com criatividade e com o apoio imprescindível da sociedade e das associações do município, tais como: o melhoramento da divulgação turística do município, utilizando sobretudo a internet e as novas mídias digitais; o aprimoramento da identidade cultural das festividades que fazem parte da nossa tradição; a implementação de novas iniciativas de educação patrimonial. Somos provavelmente a secretaria com maior potencial para a interação com a iniciativa popular e com as associações civis. Somos também a secretaria que representa a classe cultural e artística do município. Estes são os nossos trunfos para enfrentar a escassez de recursos: a criatividade, que é típica da classe cultural, e a articulação entre poder público e entidades civis, tão profícua quando se trata de ações culturais e turísticas.

Aconteceu

Jovens peregrinos de Resende Costa participaram da JMJ 2019, no Panamá Entre os dias 22 e 27 de janeiro, as atenções do mundo inteiro, especialmente da Igreja Católica, estiveram voltadas para o Panamá, país latino que sediou a 34ª edição da Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2019). Com o tema “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”, milhares de jovens de diversos países aproveitaram o evento para se encontrar com o Papa Francisco, que participou do evento. Os peregrinos Luara Ramona, Lucas Lara, Sandro Reis, Camila Silva, Fernando Resende e a pequena Marcela, filha do casal Fernando e Camila, representaram a cidade de Resende Costa (Paróquia Nossa Senhora da Penha de França) e a Diocese de São João del-Rei. Para o grupo, a JMJ revela o amor da Igreja pelos jovens e, ao mesmo tempo, o amor dos jovens pela Igreja. “A Jornada é uma experiência muito forte na vida do jovem. Além da vivência de

espiritualidade que a JMJ propõe, é uma oportunidade intrinsecamente cultural com povos de todo o mundo, afinal foram representados mais de 190 países”, disseram os representantes de Resende Costa. A presença do Papa Francisco foi destaque na 34ª Jornada Mundial da Juventude. “Ele deixou uma mensagem forte, simples, penetrante e inspiradora”, destacaram os jovens peregrinos de Resende Costa. De acordo com eles, além da agenda religiosa, outro ponto marcante da viagem ao Panamá foi a experiência turística: “Conhecemos do Pacífico ao Caribe, o icônico Canal do Panamá, a dicotomia do histórico e do moderno da ‘Dubai Latina’ e tantos outros lugares que fizeram dessa viagem algo inesquecível”. A próxima Jornada Mundial da Juventude acontecerá em 2022 em Lisboa, Portugal. “De certo, estaremos lá”, afirmam os peregrinos resende-costenses. A.E.

Da esq. para a dir., Camila Silva, Lucas Lara, Luara Ramona e Sandro Reis. O grupo de peregrinos representou a Paróquia Nossa Senhora da Penha de França na JMJ 2019 no Panamá


ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

JORNAL DAS LAJES

A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

PARA AS BRUMAS DE BRUMADINHO Não sei ressuscitar Lázaros. Nem sei abrir Mares Vermelhos levantando o meu braço. Mas consigo colocar atemporalidades em palavras que costumam frequentar meus textos. Não sei se com isso eu faço milagres ou sou apenas um dublê de profeta. Quando se é afeito a vaticínios, as coisas que abalam o cotidiano são meras surpresas previsíveis. Salário sarcástico de quem ousa trabalhar acima do tempo. A bem da verdade, nem é preciso ser adivinho para acertar no país de Macunaíma. Por aqui, é possível há muito tempo conhecer as consequências sem saber das causas. Era sabido que a lama da barragem de Mariana desceria pelo ralo, escoaria toda para o Fundão da impunidade. Quem errou? É fácil ser Nostradamus por aqui. Já é sabido que barragens ilegais trabalham sem ser barradas de maquiar com barro o bom senso que berra, sem fazer birra, contra a molecagem burra que borra a história de um povo que quer ser nação. Quem errará as consequências? Nostradamus? Esse já se desgastou de tanto prever o óbvio. Macunaíma? Que preguiça... ver sempre as mesmas coisas... Que preguiça! E agora, de novo, mais uma surpresa previsível no país em que meio ambiente é apenas mero ambiente. Outra barragem desceu pela passarela funesta, num desfile sem dança, com alas de foliões defuntos, mestre-sala sem porta-bandeira, passistas esquartejados, alegorias atropeladas, enredo sem dizeres. Lá vai, morte a fora, o desfile sem aplauso da Escola de Sombra.

Sempre fica algo depois de todo desfile. No Brumadinho, ficou a bruma triste embaçando o olhar de quem perdeu tudo... na Mina do Feijão, nem mina nem feijão, pois as pepitas que se encontram são corpos que já não mais respiram, são bocas que pedem sustento... na região, um grito cavo – por baixo da lama – ruge exigindo reparação. E quase que Inhotim vira museu de natureza morta! A lama, quando secar, fará aparecer figuras de barro seco, imóveis e sinistras, que um dia viveram. Antes de sumirem do cenário, ainda conseguirão reescrever a história dos últimos dias de uma Pompeia que poderia não acontecer. Essa história já havia sido reescrita antes, no lamaçal de Mariana. Todo mundo leu, porém ninguém aprendeu. E agora Brumadinho reedita, sem revisões, a mesma história. E o pergaminho será corroído pelas traças da amnésia nacional. Não sei ressuscitar nem sei abrir caminhos no mar. Que minha crônica, pelo menos, possa soprar um pouco de vida sobre os desventurados bonecos de barro de Brumadinho, a fim que se convertam em Adões e Evas voltando ao paraíso da justiça, ganhando a redenção vivificante da memória que transforma. Não sei fazer cegos enxergarem em Jericó. No entanto, posso aproveitar minhas lágrimas (mesmo que burguesas, porém sinceras) e misturá-las à terra, formando argila pura e colocá-la nos olhos da história. Talvez o milagre da visão aconteça. Talvez assim eu possa profetizar sem ser dublê.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

• PÁG. 9

Nos bares da vida No momento em que começo a escrever a presente matéria, tarde calorenta de uma quarta-feira já com a volta do futebol no país, grande parte dos brasileiros tem um destino certo depois do trabalho, antes do retorno para casa: chegar ao bar de alguém e ali passar um tempo ou muito tempo. O calor de agora e os jogos dos campeonatos estaduais pela TV são incentivos a mais para que esse quase ritual aconteça, mas, independentemente deles, quem frequenta esse tipo de lugar nem precisa de motivos para tal. Ou tem todos os motivos para isso. Encontrar velhos e novos conhecidos para tomar uma (ou umas). Claro! Uma cerveja ou pinguinha. Jogar uma sinuca é também uma boa pedida. Afogar as mágoas nem tanto. Reunir-se com os amigos para botar o papo em dia é programa certo. Molhando a palavra, há os que gostam de fazer divagações sobre a vida numa prosa mais ou menos séria, caracterizando a tal filosofia de botequim. Nesse cenário de levantamento de muitos copos e animada troca de ideias, todo mundo é um pouco filósofo destilando etílicas reflexões de toda ordem. Dada a força de sua presença por todos os recantos brasileiros, o bar, o boteco e o botequim são uma “instituição” nacional. Bar pode ser o “balcão diante do qual as pessoas, de pé ou sentadas em bancos altos, consomem bebidas e iguarias leves” – Dicionário Aurélio. Boteco deriva de botequim, que é um “esta-

belecimento comercial onde se servem bebidas em geral (bebidas alcoólicas, refrigerantes, café, etc.) e pequenos lanches” (Aurélio). Indistintamente, as três denominações têm relação com o Brasil. Da mesma forma, a França tem seus cafés; a Inglaterra, seus pubs; a Itália, suas cantinas. E se é para mostrar a consistência desse setor em terras tupiniquins, BH, a capital mundial dos botecos, comparece há 20 anos com o seu Comida di Buteco; assim mesmo, do jeito que o mineiro fala, usando um brasileirismo em sua forma mineirês. O evento, aliás, o concurso é um sucesso que vem se expandindo por outras cidades brasileiras, fortalecendo a cultura de “buteco” em todo o país. Uma doce e particular lembrança, talvez de muitos resende-costenses, atende pelo nome de Bar do Nenê, situado na esquina onde atualmente está instalada a Drogaria Santo Antônio, nos “Quatro Cantos”. Não sei quanto tempo durou, nem quem exatamente o frequentava como adulto. Para a clientela infantil, a alegria se concentrava num baleiro cheio e todo colorido, nos canudos da Dinair, alguns chocolates em barra e irresistíveis (e proibidos em minha casa) chicletes PingPong. Igualmente lembrados e marcados por épocas distintas, muitos outros bares da cidade se destacaram em relação ao que se propuseram fazer, seja como negócio, seja como entretenimento, em sua versão copo-sujo (costumam

ser imbatíveis) ou com visual todo bacana. Bar do Zé do Boqueirão, do Rubinho, do Bita, do Bieca, Scotch Bar, Cantoria, Taiobar e o despretensioso e original Presépio foram alguns desses lugares inesquecíveis para algumas gerações de frequentadores locais. No passado, um reduto quase exclusivamente masculino, o bar hoje, abrangendo um público bem diversificado, é ponto de encontro. Nesse sentido, as pessoas se acham. E acham o que fazer, além de beber, é claro! E pedir também um tira-gosto no capricho. Dependendo do perfil do estabelecimento, pode rolar uma música, às vezes, ao vivo. De forma discreta ou ostensiva, o quase sempre presente aviso de alerta contra o fiado é uma tentativa da casa de evitar o pendura e pior, o calote. Isso porque a “dolorosa”, ou seja, a conta sempre vem, não sem o pedido de uma ou de várias saideiras até a saída propriamente dita da pessoa, sabe-se lá em que condições. Bares e similares são pequenos ou grandes empreendimentos garantindo trabalho e sustento a muita gente, felizmente sem a marginalização imposta em outros tempos a esses ambientes de lazer, que podem ser simplesmente alegres, saudáveis e relaxantes, grande parte deles um misto de padaria e mercearia. Vai uma cerveja aí? Homenagem a todos os que se divertem e/ou trabalham nos bares de Resende Costa e da região.


PÁG. 10 • JORNAL DAS LAJES

Cidade

ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

As visitas realizadas aos domicílios e o desempenho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) receberam avaliação positiva de mais de 90% dos usuários do Programa Saúde da Família (PSF) ou Estratégia Saúde da Família (ESF) de Resende Costa, entrevistados pelo Instituto Dataminas, em pesquisa para a Prefeitura Municipal. Outro resultado é a boa avaliação do desempenho de enfermeiros, médicos e auxiliares, porém com índices inferiores (entre 65% e 84%). “Sobre os médicos do PSF, é comum a reclamação do baixo acesso ao profissional (pouca presença nas residências) e, de modo mais geral, observam-se relatos da escassez do profissional de medicina no município.” O atendimento, sobretudo domiciliar, e o desempenho das equipes de atenção básica foram aprovados, com ressalvas. O mesmo não se pode dizer da parte de infraestrutura, que recebeu mais críticas. O objetivo do estudo foi verificar a eficiência das equipes e dos profissionais de saúde e medir o nível de satisfação dos usuários do SUS com o popular PSF. O estudo também contribui para conhecer melhor o perfil social e de saúde dos domicílios que utilizam os serviços. Com base em cálculo amostral, foi definida amostra de 346 entrevistas (na realidade, 351) num universo de 3.448 famílias cadastradas nos PSFs do município. As entrevistas foram realizadas nos dias 20 e 21/10/18 na área do PSF 1 (“Urdindo cuidado, tecendo saúde”). Nos dias 22 e 27/10, foi a vez do PSF 2 (“Elo saudável”) e, nos dias 03 e 04/11, no PSF3 (“Saúde em foco”). Perfil. Estima-se que 70% dos domicílios vinculados aos PSFs possuem entre 2 e 4 moradores; 87,7% das famílias possuem renda máxima de três salários mínimos; 25,9% das famílias recebem algum benefício do governo; e 58,4% das famílias atendidas utilizam os serviços de saúde há mais de 10 anos continuamente. Aline Valéria Caldeira Santos, então secretária da Saúde, chama a atenção para o impacto gerado pelas doenças crônicas (diabetes, hipertensão, etc.) e para usuários domiciliados (que não

Fotos André Eustáquio

Agentes Comunitários de Saúde de Resende Costa bem avaliados por usuários do PSF

Sede do PSF 1, próximo à Prefeitura Municipal

Local onde funciona a sede o PSF 3, no Posto de Saúde, centro de Resende Costa

saem de casa) por alguma outra enfermidade. Segundo a pesquisa, 54,1% das famílias do município têm algum membro com doença crônica, acamado ou domiciliado. O PSF3, implantado em abril de 2018, apresentou o maior percentual (56,7%) de usuários acamados/domiciliados ou com hipertensão/diabetes. Já os PSFs 1 e 2 contêm, respectivamente, 40,1% e 41,8% de famílias com alguém caracterizado por doença crônica. Para indivíduos com maior faixa etária, o PSF 3 é importante por “facilitar o acesso dos moradores da zona rural à saúde e, principalmente, oferecer atenção especial ao grupo de pessoas com doenças e agravos correntes dessa localização”. “Após a implantação da ESF Saúde em Foco, no município de Resende Costa, obtiveram-se grandes avanços em relação ao mapeamento de saúde da área, que ainda estava descoberta, totalizando-se, assim, 100% da cobertura da cidade”, diz Aline. As visitas realizadas pelos agentes comunitários evidenciaram hipertensão, diabetes e obesidade como principais fatores de risco nessa população. O PSF 3 “contém o maior percentual (56,7%) de domicílios com indivíduos que possuem alguma doença e, dentre essas doenças, 48,08% remetem a diabetes e hipertensão.” Na área do PSF 3, estão concentradas as maiores faixas etárias. São 632 idosos de 60 a 100 anos, dentre os 3.153 habitantes da população total do PSF.

PSFs (das 7 às 16 horas) e da sala de vacina (das 8 às 15 horas); a confecção de protocolos para padronizar os atendimentos; e o serviço de apoio (regulação de exames e consultas especializadas). Na atuação da equipe (enfermeiro e médico), houve o predomínio de respostas positivas nos PSFs. Para os entrevistados, médicos e enfermeiros das UBS são claros nas explicações dadas aos pacientes. O médico recebeu avaliação de 77,3% (PSF 1), 82,7% (PSF 2) e 85,6% (PSF 3); o enfermeiro foi avaliado, respectivamente, em 78,1%, 78,2% e 67,3%. Na visita domiciliar de médicos e enfermeiros, respectivamente, 84,7% e 75,9% dos entrevistados do PSF 1; 80,0% e 40,9% do PSF 2; e 64,4% e 64,4% do PSF 3 disseram não ter recebido atendimento em caso de doença e impossibilidade de se deslocar até o posto de saúde. Aline reconhece que precisa ser melhorada a visita domiciliar após algum tipo de ocorrência. De forma geral, a pesquisa apurou “baixa presença do médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem nas residências”. Já 97,4% dos entrevistados disseram ter recebido visitas dos agentes comunitários, dos quais 75,5% visita mensal.

Infraestrutura. Segundo a pesquisa, a maioria dos entrevistados (81,2%) considerou que os

PSFs do município dispõem de material e equipamentos necessários para realizar o atendimento da população. A maior insatisfação relaciona-se com a infraestrutura. “Foi muito expressiva a porcentagem de usuários que indicaram a avaliação regular para os variados itens: sala de vacinas, instalação sanitária, estrutura para deficientes, farmácia, consultórios, sala de curativos, sala de espera.” A farmácia foi a repartição mais criticada, seja com relação à falta de medicamento ou à própria localização. No âmbito geral, os entrevistados consideram necessário o aprimoramento da infraestrutura das UBS. Segundo Aline, a Secretaria Municipal de Saúde já tem plano de reforma da UBS em que funciona o PSF 3, bem como dos postos de saúde rural. Para 2019, já está programada a reforma do Posto de Saúde do Ribeirão. Na medida do possível, acrescenta, serão planejadas ações para manutenção das UBS. Atendimento. A pesquisa mostra que a qualidade dos serviços do PSF recebeu uma “avaliação intermediária”. A maior avaliação negativa foi para o tempo de espera nas UBS/Centro de Saúde. Segundo a pesquisa, 79,2% dos entrevistados disseram-se “satisfeitos” com o atendimento geral nas UBS/Centro de Saúde; 14,5% “muito satisfeitos”. A Secretaria Municipal de Saúde vem alterando alguns processos internos para melhorar o atendimento à população, diz Aline. São exemplos o funcionamento ininterrupto dos

Agente. Segundo a pesquisa, 72,9% dos usuários acham importante a visita do agente comunitário de saúde; 9,1%, razoavelmente importante; e 16,5%, extremamente importante. Em resumo, 65,5% dos entrevistados disseram-se satisfeitos com a frequência das visitas do agente comunitário; 20,2%, muito satisfei-

tos; 11,1%, insatisfeitos; e apenas 2,3% totalmente insatisfeitos. Aline considera que é possível melhorar, “pois a função primordial do ACS é visitar todas as casas de sua microárea uma vez ao mês, no mínimo.” Quanto à solicitação de serviço por parte de algum membro da família, 81,8% dos entrevistados do PSF 1 disseram ter recebido retorno dos agentes comunitários; 74,5% do PSF 2; e 75,0% do PSF 3. Assim, “os agentes comunitários atendem às necessidades dos usuários do PSF de Resende Costa”. Os usuários dos PSFs disseram sentir-se satisfeitos com o atendimento dos profissionais de saúde, em relação aos itens “educação, gentileza e respeito”. O destaque foi o atendimento por parte dos agentes comunitários (96,9%). Prevenção. O PSF 3, o último a ser implantado, é considerado a equipe mais importante pelo prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende. Para ele, o resultado da pesquisa reflete não somente a ampliação da cobertura do PSF, mas também o envolvimento do agente comunitário de saúde, reconhecido pelos entrevistados. “O PSF é de extrema importância para prevenir”, avalia o prefeito Aurélio. A Secretaria Municipal de Saúde já planeja melhorar o atendimento da população, sobretudo no trabalho com as Equipes de Saúde da Família, levando em conta os resultados da pesquisa, segundo informou Aline Santos. (Leia a íntegra em www. jornaldaslajes.com.br).


ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 11

CIDADE

Proprietários de lotes sem estrutura básica serão notificados pela Prefeitura Municipal VANUZA RESENDE

A partir de 2019, os proprietários de lotes em Resende Costa devem se atentar à Lei número 4.378, a qual vai penalizar quem possui espaços no centro urbano que não apresentem passeio concretado e muro. A lei só será aplicada para locais já urbanizados. Segundo o prefeito Aurélio Suenes, a medida foi tomada para “promover uma urbanização adequada das propriedades e logradouros, inibir o acúmulo de lixo e entulho em imóveis abertos e melhorar a acessibilidade”. É importante lembrar que cerca de arame e alambrados não serão aceitos. A notificação será feita conforme o banco de dados do cadastro imobiliário municipal. Cada imóvel irregular vai receber uma notificação no atual endereço de correspondência cadastrado. O recebedor deverá assinar um protocolo que comprovará a entrega da notificação. Caso o recebedor se negue a assinar o protocolo, o servidor público designado para as entregas poderá usar de sua

fé pública para atestar a tentativa. Assim que feita a notificação, será montado um processo para cada imóvel notificado, com uma fotografia da atual situação do imóvel e o protocolo emitido pela prefeitura. Depois de notificados, os proprietários têm um prazo de 180 dias para regularizar a situação do terreno. Em caso de descumprimento, o valor do IPTU será acrescido 10 vezes mais o valor habitual. Se o lote possuir um dos dois requisitos (muro ou calçada), o preço do imposto será cinco vezes maior. O prefeito Aurélio lembra que “caso o proprietário não faça as alterações solicitadas, a prefeitura também poderá efetuar a obra e cobrar os materiais gastos e o serviço realizado. A prefeitura executará também as ações necessárias ao imóvel que for de seu interesse. Até a execução não será retirada a penalidade de aumento do valor do IPTU.” Ainda de acordo com a lei, se o proprietário não responder à notificação e não realizar as melhorias, o dinheiro acrescido no IPTU será utilizado para implementar as reformas necessárias nos locais. Uma moradora do bairro Bela Vista, que preferiu não se identifi-

car, aprova a criação da lei e acredita que as ações já deveriam estar valendo há mais tempo. “Quando eu me mudei para cá, tinha a minha casa e mais uma no fim da rua. Os outros lotes eram todos vazios. Pouco a pouco foram sendo construídas outras casas, mas eu fiquei por um longo período pedindo para que os proprietários dos terrenos vizinhos aos meus limpassem o espaço. Não adiantou. A situação ainda piorou quando um dos terrenos virou herança. Era cada herdeiro empurrando para o outro. Foi uma fase muito difícil, cheguei a encontrar cobra no quintal da minha casa, meu filho tinha de 3 para 4 anos na época, ficava muito preocupada.” Segundo a moradora, um dos lotes foi vendido no final de 2018 e as construções já começaram. “É um alívio saber que não vou precisar ficar ‘arrumando brigas mais’, espero que realmente o outro lote – dos herdeiros – seja notificado.” Por fim, a cidadã ainda lembra que lotes murados não significam que está tudo certo. “A gente espera que a fiscalização continue, né? Porque não adianta murar e continuar com matos e tudo descuidado lá dentro.”

Foto Prefeitura Municipal

Lei foi aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo Executivo no início de 2019

Lote sem infraestrutura básica próximo ao centro de Resende Costa

Segundo a Prefeitura Municipal, decorrido o período para adequação, será feita uma vistoria no local para averiguar a situação atual do terreno e o órgão continuará fiscalizando a limpeza dos lotes, independentemente dos muros e passeios. IPTU Pouco depois de sancionar a nova lei, a prefeitura divulgou em seu site uma nota que orienta os moradores a pagarem o IPTU em

dia. De acordo com o informativo, a Prefeitura Municipal de Resende Costa tem R$ 350 mil em tarifas de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) não recebidas. Por fim, a prefeitura diz que está estudando formas legais de divulgar os nomes dos devedores, que serão incluídos no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Para regularizar a situação, o morador deve entrar em contato com a Prefeitura Municipal.

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

VIOLÊNCIA contra animais Um vídeo que circula pelas redes sociais, WhatsApp principalmente, é de dar nojo, de deixar qualquer um revoltado. Nele, um homem assentado em um bar se levanta e, gratuitamente, vai até um cachorrinho e lhe aplica algumas facadas. O indefeso animal não morreu na hora. Ficou se contorcendo de dor enquanto o covarde voltou para o lugar em que estava, pouco se importando com o sofrimento do pequeno cão. O sujeito foi identificado e posteriormente assassinado, com várias facadas, segundo informações da mesma rede social. Essa situação me pôs a pensar sobre maus tratos contra animais, principalmente aos cães. Seu abandono é um deles. Sejam eles de raça ou não, são companheiros dos humanos. Não distinguem cor, raça ou classe social à qual pertence seu dono (pai humano). Fiéis e inseparáveis, podem ser ao mesmo tempo dóceis, ou extremamente violentos.

Pitbul, hottwailer, dobermann, dogue canário, malamute-do-alasca, chow-chow, dogue alemão, são-bernardo, husky siberiano, pastor-alemão, formam uma lista de cães com características diversas que vão da fidelidade para com seus pais humanos à ferocidade quando têm seu espaço invadido por estranhos. Por outro lado, há os dóceis, fáceis de serem domados e verdadeiros companheiros para quem os tem: labrador, pug, poodle, beagle, maltês, shitzu e o bulldog inglês, entre outros. Em Resende Costa, temos histórias envolvendo os cães e seus donos. Muitos ainda guardam na memória o Leão, um cachorro feroz da família do senhor Barbozinha, o farmacêutico. Tínhamos medo de passar pelo “Beco do Barbozinha” devido à brabeza demonstrada no latido retumbante do animal. Ele era uma fera e a família, corretamente, o mantinha sempre no quintal da casa. Sabiam

que não era prudente deixá-lo solto. Por outro lado, contracenando com o Leão, havia o simpático e amigável Tanque. Esse cão, da família do Duque e da dona Hercília (dona Ciloca), circulava alegremente pela cidade com o seu dono. Sua mansidão o fazia a alegria das crianças e dos adultos, que não deixavam de acariciar e brincar com o simpático e dócil animal. O exemplo de famílias que cuidam bem dos seus animais não é tão comum. Há aqueles que judiam dos indefesos cães. Não lhes fornecem a atenção e os cuidados mínimos de alimentação e higiene, por exemplo. Às vezes estão presos a correntes, mas completamente abandonados. Quando se tornam um incômodo, são deixados soltos, isto é, abandonados nas ruas da cidade. O exemplo disso é a quantidade desses animais que andam por aí, atacando os motociclistas, latindo e correndo atrás de automóveis. E quando surge uma

cadela no cio, a coisa fica feia. A disputa pela fêmea causa brigas terríveis entre os machos que assustam as pessoas que estão por perto e fazem uma barulheira danada durante dias. Tempos atrás, e isso é sabido por todos, havia quem matava esses animais dando-lhes, na calada da noite, comida com veneno. Bastava oferecer aos famintos e indefesos animais almôndegas envenenadas para se ter no dia seguinte vários deles mortos e espalhados pela cidade. Ao que parece, essa prática ficou para trás, faz parte de um passado que não deve ser revivido. Por outro lado, o que fazer com os que andam soltos e vivem na rua às vezes doentes e famintos? Cães-guia, pata-therapeutas, farejadores, de assistência emocional, de guarda e de caça, cada vez mais nós precisamos deles. Ora, por qual motivo maltratá-los? Aqui em nossa cidade, há exemplos de

pessoas que isoladamente ou em grupos cuidam da assistência a cães abandonados e doentes. Lembrando que maus tratos a animais são atos repugnantes; temos leis que tratam do assunto no Brasil, sugiro a leitura do primeiro Decreto 24.645 de 1934 e dos seguintes. Por fim, vai a sugestão para os que têm cães e gostam de dar um passeio com os mesmos pela cidade: levem um saquinho plástico para recolher as fezes dos cachorros. Sabemos que esse procedimento já é utilizado por alguns indivíduos. Assim a cidade fica mais limpa e a convivência entre pessoas mais tranquila. Não é legal andar por aí e deparar com a sujeira deixada pelos cachorros nas ruas da cidade. Esse costume de recolher as fezes dos animais e se desfazer das mesmas em local apropriado já é comum em muitas cidades do Brasil. Resende Costa precisa copiar essa ideia.


PÁG. 12 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

ELIS REGINA O seriado sobre Elis Regina, que a televisão apresentou e acompanhei em absoluta atenção, independentemente de qualquer consideração, me fez reviver muitas lembranças, curtir momentos inesquecíveis e, até mesmo, projetar outros tantos cheios de vida. Que retrato de uma época fundamental sob o ponto de vista da vida de uma gente! Que emoções experimentadas nos levaram a observar certos acontecimentos, alguns ainda com lágrimas nos olhos! Afinal, no centro daquela vida, e da sua recordação, estava uma mulher nada comum, dotada de características até contrastantes: valente e com seus medos, altiva e endoidecida quanto se

quiser, mas cuja linha da vida, marcada por tantas vitórias, culminou numa aparente derrota. Foi maravilhoso ouvir de Elis, saído lá do fundo de sua alma: “que sonha com a volta do irmão do Henfil, de tanta gente que partiu num rabo de foguete”. Apreciar a visita de Elis à sua desconhecida Rita Lee me faz pensar de que são capazes pessoas assim, tão duras, tão determinadas, tão autossuficientes, e, ao mesmo tempo, capazes de atitudes meigas, atitudes de total desprendimento e plena consideração para com quem está só! Grande Elis, grandes todos os demais capazes de superar medo e apresentar-se como gente diante dos oprimidos.

Elis foi notável na sua multifacetada expressão. Ora a pedir: “Perdoem a cara amarrada, a falta de abraço... os dias eram assim”; ora a verificar que “quem cantava chorou ao ver seu amigo partir”; e confiar que “mesmo que o tempo e a distância digam ‘não’ ... qualquer dia, amigo eu volto a te encontrar”; ora a suplicar: “E quando passarem a limpo, e quando cortarem os laços, e quando soltarem os cintos e quando brotarem as flores, crescerem as matas e colherem os frutos ... façam a festa por mim”. Era admirável a riqueza de interpretação. Saía de dentro. Parecia nunca representar. Apenas externar.

Apesar de ter tudo na mão, com tudo pela frente, uma solidão imensa, capaz de solapar a admiração de toda uma classe social. Pouca solidão se compara com aquela que se refugia na droga. Havia um grito íntimo a incomodar Elis, inapelavelmente: ser livre. Liberdade: “O maior dom que, dos deuses, os homens receberam e pelo qual vale a pena perder a honra e até a vida” (Quixote). Elis não conseguiu se libertar. Impedida pelos homens? Assim pensava Henfil quando a viu vítima de sua solidão: “Nós matamos Elis Regina: os homens não entenderam e não deixaram viver uma mulher livre.” Palavras de Henfil? Históricas? Os edito-

res do seriado usaram-nas para justificar uma morte que ninguém queria. Uma obra de arte pode ser vista sob mil aspectos e mil olhares. Isto é, a obra de arte é para ser contemplada. E contempla-se com a própria vida. O seriado sobre Elis Regina me levou à contemplação. Alongou-se em mim. Tempo, história, alegria, dor, tudo presente a dizer-me: é a vida, que é bonita, mas pode também doer. Pequena grande Elis! Que saudade! Falta? Não. Está viva

da lendária montagem “Arena Canta Zumbi”, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri. Tavinho também conta com os ótimos vocais de Mariana Brant, Bárbara Barcelos e Trio Amaranto. A qualidade desse elenco ficou evidente por conta da opção de um arranjo extremamente econômico no instrumental. E, quando se faz essa escolha, tanto instrumentistas quanto cantores precisam se desdobrar, pois não há onde se esconder e os espaços precisam ser bem preenchidos. Enfim, é um disco que optou pela simplicidade, mas que tirou dela uma obra extremamente refinada. Wilson Dias, com o disco “Nativo”, continua uma sequência feliz de álbuns apoiados na canção e na viola. Depois dos ótimos “Mucuta”, “Picuá” e “Lume”, o artista mostra que ainda tem combustível para soltar um álbum duplo. O primeiro dis-

co é de canções e mantém a tradição dos álbuns anteriores de se calçar na música feita no interior de Minas. Canções que remetem ora à devoção religiosa, ora às cantigas de trabalho do sertanejo. Não poderiam faltar trovas de amor, além de canções populares, que Wilson sempre faz questão de incluir. O segundo disco é instrumental e Wilson mostra mais uma vez que conhece os caminhos intrincados da viola. É um disco autoral, onde o artista assina quase todas faixas ou sozinho ou com o parceiro de longa data, o poeta João Evangelista Rodrigues. Comprovando a máxima sobre o filho de peixe, a direção artística e arranjos são dos seus filhos Wallace e Pedro Gomes, instrumentistas respeitados (o primeiro é violonista e o segundo é baixista). Para enriquecer o trabalho, o disco ainda conta com participações de artistas bem

sintonizados com o estilo de Wilson, como Titane e Rubinho do Vale, além do talentoso violonista Thiago Delegado. Definitivamente, é um disco irretocavelmente costurado de ponta a ponta. E que nos transporta, desde os primeiros acordes, ao sertão mineiro. E bate em mim uma saudade de algo que não sei o que é exatamente. Mistérios da música e da poesia. Dois álbuns distintos no estilo, mas com várias interseções: a qualidade na simplicidade, autenticidade e, é claro, o peso que ambos os artistas têm na música que é feita em Minas. Tire um tempo para aproveitar com a calma e a paz que a audição desses álbuns exige. Quem conhece Minas vai sentir saudade. Quem não conhece, talvez consiga captar na vibração incrível das músicas um pouco da essência do meu querido estado.

*Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

Do coração de Minas O ano de 2018 foi generoso em bons lançamentos, de modo que ainda não consegui falar por aqui de todos que gostaria. Dois discos, em particular, me chamaram a atenção pela qualidade e pelo sabor mineiro, gosto especial para um mineiro na diáspora, como eu. Os discos em questão são “Nativo”, de Wilson Dias, e “O Anjo Na Varanda”, de Tavinho Moura. Dois artistas completos e de primeira grandeza e com pontos que os unem, como o trabalho dedicado à viola caipira e à música tradicional do interior de Minas. Tavinho Moura, uma figura central do Clube da Esquina, mostra em “O Anjo da Varanda” mais um álbum à altura do seu talento de compositor e intérprete. Autor de harmonias sempre sofisticadas e melodias nada óbvias, Tavinho reúne um belo time para dar forma a um álbum com gosto

de memórias pessoais e afetivas caras a ele. O convidado especial é o competente guitarrista e violonista – mas que no disco se desdobra em outros instrumentos, como o baixo e o trompete – Beto Lopes. Além disso, ainda há convidados de luxo, como o violão de Chiquito Braga, violonista que criou uma verdadeira escola do violão mineiro e influenciou várias gerações, e Nelson Angelo, outro personagem de destaque do Clube. De luxo também são as parcerias do disco: de Ronaldo Bastos e Chico Amaral ao sempre presente Fernando Brant, que assina a maioria das letras, algumas resgatadas da trilha sonora do musical “Fogueira do Divino”. As melodias surpreendentes de Tavinho Moura têm algo de influência de Edu Lobo, justamente o homenageado na única faixa não assinada por Tavinho: a belíssima “Morte de Zambi”,


ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 13

Causos e Cousas ROSALVO PINTO

Desordem e Atraso...

... assim deveria ser o lema da bandeira que portugueses e brasileiros inventaram desde quando aportaram nesta gigante, rica e belíssima terra... Basta olhar para todos os lados hoje. Melhor, basta ver o que acontece nestes momentos em que seres humanos mais pobres são engolidos pela ganância dos ricos, na pequena cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, sob o peso da barragem de água, barro e lama, a 15 metros de fundura. Tragédia que custou 121 mortos, 226 desaparecidos e 395 localizados (até o dia 3 de fevereiro...). Faz-nos lembrar, com tristeza, do incêndio na boate da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no

dia 27 de Janeiro de 2013, quando morreram 242 pessoas e 680 feridos. O Brasil sofreu mais um revés em avaliações internacionais com a divulgação, pela “Transparência Internacional” (movimento global que acompanha a evolução da corrupção mundial) do “Índice de Percepção da Corrupção (IPC)”, o principal indicador do mundo relativo a malfeitos perpetrados no setor público. “O país teve a pior colocação nos últimos sete anos, passando a ocupar a 105ª. Posição (35 pontos num total de 100) entre 180 nações avaliadas”. Que vergonha! Ficou no mesmo patamar de Costa do Marfim, Argélia, Armênia, El Salva-

dor, Peru, Timor Leste e Zâmbia. “Dizia-se que era preferível ser roubado por um pirata em alto-mar do que aportar no Brasil. A elite colonial que está hoje no poder, com mentalidade de estar numa terra em que se pode enriquecer sem qualquer escrúpulo”. (Adrian Romeiro – doutora em história pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora da Universidade Federal de Minas Gerais). Bem, vamos, com o tempo, devagar, descobrindo o valor da “DESORDEM e do ATRASO”. Não sei quem, tenho lá as minhas dúvidas... A criação da bandeira nacional aconteceu em 19 de novembro de 1889, substituindo a

bandeira do império do Brasil. O conceito foi criado por Raimundo Teixeira Mendes, com a ajuda de Miguel Lemos, Manoel Pereira Reis e Décio Villares. O lema é inspirado pelo positivismo de Auguste Comte. “O ¬¬¬AMOR, por principio, e a ORDEM por base; o PROGRESSO por fim será. Outros símbolos compõem a estrutura da Bandeira Nacional”. Será que isso vai dar certo? Sei lá... Vejam a MOEDA: a partir de 1695, herdado da Coroa Portuguesa, foi o Real. Passando pela Independência e chegando a 1942, quando foi substituído pelo Cruzeiro. Daí, foram o Cruzeiro Novo (1967); em 1970, voltou o Cruzeiro; em 1986, veio o Cru-

zado; em 1989, veio o Cruzado Novo; em 1990, Cruzeiro; 1993, Cruzeiro Real. Até que enfim, 1994... Ufa, Qual será o próximo? ____________________ Para os interessados: informo duas excelentes obras sobre a Históriado Brasil, lançadas recentemente. Uma Breve História do Brasil. Mary Del Priore &Renato Venancio. São Paulo. Editora Planeta do Brasil, 2010. Brasil: Uma Biografia. Lilia M. Schwarcz& Heloisa M. Starling. Companhia Das Letras. Brasil: uma biografia / Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa MurgelStarling- ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

moro digital oferece muito mais opções. Em um bar, um coral ou um escritório existem dezenas de parceiros potenciais para uma pessoa. Online são dezenas de milhares. “As relações digitais são feitas somente com consentimento mútuo [e] tornam o mercado de namoro digital muito mais eficiente que o off-line.” E o estudo vai informando e exemplificando: favorece as pessoas de natureza tímida; aquelas com requisitos particulares, como mesma religião, mesma etnia, etc. Informa: 70% dos gays encontram seus parceiros online. “Esse aspecto de diversidade sexual é uma dádiva: mais pessoas podem encontrar o tipo de relação que procuram.” Mostra também alguns inconvenientes: a ligação namoro digital com a depressão; o reforço de complexos: “Emoções negativas sobre a imagem do corpo que já existiam antes da internet, mas

se amplificaram, uma vez que estranhos podem fazer julgamentos instantâneos sobre a capacidade de atração de alguém. No aplicativo chinês Tantan, os homens manifestam interesse em 60% das mulheres que eles olham, mas as mulheres se mostram interessadas em apenas 6% dos homens: essa dinâmica sugere que 5% dos homens nunca conseguirão marcar um encontro.” A realidade está aí. É progressiva e vai ficar. Julgo eu que o mais importante é uma educação para o uso da internet como estão fazendo alguns colégios, ou seja, o preparo que cada usuário deve ter para identificar falsos perfis, fraudes, engodos, acautelar-se quanto a sites profissionais, enxergar além das aparências, etc. É o que penso. E você?

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Amor moderno Vez por outra, gosto de apresentar ao leitor a filosofia desta coluna: “Numa perspectiva de ver-julgar-agir, posicionar-se opinativamente frente a temas que se julga ter importância nas diversas áreas sociais, sobretudo os polêmicos ou controversos, e estimular o leitor a fazer o mesmo”. Tinha lido uma matéria, muito interessante a meu ver: “Escolas focam em ‘alfabetizar’ para vida online e em formar criadores digitais”, cujo breve resumo dizia: “Sem ter visto o mundo antes da internet, a geração de alunos que hoje está no ensino básico é cercada por uma nova preocupação por parte de educadores. Além do uso da leitura em plataformas tradicionais, está na mira das escolas particulares e públicas de São Paulo o chamado letramento digital ou multiletramento. Nesse caso, um dos focos é ensinar os estudantes a lidar com informações e plataformas digitais

para se tornar não só usuário, mas criador”. Pouco depois chegou-me um artigo do jornal inglês “The Economist”: “Amor moderno”, com o subtítulo: “A internet transformou a procura pelo amor e a união; ao menos 200 milhões usam serviços de namoro online a cada mês”. Como o uso das redes digitais para uma das mais importantes decisões de vida, que é a escolha de um companheiro, ainda é polêmico e o texto me parece mais favorável que contra, sintetizo-o para calçar mais a opinião de cada um. Até aí pelos anos 90, a iniciativa de achar um parceiro online era algo extravagante, excêntrico, que provocava sorrisos de esguelha em grande parte das pessoas, sobretudo nós de geração mais antiga. Lembro-me ainda do dia (tinha uns 10 anos) em que um irmão meu, em nome de meu pai,

montou a cavalo e foi até a casa do pai da moça para pedir-lhe consentimento para ela casar-se com outro irmão meu! Era um costume quase obrigatório na época. No entanto, hoje, o namoro via internet é uma realidade irreversível. Nos Estados Unidos, mais de um terço dos casamentos começa hoje com um namoro online. A internet é o segundo recurso mais popular entre os americanos para travar conhecimento com pessoas do sexo oposto e vem se igualando às apresentações do “amigo de um amigo” no mundo real. Segundo o texto, “Encontrar um parceiro na internet é fundamentalmente distinto de um encontro offline. No mundo físico eles são encontrados em redes familiares ou em círculos de amigos e colegas...” As pessoas encontradas online provavelmente não se conhecem. Como resultado, o na-

(Fonte: O Estado de S. Paulo, 5/8/18 e 19/8/18)


PÁG. 14 • JORNAL DAS LAJES Informe Publicitário

ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019


ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 15

Dom José Eudes é empossado bispo da Diocese de São João del-Rei Cerimônia ocorreu no sábado, 2 de fevereiro VANUZA RESENDE

Os sinos badalaram, as ruas foram tomadas pelos fiéis – muitos deles emocionados. A Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar contou com a presença de 18 bispos de diferentes regiões do estado de Minas Gerais e também dos estados do Paraná e Rio de Janeiro. Também estavam presentes centenas de padres da região do Campo das Vertentes e da Zona da Mata. Após meses de espera, enfim a Diocese de São João del-Rei deu posse a seu novo bispo: Dom José Eudes Campos do Nascimento. A cerimônia começou por volta das 16h e foi dividida em 14 momentos. Entrada, Acolhida, Hino Nacional, Beijo da Cruz, Visita à Capela do Santíssimo, Posicionamento, Saudação do Metropolita, Leitura das Letras Apostólicas, O cumprimento, Saudação da Igreja, Ato Devocional, Preparação para a missa, Saída e Celebração da Santa Missa. Já empossado, dom José Eudes caminhou pelas ruas da cidade histórica de São João del-Rei para presidir a Santa Missa. Durante a caminhada entre a Basílica de Nossa Senhora do Pilar e o Largo da Igreja do Rosário, ele acenou e abençoou os inúmeros fiéis que o receberam com aplausos e dizeres de boas-vindas. A primeira celebração de dom José Eudes como bispo de São João del-Rei foi campal, no Largo do Rosário. Durante a celebração, o

bispo falou sobre a expectativa de assumir a diocese, a importância da paz e da união, além de pedir um minuto de silêncio para as vítimas da tragédia de Brumadinho. ENTREVISTA COLETIVA Na manhã do dia 2, o bispo se reuniu com os veículos de comunicação da região e agentes da Pastoral da Comunicação para uma Coletiva de Imprensa no Anfiteatro do Campus Santo Antônio, da Universidade Federal de São João del-Rei. Dom José Eudes respondeu cerca de 10 perguntas e disse que fará questão de utilizar os meios de comunicação para se manter próximo dos fiéis. O Jornal das Lajes enviou a seguinte pergunta ao bispo: “A cidade de São João del-Rei, especialmente a Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, preserva belas e ricas tradições seculares que unem religiosidade e cultura. Outras cidades da Diocese, como Prados, Resende Costa e Tiradentes, também preservam essas tradições, que têm a música sacra e a liturgia antiga como destaques. Qual a opinião do senhor em relação às tradições de São João del-Rei e de outras cidades da Diocese? Como o senhor pretende preservar e incentivar essas ricas manifestações de religiosidade e cultura?” Em resposta, dom Eudes afirmou que a história precisa ser incentivada e preservada. “Essas tradições seculares religiosas não podem ser simplesmente abandonadas em nome de modismo sem sentido. Eu já tive a honra de trabalhar na cidade de Ouro Preto e lá eu

pude participar dessa bela tradição, das procissões, dos cantos, dos hinos. Tudo isso eu pude experimentar e vivenciar lá em Ouro Preto e até mesmo quando eu estava aqui (em São Joao del-Rei) como aluno. Recebemos essa fé de Jesus Cristo, ela é um dom e é preciso que a gente dê continuidade a tudo isso.” O bispo completou a resposta dizendo que essas manifestações religiosas nos ajudam a rezar. “Na primeira Semana Santa, vou poder compartilhar de pertinho essas manifestações, mas sempre acompanho as festividades religiosas da região. Nós vemos belíssimas fotos das tradições e a gente sabe que isso não pode ser deixado de lado e, sim, deve ser preservado na vida da nossa Igreja e das nossas comunidades. Claro que podem ser acrescentadas muitas coisas novas na caminhada do dia a dia. Outro dia eu acompanhava os reinados, grupos de folias, de São Sebastião, uma manifestação belíssima também e que é uma tradição e traz uma mensagem muito rica para quem participa. E isso tudo nos ajuda muito a rezar e continuarmos com a nossa fé.” Ao final da entrevista, o bispo abençoou os veículos de comunicação ali presentes, agradeceu pela acolhida e reforçou que não se mudou para São João del-Rei sozinho. “Desde que meu pai faleceu, eu convidei a minha mãe para morar comigo. Ela tem 85 anos e uma vida extremamente ativa. Ela já está feliz e ficou emocionada em nossa chegada, na tarde de ontem, com a recepção e os sinos avisando a nossa chegada”, relatou.

Foto Olivia Lombardi - Diocese de São João del-Rei

REGIONAL

Dom Jose Eudes Campos do Nascimento em frente à catedral basílica de Nossa Senhora do Pilar após a cerimônia de posse.

1 ANO DE VACÂNCIA Desde o falecimento do então bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart, no dia 19 de janeiro de 2018, a Diocese de São João del-Rei estava sob a responsabilidade do padre Dirceu de Oliveira Medeiros, que exerceu a função de Administrador Diocesano até o sábado, 2 de fevereiro. O anúncio do novo bispo foi feito no dia 12 de dezembro, data em que o Papa Francisco nomeou dom José Eudes para suprir a vacância da diocese. José Eudes foi transferido da Diocese de Leopoldina e assume a Diocese de São João del-Rei com 42 paróquias, distribuídas em 25 municípios: São João del-Rei, Andrelândia, Barroso, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Ibituruna, Ijaci, Ingaí, Itumirim, Itutinga, Lagoa Dourada, Lavras, Luminárias, Madre de Deus de Minas, Minduri, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz

de Minas, São Vicente de Minas e Tiradentes. DOM JOSÉ EUDES CAMPOS DO NASCIMENTO Dom José Eudes é natural de Barbacena, onde nasceu em 30 de abril de 1966. Teve seu primeiro contato com a região de São João del-Rei no início de sua caminhada vocacional, período em que estudou Filosofia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Foi ordenado sacerdote em 22 de abril de 1995, atuando em diversas paróquias da Arquidiocese de Mariana. Em 27 de junho de 2012, foi nomeado bispo pelo Papa Bento XVI e recebeu sua sagração episcopal no dia 15 de setembro. Dom José Eudes tomou posse na Diocese de Leopoldina no dia 30 de setembro de 2012. Aos 52 anos, foi nomeado para a Diocese de São João del-Rei. Seu lema episcopal é: “Servus in charitate”, que significa “Servo no amor”.

EVALDO BALBINO

Retalhos literários

Glasnost e Perestroika Em 1992 cheguei ao primeiro ano do Ensino Médio, à época chamado 2º grau, com muitas apreensões. Uma delas era o encontro, que seria “fatídico”, com um professor de Geografia famoso na cidade por ser muito exigente com os alunos. Lá no 1º grau, quando nós os alunos nos mostrávamos relapsos pelo talento macunaímico da nossa idade ou brasilidade, uma professora chegou a nos dizer algumas vezes do nosso futuro mestre: “Vocês vão ver o que é professor que cobra muito! Vocês é que não aprendem a ser mais dedicados! Etc., etc.” Eu ouvia os sermões com a mente mirabolando coisas terríveis. Nós e aquela nossa mania de sempre, principalmente lá nos princípios da vida, de fazer do mito um mitão. E eis que se aproximou a hora. O professor de Geografia, na primeira aula, chegou compenetrado e, aos meus olhos, ranzinza. Colocou o material sobre a mesa

e foi falando um pouco de si, das suas aulas, da sua metodologia de ensino. Em seguida, apresentou-nos o programa do que seria trabalhado durante todo o ano. E nessa mesma primeira aula (eram duas geminadas), já começou a aprofundar-nos nos meandros da geografia brasileira. Assim o nosso início de bimestre foi transcorrendo com maravilhosas explicações, com aulas de dar gosto. O professor até brincava bastante, mostrava-se engraçado e companheiro, ia muitas vezes dar aula calçando meia e chinelo duma forma exótica e alegre para todos nós. Naquelas aulas de início de ano, o mitão se descontruía na minha cabeça. E o educador ia falando do Brasil como país subdesenvolvido e ao mesmo tempo industrializado. Situava nosso Estado no contexto internacional, dizia da sua modernização e das suas relações comerciais e financeiras com o exterior. Depois, aulas mais

adiante e num recuo temporal, foi explanando sobre a formação histórico-territorial da nossa nação. Ensinou sobre o seu povoamento e a sua expansão territorial e, chegando ao presente, discutiu a respeito da ocupação e da divisão político-administrativa das nossas terras. Também nos embrenhamos pela estrutura industrial e pelas características da industrialização brasileira, discutindo a concentração das indústrias em São Paulo e como todo o processo industrial interferia na organização do espaço geográfico. Entremeando tudo isso, vinham risos, piadas, atividades várias e avisos recorrentes de que deveríamos estudar cotidianamente porque logo teríamos a primeira prova. Nas discussões e atividades, me lembro das imagens do livro didático: tratores entre plantações, homens sobre caminhões cheios de cana, o luxo e a pobreza lado a lado nas cidades, máquinas modernas e mão-de-obra mal remu-

nerada, prédios e logomarcas de multinacionais dominando nosso país, gráficos mostrando a desigual distribuição de renda entre nossos povos, índios em suas reservas lutando contra a invasão de brancos, imigrantes japoneses em São Paulo, arquitetura alemã em Gramado, sertanejos duros entre cactos rijos, caiçaras em palafitas pelo litoral paulista, homens tornados máquinas em linhas de montagem automobilística na região do ABC de São Paulo, companhias siderúrgicas, indústrias aeronáuticas e têxteis... E a capa do livro estampava homens com capacetes e serras elétricas, esses mesmos homens descansando sobre árvores cortadas. Um verde desolado na imensidão da mata. No dia da prova, da desapiedada e terrível prova, eu estava a postos, sabendo tudo na ponta da língua, prestes a cantar as riquezas e a denunciar com minha caneta azul as mazelas do meu país. Papéis colocados sobre a carteira,

duas laudas com fino sadismo para me tornar tenso. O que caiu na prova?! Um russo que na verdade era grego para mim. E quem acabou caindo fui eu! O professor deu dois textos falando sobre uma tal de Glasnost e uma dita cuja chamada Perestroika. Entendi pouco daquilo, beirando a não entender bulhufas. Remei naquelas águas para mim estranhas, longe do meu país subdesenvolvido e industrializado. “Longe”, de acordo com o meu desconhecimento naquela ocasião. Lembro que fiquei bravo com o professor. Não falei nada com ele diretamente, mas confesso que em pensamento cuspi maribondos, raios de partir árvores inteiras. No entanto, pequei do mesmo jeito. Afinal, em pensamento também se peca. Humanamente infeliz, fui para casa depois da aula naquele dia. E só com o mestre tempo fui entendendo a importância daquele professor que aos poucos levava novidades e desafios para mim.


PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 190 - FEVEREIRO 2019

Night Run abre o calendário de corridas rústicas em Resende Costa Pela primeira vez na cidade, a prova contou com a participação da Federação Mineira de Atletismo Resende Costa foi palco, mais uma vez, de corrida rústica. A terceira edição da corrida noturna Night Run foi realizada no dia 26 de janeiro e reuniu mais de 150 atletas para um percurso de 6 km pelas ruas da cidade. O evento foi promovido por Luiz Nei Resende, membro da equipe de atletismo de Resende Costa, “Novo Amanhecer”, que comentou sobre o evento. “Há três anos eu organizo essa prova sempre no final de janeiro. Pensei em um percurso menor para atingir maior número de participantes, desde quem está começando até os atletas mais experientes. Como sempre, o percurso tem morros, é impossível fazer um percurso plano devido à geografia da cidade.” A prova abriu o calendário de competições de Resende Costa e contou com a presença de vários atletas da cidade e da região. Segundo Luiz Nei, além de incentivar a prática de atividades físicas, o evento foi organizado para mostrar que praticar esporte é promover saúde e bem-estar. “Acho importante ter essas corridas para estar incentivando a galera. Além de incentivar os treinos diariamente, para se ter uma boa performance durante a corrida”, diz Luiz.

CLASSIFICAÇÃO Participaram da corrida 103 atletas na categoria masculino e 64 na categoria feminino. O grande número de mulheres chama a atenção, uma vez que nas primeiras provas de corridas rústicas a presença de atletas femininas era muito pequena. Luiz Nei comenta o aumento no número de mulheres que disputam as provas: “A gente percebeu um número acentuado de mulheres na corrida, foram mais de 60. Isso prova o crescimento do esporte também no público feminino, já que nas primeiras corridas aqui na cidade, por volta de 2010 a 2012, eram no máximo cinco mulheres”, relata Luiz. No Night Run, o pódio masculino ficou ocupado da seguinte maneira: Robson Antonio dos Santos, da equipe Cevada Runners (23 minutos); Fabiano Tadeu de Sousa Marques, da equipe Pegasus (23 minutos e 4 segundos); Anderson Batista Lisboa (23 minutos e quinze segundos); Vitor Moreira de Sousa, da equipe HC (23 minutos e 17 segundos) e, por fim, também na casa dos 23 minutos, o atleta da equipe Novo Amanhecer, José Igor de Resende (23 minutos e 40 segundos). O pódio feminino teve a presença de duas atletas resende-costenses: Luciana de Fátima Resende, em terceiro lugar, com o tempo de

33 minutos e 1 segundo; e Luciana Aparecida Pinto Portes, em quinto lugar, com o tempo de 34 minutos e 41 segundos. A primeira geral na categoria feminino foi a atleta da equipe Pegasus, Thainara Cristina Amaral Silva, que abriu um bom tempo quanto à segunda colocada. Thainara completou a prova com 30 minutos e 8 segundos; já a segunda colocada, Bianca Cristina dos Santos, chegou com 32 minutos e 13 segundos. A quarta colocada foi Márcia Aparecida Assis Lima, da equipe Penélopes, que completou a prova com 33 minutos e 22 segundos. Além dos cinco primeiros colocados gerais, os três melhores de cada faixa etária também subiram ao pódio. A divisão por faixa etária começa com atletas de 15 a 19 anos e segue dividida de 4 em 4 anos, até os atletas com mais de 65 anos. Na categoria masculino, três atletas resende-costenses foram os primeiros em sua faixa etária. José Antônio da Silva, de 35 a 39 anos; José Roberto Firmino, de 40 a 44 anos; e Edivaldo Gonzaga Resende, de 60 a 65 anos. Todos os atletas participantes receberam medalhas.

I FESTIVAL DE FUTSAL E VÔLEI Para a reinauguração, foi realizado o I Festival de Futsal e Vôlei. O evento começou às 8h e

30min com jogos de futsal. Às 12h e 30min foi a vez do público prestigiar uma partida de tênis. A ideia é que possam surgir novos adeptos do esporte na cidade, já que a modalidade não é tão praticada por aqui. A programação continuou com partida de futsal sub-13. Na sequência, foram realizadas três partidas de vôlei, disputadas pelas equipes de Resende Costa, São João del-Rei e Coronel Xavier Chaves. Ao fim da tarde, foram realizadas a disputa das semifinais e a finalíssima do Festival de Futsal. A equipe Furões Ouro foi a grande campeã.

Costa contou com a presença de árbitros da Federação Mineira de Atletismo (FMA) em uma corrida. Luiz conta que surgiu uma proposta por parte da FMA e acredita que a participação foi positiva. “A gente fez um teste com a presença dos árbitros, mas acredito que essa participação profissional veio pra somar. Teremos alguns benefícios porque agora a corrida passa a ser homologada pela Federação e fará parte do calendário mineiro de corrida. Assim, os atletas podem usar a prova para largar no pelotão de elite em uma grande prova, como a São Silvestre e a Volta da Pampulha. Podem participar também do Bolsa Atleta, além de cortesias para provas em Belo Horizonte que possam ser oferecidas pela FMA”, explica Luiz. Ainda segundo o organizador, a presença da FMA estipula algumas regras, como, por exemplo, não correr nas calçadas. Mas a intenção não é criar punições para as provas, apenas trabalhar as regras do atle-

PRESENÇA DA FEDERAÇÃO MINEIRA DE ATLETISMO Pela primeira vez, Resende

Ginásio do Boca Júnior é reinaugurado O Ginásio Eli Lélis de Sousa (Boca Júnior) passou por reformas e foi reinaugurado no domingo, 20 de janeiro. De acordo com informações da Prefeitura Municipal de Resende Costa, as obras ficaram orçadas em R$20 mil. Entre as principais mudanças, estão a colocação de bloquetes na entrada do ginásio, além de reformas nas portas e melhorias nos banheiros.

Largada do Night Run na Rua Gonçalves Pinto, em Resende Costa

Para o encerramento do evento, a quadra recebeu duas equipes de futsal feminino, ambas de Resende Costa, para disputarem uma partida. HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO A Prefeitura Municipal disponibiliza um funcionário de segunda a sexta-feira, das 14h às 22h, para que possam ser realizados eventos esportivos no Ginásio do Boca Júnior. Os interessados em usar o espaço podem entrar em contato com a prefeitura através do telefone (32) 3354-1366 – ramal 210.

tismo. “Tem algumas regras sim, mas jamais a Federação e eu, como organizador, vamos desclassificar algum atleta e, sim, conscientizar sobre as regras do atletismo.” CALENDÁRIO DE PROVAS O ano de 2019 não será diferente dos anteriores. O calendário será movimentado na modalidade corridas de rua. Segundo Luiz Nei, serão realizadas mais quatro provas na atual temporada. No dia 9 de março, acontecerá a Primeira Corrida Feminina, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, com percurso de 6 km. No dia 8 de setembro, os atletas vão disputar uma prova de 8 km na Corrida das Lajes. No mês de outubro, está prevista a realização de mais uma edição da Corrida de Nossa Senhora Aparecida, em que serão percorridos 10 km. Ainda neste ano, Resende Costa receberá uma etapa da RTR (Resende TrailRun), com data a ser definida.

Foto Prefeitura Municipal de Resende Costa

VANUZA RESENDE

Foto Luiz Nei, arquivo pessoal

ESPORTE

Ginásio do Boca Júnior foi reformado e já pode ser utilizado pela população

Profile for Jornal das Lajes

Edição 190 - Jornal das Lajes  

Edição 190 - Fevereiro 2019 - Jornal das Lajes

Edição 190 - Jornal das Lajes  

Edição 190 - Fevereiro 2019 - Jornal das Lajes

Advertisement