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Jornal das Lajes

15 anos

www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

Perfil José Teodoro Ramos, o popular Zezinho do Célio, tem muitas histórias para contar. Nesta edição, conheça mais sobre o resende-costense que vem dedicando a sua vida em favor da coletividade.

ANO XV

• AGOSTO 2018 • Nº184

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Comarca de Resende Costa completa 70 anos Foto André Eustáquio

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39ª Exposição Agropecuária de Resende Costa atrai grande público ao Parque de Exposições Aproximadamente 10 mil pessoas passaram pelo Parque de Exposições nas noites de sexta (20) e sábado (21) para assistirem aos shows de Eduardo Costa, Thiago Brava e Humberto e Ronaldo. Leia artigo de Lucas Aarão. PÁG 08 e 11

Dr. Donizetti Nogueira Ramos e os servidores do Fórum Desembargador Mello Júnior, da Comarca de Resende Costa

Instalada em 1948, a Comarca de Resende Costa, que abrange também o município de Coronel

Xavier Chaves, foi extinta em 1970 e novamente criada em 1975. Atualmente, cerca de 3.000 processos

tramitam na Comarca, responsável também pela execução das penas dos presos da Comarca de Prados. Ler

editorial e artigos do desembargador José Afrânio Vilela e Regina Coelho. PÁG 05

Galaxy é campeão da Copa Alterosa 2018 Sub 13 O time de futsal de Resende Costa superou o São Bento Abade, no dia 28 de julho, e ficou com o título da competição que reuniu 40 equipes do interior de Minas na categoria sub 13. Leia ainda: Torneio de Inverno de Futsal de Resende Costa tem recorde de inscrições. PÁG 15


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EDITORIAL Parabéns, Comarca de Resende Costa!

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O Jornal das Lajes destaca nesta edição os 70 anos de instalação da Comarca de Resende Costa. Em reportagem, artigos e entrevista, o JL conta a história de uma das comarcas mais antigas da região, mas que teve sua existência ameaçada na década de 1970. Os livros de Ata arquivados no Fórum de Resende Costa preservam informações históricas importantes sobre a Comarca, que, antes de ser elevada a essa condição, foi Termo Judiciário pertencente à Comarca de Prados. Na Ata da primeira audiência realizada em Resende Costa, em 28 de junho de 1939, esteve presente o então ilustre advogado são-joanense, Tancredo de Almeida Neves, que mais tarde se notabilizaria como um dos mais importantes e proeminentes políticos da história do Brasil. Nos livros antigos preservados no Fórum, há também a relação completa dos cidadãos de Resende Costa que participaram da solenidade de instalação da Comarca. A leitura desse material corrobora a importância daquele momento para a cidade. Quando o JL decidiu destacar em sua pauta de agosto o aniversário de 70 anos da Comarca, baseou-se numa informação extraída do livro Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa, desde os proêmios de sua existência, até os dias presentes – obra de José Maria da Conceição Chaves (Juca Chaves). Segundo o autor, a solenidade de instalação da Comarca aconteceu no dia 15 de agosto de 1948. No entanto, ao examinarmos os documentos arquivados no Fórum, deparamo-nos com outra data: 8 de outubro de 1948. Diante das diferentes informações, tornou-se portanto necessário checar em qual data exata aconteceu a grande festa de instalação da Comarca. Pesquisamos o Livro de Tombo de 1948 da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, escrito pelo padre Nélson Rodrigues Ferreira, que, de acordo com as informações de Juca Chaves e da Ata oficial, participou das solenidades. Padre Nélson pode ser considerado o mais importante e minucioso cronista de Resende Costa, entre os anos 1945 e 1988. O Livro de Tombo da Paróquia, aberto e escrito por ele, traz registros (e comentários) de tudo o que aconteceu de relevante na cidade e em diversos lugares do Brasil e do mundo. A nossa expectativa, portanto, era de que padre Nélson confirmasse uma das duas datas de instalação da Comarca (15 de agosto ou 8 de outubro de 1948). Mas, para nossa surpresa, ele apresenta – e grifa embaixo, para não haver dúvidas – outra data: 15 de novembro de 1948. O desembargador e 1º Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, José Afrânio Vilela, em artigo publicado nesta edição do JL, esclarece a dúvida em relação à data exata de instalação da Comarca. Ele confirma a informação do padre Nélson, que disse que a solenidade acontecera no dia 15 de novembro de 1948. No ano em que comemoramos os 70 anos de instalação da Comarca, outra data merece ser destacada: os 20 anos de trabalho do atual Juiz de Direito, Donizetti Nogueira Ramos, em Resende Costa. Graças ao brilhante e respeitável trabalho que o doutor Donizetti vem desempenhando frente à Comarca e a sua decisão de residir aqui – garantindo à cidade a presença de um Juiz de Direito em tempo integral, e não apenas uma vez por semana, conforme já ocorre em outras comarcas do porte da nossa – hoje podemos comemorar não somente uma data histórica, mas exaltar conquistas. A Comarca, além de conferir prestígio a Resende Costa, arvora-se como instituição fundamental para a ordem pública, para a aplicação da lei e garantia de justiça aos cidadãos. Não é por acaso que os dados recentes da Polícia Militar confirmam que Resende Costa é uma das cidades mais tranquilas de Minas, onde a criminalidade violenta não conseguiu fincar suas raízes. Enfim, as conquistas que hoje comemoramos se devem aos juízes, promotores e servidores do judiciário que lutaram por elas. Parabéns à Comarca de Resende Costa pelos 70 anos de história! Parabéns, doutor Donizetti, pelos 20 anos dedicados à nossa Comarca!

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

A fonte da informação diz de sua qualidade Era num bar. As conversas aí têm características comuns: fala-se mais à medida que se bebe. Fala-se, igualmente, mais alto. Além disso, para não se passar por inoportuno, concorda-se com muita coisa que não se ouve bem. Responde-se a tanta pergunta que não foi feita. Declaram-se concordância e discordância com algo que depois se desmente abertamente. Falantes contumazes não são exceção. Silenciosos, quase nunca, pois o momento é de jogar conversa fora. Mas aparecem alguns calados que se divertem à custa dos falantes. No grupo daquela entrada de noite, eram seis os colegas. Juscelino, o silencioso. E sempre se discutia se seu silêncio era sinal de sabedoria ou de preguiça. A maioria opinava pela preguiça, pois Juscelino mesmo dizia que, ao falar, se desgastava muito. Mas foi nessa tarde que ele rompeu o silêncio e encerrou séria discussão. Calado estava até quando a conversa voltou-se para uma novidade. Um colega da roda disse: – Ouviram o que aconteceu com Francelino? Que papelão! Quem diria! – Também pudera! – acrescentou outro. – Vai se

meter nas coisas sem ser chamado, dá nisso; deu-se mal. E os comentários se sucediam. Não havia, entretanto, concordância. Dois deles não acreditavam no que se dizia: – É bobagem tudo isso que estão dizendo do Francelino; ele seria incapaz de fazer aquilo; como poderia mudar tanto, de repente? Os que o condenavam, entretanto, insistiam na própria opinião, com palavras já assaz molhadas pela bebida; quase levavam os outros a concordar com a notícia apregoada. Foi quando Juscelino, saído de seu silêncio, sentenciou: – Tem hora que eu não entendo vocês; falam, discutem, muitas vezes discordam sem ouvir o outro, pois falam ao mesmo tempo; até confesso que não só me divirto quanto chego a aprender muito com vocês; mas hoje, vocês estão dando uma de burro: emitem parecer sobre um possível fato ocorrido com o prezado amigo Francelino e ninguém se lembra de uma coisa fatal. – Que coisa fatal é essa, Juscelino, tão importante numa mesa de bar? – A coisa fatal é que eu não ouvi nenhum de vocês in-

dagar quem foi que divulgou a notícia sobre o Francelino. Quem foi? Vocês estão sabendo quem foi? Houve silêncio. E certo mal-estar. É que sabiam quem era o autor da denúncia. Sabiam quem era o colega que andava batendo com a língua nos dentes. Aí Juscelino jogou pesado: – Então, vocês sabem quem foi que contou essa história, não é? E vocês, sabendo quem foi, e quem ele é, gastam tempo em discutir tamanho absurdo? Vocês ignoram que a qualidade e o valor de uma informação depende da sua fonte? Pô! Essa história é desqualificada porque na origem dela está um mentiroso e, nesse caso, eu quase diria, um mau caráter. Vale nada. Ninguém disse mais nada. Depois de algum tempo: “Uma saideira, por favor!” Juscelino recolheu-se em seu silêncio, rico e severo. E Francelino, o informado, “voltou” para a roda dos amigos, honrado. O outro, o informante, “saiu”, sem honra.

*Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto e situação do mês

Carro de Boi/ Boi de Carro/ Carreiro – tradição milenar Das coisas mais lindas e emocionantes de se ver e viver! Se as exposições agropecuárias aqui e acolá viraram apenas grandes baladas, a cultura do carro de boi ainda respira. E encanta. Graças a heróis que lutam e comem poeira pra que o canto do chiadô continue ecoando longe na nossa história. Texto e foto: Casal Gastrô-MG (Instagram: casalgastromg)


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

CÂMARA REJEITA ALTERAÇÃO NO ESTATUTO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS Em sessão ordinária da Câmara Municipal realizada no dia 12 de julho, os vereadores rejeitaram, por unanimidade, o projeto de Lei nº68, de autoria do Poder Executivo. O projeto previa alteração no Estatuto dos Servidores Públicos do

Município, estabelecendo que não seria concedido direito à licença prêmio aos servidores que sofressem qualquer tipo de penalidade disciplinar durante os 5 anos de serviço necessários à obtenção do referido direito.

A licença prêmio por assiduidade refere-se ao direito de licença remunerada por 03 (três) meses, a ser concedida ao servidor efetivo. Esse direito é obtido pelo servidor a partir do exercício ininterrupto de 05 (cinco) anos de serviços.

HORÁRIOS DE REUNIÃO

A Câmara Municipal, conforme estabelecido pelo seu Regimento Interno, realiza três sessões ordinárias a cada mês, geralmente nos dias 02(dois); 12(doze) e 22(vinte e dois), de janeiro a dezembro de cada ano, às 17h00. Se o dia da reunião

cair no sábado, domingo ou feriado, a reunião é realizada no primeiro dia útil subsequente. Durante o recesso parlamentar do Legislativo Municipal, compreendido entre 02(dois) a 31(trinta e um) de janeiro, não há reuniões ordinárias.

As sessões também podem ser extraordinárias, que ocorrem em dias diferentes dos fixados para as sessões ordinárias e são convocadas para fins específicos. No primeiro ano da cada Legislatura não há recesso.

O Estatuto do servidor já estabelece a perda do direito à licença prêmio caso ocorra aplicação de penalidade disciplinar de suspensão, que é um tipo de penalidade mais grave. Mas a proposta do Poder Executivo era ampliar

as restrições à licença prêmio, não concedendo esse direito na hipótese de qualquer penalidade de advertência aplicada ao servidor. Com o projeto rejeitado, permanecem as regras atuais de concessão da licença.

TRIBUNA LIVRE

Os munícipes podem participar das sessões da Câmara como ouvintes e também expressarem-se, usando a Tribuna Livre. As Leis Municipais nº 1.941, de 22 de outubro de 1992 e nº 3. 194, de 16 de dezembro de 2008, regulamentam o uso da Tribuna, estabelecendo que em cada sessão realizada na Câmara Municipal, quer seja em caráter ordinário ou extraordinário, será aberto um tempo de até

15 minutos, podendo ser prorrogado, a critério do plenário, para manifestação de populares, através de seus representantes legais. Os representantes da sociedade e de entidades que desejem utilizar a Tribuna devem se inscrever com antecedência na secretaria da Câmara. A cada sessão, poderão se inscrever na Tribuna Livre o máximo de 04 (quatro) cidadãos.


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Jogo Aberto

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Em 17 de dezembro de 1938, o Decreto-Lei nº 148 criou o Termo de Jurisdição de Resende Costa, pertencente à Comarca de Prados. Em 1947 o município torna-se juridicamente independente de Prados, mas a Comarca só seria instalada oficialmente no dia 8 de outubro de 1948, conforme se encontra registrado num livro de Ata arquivado no fórum de Resende Costa. O juiz de direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos, natural de Barbacena (MG), em entrevista ao JL em julho de 2014, revelou quais eram seus planos quando fora designado juiz da Comarca, mas disse também que tudo mudou com o passar do tempo e sua adaptação à cidade: “No início, eu havia colocado algumas metas para a minha permanência em Resende Costa: conseguir construir a cadeia e reformar o fórum. O tempo foi passando, consegui fazer essas duas coisas, mas também já havia me enraizado na cidade. Não vou embora mais.” No ano em que a Comarca de Resende Costa celebra 70 anos de instalação e doutor Donizetti completa 20 anos como juiz da Comarca, o JL conversou novamente com o magistrado, que destacou a importância da instituição para o município. Neste ano completam-se 80 anos da criação do Termo de Jurisdição e 70 de instalação da Comarca de Resende Costa. Qual a importância da Comarca para o município? Para o município é muito importante a existência da Comarca, principalmente para os cidadãos que podem resolver seus problemas judiciais no próprio município, sem precisar se deslocar para outra cidade, se não houvesse aqui a Comarca. Além disso, a Comarca traz prestígio para a cidade, que se destaca entre as outras do mesmo porte. Na década de 1970, a Comarca de Resende Costa chegou a ser extinta e posteriormente restaurada. O que influenciou o Tribunal de Justiça nas duas decisões, ou seja, extinguir e depois restaurar a Comarca? A Comarca de Resende Costa, assim

como diversas outras, foi extinta em 1970, mas isso acabou acontecendo só no papel, por força da lei, pois na prática a Comarca continuou funcionando, visto que o então juiz, Aloísio Silva, tinha a prerrogativa da inamovibilidade e, por isso, não poderia ser retirado de Resende Costa, a não ser se ele próprio pretendesse sair. Assim, ele ficou até o ano de 1975, quando a Comarca foi reinstalada, mantendo-se esse status até os dias atuais. Há algum tempo, veiculou-se a informação de que a Comarca poderia ser extinta. Essa informação procede? Existe ainda a possibilidade disso acontecer? Realmente houve essa notícia e derivou de um estudo feito pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que recomendava a extinção de várias Comarcas. Mas o Tribunal não concretizou esse fato, de modo que a Comarca continua existindo. Não se pode descartar por completo a hipótese de não extinção da Comarca, mas atualmente não há nenhum indicativo do Tribunal de Justiça nesse sentido. Nas últimas décadas, quais foram as conquistas alcançadas pela Comarca de Resende Costa? São várias as conquistas alcançadas pela Comarca nos últimos tempos, mas podemos destacar, entre as principais, a reforma e ampliação do prédio do fórum, que resolveu de vez um sério problema de falta de espaço que tínhamos. A construção do presídio também deve ser citada. Mais recentemente, a manutenção da zona eleitoral merece destaque, quando se observa que um município como Barroso, por exemplo, teve extinta a zona eleitoral lá existente. Quantos e de que natureza são os processos tramitando atualmente no Fórum da Comarca? Temos cerca de três mil processos em tramitação na Comarca, de natureza variada. Por se tratar de vara única, existem processos cíveis, criminais, da infância e juventude, etc. Convém realçar os processos do Juizado Especial Cível, com grande número de ações, principalmente aquelas formuladas pelos comerciantes da cidade, notadamente da área do artesanato. Quantos são os funcioná-

rios que trabalham diretamente na Comarca? A quantidade é satisfatória? Contamos atualmente com dez servidores efetivos e quatro funcionários terceirizados. O número de servidores da secretaria judicial não é suficiente e estamos aguardando a nomeação e posse de servidor aprovado em concurso para cobrir a vaga de outro que se desligou da Comarca. São todos servidores dedicados e que dão o melhor de si para a plena satisfação dos jurisdicionados. A decisão recente do Estado de abrigar detentos da Comarca de Prados em Resende Costa afetou os trabalhos da Comarca? Afetou muito. Primeiro é preciso deixar claro que o presídio foi construído para atender a população carcerária de Resende Costa somente. Com a vinda dos presos de Prados para esta cidade, todos os processos de execução de pena deles vieram juntos, de modo que aumentou o número de processos dessa natureza em Resende Costa. Atualmente, quantos detentos estão albergados no presídio? Existe risco de superlotação? Atualmente, temos cinquenta e oito presos no presídio local. Como existem trinta e quatro vagas, estamos com praticamente o dobro da capacidade carcerária. Não se pode dizer que há superlotação, mas tem, realmente, número bem maior de presos do que o previsto, quando foi construído o presídio. Fale sobre os projetos de ressocialização desenvolvidos no presídio pela Comarca. Temos alguns projetos de trabalho visando à ressocialização do indivíduo encarcerado. O primeiro projeto foi o trabalho na reciclagem de lixo, que rendeu frutos extraordinários para a cidade e para os presos. Tem uma fábrica de bloquetes que são usados para o calçamento das ruas do município. Mais de dez presos estão envolvidos com esse trabalho atualmente. Também há trabalho com tear e numa pequena horta existente no local. Em se tratando de segurança, podemos dizer que Resende Costa possui boa qualidade de vida? Sem dúvida alguma. A cidade é muito segura e propicia a seus moradores excelente qualidade de vida. A existência da Comarca colabora com a segurança e

Foto André Eutáquio

Os 70 anos da Comarca de Resende Costa sob o olhar do juiz de direito Donizetti Nogueira Ramos, que há 20 anos trabalha na cidade

Dr. Donizetti, juiz de direito da Comarca de Resende Costa

A EXISTÊNCIA DA COMARCA “CONTRIBUI PARA A SEGURANÇA,

TRABALHANDO O PODER JUDICIÁRIO SEMPRE EM HARMONIA E PARCERIA COM OS DEMAIS AGENTES VOLTADOS PARA A PROTEÇÃO DOS CIDADÃOS com a qualidade de vida da população? Creio que a existência da Comarca contribui para essa questão da segurança, trabalhando o poder judiciário sempre em harmonia e parceria com os demais agentes voltados para a proteção dos cidadãos. Atualmente, tem-se debatido muito a influência do Judiciário na política, na ética e nos rumos do Brasil. Qual sua opinião sobre o atual momento vivido pelo país e a atuação do Judiciário? O país passou por um período de turbulência política, com o impeachment da presidente e a consequente posse do vice no cargo. Além disso, tivemos vários escândalos envolvendo políticos com o desvio de dinheiro público. Tudo isso deixa a população atordoada. O poder judiciário tem feito o seu papel de garantidor do cumprimento das leis vigentes. Embora uma parcela da população se mostre muito cética, o fato é que o poder judiciário tem dado grandes exemplos para a nação, com atuação firme e rigorosa na aplicação da lei. Em outubro teremos eleições gerais e a expectativa da população por mudanças é

grande, sobretudo no campo da política e da economia. O senhor está otimista em relação às mudanças que a maioria da população espera que aconteça? Sim, estou muito otimista. Creio que o período de maior turbulência já passou e temos que acreditar em uma renovação política no próximo pleito eleitoral. Enquanto juiz eleitoral, quais são suas expectativas para as eleições deste ano? Imagino que teremos uma eleição sem maiores percalços e, particularmente, entendo que haverá uma renovação do quadro político, com novas lideranças surgindo no país. O que o senhor diria ao cidadão que está desmotivado com a política e não tem vontade de votar? É preciso que todos participem do processo eleitoral, pois, se não for assim, não teremos mudanças. Portanto, não adianta reclamar depois. Tem uma frase de que gosto muito e que foi usada por John Kennedy em seu discurso de posse como presidente dos Estados Unidos: “Não pregunte o que o seu país vai fazer por você, mas sim o que você vai fazer pelo seu país.”


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Especial

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70 anos da Comarca de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Decreto-Lei nº 148 de 17 de dezembro de 1938 criou o Termo de Jurisdição de Resende Costa, mas pertencente à Comarca de Prados. A plena emancipação jurídica do município dar-se-ia somente 10 anos depois, com a instalação da Comarca em 15 de novembro de 1948. Mas até chegar o dia da solene instalação (leia artigo da colunista Regina Coelho em Contemplando as Palavras), uma batalha jurídica foi travada no intuito de garantir a Comarca em Resende Costa, que atualmente abrange também o município de Coronel Xavier

Chaves. Em seu livro Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa, José Maria da Conceição Chaves, o Juca Chaves (in memoriam), relata em dois capítulos a criação do Termo Judiciário e, posteriormente, da Comarca. Também presente na solenidade ocorrida no Fórum de Resende Costa, o então vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, padre Nélson Rodrigues Ferreira que, além de doar ao Fórum um crucifixo e proferido erudito discurso na ocasião, registrou no Livro de

Tombo da Paróquia todo o acontecimento e ainda transcreveu no mesmo livro a íntegra do seu discurso. “Todos os ‘Termos anexos’ foram elevados à categoria de Comarca por uma ‘resolução demagógica’ dos deputados oposicionistas, na Constituição Mineira de 1947. Vetada a execução desse dispositivo pelo Governo do Estado, por acha-lo inconstitucional, alguns Termos apelaram ao Supremo Tribunal. Em ‘Acórdão’ deste ano, o Supremo deliberou pela constitucionalidade da elevação à Comarca de todos os Termos. Por uma interpretação errônea, instalaram-se à revelia do Estado várias Comar-

cas, inclusive Resende Costa, dia 7 de Novembro. Fixado em definitivo o dia 15 de Novembro para instalação das novas Comarcas, instalou-se oficialmente nesse dia, com maiores solenidades a Comarca de Resende Costa. O programa foi executado do seguinte modo: Às 7h: Missa festiva com assistência das autoridades. Às 13h: Almoço oferecido aos convidados oficiais. Às 15h, no Fórum, instalação oficial da Comarca, com discurso dos seguintes oradores: Miled Hannas, que proferiu belíssima tese, Helvécio Chaves, Dr. José Alencar Teixeira, Dr. Ruy de Mello Chaves, Dr. Álvaro Viana e Dr.

Cunha, prefeito de João Ribeiro (Entre Rios de Minas). Terminados os discursos, fez-se a entronização solene do crucifixo no Fórum. Esse crucifixo foi doado pelo Vigário da Paróquia. Findas essas solenidades internas, realizou-se uma passeata cívica pelas principais ruas da cidade. À noite, solene Te Deum e bênção eucarística”. No dia 28 de dezembro de 1948, foi nomeado Promotor da Comarca de Resende Costa, doutor Boanerges Lemos da Silva. Em 20 de maio de 1949, ocorreu a nomeação do Juiz de Direito da Comarca, doutor Nicanor Neto Armando.

Resende-costenses representantes do Poder Judiciário homenageiam a Comarca Para celebrar os 70 anos de instalação da Comarca de Resende Costa, o Jornal das Lajes convidou três cidadãos resende-costenses que trabalham em diferentes instituições que representam o Poder Judiciário para falarem sobre a importância da Comarca para o município. Veja o que disseram Marcos Alves de Andrade (Juiz de Direito), Antônio Pedro da Silva Melo (Promotor de Justiça) e Adenor Amadeu Resende Coelho (Advogado). “Nesses 70 anos desde a sua instalação, muitos Juízes de Direito, Promotores e serventuários passaram pela Comarca de Resende Costa e, no cumprimento de suas funções, buscaram o fim primordial da jurisdição, que é a pacificação social. O Poder Judiciário sempre cumpriu com o seu papel de trazer para os cidadãos dos municípios que integram a Comarca de Resende Costa a segurança da aplicação da lei e de poderem viver de forma ordenada na sociedade. Fui incentivado para a carreira da magistratura observando o trabalho dos Juízes de Direito da Comarca de Resende Costa.” Marcos Alves de Andrade Juiz de Direito da 2ª Vara Cível, coordenador do CEJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) da Comarca de Barbacena/MG.

“Presente na vida da sociedade brasileira pela defesa da cidadania, da democracia, das justas causas sociais e dos direitos humanos, dentre outras atribuições, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) é uma das instituições mais importantes do país. Em nossa cidade, advogados com atuação no Fórum Desembargador Mello Júnior encontram acolhida na sala da OAB/MG, subordinada à 37ª Subseção – SJDR. Dessa forma, numa junção de interesses comuns voltados ao ético exercício do Direito, sentem-se também parte honrosa deste momento de bonita comemoração dos 70 anos de criação da Comarca de Resende Costa.” Adenor Amadeu Resende Coelho Advogado, delegado da 37ª Subseção da OAB/MG na Comarca de Resende Costa

“Chamado a dizer sobre fato tão significativo e marcante na vida de todos os resende-costenses, como a comemoração dos setenta anos de instalação da Comarca de Resende Costa, confesso ter ficado verdadeiramente honrado com o convite, sobretudo em razão da importância que a comarca tem na vida de todos nós e, particularmente, em minha própria vida. Ser sede de comarca, embora possa não parecer, é algo muito importante na vida de todos nós que militamos no Judiciário, bem como para todos os munícipes, sobretudo porque a tendência dos nossos Tribunais de Justiça hoje é concentrar os órgãos do Judiciário Estadual em cidades de médio porte/cidades-polo, o que acaba distanciando a Justiça do cidadão. Prova irrefutável dessa realidade equivocada está no fato de que apenas duas pequenas cidades da nossa região contam ainda com esse privilégio, ou seja, Resende Costa e Prados. Mesmo assim, temos muito a agradecer ao Juiz Donizetti Nogueira Ramos, que, tendo optado pela nossa terra, evitou que tivéssemos Juiz de Direito na Comarca apenas uma vez por semana, como acontece em Prados e em tantas outras comarcas de entrância inicial que não mais contam com Juízes e Promotores de Justiça titulares. Duros estes tempos! Enquanto comemoramos sete décadas de instalação da Comarca de Resende Costa, é justo prestar também homenagens a todos os Juízes de Direito, Promotores de Justiça, advogados e serventuários que dedicaram suas vidas com idealismo e abnegação à nossa comarca, sem o que não estaríamos comemorando tantos anos da ‘velha senhora’, que é esta anciã tão querida por todos nós. Por derradeiro dos derradeiros, impossível não lembrar e homenagear aquele que, embora em outro plano espiritual, foi e é o grande responsável por estarmos tão felizes com nossa comarca funcionando tão bem – Dr. Aloízio Silva, que, permanecendo entre nós, mesmo com a comarca extinta, possibilitou fosse ela ressuscitada e chegasse aos setenta anos de pleno funcionamento. Parabéns, Comarca de Resende Costa, e felizes daqueles que terão o privilégio de comemorar seu primeiro centenário de existência em 2048! Antônio Pedro da Silva Melo Que Deus permita!” 1º Promotor de Justiça de São João del-Rei


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CIDADE

Agosto especial para o Hospital Nossa Senhora do Rosário Hospital lança Carnê de Contribuição Espontânea e conta com a participação de toda a comunidade ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Hospital Nossa Senhora do Rosário, de Resende Costa, lançou no dia 4 de agosto o Carnê de Contribuição Espontânea, com a finalidade de formar um grande grupo de contribuintes regulares em prol do hospital, que é administrado pela Associação Filhas de São Camilo. O hospital de Resende Costa é referência regional em gestão e atendimento. “É uma instituição de saúde que presta atendimento humanizado e, diferentemente da maioria dos hospitais do país, tem uma saúde financeira estável, o que permitiu que estivesse, nos patamares atuais, gozando de reconhecimento público muito sólido”, disse Cícero Chaves, empresário, membro da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) e colaborador do projeto.

“É preciso estar sempre atento à administração e, claro, às necessidades de atendimento da população. Planejar o futuro do hospital, fazendo com que ele continue capaz de prestar seus serviços e até mesmo expandi-los. Esse é o resultado que se espera com a criação deste Carnê de Contribuição Espontânea”, destacou Cícero. Para que esse sonho se realize, o hospital aposta no engajamento da sociedade resende-costense e fará diversas reuniões com representantes de entidades e associações do município, conclamando todos a apoiarem e fortalecerem o projeto. LANÇAMENTO DO CARNÊ A primeira dessas reuniões aconteceu no dia 4 de agosto, no hospital, e contou com a presença de colaboradores, autoridades municipais e militares, membros de

associações e lideranças religiosas da cidade. Para a irmã Auxiliadora, diretora do hospital, o primeiro encontro foi muito gratificante, deixando-a convicta de que o Carnê de Contribuição Espontânea será um sucesso e que em breve o hospital já sentirá um alívio na sua relação receitas/despesas. O contador Camilo de Léllis e o Tenente Jackson Neres, comandante da Polícia Militar de Resende Costa, participaram da reunião de lançamento do carnê e manifestaram apoio ao projeto. De acordo com Mateus Nóbrega, funcionário do hospital, o projeto deverá ser adequado e melhorado ao longo tempo. Para o colaborador Cícero Chaves, “o formato de concessão de benefícios ao colaborador regular deverá ser um motivo a mais para manter a fidelidade dos contribuintes, mas a real finalidade é criar bases para um hospital cada vez melhor, capaz de

Autoridades municipais, religiosas e militares, representantes da sociedade civil participaram da reunião de lançamento do Carnê de Contribuição do Hospital Nossa Senhor a do Rosário

atender bem a toda a população”. Irmã Auxiliadora destacou que “a caridade e a filantropia devem ser geridas com inteligência, mas também com o coração.” Ela reforçou que o Carnê de Contribuição Espontânea engloba o hospital como um todo. “Oferecer benefícios aos contribuintes regulares é uma finalidade, mas garantir o atendimento a todos os que precisam é seu fim maior”, disse irmã Auxiliadora.

O hospital iniciará a partir deste mês o recolhimento das mensalidades do carnê de contribuição. Para fazer parte dessa grande corrente do bem, é só dirigir-se à portaria do hospital ou ligar para o telefone (32) 3354-1211 e informar-se sobre o Carnê de Contribuição Espontânea. “Faça parte desse time. O Hospital é nosso, por isso nós o ajudamos.”

ARTIGO

Comarca de Resende Costa: 70 anos de justiça

DESEMBARGADOR AFRÂNIO VILELA*

A visão altaneira e de grande abrangência a partir da matriz de Nossa Senhora da Penha de França, emanando princípios religiosos e morais fortes, concretizados na tradição e na fé católica. Esse foi o sentimento da grandeza desse simbolismo, no primeiro contato que Gisela e eu tivemos com Resende Costa. Em especial, chamou-nos atenção o fato de a cidade ter sido construída sobre uma grande pedra, e isso dava a certeza de sua

pujança, a partir de 1749, quando erguida a primeira capela do Arraial da Lage dedicada a Nossa Senhora da Penha de França, e pela religião foram juntadas casas que formaram a agradável Resende costa, hoje nossa Terra, por adoção legal, para nossa honra, alegria e felicidade. A região cativou-nos imediatamente. Seu relevo. Seu casario nos moldes portugueses antigos. Resende Costa foi elevada à Comarca por força do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias do Estado, de 14/07/1947, sendo a instalação designada para 15/11/1948, conforme artigo 25 do Decreto nº 2.904, de 08/10/1948. Com a supressão da Comarca, nos termos da Resolução de nº de 29/12/1970, o Município passou a pertencer à Comarca de São João del-Rei, sobrevindo, por fim, a reinstalação, conforme Resolução nº 61, de 08/12/1975. Em 1990, tive a honra de assumir a Comarca, que se mostrou ordeira, hospitaleira e acolhedora. Assim, em Resende Costa iniciei minha jornada como juiz. Em Resende Costa iniciei minha família, pois nos casamos antes de entrar

em exercício, e agradecemos a graça de passar a conviver com uma comunidade de excepcional cultura, de tradição rica e muito conservadora, exatamente como de nosso gosto. Gosto este que, de minha parte, foi herdado de meu falecido pai, José Vilella. Meus antepassados foram da região. Pelo lado paterno, as irmãs que vieram de Portugal, Ilhoas, deram origem ao ramo dos Vilela. Não muito longe, há o povoado do mesmo nome. Do lado da avó paterna, a família Afonso Godofredo Lamounier, de Itapecerica e Prados. Então, tenho ligações históricas e familiares com Resende Costa e o destino afirmou. Fatos importantes em minha vida de juiz aqui aconteceram e com eles muito aprendi. Formei-me em consciência como julgador dos atos de meus semelhantes. Por exemplo, quando o Judiciário necessitou intervir no Asilo São Camilo. Hoje, parece-nos, um local abençoado, e frutificado pelas Irmãs Camilianas, que têm mil mãos para a bondade, saúde e cuidados com os doentes e idosos. Lembro-me de tempos atrás

quando se cogitou diminuir número de comarcas. Entrincheiramo-nos. Escrevi uma emenda e nela afirmei que o Judiciário não é importante apenas pelo quantitativo de processos, mas sim pelo qualitativo da representatividade, e neste quesito Resende Costa é imbatível, com uma áurea de nacionalidade que justificaria sua manutenção como sede de Comarca. Talvez tenha sido o embate mais duro que tivemos no Tribunal, mas a Comarca venceu, e continua importante referência jurídica, como um farol a iluminar e indicar o melhor caminho, lançando luz sobre o pisar dos viandantes, e assim a comarca serve à sociedade, direcionando seus cidadãos, especialmente os jovens, na trilha da retidão de conduta, da moralidade, do civismo e da boa formação. Agora estamos comemorando os 70 anos da Comarca de Resende Costa. Desses, 30 anos posso noticiar, porque desde o primeiro contato jamais deixei de considerá-la como a minha preferida. A Resende Costa dos Inconfidentes de mesmo sobrenome. De tantas pessoas importantes para a cultura, para as tradições.

Como representante do Judiciário, não posso deixar de mencionar o juiz Nicanor, o Juiz Aluísio Silva, a juíza Ana Maria Fróes, o juiz Sérgio Bitencourt, o juiz Doorgal, hoje desembargador, o Juiz Donizetti, e, ainda, o falecido Desembargador Guido de Andrade, que também iniciou sua carreira judicante em Resende Costa. Os servidores, que são muitos, citados nas pessoas dos escrivães Antônio de Paula, José Nicodemos, de D. Inede, do contador Souza Lima, Adenorzinho, e tantos outros que emprestaram suas forças à comarca e à causa da justiça, como os atuais, capitaneados pela escrivã Eliete. Os advogados como os doutores Amadeu, Geraldo e Ivan. São muitos que o espaço seria usado só para deles falar. 70 anos de comarca, de boa convivência, de ordem e respeito às leis. Parabéns a essa jovem senhora, a Comarca de Resende Costa, a nossa Terra!

*Primeiro Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.


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Irmã Ernestina Valmorbida: mais de 40 anos em Resende Costa dedicando-se ao trabalho com os enfermos No dia 29 de julho último, ocasião em que se comemorou em Resende Costa

o dia de São Camilo, a irmã Ernestina reuniu crianças da comunidade para participa-

Foto Leticia Resende

ACONTECEU

rem da procissão do santo patrono dos enfermos e dos hospitais.

Contemplando as palavras REGINA COELHO

Resende Costa, já por muito tempo, vinha reivindicando sua relativa independência judicial. O que parecia finalmente se confirmar através do Decreto-Lei Estadual nº 148, sancionado pelo governador Benedito Valadares, em 17 de dezembro de 1938, frustrou-se. Ao ser publicada a lei que fixava a nova divisão administrativa e judiciária do Estado, nosso município, ainda sob a jurisdição da Comarca de Prados, simplesmente não figurava na relação dos termos judiciários criados para tal fim. Inconformados com esse fato, não se deram por vencidos os resende-costenses na defesa de uma reivindicação de tal importância. Com esse propósito, foi instituída uma comissão representativa formada pelos senhores Dr. Costa Pinto, prefeito municipal; Padre Heitor de Assis, vigário; e Alcides Lara, secretário municipal, para cumprimento de missão especial em Belo Horizonte: o Termo Judiciário para Resende Costa. Na capital, contaram eles com a valiosa adesão dos ilustres conterrâneos professor Antônio de Lara Resende, Dr. Gastão Maia e Godofredo Macedo, os três lá residentes. E, numa eficiente conjugação de esforços, insistiram todos perante a Comissão Administrativa e Judiciária e junto aos políticos de real influência para que fosse satisfeita a justa aspiração de seus representados. Os esforços empreendidos não se fizeram em vão, pois nossa causa encontrou o apoio decidido do governador, que lhe deu o al-

mejado deferimento na retificação da lei publicada em 28 de dezembro de 1938 no Minas Gerais, órgão da imprensa oficial do Estado. No dia 1º de janeiro de 1939, com toda pompa e circunstância, instalou-se aqui o Termo Judiciário, tendo como eventual Juiz Substituto o resende-costense Saturnino Chaves de Mendonça, Juiz de Paz em exercício. Em 6 de março do mesmo ano, foi nomeado para o cargo o bacharel Antônio Maria Moreira Guimarães, ex-juiz do extinto Termo de Tiradentes, que não chegou a tomar posse por se aposentar logo. Ainda em 1939 (após exatos dois meses), assumiu o posto de juiz do Termo Judiciário, vindo de Coração de Jesus (norte de MG), onde exercia a mesma função, Dr. Pedro Muzzi do Espírito Santo, que aqui permaneceu até os meados de 1945. Veio a sucedê-lo, transferido de Capelinha (também norte mineiro), José Miguel Alves da Costa, que no Termo pouco se demorou. Seguiu-se a ele o Dr. Plácido Correia de Araújo, que foi empossado em 10 de janeiro de 1947. A primeira audiência do Termo de Resende Costa ocorreu em 28 de junho de 1939, oportunidade em que o juiz (Dr. Pedro Muzzi) aproveitou ainda o ensejo para “apresentar os seus melhores cumprimentos aos dois ilustres advogados Doutor Matheus Salomé de Oliveira e Doutor Tancredo de Almeida Neves, que inauguraram os trabalhos desta primeira audiência para este Termo”, conforme se

constata em Ata da qual foi extraído o trecho aqui destacado. A plena emancipação judiciária de Resende Costa deriva do artigo 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado de Minas Gerais, segundo o qual se converteriam em comarcas de entrância inicial todos os Termos anexos. Considera-se o ano de 1948 como o de criação de nossa Comarca. A leitura da Ata de sua instalação revela algumas curiosidades. Chama primeiramente a atenção a data de realização da “Sessão Solene” ocorrida no “Salão Nobre do Edifício do Fórum local”: oito de outubro, em desacordo com a data convencional de sua inauguração, ou seja, quinze de agosto. Questão de trâmites legais, provavelmente. Noventa e nove cidadãos foram os signatários desse documento histórico. Entre eles, autoridades da época e figuras de destaque na sociedade, como o cidadão João Gonçalves Pinto, Juiz de Paz em exercício de Juiz Municipal; o Revmo. Padre Nélson Rodrigues Ferreira (vigário da Paróquia N. S. da Penha); e o Dr. José de Alencar Teixeira, médico em Resende Costa. Também como orador, José Procópio da Silva “em frases entusiásticas fez bela oração alusiva ao auto”. Do mesmo modo, Miled Hannas enalteceu o ato e a “novel Comarca”. Vinte e oito nomes femininos, quase um terço do total, compuseram a lista dos presentes naquela ocasião. Ana Resende Lara, por afetiva e, portanto, ób-

via razão particular, é nome que se destaca entre os outros. Trata-se de minha queridíssima tia Ana, à época, uma jovem com seus incompletos 20 anos, hoje, uma forte senhora com seus quase 90 anos e residente há muitos anos em Barbacena. Percorrendo a linha do tempo, a Comarca de Resende Costa alcança hoje a significativa marca de seus 70 anos de vida. Desde então, como empossados, estiveram à frente dessa circunscrição judiciária os seguintes representantes do Poder Judiciário: • Dr. Plácido Correia Araújo – Janeiro/1947 (que já atuava aqui como juiz do Termo, como se disse acima) • Dr. Nicanor Neto Armando – Maio/1949 • Dr. José Guido de Andrade – Dezembro/1961 • Dr. Aloízio Silva – Novembro/1966 • Dra. Ana Maria de Oliveira Fróes – Julho/1977 • Dr. Sérgio Bittencourt Siqueira – Outubro/1985 • Dr. José Afrânio Vilela – Maio/1990 • Dr. Doorgal Gustavo Borges Andrade – Agosto/1993 • Dr. Donizetti Nogueira Ramos – Abril/1998 (atual juiz) NOTAS: 1- Grande parte das informações aqui apresentadas foram extraídas do Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha

Painel de fotografias do Fórum

Justiça seja feita

Fotografias dos juizes que trabalharam na Comarca desde a sua criação

de França da Lage, atual cidade de Resende Costa, desde os proêmios de sua existência, até os dias presentes – obra de José Maria da Conceição Chaves (Juca Chaves). 2- Serviram de base ainda para o presente artigo os textos da Ata de instalação da Comarca de Resende Costa e do Termo de audiência de 28/6/1939. 3- Foi consultado também o Livro de Tombo da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, ano 1948. Consta, em registro do Padre Nélson, novembro como mês de instalação de nossa comarca. Não obstante a confiabilidade desse raro e notável material de pesquisa (e de seu autor) sobre o passado de Resende Costa, por convenção, a época escolhida pelo JL para lembrar esse fato é agosto. De qualquer forma, o principal é que permaneça viva nossa história.


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ACONTECEU

Expô 2018 de Resende Costa Dos dias 18 a 22 de julho, aconteceu a 39ª Exposição Agropecuária de Resende Costa. Artistas locais, regionais e

nacionais passaram pelos palcos do Parque de Exposições. O maior público foi durante a noite de sexta-feira, 20, com o

show do sertanejo Eduardo Costa – a bilheteria registrou a venda de quase seis mil ingressos. Já no sábado, 21, Thiago Brava

e Humberto e Ronaldo atraíram cerca de quatro mil pessoas para a Exposição. Confira também em nossas

redes sociais e no site do JL a cobertura fotográfica da 39ª Exposição Agropecuária de Resende Costa.

Fotos Vanuza Resende


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A teia do mundo

Gastronomia

JOSÉ ANTÔNIO*

CLÁUDIO RUAS

Anotou a placa? Segundo consta, o primeiro carro do mundo apareceu em 1886. Desde então, todo ano algo em torno de 60 milhões de carros aparecem no nosso planeta. São 165 mil carros por dia! O impressionante é que a quantidade de carros no mundo aumenta num ritmo mais acelerado do que a população. As pessoas morrem e acabam sendo consumidas embaixo da terra ou nos crematórios. Mas... e os carros? Ficam por aí. Uns até andam por aí. Com tanto carro na história, o homem passou a entender melhor desses veículos. Mais do que entender, passou a amá-los. O carro é a extensão do homem. Somos tão íntimos de nossos carros que passamos a conhecer seus detalhes mais recônditos: alguém mexeu na posição do banco, o motor parece diferente, o retrovisor está esquisito... Por outro lado, os carros passaram a entender e a traduzir o homem. Fazem isso pela sutileza das placas. Algumas são muito sinceras. Foi o que aconteceu com o Pacheco quando se casou com a Zildinha. Pacheco tem fama de garanhão e a Zildinha é toda fogosa. Casal perfeito. Tão perfeito quanto a sintonia das placas dos carros do casal: o da Zildinha é CIO e o do Pacheco é PAU. Parado no semáforo, vi um carro com a placa NUA e o carro ao lado com a placa OBA. Já tive um carro com a placa KCT. Ao lado da mi-

nha vaga, estacionava sempre minha colega de departamento, com a placa DEU. Pra evitar a placa DNA, resolvi mudar de vaga... Um dia viajando, dois carros me cortaram: TNT e BUM! Ano passado, o dono de um lava-jato me contou que lavou, desinfetou e desodorizou um carro que tinha fezes em seu interior. A placa? Perguntei. Era KHI... (Duvido nada que o carro anterior do dono era PUM! Assim na placa como na biologia intestinal!) E o PVC? Não é placa, é apelido de um conhecido meu: Paulo Vinícius Carvalho. O PVC se casou e comprou um carro com a placa BIA. Sua mulher é a Soninha e seu carro tem a placa LEO. Chumbo trocado não dói! Assim caminha a humanidade... Caminha não: dirige! Sobre quatro rodas, a vida sempre mostra que o mundo não tem quinas, pois é redondo. O mundo gira e, nesse carrossel de carrinhos motorizados, o existir se mostra ao mesmo tempo surpreendente e previsível. Se olhamos para cima, está escrito nas estrelas. Se olhamos para baixo, está registrado nas placas. Ora direis, ouvir estrelas... ora direis, decifrar placas... Se bem que o primeiro acidente de carro no Brasil foi em 1897, no Rio de Janeiro. Um carro bateu contra uma árvore. Quem estava dirigindo era o Olavo Bilac! Qual era a placa do carro dele? Ora direis...

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Mantiqueira Sul-Mineira Minas são muitas. Realmente. De Manga, no norte, até Extrema, no sul, são 1.277km. Cada canto tem seu encanto. Mas existe uma região bem especial, a Mantiqueira Sul-Mineira. A parte que beira propriamente a Serra da Mantiqueira, mais na divisa com São Paulo. Tem muita coisa por lá, de paisagens deslumbrantes a uma gastronomia riquíssima. Um passeio de primeira. Altitude é o que não falta por lá. Clima frio, águas límpidas e abundantes. Ambiente propício para produção de muitas coisas. A começar pelos cafés, como os de Carmo de Minas e Cristina, considerados os melhores não só do Brasil mas do mundo! Altitude propicia à produção de outras coisas interessantes também, como as trutas de Wenceslau Braz. Perto de Maria da Fé, cidade que produz muita batata – e muito frio – e onde ocorreu a primeira extração nacional de (excelente) azeite extravirgem, há 10 anos. Fazendo jus à máxima de que “onde se faz azeite se faz vinho”, os vinhos sul-mineiros também seguem cada vez mais fortes e especiais, com vinícolas desenvolvendo excelentes trabalhos, inclusive de reconhecimento internacional. As condições favoráveis e o trabalho dos produtores estão aí. O que falta mais é apoio do poder público (sobretudo, de ordem fiscal) e mudança de postura dos consumidores, que ainda sofrem com o abominável complexo de vira-latas em relação aos vinhos nacionais.

Queijo bom também é o que não falta na Mantiqueira Sul-Mineira. Região que sofreu influência da imigração italiana e que abraçou técnica diferente da utilizada no queijo minas artesanal. O queijo de lá é inspirado no parmesão da Itália e vem ganhando cada vez mais reconhecimento, até mesmo Brasil afora. Queijos realmente muito bons e singulares, como os produzidos artesanalmente na cidade de Alagoa, por exemplo. Ou até os feitos em escala industrial, como numa grande fazenda de Cachoeira de Minas, que produz queijo tipo grana padano para nenhum italiano botar defeito. E mascarpones, presuntos crus e salames também. Preciosidades gastronômicas é que não faltam nessa região. Seja o arroz vermelho e a banana de Piranguçu, o pinhão de Delfim Moreira, a marmelada de Marmelópolis, o polvilho de Conceição dos Ouros, a alcaparra de Brasópolis, o pé-de-moleque de Piranguinho e a farinha de milho de Santa Rita de Caldas. Todas elas encontradas juntas no antigo e simpático Mercado Municipal de Itajubá. Falando em farinha de milho, logo já pensamos numa iguaria bem tradicional da região – o pastel de milho. Não, ele não é recheado de milho, como muitos imaginam. Aparentemente se confunde com o pastel de angu, muito tradicional na região central do estado, mas há uma relevante diferença: a massa do de milho é feita com a farinha de milho e polvilho. E não vai ao fogo. Fica

mais fina e crocante que o de angu. E seus recheios variam, sendo o de carne com batatinhas o mais típico deles. Uma beleza, sô! Interessante como a distância desse “sulzão de Minas” com a capital reflete na sua cultura, no sotaque cantado e também no modo de preparo de alguns pratos clássicos da culinária mineira. Caso do tutu de feijão. Na região central ele é feito de uma forma mais requintada, com o feijão batido e os pertences que o compõem (ovo, couve, linguiça, molho de cebola) dispostos de forma separada na travessa. Já o tutu sul-mineiro é mais rústico, “tropeiro”. O feijão é desmanchado na própria panela, com fogo e mistura. Se usa farinha de milho e os pertences são todos misturados ao feijão. Um jeito muito interessante, gostoso e que permite uma troca maior de sabor entre os ingredientes. Assunto é o que não falta, mas o melhor mesmo é ir lá, ver e sentir aquele “terruá” de perto. Aproveitar uma ida à Aparecida (como gostam de fazer muitos resende-costenses) e parar no caminho. Se deslumbrar com as vistas das montanhas, se esbaldar nas cachoeiras geladas. Comer e beber de toda aquela fonte de riqueza cultural caipira. Ouvir – e acreditar – nas histórias do Saci. Se emocionar com as poesias e músicas que retratam aquele pedaço do mundo. Mantiqueira, em tupi-guarani, significa “montanha que chora”. Naquelas bandas, com certeza, até as montanhas se emocionam.


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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

As mães da mentira “O pai da mentira”. É um dos títulos do diabo (Jo 8,44). E a mãe? São muitas: as redes sociais. Em tempos de guerra, mentiras por mar e por terra. Antigo provérbio, agora, desatualizado. Em tempos de internet, mentiras (e quantas!) pelo ar e pela atmosfera. Quando li pela primeira vez o anglicismo fake news, confesso que, devido a meu inglês já muito oxidado, corri ao dicionário: “Fake”: falsidade, falso. Por que não “notícias falsas”? Calúnias, difamações, mentiras nocivas sempre fizeram parte e farão da história dos homens. Como quase sempre ganham da verdade, devem preocupar e muito a quem zela pelo humano. É o caso do mandamento mosaico: “não apresentarás um falso testemunho contra teu próximo”. (Ex 20,16) Modernamente, essas falsidades, travestidas de vídeos,

fotomontagens, textos atribuídos a autores midiáticos etc., sob o nome geral de fake news, instantaneamente espalhadas, chegam a milhões de olhos e ouvidos por todo o globo. E causam prejuízos gravíssimos. Até mortes, como o atesta o linchamento de vinte pessoas, na Índia, devido a notícias desse jaez, conforme foi noticiado recentemente. E é bom notar que as falsidades chegam rápido também para quem não tem internet, pela voz/ouvido dos aparelhos! Uma estatística recente: no Brasil, o número de aparelhos celulares ultrapassa nossa população. Aparelhos que funcionam, embora nem todos atualizados tecnologicamente. E os males vêm. Destroem reputação, ferem a honra, roubam desatentos e ingênuos, vendem curas e miraculosos remédios inócuos, reforçam ignorâncias. Quem acompanha a vida do país sabe, por exemplo, que

aumenta muito o número de pais que não vacinam seus filhos por causa de notícias falsas sobre efeitos malignos dessas vacinas. Chegamos ao ponto de profissionalizar o manejo e a criação de falsidades. Lucra-se com isso. São mentirosos profissionais que assassinam a moralidade, a honra das pessoas para fins escusos e pouco se importam com o bem da sociedade. E a influência nos processos eleitorais? E tantos outros casos!? Pesquisas feitas sobre o grau de credibilidade das pessoas tentam explicar o porquê da crença em fake news. Podem-se resumir nestes itens: as pessoas tendem a acreditar que tudo é verdade; basta que as informações estejam próximas da verdade para serem aceitas; mesmo quem conhece um assunto tem predisposição a crer em falácias sobre ele: muitas técnicas para facilitar a identificação de erros revelam-se inócuas. E os ma-

landros sabem e se aproveitam disso. O que fazer? Como escapar do ceticismo: em que (quem) acreditar, já que o fenômeno é geral e universal? Onde está o real, a verdade? É um desafio para o jornalismo sério e responsável. Esta mídia honesta tenta montar esquemas para desmascarar as fakes, mas confessa a enorme dificuldade para tal. Bruxuleia-se uma luz, acende-se outra, mais potente. Pesquisas recentes (Reuters Institute), que incluem o Brasil, revelam uma queda de confiança no Facebook, pois consideram essa rede social “egocêntrica”, “assustadora”, “multifacetada”, “genérica”. Aumenta, porém, a confiança no WhatsApp, que acham mais “amigável”, “divertido”, “agregador”, “honesto”, “discreto” e “confiável”. Acho que mudou para pior. No Facebook, a sociedade por

seus representantes pode agir, cobrar, intimar as fontes. Já no WhatsApp, as fontes são milhares, mesmo com a determinação, segundo ele informou, de limitar a vinte encaminhamentos. Cada usuário posta o quer! Alguma solução? Creio numa melhora, se além do poder público se empenhar e partir para punições, as pessoas cônscias conseguirem um distanciamento, ou seja, buscar acesso às nascentes das falácias, diversificar suas fontes de informação, intensificar seu poder de observação, usar suas lupas para localizar detalhes enganosos e suspeitar deles, relativizar suas afirmações, postergar atitudes. Menos fé e mais análise. Vivendo e agindo em bolhas: grupos que se abeberam das mesmas fontes que afervoram a fé comum e se fecham para outras iluminações, a verdade estará cada vez mais ausente. É o que eu penso. E você?

Causos e cousas ROSALVO PINTO

Os Salesianos de Resende Costa Salesianos são uma Ordem Religiosa, organizada em Congregação, criada pelo sacerdote católico italiano João Melchior Bosco, conhecido por “Dom Bosco”. Nascido em Castelnuovo em 16 de agosto de 1815 (Pai: Francesco Bosco – Mãe: Margherita Occhiena), veio a falecer aos 31 de Janeiro de 1888, aos 72 anos e foi canonizado pelo Papa Pio XI em 1934. Fixando-se em Turim, passou a dedicar-se aos jovens, sobretudo aos pobres, em um momento de extrema pobreza na Itália. Para isso, criou a “Sociedade de São Francisco de Sales”. Humilde, não quis lhe dar seu nome. E assim nasceu o primeiro “Oratório”. E mais, tratou de criar o outro para as jovens meninas. Desse modo, nasceram as “Filhas de Maria Auxiliadora”, aos cuidados de Maria Mazzarello. Assim nasceu o padroeiro e mestre dos jovens, sobretudo os pobres. E rapidamente, os salesianos se espalharam pelo mundo.

Resende Costa tem uma pequena participação nessa parte da história dos salesianos. São os Sacerdotes (padres), os Coadjutores (irmãos leigos) e os Aspirantes (seminaristas). Na formação de sacerdotes, na estrutura da Igreja Católica, prevalece o maior número de sacerdotes que comandam as paróquias. Os demais se distribuem no mundo pelas inúmeras comunidades de sacerdotes, conhecidos como “religiosos”, que vivem em comunidades variadas. Em Resende Costa, prevaleceu a comunidade dos salesianos, na formação dos sacerdotes e irmãos coadjutores por um tempo, talvez por umas quatro décadas (de 30 para 60), com sede em São João del-Rei. De Resende Costa saíram muitos candidatos para seguir a carreira sacerdotal. Muitos voltaram.

David Resende – 2. Pe. Diniz José da Silva – 3. Pe. Ézio de Melo Daher – 4. Pe. Josué Francisco Natividade – 5. Francisco Ribeiro da Silva (“Chico Mineiro”) – 6. Wander Francisco de Paula da Silva (irmão do Padre Josué) – 7. Hamilton José da Silva – 8. Godofredo Bicalho de Resende – 9. Pe. Newton Resende Costa – 10. Pe. José Antônio Resende de Mendonça – 11. Lauro Geraldo de Resende Pinto. (Três deles estão ainda vivos: o 4º, o 5º e o 10º).

Veja os padres, os coadjutores e os aspirantes:

01. Celso de Resende Lara – 02. Alcides Resende Lara – 03. Paulo Resende Lara (filhos de Alcides Lara) - 04. Geraldo Elson da

PADRES: 1. Pe. Francisco

COADJUTORES (Irmãos leigos): 1. Joaquim Pinto Lara (Filho do Quinzinho Lara) 2. Juscelino Resende Pinto 3. Antônio Augusto Roman tas):

ASPIRANTES (Seminaris-

Silva – 05. Antenor Gomes – 06. Juvenal Cruz Resende (Antônio do Marisco) – 07. José Miguel (dos Turcos, solista das operetas...) – 08. Geraldo do Zé Augusto – 09. Dimas Teixeira – 10. Abel (do Quinca) - 11. Lindomar Damasceno – 12. Amilton Luiz Vale – 13. Tadeu Pinto (do Sebastião Sacristão) – 14. Geraldo Eugênio Coelho Pinto, Sebastião Sacristão – 15. Odilon Maia - 16. Vicente do Sílvio – 17. José do Rosário Silva – 18. Ênio Resende – 19. Benjamin Reis – 20. José Olímpio de Magalhães – 21. José Aristeu – 22. José Geraldo Coelho de Resende – 23. Antônio Bosco de Resende – 24. Antônio Resende de Mendonça – 25. Celso Mendonça de Resende - 26. Geraldo de Assis Resende (Geraldinho da Sá Amelina) – 27. Tarcísio de Assis Resende – 28. Lauro Resende de Mendonça - 29. Geraldo Délcio Monteiro de Resende – 30. Adriano Fonseca Chaves – 31. Zequinha do Zé Pio (do Sérgio Procópio) – 32. Geraldo Maia de

Oliveira (Pimpa) – 33. Nelson Severino de Oliveira – 34. João Severino de Oliveira – 35. Geraldo Dilermando Reis - 36. Geraldo Roman. Entre os candidatos de outras congregações religiosas, sobressaem os Camilianos. Veja os padres e também os seminaristas, que não seguiram a carreira: Padres: 1. João Evangelista de Magalhães – 2. Francisco de Assis Resende – 3. Zaqueu Geraldo Pinto – 4. João Bosco Pinto (do Chico Teófilo) – 5. Fábio Eduardo Pinto. Seminaristas: 1. Zito do Zé Henrique – 2. José Severino da Tia Nonó (filho do Jesus Magalhães) – 3. Tonico do Geraldo Porteiro – 4. Tadeu Lucas Pinto (filho do Sebastião Sacristão) – 5. Miguel do Duque – 6. Antônio Pinto Lara (Toninho do Quinzinho) – 7. Mauro Silva (Resende) – Camilo Resende. (Colaboração de João Evangelista Magalhães).


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Cidade

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No terceiro final de semana de julho, entre os dias 19 e 22, aconteceu a 39ª Exposição Agropecuária de Resende Costa. Neste ano, uma novidade: dois shows de sucesso nacional numa mesma noite. Subiram ao palco no sábado (21) o cantor sertanejo Thiago Brava e a dupla Humberto e Ronaldo. A 39ª edição da exposição trouxe também a Resende Costa o cantor sertanejo Eduardo Costa, que atraiu grande público ao Parque de Exposições na sexta-feira (20). A tradicional Cavalgada Bolivar de Andrade abriu a festa na quarta-feira (17). O encontro dos cavaleiros e amazonas aconteceu no povoado do Cajuru. Na quinta-feira (19), a cavalgada chegou a Resende Costa, dando início à festa. Na solenidade de abertura, presença de autoridades e desfile para a escolha da Rainha e Princesa da Expô 2018. Foram eleitas Rainha e Princesa, respectivamente, Karen Roberta e Maria Clara Resende. Logo após a abertura oficial, teve início a primeira noite de rodeio e, em seguida, shows da dupla da capital mineira João Victor e Greg e do artista local Douglas Donare. GRANDE PÚBLICO NO FINAL DE SEMANA Na sexta-feira, foram vendidos 5.700 ingressos para o show de Eduardo Costa. A noite continuou com o show da dupla Márcio e Heleno. Já no sábado, 4.000 ingressos foram vendidos para os shows de Thiago Brava e Humberto e Ronaldo. No domingo, a festa foi encerrada com os shows locais de Chá Preto, Mariana Costa, Carol Brasil e Brunna Assis. Segundo o empresário e um dos organizadores do evento, Lalá Santos, a programação musical foi pensada para atrair o público e ao mesmo tempo dar visibilidade aos artistas locais. “A ideia é termos artistas

nacionais para trazer um público maior, até de outras cidades, e colocar também os artistas locais e regionais para que tenham suas carreiras valorizadas.” AGROPECUÁRIA Os shows têm sido o grande atrativo da festa, no entanto as atividades voltadas para a agropecuária também são destaque: torneio leiteiro, concurso de marcha, exposição e desfile de carros de boi pelas ruas da cidade foram preparados pela organização. Para o secretário municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, Antônio Ribeiro, a Exposição Agropecuária deste ano foi “muito bacana, pois todos curtiram”. O secretário acrescentou que a festa movimenta a economia da cidade: “Um evento que atrai muitas pessoas à nossa cidade e ajuda ainda a movimentar a nossa economia. Quero agradecer ao Clube dos Cavaleiros, à Arcosta e a todos que colaboraram para que a festa acontecesse da melhor forma. Até a próxima!” ENTREVISTAS Antes do início dos shows, a Rádio Inconfidentes FM visitou os camarins dos cantores para um bate-papo. Confira parte das entrevistas. Eduardo Costa Rádio Inconfidentes – Em Resende Costa, há vários cantores que estão começando a carreira agora. Se você pudesse lhes dar um conselho, qual seria? Eduardo Costa – Cantar o que gosta. Música não pode estar ligada somente ao financeiro, tem que ser ligada muito mais à paixão e ao amor do que ao dinheiro. Eu acho que muitos artistas não dão certo porque eles se preocupam muito com o dinheiro, né? Claro que a gente precisa, mas quando você faz sua carreira baseada nisso é muito difícil, porque você fica procurando mercado, can-

tar aquilo que o mercado está querendo que você cante, e aí o mercado muda e sua carreira muda também. Muitos artistas estouram e não dão conta de manter a carreira, né? Fazem um sucesso estrondoso e depois somem. Temos vários artistas assim, não vou citar nomes, mas isso acontece. A melhor coisa que existe é você cantar aquilo que gosta e saber se você tem dom para isso, porque tem muita gente vocacionada e aí não é suficiente.

Karen Roberta, Rainha da Expô 2018, e o prefeito municipal Aurélio Suenes

Thiago Brava Rádio Inconfidentes – O mercado da música tem se mostrado cada vez mais competitivo, mas ainda assim sempre surgem bons nomes. Para você, o que é essencial para atingir o sucesso e permanecer nele? Thiago Brava – O importante é não desistir do sonho. Você estourar é difícil, mas você continuar estourando é mais difícil ainda. Então é continuar tentando, uma hora Deus coloca a mão, assim como Ele fez comigo em todas as vezes. Muita fé em Deus e focar no trabalho.

A princesa da Festa, Maria Clara Resende, e o secretário Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, Toninho Ribeiro

Humberto e Ronaldo Rádio Inconfidentes – Queria que falassem um pouco sobre a carreira de vocês: os desafios, as dificuldades, mas também a felicidade de poder trabalhar com o que gostam de fazer. Humberto e Ronaldo – Nós temos 10 anos de carreira, começamos em barzinhos de Goiânia, como todo princípio. E hoje temos vários discos gravados. Sempre falamos para a galera trabalhar, nunca desistir dos sonhos. Ter muita humildade também, sempre buscar fazer o melhor. Cantar o melhor possível, compor o melhor possível, sempre o melhor possível. Dedicação, Deus em primeiro lugar, humildade, pois, tudo tem sua hora, e uma hora vai acontecer.

Morfologia de bovinos - bezerras de propriedade do Benone Fotos Vanuza Resende

VANUZA RESENDE

Fotos Cássio Almeida

Cavalgada, Rodeios e Shows: confira como foi a 39ª Expô RC

O cantor sertanejo Eduardo Costa se apresentou na noite de sextafeira, 20, e atraiu quase 6.000 pessoas ao Parque de Exposições


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MEIO AMBIENTE

Vertente do Lixo EMERSON GONZAGA*

Vivemos em uma sociedade que tenta ajustar sua conduta com o meio ambiente, após décadas sem investimentos reais em políticas públicas eficazes direcionadas ao tratamento adequado do lixo produzido por todos. Grande parte dos municípios da região dos Campos das Vertentes ainda vivencia a ineficiência dos serviços públicos de saneamento básico. Durante anos, deixamos de enfatizar a importância ambiental e de saúde sobre temas relacionados ao saneamento urbano. Atualmente, encontramo-nos em uma maratona para tentar reaver o tempo perdido. Esse contexto se dá a partir da publicação da Lei nº 10.562 de 2014, que trouxe à tona a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A partir de então, uma série de conceitos e de comportamentos precisaram ser adaptados pelos governos, pelo setor

empresarial e pela própria população, mediante a premissa de que existe uma responsabilidade compartilhada entre todos os segmentos sociais sobre a produção e a disposição final do lixo. Nos termos da Lei, o conceito “lixo domiciliar”, denominado de Resíduos Sólidos Urbanos, foi dividido em três categorias: rejeitos, recicláveis e orgânicos. Ainda, conceitos como Coleta Seletiva, Logística Reversa, Aterros Sanitários, Usinas de Triagem e Compostagem passaram a ser comuns ao se tratar do tema. Antes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a maioria dos municípios direcionava o lixo para Lixões ou, no máximo, para Aterros Controlados, que são estruturas de mais simples manutenção. Mas os danos ambientais causados pela inexistência de tratamento dos líquidos e dos gases oriundos do processo de decomposição dos materiais orgânicos ali depositados

fizeram com que eles fossem compreendidos como os grandes vilões, capazes de poluir os recursos hídricos, os seres vivos e a atmosfera. Assim, os municípios precisaram de uma alternativa ambientalmente correta para destinação e tratamento final de seus resíduos sólidos: os aterros sanitários, que são valas impermeabilizadas com captação e tratamento de gases e de líquidos. Mas como os resíduos sólidos são constituídos de rejeitos, recicláveis e orgânicos, não se deve tratar tudo pejorativamente como “lixo”. Para os aterros devem ser direcionados apenas os rejeitos, que são o que não tem mais valor comercial ou utilidade. Já os recicláveis e os orgânicos devem ser separados no próprio município através de ajuda mútua entre a população, governo e associações ou cooperativas de catadores, por meio do processo de Coleta Seletiva. A grande dificuldade dos aterros sanitários está associada ao seu alto valor de implantação, inviável para

municípios com menos de 100 mil habitantes, como é o caso da grande maioria dos municípios das Vertentes. Por esse motivo, a alternativa atual dos administradores públicos tem sido a contratação de um transbordo para armazenamento temporário dos materiais em seu município, para depois enviá-los aos aterros sanitários mais próximos. Durante esse percurso, pessoas são envolvidas, relações comerciais firmadas e gastos públicos significantes são despendidos. Para se ter uma ideia, municípios com o porte de Resende Costa e de Lagoa Dourada gastam, anualmente, cerca de R$400.000,00 para transporte e disposição final de seus resíduos sólidos. Cita-se, nesse contexto, o Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental das Vertentes – CIGEDAS, que é uma entidade formada por 17 municípios com a finalidade de elaboração de um Plano Regionalizado de Resíduos

Sólidos Urbanos. O objetivo é buscar uma solução conjunta para a questão do lixo. Uma das grandes contribuições desse consórcio é a viabilidade financeira para se implantar um aterro sanitário único. Tendo em vista ser considerável o volume total de lixo, busca-se atrair investidores particulares para a construção desse aterro, o que diminuiria, por exemplo, os gastos com transbordo e disposição final dos resíduos. Vale considerar ainda que a inclusão social dos catadores de recicláveis nesse processo é imprescindível, pois, além de gerar renda para inúmeras famílias, é possível reduzir significativamente a quantidade de resíduos direcionados aos aterros, fazendo com que os materiais separados sejam novamente introduzidos na cadeia de produção. *Diretor de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Lagoa Dourada, presidente em exercício do IRIS (Instituto Rio Santo Antônio).

Opinião

A Exposição Agropecuária está cada vez menos agropecuária A “essência da festa” tem sido preterida, dando-se destaque aos shows LUCAS RESENDE AARÃO*

Chegar à 39ª edição do principal evento agropecuário anual não é para qualquer cidade. Resende Costa se destaca quando o assunto é a tradicional Exposição Agropecuária. Trata-se de um grande evento do qual os moradores da cidade devem se orgulhar, podendo usufruir de diversas atrações nos quatro dias em que a festa acontece. Passados os dias de festejo, é comum os moradores da cidade perguntarem-se uns aos outros: “E aí, o que achou da festa?” Aos que me perguntam o que eu achei da Exposição Agropecuária desse ano, respondo meio entristecido: foi boa, mas acho que a Exposição Agropecuária está cada vez menos agropecuária. Tratando-se de organização, é notório o nível de profissionalismo envolvido, condizente com a necessidade de uma festa dessa amplitude. Contudo, penso que a essência da nossa tradicional

festa agropecuária tem se perdido a cada ano. Há pouco espaço voltado especificamente ao meio rural. A infraestrutura montada tem valorizado e priorizado os shows, que são importantes, eu mesmo sou um grande fã e frequentador. Porém, está sendo deixado à margem aquilo que, na origem, a festa se propôs a ser: agropecuária. Quando eu era mais jovem, era grande a quantidade de animais, especialmente equinos, trazidos de cidades da região para a Exposição de Resende Costa, no intuito de competir e tornar conhecidos os belos exemplares de várias raças. A exposição e a competição dos animais impulsionavam o desenvolvimento dos criatórios internos, além de serem um deleite para o público. Cogitava-se até mesmo em ampliar as instalações já existentes no Parque do Campo para suprir a demanda, que era crescente devido especialmente ao aumento de criadores e expositores da própria cidade. Diferente de outrora, não há atualmente um espaço ou pista apropriados para aquecimento,

apresentação e julgamento de bovinos e equinos, os quais são realizados em locais improvisados no Parque. Vejo essa situação como frustrante. Além disso, ter um pouco de contato com o meio rural através dos animais já não é mais prioridade das famílias que vão ao Parque de Exposições nos dias da festa, pois não há muito o que se ver, a não ser os animais presos dentro das baias ou estábulos. O foco está direcionado a outras atividades. Claro que a evolução faz parte da vida do ser humano e existem motivações para mudanças, mas as raízes não devem ser abandonadas, principalmente quando elas ainda fazem parte da estrutura da cidade, visto que a agropecuária, ao lado do artesanato, formam a base econômica do município. Algumas atrações, típicas da Exposição Agropecuária de Resende Costa, estão aos poucos minguando, como, por exemplo, a cavalgada Bolivar de Andrade, que passou de uma atividade grandiosa, que reunia centenas de cavaleiros e amazonas de diversos municípios da região, a um evento “esparramado”, no qual

grupos isolados de pessoas utilizam a data para cavalgar. Como não se lembrar também do tradicionalíssimo “desfile de domingo”, que há alguns anos reunia uma multidão de moradores e turistas ansiosos para ver passar pelas ruas da cidade os belos animais expostos, carros de boi, máquinas agrícolas e grupo de cavaleiros que, ao som da sirene do carro madrinha quebravam o silêncio desta (não tão pacata mais) cidade. Neste ano, já não aconteceu o desfile de domingo, apenas os carros de boi desfilaram no sábado, simultaneamente a outras atividades no Parque do Campo. Tenho conversado com inúmeras pessoas, frequentadoras ou não de outras festas do ramo, e elas são unânimes em dizer que esse desfile é único, não existe em nenhuma outra cidade da redondeza nesses moldes, e que essa tradição não pode acabar. É extremamente importante que o evento seja sustentável, que traga novidades, que mostre a evolução, inclusive no meio rural, e que traga entretenimento à população. Mas tão importante quanto isso é

fomentar a atividade agropecuária, oportunizando espaços de interação entre produtores rurais e entre eles e o público em geral. É inegável que falar é muito mais fácil do que fazer. Tiro o chapéu para aqueles que, apesar das dificuldades, que sabemos serem muitas, ainda se dedicam a organizar as atrações com os recursos disponíveis. Sei do empenho daqueles que trabalham arduamente para que esse evento aconteça. Sei também que suas intenções são as melhores possíveis. Não tenho intenção de fazer uma crítica direcionada ou individualizada. Longe disso, humildemente quero apenas trazer à tona a discussão sobre a viabilidade de abrirmos mão das atrações tradicionais que nossa Exposição Agropecuária sempre apresentou. Tradição construída no decorrer dos anos e que não deve ficar apenas na memória dos que vivenciaram a “essência da coisa”. *Economista da UFSJ, criador de cavalos Campolina em Resende Costa.


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REGIONAL

Prefeitura de São Tiago inaugura marco de chegada do projeto “Caminhos de São Tiago” O evento fez parte das comemorações dos 69 anos de emancipação do município Um dia de sol, gente na praça, crianças brincando, banda de música, seresta e o lançamento do marco de chegada de um projeto que terá um grande futuro! Assim terminou, no último dia 26, a Festa de Julho, que comemorou os 69 anos de emancipação de São Tiago. O evento contou com a participação de autoridades de vários municípios e representantes de instituições como o Sebrae, Senac e Amver, dentre outras. O dia começou com a celebração de uma missa em ação de graças na igreja Matriz, um momento especial que terminou com as instituições são-tiaguenses se apresentando ao público. Em seguida, houve o plantio de uma muda de ipê, árvore símbolo do projeto “Caminhos de São Tiago”. O hasteamento das bandeiras foi

realizado pelo prefeito Denilson Reis, representando o Circuito Trilha dos Inconfidentes, e pelos representantes dos Circuitos do Ouro e Vilas e Fazendas, Celso Vaz e Clarissa Alves, ao som da banda de música do 11º Batalhão de Infantaria, de São João delRei. Em seguida, os convidados se dirigiram ao forno, na praça, para os pronunciamentos sobre o “Caminhos de São Tiago” e inauguração do marco de chegada do projeto. Na ocasião, várias autoridades foram presenteadas com uma pequena escultura do símbolo do projeto, juntamente com uma caixa personalizada com biscoitos do município. O prefeito Denilson chamou a atenção sobre a necessidade da participação dos cidadãos no projeto: “A responsabilidade é enorme, em função de tantos municípios

e instituições envolvidos. Eu tenho a missão de fazer com que os são-tiaguenses abracem e participem efetivamente conosco.” O gestor da Trilha dos Inconfidentes, Marcus Januário, disse que o projeto nasceu da forma mais correta e assertiva, “porque está sendo construído coletivamente. Estamos inovando. É a primeira vez que os municípios estão gerindo técnica e financeiramente um circuito turístico e isso faz toda a diferença”. A presidente do Circuito Vilas e Fazendas, Clarissa Alves, concordou: “É um projeto de várias mãos. Desde o início, as prefeituras estão envolvidas e participando de todas as decisões.” Um dos representantes dos municípios do Circuito do Ouro, o vice-prefeito de Ouro Branco, Celso Roberto Vaz, enfatizou a necessidade de Minas Gerais

Foto site Prefeitura Municipal de São Tiago

Representantes dos municípios, associações e instituições culturais em frente à Focest, em São Tiago

investir em turismo: “Minas precisa encontrar caminhos, a situação é complicada. Nosso minério está chegando ao fim, precisamos caminhar através do turismo. De Ouro Preto a São Tiago, vamos resgatar o caminho e os sonhos dos inconfidentes.” O dia terminou com o tradicional bolo de aniversário

e os parabéns com show pirotécnico. O Clube da Seresta embalou a noite de lua cheia e os sonhos que caminham pelos “Caminhos de São Tiago”. Texto e fotos: Site oficial da Prefeitura Municipal de São Tiago (http://www. saotiago.mg.gov.br)

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Voltando sempre para casa O dia amanheceu alegre, a luz entrando pelos poros da existência. Porém eu estava pesado, ansioso, e principalmente com medo. Já tinha conhecido Belo Horizonte havia quase três meses. Fora em dezembro de 1994 a minha ida para a capital, o enfrentamento no vestibular da UFMG, eu pela primeira vez numa cidade grande. As ruas movimentadas, os carros, o barulho, a multidão solitária. Voltara lá em janeiro de 1995 para fazer a segunda etapa do concurso. Viera ao fim a desejada aprovação. Março desse mesmo ano já se aproximava e a necessidade de ir embora me atravessava com urgência. As aulas da faculdade começariam logo. Um teto a ser arranjado, um emprego a ser procurado e uma adaptação a uma nova vida completamente diferente para garoto de 18 anos que mal conhecia São João del-Rei e só. O dia amanheceu, pois. Tomei com meu pai um café,

muito amargo pela primeira vez na minha vida. O pai, sempre amoroso mas durão, agora com os olhos úmidos, a voz embargada e surda. Minha mãe continuou em sua cama. Sempre levantava antes de mim, mas daquela vez ficou deitada evitando despedidas. Fui ao quarto abraçá-la. No berço ao lado, minha maninha com seus 05 anos. Dormia profundamente o anjo, pois ainda não entendia de partidas. Mamãe chorava, soluçava baixinho, os olhos vermelhos. Abracei-a sem deixar que se levantasse. Depois, pegar o ônibus da Viação Sandra (que passava do lado de fora da nossa casa, pois ainda não tínhamos rodoviária), sentar-me no banco, abrir a janela para a rua em que fui criado, tentar me acalmar – tudo isso foi tarefa difícil, novo caminho pela frente. Uma vida inteira, não abandonada, mas ficando para trás do veículo, servindo de alicerce aos dias

vindouros. A base da construção de memórias. Essa foi a manhã do dia em que saí de casa. E tempos depois, visitou várias vezes a minha mente a canção “No dia em que eu saí de casa”, do gaúcho Joel Marques, um dos grandes compositores da música brasileira e merecedor de aplausos por fazer poesia com as coisas comuns da vida. E as palavras da mãe ao filho reboando nos meus pensamentos: “Por onde você for eu sigo / Com meu pensamento sempre onde estiver / Em minhas orações eu vou pedir a Deus / Que ilumine os passos seus”. E depois, do mesmo modo, na cidade grande o sentimento de saudade em mim ressuscitando várias vezes, aquele do qual nos fala Dorival Caymmi em sua também bela canção: “Ai, ai, que saudade eu tenho da Bahia / Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia / ‘Bem, não vá deixar a sua mãe aflita / A gente

faz o que o coração dita / Mas esse mundo é feito de maldade e ilusão’”. De maldade e de ilusão o mundo se faz, é fato. Mas também de belezuras, de braços e mãos que se estendem e nos ajudam, de bocas (como a de minha mãe) que oram por nós todo santo dia. E como desconhecer o poder de uma oração? O poder de palavras em sintonia com as forças boas do universo, com as forças de Deus? Com tanta fé e bons desejos direcionados a nós, não há como nos perdermos de todo no vasto mundo. Porque o mundo é mesmo vasto, infinito em sua finitude. Muitos já disseram isso, inclusive, aqui em Minas, o nosso Carlos Drummond de Andrade. E nossas mães ficam aflitas, sim, quando percebem que seus filhos partem para um mundo pleno de “maldade e ilusão”. E elas oram, rezam, distantes dos seus filhos e filhas, pedindo a Deus ou a algum santo uma aju-

da do alto, rogando-lhes que os seus rebentos vivam debaixo da misericórdia celeste. As mães – e também os pais – sofrem. Oram e sofrem. Sofrem por não terem a plena certeza de que serão mesmo ouvidos. A fé é esse sentimento penoso, porque posto à prova constantemente. Mas é nesse fundamento que nos assentamos, é dele que precisamos, é a partir dele que construímos esta ampla e linda casa que é a nossa vida. Pela fé todos vencem, apesar das coisas ásperas da existência. Vencemos em nossa história, que é tão boa e tão agressiva ao mesmo tempo. E foi nos braços agressivos e bons da vida que peguei naquele dia a estrada entre as montanhas de Minas. Fui embora da casa de meus pais, dando voltas, perfazendo sinuosidades, mas nunca saindo de lá. Nos volteios inevitáveis, a gente vai indo e vindo, e sempre voltando para casa.


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Informe Publicitário ESPECIAL COOPER AÇÃO

DEIVIDSON COSTA

POSSE

Asseturc: coletividade e avanço Resende Costa sabe empreender. Afinal, não bastou converter a tradição artesanal em um poderoso nicho de mercado. Foi preciso, aos poucos, se preparar para o Turismo. Coisa de gente visionária e uma meta: oferecer estruturas completas a quem desembarca por aqui. Ganham os visitantes, que levam produtos de qualidade nas malas e grandes experiências na alma. Ganham os resende-costenses que, apostando na diversidade do comércio, investem em desenvolvimento e qualidade de vida. A Associação Empresarial e Turística de Resende Costa (Asseturc), criada em 2005, é uma das grandes propagadoras dessa filosofia. QUEM VEM, PODE FICAR Cheia de talento, teares, prateleiras e criações únicas, Resende Costa também oferece hospedagem, gastronomia, agenda cultural e história. Pacote completo que a qualifica como um grande atrativo no Campo das Vertentes, mas ainda tem espaço para crescer. “Mercado diversificado demanda empreendedores preparados. E prepará-los requer ações constantes. É tudo um grande ciclo”, explica um dos idealizadores,

primeiro presidente e atual membro do Conselho Fiscal na Asseturc, Edmar de Assis. O grupo conta, hoje, com mais de 80 membros em vários segmentos (alimentício, turístico, de saúde, vestuário, etc). Todos incluídos em organização mobilizadora oferecendo desde convênios médicos a consultorias e eventos de crescimento profissional. FUTURO Em maio e junho deste ano, durante a Mostra de Cultura e Artesanato, uma parceria com o Senac culminou em 12 ações de capacitação visando quem quer descobrir o verdadeiro talento – incluindo crianças. Houve, ainda, workshops para quem já investe no mercado. “Resende Costa é, naturalmente, um celeiro de grandes ideias. Empreender e lutar está na veia das pessoas aqui. Se elas se unem e avançam juntas, tudo isso fica ainda maior”, finaliza o conselheiro fiscal da Asseturc. Interessados em fazer parte da associação podem entrar em contato pelo (0**32) 3354-1059 de segunda a sexta-feira.

DEIVIDSON COSTA

Lar pede ajuda à comunidade

Unir “Lar” e “São Camilo de Léllis” no mesmo nome não é mera formalidade em Resende Costa. Na cidade, a instituição que carrega esse título oferece teto, apoio médico, cuidados especiais e amparo social a mais de 70 pessoas. E com trabalho de caridade sob coordenação de Irmãs Camilianas, se torna espaço para reencontro com a dignidade e a cidadania também. Porém, se há cerca de três décadas o Lar São Camilo de Léllis estende as mãos a quem se encontra em situação de vulnerabilidade, agora depende do abraço comunitário para driblar um impasse: déficits que, no ano passado, somaram mais de R$95 mil. ECONOMIA A questão das finanças no lar é delicada. Para se manter, a entidade depende de 70% da aposentadoria de residentes idosos. Os outros 30% só podem ser acessados para compra de medicamentos ou fraldas,

por exemplo, quando houver necessidade específica do morador. Outra fonte de recursos está em doações. Mas como boa parte dos auxílios chega em mantimentos e outros produtos, a balança das contas nem sempre se equilibra. “Somos gratos a Deus e às pessoas de bom coração por todo e qualquer auxílio. Sem esse apoio, esta casa não existiria. Ao mesmo tempo, não podemos esconder que atualmente há uma grande demanda por recursos financeiros para cobrir com tranquilidade contas de água, luz, impostos ou folha de pagamento”, explica Irmã Maria Auxiliadora de Resende, atual diretora do Lar São Camilo. Quer ajudar? Confira os dados para doações: Ag.3173 - Sicoob Credivertentes Conta Corrente: 42131-6

João Pinto de Oliveira toma posse na Crediminas Representatividade e futuro. O presidente do Conselho de Administração do Sicoob Credivertentes, João Pinto de Oliveira, foi empossado como membro do Conselho de Administração do Sicoob Central Crediminas em 20 de junho. O evento solene ocorreu na capital mineira, Belo Horizonte, e oficializou gestão liderada por Geraldo Souza Ribeiro Filho, do Sicoob Agrocredi; contando ainda com Iesser Cunha Lauar, do Sicoob Credijequitinhonha; José Pedro Garcia Reis, do Sicoob Credivar; Júlio Cézar Aguiar, Sicoob Credivag; Reginaldo Dias Machado, do Sicoob Frutal; Vitor Hugo Gomes, do Sicoob Crediara; e Júlio Cézar Ribeiro de Andrade, do Sicoob Credifor. “É honroso fazer parte desse grupo não só por levar adiante a luta cooperativista, mas também por compreender que a presença de ARQUIVO PESSOAL nossa instituição comprova sua importância social, econômica e também cultural no sistema”, diz Oliveira, que coordena, ao mesmo tempo, a Unidade de Administração Regional 3 (UAR-3).

REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

MELHORIAS PARA NOSSO POVO “A única dificuldade é começar”, diz o personagem Vladimir na obra “Esperando Godot”, de Bertold Brecht. Vale a reflexão. Nossos problemas sociais são muitos. Sabemos perfeitamente disso. Temos, todavia, condições de amenizá-los e melhorar a vida de milhões de compatriotas utilizando nossas próprias forças. A solução está, em especial, no cooperativismo de crédito. Não se trata apenas de finanças, mas igualmente de apoio a negócios, educação, inclusão, amplas condições de transformação social. Afinal, instituições como a nossa chegam a todo o país, abraçando comunidades interioranas onde bancos comerciais e oficiais fecharam suas portas – ou jamais puseram os pés. Só o Sicoob Credivertentes atende, hoje, mais de 20 mil associados em 19 Pontos de Atendimento nas Vertentes e na capital, Belo Horizonte. Vale citar Clarice Lispector, defendendo que “quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe”. O cooperativismo, por sua filosofia humanista e progressista, busca exatamente isso enquanto gera e amplia renda, cria postos de trabalho, dinamiza economias. Melhorias para o nosso tempo e as novas gerações.


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PERFIL

ESPORTE

Zezinho do Célio: de “louco catador de lixo” a referência ambiental em Resende Costa

Galaxy é campeão invicto da Copa Alterosa 2018 ANDRÉ EUSTÁQUIO

O catador estima que desde 2001 já recolheu mil e trezentas toneladas de plástico e papelões Foto VAnuza Resende

VANUZA RESENDE

Há 17 anos Zezinho percorre todo o centro de Resende Costa com sua carrocinha para recolher materiais recicláveis.

há 16 anos”, recorda-se o resende-costense. Atualmente, Zezinho se considera um “microempresário sustentável”. “Eu já tirei aqui em Resende Costa aproximadamente 1.300 toneladas de recicláveis. Agora imagina: e se essas toneladas fossem para o lençol freático? Isso eu já falei várias vezes, a água iria acabar”, afirma Zezinho. A renda certamente não é o principal objetivo de Zezinho. O catador recebe em média R$600,00 mensais. “E dinheiro?! Dinheiro, não tem dinheiro não, gente. Eu vendo uma tonelada de papelão por cem reais. Se você pensar pelo trabalho que a gente tem, não vale. Porque o dinheiro é porcaria, mas o homem sem dinheiro é pior ainda. Então, o que acontece é um mal necessário. Porque sem dinheiro não se sobrevive.” Com a prática adquirida, Zezinho consegue identificar os materiais e faz a separação nos locais onde os recolhe. “São quatro tipos de materiais que a gente recolhe. Tem o marrom, que é o papelão das caixas; tem o papelão miúdo, o plástico branquinho - que é o pior para a natureza -, e o plástico colorido. Eu já deixo tudo separado, o comprador quando leva já está tudo separado. Pelo meu modo de entender, o papelão vai virar papelão outra vez e isso vai evitar que a gente corte as florestas, igual eles estão

querendo fazer lá na Amazônia.” O material recolhido é vendido bimestralmente para uma empresa de São João del-Rei. Para não acumular pragas no lixo acumulado, Zezinho usa técnicas. “Eu tenho um combate. Por exemplo, a praga do papel é o rato, eu combato. No princípio, eu estava dando bobeira e eles (pragas) começaram a querer invadir. Mas eu espaventei e eles não voltaram mais”, garante o catador. APOIO DA POPULAÇÃO De 2001 para cá, essa história de doido catador de lixo se tornou uma referência para Resende Costa. No comércio do centro da cidade, as caixas são reservadas para a carrocinha do Zezinho, que não falha em sua missão de deixar a cidade limpa. Pelo serviço prestado, Zezinho já foi convidado, inclusive, para palestrar durante duas missas na igreja em 2017 sobre o tema da Campanha da Fraternidade: “Biomas Brasileiros e a Defesa da Vida”. O catador fica satisfeito em saber que a preocupação e os cuidados com os resíduos produzidos na cidade são bem maiores que há 17 anos. “Todo mundo está ciente de que, se não cuidar e catar o material, não dá. Olha o trabalho: o povo produz e a gente cata, a gente limpa. Se não fizer isso, vai virar uma bagunça. Hoje já tem os companheiros do caminhão da reciclagem que

O Galaxy/Resende Costa fez uma campanha impecável na Copa Alterosa 2018 Sub 13 e foi campeão invicto do torneio. A grande final foi disputada no dia 28 de julho em São Bento Abade, no Sul de Minas. A equipe comandada pelo treinador João Vítor e pelos auxiliares Bruno Henrique e Paulo Guilherme superou em dois jogos o forte time do São Bento Abade. No primeiro jogo da final, disputado em São João del-Rei, o Galaxy/Resende Costa venceu por 8x3. A segunda partida, em São Bento Abade, terminou em empate, 7x7. Por ter vencido o primeiro jogo, por goleada convincente, o Galaxy poderia até empatar o segundo. Foi o que aconteceu, e a equipe de Resende Costa levantou o troféu de campeã da Copa Alterosa 2018 Sub 13. O treinador e diretor da Escola Galaxy destacou a dificul-

dade do torneio, que contou com a participação de 40 equipes na categoria Sub 13. “É uma competição difícil, mas todos os garotos vestiram a camisa e mostraram bom futebol”, disse João Vítor. Ele agradece aos apoiadores, importantes para a participação do Galaxy na Copa Alterosa de futsal: “Quero agradecer à Prefeitura Municipal e destacar o empenho dos atletas”. A Copa Alterosa 2018 teve início em março e terminou no dia 28 de julho. Os jogos foram disputados em diversas cidades do interior de Minas. Até chegar à final e se sagrar campeão, o Galaxy/Resende Costa disputou sete partidas. “Foi um título especial, pois neste ano completamos uma década de atividades na escola. Contamos com atletas da cidade e selecionamos talentos da região para jogar conosco essa Copa Alterosa, mostrando que o Galaxy oferece também oportunidades a jovens promessas da cidade e da região”, conclui João Vítor. Foto redes sociais Galaxy

José Teodoro Ramos, popularmente conhecido como Zezinho do Célio, faz parte das figuras populares de Resende Costa. Nascido em São João del-Rei, mudou-se para a cidade ainda criança. Durante a sua adolescência, ajudava o pai em uma oficina mecânica. Zezinho já foi narrador de futebol em jogos locais e por mais de 50 anos transformou-se no palhacinho que comandava o Bloco das Crianças no Carnaval. Durante 30 anos foi alcoólatra. Segundo ele, teve dias em que consumiu três litros de pinga. Hoje, orgulha-se de não ser viciado em bebidas alcoólicas. Figura extremamente simples, carrega uma experiência vasta do mundo. Já viajou por vários lugares e usa as experiências adquiridas para melhorar o ambiente em que vive. Quem passa pela Rua Moreira da Rocha, no centro de Resende Costa, pode observar a garagem do Zezinho repleta de papelões e plásticos. Além disso, uma placa anuncia a venda de húmus produzido na horta e na cozinha da sua casa. A ligação com a sustentabilidade vem de anos, mas a inspiração para se tornar catador de materiais veio depois que voltou de uma viagem, há 16 anos. “Eu fiz uns passeios para fora, um lugar chamado Pantanal. Eu fiquei três meses e notei que o meio ambiente lá acabou. É garrafa para todo lado, é plástico espalhado para tudo quanto é canto. Eu vim para Resende Costa e notei que aqui já estava indo para o mesmo caminho. Aí eu arrumei uma carrocinha de pedreiro e comecei a fazer a limpeza da cidade.” Zezinho conta que no início a população ficou receosa com o seu trabalho. “Quando você vem com uma novidade dessa, você é considerado louco. ‘Olha lá o catador de lixo, olha o porco catador de lixo!’Mas eu não estou nem aí. Mas isso foi

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Galaxy foi campeão da Copa Alterosa 2018 Sub 13

fazem um trabalho brilhante. Tem o caminhão do lixo que leva os materiais para a usina em Sabará (usina de compostagem). Esse é o conjunto, né?” Com 66 anos, Zezinho não pensa em parar. Pelo contrário, ele gostaria de expandir seu trabalho para toda a cidade, utilizando, porém, uma carrocinha mais elaborada. “Tem dia que são seis carrocinhas dessa de geladeira e eu não dou conta, uai! Eu pego o serviço às 6h e 30min e tem dia que eu vou parar às 20h. Eu não aguento fazer mais do que isso. Eu penso em fazer uma

(carrocinha) motorizada, porque com uma carroceria eu conseguiria rodar os bairros todos.” No fim da nossa conversa, Zezinho mencionou sua inspiração política, Fidel Castro, para dizer que vai continuar sendo o catador de materiais recicláveis de Resende Costa. “Eu não entrego não. Porque lá na Ilha (de Cuba) ele só entregou depois de morto. A história me absolverá”, afirma Zezinho do Célio. Ele conclui agradecendo: “Eu agradeço e parabenizo todos os meus companheiros da reciclagem, da limpeza da cidade e os meus fornecedores”.


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ESPORTE

Com recorde de inscrição, Torneio de Inverno movimentou Resende Costa VANUZA RESENDE

Foram cinco semanas de bola rolando na quadra do Ginásio Monsenhor Nelson, em Resende Costa. O tradicional Torneio de Inverno de Futsal chegou à sua 34ª edição. Com recorde de inscrição, o evento contou com mais de 70 equipes distribuídas em 11 categorias: Dentinho, Mirim, Sub-9, Sub-11, Sub-13, Sub-15, Sub-17, Feminino, Taça de Prata, Taça de Ouro, Veterano. O torneio já alcançou proporções regionais. Neste ano, 13

equipes de diversas cidades da região vieram a Resende Costa para disputar o campeonato. Cássio Almeida, um dos organizadores, avaliou o torneio de 2018: “Em todas as categorias pudemos contar com equipes muito bem preparadas e de altíssimo nível técnico.” Segundo Cássio, a expectativa é a de que os jogos só melhorem: “A tendência é melhorar ainda mais com o passar dos anos, já que em várias cidades estão surgindo escolinhas e pessoas dispostas a ensinar futsal aos mais jovens.” A equipe são-joanense do Liverpool levantou o troféu de campeão da Taça de Ouro. Para um dos

jogadores da equipe, Agostinho Júnior, o campeonato é um dos melhores da região. “O torneio de Resende Costa pode servir de exemplo para muitos torneios, porque a população comparece mesmo. Na última semana do evento, a quadra estava lotada todos os dias. Sábado, então, não tinha nem lugar para se sentar”, elogiou Agostinho. Para Cássio, é fundamental que a tradição do torneio seja mantida: “Ficamos felizes em saber que cada vez mais atletas e times da região veem o Torneio de Inverno de Resende Costa como um dos principais da região. Isso demonstra a tradição e a credibilidade do

Torneio.” Cássio acrescenta que em 2019 o campeonato volta com o mesmo nível: “Buscamos manter o nível do campeonato com a participação de equipes cada vez mais fortes e organizadas. Isso acaba acontecendo naturalmente, já que os times buscam se reforçar a cada edição almejando o título, o que se reflete no torneio como um todo”, conclui o organizador.

Vice-campeão: Furões; Sub-13 - Campeão: Athletic, Vice-campeão: Super Craque; Sub-15 - Campeão: Athletic, Vice-campeão: Furões; Sub-17 - Campeão: Furões, Vice-campeão: Super Craque; Feminino infantil - Campeão: Chelsea, Vice-campeão: La Celeste; Feminino - Campeão: Fut Rios, Vice-campeão: Pinheirense; Veterano - Campeão: Americano, Vice-campeão: Coroense; Taça de Prata - Campeão: Furões, Vice-campeão: Galáticos; Taça de Ouro - Campeão: Liverpool, Vice-campeão: TDB.

CONFIRA OS CAMPEÕES DE 2018 Mirim - Campeão: Uruguai Galaxy, Vice-campeão: Argentina Galaxy; Sub-11 - Campeão: Athletic,

De olho na cidade

Tchau, Bananera! No penúltimo domingo de julho, perdemos um amigo. Camilo Lelis da Silva completaria 64 anos em 3 de agosto. Passou mal num dia, morreu no outro. Foi tudo tão rápido que muitos só tiveram notícia da sua morte depois do seu sepultamento. Camilo foi um dos sete filhos de Tomé e Eleonilda, a Nilda do Tomé. Era chamado por todos de Camilo do “Tumé” ou “Bananera” (bananeira). O apelido de “Bananera”, segundo o Lúcio (Fumega) foi-lhe dado em virtude da banana de São Tomé. A banana, associada ao nome do seu pai, lhe rendeu esse apelido, do qual o povo acabou retirando a letra “i”, ficando “Bananera”. Figura simples e de memória privilegiada, apreciava música erudita (clássica) e poesia. Não por acaso, gostava de assoviar trechos de obras importantes, como a 9ª Sinfonia de Beethoven ou uma das Ave Marias que ouvimos todos os dias através dos alto-falantes da igreja Matriz: a de Arcadelt, Zimmerman ou Schubert. De vez em quando, lá vinha ele recitando, e de cor, trechos dos Lusíadas de Ca-

mões. Todos os dias, às 6h, saía de casa assoviando uma das músicas prediletas. Era como um sinal de vida; todos sabiam que ele estava por perto. Poucos anos atrás, aventurou-se na atividade de compositor e ganhou o primeiro lugar em concurso de marchinha carnavalesca promovido pela Amirco (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa). Vestindo calção, camiseta e chinelos, de preferência, circulava pelo comércio da cidade prestando pequenos serviços a várias pessoas. Sair para fazer uma fezinha no jogo do bicho, pagar contas na casa lotérica, levar documentos de um lugar a outro, buscar ervas que considerava medicinais e doá-las aos conhecidos, catar minhoca para os amigos pescadores ou capinar uma horta de couve, eram ações corriqueiras desse resende-costense bem-humorado e prestativo. Era, também, considerado um homem de confiança, honesto. De vez em quando, tomava umas e outras. Mas era disciplinado, costumava anunciar quando ia começar e parar de beber e quanto

tempo seria seu período de abstinência. Eram dois ou três meses sem colocar uma gota de bebida alcoólica na boca para, depois, atravessar uma semana inteira “invernado na manguaça”, como é de costume dizer. Aos familiares que insistiam para que ele parasse de beber, ele respondia: Amanhã tô bão, amanhã eu paro. Certa vez, o Pepe (da gráfica) o chamou para pescar umas piabas. Fazia muito frio, portanto resolveram levar uma garrafa de cachaça e outra de conhaque para tomarem uma dose quando tivessem de descer rio abaixo para pescar. Chegando ao pesqueiro, resolveram cada um tomar um rumo diferente. Passados alguns instantes, Pepe ouviu ao longe o Camilo cantando e assobiando. Logo “caiu a ficha” do Pepe, que voltou ao ponto onde haviam deixado a bebida e um tira-gosto. Bananera havia consumido quase tudo o que levaram e já estava pronto para retornar a Resende Costa. Queria dar continuidade em algum boteco ao que havia iniciado na pescaria. Camilo me disse que tinha

por prazer chupar balas deitado enquanto assistia televisão. Nesse mesmo dia, me prometeu uma muda de gabiroba. Não teve tempo para isso. Segundo sua irmã Fátima, no hospital pediu água mineral sem gás e sopa de fubá, para o dia seguinte. Trouxeram-lhe a água na caneca, mas recusou. Tem de ser na garrafinha, disse ele ao seu sobrinho Jardel. Água com gás ele tomava quando estava decidido a encerrar o período de bebedeira. O pequeno João Pedro, filho da Zana cabeleireira, era mais um dos seus amigos. Ao ouvir o assobio, João Pedro corria para a porta de casa para receber uma bala de presente. Faz pouco tempo, o garoto, além da bala, resolveu pedir ao amigo uns trocados. Bananera caiu na gargalhada e disse: Que isso, João Pode (como ele o chamava), quem precisa de dinheiro aqui sou eu. João Pedro, após a morte do amigo, na sua pura inocência e com o olhar fixo no quadro da Divina Providência afixado na parede da sua casa, perguntou à sua mãe se tinha um “jeito de ir lá no Céu para

Foto Redes Sociais

EDÉSIO DE LARA MELO

se encontrar com o amigo e matar a saudade”. O último dinheiro que o Camilo recebeu por um serviço prestado, ele resolveu distribuir para os amigos no bar do Dão. Sua irmã Fátima disse que a Rosa da Cezinha recusou os cinquenta reais que ele lhe ofereceu. Ele era assim: simples, alegre e desapegado de bens materiais. Quem não se lembra dele nos carnavais, fantasiado de palhaço e girando um prato esmaltado na ponta de uma vara?

Edicao 184  
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