MAIO 2014
ANO XI - Nº 133 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Eventos particulares realizados no Parque do Campo causam polêmica em Resende Costa JL inicia série especial sobre as ruas de Resende Costa
Semana Santa: fé, cultura e tradição A Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, celebrou a Semana Santa contando com grande participação dos fiéis. Arte e cultura marcaram mais uma vez as celebrações. Neste ano, destaque para a Via Sacra Teatral encenada pelo grupo Embaixadores da Arte. PÁGINAS 07 e 08
Quem são as personalidades que dão nome aos principais logradouros de Resende Costa e o que essas pessoas representaram para o município? É o que pretendemos abordar nesta série especial de reportagens, que se inicia com a Rua Gonçalves Pinto. PÁGINA 4
Praça homenageia divisor de águas em Lagoa Dourada
Vacina BCG volta a estar disponível em São João delRei A prefeitura de São João del-Rei anunciou no dia 28 de abril a volta da vacina BCG à cidade e pede para que as mães não deixem de vacinar seus filhos. O Núcleo Materno Infantil da cidade não estava disponibilizando a vacina BCG para recém-nascidos devido a uma nova adaptação necessária na aquisição da vacina. . PÁGINA 5
Bailes e shows estão sendo realizados frequentemente no Parque do Campo de Resende Costa
Desde a aprovação da Lei Municipal 3.662, o Parque dos Trabalhadores “Dr. Geraldo Magela de Resende” tem sido usado para eventos particulares
com fins lucrativos, tais como bailes e shows. A utilização do espaço público para este fim não é bem vista por todos na comunidade. Depredação do local,
barulho excessivo e geração de lucros para empresas privadas são alguns dos questionamentos. PÁGINA 12
No centro de Lagoa Dourada surge um novo atrativo: a Praça das Vertentes. O espaço foi idealizado para marcar uma particularidade da cidade e também um dos fenômenos curiosos e raros do Brasil: o divisor de águas de duas grandes bacias, dos rios São Francisco e Paraná, dentro de um perímetro urbano. PÁGINA 13
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
Pelas ruas da cidade
Nascemos e passamos grande parte da vida em uma casa localizada em determinada rua da cidade. Este é basicamente o endereço que temos e a nossa primeira referência. Ao recordar a nossa infância podemos estabelecer um laço ainda mais estreito com as ruas e praças da cidade. Nossos primeiros passos podem ter sido dados na calçada da rua, de mãos dadas com a mamãe, que nos garantia o equilíbrio e a segurança para não cairmos. As primeiras voltas de bicicleta certamente aconteceram em alguma praça, cambaleando entre os canteiros. As ruas e praças da minha cidade e da minha infância já foram cenário de glórias e disputas. Quantas vezes transformamos a nossa rua em campo de futebol, com traves improvisadas com tijolos ou chinelos. Disputávamos partidas memoráveis, comemorávamos cada gol. De vez em quando era preciso parar a partida e segurar a bola para um caminhão passar. As ruas foram também testemunha do início dos amores de muitos de nós. Em alguma praça, em algum beco esperamos, com as mãos frias e o coração acelerado por uma adrenalina apaixonante a chegada da garota com quem flertávamos há dias, semanas, talvez meses na escola. Ali demos o primeiro beijo, fizemos a primeira, senão a única e verdadeira declaração de amor. A gente se encontra na rua de cima, nos vemos à noite na avenida, pode marcar para nos encontrarmos na praça da Matriz... É assim que nos acostumamos a denominar as ruas da nossa cidade, sem, na maioria das vezes, perguntarmos sobre a identidade delas. Porque a avenida onde marcamos encontro se chama Rua Gonçalves Pinto? Por que a praça onde aprendi a andar de bicicleta se chama Doutor Costa Pinto? Momentos inesquecíveis da nossa vida certamente se passaram numa praça ou numa rua da cidade. E o que sabemos sobre elas? O Jornal das Lajes inicia nesta edição, na seção Um olhar sobre Resende Costa, uma série de reportagens especiais sobre as ruas, avenidas e praças de Resende Costa. Quem são as personalidades que dão nome aos principais logradouros da cidade e o que essas pessoas representaram para o município. É o que pretendemos abordar nesta série, além de resgatar histórias e estórias que ao longo de décadas deram vida aos becos, ruas, avenidas e praças da cidade. Para a elaboração das reportagens que irão compor a série, contaremos com a colaboração especial do advogado e escritor Alair Coêlho de Resende. Alair é um resende-costense vibrante e apaixonado pela cidade. A sua vasta cultura somada a uma monumental, fiel e detalhista memória será a nossa principal fonte de informações. “Decidiu o JL, nas pessoas dos jornalistas André Eustáquio e Emanuelle Ribeiro, jovens e cultos filhos de Resende Costa, perenizar a história de nossos logradouros, ruas, avenidas e praças. E, com isto, pôr fim à sanha de nossos políticos, nem sempre dotados de perspicácia e cultura, principalmente conhecimentos históricos, que por razões ocasionais e de puro engajamento eleitoral, se atrevem, com descaso por nossa história e razões culturais, a proporem leis mudando os nomes de nossas ruas. Conseguem, com este comportamento eivado de oportunismo e desrespeito aos valores culturais e históricos, desomenagear alguns de nossos ancestrais, retirando seus nomes de nossas ruas, para prestar discutível homenagem aos detentores dos novos nomes. Com a iniciativa presente, isto, certamente, cessará”, disse Alair Coêlho. A partir desta série, nunca mais olharemos indiferentes para as placas que indicam os nomes das nossas praças e ruas. Quando estivermos em uma rua e olharmos para o seu nome saberemos que uma parte da história de Resende Costa se encontra ali eternizada.
Meio Ambiente
Mutirão do lixo eletrônico! Colabore! A questão do lixo eletrônico
Buscando soluções! Participe!
Pilhas e baterias usadas, celulares velhos, câmeras e televisores estragados, vídeo cassetes, computadores ultrapassados. Esses são alguns exemplos de lixo eletrônico, um tipo de resíduo com alto potencial de poluição e degradação ambiental quando não descartado corretamente. Abandonado diretamente na natureza, a sucata eletrônica pode causar danos à qualidade da água e do solo, contaminar plantas e animais. O rápido avanço tecnológico estimula o consumo irresponsável de eletroeletrônicos. A acelerada renovação das tecnologias e dos aparelhos cria verdadeiras montanhas de lixo eletrônico em nossas cidades. Vivemos um desafio colocado pela modernidade. Um desafio para governos, empresas e sociedade. Esses três setores devem contribuir para que menos lixo eletrônico se acumule na natureza e em nossas residências.
Uma parceria entre o IRIS e o setor de Assistência Social da Prefeitura está organizando um mutirão para recolher o máximo possível de lixo eletrônico em Resende Costa, dando destinação correta aos resíduos. Entre os dias 19 de maio e 07 de junho o IRIS organizará uma intensa campanha de conscientização com o apoio da Rádio Inconfidentes, do Jornal das Lajes e da Escola Assis Resende. Durante esse período, a população de Resende Costa será convidada a entregar seu lixo eletrônico para a coleta seletiva municipal, que irá armazenar o material e encaminhá-lo para o descarte adequado.
Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Durante a campanha, haverá recolhimento de pilhas e baterias em três pontos comerciais da cidade: Nick Celulares, Tomé Celulares e Loja do João Bosco. A Escola Assis Resende será mais um local para o recolhimento de pilhas e baterias. Os estudantes vão colaborar numa proposta de educação ambiental e responsabilidade social.
No dia 07 de junho, último dia
da campanha, a Prefeitura Municipal disponibilizará um caminhão para que seja realizada uma coleta exclusiva de lixo eletrônico pela cidade. O IRIS divulgará o horário da coleta para cada bairro.
Destinação do lixo recolhido O IRIS fechou acordo com uma empresa especializada no reaproveitamento e descarte correto de resíduos eletrônicos. A empresa de Belo Horizonte vai comprar todo o material recolhido durante a campanha, após a triagem dos componentes (fios, placas, vidro, plástico) realizada pelos membros da coleta seletiva municipal. Os recursos gerados com a venda dos resíduos serão todos revertidos para a coleta seletiva. Além de ceder mão-de-obra para o recolhimento e triagem dos resíduos durante a campanha, a equipe de coleta seletiva fornecerá local para armazenamento do material recolhido. José Robson Assis, membro do IRIS e colaborador na campanha, conta que a iniciativa é uma primeira experiência, mas pode virar uma rotina na cidade: “Essas empresas especializadas estão longe, geralmente nas capitais. Para que a empresa venha até a cidade e compre o lixo eletrônico, precisamos ter um volume considerável de resíduos, para compensar a viagem. Se der certo, a cidade pode realizar essa operação periodicamente, de seis em seis meses por exemplo”.
Homenagem Especial
Jornal das Lajes Ltda
Editor-chefe: André Eustáquio
Recolhendo Pilhas e Bateiras
Dia ‘D’: Vamos limpar o lixo eletrônico de Resende Costa
Fundado em 22 de janeiro de 2008
E T N E I D E P X E
ANO XI Nº 133 - MAIO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
“Aquele que é nosso jardineiro fiel buscou em seu jardim a flor mais bela e a levou para o céu. Creio que todos nós acreditamos na vida eterna e que estamos aqui de passagem. A vida é um grande dom de Deus e para Ele iremos voltar. A vida aqui na terra é curta e devemos aprender a viver. Nunca perder a coragem e sempre ser otimista, porque um dia iremos todos nos mostrar novamente.
No ano de 2009, aqui em Resende Costa, a companhia teatral Manicômicos e no mesmo ano Jean Fábio (ator e educador) desta companhia iniciaram o projeto Arte por toda a parte. Eu fazia parte daquele projeto, mas no dia da apresentação no final do ano fiquei triste, pois quando eu cheguei para completar o grupo já estava terminando a apresentação. No ano de 2010, o projeto continuou aqui em Resende Costa e também na minha comunidade (Curralinho dos Paulas). Jean Fábio continuou sendo meu professor e sempre me falava que o projeto em Resende Costa só continuava por conta de duas alunas. No final de 2010, fomos todos juntos fazer apresentações no Teatro Municipal de São João del-Rei. A peça teatral da minha comunidade chamava-se As Três Chicas e a de Resende Costa A Vida de Conceição. Naquela noite o Teatro Municipal estava repleto, digno de uma grande apresentação. O grupo
da minha comunidade apresentou primeiro e logo após o grupo de Resende Costa. O grupo de Resende Costa era composto por Letícia, Renata Souza e Bárbara. No final da apresentação, Bárbara chorou! Pois interpretou quatro papéis em uma só peça. Bárbara com sua simpatia emocionou mais de 200 pessoas que se encontravam no Teatro Municipal. Naquela mesma noite, Bárbara passou para nós uma grande lição de coragem, otimismo e esperança. Bárbara atuou em três apresentações em Resende Costa e é responsável pela continuidade do teatro até hoje. Bárbara foi, é, e sempre será um grande exemplo de vida. Agradeço a Deus por ter o privilégio e a honra de tê-la conhecido. Existem pessoas normais e pessoas estrelas. As pessoas normais passam e vão. Já as pessoas estrelas ficam brilhando eternamente em nossos corações.” Saudades do seu amigo, Preto.
Jornal das Lajes
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Informativo da Câmara
Cultura
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em abril e maio de 2014 Projeto 43, de autoria do prefeito municipal, dispõe sobre a extensão de jornada de trabalho de servidores efetivos e dá outras providências. PROJETO 44 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Expedicionários Sport Club e dá outras providências. Projeto 45 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação dos Moradores da Nova Resende – ARNOVA -, e dá outras providências. Projeto 46 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação dos Estudantes Universitários de Resende Costa – AEURC – e dá outras providências. Projeto 47 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Coral e Orquestra Mater Dei e dá outras providências. Projeto 48 – autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Banda de Música Lira de São Sebastião e dá outras providências. Projeto 49 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Comunitária da Região do Barracão e dá outras providências.
Projeto 52 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Salva Terra de Jacarandira e dá outras providências. Projeto 53 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Musical Amadora de Resende Costa – AMARC – e dá outras providências. Projeto 54 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Esportiva Boca Júnior e dá outras providências. Projeto 55 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Projeto 56 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Projeto 58 - autoriza doação de veículo municipal e dá outras providências. Projeto 59 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Salva Terra de Jacarandira, para a abertura de crédito especial e dá outras providências. Projeto 57 - altera o artigo 2º da Lei Municipal n.º3.435, de 24 de janeiro de 2011 e dá outras providências.
Projeto 61 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Projeto 62 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora Aparecida e dá outras providências. Projeto 63 – autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Ribeirão de Santo Antônio e dá outras providências. Projetos reprovados Projetos 50 e 51 - revoga artigos da Lei Municipal n.º 1.658, de 12 de agosto de 1991 e dá outras providências e dispõe sobre o horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais e de prestadores de serviço no Município de Resende Costa e dá outras providências. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Assine o Jornal das Lajes Neste ano, o Jornal das Lajes está comemorando dez anos de existência. Uma década de jornalismo sério e independente. Chegamos aos dez anos graças ao reconhecimento e ao apoio dos nossos leitores, anunciantes e assinantes. Sem vocês, o JL não existiria. Assinando o JL, você estará colaborando para a consolidação de um projeto jornalístico diferente, que já é referência na região do Campo das
Vertentes, pois é reconhecido como um periódico que, além da notícia, leva ao leitor informações referentes aos mais variados temas de interesse da cidade e da região. Perseguindo o objetivo de expandir sua cobertura jornalística na região das Vertentes, o JL ampliou sua tiragem para 4000 exemplares e o número de páginas para 16, Faça uma assinatura anual do JL e colabore com esse projeto de valo-
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rização e divulgação da nossa cultura! Local: R$ 40,00. Fora de Resende Costa: R$ 80,00 Contato pelos telefones: (32) 3354-1323; 3354-1705 e (31) 3281-4467. Jornal das Lajes: DEZ ANOS de jornalismo comprometido com Resende Costa e região.
Samba na Praça aconteceu no Dia do Trabalho Projeto Cultural ganha espaço em São João del-Rei
TAMIRES TRIBST
O Projeto Cultural Samba na Praça teve sua última edição realizada no dia 1º de Maio, no Largo do Carmo, como é feito uma vez ao mês desde sua estreia. O evento que reúne um público diversificado é gratuito e esse mês foi em comemoração ao Dia do Trabalho. A ideia do projeto surgiu em 2011 quando os amigos Wesley Mumu e Thiago Bracarense decidiram transformar os encontros de roda de samba que faziam em um evento maior para toda a comunidade. O Samba na Praça conta com a ajuda dos bares e moradores do Largo do Carmo e com o tempo fez sucesso entre a população são-joanense. Segundo um dos organizadores, Thiago Bracarense, o grupo que se apresenta em todas as edições é o Corda e Caçamba. Thiago informa que já houve edições no Bonfim, com a ajuda de uma escola de samba do bairro e, durante o Inverno Cultural de 2013, no bairro Tejuco e
em Santa Cruz de Minas em que contaram com o apoio da prefeitura. O Samba na Praça completou, em 2014, dois anos de existência e alguns dos componentes do grupo estão desde que o projeto começou. Para Wesley Mumu o Largo do Carmo é o lugar onde mais gosta de tocar devido à receptividade do público que abraçou o evento. E contou também que a edição do Dia do Trabalho foi a primeira em parceria com a Secretaria de Cultura. Para Isabel Cristina, uma senhora que sempre frequenta o Samba, São João precisa de mais eventos culturais e gratuitos e segundo Claudinei, mais conhecido na comunidade como Nei Carioca, dono de um dos bares localizados no Carmo, o evento tem um público maravilhoso e nunca houve problemas quanto à segurança. O próximo Samba na Praça ainda não tem data marcada.
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Jornal das Lajes
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Um olhar sobre Resende Costa
O centro comercial de Resende Costa aos poucos foi se ramificando e hoje não se concentra mais nos arredores da Rua Gonçalves Pinto. As lojas de artesanato, pulmão da economia resende-costense, se fixaram na Avenida Alfredo Penido, bares, lojas de roupas, depósitos de materiais de construção, restaurantes e oficinas se espalharam pelos bairros e, com isso, o centro da cidade deixou de ser exclusivamente o centro comercial. Apesar dessa mobilidade, a Rua Gonçalves Pinto não perdeu a referência, ou status de principal ‘Avenida’ de Resende Costa. A ‘Avenida’, como os resende-costenses a batizaram, foi palco de acontecimentos importantes, que de certa forma ditaram os rumos do desenvolvimento de Resende Costa. Mas antes de falarmos sobre esses acontecimentos, apresentaremos o ilustre resende-costense que deu nome à rua: Coronel Francisco Gonçalves Pinto. Quando foi criada (1911) e instalada a vila de Resende Costa (1912) um político se destacava, juntamente com outros não menos valorosos: Francisco Gonçalves Pinto, que integrou a primeira Câmara de Vereadores do novo município. Gonçalves Pinto era dotado de relevante cultura e de imenso amor a Resende Costa, tendo sido o primeiro vice-presidente da Câmara. Sua ação foi sempre de alta valia e até hoje seu nome é lembrado com profundo respeito pelo que fez em favor do município. Fato curioso e que não pode deixar de ser revelado é que ele tinha apenas um outro irmão, que, bem cedo, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se casou com uma jovem estilista, de nacionalidade alemã. O fato mais significativo, e que nos interessa aqui, é que quando um grupo comercial internacional de grande porte decidiu se instalar no Brasil, consorciou-se com este jovem resende-costense formando o embrião do grande estabelecimento que veio a se chamar MESBLA. No início do século 20, este jovem resende-costense, grande empreendedor, veio a falecer. Sua viúva desfez-se de seus bens e voltou ao seu país de nascimento, a Alemanha, levan-
do consigo os dois filhos que tivera, fruto de seu matrimônio com nosso conterrâneo. Era um casal de filhos, sendo que o rapaz se chamava Antônio. Alguns anos após o retorno da família à Europa, o filho Antônio veio ao Brasil visitar os parentes em Resende Costa e ficou hospedado com seu tio Francisco Gonçalves Pinto. No decorrer da sua estadia em Resende Costa, tem início a Primeira Grande Guerra e ele, embora muitos tenham se esforçado para retê-lo no Brasil, em virtude do difícil momento que vivia sua Alemanha (ele tinha dupla nacionalidade), não conseguiram. Antônio volta à sua pátria e se engaja no exército alemão com o objetivo de participar da guerra. De sua irmã, sabe-se que era casada com um oficial do exército alemão, um major. Acabada a guerra, tentou-se obter informações desta família com raízes lageanas (com “g” mesmo, em respeito a nossa tradição) o que nunca se conseguiu. Assim, ligada ao ilustre Cel. Francisco Gonçalves Pinto, fica o registro de que dos poucos brasileiros que foram sacrificados na Primeira Guerra Mundial, dois eram seus sobrinhos e resende-costenses de origem, pelo conceito do jus soli, adotado no Brasil. Não é demais lembrar que a primeira obra histórica composta em Resende Costa o foi a instâncias do Cel. Francisco Gonçalves Pinto, que financiou sua edição. Trata-se do “LIVRO de Pallidas Reminiscências da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa” – de autoria do Professor José Augusto de Resende. Esta obra, publicada em 1920, foi prefaciada pelo Cel. Francisco Gonçalves Pinto. A AMIRCO lançou uma segunda edição. O Cel. Francisco Gonçalves Pinto era muito conhecido na cidade pela alcunha de Chico Marcos, inexplicavelmente, e foi assim que seu nome passou à história e até hoje é lembrado pelos mais velhos, ou seja, os sobreviventes de seu tempo, se é que os há. Gonçalves Pinto residia no início da Praça Mendes de Resende, na primeira casa à direita. Ele foi pai de dois importantes cidadãos de nossa terra: o Maestro Cristóvam Gonçalves Pinto e o talentoso
músico e alfaiate João Gonçalves Pinto, que foi, por longo tempo, Juiz de Paz em Resende Costa.
Foto Prefeitura Municipal
Rua Gonçalves Pinto (I)
ALAIR COÊLHO DE RESENDE E ANDRÉ EUSTÁQUIO
A rua e seus primórdios Nos tempos do Arraial da Lage a povoação se restringia à existência de casas apenas no largo que defrontava a capela de Nossa Senhora da Penha de França e uma ou outra edificação no largo, atrás da capela. A estrada real, que subia a ladeira que levava ao pequeno arraial, se bifurcava ao se aproximar da povoação. A esquerda adentrava o largo da Capela e aí, onde havia um moinho a vento (hoje Praça Rosa Penido) tomava rumo à direita indo sempre pelos fundos dos quintais das casas situadas à direita de quem adentrava o povoado. Onde hoje se encontra a residência de dona Olga Lara Coelho havia uma fonte de água potável, alguns cochos de pedra e uma bica. Neste ponto os viajantes sempre paravam para matar a sede, de si mesmos e de seus animais. Esta estrada ia até um ponto onde atualmente está localizada a praça Dr. Costa Pinto (início da atual Rua Gonçalves Pinto), virava à esquerda e alcançava uma cava, hoje Rua Joaquim Pinto Lara e, daí, num estirão, descendo a ladeira, alcançava o beramuro. Quando começaram a surgir as primeiras casas no trecho após a fonte, as autoridades do arraial tomaram a iniciativa de melhorar o leito da estrada e com trabalhos de compactação, a fonte foi sufocada e a água brotou na ladeira, onde hoje está a rua Moreira da Rocha. Quando a Moreira da Rocha foi também “urbanizada”, a água migrou e brotou na Fonte da Chácara. Com o decorrer do tempo este trecho de estrada foi adquirindo características de rua, no melhor sentido da palavra, e passou a ser conhecido como rua de Baixo, já que a rua de Cima era a atual Assis Resende, em sua parte de cima desembocando na praça Mendes de Resende. Na década de trinta, esta rua, que já recebera o nome de Rua Gonçalves Pinto, era um dos principais logradouros da vila. Desde o início do século
Rua Gonçalves Pinto em fotografia antiga. Destaque para a ausência da Praça Dr. Costa Pinto.
20, sua existência tem sido marcada por importantes fatos e eventos ocorridos em Resende Costa. Não poderia ser diferente, uma vez que os principais estabelecimentos comerciais ali se localizavam. Era, portanto, na Gonçalves Pinto que a vida social da nova cidade acontecia. A rua foi endereço de bons estabelecimentos comerciais, dentre eles se destacavam o Armazém de Secos e Molhados, do espanhol João Fernandes, esposo da dona Pumbica. Era um irascível catalão, que nos piores dias de suas venetas, costumava atender seus fregueses dizendo, quando lhe perguntavam se tinha determinada mercadoria: “tenho, mas hoje não vendo!” – E não vendia mesmo. Era um homem avesso às procissões que sempre passavam pela rua. Ele, então, quando passava uma procissão, ia para os fundos do quintal de sua casa e ficava, todo irado, em pé sobre o muro que dava para a Rua Moreira da Rocha e só voltava para o interior da casa quando os sinos da Matriz paravam de tocar. Estes fatos remontam, com certeza, ao primeiro quartel do século 20. O senhor João Fernandes faleceu na década de vinte; dona Pumbica, sua esposa, viveu até a década de quarenta. Na década de vinte, também chega a Resende Costa um culto farmacêutico, oriundo de Ouro Preto, o doutor José do Carmo Barbosa (Sô Barbosa) que, também na Rua Gonçalves Pinto, instala a Farmácia Ouro Preto. Na farmácia Ouro Preto, do Sô Barbosa, trabalhava como auxiliar o jovem Antônio da Silva Barbosa (o Sr. Barbosinha), que aprendeu a arte farmacêutica com seu patrão. Em 1939, Sô Barbosa mudou-se para São João del-Rei, para onde transferiu a Farmácia Ouro Preto. Com esta mudança
ele passou a farmácia que tinha em Resende Costa para seu auxiliar e pupilo Antônio da Silva Barbosa. A farmácia do Barbosinha tomou o nome de Farmácia São Geraldo. Sô Barbosa, que era exímio ator, logo integrou-se ao grupo teatral local e, ocupando o cargo de diretor administrativo e de cena, iniciou vigorosa campanha no sentido de instalar o forro do Teatro Municipal. O empreendimento foi um sucesso. Em meados da década de trinta, Sô Barbosa fundou em Resende Costa o diretório da Ação Integralista Brasileira, partido político inspirado no fascismo de Mussolini na Itália. Os integralistas usavam camisa verde, tendo o sigma como emblema, no antebraço esquerdo e se cumprimentavam dizendo, “anauê”, com o braço direito estendido e ligeiramente apontando para o alto, com a mão espalmada voltada para baixo. Pretendiam instalar no Brasil um regime fascista. A sede do diretório dos Integralistas era na casa do Sô Barbosa, na Rua Gonçalves Pinto. Com o Golpe de Estado e a instituição do Estado Novo, por Getúlio Vargas, em 10 de novembro de 1937, a Ação Integralista Brasileira foi posta fora da lei e seu presidente nacional, Plínio Salgado, preso. Também na década de trinta, outro estrangeiro, o português Jesuíno, mantinha um estabelecimento comercial anexo a sua residência, exatamente onde hoje é o Bar da Maura. Era um tipo muito engraçado. Casou-se com dona Zulmira Vale, de tradicional família de Resende Costa e tiveram numerosa prole, da qual ainda restam alguns membros, todos morando fora de Resende Costa. Olavo, um de seus filhos, é capitão do Exército.
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Educação
Saúde
Arteterapia e dependentes químicos: parceria entre UFSJ e APADEQ tem primeiros resultados J V R
Prefeitura de São João delRei anuncia volta da BCG
A arteterapia – preparação e modelagem do barro em diversos processos de conformação e através dos processos de queima - vem sendo utilizada há quase quatro anos como instrumento valioso na recuperação de dependentes químicos (álcool e outras drogas), da Vila Esperança, fruto de parceria entre o Curso de Artes Aplicadas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e a Associação de Parentes e Amigos dos Dependentes Químicos (APADEQ). Trata-se do programa de extensão, denominado “Ateliê de cerâmica da APADEQ – Arteterapia e Geração de Renda”, coordenado pela professora Zandra Coelho de Miranda, que tem como objetivo promover dinâmicas práticas de arteterapia e produção de cerâmica, em diversas linguagens artísticas, junto aos residentes da APADEQ. Também fornece orientação na compra periódica do material e na melhoria das instalações, para o aperfeiçoamento do espaço e das atividades práticas. Outro objetivo é o de auxiliar a equipe e a diretoria da APADEQ nos aspectos técnicos e metodológicos das oficinas e atividades propostas, colaborando assim com a ampliação das instalações e do programa. Dessa forma, busca contribuir na prevenção e no tratamento desta síndrome, propiciando apoio para a recuperação de dependentes químicos e sua reintegração na sociedade. Com isso, fomenta a criação artística e a expressão individual, oferece alternativa profissional a ex-dependentes químicos e colabora com a elaboração de projetos de prevenção ao uso de drogas.
A prefeitura de São João del-Rei anunciou na segunda feira, dia 28 de abril, em nota divulgada em uma página mantida na internet, a volta da vacina BCG à cidade e pede para que as mães não deixem de vacinar seus filhos. A assessoria da prefeitura noticiou que o Núcleo Materno Infantil da cidade não estava disponibilizando a vacina BCG para recém-nascidos devido a uma nova adaptação necessária na aquisição da vacina. O laboratório fornecedor não vinha cumprindo com as datas de entrega, assim, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou uma nova elaboração do cronograma de remessa. Karina Mascarenhas, mãe de Gabriel, de 11 meses, conta que seu filho foi vacinado no hospital assim
OSÉ
ESENDE
Residente da APADEQ praticando a modelagem no torno
psiquê”, resume a professora Zandra. “O aprendizado em cerâmica representa também para alguns pacientes em recuperação uma nova oportunidade de geração de renda e inserção no mercado profissional, como artesão autônomo.” Segundo relato da professora Zandra, o corpo terapêutico da APADEQ constatou que os índices de desistência do tratamento caíram com a implantação da arteterapia. Este esforço e dedicação já receberam os primeiros reconhecimentos. Na Semana de Extensão (SEMEX) de 2012, a comissão de extensão da UFSJ conferiu ao trabalho o prêmio “Destaque”. Já no SEMEX 2013, o trabalho conquistou “menção honrosa”. Nova fase - A experiência na APADEQ mostrou que é preciso avançar no aspecto “geração de renda” (que) “ainda não conseguiu se estruturar de forma sistemática, ficando restrita a vocações individuais”, relata a professora Zandra. Assim, existe desde 2012 a ideia de construir novo galpão, “que pudesse ser aberto à comunidade sem comprometer o compromisso com o anonimato dos internos, muito caro a esta instituição. Este projeto teve desdobramentos e angariou defensores, chegando a proposta de um galpão de cerca de 254,3 metros quadrados, nos terrenos de Vila Esperança”. Segundo a professora, o galpão vai permitir a ampliação das atividades da APADEQ, com a implantação de uma oficina-escola profissionalizante para reinserção social de dependentes químicos que foram internados em Vila Esperança. Também servirá para atividades de prevenção de dependência química, “mormente a disseminação de informação competente sobre a doença, suas consequências e modos de prevenção”, além da capacitação de agentes públicos, principalmente das 20 prefeituras congregadas na Associação Trilha dos Inconfidentes. Já existe parte dos recursos financeiros para o início das obras de implantação. Expectativas – De acordo com a professora, espera-se que o impacto
da arteterapia na redução dos índices de desistência ao tratamento possa melhorar ainda mais, com a ampliação e o aprofundamento das atividades e métodos. Até agora, as experiências com a modelagem em argila, como forma complementar de tratamento, tem estimulado os participantes a deixarem aflorar imagens e formas que estão latentes em seu inconsciente, o que facilita bastante o processo de análise e reestruturação psicológica. Outro resultado esperado é a consolidação de um grupo de pacientes que já deixaram a internação e estarão na fase de pós-internação (período de um ano em que o paciente frequenta a Vila Esperança para consolidar a mudança de vida). Espera-se que a cerâmica seja um atrativo a mais na consolidação da sobriedade, além de possível caminho de atividade econômica que facilite a reinserção social. Um terceiro resultado é o retorno acadêmico, pois, o contato com os dependentes químicos e com a dinâmica da APADEQ tem contribuído para a mudança do olhar da equipe e de seu círculo social sobre o problema da dependência química, “que se tornou mais aguçado e realista, profissional e humano”. Sem falar do intercâmbio das áreas envolvidas (artes aplicadas e psicologia) e de aprendizado mútuo. Qualificações - A professora Zandra Coelho de Miranda é formada em Artes pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mestrado em Artes na Universidade Estadual de Illinois (EUA) e doutorado também em Artes na Unicamp. A arteterapia é uma das suas mais recentes linhas de estudos. Já a APADEQ é uma sociedade civil sem fins lucrativos, de caráter assistencial, educativo e científico. Fundada em fevereiro de 1988 em São João del-Rei, utiliza como metodologia, para o tratamento da dependência química, o Modelo Minnesota (desenvolvido na década de 1930 nos Estados Unidos) e a teoria cognitivo-comportamental. O dependente é mantido em residência educacional para a sua recuperação e conscientização da doença. Ele é incentivado a reexaminar seus valores e
TAMIRES TRIBST que nasceu e também relatou sobre os sintomas da vacina: “ela não dá febre e pode lavar com água e sabão (...). O Gabriel não teve nada. A dele nem infeccionou, foi muito tranquilo; mais tranquilo ainda é sair do hospital com a vacina tomada!”. A BCG, que tem dose única, imuniza contra a tuberculose e é concedida a crianças recém-nascidas que tenham mais de dois quilos. A vacina existe no Brasil desde 1934, porém, a tuberculose não é uma doença erradicada no país. Desde Abril desse ano, o SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza um teste rápido de diagnóstico da doença. As mães podem levar seus filhos para vacinar no Núcleo Materno Infantil de SJDR localizado na Praça Carlos Gomes, das 8h às 11h da manhã. Foto Divulgação
Conquistas - Nestes quase quatro anos, o galpão onde são desenvolvidas as atividades de arteterapia foi reformado e equipado com o apoio financeiro da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social. No local, existem ateliê com fornos, torno mecânico, materiais de primeira linha e condições adequadas à confecção e queima da cerâmica. Também foi formada uma equipe de bolsistas do PIBEX (Programa Institucional de Bolsas de Extensão) e mantidos pelo setor privado, em total de cinco alunos dos cursos de Artes Aplicadas e Psicologia da UFSJ, além da equipe de voluntários e colaboradores. O desenvolvimento da metodologia de trabalho vem sendo aperfeiçoado continuamente, em estreita colaboração com o corpo terapêutico da APADEQ. Os horários de atendimento foram ampliados, incluindo atendimentos vespertinos desde o final de 2012, em arteterapia com trabalhos em outras linguagens. As turmas matutinas têm a cerâmica como linguagem principal. “A dinâmica de aprendizado da cerâmica representa para os internos da instituição uma oportunidade de criar, gerando autoconhecimento e expondo conteúdos internos de sua
ENÂNCIO DE
Núcleo Materno Infantil volta a disponibilizar vacina BCG para recém-nascidos
A vacina BCG volta a ser disponibilizada em São João del-Rei
relacionamentos, por meio de palestras, aconselhamento individual e dinâmicas de grupo. Ao terminar a residência, o paciente passa ao período de pós-tratamento com duração de 12 meses. Em 1998, a APADEQ concluiu a construção da Vila Esperança – Centro de Tratamento para Dependência Química. Assim, o Ateliê de Cerâmica vem acrescentar mais um espaço de trabalho e mais uma vertente de tratamento. Já se encontra adaptado, mobiliado e equipado, com espaços adequados para o desenvolvimento das atividades com este público específico. O ateliê conta com três fornos elétricos e um forno a
gás e possui uma metragem cúbica de queima que tem potencial para atender a uma produção profissional focada na geração de renda de ex-internos em fase de acompanhamento. A professora Zandra defende que a universidade colabore ativamente com a prevenção e o tratamento de pessoas com dependência química. “Contribuir com o trabalho da APADEQ, instituição que tem uma sólida experiência no tratamento de dependentes químicos, parece ser o caminho mais indicado de atuação, até mesmo considerando o histórico de convênios e cooperação entre as instituições.”
Painel com peças de egressos do programa na parede externa do ateliê de cerâmica
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ANO XI Nº 133 - MAIO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Centenário de nascimento do monsenhor Nélson
Reta final da formação e ordenação sacerdotal em Mariana Desde que ingressou no Seminário Menor de Mariana, no dia 6 de março de 1927, levado por seu pai, o capítulo da vida do adolescente Nélson Rodrigues Ferreira, com apenas 13 anos, começa a ser escrito no contexto da sacralidade e da austeridade do seminário. Longos anos de estudo, renúncias e desafios marcaram a trajetória do filho do casal José Mendes Ferreira e Maria Madalena Rodrigues Ferreira (dona Mariquinhas) até a ordenação sacerdotal em 1937. Conforme já descrevemos no início desta série, os primeiros anos no seminário de Mariana não foram fáceis para Nélson Rodrigues. Além da adaptação numa cidade distante, o seminarista sentia o efeito da dificuldade financeira pela qual passava sua família em Piedade do Rio Grande (MG). Naquele período, manter o filho estudando em Mariana era um desafio imenso a ser enfrentado pelo casal José Mendes e Maria Madalena. Mas o SIM dado ao pai na “tarde sombria do dia 6 de março de 1927” superaria todas as dificuldades. “Quando me lembro daquela sombria tarde de 6 de março de 1927, em que levado pelas mãos de meu saudoso pai, penetrei no seminário de Mariana, antes de receber o seu último abraço e bênção de despedida, ao ouvir a sua pergunta: ‘Meu filho, você ainda quer estudar para padre?’. Pude ainda dizer ‘Sim’”, disse padre Nélson em discurso proferido em Resende Costa, no dia 4 de abril de 1962 durante as comemorações dos seus 25 anos de sacerdócio. Neste discurso, padre Nélson se recorda dos desafios dos anos iniciais de sua formação: “Louvo a Deus quando me lembro das inúmeras dificuldades de ordem intelectual e financeira; quando me lembro daquelas crises de saúde por que passei lá pelos idos de 1932 a 1933...”. Sobre essa crise de saúde deflagrada no início dos anos 30, assim escreveu sua mãe dona Mariquinhas: “Quando estava
no 7º ano de seminário, por ocasião das férias, Nélson chegou em casa magro e abatido, definhava dia a dia; o seu estado de saúde era assustador! Eis que casualmente chega em Piedade o doutor Freitas Carvalho que lá fora a fim de negociar um carro com o vigário da localidade. Este se achava de viagem. Então, doutor Freitas dirigiu-se para nossa casa. Jantou conosco e receitou para o Nelson; avisou-nos de que ele se achava bastante abatido. A conselho médico foi passar um mês na fazenda do avô. Apesar de haver usado dos medicamentos receitados, não obteve nenhuma melhora. No dia em que ele regressou da fazenda, quis Deus que o doutor Freitas chegou em nossa casa. Receitou novamente; desta vez o nosso seminarista recuperou a saúde, graças a Deus! Não pôde voltar para Mariana em março, só o fez em abril, mas não perdeu o ano”.
As ordens menores Já recuperado da enfermidade que o acometera nas férias de 1932, o seminarista Nélson regressou a Mariana em abril de 1933, ano em que concluiu os estudos filosóficos, aos 18 anos de idade. No dia 8 de dezembro de 1933, recebeu solenemente a Primeira Tonsura, conforme ata registrada no Livro de Ordenações da Arquidiocese de Mariana (1875-1938). “Aos oito de dezembro de mil novecentos e trinta e três, na Catedral Metropolitana de Mariana, o Exmo. Sr. dom Helvécio Gomes de Oliveira, arcebispo metropolitano, acolitado pelos cônegos Alypio Odier de Oliveira e Caetano Donato Corrêa, conferiu Primeira Tonsura aos seminaristas: Antônio Miguel de Castro, Antônio Andrade, Nélson Rodrigues Ferreira, Antônio José Ferreira Filho, Antônio Xavier Rodrigues, Rodolpho Machado, Joaquim de Almeida e José Lopes de Magalhães”. Em 1934, ano da inauguração
do novo prédio do Seminário Maior São José, no dia 2 de novembro, na capela do seminário menor (Nossa Senhora da Boa Morte), o seminarista Nélson recebeu as ordens menores de Ostiariato, Leitorato, Exorcitato e Acolitato, em solene pontifical presidido pelo arcebispo dom Helvécio Gomes de Oliveira. As ordens menores eram conferidas no decorrer dos estudos teológicos, tal como acontece ainda hoje. A diferença é que a Igreja aboliu o Ostiariato e o Exorcitato, ou seja, atualmente, os seminaristas no teologado recebem somente o Leitorato e o Acolitato. A Tonsura também foi abolida.
Sagradas ordens No dia 30 de novembro de 1935, tendo o seminarista Nélson já concluído mais um ano do curso de teologia, recebera o Subdiaconato, durante cerimônia de ordenação geral presidida pontificalmente por dom Helvécio. Cada subdiácono menorista, aprovado canonicamente, recebeu um título: “Antônio Miguel de Castro, Ovídio dos Reis Silva, Antônio José Teixeira, Antônio Ávila do Carmo, Nélson Rodrigues Ferreira e José Lopes de Magalhães ad Titulum Servitii Eclesiae Mariannensis; Rodolpho Machado ad Titulum Patrimonii Sui; Aldolino Gesser ad Titulum Servitii Eclesiae Joinvilensis”. O sonho de se tornar padre torna-se cada vez mais próximo. No dia 28 de março de 1936, na capela do Seminário Maior São José, dom Helvécio concede a ordem do Diaconato aos subdiáconos: Antônio Ávila do Carmo, Francisco Leopoldino Neto, Nélson Rodrigues Ferreira, Antônio José Ferreira, Rodolpho Pereira Machado, Ovídio dos Reis Silva, José Lopes Magalhães e Aldolino Gesser. Era a reta final de uma caminhada longa e repleta de obstáculos desafiadores a serem superados. Enfim chegou o grande dia: 4 de abril de 1937. Atualmente, as ordenações presbiterais, com raríssimas exceções, acontecem em grande pompa, geralmente em grandes igrejas, ou até mesmo ginásios poliesportivos, dada a grande quantidade de convidados, clérigos e familiares na celebração. A ordenação sacerdotal do diácono Nélson aconteceu numa pequenina igreja em Mariana. Da sua numerosa família, estive-
Fotos André Eustáquio
POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES
Igreja de Nossa Senhora das Mercês de Mariana, onde padre Nelson foi ordenado sacerdote.
ram presentes somente seus pais José Mendes e Maria Madalena e o irmão Wilson (Vivi). Não há registros fotográficos dessa cerimônia. Restam somente a ata oficial registrada no Livro de Ordenações da Arquidiocese de Mariana, as anotações de sua mãe dona Mariquinhas e as lembranças do padre Nélson descritas no discurso das comemorações dos seus 25 anos de sacerdócio. “Lembro afinal da minha ordenação na pequenina igreja das Mercês de Mariana, durante solene pontifical do grande arcebispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira; quando me lembro daquelas palavras do Monsenhor Raphael [Raphael Archanjo Coelho, na ocasião secretário interino do Bispado] ao Evangelho daquele dia, cujos ecos ainda sinto em minha alma: ‘Cantarei as misericórdias do Senhor’”. Na ata desta ordenação, registrada no Livro de Ordenações, o Cônego Raphael Archanjo chama a atenção para a “primorosa reconstrução do templo, realizada pelo revmo. Sr. Cônego Francisco Vieira Braga”. O solene pontifical do dia 4 abril de 1937 marcou também a reinauguração da igreja das Mercês de Mariana. No altar da simples, singela e acolhedora igrejinha das Mercês um sonho se torna real. O convicto SIM dado ao pai José Mendes no dia 6 de março de 1927 já dentro do Seminário Menor de Mariana ecoou ainda mais forte diante do arcebispo e de toda a igreja. Aos 23 anos, na companhia dos diáconos José Pedro Mendes, Antônio Barros de Araújo, Antônio Miguel de Castro e Antônio Xavier Rodrigues, Nélson Rodrigues Ferreira tem enfim as mãos ungidas e se torna sacerdote. As imagens da ordenação, como dissemos, ficaram gravadas somente nas lembranças de sua
mãe, que soube escrevê-las em uma tocante carta, sem poupar emoção, orgulho e carinho por ter testemunhado a vitória do filho que quis, desde a infância, ser padre, um simples sacerdote da Igreja de Jesus. “Querido filho, vão longe como um sonho aqueles dias difíceis; mas o dia de tua ordenação ficou para sempre gravado em meu coração. Não podes imaginar como me senti feliz ao ver-te pela primeira vez revestido com os paramentos religiosos! Mais do que nunca tu me parecias belo. Eu via em tua fisionomia uma beleza angelical, na qual transparecia a pureza de tua alma. Eu e teu pai, ajoelhados, recebíamos a palma da vitória e agradecíamos a Deus a grande graça que nos concedeu de sermos pais de um sacerdote!” (Dona Mariquinhas).
A primeira missa A Primeira Missa, ou “Missa Nova”, inicialmente programada para ser celebrada no Onça, atual Emboabas, distrito de são João del-Rei, foi cancelada, conforme relatou o seu pai José Ferreira Mendes em bilhete enviado à sua comadre Amélia, no dia 7 de abril de 1937: “Fui com Mariquinhas e Vivi assistir à ordenação do padre Nélson em Mariana e chegamos à Serra no dia 5 à noite. Houve missa do Nélson no dia 6, tendo papai recebido das mãos do neto a santa comunhão. Para mim foi motivo de grande consolação este ato. Papai tem estado muito mal e por isso deixamos de fazer a primeira missa solene no Onça, como havíamos pretendido (...) Nélson ficará aqui até que o arcebispo determine”. O Sr. Antônio faleceu na Fazenda da Serra, poucos dias após a celebração da missa nesta fazenda.
Interior da Igreja das Mercês de Mariana
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ANO XI Nº 133 - MAIO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Aconteceu
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ANDRÉ EUSTÁQUIO
Semana Santa em Resende Costa A paróquia de Nossa Senhora da Penha de França celebrou a Semana Santa deste ano contando, mais uma vez, com grande participação dos fiéis. Do dia 5 a 11 de abril aconteceu o Setenário das Dores de Nossa Senhora e entre os dias 12 e 13 a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Durante esses dias, Resende Costa recebeu grande quantidade de visitantes, especialmente resendecostenses ausentes, que aproveitam a Semana Santa para participarem das celebrações, curtir a cidade e ainda
rever familiares e amigos. A Semana Santa é um momento forte de espiritualidade. Resende Costa tem o privilégio de celebrar com intensidade cada dia da semana, desde os passos de Jesus rumo ao calvário, sua paixão e morte de cruz e, finalmente, a ressurreição. É ocasião em que os fiéis procuram o sacramento da confissão para bem celebrarem a Páscoa. As procissões e os sermões são também exercícios espirituais que aprofundam as reflexões iniciadas na quaresma. Neste ano, o tradicional sermão do
Encontro, na terça-feira santa, foi proferido pelo bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart; o sermão do Descendimento da Cruz pelo vigárioparoquial, padre Javé Domingos. O encerramento da Semana Santa, na segunda-feira de Páscoa, contou com a presença do padre Geraldo Magela da Silva, pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar em São João del-Rei, que presidiu a santa missa. Confira abaixo alguns momentos da Semana Santa 2014, registrados pela fotógrafa Letícia Resende.
Procissão de Nossa Senhora na segunda-feira de Páscoa
Rasoura de Nossa Senhora das Dores descendo a Rua Assis Resende
Descendimento da Cruz no adro da igreja Matriz
Padre Javé Domingos pregou o sermão do Descendimento da Cruz
Padre Geraldo Magela (centro) presidiu a missa de encerramento da Semana Santa
Padre Eder em cerimônia do Lava-pés na quinta-feira santa
O pároco padre Eder Santos na procissão do Santíssimo Sacramento
Dona Maria do Cassimiro e Dona Cici presentes em cerimônia na igreja do Rosário
Dom Célio Goulart pregou os sermões do Encontro e do Calvário
Centenas de fiéis participaram da Semana Santa de 2014
Cena do Encontro de Jesus com sua mãe na Praça Mendes de Resende
Canto da Verônica nos quatro cantos
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Via Sacra Teatral é atração na Semana Santa em 2014 EMANUELLE RIBEIRO Em 2014, uma atração especial ganhou a atenção dos fiéis durante a Semana Santa em Resende Costa: a “Via Sacra Viva Embaixadores”, com a proposta de montar a encenação da paixão e morte de Jesus. “A ideia se deu em 2008 quando, ao assistir a uma reportagem em um telejornal, tive o anseio de trazer para nossa Resende Costa, através da arte do teatro, um pouco mais sobre a vida desse homem tão importante em nossas vidas: Jesus Cristo. Como toda cidade histórica atrai seus habitantes e turistas com a beleza das celebrações e ritos da Semana Santa e também com a encenação da paixão de Cristo, percebi que nossa querida Resende Costa não poderia ficar para trás. Juntamente com uma amiga, assistimos a vários filmes sobre o assunto e nos baseamos nos textos bíblicos para criarmos nosso roteiro cênico”, declarou Abel Júnior, idealizador do projeto e coordenador da companhia teatral “Embaixadores da Arte”. Este foi o terceiro ano em que aconteceram as apresentações. Segundo Abel, o primeiro encontro do grupo geralmente acontece em fevereiro, quando vivenciam momentos de espiritualidade e iniciam a leitura cênica. Em seguida os participantes realizam uma ‘missa de entrega’ na igreja Matriz: “O interessante é que nesse trabalho unimos arte e religiosidade. Estamos ali para falarmos de algo sagrado através do teatro. Nos próximos encontros, vamos realizando as marcações e direção em palco mesmo e, é apenas na última semana que iniciamos os ensaios abertos já nas ruas por onde passará a encenação”. O texto utilizado na encenação é de autoria do próprio Abel, em parceria com Ana Paula, ex-diretora da companhia “Embaixadores”. A encenação do grupo pelas ruas de Resende Costa se baseou em oito das quatorze estações da Via Sacra citadas na Bíblia: a primeira queda de Jesus, o encontro com Maria sua mãe, Simão Cirineu ajudando Jesus a levar a Cruz, Verônica enxugando a face de Cristo, Jesus predizendo às filhas de Jerusalém, Jesus sendo despido de suas
vestes, Jesus morrendo na cruz e Jesus sendo descido da cruz e entregue nos braços da mãe. Abel explica: Dividi o texto em dois atos. O primeiro ato, que é realizado no adro da Igreja do Rosário, retrata a condenação e flagelação no palácio de Pilatos. Após isso, Jesus toma a cruz às costas e inicia-se o segundo ato com a subida ao calvário, que vai da Praça do Rosário até a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Durante todo o trajeto, acontecem as cenas das estações escolhidas previamente por mim e colocadas no roteiro. A cada cena que acontece, os atores permanecem congelados e surge um coro, baseado nas tragédias gregas. Esse coro, vestindo capa e capuz preto, fica por conta de cantar músicas referentes a cada uma das cenas até que se chegue ao adro da Matriz, onde acontecem a crucificação e o descendimento da cruz”. Quarenta e cinco atores participaram desta edição da Via Sacra Teatral, sendo que a montagem conta com um núcleo de personagens que possuem falas individuais, tais como Pilatos, Abenader, Caifás, Barrabás, Jesus, Maria, Maria Madalena, João Evangelista, Simão Cirineu, Verônica, Mulheres Chorosas e Soldados Romanos: “Além de contar com grande número de figurantes que representam a população da época, estes possuem falas em grupos durante todo o trajeto da apresentação”, acrescenta Abel. Um dos atores, Pedro Oliveira, comentou sobre sua participação: “Eu interpretei um soldado romano com o diferencial de estar montado em um cavalo, o que surpreendeu o público, tornando o espetáculo mais real. Foi uma experiência muito legal, já que tivemos a oportunidade de interagir com outras pessoas, estudar a história de Cristo e aprender mais sobre o teatro. Eu e meus amigos já estamos entusiasmados para a apresentação do próximo ano, pensando em como conseguir recursos para engrandecer a encenação e quem sabe tornar este um evento tradicional em nossas Semanas Santas”. Ele aprovou a Via Sacra Teatral: “A iniciativa é importante para que esta arte, que não é tão difundida em
nossa cidade, chegue e encante os cidadãos resende-costenses. Além disso é uma forma de aproximar os jovens da religiosidade de uma forma diferente e prazerosa”. A repercussão das apresentações foi muito positiva e elogiada por quem acompanhou, despertando o interesse da população local pelo teatro. Mas segundo Abel houve também muitos desafios: “Primeiramente o de encontrar adeptos. Esse ano, estabelecemos uma parceria com o grupo de jovens Shalom que muito nos ajudou. Outros desafios são referentes aos gastos. Uma apresentação como esta gera muitos gastos. Fizemos alguns movimentos para arrecadarmos um fundo e contamos com a contribuição espontânea de alguns participantes. Outro desafio é ensaiar nas ruas durante a semana antecedente à apresentação. Encontramos muitas pessoas que intervieram no ensaio para atrapalhar ou, simplesmente, “dar show” e chamar a atenção, mas vejo isso como algo vindo de pessoas carentes de afeto. Nosso maior desafio diz respeito a uma parte dos figurinos e objetos que utilizamos da igreja. Desde já fica minha gratidão ao padre Eder pela contribuição e ao sacristão. O problema é que às vezes já tínhamos autorização do pároco e do sacristão para utilizarmos tais objetos e apareciam “muitos chefes” para mandar. Isso acabou gerando um stress muito grande, mas foi algo que foi superado com a grandiosidade da apresentação, que deixou emocionados todos que foram prestigiar. A direção, cenários, figurinos, indumentárias não deixaram nada a desejar. Sobretudo a atuação dos atores esteve em um grau bom de excelência”. Mesmo com os desafios citados por Abel, o projeto foi muito bem aceito e há quem já espera a próxima edição. Ele adiantou que os trabalhos serão iniciados em dezembro deste ano, quando serão estipuladas funções específicas para cada pessoa. O grupo pensa também em movimentos para arrecadar fundos no intuito de adquirir um figurino próprio. “Também pensei em ampliar o roteiro para o ano que vem. Pretendo inserir no roteiro algu-
Encenação da Paixão de Jesus pelo grupo
Grupo ‘Embaixadores da Arte’ realizou a Via Sacra Teatral
mas cenas como a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho, sendo aclamado pela população com ramos, a Última Ceia, Jesus orando e suando sangue no Horto das Oliveiras e a prisão de Jesus”, completou. Abel concluiu agradecendo a todos que participaram e colaboraram para que a apresentação pudesse acontecer: À Paroquia Nossa Senhora da Penha de França e à Prefeitura Municipal, à Letícia Resende Fotografia pelo belíssimo trabalho, ao grupo de jovens Shalom e ao Pedro Paulo por ter nos cedido o cavalo usado na apresentação. Agradeço imensamente à
equipe de atores que se doaram de coração para que pudéssemos passar essa mensagem tão importante do amor de Jesus por nós. Sem o esforço e a doação de cada um de vocês, nada teria acontecido. Deixo aqui meu abraço e minha gratidão e digo que foi muito bom trabalhar com cada um de vocês. Agradeço também ao Jornal das Lajes pelo espaço cedido e aproveito para ressaltar que em maio a Companhia “Embaixadores” completa seus quinze anos de existência e nossa programação estará recheada nos meses de maio e junho para comemorarmos juntos”.
Banda Santa Cecília e Orquestra Mater Dei abrilhantam a Semana Santa O grande Santo Agostinho (354–430) certa vez disse: “Quem canta bem, reza duas vezes”. O bispo de Hipona, filósofo e doutor da Igreja tinha razão; a música, dentre todas as manifestações estéticas e artísticas, tem o inigualável poder de elevar nosso espírito à contem-
plação. Não foi à toa que o filósofo alemão Arthur Shopenhauer (17881860) eleva-a a condição de “Magna Arte”, ou seja, a arte suprema. A Semana Santa de Resende Costa é ainda mais bela, pois em seu contexto existe a presença essencial e marcante da música. As
pessoas rezam, durante as missas e procissões, inspiradas pelos acordes centenários de compositores sacros que deixaram para a nossa região obras de importante valor estético e religioso. Dentre alguns, podemos destacar Manoel Dias de Oliveira, Martiniano Ribeiro Bas-
Banda de Música Santa Cecília presente em todas as procissões da Semana Santa
tos, Antonio de Pádua Falcão e padre José Maria Xavier. A Banda de Música Santa Cecília e o Coro e Orquestra Mater Dei são responsáveis pela preservação da cultura musical da cidade e colaboram com a beleza e a mística das solenidades das tradicionais
ANDRÉ EUSTÁQUIO festas religiosas de Resende Costa, especialmente a Semana Santa. O JL parabeniza os músicos que compõem a Banda Santa Cecília e o Coro e Orquestra Mater Dei pela dedicação e compromisso com a religiosidade e a cultura de nossa terra.
Orquestra e Coro Mater Dei abrilhantou as cerimônias da Semana Santa
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Contemplando as Palavras
Não o vi mais. No sábado, a cerimônia da formatura. A sociedade de Resende Costa lotava o teatro. Olhei para os lados e não vi o Mário. De repente, lá no palco alguém começou a chamar a composição da mesa. Subiu a diretora, subiu o prefeito, subiu a professora homenageada... – Convidamos também para compor a mesa o paraninfo da turma. E o Mário Márcio rasgou a cena, vindo lá do fundo, desfilando entre as cadeiras do teatro. Exibia o seu terno bem cortado e bem feito. Era o terno. O alfaiate virou fada. No fim da cerimônia, corri curioso para o meu amigo e lhe perguntei como aquilo fora possível. O prazo era muito curto. Mário estava envolvido numa interminável sessão de fotos com os formandos. Entre uma e outra, ele me puxou o braço e falou baixinho, num sorriso malandro: – Eu falei que era pro meu casamento. Inventei que precisava casar às pressas. Voltei para a nossa república, ali no beco da Dona Nhazinha do Geraldo Porteiro, mas não entrei. Sentei-me sozinho nas lajes e esbocei uma gargalhada. Ao longe, ouvia vozes e risos felizes vindo da praça da Matriz: eram os formandos saindo do teatro com o Mário. Gritavam cadenciadamente: “Mário Márcio! Mário Márcio! Mário Márcio!” Depois, ainda pude ouvir – agora mais longe – os alunos gritarem três vezes: “Viva o Mário! Viva o Mário! Viva o Mário!” Três gritos, um para cada tipo de Mário: para os alunos, vivia o Mário Paraninfo... Para o alfaiate, vivia o Mário Noivo... Para mim, vivia o Mário Cinderelo. E, pelo que sei do meu amigo, esses três tipos de Mário conviveram felizes para sempre.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
REGINA COELHO
E viva a voz!
E o terno? A Gata Borralheira não podia ir à festa porque não tinha roupa adequada. De repente, a fada madrinha rasga a cena: aparece do nada resolvendo tudo. E a Gata Borralheira virou Cinderela: deixou o borralho sem deixar de ser gata. Virando as páginas das minhas memórias, salta de lá o Mário Márcio com os olhos arregalados de pavor: – Pois é, cara! Me escolheram pra paraninfo do 3º ano do Assis Resende e a formatura é sábado que vem. Já escrevi o discurso, mas esqueci a roupa. Não tenho terno. E hoje é terça-feira. Como arrumar um terno pra sábado? Situação difícil. Sugeri alugar. – Alugar terno sem saber quem vestiu antes? E se já foi terno de defunto? Em São João havia poucas lojas que vendiam ternos. E o pior: o Mário não agradou de nenhum que experimentou. – Quer saber? Vou mandar fazer. – Mário!!! Hoje é terça-feira e a formatura é sábado. Não dá tempo. Fazer terno vai levar mais de uma semana. – Por favor, Zé! Você tem que me ajudar. Resolvi ajudar, mesmo sabendo que aquilo não iria dar em nada. Amigo é amigo. Indiquei o alfaiate e o Mário comprou o pano. O alfaiate ficou pálido e revoltado ao saber do prazo que teria. A proposta virou conversa e a conversa virou discussão O alfaiate tinha razão: como fazer um terno em poucos dias? E as encomendas dos outros clientes? Ele não tinha varinha de condão. Por mais que o pobre alfaiate provasse a impossibilidade da tarefa, o Mário acreditava que abóboras viravam carruagens. Deixei o Mário lá, com seu pano, aviamentos, esperança, teimosia e um terno na cabeça.
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Dos atributos relacionados ao ser humano, a voz situa-se entre os mais marcantes. Isso porque cada pessoa possui uma voz única e especial. É como se fosse uma impressão digital. É claro que existem vozes parecidas, principalmente entre parentes mais próximos. Cabem aqui os imitadores de vozes de famosos ou de amigos. Nesse caso, a imitação costuma vir acompanhada de todo um trabalho de composição envolvendo gestos, expressão facial, vestuário e, é lógico, a voz. Quando se trata de imitar um artista cantando, isso tudo já foi observado, sem contar o texto pronto, ou melhor, a letra da música decorada, o que parece facilitar as coisas. Mais complicado deve ser “criar” a fala de alguém, com seu discurso característico e suas marcas próprias nem sempre tão óbvias, como a ondulação da voz, a velocidade dela ou a preferência inconsciente por certas expressões. Certo mesmo é que essa habilidade é muito interessante, um dom exercido com maestria por muitos, aqui em Resende Costa também, é claro. Bem próximo de nós, dando vida ao Jornal das Lajes, o André (nosso editor-chefe), pode ser apontado como um bom imitador. Fazendo dobradinha com ele nas sessões das segundas-feiras promovidas pela Turma do Baú (no sítio do Dr. Luiz), o Duda (meu primo) não deixa por menos. Sei que o Bacarini e o João Magalhães (colega do jornal) são dois dos imitados pela dupla. Segundo o Duda, para compor o, digamos assim, personagem, a inspiração vem na hora e é uma homenagem ao imitado, que muitas vezes não gosta nada dessa brincadeira.
Classificada formalmente como infantil, feminina adulta ou masculina adulta, a voz humana ganha dos próprios falantes outras qualificações bem curiosas. Nesse sentido, há, por exemplo, a voz de taquara rachada (desagradável ao ouvido, desafinada), a esganiçada (estridente, um pouco como o ganido de um cão), a de veludo (macia), a cavernosa (profunda, como se saísse de uma caverna), o vozeirão (muito grave e forte) e a voz sexy ou sensual, entre tantos outros tipos. A propósito dessa última classificação, há quem afirme ser a voz elemento importante na conquista amorosa. Será verdade? Na minissérie Hilda Furacão, adaptada por Glória Perez do romance homônimo de Roberto Drummond (saudoso escritor mineiro) e exibida pela Globo em 1998, essa situação é mostrada exemplarmente. Os envolvidos são Emecê (Sérgio Loroza) e Gabriela M. (Tereza Seiblitz). Ele, um radialista, deixa a mocinha do interior fascinada pela beleza de sua voz. Julgando-se apaixonada, ela passa a lhe telefonar. Tudo caminha para um encontro amoroso. Emecê, rapaz tímido e gordo, contrata Aramel, o Belo (Thiago Lacerda) para representá-lo. O desenlace dessa história? É melhor conferir o trabalho da autora. Deixando de lado a ficção e relativizando a importância da voz nas questões amorosas ou ainda desconsiderando-a, o mesmo não se pode dizer em relação a uma parcela significativa da população que depende diretamente da voz para trabalhar. É muita gente ganhando a vida no gogó. São repórteres, apresentadores de TV, cantores, atores, dubladores, professores, operadores de telemarketing, locutores... Sem perder tempo, destaco
nominalmente três representantes dessa turma aí acima: Paulo Goulart, José Wilker e Luciano do Valle. Além do indiscutível talento profissional que os marcou, eles se destacaram também por uma qualidade comum incomparável: a beleza vocal com a qual encantaram nossos ouvidos. Por triste coincidência, quase ao mesmo tempo, recentemente esse trio de vozes personalíssimas se calou para sempre. Ficamos, assim, sem o brilhantismo do Paulo Goulart e do Wilker na narração de documentários em muitas propagandas institucionais. E sem a competência do Luciano na locução inconfundível de inúmeras transmissões esportivas da tevê. Que pena! Assim é a vida, com suas vozes que continuam a ecoar por todas as partes. Na fala ou no canto, todas elas são legítimas, mas não se pode negar que as vozes que cantam se tornam especiais. Se afinadas e bonitas, tanto melhor. Fica valendo, porém, o direito de todo mundo a soltar a voz. No banheiro, nos canteiros de obras, nos shows, nos estádios, nos cultos, nas festas... Nesse embalo todo, não posso perder a oportunidade de parabenizar a Elzi, que trabalha para a Aleluia (minha vizinha), pelas vezes que eu a ouvi cantar de forma tão linda. Muito bom também foi escutar, num desses dias perdidos no calendário, o Camilo “Bananeira” cantando com toda segurança a Ave Maria de Gounod, ao passar bem cedo em frente à minha casa. Outro momento interessante é proporcionado pela dupla Lourenço e Leonel. Em programa da Rádio Inconfidentes, eles comandam animada cantoria ao vivo alegrando nossas manhãs de sábado com vozes de verdade, sem truques ou estrelismos tão comuns hoje.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
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ROSALVO PINTO
Casario de Resende Costa Reza o ditado que “povo sem memória é povo sem alma”. Logo, preservar a memória de nós mesmos, de nossas famílias e de nossos lugares significa preservar a nossa vida. Adaptando a frase dos romanos, podemos dizer: ubi memoria, ibi anima (onde está a memória, aí está a alma). Nossas casas fazem parte de nossa vida. São como nós mesmos: nascem, vivem e morrem. Este texto pretende registrar um pouco da história das casas de Resende Costa. Vamos nos lembrar de algumas casas existentes em meados do século passado, tomando como limite as últimas casas das ruas ou das saídas da cidade, tentando nos lembrar de seus moradores. Começaremos, neste texto, por parte do casario das duas praças da igreja Matriz. Começamos pela Mendes de Resende, a que fica atrás da igreja matriz. Coitada, é uma meia-praça. Alguém já ouviu falar em roubo de praça? Pois isso aconteceu em nossa terra. Na calada da noite, parte dela foi tomada do povo e vendida a particulares. Mas vamos ao nosso giro. Começamos lá no fundo, à direita de quem olha para a parte traseira da matriz. Ali foi a casa do Marcos de Oliveira Neto, o Marcos das Barreiras, filho da Chiquita das Barreiras. Demolida, hoje abriga o Correio. Um pouco acima estava a casa do Alcides Souza, irmão do Antônio de Souza Maia Júnior (Nico de Souza, ex-prefeito de Resende Costa em fins dos anos de 40 e início de 50). Ali morou dona Ivone Maia, prestigiada professora daqueles tempos. Essa casa passou depois para o Geraldo de Souza Resende, o Geraldo Capoeira da Cana. Subindo, vem a casa do Sanico do Retiro de Cima, também resiste aos tempos. Lá morou, na década de 50, o
ex-prefeito Geraldo Monteiro e nela mora hoje o Marcos do Sanico, ambos filhos do Sanico. Acima do beco, permanece impávida a casa do José Gabriel de Resende, pai da dona Maria Aparecida de Resende Maia (Aparecida do Hélcio, recentemente falecido). A casa de cima pertenceu ao Alfredo Chaves, pai do Luizinho Chaves. Era uma das casas onde nós, coroinhas, íamos com o turíbulo buscar brasas para as cerimônias da igreja. Essa antiga casa foi destruída, cedendo o lugar à casa moderna do doutor Geraldo Resende, do Lulu. Atualmente pertence à Copasa. Acima era a casa da Confraria de São Vicente, seguida do “Passinho”. Atravessamos a praça N. Sra. de Fátima e chegamos a uma das casas mais charmosas dos velhos tempos: o sobradão que pertenceu a um membro da família Pinto e no qual, posteriormente, por muitos anos funcionou a Prefeitura Municipal. Hoje é a sede da Câmara Municipal. Passando para a outra praça, de frente para a matriz (a praça Cônego Cardoso), temos o casarão que pertenceu ao Pedro Esteves e hoje pertence à família do Geraldo de Paula Magela (Geraldo Porteiro) e da minha tia, a Tia Nhazinha. É outra relíquia de muitas décadas. Na sequência, a casa que pertenceu ao Domingos do José Carlos da Cachoeira dos Pintos. Seguem-se as casas do Davi do Ciro e a do Mazinho do Saneco. A casa do Mazinho, todo resende-costense sabe, pertenceu ao inconfidente padre Carlos Correia de Toledo Melo, vigário em São José del-Rei (atual Tiradentes) em meados do século 18. Antes do Mazinho, esta casa pertenceu à família do “Tirim dos Campos Gerais”, à época proprietário da fazenda dos Campos Gerais, cuja casa, infelizmente, foi demolida. Segue-se o antigo “Salão Paroquial”, construído pelo
padre Adelmo Ferreira da Silva em 1951/52. Abaixo dele, a casa do Pedro Teodoro, conhecido como “Pepedro”. Essa casa foi comprada por outro filho do José Carlos, o Geraldo Magela. Herdou-a seu filho, o Savinho da Iaiá. Essa casa está ligada, por “parede-e-meia” à casa mais importante do ponto de vista histórico para nossa cidade, a casa do inconfidente José de Resende Costa (pai). Essa casa pertenceu ao terceiro irmão do José Carlos da Cachoeira, o José Manuel e hoje pertence às pessoas da família do Heitor do Cassiano Vale. Dobrando-se à esquerda, estava a casa do Ataídes de Resende Maia, pai do nosso padre José Hugo de Resende Maia. Foi demolida, integrando-se o terreno ao Hospital N. Sra. do Rosário. O outro lado da praça começava com a Casa Paroquial, construída entre 1913 e 1916. Acima dela havia a casa antiga dos descendentes do Gabriel da Quitéria. Hoje, alterada, pertence à família do Álcio Daher e de dona Socorro. Segue-se a casa da família do Antônio da Carioca, ainda hoje com seus herdeiros. As duas que se seguem, a de dona Sinhazinha, mãe do Zé Rodrigues e a do Paulo Procópio Pinto também são propriedades de seus descendentes. Fechando a praça, está firme a antiga casa que pertenceu ao “Tio Totonho Naná”, casado com a Tia Zulmira. Hoje pertence aos herdeiros. Essa era também uma casa que fornecia brasas para a igreja. Com essa casa, fechamos, por ora, esse giro e esse texto. Para fechar as duas praças, faltam as casas que estão à direita da igreja matriz, a partir da casa, também antiga, que pertenceu ao Alcindo Resende e a sua esposa, a dona Vera Cruz Resende, até o antigo sobrado do Álvaro Mendes, que foi demolido. Nos anos 50, o terreno do seu sobrado ocupava quase todo o fundo da praça.
Trilha Sonora
RENATO RUAS PINTO
Cheio de dedos Na coluna de estreia falei da necessidade de abrir espaço para a música nova, mas não posso fazer isso antes de escrever sobre um artista que considero um dos mais geniais da geração pós Chico Buarque, Caetano e companhia, e que nunca teve o devido reconhecimento do grande público e mídia: o Guinga. Não que Guinga seja um total desconhecido ou um injustiçado, porém, a sua fama sempre ficou restrita a uma crítica especializada ou pessoas realmente fãs de MPB. Guinga não é um artista novo e despontou para a música muito cedo. Com apenas 17 anos – e ainda assinando com seu nome, Carlos Althier – classificou uma música para o II Festival Internacional da Canção da Globo em 1967, a mesma edição que revelou Milton Nascimento com “Travessia”. Depois disso, continuou seu trabalho de compositor e violonista, tendo várias músicas gravadas por artistas consagrados como Chico Buarque, Elis Regina, Ivan Lins, Leila Pinheiro e outros. Também acompanhou em palco ou estúdio nomes como Cartola, Beth Carvalho e Clara Nunes. Porém, demorou a se dedicar integralmente à música, dividindo seu tempo com a profissão de dentista. Apenas há poucos anos deixou de lado as brocas e o consultório. Junte-se a isso o fato de, nos primeiros anos de carreira, evitar o palco para apresentar o próprio trabalho - nem mesmo em bares ou pequenas casas - e talvez se consiga explicar o porquê de Guinga nunca ter tido a exposição merecida. A relação com o palco é de fato curiosa. Apesar de anos dedicados à música e de ser reconhecido – e disputado
– no meio artístico pela qualidade das suas composições, Guinga só subiu ao palco para um show seu em 1989, quando já tinha mais de 20 anos de dedicação à arte. E, diga-se de passagem, o show só aconteceu porque foi organizado e promovido por amigos músicos que consideravam um absurdo o artista nunca ter tido a devida proeminência. A partir daí, Guinga começou a gravar o próprio trabalho e lançou alguns discos impressionantes. Carioca da gema, o samba é sua língua materna, mas transita com elegância por outros estilos como o baião e bolero. Guinga trouxe para a MPB uma sofisticação na melodia e harmonia que, em minha opinião, não se via desde Tom Jobim. Além disso, Guinga é um violonista virtuoso e faz justiça ao título do seu álbum de 1996, “Cheio de Dedos”, que escolhi pra título desta coluna. Tive a felicidade de ver Guinga ao vivo em duas oportunidades e suas apresentações são verdadeiras declarações de amor à música e ao violão. Além disso, é impressionante a emoção que ele transmite ao público, seja cantando ou executando seus belos temas instrumentais. Compositor brilhante, instrumentista virtuoso e grande intérprete: receita de satisfação para quem ouve. Com boa parte dos seus álbuns ainda disponíveis, seja no bom e velho CD ou para download no iTunes, fica o convite para conhecer aquele que eu considero um dos maiores compositores da MPB. Além disso, há vários vídeos no Youtube onde se pode vê-lo executando suas músicas. E pra quem já conhece, vale sempre rever o trabalho genial desse grande artista.
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Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Pra não dizer que não falei da vida Para Geraldo Vandré e outros mais que tanto e belamente falaram, falam e falarão.
Quando conheci o livro Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, uma dádiva se me deu. Lá no Ensino Médio, em Resende Costa, tive acesso a apenas um fragmento da obra, pelas mãos da nossa professora Regina Coelho. Era aquele trecho que se abre com uns versos que nunca mais saíram da minha cabeça: “Nunca esperei muita coisa, / digo a Vossas Senhorias. / O que me fez retirar / não foi a grande cobiça; / o que apenas busquei / foi defender minha vida / da tal velhice que chega / antes de se inteirar trinta”. Que coisa linda, meu Deus! Como se buscar a vida, a juventude da vida, não fosse por si só algo grandioso. De fato não é cobiça buscar a sobrevida, a dignidade da vida. Aquele “antes de se inteirar trinta” me chocou à época. A professora explicando o poema, e eu pensando muito nas pessoas envelhecidas antes da hora. Anos depois, lendo a obra toda, me deliciei com o canto tão bonito que João Cabral dedica à vida. Não é à toa que o autor subintitulou seu livro assim: “auto de Natal pernambucano”. Cantando a morte, o poeta cantou a vida, o espetáculo da vida. A voz do poeta me chega várias vezes, quando retomo o livro e com ele acesso o drama dos retirantes nordestinos. Acesso o rosário, as ladainhas de Severino por cidades e vilas. Acesso a vida de cada dia, feita de pás, enxadas, foices, ferros de cova, estrovengas e braços relutantes. Acesso as vidas de água pouca, de cuia rasa, de farinha parca. As vidas tentando esconder-se em camisas de teci-
do grosso. Nas viagens retirantes que acesso, escuto Severino, empedernido, aprendendo a viver com a pedra, dizendo-me ao pé do ouvido a música da vida. Recentemente tive acesso a um depoimento de Cabral quanto ao livro em discussão, e aqui transcrevo um fragmento em que o autor nos conta sobre uma conversa com Vinicius de Morais, o qual se mostrara maravilhado com Morte e Vida Severina: “– Vinicius, eu não escrevi Morte e Vida Severina para intelectuais como você – respondi – Escrevi para os sujeitos analfabetos que ouvem cordel na feira de Santo Amaro, no Recife. O poema é simples, retrata a típica realidade do pernambucano que foge da seca em busca do Recife e termina morando numa favela ribeirinha. Foi um sucesso mundial. Isso me orgulha, mas também me surpreende, porque Morte e Vida Severina passou a ser coisa de eruditos.”. Isso sim é um bom texto, minha gente! Aquele que pode ser lido por pessoas quaisquer, independente da escolaridade. E Morte e vida Severina não é tão fácil assim não! Mas é tão humano, tão dolorido, tão musical e ritmado, que o lendo é como se estivéssemos rezando. Um louvor para Deus e um canto para a vida. A morte fica ali, em cada verso, piscando seus olhos de noite escura. Mas a beleza do poema transcende a morte que nos rodeia. A poesia, ao revelar a morte, supera o poder da escuridão e do nada. No mesmo depoimento, Cabral chega a dizer e a se perguntar: “E se quisesse poderia ter feito mais dezenas de Morte e Vida Severina, mas pra quê?”. Ele, na verdade, fez várias vidas severinas. Cada livro seu es-
barrou na morte, na secura da vida. Mas justamente por fazer poesia, o que sempre sobressaiu nos seus textos foi a vida. E não outra coisa. No mesmo depoimento a que me refiro, o escritor ainda diz: “Então fui continuando a escrever. É difícil explicar por que continuei escrevendo”. Cabral, na verdade, escreveu pelo mesmo motivo que todo mundo escreve. Ele escreveu para exorcizar a morte. Esse é o nosso desejo, o mais eterno de todos. Nesse sentido é sintomático o poema “O exorcismo” (do livro Crime na Calle Relator, também de Cabral), em cujos versos o sujeito poético é interpelado por um médico, o “Grão-Doutor”: “Por que da morte tanto escreve?”. Ao que responde o nosso poeta: “Nunca da minha, que é pessoal, / mas da morte social, do Nordeste.”. O médico, confrontando, neste poema narrativo-dialógico, os escritos de Cabral aos de outros escritores nordestinos, afirma: “Seu escrever da morte é exorcismo, / seu discurso assim me parece: / é o pavor da morte, da sua, / que o faz falar da do Nordeste.”. Assim prosseguimos nesta faina de escrever, todos nós, falando das mortes para vivermos a vida. E tudo na verdade é vida, quando o silêncio ainda não nos tomou. Lembro aqui a imagem, em Hermann Hesse, da morte como mãe eterna e de nós como filhos aflitos: “hei de vê-la então como eterna mãe, seu grito / como sinal de amor, e eu como filho aflito.”. Falemos, então! Falemos para não morrer. Falemos antes que anoiteça, antes que a morte viva em nós.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Chef x Cozinheiro Mesmo com a gastronomia tão em pauta e cada vez mais presente em nossas vidas, a definição de chef e cozinheiro ainda continua gerando confusão com bastante frequência. Até mesmo por parte de muitos profissionais da área, talvez mal influenciados pelo duvidoso glamour dessa profissão linda, porém dura e distante desse charme todo que a tv e as revistas tentam estampar. Antes de mais nada, vamos tentar definir e separar esses ofícios, fazendo uso mais uma vez das palavras da renomada chef (de verdade) Roberta Sudbrack, que soube bem explicar a questão: “Nós somos cozinheiros! Podemos “estar” chefs de cozinha se estivermos exercendo essa atividade dentro de uma cozinha profissional. Ainda assim, somos cozinheiros.” Portanto, o chef – ou chefe - seria o cozinheiro líder, o comandante e maestro de uma cozinha profissional. Já o cozinheiro seria aquele detentor de conhecimento e prática de cozinha, porém não necessariamente profissional. Diante da onda gastronômica pela qual nosso país vem surfando, a oferta de cursos tem sido cada vez maior. Muitos deles com publicidade forte e bastante chamativa, com modelos estampando suas impecáveis dólmãs (a roupa tradicional) e com frases do tipo “você quer se tornar um chef ?”. A impressão que dá é que basta se matricular no curso – geralmente de salgada mensalidade – e, ao final, se aprovado, você se transforma em um chef de cozinha, apto a adentrar esse mundo glamoroso. Só que não! Logo de cara, ao procurar um emprego ou estágio, o novo “chef ” vai se deparar com um dos grandes problemas da profissão, que é a baixíssima remuneração, às vezes vergonhosa de tão injusta. Logo no primeiro dia de trabalho, aquele glamour que habitava seu imaginário provavelmente descerá pelo ralo da pia suja que ele será obrigado a lavar após uma jornada de doze ou quinze horas de trabalho, em pé, e sob um calor escaldante de 50ºC, típico de uma cozinha profissional a todo vapor. Tudo isso com seu chef (de verdade) berrando suas
ordens, já que a tensão do serviço é grande e nada tem a ver com a paz de espírito de se cozinhar em casa para os amigos, de avental limpinho e taça de vinho a tira colo. Outro caminho seria o de abrir um negócio próprio, o que já esbarra inicialmente nas questões administrativa, financeira, burocrática e, sobretudo, de mão de obra, cada vez mais cara e desqualificada no Brasil. Isso sem contar o nourrau de cozinha necessário, muitas vezes adquirido ao longo de anos de trabalho e estágios, inclusive no exterior. Experiência e “horas de voo” são fundamentais na cozinha e é em função disso que se deve destacar a importância e o valor do(a) cozinheiro(a), seja profissional ou não. A prática de anos, aliada aos conhecimentos populares e tradições, juntamente com uma pitada de paixão e talento, são ingredientes fundamentais para a formação de um grande cozinheiro, volto a dizer, profissional ou não. Toda tradicional família mineira costuma ter pelo menos um, ou melhor, uma. Na minha tenho bons exemplares, a começar pela minha saudosa vovó paterna Trindade do Góes e a materna Lia, essa última que começou a cozinhar na roça em Moeda oitenta anos atrás, aos dez de idade. É tanto saber – impulsionado pelas dificuldades financeiras enfrentadas – que não cabe em um baú de histórias. Um tipo de conhecimento que infelizmente não se vê utilizado e propagado nas melhores escolas e cozinhas de restaurantes. Daí a necessidade de valorizarmos e aproveitarmos mais essas grandes mestras que ainda temos em nossa volta. (Preste atenção nelas, pergunte, anote, registre em filme ou fotografe!). Atualmente, apesar de ser notória a evolução da capacitação dos inúmeros – e talentosíssimos - chefs de cozinha brasileiros, me preocupo com uma questão crucial na gastronomia, que é o distanciamento do cozinheiro em relação ao ingrediente, à terra e às tradições. Saber lidar com nitrogênio líquido, mas desconhecer a diferença da folha da taioba para a do inhame brabo pode ser perigoso, em todos os sentidos.
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Especial
Cessão do Parque do Campo para eventos particulares com fins lucrativos tem gerado polêmica em Resende Costa A Lei Municipal 3.662, de 26 de fevereiro de 2013, autoriza o uso do Parque dos Trabalhadores “Dr. Geraldo Magela de Resende” (Parque do Campo) de Resende Costa para eventos particulares com fins lucrativos. A lei exige que o espaço seja cedido a pessoas jurídicas de direito privado. Por isso, algumas empresas já foram criadas em Resende Costa para poderem participar das licitações. Com a lei sancionada, o Parque do Campo passou a ser alugado para a realização de diversas festas, que acontecem no salão principal. Porém, a utilização do espaço público para eventos particulares com fins lucrativos não é bem vista por todos na comunidade. O prefeito municipal Aurélio Suenes comentou sobre as locações: “Sempre houve críticas sobre o não uso do Parque. Daí surgiu a ideia de alugar o espaço para festas. A vantagem é a possibilidade de melhorar a arrecadação da prefeitura e possibilitar entretenimento para a juventude. É cobrado o valor de mil duzentos e cinquenta reais por cada aluguel. Se tivermos em média um aluguel por mês teremos uma arrecadação anual de quinze mil reais”. O vereador Luiz Antonio Pinto (PT) é contra o uso do Parque do Campo para exploração particular. Desde o início das discussões no plenário da Câmara, o vereador tem manifestado sua opinião contrária: “Por que outras pessoas têm que conseguir seus retornos financeiros em espaços públicos? Acho que só em Resende Costa acontece isto. Sou contra este tipo de uso do Parque, doa a quem doer. Eventos com finalidade de lucro pessoal têm que ter espaço privado apropriado e, inclusive, fiscalizado pelo poder público para prevenção de acidentes ou catástrofes”. Já o vereador Lucas Paulo (PRTB) defende a utilização do Parque para eventos particulares com fins lucrativos: “Ainda hoje sou a favor de utilizar o Parque do Campo para eventos particulares. Claro que o ideal seria uma boate própria para esses eventos, com isolamento acústico e toda a estrutura necessária. Pode não ser [o Parque do Campo] o lugar ideal, mas hoje acredito ser o melhor
local para que esses eventos sejam realizados na cidade”. Ricardo Resende, um dos diretores da empresa ‘Vesúvio Produções’, que tem promovido vários eventos no Parque de Exposições, acredita que o espaço é adequado para a realização de festas: “Atualmente, na cidade, é o único lugar que oferece totais condições para que eventos dessa natureza sejam realizados com segurança e qualidade para os frequentadores. O local contém saídas de emergência, estacionamento, laudo do corpo de bombeiro para o devido funcionamento e preenche todas as outras restrições legais que a legislação exige”. Outras polêmicas quanto à cessão do Parque do Campo para eventos particulares diz respeito ao barulho e bagunça gerados na região e também à depredação do espaço pelos frequentadores. O prefeito Aurélio afirmou que já houve reclamações por parte de moradores e assegurou: “Essa é uma situação que, se persistir, teremos que suspender as locações. A intenção não é incomodar ninguém. Agora, do ponto de vista de segurança do local é a única opção que existe na cidade. Ele está regularizado”. Em relação às depredações do espaço, Aurélio informou que qualquer ato que venha a ocorrer lá é de responsabilidade exclusiva do locatário. Ricardo, da empresa Vesúvio, explicou como funciona o acordo: “Inicialmente, é realizada uma licitação para o uso do espaço público. A partir daí, a Prefeitura Municipal determina um valor inicial para a cessão do mesmo. Após essa licitação é feito um contrato entre a empresa ganhadora e a prefeitura para o uso do espaço na data determinada na licitação. A prefeitura compromete-se a entregar o espaço em plenas condições de uso e a empresa, por sua vez, compromete-se a zelar pelo espaço, devolvendo-o nas mesmas condições ou até melhor. Cabe salientar que antes da entrega das chaves do Parque, acontece uma vistoria do espaço por um funcionário designado pela prefeitura e após o uso essa mesma vistoria acontece novamente. Se constatado algum dano ao patrimônio a empresa é acionada pela prefeitura”.
A secretária de Gabinete da Prefeitura Municipal, Andreia Gouvea esclarece como é feito o agendamento das datas destinadas a eventos com fins lucrativos: “A prefeitura tem uma agenda com os doze finais de semana disponíveis para eventos particulares no Parque de Exposições. As pessoas interessadas nos procuram para agendar as datas de interesse”. De acordo com Andreia, todas as datas deste ano já estão reservadas. “As datas deste ano foram escolhidas numa pré-reserva em outubro e novembro do ano passado. A prefeitura realiza licitação de três em três meses”, disse a secretária. Quanto aos problemas de depredação do espaço, Andreia Gouvea confirma que é de responsabilidade da empresa locatária zelar pelo espaço: “A prefeitura acompanha toda a limpeza do local após o uso. Além disso, fazemos uma vistoria na sexta-feira, antes da entrega da chave, e outra vistoria na segunda-feira, no ato de devolução da chave. Se houve algum dano ao espaço, a pessoa que o alugou tem que pagar e deixar tudo como estava”. A Vesúvio já enfrentou problemas, conforme Ricardo: “Já tivemos por várias vezes problemas com a depredação do banheiro masculino por alguns vândalos. Em comum acordo com a Prefeitura Municipal, nós da Vesúvio Produções, da Horizonte Produções e do Saulo Longatti, efetuamos uma reforma no mesmo com materiais de melhor qualidade e mais resistentes para evitar eventuais problemas dessa natureza. Antes de tudo, nós da Vesúvio Produções e Eventos e enquanto cidadãos resende-costenses, fazemos questão de que haja zelo e respeito pelo patrimônio público da cidade, pois ele pertence a todos nós”. O vereador Lucas disse que, enquanto representante da comunidade, nunca recebeu reclamações referentes aos eventos realizados no Parque: “Já me falaram sobre barulho de carros com som ligado após os eventos, o que é difícil de ser controlado por quem está promovendo [as festas]. Isso pode ser solucionado também pela polícia, que já tem evitado muito
Fotos Emanuelle Ribeiro
ANDRÉ EUSTÁQUIO E EMANUELLE RIBEIRO
A sede social do Parque do Campo tem sido usada para festas particulares com fins lucrativos
isso, até porque esses carros fazem barulho, mesmo quando não há eventos. Tem que haver respeito também por parte dessas pessoas que ligam o som em volume alto durante a madrugada”. O Vereador Luiz concorda com as reclamações dos vizinhos: “O espaço é bom sim, mas não foi destinado para isto. Não tem acústica apropriada, itens de segurança adequados e está no meio de um bairro residencial, com inúmeras famílias, que têm direito ao sono e ao descanso. Barulho e bagunça, depredação etc., os vizinhos terão sempre razão. O espaço ideal para bailes e estes eventos deveria ser apropriado, fora de bairros residenciais, com acústica própria etc.”. Outro fator já discutido é o valor cobrado. Lucas acha justo: “Acredito ser justo o valor de mil duzentos e cinquenta reais pelo que é oferecido em questão de estrutura. Eu mesmo já produzi alguns eventos e não vejo lucro alto e exagerado que dizem ser ganho pelos organizadores. Quando se organiza um evento você está disposto a correr vários riscos, pode ser bom ou ruim. Há também geração de empregos e receita para o município. É bom ainda para a prefeitura, que pode arrecadar verba para bancar os custos que o Parque gera, além de usar o espaço em mais oportunidades”. Outras finalidades Outros projetos e festas têm
acontecido no Parque de Exposições, como o DANTE e as aulas de capoeira. O DANTE (Doenças e Agravos não Transmissíveis) é um projeto desenvolvido pelo Programa de Saúde da Família (PSF) e acontece nas tardes das terças e quintas-feiras. Já as aulas de capoeira, projeto do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) acontecem as segundas e quartas-feiras durante a manhã e a tarde. O Parque de Exposições é também cedido para eventos sem fins lucrativos, como festas de aniversário e casamento, confraternizações, leilões e bailes de formatura. O valor cobrado para esses eventos é de duzentos e nove reais e quarenta centavos. “A única condição para a cessão, é que a pessoa entregue o espaço devidamente limpo”, informa Andreia. O espaço também é cedido para pernoite de cavalgadas: “As pessoas pedem para usar o espaço a fim de tomar banho e dormir durante uma noite. Neste caso não cobranças”, informa a secretária de Gabinete. De acordo com Andreia, já existe reivindicação para aumento das datas disponíveis para eventos com fins lucrativos: “A lei autoriza somente doze datas durante o ano, mas a demanda está grande. Por isso, os organizadores destas festas estão reivindicando aumento para dezoito finais de semana no ano”.
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ANO XI Nº 133 - MAIO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Festas Rurais
Regional
Estrutura financeira das festas rurais de Resende Costa
Nova praça em Lagoa Dourada homenageia divisor de águas de duas grandes bacias N C brasileiras
FRANCIELLE VALE
AYANA
No último final de semana de abril a festa do Povoado do Barracão marcou, como em todos os anos, o início das festas rurais em Resende Costa, que se estendem por todo o mês de maio. Este é um tema sugestivo: se por um lado se encontra a população, que participa das festas, do outro estão as associações comunitárias, que batalham para a realização desses eventos e ainda a Prefeitura Municipal destinando recursos. Diante disso, o JL foi a campo pesquisar o orçamento desses eventos, com foco no valor repassado pela prefeitura às associações. Existe a tradição de uma parceria firmada entre as comunidades rurais e a prefeitura que garante o fornecimento de recursos para a realização das festividades rurais. Há um valor fixo em todos os anos, igual para todas as comunidades. Para a realização das festas, as comunidades precisam então se organizar financeiramente para que a utilização do recurso seja feita da melhor forma. O prefeito Aurélio Suenes informa ao JL que os recursos destinados à ajuda na realização das festividades é oriundo do tesouro nacional, atualmente um valor de 10 mil reais. Os recursos são repassados através de convênio entre a prefeitura e as associações, sendo autorizado pela Câmara Municipal. Para José Geraldo Ribeiro, presidente do conselho do povoado do Barracão, o recurso que a associação recebe da Prefeitura é de grande importância para o evento, uma vez que possibilita a sua realização, pelo menos nas proporções em que ele vem sendo realizado. Porém, Ribeiro afirma que o valor repassado não é suficiente, pois ultrapassa em mais de 100% o valor recebido da prefeitura. Dessa forma, o complemento do valor é feito através do recebimento de ajuda de patrocinadores e com a locação dos espaços das barracas. Diante do atual valor repassado pela prefeitura e do cenário de aumento no preço de produtos e
de prestação de serviços, José Geraldo explica que é importante as associações se adequarem ao valor recebido, enquanto este continuar o mesmo. Neste ano, por exemplo, o povoado do Barracão precisou cortar atrações, como o rodeio, para realizar o evento. Para a realização da festa, o conselho comunitário primeiro verifica o valor do convênio com a prefeitura para depois alugar os espaços das barracas afim de se ter valores concretos. E, por fim, busca patrocínios nos comércios da cidade, o que segundo o presidente são muito importantes. Mostrando um esboço do orçamento do evento, Ribeiro informa que trabalha com uma folga financeira. Ele exemplifica que se possuir 20 mil reais para realizar a festa, ele se baseia em 17 mil para fazê-la, porque necessita de uma folga bem grande para cobrir gastos eventuais, como alimentação, premiação para concurso de marcha, entre outros. Adélio Mariano, atual presidente do Conselho de Desenvolvimento Comunitário São Geraldo, do povoado dos Pintos, explicou também a forma que garante a realização do Encontro de São João. Para o povoado dos Pintos o recurso recebido da prefeitura, de 10 mil reais não é suficiente para a realização da festa: cobre apenas de 40 a 50% do total das despesas financeiras da festa. Segundo Adélio, o recurso recebido é um incentivo ao produtor rural, tendo em vista que a festa de cada comunidade é uma forma de promover momentos de entretenimento e lazer aos colaboradores dela. O complemento do orçamento da festa é feito com recursos próprios, ficando a cargo de cada comunidade. Adélio considera a como a maior patrocinadora do evento. A realização de eventos durante o ano na comunidade permite complementar os recursos, que são as quermesses, torneios de baralho e show de prêmios. A venda de espaço para a colocação de barracas e o recebimento de patrocínios são outras fontes de recursos. O orçamento
das festas, segundo Adélio, não pode ser baseado em anos anteriores, pois a cada ano este orçamento é mais oneroso pelos prestadores de serviços e fornecedores. Por isso os recursos recebidos da prefeitura vão se tornando insuficientes. Ele acrescenta que o conselho busca sempre parceria com os órgãos públicos e outras entidades ao longo dos anos, para proporcionar melhor qualidade de vida aos moradores da comunidade. O prefeito Aurélio Suenes falou sobre a importância das festas rurais para a economia de Resende Costa: “Existem opiniões diversas sobre as festas rurais. Entendo que a festa é um momento de encontro dos moradores das comunidades e a oportunidade de conhecer outras pessoas e até fazer negócios. O êxodo rural tem sido cada vez maior, por isso é importante que existam esses eventos para movimentar as comunidades e os conselhos”. Sobre o valor dos recursos, que é o mesmo para todas as comunidades, inclusive as mais tradicionais e que recebem mais visitantes, o prefeito alega existir variações com a realização e aceitação das festas rurais, e esse é um desafio dos conselhos. Ele fala da importância da criatividade usada pelos conselhos organizadores, que necessitam usar sempre a inovação para que a festa seja sempre melhor: “(...) quanto melhor e mais bem divulgada (a festa), maior é o valor que os conselhos arrecadam com a venda de barracas e patrocínios. Isso garante o equilíbrio das contas”. Aurélio Suenes entende que o valor destinado às comunidades não é suficiente, e disse que os representantes das comunidades solicitaram um aumento no repasse para este ano. “Isso não foi possível devido à situação financeira dos municípios que está cada vez pior. Temos muitas prioridades e o recurso tem que ser distribuído de maneira a garantir o pagamento das obrigações e melhoria contínua da prestação de serviços à população”, explica.
Rio Paraná e por fim vão ao encontro do oceano Atlântico, na Bacia do Prata, na divisa do Uruguai com a Argentina. “São, portanto, duas vertentes opostas e Lagoa Dourada é a única cidade no Brasil em que isto ocorre”, afirma Adriano. Embora haja outras vertentes parecidas no Brasil, como na cidade vizinha Resende Costa, nenhuma se localiza dentro da zona urbana. “Resende Costa também é vertente para o Nordeste, para o Rio são Francisco e para o Rio Grande, mas não dentro da cidade, sendo o acontecimento na zona rural”, comenta. Para Samuel Sucasas, morador da cidade, a construção da praça destaca uma característica muito interessante de Lagoa Dourada, que deve inclusive se tornar um marco para o município. Ele também destaca a beleza da nova praça. “Realmente uma obra que ficou bem projetada, com designer redondo, uma coisa diferente que não tem na cidade”. Já para outra moradora, Aidê Resende Bueno, o designer não agradou tanto, segundo ela o contorno da praça ficou um pouco alto. Porém, em relação à questão histórica e geográfica, a moradora também acha uma obra interessante para a cidade. “Esse aspecto geográfico é interessante, desde que ela tenha uma placa que esclareça para o turista o que ela significa”, comenta Aidê. Conforme informou Adriano Barreto Pinto, a obra ainda não foi totalmente finalizada. “Ainda falta a parte do urbanismo. Em volta da praça faltam quatro alças para evitar que as pessoas façam o contorno no local errado. Mas a praça em si está concluída”. A inauguração está marcada para acontecer em junho, mês do aniversário da cidade. Já para o nome da praça há duas sugestões: Praça das Vertentes, uma homenagem a Serra das Vertentes ou Praça do Divisor de Águas.
Foto Arquivo Adriano Barreto
A Festa do Carro de Boi de Jacarandira chegou a sua 11ª edição em 2014
Bem no centro de Lagoa Dourada, abaixo da histórica igreja do Bom Jesus e da Matriz de Santo Antônio, e próximo às típicas padarias de rocambole, surge um novo atrativo na cidade, a Praça das Vertentes. A praça foi idealizada para marcar uma particularidade da cidade e também um fenômeno único do Brasil: o divisor de águas de duas grandes bacias, dos rios São Francisco e Paraná, dentro de um perímetro urbano. Segundo Adriano Barreto Pinto, engenheiro civil da Prefeitura e incentivador da construção da praça, o desejo de construir um monumento que marcasse esse encontro era antigo, desde os tempos em que seu pai, Antônio Pinto, foi prefeito da cidade. “Tendo sido prefeito aqui duas vezes ele sempre teve a vontade de fazer uma praça neste local simbolizando o fato”, disse Barreto. Baseado na idéia do pai, Adriano levou a sugestão até a prefeitura a qual desenvolveu o projeto. “Atenderam a sugestão, foi feita a licitação de projeto e execução da obra e eu participei da análise do mesmo. Solicitei modificações porque não satisfazia a demonstração do que nós queríamos fazer do divisor, até que fosse acertada”, conta o engenheiro. O principal destaque da nova praça é uma fonte construída para simbolizar esta importante vertente. Adriano explica que a praça está localizada em um ponto da rua onde acontece essa divisão das águas. Assim, as águas que correm para o lado esquerdo da praça seguem para o Rio Paraopeba, que é afluente do Rio São Francisco e deságuam no nordeste do Brasil, na cidade de Piaçabuçu, localizada na divisa de Sergipe com Alagoas. Já as águas que correm para o lado direito da praça seguem outro caminho: vão para o Rio Carandaí, que deságua no Rio das Mortes, em seguida no Rio Grande e depois no
ARVALHO
O Engenheiro Adriano Barreto levou adiante um projeto do seu pai, de construir uma praça que marcasse a divisão de águas no centro de Lagoa Dourada
14 Jornal das Lajes
ANO XI Nº 133 - MAIO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Portugal
Trancoso (Portugal):
presença dos Resendes e da comunidade judaica A família Resende faz parte da história da medieval cidade de Trancoso (distrito da Guarda, região Centro de Portugal), não apenas porque D. Pedro Afonso Viegas, neto de D. Egas Moniz - judeu e primeiro Resende – foi tenente na localidade em 1184 como também porque a comunidade judaica está presente em Trancoso desde o reinado de D. Pedro I (1357-1367). Diversos estudos e, sobretudo, a tradição no Norte de Portugal indicam que D. Egas Moniz – aio ou tutor de D. Afonso Henriques entre 1128 e 1146 - era judeu e, aliás, teria exercido influência sobre o primeiro rei de Portugal na sua tolerância e ajuda aos judeus, revela o jornalista José Levy Domingos. A existência de judeus em Portugal, muito antes do nascimento do Reino no século XII, já pode ser comprovada graças a estudos das últimas décadas, de acordo com o historiador Jorge Martins (Breve História dos Judeus em Portugal, Nova Vegas, Lisboa 2013). “Na verdade, os mais antigos vestígios judaicos encontrados em território português estão datados do século I d.C., através de um conjunto de moedas encontradas perto de Mértola no ano de 1968”, diz Martins com base em estudos de Armando Silva e Rui Centeno. O médico português e Prêmio Nobel de Medicina (1949), Antonio Egas Moniz, cujo nome original era Antonio Caetano de Abreu Freire de Resende, talvez seja o mais conhecido descendente de D. Egas Moniz. Num trecho da autobiografia “A Nossa Casa”, o médico escreve sobre D. Egas: “A família, do lado de meu pai, tinha prosápias de fidalguia pelos Resendes, Sás, Abreus, Freires, Valentes, Almeidas, Pinhos... eu sei lá! um nunca acabar de ascendências ilustres a que as pessoas de idade se referem com devoção (...) Ora,
como os Resendes, segundo autoridades na matéria, provêm de Egas Moniz, aio de Dom Afonso Henriques, que, pela sua numerosa prole, deixou descendentes para repartir por todas as velhas casas do Norte, resolveu meu padrinho, Rev. Caetano de Pina Rezende Abreu Sá Freire, substituir o Rezende pelo apelido mais pomposo do ascendente Egas Moniz.” Mas a presença da comunidade judaica em Trancoso é confirmada por documentos apenas no reinado de D. Pedro I (1357-1367), relata o mural na parede do Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso, inaugurado em 2012. Em 1439, o rei D. Afonso V concedeu a esta comunidade “todas as graças e privilegios e liberdade”. Com esta “proteção”, a comunidade aumenta substancialmente durante o século XV, tornando-se mais numerosa. Em 1481, D. João II autorizou a ampliação da sinagoga, desde que “... a não façam preciosa, rica nem sumptuosa...”. Mas em 1496, prossegue o mural, D. Manuel I decretou a expulsão de judeus e muçulmanos do Reino. Muitos partiram, mas a esmagadora maioria foi convertida, através de um batismo forçado, no porto de Lisboa. Os judeus tornam-se, assim, cristãos-novos. Com o filho de D. Manuel, chega a Portugal o Tribunal da Santa Inquisição, começando um período negro na história do país, marcado pelo desaparecimento das suas comunidades judaicas e pela perseguição, tortura, prisão e morte de muitos cristãos-novos, acusados de preservarem a sua religião anterior. O Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso foi criado para relembrar a antiga comunidade judaica no município de Trancoso. O homenageado foi médico, escritor e filósofo, nascido nesta região em 1604. Pertencia à
O jornalista José Venâncio em frente à torre do Castelo de Trancoso
família cristã-nova e viveu grande parte de sua vida na Espanha. Mais tarde, foi para a Itália, onde, longe da inquisição ibérica, voltou a assumir-se como judeu. Em agosto de 2013, o Centro Judaico recebeu de volta um rolo da Torá – Livro Sagrado -, pouco mais de 500 anos após a expulsão dos judeus, decretada pelo rei D. Manuel I em 1496 (com possibilidade de permanecerem no país desde que se convertessem ao catolicismo). O livro (primeira publicação impressa em Portugal) foi trazido de Israel. A Torá encontra-se na Sinagoga Bet Mayim Hayim, no interior do centro judaico no antigo bairro judeu. O jornalista José Levy Domingos pertence à comunidade judaica portuguesa e foi um dos “impulsionadores” da Sinagoga de Trancoso, onde pretende implementar suas atividades de forma mais ativa. Ligado a rádio e TV e às agências noticiosas portuguesas ANOP e LUSA, foi correspondente no Brasil, tendo residido em Belo Horizonte. Investigador e historiador, José Levy define-se como “masorti” (liberal) e secular.
Muralhas medievais Traços da época ainda estão vivos na cidade, cujo centro histórico é rodeado por fortificadas muralhas medievais e por um castelo que ostenta a bandeira portuguesa. Bem conservados, encontram-se ainda monumentos nacionais como as igrejas de São Pedro e da Misericórdia, na mesma praça do Pelourinho, e marcas da presença judaica, como a Casa do Gato Preto. “Diferentes gentes se cruzaram em Trancoso, entremearam estórias e história”, sintetiza Maria Antonieta Garcia (“Forais de Trancoso”, Câmara Municipal de Trancoso, 2010).
Fotos José Venâncio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Vista geral da cidade de Trancoso
“Visitar Trancoso é reviver a História de Portugal”, diz um impresso distribuído ao turista logo na chegada. “Foi terra de fronteira, palco de diversas lutas e batalhas marcantes para a formação e independência do reino.” Por isso, sempre recebeu o carinho dos reis e importantes privilégios. “D. Afonso Henriques concede-lhe a Carta de Foral (documento de aparência legal que revela quadros de vida de uma vila antiga, ao refletir uma realidade) e D. Afonso III a Carta de Feira (Trancoso era famosa por sua feira medieval, que comercializava produtos diversos, em épocas de fartura e de festividade religiosa). D. Dinis manda construir as muralhas que ainda hoje protegem um burgo onde conviveram cristãos e judeus.” “Em Trancoso, o castelo fora cenário de múltiplas lutas entre mouros e cristãos, durante a Reconquista Cristã”, segundo Maria Antonieta. O Reino de Portugal seria fundado em 1139, durante a reconquista cristã, a partir do Condado Portucalense, nascido entre os rios Minho e Douro. Em 960, prossegue Maria Antonieta, o castelo fora doado ao mosteiro de Guimarães por D. Flâmula Rodrigues, então dona de dez castelos. Em 1073, estava na posse dos cristãos; em 1097, integrou o dote de casamento de D. Teresa com D. Henrique, fundadores do Condado Portucalense. Doado a Afonso Henriques, em 1128, a vila continuaria disputada. Em maio de 1140, o chefe mouro Abul Hassan invadiu o Condado Portucalense, ao vingar a derrota infligida pelos cristãos, em Ourique, um ano antes. “Em junho de 1140, em dois combates, chefiados por Afonso Henriques,
Sinagoga de Trancoso
os mouros serão desbaratados junto a Trancoso. O restauro da vila inicia-se e a população concentra-se na cidadela.” Também houve tentativas de “ocupação almóada” (dinastia religiosa bérbere ou de povos mouros do norte da África), cuja primeira incursão chegara até Trancoso em 1155. A insistência dos mouros em apoderar-se de Trancoso devia-se ao fato de que, pela sua localização geo-estratégica, representava “uma barreira para a passagem para o Vale do Douro”. “A localidade será definitivamente reconquistada por D. Afonso Henriques, em 1160, que a manda fortificar”. Foi no contexto da necessidade de consolidar a “Reconquista Cristã” - prossegue Maria Antonieta - que D. Afonso Henriques, presumivelmente entre 1173 e 1185, outorgou o primeiro foral a Trancoso. O texto foi confirmado por D. Afonso II em 1217. “O original, em Latim Bárbaro, encontra-se na Torre do Tombo (em Lisboa). Concedido aos povoadores do concelho [câmara municipal] e aos que viessem povoar Trancoso, contém normas de convivência e de governo.”
Antigo e moderno Voltando ao impresso distribuído aos turistas, no interior da cintura de muralhas que rodeia a antiga vila medieval e concentra o vasto patrimônio arquitetônico civil e religioso, “mantêm-se vivas também, agora com traços de modernidade, as antigas tradições comerciais, como o famoso mercado semanal, a secular feira de S. Bartolomeu, a feira anual de Sta Luzia, a jovem feira do Fumeiro.” A história de Trancoso é pontuada por figuras célebres e lendárias (Bandarra, Magriço e João Tição), marcas da presença da comunidade judaica, a doçaria conventual com as sardinhas doces, a recriação do casamento real na Festa da História, vasta paisagem natural e o “frio majestoso do sincelo” (gotas de águas congeladas e suspensas dos beiras de telhados e árvores etc.). O maior afluxo de turistas a este município de 9,88 mil habitantes, localizado na subregião da Beira Interior Norte, ocorre no período do inverno, segundo o proprietário de um restaurante local. Já no verão acontece a maior concentração de imigrantes que vão visitar a “terrinha”.
Jornal das Lajes 15
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O Verso e o Controverso
JOÃO MAGALHÃES
Giro Esportivo
São José de Anchieta: o intuitivo das comunicações particularmente, com as nações indígenas. Logo intuiu que tinha que interagir profundamente com a cultura indígena. É a partir dessa cultura que cria os instrumentos de evangelização. Para isso, havia mister dominar profundamente sua língua. Em seis meses de convivência com os curumins, já dominava o idioma Tupi! Logo percebeu, também, que teria que codificar a língua mais falada na costa brasileira, para popularizar o aprendizado e facilitar o contato mental com os nativos. “Só conhecendo, em profundidade, sua língua seria possível redigir textos complexos, como poemas, canções e peças teatrais, que fossem cativantes para eles. Graças a essa habilidade em manejar as palavras, mais tarde ele obteve vitórias no campo da diplomacia e conseguiu pôr em prática o projeto original de Manuel da Nóbrega de catequisar os guaranis que ocupavam o centro do continente sul-americano” (Luciano Ramos: O Espírito de Anchieta, in OESP 6/4/14 E8). Em menos de dois anos, seu gênio produz a Arte de Gramatica da Lingoa mais falada na costa do Brasil que será impressa em Coimbra, somente em 1595. Como artista, lógico, sente a força comunicativa da arte. Numa sociedade quase que inteiramente analfabeta, com razão, cria uma poesia simples, muito fácil de decorar, mais facilitada ainda pela composição em forma de hinos. Como exemplo, a primeira quadra de seu hino a Santa Inês: “Cordeirinha linda/como folga o povo/ porque vossa vinda/lhe dá lume novo!”. Mas é para o teatro que sua intuição o encaminha. Percebe nos autos, à moda de Gil Vicente, um meio quente de comunicação e com toda razão, pois em minha opinião, dentre todas as artes, o teatro possibilita a interação mais calorosa, já que seu meio de expressão é o ator corpo e aura comunicando-se com o assistente também corpo e aura. Pude sentir isso, há anos,
quando presenciei uma montagem de época, no Pátio do Colégio, em São Paulo, de seu Auto de São Lourenço, com falas e récitas, a maior parte em Tupi, mas também em espanhol, português e até em latim. Terá sido em 1980, ano de sua beatificação? Ou, com mais probabilidade, em 1977, quarto centenário de morte, quando houve solenidades no Pátio do Colégio e na Catedral da Sé? Na catedral apresentou-se uma missa, composta por Marlui Miranda sobre versos em tupi do padre Anchieta e executada pela Orquestra Jazz Sinfônica, Coral Sinfônico do Estado de São Paulo e Coral IHU. Presença, inclusive, do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, como informa Dom Paulo Evaristo Arns, o oficiante, em sua autobiografia. Além do mais, os ensaios, a cenarização, o estudo das falas etc., eram uma excelente pedagogia para evangelizar os líderes. Como escreve Luciano Ramos, “seus espetáculos teatrais destinavam-se a agradar e, por meio disso, ensinar marinheiros, militares, índios, escravos africanos, mestiços, portugueses e espanhóis, ricos ou pobres, educados ou analfabetos. Por esse motivo, Anchieta via-se estimulado a praticar a polissemia, ou seja, atribuir diversos significados para um mesmo símbolo”. E continua Luciano Ramos: “Dotadas de intenção moral e educativa, essas composições destinavam-se ao lazer dos fieis e também serviam para Anchieta comunicar seus pensamentos e pontos de vista. Ele oferecia às plateias o que consistia ao mesmo tempo num ensinamento amplo, condensado e prazeroso. Uma experiência de prazer grupal em que a plateia era repreendida, criticada e orientada, mas com muito maior satisfação do que se estivesse numa sala de aula ou num sermão”.
Série “Campeões brasileiros” O campeão de 1987 representa o nordeste! O Sport foi campeão vencendo o Guarani por 1x0 em partida considerada como final pela CBF após algumas confusões. No quadrangular final da competição, Flamengo e Internacional se enfrentariam em um duelo, enquanto Sport e Guarani se enfrentavam no outro. O que acontece é que Flamengo e Internacional não disputaram o cruzamento dos módulos, porque cumpriram uma determinação do Clube dos 13 e do regulamento da Copa União (nome dado ao Brasileirão de 87) que
fora criado pela mesma entidade. A CBF considerava inválida essa determinação. Sendo assim os confrontos entre Sport e Guarani foram tidos como a grande final. No total o Sport disputou 20 jogos, vencendo 12, empatando cinco e perdendo três. Marcou 29 gols e sofreu 13. O artilheiro do polêmico campeonato foi o são-paulino Müller, com 10 gols. Leonardo, do Flamengo, se revelou para o futebol e Renato Gaúcho, também no Flamengo, foi considerado o craque de 87. O Sport conquistou a taça com os jogadores Flávio, Betão, Este-
vam, Marco Antônio, Zé Carlos Macaé, Rogério, Ribamar, Zico, Robertinho, Nando e Neco. Jair Picerni era o treinador do Leão. Mico de 1987: o campeonato que não acabou. Após 27 anos, o Flamengo ainda briga pelo título, oficialmente do Sport. Em 2011, a CBF chegou a admitir os dois, mas teve de mudar de opinião devido a uma decisão judicial. O reconhecimento também valeria a Taça das Bolinhas para o Rubro-Negro, que seria o primeiro pentacampeão brasileiro.
EMANUELLE RIBEIRO A Escolinha de Futsal Galaxy é um dos projetos resende-costenses que visa a apoiar o futebol de base no município. Desde sua criação, vem dando suporte aos jovens atletas, com atividades diferenciadas e prazerosas, buscando motivar os pequenos no mundo do futebol. Em abril, o Galaxy fez jogos de apresentação nas semifinais e final da Copa Independência de Futsal. Também no mês passado, segundo o coordenador das equipes, João Vítor de Assis, foi realizada uma viagem a Tiradentes com mais de 70 alunos do Galaxy para uma partida amistosa contra a escolinha local. Já no último dia 21 de abril, Resende Costa recebeu o time da Escolinha ALFCV, de Ouro Preto, que trouxe as categorias sub-9, sub-11 e sub-12: “O Galaxy venceu no sub-9 por 6x3 e no sub-12 5x1. O ALFCV venceu por 3x1 no sub-11. Foi importante para a preparação
das equipes, já que Ouro Preto possui uma boa preparação com equipes de qualidade”, explicou João Vítor. O coordenador da Escolinha contou ainda que a partir do dia 19 de maio, o Galaxy participará do Torneio de Inverno do Athletic, que é atualmente o torneio de futsal mais forte e importante da região. O Galaxy será representado pelas categorias sub-9 e sub-13. Já no mês de junho, o Galaxy reunirá todos os seus atletas para a disputa do torneio interno “Copa do Mundo”, no qual os atletas representarão algumas seleções presentes na Copa 2014: “Será um ótimo evento para motivar e alegrar todos os jogadores, aproveitando o clima de Copa”, acrescentou João Vítor. Por fim, ele adiantou que para o segundo semestre está agendada uma visita às estruturas internas do Estádio Mineirão e do Museu do Futebol, em Belo Horizonte.
Foto Arquivo Galaxy
Precisou um jesuíta assumir o papado para romper a burocracia que emperrava, há anos, a canonização de seu irmão de Ordem: o agora santo, José de Anchieta. O papa Bergoglio, por decreto, elevou-o à honra dos altares. Nada mais merecido. Há muito os católicos brasileiros esperavam por isso, dada a enorme importância que teve para nossa Terra. Como minha graduação em Letras se fez com os Jesuítas - faculdade cujo reitor, na época, era o muito estimado Padre Mendes, simplesmente o futuro Dom Luciano Mendes de Almeida, saudoso arcebispo de Mariana - meus estudos de Anchieta, como literato, foram muito abrangentes. O professor: o padre Armando Cardoso, também jesuíta, especialista em Anchieta, aliás, tradutor para o português de seu “Poema à Virgem”: “De Beata Virgine Dei Matre Maria”. Na primeira década, após a fundação do colégio de Piratininga, marco da fundação da cidade de São Paulo, em 1554, o religioso tinha apenas 20 anos. Anchieta nasceu na ilha de Tenerife- Ilhas Canárias – posse da Espanha - em 1534). No colégio de Piratininga ele permanece como único professor. Um homem plural de capacidades, de atividade assombrosa. Possuía imenso carisma, como o mostra a impressão que teve dele o general espanhol Diogo Valdez, aportado no Rio de Janeiro, em 1582, segundo relato do padre Simão de Vasconcelos SJ, autor da primeira biografia de Anchieta, publicada em 1672: “Na primeira vez que o vi, nunca coisa mais desprezível se me representou, mas, ouvindo-o e tornando meu olhar para ele, nunca em presença de alguma majestade me senti mais apoucado e reverente”. No entanto, o que mais me impressionou em Anchieta foi sua intuição para criar um meio eficiente de comunicação com os habitantes da colônia e, é claro,
Futsal de base segue a todo vapor com o Galaxy
Crianças iniciam no futebol desde cedo em Resende Costa
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Giro Esportivo
Torcida Galoucos: pioneirismo em Resende Costa 29 de abril de 2014. É aqui que marcamos um momento importante para o nosso grupo, ou melhor, para a nossa família. A data é apenas um símbolo para comemorarmos esses 730 dias de batalha, apoio e formação de um movimento alvinegro organizado. A Torcida Organizada Galoucos representa hoje a união prazerosa e natural dos fanáticos atleticanos de Resende Costa e região. Há exatamente dois anos a ideia surgiu durante uma conversa entre amigos que acompanhavam o jogo do nosso Galo. ‘Que tal criarmos uma torcida e formarmos
um grupo para assistir aos jogos?’. Assim nasceram os Galoucos. Não esperávamos alcançar a meta que atingimos hoje, contando com mais de quinhentos adeptos em Resende Costa e tendo ainda o suporte de amigos em cidades da região, como Ritápolis, Prados e São Tiago, e outras localidades do estado e do país. Isso tudo foi surpresa, claro que uma surpresa agradável. Em meio a reuniões na casa de membros da diretoria, bate papo no Facebook, telefonemas e conversas mais que informais, conseguimos consolidar esse projeto, o
Galoucos receberam o Rei Dadá em Resende Costa
qual nós admitimos necessitar de maior atenção e investimento. Afinal, o que conquistamos até o momento foi em meio às limitações de todos os parceiros, que nunca deixaram seus compromissos pessoais e profissionais de lado para priorizar a torcida. O que fizemos foi com prazer, a paixão pelo Galo foi o único combustível. Mas, do que mais precisamos, senão do amor pelo Atlético? Isso sim é motivação. Foi essa motivação que nos abriu portas. A paixão, a loucura, nos levou a conhecer novos amigos, apaixonados como nós, e também a incentivar novos tor-
Nenel representou a Torcida Galoucos durante o Mundial de Clubes no Marrocos
Com que técnico eu vou? Imagine o seguinte cenário: seu time está na quinta colocação do Campeonato Brasileiro, próximo de conseguir uma vaga para a próxima Copa Libertadores. Mas o time vem de três resultados negativos nos últimos três jogos e o técnico balança no cargo. Pressão da diretoria, da torcida e até da imprensa especializada, o técnico cai. Mas aí vem a realidade. Quem contratar? Sem nomes no mercado, a diretoria do seu time promove o técnico da base a treinador interino. Se vai dar certo só o tempo (resultados) irá dizer. E é assim, essa história se repete a cada Campeonato Brasileiro, a cada Estadual, a cada competição de futebol. Bons resultados não são garantia nenhuma de permanência no cargo. A máxima de “viver um dia de cada vez” se encaixa perfeitamente na carreira de técnico no Brasil. Cinco vitórias consecutivas, grande treinador. Perder três partidas seguidas, o técnico logo é contestado. Para se ter uma ideia, de 2013 para 2014, apenas seis técnicos continuaram no cargo, considerando os times da Série A. Na Série B, somente 3 técnicos mantiveram o cargo do começo ao fim do campeonato: Gilson Kleina, campeão com o Palmeiras e Gilmar Dal Pozzo, do vice Chape-
cedores que chegavam ao Galo. Esse combustível inestimável colocou representantes nossos na finalíssima da Libertadores 2013 no Mineirão, além de ter guiado os Galoucos em diversas partidas da nossa Seleção. E fomos além: os Galoucos estiveram também no Marrocos em 2013 para o Mundial de Clubes. Ele contagiou ainda um dos maiores ídolos do Atlético, o Rei Dadá, que esteve em Resende Costa participando de um dos nossos eventos e ficou impressionado com a nossa força. O projeto deu tão certo que incentivou torcedores de outro
coense. Na série A, o time de pior campanha, Náutico, trocou de técnico cinco vezes. Mas o troca-troca de técnicos tem ainda um agravante: a carência de bons nomes para o comando dos times brasileiros. Técnicos como Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão, vencedores no passado, hoje são considerados apenas técnicos de “grife”. Têm nome reconhecido no mercado, são recordistas de títulos, mas perderam a mão. No Brasileirão 2013, Luxemburgo teve um aproveitamento abaixo da média e decepcionou nos dois clubes que treinou, Grêmio e Fluminense, mesmo sendo um dos técnicos mais bem pagos do país. Trazendo a situação para um cenário mais próximo, podemos analisar os casos de Atlético e Cruzeiro. No comando do Galo, hoje temos o técnico Levir Culpi – que estava no futebol japonês - já conhecido pelos atleticanos. Levir voltou ao Galo para ocupar o lugar do técnico Paulo Autuori, que completou sua terceira passagem frustrada em sua volta ao futebol nacional – o técnico teve um péssimo aproveitamento treinando Vasco e São Paulo, e no Galo não foi diferente. Então, o que os atleticanos esperam mesmo de Levir
CÁSSIO ALMEIDA é que ele repita a ótima campanha de Cuca, hoje no novo-rico futebol chinês. No Cruzeiro, o técnico Marcelo Oliveira é praticamente uma unanimidade entre diretoria e torcida. Campeão Brasileiro em 2013, Oliveira chegou ao clube no começo do ano passado, levando o Cruzeiro ao seu segundo título nacional na era dos pontos corridos. Mas o caso de Oliveira é curioso. Em sua história recente, o técnico levou o Coritiba a duas finais de Copa do Brasil, mas alguns (poucos) maus resultados o derrubaram do cargo. O técnico deixou o Coritiba com um aproveitamento de 62,8%. Em seguida foi para o Vasco, onde amargou seis derrotas seguidas, ficando apenas dois meses no clube carioca. Em 2013 o técnico voltou para Minas, onde tinha uma forte ligação com o Galo. Mas parece que o torcedor cruzeirense não mais se lembra desse fato. O ponto positivo dessa situação é que das demissões de técnicos renomados podem surgir gratas surpresas, como Jayme de Almeida, treinador do Flamengo e Cristóvão Borges, hoje no comando do Fluminense. Ambos surgiram como opção temporária em seus cargos, mas conquistaram bons resultados, sendo considera-
time a se unirem também no nosso município. Nossa intenção nunca foi medir forças e sim estarmos juntos, apoiando o Atlético nas mais variadas situações. Parabéns Galoucos pelos dois anos de organização, pelas reuniões prazerosas, pelo pioneirismo e pelos princípios. Vida longa à Torcida Galoucos!
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Os Galoucos também estiveram no Estádio Independência
dos boas opções de treinadores no escasso mercado nacional. Hoje fazem parte da nova geração de técnicos brasileiros, onde ainda podemos incluir Enderson Moreira e Claudinei Oliveira, só para citar alguns exemplos. Porém ainda estamos longe de um cenário ideal, como na Europa, onde um técnico permaneceu no mesmo clube por 26 anos, caso de Alex Ferguson, que treinou o inglês Manchester United de 1986 a 2013 levando o clube a grandes conquistas. Outro exemplo que podemos citar na Inglaterra é do técnico do Arsenal, Arsène Wenger. Desde 1996 no comando dos Gunners, o técnico já conquistou um bom nú-
mero de títulos pelo clube, porém desde 2004 o Arsenal amarga um jejum de dez anos sem um título de expressão. Mesmo assim, Wenger permanece firme no cargo, uma situação que pode ser considerada utópica se aplicada ao futebol brasileiro. Enquanto isso, continuamos aqui, com o volátil futebol brasileiro, em que o treinador considerado um gênio de hoje pode ser considerado idiota amanhã. Onde um técnico considerado inovador em um campeonato já está ultrapassado em outro. Continuamos aqui, onde vencer uma segunda divisão torna um técnico hábil a comandar a seleção brasileira...