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50 anos | Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar

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Editorial Mais do que existir: fazer acontecer. Há 50 anos, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar mostra às famílias agricultoras que é possível conquistar bons resultados depois de árduas reivindicações. Os sonhos de cada produtor associado, dos mais simples aos mais complexos, se tornam também anseios da entidade, que muito comprometida representa a classe agricultora com garra e determinação. A trajetória do Sitrug é marcada por momentos importantes e se dá pela luta, força, mérito, comprometimento e, principalmente, pela honestidade. Passadas cinco décadas, a palavra que melhor descreve a construção dessa bonita história é ‘fidelidade’. De acordo com o dicionário, o termo significa qualidade de quem preserva suas características originais. Que se mantém firme e forte naquilo que acredita. Mais do que isso, ser fiel implica confiança em uma relação entre os indivíduos. No caso do Sitrug, o vínculo com os associados, adquirido desde a primeira presidência, continua tão resistente quanto no começo. Nessa bonita

história, diversas lideranças já deram sua contribuição e, agora, em uma data tão especial como chegar aos 50 anos, comemoram todas as conquistas destas cinco décadas de trabalho. Nos últimos 20 anos, a primeira e até então única mulher a presidir o Sitrug, dona Ivanilde Rampelotti, tem se mostrado resistente e perseverante quanto ao futuro. Ágil, inteligente e extremamente competente, ela tem o privilégio de representar essa classe tão importante para Gaspar em uma data tão especial: 7 de abril de 2018, 50º aniversário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar. Que sejam ouvidas as solicitações dos pequenos agricultores, que as demandas do sindicato tenham solução, que as autoridades deem voz àqueles que trabalham no setor rural. Mas, em primeiro lugar, que a classe continue unida pelo bem comum para ter forças para lutar sempre. Esses são os desejos de um veículo de comunicação igualmente tradicional e comprometido com a verdade, acima de qualquer coisa. Equipe Cruzeiro do Vale

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Expediente Diretoria dos 50 anos Sitrug Presidente: Ivanilde Terezinha Rampelotti Vice-Presidente: Erica Warmling 1º Secretário Geral: Rosani Bruno da Silva 2º Secretário Geral: Eduwirgem Luiz Pamplona 1º Secretário de Finanças: Sergio da Silva

2º Sec. de Finanças: José da Silva Suplentes da Diretoria: Elenir Batista, Gelásio Alfredo Isensee e Edmundo S. Soares Conselho Fiscal: João Paulo Rampelotti, Luciana Simon dos Santos e Francisco Antônio dos Santos Sup. Conselho Fiscal: José Benevenutti, Valdir de Oliveira e Vilmar Testoni

Revista produzida por Cruzeiro do Vale CNPJ: 27.217.563/0001-92

Diretor Gilberto Schmitt Comercial Maurício Rodrigues Diagramação Indianara Schmitt

Reportagens Geraldo Genovez Raquel Tamara Bauer Anúncios: João Guilherme Simon Impressão Gráfica ZF


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Sumário Início: grupo se une para lutar pelos agricultores Página 6

Linha do tempo: 50 anos de conquistas

Sede própria: amplo espaço de atendimento

Sitrug tem principais serviços para o dia a dia

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Vilardino Cunha: o responsável pelos primeiros passos do Sitrug Página 10

Ivanilde Rampelotti: dois séculos de dedicação e trabalho Página 22

Renato Beduschi: vida dedicada aos cuidados com os animais Página 28

Fazenda Gamborgi: produção de leite passa de pai para filho Página 42

Bovinocultura: uma vida repleta de histórias para contar Página 50

A alegria de quem produz queijo artesanal para a família Página 56

Gasparense Pinoco´s Cana é referência na região na venda de cana para caldo Página 36

Associados falam sobre o Sitrug Página 20

Secretarias trabalham em prol dos agricultores Página 26

Lideranças falam do sindicato Página 24

Os números da agricultura de Gaspar Página 30

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Como tudo começou

Grupo se une para lutar pelos direitos dos agricultores O sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar (Sitrug) teve origem a partir de um pequeno grupo de agricultores que se reuniam, em 1967, na casa de Boaventura Schmitt, com o intuito de formar uma sociedade que lutasse pelos direitos dos agricultores. Faziam parte do grupo o então primeiro presidente eleito oficialmente, Vilardino da Cunha, além de Ambró-

sio Zendron, Luiz Francisco Hostin e Francisco Solano Deschamps. Inicialmente, as reuniões do Sitrug, bem como o atendimento aos trabalhadores, aconteciam em uma sala localizada no Centro de Gaspar cedida por Cuca Schmitt. O local foi utilizado por alguns anos, conforme relembra Vilardino. “Eu estava no meu segundo mandato quando consegui

reunir a papelada e dar encaminhamento à aquisição de uma sede própria. Não foi um trâmite fácil, nem rápido. Porém, o resultado final foi bastante recompensador”. Após sair da sala de Cuca Schmitt, o Sitrug iniciou os atendimentos no local em que está hoje: na Rua Vereador Augusto Beduschi, número 98, no Centro de Gaspar.

Após sair do espaço pertencente a Cuca Schmitt, Sitrug conquistou sede própria (foto) e mudou para o local em que está localizado até hoje

Primeira diretoria Presidente: Vilardino da Cunha Conselheiros fiscais: Boaventura José Schmitt, Luiz Francisco Hostins, Antônio de Oliveira

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Diretores: Silvio Benevenutti e Alfredo Schneider Delegado: Francisco Moser


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Necessidades dos rurais

Reconhecimento do Sitrug é fruto de diretorias atuantes Fundado em 1968, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar chega aos 50 anos com 665 associados e uma média de 36 aposentadorias realizadas por ano. Para que tudo isso seja possível, além da colaboração dos sócios, é necessário uma diretoria atuante e atenta às necessidades do agricultor. A frente do cargo de presidente há quase 20 anos, Ivanilde Rampelotti diz que a atual diretoria é bastante ativa e transparente. “Podemos considerar nossa diretoria atuante diante da transpa-

rência na prestação das contas, realizada mês a mês. Também acontecem reuniões frequentes na sede do sindicato, onde é indispensável a presença da presidente, tesoureiro, secretárias e conselho fiscal”, destaca. Além disso, os balancetes ficam expostos nos murais do sindicato, para que todos possam conferir. A presidente preza pela transparência das contas e acha importante que todos os associados saibam o que acontece dentro do sindicato, uma vez que ela mesma, quando as-

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sumiu interinamente a presidência em 1998, encontrou o sindicato em dificuldades financeira e com muitas dívidas. Nestes anos de história, o sindicato já teve cinco presidentes, sendo que a atual, Ivanilde Rampelotti, foi a primeira mulher a assumir a presidência de um sindicato rural em Santa Catarina. Ela está em exercício na função e seu mandato termina em abril de 2019. Ivanilde diz que ainda não sabe se concorrerá à reeleição.


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Atual diretoria

Presidente: Ivanilde Terezinha Rampelotti

2º Secretário de Finanças: José da Silva

Vice-Presidente: Erica Warmling

Suplentes da Diretoria: Elenir Batista, Gelásio Alfredo Isensee e Edmundo S. Soares Membros do Conselho Fiscal: João Paulo Rampelotti, Luciana Simon dos Santos e Francisco Antônio dos Santos

1º Secretário Geral: Rosani Bruno da Silva 2º Secretário Geral: Eduwirgem Luiz Pamplona 1º Secretário de Finanças: Sergio da Silva

Suplentes do Conselho Fiscal: José Benevenutti, Valdir de Oliveira e Vilmar Testoni

Coordenadora da Comissão Municipal de Mulheres Trabalhadoras Rurais: Efetiva: Ilca Bailer Suplete: Idalina da Silva Coordenador da Comissão Municipal de Jovens Trabalhadores Rurais Efetivo: Álvaro Fernando Pamplona Suplente: Thiago Bailer Coordenador da Comissão Municipal da Terceira Idade Efetivo: Elza Schmitt Suplente: José da Silva

Presidentes que contribuíram com o desenvolvimento do Sitrug nos 50 anos

1º presidente:

Vilardino da Cunha – ficou à frente do sindicato por dez anos, entre 1968 e 1978.

3º presidente:

Antônio Xavier Spengler (in memorian) – eleito presidente para a gestão 1988 e 1998.

2º presidente:

Carlos Soberanski (in memorian) – ficou à frende do sindicato por dez anos, entre 1978 e 1988. O vice-presidente deste período, Cláudio Zucki, também é lembrado pois constantemente assumia o lugar de Soberanski.

4ª presidente:

Ivanilde Terezinha Rampelotti: está à frente do sindicato há 19 anos. De 1998 até os dias atuais.

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Vilardino da Cunha

O responsável pelos primeiros passos do Sindicato Rural

“Me desenvolvi como ser humano. Estava sempre envolvido em grandes projetos e isso me fez crescer intelectualmente” Página 10 | 50 anos Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar

Toda história tem começo, meio e fim. O Sitrug acaba de completar 50 anos com os olhos em um futuro ainda mais promissor, o que indica que a trajetória do sindicato está longe de ter um ponto final. Antes de falar sobre o presente, é preciso voltar no tempo e relembrar a trajetória que fez com que o Sitrug chegasse ao patamar em que se encontra hoje. Os direitos dos agricultores começaram a ser reivindicados no ano de 1968, por Vilardino da Cunha, hoje com 84 anos. Ele, que foi o fundador e primeiro presidente, lembra do início do sindicato. “Comecei sozinho. Eu e a minha bicicleta. Todos os dias eu percorria cerca de 15 quilômetros para ir ao Centro participar de reuniões e planejar um futuro melhor aos colonos gasparenses. Não era fácil, mas foi muito gratificante representar pessoas trabalhadoras e tão comprometidas”. Segundo Vilardino, a união de forças fez com que fosse dado o pontapé inicial nas atividades do Sitrug. “Fui sócio de uma cooperativa, me destaquei como conselheiro fiscal e algumas pessoas perceberam em mim a capacidade de liderança. Um dos meus maiores incentivadores foi o senhor Valdemiro Bellini, que era o presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santa Catarina”. O reconhecimento de uma personalidade tão influente estimulou Vilardino a procurar parceiros igualmente competentes para se juntarem nesta luta. “O primeiro que visitei foi Francisco Moser. Também contei com o apoio de Modesto Mitterstein, Alfredo Schneider, José de Andrade, Laurentino Schmitt, Afonso Baader e tantos outros”, lembra. E foi a partir deste grande passo que a história do Sitrug passou a ter mais personagens.


50 anos | Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar Vilardino da Cunha ficou na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar entre 1968 e 1978. Nesses dez anos, uma de suas prioridades foi adquirir um terreno para a construção de uma sede própria para realizar os atendimentos e receber os associados para reuniões. “Quando fundei o Sitrug, usávamos uma sala do seu Cuca Schmitt. Ficamos lá por uns seis anos e sou muito grato por toda a parceria com ele. Mas, o espaço não era nosso”. Diante do sonho da sede própria, em 1975 Vilardino foi para Brasília com o objetivo de trazer uma boa notícia aos produtores gasparenses.

“A minha maior felicidade enquanto presidente do Sitrug foi levar a solicitação da liberação do terreno para o Ministro da Agricultura. Aproveitei que na época eu também representava Santa Catarina na Confederação Nacional e fiz questão de entregar o ofício em mãos”. Quem sempre esteve ao lado de Vilardino e vivenciou todo o progresso do sindicato em Gaspar foi Lídia Moser da Cunha, sua esposa. Ela relembra que o marido recebeu sábios conselhos durante a busca pela sede própria. “Em uma conversa com Dom Gregório Warmeling, arcebispo de Joinville, entendemos

o que era preciso fazer para facilitar o processo. Ele dizia que um palito, quando pressionado, era fácil de quebrar. Mas, se juntássemos vários palitos, eles não se romperiam”. E foi junto da esposa que Vilardino aprendeu que, quanto maior o número de associados, maiores eram as chances do plano dar certo. “Apesar de Gaspar ter uma população bem pequena naquela época, precisávamos expandir nossos serviços para mais trabalhadores e trabalhadoras. De fato, nos tornamos mais fortes. Me recordo dessa história com muito carinho”, disse Lídia, emocionada.

Aprendizado “Sabe, nasci em 1933. Era outro tempo. Não havia a tecnologia que hoje temos na palma de nossas mãos. Quando assumi o compromisso de liderar o sindicato, havia poucos avanços nesse sentido. Tudo era feito de forma manual. Me lembro que planejar a abertura dos canais de um ribeirão para a região do Poço Grande e outros bairros. Demandava muito mais dos funcionários”, conta Vilardino. A experiência frente ao Sitrug rendeu muitos pontos positivos à sua carreira e também à vida pessoal. O primeiro presidente destaca que se tornou um homem mais comunicativo e ágil. “Me desenvolvi como ser humano. Estava sempre envolvido em grandes projetos e isso, com certeza, me fez crescer intelectualmente”. Vilardino também lembra com carinho das amizades conquistadas dentro do sindicato. “Ah, como é bom ter amigos. Graças a Deus, pessoas muito boas passaram pela minha vida. Enquanto presidente, me tornei também um pouco parte da família de cada trabalhador que eu ajudava. É gratificante olhar para trás e ver que cumpri meu papel da melhor forma possível”.

Vilardino acompanhou o progresso do Sindicato Rural de Gaspar ao lado da esposa, Lídia Moser da Cunha

Sitrug: Há 50 anos, o assunto predileto Passaram-se 50 anos, mas falar sobre a trajetória do Sitrug ainda é um dos assuntos prediletos de Vilardino. “Me sinto muito honrado de poder vivenciar essa comemoração. Agradeço a Deus por ter me dado saúde; aos meus saudosos pais que me apoiaram na época; a minha amada esposa e filhos”. Vilardino também parabe-

niza Ivanilde Rampelotti, atual presidente do Sitrug. “Ela desempenha a função com muita competência e dedicação. Desejo a ela, a secretária Liane e as futuras gerações, que continuem vencendo os desafios com muita honestidade. Reconheço a importância de todos que fizeram parte deste sindicato, pois hoje somos referência nacional”.

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Linha do tempo

50 anos de conquistas É fundado o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar e Vilardino da Cunha inicia primeira gestão

1967

Carlos Soberanski assume presidência ao lado do vice, Cláudio Zucki

1975

1986

1968

1978

Grupo de agricultores se reúne para debater o direito dos agricultores de Gaspar

Sitrug conquista sede própria

É implantada a primeira secretaria de Agricultura de Gaspar

1988

Gaspar conquista a primeira aposentadoria da mulher rural do Brasil

Ivanilde Rampelotti assume interinamente a presidência do Sitrug. Pela primeira vez na história de Santa Catarina, uma mulher assumia a presidência de um sindicato rural

1995

1999

1992 Antônio Xavier Spengler assume a terceira gestão do Sitrug

1998 Sindicato passa a oferecer plano de saúde Unimed aos associados

Sitrug completa 50 anos. Data é marcada por missa sertaneja, almoço e lançamento da revista comemorativa em homenagem à data

Sitrug adquire o primeiro carro: um Fiat Mile ano 1995

1999

Nova eleição no sindicato. Ivanilde Rampelotti assume cargo de presidente

2005 2001

Sitrug inicia programa na Rádio Sentinela para levar informações aos agricultores

7 de abril de 2018 Sitrug compra seu primeiro carro zero quilômetro

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Claudio Zucki

Juventude destinada à defesa dos interesses dos agricultores Desde muito novo, Claudio Zucki se mostrou interessado em contribuir com o desenvolvimento do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar. Sua relação com a entidade cresceu rapidamente, surpreendeu os associados e fez história. O sucesso que hoje é relembrado com muito carinho é proveniente de uma juventude marcada pelo trabalho na agricultura e pela vontade de defender os interesses da classe que presta serviços no campo. De acordo com Claudio, tudo iniciou cedo em sua vida profissional, inclusive o contato com a diretoria do Sitrug. “Não sei precisar quando comecei, mas fiquei

até os 18 anos na roça. Depois, servi o exército, onde estudei para ser auxiliar de escritório num curso do Senac. Depois que passei aquele ano lá, procurei empregos em algumas empresas”, conta. Ele foi aprovado em um concurso da antiga Ceval e, posteriormente, trabalhou em outra empresa, em Blumenau. Apesar das tentativas de sair do campo, Claudio acabou retornando aos trabalhos da agricultura familiar. Diante disso, passou a acompanhar o pai nas reuniões do sindicato. “Justamente no dia que fui, havia uma assembleia acontecendo e precisavam de alguém para fazer a ata. Me voluntariei

para ajudar. Gostaram de mim e, em pouco tempo, fizeram o convite para integrar a mesa diretora do Sitrug”. Claudio tinha 22 anos quando a sua história se encontrou com a do sindicado. Inicialmente, ele assumiu a responsabilidade referente à secretaria geral. “Eu fazia e encaminhava toda a papelada que circulava lá dentro. Ofícios, documentos e reinvindicações. Nessa época, ainda coordenava o trabalho da microrregião do Vale do Itajaí”. Em 1978 foi eleito vice-presidente na gestão de Carlos Soberanski. Foi aí que sua atuação do Sitrug foi ainda mais reconhecida.

Contribuição “Eu apresentei atitudes inovadoras e valorizei as políticas agrícolas”, descreve Claudio sobre sua participação na história do Sitrug . Ele completa: “Eu sentia falta de políticas públicas que atendessem os pequenos agricultores também. Era a partir disso que poderíamos desenvolver a assistência a eles”. Entre suas contribuições, ele se recorda de algumas em especial. “Lembro de termos incluído um engenheiro agrônomo na equipe. Também adicionamos médicos veterinários, procuramos convênios e sempre tentamos ampliar a cota de medicamentos vindos de Florianópolis”. Outro trabalho encabeçado por ele foi a dragagem de 18 ribeirões a braços. Além disso, havia uma grande preocupação quanto à Reforma Agrária. “Foi uma batalha. Mandamos muitas sugestões para deputados, senadores e outras autoridades políticas. Procurávamos garantias”. As questões acerca do empréstimo rural, liberação de créditos para as máquinas e geração de empregos na área industrial também tiveram a atenção de Claudio.

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Gasparense foi a primeira mulher rural a se aposentar no Brasil Um marco histórico nacional. A primeira mulher trabalhadora rural a se aposentar no Brasil foi a gasparense Maria de Souza Silva. Ela era associada ao Sitrug e recebeu a notícia durante a gestão de Claudio Zucki, no ano de 1986. A conquista só foi possível pela insistência, conta o ex-presidente. “Mandávamos a solicitação para o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social. Eles negavam e eu recorria. Foram 18 tentativas até chegar na última instância e vencermos”, recorda, emocionado. Claudio diz que o sindicato venceu todos os recursos e acredita que a demora pela conquista se deu pelo medo do governo nacional da época. “Imagina só, abrir isso para todo o Brasil. Seria um

baque muito grande. Talvez rendesse até um rombo no caixa”, acrescentou. Logo em seguida, outras três aposentadorias de mulheres trabalhadoras rurais de Gaspar, encaminhadas por Claudio, foram aceitas. A novidade que dava para as mulheres um direito nunca antes reconhecido no país foi rapidamente se espalhando. O ex-presidente do Sitrug conta que a situação logo teve um desfecho ainda melhor. “A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, diretamente de Brasília, mandou cerca de oito mil ofícios para todos os sindicatos do Brasil, dizendo que agora eles poderiam encaminhar, dentro da lei, os documentos da mulheres”.

“Mandávamos a solicitação. Eles negavam e eu recorria. Foram 18 tentativas até chegar na última instância e vencermos”

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Sede própria

Amplo espaço para atender a demanda dos associados Após 50 anos e algumas reformas, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar continua no mesmo endereço de quando conquistou a sede própria, no Centro de Gaspar. Com uma estrutura que comporta o atendimento a todos os associados, a construção possui 16 salas, divididas em ambiente de espera, recepção, espaço para arquivo morto, auditório, salas de depósito e salas de assessoria jurídica. Além disso, o Sitrug possui cinco salas alugadas para realizações de cursos e duas ainda disponíveis para locação. A secretária Liane Andréia da Cunha é a única funcionária do Sitrug e está na função há 14 anos. Ela atua ao lado da diretoria e ajuda a resolver todas as questões dos associados.

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Espaço interno Salas de atendimento estão equipadas para atender os associados a qualquer momento

Na recepção, associados se deparam com exposição de momentos marcantes para o Sitrug

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Aos associados

Sitrug tem serviços essenciais para o dia a dia dos produtores Uma história marcada pelo trabalho em prol dos trabalhadores rurais de Gaspar. Com o objetivo de apoiar a classe, o Sitrug desenvolve diversas atividades essenciais aos seus associados. Entre os serviços prestados estão as assessorias ambiental e jurídica; os convênios médicos, de laboratórios e clínicas odontológicas; a declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) gratuita; os processos de aposentadoria rural; e o acompanhamento ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Declaração do ITR Desde 2012, o Sitrug conta com um trabalho que, de tão importante, passou a atender não só os associados, mas também trabalhadores que não fazem parte da associação. A demanda das declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) é bastante grande ainda hoje. A declaração do imposto é cobrada apenas para quem não é associado.

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Assessoria Ambiental É de responsabilidade da Assessoria Ambiental os trabalhos de topografia e regularização de imóveis, no que diz respeito à retificação de área, desmembramentos, unificação, georreferenciamento, Cadastro Ambiental Rural (CAR) e projetos para usucapião. Além disso, o setor faz projetos de terraplanagem, residenciais e industriais. Atualmente, o Sitrug conta com a prestação de serviços da Andrade Assessoria Ambiental. A parceria foi iniciada em 2011 e ofereceu soluções na área ambiental e projetos de engenharia civil embasados em normas e leis, contribuindo para o crescimento sustentável. Quem fala sobre o assunto é Tiago Alves de Andrade, responsável pela Assessoria Ambiental do Sitrug. “Ao meu ver, a conquista mais importante é o reconhecimento que temos perante o município e outras regiões. Somos referência para outros sindicatos”, afirma. Segundo ele, este reconhecimento foi construído com o tempo. “Após 50 anos de trajetória, contamos com um sindicato sólido, que atende todas as pessoas com amor e seriedade, sendo ela associada ou não”.


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Convênios Os associados do Sitrug possuem alguns benefícios no que diz respeito à saúde. Secretária do sindicato há 14 anos, Liane Andreia da Cunha, explica como os convênios podem ser acionados. “Os sindicalizados devem vir até nós e solicitar o ‘Guia Saúde Web’. A partir disso, eles podem marcar as consultas e tirar o encaminhamento através do sindicato”. Aqueles que utilizarem do serviço ganham descontos de até 50% do valor do atendimento e exames. Outra vantagem de solicitar o convênio, que é válido para consultas médicas, exames laboratoriais e clínicas odontológicas, é pedir ao Sitrug o orçamento de vários estabelecimentos, para poder escolher qual se encaixa nas suas condições.

Aposentadoria rural O cuidado e respeito com os trabalhadores rurais é uma das grandes preocupações do Sitrug. Pensando naqueles que se empenharam por tantos anos ao serviço na área rural, o sindicato auxilia na aposentadoria e também acompanha todo o processo. Além de prestar apoio e organizar os documentos, o Sitrug faz questão de participar das outras etapas. “Depois que terminar a analise, eu agendo com o INSS e, no dia marcado, acompanho os trabalhadores até a chamada ‘entrevista rural’, para assegurar que tudo transcorra do jeito certo”, conta a secretária do sindicato. Passadas todas as fases, o agricultor assina a documentação referente a aposentadoria e os registros são digitalizados. Por fim, o sócio aguarda a resposta junto ao Sitrug.

Assessoria Jurídica Apoiar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar e cuidar dos interesses coletivos ou individuais, visando proteger os associados em questões específicas da classe. É com esses objetivos que a Assessoria Jurídica da entidade, representada pelo advogado Silvio José Morestoni há 15 anos, exerce um trabalho de excelência na unidade.

O profissional atende diretamente a direção do sindicato; analisa contratos; acompanha as eleições e assembleias; faz revisão de estatutos e regulamentos; e presta orientações para prevenir inconvenientes jurídico-administrativos. Conforme explica o advogado, os trabalhadores rurais enfrentam muitos problemas relacionados às

condições climáticas da região e dificuldades de financiamento agrícola. Apesar disso, os associados estão sendo bem auxiliados para seguir firme e forte. “Ele tem representatividade ativa com a presidente, que participa de reuniões públicas e luta pela ampliação de direitos e condições para o desenvolvimento sustentável da atividade rural, em

especial do pequeno agricultor”. Ainda de acordo com as convicções do Assessor Jurídico do Sitrug, a entidade é uma verdadeira casa para os trabalhadores rurais. “Lá, eles têm a possibilidade de discutir os mais variados assuntos e se atualizar sobre os benefícios oferecidos para quem faz parte dessa história”, diz Silvio.

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Fruto do bom trabalho

Associados reconhecem a importância do Sitrug “Fazer parte do sindicato é bom porque ficamos por dentro do que acontece e de como as coisas funcionam” Luciana Simon

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A gente tem que agradecer. Eu não lembro dos presidentes do começo, mas hoje agradecemos a dona Ivanilde, que está ali há anos e faz uma ótima administração Jalmor de Souza


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“Eu sou associado ao sindicato desde que eu virei produtor rural, em 2010. Meus pais são desde que chegaram em Gaspar e eu acho isso fundamental. O Sitrug hoje tem uma voz muito ativa e representa os produtores com muita seriedade. Dona Ivanilde está em todos os encontros e batalha por conquistas. Ela é uma pessoa que tem a vivência, criou os filhos todos com a atividade rural e isso é muito importante. Não é uma política e sabe a diferença que isso tem para o produtor. Outra atuação muito importante que o Sitrug tem é em relação à aposentadoria. E isso é muito importante, porque o produtor rural é um dos que mais trabalha e que menos ganha quando se aposenta” Marco Aurélio Gamborgi

“Chegar a esta data é uma conquista. Afinal, 50 anos não são 50 dias. Para celebrarmos hoje nossos direitos, muita luta marcou o passado. Continuamos reivindicando melhores condições de trabalho. Com a competência da atual presidente do Sitrug, dona Ivanilde, vamos longe!” Artur da Silva

“Eu só tenho que elogiar a dona Ivanilde, porque ela sempre foi parceira. Minha mãe sempre incentivou a pagar o sindicato porque amanhã ou depois a gente pode se aposentar e ele tem vários recursos que podemos procurar” Wilson Lenfers

O Sitrug é uma segurança pra gente. Ser associado e acompanhar esse progresso é emocionante. Eu e minha família sempre vivemos da agricultura e sabemos bem como o setor avançou. Percebo que em Gaspar há um cuidado maior com a nossa classe. Todos se orgulham de suas origens e lutam por seus direitos. Nesses 50 anos de história do sindicato, é imprescindível parabenizar os ex-presidentes e também a atual gestora, Ivanilde, pela garra e perseverança” Erica Bailer Pamplona

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Ivanilde Rampelotti

Quase duas décadas de trabalho e dedicação

Hora de assumir a presidência Ivanilde lembra que em 1977 foi convidada para ser vice-presidente na chapa de Antônio Xavier Spengler e que, a princípio, recusou o convite. “Eu disse que não, que eu não queria. Naquela época eu tinha 35 vacas de leite e tinha a minha freguesia formada com os dois Angeloni de Blumenau, com o Bistek, com o Big e com toda a rede do antigo Zoni de Gaspar. Eu fornecia nata e queijinho para eles”. Após muita insistência por parte do presidente, ela aceitou o convite. No ano seguinte à vitória, porém, Gaspar perdeu seu gestor do Sitrug e, devido a situação, Ivanilde assumiu interinamente a presidência do sindicato. Foi aí que a luta pelos agricultores de Gaspar teve início com força

total. “No dia seguinte à morte eu fui ao sindicato porque eu pensei comigo: agora minha obrigação é dar continuidade ao trabalho que iniciamos”, recorda. Em meio a toda a situação, quando encontrou os representantes da Federação dos Trabalhadores Rurais de Santa Catarina, Ivanilde afirmou que não tinha certeza se gostaria de ficar à frente do sindicato. “Eu não sabia o que fazer aqui. Eu dizia pra eles que eu era uma mulher colona, que tinha 35 vaquinhas de leite, trabalhava o resto do dia na roça e que tinha minhas entregas pra fazer em Blumenau. Mas não teve jeito. Eles disseram que eu tinha que assumir e que iria dar certo”. E, de fato, deu.

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Quem vê dona Ivanilde Rampelotti atendendo os associados no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar com tanta disposição não imagina a quantidade de histórias que a senhora tem para contar. Dos 69 anos de idade, quase 20 são de dedicação e trabalho duro frente ao sindicato. Dona Ivanilde começou a escrever sua história na presidência do Sitrug em 1997, quando era vice-presidente do sindicato e assumiu a gestão após a morte do então presidente Antônio Xavier Spengler. Mas, os caminhos de Ivanilde com o movimento sindicalista se cruzaram antes. Nascida em Ilhota, ela conta que o pai sempre foi sindicalizado e que desde pequena trabalhou na roça para ajudar em casa. Em 1969, quando casou-se, mudou-se com o marido para o bairro Alto Gasparinho. “Já fui trabalhar na roça na segunda-feira depois do casamento Sempre tive em mente que as pessoas tinham que ter algo que era dela própria”. Foi então que a agricultora se associou ao sindicato de Gaspar. No início, sua única participação no Sitrug era pagando a mensalidade. Porém, com o passar do tempo, dona Ivanilde percebeu que tinha muito a contribuir com o desenvolvimento do sindicato e também com os agricultores de Gaspar.


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Uma mulher presidente Ivanilde Rampelotti foi a primeira mulher de Santa Catarina a assumir a presidência de um sindicato rural. Logo no início da gestão, sua primeira missão foi colocar o departamento financeiro do Sitrug em dia. Naquela época, o sindicato estava sem dinheiro em caixa e possuía muitas dívidas. Ivanilde lembra que precisou de cerca de três anos para colocar a entidade em dia. “Realizamos três jantares dançantes para arrecadar dinheiro e sempre contei com a ajuda dos colonos associados. Juntos, conseguimos”, comemora.

Mais perto dos agricultores Outro meio encontrado por Ivanilde para levar informações de maneira mais rápida aos agricultores foi com um programa de rádio que mantem há quase 20 anos. Toda quarta-feira, às 11h, a voz de dona Ivanilde pode ser ouvida na Rádio Sentinela do Vale. Ela conta que começou com o programa porque tinha muita coisa para falar para os agricultores. “No início, eu ia lá e pedia para dar umas palavrinhas. Depois de um ano fechamos meu horário: das 11h às 11h25, que é bem o horário que o agricultor está em casa para preparar o almoço”.

Aprendizados Com muita disposição para conversar e esclarecer dúvidas, Ivanilde surpreende pela quantidade de assuntos que domina. Com alegria, ela diz que sua busca pelo conhecimento nunca chega ao fim. “Eu tenho que buscar! Tenho só até quarta série pri-

mária. Aprendi tudo na prática”. Ela ainda dá uma lição de humildade: “Lá nas fábricas, eles dizem que os agricultores são teimosos. O agricultor não é teimoso, ele gosta que falem as coisas pra ele aprender e eu digo que aprendi mais do que

ensinei. Eu tinha 50 anos quando vim pra cá. Meu Deus, quanta coisa eu aprendi. Se no meu primeiro dia aqui eu tivesse comprado um caderno e cada dia tivesse escrito duas frases do que aconteceu no dia, hoje tinha um belo de um livro”.

“Dizem que os agricultores são teimosos. O agricultor não é teimoso, ele gosta que falem as coisas pra ele aprender”. Orgulho A presidente relata que em seus quase 20 anos de sindicato, o seu maior orgulho é ter ajudado os agricultores em casos de roubos de máquinas. Ela não se recorda ao certo o ano, mas diz que os lavradores não podiam mais deixar os maquinários no plantio porque, no dia seguinte, corria o risco de ela não estar mais lá. “Eu informei à Federação tudo o que estava acontecendo e pedi que mandassem um ofício pra todos os sindicatos do estado pedindo para que os sindicalizados ficassem de olho em qualquer máquina estranha na região. Quando tomei essa iniciativa, os roubos foram secando e acabaram definitivamente. Esse é um fato que me marca bastante”. 50 anos Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar | Página 23


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Reconhecimento

Lideranças falam sobre o Sitrug A força de todos os agricultores somada ao reconhecimento do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar se transforma em uma grande união em

prol de um único objetivo. É preciso, porém, que parceria com autoridades municipais e demais entidades da cidade sejam firmadas para que o Sitrug cresça

“O produtor rural tem a missão de colocar na mesa de milhares de pessoas o alimento insubstituível, que é aquele que vem da terra. Eles desempenham uma atividade primária para nossa subsistência. O Sindicato Rural de Gaspar certamente sobrevive por ter em suas gestões pessoas abnegadas e dispostas a incentivar nossos jovens a permanecer com a lida no interior. A tecnologia é ainda um atrativo para a permanência do homem no campo. Por já ter participado de muitos encontros do Conselho Municipal de Produtores Rurais, deixo meu testemunho de que o sindicato, com seus 50 anos de atuação em nossa cidade, presta um relevante serviço de incentivo e de luta por esta classe de pessoas que merecem todo nosso respeito”. Celso de Oliveira, Secretário de Desenvolvimento Econômico de Gaspar

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cada vez mais forte e atuante. Confira a opinião de algumas lideranças sobre a importância do Sindicato Rural de Gaspar.


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“A importância do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar e de todos os agricultores é enorme em Gaspar. Numa cidade de terras tão vastas e solo tão rico, é no meio rural que reside o berço de nossa gente. Da mesa de cada família, fica o agradecimento aos trabalhadores pelo alimento de cada dia. Parabéns, Sitrug, por seus 50 anos de tradição!”. Luis Carlos Spengler Filho, vice-prefeito de Gaspar “O Sitrug tem uma participação fundamental na representação dos direitos, anseios e necessidades dos agricultores familiares, bem como na produção e desenvolvimento da agricultura no município de Gaspar. A contribuição é forte e atuante, principalmente na presença da presidente, dona Ivanilde. Pessoa que se empenha, que se doa. Que trabalha e faz do seu dia a dia o dia a dia do sindicato no sentido de atender e levar as reivindicações dos associados, além de buscar as melhorias que a agricultura de Gaspar precisa”. Kleber Wan-Dall, prefeito de Gaspar

A Andrade Assessoria Ambiental parabeniza o Sitrug pelo seus 50 anos e pelo belo trabalho que realiza para seus associados e município. Parabenizamos todos os membros que compõem a diretoria do sindicato. Em especial, a presidente, dona Ivanilde; e a Liane, por estarem diariamente e incansavelmente buscando melhorias ao sindicato. Tiago Alves de Andrade, representante da Andrade Assessoria Ambiental

O Sitrug fomenta em nossa cidade a qualificação e desenvolvimento daqueles que tiram seu sustento da terra. A agricultura é um importante setor econômico de Gaspar. O comércio de nosso município se fortalece com estas ações do Sitrug e com o crescimento dos trabalhadores do campo, tanto porque muitos dos alimentos comercializados são produzidos aqui, quanto pelo consumo forte e fiel que os agricultores promovem em Gaspar. Parabéns, Sitrug, pelos 50 anos de trabalho e sucesso. Francisco Hostins Junior, presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Gaspar

“O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar tem sido de grande importância aos trabalhadores rurais do município de Gaspar. Há anos, ele vem trabalhando na orientação e divulgação de projetos, leis e assuntos pertinentes ao desenvolvimento da atividade rural. Estabelecido em estrutura própria, com espaço apropriado para reuniões e encontros, o sindicato contribui ativamente nas conquistas para o agricultor. Entre elas, oferece Assessoria Jurídica, convênio Unimed e conta também com um ótimo atendimento. A Secretaria de Agricultura e Aquicultura de Gaspar tem a grata satisfação de contar com a colaboração e parceria do Sitrug em seus projetos e eventos, considerando esse apoio necessário ao desenvolvimento da agricultura no nosso município”. André Pasqual Waltrick, Secretário de Agricultura e Aquicultura

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Agricultura e Economia

Trabalho em conjunto em prol dos agricultores de Gaspar O atual governo de Gaspar, sob o comando do prefeito Kleber Wan-Dall e do vice Luis Carlos Spengler Filho, tomou uma importante decisão em prol do desenvolvimento rural da cidade. Com a recriação da Secretaria de Agricultura e Aquicultura, que na antiga gestão retrocedeu à posição de superintendência, a porcentagem econômica proveniente do setor se recupera aos poucos. Agora focadas no futuro, as pastas referentes à Agricultura e Economia de Gaspar voltam a planejar

estratégias que beneficiem os trabalhadores rurais e a situação financeira do município. Com a volta da secretaria que desenvolve, acompanha, avalia e inspeciona as atividades relacionadas à agricultura gasparense, o órgão conquistou novamente o que precisava. Agora, diante da autonomia adquirida, o secretário de Agricultura e Aquicultura, André Pasqual Waltrick, afirma que está sendo positivo fazer projetos para arrecadar recursos. “Não mudou ape-

nas o nome. Com o status de ‘secretaria’ voltamos a ter mais força e liberdade. A demanda é grande e tende a render bons frutos futuramente”. Secretário de Desenvolvimento Econômico de Gaspar, Celso Oliveira também vê com bons olhos a mudança. “Com isso, incentivamos o pequeno produtor rural, oferecendo mais oportunidades de emprego para as famílias, ou seja, mais uma alternativa de renda. Além disso, contribuímos com tributos com a venda da produção”, destaca.

Olhando para o futuro Bem localizada e sempre comprometida com a qualidade do que produz, Gaspar carrega dois importantes títulos: maior criação de peixe de água doce de Santa Catarina e maior produção de ar-

roz irrigado do Vale do Itajaí. Para Celso Oliveira, há a necessidade de valorizar constantemente a atividade agrícola. “Pretendemos manter a promoção de palestras, capacitações, organização

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de feiras e festivais que oportunizem crescer na área”. Ainda segundo Celso, a criação do gado de corte e de leite pode alavancar a economia gasparense em breve. “Na parceria com a

Associação dos Aquicultores e Piscicultores de Gaspar, nossa produção de peixe alcança 500 toneladas por ano e a de arroz representa 79% do valor bruto à nível municipal”.


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Renato Beduschi

Vida dedicada aos cuidados com os animais

Quando o assunto é voltado aos trabalhos rurais, um dos primeiros nomes que vem à mente da população gasparense é o de Renato Abelardo Beduschi. Nascido e criado em Gaspar, ele sempre esteve inserido na classe agricultora por conta da família e foi por meio dela que também herdou o amor pelos animais. Formado em Medicina Veterinária, ele foi o primeiro morador de Gaspar a conquistar diploma na área, em 1971. No ano em que o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar chega ao seu 50º aniversário, Re-

nato relembra a sua história e fala sobre a importância da valorização da entidade e sobre o desenvolvimento do município através da agricultura. “Sou filho do agricultor Augusto Beduschi. Sempre vivi e viverei nesse meio. Presenciei toda a evolução do setor rural, desde a dependência que tínhamos nas carroças até os tempos de hoje, com muitos avanços tecnológicos a nosso favor”. Recapitulando sua trajetória, Renato fala com carinho dos lugares onde trabalhou. “Quando a gente gosta, vai atrás. Então, depois de formado, comecei a tra-

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balhar na Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola, na cidade de Santa Cecília, em Santa Catarina. Pela lonjura, decidi que me faria bem trabalhar mais perto da família e voltei”. Algum tempo depois, o veterinário prestou concurso para trabalhar no Ministério da Agriculta de Santa Catarina. “Fui aprovado e me joguei de cabeça em mais uma aventura. Sempre em busca de novas experiências na área”. Foi aí que ele mudou para Governador Celso Ramos, cidade com vasta indústria pesqueira, para trabalhar no ramo.


50 anos | Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar Apesar do espírito aventureiro, Renato sempre retornava para a cidade natal. “De vez em quando, eu arranjava uma desculpa pra voltar pra Gaspar. Meu umbigo está enterrado aqui nessas terras, não posso ir pra muito longe”, disse, entre risadas. Em seu retorno à cidade Coração do Vale, ele

trabalhou novamente na prefeitura, onde conseguiu fazer história: implantar a inseminação artificial na cidade. Na época, havia um porto de comercialização de produtos rurais no município. “Na gestão do prefeito Fernando Poli, em meados de 1980, estudei a venda do local para reverter o

Ele implantou a Secretaria de Agricultura de Gaspar Em 1992, durante a administração do prefeito Francisco Hostins, em Gaspar, outro momento histórico teve o incentivo de Renato Beduschi. “Tive a honra de implantar a secretaria de Agricultura na cidade. Conquistamos a autonomia de investir nessa área e também prestar maior apoio às famílias agriculturas daqui. Eu trouxe os projetos que executava em Blumenau com a feira do peixe vivo, por exemplo”. Com a saída do prefeito, Renato assumiu novamente cargos no município vizinho, nas pastas da Agricultura e Meio Ambiente. Depois prestou concurso para trabalhar como médico veterinário em Gaspar novamente, no pleito de Bernardo Leonardo Spengler, popular Nadinho. Aprovado, o profissional exerceu por pouco tempo a função, optando focar em seu sítio e na criação de seus animais.

dinheiro na implantação dessa nova área. Conseguimos implantar e, em aproximadamente um mês, recebi outra proposta de emprego. Desta vez, em Blumenau, a pedido do prefeito Renato Viana”, relembra. O novo trabalho era na coordenação da Agricultura da cidade.

“Sou realizado aqui”

Atualmente, Renato Beduschi cuida com muito carinho da sua criação de gado, ovelhas e aves. “O terreno é grande e todos os bichos têm seu próprio espaço. Os ranchos são do jeitinho que cada um precisa, eu ajustei para deixar todos bem acomodados”. O aposentado completa: “Minha rotina é voltada para eles. Tem a hora de tratar, hora de examinar. Sou realizado aqui. Gosto da minha profissão e trajetória, faria tudo novamente, da mesma forma”.

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Dados de Gaspar

Os nĂşmeros da agricultura Rizicultura

240 3 mil

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familias de Gaspar vivem da renda da rizicultura mil hectares de arrozeiras estĂŁo espalhados em Gaspar


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Pisicultura

9 30 mil 20

Pesque-pague estão instalados na cidade mil pessoas passam por ano nesses estabelecimentos pisicultores têm criação comercial

200

pisicultores têm criação amadora

600 mil

toneladas de peixes são vendidos por ano

Bovinocultura

12 mil 500 mil

mil cabeças de gado são criadas na cidade

mil litros de leite são produzidos por ano em Gaspar

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Rádio Sentinela do Vale

A trajetória da comunicação Gaspar completou 84 anos de emancipação político-administrativa em 2018 e tem boa parte de sua história escrita por duas importantes instituições: o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a Rádio Sentinela do Vale, na pessoa do radialista Benvindo Miglioli. Em meio às comemoraCom a experiência adquirida, Benvindo é enfático ao afirmar: “Ter 50 anos de rádio equivale a aproximadamente cem milhões de ouvintes. Ou seja, cem milhões de amigos”. Seu conhecimento e talento foram repassados aos filhos

Marco Antônio, que hoje atua no departamento financeiro da rádio; Jean Carlo, que é repórter, e Leonardo, que é apresentador. Para ele, os veículos de comunicação dão vida às pessoas, informam e

ções dos 50 anos do Sitrug, o radialista volta no tempo e relembrou o início da Rádio Sentinela. “Comecei trabalhando na Rádio Estadual de Ibirama, onde eu me tornei coproprietário. Depois, passei pelas rádio Nereu Ramos, Difusora e Globo. Até que meus caminhos trilharam ao encontro da Sentinela”.

distraem a comunidade. Ele agradece a parceria com o povo gasparense, sempre presente na programação da rádio. “Sem vocês, nossos ouvintes, clientes, anunciantes e amigos, não existiríamos. Muito obrigado a todos”.

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Farinheira Família Zucchi

Tradição na produção de biju, cuscuz e farinhas Uma pequena estrada de chão às margens da Rodovia Ivo Silveira revela a simplicidade e o aconchego do engenho ‘Farinheira da Família Zucchi’, que há aproximadamente 60 anos produz biju, cuscuz, massa para tapioca e farinha artesanais. O engenho fica de frente para uma das rodovias mais movimentadas de Gaspar, nas proximidades da divisa dos bairros Santa Terezinha e Macuco. Lá, o barulho do tacho e o cheiro da mandioca se unem ao ar puro da natureza. E é nesse rancho que grande parte da história de Inês Roncáglio Zucchi foi escrita. Hoje, aos 82 anos, ela conta sobre o seu amor pelo trabalho e família. Entre risadas, ela fez questão de destacar: “O branco no meu cabelo é da farinha, não da idade”. Ao mesmo tempo em que suas pequenas e fortes mãos empilhavam as folhas crocantes do biju, dona Inês relembrava como foi batalhar para construir o seu engenho. “A gente é humilde, mas faz as coisas com carinho. Sempre foi assim. Meu marido, que já faleceu, também era trabalhador, gostava das coisas certas. Pra pagar nossas coisinhas, ele decidiu construir o rancho e produzir polvilho verde e seco. Naquela época, era isso”, contou a senhora enquanto empacotava o alimento.

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“Ensinamos nossos filhos a importância de trabalhar” Segurando a foto do falecido marido, Olímpio Zucchi, homem conhecido pela grande determinação, dona Inês se emociona ao falar das virtudes que ambos passaram aos seus descendentes. “Sabe, apesar de não sermos ricos e esbanjar por aí, nós ensi-

O filho mais novo, Celso Zucchi, explica como funciona o processo de produção no engenho. “Compramos o aipim, descascamos e lavamos em água corrente. Tudo a mão. Depois, a raiz é colocada em uma máquina para ser triturada. Vira uma massa úmida. A gente então leva para uma prensa com o obje-

tivo de tirar o excesso de água e o alimento fica parecendo um queijo. Por último, esfarelamos e jogamos o material no tacho de cobre, que é esquentado a lenha, para transformar em farinha”. De acordo com Celso, o serviço do engenho só é mantido atualmente para preservar a história por

namos nossos filhos a importância de trabalhar, de ser honesto, respeitar as pessoas e enxergar o valor da família. Deu certo, pois sou muito orgulhosa”, disse dona Inês olhando para os filhos Celso, Braz e Luiz, que ainda hoje a ajudam a tocar o engenho.

trás dele. “Nossa família se orgulha e sabe o quão gratificante é ver isso tudo funcionando ainda. Hoje em dia, não temos tanto lucro, pois os produtos artesanais são vendidos apenas para vizinhos, pessoas próximas que os adquirem desde antigamente e familiares nossos”, esclarece.

Interessados em provar as delícias preparadas no engenho ‘Farinheira da Família Zucchi’ podem ir até a Rodovia Ivo Silveira, em frente ao Restaurante Brasuca, ou entrar em contato pelo telefone 3332-8731. 50 anos Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar | Página 35


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Cana de açúcar

Pinoco´s Cana é referência

Plantar, acompanhar o crescimento, cuidar e colher. Essas quatro etapas se encaixam em muitos segmentos agrícolas. Porém, é no cultivo da cana de açúcar que elas recebem uma atenção especial.

Há 36 anos, a empresa gasparense Pinoco´s Cana é referência no quesito venda de cana de açúcar em toda a região. Fundada por José Alberto Schmitt, o Pinoco, em 28 de dezembro de 1984, a Pinocos

A história da Pinoco´s Cana está na lista daquelas que dão orgulho de serem contadas. E ela começou a ser escrita muito antes de se imaginar a existência da empresa. Pinoco lembra que tinha mais ou menos oito anos e já ajudava seu pai, José Francisco Schmitt, nos trabalhos na roça. Seu Juca, como era conhecido, fazia cachaça, farinha, criava gados e porcos e também plantava cana de açúcar. Naquela época, Pinoco lembra que subia em cima da carroça e já ia até a roça buscar cana. “Eu levantava o feixe e botava nas costas até sentir que estava firme. Depois, carregava até a carroça e voltava, e assim, repetia muitas vezes a mesma tarefa”, conta. A ideia de abrir uma empresa que trabalhasse diretamente com a venda da cana de açúcar surgiu em meados de 1982. “Sempre tínhamos um ou outro cliente que ia comprar cana no engenho do meu pai. Mas, teve um verão que um deles chegou falando que ficou na mão porque o fornecedor dele tinha ficado sem cana. Esse foi meu primeiro cliente oficial. E, a partir daí, começamos a pensar na melhor maneira de vender a cana de açúcar”. No início, Pinoco fazia todo o trabalho sozinho. De manhã, ele ia para a roça cortar a cana. A tarde, ele raspava e preparava para a venda. E a noite saía para fazer as entregas. Nos primeiros seis meses as entregas eram feitas na caminhonete de seu pai, Juca Schmitt. Depois, ele comprou um carro. E, passados três anos, Pinoco comprou o primeiro caminhão próprio. O crescimento da Pinoco´s Cana e a vinda de novos clientes sempre caminharam lado a lado. Aos poucos, o número de lanchonetes que queriam comprar cana do produtor gasparense aumentou e a situação fez com que ele construísse um galpão ao lado de sua antiga casa, no bairro Poço Grande, em Gaspar. E foi também neste período que, aos poucos, a Pinoco´s foi contratando seus primeiros funcionários. Página 36 | 50 anos Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar

conquistou seu espaço no mercado e hoje atende todo o litoral de Santa Catarina, Vale do Itajaí e Meio-Oeste do estado com canas beneficiadas para a produção do delicioso caldo de cana.

Primeira sede da Pinoco´s Cana

Pinoco sempre trabalhou ao lado dos funcionários

Com aproximadamente 20 anos, Pinoco ajudava o pai na roça


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Estrutura moderna e equipe qualificada Há aproximadamente 10 anos a Pinoco´s Cana está de casa nova. Em uma ampla construção de mais de dois mil metros quadrados, a empresa está localizada na Rodovia Jorge Lacerda, no bairro Poço Grande, ao lado do Moendão Cachaçaria. Com uma equipe de quase 30 funcionários, a Pinoco´s atende mais de 600 clientes com um produto de qualidade. Para dar conta de toda a demanda, a equipe conta tratores e todo o maquinário necessário para a realização dos serviços. Para chegar até os estabelecimentos dos clientes, a cana passa por etapas que só são possíveis de serem realizadas devido a toda a estrutura da Pinoco´s. A empresa possui hoje três terrenos próprios e também 15 áreas arrendadas para o plantio da cana.

União familiar: de pai para filhos

Cada muda de cana leva de um ano e meio a dois anos para estar pronta para o corte. Passado o período da colheita, a cana é enviada para a etapa de raspagem. Depois, ela vai para a mesa de corte e, em seguida, para uma esteira que segue até dois tanques de sanitização. Após este processo a cana é enxugada, embalada e guardada em uma câmara fria. Depois, os pacotes são divididos entre os caminhões térmicos e enviadas para entrega. A estrutura da Pinoco´s Cana é completa e dá aos funcionários a possibilidade de realizar todas as etapas dentro do esperado. Porém, segundo Pinoco, o reconhecimento da empesa se dá devido a um segredo especial. “Uma pitadinha de amor em tudo o que fazemos. Esse é o nosso segredo desses anos todos”.

José Alberto Schmitt, o Pinoco, é filho de José Francisco Schmitt (in memória) e de Mônica da Costa Schmitt. É o segundo filho de uma lista de dez irmãos. Ele e o irmão Teodoro Schmitt foram os únicos que seguiram os passos do pai e continuaram a lida na roça.

“Uma pitadinha de amor em tudo o que fazemos. Esse é o segredo desses anos todos”

Hoje, pode-se dizer que a história da Pinoco´s é passada de geração em geração. Pinoco seguiu os passos do pai e, há muito tempo, é o espelho para os filhos Samara, Marcos e José Alberto Junior, que lutam todos os dias para continuar a história da Pinoco´s Cana.

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Pesca

Do ganha pão ao lazer

A pesca sempre fez parte da vida do gasparenses, seja como o ganha pão de muitas famílias ou como uma opção de lazer para tantas outras. Uma amostra disso é que o município possuí 20 piscicultores comerciais e 200 amadores. Entre os produtores comerciais, a área alagada chegava a quase 44 hectares e uma produção que ultrapassa as 500 toneladas por ano. Já na piscicultura amadora são produzidos mais de 400 mil quilos de peixe ao ano.

O Engenheiro Agrônomo Henrique da Silva Pires afirma que a piscicultura vem ocupando destacado lugar na economia local. Hoje, Gaspar já conta com nove pesque -pague e uma procura que gira em torno de 30 mil pessoas por ano. A prática da piscicultura vem se destacando em Gaspar desde 1989, quando a primeira Feira do Peixe Vivo foi realizada. A partir daí, a capacitação profissional dos agricultores deste ramo tornou a pisicultura ainda mais promissora.

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Aquipar Para incentivar e capacitar ainda mais o desenvolvimento da atividade, há quase 20 anos Gaspar conta com as atividades Associação dos Aquicultores do Município de Gaspar. O objetivo da associação é apoiar e estimular o ensino, pesquisa, extensão e trabalhos técnicos e científicos de interesse da aquicultura e piscicultura. A presidente da associação, Ofélia Maria Campigotto, diz que atualmente contam com 35 associados focados na produção de tilápias e também em outras espécies. “Temos um associado com truta e o IFSC, com peixe orgânico e camarão de água doce”, acrescenta.


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Trutas

A truta é um peixe de água doce que mede, em fase adulta, cerca de 60 centímetros. A criação da espécie exige alguns cuidados, como água abundante, cristalina e sem aditivos químicos, e temperatu-

A família de Dionísio Luiz Bertoldi é a única que cria de trutas em Gaspar. A história com o peixe começou em 1995, quando ele ainda era proprietário de uma serraria. Após ler uma matéria que falava sobre o peixe, ele resolveu apostar na área e, junto com a esposa Vera, o irmão Nivaldo e a cunhada Maria Terezinha Bertoldi, instalaram em sua propriedade, no bairro Alto Gasparinho, um tanque com cinco mil trutas. Hoje, a Truticultura Bertoldi possui cinco tanques de truta, sendo um para pesque-pague e quatro para engorda, e um restaurante em que serve, por semana, uma média de 400 pratos do pescado.

ra que não ultrapasse 23 graus. Entre as opções servidas no estabelecimento estão a truta defumada, frita e filé de truta com nove opções de molho: alcaparra, amêndoas, alho e olho, creme

de leite com vinho branco, mostarda, vinagrete e agridoce de abacaxi, maracujá e prestígio. Dionísio diz que não imaginava que o negócio funcionaria tão bem e crescesse tanto. “Em 2005, nós começamos uma pro-

dução em Botuverá, porque faltava peixe e tínhamos sempre que ir atrás de outros produtores”. Atualmente, a família Bertoldi cria 10 mil truta em Gaspar e 80 mil trutas em Botuverá.

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Tilápia Subindo uma estreita estrada de barro no bairro Belchior Baixo, se chega à propriedade de quase 700 mil metros quadrados do senhor Gelásio Klein, sogro do piscicultor Ivanir Sandrin, que produz por ano, cerca de 70 toneladas de tilápias. A produção é totalmente vendida para pesque pagues de Gaspar e Brusque. As oito lagoas do terreno foram construídas em 1963. Conforme lembra Ivanir, naquela época, a estrutura era muito diferente “Com o tempo, fomos mudando e adequando mais pra piscicultura, deixando mais profissional. Antes era mais simples, se fazia um buraco no chão e enchia de água”. Inicialmente, o foco principal das lagoas era atender

uma serraria próxima que era movida a água e uma turbina de energia. Com a existência das lagos, os peixes foram colocados apenas para consumo da casa. Ivanir conta que, quando resolveram profissionalizar o negócio, optaram por trabalhar apenas com a tilápia porque a carpa tem pouca demanda na região. A piscicultura tornou-se um negócio profissional entre 2004 e 2005, mas foi apenas há cinco anos que Ivanir deixou a fábrica onde trabalhava para tocar somente a criação de peixes. “Eu acho que me encontrei aqui. Eu trabalhava em fábrica, tinha um salário bom, já era supervisor, mas não sei se é por causa da raiz da gente, mas eu gosto muito disso aqui”.

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Pesqueiro São José: qualidade em meio à natureza

Referência em Gaspar e região, o Pesqueiro São José carrega consigo a qualidade, o respeito e a confiança do trabalho em família. Instalado em Gaspar desde 1999, o estabelecimento atua em duas vertentes: pesque-pague e restaurante. Em um amplo terreno às margens da rua José Junckes, no bairro Arraial D’Ouro, o local reserva belas paisagens

e ótimos momentos entre amigos e familiares. Proprietário do pesqueiro, Bláusius Knoth, popularmente conhecido como Tate, conta como tudo começou. “Fui criado no ambiente rural, onde meus filhos também cresceram. A nossa realidade é em meio à natureza e sempre gostamos muito de cultivar vegetação e animais. Foi aí que surgiu a ideia de trabalhar com peixes”.

Apesar do negócio da família ter iniciado com a criação de peixes em pequenos lagos, hoje o Pesqueiro São José disponibiliza aos seus visitantes uma lagoa de aproximadamente 3 mil metros. Anualmente, são pescados cerca de 40 toneladas de peixes. “Não criamos mais peixes, apenas compramos. Aqui, os engordamos e vendemos para quem pesca e também oferecemos aos clientes que almoçam no restaurante”, explica Tate.

Restaurante

O Pesqueiro São José possui sete espécies de peixes: tilápia, pacú, carpa, matrinxã, jundiá, catfish e pintado. O restaurante fica aberto às sextas-feiras, sábados e domingos, das 8h às 20h. Aos domingos, é servido buffet que conta também com o acompanhamento de carnes e pratos quentes. Nos demais dias da semana, os pedidos são à la carte.

De acordo com Tate, o sucesso do Pesqueiro São José se dá pelo amor com que os serviços da família são prestados. “Nós somos completamente realizados em trabalhar juntos e nesse ramo. Também somos gratos pela parceria com os clientes conquistados ao longo da nossa trajetória”. 50 anos Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar | Página 41


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Fazenda Gamborgi

Produção de pai para filho

Acordar às cinco horas da manhã todos os dias para ordenhar as vacas. Colocá-las de 12 em 12 na ordenhadeira canalizada e repetir a ação até que as 35 vacas de leite da fazenda tenham sido ordenhadas. Essa é a rotina diária de Marco Aurélio Gamborgi, produtor de leite em Gaspar. O trabalho árduo de produtor de leite está na família há bastante tempo. Ele começou com os pais de Marco, Milton e Léia Gamborgi, no ano de 1968, na cidade de Lages, quando a bebida ainda era entregue direto ao consumidor, de porta em porta. Alguns anos mais tarde, a família se mudou para Gaspar e continuou com o ofício no município. Em 2010 Milton decidiu que era hora de parar com o ne-

gócio Foi então que o filho Marco abandonou a carreira de jornalista e assumiu a fazenda da família. “Comprei as vacas dele, aluguei a propriedade e trabalho aqui desde então. Mas meu pai continua me ajudando”, comenta Marco. Ao todo, a fazenda da família Gamborgi tem cerca de 90 cabeças de gado, entre vacas produzindo e esperando para parir. Destas, 35 são para ordenha. “Nossas vacas são da raça Holandesa e algumas Holandesas cruzadas com Jersey. Essas raças são europeias, sofrem um pouco no nosso verão, só que são as vacas que mais produzem leite em absoluto no mundo inteiro”, destaca. A ordenha das vacas acontece duas vezes ao dia: uma às 5h e ou-

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tras às 17h. “Essa é mais ou menos a nossa rotina. Faz um ano que não tenho mais funcionários, então eu faço todo o serviço sozinho”. Marco ainda conta que, por dia, uma vaca chega a dar 25 litros de leite, o que ele considera uma boa quantidade para a forma como conduz o trabalho. “É um número bom para o nosso sistema, que não é tão intensivo. Tenho vacas que foram vendidas pra um produtor de Presidente Getúlio e estão dando cerca de 40 litros de leite por dia. Aqui elas davam de 25 a 30 litros”, compara. Por ano, a fazenda gasparense produz 200 mil litros de leite, que são vendidos para a empresa Chocoleite, de Jaraguá do Sul.


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Gado Os Gamborgi também fazem a criação do próprio gado. “A gente faz o ciclo completo. Nossas vacas são todas crias daqui e eu vendo bastante também. O pessoal gosta da nossa linhagem. Uma vaca dá entre seis e sete crias durante a vida. Ela é uma trabalhadora que tem dois meses de férias por ano”, explica Marco, destacando que o grande desafio do setor produtor de leite hoje é a reprodução. “Temos um veterinário que nos acompanha. Trabalhamos com reprodução assistida pra garantir o máximo de vacas prenhas por ano”.

“A grande vantagem da vida no campo é qualidade de vida” O produtor Marco é jornalista por formação e apaixonado por fotografia, mas optou dar continuidade no trabalho que o pai desenvolveu por tantos anos. Com a filha Helena, de pouco mais de um ano nos braços, ele fala que um dos maiores privilégios de trabalhar em casa é a proximidade com a família. “Meus filhos sempre vêm me visitar quanto eu tô trabalhando. Eu acho que a grande vantagem da vida no campo é qualidade de vida. Não ganhamos tanto, mas continuamos vivendo igual. Eu acho que vale cada gota de suor derramado”.

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Plantio

O ouro de Gaspar é o arroz Por quase toda Gaspar, é possível enxergar até o horizonte os grande quadrados verdes de terra onde cresce o arroz. Às vezes mais alto, quando o arroz está crescendo, às vezes mais baixo, quando a colheita já foi feita... mas sempre belo, dando um tom de campo à cidade que se desenvolve a cada dia. No bairro Arraial, localizado às margens da BR-470, as arrozeiras encantam e contrastam com o cinza do asfalto. Um desses pedaços de terra pertence ao agricultor Jalmor de Souza, que, assim como a grande maioria dos produtores, herdou do pai a paixão pela

terra. Ainda criança, Jalmor ajudava os pais, Raul de Souza e Irani Maria de Souza. Primeiro, puxava bois e cavalos. Mais tarde, dirigiu a tobata da família. Seguindo a tradição da família, hoje quem o ajuda na lida diária é o filho Diego de Souza, de 27 anos. O encanto com a tarefa de fazer um alimento crescer da terra veio com o jovem desde pequeno. Jalmor conta que o filho demonstrou interesse pela lavoura desde pequeno. “Com quatro, cinco aninhos, ele já ia comigo pra roça. Ele gosta da área desde sempre”, orgulha-se.

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Em fevereiro deste ano, a Epagri lançou um novo tipo de arroz: o pérola, especial para preparo de risoto. O cereal especial vinha sendo desenvolvido desde 2007. De acordo com dados da Epagri, o novo arroz é mais produtivo que os demais arrozes para risoto. Segundo Ester Wickert, pesquisadora da Epagri, a produtividade do grão é de seis toneladas a mais. “Normalmente os grãos especiais têm menor produtividade, já o Pérola apresentou produtividade média de dez toneladas por hectare nos experimentos realizados em diversas regiões produtoras de Santa Catarina”.


50 anos | Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar O plantio do arroz começa entre os meses de junho, julho e agosto. Em janeiro, inicia-se a colheita. Logo depois começa o processo de ressoca, que nada mais é do que o arroz que brota novamente após a primeira colheita e que será colhido em maio. A ressoca não possui a mesma qualidade que o primeiro plantio, mesmo assim é bem aceita no mercado. As despesas da ressoca são menores para o agricultor e ela é a responsável por quase 40% da produção local. O agricultor Jalmor de Souza planta, ao todo, em 83 hectares de terra. Com isso, sua produção anual gira, dependendo do ano e do clima, entre as 140 sacas por hectar.

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Festa do Arroz O arroz é tão especial para o município quanto para os agricultores que tiram sua renda dele. No ano de 1975, Gaspar promoveu a primeira Festa do Arroz. A

festa aconteceu no dia 5 de abril, no Colégio Frei Godofredo, e serviu para comemorar a colheita. Entre as atrações da festa estavam a apresentação das can-

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didatas a rainha e princesas do arroz, churrascada, baile e uma homenagem à família Mondini, primeira produtora do cereal no município.


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Agromaxion: referência em peças agrícolas e industriais A qualidade na prestação de serviços torna a Agromaxion referência no que faz. Sempre comprometido com clientes e fornecedores, o proprietário da empresa, Agenor Schneider, faz questão de trabalhar diariamente focado no desenvolvimento de peças agrícolas e industriais. Ele conta que a história da Agromaxion começou na década de 1980, quando a empresa tinha outro nome e era tocada em parceria com seu irmão, Jaime

Schneider. “No começo, a empresa se chamava Oficina Mecânica Schneider. A gente prestava serviços de manutenção mecânica e fabricação de implementos aos agricultores da cidade”, lembra. No ano de 1997, a sociedade entre irmãos acabou e a situação fez com que o filho de Agenor, Adriano Schneider, assumisse a empresa junto do pai. “Foi aí que decidimos modernizar e expandir o atendimento. Aí passamos a comercializar peças de reposição para a área

agrícola e também industrial”. Hoje, a empresa conta com as peças e implementos para tratores e colheitadeiras. Quem fala sobre o assunto é Adriano. “Aqui temos tudo para máquinas de construção civil, rolamentos, retentores, correias, polias e correntes de transmissão. Mantemos também a prestação de serviço de manutenção mecânica em geral, além de trabalhar com reformas de betoneiras, solda e usinagem”.

Atendimento Situada na rua Prefeito Leopoldo Schramm, número 115, no bairro Coloninha, em Gaspar, a Agromaxion atende a todos os clientes com muita atenção. A loja fica aberta das 7h às 18h de segunda-feira a sexta-feira. Aos sábados, a comunidade pode ir até o local das 7h30 às 11h. Com a facilidade que a internet proporciona, a Agromaxion disponibiliza também atendimento pelo whatsapp, no número 99963-1983 e através do email agromaxion@hotmail.com. O telefone fixo da empresa é o 3332-1334.

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Bovinocultura

Uma vida repleta de histórias para contar

A vida no campo é repleta de histórias para contar. A lida diária com os animais pode ser gratificante, mas também é bastante trabalhosa. Luciana dos Santos Simon é pecuarista. Ela cuida de gado desde que se casou, há 25 anos. Mas, quando era criança, já ajudava a

família tirando leite das vacas e tratando os bezerros. O marido de Lucina trabalha com plantações de arroz e os sogros cuidavam de algumas vaquinhas. Para ajudar, ela foi cuidar do gado junto com a sogra. “Aí eu comecei a selecionar as vacas que

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são matrizes, pra criar bezerros melhores e começamos a comprar touros de raça, registrados, pra ir melhorando a genética dos animais. E assim eu estou até hoje. Já faz 25 anos. Temos umas 30 cabeças de gado Lenore e uma vaquinha de leite pro nosso consumo em casa”.


50 anos | Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar O cuidado com os animais que começou quando criança e seguiu na vida adulta fez de Luciana a única mulher pecuarista associada aos Sindicato Rural de Gaspar. E ela se orgulha disso. “Eu também faço parte do conselho fiscal do sindicato. Mas, que trabalha com pecuária, eu sou a única”. As funções que podem ser consideradas mais perigosas são desempenhadas com maestria por Luciana. “Eu que conduzo os animais, dou as vacinas... só quando é pra castrar que chamamos o veterinário. Mas, de resto, é tudo eu que faço”. Para ela, o que facilita todo o trabalho é a boa instalação, preparada para todas as funções. Na fazenda de Luciana, os animais não ficam em confinamento. “O meu

gado é tratado no pasto. A gente dá casquinha ou farelo uma vez por dia. Mas eles não ficam presos no curral engordando. São todos soltos”. Ela salienta que o controle com os animais é necessário porque o comércio de carne bovina não está tão bom. Então, quanto melhor forem os cuidados com os animais, mais fácil de conseguir a venda. Além de deixar as vacinas em dia, a pecuarista faz todo o registro do rebanho em um caderno. “Eu anoto quando a vaca emprenhou, quando nasceu o bezerro e busco o brinco de identificação na Cidasc, porque hoje em dia precisa ter tudo registrado e eu gosto de ter as coisas bem organizadinhas”.

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“A gente se apega muito em vaca de leite, porque elas ficam muito tempo. É ruim quando a gente se apega. Mas é assim que acontecem as perdas...”

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Em 25 anos de trabalho, é inevitável o apego com alguns animais. E Luciana se comove ao falar sobre a vaca Mimosa, animal pelo qual tinha carinho como se fosse um bicho de estimação. “A gente se apega muito em vaca de leite, porque elas ficam muito tempo. Eu tinha uma vaca Jersey, a Mimosa. Fiquei com ela uns 13 anos, tirando leite dela todo dia. Mas chegou uma hora que não deu mais pra ter, porque

ela já estava velhinha. Mas eu não tinha coragem de sacrificar. É ruim quando a gente se apega. Mas é assim que acontecem as perdas da gente. Dá muita história assim no campo. Faz parte da criação do gado”. Agora, Luciana tem um novo companheiro. Valente é um bezerro que foi rejeitado pela mãe no nascimento e agora a pecuarista toma conta dele até que ele esteja forte para se juntar aos outros.


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Agropecuária e Aviário Trinca Ferro é referência Há 12 anos, Gaspar conta com uma ampla e completa agropecuária. Administrada por Valcir do Nascimento, a Agropecuária e Aviário Trinca Ferro iniciou sua trajetória na rua Arnoldo Schramm, às margens da Avenida das Comunidades, no Centro de Gaspar, local em que hoje encontra-se sua loja matriz; e expandiu seus atendimentos para um novo endereço: a rua Barão do Rio Branco, ao lado da Lotérica Zimmermann. O reconhecimento atribuído à agropecuária é proveniente da varie-

dade de produtos que está à disposição dos clientes. Entre as mercadorias das mais variadas marcas e modelos estão rações, medicamentos, acessórios para animais, ferramentas e equipamentos agrícolas. Além disso, o local conta com assistência veterinária e comercialização de animais, como aves exóticas e de criação, mini coelhos, peixes, cães e gatos. De acordo com Diego do Nascimento, filho e parceiro de Valcir nos negócios, a Agropecuária e Trinca

Atendimento na loja matriz (acima) acontece de segunda a sexta, das 7h30 às 19h, e aos sábados, das 7h30 às 12h. Já na filial, os clientes podem fazer suas compras de segunda a sexta, das 7h30 às 12h e das 13h30 às 18h30, e aos sábados, das 7h30 às 12h.

Ferro se destaca por se transformar ao longo dos anos. “Fomos crescendo e nos adaptando conforme as mudanças do mercado. Inicialmente trabalhávamos com coisas mais básicas e tínhamos um número menor de clientes. Agora, nossa estrutura aumentou, inclusive abrimos uma filial para conseguir atender toda a demanda”, conta. Hoje, a agropecuária conta com duas lojas em Gaspar e ambas possuem uma equipe de atendimento preparada para atender os desejos dos clientes.

Valcir do Nascimento administra as duas agropecuárias ao lado da esposa Rosangela e dos filhos, Leonardo e Diego.

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Cooper

Geleias e doces com a marca gasparense

Geleias deliciosas, pães fresquinhos, doces inigualáveis e queijinhos caprichados. Esses e muitos outros produtos podem ser facilmente encontrados nos supermercados, panificadoras e feiras graças ao trabalho de agricultores associados à Cooperativa de Agroindústria de Produtos Artesanais, a Cooper Gaspar. Em Gaspar desde maio de

2002, a Cooper coleciona conquistas nesses 16 anos de história baseada na legalização, formalização do trabalho dos produtores rurais e valorização da mão-de-obra familiar. Entre as principais vitórias, a cooperativa destaca a regularização dos rótulos dos produtos e a obtenção da Inscrição Estadual, que lhes proporcionou acesso a novos mercados.

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A Cooper de Gaspar conta com o apoio da secretaria de Agricultura e Aquicultura municipal, que oferece ajuda no desenvolvimento do empreendimento. Além disso, a Vigilância Sanitária contribui com visitas, orientações e cobranças periódicas nas unidades fabris de todos os associados para informar sobre a correta manipulação e higiene dos produtos até a adequação das instalações para o processamento nas agroindústrias.


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Cooperados Hoje, a Cooper de Gaspar tem 21 cooperados. Para fazer parte desta história, é preciso que o interessado não possua restrições em seu nome, tenha o local de fabricação do produto de acordo com a vigilância sanitária e tenha disponibilidade para participar das reuniões mensais. Dessa forma, a Cooper tem o objetivo de auxiliar na formalização do trabalho de produtores de pequeno porte dando a eles condições necessárias para ampliação

do seu negócio e gerando melhor economia para o município. Quem confirma a união e ressalta as vantagens de ser associado da Cooper Gaspar é o produtor Fabiano Wahldrich. “Trabalho na produção de doces, pães e roscas para vender na feira livre de Blumenau. Mas é em Gaspar que recebo grande apoio da cooperativa e dos demais associados. A gente se ajuda na burocracia da contabilidade e também trocamos experiências”.

Futuro Presidente da Cooper Gaspar há um ano e meio, Ricardo Hostin tem boas expectativas quanto ao futuro. “A relação entre a cooperativa e os associados é de união. O nosso intuito é auxiliar e agregar o maior número de cooperados no sentido de fortalecer cada vez mais a nossa marca, conquistando maior espaço no mercado econômico, para que os produtos artesanais não sejam esquecidos. Na caminhada que temos pela frente, buscamos ainda mais valorização”, destaca.

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Erica Bailer Pamplona

A alegria de quem produz queijo artesanal para a família

Há 65 anos, Erica Bailer Pamplona acorda todos os dias por volta das 5h30 para ordenhar as vacas e dar início à sua especialidade: a produção de queijos artesanais. A casa em que a senhora vive e trabalha é pintada nas cores amarelo e azul e indica a força e a vitalidade de uma mulher caprichosa, com trajetória de oito décadas e muita história para contar. Dona Erica mora no bairro Gaspar Mirim e se orgulha em contar como, quando e o que a fez se apaixonar pela arte de produzir de-

liciosos queijos. “Comecei aos 15 anos, estimulada pelos meus pais, que também produziam queijo em casa. Depois que casei, continuei. Gosto de manter as tradições e me sinto mais próxima de mim mesma quando repito todos os dias esse processo”. Colecionando recordações positivas relacionadas à agricultura e ao meio rural, dona Erica é mãe de dez filhos, avó de quase 30 netos e bisavó de 11 crianças. Hoje, essa grande família é que tem a oportunidade de apreciar os quei-

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jos preparados pela matriarca. “Ah, gosto de agradá-los. Minha família é muito grande e todos são atenciosos comigo, fazem questão de ajudar sempre que podem. Ver eles felizes é algo que não tem preço, faz bem para mim”. Quando questionada sobre o retorno financeiro, a senhora se diz satisfeita com a confiança adquirida há anos. “Vendo para alguns parentes, vizinhos e pessoas da comunidade que conhecem meu trabalho. Mas, já não viso o lucro mais”, afirma.


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A estimativa é de que aproximadamente 24 mil queijos já foram feitos pelas mãos de dona Erica. “Não há um dia sequer que eu tenha deixado de produzir. Em geral, faço um por dia. Mas teve época que fiz bem mais”, diz a senhora enquanto utilizava as mãos para concluir os cálculos. Além do queijo de forma, ela afirma que aproveita o espaço da casa para produções artesanais. “Uso o leite para preparar outras coisas, como o queijinho coalho e a nata. Todo mundo adora. Dizem que fica uma delícia”.

“Uso o leite para preparar outras coisas, como queijinho coalho e a nata. Todo mundo adora. Dizem que fica uma delícia”

O processo Sentada na mesa de jantar, em frente a alguns queijos, dona Erica Bailer Pamplona fala com propriedade sobre um dos assuntos que mais domina. “Temos umas oito vacas, mas apenas três dão leite diariamente, o que rende, mais ou menos, uns 15 litros”. A quantidade de leite é suficiente para produzir um queijo, um pouco de nata e queijinho coalho, além de servir para acompanhar no café de cada manhã. Depois de retirar o leite, o processo se divide em vá-

rias etapas, todas realizadas com muita agilidade pela senhora. “Começo com o leite cru. Uso um pano para coar, depois boto em um balde com duas ou três colheres de coalho e deixo descansar por pouco mais de uma hora. Daí eu mexo, corto a massa que fica mais durinha várias vezes, coloco o sal e deixo coalhar”, detalha dona Erica antes de concluir o pensamento: “Por último, vai para a forma para escorrer a água. Tem que ter paciência”.

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Motivo de orgulho Quem ajuda e segue os ensinamentos da senhorinha simpática é Claudete Bailer Pamplona, uma das filhas. “Produzir o queijo artesanal com a minha mãe é algo que me orgulho bastante. Considero uma herança muito boa os aprendizados que ela me repassou com tanto carinho”. As duas estão sempre juntas e trabalham como uma equipe, em harmonia, para que o resultado seja ótimos queijos. Outro filho de dona Erica, Sírio Pamplona está sempre

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por perto e confirma as características dos produtos. “É tudo da melhor qualidade. Tudo feito com leite fresco, higiene e cuidado. Conhecendo bem elas, sei que suas preferências é pelos queijos mais amarelos, aqueles que ficam cerca de um mês sendo conservados”. Sobre ter sido criado em meio a esse meio, ele se mostra orgulhoso. “É um passatempo que já garantiu o nosso sustento antigamente. Nossa família tem sorte de ter essa tradição”.


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Artur da Silva

O sustento da família do pequeno agricultor

Conciliar o trabalho rural e os serviços no meio urbano. É assim que ainda vivem muitos brasileiros e essa realidade também se aplica à história do gasparense Artur da Silva, hoje com 68 anos. Nascido em uma família agricultora, ele sempre esteve inserido neste meio e, desde muito cedo, exerceu

outras atividades para ajudar a aumentar na renda da casa. Junto da esposa Iolanda da Silva, ele está incluso no grupo de pessoas que produzem pequenas quantidades para consumo próprio e venda em escala menor. Seu Artur vive com a esposa no bairro Belchior Baixo, onde possui

aproximadamente dez hectares de terras. Lá, eles plantam arroz, criam vacas leiteiras, algumas galinhas, porcos e, às vezes, bezerros. “Nossa rotina é tranquila. Acordamos, vamos tratar os bichos, tirar o leite e pegar os ovos. Já na arrozeira, o processo é diferente, tem época pra tudo”.

De acordo com Artur, sua esposa chegou a trabalhar fora por algum tempo. Porém, abriu mão do emprego. “A Iolanda foi contratada por uma fábrica, onde ficou por muitos anos. Mas, depois que vieram os filhos, ficou complicado e ela acabou focando nas crianças e na demanda que tínhamos aqui em casa. Sempre forte, ela é muito companheira”. Hoje, além de trabalhar na produção rural, seu Artur é entregador do Jornal Cruzeiro do Vale.

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Wilson Lenfers

Funcionário de fábrica, vereador e pequeno agricultor

Dividir o dia entre o trabalho em uma empresa de alimentos, o cargo de vereador e a vida de pequeno agricultor não é fácil. “A luta é brava”. É assim que Wilson Luís Lenfers define essa situação. Trabalhando no primeiro turno da fábrica da Bunge Alimentos, Wilson começou na empresa há 38 anos. Este foi seu primeiro emprego. Ele afirma que, para se manter tantos anos em uma empresa, é preciso dedicação e gostar do que faz. “Isso

em primeiro lugar. Depois, temos que obedecer a chefia. Mas esse é um ensinamento que vem de casa: respeitar a autoridade e se dedicar, cumprir o dever na empresa e fazer o possível para satisfazer”. Até o final de 2016, o trabalho na fábrica era dividido com a lida na agricultura. A partir do início de 2017, porém, o dia de Wilson passou a ser dividido com o cargo de vereador, conquistado nas eleições do ano anterior. Trabalhando no pri-

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meiro turno da fábrica, ele dedica a vereança aos cuidados dos interesses dos pequenos agricultores e utiliza os horários alternativos para as tarefas de agricultor. O fim do dia e os finais de semana são, geralmente, os períodos escolhidos para as tarefas na roça. “Antes eu saía da Bunge e ia para a agricultura. Agora, tenho mais uma demanda, que é a de vereador. Mas não me importo. Tudo o que é feito com o coração não se torna cansativo”.


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“Antes eu saía da Bunge e ia para a agricultura. Agora, tenho mais uma demanda, que é a de vereador. Mas não me importo. Tudo o que é feito com o coração não se torna cansativo”.

Em sua propriedade, Wilson Lenfers tem quatro hectares de cana de açúcar, matéria prima para sua pequena produção de cachaça e melado de cana. Além disso, ele tem 23 cabeças de gado de corte. Sua produção é vendida para algumas pessoas que conhecem a qualidade dos produtos e os buscam em sua casa. A família, porém, também consome o que ali é produzido.

Como não possui funcionários, Wilson conta com a ajuda da esposa, Marilse Schramm Lenfers, para produzir a cachaça. “Minha mãe, que faleceu em janeiro, também sempre foi parceira. Ela que fazia a cachaça. Hoje minha mulher já está substituindo. Minha mãe ensinou a ela e hoje a Marilse já puxa a frente também, tanto de moer quanto para lambicar”.

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Patrulha

mecanizada

A Patrulha Mecanizada foi criada pela Prefeitura de Gaspar em 1989 e até hoje presta serviços aos agricultores. Atualmente, a Patrulha é formada por tratores, arado, enxadas rotativas, roçadeira, camionete e escavadeira hidráulica, além de contratar serviços terceirizados de retroescavadeira e caminhão de transporte acima de 10 toneladas, especiais para atender toda a demanda de limpeza, aberturas e drenagem de valas, além de transportar insumos de interesse do agricultor. Este vasto maquinário presta diversos serviços, desde aração, gradagem rotativa, roçadas, transporte de calcário, implementos e insumos em geral. A Patrulha Mecanizada é regulamentada pelas leis complementares, n° 3 de 19/12/2001, n° 31 de 07/10/2005 e n° 37 de 19/12/2006, que garantem ao produtor preço mais acessível, com desconto de 0,5% e possibilita que possa emitir nota fiscal de produtor do ano anterior.

Horas trabalhadas no período de 2017

Horas trabalhadas de janeiro a março de 2018

PC

643 horas

Máquina PC

300 horas – 44 produtores beneficiados

Trator

167.5 horas

Trator

44.5 horas – 20 produtores beneficiados

Trans. Colheitadeira

37.33 horas

Trans. Colheitadeira

70 horas – 45 produtores beneficiados

Trans. de Fumo

196,5 horas

Transporte de Fumo

55 cargas – 35 produtores beneficiados

Trans. Calcário

912 toneladas

Trans. Calcário

8 Toneladas – 3 produtores beneficiados

Frete Mercedes

27 horas – 5 produtores beneficiados

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Expofeira

Agropecuária Os números da Expofeira 2017 Expositores

59

Animais

384

Municípios

20

Participantes

8.000

A Expofeira Agropecuária teve sua primeira edição em 1984. De lá para cá, foram vários eventos que oportunizaram aos participantes a troca de experiência, o conhecimento sobre novas tecnologias, a divulgação de produtos e a oportunidade de conhecer a genética de animais de gado de corte, equinos, ovinos e aves. Além disso, a Expofeira traz grande visibilidade ao município de Gaspar a toda região, já que os demais municípios participam ativamente da feira, mostrando sua cultura, produtos, tradições e pontos turísticos para serem visitados. Dentre os participantes, destacam-se os agricultores familiares, pecuaristas,

piscicultores e proprietários de agroindústrias de pequeno porte, pois mesmo que a Expofeira seja aberta ao público em geral, são eles o público alvo do evento. Um dos principais objetivos do evento é gerar mais engajamento entre os produtores, órgãos do Estado e Prefeitura, através de palestras técnicas, projetos com demais entidades e o acompanhamento do trabalho desenvolvido durante o resto do ano. A última edição da feira aconteceu em julho de 2017, paralela ao Festival da Tilápia, atraindo um público de mais de 8 mil visitantes. Ao todo, foram expostos 400 animais, de 80 expositores, com a participação total de 20 municípios.

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Festival da Tilápia

e Piscicultura

Dados da piscicultura em Gaspar Produção

967 toneladas

Pesque Pague

30.000 visitas por ano

Área alagada

50 ha

Potencial

100 ha

Movimentação Financeira

R$2 milhões

Merenda Escolar

3 toneladas

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Em Gaspar, a piscicultura tem se destacado desde 1989, com a criação de feiras do peixe vivo, pesque-pagues e capacitação profissional dos aquicultores, com apoio da Prefeitura Municipal de Gaspar e Epagri. Com uma área de mais de 100 hectares de área alagada e 50 hectares de exploração comercial, a piscicultura recebe destaque na economia local. Com aproximadamente 10 pesque-pagues, circulam em Gaspar cerca de 30 mil pessoas por ano em busca da prática da pesca, gerando a comercialização de 40 toneladas de peixe, obtendo movimentação financeira de R$2 milhões. O município tem um grande potencial para o desenvolvimento da aquicultura por conta de sua condição climática. Atualmente, a produção ultrapassa das 950 toneladas anuais, sendo 567 toneladas de produtores profissionais, que vendem seu produto para agroindústrias e os pesque-pagues, e mais de 400 toneladas na piscicultura amadora ou de subsistência. A Extensão rural e, principalmente, a Assistência Técnica tem papel importante na criação e produção em sistemas de cultivo. A correta orientação técnica por profissionais capacitados é importante e fundamental para o sucesso dos empreendimentos. A Secretaria Municipal de Agricultura e Aquicultura, através de seus profissionais, tem se mostrado sempre à disposição para orientar, discutir, e levar informações necessárias a boa condução do cultivo de peixes. Idealizado pela Aquipar, Gaspar realiza em 2018 mais uma edição do Dia do Pescador, evento de cunho técnico em que são oferecidas palestras relacionadas à piscicultura. A Prefeitura também vai realizar o 4ª Festival da Tilápia, onde diversos restaurantes e produtores do município mostram a culinária do peixe de água doce para os visitantes.


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Atendimento A Prefeitura Municipal de Gaspar, através da Secretaria de Agricultura e Aquicultura, incentiva e dá suporte ao agricultor com programas e projetos sustentáveis. Desde 1980, a Secretaria tem prestado serviços de extrema relevância para o produtor, com inseminação artificial, atendimento clínico veterinário, convênio com a Epagri na área de Assistência Técnica e Extensão Rural, além do serviço de inspeção animal municipal e estadual com convênio com a Cidasc. Atualmente, a pecuária do município conta 316 produtores, que possuem

Clínico Veterinário

12 mil cabeças de bovinos espalhadas pelo município, gerando uma movimentação financeira de R$19 milhões por ano, portanto é de extrema importância que os órgãos competentes trabalhem junto ao produtor, pois é uma enorme fonte de renda para a cidade e região. Dentro dos programas de maior relevânci, pode-se destacar a inseminação artificial e o atendimento clínico veterinário. No serviço de Inseminação Artificia, são atendidos mais de 30 produtores por mês e apenas no ano de 2017 foram realizadas cerca 400 inseminações. Dentro do aten-

dimento clínico veterinário são mais de 80 animais todos os meses, e cerca de 300 produtores optam por utilizar o serviço, totalizando 1000 animais por ano recebendo tratamento médico e especializado. Tal ação garante mais segurança e cuidados na prevenção de possíveis doenças que podem ocorrer nos animais. Além disso, elas garantem a genética de qualidade. Para o cidadão ter acesso, basta entrar em contato com a Secretaria de Agricultura e Aquicultura. Estes serviços são exclusivos de animais de produção.

Números do tendimento Clínico e Inseminação em Gaspar Inseminação: 400 Atendimento Clínico: 1.000 Castração: 72 Visitas: 450

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Cenas do nosso interior

Gaspar é uma cidade de encantos mil. Porém, é no interior da cidade que se encontram as mais belas paisagens. É em meio ao verde da natureza que são feitos os melhores registros. E é nesse cenário que o fotógrafo gasparense Luiz Eduardo Schramm se inspirou em busca das melhores cenas do cotidiano. As cenas do nosso interior.

No bairro Arraial, céu e arrozal quase se confundem

Plantação de arroz entre os bairros Gasparinho e Gaspar Grande

Pesca do robalo

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Cenas do nosso interior

Amanhecer que encanta os hรณspedes do Fazzenda Park Hotel, no bairro Gasparinho

Amanhecer apรณs uma noite de geada no bairro Alto Gasparinho, em Gaspar Pรกgina 68 | 50 anos Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar


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Cenas do nosso interior

A tobata, os peixes e o caminho que leva ao interior de Gaspar

Rancho no Arraial e casa tĂ­pica no Alto Gasparinho retratam a simplicidade e o aconchego do interior 50 anos Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar | PĂĄgina 69


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